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Nós falamos no primeiro dia, de maneira objeti-

va, sobre o cânon sagrado, esse conjunto de tex-


tos autorizados e entendidos como sendo aque-
les que definem, no mínimo, a história narrativa,
a coerência das escrituras, e vimos como isso
aconteceu no Velho Testamento, como foi difícil
para os judeus estabeleceram a média pondera-
da do cânon sagrado deles.

Vimos que não há unanimidade absoluta sobre


quais livros devem pertencer à Escritura judai-
ca; existem grupos e seitas judaicas que tem ou-
tros livros em acréscimo ao cânon convencional
dos judeus.

Vimos também que para além das escrituras ou


dos textos escolhidos, existe com uma impor-
tância extraordinária, o material considerado
deuterocanônico dos judeus. Os textos, as tradi-
ções paralelas, essas adições dos tempos, das ge-
rações, da revolução ou da involução do proces-
so religioso ou da circunstância histórica que
demandava novas adaptações.

Passamos de lá para o Novo Testamento e vimos


que nele, não foi fácil se chegar onde se chegou,
e nós vimos que depois, logo no final do século 1
e início do século 2, o que aconteceu é que come-
çaram a precisar de referências e, como os após-
tolos todos já tinham morrido e eles estavam se
distanciando do ponto e do momento histórico
de Cristo Jesus, de Deus encarnado em Cristo se-
gundo a confissão da fé, como isso estava aconte-
cendo, começou a haver uma demanda por uma
coletânea autorizada do material que represen-
tasse o equilíbrio do ensino

Já no início do segundo século,cresce esse tipo de


produção escrita que decorria, como eu já disse,
da preferência filosófica do grupo, de modo que
muitos textos que foram escritos atribuidamen-
te de modo narrativo em relação à vida de Jesus,
olhavam para Jesus a partir de alguma filosofia.

Na maior parte das vezes, partindo da filosofia


gnóstica ou de diversas versões gnósticas de in-
terpretação da vida. Ou poderia ser por algum
tipo de outro interesse de metodologia filosófi-
ca; e, nesse sentido, Aristóteles acabou sendo a
grande referência de mediação interpretativa,
de metodologia filosófica.
Assim surgiram vários escritos, pseudo-epígra-
fes; e, como eu disse, ninguém foi mais prolífero
que os gnósticos, as seitas cristãs gnósticas que
queriam ter um Evangelho autoritativo, valida-
tório para o olhar pré-concebido filosoficamen-
te que eles já carregavam, a partir de cujas len-
tes, à priore, interpretavam, de modo que eles
queriam um Evangelho que se coadunace como
uma projeção de Cristo coerente com o pressu-
posto filosófico ao qual eles já tinham aderido
anteriormente.

De fato,é já no início do século 3 que há uma gran-


de explosão desses textos, a maioria deles de-
pois descobertos em 1946, no alto Egito, nas pro-
ximidades do vilarejo de Nag Hammadi, quando
um garoto do deserto, despretencioso esbarra
naquela quantidade enorme de vasos de barro
carregados de pergaminhos bem preservados
pela secura do deserto, que quando vieram a
ser de fato descobertos, com o garoto Mohamed
Ali, que acha e acaba vendendo no mercado um
dos livros; depois chegaram à biblioteca de Nag
Hammadi, onde encontra-se uma quantidade
enorme de livros que você pode achar no google.
Houve um tempo que, para você ler esses livros,
precisava procurar nas melhores bibliotecas,
nas melhores livrarias, você ainda encontra ma-
terial impresso de alta qualidade e beleza sobre
cada um desses livros de Nag Hammadi, mas
não precisa mais. Você tem traduzido para o por-
tuguês ou para língua que você queira, ai no seu
celular, no google, bem diante de você.

Tem a oração do apóstolo Paulo, o apócrifo de


Tiago, conhecido como “O Livro Secreto de Tia-
go”; você vê os traços gnósticos de uma sabedo-
ria secreta que ninguém tem, só os iluminados
gnósticos possuíam.

O Evangelho da verdade que é também algo que


é um segredo, que ninguém mais tem, é bem
gnóstico.

O tratado sobre a ressurreição, que também é


uma revelação muito particular, e você tem o tra-
tado tripartite, e quando você chega ao segundo
códice, ele apresenta a você o apócrifo de João,
uma versão longa, o Evangelho de Tomé, o Evan-
gelho de Felipe, algumas outras coisas acerca da
origem do mundo, e a exegese da alma.
Veja como a filosofia gnóstica está presente por-
que era o gnosticismo que tratava dessas coisas.
E o livro de Tomé, “O adversário”, é o Tomé que
cumpre um papel de adversário da verdade de
Jesus.

Tem o apócrifo de João, na versão curta, no códi-


ce 3. O livro sagrado do grande Espírito invisível,
outro traço nitidamente gnóstico, e esse aqui
também é conhecido como Evangelho dos egíp-
cios.

