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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 3
1 A PRODUÇÃO DE TEXTOS NO CONTEXTO ESCOLAR .................................. 4
1.1 A concepção de linguagem e a produção de textos ..................................... 4

1.2 O que é produção de texto na escola? ......................................................... 6

2 LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL: O DESAFIO DE ENSINAR A LER E


ESCREVER TEXTOS NA ESCOLA .................................................................................... 8
3 PRODUÇÃO DE TEXTO: COMO INCENTIVAR OS ALUNOS A ESCREVER
MELHOR? ......................................................................................................................... 15
4 POR QUE APRENDER TÉCNICAS PARA A PRODUÇÃO DE TEXTO? ......... 17
4.1 Escrever um texto é verdadeiramente uma ciência! ................................... 17

5 A PRODUÇÃO TEXTUAL - UMA ANÁLISE DISCURSIVA ............................... 18


6 O PROCESSO DE PRODUÇÃO TEXTUAL ...................................................... 19
7 O QUE É UM TEXTO? ...................................................................................... 23
8 GÊNEROS TEXTUAIS ...................................................................................... 27
8.1 Textos literários e textos não literários........................................................ 27

9 COMO ENSINAR OS ALUNOS A ESCREVER DE FORMA CLARA? .............. 29


10 ELABORAR BONS TEXTOS EXIGE, ENTRE OUTRAS COISAS, TÉCNICA,
COERÊNCIA E CRIATIVIDADE ........................................................................................ 32
10.1 Leitura e produção de textos ................................................................... 32

10.2 Dicas para facilitar a produção de textos ................................................. 34

11 A PRODUÇÃO DE TEXTO COMO PRÁTICA SOCIAL ..................................... 35


11.1 O processo de escrever........................................................................... 35

11.2 Estratégias para produzir textos .............................................................. 38

11.3 Produção textual na escola ..................................................................... 39

12 PROGRESSÃO TEXTUAL: ELEMENTO FUNDAMENTAL PARA UM BOM


TEXTO 42
13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................. 44
14 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................. 44

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1 INTRODUÇÃO

Prezado aluno!

O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da


sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se
levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que
seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a
pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é
a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao
protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil.
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe
convier para isso.
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e
prazos definidos para as atividades.

Bons estudos!

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1 A PRODUÇÃO DE TEXTOS NO CONTEXTO ESCOLAR

A produção de textos, na escola, é uma questão de grande preocupação social.


Apesar da elaboração de variados textos durante o período de ensino básico obrigatório,
muitas pessoas se sentem despreparadas ao se deparar com propostas de construção de
texto no dia a dia. Diante dessas dificuldades com relação às produções textuais, cabe
analisar algumas questões: Quais são as origens dessa dificuldade dos alunos ao construir
textos? De que forma a produção de textos deve ser abordada na escola e como o professor
deve intervir nas dificuldades dos alunos em suas produções?

1.1 A concepção de linguagem e a produção de textos

No Brasil, muitos estudantes possuem dificuldades na utilização da língua seja de


forma oral ou escrita. No entanto, essa dificuldade não deve ser classificada como uma
incapacidade de expressão desses estudantes, mas sim como uma incapacidade de
sintetizar informações e juízos para transformá-los em sentenças linguísticas.
A linguagem é a forma ou instrumento que os falantes de uma determinada língua
utilizam para expressar ou comunicar algo a alguém. Segundo Koch (2012), a linguagem é
a capacidade que o ser humano tem de interagir com o meio social através de uma língua,
das mais variadas formas e variados propósitos e resultados. Em outras palavras, a
linguagem, seja na modalidade oral ou escrita, pode se manifestar de diferentes formas,
levando em conta os propósitos e resultados daquilo que é dito ou escrito.
A linguagem pode ser concebida de formas diferentes que norteiam como ela é
apresentada, seja oralmente ou em forma de escrita. As concepções de linguagem podem
ser divididas em três modalidades. A primeira é a linguagem como expressão de
pensamento. O autor João Wanderley Geraldi (2006) aponta-a como tradicionalista. Para
ele, se essa concepção de linguagem é adotada, é como se afirmasse que as pessoas não
conseguem se expressar por não pensarem. Em síntese, essa concepção admite a
expressão puramente como produto do pensamento, sem levar em conta o contexto e o
receptor da mensagem que envolve essa expressão linguística.
Em comparação a Geraldi, Koch (2012) apresenta essa concepção que, por sinal, é
a mais antiga das concepções linguísticas, como uma forma de representação do

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pensamento e conhecimento de mundo do homem por meio da língua, isto é, a língua tem
a finalidade somente de representar o pensamento humano. Essa concepção valoriza a
gramática pura no processo comunicativo. Quando se leva em conta essa concepção na
escrita de um texto, aquele que o escreve expõe no papel as suas ideias, valendo-se da
gramática normativa, sem pensar se aquele texto atingirá seus objetivos e poderá ser
compreendido por outras pessoas no ato da leitura.
A segunda concepção apresenta a linguagem como instrumento de
comunicação. Nela, leva-se em consideração a interação entre o emissor e o receptor da
mensagem. Os autores Geraldi e Koch apontam essa concepção da língua como um código
que somente transmite a mensagem ao receptor, que, por sinal, recebe-a de forma passiva.
Geraldi ainda diz que geralmente essa concepção é a mais vista em livros didáticos,
instruções ou propostas de produção de textos. Ao se valer dessa concepção nas propostas
de produção de textos, o professor somente delimita aquele para quem será escrito o texto,
porém, o emissor da mensagem não recebe o papel comunicativo que deve representar no
ato da escrita, nem mesmo o contexto que se deve levar em conta no processo da escrita.
A terceira e última concepção, é a linguagem como forma de interação. Nesse
sentido, ela assume um papel diferenciado das concepções anteriores. Em oposição à
linguagem como expressão do pensamento e como forma de comunicação, essa terceira
envolve a interação entre o emissor e receptor da mensagem, ambos participam de forma
ativa no processo comunicativo.
A linguagem se torna a ponte entre o locutor e o interlocutor no processo da fala e
da escrita. Geraldi (2006) afirma que nessa concepção interacionista.

(...) mais do que possibilitar uma transmissão de informações de um emissor a um


receptor, a linguagem é vista como um lugar de interação humana. Por meio dela,
o sujeito que fala pratica ações que não conseguiria levar a cabo, ao não ser
falando; com ela o falante age sobre o ouvinte, constituindo compromissos e
vínculos que não preexistiam à fala. (GERALDI, 2006, p. 41, Apud BATISTA W.
2018)

Por meio das palavras de Geraldi, pode-se compreender que a linguagem como
forma de interação vai além do ato de ler e escrever. Essa envolve a interação entre atores
comunicativos e contexto social ou cultural em que o locutor e interlocutor vivem.
As propostas de produção textual elaboradas pelo professor, quando assumem a
concepção interacionista, permitem ao aluno saber qual papel ele deve exercer e de que

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forma ele pode permitir a participação do receptor da mensagem ou leitor do seu
texto. Dessa forma, os alunos têm consciência de perguntas essenciais para a escrita de
um bom texto, tais como: Quem é o enunciador? (Aquele que escreve o texto); quem é o
enunciatário? (Aquele que recebe a mensagem ou leitor do texto); qual é o propósito do
texto e em qual gênero deve ser escrito? Quando essas perguntas são usadas nas
construções de textos, os alunos se sentem mais seguros na sua elaboração e, ao mesmo
tempo, as correções das produções se tornam mais claras, tanto para o professor quanto
ao aluno.

1.2 O que é produção de texto na escola?

A produção de textos na escola, muitas vezes, é um tormento para muitos alunos e


também para os professores. Um dos influenciadores da dificuldade dos alunos na criação
de textos está relacionado com os temas propostos para os textos. Segundo Geraldi (2006),
os alunos anualmente fazem redações com os mesmos temas e esses geralmente são
baseados em datas comemorativas.
Essa repetição de propostas faz com que os alunos não gostem de produzir textos,
por ser uma atividade exaustiva e repetitiva, além de escreverem textos com temas sem
utilidade prática. Os textos produzidos na escola além de trazer dissabores para os alunos,
também se tornam algo ruim para os professores, que se sentem frustrados ao avaliar
textos mal redigidos e ver a falta de interesse dos alunos de melhorar nas produções
textuais.
Geraldi (2006) mostra que as produções de texto na escola são feitas voltadas para
o professor que é, geralmente, o único leitor do texto. Com isso, os estudantes se sentem
desmotivados e não demonstram empenho na escrita de algo que será somente lido por
uma pessoa que, no caso, é o professor. O emprego da língua, na escola, então, foge de
sua utilidade real que deveria contar com a participação e interação de vários atores no
processo comunicativo e isso torna o emprego da língua artificial.
É interessante que os alunos escrevam textos que possam ser compartilhados com
outros alunos da escola e até mesmo para outras pessoas fora da escola. O professor
precisa promover atividades com os textos redigidos pelos alunos para que, dessa forma,
os estudantes se sintam motivados a produzir bons textos para que outros possam lê-los.

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Outra questão importante na produção de textos é a leitura. Quanto mais se lê, maior
é a bagagem de conhecimento argumentativo na elaboração de um bom texto. A leitura é
um fator importante para se produzir bons textos e esse é um problema que acomete o
sistema escolar brasileiro. Um ditado popular brasileiro afirma que o “brasileiro não gosta
de ler”. Não é que o brasileiro não goste de ler. A raiz do problema é que muitos brasileiros
não têm um bom hábito de leitura.

