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1.

“UMA MULHER EM TEMPOS DIFÍCEIS”


Teresa Sánchez de Cepeda y Ahumada nasceu a 28 de março de 1515 em Gotarrendura,
cidade da província de Ávila, Castela. Seu avô paterno, Juan Sánchez, desposou doña Ines de Cepeda,
de antiga linhagem cristã - um de seus ancestrais combatera os mouros em Gibraltar ao lado do rei
Alfonso XI. Deste casamento nasceram sete meninos e uma menina, o segundo, Alonso Sanchez de
Cepeda, foi o pai de Teresa d’Ávila, ou Teresa de Jesus. Alonso tinha dez ano quando o pai,
um marrano (judeu converso), foi condenado, segundo Reynaud (2001), pelo tribunal inquisitorial de
Toledo como herético e apóstata face a Santa Fé Católica  sob suspeita de se manter secretamente
fiel ao judaímo.
Para fugir da desonra, Juan Sanchez trocou Toledo por Ávila onde comprou um certificado de
nobreza e fez com que seus filhos desposassem herdeiras de velhas famílias proprietárias de terras.
Assim, Alonso de Sanches de Cepeda se casou, em 1505, com uma jovem nobre de família cristã,
doña Catarina del Peso y Enao, que lhe deu dois filhos, morrendo em 1507. Dois anos depois, em
1509, don Alonso desposou a jovem Beatriz de Ahumada.
Ainda hoje as carmelitas descalças de Pastraña conservam a certidão original de
nascimento de Teresa, redigida pelo próprio pai: ‘Neste 28 de março de 1515
nasceu minha filha Teresa, por volta de cinco horas e meia da manhã, ao nascer
do dia da quarta-feira.’ Sua mãe, doña Beatriz de Ahumada tem vinte anos. É seu
terceiro filho. Vieram antes Rodrigo e Fernando. Outros seis ainda viriam:
Antonio, Pedro, Jeronimo, Augustino, Loreno e Juana. (REYNAUD, 2001, p.25)

Teresa, portanto, pertencia a uma família de fidalgos cultos, que prezavam o conhecimento e
a cultura. O pai jogava xadrez num tabuleiro preto e branco, de ébano e marfim enquanto a mãe
deixava galopar a própria imaginação frequentando a vida dos santos e, mais ainda, os romances de
cavalaria, que lia escondida do marido. “[...] Para se esquecer de seus muitos sofrimentos, entregava-
se apaixonadamente à leitura dos romances de cavalaria, às ocultas do marido, e dava-os aos filhos.
[...] (ROSSI, 1998, p.14)
Por volta de seis ou sete anos de idade, ela já lia em castelhano, na companhia do irmão
Rodrigo, o Flos sanctorum que desfrutou de imensa popularidade ao ser lançado no país em 1521.
Ainda na companhia do irmão decidiu partir, em 1522, para os países mouros para lá ter a cabeça
cortada. Certa manhã os dois pegaram na cozinha alguns pedaços de pão, antes mesmo da chegada
das criadas, e dispostos a mendigar o alimento de que precisassem atravessaram a cidade em
direção a Salamanca. Recolhidos pelo tio retornaram a casa paterna. Uma vez recuperada do susto,
dona Beatriz chamaria muitas vezes Teresa para fazer-lhe companhia, recitando orações, falando-lhe
da Virgem e iniciando-a nos trabalhos de costura em seda.
No verão de 1528, nasceu a pequena Joana, nona irmã de Teresa; o parto foi difícil e levou as
derradeiras forças de Beatriz de Ahumada y Cuevas. Teresa era uma jovem deslumbrante que a
todos seduzia. E Don Alonso via-se cada vez mais impotente face às exigências da jovem, era
necessário colocar um basta as suas cobranças.
“Dom Alonso renuncia às alegrias que a filha lhe proporciona e prepara-se, mortificado, para
se separar dela uma primeira vez, para salvar sua honra, o resto de sua fortuna e a honestidade
ameaçada daquela que continua a ser sua filha favorita. [...] (REYNAUD, 2001, p.41) Teresa de
Ahumada tinha dezesseis anos ao ser levada para o convento das agostinianas de Santa Maria da
Graça para se ilustrar no exercício da religião e na aquisição das virtudes mais do que para se instruir
verdadeiramente. A Santa nunca escondeu suas deficiências educacionais. Já no mosteiro, ainda que
sentisse as deficiências de sua educação, por exemplo, não sabia latim; sabia ler e escrever. E
escrevia muito a pedido de seus confessores, ou para iluminar e guiar suas monjas.
