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PROFESSOR SÉRGIO GABRIEL

SOCIEDADES EMPRESÁRIAS

1. Estrutura geral das pessoas jurídicas

1.1. Conceito: é um ente ficto constituído para atingir determinado fim, tornando-se sujeito de
direitos e obrigações podendo ser de duas espécies: de direito público ou de direito privado. Assim,
pessoas jurídicas são entidades às quais a lei empresta personalidade, capacitando-as a serem
sujeitos de direitos e obrigações. A principal característica da pessoa jurídica é o fato dela possuir
personalidade própria distinta da personalidade de cada um de seus membros.

1.2. Natureza jurídica: em razão da finalidade que motiva a criação da pessoa jurídica, tem-se que
sua natureza jurídica será sempre obrigacional. De um lado nasce a obrigação a partir do objeto
social declarado no seu ato de constituição, e por outro lado, existe a obrigação entre os membros
que a constituíram. Esta natureza jurídica obrigacional poderá ser de Direito Público ou Privado
conforme a espécie que esteja sendo tratada.

1.3. Requisitos para constituição da pessoa jurídica:

a) vontade humana: a pessoa jurídica nada mais é que um ente ficto, portanto, a sua existência está
associada à vontade de seus membros, que se denomina affectio societatis. A forma de
manifestação da vontade humana variará em cada tipo de pessoa jurídica. Nas pessoas jurídicas de
Direito Público a manifestação de vontade se dará sempre através de ato legislativo, ou seja, é a
vontade popular expressa através dos representantes regularmente eleitos. Já nas pessoas jurídicas
de Direito Privado essa manifestação de vontade poderá se dar por ato legislativo quando
estivermos falando de sociedades estatais e expressa nos contratos ou estatutos nos demais casos;
b) licitude: uma pessoa jurídica só terá sua personalização atingida se de seu ato constitutivo
constar um objeto lícito, portanto, registrável. É o ato constitutivo um negócio jurídico, e assim o
sendo, deverá respeitar os requisitos previstos no artigo 104 do Código Civil;
c) condições legais: para cada tipo de pessoa jurídica a lei impõe condições que deverão ser
cumpridas previamente para que viabilize o registro de seus atos constitutivos e consequentemente
a sua personalização. Tais condições encontram amparo no inciso III do artigo anteriormente citado:
“III – forma prescrita e não defesa em lei”;
c.1) ato constitutivo: o início de sua existência se dará com a criação de seu ato constitutivo,
podendo ser a lei, o contrato ou o estatuto, dependendo de cada tipo de pessoa jurídica;
c.2) registro: sendo a pessoa jurídica constituída através de contrato ou estatuto, o seu nascimento
se dará com o registro de seus atos nos órgãos competentes. Em se tratando de pessoa jurídica de
direito público, a lei que a cria é suficiente para sua regularização e às pessoas jurídicas de direito
privado dependem do registro nas Juntas Comerciais, se empresárias, e no Cartório de Registro Civil
das Pessoas Jurídicas nos demais casos;
c.3) autorização: dependendo do objeto a ser praticado pela pessoa jurídica, sua existência deve
preceder de autorização governamental. Algumas atividades como cooperativas, empresas de
radiodifusão, canais de televisão, exploração e prospecção de petróleo, empresas de mineração,
consórcios, instituições financeiras, seguradoras e outras, dependem de autorização para o seu
prévio funcionamento.
1.4. Quadro demonstrativo da estrutura das pessoas jurídicas

PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO


a) Interno a) Estatais
- Empresas de Economia Mista
- União - Empresas Públicas
- Estados/Distrito Federal b) Não Estatais
- Municípios
- Sociedades Simples
- Autarquias
- Cooperativas
- Fundação Pública
- Próprias
b) Externo
- EIRELI – Empresa Individual de
Estados Estrangeiros Responsabilidade Limitada
Organismos Internacionais
- Sociedades Empresárias
- Sociedade em Nome Coletivo
- Sociedade em Comandita Simples
- Sociedade Limitada
- Sociedade Anônima
- Sociedade em Comandita por Ações
- Sociedades Especiais
- Fundação Privada
- Associação

2. Personalidade Jurídica

2.1. Nascimento (artigo 985 do Código Civil): embora haja a constituição de uma sociedade entre
duas ou mais pessoas, a sua existência não importa na automática criação de uma pessoa jurídica,
o que só se verificará com o registro de seus atos constitutivos.

a) sociedades empresárias: o registro das sociedades empresárias fica a cargo do Registro Público
das Empresas Mercantis, por enquanto, realizado pelas Juntas Comerciais no âmbito de cada estado
onde se encontre estabelecida à sociedade ou às respectivas filiais;
b) sociedades simples: o registro das sociedades simples se faz no Cartório de Registro das Pessoas
Jurídicas ou onde não houver, no Cartório de Títulos e Documentos.

2.2. Registro: ao contrário do que era estabelecido anteriormente no Código Comercial para as
sociedades comerciais, agora o registro é obrigatório para as sociedades empresárias conforme
determina o artigo 967 do Código Civil, porém, a sua ausência não configura ilegalidade e sim mera
irregularidade, já que o artigo 986 do mesmo diploma reconhece a possibilidade de sociedade sem
registro, no entanto, ao contrário da legislação anterior, tal irregularidade poderá implicar na
aplicação de sanção.

2.3. Efeitos da personalização: uma vez registrada a sociedade, nasce com este ato uma nova
pessoa, a pessoa jurídica dotada de personalidade própria, que, em contrapartida, torna-se sujeito
de direitos e obrigações perante o ordenamento jurídico brasileiro. Esse fenômeno da
personalização tem como principais efeitos à titularidade negocial, a titularidade processual e a
responsabilidade patrimonial.

a) titularidade negocial: uma vez registrada a sociedade e, consequentemente com o advento de


sua personalização, a pessoa que passa a responder pelos negócios da sociedade não é mais a
pessoa dos sócios, e sim a pessoa jurídica constituída. Uma vez que a pessoa jurídica é meramente
um ente ficto, os sócios são representantes dela, e não mais titulares negociais ou processuais;
b) titularidade processual: da mesma forma que na titularidade negocial, a titularidade processual
decorre da determinação da pessoa jurídica responder judicialmente pelos atos jurídicos por ela
praticados. Assim sendo, propor uma ação judicial contra os sócios de uma pessoa jurídica por ato
praticado em nome da sociedade configuraria ilegitimidade de parte, haja vista que a pessoa que
detém a titularidade processual é a pessoa jurídica, assim sendo, o sócio figurará em juízo apenas
na qualidade de representante;
c) autonomia patrimonial: toda sociedade ao ser criada faz constar em seu ato constitutivo o capital
social que será seu patrimônio mínimo, além disso, todo o patrimônio adquirido pela sociedade
durante a sua existência será patrimônio próprio e não dos sócios. Assim, toda vez que uma
sociedade se obriga perante terceiros, na hipótese de responsabilização será o seu patrimônio
afetado e não o de seus sócios em razão do Princípio da Autonomia Patrimonial;
d) obrigação social: a responsabilidade pelas obrigações assumidas pela sociedade diante de sua
titularidade negocial, será sempre integral utilizando-se para tanto, o seu próprio patrimônio. Nos
casos em que a lei autorizar, haverá a possibilidade de responsabilização pessoal dos sócios ou do
administrador, o que será objeto de estudo posterior.

2.4. Direitos de personalidade: questão muito polêmica até então em nosso direito era a da
extensão dos direitos de personalidade a pessoa jurídica, mormente porque os direitos de
personalidade são próprios das pessoas naturais. Porém, principalmente no que tange ao nome e a
imagem era possível se fazer aplicação analógica dos direitos de personalidade à pessoa jurídica.
Agora, tal polêmica encontra-se sanada com a previsão do artigo 52 do Código Civil que determina
a extensão dos direitos de personalidade à pessoa jurídica no que couber, logo, no que tange ao
nome e a imagem será plenamente possível à proteção dos direitos de personalidade da pessoa
jurídica, inclusive com a possibilidade de ressarcimento de eventuais danos morais provocados ao
seu nome ou a sua imagem.

2.5. Domicílio (inciso IV do artigo 75 do Código Civil): o domicílio da pessoa jurídica poderá ser
comum, especial ou geral.

a) comum: considera-se o domicílio da pessoa jurídica de direito privado o local onde funcionar o
seu órgão de decisão ou seu principal estabelecimento. Essa regra é de suma importância, haja vista
que é muito comum na elaboração dos atos constitutivos das pessoas jurídicas a indicação de sede
na qual a sociedade jamais viria a ser instalada. Tal preferência se dava em razão de aspectos
tributários, o que já não se justifica mais em virtude do Direito Tributário também utilizar o critério
do principal estabelecimento;
b) especial: o domicílio poderá ser objeto de eleição em seu ato constitutivo, mas dessa forma só
servirá para litígio entre os sócios, não prejudicando interesse de terceiros ou jurídicos envolvendo
terceira pessoa, haja vista que trata-se de convenção meramente particular, portanto, que afeta
somente os contratantes;
c) geral: havendo diversos estabelecimentos, cada um deles será considerado domicílio para os atos
neles praticados. Logo, cada filial poderá ensejar uma titularidade diversa para fins negociais ou
processuais. Remanesce alguma divergência no tocante ao entendimento do Poder Judiciário, uma
vez que em muitos casos temos a prevalência do local onde esteja situado o estabelecimento
principal para a fixação do foro competente;
d) sócios estrangeiros: havendo em sua formação sócios estrangeiros, ou sendo externa a sede
decisória da pessoa jurídica, qualquer agência ou sucursal existente no Brasil será considerada como
domicílio não se permitindo assim, que prejudique o acesso dos sócios nacionais ou de terceiros
perante o Poder Judiciário em face da pessoa jurídica em eventual litígio.
2.6. Prova: os documentos relativos às pessoas jurídicas de direito privado constituem prova
privilegiada contra e a favor delas. Ou seja, toda documentação da pessoa jurídica quando
elaborada consoante determina a legislação, poderá constituir prova a favor dela. Porém, na
hipótese de ser elaborada sem a observância das regras legal, constituirão prova contra a sociedade.

3. Classificação das pessoas jurídicas:

3.1. Quanto à nacionalidade: podem as pessoas jurídicas serem nacionais ou estrangeiras de acordo
com o local de sua constituição. De qualquer forma, as pessoas jurídicas estrangeiras necessitam de
autorização governamental para atuação em território nacional.

3.2. Quanto à estrutura interna: podem ser corporações ou fundações

3.2.1) corporações: nascem a partir da vontade e da reunião de seus membros, sendo conhecidas
em razão da universitas personarum. Tem como objetivo sempre o bem estar de seus membros,
razão de sua existência. Esta regra só não se aplica às fundações.

3.2.2) fundações: nascem da doação de patrimônio destinado a um determinado fim, portanto,


jamais sua existência estará atrelada às pessoas que a farão funcionar, sendo, portanto, conhecidas
como universitas bonorum. No ordenamento jurídico pátrio temos apenas duas possibilidades de
pessoas jurídicas constituídas pelo patrimônio, às fundações de Direito Público (exemplo: Fundação
Casa) e às fundações de Direito Privado (exemplo: Fundação Bradesco).

3.3.Quanto à sua finalidade: podem se classificar entre pessoas jurídicas de direito público ou de
direito privado.

3.3.1) pessoa jurídica de direito público: são àquelas que englobam as atividades essenciais do
estado nas pessoas de seus entes, tendo como finalidade atingir o bem comum previsto no artigo
3º da Constituição Federal.

3.3.2) pessoa jurídica de direito privado: são àquelas constituídas de acordo com uma das espécies
de sociedades estabelecidas pelo Código Civil e com propósitos estabelecidos por seus membros.

4. Pessoa Jurídica de Direito Público: são subdivididas em internas e externas.

4.1. Pessoa jurídica de direito público interno: compreende a União, os Estados, os Municípios, as
respectivas autarquias e as Fundações Públicas. Por representarem a estrutura do próprio de
Estado, não se adota a elas a denominação de sociedades.

4.2. Pessoa jurídica de direito público externo: são os estados estrangeiros e os organismos
internacionais regidos pelo Direito Internacional como a ONU, a OMC, os Consulados, etc.

4.3. Regime jurídico: respondem exclusivamente ao regime de direito público com os dispositivos
legais que lhe são próprios, em especial os que compõe o Direito Administrativo, e gozam de
privilégio quando se relacionam com as pessoas jurídicas de direito privado em razão do interesse
do Estado.

4.4. Responsabilidade civil: consoante determina o artigo 43 do Código Civil combinado com o
disposto no parágrafo 6º do artigo 37 da Constituição Federal, o Estado responde objetivamente
pelos danos causados por seus agentes.
5. Pessoa Jurídica de Direito Privado

5.1. Conceito: compreende todas as demais pessoas jurídicas, sejam elas constituídas com capital
público ou privado.

5.2. Regime jurídico: a distinção entre pessoa jurídica de direito público ou de direito privado diz
respeito apenas ao regime jurídico a que se submeterão, enquanto as pessoas jurídicas de direito
público se submetem exclusivamente ao direito público, as pessoas jurídicas de direito privado se
submetem ao regime de direito privado enquanto se relacionando entre si e com a sociedade de
forma geral e ao regime de direito público quando se relacionam com pessoas jurídicas de direito
público.

5.3. Classificação:

a) pelo capital: podem ser constituídas com capital público, privado ou misto.
a.1) estatais: são constituídas total ou parcialmente com capital público. As sociedades constituídas
integralmente com capital público denominam-se Empresa Pública e às constituídas apenas
parcialmente com capital público (mínimo de 51%) são denominadas de Sociedades de Economia
Mista.
a.2) não estatais: são aquelas constituídas exclusivamente com capital privado, portanto, sem a
participação do Estado como sócio ou acionista.
b) pela finalidade: se distinguem pelo objeto social, pois enquanto algumas são criadas para fins
exclusivamente empresariais outras não.
b.1) empresárias: são constituídas com finalidade exclusivamente mercantil, podendo ter natureza
de indústria, comércio, serviço ou rural.
b.2) simples: criadas com fins específicos sem finalidade mercantil em razão do objeto ou por
determinação legal.
c) pela personalização: podem ser personificadas ou não.
c.1) não personificadas: são sociedades que não adquirem personalização por vontade de seus
sócios ou por previsão legal, ou até mesmo pela inexistência de seus atos constitutivos, podendo
ser em comum ou em conta de participação. Uma vez que não são personificadas não adquirem
personalidade jurídica.
c.1.1) sociedade em comum: trata-se de uma sociedade de fato, que deixa de existir de forma
personalizada em razão da vontade de seus sócios em não confeccionar seus atos constitutivos ou
ainda que haja a confecção não são levados a registro.
c.1.2) sociedade em conta de participação: trata-se de uma sociedade em que seus atos são
praticados em nome do sócio ou sócios denominado(s) ostensivo(s), porém, existe em sócio que
possui a qualidade de oculto não podendo ser de conhecimento público, razão pela qual a lei não
confere ao registro a natureza de personalização, conforme artigo 993 do Código Civil.
c.2) personalizadas: podem ser simples, empresárias ou em regime especial como as Cooperativas
e as Fundações Privadas.

