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TURISMO – INFORMAÇÃO E

ANIMAÇÃO TURÍSTICA

Módulo 7
Itinerários e destinos turísticos
Turismo – informação e animação turística

Índice

Apresentação.......................................................................................................................2
Objetivos de Aprendizagem...................................................................................................2
1. Itinerários Turísticos e a História........................................................................................3
1.1.Os primeiros itinerários................................................................................................3
1.2. Definição de itinerários, circuitos e rotas turísticas........................................................6
2. Modalidades e Tipologia de Itinerários................................................................................8
2.1.Tipologia de itinerários turísticos...................................................................................8
2.2. Definição e regras de organização de itinerários e circuitos turísticos...........................15
2.3. Modalidades de comercialização.................................................................................19
CÁLCULO DO PREÇO DE UM ITINERÁRIO.............................................................................25
Rota das aldeias históricas...................................................................................................25
Apresentação dos cálculos...................................................................................................26
3.Os Itinerários e os Destinos Turísticos...............................................................................27
4.Elaboração de Circuitos e Itinerários Turísticos...................................................................31
4.1.Oferta turística local...................................................................................................31
4.2.Oferta turística regional..............................................................................................37
Bibliografia.........................................................................................................................41

Módulo 7 – Itinerários e destinos turísticos

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Turismo – informação e animação turística

Apresentação

Perante a crescente importância das rotas, itinerários e circuitos turísticos torna-se imperativo a
formação profissional devidamente específica na área de itinerários e circuitos turísticos com o
intuito de oferecer uma diversidade turística nos vários destinos nacionais.

Consequentemente, considera-se oportuno a existência de um módulo que foque os vários


itinerários, conforme as suas tipologias e, que igualmente, realce a sua importância para a
qualificação da oferta turística nos destinos.

Objetivos de Aprendizagem

 Identificar as diferentes terminologias e modalidades utilizadas nos itinerários turísticos


 Organizar circuitos, itinerários ou rotas
 Identificar os critérios que conduzem à procura de determinados circuito
 Caracterizar os circuitos temáticos existentes em Portugal
 Identificar a problemática da utilização de mapas, guias e outros recursos existentes
 Identificar as principais características de cada região turística de Portugal
 Utilizar as técnicas organizativas como veículo de promoção de um destino turístico

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1. Itinerários Turísticos e a História

1.1.Os primeiros itinerários

De acordo com o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa , itinerário significa: “Indicativo da


distância de um lugar ao outro”; “Descrição de viagem”; “Caminho a seguir, ou seguido, para ir
de um lugar ao outro”.

Os primeiros itinerários no mundo

As primeiras deslocações foram possíveis com a invenção da roda, na Pré-História. No entanto,


será mais tarde, como o florescimento das civilizações da Antiguidade Clássica, que surgem as
primeiras deslocações estruturadas com propósitos relacionados com o lazer.

Foi o povo Romano, mercê da sua política expansionista, a criar condições para o
desenvolvimento das viagens. Roma era o ponto de partida para os diversos itinerários
organizados em torno das riquezas históricas e arqueológicas da bacia do Mediterrâneo. Os
principais pontos de interesse constituíam, na época, “As sete maravilhas do mundo”:
conjuntamente, o primeiro itinerário da história.

Mais tarde, na Idade Média, Destacam-se os itinerários de peregrinação, sendo o destino mais
visitado Jerusalém, seguido de Roma e Santiago de Compostela. Estas viagens eram feitas por
“trilhos” previamente definidos e com referências de locais, paisagens e objetos para que as
pessoas se pudessem guiar.

Neste longo e obscuro período, surge um relato de viagem que abre um novo capítulo na
experiência humana. Trata-se do “Livro das Maravilhas”, resultante da expedição de Marco Pólo
à Ásia. Este traduz um relato minucioso e, ao mesmo tempo, carregado de espanto e
admiração de todos os lugares por onde passou.

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São dois os acontecimentos que, a partir da Época Moderna e Contemporânea, dão um grande
impulso ao conhecimento do mundo: por um lado, a expansão marítima, por outro, a invenção
da imprensa. Multiplicam-se os mapas, as descrições e relatos sobre novos povos e culturas,
que chegam mais rapidamente ao público por meio de obras impressas.

A emergência da burguesia traz novos hábitos entre as classes abastadas, tornando populares,
a partir de meados do séc. XVIII, as viagens de recreio. Os diplomatas, estudantes e os
membros das famílias ricas inglesas que viviam na ociosidade faziam a Grand Tour, assumida
como o primeiro itinerário efetivamente turístico.

Esta viagem, que tinha a duração de cerca de três anos, Incluía um itinerário previamente
fixado cujos principais destinos eram Paris e Roma, e também Génova, Florença, Veneza,
Alemanha e Países Baixos.

Os Relatos de visitas a lugares constituíam as formas usuais de guias impressos para o Grand
Tour, com os quais o viajante se munia para se informar e aproveitar o máximo da viagem.

Foi já em 1841 que nasceu o turismo organizado com Thomas Cook, com a organização da
primeira viagem colectiva com duração de um dia e com 570 passageiros. Mais tarde, já em
1864, organizou a primeira excursão acompanhada no regime “tudo incluído” para 500 turistas
tendo como destino a Suíça.

Mais tarde, viria a criar a sua própria agência de viagem “Thomas Cook & Son”, organizando
itinerários turísticos por todo o mundo, e estando na origem do turismo dos nossos dias.

Os primeiros itinerários em Portugal


Os primeiros transportes públicos em Portugal, respetivamente a Mala-posta e o Comboio, só
chegariam nos séculos XVIII e XIX, adiando consideravelmente o desenvolvimento do turismo.

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No entanto, estes dois serviços foram responsáveis pela sistematização dos primeiros itinerários
regulares no nosso país.

Entre a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX o turismo dava os
primeiros passos em Portugal como atividade organizada.

Como forma de divulgação destas transformações surgem as gravuras, os cartazes e os jornais


especializados que vão informando de que forma se deve empregar o tempo de lazer.

Pelas ligações que se estabeleceram entre as viagens de comboio e o turismo, muitas das
publicações que se debruçaram sobre os caminhos-de-ferro publicaram também notícias sobre
viagens e excursionismo e foram, ao mesmo tempo, veículos de incentivo à viagem de lazer ou
recreio.