1.1.A Conversão
Agitada por desejos antagônicos, desesperada pela busca de um não sei o quê, Teresa caiu
doente e voltou à casa do pai para tentar de curar de uma estranha debilidade nervosa. Irmã Joana
Suárez, fiel amiga e companheira, a acompanhou para ajudá-la. Os médicos, apesar de todos os
tratamentos, deram-se por vencidos e a enfermidade se agravou. Teresa repousou junto à irmã
Maria e na casa de seu tio Pedro Sanchez de Cepeda, na aldeia de Hortigosa.
Tio Pedro era um senhor de idade, viúvo, que só esperava a conclusão da educação de seu
último filho para entrar num mosteiro. Passava os dias lendo as obras dos Pais da Igreja ou os
tratados místicos contemporâneos. No período em que esteve na companhia do velho tio, Teresa foi
encarregada das leituras. “[...] ‘Na verdade a coisa me parecia pouco atraente’, confessa ela, ‘mas
fingi ficar muito contente, pois para agradar aos outros, mesmo que contra a minha vontade, eu
levava a condescendência ao extremo’” [...] (REYNAUD, 2001, p.49) No jardim de Hortigosa, leu as
Cartas de São Jerônimo, cujo fervoroso realismo encontrou eco em sua alma e os tratados de moral
de São Gregório. Juntos, tio e sobrinha, tentavam compreender as armadilhas da beleza do mundo,
um por estar se despedindo dele, a outra porque já as pressentiu, assim como a rapidez com que se
apagam a felicidade e a glória.
Teresa já entendeu que aquele que está buscando desde sempre não será encontrado no
mundo. Tenta encontrar razões sólidas para entrar para o convento, destituída de uma vocação que
ainda não é capaz de sentir. A decisão está acima de suas forças. Assim, na madrugada do dia 02 de
novembro de 1535, acompanhada pelo irmão Antônio, sem fazer barulho, a jovem deixou, mais uma
vez a casa paterna, e se uniu às carmelitas do convento da Encarnação, onde a esperava sua amiga
Juana Suarez. “[...] Eis o que diria trinta anos depois, em 1565: No momento de passar pela porta da
casa paterna, eu sentia uma tal angústia que não poderia sofrer mais, creio eu, na hora da morte. [...]
Se o Senhor não me tivesse ajudado, nem todas as minhas reflexões e resoluções teriam bastado
para que eu partisse. Mas Deus deu-me coragem contra mim mesma, e finalmente eu fui adiante.”
(REYNAUD, 2001, p.57)
Um ano após ter pronunciado os votos solenes – em 1538 – Teresa voltou a adoecer
gravemente. De nada adiantaram os cuidados proporcionados pelas irmãs da Encarnação. O pai
chamado decidiu, mais uma vez, levá-la para casa. Como a jovem não dava sinais de melhoras don
Alonso decidiu recorrer a uma famosa curandeira que vivia na aldeia de Becegadas, a algumas léguas
de Ávila.
No decorrer da viagem pararam novamente em Hortigosa, em casa do tio Pedro, onde Deus
esperava novamente sua “jovem esposa”. O idoso fidalgo percebeu que sua sobrinha era devorada
por um combate íntimo que não poderia superar sozinha. Ofereceu-lhe então a obra que se tornou
um elemento decisivo no caminho de Teresa, o Tercer Abecedário, terceiro dos cinco abecedários de
Francisco de Ossuna.
Com ele, a monja descobriu um método para falar a Deus e também para ouvi-lo, para
praticar o célebre exercício de que tanto ouviu falar sem poder entendê-lo: a oração. Aprendeu,
também, que existiam vários estágios de prece ou oração.
1.2.O Convento
Os conventos formavam a espinha dorsal da Cristandade universal. No século XVI a maior
parte dos mosteiros femininos encontravam-se em segurança no interior dos muros da cidade, e os
poderosos locais tinham grande interesse em auxiliá-los por meio de isenção de impostos e outros
privilégios para que, em contrapartida, as suas filhas intercedessem diariamente junto a seu Esposo
em favor da salvação de seus pais e da prosperidade da cidade.
Disto resultava um grande contato entre as religiosas e a população urbana, ainda que com
profundas diferenças de posições sociais. As freiras ricas permaneciam ligadas aos seus parentes de
sangue. Dispunham de celas confortavelmente mobiliadas, que posteriormente eram legadas a um
membro da família. Tomavam refeição à parte, tinham suas galinhas e horta, e com o seu luxo não
deixavam de despertar inveja nas companheiras mais pobres.
