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Planejamento do Sistema de Produção a Pasto

Sila Carneiro da Silva1


Milena Masili Passanezi2

Introdução

A atividade pecuária é uma modalidade de exploração econômica da terra


como qualquer outra. Assim, para que seja considerada como uma opção viável
deve ser competitiva e lucrativa. O princípio básico e universal de qualquer
sistema de produção animal é a obtenção do equilíbrio entre suprimento e
demanda por alimentos (da Silva & Pedreira, 1996). A maior dificuldade para
obtenção do equilíbrio desejado é, no entanto, a estacionalidade de produção das
plantas forrageiras, que faz com que o suprimento de alimentos em um sistema
baseado predominantemente no uso de pastagens seja extremamente variável,
incerto e difícil de ser previsto. Existem, contudo, inúmeras maneiras de se
combinar fatores de produção e definir, portanto, sistemas que visem a
racionalização da produção animal. Dependendo do perfil do sistema idealizado é
possível se obter níveis de produtividade e de lucratividade elevados, de forma
que a atividade pecuária se torne uma alternativa bastante competitiva e
interessante do ponto de vista econômico.
Sistemas de produção são, no entanto, entidades extremamente
complexas, uma vez que compreendem uma interação muito grande entre os seus
vários fatores componentes: clima, solo, planta, animal, mercado, economia,
administração, aspectos humanos e sociais, etc.. Este caráter multi-disciplinar faz
com que soluções pontuais e/ou localizadas como o uso de um determinado tipo
de fertilizante, a substituição de uma planta forrageira por outra, o uso de um
aditivo qualquer na conservação de forragens e na ração dos animais, a utilização

1
Professor do Departamento de Zootecnia da ESALQ/USP
2
Bolsista de Iniciação Científica da FAPESP
Texto publicado nos Anais do 10o Simpósio sobre Produção Animal da ESALQ, FEALQ, Piracicaba, SP,
1998, p. 121-142.

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de programas modernos de computador, etc., não gerem resultado líquido efetivo
algum (incremento de produtividade e lucratividade do sistema como um todo),
uma vez que existe um mecanismo compensatório que faz com que respostas de
componentes individuais ao manejo (melhorias em eficiências parciais do sistema)
sejam equilibradas por outras indiretas (Hodgson, 1990). Exemplos disso são que
o consumo de matéria seca e o desempenho individual de animais em pastejo são
melhorados com o aumento em disponibilidade de forragem que, no entanto, é
equilibrado pela menor taxa de lotação resultante e pelos processos mais
acelerados de senescência e morte de tecidos na comunidade de plantas
forrageiras (Sheath et al., 1987; Sheath & Clark, 1996).
Assim, para que sistemas de produção possam ser manejados,
particularmente aqueles baseados no uso de pastagens como principal fonte de
alimento, deve-se conhecer profundamente os seus componentes e suas
interações. Além disso, a combinação de diferentes componentes em diferentes
níveis de utilização deve ser feita com base em planejamento minucioso e o
manejo utilizado como ferramenta para ajustes de desbalanços e desequilíbrios
detectados durante esse planejamento.
O presente texto tem por objetivo discutir aspectos relacionados com o
planejamento de sistemas de produção animal a pasto, assunto este que será
tratado nas seções subsequentes.

Conceitos Básicos sobre Sistemas de Produção

De forma geral a produtividade animal de qualquer sistema pode ser


interpretada como sendo o produto entre dois componentes básicos; a produção
por animal (desempenho) e o número de animais por unidade de área (taxa de
lotação). Assim, alterações em cada um destes fatores, isolada ou conjuntamente,
podem propiciar a manipulação de respostas em desempenho potencial do
sistema (produtividade). É natural, portanto, que sistemas de produção animal
sejam agrupados em dois grupos básicos; aqueles que objetivam a obtenção de
elevados desempenhos individuais (ganho de peso vivo, produção diária de leite,

