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Introdução às Associações Civis e

Sociedades Empresárias no Futebol


Experiências de financiamento de
associações civis
1. Cogestão: Palmeiras/Parmalat
2. Aquisição de direitos econômicos de atletas:
Fluminense/Unimed Rio, Corinthians/MSI,
Internacional/Sonda, Palmeiras/Crefisa e Atlético-
MG/empresários
3. Criação de empresa de licenciamento: Vasco da
Gama/Bank of America, Corinthians/Hicks Muse,
Flamengo/ISL e Cruzeiro/Hicks Muse
4. Empréstimo a juros baixo com FIDC: Palmeiras/Paulo
Nobre
1. Cogestão: Palmeiras/Parmalat
(1992-2000)
• Parmalat já tinha experiência com futebol. Era controladora do time italiano Parma e queria
exposição no Brasil. Idealização de Gianni Grisendi, Presidente da Parmalat para América Latina.
Entrada no mercado brasileiro: tecnologia do leite UHT (temperatura muito alta) e embalagem
Tetra Pack (conservação diferenciada); Investimento em clube ligado à colônia italiana em São
Paulo;
• Cogestão no futebol, vôlei, basquete, futsal e hóquei sobre patins. Colegiado de dois
representantes da Parmalat e dois representantes do Palmeiras, sendo administrado por um
executivo especialmente contratado para a função José Carlos Brunoro;
• Caso não houvesse acordo sobre qualquer assunto, a decisão final era
do clube;
• Parceria “no fio do bigode”, sem documento assinado. Quando o
acordo não foi renovado no fim de 2000 por ausência de interesse da
Parmalat, o Palmeiras não colecionou bons resultados, culminando
com o rebaixamento à Série B em 2002;
• É tido, até hoje, como exemplo de cogestão no futebol brasileiro;
• Caso a caso, as duas partes decidiam quem paga o salário dos
jogadores e da comissão técnica. Parmalat investia na contratação de
jogadores e repassa parte do valor do passe ao Palmeiras quando
vendidos.
Para a Parmalat, o Palmeiras
significava:
• Visibilidade acelerada: um patrocínio convencional – sem a colocação de jogadores
qualificados – traria um grau de exposição significativamente menor do que a atenção
incandescente que o acordo produziu à época. A empresa de assessoria de imprensa relatava
que o número de citações de “Parmalat” equivalia a 20 vezes o valor de anúncios pagos nos
respectivos órgãos de comunicação;
• Posicionamento da marca: o logo Parmalat e seus atributos passaram a ser lidos de maneira
qualificada pelo mercado em geral de consumidores e de empresas de comunicação;
• Impacto no crescimento geral da empresa: o aumento acentuado da captação de leite e a
aquisição de fábricas dentro do país foram viabilizados pela visibilidade acelerada e pelo novo
posicionamento da marca Parmalat;
• Impacto nas vendas: leite e derivados produzidos pela empresa tiveram crescimento de
vendas vertiginoso;
• O futebol como centro de lucro: com o tempo, as compras e vendas de jogadores passaram a
gerar caixa líquido para a empresa. Segundo se sabia, parte desse caixa líquido era reinvestido
na própria Parceria.
Para o Palmeiras, a Parmalat
significava:
• Recurso físico: jogadores com que o clube jamais poderia sonhar à época e eram trazidos pela empresa;
• Fonte de renda: a verba de patrocínio mais a taxa de vitrine;
• Impacto na arrecadação do clube: bilheteria, quotas de televisão e receitas em geral do futebol foram
ampliadas dado o patamar técnico – condizente com sua tradição – que o time pode retomar em
consequência da Parceria;
• Capacidade gerencial: a experiência da Parmalat em gerir exportes era muito mais qualificada do que o
Palmeiras possuía. No âmbito da Parceria, essa competência foi posta à disposição do clube;
• Separação do futebol: a Parceria permitiu que a atividade futebol fosse isolada administrativamente das
outras atividades do clube SE Palmeiras. Com isso, pode-se reduzir o impacto da atividade política –
natural de uma entidade de associados – sobre a gestão do futebol;
• Controle por um blockholder: na atividade empresarial em geral, a figura do controlador – blockholder – é
vista com fator potencialmente positivo na governança corporativa. Coloquialmente, tal fato é dado pela
expressão “o olho do dono é que engorda o porco”. Para o futebol de clubes, essa figura
do blockholder não é natural dado que os administradores atuam por mandatos e mesmo a cúpula
diretiva máxima não é “dona” do clube. A cogestão permitiu que se emulasse essa situação conferindo às
decisões um potencial maior de alinhamento aos propósitos máximos do futebol: vencer e convencer.
2. Aquisição de direitos econômicos de
atletas: Fluminense/Unimed Rio (1999-
2014)
• Inicialmente, como patrocinadora, por conta de seu presidente Celso Barros, a Unimed Rio sempre
colocou bastante dinheiro no clube, pagando salários e turbinando o valor da camisa como na época
de Edmundo e Romário e outros “medalhões”;
• Foi a partir de 2006 que resolveu começar a comprar direitos econômicos de jogadores e explodiu o
investimento no time carioca; Criou-se a Unimed-Rio Participações e Investimentos S/A, uma
subsidiária da empresa principal, que ficava com os direitos econômicos dos atletas; A empresa
chegou a ter R$ 63,4 milhões em direitos de jogadores no clube em 2012;
• Além dos direitos econômicos, a Unimed Rio pagava o
equivalente a 80% remuneração (imagem), dos atletas;
• A interferência de Celso Barros no departamento de
futebol gerou algumas discussões internas entre grupos
políticos. No segundo mandato de Peter Siemsen, a
relação ficou quase insustentável;
• Segundo balanços oficiais do clube, entre 2009 e 2011
(ápice esportivo) o Fluminense sempre teve prejuízo. Só
nesse período, o rombo foi de R$ 110 milhões,
enquanto a dívida total bate nos R$ 405 milhões;
• Estima-se gasto total de R$ 300 milhões nos 15 anos.
2. Aquisição de direitos econômicos de
atletas: Corinthians/MSI (2004-2006)
• Cerca de R$ 115 milhões foram investidos pela MSI (empresa offshore sediada em
Londres) e formalizada no Brasil como MSI Licenciamentos e Administração LTDA. para
trazer jogadores como Tévez, Mascherano, Nilmar, Carlos Alberto, Roger Flores e o
técnico argentino Daniel Passarella, com participação direta nos direitos econômicos dos
atletas (MSI) e Corinthians como vitrine. Não envolvia patrocínio, mas auxiliava a pagar
salários; Nome do investidor e origem do dinheiro da MSI sempre desconhecidos;
• Em 2006, investigação da Polícia Federal apurou o
envolvimento do oligarca russo Boris Berezoski
como “homem por trás da MSI”. Kia Joorabchian e
dirigentes corinthianos foram acusados de lavagem
de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e
formação de quadrilha;
• A parceria acabou em 2007, deixando uma dívida
de R$ 90 milhões ao Corinthians e a crise
chegando ao campo, com o rebaixamento à Série
B.
2. Aquisição de direitos econômicos de
atletas: Internacional/Grupo Sonda - com
TPO (2008-2015)
• Delcir Sonda: milionário do ramo de supermercados, radicado em São Paulo,
torcedor do clube querendo contratar grandes jogadores para reforçar o time
do coração e aumentar a fortuna com investimento no futebol. Criação da
empresa DIS (profissionalismo). Não envolve patrocínio e nem salários;
• Início em 2008: contratação de D’Alessandro e lateral Kleber; Expandiu
negócio fora do Inter e teve participação em Neymar e Paulo H. Ganso;
• Afastamento do Internacional em 2011, após
desentendimento político com o Vice-Presidente de
futebol Roberto Siegmann;
• Retorno em 2014 e em uma semana desembolsou
US$ 10 milhões para atacante argentino Carlos Luque
e volante chineno Charles Aránguiz. Seguiu
contratando novos atletas, mas sobreveio banimento
ao TPO pela FIFA em maio de 2015 e o time foi
rebaixado à Série B em 2016.
2. Aquisição de direitos econômicos de
atletas: Palmeiras/Crefisa - sem TPO (2015-
atual)
• Misto de patrocínio (R$ 81 milhões anuais) e parceria. Leila Pereira, principal
figura, tem o sonho pessoal de ser candidata à presidência do clube em 2022
e a parceria tem como objetivo claro o título da Libertadores da América;
• Sobre a contratação de atletas, o acordo previa que a Crefisa assumiria o
prejuízo se o atleta contratado fosse vendido por um valor menor que o
aporte inicial. O Palmeiras ficaria com o lucro se o atleta saísse por mais
dinheiro do que o investido nele;
• A Crefisa entendia que o dinheiro investido era apenas um
aporte a mais no clube, colocando essa quantia no balanço
como “despesas”. A Receita Federal, em 2018, determinou
que todo o montante que entrou para esse fim se
transformasse em “empréstimo” da Crefisa ao Palmeiras;
• Todo valor investido pela Crefisa precisa ser devolvido à
empresa, com o Palmeiras assumindo o risco a cada
investimento. A dívida do clube com a Crefisa chegou a R$
172 milhões (dezembro/2019) e foi isso que cessou a série
de contratações de atletas vista entre 2015 e 2018.
2. Aquisição de direitos econômicos de
atletas: Atlético-MG/empresários - sem TPO
(2019-atual)
• Triunvirato: Renato Salvador (rede de hospitais Mater Dei); Rubens Menin (MRV
Engenharia, Banco Inter e CNN Brasil); Ricardo Guimarães (Banco BMG);
Patrocínio “normal” das empresas e auxiliam pontualmente nos salários;
• Empréstimos pessoais para aquisição de direitos econômicos de atletas; Juros
módicos;
• Modelo: compra por 5, vende a 50 e recebe os mesmos 5. E se não vender?
• Ingerência política na parte
administrativa do clube. Briga com o
grupo de Alexandre Kalil;
• Não soluciona endividamento
estrutural. A dívida total do Atlético-
MG saltou de R$ 652 milhões em
dezembro de 2018 para R$ 746
milhões ao fim do ano passado (2019).
3. Criação de empresa de licenciamento:
Vasco da Gama/Bank of America (1998-2001)
• Constituição da Vasco da Gama Licenciamentos S/A (S/A fechada) e licenciamento da marca, símbolo e
hino para exploração da empresa, controlada pelo Bank of America. Executivo: Fernando Gonçalves.
Previsão de duração de 25 anos; A marca do clube (Bank of America) e o departamento de futebol
(dirigentes amadores do Vasco da Gama) são administrados separadamente.
• O Bank of America não tinha representante no departamento futebol do Vasco, poder de decisão
continuava na diretoria; Daria ao clube metade – 50% da verba obtida com a exploração da marca;
• Era um dos maiores contrato da história do
futebol brasileiro. Vasco recebeu R$ 140 milhões
como adiantamento;
• Casamento não durou nem três anos e o clube,
em fevereiro/2001, ficou com uma dívida de mais
de R$ 100 milhões;
• Não investiu em infraestrutura. R$ 74 milhões em
atletas olímpicos em Winnipeg-99 e Sidney-2000;
• Desgaste de relacionamento entre
personalidades fortes: caso SBT;
• CPI do Futebol;
• Receita da TV sem passar pela VGL.
2. Criação de empresa de licenciamento:

