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LFG INTENSIVO II

DIREITO PROCESSUAL PENAL

Material de Apoio - Processo Penal - Aqui no curso serão tratadas as


Nestor Távora - 01.pdf questões prejudiciais e, como aula on
Material_do_Professor Nestor line, serão tratadas exceções. Os demais
Távora_Sinótico_Questões e Processos procedimentos incidentais serão
Iincidentes_CPP.pdf disponibilizados por material escrito.
Advertência. Segundo Eugênio
QUESTÕES E PROCEDIMENTOS Paccelli, os procedimentos incidentais
INCIDENTAIS podem ser classificados quanto à sua
finalidade e natureza. Vejamos:
1. Considerações iniciais I) questões tipicamente
preliminares:
1.1. Conceito I.a) exceções;
São as intercorrências ao longo do I.b) conflito de jurisdição;
processo que devem ser resolvidas II) questões acautelatórias de
durante a evolução da demanda, para natureza patrimonial:
que ao final o juiz reúna as condições II.a) medidas assecuratórias
necessárias para julgar a causa. (arresto, sequestro e hipoteca legal);
Conclusão. Segundo Frederico II.b) restituição de coisas
Marques, elas nada mais são que apreendidas;
questões prévias, funcionando como III) questões tipicamente
antecedente lógico à cognição do probatórias:
mérito. III.a) incidente de falsidade
documental;
1.2. Enquadramento normativo III.b) incidente de insanidade
1.2.1. Questões prejudiciais mental.
Elas estão ligadas ao mérito da
causa, encontrando tratamento 2. Questões prejudiciais
normativo nos artigos 92, 93 e 94 do 2.1. Conceito
CPP. Segundo Paulo Rangel, a
prejudicial é uma questão intimamente
1.2.2. Procedimentos incidentais ligada ao mérito da causa, devendo ser
Eles estão vinculados à matéria previamente solucionada para que o
processual, encontrando a seguinte magistrado possa aferir a imputação,
distribuição no CPP: condenando ou absolvendo o réu.
A) exceções (artigos 95 a 111); Exemplo: validade do primeiro
B) conflito de jurisdição (artigos matrimônio (questão prejudicial) como
113 a 117); pressuposto para o julgamento do crime
C) restituição de bens apreendidos de bigamia (questão prejudicada).
(artigos 118 a 124);
D) medidas assecuratórias (artigos *Apenas para exemplificar, e animar
125 a 144-A do CPP). um pouco quanto à utilidade prática
E) incidente de falsidade diante de tão enfadonho estudo desta
documental (artigos 145 a 148); matéria, menciono alguns casos de
F) incidente de insanidade mental questões prejudiciais (sem classificar)
(artigos 149 a 154). encontrados no estudo da doutrina:
crime antecedente e lavagem de

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capitais; furto, roubo, estelionato e mínimo para sua verificação (justa
crimes contra propriedade intelectual na causa);
receptação; filiação e abando material; C) autonomia – os artigos 92 e 93
nulidade do primeiro casamento e do CPP revelam que a prejudicial pode
bigamia; menoridade e existência de ensejar um processo autônomo,
crime; nulidade da patente ou do inaugurado na esfera extrapenal.
registro em se tratando de crimes contra
a propriedade imaterial; posse e 2.4. Prejudiciais vs. preliminares
exercício arbitrário das próprias razões; PREJUDICIAIS PRELIMINARES
exceção da verdade nos crime de a) estão intimamente a) tratam de temas
ligadas ao mérito da processuais que
calúnia; a constitucionalidade de um
causa; ocasionam a nulidade
tributo e a sonegação; a prestação de do processo ou a
contas e a apropriação indébita. extinção da
b) são dotadas de punibilidade;
2.2. Natureza jurídica autonomia, podendo b) não gozam de
ensejar a deflagração autonomia, sendo
Na doutrina encontramos as
de um processo na apreciadas pelo juiz
seguintes posições: esfera extrapenal; que preside a
A) 1ª posição: segundo Denilson c) as prejudiciais demanda penal;
Feitoza Pacheco, a questão prejudicial é importam na aferição c) o conhecimento de
uma elementar do tipo penal, pois a sua da responsabilidade uma preliminar
verificação ocasionará a atipicidade da criminal do réu, de ocasionará a
forma que o seu invalidação do
conduta imputada. Perceba-se que se julgamento torna a processo, com
trata de uma posição fundada em demanda apta à eventual extinção sem
Direito Penal. É posição minoritária. solução meritória. julgamento de mérito,
B) 2ª posição: para Fernando da ou a declaração da
Costa Tourinho Filho a questão d) Conclusão. Uma extinção da
vez resolvida a punibilidade do fato;
prejudicial revela uma forma de prejudicial, o juiz d) uma vez acatada a
conexão, pois os temas podem ensejar enfrentará o mérito. preliminar, o juiz não
processos autônomos ou a reunião em adentrará ao mérito
demanda única. Trata-se da posição principal da demanda.
majoritária.
Conclusão. A solução da 2.5. Classificação
prejudicial no bojo da demanda penal 2.5.1. Quanto à natureza
revela o princípio da suficiência da A) prejudicial homogênea,
ação penal, que é bastante para solução comum, ou imperfeita – é aquela que
da questão prejudicada e da prejudicial trata de matéria cuja competência para
que lhe é correlata. análise é do próprio juiz que preside a
causa principal.
2.3. Características Conclusão. Logo, a questão
A) anterioridade – deve o prejudicial integra o mesmo ramo do
magistrado primeiramente resolver a Direito da questão prejudicada.
prejudicial (questão prévia) para, na Exemplo: exceção de verdade no crime
sequência, enfrentar o mérito principal de calúnia.
da demanda; Advertência. Elas são chamadas
B) essencialidade/ de “imperfeitas” pela ausência de
interdependência/necessariedade – o tratamento nos artigos 92, 93 e 94 do
status de questão prejudicial pressupõe CPP (expressão essa que parece mesmo
a direta incidência na tipicidade da paradoxal com os outros dois,
conduta, exigindo-se o lastro probatório “homogênea” e “comum”).

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B) prejudicial heterogenia, reconhecimento de circunstâncias que
jurisdicional ou perfeita – é aquela que abrandem a pena.
pertence a ramo do Direito distinto da
questão prejudicada. 2.6. Sistemas de solução da questão
Advertência. Elas são chamadas prejudicial
de perfeitas pelo tratamento reservado A) sistema de cognição incidental,
nos artigos 92, 93 e 94 do CPP. também chamado de sistema do
predomínio da jurisdição penal – por
2.5.2. Quanto à competência esse sistema, o juiz é sempre
A) questões prejudiciais competente para resolução da questão
devolutivas – é aquela que será remetida prejudicial.
para solução na esfera extrapenal; Conclusões:
Conclusão. Percebe-se que o 1) esse sistema prestigia a
melhor exemplo de prejudicial razoável duração do processo, mas
devolutiva é simbolizado pelas fragiliza as regras de competência
prejudiciais heterogêneas. constitucional;
B) questões prejudiciais não 2) não é adotado no Brasil.
devolutivas – são aquelas cuja B) sistema da prejudicialidade
competência para solução é do juiz que obrigatória – por ele o juiz penal nunca
preside a causa penal, não havendo a poderá analisar questões prejudiciais de
promoção de remessa. ramos distintos do direito;
Conclusão. Percebe-se que as Conclusão. Ele prestigia as regras
prejudiciais homogêneas integram a constitucionais de fixação de
referência de não-devolutividade. competência, mas fragiliza a razoável
duração do processo.
2.5.3. Quanto aos efeitos C) sistema da prejudicialidade
A) questão prejudicial necessária facultativa – por ele, o juiz criminal
ou em sentido estrito – é aquela que poderá ou não remeter a prejudicial para
importa na paralisação do processo a solução na esfera extrapenal;
criminal para sua solução na esfera D) sistema misto ou eclético – o
extrapenal. Exemplo: estado civil das Brasil harmonizou os sistemas da
pessoas (art. 92 do CPP). prejudicialidade obrigatória e
B) questão prejudicial não facultativa, a depender da pertinência
necessária ou facultativa – é aquela que temática, vejamos:
poderá paralisar o processo criminal D.1) quanto ao estado civil das
para sua solução na esfera extrapenal. pessoas, adotamos a prejudicialidade
Exemplo: ela trata de questão não penal obrigatória (CPP, 92);
distinta do estado civil das pessoas, D.2) nas demais hipóteses
como a propriedade de um bem. extrapenais distintas do estado civil, a
prejudicialidade é facultativa (art. 93).
2.5.4. Quanto ao grau de influência na
questão prejudicada
A) prejudicial total – é aquela que,
uma vez acatada, ocasiona a atipicidade 2.7. Questão prejudicial devolutiva
da conduta; obrigatória ou absoluta
B) prejudicial parcial – é aquela 2.7.1. Conceito
que mitiga a responsabilidade penal, Segundo Paulo Rangel é aquela
com o afastamento de qualificadora, de que diz respeito ao estado civil da
causa de aumento ou com o pessoa, de forma que sendo séria e
fundada importará na paralisação do

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processo criminal para sua solução na C) produção probatória – o
esfera cível (CPP, 92). magistrado pode determinar a produção
“TÍTULO VI antecipada de provas antes e durante a
DAS QUESTÕES E PROCESSOS suspensão do processo, para não
INCIDENTES
comprometer a demonstração da
CAPÍTULO I verdade.
DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS Advertência. A STJ, 455 (“A
decisão que determina a produção
Art. 92. Se a decisão sobre a antecipada de provas com base no art.
existência da infração depender da
solução de controvérsia, que o juiz repute
366 do CPP deve ser concretamente
séria e fundada, sobre o estado civil das fundamentada, não a justificando
pessoas, o curso da ação penal ficará unicamente o mero decurso do tempo.”)
suspenso até que no juízo cível seja a não é aplicável às hipóteses do art. 94
controvérsia dirimida por sentença do CPP (suspensão do processo por
passada em julgado, sem prejuízo,
entretanto, da inquirição das testemunhas
força de questão prejudicial).
e de outras provas de natureza urgente. Conclusão. Logo, o juiz poderá
Parágrafo único. Se for o crime determinar a produção antecipada de
de ação pública, o Ministério Público, provas para que o decurso do tempo não
quando necessário, promoverá a ação comprometa a demonstração da
civil ou prosseguirá na que tiver sido
verdade.
iniciada, com a citação dos interessados.”
D) existência prévia de processo
2.7.2. Pressupostos (cumulativos): no cível – a paralisação do processo
A) tipicidade – a aferição da criminal por força da prejudicial
prejudicial interfere na tipificação da obrigatória independe da prévia
conduta imputada na inicial acusatória; existência de uma ação no cível
B) seriedade e fundamento – é discutindo a matéria;
necessário que exista pertinência e justa E) papel do MP – se o crime é de
causa; ação pública, cabe ao MP intervir na
C) é necessário o tratamento ação cível já existente. Se ela inexistir,
quanto ao estado civil das pessoas. cabe ao MP ajuizá-la como legitimado
Advertência. Segundo o STF, a extraordinário.
abrangência do estado civil é inerente F) vinculação temática – o juiz
aos seguintes temas: casamento, penal está vinculado ao teor da sentença
paternidade, filiação e idade. Cf. STF, cível, que direcionará os fundamentos
HC 77278. da decisão penal.

2.7.3. Consequências processuais Material de Apoio - Processo Penal -


A) atuação do juiz – verificada a Nestor Távora - 02.pdf
seriedade e o embasamento da G) sistema recursal
prejudicial, caberá ao juiz criminal por G.1) A decisão que importa na
meio de uma decisão interlocutória suspensão do processo e da prescrição,
simples determinar a suspensão do por força de uma prejudicial obrigatória
processo e da prescrição (CP, 116, I), tem natureza de interlocutória simples,
aguardando a solução da questão na desafiando recurso em sentido estrito
esfera extrapenal; (RESE), cf. art. 581, inc. XVI.
B) tempo de suspensão – o juiz G.2) A decisão que denega a
criminal aguardará o trânsito em paralisação do processo para solução da
julgado da sentença cível que resolver a prejudicial é irrecorrível. Entretanto, a
prejudicial; parte prejudicada poderá se valer das
seguintes medidas: i) utilizar as ações

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autônomas de impugnação, Advertências:
notadamente o HC – defesa, ou o MS - 1) não é necessário aguardar o
acusação; ii) a parte poderá apresentar transito em julgado da sentença cível,
correição parcial, alegando que o ato como acontece nas prejudiciais
judicial está a ocasionar tumulto no obrigatórias.
procedimento; iii) alegar a nulidade do 2) Superado o prazo sem prolação
processo em preliminar de uma futura da sentença cível, resta ao juiz criminal
apelação. prorrogar o prazo ou retomar o processo
criminal e resolver incidentalmente a
2.8. Questão prejudicial devolutiva questão prejudicial.
relativa ou facultativa 3) a resolução incidental da
2.8.1. Conceito questão prejudicial facultativa pelo juiz
Segundo Paulo Rangel, é aquela penal não se submete à imutabilidade
que diz respeito a matéria extrapenal pela coisa julgada material.
distinta do estado civil das pessoas. 4) sobrevindo sentença cível
Havendo seriedade, fundamento e sendo diametralmente oposta à solução
de difícil solução, o juiz poderá incidental da questão prejudicial, ela
suspender o processo criminal para sua será levada em consideração, inclusive
solução na esfera extrapenal. Cf. art. 93 na fase recursal. Se a sentença penal
do CPP transitou em julgado, iremos nos
deparar com as seguintes situações
2.8.2. Pressupostos jurídicas: 1ª situação) se a sentença é
A) a prejudicial facultativa está absolutória, não há nada a ser feito, pois
vinculada à caracterização da imputação ela está protegida pela coisa
penal; soberanamente julgada; 2ª situação)
B) ela trata de matéria distinta do sendo a decisão condenatória ou
estado civil das pessoas; absolutória imprópria, ela é passível de
C) é necessário que exista revisão criminal, cf. art. 621 do CPP.
seriedade, fundamento, assim como que 5) quando o juiz criminal resolve
a matéria seja de difícil solução; incidentalmente a questão prejudicial, é
D) não pode haver na legislação o claro sinal de aplicação do princípio
civil limitação à liberdade de produzir da suficiência da ação penal.
prova quanto aquele tema; “Art. 93. Se o reconhecimento da
E) para a paralisação do processo existência da infração penal depender de
decisão sobre questão diversa da prevista
criminal, pressupomos a existência de no artigo anterior, da competência do
ação civil em curso discutindo o tema. juízo cível, e se neste houver sido
proposta ação para resolvê-la, o juiz
2.8.3. Consequências processuais criminal poderá, desde que essa questão
A) a suspensão do processo seja de difícil solução e não verse sobre
direito cuja prova a lei civil limite,
criminal importa na suspensão do prazo suspender o curso do processo, após a
prescricional (CP, 116, I); inquirição das testemunhas e realização
B) produção probatória – a oitiva das outras provas de natureza urgente.
das testemunhas, assim como a colheita § 1º O juiz marcará o prazo da
probatória, antecede a deliberação do suspensão, que poderá ser razoavelmente
prorrogado, se a demora não for
juiz suspendendo o processo para a imputável à parte. Expirado o prazo, sem
remessa à esfera extrapenal; que o juiz cível tenha proferido decisão,
C) Tempo de suspensão do o juiz criminal fará prosseguir o
processo criminal. O juiz criminal fixará processo, retomando sua competência
prazo em que está disposto a aguardar a para resolver, de fato e de direito, toda a
matéria da acusação ou da defesa.
prolação de sentença na esfera cível.

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§ 2º Do despacho que denegar a É um procedimento incidental que
suspensão não caberá recurso. almeja discutir a ausência das condições
§ 3º Suspenso o processo, e
tratando-se de crime de ação pública,
da ação ou dos pressupostos
incumbirá ao Ministério Público intervir processuais. Ou seja, enquanto as
imediatamente na causa cível, para o fim questões incidentais são relacionadas ao
de promover-lhe o rápido andamento.” mérito, as exceções tratam que questões
processuais.
D) vinculação temática. Proferida As exceções, normalmente,
a sentença na esfera cível, o seu teor inauguram a instauração de um
será levado em consideração pelo juiz procedimento incidental, para discutir
penal. matéria essencialmente processual. A
estrutura do processo principal é
E) Papel do MP. O promotor mantida com essa fórmula, e também
deverá intervir na ação cível para ajudar ele pode continuar seu trâmite.
a impulsioná-la, quando o crime tratado
na demanda penal é de ação pública. 1. Conceito
Exceção é o procedimento
F) Sistema recursal. incidental que almeja discutir a ausência
F.1) a suspensão do processo e da das condições da ação ou dos
prescrição por força da prejudicial pressupostos processuais. Para não
facultativa desafia RESE (CPP, 581, tumultuar o processo, elas normalmente
XVI); tramitarão em autos apartados, e não
F.2) a negativa quanto à paralisarão o processo principal.
paralisação é irrecorrível, desafiando Observação: concurso da
HC ou MS; correição parcial; e até magistratura federal. Exceção vs.
mesmo invocação de nulidade em objeção. Marcelus Polastri Lima. As
preliminar de futura apelação. objeções são cognoscíveis de ofício, a
qualquer momento e em qualquer grau
Observações: de jurisdição, dado seu relevante
1) procedimentos incidentais: interesse público. As exceções, matéria
A) exceções – aulas on line; defensiva, não são cognoscíveis de
e, em apostila os demais a seguir: ofício, dado seu interesse
B) conflito de jurisdição iminentemente particular. O CPP é
C) restituição de bens apreendidos indiferente a estas diferenciações. O que
D) medidas assecuratórias ele chama de exceção (incompetência,
E) incidente de falsidade ilegitimidade, suspeição etc.) são
F) incidente de insanidade cognoscíveis de ofício. Daí, para o
2) material será postado até processo penal, não existe esta
segunda (8/8/2016) da próxima semana diferença, havendo interesse doutrinário
na questão. Atualmente, o art. 95 do
Material de Apoio - Processo Penal - CPP não acatou a diferenciação
Nestor Távora - 02 (1).pdf doutrinária, pois as exceções, trazidas
no código, são passíveis de
reconhecimento de ofício, sendo
verdadeiras objeções.
PROCEDIMENTOS “CAPÍTULO II
INCIDENTAIS DAS EXCEÇÕES
Art. 95. Poderão ser opostas as
exceções de:
I - suspeição;
I) Exceções II - incompetência de juízo;

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III - litispendência; Observação. Enquadramento.
IV - ilegitimidade de parte; Temos dois tipos de exceção material:
V - coisa julgada.”
b.1) exceção material direta – aquela
Nos concursos de Defensoria, a
pautada na defesa frontal do mérito,
resposta escrita à acusação e os
envolvendo a negativa de autoria, a
memoriais são peças importantes para
inexistência do fato, excludente de
provas de segunda fase; nos de MP,
tipicidade, excludente de ilicitude, e
denúncia, apelação e memoriais. Em
excludente de culpabilidade (ou seja,
concursos, contudo, é quase eliminada a
defesas diretas de mérito, que não
possibilidade de sermos instados a
existem no CPP...); b.2) exceção
lavrar duas peças. As exceções, segundo
material indireta – aquela que envolve
o CPP, malgrado exigirem
uma defesa indireta do mérito, pautada
peticionamento independente por peça
na extinção da punibilidade (CP, 107).
autônoma, em concursos nada impede “TÍTULO VIII
que na segunda fase do concurso seja DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
questionada em preliminar, já que Extinção da punibilidade
podem ser analisadas de ofício pelos Art. 107 - Extingue-se a
juízes. punibilidade:
I - pela morte do agente;
Observação 2: Enquadramento II - pela anistia, graça ou indulto;
normativo (CPP, 95). Temos as III - pela retroatividade de lei que
seguintes espécies: a) exceção de não mais considera o fato como
suspeição, impedimento, criminoso;
incompatibilidade; b) exceção de IV - pela prescrição, decadência
ou perempção;
incompetência; c) exceção de V - pela renúncia do direito de
litispendência; d) exceção de coisa queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes
julgada; e) exceção de ilegitimidade. de ação privada;
VI - pela retratação do agente, nos
2. Classificação casos em que a lei a admite;
VII - (Revogado pela Lei nº
Caiu no concurso de MP/SP e 11.106, de 2005)
Delegado/MG. O método de VIII - (Revogado pela Lei nº
classificação aqui apresentado é aquele 11.106, de 2005)
massivamente cobrado em concursos, IX - pelo perdão judicial, nos
embora haja uma plêiade de métodos. casos previstos em lei.”

2.1. Quanto à natureza 2.2. Quanto aos efeitos


a) exceção processual – aquela a) exceção dilatória – aquela que
que tem por objeto matéria nitidamente procrastina a dilação processual, mas
processual, inerente às condições da não compromete a cognição do mérito.
ação, ou aos pressupostos processuais. b) exceção peremptória – é aquela
Conclusão. Esta foi a opção do atual cuja procedência ocasiona a extinção do
CPP, ou seja, objeto da presente processo principal sem julgamento do
matéria, disciplinando as exceções mérito.
processuais com a formação de um Magistratura MG. Observação.
procedimento incidental. Enquadramento. Se as exceções estão
b) exceção material – é um no art. 95 do CPP, quais são dilatórias e
fetiche doutrinário. É aquela vinculada as peremptórias? São dilatórias:
ao próprio mérito da causa (ou seja, é suspeição, impedimento,
uma contradição em termos, pois a incompatibilidade, incompetência do
expressão “exceção” é utilizada para juízo – absoluta ou relativa – e a
questões processuais). Conclusão: não ilegitimidade ad processum (se o
há ressonância normativa no atual CPP. representante legal ratificar os atos); são

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peremptórias: litispendência e coisa Conclusão: é o que, no processo civil,
julgada, bem como ilegitimidade ad apontamos como suspeição por foro
causam. íntimo.
Ou seja, atenção à espécie de
ilegitimidade questionada. Se a 2.1. Enquadramento normativo
ilegitimidade é ad causam, o processo a) impedimento – CPP, 252:
será extinto sem julgamento de mérito “Art. 252. O juiz não poderá
(exceção peremptória). Por outro lado, a exercer jurisdição [impedimento] no
processo em que:
ilegitimidade ad processum, estamos I - tiver funcionado seu cônjuge
diante de uma exceção dilatória, e os ou parente, consangüíneo ou afim, em
atos praticados com vício na linha reta ou colateral até o terceiro grau,
representação podem ser ratificados inclusive, como defensor ou advogado,
pelo representante legal (CPP, 568). órgão do Ministério Público, autoridade
“Art. 568. A nulidade por policial, auxiliar da justiça ou perito;
ilegitimidade do representante da parte II - ele próprio houver
poderá ser a todo tempo sanada, desempenhado qualquer dessas funções
mediante ratificação dos atos ou servido como testemunha;
processuais.” III - tiver funcionado como juiz
de outra instância, pronunciando-se, de
fato ou de direito, sobre a questão;
3. Natureza jurídica IV - ele próprio ou seu cônjuge ou
Sua natureza é de procedimento parente, consangüíneo ou afim em linha
incidental intimamente ligado ao reta ou colateral até o terceiro grau,
princípio constitucional da ampla inclusive, for parte ou diretamente
interessado no feito.”
defesa, oportunizando a discussão
Atenção: cf. o material anexo a
quanto à ausência das condições da ação
esta aula, onde foram colocadas várias
ou dos pressupostos processuais.
anotações sobre esse art. 252.
Observações aos incisos:
Exceção de suspeição, impedimento e
(I) a companheira deve ser
incompatibilidade
incluída, tendo em visa a interpretação
conforme a CRFB;
1. Conceito
(III) se o dispositivo exige que o
É o procedimento incidental que
juiz tenha se pronunciado, se ele
almeja discutir a quebra da
proferiu mero despacho de expediente,
imparcialidade da autoridade,
que individualmente considerados não
comprometendo o princípio do devido
geram situações de impedimento, não
processo legal.
será o caso de aplicar a exceção.
Se o juiz proferiu sentença ele
2. Distinção
não estará impedido de promover o
a) suspeição – segundo Tornaghi,
juízo de admissibilidade de eventual
juiz suspeito é aquele que tem
recurso, caso tenha sido promovido a
predileção por uma das partes do
desembargador (cf. STF, HC 94089).
processo. Conclusão: segundo Mirabete,
Se o juiz julgou determinado réu,
o fato gerador é externo ao processo.
não estará impedido de presidir um
b) impedimento – segundo
novo processo contra a mesma pessoa.
Tornaghi, juiz impedido é aquele
Cf. STF, HC 83020.
interessado no próprio resultado da
Segundo o STF, 203, “É nulo o
demanda. Conclusão: para Mirabete, o
julgamento ulterior pelo Júri com a
fato gerador é intrínseco ao processo.
participação de jurado que funcionou
c) incompatibilidade – revela a
em julgamento anterior do mesmo
quebra da imparcialidade por um fato
processo.”
gerador não explicitado em lei.