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produção de lã, etc.), e aqueles que objetivam a obtenção de elevadas taxas de
lotação animal (da Silva & Pedreira, 1997b).
Elevados níveis de desempenho individual são passíveis de serem obtidos
somente quando o animal apresenta, em primeiro lugar, mérito genético. No
entanto esta não é uma condição única uma vez que, para que o potencial
genético se expresse, existe a necessidade do fornecimento de ambiente
adequado. Por ambiente entende-se, no caso de ruminantes, controle de fatores
causadores de estresses (calor, ecto e endoparasitas, etc.) mas, particularmente,
boa alimentação. Esta somente é conseguida através da utilização de volumosos
de qualidade e em quantidades adequadas. De todas as opções disponíveis,
apenas algumas apresentam o perfil desejado. Normalmente as plantas
forrageiras (pastos ou culturas forrageiras) que possuem aspectos de qualidade
compatíveis com esta filosofia de produção, apresentam baixas produções de
matéria seca por unidade de área além de serem, em sua maioria, culturas de
ciclo anual e que necessitam, portanto, de maiores cuidados técnicos,
investimentos, infra-estrutura geral e pessoal treinado e especializado, além de
apresentarem um maior risco potencial. Este perfil faz com que o sistema assim
concebido seja de custo mais elevado por definição (da Silva & Pedreira, 1997b).
Por outro lado, para que altas taxas de lotação sejam obtidas é fundamental
que exista uma grande produção de forragem por unidade de área (número de
refeições). Neste contexto deve existir, portanto, um elevado potencial genético da
planta forrageira para que altas produções de matéria seca sejam obtidas.
Estudos correlacionando aspectos agronômicos (determinantes de produção) e
aspectos qualitativos (determinantes de valor nutritivo) têm revelado,
consistentemente, que plantas mais produtivas produzem uma forragem de valor
nutritivo potencial mais baixo em relação àquelas que apresentam produções mais
modestas. Assim, sistemas baseados nesta filosofia de produção seriam sistemas
idealizados para a exploração do mérito genético das plantas forrageiras tropicais,
particularmente aquelas em pastagens. Estes sistemas assim definidos seriam
integrados por plantas forrageiras (pastos e culturas) perenes ou semi-perenes,
que necessitam de menor capacidade de infra-estrutura geral, menores níveis de

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investimentos e menor dependência de pessoal treinado e especializado, além de
apresentarem um risco potencial menor. Seriam sistemas, portanto, intensivos
mas, no entanto, de menor custo potencial de produção, capazes de propiciar a
produção de produtos animais mais baratos e competitivos, razão pela qual têm
despertado um grande interesse nos últimos anos em todo o mundo e, mais
recentemente, no Brasil.

Componentes e Estrutura

Sistemas de produção animal a pasto são entidades muito bem


desenvolvidas e bastante estudadas em países de clima temperado. Normalmente
se tornaram alvo de estudos intensivos uma vez que a pecuária representava, e
ainda representa, uma atividade de participação significativa na economia e na
formação do produto interno bruto desses países. Este fato já não ocorre nas
regiões tropicais e subtropicais do globo, onde o enfoque da produção e do
desenvolvimento são diferentes. Assim, quando se consulta a literatura disponível
sobre sistemas de produção animal a pasto, pesquisa e desenvolvimento,
invariavelmente são identificadas fontes e trabalhos provenientes, principalmente,
de países das áreas temperadas do globo, tanto no hemisfério norte como no sul.
Dentro deste contexto, exemplos de organização e desenvolvimento de sistemas
pastoris estão presentes na Escócia, na Inglaterra e na Nova Zelândia,
normalmente países tidos como “desenvolvidos” em termos de agropecuária.
Sheath & Clark (1996) apresentaram e descreveram sistemas de produção
de uma forma bastante interessante e dentro de um contexto importante para fins
de planejamento da produção animal a pasto, assunto alvo deste capítulo. Assim,
sempre que pertinente, serão transcritos trechos de seu trabalho durante as
seções que se seguem.
Segundo esses autores, ecossistemas terrestres correspondem a uma
estrutura de diferentes níveis interativos que são arranjados segundo uma ordem
hierárquica. Sistemas de produção animal a pasto não são exceção (Figura 1).

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INSERIR FIGURA I

Pela observação da Figura 1, pode-se constatar que os recursos físicos do


ambiente (solo, água, ar, etc.) formam a base de sustentação dos diversos
sistemas de produção animal. Isto associado ao fato de que trata-se de recursos
não renováveis, tem gerado uma grande preocupação com sua preservação e uso
racional no mundo todo nos últimos anos. Dentro de um contexto de áreas de
pastagens, o uso produtivo destes recursos é muito dependente da condição e da
disponibilidade de recursos de plantas forrageiras e de animais. O mérito genético
e o status de saúde desses recursos biológicos são, também, extremamente
importantes. Os três níveis de recursos identificados neste modelo hierárquico são
interativos e o grau de interação entre eles é fortemente influenciado pelo manejo
do sistema (Sheath & Clark, 1996).
O manejo do sistema, por sua vez, pode ser visualizado como uma
entidade composta que, para maior facilidade de entendimento e compreensão,
pode ser subdividida em perfil do sistema e manejo do pastejo. Para ambos os
componentes certos princípios gerais e objetivos necessitam ser reconhecidos e, a
partir daí, a adoção de determinadas regras específicas para tomadas de decisão
e elaboração de alguns planos de ação completariam o complexo processo de
racionalização e manejo de sistemas de produção animal a pasto.