Corinthians/Hicks Muse (1999-2002)
Cessão da marca para a Corinthians Licenciamento LTDA., controlada pela HMTF (Hicks, Muse, Tate & Furst Inc.) por dez
anos. Hicks Muse não tinha experiência em grandes investimentos nos esportes. Um de seus donos, Thomas Hicks, era
também dono de dois times americanos, o Texas Rangers, de basebol, e o Dallas Stars, de hóquei – mas a firma tem o
Corinthians como sua primeira aplicação direta; Expectativa de 30% de lucro pela Hicks Muse; Na constituição da
Corinthians Licenciamento, a Hicks Muse fica com 85% das cotas, enquanto que o clube detém os 15% restantes. No
primeiro ano, a Hicks Muse investiu R$ 28 milhões para que o Corinthians quite suas dívidas, além de aproximadamente
R$ 25 milhões destinados à folha de pagamentos. Com dinheiro em caixa, contratou reforços e foi bicampeão brasileiro
em 1999 e campeão mundial no primeiro torneio da FIFA em 2000.
• Antonio Roque Citadini, então Vice-Presidente de Futebol: “Dois eram os
pontos principais do atrito: o clube social pegava dinheiro do futebol para
cobrir seu deficit – e a Hicks resistia – e o departamento de futebol de base
resistia à gestão da parceria (embora esta tivesse direito pelo contrato).”
• O acordo, feito no afogadilho, acabou fechado com valores logo superados
pelo mercado. A proposta da mesma Hicks Muse para o Flamengo, por
exemplo, foi 107% superior, sendo que a ISL apareceu com R$ 150% acima do
acordo feito Corinthians;
• Diferente do Vasco, o investidor tinha um representante (José Roberto
Guimarães, ora no vôlei) no departamento futebol para participar do dia-a-dia
do clube e só foram contratados jogadores de interesse para a Hicks Muse;
• A direção do fundo americano, chocada com os prejuízos de 2 bilhões na
Argentina, decidiu abandonar a América Latina e, ainda, alegou que o
Corinthians não cumpriu algumas cláusulas. Além disso, o HMTF entrou com
uma ação cobrando R$ 45 milhões do Corinthians, tendo sido alcançado
acordo judicial em 2007.
3. Criação de empresa de licenciamento:
Flamengo/ISL (1999-2001)
• Contrato com a então maior agência de marketing esportivo do planeta. Previsão de 15 anos de
duração e investimento de US$ 80 milhões (R$ 137 milhões no primeiro ano), sendo metade
carimbado para a contratação de reforços. Criação da Flamengo Licenciamentos S/A (S/A
fechada), controlada pela ISL. A porcentagem do clube nos negócios subiria gradualmente de 25%
para 50%. Havia também o compromisso da ISL de construir um estádio de 90 milhões de dólares,
com teto retrátil, lojinhas etc.
• Quinze meses depois da assinatura, salários atrasados no Flamengo devido à crise financeira que
a empresa parceira passava.
• Em abril de 2001, a ISL teve a falência decretada na
Suíça e o Flamengo ficou com as dívidas. Não houve
investimento em infraestrutura;
• Em julho de 2002, o presidente Edmundo Santos Silva
sofreu impeachment acusado de desvio de dinheiro e
manipulação da contabilidade.
2. Criação de empresa de licenciamento:
Cruzeiro/Hicks Muse (2000-2002)
• O Cruzeiro e o fundo de investimentos com sede em Dallas (Texas) HMTF (Hicks, Muse, Tate & Furst
Inc.). Constituição da Cruzeiro Licenciamentos S/A. Acordo, intermediado pela Traffic, vigorando a
partir de 1º de janeiro de 2000, previsão de duração para dez anos (prorrogável por mais dez), com
recursos para reforçar o time e infraestrutura. Contratação do lateral-esquerdo Sorín, por US$ 5,08
milhões (maior contratação até hoje); Não envolve patrocínio; Números inferiores a Vasco,
Flamengo e Corinthians;
• Hicks Muse com participação de 75% nos lucros líquidos obtidos em
venda de jogadores e em operações de marketing e 25% para o
Cruzeiro; Adiantamento de R$ 20 milhões ao Cruzeiro;
• Investiu 25% do valor para a construção do CT Toca da Raposa II – R$
2 milhões;
• Folha de pagamento mensal do Cruzeiro, que soma R$ 1,5 milhão, a
cargo da HMTF.
• Insatisfação da Hicks Muse com o retorno financeiro da parceria.
Licenciamento de produtos não trouxe receita esperada (concorrência
desleal da pirataria). Receita com venda de jogadores foi abaixo do
estimado. Cruzeiro propôs o término (1º de abril de 2002, quando a
Hicks sugeriu corte no orçamento anual da folha de pagamento.
4. Empréstimos a juros baixo com FIDC:
Palmeiras/Paulo Nobre (2013-2018)
• Paulo Nobre é bilionário, trader da bolsa de valores. Quando Presidente do Palmeiras (2013-2016), tomou empréstimo de
R$ 200 milhões com bancos oferecendo suas ações na bolsa de valores em garantia e, por intermédio de dois Fundos de
Investimentos em Direitos Creditórios, repassou ao clube para reduzir o endividamento de curto prazo e não-
equacionado; As garantias oferecidas por Paulo Nobre ajudaram a diminuir os juros das operações;
• Empréstimo com taxa de juros do CDI, usado por bancos para empréstimos entre eles mesmos no dia a dia, sendo um
índice mais baixo do que o captado por clubes em bancos (CDI “careca”, sem nenhum prêmio adicional);
• Reduziu consideravelmente, por isso, o “endividamento oneroso”, a dívida que fica cara por causa dos juros atrelados a
ela (economia estimada em R$ 320 milhões);
• O dinheiro volta para a conta bancária de Paulo Nobre de acordo com a
arrecadação do time, uma vez que 10% das receitas palmeirenses são retidas
todo mês para o pagamento do empréstimo. Logo, quanto mais o clube
arrecada, mais rápido quita a dívida; Prazo de pagamento previsto para 15
anos;
• Para assegurar o pagamento, as receitas passaram a transitar por uma conta
separada, e só chegam ao clube após a quitação da parte devida aos FIDCs.
Além disso, caso o clube deixe de honrar o compromisso, receitas como as de
patrocínios e de direitos de transmissão podem ser acessadas pelo fundo;
• Com a dívida em dia, o clube pôde focar em outros temas, em especial a
ampliação de suas fontes de receita (Crefisa);
• Em maio/2018, o Palmeiras terminou de quitar dívida com Paulo Nobre.
Dificuldades práticas para
financiamento por FIDC:
• Não é fácil captar (caso Botafogo, com investidores qualificados alvinegros);
• Instabilidade política no Conselho Deliberativo para aprovar (caso Vasco da Gama);
• Todo tipo de garantia que o clube poderia oferecer (imóveis, recebíveis da
transmissão de jogos, por exemplo) já está atrelado a alguma dívida (trabalhista,
bancária etc). É comum, por exemplo, um mesmo imóvel garantir duas dívidas
diferentes (caso Palmeiras, o que obrigou Paulo Nobre a colocar suas ações pessoais
na bolsa de valores como garantia/aval na intermediação, obtendo juros a CDI);
• Instituição financeira não gosta de trabalhar com três riscos: clube popular de
futebol, hospital e igreja. Por mais que você tenha garantia, a cobrança nesses casos
'machuca' a imagem do banco, o que dificulta obter investidores;
• Clubes têm histórico de problemas financeiros, o que afasta os grandes bancos. A
maior parte dos empréstimos é tomada de bancos menores, que costumam exigir
taxas de juros mais altas.
Experiências de financiamento por
equity de associações civis
1. Cisão do departamento de futebol e alienação do controle:
Bahia/Opportunity, Vitória/Exxel Group, São Caetano LTDA.
2. Cisão do departamento de futebol e tentativa de abertura
de capital: Coritiba Futebol S/A
3. Takeover: Red Bull e Clube Atlético Bragantino
1. Cisão do departamento de futebol e alienação
do controle: Bahia/Opportunity (1998-2006)
• O Esporte Clube Bahia, em estado de insolvência, e o Opportunity, do baiano Daniel Dantas (torcedor do clube),
constituíram o Esporte Clube Bahia S/A, com dois terços do capital total (R$ 18 milhões) e 51% do capital com direito a voto
sendo da Liga Futebol S/A (braço do Opportunity) e o restante do Esporte Clube Bahia; Os representantes do Opportunity na
parceria eram Luís Roberto Demarco e Jorge Goldenstein e o Opportunity ocupava cinco dos nove assentos no Conselho de
Administração do Bahia S/A. O dinheiro do banco saldou as dívidas do Esporte Clube Bahia (R$ 6 milhões).
• Segundo o contrato assinado em 1998, o Presidente do Bahia S/A é indicado pelo Presidente do Esporte Clube Bahia,
enquanto o diretor de futebol é indicado pelo Opportunity; Em acordo verbal ao final daquele mesmo ano, após pressões
políticas pelo risco de rebaixamento à Série C, o Opportunity, no entanto, concordou que o responsável pelo futebol passaria
a ser indicado pelo Bahia, uma vez que o banco não tinha experiência no ramo dos esportes (permaneceu assim até o fim);
• Quando o Opportunity decidiu entrar no futebol em 1998, a intenção era comprar não apenas o
Bahia, mas também clubes de outros Estados para formar uma liga de futebol, nos moldes das
ligas de basquete americano. Mas depois do contrato assinado com o Bahia, a legislação mudou e
foi proibido que um único grupo controlasse mais de um clube do futebol brasileiro, diminuindo o
apetite;
• Opportunity fez investimento de cerca de R$ 18 milhões e ainda construiu a hotelaria da divisão
de base; Bahia S/A teve prejuízo de R$ 50 milhões entre 1998 e 2006. Opportunity defendia
limitações dos gastos do clube-empresa à sua receita e cartolas queriam reforços;
• Em outubro de 2006, a Assembleia do Esporte Clube Bahia aprovou o distrato amigável com o
Opportunity. 30% do valor da venda de qualquer jogador do Bahia, até 2023, irá para o
Opportunity, até pagar o montante de R$ 4,4 milhões;
• Dívida fiscal/PROFUT até hoje, sendo paga pelo Esporte Clube Bahia. Investigação do Bahia S/A
em 2008 por suposta lavagem de dinheiro internacional do Grupo Opportunity.
1. Cisão do departamento de futebol e alienação
do controle: Vitória/Exxel Group (1998-2010)
• O Esporte Clube Vitória, na administração de Paulo Carneiro, se tornou o primeiro clube-empresa do Brasil nos moldes da Lei
Pelé com a constituição do Vitória S/A, de capital fechado, registrado em 04 de março de 1998, ainda que sem sócio investidor;
• Seminário Futebol S/A, no auditório do Jornal Gazeta Mercantil, para dezenas de investidores nacionais e estrangeiros, em São
Paulo, com painel “Por que investir no Vitória?” (1997); Em junho de 2000, o Esporte Clube Vitória, 3º colocado na Série A de
1999 e então bicampeão baiano, tendo o Chase Manhattan Bank como advisor, vendeu 50,1% das ações do Vitória S/A para o
Exxel Group, fundo de investimentos sediado na Argentina, controlado pelo uruguaio Juan Navarro, por US$ 6 milhões e teve
ainda acesso a linha de crédito de US$ 12 milhões a juros de 8% a. a. A administração da Vitória S/A ficou a cargo do Esporte
Clube Vitória; O Exxel Group, na época, investiu também no Quilmes Athletic Club (Argentina); Esporte Clube Vitória, de 2000 a
2010, praticamente não teve atividade econômica e só cuidava do clube social e do remo;
• Esporte Clube Vitória cedeu ao Exxel Group, por intermédio do Vitória S/A, o controle dos
ativos: direitos econômicos de atletas, a marca, direitos televisivos e Estádio Manoel
Barradas; Interesse do investidor era nas divisões de base, Vitória como uma potência
nacional da base na década de 1990 (Dida, Fabio Costa, lateral Junior, Vampeta, Alex Alves);
• Cerca de 60% da linha de crédito de US$ 12 milhões foi utilizado, em um contexto de crise
generalizada no futebol brasileiro, mas o resto desse valor foi bloqueado com alegação de
uma crise financeira cambial na Argentina em meados de 2001; Desde o final de 2002, o
Exxel Group passou a querer deixar o Brasil;
• Em 2004, começou-se a recomprar as ações do Exxel Group na Vitória S/A, por US$ 7,5
milhões, o que comprometeu as finanças, levando ao rebaixamento à Série B (2004) e novo
rebaixamento à Série C (2005), pagando a última prestação em 2010;
• Manteve a administração do futebol baseada em uma sociedade anônima fechada até 2010,
quando os ativos do Vitória S/A foram retornados ao Esporte Clube Vitória. Dívida
fiscal/PROFUT até hoje sendo paga pelo Esporte Clube Vitória.
1. Cisão do departamento de futebol e alienação
do controle: São Caetano LTDA. (2003-atual)
• Time de futebol, Associação Desportiva São Caetano, que em pouco menos de 15 anos de existência (de
1989 até 2004) teve uma rápida ascensão e deixou de ser nanico para se integrar à elite do principal
esporte nacional: Vice-Campeão da Libertadores de 2002, Vice-Campeão Brasileiro em 2000 e 2001 e
Campeão Paulista de 2004;
• Em dezembro de 2003, foi constituída a São Caetano Futebol LTDA, com a A. D. São Caetano possuindo
10% sobre o capital de R$ 100 mil e os outros 90% divididos entre o presidente Nairo Ferreira de Souza e o
vice-presidente Luiz de Paula;
• Curiosamente, o declínio do São Caetano veio após o clube-empresa. O pano de fundo da crise é o
conflito entre a dupla que foi uma das razões dos anos de glória: Nairo Ferreira e Saul Klein, ex-dono das
Casas Bahia, mecenas do clube desde os anos 1990. Além deles, o ex-prefeito de São Caetano do Sul, Luiz
Tortorello, morto em 2004.
• Essa decadência se iniciou em 2006,
quando o time acabou caindo para a Série
B do Brasileirão, posição em que se
estabilizou em um plano secundário por
sete anos, até que, em 2013, sofreu dois
rebaixamentos seguidos: primeiro para a
séria A-2 do Campeonato Paulista e, no
fim daquele ano, pela primeira vez o São
Caetano disputaria a Série C do
Campeonato Brasileiro.
2. Cisão do departamento de futebol e tentativa
de abertura de capital: Coritiba Futebol S/A (2003)
• Constituída a Coritiba Futebol S/A em agosto de 2002 (vinculada ao Coritiba Foot Ball Club), na
gestão do Presidente Giovani Gionédis. Em janeiro de 2003, a Coritiba Futebol S/A enviou à
Comissão de Valores Mobiliários um pedido de registro de companhia aberta, concomitantemente a
um pedido de distribuição de ações em mercado de balcão não organizado.
• A autarquia federal negou os pedidos, alegando irregularidades contábeis nos documentos
apresentados;
• Dos R$ 51 milhões declarados como patrimônio da Coritiba Futebol S/A, mais de R$ 50 milhões
eram referentes ao direito de uso da marca Coritiba. Esse valor foi descrito pela companhia como
“patrimônio intangível gerado internamente” nas demonstrações financeiras;
• A CVM invalidou a contabilização desse tipo de ativo intangível e
vetou o negócio, alegando não haver garantias financeiras e que o
clube estava supervalorizando sua marca, que representava
quase a totalidade dos ativos;
• Como a entrada no mercado financeiro acabou barrada pela
Comissão de Valores Mobiliários, a sociedade anônima foi se
tornando escudo contra penhoras. Como a S/A não era ré em
ações e tinha certidões negativas, receitas do Coritiba eram
repassadas para a empresa e acabavam protegidas;
• Hoje, o papel da S/A é esvaziado. Na prática, cuida do aluguel da
churrascaria anexa ao Couto Pereira, lanchonetes e camarotes do
estádio. Também administra o dinheiro dos contratos de tevê.
3. Takeover: Red Bull e Clube Atlético
Bragantino (2019-atual)
• A multinacional Red Bull não é responsável pela produção da bebida energética e nem por sua logística, terceirizando
ambas atividades (quem produz a bebida é a fabricante tailandesa Krating Daeng). Com isto, a companhia direciona
praticamente todos seus recursos para a construção e manutenção da marca, ou seja, para o marketing,
principalmente no ambiente esportivo. A Red Bull terceiriza seu core business de venda de bebida energética, ou
seu core business não é esse?
• Multi-club ownership: Visando popularizar sua marca, a partir de 2005 a empresa passou a atuar no futebol, quando
comprou o então SV Austria Salzburg e renomeá-lo para Red Bull Salzburg. Hoje a empresa possui outras três equipes
profissionais de futebol: New York Red Bull (Estados Unidos), RB Leipzig (Alemanha) e Red Bull Bragantino (Brasil);
• Antes de executar a operação para "comprar" o Clube Atlético Bragantino (associação civil) no primeiro trimestre de
2019, a Red Bull tinha um clube de futebol batizado com o nome da marca. No CNPJ, tratava-se da sociedade
limitada Red Bull Futebol e Entretenimento, fundado em novembro de 2007, que disputava a primeira divisão do
Campeonato Paulista e a quarta divisão do Campeonato Brasileiro. Para otimizar o acesso à Série A, a Red Bull
“comprou” o Bragantino, então na Série B, por cerca de R$ 45 milhões, comandando pela família Chedid desde a
década de 1960; Antes, o Oeste, de Barueri, rejeitou proposta para ser incorporado;
• Sócios quotistas: Red Bull GmbH (99,9%) e Red Bull Hangar-7 GmbH (0,01%);
• O Red Bull Bragantina treina no antigo CT da Red Bull Brasil, na cidade de
Jarinú, próximo a Campinas, mas manda todas suas partidas no estádio Nabi
Abi Chedid, em Bragança Paulista, investindo em melhorias na praça;
• Na temporada de 2020, a primeira na Série A, passou dos R$ 84 milhões em
contratações, somente perdendo para o Flamengo (R$ 156 milhões);
• O perfil de contratações é de jogadores jovens, que aproveitam da vitrine na
Série A e podem ser revendidos ao exterior, recuperando o investimento.
Modelo associativo
vs.
Modelo empresarial
Quais os tipos de pessoa jurídica de direito privado
existentes no Brasil? (art. 44 do Código Civil)
• ASSOCIAÇÕES:
Associação civil sem fins lucrativos (sem ou com fins econômicos)

