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Disciplina Empreendedorismo e sustentabilidade

Unidade 3: Sustentabilidade

Empreendedorismo e
Sustentabilidade
Unidade 3 : Empreendedorismo

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Disciplina Empreendedorismo e sustentabilidade
Unidade 3: Sustentabilidade

Empreendedorismo e Sustentabilidade

Autor (a):
Jácomo Chiaratto Jr
capa por: kjpargeter/ Kues / Freepik

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Disciplina Empreendedorismo e sustentabilidade
Unidade 3: Sustentabilidade

Sumário
Introdução................................................................4
1. O que é sustentabilidade........................................5
2. Um pouco de história.............................................6
3. Primeiros impactos ambientais...............................8
4. Meio ambiente na agenda política mundial...........10
5. A Conferência Rio 92............................................12
6. Sustentabilidade na prática..................................14
7. Ciclo de Vida do Produto.......................................16
Síntese da unidade...................................................20
Referência Bibliográfica...........................................21

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Disciplina Empreendedorismo e sustentabilidade
Unidade 3: Sustentabilidade

Sustentabilidade
Introdução
Não é raro nos depararmos com a palavra sustentabi-
lidade, mas nem sempre temos a noção precisa de seu
significado e importância no presente, bem como das
implicações que os princípios que ela enseja têm para
o futuro do planeta.

Assim, o objetivo desta unidade de estudo é apresentar


os fundamentos do conceito de sustentabilidade, tri-
lhando seu ca minho histórico para entender por que
se tornou tão importante para a sociedade tanto nos
dias de hoje quanto para as transformações necessá-
rias à manutenção das gerações futuras.

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1. O que é sustentabilidade
Numa definição geral, sustentabilidade pode ser en- aos seguintes requisitos:
tendida como a propriedade de processos que têm a
capacidade de se manter, se conservar ou prosperar, “Basear-se fundamentalmente em recursos renová-
sem esgotar os meios que os fazem funcionar. Para veis (garantindo ao mesmo tempo a renovação);
que isso seja possível, duas condições devem estar pre- Otimizar o emprego dos recursos não renováveis
(compreendidos como o ar, a água e o território);
sentes: o uso de recursos renováveis e a não geração de
Não acumular lixo que o ecossistema não seja capaz
resíduos.
de renaturalizar (isto é, fazer retornar às substâncias
minerais originais e, não menos importante, às suas
A sustentabilidade é um termo empregado em várias concentrações originais);
áreas, costuma ser mais utilizado em temas ligados ao Agir de modo com que cada indivíduo, e cada comu-
meio ambiente, mas já foi empregado em outros cam- nidade das sociedades “ricas”, permaneça nos limites
pos do conhecimento, como, por exemplo, em estudos de seu espaço ambiental1 e que cada indivíduo e comu-
da capacidade de sustentabilidade financeira de con- nidade das sociedades “pobres” possam efetivamente
gozar do espaço ambiental ao qual potencialmente têm
tas públicas, sustentabilidade urbana, sustentabilida-
direito2.
de social, entre outros.

Neste curso a sustentabilidade será abordada no sen-


tido de criar interfaces que levam ao uso racional dos
recursos naturais. Muito mais que uma direção a ser
seguida, a sustentabilidade deve ser entendida como
um objetivo a ser atingido e, para isso, deve atender

