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Especialização Técnica

Aplicada ao
Georreferenciamento
Sistemas de Informa-
ção Geográfica

-
CARTOGRAFIA
DIGITAL
Ficha Técnica

Elabroração - Brunna Francinete da Silva Cruz


Capa / Diagramação - Gabriel Araújo Galvão
Diretor Pedagógico - Edilvo de Sousa Santos
Índice
Introdução.........................................................................................................05
Referencial Terrestre e elipsóide de Referência....................................09
Estrutura de Dados.........................................................................................17
Dispositivo de Coleta e Visualização de Dados....................................19
Referências Bibliográficas.............................................................................21
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funcionou bem. O que são estes processadores de texto?


1. Introdução
Eu realmente não preciso deles, são muito caros.” Este é
o estágio de relutância em utilizar. No segundo estágio,
Uma vez que tenha sido caracterizado o objetivo o estágio da replicação, a tecnologia tenta replicar a tec-
de um mapa, a sua produção se inicia com a definição nologia anterior. Voltando-se ao exemplo da máquina de
do referencial terrestre e do modelo matemático que irá escrever, poderia-se encontrar o IBM substituindo uma
modelar a superfície terrestre, normalmente chamado de Olivetti com uma máquina de escrever “conceitual”, com
superfície de referência. Tanto o referencial como a su- uma única linha para apresentação de caracteres digita-
perfície de referência são resolvidos a partir de estudos dos e com alguma capacidade limitada de edição. Isto usa
geodésicos e gravimétricos que são realizados para cada um pouco da nova tecnologia, mas não a “abraça”, isto é,
país. No caso brasileiro, ainda está em vigor o referencial não tira proveito total das possíveis vantagens para rea-
terrestre conhecido pela sigla SAD 69 (South American lizar coisas novas. Ainda se usa a tecnologia velha, mas
Datum 1969) e como superfície de referência o elipsóide apenas faz-se ligeiramente melhor. Está-se copiando o
(Tabela 1, pg9). modo como a digitação sempre foi feita, isto é, linha a
Em seguida, tem-se que escolher uma projeção linha.
cartográfica que seja compatível com os objetivos do Na cartografia a cartografia por computador foi
mapa, de modo a minimizar as distorções que ocorrem ignorada por um tempo, como no estágio 1, e então foi
quando se transforma de uma superfície curva para uma enfrentada pela replicação, produzindo traçadores de
superfície plana, o mapa. Escolhida a projeção cartográfi- canetas e mesas de digitalização, simplesmente versões
ca, pode-se desenhar a malha geográfica, que é formada eletrônicas atualizadas das pranchetas de desenho e ca-
pelas transformadas de paralelos e meridianos. Para se netas sempre utilizadas. Os traçadores eram simplesmen-
desenhar estas transformadas, são usadas equações ana- te braços mecânicos com canetas associadas, e sempre
líticas específicas da projeção cartográfica. Para os ma- há a necessidade de alimentá-los com papel e trocar sua
pas topográficos em escalas maiores do que 1/250.000, tinta. Houve mesa de digitalização, muito parecida com
a projeção cartográfica adotada, no Brasil, é a UTM (Uni- uma mesa de desenho, e ao invés de usar uma caneta
versal Transverse Mercator). de cartografia usava-se um cursor para desenhar linhas.
Desenhada a malha geográfica, o passo seguin- Replicou-se a tecnologia anterior, fazendo mapas exata-
te é preenchê-la com os detalhes de levantamento da mente como se fazia antes, usando somente algumas ca-
superfície terrestre. Isto normalmente é feito tendo por racterísticas da nova tecnologia.
base tecnologias fotogramétricas de levantamento. O terceiro estágio é o da implementação com-
Visando a apresentação e comunicação por meio pleta da nova tecnologia, na qual a tecnologia anterior
de símbolos cartográficos se realiza o projeto dos símbo- é esquecida, a nova tecnologia torna-se a tecnologia
los cartográficos. Para isto, são realizadas ordenações e corrente. Os cartógrafos inicialmente relutaram em usar
classificações de todas as feições topográficas que irão computadores (“nenhum computador pode desenhar
compor o mapa. Para se concluir os trabalhos é apropria- um mapa do modo que eu faço”), então replicaram a tec-
do que se realize os testes de campo para avaliar se o nologia anterior (“bem, talvez os computadores possam
produto gerado atende realmente aos requisitos estabe- enfim desenhar mapas, mas gostaria de vê-los desenhar
lecidos para o objetivo do mapa. sobre uma base Mylar ou um estêncil Leroy como eu
faço”). Finalmente, na implementação completa da tec-
1.1 ESTÁGIOS DE ADAPTAÇÃO DO COMPUTADOR À CAR- nologia deve-se responder em conjunto às novas ques-
TOGRAFIA tões. Isto é um sinal de que a tecnologia tomou seu lugar,
desde que novas idéias são necessárias para organizar
Morrison (1980) afirma que há três estágios de as novas soluções. Pode-se perguntar, por exemplo, se
adaptação de uma nova tecnologia. Antes de tudo, há re- os mapas devem realmente estar sobre o papel. Novos
lutância em usar a nova tecnologia; fecha-se os olhos e meios estão agora disponíveis, tal como os microfilmes,
pretende-se que a novidade não esteja lá. Por exemplo, vídeo, imagens de radiodifusão e hologramas. Talvez seja
na tecnologia de processamento de texto, pode-se carac- necessário perguntar exatamente o que o mapa é.
terizar este estágio com afirmações do tipo: “tenho usa- Uma característica de uma tecnologia em desen-
do a máquina de escrever XYZ por 20 anos e ela sempre volvimento é que nos ha movimento nestes estágios. En-