6. Desconsideração da personalidade jurídica

6.1. Desconsideração: aos poucos o direito brasileiro vem evoluindo no sentido de que, havendo
comprovada má-fé por parte dos membros de uma sociedade constituída na forma regular, pode
aquela personalidade jurídica ser desconsiderada para atingir o patrimônio pessoal de seus
membros de forma a garantir a recomposição das perdas de terceiros. Trata-se da exceção da
aplicação do Princípio da Autonomia Patrimonial que gera a responsabilidade social, aplicável
somente nos casos em que se verificar fraude contra credores.
6.2. Alcance: deve se entender o real alcance da desconsideração, qual seja, trata-se de um
mecanismo legal apenas para atingir os bens dos sócios e não para interferir na existência da
sociedade, podendo ocorrer a desconsideração da pessoa jurídica apenas para um determinado ato,
permanecendo plenamente a sua existência para outros fins. O primeiro doutrinador a aventar tal
possibilidade foi Rubens Requião1, e como diz respeito a um ato isolado que não tem por objetivo
por fim a personalidade, mas apenas ultrapassar a sua existência, sendo portanto, denominado de
doutrina da penetração2.

6.3. Abrangência da desconsideração: a desconsideração atinge não só as sociedades que se


encontrem em pleno exercício, como também àquelas sociedades cujas atividades já estejam
encerradas sem que se tivesse providenciado a baixa no respectivo órgão como vimos
anteriormente. É portanto, ato exclusivo de determinado processo judicial e que só beneficia a parte
litigante, sem que haja possibilidade de aproveitamento por outros estranhos ao processo judicial
em que se verificou a desconsideração.

6.4. Elementos caracterizadores: para se caracterizar hipótese de desconsideração de


personalidade jurídica, necessário se faz à observação dos seguintes elementos:

6.4.1. Existência de fraude ou abuso: a fraude implica na situação em que explicitamente o


empresário agiu no sentido de se locupletar as custas de seus credores, e no caso de abuso, é de se
verificar que o abuso não é de direito, mas sim do exercício do direito, já que se se tem direito não
se tem abuso.

6.4.2. Manutenção da personalidade jurídica: o ato a ser praticado deve visar tão somente que se
ultrapasse por dado momento à existência da pessoa jurídica para se penetrar no patrimônio
pessoal do sócio, porém, sem que isso implique em extinguir a pessoa jurídica.

6.4.3. Ato isolado: como se trata de uma situação em que não se pretenda por fim a existência da
pessoa jurídica, sua prática aproveita apenas aquela situação processual isolada, sem permitir que
possa ser utilizada pelos demais credores, sob pena de se negar vigência a algo que o direito já
reconheceu, a pessoa jurídica.

6.4.4. Ato judicial: por ser a desconsideração uma exceção a regra legal, só se verifica possível
mediante provocação judicial, haja vista que cabe ao julgador analisar se é ou não hipótese de
aplicação do instituto.

6.4.5. Existência de dano: por mais que se verifique uma das situações elencadas no subitem 7.4.1.,
a aplicação depende ainda, da existência de dano certo judicialmente reconhecido e sobre o qual
não paire mais nenhuma dúvida.

6.5. Hipóteses de desconsideração: são as previstas no artigo 50 do Código Civil e em se tratando


de relação de consumo, as previstas no artigo 28 do Código de Defesa do Consumidor.

a) hipóteses previstas no Código Civil (art. 50 C. Civil);


a.1) desvio de finalidade: equipara-se a hipótese de violação dos estatutos prevista no Código de
Defesa do Consumidor, caracterizada pela situação em que os membros da sociedade praticam atos
distintos dos previstos no objeto social da sociedade verificado em seus atos constitutivos. Ou seja,
é o uso da sociedade para fins diversos dos quais ela foi criada.

1
Curso de Direito Comercial, 1º Volume, 24ª edição, p. 351.
2
CAMPINHO, Sérgio. Obra citada, p. 62.
a.2) confusão patrimonial: situação em que o patrimônio da sociedade seja desviado para o nome
pessoal de seus membros para colocá-los a salvo de qualquer obrigação social. Tal hipótese pode
ser verificada quando em determinado exercício contábil à empresa apresentar prejuízo, sendo que
o patrimônio pessoal dos sócios cresceram, sendo a empresa a única fonte de renda de seus
membros. Ou seja, se caracteriza pelo benefício patrimonial dos sócios em detrimento da
sociedade.
b) hipóteses previstas no Código de Defesa do Consumidor (art. 28 CDC);
b.1) abuso de direito e excesso de poder: trata-se da hipótese em que alguém dispondo de
determinado direito subjetivo o use de forma a lograr outros proveitos que não inerentes a ele.
Como por exemplo, na chamada venda sinergética ou venda casada, em que o empresário une dois
produtos em uma oferta, sendo que um deles é totalmente inútil ao consumidor e outro essencial
sem que seja dado a ele o direito de escolher de que forma pretenda contratar.
b.2) infração da lei ou prática de ato ilícito: trata-se da prática de ato contrário à lei. Já vimos
anteriormente que os atos praticados pela pessoa jurídica são considerados negócios jurídicos
segundo o Código Civil em vigor, portanto, deve se respeitar o requisito da licitude na prática desses
atos. Agindo a pessoa jurídica de forma diversa àquela estabelecida na legislação civil ou
complementar, estará sujeita a desconsideração de sua personalidade jurídica se desse atos restou
prejuízo a alguém não ressarcido pelo patrimônio da sociedade.
b.3) violação dos estatutos ou contrato social: trata-se da hipótese em que o empresário pratica
atos além dos previstos em seu objeto no instrumento de contrato social ou em seu estatuto social
e deste ato reste dano ao consumidor. Trata-se da mesma hipótese anteriormente comentada,
porém, aqui o objeto de violação não é o previsto na legislação civil, mas sim o descrito no ato
constitutivo da pessoa jurídica.
b.4) má administração: qualquer ato praticado pelo empresário ou por seu preposto na
administração da sociedade que importe na prática de ato ruinoso, e que desse ato gere dano a
alguém não recomposto pelo patrimônio da sociedade. O Código Civil regula para cada tipo de
sociedade às obrigações do administrador, a prática de ato por parte dele, ou dos próprios sócios
no exercício da administração da empresa que importem em resultado negativo não previsto para
o negócio, pode gerar a possibilidade de desconsideração. No meio doutrinário, há quem sustente
não ser possível à desconsideração por incompetência administrativa, e dessa mesma forma já
decidiu o Primeiro Tribunal de Alçada de São Paulo3, ao se posicionar no sentido de que “Percalços
econômico-financeiros da empresa, tão comuns na atualidade, mesmo que decorrentes da
incapacidade administrativa de seus dirigentes, não se consubstanciam, por si sós, em
comportamento ilícito e desvio de finalidade da entidade jurídica. Do contrário, seria banir
completamente o instituto da pessoa jurídica”.
b.5) dissolução irregular: talvez o mais comum dos casos é o de desconsideração na hipótese em
que se verifique o obstáculo ao ressarcimento, situação em que todos os bens patrimoniais
encontram-se em nome dos sócios, deixando a sociedade sem nada para responder pelos danos a
não ser as próprias cotas sociais sem valor quando o conjunto de bens não forneça um amparo
mínimo necessário. Trata-se de fato muito corriqueira naquelas hipóteses em que a pessoa jurídica
encerra suas atividades de fato sem a devida baixa em seu registro, simplesmente com o
fechamento de seu estabelecimento, permitindo com que o terceiro prejudicado acione-a
juridicamente mas não encontre posteriormente patrimônio capaz de solver a obrigação fixada. No
entanto, esta não se assevera hipótese específica de desconsideração já que se encontra
perfeitamente abarcada pela hipótese de ato ilícito ou infração da lei.
c) hipótese prevista na Lei nº 12.529/11: praticando o empresário qualquer ato considerado
infração à ordem econômica, e em específico de concorrência desleal, estará ele sujeito a sanções
de natureza administrativas em relação a sua atividade, sem prejuízo da responsabilidade civil a que

3
R.Apelação nº 507.880-6, 3ª Câmara, RT 690, p. 103.
sujeita em razão do prejuízo que causar a terceiros em virtude da prática deste ato. Assim sendo,
na execução de condenação relativa à responsabilidade civil decorrente de prática de concorrência
desleal estará o empresário sujeito à desconsideração da personalidade jurídica.

6.6. Falência: nos casos específicos de falência entendemos possível a hipótese de aplicação de
desconsideração, desde que se verifique a prática de falência fraudulenta.

7. Ato constitutivo

7.1. Conceito: trata-se do instrumento necessário para se materializar as regras de funcionamento


de uma pessoa jurídica, seja pública ou privada.

7.2. Espécies: o nosso ordenamento jurídico prevê três tipos distintos de atos constitutivos para a
formação da pessoa jurídica: a lei; o contrato ou o estatuto.

7.2.1. Lei: é o instrumento hábil capaz de materializar as regras da pessoa jurídica de direito público
ou de direito privado. Neste último caso, só se verifica a sua possibilidade quando a pessoa jurídica
de direito privado tiver a participação do estado.

7.2.2. Contrato: é o instrumento mais antigo e simples que se tem notícia para criação de uma
pessoa jurídica, pois basta que os membros da pessoa jurídica estabelecem as regras, materializem-
nas através de um simples contrato e o subscrevam para levá-lo a registro.

7.2.3. Estatuto: é o instrumento próprio para constituição da pessoa jurídica de direito público,
porém, seu uso é próprio para negócios onde o consenso entre as partes para o estabelecimento
das regras sociais se torne mais difícil. Assim sendo, possui o mecanismo da assembleia para
apreciação e deliberação, onde o consenso será trocado por votação de maioria.

7.3. Formação: a criação de pessoa jurídica por lei é ato privativo do Poder Legislativo, porém, em
se tratando de pessoa jurídica criada por contrato ou estatuto, outros elementos merecem nossa
análise, a saber:

7.3.1. Negócio jurídico: seja contrato ou estatuto o ato constitutivo será sempre um negócio
jurídico, portanto, deverá respeitar os requisitos do artigo 104 do Código Civil, ou seja:

a) agente capaz: a pessoa jurídica requer a participação de agente capaz, e em se tratando de


sociedade empresária, deverá respeitar ainda, os requisitos de capacidade do empresário previstos
no artigo 972 do citado código;
b) objeto possível e lícito: tanto a possibilidade quanto a licitude estão ligadas à pessoa jurídica com
a sua finalidade;
c) forma: a forma pode de um lado estar ligada a vinculação estabelecida pela lei, o que não se
verifica quanto à formação de ato constitutivo, pois não existe na lei nenhum modelo vinculado. De
outro, a forma está liga às regras previstas em lei para a formação do ato constitutivo. Sobre as
regras legais a serem observadas, importante ressaltar que a formação da pessoa jurídica exige o
ato de registro que só se verificará com o arquivamento do instrumento que portanto, deverá ser
expresso.

7.3.2. Natureza jurídica: independente de tratarmos do contrato ou do estatuto, a natureza jurídica


será sempre contratual, haja vista que apesar das regras legais imputáveis as partes, o ato
constitutivo fará “lei” entre as partes, obrigando-as conforme convencionado.
7.3.4. Manifestação de vontade: seja no contrato ou no estatuto haverá a necessidade da
manifestação de vontade das partes contratantes, porém, haverá distinção de acordo com a espécie
utilizada.

a) contrato: no contrato as partes atingirão o consenso no tocante às regras e ratificarão a


manifestação de vontade através da subscrição do instrumento;
b) estatuto: no estatuto nem sempre será possível atingir ao consenso, razão pela poderá se propor
à votação das regras que obedecerão à vontade da maioria. A forma de manifestação se dará pela
subscrição da ata da assembleia realizada para votação do ato constitutivo.

7.3.5. Cláusulas gerais mínimas: várias cláusulas estarão presentes nos atos constitutivos, porém,
existe um conjunto mínimo comum no ato constitutivo de qualquer pessoa jurídica:

a) qualificação dos membros: a qualificação civil dos membros da pessoa jurídica se fará necessária
através do nome civil, RG, CPF, endereço, profissão e estado civil;
b) nome: na medida em que a pessoa jurídica tem distinção para a pessoa de seus membros, haverá
a necessidade de sua individualização através da outorga de um nome que respeitará regras
próprias de formação de acordo com o tipo de pessoa jurídica a ser criada;
c) sede: toda pessoa jurídica terá uma sede que indique o local de sua administração;
d) objeto: como já tratado anteriormente, um dos requisitos de criação de uma pessoa jurídica é a
pluralidade de pessoas com a mesma finalidade, que será traduzida no ato constitutivo como
objeto;
e) prazo: o prazo de funcionamento da pessoa jurídica poderá ser determinado ou indeterminado.
Em regra, se verifica a criação por prazo indeterminado, porém, permite a legislação que se
determine o seu tempo de funcionamento;
f) administração: toda pessoa jurídica é um ente ficto criado pelo direito. Assim sendo, necessário
será a sua representação no mundo físico que se fará através da figura do administrador ou dos
órgãos de administração.

8. Associação

8.1. Conceito: disciplinadas no Código Civil, são as associações à união de pessoas que se organizem
para finalidade comum não lucrativa. Ao conceituar a associação, o legislador no artigo 53 se refere
a fins não econômicos, porém, crítica merece nesse sentido, já que as associações em regram
necessitam de estrutura para o atingimento da finalidade comum proposta pelos associados,
verificando-se assim, a existência de uma atividade econômica organizada.

8.2. Forma de constituição: as associações são de natureza estatutária, tendo portanto, como
instrumento constitutivo o estatuto que após aprovação em assembleia deverá ser registrado no
Cartório de Registro das Pessoas Jurídicas.

8.3. Estatuto: o estatuto, por representar negócio jurídico, deverá respeitar os ditames do inciso III
do artigo 104 do Código Civil, combinado com o artigo 54 do mesmo diploma, contendo:

8.3.1. Denominação: uma vez que se constituirá em pessoa jurídica, deverá a associação indicar um
nome para a sua titularidade. Não existe no ordenamento jurídico pátrio nenhuma regra específica
para a criação do nome das associações, porém, aplica-se aqui a regra negativa, ou seja, não poderá
a associação utilizar-se dos designativos próprios das demais pessoas jurídicas na composição de
seu nome.
8.3.2. Finalidade: deverá constar expressamente do estatuto a finalidade não lucrativa a ser
exercida pela associação, que poderá ser: religiosa, cultural, esportiva, profissional, de classe, de
bairro, etc.;

8.3.3. Sede: a sede corresponde ao local onde se vinculará administrativamente a associação;

8.3.4. Associados: o próprio estatuto deverá regular as formas de admissão, demissão e exclusão
de associados;

8.3.5. Direitos e deveres: o parágrafo único do artigo 53 prevê que não há entre os associados
direitos e obrigações recíprocas, existindo apenas direitos e obrigações dos associados em relação
à própria associação, porém, essa disciplina deverá estar expressa no próprio estatuto;

8.3.6. Custeio: por ser uma atividade econômica organizada, deverá o estatuto indicar a fonte de
custeio da associação;

8.3.7. Órgãos deliberativos e administrativos: o legislador não prevê órgãos de deliberação e


administração específicos, cabendo aos associados através do estatuto disciplinar à matéria. No
entanto, a forma como se encontra disciplinado tal previsão no Código Civil através do inciso V do
artigo 54, claro está que a sua instituição é obrigatória;

8.3.8. Alteração estatutária: o estatuto deverá disciplinar as futuras alterações estatutárias,


esclarecendo forma e quórum necessário;

8.3.9. Dissolução: a exemplo das alterações, a dissolução da associação deverá estar disciplinada no
estatuto;

8.3.10. Nulidade: a ausência de qualquer um desses requisitos no estatuto implica em nulidade do


instrumento.

