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Sumário

Agradecimentos
Apresentação
Sobre o Autor
Introdução
Processo evolutivo dos cães
Precisamos falar sobre os cães ferais
Como herbívoros fazem a digestão de alimentos de origem
vegetal?
Afinal de contas, os cães são lobos?
Vantagens e desvantagens da alimentação natural para cães
Legislação Brasileira sobre as rações
Restos de Carne
Agrotóxicos nas rações
O Poder da Indústria
Uma breve revisão sobre a importância de cada nutriente
Água
Energia
Carboidratos
Carboidratos digestíveis
Fibras vegetais
Gorduras
Proteínas
Vitaminas
Minerais
Alimentos
Ossos
Ossos Crus
Ossos recreativos
Tempo de Congelamento das Carnes e Vísceras
Tempo de Armazenamento de Carnes e Vísceras congeladas
Ovos
Complementos
Complementos obrigatórios
Complementos facultativos
Probióticos e prebióticos
Kefir de leite e Kefir de água
Biomassa de Banana Verde
Receita de geleia de pés de frango
Verduras, legumes e folhas
Frutas
Alimentos proibidos
Montando a Dieta
Dieta Crua com Ossos
Dieta Crua sem Ossos
Dieta Cozida
Suplemento Food Dog
Suplemento Nutroplus Manutenção
Montando a Dieta de Cães Filhotes
Cálculo das dietas de Cães Filhotes
Filhotes que quando adultos terão porte pequeno
Filhotes que quando adultos terão porte médio
Filhotes que quando adultos terão porte grande
Filhotes que quando adultos terão porte muito grande
Quanto dinheiro você está jogando fora com vacinas?
Formas naturais de combater o mosquito da Leishmaniose
Receita de spray repelente natural
Conclusão
Bibliografia
Esse livro é protegido por direito autoral e possui registro na
Biblioteca Nacional.
Agradecimentos
Agradeço a Deus pela vida e por tudo o que Ele fez. Agradeço
aos meus pais Paulo e Rosiléia, aos meus irmãos Hesddras e
Hadassa, aos meus avós Aram, Zilda, Enéas, Hamilta e Victória por
todos os momentos de alegria e boa convivência. Agradeço aos
meus tios Wesley, Léia, Daurinha, Nalva e Niltinha pelos momentos
maravilhosos juntos. Agradeço ao Pedro e à Karen da loja Zen
Animal pelas dicas e pela ajuda (www.zenanimal.com.br) e à Rita,
protetora da ONG Santuário Nova Aliança, por todo apoio.
Agradeço também a todos os animais que estiveram comigo.
Tenho muita saudade do galo Shopping e do Frangolino, dos
poodles Panky e Relk, do cordeiro Ovelhino, do coelho Tutuzinho,
de todos os outros coelhos, hamsters e galinhas com os quais
convivi. Agradeço também ao meu “aumigão” Donald, que nos
deixou em 2014. Agradeço também ao Chaver e ao Donald II, meus
dois vira-latas de agora.
Apresentação
Sabe aqueles momentos que alguma coisa começa de forma
inesperada? Acontece 1 fato que muda tudo e que acaba gerando
algo totalmente novo e não planejada. Devo contar pra vocês: esse
livro existe por conta de um pelo branco que nasceu em um
cachorro preto. O começo dessa história se deu por volta de julho
de 2016. Uma cliente entrou em contato querendo uma consulta. A
reclamação dela era essa: havia nascido um pelo branco no
cachorrinho vira-lata dela. Era um cão novo, devia ter uns 2 anos na
época e ele era todo preto. Quando ela entrou em contato, eu
pensei “nossa, isso não é nada demais, nem vou atender. Vou dizer
a ela que isso não é ‘nada demais’”. Mas ela estava muito
incomodada com isso e eu perguntei a ela sobre a alimentação dele.
Ela disse que ele comia ração, apenas isso. Então, decidi partir para
a abordagem nutricional, pois isso realmente pode causar o
aparecimento de pelos brancos em animais. Eu precisava de um
manual para explicar melhor esse tema de Alimentação Natural para
Cães.
Mas havia um problema: não havia nenhum material do tipo
em português. Então, eu pedi a ela 1 semana antes de atender o
cão e me dediquei muito a escrever a primeira versão do que se
tornaria esse livro. No início, ela tinha cerca de 30 páginas, menos
da metade do que tem agora. A cliente adorou esse guia que havia
feito e eu comecei a entregá-lo para meus novos clientes. Todos
adoraram, falavam que estava bem explicativo, bem didático e bem
enxuto, sem enrolação e sem “encher linguiça”. Em 2017, comecei a
pensar em publicar esse material como um livro impresso, mas era
muito caro na época, então continuei pesquisando e descobri que
poderia publicá-lo na plataforma da Amazon, o Kindle. Fiz isso em
maio de 2017 e o livro começou a ser um sucesso!
Dessas coisas que me acontecem eu tiro a lição de nunca
desistir, de aproveitar as oportunidades que aparecem. Elas são
oportunidades que Deus ou Universo nos dá de melhorarmos, de
crescermos e de fazer coisas que não esperávamos. Desde então,
constante atualizo esse livro para uma versão cada vez melhor,
sempre acrescentando novos tópicos.
Nesse livro vamos detalhar a teoria da Nutrição de Cães e
revisaremos diversos alimentos diferentes e sua interação com os
cães. Vou mostrar os alimentos que podem ser dados, os que
podem ser dados, mas com algum tipo de preparo prévio, os que
jamais podem ser dados, etc. É um livro bastante rico e eu me
atreveria a dizer que não existe nenhum outro livro em Português
que reúna de forma tão prática todo esse conteúdo em um só lugar.
Esse livro serve como um norte para alimentação de cães
saudáveis. Se seu cão tem alguma doença que a dieta faça parte do
tratamento, esse livro vai ser de pouca ajuda. A recomendação é
que você procure o atendimento de um Médico Veterinário que
trabalhe com Alimentação Natural para que ele monte a dieta. Caso
você queira que eu lhe preste esse serviço, mande um e-mail para
<vet.edgard@gmail.com>.
Deve-se ressaltar também que, mesmo para cães saudáveis,
o acompanhamento veterinário é muito importante. Você deve ter o
acompanhamento de um profissional durante a transição da dieta.
Os alimentos e sugestões desse livro são apenas para uso
doméstico. Os que desejarem comercializar Alimentação Natural
devem se atentar ao Decreto 6.296/07 e Instrução Normativa n°
30/09 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(MAPA). Alimentos comercializados e não registrados são passíveis
de punição para quem os produz. Já ocorreram casos de pessoas
que montaram uma pequena empresa de Alimentação Natural, mas
sem registro no MAPA. As multas que eles receberam foram tão
altas que as empresas “quebraram”, tiveram que literalmente fechar
as portas.
Esse livro é voltado para a Alimentação Natural Crua com
Ossos, Crua Sem Ossos e a Cozida sem Ossos – mas, nesses dois
casos, deve haver suplementação para que não falte nenhum
nutriente na dieta. E aí é necessário ter um acompanhamento de
Médico Veterinário, ele vai calcular a quantidade de cada nutriente
que precisa ser adicionado ou então você deve comprar um
suplemento que tenha indicação para uso com Alimentação Natural
(vou abordar esse ponto, então não se preocupe).
Sobre o Autor
Edgard Franco Gomes é Médico Veterinário (CRMV-DF 3382)
pela Universidade de Brasília (2010) e Mestre em Ciências pelo
Centro de Energia Nuclear na Agricultura - Universidade de São
Paulo (2013). Desde a Graduação mostra interesse na área de
Nutrição Animal.
O enfoque de sua Monografia de conclusão de curso foi sobre
o tema de Nutrição e Parasitologia de Ovinos, e da Dissertação de
Mestrado também. Além disso, participou de cursos voltados para
Médicos Veterinários promovidos pelo Cachorro Verde, como o
"Curso de Alimentação Natural Caseira para Cães e Gatos" (2015),
o "Holistipet - Congresso de Cuidados Holísticos para Cães e
Gatos" (2016) e o “Curso de Alimentação Natural Terapêutica para
Cães” (2017).
Ainda, desde 2014, tem o canal “ANPDog: Alimentação
Natural para Dogs” no YouTube. Constantemente vídeos sobre o
tema são postados no canal, com muitas dicas de Alimentação
Natural para Cães. Em 2018 passou a ser colunista do blog Zen
Animal <https://blogzenanimal.com/>.
O Currículo completo de Edgard Franco Gomes pode ser
visualizado na Plataforma Lattes em <http://bit.do/CV_Edgard> e
pode-se entrar em contato pelo e-mail <vet.edgard@gmail.com>.
Introdução
A alimentação natural de pets é algo que está em voga no
momento. Se trata de alimentar os animais de estimação com fontes
de nutrientes mais adequados à sua Fisiologia.
A História das Rações começa aproximadamente em 1860
com o Sr. James Spratt. Ele fazia muitas viagens de navio entre os
Estados Unidos e a Inglaterra. Em umas dessas viagens, em um
porto inglês, ele viu marinheiros jogarem uns biscoitos secos para
alguns cães, que os comiam. Esses biscoitos eram biscoitos
“especiais”: como os marinheiros passavam meses nos mares e
conservar alimentos por muito tempo era bastante complicado
naquela época, essas bolachas eram enriquecidas com vitaminas.
E, por serem secos, tinham um prazo de validade longo. Ao
observar tudo isso, James Spratt pensou “vou fazer um biscoito para
cães!”. E esse foi o primeiro alimento para cães patenteado. Logo
surgiram outras indústrias e o negócio de rações aumentou muito.
E a História das Rações foi influenciada tanto pela Primeira
Guerra Mundial quanto pela Segunda Guerra Mundial. Na Primeira
Guerra, as tropas aliadas precisavam de muitos cavalos, e o
exército americano não os tinha. Assim, muitos criadores de cavalos
emprestaram cavalos ao governo estadunidense para ajudar os
soldados no front de batalha. Ao final da Guerra, os animais que
sobreviveram voltaram para os seus donos nos Estados Unidos.
Mas estavam debilitados e seus donos tiveram a infeliz ideia de
abater os cavalos e vender a carne como comida enlatada para
cachorros! E a carne equina foi usada pelas fábricas de rações nos
EUA até que, na década de 1950, depois de debates no Congresso
Americano, houve a criação de uma lei que passou a proibir o uso
de carne equina em alimentos caninos.
A Segunda Guerra influenciou a indústria pet por conta do uso
de metais. Comida para cães não era uma prioridade no momento
da guerra, e eles precisavam de metais para produção de
armamento. Assim, durante esse período, as comidas enlatadas
saíram do mercado e vigorou a venda de rações secas, vendidas
em pacotes.
Um pouco depois da Segunda Guerra foi desenvolvido o
processo de extrusão de rações, processo usado até hoje. Nesse
processo, restos de grãos e de carnes (muitas vezes condenadas
para o consumo humano) são processadas para que se tornem
ração canina (ver Instrução Normativa 34/2008 do MAPA). O artigo
1º dessa IN mostra o propósito dela: “Aprovar o Regulamento
Técnico da Inspeção Higiênico Sanitária e Tecnológica do
Processamento de Resíduos de Animais e o Modelo de Documento
de Transporte de Resíduos Animais, constantes dos Anexos I e II,
respectivamente.” Sim, “resíduos animais” são a “carne” das rações.
E não digo de que partes condenadas dos abatedouros podem
seguir para a alimentação animal. Basta ver o RIISPOA e as partes
destinadas à graxaria. Mais pra frente vamos falar disso.
No canal ANPDog existem vídeos que explicam mais sobre a
História das Rações, processo de fabricação, etc. Vale a pena
conferir. O documentário “Pet Fooled” também fala sobre o tema e
ele está disponível na NetFlix.
O uso de rações comerciais só passou a vigorar no Brasil a
partir da década de 1980. Antes disso, todos os cães na História
foram alimentados com fontes naturais de alimentos. A ração tem a
característica da praticidade, de ser bem balanceada e não exige
nenhum conhecimento técnico sobre Nutrição Animal dos tutores de
cães. Entretanto, grande parte de sua composição é de milho e soja,
alimentos que os cães selvagens e lobos não estão acostumados a
ingerir. E esses grãos são em praticamente 100% das vezes
transgênicos. Os cães que os comem estão ingerindo também o
Glifosato, um agrotóxico, além de outras substâncias com potencial
tóxico. Além disso, as rações não levam em consideração a
necessidade que os cães têm de ingerir grandes porções de
alimentos de origem animal.
Processo evolutivo dos cães
O médico veterinário e professor do curso de Medicina
Veterinária da Universidade de São Paulo (USP) dr. Ricardo
Augusto Dias escreveu o livro “Canis lupus familiaris: uma
abordagem evolutiva e veterinária”. No livro, ele traz que os
canídeos são a maior e mais antiga família dos mamíferos
carnívoros (Canídea é família biológica ao qual cães, lobos, chacais
e coiotes pertencem). Ao seja, nossos cães e seus ancestrais
comem carne há MILHÕES de anos.
Segundo o dr. Ricardo, os cães começaram a se separar de
seu ancestral há cerca de 36 mil anos atrás e frisa que “esse
período é considerado curto em termos evolutivos para que
diferenças genéticas significativas possam ser observadas”. Uma
frase que me chamou atenção no livro foi a “os cães foram
domesticados por caçadores, não por agricultores”.
Toda essa diversidade de raças de cães só apareceu há cerca
de 200 anos atrás. E mesmo com tanta diferença, não ocorreram
mudanças drásticas na fisiologia evolutiva dos cães. É um absurdo
falar que os cães são onívoros, ou seja, que podem se alimentar de
alimentos de origem animal e de origem vegetal. Vamos abordar
mais pra frente sobre quem é que faz a digestão do material de
origem vegetal em animais herbívoros e onívoros.