1 Dimensão que se refere a quantidade de recursos naturais (energia, água, território e matéria prima não renovável) que podem ser
utilizados de maneira sustentável. Indica a disponibilidade de recursos que um país ou continente possui sem ultrapassar os limites da
sustentabilidade., 12/2010. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/978-85-216-1967-3/pageid/37
2 Holmberg, J. Socio-Ecological Principles and Indicators for Sustainability. Goteborg, Institute for Physical Theory, 1995. Citado in: 5
Manzini, Ezio. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis, pág. 28. 1ª. Ed. EDUSP
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2. Um pouco de história
Os primórdios do conceito de sustentabilidade remon- O economista Thomas Robert Malthus foi o precursor
tam ao século 16, por volta do ano de 1560, na Saxônia, em prever que no futuro haveria um descompasso en-
onde pela primeira vez foi proposta a exploração da tre o aumento da capacidade de produção agrícola e
madeira de forma racional. Para isso, o replantio das o ritmo de crescimento da população, ou seja, ao lon-
árvores passa a ser incentivado. Na concepção dessa go do tempo a produção de alimentos não consegui-
ideia, surge a palavra alemã Nachhaltigkeit, com o sig- ria acompanhar a expansão demográfica. Essa ideia
nificado de sustentabilidade. Dois séculos mais tarde, acabou sendo superada pelas melhorias advindas da
essa palavra toma a forma que conhecemos hoje. Um chamada Revolução Verde, conjunto de técnicas agrí-
estudo escrito em 1713 pelo Capitão Hans Carl von Car- colas que, com sementes híbridas mais resistentes a
lowitz, com o título de Silvicultura oeconomica, foi o condições climáticas e pragas, cultivadas por meio de
pioneiro em propor o uso sustentável da madeira, re- práticas de cultivo aperfeiçoadas, aumentaram consi-
comendando o corte de árvores na estrita proporção deravelmente a produtividade agrícola.
do necessário e na medida do que a floresta fosse ca-
paz de se reconstituir. Formou-se daí a lógica que atri- De qualquer forma, a teoria sugerida por Malthus tem
bui ao termo sua importância estratégica3. o mérito de dar início ao alerta para as limitações das
condições naturais do planeta em manter a vida huma-
Também no século 17, o conceito e as ideias associa- na, frente ao crescimento e consequente consumo ace-
das a sustentabilidade começaram a ser pensadas num lerado da população mundial. Essa ideia foi retomada
sentido mais amplo. Nesse período foram elaborados no livro A Bomba Populacional (The Population Bomb),
estudos científicos que apontavam os limites para o publicado em 1968, que traça um panorama prospecti-
crescimento econômico devido à escassez de recursos. vo grave dos impactos negativos ao meio ambiente do

6 3 BOFF, L. (2015). Sustentabilidade: o que é: o que não é. Petrópolis – RJ, pág. 33. 4ª. Ed. Vozes.
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planeta, derivados da exploração excessiva dos recur- os elementos da natureza inicia-se quando, na Ingla-
sos naturais para suprir o crescente aumento da po- terra, os primeiros teares a vapor começam a produzir
pulação. Algumas correntes de pensamento acreditam tecidos numa escala inimaginável até então.
que a Terra ainda não entrou em colapso até hoje por-
que boa parte da população mundial permanece longe Os ganhos de produtividade que o uso das máquinas
de desfrutar do nível de consumo das pessoas que vi- proporcionou trouxeram enormes benefícios à pro-
vem nos países desenvolvidos. dução e ao processo de acumulação de capital, crian-
do um fascínio pelo progresso técnico das máquinas.
Apesar de ter sido “descoberta” antes da Revolução Na passagem entre os séculos 19 e 20, a evolução do
Industrial, a sustentabilidade só passa a ter destaque processo de produção industrial passa a exigir apara-
após a segunda metade do século 20. A explicação dis- tos cada vez mais sofisticados, o que impulsionou a ci-
so está relacionada com a forma como se deu o desen- ência a investigar e gerar conhecimento destinado ao
volvimento humano. A prosperidade produtiva e o au- aprimoramento de máquinas e demais insumos. O uso
mento geral do bem-estar social, proporcionado pelos da eletricidade e o desenvolvimento do motor a com-
avanços tecnológicos decorrentes da Revolução Indus- bustão estão entre as inovações mais representativas
trial, fizeram com que os princípios da sustentabilida- desse período.
de não figurassem como uma preocupação premente,
pois a Terra era vista como fonte inesgotável de recur-
sos.