• SOCIEDADES EMPRESÁRIAS:
Sociedade simples;
Sociedade em nome coletivo
Sociedade em comandita simples;
Sociedade em comandita por ações;
Sociedade limitada – LTDA.;
Sociedade anômima (aberta ou fechada) – S/A;

• Fundações
• Organizações religiosas;
• Partidos políticos;
• Empresas individuais de responsabilidade limitada;
Associações sem fins lucrativos
• Pessoa jurídica de direito privado;

• Formada por um grupo de pessoas com propósito comum;

• Ausência de finalidade lucrativa;


Impossibilidade de distribuição de lucro – havendo superávit,
redistribuição/reinvestimento de lucro/doação de cunho social.

• Possibilidade de finalidade econômica;


Enunciado 534 do Conselho de Justiça Federal: “As associações podem desenvolver
atividade econômica, desde que não haja finalidade lucrativa”;

• Patrimônio constituído por membros ou associados;

• Estatuto Social.
Sociedade Limitada
• Pode ser constituída por uma ou mais pessoas;
Sociedade limitada unipessoal – Lei nº 13.874, de 2019.

• Responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas,


mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital
social;

• Contrato Social;

• Do art. 1.052 ao art. 1.087, Código Civil.


Sociedade Anônima
• Pode ser “sociedade anônima de capital aberto” ou “sociedade
anônima de capital fechado”;

• Capital social dividido em ações; a responsabilidade dos sócios ou


acionistas é limitada ao preço de emissão das ações;

• Possibilidade de emissão de debêntures (valores mobiliários,


representativos de dívida, tanto por S/A fechada quanto S/A aberta).