8.3.11. Registro: o registro do estatuto das associações fica a cargo dos Cartórios de Registro das
Pessoas Jurídicas.

8.4. Categoria de associados: o legislador prevê que os associados possuem direitos iguais, desde
que o estatuto não estipule categorias distintas. É comum nas associações se verificar prerrogativas
especiais aos associados fundadores. No entanto, é importante se observar que o legislador através
do artigo 55 autorizou a criação de direitos especiais para alguns associados, sem que isso signifique
a redução de direitos para os demais associados.

8.5. Associado: como vimos anteriormente, o estatuto deve prever forma para a admissão de
associados, não sendo possível alguém adquirir essa qualidade por mera transferência de um
associado para outro, inclusive de quotas patrimoniais quando for o caso, salvo se houver expressa
autorização estatutária neste sentido.

8.6. Exclusão de associado: o legislador estabelece duas situações para exclusão de associados, que
por sua vez deverão observar justa causa para aplicação.

8.6.1. previsão estatutária: como se tratava de cláusula obrigatória, cabe ao estatuto prever a
forma de exclusão do associado uma vez verificada justa causa que motive a medida drástica. Caso
haja previsão de exclusão por parte dos órgãos deliberativos ou administrativos, dessa decisão cabe
recurso à assembleia geral;
8.6.2. omissão estatutária: a contrário sensu, prevê o legislador que se o estatuto for omisso,
verificando-se a existência de motivos graves, poderá ocorrer à exclusão do associado desde que
ocorra decisão por maioria de presentes em assembleia convocada especialmente para esse fim.

8.7. Exercício de direitos: prevê o artigo 58 que nenhum associado será impedido de exercer direito
ou função na associação, senão nos casos previstos no estatuto ou na legislação.

8.7.1. impedimento estatutário: para que haja o impedimento do associado é necessário que haja
expressa previsão de situações e forma de verificação;

8.7.2. impedimento legal: o legislador não especificou formas de impedimento, porém, no artigo
59 ao disciplinar a função da assembleia, especificou a possibilidade de destituição dos
administradores, o que implica no impedimento de exercício de direito.

8.8. Assembleia: como em qualquer entidade estatutária, a assembleia é o órgão soberano de


deliberação, cabendo a ela algumas atividades privativas a saber:

8.8.1. Administradores: eleger ou destituir os administradores, e acrescente-se aí, os membros de


qualquer órgão deliberativo que tenha sido criado no estatuto. Para eleição é possível a realização
através de assembleia por maioria de votos, porém, para destituição é necessário votos de 2/3 (dois
terços) dos presentes em primeira assembleia ou de no mínimo 1/3 (um terço) em segunda
assembleia;

8.8.2. Contas: compete exclusivamente à assembleia julgar as contas apresentadas pelos


administradores, tal decisão pode ser tomada por maioria simples;

8.8.3. Alteração estatutária: como a instituição do estatuto se dá por assembleia, só a assembleia


poderá modificá-lo, respeitando os mesmos quóruns para destituição de administradores.

8.8.4. Convocação: a convocação das assembleias poderá ser feita pelos órgãos deliberativos ou
pelos próprios associados que correspondam a 1/5 (um quinto) do quadro, desde que o estatuto
não discipline de forma distinta.

8.9. Destinação patrimonial: na hipótese de dissolução da associação, haverá a liquidação de seu


patrimônio com a restituição dos haveres aos associados quando for o caso. O remanescente
patrimonial poderá ser repassado a outra instituição de mesma finalidade quando previsto em
estatuto, ou a uma instituição pública municipal, estadual ou federal de mesma finalidade.

9. Fundação Privada

9.1. Conceito: são as fundações, ao contrário das demais pessoas jurídicas que se compõe de seres
individuais, formam-se como uma universalidade de bens destinados a um determinado fim.

9.2. Negócio jurídico: a fundação se constitui por um negócio jurídico como qualquer outra pessoa
jurídica, porém, de forma específica. Nas demais pessoas jurídicas a constituição se da por ato
normalmente bilateral, ao contrário, a fundação se dá por ato unilateral de seu instituidor ou
fundador.
9.3. Ato constitutivo: a fundação nascerá da doação de patrimônio destinado aos fins almejados
por seu instituidor através de escritura pública. Uma vez destinado os bens o instituidor indicará as
pessoas que deverão proceder à elaboração de seu estatuto no prazo máximo de 180 (cento e
oitenta) dias e submetê-lo ao Ministério Público para aprovação.

a) modificação: havendo proposta de mudança no estatuto por parte do Ministério Público e não
concordando seus elaboradores, caberá a remessa do instrumento ao Poder Judiciário para
apreciação e decisão final;
b) rejeição: havendo rejeição do Ministério Público o procedimento é o mesmo da modificação, ou
seja, encaminha-se o instrumento ao Poder Judiciário para decisão.
c) omissão: na hipótese de omissão, por parte dos designados, caberá ao Ministério Público, após o
prazo designado ou após o prazo legal proceder à elaboração do estatuto.

9.4. Formação do estatuto: o estatuto da fundação conterá as seguintes regras:

9.4.1. Denominação: no que pertine a denominação, nenhuma regra impôs o legislador para criação
do nome da fundação, servindo para tanto, a regra negativa, ou seja, a utilização de qualquer nome
que não infrinja os desígnios das demais pessoas jurídicas. No entanto, em especial as fundações
recebem nome indicados pelo próprio instituidor que já os sugere na escritura pública de
transferência da propriedade.

9.4.2. Sede: local onde será exercida a administração da fundação.

9.4.3. Finalidade: por imposição legal, parágrafo único do artigo 62 do Código Civil, a fundação só
poderá se constituir com fins religiosos, morais culturais ou assistenciais. Configurando, portanto,
finalidade não lucrativa.

9.4.4. Gestores: como a fundação nasce do patrimônio e não da reunião de pessoas, compõe o seu
quadro através de gestores indicados por seu instituidor ou pelo Ministério Público.

9.4.5. Custeio: em regra, o custeio das fundações se faz com a exploração do próprio patrimônio
doado por seu instituidor, porém, nada impede que a fundação se utilize de outras fontes de custeio.

9.4.6. Administração: caberá ao estatuto indicar a forma de administração da fundação.

9.4.7. Registro: o registro das fundações fica a cargo do cartório de Registro das Pessoas Jurídicas.

9.5. Responsabilidade civil: o patrimônio da fundação é impenhorável, porém, de forma a


resguardar interesse de terceiro admite-se a constrição sobre os frutos gerados a partir do mesmo
patrimônio.

10. Sociedades

10.1. Conceito (artigo 981 do Código Civil): considera-se sociedade a reunião de pessoas que se
obrigam entre si com bens e serviços para a realização de um ou mais negócios visando à partilha
dos resultados, sejam eles positivos ou negativos. Para tanto, alguns elementos são inerentes a
existência da sociedade:

10.1.1) interesse comum: a sociedade nasce da reunião de duas ou mais pessoas, portanto, para
sua criação necessário se verifica a existência de pessoas com mesmo interesse, ou seja, comum;
10.1.2) afeccio societatis: como as pessoas dispostas a criarem a sociedade terão como
consequência o desenvolvimento de uma mesma atividade, pressupõe-se a existência entre elas da
vontade de se associarem, pois do contrário, embora haja a verificação de interesse comum na
atividade, seriam apenas dois profissionais unipessoais. Essa vontade de se associarem se denomina
afeccio societatis;

10.1.3) obrigação patrimonial: além do interesse e da vontade, a sociedade exige ainda a obrigação
patrimonial de seus sócios, seja através da concessão de um bem ou trabalhando para a sociedade.
De qualquer forma, toda sociedade terá um patrimônio mínimo que será seu capital social,
responsável pelas obrigações por ela constituídas;

10.1.4) resultado: como em qualquer sociedade o elemento risco é inerente ao negócio, logo esse
fato gera a responsabilidade civil dos sócios na medida em que havendo disposição de partilha pelos
resultados, sendo ele negativo, deverá cada sócio responder perante os credores com a
responsabilidade estabelecida legalmente ou contratualmente.

a) responsabilidade legal: para cada tipo de sociedade existe uma responsabilidade legal
estabelecida delimitando a obrigação individual de cada sócio;
b) responsabilidade contratual: independentemente da responsabilidade estabelecida em lei, nada
impede que os sócios, de maneira subsidiária venham convencionar responsabilidade individual
diversa da prevista em lei, porém, nesse caso, só terá valor jurídico se for para ampliar a
responsabilidade legal, nunca para diminuí-la.

10.2. Espécies: o nosso ordenamento jurídico reconhece as sociedades personificadas e não


personificadas. Entre as não personificadas o legislador previu a sociedade em comum e a sociedade
em conta de participação. Já nas sociedades personificadas a legislador às dividiu em sociedade
simples, empresárias e estatais.

10.3. Distinção entre sociedade simples e empresária: o legislador não conceituou a sociedade
simples, apenas a sociedade empresária. Logo, a definição de sociedade simples passou a ser para
o interprete um exercício de hermenêutica jurídica. Porém, a via da exclusão nos permite atingir tal
conceito.

10.3.1. Sociedades empresárias (artigo 966 do Código Civil): para se configurar a existência de uma
sociedade empresária, conceituada no artigo 966 do Código Civil, necessária se faz verificar a
existência de alguns elementos específicos. Esses elementos estão presentes na tríade da
empresarialidade:

a) empresário (art. 966 C. Civil): é a pessoa que exerce profissionalmente atividade empresarial em
nome próprio;
b) estabelecimento: formado pelo conjunto de elementos necessários para o exercício da atividade
empresarial, o que em regra não permitiria a existência de empresa só no papel como ocorre
simplesmente com as sociedades;
c) atividade econômica organizada: essa atividade econômica organizada por seu turno, exige a
conjugação de 03 (três) outros fatores, a saber: profissionalismo, risco e lucro.
c.1) profissionalismo: se caracteriza pelo exercício habitual da atividade empresarial na produção
ou a circulação de bens ou de serviços, ou seja, compreende o exercício habitual de atividade
industrial, comercial ou de serviços;
c.2) risco: inerente à prática de qualquer atividade econômica;
c.3) lucro: caracterizado pela finalidade e não necessariamente pelo resultado, haja vista que o
resultado pode ser negativo em determinado mês ou período sem descaracterizar a existência da
sociedade como empresária. O resultado negativo por sua vez, gera obrigação entre os sócios de
recompor os prejuízos.
10.3.2. Sociedade Simples (art. 982 C.C.): verificamos anteriormente que para conceituar uma
sociedade empresária basta verificarmos a presença dos elementos da tríade da empresarialidade.
Ocorre que o parágrafo único do citado artigo, cria uma exceção a essa regra, o que nos levaria a
concluir tratar-se do conceito de sociedade simples. Trata-se na realidade dos casos de praticantes
de atividades intelectuais, no entanto, o próprio parágrafo único afirma que estando presentes os
elementos de empresa, ainda que intelectual, será empresária a sociedade. A solução parece estar
no artigo 982 que aduz que “salvo expresso” em contrário serão empresárias as sociedades e
simples as demais. Ora estava o legislador prevendo as hipóteses em que ainda que presentes os
elementos de empresa, dispositivo legal específico lhes tire a liberdade dessa forma de constituição
como é o caso dos médicos, advogados e dentistas que obrigatoriamente se constituirão na forma
de sociedade simples.

10.4. Exceções (parágrafo único do artigo 982 do Código Civil): independente da verificação ou não
dos elementos anteriormente descritos, as sociedades por ações (anônimas ou em comandita por
ações) e as cooperativas possuem regime obrigatório:

10.4.1. Sociedades por ações: às sociedades criadas por ações, sejam as sociedades anônimas ou
sociedades em comandita por ações, serão sempre empresárias independentemente da verificação
dos elementos da tríade da empresarialidade, ou seja, se eventualmente tivermos a constituição de
uma sociedade por ações sem fins empresariais, será ela considerada empresária por força de lei, a
exemplo do que já determinava o Código Comercial em sua parte revogada;

10.4.2. Sociedades Cooperativas: as cooperativas serão sempre consideradas sociedades simples,


ainda que presentes os elementos da tríade da empresarialidade.

10.5) regime jurídico (artigo 983 do Código Civil): todas as sociedades privadas estão submetidas
ao regime jurídico próprio do Código Civil no tocante às regras gerais, devendo respeitar ainda as
regras específicas para cada tipo de sociedade.

10.5.1) sociedades empresárias: essas sociedades respeitarão as regras específicas a que se


subordinam os seus sócios ao realizarem a opção pelo tipo societário (sociedade em comandita
simples, sociedade em nome coletivo, sociedade limitada, sociedade anônima e sociedade em
comandita por ações);

10.5.2) sociedades simples: as sociedades simples podem se subordinar às regras próprias do tipo
societário escolhido (sociedade em comandita simples, sociedade em nome coletivo ou sociedade
limitada) ou as específicas das sociedades simples;

10.5.3) empresário rural (artigo 984 do Código Civil): o empresário rural somente se subordinará
ao regime das sociedades empresárias se se constituir através de um dos tipos próprios de
sociedades empresárias (sociedade em comandita simples, sociedade em nome coletivo, sociedade
limitada, sociedade anônima e sociedade em comandita por ações) e levá-la a registro na Junta
Comercial, caso contrário, responderá pelo regime das sociedades simples.

11. Sociedades não personificadas

11.1. Conceito: como já abordamos anteriormente, tratam-se de “sociedades” que não adquirem
personalidade jurídica, seja porque não cumpre os requisitos essenciais, seja porque a lei não lhes
dá tal prerrogativa.