Tem uma quantidade extraordinária de outros


textos. A sofia de Jesus Cristo, a sabedoria de
Jesus, os diálogos do salvador, apócrifo de João.
Entrando no códice 5 você tem os Euganotos e
o abençoado, você tem Apocalipse de Paulo, que
é um saco. E também o Primeiro Apocalipse de
Tiago, ou primeira revelação de Tiago. Segundo
Apocalipse de Tiago, Apocalipse de Adão, os atos
de Pedro e dos doze apóstolos, o trovão, a men-
te perfeita, o discurso autorizado, o conceito de
nosso grande poder.

Tudo isso, inclusive, com a República de Platão


que foi encontrada junto; tudo isso tem a ver
com textos produzidos pela filosofia gnóstica se
utilizando de personagens de protagonistas dos
Evangelhos de Jesus e acerca de Jesus, os mais
antigos e respeitados e menos questionados, a
partir desse Evangelho que são Mateus, Marcos,
Lucas e João.

Muitos personagens foram arrancados e pos-


tos em um processo de encenação, duzentos e
cinquenta anos depois, para criar um narrativa
adaptada ao desejo gnóstico ou da filosofia em
questão; mas os gnósticos foram campeões nes-
sa obsessão de penetrarem a fé de Jesus, total-
mente obcecados por essa idéia; e já era assim
desde os dias de Paulo e dos apóstolos, mas es-
pecialmente nos dias de Paulo, porque os outros
apóstolos não tinham nem aparentemente es-
trutura para lidar com o sofismo, com toda a so-
fisticação do engano gnóstico nas suas variadas
versões.

Mas Paulo trata delas, como, por exemplo, é o


caso do que ele faz de maneira específica e for-
te na carta aos Colossenses. Extremamente vol-
tado para lidar com o ascetismo judaizante e o
ascetismo gnóstico e com todos os outros cultos
de mistério dos gnósticos, como culto aos anjos
e uma quantidade enorme de outras coisas que
eles introduziram como elemento que suposta-
mente agradaria facilmente àquelas comunida-
des cristãs pouco pastoreadas ou não pastorea-
das, ou não instruídas ainda na maturidade do
Evangelho, porque não havia texto para ser leva-
do.

O Evangelho era uma proclamação oral do que


Jesus tinha dito em Aramaico, e foi o que eles ti-
veram durante as primeira décadas, até que sur-
ge o Evangelho de Marcos, segundo a maioria
dos entendidos concebem e consentem.

Depois, no Evangelho de Marcos, que serve


como estrutura dorsal, Mateus agrega histórias
do nascimento de Jesus, dos magos, de detalhes
da infância de Jesus, acrescenta uma quantida-
de enorme de parábolas que não estão presen-
tes em Marcos, expande o sermão escatológico,
expande a narrativa da ressurreição, e mais do
que isso, inclui os oráculos do Senhor, que são na
maior parte deles aqueles que estão contidos no
sermão da montanha.
E então vem Lucas e diz: “Alguns empreenderam
narrativas, a mim me pareceu bem também...”

Investigados os fatos desde a sua origem, con-


siderando que quando ele escreveu isso Paulo
ainda vivia, e boa parte dos apóstolos ainda esta-
vam vivos, e provavelmente Maria ainda vives-
se, e outros protagonistas dos Evangelhos, já em
Marcos e Mateus, estavam ainda vivos como tes-
temunhas da primeira ordem. E ele que já vinha
escrevendo as narrativas apostólicas, Atos dos
Apóstolos, e entra na narrativa como historiador
de Paulo em Atos 16, que é quando ele entra no
livro e faz parte da história, escreve o Evangelho
que leva o seu nome, o Evangelho de Lucas, pos-
teriormente, mas muito provavelmente, talvez
um ano antes de Paulo ser decapitado.

Então, se isso é verdade, o que aconteceu?

O que aconteceu é que Paulo leu o Evangelho de


Lucas, que eventualmente Pedro leu o Evange-
lho de Lucas, assim como eles já tinham lido ou-
tras escrituras.

O que se diz é que o Evangelho de Marcos foi


escrito a partir das memórias, ou praticamente
tem uns que preferem a tese de que tenha sido
um sermão longo de Pedro contando a narrati-
va. Eu não acredito.

Eu creio que, se tem a ver com Pedro, decorre de


uma quantidade enorme de anotações e de con-
versas; é sintético, mas não dá para ser só o der-
rame de uma mensagem.

E se tem bem depois o Evangelho de João; Jeru-


salém já tinha sido destruída, o que não é o caso
no Evangelho de Lucas, onde você vê que os
tempos verbais referentes à cidade e ao templo
são tempos presentes, a cidade ainda estava no
lugar, não tinha acontecido a dispersão, e Paulo
estava vivo, o que não é o caso no Evangelho de
João. Todos tinham morrido e João estava sozi-
nho, ele é aquele que ficou mais longevamente
dando testemunho das primeiras coisas e das
primeiras ocorrências.