Aspectos Relacionados com o Planejamento

Definição do perfil do sistema

O perfil de qualquer sistema de produção animal deve definido previamente


no planejamento em consonância com metas econômicas e de mercado bem
definidas. Deve satisfazer as especificações de produtos do mercado alvo e
operar dentro das restrições impostas pela disponibilidade de recursos sociais e
econômicos. Normalmente, sistemas de produção animal a pasto que produzem
um suprimento contínuo de produtos (leite fresco, carne resfriada, etc..) são

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comumente associados com um suprimento de forragem previsível e uniforme. À
medida que o acúmulo de forragem torna-se mais variável e/ou imprevisível, o
suprimento estacional de produtos (produtos lácteos manufaturados, carne
congelada, etc.) passa a assumir um papel mais dominante e significativo em
termos da determinação e definição do perfil de um sistema de produção animal a
pasto. Numa situação como esta o uso de animais de cria como matrizes de gado
de corte e de ovinos para produção de carne e lã passam a ser possibilidades
mais coerentes e comuns, dada a flexibilidade estacional em seus pesos vivos e
requerimentos nutricionais, os quais podem ser utilizados mais prontamente para
tamponar os impactos de um suprimento de forragem variável (Nicol & Nicoll,
1987; Rattray et al., 1987).
Em áreas de pastagens a variação estacional no suprimento de alimentos
(acúmulo de forragem) depende de condições climáticas e, geralmente, cerca de
70 a 80% da produção anual de matéria seca ocorre em 6 meses do ano (Rolim,
1994; Alvim et al., 1996; da Silva & Pedreira, 1996). É difícil delinear sistemas
lucrativos que possam utilizar o acúmulo de forragem diretamente através do
pastejo pelo animal durante este período concentrado e de pico de produção do
pasto. Assim, excedentes são conservados (feno e silagem) ou transferidos como
“feno em pé” para outras épocas do ano (outono e inverno), alimento este de baixa
qualidade e valor nutritivo.
A conservação de forragem tem sido, ao longo dos anos, uma prática
bastante tradicional para amenizar, ou até mesmo resolver, problemas
relacionados com excedente e/ou déficit de alimentos. Em situações onde
relações custo:benefício têm permitido, forragens conservadas e suplementos
concentrados de elevado valor alimentar têm se tornado fontes de alimento
integrantes de sistemas intensivos de produção de leite e carne.
O grau de dependência do uso dessas práticas de conservação e de
suplementos concentrados é capaz de distinguir e caracterizar os diferentes tipos
de sistemas de produção animal existentes. O manejo de pastagem “ideal” pode
ser mais facilmente implementado em sistemas de produção que se baseiam no
uso liberal de práticas de suplementação, dado o maior controle possível de ser

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atingido sobre a variação no uso de insumos, (Maxwell, 1985). Por outro lado,
onde predominam situações de pastejo in situ, tanto plantas forrageiras como
animais em pastejo têm que se ajustar ao efeito de qualquer desequilíbrio na
relação suprimento:demanda. Nesta situação, as decisões relacionadas com o
manejo do pastejo devem ser flexíveis e tomadas com consciência (Hodgson,
1990; Frame, 1992; Sheath & Clark, 1996).
Sistemas baseados no uso exclusivo de forragem através do pastejo
apresentam sérias restrições à produção animal. Dentre as mais significativas está
a necessidade de comprometimento do desempenho individual do animal para
que elevados níveis de utilização (proporção da forragem produzida efetivamente
colhida pelo animal) da pastagem possam ser atingidos e ainda manter um ciclo
anual de produção animal (Hodgson, 1990; Matthews, 1994). Dentro deste
contexto, a manipulação da taxa de lotação possui um efeito dominante sobre a
demanda animal do sistema e o grau de utilização da pastagem, que são tidos
como fatores determinantes de elevadas produções de produto animal por hectare
em áreas de pastagens (McMeekan, 1956, Matthews, 1994).
Em função da inter-relação entre taxa de lotação e desempenho animal
individual (Maraschin, 1986), é importante que elevada eficiência do sistema não
seja excessivamente enfatizada em situações onde a qualidade do produto é
importante ou onde variação de ano para ano em suprimento de forragem seja
considerável (Sheath & Clark, 1996). Taxas de lotação conservadoras devem ser
escolhidas em situações onde o acúmulo de forragem não é confiável (Cacho &
Bywater, 1994). Tal prática reduz a transferência dos efeitos negativos
cumulativos potenciais de um ano para outro, tais como animais com condição
corporal debilitada, atraso da data de parição em função de problemas na fase de
concepção, baixo estoque ou reservas de forragem, etc.. Se níveis elevados de
desempenho animal são almejados em situações de suprimento de forragem
muito variáveis, a manutenção de altas taxas de lotação só será possível através
da adoção de uma política de rebanho (compra e venda) muito flexível e/ou uma
predisposição para uso de alimentos suplementares.

