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Rafael Parisi

Monitoria de Anatomia MMF-1

2013.1

OS OSSOS DO CRÂNIO
O CRÂNIO
O crânio corresponde a todo o esqueleto da cabeça (superfície do corpo que está
fixada ao tronco pelo pescoço). Ele abriga o encéfalo e os alguns órgãos dos sentidos (visão,
audição, olfato, paladar). Para melhor estudo, essa estrutura óssea é dividida em duas partes,
através do plano orbitomeático ou plano horizontal de Frankfurt: este parte da margem
inferior da órbita até a margem superior do meato acústico externo. Os ossos que estão acima
do plano formam o neurocrânio e os que estão abaixo, o viscerocrânio. Em conjunto, essas
duas estruturas abrigam 22 ossos.

O neurocrânio é formado por 8 ossos: 4 ossos ímpares (frontal, occipital, esfenoide¹ e


etmoide²) e 2 pares de ossos (parietais e temporais³). Os ossos frontal, parietais e temporais
formam a calvária ou calota craniana e são originados a partir da ossificação intramembranosa
do mesênquima, enquanto os outros ossos (esfenoide e occipital) formam a base do crânio e
são originados a partir de ossificação endocondral.

Nossos ossos da calvária e da base do crânio, existem alguns forames, que são muito
importantes para dar passagens a veias emissárias (frontal, parietal, mastóidea e condilar),
que são responsáveis pela conexão entre a drenagem venosa externa e os seios venosos da
dura-máter (seio sagital superior, seio sagital inferior, seis transversos, seios sigmóides, seio
occipital , seio cavernosos e seios petrosos).

O viscerocrânio é formado por 14 ossos: 2 ossos ímpares (mandíbula e vômer) e 6


pares de ossos (nasais, lacrimais, zigomáticos, conchas nasais inferiores, maxilas e palatinos).
Esses ossos formam o esqueleto da face e se desenvolvem principalmente a partir dos arcos
faríngeos embrionários.

¹ Apenas o processo pterigoide

² Apenas a lâmina cribriforme

³ A parte timpânica e o processo estiloide do temporal fazem parte do viscerocrânio.

Ossos do crânio que surgem por ossificação endocondral (condrocrânio): etmoide,


esfenoide, occipital, concha nasal inferior e temporal (apenas processo estiloide e a parte
petrosa). Os demais ossos do crânio (desmocrânio) surgem por ossificação intramembranosa.

Para medir, comparar e descrever a topografia do crânio, além documentar variações


anormais, na medicina são denominados os chamados pontos craniométricos radiológicos.
Um exemplo deles é o pórion, localizado na região margem inferior do meato acústico externo
que é cruzado pelo plano orbitomxeático.

VISTAS EXTERNAS DO CRÂNIO


1. Norma vertical ou Vista Superior: vista do crânio através de seu ponto mais alto (o
vértice – um ponto craniométrico). Nessa vista, encontramos os ossos: frontal,
occipital e os parietais. Entre esses ossos, existem algumas suturas: a sutura coronal,
que separa o osso frontal dos ossos parietais; a sutura sagital, que separa os dois
ossos parietais e a sutura lambdóidea, que separa os ossos parietais do osso occipital.
O bregma é o ponto craniométrico que está no cruzamento entre as suturas coronal e
sagital e o lambda é o ponto entre as suturas sagital e lambdóidea.

OBS.: O ponto craniométrico bregma (ponto de união das suturas coronal e sagital) foi descrito
por Broca. Esse ponto é muito importante para três fatores: (1) o fontículo anterior não se
fecha para formar o bregma no distúrbio conhecido como diostose cleidocranial, (2) em casos
de desidratação, na palpação da criança, a região do bregma está afundada e (3) é um ponto
de referência importante na cirurgia estereotáxica.

 Osso frontal: pode-se ver a escama do osso. Destacam-se as eminências ou túberes


frontais, anteriormente (cranialmente aos arcos supraciliares).

 Osso parietal: perto da articulação com o osso temporal, encontram-se as linhas


temporais superior e inferior. Na superior, fixa-se a aponeurose do músculo temporal
e a inferior indica o limite da origem desse mesmo músculo. Acima dessas linhas, está
a região chamada epicrânio, que é revestida pela aponeurose epicrânica ou gálea
aponeurótica. Na parte posterior do osso parietal, laterais e próximos à sutura sagital,
estão os forames parietais, que dão passagem a uma veia emissária parietal (ou veia
de Santorini) que vai ligar drenagem venosa do couro cabeludo ao seio sagital
superior. O ponto craniométrico entre os forames parietais na sutura sagital é o
obélio.

