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O desenvolvimento das forças produtivas na moldura sociopolítica

saturou o espaço social brasileiro com todas as expressões da questão


social aumentadas, e com a sua administração crescentemente
centralizada pelas políticas sociais do Estado ditatorial. Daí surge a
necessidade da generalização na estrutura sócio-ocupacional, de funções
a serem preenchidos por assistentes sociais, quer nos aparelhos
burocráticos-administrativos do Estado, quer no âmbito de setores
diretamente geridos pelo capital.

A criação de um mercado nacional de trabalho para os assistentes


sociais tem seus mecanismos originais deflagrados em meados dos anos
quarenta, quase uma década depois da fundação das primeiras escolas
de Serviço Social, no bojo do processo de desenvolvimento de grandes
instituições sociais implementadas no ocaso do Estado Novo. Nos anos 50
e na entrada dos anos 60 esse mercado se expande com a
industrialização pesada.

O tradicional grande empregador dos assistentes sociais reformula


substancialmente a partir de 1966-1967, as estruturas onde se inseriam
aqueles profissionais, na abertura de uma série de reformas que,
atingindo primeiramente o sistema previdenciário, haveria de alterar de
cima para baixo todo o conjunto de instituições e aparatos
governamentais, através dos quais se interfere na questão social.
Esta reformulação foi tanto organizacional quanto funcional,
acarretando numa diferenciação e especialização das próprias atividades
dos assistentes sociais, decorrentes do elenco mais amplo das políticas
sociais, quer das próprias sequelas do modelo econômico. Promovida
aquela reformulação em escala nacional, e sob a ótica centralizadora do
Estado de Segurança Nacional, ela atravessou de ponta a ponta o
mercado estatal de trabalho dos assistentes sociais: a sua nova inserção
nos chamados serviços públicos viu-se universalizada no espaço nacional
, provocando uma extensão quantitativa da demanda de quadros
técnicos de Serviço Social.
O mercado nacional de trabalho para os assistentes sociais foi
dinamizado nos anos sessenta, pelas médias e grandes empresas
monopolistas e estatais. Os anos do milagre econômico ampliam as
oportunidades de trabalho para o Serviço Social de Empresa, não apenas
em razão do crescimento industrial, mas também pelo pano de fundo
sociopolítico, mas determinado também pelo pano de fundo sociopolítico
em que ele ocorre e instaura necessidades peculiares de vigilância e
controle da força de trabalho no território da produção.
Por outro lado, os fenômenos de pauperização, as sequelas do
desenvolvimento orientado para privilegiar o grande capital, compeliram
organizações de filantropia privada a requisitar o concurso de
profissionais que antes não ocorria. Mesmo que o conteúdo geral das
práticas profissionais não tenha sido deslocado da execução terminal de
políticas sociais setoriais, alterou em escala significativa o
relacionamento dos profissionais com as instâncias hierárquicas a que se
prendiam.

A prática dos profissionais teve que revestir-se de características


formais e processuais segundo critérios burocráticos-administrativos
modernos, implicando num redimensionamento técnico-racional, que
abandonou os comportamentos profissionais fundados em supostos
humanistas. Mudou o perfil do profissional demandado pelo mercado de
trabalho.
Com efeito, data daí a inserção do Serviço Social no espaço
universitário. Trata-se da efetiva incorporação da formação profissional
pela universidade, introduzindo os cursos na academia e subvertendo as
condições de ensino. As escolas isoladas mantidas por organizações
confessionais ou leigas convertem-se em pouco tempo em unidades de
complexos universitários. Em um breve período de tempo, a formação
profissional viu-se penetrada pelas exigências e condicionalismos
decorrentes quer da refuncionalização global da universidade pelo
regime autocrático burguês, onde ocorre a interação com as disciplinas
vinculadas às ciências sociais, recebendo as influências da Sociologia, da
Psicologia Social e da Antropologia.
Mas o conjunto de sequelas que o ciclo ditatorial imprimiu ao quadro
educacional e cultural do país, rebateu com imensa força sobre a
formação dos assistentes sociais. Entretanto, o recrutamento do novo
pessoal docente agregou elementos que vinham da formação em
momentos imediatamente anteriores ou posteriores à implantação da
ditadura, puderam engendrar no âmbito do Serviço Social uma massa
crítica também inexistente antes. Quando se superam as restrições
impostas pela ditadura, o acúmulo realizado por este componente
profissional vem à tona com significativa ponderação.
É nesse contexto que se desenvolve a renovação do Serviço Social,
fornecendo as balizas histórico-sociais e ideoculturais no interior das
quais a profissão experimentará as maiores rotações desde que surgiu no
país.