A aplicação dos decretos do Concílio de Trento (1545-1563) implicou mudanças radicais e as
medidas disciplinares relativas aos conventos visavam, em primeiro lugar, ao restabelecimento do
modo de vida comunitário. A comunidade denunciava com frequência oralmente e por escrito, os
conventos mundanos, o que explica as descrições de depravações, relaxamento. Mas era, sobretudo,
o contrário que se temia: uma devoção inflamada. Na tentativa de evitar a disseminação desta
devoção a Igreja começou a exigir clausura para as freiras, ainda que ela despertasse muita
resistência por parte das monjas, dos seus familiares, da comunidade urbana e de uma parte do
clero, que sublinhavam que raramente as irmãs entravam no convento por pura vocação, mas antes
por iniciativa de seus familiares.
Para as religiosas, sobretudo as que provinham das classes abastadas, a clausura significava
mudança radical das relações sociais. [...] muros altos, portas pesadas, muitas fechadas e inúmeras
grades, com as medidas e espessuras impostas, não deixavam quaisquer dúvidas de que as noivas de
Cristo tinham dito para sempre adeus ao mundo. (KESSEL, v.3, 1993, p.207)
1.3. As Fundações
Em um dado momento da vida, após ter escolhido ser monja, Teresa se viu em desarmonia
com os males que assolavam o mosteiro. Entre as 150 freiras que viviam ali, a observância
do enclausuramento - projetado para reforçar o espírito e a prática da oração - tornou-se tão
relaxada que já não mais cumpria seu objetivo. A invasão diária de visitantes, muitos de alto status
social e político, viciaram a atmosfera do local com preocupações frívolas e conversas tolas.
O Mosteiro da Encarnação se inseria numa Regra bastante branda e com muitas regalias.
Teresa decidiu, então, retornar as raízes da Ordem e fundar um Carmelo segundo as velhas Regras –
Carmelitas Descalças -, corrigindo o relaxamento que encontrou no claustro do Carmelo da
Encarnação e em outros. Nem a inquisição causou-lhe temor. Em meio a uma grande oposição,
fundou um pequeno mosteiro no qual podia-se viver a experiência da comunhão e da oração. Uma
vez legalizada sua instituição, seguiu fundando, reformando em toda a Espanha. Saiu do âmbito do
privado desafiando o lugar estabelecido às mulheres, visitava as freiras, acompanhava-as, formava-
as. Seu estilo de vida provocava a crítica das autoridades eclesiásticas. Mas Teresa queria que suas
irmãs acreditassem que não eram ocas internamente, que eram mulheres habitadas por Deus.
Santa Teresa fundou mosteiros por toda a Espanha: em Ávila (1562), em Medina del Campo
(1567), Malagón, Valladolid (1568), Toledo, Pastrana (1569), Salamanca (1570), Alba de Tormes
(1571), Segóvia (1574), Beas, Sevilha (1575), Villa Nueva de la Jara, Palencia (1580), Soria (1581),
Granada e Burgos (1582).
Teresa D’Ávila faleceu no dia 4 de outubro de 1582, com 67 anos. Depois de uma viagem
para encontrar com a Duquesa  Maria Henriques, ficou por 3 dias de cama pois estava bem
debilitada, e disse a Beata Ana de São Bartolomeu : "Finalmente, minha filha, chegou a hora da
minha morte." E na hora da morte disse: "Oh, senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a
face." Foi sepultada em Alba de Tormes.
2. UM MUNDO DE CONTRADIÇÕES
A Espanha, no início do Quinhentos, acabara de se unificar sob os governos de Fernão de
Aragão e Isabel de Castela. Por um lado, não passava de um conglomerado de reinos habitados por
nobres tacanhos e incultos. Por outro, começava a ser respeitada devido à descoberta do Novo
Mundo e suas riquezas. Como se não bastasse travava luta ferrenha contra os infiéis, hereges:
mouros e judeus.
Momento histórico extremamente conturbado e caótico! Acontecia simultaneamente a
Reforma protestante, o Concílio de Trento, a Santa Inquisição. Idade Média/Renascimento, muita
doença, muita fome, muito medo. O poder dominante era o da religião, da fé; manipulada pela Igreja
e pela Corte. Ocasião em que floresceram santos e santas místicos como Teresa de Jesus, Inácio de
Loyola, Francisco de Sales e muitos outros.