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b) suspeição – CPP, 254: comunicar reservadamente à
“Art. 254. O juiz dar-se-á por Corregedoria, de maneira sigilosa. A
suspeito, e, se não o fizer, poderá ser AMB recorreu ao STF, que em liminar
recusado por qualquer das partes:
I - se for amigo íntimo ou
no MS 28215, se manifestou pela
inimigo capital de qualquer deles; impossibilidade do CNJ dispor desse
II - se ele, seu cônjuge, tipo de tema, tendo em vista que apenas
ascendente ou descendente, estiver Lei Complementar poderia tratar desse
respondendo a processo por fato tema. No projeto de novo CPP,
análogo, sobre cujo caráter criminoso
haja controvérsia;
inclusive, há previsão de que nesse tipo
III - se ele, seu cônjuge, ou de situação o Juiz deve ficar
parente, consangüíneo, ou afim, até o resguardado quanto aos seus motivos
terceiro grau, inclusive, sustentar que o levaram a declinar atuar no caso.
demanda ou responder a processo que Conclusões:
tenha de ser julgado por qualquer das
partes;
1) Segundo o STF, utilizaremos
IV - se tiver aconselhado por analogia o CPC, 135, p. ú, (seria
qualquer das partes; então o NCPC, 145) para reger a
V - se for credor ou devedor, incompatibilidade (HC, 82.798).
tutor ou curador, de qualquer das *Apesar dessa aula ter sido colocada a
partes;
disposição em 2016, nela foram feitas
VI - se for sócio, acionista ou
administrador de sociedade interessada várias referências ao CPC/1973. Para
no processo.” evitar graves enganos, daqui para frente
Observações: vou anotar como disse o professor em
1) amizade íntima ou inimizade aula e, na frente, colocar o artigo
capital – afastam as meras relações de correspondente ao (CPC/2015).
cordialidade ou o sentimento de empatia 2) O novo CPC, ao regulamentar a
ou antipatia, não ocasionam suspeição; suspeição por foro íntimo, dispensa a
2) fonte do sentimento – o comunicação das razões a quem quer
sentimento comprometedor tem que que seja CPC, 135, p. ú. (seria então o.
partir do juiz, e não das partes; NCPC, 145, § 1º).
3) a injúria contra a autoridade “Art. 145. Há suspeição do juiz:
I - amigo íntimo ou inimigo de
objetivando despertar a repulsa não é
qualquer das partes ou de seus
fato gerador de suspeição, pois ninguém advogados;
poderá se valer da própria torpeza (art. II - que receber presentes de
256 do CPP); pessoas que tiverem interesse na causa
“Art. 256. A suspeição não antes ou depois de iniciado o processo,
poderá ser declarada nem reconhecida, que aconselhar alguma das partes acerca
quando a parte injuriar o juiz ou de do objeto da causa ou que subministrar
propósito der motivo para criá-la.” meios para atender às despesas do litígio;
4) a ira do Juiz, pré existente, III - quando qualquer das partes
for sua credora ou devedora, de seu
contra a pessoa do advogado, apesar de
cônjuge ou companheiro ou de parentes
não contemplada nas hipóteses do art. destes, em linha reta até o terceiro grau,
254 do CPP, restando enquadrá-la como inclusive;
motivo para arguição de IV - interessado no julgamento do
incompatibilidade. processo em favor de qualquer das
partes.
§ 1º Poderá o juiz declarar-se
c) incompatibilidades suspeito por motivo de foro íntimo, sem
É importante frisar que as suas necessidade de declarar suas razões.”
hipóteses não estão contempladas no
CPP. 3. Procedimento
O CNJ editou a Res. 82, na qual
ficou previsto que o Juiz deve se 3.1. Declaração ex officio (CPP, 97)

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I) estrutura: competência para apreciação do futuro
A) o juiz declarará por escrito nos processo. Cf. CPP, 83.
autos a sua condição jurídica de “CAPÍTULO VI
parcialidade. DA COMPETÊNCIA
POR PREVENÇÃO
B) intimação das partes; Art. 83. Verificar-se-á a
C) remessa dos autos ao substituto competência por prevenção toda vez que,
legal, definido na Lei de Organização concorrendo dois ou mais juízes
Judiciária. igualmente competentes ou com
Observações: jurisdição cumulativa, um deles tiver
antecedido aos outros na prática de
1) segundo o STJ, havendo dolo algum ato do processo ou de medida a
específico no reconhecimento de uma este relativa, ainda que anterior ao
falsa causa, subsiste a responsabilidade oferecimento da denúncia ou da queixa
criminal por prevaricação; (arts. 70, § 3º, 71, 72, § 2º, e 78, II, c).”
2) segundo Mirabete, se o 3) Nomenclatura:
substituto legal entender que o a) polo ativo – excipiente;
argumento é inverossímil, poderá por b) polo passivo – excepto.
analogia invocar o conflito negativo de Conclusão: percebe-se que esta
competência, remetendo a matéria ao exceção é oposta contra a pessoa, e não
Tribunal sob o argumento de que o juiz contra o órgão.
da causa está se eximindo de julgar a
matéria I) Procedimento
I.a) o juiz tende a concordar
Material de Apoio - Processo Penal - a) 1º passo: arguição por escrito
Nestor Távora - 03 (1).pdf Observações:
3.2. Oposição da exceção 1) na sessão plenária do Tribunal
Observações: do Júri, a arguição poderá ser feita
1) antecedência lógica – a parte oralmente (CPP, 470);
opoente deverá se manifestar logo após 2) legitimidade:
o conhecimento do fato gerador, sob - MP;
pena de preclusão. - Advogado (pressupondo poderes
Conclusão: o impedimento, especiais);
contudo, não é passível de preclusão, ao - assistente de acusação
passo que suspeição e incompatibilidade (advertência: segundo Mirabete, em
precluem. posição minoritária, não admite que o
Advertência: a preclusão tem assistente de acusação proponha a
pouca eficiência jurídica, porque exceção. Contudo, temos que nos curvar
mesmo para aqueles que entendem que ao fato que recentemente vemos um
a oposição da exceção de suspeição ou processo de valorização da vítima – que
incompatibilidade pode sofrer figurará como assistente de acusação –
preclusão, já que em preliminar de no Processo Penal).
apelação pode a nulidade pela b) 2º passo: o juiz decidirá pela
parcialidade do juiz ser levantada pela suspensão do processo, declarando a sua
parte prejudicada. condição no bojo do processo principal.
2) fase investigativa – durante Na sequência as partes serão intimadas
inquérito policial é possível a oposição e os autos serão remetidos ao substituto
da exceção contra o Juiz, afinal, a legal.
adoção de medidas cautelares na fase Observações:
investigativa é fato gerador da 1) por ausência de previsão legal
prevenção, impactando na fixação da não haverá a suspensão da prescrição;

10
2) a procedência desta exceção é que o magistrado é parcial, o Tribunal
irrecorrível, já que o Tribunal não tem pode determinar a suspensão do
como reverter esta situação jurídica, processo principal, em face da
atestando a imparcialidade do Juiz já verossimilhança do argumento. Com
que ele mesmo decidiu em sentido isso evitamos a prática de atos inúteis
contrário. Advertência: nada impede que (CPP, 102).
a má-fé do juiz enseje a provocação 4) sistema recursal – quando o
administrativa perante a Corregedoria. juiz apresenta resposta à exceção, ele
3) a petição opondo a exceção remeterá os autos do incidente para
deve conter todos os elementos julgamento pelo Tribunal. Por outro
probatórios e a indicação de eventuais lado, o acórdão julgando a exceção
testemunhas para indicação da desafia recurso especial ao STJ, por
parcialidade da autoridade. Conclusão: ofensa a lei federal, ou extraordinário ao
em face da omissão do CPP, iremos nos STF, por ofensa ao texto constitucional.
valer da analogia ao art. 407, p. ú. do “Art. 100. Não aceitando a
CPC (seria então o NCPC, 357, § 6º), suspeição, o juiz mandará autuar em
apartado a petição, dará sua resposta
reconhecendo o número de três dentro em três dias, podendo instruí-la e
testemunhas. oferecer testemunhas, e, em seguida,
determinará sejam os autos da exceção
I.b) o juiz tende a discordar remetidos, dentro em 24 vinte e quatro
a) 1ª passo: arguição por escrito, horas, ao juiz ou tribunal a quem
competir o julgamento.
salvo na sessão plenária do Júri; § 1º Reconhecida,
b) autuação em apartado (CPP, preliminarmente, a relevância da
100): argüição, o juiz ou tribunal, com citação
Observações: almeja-se não das partes, marcará dia e hora para a
tumultuar o andamento do processo inquirição das testemunhas, seguindo-se
o julgamento, independentemente de
principal, que de regra, não será mais alegações.
paralisado; § 2º Se a suspeição for de
c) reposta do juiz. Em até 3 (três) manifesta improcedência, o juiz ou
dias o magistrado responderá aos relator a rejeitará liminarmente.”
termos da alegação, apresentando o (...)
“Art. 102. Quando a parte
manancial probatório em favor da sua
contrária reconhecer a procedência da
imparcialidade. argüição, poderá ser sustado, a seu
d) remessa ao Tribunal para requerimento, o processo principal, até
decisão. que se julgue o incidente da suspeição.”
Observações:
1) manifesta improcedência – o 4. Arguição contra membros do MP
relator no Tribunal rejeitará
liminarmente a exceção manifestamente 4.1. Conceito
improcedente. A parte prejudicada Segundo Aury Lopes Jr., o MP é
poderá apresentar agravo regimental no uma parte artificialmente criada pela
prazo de 5 (cinco) dias, sendo CRFB, de maneira que, para que exista
endereçado ao órgão colegiado racionalidade sistêmica, poderemos
competente para julgar a exceção; opor a correspondente exceção, já que
2) havendo plausibilidade e as hipóteses de suspeição, impedimento
relevância, as partes serão “citadas” (o e incompatibilidade lhe são extensíveis.
CPP deveria ter previsto “notificadas”)
para comparecer ao julgamento; 4.2. Procedimento
3) suspensão do processo Quem julga a exceção oposta
principal – se ambas partes entendem contra o promotor é o próprio juiz que

11
julga o processo principal, o que tem restaria a analogia ao art. 28 do CPP,
causado dentro do MP alguma celeuma, remetendo os autos para solução pelo
já que este não aceita o afastamento Procurador Geral (posição minoritária).
determinado por esta sistemática. 4) a decisão julgando a exceção
Assim, para concursos de MP, deve-se comporta, de forma excepcional,
ter em conta todos os pontos aqui recurso extraordinário ao STF, por
explicados. ofensa à CRFB (STF, RCL 631/97).
Passos: 5) o comprometimento subjetivo
a) arguição por escrito (no do membro do MP ocasiona mera
Plenário do Júri será oral); irregularidade, pois o juiz funcionará
b) depois de protocolada, haverá como contraponto, evitando eventuais
notificação do Membro do MP para prejuízos no momento em que decide.
apresentação de resposta. * obra “Descasos - Uma Advogada Às
Observação: o promotor tem o Voltas com o Direito dos Excluídos”,
prazo de 3 (três) dias, onde indicará Szafir, Alexandra Lebelson, em que a
provas e arrolará, sendo o caso, autora trata do tema da parcialidade de
testemunhas. membros do MP e o que isso pode
c) instrução da exceção; ocasionar na vida das pessoas.
d) decisão do juiz que preside o
processo principal. 5. Exceção de suspeição contra a
Observações: autoridade policial
1) a decisão judicial é irrecorrível. Não há exceção de suspeição
Nada impede que o membro do MP contra autoridade policial. Todavia,
afastado impetre mandado de segurança diante da presença de qualquer das
para guarnecer a sua atribuição hipóteses de comprometimento
funcional e o princípio do promotor subjetivo, deve o delegado declarar-se
natural; como tal, afastando-se da condução da
2) consequência – o provimento investigação.
da exceção importa no afastamento do “Art. 107. Não se poderá opor
correspondente membro, com a suspeição às autoridades policiais nos
atos do inquérito, mas deverão elas
assunção dos seu substituto legal (CPC, declarar-se suspeitas, quando ocorrer
104, c/c 258) motivo legal.”
“Art. 104. Se for argüida a Advertência: segundo Guilherme
suspeição do órgão do Ministério
Público, o juiz, depois de ouvi-lo, Nucci, nada impede que o indiciado
decidirá, sem recurso, podendo antes protocolize na própria delegacia um
admitir a produção de provas no prazo de requerimento de afastamento do
três dias.” Delegado. Diante da negativa da
“Art. 258. Os órgãos do autoridade policial, admite-se recurso
Ministério Público não funcionarão nos
processos em que o juiz ou qualquer das
administrativo endereçado ao chefe de
partes for seu cônjuge, ou parente, polícia, por analogia ao CPP, 5º, § 2º.
consangüíneo ou afim, em linha reta ou “Art. 5º
colateral, até o terceiro grau, inclusive, e (...)
a eles se estendem, no que lhes for § 2º Do despacho que indeferir o
aplicável, as prescrições relativas à requerimento de abertura de inquérito
suspeição e aos impedimentos dos caberá recurso para o chefe de Polícia.”
juízes.”
3) Crítica. Para Elmir Duclerc, o 6. Exceções contra serventuários,
art. 104 não tem respaldo funcionários, peritos e intérpretes
constitucional, ofendendo o sistema
acusatório e o princípio do promotor 6.1. Enquadramento
natural. Conclusão: como solução

12
“Art. 105. As partes poderão em preliminar de futura apelação, sendo
também argüir de suspeitos os peritos, os relativa.
intérpretes e os serventuários ou
funcionários de justiça, decidindo o juiz
3) ferramenta de combate – a
de plano e sem recurso, à vista da decisão judicial é irrecorrível, de
matéria alegada e prova imediata.” maneira que o indivíduo afastado
poderá impetrar mandado de segurança
“CAPÍTULO V para garantir o respeito a sua atribuição
DOS FUNCIONÁRIOS DA JUSTIÇA
Art. 274. As prescrições sobre
funcional.
suspeição dos juízes estendem-se aos
serventuários e funcionários da justiça, Exceção de Incompetência
no que lhes for aplicável.
1. Considerações
CAPÍTULO VI
DOS PERITOS E INTÉRPRETES
(...) 1.1. Enquadramento
Art. 279. Não poderão ser Temos dois macrocritérios de
peritos: fixação da competência:
I - os que estiverem sujeitos à a) competência material – a.1)
interdição de direito mencionada nos ns.
ratione materiae; a.2) ratione loci; a.3)
I e IV do art. 69 do Código Penal;
[redação anterior à reforma da parte ratione personae.
geral, hoje referindo-se ao art. 47, I e II, b) competência funcional – b.1)
da interdição temporária de direitos] pelo objeto do juízo; b.2) pelas fases do
II - os que tiverem prestado processo; b.3) pelos graus de jurisdição.
depoimento no processo ou opinado
Conclusões:
anteriormente sobre o objeto da perícia;
III - os analfabetos e os menores A) na esfera penal, o único
de 21 anos. critério de competência relativa é o
Art. 280. É extensivo aos peritos, territorial (cf. STF, 706 “É relativa a
no que lhes for aplicável, o disposto nulidade decorrente da inobservância
sobre suspeição dos juízes.” da competência penal por prevenção.”).
Crítica: segundo Aury Lopes Jr.,
6.2. Procedimento em posição minoritária, não há
I. Estrutura competência relativa no Processo Penal,
a) arguição por escrito; em face da indisponibilidade do bem em
b) decisão do juiz que preside o jogo e do respeito intransigente ao
processo, julgando a exceção. princípio do Juiz natural.
Advertência: esta decisão é B) a exceção de incompetência
irrecorrível. acobertará a incompetência absoluta e
Observações: relativa.
1) Segundo Aury Lopes Jr., C) o STJ, na súmula 33, editada
mesmo sem previsão legal, deve o Juiz em 1991, indica que a competência
oportunizar que o excepto se manifeste, relativa não é passível de cognição ex
respeitando-se o princípio do officio. Quanto a sua aplicação ao
contraditório, e da ampla defesa. processo penal, subsistem as seguintes
2) Consequências. O posições: c.1) 1ª posição: para a
comprometimento de tais indivíduos doutrina majoritária, a referida súmula
pode ocasionar a nulidade do processo, não se aplica ao processo penal,
a depender das repercussões processuais podendo o juiz criminal reconhecer de
do ato e da existência de eventual ofício a incompetência relativa até o
prejuízo. momento da absolvição sumária (CPP,
Conclusão. Percebe-se que a 397); c.2) 2ª posição: o STJ, em posição
nulidade existente pode ser suscitada muito criticada, admite a aplicação da

13
referida súmula ao processo penal (cf. por termo a declinatória, se formulada
STJ, HC 95722). verbalmente.”
“Art. 397. Após o cumprimento Advertência: o art. 567 do CPP
do disposto no art. 396-A, e parágrafos, apresenta as consequências jurídicas da
deste Código, o juiz deverá absolver atuação do juiz incompetente,
sumariamente o acusado quando destacando-se as seguintes correntes
verificar:
I - a existência manifesta de causa
interpretativas:
excludente da ilicitude do fato; - 1ª posição: para Ada Pellegrini
II - a existência manifesta de Grinover, se a incompetência é
causa excludente da culpabilidade do absoluta, todos os atos devem ser
agente, salvo inimputabilidade; refeitos no juízo competente. Se a
III - que o fato narrado
evidentemente não constitui crime; ou
incompetência é relativa (territorial), os
IV - extinta a punibilidade do atos decisórios são nulos e os
agente.” instrutórios podem ser aproveitados;
O novo CPC, ao afastar a exceção - 2ª posição: para o STF, se a
de incompetência, não terá influência no incompetência é relativa, não haverá
processo criminal. invalidação de atos. Por outro lado,
sendo absoluta, os atos decisórios são
2. Procedimento reputados nulos, e os instrutórios serão
2.1. Estrutura aproveitados, aplicando-se o art. 567 do
A) arguição: oral ou por escrito CPP.
(CPP 108); “Art. 567. A incompetência do
B) formação de autos apartados; juízo anula somente os atos decisórios,
devendo o processo, quando for
Conclusão: objetiva-se não declarada a nulidade, ser remetido ao juiz
tumultuar o andamento do processo competente.”
principal.
C) oitiva da parte contrária; 3. Sistema recursal
Advertência: se a parte contrária
não é o MP, ele será ouvido como 3.1. Reconhecimento ex officio no bojo
custus legis. do processo principal
D) decisão. O magistrado Neste caso, o juiz está proferindo
decidirá, resolvendo o incidente. uma decisão interlocutória mista, que
Observação. Natureza da decisão: desafia RESE (CPP, 581, II).
D.1) improcedência do incidente – “CAPÍTULO II
percebe-se que compete ao próprio DO RECURSO
magistrado deliberar sobre a própria EM SENTIDO ESTRITO
Art. 581. Caberá recurso, no
competência, e nesta hipótese sentido estrito, da decisão, despacho ou
permanecerá a frente do processo; sentença:
D.2) procedência da exceção – (...)
nesta hipótese, os autos serão remetidos II - que concluir pela
ao juízo competente. incompetência do juízo;
“Art. 108. A exceção de (...)”
incompetência do juízo poderá ser
oposta, verbalmente ou por escrito, no 3.2. Julgamento do procedimento
prazo de defesa. incidental da exceção de incompetência
§ 1º Se, ouvido o Ministério A) se o juiz julgar procedente a
Público, for aceita a declinatória, o feito
será remetido ao juízo competente, onde,
exceção, caberá recurso em sentido
ratificados os atos anteriores, o processo estrito (art. 581, III);
prosseguirá. “CAPÍTULO II
§ 2º Recusada a incompetência, o DO RECURSO
juiz continuará no feito, fazendo tomar EM SENTIDO ESTRITO

14
Art. 581. Caberá recurso, no a) arguição oral ou por escrito;
sentido estrito, da decisão, despacho ou b) formação de autos apartados;
sentença:
(...)
Observação. Almeja-se não
III - que julgar procedentes as tumultuar o andamento do processo
exceções, salvo a de suspeição; principal, que não será suspenso.
(...)” c) oitiva da parte contrária;
B) se o juiz julgar improcedente a Se o MP não é a parte contrária, o
exceção – neste caso, a decisão é promotor será ouvido como custus legis.
irrecorrível. A parte prejudicada, d) decisão resolvendo o incidente.
entretanto, poderá se valer das ações Observação. Conteúdo do ato
autônomas de impugnação, sem decisório:
prejuízo de suscitar a nulidade do 1) improcedência do incidente – o
processo em preliminar de futura processo principal será mantido
apelação. respeitando-se a relação jurídica
*O professor fez interessante original;
comentário sobre a situação recursal da 2) procedência do incidente –
defesa, nas decisões interlocutórias, que conclusões:
em boa parte dos casos está em 2.1) tratando-se de ilegitimidade
desvantagem para a acusação. O caso ad causam, haverá nulidade absoluta do
acima demonstra bem isso, pois se a processo, que será extinto sem
exceção for julgada improcedente julgamento de mérito. O correspondente
(geralmente, este pedido é da defesa), legitimado poderá repropor a demanda,
não cabe recurso, e a defesa deve se desde que não sobrevenha prescrição
virar para encontrar um outro remédio. ou, eventualmente, decadência.
Já nos casos em que os recursos são Advertência: segundo Luis Flávio
manejados pelo MP, geralmente há Gomes, como a demanda pode ser
previsão de um recurso. No estudo reproposta, poderemos enquadrar a
específico do RESE essa temática ilegitimidade ad causam como exceção
voltará a ser debatida. dilatória lato sensu. Tal entendimento
contraria o tradicional, segundo o qual a
Material de Apoio - Processo Penal - ilegitimidade ad causam é peremptória,
Nestor Távora - 04 (1).pdf e a ad processum é dilatória.
2.2) tratando-se de ilegitimidade
Exceção de Ilegitimidade ad processum, o vício existente é fato
gerador de nulidade relativa, admitindo
1. Enquadramento convalidação se o representante legal
Ela se refere a duas situações: ratificar os atos praticados (CPP, 568).
a) ilegitimidade ad causam Se ele não o fizer, o juiz poderá
(condição da ação. Segundo Alfredo invalidar o processo ou nomear curador
Buzaid, revela pertinência subjetiva da especial, ao aferir que os interesses do
demanda); e incapaz são conflitantes com os do seu
b) ilegitimidade ad processum representante legal.
(pressuposto processual, revelando “Art. 568. A nulidade por
eventuais defeitos na assistência ou ilegitimidade do representante da parte
representação daqueles que não poderá ser a todo tempo sanada,
mediante ratificação dos atos
possuem plena capacidade). processuais.”
Conclusão: O procedimento de
exceção acobertará ambas hipóteses. 3. Sistema recursal
2. Procedimento 3.1. Reconhecimento ex officio pelo juiz

15
a) admissibilidade da inicial – se interpretado como uma rejeição da
o magistrado reconhecer que a parte é inicial postergada no tempo, desafiando
ilegítima ab initio, rejeitará a inicial recurso em sentido estrito por força do
(CPP, 395, II), em decisão que desafia CPP, 581, I.
recurso em sentido estrito (CPP, 581, I). “CAPÍTULO II
Conclusões: 1) esta decisão é DO RECURSO
EM SENTIDO ESTRITO
interlocutória mista terminativa; 2) no Art. 581. Caberá recurso, no
JECrim, a rejeição da inicial desafia sentido estrito, da decisão, despacho ou
apelação (L9099/95, 82). sentença:
“CAPÍTULO II I - que não receber a denúncia
DO RECURSO ou a queixa;;
EM SENTIDO ESTRITO (...)
Art. 581. Caberá recurso, no XIII - que anular o processo da
sentido estrito, da decisão, despacho ou instrução criminal, no todo ou em
sentença: parte;
I - que não receber a denúncia (...)”
ou a queixa;”
3.2. Julgamento do procedimento
“Art. 82. Da decisão de rejeição
da denúncia ou queixa e da sentença incidental de exceção
caberá apelação, que poderá ser julgada a) procedência da ilegitimidade –
por turma composta de três Juízes em cabe recurso em sentido estrito cf. CPP,
exercício no primeiro grau de jurisdição, 581, III;
reunidos na sede do Juizado. b) improcedência da ilegitimidade
§ 1º A apelação será interposta no
prazo de dez dias, contados da ciência da
– esta decisão é irrecorrível. Todavia,
sentença pelo Ministério Público, pelo a parte prejudicada poderá se valer das
réu e seu defensor, por petição escrita, da ações autônomas de impugnação ou
qual constarão as razões e o pedido do suscitar a nulidade do processo em
recorrente. preliminar de futura apelação.
§ 2º O recorrido será intimado
para oferecer resposta escrita no prazo de
dez dias.
§ 3º As partes poderão requerer a
transcrição da gravação da fita magnética Exceção de Litispendência
a que alude o § 3º do art. 65 desta Lei.
§ 4º As partes serão intimadas da
data da sessão de julgamento pela
1. Considerações iniciais
imprensa.
§ 5º Se a sentença for confirmada 1.1. Fundamento
pelos próprios fundamentos, a súmula do Almeja-se aqui evitar o bis in
julgamento servirá de acórdão.” idem, com processos simultâneos
atribuindo ao agente a mesma
b) reconhecimento ao longo do imputação.
processo – temos duas posições: PROCESSO PROCESSO
1ª) para Renato Brasileiro, tal CIVIL PENAL
decisão desafia recurso em sentido a) mesmas partes; a) o mesmo réu,
estrito, pois o Juiz estará declarando a independentemente de
quem propôs a
nulidade do processo, de maneira que demnada;
justificaremos a impugnação pela b) mesma causa de b) mesma imputação
interpretação extensiva do CPP, 581, pedir; fática (identidade de
XIII, que admite o cabimento de RESE narrativa fática),
contra decisão que nulifica a instrução; independentemente
do dispositivo de lei
2ª) para Tourinho Filho, em houve enquadramento
posição majoritária, o reconhecimento da conduta;
ex officio da ilegitimidade pode ser c) mesmo pedido. c) é indiferente na

16
verificação da a) procedência do incidente – a
litispendência a decisão desafia recurso em sentido
identificação do
pedido que, em
estrito por força do CPP, 581, III;
processo penal, o b) improcedência do incidente –
pedido é único, da tal decisão não comporta recurso, e a
aplicação da aplicação parte prejudicada poderá se valer das
de sanção penal: pena ações autônomas de impugnação. Em
ou medida de
acréscimo, admite-se em preliminar de
segurança
futura apelação a arguição de nulidade.
2. Procedimento
a) arguição oral ou por escrito;
b) formação de autos apartados;
Exceção de Coisa Julgada
c) oitiva da parte contrária;
observação: não sendo o MP, este
*tópico importantíssimo para concursos
será ouvido como custus legis.
1. Considerações iniciais
d) decisão resolvendo o incidente.
Advertências:
1.1. Fundamento
1) o procedimento incidental é
Mais uma vez, primamos pela
inaugurado perante o processo mais
vedação do bis in idem, vedando que
novo, pois é ele que contraria a vedação
um novo processo, imputando ao réu o
do bis in idem;
mesmo fato, desconstrua a estabilidade
2) teor da decisão:
da coisa julgada material.
2.1) procedência – neste caso o
processo principal será extinto sem
1.2. Classificação
julgamento de mérito, em fenômeno
a) coisa julgada formal – nela, a
conhecido como absolvição de
imutabilidade é adstrita ao processo
instância;
onde a decisão foi proferida, ou seja,
2.2) improcedência do incidente –
limitada (imutabilidade intrínseca);
neste caso o processo principal
b) coisa julgada material – a
permanecerá incólume.
imutabilidade é projetada para fora da
relação processual onde a decisão foi
3. Sistema recursal
proferida (imutabilidade extrínseca).
Conclusão: a coisa julgada material
3.1. Reconhecimento ex officio pelo
pressupõe a coisa julgada formal;
juiz, no bojo do processo principal:
c) coisa soberanamente julgada –
a) se a aferição acontece no
revela decisões que não são passíveis de
momento da admissibilidade da inicial,
rescisão por força da ação de revisão
ela será rejeitada, cf. CPP, 395, II, em
criminal (CPP, 621). Conclusão: é o que
decisão que desafia recurso em sentido
ocorre com as decisões absolutórias
estrito, cf. CPP, 581, I. Advertência: no
próprias e com a extinção da
JECrim esta mesma decisão desafia
punibilidade.
apelação, cf. L9099/95, 82;
Observações:
b) ao longo do processo, se for
1) vale lembrar que a decisão de
verificada a litispendência, o Juiz, por
absolvição imprópria não integra a coisa
sentença, extinguirá o feito, sem
soberanamente julgada;
julgamento de mérito, em decisão que
2) segundo o STF, a decisão que
desafia apelação, cf. CPP, 593, II.
extingue a punibilidade com base em
atestado do óbito falso é inexistente,
3.2. Julgamento do procedimento
incidental da exceção de litispendência

17
sendo insuscetível de coisa julgada São aqueles que abrangem a
material (cf. STF, HC 104998). própria relação jurídica processual
construída por força da demanda.
2. Limites objetivos da coisa julgada
material 3.2. Regras de interpretação
a) aquele que fio julgado e
2.1. Conceito absolvido como executor do delito
São aqueles que têm como poderá ser novamente denunciado,
referência a imputação fática agora como autor intelectual, afinal, não
apresentada na inicial e que se revela há coincidência na imputação.
como objeto da demanda. b) os corréus ou partícipes que
não integraram a relação processual,
2.2. Regras interpretativas podem ser denunciados em momento
a) os fatos acidentalmente posterior, não havendo ofensa à coisa
resolvidos no processo criminal, como julgada material;
ocorre com as questões prejudiciais c) segundo o STF, sempre vai
facultativas (CPP, 93), não estão preponderar a primeira decisão que
acobertados pela coisa julgada material; transitou em julgado, independente do
b) crime continuado. Neste caso, fato da segunda ser mais benéfica ou
as condutas não narradas na inicial, não não (cf. STF, HC 101131).
estão acobertadas pela coisa julgada
material. Conclusões: 1) nada impede a 4. Procedimento
deflagração de um novo processo para a) arguição oral ou por escrito;
acobertá-las; e 2) segundo o STJ, b) formação de autos apartados,
competirá ao juízo das execuções para não tumultuar o andamento do
promover a unificação das penas; processo principal, que não será
c) concurso formal. Os resultados suspenso;
lesivos não narrados na inicial, não c) oitiva da parte contrária. Não
estarão acobertados pela coisa julgada sendo o MP, ele será ouvido como
material. Conclusão: nada impede a custus legis;
deflagração de um novo processo d) decisão resolvendo o incidente.
(advertência: vale lembrar que o Observação. Teor do julgado:
obstáculo a um novo processo existe se 1) procedência do incidente –
o réu foi absolvido pela negativa de neste caso, o processo principal será
autoria ou pela inexistência do fato, cf. extinto sem julgamento de mérito, em
CPP, 386, I e IV); fenômeno conhecido como absolvição
d) crime permanente e de instância.
habitualidade delitiva – a oferta da 2) improcedência do incidente –
inicial deve ser vista como um divisor neste caso, o processo principal será
de águas. Logo, se após este marco, a mantido.
permanência se perpetua ou a
habitualidade se pereniza, tais condutas 5. Sistema recursal
serão objeto de um novo processo, não
estando acobertadas pela coisa julgada 5.1. Reconhecimento ex officio no
material. Cf. STF, HC 103171). processo principal
a) admissibilidade da inicial -
3. Limites subjetivos da coisa julgada neste caso, ela será rejeitada por força
material do CPP, 395, II. Tal decisão desafia
recurso em sentido estrito (CPP, 581, I)
3.1. Conceito

18
e no JECrim comportará apelação D) Ação
(L9099/95, 82). É o direito público e subjetivo
b) percebendo no transcorrer da constitucionalmente assegurado de
relação processual a ofensa à coisa exigir do Estado-juiz a aplicação da Lei
julgada, deve o juiz, por sentença, ao caso concreto, para solução da
extinguir a demanda, sem julgamento de demanda penal.
mérito, em decisão que desafia apelação Advertência. Para Ovídio
(CPP, 593, II). Baptista, o direito constitucionalmente
consagrado é o da justa e adequada
5.2. Julgamento do procedimento prestação jurisdicional dentro de um
incidental de exceção de coisa julgada prazo razoável. Já a ação é o que
a) procedência do incidente - fazemos para obtê-lo (um agir, uma
caberá recurso em sentido estrito, de atuar, um fazer).
acordo com CPP, 581, III;
b) improcedência do incidente – 1.2. Classificação dos procedimentos
esta decisão é irrecorrível, sendo que a
parte prejudicada poderá se valer das 1.2.1. Procedimento comum
ações autônomas de impugnação. Em Observações:
acréscimo, admite-se a arguição de 1) ele é composto pelos seguintes
nulidade do processo em preliminar de ritos:
futura apelação. A) ordinário;
Atenção! devem ainda ser estudados B) sumário;
os outros procedimentos incidentais C) sumaríssimo – procedimento
que constam no material do Juizado Especial Criminal.
disponibilizado na primeira aula de *Aqui é importante notar, então, que o
questões e procedimentos incidentes rito do JECrim é comum, e não especial
(material anexo). segundo a legislação!
***** 2) de acordo com o CPP, 394, §
Material de Apoio - Processo Penal - 2º, o procedimento comum de rito
Nestor Távora - 02.pdf ordinário servirá de parâmetro para
PROCEDIMENTOS todos os demais, suprindo eventuais
(Leis n. 11689/2008 e n. 11719/2008) lacunas.

