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Introdução

O presente trabalho de pesquisa da cadeira de Didáctica de Biologia IV tem como


tema:plano de organização e sequência do ensino-aprendizagem, onde serão
focalizados três aspectos fundamentais na planificação, que são fundamentalmente
tarefas do professor: a análise científica, a análise didáctica e a análise psicopedagógica,
tendo em conta quais são os objectivos que se pretendem alcançar ao realizar-se estas
determinadastarefas.
O trabalho tem como objectivo, analisar tais componentes fundamentais de um currículo
no sentido de procurar perceber as vantagens que a planificação do processo de ensino-
aprendizagem trás ao docente, assim como para os alunos e para todo sistema de
educação, assim como, os prejuízos que a falta de planificação pode trazer.
Especificamente, procura descrever os três aspectos fundamentais na planificação.

A metodologia usada para a elaboração do trabalho foi a pesquisa bibliográfica, que


possibilitaram a aquisição de informações que serviram para fundamentar os pontos a
serem abordados.
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1. Plano de organização e sequência do ensino - aprendizagem

Planificação ou planeamento, refere-se à acção e ao efeito de planificar, ou planear, isto


é, organizar-se ou organizar algo de acordo com um plano. Implica ter um ou vários
objectivos a cumprir, juntamente com as acções requeridas para que esses objectivos
possam ser alcançados. (http: Google/conceito.de/planificação.co.mz. acesso no dia
21/03/15 as 19h:19min)

Segundo SAÉNZ (1989),citado por ALVARENGA (2011:23), sublinha que, “a


planificação é um desenho ou síntese global e antecipatória do processo unitário de
instrução, ou seja, do que o professor e o aluno vão realizar na turma.”

Nestes termos, podemos acrescentar que planificar é determinar o que deve ser
ensinado, como deve ser ensinado e o tempo que se deve dedicar a cada conteúdo e
prever estratégias para a aquisição e a aprendizagem eficazes por partes dos alunos.

É uma actividade que consiste em definir e sequenciar os objectivos do ensino-


aprendizagem dos alunos, determinar processos para avaliar se eles foram bem-
sucedidos, prever algumas estratégias de ensino-aprendizagem e seleccionar
recursos/materiais auxiliares.

Para ZABALZA (2000), citado por ALVARENGA (2011:24),“afirma que a


planificação docente constitui uma das funções executivas do ensino em que o docente
toma decisões em relação a aquilo que deve ser ensinado (que metodologias, que
material didáctico, que recurso) ”.

Neste processo ainda, considera os resultados esperados, assim o currículo é


transformado e adaptado pelo processo de planificação docente através de acrescentos,
supressões, interpretações e decisões do docente.

1.1. Importância da planificação

Consideramos que o processo de planificação reveste-se de capital importância para as


mais diversas áreas profissionais. Revela-se igualmente muito importante na docência
que tende à formação integral do ser humano.
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Deste modo ZABALZA (2003), citado por ALVARENGA (2011:30),“considera-a, uma


competência imperativa que deve ser desenvolvida por todos os professores,
independentemente do nível de ensino que estiver a actuar.”

A planificação é a tomada de decisão no sentido mais abrangente possível, são vitais


para o ensino e interagem com todas as funções executivas do professor. Portanto pode-
se afirmar que, no ensino, a planificação docente não é somente uma necessidade mas
acima de tudo um imperativo que se impõe a todo o autêntico educador.

Quando se fala da planificação docente afloram se várias questões, nomeadamente:

 O que se pretende planificar?


 O que se deve ter em conta quando se planifica?
 O que se faz quando se planifica?
 O que pode influenciar a planificação?

Deste modo, ela constitui um pilar decisivo do sucesso educativo visto que baseia na
reflexão e antecipação da acção de todo o processo educativo.

Como é óbvio a planificação docente constitui, um pilar decisivo para a eficácia e


sucesso do processo ensino/aprendizagem. A importância da planificação pode ser
apreciada através da grande variedade de actividades educacionais que são afectadas
pelos planos e decisões do professor.

Sobre este ponto, inclui a decisão do tempo de instrução atribuída a alunos


individualmente ou em grupos; a constituição dos grupos; a organização de horários
diários, semanais e trimestrais; a compensação de interrupções alheias à sala de aula e a
comunicação com professores substitutos. (ARENDS, 1999, citado por ALVARENGA,
2011)

1.1.1. Razões que levam os professores a planificarem

E de facto essencial que o professor tenha um fio condutor das suas aulas. Neste sentido
comparar a planificação da aula a um mapa de estrada, para se chegar a um destino é
necessário: traça-se um caminho, embora durante o percurso pode ocorrer desvios e no
final chegar ao sítio pretendido. (ARENDS, 1999, citado por ALVARENGA, 2011)
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Assim a planificação não deve ser rígida. Pelo contrário, deverá ser uma previsão do
que se pretende fazer, tendo em conta as actividades, material de apoio e essencialmente
o contributo dos alunos. Privilegiando as relações pessoais entre todos os membros do
grupo-turma, e fazendo com que os alunos se sintam como elementos no processo
educativo.