Precisamos falar sobre os cães ferais
Cães ferais são cães abandonados na natureza e que passam
a ser selvagens. Eles se juntam em matilhas e caçam presas! São
verdadeiramente perigosos, se você ver um é melhor não se
aproximar.
Imagine uma matilha com pitbull, rottweiller, pastor alemão e
dobermann. Isso é possível de acontecer entre cães ferais. E
adivinhe do quê esses cães ferais se alimentam? Será que eles
invadem plantações para roubar espigas de milho?
Claro que não. Eles caçam, eles comem carne! Inclusive eles
causam um impacto ambiental muito negativo, pois eles destroem a
fauna do local onde vivem. Sugiro a leitura do artigo “Impacto de
cães ferais em um fragmento urbano de Floresta Atlântica no
sudeste do Brasil”, dos cientistas Dr. Mauro Galetti e Dr. Ivan
Sazima.
Como herbívoros fazem a digestão de
alimentos de origem vegetal?
Você sabe como as vaquinhas, cavalos, coelhos e porquinhos-
da-Índia fazem para absorver os nutrientes de suas dietas? São
bactérias e outros micro-organismos bons que habitam seus
estômagos ou intestinos. Digerir alimento de origem vegetal é muito
difícil. As vacas precisam ruminar, ou seja, mastigar novamente, o
alimento vegetal que consomem. O aparelho digestivo dos
herbívoros é muito mais complexo que o de animais carnívoros e a
digestão é mais demorada para que os micro-organismos tenham
tempo de fermentar e digerir os alimentos.
Quando damos um pasto para uma vaca, na verdade não é
para ela. É para os micro-organismos que habitam o trato digestivo
dela. A vaca vai absorver a proteína bacteriana, a proteína que eles
criaram ao digerir o material de origem vegetal.
Ah, talvez seja meio óbvio, mas não custa lembrar: o seu
cachorro não tem essas bactérias no intestino dele. Alimentos de
origem vegetal, principalmente os grãos, são uma péssima fonte de
alimentos para o seu amigo peludo.
Afinal de contas, os cães são lobos?
Sim! Segundo o Smithsonian Institution (órgão científico que
faz a catalogação e classificação das espécies) os cães não são
mais “Canis familiaris” e sim “Canis lupus familiaris”. Talvez você
não saiba, o nome científico dos lobos é “Canis lupus”. Ou seja,
segundo esse importante órgão científico, os cães são uma
subespécie de lobos! E isso é reconhecido desde 1993 pela
comunidade científica.
Alguns pontos corroboram essa “nova” classificação dos cães.
Cães e lobos compartilham 99,8% de DNA mitocondrial. Podem
cruzar entre si e gerar descendentes férteis de ambos os sexos e
esses são os pontos para que indivíduos diferentes possam ser
considerados da mesma espécie. Vou dar um exemplo de animais
que não são da mesma espécie segundo essa classificação: você
sabia que leões e tigres podem cruzar? Podem sim, aí nascem
animais chamados de “ligers”. O que acontece é que apenas ligers
fêmeas são férteis e podem gerar descendentes, os machos são
estéreis, não conseguem se reproduzir. E é por esse motivo que
leões e tigres não serem classificados como sendo da mesma
espécie.
Os cães domésticos têm uma semelhança biológica e
genética muito grande com os lobos, e devem ser encarados como
lobos no sentido de sua alimentação. Isso se deve ao fato da
domesticação do cão ser muito recente em termos evolutivos. Dez
mil anos atrás, quando a domesticação do cão começou, nossos
cães eram lobos. Na natureza, os lobos vivem em matilhas e se
alimentam da caça de mamíferos - coelhos, veados, bisontes, alces,
gado doméstico - entre outros. Ao ingerir os estômagos e intestinos
dos animais herbívoros, eles acabam ingerindo material vegetal
parcial ou totalmente digeridos - lobos têm dificuldades em digerir
matéria vegetal, pois não possuem enzimas para isso; já os
herbívoros possuem essas enzimas. Além disso, eles também
comem raízes e insetos, mas em quantidades bem menores que o
consumo de carne. Logo, percebe-se que a base da dieta dos lobos
consiste em grande parte de proteína de origem animal e uma
pequena parte de material vegetal - seja de raízes, seja do material
presente nos intestinos de animais herbívoros.
Outra coisa interessante é que os lobos se alimentam de toda
a presa, ou seja, eles ingerem o músculo (a "carne" da presa), as
vísceras (fígado, coração, pulmões, rins, baço, pâncreas, estômago,
intestino e cérebro) e também os ossos (quando esses não forem
muito grandes, como no caso de um coelho, rato ou pássaro). Por
conta disso, ao ingerir uma presa, os lobos têm uma “refeição
completa”. Cada parte do corpo da presa tem seus próprios
nutrientes, que são diferentes entre si quanto às proporções
presentes em cada órgão. No decorrer desse livro vou me ater a
isso dos nutrientes por parte do corpo.
Nossos cães ainda são lobos por dentro, a mudança foi
apenas externamente. Eles têm o trato gastrintestinal curto, como
todo carnívoro. A digestão deles é rápida. Eles são máquinas de
absorver proteína e gordura de origem animal e têm dificuldade de
processar matéria de origem vegetal e carboidratos. Esses
nutrientes acabam fermentando e atrasando a digestão, causando
inclusive gases intestinais e dores abdominais, fezes muito fétidas,
em grande quantidade e moles.
Por conta disso, a Alimentação Natural não é algo tão fácil de
ser posto em prática, há a necessidade de conhecimento técnico
para que a dieta dos animais fique balanceada, tentando sempre
imitar a realidade da Natureza. Desse modo, peço que sempre que
houver dúvidas, entre em contato com seu Médico Veterinário para
que se faça o manejo dos pets da melhor forma possível.
Vantagens e desvantagens da
alimentação natural para cães
Um outro ponto muito interessante sobre a alimentação
natural é o lado saudável que ela oferece aos bichinhos. Há relatos
de uma cadela que viveu 30 anos na Austrália: o nome dela era
Maggie, da raça Kelpie Australiano. Basta pesquisar no Google para
achar reportagens sobre isso. E o que a Maggie comia?
Alimentação Natura!
Outras vantagens são: os rins dos cães não são tão forçados
como no caso da alimentação com rações (eles precisam
constantemente eliminar substâncias que não conseguem aproveitar
- substâncias geralmente provindas do milho e da soja). Como os
rins são forçados a vida toda, os animais acabam desenvolvendo
Insuficiência Renal Crônica quando ficam mais velhos; os dentes
são limpos com o auxílio de ossos em geral e dos "Ossos
Recreativos" - sim, roer ossos grandes serve para limpar os dentes
e remover a placa bacteriana; muitos casos de alergias são
solucionadas com a Alimentação Natural, visto que muitos cães têm
alergias aos conservantes e corantes das rações. A Alimentação
Natural também ajuda muito na recuperação de animais que sofrem
com a Dermatite Atópica.
Além disso, imagine comer todos os dias, em todas as
refeições, por toda a sua vida, apenas biscoitos secos. Os cães
também sentem prazer ao se alimentar e fornecer ração os priva
disso. Do mesmo jeito que gostamos dos diferentes sabores,
cheiros e texturas dos alimentos, nossos amigos peludos também.
Concluindo, devemos pontuar algumas "desvantagens" da
Alimentação Natural. Primeiro, ela não é simples e prática como o
uso das rações. Deve haver um envolvimento maior do tutor no
preparo dos alimentos. Segundo, dependendo do porte do animal,
pode ser indicado que o tutor compre um moedor elétrico de carne
(no caso de animais de porte miniatura e pequeno e também de
animais braquicefálicos – de “focinho chato”) ou de um freezer (no
caso de animais de porte grande e gigante). Observa-se que são
questões pequenas diante da oferta de mais saúde e longevidade
aos nossos pets. E quem investe dinheiro na saúde dos peludos
normalmente gasta muito pouco com hospital veterinário.
Sem mais delongas, é importante salientar que este livro deve
ser utilizado na alimentação de animais saudáveis. Animais que
tenham doenças que impliquem o uso de uma dieta especial - como
no caso de Diabetes Melitus, Insuficiência Renal e Insuficiência
Hepática, entre outros - não devem receber manejo alimentar
baseado nesse livro. Cada uma dessas patologias carece de uma
dieta individual apropriada.
Legislação Brasileira sobre as rações
A Instrução Normativa Nº 9, de 9 de julho de 2003, do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é quem dita as
regras sobre a quantidade de nutrientes mínimos e máximos das
rações de cães e gatos, sejam elas rações secas ou úmidas, sejam
para animais filhotes ou adultos.
Um ponto que chama atenção nessa Instrução Normativa é
que ela traz de forma clara apenas os níveis de garantia para
umidade (quantidade de água do alimento), proteína bruta
(proteínas totais), extrato etéreo (gorduras totais), matéria fibrosa
(fibras totais), vitaminas, minerais, cálcio e fósforo.
Para cães adultos, por exemplo, os padrões mínimos para
rações secas são:
Proteína Bruta (mínimo): 16%;
Extrato Etéreo (mínimo): 4,5%;
Matéria Fibrosa (máximo) 6,5%;
Matéria Mineral (máximo): 12%;
Cálcio (máximo): 2,4%;
Fósforo(mínimo): 0,6%;
Ao somarmos essas porcentagens, o total deveria ser 100%,
certo? Entretanto a soma não “fecha” em 100%. Vamos chamar de
“x” o valor que falta para completar os 100%. Ainda, não vamos
somar as porcentagens de Cálcio e Fósforo pois elas já estão
incluídas na quantidade de Matéria Mineral. Somemos: 16 + 4,5 +
6,5 + 12 + x = 100 => x = 100 - 39 => x = 61. “X” é igual a
SESSENTA E UM PORCENTO!!
O único nutriente que não aparece de forma explícita na
Instrução Normativa é o extrativo não nitrogenado. Na Instrução
Normativa ele aparece apenas uma vez e sobre ele não é dada
explicação alguma, apenas que ele é obtido subtraindo de 100 os
valores dos demais nutrientes (como fizemos acima). A grande
questão é que “extrativo não nitrogenado” é o nome técnico para
“carboidrato”, assim como “extrato etéreo” o é para gorduras e
óleos. Ou seja, a legislação brasileira permite que existam rações
com mais de 60% de carboidratos! Isso é um completo absurdo do
ponto de vista das origens dos cães. Como já foi explicado, os cães
são lobos. A dieta deles deve se parecer com a dos lobos e não
uma dieta rica em carboidratos, açúcares, fibras e proteínas de
origem vegetal.
Grande parte dos carboidratos das rações vêm do milho. Já
imaginou um lobo “feliz da vida” por ter encontrado uma espiga de
milho? Isso jamais vai acontecer. Se um lobo encontrar uma espiga
de milho ele simplesmente não vai comê-la. Simples. E para que os
cães comam esse milho extremamente processado, diversos
saborizantes são colocados nas rações, todos substâncias químicas
que podem inclusive causar câncer. No meu canal do YouTube
existem vídeos que mostram a fabricação das rações e a origem
dos ingredientes.
Restos de Carne
Em 2017 estive estudando para o concurso do Ministério de
Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Aproveitei para conversar
com os professores do cursinho sobre a destinação das partes
condenadas das carcaças. Eles me indicaram a leitura da Instrução
Normativa nº 34/2008 e do RIISPOA. Essa última é a mais
importante legislação sobre a fiscalização de produtos de origem
animal – Lei 9.013/2017 – e nela é dito, diversas vezes, que partes
de animais que apresentem doenças devem ser condenadas. Por
exemplo, um bovino que tenha mais de 8 cistos de cisticercose nos
locais de eleição (locais específicos que são sempre checados pelos
fiscais) e na musculatura deve ter sua carcaça condenada. Mas
essa carcaça não será descartada e nem enterrada ou incinerada.
Ela irá para um lugar chamado “graxaria”. Outra situação que pode
ocorrer é de uma carcaça não ser inteiramente condenada. Imagine
que uma carcaça de boi tenha um tumor em algum órgão. Segundo
o RIISPOA, se esse tumor não for muito grande, não estiver
espalhado na carcaça e não estiver afetando negativamente os
outros órgãos ou músculos, esse tumor deve ser condenado e o
resto da carcaça segue adiante, para o consumo humano. Com
relação à carcaça que segue para o nosso consumo, não existem
riscos de contaminação por conta desse tumor, pode até ter alguma
contaminação posterior, mas por conta de outro motivo. Já o tumor
que foi descartado irá também para a graxaria. E na graxaria ele ser
processado junto com todas as outras partes de carcaças
condenadas ou carcaças inteiras condenadas.
A legislação que regula o processamento de resíduos de
produtos animais (as partes doentes e condenadas de abatedouros)
é a Instrução Normativa nº 34, de 28 de maio de 2008. Ela afirma
categoricamente que esses resíduos devem passar por digestores
para eliminação de doenças, bactérias, parasitas, etc. Esses
digestores são como panelas de pressão enormes. Esses restos
podem passar dias cozinhando nesses equipamentos, para que
todos os microrganismos morram. Depois disso, essa sopa de
restos passa por secadores, moinhos e são transformados em
“farinhas”: farinha de carne e ossos, farinha de sangue, farinha de
penas, farinha de vísceras, farinha de ossos, etc. Olhe na lista de
ingredientes da ração de cão ou gato, você vai encontrar esses
ingredientes lá. Você jamais vai ler lá: coxa e sobrecoxa de frango,
carne de boi moída, etc. Vai ser sempre uma “farinha-alguma-coisa”.