Então, esses outros Evangelhos que vão apare-


cendo no paralelo, que foram posteriormente
considerados apócrifos, eles surgiam e tomavam
por empréstimo, essas figuras completamente
já reverenciadas nas narrativas dos Evangelhos
ou das testemunhas oculares, ou do historiador
próximo das testemunhas oculares, e que inter-
rogou para construir sua narrativa, que foi Lucas,
tomavam esses personagens e os adaptavam ao
interesse da filosofia em questão e, eu repito, os
gnósticos foram os mais prolíferos em fazer isso.

Acontece que no primeiro concílio de Nicéia, em


325, se chegou a uma conclusão a respeito do 27
livros que hoje constam aqui, e que foram tam-
bém os livros indicados por Irineu, que achava
que tinha que haver um cânon e sugeriu esses
27. Foi Marcião que também havia sugerido em
primeiro lugar que tinha que haver um cânon,
uma referência, mas queria tirar 10 desses li-
vros, e deixar entre os Evangelhos apenas o de
Lucas, porque achava que com os livros que ele
escolhera, a filosofia, a teologia que ele imple-
mentaria e pela qual ele seria conhecido e tra-
tado como herege, melhor se adequavam à sua
interpretação.

Então vejam como, toda hora, esses livros canô-


nicos são escolhidos a partir de predileções an-
teriores, de pré concepções de natureza filosófi-
ca que muitos desses grupos tinham. Ou então,
eram livros que enfatizavam o judaísmo e as leis,
conforme os grupos cristãos judaizantes prefe-
riam, mas sempre tinha um pressuposto ideoló-
gico querendo manipular o texto.

Nesse sentido, esses quatro Evangelhos defini-


dos e que temos em nossas Bíblias, além de se-
rem os mais aceitos disparadamente, eram os
Evangelhos consensuais por assim dizer, por
causa de todos os elementos históricos e da so-
briedade deles, esses quatro Evangelhos eram
também dos mais isentos de todos eles.

Marcos é tão isento que faz Jesus cair de para-


quedas sem genealogia, sem coisa nenhuma,
não tem preparação, é praticamente seco.

O Evangelho de Mateus, adapta a narrativa do


Evangelho a uma quantidade enorme de coisas
que Jesus disse e que incluíam cumprimentos de
profecias do Velho Testamento Hebraico, mas
não havia predileção por texto canônico por par-
te dos apóstolos quando dizem: “Ao se cumprir o
que disseram o profeta Isaías, o profeta Amós”...
Tanto pode ser um texto derivado do cânon he-
braico quanto da septuaginta, ou de outras tra-
duções vigentes, não é essa a questão. Eles sa-
bem que existe um espírito convergente e que
Jesus tinha cumprido aquela realidade.

Ou Jesus mesmo, quando cita a Escritura, ele cita


em Aramaico, não em Hebraico, porque Ele fala
aramaico o tempo todo.

A questão do texto original não está em questão


para Jesus, por isso Ele cita em aramaico aquilo
que originalmente teria sido escrito em hebrai-
co.

De modo que quando é o quarto século - eu disse


a ironia de alguns dos maiores hereges da igreja
primitiva definiram o cânon sagrado - a necessi-
dade dele como referência, e, no caso de Oríge-
nes, os 27 livros que temos aqui.

No caso de Lutero a primeira tradução vem dire-


to da Vulgata Latina, que Jerônimo traduziu para
o latim, e vem do latim para o Alemão, e dali se
espalha para o povo, porque essa não era a pre-
ocupação com filigrana linguística de nenhuma
natureza; a preocupação era com o espalhamen-
to da mensagem mais autêntica acerca de Jesus,
e Lutero, por exemplo, não tem nenhum ques-
tionamento acerca de Marcos, de Mateus, de Lu-
cas e de João; o questionamento dele tem a ver
com algumas cartas do Novo Testamento, muito
mais resultado dos traumas dele, como ele diz:
“ao expressar essas minha opiniões, não as faço
baseado em nenhum tipo de amparo literário,
são apenas as minhas pré compreensões”. Ele é
honesto o bastante para declarar isso!

E Calvino seguiu a linha do que se chama a or-


todoxia, do que fosse o mais moderado e o mais
equilibrado do conjunto desses textos, e dedicou
boa parte da vida, da existência dele, para tentar
comentar e tentar traduzir para a sua geração,
e do ambiente pós católico-romano, a nascente
reforma protestante, o que ele entendia como a
interpretação mais pura da doutrina de Cristo,
da doutrina da Bíblia, porque eles não consegui-
ram fazer nenhum tipo de filtro para a escritura
toda, do Velho e do Novo Testamento, que passou
a ser considerada palavra de Deus autorizada.

Tudo que estava nela era “Palavra de Deus”,e isso


criou o conceito do livro como Palavra, e cada
vez mais material, porque Gutemberg imprimiu
o livro, então o que antes era uma multidão de
pergaminhos ou de livros enormes inajuntáveis,
agora estava em um bloco só.

E a convergência desses livros para um bloco só,


começa a fazer da Bíblia a arca da aliança do pro-
testantismo e da reforma, é a relíquia.