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Flexibilidade em padrões de demanda por alimentos e em política de
rebanho pode ser atingida através da alteração das datas de compra e venda de
animais terminados e por ajustes do início e duração da lactação (data de
secagem e/ou desmama) de animais de cria. Ao contrário dos efeitos das
mudanças em taxas de lotação, estas decisões são o principal instrumento para
variar demanda animal ao longo do ano e acomodar variações estacionais e entre
anos no suprimento de alimentos. Políticas adequadas de rebanho que promovem
e/ou favorecem o melhor alinhamento entre demanda por alimentos e suprimento
de forragem são a marca registrada de produção animal economicamente viável e
lucrativa em sistemas de produção animal de baixo custo (Bryant & Sheath, 1987).
A escolha da época de parição é também considerada uma decisão crítica
pelo fato de ocorrer uma aumento significativo na demanda nutricional durante a
lactação. A época considerada ótima para sistemas baseados em pastejo durante
o ano todo é uma função da contribuição relativa da taxa de lotação e do
desempenho individual para a lucratividade por unidade de área. Decisões
flexíveis relacionadas com a época de secagem das fêmeas lactantes,
particularmente vacas leiteiras, são também importantes no sentido de evitar
efeitos residuais da produção de um ano para o outro. Estas são decisões que
interferem de forma direta na produção animal durante o ano vigente e podem,
também, afetar toda a produção do ano seguinte, seja em termos de desempenho
individual ou do sistema (produtividade). Este fato ressalta a importância de se
evitar concentrar as atenções em um único componente (solo, planta ou animal)
quando planejando, idealizando e conduzindo sistemas de produção animal a
pasto (Bryant & Sheath, 1987; Hodgson, 1990; da Silva e Pedreira, 1996; Sheath
& Clark, 1996).
O perfil ideal de um sistema economicamente viável e rentável é função
direta de um equilíbrio harmônico e planejado entre as demandas por alimento de
uma dada política de rebanho escolhida, o nível e padrão de produção do pasto e
o nível passível de utilização de alimentos suplementares. Sempre haverá
períodos de déficit e excedente de forragem. É dentro deste termos de referência

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que decisões relacionadas com o manejo do pastejo têm que ser tomadas e ações
subsequentes implementadas (Sheath & Clark, 1996).
A relação curvilínea entre produção por hectare e taxa de lotação é bem
conhecida (Jones & Sandland, 1974; Maraschin, 1986). Para qualquer sistema de
produção animal a pasto, uma taxa ótima de lotação animal pode ser definida.
Acima desta taxa ótima, animais adicionais na pastagem não compensam pelo
declínio em desempenho individual. Assim, chega-se numa situação onde,
eventualmente, desempenhos individuais nulos são obtidos e a forragem ingerida
é utilizada somente para manutenção dos animais. Frequentemente esta situação
de curta duração é necessária onde o suprimento de forragem é altamente
variável. Isto permite que a produção animal anual seja otimizada. Em situações
onde o mercado requer pesos de carcaça específicos e penalidades são impostas
em caso de falhas no cumprimento dessas metas, existe a necessidade de se
rever o planejamento e determinar ótimos biológicos em taxas de lotação
compatíveis com as regras vigentes de mercado (Sheath & Clark, 1996).

Manejo do Pastejo

O manejo do pastejo corresponde ao segundo componente do manejo de


sistemas de produção animal a pasto ao lado da definição do perfil do sistema.
Após a definição do cenário econômico e de mercado onde o sistema irá ser
implantado e da definição do perfil do sistema, o manejo do pastejo corresponde,
basicamente, a um mecanismo de sintonia e ajustes finos que pode ser definido,
de forma bastante simples, como “para onde e quando mover os animais”
(Matthews, 1994; Sheath & Clark, 1996). Os efeitos diretos e indiretos dessas
decisões são, no entanto, bem mais complexos, uma vez que podem influenciar a
condição e o desempenho do animal, da planta forrageira no pasto e dos recursos
físicos do sistema.

