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2ª FASE XXXI

E-book
Direito Material
e Processual

TRIBUTÁRIO
Prof. Guilherme Pedrozo da Silva
SUMÁRIO
01. ABERTURA E PETIÇÃO INICIAL ........................................................................................................................... 4
02. PETIÇÃO INICIAL..................................................................................................................................................... 14
03. MANDADO DE SEGURANÇA ................................................................................................................................ 23
04. AÇÃO DECLARATÓRIA E ANULATÓRIA......................................................................................................... 33
05. AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO ................................................................................................. 49
06. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO ................................................................................... 55
07. AÇÃO DE EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL E REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL
................................................................................................................................................................................................ 60
08. PETIÇÃO DE EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE ..................................................................................... 66
09. TEORIA GERAL DOS RECURSOS ........................................................................................................................ 70
10. RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO, INTERNO E APELAÇÃO ................................................ 73
11. RECURSO ESPECIAL E RECURSO EXTRAORDINÁRIO .............................................................................. 83
12. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE E AÇÃO DIRETA DE CONSTITUCIONALIDADE
................................................................................................................................................................................................ 91
13. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO E ADPF..........................................102
13.1 Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão ........................................................................102
13.2 ADPF ....................................................................................................................................................................103
14. TRIBUTO ...................................................................................................................................................................111
15. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA ...........................................................................................................................113
16. LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR - PRINCÍPIOS ..........................................................................119
16.1 Princípio da Legalidade ...............................................................................................................................119
16.2 Princípio da Isonomia ..................................................................................................................................121
16.3 Princípio da Anterioridade ........................................................................................................................122
16.4 Princípio da Irretroatividade ....................................................................................................................124
16.5 Princípio do Não Confisco ..........................................................................................................................126
16.6 Princípio da Liberdade de Tráfego .........................................................................................................127
16.7 Princípio da Uniformidade Geográfica ..................................................................................................127
16.8 Princípio da Isenção Heterônoma ...........................................................................................................128
17. LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR - IMUNIDADES .......................................................................131
18. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA ................................................................................................................................142
19. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ....................................143
19.1 Elisão Fiscal ......................................................................................................................................................144
19.2 Sujeito Ativo e Passivo da Relação Tributária....................................................................................144
19.3 Das Convenções Particulares e da Obrigação Tributária ..............................................................145
19.4 Da Solidariedade ............................................................................................................................................145
19.5 Da Capacidade Tributária ...........................................................................................................................146
19.6 Da Constituição do Crédito Tributário - Lançamento .....................................................................146
20. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO ..................................................................................147
21. DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO..................................................................................................152
22. DA EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO .................................................................................................158
22.1 Isenção................................................................................................................................................................158
22.2 Anistia .................................................................................................................................................................160
23. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ........................................................................................................162
24. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA, GARANTIAS E PRIVILÉGIOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO .......165

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25. DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .......................................................................................................................168
26. DOS IMPOSTOS EM ESPÉCIE ............................................................................................................................169
26.1 IMPOSTOS FEDERAIS ...................................................................................................................................169
26.1.1 ITR - Imposto Territorial Rural ............................................................................................................169
26.1.2 IOF - Imposto sobre Operações Financeiras ...................................................................................172
26.1.3 Imposto de Importação ..........................................................................................................................174
26.1.4 Imposto de Exportação ............................................................................................................................177
26.1.5 Imposto sobre Produto Industrializado ...........................................................................................178
26.1.6 Imposto de Renda ......................................................................................................................................180
26.2 IMPOSTOS MUNICIPAIS ..............................................................................................................................182
26.2.1 IPTU - - Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana.....................................182
26.2.2 ISSQN - Impostos Sobre Serviços de Qualquer Natureza ..........................................................185
26.2.3 ITBI - Imposto de Transmissão de Bens Imóveis ..........................................................................187
26.3 IMPOSTOS ESTADUAIS ................................................................................................................................189
26.3.1 ITCMD - Imposto Transmissão Causa Mortis ou Doação ...........................................................189
26.3.2 IPVA - Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores .............................................190
26.3.3 ICMS - Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de
Serviços ........................................................................................................................................................................191
27. TAXAS .........................................................................................................................................................................197
28. CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA ......................................................................................................................201
29. EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS ....................................................................................................................203
30. DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL .........................................................................................................................203
30.1 Contribuições Sociais Gerais .....................................................................................................................204
30.2 Contribuições de Seguridade Social .......................................................................................................204
30.3 Contribuição Social para Regime Próprio de Previdência para Servidor Público ..............206
30.4 Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico ..........................................................206
30.5 Contribuição de Interesse de Categoria Profissional ......................................................................207
30.6 Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública ........................................................................207

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ABERTURA E PETIÇÃO INICIAL

Iniciaremos o nosso curso apontando alguns tópicos interessantes sobre a prova,


como a indicação de marcação no Vademecum, bem como os demais tópicos interessantes
e necessários para o bom desenrolar da preparação de vocês.

Caro estudante, futuro advogado, a primeira tarefa para começar o estudo para a
2ª fase do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, inclui, necessariamente, a análise
do edital, pois nele estão “as regras do jogo”, ou seja, nele encontramos as informações
necessárias sobre o que PODE e o que NÃO PODE no Exame da Ordem. Também,
encontramos nele os prazos e, notadamente, os conteúdos que precisamos dominar para
GARANTIR A APROVAÇÃO.

A prova terá duração de 5 (cinco) horas, das 13h às 18h, no horário oficial de
Brasília/DF. A prova prático-profissional valerá 10,00 (dez) pontos e será composta de
duas partes:

1ª parte: Redação da peça profissional, valendo 5,00 (cinco) pontos, acerca de tema
da área jurídica de opção do examinando e do seu correspondente direito
processual. A peça será desenvolvida em no máximo cinco páginas, sinalizadas,
sendo o total de 150 linhas.

2ª parte: Respostas a 4 (quatro) questões discursivas, sob a forma de situações-


problema, valendo, no máximo, 1,25 (um e vinte e cinco) pontos cada, relativas à
área de opção do examinando e do seu correspondente direito processual.

O caderno de textos definitivos da prova prático-profissional NÃO PODERÁ SER


ASSINADO, RUBRICADO E/OU CONTER QUALQUER PALAVRA E/OU MARCA que o
identifique em outro local que não o apropriado (capa do caderno), sob pena de ser
anulado. Assim, a detecção de qualquer marca identificadora no espaço destinado à

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transcrição dos textos definitivos acarretará a anulação da prova prático-profissional e a
eliminação do examinando.
O caderno de textos definitivos será o único documento válido para a avaliação da
prova prático-profissional, devendo obrigatoriamente ser devolvido ao fiscal de aplicação
ao término da prova, devidamente assinado no local indicado (capa do caderno). O
caderno de rascunho é de preenchimento facultativo e não terá validade para efeito de
avaliação, podendo o examinando levá-lo consigo após o horário estabelecido.
Em hipótese alguma haverá substituição do caderno de textos definitivos por erro do
examinando.

Cuidado: Se você fizer toda a prova no rascunho e depois passar a limpo, pode não
dar tempo de terminar!!!

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As provas prático-profissionais deverão ser manuscritas, em letra legível, com
caneta esferográfica de tinta azul ou preta, não sendo permitida a interferência e/ou a
participação de outras pessoas, salvo em caso de examinando portador de deficiência que
solicitou atendimento especial para esse fim, nos termos deste edital. Nesse caso, o
examinando será acompanhado por um agente devidamente treinado, para o qual deverá
ditar o texto, especificando oralmente a grafia das palavras e os sinais gráficos de
pontuação.

O examinando receberá NOTA ZERO nas questões da prova prático-profissional em


casos de não atendimento ao conteúdo avaliado, de não haver texto, de manuscrever em
letra ilegível ou de grafar por outro meio que não o determinado no subitem anterior.

Na redação das respostas às questões discursivas, o examinando deverá indicar,


obrigatoriamente, a qual item do enunciado se refere cada parte de sua resposta (“A)”,
“B)”, “C)” etc.), sob pena de receber NOTA ZERO.

Para a redação da peça profissional, o examinando deverá formular texto com a


extensão máxima definida na capa do caderno de textos definitivos; para a redação das
respostas às questões discursivas, a extensão máxima do texto será de 30 (trinta) linhas
para cada questão. Será desconsiderado, para efeito de avaliação, qualquer fragmento de
texto que for escrito fora do local apropriado ou que ultrapassar a extensão máxima
permitida.

O examinando deverá observar atentamente a ordem de transcrição das suas


respostas quando da realização da prova prático-profissional, devendo iniciá-la pela
redação de sua peça profissional, seguida das respostas às quatro questões discursivas,
em sua ordem crescente. Aquele que não observar tal ordem de transcrição das respostas,
assim como o número máximo de páginas destinadas à redação da peça profissional e das
questões discursivas, receberá nota 0 (zero), sendo vedado qualquer tipo de rasura e/ou
adulteração na identificação das páginas, sob pena de eliminação sumária do examinando
do Exame.

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Quando da realização das provas prático-profissionais, caso a peça profissional
e/ou as respostas das questões discursivas exijam assinatura, o examinando deverá
utilizar apenas a palavra “ADVOGADO...”. Ao texto que contenha outra assinatura, será
atribuída NOTA ZERO, por se tratar de identificação do examinando em local indevido.
Na elaboração dos textos da peça profissional e das respostas às questões
discursivas, o examinando deverá incluir todos os dados que se façam necessários, sem,
contudo, produzir qualquer identificação além daquelas fornecidas e permitidas no
caderno de prova. Assim, o examinando deverá escrever o nome do dado seguido de
reticências “...” ou “XXXI” exemplo:

Para a realização da prova prático-profissional o examinando deverá ter


conhecimento das regras processuais inerentes ao fazimento da mesma.

O texto da peça profissional e as respostas às questões discursivas serão avaliadas


quanto à adequação ao problema apresentado, ao domínio do raciocínio jurídico, à
fundamentação e sua consistência, à capacidade de interpretação e exposição e à técnica
profissional demonstrada, sendo que a mera transcrição de dispositivos legais,
desprovida do raciocínio jurídico, NÃO ENSEJARÁ PONTUAÇÃO, você deve explicar a sua
resposta, jamais meramente transcrever o artigo, súmula ou OJ.

O examinando, ao término da realização da prova prático-profissional, deverá,


obrigatoriamente, devolver o caderno de textos definitivos, assinado no local indicado
(capa do caderno), sem qualquer termo, contudo, que identifique as folhas em que foram
transcritos os textos definitivos.

Para a realização da prova prático-profissional, deverá comparecer ao local


designado com antecedência, considerando a necessidade de vistoria do material de

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consulta permitida nesta fase. O examinando deverá estar munido somente de caneta
esferográfica de tinta azul ou preta, fabricada em material transparente, e só será
permitido o acesso ao local de prova munido de documento de identidade com foto
original para a realização das provas objetiva e prático-profissional. Não será permitido o
uso de borracha e/ou corretivo de qualquer espécie durante a realização das provas.
Durante a realização da prova prático-profissional, será permitida,
exclusivamente, a consulta à legislação, súmulas, enunciados, orientações
jurisprudenciais e precedentes normativos SEM QUALQUER ANOTAÇÃO OU
COMENTÁRIO.
Legislação com entrada em vigor após a data de publicação deste edital, bem como
alterações em dispositivos legais e normativos a ele posteriores não serão objeto de
avaliação nas provas, assim como não serão consideradas para fins de correção das
mesmas. Em virtude disso, somente será permitida a consulta a publicações produzidas
pelas editoras, sendo vedada a atualização de legislação pelos examinandos com
anotações ou material impresso separadamente.

As remissões a artigo ou lei são permitidas apenas para referenciar assuntos


isolados. Quando for verificado pelo fiscal advogado que o examinando se utilizou de tal
expediente com o intuito de burlar as regras de consulta previstas neste edital,
formulando palavras, textos ou quaisquer outros métodos que articulem a estrutura de
uma peça jurídica, o uso do material será impedido, sem prejuízo das demais sanções
cabíveis ao examinando. LEMBRE-SE: não é mais permitido o uso do post-it em branco,
somente o de editoras, também não é possível usar símbolos para fazer marcações na
legislação!!!

Lembre-se ainda que serão terminantemente proibidos: códigos comentados,


anotados, comparados ou com organização de índices temáticos estruturando roteiros de
peças processuais. Jurisprudências. Anotações pessoais ou transcrições. Cópias
reprográficas (xerox). Impressos da Internet. Informativos de Tribunais. Livros de
Doutrina, revistas, apostilas, calendários e anotações. Dicionários ou qualquer outro
material de consulta. Legislação comentada, anotada ou comparada. Súmulas, Enunciados
e Orientações Jurisprudenciais comentados, anotados ou comparados.

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Quando possível, a critério do fiscal advogado e dos representantes da Seccional
da OAB presentes no local, poderá haver o isolamento dos conteúdos proibidos, seja por
grampo, fita adesiva, destacamento ou qualquer outro meio. Caso, contudo, seja
constatado que a obra possui trechos proibidos de forma aleatória ou partes tais que
inviabilizem o procedimento de isolamento retro mencionado, o examinando poderá ter
seu material recolhido pela fiscalização, sendo impedido seu uso. Os materiais que
possuírem conteúdo proibido não poderão ser utilizados durante a prova prático-
profissional, sendo garantido ao fiscal advogado a autonomia de requisitar os materiais
de consulta para nova vistoria minuciosa durante todo o tempo de realização do Exame.
O examinando que, durante a aplicação das provas, estiver portando e/ou utilizando
material proibido, ou se utilizar de qualquer expediente que vise burlar as regras deste
edital, especialmente as concernentes aos materiais de consulta, terá suas provas
anuladas e será automaticamente eliminado do Exame.

As questões e a redação da peça profissional serão avaliadas quanto à adequação


das respostas ao problema apresentado. A redação da peça profissional terá o valor
máximo de 5,00 (cinco) pontos e cada questão terá o valor máximo de 1,25 (um e vinte e
cinco) pontos. A Nota na Prova Prático-Profissional (NPPP) será a soma das notas obtidas
nas questões e na redação da peça profissional. A NPPP será calculada na escala de 0,00
(zero) a 10,00 (dez) pontos.

Para cada examinando, a NPPP será obtida pelo seguinte procedimento: poderão
ser concedidas notas não inteiras para as respostas do examinando tanto na peça
profissional quanto nas questões; o somatório dessas notas constituirá a nota na prova
prático-profissional, vedado o arredondamento. Será considerado aprovado o
examinando que obtiver NPPP igual ou superior a 6,00 (seis) pontos na prova prático-
profissional, vedado o arredondamento.

Nos casos de propositura da peça inadequada para a solução do problema


proposto, considerando para este fim peça que não esteja exclusivamente em
conformidade com a solução técnica indicada no padrão de respostas da prova, ou de
apresentação de resposta incoerente com a situação proposta ou de ausência de texto, o

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examinando receberá nota ZERO na redação da peça profissional ou na questão.
A indicação correta da peça prática é verificada no nomen iuris da peça
concomitantemente com o correto e completo fundamento legal usado para justificar
tecnicamente a escolha feita.
No que tange a escrita Você, mais do que nunca, precisa ser compreendido, o que
significa dizer que não basta escrever de forma que somente você entenda. Quem vai
corrigir sua prova, pode estar exausto, em razão da correção de outras provas, antes da
sua, por isso facilite a vida do examinador... seja CLARO e OBJETIVO, e coloque as
informações que o examinador busca identificar na sua peça e questões.

Além disso, a letra precisa ser legível. Treine, escreva, faça as tarefas de forma
manuscrita, e tente melhorar a sua letra. Não use termos rebuscados ou inapropriados e
tenha cuidado com erros de português.

Por fim, como veremos nas aulas, existem dados importantes e que são
imprescindíveis para cada peça e questão, por isso interpretar o enunciado é fundamental.
Para isso, leia com calma, anotando as informações relevantes, e na hora de responder,
lembre-se de procurar a fundamentação apropriada.

Então, o que você precisa para uma boa prova?

Ter calma e atenção


Redação clara e objetiva
Dados importantes – vamos ver em cada peça
Sempre procurar a fundamentação (ou seja, o artigo, súmula ou OJ)
NÃO ESQUEÇA DE INDICAR OS INCISOS E §§ CORRETAMENTE

Caro estudante, uma questão crucial para a sua aprovação diz respeito à
organização do seu material e do seu tempo de estudo. Por isso, adquira a legislação que
pretende utilizar para a prova, e comece a utilizá-la o mais rápido possível. Conhecer a
legislação e ter agilidade em localizar os fundamentos legais é importantíssimo.

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Também, defina qual horário dedicará para o estudo. Não há um tempo mínimo e
máximo, pois isso depende de cada pessoa e de sua rotina, mas você precisa entender que,
nesse período, precisará abdicar de outras atividades e ter FOCO na prova que se
aproxima.

Posteriormente falaremos um pouco mais sobre métodos de estudo, forma de


otimização e preparação para esta segunda fase. Tenham a certeza e convicção: dá certo,
basta caprichar, que o resultado não será diverso da aprovação. Antes de falar sobre os
requisitos básicos da inicial, gostaria que vocês vislumbrassem quais peças poderão ser
objeto de cobrança de vocês, via de regra, neste nosso Exame.

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*para todos verem: esquema

Mandado de
Segurança

Ação Declaratória

Ação Anulatória

Ação de Consignação
Processo Subjetivo
em Pagamento

Ação de Repetição de
Indébito Tributário

Ação de Embargos à
Execução Fiscal

Petição de Exceção de
Pré Executividade

ADI
Ações & Peças (Regra Geral) Processo Objetivo
ADC

ADO

ADPF

Agravo de Instrumento

Apelação

Recursos Processuais Agravo Interno

Recurso Especial

Recurso Extraordinário

As presentes ações poderão levar vocês a confusão no tocante à identificação.


Entretanto, existem formas bem fáceis e claras que irão apontar quando da utilização de
uma demanda e/ou respectivamente da outra. Outrossim, faz-se importante ressaltar que
temos três grandes gêneros/grupos de demandas e/ou peças que poderão ser objeto de
cobrança de nossos alunos examinandos na 2ª Fase de Direito Tributário.
Ato contínuo, por fim, vamos falar sobre petição inicial. Mas, afinal de contas, quais
são os passos básicos de uma petição inicial:

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1) Endereçamento.
2) Qualificação do Requerente.
3) Fundamento do Requerente.
4) Nome da Peça do Requerente.
5) Qualificação do Requerido.
6) Cabimento da Demanda.
7) Descrição dos Fatos.
8) Descrição dos Direitos.
9) Pedidos.
10) Valor da Causa.
11) Local e Data.
12) Advogado e OAB.

Basicamente são estes os passos de uma peça inicial. Em sala de aula, falaremos
sobre cada um, sua importância e forma de utilização.

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PETIÇÃO INICIAL

Quando do estudo da prática processual em direito tributário, algumas questões


iniciais são relevantes e precisam ser citadas a fim de que exista nexo e lógica no
aprendizado didático da referida matéria.

Inicialmente, cabe afirmar que não existe nenhuma codificação especial sobre
processo tributário e sua formatação, fazendo-se, portanto, utilização tanto de normas
específicas (Lei de Execução Fiscal, Lei do Mandado de Segurança, entre outras), quanto
as gerais, leia-se, Código de Processo Civil.

E, considerando a inexistência de legislação especial, costuma-se dividir as peças


processuais tributárias em três grandes grupos: processo subjetivo, objetivo e peças
recursais. Logo, inclusive em face da maior utilização na prática, o presente capítulo irá
trabalhar sobre a petição inicial na égide do processo subjetivo, levando em consideração
a defesa do contribuinte.

Diante deste contexto, o contribuinte poderá inaugurar a esfera judicial por meio
das seguintes ações e peças subjetivas: Mandado de Segurança, Ação Declaratória, Ação
Anulatória, Ação de Consignação em Pagamento, Ação de Repetição de Indébito, Ação de
Embargos à Execução Fiscal e a Petição de Exceção de Pré Executividade.

E o que as presentes peças apresentam em comum? A sua estrutura. Lembrando


aqui que, muito embora o presente texto seja dirigido para quem está estudando para a
2ª Fase da OAB em Direito Tributário (no CEISC), em nada obsta utilizar-se desta
estrutura para a prática diária da advocacia tributária. Portanto, qual é a estrutura básica
destas peças processuais do processo subjetivo:

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Estrutura Básica do Processo Subjetivo

1) Endereçamento

2) Qualificação do Requerente

3) Fundamento da Peça

4) Nome da Peça

5) Qualificação do Requerido

6) Cabimento

7) Fatos

8) Direitos

9) Pedidos

10) Valor da Causa

11) Local ... Data ...

12) Advogado ... OAB ...

Endereçamento

Mas o que é o endereçamento? Endereçamento será o destinatário da demanda, ou


seja, será o juízo responsável pelo julgamento do litígio, da causa controversa em que o
contribuinte buscará a solução para os seus problemas. Tal previsão encontra-se disposta
no artigo 319, I, do Código de Processo Civil.

Normalmente a grande regra no direito tributário é de que as causas serão


ajuizadas em 1º Grau (quem julga será um juiz singular), na Justiça Federal (Subseção) se
houver interesse da União, Autarquia Federal ou Empresa Pública Federal, na forma do
artigo 109, I, da Constituição Federal, ou como critério residual na Justiça Estadual
(Comarca) caso não haja a incidência da regra do artigo supra referido.

Assim, como primeiro critério de endereçamento faz-se necessário estabelecer


se o seu processo será dirigido para a Justiça Federal ou Estadual. Após analisado o

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presente critério, deverá ser analisado pelo representante do contribuinte se não existe a
possibilidade da petição inicial ser dirigida aos Juizados Especiais.

Mas existe possibilidade de endereçamento para os Juizados Especiais? Sim, tanto


a Justiça Federal, quanto a Justiça Estadual apresentam seus próprios juizados especiais.
Na Justiça Federal teremos os Juizados Especiais Federais e na Justiça Estadual os Juizados
Especiais da Fazenda Pública.

E qual é o critério para que tais petições iniciais sejam dirigidas para os juizados?
Trata-se de critério cumulativo onde deverá o autor da demanda ser pessoa física, micro
empresa ou empresa de pequeno porte e a demanda a ser ajuizada ter valor igual ou
inferior a 60 Salários Mínimos Nacionais. Caso estejam presentes estes dois requisitos de
forma cumulativa, o procedimento deverá ser dirigido para os Juizados Especiais Federais
(observando-se o critério do artigo 109, I, da CF) ou para os Juizados Especiais da Fazenda
Pública.

Lembrando, ainda, que jamais poderão ser dirigidos para os Juizados: Mandado de
Segurança, Embargos à Execução Fiscal e Exceção de Pré Executividade, em face de
previsão expressa na norma.
Lei 10.259/2001 - Art. 3º. Compete ao Juizado Especial Federal
Cível processar, conciliar e julgar causas de competência da
Justiça Federal até o valor de sessenta salários mínimos, bem
como executar as suas sentenças.
§ 1º. Não se incluem na competência do Juizado Especial Cível as
causas:
I - referidas no art. 109, incisos II, III e XI, da Constituição Federal,
as ações de mandado de segurança, de desapropriação, de divisão
e demarcação, populares, execuções fiscais (...)
Art. 6º Podem ser partes no Juizado Especial Federal Cível:
I – Como autores, as pessoas físicas e as microempresas e
empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei nº 9.317, de 5
de dezembro de 1996;

Lei 12.153/2009 - Art. 2º. É de competência dos Juizados


Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas

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cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos
Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários
mínimos.
§ 1º. Não se incluem na competência do Juizado Especial da
Fazenda Pública:
I – As ações de mandado de segurança, de desapropriação, de
divisão e demarcação, populares, por improbidade
administrativa, execuções fiscais (...)
Art. 5º. Podem ser partes no Juizado Especial da Fazenda Pública:
I – Como autores, as pessoas físicas e as microempresas e
empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei
Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.

Logo, o segundo critério, para efeitos de definição do endereçamento, é analisar


a possibilidade de direcionamento da causa para os Juizados ou não.

Por fim, para efeitos de endereçamento, ainda é necessário ater-se a qual comarca
ou subseção deverá ser dirigida a petição inicial. E, para efeitos deste critério, recomenda-
se a utilização e observância dos artigos do Código de Processo Civil.

Art. 51. É competente o foro de domicílio do réu para as causas


em que seja autora a União.
Parágrafo único. Se a União for a demandada, a ação poderá ser
proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato
ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou no
Distrito Federal.

Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas


em que seja autor Estado ou o Distrito Federal.
Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado,
a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de
ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação
da coisa ou na capital do respectivo ente federado.

Diante disso, como terceiro critério para o endereçamento, a demanda será


distribuída, via de regra, no local do domicílio do requerente da demanda. Mas cuidado:

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caso trate-se de embargos à execução fiscal ou exceção de pré executividade, tais peças
deverão ser endereçadas para o local onde tramita a execução fiscal.

Findas as exposições sobre endereçamento, os mesmos se apresentarão da


seguinte forma:

Endereçamento para a Justiça Estadual


Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca de ... do
Estado ...

Endereçamento para os Juizados Especiais da Fazenda Pública


Douto Juízo de Direito dos Juizados Especiais da Fazenda Pública da Comarca de
... do Estado ...

Endereçamento para a Justiça Federal


Douto Juízo Federal da ... Vara (Federal/Fazenda Pública) da Subseção Judiciária
... da Seção Judiciária do Estado ...

Endereçamento para os Juizados Especiais Federais


Douto Juízo Federal dos Juizados Especiais Federais da Subseção Judiciária ... da
Seção Judiciária do Estado ...

Qualificação do Requerente

A qualificação do requerente deverá observar estritamente o que disposto no


artigo 319, II, do Código de Processo Civil. Diante disso, deverá constar na qualificação
obrigatoriamente os seguintes itens: “os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência
de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no
Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do
autor e do réu”.

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Para efeitos de 2ª Fase do Exame de Ordem, questiona-se: se não houver a presença
de tais itens acima expostos no enunciado, poderão ser criados? A resposta é negativa.
Lembrando que nada poderá ser criado ou imaginado no Exame de Ordem, sob pena do
examinador considerar como identificação de peça e o examinando vir a reprovar.

Lembrando, antes de citar alguns exemplos, que no momento de elaborar tal


qualificação, deverá o examinando fazer a indicação do advogado (procurador) e
endereço para intimação, visto que somente este último detém capacidade postulatória
para representação em juízo.

Qualificação da Pessoa Física


Nome, prenome, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF sob o nº ..., endereço
eletrônico ..., residente e domiciliado ..., neste ato representado por seu
procurador (procuração em anexo), estabelecido ..., local onde receberá
intimações.

Qualificação da Pessoa Jurídica


Nome da Empresa, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ...,
estabelecida ..., endereço eletrônico ..., neste ato representada por seu procurador
(procuração anexa), estabelecido ..., local onde receberá intimações.

Fundamento e Nome da Peça

Toda peça processual terá um fundamento e uma denominação. Para efeitos


práticos (prática na advocacia) a certeza de tais quesitos muito pouco altera a
possibilidade de recebimento ou não da peça vestibular. Entretanto, para efeitos de 2ª
Fase de Exame da Ordem, tais requisitos são imprescindíveis para a correção da peça
processual.

Em cada capítulo do presente texto iremos trabalhar individualmente sobre o


fundamento e o nome de cada peça processual possível no direito tributário. Lembrando

19
sempre que o candidato deverá colocar tais requisitos de forma expressa e legível, a fim
de que o examinador não tenha dúvidas sobre a escolha por ele realizada.

Exemplo de Fundamento e Nome da Peça


(...) vem à presença de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 38 da Lei
6.830/80, propor a presente ação ANULATÓRIA.

Qualificação do Requerido

Para qualificar em face de quem será realizado o processo, ou seja, o réu da ação
judicial, deverá observar-se o que disposto igualmente no artigo 319, II, do CPC.
Entretanto, como em nosso direito tributário, o requerido normalmente é uma pessoa
jurídica de direito público, compreende-se necessário acrescer em tal qualificação a
representação processual do mesmo exposta no artigo 75 do CPC.

Importante ainda ressaltar que tal qualificação, para efeitos de 2ª Fase de Exame
da Ordem, é genérica, ou seja, a ação será ajuizada em face da União, Estado, Distrito
Federal ou Município. Somente será diferenciada quando tratar-se de Mandado de
Segurança.

Qualificação da Pessoa Jurídica de Direito Público


Ente Público (União, Estado, Distrito Federal ou Município), pessoa jurídica de
direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., estabelecida ..., endereço eletrônico ...,
representada neste ato por seu representante, na forma do artigo 75, (ver o inciso
que se encaixa) do CPC.

Cabimento

Após realizada a fase preambular da petição inicial, ou seja, informei quem irá
julgar e apreciar meus pedidos (Endereçamento), quem está propondo a demanda
(Requerente), fundamentos e nome da peça (Ação Escolhida) e em face de quem estarei
ajuizando (Requerido), iniciaremos as fases dos tópicos processuais.

20
Inaugura os presentes tópicos aquele que denomino de cabimento, ou seja, o que
justifica a opção pela ação escolhida pelo requerente e seu procurador. O presente tópico
trata-se da justificativa do porquê da ação escolhida pelo examinando ou requerente.

I - Do Cabimento
Reza o artigo 38 da LEF que poderá a parte desconstituir, via Ação Anulatória,
lançamento realizado equivocamente ou ilegalmente. No presente caso,
compreende-se pela ilegalidade do presente lançamento, portanto, sendo cabível
a utilização da presente ação anulatória.

Dos Fatos

Após à realização do cabimento, caberá ao examinando descrever os fatos que


levaram a ocorrência do litígio (prob lema), ou seja, o que ocorreu de fato para seu cliente
requerer a prestação jurisdicional.

Para efeitos de Exame da Ordem caberá ao examinando informar/descrever,


sempre observando suas próprias palavras (cópia não será considerada), os fatos
conforme descrito no enunciado, desde que não traga nenhuma inovação.

Dos Direitos

Descritos os fatos que levaram o contribuinte a desejar a prestação jurisdicional


faz-se necessário elaborar o ponto mais importante e pontuado da peça processual no
Exame da Ordem: os direitos (direito material) do seu cliente.

Lembre-se: nenhum problema apresentado, para efeitos de Exame da Ordem, será


livre de vícios, ilegalidades ou inconstitucionalidades. Portanto, na análise do caso, o
candidato deverá extrair do enunciado as informações necessárias para identificar tais
lesões ao direito material.

21
Por fim, é importante acrescer que neste item da peça processual, o candidato
poderá igualmente falar sobre o cabimento de eventual liminar ou tutela provisória.
Entretanto, para efeitos de Exame da Ordem, recomenda-se abrir um tópico novo abaixo
do presente item.

Dos Pedidos

Finalizando a peça processual deverá ser elaborado o resumo das intenções com a
peça vestibular, isto é, o candidato irá citar de forma breve e objetiva os seus pedidos. Tais
itens irão variar a depender da peça processual que será redigida. Portanto, recomenda-
se a análise de cada peça para verificar a lista dos pedidos.

Valor da Causa

O valor da causa representa a expressão financeira do objeto da demanda que está


sendo ajuizada. Lembrando que para efeitos do Exame da Ordem somente deverá ser
mencionado o valor da ação se houver expresso no enunciado tal número correspondente.

Do Local, Data, Advogado e Nº da OAB

Recomenda-se que tais itens sejam apenas mencionados (citados e acrescidos das
reticências), não devendo o examinando colocar qualquer local, data, nome de advogado
e/ou número de inscrição nos quadros da ordem dos advogados.

22
MANDADO DE SEGURANÇA

O fundamento legal básico da presente demanda encontra-se esculpido no artigo


5º, LXIX, da CF, combinado com o artigo 1º da Lei 12.016/2009. Importante dizer que tal
demanda desfruta de status de remédio constitucional, onde para aqueles que o utilizam
fundamenta-se sempre na seguinte premissa: “direito líquido e certo”.

Mas esse direito líquido e certo seria de quem? Daquele que venha sofrer uma
ilegalidade ou abuso de poder, ou que até mesmo tenha medo de sofrer.

Mas quem cometerá tais atos? Esses atos são realizados pela autoridade pública ou
agente de pessoa jurídica. Mas atenção: sempre no exercício de poder dado pelo Poder
Público.

Ademais, onde encaixa-se o Mandado de Segurança dentro do processo fiscal?


Lembre-se que, conforme o artigo 3º do CTN, o ato de cobrar tributo está vinculado à lei.
Logo, se houver cobrança sem respaldo legal, poderemos estar frente à utilização da
presente demanda.

Lembre-se que o Mandado de Segurança poderá ser repressivo ou preventivo.


Assim, usa-se o repressivo para fatos que sucedem o lançamento. Já o preventivo, quando
houver uma lei, mas que ainda não produziu efeitos sobre determinado contribuinte.

Outrossim, no que tange ao direito líquido e certo, quer dizer aquela norma que
está devidamente postada e poderá ser de pleno comprovada pelo ínclito julgador.
Lembre-se e não esqueça: uma das grandes diferenças no Mandado de Segurança é que
não existirá dilação probatória, logo, as provas deverão ser anexadas e provadas de pleno
(pré-constituída).

Igualmente, é importante ressaltar que:

23
• Aquele que Entra com Mandado de Segurança = Polo Ativo = Impetrante.
• Aquele que Cometeu o Ato Ilegal ou Abusivo = Polo Passivo = Impetrado.

Queridos alunos, vocês não entrarão com MS contra Ente Público, mas sim contra
aquele representante do ente que cometeu o ato ilegal ou abusivo.

Ademais, nunca é demais salientar que o prazo para a propositura da demanda


será de 120 dias (art. 23 da Lei 12.016/09), contados da ciência do ato a ser impugnado
por parte do prejudicado. Cuidado na hora da prova também: tal prazo jamais se
interromperá ou suspenderá (uma vez iniciado, vai até o fim).

Mas e no que tange ao Mandado Preventivo? A doutrina majoritária compreende


que não existe prazo decadencial, pois a cada dia que passa, a ameaça se prospera.
Importante salientar, ainda, conforme Lei própria do Mandado de Segurança, que não
caberá o presente remédio constitucional quando:

Art. 5º - Não se concederá mandado de segurança quando


se tratar:
I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito
suspensivo, independentemente de caução;
II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito
suspensivo;
III - de decisão judicial transitada em julgado.

E como eu, aluno, fundamento um Mandado de Segurança? Conjuga-se os termos


do artigo 1º da Lei Própria, do art. 5º, LXIX da CF, combinado com o artigo 319 do Novo
Código de Processo Civil.

É importante dizer que, na maioria das vezes, a utilização do Mandado de


Segurança remonta a ideia de utilização do pedido liminar. Outrossim, tenha cuidado, eis
que nos termos do artigo 7º, §2º da Lei própria, não caberá MS quando:

§ 2º - Não será concedida medida liminar que tenha por


objeto a compensação de créditos tributários, a entrega

24
de mercadorias e bens provenientes do exterior, a
reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a
concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou
pagamento de qualquer natureza.

CUIDADO: Mandado de Segurança é para proteção de direito líquido e certo. Logo,


não caberá no Mandado de Segurança dilação probatória. As provas documentais deverão
ser juntadas junto com a inicial, assim, admite-se prova documental, mas jamais no curso
do processo.

CUIDADO: Súmula 271 do STF - não posso cumular MS com Repetição de Indébito.

O MS é um rito mais célere (rápido) e tem prioridade de andamento. O MS não


permite condenação de honorários sucumbenciais. Mas o que são honorários
sucumbenciais? São aqueles honorários devidos para o advogado da parte contrária.

CUIDADO! A FGV tem dito também sobre MS: ingresse com a ação menos custosa
para o cliente. Considere que só precise comprovar através de prova documental.
CUIDADO: E se for para o Rito Ordinário? A prova te dará pistas, do tipo: precisa
provar através de prova pericial. Não bastam somente os documentos para comprovação.
Logo, se a prova mencionar quaisquer destas expressões: advogado quer honorários ou
preciso de provas (periciais, testemunhas), não posso entrar com MS.

Também existirá uma possibilidade, remota é verdade, de Mandado de Segurança


Coletivo. Neste caso, os efeitos irão atingir determinado grupo de pessoas. Não será
qualquer pessoa que poderá impetrar. O rol taxativo está no artigo 5º, LXX (70) da CF.
Assim, o que muda aqui serão os efeitos da decisão.

Lembrando ainda que no MS Coletivo só posso impetrar na defesa dos filiados, e


conforme finalidades/objetivos institucionais. Assim, por exemplo, a OAB não poderá
tutelar direito dos médicos.

25
Já no que tange a suspensão da exigibilidade do crédito: toda vez que for possível
você deverá pedir. No Mandado de Segurança, são duas formas: depósito e liminar (jamais
antecipação de tutela provisória de urgência ou de evidência).

Por fim, ATENÇÃO se eu não souber se é MS Repressivo ou Preventivo. Na dúvida,


coloque só Mandado de Segurança. E antes de irmos para a demonstração da peça,
colaciono importante resumo para fixação sobre o Mandado de Segurança1:

Competência A da pessoa jurídica a qual a autoridade está vinculada.


Legitimidade a) Titular do direito lesado ou ameaçado.
ativa b) Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas,
qualquer delas poderá requerer o mandado de segurança (artigo
1.º, § 3.º, da Lei 12.016/2009).
c) Terceiro que tenha direito em condições idênticas à do titular:
pode impetrar Mandado de Segurança caso o titular não o faça em
prazo razoável, se o seu titular não o fizer, no prazo de 30 (trinta)
dias, quando notificado judicialmente (artigo 3.º).
Legitimidade Considera-se autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato
passiva impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prática (artigo
6.º, § 3.º, da Lei 12.016/2009).
São equiparados os representantes ou órgãos de partidos políticos
e os administradores de entidades autárquicas, bem como os
dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício
de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a
essas atribuições.
Legitimidade Considerar-se-á federal a autoridade coatora se as consequências
passiva de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado
houverem de ser suportadas pela União ou entidade por ela
controlada (artigo 2.º da Lei 12.016/2009).

1
NASSER, Guilherme Sacomano. Prática tributário / Guilherme Sacomano Nasser, Nathaly Campitelli Roque; coordenação
Alvaro de Azevedo Gonzaga, Nathaly Campitelli Roque – 3. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo:
MÉTODO: 2015.Página 184 e 185.