Estas publicações tiveram um papel fundamental, fornecendo ao viajante toda uma série de
indicações que iam desde a qualidade e preço do alojamento, às condições das estradas, aos
meios de transportes existentes, etc.

Paralelamente, vai surgir outra tipologia de empresas turísticas ligadas à conceção de


itinerários: as agências de viagem.

A primeira agência portuguesa surge num contexto social muito particular que conduzia à
necessidade de organizar viagens específicas: a imigração.

A Agência Abreu foi fundada no Porto em 1840. Bernardo Abreu, conceituado comerciante da
cidade, abriu a Agência para tratar de passaportes, de vistos de emigração, da venda das
passagens de comboio para Lisboa e de navio para a América do Sul, especialmente dos que
pretendiam emigrar para o Brasil.

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Assim nasceu uma das mais antigas agências de viagens do mundo. Após a Segunda Guerra
Mundial, o incremento da aviação comercial encurtou as distâncias entre continentes. Iniciou
então a Agência Abreu a sua expansão no âmbito do turismo internacional.

Nos nossos dias, constitui a maior agência de viagens a operar no sector turístico em Portugal,
sustentada nas mais avançadas tecnologias, numa rede de distribuição que cobre os principais
centros urbanos do país e com forte presença no mercado externo.

1.2. Definição de itinerários, circuitos e rotas turísticas

1. Circuito Turístico - Conjunto de caminhos e visitas que se complementam constituindo


um itinerário fechado. Trata-se de uma viagem combinada em que intervêm vários
serviços: transportes, alojamento, guia, que se realiza de acordo com um itinerário
programado e com um desenho circular sempre que seja possível (o ponto de partida e
de chegada serão coincidentes), de modo a que se passe por um caminho
anteriormente percorrido.

2. Itinerário turístico - Descrição de um caminho especificando os lugares de passagem


e propondo uma série de atividades e serviços durante a sua duração. Este caminho
pode ser seguido numa viagem entre dois locais distintos, com referências aos vários
pontos de interesse turístico que se encontram pelo meio, e que está, em muitos casos,
sujeito a um tema específico. De forma a serem seguidos com maior facilidade, os
itinerários podem incluir indicações de distâncias e tempos previstos para as deslocações
e visitas sugeridas.

3. Rota - Sinónimo de itinerários, em sentido restrito, em que a saída e a chegada não são
coincidentes no mesmo ponto. O conceito de Rota e Itinerário podem ser considerados
sinónimos embora seja de realçar o facto de Rota estar sujeita a um tema ou a uma

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delimitação geográfica e associada a um percurso dirigido, o qual tem sido usado


preferencialmente em termos institucionais e promocionais

4. Forfait - Nome técnico utilizado para um tipo de Itinerário organizado cujo preço inclui
todos os serviços. Dentro deste podemos distinguir:

 Forfait para a Oferta – viagens programadas para serem posteriormente


vendidas pelos retalhistas

 Forfait para a Procura – viagens organizadas à medida do cliente

5. Excursão - Viagem organizada em grupo, com regresso ao ponto de origem e incluindo


todos os serviços básicos (transporte de pessoas e bagagem, refeições, circuitos
turísticos, guia-intérprete, entradas em museus e monumentos, etc.). Tem uma duração
igual ou inferior a um dia, não incluindo a componente alojamento.

6. Percurso - Refere-se apenas ao caminho físico (estradas, ruas, etc.) a ser percorrido
entre dois pontos de uma viagem. Está presente em cada um dos tipos de viagem
anteriores.

7. Visita - Deslocação para observação ou participação em qualquer atividade, a um


determinado local, turístico ou não, na qual se dá o reconhecimento, exame ou inspeção
de um lugar de paragem incluído num itinerário. A visita representa cada uma das
paragens que compõem um itinerário.

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2. Modalidades e Tipologia de Itinerários

2.1.Tipologia de itinerários turísticos

Os itinerários podem ser tão diversos quanto o será a conjugação das diferentes variáveis
intervenientes, designadamente a especificidade das atracões turísticas visitáveis, por
um lado, e com a multiplicidade de equipamentos e serviços de suporte, por outro.

Desta forma, podemos classificar, genericamente, os itinerários turísticos de acordo com


as seguintes variáveis:
 Eixo condutor
 Âmbito geográfico
 Tipo de turismo associado
 Envolvente do destino
 Duração
 Meio de transporte.

a) Tipos de itinerários segundo o eixo condutor:

Itinerários geográficos

São desenvolvidos em torno de uma unidade geográfica particular (Região; Município;


Localidade). Englobam diversas tipologias de recursos turísticos, naturais e culturais.

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Itinerários temáticos

São desenvolvidos em torno de um tema específico (tipologia de património, período


cronológico, etc.). Podem englobar uma ou mais unidades geográficas.

b) Tipos de itinerários segundo o âmbito geográfico:

Itinerários locais
Quando a realização de um itinerário se limita a um ou vários locais, ou seja, abaixo da escala
regional.

Itinerários regionais
Quando a realização de um itinerário se estende à escala regional.

Itinerários Nacionais
Quando a realização de um itinerário engloba vários pontos que abrangem a totalidade de um
país.

Itinerários internacionais
Quando a realização de um itinerário abrange o âmbito territorial de dois ou mais países.

c) Tipos de itinerários segundo o tipo de turismo associado

Itinerários culturais
Constituem a tipologia de itinerário “clássico”, e geralmente esboça-se em torno de um eixo
condutor que engloba um ou vários temas de interesse cultural.

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Está associada ao turismo cultural, ou seja, à tipologia de turista que pretende aprofundar
conhecimentos sobre a história, cultura ou tradições de um determinado local,
segundo um desejo de erudição e autorrealização.

Esta tipologia de itinerários pode ainda subdividir-se em vários segmentos:

TIPOS DE ITINERÁRIOS
CULTURAIS

Histórico ou literário

Patrimonial ou
monumental

Folclórico ou artesanal

Gastronómico ou
enológico

 Itinerários de interesse histórico ou literário - Estes itinerários envolvem


temáticas ligadas à história ou à literatura (recriação de épocas, locais onde ocorreram
acontecimentos importantes, locais descritos em obras literárias ou locais de
nascimento/ vivência de determinado(s) autor(es).

