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PROTEÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS

TRANSFORMADORES PARA INSTRUMENTOS

Edição 2017

CURSO DE FILOSOFIAS DE PROTEÇÃO

Direitos Reservados: Autor: Total de Páginas

Virtus Consultoria e Serviços Ltda. Paulo Maezono


84
SOBRE O AUTOR

Eng. Paulo Koiti Maezono

Formação
Graduado em engenharia elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1969.
Mestre em Engenharia em 1978, pela Escola Federal de Engenharia de Itajubá, com os créditos
obtidos em 1974 através do Power Technology Course do P.T.I — em Schenectady, USA. Estágio
em Sistemas Digitais de Supervisão, Controle e Proteção em 1997, na Toshiba Co. e EPDC —
Electric Power Development CD. de Tokyo — Japão.

Engenharia Elétrica
Foi empregado da CESP — Companhia Energética de São Paulo no período de 1970 a 1997, com
atividades de operação e manutenção nas áreas de Proteção de Sistemas Elétricos, Supervisão e
Automação de Subestações, Supervisão e Controle de Centros de Operação e Medição de
Controle e Faturamento. Participou de atividades de grupos de trabalho do ex GCOI, na área de
proteção, com ênfase em análise de perturbações e metodologias estatísticas de avaliação de
desempenho.

Atualmente é consultor e sócio da Virtus Consultoria e Serviços Ltda. em São Paulo — SP. A Virtus
tem como clientes empresas concessionárias de serviços de energia elétrica, empresas projetistas
na área de Transmissão de Energia, fabricantes e fornecedores de sistemas de proteção, controle
e supervisão. Já colaborou com o Departamento de Engenharia de Energia e Automação Elétricas
da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e Instituto Presbiteriano Mackenzie.

Área Acadêmica
Foi professor na Escola de Engenharia e na Faculdade de Tecnologia da Universidade
Presbiteriana Mackenzie no período de 1972 a 1987. E colaborador na área de educação
continuada da mesma universidade, de 1972 até 2009.

Foi colaborador do Departamento de Engen haria de Energia e Automação Elétricas de EPUSP —


Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, desde 1999 até 2009, com participação no
atendimento a projetos especiais da Aneel, Eletrobrás e Concessionárias.
vírtus
Consultoria e Serviços Ltda.

INDICE

1. INTRODUÇÃO .. ....... 5
1.1 SINAIS PARA REPRESENTAÇÃO DE CORRENTES ITENSÓES NOMINAIS E RELAÇÓES
NOMINAIS .................................................................................................................................................................... 5
1. ] . ] Exemplox para TC 's...................................................................................................................................... 5
1.1.2 Exemplos para TP 's: .................................................................................................................................... 7
1.2 ESCOLHA DOS TRANSFORMADORES PARA INSTRUMENTOS ............................................................ 8
1.3 NORMAS TÉCNICAS ..................................................................................................................................... 3
1.3.1 A BNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) .................................................................................... 9
1.3.2 IEC (International Electro technical Commission) ...................................................................................... 9
1.3.3 ANS! (American National Standards Institute) ............................................................................................. 9
2. TRANSFORMADORES DE CORRENTE 10