26
Litisconsórcio É admitido até o despacho inicial (artigo 10, § 2.º, Lei
ativo 12.016/2009).
Litisconsórcio Pessoa jurídica de direito público a quem se liga a autoridade. Terá
passivo ela a legitimidade para recorrer.
necessário
Causa de pedir Alegação e demonstração da:
a) lesão ou ameaça de lesão (ameaça fundada);
b) ato ilegal ou praticado com abuso de poder por autoridade ou
equiparado;
c) a direito líquido e certo do impetrante;
d) se o caso, a condição de prejudicado indireto pelo ato, quanto a
seu interesse processual específico.
Súmula 625 do Supremo Tribunal Federal: “Controvérsia sobre
matéria de direito não impede concessão de mandado de
segurança”.
Pedido Concessão da segurança para suprir a ilegalidade ou abuso de
autoridade.
Prazo Caberá mandado de segurança no prazo máximo de 120 dias
contado do ato impugnado (art. 23 da Lei 12.016/2009).
Valor da causa Benefício material a ser aferido pela demanda.
Intimação da Requerimento de intimação da autoridade, para apresentar
autoridade informações no prazo de 10 (dez) dias e da pessoa jurídica de
direito público a quem a autoridade pertence (artigo 7.º, I, Lei
12.016/2009).

Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre o Mandado
de Segurança, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação
tratada neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser
complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários.

27
Enunciado da Peça
Zeta é uma sociedade empresária cujo objeto social é a compra, venda e montagem de
peças metálicas utilizadas em estruturas de shows e demais eventos. Para o regular
exercício de sua atividade, usualmente necessita transferir tais bens entre seus
estabelecimentos, localizados entre diferentes municípios do Estado de São Paulo.
Apesar de nessas operações não haver transferência da propriedade dos bens, mas
apenas seu deslocamento físico entre diferentes filiais de Zeta, o fisco do Estado de São
Paulo entende que há incidência de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Prestação de Serviços – ICMS nesse remanejamento. Diante da falta de recolhimento
do imposto, o fisco já reteve por mais de uma vez, por seus Auditores Fiscais, algumas
mercadorias que estavam sendo deslocadas entre as filiais, buscando, assim, forçar o
pagamento do imposto pela sociedade empresária. Considere que, entre a primeira
retenção e a sua constituição como advogado, passaram-se menos de dois meses.
Considere, ainda, que todas as provas necessárias já estão disponíveis e que o efetivo
pagamento do tributo, ou o depósito integral deste, obstaria a continuidade das
operações da empresa que, ademais, não quer se expor ao risco de eventual
condenação em honorários, no caso de insucesso na medida judicial a ser proposta.
Com receio de sofrer outras cobranças do ICMS e novas retenções, e também
pretendendo a rápida liberação das mercadorias já apreendidas, uma vez que elas são
essenciais para a continuidade de suas atividades, a sociedade empresária Zeta o
procura para, na qualidade de advogado, elaborar a petição cabível, ciente de que,
entre a retenção e a constituição do advogado, há período inferior a 120 (cento e vinte)
dias, e que, para a demonstração dos fatos, há a necessidade, apenas, de prova
documental que lhe foi entregue. (Valor: 5,00 pontos)

Resolução da Peça
Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca ... do Estado
de São Paulo.

Zeta, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., atos
constitutivos em anexo, endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem
respeitosamente, por intermédio de seu procurador (procuração em anexo), este
estabelecido ..., local onde receberá intimações, à presença de Vossa Excelência, com
fulcro nos artigos 5º, LXIX, da CF e Art. 1º e Seguintes da Lei 12.016/09, impetrar:

MANDADO DE SEGURANÇA REPRESSIVO COM PEDIDO LIMINAR

28
Em face de ato do Delegado da Receita Estadual, integrante dos quadros dos
servidores do Estado de São Paulo, pessoa jurídica de direito público, inscrito no
CNPJ sob o nº ..., estabelecido ..., neste ato onde poderá ser representado pelo
Procurador do Estado, na forma do artigo 75, II, do CPC, pelos fatos e fundamentos
abaixo aduzidos.

I – Cabimento
No presente caso existe lesão à direito líquido e certo da parte impetrante, uma vez
que está sendo cobrado da mesma imposto não devido e, consequentemente, a
retenção indevida das suas mercadorias.

Diante disso, leciona o artigo 5º, LXIX, da Constituição Federal que caberá para toda
lesão à direito líquido e certo a possibilidade de reparação via instrumento
mandamental. Igualmente, leciona o artigo 1º e seguintes da Lei 12.016/09 sobre a
possibilidade de reparação à lesão, como no presente caso ocorre, via Mandado de
Segurança.

Logo, frente ao que exposto, compreende-se possível a impetração do presente


Mandado de Segurança, eis que presentes os requisitos para a sua interposição, visto
que: existe necessidade de rápida reparação, a demanda a ser ajuizada não
possibilita a condenação em honorários, bem como estão presentes todos os
documentos para a comprovação do direito da parte.

II – Tempestividade
Leciona o artigo 23 da Lei 12.016/09 que a parte lesada terá prazo decadencial de
120 dias para impetrar Mandado de Segurança quando da ocorrência de lesão a
direito líquido e certo. Tal prazo tem seu cômputo inicial a partir da ciência do ato.

No presente caso, conforme expresso no enunciado, existe prazo inferior à 2 meses


da ciência do ato.

Diante disso, compreende-se possível e tempestiva a utilização do Mandado de


Segurança, a fim de reparar a lesão da parte impetrante.

III – Dos Fatos


A empresa Zeta tem como objeto a comercialização de peças metálicas. Ocorre que
frente a necessidade de transportar tais peças entre seus estabelecimentos, o fisco
do Estado de São Paulo resolveu tributar tal operação, mesmo não ocorrendo

29
modificação de titularidade dos bens transportados. Ademais, por intermédio de
seus auditores, o fisco resolveu reter as mercadorias com o intuito de cobrar os
tributos compreendidos como devidos pelos mesmos. Diante disso, considerando a
lesão ocorrida frente à empresa impetrante, torna-se possível o ajuizamento do
presente Mandado de Segurança, a fim de reparar o ato manifestamente ilegal e
inconstitucional realizado pela parte impetrada.

IV – Dos Direitos
Leciona o artigo 155, II, da Constituição Federal, que teremos a incidência de ICMS
toda vez que ocorrer operações relativas à circulação de mercadorias.

No presente caso, não existe a presente circulação, tendo em vista que a titularidade
da propriedade não é alterada pelo simples fato de haver transferência dos bens da
impetrante entre seus estabelecidos.

Diante disso, tendo em vista a não modificação de titularidade de propriedade dos


bens da empresa impetrante, compreende-se pela não possibilidade e não
ocorrência do fato gerador de ICMS. Outrossim, tal fundamento corresponde ao que
disposto na Súmula 166 do STJ.

Leciona a Súmula 323 do STF que é vedada a conduta de apreender mercadorias ou


retê-las com o intuito de obrigar contribuinte a pagar tributo. No presente caso,
houve retenção de mercadorias da parte impetrante, eis que compreendeu o fisco
estadual sobre a incidência de ICMS nas operações de transferência dos bens
pertencentes a empresa.

Sendo assim, além de não existir tal incidência de imposto, torna-se ilegal a
retenção/apreensão de mercadorias para obrigar o pagamento de impostos,
conforme leciona a Súmula 323 do STF.

V – Da Liminar
Leciona o artigo 7º, III, da Lei 12.016/09 que poderá o magistrado, através de
solicitação da parte, conceder medida liminar, uma vez presentes os requisitos de
fumaça do bom direito e perigo de demora.
No presente caso, resta comprovada a fumaça do bom direito, eis que, conforme
acima explicitado, não existe a incidência de ICMS na presente operação realizada
pela empresa, frente ao que disposto na Súmula 166 do STJ e compreende-se,

30
igualmente, pela impossibilidade de retenção de mercadoria, na forma da Súmula
323 do STF.

Igualmente, o perigo de demora está claramente demonstrado, eis que se por


ventura continuar a ocorrer a retenção de mercadorias da parte impetrante, assim
como mantiver a decisão de não liberar aquelas apreendidas, a parte não poderá dar
continuidade aos seus serviços, colocando em risco a sua empresa.

Diante do que exposto, compreende-se possível a concessão da medida liminar, uma


vez presentes os requisitos dispostos no artigo 7º, III, da Lei 12.016/09.

Por fim, deseja a parte que tal medida liminar seja deferida sem solicitação de
caução, eis que a empresa não apresenta suporte para contemplar tal pedido, caso
seja solicitada.

VI – Dos Pedidos
Ante o exposto, requer:

a) A concessão da medida liminar, uma vez presentes os requisitos do artigo 7º, III,
da Lei 12.016/09, a fim de que exista a liberação das mercadorias retidas, assim
como seja impossibilitada a cobrança de imposto e que o fisco não realize mais
retenções de mercadorias da parte impetrante.

c) Que a parte impetrada seja notificada, para que, desejando, preste


esclarecimentos na forma do artigo 7º, I, da Lei 12.016/09.

d) Que seja cientificado o representante legal da autoridade coatora, para que tome
ciência da presente ação, assim como do ato realizado pela autoridade, e que lhe seja
enviada cópia da inicial. Tudo isso na forma do art. 7º, II, da Lei 12.016/09.

e) Que seja intimado o Membro do Ministério Público, fiscal da lei, a fim de tomar
ciência da presente demanda, na forma do artigo 12, da Lei 12.016/09.

f) Que seja confirmada a presente liminar e mantida até a sentença, e que ao final
seja concedida a segurança, a fim de: liberar as mercadorias apreendidas e que
novas não sejam retidas, na forma da Súmula 323 do STF, bem como implique na
impossibilidade de lançamento de ICMS, eis que não existe fato gerador para tanto,
na forma do artigo 155, II, da CF.

31
g) Que seja condenado o representante da autoridade impetrada nos ônus
sucumbenciais, mais notadamente as custas processuais.

Valor da Causa: R$ ...


Nestes termos, pede deferimento.
Local ... Data ...
Advogado ... OAB ...

32
AÇÃO DECLARATÓRIA E ANULATÓRIA

Após vista a nossa primeira demanda e peça sempre possível de cair em nossa
OAB, vamos falar um pouco sobre a Ação Declaratória. Vale ressaltar que tal demanda
confunde-se muito com o Mandado de Segurança Preventivo, visto que ambos servem
para afastar a ameaça concreta de lesão.

A presente Ação Declaratória apresenta como fundamento legal básico o que


lecionado no artigo 19 do NCPC. Outrossim, quando do ajuizamento igualmente o
requerente deverá vislumbrar os requisitos do artigo 319 do NCPC.

A ação declaratória apresenta como finalidade a declaração de existência ou


inexistência de relação jurídica tributária, e as suas devidas consequências jurídicas.

Lembre-se e não esqueça: em exame da OAB, via de regra, você utilizará a presente
demanda quando inexistir a constituição do crédito tributário (inexistir lançamento).
Porém, deverá haver algum ato concreto que sinalize a incerteza jurídica no que tange ao
ato de ser cobrado ou não.

Agora, se já houver lançamento tributário, você, estimado aluno, já poderá começar


a pensar em demanda Anulatória de Débito Fiscal.

Mas tenha atenção: se você, contribuinte, deseja afastar possível cobrança futura,
e na mesma demanda repetir aquele tributo pago indevidamente, é totalmente pleno e
cabível uma Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica-Tributária cumulada
com Repetição de Indébito Tributário. Se, caso for este seu pedido, não esqueça do artigo
165 do CTN e do pedido de repetição.

Ressalta-se, ainda, que a presente Ação Declaratória poderá ser utilizada para todo
e qualquer tipo de tributo, inclusive no que tange a declaração de inexistência de

33
cumprimento-dever das obrigações acessórias. Para isto, vide o artigo 113, §1 e 2º do
CTN.
Aonde vou entrar com a presente ação: no local de domicílio do contribuinte.

Ademais, não esqueça, portanto, quando caberá ação declaratória:


• Declarar existência ou inexistência de relação jurídica-tributária.
• Declarar autenticidade ou falsidade de documento tributário.

E você poderá ficar com dúvidas, como optar pela Ação Declaratória ou Mandado
de Segurança Preventivo? Buenas, sugiro ir para o rito especial, ou seja, analisar a
possibilidade de cabimento de Mandado de Segurança Preventivo quando estiverem
presentes algumas condições descritas no próprio enunciado:

• Enunciado falar na possibilidade de adoção de procedimento mais célere.


• Enunciado falar na possibilidade de procedimento menos custoso.
• Enunciado falar na impossibilidade de dilação probatória.

Depois de trabalhados alguns aspectos relevantes da Ação Declaratória trago


importante quadro resumido sobre ela2:

Critérios da regra matriz de Defeito


incidência tributária
Material Não ser o fato concreto passível da incidência
daquela tributação
Temporal a) O fato não ter ocorrido
b) Já ter havido a decadência do direito de lançar
Territorial O fato não ter ocorrido nos limites da competência do
sujeito ativo

2
NASSER, Guilherme Sacomano. Prática tributário / Guilherme Sacomano Nasser, Nathaly Campitelli Roque; coordenação
Alvaro de Azevedo Gonzaga, Nathaly Campitelli Roque – 3. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo:
MÉTODO: 2015.P. 154

34
Pessoal O ente que pretende a cobrança não é o sujeito ativo
da obrigação tributária
O interessado não é o sujeito passivo da obrigação
tributária
Quantitativo Inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da base de
cálculo ou da alíquota
Alíquota e/ou base de cálculo pretendidos em
desacordo com a regência legal da matéria

Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente
demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada
neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado
com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários.

Enunciado da Peça
A Igreja Guigui Faz Passar, com sede na cidade de Santa Cruz do Sul – RS resolve, aos finais
de semana, vender bolos e negrinhos a fim de obter renda para a manutenção da igreja. Ocorre
que, através de notícia veiculada em vários portais da internet, o Secretário da Fazenda do
Estado do Rio Grande do Sul informa que passará a cobrar ICMS pelas comercializações
realizadas pela Igreja Guigui Faz Passar, conforme lei que entrará em vigor no ano de 2017.
Temendo, assim, ser tributada, a Igreja Guigui Faz Passar resolve lhe procurar para que seja
garantido o seu direito de não pagar tributo. Você, como procurador da Igreja Guigui Faz
Passar, deverá, portanto, utilizar o procedimento judicial adequado a fim de defender os
interesses da mesma.

Obs: para este enunciado também caberá M. de Segurança Preventivo.

Peça Resolvida
Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível, Fazenda Pública) da Comarca de Santa Cruz do Sul,
do Estado do Rio Grande do Sul.

IGREJA GUIGUI FAZ PASSAR, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ...,
atos constitutivos em anexo, estabelecida ..., endereço eletrônico ..., na cidade de Santa Cruz
do Sul – RS, vem respeitosamente, por intermédio de seu advogado (com procuração em

35
anexo), estabelecido ..., local onde receberá intimações, perante Vossa Excelência, com
fulcro nos artigo 19, I do CPC, ajuizar a presente:

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA COM


PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA

Em face do Estado do Rio Grande do Sul, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ
sob o nº ..., estabelecido ..., endereço eletrônico ..., neste ato representada por seu
procurador, nos termos do artigo 75, II, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.

I – Cabimento
Reza o artigo 19, I, do CPC que caberá ação declaratória a fim de declarar a inexistência da
relação jurídica.

Ocorre no presente caso, tendo em vista a possibilidade concreta de ser a parte requerente
tributada. Assim, deseja que seja declarada a não possibilidade de pagar o referido imposto
de ICMS narrado na notícia veicula no Portal.

Diante disso, compreende-se possível o presente ajuizamento, a fim de afastar a ameaça


concreta frente a possibilidade do ano de 2017 ser tributado por ICMS, diante da realização
de comercialização de bolos e negrinhos.

II – Dos Fatos
A Igreja Guigui Faz passar resolveu, aos finais de semana, a fim de implementar novas
rendas para manter a igreja e sua finalidade, comercializar bolos e negrinhos. Ocorre que,
após notícia veiculada em vários portais de internet, soube a parte requerente da legislação
que poderá implicar em efeitos futuros de tributação nas presentes comercializações.
Compreendendo, assim, pela não possibilidade, deseja a Igreja buscar seus direitos a fim de
ser declarada a impossibilidade de ser tributado pelo fato de comercializar negrinhos e
bolos, visando obter renda para manter suas finalidades.

III – Dos Direitos


Reza o artigo 150, VI, B, da Constituição Federal, que gozará de imunidade os templos de
qualquer culto no que tange a não possibilidade de ser tributado de impostos.

No presente caso, existe clara e manifesta intenção do fisco de tributar a comercialização


de bolos e negrinhos da Igreja Guigui Faz Passar a partir do ano de 2017.

36
Considerando, assim, que frente a norma acima exposta, e diante do manejamento do lucro
obtido para o cumprimento da manutenção e finalidade essencial da igreja, compreende-se
impossível tal tributação, frente ao que deseja que seja provida e declarada a
inconstitucionalidade da referida norma.

IV – Da Tutela Provisória de Urgência


Reza o artigo 294 e 300 do CPC que poderá ser concedida a tutela provisória de urgência
toda vez que presentes a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado
útil do processo.

Sendo assim, a probabilidade do direito está respaldada no artigo 150, VI, b da Constituição
Federal, onde está proibida a instituição de imposto frente aos Templos de Qualquer Culto.

Ademais, o perigo de dano resta configurado de forma implícita, uma vez que, caso seja
tributada a igreja, terá que contribuir aos cofres públicos ao invés de ter possibilidade
financeira de manter a sua igreja e finalidade.

Ainda, cabe salientar a parte requerente que deseja o conhecimento e o deferimento da


tutela provisória de urgência sem necessidade de caução, nos termos do artigo 300, §1º do
CPC, uma vez que inexiste perigo da decisão ser revertida, nos termos do artigo 300, §3º do
CPC.

Em face do que acima exposto, deseja a parte requerente, já que presentes todos os
requisitos, a concessão da tutela provisória de urgência, e que ao final do feito, seja
convertida em decisão definitiva de procedência da demanda.

Caso não seja deferida a tutela provisória, que seja possibilitada a realização do depósito
integral em dinheiro para que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, na forma
do artigo 151, II, do CTN e a consequente garantia da parte contrária. (Obs: este pedido
não é obrigatório. O candidato deverá fazer se lembrar e desejar).

V – Dos Pedidos
Ante o exposto, requer:

a) O deferimento da tutela provisória, na forma do artigo 294 do CPC, mais notadamente da


tutela de urgência, na forma do artigo 300 do CPC, uma vez presentes os requisitos da
probabilidade do direito e do perigo de dano, para que sejam antecipados os efeitos da

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tutela. Tudo isso, igualmente, a fim de suspender a exigibilidade do crédito na forma do
artigo 151, V do CTN.

b) Caso não seja deferida a tutela provisória, que seja possibilitada a realização do depósito
integral em dinheiro para que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, na forma
do artigo 151, II, do CTN e a consequente garantia da parte contrária. (Obs: este pedido
não é obrigatório. O candidato deverá fazer se lembrar e desejar).

c) Julgada procedente a demanda a fim de ser declarada a inexistência da relação jurídica


tributária, reconhecendo o direito da parte requerente de não ser tributada frente a ameaça
concreta realizada.

d) Seja possível a produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente


testemunhal, documental e pericial, na forma do artigo 319, VI, do CPC.

e) Seja a parte contrária citada para que, caso queira, no prazo hábil, venha oferecer
contestação da presente demanda.

f) A parte não deseja que seja designada audiência de conciliação ou mediação, nos termos
do artigo 319, VII, do CPC.

g) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas
processuais, na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios, na forma do
artigo 85, §3º do CPC.

Valor da Causa: R$ ...


Nestes termos, pede deferimento.
Local ... Data ...
Advogado ... OAB ...

Outrossim, outro fato que causa grande espécie e perspectiva junto ao presente
professor. Ocorre que é possível, diferente do Mandado de Segurança, cumular Ação
Declaratória com Repetição de Indébito Tributário. Trata-se sim de uma boa aposta para
este exame. Mas aí você poderá se perguntar: como faço para peticionar se houver
cumulação de pedidos, ou seja, declarar a inexistência (por exemplo) e buscar junto a
restituição de tributos pagos indevidamente ou à maior? É básico e tranquilo. Basta juntar

38
e indexar em uma demanda a ação declaratória com a de repetição. Para não restar
dúvidas da possibilidade, segue exemplo prático abaixo.

Enunciado da Peça

A Igreja Guigui Faz Passar, com sede na cidade de Santa Cruz do Sul – RS, resolve, aos
finais de semana, vender bolos e negrinhos a fim de obter renda para a manutenção
da igreja. Ocorre que através de notícia veiculada em vários portais da internet, o
Secretário da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul informa que incidirá ICMS
pelas comercializações realizadas pela Igreja Guigui Faz Passar, conforme lei que
entrará em vigor no ano de 2017. Chegado o ano de 2017, Guigui Faz Passar é
tributado nos meses de Janeiro até Abril de 2017, no montante de R$ 100.000,00.
Considerando a exigência do tributo, a Igreja Guigui Faz Passar acaba por satisfazer
o débito tributário acima expresso. Temendo, assim, ser tributada novamente, visto
que suas atividades são semanais, a Igreja Guigui Faz Passar resolve lhe procurar
para que seja garantido o seu direito de não pagar tributo e recuperar eventual
tributo pago indevidamente. Você, como procurador da Igreja Guigui Faz Passar,
deverá, portanto, utilizar o procedimento judicial adequado a fim de defender os
interesses da mesma.

Peça Resolvida
Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca de Santa Cruz
do Sul do Estado do Rio Grande do Sul

Igreja Guigui Faz Passar, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o
nº ..., atos constitutivos em anexo, estabelecida ..., endereço eletrônico ..., na cidade
de Santa Cruz do Sul – RS, vem respeitosamente, por intermédio de seu advogado
(com procuração em anexo), estabelecido ..., local onde receberá intimações,
perante Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 19, I do CPC e art. 165, I, do CTN,
ajuizar a presente:

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA


TRIBUTÁRIA CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO COM PEDIDO DE
TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA

Em face do Estado do Rio Grande do Sul, pessoa jurídica de direito público, inscrita
no CNPJ sob o nº ..., estabelecido ..., endereço eletrônico ..., neste ato representado

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por seu procurador, nos termos do artigo 75, II, do CPC, pelos fatos e fundamentos
abaixo aduzidos.

I – Cabimento
Reza o artigo 19, I, do CPC que caberá ação declaratória a fim de declarar a
inexistência da relação jurídica. Ocorre no presente caso, tendo em vista a
possibilidade concreta de continuar a ser a parte requerente tributada. Assim,
deseja que seja declarada a impossibilidade de pagar o referido imposto de ICMS.
Diante disso, compreende-se possível o presente ajuizamento, a fim de afastar a
ameaça concreta frente a possibilidade do fisco continuar a cobrar indevidamente
o ICMS, diante da realização de comercialização de bolos e negrinhos.

II – Dos Fatos
A Igreja Guigui Faz passar resolveu, aos finais de semana, a fim de implementar
novas rendas para manter a igreja e sua finalidade, comercializar bolos e
negrinhos. Ocorre que, após notícia veiculada em vários portais de internet, soube
a parte requerente da legislação que poderá implicar em efeitos futuros de
tributação nas presentes comercializações. E, considerando a chegada do ano de
2017, a Igreja foi tributada nos meses de janeiro até abril de 2017, no montante de
R$ 100.000,00. Logo, compreendendo pela não possibilidade legal de tais atos,
deseja a Igreja buscar seus direitos, a fim de ser declarada a impossibilidade de ser
tributada pelo fato de comercializar negrinhos e bolos, a fim de obter renda para
manter suas finalidades, bem como restituir aqueles tributos pagos
indevidamente.

III – Dos Direitos


Reza o artigo 150, VI, B, da Constituição Federal, que gozará de imunidade os
templos de qualquer culto no que tange a não possibilidade de ser tributado de
impostos. No presente caso, existe clara e manifesta intenção do fisco de continuar
a tributar a comercialização de bolos e negrinhos da Igreja Guigui Faz Passar. Além
disso, já ocorreu tributação indevida entre os meses de Janeiro até Abril de 2017.
Logo, considerando a norma acima exposta, e diante do manejamento do lucro
obtido para o cumprimento da manutenção e finalidade essencial da Igreja,
compreende-se impossível tal tributação, frente ao que deseja que seja provida e
declarada a inconstitucionalidade da referida norma e a devolução daqueles
tributos pagos indevidamente.

IV – Da Tutela Provisória de Urgência

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Reza o artigo 294 e 300 do CPC que poderá ser concedida a tutela provisória de
urgência toda vez que presentes a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o
risco ao resultado útil do processo.
Sendo assim, a probabilidade do direito está respaldada no artigo 150, VI, b da
Constituição Federal, onde está proibida a instituição de impostos frente aos
Templos de Qualquer Culto. Ademais, o perigo de dano resta configurado de forma
implícita, uma vez que a Igreja poderá ser novamente tributada e terá que
contribuir aos cofres públicos ao invés de ter possibilidade financeira de manter a
sua igreja e finalidade.

Ainda, cabe salientar a parte requerente que deseja o conhecimento e o


deferimento da tutela provisória de urgência sem necessidade de caução, nos
termos do artigo 300, §1º do CPC, uma vez que inexiste perigo da decisão ser
revertida, nos termos do artigo 300, §3º do CPC. Em face do que acima exposto,
deseja a parte requerente, já que presentes todos os requisitos, a concessão da
tutela provisória de urgência, e que, ao final do feito, seja convertida em decisão
definitiva de procedência da demanda.

V – Da Repetição de Indébito
Reza o artigo 168, I do CTN que a parte terá prazo de 5 anos, contados do
recolhimento indevido, para restituir o tributo. Considerando, no presente caso,
que os tributos foram recolhidos entre os meses de Janeiro até Abril de 2017,
compreende-se tempestiva a presente repetição. Por fim, e não menos importante,
torna-se necessário salientar que, conforme comprovação em anexo, junta-se a
guia de pagamento do tributo indevido, comprovando-se, assim, a condição para a
ação.

Outrossim, diante do que exposto acima sobre a inconstitucionalidade da referida


cobrança, resta dizer que reza o art. 165, I, do CTN que caberá ao contribuinte,
independentemente de recurso administrativo, buscar a repetição de tributo pago
indevidamente. Assim, considerando o que acima exposto, em face da
inconstitucionalidade exposta, deseja a parte requerente buscar a restituição do
ICMS satisfeito indevidamente no montante de R$ 100.000,00.
Reza a Súmula 162 do STJ que o valor do tributo pago indevidamente ou à maior
deverá ser corrigido monetariamente a partir do pagamento indevido. Igualmente,
reza a Súmula 188 do STJ e o artigo 167, §º único do CTN que os juros moratórios
deverão incidir a partir do trânsito em julgado da demanda. Considerando que se
trata de tributo de competência estadual, deseja a parte requerente que o valor

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pago indevidamente seja corrigido a partir do pagamento indevido e os juros
moratórios incidam a partir do trânsito em julgado da demanda.

VI – Dos Pedidos
Ante o exposto, requer:

a) O deferimento da tutela provisória, na forma do artigo 294 do CPC, mais


notadamente da tutela de urgência, na forma do artigo 300 do CPC, uma vez
presentes os requisitos da probabilidade do direito e do perigo de dano, para que
sejam antecipados os efeitos da tutela, a fim da parte requerente não poder ser
cobrada do ICMS. Tudo isso, igualmente, a fim de suspender a exigibilidade do
crédito, na forma do artigo 151, V do CTN.

b) A citação da parte requerida, para que, desejando, venha contestar a presente


ação no prazo legal.

c) Seja julgada procedente a demanda, a fim de ser declarada a inexistência da


relação jurídica tributária, reconhecendo o direito da parte requerente de não
continuar a ser tributada, frente a ameaça concreta, considerando a
inconstitucionalidade do ICMS, conforme reza o artigo 150, VI, B, da CF.

d) Igualmente, que seja julgada procedente a demanda para fins de condenar a


parte requerida, a fim de restituir os tributos pagos mensalmente entre os meses
de Janeiro até Abril de 2017, no valor de R$ 100.000,00. Tais valores deverão ser
corrigidos através da correção monetária a partir do pagamento indevido, na
forma da súmula 162 do STJ, e com juros moratórios a partir do trânsito em
julgado, conforme Súmula 188 do STJ e art. 167, § único do CTN.

e) Seja possível a produção de todas as provas admitidas em direito,


principalmente testemunhal, documental e pericial, na forma do artigo 319, VI, do
CPC.

f) A parte requerente vem informar que não deseja a audiência de conciliação e/ou
mediação, na forma do artigo 319, VII, do CPC.

g) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as


custas processuais, na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários
advocatícios, na forma do artigo 85 do CPC.

42
Valor da Causa: R$ 100.000,00.
Nestes termos, pede deferimento.
Local ... Data ...
Advogado ... OAB ...

Após realizados os estudos sobre a Ação Declaratória, passaremos à famosa Ação


Anulatória.

O fundamento legal básico da presente demanda encontra-se esculpido no artigo


38 da Lei nº 6.830/80. Outrossim, quando do ajuizamento, igualmente, o requerente
deverá vislumbrar os requisitos do artigo 319 do CPC.

A presente ação anulatória de débito fiscal tem por finalidade a anulação de


lançamento tributário que seja viciado (ilegal). Sendo assim, jamais esqueça: para você
utilizar a presente demanda é necessário a notícia de constituição de crédito tributário.

Outra questão que é de extrema valia é aquela que fala sobre depósito para
ingresso da demanda. Conforme já deve ser de seu conhecimento, por intermédio da
Súmula Vinculante nº 28, o STF compreendeu não ser possível a exigência de qualquer
depósito para o ingresso de demanda judicial.

Lembre-se que para suspender não bastará o ajuizamento da ação, visto que você
muito possivelmente terá que suspender: por meio de depósito integral em dinheiro ou
por meio da tutela provisória. A regra na sua demanda será solicitar tutela provisória.
Depósito: é uma escolha do contribuinte. Ninguém será obrigado a depositar e
poderá ser realizado em qualquer fase do processo. O depósito interrompe fluência dos
juros e correção. Logo, se perder a ação no máximo será conversão.

COMO FAÇO NA PROVA? Depósito ou tutela de urgência? O enunciado da questão


irá te direcionar. Se o problema falar em falta de dinheiro ou quebrado, te socorre da
tutela de urgência. E se o problema falar em condições ou meios pelo cliente, te socorre
do depósito integral em dinheiro. Assim, na prova, o que você deverá fazer? Optar entre

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depósito ou tutela de urgência. Mas se ficar na dúvida pede inicialmente a tutela de
urgência e em caso de não concessão, peça depósito.

Ademais, a ação anulatória poderá ser utilizada para toda e qualquer espécie de
tributo.

Lembre-se que: ação Anulatória → rito ordinário comum. Logo, a única dúvida que
você poderá ter é se é MS Repressivo ou ação Anulatória. E aí o que você fará, primeiro
descarte se não é mandado de segurança:

• Rito mais célere.


• Rito menos custoso.
• Preferência no julgamento.
• Não tem honorários sucumbenciais.
• Não tem dilação probatória.

Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente
demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada
neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado
com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários.

44
Enunciado da Peça
Equipamentos (partes e peças) que estavam sendo transportados para a empresa Micro
Informática Ltda. e que seriam utilizados em sua produção foram apreendidos, sob a alegação
da Secretaria de Arrecadação Estadual de que a nota fiscal que os acompanhava não
registrava uma diferença de alíquota devida ao Fisco e não teria havido, portanto, o
recolhimento do imposto. Na ocasião, houve o auto de infração e foi realizado o respectivo
lançamento. A empresa, que tem uma encomenda para entregar, procura você, na condição
de advogado, para a defesa de seus interesses. Na qualidade de advogado da empresa Micro
Informática, apresente a peça processual cabível para a defesa dos interesses da empresa,
empregando todos os argumentos e fundamentos jurídicos cabíveis.

Obs: para esta peça caberá também M. Segurança.

Resolução da Peça

Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca ... do Estado ...

Micro Informática Ltda., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., com
atos constitutivos em anexo, endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem por meio de seu
procurador (procuração em anexo), este devidamente estabelecido ..., local onde receberá
intimações, perante Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 38 da Lei 6.830/80, propor a
presente:

AÇÃO ANULATÓRIA COM PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA

Em face do Estado ..., pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço
eletrônico ..., estabelecido ..., neste ato representado por seu procurador, nos termos do
artigo 75, II, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.

I – Cabimento
Reza o artigo 38 da LEF que é possível o ajuizamento de ação anulatória para questionar
legalidade de ato, lançamento ou penalidade que seja realizada de maneira equivocada, ou
seja, para fins de discussão judicial.

Ocorre, no presente caso, que houve apreensão das mercadorias e a consequente realização
do lançamento por tributo compreendido como não satisfeito por parte da Secretaria
Estadual de Arrecadação.

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Sendo assim, diante da ilegalidade da apreensão da mercadoria (equipamentos = partes e
peças), torna-se possível o ajuizamento da presente ação anulatória a fim de liberar a
mercadoria apreendida.
Por fim, torna-se igualmente possível o ajuizamento, diante do preenchimento dos
requisitos dispostos no artigo 319 do CPC.

II – Dos Fatos
Ocorre que a empresa requerente teve apreensão de suas mercadorias (equipamentos =
partes e peças) com o intuito de fazer pagar tributo. Assim, procedeu a Secretaria de
Arrecadação Estadual, diante do alegado não recolhimento da diferença de alíquota de
imposto, com a retenção das mercadorias pertencentes à empresa. Considerando a
necessidade de entrega dos equipamentos elaborados pela empresa requerente, não restou
outra alternativa senão procurar o Poder Judiciário a fim de realizar a prestação
jurisdicional e resolver a celeuma criada.

III – Dos Direitos


Reza a Súmula 323 do STF que é vedado ao fisco a apreensão/retenção de mercadoria com
o intuito de exigir tributo. No presente caso, ocorreu que a Secretaria de Arrecadação
Estadual resolveu apreender as mercadorias da empresa requerente, tendo em vista sua
interpretação de falta de recolhimento de imposto no que tange a diferença de alíquota.
Sendo assim, considerando o que disposto na Súmula acima elencada, compreende-se pela
não legalidade da referida apreensão, eis que a empresa depende destes equipamentos para
produzir e dar sequência às suas atividades.

Reza o artigo 170 da Constituição Federal, que as empresas terão livre iniciativa para
produzir e, assim, introduzir mercadorias junto ao mercado comercial. Ocorre no presente
caso, diante da apreensão indevida, que a empresa Micro Informática está impossibilitada
de colocar seu produto no mercado. Sendo assim, a presente apreensão igualmente fere o
princípio da livre iniciativa, conforme o artigo acima exposto.

É defeso (vedado/proibido) que a administração pública impeça ou faça cessar de forma


unilateral a atividade profissional do contribuinte, para compeli-lo ao pagamento de
tributo, uma vez que tal procedimento redundaria no bloqueio de atividades lícitas, mercê
de hipótese de autotutela, medida excepcional ante o monopólio da jurisdição. Diante disso,
considerando o disposto na Súmula 323 do STF e artigo 170 da Constituição, compreende-
se pela total ilegalidade e inconstitucionalidade do ato.

IV – Tutela Provisória de Urgência

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Reza o artigo 294 do CPC que poderá a parte requerente solicitar tutela provisória. Ademais,
o mesmo artigo menciona a possibilidade de solicitar tanto tutela de urgência, quanto de
evidência. Para o presente caso torna-se amplamente possível a solicitação da tutela de
urgência, na forma do artigo 300 do CPC, diante do preenchimento dos requisitos de
probabilidade de direito e do perigo de dano.

A probabilidade do direito resta devidamente comprovada, eis que houve apreensão ilegal
das mercadorias, conforme reza a Súmula 323 do STF e a ofensa ao princípio da livre
iniciativa, conforme reza o artigo 170 da CF.

Igualmente, resta preenchido o requisito de perigo de dano, eis que a empresa depende dos
equipamentos para produzir e tem encomenda para entregar.

Diante do que exposto, restam preenchidos os requisitos do artigo 300 do CPC, para que se
libere as mercadorias.

V – Dos Pedidos
Ante o exposto, requer:

a) o deferimento da tutela provisória de urgência, na forma do artigo 294 do CPC, mais


notadamente da tutela de urgência, na forma do artigo 300 do CPC, uma vez presentes os
requisitos da probabilidade do direito e do perigo de dano, para que sejam liberadas as
mercadorias apreendidas.

b) Caso não seja possibilitada e concedida a tutela de urgência, que seja oportunizado o
depósito a fim de suspender a exigibilidade do crédito, na forma do artigo 151, II, do CTN e
a consequente liberação das mercadorias apreendidas.

c) Seja julgada procedente a demanda a fim de liberar as mercadorias apreendidas, eis que
foram realizadas de forma ilegal, na forma do artigo 170 da CF e da Súmula 323 do STF.

d) Seja possível a produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente:


documental, testemunhal e pericial, na forma do artigo 319, VI, do CPC.

e) Seja a parte contrária citada para que, caso queira, no prazo hábil, venha oferecer
contestação da presente demanda.

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f) A parte não deseja que seja designada audiência de conciliação ou mediação, nos termos
do artigo 319, VII, do CPC.

g) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas
processuais, na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios, na forma do
artigo 85, §3º do CPC.

Nestes termos, pede deferimento.


Valor da Causa: R$ ...
Local ... Data ...
Advogado ... OAB ...

48
AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO

O fundamento legal básico da presente demanda encontra-se esculpido no artigo


164 do CTN. Outrossim, quando do ajuizamento, igualmente, o requerente deverá
vislumbrar os requisitos do artigo 319 do NCPC.

A presente demanda tem por finalidade garantir ao contribuinte o direito de pagar


o tributo devido. Para feitos iniciais é importante dizer que caberá a utilização da presente
demanda quando houver resistência por parte do ente público, houver dúvida para quem
deve ser pago o tributo (exigência de mais de um ente) ou exigência de pagamentos (por
exemplo penalidades – exigências administrativas) que não dizem respeito ao tributo que
deverá ser satisfeito.

Igualmente, é importante salientar que se a demanda for julgada procedente,


obviamente após o trânsito em julgado da decisão, a importância depositada (consignada)
será convertida em renda, ocorrendo, assim, a extinção do crédito tributário, na forma do
artigo 156, VIII, do CTN.