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Recursos animais

O efeito mais óbvio do manejo do pastejo é sobre a nutrição e o


desempenho subsequente de animais em pastejo. A ingestão de forragem é
controlada, principalmente, pela disponibilidade diária de forragem que é fornecida
aos animais individualmente (Nicol & Nicoll, 1987; Rattray et al. 1987). Dentro
deste contexto, o principal efeito modificador relacionado com mudanças no
manejo do pastejo é aquele correspondente à facilidade de acesso propiciada aos
animais pelo método de pastejo empregado. Existem limites de massa/altura do
pasto abaixo dos quais os animais não são capazes de atingir ingestão mínima de
forragem necessária para assegurar um nível de desempenho animal
preestabelecido, independentemente da quantidade total de forragem em oferta.
Em outras palavras, existem alguns atributos da pastagem relacionados com sua
estrutura e arranjo espacial que definem o tamanho potencial de bocados
individuais e, consequentemente, do nível máximo de ingestão de forragem
passível de ser atingido sob determinadas condições de pastejo (Poppi et al.,
1987; Hodgson, 1990).
Sistemas de produção animal a pasto variam bastante com relação às suas
demandas relativas ao atendimento dos requerimentos nutricionais de
manutenção dos animais. Sistemas de produção de leite têm uma demanda de
manutenção relativamente constante ao longo do ano. Este fato associado à
possibilidade de uso de reservas orgânicas corporais como fator de
tamponamento em eventuais períodos curtos de excedente e/ou déficit de
forragem com a finalidade de suavizar o perfil da relação suprimento:demanda ao
longo do ano, significa que sistemas com elevadas taxas de lotação e produção
relativamente baixa por vaca podem assegurar a utilização potencial de uma
grande proporção da forragem produzida de forma rentável e econômica. Apenas
quando alimento concentrado de alta qualidade e barato se faz disponível é que
torna-se mais rentável e atrativo buscar a minimização da fração de manutenção
do consumo através da maximização da produção por vaca (Sheath & Clark,
1996).

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Ao contrário, o componente de manutenção em um sistema de terminação
de bovinos de corte é extremamente importante. Isto ocorre porque cada unidade
de ganho extra aumenta o custo diário de manutenção até o final da fase de
engorda. Este fato salienta a necessidade de se atingir máximos ganhos durante a
fase de engorda nesses sistemas a fim de que custos de manutenção possam ser
reduzidos, como consequência de um menor tempo para a obtenção do peso final
para abate. Para que isso ocorra se faz necessário o oferecimento de uma alta
disponibilidade de forragem de boa qualidade para os animais. Em pastagens isto
é possível somente em períodos curtos de tempo, uma vez que, sob condições de
baixa utilização do pasto (alta disponibilidade/oferta), os processos de
senescência e morte de tecidos vegetais, com consequente acúmulo de material
morto no perfil da pastagem, se iniciam rapida e intensamente (Sheath & Clark,
1996).
Um efeito menos óbvio do manejo do pastejo sobre a alimentação dos
animais é, no entanto, a possibilidade de se exercer racionamento da forragem
existente e/ou transferi-la in situ para uma outra época do ano. Isto normalmente é
feito através da modalidade de pastejo conhecida por pastejo rotacionado (da
Silva & Pedreira, 1997a).
O manejo do pastejo quando devidamente planejado permite que se
explore as diferenças em requerimentos estacionais por alimento existentes entre
diferentes tipos de rebanhos (Milligan et al., 1987). Através da concentração de
animais em grupos ou rebanhos e controlando seu pastejo e níveis de
alimentação, existe a oportunidade de priorizar a alocação de alimentos e/ou
integrar diferentes categorias do rebanho. Os benefícios dessa prática podem ser
percebidos através de melhores eficiências de conversão de alimentos ou da
melhor utilização da pastagem. Em épocas de competição (acúmulo reduzido e
baixa reserva de forragem no pasto), onde níveis de utilização elevados são
necessários, a pastagem pode ser direcionada para a classe de rebanho com
capacidade de gerar as receitas marginais mais elevadas naquele momento do
ano. Nesta situação, prioridade pode ser dada a esta categoria através do uso da
técnica de pastejo rotacionado, modalidade líder/seguidor, ou pela alocação

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estratégica e preferencial de áreas específicas e pré-determinadas de pastagem
para diferentes classes de rebanho (Matthews, 1994; Sheath & Clark, 1996).
A integração planejada de diferentes espécies animais em uma sequência
de pastejo pode também favorecer o status de saúde dos recursos animais. O
desempenho de cordeiros, por exemplo, pode ser melhorado pela integração com
bovinos (Brunsdon, 1989), principalmente porque sua infestação por parasitas
internos é diminuída pela presença de bovinos (Amarante et al., 1995; Amarante,
1995).
Fica claro, portanto, que é através do manejo do pastejo que algumas
características e parâmetros-chave do sistema de produção relacionados com os
recursos animais podem ser manipulados. Exemplos disso seriam a
disponibilidade e a oferta de forragem, o tempo de pastejo, acesso preferencial ao
alimento, tipo e composição do rebanho em pastejo, nível nutricional e
desempenho individual potencial.

Recursos vegetais

Enquanto o status dos recursos físicos (precipitação, radiação solar, regime


térmico, fertilidade do solo, topografia, etc.) e práticas de estabelecimento
representam a porção mais significativa e debatida na formação de pastagens, o
manejo do pastejo (uso do pasto) pode influenciar o equilíbrio entre espécies e,
consequentemente, a composição botânica da pastagem. A época e a intensidade
do pastejo têm seu grande efeito sobre espécies anuais e plantas que se
propagam vegetativamente à procura de espaços vazios entre plantas dentro de
uma dada comunidade (Sheath & Boom, 1985). Pastejos que encorajem o
florescimento e produção de sementes e/ou a ocorrência de áreas de solo
desnudo tendem a encorajar estas espécies ditas “colonizadoras”. Ao contrário,
em situações onde espécies têm a habilidade de dominar outras plantas, estas é
que levam vantagem em situações de pressão de pastejo baixa durante seu
período de crescimento mais ativo (Sheath & Clark, 1996).

