Você está na página 1de 16

2

Conteúdo
Introdução...............................................................................................................................3

Breve Historial........................................................................................................................4

Tipos de licenças Ambientais.................................................................................................5

Actividade mineira segundo legislação ambiental moçambicana classifica se em:...............6

Legislação Ambiental em Moçambique.................................................................................7

Evolução da Legislação Mineira.............................................................................................8

Classificação das actividades mineiras segundo a Lei do Ambiente....................................12

Estrutura da Lei do Ambiente...............................................................................................12

Actividades Mineiras............................................................................................................13

Infracções Legais e Danos Ambientais na Mineração..........................................................14

Conclusão..............................................................................................................................16

Bibliografia...........................................................................................................................17
3

Introdução

O presente trabalho tem como tema legislação ambiental a lei do Ambiente prevê a
criação de áreas de protecção ambiental, que são submetidas a medidas específicas de
conservação e fiscalização incluindo a definição das actividades permitidas ou proibidas no
interior da área e nos seus arredores, e a definição do papel das comunidades na gestão
destas áreas
4

Breve Historial
Moçambique deu passos importantes e significativos na construção, aprovação e
desenvolvimento de um quadro jurídico sobre a protecção do ambiente.

Para além do esforço do regime constitucional, na aprovação de políticas e estratégias


e da adesão aos principais instrumentos internacionais no domínio do ambiente, vigora
entre nós uma Lei do Ambiente bastante actual, cujas bases têm vindo a ser gradualmente
regulamentadas, através de um assinalável esforço protagonizado pelo Governo. Porém,
este esforço ainda não está terminado, havendo aspectos por regulamentar que deverão
merecer atenção por parte do legislador nacional, tal como é exemplo a questão da
tipificação de crimes ambientais.

Importa ainda referir a inclusão de aspectos ambientais na diversa legislação que versa
sobre as actividades económicas, incluindo a exploração de recursos naturais.

Neste caso, também urge atender á necessidade de acautelar as questões ambientais em


alguns sectores de actividade, como, por exemplo, o da agropecuária.

Apesar do assinalável trabalho na produção de instrumentos legais, há agora que


enfrentar o sério défice que se coloca no capítulo da implementação, Por muitos apontados
como o principal desafio na construção de um Estado que se pretende de Direito.

O advento de um quadro jurídico ambiental especifico ocorre em Moçambique, tal


como aconteceu na grande maioria dos países, a seguir à sua participação na Conferência
das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, realizada na cidade do Rio de
Janeiro, em 1992. A questão ambiental tornou-se central nos discursos políticos nacionais a
partir do início da década de noventa, ganhando corpo nos anos seguintes, constituindo uma
das áreas transversais do principal instrumento programático do Governo moçambicano – o
Plano Quinquenal.

Contudo, um passo importante foi dado dois anos antes a aprovação da segunda
Constituição de Moçambique Independente, em 1990. Esta Constituição consagrou um
conjunto de normas ambientais sem correspondência no texto fundamental anterior, com
especial destaque para o preceito que reconheceu o direito fundamental ao direito
5

equilibrado e a norma que consubstanciou, ainda que muito genericamente, uma obrigação
do Estado em promover acções de protecção, conservação e valorização do ambiente.

Desde então, o País tem registado um movimento significativo no domínio jurídico


ambiental traduzido em quatro linhas fundamentais:

i. Aprovação de um conjunto significativo de legislação com importância directa ou


indirecta para a protecção e conservação do ambiente, incluindo leis da Assembleia da
República, decretos do Governo e inúmeros diplomas ministeriais;

ii. Criação de órgãos públicos específicos no domínio do ambiente ou reforço das


competências dos órgãos pré-existentes de modo a integrar um, leque cada vez mais
diversificado de atribuições e competências ambientais;

iii. Aprovação de políticas sectoriais que reflectem uma preocupação crescente com a
protecção do ambiente;

iv. Adesão a instrumentos internacionais de protecção e conservação do ambiente,


nomeadamente convenções internacionais e protocolos regionais.