 Osso occipital: a parte localizada na vista superior não permite uma análise sucinta
desse osso, que é melhor analisado nas outras vistas.

2. Norma ou Vista Lateral: encontramos os ossos frontal, occipital, os temporais, os


zigomáticos e a asa maior do esfenoide. Anteriormente, entre esses ossos, encontram-
se as suturas: zigomaticotemporal e zigomaticofrontal (ao redor do zigomático) e
esfenozigomática, esfenofrontal, esfenoparietal e esfenoescamosa (ao redor da asa
maior do esfenoide). O encontro dessas três últimas suturas dá origem ao ponto
craniométrio ptério. Esse ponto é muito importante, pois por ele passa a artéria
meníngea média (ramo da artéria maxilar e principal artéria que vai irrigar a dura-
máter). Posteriormente, estão as suturas escamosa, parietomastoidea,
occipitomastoidea e lamboidea. O encontro das quatro dá origem dá origem ao ponto
craniométrico astério.
Os principais constituintes do neurocrânio são: a fossa temporal, o meato acústico
externo e o processo mastoide do osso temporal. Os principais constituintes do
viscerocrânio são: a fossa infratemporal, o arco zigomático, a fissura orbital inferior, a
fissura pterigomaxilar, a fossa pterigopalatina e as faces laterais da mandíbula e da
maxila.

 Fossa temporal: limitada anteriormente pelos ossos frontal e zigomático; superior e


posteriormente pelas linhas temporais e inferiormente pelo arco zigomático. O ponto
onde a linha temporal superior encontra-se com a sutura coronal chama-se estefânio.
Essa fossa é separada da fossa infratemporal pela crista infratemporal da asa maior do
esfenoide. Essa fossa contém o músculo temporal e o nervo zigomaticotemporal.

 Arco zigomático: formado pela união do processo zigomático do osso temporal com o
processo temporal do osso zigomático. O tendão do músculo temporal passa
medialmente ao arco para buscar inserção no processo coronoide da mandíbula. Sua
borda superior dá inserção à fáscia temporal. Sua borda inferior e a face medial dão
origem ao músculo masseter. Possui duas raízes: a raiz anterior, onde se encontra o
tubérculo articular, e a raiz posterior, que se continua com a crista supramastoidea.

 Meato acústico externo: situado na parte timpânica do osso temporal, entre a raiz
posterior do arco zigomático e o processo mastoide do occipital. Entre o tubérculo
articular e a parte timpânica do osso temporal encontra-se a fossa mandibular, que é
dividida em duas pela fissura petrotimpânica (ou fissura de Glaser, que se aprofunda
formando o canal de Huguier), por onde passa o nervo corda do tímpano. A parte
anterior da fossa articula-se com a mandíbula e a parte posterior aloja a glândula
parótida.

 Processo mastoide: posterior ao meato acústico externo. Aí se inserem os músculos


esternocleidomastóideo, longuíssimo da cabeça e esplênio da cabeça.

 Fossa infratemporal: situada medial e inferiormente ao arco zigomático. Contém:


parte do músculo temporal, os músculos pterigóideos medial e lateral, o nervo
maxilar, o nervo mandibular, os vasos maxilares e o plexo venoso pterigóideo.

 Fissura orbital inferior: é através dela que a órbita se comunica com as fossas
(temporal, infratemporal e pterigopalatina). Forma um ângulo reto com a fissura
pterigomaxilar. Dá passagem: ao nervo zigomático e alguns ramos, aos vasos infra-
orbitais e à veia que liga a veia oftálmica ao plexo venoso pterigóideo.

 Fossa pterigopalatina: está entre as fissuras orbital inferior e pterigomaxilar, na parte


inferior do ápice da órbita. Comunica-se com a órbita pela fissura orbital inferior, com
a cavidade nasal através do forame esfenopalatino e com a fossa infratemporal
através da fissura pterigomaxilar. Contém o nervo maxilar, o gânglio pterigopalatino e
a porção terminal da artéria maxilar.