Fonte: casaarteria.com.br

Essa falta de interesse pela leitura é refletida na escola desde o início das séries
iniciais até o fim do ensino fundamental. Os discentes geralmente leem por “obrigação”
livros que o professor considera importantes para a sua formação. A maioria dos
professores seja conscientemente ou não, por algum motivo ou outro delimita o que os
alunos precisam ler e não permitindo sugestões. Com isso, os alunos não possuem acesso
a alguns tipos e gêneros textuais e desconhecem outros que fazem diferença na sua
formação de bons leitores e escritores.
As maiores dificuldades com relação a produções de textos pelos alunos se deve a
falta de objetivos claros nas propostas e inadequações dos temas propostos. A produção
de texto na escola muitas vezes possui aspecto limitado, no qual são privilegiados alguns
tipos e gêneros textuais, resultando em desconhecimento e insegurança por parte dos

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alunos ao se depararem com uma proposta de produção de texto. A produção textual é
vista de maneira negativa pelos alunos, por ser na maioria das vezes, algo repetitivo e
desgastante. Diante disso, o professor precisa se preocupar em variar temas e tipos
textuais, além de definir objetivos claros em suas propostas de produção de textos.
Com relação à correção e avaliação dos textos produzidos pelos alunos,
compreende-se que o professor precisa se valer de diferentes critérios linguísticos claros,
para que se possam identificar as dificuldades dos alunos e consequentemente pensar em
estratégias de intervenção nessas dificuldades. Quando não há critérios de correção
definidos, o professor seja de forma consciente ou inconsciente, fica desorientado, correndo
o risco de não ter argumentos diante de questionamento de alunos e até mesmo de pais,
com relação aos “erros de ortografia” e inadequações das propostas de textos. É
importante que o professor encare a produção de textos de forma qualitativa, para que sua
avaliação tenha por objetivo de ajudar ao aluno e não o reprovar.
Contudo a produção de textos na escola é algo de grande preocupação, por que
durante todo o tempo de escola, são feitas muitas produções de textos e ainda assim,
muitas pessoas saem da escola inseguranças e incapazes de produzir bons textos. A
competência de escrita de bons textos, de fato é, um aspecto importante e até mesmo
decisivo no mercado de trabalho, por isso, desde cedo o trabalho com a produção de textos
na escola seja ela pública ou particular, precisa desenvolver essa capacidade nos alunos,
para que estes no futuro possam estar preparados e possam concorrer de forma justa com
outros candidatos, na busca de uma colocação no mercado de trabalho.

2 LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL: O DESAFIO DE ENSINAR A LER E ESCREVER


TEXTOS NA ESCOLA

A leitura e a escrita são práticas sociais de valiosa importância para o


desenvolvimento da cognição humana. Ambas proporcionam o desenvolvimento do
intelecto e da imaginação, além de promoverem a aquisição de conhecimentos. Dessa
maneira, quando lemos ocorrem diversas ligações no cérebro que nos permitem
desenvolver o raciocínio. Além disso, com essa atividade, aguçamos nosso senso crítico
por meio da capacidade de interpretação. Nesse sentido, vale lembrar que a “interpretação”
dos textos é uma das chaves essenciais da leitura. Afinal, não basta ler ou decodificar os

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códigos linguísticos, faz-se necessário compreender e interpretar essa leitura. Muitos são
os benefícios que a leitura proporciona: desenvolvimento da imaginação, da criatividade,
da comunicação, bem como o aumento do vocabulário, dos conhecimentos gerais e do
senso crítico. Além desses benefícios, com a leitura exercitamos nosso cérebro, o que
facilita a interpretação de textos de forma a promover competência e habilidade na escrita.
Ao ler, o indivíduo adquire maior repertório, ampliando e expandindo seus horizontes
cognitivos. Para além disso, estudos apontam que o ato de ler é muito prazeroso na medida
em que reduz o estresse ao mesmo tempo que estimula reflexões. Por esse motivo, a leitura
deve ser incentivada desde a Educação Infantil. Incentivar os filhos pequenos em casa e
criar hábitos são condições importantes para que as crianças desenvolvam o gosto pela
leitura.
Partindo da concepção da língua escrita como sistema formal (de regras,
convenções e normas de funcionamento) que se legitima pela possibilidade de uso efetivo
nas mais diversas situações e para diferentes fins, somos levados a admitir o paradoxo
inerente à própria língua: por um lado, uma estrutura suficientemente fechada que não
admite transgressões sob pena de perder a dupla condição de inteligibilidade e
comunicação; por outro, um recurso suficientemente aberto que permite dizer tudo, isto é,
um sistema permanentemente disponível ao poder humano de criação (Geraldi, 93). Para
produzir textos de qualidade, os alunos precisam saber o que querem dizer, para quem
escrevem e qual é o gênero textual que melhor exprime essas ideias. O segredo é ler muito
e revisar constantemente a escrita. A priori, o reconhecimento dos diversos tipos de gênero
textual discursivo é essencial para a organização da escrita e, consequentemente, o
planejamento das ideias. Assim o trabalho com os gêneros textuais na sala de aula é
primordial para o incentivo e desenvolvimento da leitura e escrita. Como professor de
Redação do Ensino Fundamental e Médio no Sistema Educacional RADAR, posso afirmar
o quanto é perceptível o desenvolvimento dos alunos com a escrita, ao se trabalhar com os
gêneros textuais, pois sempre os envolvo com estes de forma a promover práticas sociais
reais, uma vez que os alunos precisam escrever dentro da escola e, sobretudo, fora dela
também. Assim é enfatizado o trabalho com a leitura de gêneros textuais diversificados,
sejam eles didáticos ou não didatizados.
A produção de textos escritos é um eixo da língua materna que deve ser ensinado e
desenvolvido em sala de aula e o desencadeamento desse ensino se dá através dos

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gêneros textuais discursivos. Sendo assim, vamos discutir um pouco acerca dos gêneros
textuais. Segundo Marcuschi (2008).
O estudo dos gêneros textuais é hoje uma área interdisciplinar, com atenção especial
para a linguagem em funcionamento e para as atividades culturais e sociais. Desde que
não concebamos os gêneros como modelos estanques nem como estruturas rígidas, mas
como formas culturais e cognitivas de ação social (Miller, 1984) corporificadas na
linguagem, somos levados a ver os gêneros como entidades, cujos limites e demarcação
se tornam fluidos (MARCUSCHI, 2008, p. 151).
Ainda de acordo com Marcuschi, “É impossível não se comunicar verbalmente por
um gênero, assim como é impossível não se comunicar verbalmente por algum texto”. Isso
porque toda manifestação verbal se dá sempre por meio de textos realizados em algum
gênero. Daí a centralidade da noção de gênero textual no trato sociointerativo da produção
linguística. Nessa perspectiva, ele acrescenta que gêneros textuais são:

[...] os textos materializados em situações comunicativas recorrentes. Os gêneros


textuais são os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresentam
padrões sociocomunicativos característicos definidos por composições funcionais,
objetivos enunciativos e estilos concretamente realizados na integração de forças
históricas, sociais, institucionais e técnicas (MARCUSCHI, 2008, p. 155, Apud
SILVA E. G. 2018).

Ao produzir um texto, o aluno precisa dominar estratégias de organização e


planejamento de texto; para tanto, faz-se necessária a elaboração de esquemas
topicalizados, ou seja, o uso do pré-texto ou texto prévio que auxiliará o aprendiz a expor
suas ideias, primeiramente de forma esquemática, para, então, construí-lo de forma clara,
com argumentos consistentes e que atendam à proposta. Antunes (2003, p. 54) aborda que
o texto escrito não é somente a codificação de ideias ou de informações através de sinais
gráficos. Para ela, o ato de escrever supõe etapas interdependentes e
intercomplementares, e a primeira delas implica o planejamento, para, em seguida, ser
executada a escrita propriamente dita e, então, a revisão e a reescrita. É no planejamento
que ocorre a escolha dos critérios de ordenação das ideias ou aquilo que será relevante no
texto: a finalidade de sua escrita e como estruturá-lo de maneira adequada.
Já conforme Marcuschi (2008), o texto é o resultado de uma ação linguística e suas
fronteiras são determinadas pelo mundo em que ele está inserido. Ressalta, ainda, que o
texto pode ser tido como um tecido estruturado, uma entidade significativa, uma entidade

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de comunicação e um artefato sócio histórico. É possível se dizer que o texto é uma (re)
construção do mundo, e não uma simples refração ou reflexo.

Fonte:mensagens.culturamix.com

A escola assume uma grande responsabilidade ao manter e controlar a


aprendizagem com o propósito de superar a crise da expressão escrita dos alunos. Uma
atribuição que deve ser tomada pela escola é fazer com que os alunos tenham acesso a
uma aprendizagem mais significativa, traçando estratégias que promovam a melhoria da
expressão escrita e que contribuam para a resolução das dificuldades que os alunos
enfrentam quando escrevem textos. Uma das finalidades fundamentais da escola é ensinar
o aluno a ler e a escrever. No entanto, a prática pedagógica tem revelado um resultado
relativamente insuficiente no desenvolvimento da capacidade de escrever dos alunos.
Uma configuração linguística só é um texto quando consegue provocar sentido.
Marcuschi (2008) considera que os problemas ortográficos ou sintáticos não atrapalham a
compreensão se o texto estiver inserido numa cultura e circular entre indivíduos que a
dominam. A textualidade não depende de regras sintáticas ou ortográficas, e sim das
condições cognitivas e discursivas. Um texto se dá numa complexa relação interativa entre
a linguagem, a cultura e os sujeitos históricos que operam nesses contextos. Assim, um

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texto se fundamenta sobretudo pela sua discursividade, inteligibilidade e articulação que
ele põe em movimento.
Por isso mesmo, na produção de um texto, deve-se, então, planejar não só o
momento da escrita, mas todo o processo de pré-escrita, assim como o momento relativo
à sua organização e os dados relativos à situação de interlocução nos quais se incluem o
texto e seu produtor. Koch (2002, p.15) afirma que o sujeito “[...] ao estar firmado em um
lugar de interação, faz vir à tona uma entidade psicossocial de caráter ativo”.
A atividade da escrita pressupõe a interação e o uso da linguagem. Segundo Antunes
(2010), “Não há linguagem sem a utilização da escrita, da fala, da escuta e da leitura”. A
escrita deve ocorrer de uma maneira que sejam percebidas a atividade interativa de
expressões, intenções, crenças, manifestações verbais ou sentimentos que queremos
partilhar com alguém, interagindo com ele. Desse modo, a condição prévia para o êxito da
atividade de escrever é ter o que dizer, pois as palavras medeiam e fazem ponte entre
quem fala e quem escuta, entre quem escreve e quem lê. O fato de saber o que dizer em
determinada situação caracteriza-se pela capacidade do conhecimento linguístico inerente
a cada pessoa.
A escrita, portanto, é uma forma de atuação social entre dois ou mais sujeitos.
Conforme os PCN (2000, p. 24):

