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GENEALOGIA PARANAENSE

por

9='rancisco q{egrão
.,

••
Illustrações do Dr. Pedro Macedo


Volume 1. 0


1926

Carityba
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Ao EstBdo do PBrBntr

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6ENEAC061A PARANAEN5E

~. 267
DEDICATORIAS

A meus Pais
Ao meu saudoso Pai, capitão João de Souza Dias Negrão, varão cheio
de virtude e bondade, ha trinta e oito annos fallecido, quando a inexPe-
riencia dos meus quinze amios mais exigia o seu exemplo e os seus con-
selhos;
A' minha santa Mãi, D. Maria Francisca da Luz Negrão, prototypo
do amôr e da dedicação, alma stoica, heroica e resignada, cuja vida dedi-
cou, inteira, ao bem estar de numerosa familia e educação dos seus filhos,
- o meu anjo tutelar e companheira de minha vida, cuja morte ainda
choro;
dedico este trabalho, fructo de tantas
labutas, como tributo de infindas sau-
dades e dolorosas recordações.

A meus Tios
Aos meus bondosos Tios, major Ricardo de Souza Dias Negrão,
que foi meu segundo Pai, e sua virtuosa Esposa, e minha Tia D. Maria
Euphrasia Negrão ;
A's minhas saudosas Tias D. Beliza Candida Negrão, minha se-
gunda mãi, e D. Guilhermina Negrão;
o preito sincero de minha saudade.
Ao prezado Tio capitão Manoel Cordeiro Gomes e ás suas virtuo-
sas Irmãs e minhas Tias DD. Anzelia Gomes de Oliveira e Guilhermina
da Luz Gomes ;
minha amisade e respeito.
A' minha Esposa
A' Esposa dedicada, virtuosa companheira de trinta armos de feli-
cidade e de amor, D. Astrogilda Serra de Sant'Anna Negrão,- a minha
querida Gilda - cuja collaboração nesta lenga empreza me foi um in-
centivo e um auxilio indíspensaveis ;
o meu agradecimento e o meu coração.

A' minha Irmã


A' minha meiga Irmã D. Esther Negrão e seu amantíssimo Esposo
capitão Ricardo Negrão Filho, meu dilecto Primo e Amigo, e a seu ga-
lante filhinho, o querido Ricardinho, e~peranças de todos nós;
o meu a/fedo de Irmão.

A meus Amigos
A vós, meus Amigos, que acompa11hasteis, dia a dia, a elaboração
desta "Genealogia Paranaense", constatando o quanto de esforço tenho
empregado, nestes 24 annos de recolhimento em que vivo, num trabalho
incessante, auxiliado pela esposa amantissima,privando-nos, a ambos, das
diversões, em pról do bom desempenho do encargo a que voluntariamente
nos entregamos, aedico este trabalho.
Ao esclarecido juizo dos dilectos Amigos Ermelino de Leão e Ro-
mario Martins e dos distinctos Amigos e doutos Snrs. Drs. José Francisco
da Rocha Pombo, Affonso de Escragnulle Taunay, Doutor Moyses
Marcondes e Commendador Benedicto Calixto de Jesus, ajfeitos a traba-
lhos de investigações, como in:signes historiadores que são, submetia esta
obra sem merito, cheia de lacunas e de imperfeições, mas que representa
um esforço e uma resolução firme, sincera e desinteressada. Todo áquelle
que tem perco1'rido os desmantelados Archivos e Cartorios, em busca de
dados necessarios a seus estudos, ou que tem recorrido as diversas fontes
para obter qualquer informação, bem pode avaliar a somma de difficul-
dades com que luta quem pretenda escrever um estudo ge11ealogico; dif
ficuldades a que se veio alliar a minha incompetencia litteraria, ainda
mais aggravada por uma fatal e quasi completa cegueira . Todas essas
derimentes diio-me a esperança de obter a justificação das falhas que
naturalmente affeiam este trabalho. 1 erminando direi como Augusto
de Lima:
"Por mais que esta muza esprema
Não posso dar te um poema,
Mas, eu tenho um bom systema
Dou o que posso, não é ?
Não posso dar-te um poema
Dou-te então, um triolet."
Introducção

e Posto que outros melhor que eu pos-


sam fazer, não deixarei de o que
souber dizer, assim como eu melhor
podér, ainda que para o bem contar e
f aliar, o saiba peior que todos fazer.•
PEDRO V I\Z C.l\h\lNHI\, Carta a D. h\anoel 1.

OR vezes temos tido opportunidad e de recusar gene-


rosos e espontaneos auxilias para a publicação desta
obra. Queriamas ter o prazer de dai-a á publicidade
com recursos proprios, que nunca conseguimos reu-
nir. Não era um orgulho que nos movia e sim o
desejo de não sermos pezados a ninguem, e muito
menos ao nosso Estado natal.
Hoje, que nos vemos ameaçados de completa
invalidez, resolvemos aceitar o nobre e generoso au-
xilio, que os Poderes Publicas nos offerecem, para
levar a termo esta empreza que tomamos a hombros.
A todos agradecemos de coração o nobre
gesto que tiveram para comnosco, e muito principalmente aos Be-
nemeritos Snrs. Dr. Caetano Munhoz da Rocha, digníssimo
Presidente do Estado, Dr. Marins Alves de Camargo, Vice-Pre-
sidente e Dr. João Moreira Oarcez, digno Prefeito Municipal de
Curityba.
Não tivemos, ao escrever este desvalioso trabalho, outro
intuito senão o de relembrar os feitos gloriosos desses valorosos
e abnegados desbravadores das terras que formam o nosso que-
rido - Paraná. Não nos animou o desejo de investigar pure-
zas de sangue, de raças, nem divergencias de religiões ; tão
pouco a existencia ou não de retumbantes titulas nobiliarchicos
ou de conselhos. O nosso fim foi todo outro. Procurando in-
vestigar quaes foram os povoadores de nossa terra, interessou-
nos saber quaes os seus ascendentes e descendentes. Curiosi-
dade natural a todo o investigador.
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Entendemos que escrever um estudo genealogico, desacom-
panhado dos factos historicos que se p_rendam _aos personagens
a elles ligados, sem salientar a salutar mfluenc1a que cada um
tenha nos acontecimentos que se desenrolar~m, e d?s quaes foram
comparticipantes e muit~s . vezes protagonistas, e escrever obra
incompleta, arida e destitu1da de m_te:e.sse.
Assim pensando, resolvemos _m1c1ar o ~osso trabalho com
uma parte historica do nosso quendo. P~rana,. P.~r onde se P?Ss_a
melhor avaliar do valor da acção patnotica, c1v11lsadora e d1gm-
ficante, ao mesmo tempo que tão cheia de canceiras, tão des-
provida de conforto, desse~ povoad?res_ destem~rosos e auda-
zes, desses intrepidos bandeirantes, p1one1ros gloriosos do nosso
progredimento, que foram os nossos antepassados, aos quaes
rendemos o tributo de admiração e respeito.
Não cabe nos limites deste trabalho, tratarmos dos feitos MEMORIA HISTORICA PARANAENSE
de Colombo e de seus companheiros de jornada - os irmãos
Martim e Vicente Pinzon, no descobrimento da America, a 12 de
Outubro de 1492; tão pouco trataremos da dt:scoberta do Brasil, Capitanias Hereditarias
por Pedro Alvares Cabral.
A outro, que não a nós, em obra de mais folego, cabe nar-
rar as gloriosas e brilhantes descobertas marítimas dos seculos S. AMARO
XV e XV!, que tanto illustraram Portugal.
Tomaremos para nosso ponto de partida, a resolução de
O. João Ili, de dar inicio á colonização e povoamento do Brazil, PRIMEIRA PARTE
para cuja empreza designou, por Carta Regia de 20 de Novem-
bro de 1530 a Martim Affonso de Souza, fidalgo de sua côrte.

Dos Bandeirantes aos Colonisado res

Martim Affonso de Souza confiou EI-


Rey o Commando da importante expe-
dição, composta de cerca de 400 homens,
em cujo numero se contavam familias
inteiras, das principae::, de Portugal, que
embarcaram em poderosa esquadra de 5
vellas, composta das duas naus - a Ca-
pitanea e a S. Miguel - , o galeão S.
Vicente e as caravellas Rosa e Princeza.
Martim Affonso, armado de poderes extraordinarios e
discrecionarios, partiu com sua frota, do Tejo, no dia 3 de
Dezembro de 1530.
2 - A 30 de Janeiro de 1531 defrontou a frota o cabo
de S. Agostinho, onde aprisionou 3 naus francezas, uma
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das uaes fez partir para Lisbôa a dar ~oticias do feíto e composta de 80 homens d'armas, sendo 40 besteiros e 40
da s~a chegada a S. Vicente. Em seg~tda levantou ferros espingardeiros, tendo por guia o proprio Francisco de Chà:'
em demanda da Bahia do Rto de .Janeiro, onde se demo- ves. Esta expedição partiu rumo do sertão a 1. de Setem-
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rou de Abril a Agosto, tempo preciso para reparar as em- bro, ao som retumbante do clarim marcial, cheia de pro-
barcações e dar descanço á tripulação, exhausta de penosa missoras esperanças, sem calcular o fim desastroso e fu-
e afanosa viagem. nesto que a esperava
3 - Em começo de Agosto levantou ancoras e rumou 5 - Martim Affonso, por sua vez proseguiu em sua
ao sul, aportando em Cananéa .~ 12 de Agosto ~e 1531 , derrota para o sul, até Maldonado e Rio da Prata, tend?
depois de haver tocado em Septtiba, Angra dos Reis, S. Se- o cuidado de ir tomandb posse, em nome da Côrte Lusi-
bastião e outros portos. tana, das terras onde aportava, collocando por toda parte
marcos e padrões, com as Armas portuguezas, symbo\os
li de posse e domínio.
O encontro com homens civilizados 6 - Um desses marcos foi descoberto em Cananéa, a
16 de Janeiro de 1767, pelo intrepido e valoroso soldado
I - Grande foi a surpreza e satisfação de Martim Af- T.te C.el Affonso Botelho de Sampaio e Souza, quando
fonso de Souza ao ver nas praias de Cananéa, homens procurava local proprio para a edificação da fortaleza.
que, Jogo á primeira vista, reconheceu , serem civiliz~do~,
apesar de estarem semi-nús, e armados a moda dos i~d1- Ili
genas, em cuja companhia viviam. Eram elles - Francisco
de Chaves, Antonio Rodrigues, Duarte Peres - o bacha- A primeira expedição atravez do territorio
rel, e João Ramalho, os quaes vieram logo ao encontro da Parananiano.
expedição recem-chegada, portadora, nas vergas de suas
embarcações, do glorioso pavilhão lusitano. 1 - A expedição de Pedro Lobo, guiada por Francisco
2 - A satisfação foi ainda maior quando se verificou de Chaves, de Cananéa tomou rumo para o sertão parana-
serem todos - subditos da mesma Patria, a grande nação niano, passando pela Serra Negra e, provavelmente, pelas
Portugueza, pois que, aquelles habitantes de Cananéa eram proximidades de Curityba, com rumo á Fóz do Iguassú,
naufragas de passadas expedições, e que viviam entre os indí- talvez seguindo o curso do Rio Iguassú. A intrepida co-
genas ha muitos annos e com elles constituiram familias. mitiva levava o objectivo visível de extrahir <:>uro e pr~ta
3 - Duarte Peres - o bacharel, e Francisco de Cha- nas minas do Perú, já por essa epoca conhecidas dos Jn.!
ves informaram a Martim Affonso que no paiz havia ouro digenas. Só a fama dessas prodigi.osas rJquezas é gue Pº""
e prata em abundancia tal, que si lhes dessem alguns ho- deria levai-a a atravessar sertões mhosp1tos e brav10s, de
mens resolutos, com elles se embrenhariam pelo sertão, se mais de mil kilometros de extensão, até então não palmi.:
compromettendo a voltar no prazo de 1Omezes trazendo 400 lhados por entes civilizados.
indígenas escr~vizados, carregados desses pre~iosos metaes. 2 - foram os expedicionarios de MartimAffonso os
4 - Martim Affonso fez desembarcar em Cananéa os primeiros exploradores do territorio paranaense e, por. sua
home~s que se d~stinavam a formar o primeiro nucleo vez, as primeiras victimas que nesse territorio succumb1ram
colomzador d~ Brasil, com suas respectivas familias, e, ar- á sanha dos indígenas.
dendo de cubiça, sedento, diante das noticias das fabulosas Infelizmente a expedição não deixou um roteiro de
~9uezas que lhe acenavam os moradores da terra orga- sua marcha, nem jamais se communicou com os colonos
mzou uma expedição militar commandada por Pedr~ Lobo, de Cananéa, de forma que, ficou sempre ignorada a sua
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os am en te, ter ia de se r de m or ad a e po r V
travessia que, forç
demais penosa. Pr at a, D . A lv ar o Passagem em Paranaguá
3 - Se gu nd o na rro u o A de la nt ad o do
Cabeza de Va cc a, qu an do fez sua g~ an di _? sa trave ss ia de
~a ra gu ay , 1 - Na volta do su l a es qu ad ra lu si ta na ap or to u a
S. Catharina, atrav ez do Pa ra ná , ei:n dir~ cç ao a~ e·
vm do s m d1 ge na s a Paranaguá, cu ja ba hi a fo ra po r es sa fo rm a co nh ec id a
passando pe la fó z do lg ua ss ú, ah ou
narração de qu e na s m ar ge ns do . Rio lg ua ss ú, . pr ox im o á explorada.
cc um bt do os po r- Foi assim o te rrito rio Pa ra na en se vi sit ad o, pe rc or rid o
sua barra no Ri o Pa ra ná , - «h av iam su
ao s go lp e~ do s e explorado por tre s po nt os di ve rs os pe la ex pe di çã o de
tuguezes mandados po r M ar tim A ffo ns o ad -
ra ve ss av am º. em Martim Affonso de 15 31 a 15 32 . E o qu e é m ai s de
indigenas, no m om en to em qu e at ~1 0
po nt o
po de ss ~ da r no tic ia s do mirar é o fa cto de te r si do a Fó z do lg ua ss ú o
canôas; sem qu e ne nh um de lle s Pe dr o Lo bo ,
fo rm a se ex pl ica o m al lo gr o da visado pelas du as pr im ei ra s ex pe di çõ es : a de
succedido» - . Po r es sa r ag ua , su bi nd o
por terra e a de Pe dr o Lo pe s de So uz a po
expedição, cujo insuccesso foi completo. Pa ra ná at é su a co nf lu en ci a co m o Ri o
o Rio da Prata e
lguassú. Não crem os qu e te nh a ha vido , co m iss o, m er a ca -
IV
sualidade.
2- A Fó z do Ig ua ss ú fo i pr op os ita da m en te pr oc ur ad a.
Nos mares do sul qu e D . A lv ar o C ab ez a
Não houve acas o, e ta nt o é as sim
de rr ot a pa ra o de Vacca, Ade lant ad o do Pa ra gu ay , sa hi nd o de S. C at ha -
1 - Prosegui u M ar tim A ffo ns o a su a u
ge nt e de su a rina, se dirigiu, po r te rra , vi a Pa raná , a to m ar co nt a de se
sul, em di re cç ão ao Ri o da Pr ata, co m a os .
nt e, ao m an do de cargo, em 1540, e tam be m al i to co u, co m o lo go na rra re m
frota, deix an do pa rte de lla em S. V ice gr an de
E' um ponto a in ve sti ga r, e qu e ta lv ez tra ga
seu irmão Pedro Lopes de Souza. ob er ta da s no ss as riq ue za s m in er ae s. Pr o-
2 - Na entra da do Ri o da Pr at a fo rte te m po ra l de s- interesse, a de sc
na u ca pi ta ne a, vavelmente os in di ge na s ca rij ós , qu e ha bi ta va m as co sta s de
arvorou sua esqu ad ra , fa ze nd o so ss ob ra r a ss a
qu e, po r po uc o, Cananéa até S. Cat ha rin a, e co nh ec ia m va sta s riq ue za s ne
em cujo bo rd o se ac ha va M ar tim A ffo ns o de llas.
direcção, tivessem info rm ad o os co lo ni za do re s, do lo ca l
não foi victima desse naufragio.
3 - Pedro Lo pe s, ao ter no tic ias do oc co rr id o, pa rti u
ão co m al gu m as em ba rc aç õe s de se u VI
em soccorro do irm
mando. Ch eg ad o qu e fo i ao Ri o da Pr at a re ce be u or de m
de Martim Affo ns o pa ra ex pl or ar os Ri os d~ Pr at a e Pa ra ná O s primeiros p ov oa d or es
em seu grande pe rc ur so até ac im a de su a co nf lu en ci a co ~
fe lic id ad e to - 1- M ar tim A ffo nso, re gr es sa nd o a S. V icen te, tra to u at
o Rio Uruguay e lg ua ss ú, o qu e fe z co m su a
rid as pa ra a C ~r ôa regularizar a situaç ão do s co lo no s qu e tro ux er a em
mando poss e e do m in io da s te rra s pe rc or fu tu ra . D e
companhia, procur an do le ga lizar -lh es a si tu aç ão
Lusitana. qu e ve io in ve s-
iss ão , de um a tã o gr an de accordo com os disc re cion ario s po de re s de
. 4 - _Desem pe nh ad a es sa m terra s a to do s o::
u ~ es qu ad ra a S. V ic en te , on de tido, conced eu carta s de se sm ar ia s de
1mpo.rtanc1a futura , vo lto fo rm an do as sim o pr i-
ce be u a m fa us ta no tic ia do tra gi co fim que se destina vam á cu ltu ra de llas,
Martim Affonso re , co m pa rte da no br ez a
. an tes tão pr om iss or as es pe ra nç as de s- meiro nucleo de co lo no s do B ra sil
da gente qu e m ez es av a Pe dr o de O óe z, fid algo
pa rti ra ao m an do de Pe dr o Lo bo e gu ia da portugueza, entre a qu al se co nt
pertara, q~ an do Fr an cisc o Pi nt o, ca va lh eiro
de Ch av es , em bu sc a de riq ue za s fa bu lo sa s. e cap.m gove rn ad or de Ju stiç a;
por Francisco
- 15 -
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atu ra 1id ad e e e sta do ci v il, o n o m e d e se us fi lh o s, et c.
al hei ro d a O rd e m d e C h ri st o ; ç ão , n
e fidalgo; Ruy Pinto, ca v o s, ao s q u a e s d av a su a s in stru -
ca sa d e E I- R ey , et c. N a tu ra l- Nomeava seus testamenteir -
Luiz de Oóez fidalgo da cções sobre os legados; d e c la ra v a su a s d iv id a s e re la ci o
d e fi d al g u ia já a rr ~ in a d a s e
mente, represe~tantes de casas d a nava os seus devedores. N ã o er a e n tã o a dst ri c to u n ic a -
p ro c~ ra r n as te rr ~ s v ir g e n s
que com suas familias vieram em mente aos ricos e poderosos, o u so d e fa ze re m se u s te sta -
America á restauração das su as fi n an ça s av ar ia d as . N fa zi am , h o m e n s c o m o
mentos. Todos invariavelmen te o
todos os co lo niz ado res seri am fi d al g o s. r m ai s po bre s q u e fo ss em , e q u a n d o n ão o
q u e o s n o ss o s p ri m e ir o s m u lhere s, p o
2 - O que é certo, porém, é c ca sião do in ve n ta rio co m m um m e n te v in h a a
a c u lt u ra in te ll e c tu a l e fa ziam , n a o
povoadores foram homens d e ce rt av am d e o fa ze r p o r te re m fa l-
e o s ac to s d o c o n se lh o , d e declaração - de que deix
moral. Sabiam ler e escrever lecido repentinamente ou po r o u tro m o tiv o id en ti c o .
o s o s ac to s d e q u e n o s d ã o
que foram membros, como tod ta Dahi a razão por que é p ass iv e i, a in d a h o je , e st u d a r
o n st ra m , ca b al m en te , es
noticias os seus escriptos, dem o s seus habitas e costumes, co m m ais p re cis ã o d o q u e se
co m el ev aç ão d e v is ta s,
verdade incontestavel. Exerceram poderá realizar quanto ao s n o ss o s c o n te m p o ra n e o s.
ca rg o s d a R ep u b lica » , e le g a ra m
criterio e honestidade «os e
h o n ra d o s e re sp ei ta d o s, d e q u
a seus descendentes nomes a -
fr eq u en te s fo ra m as ju st if ic VII
estes se orgulhavam. Muito -
v an d o q u e «s e u s a n te p a ss a
ções produzidas em juizo, pro ,
m íl ia s, d e n o b re z a p ro v a d a
dos pertenceram ás principaes fa d e r e s d e Martim A ff o n s o
sem sangue de mouro ou o u tr a in fe st a n aç ão - n em tã o O s po
- e q u e n u n ca ex er ce ra m o s o f-
pouco de christão novo » -
v iv ia m se rv id o s p o r se u s es
ficios de mechanicos, e que 1 - Entre os grandes p o d e re s c o n c e d id o s a M a rt im
fravos, ad m inistrad os ou jo rn al ei ro s. a s R e g ia s d e 2 0 d e N o v e m -
m es d o s p ri m ei ro s c o lo n o s d e- Affonzo de Souza, pelas Cart ia d a
3 - Os usos e costu bro de 1530, nomeando-o cap it ão -m ó r d 'a rm a d a e n v
lid ad e e in te g ri d ad e d e ca ra ct er . sc o -
monstraram a maior mora s a o B ra sil, se a c ha v a m o s d e a d m in is tra r as te rr a s d e
al d e ca d a u m . A h i e st ã o o e
~ casamento era a regra ger be rta s e p o r d e sc o bri r, reg u la ri z a n d o o s ac to s d a ju st iç a ,
to s n as ci m en to s e o b it o s
Livros de registros de casamen 1 os casos civis e crimes, com d ir eito d e d a r se n te n ç a s, in -
p el o s re p re se n ta n te s d a Ig re j~ g g ra v o
guarda~os carinhosa!11ente clusive as de penas de morte se m a p p e ll a ç ã o o u a
Cathohca, patenteando essa verdade. de suas sentenças, salvo contr a fid alg o s, a o s q u a e s só
. (!s proprios escravos e « h o m en s d o g e n ti o d a te rr a », b ô a. P o d ia ta m b e m c o n -
po d e ria re m e tte r p re so s pa ra L is
o re s, ~ eg u ia m o b o m e x e m p lo -
adm1mstrados pelos conq~ista~ ce d e r da ta s d e te rra s d e se sm a ria s a q u em d e lla s n ec es
am a eg re 1a a c o n tr a h ir se u m a-
,d~ seu.s senhores .e accom le - sitasse.
tr.1i:nomo, entre s1, afim de man te r u m a d e sc e n d e n c ia á m e tr o p o le , d a s e x p lo ra ç õ e s
2 - As noticias chegadas
g1t1ma. e ra n ç a s d e g ra n d e s d e sc o ·
am fe ito s o b ri - realizadas no Brasil, e das esp
~ - Os testamentos qu _e, nessa ep o ca , er
be rta s d e m in a s d e o u ro e p ra ta , p ro v o c a ra m g ra n d e s a lv o ·
.Ig av am em p e ri g o d e
g?tonamen!e, Pº': todos os q u e s~ ju
h a- roças e regosijos em Port u g a l. T o d o s se p ro p u n h a m a
~~da, constituem importante s re p o s1 to n o s h is to ric o s d o s u sc a d as p ro m e ttid a s riq u e z a s.
el le s o te st a m e n te ir o re - emigrar para o Brasil, em b
, rtos e costumes dessa epoca. N 3 - El-Rey D. João III pro c u ro u e st im u la r a M a rt im
d o s o s sa n to s d e su a p a rt ic u - d e S o u z a ,
fº~mend~va su~ alma a to Affonso de Souza e a seu irmã o P e d ro L o p e s
t_ evoJªº; _fazia seus legad
rcçoes e. missas por sua alm
o s
a
p ia
e
s,
o u
so
tr a
li
s
ci ta
p
v
el
a
as
in
d
n
a
u
s
m e ra
es
s
- co n c e d e n do -lh es h o n ra s e e xtr
e
a
n
o

rd
o
in
a
a ri
o
o
u
s
tr e m
p ri
.
v ile g ie s e re -
e e fu ia - galias jamais conced id as a té
soas fallectdas de sua amisade; d ec la ra v a se u n o m
- 16 - - 17 -
VIII 4 - Carta Regia de 6 de Outubro de 1534, fazendo
doação da Capitania de S. Vicente.
As Capitanias de S. Vicente e S. Amaro. D.. João, etc.: Hei por bem e me praz de lhe fazer
(a Martim ~ffo~so) como de feito por esta presente Carta
1 - Por Carta Regia de 28 de Setembro de 1532, es- faço ~erce e mevogavel doação entre vivos, valedores
cripta de seu proprio punho, EI-Rey D. João Ili d_á scien- deste dta para todo o ~mpre, de juro e herdade para elle
cia a Martim Affonso, que - «depois de sua partida para e para todos os seus filhos, netos, herdeiros e successores
o Brasil algumas pessoas lhe requereram capitanias, com o que apoz elle vierem, assim descendentes como transver-
fim de povoar toda a costa, mas que não desejava fazer saes, e os lateraes, segundo adiante éra declarado de 100
cousa alguma, esperando a sua volta, para com suas in- legua? de terra, na dita costa do Brasil, repartidas desta
formações fazer o que bem parecesse, escolhendo nessa maneira: 55. leguas que começarão de 13 leguas ao norte
divisão, elle Martim Affonso, a melhor parte para si. » de Cab? f no e acabarã? no Rio de Curupacé, e no dito
Aconteceu porém, diz El-Rey, ter sido informado que cabo f no começarão as ditas 13 leguas ao longo da costa para
.:em alguns lugares estavam já - fazendo fundamentos - a ban~a do norte, e no cabo dellas se porá um padrão
de povoar a terra do Brasil, e que considerando no tra- das mmhas ,armas, e se lançará uma linha pelo rumo de
balh~ que haveria em lançar fóra a gente que a povoasse, Noroeste ate a altura de 23 graus· e desta dita altura se
dep01s de estar assentado na terra, e ter nella feito alguma lançará outra linha que corra dire;tamente a sueste·I e se
força, (como já em Pernambuco começaram a fazer se- porá outro padrão da banda do norte do dito rio Curu-
gundo informação do Conde de Castanheira) deter~inei pacé; se lançará uma linha pelo rumo do noroeste até a
de mandar demarcar de Pernambuco até o Rio da Prata altura de 23 graus, e desta altura cortará a linha directa-
50 leguas de costa a cada Capitania e antes de se dar ~ m~nte a ~ueste; e as 45 leguas que fallecem começarão do
alguma pessoa man~ei apartar para vós 100 leguas e para R10 S. Vicente e acabarão 12 leguas ao sul da Ilha de Ca-
Pero Lopes, vosso Irmão, 50 nos melhores limites dessa nanéa, e ao, cabo ~as ditas 1~ le~uas se porá um padrão,
c~sta, por parecer de pilotos e de_ outras pessoas de quem e se lançara uma lmha que va directamente a leste do dito
so o Conde por meu mandado informou · como vereis Rio de ~- Vicente, e, no bra~o da banda do Norte se porá
pelas doações que logo mandei fazer par~ vos enviar e um padrao e lançara uma hnha que corra directamente a
depois de esc?lhidas estas 150 leguas de costa para ~ó~ sueste.
e para. vosso 1_rm~o, mandei dar a algumas pessoas que . E serão do dito Martim Affonso de Souza quaesquer
req~enam, capitanias de 50 leguas cada uma; com a obri- ilhas que houver até 1O leguas ao mar na fronteira e de-
gaçao de levar.em gente e navios á sua custa, etc. » ma:cação das ditas 100 Jeguas, as quaes se estenderão e
2 -:- Martim_ Affonso ao receber esta carta apressou serao de largo ao longo da costa e entrarão pelo sertão e
su~ proJectad~ v1age~ a Lisbôa, ~or ter percebido que D. te~ra firme ª. dentro tanto quanto poderem entrar e fôr de
Joao. l~I deseJava_ o~v.11-o na partilha territorial da costa mm_!1a con~msta: da qual terra e ilha pelas sobreditas demar-
bras1leira. Em _pnnc1p1os de 1533 partiu para Portugal, dei- caçoes, assim lhe faço doação e mercê de juro e herdade
xando no B~asil coi:no seu lugar tenente a Gonçalo Monteiro. par~ todo º. sempre, como dito é, e quero e me praz que
3 - So depois de sua chegada á Metropole é ue
f~ra~ passadas as Cartas Regias de Donatarias ou de
p1tama? a que se ref~ria a carta de D. João III.
ta- o dito Martim Affonso e todos os seus herdeiros succes-
sores, que a dita terra .herdarem e succederem, se possam
chamar e chamem Capitães e Governadores dellas. » -
a M Ert1~ aACaff rta Regia, doando a Capitania de S. Vicente 5 - Carta Regia de 1.0 de Setembro de 1534 fazendo
a 1m onso de Souza: doação da - Capitania de S. Amaro:
- 18 - - 19 -

es ta mi - está em alt ur a de 6 gr au s, e ist o co m tal de cla ra çã o qu e a


O. Jo ão po r gr aç a de De us , etc .:. A qu an to s to -
qu an to 50 passos da ca sa da fei tor ia, qu e de pr in cip io fez Ch ris
nh a Ca rta vir em , faç o sab er, qu e co ns id er an do eu po rá um
m ?s e vão Jacques pe lo rio a de nt ro ao lo ng o da praia , e
serviço de De us e me u pro ve i~o e be m de _m eu s Re se lan ça rá um a
e se r a m m ha padrão de min ha s ar m as e do di to pa dr ão
senhorios do s na tur ae s e su bd 1to s de lle s, firm e a de nt ro , e a
ad a, do qu e até ag or a linha que cortará a su es te pe la ter ra
costa e t~r ras do Br asi l ma is po vo rte se rá do di to Pe dr o
ce le~ rar o c~ lto e of fic ios dita ter ra da di ta lin ha pa ra o no
foi , as sim pa ra se ne lla ha ve r de pe lo rio ab aix o, pa ra a ba rra e
no ssa Sa nta f e Ca th oh ca co m tra - Lopes e do di to pa dr ão
div ino s e se ex alç ar a m o cõ ell e di to Pe dr o Lo pe s, a m e-
ne lla os na tur ae s da dit a ter ra in fie is e ido - mar ficará as sim m es
zer e provoc ar nt a Cr uz , da ba nd a do no rte , e se rá
mu ito pr ov eit o, qu e s~ gu irá a m eu s Re i- tade do dito rio Sa
latras, co mo pe lo de lta m ar ac á e to da a m ais pa rte do di to
or ios , e ao s na tur ae s e su bd 1to s de lle s, em se a s~a a di ta ilh a
nos e se nh , qu e va e ao no rte ; e be m as sim se rã o
no de Santa Cruz
dita terra povoar e aproveitar: suas qu ae sq ue r ou tra s ilh as , qu e ho uv er, até 1 O leg ua s ao
Houve po r be m de m an da r rep art ir e or de na r em Ca - As
mar na fro nt eir a e de m ar ca çã o da s di tas 80 Ieg ua s.
pitan ias de ce rta s leg ua s, pa ra de lla s pr ov er aq ue lla s pe s- lo ng o
eit o á quaes 80 Je gu as se es ten de rã o e se rã o de lar go ao
soas qu e me pa rec es se e pe lo qu al ha ve nd o eu re sp nt ro , tan to
da m in ha da costa, e en tra rã o pe lo se rtã o e ter ra fir m e a de
creação qu e fiz Pe dr o Lo pe s de So uz a, fid alg o nq ui sta , a qu al
di an te es pe ro quan to po de re m en tra r e fo rem de m in ha co
caza, e aos se rv iço s qu e me tem fei to e ao çã o lh e faç o do aç ão e
rcê , do m eu Pr o- terra e ilhas, pela so br ed ita de m ar ca
qu e me faç a e po r fo lga r de lhe faz er me o se m pr e co m o di to é.
ab so lu to se m me mercê de ju ro e he rd ad e pa ra tu do
prio- mo tu, ce rta sci en cia , Po de r Re al e di to Pe dr o Lo pe s e to do s
E quero e me pr az , qu e o
elle pedir nem outrem por elle: os seus he rd eir os e su cc es so re s, qu e a di ta ter ra he rd ar em
Hei po r be m e me pr az de lhe faz er m erc ê, co m o de pi tãe s e G o-
do a- e succederem se po ss am ch am ar e ch am em Ca
fei to po r est a pr es en te ca rta faç o me rcê e irr ev og av el
vernadores dellas. » -
~º entre viv os , va led or a de ste dia
os
pa
se
ra
us
to
fil
do
ho s
o se
ne
m
to
pr
s
e,
he
de
r- · 6 - Ta nt o M ar tim Af fo ns o de So uz a co m o se u irm ão
Juro e he rd ad e pa ra ell e e tod os uz a só re ce be ra m as Ca rta s de D on ata -
ap óz de lle vie rem , a~ sim d~ ce n- Pedro Lo pe s de So
deiros e su cc es so res , qu e nt e e S. Am ar o qu an do se ac ha va m em
es e co lla ter ae s, se gu nd o ad ian te irá rias de S. Vi ce
dentes, como tra ns ve rsa lo gr ar am vo lta r ao Br as il. Al i re ce be ra m or -
o, de 80 leg ua s de ter ras na di ta co sta do Br as il Lisbôa e não
de cla rad pr ire m no bi lit an te m iss ão m i-
repart ido s ne sta m an eir a: - 40 leg ua s, qu e co m eç ar á 12 dens de se apresta
litar na As ia, on de
re
se
m a
co br
cu
ira
m
m de no vo s lo ur os qu e re-
leguas ao su l da Ilh a de Ca na né a, e ac ab ar ão na - ter ra gl or io sa na çã o
ço ; vertera m em fa vo r de su a no br e Pa tri a, a
de San~Anna , qu e est á em alt ur a de 28 gr au s e um ter
a alt ur a se po rá pa dr ão e se lan ça rá um a lin ha qu e portugueza.
e na dit Pedro Lo pe s qu e pr oc ur ou em 15 39 re gr es sa r ao Br a-
corr~ a les te, 1 O leg ua s qu e co m eç arã o no Ri o de Cu ru - ne ss a vi ag em
o sil pa ra se po r á tes ta de su a Ca pi tan ia, fal lec eu
pace, e ~c ab arã o no Ri o de S. Vi ce nte ; e no di to Ri qu e via jav a.
ça rá em co ns eq ue nc ia do na uf ra gi o da na u em
Curup~ce, da ba nd a do no rte se po rá pa dr ão e se lan rib ui u pa ra o re tar da -
gr au s· e Es se fat al ac on tec im en to co nt
um a h~ ha pe lo ru m o de no ro es te até a alt ur a de 2:3 ia de S. Am aro , pe lo m e-
te a su es te' . e mento do pr og re ss o da Ca pi tan
desta . dit a altu _ra se co rta rá a lin ha di re cta m en o no m e de - Te rra de Sa nt '-
ou tro pa dr ão ; nos na parte co nh ec id a so b
no R,o de S; V1 cen !e, da ba nd a do no rte se rá as 40 leg ua s de ter ra s qu e co m eç a-
en te a su es te· e as Anna - que com pr eh en di a
e se lança ra um a lm ha , qu e co rte dir ec tam Ca na né a e ter m in av am na alt ur a
o no rio qu e ce r~ em vam 12 leg ua s ao su l de
30 legua s qu e fal lec em , co m eç arã é to do o lit to ra l do s
~edR
e
_d o i ~h a de Ita ma rac á, ao
10 e anta Cruz, e acabarão na Bahia da Traição, que
qu al rio eu or a pu z o no m e de 28 grau
actuaes Estad
s e
os
um
do
ter
Pa
ço
ra ná
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e
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de
o
Sa nt a Ca th ar in a, re gi õe s
- 20 - - 21 -

estas tambem chamadas terras dos Carijós, pois do sul de O achado de Magalhães constituiu um acontecimento de
Cananéa até a Laguna era justamente o habitat dessa na- grande alcance poli~ico e commercial, e é de admirar qu_e Por-
. . tugal não tivesse brado delle toda a vantagem poss1vel.
ção indígena. 4 - Si Portugal se houvesse apossado em 1520
7 - Até 1640 ficou a Cap1tama de S. Amaro ao aban-
1
dono, e sem ser povoada ou colonizada a não ser -: pelos .dessas conquistas, o Brasil se estenderia hoje até ao extremo
Carijós que algumas vezes fora~ atacados. _e escravizados, do limite meridional da America do Sul, attingindo parte
em parte, por bandeirantes ou piratas manbmos, no geral dos territorios banhados pelo Oceano Pacifico.
vindos da Capitania de S. Vicente. De Cananéa a Laguna 5 - O que Poriugal não fez então, fel-o a Hespanha;
não havia, até essa epoca, povoação alguma, de europeus. conquistou o sul da America e, mais tarde, povoou com os
homens de sua nobre raça os territorios que constituíram
.a Argentina, Chile, Perú, Bolívia, Paraguay, Uruguay, e,
IX mais ao norte, Venezuela, Colombia e Equador, sem falar
das Republicas da America Central.
O Estreito de Magalhães 6 - Não fossem os intrepidos Bandeirantes, e, teriamas
sido conquistados pelos hespanhoes, das linhas divisarias do
1 - Após a descoberta do Brasil, foi o paiz descui- Paranapanema - ltararé- Ribeira até ao Rio da Prata. Pouco
dado durante 30 annos, o que contribuiu para as disputas faltou para que esse emprehendimento fosse conseguido.
e descobertas ao sul do Rio da Prata por parte dos Cas- Com o auxilio dos Jesuitas formaram o Adelantado e o
telhanos, que tanto mal nos occasionaram no futuro. As Bispado do Paraguay, e, por meio de habil catechese, con-
disputas entre as Corôas Luzitana e de Castella, aguçaram seguiram attrahir os índios Ouaranys ás diversas reducções
as cubiças de outras nações. As incursões dos hollandezes que crearam, aldeando em di_ver~os pontos d~zenas e
ao norte, dos francezes ao centro e dos castelhanos ao quiçá centenas de milhares de 111d1os, que .catech1za~am e
sul, foram o resultado da incuria da metropole, deix:rndo traziam á civilização. O que foram ess.as reducções diremos
ao abandono as suas conquistas da America. Quanto san- em outro capitulo.
gu_e ~e po~paria, quanto sacrificio e quanto dispendio se 7 - Era natural o contraste entre a actividade dos hes-
ev1tanam s1 ~o~ugal tivesse feito povoar sem delongas ao panhoes e a indecisão do governo portuguez. .
menos os prmc1paes portos marítimos do Brasil?! 8 - Portugal se contentava em concede: vastos ternto-
2 - Deixemos o norte e tratemos do sul por se liga- rios ou Capitanias, ao longo da costa, a Donatanos, sem os p~e-
rem os factos a este trabalho. cisos recursos para colonizai-as. A Hespanha, pelo contrario,
. A Hespanha incumbiu aos distinctos pilotos Vicente formava o Vice-Reinado do Prata e o Adelantado do Para-
Pmzon e João Solis de dilatarem as novas descobertas por- guay e fazia povoar e explorar os vastos sertões até o_ ?erú,
tuguezas, do Rio da Prata ao sul, e de se apossarem das em toda a latitude corresponde ás suas possessões manbmas.
terras descobertas para a Corôa Castelhana. 9 - Por tudo isso chegamos ao seguinte absurdo: Em-
3 - O estreito de Magalhães foi descoberto em 1520 quanto que Portugal das suas possessões na Ameri~a do S~l,
pelo navegador portuguez Fernão de Magalhães, que com no seculo 19, só podia legar ao mundo uma umca Patna
isso ~ncontrou a passagem marítima ligando o Oceano onde se fala o Portuguez - o Brasil; no mesmo hemisphe-
At!anbco ªº. Oceano Pacifico. Portugal não deu a este feito rio e na mesma epoca, se organizavam 8 Republicas, onde se
a 1mporta~c1a que era de esperar· e tanto é assim que falava o hespanhol, afóra as republicas da America Central.
logo depo t 1

. 1s, as erras comprehendidas entre essa passagem , Dahi a preponderancia da raça hespanhola sobre a portu-
e o Rio da Prata passaram a pertencer á Hespanha. gueza, na America do Sul.
- 22 - - 23 -
10 - Ma~. si por parte dos Oover~?s dessas duas: 3 - Cabeza de Vacca ordenou a sua esquadra que,
nações se dava esse corrt:aste de acbv dade,. em re~
1
:com parte dos homens de que se compunha a expedição,
lação aos negocios da Amenca,. co_ntraste em det~1mento de tomasse o rumo de Buenos Ayres; o restante, com-
Portuga:1; por felicidade, occuma J~stamente o mverso na posto de 250 homens, inclusive a ~vallaria, sob a_sua di-
activírlade, nú patriotismo, n~ espmto de ordem e _de res- recção, marchou por terra com ?estmo a Assumpçao.
peito dos portuguezes que vieram pov~r. as conquistas da 4 - Primeiramente fez a viagem ao longo da costa
America. Emquanto que os, luso-bra~1le~ros trabalhavam .até S. Francisco, d'onde t.ornou a direcção dos pontos q~e
sem rivalídades sem solução· de contmmdade pelo pro- mais tarde deveriam fom1ar as cidades de S. Bento, R10
gresso e engra~decimento d~ Brasil, apesar. d? descuido da Negro, Lapa, Palmeira e Ponta Grossa, at_é as margens dos
metropole, palmilhando-o hmterland braszletro, <c operan_do Rios Tibagy e Taquary. Ourante l9. d1~s mar~ou por
prodígios em explorações de todo o systema orog:aph1co florestas deshabitadas, chegando a pnmetra ~Ideia Ouara-
e potamographico, os colonizadores castelhanos agitavam- ny, onde encontrou rnças de milho! de mandioca, batatas
se (em contraste com as deligencias de seu governo) em doces de tres qualidades, que serviram par~ l~e abas~ecer
rivalidades, quasi sempre oriundas de fals_os princ!pios re- .a tropa. Ahi encontraram abastança de pmhao, fannha,
ligiosos, nascidos de preconceitos theolog1cos ensinados e mel de abelhas, caças e aves diversas, qu~ pagaram~ preço
pregados pelo fanatismo implantado pelo clero ou antes generoso, captando a confiança e sympath1a do gentio, por
pelo jesuita, cuja maxima era - dividir para governar. » essa forma. A primeiro de Dezembro de 1541 chegou a
11 - A metropole, por muitos ann,os, impediu o des- expedição ao Rio Iguassú. A 14 se encontrou novamente
envolvimento commercial e industrial do Brasil. As proprias nos mattos e taquaraes, que lhe difficultavam a marcha e
industrias annexas á lavoura eram perturbadas pelas auto- só a 19 de11es 'Se livrou.
ridades, receiosas da concurrencia que a colonia pudesse 5 - Causou admiração a Cabeza de Vacca o extra-
causar a Portugal. ordinario tamanho das nossas ara1.1.carias, que declara serem
duas vezes mais altas que o pinheiro da Europa. Em
X grossura, diz elle, quatro ~or:nens não lhes abraçam o tronco.
6 - Guiados pelos md1genas, marchou ao longo do
O Adelantado do Prata Rio Iguassú até sua fóz, no Ri~ P~raná.
7 - Pelas informações dos md1genas, teve o Adela~-
A 1 - D. Alvaro Nunes Cabeza de Vacca, fidalgo da tado conhecimento do fim tragico dos homens da expedi-
corte de Hespanha, foi, por seu Governo, nomeado a 2 de ção de Pero Lobo, mandada em 1531 p~r Martim Affo_nso
Novembro de _15~0 para o elevado cargo de Adelantado em busca das riquezas fabulosas prometltdas por Francisco
do Prata, constttu1do pelos póvos que formavam as diver- de Chaves. Todos succumbiram traiçoeiramente aos gol-
sas possessões hespanholas da America meridional. Fez-se pes desferidos pelos Guaranys, quando, despr~occupados,
a vela com sua esquadra composta de 2 náus e uma tripulavam frageis canoas, em aguas do Iguassu, nas suas
caravella, trazendo sob seu commando 400 soldados dos 1 revoltas cachoeiras.
quaes 50 de ca~allaria, co~~letamente equipados e mon tados. 8 - Quando pensaria Francisco de Chaves, q:1e
2 - Dep01s de ternve1s peripecias de viagem aportou perto de 30 annos vivia entre os selvagens em Cananea,
a esquadra na Ilha de S. Catharina, onde desembarcaram, que o seu primeiro encontro com os homens de sua raça,
toi:nando della poss: para a Corôa Hespanhola, sem res- seria a causa de sua morte?! Elle que, por tantos annos
peitar a posse. a~tenormente feita por Martim Affonso de viveu entre os indígenas, sempre respeitado e . acata~o,
Souza, que ah firmara os marcos com as armas lusitanas. mal pensaria que, em vesperas de regressar a Patna,
24 - - 25 -

desejo que tanto anhelava, succumbiría nas mãos dos m- 2 - Esse facto foi ainda aggravado com a morte de
colas, em cuja companhia passara todo seu tempo! O D. Henrique, em 1580, visto ficar Portugal sem successor
destino tem muita força! ao throno, e sem homens capazes de dirigir a Nação em
g - Receioso o Adelantado de que lhe estivesse ali crise política, e ás voltas com as rivalidades dos pretenden-
reservada igual sorte, resolveu dividir as suas forças em tes á corôa: D. Antonio - prior de Crato e a Duqueza
duas partes. Uma desceria ? fguassú em canoas, até o de Bragança.
Rio Paraná a outra marcharia por terra. 3 - Aproveitando-se disso, D. Philippe II, da Hespa-
10 - Mal tinham encetado a viagem, quando sentiram nha, mandou invadir Portugal por um exercito de 25.000
que as canoas eram arrebatadas pelas correntes, e só com homens, ás ordens do Duque d'Alba, e se fez acclamar Rei,
grandes difficuldades e riscos livraram-se de serem preci- unificando as duas corôas. De 1580 a 1640 durou a do-
pitados nas cachoeiras de S. Maria do Iguassú, onde te- minação hespanhola, só terminando com a Revolução de
riam fatalmente todos perecidos. Só uma canoa não foi 1.º de Dezembro de 1640, que restaurou a independencia
passivei salvar-se: com seus tripulantes desappareceu, sor- de Portugal.
vida pelo abysmo. 4 - Os 60 annos da dominação hespanhola contri-
11 - Os indigenas ao venderem as canoas aos expe- buíram ainda mais para avivar as rivalidades das duas ra-
dicionarios não os advertiram do perigo que os aguarda- ças, principalmente nas possessões Americanas. Os hes-
va. Cabeza de Vacca fôra avisado que os Ouaranys pla- panhóes, sustentados pelo apoio de seu Rei, procuravam
nejavam-lhes sorte igual á que tiveram os portuguezes de dilatar as suas conquistas, alargando-as em detrimento de
Pero Lobo. Dahi as suas precauções. Portugal. Na impossibilidade de se firmarem no littoral
12 - Deveram a salvação ao fado de terem obser- brasileiro, habitado pelos lusitanos, embrenharam-se pelos
v~do a rapidez das correntes que, em redemoinhos, pare- sertões e ahi firmaram sua jurisdicção.
cia quererem envolver as canoas, e ao estrondo da queda das 5 - A colonização portugueza cessou para o Brasil,
aguas nas cachoeiras. ao passo que a hespanhola augmentou consideravelmente
13 - E' de admirar a insistencia de todas as expedi- para as suas possessões da America.
ções do primeiro quartel do seculo 16.o, quer de portu-
guezes, quer de hespan~oes, em se dirigirem á fóz do lguassú. XII
Parece que todas traziam um mesmo roteiro movidas por
um só objectivo. ' As Reducções jesuiticas
XI
1 - Tal foi o desenvolvimento que tiveram as colonias
Portugal sob o dominio da Hespanha hespanholas dos Adelantados do Rio da Prata e do Paraguay,
este já elevado a Bispado, que de 1621 a 1634 poderam os
d 1 ~ Mal havia sido iniciada a colonização das terras colonizadores transpor o Rio Paraná e vir fundar importan-
~ Amenca, .d~co?e_!fa por Cabral, e antes mesmo que o re- tes Reducções entre os Rios Iguassú e Paranapanema, alem
g;imen da d1stnbuiçao das terras em Capitanias a Donata- das - missões - entre o mesmo rio lguassú e o Uru-
?ºs que as pudessem colonizar, tivesse produzido os seus guay, e outras no territorio que forma hoje o Estado do
ructos, a desastrada morte de D. Sebastião na Africa na Rio Grande do Sul. Entre os primeiros desses rios fun-
~at11,~a ~e Alcacer-quivir, em 15 78, onde se achava a f;·ente daram as Reducções de S. Ignacio e Loreto, ás margens
a or . a nobreza lusitana, vinha embaraçar o progresso do Paranapanema e do Pirapó, que foram as mais antigas,
do 8 ras1!. datando de 1610; a de S. Pedro, a de Villa Rica, S.José,
- 26 - - 27 -

ue l, no Ri o T i- desempenho de su a m iss ão , qu e, se gu nd o o in tu ito de EI -


S. Francisco, Jesu s, M ar ia e Jo sé e S. M ig
ge ~ do Ri o Rei, ao conceder-lh es as C ap ita ni as , er a - o se u pr om pt o
bagy; a de O ut iv ei ra o~ Çi da de , Re al, á _m ar
Paraná; a de Sa nt a M an a, Ju nt o a ca ch oe ira de ig ua l no - povoamento.
e. S. Th om é, no 5- U m fa cto im pr ev ist o ve io , po ré m , em so cc or ro
me, na Fóz do Ig ua ss ú; as de A ~g el us ita ni a
o, no Ri o lv ah y. das possessõ es po rtu gu ez as . O s m or ad or es da C ap
Rio Corumba ta hy e a de S. A nt om do m in ar e
vo ad as po r m ui ta s de ze na s de S. Vicente , av id os de gr an de za s, pr oc ur ar am
Essas reducç õe s er am po za ra m as ce le -
s, ca te ch iz ad os e ad m in is tra do s escravizar os in dí ge na s e pa ra iss o or ga ni
de indígenas, todos ald ea do lo s se rtõ es , em gu er -
bres Bandeiras, qu e se em br en ha ra m pe
pelos jesuítas. el le s ch am av am ba rb ar os se lv ag en s, co m
Eram pa rte s co m po ne nt es da R ep ub lic a Th eo cr at ic a do ras contra os que
Paraguay, pa rte ai nd a in te gr an te do V ic e- R ei na do do Pr at a. o fim de os reduzir á escravidão.
o qu e se 6 - Mas si, por um la do , pr at ic av am os B an de ira nt es
2 - Essas Re du cç õe s re un id as co ns tit uí am do
a cr ia çã o te ve um crime de qu e ja m ai s se po de rã o la va r, po r ou tro la
chamava a Provincia do O ua yr a, e co m a su di nd o
as se gu ra r a al lia nç a prestavam releva ntís si m os se rv iç os ao B ra sil , im pe
o Governo do Pa ragu ay a in te nç ão de id a po r Te r-
at titud e, si nã o de fra nc a que a parte da C ap ita ni a de S. A m ar o, co nh ec
dos Ouara ny s e co ns er va i-o s em le gu as de co sta ,
gu ez es , ao m en os de ac tiv a ras de Sant' Anna e co ns tit ui da pe la s 50
hostilidade co ntra os po rtu se es te nd ia m at é o
que começavam ao su l de C an an éa e
prevenção e má vontade contra elles. Su l, ca hi ss e em m ão do s he sp an hó es .
di ss o av an ça ra m de tal fo rm a pe lo s te rr ito rio s Rio Grand e do
Alem ab an do no co m pl et o de ss a C ap ita ni a po r pa rte
portuguezes, qu e as su as po vo aç õe s ou co nq ui st as so br e o 7 - Do
gr es sõ es . dos descendent es do D on at ar io Pe dr o Lo pe s de So uz a e da
littoral se acha va m co ns ta nt em en te am ea ça da s de ag o po s-
m an - falta de coloniza çã o de su as te rra s, qu e at é 16 40 nã
3- Po r ~s a _f or m a pr oc ur av am os he sp an hó es u qu e o
ra l, at ra ve z suia uma unica po vo aç ão em su a am pl a ar ea , re su lto
ter as c_om !T ium ca ço es . do Pa ra gu ay co m o lit to s G er ae s, e os
de C ab ez a de «plateau » paranani an o, co nh ec id o po r C am po
do ternto no pa ra na m an o. A ex pe di çã o a co ns tit ui r
es si on ae s de sd e sertões do Ti ba gy e de G ua ra pu av a vi es se m
Vacca,, que ~heg o~ a co llo ca r pa dr õe s po ss eo cr at ic a do Pa ra -
ou tro in tu ito . E uma provínci a in dí ge na da R ep ub lic a th
~nanea ate ? Rio da Pr ata , já nã o tev e
nao fosse assim, nã o ter ia ell e de se m ba rc ad o co m m et ad e guay, sob a dominação hespanhola.
8 - Data de 16 36 a sy ste m at ic a in cu rs ão do s B an -
da gente de su a ex pe d~ çã o. p~ ra m a~ ch ar po r te rra pa ra o os ,
s deirantes ao Guayra, cu jo s al de am en to s fo ra m de st ru íd
Paraguay, va~an~ o se rt? es m v1 os e m te rm in os , su je ito ao de in -
co m - e delles arrebatados al gu m as de ze na s de m ilh ar es
ataques dos md1 os e am m ae s fe ro ze s, qu an do po de ria e pa de ci -
as na us . dios aldeados , do s qu ae s m or re ra m pe la fo m e
moda1:1ente p~os eg ui r de rro ta em ba rc ad o em su po r oc ca siã o
15 49 um mentos 12.000, qu e fu gi ra m , rio Pa ra ná ab ai xo ,
S1 D. Jo ao III nã o ho uv es se cr ea do em de ira s Pa ul is ta s
po r co nt ra pô r ao do exodo geral (H is to ria G er al da s B an
Oover~o <;}era ! do Br as il, qu e tu do fe z
rag~ mtmt~ dos he
ort1fica~ o httora l, co
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2. 0 , pagina 263).

pa ra na ni an as tiv er
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seurtãdes1fderatum · Mesm o assim · procuraram fir . mar-se no Villa Rica, C iu da d Re al, e os al de am en
Tape, como: Sa nta Th er ez a e A po st ol os , Lo s M ar ty re s, cu ja s
se o, arman do as . fa m os as Re du cç õe s je su iti ca s co m o ni co .
do s populações foram ca pt iv ad as ou di sp er sa da s pe lo pa
aldt~amento e ap ro ve ita m en to in te lli ge nt e e sy ste m ~t ic o an de ira nt es
na lVOS. Quando dous an no s de po is so ffr er am os B
as formidav ei s de rr ot as do s co m ba te s de - C aa sa pa gu as sú
4 - As novas Ca tap .1
·ta ·
m as ~c ha va m -s e go ve rn ad as po r po ss e po rtu gu e-
prepostos do s D o e Mbororé - já se ac ha va as se gu ra da a
na Metropole e n2 1ª no s, .P 01 s qu e es te s pe rm an ec ia m em toda a pa rte m er id io na l do B ra sil .
za
ao possmam os recursos precisos ao
- 28 - 29 -