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A preferência ou a rejeição, características de qualquer processo de
pastejo, sejam ativas ou passivas, podem influenciar também a composição da
pastagem. Por essa razão é que diferentes espécies de animais em pastejo
podem determinar variações na composição botânica de uma mesma pastagem.
Um dos principais objetivos do manejo do pastejo é tentar assegurar que
não ocorram situações de super ou de sub-pastejo. Quando as pastagens são
sub-pastejadas, existe uma predominância dos processos de senescência e morte
de tecidos da planta forrageira. Enquanto este tipo de perda equilibra a
contribuição em termos de produção proveniente do crescimento de novas partes
da planta (elongação de hastes e expansão de folhas), estes processos são
menos importantes do ponto de vista quantitativo, uma vez que eles geralmente
ocorrem em situações de excesso de alimento no pasto. Mais importante são os
seus impactos sobre o valor nutritivo da forragem produzida, uma vez que
proporções crescentes de material morto na forragem causam redução de sua
digestibilidade (Rattray & Clark, 1984). Durante os períodos de excedente de
forragem, o papel mais importante do manejo do pastejo é criar um equilíbrio entre
altos níveis de ingestão de forragem e a manutenção do valor nutritivo da
pastagem. Enquanto o desempenho animal difere pouco entre diferentes
modalidades de pastejo quando a disponibilidade de forragem é adequada (Clark
et al., 1986), o pastejo rotacionado tem algumas vantagens em épocas de
excedente de forragem no pasto. Nestas circunstâncias, densidades populacionais
de animais mais elevadas podem ajudar a reduzir o pastejo preferencial e os
excedentes podem ser mais prontamente identificados (Sheath, 1983). O pastejo
misto de diferentes espécies de animais (ovinos e bovinos, por exemplo) é
também uma estratégia importante para reduzir a ocorrência de pastejo
desuniforme e ajudar a manter o valor nutritivo da pastagem (Sheath & Clark,
1996).
Práticas de conservação de forragem correspondem a um componente
chave de muitos sistemas de produção em regiões do globo caracterizadas por
longos períodos de acúmulo muito lento ou quase nulo de forragem das
pastagens. Nestes casos o seu valor como prática de manejo é incontestável. No

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entanto, existem menos evidências sobre a rentabilidade do uso da conservação
em situações onde pode-se utilizar de pastejo o ano todo (Thomson et al., 1989).
Este fato ocorre por causa do chamado “paradoxo da conservação”. Em outras
palavras, em situações caracterizadas pelo uso de baixas taxas de lotação,
grandes quantidades de forragem conservada podem ser feitas mas, no entanto,
não existe necessidade para a totalidade do material conservado uma vez que a
demanda de “inverno” (seca) pode ser atendida pela forragem sendo acumulada
naquela época. Ao contrário, em situações de taxas de lotação elevadas existe
pouca quantidade de excedentes disponíveis durante a estação de crescimento
das plantas forrageiras, o que permite a confecção de quantidades ínfimas de
alimento conservado, quantidades estas insuficientes para manter as elevadas
taxas de lotação ao longo do ano. Preços baixos de produtos animais associados
a altos níveis de perdas de matéria seca durante a execução do processo e altos
custos de conservação, podem inviabilizar o uso intensivo de práticas de
conservação de forragem (Sheath & Clark, 1996).
Assim, o manejo do pastejo é, também, uma importante ferramenta para a
manipulação de fatores e componentes dos recursos vegetais do sistema, uma
vez que é através dele que características e parâmetros como período de
descanso e/ou intervalo entre cortes/pastejos, período de ocupação, seletividade,
preferência e rejeição e época e quantidade de conservação de forragem podem
ser controlados.