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tretanto, também sente-se que estes estágios existem ao cartográficas estavam automatizadas, mesmo alguns
mesmo tempo. Ainda tem-se tanto a ignorância quanto métodos complicados tais como o sombreamento e os
a relutância em usar esta tecnologia. Tem-se a replicação cartogramas. Foram criados programas de computador
da tecnologia anterior, mas felizmente também tem-se que podiam produzir quase que todos os vários tipos de
algumas implementações completas, e há alguns bons representação cartográfica. A segunda mudança ocorri-
exemplos de pessoas que adotaram a tecnologia compu- da nos anos 70 foi que as pessoas começaram a per-
tacional e a fizeram um sucesso. ceber que as aplicações da cartografia por computador
tinham potencial comercial, tal como acorreu com as
1.2 A HISTÓRIA DA CARTOGRAFIA POR COMPUTADOR primeiras gerações inteiras de graduados em universi-
dades que eram especializadas em cartografia por com-
A cartografia por computador nos Estados Uni- putador, e assim proveram o mercado com um pequeno
dos realmente inicia-se em um único artigo escrito por grupo de estudantes treinados. Muitas pequenas em-
um estudante graduado na Universidade de Whashing- presas começaram durante este período, empregando
ton, Waldo Tobler. O trabalho “Automação e Cartografia” os novos cartógrafos e usando técnicas de engenharia
foi publicado na revista Geographical Review em 1959. de software para produzir alguns programas eficientes
Naquela época os dispositivos de traçado eram os tubos e competitivos em custo. Muitos destes programas fo-
de raios catódicos e a entrada e saída era feita por meio ram disponibilizados para aqueles que desejavam fazer
de cartões perfurados. Durante o início dos anos 60, a novos mapas e para aqueles que desejavam substituir
ênfase estava voltada para a criação de algoritmos, isto os sistemas manuais de mapeamento. Também deve-
é, a criação de expressões de como fazer mecanicamen- -se observar que os governos federal, estadual e local
te coisas que eram feitas a mão. Como a programação frequentemente tomaram a iniciativa na produção de
destes algoritmos era difícil, muitos permaneceram sem software para cartografia . Esta fase continua hoje, e de
ser implementados. Assim, no passado, as curvas de ní- fato está ganhando força com a maturação da indústria
vel eram traçadas a mão pelo cartógrafo usando o seu e com a penetração dos microcomputadores em am-
conhecimento acerca da situação do terreno e a sua per- bientes profissionais técnicos de desenho cada vez me-
cepção de como o mapa deveria parecer. Mais tarde, o nores.
computador ganhou esta habilidade, dando ao cartógrafo Alguns dos primeiros programas eram para ti-
a tarefa analítica de decidir como melhor representar a pos de computadores que estavam em uso nos anos 70,
situação do terreno em vez de como desenhar curvas de grandes computadores mainframe, a maioria IBM, e en-
nível. tão usavam linguagens existentes tais como o FORTRAN
O primeiro problema que teve que ser resolvido e sistemas de plotagem gráfica tais como CALCOMP e
foi como fazer o computador desenhar linhas com carac- Tektronics PLOT-10. A maioria dos programas de aplica-
terísticas de cartografia. O modo de fazer isso foi exami- ções rodavam em modo batch e frequentemente usavam
nar como o cartógrafo tomava a decisão, que métodos impressoras de linha como dispositivo primário de visua-
estavam em uso e como poderiam ser automatizados. De lização.
fato, muitas daquelas decisões são feitas em bases ma-
temáticas muito simples, e frequentemente há um algo- 1.3 NOVOS MEIOS DE VISUALIZAÇÃO
ritmo simples que substituirá o método que o cartógrafo
usava. A cartografia por computador ditou o desenvolvi-
Os cartógrafos criaram uma variedade de algo- mento de novos tipos de hardware. Ao mesmo tempo, os
ritmos, inicialmente implementadas em programas de computadores tornaram-se muito menores e mais bara-
computadores stand-alone, e posteriormente consistin- tos; de fato, agora usam-se computadores sobre as mesas
do de pacotes de programas, atingindo o ponto alto em de trabalho. A capacidade de armazenamento foi grande-
1968 com a produção do pacote SYMAP em Harvard. Nos mente melhorada, derrubando a necessidade de forçar
anos 70 viram-se as duas maiores mudanças. Primeiro, as coisas a caberem no menor espaço possível. Tem-se
a implementação de novos algoritmos trouxe inovações tecnologias totalmente novas que não existiam 10 anos
na produção de novos tipos de mapas que anteriormen- atrás; discos óticos, vídeo, bolhas, etc. Um atlas mundi,
te eram certamente impossíveis de ser produzidos com- por exemplo, pode agora caber em um vídeo disco de 3
putacionalmente. Em cinco anos a maioria das técnicas polegadas.

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Na Inglaterra, uma base de dados fotográfica e diretamente de imagens especialmente de fotos aéreas e
cartográfica para todo o país está disponível agora usan- imagens de satélites. Tratar de textos tem sido uma ques-
do a tecnologia CD-ROM, adequadamente denominada tão particularmente difícil para a cartografia por compu-
projeto Doomsday (Rhind e Openshaw, 1987). Usando tador, especialmente desde que a produção de texto nos
esta tecnologia, cada folha de mapa do mundo poderia métodos tradicionais de decalque estavam superando
ser armazenada em um espaço muito pequeno. Tem-se sua própria revolução tecnológica devido aos materiais
novos métodos e novos meios de apresentação visual tipo phototypesetting, impressão laser, e novos mate-
que modificaram o pensamento acerca do que o mapa riais de desenho e reprodução. Uma mapa não é apenas
é. Normalmente pensa-se em um mapa como uma coisa uma coleção de linhas, cores e polígonos, também con-
que pode-se enrolar em forma de tubo. Agora um mapa tém importantes informações textuais. A seleção, o po-
pode ser um conjunto de impulsos elétricos em um tubo sicionamento e a produção do texto é uma parte muito
de vídeo. De fato, o tubo de TV é um sistema de distribui- importante da cartografia. Inicialmente este aspecto foi
ção de mapas viável em diversos países. O Canadá, o Rei- virtualmente ignorado por quase todos os sistemas de
no Unido e a França usam o videotexto, onde o usuário cartografia por computador. Nos deparamos não apenas
pode selecionar interativamente a qual radiodifusão as- com algumas questões relacionadas à colocação de tex-
sistir usando um teclado muito semelhante a um seletor to sobre mapas, mas estamos trabalhando para fazer o
de canais de um controle remoto de TV. Muitas das “pá- computador selecionar e por o texto onde seja apropria-
ginas” de informações destes sistemas são mapas. Pode- do. Ter o computador hábil para decidir onde por o texto
-se pensar no mapa independentemente da tecnologia poderia automatizar as tarefas simples mais demoradas
ou do dispositivo através da qual a imagem real deve ser na cartografia manual. O posicionamento de texto deve
preparada. Moellering denominou tais mapas de “mapas ser feito de tal modo que não se sobreponha a outros
virtuais”(Moellering, 1983). indicadores ou informações importantes, e que as leis de
Os mapas de interesse imediato, tais como ma- posicionamento de textos sejam obedecidas. Um sistema
pas de imagens de satélites e mapas de interpretação de pioneiro no posicionamento de texto é o sistema AUTO-
clima, a localização de acidentes e lugares nos jornais, NAP
prospectos de viagem e livretos de estradas podem ser Uma vez que o texto tenha sido selecionado e
recebidos interativamente tendo sido atualizados a cada posicionado, tem-se, por fim, a simbolização que é crítica
hora. Estes mapas nunca existiram a não ser como con- para a estética do mapa. Escolha de fonte, cor, espaça-
juntos de elétrons se chocando com fósforo, e foi neces- mento e inclinação do texto são variáveis com as quais
sário ampliar o conceito acerca do que o mapa é para o cartógrafo individual está habilitado a dar ao mapa um
poder incluir estes novos meios. Provavelmente o mapa certo “estilo”. Muito da aparência “artificial” dos mapas
mais comum que o cidadão médio vê diariamente é o produzidos por computador pode ser atribuída ao pro-
mapa de previsão do tempo na TV. Estes mapas são pre- jeto de texto. Um sistema eficaz de cartografia por com-
dominantemente produzidos digitalmente, com o apre- putador deveria dar, ao cartógrafo, o controle sobre esta
sentador de meteorologia posicionado em frente a uma qualidade intangível dos mapas.
parede branca e a câmara focalizando o monitor de um
computador que mostra o mapa de condições climáticas. Exemplo de Regras de Colocação de Nomes
A tecnologia digital neste aspecto é a mais comumente
utilizada. Além disso, a verdadeira impressão de mapas 1. Um nome deve estar totalmente dentro dos
sobre papel é possível, agora usando novos métodos tais limites do mapa
como as tecnologias jato de tinta (ink-jet), feixe laser (la- 2. Um nome não deveria se sobrepor a outro
ser-jet), e traçado direto sobre filme e microfilme. nome ou outra feição
3. Se um nome se sobrepõe a uma feição linear, a
1.4 NOVOS PROBLEMAS CARTOGRÁFICOS linha deve ser interrompida e não o nome
4. Se um nome deve ser horizontal, deve ser pa-
Há movimento em direção à automação mesmo ralelo aos eixos coordenados num mapa de escala gran-
com os mais difíceis problemas cartográficos, entre eles de.
a colocação automática de textos, uma parte importante Outro problema realmente complicado é a pro-
mas frequentemente ignorada, e a produção de mapas dução de mapas diretamente a partir de imagens. No