É lamentável saber que restos de animais condenados são o
principal ingrediente das rações. Claro que existe uma questão de
saúde com relação a esses resíduos. Eles não devem ser jogados
no lixo, eles são em grande quantidade (imagine a quantidade de
animais abatidos por dia nesses grandes abatedouros). Mas
também não tem porque destinar esse material de baixa qualidade
para a alimentação de nossos pets. Esses resíduos podem
tranquilamente ser transformados em adubo, por exemplo. Isso
seria muito melhor, inclusive para o meio ambiente.
E a parte vegetal? Também não é da melhor qualidade. São
usados restos de grãos, milho quebrado, arroz quebrado, etc., tudo
aquilo que nós humanos não desejamos comprar. No final das
contas, a Indústria ganha de todos os lados. A Indústria de Grãos
lucra com a venda de alimentos que seriam descartados. Os
abatedouros lucram com partes de animais que deveriam ser
enterradas ou virar adubo. E a Indústria das Rações lucra
comprando ingredientes super baratos e de qualidade duvidosa.
Quem perde são os cães e gatos. Eles comem esses alimentos
horríveis e cheios de conservantes a vida toda e acabam sofrendo
diversas doenças que eles não teriam caso consumissem
Alimentação Natural. Quem também perde é o consumidor. A
maioria dos que fornecem ração, e nunca ouviram falar de
Alimentação Natural, compra esses alimentos pet imaginando que
estão dando o melhor para os seus peludos. Muitos se assustam
quando escutam pela primeira vez sobre Alimentação Natural:
acham que é muito absurdo dar carne crua e ossos crus para os
cachorros. Para eles, o que tem lógica é dar ração.
Vale a pena assistir o documentário “Pet Fooled” na NetFlix.
Ele mostra a horrível realidade das indústrias de ração nos Estados
Unidos. Se lá é ruim, imagine como não é aqui.
Agrotóxicos nas rações
Você já pensou sobre o uso de transgênicos nas rações? Você
sabe qual o grande problema de ingerir alimentos transgênicos?
Vamos primeiro entender o que são plantas transgênicas.
Plantas transgênicas são plantas que tiveram o seu próprio
DNA modificado por dois motivos. O primeiro é para essas plantas
serem resistentes aos agrotóxicos. O segundo, para suas próprias
células produzirem toxinas contra pragas. É mais fácil entender o
segundo motivo, pois o fato de as plantas produzirem toxinas em
suas próprias células significa que essas toxinas vão continuar nos
alimentos e nós e os animais iremos ingerir essas toxinas. Já o
problema das plantas resistirem aos agrotóxicos também se
relaciona com intoxicações, mas por outros motivos.
Plantas “normais” não resistem ao uso de agrotóxicos. Elas
morrem. Apenas isso. Já plantas transgênicas aguentam uma
verdadeira “tempestade” de agrotóxicos em cima delas. Mas esses
agrotóxicos não são biodegradáveis e as plantas os absorvem. E,
assim, esses agrotóxicos chegam aos nossos pratos e aos pratinhos
dos cães também, por conta das rações. As rações contêm grãos
com milho transgênico, soja transgênica, etc. Todos esses grãos são
praticamente regados com agrotóxicos.
Mas diversos autores, como o renomado Médico Veterinário
Richard Pitcairn, apontam que comer alimentos transgênicos é pior
para os cães e gatos do que pra gente. Isso porque os pets passam
a vida inteira comendo rações, comem alimentos transgênicos em
quase 95% das refeições até deixarem esse mundo. Nós
geralmente não somos assim. Comemos “besteiras” (que
geralmente têm transgênicos em sua formulação) de vez em
quando, mas também comemos alimentos saudáveis, alimentos que
não foram ensopados com agrotóxicos. Mesmo assim, o trabalho da
Dra. Larissa Bombardi aponta que nós brasileiros ingerimos em
média 6 litros de agrotóxicos por ano. Imagine chegar no dia 1º de
janeiro de um ano e falar algo do tipo: “vou tomar a minha cota
anual de agrotóxicos de uma vez. Por favor, me passe essa garrafa
de 6 litros de agrotóxicos que eu vou beber tudo de uma vez só”.
Isso é muito complicado. Um adulto de 50 anos de idade já ingeriu
cerca de 300 litros desses venenos durante toda a vida. Isso porque
não comemos apenas alimentos transgênicos. Não conheço
nenhum trabalho brasileiro que tente estimar a quantidade de
agrotóxicos que os cães e gatos ingerem anualmente no Brasil, mas
certamente é bem mais do que a gente, proporcionalmente falando.
Eles só comem ração! Só comem alimentos com esses venenos.
Existem vários documentários disponíveis no YouTube sobre
esse tema. Deixei na parte da bibliografia os locais onde eles podem
ser assistidos. Eu recomendo que você assista aos seguintes
documentários:
“O veneno está na Mesa 1”;
“O veneno está na Mesa 2”;
“O mundo segundo a Monsanto”;
“Em breve em vossos pratos”;
“Nuvens de veneno”;
De olho nos ruralistas: entrevista com Dra. Larissa
Bombardi;
Esses documentários são extremamente esclarecedores.
Você sabia, por exemplo, que nós somos o país do mundo que mais
usa agrotóxicos? Veja esses dados absurdos:
1. Existe pouquíssima regulamentação sobre quem pode
comprar agrotóxicos: a facilidade que os americanos têm
para comprar armas de fogo os brasileiros têm para
comprar agrotóxicos.
2. Por essa falta de controle, muitas pessoas compram
agrotóxicos para cometer suicídio.
3. Existe uma relação entre os locais de nascimentos de
bebês com deformidades e locais em que se usam
agrotóxicos.
4. A pulverização de agrotóxicos usando aviões é um
problema, pois...
a. ...ela não deveria ocorrer em dias que a umidade
relativa do ar estivesse baixa (mas mesmo assim
eles fazem pulverização aérea).
b. ...ela não deveria ocorrer em dias que a temperatura
ambiente estivesse acima de 32 oC (mas mesmo
assim eles fazem pulverização aérea).
c. ...os agrotóxicos se espalham de forma pouco
controlada e acabam matando passarinhos, jardins
de bairros próximos e insetos importantes na
polinização, como as abelhas.
d. ...o seu uso é muito mais barato que contratar
trabalhadores para fazer pulverização manual, o que
aumenta o desemprego dessas pessoas.
5. Não existe regulação dos trabalhadores que fazem as
misturas e aplicação de agrotóxicos nas plantações e
muitos deles acabam sofrendo de doenças por
intoxicação, câncer e problemas neurológicos – muitos
ficam inválidos ainda muito novos e precisam receber
aposentadoria do INSS. E todos nós sabemos que para
conseguir esses benefícios temos muito trabalho e dor de
cabeça.
6. O Governo Brasileiro dá incentivos fiscais com a
diminuição de 60% do PIS-PASEP, COFINS, IPI e outros
impostos para os fabricantes desses venenos e para os
produtores que os consomem.
7. Como se o anterior não bastasse, o Estado do Ceará
concede 100% de isenção desses impostos para as
empresas ali instaladas.
8. Os pequenos agricultores são obrigados a usar esses
venenos quando recebem empréstimos dos bancos.
Existem cláusulas desses contratos que obrigam que
uma porcentagem dos empréstimos seja destinada à
compra de agrotóxicos e isso é fiscalizado
posteriormente por fiscais dos bancos. Caso o
trabalhador tenha desobedecido essa cláusula, ele é
obrigado a devolver o empréstimo todo.
9. O Governo acaba gastando muito mais com a saúde de
pessoas atingidas pelos agrotóxicos do que arrecada
com os impostos pagos por essas empresas fabricantes.
10. Vários agrotóxicos já tiveram seu uso proibido na
Europa há décadas e o Brasil continua a usá-los.
11. Os agrotóxicos têm ligação direta com as armas
químicas utilizadas na Segunda Guerra Mundial e na
Guerra do Vietnam. Os agrotóxicos que temos hoje são
derivados do Zyklon B (veneno usado para matar Judeus
nos campos de concentração nazistas) e do Agente
Laranja (veneno usado pelos Estados Unidos nas
florestas do Vietnam. Muitos vietnamitas nasceram sem
os braços e/ou pernas por conta disso. E isso ocorre até
hoje).
Todas essas coisas, incluindo o uso de rações e vacinas de
forma exagerada, se devem a uma coisa: o Poder da Indústria!
O Poder da Indústria
Como vimos, o uso de agrotóxicos é absurdo. Mas vejam
bem, a fabricação e venda deles é uma indústria muito lucrativa,
assim como a do cigarro e a das bebidas alcoólicas. Esses
empresários pouco se importam se o produto que eles vendem vai
destruir a vida das pessoas – mas pelo menos quanto ao cigarro
podemos escolher fumar ou não fumar, ou, quanto às bebidas,
beber ou não beber. Quanto aos agrotóxicos, comemos sem nem
mesmo o saber.
Gosto muito do canal do YouTube do Médico Dayan Siebra.
Inclusive o recomendo. Ele passa várias dicas sobre alimentação e
ele fala também sobre a Indústria Farmacêutica. Essa indústria não
quer que as pessoas nem sejam curadas e nem morram: que
fiquem vivas o máximo possível entre a saúde e a morte, pois assim
vão comprar remédios pelo resto da vida. Esse inclusive é a
definição de “Parasita Ideal” da Biologia: um parasita que se
aproveita da vítima o máximo possível. E o pior é que os remédios
ainda causam efeitos colaterais que fazem que se usem ainda mais
remédios e tudo vira uma bola de neve.
É por isso que as rações continuam vendendo tanto. Pouco
importa pra Indústria das Rações se o produto que vendem têm
pouca qualidade ou se vão causar câncer nos animais. Eles querem
é vender e passar a mensagem de que “Alimentação Natural vai
causar infecções e doenças graves em seu cão”.
Outra coisa terrível que temos é a Indústria das Vacinas.
Vacinar os cães todos os anos está ultrapassado há mais de 20
anos! Converse com seu veterinário, pergunte se ele tem o livro
“Medicina Interna de Pequenos Animais”. Muito provavelmente ele o
tem, pois é um livro muito famoso no meio veterinário. Esse livro
mostra que há mais de 30 anos no EUA, Europa e Canadá eles não
vacinam os cães todos os anos e não têm nenhum problema com
isso. E vejam que eles também têm problemas com cinomose,
parvovirose, hepatite canina, raiva... por isso eles continuam a
vacinar os animais, mas não todos os anos. Vacinar todos os anos é
sinônimo de animais que muito provavelmente terão câncer e/ou
doença renal crônica e/ou alergias e/ou artrites/artroses e por aí vai.
Peça pro seu veterinário ler o artigo “Novas diretrizes vacinais para
cães – uma abordagem técnica e ética”, da Médica Veterinária
Sylvia Angélico. Esse artigo foi publicado pela Revista Clínica
Veterinária e está disponível online. Quem não o encontrar pode me
mandar um e-mail que eu mando o artigo (vet.edgard@gmail.com).
Todo veterinário deveria ler esse artigo.
O protocolo vacinal que eu sigo com os meus clientes é
baseado nesse artigo e eu o apresento mais adiante nesse livro.
Segundo esse mesmo artigo, existem vacinas que são
“desnecessárias”. Só vacine seu cão contra tosse-dos-canis se ele
for passar um tempo em hotéis para cães, creches, etc. Vacina
contra giárdia é desnecessária também. Vacina contra
Leishmaniose é interessante em locais em que ocorram a doença,
mas ela não é 100% efetiva. É melhor controlar o mosquito
transmissor da doença, usar plantas repelentes, etc., do que usar
vacinas. Mostro uma receita de repelente caseiro mais adiante.
De todo modo, você tem que conversar com seu veterinário
sobre isso, pois quem vai vacinar seu animal é ele. Mostre esse
artigo a ele. Caso ele fique absolutamente fechado a esses novos
conhecimentos, procure outro profissional. Nós Médicos Veterinários
prestamos serviços e se uma pessoa está insatisfeita com um de
nós ela tem todo o direito de procurar outro profissional.
Uma breve revisão sobre a importância
de cada nutriente
Nessa parte do livro abordarei a importância de cada nutriente
na alimentação dos cães domésticos.
Água
A água é um nutriente extremamente importante na Nutrição
Animal e, paradoxalmente, é geralmente "esquecida". Um animal é
capaz de perder grande parte da massa muscular e adiposa e ainda
sobreviver, mas perdas de 10% de água podem significar a morte.
A água tem uma enorme importância como meio solvente e
como meio que carreia substâncias e possibilita reações químicas.
Por conta de seu alto calor específico, ela é uma excelente
termorreguladora, visto que ela absorve grandes quantidades de
calor de reações metabólicas e se eleva apenas poucos graus, não
sobreaquecendo o organismo. Tem função também na transpiração
do corpo. Cerca de 70% do organismo é composto por água, e
alguns tecidos em especial têm entre 70 e 90% de composição
aquosa. A água que os animais têm disponível pode ser de três
fontes diferentes: a água ingerida, a água dos alimentos e a água
metabólica.
A água ingerida voluntariamente deve ser fresca. A
quantidade que um animal ingere diariamente de água depende de
fatores como a dieta que recebe, a idade, o nível de atividade física
diária e a saúde do animal. Um animal que recebe um maior aporte
calórico (ou seja, mais comida no pratinho) irá ingerir mais água pois
a digestão da dieta gerará uma maior quantidade de metabólitos
que precisam ser diluídos em água para excreção. Em média esse
consumo é de 45 ml/kg/dia.
A água contida nos alimentos varia bastante. Alimentos secos
têm cerca de 7% de água e alimentos úmidos têm mais de 60%.