• Art. 1.088 e 1.089 (Código Civil) e Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das
S.A.s);
O que é a SAF – Sociedade Anônima do
Futebol (ainda em tramitação legislativa)?
• PL 5.082/2016 (Otávio Leite e Domingos Sávio/Câmara dos
Deputados) e PL 5.516/2019 (Rodrigo Pacheco/Senado Federal);
• Criação de um novo tipo societário no direito brasileiro, específico do
segmento econômico do futebol;
• Inspiração na Sociedade Anónima Desportiva (Portugal e Espanha) e
na Sociedade Anónima Desportiva Profesional (Chile);
• Cisão do departamento de futebol e constituição da SAF;
• A associação civil obrigatoriamente terá participação na SAF (“ações
ordinárias de classe A”), com poderes de decisão sobre matérias
específicas, sujeita a determinadas deliberações;
• O Conselho de Administração é órgão de existência obrigatória e o
Conselho Fiscal funciona permanentemente;
• As demonstrações financeiras da SAF serão submetidas a auditoria
externa;
• A SAF não sucede as obrigações da associação;
• Regras de governança.
E a SPE (Sociedade de Propósito Específico)?
• Código Civil:
Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente
se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade
econômica e a partilha, entre si, dos resultados.
Parágrafo único. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais
negócios determinados.
• Lei nº 11.101/2005 (Lei de Recuperação Judicial):
Art. 50. Constituem meios de recuperação judicial, observada a legislação
pertinente a cada caso, dentre outros:
(...)
XVI - constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar, em
pagamento dos créditos, os ativos do devedor.
E a SPE (Sociedade de Propósito Específico)?
• A SPE não constitui um novo tipo societário na ordem jurídica brasileira. Ela se
organiza, sempre, sob uma das formas previstas pela legislação. Pode ser uma
sociedade limitada ou sociedade anônima fechada ou aberta;
• Botafogo de Futebol e Regatas popularizou o termo, recentemente em seu
projeto de clube-empresa, por já possuir uma S/A fechada (Companhia
Botafogo, constituída em 2003) que é a concessionária do Estádio Olímpico
Engenhão junto ao Município do Rio de Janeiro (Poder Concedente). Para
distinguir as duas sociedades empresárias alvinegras que teriam a mesma
natureza jurídica (S/As fechadas) e coexistiriam, cunhou, para a empresa a ser
constituída, a expressão jurídica de “SPE”;
• O “negócio determinado” da SPE alvinegra seria a gestão e exploração do
produto resultante da cisão do atual departamento de futebol do Botafogo de
Futebol e Regatas, nos moldes do que já foi feito pelo Bahia, pelo Vitória, pelo
Figueirense etc. O FIDC e a SPE não se confundem – as dívidas do Botafogo de
Futebol e Regatas com o FIDC seriam pagas com os royalties (créditos) que o
clube receber da SPE pela cessão dos ativos do futebol.
Aspectos Tributários
TRIBUTO ASSOCIAÇÕES CIVIS SOCIEDADES PL CLUBE-
EMPRESÁRIAS EMPRESA
(LTDA ou S/A) (em tramitação
legislativa)
IRPJ Isenção 15% e adicional de Regime especial
10% sobre o lucro de 5% sobre a
receita bruta ou
CSLL Isenção 9% sobre o lucro na fonte pagadora
(a definir tamanho
e transição)

COFINS Isenção 3% sobre receitas


PIS/PASEP 1% sobre a folha 0,65% sobre receitas 1% sobre a folha

Terceiros 4,5% sobre a folha Percentual variável 4,5% sobre a folha


sobre a folha

FGTS 8% sobre a folha 8% sobre a folha 8,0% sobre a folha

INSS 5% sobre a receita bruta 5% sobre a receita 5% sobre a receita


bruta bruta
Como funciona nos principais países
europeus?
País Modelos Motivos
Inglaterra São possíveis todos os modelos, das associações aos privados, sem A maioria dos clubes opta por ser privado
restrições porque nas associações os gestores são
Modelos nas principais ligas: coobrigados nas dívidas, enquanto nas
limitadas e S/As estão sujeitos às regras
gerais, relacionados ao capital social
Itália Desde 1966 os clubes devem ser empresas, sob o modelo (limitada Na época ficou definido que os atletas
ou S/A) a critério do acionista esportivos de maneira geral não eram
amadores e sim profissionais, e a forma de
controlar seus empregadores era tê-los sob
leis de negócios e não mais como atividade
sem fins lucrativos
Espanha Desde 1990 as associações que tivessem apresentando déficits nos Os clubes estavam quebrados, com enormes
3 anos anteriores foram obrigadas a se transformarem em passivos fiscais, e forma de organizar um
empresas alongamento foi mudando a regra societária,
refinanciando dívidas com auxílio da Liga
Alemanha Em 1998 foi aberta a possibilidade das associações virarem Foi uma ação para permitir entrada de capital
empresa, desde que mantivessem o controle, com 50%+1 ação, nos clubes, aumento de governança e
bem como a gestão. Exceções para clubes que já eram competitividade, sem que houvesse perda de
integralmente geridos por empresas identidade ou entrada de aventureiros
França Em 1999 os dirigentes passaram a poder ser remunerados, e junto Foi um ajuste dentro do desenvolvimento do
a isso veio a autorização para que os clubes virassem empresa, sem futebol enquanto atividade profissional
contudo que isso fosse uma obrigação
Alguns exemplos de composição
societária de clube-empresas
pelo mundo
Inglaterra
Manchester United
Ações de classe B pertencem à família Glazer
Ações de classe A pertencem a investidores, como:
35% Baron Capital Group
19% Lindsell Train
12% Lansdowne Partners
7% Jupiter Asset Management
7% Família Glazer
20% Acionistas minoritários na Bolsa de Valores de Nova York
• A família Glazer – que ficou famosa a partir dos negócios de Malcolm Glazer,
apaixonado por esportes, porém falecido em 2014 – é a proprietária privada do
Manchester United. No entanto, a família montou uma estrutura em que mantém
poder sobre os rumos do clube (por meio das ações de classe B), enquanto abre seu
capital na Bolsa de Valores de Nova York para que investidores diversos coloquem
dinheiro no negócio (por meio de ações de classe A).
• Como os Glazer não aportam dinheiro no futebol, apenas tiram do negócio seus
generosos dividendos, é comum ver protestos de torcedores pedindo a saída
imediata dos proprietários. Que dão de ombros e seguem suas vidas como donos e
beneficiários das fortunas do Manchester United, pois não existe maneira para que
eles saiam à força da direção – a menos que eles mesmos queiram em algum
momento, e isso só deve acontecer no caso de uma venda de suas ações.
Inglaterra
Manchester City
86% pertencem à Abu Dhabi United
14% pertencem ao China Media Capital

• A Abu Dhabi United é um fundo de investimentos em empresas que pertence


a Mansour bin Zayed Al Nahyan, este por sua vez membro da família real dos
Emirados Árabes. Isso fez do Manchester City um dos clubes mais ricos do
mundo, uma vez que a sua fortuna não vem apenas do futebol, mas dos
negócios bilionários que envolvem os chefes de estado dos Emirados Árabes.
É também uma das poucas multinacionais do futebol mundial com 10 times
na carteira - multi-club ownership, com "filiais" nos Estados Unidos (New York
City FC), Austrália (Melbourne City FC), Japão (Yokohama F. Marinos), Espanha
(Girona), Uruguai (Montevideo City Torque), Índia (Mumbai City FC), China
(Sichuan Jiuniu), Bélgica (Lommel SK), França (Troyes FC) e tendo Ferran
Soriano (“A Bola Não Entra Por Acaso” – best-seller) como CEO do Grupo City
de Futebol.
Inglaterra
Arsenal
100% pertencem à KSE (Stanley Kroenke)

• Empresário americano e um dos maiores proprietários de terras do


mundo, Stanley Kroenke venceu o confronto com o bilionário russo
Alisher Usmanov pela propriedade do clube inglês. Na verdade, mais do
que isso, a direção do Arsenal pediu que o empresário assumisse o
controle para evitar que o clube caísse nas mãos do russo. Kroenke dá
estabilidade para que a empresa administre o futebol, mas também não
põe dinheiro próprio no negócio, nem deixa que o clube faça
investimentos ousados demais. A torcida tem as suas reclamações.
Itália
Milan
99,93% pertencem à Elliot Advisors
0,07% pertencem a acionistas minoritários

• Depois de sair das mãos do ex-premiê italiano Silvio Berlusconi e parar


nas do empresário chinês Li Yonghong, um dos clubes mais tradicionais
do futebol italiano entrou em apuros. Os asiáticos não tinham dinheiro
suficiente para sustentar o negócio, pegaram empréstimos com o hedge
fund Elliot Advisors e acabaram perdendo o clube para este mesmo
fundo – especializado em operações financeiras de alto risco e sem
nenhum interesse orgânico no futebol. O Milan está à venda. Basta que
alguém o compre pelo valor que o fundo americano espera.
Itália
Inter de Milão
69% Suning Holdings Group
31% LionRock Capital

• Mais um grande clube italiano que acabou nas mãos de um grupo


chinês, neste caso o Suning, este por sua vez de propriedade do
empreendedor e bilionário Zhang Jindong. A Inter de Milão dá
relevância para o empresário – que hoje possui vínculos estreitos com o
Partido Comunista, que comanda o governo da China – no mercado
europeu e mais especificamente no italiano. Um terço da empresa que
administra o futebol profissional pertence ao LionRock Capital, fundo de
investimentos sediado em Hong Kong que empresta dinheiro para
empresas subvalorizadas – para depois vender a sua parte com lucro.
Itália
AS Roma
86,6% The Friedkin Group
13,4% Bolsa de Valores

• A empresa americana liderada por Dan Friedkin, um magnata


californiano ativo nos mercados de automóveis, cinema e hotéis de luxo,
pagou 591 milhões de euros por 86,6% do clube em agosto de 2020 e,
de acordo com a legislação italiana, está obrigada a lançar uma oferta
pública de aquisição de ações pelos restantes 13,4%, que estão cotadas
na bolsa de valores. James Pallota, que era dono do clube desde 2012,
completou, assim, seu ciclo como acionista majoritário.
Itália
ACF Fiorentina
98% Rocco B. Commisso
2% Firenze Viola

• O bilionário ítalo-americano Rocco Commisso foi anunciado, em junho


de 2019, como o novo dono da Fiorentina. O clube, que escapou da
Série B, foi vendido pelos irmãos Diego e Andrea Della Valle, que
ajudaram na reconstrução do tradicional time de Florença após a
falência em 2002. Commisso pagou 165 milhões pela Fiorentina. Rocco
Commisso é um empresário, dono do New York Cosmos, clube pelo qual
Pelé jogou e encerrou sua carreira nos anos 1970. Ele também é
proprietário da Mediacom, uma das maiores empresas de serviços de
cabos dos Estados Unidos. A Fiorentina possui 2 títulos do Campeonato
Italiano – Série A: 1955/1956 e 1968/1969.
Espanha
Atlético de Madrid SAD
51% Miguel Ángel Gil Marín
30% Quantum Pacific Group (Idan Ofer)
19% Enrique Cerezo (Presidente)
• O Atlético se tornou um dos times de futebol líderes da Espanha e da Europa nos
últimos anos. Em termos de vitórias, o clube é o terceiro, atrás de Real Madrid e FC
Barcelona. O Atlético conquistou o título espanhol por último em 2014. O acionista
controlador é Miguel Ángel Gil Marín, filho do antigo dono do clube Jesús Gil,
conhecido por ter 51% das ações do clube. Enrique Cerezo, que é o Presidente
desde 2002, é conhecido por ter 19%. Em 2018, o bilionário israelense Idan Ofer,
com atividade na área de transporte marítimo, perfuração e mineração, adquiriu a
participação do Dalian Wanda Group, do segmento imobiliário chinês, após
mudanças na política económica e financeira da China que obrigaram a venda da
participação no clube espanhol. Embora Ofer tenha relutado no início em razão dos
esportes não fazerem parte de seus principais investimentos, ele foi convencido a
fazer o investimento por seu filho, que é aficionado por futebol.
Espanha
Valencia SAD
82% Meriton Holdings (Peter Lim)
18% Acionistas Minoritários