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passado ia-se ao campo e levantavam-se áreas usando o usado satélites com resoluções menores. Estes sistemas
teodolitos. Mais tarde isso foi substituído pela fotogra- não são futuristas, tem estado em órbita já há mais de
metria, usando fotos aéreas para compilar e atualizar ma- uma década. Os franceses, os russos e os japoneses ago-
pas. De maneira crescente os satélites estão alcançando ra tem em órbita avançados sensores para mapeamento
resoluções cada vez melhores, tornando-os apropriados que permitem produzir mapas em umas poucas horas. A
para mapeamento em escalas cada vez maiores, certa- velocidade do mapeamento cresceu sensivelmente com
mente em escalas da ordem de 1:50.000. Como fazer os sistemas de mapeamento por computador.
mapas diretamente destas imagens sem a intervenção do O computador também incrementou a acuraci-
intérprete é a parte final deste problema. Tem sido feito dade dos mapas, embora seja mais difícil discutir, pois
progresso nesta área, especialmente nos campos de sen- muitas pessoas confundem acuracidade com precisão. Se
soriamento remoto e processamento de imagem. Feições alguém me pergunta a hora e eu respondo 4:12:15,783,
tais como rodovias e rios podem agora ser identificados eu seria muito preciso. Eu poderia estar completamen-
nas imagens e substituídos diretamente por símbolos car- te errado - poderia ser realmente 5:31 - mas eu poderia
tográficos apropriados. Para algumas destas coisas tem ser muito preciso. Se eu tivesse dito em torno de cinco e
sido usados métodos de inteligência artificial. trinta eu estaria sendo satisfatoriamente acurado porém
Outros campos paralelos estão também influen- impreciso. A cartografia computacional tornou os mapas
ciando os eventos atuais na cartografia por computador. mais acurados? Certamente tornou os mapas mais preci-
A área de levantamentos está sofrendo sua própria re- sos. É possível armazenar e utilizar muito mais números
volução, e muitos topógrafos usam agora sistemas COGO agora e pode-se calcular comprimentos e áreas com mais
(coordinate geometry), cadernetas de campo eletrônicas dígitos significativos do que antes. Um topógrafo pode
e traçadores de canetas. De modo semelhante, a indús- calcular a área de uma nova divisão ao milésimo do hec-
tria de CAD está produzindo ferramentas altamente so- tare. Estes número são mais acurados? Certamente pare-
fisticadas para a automação do processo tradicional de ce que tem-se as velhas causas da falta de acuracidade,
desenho, como os programas de pintura estão automati- linhas tortuosas e mãos trêmulas trocadas por outras coi-
zando os processos de pintura artística. Estas tecnologias sas como o gargalo do digitalizador e o erro de interpola-
estão influenciando e sendo influenciadas pelos desen- ção dentro de uma grade. Eu poderia perguntar se talvez
volvimentos na cartografia por computador. os computadores tornaram os mapas mais acurados para
um período de longo termo. Mais importante, entretan-
1.5 A INFLUÊNCIA DO COMPUTADOR NA CARTOGRAFIA to, é o fato de que os nossos níveis de acuracidade agora
são mensuráveis contra a verdade, ou pelo menos contra
Quais tem sido as implicações destas mudanças outras mapas, e portanto fazemos nossos mapas mais
tecnológicas, e o que aconteceu ao mapeamento? Pri- consideráveis.
meiro, agora a cartografia é rápida, ou pelo menos mais Muita da pesquisa recente cartografia tem foca-
rápida. O tempo de compilação de uma carta de 7,5’ x lizado as sua atenção para a acuracidade dos mapas digi-
7,5’, com levantamento de campo e verificação em 1940 tais, e algumas constatações importantes já encontraram
quando a maioria das cartas sistemáticas foi feita, era da lugar na teoria da cartografia.
ordem de cinco anos. Para atualizar os mapas hoje, usam- A maior inovação na área de levantamento foi a
-se métodos fotogramétricos, levantamentos e trabalho implementação de um sistema envolvendo 18 satélites
de campo e isto toma cerca de dois anos. Em um caso em órbita da Terra, cujo posicionamento é precisamente
extremo podemos tomar um exemplo militar. Considere- e acuradamente conhecido pois suas órbitas são previ-
mos o cenário de um satélite de reconhecimento. Se for síveis. É o chamado Sistema de Posicionamento Global
requisitado um mapa de alguma área particular, o satélite (GPS). Isto significa que se você tem um receptor que re-
é reposicionado na órbita, as fotografias são tomadas e cebe e decodifica os sinais provenientes destes satélites
filme é depositado em um recipiente para retorno à su- você pode determinar a sua posição muito precisamente
perfície e então é ejetado. O recipiente entra na atmosfe- por triangulação tridimensional a partir de um conjunto
ra terrestre e á apanhado, é processado e é enviado para de satélites. Não é impossível para um sistema de US$
o Pentágono dentro de algumas de horas após a tomada, 50.000 com pós-processamento em microcomputador
permitindo a atualização quase instantânea do mapa. fornecer latitude, longitude e altitude dentro de 10 milí-
A sistematização deste método é impossível, então são metros. Isto é muito acurado e preciso o que é suficien-