2.1 INTRODUÇÃO 10
2.2 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA E POLARIDADE DE UM TC IC
2.3 RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO DO TC ............................................................................................... l1
2.4 CIRCUITO EQUIVALENTE DO TC ............................................................................................................. 12
2.5 ALGUMAS DEFINIÇÓES TRANSFORMADOR DE CORRENTE 14
2.5.1 Corrente Nominal. ...................................................................................................................................... ]4
2.5.2 Fator Térmico Nominal - F: ....................................................................................................................... 14
2.5.3 Relação Nominal......................................................................................................................................... 15
2.5.4 Potência e Carga Nominal.......................................................................................................................... 17
2.5.5 Corrente Térmfca Contínua Nominal ......................................................................................................... 19
2.5.6 Corrente Térmica Nominal de Curta Duração - 13.19
2.5. 7 Corrente Dinâmica Nominal de Curta Duração — ld.................................................................................. 20
2.5.8 Resistência do Enroíamento Secundário - th............................................................................................ 20
2.5.9 Resistência de Carga - Rc........................................................................................................................... 20
25.10 Resistência do Secundário - Rs 20
2.6 ALGUMAS DEFINIÇÓES ADICIONAIS PARA TCS DE PROTEÇÃO ...................................................... 20
2. 6. ] Tp — Consrante de Tempo Primária............................................................................................................ 20
2.6.2 Ts — Constante de Tempo Secundária......................................................................................................... 20
2.6.3 Corrente Primária Limite de Exatidão. ...................................................................................................... 21
2. 6.4 Curva de Excitação..................................................................................................................................... 21
2. 6.5 Fator de Dimensionamento Kx ................................................................................................................... 21
2.6.6 Fluxo de Saturaçãa wi ................................................................................................................................ 2.
2.6. 7 Fluxo de Remanente gy, ............................................................................................................................... 21
2.6.8 Fator de Remanência Kr............................................................................................................................. 21
2.6.9 Fator Limite de Exatidão - FI,, .................................................................................................................... 22
2. 6. 10 Tensão do Ponto de Joelho — Segundo a Norma IEC 61869-2 apenas. ................................................. 22
2. 6. I 1 Força Eletromotriz da Fama de Joelho , Segundo a Norma IEC 61869-2 apenas............................... 22
26.12 Força Eletromotríz Nominal do Ponto de Joelho (Ek) — Segundo a Norma IEC 61869-2 apenas. ....... 22
2. 6.13 [e — Corrente de Excitação — Segundo a Norma IEC 61869-2 ............................................................... 22
26.14 Força Eletromotriz do Ponto de Joelho Ek — Segunda Norma NBR 6856 apenas. 22
2. 6. 15 Força Eletromotríz do Ponto de Joelho Nominal , Segundo Norma NBR 6856 apenas. ...................... 22
2. 6. fã Força Eletromotriz Limite de Exatidão para Proteção — Efe .................................................................. 23
2.6.1 7 Kssc — Fator nominal de corrente de curto-circuito simétrico — Segundo a Norma IEC 61869—2 apenas.
23
2. 6. 18 Kid — Fator nominal de dimensionamento transitória — Segundo a Norma IEC 61869-2 apenas. 23
2. 6. 19 Estimativa do Kid de um TCfabric-ado sob norma IEC ......................................................................... 24
2. 6.20 Fator de Sobrejluxo correspondente ao Fle (ALF) ................... . ............................................................ 25
2. 6.21 th— Fator transitório — Segundo a Norma [EC 6I869-2 apenas. ........................................................ 26

TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS Introdução e índice 2 de 83


vírtus
Consulta". e Serviço: Lfdl.

2. 6.22 Eai - Força Eletro Motriz Limitadora Secundária Nominal Equivalenre — Segundo a Norma IEC
61869-2 ................................................................................................................................................................
26
2. 6. 23 Ciclo Especg'ícado de Disjuntor (C—O e/ou C-O—C—O) ................................................................
.......... 27
2. 6.24 Duração da prímeirafalta ! '7 Segundo a Norma IEC 61869-2 ................................................
............ 27
2. 6.25 Duração da segundafalta !” — Segundo a Norma IEC 61869-2..................................................
.......... 27
2. 6.26 Duração da segundafalta ('a! — Segundo a Norma IEC 61869-2..........................................................
27
2. 6.27 Duração da segundajwra fai — Segunda a Norma IEC 61869-2.........................................................
27
2. 6. 28 Tempo de repetição dafaita fp— Segundo a Norma IEC 61869—2 ................................................
......... 27
2. 6. 29 TC de Baixa Reatância de Dispersão — Segundo a Norma IEC 61869-2..................................
............. 27
26.30 TC de Alta Rearância de Dispersão fqegundo a Norma [EC 61869-
2 27
2.7 CLASSES DE EXATIDÃO PARA MEDIÇAO
28
2. 7.1 TCS para Serviços de Medição ............................................................................. . ................
..................... 28
2. 7.2 Classes de Exatidão ................................................................................................................
.................... 28
2. 7.3 Indicação de Classes de Exatidão .................................................................................................
............. 3]
2.8 CLASSES DE EXATIDÃO PARA PROTEÇÃO
33
2. 8.1 Fator Limite de Exatidão do TC — NBR 6856........................................................................
..................... 33
2.8.2 Tipos de TCS para Proteção .................................................................................................
...................... 33
2.8.3 Classe de Exatidão segundo ANS]........................................................................................
...................... 35
2.8.4 Signjicado do Burden Nominal na Norma ANSI.......................................................................
.................. 36
2.8.5 Classe de Exatidão segundo IEC 61869-2 ................................................................................
.................. 38
2.8.6 Classe de Exatidão segunda ABNT. ................................................................................................
............ 43
2.8. 7 Classe de Exatidão antiga, segundo ABNT ................................................................................
................ 43
2.8.8 Sígnficado do Burden Nominal na Norma IEC.........................................................................
.................. 44
2.9 DEFINIÇÃO DE JOELHO (KNEE POINT) DA CURVA DE MAGNÉTIZAÇÃO DO NÚCLEO
DO TC 45
2.10 EXPRESSÃO PARA AVALIAR SATURAÇAO
46
210.11 Requisito Genérico considerando Sarumçãa de TC cam Correnre Assímélrica..............................
...... 46
210.2 Segundo ANS].......................................................................................................................
.................. 46
210.3 Segundo IEC...........................................................................................................................
................ 48
210.4 Exemplo 1 ..................................................................................................................................
............. 49
210.5 Exemplo 2..............................................................................................................................................
. 51
210.6 Exemplo 3...............................................................................................................................................
53
2.10. 7 Exemplo 4................................................................................................................................
............... 55
210.8 Exemplo 5 ..................................................................................................................................
............. 56
2.1 I REQUISITOS DE TC's PARA PROTEÇÃO CONSIDERADOS POR NORMA OU ALGUNS
FABRICANTES DE RELÉS
2.12 EXEMPLOS DE BURDBN ................................................................................................................
58
............ 59
3. SATURAÇÃO DE TC E A REMANÉNCIA
61
3.2 RBMANENCIA NO NÚCLEO DO TC
62
4. TRANSFORMADORES DE POTENCIAL
66
4.1 INTRODUÇÃO
4.2 CARACTERIZAÇÃO DE UM TRANSFORMADOR DE POTENCIA
66
L 66
4.2.1 Carga Nominal. ..................................................................................................................
........................ 67
4.2.2 Classe de Exatidão..................................................................................................................
.................... 68
4.2.3 Fator de Sobretensão............................................................................................................
...................... 69
4.2.4 Potência Térmica Nominal. ................................................................................................
........................ 70
4.3 IDENTIFICAÇÃO DOS TERMINAI
S 70
4.4 TABELA COMPARATIVA DE CARGA ("BURDEN”) SEGUNDO ALGUMAS NORMAS ................
..... 71
5. DIVISORES CAPACITIVOS DE POTENCIAL
72
5.1 DIVISOR CAPACITIVO EM VAZI
O 72
5.2 DIVISOR CAPACITIVO COM CARGA
73

TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS Inlrodução e índice 3 de 33


vírtus
Consulta": e Serviços leu.

75
5.3 DIVISOR CAPACITIVO COMPENSADO
5.4 PRINCÍN PIO .................................................................................................................................................. 76
..................... 77
5.4.1T Divisor Capacitiva de Potencial em Vazio. ...........................................................................
..................... 78
5.4.2 Divisor Capacitivo de Potencial em Carga ...........................................................................
............................................................................................. 81
5.5 EXEMPLOS DE DCP .............................................
6. FERRORESSONÃNCIA .. 82

.. 83
7. BlBLIOGRAFlA..

Introdução e índice 4 de 83
TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS
vírtus
Consultor" e Slrwços Ltda.

1. INTRODUÇÃO

De acordo com a norma ABNT NBR 6546, transformador para Instrumentos é o


“transformador que alimenta instrumentos de medição, dispositivos de controle ou dispositivos
de proteção".

05 Transfon'nadores para Instrumentos devem, portanto, reduzir o valor da tensão


(Transformadores de Potencial) ou da corrente (Transformadores de Corrente) primárias para
valores secundários normalizados e suficientemente baixos sem, entretanto, introduzirem
erros acentuados de relação e ângulo de fase. Os Transformadores para Instrumentos, além
de adequar os valores de corrente e tensão, também permitem uma isolação galvâníca entre
os instrumentos de medição, controle e proteção e as altas tensões do sistema de elétrico de
potência que se deseja medir, controlar ou proteger.

1.1 SINAIS PARA REPRESENTAÇÃO DE CORRENTES I TENSÓES NOMINAIS E RELAÇÓES


NOMINAIS

Sinal Função
Representar relações nominais
Separar correntes ou tensões nominais e relações nominais de enrolamentos
diferentes
Separar correntes ou tensões nominais e relações nominais obtidas por
x religaçâo série ou paraletas
I Separar correntesitensões e relações nominais obtidas por derivações
secundárias.
Separar correntes/tensões e relações nominais obtidas por derivações
” primárias

1.1.1 Exemplos para TC's

&) TC com um enrolamento primário e um enrolamento secundário:


I-, . 4. . '
. 1

20'] 1] 1 * (J'ªc-LHWÚQDE *]
100 ' 5 A * .E. ' ,“. fu: 'POL ”161 “fªil ªªª
P1 P2 ' * f " '