 Fissura pterigomaxilar: intervalo triangular formado pela divergência entre a maxila e


o processo pterigoide do esfenoide. Liga a fossa temporal à fossa pterigopalatina. Dá
passagem às porções terminais da artéria e da veia maxilar.

3. Norma Frontal ou Vista Anterior: ossos frontal, nasais, zigomáticos, temporais,


etmóide, esfenoide, lacrimais, conchas nasais inferiores, etmoide, vômer, maxilas e
mandíbula. Podem ser identificadas as suturas internasal, nasofrontal,
zigomaticofrontal, lacrimomaxilar, lacrimoetmoidal, esfenoetmoidal, esfenofrontal,
frontomaxilar, frontolacrimal e frontoetmoidal. O ponto entre a sutura nasofrontal e
a sutura internasal é o násio. A parte mais inferior da sutura internasal é o rínio. O
ponto de encontro entre a borda anterior do lacrimal e o frontal é o dácrio.

 Osso frontal: articula-se com os ossos nasal, zigomático, lacrimal, esfenoide, etmóide,
parietal e maxila. Destacam-se os arcos superciliares (abaixo dos túberes frontais).
Entre esses arcos, denomina-se o ponto glabela. No feto, existe a sutura frontal, que
divide o osso em dois. Essa sutura pode persistir na forma de sutura metópica, nos
adultos, e corta a glabela. Na borda supra-orbital do osso, existe a incisura supra-
orbital, para a passagem de vasos e nervos supra-orbitais. Sua parte inferior forma a
margem superior da órbita.

 Ossos nasais: formam o dorso do nariz.

 Osso zigomático: articula-se com o frontal, o esfenoide, o temporal e a maxila. Forma


a proeminência das bochechas. Nele, destaca-se o canal zigomaticofacial (na face
externa), para a passagem do nervo zigomaticotemporal e o canal
zigomaticotemporal (na face interna), para passagem do nervo zigomaticofrontal.
Ambos são ramos do nervo zigomático (NC V2).

 Maxilas: são unidas pela sutura intermaxilar. Circundam a maior parte da abertura
piriforme, cuja face inferior converge para a espinha nasal anterior. Na parte inferior
da órbita, está o forame infraorbital, que dá passagem ao nervo e aos vasos
infraorbitais. Observam-se: o processo zigomático e o processo frontal, em direção a
cada um desses ossos.

 Abertura Piriforme: nela, podem ser identificadas: a lâmina perpendicular do etmoide


(súpero-medialmente), o vômer (ínfero-medialmente), as conchas nasais superiores e
médias (processos mediais do etmoide) e as conchas nasais inferiores (ossos
independentes).
 Órbita: cavidade cônica que abriga o globo ocular. O teto da órbita apresenta
medialmente a fosseta troclear para alojar a tróclea (polia cartilagínea para inserção
do músculo oblíquo superior do olho) e lateralmente a fossa lacrimal para a glândula
lacrimal. O assoalho da órbita possui medialmente o canal lacrimonasal e
imediatamente lateral a ele há uma depressão para a origem do músculo oblíquo
inferior do olho. Próximo ao meio do assoalho encontra-se o sulco infraorbital, que
anteriormente vai ao canal infraorbital e dá passagem ao nervo e aos vasos
infraorbitais. Na parede medial da órbita, anteriormente, está o sulco lacrimal (que
aloja o saco lacrimal) e, posteriormente, a crista lacrimal posterior (onde se origina
parte do músculo orbicular do olho). Na parede lateral da órbita está a fissura orbital
superior. A parede lateral da órbita se separa do soalho pela fissura orbital inferior. No
ápice da órbita está o canal óptico. Nove estruturas se abrem na órbita. São elas:
- Canal óptico: passagem no nervo óptico e da artéria oftálmica
- Fissura orbital superior: saem da órbita nervos cranianos III, IV, V1 e VI, além de
alguns de filamentos do plexo cavernoso do simpático e os ramos orbitais da artéria
meníngea média. Entram na órbita a veia oftálmica superior e o ramo recorrente da
artéria lacrimal para a dura-máter.
- Fissura orbital inferior: descrita na norma lateral
- Forame supraorbital: passagem de nervo e vasos supraorbitais
- Canal infraorbital: passagem de nervo e vasos infraorbitais
- Forame etmoidal anterior: passagem do nervo e vasos etmoidais anteriores e o
nervo nasociliar.
- Forame etmoidal posterior: passagem do nervo e vasos etmoidais posteriores.
- Forame zigomaticoorbital: passagem de nervo e vasos zigomaticoorbitais.
- Canal para o ducto lacrimonasal: passagem do ducto lacrimonasal.
4. Norma Occipital ou Vista Posterior: no meio da escama do osso occipital, destaca-se a
protuberância occipital externa, onde no centro está o ponto craniométrico ínio.
Lateralmente a ela, estão a linha nucal suprema (onde insere a aponeurose
epicrânica) e a linha nucal superior. Acima da protuberância occipital externa, chama-
se plano occipital e abaixo, plano nucal. Este é dividido em dois pela linha nucal
mediana (onde se insere o ligamento nucal). Anteriormente ao plano nucal,
encontram-se os processos mastoides. A linha nucal inferior corta a linha nucal
mediana no meio. Próximo à sutura occipitomastoidea encontra-se o forame
mastóideo, que dá passagem à veia emissária mastóidea, que une a veia auricular
posterior ou a veia occipital ao seio sigmoide.