1.2.2. Procedimentos especiais


1. Considerações iniciais Observações:
1) o procedimento é especial em
1.1. Enquadramento terminológico razão da natureza do crime persecutido
A) Procedimento ou por força do órgão jurisdicional onde
É uma sequência lógica de atos, ele tramitará;
concatenados em Lei, e destinados a 2) principais hipóteses:
uma finalidade. A) Júri (CPP, 406-497);
B) Processo B) tóxicos (artigos 48 e seguintes
É um procedimento em da Lei n. 11343/2006);
contraditório, enriquecido pela relação C) ações originárias em Tribunal
jurídica nutrida entre o juiz e as partes. (Lei n. 8038/90, artigos 1º a 12);
C) Rito D) crimes de “responsabilidade”
A palavra rito deriva de ritmo, dos funcionários públicos (CPP, 513 a
caracterizando a amplitude ou 518), que conta com um defesa
envergadura assumida por determinado preliminar/prévia;
procedimento.

19
E) procedimento dos crimes do Júri. Nas aulas de sábado, teremos
contra a honra (CPP, 519 a 523); aulas sobre a Lei de Tóxicos e Juizados
F) crimes contra a propriedade Especiais Criminais. As demais não
imaterial que deixam vestígios (CPP, serão abordadas no curso, cabendo ao
524 a 530-I). aluno estudar sozinho.
*O professor colocou os ritos em ordem
de nível de cobrança em concursos. 1.3. Escolha do rito no procedimento
Aqui no curso estudaremos o comum (CPP, 394, § 1º)
procedimento comum ordinário e o rito
ESCOLHA DO RITO ANTES DA REFORMA DE DEPOIS DA REFORMA DE
2008 2008 (CPP, 394, § 1º)
PROCEDIMENTO COMUM Crimes apenados com Crimes com pena máxima
reclusão igual ou superior a 4 anos
SUMÁRIO Crimes apenados com Crimes com pena máxima
detenção inferior a 4 anos
SUMARÍSSIMO Crimes com pena de até dois anos e para as contravenções
(híbrido) penais.

superior a 4 (quatro) anos, em que pese


Observações: seguir o sumaríssimo, não aplicaremos
1) o rito sumário servirá de os institutos benéficos do JECrim.
soldado de reserva do rito sumaríssimo, 4) Concurso material, causa de
quando a infração de menor potencial aumento e de diminuição:
ofensivo não puder tramitar no juizado. A) concurso material – deveremos
É o que ocorre quando a complexidade somar as penas máximas para detectar o
do fato impede a oferta oral da rito a seguir;
denúncia, ou pela inexistência de B) causa de aumento – deveremos
citação por edital no Juizado. Cf. art. exasperar a pena máxima da fração
66, p. ú., c/c 77, § 2º da Lei n. 9099/95. máxima incidente sobre ela;
2) de acordo com o art. 90-A da C) causa de diminuição –
L9099/95, ela não se aplica à Justiça deveremos reduzir a pena máxima da
Militar. Em outro giro, o art. 41 da fração mínima incidente sobre ela.
L11340/2006 (Lei Maria da Penha) *conferir os exemplos no material de
indica que a LJECrim não é aplicável na apoio.
violência doméstica. Conclusões: 5) conexão e continência -
2.1) as infrações de menor próxima aula.
potencial ofensivo militares seguirão o
rito do CPPM; Material de Apoio - Processo Penal -
2.2) as infrações e menor Nestor Távora - 03.pdf
potencial ofensivo na violência 5) conexão e continência – os
doméstica seguirão o rito sumário. artigos 76 e 77 do CPP apresentam as
3) Estatuto do Idoso. O rito regras de conexão e continência, ao
sumaríssimo é aplicável aos crimes com passo que o art. 78 do Código
pena máxima de até 4 (quatro) anos, estabelece o foro prevalente, ou seja, o
imprimindo celeridade ao procedimento órgão jurisdicional perante o qual
(art. 94 da L10741/2003). Conclusões: reuniremos todos os elementos, de
3.1.) o Estatuto do Idoso não maneira a encontrarmos o rito a ser
modificou o conceito de infração de seguido, vejamos:
menor potencial ofensivo; A) 1ª regra: Justiça Eleitoral vs.
3.2) se o crime contra o idoso tem Justiça Comum – Advertências:
pena maior do que 2 (dois) e não

20
1) o crime comum será atraído que as autoridades foram e estão sendo
para a Justiça Eleitoral, seguindo-se o levadas ao Tribunal.
rito fixado no Código Eleitoral; D) 4ª regra: se os crimes integram
2) Segundo Pedro Henrique a mesma Justiça e são julgados por
Demercian e Jorge Assaf Maluli, em órgãos de mesma hierarquia,
posição adotada na primeira fase do adotaremos as seguintes regras:
concurso MP/SP, impõe-se a separação D.1) prevalece o juiz atuante no
de processos quando um crime federal é local da consumação do crime mais
conexo a um eleitoral, para que sejam grave (pena máxima);
respeitadas as regras de competência D.2) se os crimes têm a mesma
constitucional. Cuidado com esse ponto, gravidade, prevalece o juiz atuante no
pois não é tema pacífico. local da consumação do maior número
B) 2ª regra: Júri vs. demais órgãos de infrações;
da jurisdição comum. Advertências: D.3) se os crimes têm a mesma
1) prevalecerá o procedimento gravidade e idêntica quantidade, a
escalonado do Júri, já que as infrações prevalência é estabelecida por meio da
comuns conexas serão reunidas perante prevenção.
o tribunal popular;
2) tal atração abrangerá as 2. Estrutura do procedimento comum de
infrações de menor potencial ofensivo rito ordinário
(“IMPO” de agora em diante),
respeitando-se a aplicação dos institutos 2.1. Inovação
despenalizadores (art. 60, p. ú. da A reforma promovida pela
L9099/95); L11719/2008 instituiu o julgamento
3) havendo conexão entre crime antecipado do mérito pro reu,
doloso contra a vida e crime federal, prestigiando o princípio da razoável
seguiremos o rito do Júri, instituído duração do processo (CRFB, 5º,
perante a Justiça Federal. LXXVIII c/c CPP 397).
*No caso de competência do Júri e da
Justiça eleitoral, haverá separação dos 2.2. Estrutura (tripartida)
processos.
C) 3ª regra: jurisdição de maior 2.2.1. 1ª Etapa: fase postulatória
hierarquia vs. jurisdição de menor A) oferta da inicial acusatória,
hierarquia. Advertências: seja ela a denúncia (na ação pública) ou
1) segundo o enunciado 704 da a queixa-crime (na ação privada).
súmula do STF, o cidadão comum pode Observações:
ser julgado originariamente perante o 1) o art. 41 do CPP aponta os
Tribunal, ao praticar crime com requisitos formais da inicial, podendo-
autoridade que goza de prerrogativa, se arrolar até oito testemunhas para cada
não havendo ofensa a direitos ou fato criminoso, sob pena de preclusão.
garantias fundamentais. Conclusão: foi Advertência: o STJ, no RHC
o que ocorreu no julgamento do 201301244282 reconheceu que não há
“Mensalão” (AP 470). prejuízo se o MP apresentar o rol de
2) no julgamento do “Petrolão”, testemunhas a destempo, notadamente
originado da “Operação Lavajato”, antes da formação da relação
optou-se pela separação facultativa de processual;
processos (CPP, art. 80), já que os 2) Ação penal adesiva. Ela
operadores e empreiteiros foram simboliza a inusual conexão entre o
processados em primeiro grau, ao passo crime de ação público e outro de ação
privada, de forma que a queixa crime é

21
ofertada adesivamente pelo querelante à STF, como um defeito formal grave,
denúncia apresentada pelo MP. que normalmente compromete a
Conclusões: narrativa fática;
2.1) segundo a doutrina, é 2) principais hipóteses:
recomendável a separação facultativa de i) denúncia genérica (aquela que
processos, evitando-se a relação não estabelece a cota de participação do
adesiva, por força do art. 80 do CPP. agente na conduta criminosa);
2.2) segundo Tourinho Filho, a ii) denúncia alternativa – segundo
ação adesiva comporta outro Afrânio Silva Jardim, a denúncia
significado, abrangendo a discussão da alternativa é aquela que imputa
pretensão indenizatória no bojo da alternadamente mais de um crime a uma
demanda penal. mesma pessoa (denúncia alternativa
objetiva), ou é aquela que imputa um só
B) Juízo de admissibilidade da crime a mais e uma pessoa,
inicial alternadamente (denúncia alternativa
B.1) Juízo negativo subjetiva).
Neste caso, a inicial será rejeitada. Advertência: segundo Ada
B.1.2) Conceito Pellegrini, em posição majoritária, a
Significa o ato do juiz que nega denúncia alternativa é inepta, pois a
início ao processo, já que a inicial não fluidez da imputação compromete o
preencheu os correspondentes requisitos exercício da defesa. Essa tese é
legais. corroborada por entendimento do STF.
B.1.2) Natureza jurídica II) ausência de condição da ação
Estamos diante de uma decisão ou de pressuposto processual
interlocutória mista terminativa II.a) condições da ação
B.1.3) Hipóteses i) legitimidade para a causa;
B.1.3.1) Primeiro momento: antes ii) interesse de agir
da L11719/2008, as hipóteses de Advertência: vale lembrar que a
rejeição da inicial estavam catalogadas possibilidade jurídica do pedido foi
no art. 43 do CPP, vejamos: devidamente sepultada pelo CPC/2015.
I) quando o fato narrado não II.b) pressuposto processual
estiver tipificado como crime II.b.1) pressupostos processuais
(argumento de mérito); de existência:
II) extinção da punibilidade i) demanda veiculada na inicial
(argumento de mérito); acusatória;
III) ausência de qualquer condição ii) órgão jurisdicional com
para a propositura da ação ou de investidura; e
pressuposto processual (argumento iii) partes que possam estar em
processual). juízo.
II.b.2) pressupostos processuais
B.1.3.2) Segundo momento: com de validade:
o advento da L11719/2008, o art. 43 do i) inexistência de vícios no
CPP foi expressamente revogado, e o procedimento (regularidade formal);
tratamento da matéria migrou para o art. ii) originalidade da demanda
395 do CPP, que trata de argumentos (ausência de litispendência ou de coisa
estritamente processuais, vejamos: julgada material).
I) inépcia da inicial. Observações III) ausência de justa causa.
1) o CPP é omisso quanto à Observações:
definição da inépcia, de forma que 1) segundo o entendimento
poderemos entendê-la, de acordo com o doutrinário preponderante, a justa causa

22
é o lastro indiciário mínimo dando poderíamos promover a seguinte
sustentação à inicial acusatória. distinção:
Conclusão: de acordo com a posição REJEIÇÃO NÃO RECEBIMENTO
majoritária a justa causa é uma condição a) argumento de a) argumento
mérito; processual;
autônoma da ação penal;
b) aptidão pela b) aptidão a mera
2) Para Afrânio Silva Jardim, o imutabilidade da coisa coisa julgada formal;
lastro indiciário mínimo continua julgada material;
enquadrado como condição genérica da c) por se tratar de c) por se tratar de
ação. Entretanto, a justa causa deve ser decisão definitiva, decisão interlocutória,
desafia apelação (art. desafia RESE (CPP,
vista em outra perspectiva, caracterizada
593, II do CPP). 582, I).
como a imputação de um fato típico,
Conclusão: a reforma promovida
ilícito e culpável na inicial, sendo
no CPP, 395 pela L11719/2008
melhor enquadrada como pressuposto
distanciou ainda mais o tratamento
processual.
normativo da posição doutrinária
*procurar no Google o ensaio de
apresentada acima. Todavia, segundo
Afrânio da Silva Jardim > justa causa
Rômulo Moreira ela continua atual, pois
3) A doutrina costuma classificar
as hipóteses de mérito estão resolvidas
a inépcia da inicial adotando o seguinte
no inciso II do art. 395 do CPP, tendo
critério:
aptidão a imutabilidade pela coisa
i) inépcia formal – ela é formada
julgada material.
por um defeito formal grave na
construção da narrativa fática (CPP,
B.1.5) Sistema recursal
395, I);
I) regra geral: esta decisão –
ii) inépcia material – revela a
rejeição ou não recebimento – desafia
ausência de lastro indiciário mínimo
RESE (CPP, 581, I);
dando sustentação à inicial, ou seja,
II) exceção: no Juizado Especial,
ausência de justa causa (CPP, 395, III).
o recurso cabível é a apelação
*Esta terceira observação poderia ter
(L9099/95, art. 82).
sido feita também acima, quando
estudamos a inépcia.
Material de Apoio - Processo Penal -
B.1.4) Questões complementares:
Nestor Távora - 04.pdf
I) atualmente, o art. 395 do CPP
Observação. Efeitos recursais:
apresenta fundamentos essencialmente
i) segundo a STF, 707 deve o juiz
processuais para justificar a rejeição da
intimar a defesa para apresentar
inicial. Os antigos fundamentos de
contrarrazões ao recurso acusatório, sob
mérito previstos no revogado art. 43
pena de nulidade absoluta.
migraram para o art. 397 do CPP, que
Advertência. A omissão não é
trata da do julgamento antecipado do
suprida pela mera nomeação de
mérito por meio da absolvição sumária.
advogado dativo;
Advertência. Crítica. Para Rômulo
ii) segundo a STF, 709, o acórdão
Moreira, os argumentos de mérito
do Tribunal dando provimento ao
continuam embasando a rejeição da
recurso já caracteriza o recebimento da
inicial, afinal, quem merece ser
inicial; entretanto, declarando a
absolvido não precisa ser processado.
nulidade da rejeição, resta ao Tribunal
Conclusão: logo, a inicial será
devolver os autos para que o juiz profira
rechaçada com base no CPP, 395, II,
uma nova decisão.
leia-se, ausência de interesse de agir.
II) Rejeição vs. não recebimento
B.2) Juízo positivo de
da inicial. Segundo Paulo Rangel, ainda
admissibilidade
na vigência do art. 43 do CPP,
B.2.1) Conceito

23
É o ato do juiz que demarca o corpus com a finalidade de trancar o
início do processo, pela presença dos processo (CPP, 648, I).
correspondentes requisitos legais, em Advertência. Não havendo pena
leitura a contrario sensu do art. 395 do privativa de liberdade prevista para a
CPP. infração, deveremos manejar o
Conclusão. Percebe-se que existe mandado de segurança.
aptidão da inicial, presença das
condições da ação e dos pressupostos C) Realização da citação
processuais, assim como da justa causa. C.1) Conceito
B.2.2) Consequências jurídicas É o ato de comunicação
I) início do processo (no que é processual que informa ao réu sobre o
diferente do Processo Civil); início do processo, o convocando a
II) o mero suspeito ou indiciado apresentar defesa.
se transforma em réu; Conclusão. Percebe-se que a
III) interrupção da prescrição (CP, citação tem dupla finalidade,
117, I); informando sobre o início do processo e
Advertência. Tramita no convocando o imputado a apresentar
Congresso Nacional projeto de Lei resposta escrita à acusação (CPP, 396 e
entabulado como “pacote anti- 396-A).
corrupção” de iniciativa do MPF que, Observações:
dentre outras propostas, defende que a 1) os eventuais vícios que atingem
interrupção da prescrição ocorra pela a citação revelam o que chamamos de
oferta da inicial acusatória. circundução (citação circunducta). De
IV) fixação da prevenção; acordo com o CPP, 564, III, “e”, 1ª
V) o recebimento é o marco para parte, tais vícios ocasionam nulidade
aferirmos eventual ofensa ao ineditismo absoluta. Entretanto, admite-se a
da demanda, por violação à coisa convalidação se a defesa comparecer
julgada material, ou pela constatação da oportunamente para apresentar resposta
litispendência. escrita (CPP, 570 e 572);
B.2.3) Natureza jurídica *Vale anotar a crítica feita pelo
I) 1ª posição: para doutrina professor em aula, segundo o qual o
majoritária, o ato tem natureza de CPP brasileiro é um dos piores do
decisão interlocutória simples; mundo, e se o interesse é saber o que
II) 2ª posição: segundo os não deve ser feito num código, o melhor
Tribunais Superiores, estamos diante de exemplo é o sistema de nulidades do
um despacho de expediente. CPP.
B.2.4) Motivação 2) intimação vs. notificação.
I) 1ª posição: segundo a doutrina, Segundo a doutrina, a intimação servirá
o juiz deve motivar o ato, atestando a para comunicação de atos pretéritos
aptidão da inicial, a presença das (“intimar de”), ao passo que a
condições da ação e dos pressupostos notificação se presta a informar sobre
processuais, além de aferir a justa causa; atos futuros, ou a convocar para que se
II) 2ª posição: para os Tribunais faça alguma coisa (“notificação para”).
Superiores, o ato dispensa motivação, Conclusão. O CPP não adotou
por se tratar de um mero despacho. tecnicamente a proposta doutrinária. Cf.
Conclusão. Admite-se o artigos 370 a 372 do CPP.
recebimento implícito da inicial. 3) Regra de transição. Com o
B.2.5) Sistema recursal advento da L11689/2008 e da
O ato é irrecorrível, mas o L11719/2008, o réu passou a ser citado
prejudicado poderá impetrar habeas para apresentar resposta escrita à

24
acusação, de forma que o interrogatório juízo; se estabelece pelo
foi deslocado para o último ato de recebimento da inicial
ou pela adoção de
instrução (CPP, 400), revelando a medidas cautelares na
natureza híbrida de meio de defesa e fase do inquérito;
meio de prova. Todavia, a legislação iv) interrupção da iv) a interrupção da
extravagante é pródiga em trazer o prescrição, mesmo prescrição acontece
interrogatório como primeiro ato da quando determinada pelo recebimento da
por juiz incompetente; inicial acusatória (CP,
instrução, vejamos: 117, I). Segundo a
I) L8038/90, art. 7º (ações doutrina,
originárias em tribunal); pressupomos a
II) CPPM; competência do juízo;
III) L11346/2006, art. 57 (Lei de v) induz v) a duplicidade de
litispendência. demandas idênticas e
Drogas).
simultâneas contra o
Advertências: mesmo réu é aferida a
1) o STF, analisando as ações partir do recebimento
originárias em tribunal invocou a da inicial acusatória.
adequação ou adaptabilidade
procedimental, deslocando o C.2) Modalidades de citação
interrogatório para último ato da I) citação pessoal;
instrução, por influência do art. 400 do II) citação por edital;
CPP (STF, AP 528); III) citação por hora certa.
2) o STF, analisando o Advertência. Não há na esfera
procedimento criminal militar, penal a citação por AR ou por e-mail,
reconheceu mais uma vez o nem mesmo no Juizado Especial
deslocamento topográfico do Criminal (cf. L11419/06, art. 6º).
interrogatório (STF, HC 126080); Conclusão: tais modalidades
3) o STF, analisando o ocasionam nulidade absoluta.
procedimento criminal eleitoral Intimação por AR ou por e-mail são
reconheceu que além da manifestação possíveis.
por escrito após a citação, o C.3) Citação real
interrogatório deve ocorrer ao final da C.3.1) Conceito
instrução (STF, HC 107795); É aquela cumprida por oficial de
4) para Rômulo Moreira, o Justiça que promoverá a leitura do
mesmo critério hermenêutico deve ser mandado entregando ao réu uma cópia
aplicado ao tráfico de drogas. (contra-fé).
Continuação das observações: Observação. Situações especiais:
4) filtro – o inciso VI do art. 352 I) pessoa jurídica – será citada por
do CPP merece a adequada filtragem, intermédio do representante legal;
pois no mandado citatório perde o II) inimputável – será citado pelo
sentido quanto ao apontamento de local, curador, mesmo com o advento do
dia e hora para interrogatório; Estatuto da Pessoa com Deficiência
5) efeitos da citação: (essa lei tem a função de protegê-lo, não
CITAÇÃO CIVIL CITAÇÃO PENAL fragiliza-lo).
NCPC (CPP, 363) C.3.2) Requisitos
i) integração da i) integração da I) requisitos extrínsecos – são
relação processual; relação processual;
ii) litigiosidade da ii) a demanda penal inerentes ao próprio procedimento
coisa; está tecnicamente em citatório (CPP, art. 357), vejamos:
curso com o - leitura do mandado;
recebimento da inicial - entrega da contra-fé com a
acusatória; indicação do aceite ou da recusa.
iii) torna prevento o iii) a prevenção penal

25
“Art. 357. São requisitos da devolução da precatória, para que o juiz
citação por mandado: que preside o processo delibere quanto a
I - leitura do mandado ao citando
pelo oficial e entrega da contrafé, na qual
citação por hora certa (CPP, 355, § 2º
se mencionarão dia e hora da citação; c/c 362).
II - declaração do oficial, na “Art. 354. A precatória indicará:
certidão, da entrega da contrafé, e sua I - o juiz deprecado e o juiz
aceitação ou recusa.” deprecante;
II) requisitos intrínsecos – são II - a sede da jurisdição de
um e de outro;
aqueles inerentes à construção do III - o fim para que é feita a
mandado citatório, estando catalogados citação, com todas as especificações;
no art. 352 do CPP. IV - o juízo do lugar, o dia e
Advertência. O inciso II do a hora em que o réu deverá comparecer.
referido artigo merece um breve Art. 355. A precatória será
devolvida ao juiz deprecante,
retificação, pois o mandado citatório independentemente de traslado, depois
deve conter o nome do querelado. de lançado o "cumpra-se" e de feita a
“Art. 352. O mandado de citação citação por mandado do juiz deprecado.
indicará: § 1º Verificado que o réu se
I - o nome do juiz; encontra em território sujeito à jurisdição
II - o nome do querelante de outro juiz, a este remeterá o juiz
[querelado, na verdade, cf. doutrina] nas deprecado os autos para efetivação da
ações iniciadas por queixa; diligência, desde que haja tempo para
III - o nome do réu, ou, se for fazer-se a citação.
desconhecido, os seus sinais § 2º Certificado pelo oficial de
característicos; justiça que o réu se oculta para não ser
IV - a residência do réu, se for citado, a precatória será imediatamente
conhecida; devolvida, para o fim previsto no art.
V - o fim para que é feita a 362.
citação; (...)
VI - o juízo e o lugar, o dia e a Art. 362. Verificando que o réu
hora em que o réu deverá comparecer; se oculta para não ser citado, o oficial de
[perdeu sentido, cf. acima debatido] justiça certificará a ocorrência e
VII - a subscrição do escrivão e a procederá à citação com hora certa, na
rubrica do juiz.” forma estabelecida nos arts. 227 a 229 da
C.3.3) Citação por precatória Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 -
I) Conceito Código de Processo Civil. (Redação
Nesta hipótese é detectada a não dada pela Lei nº 11.719, de 2008).
Parágrafo único.
coincidência geográfica entre a Completada a citação com hora certa, se
residência do réu e a sede do juízo o acusado não comparecer, ser-lhe-á
penal. Conclusões: nomeado defensor dativo. (Incluído pela
1) a expedição de carta precatória Lei nº 11.719, de 2008).”
não subverte a essência da citação C.3.4) Citação do militar
pessoal; Os militares serão citados por
2) é necessário que o réu esteja intermédio do superior, prestigiando a
em local certo e sabido (CPP, 354); hierarquia e o princípio da
II) Precatória itinerante inviolabilidade do quartel (cf. Nucci).
Se o órgão deprecado constatar C.3.5) Citação do funcionário
que o réu reside em outra localidade, em público
local certo e sabido, determinará a O funcionário público será citado
imediata remessa da carta ao novo pessoalmente. Entretanto, o chefe da
paradeiro (CPP, 355, § 1º). repartição pública é comunicado para
Advertência. Se o juiz detectar provê-la por eventual ausência, em
que o réu está se escondendo para não homenagem ao princípio da
ser citado pessoalmente, determinará a continuidade do serviço público (CPP,
359).
26
C.3.6) Réu preso Nas ações originárias em
I) Conceito Tribunal, o ato citatório pode ser
O réu será citado pessoalmente e conferido ao magistrado atuante na
não por intermédio do diretor do localidade em que o réu reside
estabelecimento prisional (CPP, 360). (L8038/90, art. 9º, § 1º).
Observação: segundo a STF, 351, C.4) Citação por edital (ficta)
se o réu está preso na mesma Unidade C.4.1) conceito: próxima aula
Federativa em que o juiz atua e é citado
por edital, haverá nulidade absoluta. Material de Apoio - Processo Penal -
Conclusões: Nestor Távora - 05 (1).pdf
1) para o STJ, interpretando o ... Nela, não há má-fé do réu, que
comando da súmula, se o réu está preso apenas não foi encontrado para ser
em outra Unidade Federativa e é citado citado pessoalmente. Tal modalidade
por edital pelo desconhecimento da citatória se estabelece pela publicação
situação prisional, não haverá nulidade no átrio do fórum ou na imprensa
(HC 162339); oficial.
2) para Elmir Duclerc, em posição Conclusões:
minoritária, o desconhecimento não se 1) Percebe-se que o réu não está
justifica, pois foi instituído o cadastro se escondendo para não ser citado;
nacional de prisões (CPP, 289-A). 2) no juizado especial não há
C.3.7) Citação do réu no citação por edital. Se o denunciado não
estrangeiro é localizado para citação pessoal, os
I) Conceito autos serão remetidos ao rito sumário.
Se o réu está no estrangeiro em 3) segundo a STF, 366, não
local certo e sabido, será citado por haverá nulidade se o edital não
carta rogatória, sendo indiferente se o transcrever o inteiro teor da inicial ou
crime é afiançável ou não. não apresentar uma síntese dos fatos,
Observações: bastando o apontamento dos artigos
1) se o réu está no estrangeiro em imputados ao réu.
local incerto, será citado por edital; C.4.2) Hipóteses:
2) para evitar o risco de I) quando o réu estiver em local
impunidade, a expedição da carta incerto ou não-sabido (CPP, 361).
importa na suspensão da prescrição Advertência: segundo o STF, a citação
(CPP, 368); editalícia deve ser vista como medida
3) o CPP, 222-A trata da rogatória extrema, exigindo-se os esforços
para oitiva da prova testemunhal, necessários para viabilizar a citação
exigindo a imprescindibilidade do ato e pessoal (STF, HC 88548);
que o requerente arque com as custas. II) quando o réu está em local
Tal previsão é inaplicável ao ato inacessível.
citatório. Conclusões:
C.3.7) Citação em legação 1) esta hipótese foi expressamente
estrangeira revogada pela L11719/2008 (CPP, art.
I) Conceito 363, I);
A citação ocorrerá por carta 2) a atual lacuna do CPP será
rogatória, não havendo previsão de suprida por analogia ao art. 256, II do
suspensão do prazo prescricional (art. CPC;
369 do CPP). 3) até o ano de 2008, se o réu
C.3.9) Citação por carta de ordem estivesse se escondendo para ilidir a
I) Conceito citação, seria citado por edital.