Tipos de licenças Ambientais

Existem cinco (5) tipos de licenças que são

1. Licença de reconhecimento - este tipo tem o prazo máximo concedido de 2 anos


prorrogáveis, (deve ser pessoa singular ou colectiva, recurso mineral a incluir na licença,
área pretendida, prazo de exploração não superior a 2 anos, preenchimento da ficha de
6

licenciamento, normas básicas de gestão ambiental, documentos dos recursos técnico e


financiamento a disposição do requerente.

2. Licença de prospecção e pesquisa - este tipo tem 5 anos renováveis por período igual,
(deve conter programa de trabalho e orçamento mínimo, prazo pretendido não superior a 5
anos, plano de gestão ambiental.

3. Licença de concessão Mineira- este tipo tem duração de 25 anos prorrogáveis no


máximo por período igual, (deve conter dados de prospecção e pesquisa, prazo pretendido
não superior a 25anos,estudo de viabilidade económica e plano de lavra e estudo de
impacto ambiental.

4. Certificado Mineiro - tem 2 anos prorrogáveis por períodos sucessivos no máximo por
tempo igual, (deve ter dados da licença de prospecção e pesquisa, avaliação técnico-
económica, incluindo plano de lavra, plano de produção, plano de gestão ambiental, data do
inicio da produção, característica e natureza dos produtos finais.

5. Senha Mineira- tem 1 ano de prazo prorrogável por período igual, (o pedido deve
conter, identificação do requerente, pagamento da taxa de emissão, mineral a incluir na
licença, normas básicas de gestão ambiental.

Actividade mineira segundo legislação ambiental moçambicana classifica se em:


1. Os pedidos de título mineiro ou autorização estão sujeitos a classificação ambiental a ser
feita no termos da lei de minas.

2. As actividades de nível 1 serão realizadas com observância das normas básicas de gestão
ambiental a serem aprovadas por diploma ministerial conjunto dos ministros que
superintende a área dos recursos minerais, ambiente e águas, no prazo de 60 dias após a
publicação do presente regulamento.

3. As actividades de nível 2 estão sujeitas a apresentação de um plano de gestão ambiental


nos termos do artigo 11 do presente regulamento.

4. As actividades de nível 3 seguirão o procedimento de avaliação do impacto ambiental no


termos do artigo 8 do presente regulamento.
7

5. O regulamento do estudo de impacto ambiental deve conter constatações dos estudos


realizados em conformidade com os termos de referência aprovados e devem ser redigidos
em português devendo ainda conter.

a)Programa de gestão ambiental

b)Programa de controlo de situação riscos e emergência.

Legislação Ambiental: É o conjunto de regulamentos especificamente dirigidos as


actividades que afectam a qualidade do meio ambiente.

Em linhas gerais, a Lei que estabelece a política do meio ambiente foi preconcebida em
1981- Lei n° 6/938, de 31 de agosto de 1981, e assegurada sete anos mais tarde, pela
constituição de 1988-Art. 225. Trata-se de uma legislação complexa e sua aplicação
depende de ajustes que garantem interpretação correta de seus instrumentos e a sua
operacionalização eficiente e eficaz.

A década de 1990, foi marcada pela renovação dos instrumentos de intervenção sobre
o meio ambiente, sempre em processo de discussão, debate e participação dos diversos
segmentos envolvidos. Foi assim com a formulação da Lei das Águas (Lei n° 9/433, de
1997), que restrutura a gestão dos recursos hídricos, estabelecendo como fundamentos o
uso múltiplo das águas, o reconhecimento desse recurso como bem finito e vulnerável,
dotado de valor económico.

Legislação Ambiental em Moçambique


Para a definição da avaliação do impacto ambiental a ser feita, o regulamento sobre o
processo de avaliação do impacto ambiental categoriza as actividades em três grupos:

1. As que devem ser sujeitas ao estudo do impacto ambiental;


2. As que estão sujeita ao estudo ambiental simplificado;
3. As que estão sujeita a observância de normas constantes, directas e especificas de
boa gestão ambiental.
8

As actividades que não constem das listas, mas que são susceptíveis de causar
impactos sobre o ambiente, serão objecto de uma pré-avaliação a ser efectuada pelo
Ministério para Coordenação da Acção Ambiental (MICOA).