A visão de que o planeta teria condições ilimitadas para


suprir as necessidades humanas predominou por mais
de 100 anos; a noção antropocêntrica de que o avanço
técnico permitiria ao homem dominar impunemente

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3. Primeiros impactos ambientais


O desenvolvimento tecnológico galgado em instru- gação de materiais tóxicos descartados na natureza,
mentos mecânicos faz surgir a crença de que o homem chegando a causar um grande número de mortes de
seria capaz de dominar os elementos da natureza, de pessoas.
modo a assegurar um desenvolvimento econômico ba-
seado exclusivamente na expansão da riqueza e dos Um dos mais trágicos episódios de poluição atmosféri-
meios de produção em escala e velocidade cada vez ca já registrados foi o Big Smoke, névoa densa que pro-
maiores. vocou uma alta concentração de gases tóxicos, gerados
pela queima de carvão dos aquecedores residenciais e
Contudo, essa concepção passa a ser questionada com de usinas termelétricas que, devido a condições desfa-
vigor a partir dos anos 1960, quando as reivindicações voráveis para dispersão atmosférica, encobriu a cidade
por mudanças ganham força e se engajam à série de de Londres em 1952 durante cinco dias, o que, segundo
movimentos de contestação de valores culturais, po- estimativas recentes, provocou a morte de 12.000 pes-
líticos e sociais que, de certa forma, moldaram nosso soas e causou doenças em outros 100.000 ingleses.
padrão de vida atual.

Essa transformação se inicia na década de 1950, perío- Para saber mais...


do em que os primeiros impactos ambientais de gran-
de escala atingem os seres humanos de forma trágica, Conheça mais sobre o assunto acessando ht-
eventos de grandes proporções põem em evidência tps://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Nevoei-
que os processos naturais existentes no planeta estão ro_de_1952
interconectados e podem agir como meios de propa-

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Outros desastres ambientais, como a intoxicação mas- bido nos Estados Unidos e no Canadá.
siva por mercúrio da população de Minamata e Niiga-
ta, no Japão, ocorridas entre 1953 e 1965, tornaram-se Um ponto importante revelado no decorrer das inves-
exemplos da urgência em tomar medidas para contro- tigações sobre a utilização do DDT foi a identificação
lar os dejetos tóxicos e de como os efeitos da poluição feita por pesquisadores americanos de resíduos dessa
nos seres humanos podem ser desencadeados pelos ci- substância em pinguins e ursos polares no Alasca, o
clos do sistema ambiental. que forneceu comprovações científicas da capacidade
que os efeitos negativos no meio ambiente têm de se
Também foi importante, nesse contexto, a publicação alastrar para regiões bem distantes da localização da
do livro A Primavera Silenciosa (Silent Spring), em fonte geradora de poluição.
1962, considerada um marco fundamental na tomada
de consciência da sociedade quanto às consequências
das interferências nocivas que o homem pode causar Você deve ler!
na natureza. O relato feito por Raquel Carlson quan-
to aos efeitos tóxicos em animais e pessoas deflagra- Conheça o relato dessas ocorrências lendo as
do pelo uso excessivo de DDT teve grande repercussão páginas 88 a 91 do livro Sustentabilidade: ori-
nos Estados Unidos, principalmente devido à polêmica gem e fundamentos; educação e governança
difamatória que a indústria química promoveu contra global; modelo de desenvolvimento, disponível
a autora do livro. No entanto, em decorrência do inten- no acervo virtual Minha Biblioteca, acessando
so embate público em torno das evidências apontadas, https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
foi criada pelo governo americano uma comissão para books/9788522499205/.
investigar o tema. Devido à pressão da opinião pública Lembre-se: a leitura deste material é impres-
e a outros estudos científicos que confirmaram poste- cindível para a elaboração das atividades ava-
riormente os efeitos nocivos do DDT, seu uso foi proi- liativas desta disciplina.

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4. Meio ambiente na agenda política