É na interação em diferentes instituições sociais (a família, o grupo de amigos, as


comunidades de bairro, as igrejas, a escola, o trabalho, as associações, etc.) que o
sujeito aprende e apreende as formas de funcionamento da língua e os modos de
manifestação da linguagem; ao fazê-lo, vai construindo seus conhecimentos
relativos aos usos da língua e da linguagem; em diferentes situações. Também
nessas instâncias sociais, o sujeito constrói um conjunto de representações sobre
o que são os sistemas semióticos, o que são as variações de uso da língua e da
linguagem, bem como qual seu valor social. (Apud SILVA E. G. 2018)

A prática crescente da competência para a escrita ocorre no decorrer do contato


diário com a escrita e a leitura e do exercício de cada evento, com as regras próprias de
cada tipo e de cada gênero textual. Antunes (2010, p.116) expõe que “A escrita é uma forma
de atuação social entre dois ou mais sujeitos que realizam o exercício do dizer. Tudo isso
significa dizer que a escrita da escola deve ser a escrita de textos”. Por isso, é
extremamente relevante que o professor trabalhe com os alunos os mais diversos gêneros
textuais.

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Assim sendo, faz-se necessário que o docente promova condições interacionistas
no sentido de desencadear uma melhor aprendizagem nas atividades, no caso aqui
específico, nas produções de textos escritos, para que os textos produzidos apresentem
sentido, discursividade e que sejam compreendidos por estarem simplesmente
contextualizados.
O sentido de um texto, qualquer que seja a sua situação comunicativa, não depende
tão somente da estrutura textual em si mesma. Os objetos de discursos a que o texto faz
referência são apresentados, em grande parte, de forma lacunar, permanecendo muita
coisa implícita. O produtor de um texto pressupõe, da parte do leitor/ouvinte, conhecimentos
textuais situacionais e enciclopédicos. Entrelaçados a esses eixos, encontra-se, de forma
muito sincronizada, o contexto situacional permanente no texto, o qual interliga o percurso
discursivo, inferindo as ideias dialogicamente nele percebidas.
A escrita é uma atividade processual, ou seja, uma atividade durativa, um percurso
que se vai fazendo pouco a pouco, ao longo de nossas reflexões, de nosso acesso a
diferentes fontes de informação. O pouco êxito conseguido com a escrita de textos na
escola se explica muito pela visão estática e pontual da escrita, como se escrever fosse
apenas um ato mecânico de fazer alguns sinais sobre a folha de papel e, assim, um ato
que começa e termina no intervalo de tempo que foi dado para se escrever.
Para Marcuschi (2008), o texto não é feito apenas de palavras e, portanto, não é
composto apenas do material linguístico que aparece em sua superfície. Nele, o significado
de uma parte depende das outras com que se relaciona. O seu significado global não é o
resultado da mera soma de suas partes, mas de certa combinação geradora de sentidos.
A produção de um texto, de alguma forma, acaba sendo uma maneira de reorganizar
o pensamento e o universo interior da pessoa. A escrita não é apenas uma oportunidade
para que se mostre, comunique, mas também para que se descubra o que é, o que pensa,
o que quer, em que acredita, etc. Tudo isso porque todo ato de escrita pertence a uma
prática social. Ninguém escreve por escrever. A escrita tem sempre um sentido e uma
função. Levar esses princípios em consideração vai implicar uma avaliação
multidimensional bem mais ampla e bem mais mobilizadora também, pois será
constantemente recriada e englobará estratégias, recursos e instrumentos diversificados,
diferentemente da mesmice com que ela ocorre nas práticas atuais.

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Portanto, as atividades de produção e recepção de textos merecem destaque no
ensino da língua portuguesa, pois os alunos precisam produzir textos correspondentes aos
diferentes usos sociais da escrita, ou seja, que contemplem aquilo que se vivencia fora da
escola. Além disso, deve-se proporcionar a eles a escrita de textos de gêneros textuais que
possuam uma função social determinada.
Para ocorrer de fato um progresso na escrita, o ideal é que se crie com os discentes
a prática do planejamento, do rascunho e da revisão, de maneira que a primeira versão de
seus textos tenha sempre um caráter de produção provisória. Só assim, os alunos podem
construir e aprimorar cada vez mais seus textos.
Portanto, para aproximar a produção escrita das necessidades enfrentadas no dia a
dia, o caminho atual é enfocar o desenvolvimento dos comportamentos leitores e escritores.
Ou seja: levar a criança a participar de forma eficiente de atividades da vida social que
envolvam leitura e escrita. Noticiar um fato num jornal, ensinar os passos para fazer uma
sobremesa ou argumentar para conseguir que um problema seja resolvido por um órgão
público: cada uma dessas ações envolve um tipo de texto com uma finalidade, um suporte
e um meio de veiculação específico. Conhecer esses aspectos é condição mínima para
decidir, enfim, o que escrever e de que forma fazer isso. Fica evidente que não são apenas
as questões gramaticais ou notacionais (a ortografia, por exemplo) que ocupam o centro
das atenções na construção da escrita, mas a maneira de elaborar o discurso.
Produzir textos é um processo que envolve diferentes etapas: planejar, escrever,
revisar e reescrever. A revisão não consiste em corrigir apenas erros ortográficos e
gramaticais, como se fazia antes, mas cuidar para que o texto cumpra sua finalidade
comunicativa. A leitura, assim como a escrita, supre as necessidades do nosso cérebro de
aumentar sua capacidade intelectual. É fato que uma pessoa que tem o hábito da leitura
possui mais facilidade para produzir um texto. Isso ocorre justamente porque ao lermos
estamos aumentando nossa capacidade de comunicação bem como nosso repertório
interpretativo. Portanto, uma boa dica para facilitar cada vez mais a leitura é a escrita, ou
seja, a produção de textos.

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3 PRODUÇÃO DE TEXTO: COMO INCENTIVAR OS ALUNOS A ESCREVER
MELHOR?

Incentive a leitura

No ambiente escolar, um dos primeiros contatos dos estudantes com o texto


acontece pela leitura. Ela estimula e instiga a criatividade infantil com histórias que
apresentam diferentes cenários, personagens e valores que são internalizados nas
crianças.
O hábito de ler faz com que o estudante crie compreensão dos diversos estilos de
contar uma história: narrativa, fábula, argumentação, conto, poesia etc. Portanto, estimular
a leitura em sala de aula é uma maneira de incentivar a produção textual.
É importante, porém, que os livros sejam apresentados como elementos de diversão
e fonte de conhecimento. Ou seja, os estudantes não podem encarar a leitura como uma
obrigação acadêmica, tornando a prática maçante e pouco atrativa.
Promover rodas de leituras, buscar produções que dialoguem com a realidade do
estudante e deixar os livros acessíveis são maneiras de incentivar a prática.

Fortaleça a autoconfiança

Muitos estudantes têm medo de escrever. O nervosismo e a falta de confiança são


impeditivos para liberarem sua criatividade e deixarem o texto fluir. Em alguns casos, essa
barreira pode significar o sentimento de limitação no conhecimento de vocabulário ou das
regras gramaticais.
Para tentar superar essa barreira, o professor tem um papel fundamental. É ele quem
precisa estimular a autoconfiança dos estudantes, mostrando que a prática leva ao
melhoramento da escrita. Criar ambientes abertos para discussão também auxilia os
estudantes a se sentirem menos inibidos a pedir ajuda para os seus colegas de sala e para
o próprio docente.
Abordar a produção textual como uma atividade divertida e útil para os estudantes
também facilita a autoconfiança. Além disso, o professor precisa compreender que cada

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aluno expressará a escrita de forma pessoal e que isso precisa ser valorizado. Afinal,
escrever é um exercício bastante íntimo.

Fonte: br.freepik.com

Valorize a criatividade

Para conseguir desenvolver boas produções textuais é fundamental ter criatividade.


Por isso, o professor deve valorizar e estimular ambientes que instiguem e fortaleçam essa
característica nos estudantes.
Por exemplo, mostrar os vários estilos existentes é uma maneira de inspirar os
alunos a encontrarem e criarem o seu próprio. Se as histórias em quadrinhos são os
maiores atrativos, peça para que o estudante desenvolva um texto baseado nesse formato.
O professor também pode deixar um tempo para que cada aluno faça uma escrita
livre. Nesse caso, não é necessário apontar temas, formatos ou padrão, apenas permitir
que o estudante desenvolva um conteúdo sobre o seu gosto pessoal. Assim eles
conseguirão superar o nervosismo e liberar a escrita.

Mostre que a escrita é uma forma de expressão

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O estudante precisa conectar-se com a escrita. Para tanto, é fundamental que ele
consiga expressar os seus sentimentos e valores por meio dela. A partir do momento que
o aluno compreender que a escrita é um modo de expressar os seus pensamentos, a
produção textual será menos desafiadora para ele.
Esse raciocínio é fundamental para superar, por exemplo, a redação do Enem. O
texto dissertativo — estilo cobrado no exame — pede para que o aluno seja capaz de
construir uma proposta de intervenção diante da problemática apresentada, isso
considerando a realidade vivida. Sem uma verdadeira conexão entre o estudante e a
produção textual, o conteúdo pode ficar vazio e pouco atraente para o avaliador.