 Itinerários de interesse patrimonial ou monumental - Tendo o património


monumental como fio condutor, esta tipologia de itinerário desenvolve-se em torno de
uma tipologia patrimonial ou a um conjunto de elementos de natureza diversa, mas
pertencentes a determinada época histórica.

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 Itinerários de interesse folclórico ou artesanal – São itinerários que pretendem


levar à descoberta de um conjunto de atividades tradicionais, ligadas normalmente aos
espaços rurais, que na atualidade se encontram em desuso. Revisitando espaços e
equipamentos de produção, inserem-se numa estratégia mais ampla de preservação e
revitalização destas atividades.

 Itinerários gastronómicos ou enológicos – A gastronomia e os vinhos constituem


novos produtos turísticos que conduzem à formulação de rotas e itinerários específicos,
ligados aos locais de produção e à certificação de origem (D.O.P., no caso dos produtos
regionais ou D.O.C., no caso dos vinhos). A procura da qualidade e da excelência
conduzem ao sucesso deste tipo de projetos.

 Itinerários religiosos – Embora a sua natureza seja eminentemente cultural, esta


tipologia de itinerários é suficientemente importante para figurar numa categoria
própria, pela sua antiguidade e relevância sociocultural.

Itinerários naturais ou de ecoturismo


Esta tipologia de itinerários desenvolve-se em torno de sítios de interesse natural e paisagístico,
tendo como eixo condutor a flora, a fauna, a geomorfologia, o relevo ou a hidrografia dos
locais. Aqui se incluem as rotas desenvolvidas no âmbito da Rede Nacional de áreas protegidas,
bem como todo o tipo de percursos interpretativos ali estabelecidos, na maioria dos casos sob a
forma de percursos pedestres.

Itinerários desportivos ou de aventura


Os locais que possuem condições para o desenvolvimento de desportos de aventura constituem
o alvo deste tipo de itinerários, muitas vezes complementares dos itinerários naturais e de
ecoturismo.

Itinerários de saúde e bem-estar

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Os itinerários de saúde e bem-estar radicam na forte tradição termal do nosso país, que
atualmente está a ser revitalizada pela modernização e adaptação de produtos e serviços. Os
itinerários desta tipologia localizam-se em áreas que possuem uma grande concentração destes
recursos.

d) Tipos de itinerários segundo o enquadramento do destino

Itinerários urbanos
Os itinerários urbanos desenvolvem-se dentro de uma área urbana, normalmente um conjunto
ou centro histórico de interesse significativo. Muitas vezes exclusivamente pedonais, permitem
partir à descoberta do património dentro de uma área circunscrita, permitindo simultaneamente
o contacto com outros elementos eventualmente preservados como o comércio tradicional.

Itinerários rurais
Os itinerários rurais permitem a descoberta dos valores tradicionais, paisagísticos e/ ou
culturais, de uma área caracterizada por atividades tradicionais de subsistência, situada fora
dos perímetros urbanos.

Itinerários mistos
Considera-se itinerários mistos aqueles que incluem no seu percurso a exploração de uma
área urbana e, em complemento, uma zona rural. É o caso dos itinerários geográficos,
quando o objetivo é fornecer uma panorâmica de determinada região, e todas as regiões se
caracterizam por incluir zonas urbanas e rurais, muitas vezes limítrofes, de interesse turístico.

e) Tipos de itinerários segundo a duração da permanência

Itinerários de curta duração

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Os itinerários de curta duração compreendem normalmente apenas meio-dia ou, no máximo,


um dia de percurso. Neste tipo se inserem a generalidade das excursões feitas de autocarro,
bem como os percursos pedonais.

Itinerários de média duração


Os itinerários de média duração têm uma duração entre um dia e uma semana. Aqui se inserem
a maioria dos itinerários que implicam alojamento, bem como aqueles realizados em torno de
distâncias medianas, normalmente à escala regional, bem como aqueles que implicam mais
pontos de paragem e locais a visitar.

Itinerários de longa duração


Os itinerários de longa duração consideram-se normalmente a partir de uma semana de
duração, podendo em casos menos frequentes exceder os 15 dias. Aqui se inserem
normalmente os percursos que compreendem as maiores distâncias, como é o caso dos
itinerários internacionais, que implicam uma grande logística no que respeita ao transporte,
alojamento e atracões a visitar ao longo do percurso.

f) Tipos de itinerários segundo o meio de transporte utilizado

Itinerários pedestres
A realização de itinerários pedestres, como já vimos, é uma prática antiga que hoje surge
revitalizada com a procura crescente do designado “Turismo alternativo” ou “ de descoberta”.

O pedestrianismo é uma das modalidades dos denominados Desportos de Natureza, que são
todos aqueles cuja prática aproxima o homem da natureza de uma forma saudável e sejam
enquadráveis na gestão das áreas protegidas e numa política de desenvolvimento sustentável.

No entanto, os percursos pedestres vão muito para além da prática desportiva. Embora
também seja praticado em zonas urbanas, adquire o seu expoente máximo nas zonas rurais,
podendo promover o desenvolvimento socioeconómico, contribuindo para evitar a sua

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desertificação humana e poderá ajudar a rentabilizar a oferta da hotelaria, restauração,


alojamento rural, turismo de habitação, etc.

Itinerários por via rodoviária


Os itinerários por via rodoviária incluem aqueles realizados de automóvel, motociclo ou de
autocarro, sendo este último o meio de transporte privilegiado do excursionismo. Muitos dos
percursos realizados no centro histórico das grandes cidades privilegiam este meio de
transporte, adequado a grandes grupos. Os percursos de automóvel são frequentemente
utilizados pelos turistas que pretendem elaborar o seu próprio itinerário, fugindo das viagens
organizadas por intermediários. Os Mapas, os roteiros turísticos especializados e os sistemas de
GPS facilitam o crescimento deste segmento.

Itinerários por via fluvial/ marítima


Estes itinerários utilizam o meio de transporte mais antigo que a humanidade conheceu: o
barco. Os cruzeiros, marítimos ou fluviais, constituem produtos turísticos de grande procura na
atualidade, constantemente sofisticando e amplificando a rede de oferta de percursos e
itinerários. O Mediterrâneo, o Nilo, o Reno e o Danúbio são alguns dos percursos mais
populares, bem como o Golfo do México e o mar das Caraíbas.