1.1.2. Impacto da planificação docente no processo de ensino-aprendizagem


Efectivamente Arends (1999), citado por ALVARENGA, (2011:33), “refere ao impacto
da planificação nestes termos”:
 O ensino planificado é melhor do que o ensino baseado em acontecimentos e
actividades não direccionados, embora existam, como terá oportunidade de
verificar, certos tipos de planificação que podem conduzir a resultados
inesperados;
 A literatura nos domínios da gestão e da educação sugere que a planificação que
conduz à compreensão e aceitação partilhadas de metas claras e alcançáveis
aumenta a produtividade de trabalhadores e alunos;
 Os processos de planificação iniciados pelos professores podem dar um sentido
de direcção tanto a alunos como a professores e ajudar os alunos a tornar-se mais
conscientes das metas implícitas nas tarefas de aprendizagem que têm de
cumprir.

Todavia, Arends (1999), citado por ALVARENGA, (2011:33), “alerta-nos que ao lado
das consequências positivas da planificação para a aprendizagem e para o
comportamento na sala de aula, ela poderá também ter consequências negativas. A este
respeito escreve”:

 A planificação pode aumentar a motivação do estudante, ajudá-lo a centrar-se na


aprendizagem e eliminar os problemas de gestão da sala de aula;
 A planificação pode também apresentar aspectos negativos não previstos: pode
por exemplo, limitar a iniciativa do estudante na aprendizagem e tornar os
professores insensíveis às ideias dos seus alunos.

Por exemplo, a preparação de um plano de aula deve ter um carácter flexível, aberto e
susceptível de sofrer alterações ou reajustes de acordo com o feedback recebido no
decorrer da aula. Mas também, o professor tem de passar por uma minuciosa escolha de
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técnicas, metodologias e actividades que garantam uma forte interacção entre os


elementos da turma, com o objectivo de tentar abarcar a diversidade dos estudantes de
modo a motiva-los a uma participação activa no conteúdo que se vai tratar na turma.

Em conformidade com (Piletti, 2001:73 apudCastro), citado por ALVARENGA,


(2011:38) “o plano de aula é a sequência de tudo o que vai ser desenvolvido em um dia
lectivo. É a sistematização de todas as actividades que se desenvolvem no período de
tempo em que o professor e o aluno interagem, numa dinâmica de
ensino/aprendizagem.”

1.1.3. Aspectos fundamentais na planificação

O plano de organização e sequência do ensino e aprendizagem é um elemento


importante e exigido no dia-a- dia em todas as actividades. Ela caracteriza-se por um
processo de racionalização, organização e coordenação da acção docente em que se
seleccionam e organizam estratégias e actividades do ensino-aprendizagem em certas
condições que determinam a efectivação deste processo. Existem três aspectos
fundamentais na planificação, que são fundamentalmente tarefas do professor: a análise
científica, a análise didáctica e a análise psicopedagógica.(INDE/MINED, 2003)

1.1.3.1. Análise científica


Numa primeira fase da análise, é necessário determinar os objectivos da avaliação dos
manuais:
 Primeiro objectivo: decidir a aprovação ou não do manual, visando permitir a
sua difusão (avaliação de certificação);
 Segundo objectivo: seleccionar entre vários manuais aquele que é mais
conveniente (avaliação de selecção);
 Terceiro objectivo: propor novo manual (avaliação de regulação). Após a
determinação dos objectivos, passa-se à segunda fase, que é a determinação dos
critérios de avaliação, de acordo com os objectivos propostos.

Segundo GÉRARD e ROEGIERS (1998), “os critérios de avaliação deverão ser


critérios de adequação ao programa, critérios relacionados com a qualidade
pedagógica, critérios ligados à qualidade científica ou ao rigor do conteúdo e critérios
relacionados com os aspectos sócio-culturais”.
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Os manuais devem ter um carácter aberto, isto é, não se devem limitar a proporcionar a
informação relevante e necessária aos alunos em função de cada disciplina, mas terem
um papel dinâmico e interventivo auxiliando os alunos no seu papel de construtores da
aprendizagem, incentivando-os a recorrerem a outras fontes de informação como, por
exemplo, a Internete, CD-ROMs interactivos. No caso dos manuais de Ciências
Naturais, estes deveriam propor actividades laboratoriais abertas, que promove-se
entanto a inter-relação dados-evidência-conclusões, como a construção de explicações
científicas para os fenómenos em estudo (Morgado, 2004).