Agora, se a consignação for julgada improcedente, o Ente Público Competente


poderá cobrar o crédito tributário, acrescido de juros, assim como eventuais penalidades
cabíveis.

Outrossim, conforme o STJ, a consignatária também servirá, conforme já dito, para


consignar crédito tributário que tenha sido exigido pelo Ente Público em quantia superior.

Agora, jamais teremos, por exemplo, a ação consignatária para:


• Discutir possibilidade de exigência tributária.
• Obter concessão de parcelamento, anistia ou moratória.
• Reconhecimento de pagamento (compensação de tributo) através de títulos da
dívida pública.

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Lembre-se, antes de mais nada, que também teremos previsão legal de
consignação nos artigos 539 e seguintes do CPC. Temos artigos importantes nele, como
por exemplo:

• Artigo 540 do CPC = consignação do lugar do pagamento.


• Artigo 542 do CPC = relatório dos nossos pedidos.

Igualmente, é importante ressaltar que na Ação de Consignação em Pagamento o


depósito não será faculdade da parte para consignar em pagamento = tenho que
depositar, conforme o artigo 542, I, do CPC.

Ademais, se houver mais de um réu na demanda: requer citação para contestarem


caso queiram, com fundamento no artigo 547 do CPC. Entretanto, se houver somente um
réu na demanda, requer citação para contestar, caso queira, com fundamento no artigo
542, II, do CPC.

Se um dos réus for a União, independentemente do outro: Será competente a


Justiça federal.

Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente
demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada
neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado
com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários.

Enunciado da Peça
Xisto da Silva, brasileiro, administrador, solteiro, portador da carteira de identidade nº. xxxx
e CPF nº. xxx, residente e domiciliado na Rua X, nº. xxx, bairro Z, Município Y, Estado F, recebeu
cobrança simultânea, por meio de uma mesma guia de documento fiscal, de dois tributos: IPTU
e Taxa de Conservação das Vias e Logradouros Públicos (TCVLP). No caso da referida taxa,
certo é que o contribuinte não concorda com sua cobrança, o que o levou, por meio de seu
advogado, a ajuizar ação judicial a fim de declarar sua inconstitucionalidade, havendo pedido
liminar, ainda não apreciado para afastar a obrigatoriedade do recolhimento da referida
exação fiscal. Por outro lado, em relação à cobrança do IPTU, pretende o contribuinte efetuar

50
o seu pagamento. No entanto, a guia de pagamento é única e contém o valor global dos
referidos tributos, tendo o banco rejeitado o pagamento parcial relativo somente ao IPTU.
Nesse caso, considerando que o IPTU ainda não está vencido, bem como o contribuinte não
obteve êxito para solucionar seu problema na esfera administrativa, elabore a peça adequada
para efetuar o pagamento do imposto municipal, com base no direito material e processual
pertinente. Utilize todos os argumentos e fundamentos pertinentes à melhor resposta.

Resolução da Peça

Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública da Comarca ... do Estado ...

Xisto da Silva, brasileiro, solteiro, administrador, portador da identidade nº XXX, inscrito


no CPF sob o nº XXX, endereço eletrônico ..., residente e domiciliado na Rua X, nº XXX, Bairro
Z, Município Y, Estado F, vem por meio de seu procurador (procuração em anexo),
estabelecido ..., local onde receberá suas intimações, à presença de Vossa Excelência, com
fundamento no art. 164, I, do CTN, art. 539 e seguintes do CPC, ingressar com a presente:

AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO COM DEPÓSITO

Em face do Município ..., pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ...,
estabelecido ..., endereço eletrônico ..., neste ato representado pelo seu procurador, na
forma do artigo 75, I, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.

I – Do Cabimento
Tendo em vista a necessidade e possibilidade do requerente de satisfazer somente o tributo
que de fato é devido, torna-se necessário o ajuizamento da presente consignação em
pagamento, com fulcro no artigo 164, I, do CTN.

Justifica-se a presente demanda, eis que é direito do requerente o pagamento do tributo


sem a exigência de outro, por se tratar de obrigações autônomas, sendo assim, plenamente
possível a consignação do valor devido daquele tributo que de fato pode ser cobrado pela
Fazenda Pública Municipal.

II – Do Depósito
Considerando o que disposto no artigo 542, I, do CPC, deseja a parte solicitar que seja
expedida guia para depósito do valor que está sendo tributado, a fim de cumprir com o que
disposto na norma.
III – Dos Fatos

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Conforme enunciado, o Sr. Xisto da Silva recebeu do Município ... cobrança de IPTU
cumulada com a cobrança de taxa de limpeza e conservação de logradouro público. Ocorre
que o requerente compreendeu que a cobrança da presente taxa é inconstitucional, e por
isso já ajuizou demanda requerendo o reconhecimento de sua inconstitucionalidade
através de seu procurador. Ademais, até a presente data não foi apreciado o pedido liminar.

Outrossim, com o intuito de fazer pagar os dois tributos, a fazenda municipal lançou guia
de pagamento cobrando eles juntos, ou seja, o IPTU e a taxa acima descrita. Logo, tentou o
requerente efetuar o pagamento somente do IPTU, fato este que lhe fora negado, tendo em
vista a negativa de recebimento por parte da instituição bancária, eis que na guia estava
expresso o pagamento único dos dois tributos.

Diante disso, por compreender indevido o pagamento da taxa, tentou o requerente entrar
com procedimento administrativo para satisfazer o seu intento de pagar somente o IPTU.
Recurso administrativo este que lhe fora negado pela fazenda municipal. Sendo assim, não
resta outra alternativa ao requerente a não ser de provocar o Poder Judiciário, a fim de que
seja recebido o tributo realmente devido, mas que seja possibilitado o pagamento somente
deste.

IV – Do Direito
Considerando que a parte requerente não obteve êxito no pagamento do tributo que
realmente é devido, tornou-se necessário o presente ajuizamento da demanda. Ocorre que
não poderá a Fazenda Pública Municipal exigir dois tributos de maneira simultânea, ou seja,
cobrar na mesma guia a satisfação do IPTU e da taxa em conjunto, com fulcro no artigo 164,
I, do CTN.

Ademais, conforme expresso no enunciado, além de não poder cobrar em conjunto o


pagamento de dois tributos, a presente taxa cobrada é de fato inconstitucional, eis que é
cediço no direito brasileiro que taxa somente poderá ser exigida quando for específica e
divisível, ou seja, que possa ser vista por aquele que recebe, in casu contribuinte, e
detalhada por parte daquele que presta o serviço, in casu, o município.

Outrossim, com fundamento no art. 145, da CF, não se pode compreender como possível a
exigência da presente taxa, eis que é inconstitucional e está sendo discutida em ação
autônoma. Sendo assim, exigir dois tributos na mesma guia torna-se exigência ilegal, eis que
cada tributo tem sua constituição de maneira autônoma.

V – Da Suspensão da Exigibilidade

52
O requerente encontra-se totalmente respaldado no que tange a possibilidade de consignar
o valor que de fato é devido, na forma do art. 164, I, do CTN. Considerando que, caso não
ocorra a suspensão da exigibilidade do crédito, poderá o requerente sofrer execução fiscal,
vindo a lhe prejudicar em seus negócios e sua vida pessoal. Deseja o requerente, com
fundamento no art. 151, II, do CTN, que seja deferida a suspensão da exigibilidade do
crédito tributário, considerando a realização do depósito integral do IPTU devido.
Igualmente, foi observado o depósito integral em dinheiro, conforme leciona a Súmula 112
do STJ.

VI – Dos Pedidos

Ante o exposto, requer:

a) Que seja deferida por Vossa Excelência a suspensão da exigibilidade do crédito tributário,
na forma do art. 151, II, do CTN, uma vez ter realizado o depósito de forma integral e em
dinheiro, conforme leciona a Súmula 112 do STJ.

b) Que seja deferida a possibilidade de realização do depósito integral em dinheiro até como
forma de suprimento da condição da ação de consignação em pagamento, na forma do
artigo 542, I do CTN.

c) Que seja julgada procedente a presente demanda, com a consequente extinção do crédito
tributário, com fundamento no art. 156, VI e VIII, do CTN combinado com o art. 164, §2º do
CTN.

d) Seja possível a produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente:


documental, testemunhal e pericial, na forma do artigo 319, VI, do CPC.

e) Seja a parte contrária citada para que, caso queira, no prazo hábil, venha oferecer
contestação da presente demanda.

f) A parte não deseja que seja designada audiência de conciliação ou mediação, nos termos
do artigo 319, VII, CPC.

g) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas
processuais, na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios, na forma do
artigo 85, §3º do CPC.

53
Nestes termos, pede deferimento.
Valor da Causa R$ ...
Local ... Data ...

54
AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO

O fundamento legal básico da presente demanda encontra-se esculpido no artigo


165 do CTN. Outrossim, quando do ajuizamento, igualmente, o requerente deverá
vislumbrar os requisitos do artigo 319 do NCPC.

Logo, a regra é bastante clara: utiliza-se a presente ação quando houver pagamento
a maior ou indevido. Ademais, bastará a comprovação do pagamento para que seja
realizado o pedido de repetição de indébito tributário.

Assim, a presente ação serve para recuperar o que foi pago indevidamente.
Independentemente de motivo, possui-se direito. Não é preciso comprovar motivação do
pagamento. Trata-se de ação condenatória.

Quando da condenação em repetição, teremos um título que, via de regra, será


precatório. Terá que observar a ordem de inscrição e o sistema de pagamento, conforme
o artigo 100 da CF, mas poderemos buscar a repetição via compensação. Veja, portanto,
que na repetitória posso utilizar-me para adimplir legislação específica de cada ente
competente.

Assim, quando do pagamento indevido ou a maior tenho duas possibilidades, na


forma do art. 168 do CTN = tenho 5 anos para buscar. Seja pela via administrativa, seja
pela via judicial. Lembre-se, se optar pela via judicial, renuncia-se a administrativa.

Caso opte pela via administrativa e venha a perder (denegar) o pedido, da decisão
denegatória, terei 2 anos para buscar, conforme reza o artigo 169 do CTN. Via ação de mão
dupla: anulação e condenação.

55
Posso repetir tributo pago prescrito ou decaído? Sim, conforme o artigo 156 do
CTN, são formas de extinção. Se paguei indevidamente tributo prescrito ou decaído, eram
indevidos, e conforme o artigo 165, I, do CTN, gerarão direito de repetição.
O principal motivo da presente ação é evitar o enriquecimento ilícito. Outrossim, é
importante também alertar que o requerente não precisará esgotar as vias
administrativas (ou sequer ir para ela) para recorrer à via judicial.

Vale dizer que: conforme o STJ o pedido administrativo não suspende/interrompe


o prazo para o contribuinte entrar com a ação de Repetição de Indébito Tributário.
O prazo para entrar com a demanda será de 5 anos da extinção do tributo ou da
decisão definitiva que der ganho de causa para o contribuinte.

MODO DE PAGAMENTO (JUROS E CORREÇÃO) - O artigo 167, § único, do CTN. A


Súmula 188 do STJ afirma que os juros moratórios serão devidos do Trânsito em Julgado.
Mas no que tange a correção monetária não existe previsão legal. O STJ afirma ser do
pagamento indevido. Vide Súmula 162 do STJ.

Mas atenção, esta regra vale:


- Para tributos estaduais.
- Para tributos distritais.
- Para tributos municipais.

Para tributos federais: aplico a taxa SELIC. Correção e juros embutidos na mesma
taxa, na forma do artigo 39, §4º da Lei 9.250/95. MAS CUIDADO: têm Estados e Municípios
que já aplicam a taxa SELIC, portanto, se na prova nada falar vai para a regra geral.

Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente
demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada
neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado
com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários.

56
Enunciado da Peça

Lei Ordinária Municipal, publicada em 05/01/2015, estabeleceu, entre outras providências


relacionadas ao ISS, a majoração da alíquota para lavagem de veículos pesados de 3% para
4%, com vigência a partir de 05/02/2015. Considerando que a Lavagem Fausto Silva recolhia
no ano de 2014, a título de tributo, o valor de R$ 10.000,00, com base na contratação dos seus
serviços por construtoras locais, com a majoração da alíquota acima mencionada incidente
sobre sua atividade, passou a recolher mensalmente o valor de R$ 20.000,00. Entretanto, as
referidas construtoras exigiram e obtiveram o desconto do valor do aumento do tributo,
alegando que seria indevido. Assim sendo, o contribuinte do ISS se submeteu ao aumento desse
imposto durante o período relativo aos meses de Março de 2015 até Dezembro de 2015. Ocorre
que, em Fevereiro de 2016, mediante notícia veiculada no Facebook, o representante legal
dessa empresa teve o conhecimento da propositura de ações deflagradas por empresas
concorrentes questionando a ilegalidade do aumento do ISS. Dessa forma, na qualidade de
advogado da Lavagem Fausto Silva, formule a peça adequada para a defesa dos seus interesses
de forma completa e fundamentada.

Resolução da Peça

Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca ... do Estado ...

Lavagem Fausto Silva, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., com
atos constitutivos em anexo, endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem por meio de seu
procurador (procuração em anexo), este devidamente estabelecido ..., local onde receberá
intimações, perante Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 165, I, 166 do CTN propor a
presente:

AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO

Em face do Município ..., pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ...,
endereço eletrônico ..., estabelecido ..., neste ato representada por seu procurador nos
termos do artigo 75, III, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.

I – Cabimento & Tempestividade


Reza o art. 165, I, do CTN que se torna possível a restituição em face de pagamentos
realizados pelo contribuinte de forma indevida ou à maior. Ocorre no presente caso que o
pagamento fora realizado pela parte requerente de maneira indevida. Portanto, está
presente o requisito para o ajuizamento da presente demanda.

57
Reza o art. 166 do CTN que poderá o requerente buscar a restituição de tributos pagos
indevidamente ou à maior quando, no caso de tributação indireta, ou seja, na presença de
repercussão tributária, ficar demonstrado que não houve repasse do tributo satisfeito.

Igualmente, leciona a Súmula 546 do STF que caberá a presente restituição quando
comprovar-se que não houve repasse e/ou repercussão. Assim, diante do caso previsto no
enunciado, fica claro que o requerente não repassou o encargo para as empresas que se
utilizam do seu serviço. Portanto, resta claro a comprovação de que não houve o repasse ao
consumidor final, ou seja, o contribuinte de fato, sendo possível o ajuizamento da respectiva
restituição, contrariando o que disposto na Súmula 71 do STF.

Reza o artigo 168, I, do CTN, cumulado com o artigo 3º da Lei Complementar 118/05, que o
prazo para a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação ocorrerá no
prazo de 5 anos contados do pagamento indevido realizado de forma antecipada. Diante
disso, resta claro, no presente enunciado, que não transcorreu o presente prazo, sendo
cabível, portanto, a possibilidade de restituição.

Por fim, e não menos importante, torna-se necessário salientar que, conforme comprovação
em anexo, junta-se a guia de pagamento de tributo indevido, comprovando-se, assim, a
condição para a ação.

II – Dos Fatos
Conforme expresso no enunciado, a Lavagem Fausto Silva fora compelida a satisfazer
alíquota de ISSQN majorada em 05/01/2015, através de lei ordinária, a partir de
05/02/2015. Igualmente, tal alíquota majorada redundou à empresa requerente aumento
no pagamento mensal do referido tributo de R$ 10.000,00 para R$ 20.000,00. Outrossim, tal
tributo não fora repassado aos contribuintes, tendo, portanto, a requerente satisfeito eles
entre março de 2015 até dezembro de 2015. Diante do pagamento do tributo majorado por
10 meses, a Lavagem Fausto Silva fora cientificado, em fevereiro de 2016, que tal
contribuição seria indevida, fato este que culminou na busca por um advogado. Não
restando outra alternativa, frente a inconstitucionalidade, faz-se necessário o ingresso da
presente demanda, a fim de buscar a devolução do pagamento destes tributos.

III – Dos Direitos


Reza o artigo 150, III, B e C da CF que os tributos, via de regra, majorados ou criados, deverão
atender ao princípio da anterioridade do exercício e da anterioridade nonagesimal. Ocorre
no presente caso, que a empresa requerente fora compelida a satisfazer a alíquota majorada
de 3% para 4%, após apenas um mês de publicação da demanda. Diante disso, considerando

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a inobservância do princípio da anterioridade do exercício, ou seja, a possibilidade de
exigência do tributo somente após o primeiro dia útil do exercício seguinte, e, da
anterioridade nonagesimal, ou seja, a possibilidade da exigência do tributo após 90 dias da
sua publicação, compreende-se que os pagamentos realizados pelo requerente foram
ilegais, eis que realizados após 1 mês da publicação da norma majorante.

Reza o artigo 8º da Lei Complementar 116/03 que a alíquota máxima de ISSQN poderá ser
de até 5%. Ocorre no presente caso que tal alíquota fora majorada para 4%. Diante disso,
compreende-se da legalidade de tal majoração, cumprindo, assim, a municipalidade com o
princípio da legalidade.

IV – Do Modo de Correção e Juros Moratórios

Reza a Súmula 162 do STJ que o valor do tributo pago indevidamente ou à maior deverá ser
corrigido monetariamente a partir do pagamento indevido. Igualmente, reza a Súmula 188
do STJ e o artigo 167, §º único do CTN que os juros moratórios deverão incidir a partir do
trânsito em julgado da demanda. Considerando que se trata de tributo de competência
municipal, deseja a parte requerente que o valor pago indevidamente seja corrigido a partir
do pagamento indevido e os juros moratórios incidam a partir do trânsito em julgado da
demanda.

V – Dos Pedidos
Ante o exposto, requer:

a) Seja a parte contrária citada para que, caso queira, no prazo hábil, venha oferecer
contestação da presente demanda.

b) A parte não deseja que seja designada audiência de conciliação ou mediação, nos termos
do artigo 319, VII, do CPC.

c) A produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente a juntada das guias


de pagamento dos tributos, assim como prova documental e pericial, na forma do art. 319,
VI, do CPC.

d) A procedência da presente demanda, a fim de condenar a parte requerida, para que


restitua os tributos pagos mensalmente entre os meses de março até dezembro de 2015, no
valor de R$ 100.000,00. Tais valores deverão ser corrigidos através da correção monetária
a partir do pagamento indevido, na forma da súmula 162 do STJ, e com juros moratórios a
partir do trânsito em julgado, conforme súmula 188 do STJ e art. 167, § único do CTN.

59
e) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas
processuais, na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios, na forma do
artigo 85, §3º do CPC.

Valor da Causa: R$ 100.000,00.


Nestes termos, pede deferimento.
Local ... Data ...
Advogado ... OAB ...

60
AÇÃO DE EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL E
REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL

O fundamento legal básico do presente instrumento de defesa encontra-se


esculpido no artigo 914 e seguintes do NCPC. Entretanto, é importante ressaltar sobre os
Embargos à Execução Fiscal, o artigo 16 da LEF.

Mas de onde nasce o Direito da Execução Fiscal? A partir do momento que existe
um crédito tributário que não foi satisfeito pelo contribuinte. Sendo assim, ocorrerá a
inscrição do débito em dívida ativa.

Ademais, a certidão de dívida ativa funciona como título executivo, cuja a mesma
será utilizada para a cobrança do crédito pelo Ente Público. Vide artigo 202 do CTN.

Outrossim, conforme Execução de Título Extrajudicial, a Execução Fiscal serve


para que seja realizado um crédito não pago, ou seja, aquele que é certo, líquido e exigível.

Tal procedimento correrá em autos apartados da Execução Fiscal e, por isso,


inclusive, alguns doutrinadores a chamam de ação autônoma. Logo, sua finalidade é de
fato proteger o contribuinte e os seus direitos.

Tais Embargos à Execução Fiscal serão ajuizados nos seguintes casos e no prazo de
30 dias:
• Intimação da penhora.
• Do depósito.
• Da juntada da prova de fiança bancária ou seguro garantia.
Jamais erre no momento da prova: a garantia do juízo é requisito para admitir os
Embargos à Execução Fiscal, assim como o prazo de 30 dias. Ademais, caberá Embargos
de qualquer espécie tributária.

Tenha atenção na hora de fazer a prova: não basta a garantia do juízo para
embargar, terá de contar o prazo de 30 dias. Se estiver fora do prazo, não cabe mais

61
embargos. Tudo isso conforme o artigo 16 da LEF. Mas se o contribuinte desejar acelerar
os embargos, nada impede que, caso tenha penhora nos autos, mesmo sem intimação, ele
ofereça os embargos à execução. Até porque ninguém garante juízo para anulatória ou
exceção.

Mera propositura dos embargos suspenderá a execução? Não. Logo, o bem em


garantia poderá ser vendido. E o que faço para suspender? Depósito integral em dinheiro
(exceção) ou o requerimento do efeito suspensivo (regra).

E como faço requerimento do efeito suspensivo? O art. 294 do CPC fala sobre tutela
provisória, observando o que disposto no art. 919, §1º, do CPC.

Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente
demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada
neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado
com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários.

Enunciado da Peça
Em 10.05.2005 Livina Maria Andrade arrematou judicialmente um imóvel por R$ 350.000,00
localizado no Município de Rancho Queimado. Recolheu o ITBI, com base no valor arrematado
em juízo. A Sra. Livina Maria Andrade é agricultora e utiliza o imóvel para a produção agrícola
e pecuária. O imóvel está dentro da zona urbana definida por lei pelo Município, já que a rua
onde se encontra o imóvel é asfaltada e o Município fornece água e sistema de esgoto sanitário.
Em 10.05.2008 recebeu notificação fiscal exigindo diferenças no valor do ITBI pago por
ocasião da aquisição judicial do imóvel. O Fisco Municipal entendeu que o tributo deveria ser
calculado com base no valor da avaliação judicial realizada no processo de execução, no qual
ocorreu a arrematação (R$ 380.000,00). A Sra. Livina permaneceu inerte e foi inscrita em
dívida no dia 10.08.2008. Em 10.06.2010 foi citada em execução fiscal proposta pelo Município
de Rancho Queimado para a cobrança do ITBI e do IPTU dos anos de 2007, 2008 e 2009, os
quais nunca foram pagos. A Sra. Livina teve bens penhorados em 10.07.2010 e lhe procurou,
em 20.07.2010, para a defesa de seus direitos. Na qualidade de advogado da Sra. Livina,
elabore a peça processual que melhor atenda o seu direito, especificando seus fundamentos.

Resolução da Peça

62
Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca de Rancho Queimado
do Estado ...

Distribuição por dependência


Aos autos do processo nº ...

Livina Maria Andrade, brasileira, estado civil ..., agricultora, inscrita no CPF sob o nº ...,
endereço eletrônico ..., residente e domiciliada ..., por meio de seu advogado (com
procuração anexa), estabelecido ..., local onde receberá intimações, com fulcro no art. 16 da
Lei 6.830/80, vem à presença de vossa excelência opor:

EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL COM PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO

Em face do Município de Rancho Queimado, pessoa jurídica de direito público, inscrita no


CNPJ sob o nº ..., estabelecida ..., neste ato representada por seu prefeito ou procurador, nos
termos do art. 75, III do CPC, em face dos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.

I – Cabimento
Nos termos do art. 16 da lei de execução fiscal, poderá a parte executada apresentar
embargos à execução fiscal se existir garantia do juízo e a observância do prazo de 30 dias.

No presente caso houve penhora dos bens de Livina, ocorrendo, assim, a garantia do juízo.
Ademais, a presente embargante fora intimada da penhora no dia 10/07/2010 e procurou
seu procurador no dia 20/07/2010, ou seja, estando observado o prazo legal de 30 dias (art.
16, III, LEF).
Sendo assim, compreende-se possível o ajuizamento do presente embargos à execução
fiscal.

II – Dos Fatos
Conforme presente caso, houve ajuizamento de execução fiscal contra a Livina, tendo em
vista, segundo o ente público, o não pagamento do ITBI sobre o valor da avaliação do bem,
que foi arrematado pela embargante. Assim, não houve pagamento do IPTU referente aos
anos de 2007/2008 e 2009.

Diante do possível débito, e mediante a inscrição em dívida ativa, possibilitou ao embargado


o ajuizamento de execução fiscal para a cobrança do possível débito da embargante.

III – Dos Direitos

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Lembrar aqui que os direitos poderão ser: preliminar e mérito principal. Lembrando que
preliminar, por exemplo, poderá ser eventual nulidade de CDA, conforme o que previsto no
art. 202 do CTN.

Conforme reza o art. 15 do decreto lei 57/66, não será objeto de cobrança de IPTU imóvel
situado em zona urbana, cuja utilização seja realizado para fins rurais.

Ocorre, no presente caso, que Livina utiliza o imóvel arrematado para fins de produção
rural, tal seja, agricultura e pecuária. Diante disso, compreende-se que torna-se, mesmo
com a presença dos elementos do IPTU (art. 32, §1º do CTN), impossível cobrar IPTU da
embargante, considerando a previsão do art. 15 do decreto lei 57/66.

Ainda, conforme reza o art. 38 do CTN, o ITBI será satisfeito com base no valor venal do bem
que fora transmitido. Ocorre no presente caso que Livina satisfez o valor do ITBI com base
no valor da arrematação. Sendo assim, ilegal a cobrança do ITBI com base no valor da
avaliação judicial. Posto isso, compreende-se ilegal a cobrança do ente público com base no
valor da avaliação judicial do bem arrematado, uma vez observado o que disposto no art. 38
do CTN.

IV – Do Efeito Suspensivo

Nos termos do art. 919, §1º do CPC o magistrado poderá deferir o efeito suspensivo da
execução fiscal, mediante requerimento do embargante, e presentes os requisitos da tutela
provisória.

No presente caso, estão presentes os requisitos da tutela provisória, conforme artigo 294
do CPC. Ademais, restam configurados, igualmente, os requisitos do art. 300 do CPC, uma
vez presente a probabilidade do direito e o perigo de dano.

Ocorre a probabilidade do direito, eis que observou a embargante o que disposto no art. 38
do CTN (pagamento do ITBI com base no valor da arrematação), assim como não deverá
satisfazer o IPTU, uma vez que o imóvel tem exploração notadamente rural, conforme reza
o art. 15 do decreto lei 57/66.

Também ocorre o perigo de dano, eis que, caso tenha que satisfazer o valor cobrado, poderá
posteriormente a embargante ajuizar ação de repetição de indébito, tendo que
possivelmente receber tais valores através de precatória, conforme reza o art. 100 da
constituição federal. Ademais, se fizesse tal pagamento poderia acarretar danos a sua

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pessoa e família. Diante disso, além de estar garantida a execução fiscal, restam presentes
os requisitos do art. 919, §1º, cumulados com os artigos 294 e 300 do CPC.

V – Dos Pedidos
Ante o exposto, requer:

a) a concessão do efeito suspensivo dos embargos para suspender a execução fiscal, eis que
presentes os requisitos da probabilidade do direito e perigo de dano. Tudo isso, conforme
art. 919, §1º, cumulado com os artigos 294 e 300 do CPC.

b) A intimação do município para que, caso queira, venha impugnar os embargos no prazo
de 30 dias, designando, igualmente, audiência de instrução e julgamento, nos termos do art.
17 da LEF.

c) A procedência dos embargos à execução fiscal, para extinção da execução, e o respectivo


cancelamento das dívidas ativas referente ao ITBI e IPTU lançados, contrariando o que
disposto, respectivamente, nos artigos 38 do CTN e 15 do decreto lei 57/66.

d) A produção de prova admitida em direito, assim como a juntada de documento e do rol


de testemunhas, conforme reza o art. 16, §2º da LEF.

e) A condenação da parte embargada nos ônus sucumbenciais. Notadamente em custas


judiciais, conforme reza o art. 82, §2º do CPC e dos honorários sucumbenciais, conforme
reza o art. 85, §3º do CPC.

Valor da Causa: R$ ...


Nestes termos, pede deferimento.
Local ... Data ...
Advogado ...
OAB ...

65
PETIÇÃO DE EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE

Tal petição (peça processual) não apresenta fundamento legal próprio. Mas não
esqueça de colocar a Súmula 393 do STJ.
Outrossim, para o seu ingresso não será necessária a garantia do juízo, conforme
ocorre nos Embargos à Execução Fiscal. Ademais, seu processamento será realizado
mediante simples petição, sem quaisquer autos apartados, dentro da Execução Fiscal.

Assim, vale dizer: poderão ser suscitadas via Exceção de Pré-Executividade


matérias de ordem pública e nulidades absolutas. E vamos mais longe: dentro da Exceção
não poderá existir produção probatória (tudo é pré constituído).

Tem-se admitido, inclusive, Exceção para questionar nulidade flagrante


(totalmente visível) quando houver nulidade de título ou ainda no processo. Outrossim, é
exemplo de opção para utilização da Exceção:

• Ilegitimidade de Parte.
• Falta de Condição ou Pressuposto de Ação.
• Inépcia da Inicial.
• Falta de citação regular.
• Falta de capacidade postulatória.
• Vícios de processo administrativo.
• Coisa Julgada.
• Causa Extintiva da Obrigação (Prescrição, Pagamento, Compensação).

Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente
demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça prática tratada neste capítulo. É
importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo
que serão realizadas conforme grade de horários.

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Enunciado da Peça

A União Federal ajuizou, em janeiro de 2016, Execução Fiscal contra a empresa Peppa Pig
Indústria de Brinquedos Ltda. e seus sócios Guigui e Nini. Antes da exigência de IPI, constituído
em janeiro de 2015, a Fazenda Pública Nacional inscreveu em dívida ativa a empresa
devedora. A presente execução fiscal foi ajuizada na 1ª Vara da Fazenda Pública da Seção
Judiciária do Rio Grande do Sul. Outrossim, é importante ressaltar que no contrato social da
empresa consta como sócio administrador somente o sócio Nini de forma exclusiva.
Devidamente citadas as partes, sem haver oferecimento de bens à penhora, o pagamento da
dívida ou a penhora propriamente dita de eventuais bens em nome dos executados, foi
efetuada penhora em uma Lambreta 1969 de propriedade de Guigui. Diante da penhora
realizada no bem móvel de Guigui, o mesmo foi intimado de sua realização em 20 de dezembro
de 2016. Na qualidade de advogado de Guigui redija a peça processual cabível para a defesa
do mesmo nos próprios autos da Execução Fiscal, considerando, ainda, que o cliente teve
penhora nos autos.

Resolução da Peça

Douto Juízo Federal da 1ª Vara da Fazenda Pública da Seção Judiciária do Estado do Rio
Grande do Sul

Execução Fiscal Nº ...


Exequente: União Federal.
Executados: Peppa Pig Indústria de Brinquedos Ltda.
Guigui
Nini

Guigui, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF sob o nº ..., com endereço eletrônico ...,
residente e domiciliado ..., vem respeitosamente perante Vossa Excelência, por meio de seu
advogado (procuração anexa), este com endereço profissional ..., local onde receberá
intimações, nos termos dos artigos 5º, XXXV e LV da Constituição Federal e Súmula 393 do
STJ, propor a presente:

EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE

Em face da Execução Fiscal ajuizada pela União Federal, pessoa jurídica de direito público,
inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico ..., estabelecida ..., neste ato representada

67
por seu procurador, na forma do artigo 75, I, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo
aduzidos.

I – Do Cabimento da EPE

Reza a Súmula 393 do STJ que existirá possibilidade de cabimento de Exceção de Pré
Executividade em sede de defesa em Execução Fiscal, desde que a matéria seja de ordem
pública e seja desnecessária a produção/dilação probatória.

No presente caso, existe a possibilidade de Exceção de Pré Executividade, uma vez que a
matéria a ser arguida não carece de dilação probatória e, conforme o próprio enunciado, a
defesa deverá ser realizada nos autos da Execução Fiscal. Outrossim, a matéria a ser arguida
independe de ampla produção probatória, ou seja, podendo, assim, o juiz apreciá-la de
ofício e decidir pela causa impeditiva de realização da Execução Fiscal.

Diante disso, compreende-se possível o ajuizamento da presente Exceção de Pré


Executividade, uma vez atendidos os requisitos da Súmula 393 do STJ e o que igualmente
expresso no enunciado da questão.

Por fim, vale ressaltar que a parte excipiente anexa à presente petição todos os documentos
necessários, a fim de comprovar seu direito, mais uma vez justificando a desnecessidade de
dilação probatória, uma vez que, igualmente, todas as provas necessárias são pré
constituídas.

II – Dos Fatos
O presente caso trata-se de Execução Fiscal movida pela União Federal contra a empresa
Peppa Pig Indústria de Brinquedos Ltda. e seus sócios, referente ao possível IPI devido e
não satisfeito. Ocorre que, após tentativas sem sucesso de efetuar a penhora de bens da
empresa e/ou a satisfação do crédito pelas partes, a União Federal obteve êxito na penhora
de uma lambreta registrada em nome do sócio Guigui. Considerando que o mesmo fora
intimado da penhora em 20/12/16, procurou um advogado a fim de efetuar sua defesa.

III – Dos Direitos


Reza o artigo 135, III, do CTN que somente poderá ser responsabilizado pelo pagamento de
tributos, pessoalmente, os sócios gestores que cometerem atos abusivos ou com excesso de
poderes na sua administração do empreendimento comercial.
No presente caso, houve o simples ajuizamento da Execução Fiscal contra o sócio Guigui,
que não era administrador, logo, não podendo ser responsabilizado pessoalmente por
eventuais excessos cometidos pelo sócio administrador Nini.

68
Sendo assim, compreende-se pela impossibilidade de realização da Execução Fiscal, uma
vez que Guigui não fora inscrito na CDA, assim como não poderá ser responsabilizado pela
dívida fiscal, frente ao que disposto no artigo 135, III, do CTN.

Igualmente, reza a Súmula 430 do STJ que não caberá responsabilidade de sócio pelo mero
inadimplemento de tributo.

No presente caso, houve a responsabilização do sócio pelo simples ajuizamento da


Execução Fiscal, portanto, reforçando a tese da ilegalidade da cobrança do sócio, bem como
da Execução Fiscal.

IV – Dos Pedidos
Ante o exposto, requer:

a) o recebimento da presente Exceção de Pré Executividade.

b) A intimação da parte contrária para manifestar-se e ter ciência da presente petição, na


forma do artigo 7º do CPC e artigo 5º, LV, da CF.

c) Que seja acolhida a presente Exceção de Pré Executividade e dado provimento ao pedido,
para que seja extinta a presente Execução Fiscal, extinguindo, igualmente, o crédito
tributário, nos termos do artigo 156, X, do CTN. Igualmente, deseja que seja declarada nula
a dívida cobrada e a CDA lançada, ordenando o cancelamento da inscrição em dívida ativa.

d) A inversão da condenação em custas e honorários advocatícios sucumbenciais na forma


do artigo 82, §2º e 85, §3º do CPC.

Nestes termos, pede deferimento.


Local ... Data ...
Advogado ... OAB ...

69
TEORIA GERAL DOS RECURSOS

O que é recurso? Uma ferramenta processual que pode ser questionada dentro do
processo. Um ato de caráter decisório do órgão jurisdicional que está julgando minha
causa. Poderei, portanto, me manifestar sobre uma discordância e modificar a decisão em
razão do fundamento cujo o mesmo não concordo com a decisão.

Vale ressaltar que o recurso é questão de livre arbítrio daquele que recorre. Não
existe obrigação para tanto, fora aquelas condições impostas na lei, como por exemplo,
reexame necessário.

Quais seriam os atos decisórios atacados por Recursos?

• Na Primeira Instância: Decisões Interlocutórias e Sentenças.

• Nos Tribunais: Acórdãos (Unânimes & Não Unânimes) e Decisões Monocráticas


dos Relatores (quando eles sozinhos decidem que não precisam submeter a
decisão ao colegiado).

Qual a diferença entre Decisão Interlocutória e Sentença: terminar a atuação do


juiz de primeiro grau, mesmo resolvendo o mérito (enfrenta o mérito da causa) ou não
(termina sem definir o mérito), quanto a sua decisão final, caberá sentença, assim, será o
exaurimento do processo dentro do primeiro grau. Só que entre a inicial e a sentença,
haverão decisões interlocutórias onde o juiz também precisará decidir, mas não
terminará o feito. Aqui é o exemplo da tutela antecipada ou liminar.

Já no que tange ao Tribunal. Inicialmente, cabe dizer que lá não serão mais juízes,
mas sim Desembargadores. Quando recorre alega-se erro quanto ao procedimento ou a
matéria. Assim, se busca atacar no recursos: reforma ou anulação.

70
Se existe erro de um procedimento, quando alguém desrespeita uma norma legal,
existe decisão contrariando a lei, como conduzir a forma do processo. Assim, diante deste
desrespeito, pede-se a anulação. Aqui é erro ad procedendo. Quando estou diante de um
erro anulável, pede-se ao Tribunal que, caso dê procedência ao pedido, para que seja
anulada a decisão, requerendo que o processo seja remetido novamente para julgamento.
Assim, o Tribunal não faz nova decisão.

Agora, se o feito é conduzido pelo procedimento correto, mas não concordo com o
conteúdo, aí eu peço a reforma. Aqui é erro ad judicando. Imagine que o juiz sentenciou
de maneira correta. Julgou de maneira correta, não quer dizer que ele julgou de maneira
correta. Quando eu recorrer desta sentença, no que tange ao conteúdo, vou pedir para o
Tribunal reformar a decisão, a fim de que seja proferida nova decisão para modificar
àquela. Logo, é uma decisão de caráter substitutivo.

Jamais peça procedência de recurso. Recurso você pedirá sempre provimento. Dar
provimento é dar julgamento procedente no que tange ao Recurso. Assim, o
Desembargador vai dar ou não o provimento do Recurso.

São os requisitos do recurso:

- INTRÍNSECOS:
- Cabimento (recurso certo).
- Legitimidade (legitimação, parte, prejudicada)
- Interesse (é possível)
- Inexistência de Fatos Impedidos e Extintivos do Direito de Recorrer.

- EXTRÍNSECOS:
- Tempestividade.
- Preparo.
- Regularidade Formal.

Para Resp ou RE:

71
- Pré-Questionamento.
- Esgotamento das Vias Recursais Ordinárias.

E ainda, se for RE:


- Repercussão Geral.

72
RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO, INTERNO E
APELAÇÃO

O presente recurso apresenta como fundamento legal o artigo 1.015 do NCPC. Tal
medida será utilizada pelo contribuinte quando, dentro de um processo judicial, houver
decisão interlocutória.