5. Norma Basal ou Vista Inferior: face inferior da base do crânio, com a mandíbula
removida. Ossos: maxilas, palatinos, vômer, esfenoide, temporais e occipital.

 Maxilas: projeta-se o processo alveolar de cada uma delas, escavado em cavidades


profundas que servem como receptáculos para os dentes. Os dois processos alveolares
formam o arco alveolar. O ponto médio desse arco denomina-se próstio. O outro
processo é o processo palatino, que forma boa parte do teto da boca e do soalho da
cavidade nasal. Sua face inferior é côncava, áspera e irregular, formando com o
processo do osso homólogo os ¾ anteriores do palato duro. É perfurado por vários
forames (para a passagem de vasos nutrícios) e possui depressões (para alojar as
glândulas palatinas). Na parte anterior, encontra-se a fossa incisiva, na linha mediana,
onde estão os forames de Stenson, por onde passam o ramo terminal da artéria septal
e o nervo nasopalatino. Em algumas pessoas, estão os forames de Scarpa para a
passagem dos nervos nasopalatinos direito (pelo forame posterior) e esquerdo (pelo
forame anterior). Todos esses forames são denominados forames incisivos.

 Palatinos: estão o forame palatino maior (para a passagem do nervo e dos vasos
palatinos maiores) e o forame palatino menor (para a passagem do nervo e dos vasos
palatinos menores). Superiormente às margens posteriores dos ossos palatinos, há
duas grandes aberturas, os cóanos, separados pelo osso vômer.

 Occipital: anteriormente encontra-se o tubérculo faríngeo, para inserção da rafe


fibrosa a faringe. Nas laterais do tubérculo, há depressões para a inserção dos
músculos reto anterior da cabeça e longo da cabeça. Na porção basilar do osso, há o
forame magno, limitado lateralmente pelos côndilos occipitais. Lateralmente a cada
côndilo encontra-se o processo jugular, para a inserção do músculo reto lateral da
cabeça e do ligamento atlantooccipital lateral. O forame magno dá passagem à medula
espinhal e suas meninges, as raízes espinhais dos nervos acessórios (NC XI), artérias
vertebrais, artérias espinhais anteriores e posteriores. O básio é o ponto médio da
borda anterior do forame magno e o opístio, da borda posterior o forame.
Anteriormente a cada côndilo está o canal do nervo hipoglosso, para a passagem do
nervo hipoglosso e de um ramo meníngeo da artéria faríngea ascendente.
Posteriormente a cada côndilo está o canal condilar, para a passagem da veia
emissária condilar, que une o seio sigmóideo ao plexo venoso suboccipital.
 Esfenoide: na base da lâmina lateral do processo pterigoide encontra-se o forame
oval (por onde passa o nervo craniano V3 e o plexo venoso do forame oval) e
lateralmente a este está a espinha do esfenoide (onde se insere o ligamento
esfenomandibular e o músculo tensor do véu palatino). Essa espinha é perfurada pelo
forame espinhoso (por onde passa a artéria meníngea média e um ramo meníngeo do
NC V3). Na base da lâmina medial do processo pterigoide, está o forame lácero. Ele é,
in vivo, fechado por uma placa de fibrocartilagem que contém a tuba auditiva e é
perfurado pelo nervo do canal pterigóideo ou nervo vidiano. As duas lâminas do
processo pterigoide formam uma fossa em V, a fossa pterigóidea, que contém o
músculos pterigoide medial e tensor do véu palatino. Superiormente a essa fossa, está
a fossa escafoide, que dá origem ao músculo tensor do véu palatino. A lâmina
pterigóidea medial encurva-se para formar o hâmulo pterigóideo, onde desliza o
tendão do músculo tensor de véu palatino. A lâmina pterigóidea lateral tem duas
faces: a medial (para a inserção do músculo pterigoide medial) e a lateral (para
inserção do músculo pterigoide lateral).