11.2. Espécies: o nosso ordenamento jurídico contempla duas possibilidades de sociedades não
personificadas, a Sociedade em Comum e a Sociedade em Conta de Participação.
11.2.1. Sociedade em comum (artigo 986 do Código Civil)

a) conceito: trata-se da sociedade não personificada, portanto, não levada a registro nos respectivos
órgãos, ainda que possua atos constitutivos firmados entre seus sócios.
b) espécies: a doutrina classifica as sociedades em comum em irregular ou de fato.
b.1) sociedade irregular: como já vimos anteriormente, a sociedade deve ter os seus atos
constitutivos devidamente registrados em razão da obrigatoriedade prevista no artigo 967 do
Código Civil, porém, como já asseveramos, a ausência de registro não constitui ato ilegal, até
porque, como se observa, o próprio Código Civil reconhece esse tipo de sociedade, logo, a sociedade
que tenha atos constitutivos que não tenham sido levados a registro, é considerada como sociedade
irregular.
b.2) sociedade de fato: é a sociedade em atividade que não tenha seus atos constitutivos
elaborados expressamente, presumindo-se que as suas regras estejam estabelecidas tacitamente
pelos seus membros.
c) prova da sociedade: de acordo com o que preceitua o artigo 987 do Código Civil, os sócios só
podem provar a existência da sociedade através do contrato escrito, e os terceiros, de qualquer
modo. Logo, a existência de sociedade irregular pode ser objeto de litígio entre os sócios
judicialmente, ao contrário da sociedade de fato em razão da impossibilidade de prova de sua
existência.
d) regime jurídico (artigo 990 do Código Civil): às sociedades em comum se aplicam os dispositivos
próprios aqui tratados e previstos nos artigos 986 a 990 do Código Civil, além do uso subsidiário dos
dispositivos próprios das sociedades simples.
e) benefício de ordem: o benefício de ordem previsto no artigo 1024 do Código Civil que determina
que primeiro devem ser excutidos os bens da sociedade só para depois serem atingidos os bens
pessoais dos sócios, tem seu alcance limitado para aplicação judicial.
e.1) limite legal: segundo determina o próprio dispositivo legal, o benefício de ordem só pode ser
invocado pelo sócio inocente, ou seja, aquele que não contratou a obrigação que esteja gerando
responsabilidade, e ainda assim, dependerá da prova de existência da sociedade;
e.2) limite natural: o segundo aspecto limitador de sua utilização diz respeito à sociedade de fato,
pois, uma vez sendo impossível à prova de sua existência, não poderá o sócio invocar o benefício de
ordem, a menos que o terceiro tenha provado a existência da sociedade.
f) responsabilidade solidária: em se tratando de sociedade em comum, apenas um sócio poderá ser
demandado pela dívida integral contraída pela sociedade, cabendo a ele o direito de regresso contra
os demais sócios.
g) responsabilidade ilimitada: uma vez sendo em comum a sociedade a responsabilidade será
sempre ilimitada, ou seja, os sócios responderão integralmente pelas obrigações contraídas.
h) interesse de terceiros (artigo 989 do Código Civil): os interesses de terceiros que contratem com
a sociedade em comum não poderão ser prejudicados em razão de acordo realizado entre seus
sócios, exceto se ocorrer anuência por parte do terceiro credor da sociedade.
i) falência: em razão da irregularidade da sociedade, e se verificando a existência dos elementos de
empresa, estará ela sujeita ao regime falimentar.
j) patrimônio especial: o artigo 988 do Código Civil determina que os bens e as dividas sociais
constituem patrimônio especial. Fazendo uma interpretação teleológica é possível concluir que o
legislador pretendia com isso evitar a distinção entre o patrimônio social do patrimônio pessoal, já
que em se tratando de sociedade não personificada não há que se falar em patrimônio social.
k) gerência: a gerência da sociedade observará as espécies próprias de sociedade em comum: de
fato ou irregular.
k.1) sociedade de fato: sendo de fato a sociedade em comum, ou seja, inexistindo ato constitutivo
da sociedade não haverá disposição expressa sobre o exercício da gerência da sociedade,
presumindo-se ela comum a todos os sócios;
k.2) sociedade irregular: ao contrário da sociedade de fato, em razão da existência de ato
constitutivo da sociedade é possível se disciplinar o exercício da gerência da sociedade.
l) nome empresarial: o nome empresarial decorre justamente da personificação da sociedade que
se dá com o seu registro no órgão de registro público de empresas, de forma que, pela ausência de
registro não há que se falar de nome empresarial, o que se conclui que a sociedade em comum
girará no mercado com a utilização apenas de nome fantasia ou de seu título de estabelecimento.

11.2.2. Sociedade em conta de participação

a) conceito (art. 991 do C. Civil): trata-se da sociedade não personificada em que duas ou mais
pessoas se associam para um empreendimento comum, ficando um em posição ostensiva (o sócio
que realizará todos atos empresariais) e outro como participante (o sócio que contrata
exclusivamente com o primeiro sem se relacionar com as pessoas que venham contratar com essa
sociedade).
b) natureza jurídica: claro está, que a Sociedade em Conta de Participação não tem natureza jurídica
de sociedade, apesar de ter sido incluída entre as sociedades previstas no Código Civil. É que na
realidade temos apenas um contrato entre duas ou mais pessoas para realização de um
empreendimento, cuja atividade empresarial, será somente exercida pelo sócio ostensivo,
verdadeiro empresário, no mesmo sentido alguns doutrinadores tem se posicionado4.
c) sócio ostensivo: como vimos anteriormente, essa sociedade impropriamente assim tratada, já
que só existe como tal entre seus membros, não possui personificação, tratando-se do exercício da
atividade empresarial na forma de empresário individual pelo sócio ostensivo ou de sociedade em
comum havendo pluralidade de sócios ostensivos. Logo, teremos por parte do sócio ostensivo dois
vínculos jurídicos, um enquanto empresário com todas as obrigações que lhe são pertinentes, outro,
de caráter particular e reservado por força legal, com o sócio participante, também gerador de
direitos e obrigações.
d) sócio participante: denominado anteriormente pelo Código Comercial como sócio oculto, é o
sócio que não pratica nenhum ato empresarial, já que esses são próprios do sócio ostensivo,
possuindo direitos e obrigação somente perante o seu sócio. A denominação “sócio oculto” é muito
mais pertinente, já que a sua existência é ocultada por determinação da própria lei.
e) relação com terceiros: se a sociedade em conta de participação não existe perante terceiros, já
que todos os atos são praticados individualmente pelo sócio ostensivo enquanto empresário,
desnecessária seria a introdução no ordenamento do artigo 993 do Código Civil, acrescentando que
ainda que levado a registro o contrato da sociedade não implica em personificação da sociedade.
Ora, se assim o é, caso venha o sócio participante praticar qualquer ato perante terceiros estaremos
diante de empresário individual ou de sociedade em comum e não mais de uma “sociedade em
conta de participação”.
f) empresário individual: caso o sócio participante pratique qualquer ato empresarial sem que o
terceiro contratante tenha conhecimento da existência de uma sociedade, estaremos diante de ato
praticado por empresário individual;
g) sociedade em comum: caso o sócio participante pratique ato empresarial em que o terceiro
tenha conhecimento da existência da sociedade entre ele e o sócio ostensivo, estaremos diante de
um ato empresarial praticado por sociedade em comum.
h) gerência: uma vez que os atos empresariais serão todos praticados em nome da pessoa física do
sócio ostensivo, ou seja, na qualidade de empresário individual, não há que se falar em gerência da
sociedade, até porque, não existindo “sociedade” não existe a palavra “gerência”. Por outro lado,
verificamos anteriormente que poderia haver pluralidade de sócios ostensivos e assim, a existência

4
Neste sentido ver: Sérgio Campinho, p. 74.
de uma sociedade em comum, respeitando nesse caso as regras próprias desse tipo de sociedade
para o exercício da gerência da sociedade.
i) nome empresarial: a exemplo do que vimos no caso da gerência, observamos que o nome
empresarial a ser adotado é o do sócio ostensivo enquanto empresário individual ou do nome
fantasia ou título do estabelecimento no caso de sociedade em comum.
j) patrimônio especial (art. 994 do C. Civil): a exemplo do que já fez na sociedade em comum, o
legislador também disciplinou o patrimônio especial da sociedade em conta de participação, no
entanto, o estudo aqui deve ser mais acurado. É que para o credor imputar o patrimônio especial
de uma sociedade, deverá comprovar a sua existência, caso contrário, propor a penhora de qualquer
patrimônio do sócio participante como forma de satisfação do seu crédito geraria a arguição de
ilegitimidade passiva. E isso se dá na dificuldade da comprovação de tal sociedade, o que já não é
tão difícil para o credor na sociedade em comum pela prática de atos empresariais por ambos os
sócios.
k) falência: no caso específico de falência, por determinação do artigo 994 do Código Civil em seus
parágrafos segundo e terceiro, deve o instituto ser analisado sobre dois ângulos:
k.1) falência do sócio ostensivo: disciplinado no parágrafo segundo do artigo 994 trata-se
propriamente da falência da sociedade no que diz respeito a sua existência, já que está vinculada à
existência do sócio ostensivo como empresário. Porém, no tocante às obrigações sociais
decorrentes da falência, o sócio participante poderá se habilitar na falência caso lhe reste saldo
credor;
k.2) falência do sócio participante: o parágrafo terceiro trata da falência do sócio participante e não
da sociedade, ou seja, presume-se a existência de outra atividade empresarial por parte deste sócio
que difere da atividade da sociedade. Ou seja, da falência do sócio participante não decorre a
liquidação da sociedade.
l) composição social: essa sociedade nasce da conjugação da vontade de dois sócios, o ostensivo e
o participante, porém, consoante determina o artigo 995 do Código Civil a entrada de outros sócios
nessa sociedade depende de consentimento expresso do sócio participante praticante dos atos
empresariais.
m) pluralidade de sócio ostensivo: havendo litígio judicial no tocante à vontade de dissolução da
sociedade por parte de um dos sócios, estabelece o parágrafo único do artigo 966 que as contas
entre os sócios ostensivos devam ser apuradas e julgadas no próprio processo de liquidação. Dessa
forma, da dissolução desse tipo de sociedade pode restar pendência somente no tocante ao sócio
participante que mereceu atenção menor do legislador.
n) regras complementares: por força do disposto no artigo 966 do Código Civil, no que couber serão
extensivos à sociedade em conta de participação os dispositivos atinentes às sociedades simples.
Porém, deve se entender que o uso subsidiário dos dispositivos relativos à sociedade simples diz
respeito à relação existente entre os sócios e não com terceiros por determinação expressa do
parágrafo único do artigo 991 do mesmo código.
o) efeitos fiscais: maiores preocupações não geram ao fisco a existência de sociedades em conta de
participação, uma vez que os atos empresariais sendo realizados em nome do sócio ostensivo,
daquele fato decorreriam os fatos geradores oponíveis de obrigação tributária. A preocupação só
nasceria na hipótese de responsabilidade tributária, já que não sendo o sócio participante de
conhecimento do fisco não há como torná-lo responsável tributário o que é comum em qualquer
outro tipo de sociedade.

12. Sociedades personificadas

12.1. Conceito: como já vimos anteriormente, são personificadas às sociedades que cumprem os
requisitos legais e adquirem personalidade jurídica.
12.2. Espécies: o nosso ordenamento jurídico ainda prevê as sociedades unipessoais, às sociedades
estatais, às sociedades simples e às sociedades empresarias.

13. Sociedade Unipessoal

13.1. Conceito: sociedade unipessoal seria a sociedade de um sócio apenas, o que se figura contrário
à constituição das sociedades no Brasil em virtude de termos adotado o modelo de pluralidade de
sócios, porém, há duas hipóteses presentes no nosso direito que se afigura como sociedade
unipessoal, ainda que de maneira imprópria.

13.2. Sociedade Estatal: a sociedade estatal, conforme se verificará a seguir, pode se constituir com
capital exclusivamente público ou misto (privado e público). Em se constituindo com capital
exclusivamente público, teremos um único sócio, o Estado. Por outro lado, a doutrina majoritária
sustenta não ser o caso de sociedade unipessoal por duas razões, de um lado, ela pode ter sido
criada com capital exclusivamente público de forma a atender interesses da sociedade. O segundo
entendimento é o de que em se tratando da figura do Estado, toda a sociedade vinculada àquela
figura estatal comporia o quadro societário ainda que indiretamente.

13.3. Sociedade Unipessoal Transitória: a segunda hipótese é a prevista no inciso IV do artigo 1033
do Código Civil que estabelece que a sociedade será dissolvida se houver “a falta de pluralidade de
sócios, não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias”. Logo, ainda que de maneira imprópria,
o direito brasileiro reconhece a sociedade unipessoal.

14. Sociedades Estatais

14.1. Conceito: trata-se das sociedades em que haja a participação integral ou majoritária do
Estado.

14.2. Espécies: as sociedades estatais podem se constituir na forma de empresa pública, situação
em que o Estado integralizará o total do capital social, sendo, portanto, seu único sócio. E temos
ainda o caso das sociedades de economia mista, em que o Estado comporá o quadro social como
sócio majoritário, possuindo no mínimo, 51% (cinquenta e um por cento) do capital social,
complementando-se o quadro social com capital privado.

14.3. Constituição: em razão da participação do Estado, as sociedades estatais só podem ser


constituídas através de ato legislativo próprio, sendo a lei seu ato constitutivo.

14.4. Modificação e Desconstituição: uma vez constituídas por lei, só a lei poderá modificá-las ou
extingui-las, estando, portanto, sujeitas a um regime jurídico especial próprio.

15. Sociedade Simples

15.1. Conceito: a sociedade simples não possui requisitos próprios, o que torna impossível atingir
seu conceito. Trata-se, pois, de todas as demais sociedades que não as empresárias. O Código Civil
exige que as cooperativas sejam organizadas na forma de sociedades simples. Da mesma forma, os
profissionais intelectuais organizados na forma de sociedade, em que não se verifique a existência
dos elementos de empresa também serão constituídos na forma de sociedade simples. Esse tipo
social constitui o tipo geral aplicável no caso de se objetivar uma reunião associativa para prestação
de serviços pessoal.
15.2. Regime Jurídico: as sociedades simples se submetem ao regime próprio, além da possibilidade
de se submeterem ao regime específico caso adotem um dos tipos societários previstos para
constituição das sociedades empresárias consoante autoriza o artigo 983 do Código Civil. Caso isso
ocorra, exceto no que concerne ao registro, deverá a sociedade respeitar as regras próprias do tipo
escolhido. No entanto, caso a sociedade opte pelo tipo sociedade por ações, deixará de ser
sociedade simples e será obrigatoriamente sociedade empresária.

15.3. Regra geral: além dos dispositivos concernentes a sociedades simples serem regras especiais
para ela própria, serão regras gerais para as sociedades empresárias.

15.4. Sociedade contratual: é a sociedade simples uma sociedade contratual, portanto, a sua
constituição se dá a partir da elaboração desse contrato que deverá ser registrado para a sua
personificação.

15.5. Registro: as sociedades simples estão sujeitas a registro perante o Cartório de Registro Civil
das Pessoas Jurídicas de sua sede, e onde não houver, no Cartório de Títulos e Documentos. Tal
registro deve ser efetuado no prazo de 30 (trinta) dias a contar da sua constituição.