2.1.A Espanha a Época de Teresa
Em 1515, quando Teresa veio ao mundo, os Reis Católicos, Isabel de Castela e Fernando de
Aragão, estavam prestes a legar a seu neto, Carlos V, uma Espanha coberta de saber, de riqueza e de
misérias. A jovem castelhana nasceu em plena apoteose, a de uma realeza severa e triunfante, de
uma Igreja toda-poderosa. Cinco de seus irmãos ofereceram suas vidas – como todos os jovens
aristocratas da época – para servir ao rei e à fortuna na aventura dos conquistadores.
A Península Ibérica permaneceu, durante séculos, dividida entre vários reinos cristãos e
muçulmanos, formando dois blocos que se combatiam permanentemente, enquanto a desunião
persistia igualmente no interior de cada bloco. No que diz respeito à Espanha Cristã, a primeira
metade do século XV foi de grande instabilidade política e social, que só terminou com a união das
coroas de Castela e Aragão, pelo casamento dos Reis Católicos, Isabel de Castela e Fernando de
Aragão. Os dois monarcas não só conseguiram unificar toda a Espanha cristã, como conquistaram
Granada, o último reino mouro da Península, em 1492.
No plano da política interna, os reis católicos não impuseram apenas a unidade política;
forçaram igualmente a unidade religiosa, colocando a fé católica no centro das suas preocupações.
Para atingir a unicidade religiosa promoveram a conversão forçada dos judeus e a expulsão dos que
se recusaram a mudar de religião e intimaram os muçulmanos das regiões conquistadas a
converterem-se.
Garantida a unidade política e obtida a hegemonia da religião Católica, a Espanha lançou-se
na concretização do desígnio de expansão territorial, encaminhando os seus esforços de descoberta
e colonização na direção do continente americano. A riqueza adquirida nas terras conquistadas iria
fornecer à Coroa os meios financeiros não só para garantir a estabilidade do novo Estado como dar à
Espanha um lugar de destaque na economia europeia até o final do século XVII.
A expansão não conseguiu, entretanto, disfarçar o atraso. A coroa de Castela tinha uma
população de cerca de cinco milhões; a coroa de Aragão de cerca de um milhão e meio. A Espanha
tinha que importar grãos para alimentar essas pessoas regularmente.
Tanto a época de Fernando e Isabel como na Felipe II – o rei espanhol do Século de Ouro – a
circulação de novas ideias e avanços científicos era muito limitada. Embora houvesse exceções
importantes, a elite espanhola, nobreza e clero, como classe, tinham pouca sofisticação cultural.
Como só muito raramente viajavam ao exterior, não tinham perspectiva que lhes permitisse avaliar
as coisas. Portanto, era muito pouco provável que pudessem contribuir para a criação de uma nova
cultura cortesã.
A violência religiosa também era intensa. Antes da década de 1520, houve a perseguição
sangrenta dos cristãos de origem judaica, os conversos. Milhares daqueles que se recusava a deixar a
Espanha, quando foi declarada a expulsão dos judeus, em 1492, se converteram e tentaram
continuar praticando a sua religião em segredo. Foram punidos implacavelmente pela Inquisição.
Como afirmou Paula (2014, p. 85) “[...] O momento era de ‘caos’ a ponto de Teresa de Jesus
afirmar: ‘Não sei como se pode desejar viver, sendo tudo tão incerto.’”
2.2.A Inquisição
A Inquisição espanhola ou Tribunal do Santo Ofício da Inquisição foi fundada em 1478, por
Fernando e Isabel para manter a ortodoxia católica em seus reinos e atuou de 1480 até 1834. Ela foi
um importante instrumento na política chamada “limpeza de sangue” contra os descendentes de
judeus e de muçulmanos convertidos.
Sixto IV era o papa, quando ela foi instalada em Sevilha e foi contra devido aos abusos,
porém, foi forçado a concordar quando Fernando ameaçou negar apoio militar à Santa Sé. No ano
seguinte, 1481, os reis católicos indicaram Tomás de Torquemada para investigar e punir os
conversos denominados, no caso dos judeus, por seus detratores como marranos 1.
Apesar das frequentes admoestações pontificais, a Inquisição espanhola tornou-se um órgão
poderoso de influência e atividade do monarca que “caçou” incansavelmente hereges: muçulmanos,
judeus, luteranos, alumbrados, “bruxas”, entre outros.