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temente bom para medir a deriva continental; de fato Uma vez que o elipsóide de referência tenha sido
isto contribuiu para mostrar que os continentes estão se espacialmente referenciado, utiliza-se a sua superfície como
deslocando e de quanto. As contribuições deste sistema referência para as coordenadas planimétricas. Neste caso, 2
de satélites para as ciências de mapeamento, geodésia e parâmetros são importantes: o semi-eixo maior (a) e acha-
levantamento, já é aparente. tamento (f). Nos mapas topográficos mais antigos, está
Esta tecnologia permite levantar novamente coi- transcrito que o datum horizontal é Córrego Alegre. Nos ma-
sas com um novo nível de acuracidade, e algumas vezes pas mais atuais é informado que o datum horizontal é SAD
tem-se percebido que algumas coisas forma feitas com 69. A observação que se deve fazer é que Córrego Alegre
erro e em alguns casos foram realmente equivocadas. é o nome do vértice da rede geodésica horizontal que foi
Um bom exemplo são as Ilhas do Pacífico, totalmente utilizado como referência para os cálculos dessa rede. Pos-
fora da vista de qualquer outra parte de terra em todas teriormente, toda a rede geodésica foi recalculada devido a
as direções, de modo que as posições só podiam ser de- mudança de datum, e neste caso foi utilizado o vértice cha-
terminadas pela medida astronômica de latitude e longi- mado Chuá, ambos localizados em Minas Gerais. No primei-
tude. Com o receptor de GPS encontrou-se que os nossos ro caso, o elipsóide de referência adotado foi o de Hayford,
mapas mostram as ilhas algumas vezes a dezenas de qui- enquanto no segundo caso, foi um elipsóide que tem por
lômetros da posição correta. De um modo geral a carto- base o elipsóide Internacional recomendado em um encon-
grafia tem uma longa história de ilhas que aparecem e re- tro científico internacional em 1967 (Tabela 1).
aparecem, e movem-se com a mudança da tecnologia de
mapeamento mais do que por ter a ver com a Atlântida, o Tabela 1 Datum e elipsóide
triângulo das Bermudas ou a tectônica de placas. Um pro-
Datum Vértice Elipsóide Semi-eixo Achata-
montório inteiramente novo foi descoberto na Antártica, maior(a) mento (f)
descobriu-se o monumento Whashington deslocado de Horizontal
vários metros, e provavelmente a mais famosa instância Córrego Alegre Córrego Hayford 6.356.388 1/297
é o fato de o Monte Everest ter passado um curto período Alegre
entre as medições como o segundo mais alto do mundo SAD-69 Chuá Interna- 6.378.160 1/298,35
ao invés do primeiro. O computador digital permite cap- cional 67
turar dados cartográficos que são tanto acurados quan-
to precisos. Infelizmente, a implicação da qualidade que Para que se possa caracterizar uma posição sobre a su-
vem com a acuracidade e a precisão não tem sido sempre perfície de referência é necessário que se estabeleça a origem
justificada. Quando o material fonte para um mapa digital do sistema e se conheça as coordenadas ( 𝜑𝜑 , λ ) dessa posição.
é um mapa em papel, o mapa digital pode ser uma fiel e Como a superfície de referência neste caso é um elipsóide, tem-
exata reprodução de todos os erros envolvidos na gera- -se um sistema de coordenadas elipsoidais (Figura 1).
ção do mapa em papel. É importante manter um critério
de “aptidão do uso” quando se considera a acuracidade
dos dados cartográficos digitais.

2. Referencial Terrestre e Elipsóide de Referência

Do ponto de vista prático, o referencial terres-


tre, realizado pelo conjunto de vértices geodésicos e
referências de nível, tem a finalidade de permitir que
se faça a localização espacial de qualquer feição ou
entidade sobre a superfície terrestre. Assim, a posi-
ção do elipsóide de referência e a sua orientação em 2.1 PROJEÇÃO CARTOGRÁFICA
relação a este referencial tem de ser estabelecidos. A
forma indireta de se informar sobre o referencial ter- Projeção cartográfica é uma função matemática que é usa-
restre e a atitude do elipsóide é se explicitar o datum da para se transformar os elementos que estão sobre uma
horizontal e o datum vertical. superfície de referência, normalmente um elipsóide ou

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uma esfera, para uma superfície de projeção, que deve A projeção conforme (ou ortomórfica) é aquela
ser uma superfície plana, ou então desenvolvível numa onde é preservada a forma, ou seja os ângulos não são
superfície plana (por exemplo um cone ou um cilindro). distorcidos. Entretanto, esta propriedade não é válida
Então, matematicamente falando, uma projeção carto- para áreas de dimensões muito grandes.
gráfica é uma transformação entre 2 espaços, um chama-
do de superfície de referência e o outro chamado super- No que diz respeito ao método de projeção é
fície de projeção (Figura 2). possível se identificar 2 tipos que são:

a) projeção direta e

b) projeção em 2 passos, ou projeção dupla.

Na projeção direta (Figura 3) a transformação se


dá diretamente da superfície do elipsóide para a superfí-
cie de projeção (se um plano, um cone ou um cilindro).
Na projeção em 2 passos, a transformação se dá primeiro
do elipsóide para uma superfície esférica e desta para a
superfície de projeção.

O problema que existe quando se aplica uma pro-


jeção cartográfica são as inevitáveis distorções devido a
transformação de elementos da superfície de referência,
com uma certa curvatura, para a superfície de represen-
tação, que é uma superfície plana, ou desenvolvível, mas Um outro aspecto importante para se classificar
sem curvatura. A consequência disto é que sempre ocor- uma projeção está relacionado com a sua geração. Nes-
rerá algum grau de distorção das propriedades represen- te sentido, destacam-se as projeções geométricas e as
tadas. Neste sentido, é possível se avaliar a distorção des- convencionais. As projeções geométricas são aquelas em
sas propriedades em termos dos seguintes critérios: que se usa uma técnica de projeção perspectiva, ou seja,
existe uma família de linhas projetivas que passam pelo
a) Equidistância; centro de projeção e atingem a superfície de projeção.
b) Equivalência e Ao contrário, as projeções convencionais são aquelas que
c) Conformidade(ou ortomorfismo). são geradas a partir de convenções estabelecidas arbitra-
riamente, não existindo, portanto, uma interpretação ge-
Assim a projeção equidistante é aquela que re- ométrica para sua construção.
presenta corretamente sobre a superfície de projeção a No que se refere a forma de contato entre as su-
distância entre 2 pontos que estão sobre a superfície de perfícies de referência e de projeção existem dois casos
referência, de modo que a escala é mantida (fator de dis- possíveis:
torção igual a 1) ao longo da linha que une estes pontos. a) tangência e
Contudo, isto está restrito para pontos específicos sobre b) secância.
a superfície de referência e não significa uma proprieda- Quando a superfície de projeção é um plano, a
de que se aplique para quaisquer 2 pontos. tangência se dá em um ponto. Quando a superfície de
A projeção equivalente é aquela para a qual se projeção é um cone ou cilindro, a tangência se dá segun-
preserva o valor da área representada a partir da super- do uma linha (Figura 4). Uma maneira de aumentar o con-
fície de referência. Para tanto, as distâncias e os ângulos tato entre as superfícies é se usar o modo secante, que
são distorcidos. tem como consequência uma diminuição da distorção