15.6. Contrato social: o contrato de constituição da sociedade simples deve conter as seguintes
informações obrigatórias, sem prejuízo de outras que por ventura convencionem os sócios:

a) qualificação dos sócios: a qualificação dos sócios deverá ser feita através dos dados inerentes à
qualificação civil: nome, nacionalidade, estado civil, profissão e endereço dos sócios. Cabe ressaltar
que o sócio tanto pode ser pessoa física como jurídica;
b) nome da sociedade: trata-se do nome a ser adotado para a prática dos atos sociais, poderá ser
adotado uma denominação (nome abstrato) quanto o próprio nome dos sócios (firma), exemplo:
Pinheiro Neto Advogados Associados ou Interlex Sociedade de Advogados;
c) sede: deve o contrato especificar a sede social;
d) objeto: trata-se do objeto social a ser operado pela sociedade. Exemplo: sociedade de advogados;
e) prazo: trata-se do prazo de vigência da sociedade, que poderá também ser indeterminado;
f) capital social: trata-se do capital mínimo para constituição da sociedade. Deve ser expresso em
moeda corrente nacional, podendo ser composto por bens desde que suscetíveis de avaliação
pecuniária;
g) cotas sociais: a especificação do capital social em quotas e a proporção de cada sócio no capital
social. Além disso, caso o sócio venha integralizar suas cotas, ou parte delas em serviço, deverá estar
devidamente especificado (o serviço e a forma de cumprimento). Assim sendo, verificamos que a
sociedade simples pode ser de capital, serviço ou mista:
g.1) serviço: caso o sócio integre o quadro social através de seus serviços, estará proibido de
empregar-se em atividade estranha à sociedade, sujeitando-se ao contrário, em exclusão ou perda
de sua parte nos lucros sociais, a menos que o contrato estipule a permissão. Por outro lado, de
forma a disciplinar a participação do sócio de serviço, o contrato deverá especificar qual o serviço e
em que condições será prestado;
g.2) capital: será de capital quando formada exclusivamente pelo capital integralizado dos sócios,
situação em que o contrato deverá especificar o capital em cotas;
g.3) mista: o capital social pode ser formado por sócio capitalista e por sócio de serviço, devendo o
contrato ser expresso para especificar a forma de participação de cada um.
h) administração: especificar de que forma se dará a administração da sociedade, por terceiro que
assumirá na qualidade de administrador, ou pelos próprios sócios na qualidade de gerentes, sendo
que na omissão se presume a gerência sendo exercida em situação de igualdade por todos os sócios.
O cargo de administrador que não poderá ter nenhum impedimento na forma da lei para o exercício
de atividade empresarial;
i) resultados: deve ser especificada a participação de cada sócio nos resultados, seja lucro ou
prejuízo, sendo que a participação será sempre proporcional às quotas sociais caso o contrato não
estipule de forma diversa. De qualquer forma, nenhum sócio poderá ser excluído dos resultados
sociais;
i.1) lucros fictícios: caso seja feita a distribuição de lucros fictamente contabilizados para beneficiar
os sócios, gerará responsabilidade solidária entre eles e entre o administrador que não poderá
alegar desconhecimento;
j) responsabilidade dos sócios: trata-se da especificação da responsabilidade de cada sócio pelas
obrigações sociais, porém, tal cláusula só possui efeito perante os sócios, não produzindo qualquer
efeito perante terceiros quando permitir qualquer tipo de limitação, haja vista que cada sócio
responderá até o limite do capital social integralizado.

15.7. Alteração da sociedade: para que haja alteração de qualquer um dos dispositivos acordados
no contrato social deverá se levar em conta se se trata de cláusula obrigatória ou não.

a) cláusula obrigatória: só podem ser alteradas por decisão conjunta de todos os sócios;
b) cláusula não obrigatória: poderá ser alterada por decisão da maioria dos sócios, desde que o
contrato social não estabeleça de outra forma;
c) averbação: a alteração para produzir efeito deverá ser averbada no registro original da sociedade
para que produza efeitos.

15.8. Filiais: caso haja a abertura de filiais, sucursais ou agências em locais diversos da sede onde
está inscrita, deverá proceder à inscrição no respectivo Cartório de Registro Civil das Pessoas
Jurídicas ou Cartório de Títulos e Documentos onde não houver, além do registro na própria sede
de abertura de filiais.

15.9. Substituição de sócios: a substituição depende da decisão conjunta dos sócios remanescentes.
Caso a saída da sociedade se dê por vontade do próprio sócio retirante, a sua substituição ou não
se dará por decisão absoluta dos demais, e para que ele transfira suas quotas sociais para estranho
a sociedade, deverá possuir o consentimento expresso dos remanescentes, sob pena de se tornar
ineficaz o ato, exceto se houver previsão contratual expressa.

a) evicção: caso o sócio retirante faça a transferência das quotas sociais sem transferência de
domínio (sem o consentimento dos demais sócios), implicará em ato nulo e responderá o alienante
pela evicção.

15.10. Responsabilidade do retirante: na hipótese de substituição do sócio, ele na qualidade de


retirante será solidário aos demais sócios por um período de dois anos após averbação da alteração
social no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas.

15.11. Sócio remisso: sócio remisso é aquele que deixa de integralizar a parcela do capital social
com a qual se obrigou quando da constituição da sociedade. Tal situação prevê algumas sanções:

a) indenização: independentemente de seu destino na sociedade (exclusão ou permanência),


sujeitar-se-á indenização por eventuais prejuízos causados a sociedade pela não integralização do
capital;
b) exclusão: estará a sujeito a exclusão do quadro social, e nesse caso, ainda que importe em
cláusula obrigatória da sociedade, a decisão não precisa ser unânime, poderá ser por maioria;
c) redução da quota social: em virtude do não cumprimento da obrigação, poderá o sócio remisso
ter sua quota social reduzida ao capital já integralizado, independentemente da possibilidade de
responder pelos prejuízos causados a sociedade. Tal situação implicará na redução do capital social
que poderá também ser decidida por maioria dos sócios;
d) transferência das quotas: outra situação seria a transferência do capital a integralizar para os
demais sócios que responderiam pela diferença, decisão essa também possível por maioria dos
sócios.

15.12. Deliberações sociais: as decisões relativas aos atos sociais que não importem em alteração
da sociedade serão tomadas por decisão de maioria relativo ao capital social.

a) maioria: considera-se maioria aquela decisão que leve em consideração mais da metade do
capital social;
b) empate: na hipótese de empate entre o capital social, prevalecerá o número de sócios.

16. Sociedades Cooperativas

16.1. Conceito: trata-se de uma sociedade em que as pessoas se reúnem com o propósito de reunir
esforços para atingimento de um fim comum, sem, contudo, existir hierarquia e subordinação entre
seus componentes.

16.2. Regime Jurídico: a sociedade cooperativa tem regras definidas em lei especial, Lei nº 5.764/71,
e no que couber, respeitará as regras das Sociedades Simples conforme determina o artigo 1096 do
Código Civil.

16.3. Capital Social: as sociedades cooperativas não possuem obrigatoriedade de capital social
declarado, em virtude da possibilidade de variação na medida em que admite ou perde cooperados.

16.4. Limite de cotas: de forma a se evitar a hierarquização da cooperativa, seu regulamento deve
limitar o número de cotas possíveis a cada cooperado. Independe do limite estabelecido, cada
cooperado terá apenas o direito a um voto em assembleia.

16.5. Constituição: as cooperativas devem ser constituídas através de estatuto que disciplinará seu
objeto e funcionamento. Este estatuto, no entanto, será obrigatoriamente registrado na Junta
Comercial.

16.6. Intransferibilidade de cotas: ao contrário do que ocorre nas sociedades, nas cooperativas o
cooperado que pretenda se desligar deve ser remunerado diretamente pela cooperativa.

16.7. Resultados: os resultados são distribuídos proporcionalmente ao limite de cotas de cada


cooperado.

16.8. Responsabilidade dos cooperados: a responsabilidade dos cooperados é limitada ao limite de


suas cotas, no entanto, caso exerça função de direção e administração na cooperativa terá
responsabilidade ilimitada em razão de suas obrigações.

17. Sociedades Empresárias

17.1. Conceito: o conceito de sociedade empresária encontra vertente exclusiva na determinação


legal. De um lado o artigo 962 do Código Civil considera empresária a sociedade sujeita a registro e
que tenha por objeto a atividade própria de empresário. A atividade própria de empresário por sua
vez, é a atividade econômica organizada exercida profissionalmente consoante determina o artigo
966 do mesmo código.
17.2. Classificação das sociedades empresárias: às sociedades empresárias podem se classificar
quanto a sua criação em sociedade contratual ou sociedade estatutária e quanto a sua formação
podem se constituir em sociedade de pessoas ou sociedade de capital.

a) sociedade contratual: é a sociedade empresária que tem como instrumento constitutivo o


contrato;
b) sociedade estatutária: é a sociedade empresária que tem como instrumento constitutivo o
estatuto, pressupondo, portanto, a realização de assembleia;
c) sociedade de pessoas: são sociedades empresárias que só nascem a partir da união de pessoas
com o mesmo objetivo;
d) sociedade de capital: são sociedades empresárias que não dependem exclusivamente da ligação
entre as pessoas, mas sim do que elas representam para o objetivo em razão do capital que
possuam.

18. Sociedades contratuais

18.1. Conceito: como vimos anteriormente, a sociedades contratuais são aquelas que nascem da
convergência da vontade dos sócios manifestada através de um contrato.

18.2. Tipos: as sociedades contratuais se subdividem em três tipos: sociedade em nome coletivo,
sociedade em comandita simples e sociedade limitada.

18.3. Contrato

a) disciplina jurídica: está regulada pelo Decreto 1800/96, além das regras próprias de cada tipo
societário verificadas no Código Civil.
b) ato jurídico: por ser o contrato um ato jurídico, deverá respeitar as regras mínimas contidas no
artigo 104 do Código Civil, ou seja: agente capaz; objeto possível e lícito, e forma prescrita e não
defesa em lei.
c) forma: o contrato de constituição de sociedade empresária exige forma escrita.
d) pluralidade de sócios: é essencial para formação de uma sociedade empresária a pluralidade de
sócios, porém, em casos excepcionais de continuidade, poderá a lei autorizar temporariamente a
sociedade unipessoal.
e) cláusulas essenciais: tratam-se de cláusulas mínimas que deverão obrigatoriamente constar do
contrato de constituição da sociedade empresária, nada impedindo que outras, de acordo com a
vontade dos sócios possam constar.
e.1) tipo societário: para formação da sociedade os sócios deverão escolher e indicar no contrato
de constituição da sociedade empresária um dos tipos sociais a saber: sociedade em nome coletivo;
sociedade em comandita simples ou sociedade limitada;
e.2) objeto social: diz respeito à atividade que será exercida pela empresa, devendo ser o mais
detalhado possível;
e.3) capital social: trata-se do patrimônio mínimo de uma empresa, diz respeito ao capital que será
utilizado para formação da sociedade, podendo também, ser integralizado através de bens. O que
não permite o legislador é a existência do sócio de indústria, ou seja, aquele que entrará na
sociedade apenas para trabalhar;
e.3.1) capital integralizado: trata-se do capital que será colocado na sociedade no ato de sua
formação;
e.3.2) capital a integralizar: trata-se do capital que será injetado futuramente na sociedade;
e.4) responsabilidade dos sócios: em regra, essa cláusula prevê para os sócios a mesma
responsabilidade que a lei estabelece para cada um de acordo com o tipo social escolhido, porém,
poderá ser diversa estabelecendo desta forma, apenas o compromisso entre os sócios, haja vista
que o a responsabilidade perante terceiros é aquela definida pelo legislador;
e.5) qualificação dos sócios: sendo o sócio pessoa física deverá o contrato precisar-lhe o nome civil,
nacionalidade, estado civil, profissão, endereço e números de identificação pessoal (RG e CPF);
sendo pessoa jurídica deverá constar o nome empresarial, o número de inscrição no CNPJ, o
endereço e os dados do representante legal.
e.6) administrador: trata-se da indicação das pessoas que assumirão responsabilidade pelo ato de
gestão da empresa;
e.7) nome empresarial: será formado por firma ou denominação, de acordo com as regras próprias
para o tipo social escolhido;
e.8) sede: deverá ser indicado o local onde se estabelecerá a empresa;

e.9) foro: trata-se do foro de eleição, ou seja, aquele escolhido pelas partes para dirimir
judicialmente eventuais conflitos entre sócios;
e.10) duração: é a cláusula que especifica o prazo de duração da sociedade, em regra, são
constituídas com prazo indeterminado, porém, nada impede que os sócios venham iniciar a
atividade já prevendo o seu prazo máximo de duração, o que também poderia ser objeto de
alteração futura.

19. Sociedades empresárias menores

19.1. Conceito: são sociedades criadas por contrato destinadas a organização de atividades
empresariais realizadas por pequenas empresas, ou seja, a denominação se justifica em razão do
porte do negócio.

19.2. Tipos: duas são as sociedades menores, a sociedade em nome coletivo e a sociedade em
comandita simples.

19.3. Regras gerais: embora possuam regras próprias, as sociedades menores possuem regras em
comum, portanto, denominadas regras gerais.

a) sócio: as sociedades em geral admitem como sócios as pessoas físicas ou jurídicas, no entanto,
para as sociedades menores existem limitações, ou seja, a pessoa jurídica não é admitida como sócia
de responsabilidade ilimitada.
a.1) sociedade em comandita simples: não admite a pessoa jurídica como sócio comanditado, ou
seja, de responsabilidade ilimitada;
a.2) sociedade em nome coletivo: não admite sócio pessoa jurídica, haja vista que todos os sócios
possuem responsabilidade ilimitada.
b) administrador: somente sócio de responsabilidade ilimitada pode assumir a administração da
sociedade. No caso da sociedade em comandita simples, caso o sócio de responsabilidade limitada
venha administrar a sociedade (comanditário), implicaria este ato em responsabilidade ilimitada.
c) nome empresarial: o nome empresarial adotará a espécie firma e só poderá ser composto pelo
nome civil dos sócios de responsabilidade ilimitada. A exemplo do que ocorre com a administração
da sociedade, caso o sócio comanditário empreste nome à sociedade, responderá ele
ilimitadamente pelas obrigações sociais.
d) cotas sociais: como são consideradas sociedades de pessoas, a movimentação das cotas sociais
dependerá da expressa concordância dos demais sócios. Logo, o artigo 1033 do Código Civil acaba
com a polêmica sobre a possibilidade ou não de penhorabilidade das cotas sociais por obrigações
individuais dos sócios, impossível neste tipo de sociedade.

20. Sociedade em nome coletivo.

a) conceito: é a sociedade formada exclusivamente por sócios pessoas físicas, em que todos os
sócios respondem ilimitadamente pelas obrigações sociais. Qualquer um deles, portanto, pode
exercer a gerência e ter o seu nome civil aproveitado na composição do nome empresarial. Em
síntese, pressupõe condições de igualdade entre os sócios.
b) fundamento legal: artigos 1039 a 1044 do Código Civil.
c) administração: qualquer sócio pode ser nomeado administrador da sociedade e no caso de
omissão contratual, será a administração exercida por todos os sócios conjuntamente.
d) responsabilidade: cada sócio é responsável ilimitadamente pelo capital social.
e) nome empresarial: o nome empresarial será composto através da espécie firma usando o nome
de um de todos os sócios, acrescido da sigla “NC”.