O MICOA, pode exigir a realização de auditorias ambientais em actividade já em


curso que não tenham sido submetidas ao processo de avaliação do impacto ambiental e das
quais possam resultar danos para o ambiente.

O sistema político existente em Moçambique, na era colonial, era discriminatório e


excludente, favorecendo apenas ao colonizador. Com o alcance da independência, o partido
FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), decidiu enveredar por um sistema
político que se tornasse mais inclusivo e beneficente para todo o povo moçambicano. A
nacionalização de terra, declarada no dia da independência, evidência o caminho a ser
trilhado pelo novo governo.

Em 1979, depois da realização do IIIº Congresso da FRELIMO, o partido aprova a


primeira legislação de terra, onde claramente é reafirmado o princípio definido na
Constituição da República Popular de Moçambique, que consagra a terra como propriedade
do Estado, não podendo ser vendida, alienada, arrendada ou hipotecada. Como o Estado era
formado por operários e camponeses, então a terra era do povo moçambicano. A Lei de
Terras de 1979 vai ao encontro da socialização do meio rural, a estratégia de
desenvolvimento rural traçada para o país.

Evolução da Legislação Mineira


Com os resultados do IV° Congresso da FRELIMO foram bastante importantes para o
início de mudanças significativas rumo à economia de mercado. Porém, não foram apenas
os resultados do Congresso, mas também a pressão dos doadores internacionais que
forçaram a introdução de mudanças na política económica do país.

É, nesse âmbito, que um ano depois da realização do IV° Congresso, o governo aprova
a Lei do Investimento Estrangeiro e assina o acordo de não-agressão com o governo do
Apartheid da África do Sul. Conforme Hermele (1990), o acordo significava para a África
do Sul a redução ou mesmo a eliminação do apoio de Moçambique ao ANC (Congresso
9

Nacional Africano), enfraquecendo o movimento de resistência dentro da África do Sul e


reduziria o seu isolamento no cenário internacional. E, para Moçambique, para além de
responder as chantagens internacionais, visava:

1. Encorajar o investimento de capital sul-africano em Moçambique;


2. Eliminar o apoio desse país ao movimento de guerrilha em Moçambique
(RENAMO - Resistência Nacional de Moçambique), e
3. A possibilidade de fazer parte das instituições de Bretton Woods.

Seis meses depois da assinatura desse acordo o país adere aos preceitos das instituições
de Bretton Woods e, em Janeiro de 1987 inicia a implementação do Programa de
Reabilitação Económica (PRE).

Aprovadas a Lei do Investimento Estrangeiro, o Regulamento da Lei de Terras e


assinado o acordo de adesão às instituições de Brettons Woods, criaram-se os primeiros
passos para o início da exploração mineira por companhias ocidentais. O país é rico em
recursos minerais, apesar de durante a colonização portuguesa ter-se explorado com relativa
importância apenas o carvão mineral em Moatize. O governo português era
economicamente débil e incapaz de explorar as riquezas minerais existentes no país. A
FRELIMO tinha a consciência da riqueza mineral, mas ainda carecia de estudos mais
aprofundados para se avaliar a quantidade e qualidade dos mesmos. Araújo (1989) refere
que depois do alcance da independência, o governo da FRELIMO primou pela realização
de estudos geológicos para avaliar as quantidades e qualidades existentes, com enfoque
para o carvão mineral.

Em 1986 é aprovada a primeira Lei de Minas do país independente. A aprovação dessa


legislação revogou, formalmente, o Decreto de 20 de Setembro de 1906 referente a
pesquisa e lavra de minas, como também revogou o Decreto de 3 de Novembro de 1905
relativo a lavra de pedreiras. No preâmbulo da Lei de Minas de 1986, destaca-se a
preocupação do governo com a contribuição que este sector daria ao Estado, principalmente
no aumento de receitas via exportação, na contribuição do Orçamento do Estado e no
aprovisionamento de matérias-primas à indústria nacional.

