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Imposto sobre a exportação de

produtos nacionais ou
nacionalizados
Prof. Me. Moisés de O. Matusiak
Direito Tributário II
UNICRUZ
Imposto sobre a exportação, para o
exterior, de produtos nacionais ou
nacionalizados

Previsão legal: Art. 153, II, da CF/88; art. 23 e


seguintes do CTN.
Competência/sujeito ativo
Conforme o art. 153, II, da CF/88, a competência
para instituir o imposto é da União, que também
é o sujeito ativo da relação tributária.
“Trata-se de um imposto federal por força do art.
153, II, do texto constitucional. O imposto de
exportação é de competência federal, não
podendo ser instituído pelos estados e municípios,
mesmo que sob outra denominação.” (Caliendo,
2018)
Natureza/Função

Predominantemente EXTRAFISCAL.
“A essencialidade da função extrafiscal do IE encontra-
se ressaltada pela importância dada à política de
comércio exterior a ser adotada pelo país.” (Caliendo,
2018)
“A função do Imposto de Exportação é extrafiscal pois
se trata de um imposto dirigido à política econômica e
comércio internacional, sendo que sua receita líquida
destina-se à formação de reservas monetárias (art. 28
do CTN).” (Mazza, 2017)
Principais disposições constitucionais
Ver artigos 150, §1º, 153, §1º, 153, §3º, III,
155, §2º, X, e 156, §3º, II, todos da
Constituição Federal de 1988.
Sujeito Passivo/Contribuinte
O sujeito passivo do imposto em questão é o
exportador, ou seja, qualquer pessoa que
promova a saída do produto nacional ou
nacionalizado do território nacional (art. 27 do
CTN e art. 5º do DL n. 1.578/77).
“Considera-se exportador aquele que praticou
o fato jurídico de exportar “para o exterior”, ou
seja, fazer sair mercadoria do território
aduaneiro. A saída de território aduaneiro é
considerada em sentido jurídico e não físico.
Para ser caracterizado como exportador, não é
necessário ser comerciante, industrial ou
produtor; bem como não é necessário que as
operações realizem-se de modo habitual ou
com intuito de lucro.” (Caliendo, 2018)
Fato gerador

O fato gerador é a saída do território nacional


de produtos nacionais ou nacionalizados.
De acordo com o Decreto n. 91.030/85, art.
221, § 1º: “Considera-se nacionalizada a
mercadoria estrangeira importada a título
definitivo.”
“Consideram-se produtos nacionalizados as
mercadorias estrangeiras importadas a título
definitivo. Compete à Câmara de Comércio
Exterior determinar as mercadorias sujeitas à
incidência do imposto. Ocorre o fato gerador
quando da saída da mercadoria do território
aduaneiro, ou seja, na data do registro de
exportação no Sistema Integrado de Comércio
Exterior (Siscomex), conforme o art. 1º, § 1º,
do Decreto-lei n. 1.578/77.” (Caliendo, 2018)
“Considera-se ocorrido o fato gerador no
momento do “registro da exportação” junto
ao Sistema Integrado de Comércio Exterior
(Siscomex), pois tal momento é o equivalente
atual da expedição da antiga guia de
exportação, conforme previsão no art. 1º, § 1º,
do Decreto-Lei n. 1.578/77 e do art. 213 do
Decreto n. 6.759/09.” (Paulsen, 2018)
Base de cálculo
A base de cálculo do imposto é:
a) quando a alíquota seja específica, a
unidade de medida adotada pela lei tributária
(art. 24, I, do CTN);
b) quando a alíquota seja ad valorem, o preço
normal que o produto, ou seu similar,
alcançaria, ao tempo da exportação, em uma
venda em condições de livre concorrência
(art. 24, II, do CTN).
“a) a quantidade de mercadoria, expressa na unidade de
medida indicada na Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB),
quando a alíquota for específica (aquela alíquota que prevê
importâncias fixas, aplicáveis em relação aos modos de
apresentação do produto exportado). Por exemplo: teremos
um imposto de tantos reais por tonelada, ou por
comprimento (art. 20, I, CTN);
b) a expressão monetária do produto exportado, isto é, o
preço normal – valor aduaneiro previsto no inciso VII, n. 2,
do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio
(GATT – Decreto n. 92.930/86), quando a alíquota for ad
valorem (aquela que incidirá sobre o valor aduaneiro do
produto exportado);” (SABBAG, 2017)
“O preço à vista do produto – FOB (Free on Board: livre ou posto
a bordo) – é indicativo do preço normal, em caso de transporte
marítimo. Por ele, o exportador ou vendedor do produto se
compromete a colocar a mercadoria “livre a bordo” no porto de
partida, correndo por sua conta todos os custos e riscos até o
embarque da mercadoria naquele porto. O importador, por sua vez,
assume todos os custos e riscos a partir do momento em que a
mercadoria ingressou no navio.
Por meio do indicador CIF (Cost, Insurance and Freight ou
“Custo, Seguro e Frete”), o exportador responderá por todos os
custos e riscos até a colocação da mercadoria a bordo do veículo que
a transportará para o exterior e, mais, por todos os custos atinentes
ao frete internacional e riscos (seguro internacional) até o porto de
destino.” (SABBAG, 2017)
Alíquotas
Podem ser:
a) específicas: valor em dinheiro que incide sobre
uma unidade de medida prevista em lei, que
pode ser referir à metragem, ao peso etc.
Exemplo: R$ XX,XX por metro cúbico.
b) ad valorem: a aplicação da alíquota sobre
determinado valor de operação. Exemplo: X%
sobre o valor.
Estão previstas na TAB – Tarifa Aduaneira do
Brasil.
“A alíquota do IE obedece aos ditames da sua função extrafiscal e,
portanto, está vinculada à regulação da política cambial e do
comércio exterior, sendo que a Câmara de Comércio Exterior poderá
reduzir ou aumentar a alíquota do imposto a 150%.” (Caliendo,
2018)

“Art. 3º A alíquota do imposto é de trinta por cento facultado ao


Poder Executivo reduzi-la ou aumentá-la, para atender aos
objetivos da política cambial e do comércio exterior.
Parágrafo único. Em caso de elevação, a alíquota do imposto não
poderá ser superior a cinco vezes o percentual fixado neste artigo.”
(DECRETO-LEI Nº 1.578, DE 11 DE OUTUBRO DE 1977)
Notas gerais
A alteração da alíquota do Imposto de
Exportação não se sujeita aos princípios
constitucionais tributários da legalidade (art.
153, § 1º, da CF/88) e da anterioridade (art.
150, § 1º, da CF/88).
Referências
CALIENDO, Paulo. Curso de Direito
Tributário.. [Minha Biblioteca].
MAZZA, Alexandre. Manual de Direito
Tributário. 3ª ed. São Paulo: Saraiva: 2017.
PAULSEN, Leandro. Curso de Direito
Tributário Completo. 9ª ed. São Paulo:
Saraiva, 2018.
SABBAG, Eduardo. Manual de Direito
Tributário. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2017.

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