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r-FMKJLV-

TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS Transfonnadores de Corrente 5 de 83


vírtus
Consuftarls a Serviços Ltda.

b) TC de dois núcleos, com um enrolamento primário e dois enrolamentos secundários:

20: 1 - 1

100 - 5 - 5 A

P1 P2

1 Jf
a ar a
| I ! 1
181 152 251 232

c) TC de um núcleo, com enrolamento primário para ligação série e paraleio e um


enrolamento secundário:

20x40:1

NEÇEÓÉPÃGIÚ 1,155 :_ »? ,Cp'-<3*1"f() 100 X 200 " 5 A

w: (fã. 735; c-r—ª-f—ar'”?7' . *=- 37155“ P1 P2 P3 P4


f "3 7h" 7-4 rf; ff fl; . Ǻõ 3171531! " 7': .: , , , ,
._1 .—.' _“ —.,-ª— — :'( [ _] [ J

1 I
&
51
&
82

d) TC de um núcleo. com uma derivação no enrolamento primária!

20 II 40: 1

IOOIIZOO-SA

P1 P2 Ps
. q 9

. .
51 sz
TC de um núcleo, com derivações no enrolamento secundário:

20140180 : 1

10012001400-5A

TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS Transformadores de Corrente 6 de 83


vírtus
Conzuftorlc & Serviços Ltda.

P1 P2

81 52 83 84

e) TC de dois núcleos, com um enrolamento primário e dois enrolamentos secundários


como no exemplo (b), porém com relações nominais diferentes entre 0 enrolamento
primário e cada enroiamento secundário:

20:1e60:1

100—SA e 300-5A

1.1.2 Exemplos para TP's:

&) TPI com um enrolamento primário e um enrolamento secundário:

120: 1

13800 - 115 V

b) TPI com enrolamento primário e dois enrolamentos secundários com derivações:

701' 120: 1-1 ou 701120-701120: 1

13800 -115f“—5 -1151£V


J? Ji J?
e) TPI com um enrolamento primário e um enrolamento secundário, com derivação em um
deles:
60170: 1
11500 , 13800 -115V
Ji «E
d) TPI com um enrolamento primário para religação série ou paralelo e um enrolamento
secundário:
60x 120 : ]
6900x13800-115V

TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS Transformadores de Corrente 7 de 83


vírtus
Consultoria & Sorvlça: Ltda.

e) TPI com um enrolamento primário com derivação e dois enrolamentos secundários,


sendo um com derivação:
60170-6017011001120: 1
11500 , 13800 -115-115:UÍV
«5 J? J?
f) TPI com enrolamento primário para religação série ou paralelo e dois enrolamentos
secundários, sendo um com derivação:
35x70-35!60x701120:1
6900 13800 «54va
É“? .15
g) TPI com um enrolamento primário e dois enrolamentos secundários sendo um de
tensão residual:
120-210:1
13800 115 115
73—53

1.2 ESCOLHA DOS TRANSFORMADORES PARA INSTRUMENTOS

Para que um Transformador para Instrumentos opere corretamente e sem se danificar, tanto
em condições normais quanto no caso de faltas, e necessário que:

- Seja dimensionado para suportar todo tipo de solicitação (térmica, dinâmica ou dielétrica)
que o sistema possa lhe impor;
- Tenha características nominais adequadas para o uso desejado;
- Seja projetado, construído e testado de tal modo a assegurar por muitos anos, as
características especificadas.

Alta confiabilidade só e' possível com transformadores de boa qualidade e desde que
utilizados corretamente. Para tal. deve-se analisar cuidadosamente todos os parâmetros
necessários para se especificar um Transformador para Instrumentos. A observância de
Normas Técnicas, nacionais ou internacionais, e um dos melhores meios para se atingir esse
objetivo.

0 presente documento dá ênfase aos itens referentes ao uso para Proteção de Sistemas
Elétricos.

1.3 NORMAS TÉCNICAS


Para os transformadores para instrumentos, temos tanto normas brasileiras (ABNT) como
internacionais (IEEE IANSI, IEC).

TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS Transformadores de Corrente & de 83


Vírtus
Consulta". e Serviços Ltda.