27
Atualmente ele será citado por hora 2) O prazo é de natureza
certa. processual, de forma que o primeiro dia
será descartado e o último será
C.5) Citação por hora certa (ficta) computado (CPP, 798). Advertências:
C.5.1) Conceito 2.1) se o último dia é feriado, final
Ela é pautada na má-fé do réu, de semana ou dia onde o expediente
pois evidenciamos que ele está se forense foi reduzido, haverá
escondendo para não ser citado prorrogação ao primeiro dia útil
pessoalmente. subsequente.
C.5.2) Requisitos 2.2) o prazo começa a contar do
I) comparecimento do oficial por primeiro dia útil após a citação.
duas vezes no endereço apontado na 2.3) no processo penal não
inicial. Advertência: o antigo CPC adotamos a regra do novo CPC onde
exigia o comparecimento por três vezes, todos os dias de contagem são úteis.
sendo suplantado pelo art. 252 do CPC
atual; D.4) Conteúdo
II) suspeita de que o réu está se D.4.1) Conteúdo “horizontal”
escondendo para não ser citado Representa a abrangência da peça
pessoalmente. quanto àquilo que pode ser vinculado,
Observação: o procedimento para admitindo-se as seguintes estratégias:
a citação por hora certa é regulamentado I) 1º perfil – negativa geral, i. é, o
pelo processo civil. Cf. CPP, 362 c/c defensor pode ser demasiadamente
CPC 252 a 254. evasivo – o que é amplamente aceito –,
reservando os seus argumentos para os
D) Apresentação da resposta memoriais;
escrita à acusação II) 2º perfil – o defensor pode
D.1) Conceito apresentar uma peça com pretensão
É a peça defensiva que resistirá exauriente, com a seguinte abordagem:
aos termos da petição inicial, a) preliminares – o defensor
alimentando a esperança do julgamento poderá apresentar preliminares
antecipado do mérito, por intermédio da processuais e de mérito.
absolvição sumária (art. 397 do CPP). i) Preliminares processuais –
Observação: enquadramento conclusões:
normativo está no CPP, 396 e 396-A. 1) a preliminar processual é
aquela que ocasionada a nulidade do
D.2) Capacidade postulatória processo deflagrado;
A peça será necessariamente 2) declarada a nulidade, o
subscrita por advogado, sob pena de magistrado indicará a abrangência do
nulidade absoluta. Cf. STF, 523. vício, que pode comprometer o próprio
recebimento da inicial. Em substituição,
D.3) Prazo o juiz poderá proferir uma decisão
10 (dez) dias contados da rejeitando a inicial, em ato rotulado pelo
correspondente citação. Não interessa a STJ como retratação do recebimento
data de juntada do mandado aos autos. da inicial acusatória.
Observações: ii) Preliminares de mérito -
1) Cf. STF, 710, segundo o qual o conclusões: são aquelas que levam à
marco é a realização da citação, sendo extinção da punibilidade (CP, 107)
indiferente a data de juntada aos autos tendo aptidão à imutabilidade pela coisa
do mandado cumprido. julgada material;
b) teses de mérito

28
Estão explicitadas no art. 397, prosseguibilidade, sem a qual o
autorizando a absolvição sumária do processo não poderá avançar.
réu. E.2) Consequências
Conclusões: As consequências da não
1) as principais teses que apresentação da resposta dependerão da
autorizam a absolvição sumária modalidade citatória implementada,
permeiam as excludentes de tipicidade, vejamos:
de ilicitude e de culpabilidade; I) citação pessoal – a não
2) a inimputabilidade não justifica apresentação da resposta importa na
a absolvição sumária no procedimento decretação da revelia, com a nomeação
comum, pois anteciparia a aplicação de de advogado dativo para apresentação
medida de segurança (CPP, 397, II); da resposta, com a correspondente
c) referências acidentais devolução do prazo.
Por força do princípio da Observações:
eventualidade, a defesa protestará por 1) o réu revel não mais será
todas as provas que entender intimado pessoalmente para os atos
pertinentes, afinal, o juiz poderá marcar subsequentes do processo, salvo a
a audiência de instrução e julgamento. sentença;
Conclusões: 2) o defensor continuará sendo
1) na resposta escrita, a defesa intimado normalmente, afinal a defesa
pode arrolar até oito testemunhas para técnica é obrigatória (STF, 523, c/c CPP
cada fato criminoso, sob pena de 367);
preclusão; 3) parte da doutrina resiste ao
2) de acordo com o CPP, as emprego da expressão revelia no
exceções (CPP, 95) serão apresentadas processo penal, por sua nítida distinção
em uma peça autônoma, pois inauguram do processo civil (por todos, cf. Rômulo
um procedimento incidental (art. 396-A, Moreira).
§ 1º do CPP). Advertência: na parte II) citação por hora certa – a
prática do concurso da Defensoria ausência de resposta importa na
Pública, as teses que inauguram uma declaração de revelia, com a nomeação
exceção podem ser ventiladas como de advogado dativo e a devolução do
preliminar processual na resposta prazo de 10 (dez) dias (CPP, 362, p. ú).
escrita, pois ocasionam a nulidade do III) citação por edital – havendo
processo deflagrado. citação por edital, os efeitos são, cf. a
D.4.2) Conteúdo “vertical” tabela:
Quanto à profundidade da peça, a ANTES DA APÓS A
defesa pode assumir os seguintes perfis: L9271/96 L9271/96
A) era decretada a A) suspende-se o
i) 1º perfil: a peça pode ser
revelia; processo;
superficial quanto ao embasamento das B) o processo B) suspende-se o
teses apresentadas; prosseguia com a prazo prescricional.
ii) 2º perfil: a peça pode estar nomeação de
enraizada nos aspectos doutrinários, advogado dativo.
normativos e jurisprudenciais; Observações:
1) direito intertemporal – de
E) Obrigatoriedade acordo com o STF, a norma contida no
E.1) Conceito art. 366 do CPP é híbrida, aglutinado
A resposta escrita deve ser aspectos materiais e processuais.
apresentada por imposição normativa, Conclusão: como o aspecto material é
sendo enquadrada como condição de maléfico, ela só será aplicada aos crimes

29
consumados após a sua entrada em II) 2ª posição: para o STF, em
vigor (cf. STF, HC 83864); posição minoritária, o processo e a
2) esfera militar – de acordo com prescrição ficarão suspensos até o
o art. 612 do CPPM, do art. 366 do CPP comparecimento do réu, sendo este um
é inaplicável à esfera militar; evento futuro e incerto.
3) lavagem de dinheiro – de 5) produção antecipada de provas
acordo com o art. 2º, § 2º da L9613/98, – segundo a STJ, 455, o mero decurso
se o réu é citado por edital e não exerce do tempo não autoriza a produção
defesa, será declarado revel, nomeando- antecipada de provas quando o processo
se advogado dativo estiver suspenso por força do CPP, 366.
4) tempo de suspensão da Conclusão: poderemos determinar a
prescrição. produção antecipada das provas que
I) 1ª posição: para o STJ, na STJ, estejam na iminência de perecer;
415 e para doutrina majoritária, deve o 6) decretação da preventiva – no
juiz suspender a prescrição tendo como transcurso da suspensão, a preventiva só
parâmetro os prazos estipulados no art. será decretada se presentes os requisitos
109 do CP. Ultrapassado este prazo, e dos artigos 312 e 313 do CPP.
mantida a ausência, o processo 7) comparação de institutos
permanecerá suspenso, mas a prescrição
volta a fluir;
MODALIDADES Extinta Defesa Prévia Defesa Preliminar Resposta Escrita
Previsão normativa Antiga redação do CPP, Lei de Drogas; ações CPP, 396 e 396-A
395 (alterado pela originárias em Tribunal;
L11719/2008). Juizados Especiais (oral);
crimes funcionais do
servidor público (art. 514
do CPP).
Prazo 3 (três) dias, após o 10 (dez) ou 15 (quinze) 10 (dez) dias, contados da
interrogatório do réu. dias, a depender do citação.
procedimento, a contar da
intimação da defesa.
Momento Após o interrogatório do É apresentada após o Ela é apresentada após a
réu. oferecimento da inicial citação, sendo que a inicial
acusatória, e antes do juízo acusatória já foi recebida.
de admissibilidade.
Capacidade postulatória Dispensada. Exigida. Exigida.
Finalidade Requerer diligências e Convencer o juiz de que a Convencer o juiz quanto à
arrolar testemunhas. inicial deve ser rejeitada, absolvição sumária e pelo
negando início ao princípio da
processo. eventualidade, requerer
diligências e arrolar
testemunhas.

2.2.2. 2ª Etapa: fase intermediária mérito, sem a realização de audiência de


– é a fase do julgamento antecipado do instrução e julgamento.
mérito. Acontece por meio da II) Hipóteses
absolvição sumária. As hipóteses são pautadas em
juízo de certeza. Na dúvida, será
Material de Apoio - Processo Penal - marcada a audiência de instrução e
Nestor Távora - 06.pdf julgamento. Nesta etapa não milita o
I) Conceito princípio in dubio pro reo. A certeza
É a decisão com aptidão à será sobre:
imutabilidade pela coisa julgada i) excludente de tipicidade, formal
material, que antecipa a análise do ou material.

30
Conclusão: o princípio da Parágrafo único. No caso de
insignificância autoriza a absolvição requerimento do Ministério Público, do
querelante ou do réu, o juiz mandará
sumária; autuá-lo em apartado, ouvirá a parte
ii) excludente de ilicitude. contrária e, se o julgar conveniente,
Conclusão: elas podem estar concederá o prazo de cinco dias para a
explicitadas no CP, 23, bem como na prova, proferindo a decisão dentro de
legislação especial. cinco dias ou reservando-se para apreciar
a matéria na sentença final.”
iii) excludentes de culpabilidade.
Observação. Segundo a doutrina
Conclusão. A inimputabilidade,
majoritária, o CPP, 397 admite
por doença mental, não autoriza a
interpretação extensiva, negativa da
absolvição sumária no procedimento
autoria e atipicidade do fato, para
comum, pois anteciparia a imposição de
acomodar a negativa de autoria e a
medida de segurança (CPP, 397, II).
“Art. 397. Após o cumprimento inexistência do fato como fundamentos
do disposto no art. 396-A, e parágrafos, da absolvição sumária.
deste Código, o juiz deverá absolver Advertência. Em recente prova da
sumariamente o acusado quando magistratura estadual, o art. 397 do CPP
verificar: recebeu interpretação restritiva, de
(...)
II - a existência manifesta de forma a não admitir essa interpretação
causa excludente da culpabilidade do extensiva da doutrina.
agente, salvo inimputabilidade;” *Tanto no caso da excludente da
iv) extinção da punibilidade – culpabilidade quanto da negativa de
tudo indica ter havido um erro do autoria e atipicidade do fato, no artigo
legislador nesse ponto, tendo em vista correlato do procedimento do Júri não
que a absolvição sumária refere-se à cometeu os mesmos equívocos.
absolvição, inocentando um réu. A
extinção da punibilidade não se III) Sistema recursal
enquadra, estritamente, no conceito de III. a) regra geral – a sentença de
absolvição. absolvição sumária desafia apelação (cf.
A decisão que declara extinta a CPP, 593, I).
punibilidade não condena nem absolve Conclusões:
o réu. 1) Esse recurso não é dotado de
“Art. 397. Após o cumprimento efeito suspensivo, de forma que se
do disposto no art. 396-A, e parágrafos, estiver preso, será expedido o alvará de
deste Código, o juiz deverá absolver
sumariamente o acusado quando
soltura em favor do réu (CPP, 596)
verificar: “Art. 596. A apelação da sentença
(...) absolutória não impedirá que o réu seja
IV - extinta a punibilidade do posto imediatamente em liberdade.
agente.” Parágrafo único. A apelação não
suspenderá a execução da medida de
Conclusão: nossa doutrina critica segurança aplicada provisoriamente.”
o referido enquadramento, já que a 2) Parte da doutrina admite o
decisão que extingue a punibilidade é manejo do mandado de segurança para
terminativa de mérito, cognoscível a conferir efeito suspensivo ao recurso. de
qualquer tempo e em qualquer grau de MS.
jurisdição (STJ, 18, c/c CPP, 61). III.b) exceção – se o juiz declarar
“STJ, 18. A sentença concessiva
do perdão judicial é declaratória da
a extinção da punibilidade por meio de
extinção da punibilidade, não subsistindo uma decisão terminativa de mérito,
qualquer efeito condenatório.” caberá recurso em sentido estrito (CPP,
“Art. 61. Em qualquer fase do 581, VIII)
processo, o juiz, se reconhecer extinta a Advertências:
punibilidade, deverá declará-lo de ofício.

31
1) Segundo Mirabete, quando o complexidade da causa, à luz do
conteúdo da extinção da punibilidade é prudente arbítrio do juiz.
introduzido no contexto de uma 3) Indeferimento probatório. O
sentença absolutória, caberá apelação, magistrado pode indeferir a prova
pois ela goza de primazia em detrimento pretendida pela parte em face da
do RESE. irrelevância, da impertinência ou do
2) Para aqueles que entendem que caráter protelatório.
a extinção da punibilidade é um Advertências:
fundamento absolutório sui generis, por 1) se o magistrado denegou ou
força da redação do art. 397, IV do autorizou uma prova à margem da
CPP, não há discussão quanto ao pertinência e razoabilidade, teremos as
cabimento de apelação. seguintes soluções:
Observação. Se o Juiz negar a a) apresentar correição parcial se
absolvição sumária, ele marcará a o ato tumultuar a evolução do
audiência de instrução e julgamento, por procedimento;
ato irrecorrível. b) nada impede que o prejudicado
Conclusões: suscite eventual nulidade em preliminar
1) a defesa poderá impetrar HC de futura apelação.
com a finalidade de trancar o processo; 2) para o STJ, não haverá
2) se o juiz negar o requerimento preclusão se o MP arrolou as
de declaração da extinção da testemunhas fora da denúncia mas antes
punibilidade, o ato comporta recurso em do juízo de admissibilidade da inicial.
sentido estrito, por força do inciso IX do
art. 581 do CPP. 4) Passo a passo da audiência.
I) Instrução (produção probatória)
2.2.3. 3ª Etapa: Fase de Instrução, A) oitiva do ofendido
Debates e Julgamento Conclusão. O teor das declarações
Observações: do ofendido será analisado diante do
1) A reforma idealizou uma conjunto probatório. Entretanto, o CPP
audiência una, para instruir, debater e não promoveu qualquer distinção, a
julgar a causa. Conclusão: nada impede enquadrando como meio de prova
que a audiência seja desmembrada, pela similar aos demais.
necessidade do caso concreto. Advertência: para o STJ, as
2) Prazo. A audiência será declarações do ofendido podem lastrear
realizada em até 60 (sessenta) dias, eventual condenação, notadamente nos
sendo indiferente se o réu está preso ou crimes de pouca visibilidade.
solto. Conclusão 2: a ausência
Conclusões: injustificada do ofendido devidamente
2.1) em que pese a omissão do convocado autoriza a condução
CPP, o prazo é contado do recebimento coercitiva (CPP, 201, § 1º).
da inicial acusatória, em analogia ao que Advertência: nos crimes de ação
ocorre com a Lei de Tóxicos; privada a ausência injustificada
2.2) havendo descumprimento do ocasiona a perempção, desaguando na
prazo, tal elemento será analisado para extinção da punibilidade (CPP, art. 60,
aferição da ilegalidade da prisão III c/c CP, art. 107, IV).
cautelar por excesso de tempo. O STF, Conclusão 3: segundo Ada
entretanto, entende que a ilegalidade Pelegrini, a L11690/2008 instituiu a
dependerá da análise de cada caso proteção e o necessário resgate dos
concreto, levando-se em consideração a interesses do ofendido, suprindo uma
lacuna histórica.

32
B) oitiva das testemunhas diligências cuja necessidade é extraída
Conclusão 1: podem ser arroladas da própria audiência, cabendo ao
até 8 (oito) testemunhas para cada fato magistrado a correspondente
criminoso. deliberação.
Conclusão 2: segundo o STF, a
inversão da ordem na oitiva é fato II) debates orais
gerador de nulidade relativa, Conclusão: antes da reforma, a
pressupondo a demonstração de regra era a apresentação de memoriais.
prejuízo. Com o advento da L11719/2008,
C) interpelação do perito e do prestigiamos o princípio da oralidade,
assistente técnico com a realização de sustentação oral em
Conclusão 1: as partes podem audiência.
requerer a convocação do perito para Observação: distribuição
que preste esclarecimento em audiência temporal.
cf. CPP, art. 159, § 5º, inc. I. A) acusação: 20 minutos,
Conclusão 2: Os peritos serão prorrogáveis por mais 10 minutos;
intimados com antecedência mínima de Advertência: o assistente de
10 (dez) dias, podendo apresentar laudo acusação, por meio do advogado, pode
complementar. fazer uso da palavra após o MP, por 10
D) acareações minutos improrrogáveis, totalizando o
Conclusão: admite-se a acareação máximo de 40 minutos para a fala da
por carta precatória entre testemunhas, acusação.
uma vez verificado a extrema B) defesa: 20 minutos,
necessidade do ato (CPP, 230). prorrogáveis por mais 10. Prestigiando
E) Reconhecimento de pessoas e o princípio da isonomia, a defesa vai
objetos dispor de mais 10 minutos caso o
Conclusão: Admite-se, na fase assistente de acusação tenha feito uso da
investigativa, que a pessoa a ser fala.
reconhecida não visualize o
reconhecedor, evitando-se eventual III) prolação da sentença
intimidação (CPP, 226, III, p. ú.). Conclusão: se o magistrado
Advertência: segundo Guilherme preferir, os autos lhe serão conclusos,
Nucci, invocando o princípio da dispondo de 10 dias para sentenciar,
proporcionalidade, tal estratégia pode prorrogáveis por mais 10 dias.
ser adotada na fase processual. Observação: base principiológica.
Conclusão 2: No Brasil, adotamos A) princípio da oralidade
o reconhecimento simultâneo, pois a A.1) conceito: a reforma
pessoa a ser reconhecida será colocada prestigiou a palavra falada, o que é
simultaneamente ao lado de outras com verificável pela própria estrutura da
características similares (quando audiência de instrução.
possível). A.2) princípios decorrentes:
F) interrogatório do réu A.2.1) princípio da concentração.
Conclusão: a nova redação do Conclusão: por ele, os atos instrutórios
CPP, 400 prestigiou o princípio da são reunidos em audiência uma;
ampla defesa, deslocando o A.2.2) princípio da imediatidade.
interrogatório para o último ato de Conclusão: por ele, as provas serão
instrução. produzidas imediatamente
Advertência: ao final da instrução (proximidade) perante a autoridade
é possível que o MP, o assistente de judicante;
acusação ou o advogado requeiram

33
A.2.3) princípio da identidade ingleses continuam interferindo no
física do juiz. Conclusão: de acordo sistema brasileiro).
com o CPP, 399, § 2º, expressamente
adotamos a identidade física na esfera 1.2. Origem no Brasil
penal. A) O Júri surge no Brasil em 1822
Advertências: (Império), para apreciar os crimes
1) Atualmente convivemos com praticados pela imprensa;
um série de mitigações à identidade B) dois anos depois, adquiriu
física, como as hipóteses de caso status constitucional, na “Constituição
fortuito ou força maior. Política Imperial” de 1824;
2) Um bom exemplo de mitigação C) todas as constituições
ocorre na figura do juiz instrutor, republicanas, salvo a de 1937
convocado para atuação perante os (Constituição Polaca, outorgada por
tribunais (L8038, 3º, II). O mesmo Vargas), dispuseram sobre o Júri;
acontece com as provas produzidas por D) atualmente o Júri é
precatória ou com o expediente de vídeo contemplado no art. 5º, XXXVIII da
conferência (STJ, HC 135456). CRFB, alçando o status de cláusula
Observação: mitigação ao pétrea.
princípio da oralidade. Os artigos 403, § Conclusões:
3º e 404 do CPP apontam as hipóteses 1) segundo Guilherme Nucci, o
de substituição dos debates orais por Júri deve ser visto nos seguintes
memoriais. Advertência: para o STJ, a enfoques: I) direito fundamental de
substituição fora das hipóteses legais participação popular na administração
ocasiona mera irregularidade. da Justiça; II) o Júri é também uma
garantia fundamental de julgamento por
pessoas comuns do povo, ao
***** praticarmos um crime doloso contra a
Material de Apoio - Processo vida.
Penal - Nestor Távora - 01 (II).pdf 2) em que pese o tratamento
topográfico do art. 5º da CRFB, o Júri
JÚRI integra a estrutura do Poder Judiciário,
(Lei n. 11.689/2008) na esfera estadual e federal.