21. Sociedade em comandita simples

a) conceito: é o tipo societário composto por dois tipos distintos de sócios, de um lado os
denominados comanditados, que praticam os atos sociais e respondem ilimitadamente pelas
obrigações sociais, e de outro, os sócios comanditários, que são apenas capitalistas, contribuindo
com a formação do capital social e respondem limitadamente por essas obrigações, não praticando
nenhum tipo de ato de gestão.
b) previsão legal: artigos 1045 a 1051 do Código Civil.
c) administração: a administração da sociedade deverá ser exercida pelo sócio comanditado,
porém, conforme já asseverado anteriormente, caso venha o sócio comanditário praticar atos de
gestão ou administração, responderá ele ilimitadamente pelas obrigações sociais.
d) responsabilidade: o sócio comanditado possui responsabilidade ilimitada pelas obrigações
sociais, já o sócio comanditário terá a responsabilidade limitada ao capital que tenha integralizado.
e) nome empresarial: será composto através de firma formada pelo nome civil dos sócios
comanditados, seguido da sigla “CS”.
f) sócio comanditário: podem ser pessoas físicas ou jurídicas e, embora possuam papel limitado,
podem agir como procuradores da empresa em atos isolados. Além disso, participam nos lucros,
deliberam e fiscalizam a administração da sociedade.
g) sucessão: no caso de falecimento do sócio comanditário, poderá ocorrer a substituição por
pessoa indicada pelos sucessores do falecido.

22. Sociedade Limitada

22.1. Conceito: trata-se da sociedade contratual própria para atividade empresarial de qualquer
porte sem os indesejáveis efeitos patrimoniais suscetíveis de ocorrência nas sociedades de
responsabilidade ilimitada.

22.2. Previsão legal: artigos 1052 a 1087 do Código Civil

22.3. Sociedade mista: como vimos anteriormente, as sociedades empresárias se classificam em


sociedades de pessoas quando são constituídas em função delas (sociedade em nome coletivo,
sociedade em comandita simples) ou sociedade de capital, quando a sua existência se justifique
pelo capital que as instituiu (sociedade anônima, sociedade em comandita por ações). A grande
discussão doutrinária está no fato de se esclarecer se a sociedade limitada é uma sociedade de
pessoas como sustenta Rubens Requião, ou uma sociedade de capital como sustenta Waldirio
Bulgarelli. A questão parece simples, pois como bem esclarece Waldo Fazzio Júnior, ela tanto pode
ser classificada como sociedade de pessoas quando tenha sido constituída em função dos sócios,
como poderá ser classificada como sociedade de capital quando o ingresso dos sócios se justificar
em função da necessidade de dinheiro para sua formação.

22.4. Vantagens: é o tipo societário mais utilizado para constituição de empresas e isso se deve a
dois fatores essenciais:

a) efeitos patrimoniais: é o único tipo social com regras simples que permite o estabelecimento
empresarial com menor risco pessoal para os sócios em razão de definir responsabilidade limitada
para os sócios;
b) estrutura: permite o estabelecimento de empresas de qualquer porte sem o inconveniente
burocrático estrutural próprio das sociedades por ações ou estatutárias.
c) desvantagem: apesar das vantagens, em se tratando de sociedade limitada de grande porte, pede
a possibilidade de captação de recurso financeiro no mercado através do lançamento de debênture,
tão utilizado nos dias atuais.

22.5. Capital social: essa sociedade será formada pela soma do capital social integralizado por cada
sócio a partir de aquisição de cotas sociais, portanto, a forma representativa do capital social é a
cota social. Desta forma, o contrato constitutivo deverá indicar qual a participação de cada sócio, se
o capital é integralizado ou a integralizar e de que forma. As cotas servem ainda, para indicar o limite
da responsabilidade de cada sócio.

a) alteração do capital social: o capital social poderá ser aumentado ou diminuído após a
constituição da sociedade de acordo com a vontade dos sócios, devendo para tanto, ser levado a
registro o instrumento de alteração social.
b) direito de preferência: havendo a necessidade de aumento no capital social, a preferência pela
aquisição das novas cotas será dos sócios atuais da empresa que deverá ser exercitado no prazo de
30 (trinta) dias a partir da deliberação do aumento do capital social.
c) aquisição de cotas pela sociedade: a própria sociedade pode vir a adquirir cotas sociais, para isso,
necessário se faz que estas cotas estejam livres, que não haja interesse dos demais sócios na
aquisição, que haja autorização por deliberação unânime dos sócios, que haja capital livre e que não
constitua o capital social, e que haja previsão contratual.
d) sócio remisso: é o sócio que deixa de integralizar suas cotas sociais, seja integralmente ou
parcialmente. Para que se verifique a qualidade de sócio remisso é necessário a sua notificação
judicial para constituí-lo em mora, sujeitando-se as seguintes consequências:
d.1) exclusão: sendo ele constituído em mora poderá ser excluído da sociedade, com a possibilidade
de aquisição de suas cotas pelos demais sócios, transferência a terceiros ou aquisição pela própria
sociedade se houver reserva para tal, sendo-lhe pago os valores correspondentes deduzidos
eventuais prejuízos da sociedade;
d.2) cobrança: não tendo ele integralizado o capital, e não tendo os demais sócios optado pela
exclusão, poderão cobrá-lo através dos meios ordinários;
d.3) indenização: independentemente de sua saída, estará o sócio remisso sujeito a arcar com
indenização relativa aos prejuízos e eventuais lucros cessantes que tenha causado a sociedade. Cabe
ressaltar ainda, que a indenização poderá ser aplicada concomitantemente com qualquer outra
alternativa, haja vista que o ato de inadimplência gerará prejuízos a sociedade;
d.4) redução das cotas: poderão os sócios optarem ainda, por reduzir as cotas sociais do remisso
quando ele tiver integralizado parcialmente o capital social.
d.5) opção: bem sabemos que a opção por uma das alternativas anteriormente elencadas é dos
sócios, porém, para se evitar dificuldades na aplicação da sanção, correto é acrescer no contrato
social qual a consequência a que estará sujeito o sócio remisso.
e) cessão de cotas: a cessão de cotas sociais é o assunto dos mais nebulosos na doutrina, carecendo
de definição expressa e clara no Código Civil. Desta forma, a previsão contratual a respeito soluciona
qualquer conflito que a interpretação da norma tem causado, já que se torna prevalecente, na
omissão podemos interpretar o seguinte:
e.1) cessão a consócio: trata-se do ato de cessão das cotas a outro sócio e é possível
independentemente de aprovação do quadro societário;
e.2) cessão a terceiro: trata-se do ato de cessão das cotas a pessoa estranha ao quadro social da
empresa e é possível mediante anuência de maioria representada por ¾ do capital social. No
entanto, questiona-se esse quórum para as sociedades de pessoas, uma vez que só a unanimidade
respeitaria a affeccio societatis.
f) penhorabilidade de cotas: muito se discute sobre essa possibilidade, e para alguns doutrinadores
a penhorabilidade só seria possível se pudermos caracterizar tal sociedade como sendo de capital,
haja vista que neste modelo é possível a entrada de terceiro sem a necessidade prévia de aprovação
pelos demais sócios.
g) sucessão de cotas: considerando o falecimento de um dos sócios, deve ser observado o contrato
social quanto à sucessão, omisso o contrato estaremos diante de outro impasse sobre cotas caso
não haja acordo expresso entre os sócios remanescentes e os sucessores do sócio falecido.
g.1) sucessão de cotas minoritárias: sendo minoritário o sócio falecido, a solução será
exclusivamente dos demais sócios que poderão optar pela entrada de representante dos herdeiros
ou pela extinção das cotas;
g.2) sucessão de cotas majoritárias: sendo o falecido o acionista majoritário, a decisão será
exclusivamente dos herdeiros e sucessores.

22.6. Responsabilidade dos sócios: a responsabilidade dos sócios se limita ao capital social já
integralizado, porém, no tocante ao capital a integralizar, os sócios terão responsabilidade solidária.
Importante ressaltar que limitada é apenas a responsabilidade dos sócios, porém, a sociedade
possui responsabilidade ilimitada pelas obrigações sociais contraídas.

a) responsabilidade ilimitada: caso os sócios na constituição da sociedade declarem que a


responsabilidade individual dos sócios será ilimitada, será ela considerada em nome coletivo e não
mais limitada;
b) omissão: e no caso de omissão terão os sócios responsabilidade ilimitada, porém, subsidiaria;
c) responsabilidade mista: constando no contrato que alguns sócios terão responsabilidade
limitada e outros ilimitada, permanece o tipo social com a responsabilidade especificada em
contrato.
d) responsabilidade pessoal do sócio: o sócio que infringir a lei ou o contrato terá responsabilidade
ilimitada, resguardada a responsabilidade dos demais se provarem a divergência;
e) débitos fiscais: os administradores responderão pessoalmente pelas obrigações tributárias caso
haja inadimplemento por parte da sociedade durante a sua atividade, já na sua inatividade a
responsabilidade será solidária de todos os sócios; exceto no que diz respeito aos débitos
previdenciários que serão de responsabilidade solidária de todos os sócios a qualquer momento.

22.7. Alteração social: vimos que a sociedade limitada tem na sua simplicidade o atrativo por sua
opção, porém, várias regras estabeleceu o legislador para alteração do contrato social:

a) recesso: trata-se da possibilidade de se retirar que tem o sócio que não concorde com uma
determinada alteração social, retirar-se nos próximos 30 (trinta) dias de sua efetivação;
b) assembleia: é o órgão deliberativo de sociedade limitada composta por 10 (dez) ou mais sócios.
Poderá ser ordinária ou extraordinária, de forma que a ordinária deverá ocorrer no mínimo uma vez
por ano nos quatro meses subsequentes ao término do exercício social. Cabe ao administrador a
convocação da assembleia ordinária e, se não o fizer qualquer sócio poderá fazê-lo. Já a assembleia
extraordinária só poderá ser convocada por cotistas com no mino 1/5 do capital social. Para a sua
realização é necessário a presença em primeira convocação de no mínimo representantes de ¾ do
capital social e em segunda convocação com qualquer número;
c) reunião: é o órgão deliberativo de sociedade limitada que possua menos de 10 (dez) sócios;
d) deliberações: especificamos a seguir as principais deliberações e o quórum mínimo exigido para
a sua aprovação, lembrando que as deliberações geram responsabilidade ilimitada aos que
expressamente a aprovaram se infringirem a lei ou o que já estava em contrato:
d.1) aprovação de contas: maioria dos presentes;
d.2) administrador: nomeação, destituição ou remuneração do administrador exige maioria simples
do capital social;
d.3) conselho fiscal: nomeação, destituição ou remuneração do conselho fiscal exige a participação
de ¾ do capital social;
d.4) modificação do contrato social: a alteração do instrumento social exige ¾ do capital social;
d.5) incorporação, fusão ou dissolução da sociedade: exige ¾ do capital social;
d.6) concordata: maioria simples do capital social.

22.8. Administração da sociedade: a administração da sociedade poderá ser assumida por um ou


mais sócios, além da possibilidade de se admitir a figura de terceiro não sócio como administrador.

a) sócio ingressante: na hipótese de constar do contrato social que a sociedade será administrada
por todos os sócios, esta disposição não beneficiária o sócio que venha ingressar na sociedade
posteriormente por força do disposto no artigo 1060 do Código Civil.
b) administrador não sócio: para que a sociedade seja administrada por administrador não sócio,
necessário se faz que a indicação seja aprovada pela unanimidade de sócios no caso do capital não
estar totalmente integralizado e de 2/3 (dois terços) quando o capital já estiver totalmente
integralizado, da mesma forma se procede para sua destituição. É necessário ainda, a assinatura de
termo de posse no prazo de 30 (trinta) dias após a designação e sua respectiva averbação no registro
da empresa.
c) responsabilidade do administrador: o administrador responderá pelos excessos e pela má
administração que vier a cometer quando no desempenho do cargo solidariamente a sociedade,
consoante determina o artigo 1016 do Código Civil.
d) representação: o administrador não pode ser substituído no exercício de suas funções, porém,
poderá designar mandatários para atos isolados.
e) obrigações do administrador: se a lei fala em excessos, quais são então as obrigações do
administrador no desempenho da função:
e.1) exercício empresarial: realizar todos os atos necessários para o exercício da atividade descrita
no objeto social da empresa;
e.2) nome empresarial: fazer uso do nome empresarial em todos os atos negociais praticados por
ele em nome da empresa;
e.3) patrimônio social: zelar e administrar o patrimônio social;
e.4) quadro de empregados: fazer a gestão de recursos humanos contratando, advertindo,
suspendendo, promovendo e demitindo empregados;
e.5) balanço: promover anualmente balanço patrimonial e de resultados da empresa;
e.6) representação social: representar a sociedade em qualquer ato judicial ou extrajudicial, ou
fazer-se representar por mandatário;
e.7) capital social: cobrar o capital a integralizar dos sócios cuja obrigação tenha sido assumida no
instrumento social;
e.8) obrigações sociais: cumprir todas as obrigações sociais legalmente previstas;
e.9) prestação de contas: prestar contas de sua gestão aos sócios na forma prevista em contrato ou
na sua omissão na forma legal;
e.10) atos contrários: abster-se da prática de atos contrários aos interesses sociais.
22.9. Conselho Fiscal: é um órgão criado por mera liberalidade dos sócios, portanto, sem que haja
previsão legal que exige a sua constituição, nas sociedades limitadas que possuam no mínimo 10
(dez) sócios.

a) composição: deverá ser composto de no mínimo três membros, sócios ou não, além da
necessidade dos respectivos suplentes, todos devidamente submetidos e aprovados em assembleia.
b) impedimento: para o cargo de conselheiro fiscal será necessária a indicação de pessoa que não
se enquadre nos seguintes impedimentos:
b.1) impedimento legal: não estar impedida de exercer qualquer cargo administrativo;
b.2) ocupante de cargo na empresa: pessoa já ocupante de cargo na empresa, como por exemplo
de administrador;
b.3) empregados: pessoa que seja empregada da empresa ou dos respectivos administradores;
b.4) cônjuges ou parentes: pessoa que seja cônjuge ou parente até o terceiro grau de sócios ou
administradores da empresa.
c) sócios minoritários: tal categoria de sócios, que representem no mínimo 1/5 (um quinto) do
capital social, terão o direito de eleger separadamente um membro do conselho fiscal e seu
respectivo suplente.
d) obrigações do conselho:
d.1) exame contábil: proceder no mínimo há cada três meses o exame de toda documentação
contábil e comercial da empresa;
d.2) livro de atas: manter livro de atas para redução dos termos de exame contábil;
d.3) pareceres: apresentar a assembleia anual pareceres sobre os negócios da empresa;
d.4) denúncia: denunciar qualquer irregularidade que seja constatada no exercício empresarial;
d.5) convocar assembleia: convocar assembleia anual, caso a diretoria não o faça nos 30 (trinta)
dias após o respectivo prazo.