Animais que recebem dietas secas ingerem mais água e os que
recebem dieta úmida uma menor quantidade. Os cães são mais
efetivos em regular a ingestão de água por mudanças de dietas
secas para úmidas - e vice-versa - que os gatos.
A água metabólica é a proveniente da digestão dos alimentos.
Quando ocorre a oxidação de carboidratos, lipídeos e proteínas há a
junção entre moléculas de oxigênio e os átomos de hidrogênio
liberados desses nutrientes, o que gera água. Entretanto, a
quantidade produzida de água metabólica é pouco expressiva,
chega a cerca 10% da quantidade de água disponibilizada
diariamente para os animais.
Energia
A energia é o parâmetro mais importante quando tratamos do
lado nutricional dos alimentos para cães e gatos. É a partir do teor
calórico da dieta que os animais irão fazer todo o trabalho
metabólico de seus organismos - incluindo a criação e manutenção
dos tecidos e a termorregulação. A quantidade de alimento ingerido
diariamente por caninos e felinos se baseia nas necessidades
energéticas deles. Desse modo, os outros nutrientes devem ser
balanceados conforme os teores energéticos das dietas. Assim,
uma dieta ideal é aquela em que ao atingir a quantidade diária de
energia necessária também se atinjam a ingestão recomendada dos
demais nutrientes, como minerais, proteínas, vitaminas, lipídeos,
etc.
Deixe-me explicar de outra forma. Imagine que a quantidade
de alimento que um cão come por dia é uma garagem. E o alimento
é um carro. Essa garagem imaginária cabe apenas um carro e nada
mais. Só que o carro pode estar cheio de compras de bons produtos
ou pode estar totalmente vazio. Esses “bons produtos” são os
nutrientes, as proteínas, gorduras, fibras, vitaminas e minerais. O
carro vazio é a falta deles ou de alguns deles. Se o carro entrar
vazio na garagem, o animal ficará deficiente em nutrientes e não irá
ingerir mais alimento.
Agora vamos nos aproximar mais da realidade. Vamos
imaginar um cão chamado Rex. Rex precisa comer todo dia uma
quantidade de alimentos que lhe dê 500 kcal de energia. Daí, temos
duas refeições disponíveis para o Rex, a dieta “A” e a dieta “B”. As
duas têm 500 calorias de energia, mas na dieta “A” está faltando
algumas vitaminas e minerais e a dieta “B” está completa. Se Rex
ingerir a dieta “A” em determinado dia, ele não vai comer mais nada
naquele dia. E aí ele vai ficar deficiente nos nutrientes que estão
ausentes na dieta “A”. Se ele ingerir a dieta “B”, ele também não irá
ingerir mais nada naquele dia, pois ele ingeriu a quantidade de
energia que ele precisa. Mas, nesse caso, ele terá ingerido também
todos os nutrientes que ele precisava para aquele dia. Por isso é
muito complicado dar muitos petiscos para os cães: petiscos
geralmente são muito calóricos, têm muita energia, mas são pobres
em nutrientes. Os animais conseguem a quantidade de energia
necessária antes de conseguir a quantidade de nutrientes que
precisam. E aí ele pode até ser um animal em um peso adequado,
ou até mesmo um animal obeso, mas será um animal deficiente
nutricionalmente falando. É como uma pessoa que só come
McDonald’s: ela pode até ficar gordinha, mas vai ter falta de
diversas vitaminas e minerais.
Um efeito recente que têm se observado é a introdução de
alimentos mais calóricos e saborosos para cães e gatos. O bom
sabor atrapalha essa regulação quantidade diária de energia
ingerida e os animais tendem a comer mais. Isso tem gerado, nesse
momento, muitos casos de obesidade entre cães e gatos.
Carboidratos
Os carboidratos são moléculas formadas por átomos de
carbono, hidrogênio e oxigênio. Eles fazem parte de até 90% do
peso seco dos vegetais e têm funções importantes no metabolismo
e na digestão dos animais. Os carboidratos, na forma de amido, são
a principal fonte de reserva energética das plantas; nos animais, são
as gorduras. Entretanto, os animais armazenam parte dos
carboidratos sob a forma de glicogênio, um polissacarídeo (uma
molécula de açúcar muito complexa). Os carboidratos podem ser
divididos em duas categorias: carboidratos digestíveis e fibras
vegetais.
Carboidratos digestíveis
Os carboidratos são uma importante fonte de Energia. Se
estiverem em quantidade adequada na dieta, outros nutrientes como
as proteínas não serão usados para gerar energia, e sim para a
formação e a reparação de tecidos.
Além desse tipo de uso, cabe ressaltar que alguns tecidos do
organismo usam carboidratos como fonte praticamente exclusiva de
energia. Esse é o caso do cérebro, que usa glicose como fonte
energética, e o coração usa o glicogênio cardíaco como fonte rápida
de energia. Mas, em carnívoros, a via da glicose não é a mais
importante. A Via dos Corpos Cetônicos é mais utilizada por eles.
Esse ponto será retomado na parte sobre lipídeos.
Na natureza, a principal fonte de carboidratos para os lobos é
o glicogênio das presas que consomem. Nas rações ocorre o
problema de a fonte principal de carboidratos ser o amido, a reserva
de açúcar das plantas. Os organismos dos cães e gatos têm mais
facilidade de digerir e aproveitar o glicogênio do que o amido. E
esses grãos presentes nas rações também podem causar alergias
nos animais. Nesses pontos, a Alimentação Natural é superior ao
uso de rações comerciais.

Fibras vegetais
Esses carboidratos fazem parte da estrutura das plantas. Eles
possuem ligações betas entre suas subunidades e esse tipo de
ligação não pode ser desfeita (oxidada) pelos tratos digestivos dos
animais.
Assim, uma primeira função das fibras na dieta é a de fazer o
peristaltismo (o movimento dos alimentos nos intestinos) funcionar.
Isso faz que o tempo de trânsito no trato gastrintestinal seja
reduzido. As fibras também fazem parte da formação do bolo fecal.
Os animais herbívoros (ruminantes e não-ruminantes)
possuem um auxílio de micro-organismos fermentadores de fibras
em seus tratos digestivos. Desse modo, esses organismos
conseguem fermentar as moléculas de fibras e gerar ácidos graxos
de cadeia curta (AGCC). À partir desses AGCC, os herbívoros
sintetizam a glicose e fazem seu metabolismo funcionar.
Já os animais carnívoros, como os cães e os gatos, não
possuem tais bactérias fermentadores de fibras. Entretanto, mesmo
dentro das fibras vegetais, existem diferenças quanto à
fermentabilidade de cada uma. Algumas fibras são mais
fermentáveis que outras. As fibras de alguns alimentos (como por
exemplo a fibra de beterraba, o farelo de arroz, a pectina e a fibra de
couve) são relativamente mais fermentáveis e geram uma
quantidade pequena de AGCC. Esses AGCC gerados não são
usados pelos caninos e felinos para gerar glicose, mas são usados
pelas células dos intestinos delgado e grosso como fonte de
energia.
Gorduras
As gorduras são compostos fundamentais na alimentação
animal. Isso ocorre pelo fato de ser a quantidade de gordura em um
alimento que determina o sabor e a textura que este apresentará.
Isso também pode gerar um alimento muito saboroso que os pets
desejem ingerir em excesso, gerando quadros de obesidade. E as
gorduras e óleos são as principais fontes de Energia para os
animais; portanto, devem ser colocadas na dieta de forma
equilibrada, pois o parâmetro que os animais usam na regulação da
quantidade de alimento que ingerem é a quantidade de Energia,
como já abordado anteriormente.
Outra característica importante das gorduras é que elas têm
um papel essencial no correto funcionamento do organismo.
Algumas dessas gorduras essenciais não podem ser sintetizadas
pelo organismo. Um exemplo de lipídeo essencial é o Ácido
Araquidônico. Nos cães, ele pode ser sintetizado a partir de outras
gorduras, mas no gato não. Ou seja, os gatos têm que
obrigatoriamente receber Ácido Araquidônico na dieta. O Ácido
Araquidônico tem função vital na regulação da pressão arterial,
contração muscular, secreção de ácidos no estômago, processos
inflamatórios, coagulação sanguínea e regulação da temperatura
corporal.
Outros lipídeos têm importância no cérebro, melhorando a
transmissão de impulsos elétricos nos neurônios; as membranas
das células têm diversos lipídeos que fazem parte de sua estrutura;
lipoproteínas - junções de gorduras e proteínas - estão presentes no
sangue e auxiliam o transporte de outras gorduras no Sistema
Circulatório; o colesterol têm importância na síntese de hormônios e
na formação dos sais biliares - estes são importantes na digestão e
emulsificação de gorduras ingeridas dos alimentos.
Ainda, retomando o assunto “corpos cetônicos”, os cães
conseguem gerar energia a partir deles. Eles são oriundos do
metabolismo de gorduras. Essa é a via mais saudável para eles,
bem mais saudável que a via da glicose. Além disso, os corpos
cetônicos têm importância também para humanos, procure saber
mais sobre as dietas cetogênicas.
Assim, conclui-se que, longe de serem vilões, as gorduras têm
papel fundamental nos processos fisiológicos dos animais. Esses
compostos são o principal tipo de armazenamento de energia nos
animais e contribuem para inúmeros processos.
Proteínas
As proteínas são moléculas complexas formadas pela união
entre aminoácidos. Essas moléculas são responsáveis pela
estrutura de pelos, unhas, tendões, cartilagens, ligamentos, de
modo geral pelo tecido conjuntivo do organismo. Têm papel também
no metabolismo - diversas enzimas são proteínas - e por conta disso
auxiliam nos processos de digestão e absorção do trato
gastrintestinal. Alguns hormônios também são proteicos, como a
insulina e o glucagon. No sangue, a hemoglobina (molécula
responsável pelo transporte de oxigênio) é uma proteína, assim
como a transferrina (transporta o ferro no sangue) e o retinol
(responsável pelo transporte de Vitamina A). Os anticorpos do
Sistema Imunológico são formados por proteínas. Tanto o
crescimento quanto a reprodução necessitam, e muito, de proteínas.
E esses são apenas alguns exemplos das atividades que as
proteínas exercem nos organismos animais.
Com relação aos aminoácidos, parte deles os animais
conseguem sintetizar a partir de outros e outra parte não. Os que
são sintetizados são chamados de aminoácidos não-essenciais; já
os que não são sintetizados são chamados de aminoácidos
essenciais e precisam ser ingeridos obrigatoriamente na dieta. A
taurina é um aminoácido essencial para os gatos, mas não para os
cães. Assim, gatos necessitam de um aporte nutricional de taurina.
Vitaminas
As vitaminas são um grupo de moléculas heterogêneas que
desempenham diversas funções no correto metabolismo do
organismo. A principal função e as fontes de cada vitamina são
apresentadas abaixo:
Vitamina A: é uma vitamina lipossolúvel importante para a
visão, reprodução, crescimento ósseo, formação e
manutenção do tecido epitelial - pele e mucosas. Os óleos de
fígado de peixe, o leite, o fígado e os ovos são importantes
fontes alimentares dessa substância.
Vitamina D: é uma vitamina lipossolúvel que regula o
metabolismo dos ossos, do cálcio e do fósforo. É encontrada
nos óleos de fígado de peixe (principalmente o de fígado de
bacalhau) no ovo e na carne de alguns peixes. Cães e gatos
são capazes de sintetizar essa vitamina a partir do colesterol.
Vitamina E: é uma vitamina lipossolúvel. Sua função principal é
ser antioxidante, tanto de tecidos e gorduras do organismo
quanto de ingredientes da dieta (nesse caso, a vitamina E
funciona como um conservante natural de alimentos). Fontes
ricas nessa vitamina são os óleos de bacalhau, óleos de soja e
milho, gérmen de trigo e gema do ovo. Cabe ressaltar que os
óleos vegetais, como os de soja e milho, não devem ser
oferecidos aos animais. Eles contêm outras gorduras ruins,
são feitos de grãos transgênicos (logo, ricos em agrotóxicos) e
podem causar alergias nos nossos amigos peludos.
Vitamina K: é uma vitamina lipossolúvel. Ela é essencial nos
mecanismos de coagulação sanguínea. Vegetais de folha
verde escuras (espinafre, couve e couve-flor), fígado e alguns
peixes são as principais fontes dessa molécula.
Vitaminas do Complexo B: são um grupo variado de vitaminas
hidrossolúveis. Têm função importante no metabolismo de
carboidratos, lipídeos e proteínas; síntese de componentes do
DNA, ácidos graxos e aminoácidos; e produção de
neurotransmissores (acetilcolina). Essas vitaminas são
encontradas nas carnes, leite, vísceras (fígado e rins
principalmente), verduras (de folhas verde escuras), gema de
ovo, peixes e aves.
Vitamina C: é uma vitamina hidrossolúvel. Exerce papel
importante no processo de formação do colágeno, na
formação dos ossos e no sistema imunológico. Cães e gatos
não precisam receber vitamina C na dieta pois são capazes de
sintetizar a partir da glicose. Frutas cítricas e verduras de cor
verde escura são fontes também de vitamina C.
Minerais
Os minerais são compostos importantes para diversos
processos metabólicos do organismo dos animais. Abaixo, são
citadas as principais funções e as fontes de minerais na alimentação
de cães e gatos.
Cálcio: tem importância na formação dos ossos, transmissão
do impulso nervoso, coagulação do sangue, manutenção da
membrana celular, contração dos músculos e contração do
coração. É encontrado principalmente no leite, carnes, aves e
ossos.
Fósforo: tem importância na formação dos ossos, na síntese
de DNA e RNA e na regulação do transporte de substâncias
dentro das células. As principais fontes são as carnes, aves e
pescado.