Itinerários por via ferroviária


O comboio constituiu o primeiro transporte turístico, associado à evolução desta atividade.
Muito embora já não exerça a predominância nos meios de deslocação, com a proliferação das
ligações aéreas e do uso do automóvel, muitas das linhas históricas inserem-se numa aura
nostálgica que favorece a sua inserção em novos produtos turísticos, direcionados a um
segmento especializado.

Itinerários por via aérea


Trata-se de programas turísticos que englobam várias viagens de avião, entre locais
relativamente próximos. Como exemplo, podemos referir as deslocações entre as diversas ilhas
de um mesmo arquipélago.

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Itinerários combinados
Os itinerários combinados são aqueles que englobam várias tipologias e combinações de meios
de transporte na sua realização. Normalmente de média ou longa duração, permitem explorar e
conhecer áreas geográficas de maior dimensão, quer ao nível regional, nacional ou mesmo
internacional. Aqui se incluem os grandes itinerários comercializados pelos principais operadores
turísticos, os quais combinam diferentes meios de transporte, de atividades, alojamento e
atracões, geralmente com a intervenção de um guia turístico especializado.

2.2. Definição e regras de organização de itinerários e circuitos


turísticos

Porquê iniciar um projeto de itinerário turístico? A origem da iniciativa pode ser extremamente
variada:
 Criar uma nova atividade numa região que não se valorizou muito economicamente;
 Acompanhar as mutações das atividades económicas tradicionais;
 Perpetuar a salvaguarda do património local, atribuindo-lhe uma função turística;
 Revitalizar o turismo tradicional em declínio, diversificando a oferta turística.

Independentemente dos objetivos inerentes a cada projeto, o processo de organização de


itinerários turísticos pressupõe um trabalho especializado, a ser levado a cabo por uma equipa
multidisciplinar e devidamente preparada para o efeito.

De acordo com Kouchner e Lyard (2001), podemos identificar as seguintes etapas sequenciais
na organização de um projeto de itinerário turístico:

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ESTUDAR A ANALISAR A
CONTEXTUALIZAR PROCURA OFERTA

COMUNICAR E ENVOLVER A DESENHAR O


DIVULGAR COMUNIDADE PERCURSO

1 – Contextualização - A equipa que elabora o itinerário deve, em primeiro lugar, situar-se


no contexto sociocultural no qual se insere o percurso.

2 – Estudo da procura – A etapa seguinte envolve o estudo dos visitantes, potenciais e reais,
o seu número, as suas expectativas, as suas motivações, o seu perfil sociocultural, os seus
rituais, as idades, a saúde, etc. Quanto maior for o conhecimento do público-alvo, maior será
possibilidade de desenhar um itinerário à medida dos seus desejos, bem como escolher as
melhores palavras para a descrição dos locais, e assim satisfazê-lo e conquistá-lo.

3– Análise da oferta – Segue-se o inventário detalhado de todos recursos turísticos


primários, secundários e complementares da região-destino, alicerçados num diagnóstico global
das valências do território, que permita o ajuste correto e indicado entre produtos e serviços do
itinerário.

4-Desenho do percurso – O desenho do percurso deverá ser efetuado com base no


levantamento efetuado nas etapas anteriores. Aqui será escolhido o tema do itinerário, a
execução do traçado, os meios de transporte mais adequados e a sinalética a utilizar, bem
como os serviços complementares a afetar, como a intervenção de guias especializados.

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5-Envolvimento da comunidade – Um aspeto essencial, e que não deve ser descurado, será
o de envolver a comunidade local no roteiro, estabelecendo eventuais acordos e parcerias com
instituições locais.

6-Comunicação e interpretação – Por último, deve conferir-se especial atenção à


comunicação e interpretação do itinerário, através dos suportes que se revelem mais
adequados ao projeto em causa.

A etapa da conceção e design do percurso deverá ser realizada com o máximo cuidado,
salvaguardando todos os aspetos logísticos inerentes, tais como:
 Ter em atenção os tempos médios das distâncias a percorrer, de forma a evitar etapas
demasiado longas;
 Não introduzir um número excessivo número de pontos de paragem com interesse, que
podem sobrecarregar a etapa;
 Deverá ser deixada margem, nos intervalos temporais definidos, para a eventual
ocorrência de imprevistos,
 Ter em conta os dias e horários de visita às atracões turísticas como museus,
monumentos ou parques, pois estes podem ser variáveis;
 Levar em consideração o fator sazonalidade na marcação dos dias de realização do
itinerário (estação do ano, mês, dia da semana, etc.)
 Confirmar os horários dos diferentes serviços utilizados, como a alimentação, o
transporte e o alojamento;
 Deverão ser tidos em conta os procedimentos de segurança e emergência aplicáveis a
cada etapa.

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CÁLCULO DAS DISTÂNCIAS TENDO EM CONTA O MEIO DE TRANSPORTE

BICICLETA

12 a 15 kms / hora

AUTOMÓVEL/ AUTOCARRO

Em circuito urbano: 30 a 40 kms / hora

Em via rápida: 60 a 90 kms / hora

Em autoestrada: 90 a 100 kms / hora

COMBOIO

Em linha estreita: 30 a 50 kms / hora

Em via larga e rápida: 80 a 90 kms / hora

Em alta velocidade: 150 kms /

A PÉ

4 kms / hora

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2.3. Modalidades de comercialização

Após a conceção do itinerário, seguem-se duas etapas complementares: a comercialização e


a comunicação (e promoção) do mesmo.

COMERCIALIZAÇÃO
DE
ITINERÁRIOS

O mercado A distribuição O preço A promoção

folhetos Internet Multimedia Publicidade

Comercialização

O mercado
É muito importante conhecer os grandes princípios que presidem aos circuitos de
comercialização, que são relativamente complexos.

Os agentes da comercialização podem ser:


o O produtor: reúne e vende um produto finalizado, pronto a ser consumido
(deve distinguir-se do “prestador”).

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o O operador turístico, que é o grossista: compra diretamente ao produtor ou


passa por um intermediário local, a agência recetiva. Podem distinguir-se:
 Operadores turísticos generalistas
 Operadores turísticos especializados.