A Hespanha havia perdi j) a partida, graças aos for- se nos vastos solidões de Cuyabá e Ooyaz, percorreram
midaveis e inolvidaveis serviços prestados pelos Bandei- a província do Rio Grande do Sul, chegaram para o lado
rantes. norte do Brasil até o Maranhão e o Amazonas, e, tendo
Arredado o perigo inimigo no interior, cuidou-se logo transposto a cordilheira do Perú, atacaram os hespanhoes
da defeza da costa e mares da parte do sul, já então no proprio centro de suas possessões. Quem sabe por
ameaçados por novo inimigo. experiencia propria, quantas fadigas, privações, quantos pe-
9 - Pouco mais tarde teve inicio o povoamento de rigos ainda hoje esperam o viajan~e qu; se av_entu.ra nes-
Paranaguá, sendo os seus primeiros moradores o capitã)- sas regiões longinquas, e em seguida le as mmuc1as das
povoador Gabriel de Lara, e os homens da força de seu correrias interminaveis dos antigos paulistas, fica arrebatado
commando, mandados para estabelecer ahi um porto de por uma especie de estupefação; tem a visão de que aquel-
defeza militar e evitar as incursões de piratas e aven- les homens pertenciam a uma raça de gigantes. .
tureiros hespanhoes, que costumavam infestar os mares «E nem se diga que S. Paulo era uma vasta cidade,
do sul. que, como as antigas da Orecia, desafogava o exced~nte
XIII de uma população muito consideravel em outras regiões
desertas. E' de presumir que na planície de Pira~ininga
Os Bandeirantes houvesse numerosas habitações ruraes, mas, pelos fms do
seculo XVII, a capital da capitania de S. Vicente não ti-
Diz Saint-Hilaire, relativamente aos Bandeirantes: «A nha mais de setecentos habitantes. Numa das suas expe-
Colonia de S. Vicente ainda não estava de todo estabele- dições contra o Paraguay, os paulistas eram cerca de oito-
cida, e já os paulistas tinham começado a reduzir os in- .centos, mas parece que em geral as suas Bandeiras não
díos á escravidão, no que depois continuaram, apezar dos se compunham de grande numero de homens.
innumeros alvarás dos reis de Portugal, e das exhortações «Emquanto os paulistas se limitavam a dar caça aos
dos jesuítas.. Mas os indios não são como os negros; indios raramente se fixavam fóra da capitania, mas para o
tem .menos vigor do que estes e não se resignam á perda fim d; seculo XVI espalhou-se que havia ouro nos ser-
da liberdade, de sorte que morriam em grande numero. tões. Desde esse momento operou-se uma extraordinaria
«Esgotadas as tribus mais proximas, os paulistas es- mudança.
tenderam para longe as caçadas que faziam aos indígenas « Existiam realmente muito distante do littoral precio-
e tornaram-se os fornecedores do Rio de Janeiro na epoca sas minas, cuja importancia a cubiça e o amor do _mara-
em qu~ estes foram forçados a renunciar momentaneamente vilhoso ainda augmentavam. Os paulistas não cogitaram
ao trafico dos negros, por ter sido Angola tomada aos mais em outra cousa sinão nessas fabulosas riquezas, e,
portuguezes. resolutos como eram, trataram de ir descobril-as. Homens
«O interior do Bras\l nem sempre foi sulcado de es- de todas as condições, pobres e ricos, velhos e moços.,

e:
tradas e sem~do de hab1~ções hospitaleiras. Tempo houve
que nelle nao s~ descobn~ uma cabana ou qualquer vesti-
gi de cultura; so os ammaes ferozes disputavam a sua
brancos e mamelucos, abandonaram em massas os seus
lares suas mulheres e seus filhos, e precipitaram-se nas
vast~s solidões do Brasil. Por toda a parte onde iam,
posse. analysavam a areia dos regatos e a terra das montanhas, e
todas« Foi ~essa_ epoca que os pau listas o percorreram em quando encontravam algum terreno aurífero, construiam
·ta as direcçoes. Esses audazes aventureiros penetraram barracas em sua visinhança, afim de o explorar. Esses
m.m s vezes. no Paraguay, descobriram a provincia do Arraiaes tornavam-se aldeias, depois cidades, e foi assim
P1auhy, as mmas de Sabará, as de Paracatú, embrenharam- que os paulistas começaram a povoar o interior das terras,
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ajuntando á monar~hia portugueza ~ova~ proyin:ias, cada <,Augmentaram o seu numern, chamando a si aventu-
uma das quaes mais vasta q1:1e mmtos 1mpenos. , . _ reiros do Rio de Janeiro, do Espírito SaAto e índios pr.i-
o Barão do Rio Branco, estudando as exped1çoes dos sioneiros.
paulistas nos seculos XVI a XVIII, suas Judas ~ontra ~s «Manoel Preto tinha por si 1000 combatentes índios
hespanhoes e contra ?S s~lvagens, e. suas conquistas, diz ·em suas terras de Expextação, perto de S. Paulo.
no seu Esboço da H1stona do Brasil: «Dava-se a essas expedições ao interior o nome de
« No tempo do domínio .hesp~~hol (1580 - 1. 6~9), 9s Bandeira e aos indivíduos que os .acompanhavam o de
paulistas que foram os operanos d1hgen~es da c1v1hsaça~ Bandeirantes.
do Brasil no centro e no sul do Impeno, avançaram ate << Pelo anno de 1620, as expedições de S. Paulo co-
muito Jo~ge pelo interior das terras,. á pr_ocura d~ _ouro e meçavam a dirigir-se contra os salvagens que habitavam
dando caça aos índios que reduziam a escrav1dao para as costas meridionaes do Brasil.
fornecer de trabalhadores ás fazendas da costa. <, Muitos mil índios Patos foram a S. Vicente e ao
«Atacados pelos selvagens, a principio limitaram-se á Rio de Janeiro. .
defensiva, depois tomaram a resolução de se desembaraçar «Em 1627, os paulistas foram atacados pelo cacique
dos seus inimigos. Tayobá, alliado dos jesuítas hespanhoes.
«A primeira guerra dos paulistas, dirigida por Jero- «No anno seguinte para se vingarem dessa aggressão,
nymo Leitão, foi feita contra os Tupininquins de Archem- os paulistas assolaram as fronteiras da província de Ouay-
by, hoje Tietê; que contavam, segundo os jesuítas hespa- ra. Os hespanhoes e os jesuítas do Paraguay davam esse
nhoes, trezentas aldeias e 30.000 combatentes. nome ao territorio comprehendido entre o Paranapanema,
« Essas aldeias foram quasi todas arrazadas e um o Itararé, o Iguassú e a marge111_ esquerda do ~araná..
grande numero de índios reduzidos á escravidão. A guerra «Viam-se ahi em 1630 duas pequenas aldeias habita-
durou seis annos. De 1592 á 1599, sob a direcção de das por hespanhoes : Cidade Real, á r:1arge~ d~ Rio Pi-
Affonso Sardinha, depois de Jorge Correa e João do Prado, qufry, perto de sua fóz no Paraná, e V1ll~ R!ca, a ma~gem
fizeram segunda guerra de extermínio, esta contra os sel- do lvahy, assim corno varias aldeias de md!os submissos
vagens do rio Jeticay, hoje Rio Grande, que, com o Para- aos jesuítas do Paraguay. Loreto e S. Ignac10, na margem
hyba, forma o Paraná. esquerda do Paranapanema, fundados em 1~ 1O.: eram as
«Já nos primeiros annos do seculo XVII (1601 - 1602), mais antigas e as mais importantes dessas m1ssoes.
como prova o roteiro de Olimmer, os paulistas chegavam «As outras eram de creação recente: Angeles, formada
a Sab.ará, no interior de Minas Oeraes. Uma terceira grande de índios do chefe Tayobá {1628), e S. Thomé (1628), no
expedição, que parece ter sido dirigida por Nicolau Bar- Curumbatahy; Conceição dos Oualachos (1628),. perto dos
reto, Manoel Preto e varias outros habitantes de S. Paulo, nascentes deste rio; S. Pablo (1627) e S. Antomo (162~),
avançou mais para o Norte (1602) e assolou durante cinco na margem direita do lvahy; S. José (1624), e S. Xav1~r
annos as aldeias e os acampamentos de indios do Parou- (1623), nos dois confluentes da marger:i esquerda do n?
poda, _i~to é, ~o Alto Araguaya. Julga-se que em 1592 Tibagy· Incarnação (1625), Jesus Mana (1630), e S. Mi-
Sebast1ao Marinho chegou até Ooyaz. guel, n~ margem esquerda deste rio e S. Pedro (1627), á
<: E!Il 1606! os pau listas não podiam armar, para estas leste do Tibagy. .
exped1çoes, i:na1~ de 1.800 homens, dos quaes 300 bran- «Na fóz do Iguassú, os jesuítas hespanhoes possmam
cos e l ~00 mdtos, quasi todos munidos de arma de fogo a reducção de Santa Maria Maior (1626); no Paraná, co~-
e protegidos nos combates por uma couraça de couro fluente do Acaraig para o sul, estavam de posse de mm-
acolchoada de algodão. tas outras; porem 'todas formavam a província do Paraná.
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«Desde 1620, elles tinham começado a fundar estabel~ci- «De 1621 a 1634 os jesuítas do Paraguay tinham
mentos ás margens do Uruguay e seus con~lu~ntes; essa r~g1âo conseguido estender seus estabelecimentos por uma grande
era então designada pel? nom~ _d~ provmc1a de ~rua1g. parte do territorio que fonna hoje a província brasileira do
«Em 1630, os pauhstas, dmg1dos por ~ntorno Raposo Rio Grande do Sul.
Tavares, que tinha sob suas ordens Fredenco Mello, An- «No tempo da primeira invasão dos paulistas (1636)
tonio Bicudo, Simão Alvares e Manoel Morato Coelho, as reducções ou aldeias jesuiticas eram em numero de
subiram o Ribeira de Iguape, atravessaram a ser:ª. de Pa- quinze entre o Ijuhy (Iiuii) e a Serra Gela ao norte, o
ranapiacaba e precipitaram-se contra a parte mend1onal da lbicuhy, então lcuity, e o Jacuhy (lgay, chamado tambem
província de Guayra. . Phasido) ao sul, o Uruguay a oeste e o Taquary (enião
«Bicudo apoderou-se de S. Miguel; Alvares, de S. Tebiquary, ou rio do Espírito Santo) a leste. A parte orien-
Antonio · Morato, de Jesus Maria. tal desse territorio foi designada pelo nome de província
«Vimos, diziam elles, expulsar-vos deste paiz, porque de Tape.
nos pertence e não ao Rei da Hespanha.» <<As aldeias e povoações (Pueblos) dos jesuítas do Pa-
«No anno seguinte, os paulistas apoderaram-se de S. raguay muitas vezes mudaram de local e outras aldeias do
Pablo e S. Xavier, repelliram nessa ultima aldeia um ata- mesmo nome foram fundadas em lugares differentes. Eis
que de hespanhoes de Villa Rica, depois apoderaram-se de aqui as que existiam no Rio Grande do Sul em 1636 e
S. Pedro e de Conceição dos Galachos. as datas de sua fundação: - Na margem direita do rio
«Os jesuítas em Loreto e em S. Ignacio todos os Pardo (nessa epoca Vequi ou rio Verde), subindo tSse rio,
indios que tinham conseguido escapar a estas rázzias, S. Christobal (1634) e Jesus Maria (1633). No Passo do
tomaram a resolução de abandonar a província de Ouayra, Jacuhy, margem esquerda do rio desse nome, Sanf Anna
para se irem estabelecer entre o Paraná e o Uruguay (161 3), (1633); margem direita do Araricá, Natividade (1632). Perto
onde tinham já varias missões. das cabeceiras do Jacuhy, não longe do lagar em que se
«Deste lado, conservaram as reducções de Santa Ma- acha hoje Cruz Alta, Santa Thereza de Ibituruna (1633);
ria Maior do lguassú e da Natividade do Acaraig, eva- nas cabeceiras do ljuhy Grande, S. Carlos de Caápi (1631);
cuadas em 1633. no ljuhy Mirino, margem direita, Apostolas da Caázapa-
«Logo depois de sua partida os paulistas se apode- quazú (1631); e, descendo esse rio, Martyres de Caaro
raram das povoações hespanholas de Villa Rica e Cidade (1628). Entre Ijuhy e Piratiny, Candelaria de Caázapa-
Real (1631), as quaes destruíram completamente. mini (1617); margem esquerda do Piratiny, perto de sua
«Graças_ ~ intervenção do bispo do Paraguay, que se confluencia com o Uruguay, S. Nicolas (1626); na margem
achava ei:n v1s1ta pastoral na primeira destas povoações, direita do ltú (então Tibiquaci) S. Thomé (1633); na mar-
seus habitantes se puderam retirar sem serem incommoda- gem direita do lbicuhy, subindo esse rio, S. José de lta-
dos e foram estabelecer-~e na margem do Jejuy (Paraguay). quatiá (1633); S. Miguel (1632) e S. Cosme y Damian
«Em 1632, os pauhstas atravessaram o Alto Paraná e (1634).
tom~ra~ conta de tres reducções de indios Itatinos, que «Esses estabelecimentos foram destruídos como os
os 1esu1tas acabavam de fundar a oeste do Rio Pardo da provinda do Ouayra, logo depois de sua fundação.
(Ma~o Grosso), assim como da povoação hespanhola de «Raposo sahiu de S. Paulo com seu exercito (Setem-
Santiago de Jerez, situada em um planalto da serra do bro de 1633), a 3 de Dezembro, depois de um combate
Amomba~y, perto das cabeceiras do Aquidanana. de seis horas, tomou Jesus Maria de Jequi (Rio Pardo).
<Vanos hespanhoes estavam de combinação com elles «As reducções de S. Christobal, S. Joaquim e Sant'~
e foram estabelecer-se em S. Paulo. ' Anna, foram evacuadas, mas os paulistas fizeram grande nu
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mero de prisioneiros e repelliram um ataque de índios pelo «Reunindo então em Loreto e S. Ignacio Mini os
Padre Romero. . . 1ndios fugitivos das outras missões, resolveram os jesuitas
«A reducção de Natividade de Arancá fm ab~ndonada e abandonar a provinda de Guayra e estabelecer esses in·
só ficou aos jesuitas no territor!o de ~ape a coloma de ~nta dios no territorio comprehendido entre o Paraná e o Uru·
Thereza de lbituruna. Esta foi-lhes tirada no anno seguinte guay. A transmigração dos 12.000 catechumenos que res..
(Dezembro de 1637). . . _ tavam, effectuou-se em 1631 sob a direcção do padre Mon-
«Em 1ó38, os paulistas ~ompletaram a. distrmçao dos toya, e como os índios Caingangs ou Cor~ados, senhores
estabelecimentos hespanhóes situados ao onente do Uru- da margem do lguassú e do Uruguay, acima dos Saltos
guay. Vencedores em qiaro, em Çrulzapamini e ~m. S. Ni- Grandes desses rios, tornavam impossível a viagem por
colas, obrigaram os jesmtas a emigrar com os mdto~ que terra, foi ella emprehendida por agua, descendo o Paran~-
puderam escapar a esta catastrophe, e que se foram mcor- panema e o Paraná em setecentas balsas. Com esses emi-
porar ás reducções situadas entre o Uruguay e o Paraná grantes foram fundadas então as missões de Loreto e S.
ou formar nessas paragens novas aldeias, algumas das Ignacio Mini, perto da margem esquerda do Paraná, ao
quaes conservaram os nomes das que acabavam de ser sul de Corpos.
destruidas. «No anno de 1632 os paulistas tomaram Villa Rica
«Em 1641 (Março), os paulistas tentaram atacar essas e Cidade Real, e no anno seguinte, dirigindo-se elles para
missões, porem foram repellidos pelos Guaranys perto do a fóz do lguassú, foram precipitadamente evacuadas as
Mbororé (margem esquerda do Uruguay). missões de Santa Maria Maior, junto ao salto grande desse
«Suas expedições eram dirigidas nessa epoca, antes rio e a de Natividade de Acaraig.
para oeste e norte que para o sul. ' «Desde então (1633) ficaram os pau listas senhores de
~ Viu-se então os paulistas levarem as suas correrias todo o territorio a leste do Paraná, e ao norte do lguassú.
até a parte septentrional do Paraguay, no districto de Santa No anno anterior já os paulistas tinham transposto o Alto
Cruz de la Sierra, e as cordilheiras do Perú. Paraná, desalojando os jesuítas das posições que_ o:cupa-
« Em 1636 um dos seus chefes, Francisco Pedroso vam a oeste do Rio Pardo, em Matto Grosso (missoes de
Xavier, tomou e destruiu a segunda Villa Rica, sobre o Itatines), e destruindo a cidade hespanhola de Santiago Je-
Jesuy (Paraguay) assim como varias aldeias de índios das rez situada entre uma chapada da Serra de Amambahy.
visinhanças. Perseguido por Andino, antigo governador do ' « Em 1631, começaram os jesuitas do Paraguay a ex-
Paraguay, es~erou na Serra de Maracajú, e, depois de um tender os seus estabelecimentos ao oriente do Uruguay,
combate, obngou-o a tocar a retirada.» onde possuiam, como ficou dito, tres missões. .
Esse ill~stre diploma~, na sua exposição, offerecida « Em 1636 ellas já eram quinze comprehendtdas en~
ao laudo arbitral do Presidente Cleveland baseando os di- tre, o Uruguay a oeste; o ljuhy (então Iiuii) e a Serra Ge-
reitos do Brasil sobre o territorio das missões, diz: ral ao norte· o Ibicuhy (então lbicuity) e o Jacuhy (Igay)
1

. «Em 1630 e 1631, os pau listas, dirigidos por Anto- ao sul; e o Taquary (nesse tempo Tebiquary) a leste. A'
mo R~pos? Tavares e pelos sub-chefes Frederico de Mello, .parte oriental desse territorio, davam os jesuitas o nome
Antomo Bicudo, Simão Alvares e Manoel Morato ataca- de provincia de Tape. . .
ram ~ destruíram n~ provincia de Guayra, as mi~sões de «Estas eram as missões, começando pelas mais onen-
S. Miguel, S. Ant_omo, Jesus Maria, S. Pablo, S. Xavier, S. .taes: A' margem direita do Rio Pardo (nesse tempo Y~-
Pedro e Concepc1on de los Gualachos. «Vimos diziam qui ou Rio Verde) S. Christobal (1634) e Jesus Mana
e~es, expulsar-vos de toda esta região porque estas terras (1633); á margem esquerda, perto das cabeceiras do mes-
sao nossas e, não do rei da Hespanh'a.» mo rio, S. Joaquim (1633). No passo do Jacuhy, margem
- 36 - - 37 -

na (1 63 3) , Na tív ída :cf e vam e fal lam to do s a lín gu a Ab an ee ng a «lí ng ua do s ho -


esqu erd a do rio de sse no me , Sa nt' An s
Th ere za (1 63 3) , pe rt~ mens » de no m in ad a pe lo s po rtu gu ez es - lin gu a ge ral do
(1632), á dir eita do Ar ari cá , Sa nta ua -
lug ar em qu e ~t ~ Brasis - po re m m ais co nh ec id a ho je pe lo no m e de O
das nascentes do Jac uh y, nã o lon ge do
hoje a cidad e br as ile ira de Cr uz Al ta, S. C. arl os do Ca ap 1 rany, que lhe deram os jesuítas do Paraguay.
os tol os . ~e Ca az a- «Os Caig an gs ou Co ro ad os , im pr op ria m en te de no m i-
(163 1) , na s ca be ce ira s do Iju hy Ou ~ç ú; A~ -
do IJu hy M ir.m ~. M ar - nado s Tu py s pe lo s jes uí tas do Pa ra gu ay e he sp an ho es , fal
pagu aç ú (16 31 ), na ma rg em dir eit a pr e-
lam lín gu a m ui to diffe re nt e do ab an ee ng a, e es tão co m
tyres de Caaro (1628) e Candelaria deC.aaza Pam1m (1627} en s ou Ou er en gs , se gu nd o a
o Iju hy e o Pí rat iny . S. Ni co las {1 62 6) á m ar ge m hendidos no s gr up os do s Cr
entre ac ce ita po r to do s os an th ro po -
rto da fóz do Pi rat im y no U~ u~ ua y. S. Th om é classifica çã o de M ar tin s,
esquerda, pe
(1633) á ma rg em dir eit a do ltú (en tão T1 b1 qu a~ y) af flu en te logistas.
(1 63 3) , S. M igu el (1 63 2) «Isso expl ica os no m es ge og ra ph ico s da re gião a les te
do lbicuhy. E S. Jo sé do Ita qu ati á
do Pe pe ry -O ua ss ú e S. An to ni o, de sd e o ca m po Er ê até
e S.S. Cosme y Damion (1634), ao no1ie do Ibicuhy.
«Todos esses estabelecimentos foram tomados pelos .ao lado oriental do Chopim e Chapecó.
po so Ta va res , ou ab an - « De ss e ter rit or io , ho je co nt es tad o, pa rti u, em M ar ço
pauli sta s, so b o co m m an do de Ra a
ios , de po is de re nh id os de 1641 , de sc en do o rio U ru gu ay , em tre ze nt as ca no as ,
donado s pe los je: ::u ita s e se us índ de
a e S. Ch ris to ba l, em 16 36 , expedição que, se gu nd o os ch ro ni sta s da Co m pa nh ia
combates fer ido s em Je su s M ari lia -
az ap am ini e S. Ni co la s, Jesus, se co m pu nh a de 40 0 pa ul ist as e 2.7 00 ín di os a1
e em Cáaro, Ca az ap ag ua çú , Ca os je-
dos, e foi de str oç ad a no ata qu e de M bo ro ré , on de
em 1638. Os jesuítas conduziram para o lado occidenta ex er cit o de 40 00 Ou ar an ys .
ua y os índ ios qu e pu de ram es ca pa r á ca tas tro ph e, suítas a es pe ra ra m co m um
do Urug ve rd ad eir a ou su pp os ta, os ín -
incorpo ran do -o s ao s da s an tig as m iss õe s qu e all i m an ti- Apezar pore m da vi cto ria
ara m os no m es da s qu e dios da missão de As su m pc io n de M bo ro ré ab an do na ram
nham ou fo rm an do ou tra s qu e tom
tão qu e se es tab ele ce - imm ed iatam en te es se lu ga r co m o já ha vi am ab an do na do o
acabavam de se r de str uíd as . Fo i en
Acaragua y, e fo ram in co rp or ar -se ao s da m iss ão da Va pe jú,
ram entre o Uruguay e o Paraná, as de S. Thomé, Apos- ru gu ay . Em 16 57 de ix ar am
, S. Ca rlo s, S. Jo sé, C. an de lar ia, M art yr es , S. Co sm e, a mais m er id io na l da s do U
tolos uc o ao su l da fó z do Ag ua -
Sant'Anna, S. Nicolas e S. Miguel. Vapejú para ir fu nd ar um po
. «A de As su m pc ion fu nd ad a em 16 30 na m ar ge m di - pery a povoação de La Cruz.
rei~ do Urugua y e do Ac ara gu ay ou Ac ara na , foi tra ns - <i: No mesmo anno do combate de Mbororé, os jesuí-
bo ro ré, po rq ue aq ue lla tas das m iss õe s en tre o U ru gu ay e o Pa ra ná fo ram co m
fen~a - em 16 37 pa ra a fóz do M
os seus ín di os ata c1 r do is fo rte s qu e os pa ul ist as oc cu pa -
pos1i;ao pa rec eu ªº? jes uít a~ m uit o ex po sta ao s ata qu es do s
pauhsta s, qu e tra n~ 1ta va m liv rem en te pe lo ter rit or io ho je vam, um no Tabaty, outro no Apitereby.
contesta~o, co nh ec ido en tão po r Ib itu ru na , se gu nd o an ti- «O Tabaty, onde antes esteve a missão de S. Xavier,
é o afflu en te da m ar ge m es qu er da do U ru gu ay a qu e os
gos roteiros dos mesmos paulistas. m ap pa s de
ou Co ro ad os , qu e ha bi tav am jesuítas dava m o no m e de V gu ar ap e no s se us
«O~ i~ dio s Ca ing an gs m ar ca do re s
so s bo sq u~ . ª? su l do Ur ug ua y, 1722 e 1732, e qu e em 17 59 , se gu nd o os de
esse t~mto no e os ex ten pu ã. H oj e
lto Gr an de , era m 1m m1 go s irr ec on cil iav eis porb .lg ue ze s e he sp an ho es , era co nh ec id o po r lta
ao orien te do Sa
dos Gu ara ny s, e nã o pe rm itti am qu e es tes e os jes uí tas tem o nome de Camandahy.
«O rio qu e os jes uí tas ch am av am en tão Ap ite re by
hespanhoes• s.e approximassem,. ao passo que deixavam o ac im a do Sa lto G ra n-
o o ca m m ho pa ra os pa uh sta s e até os au xi lia va m em era, como ficou pr ov ad o, o pr im eir
franc ec iam po r Pe qu iry ou
seus ataques contra as missões. de, ist o é, o qu e os pa ulist as co nh
ua y e Tu py s do Br as il fa lia - Pepery. O s jes ui tas ap pl ica va m es te ul tim o no m e ao
«Os Gu ara ny s do Pa rag
38 - 39 ~

Mandig-Ouaçú, de 1759, hoje Soberbio, abai>co do mesmd região modernamente chamada Campos de Palmas, màs
Salto Grande. essa prova, como acaba de ser demonstrado, não é a unica.
«Estivesse, porem; o entrincheiran:ient~ de que se trata lbituruna era, com effeito, o nome dado no seculo XVII a
no antigo e supposto Apjtereby dos Jesmtas, ou no pe- região entre o Uruguay e o Iguaçú e os montes Bituru-
queno rio, a leste, que amda conserva esse nome, o im- na do roteiro paulista não podiam ser sinão os da divi-
portante é que fio territorio hoje em ljti~io já .~ses bra- saria das aguas que correm para aquelles dois rios.
sileitb's occupavatn em 1641 uma pos1çao fort1f1cada, se- «Essas elevações do terreno ligam-se, a oeste das nas-
gundo o padre Lozano, chronista da Companhia de Jesus centes do Pepery-Guaçú, com outras que começando no
na província do Paraguay. Diz elle que os Guaranys da Salto Grande do Iguaçú, vão terminar no Uruguay.
Missão, depois de tomarem o forte do Tabaty, foram ata- «Tendo reconquistado os territorios que entendiam
car o do Apitereby. «Pasaron volando a otro fuerte li a- pertencer-lhes, passaram os paulistas a empregar-se princi-
mado Apitereby, y acometiendolo, obligaron a los Mame- palmente no descobrimento e exploração de minas de ouro
lucos á ponerse en fuga, dasejando en el cuanto tenian no interior do Brasil (Minas Geraes e Goyaz), e no ex-
de provisiones, municiones, viveres y cautivos, y s@ huye- tremo oeste (Matto Grosso). Puderam assim os jesuítas
tofl tan ocupados dei miedo, que jamas en adelante hasta voltar ao lado oriental do Umguay, transferindo para ahi
~I dia de hoy, se atrevieron á infestar la província dei em 1687 as missões de S. Nicolas e S. Miguel e creando cinco
Uri.Jgu~y... » outras: S. Luiz Gonzaga (1687), S. Borja (1691), S. João
«Nesta ultima informação enganou-se o padre Lozano Bautista (1698) e S. Angel (1706).
pois .elle proprio refere, em outro lugar de sua obra, qu~ «Esta ultima, ao norte do Ijuhy, era a mais proxima
no dia 9 de Março de 1652 os paulistas, repartidos em do actual territorio contestado, mas ficavam de permeio os
quatro corpos, atacaram novamente as Missões, entre o extensos bosques da margem esquerda do Uruguay, habi-
Urug~ay e o Paraná, o que é confirmado por diversos tados por selvagens.
chromstas e alguns documentos ainda ineditos. «Desde 1706 nunca mais variaram os limites orien-
.«A~ chrohicas e relações, impressas ou manuscriptas taes e septentrionaes da occupação hespanhola no territo-
dos 1esu1tas db Pataguay e as de S. Paulo, no Brasil, dão rio chamado de Missiones. Ao sul do Uruguay os bos-
test,emunho de qu~ po~co depois de expulsos os hespa . . ques occupados pelos selvagens fechavam qualquer com-
nhoes e seus m1ss10nanos da província do Guayra (1630 munição com o territorio hoje reclamado. Ao occidente e
a 1632) ou, - para precisar mais - desde 1636 e 1638 ao norte desse rio, S. Xavier, sobre a sua margem direita,
todo o territorio ljmitado a leste pelo Paraná e ao sul pel; e Corpus, sobre a margem esquerda do Paraná, continuaram a
Uruguay er~ do~mado pelos paulistas. Depois de 1638 ser como eram desde 1641, as posições hespanholas mais
elles percorriam livremente todas as terras que se estendiam avançadas e proximas da fronteira do Brasil no Pequery
ao sul e a leste do Uruguay onde apenas duas vezes fo- ou Pepiry depois Pepiry-Guassú.
ram atac~dos: a pri.me!ra em 1639, e em Caazapamini,
ântrTe O I1uhy e o g,ratm~, e a segunda em 1641, no forte XIV
e abaty, como Jª se disse. A Pr ov in da do Ouayra.
«Um antigo r?teiro paulista, conservado até hoje e citado
por v;n ha iem , Visconde do Porto Seguro, falia no morro ou 1 - O territorio das missões da Provincia do Guay-
serra e B1tur~na «que vae afocinhar no Uru ua )) e no ra comprehendia o curso do Rio Paraná em suas duas
f~mpo que alh ~e estende. Vamhagem diz !ue ye;se ro- margens, limitado ao sul pelo Rio Iguassú e ao norte pe-
etro é prova evidente de que os paulistas conheceram a los Rios Paranapanema e Itararé.
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2 _ N margem esquerda do lg~assú, até o Rio. U,:u- Ahi ficavam a igreja, as escolas e os edifícios publicas.
guay haviam ou!ras reducções, que faziam parte das M1ssoes Os padres viam da praça tudo o que se passava na Re-
brasileiras do Rio Grande do Sul. . , ducção.
3 - Todas essas Missões, reumdas as Paraguayas, for- 1O - Os jesuítas mantinham seus fiscaes de rondas,
mavam O Vice-Reinado Hespanhol do Prata,. com um_a noite e dia, e delles recebiam communicações de tudo o
população indígen_a de perto de 160.000, gentt<:_s catech~- que occorria.
zados, na sua ma10r parte pertencentes_ as naçoes ou tn- Havia separação nas residencias dos homens e mu-
bus dos Guaranys, Tapes, Charruas, T1mbues, Paraguayos lheres solteiras e viuvas, das dos casados. Todos tinham
e outras. . ruas especiaes. Os solteiros de ambos os sexos usavam
4 - Eram ao todo 30 missões, dirigipas por padres cabellos cortados, só os deixando crescer quando casados.
da Companhia de Jesus, em numero de ~00, tendo seu 11 - O trabalho era em commum e em beneficio da
provincial a sua séde em Cordova. Haviam 3 Governos communidade, a alimentação e o vestuario eram fornecidos
subordinados á Companhia: em Tucumã, Buenos Ayres e pela sociedade.
em Assumpção. . . . 12 - Na aldeia fabricava-se todo o necessario á vida
5 - Cada uma dessas 30 missões era adm1mstrada de sertão: armas brancas e de fogo, polvora, enxadas e
temporal e espiritualmente por um cur~ e um au~íli.ar. instrumentos de lavoura e semelhantes.
6 - O ingresso nas Reducções so se permtttia aos A lavoura e suas industrias accessorias se achavam
socios da Companhia, e ninguem podia communicar-se bem adiantadas. Fabricava-se o assucar, aguardente, fum o,
com os gentios das aldeias. Quem quer que ahi chegasse, beneficiava-se a herva-matte, a madeira, a cera, o mel, etc.
sacerdote ou não, era constantemente vigiado e acompa- A pecuaria estava em grande prosperidade. .
nhado dia e noite. 13 - A exportação se fazia em balsas que desciam
7 - Os jesuitas correspondiam-se com os aldeados no rio abaixo até Buenos Ayres, onde eram vendidos os pro-
proprio idioma da tribu, e sendo a língua Guarany com- duetos do aldeamento. Uma parte desses productos era ex-
prehendida e falada por quasi todos os gentios, dedicaram- portada para a Europa.
se com especialidade ao estudo dessa língua, que maneja- A producção annual das Reducções attingia a um va-
vam com maxima perfeição e correcção. Montaram typo- lor superior a 1.000:000 de pesos, ao passo que a des-
graphias e escreveram grammaticas e diccionarios da Lín- peza annual não ultrapassava a 20.000 pesos.
gua Ouarany, e sendo nesse idioma escriptos os livros di- Por ahi se podem avaliar os extraordinarios lucros
dacticos das escolas que mantinham. auferidos pela famigerada Companhia de Jesus, nos seus
8 - A musica e o canto extasiavam os indígenas e 130 annos de domínio na America do Sul.
foi factor importante na catechese. Grande era o numero Comtudo, grandes seria~ os serviço~ I?r~~tad~s por
de alumnos das diversas escolas de musica e canto, para ella si se circumscrevessem a catechese e a c1v1hsaçao dos
o que muito se prestava o idioma Guarany. A dança não indígenas, chamados ao seio da religião de que eram pas-
era descurada. O jesuita levava avante a sua acção fa- tores, embora que usufruindo esses extraordinarios I?rov_en-
lando ao instincto e ao sentimento. ' tos para sua Companhia, si não lev~ssem o~ s~us mtmtos
9 - As Reducções,. alem do Governador e do Aju- de dominação a fins de pura conquista terntonal, em be-
dante, que eram curas,. tmham Corregedores, Alcaides, fis- neficio da corôa castelhana e em detrimento da lusitana,
caes de costumes, Caciques, todos eleitos entre elles. de que nos livraram a ousadia e i~trepi~ez dos _ben_e-
As autorid~des residiam numa praça collocada ao meritos Bandeirantes, que salvaram a mtegndade terntonal
centro da aldeia, da qual se irradiavam todas as ruas- de nossa Patria.
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Mal com~çára a de_manda, quando falleceu Lopo de
XV Souza sem deixar herdeiros, cabendo a successão das Ca-
pitanias a sua irmã O. Marianna de Souza da Guerra con-
Litigio entre os herdeiros dos donatarios das dessa_ de Vimieiro, que foi respectivamente succedid~ por
Capitanias de S. Vicente e de S. Amaro. seu filho O. Sancho de faro e Souza e seu neto D. Diogo
de faro e Souza, ambos Condes de Vimieiro. Este ultimo
1 - Tendo fallecido em 1542 Pero Lopes de Souza, por nã? ter filhos, legou a herança e o litígio a sua irmã
succedeu-lhe no governo da Capitania de S. Amaro D. Mananna de Faro e Souza, condessa da Ilha do Príncipe.
seu filho primogenito Pero Lopes de Souza, que falleceu O. Luiz de Castro, 2.° Conde de Monsanto tendo
1
ainda na primeira infancia em 1547, succedendo-lhe seu fallecido, foi a demanda continuado por seu filho e suc-
irmão Martim Affonso de Souza Sobrinho que, fallecendo cessor . O. Alvaro Pires de Castro e depois por seu neto
em 1577, foi substituido por sua irmã D. Jeronyma de Al- O. Lu1z Alvares de Castro, que reuniu ao seu titulo de
buquerque, casada com D. Antonio de Lima. Este casal Conde de Monsanto, o de Marquez de Cascaes.
traspassou a Capitania a sua filha D. Izabel de Lima de A questão seguiu os seus transmites durante 5 annos
Souza Miranda, já quando esta estava casada em segundas e neste período Martim de Sá exerceu os cargos de Ca~
nupcias com André de Albuquerque. Tendo fallecido O. pi~ão-mór, Governador das duas Capitanias: - da de S.
Izabel de Lima de Souza Miranda sem filhos, nomeou a Vicente e da _de S. Amaro, por Provisão real, emquanto
seu pri'!lo _Lopo de Souza, para succeder-lhe no governo durasse o pleito.
da Cap1tama de S. Amaro, «que até o anno de 161 O não 3 - A 20 de Maio de 1615, o conde de Monsanto
contava uma unica povoação, onde pudesse arvorar a sua obteve sentença favoravel; mas somente a 1O de Abril de
sede».~ Este Lopo de Souza era donatario da Capitania 1617 foi lavrada a confirmação da mesma sentença passa-
de S. Vicente, da doação de seu avô Martim Affonso de da por D. Phelippe. Em Junho de 1620, o co~de de
Souza. Por essa forma ficou elle no domínio das duas ca- Monsanto del~gou a Manoel Rodrigues de Moraes, os po-
pitanias: - S. Vicente e S. Amaro, com uma - «extensão deres necessanos para tomar posse das 80 leguas d~ costa,
de cento e oitenta leguas de costa e immenso sertão1 for- das terras doadas a Pero Lopes de Souza.
mando a maior área de territorio e o maior feudo co ntido Quando Rodrigues de Moraes veio ao Brasil dar exe-
nas mãos de um simples particular.)> cução ao mandado, depois de tomar posse da Capitania
.2 - Estavam as cousas neste pé, quanto em 1610 de. ltamaracá, se dirigiu á Bahia, onde conseguiu de D.
surgm entre os herdeiros de Martim Affonso de Souza e Lmz de Souza, Governador Geral do Brasil, uma provi-
os de Pero Lo~es _de Souza a celebre questão que mais são ordenando á Camara de S. Vicente e ás demais auto-
tarde se de~ommana - processo - Vimieiro-Monsanto. ridades da Capitania, que dessem posse da terra ao conde
D. Lm.z de Castro, 2.° Conde de Monsanto, filho de de Monsanto por intermedio de seu loco tenente.
~: ~gnez Pimentel, e neto de Martim Affonso de Souza 4 - A 21 de Janeiro de 1621 apresentou-se á Ca-
m~c1ou ~ demanda, ~llegando que a successão neste cas~ ~ara de S. Vicente, Manoel Rodrigues de Moraes, exhi-
na_o devi~ ser pela lmha masculina, mas por parentesco e bmdo os poderes de que se achava investido e requerendo
pnmogemtu:a, e que portanto a elle Conde de Monsanto a posse da Capitania; no dia seguinte a Camara deferiu o
qu~ era mais velho 9ue seu primo Lopo de Souza cabi~ pedido, cumprindo a provisão do Governador Geral. foi
a eran_ça de sua pnma lzabel de Lima e a o'sse das p~is o conde de Monsanto empossado da Capitania de S.
donatanas de S. Amaro e Itamaracá (Dr' T I dp p·
Proces v · · M · . o e o isa - Vicente, quando só disputava o morgadio da Capitania de
. S? im1~1ro- onsanto, e Benedicto Car t - A S. Amaro. - Obtivera mais do que solicitára.
Cap1tamas Pauhstas.) 1x o s
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De nada valeram os protestos do loco-tene~teAa ver- Queria a Condessa, porém, levar seus domínios ao sul até
dadeira donatária de S. Vicente - condessa de V1m1e1ro, D. Paranaguá, que em 1640 fôra povoado pelos homens da
Marianna de Souza Guerra. missão militar de Gabriel de Lara que foi nomeado Capi-
5 - Mas, si por um lado ficou determinado que ao tão Povoador de Paranaguá. Esta povoação prosperara
Conde de Monsanto cabia o dominio da Capitania de S. desde logo, e já em 1648 era elevada a cathegoria de villa;
Amaro e á Condessa da Ilha do Principe cabia a dona- é que Gabriel de Lara descobrira alguns grãos de ouro
taria de S. Vicente, por outro lado surgiu a irritante ques- em carregas proximos a povoação, e esse facto natural-
tão de jurisdicção, pela confusão das duas capitanias, e por mente attrahio ao povoado as pessoas avidas por faceis
ser a sentença que a julgou, por demais ambígua e omissa, meios de enriquecerem.
a ponto de pretender o Marquez de Cascaes apossar-se, já 7 - Em l .º de Fevereiro de 1654, foi pelo Conde da Ilha
não só da Capitania de S. Amaro, mas tambem da de S. do Príncipe, commissionado o Capitão-mór de ltanhaen, e seu
Vicente, que de direito e de facto, pertencia por successão loco tenente, Diogo Vaz de Escobar, para tomar posse da Villa
legal á Condessa de Vimieiro. Armado dessa Provisão de Paranaguá, que ficaria sob sua jurisdicção. Em vista dos
passada pelo Governador Geral do Brasil, datada da Ba- poderes que apresentou, a Camara da villa, em vereança de
hia a 5 de Novembro de 1620, conseguiu o Conde de 8 de Março de 1655 lhe deu posse passiva e sem con-
Monsanto que as Camaras de todas as Villas da Capita- tradicção, do que se lavrou termo de posse. Pouco tem-
nia de S. Vicente reconhecessem o seu procurador e lhe po durou Escobar nesse lugar pois falleceu em Outubro de
dessem posse. Ainda nessa epoca se achavam inteiramente 1655, sendo os seus bens inventariados em Paranaguá no
despovoadas as terras da Capitania de S. Amaro, na parte anno seguinte. Em substituição a Diogo Vaz de Escobar
das 40 leguas ao sul de Cananéa e que se estendiam até foi empossado em 20 de Fevereiro de 1656 Simão Dias
a Laguna. Paranaguá só depois de 1640 é que foi po- de Moura, no cargo de Capitão-mór da villa, no1:1e~do
voada. pelo donatario Luiz Carneiro, conde da Ilha do Pnnc1pe.
A Condessa de Vimieiro vendo-se esbulhada no seu 8 - O Marquez de Cascaes resolveu então, em 1~56,
direito, reclamou de S. Magestade e solicitou a confirma- crear uma Capitania independente, abrangendo as v11las
ção da carta de doação passada em 1535 a Martim Affonso comprehendidas na demarcação das 40 leguas nas partes
de Souza; confirmação esta que lhe foi concedida por Carta do sul, a que denominou de << Capitani~ de_ Paranaguá» e
Regia de 22 de Julho de 1621. para Capitão-mór e seu loco-tenente s1smetro, nomeou o
. Fi~ára pois firma~a a existencia independente, das duas Capitão povoador Gabriel de Lara, homem de vasto pr~~-
C~p1_t~mas: a de S. Vicente, pertencendo a Condessa de tigio e valor e que já era o commandante da força m1h-
V1m1e1ro e a de S. Amaro ao Marquez de Cascaes. Si tar da referida villa.
nes~e ponto estava resolvida a questão, judicial e adminis- Eram dous Capitães móres governando ao mesmo
trattvame~te a confusão não tinha desapparecido e se pro- tempo a villa: - Simão Dias de Moura, em nome do
longou amda por varias annos. Conde da Ilha do Principe e Gabriel de Lara, em nome
. 6 - A Condessa ~e Vimieiro sendo repellida e im- do Marquez de Cascaes; ambos apresentav_a~ documentos
pedida da posse das v11las de S. Vicente, Santos, S. Paulo habeis, provando o direito de seus constttumtes; ambos
C Mo~y- das Cruzes, fez da villa de Nossa Senhora da empossados pelo Conselho da Camara. Em 30 de No-
. once1çao de ltanhaen, séde de seu governo o qual foi vembro de 1660 aportou a Paranaguá o Genera~ _Salvador
i~stal_lado a 7 ~e Fevereiro de 1624, passand~ a sua Ca- Correia de Sá e Benevides, com o encargo de venficar pes-
p1ta~1a a ~enommar-se - Capitania de Itanhaen - que se es- soalmente á existencia de pretendidas minas de ouro, onde
tendia ate ao sul de Cananéa, e ao norte de s' uperaguy. demorou alguns mezes, segundo declarou a El-Rey em carta,
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pois impressionava-o o pouco resultado dellas, e esperava tanto mais q~e Jª em 1655 o proprio Escobar veio exer-
que a sua presença podesse trazer alguma vantagem. Não cer esse refendo posto, e em 20 de Fevereiro de 1656 era
quiz voltar ao Rio sem ((findar o intento para com o des- empossado nelle Simão Dias de Moura, por morte de Es-
engano della fazer avízo a sua magestade». (Carta de 10 -cobar.
de Abril de 1661.) Gabriel d~ Lara. parti~ario do Marques de Cascaes,
9 - Salvador Correia de Sá vendo o prejuízo que naturalmente nao qu1z serv1r a casa dos seus rivaes.
com a dualidade de Capitães-móres estava soffrendo a A sua Patente de Capitão-mór, de 12 de Outubro de
villa, determinou á Camara que ella se conservasse em 1653! provavelmente lhe dava unicamente o encargo da
nome de Sua Magestade, sem reconhecer nenhum dos dois Admm1stração das Minas, que por elle foram des,cobertas
donatarios, visto a duvida em que estavam da legitimidade ·OU antes, que por elle fora manifestado a existencia. '
delles. (Provimentos de Pardinho deixados em Paranaguá A sua nomeação de Capitão-mór, Ouvidor e Alcaide
em 1720 - Documentos para a Historia do Paraná do mór da Capitania Uá não da villa, e sim da Capitania) de
Dr. Moysés Marcondes.) Paranaguá foi passada pelo Marquez de Cascaes e a sua
_Frei G~par, em _suas Memorias para a Capitania de posse se realizou em vereança de 15 de Maio de 1660
S. V1ce~te _diz que Diogo Vaz de Escobar, Capitão-mór pela Camara, que incorporada foi a caza de sua residen~
da Cap1tama de ltanhaem, tomou posse da Villa de Para- eia onde lhe deu posse.
naguá, que pouco antes havia fundado Gabriel de Lara
em nome de D. Diogo de Faro e Souza aos 16 de De~
~embro d~ _1653. (Capitanias Paulistas de Benedicto Ca-
hxto.) Vieira dos Santos em suas «Memorias Historicas
de Paranaguá» dá essa posse como sendo a 8 de Março
de 1655, conforme o auto que se lavrou em Camara E'
verda~t: que o P:Oprio Vieira dos Santos menciona a· no-
meaç_ao de Gabnel d~ ~a para o _cargo de Capitão-mór
da v1lla de Paranagua, (nao ~a Capitania) por Patente, de
12 de Outub_ro de 1653, em cuia data ainda elle Escobar se de-
clar~va _Cap1tão-mór e Ouvidor com Alçada nesta Villa e
Cap1tama, ~ Governador das minas e quintos reaes. Em
·g de JJne1ro de 1654, segundo ainda Vieira dos Santos,
p 10go ~z de Escob~r, como Ouvidor, fez na Vi lia de
aranagua. uns provimentos. O Ouvidor Pardinho em
sle~sd Prfovm1e~tos dá a posse de Escobar como sendo em
· e evere1ro de 1654.
. Não temos base para affirmar que Gabriel d La
tivesse ou não acceito a Patente de Ca 1.tã , e ra
do Conde da llha d p . . P o-mor, em nome
em 12 de Outubro âe {~;~pe, rarê º. q_ual f_oi nomeado
dor de Itanhaem c pe O ap1tao-mor Governa-
ferido conde. ' om os poderes que lhe concedeu o re-
- houvesse aceito esse cargo,
Achamos mesmo qu e nao
SEGUNDA PARTE

A Capitania de Paranaguá

Povoadore s e Conquistadores
Primeiras Autoridades

1- S terras da Capitania de Santo Amaro, que


de 12 leguas ao sul de Cananéa se extendiam
até ás proximidades da Laguna, isto é, até a
altura de 23'? /s, conhecidas tambem por -
1

Terras de Sant'Anna - ou ainda por Terra


dos Carijós, passaram em 1648 a constituir
a Capitania de Paranaguá, sendo-lhe nomea-
do primeiro capitão-mór Gabriel de Lara.
ce Gabriel de Lara, capitão das gentes de
)/1 ....\... infantaria, fôra em 1640 mandado a Parana-
~ W guá para ahi constituir ur.i posto avançado
da costa meridional do Brasil e impedir que
os hespanhóes se apossassem do littoral e os corsarios
viessem a se installar em Paranaguá. Estabeleceu a nova
povoação na Ilha da Catinga, ponto elevado, de onde se
podiam avistar as embarcações que demandavam á barra
e impedir-lhes o accesso no porto e na bella bahia de
Paranaguá.
Alojados na Ilha da Catinga, ficavam ainda os recem 4

vindos acobertas dos ataques dos indios Carijós que, em


grande numero, habitavam a terra firme.
2 - Gabriel de Lara, apesar de muito moço ao vir
povoar Paranaguá em 1640, tinha, ao que parece, feito
- 50 - - 51 -

anteriormente parte ~e _uma Ba~~eira, or~anizada p~ra: at~- da criação da· justiça e requereu autorização para a erecção
car e escravizar os md1os Can1os do no Taquare, mais da Villa e permissão para mandar proceder a eleição dos
tarde Itiberê, a cujas margens assenta a pittoresca cidade Officiaes da Camara de Paranaguá, allegando que a po-
de Paranaguá. voação ficava a 14 leguas de Cananéa, a mais proxima
foi elle a primeira autoridade militar da_Capitania de Villa a que tinham de recorrer afim de receber justiça, e
Paranaguá. que a descoberta de minas de ouro podia instigar a cobiça
Por notavel coincidencia, os limites da nova capitania, de aventureiros e piratas.
desmembrada da de Santo Amaro, marcavam os do «ha- Essa autorização foi concedida ao Ouvidor Geral, dr.
bitat» dos Carijós, índios considerados os mais trataveis e Manoe\ Pereira franco, para permittir a Gabriel de Lara e
leaes de todas as tribus que habitavam o littoral brasileiro. aos moradores fazerem a eleição em Camara, dos juízes,
3 - Gabriel de Lara procurou logo captar as sym- vereadores, procurador do conselho e almotacés, por
pathias dos Carijós e firmar com elles alliança, chegando Carla Regia de 29 de Julho de 1648.
por seu intermedio á convicção da existencia de minas de 6 - Segundo o termo de Vereança de 22 de feve-
ouro, que procurou logo explorar, remettendo amostras ao reiro de 1677, os homens mais antigos de Paranaguá eram
Governador das minas. o Capitão-mór Gabriel de Lara, o Capitão João Gonçalves
A descoberta do ouro, que Gabriel de Lara revelou Peneda e o Capitão João Velloso de Miranda
em sua viagem a S. Paulo, em 1646, feita especialmente
para registrar o precioso minerio na casa da moeda attra- li
hiu .ª cobiça dos vicentistas. Estes, em grande ;umero,
se fizeram transportar á Paranaguá, onde se atiraram re- Erecção de Paranaguá e de Curityba em vilfas.
s?lutam~~te ás explorações dos rios, das serras e montes
c~rcumvismhos, em bandos tão numerosos que pareciam a) PARANAGUA'.
cidades ambulantes. l - Carta Regia de 29 de Julho de 1648:
4 -. Paranaguá povoou-se como por encanto, da noite «Dom João por Graça de Deus, Rei de Portugal e
p~r_a o dia.. Os homen~ do terço. i:nilitar que com o ca- Algarves, d'aquem e d'alem Mar em Africa, Senhor de
p~tão Gabnel de Lara vieram fortificar o littoral parana- Guiné, da Conquista, Navegação, Commercio de Ethiopia,
mano, foram reforçados por novos aventureiros, que pro- Arabia, Persia e da India. A todos os Corregedores, Ou-
curavam fazer fortuna com a extracção do ouro. Assim é vidores, Provedores, Juizes e mais Justiças, aquem esta mi-
que, no m~smo anno, já a população se achava de tal nha Carta for apresentada; e o reconhecimento della com
forn:ia ~resc1da que se fez sentir a necessidade da creação direito deva, e haja de pertencer, e seu cumprimento se
da 1usbça local. pedir, e requer.
A .ambição pel_o ouro lançava os aventureiros em lu- «Saude - faço saber que, a mim e do meu Ouvidor
tas e dispu~as quasi sempre funestas. Geral, com alçada do Estado do Brasil vinha a dizer por
. O capitão Gabriel de Lara intervia com a sua auto- sua petição Gabriel de Lara, capitão e povoador da Villa
n~f~e, ma: ess~ não se extendia aos civis, fóra da idade de Nossa Senhora do Rosario de Pernaguá, que nella
m1 1dr, e tão somente aos homens da força de seu com- havendo. . . . . . . os moradores. . . . . . . com suas ca-
man o. Mesmo .assi· m se fazia ·
· respeitar, tornando-se em zas e famílias, e nella não havia Justiças, e nem Officiaes
po~col tempo esbm_ado de todos os habitantes em cujo da Camara que a governasem, e porasim. . . . . . . . . .
meio ogrou possmr vasto prestigio barbara e confuzamente, sem tenção aquem recorrer; e era
.
5 - Gabriel de Lara fez ver a· El -Re1· a necessidade que lhe fizesse Justiça, na Camara que os governassem; e
- 52 - 53 -

a ViJla que mais perto ficava, e~a a de Cananéa, que. dista 2 - «Termo de ajuntamento que o - Capitão Gabriel
quatorze legôas; e éra nesseçano que, se lhe ac~d1ss~m de Lara fez, e o mais povo. - Aos 26 dias do mez de
com o remedio competente para que se faza na dita V11la Dezembro na era de 1648 mandou o Capitão Gabriel de
e Eleição de Juízes, Vereadores, Procurador, e Almotacés; Lara tocar caixa na sua porta, aonde acudirão todos, e logo
para que governasem a terra, a_dministrasem a Justiça, me mandou buscar hua Provisão do Syndicante, em que manda
pedia em seu nome, e dos mais moradores, lhe mandase se fasa Justiça nesta povoação onde mais largamente consta
pasar Carta para que n~ _dita Villa, os moradores ~ella fi- na copia que nesta vai ao todo, e depois de lida pergun-
zesem Elleição dos Offiç1aes da Camara; e Justiça que tou geralmente a todos se tinham alguns Embargos que
nella havião de servir, como se fazia nas mais Villas o que alegar sobre o provimento onde todos a hua vóz diçerão
visto por mim com o dito meu Ouvidor Geral, do Estado que não - mas antes me requerião como Capitão deste
mandei que se passase Carta como pedio, para se fazer povo, fizese Eleição porquanto não podiam estar sem Jus-
esta Elleição, e as mais que pelo tempo em diante por tiça; e perecião a falta della; e visto o requerimento do
bem do que se pasou a presente, indo primeiro asignada povo, ordenou logo como ao diante se vê. ~ mandou a
e passada pela minha Chançelaria. - Vos mando que visto mim Escrivão fizese este termo onde todos as1gnarão com
as couzas alegadas pelo dito Capitão Gabriel de Lara; e este; junto comigo Escrivão - Gabriel de Lara - João
a distancia, e o lugar, e senão saber com certeza os limi- Gonçalves Martins - João Gonçalves Peneda - Estevam
tes delle, e o districto em que ficavão deixeis ao dito ca- Difontes - Francisco de Uzeda - Francisco Pires - João Gon-
pitão e moradores, da dita Villa, fazer Elleição em Cama- çalves Silveira - Diogo de Lara - Antonio de Lara -
ra; e os Juízes, Vereadores, e Procurador do Conçelho e Manoel Coelho - Pedro da Silva Dias - Gabriel de Goes
Almotaceis; que naquella Republica for nesseçario pera - Antonio Leam - Domingos Fernandes Pinto - Domin-
ad.minis~rarem Justiça, e pera o bom governo della, o qual gos Fernandes, o mosso.
as1m feito . na forma de minhas Leis, e os Officiaes que **
forem Eleitos, se obedeção a estes taes não· encontrareis *
1