1.3.1 ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)


NBR 6856: Transformador de Corrente. Esta Norma fixa as características de
desempenho de transformadores de corrente (TC's) destinados a serviço de medição e
proteção. Atualilzado em marco de 2015
NBR 6821: Transformador de Corrente. Esta Norma prescreve os métodos para
execução dos ensaios em transformadores de corrente (TC's) especificados na NBR 6856.
NBR 6820: Transformador de Potencial Indutivo. Esta Norma prescreve os métodos
para execução dos ensaios em transformadores de potencial indutivos especificados na
NBR 6855.
NBR 6855: Transformador de Potencial Indutivo. Esta Norma fixa as características de
desempenho de transformadores de potencial indutivos (TPI) destinados a serviços de
medição, controle e proteção.

1.3.2 IEC (International Electro technical Commission)

IEC 61869-1 Instrument Transformers - Part 1: General Requirements. Atualizado 2007.

IEC 61869-2 Instrument Transformers - Part 2: Additional Requirements for Current


Transformers. Atualizado 2012.

IEC 61869-2 Instrument Transformers — Part 3: Additional Requirement for Inductive


Voltage Transformers.

Normas substituídas:

IEC 60044-1 Instrument Transformers - Part 1: Current Transformers.

IEC 60044-2 Instrument Transformers - Part 2: Inductive Voltage Transformers.

1.3.3 ANSI (American National Standards Institute)

ANSI C57.13 - Instrument Transformers. Atualizado 2016.

TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS Transfonnadores de Corrente g de 83


vírtus
Cºnsultoria & Ssnn'ços Ltda.

2. TRANSFORMADORES DE CORRENTE

2.1 INTRODUÇÃO
De acordo com a norma ABNT —— NBR 6856, Transformador de Corrente (TC) e o
“transformador para instrumentos cujo enrolamento primário é ligado em série em um circuito
elétrico e reproduz, no seu circuito secundário, uma corrente proporcional à do seu circuito
primário, com sua posição fasorial substancialmente mantida”.

O Transformador de Corrente (TC) tem, portanto, a finalidade de:

- Fornecer no seu secundário, uma corrente proporcional à do primário e de dimensões


adequadas para serem usadas pelos sistemas de controle, medição e proteção.

- Isolar os equipamentos de controle, medição e proteção do circuito de Alta Tensão (AT);

Pela norma ANSI (IEEE) & corrente secundária do TC está normalizada em 5 A. Por outro
lado as normas IEC e ABNT estabelecem TC's corrente secundária em 5 A ou 1 A.

NÚCLEO DO TC
[ primária
__.

(:?
CONDUTOR

Enrolamento

I secundária Cªbºs
Secundários

—-—
Instrumento Secundário (Relé, Medidor)

Princípio do Transformador de Corrente

2.2 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA E POLARIDADE DE UM Tc


A figura a seguir e a maneira como as bobinas primária e secundária são enroladas no
núcleo magnético. Isto é feito simbolicamente pelas marcas de polaridade (pontos):

TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS Transformadores de Corrente 10 de 83


.
'1
— z , , , . -,
; ÍNV131'75HG DE rCLF-ã íc'lUr': .A: ,
Vlrtus Irwªà'mçÃO ruaã OSÇrLCGí?1-1F1,C15
Consultoría ! Snrvlços Ltda.
_ " ,

|1 |1 P1 P2 K L
—> . —* m ——
. _ 4— | L:—
| 12 81 32 '( |
2
Norma ANSI Norma IEC Norma VDE

Representação de TC e Polarídades

Como regra, temos que a corrente primária |: entre pela polaridade e a corrente secundária 12
sai pera polaridade e assim, temos 11 e 12 em fase.

2.3 RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO DO TC

Considerando-se um TC como um transformador operando dentro das características ideais,


temos que:
F1-Fz= 2.0)
onde:

F1 = força magnetomotriz produzida pela bobina primária do TC


Fz = força magnetomotriz produzida pela bobina secundária do TC
R = relutância do circuito magnético do núcleo do TC
(D = fluxo magnético no núcleo do TC
OU:

111.11—n2.|2=R.CD

Considerando o transformador ideal (2 = 0) temos:


n1.l1 -n2.|2= 0
Elml-L
:
::
N

Definindo—se a relação de transformação do TC como:

RTC=ºg tem-se que 12 = 11 . _1_


111 RTC

Na prática, indica-se & relação através dos valores nominais dos enrolamentos primário e
secundário. Por exemplo:
600 - 5 A (RTC = 120:1)
1000 - 1 A (RTC = 1000:1)

TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS Transformadores de Corrente 11 de 83


vírtus
E = * N ;

.,?“
Consultoria a Serviçº.! Lida.