4 POR QUE APRENDER TÉCNICAS PARA A PRODUÇÃO DE TEXTO?

O ensino tradicional da disciplina de Redação traz, muitas vezes, um “ranço” para os


estudantes. Essa expressão caracteriza a falta de vontade do aluno em escrever. Esse fator
não é culpa nem dos professores, nem dos próprios alunos. O que se tem na verdade é o
pouco tempo para ensinar e explorar a disciplina, que quase sempre só dispõe de uma ou
duas aulas no currículo.
A maioria dos alunos pouco aproveita desse momento de aprendizagem. E quando
finalizam seus estudos percebem a dificuldade que possuem em produzir textos, ou ainda,
a culpam por não conseguirem.

4.1 Escrever um texto é verdadeiramente uma ciência!

Pense bem: você irá colocar em um papel o seu raciocínio sobre determinado tema.
Se os seus pensamentos não estão organizados, como você irá desenvolver uma escrita
que deve possuir sequência, coerência, coesão, entre outros fatores e, ainda, domínio dos
aspectos gramaticais?
Complicado? Não! O Português é a sua língua materna, portanto, não há nada de
complicado. É preciso entender que você já tem bagagem. O que deve ser feito é, em um
primeiro momento, compreender os aspectos da comunicação que já se tem na prática
passando-os para o entendimento da teoria e depois retransformar esse aprendizado de
teoria para a prática novamente.

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É neste momento que entra o desenvolvimento e a aprendizagem das técnicas
redacionais. Falar sobre técnicas, não é só apresentar aspectos como, por exemplo, causa
e consequência, até porque existe muito conteúdo a ser compreendido em torno desta
ciência de escrever! É preciso, com toda certeza, ir além!
Às vezes, muitas pessoas escrevem sem noção alguma do que estão construindo.
Muitos até dizem que é só escrever. Talvez seja isso mesmo, mas compreender o que está
sendo construído é fundamental. Existem dúvidas, que solitariamente, não se consegue
sanar quando se está produzindo um texto. Afinal, você pode até ter a prática, mas não
compreende a teoria que é recheada de técnicas de redação e auxiliam no bom
desenvolvimento da produção textual.

5 A PRODUÇÃO TEXTUAL - UMA ANÁLISE DISCURSIVA

Redigir um texto parece, para muitos, um procedimento difícil... Concepção esta que,
caso não seja aprimorada, acaba se tornando um estigma e, consequentemente, um
entrave para o emissor no decorrer de sua trajetória cotidiana. O fato é que o ato da escrita
requer do emissor determinadas habilidades que envolvem conhecimentos de forma
específica.
Em uma primeira instância, reportamo-nos à ideia de que todo discurso tem um fim
em si mesmo, ou seja, perfaz-se de uma intenção que se caracteriza de acordo com os
objetivos que se deseja alcançar com a mensagem ora transmitida. Intenções essas
materializadas sob a forma de um texto informativo, instrutivo, persuasivo, humorístico,
didático, dentre outros. Desta feita, torna-se imprescindível que o emissor parta deste
princípio: o que se busca mediante o trabalho com a linguagem?
Tais pressupostos tendem a se reafirmar quando comparados à fala de José
Saramago:

As palavras são apenas pedras a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é


para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é o que importa. (Apud
DUARTE V. M. N. 2018)

Numa transcrição do metafórico para o sentido real, temos que “as pedras” que
atravessam a corrente de um rio nada mais são que o acervo lexical que a língua nos
proporciona e este acervo vai se incorporando ao nosso vocabulário à proporção que

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desenvolvemos o hábito de leitura. Mas elas não são suficientes para chegarmos “à outra
margem do rio”, pois neste ínterim também estão correlacionados dois outros fatores de
considerável relevância – os conhecimentos linguísticos (gramaticais) e o próprio
conhecimento de mundo –, sendo que este último envolve o condicionante social, haja vista
que para discorrermos acerca de um determinado assunto, temos que, necessariamente,
elencar os argumentos que a ele faz referência.
Numa transcrição do metafórico para o sentido real, temos que “as pedras” que
atravessam a corrente de um rio nada mais são que o acervo lexical que a língua nos
proporciona e este acervo vai se incorporando ao nosso vocabulário à proporção que
desenvolvemos o hábito de leitura. Mas elas não são suficientes para chegarmos “à outra
margem do rio”, pois neste ínterim também estão correlacionados dois outros fatores de
considerável relevância – os conhecimentos linguísticos (gramaticais) e o próprio
conhecimento de mundo –, sendo que este último envolve o condicionante social, haja vista
que para discorrermos acerca de um determinado assunto, temos que, necessariamente,
elencar os argumentos que a ele faz referência.

6 O PROCESSO DE PRODUÇÃO TEXTUAL

Para alguns, escrever é um dom, para outros, depende da inspiração de cada um.
Segundo Koch & Elias (2010, p. 32), “essa pluralidade de respostas nos faz pensar que o
modo pelo qual concebemos a escrita não se encontra dissociado do modo pelo qual
entendemos a linguagem, o texto e o sujeito que escreve”. Isto é, a nossa visão sobre a
escrita se dá em função do modo como olhamos para os elementos chave desse processo.
A partir disso, Koch & Elias (2010) ainda discorrem sobre as concepções que surgem
com base nos diferentes enfoques dados à escrita. A primeira concepção apresentada é
aquela que tem como foco a língua. De acordo com as autoras, um sujeito que detém seu
foco na língua vê a linguagem como um sistema acabado e inalterável e, portanto,
compreenderá o texto a partir dessa perspectiva, ou seja, o verá como um produto pronto,
uma escrita de códigos a serem decodificados, negando qualquer implicitude.
Outra concepção apresentada pelas autoras é aquela que tem como foco o escritor.
Sob esse viés, a linguagem é entendida como expressão do pensamento e, por isso, o texto
tende a ser visto como uma representação de ideias do autor, sem a pressuposição de uma

19
interação ou interlocução, considerando apenas o indivíduo (escritor) em si e ignorando
qualquer relação com um suposto leitor.

Fonte:soumamae.com.br

Já a terceira concepção abordada pelas autoras é a que tem como foco a interação
e servirá de base para compreendermos o processo de produção textual. “Nessa
concepção interacional (dialógica) da língua, tanto aquele que escreve como aquele para
quem se escreve são vistos como atores/construtores sociais, sujeitos ativos que -
dialogicamente - se constroem e são construídos no texto [...]” (KOCH; ELIAS, 2010, p. 34).
Dessa forma, entende-se que a escrita não é um processo individual e rígido, mas, pelo
contrário, coletivo e flexível, pois não é algo relativo somente à linguagem ou ao escritor,
trata-se de um conjunto que envolve, além de aspectos linguísticos e intenções do autor,
um interlocutor.
Mas, então, o que configura um texto? A escrita precisa fazer sentido para ser texto;
um exemplo disso é quando escrevemos palavras soltas com o objetivo de não nos
esquecermos de algo, como o nome de um lugar em que precisamos ir, o nome de um
material de aula que precisamos levar, entre outras. Essas palavras vão fazer sentido para
nós, que escrevemos com essa intenção específica, mas se perdermos o papel em que
anotamos essas palavras e outra pessoa o encontrar, provavelmente aquilo que estiver

20
escrito não fará sentido nenhum para esse leitor. Isso porque “um texto não existe, como
texto, a menos que alguém o processe como tal” (BEAUGRANDE apud MARCUSCHI,
2008, p. 89). E é neste ponto que está a complexidade da escrita: precisamos nos fazer
entender por meio dela.
Conforme Marcuschi (2008), para se produzir um texto, é necessário entendimento
sobre o funcionamento da língua, do sistema linguístico. Isso pelo fato de que “[...] o texto
não é um puro produto nem um simples artefato pronto; ele é um processo e pode ser visto
como um evento comunicativo sempre emergente” (MARCUSCHI, 2008, p. 242). E
tomando o texto como um evento comunicativo, precisamos organizá-lo como tal, tendo em
vista a finalidade e o leitor que se pretende alcançar, o que significa saber utilizar os
recursos linguísticos em função do seu objetivo textual. Como afirma Koch (2016, p. 7), “o
processo de produção textual, no quadro das teorias sociointeracionais da linguagem, é
concebido como atividade interacional de sujeitos sociais, tendo em vista a realização de
determinados fins”.
Assim, um texto, para cumprir sua função como tal, precisa ser compreendido não
só por quem o escreve, mas essencialmente por quem o lê, para que seu objetivo seja, de
fato, alcançado. Por isso, quando escrevemos um texto, devemos sempre ter em mente o
porquê de estarmos escrevendo e para quem o estamos fazendo. Nesse contexto, é
importante pressupor “leitores que vão dialogar com o texto produzido: concordar e
aprofundar ou discordar e argumentar, tomando o texto como matéria-prima para seu
trabalho” (GUEDES, 2009, p. 90), pois, assim, tomamos mais cuidado para não expressar
ideias confusas ou escrever um emaranhado de frases desconexas. Afinal, “[...] o texto não
é uma caixinha de surpresas ou algum tipo de caixa preta. Se assim fosse, ninguém se
entenderia e viveríamos em eterna confusão. Há, pois, limites para a compreensão textual”
(MARCUSCHI, 2008, p. 242).
Quanto à clareza de nossas ideias no texto, há outro fator que precisa ser observado:
como são transcritas as abstrações. Quando estamos nos expressando verbalmente,
podemos utilizar vários recursos que podem nos ajudar a nos exprimir da forma que
pretendemos, como gestos, expressões faciais e corporais, entre outros. Já na escrita
esses recursos precisam entrar no texto, seja por meio da escolha das palavras ou dos
sinais de pontuação, para dar conta de externar adequadamente aquilo que pensamos. Daí

21
a importância de sabermos o funcionamento do sistema linguístico, para que saibamos nos
expressar adequadamente, sendo compreendidos da mesma forma.
Ao dizer que as palavras soltas que escrevemos com objetivos específicos não
configuram textos, não se está afirmando que um texto não pode ser constituído de uma só
palavra; é o que se pode observar no exemplo da placa de trânsito PARE (KOCH, 2016).
Mesmo tendo apenas uma palavra, qualquer pessoa, ao ver a placa de trânsito PARE em
qualquer lugar, sabe o que ela significa. Isso evidencia que um sentido global pode, sim,
estar atrelado a uma única palavra.