E como a ênfase de Lutero e Calvino, era em


uma hermenêutica que começava com o rigor
gramatical do estudo da língua original, quem
não soubesse a língua grego e hebraico não teria
acesso à revelação total. Você poderia até ten-
tar, porque como Deus é bondoso, ele iria te ilu-
minar, mas para você se tornar um mestre, um
doutor de Cristo, você tinha que ter acesso que
só a elite tinha às línguas originais.

Isso já impunha um reducionismo extraordi-


nário no próprio processo hermenêutico; de-
pois o povo que não saber ler, não sabe escrever,
não sabe nada, tem que conhecer toda a histó-
ria contemporânea dos dias de Jesus para poder
compreender também o que está sendo dito a
partir da exegese do texto, tem que haver essa
compreensão de contextos textuais e de contex-
tos históricos, depois você também tem que ser
um iluminado para conhecer tudo que os pensa-
dores cristãos de peso e de responsabilidade an-
tes e depois da reforma disseram para você con-
substanciar a verdade que você estava tentando
entender e enxergar, de modo que o próprio pro-
cesso hermenêutico reformado já elitiza absolu-
tamente o acesso de qualquer um à informação
sobre Jesus.

E sem querer, ao se exigir que o processo her-


menêutico tenha indivíduos com tamanhas
qualificações, se cria uma outra classe sacerdo-
tal, que é classe dos exegetas, dos hermeneutas,
dos únicos que podem ler Deus no original, se
cria também o gnosticismo subjacente porque
só um grupo de especialistas tem acesso à essas
informações especiais e são aqueles que podem
também consubstanciar tudo aquilo com as his-
tórias que eles leram nas filosofias gregas e nos
historiadores gregos da história universal, e são
também esses que terão que aprender e saber
qual era o processo teológico de todos aqueles
que foram respeitados antes, para checarem se
o que eles estão entendendo na leitura da es-
critura, é equilibrado ou não é equilibrado, é re-
formado ou não é reformado, ou seja, a reforma
passou a ser uma referência condicionante, um
container de não expansão, de não desenvolvi-
mento de não crescimento no conhecimento da
palavra na Graça e na revelação de Jesus,que tem
na pedra angular, que é Cristo, e no fundamento
dos apóstolos, o seu fundamento, mas continua
a crescer como edifício bem ajustado por essas
referências, e na reforma se colocou um teto, e
quem passar desse teto é herege.

E aí se cria um aprisionamento que só foi fican-


do cada vez mais reducionista, e o crescimen-
to disso do século 16 para cá, nos legou a Bíblia
como maior fetiche concreto de Deus na face
da terra, para nós crentes protestantes, e para
o pentecostais também, como livro santo, pala-
vra de Deus de capa a capa, como os pentecos-
tais gostam de dizer, embora a maioria não leia e
não entenda, nunca tenha entendido, e como eu
disse ontem, crê em um pacote doutrinário ba-
seado em experiências, não em compreensão no
que a Escritura estava dizendo sobre cada uma
daquelas coisas; crê no pentecostalismo.
São os pilares dessa fé em que não precisa se
compreender mais nada, desde que se fale ou-
tras línguas, desde que tenha transes intensos,
desde que haja quem profetize para dar um sen-
timento de atualização da presença de Deus no
meio da reunião, ou daquele grupo humano,
conforme tudo que eu já falei.

Então, o resumo anterior é esse, que nos coloca


diante de um problema.

O problema é: de onde vem a


nossa referência de Jesus?

Essa é a questão, toda a questão é essa.

Porque se eu disser que a minha fé e baseada no


que a Bíblia toda fala, eu vou ter que escolher o
que de Jesus fica aqui, porque, o que Jesus ensi-
na, desconstrói quase tudo, e o que sobra é a fé.

Tabernáculo não é mais preciso, nenhum tem-


plo tem que ser erigido, essas leis todas, que não
sejam leis do amor, aquelas leis que eu devo pra-
ticar por amor ao meu próximo, essas leis to-
das de rituais, de julgamentos, de sentenças, de
mortes, de apedrejamentos, de ritos, de derra-
mamentos de sangue, tudo isso acabou, cessou
o costumado sacrifício.

“Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do


mundo”, acaba com todos os outros sacrifícios,
sobra só o sacrifício de louvor, que não é outra
coisa se não o fruto dos lábios gratos diante de
Deus, mas não tem derramamento de nada se
não da alegria e gratidão.

Lutero cria nisso, Calvino cria nisso, o problema


era a continuidade; para Lutero era mais fácil,
porque ele não aceitava absolutamente nada que
não fosse a liberdade dele em Cristo, segundo o
Evangelho; ele nem sabia explicar porque, mas
a paixão dele por Jesus era a razão de ele dizer
não para tudo que não parecesse com Jesus. Não
foi uma questão angustiada em razão do cânon
sagrado, não! Ele era um indivíduo determinista
nas convicções dele e ele dizia acertivamente: “É
nisso que eu creio e o resto para mim não pres-
ta”, não tinha nenhuma elaboração para fazer.

