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11/02/2021 Evicção Significado (Direito Civil) O Que é | + Doutrina

Evicção Significado no Código Civil CC


Compreenda o significado de evicção no direito civil. CC art 450
Em: 03/12/2019 | Por: Alberto Bezerra

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1 – O que é evicção

Evicção, expressão originária do latim evictio, de evencere (evencer, desapossar


judicialmente), significando o ato, judicial ou administrativo, que provoca a perda
da propriedade ou da posse do adquirente.

No ponto, o professor Flávio Tartuce traz interessante definição, verbis:

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A evicção pode ser conceituada como sendo a perda da coisa diante


de uma decisão judicial ou de um ato administrativo que a atribui a
um terceiro. Quanto aos efeitos da perda, a evicção pode ser total ou
parcial. A matéria está tratada entre os arts. 447 a 457 do atual
Código Civil.
De toda a sorte, é interessante deixar claro que o conceito clássico de
evicção é que ela decorre de uma sentença judicial. Entretanto, o
Superior Tribunal de Justiça tem entendido que a evicção pode estar
presente em casos de apreensão administrativa. (TARTUCE, Flávio.
Direito Civil - Vol. 3 - Teoria Geral dos Contratos e Contratos em
Espécie. 8ª Ed. São Paulo: Método, 2013)

Aquele que sofre a evicção, nomina-se de evicto; o terceiro, que tem reconhecido
o direito sobre a coisa, denomina-se evictor.

Quanto à evicção, decorrente de ato administrativo, urge trazer à colação o


seguinte julgado:

JUIZADO ESPECIAL. CIVIL. CONTRATO DE COMPRA E VENDADE


VEÍCULO. CONSTRIÇÃO JUDICIAL SOBRE O BEM APÓS O
NEGÓCIO JURÍDICO. EVICÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. EXTINÇÃO DO PROCESSO
SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. SENTENÇA MANTIDA.
1. Recurso inominado aviado em face da sentença que extinguiu o processo,
sem resolução de mérito, ante a inadequação da via processual eleita (ausência
de interesse), eis não ter havido a perda da propriedade do veículo, o que não
configura evicção. 2. No caso concreto, as partes celebraram, na data de
08/02/2017, Contrato de Troca com Troco (ID 11349849), em que a
ré/recorrida adquiriu o veículo Fiat Siena, recebendo a devolução do valor
correspondente a R$ 4.213,36, e entregando à parte autora/ recorrente o
veículo GM Captiva que então possuía. Nada obstante, no dia 03/08/2017, em
transação comercial posterior, a autora/recorrente não conseguiu realizar a
transferência do veículo GM Captiva a terceiro, em virtude de constrição
judicial (RENAJUD), imposta nos autos do processo n. 0023274-
56.2013.4.01.3400, em trâmite na 18ª Vara Federal do TRF da 1ª Região. 3. A
evicção é a perda, total ou parcial, do bem por decisão judicial ou
administrativa, em razão de causa preexistente ao contrato. Na espécie, ainda
que tenha havido contrição judicial sobre o bem, que, aliás, foi posterior ao
negócio jurídico originário, não houve sua perda, continuando sob o domínio
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da autora/recorrente, revelando a ausência de interesse de agir para a