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entre a área de secância. Quando a superfície de proje-


ção é um plano, tem-se que o contato se dá sobre uma
linha, e sobre 2 linhas quando a superfície de projeção é
um cone ou cilindro (Figura 5).

2.2 ARTICULAÇÃO SISTEMÁTICA DOS MAPAS TOPOGRÁ-


FICOS
Série de mapas é a denominação genérica utiliza-
da para se fazer referência ao conjunto de mapas que são
produzidos para cobrir todo, ou parte, de um país. Esta
série de mapas é produzida em escalas variadas, de for-
ma sistemática e segundo especificações gerais, visando
primeiramente atender as necessidades governamentais
em seus diferentes níveis. Quando esta série se refere aos Cada folha mapa pode ser identificada por um
mapas topográficos, tem-se então o mapeamento topo- nome, que se refere à localidade de “maior importân-
gráfico sistemático. cia” que está contida no mapa (Figura 8). Entretanto,
Embora cada país estabeleça a série de escalas quando um usuário necessita solicitar a uma organiza-
para os seus mapas, existe concordância entre as nações ção de mapeamento topográfico, normalmente, não
sobre a área coberta por um mapa topográfico na esca- o faz pelo seu nome, uma vez que o usuário, a priori,
la de 1/1.000.000, chamado de Mapa Internacional ao não deve sabê-lo. Para isto, é adotada uma nomencla-
Milionésimo, que tem uma amplitude de 4º de latitude tura específica, de códigos alfanuméricos, por exem-
por 6º de longitude (Figura 6). A partir desta folha en- plo SG-22 (nomenclatura para escala 1/1.000.000),
tão, é feita a articulação de todo o mapeamento sistemá- que pode ser gerada com relativa facilidade. Então o
tico, em que pode-se contemplar as diferentes escalas: problema consiste em se determinar a nomenclatura
1/1.000.000; 1/500.000; 1/250.000 1/100.000; 1/50.000; da folha para uma certa escala “E”, que contenha a
1/25.000; 1/10.000; 1/5.000; 1/2.000; 1/1.000 e 1/500 posição geográfica (ϕ, λ).
(Figura 7).

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Tabela 2. Código de Zona

Latitude Código
[4º 8º] B
[0º 4º] A
[0º -4º] A
[-4º -8º] B
[-8º -12º] C
[-12º -16º] D
[-16º -20º] E
[-20º -24º] F

Se o mapa ao milionésimo tem uma ampli- [-24º -28º] G
tude de 4º por 6º. Então conhecendo-se as coorde-
nadas geográficas de um ponto qualquer é possível 3) Determinar o fuso que contém o ponto P.
Usando o seguinte algoritmo: Se λ < 0o λ* = 360 o + λ,
determinar-se quais são as coordenadas dos cantos
Caso contrário, λ > 0o , então λ* = λ. Substituindo o valor
da folha ao milionésimo que contém este ponto. Por
de λ fica: λ = -49 o 40’ < 0o , então λ*= 360 o + (-49 o 40’)
exemplo, sendo um ponto cuja coordenadas geográ-
= 310 o 20’
ficas são ϕ = -26º 55’ e λ = -52º 14’, as coordenadas a) Determinar N = int[quoc] + 1 quoc = (310,333..
dos cantos da folha que contém este ponto são [-24º o )/ 6o = [51,222..], então truncando o valor na parte in-
e -28º] e [-54º e -48º], que são, respectivamente, os teira e adicionando 1, fica que N = 52.
valores múltiplos inteiros de 4 e de 6 mais próximos. b) Determinar o Fuso = N + C. Se λ* > 180 o C =
Então, obtém-se para coordenadas do canto infe- -30, caso contrário λ* < 180 o , C = 30. Como λ * = 310 o
rior esquerdo os valores de ϕ=-28º e λ =-54º e, para 20’ > 180 o , então C = -30. Substituindo os valores ob-
o canto superior direito, os valores de ϕ =-24º e λ tem-se: F = 52 - 30 = 22
=-48º. O passo a seguir, é determinar a nomenclatura Até aqui, obteve-se como nomenclatura da folha
que caracteriza o hemisfério em função do valor da ao milionésimo: SF-22. A análise a seguir, deve ser reali-
latitude. Como a latitude é negativa, então o código é zada graficamente, por meio de figuras esquemáticas.
“S”, evidenciando que o mapa é relativo ao hemisfé-
rio sul. O segundo código é também função da latitu-
de e caracteriza qual a zona, neste caso é “G” (Tabela
2 Códigos de Zona).
Problema para resolver: Dada as coordenadas
(λ = -49 o 40’, ϕ = - 23 o 25’ ) de um ponto P, qual é a
nomenclatura da carta, na escala 1/25000, que con-
tém este ponto ?
1) Como o sinal da latitude é negativo o primeiro
código para a nomenclatura é S, ou seja o ponto está no
hemisfério sul.
2) Comparando-se o valor da latitude do ponto
com os intervalos de latitude na Tabela de Códigos de
Zona, obtém-se o código para a zona
Para ϕ = -23 o 25’, tem-se como limites [-20 o ;
-24 o ], então o código da zona é F.

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respectivo valor sobre o modelo usado para representar


o mundo real. Na equação (1), tem-se que d é o valor
de uma distância sobre o mapa e D o valor desta mesma
distância sobre o modelo, a escala então é a relação en-
tre d e D. Se por exemplo fosse admitido que d = 5cm e
D = 50m, então E =0,001, ou então E =1/1.000. A leitura
que se faz é que a distância representada sobre o mapa
é 1.000 vezes menor que o seu valor sobre o modelo de
mundo real. Entretanto isto só é válido quando se está
lidando com a representação de uma pequena porção da
superfície terrestre, para a qual se está admitindo que a
superfície de referência é plana, ou seja, se está negligen-
ciando a curvatura da terrestre.