Outrossim, via de regra, tal medida é realizada especialmente quando:

• O juiz indeferir pedido liminar ou tutela de urgência.


• O juiz indeferir ou extinguir a petição de Exceção de Pré-Executividade.
• O juiz indeferir pedido de efeito suspensivo da Execução Fiscal.
Lembre-se que o presente recurso será utilizado SEMPRE para desafiar decisão
interlocutória proferida em sede de 1º Grau, ou seja, pelo JUIZ.

Considerando que repassamos sobre o presente recurso, vamos agora vislumbrar


uma estruturação da presente peça tratada neste capítulo. É importante dizer que o
presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas
conforme grade de horários.

Enunciado da Peça
Priscila e Márcia são sócias cotistas da Melati Indústria e Comércio Ltda., que responde por
dívida previdenciária no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Foi proposta
execução em face da pessoa jurídica e das sócias, que tramita na 2ª Vara Federal da Seção
Judiciária de Mato Grosso, em Cuiabá. As sócias apresentaram exceção de pré-executividade,
sob o argumento de que não poderiam responder pelas dívidas da empresa. O juiz não
acolheu os argumentos das sócias da empresa, mantendo os seus nomes no polo passivo da
demanda, com fundamento no art. 13 da Lei nº 8.620/1993 combinado com o art. 124, inciso
II, do Código Tributário Nacional. A decisão foi publicada em 26 de janeiro de 2006. Como
advogado (a) das sócias, tome as medidas judiciais cabíveis, e considere que a ação é
contemporânea à época visualizada no problema.

Resolução da Peça

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Ilustríssimo Senhor Presidente do Tribunal Regional Federal da ... Região

Processo de nº ...
Agravante: Priscila e Márcia
Agravada: União

Priscila, estado civil ..., profissão ..., inscrita no CPF sob o nº ..., residente e domiciliada ...,
endereço eletrônico ..., e Márcia, estado civil ..., profissão ..., inscrita no CPF sob o nº ...,
residente e domiciliada ..., endereço eletrônico ..., vem por meio de seu procurador
(procuração anexa), estabelecido ..., local onde receberá intimações, perante Vossa
Excelência, nos termos do artigo Art. 1.015, §º único do CPC, interpor o presente:

AGRAVO DE INSTRUMENTO COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA RECURSAL

Em face de decisão interlocutória que negou acolhimento da Exceção de Pré Executividade,


nas folhas ..., dos autos do processo de nº ..., que litiga contra a União, pessoa jurídica de
direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico ..., estabelecida ..., neste
ato representada por seu representante, na forma do artigo 75, I, do CPC, pelos fatos e
razões de direito abaixo aduzidas.

I – Do Cabimento e Pressupostos de Admissibilidade


Conforme reza o artigo 1.015, §º único do CPC, a decisão interlocutória proferida por juiz
em sede de processo executório, poderá ser impugnada por agravo de instrumento.

Ocorre no presente caso que as partes agravantes realizaram exceção de pré executividade
considerando a existência de execução fiscal contra as mesmas.

Diante disso, torna-se possível e cabível a interposição do presente recurso, visto que
também estão atendidos os demais requisitos intrínsecos de admissibilidade do recurso,
ou seja, as partes são legítimas na forma do artigo 996 do CPC, bem como não ocorre
nenhum fato impeditivo, extintivo do direito de recorrer, na forma dos artigos 998 até
1.000 do CPC.

II – Da Tempestividade e do Preparo
Reza o artigo 1.003, §5º do CPC que poderá ser interposto o presente recurso no prazo de
15 dias. Ocorre no presente caso que a decisão foi publicada em 26 de janeiro de 2006.
Considerando a contemporaneidade da elaboração do presente recurso, compreende-se
tempestiva a interposição do presente agravo de instrumento.

74
Rezam os artigos 1.017, §1º e 1.007 do CPC que para a interposição do presente recurso
deverá a parte efetuar o pagamento do preparo. Diante desta necessidade, solicitam as
partes agravantes a juntada do comprovante do pagamento das custas de preparo,
requisito este indispensável para a realização do presente recurso.

III – Das Peças Obrigatórias


Reza o artigo 1.016, IV, do CPC que deverá a parte agravante anexar ao seu recurso todos
os documentos e peças obrigatórias. Outrossim, previsão igual resta presente no artigo
1.017, I e §1º do CPC.

Igualmente, resta anexado ao presente recurso cópia das procurações dos procuradores
das partes, com suas devidas qualificações e endereços.

Por fim, igualmente, resta dizer o agravante que está em anexo cópia da peça portal, da
decisão interlocutória, do comprovante de intimação da decisão, da guia de recolhimento
e das cópias da inicial e contestação.

IV – Das Peças Facultativas


Reza o artigo 1.017, III, do CPC que poderá a parte recorrente, ora agravante, apresentar
no presente recurso peças de cunho não obrigatório, ou seja, facultativas. Diante disso,
apresenta as partes agravantes peças que compreendem importantes para o julgamento
do presente recurso.

V – Do Conhecimento do Juízo de 1º Grau


Reza o artigo 1.018 do CPC que para o juízo de admissibilidade do presente agravo de
instrumento deverão ser obedecidos os seguintes requisitos: a juntada da cópia no prazo
de até 3 dias do agravo de instrumento, do comprovante de interposição e dos documentos
que foram anexados ao presente agravo. Diante disso, obedece o agravante o que acima
exposto para efeitos de não existir inadmissibilidade do presente recurso.

VI – Dos Fatos
As partes agravantes peticionaram nos autos da Execução Fiscal desejando as suas
exclusões do polo passivo, visto que compreendem não serem devedoras da quantia
tributária devida à título de contribuição previdenciária.
No presente caso, houve decisão interlocutória proferida pelo magistrado não acolhendo
o pedido realizado pelas partes, fundamentando sua decisão com fulcro em lei ordinária.

75
Diante disso, não restou outra alternativa às agravantes, a não ser de interpor o presente
recurso.

VII – Do Direito - Das Razões de Reforma


Reza a Súmula 430 do STJ que os sócios gerentes não poderão ser responsáveis
automaticamente por dívida da empresa. No presente caso, além dos sócios não serem
gerentes, visto que são quotistas, não poderá ser atribuída responsabilidade para às
mesmas, eis que não podem ser responsabilizadas automaticamente. Diante disso,
considerando o que previsto na Súmula 430 do STJ, compreende-se pela impossibilidade
de buscar a responsabilização dos sócios quotistas agravantes.

Outrossim, reza o artigo 146, III, “a” e “b” da Constituição Federal que somente caberá à lei
complementar estabelecer quem serão os contribuintes e suas respectivas obrigações. No
presente caso, a decisão do magistrado foi proferida com fundamento em lei ordinária.
Diante disso, considerando o que previsto no artigo 146, III, “a” e “b” da Constituição
Federal, compreende-se pela ilegalidade de tal responsabilização, visto que não caberá à
lei ordinária legislar em matéria atinente somente à lei complementar.

VIII – Da Antecipação de Tutela Recursal


Reza o artigo 995, §º único do CPC combinado com o artigo 1.019, I do CPC que poderão as
partes agravantes solicitar a concessão da antecipação da tutela recursal.

Ocorre, no presente caso, que houve indeferimento do pedido de exclusão das sócias da
execução fiscal, sendo assim proferida decisão interlocutória.

Diante disso, resta esclarecido que as partes agravantes observam os requisitos


necessários para o provimento do pedido de tutela recursal, uma vez que estão
preenchidos os requisitos dispostos no artigo 300 do CPC, ou seja, fundamento relevante
e perigo de dano.

IX – Dos Pedidos
Ante o exposto, requer:

a) seja admitido o presente recurso, uma vez presentes os requisitos e pressupostos de


admissibilidade, mais notadamente aqueles previstos nos artigos 1.017, §1º combinado
com o artigo 1.007 e artigo 1.003, §5º, todos do CPC.
b) Seja intimada a parte agravada para que, desejando, apresente suas contrarrazões no
prazo legal de 15 dias, na forma do artigo 1.003, §5º do CPC e artigo 1.019, II, do CPC.

76
c) Seja intimado o membro do Ministério Público para que, desejando, apresente suas
considerações sobre o presente recurso, na forma do artigo 1.019, III, do CPC.

d) Seja deferida por Vossa Excelência o pedido de antecipação de tutela recursal, na forma
do artigo 995, §º único do CPC e artigo 1.019, I, do CPC.

e) Por fim, desejam os agravantes que seja provido o presente recurso de agravo de
instrumento, sendo prolatado novo acórdão, reformando-se a decisão interlocutória
indeferida, para efeitos de extinguir do polo passivo da Execução Fiscal as sócias quotistas,
com fundamento na Súmula 430 do STJ e artigo 146, III, “a” e “b”, da Constituição Federal.

Nestes termos, pede e espera deferimento.


Local ... Data ...
Advogado ... OAB ...

Após visualizarmos e compreendermos o recurso de Agravo de Instrumento,


vamos falar um pouco sobre o recurso de Apelação. O presente recurso apresenta como
fundamento legal o artigo 1.019, II do NCPC. Tal medida será utilizada quando houver
sentença, inobstante seja ela com ou sem resolução de mérito.

Mas afinal o que é sentença? Sentença é a decisão proferida pelo JUIZ, em sede de
1º GRAU, onde o mesmo encerra sua participação no processo. Vale ressaltar: via de regra,
caberá apelação, mas nem sempre será somente apelação.

É importante, ainda, ressaltar que:

• Julgou os Embargos à Execução? Apelação.


• Julgou Exceção de Pré-Executividade? Agravo.
• Acolheu Exceção e Extinguiu Execução? Apelação.
• Decisão que não concede Mandado de Segurança? Apelação.

Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre o recurso,
vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática do presente recurso tratado neste

77
capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as
aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários.

Enunciado da Peça
Em janeiro de 2007, a Fazenda Nacional lavrou auto de infração em face da pessoa jurídica
ABC, visando a cobrança de contribuições previdenciárias dos anos de 2005 e 2006. Não houve
impugnação administrativa por parte do contribuinte. Em janeiro de 2014, a Fazenda Nacional
ajuizou execução fiscal em face da pessoa jurídica ABC visando a cobrança do referido tributo.
Antes mesmo da citação da contribuinte, a Fazenda Nacional requereu a inclusão, no polo
passivo da execução fiscal, de Carlos, gerente da pessoa jurídica ABC, por entender que o não
recolhimento da contribuição é motivo para o redirecionamento da execução, o que foi
acolhido pelo Juízo da 2ª Vara de Execuções Fiscais da Seção Judiciária do Estado X. Após
garantia do Juízo, Carlos opôs embargos de execução alegando a prescrição do crédito
tributário, a ausência de responsabilidade tributária e, por fim, a nulidade da certidão de dívida
ativa, uma vez que não constava na Certidão de Dívida Ativa (CDA) o número do auto de
infração que originou o crédito tributário. No entanto, ao proferir a sentença nos embargos à
execução, o juiz julgou improcedente o pedido, determinando o prosseguimento da execução
fiscal, por entender que:
(i) Inexiste prescrição dos créditos tributários, uma vez que às contribuições previdenciárias se
aplicam os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91;
(ii) O mero inadimplemento gera responsabilidade tributária; e
(iii) A inexistência do número do auto de infração na CDA não gera a referida nulidade.
Diante do exposto, elabore, como advogado (a) de Carlos, a medida judicial cabível contra a
decisão publicada na quarta-feira, dia 21/09/2016, dia útil, para a defesa dos interesses de seu
cliente, abordando as teses, o prazo recursal, todos os fundamentos legais que poderiam ser
usados em favor do autor, ciente de que inexiste qualquer omissão, contradição e/ou
obscuridade na decisão. (Valor: 5,00)

Resolução da Peça

Douto Juízo Federal da 2ª Vara das Execuções Fiscais da Seção Judiciária do Estado...

Autos do processo nº ...


Embargante: Carlos
Embargado: União

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Carlos, nacionalidade, estado civil, inscrito no CPF sob o nº ..., com endereço eletrônico ...,
residente e estabelecido ..., vem por intermédio de seu procurador (procuração em anexo),
estabelecido este ..., local onde receberá intimações, apresentar, com fundamento no artigo
1.009 do CPC:

APELAÇÃO

Em face da sentença proferida por Vossa Excelência nos autos do processo nº ..., folhas ...,
onde litiga com a União, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ...,
endereço eletrônico ..., estabelecida ..., pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.

I – Pedidos
Ante o exposto, requer:

a) que o presente recurso seja recebido e admitido, uma vez presentes todos os requisitos
de admissibilidade.

b) Que a parte contrária seja intimada para que, caso queira, manifeste-se e apresente suas
contrarrazões recursais, no prazo de 15 dias, na forma do artigo 1,010, §1º do CPC.

c) Caso Vossa Excelência compreenda pela não observância dos requisitos de


admissibilidade, que seja observado o que disposto no artigo 1.010, §3º do CPC.

d) O presente recurso seja recebido em seu efeito suspensivo e devolutivo, na forma dos
artigos 1.012 e 1.013 do CPC.

e) Que o presente recurso seja remetido para o Tribunal Regional Federal.

Nestes termos, pede deferimento.


Local ... Data ...
Advogado ... OAB ...

DAS RAZÕES RECURSAIS

Egrégio Tribunal Regional Federal da Região ...


Doutos Desembargadores
Douto Relator Desembargador
Autos do Processo nº ...

79
Apelante: Carlos
Apelada: União

I – Cabimento
Reza o artigo 1.009 do CPC que da decisão de 1º grau onde fora proferida sentença, caberá a
interposição de recurso de apelação.

Diante disso, considerando que da sentença dos embargos não existe omissão, obscuridade
ou contradição, compreende-se possível a interposição do presente recurso para fazer
reformar a decisão proferida pelo juízo de 1º grau.

Outrossim, resta salientar que estão presentes todos os requisitos de admissibilidade, seja
aqueles extrínsecos ou intrínsecos para a interposição do presente recurso de apelação. Mais
notadamente se fazem presentes os requisitos de legitimidade, na forma do artigo 996 do
CPC. Além disso, não existe causa impeditiva ou extintiva de direito, na forma dos artigos
998 até 1000, todos do CPC. E cumpre ainda à parte apelante o requisito de forma, exposto
no artigo 1.010 do CPC.

II – Tempestividade e preparo
Reza o artigo 1.003, §5º do CPC que o presente recurso de apelação deverá ser interposto no
prazo de 15 dias úteis, igualmente, observando o que leciona o artigo 212 do CPC.

Diante da ocorrência da intimação, no dia 21/09/2016, contando o prazo em dias úteis,


compreende-se totalmente possível a interposição do presente recurso, uma vez que
tempestiva a sua realização.

Igualmente, leciona o artigo 1007 do CPC que deverá a parte apelante realizar o preparo
(custas judiciais) para que seja interposto o recurso de apelação.

Diante disso, comprova a parte apelante, conforme guia em anexo, o pagamento das custas
(preparo) para a realização da interposição do presente recurso.

III – Fatos
Doutos Desembargadores. Os presentes embargos à execução fiscal tem origem na Execução
Fiscal promovida pela União, em razão do possível inadimplemento da Pessoa Jurídica ABC,
no que tange à contribuições previdenciárias devidas e não satisfeitas.

80
Inobstante o ajuizamento da Execução Fiscal, ocorre que a União, não satisfeita em ingressar
contra a Pessoa Jurídica ABC, acabou por solicitar o redirecionamento, antes mesmo da
citação da executada, ao apelante, então sócio gerente da empresa Carlos.

Diante da não concordância de Carlos e da existência da garantia do juízo, o mesmo optou


em ingressar com Embargos à Execução Fiscal pedindo a sua procedência, tendo em vista
que: existe prescrição, não houve observância dos requisitos da CDA e não existe
responsabilidade.

Assim, diante dos Embargos interpostos, ocorre que houve sentença improcedente. Sendo
assim, diante da inexistência de obscuridade, contradição ou omissão, resolveu a parte
apelante interpor o presente recurso.

IV – Direitos
Considerando o que disposto na Súmula Vinculante nº 08 do STF compreende-se
inconstitucional a previsão legal disposta nos artigos 45 e 46 da Lei 8.21291. Além disso, os
presentes artigos são inconstitucionais em razão da não observância da necessidade de lei
complementar legislar sobre normais gerais de direito tributário, na forma do artigo 146, III,
“b”, da CF.

Diante disso, considerando a inconstitucionalidade dos artigos da lei ordinária acima


referida, compreende-se que houve prescrição das contribuições cobradas, uma vez que o
auto de infração fora lavrado em 2007 e a Execução Fiscal interposta apenas em 2014, logo,
decorridos o prazo superior a 5 anos, ocorrendo, portanto, a prescrição, na forma do artigo
174 do CTN.

Leciona, igualmente, o artigo 135 do CTN que somente poderá existir responsabilidade do
sócio gerente se houver desvio de finalidade ou excesso de poderes. Considerando a sua
inexistência, compreende-se não ser possível o redirecionamento da Execução Fiscal contra
o Sócio Gerente Carlos. Outrossim, tal fundamento também guarda relação total com o que
disposto na Súmula 430 do STJ, eis que, segundo a mesma, o mero inadimplemento de tributo
pela pessoa jurídica não gera responsabilidade automática do sócio gerente.

Leciona o artigo 202, inciso V, do CTN, que a Certidão de Dívida Ativa deverá cumprir
requisitos, e um destes é a referência ao nº do auto de infração, cujo qual o débito fora
originado. Considerando a inexistência de tal consideração na CDA, compreende-se nula a
mesma. Outrossim, tal fundamento é respaldado pela Lei 6.830/80 no seu artigo 2º, §5º, eis

81
que a nulidade de tal CDA acabou por deixar de lado o princípio básico de violação ao devido
processo legal.

V – Pedidos
Ante o exposto, requer:
a) que o presente recurso seja recebido e admitido, eis que presentes todos os requisitos de
admissibilidade, sejam os intrínsecos e os extrínsecos. Mais notadamente, estão presentes
os requisitos do preparo, na forma do artigo 1.007 do CPC e da tempestividade, na forma do
artigo 1.003, §5º do CPC.

b) Requer a possibilidade de que o relator dê provimento ao presente recurso de forma


monocrática, uma vez que a decisão viola as súmulas do STF e do STJ, conforme acima
exposto nas razões recursais, nos termos do artigo 932, V, alínea “a”, do CPC. (Nem sempre
terá – somente conforme possibilidade aventada pelo CPC).

c) Entretanto, caso Vossa Excelência compreenda não ser possível julgar monocraticamente,
que a sentença seja totalmente reformada, sendo assim, provido o presente recurso, eis que
existe prescrição, ausência de responsabilidade do sócio e nulidade de CDA.

d) Que sejam invertidos os ônus sucumbenciais fixados na sentença, condenando, assim, a


parte apelada nas custas processuais e nos honorários advocatícios.

Nestes termos, pede deferimento.


Local ... Data ..
Advogado ... OAB ...

Por fim, vamos falar sobre o Agravo Interno.

O presente recurso trata-se do grande bicho papão do Exame de Tributário que


fora objeto de cobrança até os dias de hoje. Ele servirá basicamente para questionar as
decisões proferidas por Desembargador Relator, em sede de 2º Grau (Tribunal).

O Agravo Interno apresenta como fundamento básico o art. 1.021 do CPC e deverá
ser endereçado observando o disposto no regimento interno do tribunal = decidir quem
vai julgar.

82
Ainda, é importante ressaltar que o recurso será de duas petições: folha de rosto
para relator (admissão + contrarrazões) e folha das razões para o órgão colegiado,
conforme regimento interno.

RECURSO ESPECIAL E RECURSO EXTRAORDINÁRIO

O presente recurso apresenta como fundamento legal o artigo 1.029 e seguintes do


NCPC. Ademais, apresenta-se como fundamento o artigo 105, III, “a”, da Constituição
Federal. Tal medida será utilizada quando houver acórdão (resultado de 2º Grau) que
contrarie norma federal, exemplificando, o CTN.

Agora, lembre-se de algo muito importante: ele sempre será realizado contra
decisão proferida em sede de TRIBUNAL.

Tem competência na Constituição Federal e quem julgará é o STJ.


Tem previsão no art. 105, III, da CF.
Art. 994, VI do CPC traz sua possibilidade.
Art. 1029 até 1.041 do CPC traz especificidades.

CABIMENTO: terá como objeto reformar decisão de TJ ou TRF, nos casos previstos
no art. 105, III, da CF.
Poderá ocorrer de decisão que contrarie lei federal (lei complementar, CTN), e
interpretação divergente entre tribunais.

Lembrar dos requisitos de admissibilidade: total de 9 (Pré questionamento +


Esgotamento das vias recursais ordinárias).

Considerando que repassamos por alguns tópicos sobre a presente demanda,


vamos agora vislumbrar uma estrutura do presente recurso tratado neste capítulo. É
importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo
que serão realizadas conforme grade de horários.

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Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente ou Vice Presidente do Tribunal
de Justiça do Estado ... (aqui poderá ser Tribunal Regional Federal da ... Região)

Processo n º ...
Recorrente ...
Recorrido ...

Qualificação do Recorrente (artigo 319, II, do CPC), vem por intermédio de seu advogado
(procuração em anexo), estabelecido ..., local onde receberá intimações, respeitosamente
perante Vossa Excelência, com fulcro no artigo 105, III, ..., da CF e dos artigos 994, VI, e
1.029 até 1.041, todos do CPC, interpor o presente:

RECURSO ESPECIAL

Em face da decisão prolatada por Vossas Excelências, por intermédio do acórdão motivado
pelo recurso de apelação, nas folhas ..., nos autos do processo supra indicado, em que litiga
com a qualificação do recorrido (art. 319, II, do CPC), pelos fundamentos abaixo aduzidos.

I – Dos Pedidos
Ante o exposto, requer:

a) que o presente recurso seja admitido por Vossa Excelência, uma vez presentes todos os
requisitos de admissibilidade, sejam os intrínsecos e os extrínsecos. Além disso, resta
demonstrado que a matéria estava pré questionada anteriormente e não existe outra
possibilidade de interposição de recurso nas vias ordinárias. Por fim, resta ainda dizer que
foram preenchidos os requisitos da tempestividade e do preparo.

b) Que seja intimada a parte recorrida para que, desejando, apresente no prazo legal suas
contrarrazões, conforme o que disposto no artigo 1.030 do CPC.

c) Por fim, que seja dado prosseguimento no presente recurso, atendendo ao que exposto
no artigo 1.030, II, V, do CPC, e nos termos do inciso V seja encaminhado os autos
processuais por completo ao Superior Tribunal de Justiça. Por fim, que Vossa Excelência
atribua ao presente recurso efeito suspensivo, nos termos do artigo 995, §º único e artigo
1.029, §5º, ambos do CPC.

Nestes termos, pede deferimento.


Local ... Data ...

84
Advogado ... OAB ...

RAZÕES DE RECURSO

Egrégio Superior Tribunal de Justiça


Douto Ministro Presidente
Ilustres Ministros
Digno Ministro Relator

Processo nº ...
Recorrente ...
Recorrido ...

I – Dos Fatos
Lembrar do que está exposto no enunciado.
Lembrar da motivação da decisão e dos recursos.

II – Do Cabimento e Pressuposto de Admissibilidade


Reza o artigo 105, III, ..., da CF, que poderá a parte recorrente interpor o presente recurso
especial quando houver ofensa ao direito material ora exposto. Ocorre que a decisão
prolatada em 2º grau deixou de observar o dispositivo eleito no direito material. Por isso,
compreende-se possível a interposição do presente recurso.

Igualmente, no presente caso, resta salientar que estão presentes os requisitos de


admissibilidade. Vale ressaltar aqui que estão presentes todos os requisitos intrínsecos e
os extrínsecos. Além do pré questionamento e do esgotamento das vias recursais
ordinárias.

Vale ressaltar que não existe nenhuma inovação recursal que não tenha sido arguida em
recurso anterior, justificando, portanto, o pré questionamento disposto no artigo 1.025 do
CPC.

III – Da Tempestividade e do Preparo


O presente recurso especial é tempestivo, uma vez obedecido o prazo de 15 dias para a
presente interposição. Ademais, vale ressaltar que houve o pagamento das custas
processuais para recurso, o que justifica-se com a juntada da guia de pagamento.

IV – Do Direito: Razões para Reforma ou Anulação

85
Lembrar que para cada tese haverá uma norma, um fato concreto e uma conclusão.

V – Do Efeito Suspensivo
A parte recorrente deseja que Vossa Excelência atribua efeito suspensivo ao acórdão que
está sendo recorrido, impedindo, assim, .... Tudo isso conforme o que disposto no artigo
995, §º único do CPC, combinado com o artigo 1.029, §5º do CPC. Tudo isso serve para que
se evite grande dano à parte recorrente, eis que está claro o fundamento relevante que
alberga seu recurso.

VI – Dos Pedidos
Ante o exposto, requer:

a) que Vossa Excelência novamente conheça do recurso e o admita, uma vez observados
todos os requisitos de admissibilidade, além disso, foi realizado o pré questionamento e o
esgotamento das vias ordinárias recursais. Por fim, vale ressaltar, ainda, que o presente
recurso deve ser admitido, uma vez tempestivo e realizado o pagamento das custas, na
forma dos artigos 1.003, §5º e art. 1.007, todos do CPC.

b) Que Vossa Excelência dê provimento ao presente recurso para a finalidade de modificar


o acórdão, reformando a mesma de maneira integral, reconhecendo, portanto, o direito da
parte recorrente.

c) Que Vossa Excelência, por fim, inverta os ônus sucumbenciais, notadamente as custas
processuais e os honorários advocatícios, para que seja atribuída a sua responsabilidade à
parte recorrida.

Nestes termos, pede deferimento.


Local ... Data ...
Advogado ... OAB ...

Já o Recurso Extraordinário apresenta como fundamento legal o artigo 1.029 e


seguintes do NCPC. Ademais, apresenta-se como fundamento o artigo 102, III, a, da
Constituição Federal. Tal medida será utilizada quando houver acórdão (resultado de 2º
Grau) que contrarie a nossa carta mãe (Constituição Federal).
Trata-se do recurso que desafia acórdão em matéria constitucional referente a
controle difuso de constitucionalidade. Efeito concreto, inter partes. Lembrar que o
enunciado vai narrar que tribunal violou Constituição, por exemplo.

86
Tem previsão constitucional e processual.
Constitucional: art. 102, II, da CF.
Processual: art. 1.029 do CPC.
Lembrar dos requisitos de admissibilidade.
RE: teremos 7 + 3 requisitos = total de 10.
- Pré questionamento.
- Esgotamento das vias recursais ordinárias.
- Repercussão geral.

Agora vamos vislumbrar uma estruturação da presente peça tratada neste


capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as
aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários.

Excelentíssimo Senhor Doutor Presidente ou Vice Presidente do Tribunal de Justiça do


Estado ...

Recurso extraordinário
Processo de nº ...
Recorrente ...
Recorrido ...

Qualificação requerente, vem por meio de seu advogado (procuração anexa) estabelecido
..., local onde receberá intimações, respeitosamente perante à vossa excelência, com fulcro
nos artigos 102, III, ... e 102, §3º, todos da CF e dos artigos 994, VII e art. 1.029 e seguintes,
todos do CPC, interpor o presente

RECURSO EXTRAORDINÁRIO

Em face do acórdão proferido pela ... câmara do presente tribunal de justiça onde fora
negado provimento ao recurso de apelação interposto pela parte requerente, que litiga com
(qualificação da parte requerida – art. 319, II, CPC). Diante disso, deseja a parte recorrente
reformar a decisão pelos fundamentos abaixo aduzidos.

I – Dos Pedidos
Ante o exposto, requer:

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a) que o presente recurso extraordinário seja admitido por vossa excelência considerando
a presença de todos os requisitos de admissibilidade. Notadamente, foram satisfeitas as
custas para o recurso, assim como observado o prazo para a sua realização, bem como
cumpriu a parte requerente os requisitos do pré questionamento, esgotamento das vias
recursais ordinárias e, por fim, a repercussão geral.

b) Que a parte recorrida seja intimada da realização do presente recurso para que, caso
queira, venha apresentar suas contrarrazões no prazo de 15 dias, conforme o que lecionado
no artigo 1.030 do CPC.

c) Por fim, deseja a parte recorrente que o presente recurso seja encaminhado junto com os
autos processuais ao Supremo Tribunal Federal, sendo, igualmente, atribuído efeito
suspensivo, tudo isso conforme os termos dos artigos 1.030, II, “a”, V do CPC e artigos 995,
§ único combinado com o artigo 1.029, §5º, III, do CPC.

Nestes termos,
Pede deferimento.
Local ... Lata ...
Advogado ... OAB ...

RAZÕES DE RECURSO

Colendo Supremo Tribunal Federal


Digno Ministro Presidente
Doutos Ministros
Ilustre Ministro Relator

Processo nº ...
Recorrente ...
Recorrido ...

I – Dos Fatos
- Lembrar do enunciado:
- Contar do porquê do processo.
- Contar do porquê das decisões.
- Do porquê do presente recurso.

II – Do Cabimento e Dos Pressupostos de Admissibilidade

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A parte recorrente vem aos autos comprovar que houve atendimento ao artigo 102, III, “d”
da CF. Diante disso, torna-se possível e cabível a interposição do presente recurso
extraordinário.

Ademais, vem a parte recorrente esclarecer que foram cumpridos todos os requisitos de
admissibilidade, notadamente o prazo tempestivo de 15 dias, assim como o recolhimento
do preparo das custas para recorrer, conforme guia em anexo. Ainda, cabe esclarecer a parte
recorrente que é parte legítima para interposição do presente recurso, assim como não
existe qualquer fato impeditivo ou extintivo de direito para que ocorra o presente recurso,
obedecendo, portanto, os artigos 998 até 1.000 do CPC.

III – Do Pré Questionamento


A parte recorrente anuncia no presente recurso que não existe qualquer espécie de
novidade ou inovação no que tange às provas e teses jurídicas abordadas no presente feito.
Ademais, cabe esclarecer, ainda, que o presente recurso trata-se de recurso extraordinário,
ou seja, difere-se do ordinário, onde caberia inovação, por exemplo, no que tange a tese
jurídica.

IV – Do Esgotamento das Vias Recursais Ordinárias


Esclarece a parte recorrente que a interposição do presente recurso trata-se de última
tentativa específica para a resolução do presente caso. Diante disso, esclarece a parte que
não existe mais possibilidade de interposição de qualquer recurso ordinário.

V – Da Repercussão Geral
Esclarece, igualmente, que o presente recurso tem temática relevante sob vários pontos de
vista. Mais especificamente no que tange a visão política, econômica e social. Diante disso,
o presente recurso ultrapassa a esfera pessoal subjetiva, sendo que sua matéria é de
interesse de toda coletividade. Assim, esclarece a parte recorrente a repercussão e
relevância do presente recurso, nos termos do artigo 1.035, §1º do CPC.

VI – Dos Direitos
Que a decisão prolatada pelo tribunal de justiça foi contrário ao entendimento do colendo
tribunal e, consequentemente, desconforme com a nossa constituição federal.

LEMBRAR:
- Norma
- Fato concreto
- Conclusão

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VII – Do Efeito Suspensivo
Deseja a parte recorrente que seja declarado e decidido por vossa excelência o efeito
suspensivo sobre a decisão que está sendo objeto de recurso. Assim, impedindo-se a
realização da execução ou cumprimento da obrigação. Tudo isso conforme os artigos 995,
§º único e art. 1.029, §5º, I e II, todos do CPC. Justifica-se o pedido de efeito suspensivo,
tendo em vista o perigo de demora e a probabilidade do direito.

VIII – Dos Pedidos


Ante o exposto, requer:

a) deseja a parte recorrente que vossa excelência conheça e admitida do presente recurso,
tendo em vista, conforme acima já comprovado, estarem presentes todos os requisitos de
admissibilidade.

b) Deseja a parte recorrente que vossa excelência conheça da solicitação do efeito


suspensivo e, principalmente, da repercussão geral.

c) Requer que o presente recurso extraordinário seja provido, modificando-se, assim, o


acórdão prolatado em 2º grau, declarando-se a inconstitucionalidade da norma (artigo) que
fora objeto de recurso, dando o direito ao recorrente.

d) Por fim, deseja a parte recorrente a inversão dos ônus sucumbenciais, notadamente as
custas processuais e os honorários advocatícios, imputando as respectivas
responsabilidades para a parte recorrida.

Nestes termos, pede deferimento.

Local ... Data ...


Advogado ... OAB ...

90
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE E AÇÃO DIRETA
DE CONSTITUCIONALIDADE

Nós temos 4 ações de controle clássicas: ADIN (Genérica & Interventiva), ADC, ADO
e ADPF. Desde já, importante ressaltar que a ADPF é ação de caráter subsidiário, ou seja,
só uso se não couber nenhuma das outras ações supra indicadas que serão preferenciais
(ADIN, ADO e ADC).

Lembre-se que a presente demanda não será para resolver a vida de ninguém
diretamente, de nenhuma pessoa física ou jurídica. Tal demanda servirá para apontar
sobre legalidade de um conteúdo normativo por alguém legitimado. Ou seja, trata-se de
processo objetivo, para analisar a compatibilidade da norma com a Constituição, por
exemplo.

Vejamos as demandas:

ADIN—> deverá pedir para o Supremo que declare a inconstitucionalidade da lei


do ato normativo ou que a lei é inconstitucional. Aponto uma fonte normativa e
digo que está violando a Constituição Federal. Aqui preciso pedir para que afaste a
lei. Importante ressaltar que tal medida servirá para qualquer parte da
Constituição: seja direito fundamental ou não.

ADC —> deverá pedir para o Supremo declarar a constitucionalidade. O enunciado


vai ter que dizer que eu compreendo que a lei é constitucional, mas que tem
tribunal entendendo que não é constitucional. Ou seja, existe insegurança jurídica
e devo pedir ao Supremo para que declare a constitucionalidade da norma frente
a Constituição Federal.

ADO —> deverá pedir para o Supremo que o ato omissivo de não ter feito a lei, está
caracterizando-se uma inconstitucionalidade. Aqui não existe norma, o enunciado
vai dizer que existe omissão do legislador infraconstitucional, não podendo aplicar
a regra (norma) da Constituição Federal (IGF ou ITBI do imóvel que vem do

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exterior). Lembrando, ainda, que poderemos ter omissão parcial, ou seja, lei é
criada, mas ainda não consigo utilizar.

ADPF —> foi idealizada para levar ao Supremo uma arguição de ato do poder
público (por qualquer dos três poderes) de preceito fundamental da Constituição
Federal. Aqui o parâmetro é ser preceito fundamental, anulando, então, parte da
Constituição Federal.

Legitimidade

Legitimidade Para Todas Ações —> todo mundo que está no art. 103 (ADIN e ADC)
da Constituição Federal. ADIN, ADO e ADC são reguladas na Lei 9.868-99. Já a ADPF na Lei
9.882-99.
O primeiro legitimado universal é o Presidente da República.

Mesa Dirigente da Câmara ou do Senado —> eles representam —> representam


todos os demais. Imagina que 513 e 81 Senadores conseguissem ajuizar. Por isso, aqui
trata-se de opção da Mesa Diretora.

Governador dos Estados ou DF, Mesa Diretora do Legislativo do Estado ou do DF.


Governador de Estado —> Pode ajuizar ADI em face de lei de outro Estado. Mas ele deverá
provar que tem pertinência temática. Assim, ele é legitimado especial, ou seja, terá que
provar que tem interesse. Ele não poderá ajuizar qualquer ação.

Conselho Federal da OAB e o PGR —> também poderão. São legitimados


universais.

Partidos Políticos com Representação —> são legitimados universais. Entretanto,


é importante referir que terão que ter advogado.

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Confederações Sindicais e Entidades de Classe em âmbito nacional —> é
importante referir que terão que ter advogado. São legitimadas especiais. Terão que
provar pertinência temática.

Assim, na prova muito possivelmente poderá cair (fique ligado na leitura do


enunciado: Partido Político, Confederações Sindicais e Entidades de Classe. Isso porque
todos precisam de advogado.

Ainda, fique ligado e tente lembrar que os legitimados especiais terão sempre que
provar pertinência temática —> princípio da congruência —> ver se versam sobre sua
finalidade de existência. Ademais, não confunda legitimidade universal com presença de
advogado.

Por fim, importante ressaltar que, conforme posição pacífica no Supremo, quase
ninguém precisa de advogado para postular. Somente precisarão de advogados: Partido
Político, Confederação Sindical e Entidade de Classe, eis que são privados. Ademais, não
basta uma simples procuração, pois é preciso ter uma procuração específica para tanto.

Objeto da ADI

Propor ao STF sobre possível inconstitucionalidade de lei federal, ato normativo


com força de lei federal, lei estadual ou distrato federal, ato normativo com força de lei
estadual ou distrito federal.
Atenção!! Fique ligado: as fontes normativas municipais não serão objeto de ADIN
ou ADC.

Posso por ADIN questionar Medida Provisória e Decreto Regulamentar. Algumas


fontes que emanam direto da Constituição Federal poderei atacar por ADIN, desde que
sejam federais, estaduais ou do distrito federal.

Mas cuidado, por meio da ADIN não pode-se atacar qualquer uma destas acima. Só
é possível atacar a norma que foi realizada posterior à Constituição Federal de 1988. Não

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posso, assim, buscar via ADI atacar norma que seja anterior à Constituição de 1988. Mas
atenção: via ADPF poderei atacar lei anterior à Constituição, desde que ela viole preceito
fundamental.

Procedimento da ADIN

Vamos falar sobre alguns artigos importantes da ADIN.

Artigos 3º e 4º —> apresentam regras sobre petição inicial quando for autor da
ação. Tudo isso estará na Lei 9.868/99. A petição será redigida até pelo titular da
capacidade postulatória ou por intermédio de seu advogado.

Vale ressaltar que aqui o art. 319 do CPC também vai aparecer. Vou aplicar de
forma subsidiária, eis que o artigo 3º da lei especial não traz todas as informações.
Obviamente que vou usar o art. 319 do CPC desde que suas regras não confrontem as
regras especiais.

Lembre-se, ainda, que, conforme leciona o artigo 4º, a petição poderá ser
indeferida liminarmente pelo relator quando for inepta, não fundamentada ou
manifestamente improcedente. Diante disso, teremos aqui a figura do Agravo Interno
(impugnar a decisão do relator). Aqui o prazo é de 15 dias para agravar da decisão do
relator. Vale dizer que este recurso acima é exceção.