 O retalhista, existindo vários tipos a operar no mercado:


- As agências de viagens independentes,
- Os balcões de venda dos operadores turísticos. A maior parte dos operadores
turísticos possui a sua própria rede de distribuição, quer por correspondência,
telefone e Internet, quer sob a forma de lojas físicas,
- Estruturas institucionais ou com origem em instituições locais asseguram por
vezes a comercialização dos produtos relativos ao seu território (associações
turísticas regionais, por exemplo).

A distribuição
Os itinerários podem ser comercializados segundo uma das seguintes formas:
 Diretamente pelo produtor (venda direta);
 Por um operador turístico especializado;
 Por um operador turístico generalista.

 A venda direta pelo produtor - Esta forma de comercialização é por vezes


indispensável a um produtor, dado que permite colocar no mercado produtos que não
se enquadram na gama estabelecida pelos distribuidores por diferentes razões. Tem
também a vantagem de assegurar um melhor preço de venda ao produtor.
 A venda pelos operadores turísticos - Os operadores turísticos generalistas
compram diretamente aos produtores (o que é raro) ou passam por outros operadores
turísticos especializados, que desempenham o papel de subcontratantes.
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O preço

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Estabelecer o preço de venda de um produto turístico nem sempre é fácil: o preço é adotado
em função do preço de custo do produto, das características da procura e da situação da
concorrência.

A primeira coisa a fazer é calcular o preço de custo do produto, integrando diferentes


componentes:
 Despesas variáveis, as quais dependem do número de clientes: a restauração ou a
alimentação, o alojamento, etc.
 Despesas fixas, qualquer que seja o número efetivo de participantes: a remuneração
do acompanhante, o aluguer do veículo, etc.

As despesas de produção, de promoção e de comercialização ocorrem a montante do


ato de venda da prestação (ou do produto). Se a comercialização passar por um operador
turístico ou por uma agência, estes agentes chamarão a si estas ações. Se os prestadores ou os
produtores comercializarem diretamente, não poderão fazer essa economia.

Por último, as despesas de estrutura também fazem parte do preço de custo do produto: por
exemplo, comprar um novo computador para elaborar os orçamentos ou as fichas dos
produtos.

Uma vez determinado o preço de custo, pode-se pensar no preço de venda. Este
corresponde normalmente a uma tabela aplicada em função de diversas variáveis:
 Época alta, média ou baixa;
 Tipo de clientela visada;
 Condições de reserva,
 Outras.

A sazonalidade é um dos fatores que mais influencia a variação dos preços dos produtos
turísticos. As épocas (alta e baixa) são, normalmente, indicadas nas brochuras e apresentam
diferentes características, principalmente no que diz respeito aos preços.

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 A época alta caracteriza-se pelas datas mais populares, normalmente aquelas que
ocorrem durante férias escolares para o mercado das famílias. São frequentemente
vendidas a um valor mais elevado. Esta poderá variar de acordo com diferentes tipos de
férias: Carnaval, Páscoa, Natal, Verão.
 A época baixa, representada pelas datas mais acessíveis, é normalmente, aquela em
que a procura é mais reduzida, o que poderá suceder durante os meses de inverno.

A margem prevista pode variar em função das necessidades e dos objetivos do agente
económico: criar um novo mercado, aumentar o volume de negócios, remunerar melhor o seu
trabalho, etc. Na definição do preço de venda intervêm também apreciações sobre os níveis de
preços aceitáveis pela clientela e sobre o posicionamento em relação à concorrência.

A promoção

Pelos produtores
Para a venda direta, os principais instrumentos de promoção à escala de um produtor são um
bom ficheiro de clientes e a Internet.

Uma boa medida para os produtores começarem é organizarem-se em rede ou em associação a


fim de, por um lado, apresentarem uma verdadeira gama de produtos aos operadores turísticos
e, por outro, construírem e otimizarem uma estratégia de promoção dos produtos.

As feiras promocionais de turismo, de cariz nacional ou regional, constituem igualmente uma


excelente plataforma de divulgação da oferta local.

Pelos operadores turísticos


Cada operador turístico desenvolve a sua estratégia de promoção e de comercialização.

Dois elementos subjacentes às estratégias de promoção:

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 Recorrer à sedução, utilizando as imagens correspondentes à função social do percurso:


também se “vendem” sonhos, o imaginário... Isto significa catálogos muito cuidados,
ricos em fotografias que façam sonhar nas paisagens ou populações encontradas;
 Valorizar os serviços destinados mais especificamente aos intervenientes (transferência
das bagagens para caminharem sem peso, etc.).

A comunicação e promoção de um itinerário pode assumir várias formas, designadamente:


 Folhetos;
 Internet e páginas Web;
 Suportes multimédia
 Campanhas publicitárias.

 Folhetos – Os folhetos, desdobráveis ou flyers constituem o meio de comunicação por


excelência dos itinerários turísticos, sendo que o público se encontra habituado a obter e
analisar a informação através deste meio. Normalmente apresentam a descrição do
itinerário, a identificação e contactos das entidades promotoras, o preçário, informação
complementada com imagens, mapas e por vezes um slogan apelativo. A sua tradução
em diversos idiomas, como o inglês, o francês ou o castelhano, é também aconselhada.

 Suportes multimédia - A utilização dos suportes multimédia e CD-ROM está muito


difundida. Revelam-se um bom contributo pela flexibilidade da sua utilização, pela sua
interatividade, pela sua qualidade gráfica e pela importância das informações que
podem conter. No entanto, não podem substituir os documentos em papel e funcionam
por conseguinte como um complemento.

Internet e páginas Web - As páginas Web converteram-se num veículo fundamental de


promoção junto de diversos tipos de público. Por extensão, a Internet torna-se um veículo
fundamental de divulgação e promoção.

Módulo 7 – Itinerários e destinos turísticos

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Turismo – informação e animação turística

Campanhas publicitárias - As campanhas publicitárias relativas a um território integram cada


vez mais os itinerários turísticos na sua imagem, com um efeito de atração.

Para uma campanha de publicidade, privilegiam-se em geral as revistas especializadas,


mais acessíveis e que visam um público específico. A imprensa regional pode constituir
um apoio eficaz quando se pretende alcançar uma clientela de proximidade.