presente demanda, dada a inadequação da via processual eleita, não restando
configurado o fenômeno da evicção, no caso concreto ora sob exame. Com
efeito, tal qual assentado em sentença, a medida judicial adequada para o
desembaraço do bem seriam os embargos de terceiro. A propósito, a
jurisprudência do eg. Tribunal de Justiça do Distrito Federal perfilha-se nesse
sentido: (...) para a configuração da evicção, dentre outros requisitos, é
necessária a perda total ou parcial da propriedade, posse ou uso da coisa
alienada, o que não ocorreu, sendo insuficiente para caracterizá-la a restrição
judicial inserida no cadastro do veículo. (Acórdão 705027,
20110510034842APC, Relator: VERA ANDRIGHI, 6ª Turma Cível, data de
julgamento: 14/8/2013, publicado no DJE: 27/8/2013. Negritado). (...) 4. O
interesse de agir é condição da ação consubstanciada tanto pela necessidade
do ingresso em juízo, para a obtenção do bem de vida visado, como pela
utilidade do provimento jurisdicional invocado, ou seja, relaciona-se com a
necessidade da providência jurisdicional solicitada e na utilidade que o
provimento poderá proporcionar ao autor, de forma que, ajuizada ação de
evicção de bem imóvel, e aferido que inexiste evicção, é correta sentença que
extingue o processo por carência de ação. 5. A evicção consiste na perda
parcial ou integral da posse ou da propriedade do bem, via de regra, em
virtude de decisão judicial que atribui o uso, a posse ou a propriedade a
outrem, em decorrência de motivo jurídico anterior ao contrato de aquisição.
6. Apesar de o direito de demandar pela evicção não exigir a perda da coisa por
sentença judicial, podendo decorrer também de ato administrativo, certo é que
exige a perda da posse ou da propriedade do bem, o que não se afere quando
pesa sobre o automóvel alienado penhora cuja subsistência ainda pende de
resolução em sede de embargos de terceiro. (...). (Acórdão 842878,
20130610125569APC, Relator: ALFEU MACHADO, Revisor: FÁTIMA Rafael,
3ª TURMA CÍVEL, data de julgamento: 21/1/2015, publicado no DJE:
28/1/2015. Pág. : 188). 4. Outrossim, na lição de Nelson ROSENVALD, É
fundamental a constatação da anterioridade do direito do terceiro, sob pena de
o adquirente assumir todos os prejuízos consequentes à perda da coisa cujo
fato gerador seja posterior a sua aquisição (Código Civil Comentado, Editora
Manole, 7ª edição, pág. 501). Conforme bem esclarecido na sentença
recorrida, a restrição judicial sobre o bem objeto do negócio jurídico
entabulado entre as partes, somente se verificou vários meses após a
celebração deste, não havendo falar-se, portanto, em direito preexistente de
terceiro estranho à lide, inclusive porque o bem poderia ter sido transferido
para o recorrente bem antes de operar-se a restrição. 5. Escorreita a sentença
de extinção do processo, sem resolução de mérito, à míngua de interesse
processual, nos termos do art. 485, VI, do CPC, vez que não foram reunidos os
elementos para a caracterização da evicção. 6. RECURSO CONHECIDO e NÃO
PROVIDO. Sentença mantida, por seus próprios fundamentos. Condeno a
parte recorrente ao pagamento de custas processuais e honorários
advocatícios, estes fixados em 10% sobre o valor da causa, a teor do art. 55 da
Lei nº 9.099/95. 7. A ementa servirá de acórdão, conforme art. 46 da Lei n.
9.099/95. (TJDF; RInom 0700310-02.2019.8.07.0010; Primeira Turma
Recursal dos Juizados Especiais; Rel. Juiz Eduardo Henrique Rosas; Julg.
10/10/2019; DJDFTE 21/10/2019; Pág. 373)
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2 – Direitos do evicto

Ao evicto, à sombra de disposições legais, revelam-se os seguintes direitos:

Restituição integral do preço ou quantias dispendidas;


Indenização dos eventuais frutos que fora compelido a devolver
Indenização em face das despesas contratuais e prejuízos que a evicção lhes
trouxe
Repetição dos valores gatos com custas judiciais e honorários advocatícios, ao
advogado por aquele constituído

Nessas pegadas, confira-se a diretriz estabelecida no Código Civil:

Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da


restituição integral do preço ou das quantias que pagou:
I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir;
II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que
diretamente resultarem da evicção;
III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído

Nesse sentido, necessário se faz mencionar o civilista Paulo Nader, que


preconiza in verbis:

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Os direitos do evicto. Se o adquirente, consciente do risco, celebra o


negócio, não libera o alienante quanto a outros possíveis riscos. Ao
liberar sem a consciência do risco, o adquirente assume o direito à
devolução do valor recebido em caso de evicção. São direitos do
evicto: restituição do que pagou; b) indenização pelos frutos que foi
obrigado a restituir; c) indenização por despesas gerais e prejuízos
advindos.
Evicção parcial. Nessa hipótese o direito do evicto se limitará ao
valor do que perdeu. Se a perda foi considerável, poderá escolher
entre a rescisão e a restituição. Se não foi considerável, o direito será
apenas à indenização. (NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, Vol. 3:
Contratos. São Paulo: Método, 2016)

De igual modo, estas são as lições de Carlos Roberto Gonçalves:

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Na realidade, o ressarcimento deve ser amplo e completo, como se


infere da expressão prejuízos que resultarem diretamente da
evicção, incluindo-se as despesas com o ITBI recolhido, lavratura e
registro de escritura, juros e correção monetária. São indenizáveis
os prejuízos devidamente comprovados, competindo ao evicto o ônus
de prová-los. As perdas e danos, segundo o princípio geral inserido
no art. 402 do Código Civil, abrangem o dano emergente e o lucro
cessante. Os juros legais são devidos à vista do disposto no art. 404
do Código Civil.
O atual diploma manteve a redação do Código de 1916 (art. 1.109),
apenas incluindo nas despesas ressarcíveis os honorários de
advogado, que de resto já estavam assegurados pelo princípio da
sucumbência instituído no estatuto processual. E, no parágrafo
único, procurou solucionar antiga discussão sobre o montante do
preço a ser devolvido no caso de evicção total, dispondo que, seja
total ou parcial a evicção, será sempre o do valor da coisa na época
em que se evenceu.
Neste passo, adverte Caio Mário, “cabe esclarecer que o alienante
responde pela plus valia adquirida pela coisa, isto é, a diferença a
maior entre o preço de aquisição e o seu valor ao tempo em que se
evenceu (parágrafo único do art. 450), atendendo a que a lei manda
indenizar o adquirente dos prejuízos, e, ao cuidar das perdas e
danos, o Código Civil (art. 402) considera-as abrangentes não
apenas do dano emergente, porém daquilo que o credor
razoavelmente deixou de lucrar. E, se a evicção vem privá-lo da
coisa no estado atual, o alienante tem o dever de recompor o seu
patrimônio, transferindo-lhe soma pecuniária “equivalente à
estimativa da valorização.
Se, ao contrário de valorização, estiver depreciada, a aplicação pura
e simples do disposto no art. 450 desautoriza levá-la em
consideração, pois que constrange o alienante a efetuar a ‘restituição
integral do preço’, e não obsta uma possível alegação de que a
menor-valia corre à conta de negligência do adquirente.
(GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro, vol. 3. São
Paulo: Saraiva, 2017)

Com essas impressões, ressalve-se o posicionamento da jurisprudência:

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CIVIL E PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE EVICÇÃO. COMPRA E VENDA


DE IMÓVEL. EVICÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. PERDA DA POSSE
PELO ADQUIRENTE. INDENIZAÇÃO DO EVICTO. POSTULAÇÃO.
CONTRATO. ASSUNÇÃO DOS RISCOS DA EVICÇÃO PELO
ALIENANTE. FATOS PRECEDENTES. RISCOS INERENTES AO
NEGÓCIO. CONHECIMENTO PELO ADQUIRENTE. ASSUNÇÃO.
COMPORTAMENTO CONTRADITÓRIO. VENIRE CONTRA
FACTUM PROPRIUM. COMPROVAÇÃO. REPERCUSSÃO NO
CONVENCIONADO. GARANTIAS LEGAIS INERENTES À EVICÇÃO.
APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PARTICULARIDADES FÁTICAS.
TRATAMENTO EXCEPCIONAL. ALIENANTE. CONDUTA.
TRANSMISSÃO DE DIREITOS QUE NÃO PERTENCIAM AO
PROMITENTE VENDEDOR. EVIDENCIAÇÃO. CONHECIMENTO
DAS IRREGULARIDADES POR AMBOS OS CONTRATANTES. REAL
INTENÇÃO DAS PARTES. CONSIDERAÇÃO. ATOS ILEGÍTIMOS.
RECIPROCIDADE. NEGÓCIO. FRUSTRAÇÃO. CONSEQUÊNCIA.
DEVOLUÇÃO DO PREÇO VERTIDO AO ADQUIRENTE.
IMPOSIÇÃO. MODULAÇÃO DO CONVENCIONADO À REGULAÇÃO
NORMATIVA. NECESSIDADE. PRINCÍPIOS QUE INFORMAM A
BOA-FÉ OBJETIVA E REPUGNAM O LOCUPLETAMENTO ILÍCITO.
LITIGÊNCIA DE MÁ-FÉ. NÃO CONFIGURAÇÃO. APELO PROVIDO
EM PARTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SENTENÇA E APELO
FORMULADOS SOB A ÉGIDE DA NOVA CODIFICAÇÃO
PROCESSUAL CIVIL. REDISTRIBUIÇÃO DA VERBA
ORIGINALMENTE FIXADA.
1. Aperfeiçoado negócio de cessão de direitos atinentes a imóvel, formulando o
cessionário pretensão destinada à afirmação da rescisão do contratado em
decorrência da evicção que se operara, implicando a perda da coisa por ter
sido assegurada sua posse a terceiro estranho ao vínculo negocial, o cedente,
como protagonista do negócio engendrado de forma juridicamente
insustentável por envolver a transmissão de direitos sobre imóvel de
titularidade de outrem, deve responder pelos efeitos inerentes à evicção. 2.
Apurada a ciência, pelo adquirente, da situação dominial do imóvel negociado
e da opção pela consumação da compra e venda a despeito dos riscos
compreendidos pelo negócio, o aferido obsta o tratamento linear da situação
jurídica delineada nos estritos moldes preceituados pelo art. 450 do Código
Civil, ensejando que, a despeito do materializado no instrumento negocial
celebrado, o convencionado seja modulado em conformidade às inflexões que
precederam o negócio na sua interpretação e materialização como expressão
da boa-fé objetiva e da real intenção dos contratantes, conforme, inclusive,
ressalvado pelo próprio legislador civil ao cuidar do instituto da evicção (CC,
art. 449) 3. A despeito de configurada a evicção em razão da perda dos direitos
incidentes sobre o imóvel negociado, ao adquirente alcançado pelo
despojamento do imóvel não é lícito, sob esse prisma, demandar pela evicção
de molde a alcançar a tutela normativa dela decorrente se, com base nas
mesmas condições fáticas, adota conduta processual com lastro em
argumentos totalmente diversos no bojo da ação de reintegração de posse
contra si intentada pela terceira lesada, encerrando sua postura
comportamento contraditório que vai de encontro à boa-fé objetiva que deve
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nortear as relações contratuais, devendo ser repreendido à luz do princípio