Isso porque a regra é clara: não caberá recurso das decisões projetadas em
processo objetivo, ou seja, ADI, ADO, ADPF. Vale dizer que sequer caberá ação rescisória.
Assim, só caberá este Agravo Interno diante do indeferimento liminar da inicial e o
recurso de Embargos de Declaração.

Ação Declaratória de Constitucionalidade

A presente demanda serve para pedir que o Supremo Tribunal Federal declare que
uma lei federal ou ato normativo com força de lei federal são constitucionais. Aqui peço

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para o STF declarar que o objeto da análise é constitucional. Peço que confirme a validade
da lei.

Importante referir que não caberá ADC em face de Lei Estadual, art. 102, I, “a” da
CF. Serve para que o Supremo declare que tal norma é constitucional.

Enunciado da Peça
O Estado do Rio Grande do Sul, grande criador e produtor de carne para o Brasil, passa por
grande crise financeira, política e social. Considerando as dificuldades apresentadas pela
indústria frigorífica, o Governador do Estado, através de Decreto, resolveu isentar o ICMS a
partir de Janeiro de 2016 para todo o setor frigorífico, determinando no referido instrumento
legal a aplicação imediata logo após sua publicação. A Entidade de Classe Nini, com seu maior
público assistido situado no Estado de Santa Catarina, compreende que tal norma é
inconstitucional e totalmente contrária aos interesses do Estado de Santa Catarina, visto que tal
conteúdo normativo trará grande prejuízo a todos os frigoríficos daquele Estado. Diante disso,
a Entidade de Classe Nini lhe contrata, a fim de promover processo objetivo para defender os
interesses do cliente.

Resolução da Peça

Egrégio Supremo Tribunal Federal


Digníssimo Senhor Ministro Presidente
Ilustres Ministros
Douto Ministro Relator

Entidade de Classe Nini, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ...,
endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem por meio de seu advogado (procuração anexa),
estabelecido ..., local onde receberá intimações, com procuração com poderes específicos,
respeitosamente perante os Doutos Ministros do Supremo Tribunal Federal, com fulcro nos
artigos 102, I, “a”, da CF e artigos 1º e seguintes da Lei 9.868/99, ajuizar a presente:

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE COM PEDIDO CAUTELAR

Em face de Decreto nº ..., publicado ..., com vigência a partir de ..., editada pelo Governador do
Estado do Rio Grande do Sul, por compreender totalmente inconstitucional o referido ato
normativo, conforme fatos e fundamentos abaixo aduzidos.

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I – Do Cabimento
Conforme reza o artigo 102, I, “a”, da Constituição Federal, poderá a parte que compreender
inconstitucional um ato normativo comparado à lei, realizado pelo Estado, buscar a sua
declaração de inconstitucionalidade.

No presente caso, compreende-se inconstitucional o referido decreto realizado pelo então


Governador do Estado do Rio Grande do Sul, sendo, portanto, possível e cabível o ajuizamento
da presente demanda.

Ademais, resta salientar que tal decreto é posterior ao parâmetro balizador, ou seja, posterior
a Constituição Federal de 1988, justificando-se, portanto, igualmente cabível a utilização da
presente demanda.

II – Da Legitimidade e do Procurador
Cabe dizer que a parte requerente detêm legitimidade, conforme reza o artigo 103, IX da
Constituição Federal e o artigo 2º da Lei 9.868/99. Outrossim, resta salientar que restam
presentes os requisitos de procuração para representação da parte legitimada, com poderes
específicos para que o presente procurador representa a parte requerente.

III – Pertinência Temática


Outrossim, considerando que a parte requerente é legitimado especial, cumpre informar nos
autos que a presente demanda guarda finalidade e propósito aos interesses da entidade de
classe, considerando que a norma, caso vigente e produzindo efeitos, realizará ao requerente
e seus assistidos uma série de prejuízos. Diante disso, justifica-se a pertinência temática e a
finalidade da ação.

IV – Dos Documentos Necessários


O requerente vem afirmar no presente processo que cumpre os requisitos do artigo 3º, §º
único da Lei 9.868/99, ou seja, está a anexar junto a peça portal os documentos presentes no
artigo.

V – Fatos
O Governador do Estado do Rio Grande do Sul, considerando a grave crise que instalou-se no
referido Estado, resolveu isentar o ramo de carnes de ICMS mediante decreto. Diante da
inobservância do que determinado na Constituição e levando-se em consideração a guerra
fiscal que poderá instalar-se no país, resolveu a Entidade Sindical provocar o Supremo
Tribunal Federal a fim de declarar inconstitucional o referido ato normativo.

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VI – Do Direito
Reza o artigo 155, §2º, XII, alínea “g”, que caberá somente à lei complementar estipular regras
gerais sobre concessão de benefícios fiscais. Outrossim, na Lei Complementar 87/96, resta
claro que, visando realizar isenção fiscal referente ao ICMS, deverá haver convênio entre os
entes públicos, não podendo ser realizado apenas de forma discricionária por um ente
público.

No presente caso, por intermédio de decreto, o Governador do Estado do Rio Grande do Sul,
não observando a norma complementar, editou isenção para determinado setor, o que
compreende-se inconstitucional.

VII – Da Cautelar
Deseja a parte requerente que seja apreciada e deferida medida cautelar, uma vez presentes
os requisitos dispostos no artigo 10 até o 12 da Lei 9.868/99 e no artigo 102, I, “p”, da CF.
Outrossim, a apreciação da presente cautelar tem como objetivo estabelecer a
inconstitucionalidade do decreto realizado de forma cautelar, a fim de suspender os efeitos
da referida norma.

Resta dizer que a fumaça do bom direito está presente, eis que os fundamentos ora
apresentados pelo requerente são totalmente plausíveis e passíveis de procedência da
declaração de inconstitucionalidade do referido decreto. Ainda, cabe salientar que o perigo
de demora resta igualmente presente, eis que, caso mantida a norma vigente, a parte
requerente e seus assistidos poderão experimentar graves prejuízos.

Por fim, caso Vossas Excelências compreendam possível o deferimento da presente medida
cautelar sugerida, que seja deferida em caráter erga omnes, vinculada, e com efeitos ex tunc,
sendo mantida até o final da presente demanda onde certamente será julgada inconstitucional
a referida norma.

VIII – Dos Pedidos


Ante o exposto, requer:
a) seja recebida a presente demanda e os documentos anexados, na forma do artigo 3º, §º
único da Lei 9.868/99.

b) Seja deferida a medida cautelar solicitada, uma vez presentes os requisitos da fumaça do
bom direito e do perigo de demora, na forma dos artigos 10 até 12 da Lei 9.868/99, a fim de
suspender até o julgamento final os efeitos do referido decreto.

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c) Seja realizada a citação do Governador do Estado do Rio Grande do Sul, autorizador e
responsável pela norma que está sendo impugnada, para que, caso queira, venha prestar
esclarecimentos, na forma do artigo 6º, da Lei 9.868/99.

d) Requer a intimação do Procurador Geral de Justiça e do Advogado Geral da União, para que,
caso queiram, no prazo legal, venham oferecer e prestar parecer, na forma do artigo 8º da Lei
9.868/99.

e) Por fim, que seja julgada procedente a presente demanda, para que seja declarada a
inconstitucionalidade do Decreto nº ..., com efeito erga omnes, vinculante, ex tunc, ou
conforme modulação desejada por Vossas Excelências, observando o que disposto no artigo
27 da Lei 9.868/99.

Nestes termos, pede e espera deferimento.


Valor da Causa: R$ ...
Local ... Data ...
Advogado ... OAB ...

Enunciado da Peça
Em Janeiro de 2016, o Congresso Nacional votou e aprovou uma Lei Federal de nº 0123,
concedendo isenção de Imposto de Renda somente para pessoas que possuíssem deficiência física
e/ou mental. Tal norma foi sancionada pelo Presidente da República e passou logo após sua
publicação a produzir efeitos. Não concordando com a lei, por compreender que a mesma é
inconstitucional, foram ajuizadas centenas de ações nos maiores variados cantos do país,
desejando a declaração de sua inconstitucionalidade, visto que não respeitava a isonomia. Tal
conteúdo normativo provocou grande controvérsia no Poder Judiciário, vindo o TRF4 decidir por
sua inconstitucionalidade e, contrariando tal decisão, o TRF1, decidindo por sua
constitucionalidade. Considerando o que exposto, a Confederação Sindical Nini, acreditando que
tal conteúdo normativo é constitucional, procura você, advogado, a fim de ajuizar processo
objetivo para buscar junto ao STF a declaração de constitucionalidade da referida norma.

Resolução da Peça
Colendo Supremo Tribunal Federal
Douto Digno Ministro Presidente
Digníssimos Senhores Ministros
Ilustre Ministro Relator

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Confederação Sindical Nini ..., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ...,
endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem respeitosamente perante a Egrégia Corte, por
intermédio de seu advogado (procuração anexa), estabelecido ..., local onde receberá
intimações, mediante procuração com poderes específicos, com fulcro nos artigos 102, I, “a” da
Constituição Federal, art. 319 do CPC e art. 1º e seguintes da Lei 9.868/99, ajuizar a presente:

AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE COM PEDIDO CAUTELAR

Tendo em vista a apresentação de julgamentos controvertidos entre Tribunais Regionais


Federais sobre a validade constitucional, conforme abaixo ficará demonstrado, no que tange a
aplicação, vigência e validade da norma federal de nº 0123, editada e aprovada pelo Congresso
Nacional. Realiza-se, igualmente, a presente demanda pelos fatos e fundamentos abaixo
aduzidos.

I – Do Cabimento
Considerando o que disposto no artigo 102, I, “a”, da CF e artigo 14, III da Lei 9.868/99, poderão
os legitimados do art. 103 da Constituição Federal ajuizar ação declaratória de
constitucionalidade de lei federal quando existir controvérsia judicial sobre a interpretação de
norma e sua validade/vigência. No presente caso, existe divergência de entendimento sobre a
norma no que tange a validade/vigência da Lei Federal de nº 0123 que concede isenção para
determinadas pessoas. Portanto, considerando a divergência acima apontada, compreende-se
plausível a utilização da presente demanda.

II – Da Legitimidade e do Procurador
Cabe dizer que a parte requerente detêm legitimidade, conforme reza o artigo 103, IX, da CF e
o artigo 2º da Lei 9.868/99. Outrossim, vale ressaltar que resta presente no processo a
procuração para representação da parte acima legitimada, cuja qual apresenta poderes
específicos e especiais para que o advogado faça a representação legal na presente ação.

III – Da Pertinência Temática


Outrossim, considerando que a parte acima trata-se de legitimada especial, cumpre a
requerente informar nos autos, aos Doutos Ministros, que a presente demanda guarda
finalidade e propósito aos interesses da Confederação Sindical, considerando que a norma,
caso vigente e produzindo efeitos, trará segurança jurídica a Confederação e a toda
coletividade que preza pelo ordenamento jurídico seguro. Diante disso, justifica-se a
pertinência temática e a finalidade da legitimada com a presente demanda.

IV – Dos Documentos Necessários

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O requerente vem afirmar no presente processo que cumpre os requisitos do artigo 14, §único
da lei 9.868/99, ou seja, vem juntar os seguintes documentos ...

V – Fatos
Considerando a edição e aprovação da Lei Federal isentando deficientes para o pagamento de
Imposto de Renda, e não concordando com tal norma, a Confederação Sindical Nini,
considerando a indicação de inconstitucionalidade por não respeitar a isonomia, resolveu
ajuizar a presente demanda.

VI – Direito
Reza o artigo 150, II, da Constituição Federal que os iguais deverão receber tratamento igual.
Já os desiguais poderão sofrer tratamento tributário diferenciado. Considerando que a Lei
Federal de nº 0123 trata os deficientes, salvo melhor juízo, de forma desigual, vindo a
conceder-lhes isenção de imposto de renda, considera-se a norma constitucional, visto que
vislumbra total resguardo ao que disposto no artigo 150, II, da Constituição Federal.

VII – Da Cautelar
Deseja a parte que seja apreciada a medida cautelar, uma vez presentes os requisitos dispostos
no artigo 21 da Lei 9.868/99 e no artigo 102, I, “p”, da CF. Outrossim, a apreciação da medida
cautelar tem como objetivo suspender imediatamente os processos em que estão em discussão
a referida norma, no prazo de até 180 dias, na forma do artigo 21, caput e §º único da lei
9.868/99.

Resta dizer que a fumaça do bom direito está presente, eis que os fundamentos ora
apresentados pela parte requerente são totalmente plausíveis e passíveis de procedência da
declaração de constitucionalidade da norma supra informada frente ao texto constitucional.
Ainda, cabe salientar que o perigo de demora resta igualmente presente, eis que, caso mantida
a norma vigente, a parte requerente e a coletividade estarão seguras no que tange a validade e
constitucionalidade da lei federal.

Por fim, caso Vossas Excelências compreendam possível o deferimento da presente medida
cautelar acima sugerida, que seja deferida a mesma em caráter erga ogmnes, vinculada e com
efeitos ex nunc, sendo mantida a decisão até o final da presente demanda, onde certamente
será julgada constitucional a norma acima referida.

VIII – Dos Pedidos


Ante o exposto, requer:

100
a) que seja recebida a presente demanda e os documentos anexados à peça vestibular,
conforme reza o artigo 14, §º único da Lei 9.868/99.

b) Seja deferida a medida cautelar solicitada, uma vez que presentes os requisitos da fumaça
do bom direito e do perigo de demora, na forma do artigo 21 da Lei 9.868/99, a fim de
suspender os processos e eventuais decisões até o prazo de 180 dias.

c) Que seja realizada a intimação do Advogado Geral da União para que, caso queira, venha
prestar esclarecimento e/ou defender a norma por suas razões.

d) Que seja intimado o Procurador Geral da República, para que, caso queira, venha no prazo
legal, manifestar-se sobre a referida norma e suas controvérsias, conforme reza o artigo 19 da
Lei 9.868/99 e o artigo 103, §1º da Constituição Federal.

e) Por fim, que a presente demanda seja julgada procedente, com a ideia de resolver a
controvérsia judicial entre os tribunais, para que seja declarada constitucional a Lei Federal de
nº 0123, com efeito erga omnes, vinculante, ex tunc, tudo isso nos termos do artigo 102, §2º
da Constituição Federal e artigo 28, §º único da Lei 9.868/99.

Nestes termos, pede e espera deferimento.

Valor da Causa: R$ ...


Local ... Data ...
Advogado ... OAB ...

101
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO E
ADPF

13.1 Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão

Trata-se de ação direta de inconstitucionalidade, mas por razão de omissão. Aqui


é ferramenta para proporcionar que se pleiteie no Supremo uma violação da Constituição.
Quero no juízo uma declaração de inconstitucionalidade.

A diferença é quando a Constituição é violada. A ADIN é ajuizada quando se fez algo


que viola a constituição. Já na omissão busco o reconhecimento da omissão
inconstitucional. Vou narrar para o Supremo uma omissão, e vou ter como objeto a inércia
violadora da Constituição.

Busco que a postura omissiva está impossibilitando a efetivação da Constituição


Federal. Cuidado: nem toda omissão é violadora da Constituição, por isso que tem ADIN
por Omissão, que são julgadas improcedentes.

A omissão é inconstitucional quando não consigo aplicar e efetivar a regra


Constitucional. Estou praticando a omissão, que é responsável.

A omissão constitucional poderá ser legislativa ou administrativa. Legislativa


ocorre quando o constituinte espera e exige (não realização) uma lei para regulamentar a
norma constitucional.

Cuidado para não confundir com Mandado de Injunção, eis que aqui é o nome da
pessoa, é processo subjetivo. O que difere muito da ADI por Omissão. Lembre-se que no
Mandado de Injunção o STF poderá se utilizar de lei análoga para arrumar a omissão e
efetivar o direito do processo subjetivo. Já no processo objetivo de ADI, o Supremo só
declara e manda alguém fazer a lei que falta.

102
13.2 ADPF

Cuidado! A presente demanda se trata de ação subsidiária, sendo assim, somente


terá cabimento quando eliminado o cabimento das demais. Trata-se de ação que irá até o
Supremo para ele analisar determinado ato do poder público que não é possível levar ao
seu conhecimento por outras demandas. Está regulamentada pela lei 9.882/99.

Por exemplo, se o Município faz uma lei inconstitucional de IPTU = não caberá ADI,
mas poderá caber ADPF. Lei que viola constituição: poderá ser ADI ou ADPF. Tenho que
olhar qual tipo de lei é e declarar a incompatibilidade (invalidade da norma) em razão da
constituição.

Cuidado: se houver controvérsia judicial em face de lei estadual ou municipal


caberá ADPF também. Cuidado que ADC é somente para lei federal.

Para merecer admissibilidade de ação o parâmetro é equiparado a preceito


fundamental. Para que caiba ADPF tenho que ver o que estará sendo impugnado na ADPF.
Mas atenção: a lei não diz o que é preceito fundamental. Não existe nenhum parâmetro
objetivo. Sendo assim, tenho que provar a importância do artigo que está sendo violado.
Assim, é norma constitucional e que seja norma atinente a garantias e fundamentos
constitucionais.
Na prova da OAB: o enunciado, por mais que não diga, certamente se for caso de
ADPF a norma citada o examinador compreenderá como preceito fundamental. Sendo
tenho que eliminar as demais ações, e se for ação objetiva: faça ADPF. Não caberá ao
examinando então discutir se é ou não preceito fundamental.

Enunciado da Peça
Confederação Sindical, preocupada com a grave crise que se estabeleceu no país, e observando
a negligência do Congresso Nacional, procura você, advogado, a fim de buscar a declaração
de omissão legislativa frente a não regulamentação do Imposto de Grandes Fortunas,
devidamente previsto na Constituição Federal. Assim, diante da visualização da possibilidade
de recolhimento e caixa (renda) para a União, provindas das receitas deste tributo, ajuíze
processo objetivo com a finalidade de atender aos interesses da Confederação Sindical.

103
Resolução da Peça
Colendo Supremo Tribunal Federal
Douto Digno Ministro Presidente
Digníssimos Ministros
Ilustre Ministro Relator

Confederação Sindical ..., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ...,
estabelecido ..., endereço eletrônico ..., vem respeitosamente perante a Egrégia Corte, por
intermédio de seu advogado (procuração anexa – com poderes específicos), estabelecido ...,
local onde receberá intimações, com fundamento nos artigos 12-A e seguintes da Lei
9.868/99, artigo 103, §2º da Constituição Federal e artigo 319 CPC, ajuizar a presente:

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO


LEGISLATIVA COM PEDIDO CAUTELAR

Em face de omissão legislativa, conforme abaixo ficará demonstrado, no que tange a


aplicação de norma constitucional. Realiza-se a presente demanda, eis que o implemento da
Carta Magna resta prejudicada, conforme está exposto no artigo 153, VII. Por isso, justifica-
se a demanda pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.

I – Do Cabimento
Considerando o que disposto nos artigos 12-A e seguintes da Lei 9.868/99 e artigo 103, §2º
da Constituição Federal, caberá o ingresso da ação de controle concentrado, buscando a
declaração de omissão legislativa. No presente caso, existe a possibilidade de criação do IGF
por parte da União, e até a presente data o mesmo não foi criado, deixando, assim, o referido
ente de recolher tributo em prol da coletividade.

II – Da Legitimidade e do Procurador
Cabe dizer a parte requerente que detêm legitimidade, na forma do artigo 103, IX da CF e
do artigo 2º da Lei 9.868/99. Outrossim, vale ressaltar que restam presentes nos autos a
procuração para representação da parte acima legitimada, com poderes específicos e
especiais para que o presente procurador represente a parte na demanda.

III – Pertinência Temática


Outrossim, considerando que a parte acima trata-se de legitimada especial, cumpre a parte
requerente informar nos autos aos Doutos Ministros que a presente demandada guarda
finalidade e propósito aos interesses da Confederação Sindical, bem como de toda
coletividade de seus assistidos, considerando que é destinatária também dos eventuais

104
tributos que serão recolhidos com a criação do IGF. Diante disto, justifica-se a pertinência
temática e o vínculo da presente demanda com a parte legitimada.

IV – Dos Documentos Necessários


A parte requerente vem afirmar no presente processo que cumpre os requisitos do artigo
12-B, §º único da Lei 9.868/99, ou seja, está a juntar a peça inicial os seguintes documentos
...

V – Dos Fatos
Considerando a omissão legislativa por parte da União referente a possibilidade de criação
do IGF, não restou outra alternativa, senão de provocar o Supremo Tribunal Federal a fim
de declarar a omissão, para que seja realizada e implementada a norma constitucional.

VI – Dos Direitos
Reza o artigo 153, VII, da Constituição Federal, que poderá a União criar, mediante lei
complementar, Impostos sobre Grandes Fortunas.

Logo, o objeto da presente ação é a omissão inconstitucional em razão da não existência de


norma que regulamente o texto constitucional descrito no artigo acima mencionado.

Outrossim, considerando que existe crise no cenário nacional, bem como que poderia o fisco
arrecadar mais tributo daqueles que mais tem, a fim de proporcionar melhores condições
para a coletividade, compreende-se possível a declaração da inconstitucionalidade por
omissão, a fim de que a União crie o referido tributo.

VII – Da Cautelar
Deseja a parte requerente que seja apreciada e deferida medida cautelar, uma vez presentes
os requisitos dispostos no artigo 12-F da Lei 9.868/99. Também se faz presente os
requisitos para suspensão dos processos porventura em andamento, conforme reza o artigo
12-F, §1º, da Lei 9.868/99.

Resta dizer a parte requerente que o requisito da fumaça do bom direito está presente, eis
que os fundamentos acima apresentados são razoáveis e plausíveis. Igualmente, resta
salientar, ainda, que o requisito de perigo de demora também está presente, eis que, caso
mantida a omissão constitucional, não conseguirá a coletividade usufruir do mandamento
constitucional, podendo assim experimentar danos e/ou riscos.
Por fim, caso Vossas Excelências compreendam possível o deferimento da presente cautelar,
que seja deferida em caráter erga omnes, vinculada, e com efeitos ex nunc, sendo mantida

105
até o final da presente demanda onde certamente será julgada inconstitucional a omissão
legislativa da União.

VIII – Dos Pedidos


Ante o exposto, requer:

a) seja recebida a presente demanda e os documentos anexados, conforme o que reza o


artigo 12-B, §º único da Lei 9.868/99.

b) Seja deferida a medida cautelar solicitada, uma vez presentes os requisitos da fumaça do
bom direito e do perigo de demora, na forma do artigo 12-F e 12-G da Lei 9.868/99.

c) Seja realizada a intimação do Advogado Geral da União, na forma do artigo 12-E, §2º da
Lei 9.868/99 e art. 103, §3º da CF.

d) Seja realizada a intimação do Procurador Geral da República, para que, caso queira, venha
manifestar-se, na forma do artigo 12-E, §3º da Lei 9.868/99 e artigo 103, §1º, da CF.

e) Seja realizada a citação do ente/órgão responsável pela omissão, para que, caso queira,
venha prestar esclarecimento e/ou contestar.

f) Por fim, que a presente demanda seja julgada procedente, com a finalidade de declarar a
omissão acima apresentada inconstitucional, visto que impede a efetividade do artigo 153,
VII, da Constituição Federal, com efeito erga omnes, vinculante, ex tunc, tudo isso nos
termos do artigo 103, §2º da Constituição Federal e artigo 12-H da Lei 9.868/99. Ademais,
que seja determinado ao órgão responsável que realize e tome as medidas e providências
necessárias para resolver a omissão dentro de um prazo razoável a ser sugerido por Vossas
Excelências.

Nestes termos, pede e espera deferimento.

Valor da Causa: R$ ...


Local ... Data ...
Advogado ... OAB...

106
Enunciado da Peça
O Município de Santa Cruz do Sul – RS, preocupado com a grave crise que vem
assombrando o município, principalmente pelo fato da grande implementação de
políticas públicas contra o setor tabacaleiro (fumageiro), resolveu implementar uma
série de mudanças nos tributos de sua competência. Dentre estas mudanças, por
intermédio da Lei Municipal nº 123456, aprovada regularmente na Câmara de
Vereadores, estabeleceu a criação de uma taxa de iluminação pública, com base de
cálculo idêntica àquela prevista para o IPTU. A Confederação Sindical Nini é Demais
procurou você, advogado, a fim de buscar, em sede de controle abstrato, a invalidação da
norma em face de duas irregularidades existentes no que tange à taxa criada. Ajuíze ação
do processo objetivo a fim de defender os interesses da Confederação Sindical.

Resolução da Peça
Colendo Supremo Tribunal Federal
Douto Digno Ministro Presidente
Digníssimos Ministros
Ilustre Ministro Relator

Confederação Sindical Nini É Demais, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ
sob o nº..., estabelecida ..., endereço eletrônico ..., vem respeitosamente perante a Egrégia
Corte, por intermédio de seu advogado (procuração em anexo – com poderes específicos
e especiais), estabelecido ..., local onde receberá intimações, com fulcro nos artigos 1º e
seguintes da Lei 9.882/99, artigo 102, §1º da Constituição Federal e artigo 319 do CPC,
ajuizar a presente:

ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL


COM PEDIDO LIMINAR

Tendo em vista a ocorrência de lesão a preceito fundamental, presente nos artigos 145,
II e 145, §2º, todos da Constituição Federal, considerando a manifestação, através da Lei
Municipal nº 123456, supra indicada e aprovada pelo Município de Santa Cruz do Sul –
RS. Diante disso, justifica-se a presente demanda pelos fatos e fundamentos abaixo
aduzidos.

I – Dos Fatos & Cabimento


Considerando a violação à preceito fundamental, presente nos artigos 145, II e 145, §2º,
todos da Constituição Federal, compreende-se cabível a presente demanda objetiva,
conforme o que disposto nos artigos 1º e seguintes da Lei 9.882/99 e art. 102, §1º da

107
Constituição Federal, em decorrência da lei municipal lesiva do Município de Santa Cruz
do Sul – RS, nos termos do artigo 3º. II, da Lei 9.882/99.

Por fim, vale acrescer a presente demanda que não existe possibilidade de utilização de
qualquer outra ação objetiva que possa acolher o presente pedido, principalmente por
tratar-se de lei municipal inconstitucional. Frente ao que exposto, declara a parte
requerente, conforme reza o artigo 4, §1º da Lei 9.882/99.

II – Da Legitimidade e do Procurador
Cabe dizer a parte requerente que detêm legitimidade, conforme reza o artigo 103, IX, da
Constituição Federal e o artigo 2º, I, da Lei 9.882/99. Outrossim, vale ressaltar que resta
presente nos autos procuração para representação da parte legitimada, com poderes
específicos e especiais para que o presente procurador represente a parte demandante.

III – Da Pertinência Temática


Outrossim, considerando que a parte acima trata-se de legitimada especial, cumpre
informar nos autos aos Doutos Ministros que a presente demanda guarda finalidade e
propósito aos interesses da Confederação Sindical Nini É Demais, considerando que é
destinatário da norma e, caso vigente e produzindo efeitos, poderá acarretar danos a
requerente e seus assistidos. Diante disso, justifica-se a pertinência temática e o vínculo
da presente demanda com a requerente.

IV – Dos Documentos Necessários


A parte requerente vem afirmar no presente processo que cumpre os requisitos do artigo
3º, III e §º único da Lei 9.882/99, ou seja, esta a juntar os documentos necessários ...

V – Do Direito
Reza o artigo 145, II, da Constituição Federal, que não existe a possibilidade de instituição
de taxa, caso ela não seja específica e divisível. No presente caso, houve instituição pelo
Município de Santa Cruz do Sul de Taxa de iluminação pública. Diante disso, compreende-
se inconstitucional a referida Lei Municipal de nº 123456.

Igualmente, reza o artigo 145, §2º da Constituição Federal que a taxa instituída não
poderá ter base de cálculo igual a de outro imposto. No presente caso, a Lei Municipal nº
123456 tem taxa idêntica à de IPTU. Portanto, torna-se igualmente inconstitucional por
esta razão a cobrança da presente taxa.

VI – Da Liminar

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Deseja a parte que seja apreciada e deferida a liminar, uma vez presentes os requisitos
dispostos no artigo 5º da Lei 9.882/99. Também deseja a parte que seja suspendida por
Vossas Excelências a Lei Municipal de nº 123456, vez que ela viola preceito fundamental,
nos termos do artigo 5º, §3º da Lei 9.882/99.

Resta dizer também que estão presentes os requisitos da fumaça do bom direito, eis que
os fundamentos apresentados acima são totalmente plausíveis e passíveis de
procedência em razão da lesão aos preceitos supra informados. Ainda, cabe salientar que
existe perigo de demora, caso mantida a lei municipal, eis que acarretará, no mínimo,
perigo de dano a toda coletividade, uma vez que a referida taxa é inconstitucional.

Por fim, caso Vossas Excelências compreendam possível o deferimento da medida


liminar, que seja deferida em caráter erga omnes, vinculada, com efeito ex nunc. Diante
disso, requer, ainda, que seja mantida a eventual concessão de medida liminar até o final
da demanda, onde será convertida em julgamento de inconstitucionalidade da norma,
diante da lesão a preceito fundamental.

VII – Dos Pedidos


Ante o exposto, requer:

a) que seja recebida a presente demanda e os documentos anexados, conforme o artigo


3º, III, e §º único da Lei 9.882/99.

b) Que sejam ouvidas as partes elencadas, na forma do artigo 5º, §2º da Lei 9.882/99.

c) Que seja deferida a medida liminar solicitada, uma vez presentes os requisitos de
urgência e relevância, na forma do artigo 5º da Lei 9.882/99.

d) Que seja realizada a intimação do Advogado Geral da União para que, caso queira,
preste esclarecimentos, na forma do artigo 103, §3º da CF.

e) Que seja citado o representante legal do órgão responsável pela legislação que afronta
os preceitos fundamentais da Constituição Federal, para que, caso queira, preste
esclarecimento e/ou conteste a presente demanda.

f) Que seja intimado o Procurador Geral da República, para que, caso queira, preste
esclarecimentos, na forma do artigo 7º, §º único da Lei 9.882/99 e do artigo 103, §1º da
CF.

109
g) Por fim, que seja a presente demanda julgada procedente, com a finalidade de declarar
inválida a norma municipal de nº 123456, eis que a mesma afronta dois preceitos
fundamentos dispostos no artigo 145, II e 145, §2º da Constituição Federal, com efeito
erga omnes, vinculante, ex tunc. Tudo isso justifica-se nos termos dos artigos 102, §2º e
10, §1º da Lei 9.882/99. Ademais, que Vossas Excelências determinem a retirada da
norma do ordenamento jurídico, com a consequente intimação da autoridade
responsável, para que cumpre imediatamente a decisão, conforme reza o artigo 10, caput
e 10, §º1º da Lei 9.882/99.

Nestes termos, pede e espera deferimento.

Valor da Causa: R$ ...


Local ... Data ...
Advogado ... OAB ...

110
TRIBUTO

Ao iniciarmos o estudo do direito tributário, parte material, compreende-se


necessário estudar o conceito de tributo e suas repercussões frente a matéria que será
objeto de análise na presente obra.

Leciona o artigo 3º do CTN que tributo é:

Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em


moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua
sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante
atividade administrativa plenamente vinculada.

Diante do referido acima, compreende-se que tributo é toda prestação pecuniária


compulsória, ou seja, uma vez prevista em norma criada pelo respectivo ente competente,
ocorrendo o fato gerador e sem qualquer dispensa prevista na Constituição Federal
(imunidades) ou em norma infraconstitucional (isenções ou convênios), o tributo terá que
ser pago. Diante disso, o pagamento de tributo é obrigatório, compulsório.

Outrossim, o pagamento do referido tributo previsto em norma deverá ser


realizado, via de regra, em dinheiro. Entretanto, o próprio Código Tributário Nacional
faculta a possibilidade de pagamento de tributo mediante a dação em pagamento de bem
imóvel, uma vez presente tal opção nas formas de extinção do crédito tributário.

Art. 156. Extinguem o crédito tributário:


(...)
XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e
condições estabelecidas em lei. (Incluído pela LCP nº 104, de
2001).

Mas questiona-se: será sempre possível realizar a extinção do crédito tributário,


ou seja, o pagamento mediante dação em pagamento de bem imóvel? A resposta é

111
negativa. Somente poderá ser assim realizada mediante a existência de alguns requisitos
e observações: a) Necessidade de lei específica e b) do respectivo ente competente.

Ainda, além do ponto acima exposto, pergunta-se: poderão os entes competentes


criar norma infraconstitucional que estabeleça novas formas de extinção do crédito
tributário, como por exemplo, dação em pagamento de bem móvel?

Mediante análise legalista e constitucionalista, compreende-se que não, visto que


a Constituição Federal, no seu artigo 146, é bastante clara ao afirmar que as normas gerais
de direito tributário somente poderão ser realizadas pela União, mediante lei
complementar.

Ainda, sobre o conceito de tributo, leciona o artigo 3º do CTN que nenhum tributo
poderá ter caráter sancionatório, ou seja, ser forma de punição a qualquer pessoa. Por
esta razão, compreende-se que, se alguém vende drogas, pratica o jogo do bicho ou realiza
crime ambiental, para este jamais poderá ser criado um tributo como espécie de sanção
ou punição pelo ato realizado.

Mas, importante dizer que os frutos oriundos da atividade ilícita poderão ser
tributados, visto que na forma do artigo 118, I do Código Tributário Nacional abstrai-se a
validade dos fatos jurídicos praticados pelo contribuinte. Logo, para o direito tributário,
aplicamos o princípio da pecunia non olet, ou seja, o dinheiro não tem cheiro.

Por fim, vale ressaltar que nenhum tributo será pago, sem lei que o estabeleça,
atendendo ao princípio máximo da legalidade estrita, na forma do artigo 150, I da
Constituição Federal, bem como o administrador público deverá analisar objetivamente o
que contido na norma (vinculação total) para tributar o contribuinte, não podendo, assim,
realizar nenhum ato discricionário para a cobrança do mesmo.

112
COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA

Mas, afinal de contas, quem poderá criar o que compreendemos de tributo?


Lembre-se que a Constituição Federal não criará nenhum tributo ou fará sua exigência,
mas tão somente a nossa Carta Mãe entregará poderes para que os respectivos entes
competentes (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) venham a criar as espécies
de tributo.

Antes de citar quais tipos de tributos os entes poderão criar, importante dizer
sobre as características da competência tributária.

a) Indelegável: nenhum ente poderá transferir a sua competência de criar e/ou


majorar tributo para outro ente competente na forma do artigo 7º do CTN.

Entretanto, muito embora indelegável a competência tributária, a capacidade ativa


tributária poderá ser delegada para outra pessoa jurídica de direito público. Mas do que
trata-se a capacidade ativa tributária? Exercer a capacidade ativa tributária não
compreende o exercício da competência de criar e/ou majorar, mas sim o exercício
administrativo de fiscalizar, executar as normas e arrecadar tributo em nome do ente
competente. Leia-se os clássicos exemplos do ITR e IR Retido na Fonte.

b) Facultativa: o ente competente, assim compreendido na forma do texto


constitucional, somente criará o tributo de sua competência se assim desejar. Veja o que
diz o artigo 145 da Constituição:

c) Irrenunciável: nenhum ente poderá abrir mão e/ou renunciar a competência


tributária para qualquer outro ente ou pessoa jurídica, seja pública ou privada.

d) Inalterável: a competência tributária não poderá ser alterada mediante norma


infraconstitucional, podendo sim ser alterada mediante emenda constitucional.

113
Após analisada as características da competência tributária, temos de saber quais
são os tributos que os entes (União, Estados, DF e Municípios) poderão criar, conforme
texto constitucional.

Imposto de Importação

Imposto de Exportação

Imposto de Renda

Imposto Territorial Rural

Imposto sobre Operações


Impostos
Financeiras

Taxa Imposto sobre Grandes Fortunas

Contribuição Imposto sobre Produtos


de Melhoria Industrializados

Imposto Extraordinário de Guerra

União
Imposto Residual

Contribuições Sociais

Contribuição Previdenciária de
Contribuições Servidor
Especiais
Contribuição de Intervenção no
Empréstimo Domínio Econômico
Compulsório
Contribuição de Categoria
Profissional

Das competências da União, acima expostas, duas questões são extremamente


importantes e tem recorrência em provas: será sempre e somente da União a competência
para criar novos tipos de impostos (os chamados residuais) e novas contribuições sociais
residuais. E tudo isto, somente mediante lei complementar.

Art. 154. A União poderá instituir:


I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo
anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato
gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta
Constituição.

Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade,


de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos
provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito

114
Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
(Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
§ 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a
manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o
disposto no art. 154, I.

Após análise da competência da União, vejamos a competência do Distrito Federal.

Imposto Predial Territorial Urbano

Imposto Transmissão Bens Imóveis

Imposto sobre Serviços


Impostos
Imposto sobre Propriedade Veicular
Taxa
Imposto Transmissão Causa Mortis ou
Doação
Distrito Contribuição
Federal de Melhoria
Imposto sobre Circulação de
Mercadorias

Contribuição Previdenciária de Servidor


Contribuições
Especiais
Contribuição sobre Custeio de
Iluminação Pública

Vale dizer que, na forma do artigo 147 e 155 da Constituição Federal, o Distrito
Federal terá competência cumulativa dos Estados e dos Municípios.

Já os Estados poderão criar os seguintes tributos na forma do artigo 155 da


Constituição Federal:
Imposto sobre Propriedade Veicular

Imposto Transmissão Causa Mortis ou


Impostos
Doação

Imposto sobre Circulação de


Taxa
Mercadorias
Estados
Contribuição
de Melhoria

Contribuições Contribuição Previdenciária de


Especiais Servidor

115
Por fim, os Municípios, na forma do artigo 156 da Constituição Federal, poderão
criar os seguintes tributos:

Imposto Predial Territorial Urbano

Impostos Imposto Transmissão Bens Imóveis

Taxa Imposto sobre Serviços


Municípios
Contribuição
de Melhoria
Contribuição Previdenciária de Servidor
Contribuições
Especiais
Contribuição sobre Custeio de
Iluminação Pública

Ainda, no que tange a competência para os mais variados tributos, faço-me uso da
tabela retirada do livro Direito Tributário Esquematizado, do Professor Ricardo
Alexandre3:

CLASSIFICAÇÃO ESPÉCIES DEFINIÇÃO EXEMPLOS


Quanto à Federais Criados privativamente pela II; IE; IR; IPI; ITR;
competência União IOF; IGF
impositiva Estaduais Criados privativamente ITCMD; ICMS;
pelos Estados e pelo DF IPVA
Municipais Criados privativamente IPTU; ITBI; ISS
pelos Municípios e pelo DF
Quanto ao Privativos A competência para criação Impostos;
exercício da é atribuída a determinado empréstimos
competência ente com caráter compulsórios;
de exclusividade contribuições
especiais
Comuns A competência para criação Taxas e
é atribuída contribuições de
melhoria

3
ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado. 8. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo:
MÉTODO, 2014. Página 237.