A legislação define quatro formas de títulos mineiros, nomeadamente:


10

 A licença de prospecção e pesquisa;


 As concessões mineiras, que são destinadas para explorações mais
complexas e atribuídas na sequencia de um contrato;
 o alvará de pedreira destinada a exploração de recursos minerais para a
construção, e
 O certificado mineiro atribuído para operações de pequena escala.

A Lei de Minas de 1986, apesar de ser aprovada num momento em que o país
demonstrava indícios de uma mudança de orientação político-económica, constata-se que
ela ainda continuava a ser defensora dos interesses do Estado, ou seja, o sector estatal é o
mais privilegiado com essa legislação.

Etapas do Licenciamento Ambiental

As etapas do licenciamento ambiental podem variar de nomenclatura par uma mesma


modalidade, de acordo com o órgão ambiental licenciador como exemplos temos:

1. Licença ambiental prévia (LAP);


2. Licença Prévia (LP);
3. Licença de Localização (LL);
4. Licença de Operação (LQ);
5. Licença de instalação (LI);
6. Licença de Alteração (LA)

Dentre as terminologia mais adoptadas, as de maior ocorrência nos estados são a


licença Prévia (LP), Licença de instalação (LI) e Licença de Operação (LQ).

As licenças Prévias de instalação e operação, poderão ser emitidas sequencialmente ao


longo das etapas ou fases do empreendimento, enquanto as autorizações ambientais, licença
única e licença simplificada poderão realizar todas essas fases simultaneamente, gerando
apenas um único documento.

De forma geral, as principais modalidades de licenciamento ambiental expedidas são:


11

Licença Prévia (LP): aprova a localização e concepção do empreendimento, actividade ou


obra que se encontra na fase preliminar do planeamento atestando a sua viabilidade
ambiental, estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas
próximas fases de sua implantação, bem como suprindo o requerente com parâmetros para
lançamento de efluentes líquidos e gasosos, resíduos sólidos, emissões sonoras, além de
exigir a apresentação de propostas de medidas de controlo ambiental em função dos
possíveis impactos ambientais a serem gerados.

Licença de Instalação (LI): autoriza a instalação de empreendimento, actividade ou obra


de acordo com as especificações constantes dos planos, programas para execução das
medidas mitigadoras e da implantação dos sistemas de controlo ambiental.

Licença de Operação (LO): autoriza a operação de actividade, obras ou empreendimento,


após a verificação do efectivo comprimento das medidas de controlo ambiental e
condicionantes determinadas nas licenças anteriores.

Licença de Alteração (LA): geralmente esta condicionada á existência de Licença de


Instalação ou Licença de Operação, concedida quando porventura ocorre modificação no
contrato social do empreendimento, actividade ou obra ou qualificação de pessoas físicas.

As etapas do Leciceamento Ambiental é um processo de licenciamento ambiental que


obedece as seguintes fases:

Fase 1. Definição pelo órgão ambiental competente dos documentos, projectos e estudos
ambientais necessários ao início de processo;

Fase 2. Requerimento da licença ambiental pelo empreendedor, acompanhado dos


documentos, projectos e estudos ambientais pertinentes;

Fase 3. Analise pelo órgão ambiental competente dos documentos, projecto e estudos
ambientais apresentados;

Fase 4. Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental


competente, decorrentes de audiência pública.

Fase 5. Emissão de parecer técnico conclusivo e, quando souber parecer jurídico.


12

O processo poderá ser simplificado nos casos de actividade com pequeno potencial de
impacto ambiental.

Classificação das actividades mineiras segundo a Lei do Ambiente.


A Lei do Ambiente configura-se actualmente como uma espécie de Lei-quadro, fixando
os pilares do regime de protecção jurídico-legal do ambiente. Segundo o respectivo artigo
n° 2, esta Lei “tem como objecto a definição das bases legais para uma utilização e gestão
correctas do ambiente e seus componentes, com vista à materialização de um sistema de
desenvolvimento sustentável no país”. Está estruturada em nove capítulos a saber, dado que
tem implicação relativamente ao respectivo processo de regulamentação:

Estrutura da Lei do Ambiente


 Disposições gerais
 Órgãos de gestão ambiental
 Poluição do ambiente
 Medidas especiais de protecção
 Prevenção de danos ambientais
 Direitos e deveres dos cidadãos
 Responsabilidade, infracções e sanções
 Fiscalização ambiental, e
 Disposições finais.