nemo potest venire contra factum proprium. 4. Aferido que o promitente
vendedor, quando da celebração do negócio, atuara com negligência e à
margem da boa-fé contratual, engendrando, conscientemente, a compra e
venda de imóvel cujos direitos não mais lhe pertenciam, tornando-se,
portanto, protagonista do imbróglio que envolvera a negociação, resta
legitimado que ambos os contratantes, em tendo assumido os riscos da
frustração do negócio, posto que cientes das irregularidades formais e factuais
que o permeavam, sujeitem-se às consequências derivadas de suas condutas
na proporção da postura irregular que adotaram, sob pena de se tutelar
situação jurídica que não se conforma com a Lei. 5. Constatada a
impossibilidade de consumação da compra e venda em razão da ilicitude do
objeto do negócio por compreender imóvel pertencente a terceiro, fato
conhecido por ambos contratantes, determinando que o adquirente vindicasse
os direitos derivados da frustração do avençado junto ao alienante, sobeja
legítimo que sejam resguardados os direitos materiais advindos da privação do
imóvel adquirido onerosamente pelo promissário comprador, devendo o
promitente vendedor, em harmonia às nuances principiológicas que informam
a boa-fé contratual e repugnam o locupletamento ilícito, ressarcir ao
promissário comprador o montante pago pela aquisição, pois desconstituída a
compra e venda que alinharam, excetuando-se os prejuízos indiretos
experimentados pelo adquirente em decorrência da evicção, posto que
enlaçados ambos os contratantes à causa que lhe dera ensejo. 6. A formulação
da pretensão ou defesa com lastro no parâmetro defendido pela parte como
adequado para perseguir o direito que invoca não importa em alteração da
verdade, encerrando simples exercício dialético e defesa do direito cujo
reconhecimento é postulado de conformidade com a apreensão que extraíra da
regulação legal que lhe é dispensada, obstando que o havido seja enquadrado
como fato apto a ensejar a caracterização da litigância de má-fé (CPC, art. 80).
7. O parcial acolhimento da pretensão formulada, resultando em êxito e
decaimento desiguais, enseja a caracterização da sucumbência recíproca,
porém desproporcional, emergindo da inferência a necessidade de as verbas
sucumbenciais serem redistribuídos e rateadas de forma a serem conformadas
ao preceituado pelo legislador processual em ponderação com o êxito e
decaimento havidos, vedada a compensação (CPC, artigos 85, §§ 14, e 86). 8.
Apelação conhecida e parcialmente provida. Sentença parcialmente
reformada. Honorários advocatícios recursais fixados. Unânime. (TJDF; Proc
00154.73-95.2016.8.07.0001; Ac. 118.9647; Primeira Turma Cível; Rel. Des.
Teófilo Caetano; Julg. 31/07/2019; DJDFTE 13/08/2019)