2.4 CIRCUITO EQUIVALENTE DO TC

Do ponto de vista eletromagnético, o TC é um transformador. Assim sendo, o seu circuito


equivalente pode ser representado conforme mostrado na figura a seguir.

:
anbos + ZreIe
(Burden
Conectado)

"— N1:N2
(Ideal)

Circuito Equivalente do TC

onde:
lp = corrente no primário
Is = corrente no secundário do TC
21 = R1 + jX1 impedância do primário
Zz = R2 + jX2 impedância do secundário
Z:; = carga ligada no secundário do TC (“burden”)
exe = corrente de excitação do TC
|.; = Imag + Iperda
Imag = corrente de magnetização do núcleo do TC
|perda= corrente de perdas (perdas por corrente de Foucault, histerese e pequeno efeito Joule)
Rp = resistência equivalente às perdas no ferro do núcleo do TC (corrente ipema)
xmag = reatância equivalente à magnetização do núcleo do TC (corrente Imag)

TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS Transformadores de Corrente 12 de 83


Vírtus
Consultoria & Slrldça: LME.

Para TCs de baixa reatância de dispersão, pode-se fazer um circuito equivalente simplificado,
com resistências, desprezando as reatàncias indutivas de dispersão. A magnetização pode
ser representada no lado secundário:

CIRCUITO SIMPLIFICADO - TC DE BAIXA


REATÃNCIA DE DiSPERSÃO

| BU RDEN
' CONECTADO
Is , ““““““““
lp 15 ' '
, ' Rsec : RcabD
% I_—1

Imag 1
1

' ' + V_ter


VS minal Galé

] Xmag

Rcabo

? L—J
<l— '
N11N2 :
(Ideal) :
1

Onde:

Vs = tensão de saturação.
rameém CHHMHOO DE
V_termina| = tensão no terminal -
TC DE fbmxe wmºeonwon
Burden externo = R cabos + R relé

TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS Transformadores de Corrente 13 de 33


vírtus
Consultada a Serviços Lido.

2.5 ALGUMAS DEFINIÇÓES TRANSFORMADOR DE CORRENTE

De acordo com a NBR 6856, os valores nominais principais que caracterizam os


transformadores de corrente são os seguintes:

Corrente nominal;
Fator térmico nominal;
Relação nominal;
Potência e carga nominal;
Frequência nominal;
Corrente térmica contínua nominal;
Corrente térmica nominal de curta duração;
Corrente dinâmica nominal de curta duração;
Resistência do enrolamento secundário;
Resistência do secundário.

2.5.1 Corrente Nominal.

Corrente Nominal Primária |D

Pela norma ABNT, os valores normalizados de corrente são PREFERENCEALMENTE:

10A—15A—20A—25A—30A—40A—50A—60A-75A

Pela norma IEC, os valores normalizados de corrente são PREFERENCIALMENTE:

10A— 12,5 -15A-20A—25A—30A—40A—50A—60A—75A

e seus MÚLTIPLOS e SUB—MÚLTIPLOS decimais.


Corrente Nominal Secundária Is

Pela ABNT e IEC corrente nominal secundária pode ser 5 A ou 1 A. Para TCs conectados
em DELTA, valores 11013 e SNS podem ser considerados nominais, tanto quanto 1 A e 5 A.

Pela ANSI ! IEEE, 5 A.

O conhecimento da carga nominal dos TC's é de suma impedância pois todas as


considerações sobre classe de exatidão dos mesmos estarão condicionadas a essa carga.

2.5.2 Fator Térmico Nominal - Ft

É o fator pelo qual a corrente nominal primária do TC deve ser multiplicada para se obter a
corrente primária máxima que o transformador deve suportar. em regime permanente.
operando em condições normais, sem exceder os limites de temperatura especificados
para sua ciasse de isolamento.

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Pmm ?QQTEÇRC' “:> QUANTO (:((-160:
. _ lv,
.º. 266065117: DC . '

1511115 5511510€L TC, 1415114017. Tn?


Vlrtus
Consumo”: : Sorvfços Lidª. E ' ,». [PEL 3.107? DE VE 5E? 1WUÍHI-“ÍO

Segundo a ABNT, são normalizados os seguintes valores: 1,0 - 1,2 - 1,3 - 1,5 - 2,0

Pela IEC, são normalizados: 1,2 — 1,5 — 2,0

A relação nominal de um TC é determinada pelo secundário de menor relação.

A corrente térmica nominal contínua de um TC é obtida pela multipíicação da corrente


nominal do secundário de menor reíaçâo pelo seu Fator Térmico nominal.