Módulo 7 – Itinerários e destinos turísticos

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Turismo – informação e animação turística

CÁLCULO DO PREÇO DE UM ITINERÁRIO

Rota das aldeias históricas

Ø 1ºdia (Quinta - feira)


09h00 – Partida do Porto, rumo à Aldeia histórica de Piódão
12h00 – Chegada a Piódão, check-in na Estalagem do Piódão (INATEL), em regime de meia-pensão
13h00 – Almoço livre
14h00 às 20h00 – Tarde livre
20h00 – Jantar no Restaurante da estalagem

Ø 2ºdia (Sexta - feira)


09h00 – Partida para a aldeia histórica de Linhares da Beira
10h00 – Chegada a Linhares da Beira
10h15 –Visita guiada ao centro histórico da aldeia
12h00 – Almoço no restaurante “A taberna do alcaide”
13h30 – Partida para a aldeia histórica de Marialva
15h00 – Chegada a Marialva. Alojamento nas “Casas do Coro” (Turismo de Aldeia), na modalidade de
meia-pensão
16h00 - Visita guiada ao centro histórico da aldeia
18h00-20h00 – tempo livre
20h00 – Jantar no restaurante regional das Casas do Côro.

Ø 3ºdia (Sábado)
9h00 –Partida para Castelo Rodrigo12h30 – Conquista pedestre da Vila de Monsaraz
10h30 –Chegada a Castelo Rodrigo. Visita guiada ao centro histórico da aldeia
12h00 – Partida para Escalhão
12h00 – Chegada a Escalhão. Almoço no restaurante “O Lagar”
14h00 – Início do programa de animação proporcionado pela Associação transumância e natureza –
Observação de aves
16h00 - Piquenique
17h30 – Partida para a Aldeia histórica de Almeida
18h30 – Chegada à Aldeia Histórica de Almeida. Alojamento na Pousada Nossa Senhora das Neves, em
regime de meia-pensão
20h00 – Jantar no restaurante da pousada

Ø 4ºdia (Domingo)
9h00 – Visita guiada à Aldeia histórica de Almeida
11h00 – Partida para a aldeia histórica de Sortelha
13h00 – Chegada ao Sabugal. Almoço no hotel “Raia hotel”
14h30 – Partida para a aldeia histórica de Sortelha
15h00 – Chegada à aldeia histórica de Sortelha. Visita guiada ao centro histórico da aldeia
17h00 – Partida em direcção ao Porto
20h00 – Chegada ao Porto

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Turismo – informação e animação turística

Apresentação dos cálculos


Alojamento
Estalagem do Piódão -10 DBL
Preço do quarto duplo (regime de meia-pensão): € 90
€ 90 * 10pax = € 900

Casas do Côro - 10 DBL


Preço do quarto duplo (regime de meia-pensão): € 150
€ 150 * 10pax = € 1500

Pousada Nossa Senhora das Neves – 10 DBL


Preço do quarto duplo (regime de meia-pensão): € 120
€ 120 * 10pax = € 1200

à Total do custo do Alojamento - € 3600

Restaurantes
2ºdia:
Restaurante “A taberna do alcaide” (almoço): € 20 * 21pax = € 420

3ºdia
Restaurante O Lagar (almoço): € 12 * 21pax = € 252

4ºdia:
Restaurante do hotel “Raia hotel” (almoço): €15 * 21pax = € 315

Total do custo dos Restaurantes - € 987

Visitas e animação
Visitas guiadas aos centros das aldeias históricas (€ 10 * 21 pax * 5 visitas = € 1050
Programa de animação (Associação transumância e natureza) - (€ 25 * 21pax) = € 525

à Total de custos de visitas e animação - € 1575

Transporte = € 1.500

Custos Totais: Alojamento: € 3600


Refeições: € 987
Visitas e animação: € 1575
Transporte: € 1.500
___________________
total = € 7662

Mark – up = 20%
= € 7662 * 20% (1532.4) = € 9194.4

Preço do Pacote = € 13.454 / 21pax = € 437.8

Módulo 7 – Itinerários e destinos turísticos

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Turismo – informação e animação turística

3.Os Itinerários e os Destinos Turísticos

De acordo com a Organização Mundial do Turismo, (OMT), um destino turístico pode ser
definido como:

“Um espaço físico no qual um visitante permanece pelo menos uma noite. Inclui produtos
turísticos, incluindo infraestruturas de suporte e atracões, e recursos turísticos à distância
de um dia de viagem de ida e volta. Possui delimitação física e administrativa que
circunscreva a sua gestão, e uma imagem e perceção definindo a sua competitividade de
mercado.”

Por outras palavras, para poder caracterizar um destino, para além de avaliar o que se conhece
em matéria de recursos, é necessário analisar o espaço geográfico que configura a base
desse território, que deve ser considerado, ao mesmo tempo, como recurso e como fator de
localização daquelas atividades.

A imagem do destino é formada por uma série de elementos ou atributos individuais que a
influenciam de forma decisiva. A noção de imagem refere-se à atitude, à perceção, às crenças e
às ideias que uma pessoa tem sobre uma área geográfica, considerando-se ainda como o
“quadro mental” que os promotores tentam incutir no público para a escolha do destino.

É neste sentido que a conceção de itinerários constitui uma estratégia fundamental das
ferramentas de planeamento turístico, na medida em que permite alicerçar a imagem do
destino junto do seu público-alvo.

No entanto, de modo a integrar o produto oferecido ao consumidor, este deve orientar-se em


torno de uma marca, a qual permita ao público-alvo, por meio de uma associação mental,

Módulo 7 – Itinerários e destinos turísticos

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Turismo – informação e animação turística

consolidar a imagem de um determinado destino. Desta forma, a imagem do destino deverá


constituir a base para a promoção e comercialização do mesmo

Esta estratégia revela-se frutífera no campo de organização das rotas turísticas, as quais
constituem itinerários integrados em torno de uma marca e de um modelo de gestão.

Podemos definir Rota Turística como um conjunto organizado de circuitos de descoberta e


usufruto de todos os patrimónios, com uma identidade própria e única, fundada na ecologia e
na metafísica da paisagem, acessível a todos os públicos mas com produtos diferenciados
segundo os seus segmentos, potenciador da organização e desenvolvimento das cadeias de
valor da indústria turística.