3 – Requisitos para caracterização da evicção

São estes os requisitos à caracterização do instituto jurídica da evicção:

Contrato oneroso como instrumento de entrega da coisa (CC, art. 447)

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A perda da posse ou da propriedade deve originar-se de sentença judicial, que


reconheceu direito anterior a um terceiro
Ignorância do adquirente em relação à coisa alheia ou em litígio

3.1. Contrato oneroso

O Código Civil exige que o contrato, transmitente da posse da propriedade, tenha


carácter oneroso, nestes termos:

Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste
esta garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública.

Por isso, apraz trazer à tona o magistério de Silvo de Salvo Venosa:

Essa garantia está presente em todo contrato oneroso, e não apenas


na compra e venda, como vem regulada em algumas legislações.
Quem transmite uma coisa por título oneroso (vendedor, cedente,
arrendante etc.) está obrigado a garantir a legitimidade, higidez e
tranquilidade do direito que transfere. Desde que exista equivalência
de obrigações para as partes, a garantia faz-se presente. Deve ser
assegurado ao adquirente que seu título seja bom e suficiente e que
ninguém mais tem direito sobre o objeto do contrato, vindo a turbá-
lo, alegando melhor direito. A evicção garante contra os defeitos de
direito, da mesma forma que os vícios redibitórios garantem contra
os defeitos materiais. Nos contratos gratuitos, não há razão para a
garantia, porque a perda da coisa pelo beneficiário não lhe traz um
prejuízo, apenas obsta um ganho. No entanto, nada impede que,
mesmo em uma doação, as partes estipulem a garantia, que não
existe na lei. ( SALVO, Venosa, Sílvio d., Rodrigues, . Código civil
interpretado. 3ª Ed. São Paulo: Atlas, 2013)

3.2. Perda da posse ou propriedade originária de decisão judicial

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Não há convergência doutrinária, quanto à perda da posse ou propriedade,


decorra de decisão judicial.

Ao contrário, apontam-se, até mesmo, arestos do Superior Tribunal de Justiça,


admitindo que ocorra em decorrência de ato administrativo.

A propósito, veja-se as lições de Flávio Tartuce:

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Tendo em vista as regras constantes da codificação privada material


e a interpretação doutrinária e jurisprudencial que vem sendo dada
à categoria, a evicção pode ser conceituada como a perda da coisa
diante de uma decisão judicial ou de um ato administrativo que a
atribui a um terceiro. Quanto aos efeitos da perda, a evicção pode
ser total ou parcial, ou seja, o bem pode ser atribuído de forma
integral ou não a esse terceiro.
De toda a sorte, é interessante deixar claro que o conceito clássico de
evicção é que ela decorre de uma sentença judicial. Entretanto, o
Superior Tribunal de Justiça tem entendido que a evicção pode estar
presente em casos de apreensão administrativa, não decorrendo
necessariamente de uma decisão judicial (nesse sentido, por todos:
STJ, REsp 259.726/RJ, Quarta Turma, Rel. Min. Jorge Scartezzini,
data da decisão: 03.08.2004, DJ 27.09.2004, p. 361).
Mais recentemente, a mesma Corte Superior, em acórdão publicado
no seu Informativo n. 519, deduziu que a evicção não exige o trânsito
em julgado da decisão para o devido exercício do direito. De acordo
com o preciso aresto, “para que o evicto possa exercer os direitos
resultantes da evicção, na hipótese em que a perda da coisa
adquirida tenha sido determinada por decisão judicial, não é
necessário o trânsito em julgado da referida decisão. A evicção
consiste na perda parcial ou integral do bem, via de regra, em
virtude de decisão judicial que atribua seu uso, posse ou propriedade
a outrem em decorrência de motivo jurídico anterior ao contrato de
aquisição. Pode ocorrer, ainda, em razão de ato administrativo do
qual também decorra a privação da coisa. A perda do bem por vício
anterior ao negócio jurídico oneroso é o fator determinante da
evicção, tanto que há situações em que os efeitos advindos da
privação do bem se consumam a despeito da existência de decisão
judicial ou de seu trânsito em julgado, desde que haja efetiva ou
iminente perda da posse ou da propriedade e não uma mera
cogitação da perda ou limitação desse direito. Assim, apesar de o
trânsito em julgado da decisão que atribua a outrem a posse ou a
propriedade da coisa conferir o respaldo ideal para o exercício do
direito oriundo da evicção, o aplicador do direito não pode ignorar a
realidade comum do trâmite processual nos tribunais que, muitas
vezes, faz com que o processo permaneça ativo por longos anos,
ocasionando prejuízos consideráveis advindos da constrição
imediata dos bens do evicto, que aguarda, impotente, o trânsito em
julgado da decisão que já lhe assegurava o direito”. Como se nota, a
categoria é analisada socialmente, como deve ocorrer com os
institutos privados na contemporaneidade.
Seguindo em seu voto e ponderando sobre a mudança conceitual de
perspectiva na doutrina, arremata o Ministro Luis Felipe Salomão
que, “com efeito, os civilistas contemporâneos ao CC/1916 somente
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admitiam a evicção mediante sentença transitada em julgado, com