sua Jurisdicção, nem vos entrometereis nella~· mas lhe dei- 3 - «Pauta da Elleição. - Termo de Elleição que o
xareis exercitar seus cargos coanto á dita VÜla e seu dis- Capitão Gabriel de Lara com o povo junto em 26 de De-
tricto, sob ~ena de vos mandar proceder contr~ vós. - zembro de 1649 annos por ser precizo. Anno do Nasci-
. «El-Re1 Nosso Senhor o mandou pelo dr. Manoel mento de Nosso Senhor Jesus Christo, o qual termo fi~
Pereira Franco de seu Desembargo e Dezembaro·ador da eu Antonio Vianna Escrivão do Publico para onde fm
caza. do Port?, Ouvidor Geral, com alçada do E~tado do mandado e logo o dito Capitão ~s nota por. haver El~i~os
B_raz1_l - Aud1ctor dos exercitos delle, e syndicante das ca- como abaixo se vê aonde se as1gnou comigo Escnvao.
p1ta~1as do sul, com Or?ens geraes e es-peciaes para Real Gabriel de Lara.
serviço. - Dada nesta V11la de Sam Paulo aos 29 do mez Domingos Pinto deu boto para Eleitor a quem o dito Ca-
de Julho. - ~an_oel Coelh? da Gama a fez por Antonio pitão deu o Juramento dos Santos Evangelhos que bem e ver-
Raposo da S1lve1ra - Escnvão da Correição e Ouvidoria dadeiramente desse boto, em seis homens, que lhe parecese de
geral do !=5tado, anno do Nascimento de Nosso Senhor sua consciencia pera Eleitor, nomeou por seu juramento.
J~us_Chnst~ -de 1648 annos. Eu Antonio Raposo da - O Capitão João Gonçalves Peneda - 16 botos.
S1lve1Ta
- Escnvao
t Ca · · da Ouvidoria geral do Est d C
a o, e orre1-. - Capitão João Maciel Basam com - 17 botos.
Mº ner ªp _pitamas do Sul O fez escrever e subscrevi -
anoe e1~e1ra franco - Sello 600 reis - Sem sello Ex-
- Estevam Difontes com quinze botos.
- O Capitão Grysostomo Alvres com quatorze botos.
causa valera. - João Gonçalves Martins com cinco botos.
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anno de 1649 - Eu o Capitão Joam Maciel Basam dou
- Domingos Pereira com quinze botas. pera Juiz a Joam Gonçalves Peneda, e Pedro de Vzeda, e
_ Pedro de Vzeda com quinze botas. pera Vereadores Domingos Pereira - !Vlanoel Coelho e
_ Pedro André com dois botas. ._ André Migalhaz - e pera Pr~curador D10go de· Braga .-
Sahirão por Eleitor como parece: -:- o Ca_pitao Gry- e Escrivão da Camara Antomo de Lara - e Eu Domin-
sostomo Alvres - o Capitão Jo~o Mac1el Basao - Este- gos Pereira dou boto pera Juiz em Joam Gonçalves Pe-
vam Difontes - Domingos Pereira - Pedro de Vzeda - neda; e pera o outro dou boto em Pedro de Vzeda; e
e O Capitão João Gls. Peneda. pera Vereadores em Manoel Coelho, e pera outro em An-
dré Migalhaz, e pera outro em Francisco de Vzeda e pera
Escriptos para Eleitores. Procurador em Diogo de Braga; e em Escrivão da Camara
dou em Antonio de Lara.
4 - «Estevam Difontes Eleito com Pedro de Vzeda João Maciel Basam - Domingos Pereira
sahimos aos 26 do mez de Dezembro de 1648; pelos
fins desta éra fizemos os officiaes aqui nomeado,s, na forma 5 - Termo de Juramento que o Capitão Gabriel de
costumada e Leis de Sua Magestade pela fe de _nossas Lara deu aos Eleitos pera fazer os Ojficiaes que hão de
consciencias e pelos juramentos que recebemos fiz~mos servir no anno de 1649.
para juizes a João Gon~alves Pene_da, e a Estevam D1fon- Aos vinte e seis dias do mez de Dezembro de 1648
tes dei pera o outro Jmz; a f ran cisco Lozada e pera Ve- annos, apurado os emleitos na. Eleição mai:idou o capitão
readores demos em Andre Magalhaz e pera o outro em Gabriel de Lara chamar os em leitos que sah1rão por botas ;
Domingos Pertira; e pera Escri~ão da Ca!11ara em Anto- e a todos elles lhe deu Juramento de cada hum de persi
nio de Lara; e pera asim ser feito nos as1gnamos aos 26
dias do mez de Dezembro de 1648. no livro dos Santos Evangelhos, pera que bem e verda-
Pedro de Vzeda; Estevam Difontes. deiramente nomeasem sete homens em sam consçiençia
servisem nos cargos da Republica deste anno de seiscen-
Outro Escripto. tos e quarenta e nove amios; a saber dois Juízes; tres
Vereadores e hum Procurador do Conçelho e Escrivão da
«João Gonçalves Peneda Eleito com Grysostom~ .Al- Camara · e todos asim o prometerão fazer; aonde se asignarão
1
vres - nós Eleitos damos nossos botas pera os Offiç1aes com o dito capitam, e comigo Escrivão Antonio Vianna..
deste anno de 1649 em Joam Gonçalves Peneda, dou meu Gabriel de Lara, Grysostomo Alvres, João Mac1el
boto pera Juiz em Pedro de Vzeda, e Joan: Gonçalv~s Basam, Pedro de Vzeda, Estevam Difontes, Joam Gonçal-
Martins - Vereadores Manoel Coelho - Domingos Perei- ves Peneda.
ra - André Migalhaz - Procurador Diogo de Braga - e Termo.
Escrivão da Camara Antonio de Lara e Eu Grysostomo
Alvres dou meu boto pera Juiz a Pedro de Vzeda e Joarn 6 - «Aos 27 dias do mez de Dezembro de 1648
Gonçalves Peneda e Vereadores Domingos Pereira - Ma- annos feita a Eleição dos Officiaes que hande servir este
noel Coelho, André Migalhaz - Procurador Diogo de anno de 1649 me veio as mãos esta pauta pera alimpar,
Braga - Escrivão Antonio de Lara.
e apurar, e visto por mim, conformando-me ~om os
João Gonçalves Peneda - Grysostomo Alvres. escriptos dos emleitos, apurei na verdade, sem affe1çam al-
Outro Escripto. gua, e nella achei sahir por Juiz a João Gonçalves Peneda
com dois botas - pera outro Juiz a Pedro de Vzeda, co!11
«O Capitão Joam Maciel Basam com Domingos Pe- dois botas - e Domingos Pereira pera Vereador com dois
reira - nós Eleitos damos nossos botas pera Juiz deste
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nella principiarão a haver e se:Vir no anno de 1649, que
botas - e André Migalhaz pera outro Vereador com tres ainda se achou avulsa no Arch1vo do Conçelho de que se
botas - Manoel Coelho pera outro Vereador com tres conserve memoria .daquelles ho_mens bons; quem então so-
botas, e Diogo de Braga por Procurador. d_? Conçelho com licitarão haver Jusbças nesta V11la, e se ver tambem a or-
tres botas, e Antonio de ~ra pera Escnvao com tres bo_- dem porque se l~vantou em Villa que está junta á mesma
tos; os quaes podem servir, seus cargos, dando-lh~ pri- Eleição - «Pardmho » -.
meiro O juramento, co_mo h~ uzo e costume. Gabriel de . 8 - O Marquez de Casca~, quando creou a Capita-
Lara Capitam desta y111a ahmpou conJormando-se com ? ma de Nossa Sen~ora do Ro_sano de Paranaguá, fez seu
provimento do Ouvidor Geral e Synd1cante destas Capi-
tanias, aos 27 do mez de Dezembro (1648) da éra acima loco-tenente e ouvidor ao capitão fundador Gabriel de Lara
atrahindo-o por este modo para que defendesse a sua pre~
declarada. tensão, na esper~nça de que todo o povo se conformasse
Gabriel de Lara. por ser elle a pri~cipal personagem ~ o mais poderas~
Termo de Juramento que se deu a Joam Gonçalves vulto da terra. (V1d. Memor. para a historia da Capitania
de S. Vicente, Livro 2. 0 , nota 56, pag. 172.)
Peneda. A carta Regia de D. João III, de 21 de Janeiro de
Termo de Juramento.
1535, que fez doação a Pedro Lopes de Souza, das 80 le-
7 - «Aos 9 dias do mez de Janeiro de 1649 annos, guas de terra, autorisava-o e a todos os seus successores
deu o Juiz mais Velho Juramento dos S~ntos Evangelhos a crear villa~ em toda e qualquer povoação, «as quaes se
a todos os Officiaes por não estarem dia de anno bom chamarão V1llas e terão termo e jurisdição e liberdade e
todos aqui, pera que bem e verdadeiramente servisem seus insígnias de Villas segundo do fôro, e costume de ~eus
cargos; como lhes davão a entender, estes asim o prome- reinos; e isto porem se entenderá que poderão fazer todas
terão fazer, onde se asignaram com o dito Juiz e Eu An- as Villas que quizerem das povoaçoens que estiverem ao
tonio de Lara Escrivão que o Escrevi - João Gonçalves longo da costa da dita ~erra; e dos rios que se navegarem,
Peneda, Domingos Pereira, Pedro de Vzeda, Manoel Coe- porque dentro da terra ftrme, para o Sertão não os pode-
lho, Diogo de Braga - a qual eleição com cumprimento rão fazer, em menos espaço de 6 legoas de huma a ou-
do despacho atras a fls. 9 e 10 do Desembargador e Ouvi- tra para que possam ficar ao menos 5 legoas da terra do
dor Geral o dr. Raphael Pires Pardinho registei neste livro Termo; a cada huma das ditas Villas, e a cada huma del-
de Eleiçoens, bem e fielmente ao qual me reporto, fica no tas, lhe )imitaram, ou asignaram logo Termo para ellas; e
Archivo do Conçelho no Massa das Leis, e vai na ver- ao dep01s não poderam da terra que asim tiverem dado,
dade sem couza que duvida fasa aos 29 dias do mez de fazer outra Villa, sem a minha licença. » - (Vid. Memor.
Maio de 1721 e Eu Manoel Pereira do O'. Escrivam da para a historia da Capitania de S. Vicente, pag. 140.)
Camara que o registei e asignei - Manoel Pereira do O'. 9 - O Pelourinho, symbolo da criação da Villa, foi
. «Prov_imento q~e fez o dr. Ouvidor Geral Raphael em Paranaguá erigido por Gabriel de Lara, em 1646, dous
Ptres Pardmho no livro que devia servir para as Eleições annos. portanto antes da Ordem Regia que mandava criar
de Juízes e Officiaes da Camara dos Capp.es mores e sar- a Justiça e proceder a eleição das autoridades locaes.
gentos móres rubricados pelo mesmo em 1720 do que _Naturalmente as disputas entre os herdeiros dos Do-
hoje só restão fragmentos. na~nos foram a causa de uma tal demora, pois do con-
«O ~c~vão da ~ª".1ªra traslade por registo neste li- trario para essa installação não se necessitaria de Ordem
vro das Ele1çoes a pnme1ra que se fez nesta Villa no anno Regia, por ser isso attribuição privativa dos Donatarios e seus
de 1648; para os novos Juízes e Officiaes da Camara que successores.
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que ellas ficassem em distancia, uma da outra, de 6 leguas,
1o - Os Capitães povoadores tinham gr~n1es pode- para que fa~ilmente se soccorressem. Fóra dahi mister se fazia
res no começo do seculo XVII. Nã? s~ _limitavam ao ordem regia.
commando e governo mili~a~es, suas _a~nbu1çoes eram tanto 13 - Aos mais antigos povoadores e entre elles o
de ordem militar como civil. Adm1mstravam os povos da mais capaz e de maior prestigio e serviços, se expediu a
sua jurisdicção de forma quasi ab~oluta. ._ Patente de «Capitão-Povoador». Naturalmente Lara e Leme
Tanto Gabriel de Lara, no httoral, como o Cap1!ao mereceram-na. Dahi o titulo de Capitães Povoadores que
Matheus Martins Leme, em Curityba, e~erceram funcçoes usavam em todos os seus actos.
político-administrativa e militar, cumulativamente. _Ambos Ainda em 1729, se nomeava Capitão Povoador do
tiveram grande infl_uencia_ e representaram papel sahen_te na
criação das respecbvas v11las de Paranagu~ e de Cuntyba. districto de Nhanduhy-mirim a José Vieira do Rio, por
11 - Foi ao Capitão povoador Gabnel_ ?e Lara q_ue Patente de 24 de Abril, passada pelo Capitão General Go-
o povo paranaguense rec?r:eu, e_m 1646, _sohc1tan?o a cria- vernador de S. Paulo Antonio da Silva Caldeira Pimentel,
ção da justiça e da admm1straçao. da V1lla. foi a~ Ca- então na Praça e Villa de Santos. (Doe. Interessantes, Vol.
pitão Gabriel de Lara que o Ouvidor. Geral do Brasil, d_r. XXVII, pag. 10.)
Manoel Pereira Franco, escreveu, enviando a Carta Reg1_a Sesmaria.
de 29 de Julho de 1648, autorizando-o a proceder a elei-
ção das primeiras autoridades da villa de Paranaguá. Em 1 - A primeira sesmaria de terras concedida no Pa-
virtude dessa autorização, Gabriel de Lara convocou o povo raná, de que ha noticia, foi feita a 1.0 de Junho de 1614,
e determinou se procedesse a mesma eleição, que fez - pelo Capitão Ouvidor de Santos, Pedro Cubas, a Diogo
«alimpar e apurar» - e com o seu resultado se confor- de Unhates, na parte chamada Paranaguá, na barra do Rio
mou e deu posse aos eleitos a 7 de Janeiro de 1649. Ararapira até a do Superaguy, como se verifica do se-
Foi o Capitão Gabriel de Lara quem fez levantar pe- guinte documento :
lourinhos - o de Paranaguá em 1646 e o de Curityba a «Snr. Capitão e Ouvidor.
4 de Novembro de 1668.
12 - foi ao Capitão povoador Matheus Martins Le- Diz Diogo de Unhates, morador na Villa de Santos,
me que o povo de Curityba, em 24 de Março de 1693, escrivão da Ouvido ria e fazenda desta Capitania, que ha
requereu a criação de sua justiça local, em petição por elle perto de 40 annos é morador nesta Capitania, em cujo
deferida, com determinação de que o povo se reunisse, o tempo tem servido a S. M.de com muita fidelidade e ver-
que se fez a 29, cinco dias após, quando se procedeu a dade em tudo quanto a elle tem sido possível, e assim ao
eleição da justiça e dos membros do Conselho. Por ahi Governador e Capitão da terra, ajudando a defendei-a dos
se vê que tinham os capitães povoadores attribuições muito inimigos inglezes e hollandezes, que a vieram saquear e
mais vastas que as dos capitães de ordenanças de então, destruir, e assim tambem dos índios rebellados contra os
sendo grande a parcella de mando que exerciam sobre moradores della, e de que nos encontros e batalhas que
seus jurisdiccionados. com elles tivéra muitas vezes lhe deram muitas frechadas
Quanto a Curityba, mediou entre a data da elevação ~m seu corpo e uma no braço direito de que ficou alei-
do Pelourinho e a eleição de suas autoridades, o período Jado, e porque tem muitos filhos varões e seis femeas de
de 25 annos. Pensamos explicar essa longa demora pela legitimo matrimonio, e como quem é os havia de susten-
falta da necessaria ordem regia, pois os Donatarios tinham tar e amparar, e não tem terras onde fazer suas roças e
dutor\zação apenas para criar villas ao longo da costa e mantimentos onde possa trazer seus gados e criações; pede
aos nos que desaguassem nos mares, e no sertão, desde uma data de terras de sesmarias na parte que se chama
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Paranaguá, a saber: começando da barra do Rio que se noel José Gonçalves, cujos archivos gentilmente nos foram
chama - Ararapira, correndo a rumo do norte pela costa franqueados:
do mar até a barra de Superaguy, cortando o rumo. de «Diz o Capitão Matheus Martins Leme, morador nesta
sudoeste toda a terra que houver dentro destes ,dous R10s. nova povoação de nossa Snr.ª da Luz dos Pinhaes, que
e duas leguas pelo matto dentro, e se estendera ~sta data elle supp.te não tem terras para laurar e agasalhar sua fa-
desde a ponta de Itaquacutiba, c~rrendoA norte ate dar no mília, conforme suas posses, Pello que péde a V. m. como
1.o Rio grande, pelo que recebera Merce. , capitão mór, e sismeiro do donatario lhe de meya legoa
(Despacho) Dou ao supplicante as terras que pede e de testada de huma rosa que tem defronte de seu curral,
se passe carta. da outra banda do Rio de Marigihy Repartido da meya
Santos, J.o de Junho de 1614. legoa de testada tantas Brassas de hua banda como da
Pedro Cubas.~ outra e de comprimento da vanda do norte hua legoa Re-
salvando Campos e Campinas e Orapaig (Igarapés), que
Este mesmo Diogo de Unhates, allegando os seus não forem lavradios para elle e seus herdeiros com suas
serviços e ter 11 filhos, sendo 7 filhas, das quae,s 5 sol- entradas he sahidas, no que Recebera m.ce.
teiras, requereu uma sesmaria de terras em frente a Ilha de (Despacho.) Dou ao supplicante as terras que péde
S. Sebastião, 15 leguas ao norte de Santos.. Por despacho com todas as confrontações declaradas na sua petição,
do Capitão mór de Santos, Gaspar Couqueira, ~atado de como procurador e sismeiro que sou do Sr. Marquez de
20 de Janeiro de 1608, foi-lhe a mesma concedida Cascaes, de que se lhe passe carta na forma ordinaria.
E' evidente assim que ao solicitar essas terras, tan~o Nossa Snr.ª da Luz dos Pinhaes, a primeiro de 7br.o
as de Superaguy, como as de S. Sebastião, não_ prete~d1a de 1668 annos.
Diogo Unhates habitai-as ou cultivai-as, mas stm detxal- Lara.»
as, como patrimonio, as suas filhas. . . Carta.
Alem disso era Diogo de Unhates homem mvaltdado
pelos ferimentos soffridos nas guerras incessantes ~m que Gabriel de Lara, Capp.m mór da Capitania do snr.
tomára parte, e vinha exercendo o cargo de Escrivão da Marquez de Cascaes, seu Procurador Bastante e Sismeiro,
Ouvidoria de Santos já ha 40 annos. De idade avan- em toda a sua Capitania das quarenta legoas de terras que
çada, como era, não abandonaria seu commodo e rendoso lhe dá sua doação da Banda do sul etc.
emprego para vir a Paranaguá povoar terras deshabitadas, Aos que a presente minha carta de terras de sesma-
e atirar-se ás agruras da afanosa vida de lavrador. ria de matos maninhos, deste dia para todo o sempre
2 - Diogo de Unhates não residia em Paranaguá, virem he conhecimento dellas com direito pertencer; faço
nem foi seu povoador, a despeito de possuir ahi sesma- saber que a mim fez saber por sua petição na meia folha
rias de terras. atraz escripta, o Capitão Matheus Martins Leme, dizendo-
3 - Gabriel de Lara, na qualidade de Capitão mór, me nella entre outras couzas, que elle estava sem terras e
Procurador e sismeiro do Donatario Marquez de Cascaes, lhe hera necessario terras p.ª lavourar e fazer suas lavou-
concedeu innumeras cartas de sesmarias de terras na Ca- ras e hera possante de pessas, me pedia lhe fizeçe m.te
pitania de Paranaguá. A primeira, de que temos noticia, dar em nome do donatario meya legoa de testada de hua
é a que concede ao capitão Matheus Martins Leme uma rossa que tem defronte do seu curral da outra banda do
sesmaria em Curityba, junto ao Rio Bariguy, nas suas duas Rio Barigoihy - repartindo na meya legoa de testada tan-
margens. Pela sua importancia, extrahimol-a em copia do tas brassas de uma Banda como da outra e de compri-
Livro de Notas, a cargo do Tabellião de Curityba, sr. Ma- mento da Banda do norte hua legoa resalvando campos e
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h-os que não forem lavradios para elle e seus filhos e para as Minas do ltambé»,- Esta carta de sesmaria foi da-
tada e passada em _Itambe, onde se achava o Capitão-mór
~e:deiros com suas entradas e sahidas no q~e recebera em inspecção ás mmas.
mercê, no qual puz por meu despacho o ~egumte: 5 - O Capitão General Rodrigo Cezar de Menezes,
Dou ao supplicante as terras qu~ _pede com tod_as
as confrontações declaradas na sua pebçao, como procrn a- em 1723, passou uma carta de sesmaria ao Capitão João
dor e sysmeiro que sou do sr. Marq~ez . de Cascaes, de Martins Leme, morador em Curityba, declarando que era
que se lhe passe Carta na forma ordmana. N. S. ~a Luz elle - descendente de povoadores e conquistadores.
dos Pinhaes a 1.º de Setembro de 1668 annos. (ass1gnado) 6 - Gabriel de Lara, em 9 de Novembro de 1674
concedeu sesmarias de terras em Paranaguá, no Rio d~
Lara. . - d . t Ouaragussú, a João da Gama e a Gregorio Pereira, por
Esta carta que é longa, concede 1se~çao e 1mpos os
etc., salvo os «disimos a Deus das novidades que nella serem elles ,< dos primeiros que vieram povoar a terra, e
no proprio lugar onde o Pai deste ultimo teve uma roça. »
colherem ». _ O Capitão-mór Matheus Martins Leme, povoador de
Conforme as escripturas de venda e de doaçao, esta
sesmaria se achava dividida em 1790; pertencendo parte. Curityba, expediu diversas cartas de data de sesmaria de
ao Capitão Manoel Gonçalves Guimarães: por exe~ução terras em Curityba, e entre ellas uma a Aleixo Leme Ca-
feita por seu sogro Manoel Nunes de Lima a Jose pa- bral, «morador na povoação de N. S. da Luz e do Se-
lhano de Azevedo e por doação do executante a sua filha nhor Bom Jesus dos Pinhaes», datada de 30 de Março de
Maria Magdalena, esposa do Capitão Manoel Gonçalves 1690, com uma legua de sertão entre terras de João Ta-
Guimarães. vares e as de Manoel Soares. Esta carta é iniciada com
A outra parte foi vendida por Victorino Teixeira ao os seguintes dizeres:
Capitão Antonio José da Silva que, por sua vez a revendeu <• Matheus Martins Leme, Cappitam mor Desimeiro
ao Capitão Manoel Gonçalves Gui~arã~s, . ~ornando-se este nesta Villa de Nossa Senhora da Luz etc. Aos que . . . .
assim possuidor de toda a sesmana pnm1ttvamente conce-
dida a Matheus Leme. · pelo que me pedia como capitam mor e povoador dellas
Por escriptura de venda de 20 de Março de 1790 e poderes que tinha, lhe desse em nome de Sua Mages-
foi a sesmaria adquirida de seus proprietarios pelo Capitão tade ... »
Luiz Ribeiro da Silva. 7 - As sesmarias eram geralmente de superficie de uma
4 - Outra carta de sesmaria, datada de 15 de f eve- legua_ de largura e tres de comprimento ou sejam 5.400
reiro de 1683 e assignada pelo Capitão-mór e Governador alqueires de terra; houve, porem, sesmarias de legua e meia
da Capitania de N. S. do Rosario de Paranaguá, Tho- em quadra ou sejam 4.050 alqueires de terra.
maz Fernandes de Oliveira, concede a Manoel Soares, que
estava «povoando os campos de Curityba com sua mu- b) O PLANALTO CURITYBANO.
lher e filhos, com suas criações de gado, e por não pos-
suir terras», uma sesmaria na paragem chamada - Bo- 1 - Os aventureiros vicentistas que affluiram em ban-
tiatuva - junto ás terras do Capitão Balthasar Carrasco dos dos a Paranaguá, pelas noticias retumbantes da descoberta
Reis a testar com a Campina onde esteve - Arraialado das famosas minas de ouro, espalharam-se pelos montes e
(sic) Dom Rodrigo da outra parada do Rio Passaúna, e serras a explorar os corregos, os riachos e os rios, avidos
pela parte do norte ou nordeste a testar com terras do de fazer fortuna. Os índios Carijós, desejosos de captar-
defunto Domingos Rodrigues da Cunha, Luiz de Góes e lh1:5 a amisade, afim de evitar as suas guerras de con-
o Capitão Matheus Martins Leme, no caminho que corre qmstas, e assim a escravisação e muitas vezes a mortandade
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Gabriel de Lara, na qualidade de Capitão mór e pro-
em massa, serviam-lhe de guias nas incursões. Os band~s curador bastant~ do _Marquez_ de Cascaes, com os poderes
succediam-se, e a avidez redobrava. 9s tra~alhos de mi- de que este o mvesh~a, deferiu a petiçã~ do povo e man-
neração não tinham treguas. Tudo foi rev~lv~~o. Os pro- dou levantar o pelounnho, symbolo da cnação da Villa com
prios rios eram d~viados dos cursos _pnm1bvos, para a toda a solemnidade necessaria, lavrando-se, do acto u~ ter-
exploração convemente dos seus ~e1tos nat~raes. ~ mo, por tabellião «a_d hoc», assignado pelos pres~ntes.
nesse trabalho grandes obras foram feitas, que amda hoJe
demonstram a sua importancia e o numero avultado de Pouco_ ou quas1 _nada pro~perou o ~ovoado, tanto que
operarias encarregados de executai-as. até 1693 n~o se ~avia procedido a eleição da justiça e
A s~rra da Prata foi proficuamente explorada e trans- administraçao da v1lla, cnada em 1668.
posta pelos aventureiros, que ~eguiram o curso das aguas Nos 25 annos que decorreram, o numero de homens
fixados na villa elevou-se apenas de 30 a 90·1 isto é1 de
dos rios que alli têm suas ongens. . ,
um a tres «povos ».
Pelo divorcio acquario, uns têm sua foz no httoral,
indo desaguar na Bahia de Paranaguá; outros, tomando Por uma circumstancia feliz, foram os povoadores
rumo opposto, vêm affluir ao Rio lguassú, que nasce no quer de Paran~guá, quer de Curityba, homens de cert~
municipio de Curityba, e é Uf!I dos grandes affluentes do valor moral e mtellectual, o que muito influiu na forma-
Rio Paraná, pertencente a bacia do ~rata. . . ção do caracter dos paranaenses, stus descendentes.
2 - f acil foi, pois, aos aventureiros vicentistas des- todos, ou a grande maioria, er~m instruídos e capa-
cortinarem o «plateau curitybano», cujos verdejantes pra??S zes de exercer os cargos da Republica, com criterio, zelo,
lhes attrahiram logo a attenção, por verem quão prop1c10 e honra, como o demonstraram .
eram á criação do gado vaccum. Pertenciam, em grande parte, ás principaes familias
Ao mesmo tempo, a belleza dos - «Pinheiraes inter- vicenti_s~s ou p~ulistas, alguns de nobreza provada, como
minos de uma altura tres vezes superior em tamanho aos se venftca nos mnumeros autos de justificações existentes
da Europa, e de uma grossura que tres homens não lhe nos cartorios, e nos diversos estudos genealogicos que te-
abarcavam o tronco », impressionou-os, mostrando a rique- mos consultado.
za assombrosa dessa terra previlegiada e abençoada, que Os filhos desses benemeritos pioneiros do nosso pro-
resumia em si thesouros naturaes demonstrativos da exube- gresso e desbravadores dos sertões parananianos não deixa-
rancia do solo e da amenidade de um clima temperado e sadio. ram de seguir os exemplos de seus antepassados os he-
3 - Os veios de ouro encontrados nas proximidades roicos povoadores e fundadores deste abençoado' solo: -
do rio Atuba e do rio Bariguy trouxeram os primeiros O Paraná!
povoadores a Curityba, e em consequencia a formação de O capitão Balthazar Carrasco dos Reis tronco dos
arraiaes em suas cercanias. Omascos ~os Rei~, do Paraná, foi celebre b~ndeirante. Já
Em 1668 já era grande o numero de habitantes no em 1645 tinha feito sua entrada no sertão e antes de 1638
povoado de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pi- com seu pae e irmão, ajudara ao Governador de S. Vi~
nhaes. Como previam as leis portuguezas, que nos povoa- c~nte nas guerras da capitania. Era filho de Miguel Oar-
dos em que houvessem 30 homens se deveria criar a jus- c1a Carrasco, natural de S. Lucas de Canna Verde e de
tiça e eleger as autoridades, os moradores aproveitando-se sua _primeira mulher Margarida f ernandes. foi Miguel
do momento em que o capitão mór da capitania de Parana- Garcia h9mem de importancia e um dos signatarios da
guá, Gabriel de Lara, viera em inspecção a Curityba, re- accl3:rT1açao de Amador Bueno da Ribeira, juntamente com
quereram-lhe a elevação do povoado a villa e a criação os fidalgos ~espanhóes que a promoveram. A 3 de Abril
da justiça. de 1641 ass1gnou a solemne acclamação de O. João IV,
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de que se fez termo e auto na Camara de S. Paulo. Por de Lara e primo de Matheus Martins Leme, pois que Fran-
. ·1 · · t· t cisco Martins Bonilha, avô deste, era casado com uma tia
ahi se vê que pertencia ás princ1paes fam1 ias v1cen is as,
disso casado com Isabel Antunes Preto, des- de Lara
sen do, alem , . A · p t h m d Ambos eram parentes de Matheus Luiz Orou e de
cendente do celebre bandeirante ntomo re o, orne e
nobreza provada. · ·d d Domingos Fernandes Pinto.
Ligados aos Pretos por laços de consangum_1 a e _e Manoel de Lemos Conde era casado com uma neta
de matrimonio, se achavam os Cunha Gago, os Pires Bi- de Manoel Mourato Coelho que, por seu turno, era ca-
cudos de Mendonça, os Unhatte, ~eres Calham~res, do qual sado com uma parente de Gabriel de Lara
descendeu o sargento mór Ant~mo Affonso V1daI, q~e f~z Lemos Conde tinha uma filha casada com Pedro de
parte da expedição de D. Rodngo Castello Branco as mi- Moraes Monforte, fundador e povoador de Curityba.
nas de Paranaguá, em 1679;. ligado ainda aos Pretos se Thomaz Fernandes de Oliveira, que foi capitão mór
achava o capitão Matheus ~mz G~o~, sogro d~ Manoel de S. Vicente e Governador de Paranaguá, era aparentado
Antunes Preto e Miguel Subi de Ohve1ra, descobndores das com Gabriel de Lara, com Matheus Leme e Matheus Luiz
minas de Cuxipó e C~yab~. . Orou.
Ligados por matnmomo a filhas de Balthazar <:;ar- O capitão mór Provedor Gaspar Teixeira de Azevedo
rasco se achavam: Manoel Soares, casado com sua, filha era pae ou irmão de Luiz Palhano de Azevedo, e por sua
Maria Paes, e cujas filhas Maria Soa~es e lsa~el Soar~ ca- vez ligado por matrimonias de seus filhos aos Carrascos
saram respectivamente com A~tomo ~odng~es Se1xas e dos Reis e Manoel Soares.
João Ribeiro do Valle; Antomo Rodn~es _S1?,e, casado Antonio de Lara, o velho, era casado com uma des-
com sua filha Isabel Garcia Antunes; Jose Te1xe1ra de Aze- cendente dos Carrascos dos Reis.
vedo (filho de Luiz Palhano e sua mulher Maria Sevana),
casado em Curityba a 1.0 de Nover.nbro d~ 1685, com _sua e) CURITYBA
filha Domingas Antunes, e Antom~ Martms Leme, filho
do capitão povoador, Matheus Martms Leme, casado com Fundação da villa de Curityba.
sua filha Margarida Fernandes. Ada do levantamento do pelourinho.
O capitão povoador Matheus Martins Leme, de no-
breza provada, era filho de Thomé Martins Bonilha e sua 1 - «Saibão quantos este publico instrumento de poce
mulher, Leonor Leme, ambos pertencentes ás mais illustr~ e levantamento de Pelourinho virem, em como aos quatro
e poderosas famílias vicentistas. Era casado com Antoma dias do mez de Novembro de mil seiscentos e sesenta e
de Oóes, irmã de Luiz de Oóes. Por seu filho Capitão oyto annos, nesta villa de Nossa Senhora da Luz dos Pi-
Antor1io Martins Leme, casado com Margarida f ernandes, nhaes, estando o capp.am mór Gabriel de Lara nesta dita
ficou ligado aos Carrascos dos Reis; ficou tambem ligado villa, em presença de mim Tabellião fizerão os moradores
ao capitão Antonio da Costa Velloso, por sua filha Anna
Maria; e ao capitão Manoel Picam de Carvalho, por sua desta dita villa requerimento perante elle dizendo todos a
filha Maria Leme. hua vóz que estavam povoando estes campos de Coritiba
Vê-se assim que os povoadores de Curityba consti- em terras e !emites da demarcação do snr. Marquez de
tuíam quasi uma unica família. Cascaes, e assim lhe requerião como capp.am mór e Procu-
Quanto aos povoadores de Paranaguá, identico facto rador bastante do dito snr. mandase levantar Pelourinho
se verifica. em seu nome, por convir assim o serviço d'EI-Rei e acre-
O capitão mór Gabriel de Lara, era irmão de Diogo sentamento do donatario; e visto o requerimento dos mo-
radores ser justo mandou logo levantar Pelourinho com
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todas as solemnidades necessarias, em paragem e lugar Deos e d'EI-Rei que visto o que alegamos e o nosso pe·
desente nesta Praça, de que mandou paçar este ~ermo por dir ser justo e bem comum de todo este povo, o mande
mim Tabelião onde todos se asignarão com migo Anta· .ajuntar e fazer eleyção e criar justiça e camara formada,
nio Martins Leme que o escrevi. - Gabriel d~ Lara,_ Ma- pera que asim aja temor de Deos e d'EI-Rei e por as cou·
theus Martins Leme, Gaspar Carrasco dos Reis, Lmz ~e sas em caminho. E receberá mercê.
Góes, lgnocencio Fernandes, _André f ernandes _dos R~1s,
Amaro Pereira, Matheus Martms, o moço, Joao Martms Despacho.
Leme1 Francisco da Gama Paes, Thomaz de Castanheda,
João da Gama, Manoel Cardoso, Domi~gos Rodrigues da Juntesse o povo. Deferirey o que ao 'que pedem. -
Cunha, Domingos André, Manoel Martms Leme, Angelo Pinhais, 24 de Março de 1ó93. - Leme.
Nunes Camacho.
Reun'ião do povo e a escolha dos eleitores.
Requerimento para a creação das justiças.
3 - Aos vinte e nove dias do mez de Março <la era de
2 - Snr. Capp.am Povoador. Os moradores todos asisten- 1693 annos, nesta Igreja de Nossa Senhora da Luxe Bom
tes nesta povoação de Nossa Senhora da Lux e Bom Je- Jesús dos Pinhais por despacho desta petissão se ajuntou
sus dos Pinhaes que atendendo ao serviço de Deus e o o povo todo desta villa e pello capp.m della lhe foi pre-
de Sua Magestade, que Deus Guarde, paz, quietação e bem guntado o que todos lhe responderam a voz alta lhe cri-
comum deste povo, e por ser já oje mui crescido, por asse justiça pera com isso ver si ivitavam os muitos des-
pasarem de noventa homens, e quanto mais crece a gente aforos que nella se fazião, o que vendo o dito capitão
se vão fazendo mores desaforos, e ben se vio esta festa hera justo o que pedião-lhe respondeu que nomeassem
andarmos todos com armas na mão, e apeloirou-se dos seis omens de sam comsiençia para fazerem ofiçiaes que
outros mais e outros insultos de roubos, como he notorio aviam de servir, o que logo nomearão para com o dito
e constante pelos casos que tem susidido e daqui em diante capitam povoador fazerem eleição, e como asim ouverão
será pior, o que tudo causa o estar este dito povo tão todos por bem se asignaram com migo Antonio Rodrigues
desamparado de governo e disciplina da justiça. E aten- Seixas em falta do escrivão, que o escrevi. - Matheus
~endo no_s, que adiante será pior por não aver a dita jus- Martins Leme, Antonio da Costa Veloso, Antonio Martins
tiça na dita povoação, nos ocorremos a Vmc. como capp.m Leme, Manoel Soares, Domingos Rodrigues Seixas, José
e cabesa dela, e por ser já decrepito e não lhe obedesserem Pereira Quevedo, João Leme da Silva, João Pereira de Avel-
seja servido premitir a que aja justiça nesta dita villa, poi~ lar, André Rodrigues da Silva, Miguel Delgado, Diogo da
~ela a gente bastante para exerser os cargos da dita jus- Costa, Manoel Picam de Carvalho, Manoel da Silva Bayão,
tiça que faz o nomero de tres povos. E, pela ordenasão Agostinho de figueiredo, Gaspar Carrasco dos Reis,
ordena Sua Magestade, que avendo 30 homens se eleja Nicolau de Miranda franco, Antonio de Siqueira Leme,
justiça, e demais ~e _que consta que Vmc. por duas vezes João Alvares Martins, Miguel Fernandes de Siqueira, Braz
p~rcurou ~os. capp1tams-r:1ores das capitanias debayxo lhe Leme de Siqueira, Francisco de Mello, Jeronimo Reis Side,
v1esem. cnar 1usbça na dita povoação, sendo que não era Manoel Alvares Pedroso, Manoel Dias Cortes, Antonio Ro-
n~sesano por ter avido já aqui justisa em algum tempo drigues Cid, Salvador Rodrigues, Amador Nunes de Bu-
cnada pelo d~funto Capp.m mor Gabriel de Lara, que le- lhões, Salvador Martins, Antonio Luiz Tigre Lamim, Paulo
vantou Pelounnho em nome do donatario o snr. Marquez da Costa Leme, João Leme, Matheus Martins, Luiz Ro-
:fe Cascaes -; Pelo que requeremos a Vmc. da parte de drigues, Antonio do Couto, José Martins Leme, Pedro Oon-
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denominada Serrinha té Paranaguá, donde escreveu ao so-
çalves Martins, Miguel Rodrigues, Caetano Leme Cabral, gro em S. Pa~lo p~r': que lhe trouçese sua mulher e filhos,
José Rodrigues Cid, Antonio dos Reis Cavalheiro, f ructuoso que com effe1to v1erao; e constando ah uns colonos euro-
da Costa, João de Siqueira, Gonçalo Pires, Lourenço Pinto,
Pedro Moraes de Monforte, Bartolomeu Nunes, Domingos péos que moravam em Cananéa, no Jogar que ainda hoje
André, Pedro Rodrigues, Balthazar Carrasco dos Reis, Luiz se chama r:norro - dos Andrades - , do descobrimento
Leme da Silva, Antonio da Costa, João Veloso da Costa, feito pelo dito Soares, dos campos de Coritiba, talvez na
Garcia Rodrigues, Innocencio de Medina, Roque Fernan- ocasião da passagem que porali fez aquella família vinda
des, Vicente de Góes, Placido de Ramos, Luiz de Siqueira, de S. Paulo; ~s.entaram de mudarem-se conjuntamente com
Antonio Garcia da Costa, Domingos Ribeiro de Abreu, a mesma f~m1ha para os Campos de Coritiba vindo Lou-
José de Góes, Luiz de Góes, João Felix Cavalgante. renço Rodngues de Andrade, com sua família e hua filha
cazada com hum f. Seixas; sendo por consequencia as tres
Eleição da camara e installação da villa. fai:nili~s de Soares, Seixfs e Andrades - as que foram
pnmeir~s P?Vo~do:e~ d aquelles Campos. - A primeira
4 - Memoria do que acordarão os seis eleitores - o povoaçao foi prmc1p1ada na margem do rio do Atuba que
Capp.m mór, Agostinho de Figueiredo, Luiz de Oóes, Oracia ainda hoje se chama a Villinha mas querendo os mo~ado-
Ro.drigues Velho, João Leme da Silva, Gaspar Carrasco dos res mudai-a. de lugar onde hoje está a cidade; convida-
Reis, Paulo da Co~ta Leme, os coais de debaixo do jura- rão ao Cac1q~e ~ehua horda de índios que morava nos
mento 9ue lhes !º1 dado pelo reverendo padre vigario Campos de Tmd1qu~ra nas margens do rio lguassú, para
des~ v!lla, Antomo de Alvarenga, nomeou para juízes An- o co~sultarem e designar o lugar, este viera com sua gente;
tomo da Costa Veloso, Manoel Soares· vereadores Oracia exammando o lugar onde os colonos pretendiam fazer as-
Rodrigues Velho, o capitão Joseph P~reira Quevedo An- se.nto de sua p~voação, ~ trazendo na mão hua grande Vara,
tonio dos Re.is Cavaleiro, e para procurador do co~selho afin~ou no chao - e virando-se para os colonos, disse: -
o _?tPP,m ~!eixo L~me Cabral, e para escrivão da camara ~qm -, e nesse mesf!l~ lugar, logo formarão hua Capel-
Joao Rodi:1gues Se1xas i este é o nosso parecer, e como lmha1 para o culto Rehg1ozo, lugar onde hoje existe a Igreja
tal no~ as1gna~os aqu.1. - Agostinho de Figueiredo, Luiz Ma.tnz de Nossa Senhora da Luz; o mesmo aconteceo
de Goes, Grac1a Rodngues da Cunha João Leme da Silva am1la.gro~a Vara que floreçeu na Eleição que os Portugue-
Oaspa~ Carrasco dos Reis, Paulo da 'Costa Leme, Padr~ zes fizerao quando acdamarão ao Rei Vamba ou Bamba
Antomo de Alvarenga. pelos annos de 680 do Nascimento de Christo.))
(Memoria historica de Paranaguá - Antonio Vieira
A fundação de Curityba, em face da tradicção. dos Santos.)

5 ~ «C.uri-ti~a, _?U Core .e tuba, que significa - terra Capitães móres da Capitania de Paranaguá.
que da muito pmhao - foi seu nome primitivo e que
ora se chama Coritiba. , 1 - Pela .or~em chronologica foram estes os Capitães
De antiga tradicção consta que, hum paulista - f. mores d~ Cap1~ma de Paranaguá desde sua criação, em
Soares do Vall~, casado e com família na cidade de s. 1660, ate sua incorporação á Corôa, em 1711 :
Paul_o, te.ndo feito certo desagrado ao Governador que 1.° Capitão Gabriel de Lara.
de l~ fugira entranhandose pelos Sertoens das mattas 'vindo
asa~1~ nos qimpos Geraes, e chegado aos Campos de Nomeado Alcaide mór - Capitão mór e Ouvidor e
Contiba, e avistando as serras da marinha desceo pella Provedor da Capitania de N. S. do Rosario de Paranaguá,
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(com rehendendo as 40 Jeguas do sul da Antiga Capitanía para substitui1-o no elevado cargo de capitão mór da Ca-
de S: Amaro, da doação a Pedr? Lopes de Souza) pelo
Marquez de Cascaes, de quem foi Procurador, Lugar Te-
pitania de Paranaguá.
Assumiu esse cargo a 1.0 de Janeiro de 1683, exer-
nente e Sismeiro. . cendo-o até Maio de 1689.
Homem de vasto prestigio, valor e energ1~ gC?zou de Passou muitas cartas de sesmarias de terras como Lo-
grande popularidade e ascen~encia em sua Ca~1~ama. gar-Tenente e Sismeiro do donatario.
Natural de S. Paulo, ah casou com Bng1da Gon- Na primeira parte desta Memoria a pagina 42 quando
çalves. Era fil~o. de Diogo de Lara e de sua mulher tratamos do paragrapho referente ao - «Letigio entre her-
Antonia de Ohveira. deiros dos donat.arios das capitanias de S. Vicente e S.
foi Gabriel de Lara fundador e povoador de Parana- Amaro >> no n. 7 affirmamos que o Conde da llha do
0

uá e Curityba. Ali chegou em 1640, no commando ~e Príncipe em 1. de fevereiro de 1654 commiss10nara o


0

~ma companhia de ordenança? que_ vinha def~nder a bah1a Capitão mór de Itanhaen Diogo Vaz de Escobar, para to-
de Paranaguá das constantes .mcursoes de ~1ratas hespa- mar posse e administrar em seu nome a Villa de Parana-
nhóes, que preten~i~m conqmstar as possessoes portugue- guá e por sua morte a Simão Dias de Moura; dissemos que
zas do Brasil mend1onal. em 1656 o Marquez de Cascaes creara a «Capitania de
Muito contribuiu para as descobertas e explorações. Paranaguá», nomeando para o lugar de Capitão mór e seu
das minas de ouro e prata de Paranaguá, nos annos pro- Logar Tenente ao Capitão. Gabriel de Lara, de forma qu.e
ximos a 1646. foi Paranaguá governada simultaneamente por dous Capi-
tães móres que a administraram, um - em nome do Conde
Antes de vir, em 1640, com sua companhia para ~a- da Ilha do Príncipe e outro em nome do Marquez de
ranaguá, parece que. ali. já tin~~, estado, num~ banden:a Cascaes; situação essa que só teve termo em 30 de Novem-
vinda em busca dos md1os CarIJOS, para escravizai-os. Ti- bro de 1660, quando aportando a Paranaguá o General
nha então tenra idade, pois só falleceu em Dezembro de Salvador Correia de Sá e Benevides, ordenou a Camara
1682, em Paranaguá, ainda no exercício do . seu cargo de que fosse a villa governada em nome de S. Magestade até
Capitão mór, a que muito honrou. Em petição ?atada de que tivesse decisão o litigio de dominação dos dous do-
25 de Maio de 1628 ao Juiz de Orphãos da v11la de S.
Anna da Parnahyba, pediu que lhe fossem entregues - as natarios, que terminou com o reconhecimento do direito do
Marquez de Cascaes.
peças - que sua irmã Maria de Oliveira declarou em seu
testamento pertencerem ao requerente, pois elle Gabriel de Parecerá pelo exposto que houveram dous Capitães
Lara as descera do sertão. móres anteriores a Gabriel de Lara; assim foi, mas tão
somente da Villa de Paranaguá e seus districtos e não da
(Ver testamento de Maria de Oliveira, nesta obra, em 1
,Capitania de Paranaguá}> de que Gabriel de Lara fora o
Titulo Gabriel de Lara.) primeiro Capitão mór.
2.o Capitão Thomaz Fernandes de Oliveira.
3.° Capitão Matheas Martins Leme.
Sentou praça como simples soldado, sendo promovido
a Alferes, Tenente e Capitão da companhia de Infantaria ÜJ.pitão mór e Lagar-Tenente do Marquez de Cas-
de Ioloro-Angola. Foi armador de um navio seu de que caes, que era, passou entre os annos de 1690 á 1695 di-
foi capitão de Mar e Guerra e capitão mór de S. Vicente. versas cartas de sesmarias de terras. Sendo já velho e
Por morte de Gabriel de Lara foi proposto pela Camara decrepito, conservou-se no Governo, em Curityba, até sua
morte em 1697.
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7.º Sargento mór Antonio Oracia.


4.º Gaspar Teixeira de Azevedo.
Por patente de 7 de Maio de 1689, confirmada a 20 Exerceu o cargo de Capitão mór de Paranaguá de 20
de Novembro de 1690, foi por El-Rei D. Pedro II no- de Março de 1716 até Setembro de 1717, sendo nomeado
meado Capitão mór das minas da Capitania de Par~naguá, por patente de D. fr~nci_sco de ~avara, Governador e Ca-
exercendo esse cargo de 1689 até sua morte, occornda em pitão-General da Capitania do Rio de Janeiro.
Paranaguá em 1712. ._ , , .
Suas funcções de Cap1tao mor so se ext_end1am ao 8.º Mestre de Campo André Gonçalves Pinheiro.
serviço das minas que administrava. Passou diversas pa-
tentes entre ellas a de Guarda mór das minas de Curityba, foi Provedor dos Quintos reaes da Casa de fundição
a seu' filho Domingos Teixeira de Azevedo, pae de frei de Paranaguá. Por patente de 17 de Setembro de 1717
Gaspar da Madre de Deus. foi Provedor d~s minas. passada por Antonio de· Brito freire de Menezes Go~
Quanto aos serviços que neste cargo prestou, mais ampla- vernador do Rio de Janeiro, foi nomeado Capitão ~ór de
mente diremos no capitulo respectivo. Paranaguá.
Por morte do Capitão mór Thomaz Fernandes de Em. 1_ 731 foi pelo governador de S. Paulo suspenso
Oliveira assumiu o lugar de Capitão mór da Capitania, que do exerc1c10 desse cargo que, sendo de nomeação, era-o
administrou de 1689 até 1692. por 3 annos apenas.
Foi vulto de respeito e importancia. O posto militar
5.o Capitão Francisco da Silva Magalhães. de mestre de campo era equivalente ao de coronel.
Por patente de 31 de Dezembro de 1692 foi nomea- 9.° Coronel Anastacio de Freitas Trancoso.
do Capitão mór da capitania de Paranaguá, cargo que
exerceu até a sua morte, em 1707. Por provisão de Ga- Era Coronel-commandante do Regimento de Orde-
briel de Lara, de 2 de Junho de 1682 foi nomeado Ou-
vidor por Lei, da Capitania. nanças da Capitania de Paranaguá e seus districtos, com-
prehendendo Curityba, Iguape, Cananéa, S. f rancisco e
Laguna.
6. 0 João Rodrigues de França.
Exerceu por algum tempo o cargo de Capi tãomór e
Nomeado Capitão mór da Capitania por patente de 6 o de Governador. Prestou relevantes serviços a sua Pa-
de Dezembro de 1707, passada por D. Fernando de Mas- tria. Fez aprestar diversas embarcações, remettendo nellas
carenhas e confirmada por El-Rei D. João a 19 de Janeiro soccorros de alimentos e lenha á colonia do Sacramento
de 1711, governou-a até a sua morte verificada em 1715. que se achava sitiada pelos Castelhanos. fortificou o~
foi o ultimo Capitão mór, Log;r-Tenente e Sismeiro portos e bahia de Paranaguá, com o fim de impedir o
do d~rnatario, Marquez de Cascaes, por ter este em 1711 atague de inimigos que cruzavam a costa. Organizou seu
vendido a. sua. Capitani~ á Corôa por 4000 cruzados. r~g1mento, que se tornou notavel pela disciplina, porte mi-
Propnetano de. mwtas faz~nd~s de criação de gado, litar e valor de seus commandados. Em 1732 recebeu
nos campos de Cuntyba, posswa igualmente terras aurife- uma ordem do Conde de Sarzedas, de effectuar a prisão
ras no Canguiry, como adiante se verá. d~ toda e qualquer pessoa que passasse em Paranaguá,
Desde a dat~ _da in~orporação das capitanias á Corôa, vmda das minas de Cuyabá, devendo confiscar-lhes todo
os cargos de capitães mores que até então eram vitalícios o ouro que houvesse em seu poder.
dassaram a ser exercidos por 3 annos. ' f alleceu em 1742.
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fO.o D. João Francisco Laynes~ ultimo Capitão mór de Paranaguá, por ter sido extincto
esse cargo em 1833 e creado o de Prefeito
Nomeado Capitão mór pela Camara, tomou posse a Por portaria da Presidencia de S. Paulo, de 28 de
22 de Junho de 1743. Agosto d~ 18?3 foi n_om~do. Prefeito da Villa de Para-
11aguá; foi assim o pnme1ro cidadão que exerceu esse car-
11.o Capitão Antonío de Souza Pereira. go na Villa
Pelo mesmo Decreto foi nomeado Prefeito de Curi-
Era casado com D. Anna Maria Laynes. tyba o Ajudante José Borges de Macedo, e da Lapa, Ma-
falleceu, com testamento, em Paranaguá, a 24 de noel Antonio da Cunha
Agosto de I 779.
Governadores Militares.
12.º Capitão Antonio Ferreira Mathoso.
1 - As primeiras autoridades militares que governa-
Nomeado Capitão mór por patente de 5 de Setembro ram nas terras paranaenses, foram o capitão Gabriel de
de 1763, tomou posse a 24 de Dezembro desse anno, exer- Lara, no littoral, e o Capitão Matheus Martins Leme, no
cendo o cargo até Março de 1766. foi procurador dos planalto curitybano. Ambos tiveram os titulas de Capi-
bens do confisco dos padres da Companhia de Jesus. tães Povoadores.
Provavel é que ambos tivessem vindo na mesma epo-
13.o Manoel Nanes de Lima. ca, mandados com os homens de seus commandos, guar-
necer Paranaguá e Curityba, ameaçados de cahir sob o
A Camara, em vereança de 16 de Novembro de 17 65, domínio hespanhol.
indicou seu nome, conjuntamente ao de seu sogro Sar- Eram constantes as excursões dos castelhanos no lit-
gento mór Domingos Cardozo de Lima, ao cargo de Ca- toral e simultaneamente as reducções jesuíticas pareciam
pitão mór, sendo elle o escolhido para o lugar, e nomea- extender o seu domínio absoluto por todo o territorio pa-
do por patente de 15 de Dezembro de 1765. Tomou rananiano. Não fossem os benemeritos bandeirantes, assim
posse a 15 de Março de 1766, fallecendo nesse mesmo teria acontecido.
anno.
Gabriel de Lara e Matheus Martins Leme faziam parte
dessas bandeiras. Ambos foram povoadores de Paranaguá
14. José Carneiro dos Santos.
0
e de Curityba.
foi nomeado Capitão mór por patente de 3 de Se- 1.0 Gabriel de Lara.
tembro de 1766. Tornou posse a 8 de Outubro de 1766,
exercendo o cargo durante 3 annos. Em 29 de Janeiro
de 1789 obteve segunda patente de Capitão mór. Foi Natural de S. Paulo, era filho de Diogo de Lara, da
homem de grande prestigio. alta nobreza de sangue dos Laras, de Zamora, do reino de
Castella Velha, e de sua mulher D. Antonia de Oliveira,
15.° Capitão Manoel Antonio Pereira. casada em segundas nupcias.
Em 1640, sendo já commandante de uma companhia
foi nomeado Capitão mór de Paranaguá em Março de ordenanças, foi mandado com esta a povoar Paranaguá,
de 1815, tomou posse a 22 de Abril do mesmo anno. foi o sendo-lhe dada a Patente de Capitão povoador. Armou o
seu acampamento na Ilha da Catinga, como acima se disse.
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0 novo povoado era habitado unicament~ pelos ín- Martins Leme passára em Abril de 1637 a seguinte quita-
dios Carijós, guerreiros e valentes, porem 1oce1s ~o tr~to e ção a seu pai :
· · dos homens civilizados. Serra acima, foi enviado,
COnVIVIO «Digo eu Matheus Martins Leme, morador nesta villa
com sua companhia de ordenanças, o de S. Paulo que é verdade que eu estou pago e satisfeito
de meu pai Thomé Martins da legitima que me ficou por
2.0 Capitão Matheus Martins Leme. morte e fallecimento de minha mãe Leonor Leme assim de
bens como de peças do gentio da terra e outrosim estou
Natural deS. Paulo, filho de Thomé Martins Bonilha e de pago tambem de meu pai do que me coube por morte e
sua mulher Leonor Leme. Descende~te_ de Castelhan_os fallecimento de meu avô Matheus Leme assim dos bens
de nobreza provada, foi vulto de pre~tig10, e teve benefica como peças do gentio da terra e por tudo estou pago e
influencia na criação do povoado cuntybano. Seus descen- livre de tudo o que montou pelos inventaries e declaro
dentes foram homens de valor e exerceram, como elle, os que das trocas que eu fiz com meu pai de umas peças
honrosos cargos da governança. do gentio da terra tudo hei por bem e meu pai em ne-
Matheus Leme, em 1668, assistiu ao levantament~ do nhum tempo . . . . chamarei em nenhum engano em ne-
pelourinho de Curityba e em 1_693 fez proc~der a eleição nhum tempo de que tudo mandaram a mim escrivão fazer
das primeiras autoridades da V1lla que se cnou. falleceu esta quitação e concerto sobre a troca das peças, eu Am-
com testamento em 1697. Passou diversas cartas de ses- brosio Pereira, escrivão o escrevi. Matheus Martins. -
marias de terras entre os annos de 1693 e 1695, como Thomé Martins. »
Lagar-Tenente do Marquez de Cascaes.
2 - A designação dessas duas personagens, descen- O testamento foi assignado e testemunhado por di-
dentes de castelhanos, para povoar o territorio parananiano, versas pessoas, entre as quaes Pero de Lara.
durante o ultimo periodo da dominação hespanhola nas Ao que parece eram os Laras parentes dos Lemes ou
possessões lusitanas, em epoca que ameaçada se achava a entrelaçados por muitos casamentos occorridos nas duas
posse portugueza no Brasil meridional, vem demonstrar a familias. Assim Gabriel de Lara e Matheus Martins Leme
politica avassaladora dos conquistadores hespanhóes. seriam ligados por esses vínculos de parentesco.
Por outro lado, porem, os homens sobre os quaes Antonia de Oliveira, viuva de Antonio Chaveiro,
recahiu a escolha, respeitabilissimos e dignos que eram, passou a segundas nupcias com Diogo de Lara (havendo
foram sempre leaes á sua Patria: - O Brasil, pois am- desse matrimonio Gabriel de Lara), e a terceiras nupcias
bos eram Paulistas - de nascimento e pertencentes ás com o Capitão André Fernandes de Ramos. falleceu em
mais distinctas famílias vicentistas. foram elles portanto Abril de 1632, com testamento solemne, declarando o no-
um anteparo ás ambições dos castelhanos, que viram frus- me de seus filhos desses tres matrimonias.
trados os seus planos. Do respectivo inventario, por nós consultado, consta
Ambos factores proeminentes que foram da historia o seguinte:
do Paraná, possuíam muitos pontos de contacto ou affini- Termo de requerimento que faz Gabriel de Lara ao
dade entre si. Juiz ordinario e de orphãos João de Godoy:
Thomé Martins Bonilha, que foi casado em primeiras <, Em os vinte seis dias do mez de Maio deste pre-
nupcias com Leonor Leme, por morte desta casou em sente anno de mil e seiscentos e trinta e dous (1632) an-
segundas nupcias com Ignez Pedroso, fallecida em S. nos nas pouzadas de Christovão Diniz, morador nesta dita
Paulo em Julho de 1632, com testamento solemne. No villa (Santa Anna de Parnahyba) onde o Juiz ordinario e
inventario a que então se procedeu, verifica-se que Matheus dos orphãos João de Godoy estava fazendo inventario
da fazenda do defunto Sebastião Mendes Gordinho que
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Deus haja perante elle dito Juiz appareceu Gabriel de Oli- posterior ~ 1640 e nunca em 1580, con:10 a~severam va-
veira morador na villa de Nossa Senhora das Neves ~m rias histonographos, dos quaes sempre d1verg1mos.
Iguape, e por elle lhe foi dito que elle estava nes~a dita Não queremos com isso dizer que apenas em 1640 fosse
villa e viera em busca de sua herança que lhe_ cabia P?r Paranaguá descoberto ou que antes disso não tivessem ha-
morte e fallecimento de sua mãe que Deus haJa, Ant?ma vido incursões de bandeirantes, á cata de índios ou de
de Oliveira e porquanto elle dito Gabriel de Lara se tmha ouro. Seria avançar demais; pois a bahia de Paranaguá
concertado com ...... André Fernandes por escusarem talvez fosse conhecida no mesmo anno da descoberta do
gastos e . . . . . . fazenda em que confes?a va estar pago Brasil.
e satisfeito de tudo o que á sua parte vmha da. hera_nça Mas como a descoberta de uma terra ou o eventual
da dita sua mãe de que por este o dava por qmte e livre e transitorio acampamento de uma expedição não impor-
deste dia para todo sei:npre e que em nen~~m tempo por tam no seu povoamento, e igualmente a pesquiza de ouro
si nem por seus herdeiros e procuradores mam contra o em rios e corregos por aventureiros não equivale á explo-
teor deste concerto que entre ambos amigavelmente f_izeram ração regular e systematica de minas de ouro com sua
havendo por bem feito tudo o que constar por escnpturas competente administração fiscal, segue-se que Gabriel de
t papeis que a dita sua mãe tem feito como ~ a ~oação
feita a Capella da Senhora Santa Anna e patnmomo de Lara e Matheus Martins Leme, fixando-se com seu povo
seu irmão Francisco Fernandes de Oliveira e os dotes dos respectivamente em Paranaguá_ e Curityba, foram os seus
primeiros povoadores e colonizadores.
filhos do dito Capitão André Fernandes a saber - a mu-
lher de Alberto Lobo e outrosim a mulher de Salvador 3.o Capitão mór Francisco Xavier Pizarro.
Soares e Pedro Alvares Moreno o que tudo elle havia por
bem e requeria a elle dito Juiz lhe mandasse lançar o tras-
lado deste concerto no livro das notas para a todo tempo Em 1720 foi restabelecido o lugar de Capitão mór
constar a verdade visto estar pago e satisfeito de sua le- de ordenanças, extincto anteriormente e sendo para exer-
gitima e o ter em si de que mandou o dito Juiz fazer este cei-o nomeado por D. Pedro de Alm.<la Conde de Assu-
termo de concerto e quitação em que assignaram . . . . . mar Governador e Capitão General de S. Paulo, o Capitão
traslado deste concerto no livro das notas e de como as- Francisco Xavier Pizarro, cuja nomeação foi confirmada
sim o mandasse assignou com as partes e eu Manoel de por Carta Regia de D. João, de 20 de Março de 1721,
Alvarenga, tabellião e escrivão dos orphãos o escrevi - sem soldo algum.
João de Godoy - Gabriel de Lara.» Cavalheiro professo da Ordem de Christo - exercia,
Destes dois termos de quitação, extrahidos dos res- em 1720, o cargo de Capitão mór das ordenanças da villa
pectivos inventarias, officialmente publicados pelo Archivo de Curityba, cargo em que permaneceu pelo espaço de 8
do Estado de S. Paulo, verifica-se, sem mais contestação annos. Era portuguez, natural da villa de Chaves.
que, residindo Gabriel de Lara em Iguape, em Maio d~ Assentou praça como soldado voluntario no regimento
1632 e Matheus Martins Leme na villa de S. Paulo em de Dragões de Tras-os-Montes, servindo por 3 annos.
1_637, só poderiam as villas de Paranaguá e Curityba ter Entrou na batalha de Campo do Godinho, onde rece-
sido fundadas e povoadas posteriormente áquellas datas beu grande cutilada na cabeça, e na tomada das praças
sabido que foram el!es os seus povoadores. ' de Pueblos de Sanabria, Caruajales e Alcanicos e na res-
Taes documentos, divulgados tão somente em 1920 tauração de Miranda, obrando com grande valor e brio, e
vieram trazer luz sobre a data do povoamento de Parana~ dispendendo muito de sua fazenda.
guá, que, conforme sempre affirmamos, se dera em epoca fez varias descobrimentos de ouro em Curityba, Laguna e
Serra Negra, por ordem de Rodrigo Cezar de Menezes,
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com escravos e brancos, e a _sua custa. Ness~ empre~a 7.º Coronel Anastacio de Freitas Trancoso.
gastou tempo consideravel. Tmha grande . pratica de _mi-
neração, pois havia se occupado ~esse mister em Mmas Foi o coronel commandante do Regimento de orde-
Geraes, com muita honra e honestidade. . nanças de Paranaguá e Curityba, promovido a esse posto
Por patente de 27 de fevereiro de 1728 fo_1 nomeado por patente de 22 de Dezembro de 1732. Vulto de grande
para o posto de Coronel das ordenanças das ~Jllas de N. destaque, nota~il_izou-se pelos _relevant~ servi~os P:esta~os
S. da Conceição de ltanhaen, Iguape e Cananea, por An- á Patria. fortificou todo o ltttoral, afim de 1mped1r a in-
tonio da Silva Caldeira Pimentel. . . vasão castelhana. Quando a Colonia do Sacramento se
Era casado com D. Eufemia Mana de Souza, de CUJ O achou sitiada pelos hespanhóes, organizou expedições ma-
matrimonio tiveram: Antonia, Margarida e Anna que, em rítimas1 em embarcações que armou) soccorrendo a guarni-
17351 obtiveram de EI-Rei permissão de irem para o Reino, ção co m lenha, farinha de mandioca e cereaes, que mandou
com destino a um convento, visto seu pai ser pobre e de Paranaguá.
com empenhos que o imRossibilitavam de d~tal-as, conform~ Auxiliou a defesa da Laguna, quando a ilha de S. Ca-
a sua qualidade, e possmrem apenas seu ~10, o Padre Jose tharina cahiu em poder dos castelhanos. Era casado com
Nogueira Ferraz, vigario de S. José das Mmas Geraes, q~e Maria de Assumpção, filha do Capitão mór Provedor Gas-
as queria conduzir ao Reino e dar-lhes dote necessano par Teixeira de Azevedo e sua mulher Catharina de Ramos.
para o effeito de serem religiosas. falleceu com testamento em 1742. Não se deve confun-
dil-o com seu neto de igual nome e posto militar, que,
em 1823, foi membro do Governo Provisorio de S. Paulo,
4.o Sargento mór Manoel Pacheco de Amorim. e prestou relevantes serviços de ordem civil e militar.
foi promovido a Sargento mór de Paranaguá por pa- 8.o Sargento mór Antonio Rodrigues de Lara.
tente de 9 de Abril de 1697, passada pelo Capitão mór
Francisco da Silva Magalhães. Filho do Capitão mór Gabriel de Lara, casado em
Curityba com Antonia Luiz Demarins, filha de Antonio da
5.o Coronel D. João Matheas Pereira. Matta e sua mulher Maria de Pinha.
foi promovido a Sargento mór da comarca de Para-
Foi Capitão de ordenanças de Paranaguá, sendo a 1.0 naguá, pelos seus relevantes serviços e provada capacidade,
de Janeiro de 1698 promovido a coronel de ordenanças por patente de 29 de Fevereiro de 1728, passada na ci-
da Capitania, por patente passada pelo Capitão mór Fran- dade de S. Paulo pelo Governador Antonio da Silva Cal-
cisco da Silva Magalhães. deira Pimentel, e por já ter exercido na mesma villa os
cargos de Juiz ordinario, procurador da Camara e almo-
0
tacé, havendo-se sempre com grande rectidão na adminis-
6. Sargento mór Manoel Gonçalves da Costa. tração da Justiça e grande zelo do Real serviço. Tendo
aportado a Paranaguá a 9 de Fevereiro de 1718 um navio cor-
Foi por patente de 7 de Outubro de 1727 do Ca- sario francez, sob o commando de M.er Bolaret, o capitão
pitão General Governador de S. Paulo, nomeadb sargento Antonio de Lara armou uma sumaca sua e com gente de
mór de Curityb~. Serviu até 1730, quando se ausentou seu mando, offerecendo-se para fazer o aprisionamento do
p~r ter de segmr para as minas de Goyaz. Em seu lugar commandante e officiaes do corsario, o que realizou com
foi nomeado Manoel Rodrigues da Motta. intrepidez e resolução firme. O navio corsario bateu em
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uma pedra e foi ao fundo, proximo á Ilha da <;=otinga. 11.0 Mestre de Campo Agostinho Delgado de Arouche.
Exerceu tambem os cargos da Governança de Cuntyba.
Justificou sua nobreza em S. Paulo, a 2 de Agosto de
9.o Tenente Coronel Manoel Rodrigues da Moita. 1793, e provou sec Mestre de Campo da Legião Auxiliar
de Parai1aguã.
foi o Commandante militar de Curityba e seu dis- li(
tricto na mesma epoca em que o Coronel Anastacio .d.e F_rei- Regimen administrativo municipal
tas Trancoso era o Commandante e Governador militar~da
Capitania de Paranaguá. Promovido a Sargento mór por l - A admiraistração do município era, no começo do
patente de 8 de Outubro de 1732, passada pelo Conde de seculo XVI1, composta de:
Sarzedas. dous Juizes ordinarios,
Em 20 de Março de 1734, por esse motivo, passou tres Vereadores,
revista de mostra nas forças de seu commando. dous Almotacés,
Natural de S. Gonçalo de Amarantes, era casado com um Escrivão da Camara
Helena Rodrigues Coutinho. . . Alem disso havia officiaes de ordenanças, conforme
foi vulto de destaque. Em 1719 foi nomeado a1u- fossem precisos.
dante do seu regimento, cargo que recusou aceitar, alle- As villas, em geral, tinham um capirao com sua com-
gando isenção, por ser escrivão da Bulia da Santa Cru- panhia, e sendo eHas com mais de 100 homens em idade
zada, sendo no entanto obrigado a aceitaf-o. Em 1728 militar, haveria mais de uma companhia e um sargento
seguiu de Curityba como Capitão da bandeira encarregada mór. As capitanias tinham seus capitães móres com ju-
de abrir a estrada para Laguna. Custeou os gastos da ex- risdicção em mais de um município ou villa. Esses, até
pedição com seus recursos e abriu o caminho que se de- 1711, data em que as capitanias de S. Vicente e S. Amaro
nominou «estrada do Motta». foram incorporados á Corôa, eram Logares-Tenentes dos
Por seus relevantes serviços foi nomeado a 2 de Ju- donatarios e pelas procurações que delles recebiam, gover·
lho de 1731, Superintendente do Registro do gado de navam os povos, quasi que discricionariamente.
Curityba.
2 - De 1711 em diante os Capitães móres passaram
foi o fundador e protector da Capella de N. S. do a governar as villas com poderes muito restrictos. Militar-
Terço.
mente havia os governadores militares, com patentes de
0
10. Sargento mór André Gonçalves Pinheiro. coronel, possuindo jurisdicção militar sobre muitas villas.
Esses postos foram depois substituídos pelos de Mestres
Exerceu os postos da escala militar até o de Mestre de Campos, que lhes eram equivalentes.
de Campo, da Legião Auxiliar de Paranaguá, cargo que 3 - Os vereadores, legítimos representantes do povo
correspondia ao de Capitão de ordenanças. ~o município, levavam em grande conta as prerogativas
Foi vulto de alto conceito. Nomeado Capitão mór de mherentes a seus cargos, delles se sentiam honrados e ze-
Paranaguá por patente de 17 de Setembro de 1717, do losos de seus direitos e deveres.
Governador do Rio de Janeiro, confirmada por Carta Re- Não admittiam que outras autoridades usurpassem os
gia de 15 de Outubro de 1718, nesse cargo se manteve seus privilegias. Constantes eram as Judas mantidas entre
até 1731, a despeito do seu caracter triennal. Foi Prove- os camaristas e outras autoridades civis, judiciaes, militares
dor dos Quintos reaes de Paranaguá. e ecclesiasticas, por conflictos de jurisdicção, muitas vezes
sobre factos de mínima importancia.
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ZeIosos de seu S mell.ndres1 mantiveram

conflictos
s p 1 com
ro rios Governadores Oeraes. Assim, em . . au o, a mais officiaes, de Paranaguá e Curityba, da forma se-
~~ ~e )ulho de 1703, tendo o Governador convidado os guinte:
ff . .
o I c1aes a d Camara para
1 em sua

casa, tratarem
1 t de
1 Ca as- Villa de Paranaguá:
sum tos publicos, foi desobedec1d~ forma men e p_e a -
mara,P que vm . 0 seu ado appOiado pelo Ouvidor da Juízes ordinarios, cada um . . . . 12$000
O mais velho por ser de Orphãos . 20$000
Comarca. · Governa Escrivão de tado . .
As Camaras muitas v~~es que1~a.varn-se ªº? . - 80$000
dores contra autoridades militares, c1v1s e ec<:les1asti_cas e a Alcaide e Carcereiro . 30$000
EI-Rei contra os proprios Governadores e V1c~ Reis. _Es- Villa de Curityba:
sas queixas quasi sempre eram tomadas na devida cons1de:
ração e os offensores castigados, mesmo com excesso. S1 Juízes ordinarios que serviam de inqui-
os Governadores representavam as pessoas reaes, as Repu- ridores e contadores, cada um . . . 8$000
blicas (senados da Camara) representavam os povos dos Juiz mais velho por ser de Orphãos 8$000
municipios. . Escrivão de tudo . . . . . . 40$000
Os homens da Oovernança julgavam-se ennobrec1~os Alcaide e Carcereiro . . . . 15$000
com os lugares que exerciam, e nas suas pretenções faziam
valer as suas nobres qualidades. . . IV
4 - O Senado da Camara, quando mcorpora?o ~ss_1s-
tia a alguma solemnidade ~eligiosa, ~inha na egre1a dire1to Organização militar.
á primasia nos duetos de mc~n~o, am?~ que presentes se
achassem altas autoridades c1v1s e militares. Se aconte- 1 - Em I 730 havia na Capitania de Paranaguá dez
cia negarem-lhe essa honraria, po~ implicancia do clero ou companhias do regimento de milicia auxiliar, composta cada
lisonja ás autoridades, o Senado 1.n~an~velment~ protesta\,:a qual de um Capitão, um Tenente e 6~ praças. ~omman-
e retirava-se do templo, sem assistir a solemmdade. Di- dava o regimento o Coro~~) Anastac10 de Freitas T;an-
versos exemplos desses existem nos annaes das Camaras cozo que tinha por aux1hares quatro Sargentos moi:es,
Municipaes de Curityba e Paranaguá. com~andantes dos terços da milicia Essas 1O.companhias
5 - A installação dos municipios de Paranaguá e de eram assim distribuídas:
Curityba, com as posses de suas primeiras autoridades res- Curityba e seu termo, 3 companhias, . .:'endo uma _de
pectivas, datadas, successivamente, de 7 de Janeiro de 1649 solteiros esta sob o commando do Capitão Pedro D1as
e 29 de Março de 1693, marcam o inicio de uma phase Cortes, ~ommandadas pelo Sargento mór Manoel Rodrigues
mais nítida de liberdade e de justiça para o povo do da Motta.
Paraná. Paranaguá, 3 companhias, commandadas pelo Sarg~nto
Estabeleceu-se, sobre estas datas historicas, o anteparo mór das barras Antonio Rodrigues de Lara, com obriga-
entre a prepotencia do tyranno e o soffrimento do povo in- ção de fiscalizar as embarcações que demandavam o porto.
defezo e sem tranquillidade. Dahi em diante a interven- lguape e Cananéa, duas companhias de milici~, cada
ção, sempre proficua, dos homens do Senado da Camara qual, com seus officiaes e respectivos sargentos moi:es..
amaciava as asperezas do poderio despotico. Mais tarde, os postos de coronel foram subst~tmdos
6 - Em carta regia de 21 de Maio de 1722 foram pelos de Mestre de Campo, que áquelles correspondiam na
fixados os vencimentos annuaes dos Juízes ordinarios e hierarchia militar.
Os regimentos de milícia passaram a denominar-se
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Legiões ou Legíões auxíliares, denominação que pouco V


tempo durou. . . .
As constantes incursões e ataques 1mm1gos no sul, Estado economico e financeiro.
obrigavam aos paranaguenses e curitybanos a permanecerem
em estado constante de guerra. Os primeiros orçamentos.
Paranaguá, com especialida~e, tinha seu povo s~mpre
mobilizado. O ataque á Colonia do Sacramento, situada 1 --: A titulo de curiosidade transcrevemos do Livro
nas margens do ~i~ da. Prata,_ .por pa~e. dos castelhanos, de Receita e Despeza, da Camara Municipal de Curityba
obrigava a uma v1g1Ianc1a deets1va e effietente aos portos o que ali se encontra desde a data de sua fundação a 29
do sul. O commandante militar dessa colonia, Antonio de Março de 1693: '
Pedro de Vasconcellos, por vezes se soccorreu do coronel
Anastacio de Freitas Trancozo - o velho, solicitando-lhe Receita de J6g3 e J6g4_
farinha, cereaes e lenha para as suas forças sitiadas pelos
castelhanos. Co~sta pelo livro dos termos das vereações a fls. 4
Este destacado militar, por varias vezes, entre os an- e da receita a fls. 2 que renderam os «sosiduos destes dois an-
nos de 1730 a 1735, fez aprestar embarcações á sua cus- nos por tres adiçoins em que se aremataram quarenta e
ta, enviando os recursos rogados. O littoral de Paranaguá coatro mil e quinhentos reis. » - 44$500.
foi todo fortificado, desde a entrada da barra até Antoni-
na, mantidos em toda a sua extensão postos de defeza mi- Despesas dos annos de J6g3 a J6g4.
litar permanente, cujos misteres afastavam os habitantes de
seus encargos commerciaes e agrícolas. Por hua Resma de papel qe se comprou Pª
Pretendia-se, deste modo, evitar a reproducção de fa- estes Livros, e gtos da Camra . . . . . . 2$560
ctos identicos ao occorrido em 9 de Março de 1718, Pela a Laudilha effeitio dos Los 1$140
quando um galeão hespanhol, vindo de Valparaizo, do Que se gastou na Prosissão do ·di~ de Co~p;
Chile, com carregamento de prata, foi perseguido até den- Christe . . . . . . . . . . . . . 3$040
tro da bahia de Paranaguá, pelo corsario francez ao man- Pelas var~s q' .seffizerão pª a Camra e Pª os Juize; $520
do do Capitão Berlarot. Por gtos q seffizerão quando se botarão duas Li-
Narra Vieira dos Santos que o galeão hespanhol, ao nhas da medissão deste Rossio da Villa 2$000
sentir-se perseguido, fundeara atraz da Cotinga, livrando-se Mais des ~ostõis de Polvora e Chumbo q' se de~
do saque geral, pois o seu perseguidor veio a bater em a qm for guardar o caminho do mar das be-
u~a pedra, indo a~ fundo. Em 1730 João de Araujo e c_higas. . . . . . . . . . . . . . . 1$000
Silva contractou retirar o cofre e mais salvados do navio Mais daffesta dei Rey de dia do Corpo de D's
pirata.
deste anno de 1694. . 2$800
O Sargento mór Antonio Rodrigues de Lara offere- Mais que se deu ao Escrivão da Ca~ra· a ·qt~ d~
ceu-se ao commandant~ .da praça para effectuar a prisão seu sellario 4$000
do commandante e offic1aes do corsario francez para o Mais q' se de~ ~o Es~rivão ·da· C~m~ra: · · · 2$000
que, acceito o seu offerecimento, armou, a sua c~sta, uma
sumaca, effectuando as referidas prisões como se verifica Por drro que se deu ao Alcaide de seu sellario 3$000
d_9s motivos que, serviram de fundam~nto a sua promo- lmportão estes gtos Rs. 22$060
çao a Sargento mor, por patente de 29 de fevereiro de 1728.
Eu João Roiz Seixas escrivão da Camara o escrevi.»
- 91 -