Já Calvino, era uma pessoa que cria que de capa a


capa a Bíblia era a Palavra de Deus. Há coisas na
escritura que em Cristo caíram , mas são coisas
muito diminutas; a maior parte delas continua
em vigência e não há uma explicação razoável
para a vigência de coisas inconcebíveis, não há
em Calvino a coragem de Lutero de dizer: “Isso
não combina com o Cristo pelo qual eu me apai-
xonei, então está fora.”

Calvino vai fazer todo o esforço para que aqui-


lo continue ali, e chega mesmo a dizer que nós
somos salvos pela Graça e uma vez salvos pela
Graça somos devolvidos à lei para sermos edu-
cados e santificados.

Então, na prática, o fim da lei ainda não é Cristo; é


no argumento teológico do texto escrito por ele,
mas não o é na prática da vivência da liberdade
que nós gentios temos em Cristo Jesus nosso Se-
nhor. Não, na prática não! Na teologia ele chega
aí, mas na prática não; e prova disso foi o estímu-
lo que ele deu aos puritanos, que eram aqueles
que diziam que Cristo os tinha salvado mas era
a lei que os santificava nos maiores rigores da
lei. Prova de que o esse entendimento na prática
não fechou.
E a segunda prova de que não fechou é que todos
aqueles que resolveram fazer da reforma uma
reforma sempre se reformando, foram tratados
como hereges, porque de fato aquele pacotinho
estava fechado.

E estamos nós aqui hoje, nós herdeiros dessa


história cristã desde os Evangelhos, uma histó-
ria de discípulos que depois se tornaram filhos
do cristianismo que se dividiu em muitos gru-
pos, na maior parte das vezes a partir da escolha
de livros que eram mais coerentes com os pres-
supostos filosóficos que eles já tinham adotado
anteriormente.

O cristianismo que tem no protestantismo seu


maior cisma, sua maior divisão, com esses mi-
lhões de filhos da reforma protestante, que são o
segundo grupo do Cristianismo maior depois da
igreja católica-romana, com exceção dos liberais
protestantes e católicos, que desde o início do sé-
culo XX, estão dizendo que a Bíblia contém a pa-
lavra de Deus, mas que ela em sí não é a palavra
de Deus; coitados, o que eles apanharam quando
disseram isso, foram feitos hereges por falarem
uma tolice dessa. Apanharam e apanham até o
dia de hoje, mas isso é básico demais, não leva a
gente adiante.

Os outros todos, presbiterianos conservadores,


reformados puritanos, metodistas wesleyanos,
batistas que se tornaram reformadamente pu-
ritanos e todos os pentecostais, mesmo não ob-
servando na prática a ética da Escritura nem do
Evangelho, mas segundo a tradição visual da
moda dos seus anciãos, todos eles dizem que
tem a Bíblia como regra de fé e de prática.

E aí está o problema, onde deveria haver a solu-


ção.

Não é um problema para um muçulmano dizer


que o Alcorão é regra de fé e de prática porque o
Alcorão é livro de um homem só, que começou
e terminou o livro em vida, e que fez o livro ser
coerente com ele próprio.

Na Bíblia não, são autores e autores diferentes,


muito mais diferentes do que aqueles que se
contavam originalmente, como se cada livro fos-
se de um só autor, não! Hoje se sabe que foram
muitas mãos que produziram aquele texto em
um período longo de tempo, e que os textos da-
vam uma resposta, na maioria das vezes, ao seu
tempo, com exceção dos profetas que falavam
para o seu tempo e para o futuro. A maioria dos
outros textos falavam para o seu tempo e para a
manutenção daquela civilização, daquela nação,
fosse ela qual fosse, ou um povo ainda tribales-
camente peregrinando, ou a nação inicial, a se-
quência desse povo, a manutenção dele, a con-
vergência dele para um foco de fé, que foi o que
o judaísmo fez.

Ainda assim foi algo que teve suas adaptações ao


momento histórico que eles estavam vivendo. O
Velho Testamento é flexível muito mais do que
vocês imaginam. Ele cresce, ele evolui, ele au-
menta, ele agrega significados, e os profetas são
os maiores responsáveis pelas heresias do Velho
Testamento, em relação à fixidez interpretativa
do pentateuco, da torá, da lei de Moisés.

Agora, da reforma protestante para cá, o que vi-


mos foi que o culto ao livro, e o aprisionamento
da palavra de Deus exclusivamente ao livro,pren-
deu Jesus junto com Moisés e com todo mundo,
e fez Jesus ter que ser coerente com Moisés e
Moisés coerente com Jesus; parece que o tempo
tinha parado e que Jesus era só uma continuida-
de, não há a menor razão para dizerem que Jesus
é o verbo encarnado, se Jesus não for um avanço
inominável em relação ao que a Velha Aliança
tinha dito.

Jesus é o avanço sonhado, prometido e profetiza-


do, desejado por todos os que tinham tido qual-
quer que fosse a revelação espiritual; em Israel
havia esse desejo de que um dia os olhos vissem
a própria salvação, e ele chegaria para nos ensi-
nar todas as coisas. Tudo que sabemos vai sofrer
aumentativos, vai ser alterado profundamente
porque ele nos ensinará, ainda somos cegos.