mundial
Com a percepção emergente de que as questões am- sos naturais que se configurava até naquele momento.
bientais deveriam ser tratadas em âmbito global, na
passagem entre os anos 1960 e 1970, o meio ambiente Com base nas conclusões obtidas nesse encontro, foi
ganha posição de destaque na agenda política de vá- elaborado o relatório Limites do Crescimento, docu-
rios países e se consolida na pauta das discussões das mento que fez previsões alarmantes das condições fu-
organizações multilaterais. A sustentabilidade passa turas do meio ambiente da Terra, advertindo para o es-
a ser um conceito incorporado aos preceitos das polí- gotamento dos recursos naturais como consequência
ticas de desenvolvimento. Surge, assim, a consagrada do acelerado crescimento populacional, o que, de certa
expressão desenvolvimento sustentável, que agrega forma, segue a linha de visão malthusiana e reafirma o
novas diretrizes ao modo como os países promovem os princípio de que os recursos do planeta são limitados e
processos de geração de riqueza e prosperidade. que, portanto, o desenvolvimento dos países deve res-
peitar tal capacidade.
O primeiro encontro de dimensão internacional a in-
corporar a problemática ambiental entre os temas tra- O tom alarmista do documento publicado pelo Clube
tados foi o Clube de Roma, reunião realizada em abril de Roma suscitou críticas e polêmicas com respeito às
de 1968 na capital italiana entre cientistas, educado- projeções catastróficas descritas, repercutindo os de-
res, industriais e funcionários públicos de 10 países, bates em várias esferas da sociedade. Assim começam
para discutir as perspectivas globais do meio ambiente a surgir grupos organizados dedicados à preservação
diante do contexto de exploração desmedida dos recur- ambiental, como o World Wide For Nature – WWF. Ao

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mesmo tempo, em nível institucional mais abrangen- capacidade das gerações futuras.5 "
te, a ONU se mobiliza no sentido de articular as discus-
sões entre seus países membros. Como consequência,
realiza-se em Estocolmo, no ano de 1972, a Conferência
Mundial sobre o Meio Ambiente Humano (CMMAH),
Você sabia?
considerada um marco histórico no debate das ques-
tões ambientais, tanto pelo número expressivo de pa- Sobre o Relatório Brundtland: o nome do do-
íses participantes quanto pela criação do Programa cumento se deve à primeira ministra da No-
das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA. ruega, Gro Harlem Brundtland, que, com
Com o status de “principal autoridade global em meio Mansour Khalid, presidiu a equipe de 22 re-
ambiente, é a agência do Sistema das Nações Unidas presentantes de vários países, figurando entre
(ONU) responsável por promover a conservação do eles ministros de Estado, cientistas e diploma-
meio ambiente e o uso eficiente de recursos no contex- tas.
to do desenvolvimento sustentável.” 4

Outra conferência importante realizada pela ONU


ocorreu em 1984, na qual foi criada a Comissão Mun- Com essa definição de desenvolvimento sustentável,
dial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, cujo re- estabelece-se um compromisso intertemporal de gera-
sultado notável se deve à publicação do relatório Our ções, ou seja, o caminho a ser trilhado para se alcançar
Common Future: from one Earth to one World. Esse a sustentabilidade depende não só do que é feito hoje
documento, também conhecido como Relatório Brun- como também dos efeitos provocados no futuro. É ne-
dtland, difundiu o conceito de desenvolvimento sus- cessário, portanto, mudar a lógica que rege a forma de
tentável como: “aquele que atende as necessidades e produzir e consumir.
as aspirações das gerações atuais sem comprometer a

4
Extraído de https://nacoesunidas.org/agencia/pnuma/ consultado em 07/12/16.
5
Tradução do original: Sustainable development seeks to meet the needs and aspirations of the present without compromising the ability to meet 11
those of the future. http://www.un-documents.net/ocf-01.htm#II (acessado em 13/12/2016)
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5. A Conferência Rio 92
O Relatório Brundtland definiu as diretrizes para ou- Pode-se dizer que, a partir da Rio-92, foi popularizado
tra grande Conferência internacional sobre a temática o uso do termo sustentabilidade, disseminando-se não
ambiental, a Rio-92, reconhecida como a Conferência só como princípio de política pública como também
que consolidou os novos paradigmas de desenvolvi- sendo encampado pelos diversos segmentos do setor
mento, definidos por meio dos 27 princípios da Decla- privado. A ONU criou, no mesmo ano da Rio-92, a Co-
ração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento missão sobre o Desenvolvimento Sustentável (CDS),
e pela adoção da Agenda 21, onde foi sintetizado o Pro- para acompanhar, coordenar e supervisionar os acor-
grama de Ação para o Desenvolvimento Sustentável dos firmados na Conferência do Rio e, em particular,
Global. verificar a evolução do Programa da Agenda 21, o que
motivou uma nova reunião cinco anos mais tarde em
Vale destacar que houve um considerável avanço no Nova York, a Rio+5.
entendimento das condições necessárias para se atin-
gir a sustentabilidade, tendo como preceito funda- A sustentabilidade torna-se, assim, uma meta dentro
mental dotar a sociedade de elementos que assegurem dos esforços desempenhados para os países atingirem
condições dignas à vida humana, particularmente o desenvolvimento. Como iniciativa, nesse sentido, na
nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, virada do século 20 para o 21, é organizada a Cúpula do
onde o enfrentamento de problemas sociais básicos é Milênio (2000), reunindo 189 países que formularam
premente, uma vez que a pobreza, a desigualdade e a oito compromissos denominados Objetivos de Desen-
explosão demográfica são fatores que, não mitigados, volvimento do Milênio (ODM) a serem alcançados em
tornam-se a raiz dos problemas ambientais. 2015, dentre os quais figura o Objetivo 7: Garantir a
Sustentabilidade Ambiental.