116
indiscriminadamente a
todos os entes políticos
Residuais A Constituição atribui à Novos impostos e
União competência para novas
criar tributos não previstos contribuições
ordinariamente para a seguridade
social
Quanto à Fiscais Finalidade arrecadatória IR; IGF; IPVA;
finalidade ICMS; ITCMD;
IPTU; ITBI; ISS;
IEG; empréstimos
compulsórios
Extrafiscais Finalidade interventiva II; IE; IPI, IOF;
ITR; CIDE
Parafiscais Finalidade de arrecadar Contribuições
para atividades específicas sociais e
corporativas
Quanto à hipótese Vinculados Cobrança depende de Taxas e
de incidência atividade estatal específica contribuições de
relativa ao contribuinte melhoria
Não Cobrança independe de Impostos
vinculados atividade estatal específica
relativa ao contribuinte
Quanto ao destino De Os recursos arrecadados Empréstimos
da arrecadação arrecadação somente podem ser compulsórios;
vinculada utilizados em atividades CPMF; custas e
determinadas emolumentos
De Os recursos arrecadados Impostos
arrecadação podem ser utilizados em
não qualquer despesa prevista
vinculada no orçamento

117
Quanto à Diretos Oneram diretamente a IR; ITR; IPTU
possibilidade de pessoa definida como
repercussão sujeito passivo (não
permitem a repercussão)
Indiretos Oneram pessoa diferente ICMS; ISS; IPI; IOF
daquela definida como
sujeito passivo (permitem a
repercussão)
Quanto aos Reais Incidem objetivamente IPTU; ITR;
aspectos sobre coisas, desprezando ITCMD; IPI
subjetivos e aspectos subjetivos
objetivos da Pessoais Incidem de forma subjetiva, IR
hipótese de levando em consideração
incidência aspectos pessoais do sujeito
passivo
Quanto às bases Sobre o Incidem sobre as operações II e IE
econômicas comércio de importação e exportação
tributadas exterior
Sobre o Incidem sobre a ITR; IPTU; IPVA;
patrimônio e propriedade de bens móveis IGF; IR
a renda ou imóveis e sobre o
produto do capital, do
trabalho ou da combinação
de ambos
Sobre a Incidem sobre a circulação ICMS; ISS; IPI; IOF
produção e a de bens ou valores e sobre a
circulação produção de bens

118
LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR - PRINCÍPIOS

Para que o ente público, através dos seus poderes constituídos, exerça a sua
competência tributária, será necessário balizar suas atividades nas limitações ao exercício
do poder de tributar dispostos na Constituição Federal.

16.1 Princípio da Legalidade

Reza o artigo 150, I, da Constituição Federal que:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;

Logo, conforme acima exposto, nenhum tributo poderá ser criado ou majorado sem
lei que o estabeleça. Portanto, via de regra, somente o Poder Legislativo poderá criar ou
majorar tributo, sempre mediante observação do devido processo legislativo.

E o Poder Executivo não poderá atuar na criação ou majoração de tributos?


Obviamente que a Constituição Federal lhe reservou possibilidades, até como forma de
controlar a economia e o mercado. Diante disso, podemos afirmar que houve mitigação ao
princípio da legalidade.

a) 1ª Exceção ao Princípio da Legalidade: poderá o Poder Executivo da União,


mediante decreto, portaria ou resolução, alterar as alíquotas dos impostos (II, IE, IOF e
IPI) abaixo descritos.
Outro fato que pode-se questionar é o do porquê é mitigado aqui o princípio da
legalidade: tais impostos são extrafiscais, ou seja, servem para regular o mercado
econômico.

119
Por fim, cabe dizer que tal possibilidade encontra-se respaldada em nosso texto
constitucional, em seu artigo 153, §1º da Constituição Federal:

Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:


§ 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os
limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos
enumerados nos incisos I, II, IV e V.

b) 2ª Exceção ao Princípio da Legalidade: poderá o Poder Executivo, igualmente,


por meio de decreto ou convênio, reduzir ou restabelecer as alíquotas de CIDE e ICMS
Combustível. Porém cuidado, não esqueça: aqui não se trata de majoração, mas tão
somente redução ou retorno das alíquotas anteriores.

c) 3ª Exceção ao Princípio da Legalidade: poderá o Poder Executivo, também


através de decreto ou portaria, atualizar base de cálculo de tributo. Mas aqui é importante
ressaltar: trata-se de mera atualização, recomposição da base, jamais podendo
representar onerosidade ao contribuinte.

Assim, é importante também salientar que esta atualização deverá observar os


limites estabelecidos pelos indexadores oficiais, ou seja, dentro de um máximo permitido
observando-se estes índices.

Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:


§ 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base
de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso.
§ 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto
no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da
respectiva base de cálculo.

Súmula 160 STJ - É defeso, ao município, atualizar o IPTU,


mediante decreto, em percentual superior ao índice oficial de
correção monetária.

120
d) 4ª Exceção ao Princípio da Legalidade: poderá, igualmente, o Poder Executivo
Federal, mediante Medida Provisória, criar ou majorar qualquer espécie tributária.
Entretanto, para que assim o faça terá de atender a dois requisitos: que o tributo possa
ser criado por lei ordinária e que seja convertido em lei no mesmo ano de sua edição.

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da


República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei,
devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de
impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só
produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido
convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.

e) 5ª Exceção ao Princípio da Legalidade: poderá, por fim, o Poder Executivo


alterar o prazo para pagamento de tributo por meio de decreto ou portaria. Compreende-
se pela desnecessidade de norma, visto que tal matéria não está assim disposta no artigo
97 do CTN, ou seja, não sendo necessária lei para tal realização.

16.2 Princípio da Isonomia

Reza o artigo 150, II, da Constituição Federal que:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se
encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção
em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida,
independentemente da denominação jurídica dos rendimentos,
títulos ou direitos.

Diante do que compreendido pelo inciso supra citado todos terão tratamento
igualitário perante a norma tributária, carecendo somente de um trato desigual aqueles
que se apresentam em uma situação de desigualdade.
121
16.3 Princípio da Anterioridade

Tal princípio irá limitar a possibilidade e atividade dos entes competentes de


cobrarem os tributos por eles respectivamente realizados. Logo, este princípio servirá
para informar ao contribuinte quando ele deverá e poderá ser cobrado dos respectivos
tributos, uma vez realizados os fatos geradores dispostos na norma tributária.

Mas desde já, lembre-se: como se trata de limitação ao exercício da competência


tributária, ele será observado apenas quando da criação ou majoração de tributo, visto
que quando tratar-se de medida desonerativa (mais favorável) ao contribuinte, tal norma
terá aplicação imediata.

O princípio da anterioridade, com razão precípua da necessidade de evitar a


surpresa aos contribuintes, é entendido conforme texto constitucional pela anterioridade
do exercício e a anterioridade nonagesimal.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
III - cobrar tributos:
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei
que os instituiu ou aumentou; (Vide Emenda Constitucional nº 3,
de 1993)
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido
publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o
disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42,
de 19.12.2003)

Diante disto, na forma do artigo 150, III, B, da Constituição Federal, todo tributo
criado ou majorado somente poderá ser exigido no primeiro dia do exercício seguinte, ou
seja, uma vez publicado, por exemplo, no ano de 2017, somente poderá ser exigido no
primeiro dia do ano de 2018.

122
E para evitar esta surpresa, houve uma alteração no texto constitucional, vindo a
criar o princípio da anterioridade nonagesimal. Assim, na forma do artigo 150, III, C, da
Constituição Federal, todo tributo criado ou majorado, somente poderá ser exigido após
90 (noventa) dias da publicação, justamente para evitar as surpresas acima citadas.

Assim, via de regra, todos os tributos criados ou majorados deverão aguardar as


duas anterioridades (requisitos cumulativos), ou seja, somente poderão ser exigidos no
exercício seguinte ao de sua publicação, somado a 90 (noventa) dias, igualmente da
publicação.

Entretanto, compreendeu por bem o constituinte reservar à alguns tributos uma


possibilidade de exigência mitigada, justamente para enfrentar o mercado econômico
(política econômica e social) ou a necessidade de exigência do tributo. Assim, positivou o
constituinte, mitigando, portanto, os princípios da anterioridade:

Art. 150 da CF - § 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos


tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a
vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos
arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de
cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

Logo, conforme positivado no parágrafo supra indicado, assim compreendeu o


constituinte:

➔ Terão exigência imediata, ou seja, mesmo que majorados ou criados poderão


ser exigidos tão logo publicados: Imposto de Importação, Imposto de
Exportação, Imposto sobre Operações Financeiras, Empréstimo Compulsório
de Guerra Externa ou sua Iminência, Empréstimo Compulsório de Calamidade
e Imposto Extraordinário de Guerra.

➔ Outrossim, terão exigência respeitando apenas a anterioridade nonagesimal,


ou seja 90 dias após a sua publicação, sendo, portanto, possível a sua exigência

123
no mesmo ano de sua publicação: Imposto sobre Produtos Industrializados,
Contribuições Sociais e CIDE/ICMS Combustíveis.

➔ E terão exigência respeitando apenas a anterioridade do exercício, ou seja,


podendo ser majorados em 28 de dezembro, publicados em 29 e já exigidos no
dia 01 de janeiro: Imposto de Renda (alíquotas, base de cálculo) e Base de
Cálculo (apenas) de IPVA e IPTU.

Por fim, outra questão de grande valia sobre o princípio da anterioridade é de que
a modificação de prazo para pagamento, mesmo que venha a antecipar a
arrecadação/pagamento, não estará sujeita a anterioridade, na forma da Súmula
Vinculante nº 50 do STF.

Súmula Vinculante 50
Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação
tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade.

16.4 Princípio da Irretroatividade

Reza o artigo 150, III, A, da Constituição Federal que:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da
vigência da lei que os houver instituído ou aumentado;

Em face do que disposto na presente alínea, a norma tributária não poderá


retroagir, ou seja, não poderá atingir fatos geradores que ocorreram antes de sua vigência.
Sendo assim, aplica-se a lei vigente, alíquota e base de cálculo que estiverem em vigor
quando da ocorrência do fato gerador. Logo, conclui-se: a norma tributária, via de regra,
não poderá retroagir justamente para preservar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito
e a proporcionar para todos uma segurança jurídica.

124
E vale dizer, ainda, que a Constituição Federal não traz nenhuma mitigação ou
exceção. Entretanto, o Código Tributário Nacional nos apresenta 3 exceções a este
princípio:

a) 1ª Exceção ao Princípio da Irretroatividade: a norma nova que tenha caráter


interpretativo da norma antiga, que venha solucionar pontos obscuros, portanto, da
norma antiga, desde que não cause penalidade ao contribuinte, poderá retroagir. Assim, a
lei nova de caráter interpretativo poderá retroagir, desde que não cause onerosidade ao
contribuinte.

Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:


I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,
excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos
interpretados;

b) 2ª Exceção ao Princípio da Irretroatividade: a norma nova que venha deixar


de tratar ato como infração (extinguir multa) ou reduzir a infração (reduzir o percentual
da multa), poderá retroagir para fatos geradores já ocorridos, desde que exista ato
pendente de julgamento (seja judicial ou administrativo). Vale ressaltar: trata-se de
retroatividade mais benéfica somente e tão exclusivamente no campo das infrações
(jamais no tocante as alíquotas ou base de cálculo).

Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:


II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:
a) quando deixe de defini-lo como infração;
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na
lei vigente ao tempo da sua prática.

c) 3ª Exceção ao Princípio da Irretroatividade: por fim, poderá retroagir norma


nova que venha instituir ou estabelecer novos critérios de fiscalização e/ou proporcionar
ao crédito tributário nova classificação.

125
Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato
gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que
posteriormente modificada ou revogada.
§1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à
ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos
critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os
poderes de investigação das autoridades administrativas ou
outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto,
neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade
tributária a terceiros.

16.5 Princípio do Não Confisco

Reza o artigo 150, IV, da Constituição Federal que:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
IV - utilizar tributo com efeito de confisco;

Conforme acima exposto, nenhum ente público poderá estabelecer ou exigir


tributo com caráter confiscatório, ou seja, que impeça o uso adequado da propriedade ou
não possibilite o livre exercício da atividade privada.

Logo, o contribuinte não precisará vender seus bens em face da exigência de


tributos que o impeçam de fazer o livre exercício do direito fundamental da propriedade.
Importante, ainda, ressaltar que o STF passou a aplicar o presente dispositivo para as
multas, ou seja, nenhuma multa (penalidade) poderá ser exigida com o caráter
confiscatório, como, por exemplo, multa moratória (por atraso no pagamento) não poderá
ter percentual superior a 20% (vinte por cento).

Sobre a matéria, importante colacionar 3 súmulas que tem trato recorrente no


Exame da Ordem, inclusive como teses para peças processuais.

SÚMULA 70 STF

126
É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio
coercitivo para cobrança de tributo.

SÚMULA 323 STF


É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo
para pagamento de tributos.

SÚMULA 547 STF


Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito
adquira estampilhas, despache mercadorias nas alfândegas e
exerça suas atividades profissionais.

16.6 Princípio da Liberdade de Tráfego

Reza o artigo 150, V, da Constituição Federal que:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio
de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a
cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo
Poder Público.

Nenhum tributo poderá impedir o livre exercício do direito de ir e vir, salvo a


própria mitigação exposta no inciso mencionado no que tange à cobrança de pedágios.
Lembrando que, salvo melhor juízo, quem cobra pedágio não cobra tributo, mas sim
tarifas ou preço público em que o contribuinte pagará para permissionários e/ou
concessionárias do serviço público.

16.7 Princípio da Uniformidade Geográfica

Reza o artigo 151, I e II, da Constituição Federal que:

Art. 151. É vedado à União:

127
I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território
nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a
Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de
outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a
promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico
entre as diferentes regiões do País;
II - tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e
os proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis
superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes;

Tal princípio tem força coercitiva diretamente para a União. Assim, o presente ente
federativo, em razão do texto constitucional, não poderá tratar os demais entes
federativos e seus contribuintes de forma desigual. Exemplo: a incidência sobre o Imposto
de Renda que será considerado no Rio Grande do Sul, igualmente deverá ser no Rio de
Janeiro, não podendo haver tratamento diferenciado. A justificativa para a presente
norma cogente é: respeito à isonomia e ao pacto federativo.

Entretanto, o mesmo inciso I trabalha com uma mitigação onde faculta a União
conceder tratamento diferenciado na tributação de sua competência, a fim de
proporcionar desenvolvimento sócio econômico de determinada região. Aqui encontra-
se o clássico exemplo da Zona Franca de Manaus.

Na forma do inciso II do artigo supra indicado, a União também não poderá


conceder tratamento diferenciado para seus servidores, bem como as obrigações de
dívidas públicas. Logo, se um Magistrado Federal tem retenção de 27,5% de seu ordenado,
o mesmo deverá valer para o Magistrado Estadual, não podendo, portanto, a União
conceder tratamento diferenciado para o federal em face deste pertencer aos quadros
federais.

16.8 Princípio da Isenção Heterônoma

Reza o artigo 151, III, da Constituição Federal que:


Art. 151. É vedado à União:

128
III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do
Distrito Federal ou dos Municípios.

Na forma do presente inciso, a União não poderá intrometer-se no que tange a


benefícios fiscais nos tributos que não são de sua competência. Assim, não caberá isenções
heterônomas, ou seja, a União não poderá conceder isenção de tributos que são de
competência dos demais entes.

Entretanto, algumas mitigações compreendidas na realidade como imunidades por


estarem expressas na Constituição Federal, poderemos visualizar:

a) 1ª Exceção: Imunidade de ISSQN para serviços destinados ao Exterior.

Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:


III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art.
155, II, definidos em lei complementar. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
§ 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste
artigo, cabe à lei complementar: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 37, de 2002)
II - excluir da sua incidência exportações de serviços para o
exterior. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)

b) 2ª Exceção: Imunidade de ICMS para Mercadorias e Serviços para o Exterior:

Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir


impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3,
de 1993)
II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as
prestações se iniciem no exterior; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 3, de 1993)
§ 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte:
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
X - não incidirá:

129
a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior,
nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior,
assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do
imposto cobrado nas operações e prestações anteriores;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

c) 3ª Exceção: segundo o STF os Tratados ou Convenções Internacionais, uma vez


ratificados pelo Presidente da República, este agindo como Chefe de Estado (Pessoa
Jurídica de Direito Público Internacional), poderá isentar tributos estaduais e municipais,
observando o que disposto no artigo 98 do CTN.

Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou


modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela
que lhes sobrevenha.

130
LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR - IMUNIDADES

Imunidade é a dispensa constitucional de pagar tributo, ou seja, tratam-se de


formas de dispensas constitucionais para que o contribuinte não realize o pagamento do
crédito tributário. Ademais, vale ressaltar que apresentam-se dois tipos de imunidades:
as específicas e as genéricas.

As imunidades específicas são todas aquelas dispostas no texto constitucional, que


dizem respeito a determinado caso concreto. E o mais importante: poderão albergar
qualquer espécie tributária. Aqui, exemplificando, apresentam-se os casos no texto
constitucional: não incidir ISS de serviço destinado ao exterior, não incidir contribuição
social para as entidades de assistência social sem fins lucrativos, entre outros.

Outrossim, também apresentam-se na Carta Magna as imunidades genéricas,


dispostas todas no artigo 150, VI, da Constituição Federal e apresentam dispensa
constitucional apenas no que tange aos impostos. São espécies de imunidades genéricas:

a) 1ª Espécie – Art. 150, VI, A, CF – Imunidade Recíproca: os entes públicos


(União, Estados, Distrito Federal e Municípios) não poderão cobrar impostos entre si
sobre o patrimônio, renda e serviços. Assim, exemplificando, a União não poderá cobrar
IR sobre a renda auferida pelo Município, bem como o Estado não poderá cobrar IPVA dos
automóveis da União.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
a) Patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;

Sobre a presente espécie de imunidade genérica vale ressaltar que elas são
extensivas às autarquias e fundações públicas, na forma do artigo 150, §2º da Constituição

131
Federal, desde que a renda, patrimônio e serviços sejam destinados e/ou utilizados para
o cumprimento da finalidade essencial das referidas entidades públicas citadas.

§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às


fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se
refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas
finalidades essenciais ou às delas decorrentes.

Mas para que estas autarquias e fundações públicas gozem de imunidade elas
precisam cumprir alguns requisitos que estão dispostos no artigo 150, §3º e §4º da
Constituição Federal, isto é:

➔ Ser mantidas ou instituídas pelo poder público;


➔ Manter atividade essencialmente pública;
➔ Não entrar na concorrência privada;
➔ Não cobrar taxa ou tarifa.

Também cabe ressaltar a posição do Supremo Tribunal Federal, muito embora a


omissão da Constituição Federal, de que as Empresas Públicas e Sociedades de Economia
Mista também terão direito a gozar desta espécie de imunidade genérica, desde que
explorem atividade essencial pública em caráter de monopólio e não visem lucro. Neste
condão, foram deferidas as imunidades para os Correios (Agência e não Franquia),
Infraero, Casa da Moeda, entre outros.

§ 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se


aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com
exploração de atividades econômicas regidas pelas normas
aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja
contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário,
nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar
imposto relativamente ao bem imóvel.

§ 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c",


compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços,

132
relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas
mencionadas.

b) 2ª Espécie – Art. 150, VI, B, CF – Imunidade Templos de Qualquer Culto: a


presente imunidade, tão criticada contemporaneamente, visa proteger a liberdade
religiosa. Lembrando que a Constituição Federal não objetivou ser aquela ou outra a
religião a ser imunizada, visto que vivemos em um estado laico.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
b) templos de qualquer culto;

Portanto, gozarão desta imunidade toda e qualquer religião que prestigie um Deus,
que tenha como objetivo levar a palavra de Deus para toda uma comunidade. Entretanto,
para que estas religiões gozem desta espécie de imunidade genérica sobre seu patrimônio,
renda e serviços, deverão aplicar seu patrimônio ou renda auferida para o cumprimento
da finalidade essencial.

Logo, se a igreja ou templo faz um bingo para manter a “Casa do Senhor”, ou seja, a
renda auferida será revertida para a finalidade essencial, não terá que pagar impostos
sobre tal valor recebido. O mesmo vale para cobrança de dízimos, estacionamento para
fiéis ou até mesmo cemitério em nome da instituição religiosa. Tudo isso, observando o
que disposto no artigo 150, §4º da Constituição Federal.

Mas sobre a presente imunidade, algumas perguntas restarão em aberto e faz-se


necessário a devida resposta:

➔ Maçonaria goza de imunidade? Não, visto tratar-se de filosofia de vida.


➔ Cemitério em nome de empresa privada goza de imunidade? Não, visto que
empresa privada visa lucro.

133
c) 3ª Espécie – Art. 150, VI, C, CF – Imunidade Subjetiva: a presente imunidade
contempla algumas pessoas, ou seja, observando igualmente o artigo 150, §4º do CTN, os
partidos políticos e suas fundações, sindicato dos trabalhadores, instituições de educação
e de assistência social sem fins lucrativos, terão direito a não pagar impostos sobre seus
patrimônios, rendas e serviços, desde que observado o cumprimento da norma e a
finalidade essencial.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive
suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das
instituições de educação e de assistência social, sem fins
lucrativos, atendidos os requisitos da lei;

Mas diferente das demais espécies de imunidades genéricas, a norma elenca a


observação e cumprimento dos requisitos previstos em lei. Qual seria a lei, artigo e seus
requisitos? São aqueles dispostos no artigo 14 do CTN. Assim, para estas pessoas gozarem
desta imunidade também deverão ater-se aos requisitos do artigo supra referido.

Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é


subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas
entidades nele referidas:
I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de
suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de
2001)
II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na
manutenção dos seus objetivos institucionais;
III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros
revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.

Vale ressaltar nesta imunidade, que as entidades de assistência social sem fins
lucrativos, na forma do artigo 195, §7º da Constituição Federal também terão imunidade

134
no que tange as contribuições sociais, tratando-se aqui de clássico exemplo de imunidade
específica.

§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as


entidades beneficentes de assistência social que atendam às
exigências estabelecidas em lei.

E, caso estas pessoas venham a locar um imóvel seu e reverter os valores locatícios
para o cumprimento da finalidade essencial, gozarão desta imunidade? Sim, na forma da
Súmula Vinculante 52 e Súmula 724 do STF, continuarão a gozar desta imunidade
genérica.

SV 52 - Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao


IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas
pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde que o valor
dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais
entidades foram constituídas.

d) 4ª Espécie – Art. 150, VI, D e E, CF – Imunidade Objetiva: por fim, a presente


imunidade diz respeito a espécie de imunidade genérica no tocante a alguns objetos.
Portanto, os livros, periódicos, jornais e papéis destinados a sua impressão, bem como
CD´S e DVD´s confeccionados por artistas ou intérpretes brasileiros não pagarão
impostos.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil
contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros
e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem
como os suportes materiais ou arquivos digitais que os
contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias

135
ópticas de leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº
75, de 15.10.2013)

Mas é importante que se diga: aqui a imunidade será apenas no tocante ao objeto
e não sobre eventual renda auferida com a venda do objeto ou imóvel pertencente a
fábrica do jornal.

E para gozarem desta imunidade quais são os requisitos necessários que devem
ser observados: transmitir um pensamento e ter uma ideia formalmente orientada
independentemente do conteúdo. Portanto, inclusive as revistas com apelo sexual
gozarão desta imunidade.

E as revistas com finalidade de marketing, que desejam prioritariamente vender


produtos? Estas revistas não gozarão de imunidade.

Já a lista telefônica gozará desta imunidade? Sim, visto que ela tem caráter
informativo.

Vale ressaltar, ainda, que inclusive o papel fotográfico destinado (Súmula) a


impressão dos itens acima expostos gozará de imunidade, ao contrário da tinta destinada
à impressão, que não terá imunidade.

Súmula 657 – STF - A imunidade prevista no art. 150, VI, d, da


Constituição Federal abrange os filmes e papéis fotográficos
necessários à publicação de jornais e periódicos.

Por fim, segue importante e recente julgado, que faz contemplar a presente
imunidade dos livros eletrônicos, decisão esta realizada pelo STF e reconhecida em sede
de repercussão geral.

EMENTA - Recurso extraordinário. Repercussão geral. Tributário.


Imunidade objetiva constante do art. 150, VI, d, da CF/88.
Teleologia multifacetada. Aplicabilidade. Livro eletrônico ou

136
digital. Suportes. Interpretação evolutiva. Avanços tecnológicos,
sociais e culturais. Projeção. Aparelhos leitores de livros
eletrônicos (ou e-readers). 1. A teleologia da imunidade contida
no art. 150, VI, d, da Constituição, aponta para a proteção de
valores, princípios e ideias de elevada importância, tais como a
liberdade de expressão, voltada à democratização e à difusão da
cultura; a formação cultural do povo indene de manipulações; a
neutralidade, de modo a não fazer distinção entre grupos
economicamente fortes e fracos, entre grupos políticos etc; a
liberdade de informar e de ser informado; o barateamento do
custo de produção dos livros, jornais e periódicos, de modo a
facilitar e estimular a divulgação de ideias, conhecimentos e
informações etc. Ao se invocar a interpretação finalística, se o
livro não constituir veículo de ideias, de transmissão de
pensamentos, ainda que formalmente possa ser considerado
como tal, será descabida a aplicação da imunidade. 2. A imunidade
dos livros, jornais e periódicos e do papel destinado a sua
impressão não deve ser interpretada em seus extremos, sob pena
de se subtrair da salvaguarda toda a racionalidade que inspira seu
alcance prático, ou de transformar a imunidade em subjetiva, na
medida em que acabaria por desonerar de todo a pessoa do
contribuinte, numa imunidade a que a Constituição atribui
desenganada feição objetiva. A delimitação negativa da
competência tributária apenas abrange os impostos incidentes
sobre materialidades próprias das operações com livros, jornais,
periódicos e com o papel destinado a sua impressão. 3. A
interpretação das imunidades tributárias deve se projetar no
futuro e levar em conta os novos fenômenos sociais, culturais e
tecnológicos. Com isso, evita-se o esvaziamento das normas
imunizantes por mero lapso temporal, além de se propiciar a
constante atualização do alcance de seus preceitos. 4. O art. 150,
VI, d, da Constituição não se refere apenas ao método
gutenberguiano de produção de livros, jornais e periódicos. O
vocábulo “papel” não é, do mesmo modo, essencial ao conceito
desses bens finais. O suporte das publicações é apenas o
continente (corpus mechanicum) que abrange o conteúdo
(corpus misticum) das obras. O corpo mecânico não é o essencial
ou o condicionante para o gozo da imunidade, pois a variedade de

137
tipos de suporte (tangível ou intangível) que um livro pode ter
aponta para a direção de que ele só pode ser considerado como
elemento acidental no conceito de livro. A imunidade de que trata
o art. 150, VI, d, da Constituição, portanto, alcança o livro digital
(e-book). 5. É dispensável para o enquadramento do livro na
imunidade em questão que seu destinatário (consumidor) tenha
necessariamente que passar sua visão pelo texto e decifrar os
signos da escrita. Quero dizer que a imunidade alcança o
denominado “audio book”, ou audiolivro (livros gravados em
áudio, seja no suporte CD-Rom, seja em qualquer outro). 6. A
teleologia da regra de imunidade igualmente alcança os aparelhos
leitores de livros eletrônicos (ou e-readers) confeccionados
exclusivamente para esse fim, ainda que, eventualmente, estejam
equipados com funcionalidades acessórias ou rudimentares que
auxiliam a leitura digital, tais como dicionário de sinônimos,
marcadores, escolha do tipo e do tamanho da fonte etc. Esse
entendimento não é aplicável aos aparelhos multifuncionais,
como tablets, smartphone e laptops, os quais vão muito além de
meros equipamentos utilizados para a leitura de livros digitais. 7.
O CD-Rom é apenas um corpo mecânico ou suporte. Aquilo que
está nele fixado (seu conteúdo textual) é o livro. Tanto o suporte
(o CD-Rom) quanto o livro (conteúdo) estão abarcados pela
imunidade da alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição
Federal. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.
TESE DA REPERCUSSÃO GERAL: 9. Em relação ao tema nº 593 da
Gestão por Temas da Repercussão Geral do portal do STF na
internet, foi aprovada a seguinte tese: “A imunidade tributária
constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se ao livro eletrônico
(e-book), inclusive aos suportes exclusivamente utilizados para
fixá-lo.” RE 330817-RJ

e) Por fim, segue um quadro retirado da obra do Professor Ricardo Alexandre que
trabalha as demais formas de imunidades previstas no texto constitucional. 4

4
ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado. 8. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo:
MÉTODO, 2014. Página 509.

138
Fundamento Objeto/Pessoa/Operação imunizadas Tributos cuja
constitucional incidência é
impedida
Art. 5.º, XXXIV - Obtenção de certidões, exercício do direito de Taxas em geral
petição
Art. 5.º, LXXIII - Ação popular, salvo comprovada má-fé Custas judiciais
(consideradas
taxas pelo STF)
Art. 5.º, LXXVI - Registro civil de nascimento e certidão de Emolumentos
óbito, para os reconhecidamente pobres (considerados
taxas pelo STF)
Art. 5.º, LXXVII - Habeas corpus, habeas data e, na forma da lei, Custas judiciais e
atos necessários ao exercício da cidadania emolumentos
(considerados
taxas pelo STF)
Art. 149, § 2.º, I - Receitas decorrentes de exportação Contribuições
sociais e de
intervenção no
domínio
econômico
Art. 153, § 3.º, - Exportação de produtos industrializados IPI
III
Art. 153, § 4.º, II - Pequenas glebas rurais, definidas em lei, ITR
exploradas por proprietário que não possua
outro imóvel
Art. 153, § 5.º - Ouro definido em lei como ativo financeiro ou Tributos em geral,
c/c ADCT, art. instrumento cambial salvo CPMF e IOF
74, § 2.º
Art. 155, § 2.º, X - Exportações de mercadorias e serviços; ICMS
- Operações que destinem a outros Estados
petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis

139
líquidos e gasosos dele derivados, e energia
elétrica;
- Prestações de serviço de comunicação nas
modalidades de radiodifusão sonora e de sons
e imagens de recepção livre e gratuita
Art. 155, § 3.º - Operações relativas a energia elétrica, Impostos em
serviços de telecomunicações, derivados de geral, exceto II, IE
petróleo, combustíveis e minerais do País e ICMS
Art. 156, § 2.º, I - Transmissão de bens ou direitos ITBI
incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica
em realização de capital;
- Transmissão de bens ou direitos decorrente
de fusão, incorporação, cisão ou extinção de
pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a
atividade preponderante do adquirente for a
compra e venda desses bens ou direitos,
locação de bens imóveis ou arrendamento
mercantil
Art. 184, § 5.º - Operações de transferência de imóveis Impostos em geral
desapropriados para fins de reforma agrária
Art. 195, II - Rendimentos de aposentadoria e pensão Contribuição
concedidas pelo regime geral de previdência previdenciária
social
Art. 195, § 7.º - Entidades beneficentes de assistência social Contribuições
que atendam às exigências estabelecidas em lei para
financiamento da
seguridade social
Art. 226, § 1.º - Celebração do casamento civil Taxas em geral
Art. 85 do ADCT - Contas-correntes de depósito especialmente CPMF
abertas e exclusivamente utilizadas para
operações de:

140
a) câmaras e prestadoras de serviços de
compensação e de liquidação de que trata o
parágrafo único do art. 2.º da Lei 10.214, de 27
de março de 2001;
b) companhias securitizadoras de que trata a
Lei 9.514, de 20 de novembro de 1997;
c) sociedades anônimas que tenham por objeto
exclusivo a aquisição de créditos oriundos de
operações praticadas no mercado financeiro;
- Contas-correntes de depósito, relativos a:
a) operações de compra e venda de ações,
realizadas em recintos ou sistemas de
negociação de bolsas de valores e no mercado
de balcão organizado;
b) contratos referenciados em ações ou índices
de ações, em suas diversas modalidades,
negociados em bolsas de valores, de
mercadorias e de futuros;
- Contas de investidores estrangeiros, relativos
a entradas no País e a remessas para o exterior
de recursos financeiros empregados,
exclusivamente, em operações e contratos
referidos nas letras “a” e “b” do item anterior.

141
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA

A legislação tributária, muito embora ignorada por grande parte dos “oabzeiros
fiscais” tem relevante importância para a resolução de questões do Exame da Ordem em
Direito Tributário. Outrossim, tal temática também enseja inúmeras dúvidas, o que
tentarei dirimir através de um texto sistematizado.

E a primeira grande questão que é recorrente é: qual tipo normativo poderá criar
e/ou majorar tributo? Via de regra, será mediante lei ordinária, possível a criação ou
majoração. Entretanto, existem 4 (quatro) espécies tributárias que somente poderão ser
criadas ou majoradas mediante lei complementar: Imposto Residual (art. 154, I, CF),
Contribuição Social Residual (art. 195, §4º, CF), Imposto sobre Grandes Fortunas
(art. 153, VII, CF) e Empréstimos Compulsórios (art. 148, CF).

Para que sejam criados esses tributos, seja por meio de lei ordinária ou
complementar, o legislador terá que ater-se a uma série de requisitos e imposições legais
descritas em lei complementar. Portanto, via de regra, normas gerais de direito tributário
somente poderão ser realizadas mediante lei complementar, na forma do artigo 146 da
Constituição Federal.

E onde estão estas normas gerais de direito tributário? Estão no Código Tributário
Nacional, visto que este foi recepcionado como lei complementar pela Constituição
Federal de 1988.

Importante ainda referir que tal temática tem vínculo com o princípio da
legalidade. Portanto, muito embora acima cita-se a possibilidade de criação ou majoração
de tributo mediante lei ordinária, não podemos esquecer que Medida Provisória também
assim poderá fazer, uma vez obedecidos os requisitos do artigo 62, §2º da Constituição
Federal.

142
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO

Teremos a ocorrência da obrigação tributária toda vez que o contribuinte praticar


um fato (fato gerador) que está descrito em uma lei (hipótese de incidência). Assim, a
obrigação nada mais é do que o resultado da realização do fato gerador no mundo
exterior. Sobre a obrigação tributária leciona o CTN:

Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.


§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador,
tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária
e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente.
§ 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem
por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no
interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.
§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua
inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente
à penalidade pecuniária.

No teor do referido artigo conseguimos vislumbrar a existência de dois tipos de


obrigação tributária: a principal e a acessória.

A obrigação principal é toda aquela obrigação do contribuinte para o pagamento


do tributo ou da penalidade (multa). Já a obrigação acessória é toda aquela obrigação que
não consiste em pagamento, mas sim no ato de fazer ou deixar de fazer. Portanto, são
exemplos de obrigações acessórias o ato de fazer um speed contábil, um balanço, tirar ou
não rasurar uma nota fiscal. Lembrando, ainda, que a obrigação acessória tem como
objetivo colaborar para a fiscalização e o pagamento do crédito tributário.

Ainda, sobre o referido artigo, mais precisamente na forma do parágrafo 3º, uma
vez o contribuinte não realizando ou cumprindo com sua obrigação acessória, surgirá
uma obrigação principal (multa).

143
19.1 Elisão Fiscal

Reza o artigo 116, §º único do CTN:

Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se


ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos:
Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá
desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a
finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo
ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação
tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos
em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)

O presente parágrafo único faz nascer a subjetividade frente à realização de


planejamento tributário pelo contribuinte e sua validação ou não. Mas como a presente
obra não tem como objetivo doutrinar ou suscitar divergências, cabe ao signatário
informar que, caso o enunciado da peça ou questão no Exame da Ordem deixe claro a
existência de ato realizado com a tentativa de não pagar tributo, simular ou cometer
fraude, poderá o fisco desconsiderar tal ato e cobrar os tributos devidos pela realização
dos fatos geradores.

19.2 Sujeito Ativo e Passivo da Relação Tributária

Mas afinal de contas, quem poderá cobrar e quem irá pagar a obrigação tributária?
Serão, respectivamente, o sujeito ativo e passivo da relação tributária.

O sujeito ativo, na forma do artigo 119 do CTN, é toda pessoa jurídica de direito
público que tem a competência constitucional para criar e/ou exigir o crédito tributário,
observando a norma e a realização do fato gerador pelo contribuinte.

Já o sujeito passivo será aquele responsável pelo pagamento do crédito tributário


e até mesmo da multa, uma vez realizado o fato gerador ou descumprida eventual
obrigação acessória. Na forma do artigo 121 do CTN, o sujeito passivo poderá ser tanto o
contribuinte (aquele que realiza e tem vínculo direto com o fato gerador), quanto o

144
responsável (não realiza o fato gerador, mas a norma legal lhe atribui o dever de pagar
tributo).

19.3 Das Convenções Particulares e da Obrigação Tributária

Reza o artigo 123 do CTN:

Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções


particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de
tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para
modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações
tributárias correspondentes.

Logo, na forma do presente artigo, nenhum contrato, acordo ou instrumento


particular poderá ser oposto/apresentado contra a fazenda pública a fim de modificar a
responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário. Assim, na realização locatícia, por
exemplo, onde 99% dos contratos estabelecem a responsabilidade pelo pagamento do
IPTU ao locatário, caso este não venha a satisfazer o crédito, o fisco irá exigir o IPTU do
proprietário, in casu, locador.

19.4 Da Solidariedade

Reza o artigo 124 do CTN que os sujeitos passivos poderão ser solidariamente
obrigados, caso exista interesse comum na situação que constitua o fato gerador da
obrigação principal. Lembrando, ainda, que tal solidariedade não comportará benefício
de ordem, ou seja, quem pagará primeiro ou não.