2.2.1. Teresa e a Inquisição
A Inquisição levou em consideração que Teresa era descendente de judeus para
abrir processos contra ela? Eu não sei com certeza. De qualquer forma, este não foi
o objeto de intervenção, embora dado o rigor com o qual o Tribunal a
acompanhou, é possível que tenha levado em consideração. Ela descendia de
convertidos e a palavra ‘converso se aplicava geralmente a qualquer pessoa que se
converteu ao catolicismo procedente do judaísmo, e seus descendentes’ (no século
XVI, questões ligadas a

Entretanto, as referências explícitas à Inquisição nos escritos da Santa chegaram a dez,


escassas para o conjunto de sua obra. No Livro da vida (2010,33,5) encontramos duas alusões:
primeira, ao ambiente de precaução e medo que envolvia as manifestações de visionários e
1
Marranos é uma expressão pejorativa que se crê significar porcos.
iluminados que atingiram o auge das excitações e provocaram uma dramática intervenção da
Inquisição. Segunda, declaração da própria Teresa sobre seu estado de ânimo, e sua falta de temor,
derivada da consciência de fidelidade à fé, à Igreja e às Escrituras.
Na vida de Teresa é possível perceber dois momentos ligados às denúncias contra
ela: por ocasião de sua experiência de oração e dos fenômenos espirituais que
afetaram seus escritos e sua pessoa; denúncias contra seus escritos, no decorrer da
vida e após sua morte (SIQUEIRA; OLIVEIRA, 2014, p.107)

Síntese das acusações co ntra Teresa:


a) por haver lido e mantido livros proibidos em seu poder;
b) por haver-se atrevido a alfabetizar as madres que lhe acompanhavam em clausura;
c) por ter ousado, como mulher, querer reformar uma ordem de frades;
Caluniaram-na, alegando ter ela:
a) cometido crime de heresia;
b) se comportado com depravação;
c) adotado “práticas iluministas”, ou seja, de haver-se tornado membro praticante de um
movimento religioso espanhol do século XVI, uma espécie de seita mística, perseguida e considerada
herética e relacionada ao protestantismo, que se originou em pequenas cidades da região central de
Castela, em torno de 1511.
A falta de provas cabais e a força com que Teresa refutou todas os erros que lhe imputavam,
levou o Tribunal a apresentar sua última peça de acusação: a sua ascendência judaica, denunciada
pelo sobrenome Sánchez Cepeda. Mais uma vez, porém, Teresa imbuída de inteligência e
perspicácia, tomada de brios e, expressando seu amor-próprio, sua honra e sua dignidade, levantou a
voz e arguiu: “No era acaso hebreo nuestro Señor Jesuscristo?”(Não era por acaso hebreu Nosso
Senhor Jesus Cristo?)
REFERÊNCIAS
CAMPOS, Celeste. Teresa, andarilha de Deus: as Fundações. Ângulo, Lorena, nº 132, jan.-mar. 2013.
P.49-56.
GONZÁLEZ ÁLVRES, Agustina. Teresa de Jesús y la inquisición.
In:https://www.engranajesculturales.com/wp-
content/uploads/2015/07/64adbe342d35ae11d695673fa84365d2.pdf

KESSEL, Elisa Schulte van. Virgens e mães entre o céu e a terra. As cristãs no início da Idade
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à Idade Moderna. Porto: Ed. Afrontamento; São Paulo: EBRADIL, 1991. V3.
PAULA, Wanda Aparecida de. São João da Cruz o homem no tempo, já da eternidade. In: SÁ, Olga
de; SIQUEIRA, Sônia (org.). Teresa D’Ávila: a andarilha de Deus. Lorena: Instituto Santa Teresa,
2014. P. 85-104.
REYNAUD, Elisabeth. Teresa de Ávila ou o divino prazer. 2 ed. Rio de Janeiro: Ed. Record, 2001.
ROSSI, Rosa. Teresa de Ávila. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998.
SIQUEIRA, Sônia. Uma mulher que ocupa o seu espaço em tempos difíceis. IN: SÁ, Olga de;
SIQUEIRA, Sônia (org.). Nas trilhas de Teresa. Lorena: Instituto Santa Teresa, 2015. P. 217-255.
SIQUEIRA, Sônia M. Gonçalves; OLIVEIRA, Ivone Brandão de. Santa Teresa e a Inquisição. In: SÁ, Olga
de; SIQUEIRA, Sônia (org.). Teresa D’Ávila: a andarilha de Deus. Lorena: Instituto Santa Teresa,
2014. P. 105-128.
TERES D’ÁVILA (Santa). Livro da vida. São Paulo: Penguin Classics; Companhia das Letras, 2010.