Exemplo 5.3 ." '


/ .* “LJ

Um TC com relações 300-5 de medição e 800—5 de proteção com Ft = 1 ,2 para Dnúcleo de


medição:

Rn1 = 60:1 (300-5) ?a 10 1151105 1], (5,4 ((A


an = 160:1 (800—5) M:: 1115 :? (341 ção «(51.140 F?
Ft1 : 112 “.”—'O! :“: 151755 O mewu: :? º
'(E 1.1“? ÇÃO
F12 =1,2 x (601160) = 0,45

Isto é, a corrente térmica nominal contínua e:

1,2 x 300 = 0,45 x 800 = 360 A

2.5.3 Relação Nominal.

Há relações nominais simples, duplas e triplas. Há também relações múltiplas.

Por exemplo, na ABNT a NBR 6856 apresenta a seguinte tabela de relações simples:

Tabela 3 — Reiações nominais sin'lpies


Corrente Converte Corrente
Relação Reia :: Relação Relação Reia 0 Relação
gªmª: nominal nomlçDâal pumª“; nominal nominal 3231131 namlçnãal nomlnal
(ª) 15 A1 11 A: "º'"(A)" (sn) 1110 (A) (m 11 A)
5 1:1 5:1 100 2011 100:1 1 200 240:1 1 200:1
10 21 um 150 30:1 150:1 1 500 3001 1 sum
15 311 15:1 200 40:1 200:1 2 000 4011 2 000:1
20 4:1 20:1 250 50:1 250:1 2 500 5%:1 2 500.1
25 Em 25:1 300 60:1 300:1 & 000 SGM 3 000z1
30 6:1 30:1 400 80:1 40121 4 000 800:1 4 000:1
40 8:1 4011 500 10021 50011 5 000 1 000:1 5 000:1
50 1011 5011 000 120:1 600:1 8 000 1 200:1 8 000:1
60 12:1 80:1 800 16111 800:1 B 000 1 600:1 & 000:1
75 1511 75:1 1 000 200:1 1 000:1 10 CDO 2 000:1 10 00011

Para relações duplas:

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Conlunnn'l a Serviços uau.

Tabela 4 - Roiações nominais dmias


Corrente prlmárla nomlnal Relação nominal Relação Denim!
A EA 1A
5x1º 1x2:1 6x10:1
10x20 2x4z'l 10x20:1
15x30 3x611 15x3021
20x4ÍJ 4x821 20x40:1
25x50 5x1011 ãxSDH
30x60 6x12:1 80x60:1
50 x 100 10 x 20:1 50 x 100.1
75x 150 15x30:1 75x150111
100x2m 20:44011 1mx20011
15031303 30x6021 15h30m
200 x 400 40 x BD:1 200 x 400:1
250 >< 500 50 x100:1 250 x 50 :1
300 x 000 00 x120:1 300 x 000:1
403 x 800 80 >: 160:1 400 x 00011
soonooo 100x2m:1 500x1000:1
SCO >< 1 ZED 120:: 240:1 600 x 1200:1
800 x 1 600 mox 32011 000 x 1600:1
1000x2000 200240311 1011'Jx200011
1200x2400 240x4$71 1200x2400:1
:eooxaoou amxsmj 15lle30mz1
2000x4000 400x800:1 2000x4000:1
2500451130 500140003 2500x5000:1

Para relações triplas:

Tabela 5 — Relações nominais triplos


Conente primária mmlnal Relação nominal Relação noninal
A SA 1!

25x50x100 5x10x20:1 25x50x100:1


50x100x200 10x20x4UI1 50x100x200z1
75x1$0x300 15x30x60:1 75x150x30011
100K200x400 20x40x 00:1 100x200x40021
150x300x600 30x60x120:1 160><300x600z1
200 x 400 x 800 40 x 80 >< 180:1 200 x 4011 x 800:1
250><500x1000 50x100x200:1 250x 500 x1m011
300x600><1200 00x120x240:1 300x500=<120021
400><BOOX1600 BDK133><3200 4OD><800><1600:1
500K1000x2000 100x200x400:1 500x1000x2000:1
1000x2000x4000 200x400x80011 1000x2000x400011

Exemplo de Relação nominal múltigla:

RM 3000-5 A.
Designação genérica: 1000 l 2200 l 2500 l 3000 —- 5 A.