E Jesus vem e não adianta ficar tentando fazer


comparações e diminuir o choque antitético en-
tre Jesus e as interpretações de qualquer que se-
jam as naturezas do Velho Testamento quando
ele diz: “Eu porém vos digo. Lestes ou ouvistes”.

Na maioria das vezes Ele diz ouvistes porque o


povo que estava ali não sabia ler, eles ouviam o
rabino ou o sacerdote.
“Ouvistes o que foi dito aos antigos”

E com isso ele traz a torá junto, todas as tradições


judaicas, o ensino paralelo, os deuterocanônicos,
ao dizer que aos antigos ele inclui um aumen-
tativo de tempo histórico extraordinário, cabe
Moisés e todo mundo mais. Onde quer o que o
conceito tenha sido por exemplo, “olho por olho,
dente por dente”, ele diz: “Eu vos digo que aca-
bou. Eu porém vos digo”.

Então todo o embate dele com a interpretações


canônicas, deutero-canônicas, pseudo-epígra-
fes, praticadas pelos judeus e pelos rabinos, es-
cribas, autoridades do templo de todo tipo em
choque permanente com ELe, em relação ao que
ele reinterpreta, Ele traz escrituras que são rein-
terpretadas e devolvidas, ampliadas e aumenta-
das, o tempo todo.

E há uma indicação de algo para além daquilo,


há uma relativização absoluta ao que até então
tinha sido dito, ele mesmo chegou a dizer: “Vós
examinais as escrituras porque julgais que há
nelas a vida eterna, são elas mesmas que dão tes-
temunho de mim”.
A vida eterna não está na Escritura, a
vida eterna está nEle, você só examina
a Escritura para chegar até Ele, porque
a escritura não é um fim em si mesma,
ela é testemunho da soberania de Deus
que cresceu na gravidez da história até
parir o Filho do Homem, o Verbo, que se
encarnou e habita entre nós, cheio de
Graça e verdade e nós vimos sua Glória,
como a do unigênito do Pai.

Tudo o mais, entra em estado apenas de contri-


buição testemunhal para Jesus.

“Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do


mundo”.

Porque a lei e os profetas testemunharam até


João, agora começa o Reino de Deus.

Agora, Novo Mandamento eu vos dou, novo, que


faz de todo aquele detalhamento, de todo aquele
despenamento de rolinha e tudo o mais, tolice de
distração, brincadeira de massinha na creche.
O escritor de Hebreus diz que tudo era sombra,
era arquetipia, era referência simbólica, era pro-
jeção, era metáfora do que haveria de vir, metá-
fora pálida, opaca do que viria, que seria o fato
inaceitável de que Deus não era um livro, nem
um conjunto de livros, que Deus estava em Cris-
to, como diz Paulo, Deus estava em Cristo, recon-
ciliando consigo o mundo.

Isso tem que alterar tudo, todas as interpreta-


ções, todos os sentidos, isso relativiza todos os
absolutos anteriores porque eles eram apenas
filhos da relatividade, do tempo, da ignorância,
da limitação; filhos de uma evolução gradativa,
de uma revelação que tinha que crescer para
atender a lentidão do desenvolvimento da per-
cepção humana.

Nada mais compreensível e natural que isto, até


Cristo, onde Deus não é um texto, Deus é pessoa,
onde a palavra de Deus não é Escritura, é um
ser humano em movimento.

A revelação de Deus é cada gesto dessa pessoa,


cada gesto é um ato de Deus, é verdade de Deus,
e Ele mesmo chega e diz: “Eu sou o caminho, a
verdade e a vida”, Ele exclui o resto, “Ninguém
vem ao Pai senão por mim.”

Quando ele diz isso, Ele está excluindo todas as


demais coisas, que só seguem se caminharem
com Ele, que só são verdade se coadunarem com
Ele, que só servem para a vida se forem de acor-
do com Ele.

Então vem Paulo, e diz que nEle habita corporal-


mente toda a plenitude da divindade, e diz que
nEle estão ocultos todos os tesouros da sabedo-
ria e do conhecimento.

Vem o escritor de Hebreus e diz que Ele é a ex-


pressão exata do ser de Deus, que é o esplendor
da sua Glória.

Vem Paulo e acrescenta que Ele é a imagem do


Deus invisível, o primogênito de toda criação,
porque nEle todas as coisas foram criadas em
toda e qualquer dimensão, as coisas do céu, da
terra, de debaixo da terra, tudo tem nEle a sua
convergência total.

Ele é a face de Deus, o testemunho de Deus sobre


Ele é: “Eis o meu filho amado em quem me com-
prazo, a Ele ouvi”, ou não foi Deus quem falou?