Na verdade, o texto é um objeto complexo que envolve não apenas operações


linguísticas como também cognitivas, sociais e interacionais. Isso quer dizer que na
produção e compreensão de um texto não basta o conhecimento da língua, é
preciso também considerar conhecimentos de mundo, da cultura em que vivemos,
das formas de interagir em sociedade (KOCH; ELIAS, 2016, p. 15, Apud SANTOS
B. R. 2018).

Então, o que faz com que saibamos a sua significação não é somente o
entendimento que temos da palavra, que engloba o seu significado dicionarizado e sua
classificação gramatical, mas é um conjunto - de conceito, contexto de situação e
conhecimento de mundo. Pode parecer estranho considerar uma palavra um texto, mas o
número de palavras ou o tamanho delas não é um dos critérios para textualidade. Os
critérios gerais da textualidade, definidos primeiramente por Beaugrande e Dressler, em
1981 (apud MARCUSCHI, 2008), dizem respeito a coesão, coerência, intencionalidade,
aceitabilidade, situacionalidade, intertextualidade e informatividade.
Mas o que compreende cada um desses critérios? Coesão e coerência, embora
sejam semelhantes e, muitas vezes, confundidos, tratam de aspectos distintos do texto.
Segundo Marcuschi (2008), coesão se refere aos elementos de estruturação do texto, ou
seja, é por meio dos elementos de coesão que se constrói o sentido do texto, pois são eles
que conectam as ideias e fazem com que o texto flua. Já a coerência diz respeito às
relações de sentido que se estabelecem de diversas maneiras, não de forma explícita ou
em razão da estrutura sintática, mas em relação à ligação interna entre os enunciados, que
permite entendermos uma parte em função de outra, seja por estarem tratando de um
mesmo assunto ou de ideias conexas.
Os outros critérios para a textualidade citados pelo autor são: a intencionalidade, que
tem a ver com o que se pretende dizer, com qual objetivo e para quem; a aceitabilidade,

22
que está associada ao ato de convencer por meio das palavras, de modo a conduzir o leitor
a aceitar o que é dito; a situacionalidade, que está relacionada ao contexto em que o texto
é produzido; a intertextualidade, que é trazer ideias de outros autores, tanto para
incrementar o texto quanto para dar credibilidade ao que se diz; e a informatividade, que
tem relação com a quantidade de informações contidas no texto.
Ainda, em relação à intertextualidade, cabe destacar que o texto é dialógico em todos
os sentidos, tanto na relação entre os sujeitos sociais envolvidos, como também na
perspectiva de que nada do que é dito é próprio e exclusivo de quem profere, nossos
discursos dialogam entre si e com os outros.

7 O QUE É UM TEXTO?

Um texto é, maioritariamente, um conjunto organizado de palavras, que formam


frases, que formam parágrafos, que formam o próprio texto. Essa unidade estruturada
apresenta um sentido completo e tem um objetivo comunicativo.
O conceito de texto, contudo, tem vindo a ser alargado ao longo do tempo,
abrangendo não só textos escritos e verbais, como também textos orais e visuais. O mais
importante é que haja uma intenção comunicativa definida e que apresente um sentido
completo.

Tipos de texto
Os textos podem ser classificados em tipos textuais, conforme a finalidade e as
características que apresentam.

Texto narrativo
Um narrador conta uma história formada por uma sucessão de acontecimentos reais
ou imaginários estruturados em introdução, desenvolvimento e conclusão. O enredo da
história é vivenciado por personagens num determinado tempo e espaço.
É caracterizado por narrar uma história, ou seja, contar uma história através de uma
sequência de várias ações reais ou imaginárias. Essa sucessão de acontecimentos é
contada por um narrador e está estruturada em introdução, desenvolvimento e conclusão.

23
Ao longo dessa estrutura narrativa são apresentados os principais elementos da narração:
espaço, tempo, personagem, enredo e narrador.

Fonte: blog.sindiclubesp.com.br

Texto descritivo
É feita uma descrição de um objeto, ser, pessoa, paisagem, situação… que permite
ao leitor criar uma imagem mental do que está sendo descrito. A descrição pode ser mais
objetiva, focando aspectos físicos, ou mais subjetiva, focando aspectos psicológicos e
emocionais. Pode ainda ser sensorial, visando provocar diferentes sensações no leitor.
É caracterizado por descrever algo ou alguém detalhadamente, sendo possível ao
leitor criar uma imagem mental do objeto ou ser descrito, de acordo com a descrição
efetuada. Descrição essa, tanto dos aspectos mais importantes e característicos que
generalizam um objeto ou ser, como dos pormenores e detalhes que os diferenciam dos
outros.
Não é, por norma, um tipo de texto autônomo, encontrando-se presente em outros
textos, como o texto narrativo. Passagens descritivas ocorrem no meio da narração quando
há uma pausa no desenrolar dos acontecimentos para caracterizar pormenorizadamente

24
um objeto, um lugar ou uma pessoa, sendo um recurso útil e importante para capturar a
atenção do leitor.

Texto dissertativo
É feita uma exposição clara, objetiva e rigorosa sobre um determinado assunto, com
o objetivo de informar e esclarecer o leitor. Um texto dissertativo-expositivo não procura
convencer o leitor, dado que pretende apenas expor um ponto de vista. Já um texto
dissertativo-argumentativo pretende persuadir o leitor, convencendo-o a concordar com a
tese defendida.
Tem como objetivo persuadir e convencer, ou seja, levar o leitor a concordar com a
tese defendida. É expressa uma opinião crítica acerca de um assunto, sendo defendida
uma tese sobre esse assunto através de uma argumentação clara e objetiva, fundamentada
em fatos verídicos e dados concretos.

Texto explicativo
É fornecida uma informação acerca de um determinado procedimento visando
instruir e guiar a ação do leitor. Mediante o grau de obrigatoriedade no cumprimento das
instruções dadas, pode ser considerado injuntivo ou prescritivo. Os textos explicativos
injuntivos permitem que haja uma certa liberdade de atuação do leitor. Já os textos
explicativos prescritivos limitam a liberdade do leitor, exigindo que se proceda de um
determinado modo.
São textos cuja finalidade é a instrução do leitor. Não só fornecem uma informação,
como incitam à ação, guiando a conduta do leitor.
Embora considerados sinônimos por alguns autores, podemos distinguir os textos
injuntivos dos textos prescritivos devido ao grau de obrigatoriedade existente no
seguimento das instruções dadas. Os textos injuntivos informam, ajudam, aconselham,
recomendam e propõem, dando alguma liberdade de atuação ao interlocutor. Os textos
prescritivos obrigam, exigem, ordenam e impõem, exigindo que as determinações sejam
cumpridas da forma que estão referidas, sem margem para alterações.

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Texto injuntivo e texto prescritivo

São textos cuja finalidade é a instrução do leitor. Não só fornecem uma informação,
como incitam à ação, guiando a conduta do leitor.
Embora considerados sinônimos por alguns autores, podemos distinguir os textos
injuntivos dos textos prescritivos devido ao grau de obrigatoriedade existente no
seguimento das instruções dadas. Os textos injuntivos informam, ajudam, aconselham,
recomendam e propõem, dando alguma liberdade de atuação ao interlocutor. Os textos
prescritivos obrigam, exigem, ordenam e impõem, exigindo que as determinações sejam
cumpridas da forma que estão referidas, sem margem para alterações.

Texto injuntivo
O texto injuntivo (ou instrucional) apresenta as seguintes características:
 Instrui o leitor acerca de um procedimento;
 Induz o leitor a proceder de uma determinada forma;
 Permite a liberdade de atuação ao leitor;
 Utiliza linguagem objetiva e simples;
 Utiliza predominantemente verbos no infinitivo, imperativo ou presente do indicativo
com indeterminação do sujeito.
Exemplos: receita culinária, bula de remédio, manual de instrução, livro de
autoajuda, guia rodoviário, …

Texto prescritivo
O texto prescritivo apresenta as seguintes características:
 Instrui o leitor acerca de um procedimento;
 Exige que o leitor proceda de uma determinada forma;
 Não permite a liberdade de atuação ao leitor;
 Apresenta caráter coercitivo;
 Utiliza linguagem objetiva e simples;
 Utiliza predominantemente verbos no infinitivo, imperativo ou presente do indicativo
com indeterminação do sujeito.

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Exemplos: cláusulas contratuais, leis, códigos, constituição, edital de concursos
públicos, regras de trânsito, …

8 GÊNEROS TEXTUAIS

Os aspectos gerais dos tipos de texto acima descritos concretizam-se, no dia a dia,
em textos que apresentam uma intenção comunicativa bem definida. Esses textos, usados
em situações cotidianas de comunicação, são chamados de gêneros textuais:
 Notícias;
 Entrevistas;
 Reportagens
 Cartas;
 E-mails;
 Contos;
 Romances;
 Crônicas;
 Lendas;
 Receitas;
 Verbetes de dicionário;
 Manuais de instruções;
 Bulas de medicamento;
 Listas de compras;

8.1 Textos literários e textos não literários

Dos gêneros de textos acima referidos, facilmente se consegue compreender que


alguns são considerados textos literários, como os romances, os contos, as lendas, e outros
são considerados textos não literários, como as notícias, as entrevistas, as receitas, as
bulas dos medicamentos, …
Um texto literário tem como principal objetivo entreter o leitor, possuindo uma função
estética. Faz uma recriação subjetiva e pessoal da realidade, sujeita a várias interpretações.