Tradicionalmente o Tribunal do 1.3) Princípios constitucionais


Júri brasileiro segue a linha francesa. especializantes
Contudo, com a última reforma,
passamos a flertar também com o 1.3.1. Princípio da plenitude de defesa
sistema anglo-saxão e mais uma vez A) Conceito
passamos a adotar um sistema misto. Além dos argumentos técnicos,
podem ser invocados argumentos
1. Considerações iniciais metajurídicos, afinal o jurado é um juiz
leigo.
1.1. Origem histórica no mundo Observações:
A) Magna Charta de 1215. 1) ganha destaque a figura do
Muitos se referem à crucificação de laudador, que nada mais é do que a
Jesus como o marco da existência do testemunha que presta depoimento
Júri; sobre os antecedentes do réu. eles
B) Revolução Francesa de 1789 também são chamados de “testemunhas
(por isso a dicotomia entre franceses e de beatificação”;

34
2) segundo Gilmar Mendes, não 3) se o réu estiver advogando em
há distinção substancial entre a ampla e causa própria, ele terá acesso à sala
a plena defesa, redundando em um secreta;
truque semântico (trata-se de posição 4) é francamente prevalente o
minoritária); entendimento quanto à compatibilidade
3) enquadramento: constitucional da sala secreta, afinal o
I) plenitude de defesa técnica – princípio da publicidade não é absoluto
segundo o STF, no enunciado 523 de (CRFB, 5ª, LX c/c 93, IX).
sua súmula, a ausência de defesa técnica B.2) sigilo quanto ao
é fato gerador de nulidade absoluta, ao procedimento de votação
passo que a deficiência ocasiona B.2.1) Incomunicabilidade: os
nulidade relativa. Advertência: se o réu jurados não poderão conversar entre si
está indefeso na seção plenária, o Juiz ou com terceiros sobre os fatos que
deverá dissolver o Júri, remarcando a integram o julgamento, sob pena de
seção e oficiando aos órgãos censores nulidade absoluta (CPP, 564, III, “j”).
da OAB ou da Defensoria Pública Conclusões:
(CPP, 497, V); 1) tal previsão afasta o Júri
II) plenitude de autodefesa – em brasileiro do anglo-americano, o
homenagem ao direito constitucional ao aproximando do Júri francês;
silêncio, constatamos que a autodefesa é 2) os jurados podem conversar
facultativa, pois o réu não é obrigado a sobre amenidades, pressupondo a
apresentar a sua versão dos fatos. adequada fiscalização;
Advertências: 1) o réu pode optar por B.2.2) sigilo do voto – os jurados
não comparecer à sessão plenária; 2) se votam os quesitos de maneira
o réu apresentar a sua versão dos fatos, impessoal, com uma cédula não
ela deve se refletir na quesitação aos identificada dizendo “sim” ou “não”.
jurados, mesmo quando distinta da tese Advertência. A Lei n.
esboçada pelo Advogado. 11689/2008, seguindo inspiração cuja
gênese remonta à obra de Rui Barbosa,
1.3.2. Princípio do sigilo das votações acabou com unanimidade, aproximando
A) Conceito ainda mais o Júri brasileiro do francês.
Para preservar a atuação dos Conclusão: atualmente com
jurados diante de qualquer ingerência quatro votos em determinado sentido o
externa, assegurou-se quesito estará suficientemente votado.
constitucionalmente a sigilação.
B) Especificidades 1.3.3 Principio da soberania dos
B.1) sigilo do ambiente – os veredictos
jurados votarão os quesitos em sala A) Conceito
especial ou secreta, evitando eventual O mérito da deliberação dos
intimidação; jurados, em regra, não poderá ser
Observações: submetido pelos demais órgãos do
1) se o fórum não possui uma sala Poder Judiciário, respeitando-se o
especial, o Plenário será esvaziado e desejo popular.
será utilizado com se sala secreta fosse B) Mitigação
(CPP, 485, § 1º); B.1) Recurso de apelação. Se os
2) se pessoa que concretamente jurados decidirem de forma
possa intimidar o jurado teve acesso à manifestamente contrária à prova dos
sala especial, haverá nulidade absoluta; autos, o provimento, o provimento do
apelo autoriza que o Tribunal casse a
decisão, remetendo o réu a um novo Júri

35
com outros jurados (CPP, 593, III, “d” e Obs. 1) os artigos 121 a 128
§ 3º). positivam os crimes rotulados como
Observações: dolosos contra a vida;
1) STF, 206: se no novo Obs. 2) havendo desejo político, a
julgamento participar jurado que competência do Júri pode ser elastecida
integrou o primeiro Júri, haverá pelo legislador ordinário;
nulidade absoluta; Obs. 3) além dos crimes dolosos
2) quanto o Tribunal de Justiça dá contra a vida, o Júri tem competência
provimento ao recurso, ele exerce um para apreciar todas as infrações comuns,
juízo rescindente, cassando a decisão que estejam correlacionadas por força
impugnada e devolvendo os autos para da conexão, ou da continência (CPP, 78,
que se realize um novo Júri; I).
3) STF, 713: a apelação contra a Advertências:
sentença emanada do Júri tem 1) A regra de atração abrangerá,
fundamentação vinculada, devendo-se até mesmo, as infrações de menor
explicitar no recurso as exatas razões do potencial ofensivo (art. 60, p. ú. da Lei
apelo; n. 9099/95). Conclusões:
B.2) Revisão criminal. No 1.1) Segundo LFG, prestigiando o
julgamento da ação revisional, cf. art. princípio da adequação procedimental,
621, o Tribunal poderá absolver aquele deve o Juiz marcar uma audiência
que foi injustamente condenado pelo preliminar para oportunizar a
Júri, por decisão com trânsito em composição civil e a transação penal;
julgado (art. 626). 1.2) Segundo Rômulo Moreira,
Observações: em posição minoritária, o p. ú. do art.
1) vale lembrar que a revisão 60 da Lei dos Juizados é
criminal tutela os interesses da defesa, inconstitucional, pois a lei ordinária não
não havendo revisão criminal pró- pode boicotar a competência do
sociedade; Juizado, que decorre do art. 98, I.
Conclusão: a decisão absolutória 2) se o crime doloso contra a vida
com trânsito em julgado se submete à é conexo com crime eleitoral ou militar,
coisa soberanamente julgada, sendo impõe-se a separação de processos;
irreversível. 3) se o crime doloso contra a vida
2) o provimento da ação é conexo com infração federal, o Júri
revisional autoriza que o Tribunal será instituído na Justiça Federal;
exerça um juízo rescindente, cassando a Obs. 4: a existência de morte não
decisão, assim como um juízo necessariamente traz para o crime o
rescisório, proferindo um acórdão em status de crime doloso contra a vida,
substituição à decisão impugnada. vejamos:
I) latrocínio (art. 157, § 3º do CP).
1.3.4. Princípio da competência Segundo a STF, 603, o latrocínio não
mínima para julgamento dos crimes vai a Júri por se tratar de crime
dolosos contra a vida, consumados ou patrimonial;
tentados II) genocídio (Lei n. 2889/56). Os
A) Conceito Tribunais Superiores uniformizaram o
Ao contrário da C. de Portugal, o entendimento de que o genocídio não
legislador brasileiro optou por fixar na vai a Júri, por se tratar de crime contra a
Carta Magna a competência mínima humanidade. Advertência: há quem
para tangenciar a abrangência do Júri. entenda que a conduta genocida pode se
Observações: correlacionar como homicídio em razão
do concurso formal impróprio, atraindo

36
a competência do Júri pelas regras de Advertência. Desta decisão caberá
continência (art. 77, II, c/c 78, I, ambos recurso ordinário constitucional (ROC)
do CPP); ao STF, que funcionará como segundo
III) ato infracional. Os menores de grau de jurisdição (CRFB, 102, II, “b”).
18 (dezoito) anos que matam Este recurso funciona como verdadeira
dolosamente alguém serão julgados na apelação;
vara da infância e da juventude (ECA, X) “Tiro de abate”. De acordo
103); com o art. 9º, p. ú. do COM,
IV) autoridade com foro por regulamentado pela Lei n. 12.432/2011,
prerrogativa funcional. Segundo a STF, o eventual excesso no abate da aeronave
721 (SV, 45), as autoridades com foro suspeita será apreciado pela Justiça
por prerrogativa estabelecido na CRFB, Militar.
não vão a Júri. O mesmo não acontece Observação. Crime doloso contra
quando a prerrogativa é fixada apenas a vida praticado por militar contra civil.
na CE; A invasão de Carandiru em 1992
V) militar das forças armadas que inspirou a movimentação do Congresso
mata outro militar das forças armadas, Nacional, que em 1996 promoveu
ambos na ativa. A competência é da significativa alteração no art. 9º do
Justiça Militar Federal (CPM, 9º, II, CPM, de forma que os crimes dolosos
“a”); contra a vida praticados por militar
VI) militar estadual mata outro contra civil serão julgados na Justiça
militar estadual, ambos na ativa: a Comum, perante o Tribunal do Júri.
competência é da Justiça Militar Conclusões:
Estadual; 1) como a alteração é de natureza
VII) civil que mata militar das processual, teve imediata aplicação,
Forças Armadas em serviço ou em local atingindo o processo do caso Carandiru;
sujeito à jurisdição militar: a pessoa 2) mais recentemente a EC
comum será julgada na Justiça Militar 45/2004 consignou na Carta Magna a
Federal por se tratar de infração militar alteração promovida no COM (CRFB,
federal (CPM, art. 9º, II, “b”); 125, § 4º).
VIII) civil que mata militar Advertência. Segundo Aury Lopes
estadual: a competência é da Justiça Jr., em posição adotada no concurso da
Estadual comum, pois a Justiça Militar DPU, a alteração não abrange tão
Estadual não julga civil. somente os PM e Bombeiros Militares,
Conclusão: nos termos do art. 5º, pois circunscrita ao art. 125 da CRFB.
XXXVIII, “d” da CRFB, c/c art. 125, § Logo, os crimes dolosos contra a
4º tb. da CRFB, o cidadão comum será vida praticados pelos membros da
levado a Júri. Forças Armadas serão julgados na
IX) crime político de matar o Justiça Militar Federal.
Presidente da República, Presidente do 3) Quando um militar mata
Senado, o Presidente da Câmara de culposamente uma pessoa comum, ele
Deputados ou Presidente do STF será julgado pela Justiça Militar;
(próxima aula) 4) Quando um militar mata
dolosamente outro militar, ele será
Material de Apoio - Processo Penal - julgado na Justiça Militar;
Nestor Távora - 02 (II).pdf 5) Segundo o STJ, na apuração do
O agente será julgado pela JF de crime doloso contra a vida praticado por
1º Grau, não se submetendo a Júri militar contra civil, poderão coexistir o
(CRFB, 109, IV c/c art. 29, Lei n. inquérito policial e o inquérito policial
7170/83). militar.

37
B) sessão do Júri – é o ato solene
2. Características do Júri onde o processo será submetido a
julgamento. Advertência: admite-se que
2.1. Composição do Júri (Tribunal no mesmo dia sejam realizadas duas ou
heterogêneo) mais sessões, com o mesmo Conselho
Obs. 1: o Tribunal do Júri é de Sentença, pressupondo a
composto por um Juiz Presidente e por aquiescência das partes (CPP, 452).
25 (vinte e cinco) jurados. Conclusão: 2) Organização da pauta:
dos jurados presentes serão sorteados 7 A) 1º critério – têm preferência os
(sete) para integrar o Conselho de réus encarcerados;
Sentença (CPP, 447). B) 2º critério – entre réus presos,
O Júri é um órgão heterogêneo. os encarcerados há mais tempo terão
Obs. 2: classificação das decisões preferência;
judiciais com base no órgão prolator: C) 3º critério – havendo
A) decisão subjetivamente identidade temporal das prisões, terão
simples – aquela proferida por um órgão preferência os réus pronunciados
monocrático; primeiramente.
B) decisões subjetivamente
plúrimas – são aquelas proferidas por 2.4. O Júri é um Tribunal que vota
um órgão colegiado homogêneo por maioria
(exemplo: Pleno do STF); Conclusão: atualmente está
C) decisão subjetivamente vetada a unanimidade e, com 4 (quatro)
complexa – são aquelas proferidas por votos em um determinado sentido, o
um órgão colegiado heterogêneo. quesito estará suficientemente julgado.

2.2. O Júri é um Tribunal horizontal 3. Procedimento


Não há hierarquia entre o Juiz Obs. 1: atualmente a doutrina
togado e os jurados. majoritária enquadra o Júri no rol dos
Obs. 1: no Plenário adotamos a procedimentos especiais, notadamente
competência funcional pelo objeto do pelas peculiaridades na sua organização.
Juízo, afinal os jurados votarão os Advertência: segundo Rômulo
quesitos analisando o contexto fático e o Moreira, o procedimento do Júri não foi
jurídico apresentado nos debates orais, enquadrado na dicotomia ortodoxa entre
ao passo que o Juiz Presidente deve procedimento comum ou especial, o que
sentenciar vinculado aos quesitos e ao é evidenciado por sua posição
texto da Lei. topográfica no CPP.
Obs. 2: enquadramento estrutural.
2.3. O Júri é temporário O procedimento é enquadrado como
O Júri é idealizado para funcionar escalonado ou bifásico, diante da
por determinados períodos do ano, seguinte organização:
definidos na correspondente legislação i) 1ª fase: judicium accusationis
estadual (CPP, 453). ou sumário da culpa;
Observações: ii) 2ª fase: judicium causae ou
1) enquadramento terminológico: fase de julgamento perante os jurados.
A) reunião do Júri – ela
caracteriza os meses do ano em que o 3.1. 1ª Fase. Judicium accusationis ou
Júri atuará, rotulados como período de sumário da culpa
atividade (definida pela Lei de
Organização Judiciária);

38
A) 1º passo: oferta da inicial oito testemunhas para cada fato
acusatória, seja ela a denúncia ou a criminoso, sob pena de preclusão.
queixa-crime. D.2) Prazo. São 10 (dez) dias,
Observações: contados da correspondente citação,
1) os requisitos formais da inicial sendo indiferente a data da juntada aos
estão catalogados no CPP, 41. autos do mandado cumprido.
Conclusões: D.3) Enquadramento normativo
1) podem ser arroladas até 8 (oito) A resposta escrita, no Júri, é
testemunhas para cada fato criminoso; catalogada no art. 406, § 3º do CPP, que
2) a queixa-crime é justificada possui análoga redação aos artigos 396
pela ação privada subsidiária da pública e 396-A do Código, que tratam da
ou por uma ação adesiva, pressupondo a resposta escrita no procedimento
conexão entre um crime doloso contra a comum.
vida e outro de iniciativa privada; D.4) Capacidade postulatória
3) a 1ª fase do Júri pode tramitar A peça pressupõe subscrição por
em qualquer vara criminal, de acordo detentor de capacidade postulatória, sob
com a Lei de Organização Judiciária. pena de nulidade absoluta (STF, 523).
Exemplo: Vara da Infância ou da D.5) Estratégia
Juventude quando a vítima do A Defesa pode apresentar uma
homicídio é uma criança ou um peça por negativa geral ou com
adolescente. Conclusão: uma vez pretensão exauriente, almejando a
preclusa a decisão da pronúncia, os obtenção de um provimento absolutório
autos serão remetidos ao Juiz Presidente ainda na 1ª fase do Júri.
do Júri (CPP, 421).
E) 5º Passo: manifestação da
B) 2º passo: juízo de acusação
admissibilidade E.1) Conceito
B.1) Juízo negativo O magistrado oportunizará que a
Neste caso, a inicial será rejeitada, acusação se manifeste sobre
nos termos do art. 395 do CPP, aplicado preliminares ou documentos
ao procedimento comum. apresentados com a resposta escrita,
B.2) Juízo positivo prestigiando o princípio do
Neste caso, a inicial será recebida, contraditório.
demarcando o início do processo (CPP, Obs. 1: prazo. A acusação dispõe
406). do prazo de 5 (cinco) dias contados da
correspondente intimação (CPP, 409);
C) 3º Passo: realização da citação Obs. 2: tal manifestação não
Obs. 1: admitimos a citação encontra paralelo no procedimento
pessoa, por edital e por hora certa; comum ordinário, onde logo após a
Obs. 2: enquadramento resposta escrita o juiz poderá absolver
normativo: artigos 351 a 369. sumariamente o réu (CPP, 397).

D) 4º passo: apresentação da F) 6º passo: os autos serão


resposta escrita à acusação conclusos ao Juiz para sanear o
D.1) Conceito processo.
É a peça defensiva que resistirá Obs. 1: o magistrado dispõe de 10
aos termos da inicial, podendo veicular (dez) dias para sanear o processo (CPP,
argumentos fáticos e jurídicos. 410);
Advertência: a defesa poderá arrolar até Obs. 2: conteúdo saneador:
F.1) 1ª posição:

39
- sanear nulidades; sendo encerrada pelo interrogatório do
- deliberar sobre as diligências réu. Percebe-se uma identidade
requeridas na petição inicial e na estrutural com o procedimento comum
resposta escrita à acusação; ordinário (CPP, 411, § 1º e § 2º);
- marcar a audiência de instrução, 2) não há previsão de
debates e julgamento da 1ª fase do Júri. requerimento de diligências probatórias
F.2) 2ª posição (CPP, 397): complementares, cuja necessidade
- sanear nulidades; surgiu da própria instrução. Entretanto,
- deliberar sobre as diligências o magistrado poderá autorizá-la,
requeridas pelas partes; amparado no CPP, 156, II.
- absolver o réu sumariamente, II – Debates orais
utilizando o art. 397 do CPP, por Obs. 1: Distribuição temporal dos
autorização do CPP, 394, § 4º. debates é idêntica ao que ocorre no
Conclusões: procedimento comum ordinário (CPP,
1) se o magistrado ainda não 411, § 4º e § 5º);
estiver convencido quanto à inocência Obs. 2: em que pese a omissão da
do réu, marcará a audiência de instrução Lei, admite-se a substituição dos
e julgamento; debates orais por memoriais, em
2) o STJ, em decisão emanda da analogia aos artigos 403, § 3º e 404 do
sua 5ª Turma, no ROC 52086, afastou a CPP;
aplicação do art. 397 do CPP na Obs. 3: por estratégia defensiva,
primeira fase do Júri, por força da os debates ou memoriais podem ser
omissão nos artigos 406 e seguintes do apresentados por negativa geral, quando
CPP. o cenário processual não é favorável.
Advertência: tal estratégia não tem
G) 7º passo: realização da paralelo no procedimento comum.
audiência de instrução, debates e
julgamento. Material de Apoio - Processo Penal -
G.1) Conceito Nestor Távora - 03 (II).pdf
Ela desaguará em uma decisão III - Decisão
sobre a remessa, ou não, do réu aos Conclusões:
jurados. 1) cabe ao magistrado deliberar
G.2) Prazo quanto à remessa ou não do réu aos
90 (noventa) dias, sendo jurados;
indiferente se o réu está preso ou solto 2) Caso o magistrado não decida
(CPP, 412). na própria audiência, os autos lhe serão
Conclusões: conclusos, dispondo de dez dias para
1) em que pese a omissão do art. fazê-lo (CPP, 411, § 9º).
412 do CPP, o prazo é contado do Observação. Hipóteses
recebimento da inicial acusatória; decisórias:
2) o excesso de prazo é um dos
elementos que podem justificar o III.a) 1ª decisão
relaxamento da prisão cautelar, por Havendo indícios de autoria e
força de sua ilegalidade. prova quanto à materialidade, cabe ao
G.3) Estrutura juiz proferir a decisão de pronúncia.
I – Introdução (produção
probatória) III.a.1) Conceito
Conclusões: É a decisão interlocutória mista
1) a instrução é iniciada com a não terminativa que encerra a primeira
oitiva do ofendido quando possível, fase do Júri com a remessa do réu aos

40
jurados, pela verificação do manancial CRFB, 93, IX). Não pode o juiz
probatório necessário (CPP, 413). antecipar juízo de culpa ou afastar
peremptoriamente as teses de defesa,
III.a.2) Natureza jurídica em fenômeno conhecido com
Trata-se de decisão interlocutória “eloquência acusatória”;
(pois possui conteúdo decisório e 2) atualmente STF e STJ são
integra a estrutura do procedimento) harmônicos no entendimento de que a
mista (pois conclui uma etapa do eloquência é fato gerador de nulidade
procedimento) e não terminativa (pois absoluta, devendo o Tribunal baixar os
não encerra o processo). autos para que o juiz profira uma nova
III.a.3) Pressupostos pronúncia, dentro dos parâmetros legais
i) convencimento quanto à (STF, HC 103037).
materialidade (juízo de certeza); Advertência. Até 2015 o STJ
ii) indícios de autoria (juízo de alimentava entendimento diverso,
verossimilhança, i. é, verdade defendendo a ausência de nulidade pelo
aproximada). mero envelopamento da pronúncia,
Conclusão. Percebe-se que quanto evitando que os jurados tivesse contato
à materialidade vigora o princípio do in com o seu conteúdo excessivo (REsp
dubio pro reo, afinal exigimos um juízo 982033).
de certeza. Em outro giro, quando
analisamos a autoria, percebemos o III.a.6) Crimes conexos
princípio do in dubio pro societate, Segundo Guilherme Nucci, em
afinal bastam meros indícios para posição majoritária, a pronúncia pelo
justificar a pronúncia. Cf. STF, HC crime doloso contra a vida importa na
81646 e 95068. pronúncia pelo crime conexo, em
III.a.4) Conteúdo fenômeno conhecido como eficácia
A) Conteúdo positivo: objetiva da pronúncia.
- indícios de autoria;
- prova quanto à materialidade; III.a.7) Descoberta de novos
- qualificadoras; infratores
- as causas de aumento de pena; Conclusões:
- omissão penalmente relevante 1) o juiz deve abrir vistas ao MP
(CP, 13, § 2º); para adotar as providências necessárias
- tese da tentativa (CP, 14, II); quanto aos agentes incidentalmente
- concurso de pessoas. descobertos (CPP, 417);
B) Conteúdo negativo 2) o membro do MP poderá aditar
(proibições): a inicial para inclusão incidental dos
- agravantes; demais réus. Em outro giro, ele poderá
- atenuantes; oferecer uma nova denuncia,
- causas de diminuição de pena deflagrando um novo processo.
(LICPP, art. 7º); Advertências:
- concurso de crimes. 1) adotando a primeira solução,
será necessário sincronizar o processo,
III.a.5) Fundamentação da correndo-se o risco de tumultuar a
pronúncia evolução do procedimento;
Conclusões: 2) adotando a segunda solução,
1) o juiz deve motivar a pronúncia potencializamos o risco de decisões
abordando com prudência e parcimônia contraditórias com o advento de um
o conteúdo positivo, de maneira a outro Júri.
embasar a decisão (CPP, 413, § 1º c/c

41
III.a.8) Sistema recursal 1) para a doutrina instituímos o
A pronúncia é desafiada por princípio da correlação entre a
recurso em sentido estrito (CPP, 581, pronúncia e os quesitos que serão
IV). formulados aos jurados;
Advertências: 2) a pronúncia não limita as teses
1) o RESE da pronúncia defensivas no Plenário;
normalmente subirá ao Tribunal nos C) interrupção da prescrição (CP,
autos do processo principal. Entretanto, 117, II)
havendo pluralidade de réus, exigiremos Segundo a STJ, 191, a interrupção
a formação de instrumento se parte da prescrição não se desnatura se a
deles não recorreu ou se nem todos infração for desclassificada no Plenário
foram intimados da decisão (CPP, 583, do Júri.
p. ú.); D) Preclusão das nulidades
2) nos termos do CPP, 584, § 2º, o relativas da primeira fase do
recurso da pronúncia tem efeito procedimento.
suspensivo limitado, obstando a Conclusões:
realização da cessão plenária. 1) poderemos suscitar as
nulidades relativas até a interposição do
III.a.9) Situação prisional RESE para impugnar a pronúncia;
Pela nova redação do art. 413 do 2) preclusa a pronúncia, também
CPP, os maus antecedentes ou a precluirão as nulidades relativas da
reincidência não mais justificam o primeira fase.
encarceramento do pronunciado.
Conclusões: III.a.11) Institutos correlatos
1) logo, a vetusta prisão A) emendatio libelli
decorrente de pronúncia foi sepultada; A.1) Conceito
2) de acordo com a nova ordem É o instituto que permite ao juiz
jurídica adotada pelo CPP, o juiz na pronúncia, sem nenhuma
assumirá a seguinte postura: formalidade prévia, corrigir os
i) se o réu já estava preso, o equívocos da tipificação existentes na
magistrado deve justificar as razões da petição inicial (CPP, 383).
manutenção da prisão; A.2) Aplicação
ii) se o réu já estava preso, é Ela é cabível tanto na ação
necessário apontar por que não cabe pública quanto na ação de iniciativa
liberdade provisória; privada.
iii) se o réu estava solto, só será A.3) Momento
preso se estiverem presentes os Quanto ao momento, o instituto é
requisitos da prisão preventiva (cf. CPP, aplicado no momento da prolação da
312 3 313). Advertência: como a decisão.
preventiva é a ultima ratio, ela só será Conclusões:
decretada se não forem suficientes as 1) o instituto pode ser aplicado na
medidas cautelares não prisionais. fase recursal, salvo se violar a proibição
da reformatio in pejus (CPP, 617);
III.a.10) Efeitos da pronúncia 2) segundo a doutrina, se o
A) submissão do réu ao Plenário enquadramento equivocado no artigo de
do Júri; Lei trouxer um patente prejuízo à
B) ela imprime os limites da defesa, o juiz poderá antecipar os efeitos
acusação para o Plenário do Júri. da emendatio. Exemplos: arbitrar fiança
Conclusões: por entender que a tipificação no

42
infanticídio é evidente, já que o III.b.2)
homicídio qualificado é inafiançável. Com o advento da Lei n.
B) mutatio libelli 11689/2008, a pronúncia foi enquadrada
B.1) Conceito pelo Código como sentença, tendo
É o instituto que permite uma aptidão a mera coisa julgada formal.
readequação da imputação, pois a “Art. 414. Não se convencendo da
instrução revela que os fatos materialidade do fato ou da existência de
indícios suficientes de autoria ou de
verdadeiramente ocorridos são distintos participação, o juiz, fundamentadamente,
dos que foram narrados na petição impronunciará o acusado. (Redação dada
inicial (art. 411, § 3º). pela Lei nº 11.689, de 2008)
B.2) Aplicação Parágrafo único. Enquanto não
A mutatio libelli é cabível na ação ocorrer a extinção da punibilidade,
poderá ser formulada nova denúncia ou
pública e na ação privada subsidiária. queixa se houver prova nova. (Incluído
B.3) Momento pela Lei nº 11.689, de 2008)”
A necessidade da mutatio surge
durante a instrução processual. III.b.3) Definitividade
Conclusão: Segundo a STF, 453, a A impronúncia não tem aptidão à
mutatio não é aplicada na fase recursal, imutabilidade pela coisa julgada
para que não ocorra supressão de material. Logo, surgindo novas provas
instância. enquanto não estiver extinta a
B.4) Procedimento punibilidade, o MP terá aptidão para
A estrutura procedimental da oferecer uma nova denúncia.
mutatio é estratificada no art. 384. Conclusões:
Conclusões: 1) nada impede que a nova
1) o juiz não poderá reconhecer na denúncia seja acompanhada pelos autos
pronúncia qualificadoras ou causas de do processo extinto;
aumento que não foram narradas na 2) a impronúncia segue a cláusula
denúncia e não se submeteram ao rebus sic stantibus (como as coisas
procedimento da mutatio; estão);
2) em outro giro, as qualificadoras 3) as provas novas admitem a
e causas de aumento devidamente seguinte classificação:
narradas mas não demonstradas por i) prova substancialmente nova: é
lastro probatório, serão afastadas no a prova inédita, que não integrou os
momento da pronúncia. autos do processo extinto;
Advertência. O fenômeno de ii) prova formalmente nova: é
afastar a qualificadora é rotulado como aquela que já existia no processo antigo,
“desqualificação”. mas que ganhou uma nova versão.
Advertência. Ambas poderão
III.b) 2ª decisão lastrear nova denúncia.
O juiz pode constatar que não
estão presentes os indícios de autoria III.b.4) Sistema recursal
ou prova quanto à materialidade, Atualmente a impronúncia é
proferindo a decisão de impronúncia. desafiada pelo recurso de apelação
(CPP, 416).
III.b.1) Conceito Observações:
É a decisão que extingue o 1) este recurso é desprovido de
processo sem julgamento de mérito, por efeito suspensivo, de forma que o réu
ausência de lastro probatório que preso será imediatamente libertado;
viabilize a remessa do réu aos jurados 2) legitimados para apelar:
(CPP, 414).