Ele mesmo ressuscita dentre os mortos e ensina


aos seus discípulos tudo o que em todas as escri-
turas constava a seu respeito,porque interessava
a Ele que os discípulos levassem na consciência
tudo aquilo que era convergência da escritura
para Ele, e a escritura só tinha sentido universal
e histórico, naquilo que o indicava, como a espe-
rança de cada um daqueles seres, que aguarda-
vam aquela consumação, se Abraão vira os seus
dias e se regozijara, e Ele era a manifestação
desse sonho, desse desejo, ele seria a comple-
tude, a manifestação absoluta, não faltaria nada,
nem uma única manifestação de revelação a ser
acrescentada, nEle não há nada a ser tirado ou
acrescentado, Ele é Deus conosco, o Emanuel.

Agora, interessante é que apesar disso tudo ter


sido aceito, são acelerações dos Evangelhos e
dos apóstolos que foram aceitas nos concílios
que definiram o Novo Testamento com esses 27
livros que temos, mas o problema foi a Bíblia, foi
que eles tiveram que fazer o Velho Testamento
entrar aqui para isso ser uma escritura única
e praticamente inseparável, e Jesus foi ficando
cada vez mais apenas um personagem do livro
e o livro se tornou maior que Jesus de modo que
Jesus é questionado em relação ao que Moisés
falou.

Mas Jesus cancelou tudo. Paulo chamava o Ve-


lho Testamento de escrito de dívida, sobre o qual
ele fala em Colossesses no capítulo 2: “ O escri-
to de dívida que havia contra nós e que constava
de ordenanças as quais nos eram prejudiciais,
Jesus removeu tudo inteiramente e cravou na
cruz, despojando assim o poder dos principados
e potestades de nos acusarem, porque ele cra-
vou toda a lei da morte”

E nos deixou sem lei?

Não! Eu tenho lei muito mais profunda, muito


além de toda aquela bobagem, daquelas exterio-
ridades, tenho a lei da vida, segundo Evangelho,
o Novo Mandamento: “Amai-vos uns aos outros
como eu vos amei”

Amai-vos uns aos outros significa que a lei para


mim é tudo que eu quero que o outro faça por
mim, por isso eu me adianto e faço por ele, tratar
o outro como eu quero ser tratado, e todo mundo
sabe como quer ser tratado, não tem desculpa.
E a lei é que você ame o outro como extensão
dessa consciência e significado e valor de vida
que você adquiriu no Evangelho: “Novo manda-
mento eu vos dou, amai-vos uns aos outros, as-
sim como eu vos amei”

Acabou o olho por olho, dente por dente, é uma


nova criação, nova criatura, a expectativa de uma
nova sociedade ressurreta, glorificada; é um ou-
tro padrão!

“Assim na terra seja feito como no céu”, é outra


referência!

“Entre vós não será assim como é entre os reis e


os governantes dos povos”, é outro olhar, outra
compreensão!

“A Páscoa é uma só: Está pago, está consumado,


onde o cordeiro de Deus pagou todos os preços
de todos os pecados para trás, para hoje, para to-
dos os momentos da história, está tudo feito e
consumado”.
E o que eu faço com a vida?

Eu começo a lê-la a partir de Jesus que é o verbo,


que a palavra encarnada, eu tenho o melhor tes-
temunho da pessoa de Jesus contida nesse livro
por acaso; poderia estar fora, eu considero esse
testemunho dos quatro Evangelhos, comparan-
do com todas as narrativas anteriores e poste-
riores e simultâneas, eu digo e creio que nada se
compara à sobriedade dessa descrição e os des-
compromissos ideológicos e filosóficos desses
quatro Evangelhos.

Eles servem para mim como referência de quem


e como Jesus foi; por esses quatro Evangelhos,
eu sei como ele foi, mas não é porque esses qua-
tro livros estão dentro desse grande outro livro
que esse grande livro fica totalmente validado,
só porque aqui tem quatro livros contando a his-
tória de Jesus; isso foi só uma decisão bibliotecá-
ria.

Infelizmente, praticamente quase todo mundo


na história da igreja atravessou a história que-
rendo fazer a harmonização do impossível, sem
crerem no que Jesus e os apóstolos disseram, de
que aquilo ficou para trás, que agora não é mais
tábua de pedra, como Paulo disse em II Corín-
tios 3: “Não é mais tábua de pedra, agora é uma
escritura lavrada na alma, na mente, no coração,
agora é um mandamento implantado na consci-
ência, conversão do caráter, nova criação, a rege-
neração, agora é o Novo Homem”

O Novo Homem vive uma vida ressuscita-


da em novidade de vida segundo Cristo, não
com medo da condenação, mas com alegria
da salvação da ressurreição, da vida eterna,
constrangido pelo amor de Deus.

Ele vive a partir de Jesus, ele entende a vida só


a partir de Jesus. Ele aprende o que é amar com
o modo como Jesus amou as pessoas, inclusive
os contraditórios. Ele aprende amar o inimigo
como Jesus tratou os inimigos, ele entende o que
é orar pelos que o perseguem como Jesus orou
pelos perseguidores.