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Passados dez anos da Rio-92, em 2002 é feito o balan- por 169 metas, uma seção sobre meios de implantação
ço da Rio-92. No encontro realizado em Johanesburgo, e de parcerias globais e um arcabouço para acompa-
o foco se volta para como viabilizar a implantação do nhamento e revisão.
desenvolvimento sustentável e as respectivas fontes de
financiamento. Essa preocupação se objetiva no docu-
mento Rumo à Economia Verde: Caminhos para o De- Conheça...
senvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza
– Síntese para Tomadores de Decisão, que foi publica- Conheça informações detalhadas sobre o as-
do pelo PNUMA em 2011 para ser a referência das dis- sunto acessando o documento disponível
cussões da Rio+20. em http://www.undp.org/content/brazil/pt/
home/post-2015.html
Como o próprio nome sugere, a Rio+20 aconteceu 20
anos depois da primeira grande cúpula global sobre
meio ambiente. Desde então é inegável o progresso
havido, e a sustentabilidade passou a vigorar como
fundamento básico dos projetos de desenvolvimento
humano. Um exemplo claro disso foi a iniciativa dos
participantes da Rio+20 em substituir os ODM e cons-
tituir um grupo de trabalho para elaborar os Objetivos
do Desenvolvimento Sustentável – ODS, a serem atin-
gidos até 2030, documento que, depois de três anos de
discussões, foi ratificado pelo relatório Transformando
Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimen-
to Sustentável, que consubstancia 17 ODS, compostos

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6. Sustentabilidade na prática
Paralelamente à movimentação política de governos e lidade. Portanto, o esforço a ser desempenhado deve
à organização multilateral, a sustentabilidade também ser no sentido de fazer convergir os valores sociais de
foi sendo assimilada rapidamente pelas empresas e longo curso da sustentabilidade para os requisitos
por segmentos organizados da sociedade. Contribuiu mais imediatos do dia a dia competitivo das empresas.
bastante para isso a divulgação do conceito de tripé da Tal conciliação só tem chance de ser alcançada dentro
sustentabilidade, também conhecido como triple bot- de um contexto normativo, econômico, sociocultural e
tom line, que foi criado pelo inglês John Elkington. Por tecnológico favorável.6
essa formulação, a sustentabilidade deve resultar da
conciliação entre as dimensões sociais, econômicas e Nesse sentido, as instituições públicas exercem um
ambientais. Procura, portanto, contemplar pontos de papel fundamental na estruturação das relações de
vista conflitantes para se mensurar processos ou pro- colaboração e desenvolvimento de padrões operativos
dutos utilizando parâmetros que levam em conta esses baseados nos princípios da sustentabilidade. As políti-
aspectos. cas públicas devem incentivar meios para que a com-
petividade seja direcionada a processos utilizadores de
As empresas, enquanto agentes promotores do sis- recursos renováveis e de baixa geração de resíduos.
tema de produção e consumo, têm papel-chave na
orientação do processo de transformação dos meios de
reprodução rumo à sustentabilidade. Contudo, a so-
brevivência no mercado exige que as empresas se man-
tenham competitivas, o que gera, no curto prazo, um
contrassenso em relação aos requisitos de sustentabi-

6 Manzini, Ezio. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis, pág. 73. 1ª. Ed. EDUSP
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Saiba mais!