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Utiliza uma linguagem polissêmica e conotativa, bem como diversas figuras de linguagem
e outros recursos estilísticos e expressivos, visando despertar emoções no leitor.
Um texto não literário tem como principal objetivo fornecer uma informação objetiva
e real, possuindo uma função utilitária. Transmite fatos de forma impessoal, usando uma
linguagem denotativa e clara, sem recursos expressivos que possam prejudicar a
compreensão do conteúdo do texto.

Fonte: www.google.com

Produção de texto
A produção textual é um processo complexo que mobiliza diversas capacidades e
conhecimentos de escrita. Tem como objetivo transmitir uma mensagem, cumprindo uma
finalidade comunicativa.
Para uma eficaz produção de texto, é importante que o autor entenda bem o assunto
sobre o qual vai escrever, bem como qual será o propósito comunicativo do texto. Conhecer
os diferentes tipos de texto é também essencial para que possa utilizar uma estrutura que
mais se adéque ao objetivo do texto. Por fim, é imprescindível que se domine o código
escrito da língua portuguesa e que se escreva com coesão e coerência.

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A produção de um texto estrutura-se em três procedimentos complementares e
indispensáveis: o planejamento do texto, a escrita do texto e a revisão do texto.

9 COMO ENSINAR OS ALUNOS A ESCREVER DE FORMA CLARA?

Estabeleça objetivos compatíveis com a série escolar

O desenvolvimento da competência de escrita é um processo longo. Nele, está


envolvido o domínio de uma série de conhecimentos linguísticos e gerais adquiridos
gradualmente, no decorrer da escolaridade. Entre as qualidades que contribuem para a
proficiência na escrita, podemos destacar:
 Vocabulário;
 Bom uso da pontuação e da gramática;
 Compreensão da finalidade e da estrutura de cada gênero textual.
Portanto, essa habilidade é desenvolvida à medida que o aluno tem contato com os
conteúdos acima e, principalmente, aprende a aplicá-los na comunicação. Por esse motivo,
os objetivos referentes à produção textual precisam ser estabelecidos de forma
progressiva, coerente com o nível de ensino. Eles devem desafiar o aluno a alcançar um
novo patamar, mas sempre de acordo com suas possibilidades.

Destaque a leitura no processo de aprendizagem


O ser humano tem, naturalmente, o impulso da comunicação. Aprendemos a falar a
partir da nossa interação com falantes. Quando se trata da escrita, esse diálogo acontece
por meio da leitura.
Por isso, o primeiro passo para formar escritores competentes é criar bons leitores.
À medida que o aluno aprecia e valoriza tudo o que recebe por meio da leitura, ele se sente
estimulado a compartilhar suas próprias experiências, percepções e opiniões por meio da
escrita. Portanto, trata-se da construção de significado e valor (do “por que escrever”).
A partir do momento em que dá aos estudantes uma motivação para escrever, a
leitura passa a desempenhar outros papéis. Ela veicula informações e amplia o repertório
do aluno, fazendo com que ele tenha “o que escrever”. Finalmente, essa prática o
familiariza com os diferentes gêneros textuais, para que ele saiba “como escrever”.

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Escolha estratégias efetivas para o grupo

Assim como os objetivos, as estratégias utilizadas devem ser compatíveis com a


série e o nível de desenvolvimento dos estudantes. É essencial fornecer estímulos
adequados a cada faixa etária, promovendo o engajamento e despertando o prazer de
compartilhar pensamentos ou experiências por meio da escrita.
Para ensinar os alunos a escrever de forma clara ou proficiente, a produção textual
precisa ser muito bem planejada e executada. É necessário que ela seja o ponto culminante
de um processo de aprendizagem — e não uma atividade isolada.

Torne a produção textual consciente

A atividade de escrita deve ser desenvolvida de forma consciente. Isso significa que
o estudante precisa, em primeiro lugar, ter um objetivo claro ao desenvolvê-la. Qual é o
propósito do texto que será construído? Ele vai contar uma história? É preciso convencer o
leitor de determinada ideia ou posicionamento? Será narrado um fato, uma ocorrência?
Pretende-se emocionar, divertir ou informar?
A partir dessa definição, o estudante pode estabelecer o gênero textual mais
apropriado para alcançar seu objetivo. Mais do que isso, ele deve conhecer a estrutura e
os elementos de cada um deles, além de aprender a usá-los de modo a transmitir sua
mensagem.
Portanto, o professor ensina a planejar e executar as diferentes etapas da produção
textual, como título, enredo e estrutura. Depois, ele atua como orientador na escrita
do conteúdo e na revisão do texto. À medida que se torna cada vez mais consciente desse
processo, o aluno adquire a capacidade de realizar esse ciclo sozinho no futuro.

Forneça subsídios

Professores e alunos estão em um processo constante de construção de


conhecimento. Mesmo quem já concluiu várias etapas de ensino se depara com assuntos
que não conhece, além de temas novos e desafiadores, que exigem pesquisa e estudo.

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Por esse motivo, todo trabalho de escrita deve ser precedido de um preparo. É
extremamente produtivo explorar o tema da produção por diferentes perspectivas: vídeos
e análises de imagens ou textos de vários gêneros (jornalísticos, charges, quadrinhos,
poesias), além de uma ampla discussão.
Recorra à tecnologia
A tecnologia é uma fonte infinita de pesquisa, na qual o educador consegue
encontrar todos os recursos necessários para a etapa anterior. Eles estão não só nos sites
abertos da internet, mas também em plataformas desenvolvidas especificamente para
contribuir com o trabalho do professor.
Além de ser uma fonte de conhecimento, a tecnologia desempenha outro papel
fundamental: o de veículo de compartilhamento. Afinal, os textos são produzidos pensando
sempre em um destinatário.
O jornal escreve para seus leitores, a mensagem de aplicativo é destinada aos
amigos, o autor do livro tem um público em mente. Sem um destinatário, a produção se
torna desestimulante. Planejar, escrever e revisar para ver o produto arquivado em uma
gaveta, na maioria das vezes, faz o escritor entender que o esforço não vale a pena.
Nesse sentido, a web ganha destaque. O educador pode criar espaços virtuais que
reúnem diferentes grupos de alunos, nos quais as produções são publicadas e discutidas.

Mostre a importância da revisão

Além de planejar e escrever o texto, o aluno precisa ser ensinado a revisá-lo e


reescrevê-lo. Essas ações também fazem parte da produção e contribuem para que o
escritor se certifique de que as ideias foram expressas de acordo com seus objetivos. Para
tanto, a revisão não pode ser apenas ortográfica ou gramatical. O desenvolvimento da
capacidade de enxergar o texto com os olhos do leitor e de identificar pontos que não estão
claros ou transmitindo a ideia que o escritor intencionava deve começar cedo.
Há muitas formas de desenvolver esse olhar, inclusive trabalhando em grupos. Já
no Ensino Fundamental, os alunos podem receber trechos que necessitem de
aperfeiçoamento, discuti-los em grupo e reelaborar uma escrita em conjunto. Com o passar
do tempo, o professor deve incentivá-los a fazer essa revisão e reescrita por meio de troca
e, finalmente, a demonstrar tal consciência em relação à própria produção.

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10 ELABORAR BONS TEXTOS EXIGE, ENTRE OUTRAS COISAS, TÉCNICA,
COERÊNCIA E CRIATIVIDADE

Produção de textos pode ser mais fácil do que muitos imaginam. Conseguir colocar
no papel de maneira clara e objetiva um pensamento ou ideia relacionada a determinado
assunto exige apenas estudo e prática. Para isso, é importante utilizar algumas regras que
contribuirão para deixar o conteúdo escrito coeso, interessante e de fácil entendimento.
Produzir textos de qualidade pode ser um grande diferencial para os estudantes que
estão se preparando para o vestibular em busca de uma vaga na universidade.
Mas, o que é preciso para elaborar bons textos?

Fonte: universoracionalista.org

10.1 Leitura e produção de textos

Primeiro é fundamental ter noção da importância da leitura para uma boa escrita.
Quem tem o hábito de ler, seja livro, revista, jornal, blog, etc., consegue desenvolver
uma excelente capacidade de produção de textos. Isso porque a leitura estimula a mente,

32
aprimora o repertório cultural com novas informações, expande o vocabulário, sendo
possível conhecer uma variedade de novas palavras e seus significados.
Tudo isso contribui para que, na produção de textos, seja possível elaborar um
conteúdo mais relevante, eloquente e persuasivo.
Para isso, ninguém precisa se ver obrigado a ler sobre absolutamente tudo, de
imediato, para conseguir produzir os melhores textos. Uma dica para começar a criar o
hábito da leitura é escolher assuntos de acordo com as preferências pessoais. Por exemplo,
ler revistas sobre o estilo musical favorito; matérias sobre novos games, para quem gosta
de jogos e tecnologia; textos sobre o universo da moda e beleza; livros com histórias de
ficção; entre outros.
Dessa forma, a leitura não será vista como uma obrigação, e sim, como um prazer.
Consequentemente, isso impactará de forma positiva na produção de textos bons, atrativos
e interessantes.

Estrutura dos textos


Todos os tipos de textos são estruturados em três
partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. Porém, não se deve esquecer de um
detalhe muito importante: o título.
O título é uma parte fundamental no texto, pois é ele que pode chamar a atenção e
atrair para a leitura do conteúdo. Muitas pessoas, deixam para definir o título após a
produção do texto, enquanto outras deixam para elaborá-lo depois. Não há uma regra
definida para isso.
A introdução deve conter os principais pontos sobre o assunto que será abordado no
decorrer do texto. Nesse momento, o leitor terá uma noção geral do tema e a importância
da sua abordagem.
Para que essa primeira parte do texto seja atrativa e prenda a atenção de quem está
lendo é imprescindível usar a criatividade e, a depender do tema, aspectos que mostrem o
impacto do assunto para a sociedade.
Na sequência vem o desenvolvimento. É a parte do texto onde estarão
os argumentos que reforçarão o que foi introduzido no primeiro parágrafo. Pode-se usar
fatos de conhecimento geral, dados estatísticos e/ou exemplos reais, sem excessos, para
que o texto não perca a atratividade.