Jesus é a chave que abre não só o entendimen-


to do Velho Testamento, mas a chave que abre o
entendimento das própria palavras de Jesus; os
atos de Jesus interpretam as palavras de Jesus,
de modo que eu não precise tanto de grego nem
de hebraico, porque o Evangelho é para todo
criatura, então podia ser para quem soubesse
hebraico, grego, ou tivesse um escriba de inter-
pretação a tiracolo.

Por isso é que a encarnação é o gesto que é inter-


pretação da palavra, é o que eu vejo Jesus fazen-
do em quem ele toca, em quem Ele chega, como
Ele aborda, como Ele trata, como Ele inclui, como
ele confronta, como Ele perdoa.

Eu entendo o que Ele ensinou, pelo que Ele pra-


ticou, porque Ele é a chave para a interpretação
do que ele mesmo disse tanto quanto Ele é a in-
terpretação de qualquer outra palavra, que em
qualquer outro tempo tenha sido a inspiração
de Deus para qualquer outra geração, isso tanto
para trás como para o futuro, como para hoje.

Então, quando eu vejo uma doutrina, um arca-


bouço doutrinário que vem cheio de tentativa
de hibridização do Novo Testamento com o Ve-
lho Testamento, de Jesus com Moisés, isso já cai
morto diante de mim porque Jesus é minha cha-
ve interpretativa; eu não tenho dúvidas, a obser-
vação de como Jesus viveu é tão óbvia, que se tor-
na óbvia a interpretação do que Jesus ensinou e
do que eu devo praticar, porque eu sou chamado
a praticar exclusivamente o Evangelho de Jesus,
que é palavra absolutamente completa de Deus
para mim.

O que os Apóstolos fizeram foi fazer interpre-


tações da vida de Jesus, da palavra de Jesus, dos
ensinos de Jesus, aplicando aos eventos contem-
porâneos, com as circunstâncias do tempo e do
momento a partir do olhar de Jesus.

Pelo amor de Deus, o que é difícil? E o que é


mais simples do que isso? E o que é mais re-
volucionário do que isto? O que acrescentar
nisto? Que reducionismo se atribui a Este e
a isto, que tem neste que é a imagem do Deus
invisível, o primogênito de toda criação, em
quem habita corporalmente toda a plenitu-
de de Deus, que é a expressão exata do ser
de Deus, da manifestação da sua Glória, que
é o verbo encarnado, que é a palavra inter-
pretada, que é o cumprimento de profecias
já realizadas e de outras que tem nEle a sua
projeção estendida, que dificuldade há nisso?
Quem tem contribuição melhor a oferecer?

Moisés tem como melhorar Jesus?

Davi tem como ampliar Jesus?

Isaías, Jeremias, Ezequiel?

Ele é o cumprimento das profecias, como eles


tem algo a acrescentar a Jesus senão a corrobo-
rar, e a dizer que ele era aquele que esperavam
ou Ele mesmo dizer: “Hoje essa escritura se
cumpriu em mim.”

Pelo amor de Deus, é preciso muita formatação,


muita doutrinação de seita religiosa na cabeça
para o indivíduo não entender o óbvio dessa es-
planação e continuar brigando com Jesus, en-
quanto diz que Jesus é o Senhor, que Jesus é o
salvador.

Brigam com Jesus dizendo que não é o bastante.

“Precisamos de peso, precisamos de mais an-


gústias, precisamos de mais mandamentos, pre-
cisamos de coersão, precisamos de mais perse-
guição, precisamos de culpa.”

É algo muito adoecido.

“Precisamos de uma concreção, não temos ne-


nhum lugar sagrado afinal, então pelo menos
precisamos de um livro para nossa adoração.”

Então eles amam o livro de todo o coração, mas


ignoram a Palavra; e por amor ao conteúdo do li-
vro eles rejeitam o mandamento de Jesus como
Jesus mesmo disse que os judeus faziam, em
Marcos 7: “Vocês são jeitosos, vocês conseguem
mudar tudo, adaptar a palavra de Deus às novas
doutrinações, as sistematizações, aos deuteroca-
nônicos que vocês vão acrescentando para po-
derem adaptar as coisas jeitosamente à vontade
de vocês, ou aos traumas de vocês, ou medos de
vocês, ou culpas de vocês. As doutrinações de
vocês são as projeções das ignorâncias e dos me-
dos de vocês; e como elas são dogmatizadas, vo-
cês ficam fechados na blindagem da ignorância
permanente.”
Se Jesus, todavia é a chave interpretativa,
todo dia eu estou relendo a vida e ela vai
crescendo, e o Evangelho vai aumentando, se
tornando lindo e extraordinário, e você vai
ficando cheio de uma sabedoria prometida
por Jesus, uma sabedoria à qual ninguém po-
derá rebater, é um promessa dele!

Cada vez mais simples, cada vez mais pro-


fundo, cada vez mais sábio, cada vez mais ir-
respondivelmente verdadeiro.

Que esse não seja só um curso para a cabe-


ça, mas que seja uma reformulação de todo
o ser. Que haja de fato a conversão que nun-
ca o houve, que ela aconteça de uma manei-
ra revolucionária e se espalhe pela terra, em
nome de Jesus, amém!