Peter Lim é um magnata de Singapura conhecido por ações filantrópicas. Ele adquiriu
70,4% das ações do Valencia em 2014, convertidas em 82% após o aumento de capital em
janeiro de 2016. Desde então, seis treinadores passaram pela equipe, fato que contribui
para o clube não ter bons resultados na visão de alguns torcedores. Desde o inicio da
temporada que o Valencia atravessa graves problemas financeiros e desportivos, que
forçaram a venda de vários destaques, como o atacante Rodrigo Moreno (para o Leeds
United) e o então capitão Daniel Parejo (para o Villareal). No contexto de reclamações dos
torcedores, a Associação de Pequenos Acionistas do Valencia CF (APAVCF) propôs em um
comunicado uma iniciativa para levantar 336 milhões de euros e, assim, fazer uma oferta
de compra de títulos para a Meriton Holdings, ao que Kim Lim, filha de Peter, respondeu
nas redes sociais: "Mais uma vez. Alguns torcedores do Valencia estão criticando e
falando mal de mim e da minha família. Eles não entendem? O clube é nosso e fazemos o
que quisermos“.
Alemanha
Bayer Leverkusen
100% das ações pertencem à Bayer

• A companhia farmacêutica é fundadora do clube de futebol, então


manteve o direito de ser dona dele mesmo sem ser uma associação.
Alemanha
Wolfsburg
100% das ações pertencem à Volkswagen

• Caso idêntico ao anterior. A montadora de automóveis é fundadora do


clube de futebol e se mantém como única proprietária desde então.
Alemanha
Bayern de Munique
75% das ações pertencem à associação
8,33% pertencem à Audi
8,33% pertencem à Adidas
8,33% pertencem à Allianz

• As três patrocinadoras investiram quantias consideráveis para comprar


participações no controle da empresa que administra o futebol do
Bayern. Elas passaram a ser donas, o que lhes dá voz nas decisões
relacionadas ao clube, embora a palavra final seja sempre da
associação. Isso também lhes dá óbvia facilidade na renovação de
contratos para que continuem a ser respectivamente patrocinadora,
fornecedora de material esportivo e dona dos naming rights do estádio.
Alemanha
Red Bull Leipzig
100% das ações pertencem à Red Bull

• A companhia de energéticos encontrou no Leipzig a sua entrada no


mercado alemão – ela também possui um clube no Brasil, outro na
Áustria, entre vários outros países. Para se adequar ao sistema do
50+1, a empresa fundou uma associação na qual todos os seus
membros são funcionários da Red Bull. O drible no sistema gera críticas
por toda a Alemanha, inclusive de torcedores insatisfeitos com a
chegada de uma companhia em desacordo com o espírito do 50+1.
Portugal
Benfica SAD
63,6% pertencem ao Benfica Associação
15,4% José António dos Santos
3,7% José da Conceição Guilherme
3,2% Luis Filipe Vieira (Presidente)
2% Quinta de Jugais
12,1% Outros minoritários
• O Benfica é o clube com a maior torcida de Portugal – cerca de 39%. Possuiu a primeira fase
de hegemonia do futebol português, sob o protagonismo do lendário jogador Eusébio, no
período de 1959 a 1977, quando, em 18 anos, ganhou um total de 14 Campeonatos
Nacionais da Primeira Divisão e 8 Taças de Portugal, além de 2 Taças dos Clubes Campeões
Europeus consecutivas em 1961 e 1962. Mais recentemente, desde 2014, os “encarnados”
readquiram a hegemonia portuguesa ao, em 6 temporadas disputadas, conquistar 5
Campeonatos Nacionais e 2 Taças de Portugal. É presidido desde 2003 por Luis Filipe Vieira,
que sofre acusação de conflito de interesses por manter negócios imobiliários com José
Antonio dos Santos, maior acionista privado da SAD encarnada, na Alta Lisboa.
Portugal
FC Porto SAD
75,8% pertencem ao Porto Associação
7,3% pertencem a António Luís Alves Oliveira
6,6% pertencem a Joaquim Francisco Alves Oliveira
1,2% Jorge Nuno Pinto da Costa (Presidente)
3,7% Outros minoritários

• O Clube do Porto, segundo maior time de Portugal – cerca de 20% de torcida, fica sediado na cidade
que dá nome ao clube que a representa, aproximadamente 300 quilômetros ao norte da capital. A
cidade do Porto, litorânea, segunda maior cidade portuguesa, é importante por constituir uma
grande concentração de pequenas e médias indústrias, além de escoar a produção agrícola da fértil
região norte de Portugal, especialmente das vinícolas que produzem o famoso vinho do porto. O
Futebol Clube do Porto praticamente não tem rival na sua cidade-sede, dominando todos os
holofotes sozinho, e possuindo a maioria esmagadora dos torcedores da cidade. Entre 1985 e 2013,
durante 28 anos, o FC Porto deteve a hegemonia do futebol português, conquistando um total de 20
títulos de Campeonatos Nacionais da Primeira Divisão, 2 Ligas dos Campeões da UEFA (1987 e 2004),
2 Mundiais de Clube (1987 e 2004) e 2 Ligas Europa da UEFA (2003 e 2011), o que contribuiu para sua
consolidação como segundo time português em tamanho de torcida. O octagenário Jorge Nuno Pinto
da Costa, símbolo da era de ouro, é o Presidente desde 1982 e, em junho de 2020, foi reeleito com
68,65% dos votos para o 15º mandato à frente do clube.
Portugal
Sporting SAD
63,9% pertencem ao Sporting Associação
26,6% pertencem ao Holdimo (Álvaro Sobrinho)
3,1% pertencem à Joaquim Oliveira
6,4% Outros minoritários

• É o terceiro clube em quantidade de torcida – cerca de 17,7%. Nos


primórdios, o Sporting já foi o clube mais popular do futebol português,
tendo sido ultrapassado pelo Benfica nos anos 1960/1970 e pelo Porto nos
anos 1990/2000. Assim como o rival Benfica, localiza-se na região central da
capital. O Sporting teve seus anos dourados do futebol entre 1939 e 1958,
num interregno de 20 anos, quando conquistou um total de 10 títulos do
Campeonato Nacional da Primeira Divisão e ganhou ainda 5 Taças de
Portugal, só vindo a perder a hegemonia como maior vencedor do
Campeonato Português durante os anos 1970, para o Benfica.
Portugal
Braga SAD
36,8% Braga Associação
21,6% Joaquim Oliveira
16,6% Sundown Invest. Ltd.
25% Outros minoritários

• Filho mais ilustre da “cidade dos arcebispos”, o Sporting Clube de Braga era um clube de
porte médio, que se consolidou como a quarta força nacional, tornando-se, na última
década, um dos maiores embaixadores do futebol português a nível internacional.
Conquistou a Taça de Portugal na temporada 2015/2016 e a Taça da Liga nas
temporadas 2012/2013 e 2019/2020. No âmbito continental, foi Vice-Campeão da Liga
Europa 2010/2011, quando perdeu a final para o FC Porto. Disputa suas partidas no
Estádio Municipal de Braga, construído para a Euro 2004. O Sundown Invest. Ltd.,
sediado em Londres, adquiriu, em 2017, as ações da Braga SAD colocadas à venda pela
Câmara Municipal de Braga, que as detinha.
França
Olympique Lyonnais - Lyon
27,89% Holnest SAS (Jean-Michel Aulas)
19,98% IDG Capital Partners (chinês)
19,48% Groupe Pathé (Jérôme Seydoux)
2,40% Ações em tesouraria
30,25% Free float bolsa de valores
• Fica situado na terceira maior cidade da França. Jean-Michel Aulas é presidente do
Olympique Lyonnais há quase um quarto de século e, nesse período, transformou
um clube de segunda divisão num emblema que conquistou sete títulos
consecutivos de campeão da França nos anos 2000, tendo a liderança em campo de
Juninho Pernambucano. Possui uma fórmula própria de desenvolvimento de
jogadores e contratações pontuais. O Lyon tende a não contratar atacantes, por
considerar que são atletas caros, então formam jogadores de ataque ou contratam
jovens de mercados subvalorizados (como Moussa Dembelé, vindo da Escócia). O
Lyon investe com destaque no futebol feminino e possui o melhor time da Europa.
França
AS Monaco
66,67% Mónaco Sport Investment (Dmitry Rybolovlev)
33,33% Casa de Grimaldi (Família Real de Mônaco)

• O AS Monaco sempre montou grandes times, com jogadores


consagrados, por ter benesses tributárias do Principado de Mônaco
(conhecido paraíso fiscal). Em dezembro de 2011, foi adquirido pelo
bilionário russo Dmitry Rybolovlev e conquistou o título do Campeonato
Francês em 2016/2017 e foi Vice-Campeão nas temporadas de
2013/2014 e 2017/2018. O divórcio do investidor com Elena Rybolovlev,
o segundo mais caro da história mundial, afetou nas finanças do clube,
pois o patrimônio pessoal de Dmitry foi reduzido à metade. Os ativos
mais caros deixaram o clube, mas não tiveram sucessores à altura.
França
Paris Saint-Germain
100% Qatar Sports Investment

• O PSG é um projeto de soft power do Qatar, que usa o clube para fazer
sportswashing em meio a denúncias de violações aos direitos humanos e a
tensões com países vizinhos como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O Qatar tem investido maciçamente na equipe proprietária do estádio Parc
des Princes desde 2011, com 1,3 bilhões de euros gastos em contratações,
simbolizadas especialmente pela dupla Neymar-Kylian Mbappé, que chegou
em 2017 por mais de 400 milhões de euros para mudar a história do clube.
Cabe a Nasser Al-Khelaifi, um ex-jogador de tênis, amigo de infância do emir
do Qatar, a administração e a estratégia de relações públicas do projeto do
pequeno emirado, como um ministro sem pasta de seu país.
França
Bordeaux
99,9% La Dynamie
0,01% Bordeaux Associação

• O Bordeaux é controlado pelo La Dynamie SAS, criada em julho de


2018 em Paris e cujos acionistas são os fundos norte-americanos
GAGP (General American Capital Partners) e King Street. O
Bordeaux conquistou o título do Campeonato Francês em seis
oportunidades, nas temporadas de 1949–50, 1983–84, 1984–
85, 1986–87, 1998–99 e 2008-09, além de obterem três títulos de
cada uma das outras principais competições nacionais: Copa da
França, Copa da Liga Francesa e Supercopa da França.
França
Olympique de Marseille
95% Frank McCourt
5% Margarita Louis-Dreyfus