E = (d/D), ou E = 1/(D/d) equação (1)

Quando se está lidando com mapas, em que a


forma curva da Terra está sendo considerada (por exem-
plo quando a superfície de referência é um elipsóide de
revolução) tem-se de saber quais são as características da
projeção cartográfica que foi utilizada, porque pode exis-
tir um fator de distorção de escala diferente da unidade
e com isto, a escala pode não ser constante para todo o
mapa.

É importante destacar também que a escala con-


Como exercício adicional, é sugerido que se trola o conteúdo informativo que pode ser mostrado. Por
determine a nomenclatura de um mapa, na escala de exemplo, num mapa em escala grande uma edificação
1/50.000, que contenha o ponto, cujas coordenadas são: pode ser mostrada pelas linhas que definem os limites
λ = -48 o 49’, ϕ = - 24 o 41’ ? da sua extensão planimétrica (a área da edificação está
representada proporcionalmente a escala). A medida que
2.3 CONCEITO SOBRE ESCALA a escala vai sendo reduzida a forma que é utilizada para
representação da feição vai sendo generalizada e, num
Escala pode ser definida como um valor adimen- caso extremo, para uma escala muito pequena a forma
sional que representa a relação entre duas grandezas line- se reduz a um símbolo pontual. Neste caso, a informação
ares. No caso de um mapa, a escala representa a relação que se está transmitindo ao usuário é que naquele local
entre uma distância representada sobre o mapa e o seu ocorre uma feição que pertence a classe edificação, ou

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seja não existe mais proporcionalidade da área do sím- GRADE RETANGULAR DE COORDENADAS
bolo com a extensão planimétrica da feição (Figura 10,
página anterior). Tendo em vista as dificuldades naturais que se
enfrenta quando se está trabalhando com coordenadas
2.4 DISTORÇÃO DE ESCALA geográficas, uma alternativa interessante para contornar
este inconveniente é se representar sobre o mapa, além
A forma de se quantificar a distorção, em conse- das transformadas de paralelos e meridianos, uma gra-
quência da aplicação de uma projeção cartográfica, é por de retangular que permite a obtenção de coordenadas
meio do fator de distorção de escala, ou simplesmente planas, designadas pelas letras N (norte) e E (este). Esta
distorção de escala (m), que pode ser expresso de manei- grade consiste de um arranjo de linhas retas perpendicu-
ra simplificada pela equação 2, em que dl representa uma lares entre si e com igual espaçamento. É comum chamá-
parte infinitesimal da propriedade sobre o mapa e dL o -la pelo mesmo nome da projeção cartográfica que está
seu verdadeiro valor sobre o modelo de mundo real: sendo utilizada. Assim, se a projeção é a UTM, se teria
grade UTM. A sua vantagem é que se pode trabalhar com
m = (dl / dL) equação (2) coordenadas planas, e quando desejado, se pode trans-
formar, por meio de formulação específica, as coordena-
Quando a distorção de escala m assume o valor 1 das (N,E) para geográficas (ϕ,λ) e vice-versa.
significa que não existe distorção, ou seja, a propriedade
é preservada após ser aplicada a projeção cartográfica. PROJEÇÃO TRANSVERSA DE MERCATOR
Quando m assume um valor menor que 1, então signifi-
ca que ocorreu uma redução no valor que representa o A projeção Transversa de Mercator (TM) é uma
comprimento. Se o valor de m for maior do que 1, signifi- projeção cilíndrica, com cilindro tangente a um meridiano
ca que houve uma ampliação do valor que representa o da superfície de referência. Com isto, o eixo de simetria
comprimento. No exemplo a seguir, tenta-se ilustrar cada do cilindro pertence ao plano do equador. Esta projeção é
um destes efeitos (Figura 11). do tipo conforme, e a sua geração é feita por convenção,
ou seja, não existe uma interpretação geométrica para
ela. Deve-se destacar, que sobre o meridiano de tangên-
cia m = 1, ou seja não existe distorção de escala, mas a
medida que vai se afastando deste meridiano a distorção
vai aumentando progressivamente.

PROJEÇÃO UTM (UNIVERSAL TRANSVERSE MERCATOR)

A projeção UTM está baseada na projeção TM,


compartilhando, portanto, a mesma formulação mate-
mática. As convenções que são impostas à UTM são as
seguintes:
a) A superfície de referência é dividida 60 fu-
sos de 6 º de longitude, tendo como meridiano central
2.5 PROJEÇÕES aqueles meridianos que são múltiplos de 6 º mais 3 º
. Então os meridianos centrais têm as seguintes lon-
Uma das projeções mais importantes é a gitudes: 3 º , 9 º , 15 º , 21 º , ... etc. Estes meridianos
UTM. Entretanto, antes de se fazer uma discussão são utilizados como referência para a grade UTM e
sobre esta projeção seria interessante fazer algumas os pontos a serem representados ficam restritos por
considerações sobre a grade retangular de coorde- fuso. Em conseqüência disto, quando se fornecem as
nadas e a Projeção Transversa de Mercator, uma vez coordenadas UTM de um ponto qualquer, têm-se que
que a projeção UTM é derivada desta aplicando-se fornecer também o fuso que o contém, porque senão
certas restrições. tem-se uma indeterminação, uma vez que para cada
fuso se repete a grade UTM;

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b) O eixo de simetria da grade UTM é represen- é necessário que o mapa contenha informação altimétri-
tado pelo meridiano central do fuso e a pela linha do ca.
equador que lhe é perpendicular. Para a linha do equador Quando um usuário aponta para um local especí-
adota-se o valor de 10.000.000 m e para o meridiano cen- fico sobre um mapa, então para esse local pode-se obter
tral o valor de 500.000 m. Com isto, evita-se os valores suas coordenadas, e correlacionar a posição extraída do
negativos para as coordenadas do hemisfério sul (Figura mapa com a sua localização no mundo real onde a entida-
12); de foi observada. Na Figura 13, apresenta-se um exemplo
c) No que se refere ao fator de distorção de es- em que a informação de posição pode ser obtida a partir
cala, este pode assumir valores entre 0,9996 para o pon- da malha geográfica (representada pelas transformadas
to sobre o equador e o meridiano central e o valor de de paralelos e meridianos) ou a partir da grade UTM.
1,00098 para o ponto sobre o equador e o extremo do
fuso. Quando se convenciona que a distorção de escala é
de 0,9996 para o meridiano central, tem-se como efeito
que o cilindro torna-se secante ao invés de tangente.
O principal problema prático, que surge com a
utilização da projeção UTM, está relacionado com proje-
tos locais que envolvam fusos distintos. O que se pode
dizer com relação a isto é que a projeção UTM é relevante
por ser aquela adotada para o mapeamento sistemático
nacional, à semelhança de muitos outros países. Entre-
tanto, isto pode não se ajustar a uma aplicação específica.
Mas, com os recursos computacionais disponíveis hoje
em dia, é possível se projetar algumas alternativas que
até alguns anos atrás eram praticamente impossíveis.