22.10. Exclusão de sócio: vimos anteriormente que um sócio poderá ser excluído da sociedade caso
não integralize o capital social, além disso, poderá ocorrer a exclusão nos seguintes casos:

a) justa causa: consiste na hipótese em que o sócio esteja colocando em risco a continuidade regular
da empresa pela prática de atos de indiscutível gravidade, para tanto, deverá haver prévia
estipulação no contrato social, bem como a deliberação por maioria dos sócios (capital social), além
de prévia oportunidade de defesa.
b) execução: será considerado excluído o sócio que tiver suas cotas liquidadas em execução judicial.

22.11. Retirada da sociedade: qualquer sócio pode retirar-se de sociedade limitada constituída com
prazo indeterminado desde que notifique os demais sócios com antecedência mínima de 60
(sessenta) dias. Os remanescentes terão então 30 (trinta) dias para decidir pela dissolução da
sociedade com o rateio do patrimônio proporcionalmente às cotas de cada um, ou poderão manter
a sociedade, quando então terão que ressarcir o sócio retirante através da aquisição das cotas ou
de transferência para terceiro. No entanto, se a sociedade foi constituída com prazo determinado,
o sócio só poderá retirar-se antes de seu fim se provar judicialmente justa causa para o ato.

23. Sociedade Anônima

23.1. Conceito: trata-se do tipo social criado por capital social dividido em ações, também
denominada na doutrina como companhia.

23.2. Previsão legal: Lei nº 6.404/76 e Lei nº 10.303/2001


23.3. Ação: é a mínima parte divisível representativa do capital social de uma sociedade anônima.
São consideradas segundo a lei como bens móveis, portanto, estão sujeitas a penhora. Classificam-
se em ordinárias e preferenciais.

a) ordinária: ação que concede ao titular direitos comuns de sócios, como:


a.1) Fiscalizar: tem o direito de fiscalizar a administração da sociedade;
a.2) Lucros: tem direito de receber dividendos maiores que direitos patrimoniais;
a.3) Haveres: na qualidade de proprietários da empresa, tem direito a apuração patrimonial e
eventual participação em caso de liquidação.
a.4) opinar: toda sociedade anônima deve manter mecanismos para que os sócios opinem na
administração da sociedade;
a.5) voto: votar, manifestar sua vontade;
a.6) proporção: a atual legislação exige que pelo menos 50% (cinquenta por cento) das ações
possuam direito a voto;
a.7) acionista majoritário: será considerado majoritário o acionista que possuir 50% (cinquenta por
cento) mais uma ação ordinária.
b) preferencial: concede uma preferência ao sócio, porém, excluem outros direitos, tais como,
direito a voto. Em compensação, possuem outros direitos previstos no artigo 17 da lei 6.404/76:
b.1) dividendos: possuem prioridade na distribuição dos dividendos;
b.2) reembolso de capital: possuem prioridade no reembolso de capital na hipótese de redução do
capital social ou de liquidação da sociedade;

23.4. Forma das ações: as ações podem ser nominativas ou escriturais.

a) ação nominativa: aparece o nome do titular na cártula e são registradas no livro de registro de
ações da empresa. Não se transfere por endosso, deve-se emitir nova cártula em nome do novo
acionista;
b) ações escriturais: não estão instrumentalizadas em um documento ou cártula, constam apenas
da escrituração da instituição financeira que estão autorizadas a negociá-las.

23.5. Valor das ações: o valor das ações é de grande significado para as companhias, pois da sua
apuração total é que se verifica o montante do capital social, e pode ser:

a) valor de emissão: é o valor representativo da ação quando de seu lançamento;


b) valor de mercado: é o valor das ações segundo cotação das bolsas de valores, o que só é possível
em companhias de capital aberto;
c) valor patrimonial: normalmente utilizado nos processos de liquidação da sociedade, é apurado a
partir do valor patrimonial da empresa dividido pelo número de ações existentes.

23.6. Direitos e deveres dos acionistas: os acionistas como membros necessários de constituição
do quadro social da companhia possuem os seguintes direitos e deveres:

a) pagar o preço de emissão das ações: o acionista que se encontrar em mora com esse dever é
chamado de acionista remisso, sujeito a duas sanções simultâneas, cobrança judicial e venda das
ações do remisso em Bolsa (quando recair sobre SA fechada será feito leilão em separado);
b) participar dos resultados sociais: as sociedades anônimas são obrigadas a pagar os dividendos
relativos aos resultados sociais;
c) fiscalizar a administração da sociedade: todo sócio tem o dever e o direito de fiscalizar a
administração da sociedade;
d) direito de preferência: sempre que houver deliberação pelo aumento do capital social da
companhia, o direito de aquisição (subscrição) recairá sobre os sócios já pertencentes ao quadro
social;
e) direito de retirada: quando a assembleia geral adotar certas deliberações cujo acionista discorde,
pode ele (direito de dissidência ou de recesso) ter reembolso do capital subscrito em ações;
f) direito de voto: (art. 115 LSA) o acionista deve exercer o direito a voto no interesse da companhia;
considerando-se abusivo o voto exercido com o fim de causar dano à companhia ou a outros
acionistas, ou de obter, para si ou para outrem, vantagem a que não faz jus e de que resulte, ou
possa resultar, prejuízo para a companhia ou para outros acionistas.

23.7. Ação de gozo ou fruição: são chamadas inadequadamente de ações, porque elas não
representam parcela do capital social, apenas conferem direitos ao seu possuidor que devem ser
especificados no próprio título, como por exemplo, o de pode votar, o de fiscalizar, de participar nos
lucros. É o caso de sócio majoritário que resolve sair da sociedade e continua no conselho da
empresa.

23.8. Responsabilidade dos sócios: será limitada ao valor de emissão das ações subscritas. Neste
tipo social o sócio só responde pelo que integralizou em dinheiro através de aquisição de ações.
Portanto, não existe a solidariedade entre os sócios.

23.9. Objeto social: qualquer que seja o objeto social será sempre mercantil, isto é, mesmo que não
se verifique os elementos de empresa, jamais poderá ser configurada como sociedade simples.

23.10. Nome empresarial: denominação acompanhada da expressão Sociedade Anônima ou


abreviadamente (S/A), ou ainda Companhia ou abreviadamente (Cia.) que deverá constar no início
ou no meio da denominação, nunca podendo figurar ao final.

23.11. Classificação quanto a sua formação: será sempre uma sociedade de capital, haja vista que
não se verifica em sua constituição a presença do elemento “affectio societatis”, pois o que importa
é o capital que as pessoas fornecem para a formação da sociedade.

23.12. Constituição: a Sociedade Anônima é sociedade institucional e não contratual, logo, a sua
constituição se dá através de estatuto social elaborado pelos sócios fundadores sendo que os
demais sócios vão se filiar ao estatuto.

23.13. Classificação quanto ao capital: as sociedades anônimas se classificam em sociedades


abertas ou fechadas.

a) aberta: é aquela que tem seus títulos registrados na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Podem negociar de forma pública suas ações e debêntures no pregão da bolsa de valores ou no
mercado de balcão das corretoras de valores mobiliários. São oferecidas ao público em geral, forma
impessoal. Qualquer pessoa pode comprar ações.
b) fechada: a negociação de seus títulos se dá de forma personalizada, fechada. A venda das ações
e debêntures dessa sociedade não é negociada de forma pública, sendo que seus papéis são
negociados entre os próprios sócios ou com pessoas autorizadas pela assembleia.

23.14. Debênture: diferente de ação, representam as debêntures dívidas efetivas da Companhia,


para com os debenturistas. Explicitam títulos de dívida privada com prazo de resgate máximo de 7
(sete) anos embutido de promessa de resgate com valor ou % (percentual) pré-fixado. São emitidas
em razão de empréstimo feito pela S/A perante o público em geral que, sendo aberta, poderá
ofertar essas debêntures em mercado público. As debêntures podem ofertar ou não garantia aos
seus titulares, ficando disciplinadas quanto à garantia da seguinte forma:

a) garantia real: recebem garantia em imóveis de propriedade da companhia;


b) garantia flutuante: seus detentores possuem privilégio geral em caso de falência;
c) subordinada: também denominada de subquirografária, possuem preferência em eventual
processo falimentar da companhia, com direito a recebimento antes dos quirografários;
d) quirografárias: não tem garantia.

23.15. Comercial paper: também denominado de Notas Promissórias, é o valor mobiliário destinado
à captação de recursos para resgate a curto ou médio prazo. Tem a mesma estrutura econômica da
debênture, com a diferença no tamanho da operação, visto que a debênture tem prazo de 7 anos
enquanto que as NPs vencem em no mínimo 30 dias e no máximo 180 dias. Fora desse prazo, a NP
torna-se do direito cambiário e não poderá mais ser negociada na Bolsa de Valores.

23.16. Partes Beneficiárias: são títulos emitidos pela companhia de capital fechado sem valor
nominal e estranhos ao capital social da empresa, com promessa de remuneração com base no lucro
anual verificado, é uma forma para que terceira pessoa que não seja acionista participe nos lucros.
Normalmente se utiliza esse instrumento para remunerar diretores não sócios de forma a estimulá-los
no aumento do lucro da companhia.

23.17. Bônus de subscrição: são títulos que concedem a seus titulares o direito de preferência na
subscrição de novas ações a serem emitidas por autorização no aumento do capital social da
companhia.

23.18. Órgãos decisórios das sociedades anônimas: as companhias possuem três ou quatro órgãos
decisórios (depende da forma do capital), a saber:

a) assembleia: é o principal órgão decisório da companhia, porém, possui apenas função


deliberativa sobre assuntos de interesse da sociedade, ou seja, não possuem poder para administrar
a companhia;
a.1) assembleia geral ordinária: também denominada de assembleia comum, obrigatoriamente
deve ocorrer todos os anos nos primeiros quatro meses de cada ano, isto é, após o encerramento
do exercício financeiro em 31/12 de cada ano. São tratados assuntos comuns e corriqueiros da
sociedade, obedecendo rigorosamente os temas previstos no rol do artigo 132 da Lei 6.404/76, que
é taxativo;
a.2) assembleia geral extraordinária: poderá tratar de qualquer matéria que não estiver no rol
taxativo do artigo 132;
a.3) convocação (art. 124 da Lei das S/A): a convocação far-se-á mediante anúncio publicado por 3
(três) vezes, no mínimo em jornais de grande circulação, contendo, além do local, data e hora da
assembleia, a ordem do dia, e, no caso de reforma do estatuto, a indicação da matéria;
a.3.1) S/A fechada: 08 dias de antecedência da publicação do primeiro anúncio e 05 dias de
antecedência da segunda convocação (8/5);
a.3.2) S/A aberta – 15 dias de antecedência da publicação do primeiro anúncio e 08 dias de
antecedência da segunda convocação (15/8).
a.4) quórum para deliberação: maioria simples, dos presentes, com exceção do disposto no Artigo
136 (I a X), que exige maioria qualificada (½ + 1).
b) conselho de administração (arts. 140 a 142 da Lei das S/As): este conselho é facultativo para as
companhias de capital fechado, e a exemplo da assembleia só possuem função deliberativa. Tem
por função estratificar decisões deliberadas pelas assembleias. Deve ser composto exclusivamente
por acionistas com mandato máximo de 3 (três) anos, eleitos em assembleia geral ordinária e
podendo ser reeleitos;
c) diretoria (arts. 143 a 160 da Lei das S/As): trata-se do órgão com função executiva, ou seja, o de
administrar a companhia. É composta de no mínimo de dois membros, não possuindo número
máximo que podem ser eleitos ou destituídos pela assembleia geral ou pelo Conselho de
Administração e não precisam ser necessariamente sócios. Possuem deveres específicos previstos
em lei:
c.1) dever de diligência: o administrador da companhia deve empregar, no exercício de suas
funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração
dos seus próprios negócios;
c.2) dever de lealdade: O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva
sobre os seus negócios;
c.3) dever de informar: o administrador de companhia aberta deve declarar, ao firmar o termo de
posse, o número de ações, bônus de subscrição, opções de compra de ações e debêntures
conversíveis em ações, de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo,
de que seja titular.
d) conselho fiscal: é o órgão que tem como responsabilidade exclusiva à fiscalização da empresa,
não podendo deliberar e nem executar atos de administração. Colegiado composto de no mínimo
3 e no máximo 5 membros (pelo menos 1 deve ser eleito pelos minoritários) e tem a função de
fiscalizar os atos dos administradores. É um órgão obrigatório, porém, é facultativa a sua instalação,
isto é, facultativo o seu funcionamento. Qualquer acionista pode pedir a instalação do Conselho
Fiscal.

23.19. Responsabilidade pessoal dos administradores: o administrador responderá pessoalmente


pelos atos praticados que extrapolem suas atribuições ou poderes, seja com culpa ou dolo, violando
lei ou o estatuto.

23.20. Extinção: a sociedade anônima poderá ser dissolvida em uma das seguintes hipóteses:

a) de pleno direito:
a.1) término: quando expirar o seu prazo de duração previsto em estatuto;
a.2) previsão estatutária: quando ocorrer hipótese prevista em estatuto, exemplo: término de uma
determinada atividade;
a.3) por deliberação: por decisão da assembleia geral;
a.4) singularidade de sócio: quando por razões diversas permanecer apenas um sócio, a lei faculta
o seu exercício pelo período de um ano para o ingresso de pelo menos um sócio, sendo que após
esse prazo ocorrerá a sua extinção;
a.5) falta de autorização: em se tratando de atividade que exija autorização para funcionamento, a
cassação da autorização implica na extinção da sociedade;
b) por decisão judicial:
b.1) anulação da constituição: quando ocorrer a anulação judicial dos atos constitutivos por decisão
judicial proposta por qualquer acionista;
b.2) falência: quando tiver sua falência decretada em regular processo falimentar;
c) por decisão administrativa: nos casos das companhias não sujeitas à falência como as instituições
financeiras e as seguradoras.

23.21. Liquidação: ocorrendo qualquer uma das hipóteses de extinção da companhia,


obrigatoriamente se fará a sua liquidação que consiste no ato de apurar e cumprir seus haveres e
distribuir o saldo patrimonial remanescente proporcionalmente entre seus sócios.
23.22. Transformação, incorporação, fusão e cisão: os procedimentos de reorganização das
empresas que envolverem pelo menos uma sociedade anônima devem atender às disciplinas da
LSA. Não havendo nenhuma sociedade dessa natureza a disciplina é do direito civil (arts. 1113 a
1122). Mas o Direito Civil não trouxe inovações nesse item pois importou da legislação vigente (LSA)
o que tange à matéria.

a) transformação: é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e


liquidação, de um tipo social para outro. A transformação obedecerá aos preceitos que regulam a
constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade. Portanto, a transformação não
extingue a sociedade, mas apenas lhe altera o tipo. Exemplo: Empresa X S/A transformada para
Empresa X Ltda;
b) incorporação: é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes
sucede em todos os direitos e obrigações. Quando uma sociedade engloba a outra. A sociedade
incorporadora sucederá em todos os direitos e obrigações a sociedade incorporada. Exemplo:
Sociedade X S/A incorpora a sociedade Y Ltda, permanecendo todos os negócios em nome da
sociedade X S/A;
c) fusão: é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que
lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. Exemplo: Sociedade A se funde com a Sociedade
B, constituindo a Sociedade C. A Sociedade C sucederá no todo as outras;
d) cisão: é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou
mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a companhia cindida,
se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão;
e) intervenção do CADE: os atos de fusão, incorporação ou cisão precisam de aprovação do CADE –
Conselho Administrativo de Defesa Econômica, porque reduzem a concorrência do mercado
interno.
f) direito do acionista: na fusão, cisão e incorporação, o acionista tem direito de recesso, e a
sociedade paga lhe o que é devido;

24. Sociedade em Comandita por Ações

24.1. Conceito: trata-se do tipo societário criada por estatuto cujo capital social é integralizado
através da venda de ações, porém, embora tenha a mesma forma de constituição das sociedades
anônimas, este tipo social compreende negócio de grupos fechados de pessoas.