Assim, a Lei do Ambiente centrou-se fundamentalmente na definição de um conjunto


de conceitos e princípios fundamentais da gestão ambiental, na fixação do quadro
institucional básico de protecção do ambiente, na eleição de uma norma geral de proibição
de todas as actividades que causem degradação ambiental para além dos limites legalmente
definidos (com destaque para a poluição), da enunciação de normas especiais de protecção
do ambiente (com especial enfoque na protecção da biodiversidade), na previsão de um
conjunto de instrumentos de prevenção ambiental (o licenciamento ambiental, o processo
de avaliação do impacto ambiental e a auditoria ambiental) e na caracterização do sistema
de infracções, penalidades e fiscalização.
13

Volvidos mais de dez anos de vigência, esta lei permanece bastante actual e ajustada
quanto à maioria dos problemas ambientais do País. Faltou, talvez, fazer menção à questão
das mudanças climáticas, que não receberam alusão directa no texto legal, salvo o facto de
possuírem relação com outros conceitos previstos, como são os casos da desertificação e da
degradação do ambiente, constantes na lista de noções prevista no artigo n° 1 da Lei do
Ambiente. O texto de Juan Villar sobre Mudanças Climáticas em Moçambique desenvolve
este assunto, mostrando como o tratamento das mudanças climáticas se encontra disperso e
fragmentado no quadro político jurídico moçambicano, merecendo, consequentemente,
uma atenção devida e cuidada em sede de reforma legal.

Actividades Mineiras
O exercício da actividade mineira deve ser precedido de autorização concedida pela
entidade competente. A actividade mineira refere-se a todas as operações que consistem no
desenvolvimento, de forma conjunta ou sólida, de acções como o reconhecimento,
prospecção e pesquisa, mineração, processamento e tratamento de produtos mineiros.

No âmbito da actividade mineira e em conformidade com o título mineiro é permitida a


comercialização dos produtos mineiros, caso contrário, a comercialização só poderá ser
feita ao abrigo de uma licença para o efeito, que possui regulamentação própria.

Para o exercício da actividade mineira, existem os seguintes títulos e autorizações:

 Licença de reconhecimento;
 Licença de prospecção e pesquisa;
 Concessão mineira (exploração de recursos minerais);
 Certificado mineiro (exploração dos recursos minerais em pequenas escala);
 Senha mineira (actividade mineira artesanal).

A licença de reconhecimento, o certificado mineiro e a senha mineira são atribuídas


mediante solicitação do requerente. A licença de prospecção e pesquisa e a concessão
mineira são atribuídos mediante pedidos do titular ou mediante concurso público (quando
haja sobreposição de direitos).
14

O exercício da actividade mineira sem título ou autorização constitui infracção punível


com multa que varia de 5 á 100 milhões consoante a gravidade do caso em concreto,
apreensão do produto extraído e confisco do equipamento utilizado.

Infracções Legais e Danos Ambientais na Mineração


Para além de accionarem o regime da responsabilidade civil, certas agressões ao
ambiente podem constituir também um ilícito penal ou contravencional. Como tal, há que
ter atenção a importância da regulamentação desta matéria. Tanto mais quando o art.º 27.º
da Lei do Ambiente dispõe que “as infracções de carácter criminal, bem como as
contravenções relativas ao ambiente, são objecto de previsão em legislação específica”.
Em Moçambique, o Código Penal (CP) vigente data de 188637, foi aprovado por Decreto
de 16 de Setembro de 1886, e nele, apenas, existe uma tutela penal indirecta do ambiente,
sendo possível identificar alguns tipos legais de crime, nos quais estão em causa
comportamentos susceptíveis de ofender, em termos graves, o bem jurídico ambiente.
Como são, a título de exemplo, crimes relativos a árvores de fruto, previsto e punido nos
termos do art.º 476.º do CP (Danos em árvores); os crimes relacionados ao emprego de
substâncias venenosas pertencentes a outrem ou ao Estado previsto e punido pelo art.º 478.º
do CP (Dano por meio de assuada, substância venenosa ou corrosiva ou violência para com
as pessoas); os crimes contra animais previsto e punido nos termos do art.º 479.º do CP
(Danos em animais); crimes contra a saúde pública previsto e punido nos termos do art.º
251.º do CP (Alteração de géneros destinados ao consumo público) e os crimes contra a
caça ilícita e pescarias defesas, previsto e punido pelos art.º 254.º (Caça proibida) e 255.º
do CP (Pesca proibida).