O outro tipo de informação que se obtém direta-


mente do mapa é denominada de informação semântica,
que diz respeito com a qualidade da feição que está re-
presentada. Por exemplo, para se saber se um ponto P,
que tem coordenadas (Np, Ep), é uma casa, uma escola,
ou uma igreja, basta que se analise o tipo de símbolo que
existe nesta posição (Figura 14). É por meio dos símbolos
cartográficos que se transmite ao usuário o significado da
entidade.

2.6 TIPOS DE INFORMAÇÃO NUM MAPA

De forma geral, é possível dizer que as informa-


ções que se pode extrair de um mapa são de 2 tipos. A
primeira, dita informação de posição, expressa por um
terno de coordenadas (caso 3D) ou uma dupla de coor-
denadas (caso 2D). Por exemplo, no caso 2D, pode-se
ter latitude e longitude, ou então as coordenadas (N, E),
quando se tem por exemplo a grade UTM. Para o caso 3D,

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2.7 SÍMBOLOS CARTOGRÁFICOS Ao contrário dessas 2 formas, a funcional não se


relaciona a forma física da feição, mas sim ao seu propó-
Na realidade, os símbolos cartográficos são um sito. Este tipo de variação em forma é apropriado justa-
arranjo gráfico, cuja finalidade é transmitir ao usuário al- mente quando a aparência física da feição fornece pouca
gum significado ou idéia. Uma vez definido que tipo de evidência para sua caracterização. Por exemplo, se fosse
característica será transmitida ao usuário, idealiza-se um desejado representar um objeto cuja característica é per-
símbolo cartográfico para comunicar isto graficamente. O tencer a classe “restaurante”, provavelmente seria pouco
estabelecimento de especificações para os símbolos car- significativo que se utilizasse uma forma plana ou de per-
tográficos é alvo de normatização específica. Na maioria fil simplificada. Então se deveria usar algo que sugerisse a
dos países esta é feita por organizações de mapeamento sua função (Figura 15c), ou que desse ideia disto.
nacional ou estadual. No Brasil, a organização responsá-
vel pela especificação dos símbolos cartográficos para os
mapas topográficos, que caracterizam o mapeamento sis-
temático, é o Ministério do Exército, por meio da Direto-
ria do Serviço Geográfico (DSG).
Um dos principais problemas que existe no pro-
jeto de mapas é representar a enorme quantidade de fei-
ções que existem no mundo real, tendo em vista que só No que se refere aos símbolos lineares, a varia-
existem 3 tipos de elementos gráficos (o ponto, a linha ção em forma pode ser do tipo contínua ou do tipo des-
e a área). Para que os conceitos representados sobre os contínua. Na Figura 16, apresenta-se alguns exemplos de
mapas sejam transmitidos aos usuários de forma clara e variação em forma quando se considera o elemento des-
precisa é necessário que o projeto de símbolos seja feito continuidade. Como a quantidade de feições que podem
de forma planejada e sistemática, porque todas as varia- ser representadas por símbolos lineares é muito grande,
ções de significados das feições a serem representadas torna-se mais crítico se usar o elemento descontinuidade
necessitam de correspondentes variações gráficas dos adequadamente, porque é muito mais sutil se expressar
símbolos. as características da feição tendo por base este tipo de
variação em forma.
2.8 TIPOS DE VARIAÇÕES GRÁFICAS Como na variação em forma, a variação gráfi-
ca quanto a dimensão somente se aplica aos símbolos
Os tipos de variações gráficas podem ser quanto pontuais e lineares, dado que a dimensão se relaciona a
a forma, quanto a dimensão, e quanto a cor. A variação outro tipo de característica da feição que não a sua ex-
gráfica quanto a forma, se aplicada aos símbolos pontuais tensão superficial. Por exemplo, quando se utiliza uma
pode ser primeiramente do tipo regular ou do tipo irre- linha dupla de 1,2 mm para representar uma rodovia na
gular. Em acréscimo, tem-se as formas: plana, de perfil e escala de 1:100.000, não se está dizendo ao usuário que
funcional (Figura 15) . Para a forma plana, o tipo de forma se ele medir a largura da linha e usar o valor da escala
básica que normalmente se utiliza é obtido de uma sim- determinará a largura da rodovia. Na realidade, o que se
plificação da forma plana da própria feição. Para a forma está informando ao usuário é que segundo aquela dire-
de perfil, o destaque é dado para a componente vertical ção ocorre uma feição que pertence a categoria rodovia,
da feição. e esta possui algumas características, como por exemplo,
pistas duplas que são fisicamente separadas ( Figura 17).

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Quando é desejado representar somente uma loca- variações gráficas, que também são chamados de texturas.
lização então o símbolo pontual deve ter um tamanho míni-
mo, que permita que seja percebido pelo usuário. No caso
dos símbolos pontuais, a dimensão pode variar de um tama-
nho mínimo, capaz de tornar o símbolo perceptível, até uma
dimensão que destaque a sua importância. Para os símbolos
lineares é possível se fazer uma série de variações em dimen-
são variando a espessura da linha e o seu afastamento, caso
o padrão seja de linhas duplas (Figura 18).


Na Figura 22, apresenta-se, sob uma forma es-
quemática, um exemplo onde se combinam vários sím-
bolos cartográficos sobre um mapa.

3. Estruturas de Dados
O tipo mais importante de variação gráfica é a cor,
porque esta é mais facilmente percebida pelo observa-
dor e, consequentemente, permite que se estabeleça um A estrutura de dados tem um peso muito grande na
grande número de diferenças perceptíveis. Na Figura 19, organização dos dados, na medida em que esta permite mais
são apresentados exemplos deste tipo de variação gráfica eficácia no tipo de manipulação que se realiza sobre os da-
quando aplicadas aos símbolos pontuais e lineares. dos. Para a cartografia digital, hoje são importantes as estru-
turas de dados vetorial e a matricial (Figura 23). Entretanto,
durante muito tempo, utilizou-se muito mais a estrutura ve-
torial, principalmente porque os métodos digitais eram simi-
lares aos métodos tradicionais e os principais dispositivos de
entrada e de visualização que existiam eram do tipo vetorial.
Além disto, se poderia destacar também que os dispositivos
de visualização do tipo vetorial apresentavam uma qualidade
gráfica superior aqueles do tipo matricial, no que se refere a
representação de feições pontuais e lineares.
No caso dos símbolos de área, é possível identifi-
car 2 tipos distintos de variações. O primeiro tipo é aquele
em que a característica da superfície é representada por
variações em tom, em luminosidade e em saturação. Na
Figura 20, pode-se observar que existe variação em “cor”
por meio de dessaturação com aumento em luminosida-
de e no sentido contrário com redução de luminosidade.