base no art. 1.117, I, do referido Código, segundo o qual o adquirente
não poderia demandar pela evicção se fosse privado da coisa não
pelos meios judiciais, mas por caso fortuito, força maior, roubo ou
furto. Ocorre que o Código Civil vigente, além de não ter reproduzido
esse dispositivo, não contém nenhum outro que preconize
expressamente a referida exigência. Dessa forma, ampliando a
rigorosa interpretação anterior, jurisprudência e doutrina
passaram a admitir que a decisão judicial e sua definitividade nem
sempre são indispensáveis para a consumação dos riscos oriundos
da evicção” (STJ, REsp1.332.112/GO, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
j. 21.03.2013). (TARTUCE, Flávio. O Novo CPC e o Direito Civil -
Impactos, Diálogos e Interações. São Paulo: Método, 2015)

3.3. Ignorância de coisa alheia ou litígio

Nessa enseada, reza a Legislação Substantiva:

Art. 457. Não pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa
era alheia ou litigiosa.

Essa é, até mesmo, a compreensão da jurisprudência:

COMPRA E VENDA.
Bem móvel (carregadeira de cana-de-açúcar). Evicção. Descabimento da
pretendida discussão acerca da pretensa ausência de culpa ou de nexo causal,
pois o vendedor responde, objetivamente, ex vi legis, pelos riscos da evicção.
Não identificação de culpa, em relação à apelada, que adotou as medidas
judiciais cabíveis, visando à recuperação da Res apreendida. Lide fundada no
instituto da evicção, cuja finalidade é, justamente, assegurar o adquirente
contra os riscos da perda da coisa, por decisão judicial. Presença, no caso
concreto, dos requisitos da evicção. Inocorrência do alegado erro do Estado-
Juiz, seja decorrente de ato do oficial de justiça, seja do próprio juiz a quo.
Alusão expressa, na sentença, no sentido de que a apuração dos lucros
cessantes dar-se-á, oportunamente, em sede de liquidação por artigos, ocasião
em que deverão ser devidamente comprovados, em valores líquidos, mas
restrito o período de sua incidência a um ano, presumindo-se, findo o prazo, a
tomada de providências tendentes a estancar a alegada perda de faturamento.
Confirmação do julgado no mais. Recurso provido, em parte. (TJSP; APL

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11/02/2021 Evicção Significado (Direito Civil) O Que é | + Doutrina

0052422-56.2011.8.26.0651; Ac. 11902573; Valparaíso; Trigésima Segunda


Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Caio Marcelo Mendes de Oliveira; Julg.
11/10/2018; DJESP 19/10/2018; Pág. 2360)

4 – Efeitos da evicção

Surgem como efeitos da evicção:

Direito à redibição do contrato: direito de rescindir o contrato,


judicialmente (ação redibitória), em conta do vício, restituindo-se as partes ao
status proemial, anterior ao negócio, com devolução do pagamento efetuado e
restituição da coisa ao alienante;
Direito ao abatimento no preço: prerrogativa de pleitear, judicialmente
(via ação estimatória), a diminuição da quantia paga, proporcionalmente à
desvalorização da coisa.

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