Recursos físicos

Tem havido recentemente uma preocupação crescente com o impacto


ambiental causado e relacionado com o manejo de áreas de pastagens. Este foi
tema importante de debates realizados durante os dois últimos congressos
internacionais de pastagens da Nova Zelândia/Austrália e Canadá e deverá
continuar sendo para o próximo congresso a ser realizado no Brasil no ano de
2001. As preocupações principais estão relacionadas com a redução da
biodiversidade causada por situações de super-pastejo, remoção de árvores,

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destruição da vida silvestre, etc.; os processos de acidificação e eutrofização do
solo e erosão.
Os componentes dos recursos físicos correspondem, em sua maioria,
àqueles ditos não renováveis como o solo, a água, o ar atmosférico, etc.. Sistemas
intensivos de uso do solo, particularmente aqueles de produção animal, têm um
potencial poluente de lençóis freáticos e mananciais de água bastante grande,
especialmente em situações onde elevadas taxas de fertilização nitrogenada são
empregadas. Nestes sistemas intensivos de produção animal, baseados no uso de
pastagens ou de culturas forrageiras, são comuns práticas agrícolas relacionadas
com preparo de solo, uso de cargas animais elevadas, pastejo em situações de
solo úmido, fatos estes que podem promover compactação de solo com
consequente redução da capacidade de infiltração de água, aumento do potencial
de erodibilidade e geração de condições anaeróbicas no solo. Estes são todos
fatores que geram reduções significativas na produção de forragem das áreas de
pastagens além de comprometer a qualidade do meio ambiente. Neste contexto,
cursos de água, córregos, rios e lagoas podem ser contaminados e assoreados
por sedimentos e lençóis freáticos contaminados por excesso de nitrogênio que é
perdido do sistema solo:planta.
O nitrogênio é um componente chave na determinação da produtividade de
sistemas intensivos de produção animal a pasto mas existem, no entanto,
implicações importantes relacionadas com as perdas desse elemento para o
ambiente. Estas perdas ocorrem principalmente por causa da agregação do
nitrogênio nas fezes e urina dos animais, fato este que será sempre um problema
em potencial onde sistemas de pastejo “eficientes” sejam idealizados para
colherem a maior parte da forragem produzida.
É dentro deste contexto que operam as decisões relacionadas com o
manejo do pastejo de forma a tentar assegurar e propiciar o uso racional dos
recursos bióticos e abióticos do sistema, além da conservação do meio ambiente e
a sustentabilidade do ecossitema de pastagens como um todo.

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Regras e Mecanismos para Tomadas de Decisão

O planejamento e decisões de manejo são concebidos de conformidade


com objetivos de produção previamente definidos e modificados como o resultado
do monitoramento do desempenho do sistema. Assim sendo, existe uma
sequência lógica e racional para tomada de decisão baseada no tempo que
deveria ser seguida toda vez que um sistema de produção fosse planejado e
concebido. Infelizmente, grande parte do pessoal responsável pelo manejo de
sistemas de produção animal a pasto normalmente atribui pesos incorretos aos
diferentes níveis da estrutura de decisão quando de seu uso (Sheath & Clark,
1996) (Figura 2).

INSERIR FIGURA 2

O conceito de sustentabilidade reforça a importância destes passos de


planejamento e envolve a coleta de dados relacionados com eventos climáticos
passados e futuros, previsões financeiras e de mercado de longo prazo e
prováveis legislações ambientais. Fatores pessoais tais como idade, estilo de vida,
habilidade técnica e empresarial são também importantes. Planos de longo prazo
para o desenvolvimento de sistemas de produção deveriam ser preparados
somente quando decisões relacionadas com estes fatores gerais e pessoais
tivessem sido equacionadas. Estes planos incluem subdivisão da pastagem, do
suprimento de água, uso de fertilizantes e corretivos, controle de pragas e de
plantas daninhas, estabelecimento de pastagens e usos alternativos para áreas
problemáticas de pastagem. Isto indica que regras para tomadas de decisão e
ações relacionadas com o manejo do pastejo serão inócuas a menos que
firmemente associadas a um plano geral de longo prazo para toda a fazenda. A
chave para a manutenção de sistemas de produção animal sustentáveis é o
estabelecimento e a revisão anual de planos econômicos de longo prazo
concebidos e idealizados de forma criteriosa. Os benefícios de programas de
computador sofisticados para gerar planos de pastejo de curto prazo são maiores

16
quando estes operam em conjunto e de conformidade com um plano econômico
objetivo e flexível.

Regras para tomada de decisões

A implementação de sistemas de produção animal a pasto requer


informação sobre as seguintes variáveis:

ƒ Demanda por alimentos – que é uma função da quantidade de alimento


necessária para manter uma meta de produção pré-estipulada e do número de
animais, integrados para cada classe rebanho;
ƒ Suprimento de alimentos – que é uma função da taxa de acúmulo de matéria
seca no pasto, massa de forragem disponível (kg MS/ha) e a disponibilidade de
alimentos suplementares.