- · 90 - a aposentadoria do referido Dezembargador e dos seus


officiaes.
2 - Por essa demonstração da Receita e Despesa dos Por ahi se vê q~e a hospedagem, provavelmente pri n-
primeiros annos da vida do Municipio de Curityba, verifi- cipesca, da alta autoridade do Dezembargador em Correi-
ca-se o seguinte: ção e quvidor Geral e Prove.d?r. Rap~ael Pires Pardinho,
em Cuntyba, custou ao Mumc1p10 a 1mportancia de Rs.
Receita. 44$500 142$282, quando o total das·Despesas Geraes do Município
Despesa 22$060 era de 209$363.
Saldo 22$440 VI
Hosanas aos primeiros legisladores, que, sem sacrifí-
cio do publico, conseguiram uma Receita duas vezes su- Commerci o e industria.
perior á Despesa.
A herva matte, o pinho e a industria pastoril.
De 1693 a 1700 temos o seguinte:
Receita 197$540 1 - A primeira preoccupação dos povoadores foi a
Despesa . 129$680 de obterem sesmarias de terras para a criação de gado
Saldo 67$860 vaccum, e disso nos dão noticias as suas petições, e as
No anno de 1724: concessões que dessas terras lhes fizeram os Lagares Te-
nentes dos Donatarios. A par da industria pastoril, e como
Receita. 76$965 uma consequencia natural e logica, todos trataram da lavoura
Despesa . ·34$160 para a sua subsistencia e a de suas famílias.
Saldo 42$805 Todos os povoadores do «plateau » curitybano eram
Os primeiros títulos de Receita eram os seguintes: - possantes de peças - isto é, possuíam numerosos ín-
dios ou administrados dos gentios da terra.
1 - Subsidios da aguardente (estanque). Esses eram homens livres em virtude das leis de
2 - Subsídios dos pannos importados. Sua Magestade, que Deus guarde, no dizer dos seus
3 - Fóros do Rocio, sendo este imposto orçado em possuidores, em cujos testamentos, a que eram obrigados
3$400 annuaes. a fazer em a hora da morte, por serem tementes a Deus,
O _Procur~dor do Con~elho era responsavel pela ar- e por desencargo de consciencia, pediam a seus testa-
recadaçao dos impostos devidos. O fôro de terrenos do menteiros e herdeiros, que como livres os considerassem,
Rocio da Villa, si não era arrecadado tinha o infeliz podendo apenas delles se utilizarem, isso para arredai-os
P_r~curador de suppril-o de seu bolso, pa;a os cofres mu- do convívio das infestas nações, e para trazei-os á civili-
mc1paes. zação e para o seio da santa religião...
Nas despe~as do anno de 1720 figura a de Rs. 5$120, Ficavam muitas vezes taes razões recommendadas no
gastos com 5 libras .de cera, para a procissão que se fez testamento, porque seus testadores «não queriam compli-
~esse anno, com o fim de se collocar na igreja a nova ca~~es na outra vida», apesar do que continuavam os ad-
1mage~ de N. S. da Luz, padroeira da villa. mm1strados ao serviço de seus novos amos, que ao mor-
f 1gura tambem a importancia de 78$662, despendida rerem reproduziam o gesto de seus antepassados.
por um .mandado do Dezembargador e Ouvidor Geral Pi- Com esses homens livres, espontaneamente a elles in-
r~s Pardmho, p~r _despesa~ .com sua aposentadoria e sala- corporados, quando andavam pelo sertão em guerras con-
nos de ~eu e~cnvao e memnho, e mais 63$620, gastos em
:era, azeite, vmagre, sal e o mais que se despendeu com
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tra infestas nações (sic) conseguiam braços ~ufficientes p~ra
as explorações mineraes, a que todos se atiravam, a cria- Em carta regia anterior, de 22 de Novembro de 1720,
ção do gado e para a lavoura. havia sido solicitado ao Governador e Capitão General de
Todos os campos desse bello e pittoresco «plateau )> s. Paulo, um caixão com congonha ou herva matte, com
se acharam desde logo povoados de gado . vaccum princi- as devidas instru_cções p~ra o seu uso, sendo, em cumpri-
palmente, alem de animaes cavallares e lamgeros. mento desse pedido, enviada herva matte em pó. Por carta
Em 1720 já havia possuidores de fazendas que contavam regia de 14 de Junho de 1721 foi pedida nova amostra
300 e mais cabeças de gado vaccum, afóra outras espe- de herva, agora em folhas, visto não ter sido bem acceita em
cies como nos mostram os inventarias. Portugal a primeira amostra.
' A passagem do Ouvidor Pires Pardinh_o, ~e gloriosa
memoria, pelas terras que compunham a cap1tanra de Para- VII
naguá, em 1720, veio rasgar novos horizontes ao Paraná.
Com a clareza privilegiada de seu espírito, percebeu Estado ecclesiastico e religioso.
desde logo o Ouvidor Pardinho, na exportação da herva
matte para as villas do Rio da Prata, no aproveitamento 1 - Não ha memoria da data exacta em que foi cria-
das madeiras, principalmente das maravilhosas florestas de da a vigairaria de Paranaguá, sendo, comtudo, sabido ter
pinheiros gigantescos que cobriam os campos do territo- sido o primeiro vigario encommend:1do que ali existiu o
rio parananiano, na utilização da cal de ostras do Iittoral, padre Dionizio de Mello Cabral, que em 1655, segundo
extrahida dos sambaquis ali existentes em proporções que Vieira dos Santos, ajustou com a Camara os seus serviços
o assombraram, na grandeza, salubridade e pujança do ter- espirituaes, pelo ordenado annual de 60$000, 24 alqueires
ritorio, o futuro soberanamente grandioso que o destino de farinha e um pescador. Serviu o padre Dionizio até o
reservara ao sul do Brasil. anno de 1665, quando foi substituído pelo padre Jorge Gon-
Nesse sentido escreveu ao governo da metropole, fa- çalves da Camara, por se achar aquelle doente e entrevado.
zendo ver que deveria ser revogada a prohibição, que ha- Em 7 de Outubro de 1679, foi nomeado vigario de Pa-
via, de commercio com a Colonia do Sacramento e com r"naguá o padre João da Rocha Pedroso.
Buenos Ayres e villas á margem do Rio da Prata, afim A igreja matriz da villa, já em 1725, ameaçava ruí-
de que os moradores de Paranaguá, e seus districtos, pu- nas, pelo que se solicitou autorisação para os seus urgen-
dessem ir até ali, levar em suas embarcações os fructos da tes reparos.
terra, telha~,. tijolos, madeiras, cal de ostras e a congonha, A irmandade de N. S. do Rosario teve o seu esta-
que se verificou haver em abundancia. tuto approvado por provisão de 16 de junho de 1725, do
. Demon~trou o Ouvidor Pardinho que esse commer- bispo do Rio de janeiro.
c10 redundana em proveito das possessões portuguezas, Em 1730, era vigario da Vara o rev.do Christovão da
~elo consequente povoamento do sul do Brasil e pela pra- Costa Oliveira, e juiz dos casamentos e visitador das vil-
tica que, com a navegação, se adquiriria da costa. E de las do sul, desde Santos até Laguna.
como andou acertadamente, se demonstrará em outro 2 - A Camara Municipal de Paranaguá, em sessão
capitulo.
de 25 de Junho de 1674, concedeu o terreno preciso ao
O alvitre do Ouvidor Pires Pardinho foi acceito e esse levantamento do convento da Ordem do Patriarcha de S.
commercio. autorizado por El-Rei D. João, em carta regia de Francisco, a requerimento do Provincial da Ordem Frei
29 ?e _Abnl de 1722, nos termos da suggestão contida E~zebio da Expectação, padre custodio da Provincia do
nam1ss1va de 17 de Junho de 1720, do historico Ouvidor. R1_o de Janeiro, representado pelo padre Frei João da Con-
ceição, mandado para isso a Paranaguá.
- 94 -
Mas ou O convento não foi então fun~ado ou teve - 95 -
duração ~phemera. A ordem ~·ª de S. Francisco das Cha-
oas foi instituida em Paranagu~ ~o anno de 1700, pelo 1700. Tinha um altar para a santa de sua evocação e uni
provedor das minas Gaspar Te1xe1ra ~~ Azevedo .e outros outro para o Senhor dos Passos.
cidadãos, celebrando-se os seus exerc1c1os na ermida de N.
Em 1782 se reedificou a antiga ermida, levantando-se
Senhora do Bom Successo, de quem era protector o .sar- em seu lugar a actual igreja, então chamada Capella de S.
gento mór Roque Dias Pereira, que cedeu para esse fim a Benedicto, da qual era protector o sargento mór João da
Capella e altar dos Santos Passos. . Silva Pinheiro.
Em 1705, a Irmandade deliberou mandar vir os, Re-
ligiosos Capuchos. Em 1732 che~aram a Paranagua os 4 - A Capella de N. Senhora do Rosario do Rocio
frades Pedro de Santa Rosa e Jose de Jesus, trazendo-os de Paranaguá foi construida em 1813, sob a protecção do
o fito de collectarem esmolas para a fundação do con- padre Frei Manoel de São Thomaz. Essa denominação
lhe veio da imagem a que servia de santuario.
vtnto. Nesse mesmo anno a Camara de Paran_aguá lem-
brou ao Provincial da Ordem, no Rio de Janeiro, que a A imagem de Nossa Senhora do Rocio recolhe do
viuva de José da Silva Barros, fallecido protector da Ca- transcurso dos annos de seu passado longinquo e mila-
pella do Senhor Bom Je~us dos P~rdões, fundada em 1700, groso as mais lindas e piedosas lendas que recreiam e
exaltam a fé dos seus crentes e devotos.
estaria prompta a compnr o dese10 de seu esposo, de. en-
tregar a referida Capella á Seraphica Ordem de S. Francisco. Pertencera, em tempos muito remotos, a um preto
1
A Camara promettia auxiliar a Ordem na construcção do Beré ou Emberé, como o chamavam. Esse costumava
hospício. . . solemnizar, piedosamente, o dia da santa de sua devoção,
Taes obras só foram iniciadas em 1769 e o hosp1c10 cujos milagres já eram proclamados em larga redondeza.
existiu até o anno de 1808. Mais tarde, anteriormente á erecção da Capella, passou a
3 - A ermida de N. Senhora das Mercês, da Ilha da imagem a pertencer ao altar, modesto porem decente, que
Catinga, foi levantada em 1677. O Provedor das minas em sua humilde casa de palha possuia o tenente Faustino
de prata, capitão Manoel de Lemos Conde, proprietario da José da Silva Borges, homem que veio a morret com mais
metade da ilha, requereu licença ao vigario geral do Bis- de 80 annos de idade.
pado do Rio de Janeiro, para edificar, á sua custa, uma As festas de Nossa Senhora do Rocio tornaram-se
ermida no outeiro da Catinga, á vista de Paranaguá, de populares em toda a costa meridional do paiz, emprestan ..
onde se descortinava a entrada de suas barras. Por pro- do-lhe o maior tributo a devoção dos marítimos, que ti-
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visão de 1. de Junho de 1677 foi-lhe concedida a per- nham em grande conta os seus milagres.
missão. Hoje, no local da antiga Capella, acha-se edificada a
Esta ermida foi erecta e mantida sob a protecção do magestosa Egreja do Rocio, inaugurada em Maio de 1924.
mesmo provedor Lemos Conde, com a devida pompa e 5 - Igreja e collegio dos Padres da Companhia de
pia devoção, até sua morte, e depois disso, até 1699. Nesse Jesus de Paranaguá.
anno, um dos seus filhos, Antonio Mourato, obteve a per- Em 1690 o povo e a Camara de Paranaguá, reunidos,
missão do visitador padre João de Souza da Fonseca para solicitaram a vinda de seis padres religiosos da Compa-
demolil-a e construir outra, á sua custa na rua da Oam- nhia de Jesus, para o mister de ministrarem o ensino prima-
bôa, hoje rua da Fonte, no local onde está edificada a rio e de latinidade á mocidade e ao mesmo tempo o en-
igreja de S. Benedicto. sino dos dogmas da religião, sob a promessa feita ao
A nova ermida ficou construida em fins do anno de Provincial da Companhia, de construir-se o collegio para
a sua residencia, com auxilio do povo, em dinheiro, escra-
vos e terras, necessarios aos seus estabelecimentos agrícolas.
Só em 1699 foi a solicitação attendida, chegando nesse
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anno diversos religiosos a Paranaguá para tratar d~ e?í~i-
cação do collegio e convento. Antes de se d~r. prmc1p10 nelle serem postos os m_andados e _autos do inventario
a construcção, recebeu porem a Cam~ra um offi:10 data_do dos referidos bens e os hvros respechvos.
de 3 de Fevereiro de 1703, do Ouvidor dr. Joao_ ~~ra1~a 7 - A igreja matriz de N. Senhora da Luz de Curi-
de Carvalho, recommendando que não se de:se 1mc10 as tyba foi construida em 1715, ignorando-se comtudo a data
obras, sem ordem de S. Magestade. Essa so chegou em de sua bençam e o nome do vigario que a benzeu. Tinha
1704, quando tiverçim começo aquellas obras. 3 altares.
6 - Antonio Mourato em 14 de Junho de 1708 fez A imagem de N. Senhora da Luz dos Pinhaes de
doação aos religiosos da Companhia de JesAus _dos ~ens e Curityba foi mandada vir de Portugal e solemnemente
alfaias da Capella de N. Senhora das !Vlerces, mclus1ve as posta em altar a 16 de Novembro de 1720. A Camara,
imagens e da metade da Ilha d~ Cotmga, de quem era em vereança de 15 desse mez, mandou affixar um quartel
protector em successão a seu pat. convidando todos os moradores da villa e seus suburbios
Em' 1714, os padres da Companhia de Jesus, em P~- para que concorresse": com s~as pessoas a assistir á pro-
ranaguá, requereram á Camara 100 braças_ de terras,. na n~ cissão para a collocaçao da virgem N. Senhora da Luz,
banceira, para ahí edificarem o seu colleg10. O pedido foi padroeira da villa, no altar da igreja matriz.
deferido, mas logo após o Ouvidor Pardinho . r~comme~- No Livro de Receita e Despeza da Camara de Curi-
dava ás Camaras não consentissem que os religiosos edi- tyba se vê que essa dispendeu com a procissão a quantia
ficassem seus conventos e collegios sem ordem regia, pelo de 5$120, em 5 libras de cera que foram consummidas.
que a concessão foi revogada. . O primeiro vigario de Curityba foi o padre Antonio
Em vereança de 2 de Dezembro de 1739 se consi- de Alvarenga, que, em 29 de Março de 1693, deu jura-
gnara uma communicação do padre Antonio da Cruz, re- mento aos seis eleitores que escolheram as primeiras auto-
ligioso da Companhia de Jesus, de que Sua Magestade fôra ridades da villa.
servido conceder licença para a edificação do collegio, e O padre Alvarenga em 1679 era vigario em Parana-
portanto, para dar principio á obra, eram necessarios ma- auá. Recebia alem de um pequeno auxilio pecuniario de
teriaes e ajuda de custo. 50$000 annuaes, uma casa para sua residencia, sob a con-
Promptificaram-se os interessados a fornecer pedras e dição de nada cobrar do povo - do que elles chama-
o mais que preciso fosse. vam - desobriga. Como, porem, assim já não o enten-
Em 1753, a Camara concedeu ao padre Christovão desse em 1697, o referido padre, que exigia e cobrava do
da Costa Rosa, superior da Casa da Missão, 100 braças povo e dos mineiros importancias fóra do ajuste, propoz
de terras na rua da Oambôa, acima da fonte, no caminho contra elle a Camara de Curityba uma acção no Juizo
do Rocio. ecclesiastico da villa de Paranaguá. Em consequencia desse
Em virtude do decreto pombalino contra os Jesuitas das facto o padre Alvarenga retirou-se da vigararia, deixando
possessões portuguezas, em 1760, foram elles expulsos de Curityba sem parocho.
Paranaguá e seus bens confiscados pela Corôa. Em 4 de A Camara, em vereança de 21 de Dezembro de 1697,
Junho de 1760 se apresentaram ali, em Camara, o dr. para mostrar o seu desprehendimento, fez doação da impor-
Dezembargador Serapião dos Anjos Pacheco de Andrade, tancia pleiteada á confraria do Senhor Bom Jesus dos Pinhaes.
exec_utor commi~~ario do . confisc? dos bens dos padres Em vereança de 7 de Abril de 1698, se constata que
Jesmtas e o cap,tao Antomo Ferreira Mathozo, depositaria perante a Camara de Curityba, apresentou-se o p~dre Al-
geral dos bens do mesmo confisco, e por elles foi entre- varenga, «e por elle foi dito que, para não ter d1fferença
gue á Camara um cofre de madeira com 3 chaves para - com os seus freguezes e com os officiaes da Camara
sobre seus ordenados, concertava-se que cada pessoa de
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confissão lhe pagasse um tostão de ordenado por anno, tyba, á pag. 56 v., ha um registro de nascimento, datado
assistindo o dito padre como vigario que era a exercer de 25 de Junl_,o de 1690, d~ um escravo do Capitão mór
todas as obrigações para com seus parochianos. » Matheus Martm~ Leme, baptrzado pelo padre Melchior ele
«De como assim se resolveu, foi lavrado um accordo, Pontes, qu~ mais tar~e _tanto se. notabilizou por suas vir-
em que assignou o padre Alvarenga e o mestre da Ca- tudes e caridades chnstães, e ve10 a morrer com cheiro de
pella, Manoel Alves, sendo tambem combinado o preço santidade.
das missas cantadas e dos mais officios religiosos. » Em A igreja matriz de Curityba em 1739 ainda se acha-
primeiro de Janeiro de 1701, já se achava vago o cargo va em construcção e o Ouvidor e Corregedor da Comarca
de vigario, havendo representado a Camara ao visitador, dr. Manoel dos Santos Lobato em seus provimentos de 12 de
pedindo a designação de um padre. ~ezembr~ de 1739, «achou qu~ as obras da Igreja Ma-
Em 1713 era vigario o padre Oregorio Mendes Bar- triz da V1lla em pouco ou mais de nada se tinha adian-
budo, natural do Algarve, que serviu até 1732, passando tado (de sua ultima visita em 1735) por descuido ou ne-
nesse anno a servir em Paranaguá. Ali falleceu com tes- gligencia das pessoas que ficaram nomeadas em seus ca-
tamento a 30 de Novembro de 1739, nelle declarando que pítulos de correição ».
antes de receber ordens e seguir a carreira sacerdotal, fôra O bene~:rito Ouvidor R~phael Pires Pardinho, quan-
casado com O. Francisca Maciel Sampaio, de Paranaguá, do em correrçao em 1720, deixou notaveis e extraordina-
de cujo matrimonio deixou tres filhos. rios provimentos _em Curi~Y?ª· Entre outros assumptos
No interregno dessas duas datas serviram de coad- prove10 que «os Ju1zes e Officraes da Camara assistissem in-
juctor~s os padres João _de Souto, Jo;é Pinheiro Machado, corporados as procissões de Corpus-Christi, de Nossa Se-
Antomo Gomes,. A~tomo de Sampaio e Ignacio Lopes. nhora da Luz, de Santa Isabel, dos Anjos Custodias e a
Em 1732, era ~r~ano o padre !V\anoel Mendes Leitão, que, de S. Sebastião, de accordo com a Lei »; e «que todas as
segundo se venfica, soffreu mmtas advertencias dos visi- pessoas da Oovernança da Villa seriam obrigadas a assisti-
tadores.
rem-n'as e a comparecerem no Paço do Conselho, para
. Costumava dar dinheiro a juros e constantemente ac- acompanharem o estandarte até a Matriz, e desta até o
c10nava os seus devedores por impontualidade nos paga- Conselho apóz a procissão ». E ainda que «o estandarte
mentos dos emprestimos.
fosse conduzido diante da procissão pelo Juiz mais velho e
. Manteve porfiada lucta com a Camara Municipal de em sua falta, pelo Juiz mais moço ». E que «os morado-
Cuntyba e com pessoas do povo, por exigir quantias des- res de uma Iegua ao redor da vil\a seriam obrigados a vi-
arrasoadas de seus parochianos, conforme se vê em suas rem assistir ás procissões, e os moradores das ruas por
demandas.
onde ella passasse, as mandariam capinar e limpar a testada
. Pela or_def:1 com que fazia seus assentamentos nos e enrarnar com palmas e outros ramos odoríferos, e orna-
lrvros ecclesrashcos de casa.mentas, nascimentos e obitos, tos, sob as penas da lei ».
merece, pore~, que º. ~ons1deremos elogiosamente. Regis-
trava nomes, idades, frlrações, naturalidades, nomes dos avós
paterno.s e m~ternos de cada pessoa, de forma a se tor-
nar hoJe poss1vel escrever a «Genealogia Paranaense atra-
vez de seus assentamentos. '
Infeliz:11ente não teve continuadores na sua fecunda
preoccupa~o, por parte de seus successores.
No pnme1ro livro de nascimentos da igreja de Curi-
TERCEIRA PARTE

!-Is Minas de 0uro da Capitania de


Paranaguá

O Capitão de Canôas de Guerra


Eliodoro d'Ebano.
Inspecção as Minas.

1- CHANDO-SE as minas de Paranaguá sob a


administração do Provedor Matheus de Leão,
e sendo Capitão-mór Gabriel de Lara, des-
cobridor d'ellas, como já ficou dito em ou-

b
q
tro capitulo, eis que se apresenta Eliodoro
d'Ebano, General da Armada das Canôas de
guerra das costas do sul, (titulo que corres-
! pondia ao de Commandante) e officia ao
4 Capitão-mór, nos termos que se seguem, em
data de 4 de Março de 1649:
«Eliodoro d'Ebano, General da Armada
das Canôas de Guerra, desta costa e mar do
sul. De ordem do Administrador Geral das minas, o Go-
vernador Duarte Corrêa Vasquez-Annes, por Sua Mages-
tade, que Deus guarde.
«faço saber ao Capitão-mór desta Villa de Nossa Se-
nhora do Rosario, e aos Officiaes da Camara d'ella que
por serviço de Sua Magestade se me encarregou o exame
e entabolamento das minas, que descobrirão, e das mais
que se descobrirem assim neste Districto, como em qual-
quer outro das Capitanias do Sul, para cujo fim se me
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ordenou requísítasse as necessarias deligencias, todo o cui-
dado e importação da Real Fazenda de Sua M~gestade e dor das minas, e ao Thesoureiro d'ellas, que logo que lhe
augmento de seus quintos reaes, e commum pata se con- for apresentado este meu mandado, entregue ao Ajudante
seguir o serviço de todos e não haver no emtanto perturba- João Rodrigues Morales todo o Ouro dos quintos que
ção em contas, nem desvio, antes p~ra melhor obrar, se houver procedido, do que se tirou das minas; esteja no
deve acudir a obrigação de bons mm1stros, e va~sallos com Cofre da Caixa delles, pertencente a Sua Magestade, que
todo o fervor e ajuda pelo que ordeno, e requeiro_ ~a parte foi servido, concedello á Rainha Nossa Senhora; a quem
de Sua Magestade e aos ditos Capitão-mór, e Offic1aes ~a pertendo leva-lo na minha companhia, na armada em que
Camara dêm ajuda e favor . : ... ·. tudo o que por di- estou embarcado, e como o conhecimento feito pelo Escri-
reito lhe fôr pedido para o dito effe1to, e ~ependente das vão das minas, ou a que fôr dos quintos na Capitania de
ditas minas, tambem porque co~forme o regimento Paranaguá, mandará pelo Ajudante João Rodrigues1 para
destacamentos da fazenda, e qumtos reaes . . . . . e man- ser levado em conta do Thesoureiro ...... a Thomé
damos ao Administrador das minas Governador Duarte Pereira, Provedor da fazenda Real nesta Capitania do Rio
Corrêa Vasquez-Annes amostras de outro da mesma con- de Janeiro para o remetter á Rainha Nossa Senhora, a quem
sideração ...... que havendo minas nesta terr~ e inten- pertence o dito ouro; dito conhecimento, servirá de des~
tem os inimigos evadila que a Camara requeira a Sua carga ao dito Thesoureiro e ao Capitão Eliodoro d'Ebano,
Magestade faça ordenar a sua defesa e que o Capitão da de quem espero lhe dê todo o devido comprimento, com
Ordenança com o mais que necessario fôr ponha este summa brevidade pelo pedir a urgencia com que a Ar-
porto e barra com a necessaria precaução . . . : . .» mada está para partir deste porto, onde vae com segurança
- Este Officio de Eliodoro d'Ebano a Gabnel de Lara o dito rendimento das minas.
foi copiado pelo infatigavel historiador Antonio Vieira ~os «Passado no Rio de Janeiro sob meu signal e sinete
Santos, do proprio original, já em grande parte destrmdo de minhas armas, aos 5 de Maio de 1652 (assignado) Sal-
pela acção do tempo, e corroido pelas traças, e constam vador Corrêa de Sá e Benavides. »
de suas «Memorias historicas» de Paranaguá, base sobre a Nasceu em 1594, sendo em 1634 nomeado Vice~Al-
qual assentam, os trabalhos dos nossos historiadores sobre mirante da costa e mares do sul.
factos paranaenses. Em 21 de fevereiro de 1637 foi nomeado Governa-
A elle devemos ainda o conhecimento do importante dor e Capitão general do Rio de Janeiro, onde ne::ise mes-
Officio infra, em que Salvador Corrêa de Sá e Benavides, mo anno se casou.
Governador do Rio de Janeiro, dá instrucções a Eliodoro Depois em 1640, veio a Santos e S. Vicente onde
d'Ebano relativamente á sua missão: examinou minas, explorou rios, cujos cursos estudou; tra-
...... «Salvador Corrêa de Sá e Benavides, Senhor tou do desenvolvimento pratico da riqueza do Sul. Se-
da Villa de ...... Commendador das Commendas de guiu para a Europa onde apresentou a El-Rey D. João IV,
São Sebastião da Lagôa; e de S. João de Cassia, Alcaide as noticias que obtivera a respeito da existencia de minas
mór da Cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, do auríferas na Capitania de S. Paulo, e os mappas das loca-
Conselho de Guerra; e partes marítimas, superintendente e lidades em que se persuadia ser encontradas. Complica-
Administrador Geral das minas neste Estado por Sua Ma- ções políticas com a Hollanda, que se havia apossado de
gestade etc.
Loanda e Benguela na Africa, obrigaram a EI-Rey a des-
« -· lv!ando .ª? Capitão Eliodoro d'Ebano, que com pachar Benavides para o Rio de Janeiro com a missão de,
P?deres esta ad~1111strando. as minas de ouro da Capita- com elementos ahi reunidos, tratar de restituir á Corôa
ma de Paranagua e das mmas desta repartição, ao Prove- portugueza os seus domínios na Africa.
Salvador Corrêa, assumindo pela segunda vez o lugar
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de Governador do Rio de Janeiro, reu~i~ forç~ sufficiente, ha as referencias feitas a sua passagem por Iguape no an-
e em sua armada, partiu para os domm1os afncan~s a 13 no de 1654, pelo que alguns historiadores o dão como
de Maio de 1648, d'onde voltou c?~erto de glonas das fundador da povoação, ao passo que outros remontam
victorias colhidas e de títulos hononf1cos, em 1651, quando esse povoamento a 1567, se~undo uns, a 1579 segundo ou-
reassumia o Governo do Rio de Janeiro, que administrou tros, e a 1611 segundo vanos outros, no dizer de Aze-
até 1653, quando novamente partia para Lisbôa, d'onde só vedo Marques nos seus preciosos «Apontamentos histori-
regressou ao Brasil a 17 de Setembro de 1658, sen~o pela cos da Província de S. Paulo».
terceira vez nomeado Governador do Sul do Brasil, com A~~ra ai~da vem con:oborar essa verdade a publica-
séde no Rio de Janeiro (porem já sujeito ao Governo do ção official feita pela Prefeitura Municipal de S. Paulo, das
Vice-Rei) conservando-se no governo até Novembro de adas da Camara da Villa de S. Paulo. No volume V
1661, e regressando então á Lisbôa, onde falleceu aos 94 sahido á luz da publicação em 1915, vêm as adas do~
annos de idade, a 1.0 de Janeiro de 1668. annos de 1640 a 1652; ahi, á pagina 389 se lê uma re-
Foi no segundo governo de Benavides, que se fun- presentação de Bartholomeu Fernandes de Faria, datada de
dou a villa de Paranaguá, para onde mandou elle grande 31 de Outubro de 1649, de que -
numero de trabalhadores para os serviços de descobertas «Avia algumas barretas de ouro que vinhão com a
nas minas do littoral.
marca de Sua Mage~tad~ que fôra posta em Pernaguá a
(Varões illustres do Brasil. - Pereira da Silva.) qual marca hera mais diferente da que avia nesta Villa na
2 - Não ha um unico indicio, da passagem de Elio- caza da fundissão que nel.la está e que pedia ao Juiz e
doro d'Ebano pelo planalto parananiano. vereador~s fossem ver as ditas marcas e vistas provessem
Não ha uma carta de sesmaria, ou qualquer outro na m~tena o que. lhe pa~essese justiça, e tãbem pello dito
documento official ou semi-official que denote, mesmo va- Capp1tam mor foi requendo que pello que convinha ao
gamente, a estada delle em Curityba ou em serra acima. serviço de sua magestade e. ao bem comum dos povos e
Este facto demonstra que, como Capitão de Canôas pelo que resulta ao donatano desta Cappitania e o S.or mar-
de. gu~rr~ que era, nunca se aventurou pelo interior do ques de ~ascaes que avizem a sua magestade o descaminho
Pa1z, limitando sua esphera de acção somente á costa ma- que na villa de pernaguá se fazem em o ouro que nella ha
rítima dos mares meridionaes da Capitania.
fundindo e fazendo barretas e marcando-o com sello real
Isto. posto, não ficará elle desmerecido por essa cir- como consta pellas que se virão e ha noticia vem da dita villa e
~umstan~1a. Prestou ?utros serviços que o recommendam
a postend~de; o ter sido ou não povoador e o descobri- tãbem avisem o Senhor governador geral e a duarte corea
dor de mmas, não lhe augmenta ou diminue o merito. vasqueanes acudão tãbem sobre o dito descaminho fogindo
3 -. Não. póde mais restar duvida alguma depois das da casa da moeda desta dita villa de que protestavam etc. »
recentes mveshgações nos archivos, e das publicações fei- Em vereança de 27 de Novembro de 1649, perante
tas. das a~tas das vereanças das Camaras Municipaes das a Camara, compareceu o Provedor das minas, Pascoal Af-
antigas V11las componentes das Capitanias de S. Vicente e fonso e ~eguereu e declarou que: - ,< a elle lhe tinha vin-
S. Amaro, que a passagem de Eliodoro d'Ebano em sua do a noticia em como na villa de pernaguá nas minas
missão de inspecção das minas dos mares do S~J occor- descobertas que vêo o cappitão gabriel de !ara registrar a
reu em 1649. 1 ca~a da moeda e quintos reais desta villa de são paullo
Alem da~ p~ovas dessa v~r~ade, já por nós apontadas as1ste e esta de morada - liodoro ebano - onde dizem
co?1 a tra~scnpçao do seu ofüc10 apresentado ao Capitão- que tem feito caza da fundição e quinta e manda marcar
mor Gabriel de Lara e datado de 4 de Março de 1649, o~ro por officiaes que para isso lá tem feito sendo que
nao tem ordem para o poder fazer e ser contra o regi-
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menta de sua magestade pello 9ue requeria aos ditos offí- ~ - Salvador Cor~ê~ de Sá e Benavides, foi nomeado
ciaes da camara da parte do dito senhor lhe desse_m to?a Supenntendente e Adm1mstrador geral das Minas do Es-
ajuda e favor e índios para irem em sua ~ompa~h1a a ?1ta tado d~ _Brasil e Almirante das armadas de guerra e par-
villa de pernaguá para onde está de partida a 1mped1r e tes mantimas do mes~o Estado e Africa do Sul. Duarte
atalhar ao dito - leodoro ebano - a que não va por Corrêa '{~squeannes f01 nomeado commandante e Gover-
diante com seu intento e outrosim requereo mais que lhe nad~r m1htar da Fortaleza de S. João da barra do Rio de
mandassem elles ditos officiaes da camara passar precatarias Janeiro.
ás justiças das villas de cananéa e de _rem~guá e bem as- . Achava-se Salvador Corrêa de Sá na campanha da
sim ao Cappitão gabriel de !ara, da dita vIITa ..... .. . Afnca em 1648, expulsando os Hollandezes que se haviam
lhe dê toda ajuda e favor necessaria para o dito e que apossado de Loanda, quando occorreu a vacancia do Go-
toda pessoa que tiver que quintar ouro o venha fazer a verno do Rio de Janeiro, já desmembrado do da Bahia
esta villa de são paullo aonde sua magestade tem casa de pelo que foi nomeado Governador o Commandante d~
moeda e quintos reaes ...... requereu mais em como Praça d~ S. João, Duarte Corrêa Vasqueannes, cujo Go-
as ditas minas de pernaguá adonde se quinta o dito ouro verno, si bem de pequena duração, por ter sido substitui-
e marqua está em porto de mar adonde tem o ini migo do por Salyador Corrêa de Sá e Benavides, que havia re-
ollandez noticia della lhe será mui fasil ir com seus na- gressado tnumphante das guerras na Africa em 1651 foi
vios e fazersse senhor dellas com o que dará muita perda 1
comtudo proveitoso. ao Brasil. Nessa época, voltou Vas-
a sua magestade e que acudissem a isso por se escusar qu~nnes a rea~sum1r o seu posto militar em S. João, as-
o mal que daqui podia result.,.r... » su~mdo Benav1des as .redeas do Governo do Rio de Ja-
foram expedidos os precatorios referidos e mandado neiro, q_ue comprehend1a as partes do Espirito Santo até
que lhe fossem fornecidos os índios necessarios a acom- os confins das possessões portuguezas dos mares do sul.
panharem-n'o na deligencia á Paranaguá. (Vol. V das refe- 6 - Por essa forma ficou o Brasil com dous Gover-
ridas adas da Camara de S. Paulo pag. 389 a 392.) nos: um ao Norte, com séde na Bahia e outro ao Sul
~ - A administração das Minas de Paranaguá, por com séde no Rio de Janeiro, sem que cbm isso houvess~
a~tondades no.meadas pelo Governo do Rio de Janeiro, solução de continuidade á dominação dos donatarios cujos
nao era bem vista pelo Governo de S. Paulo. Alem disso, direitos foram respeitados sempre. '
a competição de dominação por parte dos descendentes dos O ouro, porem, pertencia á Corôa e os Governado-
donata~ios das Capitanias de S. Vicente e de S. Amaro, res e ~9mini~tradores ~eraes se ~ncarr~gavam do regimem
respechvamente doadas em 1531 a Martim Affonso de e admm1straçao das mmas, sem mtervenção dos donatarios
Souza e a seu irmão Pedro Lopes de Souza, veio estabe- ou de seus Lagares-Tenentes e Procuradores.
lecer grande tumulto e confusão.
Al~umas v~zes, é certo, foram esses Lagares-Tenentes,
A revolução triumphante de 1640, que rebentou em que então exerciam as funcções de Capitão-mór, encarre-
Po~ugal, restabelecendo a sua independencia e pondo fi m g~dos pela Corôa da Provedoria das Minas, mas consti-
ao J~go castelhano (1580 a 1640), agitou fortemente o tu1a esse um encargo á parte de suas funcções proprias.
Brasil; os descendentes de Portugal procuraram hostilizar Salvador Corrêa de Sá e Benavides tendo noticia da
aos de Hespanha que dominavam nas Capitanias estabe- existencia de m_inas de ouro em S. Paulb, resolveu empre-
lecendo-se competições de mando. '
~ender uma viagem a Portugal no anno de 1643. Ahi
Por outro lado, . a Corôa lusitana, sempre ávida de mformo_u ª. EI-Rei e propoz o descobrimento das minas
o~ro, pro~uro~ orgam~ar o serviço da administração das da _Cap1tama. EI-Rei aceitou a proposta e offereceu-Ihe
mmas, ate entao descmdado pelos reis castelhanos.
o titulo de Marquez e 4000 cruzados annuaes, si ellas
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rendessem até 500.000 cruzados á Co~ôa; e 5°/o do prod_u- seus procuradores em missão especial Manoel de Lernos
cto de todo o ouro que dellas fosse retirado. (Memona h1s- Conde, João Maciel. Antão, Manoel Lopes e João Rodri-
torica de A V. Santos.) . . gues Ribeiro, g~e vieram de S. Paulo á Paranaguá, a to·
7 - Em 1655, o Capirao-mór e Ouvidor de S. V!- mar posse da Vrlla de Pararaaguá. Sendo f'eu.mido para taJ
cente Diogo Vaz de Escob~r, veiu tomar posse da Capi- fim o povo, este em sessão do Conselho de 5 de Março
tania de Paranaguá, em virtude da ~sc~ptura de Dote, de 1655, fez auto de posse que se deu ao Capitão-mór e
arras e obrigação que se passou em Lisboa, em 5 de Ja- Ouvidor Diogo Vaz Escobar, como Procurador do dito
neiro de 1654, - «nos aposentos de D. Affonso de Faro, Conde da Ilha do ~rincipe. Posse que a Camara deu pa·
estando presente Luiz Carneiro, Senhor da Ilha de S. He- dfica e sem con.tradtção.
lena, S. Antonio, e do Príncipe e Conde della e da outra Em 1656, o Marquez de Cascaes intentou repellir ao
parte D. Diogo de faro e Souza, filho de D. Sancho de Conde da Ilha do Príncipe do domínio da Capitania. Para
Faro e por isso herdeiros e successores de sua caza e isso separou o Termo de Paranaguá, das Capitanias de
Morgado de Vimieiro, e Alcoantre, e de D. Izabel da Cu- Jtanhaen e S. Vicent~ elevando-o a Capitania.
nha, sua mãe; e bem assim D. Affonso de Faro como 9 - Em vereança da Camara de Paranaguá de 15 de
Tutor de D. Marianna de Faro e Souza, sua irmã, e àe Maio de 1660, foi lavrado o auto de posse de Capit.ão-
seus sobrinhos menores e em seu nome e no de cada um mór, Ouvidor e Alcaide mór, a Gabriel de Lara, nomeado
d'elles e outros que estavam presentes o Dr. Pedro Paulo por O. Alvaro Pires de Castro e Souza - Marquez de
de Souza, Desembargador dos Aggravos e Caza da Sup- Cascaes, pelo direito que a este foi reconhecido ao domi-
plicação; e Dr. Francisco Ferreira Encerrabodes, Juiz de nio da Capitania de Paranaguá A Camara incorporada
Orphãos, da cidade de Lisbôa, e com o alvará de S. Ma- foi á casa de residencia de Gabriel de Lara onde lhe deu a
gestade de 17 de Setembro de 1651 que concede a O. dita posse, sendo elle investido das insignias de Capit.ão-mór.
Diogo de faro o poder dotar sua irmã D. Marianna de Esses factos deram legar ás reclamações dos Procu-
faro e Souza, que estava contractada a cazar com o Con- radores do Administrador da Casa da Moeda e officina de
de da Ilha do Príncipe, das l 00 leguas de terras que ti- fundição de S. Paulo, receiosos de descaminhos do ouro
nhão das Costas do Brasil, conforme a informação que das minas de Paranaguá, Cananéa e de outras Villas, sem
havia dado o Dezembargador Pedro Paulo de Souza e que se lembrarem que não estavam ellas sujeitas ás autorida-
tambem tem o Alvará de sua Mãe de supprimento da des das capitanias de S. Vicente e de S. Amaro, e sim ao
idade ~ara este dote e Cazamento e bens de trato que Governador do Rio de Janeiro.
vão adiante no translado da sua Capitania, de 100 leguas
de_ terras na Costa do Brasil do Dístricto do Rio de Ja- 10 - Até 1637 as povoações portuguezas só se es-
tendiam até Cananéa sendo despovoada toda a costa me-
neiro, q~e .he_ ~e C~pi~ania dita, Governador perpetuo, e a ridional do Brasil. Vejamos o testemunho dos historiado-
de sua 1unsd1çao, direitos e rendas, assim e damaneira que res contemporaneos a essa epoca:
te~ e lhe pertence e a Doação orça na avaliação dt: 20
mil crusados». · Diz Simão de Vasconcellos na sua «Chronica da Com-
panhia de Jesus » :
. Esta escriptura foi encontrada pelo historiographo Vi-
eira dos Santos, registrada nos livros do Conselho de Pa- «Do Rio de Janeiro, correndo avante 42 leguas, des-
ranaguá, já com lettra apagada e com palavras carcomidas. cobre-se a barra do rio S. Vicente. Está em altura de 24°
. . 8 - Em 25 de Fevereiro de 1655, na Camara Mu- grãos e meio, navega-se a ella Lesnordeste Oessudueste,
rnc1pal de Paranaguá, recebeu-se o Alvará que mandou reco- desde a Ilha Grande: E' porto capaz de todas as náos.
nhecer ao Conde da Ilha do Príncipe, representado por «Aqui se edificou a villa que hoje chamamos S. Vi-
cente, cabeça da Capitania de Martim Affonso de Souza
- f10 - - 111 -
«Divide-se esta da de S. Amaro (que fo! de seu _ir- nando a sahir com 17 navios que chegáram ao Brasil no
mão Pedro Lopes de Souza) ~edia;-Tte o esteiro da V(lla
Porto do Rio de Janeiro onde invernarão 6 mezes e meio,
de Sanos.t Ha nesta costa mm tas ilhasd de conta: 30 nos
• porque ainda que chegassem a 25 de Março, que em Hes-
de agllil.s puras, das melhores do mun o; por que vem
panha he a primavera, em estas partes he o principio do
muitos d'elles despenhados .de altas. se~as, P.or . entre es- inverno, em que se não pôde navegar para o estreito de
pessos arvoredos, se~p:e fnas.:. Aff1~mao os. mc!ios qu~ os Magalhães . . . . . . á 2 de Outubro, com 16 navios, dei-
mais dos rios d'este d1stndo, erao cop1osos e:11 mmer~es. -
ouro, prata, ferro, calaim e salitre, - até o no C.ananea - e xando um por inutil e tomando a derrota do estreito, que
dista este do de S. Vicente 30 leguas,. quas1 Nordeste está a 700 leguas d'este porto, chegaram ao Rio da Prat.a,
Sudoeste. Está em altura de 25° e me1<;>: E' ª?undante donde se levantou hum temporal de vento tão forte que
todo seu distrido de copiosas lagôas, e nos ferte1s de pe~- estiveram 22 dias mar em travéz, sem poder pôr um pal-
cado, e a terra de caça,. e de todo o genero de manti- mo de vellas e havendo-se perdido em vespera de S. An-
mento Brasilico. Tem grande bo:ca e d'ell.a pa_ra dentro dré, a náu d~ capitão Palomar com 236 pessôas, sem po-
uma formosa abra capaz de toda sorte de navios; e - dei-os remediar; aos 2 de Dezembro applacou alguma
até, aqui chegam hoj~ as po~oações dos P.ortuguezes. - couza o vento, e com accôrdo dos capitães e pilotos, tor-
«Do Rio Cananea ao Rio ela Prata, va.1 outra formo- nou Diogo Flôres atraz, buscando o porto pera reparar as
sa parte da terra do Brasil, com 200 leguas pela costa : . . náus, porque estavão 5 d'ellas abertas da tormenta e as
é povoada de índios Carijós, a melhor nação .d~ Brasil. mais em perigo de fazerem o mesmo. Foram a ilha de
«O Rio dos Patos fertillissimo e abundantíssimas suas S. Catharina, 300 Jeguas d'a11i - Q.a qual ainda que des-
terras e por isso req~estadas dos índios. Este rio fica povoada, por ser de portuguezes, que não sabem povoar,
sendo o termo do districto dos Carijós que, corre desde o nem aproveitar-se das terras que conquistão - he terra de
rio Cananéa, onde tem principio, e traz em guerras intes- muita agua, pescado, caça, lenha e outras couzas. . . . . .
tinas com os Ooyanás. » Refere-se ainda frei Vicente do Salvador, que ha « -
Frei Vicente do Salvador, em sua «Historia do Bra- muitos annos que voava fama de haver minas de ouro e
sil», narra que: . . outros metaes em a terra da Capitania de S. Vicente, que
- «EI-Rei Catholico fez aprestar contra corsanos m- EI-Rei D. João o 3. , doou a Martim Affonso de Souza,
0