Com a crescente preocupação que a sociedade vem demonstrando pela questão ambiental, as
empresas perceberam que demonstrar qualidade ambiental se tornou um diferencial importan-
te para seus clientes.
A adesão a práticas ambientalmente responsáveis é bastante comum em todos os setores econô-
micos. A indústria química foi a pioneira em instituir códigos de desempenho, patrocinando a
criação, em 1985, no Canadá, do “Responsible Care Program – A Total Commitment”, conjunto
de medidas que visam incorporar na gestão empresarial ações que possam reduzir o impacto
ambiental das unidades de produção nas comunidades vizinhas. O Brasil é representado pela
Associação Brasileira da Indústria Química – ABIQUIM. (Você pode ter mais detalhes dessa ini-
ciativa acessando o site www.abiquim.org.br/atuacaoresponsavel
Além da Responsible Care (Atuação Responsável), existem diversas entidades formadas para
o aprimoramento do desempenho ambiental no meio corporativo, dentre as quais podem ser
citadas:
Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS, www.
cebds.org ;
The Coalization for Environmental Responsible Economics - CERES, www.ceres.org ;
Forest Stewardship Council - FSC, https://br.fsc.org/pt-br ;
Global Environmental Mangement Initiative – GEMI, www.gemi.org ;
Instituto Ethos, http://www3.ethos.org.br .

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7. Ciclo de Vida do Produto


Como forma de melhorar a eficiência ambiental dos Produção
seus processos de produção, muitas empresas têm Distribuição
aplicado o conceito de desempenho ambiental do ci- Uso
clo de vida do produto, método capaz de rastrear e di- Descarte.
mensionar as trocas entre o meio ambiente e o sistema
produtivo, ao longo do que se denomina “nascimen- Em cada umas dessas fases é feito um levantamento
to”, “vida” e “morte” do produto. Considera-se, assim, dos fluxos de material e energia provenientes da na-
o percurso em termos de fluxos de matéria, energia e tureza, que são adicionados ao processo produtivo e
emissões ocorridos desde a extração dos recursos que retornados ao meio ambiente por meio de lançamen-
irão compor o produto (“nascimento”) até o tratamen- tos de efluentes líquidos, emissões atmosféricas ou
to final ou destinação (“morte”) dessas matérias após descartes de resíduos. Para que haja uma base comum
seu consumo. de comparação quantitativa das matérias e da energia
utilizadas na produção, esses componentes são conver-
A “biografia ambiental” do produto, ao mesmo tempo, tidos em uma unidade de medida equivalente, como,
demonstra e dimensiona os fluxos de matéria e ener- por exemplo, a proporção de quilogramas de dióxido
gia absorvidos e exalados pelo conjunto de atividades de carbono (CO2) emitidos por tonelada de produto ou
e processos da produção. Para uma visualização mais Watts de energia elétrica gastos por tonelada de pro-
clara dessa dinâmica, o ciclo de vida é dividido em cin- duto. A Tabela a seguir apresenta uma comparação hi-
co etapas, agrupadas na seguinte sequência: potética entre recursos naturais usados na fabricação
dos produtos.
Pré-produção

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eq

A ilustração a seguir apresenta de modo esquemático


o trânsito dos elementos e os processos internos que
compõem o ciclo de vida.

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ou pior utilização dos insumos tendem a repercutir no


sistema de forma global.

A etapa de pré-produção corresponde ao momento em


que são extraídos e beneficiados os insumos ou ma-
térias-primas semielaboradas que serão utilizados na
produção. A fonte dos materiais e energias produzidos
nesta etapa se origina de dois tipos de recursos: os re-
cursos primários ou virgens e os recursos secundários
ou reciclados.