43
Material de Apoio - Processo “Art. 415. O juiz,
Penal - Nestor Távora - 04 (II).pdf fundamentadamente, absolverá desde
logo o acusado, quando:
- Ministério Público; I – provada a inexistência do fato;
- querelante (na ação privada II – provado não ser ele autor ou
subsidiária da pública); partícipe do fato;
- o assistente de acusação (caso o III – o fato não constituir infração
MP não recorrer, pois se trata de penal;
IV – demonstrada causa de
recurso supletivo); isenção de pena ou de exclusão do crime.
- a Defesa também pode apelar da Parágrafo único. Não se aplica o
impronúncia, almejando a absolvição disposto no inciso IV do caput deste
sumária (cf. CPP, 415). artigo ao caso de inimputabilidade
“Art. 415. O juiz, prevista no caput do art. 26 do Decreto-
fundamentadamente, absolverá desde Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940
logo o acusado, quando: – Código Penal, salvo quando esta for a
I – provada a inexistência do fato; única tese defensiva.”
II – provado não ser ele autor ou
partícipe do fato; III.c.2) Natureza jurídica
III – o fato não constituir infração Ela é veiculada por meio de uma
penal;
IV – demonstrada causa de sentença, com aptidão à imutabilidade
isenção de pena ou de exclusão do crime. pela coisa julgada material.
Parágrafo único. Não se aplica o
disposto no inciso IV do caput deste III.c.3) compatibilidade
artigo ao caso de inimputabilidade constitucional
prevista no caput do art. 26 do Decreto-
Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Segundo Guilherme Nucci, o art.
– Código Penal, salvo quando esta for a 415 é compatível com a CRFB, 5º,
única tese defensiva.” XXXVIII, “d”, já que a competência do
Júri só é acionada se não for o caso de
III.b.5) Institutos correlatos absolvição sumária.
i) despronúncia – ela significa a
obtenção da impronúncia pelo êxito do III.c.4) Hipóteses
RESE interposto para impugnar a A Lei n. 11.689/2008 inseriu três
pronúncia; novas hipóteses que justificam a
ii) absolvição de instância – ela absolvição sumária, todas pautadas em
simboliza que o réu está livre do juízo de certeza, vejamos:
processo, mas a decisão não se submete - negativa de autoria (L11689);
à coisa julgada material. Logo, o agente - certeza da inexistência do fato
pode ser novamente processado pelo (L11689);
mesmo fato. - certeza de excludente de
tipicidade (L11689);
III. c) 3ª decisão - certeza de excludente de
O magistrado pode estar ilicitude;
“plenamente” convencido quanto à - certeza de excludente
inocência do réu, proferindo a decisão culpabilidade.
de absolvição sumária. Observações:
1) a inimputabilidade só autoriza a
III.c.1) Conceito absolvição sumária na primeira fase do
É a sentença que certifica a Júri se for trazida como única tese de
inocência do réu, por meio de cognição defesa, sendo rotulada de absolvição
exauriente, sem a necessidade de sumária imprópria (CPP, 415, p. ú,
submetê-lo a julgamento popular (cf. parte final).
CPP, 415). Conclusões:

44
1.1) se a Defesa apresentou 2) recurso ex officio. Atualmente,
diversas teses e o Magistrado não está a redação do art. 415 do CPP não faz
convencido da tese mais favorável, referência ao cabimento de recurso ex
deverá pronunciar o réu; officio da decisão de absolvição
1.2) segundo o STJ, as demais sumária. Em complemento, a doutrina
teses defensivas apresentadas pressupõe majoritária entende que o recurso ex
lastro probatório. Caso contrário, o Juiz officio é inaplicável nesta hipótese, de
poderá desconsiderá-las, absolvendo o forma que o inciso II do art. 574 do CPP
réu sumariamente com a imposição de encontra-se tacitamente revogado.
medida de segurança. Conclusões:
2) vale lembrar que a 2.1) a 5ª Turma do STJ, no
inimputabilidade não autoriza a julgamento do HC 201303257630,
absolvição sumária no procedimento consolidou o referido entendimento,
comum, pois ela acontece antes da sepultando o recurso ex officio em tal
audiência de instrução (CPP, 397). hipótese;
2.2) melhor seria o
III.c.5) Hermenêutica das atuais reconhecimento da incompatibilidade
hipóteses de absolvição sumária constitucional do recurso ex officio, por
i) primeiro momento – as três violação ao sistema acusatório (posição
novas hipóteses que justificam a minoritária).
absolvição sumária, antes da Lei n. 3) legitimidade para apelar:
11689/2008, eram abordadas na decisão - Ministério Público;
de impronúncia. Conclusão: diante - querelante;
desta inusitada situação, parte da - assistente de acusação (recurso
doutrina defendia que a impronúncia supletivo);
poderia se submeter à imutabilidade - Defesa.
pela coisa julgada material. Conclusão: a defesa pode apelar
ii) segundo momento – com a para reverter a inadequada imposição de
nova redação do artigo 415 do CPP, medida de segurança, por ofensa ao
ampliamos os fundamentos da CPP, 415, p. ú.. Em acréscimo, apesar
absolvição sumária, relegando a da polêmica, a defesa pode apelar para
impronúncia à mera coisa julgada alterar o fundamento absolutório,
formal (CPP, 414). obstando uma eventual ação civil ex
Advertência. As hipóteses de delicto. Cf. artigos 63 a 68 do CPP.
extinção da punibilidade não foram
contempladas como fundamento da III.d) 4ª decisão
absolvição sumária, já que podem ser O magistrado pode constatar
reconhecidas ex officio em qualquer que não há dolo de matar, proferindo
momento e grau de jurisdição (CPP, art. a decisão de desclassificação.
61).
III. d.1) Conceito
III.c.6) Sistema recursal É uma decisão interlocutória
A absolvição sumária é desafiada mista não terminativa que encerra a
pelo recurso de apelação (CPP, 416). primeira fase do Júri com a remessa dos
“Art. 416. Contra a sentença de autos ao Juízo competente, pois o
impronúncia ou de absolvição sumária suposto crime praticado não integra a
caberá apelação.”
competência constitucional do Júri
Observações:
(CPP, 419).
1) este recurso é desprovido de “Art. 419. Quando o juiz se
efeito suspensivo, e o réu preso será convencer, em discordância com a
imediatamente libertado (CPP, 596); acusação, da existência de crime diverso

45
dos referidos no § 1o do art. 74 deste havido recurso, o conflito negativo pode
Código e não for competente para o ser suscitado, já que o Tribunal será
julgamento, remeterá os autos ao juiz que
o seja.
provocado pela primeira vez.
Parágrafo único. Remetidos os iii) 3ª posição: para Ada Pellegrini
autos do processo a outro juiz, à Grinover o conflito negativo sempre
disposição deste ficará o acusado preso.” pode ser invocado, afinal, o órgão
colegiado do TJ que apreciou o RESE
III.d.2) Natureza jurídica da decisão desclassificatória
Estamos diante de uma decisão provavelmente não será o mesmo que
interlocutória mista (pois encerra uma julgará o conflito negativo, o que é
etapa do procedimento) não terminativa definido pelo regimento interno do
(já que os autos serão remetidos ao Tribunal.
Juízo competente).
III.E) Crimes conexos
III.d.3) Sistema recursal i) decisão de pronúncia – ela
Ela é desafiada por recurso em também englobará os crimes conexos,
sentido estrito (CPP, 581, II). em fenômeno conhecido como eficácia
objetiva da pronúncia.
III.d.4) Situação prisional ii) decisão de impronúncia – o
O réu preso ficará à disposição do crime conexo será remetido ao juízo
juízo competente, para que delibere competente (CPP, 81, p. ú.).
quanto à manutenção do cárcere, a iii) decisão de absolvição sumária
substituição por medida cautelar não – os crimes conexos serão remetidos ao
prisional, a concessão de liberdade juízo competente (CPP, 81, p. ú.).
provisória ou o relaxamento da prisão. iv) decisão de desclassificação –
os crimes conexos também serão
III.d.5) Impacto procedimental remetidos ao juízo competente (CPP,
Com a desclassificação, os autos 81, p. ú.).
serão remetidos ao juízo competente, de “Art. 81. Verificada a reunião dos
acordo com a lei de organização processos por conexão ou continência,
judiciária. ainda que no processo da sua
competência própria venha o juiz ou
tribunal a proferir sentença absolutória
III.d.6) Conflito negativo de ou que desclassifique a infração para
competência outra que não se inclua na sua
O juízo que recebeu os autos do competência, continuará competente em
processo pode discordar da remessa, por relação aos demais processos.
Parágrafo único. Reconhecida
entender que houve dolo de matar. inicialmente ao júri a competência por
Nesta hipótese, subsistem as seguintes conexão ou continência, o juiz, se vier a
posições quanto à possibilidade de desclassificar a infração ou impronunciar
invocarmos o conflito negativo de ou absolver o acusado, de maneira que
competência: exclua a competência do júri, remeterá o
processo ao juízo competente.”
i) 1ª posição: para Hidejalma
Advertência: percebe-se que a
Muccio, o conflito não pode ser
remessa do conexo estabelece uma
invocado, pois a matéria está preclusa
situação especial, distinta da regra geral
(posição minoritária);
da perpetuação da jurisdição.
ii) 2ª posição: para Guilherme
Nucci, havendo recurso da decisão
3.2. 2ª Fase: judicium causae – fase de
desclassificatória, não caberá o conflito
julgamento perante os jurados
negativo, pois o Tribunal já indicou
Observações:
quem é o juízo competente. Não tendo

46
1) pressuposto lógico – existência serem sustentadas em Plenário; 2) no
da decisão de pronúncia; libelo, poderiam ser arroladas até cinco
2) início da segunda fase do Júri – testemunhas.
ele acontece com a preclusão da A.2) 2º momento: atualmente a
pronúncia, seja porque ninguém acusação será intimada para apresentar
recorreu, ou porque o recurso um requerimento de diligência, podendo
apresentado encontra-se definitivamente arrolar até cinco testemunhas para cada
julgado; fato criminoso (CPP, 422). Conclusões:
3) intimação da pronúncia: 1) percebe-se que a reforma prestigiou a
i) 1º momento – antes da reforma, simplificação do procedimento; 2) as
a única maneira era a intimação pessoal, testemunhas podem ser inéditas, sendo
quando o crime fosse inafiançável. distintas das ouvidas na primeira fase do
Logo, se o réu não fosse encontrado, o Júri; 3) a acusação dispõe de 5 (cinco)
processo era paralisado e a prescrição dias para apresentar o requerimento
prosseguia normalmente, em fenômeno contados da correspondente intimação.
rotulado como crise de instância. “Seção III
ii) 2º momento – com o advento Da Preparação do Processo
para Julgamento em Plenário
da L11689/2008, o réu será intimado Art. 422. Ao receber os
pessoalmente da pronúncia, pouco autos, o presidente do Tribunal do Júri
importa se o crime é inafiançável ou determinará a intimação do órgão do
não. Não sendo encontrado, será Ministério Público ou do querelante, no
intimado por edital, e o processo caso de queixa, e do defensor, para, no
prazo de 5 (cinco) dias, apresentarem rol
prosseguirá à sua revelia. de testemunhas que irão depor em
Conclusão: percebe-se que a nova plenário, até o máximo de 5 (cinco),
redação do CPP, 420, p. ú., eliminou a oportunidade em que poderão juntar
crise de instância para este momento documentos e requerer diligência.”
processual.
4) imutabilidade da pronúncia – B) 2º passo
após a preclusão, como regra, a B.1) 1º momento: antes da
pronúncia passa a ser imodificável. reforma, a defesa era intimada para
Entretanto, a ocorrência de um fato apresentar a contrariedade ao libelo,
novo superveniente exigirá a sua arrolando as correspondentes
alteração. Exemplo: morte do ofendido testemunhas.
como decorrência direta da conduta B.2) 2º momento: atualmente a
criminosa, após a preclusão da contrariedade ao libelo foi revogada, e a
pronúncia, por tentativa de homicídio. defesa será intimada para apresentar o
Conclusão: O juiz deve oportunizar a seu requerimento de diligências em até
manifestação das partes sobre o fato 5 (cinco) dias, podendo arrolar até (5)
novo incidental, proferindo uma nova cinco testemunhas.
pronúncia, com a oportunidade para
interposição de eventuais recursos. Material de Apoio - Processo Penal -
Nestor Távora - 05 (II).pdf
3.2.1. Estrutura da 2ª fase do Júri C) 3º Passo/momento: os autos
A) 1º passo serão conclusos ao Juiz para que ele
A.1) 1º momento: antes da possa sanear o processo.
reforma de 2008, a acusação era Observação. Conteúdo:
intimada para apresentação do libelo- - sanar nulidades;
crime acusatório. Conclusões: 1) o - deliberar sobre as diligências
libelo era uma peça articulada que requeridas pelas partes (CPP, 423, I);
contemplava as teses acusatórias a

47
- o juiz acostará um relatório do Advertência. O STJ em posição
processo, que será oportunamente isolada aponta que a nulidade é relativa,
entregue aos jurados, com uma cópia da demandando a demonstração de
decisão de pronúncia (CPP, 423, II); prejuízo como pressuposto para
“Art. 423. Deliberando sobre os declaração.
requerimentos de provas a serem Obs. 2: segundo o STF não é
produzidas ou exibidas no plenário do
júri, e adotadas as providências devidas,
tolerável o empréstimo de jurados entre
o juiz presidente: (Redação dada pela Lei Sessões Plenárias diversas, com o
nº 11.689, de 2008) objetivo de atender ao quórum mínimo.
I – ordenará as diligências Tal postura acarretaria surpresa para as
necessárias para sanar qualquer nulidade partes, com sonegação ao direito de
ou esclarecer fato que interesse ao
julgamento da causa; (Incluído pela Lei
estudar previamente quem são os
nº 11.689, de 2008) jurados (STF, HC 88801).
II – fará relatório sucinto do
processo, determinando sua inclusão em D.2) Ausências injustificadas e
pauta da reunião do Tribunal do Júri. consequências jurídicas
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)”
D.2.1) Ausência do membro do
- inclusão do processo na pauta de
MP
julgamento, com a marcação de data
Como não mais existe a figura do
para realização da Sessão Plenária.
promotor ad hoc (desde a CRFB/88), a
Atualmente, a leitura de partes do
Sessão será remarcada, oficiando-se ao
processo sofreu uma filtragem,
Procurador Geral (cf. art. 129, § 2º da
atendendo ao comando do CPP, 473, §
CRFB).
3º, abrangendo os seguintes elementos:
D.2.2) Ausência do advogado de
provas por precatória; provas cautelares;
defesa
provas irrepetíveis; provas obtidas em
O juiz remarcará a sessão
incidente de produção antecipada.
“§ 3º As partes e os jurados
oportunizando que o réu contrate um
poderão requerer acareações, novo Advogado.
reconhecimento de pessoas e coisas e Conclusões:
esclarecimento dos peritos, bem como a 1) o magistrado oficiará a
leitura de peças que se refiram, Defensoria Pública, para que o Defensor
exclusivamente, às provas colhidas por
compareça ao novo julgamento;
carta precatória e às provas cautelares,
antecipadas ou não repetíveis. (Incluído 2) a nova sessão respeitará ao
pela Lei nº 11.689, de 2008)” prazo mínimo de 10 (dez) dias,
oportunizando a preparação do defensor
D) 4º passo: realização da Sessão (CPP, 456, § 2º).
Plenária D.2.3) Ausência do réu
i) o réu solto – a sua ausência é
D.1) Abertura interpretada como exercício da
I – Conceito autodefesa, realizando-se o Júri à sua
Dos 25 jurados convocados, é revelia;
necessário que compareçam ao menos ii) réu preso – a responsabilidade
15 (quinze) jurados (quorum mínimo). de conduzi-lo ao Fórum é do Estado. A
Caso contrário, a sessão plenária será falta do Estado com a consequente
remarcada com a convocação de realização do Júri é fato gerador de
Jurados suplentes. nulidade absoluta.
Obs. 1: a abertura da sessão à Advertência. Prestigiando o
revelia do quórum mínimo é fato exercício da ampla defesa, admitimos
gerador de nulidade absoluta (CPP, 564, requerimento conjunto do réu preso
II, “i”); com o Advogado para evitar o

48
comparecimento na sessão, se for 1) para a nova sessão, a
interessante para correspondente testemunha será coercitivamente
estratégia. conduzida;
D.2.4) Ausência do Advogado do 2) a testemunha faltante incorrerá
assistente de acusação no crime de desobediência, sem
Conclusões: prejuízo da imposição de multa (art.
1) o assistente de acusação é a 458).
vítima do crime ou quem venha a 3) é necessário que a testemunha
sucede-la (CPP, 268 a 273); tenha sido oportunamente arrolada, com
2) a ausência do advogado do o correspondente requerimento de
assistente não impede a realização da intimação.
sessão plenária. D.2.7) Ausência do Juiz
Advertência. Se o assistente Presidente
pretende atuar na Sessão Plenária, a A sessão será remarcada sem
habilitação deve ocorrer com prejuízo da provocação aos órgãos
antecedência mínima de 5 (cinco) dias censores da magistratura.
da sessão (art. 430 do CPP). A
deliberação quanto à admissão ou não D.3) Formação do Conselho de
do assistente é irrecorrível, desafiando o Sentença
manejo do mandado de segurança. D.3.1) Conceito
D.2.5) Ausência do advogado do O Juiz Presidente promoverá o
querelante sorteio dos sete jurados que integrarão o
i) primeira situação – na ação Julgamento.
privada subsidiária da pública, cabe ao D.3.2) Requisitos para ser jurado
MP assumir a sessão, pois atua como (cumulativos):
interveniente adesivo obrigatório (CPP, - contar 18 anos completos;
29); - notória idoneidade;
ii) havendo ação privada - ser brasileiro (nato ou
exclusiva ou personalíssima, a ausência naturalizado);
injustificada ocasiona a perempção, com - residir na comarca;
a consequente extinção da punibilidade - ser alfabetizado;
(CPP, 60). - visão, audição e voz em perfeitas
D.2.6) Ausência de testemunha condições.
i) primeira situação – se a *O EPD que não permite nenhuma
testemunha residir fora da comarca, o segregação é afastado em razão do
Júri será realizado, já que ela não pode princípio da proporção, a fim de não se
ser compelida a arcar com os custos do prejudicar o réu.
deslocamento; D.3.3) Dispensa
ii) segunda situação – se a As pessoas com 70 (setenta) anos
testemunha residir na comarca ou mais poderão pleitear a dispensa.
(tempestivamente arrolada e com D.3.4) Vedação do jurado
requerimento de intimação pela parte no profissional
endereço apontado), o Juiz aferirá a Aquele que atuou como jurado
possibilidade da imediata condução nos 12 (doze) meses que antecederam a
coercitiva, almejando não frustrar a publicação da lista geral, está
realização da sessão. Não sendo sumariamente descartado para o ano
possível, a sessão será remarcada. subsequente.
Conclusões: Advertência. A lista geral de
jurados é publicada provisoriamente no
dia 10 de outubro de cada ano, e em 10

49
de novembro acontece a publicação pública; (Incluído pela Lei nº 11.689, de
definitiva (CPP, 426). 2008)
VIII – os militares em serviço
D.3.5) Impugnação da lista geral. ativo; (Incluído pela Lei nº 11.689, de
i) 1ª posição – segundo Rômulo 2008)
Moreira, a lista geral provisória pode IX – os cidadãos maiores de 70
ser impugnada com reclamação, (setenta) anos que requeiram sua
endereçada ao Juiz que preside o Júri. dispensa; (Incluído pela Lei nº 11.689, de
2008)
As reclamações serão julgadas até X – aqueles que o requererem,
10/Nov, quando será publicada a lista demonstrando justo impedimento.
definitiva (CPP, 426, § 1º). (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)”
ii) 2ª posição – para Guilherme
Nucci, da lista provisória caberá D.3.7) Escusas do Júri
reclamação, diante da inovação i) escusas injustificadas
normativa. Todavia, da lista geral Neste caso o jurado será multado
definitiva caberá recurso em sentido de 1 (um) a 10 (dez) salários mínimos,
estrito endereçado ao Presidente do de acordo com a sua condição
Tribunal de Justiça (CPP, 581, XIV). econômica (CPP, 436).
Conclusões: Advertência. O jurado não será
1) Este recurso goza do prazo de responsabilizado pelo crime de
20 (vinte) dias, cf. CPP, 586; desobediência, em virtude da omissão
2) Para a doutrina majoritária, o do CPP.
inc. XIV do art. 581 encontra-se ii) escusas justificadas ou de
tacitamente revogado; consciência
Advertência. A prova objetiva do É aquela embasada por convicção
MP/SP foi partidária da segunda religiosa, filosófica ou política, cabendo
corrente. ao juiz fixar uma medida alternativa ao
D.3.6) Isenção jurado.
O CPP, 437 apresenta uma Advertência. A recusa ao
extensa lista de isenção. cumprimento da medida alternativa
“Art. 437. Estão isentos do importa na suspensão dos direitos
serviço do júri: (Redação dada pela Lei políticos (CPP, 438).
nº 11.689, de 2008)
I – o Presidente da República e os D.3.8) Procedimento específico
Ministros de Estado; (Incluído pela Lei I – Atuação do Juiz
nº 11.689, de 2008) O magistrado promoverá a leitura
II – os Governadores e seus do CPP, 478 e 479, sinalizando as
respectivos Secretários; (Incluído pela situações jurídicas que ocasionam o
Lei nº 11.689, de 2008)
III – os membros do Congresso impedimento para atuação no Conselho
Nacional, das Assembléias Legislativas e de Sentença:
das Câmaras Distrital e Municipais; “Art. 448. São impedidos de
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008) servir no mesmo Conselho: (Redação
IV – os Prefeitos Municipais; dada pela Lei nº 11.689, de 2008)
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008) I – marido e mulher; (Incluído
V – os Magistrados e membros do pela Lei nº 11.689, de 2008)
Ministério Público e da Defensoria II – ascendente e descendente;
Pública; (Incluído pela Lei nº 11.689, de (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)
2008) III – sogro e genro ou nora;
VI – os servidores do Poder (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)
Judiciário, do Ministério Público e da IV – irmãos e cunhados, durante o
Defensoria Pública; (Incluído pela Lei nº cunhadio; (Incluído pela Lei nº 11.689,
11.689, de 2008) de 2008)
VII – as autoridades e os V – tio e sobrinho; (Incluído pela
servidores da polícia e da segurança Lei nº 11.689, de 2008)

50
VI – padrasto, madrasta ou 1) cabe ao Juiz remarcar a sessão,
enteado. (Incluído pela Lei nº 11.689, de convocando jurados suplentes;
2008)
§ 1º O mesmo impedimento
2) com a remarcação da Sessão, o
ocorrerá em relação às pessoas que juiz poderá determinar o
mantenham união estável reconhecida desmembramento do julgamento,
como entidade familiar. (Incluído pela havendo pluralidade de réus, para
Lei nº 11.689, de 2008) minimizar os riscos de um novo
§ 2º Aplicar-se-á aos jurados o
disposto sobre os impedimentos, a
estouro. Advertência. Tal postura
suspeição e as incompatibilidades dos potencializa o risco de futuras decisões
juízes togados. (Incluído pela Lei nº contraditórias.
11.689, de 2008) II.c.3) pluralidade de réus com
Art. 449. Não poderá servir o advogados distintos – atualmente, se
jurado que: (Redação dada pela Lei nº
11.689, de 2008)
qualquer das partes recusar o jurado
I – tiver funcionado em sorteado, ele estará afastado do
julgamento anterior do mesmo processo, conselho de sentença.
independentemente da causa Conclusões:
determinante do julgamento posterior; 1) os advogados não mais
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)
conseguem forçar o desmembramento
II – no caso do concurso de
pessoas, houver integrado o Conselho de do Júri, ao combinarem o exercício das
Sentença que julgou o outro acusado; recusas peremptórias;
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008) 2) os advogados podem aquiescer
III – tiver manifestado prévia que um só deles exerça as recusas em
disposição para condenar ou absolver o
nome de todos os réus. Advertência.
acusado. (Incluído pela Lei nº 11.689, de
2008)” Para o STJ o número de recusas
II – Recusas exercidas pelas peremptórias será somado, levando-se
partes em consideração a quantidade de réus.
II.a) Recusas motivadas – as D.3.9) Compromisso do Conselho
partes poderão suscitar no momento do de Sentença:
sorteio a suspeição, impedimento ou a I. Conceito
incompatibilidade do jurado sorteado, Os jurados serão compromissados
exigindo-se a correspondente e bem e fielmente desempenhar o seu
demonstração imediatamente. papel, sendo informados do dever de
Conclusões: incomunicabilidade.
1) o juiz decidirá de plano, II. Formalidade
acatando ou não o afastamento. Nos termos do art. 472, os jurados
2) não há limitação numérica para repetirão em voz alta o teor do
as recusas motivadas. compromisso, evidenciando a
II.b) Recusas imotivadas – cada formalidade e a liturgia do Júri.
“Art. 472. Formado o Conselho
parte poderá recusar até 3 (três) jurados, de Sentença, o presidente, levantando-se,
dentro da sua estratégia, dispensando-se e, com ele, todos os presentes, fará aos
a motivação. jurados a seguinte exortação: (Redação
II.c) Consequências dada pela Lei nº 11.689, de 2008)
II.c.1) a recusa caracteriza um dos Em nome da lei, concito-vos a
examinar esta causa com imparcialidade
poucos momentos em que a defesa se
e a proferir a vossa decisão de acordo
manifesta primeiro (CPP, 468); com a vossa consciência e os ditames da
II.c.2) estouro de urna – ele justiça.
acontece quando não subsistem sete Os jurados, nominalmente
jurados para integrar o Conselho, em chamados pelo presidente, responderão:
Assim o prometo.
razão do exercício das recusas.
Parágrafo único. O jurado, em
Conclusões: seguida, receberá cópias da pronúncia

51
ou, se for o caso, das decisões posteriores § 3º As partes e os jurados
que julgaram admissível a acusação e do poderão requerer acareações,
relatório do processo. (Incluído pela Lei reconhecimento de pessoas e coisas e
nº 11.689, de 2008)” esclarecimento dos peritos, bem como a
III.Seletividade leitura de peças que se refiram,
exclusivamente, às provas colhidas por
carta precatória e às provas cautelares,
Material de Apoio - Processo Penal - antecipadas ou não repetíveis. (Incluído
Nestor Távora - 06 (II).pdf pela Lei nº 11.689, de 2008)
Os jurados não poderão conversar Art. 474. A seguir será o acusado
entre si, ou com terceiros, sobre os fatos interrogado, se estiver presente, na forma
que integram o julgamento. estabelecida no Capítulo III do Título
VII do Livro I deste Código, com as
Conclusões: alterações introduzidas nesta Seção.
1) a quebra do dever de (Redação dada pela Lei nº 11.689, de
incomunicabilidade é fato gerador de 2008)
nulidade absoluta, exigindo-se a § 1º O Ministério Público, o
dissolução do Conselho de Sentença e a assistente, o querelante e o defensor,
nessa ordem, poderão formular,
remarcação da sessão (cf. CPP, 564, III, diretamente, perguntas ao acusado.
“j”) (Redação dada pela Lei nº 11.689, de
2) Percebe-se que o Júri brasileiro 2008)
é distinto do anglo americano, onde os § 2º Os jurados formularão
jurados conversam entre si, exercendo perguntas por intermédio do juiz
presidente. (Redação dada pela Lei nº
influência mútua.
11.689, de 2008)
§ 3º Não se permitirá o uso de
D.4) Instrução processual algemas no acusado durante o período
Observações: em que permanecer no plenário do júri,
1) a sequência lógica de atos salvo se absolutamente necessário à
ordem dos trabalhos, à segurança das
instrutórios é similar ao que ocorre na
testemunhas ou à garantia da integridade
primeira fase do Júri, revelando o física dos presentes. (Incluído pela Lei nº
ímpeto de padronização (cf. CPP, 473 a 11.689, de 2008)
475) Art. 475. O registro dos
“Seção XI depoimentos e do interrogatório será
Da Instrução em Plenário feito pelos meios ou recursos de
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008) gravação magnética, eletrônica,
Art. 473. Prestado o estenotipia ou técnica similar, destinada
compromisso pelos jurados, será iniciada a obter maior fidelidade e celeridade na
a instrução plenária quando o juiz colheita da prova. (Redação dada pela
presidente, o Ministério Público, o Lei nº 11.689, de 2008)
assistente, o querelante e o defensor do Parágrafo único. A transcrição do
acusado tomarão, sucessiva e registro, após feita a degravação,
diretamente, as declarações do ofendido, constará dos autos. (Incluído pela Lei nº
se possível, e inquirirão as testemunhas 11.689, de 2008)”
arroladas pela acusação. (Redação dada 2) Consequências:
pela Lei nº 11.689, de 2008) I) em Plenário, teremos até cinco
§ 1º Para a inquirição das
testemunhas arroladas pela defesa, o
testemunhas para cada fato criminoso,
defensor do acusado formulará as que não precisam ter participado da
perguntas antes do Ministério Público e primeira fase do procedimento.
do assistente, mantidos no mais a ordem II) segundo a doutrina majoritária,
e os critérios estabelecidos neste artigo. não haverá interrogatório por
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)
videoconferência na Sessão Plenária.
§ 2º Os jurados poderão formular
perguntas ao ofendido e às testemunhas, Entre os argumentos, destaca-se a
por intermédio do juiz presidente. constatação de que o jurado é um juiz
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008) leigo, sendo essencial a percepção in