Magnésio: é importante no metabolismo e síntese de
carboidratos e proteínas, além de participar da constituição
óssea e de um grande número de enzimas. As principais
fontes para cães e gatos são os ossos e derivados do leite.
Enxofre: tem papel importante na produção do sulfato de
condroitina - presente nas cartilagens -, na produção da
insulina e heparina, além de fazer parte do transporte de
aminoácidos dentro das células. As principais fontes são as
carnes, as aves e o pescado.
Ferro: tem papel essencial no transporte de oxigênio no
sangue e na contração dos músculos. A deficiência de ferro
causa anemia nos animais. As principais fontes são as
vísceras.
Cobre: é necessário para a formação da hemoglobina e na
absorção do ferro da dieta. As principais fontes são as
vísceras.
Zinco: sua ação se dá no metabolismo de carboidratos,
lipídeos, proteínas e DNA e RNA. É bastante encontrado nas
carnes e nos ovos.
Manganês: se localiza nas mitocôndrias e regula o
metabolismo dos nutrientes nas células. É encontrado
principalmente nos legumes, carnes, aves e peixes.
Iodo: é fundamental para o correto funcionamento da glândula
Tireoide. É encontrado nos ovos e no sal iodado.
Selênio: é um antioxidante das membranas das células. É
encontrado nas carnes e nos peixes.
Cobalto: faz parte da molécula de vitamina B12. É encontrado
nos peixes e no leite.
Potássio: tem papel na transmissão dos impulsos nervosos e
contração dos músculos e é encontrado nas carnes, aves e
peixes.
Sódio: é importante para o metabolismo celular. É encontrado
principalmente na carne, nos peixes, nos ovos e no sal de
cozinha.
Cloro: é importante para o metabolismo celular. É encontrado
nas carnes, ovos, tomate, aipo, espinafre e cenoura, além do
sal de cozinha.
Alimentos
Nessa parte vou tratar dos diferentes alimentos que podem
ser utilizados na Dieta Crua com Ossos e como utilizá-los,
abordando também com quais nutrientes eles contribuem para a
dieta. E se prepare: vamos passar por mais de 100 alimentos!
Ossos
Os ossos são uma importante fonte de colágeno, cartilagem,
cálcio, fósforo, gordura (da medula óssea) e sangue. São
importantes também para a limpeza dos dentes dos cães.
Ossos Crus
O ponto inicial e de extrema importância quando se trata de
fornecer ossos para os pets é que eles devem ser crus e em
temperatura ambiente ou levemente frios (mas não pode estar
congelado). Isso é tão importante que vou frisar novamente: OSSOS
FORNECIDOS PARA OS PETS TÊM QUE SER CRUS E NÃO
PODEM ESTAR CONGELADOS!!
Mas por que não se pode fornecer ossos congelados, cozidos,
assados ou fritos?
Isso se deve ao fato que o colágeno dos ossos ao ser
submetido a qualquer processo de cozimento (cozido, assado ou
frito) tem sua estrutura alterada. Isso implica que o osso ao ser
quebrado vai gerar "estilhaços" que têm uma grande chance de
perfurar e rasgar o esôfago, estômago ou intestinos dos cães e
gatos. Ossos congelados também podem se quebrar e deixar
extremidades pontudas e que podem machucar o animal da mesma
forma anterior. Se esse tipo de acidente acontecer, trata-se de uma
emergência e os animais devem receber atendimento médico
veterinário imediato, sendo que muitos deles não sobrevivem.
Agora fica outra pergunta: por que os ossos crus não são
problemáticos?
Bom, os carnívoros são muito bem adaptados a ingerir ossos
crus. Lobos, leões, tigres, chacais, ursos etc., ingerem os ossos das
presas que abatem, e deles retiram substâncias importantes para
seu próprio metabolismo ósseo, como a condroitina e o colágeno. O
estômago desses animais (incluindo aqui os cães e gatos) é
extremamente ácido, o pH chega ao valor de 1,0. Assim, esses
ossos crus são dissolvidos no estômago e não geram nenhum
problema para os pets. Inclusive, esse estômago ácido protege o
cão de possíveis bactérias dos alimentos. Os lobos, em épocas de
escassez, comem carniça! Carniça é cheia de bactérias, mas os
alimentos ficam em um estômago extremamente ácido por um
período de oito horas (esse também é o tempo médio que os
alimentos ficam no estômago dos cães). A maior parte das bactérias
patogênicas não resistem à pH ácido.
A acidez é uma das formas que a Indústria de Alimentos usa
para preservar seus produtos. Eles podem também aumentar a
quantidade de sal, desidratar os alimentos, entre outros, para
conservar os alimentos por um período longo. Devemos saber que
95% das bactérias que causam doenças transmitidas por alimentos
não aguentam um pH ácido. Com um pH de valor 4,0 praticamente
todas são mortas. O pH do estômago dos cães chega a um valor
bem mais ácido, pH = 1,0.
Entretanto, deve-se saber escolher quais ossos fornecer
baseado ou no tamanho do cão ou em ele ser de focinho curto, para
evitar problemas de engasgos. A lista abaixo apresenta diferentes
opções de Ossos Carnudos Crus adequados para cada porte de cão
e também para o caso de raças braquicefálicas ou de focinho curto -
tais como Buldogue Francês, Buldogue Inglês, Dogue de Bordeaux,
Boxer, Shih Tzu, Pug, Boston Terrier e Pequinês, entre outros.
Deve-se seguir as regras abaixo e só fornecer ossos carnudos crus
na forma que for segura para cada cão.
Cães de focinho curto/chato (Lhasa Apso, Shitzu, Pug,
Yorkshire, Bulldog...):
Podem: pescoço de peru moído, pescoço de frango ou
pato moídos.
Não podem: pé de frango ou de pato, coxa de frango ou
pato, sobrecoxa de frango ou pato, pescoço de leitão ou
cordeiro.
Cães de até 5 kg:
Podem: asa de frango completa moída, pescoço de peru
moído, pescoço de frango ou pato cortados ao meio.
Não podem: pés de frango ou de pato, coxa de frango ou
pato, sobrecoxa de frango ou pato, pescoço de leitão ou
cordeiro.
Cães de 5 kg a 10 kg:
Podem: pés de frango ou pato SEM UNHAS (1 por dia no
máximo), pescoço de peru moído.
Não podem: coxa de frango ou de pato, sobrecoxa de
frango ou de pato, pescoço de leitão ou cordeiro.
Cães de 10 kg a 22 kg:
Podem: pés de frango ou de pato SEM UNHAS (1 por dia
no máximo), pescoço de frango ou de pato inteiro.

Cães com mais de 22 kg:


Podem: pé de frango ou pato SEM UNHAS (2 por dia no
máximo), pescoço de peru cortado em pedaços, pescoço
de frango ou de pato inteiro, cabeça de frango ou de pato
inteira SEM O BICO.
Caso você deseje saber mais ossos que podem ser dados,
veja o livro “30 ossos diferentes para o seu Cachorro”, também do
Dr. Edgard Gomes.
Ossos recreativos
Ossos recreativos são ossos grandes utilizados algumas
vezes na semana para os animais limparem seus dentes. Enquanto
raspam os ossos, a placa bacteriana dos dentes vai sendo
removida. É a "escova de dentes natural".
Deve-se frisar novamente que, como todo osso, deve ser
fornecido cru aos animais, visando evitar problemas de acidentes
por rasgamento do esôfago, estômago e intestinos.
Geralmente esses ossos não têm custo nenhum, visto que
geralmente são refugos de açougues. Os ossos que devem ser
fornecidos aos cães devem ser maiores que as bocas dos animais
quando abertas, pois, caso contrário, eles podem tentar engolir o
osso de uma só vez, fazendo que o propósito de limpar os dentes
seja perdido. A peça ideal é aquela que possui uma pouca
quantidade de carne, tendões e cartilagens, pois estas deixam o
osso como um todo menos duro, diminuindo problemas como a
fratura de dentes. Pelo mesmo motivo, não se deve oferecer ossos
exageradamente grandes e muito duros, pois podem gerar fraturas
dentárias.
Deve-se supervisionar os cães enquanto eles lidam com
esses ossos, principalmente nas primeiras vezes para evitar
acidentes. Caso haja mais de um animal na residência, eles devem
ser separados pois eles podem entrar em disputas pelos ossos e se
machucar. Mesmo se seus cães forem bem mansos e calmos não
se pode arriscar.
A recomendação é que os cães fiquem com esses ossos por
até uma hora. Depois, devem ser recolhidos e descartados. Não se
deve reutilizá-los, pois ficarão muito contaminados.
Tempo de Congelamento das Carnes e
Vísceras
As carnes e vísceras de origem bovina, ovina, caprina, suína e
de peixes devem ser congeladas antes de fornecidas aos animais.
Essas carnes podem conter parasitas como Cysticercus bovis,
Cysticercus cellulosae, Trichinella spiralis, Nanophyetus salmincola,
Toxoplasma gondii, Nanophyetus salmincola, Taenia solium e Taenia
saginata. O frango não é necessário congelar antes de oferecer pois
não há risco de transmissão de parasitas. O tempo de
congelamento deve ser seguido conforme a lista abaixo:
Carne de vaca, ovelha, cabra e coelho e suas vísceras: 5
dias (congelador da geladeira) ou 3 dias (freezer de -20oC).
Carne de porco e suas vísceras: 21 dias (congelador da
geladeira) ou 7 dias (freezer de -20oC).
Salmão e suas vísceras: 7 dias (congelador da geladeira ou
freezer de -20oC).
Outros peixes e suas vísceras: 2 dias (congelador da
geladeira ou freezer de -20oC).
Frango e outras aves e suas vísceras: não há necessidade
de congelamento prévio.
Quanto às bactérias, o congelamento não as vai matar. Deve-
se, portanto, comprar as carnes em locais de confiança, carnes
inspecionadas pelo MAPA, etc.
Tempo de Armazenamento de Carnes e
Vísceras congeladas
Segundo o "Guia dos Alimentos Congelados", o tempo de
validade das carnes e vísceras congeladas é o seguinte:
Carne de boi processada comercialmente: 2 meses.
Carne moída congelada: 3 meses.
Carne de porco fresca congelada: 6 meses.
Carne bovina fresca congelada: 12 meses.
Miúdos bovinos frescos congelados: 3 meses.

O descongelamento das carnes e vísceras não deve ser feito


à temperatura ambiente. Deve ser feito no compartimento inferior da
geladeira por 12 horas.
Ovos
Os ovos são um excelente alimento. Eles são ricos em
proteínas e gorduras boas, como os ômegas 3 e 6. Têm vitaminas
A, D, E e K, além das vitaminas do complexo B. A única vitamina
que “falta” nos ovos é a vitamina C. Possuem ainda cálcio, ferro,
magnésio, fósforo, potássio, sódio, zinco, cobre, manganês, selênio
e flúor.
Uma dúvida constante é a sobre a avidina, uma molécula
presente na clara do ovo. Ela diminui a absorção da biotina – uma
das vitaminas do complexo B. Mas a natureza é perfeita: a gema do
ovo é rica em biotina. Assim, os ovos devem ser dados completos,
com a clara e a gema. Dar apenas a clara, em grandes quantidades,
pode sim atrapalhar a absorção de biotina pelos cães.
A melhor opção são os ovos crus. O cozimento destrói
importantes nutrientes. A grande preocupação é em relação a
presença de Salmonella nos ovos. Ovos comprados em mercados
são submetidos à inspeção veterinária oficial e existe um rigoroso
controle com relação a isso, pois nós somos muito sensíveis a
Salmonella. Os cães são bem mais resistentes, o estômago deles é
extremamente ácido e os alimentos ficam dentro dele por 8 horas! E
essa bactéria não resiste aos meios ácidos. De todo modo, alguns
estudos mostram que os cães possuem essa bactéria como parte
de sua flora bacteriana.
Cães que nunca receberam ovos crus devem começar a
recebê-los em pequenas quantidades. Animais doentes que nunca
comeram ovos crus devem comê-los cozidos por segurança.
Cães pequenos devem receber de 1 a 2 ovos pequenos
por semana.
Cães médios e grandes podem receber de 2 a 3 ovos
grandes por semana.
Os ovos vão trazer enormes benefícios para a saúde de seu
animal. A proteína do ovo é teoricamente 100% absorvida, sendo
uma fonte de proteína preciosa para animais que têm insuficiência
renal crônica.
As cascas dos ovos devem ser fornecidas também, diversos
cães comem os ovos literalmente inteiros. E isso é bom também
para os cães pequenos ou de focinho chato, que têm problemas
com a ingestão de ossos crus.
Complementos
Alguns alimentos são complementares nas dietas naturais
para os pets. Desses complementos, alguns são obrigatórios e
outros são facultativos.
Complementos obrigatórios
O sal iodado e o azeite de oliva extra virgem ou óleo de coco
ou óleo de linhaça são complementos obrigatórios nas dietas
naturais. O iodo do sal iodado é importantíssimo para o correto
funcionamento da tireoide. O óleo de peixe (cápsulas de ômega 3) é
muito importante, pois é fonte também de vitamina D. Deve ser
fornecido uma cápsula de óleo de peixe 1000 mg por dia. Os óleos
citados são fontes de ácidos graxos essenciais, como o Ômega 3 e
Ômega 6.
Complementos facultativos
O iogurte natural integral, a coalhada natural, o Kefir e o
levedo de cerveja em pó são complementos facultativos. Devem ser
fornecidos se os pets não desenvolverem problemas ao ingerirem,
como vômitos e diarreias. O Kefir é um alimento tão potente que
merece um tópico à parte.