• O Olympique de Marseille foi vendido, em setembro de 2016, por 45 milhões de


euros, pela russa Margarita Louis-Dreyfus ao americano Frank McCourt, dono do
Miami Celtics (franquia da NBA) e da Maratona de Los Angeles. O clube havia sido
comprado, em 14 de dezembro de 1996, por um franco simbólico por seu primeiro
marido, o falecido Robert Louis-Dreyfus, ex-CEO da Adidas e da agência de
publicidade Saatchi & Saatchi. McCourt aceitou todas as cláusulas sugeridas: não
levar outro clube esportivo na Europa por dez anos e, principalmente, deixar 5%
para a família Louis-Dreyfus. Margarita, assim, une o útil ao agradável com esta
participação minoritária: ela permite que seu filho Kyril viva a sua paixão no seio do
Olympique de Marseille e poderá ganhar alguns milhões adicionais se McCourt
corrigir e vender o clube a um bom preço.
Chile
Colo-Colo (Blanco y Negro SADP)
32,82% Banco Santander
23,14% Larrain Vial S/A (Leonidas Vial)
10,98% BTG Pactual Chile
8,63% Consorcio
6,25% Banchile
2,88% Banco Itau Corpbanca
15,3% Outros pulverizados
• Colo-Colo SADP (Blanco y Negro) é a equipe mais popular, com a maior torcida no Chile – cerca de
42%. O uniforme do Colo-Colo leva permanentemente uma tarja preta acima do escudo como
homenagem a David Moraga, seu fundador e primeiro capitão, que ganhou status de mártir após
morrer em campo e é citado no hino. Era o time do ditador Augusto Pinochet, com influência na
popularização. Desde 2006, o departamento de futebol é SADP – Sociedade Anônima Desportiva
Profissional e tem ações listadas na bolsa de valores, adquiridas por instituições financeiras, inclusive
pelos braços chilenos do BTG Pactual e do Itaú Unibanco. Sebastián Piñera, torcedor do Universidad
Católica, comprou quase 14% do Colo-Colo e se projetou como um dos salvadores do clube, tendo
alienado suas ações quando se elegeu Presidente do Chile em 2010.
Chile
Universidad de Chile (Azul y Azul SADP)
63,07% Inversiones Alpes (Carlos Heller Solari)
21,44% Inmobiliaria DSE (Daniel Schapira Eskenazi)
6,52% Asesorias e Inv Sagiovese
2,47% Larrain Vial S/A (Leonidas Vial)
6,5% Outros pulverizados

• Universidad de Chile (“La U”) é o segundo time com a maior torcida no Chile – cerca
de 20%. Desde 2007, o departamento de futebol é SADP – Sociedade Anônima
Desportiva Profissional (Azul y Azul). Detém ações na bolsa de valores, com regras
de transparência e governança rigorosas. No começo nos anos 2010, encantou a
América do Sul com um futebol envolvente comandando pelo técnico Jorge
Sampaoli e ficou conhecido como “Barcelona das Américas”.
Chile
Universidad Católica (Cruzados SADP)
38,62% Credicorp Capital
16,96% Associação Universidad Católica
14,43% Inversiones Santa Filomena
4,09% Bice Inversione
3,74% Banchile
3,54% BTG Pactual Chile
2,13% Larraín Vial S/A (Leonidas Vial)
2,11% Banco Santander
14,38% Outros pulverizados
• A Católica é conhecida no Chile como o “clube dos endinheirados”. A maior parte da torcida pertence à
classe alta chilena. O próprio estádio San Carlos de Apoquindo fica situado na comuna de Los Condes,
região da capital dominada por carros importados e grandes casarões luxuosos. A Universidad Católica é
o terceiro time com a maior torcida no Chile – cerca de 10%. Desde 2009, o departamento de futebol é
SADP – Sociedade Anônima Desportiva Profissional (Cruzados) e cerca de 84% de seu patrimônio está na
Bolsa de Valores de Santiago, sob a propriedade de instituições financeiras, inclusive do BTG Pactual.
Colômbia
Atlético Nacional
100% Organización Ardila Lülle (Carlos Ardila Lülle)

• A temporada de 2016, comandada em campo pelo treinador Reinaldo Rueda, marcou o reconhecimento que se esperava
há tempos, finalmente com o título da Copa Libertadores da América. Desde o início da década, o Atlético Nacional se
colocou como um dos melhores clubes da América do Sul. Os verdolagas conquistaram cinco títulos do Campeonato
Colombiano e três da Copa da Colômbia a partir de 2011, um sucesso que não viveram nem nos fartos anos 1990, e que os
transformou nos maiores campeões nacionais. Acusado de se beneficiar do Cartel de Medellín, o Atlético Nacional se
desvencilhou desta imagem a partir dos anos 1990. A modernização do clube começa em 1996, quando foi adquirido pela
Organização Ardila Lülle, de Carlos Ardila Lülle, um dos homens mais ricos da Colômbia e dono de um conglomerado que
inclui a marca de refrigerantes Postobón. Neste sentido, os verdolagas deram passos a frente de seus concorrentes em
termos de gestão profissional. A estabilidade financeira, entretanto, não necessariamente era garantia de títulos. E um
homem fundamental nesta nova fase é Juan Carlos de la Cuesta, escolhido presidente pelo conselho executivo depois que
Victor Marulanda renunciou ao cargo. De la Cuesta assumiu o comando sem necessariamente possuir grande experiência
no futebol. Então com 36 anos, o executivo era empregado da Postobón, antes de se tornar gerente administrativo e
financeiro do Atlético Nacional no início de 2010 até que a presidência lhe caiu no colo. E a visão trazida pelo novo
mandatário foi importante para a ascensão dos verdolagas: um dos pilares do trabalho veio com a aproximação
aos torcedores e a busca por novas possibilidades comerciais. Após sete anos, De la Cuesta renunciou à Presidência em
março de 2017, em busca de “projetos pessoais”, culminando com uma leve queda de rendimento esportivo do Atlético
Nacional nos exercícios seguintes.
Colômbia
Junior de Barranquilla
100% Grupo Empresarial Olímpica (Fauad Char)

• O Junior de Barranquilla é presidido por Antonio Char Chaljub, líder do Grupo


Empresarial Olímpico, do qual o Junior faz parte como instituição. A família
Char, de origem libanesa, tem como principal expoente o Senador Fauad
Char, fundador e controlador do Grupo Empresarial Olímpico, o segundo
maior conglomerado da costa caribenha colombiana depois da Refinaria de
Cartagena, no qual se inclui também a rede Supermercados Olímpicos e a
estação de rádio Olímpica Stéreo. Como Senador da Colômbia cumprindo seu
quinto mandato no Congresso, evidencia-se a relação local política-futebol,
rendendo dividendos eleitorais à família no distrito de Atlântico, cuja capital é
Barranquilla. Antonio Char, atual Presidente, é o filho primogênito do
Senador Fauad Char.
Colômbia
Millonarios FC
67% Amber Capital (Blas de Lezos)
33% Acionistas minoritários

• Amber Capital é um fundo de investimento fundado em Nova York por Joseph Oughourlian (ex-Société
Générale) e Gilles Fretigne (ex-Lehman Brothers) em 2005. Na Colômbia, seu veículo de investimento é o
fundo Blas de Lezos, administrado por Gustavo Serpa, que comprou a participação majoritária no Millonarios,
time mais popular da capital Bogotá, em 2015. O Amber Capital tem por perfil investir em empresas no
modelo de "fundos oportunistas", ou em termos mais pejorativos, "fundos abutres”: adquirem empresas em
situação difícil por perdas ou dívidas a baixo preço, reorganizam-nas agressivamente para obter lucro e
vendem as suas ações ou, consoante a rentabilidade dos seus investimentos, mantêm-nas. No esporte, os
principais investimentos da Amber Capital são o Millonarios e o RC Lens da Ligue 2 da França. O fundo de
investimento adquiriu o Lens em maio de 2016, após uma situação crítica que o levou ao rebaixamento para a
segunda divisão francesa. O projeto esportivo do Amber Capital no futebol consiste em formar jovens
jogadores para os vender, utilizando uma grande equipe e uma sólida marca como o Millonarios como mantra
e independentemente da obtenção de títulos. Os acionistas minoritários e a torcida expressam seu protesto
com esse modelo comercial em voz alta. Uma solução para esse imbróglio parece pouco viável. E enquanto
não parecer um comprador, parece que haverá Amber Capital por um tempo no Millonarios.
México
CF América S. A. de C. V.
100% Grupo Televisa

• O Club América, fundado em 1916 na Cidade do México, com 13 títulos da Primeira Divisão do
Campeonato Nacional, possui a segunda maior torcida do México – cerca de 16,6%. Desde 22
de julho 1959, é de propriedade do Grupo Televisa, a maior rede de TV local. Com o aporte
financeiro, não tardou ao América figurar entre os protagonistas do futebol do país. A Televisa é
dona de outros dois times de futebol no México – Club Necaxa e Club San Luis (adquirido
recentemente) – com o América sendo a joia da coroa, e é proprietária do Estádio Azteca, o
maior da América Latina (87.523 espectadores) e um dos únicos estádios a sediar duas finais
de Copa do Mundo (1970 e 1986). Emilio Azcarraga Jean, Presidente do Conselho de
Administração da Televisa e neto do fundador, dedica-se também à chamada “divisão de
futebol” do grupo, liderada pelo Club América. O craque do time é o camisa 10 mexicano
Giovani dos Santos, ex-Barcelona e a equipe venceu a Liga dos Campeões da CONCACAF, nesta
década, por duas vezes, nas temporadas de 2014/2015 e 2015/2016.
México
CF Monterrey S. A. de C.V.
100% Grupo FEMSA

• O Monterrey, popularmente conhecido como “Os Rajados”, é da cidade de Monterrey, Nuevo León,
no nordeste do país. É de propriedade da gigante FEMSA, sediada em Monterrey. A FEMSA é a
maior empresa mexicana de bebidas e varejo, opera o maior grupo independente de
engarrafamento de Coca-Cola de todo o mundo e a maior cadeia de lojas de conveniência do país, a
Oxxo. A FEMSA presenteou o CF Monterrey com a construção do estádio mais bonito e tecnológico
do México – El Gigante de Acero, na Grande Monterrey, desenhado pela multinacional de
arquitetura Populous, a um custo de 200 milhões de dólares, sendo inaugurado em agosto de 2015
na oitava edição da Eusébio Cup, quando o Monterrey derrotou o Benfica por 3-0. O Monterrey
possui, nesta década, quatro títulos da Liga dos Campeões da CONCACAF: 2010–11, 2011–
12, 2012–13 e 2019, foi terceiro lugar no Mundial de Clubes da FIFA nas edições de 2012 e 2019 e
tem como destaque, desde 2019, o centroavante Vincent Janssen, 26 anos, da Seleção Holandesa e
ex-Tottenham Hotspur, eleito a Revelação do Futebol Neerlandês na temporada 2015/2016,
tornando-se o time mexicano mais vencedor da década.
México
CD Guadalajara – Chivas S. A. de C. V.
100% Grupo Omnilife (Jorge Vergara)