52
loco dos argumentos eventualmente algemas (D. n. 8858/2016); exercício do
apresentados pelo réu. direito ao silêncio ou o não
III) As testemunhas ficarão comparecimento do réu na sessão
incomunicáveis, de forma que umas não plenária; decisão de pronúncia ou
poderão presenciar o depoimento das decisões posteriores que impactam na
outras. remessa do réu ao Plenário.
IV) o sistema direto de Advertências:
interpelação prevalece no âmbito da 1) o “argumento de poder” não se
atuação das partes. Advertência: os confunde com o “poder do argumento”,
jurados, por serem pessoas leigas, que caracteriza o impacto direto
formularão as perguntas por intermédio dimensionado pela qualidade e
do Juiz presidente. confiança do que foi alegado;
V) o perito pode ser convocado a 2) a quebra da proibição legal,
prestar esclarecimentos na sessão com o emprego de argumentos de Poder
plenária, exigindo-se a convocação com em plenário, é fato gerador de nulidade
antecedência mínima de dez dias (cf. absoluta.
CPP, 159, § 5º, I). III.b) provas novas – poderão ser
apresentadas no Plenário se a parte
D.5) Debates orais contrária for cientificada com
D.5.1) Princípio da oralidade antecedência mínima de 3 (três) dias
É um dos poucos redutos de “úteis”. Cf. art. 479:
sobrevivência da oralidade no Brasil. “Art. 479. Durante o julgamento
No Plenário do Júri, os debates orais não será permitida a leitura de
documento ou a exibição de objeto que
não serão substituídos por memoriais, não tiver sido juntado aos autos com a
sendo inaplicáveis os artigos 403, § 3º, e antecedência mínima de 3 (três) dias
404 do CPP. úteis, dando-se ciência à outra parte.
(Redação dada pela Lei nº 11.689, de
D.5.2) Distribuição temporal 2008)
Parágrafo único. Compreende-se
I) Sustentação oral da acusação, na proibição deste artigo a leitura de
pelo prazo de 1h30min. jornais ou qualquer outro escrito, bem
II) sustentação oral defesa: como a exibição de vídeos, gravações,
1h30min. fotografias, laudos, quadros, croqui ou
III) réplica: 1h; qualquer outro meio assemelhado, cujo
conteúdo versar sobre a matéria de fato
IV) tréplica: 1h. submetida à apreciação e julgamento dos
jurados. (Incluído pela Lei nº 11.689, de
D.5.2) consequências 2008)”
I) réplica e tréplica são Conclusões:
essencialmente facultativas, entretanto o 1) o CPP, 479, p. ú. apresenta
pressuposto da tréplica é a existência de ainda uma abordagem ampliativa,
réplica. incluindo jornais, revistas ou periódicos
II) Pluralidade de réus. que abordaram o fato discutido em
Acrescentaremos mais uma hora em juízo;
cada trecho dos debates, independente 2) o descumprimento da proibição
da quantidade de réus. evidencia a ilegitimidade da prova
III) Proibições. apresentada (ofensa ao direito
III.a) argumento de poder – processual). A utilização da prova em
aquele invocado por sua simbologia, Plenário é fato gerador de nulidade
tendo o condão de impressionar os absoluta.
jurados, mesmo quando divorciados da IV) apartes – ele simboliza a
realidade fática. Exemplos: uso de intromissão de uma das partes na fala da

53
outra, com a finalidade elucidativa ou CPP, sem prejuízo de ofício ao
complementar. Procurador Geral e aos órgãos censores
Advertência. Antes da reforma do Ministério Público.
promovida pela L11689/2008, os VII) inovação na tréplica – a
apartes não possuíam disciplina legal, defesa pode trazer novos argumentos na
pressupondo autorização da parte que tréplica, com o intuito de surpreender a
seria interrompida. Atualmente o aparte acusação.
depende de deliberação do juiz, Advertência: segundo a doutrina,
contando com no máximo 3 (três) prestigiando o princípio do
minutos cada. O tempo do aparte será contraditório, a acusação poderá se
acrescentado ao tempo de fala de quem manifestar sobre o novo argumento
foi interrompido (art. 497, inc. XII do trazido pela defesa. Conclusão: a
CPP) matéria pode ser melhor acomodada
V) réu indefeso – a defesa técnica com a formulação de apartes.
é obrigatória na sessão plenária,
funcionando como pressuposto de D.6) Esclarecimento aos jurados
validade do julgamento. Se o juiz D.6.1) Conceito
presidente detectar que o réu está Após os debates, o juiz indagará
indefeso, deverá dissolver o Júri e aos jurados se restou algum ponto a ser
remarcar a sessão, sem prejuízo de esclarecido. Em acréscimo, promoverá a
ofício aos órgãos censores da OAB ou leitura dos quesitos, oportunizando que
da Defensoria Pública. Cf. STF, 523; as partes formulem eventuais
CPP, art. 497, V; e STF, HC 89222. complementações.
“Seção XVI Advertência. Havendo a
Das Atribuições do Presidente necessidade de diligência fundamental
do Tribunal do Júri
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)
ao esclarecimento dos fatos, o juiz
Art. 497. São atribuições do juiz dissolverá o Conselho de Sentença,
presidente do Tribunal do Júri, além de remarcando a sessão para o momento
outras expressamente referidas neste posterior ao cumprimento da diligência
Código: (Redação dada pela Lei nº pretendida. Cf. CPP, art. 480, § 1º, c/c
11.689, de 2008)
(...)
481.
“Art. 480. A acusação, a defesa e
V – nomear defensor ao acusado,
os jurados poderão, a qualquer momento
quando considerá-lo indefeso, podendo,
e por intermédio do juiz presidente, pedir
neste caso, dissolver o Conselho e
ao orador que indique a folha dos autos
designar novo dia para o julgamento,
onde se encontra a peça por ele lida ou
com a nomeação ou a constituição de
citada, facultando-se, ainda, aos jurados
novo defensor; (Redação dada pela Lei
solicitar-lhe, pelo mesmo meio, o
nº 11.689, de 2008)
esclarecimento de fato por ele alegado.
(...)
(Redação dada pela Lei nº 11.689, de
XII – regulamentar, durante os
2008)
debates, a intervenção de uma das partes,
§ 1º Concluídos os debates, o
quando a outra estiver com a palavra,
presidente indagará dos jurados se estão
podendo conceder até 3 (três) minutos
habilitados a julgar ou se necessitam de
para cada aparte requerido, que serão
outros esclarecimentos. (Incluído pela
acrescidos ao tempo desta última.
Lei nº 11.689, de 2008)
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)”
§ 2º Se houver dúvida sobre
questão de fato, o presidente prestará
VI) sociedade indefesa – se o esclarecimentos à vista dos autos.
promotor não se preparou para fazer o (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)
Júri, deve o juiz dissolver o Conselho de § 3º Os jurados, nesta fase do
Sentença e remarcar a sessão, em procedimento, terão acesso aos autos e
aos instrumentos do crime se solicitarem
analogia ao inciso V do art. 497 do

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ao juiz presidente. (Incluído pela Lei nº admitindo uma certa influência anglo-
11.689, de 2008) americana.
Art. 481. Se a verificação de
qualquer fato, reconhecida como
Conclusão. Tal influência é
essencial para o julgamento da causa, materializada pela formulação de
não puder ser realizada imediatamente, o quesito derradeiro, indagando ao jurado
juiz presidente dissolverá o Conselho, se o réu deve ser absolvido (CPP, 483,
ordenando a realização das diligências III).
entendidas necessárias. (Redação dada
pela Lei nº 11.689, de 2008)
IV) Estrutura dos quesitos
Parágrafo único. Se a diligência IV) quesitos primários
consistir na produção de prova pericial, o A) materialidade: o crime existiu?
juiz presidente, desde logo, nomeará A.1) não: absolvição;
perito e formulará quesitos, facultando às A.2) sim: votação continua.
partes também formulá-los e indicar
assistentes técnicos, no prazo de 5
B) autoria: o réu concorreu para o
(cinco) dias. (Redação dada pela Lei nº delito:
11.689, de 2008)” B.1) não: absolvição;
B.2) sim: votação continua.
D.7) Sala secreta ou especial C) derradeiro: o réu deve ser
D.7.1) Conceito absolvido?
É o ambiente reservado, onde os C.2) não: condenação;
jurados votarão os quesitos, imunes a C.1) sim: absolvição.
qualquer tipo de ingerência externa. Observações:
Advertência. Nos Fóruns onde não 1) percebe-se que o atual sistema
exista Sala Especial, o Plenário será não evidencia o teor das teses
esvaziado para funcionar como Sala defensivas, de maneira que o argumento
Secreta. que motivou a absolvição não fica
esclarecido;
D.7.2) Quesitação 2) se a defesa apresentar como
I) Conceito única tese de a negativa de autoria,
Ela representa as perguntas subsistem as seguintes posições quanto
formuladas aos jurados, espelhando as à necessidade de formulação do terceiro
teses acusatórias e defensivas. quesito:
II) Fontes - primeira posição: segundo José
i) decisão de pronúncia e decisões Renato, o terceiro quesito estaria
posteriores que admitiram a acusação; prejudicado, pois o resultado do
ii) debates orais; julgamento foi selado quando os jurados
iii) interrogatório do réu. votaram sim ao segundo quesito
Advertência. As teses defensivas (posição minoritária, mas que foi
apresentadas no interrogatório serão gabarito na segunda fase do MP/BA);
quesitadas, mesmo quando não - segunda posição: para o STJ e
abordadas na sustentação oral do para doutrina majoritária, o terceiro
advogado. quesito é obrigatório, pois os jurados
III) Sistema de quesitação adotado podem absolver influenciados por
pelo CPP causas supra-legais.
III. a) primeiro momento. Antes Conclusão: segundo a STF, 156, a
da L11689/2008, a quesitação brasileira ausência de quesito obrigatório é fato
se aproximava da francesa, com gerador de nulidade absoluta.
quesitação pormenorizada de cada tese 3) pluralidade de teses defensivas
apresentada. e quesitação:
III. b) segundo momento. Após a i) primeira posição – para LFG,
reforma, adotamos um sistema híbrido, deve ser formulados quesitos

55
complementares ao derradeiro, de pena reconhecidas na pronúncia ou em
maneira a evidenciar as razões da decisões posteriores que julgaram
admissível a acusação. (Incluído pela Lei
absolvição (posição minoritária); nº 11.689, de 2008)
ii) segunda posição – o § 1º A resposta negativa, de mais
entendimento prevalente centraliza a de 3 (três) jurados, a qualquer dos
questão no terceiro quesito, afastando a quesitos referidos nos incisos I e II do
necessidade de quesitos caput deste artigo encerra a votação e
implica a absolvição do acusado.
complementares do fundamento (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)
absolutório. § 2º Respondidos afirmativamente
Conclusões: por mais de 3 (três) jurados os quesitos
1) havendo alegação de relativos aos incisos I e II do caput deste
inimputabilidade (CP, 26), exige-se a artigo será formulado quesito com a
seguinte redação: (Incluído pela Lei nº
quesitação específica como pressuposto 11.689, de 2008)
da imposição de medida de segurança, O jurado absolve o acusado?
em que pese o silêncio do CPP, 483; § 3º Decidindo os jurados pela
2) havendo a absolvição na condenação, o julgamento prossegue,
votação do quesito disciplinado no inc. devendo ser formulados quesitos sobre:
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)
III do art. 483 do CPP, não há obstáculo
I – causa de diminuição de pena
ao ajuizamento contra o réu da ação alegada pela defesa; (Incluído pela Lei nº
civil ex delicto. 11.689, de 2008)
IV.2) quesitos secundários. II – circunstância qualificadora ou
“Seção XIII causa de aumento de pena, reconhecidas
Do Questionário e sua Votação na pronúncia ou em decisões posteriores
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008) que julgaram admissível a acusação.
Art. 482. O Conselho de (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)
Sentença será questionado sobre matéria § 4º Sustentada a desclassificação
de fato e se o acusado deve ser da infração para outra de competência do
absolvido. (Redação dada pela Lei nº juiz singular, será formulado quesito a
11.689, de 2008) respeito, para ser respondido após o 2º
Parágrafo único. Os quesitos (segundo) ou 3º (terceiro) quesito,
serão redigidos em proposições conforme o caso. (Incluído pela Lei nº
afirmativas, simples e distintas, de modo 11.689, de 2008)
que cada um deles possa ser respondido § 5º Sustentada a tese de
com suficiente clareza e necessária ocorrência do crime na sua forma tentada
precisão. Na sua elaboração, o presidente ou havendo divergência sobre a
levará em conta os termos da pronúncia tipificação do delito, sendo este da
ou das decisões posteriores que julgaram competência do Tribunal do Júri, o juiz
admissível a acusação, do interrogatório formulará quesito acerca destas questões,
e das alegações das partes. (Incluído pela para ser respondido após o segundo
Lei nº 11.689, de 2008) quesito. (Incluído pela Lei nº 11.689, de
Art. 483. Os quesitos serão 2008)
formulados na seguinte ordem, § 6º Havendo mais de um crime
indagando sobre: (Redação dada pela Lei ou mais de um acusado, os quesitos serão
nº 11.689, de 2008) formulados em séries distintas. (Incluído
I – a materialidade do fato; pela Lei nº 11.689, de 2008)
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008) Art. 484. A seguir, o presidente
II – a autoria ou participação; lerá os quesitos e indagará das partes se
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008) têm requerimento ou reclamação a fazer,
III – se o acusado deve ser devendo qualquer deles, bem como a
absolvido; (Incluído pela Lei nº 11.689, decisão, constar da ata. (Redação dada
de 2008) pela Lei nº 11.689, de 2008)
IV – se existe causa de Parágrafo único. Ainda em
diminuição de pena alegada pela defesa; plenário, o juiz presidente explicará aos
(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008) jurados o significado de cada quesito.
V – se existe circunstância (Redação dada pela Lei nº 11.689, de
qualificadora ou causa de aumento de 2008)

56
Art. 485. Não havendo dúvida a verificar que ficam prejudicados os
ser esclarecida, o juiz presidente, os seguintes, assim o declarará, dando por
jurados, o Ministério Público, o finda a votação. (Incluído pela Lei nº
assistente, o querelante, o defensor do 11.689, de 2008)
acusado, o escrivão e o oficial de justiça Art. 491. Encerrada a votação,
dirigir-se-ão à sala especial a fim de ser será o termo a que se refere o art. 488
procedida a votação. (Redação dada pela deste Código assinado pelo presidente,
Lei nº 11.689, de 2008) pelos jurados e pelas partes. (Redação
§ 1º Na falta de sala especial, o dada pela Lei nº 11.689, de 2008)”
juiz presidente determinará que o público
se retire, permanecendo somente as Material de Apoio - Processo Penal -
pessoas mencionadas no caput deste
artigo. (Incluído pela Lei nº 11.689, de
Nestor Távora - 07 (II).pdf
2008)
§ 2º O juiz presidente advertirá as Material de Apoio - Processo Penal -
partes de que não será permitida Nestor Távora - 08 (II).pdf
qualquer intervenção que possa perturbar
a livre manifestação do Conselho e fará
retirar da sala quem se portar
Material de Apoio - Processo Penal -
inconvenientemente. (Incluído pela Lei Nestor Távora - 09 (II).pdf
nº 11.689, de 2008)
Art. 486. Antes de proceder-se à Material de Apoio - Processo Penal -
votação de cada quesito, o juiz presidente Nestor Távora - 10 (II).pdf
mandará distribuir aos jurados pequenas
cédulas, feitas de papel opaco e
facilmente dobráveis, contendo 7 (sete) Material de Apoio - Processo Penal -
delas a palavra sim, 7 (sete) a palavra Nestor Távora - 11 (II).pdf
não. (Redação dada pela Lei nº 11.689,
de 2008) Material de Apoio - Processo Penal -
Art. 487. Para assegurar o sigilo
Nestor Távora - 12 (II).pdf
do voto, o oficial de justiça recolherá em
urnas separadas as cédulas 3.2 Contravenção do jogo do bicho e
correspondentes aos votos e as não corrida de cavalos fora do hipódromo
utilizadas. (Redação dada pela Lei nº Caberá RESE para impugnar a
11.689, de 2008) homologação do arquivamento da
Art. 488. Após a resposta,
investigação.
verificados os votos e as cédulas não
utilizadas, o presidente determinará que Observações:
o escrivão registre no termo a votação de 1) o legitimado para apresentar o
cada quesito, bem como o resultado do recurso é o “representante”
julgamento. (Redação dada pela Lei nº (terminologia empregada pela Lei, que
11.689, de 2008) na verdade é o noticiante).
Parágrafo único. Do termo
também constará a conferência das 2) segundo Rômulo Moreira, esta
cédulas não utilizadas. (Incluído pela Lei previsão do art. 6º, p. ú. da Lei 1.508/51
nº 11.689, de 2008) não foi recepcionada pela CRFB,
Art. 489. As decisões do Tribunal representando grave ofensa ao sistema
do Júri serão tomadas por maioria de acusatório.
votos. (Redação dada pela Lei nº 11.689,
de 2008) 3) para aqueles que optam pela
Art. 490. Se a resposta a qualquer recepção do instituto, quando o tribunal
dos quesitos estiver em contradição com dá provimento ao recurso, deverá
outra ou outras já dadas, o presidente, encaminhar os autos ao Procurador
explicando aos jurados em que consiste a Geral do MP, para que proceda, por
contradição, submeterá novamente à
votação os quesitos a que se referirem
analogia, nos termos do art. 28 do CPP.
tais respostas. (Redação dada pela Lei nº
11.689, de 2008) 3.3. Responsabilidade dos prefeitos e
Parágrafo único. Se, pela resposta vereadores
dada a um dos quesitos, o presidente

57
Conclusão: nos termos do art. 2º, nula, o Tribunal devolverá os autos ao
II do Decreto-Lei n. 201/67, cabe RESE juiz de primeiro grau, para que profira
para impugnar a decisão que decreta ou uma nova decisão.
revoga a prisão preventiva, assim como 4) interpretação extensiva. Se o
a que determina o afastamento das magistrado rejeitar o aditamento da
funções. inicial, também caberá RESE.
Obs.: filtro. O art. 29, X da CRFB 5) JECrim. De acordo com o art.
confere aos prefeitos foro por 82 da L9099/95, o recurso adequado é a
prerrogativa no TJ, o que torna apelação.
incompatível o cabimento de RESE. Advertência. Segundo a doutrina
Conclusões: majoritária, o RESE é admissível no
1) de acordo com a STF, 702, JECrim, pressupondo enquadramento
quando o prefeito pratica crime federal, no CPP, 581. Entretanto o enunciado n.
será julgado no TRF; 4 uniformização de jurisprudência do
2) quanto aos vereadores, em TJSP inadmite o RESE no âmbito do
regra, não haverá foro por prerrogativa Juizado (ou seja, é posição minoritária
de função. se levado em conta o restante do País).
6) o recebimento da inicial
4. Hipóteses do art. 581 acusatória é irrecorrível. Todavia, a
defesa poderá impetrar habeas corpus
4.1. Inc. I: pelo não recebimento da ou mandado de segurança com a
inicial acusatória finalidade de trancar o processo.
Observações: Conclusões:
1) Para Paulo Rangel, seguido por 6.1) não havendo risco à liberdade
Rômulo Moreira, o não recebimento é de locomoção, percebe-se que o MS é a
amparado por argumento processual, ferramenta adequada, como acontece
por força de uma decisão interlocutória quando a pessoa jurídica é a imputada,
mista, desafiando RESE. Já a rejeição ou quando a pena de multa é a única
da inicial é amparada por argumento de prevista para a infração (art. 51 do CP);
mérito, caracterizando uma decisão 6.2) se a vítima pretende trancar o
definitiva, que desafia apelação (CPP, processo, a via adequada é o mandado
592, II). de segurança. Exemplo: é o que ocorre
Advertência: a Lei n. quando o processo é deflagrado sem que
11.719/2008, e o enunciado 60 da a vítima represente nas ações públicas
súmula do TRF-4 (“Da decisão que não condicionadas.
recebe ou que rejeita a denúncia cabe
recurso em sentido estrito.”) foram 4.2. Inc. II: do reconhecimento ex
indiferentes à proposta doutrinária, não officio da incompetência do juízo
acatando a referida distinção. Observações:
2) segundo o STF, 707, deve o 1) segundo a doutrina amplamente
juiz intimar a defesa para apresentar majoritária, o STJ, 33 é inaplicável ao
contrarrazões ao recurso acusatório, sob Processo Penal, de forma que a
pena de nulidade absoluta. A omissão incompetência relativa pode ser
não é suprida pela mera nomeação de declarada ex officio;
advogado dativo. 2) interpretação extensiva. A
3) segundo o STF, 709, o desclassificação ao final da primeira
recebimento da inicial decorrerá do fase do Júri é aqui enquadrada, pois ao
provimento do recurso pelo Tribunal desclassificar o magistrado estará
que proferirá um acórdão substitutivo. reconhecendo ex officio a
Entretanto, se a decisão impugnada é incompetência do juízo (CPP, 419).

58
Conclusão: vale lembrar que o
4.3. Inc. III: da decisão de procedência assistente só poderá recorrer se o MP
das exceções, salvo a suspeição não o fizer (recurso supletivo).
Observações: 4) de acordo como CPP, 583, p.
1) as exceções estão catalogadas ú., o RESE da pronúncia subirá por
no art. 95 do CPP, inaugurando um traslado (instrumento), quando na
procedimento incidental para aferir a pluralidade de réus, parte deles
presença, ou não, das condições da ação impugnar a decisão e a outra parte
e ou dos pressupostos processuais. aceitar o julgado.
Conclusão: a procedência de uma
exceção atinge a pretensão acusatória, 4.5. Inc. V:
desafiando RESE. Do outro lado, a A) 1ª parte: algumas decisões
improcedência atinge a pretensão proferidas pelo juiz de primeiro graus
defensiva, não comportando recurso. De sobre o tema fiança foram catalogadas
todo modo, a defesa poderá se valer das no presente inciso, vejamos:
ações autônomas de impugnação. A.1) decisão que concede a fiança
2) se o juiz de primeiro grau julga – é a decisão que defere o requerimento
procedente a exceção de suspeição apresentado ou ex officio concede o
(impedimento ou incompatibilidade), o instituto (CPP, 322, p. ú. c/c 335).
ato é irrecorrível, pois o Tribunal não ““Art. 322. A autoridade policial
têm como revertê-la. Já se o juiz somente poderá conceder fiança nos
casos de infração cuja pena privativa de
discorda da exceção apresentada, ele liberdade máxima não seja superior a 4
produzirá prova e remeterá o incidente (quatro) anos.
para julgamento pelo Tribunal. (...)
Conclusão: do acórdão proferido Art. 335. Recusando ou
pelo Tribunal caberá recurso especial ou retardando a autoridade policial a
concessão da fiança, o preso, ou alguém
recurso extraordinário. por ele, poderá prestá-la, mediante
simples petição, perante o juiz
4.4. Inc. IV: decisão de pronúncia competente, que decidirá em 48
Observações: (quarenta e oito) horas.”
1) o referido inciso foi A.2) decisão que negar a fiança –
parcialmente revogado, já que a decisão é a decisão que indefere o requerimento
de impronúncia atualmente desafia apresentado (CPP, 323 e 324).
apelação (cf. CPP, 416). “Art. 323. Não será concedida
fiança:
2) este recurso é dotado de efeito I - nos crimes de racismo;
suspensivo limitado, já que o réu não II - nos crimes de tortura, tráfico
será levado a sessão plenária enquanto ilícito de entorpecentes e drogas afins,
não ocorrer o julgamento definitivo. terrorismo e nos definidos como crimes
Conclusão: preclusa a pronúncia, hediondos;
III - nos crimes cometidos por
os autos serão remetidos à vara
grupos armados, civis ou militares,
especializada do Júri. contra a ordem constitucional e o Estado
3) em que pese a polêmica, tem Democrático;
prevalecido o entendimento de que o IV - (revogado);
assistente de acusação pode recorrer da V - (revogado).
Art. 324. Não será, igualmente,
pronúncia, pleiteando o reconhecimento
concedida fiança:
de qualificadoras ou causas de aumento I - aos que, no mesmo processo,
afastadas pelo Juiz de primeiro grau (cf. tiverem quebrado fiança anteriormente
STF, HC 84022). concedida ou infringido, sem motivo
justo, qualquer das obrigações a que se
referem os arts. 327 e 328 deste Código;