Probióticos e prebióticos
Essas duas categorias de alimentos são fundamentais para a
saúde dos animais. Não tem jeito de ter saúde sem eles. Mas por
que isso? Porque o intestino é um dos órgãos mais importantes que
existem.
E o intestino faria muito pouco se não tivesse nele diversas
bactérias boas, além de outros organismos também bons. Esses
bichinhos microscópicos são os que produzem diversas vitaminas
que os cães precisam (e em nós é do mesmo jeito). Eles também
produzem cerca de 70% dos neurotransmissores do cérebro.
Neurotransmissores são substâncias químicas que fazem o cérebro
funcionar corretamente e ter saúde. Ou seja, o intestino é como se
fosse um 2º cérebro! Não tem como ter saúde mental sem ter saúde
intestinal.
Diversos trabalhos com pacientes psiquiátricos mostram que,
independentemente do transtorno mental que apresentam, esses
pacientes sofrem de disbiose. Disbiose é um problema de
desequilíbrio nas bactérias do intestino: começa a aumentar a
quantidade de bactérias ruins e a diminuir o número de bactérias
boas. E ai esses pacientes perdem de duas formas; a primeira, eles
não conseguem ter uma quantidade adequada de
neurotransmissores e, por conta disso, precisam tomar remédios
psiquiátricos que, muitas vezes, são neurotransmissores prontos ou
que fazem o cérebro reaproveitar neurotransmissores; segundo, a
quantidade de bactérias ruins aumenta e isso causa inflamação no
intestino. Essa inflamação faz com que o intestino fique mais
permeável e diversas moléculas tóxicas invadam a corrente
sanguínea e irem até o cérebro. Lá no cérebro, essas moléculas
causam toxicidade, piorando o quadro do transtorno psiquiátrico.
Pacientes psiquiátricos precisam comer probióticos e prebióticos
todos os dias.
Acontecem “problemas psiquiátricos” em animais também.
Não podemos afirmar que tão cachorro tem Mal de Alzheimer,
porque isso é uma doença humana, mas percebemos que,
principalmente em animais mais velhos, um certo grau de demência
começa a aparecer. São aqueles vovôs que ficam latindo para as
paredes sem que tenha alguma coisa ali. Ou então são animais que
mudam de comportamento bruscamente. Por exemplo, um animal
que era muito mando passa a ser muito agressivo. Ou outro animal
que era muito bravo e, da noite pro dia, se torna um anjo de 4 patas.
Muitos médicos veterinários estão começando a receitar remédios
psiquiátricos para tratar esses problemas e eles têm resultados
bons. Mas isso poderia ser feito sem o uso desses remédios. Se o
animal tiver uma quantidade suficiente de bactérias boas no
intestino, muito provavelmente ele não iria desenvolver essa
demência.
Kefir de leite e Kefir de água
O Kefir é um probiótico muito importante. Ele é um alimento
muito antigo, é utilizado há séculos pelos povos do Oriente. O uso
dele se espalhou pela Europa no século XIX, quando os médicos
descobriram que ele era muito útil no tratamento de pessoas
doentes de tuberculose.
A palavra “Kefir” deriva do turco “Keif” que significa “bem-
estar” ou “bem-viver”. Existe toda uma cultura acerca dele: ele não é
vendido e sim doado! Se você quiser começar a cultivá-lo procure
por doadores de Kefir no Google, você vai encontrar alguém em sua
cidade que doe. Tem uns sites também que enviam os grãos de
Kefir pelos Correios – esses grãos são desidratados – e basta pagar
os custos de envio.
Mas o que é o Kefir? Ele é uma colônia de bactérias e
leveduras benéficas para o nosso organismo e também para os
cães. Essas colônias são grãos que, aglomerados, se parecem com
o couve-flor, no caso do Kefir de leite. O Kefir de água tem grãos
amarronzados. Cada colher de sopa de Kefir possui cerca de 5
bilhões de microrganismos de 37 diferentes espécies. É benéfico
para o tratamento de diversos casos, como problemas de pele,
problemas gástricos e intestinais, etc.
Deve-se ter alguns cuidados ao cultivar o Kefir. Ele não pode
entrar em contato com utensílios metálicos como colheres, vasilhas
e peneiras – o contato pode matar as colônias. Coloque o Kefir
dentro de um pote de vidro para cultivá-lo.
O Kefir de leite deve receber apenas leite, ele não pode entrar
em contato com água. Não use leite em pó, apenas o leite de
“caixinha” ou o de “saquinho”. Cubra as colônias com o leite e deixe
fermentar por aproximadamente 24 horas para ter efeitos neutros.
Depois de fermentado, o Kefir de leite terá aparência de um iogurte
de consistência fina. Use uma peneira de plástico para “lavar” o
Kefir e o lave com leite. O conteúdo a ser consumido é esse líquido
fermentado e não os grãos. Ele tem um sabor levemente azedo, um
odor suave e os cães adoram. Ele não deve ser adoçado antes de
ser fornecido aos cães. Se a fermentação for de 12 horas, ela irá
soltar o intestino. Se for de 36 horas, ela irá prender o intestino.
Assim, animais com dificuldade para defecar, podem receber a
fermentação de 12 horas e animais com diarreia podem receber a
fermentação de 36 horas. Em ambientes mais quentes, ele
fermentará mais rápido e, nos mais frios, mais lentamente. Ele é
bem mais benéfico que os leites fermentados industrializados, pois
ele tem mais microrganismos (mais de 5 bilhões em cada colher de
sopa), não tem conservantes, e é bem mais barato também, visto
que é feito em casa.
O Kefir de água deve fermentar água com açúcar mascavo.
Ele não pode entrar em contato com utensílios metálicos e para coar
use peneira de plástico. O Kefir de água tem um odor mais forte,
algumas pessoas não gostam dele.
Os dois tipos de Kefir são muito benéficos, mas o de leite traz
mais benefícios que o de água. E quais são os benefícios do Kefir?
Eles são inúmeros! O Kefir ajuda a resolver problemas intestinais e
é um excelente repositor de bactérias boas depois de um animal ter
diarreia. Ele é bom para os animais que têm alergias e ajuda a
melhorar problemas de pele, deixando-a mais saudável. Ele é uma
excelente pedida para animais que não podem ainda usar
exclusivamente Alimentação Natural: as rações podem chegar a ter
70% de carboidratos e isso favorece o crescimento de leveduras
ruins no intestino. Então o uso de Kefir para animais que comem
rações já os ajuda muito, as bactérias do Kefir irão prevalecer sobre
as leveduras ruins. Ele é rico em aminoácidos de alta qualidade,
vitaminas do complexo B, como as vitaminas B1 e B12, vitaminas A,
D, K e biotina. É rico nos minerais cálcio, fósforo e magnésio.
Ele tem propriedades antibióticas e antifúngicas. Ele ajuda os
animais a recuperar bactérias boas depois do tratamento com
antibióticos comerciais. É útil no tratamento de animais com
problemas cardíacos (mas lembre-se que nesse caso o animal deve
ser acompanhado por médico veterinário, esse profissional deve
balancear a dieta terapêutica específica para esse tipo de doença).
É útil para que os animais não tenham cólicas intestinais e também
melhora o hálito deles. É muito bom para os casos de gastrite,
pancreatite, anemia, reumatismo, doenças respiratórias, pressão
alta, diabetes e câncer (lembre-se novamente que os animais
doentes devem ser acompanhados por médico veterinário).
A dose para animais saudáveis está relacionada abaixo.
Mostrarei as quantidades mínimas, pode-se oferecer mais, desde
que o animal não apresente diarreia ou alergia.
Cães até 4,9 kg e gatos: 1 colher de chá a 1 colher de
sopa diariamente;
Cães de 5 kg a 19,9 kg: 1 a 2 colheres de sopa
diariamente;
Cães acima de 20 kg: 2 a 3 colheres de sopa
diariamente;
Biomassa de Banana Verde
A Biomassa de Banana Verde é um excelente prebiótico.
Prebióticos são o alimento que as bactérias boas gostam e as ruins
odeiam. Quando um animal ingere esse tipo de alimento, ele está
facilitando que as bactérias do bem cresçam e as do mal morram.
Preparar a Biomassa é muito simples e você vai gastar muito
pouco para fazer isso. Você precisa de uma quantidade de bananas
verdes (quanto mais duras, melhor), uma panela de pressão, água
suficiente e um liquidificador. Lave as cascas das bananas antes de
coloca-las na panela. Coloque-as na panela e encha de água até
cobrir as bananas. Acenda o fogo e espere a panela “pegar
pressão”. Quando isso acontecer, baixe o fogo e marque 10
minutos. Depois desse tempo, apague o fogo e espere elas
esfriarem um pouco. Quando elas estiverem mornas, descasque as
bananas e as coloque no liquidificador. Coloque água aos poucos e
vá batendo até conseguir uma textura de uma massa. Depois disso,
coloque em copinhos e congele. Ela dura cerca de 3 dias na
geladeira e até 1 mês no congelador. Você pode descongelar 1
copinho todo dia para fornecer para o seu cão.

A quantidade a ser dada é a seguinte:


Cães pequenos: até 1 colher de café por dia
Cães médios: até 1 colher de sobremesa por dia
Cães grandes: até 1 colher de sopa por dia
Cães gigantes: até 3 colheres de sopa por dia
Lembre-se de sempre adaptar o animal antes de ele começar
a receber um alimento novo. Se isso não for feito, o animal pode
passar a ter diarreia. Outra coisa que pode acontecer é de o animal
ter alergia à Biomassa de Banana Verde. Isso é muito raro, mas se
seu animal tiver, basta parar de dar a Biomassa para ele.
Receita de geleia de pés de frango
Os cães de raças que tem orelhas eretas – como o pastor
alemão, akita, pastor belga, husky siberiano, etc. – podem ter
problemas para tê-las assim caso não ingiram quantidades
adequadas de colágeno. O colágeno é uma importante substância
na formação das cartilagens e o quê faz as orelhas desses cães
ficarem assim “durinhas” é uma cartilagem. Cães que não ingerem
colágeno o suficiente quando filhotes ficam com as orelhas para
baixo, diferente do padrão da raça. É uma questão estética, não ter
as orelhas para cima não causará problemas de saúde. Para quem
quer garantir as orelhas do cachorro para cima, essa receita ajudará
muito. Além disso, ela é indicada também para que o animal tenha
bons aprumos e para a formação das cartilagens em geral.
Certamente os animais serão mais saudáveis.
Essa geleia é muito útil também para a saúde da pele, dos
pelos, dos ossos, para animais que têm dores articulares, para
recuperação das cartilagens e excelente contra diversos tipos de
inflamação. Não existe contraindicações do uso dela.
Essa receita é uma adaptação da receita da nutricionista
Gisela Savioli. A receita dela é voltada para humanos e apresenta
ingredientes que são tóxicos para os cães, como a cebola, por
exemplo. A receita original está disponível no blog dela. Nas
referências bibliográficas você encontrará o endereço do blog dela.
Os ingredientes para a receita dela são os seguintes:
1 kg de pés de frango
6 colheres de sopa de açafrão-da-terra ralado fresco ou
em pó
1 pitada de pimenta do reino
3 colheres de suco de limão ou sopa de vinagre
Preparo: lave os pés de frango, retire as unhas e os quebre
em 3 pedaços. Coloque todos os ingredientes na panela de pressão
e acrescente água até 4 dedos acima do conteúdo; cozinhe em fogo
alto até a panela pegar pressão, depois disso deixe cozinhar por 90
minutos em fogo baixo. Deixe esfriar um pouco e então bata o
conteúdo no liquidificador (de preferência um que tenha copo de
vidro). Coe em peneira de alumínio preferencialmente e despreze o
resíduo, que será bem pouco.
É muito importante usar a pimenta-do-reino, pois ela age em
sinergia com o açafrão-da-terra: a pimenta aumenta a absorção do
açafrão em mais de 2.000 vezes! Sem a pimenta-do-reino a
absorção do açafrão fica prejudicada. O açafrão é um potente anti-
inflamatório natural. E use exclusivamente a pimenta-do-reino,
outros tipos de pimenta podem causar problemas aos cães.
Ficará um caldo grosso como sopa. Coloque-o em potinhos ou
copinhos e congele por até 6 meses. É importante marcar nos
copinhos a data de quando foi feito a geleia, para que ela não
estrague. Toda semana você pode retirar um potinho do congelador.
Dê para o cachorro 1/2 colher de chá para cada 5 kg de peso. Dê
duas vezes por dia.
A quantidade que deve ser oferecida é a seguinte:
Cães de até 5 kg: ½ colher de chá, 2x/dia;
Cães de 5 a 9,9 kg: 1 colher de chá, 2x/dia;
Cães de 10 a 14,9 kg: 1 ½ colher de chá, 2x/dia;
Cães de 10 a 14,9 kg: 2 colheres de chá, 2x/dia;
Cães de 15 a 19,9 kg: 2 ½ colheres de chá, 2x/dia;
Cães de 20 a 24,9 kg: 3 colheres de chá, 2x/dia;
Cães de 25 a 29,9 kg: 3 ½ colheres de chá, 2x/dia;
Cães de 30 a 34,9 kg: 4 colheres de chá, 2x/dia;
Cães de 35 a 39,9 kg: 4 ½ colheres de chá, 2x/dia;
Cães acima de 40 kg: 5 colheres de chá, 2x/dia;
Além de ser bom para enrijecer a cartilagem da orelha, será
ótimo para as cartilagens em formação e para o cão ter excelente
aprumo!
Verduras, legumes e folhas
Na lista abaixo, em ordem alfabética, apresento quais
legumes, verduras e folhas podem ser ou não oferecidos aos cães,
sua frequência, como devem ser oferecidos e algumas observações.