 Temporal: na sua porção timpânica, encontra-se o processo estiloide (onde estão os


buquês de Riolan*). Na base desse processo está o forame estilomastóideo, por onde
passam a artéria estilomastóidea e o nervo facial (NC VII). No lado medial do processo
mastoide está a incisura mastóidea, para o ventre posterior do músculo digástrico.
Ântero-medialmente está o canal carótico, para a passagem da artéria carótida
interna e do plexo nervoso carótico. Posteriormente a este canal está o forame
jugular, ampla abertura entre o temporal (parte petrosa) e o occipital, que se divide
em três compartimentos: o anterior (para a passagem do seio petroso inferior), o
intermédio (para a passagem dos nervos cranianos IX, X e XI) e o posterior (para a
passagem da veia jugular interna e de ramos meníngeos das artérias occipital e
faríngea ascendente).
* Buquê de rosas vermelhas (músculos estilo-faríngeo, estilo-glosso e estilo-hióideo)
e Buquê de rosas brancas (ligamentos estilo-hióideo e estilo-mandibular).

VISTAS INTERIORES DO CRÂNIO

1. Vista inferior: observa-se a face interna da calota craniana, que é marcada por
impressões das circunvoluções do cérebro e por vários sulcos de vasos meníngeos. Ao
longo da linha mediana há um sulco que aloja o seio sagital superior e tem suas
margens como inserção para a foice do cérebro. Nas laterais do sulco estão as fossetas
granulares para as granulações da aracnóide.

2. Vista superior: dividida em três fossas: anterior, média e posterior.

 Fossa anterior: é limitada pelas bordas posteriores das asas menores do esfenoide e
pela margem anterior do suco do quiasma óptico. As lâminas orbitais (na porção
lateral da fossa) dão apoio aos lobos frontais do cérebro. Na parte mediana, destaca-
se a crista galli ou crista etmoidal. A crista frontal (que dá inserção à foice do cérebro)
termina no forame cego (para a passagem de uma veia nasal para o seio sagital
superior). De cada lado da crista etmoidal, está a lâmina crivosa do etmoide, que é
perfurada por pequenos forames para a passagem dos nervos olfatórios. Na parte
posterior da fossa estão o sulco do quiasma óptico e a espinha etmoidal do esfenoide.
 Fossa média: é limitada anteriormente pelas bordas posteriores das asas menores do
esfenoide, pelas apófises clinoides anteriores, e a crista que forma a parte anterior do
sulco do quiasma óptico. Posteriormente, é limitada pelas bordas superiores da porção
petrosa dos temporais e o dorso da sala. Lateralmente, pela pelas escamas temporais,
ângulos esfenoidais dos parietais e asas maiores do esfenoide. Na região média,
encontram-se o sulco do quiasma óptico (que termina nos canais ópticos) e o
tubérculo da sela. Posteriormente, a apófise ou processo clinoide anterior dá inserção
à tenda do cerebelo e a fossa hipofisária (onde está o processo clinoide médio)
aprofunda uma depressão na sela túrcica, que aloja a hipófise. Posteriormente, o
dorso da sela possui os processos clinoides posteriores (que dão inserção à tenda do
cerebelo). As porções laterais da fossa média dão apoio aos lobos temporais do
cérebro. Essas regiões são cruzadas por sulcos para os ramos anterior e posterior da
artéria e da veia meníngea média. O ramo anterior corre do forame espinhoso (por
onde também passa o ramo recorrente do NC V3) ao ângulo esfenoidal do osso
parietal. O ramo posterior corre numa direção lateral através da escama do temporal,
e passa para o parietal, próximo ao meio da borda inferior. Rostralmente, a fissura
orbital inferior é limitada pela asa maior e medialmente pelo corpo do esfenoide.
Posteriormente à extremidade medial dessa abertura, estão o forame redondo (por
onde passa o NC V2) e o forame oval (por onde passa o NC V3). Lateralmente a este,
está o forame espinhoso. Medialmente ao forame oval, encontra-se o forame lácero,
coberto por fibrocartilagem in vivo (as únicas estruturas que o atravessam são o nervo
do canal pterigóideo e um ramo meníngeo da artéria faríngea ascendente). O canal
carótico (por onde passa a artéria carótida interna e um plexo nervoso simpático) está
no ápice do osso temporal.
 Fossa posterior: é a mais profunda das três fossas. Aloja o cerebelo, a ponte e o bulbo.
Em seu centro está o forame magno, onde de cada lado está o canal do hipoglosso
(por onde passam o nervo hipoglosso – NC XII – e um ramo meníngeo da artéria
faríngea ascendente). O forame jugular situa-se entre a porção lateral do occipital e a
porção petrosa do temporal. A porção anterior do forame dá passagem ao seio
petroso inferior; a porção posterior, à veia jugular interna e a ramos meníngeos das
artérias occipital e faríngea ascendente, e a porção intermediária, aos nervos
cranianos IX (glossofaríngeo), X (vago) e XI (acessório). Superiormente a este forame,
está o meato acústico interno, para a passagem dos nervos cranianos VII (facial) e VIII
(vestibulococlear) e da artéria auditiva interna. As fossas occipitais inferiores (que dão
apoio aos hemisférios do cerebelo) estão separados pela crista occipital interna (que
dá inserção à foice do cerebelo e dá aloja o seio occipital). As fossas posteriores são
limitadas posteriormente pelos sulcos dos seios transversos.