24.2. Previsão legal: artigos 1090 a 1161 do Código Civil

24.3. Sócios: os sócios se agrupam em sócios comanditados e sócios comanditários.

a) sócios comanditados: sócios que podem ser nomeados diretores da sociedade;


b) sócios comanditários: são sócios participantes, que integram o quadro social para contribuir com
a formação do capital social necessário a criação da sociedade.

24.4. Administração da sociedade: é afeta exclusivamente aos acionistas que respondem na


qualidade de diretores. Esses diretores são nomeados no ato constitutivo da sociedade e não
possuem limitação de tempo para o exercício do cargo. Para a destituição se faz necessária à
deliberação por acionistas que possuam no mínimo 2/3 do capital social.

24.5. Nome empresarial: nome escolhido (denominação) ou nome pessoal dos sócios diretores,
acompanhado da expressão “sociedade em comandita por ações” ou da sigla CA.
24.6. Responsabilidade dos sócios: os sócios diretores têm responsabilidade ilimitada e subsidiaria,
e os demais acionistas respondem apenas limitadamente ao capital integralizado. Caso haja mais de
um diretor eles serão solidários entre si.

24.7. Deliberações sociais: a assembleia geral não pode, sem o consentimento dos diretores, mudar
o objeto essencial da sociedade, prorrogar-lhe o prazo de duração, aumentar ou diminuir o capital
social, criar debêntures, ou partes beneficiárias.

25. Transformação Societária

25.1. Conceito: transformação societária consiste na reorganização societária que se traduz na


modificação do tipo social ou na própria estrutura da sociedade. Tal disciplina encontra-se
genericamente regulada no Código Civil (artigos 1113 a 1122), no entanto, no que tange às sociedades
por ações prevalece os dispositivos de lei especial (Lei nº 6.404/76). As hipóteses de transformação
societária implicam em transformação propriamente dita, incorporação, fusão e cisão.

25.2. Transformação: é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução


e liquidação, de um tipo social para outro. A transformação obedecerá aos preceitos que regulam a
constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade. Portanto, a transformação não
extingue a sociedade, mas apenas lhe altera o tipo. Exemplo: Empresa X S/A transformada para
Empresa X Ltda. Como a transformação implica em mudança radical em relação à estrutura da
sociedade, haja vista que deixa de considerar uma estrutura já existente na qual era balizada a sua
operacionalização para se nortear por uma nova estrutura jurídica necessário será a observação de
certos requisitos:

a) decisão dos sócios: no que tange a vontade dos sócios, a transformação exige decisão unânime,
exceto nos casos em que o próprio ato constitutivo tenha dispensado essa condição, quando então
será decidido com o quórum previsto no próprio ou instrumento, ou na omissão será deliberado
com quórum privilegiado de ¾ (três quartos) representativos do capital social. Em se tratando de
sociedade por ações, o quórum a ser observado é composto apenas por capital votante;
b) Sociedade em Nome Coletivo e em Comandita Simples: por serem sociedades em que o nome
e a responsabilidade podem recair diretamente sobre a pessoa dos sócios, a transformação
dependerá exclusivamente de decisão unânime;
c) direito de recesso: em qualquer hipótese, não concordando o sócio com a transformação
proposta, poderá ele retirar-se da sociedade mediante direito de recesso, sendo-lhe assegurado o
reembolso de seus haveres.
d) direito dos credores: como o ato de transformação pode implicar em redução da
responsabilidade pessoal dos sócios, em nenhuma hipótese a alteração prevalecerá para prejudicar
interesse dos credores por direitos adquiridos antes do ato de transformação até que a obrigação
esteja integralmente cumprida, portanto, somente os créditos surgidos após a transformação
societária é que se submeterão as novas regras sociais.
e) falência: da mesma forma que pertine aos credores, como é a falência um concurso de credores,
observar-se-á a regra anteriormente explicitada.
f) registro: tal ato só gerará efeitos a partir de seu registro no órgão competente.

25.3. Incorporação: é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que
lhes sucede em todos os direitos e obrigações. A sociedade incorporadora sucederá em todos os
direitos e obrigações a sociedade incorporada. Exemplo: Sociedade X S/A incorpora a sociedade Y
Ltda, permanecendo todos os negócios em nome da sociedade X S/A. Desse ato, algumas
características lhe são próprias:
a) sociedade incorporadora: trata-se de uma sociedade já existente, que assumirá todos os direitos
e obrigações das demais sociedades incorporadas, extinguindo-as. Dessa forma, não surge uma nova
sociedade, apenas permanecem os negócios girando em torno da incorporadora que já existia quando
da realização do negócio jurídico.
b) decisão dos sócios: para que ocorra a incorporação, necessário que haja aprovação nos seus
respectivos quadros societários, tanto da incorporadora, quanto da incorporada. A forma de decisão
é a mesma da transformação, ou seja, em regra a decisão deve ser tomada por unanimidade, exceto
na hipótese de expressa previsão do ato constitutivo dispensando tal exigência, quando então
considerar-se-á o quórum previsto no próprio instrumento, ou na sua ausência, quórum representativo
de ¾ (três quartos) do capital social. Em razão disso, se verifica que o ato constitutivo da incorporada
não sofrerá alteração, necessitando-se apenas alteração dos atos constitutivos da incorporadora. Nesse
sentido, é que o constante do caput do artigo 1117 do Código Civil merece reparo, haja vista que onde
consta “A deliberação dos sócios da sociedade incorporada deverá aprovar as bases da operação e
o projeto de reforma do ato constitutivo” correto seria dizer “A deliberação dos sócios da sociedade
incorporada deverá aprovar as bases da operação e da incorporadora também o projeto de reforma
do ato constitutivo”.
c) registro: o ato só surtirá efeito a partir do respectivo assentamento de registro em cada uma das
sociedades até então existentes, quando então se providenciará a baixa da incorporada com a
indicação de que as obrigações e direitos foram sucedidos pela incorporadora.
d) direito de recesso: em qualquer hipótese, não concordando o sócio com a incorporação proposta,
poderá ele retirar-se da sociedade mediante direito de recesso, sendo-lhe assegurado o reembolso de
seus haveres.
e) direito dos credores: como o ato de incorporação pode implicar em redução da responsabilidade
pessoal dos sócios da sociedade incorporada, em nenhuma hipótese a alteração prevalecerá para
prejudicar interesse dos credores por direitos adquiridos antes do ato de incorporação até que a
obrigação esteja integralmente cumprida, portanto, somente os créditos surgidos após a incorporação
societária é que se submeterão as novas regras sociais.
f) falência: da mesma forma que pertine aos credores, como é a falência um concurso de credores,
observar-se-á a regra anteriormente explicitada.

25.4 Fusão: é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova,
que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. Exemplo: Sociedade A se funde com a Sociedade
B, constituindo a Sociedade C. A Sociedade C sucederá no todo as outras.

a) nova sociedade: trata-se da criação de uma nova sociedade que porá fim à existência das duas ou
mais até então existentes, sucedendo-as em direitos e obrigações.
b) decisão dos sócios: para que ocorra a fusão, necessário que haja aprovação nos seus respectivos
quadros societários das sociedades envolvidas na operação. A forma de decisão é a mesma da
transformação, ou seja, em regra a decisão deve ser tomada por unanimidade, exceto na hipótese de
expressa previsão do ato constitutivo dispensando tal exigência, quando então considerar-se-á o
quórum previsto no próprio instrumento, ou na sua ausência, quórum representativo de ¾ (três
quartos) do capital social. Em razão disso, se verifica que o ato constitutivo das fundidas não sofrerão
alteração, necessitando-se apenas de criação do ato constitutivo da sucessora.
c) registro: o ato só surtirá efeito a partir do respectivo assentamento de registro em cada uma das
sociedades até então existentes, bem como do registro da nova sociedade criada, quando então se
providenciará a baixa das sucedidas com a indicação de que as obrigações e direitos foram sucedidos
pela sucessora.
d) direito de recesso: em qualquer hipótese, não concordando o sócio com a fusão proposta, poderá
ele retirar-se da sociedade mediante direito de recesso, sendo-lhe assegurado o reembolso de seus
haveres.
e) direito dos credores: como o ato de fusão pode implicar em redução da responsabilidade pessoal
dos sócios em vista da criação de nova sociedade que poderá por sua vez ter regras diferenciadas, em
nenhuma hipótese a alteração prevalecerá para prejudicar interesse dos credores por direitos
adquiridos antes do ato de fusão até que a obrigação esteja integralmente cumprida, portanto, somente
os créditos surgidos após a fusão societária é que se submeterão as novas regras sociais.
e) falência: da mesma forma que pertine aos credores, como é a falência um concurso de credores,
observar-se-á a regra anteriormente explicitada.

25.5. Cisão: é a operação pela qual a empresa transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais
sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a empresa cindida, se houver
versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão.

a) cisão total: decorre da transferência total do patrimônio da sociedade cindida, o que implicará em
sua extinção, tornando-se a sucessora integralmente responsável pelas obrigações contraídas
anteriormente ao ato.
b) cisão parcial: decorre da transferência parcial do patrimônio da sociedade cindida, o que implicará
em sua permanência com patrimônio reduzido. Assim sendo, para este ato deverá ocorrer anuência
expressa dos credores em relação ao ato, já que a redução patrimonial implica na redução de garantias
das obrigações anteriormente contraídas.
c) direito dos credores: de forma a se resguardar o direito dos credores, independentemente da cisão
total ou parcial, o ato de alienação torna os sucessores proporcionalmente solidários aos devedores
principais nas obrigações contraídas até a data do ato de cisão.
d) decisão dos sócios: para que ocorra a cisão, necessário que haja aprovação nos seus respectivos
quadros societários das sociedades envolvidas na operação. A forma de decisão é a mesma da
transformação, ou seja, em regra a decisão deve ser tomada por unanimidade, exceto na hipótese de
expressa previsão do ato constitutivo dispensando tal exigência, quando então considerar-se-á o
quórum previsto no próprio instrumento, ou na sua ausência, quórum representativo de ¾ (três
quartos) do capital social.
e) registro: o ato só surtirá efeito a partir do respectivo assentamento de registro em cada uma das
sociedades até então existentes, bem como do registro da nova sociedade criada quando for o caso,
quando então se providenciará a baixa da sociedade cindida quando se tratar de cisão total com a
indicação de que as obrigações e direitos foram sucedidos pela sucessora.
f) direito de recesso: em qualquer hipótese, não concordando o sócio com a cisão proposta, poderá
ele retirar-se da sociedade mediante direito de recesso, sendo-lhe assegurado o reembolso de seus
haveres.

25.6. Intervenção do CADE: os atos de fusão, incorporação ou cisão precisam de aprovação do


CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica, porque podem promover a concentração de
mercado, prejudicando interesses difusos e coletivos, demandando necessidade de intervenção
estatal.

a) livre iniciativa: o artigo 170 da Constituição Federal prega a livre iniciativa no mercado
econômico. Tal princípio nasceu a partir do liberalismo econômico e ganhou força com a política
neoliberalista que reduziu extremamente a intervenção estatal.
b) livre concorrência: apesar da política econômica ter sinalizado para a redução da intervenção
estatal, o mesmo dispositivo anteriormente citado determina que a livre iniciativa tem como
condicionantes entre outras: a livre concorrência e a defesa do consumidor.
c) concentração de mercado: sabe-se que a concentração forçada de mercado surge da ideia de
viabilizar o exercício do poder econômico dominante de forma a ditar as regras econômicas.
d) infração da ordem econômica: considera-se infração a ordem econômica qualquer ato que venha
a prejudicar interesses coletivos e difusos na cadeia de relação de consumo, direta ou indiretamente,
sendo, portanto, um ilícito cometido contra o Estado. Tal prática sujeita o seu infrator a pena de
restrição de direitos, a pena pecuniária através de multas e a possibilidade de indenização a todos os
lesados com a prática ilícita. Portanto, nos atos de transformação societária, necessário é a apreciação
do CADÊ antes da conclusão do ato jurídico para que não se constitua tal ato em ilícito da ordem
econômica. O seu descumprimento, além da possibilidade radical de extinção das empresas
envolvidas pode gerar ainda:
d.1) multas para empresas: o CADE pode aplicar multas que variam de 1 a 30% do faturamento da
empresa;
d.2) multas para administradores: multas de até 50% das aplicadas a empresa quando se verificar
o dolo por parte do administrador;
d.3) restrição de direitos: o CADE pode vetar a assinatura de contratos com bancos oficiais e vetar
a participação em licitações públicas.
d.4) licença compulsória de patente: recomendar ao INPI a licença compulsória da patente de
determinado produto.

26. Dissolução das Sociedades

26.1. Conceito: trata-se do processo de extinção da sociedade que poderá ocorrer através de uma das
formas previstas no artigo 1033 do Código Civil.

26.2. Espécies: as sociedades poderão se dissolver:

a) caducidade: trata-se do encerramento da sociedade em virtude da expiração de seu prazo de


vencimento, o que só pode ocorre nas sociedades que tenham sido criadas por prazo determinado;
b) deliberação dos sócios: a sociedade pode se dissolver por vontade dos sócios, quando então
realizarão um processo de liquidação para apurar os haveres e direitos patrimoniais de cada sócio.
Esse processo de liquidação poderá ser extrajudicial quando houver consenso entre os sócios ou
judicial na hipótese de litígio no que concerne à liquidação;
c) singularidade no quadro social: já vimos anteriormente que o regime adotado pelo direito
brasileiro é o de pluralidade de sócios, sendo que, caso ocorra à singularidade do quadro social, terá
o sócio remanescente o prazo de 180 (cento e oitenta) dias para recomposição, caso contrário, extinta
estará a sociedade;
d) falta de autorização legal: em se tratando de sociedade que se exija autorização legal para
funcionamento, verificado o descumprimento, ou cassada a autorização, extinta estará à sociedade;
e) determinação judicial: poderá ocorrer a extinção da sociedade por determinação judicial em duas
hipóteses:
e.1) ação de dissolução: movida por um dos sócios e que culmine com a fim da sociedade, seja por
acordo nos autos ou por sentença transitada em julgado;
e.2) falência: será extinta quando transitar em julgado a sentença declaratória prolatada nos autos da
falência da sociedade.

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