Caso queira saber sobre mais verduras, legumes e folhas, consulte
o livro “113 Alimentos para o seu Cachorro”, também do Dr. Edgard
Gomes.

1. Acelga: pode ser dada todo dia, picadinha, refogada com


manteiga ou óleo de coco.
2. Alface: pode ser dada todo dia, picadinha, refogada com
manteiga ou óleo de coco.
3. Brócolis: pode ser dado todo dia, picadinho, refogado com
manteiga ou óleo de coco. Não combinar na mesma refeição
brócolis, couve-flor e repolho, pois eles fermentam e vão
causar cólicas nos cães.
4. Cebola: não pode ser dada de forma alguma, é muito tóxica.
5. Cenoura: pode ser dado toda dia, crua, picadinha, refogada
em manteiga ou óleo de coco.
6. Jiló: pode ser dado diariamente, picadinho, refogado na
manteiga ou óleo de coco. Não fornecer a animais que têm
artrite, artrose, displasias, dores nas costas e doenças
inflamatórias.
7. Manjericão (folhas): pode ser dado diariamente, picadinho,
refogado na manteiga ou óleo de coco.
8. Repolho: pode ser dada todo dia, picadinha, refogada com
manteiga ou óleo de coco. Não combinar na mesma refeição
brócolis, couve-flor e repolho, pois eles fermentam e podem
causar gases e dores abdominais nos cães.
9. Salsinha: pode ser dada diariamente, picadinha, refogada na
manteiga ou óleo de coco.
10. Talos de salsão: podem ser dados diariamente,
picadinho, refogado na manteiga ou óleo de coco.
Frutas
As frutas podem fazer parte das dietas naturais. Elas podem
ser colocadas nos cálculos das refeições substituindo uma parte dos
vegetais, só podem substituir completamente estes. Isso porque as
frutas contêm muito açúcar e ao serem digeridas conjuntamente
com a parte proteica podem causar indigestão se servidas em
excesso.
Algumas frutas podem ser fornecidas livremente aos animais,
algumas com restrições e algumas outras não podem ser oferecidas
pois podem gerar intoxicações.
Ainda, as frutas podem ser oferecidas como petiscos ou
lanches para os animais, mas nunca devem ultrapassar 15% da
dieta total do dia em questão, mesmo que os animais desejem.
Na lista abaixo apresento, em ordem alfabética, quais frutas
podem ou não ser oferecidas, a frequência e algumas observações.
Todas as frutas que podem ser dadas não devem ultrapassar a
quantidade de 15% da dieta total do animal, visto que elas são ricas
em açúcares. Ainda, as frutas devem ser oferecidas frescas, e não
as enlatadas, com calda, etc. Caso queira saber sobre outras frutas,
consulte o livro “113 Alimentos para o seu Cachorro”, também do Dr.
Edgard Gomes.

1. Abacate: pode ser dado todo dia, apenas a polpa. A casca e o


caroço são tóxicos.
2. Abacaxi: pode ser dado 2 vezes por semana. Como é uma
fruta cítrica, se o animal passar mal ao ingerir não ofereça
mais.
3. Acerola: pode, diariamente.
4. Ameixa: pode, todo dia, sem caroço.
5. Banana: pode ser dada todos os dias, inclusive com a casca.
6. Blueberries (mirtilo): podem ser dadas todos os dias.
7. Carambola: não pode ser dada. Pode causar intoxicação
grave e destruição dos rins.
8. Figo: pode ser dado todo dia.
9. Framboesa: pode ser dada todo dia.
10. Kiwi: pode ser dado todo dia.
Alimentos proibidos
Abaixo, em ordem alfabética, encontra-se uma lista de
alimentos que não devem ser fornecidos aos pets. Caso queira
saber sobre mais alimentos proibidos, consulte o livro “113
Alimentos para o seu Cachorro”, também do Dr. Edgard Gomes.

1. Chá preto: contém alcaloides tóxicos, assim como o


chocolate. Causa taquicardia, vômitos, diarreia e morte.
2. Chicletes e balas: muitos contém o adoçante xilitol e podem
causar os mesmos sintomas que ele puro causa.
3. Chocolate: contém o alcaloide teobromina. Causa
taquicardia, vômitos, diarreia e morte.
4. Frituras: contém gorduras prejudiciais aos pets.
5. Leite: pode causar diarreias.
6. Macadâmias: causa fraqueza, depressão, febre e “queda”
dos membros traseiros.
7. Pimenta malagueta: pode causar gastrite e úlcera.
8. Refrigerantes: contém alcaloides tóxicos.
9. Sementes de maçã e pera: liberam ácido cianídrico no
estômago e causam morte.
10. Tabaco: causa problemas digestivos, respiratórios,
cardíacos, coma e morte.
Montando a Dieta
As proporções de alimentos que vou passar nessa seção do
livro serve como base para a dieta de um cão em manutenção. Um
cão em manutenção é aquele que não tem um nível alto de
atividade, e nem um que tem um nível baixo. É um cão adulto, que
não está prenhe, nem amamentando e nem doente. É um animal
saudável e que não tem restrições alimentares.
Animais que tenham doenças como insuficiência renal,
cardíaca, câncer, obesidade, pancreatite, etc., precisam de dietas
adequadas para seus quadros e a explicação dessa parte não se
aplica a eles. Caso você tenha um animal nessas condições, entre
em contato com um profissional para que ele monte a dieta. Caso
deseje que eu preste esse serviço, mande um e-mail para
vet.edgard@gmail.com que eu lhe explico como funciona o meu
atendimento à distância e também te passo um orçamento. É
importante realizar uma transição da ração para a Alimentação
Natural e seu veterinário te orientará nesse sentido.
Além disso, assuma a responsabilidade por seu animal ao
fazer a dieta. Se você não se sentir seguro de colocar a dieta em
prática, procure a ajuda de um profissional. Uma dieta mal
balanceada trará muitas doenças para o animal. Leia atentamente
essas informações e procure ajuda veterinária antes de iniciar, para
que seu animal seja avaliado se ele pode ou não receber essa dieta.
Eu não posso garantir resultados, visto que existem, como falei
anteriormente, diversos fatores envolvidos ao se montar uma dieta.
Também não me responsabilizo por quaisquer danos ou prejuízos
resultantes de se tentar seguir as informações abaixo. Por isso,
repito, em caso de dúvidas, procure a ajuda de um profissional.
Bom, um cachorro em manutenção deve ingerir por dia uma
quantidade de alimentos baseado em seu peso. As porcentagens
são as seguintes:
Cães de até 3 kg: 7% a 10% de seu peso de dieta por
dia.
Cães entre 3 kg e 5 kg: 5% a 6% de seu peso de dieta
por dia.
Cães entre 5 kg a 10 kg: 4% a 6% de seu peso de dieta
por dia.
Cães entre 10 kg a 35 kg: 4% a 5% de seu peso de dieta
por dia.
Cães acima de 35 kg: 3% a 4% de seu peso de dieta por
dia.
Essas quantidades devem ser dividas em pelo menos duas
refeições diárias, uma pela manhã e outra no final da tarde ou início
da noite. Se for possível dividir em três refeições diárias, será
melhor ainda. Cães grandes e gigantes podem sofrer de torção
gástrica (estomacal) se receberem alimentação apenas 1 vez por
dia. A torção gástrica é um problema gravíssimo e muitos animais
morrem por conta dele.
Dieta Crua com Ossos
As proporções entre os alimentos para a dieta Crua com
Ossos é a seguinte:
Ossos carnudos crus: 50% da dieta.
Vegetais liquidificados: 25% da dieta.
Carnes desossadas: 15% da dieta.
Vísceras: 10% da dieta.
Lembre-se de comprar os alimentos em locais confiáveis.
Procure sempre saber se o produto teve inspeção do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Isso evitará muitos
problemas.
Animais de focinho curto e/ou cães pequenos não devem
receber dessa dieta, pois existe o risco desses animais se
engasgarem com os ossos. Assim, não dê dessa dieta para
Pinscher, Shitzu, Lhasa Apso, Spitz Alemão/Lulu da Pomerânia,
pug, bulldog, boxer, etc.
Dieta Crua sem Ossos
A dieta Crua sem Ossos pode ser dada para os cães de
focinho curto e/ou pequenos que citei no item anterior. Abaixo, as
proporções que ela deve ter:
Carnes cruas: 40% da dieta.
Vísceras: 5% da dieta.
Raízes/tubérculos bem cozidos: 30% da dieta.
Vegetais cozidos liquidificados: 25% da dieta.
Alguns exemplos de raízes: batata, batata doce, inhame,
mandioca, mandioquinha, batata baroa, etc. Exemplos de vegetais:
alface, rúcula, brócolis, couve, couve-flor, repolho, etc.
Essa dieta deve ser suplementada diariamente com o
suplemento natural Food Dog Adulto manutenção em cada refeição.
Você deve ter os mesmos cuidados com os ingredientes que
lhe informei na dieta Crua com Ossos.
Dieta Cozida
Alguns animais são um pouco exigentes em relação à
alimentação: eles simplesmente não comem carnes ou vísceras
cruas. Para esses animais é recomendada essa dieta. Uma outra
possibilidade é em relação a tutores que que não gostem de
manipular carnes e vísceras cruas. Segue abaixo as proporções
dela:
Carnes cozidas: 35% da dieta.
Vísceras cozidas: 5% da dieta.
Raízes/tubérculos bem cozidos: 30% da dieta.
Vegetais cozidos liquidificados: 30% da dieta.
Alguns exemplos de raízes: batata, batata doce, inhame,
mandioca, mandioquinha, batata baroa, etc. Exemplos de vegetais:
alface, rúcula, brócolis, couve, couve-flor, repolho, etc.
Essa dieta deve ser suplementada diariamente com o
suplemento natural Food Dog Adulto manutenção em cada refeição.
Você deve ter os mesmos cuidados com os ingredientes que
lhe informei na dieta Crua com Ossos.
Suplemento Food Dog
Você observou que a dieta Crua sem Ossos e a dieta Cozida
precisam receber em cada refeição o suplemento natural Food Dog
Adulto Manutenção. Esse suplemento é o único do mercado, pelos
menos atualmente, que tem indicação para uso junto com
alimentação natural. Existem no mercado diversos outros
suplementos de vitaminas e minerais no mercado, mas eles não têm
indicação para uso com a Alimentação Natural. Assim, eu
recomendo que você use o Food Dog para a alimentação dos seus
cães.
E por que existe a necessidade de suplementar essas dietas?
Por conta da falta de ossos na alimentação desses animais. Os
ossos são uma excelente e necessária fonte de nutrientes. Animais
que não podem por algum motivo comer ossos precisam receber o
Food Dog para compensar as perdas por não ingerirem desse
alimento.
Suplemento Nutroplus Manutenção
Já falamos sobre a importância de acrescentar suplementos
nos momentos em que os cães não comem ossos. Existe um novo
suplemento que pode ser usado com a Alimentação Natural e ele se
chama Nutroplus. Existem no mercado diversos outros suplementos
de vitaminas e minerais no mercado, mas eles não têm indicação
para uso com a Alimentação Natural. Assim, eu recomendo que
você use o Food Dog ou Nutroplus para a alimentação dos seus
cães.
O Nutroplus apresenta 2 vantagens: ele rende mais que o
Food Dog e também pode ser comprado com 5% de desconto na
loja online Zen Animal, basta que você use o cupom ANPDOG. O
Food Dog não é, pelo menos até esse momento, vendido pela loja
Zen Animal.
Acrescente os suplementos somente na hora de fornecer os
alimentos. Se você já colocar o suplemento em refeições que não
serão imediatamente consumidas, p. ex. as que você for congelar,
ele vai perder características nutricionais importantes.
Montando a Dieta de Cães Filhotes
Vamos abordar nesse tópico a alimentação natural para
filhotes. Vamos considerar filhotes que já foram desmamados. A
alimentação de filhotes precisa de maiores cuidados em seu
preparo, principalmente na origem dos alimentos e na higiene do
preparo dos alimentos.
Embora os filhotes fiquem no chão, lambam coisas estranhas,
etc, eles são como bebês humanos, tem uma imunidade ainda em
desenvolvimento. Assim, transições bruscas na alimentação ou
introdução de alimentos novos podem causar diarreia e vômitos.
Caso isso aconteça, procure o seu médico veterinário com urgência,
a desidratação por vômito e diarreia é uma das causas mais comuns
de morte de filhotes. Ainda, diarreias graves e vômitos graves
podem impactar negativamente o crescimento de filhotes,
causando-lhes prejuízos para o resto da vida.
Ressalto que não recomendo que você dê uma dieta crua com
ossos para filhotes antes dos 6 meses de idade. Existe um risco
grande de fratura dos dentes de leite, o que é algo que pode se
tornar um problema grave. Inicie com a dieta crua sem ossos ou a
dieta cozida.
Alguns cães se tornam exigentes quando crescem em relação
ao alimento que recebem. Na minha experiência, cães da raça
Shitzu são bastante exigentes, os adultos que eu já atendi
raramente aceitam a dieta crua. Assim, é bom que você acostume o
seu cão a receber carnes cruas e cozidas nessa fase de filhotes,
isso aumenta as chances de que você tenha mais versatilidade na
forma de alimentar os animais quando se tornarem adultos.
O suplemento recomendado para os cães filhotes é o
Nutroplus Crescimento ou o Food Dog Crescimento. Acrescente os
suplementos somente na hora de fornecer os alimentos. Se você já
colocar o suplemento em refeições que não serão imediatamente
consumidas, p. ex. as que você for congelar, ele vai perder
características nutricionais importantes.