59
II - em caso de prisão civil ou “Art. 340. Será exigido o reforço
militar; da fiança:
III - (revogado);
IV - quando presentes os motivos I - quando a autoridade tomar, por
que autorizam a decretação da prisão engano, fiança insuficiente;
preventiva (art. 312).”
A.3) decisão de arbitramento – a II - quando houver depreciação
fixação dos valores têm por parâmetro o material ou perecimento dos bens
hipotecados ou caucionados, ou
CPP, 325 e 326. depreciação dos metais ou pedras
“Art. 325. O valor da fiança será preciosas;
fixado pela autoridade que a conceder
nos seguintes limites: III - quando for inovada a
a) (revogada); classificação do delito.
b) (revogada);
c) (revogada). Parágrafo único. A fiança ficará
I - de 1 (um) a 100 (cem) salários sem efeito e o réu será recolhido à prisão,
mínimos, quando se tratar de infração quando, na conformidade deste artigo,
cuja pena privativa de liberdade, no grau não for reforçada.”
máximo, não for superior a 4 (quatro)
anos; Advertência: o delegado de
II - de 10 (dez) a 200 (duzentos) polícia pode arbitrar fiança nos crimes
salários mínimos, quando o máximo da cuja pena máxima é de até quatro anos.
pena privativa de liberdade cominada for Se o delegado denegar a fiança, a defesa
superior a 4 (quatro) anos. pode requerer ao juiz o arbitramento,
§ 1º Se assim recomendar a
situação econômica do preso, a fiança
dispondo de 48 horas para deliberar
poderá ser: (CPP 322, p. ú.). Conclusão:
I - dispensada, na forma do art. naturalmente, não cabe RESE da
350 deste Código; deliberação da autoridade policial.
II - reduzida até o máximo de 2/3 “Art. 322. (...)
(dois terços); ou Parágrafo único. Nos demais
III - aumentada em até 1.000 (mil) casos, a fiança será requerida ao juiz, que
vezes. decidirá em 48 (quarenta e oito) horas.”
Art. 326. Para determinar o valor B) 2ª parte: prisões cautelares e
da fiança, a autoridade terá em
consideração a natureza da infração, as
liberdade provisória sem fiança
condições pessoais de fortuna e vida B.1) decisão que revogar a
pregressa do acusado, as circunstâncias preventiva (CPP, 316);
indicativas de sua periculosidade, bem “Art. 316. O juiz poderá revogar a
como a importância provável das custas prisão preventiva se, no correr do
do processo, até final julgamento.” processo, verificar a falta de motivo para
A.4) decisão que cassar a fiança – que subsista, bem como de novo decretá-
ela tem cabimento quando a fiança é la, se sobrevierem razões que a
justifiquem.”
concedida inadequadamente, em
B.2) decisão que indeferir o
situação de inafiançabilidade (CPP, 338
requerimento de preventiva;
e 339).
“Art. 338. A fiança que se
B.3) decisão de relaxamento da
reconheça não ser cabível na espécie será prisão ilegal (CPP, 310);
cassada em qualquer fase do processo. “Art. 310. Ao receber o auto de
Art. 339. Será também cassada a prisão em flagrante, o juiz deverá
fiança quando reconhecida a existência fundamentadamente:
de delito inafiançável, no caso de I - relaxar a prisão ilegal; ou
inovação na classificação do delito.” II - converter a prisão em
A.5) decisão que julgar inidônea a flagrante em preventiva, quando
presentes os requisitos constantes do art.
fiança – fiança inidônea é aquela que 312 deste Código, e se revelarem
não foi reforçada e o bem dado em inadequadas ou insuficientes as medidas
garantia não mais corresponde ao valor cautelares diversas da prisão; ou
arbitrado (CPP, 340).
60
III - conceder liberdade prevista no caput do art. 26 do Decreto-
provisória, com ou sem fiança. Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940
Parágrafo único. Se o juiz – Código Penal, salvo quando esta for a
verificar, pelo auto de prisão em única tese defensiva
flagrante, que o agente praticou o fato Art. 416. Contra a sentença de
nas condições constantes dos incisos I a impronúncia ou de absolvição sumária
III do caput do art. 23 do Decreto-Lei no caberá apelação.”
2.848, de 7 de dezembro de 1940 -
Código Penal, poderá, 4.7. Inc. VII (fiança)
fundamentadamente, conceder ao
acusado liberdade provisória, mediante
Observação: enquadramento
termo de comparecimento a todos os atos A) decisão de quebra da fiança
processuais, sob pena de revogação.” A.1) Conceito
B.4) concessão de liberdade A quebra da fiança é o resultado
provisória sem fiança (CPP, 321) do descumprimento das obrigações
“Art. 321. Ausentes os requisitos impostas ao afiançado, como
que autorizam a decretação da prisão decorrência do CPP, 327, 328 e 341.
preventiva, o juiz deverá conceder “Art. 327. A fiança tomada por
liberdade provisória, impondo, se for o termo obrigará o afiançado a comparecer
caso, as medidas cautelares previstas no perante a autoridade, todas as vezes que
art. 319 deste Código e observados os for intimado para atos do inquérito e da
critérios constantes do art. 282 deste instrução criminal e para o julgamento.
Código.” Quando o réu não comparecer, a fiança
Conclusões: será havida como quebrada.
1) Percebe-se que quando a Art. 328. O réu afiançado não
decisão é desfavorável aos interesses poderá, sob pena de quebramento da
acusatórios, cabe recurso. Do outro fiança, mudar de residência, sem prévia
permissão da autoridade processante, ou
lado, quando é desfavorável aos ausentar-se por mais de 8 (oito) dias de
interesses da defesa, caberá habeas sua residência, sem comunicar àquela
corpus. autoridade o lugar onde será
2) a decisão que revoga ou denega encontrado.”
a decretação das medidas cautelares “Art. 341. Julgar-se-á quebrada a
fiança quando o acusado:
positivadas no CPP, 319 e 320 também I - regularmente intimado para ato
deve comportar RESE, por do processo, deixar de comparecer, sem
interpretação extensiva do CPP, 581, V, motivo justo;
afinal elas são substitutivas da prisão II - deliberadamente praticar ato
preventiva. de obstrução ao andamento do processo;
III - descumprir medida cautelar
imposta cumulativamente com a fiança;
4.6. Inc. VI IV - resistir injustificadamente a
Este dispositivo foi expressamente ordem judicial;
revogado pela L11689/2008, afinal da V - praticar nova infração penal
absolvição sumária do Júri atualmente dolosa.”
caberá apelação (CPP, 415 e 416) A.2) Consequências
“Art. 415. O juiz, i) recolhimento à prisão por meio
fundamentadamente, absolverá desde da prisão preventiva;
logo o acusado, quando: ii) naquela mesma persecução
I – provada a inexistência do fato; penal, o agente não será admitido a
II – provado não ser ele autor ou
partícipe do fato; prestar fiança novamente;
III – o fato não constituir infração iii) 50% do valor caucionado será
penal; destinado ao Fundo Penitenciário
IV – demonstrada causa de Nacional (FUNPEN). Advertência:
isenção de pena ou de exclusão do crime. quanto ao restante do valor, o destino
Parágrafo único. Não se aplica o
disposto no inciso IV do caput deste dependerá do resultado do processo,
artigo ao caso de inimputabilidade vejamos: I) se réu for absolvido, o valor

61
lhe será devolvido; II) se o réu for 1) Enquadramento – segundo
condenado, o valor servirá para Tourinho Filho, a decisão que declara a
indenizar a vítima, pagar custas do extinção da punibilidade é terminativa
processo, multa, eventual obrigação de mérito. Por outro lado, a denegação
pecuniária imposta e o remanescente da extinção da punibilidade revela uma
será devolvido. decisão interlocutória simples.
2) decisão “pro et contra” –
B) decisão de perda da fiança aquela impugnável por recurso
B.1) Conceito independente de acatar ou afastar a
Perda da fiança é a sanção pretensão da parte (i. é, cabe recurso da
imposta quando o agente foge após o defesa e da acusação), como é o caso da
trânsito em julgado da condenação, extinção da punibilidade.
ilidindo o início da execução da pena. 3) A L11719/2008 inseriu a
B.2) Consequência extinção da punibilidade como
100% do valor remanescente do fundamento da “absolvição sumária”
que foi caucionado será destinado ao (CPP, 397, IV)!!! Evidente erro do
FUNPEN. CPP, 344 e 345. legislador. Conclusão: quando o
“Art. 344. Entender-se-á perdido, conteúdo do CPP, 581 é inserido em
na totalidade, o valor da fiança, se, uma decisão com natureza de sentença
condenado, o acusado não se apresentar
para o início do cumprimento da pena
absolutória, caberá apelação (CPP, 593,
definitivamente imposta. I).
Art. 345. No caso de perda da
fiança, o seu valor, deduzidas as custas e 4.9. Inc. X (sistema recursal do habeas
mais encargos a que o acusado estiver corpus)
obrigado, será recolhido ao fundo
penitenciário, na forma da lei.”
Observações:
1) considerando que o HC é uma
Advertência. O recurso para ação autônoma de impugnação, o juiz
impugnar a quebra ou perda da fiança de primeiro grau, ao julga-lo estará
tem efeito suspensivo limitado, proferindo uma sentença concessiva ou
obstando o imediato recolhimento dos denegatória da ordem.
valores ao FUNPEN (CPP, 584, § 3º) Conclusões:
“Art. 584. Os recursos terão efeito 1.1) em ambas hipóteses, caberá
suspensivo nos casos de perda da fiança, RESE (ou seja, mais uma decisão pro et
de concessão de livramento condicional e contra);
dos ns. XV, XVII e XXIV do art. 581.
§ 1º Ao recurso interposto de
1.2) se o juiz de primeiro grau
sentença de impronúncia ou no caso do conceder a ordem, mesmo que ninguém
no VIII do art. 581, aplicar-se-á o recorra, está obrigado a remeter a
disposto nos arts. 596 e 598. decisão para que o Tribunal a reanalise
§ 2º O recurso da pronúncia – remessa necessária, segundo grau
suspenderá tão-somente o julgamento.
obrigatório ou recurso ex officio (CPP,
§ 3º O recurso do despacho que
julgar quebrada a fiança suspenderá 574, I).
unicamente o efeito de perda da metade 2) perante tribunal, teremos as
do seu valor. seguintes situações jurídicas:
Conclusão: o recurso não impede i) a denegação do HC pelo TJ ou
o imediato encarceramento do agente. TRF desafia recurso ordinário
constitucional (ROC) ao STJ (CRFB,
4.8. Incisos VIII e IX (extinção da 105, II, “a”);
punibilidade) ii) a denegação do HC originário
Observações: em Tribunal Superior desafia ROC ao
STF (cf. CRFB, 102, II, “a”).

62
preside o Júri. Da lista geral definitiva,
4.10. Inc. XI: decisão que suspender, publicada em 10 de novembro, após o
conceder ou revogar o sursis penal julgamento das reclamações, caberá
(suspensão condicional da pena) RESE, no prazo de 20 (vinte) dias,
Este dispositivo é inaplicável, pois endereçado ao Presidente do Tribunal
se o sursis é objeto da sentença de Justiça (CPP, 586, p. ú.);
condenatória, caberá apelação (CPP, B) 2ª posição: para Rômulo
593, I). Moreira, em posição majoritária, o CPP,
Em complemento, se a decisão 581, XIV é inaplicável, pois o CPP,
sobre o sursis emana do juízo da 426, § 1º redisciplinou a matéria,
execução, caberá agravo em execução estabelecendo sofreu revogação tácita,
(LEP, 197). estabelecendo como ferramenta
adequada a reclamação.
Material de Apoio - Processo Penal -
Nestor Távora - Online 01 (II).pdf 4.14. Inc. XV: da decisão que rejeitar ou
4.11. Inc. XII: a decisão que conceder, julgar deserta a apelação
denegar ou revogar o livramento Observações:
condicional 1) a rejeição acontece pelo não
Conclusão: o dispositivo é preenchimento dos pressupostos
inaplicável por força da admissibilidade recursais, em decisão emanada do Juizo
do agravo em execução (LEP, 197). a quo. A deserção é verificada pelo não
recolhimento do preparo, conforme a
4.12. Inc. XIII: da decisão sobre a realidade de cada unidade federativa.
nulidade da instrução processual Advertência: vale lembrar que não
Observações: mais haverá deserção pela fuga após a
1) o dispositivo merece interposição do recurso.
interpretação extensiva, admitindo-se 2) a carta testemunhável (CPP,
recurso da decisão declaratória de 639) é o recurso adequado para
nulidade na fase postulatória e até destrancar uma ferramenta impugnativa
mesmo em sede de memoriais (ou seja, que não ultrapassou o juízo de
não só na fase instrutória); admissibilidade perante o órgão a quo.
2) se o juiz negar a declaração de A carta testemunhável é um recurso
nulidade, quando o ato tumultua o subsidiário, pois só é aplicada quando
andamento do procedimento, caberá não existir expressa previsão legal
correição parcial. Em acréscimo a parte quanto ao cabimento de uma outra
poderá se valer das ações autônomas de ferramenta impugnativa. Conclusões:
impugnação, sem prejuízo de suscitar a 2.1) para destrancar a apelação
nulidade em preliminar de futura cabe RESE;
apelação apelação. 2.2) para destrancar o RESE cabe
carta testemunhável.
4.13. Inc. XIV: da decisão que incluir
ou excluir jurado da lista geral 4.15. Inc. XVI: da decisão que suspende
Conclusão: quanto à ferramenta o processo por força de questão
impugnativa adequada para impugnar a prejudicial
lista geral, subsistem as seguintes Observações:
posições: 1) O recurso é cabível quando a
A) 1ª posição: para Nucci, em suspensão tem ensejo por uma
posição minoritária, mas adotada pelo prejudicial obrigatória (CPP, 92) ou
MP/SP, da lista geral provisória, caberá facultativa (CPP, 93).
reclamação endereçada ao Juiz que

63
2) a suspensão do processo inc. XXIV do CPP, 581. Entretanto, se
acarreta a suspensão da prescrição isso ocorrer, caberá agravo em execução
(CPP, 116, I). e HC com pedido liminar.
3) se o juiz denega a suspensão, o
ato é irrecorrível. A parte prejudicada 5. Procedimento
pode se valer da ações autônomas de
impugnação, notadamente o habeas 5.1. Perante o juízo a quo
corpus ou o mandado de segurança. Em A) interposição do recurso.
acréscimo, quando a denegação da Observações:
suspensão ocasiona tumulto no 1) o RESE pode ser interposto
procedimento, caberá correição parcial. por petição ou a termo, leia-se, sem
rigor formal.
4.16: Inc. XVII: da decisão de 2) prazo: 5 dias, contados da
unificação das penas correspondente intimação da decisão
Conclusão: o dispositivo é (CPP, 586).
inaplicável, pois tal decisão desafia Advertência. O RESE para
agravo em execução. Cf. LEP, 197. impugnar a lista geral de jurados conta
com o prazo de 20 dias, contados da
4.18. Inc. XVIII: da decisão sobre o publicação definitiva da lista (cf.
incidente de falsidade documental acima).
Observações
1) O incidente de falsidade B) o recorrente será intimado para
documental tramita em autos apartados apresentação das razões.
para não tumultuar o andamento do Observação: prazo. Elas serão
processo principal (CPP, 145 a 148). apresentadas em até 2 (dois) dias.
2) a decisão no incidente declara Advertência. Vale lembrar que a
ou denega a falsidade. Conclusão: nas intempestividade das razões caracteriza
duas hipóteses a deliberação judicial uma mera irregularidade.
comporta RESE, revelando uma decisão
pro et contra. C) o recorrido será intimado para
3) preclusa a decisão que declarou apresentar contra razões.
a falsidade, os autos do incidente serão Observação: prazo. Também de 2
encaminhados ao MP, para a adoção das (dois) dias.
providências pertinentes (CPP, 145,
IV). D) Com as razões e contrarrazões
4) prestigiando o princípio da os autos serão conclusos ao juiz, para
independência funcional, se o MP em 2 (dois) dias adotar uma das
entender que não houve crime ou que a seguintes medidas:
pena está prescrita, deve requerer o D.1) 1º medida: poderá ratificar a
arquivamento do incidente. decisão, remetendo o recurso para
julgamento perante o órgão ad quem.
4.18. Incisos XIV ao XXIV D.2) 2º medida: o magistrado
Observações: poderá retificar a decisão, exercendo o
1) todos eles são inaplicáveis, já juízo de retratação.
que as decisões desafiam agravo em Observações:
execução (LEP, 197). 1) percebe-se que o RESE goza de
2) de acordo com o art. 51 do CP, efeito iterativo, oportunizando o juízo
a pena de multa não poderá ser de retratação.
convertida em privação da liberdade, 2) a parte prejudicada pela
como afirma a ultrapassada redação do retração (sucumbente) poderá por mera

64
petição, requerer ao juiz a remessa dos 6.2. Efeito suspensivo
autos ao Tribunal, independente de A suspensividade é excepcional,
novas razões. tendo pertinência nas seguintes
3) a impugnação da decisão de hipóteses:
retratação pressupõe o enquadramento A) quebra da fiança;
no art. 581 do CPP. Não havendo B) perda da fiança;
enquadramento, a parte prejudicada C) decisão de pronúncia;
poderá se valer das ações autônomas de D) rejeição ou deserção da
impugnação (inteligência do CPP, 589, apelação.
p. ú.) Observações:
1) enquadramento normativo:
5.2. Juízo ad quem CPP, 584;
Observações: 2) no RESE da quebra ou da perda
1) o recurso chegará ao órgão ad da fiança, a suspensividade impedirá a
quem se não houve retratação ou se foi imediata destinação dos valores ao
interposto recurso da retratação FUNPEN, mas não obsta o
exercida. encarceramento do agente (efeito
2) não se admite julgamento suspensivo limitado ao aspecto
monocrático do RESE por relator em pecuniário).
Tribunal. Logo, o RESE será apreciado 3) o RESE da pronúncia impede a
pela Câmara (TJ) ou Turma (TRF) ou submissão do réu ao plenário do Júri.
pela Turma Recursal (Juizado). Entretanto, decretada a preventiva na
Advertência: vale lembrar que a pronúncia, não há obstáculo ao imediato
inadmissibilidade do RESE no primeiro encarceramento (efeito suspensivo
grau desafia carta testemunhável. Por limitado).
outro lado, o não conhecimento do
RESE no Tribunal por ausência dos 6.3. Efeito iterativo, reiterativo ou
pressupostos recursais, desafia agravo regressivo
(cf. regimento interno). O magistrado poderá exercer a
3) usualmente, o RESE subirá ao retratação diante da interposição do
Tribunal com o apoio da formação de recurso (CPP, 589).
instrumento (CPP, 587).
Excepcionalmente o RESE subirá nos 6.4. Efeito extensivo
autos do processo principal, nas Por ele, o réu que não recorreu
hipóteses indicadas pelo art. 583 do pode ser beneficiado pelo recurso
CPP. apresentado pelo seu comparsa, desde
4) após a deliberação no Juízo a que o fundamento seja comum (CPP,
quo, o RESE chegará ao Tribunal ou 580).
será entregue ao sistema de remessa em *****
até 5 (cinco) dias, prestigiando o Material de Apoio - Processo Penal -
princípio da razoável duração do Nestor Távora - On line 01.1 (II).pdf
processo (CPP, 591). APELAÇÃO

6. Efeitos
1. Conceito
6.1. Efeito devolutivo Segundo Tourinho Filho, a
O RESE levará ao órgão ad quem apelação é o recurso ordinário por
o conteúdo da matéria impugnada, que é natureza e com ampla devolutividade,
definido na interposição do recurso. funcionando como manifestação do
duplo grau de jurisdição, tendo aptidão

65
para impugnar sentenças condenatórias esgotamento do prazo ministerial.
ou absolutórias, assim como decisões Conclusão: segundo Fernando Capez é
definitivas ou com força de definitivas. necessário padronizar a situação do
Observações: assistente, para trazer estabilidade na
1) origem. Direito Romano; condução da matéria (cf. HC 50417
2) consequências da apelação: TJSP).
A) função rescisória – o Tribunal
ao dar provimento ao recurso, profere 2.3. Apelação ordinária vs. sumária
um acórdão em substituição à decisão Apelação ordinária é aquela
impugnada; aplicável aos crimes apenados com
B) função rescindente – o reclusão e cujo procedimento no
Tribunal invalidará a decisão Tribunal é mais amplo (CPP, 613). A
impugnada, devolvendo os autos para apelação sumária é aquela inerente aos
que o juízo a quo profira uma nova crimes apenados com detenção e cujo
decisão. procedimento no Tribunal é mais célere
(CPP, 610).
2. Classificação Observação. A Lei 11.719/2008
mudou o parâmetro para escolha do
2.1. Apelação ampla vs. limitada procedimento ordinário e do sumário.
O apelante pode limitar a Conclusões:
amplitude do recurso na petição de 1) a qualidade da sanção foi
interposição. Não o fazendo, presume- substituída pela quantidade de pena
se que tenha recorrido de todo o julgado (CPP, 394);
(CPP, 599). 2) a nossa doutrina recomenda
Advertência. STF, 713. De acordo que a mudança de parâmetro seja
com o enunciado 713 da súmula do aplicada aos artigos 610 e 613 do CPP
STF, a apelação ao final da segunda acima referidos, que disciplinam o rito
fase do Júri possui fundamentação para o julgamento da apelação.
vinculada, devendo o apelante apontar
por qual alínea do inciso III do art. 593 3. Hipóteses de cabimento
do CPP ele está recorrendo. Observação. Enquadramento
normativo. CPP, 593; 416; Lei n.
2.2. Apelação principal vs. subsidiária 9099/95, art. 82 (nesta, caberá apelação
Apelação principal é aquela no JECrim da homologação da
interposta pelo MP, pelo querelante ou transação penal, da rejeição da inicial e
pela defesa. Já o apelo subsidiário ou da sentença condenatória ou
supletivo, é aquele apresentado pelo absolutória).
assistente de acusação, que só poderá
recorrer se o MP não o fizer (CPP, 271 3.1. Regra geral do CPP
c/c 578). A) caberá apelação da sentença
Observação. Prazo do assistente. condenatória ou absolutória (CPP,
A) assistente habilitado – 5 (cinco) dias; 593, I).
B) assistente não habilitado – 15 Conclusão. Do julgamento do
(quinze) dias (cf. CPP, 598, p. ú.). crime político (CRFB, 109, IV) caberá
Advertências: recurso ordinário constitucional para o
B.1) o assistente não habilitado, STF (CRFB, 102, II, “b”);
não será intimado da decisão. B) nas ações originárias em
B.2) segundo STF, 448, como o Tribunal, teremos acórdão condenatório
assistente só recorrerá se o MP não o ou absolutório. Em tais hipóteses,
fizer, o seu prazo passa a fluir do quando muito admitimos recurso

66
especial ao STJ e ou recurso jurados. Advertência: não há limitação
extraordinário ao STF. Advertência: na numérica para a invalidação do
AP 470 (Mensalão), o STF admitiu o procedimento e a consequente
manejo de eventuais recursos previstos submissão do réu a um novo Júri.
no regimento interno do Tribunal. C.2) quando a sentença do Juiz
Presidente é contrária ao texto da Lei e
B) Decisões definitivas e com ou a deliberação do Jurados
força de definitivas, ressalvadas as Neste caso o Tribunal proferirá
hipóteses de cabimento de RESE (cf. um acórdão substitutivo, ajustando a
CPP, 593, II) decisão ao texto da Lei ou ao desejo dos
Observações: jurados (CPP, 593, § 1º).
1) esta hipótese acoberta as Advertência. Percebe-se a função
interlocutórias mistas e as decisões rescisória do apelo, oportunizando um
terminativas de mérito não enquadradas acórdão substitutivo.
no art. 581 do CPP; C.3) quando houver erro ou
2) hipóteses: injustiça no tocante a aplicação da pena
A) homologação da hipoteca ou da medida de segurança.
legal; Conclusões:
B) homologação do incidente de 1) juiz injusto é aquele muito
insanidade mental; brando ou muito severo, respeitando os
C) julgamento do sequestro de limites legais. O juiz que erra é o que
bens; transborda os limites da lei,
D) julgamento do arresto de bens; desrespeitando os parâmetros da norma
E) reconhecimento ex officio da penal;
litispendência ou da coisa julgada. 2) o provimento do apelo autoriza
o proferimento de um acórdão
C) Decisões ao final da segunda substitutivo, corrigindo-se o erro ou
fase do Júri. afastando-se a injustiça. Advertência:
Observações: mais uma vez estaremos diante da
1) é necessário compatibilizar as função rescisória da apelação (CPP,
hipóteses do CPP, 593, III com o 593, § 2º).
princípio da soberania dos veredictos,
para harmonizar o julgamento perante o Material de Apoio - Processo Penal -
Tribunal (CRFB, 5º, XXXVIII). Nestor Távora - On line 02 (II).pdf
2) hipóteses: C.4) quando os jurados decidem
C.1) nulidade posterior à de forma manifestamente contrária à
pronúncia. prova dos autos
Conclusões: Observações:
1) as nulidades absolutas 1) ao dar provimento ao recurso, o
ocorridas na primeira ou na segunda Tribunal exercerá um juízo rescidente,
fase do Júri podem ser suscitadas na cassando o julgamento e remetendo o
apelação, pois não há preclusão. As réu a um novo Júri, com outros jurados
nulidades relativas ocorridas na (CPP, 593, § 3º).
primeira fase precluem com a preclusão 2) este fundamento mitiga a
da pronúncia. soberania dos veredictos, mas só será
2) dando provimento ao apelo, o invocado uma única vez,
Tribunal invalidará o procedimento a independentemente da parte que o
partir da ocorrência do vício (princípio apresentou primeiro.
da consequencialidade). O réu será 3) no novo julgamento, os jurados
levado a um novo Júri com outros terão ampla cognição, podendo

67
reanalisar todo contexto fático e jurídico 1) a apelação não goza do efeito
trazido na decisão de pronúncia. iterativo, de forma que o juiz não
Advertência: se o primeiro julgamento poderá se retratar da decisão;
foi cassado por recurso apresentado pela 2) a remessa do apelo ao órgão ad
defesa, segundo o STF, no segundo quem ocorrerá no prazo de 5 (cinco)
julgamento o juiz, ao promover a dias, salvo quando a comarca não está
dosimetria da pena, não poderá piorar a localizada na sede do Tribunal, sendo o
situação do réu. prazo de 30 (trinta) dias.
4) se a parte entender que uma
qualificadora, uma causa de aumento ou 4.2. Perante o órgão ad quem
de diminuição foi inadequadamente Observações:
apreciada na votação dos quesitos, ela 1) Em homenagem ao princípio da
deverá apelar alegando a manifesta colegialidade, a apelação não admite
contrariedade à prova dos autos. julgamento monocrático no órgão ad
Conclusão: logo, o TJ não poderá, ao quem. Logo, ela será apreciada pela
julgar o apelo, reconhecer ou afastar tais Câmara (TJ), Turma (TRF) ou Turma
circunstâncias em um acórdão Recursal (JECrim), cf. CPP, 609.
substitutivo. 2) O apelante pode indicar na
interposição que pretende arrazoar
4. Procedimento perante o órgão ad quem. Competirá ao
Tribunal promover as intimações para
4.1. Perante o juízo “a quo” razões e contrarrazões (CPP, 600, § 4º).
A) interposição: por petição ou Advertência: segundo a doutrina
por termo; esta prerrogativa é aplicável à defesa,
Observações: em que pese a omissão do CPP quanto à
1) prazo: 5 (cinco) dias, contados distinção das partes.
da correspondente intimação da decisão. 3) de acordo com o CPP, 601,
Advertência: no JECrim, o prazo do caput, o recurso de apelação subirá ao
apelo é de 10 (dez) dias, pois o recurso tribunal com ou sem as razões.
é interposto com as razões (L9099, art. Advertência. Para o STJ, havendo
82). omissão da defesa, o réu será
B) o apelante será intimado convocado a contratar um novo
(melhor seria “notificado”...) para advogado. Se ele não o fizer, será
apresentar razões. Observações: B.1) o nomeado um advogado dativo. Segundo
prazo para arrazoar é de 8 (oito) dias; a doutrina, se a omissão é do MP, deve
B.2) o assistente de acusação poderá o juiz, por analogia, invocar o art. 28 do
arrazoar o recurso apresentado pelo MP, CPP, remetendo os autos ao Procurador
dispondo de 3 (três) dias contados de Geral, pois os recursos ministeriais são
sua intimação; B.3) nas ações privadas indisponíveis (CPP, 576).
o MP como custus legis poderá arrazoar 4) razões e contrarrazões fora do
no prazo de 3 (três) dias. prazo caracterizam mera irregularidade.
C) o apelado será intimado para Conclusão: logo a tempestividade do
apresentar contrarrazões. Observações: apelo é medida pela interposição.
o prazo para contrarrazões é de 8 (oito)
dias. 5. Efeitos
D) os autos serão conclusos ao A) devolutivo – inerente a toda e
juiz para remessa do apelo ao órgão ad qualquer apelação;
quem. B) suspensivo – a apelação da
Observações: sentença condenatória goza de efeito
suspensivo (CPP, 597), impedindo o

68
imediato cumprimento da pena por
força do principio da não culpabilidade.
A apelação da sentença absolutória não
possui efeito suspensivo (CPP, 596), de
forma que o réu preso deve ser
imediatamente libertado.
C) extensivo – o réu que não
apelou pode se beneficiar do recurso do
comparsa, desde que o fundamento seja
comum (CPP, 580).
Advertência: vale lembrar que a
apelação não goza de efeito iterativo,
pois não há juízo de retratação.

6. Questões complementares
A) nada impede que o Tribunal
converta o julgamento em diligência,
para prospectar provas complementares
(CPP, 616).
B) Usualmente, a apelação subirá
nos autos do processo principal (art. 603
do CPP). Eventualmente, teremos a
formação de instrumento, notadamente
quando a situação prisional entre os réus
é heterogênea e nem todos foram
sentenciados.

Assistir a partir da 2ª parte da aula

69