33
Por fim, a conclusão, que como o próprio nome diz, encerra o texto e conterá um
resumo objetivo de tudo que foi abordado, além de uma proposta de solução para o
problema.
Nas redações de vestibular, é comum o limite de 30 linhas para o texto. Nesse caso,
a estrutura pode ser dividida da seguinte forma:
 Introdução: média de cinco linhas
 Desenvolvimento: média de 14 a 18 linhas
 Conclusão: média de quatro a seis linhas

10.2 Dicas para facilitar a produção de textos

Além de todas as técnicas citadas acima, as características que determinam um bom


texto perpassam, principalmente, pela coesão e coerência.
Apresentar ideias que sigam uma linha de raciocínio lógico, sem contradições, com
o uso correto das regras gramaticais e de concordância, são fundamentais para alcançar
um texto de qualidade.
Algumas dicas que poderão ajudar a desenvolver a capacidade de produção de
textos:
 Criar o hábito de ler, inicialmente sobre assuntos de preferência, expandindo para
leitura sobre temas diversos;
 Conhecer os tipos de texto;
 Usar a criatividade, explorando o que for possível de acordo com o tema;
 Ter atenção com as regras gramaticais. Um texto com erros desse tipo não passa
credibilidade;
 Usar uma linguagem adequada, sem gírias ou palavras informais;
 Evitar repetir palavras, utilizando-se de sinônimos para enriquecer o texto;
 Ser coeso e coerente para não fugir do tema escolhido.
Assim como em relação à leitura, pode-se iniciar a produção de textos sobre os
temas que mais gosta e, aos poucos, começar a abordar assuntos de impacto social,
ligados à saúde, educação, segurança, meio ambiente, política, esportes, entre outros.
Acompanhar os jornais e o que está sendo debatido nas rodas de conversa e redes sociais
também é importante para ter um parâmetro no momento da produção de textos.

34
Desta forma, será possível assimilar as técnicas, corrigir possíveis erros ou
equívocos, aumentar a capacidade crítica e avaliar o seu próprio desenvolvimento.
Produção de textos não é um “bicho de sete cabeças” e pode ser aprendida por
qualquer um que esteja disposto. Esse aprendizado só trará benefícios e será levado para
toda a vida, da escola à faculdade e na vida profissional. Além disso, saber escrever bem
pode também ser considerado um importante diferencial, inclusive, no momento do
processo seletivo.

11 A PRODUÇÃO DE TEXTO COMO PRÁTICA SOCIAL

Quantas vezes já ouvimos que “escrever é um dom”, que “só os dotados pela
natureza escrevem bons textos” ou ainda que “escrita é inspiração”? Se não com essas
palavras, certamente já nos deparamos com a ideia expressa por elas. Mas, será mesmo
que só escrevem bem uns poucos privilegiados?
Estudantes de todos os níveis de ensino relatam dificuldades para escrever,
tornando-se um desafio para os educadores, em curtos períodos letivos, não só motivar os
estudantes a praticar a produção textual, mas também a obter resultados positivos no que
se refere à competência dos textos produzidos.
Tratamos a produção de texto como prática social e interacional, levando em conta
determinado interlocutor no processo de escrever. Abordamos também algumas
estratégias para o desenvolvimento das ideias e a organização do texto, além de
ressaltarmos a importância da coesão e da coerência para a interligação e associação dos
elementos que compõem o texto, concatenando as ideias nele contidas.

11.1 O processo de escrever

A concepção interacional que vimos apresentando para entender a linguagem e o


texto nos impede de abordar a prática de produção de texto apenas com foco na língua ou
no autor do texto. Considerando o caráter dialógico da língua, é possível compreender que,
tanto aquele que escreve um texto, quanto o leitor desse texto são construtores sociais que,
no processo de interação, dão sentido à escrita.

35
Como observa Antunes (2005), “não tem sentido escrever quando não se está
procurando agir com outro, trocar com alguém alguma informação, alguma ideia, dizer-lhe
algo, sob algum pretexto”. Ou seja: ao escrever, o autor deve pensar em seu leitor, com
foco na interação. Escrever sob essa perspectiva significa abandonar o foco na língua ou
no escritor.
Koch e Elias (2018, pp. 32-33) explicam que subjacente à concepção de escrita com
foco na língua encontra-se uma ideia de linguagem como um sistema pronto, acabado,
devendo o escritor se apropriar desse sistema e de suas regras. O texto, nesse caso, é
visto como simples produto de uma codificação realizada pelo escritor e decodificado pelo
leitor, bastando, para isso, conhecer a língua.
Por outro lado, o foco no escritor implica em que a atividade de escrever é entendida
como representação do pensamento, subordinada a um “sujeito psicológico, individual,
dono e controlador de sua vontade e de suas ações”. O texto é visto como um produto do
pensamento do escritor e a escrita expressa esse pensamento. Com esse entendimento, o
autor não leva em conta as experiências e o conhecimento do leitor nem a interação
presente no processo de escrever.
Ainda de acordo com as autoras, compreender a escrita como produção textual
“significa dizer que o produtor, de forma não linear, ‘pensa’ no que vai escrever e em seu
leitor, depois escreve, lê o que escreveu, revê ou reescrever o que julga necessário, em um
movimento constante e on-line guiado pelo princípio interacional” (KOCH; ELIAS, 2018, p.
34). Dessa forma, a escrita pode ser entendida como:

[...] atividade de produção textual que se realiza, evidentemente, com base nos
elementos linguísticos e na sua forma de organização, mas requer, no interior do
evento comunicativo, a mobilização de um vasto conjunto de conhecimentos do
escritor, o que inclui também o que esse pressupõe ser do conhecimento do leitor
ou do que é compartilhado por ambos (TORRANCE; GALBRAITH, 1999 apud
KOCH, ELIAS, 2018, p.35, Apud LÓPEZ M. S. 2018).

Textos são muito mais do que simples formas, mais do que palavras ou conjunto de
palavras, mais do que frases isoladas ou combinadas de uma determinada forma. O texto
é onde ocorre a interação e, portanto, só ganha existência dentro de um processo
interacional, sendo o produto de uma coprodução entre interlocutores.
Por isso, escrever não se trata de dominar a língua enquanto uma forma, mas sim
saber como usá-la de maneira adequada e competente para ser compreendido. Trata-se

36
de escrever textos, o que não significa desconsiderar o aspecto linguístico e sim usar esse
conhecimento para produzir textos socialmente relevantes, de um determinado gênero,
com objetivos claros, supondo um leitor.

Fonte:oantesdeamanha.wordpress.com

Além do conhecimento linguístico (ortografia, gramática, léxico da língua), segundo


Koch e Elias (2018), o escritor ativa outros tipos de conhecimento ao escrever, tais como o
conhecimento enciclopédico (sobre coisas do mundo, vivências e experiências) e o
conhecimento de textos e conhecimentos interacionais. O processo de produção de
sentidos ocorre quando o leitor coloca seus conhecimentos em interação com os conteúdos
do texto e, assim, vai construindo sua interpretação do que é dito.
Para entendermos melhor o processo de escrever, nos valemos novamente de
Antunes (2005). A autora nos explica que da compreensão do que seja escrever derivam
as práticas da escrita. Ela nos apresenta algumas noções sobre o que caracteriza a
atividade de escrever. Vamos a elas:
 Escrever é uma atividade de interação.
 Escrever é uma atividade cooperativa.
 Escrever e uma atividade contextualizada.
 Escrever é uma atividade necessariamente textual.

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 Escrever é uma atividade tematicamente orientada.
 Escrever é uma atividade intencionalmente definida.
 Escrever é uma atividade que envolve, além de especificidades linguísticas, outras
pragmáticas.
 Escrever é uma atividade que se manifesta em gêneros particulares de textos.
 Escrever é uma atividade que retoma outros textos.
 A escrita é uma atividade em relação de interdependência com a leitura.

11.2 Estratégias para produzir textos

Produzir textos relevantes e adequados aos vários propósitos interativos é uma


tarefa perfeitamente possível, desde que haja compromisso e dedicação e muita prática
daquele que almeja uma escrita mais proficiente. Escrever bem significa desenvolver
habilidades, cada um no seu tempo e ritmo, para produzir textos que cumpram com seus
objetivos de comunicação.
Antunes explica que o sucesso de na elaboração de um texto escrito supõe etapas
de idas e vindas, etapas interdependentes e intercomplementares, que acontecem desde
o planejamento, passando pela escrita, até o momento posterior da revisão e da reescrita.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais também relacionam as etapas da produção
textual. Vejamos quais são.

Etapas da produção textual

 Estabelecimento de tema;
 Levantamento de ideias e dados;
 Planejamento;
 Rascunho;
 Revisão;
 Versão final.

Quando escrevemos, procuramos fazê-lo de forma articulada, encadeando ideias,


ligando palavras, períodos, parágrafos, de forma a dar continuidade ao texto e não deixar

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nada solto. Buscamos um fio condutor para expressar nossas ideias e nos fazer entender.
Assim, conforme Antunes, o texto vai sendo tecido, numa unidade possível de ser
interpretada. A normalidade dos textos com que interagimos são aqueles em que se
reconhece um tipo qualquer de continuidade, de articulação (2005, p. 46).