glezes que crusavam o Atlantico, não só forças do Vizo (note-se bem, o autor refere-se claramente á Capitania de
Reinado do Perú, como da península Hiberica que, com Martim Affonso de Souza e não a de S. Amaro, doada na
23 náus de alto bordo, com 5000 homens de mar e guerra, mesma occasião a Pedro Lopes de Souza) e já por algu-
com petrechos para a fabrica de fortes, capazes para 300 mas partes voava com azas douradas, e havia mostras de
homens de guerra, e alguns povoadores para facilitar mais ouro, o que visto pelo Governador, D. Francisco de Sou-
sua conservação. Nomeou para general d'essa Armada a za, que avisou a Sua Magestade, offerecendo-se pera essa
Diogo Flores de Valdêz e por piloto mór a Antão Paulo empreza, e elle a encarregou, e mandou pera ficar gover-
Corso e a P~dro Sarmento por Governador dos fortes e nando a cidade da Bahia, a AI varo de Carvalho; o Go-
povoações. Sahiu de S. Lucas esta Armada a 25 de Se- vernador se partiu pera baixo em o mez de Outubro de
tembro de 1581, com tão máo tempo, pela pressa que o 1598 . . . . . . em poucos dias chegou á Capitania do
duque de Medina dava, que depois de 3 dias arribou com Espírito Santo, por lhe dizerem que havia metaes, na ser-
tormenta, á bahía de Cadiz, com perda de 3 navios, ha- ra de mestre Alvaro, e em outras partes, as tentou e man-
vendo-se afogado a maior parte da gente, e tão destroçada, dou cavar e fazer ensaios de que se tirou alguma prata.
que para reparar-se teve de deter-se mais de 40 dias, tor- <(Tambem mandou que fossem ás esmeraldas, a que já
da Bahia havia mandado por Diogo Martins Cão, e as
- 112 - - 113 -
tínha descobertas· fez um fórte pequeno de pedra e caf ...... e assim cesso1;1 o negocio_ das minas, posto que
em que pôs 2 p~ças de arti~haria, pera. defender ~ entrada não deixam. alguns particulares de 1r á ellas, cada vez que
da Villa e feito isto, se partm pera o Rio de Jane1r?, onde querem, a tirar ouro. »
foi recebido do Capitão Mór, que então era Francisco de 11 - D. Francisco de Souza falleceu no anno de
Mendonça, e do povo todo, com muito applauso, por ser 1610, por onde se vê que as investigações officiaes das
parte onde nunca vão os Governadores, ge~aes. .. . . . . . . minas da Capitania de S. Vicente, n'essa época apenas se
«Chegado que foi o Governador. a Sao, Vicente, fez achavam em inicio e não tiveram feliz resultado.
aprisionar uma náu hollandeza que allt aportára, . na qual
arrecadou mais de 100.000 cruzados, que appI1cou nas Quanto ás minas da Capitania de Paranaguá, por essa
despezas de su~ expedição. , De _S. Vicente passou ~ S. época, não eram ainda exploradas, pois, - as terras ao
Paulo, que é mais chegado as mmas . . . . . . . entretmha sul de Cananéa, se achavam despovoadas e habitadas ape-
o tempo que lhe restava do trabalho das mmas, que era nas pelos indios Carijós, até a Lagôa dos Patos, «por se-
mui grande, e - muito maior por não ser sempre de pro- rem pertencentes a portuguezes, que não sabiam povoar
veito, porque como é ouro de lavage, umas vezes_ se le- nem aproveitar-se das terras que conquistavam.»
vava pouco ou nenhum, mas outras se achava graos de 12 - Dos Annaes do Rio de Janeiro, manuscripto
pezo e de preço e de que elle enfiou um rosario, assim datado de 1663, tran::.cripto pelo Dr. Mello Moraes, no
como sahiam, redondos, quadrados ou cumpridos, que seu Brasil Historico, transladamos o seguinte:
mandou á Sua Magestade, com outras mostras de perolas, - «Logo que á Madrid chegou a certeza da morte
que se acharam no esparcél de Cananéa, e em outras par- de D. Francisco de Souza, foi despachado para succeder-
tes; mandando-lhe pedir provisão pera fazer descer gentio lhe, no lugar de Administrador Geral das tres Capitanias
do sertão, que trabalhasse n'esse misterio, a que lhe não - do Rio, S. Vicente e Espirita Santo - Salvador Cor-
deferiram por morrer n'esse tempo (1598) EI-Rei Philippe reia de Sá, por alvará de 4 de Novembro de 1613, com
0
1. que o havia enviado, e succeder seu filho Philippe 2.0 , ordenado de 600$000 por anno, que venceria desde o dia
que o mandou ir para o reino ...... e porque elle não que sahisse de Lisbôa, em virtude do alvará de 27 de
pediu mais que o marquezado de minas de S. Vicente, o Dezembro do mesmo anno, passando-se-lhe alvará para
tornou a mandar á ellas com o governo do Espirita San- averiguação das minas, do theor seguinte:
to, Rio de Janeiro e mais Capitanias do Sul, ficando nas
<, Eu EI-Rei, faço saber á vos Salvador Corrêa de Sá,
do Norte governando D. Diogo de Menezes.
«Trouxe D. Francisco comsigo seu filho D. Antonio fidalgo de minha casa, que por se me representar que na
de Souza, que tambem já cá havia estado, pera capitão Capitania de São Vicente ha minas de ouro e outras, que
mór da costa. beneficiando-se poderão ser de grande utilidade á minha
. «D. Francisco foi para as minas e D. Antonio para o fazenda e vassallos, encarreguei a D. Francisco de Souza,
Remo, com as amostras do ouro d'ellas, de que levou feita do meu conselho, da averiguação e beneficio d'ellas, em
uma ~ruz e uma espada, á sua Magestade, o que tudo os que não poude fazer cousa alguma de consideração, por
corsanos no mar o tomaram, nem o Governador teve lu- succeder fallecer em breve tempo; e por que pelos ditos
gar de m~ndar outra, com uma enfermidade grande que respeitas, e outros do meu serviço, convem muito - ave-
teve na vtlla d~ S. Paulo, da qual morreu, estando tão po- riguar-se a verdade e certeza d'ellas - confiando de vós
bre que me afftr':1ou um padre da Companhia, que se pela muita experiencia que tendes das cousas d'aquellas
achava com elle a sua morte, que nem vella tinha para lhe partes, e pelas muitas da vossa pessôa, verdade e zelo, que
metterem na mão, se não mandára levar do seu convento tendes do meu serviço, me servireis muito á minha satis-
fação, hei por bem de vos encarregar da averiguação,
- 114 -
- 115 -
· do em vassa prudencia o modo que n'isto deveis
de1xan
parte do Sul na qual a muy bons portos esurgidouros
ter, etc.,? . . · S1 d C Como se mostra» (sic).
- Chegou com effe1to, ao ~10 de Jan~1ro, a va ~r. or-
. 1
re1a e env ·ou a' seu filho Martim Correia por
·- d td Admm1stra-
dor' das minas de S. Paulo, por prov1sao ª.ª. a n~ mes- li
R . de20de Julho de 1615; nesta admm1straçao per-
mo 10,
maneceu ate, 0 anno de 1621 ' em CUJO
· t
, empo
lh
e succe-
d
o Governador do Rio de Janeiro em visita as
deu seu irmão Gonçalo Correia de Sa, e a este succe eu minas de Paranaguá.
em 1624, Manoel João Branco, com o mesmo c~racter de
Administrador das minas de S. Paulo e Supenntendente 1 - Salvador Corrêa de Sá e Benavides, Governador
dos índios das aldeias do real pad~oado, o qual ~xe:cendo do Rio de Janeiro, deseja~do averiguar dos motiv?s. do
0 seu ministerio, concedeu datas mmeraes ~os mineiros de pouco rendimento das minas, emprehendeu penos1ss1ma
Santa Fé a Pedro da Silva e Gaspar Sardinha, que lhas 1 viagem, e a 30 de Novembro de 1660 aportou a Para-
pediram por não terem mais em que trabalhar nas que 11aguá.
tinham sido facultadas. «Impressionava-o o p~u~o res~ltado ~ellas e talvez
Naquelle tempo fez EI,-~ei me;cê aos povo: das ter- que a sua presença em Visita de m.specç~o podesse d~r
ras mineraes, para as benef1c1arem a sua custa, cont~ntan- algum resultado pratico. ~ Demora~a foi s~a mspecção, pois
do-se que lhe pagassem o quinto do ou~o que extrah1ssem, não queria voltar ao Rio, «sem fmdar o mtento, para com
e lhe deu novo regimento de terras mmeraes, de 18 de o desenaano della fazer aviso a Sua Magestade», confor-
Agosto de 161.2. . . _ , me decl~rou em carta de 10 de Abril de 1661 , em que
Esta prov1denc1a era adm1ravel, nao so porque pou- relatava essa viagem e as graves occurrencias havidas· em
pava a real fazenda mui grandes despezas, como porque sua ausencia no Rio de Janeiro, com o levante do povo
animava aos vassallos a se entregarem a novos e impor- e deposição das autoridades constituidas, cujo epilogo foi
tantes descobrimentos, tendo mostrado a experien~ia que a morte no pelourinho do chefe da revolta, Jeronymo
nunca foi util ao interesse da real fazenda o minerar-se Barbalho.
por conta do Rei; e ainda que no ~empo ~os referidos Agostinho Barboza Bezerra foi, por provisão Regia de
administradores não produzirão as mmas os mter~ss~s que 7 de Setembro de 1663, nomeado administrador d~s mi-
erão de desejar, nem apparecerão descobertas, CUJa 1mpor- nas de Paranaguá e das serras das Esmeraldas e, ªJ~dado
tancia engrossasse os direitos da real fazenda e o in~eresse pelos paulistas nas descobertas dessas pedras, arroiou-se
dos povos: elles comtudo se manifestarão na sene dos pelos sertões do Espirita Santo, onde falleceu em 1667,
tempos.. ... .. )} sem ter assumido o seu lagar em Paranaguá.
Pela Collectanea de Mappas da Cartographia Paulista 2 - Ao provedor Matheus de Leão succedeu o Ca-
antiga, reproduzida da Collecção do Muzeu Paulista, pu- pitão-mór Diogo Vaz Escobar, que accumulou as ~uas
blicada por occasião da commemoração do primeiro cen- funcções, visto como «pelo precario res~ltado das M1~as
tenario da Independencia Nacional se vê um mappa da- de Paranaguá que nada ou pouco produ~1am », ~s- htncç_oes
tado de 1612, com as seguintes legendas: «Copia do de provedor foram exercidas pelos prop~1os Cap1taes-mores
mappa de fls. 4 do Livro Qve. Da Rezão Do Estado Do até o anno de 1670. Por morte de Diogo Vaz Escobar,
Brasil. Feito em 1612» (sic). - «Descripção da Costa q' occorrida em 1656 succedeu-lhe Matheus Vaz e a este o
vai do Rio de Janeiro atê o Porto de São Vicente que he Capitão-mór Thom~z Fernandes de Oliveira, que teve por
aultima povoação que temos na Costa do Brasil pera a seu successor o Capitão Manoel de Lemos Conde, no-
meado provedor por provisão de 26 de Março de 1674.
116 - 117 -
Ili á fazenda Real, desaveio-se com os poderosos da terra
que, machinando a sua ruína, o depuzeram do cargo e ~
As Minas de Prata de Paranaguá. prenderam, com ameaças de morte. Pela inclusa Carta
Regia, q~e copiai:nos em .1918 do pr_oprio original existente
1 - Manoel de Lemos Conde era, em 1656, Almo- no Arch1vo Publico Nacional do Rio de Janeiro, se verão
tacé da Camara de S. Paulo, eleito por 2 mezes, _como se as providencias tomadas a respeito:
verifica da acta de 4 de Novembro de 1656, publicada no Carta Regia de 19 de Março de 1676.
tomo annexo ao vol. VI das Adas da Camara. Foi Le- «Mathias da Cunha. - Eu o Príncipe vos envio
mos Conde o descobridor das minas de Paranaguá, do muito saudar. - Com esta vos mando remetter duas Car-
que deu conhecimento a EI-Rey e a D. Affonso Furtado tas minhas para Thomé de Souza Corrêa e Pedro de
de Mendonça, Governador Geral na Bahia. . Unhão de Castello Branco, ouvidor geral da Capitania para
A Carta Regia de 23 de Novembro de 1674, provi- que façais entregar a cada um delles, declarando ao Ou-
denciando a respeito, manda q!,le se forneçam as armas e vidor vá logo dar comprimento ao que lhe mando execu-
munições julgadas necessarias ao serviço e determina so- tar sobre ir a sua custa á Paranaguá repor o Administra-
bre o seu regular estabelecimento e entabolamento. O dor das Minas de Prata e aos officiaes que com excesso
Capitão-mór de S. Vicente, Agostinho de Figueiredo, rece- e contra minhas ordens tirou e prendeo, e me avisareis de
bendo ordem de ir á Paranaguá, como já o tinha feito em como se derão as cartas e se lhe fez assim executar.
1660, ahi já encontrou Lemos Conde, com seus filhos e « Escripta em Lix.a a 19 de Março de 1676. - Prín-
escravatura, em explorações com recursos de sua fazenda cipe. »
particular, e tal actividade e zelo, que o recommendou ao - O Ouvidor Geral Castello Branco fez immediatamente
Governador Geral. Este, por patente de 27 de Novem- cumprir a ordem regia, por meio de uma commissão, da
bro de 1684, passada na Bahia, o nomeou para o lugar qual fez parte o seu parente D. Rodrigo de Castello Bran-
de Provedor das Minas de ouro de Paranaguá, em reco- co e o Sargento-mór Antonio Affonso Vida!, aos quaes
nhecimento tambem pelos seus serviços na descoberta das foi tambem delegada a missão de averiguar desses acon-
minas de prata, no districto da villa. Lemos Conde rece-
beu tambem a seguinte Carta: tecimentos para narrar a El-Rey e o encargo de fiscalizar
as arrecadações dos quintos, de accordo com a denuncia
«Manoel de Lemos Conde. - Eu o Príncipe vos en- de Lemos Conde.
vio saudar. - Pelas vossas Cartas e pelas do Governador
do Estado, Affonso Furtado, se me fez presente o zelo D. Rodrigo percorreu todo o << hinterland» aurífero do
que tendes do meu serviço no descobrimento das minas Paraná, e por Carta Regia de 29 de Novembro de 1677
de prata de Paranaguá, e fico com lembrança para vos foi nomeado Administrador Geral das minas, com o en-
fazer as mercês que houver por bem, tendo effeito seu en- cargo de verificar as de prata de Paranaguá, sendo auto-
tabolamento e ao Governo do Estado mando escrever vos rizado a applicar parte do imposto de 200.000 crusados
deixe continua_r ~o exercício do cargo que tendes; man- lançados no Brasil para o ajuste de paz com a Hollanda
e Inglaterra
dan~o-vos assistir com ajuda de custo que parecer con-
v:mente em quanto ahi estiverdes nessa occupação. Lis- Em 1679 nomeou elte a Antonio de Lemos Conde,
boa, 30 de Novembro de 1674. Príncipe. Conde de Vai filho do descobridor da prata, Capitão-mór das gentes que
Reis. » deviam partir para a descoberta das minas.
. 2 - Procurando Lemos Conde pôr termo aos desca- 3 - Em 1680 achava-se O. Rodrigo em Curityba,
mmhos do ouro extrahido, cujos quintos não eram pagos e~aminando as minas da (( Campina de Botiatuva» - pro-
ximo ao Rio Passauna, tendo nesse mesmo anno exami-
- 118 - - 119 -

nado as minas de ltambé, depois do que ~e :ecolhe~ a S. ciaes consequencias e faltaçe com o castigo em um delito
Paulo. foi ajudado nts?a empresa pelo mme1ro pratico da dessa qualidade, porque a sua. imita~~ poderão outros
missão João Alves Coutmho. vassallos romper em out:os ~ais permc1osos; . neste caso
4 '_ Ao Provedor Manoel de Lemos Conde, succedeu o devereis fazer toda a del1genc1a porque se castigue os cul-
Ca itão-mór Gaspar Teixeira de Azevedo,. nomeado por pados como merecem suas culpas, obrando sempre nesse
at~nte de 4 de Outubro de 1690, confirmada a 12 de particular com aquella cautella e prudencia que entender-
~evereiro de 1691, pelo Provedor Geral da f ~z~nda Re~I, des he conveniente.
Domingos Pereira Fontes. Contra Gaspar T~1xe1ra tnam- «Escripto em Lisbôa, a 20 de Outubro de 1698. -
festaram-se ainda os interessados pelo descammho do ouro. Rey. '> . , .
Veio elle a soffrer as mesmas accusações que soffre:a seu 'l Para o Governador Capitão-mor General do Rio de
antecessor. Sup~unham aguelles que o fan~m amemz~r as Janeiro. »
medidas de rigor estabelecidas na .arrecadaç~o dos qumtos 6 - A tarefa commettida a D. Rodrigo, de descobrir
por Lemos Conde.. _Não consegumdo seu mtento, plane- minas de ouro em ParanagtJ.á tivera máu exito, pois, alem
jaram a sua depos1çao. . . de não dar incremento algum á real fazenda, foi a sua
5 - Gaspar Teixeira mandou, em Abnl de 1697, abnr administração feita com enorme dispendio do real erario.
uma devassa contra os descaminhadores do ouro, fazendo Era D. Rodrigo natural da Hespanha, e fôra nomea-
assim chegar o fogo ao rastilho da .-,alvora. A sua depo- do Administrador Geral das Minas da Serra do Sabara-
sição e prisão não se fizeram esperar. buçu (hoje Sabará - Estado de Minas), de Tabaiana, nos
A Carta Regia infra elucida o assumpto: sertões da Bahia, e das de Paranaguá, com o ordenado
«Arthur de Sá e Menezes. annual de 600$000, e o titulo de fidalgo da casa real. Da
«Amigo. Bahia sahiu D. Rodrigo acompanhado do Capitão Jorge
«Eu, EI-Rey, vos envio mt.o saudar. Vio-se a vossa Soares de Macedo (mais tarde Governador da praça de
Carta de 28 de Maio deste anno, em resposta a que se Santos), com uma companhia de 30 so~dados de sua guar-
nos havia escripto sobre os culpados na devassa que Gas- da, que já o havia acompanhad.o aos sertoes do sul, ~ do Ca-
par Teixeira de Azevedo, como Provedor das minas de pitão Manoel de Souza Pereira, tomando no Rio de Ja-
Paranaguá, havia tirado dos descaminhos dos quintos do neiro mais 20 homens.
ouro das minas novamente descobertas em S. Paulo, o ha- Em Santos fez o Capitão Jorge Soares ?ubir as.- P~u.,
verem tomado contra elle armas e pondo-o em cerco com lo afim de obter recursos, e esse, com mais 200 md1os
grande risco · da sua vida e suposto insinueis tínheis man- g~erreiros, que levou de reforço, seguiu em direcção ª?
dado restituir assim no Posto de Capitão-mór, como sul, levando como Capitão-mór dessa .gente a Braz Rodn-
dito cargo de Provedor das minas, por achar ser bem pro- ges de Arzão e a Antonio Affonso V1dal como Sargento-
cedido, e sem razão expulso e que no tirante aos culpa- mór.
dos na devassa dos descaminhos ellegereis meyo com que 7 - Em Março de 1678, embarcaram os homen? dé!.
eu ficasse mais bem servido, quando passardes aquellas expedição, em sete embarcações, as quaes logo ao sah1rem
partes. de Santos, tiveram de arribar ao porto, p~las torment~s- e
«Me parece dizer-vos que a ordem que se vos man- ventos contrarias que encontraram. Refe1~a a exped~çao,
dou não respeitava só a culpa que cometterão os Paulis- seguiu viagem em direcção ao sertão do Rto S. fr~n.c1s<:_o,
tas no_ descaminho do ouro; mas tambem a que fizerã.o d'ahi até a Ilha de Santa Catharina, onde por sohc1taçao
e~ pnvarem do seu posto de Capitão~mór a Gaspar Te1- do Governador do Rio de Janeiro, D. Manoel Lobo, que
xe1ra, e como esta seja materia grave e de mui prejudi- se achava na Ilha de S. Gabriel, fortificando a povoação
- 120 121 -

da Colonia do Sacramento, embarcou sua força, que foi da força com que D. Rodrigo tinha de entrar para o ser-
reforçar a Colonia, seriamente ameaçada _pelos Castel~a~os, tão em descoberta das Minas.
deixando na guarnição em Santa Cathanna os 200 md1os.
Ao passo que essas peripecias se davam com a co- IV
lumna de Jorge Soares de Macedo, a de D. Rodrigo se-
guia de Santos par~ Paranag:uá ~or terra, sem que, apesar Officina de fundição de ouro.
de grandes dispend10~ de ~mhe1ro, nada adeantasse n~
descobrimento das mmas, visto que as de Peruna e I!ambe 1 - Em 7 de Setembro de 1702 foram creadas diversas
foram descobertas, a primeira pelo qtpitão-mór Oab.nel de Casas de moedas e Officinas de fundição do ouro no Bra-
Lara, e a segunda por João de ArauJO, am?OS paul~stas, e sil, sendo em Paranaguá creada uma Casa dos Quintos,
assim as de N. S. da Conceição da Cachoeira, prox1mas a onde era fundido o ouro em pó e em folhetas, formando-
Curityba, posteriormente a estas, em 1678 ou 1680, por se barras, que eram enviadas á Casa da Moeda do Rio de
Salvador Jorge Velho, tambem paulista. Todas estas des- Janeiro, que as amoedava
cobertas foram feitas sem despesas para a real fazenda. 2 - Em 1720 o Ouvidor Pardinho encontrou fecha-
Em 1680 voltou a S. Paulo D. Rodrigo, em busca das as officinas de fundição de Paranaguá, pelo que pro-
dos sertões das Esmeraldas, descobertos por Fernão Dias videnciou sobre a arrecadação dos cunhas, e nomeou a
Paes. (Pedro Taques - Nobiliarchia Paulistana.) Diogo da Paz Caria, para Provedor, e ao Capitão-mór
8 - D. Rodrigo nomeado nessa epoca administrador André Gonçalves Pinheiro, para Thesoureiro e para Escri-
geral das minas, partiu de S. Paulo com uma bandeira vão a Antonio Esteves freire, recommendando-lhes que
composta de 240 indios e tres companhias de paulistas a tratassem da arrecadação de algum ouro, ainda que pou-
caminho do Sumidouro, pelas noticias das descobertas das co, que se tirava das minas e lavras velhas».
esmeraldas de Fernão. Dias Paes. As noticias que cor- 3 - Em 1730 o Capitão-mór André Gonçalves Pi-
riam sobre D. Rodrigo eram más; acusavam-n'o de ar- nheiro, já Provedor das Minas, demonstrava a EI-Rey a
rogante e libertino, censurando a sua empafia e fidalguia. esperança de novas descobertas de ouro, esperanças que
A sua bandeira era composta de bohemios e devassas, que não foram confirmadas, tanto que o ouvidor Antonio dos
enchiam as selvas de scenas ruidosas de bebedeiras e Ias- Santos Soares, por Provisão de 1733, declarou - «livre a
civias, a que pagavam largo tributo as virgens selvagens. qualquer pessoa minerar nas cattas e faisqueiras velhas que
No Sumidouro, ou antes, no Rio das Velhas encon- houverem no termo e comarca de Paranaguá, visto se acha-
traram-se as bandeiras de D. Rodrigo com a de Manoel rem ellas abandonadas. )>
de Borba Gato, genro e herdeiro de Fernão Dias Paes Por Carta Regia de 16 de Novembro de 1734, O.
Leme, que obtivéra as honras de Governador das minas das João péde informações a respeito deste provimento ao
esmeraldas. H?uve pr~fia_da. disputa entre ambos, provo- Conde de Sarzedas, ordenando-lhe que ouça o Ouarda-
cada pelo co~fhcto de 1unsd1ção nas attribuições que cada mór das referidas minas.
qual . pretendia te: sobre as minas. No entrechoque D.
Ro~ngo cae fulmmado por um tiro certeiro de um parti-
dano de Borba Gato. Esse facto passou-se em meiado de V
Outubro de 1681.
C~nfo~me o Bando mandado publicar em S. Paulo e As Minas de Curityba.
n~s :na1s v11Ias da Capitania, foi concedido perdão aos
cnmmosos foragidos, que se apresentassem para fazer parte 1 - Salvador Jorge Velho, a 23 de Fevereiro de 1680,
segundo narra o saudoso e eminente Barão do Rio Bran-
- 120 121 -

da Colonia do Sacramento, embarcou sua força, que foi da força com que D. Rodrigo tinha de entrar para o ser-
reforçar a Colonia, seriamente ameaçada .Pelos Castel~a~os, tão em descoberta das Minas.
deixando na guarnição em Santa Cathanna os 200 md1os.
Ao passo que essas peripecias se davam com a co- IV
lumna de Jorge Soares de Macedo, a de D. Rodrigo se-
guia de Santos par~ Paranagyá ~or terra, sem que, apesar Officina de fundição de ouro.
de grandes dispend10~ de ~mhe1ro, nada adeantasse n~
descobrimento das mmas, visto que as de Peruna e Itambe 1 - Em 7 de Setembro de 1702 foram creadas diversas
foram descobertas, a primeira pelo qipitão-mór Oab_riel de Casas de moedas e Officinas de fundição do ouro no Bra-
Lara, e a segunda por João .de ArauJo, am~os paul(stas, e sil, sendo em Paranaguá creada uma Casa dos Quintos
assim as de N. S. da Conceição da Cachoe1ra, prox1mas a onde era fundido o ouro em pó e em folhetas, formando~
Curityba, posteriormente a estas, e1!1 16 78 ou 1680, por se barras, que eram enviadas á Casa da Moeda do Rio de
Salvador Jorge Velho, tambem paulista. Todas estas des- Janeiro, que as amoedava
cobertas foram feitas sem despesas para a real fazenda. 2 - Em 1720 o Ouvidor Pardinho encontrou fecha-
Em 1680 voltou a S. Paulo D. Rodrigo, em busca das as officinas de fundição de Paranaguá, pelo que pro-
dos sertões das Esmeraldas, descobertos por Fernão Dias videnciou sobre a arrecadação dos cunhas, e nomeou a
Paes. (Pedro Taques - Nobiliarchia Paulistana.) Diogo da Paz Caria, para Provedor, e ao Capitão-mór
8 - D. Rodrigo nomeado nessa epoca administrador André Gonçalves Pinheiro, para Thesoureiro e para Escri-
geral das minas, partiu de S. Paulo com uma bandeira vão a Antonio Esteves freire, recommendando-lhes que
composta de 240 índios e tres companhias de paulistas a ~tratassem da arrecadação de algum ouro, ainda que pou-
caminho do Sumidouro, pelas noticias das descobertas das co, que se tirava das minas e lavras velhas».
esmeraldas de Fernão. Dias Paes. As noticias que cor- 3 - Em 1730 o Capitão-mór André Gonçalves Pi-
riam sobre D. Rodrigo eram más; acusavam-n'o de ar- nheiro, já Provedor das Minas, demonstrava a EI-Rey a
rogante e libertino, censurando a sua empafia e fidalguia. esperança de novas descobertas de ouro, esperanças que
A sua bandeira era composta de bohemios e devassas, que não foram confirmadas, tanto que o ouvidor Antonio dos
enchiam as selvas de scenas ruidosas de bebedeiras e las- Santos Soares, por Provisão de 1733, declarou - «livre a
civias, a que pagavam largo tributo as virgens selvagens. qualquer pessoa minerar nas cattas e faisqueiras velhas que
No Sumidouro, ou antes, no Rio das Velhas encon- houverem no termo e comarca de Paranaguá, visto se acha-
traram-se as bandeiras de D. Rodrigo com a de Manoel rem ellas abandonadas. »
de Borba Gato, genro e herdeiro de Fernão Dias Paes Por Carta Regia de 16 de Novembro de 1734, D.
Leme, que obtivéra as honras de Governador das minas das João péde informações a respeito deste provimento ao
esmeraldas. H?uve pr~fia.da. disputa entre ambos, provo- Conde de Sarzedas, ordenando-lhe que ouça o Ouarda-
cada pelo co~f!Jcto de 1unsd1ção nas attribuições que cada mór das referidas minas.
qual . pretendia te: sobre as minas. No entrechoque O.
Ro~ngo cae fulminado por um tiro certeiro de um parti- V
dano de Borba Gato. Esse facto passou-se em meiado de
Outubro de 1681.
As Minas de Curityba.
C~nfo~me o Bando mandado publicar em S. Paulo e
n~s .mais vlllas da Capitania, foi concedido perdão aos
cnmmosos foragidos, que se apresentassem para fazer parte 1 - Salvador Jorge Velho, a 23 de Fevereiro de 1680,
segundo narra o saudoso e eminente Barão do Rio Bran-
- 122 123 -
co, em suas - Ephemerides Bra?il~ir!s - desc?briu as colastica com Manoel Corrêa de Castro, por escriptura pu-
Minas de Ouro de lavagem, no R1be1ra<?, ~m Cuntyba. blica prometteu dar a seu genro, no prazo de um anno
Em 1708 o Capitão-mór Gaspar Teixeira de Azevedo do casamento, mil oit~vas de ouro, como dote nupcial, im-
nomeou a seu filho Domingos Teixeira de Azevedo, - o portancia essa que s~na levada a ,conta de sua terça. Só-
pai de frei Gaspar da Madre de D_eus - , para G_uarda-mór mente em 25 de Maio de 1725 e que se poude desobri-
das Minas de Curityba1 p~r possmr ell~ as qualida~es ne- gar desse compromisso. Em _1739 era elle associado ao
cessarias e ter a expenencia de tal mister, adquenda nas Capitão Pedro de Carvalho Pmto, na exploração de ouro
minas de Cataguazes. . . do Arraial Grande ,> , no Ribeirão.
O Capitão Manoel Gonçalves Carreira possu1a, em 3 - O Guarda-mór, Francisco Martins Lustoza, o in-
1720, as lavras de Uvaporanduva e as de Canguiry. tirnorato sertanista que descobriu as minas de S. Anna de
O Padre Dr. José Rodrigues de França e Paulo da Sapucahy, no seculo XVIII, e que com tanta energia se
Rocha Dantas, obtiveram, em 1743, a concessão de terras portou nas lutas de demarcação de Fronteira na Serra de
mineraes no veio novo descoberto no Ribeirão de Arassa- Mantiqueira, limites de S. Paulo com Minas Geraes, ao
tuba, districto de Curityba, e a exploração do serviço de retirar-se para o Paraná, onde prestou tão assignalados ser-
Aguas a talho aberto, da cachoeira grande até a segunda viços, ao mando do Tenente-Coronel Affonso Botelho de
cachoeira.
Sampaio e Souza, sahiu de Sapucahy a dever a Lourenço
Igual direito foi concedido em partilha a todos os Ribeiro de Brito quantia superior a 3000 oitavas de ouro.
mineiros que se achavam presentes.
No período comprehendido entre 4 de Agosto de 1742 a
O Capitão-mór João Rodrigues de França possuía, em 23 de Setembro de 1744, conforme os seis recibos pas-
1712, lavras de ouro em S. José dos Pinhaes, d'onde re-
metteu amostras a EI-Rey. sados por seu credor e transcriptos no Livro de notas do
Tabellionato de Curityba, hoje a cargo do Snr. Manoel José
2 - As lavras do Arrayal Grande foram vendidas em
13 de Setembro de 1729 pelo Capitão João Carvalho de
Gonçalves,3 effectuou o pagamento dessa divida n'um total
de 3000 / .,, de oitavas de ouro.
Assumpção aos Padres, irmãos, Christovão de Oliveira e
Estevão de Oliveira Rosa, com os seus serviços de aguas São essas as maiores quantias de ouro em mãos de
e terras mineraes. particulares, de que temos noticia.
As minas do «Arrayal Grande», , Botiatuva,, e Morro
Azul » pertenciam _em 1741 a Balthazar Vellozo e Silva, Gaspar VI
Carrasco dos Reis, Salvador de Albuquerque e José de
Souto, sendo que este. ultimo vendeu sua parte a Salvador As minas de Morretes
de Albuquerq':e e Fab1a~o de Azevedo, que associaram as
su1:.s exploraçoes Sebastião dos Santos Pereira e Miguel l - A mais antiga sesmaria do Cubatão de Marretes,
Gonçalves de Lima. Este ultimo vendeu em 1753 a sua de que nos dá noticia o benemerito historiador Antonio
parte ao Capitão Gaspar Gonçalves de Moraes. Vieira dos Santos em sua preciosa - «Memoria historica
Os negocios não lhes correram folgadamente, pois que da Villa de Marretes e do Porto Real ou Porto de Cima»- ,
~oda? morrera~ pobres e de seus inventarias não se poude infelizmente ainda inedita, foi a que Gabriel de Lara, na
mfenr prosperidade em ouro. qualidade de Capitão-mór e povoador da Capitania de Pa-
O Capitão. Antonio da Veiga foi o unico que de- ranaguá, passou a 11 de Outubro de 1665 ao Capitão
monstrou possmr ouro em abundancia, tanto que em 23 Manoel Dias Velho, no rio «Sambaqui », pelo Cubatão do
de Junho de 1719, estando para fazer casar sua filha Es- Porto do inferno acima, de meia legua, em quadra da qual
tomou posse por mandado do Juiz Doutor Sebastião Car-
- 124 - - 125 -
doso Sampaio; é provavel que nessa epocha. fossem essas cos e molhados, vendas de comestíveis e negocios de fa-
terras, já em parte povoadas, e talvez! o serv_1ço de explo- zendas, armarinhos e ferragens, o que demonstra a quan-
rações dos rios Cubatão, Marumby, no do Pinto e outros, tidade de moradores e trabalhadores existentes n'esse ar-
já se tivesse iniciado. . . raial, cujas minas eram as mais prosperas e lucrativas.
Se assim foi, não teve resultado prati :o, pois, só no Com a decadencia das minas foi a povoação do «Rio
meiado do seculo XVIII é que as minas de << Penajoia» flo- do Pinto » abandonada, resurgindo em seu lugar a de «Mar-
resceram, assim como as do «Arraial grande)) , << Pau ver- retes », entre os annos de 1769 a 1777. Em 1780 já nada
melho », «Uvaporanduva» e outras. mais existia no arraial, sinão tapéras em ruinas, e uma
O «Arraial grande» era situado no actual Municipio unica propriedade - a de Theodoro da Costa, que culti-
de Marretes, junto a povoação do «Rio do Pinto » do vava a terra.
Anhaya, tambem conhecida pelo nome de «Porto do Pa- Si bem que Marretes fosse povoada desde 1725 por
dre Veiga», onde foram demarcadas 300 braças de terras João de Almeida e sua família, composta de filhos e gen-
para rocio da futura Villa, em 2 de Novembro de 1733, ros que obtiveram concessões de terras, comtudo, só com
pelo Juiz ordinario de Paranaguá, João Mourato de Le- a decadencia do « Rio do Pinto » é que alcançou a sua
mos, Vereadores Manoel Moreira e Antonio João de Men- prosperidade e pouco tempo depois se tornou o maior
donça e Procurador do Conselho Miguel Alves Pedroso. emporio commercial do Paraná. João de Almeida ou João
Serviu de agrimensor Francisco de Araujo, - << experiente ae Chaves de Almeida era filho de Paulo de Anhaya Bi-
em agulhão » -, de que de tudo lavrou termo o tabell ião cudo e de lgnez de Chaves de Siqueira, naturaes de Itú ;
Gaspar Gonçalves de Moraes, servindo de escrivão da di- residiram em Paranaguá e quiçá em Marretes, dando por
ligencia. Nessa mesma occasião foram medidas outras 300 essa forma o seu nome a actual freguezia de S. Pedro do
braças em cada um dos portos de Marretes e Porto de Anhaya
Cim~, de acc~rdo com o provimento 106, deixado pelo Ignez de Chaves falleceu em Curityba aos 90 annos
Ouvidor Par_dmho, em Paranaguá, em 1721 afim de que de idade em 27 de Dezembro de 1744, já em estado de
as terras assim demarcadas para futuras povoações, se po- viuva de Paulo de Anhaya Bicudo. Em 18 de Agosto de
d~sse~ dar a pessoas que quizessem povoai-as, «por con- 1735 falleceu em Curityba um filho de Paulo de Anhaya,
vir n 1ss~ o bem commum e commercio ». Segundo o mes- sendo declarado no registro de obitos que este era natu-
mo provimento, todos os referidos Jogares (Marretes, Porto ral de Paranaguá
de Cima e Porto do Padre Veiga) « - estavam com suas João de Chaves de Almeida era casado com Barbara
terras devolutas e despovoadas » - .
Rodrigues da Cunha, dos quaes descendem entre outros, os
A povoação do «Rio do Pinto ,, ou << Porto do Padre filhos Paulo de Chaves de Almeida, que já em estado de
'(eiga», confinava a noroeste com o rio «Ouarumbi >, hoje viuvo de Leonor Moreira Paes, passou a segundas nu-
no «Marumby» e_ era .º porto de embarque e desembar- pcias em 20 de Abril de 1758, em Curítyba, oom Joanna
que das mercadorias vmdas ~e serra acima ou que sedes- Cardoso Esteves, filha de Salvad or Cardoso e sua mulher
tinavam ao planalto de Cuntyba e que transitavam pela
«Estrada do Arraial Grande». Maria Esteves e Francisco de Anhaya de Almeida, casado
com Maria Martins de Ramos que foram paes de Izabel
Ahi ficavam os armazens e depositas onde eram ar- de Chaves de Almeida, aisada em Curity~ a 12 de De-
~azenadas as. cargas a espera de transportes, quer as des-
tm~da~ a Cu_ntyba, por terra, quer as destinadas a Parana- zembro de 1759 com José da Veiga Oodoy, filho natura!
gua, via fluv1al e marítima. de Jeronymo da Veiga
No «Arraial grande» haviam varias armazens de sec- Este casamento de Paulo de Chaves de Almeida com
Joanna Cardoso Esteves, foi por nós encontrado no livro
- 126 - - 127
de assentamentos da Cathedral do Bispado de. Curityba; fazendo hua entra_da pomposa ao som de trompa e de
por elle se vê os ascend~ntes do cas_al como acima men- clarins; er~ poss?1dor .das grandes c~zas de sobrado que
cionamos. Do mesmo livro extrah1mos um casamento estão prox1mas a IgreJa de S. Bened1cto.
effectuado a 17 de Outubro de 1764 entr~ Antonia da «2.º - As do «Pantanal », lavras pertencentes ao Ca-
Costa Ferreira (filha de José da Costa. Ferreira e sua mu- pitão Manoel Correia Mathozo, dellas foi extrahido oiro
lher Maria de Assumpção, elle de Cuntyba e ella de ltú) muito fino e de hum subido quilate, este morava no lu-
com Paulo de Anhaya Bicudo, filho de João de Siqueira gar chamado Pau Vermel_ho, onde tinha seu estabelecimento.
Chaves, natural de ltú e sua mulher Joanna Garcia das «3.º - As da «Carioca», que pertenceram ao Capitão
Neves, natural de Curityba; neto pela parte paterna de Paulo de Antonio da Silva Braga, morador no Pau Vermelho, onde
Anhaya Bicudo e sua mulher Ignez de Chaves das Neves, tinha muita escravatura, mas afinal lhe foi a sorte adver-
neto pela parte matem~ de Guilherme Dias ~ sua mulher sa, morrendo-lhe a maior parte destes, veio a morrer po-
Maria das Neves. Tena Paulo de Anhaya Bicudo de seu bremente e cégo em 17 de Setembro de 1809; foi casado
matrimonio referido dous filhos com o nome de João? com D. Maria Pinheira dos Santos, filha de Affonso Ma-
Parece-nos que sim, pois um -: João de Chaves de Al- noel Domingos dos Santos, hua das principaes familias de
meida era casado com Barbara Rodrigues da Cunha, ao Paranaguá.
passo que João de Siqueira Chaves era casado com Joanna «4. - As do «Limoeiro », pertencentes a Luiz de Cha-
0

Garcia das Neves. ves, onde trabalhava com muita escravatura, situadas no ca-
Que os dous João eram filhos de Paulo de Anhaya minho da Estrada, por onde então se tranzitava para o
e Ignez de Chaves, não resta duvida; como tambem que Arraial.
João de Siqueira Chaves como João de Chaves de Almei- «5. - As do «Pau Vermelho ~, pertencentes a Do-
0

da tiveram filhos com o nome de Paulo, não resta duvida. mingos Botelho que nas mesmas trabalhava com seus
Si ha engano, é de quem fez o registro do casamento d onde1
Escravos.
copiamos os dados acima referidos. 0
«6. - Diversas lavras no mesmo bairro do Pau Ver-
Vieira dos Santos assim se refere as minas de Mor- melho, em diversos lugares onde trabalhavão Antonio Pinto,
retes: João Pinto e José Pinto e as de Raymundo José Sanabio
,. MINAS que morava no Sitio Grande aonde tinha a sua caza de
0
residencia e a família; este famozo mineiro foi hum dos
«1. - A do «Penajoia,,, lavras que foram muito abun- que veio de minas geraes estabelecer-se neste município
dantes e de grande nomeada, d onde foi extrahido immenso
1
com aquelle nome supposto, quando seu verdadeiro foi o
oiro, _em cascalho azu\, erão pertencentes ao Sargento-mór de José Machado, como o declarou em seu testamento, ser
Dommios Cardoso Lima, abastado de bens e possuidor natural da Ilha da Madeira, vindo a este paiz em 1760
de mmt~ es~ravatura e tendo enriquecido com as lavras do até 1765 e foi casado com D. Eufrozina da Silva Freire,
Açongm, ve10 estabelecer sua moradia no rio do Pinto no filha do Tenente Francisco da Silva freire e ramo das
sitio que hoje he pertencente aos Marinhos· sua casa' era principaes famílias de Paranaguá.
adornada de damasco e seda; sua mesa ser~ida de baixella 0
«7. - As do «Ribeirão », nos morros da Carreira,
d~ prata; suas mocambas ou as mulatas pagens de sua fa- pertencentes ao mestre de campo Antonio Gomes Setubal,
m1lta, ~domadas de grossos cordões de oiro de mais de depois a André Gonçalves Pinheiro, capitão·-mór da Villa
cem. Oitavas_ de pezo; e té tinha hua completa banda de d~ Paranaguá e Provedor das Minas e por ultimo ao Ca-
muz1ca. de_ mstrumentos de sopro; que seus escravos toca- r1tão Antonio Rodrigues de Carvalho, casado com D. Ma-
vam prmc1palmente quando elle hia a Villa de Paranaguá, na Gomes Setubal, da mais illustre família paranaguense.

1 '
- 128 - - 129 -
foi este o fundador da primeira ~apella de Marretes, ho- ou seus antepassad~~ tinhão adqu_ir(d?; principalmente nas
mem abastado de bens e com mmta. escravatura; sua rneza minerações que hav1ao neste mumc1p10 onde a maior parte
servida com baixella de prata e. alfaias de ~amasco, em tinhão seus estabelecimentos.
sua casa havia hum altar portatil, ?~de ~eu filho. o Padre «Não deixará de haver no Município alem do oiro
Antonio Rodrigues de Carvalho, d1z1a M1s~a e foi um pa- outros diversos metaes, como: ferro, cobre, estanho zinco'
triotico Morretense, que mais p~estou_ serviços no seu rna- chumbo, antimonio, platina, prata, arsenico, merc~rio o~
gisterio sacerdotal ao seu propno pa1z, fallecendo no anno azougue, este ultimo, ha certeza, por ter apparecido alguns
de 1845 a 20 de Agosto ·e seu Pai, o fundador da Ca- globulos delle entre. os. .padrões que havia no porto pro-
pella no de 1801, no dia 1.0 de Agosto.
1 ximo a ponte do Ribeirão e que presentemente serve de
«8.0 - As de «Uvaporanduva », no lugar do Canguiri, porto as casas do Commendador Araujo e se alguns mi-
pertencente ao Capitão Manoel Gonçalves Carreira, hum neralogistas emprega~sem seus trabalhos nestas escavações,
dos principaes figurões de Paranaguá, e que a sua custa certamente encontranam alguns destes metaes, bem como
fez grande parte das Obras do Collegio dos antigos Je- dos combustíveis como são o enxofre, petroleo ou mesmo
zuitas, gastando nellas mais de 8000 cruzados, segundo carvão de pedra ou ainda alguns saes, como: pedra hume
consta pela tradição vulgar, e tão abastado em bens que salitre, sal gemma, barros argilosos; entre essas massas en~
té fez hua deixa a Irmandade de Nossa Senhora do Ro- contra-se camadas de terras, que servem de tinturarias ex-
sario da Cidade de Paranaguá no anno de 1757 de hum cellentes de côr roxa, encarnada e amarell.a, que he igual
cordão de oiro e hum crucifixo de oiro com o peso de a chamada - Occa - não fallando na finíssima taba-
163 oitavas! . . . Observa-se mesmo o gozo de felicida- tinga branca que diz um mineralogista o Dr. Rates, he
de que então havia entre os habitantes deste município e igual a porcellana chineza.
o de F-aranaguá, a riqueza que havia, pelos legados que «Finalmente, alem de immensas lavras de mineração
faziam ás Irmandades nos seus fallecimentos; o Sargento- de menor nomeada, cattas, faisqueiras diversas, inda havia
mór Damião Carvalho da Cunha deu hua corôa de oiro outra lavra no « Uvaporunduva» em Canguiri de alguma
a Nossa Senhora do Rosario e outra ao Menino, com o nomeada, de hum inglez de nome Guilherme Paulo, onde
pezo de 3 marcos, 2 onças e 4 oitavas; o fallecido Padre trabalhava com seus escravos.
Antonio Gonçalves Pereira Cordeiro e sua irmã D. Rosa
Anna Maria quantas joias não deixaram á mesma Irman- «As de «Capituva» pertencentes ao Alferes José Men-
des de Azevedo.
dade, de prata e oiro, herdado de seus fallecidos Pais?
Quanto não deixou á Irmandade do S.S. Sacramento, o «As do ,t Ouarumbê~, do Alferes Thomaz Corrêa Pi-
mentel e outros.
Sargento mór Christovão Pinheiro de França, legando á Ir-
mandade duas lampadas de prata, um ornamento riquíssi- «Alem das familias já referidas, outras pessoas de dis-
mo, que só este importou em 1:207$330? ! D. Maria Pi- tincção alli moravão, taes como; o Capitão-mór Antonio
nheiro, mulher do fallecido Sargento mór Damião Carva- Ferreira Mathozo no rio Ouarumbi; Francisco Taveira de
lho da C~nha deu as 4 lanternas de prata á Irmandade, Mesquita, Capitão Aniceto Borges, Manoel Lourenço Pon-
J:?. Anton!a da C~uz França, mulher do Sargento-mór fran- tes, todos genros do Sargento-mór Domingos Cardoso de
c~sco Jose Monteiro e Castro, foi quem deu a grande ba- Lima e moradores do Rio Marumbi e o ultimo delles era
cia de prata do lavapés da Semana Santa e outros muitos mineiro, com muita escravatura, bem como Domingos Car-
º?jectos que deixou de exarar, não fazendo fastidiosa a doso de lima Filho, Thomaz Corrêa Pimentel, casado com
leitura, somente mostrando a riqueza que havia naquelle:i D. Isabel de França e o Alferes Antonio Lopes Vaz, ca-
tempos venturosos, entre as principaes famílias que ellas sado com D. Margarida de França; e no Rio do Pinto o
Ctpitão-mór José Carneiro dos Santos, o Capitão Miguel
-· 130 - - 131 -
Nunes no sitio que depois foi d~ hum fui ano Duqui_nha e que nos dá a quasi certeza. Mas, como só costumamos
era genro do Sargento-mór Dommgos Ca~doso. de Lima e nos basear em factos positivos, não podemos deixar de
este morava no sitio e campo que dep01s foi dos Ma- formular unicamente a hypothese.
rinhos.»
2 - O Capitão Manoel Dias Velho, a. quem ac_ima
nos referimos, era filho do notavel sertamsta Francisco VII
Dias, opulento em arcos, cujos indios conquistou com ar-
mas no sertão do Paraná e Rio Grande do Sul, onde fal- O descaminho do ouro.
leceu em 1645.
Era irmão do celebre bandeirante Francisco Dias Ve- l - Rodrigo Cezar de Menezes, tendo sciencia de
lho, fundador e Capitão-mór da Ilha de S. Catharina, onde que moradores de Curityba extrahiam ouro no Arraial
prestou relevantes serviços, entre os quaes se salientou a Grande sem o pagamento dos quintos reaes, por Carta de
defeza da costa e sertões meridionaes do Brasil, impedin- 30 de Junho de 1725 ordenou aos Officiaes da Camara
do que os castelhanos ahi se podessem estabelecer. que perante o Juiz Ordinario intimasse-os a, sob juramento
3 - O Sargento-mór Domingos Cardoso de Lima, foi aos Santos Evangelhos e por suas consciencias, declarassem
homem de merito e valor; exerceu os cargos da Repu- qual o ouro que extrahiram das minas e quaes os quintos
blica, em Paranaguá. devidos á Fazenda Real.
Em 1765 foi o seu nome incluído na lista triplice João Vellozo da Costa e Zacharias Dias Cortes de-
para o lugar de Capitão-mór, conjunctamente com o de clararam ter extrahido 200 oitavas de ouro cada um e que
seu genro Manoel Nunes de Lima, que foi escolhido para deviam de quintos quarenta oitavas; Manoel Soares da
o lugar. Silva confessou que devia doze oitavas; Manoel Duarte de
Era de nobreza pelo nascimento e por ter servido Camargo declarou dever cinco oitavas; Francisco Xavier
todos os honrosos cargos da governanc;a da Villa. dos Reis declarou dever dez oitavas1 e todos elles por não
f alleceu em 1772 em estado de casado com felicia terem com que pagar, passaram títulos de dividas a prazo
Xavier Barbosa, sua testamenteira, fallecida a 30 de Abril de de 10 mezes.
1781, com seu solemne testamento, no qual declarou ser Bento Soares de Oliveira, que havia andado á cata de
natural de Parnahiba e ser filha de Francisco Xavier e de ouro em Catanduva, nas lavras de S. Anna e nas de S.
sua mulher Maria Leme da Silva. Rosa Maria Sorat, em 1755, foi intimado a manifestar o
Julgamos não errar identificando este ultimo com o ouro tirado, declarando só ter extrahido 17 oitavas.
Capitão Francisco Pedroso Xavier - o heroe 'de Villa Marcellino Rodrigues, Angelo Pedroso e outros, por
Ri~ - que em 1676, a frente de numerosa b?ndeira, des- terem andado a explorar 12 ríbeirões das Minas do Ti-
trum a reducção de Villa Rica situada junto ao Rio Pa- bagy, sem ordens legaes, viram-se processados e perderam
raná, d'onde voltou trazendo i~numeros e ricos despojos e o premio - que lhes pertencia como descobridores.
grand~ nu~ero .. de índios alli aldeados, que escravizou.
. S1 assim for, sua esposa Maria Leme da Silva ou VIII
Mana Cardoso era filha de Christovão da Cunha de Unha-
tes e de sua mulher Mecia Vaz Cardoso.
O ouro é escasso.
O Capitão Francisco Pedroso falleceu em 1680 e sua
mulher em 1716.
1 - Desde 1640 impressionavam-se as autoridades
E' uma supposição fundada em solidas elementos e regias com o diminuto resultado das minas de Paranaguá
- 132 - 133
Succederam-se inspecções. Em 1649 Eleodoro d'Ebano IX
veio entabolar negociações par~ que ~s ex~Ioraç~es das
minas fossem de resultados mais vanta1osos a Coroa. Imposto de Capitação.
Em 1660 o Governador do Rio de Janeiro, Salvador
Corrêa de Sá, deixava sua commodidade para vir á Para- 1 - O systema de arrecadação dos impostos, estabe-
naguá, «desejoso de averig11ar das minas della e levar o lecido a 18 de Agosto de 1612, já não produzia os re-
desengano do valor deli as á S. Magestade. » sultados que a Corôa esperava tirar pela cobrança dos quintos.
Logo depois o Capitão-mór de S. Vicente, Agostinho Si a exploração feita por conta da fazenda Real fal-
de figueiredo, recebeu igual encargo, como tambem D. Iira em 1612 com os máus resultados advindos dos fabu-
Rodrigo Castello Branco. Em 1734 foi mandado extin- losos gastos e pequenos lucros, o regime da li.vre e~plo-
guir definitivamente a officina de fundição de Paranaguá ; ração feita pelo povo com o pagamento dos qumtos a real
o cunho foi mandado recolher ao cofre de 3 chaves, das fazenda tambem fallira em 1734.
quaes uma ficou com André Gonçalves Pinheiro, nomeado Por Carta Regia de 1. de Junho desse anno, D. João
0

fiscal e Intendente da arrecadação da nova Capitação, ou- V decretava o imposto de capitação, de autoria de Ale-
tra com o Thesoureiro e a terceira com o Ouvidor. xandre de Gusmão. ·
2 - O ouro dos quintos existente em Paranaguá foi en- Si o regime tributario de 1612 foi desvantajoso á
viado por intermedio da Camara de Cananéa, que passou Corôa, o regime de 1735 foi fatal e funesto ao Brasil e
recibo a 5 de Outubro de 1737, de «duas borrachas co- ao povo brasileiro. Os sen~ores de escravos foram col-
sidas e lacradas com as Armas Reaes em que diziam: vão
1
lectados á razão de 4 /2 01tavas de ouro annualmente,
1
dentro del1as 2518 /4 de oitavas de ouro.» pelo nu~ero de servos que possuíam; os offici~es de of-
Não convinha continuar a exploração de minas cujos ficio tiveram igual tributação; as casas de negoc10s foram
quintos eram - «tenue e o pouco ouro que havia, mal lançadas: as grandes a 16 oitavas, as m~dias, as tendas,
chegava para delle se aproveitarem alguns pobres mora- tavernas boticas e açougues - em 12 oitavas; as casas
dores, pois nos ultimas 4 annos não excederam a 240 pequenls e os mascates, em 8 oitavas annuaes. Este im-
oitavas, inclusive as da Serra Negra» - donde acabava posto, no exercício de 1742, produziu na Capitania de S.
d: regressar o Capitão-mór de Curityba f rancisco Xavier Paulo 130 arrobas de ouro, e em 1743, 129 arrobas.
P1s~arr?, que, P:la grande pratica que possuia por sua ex- A Corôa Portugueza triumphou, vendo º. s~u erario
pen:nc,a em Mmas Oeraes, fora enviado a Paranaguá para repleto de ouro, mas, em compensação, os .bras1le1:os pas-
averiguar esse facto. Esteve o Capitão-mór Pissarro em saram á indigencia Mas que importava isso, s1 a Mo-
Serra Ntgra, Serra da Prata e em outros Jogares, onde an- narchia Lusitana deslumbrava o Mundo?!
tes se explorava ouro, e d'onde «regressou desesperançado 2 - Data de 22 de Março de 1734 o Decreto Real
dos resultados ». pelo qual foi - «S. M.de servido tomar novo expediente
O .Capitão-mó~ Pissarro, apesar de seus conhecimen- sobre o modo com que se deve arrecadar os Reaes
Quintos».
tos praticas .de mineração, não foi - diga-se de passa-
~e"2 - muito ~fortunado nos negocios de sua pro- 3 - Foram extinctos os Jogares de Provedores e cre-
f1ssao, tanto assim que a 2 de fevereiro de 1726 assi- ados os de Superintendente, mais import~ntes, e os de
gnava um credito de 208$000 em favor do Capitão fiscaes, de menor importancia. Para as . mm.as de Parana-
Anto~io Luiz Tigre, por compra de gado vaccum que a guá foi nomeado Fiscal André Giz. Pmhe1ro. O novo
este fizera. expediente consistia na Matricula dos commerciantes e lo-
gistas, dos escravos e officiaes de officios etc.
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Si as minas nada produziam, d~via-se exigir ouro do
povo. Era esta a potitica. - Por portar:1a do Conde de S~ze- das diligencias costumadas, muitas vezes em distancias de
das de 15 de Agosto de 1735 commumco~~se esta resoluçao a 60 80 e mais leguas, com transportes e despesas a sua
André Pinheiro que suspendeu logo a officma de que era pro- cu~ta Era tal a situação que chegavam as mulheres a
vedor. Os cunhos foram postos na caixa ou cofre ~e tres cha- vender as ferramentas da lavoura, e algumas a dispôr de
ves que entregou-se com a fabrica.ª ~m ( Thezoure1~0 de sup- seus vestuarios para poderem auxiliar seus maridos a pa-
posição» -remettendo-se uma cerhdao de como assim se pro- gar os impostos.
cedera, ao mesmo Conde. Isso tudo, sem contar com os serviços de guerra e as
X expedições militares de explorações de sertões etc., repre-
sentava o flagello que a todos atormentava.
Os chapins da Rainha. Tyrannia por toda a parte!
3 - Taes factos conspiravam gravemente contra o pro-
l - Não satisfeitos os governantes com essa tributa- gresso da terra, em que não existia industria, por não con-
ção, estabeleceu-se ainda u~ novo impo~to sobre .º povo, vir á metropole ter concurrentes em suas colonias. A li-
denomiflado - Real donativo dos chapms da Ramha - berdade de commercio não existia. Os portos se achavam
que deveria durar por espaço de 6 annos. fechados á navegação mundial. A liberdade individual era
Consistia na tributação de 2 oitavas de ouro por um mytho. A liberdade de locomoção não existia. Os
cada batêa ou escravo bateador em cada anno, e de 4 vin- bens de fortuna individual estavam sempre ao serviço da
tens por pessoa. Corôa Nada de escolas, nada de instrucção.
A agricultura foi abandonada, pela necessidade que 4 - O povo era obrigado a abrir estradas, concertar
havia de se procurar o ouro para pagamento dos impos- pontes, edificar egrejas, concorrer com recursos a constru-
tos. Os homens vallidos abandonavam o lar, em busca cção de fortificações, de navios de guerra, etc.
do metal necessario. Era extrema a miseria por toda a parte.
Nas lavras e faisqueiras de Paranapanema e Apiahy, 5 - A Camara de Paranaguá, a 28 de Janeiro de
haviam 947 batêas que deveriam pagar 1894 oitavas de 1766, representou contra a Ordem de D. Luiz Antonio de
ouro annuaes, durante 6 annos, para os donativos de ca- Souza, mandando que o povo concorresse para a cC"1s-
samento dos Principes do Brasil e Asturias. O imposto trucção da. fortaleza da Barra, visto o «miseravel estado
produziu, porem, no 1. anno, 1453 oitavas; no 2.o anno,
0 da terra)>, e por limitada que fosse a quantia que se lhe
pedisse, não podia concorrer, pois os habitantei ~ «não
1
707 /2 oitavas; no 3. anno, produziu 358 oitavas; no 4.0
0

anno, 374 oitavas; no 5.0 anno, 376 e no 6.o e ultimo serem 60 ou 70 com algum tratamento, os deina1~ erão
sómente produziu 286 oitavas. Haviam os tributados sido - gente de pés descalços»; que o ouro que produzia ~oda
compellidos
1 a prometter a contribuição, nesse prazo, de a Comarca, comprehendendo lguape, Curityb4' S. Frane1sco
2 /2 arrobas de ouro. Houve protestos e agitações. e Paranaguá - «não excedia, um anno por outro, a 1~0
2 - O exodo das populações foi grande. Em Curi- libras pouco mais ou menos>> - e que conforme havia
tyba chegou a tal ponto o seu despovoamento masculino, communicado o Ouvidor Jeronymo Ribeiro de Magalhães
que em 1750 os enterramentos eram feitos por mulheres a S. .Mag,estade, «no espaço de 2 annos a arrecadação dos
na falta de homens, pois este:, ou estavam nos sertões nas quintos não chegou para o pagamento das despezas e cust~s.))
terras aur!feras, ou se achavam no serviço militar, qu~ era Era este o estado geral da Comarca de Paranagua e,
por demais pesado, pela obrigação de accorrerem aos cha- na generalidade, o do Brasil E foi tal sjtuação que, le-
mados para paradas militares e exercidos constantes, alem vando o povo ao desespero, fez rolar a cabeça de Tira-
dentes do cadafalso a posteridade.
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6 - Logo que assumiu o G~)Verno da Capitania de Oliveira Cardoso, co~ ? _direito de. talho aberto. nas. s~as
s. Paulo o Capitão General Martim Lopes Lobo de Sal- terras do Portão e R1be1rao da Areia, onde havia limita-
danha (este odiento e rancoroso Governador), pi:ocuro_u das faisqueiras em lavras velhas junto ao Rio do Registro
elle indagar dos motivos pelos quaes cessaram as. m~esb· ou Iguassú.
gações e descobertas das ~inas de ouro n,a Cap1t~ma, e
para isso officiou ao Ouvidor de Paranagua, Antomo Bar- XII
bosa de Mattos Coutinho, extranhando o «pouco ouro
vindo d'aquella comarca». Aproveita~do-se .disso, ,º Sar- Intendente s da Capitação.
gento-mór de Auxiliar~ de Par~nagua Francisco Jose Mon-
teiro denunciou o refendo Ouvidor como responsavel pelo 1 - Por provisão do Conde de Sarzedas, Capitão Ge-
extravio de ouro, em connivencia com o Mestre de em- neral Governador da Capitania de S. Paulo, de 15 de
barcação Manoel Francisco Paredes, natural de Cascaes, Agosto de 1735, passada na villa e praça de Santos, foi
que navegava em embarcação propria, e um seu compa- criado o Jogar de Intendente da Capitação do ouro das
nheiro José Romão. minas de Paranaguá, cargo que ficou affecto aos Ouvido-
O Governador levou o facto, a 20 de Outubro de res da Comarca, sendo o primeiro Intendente o Ouvidor
1776, ao Governo da Metropole, visto a denuncia envol- Dr. Manoel dos Santos Lobato.
ver a um Ouvidor Geral. Pelo que se viu, as decantadas e faustosas minas de
Em officio de 2 de Abril de 1776, o Capitão Gene- Paranaguá nada mais foram que uma grande miragem
ral de S. Paulo, levava ao conhecimento do Governo da dourada: - a enganosa lenda de ouro acenada á cobiça do
Metropole que o Marquez do Lavradio pretendia que o Reino e dos aventureiros. . .
ouro em pó extrahido das faisqueiras da Comarca de Pa- E por detraz do disfarce de honras illusorias e titulas
ranaguá fosse remettido para a Real Casa da Moeda do retumbantes, distribuidos aos seus descobridores, provedo-
Rio de Janeiro, ao que elle se oppunha, por haver em S. res e guarda-móres: - havia apenas a escassez do ouro,
Paulo Casa de Fundição, onde devia ser fundido em bar- insufficiente, as vezes, para cobrir as despezas de exploração J
ras, antes de ter outro destino, o ouro extrahido na Ca-
pitania.
XI
Regime das aguas mineraes a talho aberto.
1 - Esgotadas as minas, iniciaram-se as explorações
dos corregos e rios, ao que se denominou -- «Regime
das aguas e terras mineraes a talho aberto ». Este regime
foi largamente generalisado. Muitas concessões de cartas
de data foram passadas, como innumeras permissões de
explorações de rios e corregos.
2 - O Coronel Manoel Gonçalves Guimarães foi no-
meado Capitão-mór das Terras e aguas mineraes da Co-
marca e, ainda em 1739, passava cartas de data aos Ca-
pitães Francisco de Paula Teixeira e a Antonio Teixeira de
QUARTA PARTE

Extincção da Capitania de
Paranaguá

Sua incorporaç ão á Corôa.