MANDÍBULA

Contém os dentes inferiores. Possui um corpo arqueado, parecendo uma ferradura


(com duas faces e duas bordas). A face externa é marcada na linha mediana pela
sínfise mentoniana. De cada lado da sínfise há uma depressão, a fossa incisiva, que dá
inserção aos músculos mentuais e a parte do músculo orbicular da boca. A região da
sínfise se divide inferiormente para envolver a protuberância mentual, cuja base é
escavada no centro para formar o tubérculo mentual. Inferiormente ao segundo pré-
molar, está o forame mentual (para a passagem do nervo e dos vasos mentuais).
Dirigindo-se ao tubérculo, de cada lado, está a singela linha oblíqua, que dá inserção
aos músculos abaixador do lábio inferior e abaixador do ângulo da boca. Em sua borda
inferior, insere-se o músculo platisma. A face interna possui as espinhas mentuais,
que dão origem aos músculos genioglossos. Em cada lado da linha mediana há uma
depressão oval para inserção do ventre anterior do músculo digástrico. A linha milo-
hióidea dá origem ao músculo milo-hióideo. A borda superior ou alveolar é escavada
para receber os dentes. A borda inferior é arredondada, mas espessa anteriormente e
possui um sulco raso no ponto em que se encontra com a borda inferior do ramo, para
a passagem da artéria facial. O ramo da mandíbula possui duas faces, quatro bordas e
dois processos. A face lateral é chata e nela sei insere o músculo masseter. A face
medial apresenta o forame mandibular para a passagem do nervo dos vasos
alveolares inferiores. Na borda essa abertura está a língula da mandíbula, onde fixa o
ligamento esfenomandibular. O sulco milo-hióideo aloja o nervo e os vasos milo-
hióideos. Posteriormente a esse sulco, insere-se o músculo pterigóideo medial. A
borda inferior (espessa e reta), ao comunicar-se com a borda posterior (recoberta
pela glândula parótida), possui uma região conhecida como ângulo da mandíbula,
onde se fixa o ligamento estilomandibular. A borda anterior continua-se com a linha
oblíqua e a borda superior é fina e possui dois processos: o condilar e o coronoide. O
processo coronoide dá inserção ao músculo temporal e o processo condilar possui um
côndilo para a articulação têmporo-mandibular (ATM). Na incisura mandibular passam
o nervo e os vasos massetéricos.