Ademais, o tema mais recorrente sobre solidariedade é o que disposto no artigo


125 do CTN sobre os efeitos da solidariedade. Cito aqui o campeão de cobrança em prova,
que é o inciso II, onde leciona que eventual isenção concedida em razão de caráter pessoal
não será estendida para os demais, mantendo-se o saldo devido pelos demais sujeitos
passivos (logo, desconta-se a cota parte do sujeito isento).

145
19.5 Da Capacidade Tributária

Na forma do artigo 126, I, do CTN a capacidade tributária não dependerá da


capacidade civil das pessoas naturais. Logo, mesmo que o sujeito passivo não tenha
capacidade civil plena (por exemplo, seja menor de idade, portador de deficiência) ele terá
que pagar tributo. Essa conclusão também será estendida para o falido que quebrou uma
empresa e hoje realiza outra atividade capaz de gerar fato gerador, bem como para
sociedades de fato ou irregulares.

19.6 Da Constituição do Crédito Tributário - Lançamento

Não basta a ocorrência do fato gerador para que o tributo possa ser constituído e,
consequentemente, exigido do contribuinte. Para que o mesmo possa ser cobrado faz-se
necessário que ocorra o lançamento. Logo, conclui-se que a constituição do crédito
tributário ocorrerá por meio do ato administrativo de lançamento.
A primeira espécie de lançamento é a de ofício, regulada pelo artigo 148 do CTN.
Nessa hipótese de constituição do crédito, o fisco identifica a ocorrência do fato gerador,
faz o cálculo do valor devido, emite à guia e notifica o contribuinte. Portanto, aqui teremos
apenas a participação da fazenda pública, em nada participando o contribuinte. São
exemplos de lançamento de ofício: IPVA, IPTU, Taxas, Contribuição de Iluminação Pública.
A segunda espécie de lançamento é a por declaração, regulada pelo artigo 147 do
CTN. Aqui o contribuinte apenas irá informar ao fisco que realizou o fato gerador, sendo
de atribuição da fazenda pública os demais itens para ensejar a cobrança do crédito
tributário. O fisco irá calcular o valor do tributo e emitir a guia. São exemplos de
lançamento por declaração: ITBI, ITCMD.
Por fim, a terceira espécie para constituição do crédito tributário é o lançamento
por homologação. Na forma do artigo 150 do CTN será o contribuinte que irá declarar a
existência do fato gerador, fará o cálculo do tributo devido, bem como irá emitir a guia
para pagamento. Trata-se da regra de constituição do direito tributário. São exemplos
deste lançamento por homologação: IR, IPI, ICMS, ISS, entre outros.

146
DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO

Na forma do art. 151 do CTN teremos algumas hipóteses de suspensão do crédito


tributário. Quando da ocorrência de quaisquer uma das hipóteses (incisos) situadas no
rol taxativo do referido artigo, o fisco estará impedido (temporariamente) de cobrar
(exigir) o crédito tributário. Mas veja, trata-se de hipótese que impede a Execução Fiscal,
mas não a constituição do crédito através do lançamento, sob pena de ocorrer a
decadência. Sobre isso, colaciona importante esquema de Ricardo Alexandre5:

Outrossim, igualmente a título introdutório, é importante compreender que a


fazenda pública/contribuinte somente poderá utilizar-se das hipóteses de suspensão que
estão lecionados no CTN, bem como qualquer alteração somente poderá ser realizada
mediante lei complementar, na forma do artigo 146, III, B, da CF.

São formas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do artigo


151 do CTN:
Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:
I - moratória;
II - o depósito do seu montante integral;
III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras
do processo tributário administrativo;
IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança.
V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em
outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de
2001)
VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)

5
ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado. 8. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo:
MÉTODO, 2014. Página 1005.

147
A primeira hipótese de suspensão prevista no rol é a moratória. Este instituto
trata-se da concessão, mediante lei específica do ente competente, do aumento do prazo
para pagamento do crédito tributário devido. Logo, caso o contribuinte albergue-se em lei
que concede moratória, terá prazo dilatado para o pagamento do tributo.

A moratória é utilizada, na maioria das vezes, como medida política a fim de


colaborar com os contribuintes que passam por situações extremas, como de calamidades
ou estragos causados pela natureza.

Art. 152. A moratória somente pode ser concedida:


I - em caráter geral:
a) pela pessoa jurídica de direito público competente para
instituir o tributo a que se refira;
b) pela União, quanto a tributos de competência dos Estados, do
Distrito Federal ou dos Municípios, quando simultaneamente
concedida quanto aos tributos de competência federal e às
obrigações de direito privado;
II - em caráter individual, por despacho da autoridade
administrativa, desde que autorizada por lei nas condições do
inciso anterior.
Parágrafo único. A lei concessiva de moratória pode
circunscrever expressamente a sua aplicabilidade à determinada
região do território da pessoa jurídica de direito público que a
expedir, ou a determinada classe ou categoria de sujeitos
passivos.

O presente instituto poderá ser concedido de forma geral ou individual. Na


ocorrência da moratória geral, a mesma irá abranger um número indeterminado de
contribuintes, não dependendo de requisitos ou autorização da autoridade administrativa
competente.

Já a moratória em caráter individual será quando a lei específica do ente


competente exigir alguns requisitos para que o contribuinte faça uso da norma
protelatória, bem como depende da checagem de tais itens pela autoridade administrativa
do ente competente, não gerando, portanto, direito adquirido.

148
Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera
direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure
que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as
condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos
para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de
juros de mora (...)

Por fim, é importante colacionar que, via de regra, a moratória é concedida por lei
do ente competente. Entretanto, mitigando tal informação, na forma do art. 152, I, B, da
CF, a União poderá conceder moratória de tributos que não são de sua competência
(Estados, DF e Municípios) desde que faça o mesmo com seus tributos.

Sobre moratória, trago importante esquema de Ricardo Alexandre6:

A segunda hipótese de suspensão prevista no rol é o depósito do montante


integral. Este instituto será realizado, via de regra, dentro dos processos judiciais, visto
que a simples interposição de recurso administrativo já suspende a exigibilidade, não
sendo, portanto, necessário e muito menos exigível a realização de depósito para
suspender quando do processo administrativo, na forma da SV 21 do STF.
Igualmente, esta segunda hipótese de suspensão quase sempre será faculdade da
parte. Ao ver do presente autor somente não será faculdade da parte quando da utilização
da ação de Consignação em Pagamento, visto que conjugando-se a motivação da ação

6
ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado. 8. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo:
MÉTODO, 2014. Página 1037.

149
(quero pagar e não posso) com o artigo 542, I, do CPC, compreende-se que, neste caso,
apenas o depósito será condição de ação.

Apenas o depósito integral e em dinheiro irá suspender a exigibilidade do crédito,


bem como ele jamais poderá ser condição para ingresso de recurso administrativo ou de
ajuizamento de ação judicial (com exceção da Consignação em Pagamento).

Súmula 112 do STJ - O depósito somente suspende a exigibilidade


do crédito tributário se for integral e em dinheiro.

Súmula Vinculante nº 21 do STF - É inconstitucional a exigência


de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para
admissibilidade de recurso administrativo.

Súmula Vinculante nº 28 do STF - É inconstitucional a exigência


de depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação
judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito
tributário.

A terceira hipótese de suspensão prevista no rol é a reclamação e o recurso


administrativo. Tal hipótese será realizada toda vez que houver interposição de qualquer
recurso administrativo de forma tempestiva pelo contribuinte. Lembrando mais uma vez
aqui que não poderá ser exigido depósito recursal ou custas recursais para a realização
desta forma de suspensão.

A quarta hipótese de suspensão prevista no rol é a liminar e a tutela provisória.


As presentes hipóteses de suspensão irão ocorrer, respectivamente, em sede de Mandado
de Segurança (liminar) e nas demais ações do processo subjetivo (tutela provisória).

Para ocorrência de quaisquer uma destas formas terá o contribuinte que solicitar,
ou seja, fazer pedido expresso para a concessão, bem como o magistrado, para o
deferimento, poderá solicitar a realização de caução para garantir indenização em caso de
eventual dano à parte prejudicada.

150
Por fim, é importante lembrar que a concessão de tais medidas não impedirá a
fazenda pública de efetuar o lançamento.

A quinta hipótese de suspensão prevista no rol é o parcelamento. Esta última


hipótese de suspensão é uma espécie de moratória, apresentando como item diverso é
que esta forma irá fracionar (parcelar) o pagamento da dívida tributária. Tal concessão
de suspensão não importará obrigatoriamente no corte de juros e multas.

Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição


estabelecidas em lei específica. (Incluído pela Lcp nº 104, de
2001)
§ 1º Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do
crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas.
(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)
§ 2º Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as
disposições desta Lei, relativas à moratória. (Incluído pela Lcp nº
104, de 2001)

Por fim, finalizando o presente capítulo, cumpre informar que, ocorrendo qualquer
uma das hipóteses de suspensão, suspenderá apenas a obrigação principal (de pagar),
devendo o contribuinte continuar a efetuar o cumprimento das obrigações acessórias (de
fazer ou não fazer).

151
DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

Na forma do artigo 156 do Código Tributário Nacional apresentam-se várias


formas de extinção do crédito tributário. Lembrando que tais modalidades contemplam
um rol taxativo, podendo ser alterados apenas mediante lei complementar.

A primeira forma de extinção é o pagamento. Trata-se da forma mais aguardada


de extinção do crédito tributário, onde o contribuinte, a fim de extinguir o tributo, faz o
pagamento através da entrega de dinheiro ao ente público competente.

Importante referir ainda que, diferentemente do direito civil, na forma do artigo


158 do CTN, o pagamento parcial de parcelas não poderá fazer presumir que as demais
estão quitadas, assim como o pagamento, por exemplo, de IPTU do ano de 2017, não
poderá fazer presumir que os anteriores estão quitados.

Caso o pagamento do tributo devido não seja feito no prazo legal, os efeitos
moratórios serão automáticos, na forma do artigo 161 do CTN.

Quanto ao prazo de pagamento, igualmente, caso não haja regra específica na


legislação tributária do ente competente, o vencimento do crédito ocorrerá trinta dias
depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Lembre-
se, ainda, sobre o prazo para pagamento7:

7
ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado. 8. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo:
MÉTODO, 2014. Página 1067.

152
*para todos verem: esquema

Lembre-se que em Tributos Federais (âmbito federal), a correção monetária e os


juros de mora estão reunidos em único índice, a taxa SELIC. Sendo assim, conforme
orientação pacífica do STJ, não posso cumular SELIC com qualquer outro índice de
correção monetária.
Conforme o artigo 162 do CTN, o pagamento poderá ser efetuado em moeda
corrente, cheque ou vale postal. E nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel
selado, ou por processo mecânico.

Art. 162. O pagamento é efetuado:


I - em moeda corrente, cheque ou vale postal;
II - nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou
por processo mecânico.

A segunda forma de extinção é o compensação. Ocorrerá o direito a compensar


quando duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra. Agora, não
bastará para ocorrer a compensação ter crédito e débito, mas também faz-se necessário a
existência de norma específica do ente competente que estipule as condições e garantias,
observando o teor do artigo 170 do CTN.

Sobre a compensação é importante o examinando conhecer o teor das Súmulas


212, 213, 460 e 461 do STJ.
A terceira forma de extinção é a transação. Trata-se de forma de negociação
realizada entre as partes que, mediante concessão mútua, acabam por extinguir

153
obrigações, visando terminar litígios. Na forma do artigo 171 do CTN ela somente irá
terminar litígios, não cabendo, portanto, transação de forma preventiva.

Outrossim, a presente modalidade de extinção somente poderá ser realizada


mediante lei específica do ente competente, onde tal norma irá delimitar as condições
para a realização da transação. Veja que o CTN não afirma a necessidade do litígio ser
judicial ou administrativo, cabendo assim, ao ver do signatário, tanto para litígios
administrativos quanto para judiciais.
A quarta forma de extinção é a remissão. A remissão trata-se da dispensa
gratuita da dívida tributária. Na forma do artigo 150, §6º da Constituição Federal a
remissão somente poderá ser concedida mediante lei específica do ente competente.

A remissão, diferente da anistia, poderá perdoar tributo e multa. Além disso, por
tratar-se de forma de extinção do crédito tributário, somente poderá existir de créditos já
constituídos (lançados).

Por fim, teremos a remissão de forma individual ou geral, devendo utilizar-se dos
parâmetros da moratória para realização.

A quinta forma de extinção é a prescrição e a decadência.

O prazo para que a Administração Tributária, por meio da autoridade competente,


promova o lançamento é decadencial. O prazo para que se ajuíze a ação de execução fiscal
é prescricional.

Operada a decadência, tem-se por extinto o direito de lançar. Verificada a


prescrição, tem-se impossibilitado o manejo da execução fiscal.

Lembre-se que, diferentemente do direito civil, aqui no Direito Tributário o


pagamento de débito prescrito gera direito a sua repetição, na medida em que, muito
embora exista o direito material, a pretensão estará extinta quando da ocorrência do
pagamento.

154
Ademais, ressalta-se: o lançamento é exatamente o marco que separa, na linha do
tempo, a prescrição da decadência.

Importante ainda dizer que: o termo inicial do prazo decadencial não é exatamente
a data da ocorrência do fato gerador, mas uma data em torno deste momento (via de regra,
o primeiro exercício financeiro subsequente). Mas no caso do lançamento por
homologação, contudo, o termo inicial pode coincidir com precisão com a data do fato
gerador.
O prazo decadencial é de 5 anos. Outrossim, a decadência tem algumas regras
próprias que veremos abaixo.

Regra Geral do Prazo Decadencial

O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco


anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia
ter sido efetuado.

Percebe-se nitidamente que a Administração Pública acaba tendo mais de cinco


anos para exercer o direito de constituir o crédito. Mas na OAB = o prazo decadencial é de
5 anos.

Regra do Lançamento por Homologação

O término do prazo para a homologação, sem que esta tenha sido expressamente
realizada, não apenas configura homologação tácita, mas também decadência do direito
de constituir o crédito relativo a qualquer diferença.

Aqui, no lançamento por homologação, a regra é: único caso em que o prazo


decadencial é contado exatamente da data da ocorrência do fato gerador.

155
Assim, se o contribuinte antecipou o pagamento dentro do prazo legal, mesmo que
o valor recolhido tenha sido ínfimo, a homologação tácita ocorrerá em cinco anos,
contados da data do fato gerador.

Mas atenção aos casos de lançamento por homologação onde não houver
lançamento ou ele for realizado com dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial
passará para a regra geral (art. 173, I, do CTN, ou seja, 1º dia do exercício subsequente.

Cuidado que a FGV ainda insiste em cobrar o prazo decadencial para a realização
do lançamento das contribuições para o financiamento da seguridade social. A própria lei
fala em 10 anos, mas o STJ, em 2007, e o STF, em 2008 (súmula vinculante nº 8), decidiu
que tal prazo é inconstitucional, sendo o mesmo igual aos demais (5 anos).

Prescrição

Já opera-se a prescrição quando a Fazenda Pública não propõe, no prazo


legalmente estipulado, a ação de execução fiscal para obter a satisfação coativa do crédito
tributário.

Conforme o artigo 174 do CTN o prazo de prescrição é de cinco anos, iniciando sua
contagem da data da constituição definitiva do crédito tributário.

Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve


em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva.
Parágrafo único. A prescrição se interrompe:
I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal;
(Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)
II - pelo protesto judicial;
III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que
importe em reconhecimento do débito pelo devedor.

Mas cuidado: não será com a notificação que o crédito estará definitivamente
constituído, mas sim, não havendo pagamento ou impugnação (ou após o processo

156
administrativo), e ultrapassado o prazo para pagamento do crédito tributário sem
pagamento, é que começará a fluir o prazo prescricional.

Lembre-se que a prescrição se interromperá quando: houver despacho do juiz


ordenando citação em execução, qualquer protesto judicial ou ato judicial que constitua o
devedor em mora e por qualquer ato inequívoco (mesmo que seja extrajudicial) que
importe reconhecimento do débito pelo devedor.

A sexta forma de extinção é a conversão de depósito em renda. Tal modalidade


irá ocorrer quando da realização de depósito ou penhora de dinheiro em processo judicial
e em caso de vitória (decisão favorável de mérito ao fisco) o dinheiro irá para a fazenda
pública. Tal ato é nominado de conversão de depósito em renda.

A sétima forma de extinção é a consignação em pagamento. A presente forma


irá ocorrer quando do ajuizamento de Ação de Consignação em Pagamento pelo
contribuinte nas possibilidades ofertadas do artigo 164 do CTN. Lembrando que tal
demanda judicial busca justamente a satisfação do crédito tributário não recebido pela
fazenda pública. Assim, julgando-se procedente a presente ação, o dinheiro que fora
depositado, na forma do artigo 542, I, do CPC, será convertido em renda, vindo a extinguir
o crédito tributário pela consignação.

157
DA EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

As formas de exclusão do crédito, que estão dispostas no artigo 175 do Código


Tributário Nacional, sempre serão realizadas mediante lei própria do ente competente,
bem como vão impedir a fazenda pública de constituir o crédito. Logo, como consequência
disso, o contribuinte está livre do cumprimento da obrigação principal.

Art. 175 do CTN - Excluem o crédito tributário:


I - a isenção;
II - a anistia.
Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o
cumprimento das obrigações acessórias dependentes da
obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela
consequente.

Diante do referido no artigo supra copiado, serão formas de exclusão do crédito a


isenção e a anistia. Reforçando-se, assim, que são institutos desonerativos, que o Poder
Executivo não poderá realizar (somente mediante lei) e que não dispensa a obrigação
acessória.

22.1 Isenção

A isenção trata-se de um instituto desonerativo que visa dispensar, mediante lei, o


dever de pagar tributo. Veja que trata-se de um instituto diferente da imunidade, visto
que esta última trata-se de dispensa constitucional do dever de pagar tributo. Ainda, sobre
a isenção é importante ressaltar:
*para todos verem: esquema

Isenção

- Dispensa legal realizada pelo respectivo ente competente.

- Via de regra, poderá ser revogada a qualquer tempo.

- Só admite interpretação literal.

158
Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre
decorrente de lei que especifique as condições e requisitos
exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo
caso, o prazo de sua duração.
Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região
do território da entidade tributante, em função de condições a ela
peculiares.

Logo, conforme acima exposto, a isenção, via de regra, poderá ser revogada a todo
e qualquer tempo, com exceção da isenção onerosa, que é aquela realizada por condição
e tempo, na forma do artigo 178 do CTN. Tal isenção onerosa é aquela realizada na maioria
das vezes quando uma empresa deseja instalar-se em determinado local (condição) e
deseja por certo período (tempo) não pagar tributo. Essa, em razão da segurança jurídica,
não poderá ser revogada a qualquer tempo.

Art. 178 - A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em


função de determinadas condições, pode ser revogada ou
modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no
inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24,
de 1975)

Súmula 544 do STF - Isenções tributárias concedidas, sob


condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas.

Ainda, sobre isenções, cabe dizer que a sua concessão, em razão de tratar-se de um
benefício para o contribuinte, não observará a anterioridade, bem como na forma do
artigo 177 do CTN, via de regra, não se estenderá a taxas e contribuições de melhoria,
salvo previsão expressa em norma.

Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é


extensiva:
I - às taxas e às contribuições de melhoria;
II - aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.

159
Importante referir que as isenções poderão ter caráter individual ou geral. A de
caráter individual só alcançará determinadas pessoas, que preenchem requisitos,
mediante análise da autoridade administrativa competente. Ainda, ela não gerará direito
adquirido, justamente em face da necessidade da análise dos requisitos para sua
concessão.

Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é


efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade
administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça
prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos
requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão.
§ 1º Tratando-se de tributo lançado por período certo de tempo,
o despacho referido neste artigo será renovado antes da
expiração de cada período, cessando automaticamente os seus
efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o
interessado deixar de promover a continuidade do
reconhecimento da isenção.
§ 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido,
aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155.

Por fim, cumpre mencionar questão recorrente em prova sobre isenção: trata-se
das isenções de ICMS. Estas somente poderão ser realizadas mediante convênio e não por
meio de lei, na forma do artigo 155, §2º, XII, G, da CF combinado com a Lei Complementar
24/75. Tudo isso a fim de evitar guerra fiscal entre os entes federativos.

22.2 Anistia

A anistia também trata-se de medida desonerativa que, entretanto, visa retirar


(perdoar) do contribuinte o aspecto, a denominação de infrator. Logo, o legislador,
mediante lei própria (específica do ente competente), poderá excluir e dispensar o
contribuinte do pagamento da multa tributária.

Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas


anteriormente à vigência da lei que a concede, não se aplicando:

160
I - aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e
aos que, mesmo sem essa qualificação, sejam praticados com dolo,
fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por terceiro em
benefício daquele;
II - salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de
conluio entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas.

Tal anistia poderia ser realizada, inclusive, sobre determinado território e/ou
região, sendo possível, portanto, a delimitação da extensão do referido instituto.

Art. 181. A anistia pode ser concedida:


I - em caráter geral;
II - limitadamente:
a) às infrações da legislação relativa a determinado tributo;
b) às infrações punidas com penalidades pecuniárias até
determinado montante, conjugadas ou não com penalidades de
outra natureza;
c) a determinada região do território da entidade tributante, em
função de condições a ela peculiares;
d) sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei
que a conceder, ou cuja fixação seja atribuída pela mesma lei à
autoridade administrativa.

E, por fim, o referido instituto político poderá ser concedido em caráter geral e
individual, obedecendo os mesmos critérios da isenção.

Art. 182. A anistia, quando não concedida em caráter geral, é


efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade
administrativa, em requerimento com a qual o interessado faça
prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos
requisitos previstos em lei para sua concessão.
Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito
adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155.

161
DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA

Via de regra, todo tributo será satisfeito pela pessoa que realiza o fato gerador, ou
seja, aquele que tem vínculo direto com a realização da hipótese descrita em norma legal.
Entretanto, o artigo 121 do CTN afirma que será também sujeito passivo da relação
tributária, além do contribuinte, o responsável.

Mas afinal de contas quem é o responsável? É aquele que não tem vínculo direto
com à realização (fato) da hipótese prevista na norma, entretanto, a lei lhe atribuí
responsabilidade para satisfazer o crédito tributário.

Outrossim, antes de iniciarmos os tipos de responsabilidade, é importante referir


que o próprio CTN afirma e entrega a possibilidade ao legislador ordinário de estabelecer
hipóteses específicas de responsabilidade tributária, conforme leciona o artigo 128.

Como a presente obra não tem o condão de exaurir qualquer matéria exposta,
vamos trabalhar especificamente a responsabilidade por transferência (sucessão e
terceiros), que está disciplinada entre os artigos 130 até 135 do CTN.

Reza o artigo 130 do CTN que:

Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato


gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens
imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de
serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria,
subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo
quando conste do título a prova de sua quitação.

Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a sub-


rogação ocorre sobre o respectivo preço.

162
O que disposto no artigo supra, trata-se da responsabilidade dos adquirentes de
bens imóveis. Portanto, todos os tributos devidos, relativos ao bem imóvel (impostos,
taxas e contribuição de melhoria) serão transferidos ao adquirente do bem.

Entretanto, o adquirente apenas não poderá ser responsabilizado quando houver


comprovação da negativa de débitos (possuir certidão negativa na data da compra) ou
quando adquirir o bem em leilão judicial, visto que neste último caso, os valores das
dívidas estarão sub-rogadas pelo preço pago em hasta pública. Logo, se houver saldo
pendente, mesmo com a realização da arrematação, o adquirente não poderá ser cobrado
pelo saldo devido.

Por fim, ainda sobre o referido artigo, cabe dizer que a mesma hipótese de
responsabilidade será do adquirente de bem móvel, na forma do artigo 131, I, do CTN.
Outrossim, decidiu o STJ que as possibilidades de não pagamento dos débitos para o
presente caso pelo adquirente, aplicam-se as mesmas regras expostas para o artigo 130
do CTN.

Responsabilidade do Artigo 131 do CTN


a. Inciso I (2 casos):
a. Responsável é o Adquirente.
b. É do Bem Móvel (Exemplo IPVA – Compra de Veículo).
c. Responsável é o Remitente.
d. É o Resgaste do Bem (Exonerando de Dívida).

b. Inciso II e III:
a. Responsável é o Espólio.
b. Responsável é o Cônjuge Meeiro.
c. Responsável Sucessor à Qualquer Título
i. Só ocorrerá após a sentença de partilha.

Responsabilidade do Artigo 132 do CTN


a. Pessoa Jurídica de Direito Privado.

163
a. Fusão, Transformação, Incorporação.
b. Operação Societária é o exemplo.
c. Cuidado que Cisão também é: Lei S.A.
d. Responsável: Unidade Resultante.

Responsabilidade do Artigo 133 do CTN


a. Aquele que Compra e Continua a Explorar Comercialmente.
a. Regra: quem responderá é o Adquirente.
b. Integralmente será pelo Adquirente: se quem vendeu cessar a
prática de exploração.
c. Subsidiariamente será: se aquele quem vendeu continuar a
explorar ou retornou no prazo de até 6 meses.

Responsabilidade do Artigo 134 do CTN


a. Aqui é a Responsabilidade do Terceiro = Dever de Zelo.
a. Portanto aqui não é quem comete o fato gerador.
b. Quem são os responsáveis: (pais, tutores, curadores, sindico,
tabelião).
c. Aqui tem responsabilidade solidária: primeiro você vai no
contribuinte e depois no responsável. Cuidado porque não é
subsidiária, mas sim ordem de vocação do artigo 134, caput.
d. Mas importante: aqui não tem dolo.

Responsabilidade do Artigo 135 do CTN


a. Aqui é a Responsabilidade do Terceiro = Dever de Zelo.
b. Mas quando ocorrer dolo, são pessoalmente responsáveis.
c. Tutor, Curador, Tabelião = se cometerem atos em excesso.
d. Aqui entram os administradores da empresa também. Mas tenha
muito cuidado: não é qualquer sócio. Aqui são aqueles que tenham e
exerçam cargo de administração da empresa.
Vide: Súmula 430 do STJ e 435 do STJ.

164
DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA, GARANTIAS E PRIVILÉGIOS DO
CRÉDITO TRIBUTÁRIO

A denúncia espontânea é o famoso instituto que imita a delação premiada no direito penal.
Ela ocorrerá quando o contribuinte e/ou responsável realizar um fato gerador e, posteriormente
a sua ocorrência, o realizador do fato gerador vem realizar tal comunicação junto a autoridade
fazendária.

E qual benefício gozará o contribuinte/responsável que delatar-se para o fisco? Ele, na


forma do artigo 138 do CTN, estará livre do pagamento da multa, devendo pagar apenas o tributo
devido, este acrescido de multa e juros.

Mas lembre-se da condição disposta na norma: tal fato gerador deverá ser totalmente
desconhecido da autoridade fazendária, sob pena de ser impossível utilizar-se do referido
instituto.

Por fim, e não menos importante: aplica-se o instituto da denúncia espontânea aos tributos
sujeitos ao lançamento por homologação, desde que estes não venham a ser declarados. Acaso
declarados, por mais que não sejam pagos e/ou cobrados, não poderá mais o sujeito passivo
utilizar-se de tal benefício na forma da súmula 360 do STJ.

Reza o artigo 184 do CTN:

Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre


determinados bens, que sejam previstos em lei, responde pelo
pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das
rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu
espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus real
ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual
for a data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados
unicamente os bens e rendas que a lei declare absolutamente
impenhoráveis.

165
Na forma do artigo supra citado, o crédito tributário poderá servir-se, via de regra,
de quaisquer bens do devedor para a satisfação do crédito, inclusive aquelas gravadas
com cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade. Entretanto, os bens descritos no
artigo 833 do CPC e na lei 8.009/90 (único bem imóvel – família) serão impenhoráveis.

Mas tenha cuidado, visto que na própria lei 8.009/90 (art. 3º) temos uma exceção
à impenhorabilidade por dívida fiscal, visto que quando o crédito tributário for oriundo
do bem imóvel, ele poderá ser penhorado para pagamento destes débitos (exemplo: IPTU,
Taxa, Contribuição de Melhoria).

Ainda, quanto as disposições legais sobre a garantia, é importante referir o artigo


185 do CTN:

Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens


ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito para com
a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente inscrito
como dívida ativa. (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese
de terem sido reservados, pelo devedor, bens ou rendas
suficientes ao total pagamento da dívida inscrita.

Reza o artigo acima que será presumida fraude toda vez que ocorrer alienação
(venda) de bens com a finalidade de não pagar tributo. O lapso temporal para definição
da referida fraude é a inscrição em dívida ativa. Ainda, afirma o parágrafo único do
referido artigo que apenas não será considerado fraude se o devedor conservar bens
suficientes para à satisfação do crédito tributário.

Sobre o artigo, ainda é importante lecionar que não aplicamos para efeitos de
Execução Fiscal a Súmula 375 do STJ, visto que aqui trata-se de norma especial.

Já sobre preferências do crédito tributário, leciona o artigo 186 do CTN:

166
Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual
for sua natureza ou o tempo de sua constituição, ressalvados os
créditos decorrentes da legislação do trabalho ou do acidente de
trabalho. (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)
Parágrafo único. Na falência: (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)
I – o crédito tributário não prefere aos créditos extra concursais
ou às importâncias passíveis de restituição, nos termos da lei
falimentar, nem aos créditos com garantia real, no limite do valor
do bem gravado; (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)
II – a lei poderá estabelecer limites e condições para a preferência
dos créditos decorrentes da legislação do trabalho; e (Incluído
pela Lcp nº 118, de 2005)
III – a multa tributária prefere apenas aos créditos subordinados.
(Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

Logo, no entendimento do caput do artigo supra citado, o crédito tributário tem


preferência, via de regra, sobre qualquer outro, independente da natureza do crédito. Na
forma do caput e da regra geral, o crédito tributário apenas perde na preferência para os
créditos de natureza trabalhista e de acidente de trabalho.

Entretanto, conforme dispositivo do parágrafo único do referido artigo, combinado


com o artigo 83 da Lei 11.101/05, em processo de falência, o crédito tributário será
satisfeito em 4º lugar, desde que tenha ocorrido o fato gerador antes da falência (se for
após a decretação da falência, será extraconcursal – art. 188 do CTN). Assim, na prática, o
crédito tributário no processo de falência perderá para: extraconcursal, trabalho
(limitado em 150 SM) e acidente de trabalho, crédito com garantia real no limite do valor
do bem gravado.

Na forma do parágrafo único do artigo 187, existindo o concurso de preferência no


processo de falência, serão satisfeitos os créditos na seguinte ordem: União, Estados,
Distrito Federal e, por fim, os Municípios.

167
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A administração tributária nada mais é do que a possibilidade objetiva do exercício


do poder de polícia por parte da autoridade fazendária. Assim, este poderá fiscalizar,
executar e arrecadar tributo para o respectivo ente competente.

Vale ressaltar que o exercício desta administração tributária deverá ser sempre
balizada observando-se os ditames legais, bem como a capacidade contributiva e
econômica do contribuinte.

Leciona o artigo 194, §º único do CTN que qualquer livro do contribuinte poderá
ser fiscalizado, mesmo de pessoa que goza de imunidade ou isenção.

Também ensina o artigo 195, §º único do CTN que o contribuinte deverá guardar
todos os documentos fiscais dentro do prazo prescricional. E lembre-se: cuidado ao
observar apenas o prazo de 5 anos, visto que por vezes o crédito poderá ter sofrido
interrupção ou suspensão da prescrição, devendo, portanto, o contribuinte ter cuidado
com a contagem do prazo.

Na forma do artigo 199 do CTN as fazendas públicas poderão cooperar entre si,
inclusive fazendo trocas de informações.

Quando do exercício da fiscalização, ou seja, da atribuição do Poder de Polícia, a


administração pública terá que entregar obrigatoriamente um termo de início de ação
fiscal onde o mesmo trará o motivo da fiscalização e o período que está sendo objeto de
análise. Tudo isso a fim de garantir o devido processo legal.

168
DOS IMPOSTOS EM ESPÉCIE

26.1 IMPOSTOS FEDERAIS

26.1.1 ITR - Imposto Territorial Rural

COMPETÊNCIA

• Uniao;

• Artigos 153, IV, da CF;

• Artigo 29 e seguintes do CTN;

• Decreto 4.382/2002.

TEM CARÁTER EXTRAFISCAL

IMPORTANTE INSTRUMENTO DE POLÍTICA AGRÁRIA

TERÁ ALÍQUOTA PROGRESSIVA:

• Desestimular propriedades improdutivas;

• Tributar de maneira mais gravosa os menos produtivos.

NÃO INCIDIRÁ SOBRE PEQUENAS GLEBAS RURAIS:

• Art. 153, §4º da CF;

• Definiçao de pequena gleba – lei 9393/96;

• Proprietario que explore e nao tenha outro imovel;

• Art. 2º da lei 9.393/96;

• 100 hectares – Amazonia Ocidental, Pantanal Mato-Grossense;

• 50 hectares – polígono das secas – Amazonia Oriental;

• 30 hectares – em qualquer outro município.

169
SUJEITO PASSIVO:

• Proprietario;

• Titular de domínio util (usufrutuario);

• Possuidor (ad usucapionem);

• Se houver propriedade e possuidor ao mesmo tempo: sera cobrado do proprietario

(e sobre propriedade);

• Importante salientar que nao existira sobre acessao física;

• Fato gerador sobre acessao física (construçoes nao);

• Somente imoveis por natureza;

• Vide artigo 79, §1º do Codigo Civil.

FATO GERADOR

• Propriedade;

• Domínio util;

• Posse de imovel;

• Por natureza: o solo com a sua superfície;

• Fora da zona urbana do município (cuidado) – art.15 dl 57/66;

• Imovel com destinaçao economica e exploraçao natural;

CUIDADO: No caso de invasao de sem-terra, proprietario pagara ITR?

Conforme o STJ nao. Nesse caso existira perda do domínio e atributos da propriedade.

ELEMENTO TEMPORAL

• 1º de janeiro de cada ano;

• Sera por anualidade.

ELEMENTO ESPACIAL

170
• Propriedades que estejam fora da zona urbana.

BASE DE CÁLCULO

• E o valor fundiario do imovel;

• E o valor da terra nua.

• Terra nua = preço de mercado: Excluídas construçoes, instalaçoes e benfeitorias.

• Mas compreendendo arvores, frutos pendentes, subsolo e espaço aereo.

ALÍQUOTAS

• Serao proporcionais;

• Serao progressivas;

• Conforme grau de utilizaçao da area rural;

➢ Carater extrafiscal;

➢ Visa desestimular propriedades improdutivas.

QUESTÕES POSSÍVEIS DE PROVA

IMUNIDADE EM REFORMA AGRÁRIA

• Enquanto nao for transferida a propriedade = nao paga, salvo se houver imissao

previa da posse.

• E a imunidade do artigo 184, §5º da CF, combinado com o art. 1º, §1º, da lei

9.393/96.

OBS: Imunidade (nao isençao).

LEGITIMIDADE PROCESSUAL

171
• Município que exerce capacidade ativa tributaria devera compor polo no processo.

• Assim, se o município arrecada integralmente, a competencia sera da justiça

estadual comum, conforme STJ.

IMÓVEL EM MAIS DE UM MUNICÍPIO

• Município da sede do imovel; ou

• Se nao existir sede = município que fica maior parte do imovel.

26.1.2 IOF - Imposto sobre Operações Financeiras

COMPETÊNCIA

• Uniao;

• Artigos 153, V, da CF;

• Artigo 63 e seguintes do CTN;

• Decretos 6.306/07 e 6.339/08.

TEM CARÁTER EXTRAFISCAL

CONTROLE DE POLÍTICA MONETÁRIA

SUA ARRECADAÇÃO OCORRERÁ NAS SEGUINTES OPERAÇÕES:

• Bancos;

• Caixas economicas;

• Corretoras;

• Lojas de cambio;

• Empresas de seguro privado.

SUJEITO PASSIVO

• Art. 66 do CTN = qualquer das partes na operaçao.

172
➢ Ficara a criterio do legislador ordinario.

• Decreto 6.306/07:
➢ PF e PJ tomadoras de credito;
➢ Compradores e vendedores de moeda estrangeira;
➢ PF e PJ seguradas;
➢ Adquirentes de títulos ou valores imobiliarios;
➢ Instituiçoes autorizadas = primeira aquisiçao de ouro.

FATO GERADOR

• Operaçao de credito = entrega total/parcial do dinheiro;

➢ Ate mesmo colocaçao a disposiçao.

• Operaçoes de seguro = emissao da apolice;

• Operaçoes de títulos e valores mobiliarios;

➢ A emissao, transmissao ou pagamento.

QUESTÕES DE PROVA

• Mero saque em caderneta de poupança nao paga IOF.

➢ Sumula 664 do STF.

BASE DE CÁLCULO

• Previsao legal: artigo 64 do CTN e Decreto 6.306/07;

• Operaçao de credito = valor + juros (art. 7º do Decreto);

• Operaçoes de cambio = valor recebido (art. 14º do Decreto);

• Operaçao de seguro = montante do premio (art. 21 do Decreto).

173
ALÍQUOTAS

• Serao proporcionais (vide decreto 6.306/07);

• Terao variaçao conforme natureza das operaçoes:

➢ Operaçao de credito: maximo de 1,5% ao dia (art. 6º);

➢ Operaçao de cambio: maximo de 25% (art. 15);

➢ Operaçao de seguro: maximo de 25% (art. 22).

• Nos depositos judiciais nao havera incidencia de IOF.

➢ Sumula 185 do STJ.

• Ouro destinado a fabricaçao de joias e ouro destinado a fabricaçao de peças para

odontologia, nao considera-se ativo financeiro.

➢ Tera incidencia de ICMS.

• Teremos incidencia de IOF nas operaçoes de FACTORING.

26.1.3 Imposto de Importação

COMPETÊNCIA

• Uniao;

• Artigos 153, I, da CF;

• Artigo 19 e seguintes do CTN;

• Decretos 6.306/07 e 6.339/08.

TEM CARÁTER EXTRAFISCAL


VISA PROTEGER A INDÚSTRIA NACIONAL

POLÍTICA ECONÔMICA E FISCAL

É TAMBÉM CONHECIDO COMO TARIFA ADUANEIRA

LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO

• INCIDIRÁ SOBRE:

174
➢ Inserçao no territorio nacional de bens procedentes de outros países;
➢ Vide artigo 19 do CTN.