Alguns destes normativos encontram-se melhor regulados em legislação específica,


como é o caso do art.º 464.º do CP (Fogo posto em lugar não habitado), referente ao crime
de queimada florestal. Este crime encontra, hoje, consagração legal na Lei das Florestas e
Fauna Bravia (LFFB), aprovada pela Lei n.º 10/99, de 7 de Julho que, no seu art.º 40.º, sob
a epígrafe “crime de queimada florestal” estipula que “é condenado à pena de prisão até
um ano e multa correspondente, aquele que, voluntariamente, puser fogo e por este meio
destruir em todo ou em parte seara, floresta, mata ou arvoredo”.
15

Quanto à tutela contravencional, esta tem sido salvaguardada em quase todos os normativos
ambientais que, nas suas disposições finais, prevêem as multas38 aplicáveis em caso de
violação dos comandos por si impostos.
Assim, pode afirmar-se que quer o Código Penal vigente, com cerca de um século e meio
de existência, contemplando os tipos tradicionais de crimes de perigo e de dano que
atentam contra a vida e a saúde das pessoas e contra os recursos económico-sociais, quer
toda a restante legislação contravencional, tutelam bens jurídicos e acabam por proteger,
indirectamente, o ambiente na tal perspectiva utilitarista que o Homem faz da Natureza.
Contudo, esta tutela é manifestamente insuficiente para garantir a realização da Política
Nacional do Ambiente sendo, por isso, necessária a revisão do Código Penal, bem como a
aprovação de uma Lei sobre os Crimes Ambientais.
16

Conclusão
Depois de analisar, a par e passo, os dispositivos da Lei do Ambiente Moçambicana
encontramo-nos, nesta fase, aptos a tecer algumas considerações sobre a mesma.
Ora, a Lei do Ambiente entrou em vigor em 1997. Já se passaram vinte dois anos, pelo que
seria de esperar que as soluções por si apresentadas estivessem todas, sem excepção,
aplicadas, nesse sentido dispõe o art.º 33.º que “cabe ao Governo adoptar medidas
regulamentares necessárias à efectivação da presente Lei”. Contudo, tal, até hoje, não se
verificou na íntegra.
Com efeito, no que respeita à matéria da prevenção do dano, mais especificamente, no que
respeita à definição da actuação da administração, verifica-se que as figuras previstas na
Lei do Ambiente – Licenciamento Ambiental, Avaliação de Impacto Ambiental e Auditoria
Ambiental – encontram-se regulados em lei específica.
Ou seja, quanto à prevenção do dano verificamos que a Lei do Ambiente é válida e eficaz,
mas
17

Bibliografia
SERRA, Carlos Manuel e Fernando Cunha, Manual de Direito do Ambiente, Ministério da
Justiça, Centro de Formação Jurídica e Judiciária, 2.º ed. Revista e actualizada, Maputo,
2008.
Canotilho, J.J. Gomes, A Responsabilidade por Danos Ambientais, in Direito do Ambiente,
Instituto Nacional de Administração, 1994.
MOÇAMBIQUE. Decreto nº 26/2004 de 20 de agosto - Regulamento Ambiental para a
Actividade Mineira. Maputo: Boletim da República, 2004.
MOÇAMBIQUE. Lei nº 13/87 de 13 de fevereiro - Aprova o Regulamento da Lei de
Minas.Maputo: Boletím da República, 1987a.

Você também pode gostar