• O Chivas, com sede em Guadalajara, Jalisco, é o time mais popular do México – cerca de 20,4% da torcida. Junto com o América, é um dos dois
únicos times que nunca foram rebaixados à Segunda Divisão e não permite que jogadores estrangeiros atuem. A equipe tem enfatizado
constantemente os atletas locais (canteras) e tem sido a plataforma de lançamento de alguns jogadores de sucesso internacional, incluindo Omar
Bravo, Javier Chicharito Hernández e Carlos Salcido. A vida do Guadalajara é uma antes de Jorge Vergara e outra depois dele. Após o título
nacional da temporada 1986/87, o Rebanho Sagrado enfrentou problemas para cumprir seu orçamento anual, apesar de contar com o apoio de
milhões de torcedores. Os então mais de 200 associados da Associação Civil decidiram arrendar o futebol em 1993 para Salvador Martínez
Garza. A Promotora Deportiva Guadalajara assumiria o controle do Chivas pelos próximos 10 anos, para que alguém pudesse injetar dinheiro.
Martínez Garza construiu em carteira o que ficou conhecido como “Super Chivas”, com a chegada de reforços caros, voltando ao destaque por
alguns anos. Porém, no final de seu contrato, em uma tentativa de recuperar parte do investimento, começou a vender jogadores. Assim, a última
etapa do Club Deportivo Guadalajara foi de tristes resultados esportivos. A Associação Civil, então chefiada por Francisco Cárdenas, preparava-se
para receber o futebol de volta, quando o empresário Jorge Carlos Vergara Madrigal chegou para convencer os sócios a venderem o clube
todo. Para isso, tiveram de transformar a Associação Civil em Sociedade Anônima. A decisão foi tomada em assembleia realizada no final de
outubro de 2002. Jorge Vergara alienou a infraestrutura do antigo clube, hoje hotel e centro comercial e construiu seu próprio estádio - o Akron,
que sediou a abertura e encerramento dos Jogos Pan-americanos de 2011, para não mais ter de dividir a casa com o rival Atlas, também de
Guadalajara. Ele fez do Chivas uma das marcas mais fortes do futebol mexicano, com licenciamento para mais de dois mil produtos diferentes
que são comercializados tanto no país quanto nos Estados Unidos. As finanças não são mais teoricamente um problema para o clube como
tal, pois gera mais receita do que qualquer outro time do México, embora o divórcio de Jorge Vergara com a ex-mulher Angélica Fuentes tenha
provocado um impacto financeiro no clube nos últimos anos.
México
CF Pachuca S. A. de C. V.
100% Grupo Pachuca (Jesús Martinez Patiño)

• Está sediado na cidade de Pachuca, província de Hidalgo. O Grupo Pachuca, investidor do time,
nasceu em 1993 quando o empresário Jesús Martínez Patiño adquiriu os Tuzos do governo de
Hidalgo e desde então começou a formar um projeto bastante sólido, que hoje já conta com cinco
equipes, quatro delas próprias e mais uma que administram e apoiam financeiramente. Pachuca,
León, Mineros de Zacatecas, Everton de Viña del Mar (Chile) e Talleres de Córdoba (Argentina) são
as equipes que compõem a carteira do poderoso conglomerado mexicano. O Grupo Pachuca optou
por ter franquias em mais de um país, algo parecido com o que acontece com o Abu Dhabi United,
dono do Manchester City (Inglaterra). Entre 2012 e 2017, o bilionário Carlos Slim, que ostentava o
título de pessoa mais rica do mundo, por intermédio da célebre América Móvil teve participação
acionária de 30% no Pachuca e não poupou esforços em fazer a equipe retomar a estatueta no país
que não tinha nenhuma taça na década. O Pachuca foi, enfim, campeão da Liga dos Campeões da
CONCACAF na temporada 2016/2017 e terceiro lugar no Mundial de Clubes da FIFA em 2017. Com
o lugar mais alto do pódio da América do Norte alcançado, Carlos Slim decidiu vender de volta suas
ações ao já majoritário Grupo Pachuca, mantendo, no entanto, a aliança estratégica com certos
direitos de transmissão, o que permite a América Móvil exibir conteúdos esportivos do Pachuca em
suas plataformas.
México
Tigres UANL (Sinergia Deportiva S. A. de C. V.)
100% CEMEX (até 2026)

• O Club de Fútbol Tigres de la Universidad Autónoma de Nuevo León está localizado na cidade
de San Nicolás de los Garza, na área metropolitana de Monterrey e foi fundado em março de
1960. Exerce o mando de campo no Estádio Universitário, com capacidade para 41.615
espectadores, situado dentro do complexo universitário em San Nicolás de los Garza. É a
equipe oficial da Universidade do Estado de Nuevo León. Após algumas negociações, em 1996
foi entregue a gestão da equipe, por dez anos, à Sinergia Deportiva S.A. de C. V., braço
esportivo da CEMEX (Cemento Monterrey) – a segunda maior empresa de materiais de
construção do mundo, atrás apenas da LafargeHolcim. Em 3 de agosto de 2006, a CEMEX
comemorou seus primeiros 100 anos com uma partida entre Tigres e Barcelona-ESP em
Monterrey, vencida pelos catalães. Após sucessivas renovações em 2006 e em 2016, o contrato
de administração e exploração da Sinergia Deportiva S.A. de C. V. com a Universidade vai até
2026. O craque do time, desde 2015, é o centroavante francês André-Pierre Gignac, 34 anos,
titular da Seleção Francesa na Copa do Mundo de 2010.
Quatro perfis “perigosos” de investidores:
Em um futebol super consumido, televisionado para os
quatro cantos do mundo, clubes provocam impactos reais
no cenário eleitoral de uma nação, reposicionam
geopoliticamente líderes globais, viabilizam projetos
financeiros fraudulentos e limpam a imagem de
empresários de origem e práticas duvidosas. Nessa
escala, o futebol-negócio de clubes-empresa serve
basicamente a interesses potencialmente perigosos.
Quatro perfis “perigosos” de investidores:
1. Geopolítica: Estados interessados em fazer dos clubes suas ferramentas de
“soft power”. Emirados Árabes Unidos e o City Football Group. Qatar e o Paris
Saint-Germain. Arábia Saudita e a tentativa de compra do Newcastle United.
China no Inter de Milão.
2. Política eleitoral: personalidades ou grupos políticos dispostos a investir em
um clube de massas para reverter seu sucesso esportivo em capital político.
Silvio Berlusconi no Milan. Jesus Gil (prefeito de Marbella) no Atlético de
Madrid. Sebastián Piñera no Colo-Colo. Fauad Char no Junior Barranquilla.
Mauricio Macri no Boca Juniors [apesar do Boca não ser clube-empresa].
3. Mercado de capitais: grupos financeiros, e seus respectivos representantes
públicos, em busca de projeção de suas imagens e marcas para a atração de
investidores para seus projetos. Bilionário israelense-russo Roman
Abramovich no Chelsea. Sheik Al-Thani, Málaga CF e o mercado imobiliário
espanhol. Bilionário financista de Singapura Peter Lim e o Valencia CF.
4. Alheios: ora desinformados, ora aventureiros, ora mal intencionados. Ao se
apresentarem como homens de negócios bem-sucedidos, conquistam a
confiança de clubes que pretendiam adquirir. Como resultado, é comum vê-los
levando-os à bancarrota junto com os seus próprios fracassos financeiros. O
empresário iraniano Majid Pishyar e a SAD do Beira-Mar (Portugal). Marcos
Ulloa e o Deportes Concepción (Chile).
Prós e contras do modelo associativo
e do modelo do clube-empresa
Associação civil
• Preservação da história e tradição;
• Possibilidade de alternância de poder;
Prós: • Relação de proximidade efetiva com o clube;
• Dificuldade em ter a insolvência civil decretada;
• Carga tributária mais benéfica;
• Obsta investidores aventureiros.
Contras: • Sociedade Política: fragmentação, “coalizão”, nomeações
políticas;
• Maior dificuldade para receber aportes de capital;
• Não coobrigam financeiramente gestores e sócios;
• Número de sócios limitados e poder hereditário
(patrimonialistas);
• Dificuldade de planejar o longo prazo: mandatos de
curto prazo e mudanças de perfil do gestor.
Sociedade empresária (LTDA ou S/A)
• Constituição sob regras “corporativas”: acionistas coobrigados;
• Acionistas têm capital em risco: aumenta interesse na boa gestão;
Prós: • Gestão profissional, sem impacto de origem política interna;
• Maior facilidade para aporte de capital;
• Possibilidade de se financiar com linhas adequadas (prazo e custo).
• Abandono: acionista pode desistir do negócio e deixá-lo à deriva;
• Personalismo: concentração de poder nas mãos de uma pessoa ou grupo pequeno;

Contras: •
Torcida pode sentir falta de influenciar nos destinos do clube, perdendo a raiz social;
Má gestão: falta de controles internos ou externos eficientes podem levar à falência;
• Perfil do negócio: negociação de atletas ou interesse competitivo?
• Investidor pode fazer apenas aporte inicial e defender limitações dos gastos do clube-
empresa à sua própria receita (nem sempre “brinquedo de bilionário”). João Saldanha
(1990): “qual torcedor que vai torcer por um balancete?"
• Discordância no relacionamento entre Associação e Acionista Controlador;
• Carga tributária mais elevada – mesmo com PL Clube-Empresa diferença de 5%;
• Aumentos de capital e suporte dos minoritários podem ter limitações se adotar o
modelo dos 50%+1;
• Se S/A aberta, ausência de regulamentação pela CVM. (Divulgação de fato relevante?)
Opções possíveis aos clubes de futebol
constituídos como associação civil
Ou permanece exclusivamente como
Associação civil
1. Cogestão;
2. Parcerias para aquisição de direitos econômicos de
atletas;
3. Criação de empresa de licenciamento;
4. Empréstimo a juros baixo com FIDC;
5. Empréstimo de alta monta com fundos no exterior;
6. Condomínio de credores/pool de credores;
Ou conversão da associação civil em clube-
empresa:
• Transformação total: associação civil transformada, por completo, em
sociedade empresária. Ex.: Clube Atlético Bragantino em Red Bull
Bragantino Futebol LTDA. (mesmo CNPJ: 51.315.976/0001-94); Arts. 84 e
85 da Instrução Normativa DREI nº 81, de 10 de junho de 2020.
• Cisão: associação civil ser cindida, vertido total ou parcialmente seu
patrimônio para sociedades empresárias. Ex.: departamento de futebol
nos casos do Bahia, Vitória, Coritiba, Figueirense, projeto do Botafogo-RJ
etc;
• Incorporação: associação civil ser incorporada por sociedade empresária.
(Para o investidor inicial, é menos burocrático fazer a transformação total.
Por outro lado, será necessária se investidor quiser ter dois clubes, em
decorrência da proibição de haver duas equipes controladas pelo mesmo
grupo econômico.);
• Fusão: associação civil pode ser fundida com sociedade empresária, de
modo que, ao final da fusão, remanesça sociedade empresária.
PL do Clube-Empresa
Objetivos do PL do Clube-Empresa
• O Clube-Empresa, em todo o planeta, é regulado em duas esferas:
esportiva e legal. Na primeira, no Brasil, seria pela CBF (ainda
pendente), com sanções, p. ex., de cancelamento da participação em
competição e a equipe ser desvinculada da Federação (fair play
financeiro?). Na segunda, pelo PL do Clube-Empresa.
• Por força do art. 217, inciso I da CRFB-1988, a transformação dos
clubes de futebol em sociedades empresárias deve ser facultativa (o
clube pode permanecer no regime que já está);
• Criação de incentivos visando a migração do modelo associativo para
o empresarial;
• Corrigir o sistema atual: ausência de diretrizes legais à
implementação do processo;
• Corrigir as limitações legais à transformação dos clubes em
sociedades empresárias (p. ex. redução da carga tributária,
recuperação judicial etc).
Acréscimos do PL Clube-Empresa:
• Sucessão de todas as obrigações da associação civil, inclusive as de
natureza tributária e as derivada da legislação do trabalho, na hipótese
de cisão, incorporação e fusão. O passivo acompanha o ativo. Intuito de
evitar fraude. Distingue do projeto do Botafogo-RJ, no qual o passivo
fica na associação civil e o ativo do futebol migra para a SPE, e coíbe
ainda o uso indevido da Coritiba Futebol S/A “limpa”:

Art. 2º. [...]