SUJEITO PASSIVO

• Importador (qualquer PF ou PJ que entre com mercadoria);

• Arrematante de produtos apreendidos ou abandonados;

• Destinatario de remessa postal com remetente.

➢ Previsao no artigo 22 do CTN;

➢ Previsao no artigo 31 do dl 37/66.

FATO GERADOR

• Entrada real ou ficta de produto estrangeiro;

• Início do despacho aduaneiro;

• Momento da apresentaçao;

• Momento do registro da declaraçao de importaçao.

➢ Salvo hipoteses do instrumento normativo 680/06 – art. 17.

➢ Poderao ser registrados antes da entrada: plantas, animais vivos, papel para

impressao.

CUIDADO!

• Imposto de Importaçao somente em casos de permanencia em definitivo.

• Nao englobara mercadorias estrangeiras, que permaneçam temporariamente, a

fim de cumprir finalidades esporadicas.

➢ Circuito da formula 1;

➢ Feiras e exposiçoes.

• Tambem sera cobrado Imposto de Importaçao no retorno de mercadorias, SALVO:

➢ Mercadoria em consignaçao nao vendida;

175
➢ Devoluçao da mercadoria por defeito;

➢ Retorno da mercadoria por guerra ou calamidade.

BASE DE CÁLCULO

• Quantidade de mercadorias;

➢ Tantos reais por tonelada.

• Valor do produto importado;

• Valor do preço da arremataçao do bem em licitaçao.

ALÍQUOTAS

• ESPECIFICA

➢ Valor em dinheiro sobre unidade de medida.

• AD VALOREM

➢ Aplicaçao de alíquota sobre determinado valor.

QUESTÕES DE PROVA

• Zona franca de Manaus;

• Emenda constitucional nº 83;

➢ Prorrogou os benefícios ate 2073.

• Drawback;

• Proteçao produto nacional: exporta produto pronto;

• E ressarcido do Imposto de Importaçao sobre insumos importados.

176
26.1.4 Imposto de Exportação

COMPETÊNCIA

• Uniao;

• Artigos 153, II, da CF;

• Artigo 23 e seguintes do CTN.

TEM CARÁTER EXTRAFISCAL

TEM FUNÇÃO ECONÔMICA

INCIDIRÁ SOBRE EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NACIONAIS E NACIONALIZADOS

SUJEITO PASSIVO

O exportador: qualquer pessoa que promova a saída de produtos nacionais ou

nacionalizados do nosso territorio.

FATO GERADOR

• Momento da liberaçao pela autoridade aduaneira; ou

• Data do embarque ou saída conforme declaraçao.

CUIDADO: A guia podera ser exigida pela Receita Federal antes mesmo da saída do

produto.

BASE DE CÁLCULO

• Preço normal da mercadoria ao tempo da exportaçao, podendo ser:

➢ Pela quantidade de mercadoria;

➢ Preço da arremataçao do produto adquirido;

➢ Pelo valor monetario do produto exportado.

177
OBS: O fisco nao esta vinculado ao valor da fatura.

ALÍQUOTAS

• Estao previstas na tarifa aduaneira do brasil e poderao ser:

➢ Específicas (valor sobre a unidade de medida);

➢ Ad valorem (alíquota sobre determinado valor).

• Atualmente e de 30%.

• Podera o executivo aumentar 150%.

• Vide artigo 3º do Decreto lei 1.578/77.

QUESTÕES DE PROVA

• REGRAS DE DESONERAÇÃO

➢ ARTIGO 156, §3º, II, DA CF – EXPORTAÇAO ISS – ISENÇAO.

➢ ARTIGO 155, §2º, X, DA CF – IMUNIDADE PARA ICMS.

➢ ARTIGO 153, §3º, III, DA CF – IMUNIDADE PARA IPI.

26.1.5 Imposto sobre Produto Industrializado

COMPETÊNCIA

• Uniao;

• Artigo 153, IV, da CF;

• Artigo 46 e seguintes do CTN.

É IMPOSTO REAL (RECAI SOBRE PRODUTOS DA INDÚSTRIA)

178
TEM FUNÇÃO REGULATÓRIA DE MERCADO

É IMPOSTO SELETIVO (NECESSIDADE DE PRODUTO)

SUJEITO PASSIVO:

• Importador;

• Industrial;

• Comerciante de produtos para industria;

• Arrematante de produtos apreendidos.

FATO GERADOR:

• Importaçao;

• Saída do estabelecimento industrial = produto;

• Aquisiçao em leilao;

• Primeira saída por revenda de produtos importados.

CUIDADO: O STJ entende que nao incide IPI de veículo importado para uso proprio.

• Recentemente o STF disse que incide (RE 723.651).

➢ Mesmo que nao desempenhe atividade empresarial.

➢ E faça importaçao para uso proprio.

CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO

• O produto foi submetido a qualquer operaçao que modifique sua natureza,

finalidade ou o aperfeiçoe para consumo.

➢ Transformaçao, beneficiamento, montagem, renovaçao.

BASE DE CÁLCULO

• Valor da operaçao da saída do produto;

179
• Preço normal, acrescido do Imposto de Importaçao;

➢ + encargos cambiais.

➢ + tarifas aduaneiras.

• Preço da arremataçao.

ALÍQUOTAS

• Proporcional;

• Sera conforme grandeza economica tributada;

• Variam de 0% ate 365,63% (cigarros).

26.1.6 Imposto de Renda

COMPETÊNCIA

• Uniao;

• Artigos 153, III, da CF;

• Artigo 43 e seguintes do CTN.

TEM FUNÇÃO FISCAL

TENTA PROMOVER REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA

SUJEITO PASSIVO

• Pessoa física ou jurídica;

• Titular de renda ou provento de qualquer natureza;

• A lei podera exigir retençao da fonte pagadora:

➢ Empregado = contribuinte.

➢ Empregador = responsavel.

• Em caso de omissao na retençao a fonte pagadora ira arcar com a multa.

➢ Mesmo sendo responsavel = nao precisara pagar o IR.

180
FATO GERADOR

• Aquisiçao de disponibilidade economica/jurídica de renda:

➢ Decorrente de capital (aplicaçoes, bonificaçoes);

➢ Do trabalho (salario, comissoes);

➢ Dos dois (lucro);

➢ Provento de qualquer natureza (aposentadorias, doaçoes).

BASE DE CÁLCULO

• Soma dos fatores que se agregam ao patrimonio:

➢ Positivos (rendas, acrescimos);

➢ Negativos (deduçoes, dependentes, saude).

BASE DE CÁLCULO (ART. 44, DO CTN), SERÁ O MONTANTE:

• Real (calculo do lucro, abatendo do faturamento as despesas permitidas)

• Arbitrado (nao e possível apurar lucro real, em razao da omissao).

➢ Ocorre tambem quando o sujeito passivo nao cumpre obrigaçao acessoria.

• Presumida (percentual legal sobre o valor da receita bruta).

ALÍQUOTAS

• Generalidade: todos os contribuintes que pratiquem o fato;

• Universalidade: quaisquer rendas e proventos;

• Progressividade: variaçao de acordo com a base de calculo.

QUESTÕES DE PROVA

• Súmula 125, STJ – Não incide IR sobre renda auferida por férias não gozadas.
• Súmula 215, STJ – Não incide sobre indenização – programa de demissão voluntária.
• Súmula 498, STJ – Não incide sobre dano moral.
• Súmula 463, STJ – Incide sobre horas extraordinárias recebidas.

181
• Súmula 556, STJ – Não incide IR no valor da complementação de previdência privada =
anos de 89/95.
• Súmula 447, STJ – Entes que fazem retenção serão partes nas ações.

26.2 IMPOSTOS MUNICIPAIS

26.2.1 IPTU - - Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial


Urbana

COMPETÊNCIA

• Municípios e DF;

• Artigos156, I, da CF;

• Artigo 32 e seguintes do CTN.

MEDIANTE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA

ISENÇÃO TAMBÉM SERÁ POR LEI ORDINÁRIA

CUIDADO: Em caso de IPTU de hipotetico territorio, a competencia sera da Uniao.

➢ Artigo 147, parte inicial, da CF.

➢ Uniao fara por lei Ordinaria.

COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA DO IPTU

• E política e indelegavel.

CUIDADO, LEMBRE-SE QUE:

➢ IPTU → ZONA URBANA


➢ ITR → ZONA RURAL

SUJEITO PASSIVO DO IPTU:

182
• Proprietario (pleno com registro);

• Possuidor (posse com animus domini);

• Titular de domínio util:

➢ Usufrutuario, enfiteuta, superficiario;

➢ Superficiario (artigo 21, §3º - lei 10.257/01).

CUIDADO:
• Locatario nao sera responsavel pelo IPTU;

• Convençao em contrato particular e normal;

➢ Mas nao podera ser oposta perante fisco (art. 123).

• Assim, pelo IPTU so proprietario perante fisco.

• Locatario tambem nao tera legitimidade para:

➢ Impugnar lançamento;

➢ Solicitar repetiçao de indebito tributario.

• Sumula Vinculante nº 52;

➢ Locaçao para terceiros – imunidades – templos.

• Esta relaçao de locatario tambem valera para o comodatario.

VALE RESSALTAR QUE:

• A Fazenda Publica podera escolher para cobrar:

➢ Proprietario;

➢ Titular de domínio util;

➢ Possuidor com animus de domini.

• Compromisso irretratavel de compra e venda.

➢ Quem vende e imune.

• Comprador pagara IPTU.

• Artigo 150, §3º da CF.

183
• Imovel urbano com area de preservaçao permanente.

➢ Nao impedira incidencia de IPTU sobre todo o imovel.

FATO GERADOR

• Propriedade;

• Domínio util;

• Posse de bem imovel.

➢ Por natureza ou acessao física.

➢ Localizado em zona urbana.

• O que e zona urbana?

➢ Vide artigo 32, §1º do CTN;

➢ Sera definida em lei municipal

➢ Devera ter a presença de dois requisitos do 32, §1º, do CTN.

• Tambem podera sofrer incidencia as areas urbanizaveis ou de expansao urbana.

➢ Vide artigo 32, §2º do CTN;

➢ Previsao em lei municipal;

➢ Inserçao em loteamento aprovado para moradia, industria ou comercio.

CUIDADO: Imovel situado em zona urbana, mas que explore atividade de zona rural, como

plantaçao, criaçao de galinha, sera cobrado ITR, com fundamento no artigo 15, dl 57/66.

QUANDO OCORRERÁ O FATO GERADOR

• Espacial: município do imovel;

• Temporal: anual.

BASE DE CÁLCULO DO IPTU

184
• Valor venal do imovel.

• Nao sera considerado o valor dos bens moveis.

• Cuidado com a simples atualizaçao da base de calculo:

➢ Podera ser realizada por decreto municipal.

ALÍQUOTAS DO IPTU

• Sera progressiva;

➢ Lei municipal devera prever progressividade;

• E extrafiscal (funçao social – unico imovel);

• E fiscal (em razao de localizaçao e uso do imovel).

26.2.2 ISSQN - Impostos Sobre Serviços de Qualquer Natureza

COMPETÊNCIA

• Municípios e DF;

• Artigos 156, III, da CF;

• Lei complementar nº 116 de 2003.

REGRA
• O ISSQN sera pago no local do estabelecimento do prestador do serviço.

MAS TENHA MUITO CUIDADO:

• REGRA: No local do domicílio do prestador (art. 3º da LC);


• EXCEÇÃO: Artigo 3º, e seus 22 incisos:
➢ Podera ser no local da prestaçao do serviço:
➢ Execuçao e fiscalizaçao de obras;
➢ Demoliçao;
➢ Varriçao de ruas.

185
QUEM PAGARÁ O ISSQN

• Quem pagara e o prestador do serviço.


➢ Podera ser tanto a empresa, quanto o profissional liberal.

• Nao pagara pelo serviço.


➢ Os que prestam serviços em relaçao de emprego;
➢ Diretores, membros de conselhos consultivos; e etc.

FATO GERADOR

• E a prestaçao do serviço;
• Pela empresa ou profissional autonomo;
• Com ou sem estabelecimento fixo;
• De serviços constantes na lista anexa da LC 16/03.

CUIDADO, NÃO TEREMOS ISSQN NOS SEGUINTES SERVIÇOS:


• Serviço feito a si proprio;
• Taxa de serviço pelo poder publico (específico e divisível);
• Transporte intermunicipal e interestadual – ICMS;
• Prestaçao de serviços destinados ao exterior – isençao;
• Prestaçao de serviços entre ente publico – imunidade.

BASE DE CÁLCULO

• Preço bruto do serviço.


➢ Serviços gratuitos nao poderao ser cobrados.
• Atençao: eventuais descontos deverao ser computados.
➢ Juros, multas e indenizaçao = nao entram para calculo.

ALÍQUOTAS

• Sera fixa (profissional liberal) ou proporcional (serviço);


• A depender do sujeito passivo;
➢ Alíquota mínima = 2% - artigo 88 da ADCT;

186
➢ Alíquota maxima = 5% - artigo 8º da LC 16/03.
ATENÇÃO:

• E inconstitucional a cobrança de ISSQN sobre locaçao de bens moveis.


➢ Súmula vinculante nº 31 do STF.
• ISSQN sobre software de computador:
➢ Software produzido em escala = ICMS;
➢ Software sobre encomenda = ISSQN.

• ISSQN sobre arrendamento mercantil (leasing):


➢ Arrendamento (tipo aluguel e no fim permite compra);
➢ Leasing financeiro = incidira ISSQN;
➢ Leasing operacional (mera locaçao) = nao incidira ISSQN.

• ISSQN sobre franquias:


➢ Apos a LC 16/03 decidiu-se que havera incidencia.

26.2.3 ITBI - Imposto de Transmissão de Bens Imóveis

A QUALQUER TÍTULO

POR ATO ONEROSO DE BENS IMÓVEIS (USO, USUFRUTO)

➢ Exceto os de garantia.

BEM COMO CESSÃO DE DIREITOS

COMPETÊNCIA

• Município e DF;

• Artigos 34 ate 42 do CTN;

• Lei Ordinaria.

SUJEITO PASSIVO

• Qualquer uma das partes da operaçao de transmissao.

187
• Podera ser:

➢ Transmitente;

➢ Adquirente (a regra e este).

ELEMENTO ESPACIAL

• Situaçao (localizaçao) do bem.

ELEMENTO TEMPORAL

• E o momento da transmissao ou da cessao.

FATO GERADOR

• Ocorrera mediante registro no registro de imovel;

• Nao posso cobrar o ITBI antes do registro (cuidado).

• Mero contrato de gaveta nao enseja pagamento de ITBI.

• O ITBI nao ocorrera sobre direitos reais de garantia:

➢ Anticrese: entrega de bem imovel para outro usar ate quitar.

➢ Hipoteca: devedor oferece bem em garantia.

➢ Penhor: recai sobre bens moveis alheios.

BASE DE CÁLCULO

• Valor venal do imovel:

➢ Que esta sendo transmitido;

➢ Que esta sendo cedido.

ALÍQUOTAS

• Serao proporcionais, conforme lei municipal;

• Jamais poderao ser progressivas (Sumula 656 do STF);

• Progressiva somente: IR, IPTU, ITR E ITCMD.

188
ATENÇAO: Nao incidira ITBI sobre transmissao de bens imoveis incorporados a pessoa

jurídica para realizaçao de capital, nem sobre operaçoes societarias, salvo se as empresas

tiverem finalidade de compra e venda de imoveis, locaçao e arrendamento de imoveis.

Artigo 156, §2º, da CF.

26.3 IMPOSTOS ESTADUAIS

26.3.1 ITCMD - Imposto Transmissão Causa Mortis ou Doação

SERÁ ESTABELECIDA PELO ESTADO E DF

MEDIANTE LEI ORDINÁRIA

OCORRERÁ SOBRE TRANSMISSÃO DE QUAISQUER BENS OU DIREITOS RECEBIDOS

• Em razao de sucessao causa mortis.

• Em razao de doaçao.

INCIDIRÁ SOBRE TRANSMISSÃO NÃO ONEROSA

• Incidira sobre qualquer tipo de bem.

ATENÇAO: No inventario por morte presumida, que voce nao sabe o fato gerador, tera

incidencia desse imposto – Sumula 331 do STF.

COMPETÊNCIA

• Bens imoveis e respectivos direitos.

➢ No Estado ou DF – situaçao do bem.

• Bens moveis, títulos e creditos:

➢ No estado onde se processar o inventario.

➢ No estado do domicílio do doador.

• Doaçao por pessoa que resida no exterior.

189
• Bens deixados por alguem que mora no exterior.

• Bens deixados por alguem que teve inventario no exterior.

➢ Dependera de lei complementar. (Que nao existe ate hoje).

QUEM PAGARÁ O ITCMD

• Nas doaçoes ( Donatario dos bens;

• Nas transmissoes por morte ( Herdeiro;

• Nas cessoes ( O cedente.

BASE DE CÁLCULO
• Valor venal dos bens.

MAS ATENÇAO: Será aplicado e considerado no momento do fato gerador.

ALÍQUOTAS
• Será definida pelo Senado Federal;
• Atualmente a alíquota máxima é de 8% - resolução 9/92;
• No imposto causa mortis é devido a alíquota – da morte;
• O STF disse que as alíquotas são progressivas (caráter pessoal).

26.3.2 IPVA - Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores

COMPETÊNCIA
• Estados e DF.

IRÁ PAGAR IPVA


• Proprietário de veículo automotor.
• Paga-se anualmente.
• Exceto aeronaves e embarcações, segundo o STF.

190
SUJEITO PASSIVO
• Proprietário;
• Adquirente;
• Titular de domínio útil;
• Possuidor com animus domini.

ATENÇÃO: O STF já decidiu acerca da possibilidade de serem fixadas sanções administrativas em


caso de ausência de pagamento de IPVA.
BASE DE CÁLCULO
Valor venal dos veículos;
Poderá variar conforme o tipo;
Poderá variar se novo ou usado.

ALÍQUOTA (CARÁTER FISCAL)


• A emenda constitucional n° 42 de 2003 estabeleceu competência do Senado: para mínima.
• Poderemos ter alíquotas diferenciadas:
➢ Em razão do tipo e utilização do veículo (art. 155, §6º).

26.3.3 ICMS - Imposto sobre Operações relativas à Circulação de


Mercadorias e Prestação de Serviços

E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS:
➢ Transporte intermunicipal e interestadual;
➢ Comunicação.

COMPETÊNCIA
• Estados e DF;
• Vide artigo 155, II, da CF;
• Vide lei complementar 87 de 1996.

SUJEITO PASSIVO
• Artigo 4º da lei complementar 87;

191
• Pessoas que pratiquem circulação de mercadorias;
• Importadores de qualquer natureza (PF ou PJ);
• Transporte intermunicipal e interestadual;
• Serviços de comunicação.

CONCEITO DE CIRCULAÇÃO

• Quando ocorrer mudança de titularidade do bem. O bem sai de uma titularidade e passa
para outra.

• ASSIM CUIDADO, NAO TEREMOS ICMS:


➢ Em saída de mercadoria para mostruário;
➢ Transporte de mercadoria entre matriz e filial.

CONCEITO DE MERCADORIA
• Coisa que constitua objeto de venda.
• São aquelas mercadorias que serão comercializadas.

• ASSIM CUIDADO, NÃO TEREMOS ICMS:


➢ Sobre mercadorias que sejam para consumo próprio empresário.

PODERÁ CAIR NA PROVA


• Empresa do setor fumageiro decide vender seus carros para adquirir novos veículos.
Assim cuidado, não teremos ICMS:

• O objeto da empresa não é venda de carros. Logo, se vender ativo fixo, não terá de pagar
ICMS.

192
NÃO INCIDIRÁ ICMS:
• Sobre coisas corpóreas que não sejam mercadorias;
• Na alienação de bens do ativo fixo ou imobilizado;
• Na simples transferência de mercadorias – Súmula 166 do STJ;
• Na remessa de mercadorias para mostruário ou consignação.

CONCEITO DE TRANSPORTE INTERMUNICIPAL


• Aquele realizado entre municípios.

CONCEITO DE TRANSPORTE INTERESTADUAL


• Aquele realizado entre Estados.

OBS: Dentro do município paga-se ISSQN.

CONCEITO DE SERVIÇO DE COMUNICAÇÃO


• Prestação de serviços onerosos:
➢ De qualquer meio de comunicação.
➢ Geração, emissão, retransmissão, ampliação.

BASE DE CÁLCULO DO ICMS


• Valor da operação (circulação de mercadorias);
• Valor do serviço (transportes e comunicação);
• Valor da importação (do bem importado).

ALÍQUOTA DO ICMS
• Teremos internas (cada Estado fixará livremente).
➢ A depender do produto.
• Teremos Interestaduais (Resolução 22 do Senado Federal).
➢ Que não tem nos Vades.
➢ Trata-se da Emenda Constitucional 87 de 2015.

193
ALÍQUOTA INTERESTADUAL
• Foi fixada pelo Senado Federal - Resolução 22/89.
• Previsão legal: Art. 155, §2º, VII, VIII, da CF.
• A partir de 1990:
➢ Será de 7% ou 12% (Conforme Estado de destino).

ALÍQUOTA INTERESTADUAL
• Se o Estado de destino for:
➢ Norte, Nordeste, Centro Oeste e Espírito Santos = pago 7%.
• Mas se o Estado de destino for:
➢ Sul ou Sudeste = pago 12%.
• Tais alíquotas vão ocorrer independentemente do produto.
• Chamamos de alíquotas genéricas.

➢ Assim, se a empresa Nini machão, situada em POA-RS, vender para o Sul ou Sudeste pagará
12% de ICMS. Já se vender para o Norte, Nordeste, Centro Oeste ou Espírito Santos pagará 7% de
ICMS.

MAS ATENÇÃO: Se a empresa estiver situada em Natal – RN, sempre pagará 12% de ICMS, eis
que estará na região Norte, Nordeste, Centro Oeste, ES. Assim, não interessa para onde venderá.

RESUMINDO: Operação de mercadoria interestadual e prestação de serviço interestadual:


➢ Regra = pagará 12%.
➢ Exceção = Se origem for do Sul, Sudeste ( para Norte, Nordeste, Centro Oeste e Espírito

Santos = pagará 7%.

• MAS A EMENDA CONSTITUCIONAL NÃO PARA POR AQUI


➢ A empresa Nini machão, situada em POA-RS, acaba por vender bolachas para NATAL – RN.
Nesse caso, a empresa Nini machão pagará 7% para o Estado do RS, conforme o art. 155,
§2º, IV, CF. Porém, quando a bolacha chegar em Natal – RN deverá ser paga a alíquota
diferencial. É o que chamamos de DIFAL. Logo, para calcular, é preciso saber a alíquota
interna - cada Estado terá a sua.

194
➢ Vamos imaginar que em Natal – RN a alíquota interna seja de 17%. O DIFAL, PORTANTO,
SERÁ: 17% - 7% = 10%

QUEM VAI RECOLHER O DIFAL?


• DEPENDE!
➢ Se o destino for contribuinte de ICMS e estiver inscrita como recolhedora de ICMS, será ela
que terá que recolher (art. 155, §2º, VIII, a, da CF).

➢ Agora, se o destinatário, em Natal – RN, for alguém que não seja contribuinte de ICMS, a
CF mandará a empresa Nini machão pagar o DIFAL, conforme o Art. 155, §2º, VIII, b, da CF.

• Tais mudanças quebraram as vendas pela internet. A maioria das vendas são para não
contribuintes, no tocante as operações interestaduais. Logo, as lojas deverão recolher:
➢ Tanto as alíquotas do envio.
➢ Como as alíquotas dos destinos.

• Foi por essa razão que a Emenda Constitucional nº 87 também inseriu o art. 99 da ADCT,
alterando as regras de repartições.
➢ Criou-se uma regra de transição para que os Estados de origem não sintam tanto esta
mudança até 2018.

PODERÁ CAIR NA PROVA

• Voce, pessoa física, resolve importar roupas dos EUA. Voce estara diante do

pagamento de ICMS?

➢ Sim, conforme artigo 155, §2º, IX, a, da CF.

• Nao constitui fato gerador de ICMS:

➢ Saída física de maquinas, utensílios e implementos a título de comodato.

➢ Sumula 573 do STF.

195
• Fornecimento de água potável por empresa concessionárias, não é tributável.

RE 607.056 – Repercussão Geral.

196
TAXAS

As taxas são 1 (uma) das 5 (cinco) espécies de tributos existentes em nosso


ordenamento jurídico. Na forma do artigo 145, II, do texto constitucional, a competência
é comum, ou seja, todos os entes poderão criar, mediante a edição de lei ordinária. Por
fim, vale ressaltar que tal tributo é vinculado à prestação de um serviço público.

Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios


poderão instituir os seguintes tributos:
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela
utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e
divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição;

Art. 77 do CTN - As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo


Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas
respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício
regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial,
de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte
ou posto à sua disposição.
Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato
gerador idênticos aos que correspondam a imposto nem ser
calculada em função do capital das empresas. (Vide Ato
Complementar nº 34, de 1967)

Observando, ainda, o referido artigo, que dá competência aos entes para criação de
taxas, verifica-se a existência de duas espécies de taxas:

➔ Em decorrência do exercício do poder de polícia;


➔ Pela utilização efetiva ou potencial de serviço público específico e divisível.
A primeira espécie de taxa é aquela que decorre do serviço de fiscalização, a fim de
regular as atividades exercidas pelos contribuintes, visando não prejudicar, por exemplo,
a coletividade. Aqui elencamos como exemplo o alvará sanitário. Também cabe ressaltar
que, conforme o Supremo Tribunal Federal, basta a existência de um órgão fiscalizatório
e em atividade para que torne-se possível a cobrança da referida taxa.

197
Art. 78 – CTN - Considera-se poder de polícia a atividade da
administração pública que, limitando ou disciplinando direito,
interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de
fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à
higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do
mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de
concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade
pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou
coletivos. (Redação dada pelo Ato Complementar nº 31, de 1966)
Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de
polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites
da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se
de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou
desvio de poder.

E a segunda espécie de taxa é aquela que decorre da utilização efetiva ou


disponibilização de serviço público, desde que este seja específico e divisível. Específico
aqui significa que o contribuinte sabe qual serviço público está utilizando, e divisível quer
dizer que o ente público consegue visualizar e individualizar quem faz utilização do seu
serviço público. É o famoso “eu te vejo”, “tu me vê”.

Assim, considerando os atributos inerentes à esta segunda espécie de taxa é que


foi julgada inconstitucional a taxa de iluminação pública (TIP), visto que o ente público
não consegue visualizar quem se utiliza da iluminação situada em logradouros públicos.
Súmula Vinculante 41 - O serviço de iluminação pública não pode
ser remunerado mediante taxa.

Ademais, utilizando-se do mesmo fundamento, colaciona-se que jamais poderá ser


cobrada taxa de segurança pública e limpeza de logradouros públicos, justamente pelo
fato de não estarem presentes os requisitos da divisibilidade e especificidade.

Mas daí poderá questionar-se: e o serviço de recolhimento domiciliar (coleta) de


lixo em imóveis, pode ser cobrado mediante taxa? A resposta é altamente positiva,
justamente pelo fato de que o contribuinte sabe o serviço que recebe, bem como o ente
público consegue individualizar quem utiliza-se do referido serviço. E acrescento que tal

198
taxa poderá ser cobrada mesmo se o serviço não for utilizado, visto que o referido tributo
poderá ser cobrado em face da disponibilização do serviço pelo ente competente.

Súmula Vinculante 19 - A taxa cobrada exclusivamente em razão


dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou
destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis, não viola
o artigo 145, II, da Constituição Federal.

Passada a análise do artigo 145, II, da Constituição Federal, faz-se necessário


analisar o §2º do referido artigo. O mesmo leciona que as taxas não poderão ter base de
cálculo própria de impostos.

§ 2º As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos.

Considerando o referido parágrafo, vários questionamentos foram realizados


sobre a possibilidade de cobrança da taxa de recolhimento individual de lixo (coleta
domiciliar), com base de cálculo considerando a metragem do imóvel. Assim, novamente,
exigiu-se posicionamento do STF que veio a editar, inclusive, Súmula Vinculante sobre o
assunto. E o Supremo Tribunal decidiu que as taxas não poderão ter base de cálculo
idênticas, mas sim poderão ter um ou outro requisito (desde que não tenham identidade)
da base de cálculo dos impostos.

Súmula Vinculante 29 - É constitucional a adoção, no cálculo do


valor de taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria
de determinado imposto, desde que não haja integral identidade
entre uma base e outra.

Súmula 595 STF - É inconstitucional a taxa municipal de


conservação de estradas de rodagem cuja base de cálculo seja
idêntica à do imposto territorial rural.

Por fim, vale ressaltar que as custas judiciais são espécies de taxa, podendo, assim,
ser criadas somente mediante lei ordinária do ente competente. Ademais, sofrem

199
limitações e deverão observar todos os demais princípios e limitações impostas ao poder
de tributar.

Súmula 667 STF - Viola a garantia constitucional de acesso à


jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor da
causa.

200
CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA

Conforme analisado no capítulo anterior, a taxa é vinculada à realização de um


serviço por parte da administração pública. Já a contribuição de melhoria trata-se de uma
espécie de tributo, com competência comum, e está vinculada diretamente à realização de
obra pública de que decorra valorização imobiliária.

Art. 145 – CF - A União, os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios poderão instituir os seguintes tributos:
III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.

Art. 81 – CTN - A contribuição de melhoria cobrada pela União,


pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no
âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer
face ao custo de obras públicas de que decorra valorização
imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como
limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para
cada imóvel beneficiado.

Logo, considerando a legislação exposta, tanto na Constituição Federal, quanto no


Código Tributário Nacional, podemos compreender que todos os entes poderão criar a
contribuição de melhoria, mediante lei ordinária, desde que realizem obra pública e que
dela decorra valorização imobiliária no imóvel do contribuinte. Portanto, trata-se de
condição cumulativa.

Outrossim, a cobrança do referido tributo deverá observar dois requisitos,


igualmente expostos no artigo 81 do Código Tributário Nacional:

➔ Limite Individual: o fisco não poderá cobrar mais do que valorizou


individualmente o imóvel do contribuinte.

➔ Limite Geral: o fisco não poderá cobrar mais de todos os contribuintes


beneficiados com a obra pública do que o custo total gasto para sua realização.

201
Por fim, a título ilustrativo e exemplificativo, cabe ressaltar que a contribuição de
melhoria poderá ser cobrada quando da realização do primeiro asfalto, mas não quando
for retificado o mesmo, ou seja, quando for feito mero recapeamento.

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EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS

A presente espécie tributária tem competência privativa da União e o presente ente


somente poderá realizar a criação mediante lei complementar. Reza o artigo 148 da
Constituição Federal:

Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir


empréstimos compulsórios:
I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de
calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência;
II - no caso de investimento público de caráter urgente e de
relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III,
"b".
Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de
empréstimo compulsório será vinculada à despesa que
fundamentou sua instituição.

Na forma do artigo supra demonstrado, teremos 3 hipóteses que justificam a


criação deste empréstimo aos contribuintes: guerra externa ou sua iminência, calamidade
e investimento público de caráter urgente e relevante interesse nacional.

Lembre-se, ainda, que, na forma do artigo 150, §1º da Constituição Federal, os


empréstimos compulsórios para guerra externa ou sua iminência, bem como o de
calamidade, uma vez criados, terão exigência imediata. Entretanto, o empréstimo de
investimento público deverá respeitar as duas anterioridades (exercício e nonagesimal)
para ser exigido.

Por fim, é importante ressaltar sobre a presente espécie tributária, que trata-se de
tributo vinculado, ou seja, a arrecadação deverá ir diretamente para o caixa que gerou sua
criação, bem como será temporário e restituível. Tal restituição, conforme o STF, deverá
ser em dinheiro, observando a regra do artigo 3º do CTN e não em títulos de dívida
pública.

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CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL

As contribuições especiais, conforme já demonstrado em capítulo próprio, são de


grande maioria de competência da União. Ademais, conforme texto constitucional, nós
temos 4 espécies de contribuições especiais: sociais, de intervenção no domínio
econômico, de categoria profissional e de iluminação pública.

30.1 Contribuições Sociais Gerais

Apenas a União poderá criar e servirá para financiar basicamente os direitos


sociais previstos no artigo 6º da Constituição Federal. Temos como exemplo da presente
contribuição aquela referente ao salário educação.

Igualmente, pronunciou-se o STF que as contribuições sociais para manutenção ao


sistema S, na forma do artigo 240 da Constituição Federal, são constitucionais, e servem
basicamente para formação do trabalhador.

Vale ressaltar que estas contribuições sociais gerais respeitam os dois princípios
da anterioridade.

30.2 Contribuições de Seguridade Social

Tem previsão geral no artigo 149 da Constituição Federal, mas objetivamente está
expressa e identificada no artigo 194 da mesma Carta Mãe. Será criada (regra) pela União
através de edição de lei ordinária.

Mas tenha cuidado: uma nova Contribuição Social Residual, ou seja, que não existe
ainda, somente poderá ser criada pela mesma União, mediante Lei Complementar, na
forma do artigo 195, §4º da Constituição Federal. Vale ressaltar, ainda, que tal
contribuição residual obedecerá os requisitos do artigo 154, I, da Constituição Federal, ou

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seja: não poderá ser cumulativa e deverá ter fato gerador/base de cálculo diversa das
demais contribuições.

Portanto, fique atento: Contribuição Social Residual jamais poderá ser criada por
Medida Provisória, na forma do artigo 62, §1º, III, da Constituição Federal.

A Contribuição de Seguridade Social será realizada para custear: previdência,


assistência social e saúde. Aqui teremos os clássicos exemplos das famosas contribuições,
ou seja, o PIS e COFINS.

Importante ressaltar que, observando o que disposto na parte final do artigo 195,
II, da Constituição Federal, o trabalhador segurado aposentado pelo regime geral terá
imunidade, ou seja, não precisará pagar mais a presente contribuição em razão de sua
pensão ou aposentadoria. Mas vale dizer ainda: se ele laborar em outro local, mesmo
aposentado, terá que recolher contribuição sobre os vencimentos recebidos referente ao
seu labor.

Outra questão que costuma aparecer sempre em prova é que, na forma do artigo
195, §6º da Constituição Federal, as contribuições sociais, estas cujas quais servem para
financiar a saúde, seguridade e assistência, mesmo que majoradas, deverão aguardar
apenas 90 (noventa) dias. Logo, se majorar alíquota de CSLL ou criar uma nova
Contribuição Social Residual, a União terá que aguardar apenas a anterioridade
nonagesimal, na forma do artigo 150, III, C, da Constituição Federal.

As presentes contribuições para financiar a seguridade social terão como base de


cálculo, por exemplo:

• Folha de pagamento salarial: contribuição patronal.


• Faturamento e Receita: PIS, PASEP, COFINS.
• Salário Empregado: INSS.
• Lucro: Contribuição Social sobre Lucro Líquido.
• Receita de Prognósticos: Lotérica.

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• PIS e COFINS para Importação.

As contribuições sociais não incidirão sobre receitas de exportações, na forma do


artigo 140, §2º, I, da Constituição Federal.

30.3 Contribuição Social para Regime Próprio de Previdência para


Servidor Público

A presente contribuição social, cuidado, terá competência comum. Assim, todos os


entes poderão criar esta contribuição a fim de financiar a previdência de seus respectivos
servidores. Entretanto, cuidado: para elas, aplico as duas anterioridades.

Outrossim, outro fato importante sobre a presente contribuição é que, na forma do


artigo 40, §18º da Constituição Federal, o servidor público aposentado pelo regime
próprio, ou seja, albergado pela presente contribuição, estará imune somente até o teto
do regime geral, em razão do princípio da isonomia (art. 195, II, da CF).

30.4 Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico

A presente contribuição tem previsão inicial no artigo 149 da Constituição Federal


e somente poderá ser criada e/ou majorada pela União, mediante Lei Ordinária. A
contribuição mais famosa que apresenta-se aqui é aquela que visa intervir no comércio e
importação de combustível, ou seja, a famosa Cide Combustível.

Sobre a presente contribuição é importante ressaltar que ela poderá ser reduzida
ou restabelecida por Decreto e somente respeitará a anterioridade nonagesimal quando
for restabelecida, observando o que disposto no artigo 177, §4º, I, B, da Constituição
Federal.

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30.5 Contribuição de Interesse de Categoria Profissional

Esta contribuição também tem previsão inicial no artigo 149 da Constituição


Federal. São exemplos famosos aqui: Contribuição Sindical e dos Conselhos Profissionais.
Vale ressaltar que, somente a União poderá criar, mediante lei ordinária.

Importante lembrar aqui que a Contribuição Confederativa não é tributo, portanto,


somente poderá ser cobrada dos filiados aos sindicatos.

No tocante a contribuição paga para a Ordem dos Advogados do Brasil, ela também
não trata-se de tributo, visto que, conforme o STF, o órgão representativo dos advogados
tem regime jurídico sui generi. Portanto, caso o advogado venha a atrasar ou não
satisfazer sua contribuição, o presente conselho não poderá utilizar-se da Execução Fiscal
para cobrar o valor devido.

30.6 Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública

Em razão da repercussão sobre a inconstitucionalidade da possibilidade dos entes


criarem taxa de serviço de iluminação público, através de Emenda Constitucional houve a
inserção do artigo 149-A da Constituição, vindo a criar a Contribuição de Iluminação
Pública.

A presente contribuição tem como entes competentes os Municípios e o Distrito


Federal e estes exercerão sua competência mediante a edição de lei ordinária. Ademais,
tal contribuição respeita as duas anterioridades e poderá ser exigida na fatura de energia
elétrica de cada contribuinte.

Importante ainda dizer que, segundo o STF, poderão os entes cobrar a contribuição
inclusive daqueles contribuintes que sequer apresentam energia elétrica em seus lares,
bem como terão valores progressivos, conforme o consumo do respectivo sujeito passivo.

➢ INFORMAÇÕES IMPORTANTES SOBRE TODAS CONTRIBUIÇÕES

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Após analisadas as contribuições, faz-se necessário estabelecer algumas
características básicas e notáveis de cada uma delas:

a) Elas poderão ter o mesmo fato gerador e base de cálculo de impostos.


b) Elas terão arrecadação afetada (destinada) para despesa específica.

Assim, mais precisamente sobre o item B, cai ao lanço afirmar que, diferente dos
impostos que irão para um caixa geral, as contribuições (todas) terão finalidade e destino
especial para determinado órgão.

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