Capitães-móres triennaes.
M 1709 o Marquez de Cascaes, herdeiro do
donatario da Capitania de S. Amaro, reque-
reu a El-Rei permissão para vender ao Ca-
pitão-mór e Governador de S. Vicente, José
b de Góes e Moraes, as 50 Ieguas de costa
que possuia no Brasil, sendo 40 leguas que
9 começavam a 12 Ieguas ao sul de Cananéa
e acabavam na altura de 28 1/3 °, e as l O
~ restantes, que principiavam no Rio Cuparé
e acabavam no de S. Vicente, tudo pela im-
portancia de quarenta e quatro mil cruza-
dos, sendo destes, 4.000 cruzados de luvas.
Esta Capitania fora doada em 1531 a Pedro Lopes de
Souza e a parte do sul de Cananéa até as proximidades
de Laguna era denominada - as terras dos Carijós e mais
tarde - Capitania de Paranaguá, a que foi elevada em
1646 pelo Marquez de Cascaes.
EI-Rei, não approvando as intenções do Marquez, re-
solveu mandai-a incorporar á Corôa e indemnizar o do-
natario· da quantia pela qual pretendia vendei-a, e pelo
Alvará de 22 de Outubro de 1709 mandou que se lavrasse
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a escriptura respectiva, que foi feita e assignada a 22 de
Outubro de 1711. quando terminava a alçada civil e começava a militar, o
2 - foi esta a ultima Capitania hereditaria que se que, ainda hoje, em certos casos, motiva identicos con-
incorporou á Corôa. flictos.
Extincta a Capitania de Paranaguá, os Capitães-móres A anarchia invadiu a administração e a justiça entrou
passaram a ser nomeados triennalmente, governando as a perecer, retardada pela distancia em que ficava da séde
suas milícias em nome de EI-Rei, com diminuição de do Governo. Entorpecido o progresso da antiga Capita-
grande parte dos predicamentos de que até então gozavam nia de Paranaguá, as energias de seus habitantes começa-
ram a desfallecer.
como Logares-Tenentes dos donatarios, e profundo abalo
do antigo poderio que fruíam. 5 - Por Carta Regia de 17 de Janeiro de 1765 foi
A duração triennal da gestão dos Capitães-móres - restaurado o Governo de S. Paulo, «na mesma forma e
tornou o cargo accessivel a muitos cidadãos e diminuído com a mesma jurisdição que já anteriormente o houve
em seu prestigio, pois que estes, ao terminarem o seu nella», ficando restabelecida a Capitania no seu antigo es-
mandato, voltavam ás suas antigas profissões. tado e nomeado para Governador e Capitão General D.
3 - Com a extincção da Capitania de Paranaguá fi. Luiz Antonio de Souza Botelho Mourão -- Morgado de
Matheus.
cou o seu territorio annexado a S. Paulo, cujo governo,
por sua vez, fôra em 1709 separado do do Rio de Janei- Este facto veiu, em parte, reparar o grave erro poli-
ro, por Carta Patente de 23 de Novembro de 1709, e tico do Governo portuguez, ao extinguir o Governo de S.
nomeado para o Jogar de seu governador e das minas de Paulo, o mais meridional do Brasil, sabido quão grande
ouro de todo o seu districto, por espaço de 3 annos, com era o desejo do Governo castelhano em se apossar dessa
região.
o soldo de 8.000 cruzados annuaes, Antonio de Albu-
querque Coelho de Carvalho. A Capitania de S. Paulo, que tinha a sua vasta fron-
_ O povo paranaense ficou, portanto, sujeito á jurisdi- teira meridional confinante com as dos castelhanos do
çao do Governo de S. Paulo e disso muitos benefícios Prata, dos hespanhóes do Paraguay e parte das antigas
lhe adveio. reducções jesuíticas, ficara em completo abandono.
. Ficand?. a sede do Governo mais proxima, mais ra- Desse erro, habil e geitosamente se aproveitaram os
p1dos lhe vmam os soccorros contra ataques de inimigos nossos visinhos, que acabaram occupando grande parte do
e os recursos e aggravos á prepotencia dos governantes. novo territorio.
4 :-- Pouco tempo, porem, durou esse estado de cou- O Governo militar da praça de Santos, que mal po-
sas, pois por provisão Regia de 9 de Maio de I 748 fôra dia cuidar dos negocios peculiares á sua sede, muito me-
novamente exti~cto o Governo de S. Paulo, e o Tenente nos poderia defender a costa até o rio da Prata, e
General D. Lu1z de ~ascarenhas, que exercia as funcções ainda menos o vastíssimo sertão que comprehendia os
de qovernador, recebia ordem de se recolher a Lisbôa, na territorios que hoje compõem os Estados de S. Paulo, Pa-
prox1ma fro~, e as duas Comarcas - ~ de S. Paulo e a raná, S. c.atharina e Matto Grosso!
de ~aranagu~ - eram an.nexados á Capitania do Rio de Só ao ouro dava a Metropole importancia; extinctas
Ja~~1ro, a CUJO Governo ficavam sujeitas, excepto na parte as minas de S. Paulo e de Paranaguá, e descobertas as
m1htar, em que permanece1:1 subordinado ao Governador de Minas Geraes e Cuyabá, extinguiu-se o Governo da-
da praça de Santos. quellas Capitanias e creou-se o destas ultimas.
Dahi os con.stantes conflictos de jurisdição que se Era este o criterio político do Governo lusitano, cri-
estabeleceram; pois mal se podia saber, naquelles tempos, terio prejudicial ao Brasil, e de que se soube aproveitar a
Corôa castelhana com visível habilidade.
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6 - Felizmente a ascenção ao poder do grande mi-
nistro de D. João I - o marquez _d_e Po~bal _- vei_u nador appareça algumas vezes montado a ~ayallo diante
modificar completamente a norma pohtica ate entao segu,. de suas forças quando em Paradas ou exerc1c1os.
da pela metropole. . <, Convem que o commandante de um dos Regimen-
Ao restabelecer o Governo de S. Paulo, fo1 recom- tos seja o Capitão-mór de Sorocaba José de Almeida Le-
mendado ao novo Governador n_omeado - o _Morgado me ou outro como elle considerado e com autoridade por
de Matheus que insuflasse a vaidade dos pauhstas e se seus cabedaes e sequito. O mesmo deve proceder quanto
appellasse p~ra o seu nunca desm~ntido pat~iotismo, afim a nomeação de Sargento-mór e Ajudante; e o Comman-
de que viessem prestar a sua Patna os serviços qu_e se~- dante e o Coro~el do outro Regim~~to deve ser o Coro-
pre lhe haviam prestado os seus antepassados, os mtrep,- nel Francisco Pmto do Rego, que Ja exerce esse posto.
dos - bandeirantes. «Convem declarar que S. Magestade fará mercê de
Em carta que dirigiu a seu preposto dizia o marquez senhorios das Terras que. se. forem descobrindo e resta:1-
de Pombal:
rando das invasões dos Jesmtas castelhanos, na proporçao
«A experiencia tem demonstrado que por toda p~rte dos serviços prestados por cada um.
em que ha inimigos a combater e onde se tem combatido, «Convem fundar villas e povoados pelo sertão e ap-
em todas as fronteiras, quer do Pará, Maranhão, Cuyabá, plicar os índios nossos a11iados em convencer aos que
Goyaz, Piauhy e mais partes ao sul, inimigos têm sid.o estavam as ordens dos jesuítas castelhanos «que os escra-
sempre o jesuita, servindo-se dos índios por elles doutn- visavam, que entre nós serão livres e obterão as terras que
nados nas armas e criados no odio e horror contra nós, necessitem. »
com a falsa persuasão de que somos barbaras e tyrannos. A historia do Brasil tem ensinado que foram sempre
«Os jesuitas e o seu chefe D. Pedro de Cevallos, já os Paulistas os flagellos dos castelhano~. O offerecim~nto
demonstraram o seu intento contra nós em 1764 com das principaes pessôa~ da_ nobreza pa~hsta para orgamza-
suas expedições partidas do Rio da Prata, contra as fron- rem expedições em d1recçao aos sertoes de Ouarapuava,
teiras de Matto Grosso, com as quaes receberam bem me- Tibagy e Serra da Apucarana, logo que feito, foi acceit.o
recida e proveitosa licção e experiencia.» com satisfação por Pombal, que fez chegai-o ao conheci-
«Convem que seja estimulada a vaidade dos Paulis- mento de EI-Rei.
tas. Para isso deve o Governador convidar as principaes O Coronel Francisco Pinto do Rego foi um dos
pessôas da Capitania de S. Paulo, mostrando-lhes os ser- primeiros a offerecer os seus serviços e a organi;2<1r a .força
viços prestados por seus antepassados, nos sertões, nas que devia commandar a sua ~u:ta, mas por motivo? igno-
lutas contra os jesuitas castelhanos, senhores dos indigenas.ll rados o commando da exped1çao a Ouarapuava f_o1 entre-
«Convem que os inspire para fazerem renascer a Glo- gue ao tenente-coronel Affonso Botelho de Samp!10 e S~u- .
ria de seus progenitores, convidando-os a levantarem Ter- za, primo de O. Luiz de Souza Botelho Mourao, CUJOS
ços de Melicias ou de Ordenanças das armas de Infanta- relevantes serviços se relatam em outra parte.
ria e Cavallaria, para o que o Oo~ernador deve gradual-
os nos Postos dessas milicias. Como estimulo de suas
vaidad~s, deve decl_arar que um desses Regimentos se deve li
denominar - Regimento do General - do qual será Co-
ron~I o Governador de S. Paulo, a exemplo do que se A Ouvidoria de Paranaguá.
P.~atrca na Allemanha e já se fez em Portugal por occa-
s1ao da Acclamação de D. João IV; convirá que o Oover- l - O grande estadista lusitano, J?ez~mbargador Ra-
phael Pires Pardinho, Ouvidor da Cap1tama de S. Paulo
e mais partes do sul, quando, em 1720, andou em cor-
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reição ás villas de sua jurisdição, reco_nheceu a necessidade
de dividir a Ouvidoria em duas, - ficando uma em S. Em Maio de 1730 uma forte expedição conduzindo
Paulo e outra em Paranaguá, e propoz ~o Go_verno da 80 arrobas de ouro, a cargo do Ouvidor Lanhas Peixoto,
metropole esse desmembramento, o que foi acce1to .. ao regressar de Cuyabá, foi atacada e desbaratada em ca-
Por Carta Regia de 17 de Junho de 1723 fo1 com- minho pelos indios. O ouro todo foi roubado e quasi
municado ao Governador da Capitania a criação da Ou- todos os homens da expedição, inclusive o Ouvidor, foram
vidoria de Paranaguá, com séde na viJla ?esse ~o~e. mortos.
Em 12 de Novembro de 1725 foi feita a d1v1são das Em sua substituição foi nomeado Ouvidor o dr. An-
duas Capitanias, ficando a de Paranaguá com jurisdição tonio dos Santos Soares, que tomou posse do cargo a 7
sobre as villas da costa do mar - de Iguape, Cananéa, de Julho de 1730. Era elle casado em Paranaguá, com
São Francisco, ilha de S. Catharina, Laguna, e até o Rio da Joanna Rodrigu~ de França, filha do Capitão-mór dessa
Prata, e as villas da serra acima de N. Senhora dos Pi- villa João Rodrigues de França.
nhaes de Curityba até o lagar das Furnas. O Ouvidor Soares era natural de Portugal, tendo sido
Para essa Ouvidoria foi nomeado o Dr. Antonio Al- Juiz de fóra de Olivença. Serviu até 1734.
ves Lanhas Peixoto, - o primeiro na ordem chrunolo- Em sua successão foi nomeado o dr. Manoel dos
gica - empossado a 24 de Agosto de 1724, percebendo Santos Lobato, por provisão regia de 4 de Maio de 1734.
o ordenado annual de 400$000. Era portuguez e foi Juiz de fóra em sua patria. Foi ca-
Antes dessa epoca eram os Ouvidores nomeados por sado em Paranaguá com Antonia da Cruz França, neta
um anno, por provisões dos Tenentes Generaes Governa- do Capitão-mór João Rodrigues de França, e enteada do
dores Oeraes, e as nomeações interinas feitas pelos Capi- Ouvidor Antonio dos Santos Soares.
tães-móres. O quarto Ouvidor. de Paranaguá foi o Dr. G~spar da
Por provisão de 22 de Junho de 16 71, passada na Rocha Pereira que serviu de 1741 a 1743, segumdo-se-
Bahia pelo Capitão General Antonio Furtado de Mendon- 1he o Dr. Manoel Tavares de Siqueir~ que serviu de 1744
ça, foi nomeado Ouvidor pelo tempo de um anno João a 1748.
Nunes Bicudo de Mendonça. Em 1755 era Ouvidor o Dr. Antonio da Silva Pires
Gabriel de Lara que entre os pomposos titulas que Mello Porto Carreiro.
encabeçavam os seus actos, se dizia: Alcaide-mór, Capitão- Entre os annos de 1756 a 1760 serviu de Ouvidor
mór, Ouvidor e Provedor da villa de N. Senhora do Ro- o Dr. Jeronymo Ribeiro de Magalhães, que se tornou des-
sario etc., nomeou Ouvidor de Paranaguá, por lei, em Ju- potico e vingativo, pelo que soffreu forte accusação do
nho de 1682, o Capitão Francisco da Silva Magalhães, povo e Camaras Municipaes. .
que mais tarde foi Capitão-mór da villa. Preso foi mandado para Lisbo~ morrendo nas pn-
O Ouvidor Antonio Alves Lanhas Peixoto pouco sões de Limoeiro. De 1776 a 1783 exerceu as funcções
tempo esteve á testa de sua Ouvidoria. de Ouvidor o Dr. Antonio Barbosa de Mattos Coutinho.
O interesse das minas descobertas em Cuyabá obri- De 1785 a 1798 exerceu essas funcções o Dr. Fran-
gou o Governo a mandar em visita de inspecção áquellas cisco Leandro de Tolledo Rendon.
te~ras o Governador de S. Paulo e Capitão General Ro- Por provisão regia de 12 de Outubro de 1789 foi
dng? Cezar de Menezes, com grande comitiva, inclusive o nomeado o Dr. Manoel Lopes Branco e Silv~ natural de
Ouvidor de Paranaguá, Lanhas Peixoto os quaes partiram Portugal, onde foi casado em primeiras nupcias c~m
a 6 de Julho de 1726, chegando a 16 de Novembro do Bibiana Perpetua Branco e Silva e em segun~as. nupc1as
mesmo anno a seu destino. com Maria Lucia de Menezes. Do seu pnme1ro ma-
bimonio teve alem de outros filhos, Maria Joanna, ca-
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Ermelino de Leão, nomeado por Carta Regia de 21 de
sada com o Capitão José Francisco Cardoso_ de Menez~s;
Isabel Branco casada com o Coronel Luc1a~o Carneiro Novembro de 1833. Serviu até 1842, quando foi nomea-
Lobo; do se~ segundo matri!11onio teve o filho Capitão do Dezembargador da Relação do Maranhão, seguindo-se-
Joaquim Math~us Bra~co. Foi D_t:zembargad~r. lhe o Dr. José Alves dos Santos, nomeado por decreto de
21 de Maio de 1843.
Por occas1ão da mdependenc1a do Br:asil, po_r suas
idéas favoraveis a Portugal, tornou-se suspeito e f01 arre- O ultimo Juiz de Direito da 5.a Comarca de S. Paulo
dado da magistratura. foi o Dr. Antonio Francisco de Azevedo, nomeado por
Retirou-se para a cidade de Castro onde falleceu em decreto de 6 de Agosto de 184 7, servindo até 1853, quan-
1830. Era grande criador de ga~o vaccum. _ . do se deu a emancipação política da 5.a Comarca, que
passou a constituir a Província do Paraná.
Em 1799 foi nomeado Ouvidor o Dr. Joao Baptista
Guimarães Peixoto, pernambucano. f~z uma pessima ad-
ministração da justiça, sendo denunciado e suspenso do Ili
cargo em 1802. Foragiu-se para não ser preso.
De 1804 a 1807 serviu o Dr. Antonio de Carvalho Os proviment os do Ouvidor Pardinho.
Fontes Henriques Pereira, sendo neste ultimo anno nomea-
do o Dr. Antonio Ribeiro de Carvalho que serviu até Inicio da organização judicial-politico-social.
1810, quando foi nomeado o Dr. João de Medeiros Go-
mes, mais tarde Dezembargador e Cavalleiro da Ordem 1 - Em o anno de 1720 o benemerito estadista e
de Christo. Este, por carta regia de 19 de Fevereiro de magistrado Dr. Raphael Pires Pardinho, Ouvidor Geral,
1812, transferiu a séde da Ouvidoria para Curityba. Em percorreu em correição as villas do sul do Brasil, até en-
1822 era Ouvidor em ltú. tão sem organização official e sem normas por que se
Seguiu-se-lhe o Dr. José Carlos Pereira de Almeida devessem governar os povos, obedientes aos Capitães-mó-
Torres, depois Visconde de Macahé - natural da Bahia. res e Lagares-Tenentes dos Donatarios.
Em virtude de representação do povo contra elle, foi sus- Os celebres provimentos que deixou nas diversas vil-
penso do cargo em 1822. Foi presidente de S. Paulo e las que percorreu, falam eloquentemente sobre a compe-
Ministro de Estado. tencia e espirita de organização desse grande vulto da ma-
O ultimo Ouvidor da Comarca foi o Dr. José Wer- gistratura portugueza, do começo do seculo XVII. Tudo
nech Ribeiro de Aquillar, que tomou posse a 26 de Julho foi previsto, de tudo cogitou, nessa primeira correição que
de 1824, servindo até 1826. Em Curityba casou com até então se fazia.
Anna Euphrasia de Sá Sotto Maior, a 21 de Julho de 1825, Os provimentos estabelecem regras sobre o culto di-
filha do Coronel Ignacio de Sá Sotto Maior, o velho. vino, sobre as procissões e os deveres dos povos com
foi nomeado Dezembargador da Relação da Bahia, relação a ellas, como tambem - sobre os deveres dos
por decreto de 26 de Julho de 1826. Era Cavalleiro Pro- membros do Conselho e dos homens da Oovernança por
fesso da Ordem de Christo. occasião das solemnidades religiosas e o Jogar que deve-
Com a extincção das Ouvidorias foi a antiga Capi- riam occupar nos templos, etc.
tania elevada á 5.a Comarca de S. P~ulo sendo nomeado Preceituam sobre as irmandades, confrarias e sacerdo-
seu primeiro Juiz de Direito, em 20 de Abril de 1833, o tes e sobre dízimos a Deus. Regulou os limites dos mu-
Dr. José Antonio Pimenta Bueno que mais tarde foi Mar- nicipios, sobre as organizações militares, direitos e deveres
quez de S. Vicente. ' dos militares.
Ao Dr. Pimenta Bueno su:cedeu o Dr. Agostinho Cogitam da organização municipal, da tributação e
- 148 - - 149 -
arrecadações dos impostos e das despezas pelos cofres do trazidos a luz por actos officiaes só agora conhecidos por
municipio, das concessões de terras dentro dos municípios só agora terem sido publicados. '
e fóra delles. Referimo-nos aos livros de - «Inventarias e testamen-
Versam sobre edificações, fontes d'agua, mattas reser- tos» - publicação official do Archivo de S. Paulo extra-
vados para o povo, edificações de cadeias, da casa da Ca- hidos dos papeis e autos que pertenciam ao 1,o Ó1rtorio
mara de pontes sobre os rios, largura das ruas, etc.
1 de Orphãos d'aquella Capital.
Provêu sobre a abertura da estrada da Graciosa e No inventario de Maria de Olíveíra, fallecida com
outras para a marinha; sobre aferições de pesos e medi- testamento em 1628, em Santa Anna da Parnahyba, ha
das por padrões estabelecidos. Estabelece regras sobre a um requerimento de Gabriel de Lara, irmão da fallecida
criação do gado, a compra e venda do ouro em pó, so- em que o mesmo se declára morador da villa de N. Senho~
bre os gentios, sobre a prohibição da caçada de perdizes ra das Neves de Iguape e no qual elle solicita a entrega
nos mezes em que as aves estão criando. Estipula so- de «algumas peças » (refere-se a indios) que se achavam em
bre a eleição, sobre os corpos de delicto, sobre os crimes, poder da sua dita irmã, e «as quaes descera do sertão»,
nas suas diversas modalidades. Por um termo de (< concerto de amigavel composição »
Regulamentam sobre os tabelliães, sobre as autorida- com seu padrasto, o Capitão André Fernandes de Varoja,
des judiciaes, sobre testamentos e inventarias, regimento de que foi o 3. marido de D. Antonia de Oliveira, mãe de
0
custas, etc. etc. Gabriel de Lara, aquelle mandou entregar a este «duas pe"'
Por ahi se vê da ampla visão e grande competencia ças que estavam mencionadas na verba testamentaria. ?>
de que era dotado este benemerito Ouvidor, que ficou co- Em 1632 perante o Juiz Ordinario de S. Anna da
nhecido na Historia pelo nome de Ouvidor Pardinho. Parnahyba, onde se estava procedendo o inventario do
_O Paraná deve-lhe a erecção de um monumento que fallecido Sebastião Mendes Gordinho, compareceu Gabriel
cond1g_n~mente reler:nbre o seu nome á posteridade. Certo, de Lara, e se declarou morador da villa de Nossa Senhora
essa d1v1da de gratidão um dia será paga. das Neve::, de Iguap~, accrescenta:ndo que estava na villa
Chega~o a Paranaguá e ali encontrando esparsas as de Parnahyba e viéra em busca de sua herança materna,
folhas do hvro de sua fundação, fez transcrever tudo em e que se tinha «concertado com seu padrasto André fer?
livros novos e determinou que d'ahi por diante se procu- nandes, para escusarem os gastos, declarando ,estar pago e
rasse relatar os principaes acontecimentos do anno. satisfeito de tudo o .que lhe pertencia da dita herança de
Atrave~ dessas transcripções é que se póde hoje es- sua mãe.»
crever a brilhante - Historia Paranaense.
Por esses termos vê-se que, Gabriel de L.ara antes 4e
Reu~iu em 17?0 as. principaes pessoas da villa de 1628 havia «descido d'iversos indios .do sertão », dos quaes
~aranagua e os mais _antigos moradores, e por elles certi- dera alguns a sua irmã Maria de Olíveira; que de 1628
ficou-se_ do local p~ec1so onde a povoação teve inicio.
até 1632 r.esidia na •vi11a de Nossa Senhora das Neves d~
. Foi .~o propri? lo~al - ilha da Catinga - e ali Jguape.
a~nda verificou a ex1stenc1a. das ruinas das antigas edifica-
çoes e ~ de arvores _frucbferas dessa epoca. Chegou á Logo, o Capitão-mór povoador de Pai;~naguá Qa,.
condusao que haveriam então decorridos 80 annos da briel de Lar.a. só poderia ter fu:ndado a povoação em
fundação da povoação, isto é, que o facto deveria ter-se .annos proximos a 1ó404 como repetidamente vimos .affir,.
mando.
dado pelo anno de 1640, approximadamente.
. Em c?mo essas investigações foram verdadeira e lo- Não deve haver estranheza na insisfencia dessa affir.
gicamente interpretadas, vieram provar os factos futuros, mação, pois é facto basico da nossa historia a data da
po~oação de Paranaguá
- 150 -

Conclusão.

Terminando este exórdio, com o qual procuramos ex-


plicar certos factos que se prendem aos personagens dos
quaes teremos de tratar, passamos á materia principal desta
obra.
O leitor, que já percorreu as 150 paginas desta «Me-
moria historica», naturalmente terá o juízo formado sobre
o nosso deslustre Iitterario, portanto estará preparado para
ler sem surprezas a nossa «Genealogia Paranaense».
Podemos garantir, comtudo, a exactidão da ascenden-
cia das famílias por nós descriptas. Não nos valemos de
conjecturas, e sim, tão somente dos dados que extrahimos
dos registros civis e ecclesiasticos; dos autos de inventa- GENEALOGIA PARANAENSE
rias, testamentos e documentos existentes nos diversos car-
torios do Estado.
Na parte porem, dos contemporaneos, em que nos vi-
mos na contingencia de recorrer a informações, por falta de
dados nos cartorios, haverá naturalmente enganos e lacu- Titulo Carrascos dos Reis
nas que poderão ser facilmente corrigidos. Só então va-
lemo-nos das noticias informativas. Com o nosso ensaio
geneal~gico despertamos a attenção dos paranaenses pelo lncly&a gcraçdo, altos infantes.
Camões - Lusíadas - Canto IV, L.
c~nhec1ment~. dos s~us a_voengos e pelas intrincadas liga-
çoes de fam1has, cu1as vidas, costumes e serviços salienta-
mos. Vida: - cheia de labutas de canceiras e de attri-
bulações; cos~mes: - pautados' pela mais pura moral e
severa honestidade; e serviços: - desinteressados e ungi-
dos d? ma.is acrisolado patriotismo. ~~~~ NICIAMOS a publicação desta Genea-
~ logia com o « Titulo Carrascos dos
S1, sahe~tando esses factos, conseguirmos fazer com Reis », - · já em parte publicada na
que as geraçoes do futuro sigam esses salutares e dignifi- importante obra «Genealogia Paulis-
cantes exemplos, estaremos, só com isso, recompensados
dos nossos esforços. tana » do Dr. Luiz Gonzaga da Silva
Leme, de saudosíssima memoria, da
Que os mortos possam sempre guiar os vivos, para qual tivemos a honra de ser assíduos
a grandeza de nossa Patria, felicidade geral e elevação dos
nossos costumes. collaboradores na parte relativa aos
ramos Paranaenses. A elle devemos
grande parte d'este trabalho.
Encontramo-nos no caminho das investigações, e ca-
minhamos irmanados em assídua éorrespondencia epistolar,
que guardamos com carinhoso desvanecimento.
Prevalecemo-nos do ensejo para manifestar a nossa
profunda admiração e saudade por esse illustrado amigo e
152 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
153
douto Paulista, que tão assignalados serviços prestou á em resposta a que_ lhe dirigimos, salientando a extranheza
Historia Patria. que tiveramas relativamente ao appellido - Carrascos _
*• cuja origem procuravamos conhecer, diz o mesmo provir
• do lugar de origem da família em - Carrasca] - (matto
A familia Carrascos teve a sua origem, no Paraná, no pequeno), na Hespanha. Sem querermos negar a origem
Capitão Balthazar Carrasco dos Reis, natural de S. Paulo, hesp~nhóla dos Çarrascos, devemos corr~.tudo declarar que
filho de Miguel Garcia Carrasco, natural de S. Lucas de acreditamos provir a alcunha da moradia, talvez transita-
Canna Verde, tronco da familia desse appellido, em São ria, em - Carrascos - , conselho de Pombal - Portu-
Paulo, e que foi um dos signatarios da acclamação a Rei gal. A affinidade de idéas e as intimas relações de ami-
do Brasil, em 1641, de Amador Bueno da Ribeira, pro- zade desta familia com os fidalgos hespanhóes que pro-
movida pelos fidalgos hespanhóes. («Genealogia Paulistana» moveram a acclamação de Amador Bueno em 1640 são
do Dr. Silva Leme, volume 6, pagina 469.) provas seguras da descendencia hespanhola della poÍs não
Dada a restauração de Portugal, pela revolução trium- se comprehende que no proprio anno em qu~ Portugal
phante, que em 1640 emancipou o velho Reino da domi- rompia as cad~ias que o l!gava~. ao jugo Castelhano, pro-
nação hespanhola, que datava de 1580, procura.ram os fi- clama_ndo sua_ 1_nd_ependenc1a politt~a, viessem portuguezes
dalgos castelhanos proclamar a independencia do Brasil. se alhar aos m1m1gos de sua Patna, conhecendo-se a in-
Para isso promoveram varias reuniões em que se trataram tensidade do patriotismo lusitano.
da escolha de um cidadão de prestigio e que pelo seu . O Capitão B~lth~ar Carrasco era filho de Marga-
valor moral contasse com o apoio unanime dos Brasilei- nda Fernandes, pnmetra mulher de seu pai, fallecida em
ros, para acclamal-o Rei do Brasil. S. Paulo em 1629._ Neto, pela parte materna, de Baltha-
A escolha recahiu em Amador Bueno da Ribeira, na- zar Gonçalves Malto e sua mulher Jeronyma Fernandes
tural de Sevilha, que fiél aos seus juramentos de leal vas- fallecida em 1630; por esta, bisneto de André Fernandes'
sallo, ao ter sciencia do occorrido, exasperou-se e ruman- fallecido em 1588 e sua mulher Maria Paes, fallecida err{
do ao mosteiro da rua de S. Bento, ao passo que os po- 1616. Já em 1645 tinha o Capitão Balthazar Carrasco
pulares o acclamavam «Viva Amador Bueno nosso Rei ))
1 1 dos Reis feito entrada no sertão, onde aprisionou muitos
de espada em punho :etrucava elle repetidamente: «Viva indios, que administrou; era casado em Parnahyba com
D. Joao IV, nosso Rei, pelo qual darei a vida! » falhára lzabel Antunes da Silva, filha de João de Pinha natural
p~r essa forma o golpe que os seus promotores preten- de ltanhaen, e de Domingas Antunes, de S. Pa~lo; neta
diam dar contra Portugal e que traria a Iadependencia do pelo lado paterno de Braz de Pinha e de sua mulher Iza-
Brasil desde 1641. bel Lopes; neto pela parte materna de Bartholomeu Ro-
Dous dias depois Miguel Garcia Carrasco assignou a drigues, fallecido com testamento, em S. Paulo em 161 O e
solemne acclamação d.e D. João IV, de que se fez auto em de sua. mulher ~·faria Lucas; por esta, bisneta de Gaspar
S. Paulo, a 3 de ~bnl de 1641. Miguel Garcia em 1638 Fernandes, fallec1do em 1600 e de sua mulher Domingas
requereu a concessao de uma sesmaria para si e seus fi- Antunes; por esta, tetraneta de Antonio Preto, natural de
lhos Balthazar Carrasco dos Reis e Martim Carrasco, Portugal, que veiu para S. Vicente em 1562, e que depois
a]legando perante o Governador de S. Vicente, que elles de haver prestado grandes serviços voltou á Portugal d'onde
a1udaram nas &11erras da Capitania.
trouxe_ sua mulher e filhos: João Preto, Manoel Preto, José,
O Dr. L~1z Go~zaga da Silva Leme, na sua preciosa Sebastião, lnnocencio Preto e Domingas Antunes.
- «Genealogia Pauhstana» - dá Miguel Garcia Carrasco, Antonio Preto era de nobreza provada, sendo as suas
como natural de S. Lucas de Canna Verde, e numa carta, armas de família «esquarteladas, o primeiro e quarto campos-
154 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
155
tos de seis palas de ouro e azul, o segundo e terceiro Notamos nesta carta de sesmaria, a circumstancia de
xadresado de ouro e azul de seis peças em faxa e outras que já se achando c_reada a Justiça de Paranaguá, e sendo
seis em pala. Elmo de prata aberto, gu~rnecido de ouro, 0 Capitão-mór Oabnel de Lara, Lagar-Tenente e sismeiro
paquife dos metaes e cores das armas; timbre, um braço do donatario, o Marquez de Cascaes, na Capitania de Pa-
nú de negro, com um bastão de ouro na mão » ranaguá e todo o seu termo, e que tendo elle a exclusiva
O Capitão Balthazar Carrasco residiu por muitos an- competencia de dar as terras em sesmaria, aos que a qui-
nos em a Villa de Parnahyba, onde foi Juiz de Orphãos, zessem cultivar, viesse o Capitão-mór Governador do Rio
mudando-se no meiado do seculo XVII para Curityba, com de Janeiro conceder sesmaria de terras em Curityba. Te-
sua família, onde foi um dos povoadores como se verifica ria Salvador Correia de Sá e Benavides poderes, em 1661,
da carta de Sesmaria que a seu pedido lhe foi passada para conceder essas ter_ras em nome de Sua Magestade,
pelo Capitão-mór Governador do Rio de Janeiro, Salvador sabendo-se que pertenciam ao Marquez de Cascaes? E'
Correia de Sá e Benavides, em data de 29 de Junho de um facto a elucidar. Seria devido a confusão dos direitos
1661, como abaixo se vê:
dos Donatarios das Capitanias, de S. Vicente e de S. Ama-
CARTA ro, na parte das 40 leguas ao sul de Cananéa?
Salvador Corrêa de Sá e Benavides, Capitão- Salvador Correia de Sá, em começos de 1661, visi-
mór, Governador do Rio de Janeiro, com pode- tou a Capitania, onde veiu «averiguar das Minas de Para-
res jt1risdição e alçada nas Repartições do Sul e naguá», e se demorou, pois - «não quiz vir-me sem fin-
Capitanias d'ellas, Almirante das ditas Reparti- dar o intento para com o desengano dellas fazer aviso a
ções, Administrador das Minas de S. Paulo, etc. Vossa Magestade», conforme Carta que a 10 de Abril de
em nome de Sua Magestade, que Deus guarde:
Aos que a presente minha carta de sesma- 1661, datada do Rio de Janeiro, dirigiu á Sua Magestade.
ria de terras e matos maninhos virem e conhe- Teria subido a Serra do Mar, chegando á Curityba, aonde
cimento dellas lhe pertencer: faço saber que at- se iniciava a povoação e o serviço das Minas?
tendendo aos serviços allegados em sua petição
retro, pelo Capitão Balthazar Carrasco dos Reys, Talvez assim fosse, e n'esse caso, provavelmente aqui
que tem ajudado nas guerras da capitania com tivesse feito relações com Balthazar Carrasco dos Reis,
sua pessoa e seus administrados nos varios ata- homem cheio de serviços á Patria, não só na defeza de
ques a que os inimigos . . . . . . . . . Santos, dos ataques dos inimigos, como tambem como
ten~~ndo que ha alguns annos reside com sua Bandeirante destimido, ao lado de seu pai, irmãos e filhos.
fam1lia na paragem chamada Mariguy, nos cam-
pos do novo povo de Nossa Senhora da Luz O Capitão Balthazar Carrasco em seu testamento feito
dos Pinhaes. . . . . , . . em Curityba a 22 de Julho de 1697, e aberto a 8 de Ou-
Hei por bem de lhe dar as terras que pede tubro desse mesmo anno, por occasião de sua morte, de-
na sua petição, partindo do Rio Mariguy, onde
tem sua fazenda, a começar onde acabão as ter- clarou entre outras cousas mais, que «quero que levando-
ras de Matheus Leme fazendo meia legua de me Deus, seja meu corpo enterrado defronte do altar de
te~tada por uma legua de sertão, resalvados di- N. Senhora de Guadelupe, na sepultura de minha mulher,
reitos de terceiros . . . . . . . . . com na Igreja Matriz desta Villa e me acompanhará o Vigario
suas aguas e bebedores . . . entradas com os sacerdotes que se acharem, com todas as cruzes
doação . . . . sem pagarem . . . . . .
somente dezimos a Deus Nosso Senhor. . . . das confrarias que houver na dita Matriz e se lhe dará a
Dada nesta . . . de Janeir . . . · esmola costumada
aos 29 de Junho de 1661. - Salvador Corrêa «Declaro que sou natural da Villa de S. Paulo, filho
de Sá, 0.r
legitimo de Miguel Garcia Carrasco e de sua mulher Mar-
156 GENEALOGIA PARANAENSE
TITULO CARRASCOS DOS REIS
157
garida fer~andes; qu_e_ fui casado c~m lzabel ~ntunes, já J.o André Fernandes dos Reis
defunta e tivemos leg1t1mamente os filhos seguintes: Capitulo J.o
2.0 Gaspar Carrasco .dos Reis Capitulo 2.o
«André f ernandes, Gaspar Carrasco dos Reis, Belchior 3.º Belchior Carrasco dos Reis
Carrasco filhas: Margarida Fernandes, Maria Paes, lzabel Capitulo 3.o
4.º Margarida Fernandes Capitulo 4.o
Gracia Maria das Neves e Domingas Antunes já defunta, 5.o Maria Paes
os qu~es todos são meus legítimos herdeiros. Capitulo 5.o
6.º lzabel Garcia Antunes Capitulo 6.o
«Possuo as seguintes terras: Meia legua de terras no 7.o Maria Garcia dos Reis
Cubatam, do qual tem a escriptura meu filho André Fer- Capitulo 7.o
8.o Domingas Antunes Capitulo 8.o
nandes; meia legua de terras na borda do Campo, cujo
titulo tem o mesmo meu filho; um sitio em que assisto CAPITULO J.o
na paragem de Mariguy, cujas terras houve por sesmaria
como da Carta se vê; meia legua de terras no bairro de J.o flndré Fernandes dos Reis, casado com Maria Ra-
S. Amaro que parte com as do defunto meu Pai na pa- p drigues.
ragem chamada Brimiri (?); deixo mais, que me deu meu Com seu irmão Gaspar Carrasco assignou a 4 de No-
sogro, em dote, em Parnahyba umas terras que constam vembro de 1668 o termo de levantamento do Pelou-
do inventario do meu sogro João de Pinã. rinho da Villa de Curityba, em cuja governança fi-
«Declaro que meu filho André Fernandes levou de mi- guraram.
nha caza dous negros do gentio da terra, os quaes entra- De seu matrimonio teve, que descobrimos, a filha:
rão em sua folha de partilha, declaro mais que meu filho 1-1 Izabel Rbdrigues - § Unico.
Belchior Carrasco dos Reis seguia viagem para o sertão
com as armas que levou de minha caza e o mais que § Unico.
levou para seus gastos foi tudo de minha fazenda e dizem
trouxera do sertão tres pessas das quaes se fará menção 1-1 1zabel Rodrigues, casada com Manoel Pereira
em meu inventario. Declaro que deixo algum gado assim tios Passos.
vaccum como ovelhas, e cavalgaduras, o que tudo decla-
ra:á meu fil~o (?aspar porque sua verdade desencarrego CAPITULO 2.o
mmha c?nsc1enc1a pela muita confiança que delle faço e
sempre fiz e por assim ser lhe deixo encarregado o Cui- 2° Gaspar Carrasco dos Reis, alferes, foi homem da Go-
dado que deve ter na Administração da Capella de N. vernança da ViJla de Curityba, e seu pae em seu
S~nhora d~ Guadelupe, de que sou Protector, para que o testamento o elogia pela sua verdade, pelo que mani-
dito meu filho mande dizer seis missas todos os annos no festa muita confiança nelle, e o deixou como Prote-
altar da dita senhora po~ minha intenção procurando sem- ctor da Capella de Nossa Senhora de Ouadeloupe,
pre pelo ~ugmento da dita Capella como eu fazia, para o que era um dos Altares da Matriz de Curityba. Era
que depois de p~gos os meus legados deixo o remanescente homem abastado, tendo servido de fiador a José Car-
ao mesmo meu filho pa~a q~e te.nha cuidado da Capella.» doso foi intimado a pagar a elevada quantia de um
. _ - ~ testa1!1ento fo1 ~ss1~nado pelo testador e pelo Ca- conto e cem mil reis.
p1tao-mor Agostm_ho de figueiredo, João Alves Martins, Ma- Era casado com Anna da Silva Leme, filha do Capi-
noel de Souto, Nicolau de Miranda Franco Manoel Gomes. tão Antonio da Costa Velloso e de sua mulher Anna
D~ seu matrimonio teve os seguint~s filhos: (C. O. Maria da Silva; por esta, neta do Capitão Povoador
de Cuntyba.) de Curityba Matheus Martins Leme e sua mulher An-
tonia de Góes. - Gaspar Carrasco em 24 de Outu-
158 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
159
b d 1725 fizéra doação por escriptura publica, a 55 annos de edade em 1755 quando falleceu seu pai.
ro e ' ' d
seu genro, o Capitão Salvador e Alb uquerque, Ja·' (C. O. de Curityba.)
viuvo de sua filha Izabel Antunes1 de umas terras que Pertenceu a governança de Curityba.
possuia «pelo muito que o quena »; - Salvador de
Albuquerque por sua vez fez doação a seus sogros § 3.o
de uma fazenda de gado na paragem chamada
«Caapucú ». . 1-3 Francisca Velloso e Silva, era solteira e com 51 an-
Teve os seguintes filhos: (C. O. de Cuntyba.) nos de edade em 1755.
1-1 Izabel Antunes da Silva § 1.0
1-2 Capitão Antonio da S_ilva Leme § 2.: § 4.o
1-3 Francisca Velloso e Silva § 3. 1-4 Victoria de Jesus Velloso, era solteira e com 47 an-
1-4 Victoria de Jesus Velloso § 4.0 nos de edade em 1755.
1-5 Joanna Leme da Silva § 5.0
1-6 Maria Velloso § 6. 0 § 5.o
1- 7 Francisco Xavier dos Reis § 7. 0
1-8 Balthazar Velloso e Silva § 8. 0 1-5 Joanna Leme da Silva, casada em 1734 em Curityba,
com o licenciado José de Albuquerque, fallecido em
§ l,o 1738, irmão do Capitão Salvador de Albuquerque de
1-1 do § 1.0
1-1 lzabel Antunes da Silva, nascida em 1698 em Curi- Teve dous filhos:
tyba1 casada com o Capitão Salvador de Albuquerque, 2-1 Tenente Pedro Alexandrino de Albuquerque.
natu ral de S. Paulo, da governança da Villa, homem 2-2 Paulo Moreira de Albuquerque.
de grande prestigio e valor. Foi o primeiro Juiz de
Orphãos triennal de Curityba, lugar creado pela _reor- § 6.o
ganisação administrativa e judicial de.1735. Foi em-
possado pela Camara em 1.0 de Janeiro de 1736, de- 1-6 Maria Velloso, fallecida em 1721, casada com o Sar-
pois de confirmada a eleição pelo Desembargador e gento-mór José de faria Paes, fallecido em Sorocaba
Ouvidor Geral da Comarca Manoel dos Santos Lo- em 1730.
bato. O Capitão Salvador de Albuquerque foi casa- Teve a filha unica: (C. O. de Curityba)
do em segundas nupcias com Maria do Carmo Valle, 2-1 Ignez de faria Paes com 7 mezes em 1721, re-
filha do Sargento-mór Manoel do Valle Porto e s_ua cebeu sua herança materna em 1738; casada com
mulher Maria de Cacere; casado em terceiras nupctas Domingos Cardozo de Leão, fallecido em Curi-
com Maria Ferreira de Almeida. Era elle filho de Manoel tyba a 29 de Janeiro de 1783, filho de Fructuoso
Pacheco de Albuquerque e sua mulher Catharina Mo- de Laya Leão e de Anna Siqueira .
reira Oodoy. Falleceu em Paranaguá a 24 de Setem- Teve os seguintes filhos: (C. O. de Cuntyba)
bro de 1756 com 70 annos. 3-1 José Cardozo de Leão, com 42 annos em
Teve (C. O. de Curityba) uma filha unica que falleceu 1783.
ainda creança. 3-2 Maria Cardozo faria, casada a 13 de Feve-
§ 2.o reiro de 1759 com Jorge de Souza Pedroso,
1-2 Capitão Antonio da Silva Leme, era solteiro e com filho de Manoel de Souza Pedroso, natural
de Calhetas, e de Maria Leal Valença.
160 GENEALOGIA PARANAENS& TITULO CARRASCOS DOS REIS
161
3-3 Antonio Cardozo de Leão, com 38 annos de sua mulher Anna de Mello
de idade, casado a 9 de Outubro de 1775, Coutinho.
com o nome de Antonio José Pinheiro, com 5-2 Antonio de Oliveira Preto casado
Maria Cortes de Oliveira, filha de Manoel a 2 de Maio de 1758 em' Taman-
Gomes de Oliveira e de Quiteria de Siquei- duá, c~m Izabel Rodrigues Couti-
ra Cortes. nho, filha de Domingos Gonçal-
3-4 Ignacio Cardoso de Leão, com 39 annos ves Padilha e de sua mulher An-
de idade. na de Mello Coutinho; neta pela
3-5 João Cardoso de Leão, com 34 annos, ca- parte paterna de Manoel Gonçal-
sado com Thereza (ou Luiza ?) Corrêa Gue- ves de Siqueira e de sua mulher
des de Britto, fallecida a 8 de Novembro Paula Rodrigues de França, ambos
de 1768. naturaes de Paranaguá; neta pela
Teve: parte materna de Francisco de
4-1 João Cardoso, solteiro. Mello Coutinho, natural de S. Paulo
4-2 Luzia Cardosc,, natural de São José dos e de sua mulher Izabel Luiz Ti-
Pinhaes, casada com Ignacio Preto, fi. gre, de Curityba
lho de Lourenço Preto e de Joanna Teve: (C. E. de Curityba)
de França, naturaes de São Paulo. 6-1 José, nascido em 1772.
Teve, que descobrimos: (C. E. Curityba.) 6- 2 Margarida de Oliveira Bueno,
5- 1 Manoel Preto Bueno, natural de casada em Curityba a 8 de
Curityba, casado com Luiza de Julho de 1794 com Pedro Cor-
Chaves, filha de João de Chaves rêa Leme, natural de Taubaté
Siqueira, natural de Itú e sua mu- filho de Salvador Corrêa Le~
lher Barbara Rodrigues da Cunha, me e de sua mulher lgnacia
de Curityba.
Teve: Vieira da Silva; neto pela parte
paterna de Salvador Corrêa
6-1 Pedro Celestino Bueno, natu-
Leme e sua mulher Leonor
ral de São José, casado em da Silva
Curityba a 16 de Outubro de 4-3 l;r.abe1 Cardoso1 viuva de João França
1792 com Mariana Leme de de Moraes.
Jesus, filha de Francisco Ro- 4-4 Rosa Maria, viuva de Felippe Pereira
drigues Barboza e sua mulher de Magalhães.
Victoria Rodrigues de França. 4-5 Maria Cardoso1 viuva de Manoel Alves
Neta pela parte paterna de fontes.
Antonio Rodrigues Coura, na- 4-6 Antonio Cardoso de Leão, com 48 an-
tural de Couras-Portugal, e nos de idade em 1768.
sua mulher Lucrecia Leme do
Rosario, de Guaratinguetá. Ne- 4- 7 José Nunes Cardoso~ solteiro, com 46
annos.
ta pela parte materna de Do-
mingos Gonçalves Padilha e 4-8 Christovão da Rosa, casado, com 44
annos.
162 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRA SCOS D OS REIS
163
4-9 Margarida de Oliveira, casada com Ber- e Souza, pr?curado~. ~as despezas da R~lação, reque-
nardo Martins Ferreira. reu ao Capitão Venss1mo Gomes da Silva, ouvidor
3-6 Manoel Antonio de Siqueira, casado a 10 geral pela. l~i, em ?aranaguá, que fosse intimado o
de Outubro de 1775 com Luzia de Oliveira pai do cnmmoso, visto conservar em seu poder os
Cortes, filha de Manoel Gomes de Oliveira, bens delle, por morte de sua mãi. Da decisão foi
natural de Barcellos e sua mulher Quiteria intimado Antonio da Silva Leme, irmão do criminoso.
de Siqueira Cortes.
3- 7 Francisco Cardoso, com 23 annos. § 8.o
3-8 Anna Cardoso, com 28 annos.
3-9 Francisca Cardoso, com 26 annos. 1-8 Balthazar Velloso e Silva, ultimo filho do Alferes Gas-
3-10 Angela Cardoso, com 18 annos. par Carrasco dos Reis, do Capitulo 2.o, falleceu a 17
3-11 Josepha Cardoso, casada com Antonio Gomes. de Novembro de 1785 com 88 annos, casado a 20
3-12 Gertrudes Cardoso, com 14 annos. de Abril de 1739 com Antonia de Souza Valle, natural
de Paranaguá, filha do Sargento-mór Manoel do Valle
§ 7.o Porto, o fundador da freguezia do Pilar da Graciosa,
mais tarde elevada a Villa com o nome de Antonina;
1- 7 Capitão Francisco Xavier dos Reis, solteiro, com 51 fundou a sua custa uma pequena Capella sob a in-
annos em 1755. vocação de Nossa Senhora do Pilar de Antonina, que
Em 18 de Junho de 1736 compareceu perante a Ca- em 15 de Agosto de 1720, foi elevada a categoria de
mara Municipal de Curityba e declarou que seu pai Curato. Prestou relevantes serviços e foi homem de
recebera uma carta do Conde de Sarzedas, communi- grande valor.
cando que fora elle Francisco Xavier nomeado para Teve:
o posto de Capitão de Cavallos para a conquista e 2-1 João Ve11oso da Silva.
soccorros da Colonia do Sacramento, e como era che- 2-2 Francisco de Salles.
gado o tempo de seguir sua viagem, requeria aos of- 2-3 Maria Joaquina.
ficiaes da Camara que lhe dessem soldados para sua 2-4 Bernardo José da Silva
companhia, que pertencia ao Regimento de que era 2-5 Matheus da Silva Leme.
Commandante o Coronel Christovam Pereira. 2-6 Maria de Cacere.
O Çapitão Francisco Xavier dos Reis prestou bons 2- 7 José Nery de S. Maria.
serviços no Sul, havendo os Curitybanos desempe- 2-8 Agostinho da Silva Valle.
nhado papel de destaque. O Coronel Antonio Pereira **
de Vasconcellos, Commandante da Nova Colonia do *
2-1 João Velloso da Silva.
Sacramento, em carta que dirigiu ao Conde de Sar-
zedas, Governador de S. Paulo fez honrosas referen- 2-2 Francisco de Salles, casado com Catharina Pereira,
cias aos Curitybanos, aos q~aes classificou de - 2-3 Maria Joaquina de S. José, era solteira em 1775.
«homens fortes, resolutos e destemidos. » 2-4 Bernardo José da Silva, teve um sitio na Cos-
Tendo o Capitão Francisco Xavier assassinado a Anto- teira de Ponta Grossa, que vendeu ao Conego
nio _Ribeiro Bayam, foi condemnado pela relação da Joaquim da Costa Rezende.
Ba~1a a pagar 100$000 das despezas de custa á Re- 2-5 Matheus da Silva Leme, nasceu em 1745 e fal-
laçao. Em 3 de Setembro de 1743 Manoel da Silva leceu em 1801 ; foi casado com Rosa Delfina de
Jesus.
164 GENEAI OGIA PARANAENSE
TITULO CARRASCOS DOS REIS
165
2-6 Maria de Cacere, era solteira em 1798.
2-7 José Nery de S. Maria, casada com Maria do O'
Neto pela parte paterna de Manoel dos San-
do Nascimento, natural de Paranaguá, filha de tos Chaves e de sua mulher Maria Josepha
Manoel Pereira da Silva, de Paranaguá, e sua do Nascimento, naturaes de Setubal; neto
mulher Catharina de Souza, de Antonina. Fo- pela parte materna do Capitão Gaspar Gon-
ram proprietarios do sitio da Bôa Vista. çal_ves de ~oraes, homem de grande valor
Teve, segundo informações: e 1mportanc1a, descendente das princípaes
3-1 Mathilde Maria do Pilar (ou de Jesus), nas-
famílias da Capitania, e de sua mulher Ca-
cida em 1787, casada com Manoel José de tharina de Senne, tambem de distincta des-
Souza. cendencía, que descrevemos em outro Titulo
3- 2 Francisco, nascido em 1790. desta obra e na Arvore genealogica de as-
3-3 Manoel.
cendentes.
Teve:
3-4 José Nery da Silva, nascido em 1798.
3-5 lgnacio José Diniz, fallecido em 1849, casa- 4-1 Major Vicente Ferreira da Luz, nascido
do com Catharina Maria Xavier, filha do em 1812 em Antonina, e fallecido em
Alferes Candido Xavier dos Anjos e Catha- Curityba a 17 de Junho de 1880. Era
rina Maria do Espírito Santo, fallecida a 21 adiantado industrial. Possuia engenho
de Janeiro de 1838; foi casado em segun- de soque de herva matte em Curityba
das nupcias com Maria Antonia de Jesus. e olaria em Bariguy. Possuindo boas
Teve do primeiro matrimonio: propriedades a rua Commendador Arau-
4-1 Catharina Luiza da Silva. jo, que foram partilhadas por 45 con-
4-2 Maria Candida de Assumpção, casada tos de reis. Casou em 1844 com Flo-
com Joaquim José de Carvalho. rencia do Amaral Luz, natural de Para-
4-.3 Anna Clara de Assumpção, casada com naguá, filha de José Antonio do Ama-
Bento José de Carvalho. ral e de sua mulher Anna Hyppolita
4-4 Francisco Xavier Nepomuceno (ou De- do Amaral
nis). Teve:
Teve do segundo matrimonio: 5-1 Primeiro Tenente Vicente Polydorn
4-5 Thereza Maria Rosa, casada com Elisiario Ferreira, official do exercito, morto
José da Rosa, do Rio Grande do Sul. na campanha do Paraguay.
3- 6 Iria Maria dos Prazeres, casada com o Al- 5-2 Iria Nar.cíza ferreíra da Luz Mu-
feres Polydoro José dos Santos, que passou ricy, foi .casada em p,rímeíras nu-
a segundas nupcias com Maria Rita do Ro- pcias com o Dr. José Candido da
sario; filho do Tenente Antonio dos Santos Silva Muricy, nascido a 31 de De-
Pinheiro, que foi Escrivão da Ouvidoria Ge- zembro de 1827, na c:idade de S.
ral de Paranaguá por muitos annos e ta- Salvador da Bahia; filho de Joa.
bellião do publico judicial e notas, nat~ral da ,quim lgnacio da Silva Pereíra e sua
praça de Chaves - Setubal - e de sua mulher Joa.nna Francisca Pereí.ra.
mulher Anna Gonçalves Cordeiro natural de « Excellenie ,estudante, intellíg.ente,
Paranaguá. ' ·e bastante assid1!1o, gozou sempre
de optimo nome entre seus collegas.
166 GENEALOGIA PARANAENSE
TITULO CARRASCOS DOS REIS
167
«Rodeado de todo aquelle prestigio
de que dispõem academicos cum- «Eil-o accudindo aos enfermos! Eil-
pridores de seus deveres, seguia o distribuindo soccorros, cuidados
elle os estudos, coroando-os com e desvellos ! Quem appellava para
o mais feliz e merecido successo. tão magnanimos sentimentos, que
«Em 1852 ia receber, em retribui- não se afastasse servido ? ! . . .
ção ao prolongado e afanoso tra- ,< O merecido renome corria e a
balho de seis annos, o titulo mãis clientella augmentava a olhos vis-
nobre e desejado por quem com- tos. Elle já não era simplesmente
prehende a quanto está sujeita a o medico de todos, não; era um
humanidade: - doutor em me- membro de cada família
dicina. « - Em 1857 teve de prestar um
«Em 1852, no duodecimo mez, jus- grande e relevante serviço. Reinára
tamente no primeiro dia, recebia o no começo desse anno a varíola
premia a que tinha incontestavel em S. José dos Pinhaes e aos seus
direito. esforços deveu-se o desappareci-
«A 8 de Novembro de 1853 che- mento, sem que tão cruel flagello,
gava o distincto medico a Curity- tivesse feito uma só victima.
ba, onde fixou sua residencia. « - Posteriormente fôra Paranaguá
Província a ser installada, ia o Pa- invadida pela febre. Entre os me-
raná ser o theatro de seus feitos dicas que se occuparam no trata-
humanitarios. mento dos enfermos contava-se o
« - Bem moço ainda, pois só con- Dr. Muricy, que depois . de vêr um
tava 26 annos, nessa idade das collega morto e outro acommet-
illusões, nessa idade em que o co- tido da horrível enfermidade, teve
ração custa refrear a impetuosidade de luctar sosinho contra o formí-
das paixões, já o Dr. Muricy pos- davel inimigo.
suía a cabeça de um sabia velho. «O muito illustrado ex-presidente
Pugnar pela humanidade era o seu da província, Francisco Liberato dt
uni:o, porem ardente desejo. Mattos, em seu relatodo apr:esen-
«Em 27 de Abril de 1854 o go- fado por occasião da abertura da
verno provincial nomeou-o vacci- Assembléa provincial, em 7 de Ja-
nador, começando a população de neiro de 1858, disse:
Curityba a viver debaixo da bene- « - O Dr. Muricy foi quem mais
fica acção do mais caritativo fa- serviu, como me informou meu
cultativo que até então pisára as ,digno antecessor, nenhuma retri-
plagas paranaenses. buição quiz receber, contentando-
«Alegre pela confiança que lhe de- se com os vencimentos que per-
positavam, corria onde ouvia o ge- •cebe como Tenente-cirurgião do
mido, voava onde era chamado. corpo da guanl°ição fixa »
·« Desinteressado em toda a accepção
168 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
169
da palavra, regeitava indemnisações, lhe marchasse para Matto Grosso
ou por outra, emquanto o gover- em .companhia de 100 praças que
no despendia grossas sommas com deviam passar por esta provincia
medicas, etc., o Dr. Muricy satis- «Preso ao Paraná pela estima de
fazia-se em prestar seus soccorros. seus .habitantes, que correspondia
«Quatro annos havia que por tão cond1gname!1te, tratou de ligar-se
distincto cavalheiro era habitada a por laços amda mais indissoluveis.
cidade de Curityba. Estudai-a de- « Era, então, solteiro; viva estima de-
baixo de todos os pontos de vis- dicava a uma jovem; solicitar sua
ta, conhecei-a a fundo, constituia ~ão, emprazando o digno proge-
uma nova e aprazivel empreza. mtor para, em breve regresso, con-
«A botanica era um dos ramos da c~del-a por esposa, foi o expe-
sciencia mais communs ao Dr. Mu- diente tomado.
ricy. Della incumbido, ora consul- «Corria o anno de 1858· e Cu-
tava a posição topographica do 1
rifyba que havia cinco an nos pas-
lagar, o poder vegetativo do solo, sara de ?·ª comarca de provincia
as condicções athmosphericas, as para capital, soffrera o impulso que
mudanças bruscas da temperatura; é bem facil de imaginar-se. Com
ora embrenhando-se nas mattas, o augmento progressivo da popu-
que circumdavam Curityba, procu- lação crescia o affecto ao amigo
rava, no meio da esplendorosa ve- do povo.
getação, com a atilada perspicacia «A ordem dimanada do governo
de profundo botanico, a herva, a geral, que tolhia o povo de seu
casca, o lenho, a raiz, emfim, que mais dedicado medico, foi encara-
eram agentes medicas.
«Quantas vezes não voltava elle de da com maus olhos, pois, consi-
suas instructivas excursões satis- deravam-na como verdadeiro cas-
tigo imposto.
feito por ter descoberto a planta
util, cuja classificação lhe cabia. «A 12 de Janeiro abandonava
«Quantas vezes não era elle porta- saudoso a Curityba, onde deixava
dor de desconhecidas raizes para amigos, e, sobretudo, quem era
em casa, no socego de seu gabi- objecto de seus mais felizes so-
nete, quando a população descui- nhos, acompanhando, na qualidade
dosa se entregasse ao descanço, de medico de corpo de saude do
estudai-a e após sujeitai-a ao pro- exercito, as praças que se dirigiam
cesso necessario, descobrindo-lhes á Matto Grosso.
« foi para toda a grata população,
as therapeuticas propriedades? . ..
«Mal, porem, tivera tempo de dia de provança esse em que o
encetar a serie de tão uteis estu- Dr. Muricy dizia o adeus de des-
dos, o governo imperial ordenava- pedida; a consternação tocou ã
meta.
170 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
171
«Se a separação do conhecido, com força d~ seus brados de animação
quem entretivemos relação, choca- con~egu1a fortalecer os espíritos
nos; a de amigo e medico que a_babdos, transpondo assim o pe-
ouviu-nos os gemidos, e assistiu- ngo.
nos com lenitivo ás dores, deve << Era tambem o commandante se-
magoar-nos immenso. vero nas criticas occasiões · e era
«Cumpridor severo de suas obri- ~ viva _imagem de uma res ignação
1

gações, servidor leal do Estado, mexced1vel.


era forçoso attender ao chamado «Quantas vezes não teve elle um
superior. pedaço de carne para matar a fome?
«Elle seguiu, pois. « . . . ~uitas, el_le ? dizia; porem,
«O que dizer sobre essa jornada, prasente1ro e satisfeito, não profe-
sobre a longa e penosa viagem na um queixume siquer.
por invios e infernaes caminhos, «Era um genio !
senão que o Dr. Muricy fêl-a com «~pós continuados martyríos e sof-
aquella heroica resignação que tanto fnmentos chegou o Dr. Muricy ao
distinguiu os martyres pela religião ponto terminal de sua derrota.
do Crucificado?! . . . «O estado sanitario de Miranda,
«Foi nessa jornada que elle pôz Albuquerque e outros povoados
em pratica os seus conhecimentos ~ada t_inha de lisongeiro; as febres
scientificos, humanitarios e quiçá mterm1ttentes e outras molestias
militares. .assolavam pouco a pouco a popu-
«No atravessar desses sertões, do- lação. Sem ambulancia, recorria elle
mínio de feras; na vadeação des- á natureza, e transformava a luxu-
ses immensos rios, onde habitam riosa floresta de tão longínquas pa-
as febres de máo caracter, occu- ragens em vasto laboratorio phar-
pava elle todas as posições. maceutico.
«Aqui, era o botanico guiando o «Já Corurnbá, Miranda e Albu-
medico a valer-se da planta para querque tinham sido theatro de
salvar uma, duas, dez praças seus fastos humanitarios, e tanta e
acommettidas de enfermidades. tal influencia angariára pelo bem
«Ali, era o arriscado caçador, em- feito, que não só as populações
punhando a pistola, refie ou lança .civilisadas como tambem a abori-
para matar a audaz e aterradora gene, dedkavam-lhe a mais deci-
féra que, impavida, chegava á sua dida estima e viva sympathia
barraca.
« Fervorosas eram as preces que os
«Mais além, era o corajoso nautico Paranaenses erguiam ao Altíssimo
que, vendo enorme corredeira ante para lhes ser restituido o medico
a qual commandantes e comman- dos pobres.
dados como que esmoreciam, a
~< O aviso do ministerio da guerra
TITULO CARRASCOS DOS REIS
172 GENEALOGIA PARANAENSE 173

de 25 de Maio desse mesmo an- da Exma. Snra. D. Florencia do


110, determinava a sua vinda ao Amaral Luz.
Paraná. «A 16 de Janeiro de 1860, foi elle
« Para Matto Grosso foi uma má nomeado medico dos presos da
nova essa, recebida com natural Capital.
sentimento. « Em 2 de Dezembro do mesmo
«Considerado em extremo, ence- anno, foi nomeado 1.o cirurgião
tava· elle nova viagem, deixando do corpo de saude do exercito.
1
verdadeiros amigos, d entre os «Em 1863, as urnas elegiam-no
quaes se destacava o Barão de deputado provincial.
Villa Maria, a quem tributava par- <,A 15 de Fevereiro de 1864 to-
ticular estima, sendo sobremodo ~av~ assento ~o parlamento pro-
correspondido. vmc1al na qualidade de seu legí-
« la ser restitui do ao Paraná o ami- timo representante.
go commum. <, Durante os bienníos de 1866 á
«A população anciosa esperava a 1867 e de 1868 á 1869 foi ainda
occasião de vêr tornado a seus la- eleito deputado, trabalhando sem-
res o dedicado medico. pre com vivo interesse pelo bem
«A 2 de Dezembro de 1858 bai- geral da provinda, e correspon-
xava o decreto pelo qual o gover- dendo dess'arte á expectativa do
no imperial condecorava-o com o povo.
habito de Cavalheiro da Ordem «As pugnas políticas não o rou-
da Rosa, em attenção aos serviços baram ás pela caridade; nestas co-
prestados durante a epidemia da mo naquellas trabalhava elle com
febre amarella em Paranaguá. invejavel denodo.
«A 10 de Janeiro de 1860 apre- «Obediente em extremo ás ordens
sentava Curityba aspecto bem dif- dimanadas do poder superior, des-
ferente do que o dominava em empenhava-as com zelo1 de forma
1858 : tudo eram galas! que até 1865 deu eBe cumpri-
<, Chegára, pois, o Dr. José Can- mento a diversas commissões, já
dido da Silva Muricy; avisinhava- no sentido de debellar epidemias,
se o tempo de cumprir o anterior já no de exhumar cadaveres, etc.,
pedido, realisando assim o seu etc.
maior anhelo. O anno de 1866 estava reserva-
<,,