11.3 Produção textual na escola

Durante muito tempo, o ensino da escrita foi alicerçado no ensino da língua


portuguesa. Assim, para escrever, uma criança deveria se apropriar da escrita do português
e, para isso, partia-se das menores unidades (letra, sílaba, palavra) até chegar nas
unidades maiores (frase/oração/texto). Inicialmente, produzir textos na escola era
entendido como saber utilizar uma escrita correta, seguir as regras gramaticais e
ortográficas, insistindo-se nas aulas de análises morfológica e sintática de palavras e frases
isoladas. Como nos explica Marcushi (2010), os textos eram compreendidos como um
agrupamento de palavras e frases, e para escrevê-los bastava que os alunos aprendessem
a escrever e, depois de alfabetizados, aprendessem a juntar frases gramaticalmente
corretas.
Na atualidade, aprender um gênero implica em escolher adequadamente os
objetivos que desejamos alcançar ao escrever ou falar. O objetivo principal da produção de
textos na escola passou a ser a participação ativa e crítica do estudante na sociedade. Daí
a importância de a escola propor situações de produção que se reportem a práticas sociais
e a gêneros textuais que existem de fato, que circulem socialmente e sejam passíveis de
serem reconstituídos, ainda que parcialmente, em sala de aula.

Mais recentemente, ensinar produção de texto na escola significa também trabalhar


com o uso de outras linguagens que não só a verbal, para privilegiar letramentos
múltiplos, práticas plurais, culturalmente sensíveis e significativas à formação de
cidadãos protagonistas (MARCUSHI, 2010, Apud LÓPEZ M. S. 2018).

A compreensão de que a linguagem se efetua na relação de interação por meio dos


diversos gêneros que circulam socialmente nos impede de aceitar que a produção de textos
seja apenas algo mecânico, ou de que a língua escrita é meramente um código que
materializa a fala. A ótica sociointeracionista nos leva a entender o trabalho de produção
de textos, não mais como uma atividade mecânica, mas como prática social, pois a

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interação se manifesta por meio de textos que circulam socialmente e não por meio de
frases sem nexo e isoladas.
Durante muito tempo, a produção textual em sala de aula teve o objetivo de colocar
em prática os conhecimentos gramaticais adquiridos pelos alunos. O processo de ensino e
aprendizagem focado, basicamente, nos aspectos formais do texto tem como resultado
uma escrita sem objetivos, desprovida de função social, como prima a perspectiva
interacional e discursiva da língua.
Como orienta os PCNs (BRASIL, 1998), é preciso oferecer aos alunos a
oportunidade de se tornarem reais usuários da língua para atender às múltiplas demandas
sociais e responder a propósitos comunicativos, definidos de acordo com as diferentes
condições de produção textuais. Dessa forma, o trabalho com os gêneros textuais nas aulas
de produção de textos revela-se propositivo, na medida em que permite ao estudante
compreender que a escrita ultrapassa a tarefa da sala de aula, vai além da aquisição do
código e das regras gramaticais (ROSA, 2012).
Práticas inerentes ao processo ensino-aprendizagem, a leitura e a produção de
textos no âmbito escolar têm sido objetos de estudo de diversos pesquisadores. Afinal, a
escola é o primeiro lugar onde o indivíduo aprende e exercita essas práticas e é na sala de
aula que, na maioria das vezes, a atividade de ler e escrever encontra forte resistência da
parte dos estudantes, que revelam não gostar de ler e/ou de escrever.
Pesquisadores do ensino da linguagem apontam que não se tem despertado no
aluno o prazer de ler e de escrever, que é necessário fazer com que o estudante conviva
com essas práticas de forma natural, que ele tome consciência do poder transformador da
leitura e da escrita sobre a realidade social.
Nesse sentido, muito se tem discutido sobre como trabalhar os textos nas escolas e
não só nas aulas de Língua Portuguesa, já que a escola não existe sem a leitura de textos
escritos, e essa atividade permeia todas as disciplinas. Portanto, a leitura está estritamente
relacionada à escrita e é competência indispensável para a aprendizagem em cada uma
das áreas.
Qual a melhor alternativa, então, para se trabalhar visando formar leitores e
produtores de texto competentes? Quais práticas vêm se consolidando como proficientes?
O que se pode fazer para aprimorar a prática pedagógica? Pensar essas questões significa

40
buscar formas adequadas de utilizar recursos tecnológicos na educação para atender a
demanda de professores e alunos.

Fonte:razelaya.blogspot.com/

Na sociedade contemporânea, também conhecida como sociedade da informação


ou sociedade da comunicação, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs)
assumem papel preponderante em diversas esferas de atuação e o profissional que
pretende trabalhar com tecnologias educacionais deve repensar o cotidiano escolar,
buscando integrar as TICs à educação de forma criativa e inovadora.
As tecnologias educacionais deixam de ser apenas ferramentas para tornar mais
eficientes práticas e processos já utilizados, podendo constituir-se em elementos
estruturantes de diferentes metodologias de ensino, quando corretamente adequadas ao
contexto educacional em que estão inseridas. Por isso, entendemos que os estudantes
deste curso devem compreender os processos educativos e de aprendizagem para atuar
na análise e desenvolvimento de alternativas no processo de ensino-aprendizagem.
Leitura e produção de texto devem ser objeto de estudo em todos os níveis do ensino
– infantil, fundamental, médio e superior com abordagem e adequada à esfera em que estão
sendo estudadas. Ao profissional licenciado para atuar com Tecnologias Educacionais cabe
pensar como vencer as barreiras impostas pelos alunos nos diferentes níveis de ensino e

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contribuir para que essas práticas possam, efetivamente, ser instrumentos de inclusão, de
exercício da cidadania e de transformação na sociedade em que vivemos.

12 PROGRESSÃO TEXTUAL: ELEMENTO FUNDAMENTAL PARA UM BOM TEXTO

Quando você lê um texto, é possível perceber diversas características que


entrelaçam o entendimento do mesmo. Além de aspectos básicos relacionados à ortografia
correta das palavras, a concordância e a regência nominal e verbal, a acentuação e a
pontuação, existem outros aspectos fundamentais que formam a progressão textual. O
mesmo deve acontecer ao escrevermos uma redação ou outro tipo de texto, é necessário
desenvolvermos a progressividade!
Para que este elemento fundamental seja visível de forma eficaz em nossos textos,
devemos utilizar de diversos recursos linguísticos.
Mas afinal, o que é Progressão Textual?
A progressão textual é um dos aspectos que compõe a construção de um texto, se
esta não estiver presente, dificilmente você compreenderá bem o que está sendo dito, ou
ainda pior, se estiver escrevendo um texto sem as características que ela traz, não
conseguirá transmitir com eficácia o raciocínio desenvolvido ao produzir sua escrita! Para
desenvolvê-la, existem diversas formas que até você use, talvez, mas nem sempre sabe o
que é.
Primeiro, é necessário citar que ao escrever um texto você deve compreender
perfeitamente o tema e entender para quem você está escrevendo. Após identificar esses
dois pontos básicos, é necessário começar a construir uma linha de raciocínio, ou seja,
organizar as ideias a serem abordadas.
Feito isso, comece a identificar se você está inserindo itens que agregam coesão e
coerência ao texto. E a partir desse movimento será possível analisar se o seu texto possui
ou precisa melhorar os aspectos de progressividade.
Quando você insere elementos de conexão a sua redação, naturalmente você cria
progressão. Esses elementos podem reafirmar ou dar mais foco a ideias por meio das
conjunções ou advérbios, por exemplo. Ou ainda podem retomar uma informação já dita
por meio dos pronomes. Você ainda pode utilizar aspectos textuais como as figuras de
linguagem para realizar a omissão de orações ou termos ditos em um período ou frase. E

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ainda, utilizar de paralelismo para dar valor de igualdade semântica na construção de
alguma oração. Além dos aspectos citados, existem muitos outros que sim, devem ser
estudados e identificados em sua escrita para que você possa sempre construir textos com
progressividade.
A forma de organização das suas ideias, como irá desenvolver a progressão do
tema, se houver argumentação, como irá desenvolvê-la, a utilização de termos referenciais,
como irá utilizar de paráfrases para retomada de algum item já citado são aspectos
importantes que também compõem a progressão.
Dessa maneira, fica claro que falar de progressividade é muito mais que citar um
único item, pois agrega um conjunto de elementos que devem ser utilizados para conquistar
uma excelente produção textual.
Cada um dos itens citados é um “mergulho profundo” que deve ser dado, ou seja, é
fundamental estudá-los! Afinal, são elementos importantes que devem compor a sua
redação. Sem eles é impossível produzir um bom raciocínio com progressão textual
atendendo ao tema e ao público destinado. Outra informação importante é que a
progressão textual é um critério avaliado em provas discursivas de concursos e também de
vestibulares!

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13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BATISTA, Wanda. A produção de textos no contexto escolar. 2018.

DUARTE, Vânia Maria do Nascimento. A produção textual - Uma análise discursiva.


2018.

LEITE Camila. Por que aprender técnicas para a produção de texto? 2018.

_____. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2018.

LOPES Adriana. Produção de Textos. Elaborar bons textos exige, entre outras coisas,
técnica, coerência e criatividade. 2018.

LÓPEZ, Mariângela Sólla. A produção de texto como prática social. 2018.


NEVES Flávia. Texto: O que é um texto? 2018.

SANTOS, Bruna Rafaela dos. Produção textual no ensino a distância: mediação e


intervenção por meio de ferramentas on-line de edição de textos. O processo de produção
textual. 2018.

SILVA Ednaldo Gomes da. Leitura e produção textual: o desafio de ensinar a ler e
escrever textos na escola. 2018.

14 BIBLIOGRAFIA

COELHO, Fábio André. Ensino de Produção Textual. Editora: Contexto; Edição: 1ª. 2016.
ISBN-13: 978-8572449540.

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BRASILEIRO, Ada Magaly Matias. Leitura e Produção textual. Editora: Penso; Edição: 1ª.
2015. ISBN-13: 978-8584290604.
KÖCHE, Vanilda Salton. Estudo e produção de textos: Gêneros textuais do relatar,
narrar e descrever. Editora Vozes; Edição: 1ª. 2012. ISBN-13: 978-8532643643.

NETTO, Daniela Favero. Produção Textual: Formulando e Reformulando Práticas de Sala


de Aula. Editora: Paco e Littera. 2017. ASIN: B078HZYPTW.

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