De acordo com esta definição, os critérios de criação de uma rota devem atender aos valores
culturais, à memória histórica, e à pluralidade de identidades de um território, fomentando os
intercâmbios entre os locais e os visitantes, respeitando o meio ambiente e seguindo os
princípios do desenvolvimento sustentável.

Modelo de organização de uma rota turística


Segundo Rodrigues (2008),

CONCEITO

ESTRUTURAÇÃ
GESTÃO
O

Módulo 7 – Itinerários e destinos turísticos

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Turismo – informação e animação turística

 Conceito: Um nome que traduza a essência da experiência oferecida pela rota,


facilmente compreensível por todos, ou pela maioria dos clientes, e que seja sugestiva
e atrativa.
 Estruturação: Entre os elementos estruturais de uma rota destacam-se os
seguintes:
o Um ponto ou porta de entrada ‘forte’, que dê força e prestígio ao conjunto da
rota;
o Um ponto de chegada também ‘forte’ que proporcione uma meta física e
emocional aos viajantes (elemento de grande força motivadora);
o Uma variada e equilibrada combinação dos elementos que constituem o
corpo da rota, entre o ponto de entrada e o de chegada: cidades, povoações,
sítios de interesse paisagístico, monumentos, etc.;
o Uma adequada rede de vias de acesso e ligações entre todos os
componentes da rota;
o Um sistema de sinalização específico da rota;
o Uma adequada rede de pontos de serviço e apoio ao viajante ao longo da
rota: áreas de descanso, instalações sanitárias, postos de informação, etc.;
o Uma articulação de diferentes itinerários dentro da mesma rota,
especificando o tempo do trajeto.
 Gestão: Entre os elementos que a gestão da rota inclui destacam-se os seguintes:
o A criação de uma comissão ou comité de gestão da rota;
o Criação de um sistema de propriedade/associação à rota, que estabelece
os requisitos a cumprir, os direitos e as obrigações dos membros;
o A coordenação e cooperação entre os membros da rota;
o A definição de padrões de qualidade para todos os componentes da rota;
o A avaliação permanente do desempenho da rota;
o A elaboração e difusão de material informativo: mapas, plantas, descrição
dos pontos de interesse e das atividades que se podem realizar, etc;

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Turismo – informação e animação turística

o Criação de um símbolo gráfico que expresse a identidade e o conteúdo da


rota, devendo estar presente em todos os seus componentes da rota, assim
como no material promocional;
o A procura permanente de novos elementos para enriquecer a rota.

Podemos concluir que o conceito de Rota é o que melhor serve o planeamento, a


gestão racional de recursos e, sobretudo, a eficácia na promoção dos destinos
turísticos, permitindo aumentar o índice de permanência e ocupação da Hotelaria e da
Restauração, e rentabilizar a animação e a venda de outros produtos.

Desta forma, os destinos turísticos poderão valorizar-se e contribuir amplamente para o


desenvolvimento económico dos territórios onde se inserem.

Módulo 7 – Itinerários e destinos turísticos

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Turismo – informação e animação turística

4.Elaboração de Circuitos e Itinerários Turísticos

4.1.Oferta turística local

A elaboração de circuitos e itinerários turísticos, constituindo-se como uma estratégia potencial


para o desenvolvimento de um destino turístico, deve basear-se num conhecimento
aprofundado da oferta de uma determinada área geográfica.

Para a definição de oferta turística concorre um conjunto de elementos, bens e serviços que
sejam adquiridos ou utilizados pelos visitantes, tal como aqueles que foram criados com o
intuito de satisfazer as suas necessidades. Concorrem ainda os elementos naturais e culturais
que fomentam a deslocação dos visitantes.

Apesar da oferta turística de qualquer destino ser variável, podemos dizer que a procura só
poderá ser satisfeita com base num conjunto mínimo de componentes oferecido:
 Recursos Turísticos - constituem a parte fundamental da oferta, podendo ser naturais ou
construídos;
 Infraestruturas - construções subterrâneas e de superfície, tais como redes técnicas e
acessibilidades, essenciais ao suporte da atividade turística;
 Superestruturas - constituídas por equipamentos que respondem diretamente às
necessidades da procura turística, entre eles o alojamento e os restaurantes;
 Acessibilidades e transportes - dos quais são parte integrante as vias de comunicação,
bem como os meios de transporte e a sua organização;
 Hospitalidade e acolhimento - as condições com que se recebe os visitantes podem
constituir um fator de diferenciação e atratividade no turismo.

Módulo 7 – Itinerários e destinos turísticos

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Turismo – informação e animação turística

Consoante a conceção dos itinerários se reporte a uma área geográfica mais restrita (local) ou
mais abrangente (regional), existem critérios e metodologias definidas que permitem a
identificação dos elementos potencialmente relevantes para integrar a oferta a contemplar no
itinerário.

Seguidamente, propomos a divisão proposta por Zimmer e Grassman (1996), quanto aos
critérios a observar e inventariar tendo em conta a avaliação do potencial turístico de um
território:

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Fatores naturais

 Situação geográfica e extensão do território


 Situação geológica e condições climáticas
 Planos de água (mar, rios, lagos, etc.)
 Paisagens, fauna e flora

Fatores socioeconómicos


 Estrutura económica (importância dos diversos
sectores de atividade, etc.)
 Estrutura sociodemográfica (pirâmides
etárias, saldo migratório, repartição
socioprofissional, etc.)
 Estrutura político-administrativa

Infraestruturas e serviços disponíveis:

 Equipamentos (água, gás, eletricidade,


tratamento de resíduos, etc.)
 Transportes (rede rodoviária, ferroviária,
transportes coletivos, etc.)
 Serviços (comércios, serviços de saúde, etc.)

Fatores culturais:

 História
 Tradições/produtos artesanais locais
 Configuração dos locais
 Monumentos e curiosidades
 Locais a visitar, visitas com guia
 Distrações, acontecimentos culturais, etc.

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Turismo – informação e animação turística

Oferta: desporto e tempos livres


 Desportos náuticos, natação
 Aviação
 Equitação
 Passeios pedestres e cicloturismo
 Desportos de Inverno
 Golfe
 Outras atividades desportivas e de lazer

Oferta: saúde e curas

 Termalismo
 Curas (cuidados de saúde, condição física,
desenvolvimento pessoal).
 Terapias diversas, etc.