«A 22 de Setembro d esse anno,


1
do para o Dr. Muricy pr:estar gran-
aos pés de Christo e ante uma des serviços ao paiz, que já con-
explendida assembléa de amigos, siderava-o como um \dos seus mais
recebia por esposa a Exma. Snra. conspicuos servidores.
D. Iria Ferreira da Luz, filha do «Ia ter Jogar na província a pri-
Major Vicente Ferreira da Luz e meira exposição de productos; ia
174 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
175
o Paraná participar do certamen quanto devia figurar na exposição.
do trabalho e da civilisação. O dia era dedicado á sua clinica
«A 7 de Março recebia elle com- e ao desempenho de varias com-
municação de ter sido nomeado missões a seu cargo; a noite per-
membro da Commissão central da tencia á exposição.
Exposição provincial, e a 15 de «E os trabalhos a progredirem
Abril esta commissão nomeava-o, sempre.
na sua primeira reunião, membro «A 29 de Julho abriram-se as por-
encarregado de confeccionar o ca- tas do edificio, onde achavam-se
talogo. expostos os productos da provin-
«Se sempre o vimos dedicado ao cia á admiração e apreciação pu-
Paraná, então, que se procurava blica
apresentai-o á apreciação extranha, «A 24 de Novembro atirava elle
redobrava elle em dedicação. á critica o catalogo dessa exposi-
(< A exposição ficou sendo uma ção, filho robusto do incessante
creação sua, e della era, não só- trabalho, de innumeras vigílias e
mente o encarregado do catalogo, dedicação inexcedivel.
mas agenciador de productos, clas- <, O que disse na apresentação des-
sificador, tudo, emfim ! sa verdadeira obra prima ás com-
Em boa hora fôra seu nome lem- missões nacional e provincial, por
brado; e isso augurava, se não si chega para approximadamente
completo e brilhante exito, ao me- fazer-se ídéa do vivo interesse que
nos resultado muito superior ao tomava pela prosperidade da nação.
que jamais se conseguiria se á <,O catalogo da exposição provin-
margem fosse collocado. cial do Paraná figurou na Côrte,
«O grande conhecimento do Dr. em primeiro lugar. E assim de-
Muricy com cidadãos e rusticos via ser. As regras observadas na
que podiam prestar valiosos servi- sua confecção, a optima classifica-
ços na consecução de productos, ção, a minuciosidade no historico
as suas estreitas relações com mo- de muitos dos seus productos prin-
radores do centro, muito concor- cipaes - são recommendações á
reram para o verdadeiro explendor íntelligencia e altos conhecimentos
de nossa primeira exposição. do illustre confeccionador.
«Corria o mez de Maio. A casa
do Dr. Muricy era um vasto cel- «Eis o que se encontra .a folhas
50 do alludido catalogo:
leiro, enorme e bem abastecido de-
posito de objectos de todas as - Todos os productos expostos
classes. pelo Dr. José Candído da Silva
<, Era ahi que tinha lugar a rece- Muricy podem ser vendidos, ap-
pção e a classificação de tudo plicando-se o resultado em favor
do Azylo de Invalidos da Patria. »
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
176 177
«Apreciar, ainda que devidamente gradas Escripturas, pela qual che-
a eloquencia de taes palavras, é gamos á Divindade.
empanar-lhes o brilho. « Emba!de a historia atira-nos des-
«Elle expoz oitenta objectos, entre denh?sa a imprecação de Brutus,
os quaes conta-se uma collecção depois de um revez da fortuna,
de milho de 30 qualidades e uma como uma sabia lição de expe-
outra de feijão de 73 qualidades. riencia.
«A 14 de Outubro de 1866 era «Não, senhores, a virtude não é
o Dr. Muricy eleito provedor da um nome vão! >
Santa Casa de Misericordia da Ca- «Era assim que se expressava o
pital, irmandade que, comquanto moralista, quando appellava para
não dormisse sob o somno da in- seus irmãos, afim de proseguirem
differença de sua direcção, entre- na nobre e sublime missão.
tanto, não prosperava como era de « Com aquella convicção e ardor
desejar. dos que trabalham, exclusivamen-
«Reorganisal-a, dirigil-a afim de te, pelo bem da grande família
attingir ao ponto em que devem que se denomina a humanidade;
tocar instituições taes, foi o seu nessa mesma reunião, dizia elle:
trabalho inaugural, de sorte que a « - Riqueza, sciencia, sentimentos
pia irmandade dentro em pouco e a força, tudo isso não passa de
apresentava uma nova phase. um thesouro de que o homem é
«O compromisso começou a ser simples depositaria neste mundo
observado á risca, não passando de provanças; e é na distribuição
um anno que na epoca propria dos bens pelos que necessitam,
não tivessem lugar as diversas ceri- que a alma santifica-se e approxi-
monias de missas, visitação do hos- ma-se do Creador.
pital, eleição e leitura dos compe-
tentes relatorios do estado da ins- ,, - Não basta ao homem amar a
tituição. sua famíli a, vai nisso, é verdade,
«Nestas exposições, que, aliás, cor- um principio de virtude, cuja ne-
rem impressas, vê-se a somma de gação importaria a subversão com-
dedicação que o Dr. Muricy vo-
tava ao assumpto. pleta da sociedade, mas o exclu-
«Doptado de um espírito altamen- sivismo pela família é o egoísmo
te religioso e com o pensamento apurado que pouco aproveitaria a
volvido para a caridade, dizia elle humanidade..... »
a seus irmãos, reunidos em assem- A prosperidade da irmandade me-
biéa geral: recia-lhe todo o seu cuidado, e
« - A virtude é essa escada de para alcançai-a o Dr. Muricy não
Jacob de que nos fallam as Sa- trepidava em superar toda a sorte
de obstaculos.
TITULO CARRASCOS DOS REIS
178 GENEALOGIA PARANAENSE 179

«Os reaes serviços prestados á «Trabalho de um incontestavel va-


causa da pobreza ahi ficaram bem lor - A noticia sobre a provín-
patentes; e senão que diga1;1 ares- cia do Paraná - , tal a sua de-
peito os que para o hospital ~e nominação, é uma dessas obras
caridade entraram doentes e saht- que dão nome a seu autor.
ram curados; que fali em os que, «O Dr. Muricy tambem escrevia.
em paiz estranho, . a~ommettidos Nas horas que seus urgentes tra-
de enfermidades, e v1ct1mas de uma balhos davam-lhe tregoas, occu-
desgraça na perda de um membro pava-se em apreciar detidamente a
do corpo, sem meios, achara~ a província da qual era filho ado-
ptivo.
prompta cura e o amparo preciso
debaixo daquelle modesto tecto «Em 11 de Dezembro desse anno
onde se abrigava a mais sublime recebia do governo geral a no-
das virtudes. meação de Cavalheiro da Ordem
«Ao governo imperial não tinham de Christo, em attenção aos ser-
passado desapercebidos os servi- viços prestados por occasião da
ços de real merito prestados. á ~o- exposição de 1866, - insignificante
das as causas por tão patnobco retribuição á tanta dedicação, seja
cidadão, e a sua magnificencia não dito de passagem.
se fez esperar. «Como se não bastassem para per-
«A 9 de Março de 1867 baixava petuar a memoria de um _homem
o decreto pelo qual era nomeado os feitos que temos descnpto, o
Official da Ordem da Rosa, em Dr. Muricy, no nobre intento de
attenção aos relevantes serviços só edificar sobre a virtude1 cogi-
prestados á bem da integridade do tava o meio de mais prender-se á
imperio e da honra nacional. gratidão publica
«Anteriormente o jury geral da ex- «A idéa da construcção de um
posição nacional conferia-lhe qua- edifício destinado ao hospital, co-
tro menções honrosas, em d1ffe- meçou a assomar-lhe ao pensa-
rentes classes, pelos productos ex- mento, e tornai-o em realidade foi
postos em 1866; e o jury da ex- o objecto dos seu::, mais dourados
posição de Paris, pelo mesmo mo- sonhos.
tivo, conferia-lhe mais duas. . . ,, Como conseguil-o? Onde os mei-
«Além de outros, ia-lhe a provmc1a os para levar ao cabo seus dese-
dever mais um importante trabalho. jos?
« Em 28 de Setembro desse anno « Como superar os embaraços que
encetava elle a publicação de uma .a pobreza da irmandade antepunha
serie de artigos, nos quaes descre- .á realisação da util idéa da cons-
veu-a debaixo de todos os pontos trucção de um hospital?
de vista. «Comquanto difficeis de solver fos-
GENEAI OGIA PARANAENSE TITULO CA HRA SCOS DOS REIS
180 181
sem as questões que se lhe susci- de misericordia attingia a um pros-
tavam, o Dr. Muricy não esmorecia. pero estado e o jornal « Dezenove
«O seu objectivo era insignificante, de Dezembro » em seu numero
não queria um edifício, queria os 1258, assim se expressava a res-
alicerces de um edifício; e tantos peito:
esforços empregou que, não sem «Esta pia instituição, ainda ha bem
custo, a 8 de Março de 1868 col- poucos annos, nem siquer tinha
locava elle a primeira pedra de um acção para fazer parar a sua de-
futuro hospital. cadencia. Já no seu ultimo termo
«O que fez, as difficuldades com de declinação o Snr. Dr. José Can-
que lutou e venceu-as, os obsta- dido da Sil va Muricy foi eleito
culos que deparou e transpol-os, provedor, e com a sua infatigabi-
para conseguir o desideratum1 são lidade no exercício de actos cari-
cabaes provas de seus caritativos tativo~, com a influencia de que
sentimentos e de quanta verdade merecidamente gosa, poude tirai-a
encerra a antiga parabola - que- da inercia e collocal-a no lison-
rer é poder. geiro estado que a vemos actual-
«Apoucados eram os recursos de mente, satisfazendo os fins de sua
que dispunha a irmandade. Sem creação. >
fonte de receita propria, sem meios, . Dedicado em extremo aos nacio-
a não ser a parca subvenção da naes, não o era elle menos aos
provinda, claro estava que enorme estrangeiros que habitam o Paraná
ia ser o trabalho delle. Respeitado e considerado por to-
«Pedir aqui uma esmola; solicitar dos, interessando-se vivamente pela
d'alli um donativo; obter de mais colonia allemã, á qual prodígalisa-
além uma dadiva, mesmo em ma- va soccorros medicos, não podiam
teriaes; trabalhar, emfim, pela ob- estes ficarem em olvido ; de sorte
. tenção de moeda para não estacio- que, em 3 de Junho de 1872, Sua
narem as obras encetadas, era todo Magestade o Imperador da Alie-
o seu empenho. manha fazia baixar o decreto que
«Geria a náo do estado o partido o condecorava com a Ordem da
conservador, e o Dr. Muricy, ape- Corôa de 4.ª c1asse. pelos relevan-
zar de ter idéas oppostas em po- tíssimos serviços prestados aos sub-
lítica, por sua consideração e ge- ditos de sua nação.
ral estima, alcançava do governo Devia-se realisar em 1.o de Março
provincial, sem a mínima reluctan- de 1871 a exposição de Cordova,
cia, varias sommas para attender e convidada a província a se fa-
ás necessidades da construcção a zer representar naquel!e banquete
seu cargo. de civílisação. e transmittido o con-
«No anno de 1871 a irmandade vite ao Dr. Muricy, não tardou
182 GENEALOGIA PARANAE?-;SE TITULO CARRASCOS DOS REIS
183
elle em trabalhar no sentido de « Por t~r já completado 20 annos
angariar productos; de sorte que, de bons e inestimaveis serviços ao
pelo catalogo publicado a 24 de corpo de saude, foi nomeado a 31
Agosto, concorreu com uma terça de Julho de 1874 Cavalheiro da
parte dos productos que foram re- Ordem de S. Bento de Aviz, dis-
mettidos. tincção conferida ao official sem
«Em 1872, preparava-se uma nova macula na vida militar.
festa do trabalho, á qual tinha de «O governo imperial, tomando na
comparecer o Paraná com todas consideração devida o muito que
as riquezas de seu sólo e as pre- fizera o Dr. Muricy na exposição
ciosidades de suas incommensura- de Vienna d'Austría, em 13 de
veis florestas, sendo a 12 de Ju- Agosto de 1875 baixava o de-
nho de 1872, elle nomeado pela creto nomeando-o Commendador
presidencia para compôr a com- da Imperial Ordem da Rosa.
missão incumbida de angariar pro- «A 16 desse mesmo mez, era con-
ductos, sendo posteriormente de- siderado membro correspondente
signado para confeccionar o ca- da Associação de Acclimação, sen-
talogo. do eleito seu Vice-presidente em
«A 19 de Outubro publicava elle 23 de Setembro.
o catalogo, cuja confecção lhe cou- « Em 22 de Dezembro era nomea-
bera. Trabalho de summa impor- do para fazer parte da commissão
tancia, nada deixava a desejar. encarregada de promover uma sub-
«A' colonia portugueza dedicava scripção para a construcção de um
elle extremo affecto, correspondido templo na capital.
com estima e muita consideração. ~ Em 4 de Março de 1876 o jury
«Sua Magestade Fidelissima, não geral de qualificação conferia-lhe
alheio aos serviços medicas dis- nada menos que uma medalha e
pensados aos subditos de sua na- quatro menções honrosas pelos
ção por espaço de 18 annos, con- productos expostos em 1875, e,
decorou-o, por carta real de 3 de posteriormente, o jury geral de
Setembro desse mesmo anno de Philadelphia distinguia-o .com uma
1872, com o Habito de Cavalhei-
ro de Christo de Portugal. medalha, quatro diplomas e tres
«Mais uma exposição vinha cha- certificados.
mai-o ao trabalho, - a dos Es- Em 1877 foi o Dr. Muricy alvo
tados Unidos. de uma viva manifestação de apre-
«Incumbido, ainda essa vez, de ço que se perpetuará na memoria
confeccionar o catalogo, apresen- de todos que assistiram-na
<< Um grupo de mães, esposas e
tou uma obra digna da mais se-
vera apreciação. filhas, abandonou por . momen-
tos as attribuições domesticas, para
GENEALOGIA PARA~AENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
184 185
demonstrarem o reconhecimento da que caracterisavarn a alma da mu-
família paranaense aos valiosíssi- lher, em tudo o que ha de nobre
mos serviços á causa da caridade e generoso. Que ante ellas cur-
prestados pelo benemerito medi:::o. vava-se vexado aos impulsos do
«Em J.o de Abril uma commissão mais sincero reconhecimento. Que
da mais selecta sociedade feminil, mães e esposas extremosas, davarn-
indo buscai-o á casa, conduziram- l~e uma prova solernne do ange-
no a um local escolhido e ahi das hco coração com que aquilatavam
mãos de outra não menos distin- seus merecimentos; que desejava
cta sociedade recebia elle seu re- correspondessem á apreciação que
trato a oleo, meio corpo e tamanho delles faziam. . . )>
natm:al, ricamente emmoldurado. « . . . . que, quanto aos serviços
«Uma inteJligente e veneranda se- medicas prestados, foram demais
nhora, como interprete dos senti- benignas na apreciação, porquanto
mentos de suas concidadãs, entre- . tinha cumprido nos estreitos laços
gando-lhe a offerta, patenteou em de suas forças o dever sagrado
phrases cheias de effusão de ju- que prende-nos a nossos semelhan-
bilo os serviços prestados por tão tes, e que tal dever era tão grato,
digno facultativo á mulher curity- que o proprio prazer de curnpril-
bana, affeita á contemplai-o ha 23 o é urna sobeja recompensa .. _})
annos como emissario da Provi- «Proseguindo, ao referir-se ás ex-
dencia para amparal-êi nos dolori- posições, disse:
dos transes da vida. « Que, paranaense de coração, não
« Depois, desdobrando á curiosida- podia ser indifferente ao desenvol-
de do auditoria as differentes e vimento da provincia e que por
melindrosas phases da vida da mu- simples dever imitou a seus com-
lher, apresentou o Dr. Muricy como panheiros de cornrnissão.))
o anjo suavisador de todas as dô- <; Tratando do hospital, cuja funda-
res que acabrunhavarn-na; termi- ção lhe coube, não negou ser um
nando por lembrar os valiosos ser- grande serviço á causa da huma-
viços prestados á civilisação nas nidade; mas, dizia elle, devia ser
differentes exposições e á humani- attribuido antes á philantropia dos
dade na construcção do edificio do fieis, ao zelo dos poderes publicas
hospital. provinciaes, que auxiliava a insti-
«Agradecendo commovidissimo as tuição, do que a si, simples pro-
expressões dimanadas dos labios vedor de urna pobre irmandade.))
de uma senhora, elle disse: <<Terminava aceitando o retrato, não
« . . . que não recebia taes de- como um tributo a seu merecimen-
monstrações senão como filhas to, mas corno recordação da gene-
desse affecto e desse enthusiasmo, rosidade das senhoras curitybanas.
TITULO CARRASCOS DOS REIS
186 GENEALOGIA PARANAENSE 187

«A mulher curitybana tinha sobeja minasse Muricy um dos nu-


razão para protestar reconhecimento cleos estrangeiros ha pouco creado.
ao seu velho medico, que, já pela «A 21 de Maio recebia elle das
idade e já por outros tantos titu- mãos do Exm.0 Snr. Dr. Rodrigo
las, grangeara uma confiança illi- Octavio, presidente, os premias
mitada. conferidos pelo jury da exposição
«Dedicado desde 1853, quando a nacional e pelo da universal de
provincia Iuctava com falta de me- Philadelphia, e dos quaes já fal-
dicos ao estudo dos partos, con- lamos.
segui~a tornar-se especialista nesse <<S. Ex. entregando-lhe semelhantes
ramo da sciencia; de sorte que distincções pediu licenç:1 para abra-
até essa data recommendára-se por çar - um dos mais incansaveis
innumeras operações, adquirindo brasileiros, a quem devia esta pro-
assim uma justa nomeada. víncia inequívocas provas do seu
«Além disso, todas as molestias das amor pela humanidade e pelo pro-
senhoras foram sempre objecto de gresso.
profundos estudos, sendo de pre- « Convidado pelo chefe de policia

ferencia a outros collegas, chama- de então a apresentar os motivos


do para assistil-as. das epidemias que, em determina-
«A camara municipal da capital, das estações, flagellavam a capital,
tendo em attenção os nunca es- e o meio de debellal-as, com os
quecidos trabalhos de tão conspi- grandes conheci_mentos que . pos-
cuo municipe á todas as causas suía sobre o clima e a localidade
das quaes dependia a prosperidade do lugar, a 20 de Novembro en-
do Paraná, mandou que se deno- viou um luminoso relatorio a res-
minasse de - Muricy - o largo peito.
em frente ao hospital em cons- ,, A 30 de Novembro, o Dr. Mu-
trucção. ricy, que sentia a sua saude bas-
«Por portaria do ministerio da tante abalada, ao attender o cha-
guerra de 31 de Agosto desse mes- mado de um amigo, em caminho
mo anno de 1877 era nomeado foi acommettido de um ataque
delegado do cirurgião-mór do cor- apopletico, voltando em braços para
po de saude do exercito, chefe por- casa.
tanto do corpo medico militar na <, Fatal prenuncio do que mais tar-
provincia. . de, infelizmente, realizou-se, esse
«Em consideração ainda ao vivo acontecimento abalou profunda-
interesse que tomava pelo adian~a- mente a família, amigos, a popu-
mento da província, o conselheiro lação emfim. .
Jesuino Marcondes, que era então ,Soccorrido pelo seu estimavel ge~-
presidente, mandava que se deno- ro e distincto medico Dr. Antomo
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
188 189
Carlos Pires de Carvalho e Albu- rança, que indicasse uma existen-
querque, e varios facultativos, ex- cia prolongada.
perimentou m~lhoras sensivei?, che- «E a sciencia, a medicina tão cul-
gando-se a visar um prox1mo e tivada por ~li.e, a _medicina, que
completo restabelecimento. Mas tantos prod1g10s fizera, esgotára
qual! O physico, bastante estra~ seus recursos...
gado, e o moral abatido com as <(Seus dias estavam contados. Pro-
apprehensões que lhe deviam oc- nunciara-se uma encephalite, e ante
correr com ~se primeiro ataque, a sua mortal consequencia ia ba-
estas duas c1rcumstancias reunidas quear um prototypo de virtudes.
concorriam para que os accessos «A's 4 e meia horas da manhã do
fossem amiudados. dia 20 de Março de 1879, uma
«Entretanto, apezar de luctar com lagrima deslisou-se pela face do
a cruel enfermidade, que, de mo- Dr. Muricy; era a viva expressão
mento a momento, exhauria-lhe as de dôr pela separação da família
forças, o Dr. Muricy trabalhava. paranaense; transpunha elle os hum-
<, No leito da dôr era avidamente braes da eternidade...
procurado não só pelos amigos e
pela indigencia, a quem receitava, ~Honrado em extremo, morreu po-
como pelos estrangeiros, que tanto bre, deixando na terra - a viuva
o estimavam; e, nesse mesmo lei- com 32 annos e seis filhos me-
to, dava o seu enorme expediente. nores, dos quaes um com seis me-
«lntelligente e sem o abandono zes apenas!
das faculdades, conhecedor, por- «Ao saber-se a noticia de tão in-
tanto, da molestia que o devia rou- fausta morte, geral foi a conster-
bar aos seus, devia ser horrível a nação : o commercio cerrou suas
longanimidade dos seus soffri- portas; a camara municipal sus-
mentos. pendeu as sessões por oito dias;
«A família, oh! esse conjuncto de seus patricios tomaram luto; quasí
seres, - esposa e ternos filhos - todas as casas fecharam-se.
como não se lhe escaldaria o ce- "Dir-se-hia que em cada habitação
rebro ao vir-lhe ao pensamento a finára um ente! . . _
idéa da morte! . . . O funeral, que teve lugar as l O
«O_ hospital, o hospital de suas horas da manhã do dia immediato,
maiores apprehensões1 trucidava-lhe foi o mais concorrido qut se viu
o espírito o não po der visitai-o! em Curityba, que soube assim
«E a enfermidade seguia o seu prestar a ultima homenagem ao
curso assustador. corpo do seu mais prestimoso ci-
<< E no ~orizonte d'aquella vida tão dadão.
necessana, nem um raio de espe- A camara municipal, encorporada,
190 GENEALOGIA PARANAENSE
TITULO CARRASCOS DOS REIS
191
a elle compareceu, bem como a
congregação do Instituto Parana- po derribar as elegantes ameias do
ense e a associação allemã - Ger- hospital de caridade, quando des-
mania - além da irmandade da apparecerem aquellas gigantescas
Misericordia, da qual era elle digno paredes, nas profundezas do solo
· provedor. achar-se-h& uma tosca pedra; e,
«O prestito, partindo da casa da lendo-se o nome de - Muricy -
família do finado, seguiu em di- nella esculpido, dir-se-ha com a
recção á matriz, onde tiveram Jogar veneração com que foram traçadas
as ceremonias religiosas, seguidas estas linhas:
de um cantice funebre, pela - Ger- «Foi o maior apostolo da cari-
mania. dade da época em que viveu!»
«O Rev. vigario Agostinho Lima, - Esta biographia foi extrahida do
em palavras transidas de verdad_eira opusculo publicado e destribuido
magua, memorou os reaes serviços em 1879 pelo benemerito cidadão
prestados por tão illustre quão be- Candido Martins Lopes, introdu-
nemerito e caritativo varão, typo ctor da imprensa no Paraná, como
de virtudes. justa homenagem ao Dr. José Can-
«Da igreja foi o feretro acompa- dido da Silva Muricy.
nhado pela mesma massa de povo, A imprensa do Estado, registrando
que o tomára em casa, até º. ce- o doloroso passamente do emi-
miterio, onde uma força de linha nente paranaense, teceu-lhe, nessa
prestou as honras funebres a 9ue occasião, os mais sentidos pane-
o finado tinha direito por muitos gyricos.
ti tu los. Assim é que o «Dezenove de De-
<<Ao descer ao tumulo a preciosa zembro }', em seu numero de 20
relíquia, a associação allemã en- de Março de 1879, affirmava que
toou novo cantico funebre, toman- <• o Estado perdeu um dos mais
do assim essa triste scena o mais distinctos e honrados de seus ser-
lugubre dos aspectos. vidores, a provincia o mais infa-
........ ....... tigavel dos obreiros do seu pro-
« Estava tudo consummado ! gresso, a humanidade um fervoro-
«Perdera a humanidade muito, é so apostolo da Caridade. »
verdade, porém, ganhára um nome <, O Echo do Paraná», de Parana-
para a sua historia! guá, na mesma data noticiava o
<< O Dr. Muricy succumbira, apen~s! luctuoso facto, assim como <<O
<< Mas, se, ainda assim, o histono- Paranaense)> , de 23 do mesmo mez,
grapho esquecer tão caro nome, em longo e sentidíssimo .necrolo-
mais tarde, quando a mão do ho- gio, finalizado com as segumtes ex-
mem ou a malefica acção do tem- pressões:
«Morreu o primeiro cidadão de
TITULO CARRASCOS DOS REIS
192 GENEALOGIA PARANAENSE 193

Curityba. Não é mais do mundo por tão lamentavel acontecimento


o medicô sabio e compassivo, o indicamos que esta camara sus~
amigo estremoso, o servidor do penda as suas sessões por oito
paiz, que desce ao tumulo pran- dias e vá encorporada acompa-
teado por uma população inteira.» nhar o feretro do illustre finado.
O «Noticiaria da Provincia do «Sala das sessões da camara mu-
Paraná», da mesma data, publican- nicipal, em sessão extraordinaria de
do minuciosa noticia a respeito, 20 de Março de 1879. - Ferreira
narra: de Moura. - Ennes Bandeira -
«E' indiscreptivel a dôr, a conster- Ventura Torres. - Florindo da
nação que este funesto aconteci- Motta. - Marçal de Oliveira -
mento derramou sobre toda a po- Izaias Alves. - Santos Biscaia -
pulação desta capital, sem distin- Dr. Valle.»
cção de nacionalidades, nem de «A congregação do - Instituto Pa-
partidos. ranaense - resolveu que hontem
«Nunca a cidade de Curityba co- não houvesse aulas, e os respecti-
briu-se de tão pesado luto. vos lentes, após o enterro, foram
«E' que o Dr. Muricy, por sua encorporadus dar os pezames ao
extrema bondade, proverbial mo- seu collega_ Dr. Pires de Carvalho,
destia e edificante caridade, exer- genro do finado.
cida no longo lapso de 25 annos «O sahimento foi o mais concorri-
nesta terra, havia ganho o coração do que se tem presenciado nesta ca-
de todos; e por seus serviços em pital: calcula-se em l 000 pessoas.
pró) da prosperidade desta provin- «Depois da encommendação so-
da, que amava mais que a pro- lemne na igreja matriz, o Rev. Vi-
pria vida, fez jus a maxima gratidão gario Agostinho Machado Lima
de todos os seus habitantes. proferiu uma tocante allocução, me-
«Apenas divulgada tão infausta no- morando as preclaras virtudes e os
ticia, as casas commerciaes desta numerosos serviços do Dr. Muricy,
cidade fecharam suas portas. e a sociedade allemã - Oerma-
«Na camara municipal foi apresen- nia - entoou um côro funebre.
tada e unanimemente votada a se- «Da igreja matriz quasi todo o
guinte moção: sequito acompanhou o feretro até
«E' hoje um dia de luto para o o cemiterio, onde uma guarda do
~unicipio desta capital, pelo falle- contingente de infantaria fez ao
c1mento do benemerito cidadão e illustre finado as honras devidas
humanitario medico Dr. José Can- ao seu posto de Capitão do corpo
dido da Silva Muricy. Em mani- de saude.»
festação do profundo pezar de que O «Echo do Paraná», no seu nu-
se acha possuída esta corporação mero de 27 de Março, renova as
TITULO CARRASCOS DOS REIS
194 GENEALOGIA PARANAENSE 195
suas eloquentes expressões de pe- Carlos Pires de Carvalho e Al-
zar, sendo que «O Povo», de Mor- buquerque, viuvo de Ermelina
retes, em 26 de Março, acompa- Oitahy. Foi medico, chefe do
nhando a dor geral, conclue o ne- Serviço Sanitario do Exercito.
crologia do extraordinario brasi- Teve:
leiro affirmando: 7 -1 Leonor de Carvalho e
«Cubra-se de crepe o Paraná. Co- Albuquerque, casada em
meça a posteridade para o Dr. 1904 com o engenheiro
Muricy.» militar Coronel Emydio
- O Presidente da Província em seu de Castro e Silva.
Relatorio de 1880 a proposito da Teve:
reor~anisação da Santa Casa, diz, 8-1 Antonio Carlos.
referindo-se a acção do Dr. José 8-2 Josepha.
Candido da Silva Muricy: 8-3 João Luiz.
«Dedicado incansavelmente a tão 8-4 Emydio.
elevado pensamento, que foi sua 7-2 José Pires de Carvalho e
preoccupação de muitos annos, pa- Albuquerque, capitão do
rece que ainda hoje o estimulo de exercito, casado em pri-
seu exemplo paira sobre nós, e meiras nupcias com Al-
quando a humanidade afflicta de- vacelle de Castro, e em
par~r ahi com o allivio a seus pa- segundas nupcias com
decimentos, repetirá entre suas ora- sua prima Odilia Luz.
ções e SUéiS lagrimas, o nome be- Teve do 1.0 matrimonio:
nemerito do Dr. Muricy. » 8-1
- Curityba deu o seu nome a uma 8-2
das suas mais bellas ruas, como justa 8-3
homenagem a esse benemerito apos- 8-4
tolo da sciencia, da caridade e da Sem filhos do 2.o matri-
excelsa bondade de seu bem for- monio.
mado coração. 7 -3 Heitor Pires de Carva-
5-2 Iria Narcisa Ferreira da Luz1 de lho e Albuquerque, ca-
pag. _165, foi casada em segu ndas sado com Aline Loyola,
nupc1as :om o Dr. Luiz Antonio filha do Coronel Joaquim
Pires de Carvalho e Albuquerque, Antonio de Loyola e de
magistrado e advogado. Guilhermina Loyola
Teve do primeiro matrimonio: Teve:
6-1 Josephina Candido da Silva 8-1 Walther.
Muricy e Albuquerque, casa- 8-2 Yollanda, fallecida.
da a 2 de Setembro de 1876 8-3 Nelson.-
com o General Dr. Antonio 8-4 leda
196 GENEALOGIA PARANAENSE: TITULO CARRASCOS DOS REIS
197
7 -4 Oscar Pires de Carvalho Paraná, cujo mandato desem-
e Albuquerque. penhou até 1905.
7-5 Clotilde de Carvalho e A 15 de Novembro de 1897
Albuquerque, casada com foi promovido a capitão, sen-
o Dr. Antonio Pereira. do, em 11 de Maio de 1911
Teve: promovido a major. '
8 - 1 Maria José. Por decreto de 29 de Janeiro
6-2 Tenente Coronel José Candi- de 1913 foi-lhe concedida a
do da Silva Muricy, nascido medalha de ouro, por contar
em Curityba, a 30 de Julho mais de 30 annos de servi-
de 1863. ços prestados a Patria.
Assentou praça no 1.0 Bata- Em 1818 foi compulsoriamete
lhão de Engenheiros, a 5 de reformado, com 36 annos de
Março de 1883, matriculando- relevantes serviços, no posto
se nesse mesmo anno na Es- de Tenente Coronel.
cola Militar da Praia Verme- E' sacio fundador do Instituto
lha, tirando os cursos de Ca- Historico e Oeographico do
vallaria e Infantaria. Paraná.
Foi promovido a 2. 0 tenente Publicou diversos trabalhos,
de Artilharia em 4 de Janeiro sendo de se notar o livro «A
de 1890, sendo então nomea- fóz do Iguassú », no qual fez
do Auxiliar Technico da Com- um estudo abalizado sobre as
missão Estrategica do Paraná. bellezas extraordinarias dos
Em 7 de Abril de 1892, foi Saltos do Iguassú.
promovido a 1.º tenente. Casou-se em 1893 com He-
Durante a campanha federa- cilda Santos Andrade, filha do
lista de 1893, fez parte das Dr. José Pereira Santos An-
forças legaes de Santa Ca- drade e de Anna Martins An-
tharina ao mando do Coro- drade ; casou-se, a 9 de Maio
nel Julião Serra Martins, as de 1903., em segundas nupcias,
quaes, sitiadas pelos revolto- com Josephina Costa Carnei-
sos, tiveram de capitular. Lo- ro, filha do capitalista David
go em seguida serviu em Am- Antonio da Silva Carneiro e
brosios, nas Tijucas-Paraná, de Olympia Carneiro.
onde defendeu com denodo Teve do primeiro matrimo-
a praça de guerra, que tam- nio:
bem capitulou ante a supe- 7 - 1 Iria, fallecida em criança.
rioridade das forças inimigas. 7-2 Dr. José Candido de An-
Em 1895 foi eleito deputado drade Muricy, nascido no
ao Congresso Legislativo do Barriguy (arredores de
198 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS RE[S
199
Curityba), a 4 de De- 7-9 Olympia.
zembro de 1895. 7 -1 O Marina.
Em 1913 matriculou-se 7 - 11 Anna Maria.
na Universidade do Pa- 7 - 12 Raul, fallecido.
raná, terminando seu cur- 7 - 13 Eurico.
so de Direito na f acui- 7 - 14 Marcello.
dade de Sciencias Juri- 6-3 Coronel João Candido da Sil-
dicas e Sociaes do Rio va Muricy, nascido em Curi-
de Janeiro, em 14 de Ja- tyba, a 15 de Dezembro de
neiro de 1919. 1865.
Escriptor de merito, ape- Assentou praça na Escola Mi-
sar de jovem já é uma litar da Praia Vermelha, a 22
figura de relevo na lite- de Março de 1886, sendo des-
ratura brasileira. ligado da mesma em 1895,
Publicou os seguintes por motivos de ordem polí-
trabalhos: «Literatura na- tica. Voltando ao Paraná, foi
cional » (ensaio 1916); nomeado em Novembro de
«Alguns Poetas Novos» 1899, para o cargo de Com-
(critica 1918); «Emiliano missario de Terras do Jacaré-
Pernetta» (estudo critico zinho.
1919); «O Suave Con- Em 8 de fevereiro de 1908, ex-
vívio » (ensaios criticas erceu o cargo de Coronel Com-
1922). Trabalhos ineditos mandante do Regimento de
para entrarem ao prelo: Segurança Publica do Paraná
«O Parnasianismo no No governo do Dr. Xavier da
Brasil » (estudo historico Silva, foi nomeado para fiscal
critico); «Elogios do Ro- do serviço de colonização e
mantismo Brasileiro e ou- discriminação de terras con-
tros estudos» (critica); .cedidas á companhia da Es-
«Os trabalhos de Her- trada de ferro S. Paulo-Rio
cules» (chronica de emo- Grande, cargo que deixou em
ções). 1909, por ter sido nomeado
7 -3 Gilberto Candido da Sil- inspector Agricola federal.
va Muricy. Em 1917 foi nomeado director
Teve do segundo matrimonio: da Escola de Aprendizes Artifi-
7 -4 Antonio Carlos. ces de Goyaz e logo após para
7-5 Iria.
igual cargo de Santa Catharina.
7-6 Josephina.
7- 7 José Candido. Casou-se, em 4 rle Janeiro de
7-8 David. 1902, com Iphygenia Bitten-
court Muricy, filha do Coro-
TITULO CARRASCOS DOS REIS
200 GENEAl OGIA PARANAENSE 201
doria Geral da Republica, fi-
nel Joaquim José Bellarmino lho do Coronel Constante de
de Bittencourt e de Libania Souza Pinto e de sua pri-
Carneiro Guimarães Bitten- meira mulher Francisca Cor-
court. rêa de Souza Pinto.
Filhos: 5- 3 Maria da Luz Amaral, casada com
7 -1 José Joaquim Bittencourt o Dr. Joaquim José do Amaral,
Muricy. magistrado.
7-2 Alilat. Teve:
7-3 Ruth. 6- 1 Dr. Aureliano Ferreira do Ama-
7-4 Ivette. ral, bacharel, casado com Jen-
6-4 Julio, fallecido na infancia. ny Monteiro.
6-5 Julia Muricy Sebrão, casada Teve:
com o Dr. Arthur de Almeida 7-1 flavio.
Sebrão, medico da armada. 6- 2 Anna da Luz Amaral e Souza.
Sem descendentes.
casada com Ernesto de Sou-
6-6 Capitão Jayme Muricy, ~asad? za, pharmaceutico, com des-
com Angelica von Me1en, fi- cendentes.
lha de Oscar von Meien e de
6- 3 Rita de Cassia do Amaral,
sua mulher Rosa Stellfeld von
Meien. casada com o Dr. Sylvio Pe-
lico Portella
Teve:
6-4 Joaquim da Luz Amaral.
7 -1 José Muricy.
7 -2 Mercedes Muricy. 5-4 Eugenio Ferreira da Luz, casado
com Carolina Munhoz da Luz,
7 -3 Jayme Muricy Filho.
7 -4 Ellinor Muricy. filha do Coronel Caetano José Mu-
7-5 Milton Muricy. nhoz 4-1 de 3-9 adiante.
7-6 lvonne Muricy. Teve o filho:
7- 7 lvette. 6-1 Eugenio, falkcido.
7-8 Nice. 5-5 Julia da Luz Santos, casada com
7-9 Ionne. . Horacio Ricardo dos Santos, im-
6- 7 Joaquim Muricy, fallecido, ca- portante industrial e capitalista, em
sado com Odila Belford. Morretes, filho do Commendador
Teve: Antonio Ricardo dos Santos e de
7 -1 José Joaquim. . Cordula Martins dos Santos. Neto
Do segundo matrimonio, Iria Narcisa pelo lado paterno do sargento-mór
Ferreira da Luz - 5-2 de 4-1, teve: Antonio Ricardo dos Santos e de
6-8 Maria Clara, casada com José sua segunda mulher Maria da L~z
Corrêa de Souza Pinto, dis- Paraizo. Com ascendentes descn-
tincto funccionario da Fazen- ptos em Titulo Rodrigues <le
da, com exercício na Conta- França
TITULO CARRASCOS DOS REIS
202 GENEALOGIA PARANAENSE
203
Teve: 8-1 Francisco, nascido a
6-1 Julia da Luz Santo~, nascida 15 de Novembro de
em Buenos Ayres, a 20 de 1913.
Agosto de I 872, fallecida em Do segundo matrimonio
Curityba a 9 de Abril de teve:
1912, casada no dia 24 de 8-2 Acyr.
Janeiro de 1889 com o Co- 7-3 Dr. Antonio Leopoldo
ronel Antonio Leopoldo dos dos Santos, nascido a 3
Santos, nascido em Marretes de Novembro de 1895.
a 12 de Maio de 1867 e fal- Formado em sciencias
lecido em Curityba a 3 de jurídicas e sociaes em
Dezembro de 1918, filho do 1917, pela Faculdade de
Coronel José Antonio dos Direito do Paraná. Exer-
Santos e sua mulher Fran- ceu os cargos de Pro-
cisca da Luz Santos. Com motor Publico das Co-
ascendentes descriptos em Ti- marcas de Serro Azul
tulo Rodrigues de f rança. Araucaria e S. José do;
filhos: Pinhaes. foi Juiz Muni-
7-1 Sarah dos Santos Almei- cipal do Termo de Mar-
da, casada no dia 4 de retes, Comarca de Anto-
fevereiro de 1914 com ni na. foi Juiz de Direito
Arthur Penteado de Al- de Palmas, Imbituva e
meida. actualmente da Comarca
filhos: de Campo Largo.
8-1 Maria. Casado, a 20 de Ma10
8-2 Arthur. de 1920, com Andyra
8-3 Alceu. Carvalho de Oliveira San-
8-4 Annete. tos, filha de Viriato Car-
7-2 Julia dos Santos Carneiro valho de Oliveira e sua
de Quadros, casada em primeira mulher Aristida
primeiras nupcias a 4 de Rocha; neta pela parte
Janeiro de 1913, com paterna do Coronel João
Francisco Ferreira da Carvalho de Oliveira e
Costa, fallecido a 4 de de sua segunda mulher
Agosto do mesmo anno. Maria da Luz e Oliveira;
Casada em segundas nu- neta pela parte materna
pcias com Alfredo Car- do Capitão florencio
neiro de Quadros. Munhoz da Rocha e sua
Teve do primeiro matri- mulher Maria da Luz
monio: Ferreira Bello.
204 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
205
Teve: do a 1. de Julho de 1860 na
0

8- 1 Antonio, nascido em Freguezia do Engenho Velho


Curityba a 15 de Estado do Rio de Janeiro. Filh~
Agosto de 1924. de Dom Jayme Romagueira,
7 -4 José Antonio dos Santos natural da Hespanha, de S.
nasceu no Bariguy a 26 felix do Quixolo, e de sua mu-
de Outubro de 1897. Foi lher Luiza Aguiar Romaguei-
academico de engenharia. ra, natural do Rio de Janeiro.
Dedicou-se ao commer- Dom Jayme chegou ao Rio
cio. Casado com Maria em 1835, onde se estabeleceu
da Luz Santos. com casa commercial. O adi-
Teve: vo industrial Luiz Romagueira
8-1 Newton. tem sido no Estado um dos
7 -5 Horacio dos Santos, nas- mais importantes factores do
cido a 5 de Abril de progresso da industria da ma-
1900, industrial no Iraty. deira, da qual foi um dos
Casado com Carolina Cu- primeiros exportadores.
nico dos Santos. Homem activo e emprehen-
7 -6 Francisca dos Santos Mi- dedor, procurou novas fontes
randa, casada com Gil- commerciaes para a introdu-
berto Xavier de Miranda, cção do Pinho do Paraná,
filho do capitalista Gui- que até ha pouco tempo, ti-
lherme Xavier de Miran- nha pequena aceitação fóra
da e sua segunda mu- do Paraná. Triumphou a custa
lher Maria Thereza Bit~ de tenacidade e firme orien-
tencourt de Miranda. tacão e honestidade commer-
filhos: ciál e individual.
8-1 Maria Thereza. Teve:
8-2 Mercedes. 7 - 1 Lucia dos Santos Roma-
7 -7 Cordula dos Santos Arau- gueira.
jo, casada com José Car- 7-2 Julia dos Santos Roma-
valho de Araujo. gueira
filho: 7-3 Maria Luiza Romagueira
8-1 Hamilton. de Macedo, casada com
6- 2 Antonio, fallecido. o bacharel James Portu-
6-3 Sarah da Luz Santos Roma- gal de Macedo, filho do
gueira, nasceu em Buenos Ay- Dr. Francisco Ribeiro de
res a 4 de Julho de 1875, Azevedo Macedo e de
casada a4 de Janeiro de 1893 sua mulher Ootilde Por-
com Luiz Romagueira, nasci- tugal àe Macedo.
206 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
207
7 -4 Luiz dos Santos Roma- José Pires de Carvalho e Al-
gueira, nascido a 4 de buquerque, filho do Dr. An-
Março de 1907. tonio Carlos Pires de Carva-
5-6 Coronel João Ferreira da Luz, ca- lho e Albuquerque e de sua
sado com Maria da Cunha Luz, mulher Josephina Muricy.
filha do Dr. João Manoel da Cu- 6-3 Dr. Brasilio Ferreira da Cu-
nha e de sua segunda mulher Ma- nha Luz, engenheiro civil,
ria Elisa Deslandes da Cunha, fal- nascido em 17 de Maio de
lecida a 6 de Setembro de 1870; 1896.
neta pela parte paterna do Tenente 5- 7 Dr. Brasília Ferreira da Luz, nas-
Coronel da J.a Linha João Manoel cido nos arredores de Curityba a
da Cunha e de sua mulher Ger- 29 de Setembro de 1858.
trudes Maria da Cunha; neta pela formou-se em medicina, no dia
parte materna de Simão José Hen- 30 de Dezembro de 1885, pela
riques Deslandes, natural de Mar- faculdade de Medicina do Rio de
selha, e de sua mulher Edwigem Janeiro.
Marcilia de França, por esta, bis- Em 1877 foi eleito, pelo Partido
neta do Capitão f rancisco Carnei- Conservador do Paraná, para o
ro dos Santos e de sua mulher lugar de Deputado á Assembléa
Anna Maria de Jesus. Legislativa Provincial.
Teve: Iniciado que foi o regímen repu-
6-1 Dr. Vicente Ferreira da Luz, blicano, retirou-se o Dr. Brasilio
medico, nascido a 28 de Ja- Luz do scenario político, para se
neiro de 1886, casado com preoccupar inteiramente com os
Nerina do Amaral Souza, fi- seus misteres de clínico.
lha de Ernesto Souza e de Em Março de 1890, entrou como
Anna do Amaral. capitão, para o corpo de Saúde do
Teve: Exercito.
7-1 Helio. Foi eleito, em 1893, Deputado ao
7-2 Yêda.
Congresso Legislativo do Paraná.
7-3 Haroldo. Durante a revolução federalista e
6-2 Odilia Ferreira da Cunha Luz,
casada em primeiras nupcias a revolta da Armada (1893-1894)
com o Dr. Miguel Severo de o Dr. Brasilio Ferreira da Luz
Santiago, filho de Francisco serviu nas hostes da legalidade.
Januario de Santiago e de findo que foi o período revolu-
sua primeira mulher. Sem des- cionaria, em 1894, reoccupou a
cendentes. sua cadeira no Congresso Estadoal.
Casou-se em segundas nupc\as Em 30 de Dezembro de 1894, foi
com o Capitão do Exercito eleito para o cargo de Deputado
federal, sendo reeleito no anno
GENEAl OGIA PARANAENSE
208 TITULO CARRASCOS DOS REIS
209
de 1897. Quando terminou este ranaense ». Falleceu em 1922, sendo
mandato, foi eleito Senador da lente cathedratico de francez do
Republica pelo Paraná. Gymnasio Paranaense. Era medico.
Em 1914, terminados que foram foi do corpo de saúde do exer-
os seus poderes políticos na Ca- cito.
pital da Republica e no Paraná, Teve:
reformou-se como Coronel medico 6- 1 Rachel, fallecida.
do Exercito. 6-2 Esther, solteira.
Casado com Maria Pereira de Sou- 5-9 Coronel José Ferreira da Luz, ex-
za Barros, filha do Barão da Vis- tabe1lião de Curityba; homem de
ta Alegre; já fallecida. prestigio político. Casou-se com
Teve: Bertholina Pereira da Luz, nascida
6-1 Maria. em 16 de Março de 1864, filha do
6-2 Brasilio Ferreira da Luz, ca- Coronel Francisco da Silva Perei-
sado com Nair Madureira Bit- ra e de Constança Bertholina Ribas.
tencourt, filha de Fernando de Teve:
Bittencourt e Paula Madurei- 6-1 Dr. Flavio Ferreira da Luz,
ra Bittencourt. nascido a 18 de Agosto de
Teve: 1887, casado com sua prima
7-1 Mary. Sarah Lopes, filha do Coro-
7-2 Brasilio. nel Jesuino da Silva Lopes e
7-3 Fernando. de Amelia da Silva Pereira
7-4 Lopes.
6-3 Dr. Fausto Ferreira da Luz,
fez os seus estudos prepara-
casado com Eloisa Ferreira da tivos em Curityba, matricu-
Luz, filha do Coronel J_osé lando-se em 1904 na Facul-
Ferreira da Luz, 5-9 abaixo.
Teve: dade de Direito do Rio de
7 -1 Nelson, nascido a 6 de Janeiro, onde recebeu o gran-
de Bacharel em 27 de De-
Abril de 1915. zembro de 1908. Voltou á
7-2 Maria José. sua terra natal tendo occupa-
6-4 Carmen.
6-5 Esther, fallecida. do logo em seguida o cargo
5-8 Florencia da Luz Azambuja, casa- de Secretario do Superior Tri-
da a 16 de Novembro de 1868, bunal de Justiça. Redactoriou
com o Dr. Laurentino Argêo de por essa occasião a Revista
Azambuja, viuvo de Amenayde de Diréito do Paraná Em 14
Monteiro. Foi director do impor- de Abril de 1909 contrahio
tante e modelar estabelecimento de casamento. Em Dezembro des-
ensino secundario « Parthenon Pa- se anno foi nomeado official
interino do Registro de lm-
TITULO CARRASCOS DOS REIS
210 GENEALOGIA PARANAENSE 211

moveis e Títulos da Capital, no 7 -2 Clotilde, nascida a 16 de


impedimento de seu pae, licen- Dezembro de 1912.
ciado. Por essa occasião dedi- 7-3 José, nascido a 8 de
cou-se ao magisterio, leccio- Março de 1914.
nando particulamente, até que 7-4 Ruy, nascido a 23 de Ju-
em fevereiro de 1912 adque- lho de 1915.
riu por compra ao Dr. Ma- 7 -5 Laura, nascida a 21 de
rins de Camargo o «Oymnasio Setembro de 1920.
Curitybano », que dirigiu até 6-2 Eloisa, nascida a 22 de Ju-
fins de 1916. nho de 1892, casada com o
Em Janeiro de 1913, tendo- Dr. Fausto Ferreira da Luz,
se dimittido do seu cargo o seu primo, 6-3 de 5-7 retro.
serventuario effectivo, seu pae, filhos:
habilitou-se em concurso e a 7 -1 Nelson, nascido a 6 de
11 de Abril do mesmo anno foi Abril de 1915.
promovido vitaliciamente no 7 -2 Maria José, nascida a 18
cargo de official do Registro de Dezembro de 1917.
de Immoveis, Titulas e Docu- 6-3 Eloyna, nascida a 21 de Se-
mentos da Comarca da Capital. tembro de 1894.
Em Junho de 1915 fundou a 6-4 Stella, nascida a 4 de Maio
«Revista de Espiritualismo », de 1896, casada com Alcides
que vem dirigindo ininterru- Madureira Bittencourt, filho
ptamente até esta data. Como do Coronel f ernando Bitten-
adepto e defensor dos ideaes court e de Paula Madureira
pregados pelo Espiritismo; des- Bittencourt
de aquella data vem collab~- filhos:
rando na imprensa da Capi- 7 - 1 Edgard, nascido a 24 de
tal sobre esses assumptos e Agosto de 1921.
sobre assumptos sociaes, ten- 7 -2 Eleonora, nascida a 20
do mantido varias polemicas de Setembro de 1924.
com adeptos do romanismo 6-5 Eurico Dulce.
e do protestantismo. E' casa- 4-2 Manoel Polydoro, filho de 3-5, casado
do com sua prima Sarah ~o- com Anna Maria Gomes da Silva.
pes, filha do Coronel Jesumo Teve (por informações):
da Silva Lopes e de sua m_u- 5-1 Iria Polydoro Bührer, casada com
lher Amelia da Silva Pereira Conrado Bührer.
Lopes. Teve:
Filhos: 6-1 Conrado Bührer Filho, casado
7 -1 Cid, nascido a 1Ode Ja- com Rosa Prohmann.
neiro de 1910. Teve:
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
212 213

7-1 Julieta Bührer. 6-1 Maria Müller Rohn, casada


7-2 Harmen Bührer. com Emílio Carlos Rohn.
7-3 Leonor Bührer. Teve:
7-4 Waldivio Bührer. 7 -1 Gustavo Müller Rohn
7-5 Adalvina Bührer. empregado na Adminis~
7 - 6 Carmen Bührer. tração dos Correios do
7 - 7 Oscar Bührer. Paraná, casado com Ho-
7-8 Odemar Bührer. norina Tobias Müller.
7-9 Milton Bührer. Teve:
6-2 Ludovico Bührer, casado com 8-1 Adolpho Antonio
Athalia Cunha. Müller.
Teve: 8- 2 Estella Müller de
7 - 1 Olavina Bührer. Campos, casada com
7-2 Octacilio Bührer. Waldemar de Cam-
6-3 Maria Lydia Coimbra, casada pos.
com Horacio de Bastos Coim- 8-3 Irene.
bra. 7 -2 Alfredo Rohn, casado com
Teve: Adelaide de Azevedo, fi-
7 -1 Heraclides de Bastos Co- lha de Ildefonso de Aze-
imbra. vedo e de Izabel Ventura.
7-2 Dr. felinto de Bastos Teve:
Coimbra. 8- 1 Alfredo Rohn.
7-3 Dr. Decio de Bastos Co- 8-2 Adolpho Rohn.
imbra. 8-3 Alba Rohn.
7-4 Moacyr de Bastos Coim- 8-4 Alice Rohn.
bra. 8-5 Olga Rohn.
7 -5 Lourival de Bastos Coim- 8-6 Maria Rohn.
bra. 8- 7 Isabel Rohn.
7-6 Venina de Bastos Coim- 7-3 Margarida Rohn da Cu-
bra. nha, casada com Cezar
7 -7 Olvidia de Bastos Coim- Cunha, filho de Manoel
bra. Cunha e de Maria Cae-
7-8 Anna de Bastos Coimbra. tano Cunha.
7-9 Edelvira de Bastos Coim- 7 -4 Antonio Rohn, casado
bra. com f rancisca Candida
7 -1 O Ondina de Bastos Coim- Pereira Rohn, filha de
bra. Antonio Arlindo Pereira
5-2 Januaria Polydoro Müller, casada e de Rosa Pereira
com João José Pedro Müller. Teve:
Teve: 8-1 Acyr Rohn.
214 GENEALOGIA PARANAENSE
TITULO CARRASCOS DOS REIS
215
8-2 Maria Rohn.
8-3 Rosa Rohn. Sem geração.
8-4 Deleuza Rohn. 6-3 Iria Müller Ayrosa, fallecida,
8-5 Augusta Rohn. foi casada com João Antonio
8-6 Zely Rohn. Ayrosa.
7 -5 Emilio Rohn, casado com Teve:
Anna Martins Gomes, 7 -1 Benedicto.
professora normalista, fi- 6-4 Euclides Müller, fallecido, foi
lha de Manoel Gomes e casado com Maria de Azevedo.
de Joaquina Mendes Go- Teve:
mes. 7 -1 Augusta.
Filhos: 7 - 2 Thereza.
8-1 Herzondina. 7 -3 Maria da Luz.
8-2 Wilson. 6-5 Antonio Müller, falleceu sol-
8-3 Norma. teiro.
7 -6 Augusto Rohn, casado 6-6 Brasiliano Müller, falleceu sol-
com Augusta de Olivei- teiro.
ra filha de Euclides de 4-3 Benedicta dos Prazeres Loyola, filha de
o'liveira e de Maria Aze- 3-5, foi casada com o Capitão João de
vedo. Augusta de Oli- Loyola e Silva.
veira falleceu em Marre- Teve:
tes em Dezembro de 5-1 Major Vicente Ferreira d~ LoyoJa,
1925 em con::,equencia fallecido. Foi importante mdustnal
de um parto de quatro no município de Marretes, homem
crianças, nascidas a ter- de grandes dotes mora~, b~n~oso
mo, dos quaes fallec~ram e philantropico. Era estimad1ss1mo.
tre~, quinze dias apo.s o Casado com Luiza do Nascimento
nascimento, e um filho Loyola, filha de Manoel Rjcar~o
falleceu algum tempo de- do Nascimento e de sua pnme1ra
pois. mulher Maria Caetano de França,
Teve: fallecida.
8-1 Newton. Casado em segundas nupcias com
7 -7 Thereza, solteira. Maria Narciza de Loyola, viuva
7 -8 Francisco, fallecido. de João Ricardo Guimarães. Titulo
7-9 Manoel, fallecido. Rodrigues freire. 5-6 àe 4-5 de
6-2 Augusta Müller, cas~da ~om 3-2 filha do Coronel José Anto-
I