F»: P2

200 240 60 100

Esquema: 31 52 33 34 35

Correntes Nominais Primárias, Derivações Secundárias e Relações Nominais:

500 A 84-35 100:1


800 A 83—85 160:1
1000 A 81-82 200:1
1200 A 82-83 240:1
1500 A 82-84 300:1

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2000 A 82-85 400:1


2200 A 81-33 44011
2500 A 81-84 500:1
3000 A 81-85 600:1

Exemplo de relações simples para a Norma ANSI ! IEEE (357.13


IEEE Sld C57.13-201B "EEE Slandsrd Reuuíremsnlu [oe Ipslrwnen: Tranulurrrars
hlngll' latin series-plrnllul tap! in mandam“
primlry Winding; nindiug
ã'ã ISB S I 500.5 15 - :'llj 25605
ID:.1 1005 1 W15 50 — MITS 5010037

Iizi 251) 5 3 001115 100 - 3005 “"I-“200.5


:():5 1005 2 5505 Em - 4005 lllnf-Imlú
255 400.5 101135 400 — HELS mn mui

“H itm-i 4371115 500 = | [11105 ílKI-HÍNI:5


m:.ª 500.5 & OCDJS bm ' I 300sz 5004 000:5
fllzi 150,5 nOOUJS Ima . 300" 5 wu I 2005

m:.i 000.5 3 00015 2 000 , -: 0005 I vms: 0005


75'5 IDÍlULª IDHM! 5 I 5003 (IMI':=
|*lll'5 | IDUIÓ |Z 000,25 _' ""U“-I “"III?

'Úlhcr latim:— nuy hc mma] zu :»qu upnn Iwimw uunul'aclurer und cm! Jur

2.5.4 Potência e Carga Nominal.

Potência nominal é o valor da potência aparente (VA, com fator de potência especificado)
suprida pelo TC por meio do seu enroiamento secundário, à corrente nominal e com carga
nominal conectada, mantendo a exatidão especificada.

O conhecimento da carga nominal dos TC's é de suma importância pois todas as


considerações sobre classe de exatidão dos mesmos estarão condicionadas a essa carga.

Segundo ABNT NBR 8656, tem-se:

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M E D ? -Ç ?: O _? Tabua B - Características das cargas comfalur de pmà'leia 0,9


para corram secundária norrl'nal das A
Pntê-rcia aparenta Resistência Rsatância indutiva àmpedând a
E m 0 f.!

! M .. Z 2 5 uma o.044 a. 1
5.0 0.1 E 0,08? 0.2

12.5 0446 0.210 0.5

22.5 0.8 1 0.302 0.0


46.0 1.02 0.785 1.8

00.0 324 1,5% 3.0

? HOT É CQ O ª—-=> Tabula !! — Carnctm'stlcns das cargas com fªtor de potência 0,5
e comme secundária nominal de 6 n
Pot ê-ucia aparenle Res' stênoia Rmiânoia indull va Impedância
VA 0 0 0

25 0.5 0.800 1.0

60 1.0 1.732 2.0


100 2.0 3.464 4.0

Vr: L & ' __.p Tabeia 10 - Caracteríslicas das carga: com fator de potência 1
E' * .a 7- q ;__ para corrente secundária nominal de'! A
Falência aparerde Resistência Reaiânciaindutiva Impedância
VA n n n
10 1.0 0.00 1 ,o
2.5 2.5 0.00 2.5

4.0 4.0 0.00 4.0


5.0 5.0 0.00 5.0

E '— ET' ª * #> Tabela 11 - Caracterísicas das cargas comfatnr de potência 0,9
'“?"5 € €?» m 5 :— pura comme secundária non'inal de'! &
Pa! â-ncia aparenle Resistência Rea'lâncla i ndutíva Impedância
0 El
8.0 7.2 3.43? 8.0

10.0 9.0 4.359 10.0


20.0 10.0 8.720 20.0

NOTA Dfator de potência 0.5 é indicado para apiioações nas quais o enrolamento s ecundário alimenu relés
eletromecânicos. R ewmenda-se não ullllzal 1510: de poiência 0.5 para especiúcação de núcleos de medição.

Para a seleção da carga nominal de um TC. somam-se as potências dos dispositivos que
serão conectados no seu secundário. Considera-se também as potências consumidas
pelas conexões e cablagens. Feito isso, adota—se & carga padronizada de valor
imediatamente superior ao valor calculado.
. A tabela para fator de potência 0,9 aplica—se a medidores eletromecânicos.
. A tabela para fator de potência 0.5 foi originalmente desenvolvida para cargas com
relés eletromecânicos.
. A tabela para fator de potência 1.0 é típica para relés e instrumento digitais.

Para a norma ANSI I IEEE C57.13, & corrente secundária considerada é 5 A em 60sz

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