§ 1º As sociedades empresárias de que trata o inciso II do caput deste
artigo sucederão todas as obrigações da entidade desportiva profissional,
inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho
e as decorrentes de acidentes de trabalho.
Acréscimos do PL Clube-Empresa:
• Blindagem patrimonial: instituído o clube-empresa, não haverá mais
risco de contaminação, por reconhecimento de grupo econômico, do
passivo da associação civil remanescente com o clube-empresa. E na via
contrária?

Art. 2º. [...]


§ 2º Instituída a sociedade empresária nos termos do § 1º deste artigo,
sob nenhuma hipótese a responsabilidade por obrigações assumidas pela
associação remanescente comunicar-se-á com o clube-empresa.
Acréscimos do PL Clube-Empresa:
• Critério para transferência de bens e direitos do patrimônio da
associação civil para o patrimônio de outra pessoa jurídica. Intuito de
evitar sobreavaliação dos valores dos ativos (como no Coritiba S/A):

Art. 2º. [...]


§ 3º A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades de
prática desportiva profissionais de futebol constituídas sob a forma de
associação para o patrimônio de outra pessoa jurídica em virtude de
incorporação, fusão, cisão ou transformação deverá ser efetuada pelo
valor de sua aquisição, ou pelo valor atribuído, no caso de doação.
Acréscimos do PL Clube-Empresa:
• Maior burocracia para as operações de cisão, incorporação e fusão. Por
isso também o Red Bull optou por transformar o Clube Atlético
Bragantino em LTDA. ao invés de incorporar o Clube Atlético Bragantino
no Red Bull Futebol e Entretenimento LTDA – antigo RB Brasil:

Art. 2º. [...]


§ 4º Nas hipóteses de incorporação, fusão ou cisão de entidade de prática
desportiva profissional de futebol de que tratam as alíneas b, c e d do
inciso II do caput deste artigo aplica-se subsidiariamente o disposto nos
arts. 223 a 234 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, mesmo na
hipótese em que as referidas operações não envolvam sociedade por
ações ou na hipótese em que delas não resulte sociedade por ações.
Acréscimos do PL Clube-Empresa:
• Transferência de registro na CBF para disputar competições: Clubes têm
prazo de 60 dias até a publicação definitiva do regulamento da
competição para a inscrição – art. 9º do Estatuto do Torcedor. Após a
publicação do regulamento, o art. 9º, §5º do Estatuto do Torcedor
proíbe a alteração. Inconstitucionalidade com o art. 217, inciso I da
CRFB-1988?

Art. 2º. [...]


§ 5º A entidade de prática desportiva profissional de futebol que adotar o
formato de clube-empresa nos anos-calendários de 2019 e 2020 por uma
das modalidades previstas no inciso II do caput deste artigo poderá, a
qualquer momento, alterar seus registros para participar das competições
oficiais organizadas por entidades nacionais ou regionais de
administração do desporto durante os referidos anos-calendário.
Acréscimo do PL Clube-Empresa:
• Maior transparência sobre o investidor. Será suficiente? Sanção para descumprimento?
Art. 3º O clube-empresa submeter-se-á aos regimes informacionais previstos nas Leis nºs 6.404, de 15
de dezembro de 1976, e 9.615, de 24 de março de 1998, e deverá divulgar, de forma tempestiva e
atualizada, informações relevantes sobre as atividades desenvolvidas, as estruturas de controle, os
fatores de risco, os dados econômico-financeiros, os comentários dos administradores sobre o
desempenho e as políticas e práticas de governança interna.
§ 1º Independentemente do tipo de sociedade empresária adotado, o clube-empresa deverá divulgar
publicamente na internet, de forma permanente e tempestiva:
I - composição de capital social atual, incluindo destaque, em termos quantitativos e percentuais,
acerca dos sócios ou acionistas que detenham mais de 5% (cinco por cento) do capital social, por
participação total e por classe ou espécie de ação;
II - informação sobre a alteração dos sócios ou acionistas controladores, diretos ou indiretos, ou
variações em suas posições que os levem a ultrapassar, para cima ou para baixo, os patamares de 5%
(cinco por cento), 10% (dez por cento), 15% (quinze por cento), e assim sucessivamente, de
participação no capital social ou de uma mesma espécie ou classe de ações;
III - informação sobre quando qualquer pessoa natural ou jurídica, ou grupo de pessoas que
representar um mesmo interesse, direta ou indiretamente, ultrapassar, para cima ou para baixo, os
patamares de 5% (cinco por cento), 10% (dez por cento), 15% (quinze por cento), e assim
sucessivamente, de participação no capital social ou de uma mesma espécie ou classe de ações do
emissor, desde que o clubeempresa tenha ciência dessa alteração.
§ 2º O clube-empresa deverá criar canal de denúncias que possibilite o recebimento de denúncias
internas e externas relativas a suspeitas de conduta ilícita ou criminosa e ao descumprimento de lei,
regulamento e normas internas de ética e obrigacionais, bem como deverá estabelecer mecanismos de
proteção e de confidencialidade que impeçam qualquer espécie de retaliação a pessoa que utilize esse
canal.
Acréscimo do PL Clube-Empresa:
• Responsabilidade dos administradores:

Art. 4º A ação de responsabilidade contra administradores por prejuízos causados ao


patrimônio do clube-empresa, independentemente do tipo de sociedade empresária
adotado, reger-se-á pelo art. 159 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976.

Lei Pelé:

Art. 18-D. Os dirigentes que praticarem atos de gestão irregular ou temerária poderão
ser responsabilizados por meio de mecanismos de controle social internos da
entidade, sem prejuízo da adoção das providências necessárias à apuração das
eventuais responsabilidades civil e penal.
Art. 27. [...]
§ 11. Os administradores de entidades desportivas profissionais respondem solidária
e ilimitadamente pelos atos ilícitos praticados, de gestão temerária ou contrários ao
previsto no contrato social ou estatuto, nos termos da Lei no 10.406, de 10 de janeiro
de 2002 - Código Civil.
Acréscimo do PL Clube-Empresa:
• Responsabilidade dos administradores:

Lei 6.404:
Art. 159. Compete à companhia, mediante prévia deliberação da assembléia-geral, a ação de
responsabilidade civil contra o administrador, pelos prejuízos causados ao seu patrimônio.
§ 1º A deliberação poderá ser tomada em assembléia-geral ordinária e, se prevista na ordem do dia, ou
for conseqüência direta de assunto nela incluído, em assembléia-geral extraordinária.
§ 2º O administrador ou administradores contra os quais deva ser proposta ação ficarão impedidos e
deverão ser substituídos na mesma assembléia.
§ 3º Qualquer acionista poderá promover a ação, se não for proposta no prazo de 3 (três) meses da
deliberação da assembléia-geral.
§ 4º Se a assembléia deliberar não promover a ação, poderá ela ser proposta por acionistas que
representem 5% (cinco por cento), pelo menos, do capital social.
§ 5° Os resultados da ação promovida por acionista deferem-se à companhia, mas esta deverá indenizá-
lo, até o limite daqueles resultados, de todas as despesas em que tiver incorrido, inclusive correção
monetária e juros dos dispêndios realizados.
§ 6° O juiz poderá reconhecer a exclusão da responsabilidade do administrador, se convencido de que
este agiu de boa-fé e visando ao interesse da companhia.
§ 7º A ação prevista neste artigo não exclui a que couber ao acionista ou terceiro diretamente
prejudicado por ato de administrador.
Acréscimo do PL Clube-Empresa:
• Profissionalismo na administração do clube-empresa:

Art. 3º. [...]


§ 1º É vedada a assunção de cargo de direção, administração ou fiscalização no
clube-empresa a qualquer pessoa que ocupe, no momento da indicação,
mandato eletivo ou cargo de direção, administração, deliberação ou fiscalização
na respectiva entidade de prática desportiva profissional de futebol constituída
sob a forma de associação.
§ 2º A vedação prevista no § 1º deste artigo estendese também aos parentes
consanguíneos ou afins até o terceiro grau das pessoas nele mencionadas.
§ 3º No clube-empresa que adotar a forma de sociedade anônima, nos termos
da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, o funcionamento do conselho
fiscal deve ser permanente e o conselho de administração deve ser composto,
no mínimo, de 25% (vinte e cinco por cento) de membros independentes ou de
pelo menos 1 (um) membro independente, caso haja decisão pelo exercício da
faculdade do voto múltiplo pelos acionistas minoritários, sendo consideradas,
para o cômputo das vagas destinadas a membros independentes, aquelas
ocupadas pelos conselheiros eleitos por acionistas minoritários.
Acréscimo do PL Clube-Empresa:
• Cessão da marca. Blindagem dos símbolos. Reduzirá valor de mercado?
Art. 31. As entidades de prática desportiva profissionais de futebol que adotarem
a forma de associação poderão ceder onerosamente aos clubes-empresa
constituídos na forma do art. 2º desta Lei os direitos de propriedade intelectual
de titularidade da associação, neles incluídos sua denominação, símbolos,
escudos, siglas e mascotes.
§ 1º A remuneração do contrato de cessão dos direitos de propriedade intelectual
será estabelecida por valor fixo, em montante que viabilize à associação a
manutenção e o desenvolvimento dos seus objetivos sociais, incluído o
desenvolvimento de atividades relacionadas aos esportes olímpicos e
paraolímpicos, de forma profissional ou não profissional, conforme negociação
entre as partes do contrato, por prazo não inferior a 30 (trinta) anos, renovável.
§ 2º Salvo estipulação contratual em contrário, a decretação da falência do clube-
empresa implicará a rescisão automática do contrato de cessão de direitos de
propriedade intelectual, os quais retornarão à propriedade exclusiva da
associação por tempo indeterminado, nos termos do art. 87 da Lei nº 9.615, de
24 de março de 1998.
§ 3º Na hipótese de transformação total da associação em sociedade empresária,
o clube-empresa sucederá todos os direitos de propriedade intelectual de
titularidade da associação.
Acréscimo do PL Clube-Empresa:
• Projetos Incentivados: Lei de Incentivo ao Esporte
Situação Atual: Empresas não podem ser proponentes de
projetos;
Proposta: Alteração da Lei de Incentivo ao Esporte para que
haja isonomia entre todos os clubes, sejam sociedades
empresariais ou associações civis, garantindo a todos a
possibilidade de realizar projetos através de incentivos fiscais;