Os recursos primários, por sua vez, podem ser reno-


váveis e não renováveis. Os processos que utilizam re-
cursos renováveis são preferíveis, pois estão alinhados
aos preceitos da sustentabilidade e podem ser gerados
Fonte: Manzini & Vezzoli (2011). indefinidamente sem que esgotem os elementos que
os compõem, enquanto os recursos não renováveis
A ilustração acima representa o ciclo de vida num mo- devem ser explorados com parcimônia e utilizados
vimento circular que se inicia pela fase de pré-produ- dentro de padrões de máxima eficiência, uma vez que
ção e segue em sentido anti-horário até o ponto de eli- podem acabar, por terem uma quantidade limitada na
minação. É interessante observar que a representação natureza.
da figura na forma redonda remete à ideia de aliança
entre as etapas de produção, ou seja, os processos estão Na etapa de produção ocorre a transformação de ma-
interconectados de forma sistêmica. Assim, a melhor térias, a montagem e o acabamento do produto, por-

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tanto é o momento em que há a união de todos os ma- concentração maior de material retornando ao meio
teriais e em que tende a se concentrar a geração das ambiente – ele tem de ter uma destinação definitiva
principais saídas de material e energia. que provoque o menor impacto ambiental possível.

Os processos de guarda e transporte do produto fazem


parte da etapa de distribuição; a movimentação dos
produtos demanda energia que deve ser aferida con- Indo mais a fundo
forme o veículo utilizado, cujo combustível pode ser
de fontes renováveis ou não. Devem ser considerados A aplicação da Avaliação do Ciclo de Vida –
aqui também os recursos para a produção dos meios ACV – nas empresas brasileiras é uma práti-
de transporte utilizados para levar o produto até o des- ca que vem trazendo ganhos significativos.
tinatário final. Depois que o produto chega aos locais Descubra como isso vem acontecendo lendo
para consumo e é adquirido, inicia-se a etapa de uso. as páginas 406 a 418 do Capítulo 16 do livro
A finalidade do produto define o modo como ocorrerá PHILIPPI, Arlindo et al. Gestão Empresarial
sua utilização, podendo ser consumido – como ocorre e Sustentabilidade. Barueri/SP: Manole, 2017.
no caso de alimentos – ou usado até o término de sua Disponível em:
vida útil –como acontece com carros, geladeiras etc. – http://anhembi.bv3.digitalpages.com.br/
ou ainda descartado por decisão do usuário. Na maio- users/publications/9788520439128/pages/427
ria dos casos há geração de resíduos, o que merecerá
atenção especial quanto a sua destinação.

A fase de descarte ou eliminação corresponde, na


maior parte dos casos, ao momento em que o fluxo de
saída é mais crítico, uma vez que tende a haver uma

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Síntese da unidade
Nesta unidade você aprendeu por que sustentabilidade é uma palavra tão em voga hoje em dia. Para isso, foi leva-
do a percorrer a história da evolução do conceito e tomou consciência da importância que a aplicação dos princí-
pios de sustentabilidade tem para o planeta hoje e terá para as gerações futuras.

Foi apresentado também como as corporações empresariais têm procurado incorporar as questões ambientais à
gestão do seu sistema de produção. Uma das formas de buscar equilibrar o tripé social-econômico-ambiental foi a
adoção da metodologia de ciclo de vida do produto, aplicada pelas empresas no intuito de melhorar o desempenho
ambiental do modo de produção e, com isso, preservar os recursos naturais ou explorá-los dentro de padrões que
garantam a manutenção da qualidade ambiental para as próximas gerações.

Agora você possui uma boa base de conhecimento sobre sustentabilidade, portanto tem condições de reconhecer
onde aplicar seus princípios. Assim, garanta sua boa avaliação lendo todos os textos indicados nesta unidade e
enviando suas dúvidas.

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Referência Bibliográfica
Principal

BOFF, L. (2015). Sustentabilidade: o que é, o que não é. Petrópolis/RJ: Vozes, 2015.


DIAS, Reinaldo. Sustentabilidade: origem e fundamentos; educação e governança global; modelo de desenvolvi-
mento. São Paulo: Atlas, 2015. [Minhabiblioteca]. Disponível em: <https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
books/9788522499205> Acesso em: 16/11/2016
MANZINI, Ezio & VEZZOLI, Carlo. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis, São Paulo: EDUSP, 2011

Alternativa

PEREIRA, Camargo, A. (01/2008). Sustentabilidade, responsabilidade social e meio ambiente [Minha Biblioteca].
Disponível em: <https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788502151437/>. Acesso em: 06/01/2017.

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