Oferta: alojamento
 Capacidade global
 Repartição da oferta de camas e de
estabelecimentos de alojamento segundo a
capacidade de alojamento
 Repartição da oferta de camas e de
estabelecimentos de alojamento segundo o
tipo de alojamento
 Repartição local dos estabelecimentos de
alojamento
 Qualidade e tarifas
 Possibilidades de férias na quinta, casas
rústicas
 Campismo, caravanismo
 Desenvolvimento da oferta de alojamento

Oferta: restauração

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Turismo – informação e animação turística

 Capacidade global
 Repartição local dos restaurantes
 Qualidade e preço

Conferências e seminários

 Centro (s) de congressos e de exposições


 Hotéis com salas para seminários e os
respetivos equipamentos técnicos

Módulo 7 – Itinerários e destinos turísticos

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Turismo – informação e animação turística

Mas na perspetiva de um desenvolvimento local apoiado no turismo, a análise da oferta


deve ir além destes elementos e considerar também os fatores seguintes:

População local
 A população está sensibilizada para o turismo?
 Quais são as suas aspirações?
 Como poderá contribuir para o seu desenvolvimento?
 Já existe um plano de desenvolvimento turístico?
 Quem pode desempenhar o papel de “locomotiva” e empreender os primeiros projetos?
 Quem “faz” a opinião e quais são os “multiplicadores”?

Organizações turísticas locais


 Quais são as organizações turísticas já ativas localmente?
 Quais são as suas competências e campos de atividade?
 Quem são as pessoas que lá trabalham? A que título?
 De que orçamento dispõem?
 Quais são as possibilidades de cooperação com esses organismos?
 Quais são as atividades previstas?

Comercialização turística
 Qual é a política seguida quanto à oferta e ao preço?
 Quais são os canais de distribuição utilizados?
 Quais são os instrumentos de comunicação utilizados (publicidade, relações públicas,
vendas)?
 Quais são as suas qualidades e os seus defeitos?
 Quais são as estratégias de comercialização previstas?

Módulo 7 – Itinerários e destinos turísticos

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Turismo – informação e animação turística

4.2.Oferta turística regional

De acordo com a recente reformulação organizativa do sector turístico em Portugal, o


levantamento da oferta turística regional transita da competência das regiões de turismo para
as novas áreas regionais de promoção turística.

Estas áreas refletem as áreas abrangidas pelas NUTS II (unidades territoriais para fins
estatísticos):
 Norte
 Centro
 Lisboa e Vale do Tejo
 Alentejo
 Algarve

Mantendo-se, para o caso das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, as


competências das respetivas Direções-regionais.

Seguidamente apresentamos os principais recursos e atrativos que compõem a oferta turística


destas regiões, com base no Plano Nacional Estratégico de Turismo (PENT):

REGIÃO NORTE

 Cidade do Porto
 Caves de Gaia - Vinho do Porto
 Cidades históricas (Guimarães, Braga e
Viana)
 Rio Douro
 Alto Douro Vinhateiro
 Parques Naturais (ex.: Parque Nacional
Peneda-Gerês)
 Património arqueológico (Foz Côa)
 Gastronomia e vinhos (ex. Vinho do Porto)

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REGIÃO CENTRO

 Fátima
 Templos, castelos e mosteiros
 Vilas típicas e costeiras
 Praias
 Campos de golfe (pólo Oeste)
 Cidades e aldeias históricas
 Serras (ex: Serra da Estrela)
 Qualidade e diversidade de águas minerais
 Grutas (Mira D’Aire)
 Gastronomia

REGIÃO DE LISBOA E VALE DO TEJO

 Cidade de Lisboa
 Estoril, Cascais e Sintra
 Museus e monumentos
 Campos de golfe
 Centros de congressos
 Oferta hoteleira de qualidade
 Praias atlânticas
 Porto de cruzeiros de Lisboa
 Parques Naturais (Sintra e Arrábida)

REGIÃO DO ALENTEJO
 Cidade de Évora
 Praias virgens
 Paisagem de planície
 Castelos e fortalezas
 Património arqueológico e arquitectónico
 Alqueva
 Aldeias típicas
 Pousadas
 Gastronomia e vinhos

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REGIÃO DO ALGARVE

 Praias e falésias
 Campos de golfe
 Marinas
 Diversidade da oferta hoteleira
 Capacidade hoteleira disponível fora do
período de Verão
 Temperatura da água
 Beleza da zona da Ria Formosa

REGIÃO DA MADEIRA
 Natureza – levadas
 Cidade do Funchal
 Aldeias típicas (Camacha e Santana)
 Flora diversificada
 Praia de Porto Santo
 Centros de congressos
 Portos/Marinas
 Oferta hoteleira de qualidade
 Vinho Madeira

REGIÃO DOS AÇORES

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 Nove Ilhas (diversidade)


 Vida marinha e marítima
 Paisagem/Natureza (falésias, vulcões)
 llha do Pico (vinhas, património mundial)
 Lagoas (ex: Lagoa das 7 Cidades)
 Cidade de Angra do Heroísmo (Património
mundial)
 Paisagens vulcânicas
 Calma e natureza inexplorada

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Bibliografia

AAVV. (2005) Modelo Teórico-Prático de Criação de Rotas , ATAHCA – Associação de


Desenvolvimento das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave

Kouchner, Françoise e Lyard, Jean-Pierre (2001) A valorização do turismo de passeio pedestre


nos territórios rurais – Guia pedagógico sobre a elaboração e execução de um projecto de
passeio pedestre, Caderno nº 12, Observatório Europeu LEADER +, União Europeia

Picazo, C. (1996) Asistencia Y Guía a grupos turisticos, Madrid: Editorial síntesis

Rodrigues, Ana Isabel (2008) Módulo II – Construção e Gestão de Programas de Animação


Turística – Rotas turísticas, Instituto Politécnico de Beja

Zimmer, Peter e Grassman, Simone (1996) Avaliar o potencial turístico de um território ,


Observatório Europeu LEADER +, União Europeia

Webgrafia

http://www.turismodeportugal.pt

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