1.1.3.2. Análise didáctica

É igualmente a utilização de vários meios didácticos.Para isso, deve-se reflectir sobre a


utilização e a aplicação correcta dos meios de ensino disponíveis, merecendo esta
reflexão uma atenção muito especial. Sabe-se, que nem sempre o objecto real pode ser
colocado à disposição e que certas particularidades do mesmo nem sempre podem ser
estudadas. Nestes casos, ter-se-á de recorrer aos objectos representativos. Considera-se
a linguagem oral um meio didáctico de maior abstracção e, consequentemente, aquele
que exige do próprio aluno uma alta capacidade intelectual para perceber o respectivo
conteúdo ligado a um objecto, fenómeno ou processo natural.

De acordo com LIBANEO (1990:173),“por meios de ensino designamos todos os


meios e recursos materiaisutilizados pelo professor e pelos alunos para a organização
e condução metódica do processo de ensino e aprendizagem”.

Equipamentos sãomeios deensino gerais, necessários para todas as matérias, cuja


relação com oensino e indirecta. São carteiras ou mesas,quadro-negro, projector de
slidesou filmes, toca-disco, gravador e toca-fitas, flanelografo etc. Cada disciplina exige
também seu material especifico, como ilustrações e gravuras, filmes, mapas e globo
terrestre, discos e fitas, livros, enciclopédias, dicionários, revistas, álbum seriado,
cartazes, gráficos etc. Alguns autores classificam ainda, como meios deensino, manuais
elivros didácticos; radio, cinema, televisão: recursos naturais(objectos efenómenos da
natureza); recursos da localidade (biblioteca, museu, indústria etc.); excursões escolares;
modelos de objectos e situações (amostras, aquário, dramatizações etc.).

Os professores precisam dominar, comsegurança, esses meios auxiliares de ensino,


conhecendo-os e aprendendo autiliza-los. O momentodidáctico mais adequado de
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utiliza-los vai depender do trabalho docenteprático, no qual se adquirira o efeito


traquejo na manipulação do material didáctico, Há nas livrarias manuais de Didáctica
e/ou Prática de Ensino que descrevem pormenorizadamente osmeios auxiliares
deensino, aos quais se pode recorrer por ocasião da elaboração do plano de ensino e
plano de aula.

1.1.3.3. Análise psicopedagógica

De acordo com a concepção da Análise do Comportamento, o processo de


aprendizagem acontece na relação entre o objecto de conhecimento e o aluno. O
professor programa a forma como o objecto de conhecimento será organizado,
respeitando as características individuais do aluno. O objectivo é que o aluno se
interesse pelo processo de conhecimento e aja sobre o objecto de conhecimento.

Na concepção racionalista, a aprendizagem é fruto da capacidade interna do aluno. Ele


é, ou não, “inteligente” porque já nasceu com a capacidade, ou não, de aprender. Sua
aprendizagem também estará relacionada à maturação biológica, só podendo aprender
determinados conteúdos quando tiver a prontidão necessária para isso. O aluno já traz
uma capacidade inata para aprender. Quando não aprende, é considerado incapaz; se
aprende diz-se que tem um bom grau de quociente intelectual ou (Q.I.). Nesta
concepção, o papel do professor é de organizador do conteúdo, levando em
consideração a idade do indivíduo
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Conclusão

Após as pesquisas feitas de acordo com as referências bibliográficas, o grupo concluiu


que a planificação é uma actividade primordial que consiste em definir e sequenciar os
objectivos do ensino e da aprendizagem dos alunos, determinar processos para avaliar
se eles foram bem conseguidos, prever algumas estratégias de ensino/aprendizagem e
seleccionar recursos/materiais auxiliares.A planificação e a tomada de decisão no
sentido mais abrangente possível, são vitais para o ensino e interagem com todas as
funções executivas do professor. Portanto pode-se afirmar que, no ensino, a planificação
docente não é somente uma necessidade mas acima de tudo um imperativo que se impõe
a todo o autêntico educador.
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Bibliografia

INDE/MINED. Plano Curricular do Ensino Básico. Ed:. © INDE/MINED


Moçambique, 2003

IVALDINA, Jesus, Almada, Alvarenga. A planificação docente e o sucesso do


processo ensino-aprendizagem: estudo na Escola Básica Amor de Deus. Cidade da
Praia aos 21 de Janeiro de 2011

LIBANEO, Carlos, Jose. Didatica. CORTEZ EDITORA, RuaBartira, 3I7–


Perdizes05009-000 SãoPaulo- SP, 1990

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