Existem diversas formas de se relacionar suprimento e demanda em termos


de planejamento (Lucas & Thompson, 1990):

ƒ Perfil da relação S=D ao longo do ano – Corresponde ao estabelecimento de


uma política de manejo de longo prazo como taxa de lotação, época de parição
e política geral de compra e venda de animais. Um indicador chave de sucesso
é o perfil da massa de forragem disponível na fazenda ao longo do ano (kg
MS/ha). Esta não deveria apresentar picos acentuados nem depressões que
poderiam levar a períodos prolongados de forragem de baixo valor nutritivo ou
baixa disponibilidade, respectivamente. O estado de condição corporal e o
peso vivo dos animais deveriam mostrar uma variação estacional prevista e
planejada, mas não deveriam apresentar diferenças significativas no início e no
final de cada ciclo anual;
ƒ Perfil da relação S=D ao longo do mês – Determina as melhores maneiras
de se utilizar um excedente ou de aliviar um déficit de forragem (alimento).
Alguns indicadores chave seriam a própria massa de forragem na fazenda (kg

17
MS/ha), além de previsões e expectativas de taxas de acúmulo de forragem ao
longo de semanas ou meses em conjunto com metas de produção;
ƒ Planos de pastejo – Visam atingir metas de produção imediatas. Eles incluem
decisões relacionadas com o ciclo de pastejo, uso de suplementos e mudança
das classes de rebanho pela fazenda. Alguns indicadores chaves são
produção diária de leite na lactação, ganho de peso vivo em curto prazo (diário,
semanal ou quinzenal) e massa residual de forragem pós-pastejo. Neste nível,
decisões táticas relacionadas com acesso à água, cuidados para evitar pisoteio
e compactação do solo em situações de umidade excessiva e proximidade das
instalações de manejo se tornam importantes.

Vale ressaltar que todos esses cuidados e detalhes na confecção e


elaboração de um plano de ação para implementação de um dado sistema de
produção somente serão válidos e gerarão resultados positivos e desejáveis se
monitoramento efetivo de plantas forrageiras e animais existir. De nada adianta a
fixação de parâmetros e metas para o sistema, a definição de um perfil e o
equacionamento de problemas através de informações e dados referenciais se
estes não forem constantemente checados e monitorados. A análise detalhada e
minuciosa de resultados referentes a estoque de forragem na propriedade (massa
de forragem), perfil da relação suprimento:demanda atual, necessidade de uso e
alocação de suplementos, nível da produção animal atual (leite, carne ou lã)
permite que pontos limitantes sejam detectados e que soluções alternativas,
revisões de metas e ajustes no plano de pastejo possam ser feitos e discrepâncias
corrigidas.
O funcionamento eficiente e harmônico de qualquer sistema de produção
animal, particularmente aquele baseado no uso intensivo de plantas forrageiras
em pastagens, é totalmente dependente de análise frequente de índices parciais e
gerais de eficiência, revisão e atualização de metas, além da flexibilização do
plano de ação.
Dentro deste contexto, o manejo do pastejo é uma ferramenta que permite a
manipulação e a interação entre os três diferentes níveis de recursos básicos de

18
um sistema de produção animal a pasto (recursos físicos, de plantas forrageiras e
de animais – Figura 1) mas, para que resultados positivos sejam obtidos, é
necessário que esta interação seja promovida conforme um planejamento
baseado em uma escala temporal e lógica de ação, de forma racional e
equilibrada, permitindo, assim, que ações de manejo possam ser tomadas de
forma consciente e orientada. Ações de manejo concebidas e implementadas na
ausência de um planejamento técnico conforme descrito são, invariavelmente,
inócuas, imprecisas, de alto risco e custo potencial.
Considerações Finais

Sistemas de produção animal podem ser concebidos e idealizados de


diferentes maneiras. No entanto, existe a necessidade de que um planejamento
seja realizado e, para tanto, deve-se dar prioridade para determinados atributos
durante a fase de planejamento em relação a outros. Ou seja, existe uma estrutura
hierárquica que deve ser respeitada a fim de que planos racionais e equilibrados
de propostas de uso da terra através de pastagens e animais possam ser
efetivados e sejam economicamente viáveis. Esta é uma verdade para toda e
qualquer atividade empresarial bem sucedida. Produção animal e agricultura não
são exceção a essa regra. Para que sucesso seja atingido atualmente na
exploração econômica da terra através de pecuária é necessário que o pecuarista
seja um empresário rural extremamente hábil e capaz e dotado de uma habilidade
e um senso gerencial bastante aguçados.

19
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23
Manejo do
Pastejo

Perfil do
Sistema

Manejo do Sistema

Recursos Animais

Recursos Vegetais

Recursos Físicos

Figura 1. Representação esquemática da estrutura hierárquica entre componentes de sistemas de


produção animal a pasto (Adaptado de Sheath & Clark, 1996).

24
Diário Plano de pastejo

Perfil da relação S=D no mês


Mensal
(revisão semanal)

Perfil da relação S=D no ano


Anual (revisão trimestral)

Plano econômico
Multi-anual
(revisão anual)

Figura 2. Representação esquemática da estrutura temporal para tomada de decisões e


planejamento de sistemas de produção animal a pasto (Adaptado de Sheath & Clark,
1996).

25