O outro tipo de variação gráfica, que é aplicado para


os elementos de área, tem por base padrões gráficos, que são
formados pela repetição de símbolos pontuais ou lineares. Na
Figura 21, são apresentados alguns exemplos de desses tipos de

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O tamanho dos arquivos digitais com a estrutura


vetorial também eram muito menores quando compara-
dos com os seus correspondentes na estrutura matricial
e com a estrutura vetorial era mais fácil de se manter a
forma de produção que era usada para os mapas sobre
suporte de poliester.

O processo de conversão de analógico para digi-


tal, com a mesa de digitalização, se dá em 2 passos. No
primeiro passo, após ser inicializado o programa e orien-
tado o mapa sobre a mesa de digitalização, o operador
vai seguindo manualmente, com o cursor da mesa, ele-
Deve-se destacar que as estruturas matriciais mento por elemento que está representado no mapa.
hoje já estão incorporadas na maioria dos programas vol- Este método é conhecido como método espaguete, por-
tados para a cartografia digital. Entretanto, o uso destas que os elementos digitalizados se encontram desagre-
estruturas durante um bom tempo ficou mais restrito a gados e soltos como o próprio nome sugere. Em segui-
alguns Sistemas de Informação Geográfica e aos progra- da, inicia-se a edição e rotulação, em que os elementos
mas usados em Sensoriamento Remoto. Em Cartografia digitalizados são integrados e agrupados por afinidade e
Digital, a maior preocupação estava (e ainda está) com a depois rotulados ou associados com informação textual
automação das etapas de produção do original cartográ- (Figura 25).
fico, ou com a geração das bases cartográficas, enquanto
que em GIS a ênfase era (e ainda é) com a análise espa-
cial.
Uma feição pode ser imaginada sendo constituí-
da por 3 elementos básicos, que são o ponto, a linha e o
polígono. Quando se pensa numa estrutura vetorial, es-
tes elementos podem ser representados:
a) por um par de coordenadas (X,Y);
b) por uma sequência de pontos (X1,Y1), (X2,Y2),
..,(Xn, Yn) e
c) por uma sequência de pontos de modo que o
primeiro e último sejam coincidentes.
Além dessa componente posicional, é necessário
introduzir a componente semântica da informação na es-
trutura de dados. Isto é realizado por meio das caracte- O ponto, a linha e a área podem também ser re-
rísticas gráficas do símbolo (forma, dimensão e cor) e de presentados por estruturas matriciais (Figura 26), sendo
elemento textual, quando existe (Figura 24). neste caso representados, respectivamente:
a) por um pixel (picture element);

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b) por uma sequência de pixels segundo uma cer-


ta direção e
c) por um agregado de pixels.

O processo de digitalização, com um dispositivo


matricial, se dá em 3 passos. No primeiro passo é feita
a digitalização do mapa com um scanner. Num segundo Tabela 3. Preços estimados de mesa de digitalização
passo, tem-se que converter a imagem matricial para ve-
torial, por meio de um processo de vetorização. Neste Formato A1 A2 A3
caso um método semi-automático seria desejável, por- Preço R$ 2500,00 R$ 800,00 R$ 400,00
que pode-se automaticamente detectar as linhas e deixar
que o operador decida o caminho a seguir nos pontos de
bifurcação, em que existe ambiguidade, ou seja, pode-se Os modos de operação podem ser: ponto a
optar por um caminho ou outro. Por último, tem-se que ponto, em que o registro de uma coordenada só se
georreferenciar a imagem vetorizada (Figura 27) dá quando o operador aciona o botão de gravação do
cursor, ou então digitalização por fluxo contínuo, em
que o operador aciona o botão de gravação do cur-
sor para iniciar a digitalização do primeiro ponto da
feição e, automaticamente, vão sendo registradas as
coordenadas da sequência de pontos que definirão o
elemento digitalizado. Para terminar a digitalização o
operador aciona botão de parar do cursor, informan-
do ao sistema que foi concluída a digitalização (Figura
29).

4. Dispositivos de Coleta e Visualização de Dados

O dispositivo de digitalização mais usado é a


mesa de digitalização, que é um equipamento relativa-
mente barato (Tabela 3). Por meio de uma malha fina
de fios, disposta internamente, quando a mesa é ligada
cria-se um campo elétrico, o qual é capaz de detectar em
termos de passos em x e y as mudanças de posição que o
cursor da mesa apresenta quando o operador está fazen-
do a digitalização de um elemento sobre o mapa (Figura
28).

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É possível também selecionar o tipo de fun-


ção que será utilizada para conectar os pontos digi-
talizados, se segmento de reta ou spline. A escolha
por segmento de reta ou spline e por digitalização
por fluxo contínuo ou ponto a ponto, deve se dar em
função das característica das feições representadas
e do projeto. Entretanto, é muito comum se com-
binar segmento de reta e modo ponto a ponto para
elementos lineares e irregulares e fluxo contínuo e
spline para elementos lineares irregulares e suaves
(Figura 30)

Tabela4. Preços estimados de plotters de jato de tinta.

A4 A3 A1 A0
Jato Tinta R$ 400,00 R$ 1500,00 R$ 16.000,00 R$ 25.000,00


Os dispositivos de visualização podem ser do
tipo volátil e do tipo permanente. Os do tipo volátil
são os monitores de vídeo, que são fabricados, nor-
malmente, nas dimensões de 14”, 15”, 17”, 21 e 29”.
Como dispositivos do tipo permanente, tem-se os
plotters de jato de tinta, do tipo matricial, que são fa-
bricados em diferentes formatos. Os plotter vetoriais,
comercializados até a década de 90, hoje em dia, não
estão sendo mais vendidos, uma vez que estes eram
muito caros e estavam restritos à produção de mapas
sobre material do tipo scribe, o que permitia um alto
padrão cartográfico. Ao contrário, os plotters matri-
ciais (Figura 31) têm preços muito mais acessíveis (Ta-
bela 4), mas não permitem a gravação de imagens de
traço sobre scribes.

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Referências Bibliográficas

TEXTOS DIDÁTICOS: CONCEITOS IMPORTANTES DE CARTIGRAFIA DIGITAL Vieira, Antônio José Berutti e Oliveira, Leo-
nardo Castro de. Curitiba : Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciência da Terra, Departamento de Geomática,
2001.

CARTOGRAFIA ANALÍTICA E POR COMPUTADOR. (ANALYTICAL AND COMPUTER CARTOGRAPHY) CARTOGRAFIA POR
COMPUTADOR . Keith C. Clarke

CLARKE, K. C. Analytical and Computer Cartography. 1 ed. New Jersey:Prentice Hall, 1990.

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