Cálculo das dietas de Cães Filhotes
Os cães serão separados pelas categorias: filhotes que
quando adultos terão porte pequeno, filhotes que quando adultos
terão porte médio, filhotes que quando adultos terão porte grande e
filhotes que quando adultos terão porte muito grande.
Filhotes que quando adultos terão porte
pequeno
Esses animais são aqueles que quando adultos terão entre 1
kg a 10 kg. A quantidade de alimentos vai variar conforme o
crescimento dos filhotes, com faixas de porcentagens que variam a
cada 2 meses. Os cálculos devem ser feitos se baseando no peso
que os filhotes tenham nesse momento. A proporção de alimentos
de cada dieta, crua com ossos, crua sem ossos e cozida, é a
mesma da dos cães adultos.
As quantidades a serem fornecidas são as seguintes:
• 2 a 4 meses de idade: 10% do peso vivo (PV);
• 4 a 6 meses de idade: 8% do PV;
• 6 a 8 meses de idade: 6% a 7% do PV;
• 8 a 10 meses de idade: 5% a 6% do PV;
• 10 meses em diante: 4% a 6% do PV;
Filhotes que quando adultos terão porte
médio
Esses animais são aqueles que quando adultos terão entre 10
kg a 25 kg. A quantidade de alimentos vai variar conforme o
crescimento dos filhotes, com faixas de porcentagens que variam a
cada 2 meses. Os cálculos devem ser feitos se baseando no peso
que os filhotes tenham nesse momento. A proporção de alimentos
de cada dieta, crua com ossos, crua sem ossos e cozida, é a
mesma da dos cães adultos.
As quantidades a serem fornecidas são as seguintes:
• 2 a 4 meses de idade: 10% do peso vivo (PV);
• 4 a 6 meses de idade: 8% do PV;
• 6 a 8 meses de idade: 6% a 7% do PV;
• 8 a 10 meses de idade: 5% a 6% do PV;
• 10 a 18 meses: 4% a 6% do PV;
• 18 meses em diante: 4% a 5% do PV;
Filhotes que quando adultos terão porte
grande
Esses animais são aqueles que quando adultos terão entre 25
kg a 35 kg. A quantidade de alimentos vai variar conforme o
crescimento dos filhotes, com faixas de porcentagens que variam a
cada 2 meses. Os cálculos devem ser feitos se baseando no peso
que os filhotes tenham nesse momento. A proporção de alimentos
de cada dieta, crua com ossos, crua sem ossos e cozida, é a
mesma da dos cães adultos.
As quantidades a serem fornecidas são as seguintes:
• 2 a 4 meses de idade: 8% do peso vivo (PV);
• 4 a 6 meses de idade: 7% do PV;
• 6 a 8 meses de idade: 6% a 7% do PV;
• 8 a 10 meses de idade: 5% a 6% do PV;
• 10 a 18 meses: 4% a 5% do PV;
• 18 meses em diante: 4% a 5% do PV;
Filhotes que quando adultos terão porte
muito grande
Esses animais são aqueles que quando adultos terão peso
acima de 35 kg. A quantidade de alimentos vai variar conforme o
crescimento dos filhotes, com faixas de porcentagens que variam a
cada 2 meses. Os cálculos devem ser feitos se baseando no peso
que os filhotes tenham nesse momento. A proporção de alimentos
de cada dieta, crua com ossos, crua sem ossos e cozida, é a
mesma da dos cães adultos.
As quantidades a serem fornecidas são as seguintes:
• 2 a 4 meses de idade: 8% do peso vivo (PV);
• 4 a 6 meses de idade: 7% do PV;
• 6 a 8 meses de idade: 6% do PV;
• 8 a 10 meses de idade: 5% do PV;
• 10 a 14 meses: 4% a 5% do PV;
• 18 a 24 meses: 4% do PV;
• 24 meses em diante: 3% a 4% do PV;
Quanto dinheiro você está jogando fora
com vacinas?
A vacinação de cães é algo importante e eu não sou contra
vacinas. O que eu sou contra é o exagero na vacinação de cães e
gatos. Chegamos ou ponto do absurdo: diversos colegas médicos
veterinários, infelizmente, estão dando protocolos exagerados de
vacinação, dando até mais vacinas do que os fabricantes
recomendam. Cães filhotes precisam de 4 doses de vacina quando
filhotes (vou falar quais são abaixo), mas tem cãezinhos que
recebem até 14 doses de diversas vacinas. É óbvio que isso vai
fazer mal pra eles.
A vacinação contra raiva anual é obrigatória por lei no Brasil.
Mas essa é uma lei antiga que já deveria ter sido alterada. Temos
que lutar para que haja essa mudança na legislação. Já as demais
vacinas não são obrigatórias por lei. O problema das vacinas é que
elas não são um “liquidozinho” inofensivo. Elas podem sim causar
diversos problemas, tais como reações alérgicas, cânceres
malignos, artrites e artroses, doença grave nos rins, etc.
Vamos pensar um pouco para entender esse problema: você
se lembra do medicamento Merthiolate? Se você for da minha
época, com certeza vai se lembrar. Era o remédio que as mamães
passavam nos joelhos arranhados das crianças. Nossa, aquilo ardia
muito. Parece que doía mais do que o próprio machucado. Agora, o
Merthiolate de hoje não arde mais... o que aconteceu?
Acontece que em 2001 o Ministério da Saúde baixou uma
resolução proibindo a produção e venda de medicamentos que
continham mercúrio. O mercúrio é um metal pesado que pode
causar intoxicações e problemas muito graves. E o Merthiolate
antigamente era uma molécula chamada Timerosal. Atualmente, ele
é composto de digliconato de clorexidina. Essa mudança foi feita em
2001 por conta da tal resolução. O Timerosal passou a ser proibido
porque ele tem mercúrio! E é aí que se começa o problema com as
vacinas.
O Timerosal é usado nas vacinas como conservante. Existem
outras opções de conservantes, mas eles são mais caros.
Entretanto, eles são bem mais seguros do que o Timerosal. O
Timerosal é muito barato, mas é muito tóxico, contém mercúrio. E
isso é contraditório: o Ministério da Saúde proíbe que a gente passe
mercúrio numa ferida superficial, mas permite que a gente injete
mercúrio dentro dos músculos na hora da vacinação. E as vacinas
para humanos também contêm Timerosal, ou seja, mercúrio.
Estamos todos, humanos e cães, sendo intoxicados por conta das
vacinas.
Um outro problema é a presença de alumínio nas vacinas.
Inacreditável: outro metal pesado nessas ampolas. O alumínio
funciona como um adjuvante vacinal, ou seja, ele deixa a vacina
mais potente, faz que o organismo que recebe a vacina crie uma
“memória” mais forte contra as doenças. Mas isso ocorre a um custo
muito alto.
Outros componentes das vacinas danificam o DNA das células
e isso gera câncer. Uma doença muito grave.
Além disso, partes das vacinas se depositam em diversas
partes do corpo, tais como os rins e as cartilagens. O organismo
passa a não reconhecer mais essas células e começa a fazer uma
autodestruição das células do rim e das cartilagens, além de outras.
E é daí que as doenças renais e de artrite e artrose começam a
aparecer.
O protocolo adequado cientificamente para o Brasil é o
seguinte:
2 meses de idade: 1 dose de vacina múltipla, de
preferência a V6 ou V8.
3 meses de idade: 1 dose de vacina múltipla, de
preferência a V6 ou V8.
4 meses de idade: 1 dose de vacina múltipla, de
preferência a V6 ou V8.
4 meses e 2 semanas de idade: 1 dose de vacina contra
a raiva
1 ano de idade: reforço de 1 dose de vacina múltipla e 1
dose de raiva (não aplicar as duas no mesmo dia,
aguardar intervalo mínimo de 1 semana entre as duas).
4 anos de idade: reforço de 1 dose de vacina múltipla e 1
dose de raiva (não aplicar as duas no mesmo dia,
aguardar intervalo mínimo de 1 semana entre as duas).
7 anos de idade: reforço de 1 dose de vacina múltipla e 1
dose de raiva (não aplicar as duas no mesmo dia,
aguardar intervalo mínimo de 1 semana entre as duas).
10 anos de idade: reforço de 1 dose de vacina múltipla e
1 dose de raiva (não aplicar as duas no mesmo dia,
aguardar intervalo mínimo de 1 semana entre as duas).
13 anos de idade: reforço de 1 dose de vacina múltipla e
1 dose de raiva (não aplicar as duas no mesmo dia,
aguardar intervalo mínimo de 1 semana entre as duas).
E assim se segue a cada 3 anos.
Os cães devem ser vacinados contra doenças que eles
“nunca” podem pegar, ou seja, doenças fatais. Um cão nunca pode
pegar raiva: essa doença não tem cura, “pegou, morreu”. Por conta
disso, vacinamos contra raiva. Parvovirose e cinomose são doenças
graves, a maioria dos animais morrem e os que sobrevivem ficam
com sequelas graves para o resto da vida. Assim, vacinamos os
cães contra cinomose e parvovirose.
Quando falamos das doenças Tosse dos Canis ou Gripe dos
Cães e da Giárdia, não vale a pena vacinar. Os animais que ficam
doentes com essas doenças são tratados com certa tranquilidade e
são curados sem muita dificuldade, desde que sejam
acompanhados no tratamento por um Médico Veterinário. Assim,
não há necessidade de ficar injetando mercúrio e alumínio nos
nossos bichinhos para proteger contra doenças de tratamento eficaz
e simples. E ainda, cães vacinados contra Tosse dos Canis ou
Giárdia ainda assim podem pegar essas doenças, a vacina não é
100% eficaz. A vacina contra Tosse dos Canis começa com o nome
“Bronchi...”.
Com relação a Leishmaniose (também conhecida como
Calazar), pode ser interessante vacinar os cães que moram em
áreas onde a doença ocorre. Mas, mesmo assim, a vacina não é
100% eficaz. Veja no próximo tópico algumas dicas preciosas para
combater o mosquito que transmite a Leishmaniose.
Formas naturais de combater o mosquito
da Leishmaniose
O mosquito transmissor da Leishmaniose é o mosquito-
palha. O ciclo de vida dele é muito semelhante ao do mosquito da
dengue. Quando combatemos o mosquito da dengue também
combatemos o mosquito-palha.
É essencial saber como combater essa praga. Então, não
deixe água acumulada em vasos de plantas, pneus, garrafas, lixo ou
calhas. Tenha em seu jardim ou em vasos plantas repelentes, como
a lavanda e a citronela. A Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS) recomenda o seguinte:
Cuidados dentro das casas e apartamentos;
Tampe os tonéis e caixas d’água;
Mantenha as calhas sempre limpas;
Deixe garrafas sempre viradas com a boca para baixo;
Mantenha lixeiras bem tampadas;
Deixe ralos limpos e com aplicação de tela;
Limpe semanalmente ou preencha pratos de vasos de
plantas com areia;
Limpe com escova ou bucha os potes de água para
animais;
Retire água acumulada na área de serviço, atrás da
máquina de lavar roupa.
Cubra e realize manutenção periódica de áreas de
piscinas e de hidromassagem;
Limpe ralos e canaletas externas;
Atenção com bromélia, babosa e outras plantas que
podem acumular água;
Deixe lonas usadas para cobrir objetos bem esticadas,
para evitar formação de poças d’água;
Verifique instalações de salão de festas, banheiros e
copa.
Se você encontrar algum foco de mosquito da dengue e
você não pode eliminá-lo, você pode entrar em contato
com a prefeitura de sua cidade para eles realizarem a
limpeza. Você pode precisar disso se ver um terreno
baldio cercado e que tenha focos de água parada. Você
não vai poder entrar lá, então chame a prefeitura que
eles cuidam disso.
Utilize telas em janelas e portas, use roupas compridas –
calças e blusas – e, se vestir roupas que deixem áreas
do corpo expostas, aplique repelente nessas áreas.
Fique, preferencialmente, em locais com telas de
proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis.
Receita de spray repelente natural
Essa receita foi criada pela editora da revista canadense
“Dogs Naturally” e essa revista é excelente. Existem diversos artigos
sobre os mais variados temas com relação a cães e produtos
naturais, dietas naturais, etc. Vale a pena conferir. Lembre de testar
se seu pet não vai ter algum tipo de alergia por conta do produto.
Aplique uma pequena quantidade do produto na parte interna da
coxa do animal, em uma parte que não tenha pelos. Daí, espere uns
15 minutos e veja se tem irritação ou não, se o animal fica coçando
a área, se ela ficou vermelha... se isso acontecer, seu animal tem
alergia a esse produto e aí você não deve usar.
Para preparar o spray você vai precisar de:
1 frasco com spray (não pode ser transparente);
24 gotas de óleo essencial de Eucalipto Citriodora;
60 ml de extrato de Hamamélis;
60 ml de óleo vegetal de jojoba ou óleo vegetal de
amêndoas doces;
Misture todos os ingredientes no frasco spray e agite bem.
Lembre de agitar bem também antes de aplicar no animal. Aplique
em todo o corpo dele, tendo cuidado para que não caia nos olhos
dele.
Conclusão
Passamos nesse livro pela teoria da Nutrição Canina, sobre
como preparar as carnes e ossos de diferentes, vários tipos de
verduras, legumes, frutas e alimentos proibidos. Assim, revisamos
mais de 100 tipos diferentes de alimentos! Esse é um dos poucos
materiais que agrupam todas essas informações de forma fácil e
prática de ser consultada.
Caso queira o meu auxílio na montagem de dietas de animais
saudáveis ou de animais doentes, entre em contato pelo e-mail
vet.edgard@gmail.com. Meu horário de atendimento é de segunda à
sexta, das 8h às 18h, exceto nos feriados.
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