Francisco do Rosano, filho nio dos Santos e de sua mulher


do Major Zeferino José do Francisca da Luz Santos.
Rosario e sua mulher Carme- Teve do primeiro matrimonio:.
lina Monteiro do Rosario. 6-1 Brasilio de Loyola, fallec1do.
6-2 Guilhermina de Loyola Mar-
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
217
condes, _foi a primeira espo- Com descendentes em Ti-
sa do Coronel Amazonas de tulo Rodrigues de França.
Araujo Marcondes, importante 7 -2 Moyses Loyola de Oli-
chefe político em União da veira.
Victoria, fallecido em 1924 7 -3 Laura Loyola de Oliveira
não deixando geração dess~ Grein, casada com o pro-
matrimonio. fessor normalista Victor
6-3 Argemiro de Loyola, casado Grein, fallecida em con-
com Targina Celestina de Oli- sequencia de seu primei-
veira Loyola; fallecido, não ro parto.
deixou descendencia. 7 -4 José Loyola de Oliveira
6-4 Maria Luiza de Loyola, falle- 6-9 Henrique Ferreira de Loyola,
cida. foi casada com seu tio casado com Anizia Gomes de
Major Agostinho Ferreira de Loyola, filha do coronel e im-
Loyola, de quem foi primeira portante industrialAntonio Go-
mulher. mes e sua mulher Maria das Do-
Com descendentes descriptos res Lacerda Neta pela parte pa-
em 5-2 que se segue. terna do tenente coronel Fran-
6-5 Professora Julia de Loyola, foi cisco Gonçalves Cordeiro Go-
a segunda mulher do Major mes e sua mulher Joaquina da
Agostinho Ferreira de Loyola, Cruz Gomes; neta pela parte
viuvo de sua irmã 6-4. materna do tenente coronel Jo-
Com descendentes descriptos sé Bento de Lacerda e sua mu-
em 5-2 adiante. lher Lydia Josepha de França
6-6 Ottilia Loyola. Com descendentes em Titulo
6- 7 Joaquim Loyola. Rodrigues de França
O Major Vicente Ferreira de Loyo- 6-1 O José Loyola
la, 5-1 retro, teve de seu segundo 6-11 Vicente Loyola.
matrimonio os seguintes filhos: ó-12 Narciza Loyola.
6-8 Brasília Loyola de Oliveira, 6-13 Humberto Loyola.
casada com José Secundino 6-14 Euclides Loyola
de Oliveira, teve: ó-15 Francisco Loyola
7 -1 Hilda Loyolé, de Olivei- ó-16 Maria Julia de Loyola Abreu,
ra Carneiro, casada com fallecida em Curityba em De-
o Tenente Antonio Car- zembro de 1923, foi casada
los Carneiro, filho do com o coronel Leopoldino de
Capitão Antonio Carlos Abreu, abastado negociante e
Carneiro e sua mulher prestigioso chefe político em
Catharina de Souza Car- Antonina; de quem foi a se-
neiro. gunda mulher.
218 GENEAI OGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
219
Com descendentes em Titulo 7 de Novembro de 1901 com
Rodrigues de França. Car1:1ella Bevil.acqua de Loyo-
5-2 Major Agostinho Ferreira de Loyo- la, filha de Miguel Bevilacqua
la, nascido a 21 de Dezembro de e de sua mulher Carmella Be-
1849, fallecido a 19 de Agosto de vilacqua.
1899. Prestou bons serviços mili- Filhos:
tares a legalidade durante a revol- 7 -1 Maria Luiza de Loyola
ta de 1893. Era empregado do ser- Antunes, casada a 28 de
viço da fiscalisação das rendas do Fevereiro de 1923 com
Estado. Foi casado em primeiras Mario Antunes.
nupcias com sua sobrinha Maria 7-2 Nair de Loyola Alice,
Luiza de Loyola, 6-4 retro, e em casada a 30 de Janei-
segundas nupcias a 13 de Janeiro ro de 1926 com Arman-
de 1888 com sua cunhada profes- do Alice.
sora Julia de Loyola, irmã da pre- 7 -3 Dinah Loyola.
cedente. filhos do segundo matrimonio:
Teve do primeiro matrimonio: 6-4 João Argemiro de Loyola, ca-
6-1 Professora Julia Alice de Loyo- sado a 30 de Abril de 1919
la Monteiro, formada pela Es- com Maria da Gloria Salda-
cola Normal de Curityba, ca- nha de Loyola, filha de Pe-
sada a 12 de Junho de 1909 dro da Costa Saldanha e de
~om Oliverio Monteiro Junior, sua mulher Dulce da Cosia
filho do Major Oliverio de Saldanha.
Oliveira Monteiro e de sua Filhos:
mulher Beliza da Silva Mon- 7-1 Agostinho.
teiro. 7-2 Acyr.
Sem filhos. 6-5 Tenente Humberto Agostinho
6-2 Leoncio Laurentino de Loyo- de Loyola, official da 2.ª li-
la, fallecido a 30 de Novem- nha do exercito, empregado
bro de 1918, foi casado a 12 ferroviario, :asado a 20 de
de Setembro de 1908 com Abril de 1915 com Romilda
MariaJulia Monteiro de Loyo- Azevedo de Loyola. filha do
la, filha do Major Oliverio de Major Manoel de Souza Aze-
Oliveira Monteiro e de sua vedo Junior e de sua mulher
mulher Beliza da Silva Mon- Zulmira Andrade de Azevedo.
teiro. Teve:
Filhos: 7 - 1 Div~ nascida a 11 de
7 -1 Maria de Lourdes. Dezembro de 1918.
7 -2 Francisco. 5-3 Coronel Joaquim Antonio de Loyo-
6-3 Vicente de Loyola, casado a la, foi importante chefe político em
220 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
221
Antonina e acreditado industrial de Em 1917 foi nomeado medi-
herva matte. co da Força Publica do Es-
Nos ultimas annos de sua vida tado com o posto de major,
exerceu o cargo de collector das cargo em que se acha até hoje.
rendas estadoaes de Curityba. Ca- E' director do Hospício de N.
sado com Guilhermina dos San- S. da Luz, desde a época da
tos Loyola, filha do coronel José sua inauguração.
Antonio dos Santos, importante ca- Occupou uma cadeira no Con-
pitalista e industrial e de sua mu- gresso Legislativo do Estado,
lher Francisca Maria da Luz. em duas legislaturas, 1902 -
Teve: 1906, havendo-se com grande
6-1 Tenente Coronel Lauro do independencia.
Brasil Loyola, commerciante, E' lente cathedratico da ca-
foi Prefeito Municipal de An- deira de clínica neurologica e
tonina, deputado estadoal, ca- psychiatrica da Faculdade de
sado com Anna Emília Soares Medicina da Universidade do
Gomes, filha do Coronel An- Paraná.
tonio Soares Gomes e de sua Casou-:,e em 7 de Maio de
mulher Maria Julia Soares, 1903 com Maria Augusta
com ascendentes no titulo - Carneiro de Loyola, filha do
Rodrigues de França. Coronel David Antonio da
Teve: Silva Carneiro, abastado capi-
7 -1 lsmenia. talista e de sua mulher Olym-
7-2 Raul. pia da Costa Carneiro, ambos
7-3 Ruth. já fallecidos.
7-4 Ruy. Teve:
7-5 Rachel. 7 - 1 Maria José.
7-6 José Guilherme. 7-2 Dr. José Maria Carneiro
6-2 Dr. José Guilherme de Loyola, de Loyola, engenheiro
nascido em São João da Gra- civil pela Universidade
ciosa, município do Porto de do Paraná, formado em
Cima, a 16 de Janeiro de 1874. Dezembro de 1925.
Matriculou-se em 1893 na 7-3 Laura Carneiro de Loyo-
Faculdade de Medicina do la, funccionario bancaria.
Rio de Janeiro, completando 7-4 Odette.
seus estudos em 1899. 6-3 Helena de Loyola, casada em
Em 1908 foi nomeado dire- primeiras nupcias com o Dr.
ctor do serviço de hygiene do Vicente Machado da Silva
Estado, exercendo esse cargo Lima, filho de José Machado
até 1912. da Silva Lima e sua segunda
222 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
223
mulher Anna Guilhermina Pi- 7-6 Helena.
nheiro Lima, de cujos traços 7 -7 Adolpho.
biographicos e ascendentes 6-4 Joaq~im dos Santos Loyola,
trataremos neste mesmo titulo. fallec1do.
foi casada em segundas nu- 6-5 Aline dos Santos Loyola, ca-
pcias com o Dr. Bento La- sada com o capitão do exer-
menha Lins, que foi deputado cito Heitor Pires de Carva-
federal e secretario do interior lho e Albuquerque.
do Estado do Paraná; era fi. filhos:
lho do illustre pernambucano 7-1 Walter.
Dr. Adolpho Lamenha Lins, 7-2 Yolanda, fallecida
um dos mais competentes ho- 7-3 Nelson.
mens de governo da antiga 7-4 Veda.
Província, que muito lhe deve, 6-6 Dr. Joaquim Antonio dos San~
principalmente na parte relativa tos Loyola filho, medico, re.
ao serviço de colonização, que sidente em Ponta Grossa, ca·
com grande criterio localizou sado com Haydée Fonseca de
nos arredores de Curityba e Loyola.
no littoral, e de sua mulher filhos:
Candida Corrêa Benevides 7-1 Renée.
Line, natural de Pernambuco. 7-2 Arlete.
Teve, do seu primeiro matri- 7-3 Wilson.
monio: 5-4 Antonio Ferreira de Loyola, casa-
7-1 Laura Loyola Machado do com Rosa Luiza de Bittencourt
Lima. Loyola.
7 -2 Vicente, fallecido. Teve:
7-3 Sarah Machado Caval- 6-1 Joaquim de Bittencourt Loyola
canti, casada com o te- 6-2 Castorina Loyola Silva, falle-
nente do Exercito Léo cida, casada com Bernardo
Cavalcanti, filho do Ge- Silva.
neral Carlos Cavalcanti 6-3 Leocadia Loyola, casada com
de Albuquerque e de sua Bernardo Silva, viuvo de 6-2.
mulher Francisca Munhoz Teve:
Cavalcanti, adiante. 7 -1 Emília Loyola, casada
Ahi os descendentes. com Joaquim Duarte de
7-4 Gastão de Loyola Ma- Camargo.
chado Lima. Teve:
7-5 José, fallecido. 8-1 Maria Candida
Teve do seu segundo matri-
monio: 8-2 José.
8-3 Antonio.
224 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS

5-5 José Ferreira de Loyola, casado serviços, com modestia e bon-


com Maria Rosa de Bittencourt dade.
Loyola, 5-5 de 4-3, de 3-5 de 2-7, Casado com Domitila Moura
§ 1.o do Cap. 2. 0 do Titulo Ro- de Loyola, filha do capitão
drigues de França. Antonio Augusto Ferreira de
Teve: Moura e de sua mulher Por-
6-1 Professor Arthur Ferreira de cina Borges de Moura.
Loyola, nascido em Morretes Teve:
no dia 17 de Outubro de 7-1 Dr.Leonidasdeloyola,ad-
1862. vogado, casado com Edith
Vindo para Curityba, fundou do Nascimento Loyola.
um importante e acreditado Teve:
internato e externato que, to- 8 - 1 Carlos Eduardo, fal-
mou grande impulso, tornando- lecido.
se desde logo um est.,.beleci- 8-2 José Antonio.
mento modelar de instrucção 7 - 2 Dr. Levy de Loyola, me-
secundaria. Annos depois dei- dico, fallecido a 2 de Ju-
xou o collegio para gerir um lho de 1922.
estabelecimento commercial 7 -3 Marilia, fallecida na in-
nesta cidade. fancia.
Occupou varios cargos de 6-2 Major João Pedro de Loyola,
eleição na capital. casado com Maria Rosa de
Trabalhador incansavel, de Loyola.
grande honestidade. Teve (por informações):
Em 29 de Março de 1916 foi 7 - 1 Ocraina de Loyola, casa-
nomeado Lente cathedratico da com Ascendino Fer-
da cadeira de Pedagogia, mo- reira do Nascimento, fi-
ral, Direito Patrio e Econo- lho do Coronel Ascen?.
mia Politica da Escola Nor- dino Ferreira e de sua
mal. mulher Emília Alves do
A 2 de Junho permutou a re- Nascimento.
ferida cadeira com a de Por- Teve:
tuguez do Oymnasio Parana- 8- 1 Boabidil Ferreira do
ense, então regida pelo Dr. Nascimento.
Francisco Ribeiro de Azevedo 8- 2 Fernando Ferreira
Macedo, conservando-se até do Nascimento.
hoje nesse laborioso e nobi- 7 - 2 Percival Loyola, casado
litante encargo. Pedagogo no- no dia 31 de Julho de
tavel e illustrado, vem pres- 1924 com Annita Ro-
tando ao Paraná relevantes mero Loyola, filha de
226 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
227
João Pedro Romero e de 8-5 Roberto.
sua mulher Hyppolita 8-6 Ilza.
Alves Vieira Romero. 8- 7 Gilberto.
Filhos: 7-2 Abimael Silveira, casado
8-1 João. com Albertina Neves da
8 -2 Eraylde. Silveira, filha da viuva
7-3 Marina. Fausta deAndrade Neves.
7-4 Nelma. 7-3 Sarah Silveira
6-3 Honorina Loyola, casada com 7-4 Laura Silveira Cyrne, ca-
Victoriano Bacellar Filho. sada com José Alcides
Teve (por informações): Cyrne, filho de José Cyr-
7 - 1 Zeneida. ne e de sua mulher Anna
7 -2 Maria Rosa. Adelia Cyrne.
7 -3 Zeno Bacellar. Teve:
7-4 Aroldo. 8-1 Helio.
7 -5 Ceei lia. 7 -5 Apollo Silveira, fallecido
7 -6 Moacyr Bacellar. foi casado com Dora Sal~
7- 7 Manoel. tine Silveira, filha do Dr.
7 -8 José. João Sal tine e de sua
6-4 Maria Clara Loyola da Sil- mulher Eliza Saltine.
veira, nascida a 5 de Julho Teve:
de 1865, casada a 20 de Mar- 8-1 Dory.
ço de 1880, em Marretes, com 7 -6 Rachel Silveira da Costa,
Cassiano da Silveira, nascido casada com Antonio Ro-
a 13 de Agosto de 1850, fi- drigues da Costa, filho
lho de Manoel Lopes Trigo e de Antonio Rodrigues da
de sua mulher Maria Correia Costa e de sua mulher
Silveira, naturaes de lguape, Maria Luiza Rodrigues
residentes na cidade de San- da Costa
tos, Estado de São Paulo. Teve:
Teve (por informações): 8-1 Aroldo.
7- 1 Izaú Silveira, casado com 8 -2 AI berto.
Alice Breyne, filha de Af- 7 - 7 Maria José Silveira
fonso de Breyne e de sua 7-8 Honorina Silveira
mulher Alzira de Breyne. 7 -9 Esther Silveira.
Filhos: 6- 5 Lucio de Loyola, casado com
8- 1 Oswaldo. Augusta Martins de Loyola,
8-2 Ivette. filha de Bento Martins Coe-
8-3 Paulo. lho e de sua mulher Maria
8-4 Maria de Lourdes. Francisca Martins.
TITULO CARRASCOS DOS REIS
228 GENEALOGIA PARANAENSE 229
filhos (por informações): 6-1 Targina Loyola de Oliveira,
7 - 1 Eudoxia. fall~cida, foi. casada em pri-
7-2 Nathalia. meiras nupctas com seu pri-
7 -3 Marietta Loyola, casada mo Argemiro f erreira de Loy-
com Francisco Soares ola, 6-3 ~e 5-1, e em segun-
Raposo. das nupctas com Olavo Gui-
Teve: marães Corrêa.
8-1 Neuza. Sem descendentes.
7-4 Lucio. 6-2 J<?sé Celestino de Oliveira Ju-
7-5 José. mor, fallecido, foi director e
7 -6 Sylvia, fallecida. redactor chefe do « Diario da
7 -7 Maria de Lourdes. Tarde», jornal que se publica
7 -8 Luiz felippe. n'esta capital, logo após a sua
6-6 Theophilo Loyola, casado com fundação. Espírito organisador
Francisca de Oliveira Ribas e pratico, ficou com a parte
Loyola, filha de f rancisco de material do jornal entregando
Oliveira Sá Ribas e de sua a Euclides Bandeira a dire-
mulher Maria do Carmo Ribas. cção mental e intellectual do
filhos (por informações): mesmo. Ambos deram ao jor-
7 -1 Maria do Carmo Loyola nal urna criteriosa e intelli-
Guimarães, casada com gente orientação, apreciando
Clovis- Baptista Guima- os factos com imparcialidade,
rães. analysando-os desapaixonada-
7-2 Cecília Loyola. mente e servindo, em todos
7-3 José Ribas de Loyola. os transes, de arauto decisivo
7 -4 Maria Francisca Ribas de do direito do povo.
Loyola. foi casado com Augusta Ro-
7-5 Maria Christina Ribas de drigues de Oliveira, filha de
Loyola. Antonio José Rodrigues, irn-
7-6 João Ribas de Loyola. - portante capitalista desta praça,
7 -7 Maria Rosa Ribas de fallecido em sua patria, Por-
Loyola. tugal, e de sua mulher Ma-
7-8 Maria de Lourdes Loyola. ria da Gloria Tinoco.
7 -9 Maria da Apparecida filROS:
Loyola. 7 -1 Aracy de Oliveira Riedel,
Teve mais 3 filhos fallecidos nascida a 29 de Setem-
em criança. bro de 1892, casada a
5-6 Maria Benedicta de Loyola, casa- 8 de Outubro de 191 O
da com José Celestino de Oliveira. com o professor Hugo
Teve (por informações): Oswaldo Riedel, Lente
230 GENEALOGIA PARANAENSE
TITULO CARRASCOS DOS REIS
231
da f acuidade de Phar-
macia da Universidade do viuva de Akebiades da
Penha lima.
Paraná e da Escola Agro- Teve:
nomica, filho de Hugo
Riedel, natural da Alle- 8-1 Cilly, com 4 annos.
manha, de onde veio para 8- 2 Orlando, com 2 an-
nos.
o Brasil com 4 annos de 6-3 Capitão João Celestino de
idade. foi tabellião vita- Oliveira, fallecido a 30 de
licio em Blumenau, onde
representou papel saliente, Junho de 1924, casado com
sendo professor de por- Celmira frei tas de Oliveira,
tuguez da escola allemã filha de Antonio do Valle e
e dentista. Amante fer- de sua mulher Mareia Paim
de Oliveira.
voroso do Brasil; e de filhos:
sua mulher Anna Hesse,
natural de Santa Catha- 7 -1 Oeny de Oliveira Piffe-
rina, que pela sua parte ro, nascida a 31 de De-
materna pertencia á no- zembro de 1890, casada
breza allemã. a 17 de Junho de 1907
Teve: com o Dr. Bernardo Pif-
8-1 Diva deOliveiraRie- fero.
del, nascida a 1.0 Sem filhos.
de Dezembro de 7 -2 Cecy Freitas de Oliveira,
1911. solteira.
8-2 Oswaldo de Olivei- 7 -3 Edgard Freitas de Oli-
ra Riedel, nascido a veira, nascido a 24 de
20 de Julho de 1913. Novembro de 1896, ca-
8-3 Juracy de Oliveira sado a 19 de Setembro
Riedel, nascida a 14 de 1922 com Laura Sou-
de Novembro de za e Mello de Oliveira.
1918. Filhos:
7 -2 Ar()'emiro Celestino de 8- 1 Oeysha Mello de
Oliveira, negociante, es- Oliveira.
tabelecido no Rio de Ja- 8- 2 Antonio Carlos Mel-
neiro, nascido a 23 de lo de Oliveira.
Maio de 1893, casado 7 -4 Suely de Oliveira Assis
em Maio de 1925 com Bandeira, nascida a 3 de
Laura Capelline. . Novembro de 1898, ca-
7-3 Maria da Gloria, nascida sada a 13 de Julho de
em 8 de Agosto de 1894, 1925 com Henrique de
Assis Bandeira.
TITULO CARRASCOS DOS REIS
232 GENEALOGIA PARANAENSE 233

7-5 Parminio Freitas de Oli- sua mulher Rosa Gomes de


veira, nascido em 9 de Oliveira.
Agosto de 1903. Filhos:
7 -6 Maria da Conceição Frei- 7 -1 Aracy Celestino de Oli-
tas de Oliveira, solteira. veira, solteira.
6-4 Major Brasilio Celestino de 7 -2 Ernani Celestino de Oli-
Oliveira, casado a 4 de Julho veira, solteiro, nascido a
de 1904 com Maria José de 29 de Novembro de 1905.
Oliveira, filha de José Anto- 7-3 Avany Celestino de Oli-
nio de Oliveira e de sua mu- veira, solteira.
lher Emília Nobrega de Oli- 6- 7 Carmen Celestino de Oliveira
veira. casada a 3 de Setembro d~
Filhos (6): 1898 com o Dezembargador
7 - 1 Fany Celestino de Oli- Dr. Augusto Leonardo Sal-
veira, solteira. gado Guarita.
7-2 Targina Celestino de Oli- Teve:
veira, solteira. 7 -1 Ernani de Oliveira Gua-
7-3 Brasilio Celestino de Oli- rita, solteiro, nascido a 8
veira Junior, nascido a 1O de Setembro de 1899.
de Março de 1911. 7 -2 Raif de Oliveira Guarita.
7 -4 Alceu Celestino de Oli- 7-3 Orville de Oliveira Gua-
veira, nascido a 15 de rita.
Maio de 1913. 7-4 Jandyra de Oliveira Gua-
7 -5 Maria da Graça. rita.
7 -6 Odette Celestino de Oli- 7 -5 Stella de Oliveira Guarita
veira. 5- 7 Manoel Ferreira Cordeiro de Loyo-
Além dos filhos do casal ·aci- la, casado com Candida de Souza
ma referidos, teve o Major Loyola, filha de Luiz Maria de
Brasília Celestino de Oliveira Souza e de sua mulher Dulce Lui-
mais o filho: za Gomes; neta pela parte materna
7 - 7 Celso Celestino de Oli- de Antonio Luiz Gomes e de sua
veira, nascido a 5 de Ja- mulher Maria Rosa do Sacramento.
neiro de 1905. filhos:
6-5 Maria Francisca Celestino de 6- 1 Maria Rosa, fallecida.
Oliveira, solteira. 6-2 João Saturnino, fallecido.
6-6 Capitão Victor Celestino de 6-3 João Luiz, fallecido.
Oliveira, casado a 17 de Ju- 6-4 Dulce de Loyola, diplomada
nho de 1897 com Rita Go- pela Escola Normal de Curi-
mes de Oliveira, filha de tyba, onde é professora de
João Gomes de Oliveira e de prendas e trabalhos.
234 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS 235

6-5 Maria Guilhermina, fallecida. Era proprietario de terras em Piraquara e em S. José dos
6-6 Zulmira, fallecida. Pinhaes. . .
6- 7 Francisco, fallecido. Do primeiro matn1:1omo teve : . .
6-8 Manoel José, fallecido. 3-1 Jgnacia Esmenana do Valle, .nascida em 1768.
2-8 Capitão Agostinho da Silva Valle (ultimo filho de 1-8 3-2 José Candido do \:alie, nascido em 1770.
do Capitulo 2.o) foi casado em primeiras nupcias com 3.3 Maria Cacere, nascida em 1772.
Maria da Rocha Ferreira, filha de José da Rocha Fer- 3.4 Atanagildo do Valle, falleceu em 1788 aos, 14 ann~s.
reira, natural de S. Miguel de Gandra-Porto, e de sua 3.5 Anna Euphrasia, casada com Manoel jose de Fana,
mulher Sebastiana Marques da Cunha, descendentes do filho de João Manoel da Fonseca e de sua mulher
Brigadeiro Silvestre Marques da Cunha. Casado em Rosa Maria
segundas nupcias em Curityba a 1.0 de Outubro de Teve:
1786 com Maria Angela de Lima, filha do Alferes 4-1 José de Faria, nascido em 1798.
José Nabo de Medeiros e de sua mulher Maria Fran- 3-6 Oorothea da Silva V~le, casada e~ 1795 co1:1 Fran-
cisca de Lima, de Curityba; neta pela parte paterna cisco Rodrigues Pereira (ou F.erreira), fallec1do em
de Luiz Gomes da Silva, natural da Ilha da Madeira, 1802
e de sua mulher Angela Corrêa de Mendonça, de Pa- Teve:
ranaguá; neta pela parte materna do Sargento-mór 4-1 Maria Thereza, nascida em 1797, casada com
Miguel Gonçalves de Lima, natural de S. Christovão Domingos Rodrigues da Costa
de Ponte de Lima, Braga e de sua mulher Maria Paes 4-2 Sebastiana
dos Santos, de Curityba; por esta, bisneta de Sebas- 4-3 Francisco.
tião dos Santos Pereira, de Vizeu, e de sua mulher 3- 7 Boaventura, nascida em 1782. .
joanna Garcia, de Curityba, de cujos ascendentes em Do segundo matrimonio 2-8 teve (C. O. Cuntyba):
seguida trataremos neste mesmo Titulo no Capitulo 5.0. 3-8 José, fallecido solteiro.
O Capitão Agostinho da Silva Valle e o Alferes José 3-9 Balbina, fallecida solteira
da Costa Pinto eram, em 1785, os arrematantes do 3-10 Luiza Licia de Lima Munhoz, casada com o Te-
contracto da arrecadação das passagens e cargas dos nente de milícia Florencio José Munhoz, na~ral da
portos do rio do Cubatão e dos rios situados entre Cidade de Paranaguá, filho de Bento Antomo Mu-
este rio e o rio S. Francisco. Em 1778 exercendo nhoz e de sua mulher Michelina de Assumpção, na-
elles essa mesma funcção de arrematantes desse con- turaes de Cadiz. Neto pela parte paterna de Bernardo
tracto, foram multados pela Camara em 50$000 cada Munhoz e de sua mulher Rosa Maria; neto pela
um delles; e porque julgassem essa multa injusta re- parte materna de Manoel lgnacio do VaUe e .de su~
quereram, em 1784, a restituição respectiva. mulher Lourença Maria. O Tenente florenc10 Jo~e
Em 1786 o. Doutor Ouvidor e Corregedor da Co- Munhoz, residiu por muitos annos em Paranagua;
marca Francisco Leandro de Toledo Rondon officiou era proprietario, no ltinga, de um grand~ campo de
ao Presidente da Camara communicando que resolveu criação de gado, onde p~ssuia ~ais .de oitenta rezes,
mandar «proceder a factura do caminho da serra para com muitas vaccas de cnas · foi adiantado lavrador.
Çuri.!_yba», desi.gnando os cabos e trabalhadores que Era irmão de Francisca Mu~hoz de Siqueira, casada
ftcarao sob a inspecção de Agostinho da Silva Valle, com o Tenente Bento José de Siqueira, .d_e Balbi~a
que-:--- «levado sómente do interesse publico, tomou so- Maria de Assumpção, casada com o Cap1tao Antomo
bre st todo o trabalho e asistencia de toda a despeza». - José de Carvalho, de Maria Munhoz, casada com
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS 237
236
Manoel de Oliveira Cercai e (na duvida) de Bernardo An- um homem grande, de alta estatura e de costelletas, era
tonio Munhoz, fallecido em Paranaguá em 1809. Munhoz, seu marido. .
O illustrado paranaense Alcides ~unhoz em suas pre- «Este Munhoz era uma espec1e de Bergami !»
ciosas «folhas Cadentes» ou «Elog10 do Patrono>,, lido _ «Com esta observação Victor Hugo comparou D. Fer-
perante a Academia de Letras do Paraná, por occasião de nando não ao marido de uma rainha, mas a um favorito,
tomar posse da cadeira que merecidamente tem por pa- corno' foi Bergami, de Carolina de Brunswick.
trono Alfredo Munhoz, assim explica a origem da familia «Não foi, comtudo, muito feliz este Munhoz em sua mor-
Munhoz: ganatica aventura. Morreu obscuramente em França onde
«A familia Munhoz no Sul do Brasil e nas republicas Luiz Philippe o havia feito duque de Montmorot.»
platinas provem de um unico tronco de origem que teve Teve (C. O. Curityba):
o seu inicio em Tarancon, provincia hespanhola de Cuenca. 4-1 Tenente Coronel Caetano José Munhoz, nascido em
«O seu primeiro representante foi um empregado regio de Paranaguá em 17 de Junho de 1817, era homem
impostos, no seculo XVI. Um dos seus descendentes veio energico e luctador, de caracter firme e princípios se-
para a America pelo meiado do seculo XVIII. Viera, como veros e inabalaveis. Ainda. moço transferiu a sua re-
militar, para as possessões hespanholas do sul, para a Banda sidencia para Curityba, onde iniciou a sua vida indus-
Oriental, provavelmente, em serviço da corôa. A familia hes- trial no commercio da exportação de herva matte.
panhola Munhoz não possuía nobreza, nem sanguinea, nem foi um dos primeiros a montar engenho a vapor
argentaria. Era, todavia, de classe respeitavel. A indole al- de soque de herva matte, em Curityba. Homem ho-
tiva, porem, é que a enobreceu e a tornou conhecida na nesto e laborioso deu grande incremento á industria.
Hespanha e na França. Um dos descendentes do tronco, Suas marcas eram das mais acreditadas e a marca
D. Fernando Munhoz, foi o segundo esposo da rainha <, Caetano » alcançou grande popularidade, e após a
Christina, regente da Hespanha. D. Fernando era apenas sua morte foi vendida por alto preço. foi abastado
um gentil homem, um militar cheio de arrogancia e de capitalista e homem de grande valor moral. Deu so-
fanfarrices. lida educação a seus filhos.
«Conseguia aprisionar nas suas conquistas de amor o co- Casou-se em primeiras nupcias em Novembro de 1840
ração de Christina. com Francisca de Assis de Oliveira Munhoz, ou Fran-
«Casou-se morganaticamente, ouzadia que lhe proporcio- cisca Candida de Assis, fallecida em Paranaguá a 3
nou a obtenção de um titulo ducal. de Julho de 1861, filha do Ajudante de milicia João
«A rainha Christina era uma quarentona cheia de belleza Gonçalves Franco, natural de Villa Nova de Çóvos
ainda. de Cerveira, Braga, Portugal, nascido em 1777 e fal-
«Victor Hugo~ descreveu em uma das suas obras, depois lecido em 19 de Junho de 1853 e de sua mulher
d~ vel-a u_m dia nas Tulherias em passeio: «Vi-a passar, Escholastica Angelica Bernardina, nascida em Lages,
diz o escnptor,. v~tida de mousseline transparente, deixan- a 28 de Outubro de 1790, casada em Curityba a 29
do ver uma saia mterior de côr azul celeste. Trazia um de Novembro de 1807. Neta pela parte paterna do
chapeu de velludo violeta; delambia-se toda para o duque tenente Luiz Antonio Gonçalves Franco e de sua mu-
de Angoulême. Possuía uns olhos bellissimos e caminhava lher Ignacia Maria da Cruz, naturaes da Villa Nova
sempre de cabeça ~rguida. Ao passar proximo a mim, de Cóvos de Cerveira; neta pela parte materna do
vendo-me n'uma atbtude de admiração, os olhos fixados tenente coronel Manoel Teixeira de Oliveira Cardoso,
em sua belleza, lançou-me um olhar altivo de rainha. natural do Porto, Portugal, onde nasceu a 5 de Mar-
«Acompanhavam-na dois homens. O que ia a esquerda, ço de 1765, e de sua mulher Anna Maria do Sacra-
TITULO CARRASCOS DOS REIS
238 GENEAI OGIA PARANAENSE 239

menta, nascida em Lages, então pertencente a São Paulo Na litteratura, nas sciencias, nas artes, patenteava uma ad-
a 12 de Setembro de 1768, casada a 27 de Agosto d~ miravel intelligencia.
1789 e fallecida a 5 de Maio de l8 l 3 no abarracamento A grande~a de sua alma era tão grande, que no amor
da expedição de Ouarapuava. pelo prox1mo, procurava os pobres, para levar-lhes o con-
O Tenente Coronel Caetano José Munhoz, 4-1, casou em forto espiritual e material.
segundas nupcias com Narciza de Paula Xavier, filha do Satisfazendo sua ulti~a vo~tade, a Federação Espirita do
major Antonio de Paula Xavier e de sua mulher Leocadia Paraná, de que o extmcto fora um dos sustentaculos con-
Ubaldina de Jesus, 5-11 de 4-1 de 3-7 de 2-2 do § VI vidou um dos. se~s .associados Pª:ª fazer a prece d~ des-
do capitulo V, deste titulo. pedida que foi reltg10samente ouvida pelos assistentes.
Teve do primeiro matrimonio: Occupou todos os lugares de accesso de Fazenda.
5-1 Commendador Alfredo Caetano Munhoz, dotado de foi nomeado collabor~dor em 1863, quando ainda estavam
uma vasta e culta intelligencia, conhecendo profunda- reunidas as Th~souranas geral e provincial, por occasião da
mente varias linguas. Escrevia o francez correntemen- separação. Mediante concurso na Thesouraria de Fazenda foi
te; traduzia o inglez, o allemão, o latim, o italiano; nomeado praticante da mesma por Portaria do Ministeri~ da
manejava admiravelmente o hespanhol e não lhe eram Fazenda de 26 de Janeiro de 1864. Por titulo do mesmo
extranhos o grego, o hebraico e o sanskrito. Ministerio de 19 de Junho de 1865, foi promovido a 2.o
Era profundo conhecedor da iingua portugueza. escripturario; por decreto de 16 de Fevereiro de 1870 foi
Castro Lopes, incontestavelmente um dos melhores promovido a offi:ial da Secretaria; por decreto de 6 de
mestres do vernaculo, mantinha com Alfredo Munhoz Fevereiro de 1872 f~i promovido a chefe de secção; por
as mais intimas relações sobre este assumpto. decreto de 5 de Abnl de 1873, tendo sido extinctos os
~edigindo revistas e jornaes, de propaganda e littera- lugares de chefes de Secções, foi nomeado contador· e
nos, não se ~abia o que mais admirar, se a belleza finalmente, por decreto de 8 de Junho de 18781 foi 'no~
da forma, se a elevação dos conceitos. meado inspector effectivo, tudo da mesma Theso uraria de
~ombativista terrível, mas cavalheiroso. Fazenda do Paraná. Por decreto de 6 de Setembro de
Durant.e. 14 annos redigiu a revista espirita «A Luz», 1878, foi nomeado inspector em commissão da Thesoura-
que fo1 ~ncontestavelmente a primeira revista no genero, ria de Fazenda de Matto Grosso, cargo que exerceu até
no Brasil,. sendo grandemente acatada no estrangeiro. !ins do anno de 1879, voltando a occupar o seu lugar de
Nes~a revista, que era orgão do Centro Espirita de mspector effectivo da Thesouraria de Fazenda do Paraná
Cunty~a, ~lfredo Munhoz apostolava de tal maneira sendo aposentado, a seu pedido, nesse cargo, por decret;
que sc1entistas como Aksakoff, conselheiro privado do de 11 de Agosto de 1891.
Czar Alexandre III da Russia · Max Hecran Zõllner Exerceu diversas commissões dentro e fóra do Estado, por
William Croo~es, Lombroso, Ernesto Volpi,' Willia~ nomeação dos governos provincial e geral. Em Setembro
Steward e muitos outros traduziam os seus artigos de 1890, foi em commissão ao Estado de Santa Catharina,
e apresentavam-nos como verdadeiros ensinamentos. como delegado do governador do Paraná, o dr. Serzedello
Esses grandes sabias, em ::,ua maioria haviam offere- Correia, afim de entrar em accordo com o governador
cido s~as photo.graphias ao venerando 'paranaense com d~quelle Estado sobre questão de herva-matte, sendo elo-
as mais expressivas dedicatorias, sendo que muitos o gta~o pelo modo por que desempenhou essa commissão.
tratavam de veneravel Mestre. Foi ho~em de idéas emancipadas e liberaes. Era socio
Não foi só, porém, na propaganda espirita que Alfre- ho~orano de diversas associações dentro e fóra do Estado.
do Munhoz se salientou. Foi um Maçon convencido e cheio de serviços á instituição.
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS 241
240
Era commendador da Ordem da Rosa, por serviços pres- 7-3 Rachel Cavalcanti, casada com o Capitão Julio
tados ao Estado, agraciado por carta imperial de 4 de Se- Limeira. Sem geração.
tembro de 1880. 6-2 Rachél Munhoz de Moraes, casada com o Capitão de
foi relator dos debates do Congresso Legislativo deste cavallaria do exercito Leoncio Raphael de Moraes
Estado. fallecido, filho do agrimensor Evaristo Cícero de Mo~
Nasceu em Curityba a 4 de Fevereiro de 1845. Falleceu raes e de sua mulher Anna de Moraes.
a t.o de Fevereiro de 1921. Teve:
Foi casado em primeiras nupcias com Ritta de Assis de 7-1 Raphael Munhoz de Moraes, solteiro.
Oliveira Munhoz, filha de José Teixeira de Oliveira e de 7-2 Carlos Munhoz de Moraes, casado com Zilda
sua mulher Cezarina Francisca de Assis; neta pela parte Schimmelpheneg Pereira Munhoz.
paterna do Tenente Coronel Manoel Teixeira de Oliveira Teve:
Cardoso e de sua segunda mulher Anna Joaquina da Pai- 8-1 Dilza.
xão; neta pela parte materna de Francisco de Paula Tei- 7-3 Alfredo Munhoz de Moraes, solteiro.
xeira Cardoso e de sua mulher Ritta Maria de Jesus; e 6-3 Major Raul Munhoz, do exercito nacional, casado com
em segundas nupcias com Annalia de Oliveira. Haydée Pereira Munhoz.
Teve do primeiro matrimonio: Teve:
6-1 Francisca Munhoz Cavalcanti, senhora possuidora de 7-1 Saul Munhoz, casado com Zayde Fonseca de
esmerada educação artística; pintora e pianista; casada Almeida Munhoz.
com o General reformado do exercito dr. Carlos Ca- Teve:
valcanti de Albuquerque, que foi deputado federal, 8- l Nelson Nisan.
presidente do Estado do Paraná e actualmente é se- 7-2 Rubens Munhoz, solteiro.
nador da Republica. E' engenheiro militar. Político 7-3 lnisilla Munhoz, casada com Emmanoel Vicente
de grande illustração e de honestidade pouco vulgar, da Rocha, filho de Luciano Ignacio da Rocha e
o dr. Carlos Cavalcanti de Albuquerque, soube se de sua mulher Francisca Lisbôa Rocha.
manter n'uma atmosphera criteriosa, fóra dos precon- Teve:
ceitos que empolgam os homens políticos. 8-1 Amaury.
Teve: 8-2 Maria Olga.
7-1 Tenente Ouido Cavalcanti de Albuquerque, casa- 7-4 Hariclée.
do com Francisca de Souza Paula Albuquerque. 7-5 Darclée.
Filhos: 7-6 Myriam.
8-1 Carlos. 7- 7 Ritta.
8-2 Doris. 7-8 Evandro.
7 -2 ~éo Cavalcanti de Albuquerque, tenente do exer- 7-9 Maria Thereza.
cito nacional, casado com Sarah Machado Caval- 6-4 Tarcilla Munhoz, casada com Carlos Franco de Souza.
canti, filha do Dr. Vicente Machado da Silva Teve:
Lima e de sua segunda mulher Helena de Loyola 7-1 Milton.
Machado Lima, 6-3 de 5-3 retro. 7-2 Ritta.
Teve: 7-3 Alfredo.
8-1 Renato. 7-4 José.
8-2 Rubens. 7-5 Myriam.
GENEALOGIA PARANAENSE: TITULO CARRASCOS DOS REIS
242 243

7-6 Ernani. de fazenda de Matto Grosso, em Com missão; foi chefe


6-5 Sylvia Munhoz Velloso, casada com Antonio de secção da Alfandega de Santos; por decreto de l .o de
Duarte Velloso. Junho de 1890 foi no.m:,ado inspector da Alfandega de
Sem descendentes. Paranaguá, em Comm1ssao, e por decreto de 24 de Se-
6-6 Helvidia d'Arc Munhoz, fallecida, foi casada com tembro de 1892 foi aposentado, quando se achava exer-
o Dr. Antonio Martins Franco. cendo o lugar de lnspector da Thesouraria ·de fazenda de
Sem descendentes. s. Paulo. foi Sub-Director da Empresa «Docas de San-
6- 7 Caetano José Munhoz, capitão do exercito na- tos». Pelo governo do Paraná foi honrado com a sua no-
cional, fallecido na campanha do Contestado. meação para o honroso cargo de Secretario do Interior e
Era casado com Gertrudes Lopes Munhoz, filha Justiça, cargo que desempenhou com rara competencia e
do major Arthur Martins Lopes e de sua mu- zelo, durante um quatriennio. O governo da Republica
lher Guilhermina da Cunha Lopes. Neta pelo procurou aproveitar os meritos incontestaveis do illustre
lado paterno de Candido Martins Lopes e de Paranaense, e o fez reverter á classe de Fazenda que tan-
sua mulher Gertrudes da Silva e pela parte ma- to soube honrar. f alleceu quando no exerci cio do cargo
terna do maestro Jacyntho Manoel da Cunha e de Delegado fiscal do Thesouro Nacional em Curityba,
de sua primeira mulher Joaquina Maria da Cu- depois de proveitoso tirocínio de perto de 40 annos de
nha, dos quaes trataremos n'esta obra. distinctos serviços.
Teve: Publicou diversos trabalhos seus, entre os quaes:
7-1 Marina. . Apontamentos sobre Inspectoria Commercial », opusculo
7-2 Raul. publicado em Santos em 1887.
7 -3 Dinorah. «Canhenho dos Conferentes e Despachantes das Alfande-
5-1 O Commendador Alfredo Caetano Munhoz do seu gas», precioso livro aduaneiro, em 1887, Santos.
segundo matrimonio teve tres filhos: «Processo Administrativo sobre contrabando », 1893.
6-8 Ritta. «Serviço externo ».
6-9 Alfredo. "Escripturação mercantil ».
6- 10 Maria da Luz. · lnstrucções sobre Conferencia».
5-2 Coronel Caetano Alberto Munhoz, nasceu em Curi- «Procurações».
tyba a 19 de Outubro de 184 7 e falleceu a 2 de Livros esses de grande utilidade; suas edições foram todas
Maio de 1908. Como seu irmão Alfredo, era homem exgotadas; revelando seu talel'lto e grande competencia.
illustrado, tendo iniciado seus estudos no Collegio do Na classe de fazenda, ninguem levou-lhe a palma.
Professor Kopeck, em Petropolis. Casou em primeiras nupcias com Leonidia da Silva Pe-
Ainda muito moço dedicou-se á carreira burocratica, reira, fallecida na flôr dos annos, a 6 de Novembro de
na qual muito se distinguiu e soube honrar e elevar 1882, filha de Francisco da Silva Pereira e de sua mulher
pela sua competencia, honestidade, zelo e dedicação. Constança Bertholina de Sá Ribas, e em segundas nupcias
Em 29 de Novembro de 1870 foi nomeado 2. 0 Es- com Maria da Conceição Lustoza Munhoz.
cripturario da Thesouraria de fazenda do Pará; a 1.0 Teve do primeiro matrimonio:
de Abril ~e 1873 foi nomeado 1.º Escripturario da 6-1 Coronel Alcides Munhoz, nascido em Curityba, a 2
Thesourana de fazenda do Paraná tomando posse a de Agosto de 1873. No anno de 1897 foi nomeado
14 de Maio desse anno. Por dec;eto de 29 de Ja- official da Secretaria de finanças, Commercio e In-
neiro de 1881 foi nomeado inspector da Thesouraria dustria, onde iniciou a vida publica, attingindo ao
244 GENEALOGIA PARANAENSE

alto cargo de Director Geral, em que se acha actual-


- TITULO CARRASCOS DOS REIS

Teve:
8-1 Arthur.
245

mente. Literato dos mais salientes, tem produzido e


publicado diversas obras de valor: 8-2
«Pathmos»; «Mbá»; «O Grande Theatro»; «O Cere- 7 -2 Odette Pereira de Leão, casada com Agos-
bro de um Duque»; '< Esboço Politico do Dr. Vicente tinho de L~o, filho do capitalista Agosti-
Machado»; «O Snr. Sylvio Romero e o Allemanismo no nho Ermelmo de Leão e de sua mulher
Sul do Brasil »; «A Teutophobia do Snr. Sylvio Romero »; Maria Clara Abreu de Leão.
«O Pão Brasileiro »; «O Paraná e o Trigo », etc. Teve:
Sua natural tendencia !iteraria é para o theatro, tendo 8- 1 Agostinho.
já escripto diversos dramas e comedias, muitos dos 8-2
quaes levados á scena. Dentre as suas muitas produ- 7-3 Carmen Pereira Cartaxo, casada com o Dr.
cções theatraes destacam-se: Alcebiades Guarita Cartaxo, engenheiro, re-
«O Vigilado»; «As Meias de Seda»; «Castor e Pol- sidente em S. Paulo, filho de José Joaquim
lux»; «Flôr do Campo»; «Estrella Polar»; «Dom Luxo». do Couto Cartaxo, serventuario de fazenda,
E' membro do Centro de Letras, do Instituto Histo- já fallecido1 e de sua mulher Maria Eulina
rico Paranaense e da Academia de Letras do Paraná, Guarita Cartaxo1 fallecida
da qual é Presidente. Teve:
Casou-se com Iphigenia de Macedo, filha do Coronel 8- 1 Beatriz.
Manoel Ribeiro de Macedo Junior e sua primeira mu- 8-2 Dulce.
lher Benedicta Rosa de França Macedo, casados a 19 7-4 Lothario Pereira Filho.
de Janeiro de 1876. 6-8 de 5-3 de 4-9 de 3-1 de 7-5 Cecy.
2-1, § 1.0 do Capitulo 2.o, titulo Rodrigues Seixas. 7-6 flavio Pereira.
Teve: 6-3 Lucilla Munhoz Moreira, casada com Dr. Arthur
7 - 1 Dr. Laertes Munhoz, advogado. Casou em 1925 Xavier Moreira, Coronel do exercito.
com Eloyza de Souza Munhoz, filha de José Con- Teve:
rado de Souza, secretario da instrucção publica 7 -1 Debhora.
do Paraná, e de sua mulher Carlota de Quadros 7 -2 Aristoteles Moreira.
Souza, fallecida. 7-3 Emestina.
7 -2 Dr. Milton Munhoz, medico, formado em 1925, 7 -4 Archimedes Moreira.
pel~ Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. 7-5 Aristarco Moreira.
7-3 Alctdes Munhoz Filho, destacado alumno da Es- 5-2 Coronel Caetano Alberto Munhoz, teve de seu se-
cola de Guerra. gundo matrimonio:
7 -4 Lelia Munhoz. 6-4 Dr. Alberto Lustoza Munhoz, advogado, empre-
7-5 Iylanoel Alberto Munhoz, gymnasiano. gado da Fazenda.
6-2 f ranc1sca Munhoz Pereira casada com Lothario da 6-5 Dr. Adhemaro Lustoza Munhoz, engenheiro ci-
Silva Pereira, industrial filho de Tristão da Silva Pe- vil, Director das Obras Publicas do Estado, ca-
reira e de sua 2.a mulher Benedicta do Carmo Brito. sado com Ignez Colle, filha do Dr. Santiago M.
Teve: Colle e de sua mulher Annita Colle.
7 -1 Leonidfa Pereira de Lacerda casada com Arthur 6-6 Manoel, fallecido em criança.
Supplicy de Lacerda, comm~rciante na Lapa. 6- 7 Aristophanes, fallecido em criança.
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRA SCOS DOS REIS 247
246

5-3 Augusta Munhoz Negrão, casada com o Major Ma- parallelepipedes e as praças ajardina~as, fa~endo-se a aber-
noel de Souza Dias Negrão, 5-9 de 4-6 de 3-1 de tura de novas ruas e de vastas avemdas, ligando a cidade
2-1, dc1 § 1.0 , capitulo 2. 0 , do titulo Rodrigues Sei- ao porto de D. Pedro II.
xas desta obra. Ahi a descendencia. o dr. Caetano Munhoz da Rocha, quando Prefeito de
5-4 Luiza Munhoz, fallecida solteira. Paranaguá, reformou e saneou a cidade.
5-5 Maria Leocadia Munhoz, casada em primeiras nupcias Para o quatriennio de 1916 - 1920 foi eleito }.o Vice-Presi-
com o seu primo Coronel Bento Munhoz da Rocha dente do Estado, tendo exercido a administração publica
importante industrial, já fallecido, filho de Manoel durante o impedimento do Presidente Dr. Affonso Alves de
Martins da Rocha e de sua mulher Maria Licia Mu- Camargo.
nhoz, 4-2 adiante. Casou-se em segundas nupcias com foi Secretario da Fazenda, e mais tarde Secretario da Fa-
o Coronel Manoel Bonifacio Carneiro, fallecido. zenda, Agricultura e Obras Publicas, durante o exercício
Teve do primeiro matrimonio: governamental do referido Presidente.
6-1 Dr. Caetano Munhoz da Rocha, nascido na cida- Eleito Presidente do Estado do Paraná, para o quatrien-
de de Antonina no dia 14 de Maio de 1879. nio de 1920- 1924, assumiu a gestão publica a 25 de
Em 1896 matriculou-se na Faculdade de Medi- fevereiro de 1920, sendo reeleito para o mesmo cargo no
cina do Rio de Janeiro, concluindo seu curso no quatriennio de 1924 - 1928.
anno de 1902; em 1.0 de Dezembro de 1905 O Dr. Ç~etano ~unhoz da R?c~a vem fazendo com largo
fundou em companhia de seu irmão Ildefonso descortm10 poltbco uma admm1stração honesta e inatacavel,
Munhoz da Rocha a acreditada firma commercial pelo seu espirita clarividente de estadista compenetrado e
«Munh~z da Rocha & Irmão », a qual teve logo forte.
grande mcremento. C.sou-se em primeiras nupcias, na cidade de Paranaguá, a
E_m ~ 904 foi eleito deputado ao Congresso Le- 14 de Fevereiro de 1903, com Olga Souza Munhoz da
g1slat1vo Estadoal, para o biennio de 1904 - 1905. Rocha, filha do Major Manoel Francisco de Souza e de
Foi successivamente reeleito para as Iegislaturas sua mulher Francisca Carneiro de Souza f allecida no dia
de 1906- 1907, 1908 -- 1909 (na qual foi eleito 29 de Janeiro de 1921.
1.0 Vice-Presidente), 1910-1911, 1912- 1913, Casou-se em segundas nupcias, a 8 de Dezembro de 1921,
1914-1915, 1916-1917, quando occupou o com Domitilla Almeida Munhoz da Rocha, filha do Co-
cargo de Presidente do Congresso por escolha ronel Alfredo Xavier de Almeida e de sua mulher Maria
de seus pares. Luiza Orein de Almeida.
Em 21 de Junho de 1908 foi eleito Prefeito Mu- Com o fallecimento de sua segunda esposa em Agosto de
nicipal de Paranaguá, para o quatriennio de 1923, . o Dr. Caetano Munhoz da Rocha contrahiu tercei-
1998-1912, e a 21 de Junho de 1912 foi re- ras nupcias a 16 de Janeiro de 1924 com Sylvia Braga
eleito para o de 1912-1916 tendo renunciado Munhoz da Rocha, filha do Coronel Manoel Antonio da
o man~ato a 15 de Novembro' de 1915, por haver Cunha Braga e de sua mulher Victoria de Lacerda Braga,
tran~fendo sua residencia para a Capital do Estado. já fallecidos.
A_ cidade_ de Paranaguá deve-lhe relevantes ser- Neta pela parte paterna de João Manoel da Silva Braga e
viços, salientando-se entre outros o do abasteci- de sua mulher Francisca Luiza da Cunha; por esta, bis-
mento d'agua e construcção da rede de esgotos, neta do Commendador Manoel Antonio da Cunha e de
a ~renagen:i e aterro de grande parte da zona su~ ~ulher Joaquina Teixeira Coelho, filha de Francisco
baixa da cidade; varias ruas foram recalçadas a Te1xe1ra Coelho, tronco da família desse appellido, e que
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS 249
248
foi o primeiro capitão-mór e fundador da cidade da 7-3 Luiz.
Lapa, casado com Gertrudes Maria dos Santos, falle- 6-3 Humberto Munhoz da Rocha, casado com Clotil-
cida a 5 de Fevereiro de 1832. de de Oliveira Rocha, filha do Major Luiz Ma-
Teve do primeiro matrimonio: rianno de Oliveira e de sua primeira mulher
7 -1 Zorah de Jesus, fallecida. Noemia Neves de Oliveira. Neta pela parte pa-
7-2 Bento Munhoz da Rocha Netto, academico de terna de José Marianno de Oliveira, natural do
engenharia. Rio de Janeiro, e de sua mulher Anna de Oli-
7-3 Odah Cecilia da Rocha Ferreira, casada em 1923 veira, e neta pela parte materna do Capitão
com o Dr. Leonidas do Amaral ferre ira, medico Joaquim Xavier Neves e de sua mulher Adelaide
oculista, filho do Dr. João Candido Ferreira e de de Amorim Neves. ·
sua mulher Josepha do Amaral Ferreira. Teve:
Teve: 7 - 1 Bento de Oliveira Rocha.
8- 1 Leonidas. 7-2 José de Oliveira Rocha.
8-2 Olga. 7-3 Neuza de Oliveira Rocha.
7-4 Maria Zorah, solteira. 7-4 Maria de Oliveira Rocha.
7-5 Olga, fallecida. 7-5 Gastão de Oliveira Rocha.
7-6 Vera Maria. 7-6 Hilda de Oliveira 'Rocha.
7-7 Olga Maria, fallecida. 6-4 Maria da Conceição, fallecida com 11 annos.
7-8 Gabriel. 6-5 Hilda Munhoz da Rocha Amaral, casada com
7 -9 Dinorah Maria. Homero do Amaral, filho do Dr. Victor Ferreira
7-1 O Maria José. do Amaral e Silva e de sua primeira mulher
Teve do segundo matrimonio: Paulina Braga do Amaral, filha de João Manoel
7 - 11 Caetano. da Silva Braga e de sua mulher Maria Antonia
Teve do terceiro matrimonio: dos Santos, dos quaes trataremos n'esta obra.
7 -12 Manoel Antonio. Teve:
6-2 II_defons? Munhoz da Rocha, grande industrial e S0- 7 -1 José.
c10 da firma Munhoz da Rocha & Companhia, casa- 7-2 Paulina.
do com P_almyra Pereira Alves Rocha, filha do Co- 7 -3 Francisco.
ron~I Elys10 de Siqueira Pereira Alves, acreditado ne- 7-4
gociante em Paranaguá, e de sua mulher Elfrida de 7-5
Abreu Pereira Alves. Neta pelo lado paterno do Co- 5-6 Francisca Munhoz Vianna, casada com o major Fran-
ronel Agostinho Pereira Alves e de sua mulher Bal- cisco de Paula Ribeiro Vianna, que foi Thesoureiro
bina de Siqueira Pereira Alves, e neta pela parte ma- da Delegacia fiscal de Curityba, filho de Bernardo
terna do Dr. José Mathias Ferreira de Abreu e de José Ribeiro Vianna, portuguez, e de sua muiher
sua mulher Joaquina Corrêa Guimarães. Rosa Maria Borges. Neto pela parte paterna de
Teve: João Manoel Ribeiro Vianna e de sua mulher Ger-
7 -1 Maria de Lourdes Munhoz Zaina casada em trudes Rosa; neto pela parte materna do Ajudante
1925 com o 1.0 Tenente do Exercito Ernani No- José Borges de Macedo e de ma mulher Maria
gueira Zaina. Rosa Lima.
7-2 Diva. Teve:
TITULO CARRASCOS DOS REIS
250 GENEALOGIA PARANAENSE 251

6-1 Ernestina Vianna Novaes, fallecida, foi casada com 0 7-3 Edgard.
Coronel Dr. Americo Dias Novaes, engenheiro militar. 6-6 Rosa Ribeiro Yianna, casada com Jo~o de. Oli-
Teve: veira Vianna, filho de Bento de Ohve1ra V1anna
7 -1 Jurandyr Novaes, ca::,ado corri Emília Litz Novaes. e de sua mulher Barbara Teixeira Vianna. Neto
7-2 Nahir. pela parte paterna de Man?el Bento Vianna e de
7-3 Ortega!. . sua segunda mulher Francisca de Paula França;
ó-2 Ernesto Ribeiro Vianna, casado com Ignac1a de Mat- neto pela parte materna de _Martinho Diogo Tei-
tos Vianna, filha de Manoel Luiz de Mattos, que foi xeira e de sua mulher Balbma Lopes.
importante commerciante em Curityba, e de sua mu- Teve:
lher Anna Braga de Mattos. 7-1 Milton.
Teve: 7 -2 Acacilda.
7-1 Luiz. 7-3 Wollaston.
7 -2 Cid Ribeiro Vianna, casado. 7-4 Wellington.
7-3 Acacia Vianna Bringer, casada com Jorge Bringer. 7-5 Waltheno.
Teve: 6- 7 Cecy, solteira. . ., . _
8-1 Roberto. 6-8 Jacy e mais 7 filhos fallectaos na mfanc_1a. .
7-4 Oswaldo. 5-7 Tenente-Coronel João Albert~ Munhoz, fallec1do. F~t
7-5 Maria de Lourdes, casada com Luiz Izerns. director da Secretaria do lntenor, do Estado do Parana.
Teve: Como funccionario modelar, intelligente e zelo~?, sou-
8-1 Maria. be honrar as luminosas tradições de sua fam1ha.
7-6 Jahir. Bondoso e justo, gosou serripre da consideraçã~ e res-
õ-3 Francisca Vianna de Araujo, casada com João Lou- peito de seus chefes, assim como dos seus subord111a1os.
renço de Araujo. Casou-se com Maria. Eulalia Moreira Munhoz, ftl~a
Teve: de José Moreira de Freitas e de sua mulher Mana
7 -1 Odette de Araujo Bevilacqua, casada com Pedro Moreira de Freitas.
Bevilacqua. Teve: J ,
7-2 Odilon. 6-1 Valdivia Munhoz Gonçalves, casada com ase
7-3 Olga. Antonio Gonçalves Junior.
6-4 Bernardo Ribeiro Vianna, casado com Maria do Pi- Teve:
lar Aguiar Vianna. 7-1 João.
Teve: 7-2 Trajano.
7 - 1 Mercedes. 7 -3 Belkiss.
7-2 Aracy. 7 -4 Delourdes, casada com Pedro Muzzillo, sem
7-3 Francisco. filhos.
6-5 Julio Ribeiro Vianna, casado com Sarah Tramujas, fi- 7-5 Anna
lha de Alfredo Tramujas e de sua primeira mulher 7-6 Jayme.
Francisca de Azevedo Tramujas. 6-2 Alfredo Alberto Munhoz, telegraphista do. Estado,
Teve: casado com Herminia Lopes Munhoz, filha do
7- 1 Elza. Major Arthur Martins Lopes e de sua mulher
7-2 Eurico. Ouilhennina da Cunha Lopes.
252 GENEAI OGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS 253

Teve: 6-1 Herminia Munhoz Barros, casada com o capitão


7-1 Oscar. do exercito Fernando Nogueira de Barros.
7-2 João. Teve:
7-3 Arthur. 7-1 Volanda.
7-4 llza. 7-2 Mary.
7-5 Nilza. 7-3 Rosina.
7-6 Nilda. 7-4 Mario.
7- 7 Hilda. 6-2 Evelina Soares Munhoz, casada com Antonio Al-
7-8 Luiz. ves Ribeiro, que foi serventuario de fazenda, já
7-9 Alfredo, fallecido. fallecido.
6-3 Francisca Munhoz, casada com Antonio Romual- Teve:
do Ferreira. 7 - 1 Alfredo.
Teve: 6-3 Franklin Soares Munhoz, casado com Eliza Reis,
7-1 Alpheu. fallecidos.
7 -2 Alfredo. Filhos:
7-3 7-1 Jandyra
6-4 Maria da Luz Munhoz, casada com Carlos Fur- 7-2 Odette.
tado Santiago. 6-4 Arabella Soares van Erven, casada com o Capitão
Filhos: Sylvio van Erven.
7-1 Myriam. Teve:
7-2 Maria Eulalia. 7 -1 Herbert.
7-3 Florentina. 7-2 Sylvio.
6-5 Carmen Munhoz, casada com Joaquim Oóes de 7-3 Dante.
Mello. 7-4 Beatriz.
Teve: 5-9 José Caetano Munhoz, faltecido. foi importante ne-
7-1 José. gociante em Santos, casado com Augusta Patusca
7-2 Maria do Carmo. Munhoz.
7-3 Maria da Conceição. Teve:
6-6 Albertina Munhoz casada com Arcenio Bonifa- 6-1 Aracy Munhoz, fallecida solteira.
cio Nogueira, ambos fallecidos. 6-2 José Caetano Munhoz filho, casado com Anna
7-1 Com 3 filhos menores fallecidos. Eliza Pacheco Munhoz.
6- 7 Lydia Munhoz, solteira. Teve:
6-8 João, fallecido. 7 - 1 Beatriz Munhoz.
5-8 Florencio Jo~é Munhoz, foi guarda-mór da alfandega 6-3 Maria Iracema Munhoz.
de Paranagua, Alagoas e mais tarde de Santos, onde 6-4 Hugo Munhoz.
falleceu. 6-5 Caetano Munhoz.
Casou com Julielta Soares filha de Manoel Soares 6-6 Carlota (Carlotinha) Munhoz, habil_ pianista, re~-
Gomes e de sua mulher ' lizou um importante concerto musical em Cun-
Teve: tyba em Dezembro de 1925. . .
5-10 Carolina Munhoz, casada em primeiras nupc1as com
254 GENEALOGIA PARANAENSE
TITULO CARRASCOS DOS REIS
255
Eugenio Ferreira da Luz, filho de Vicente Ferreira da
Luz e de sua mulher florencia do Amaral, 4-1 de 6-1 Avany Mãder de Macedo, foi casada com José
3-5 de 2-7 do § 8. 0 , capitulo 2. 0 deste titulo. Casou Ubaldino deMacedo,filho deManoel deMace-
em segundas nupcias com se~ primo Manoel Martins do e de sua mulher Olga Fonseca de Macedo.
Rocha filho de Manoel Martins Rocha, portuguez, e Teve:
de su~ mulher Maria Licia Munhoz, 4-2 adeante. 7 - 1 Manoel, nascido em 1.0 de Agosto de 1917.
Teve do primeiro 1:1atrimo~io: . 7 -2 Paulo, nascido em 1.0 de Dezembro de
6-1 Eugenio, fallec1do. na 1~fanc1a. 1918.
Teve do segundo matnmomo : 7 -3 Maria Apparecida, nascida a 14 de Abril
6-2 Bento Munhoz da Rocha Sobrinho, casado com de 1920.
Carlota Baptista da Rocha. 6-2 Zayde Mãder, casada com Carlos Machado
Teve: Soares, natural do Rio de Janeiro, filho de
7-1 Maria Bernadette, fallecida a 29 de Janeiro José Machado de Vasconcellos e de sua
de 1926. mulher Marianna Soares de Vasconcellos.
O tenente coronel Caetano José Munhoz, 4-1, teve do se- E' funccionario do Banco do Brasil.
gundo matrimonio: . . . . .. Sem filhos em 1925.
5-11 Narcizo Munhoz, fallec1do. Foi mfenor do exercito. 6-3 Dylah Mãder Nunes Per~ira, c~s~da com o
5-12 Adalberto Munhoz. Foi militar. Fallecido. Dr. Altamirano Nunes Pereira, offic1al do exer-
5-13 Olivia Munhoz Werneck, casada com o telegraphista cito e engenheiro civil, formado pela faculdade
de 1.a classe Elpidio Werneck de Capistrano, filho do de Enaenharia da Universidade do Paraná,
telegraphista João Werneck Sampaio de Capis~rano e onde c~nquistou com brilha~t!smo o seu ~urso,
de sua mulher Maria Sorana Werneck de Cap1strano. pelo que a Prefeitura Municipal de Cuntyba,
Teve: como premio que concede annualmnte ~os
6-1 Edylde. mais distindos doutorandos das 3 Academias
6-2 Alvir. de que se compõe a Univer?idade, o nomeou
6-3 Evanina. para Ajudante do Engenheiro. da Camara:
6-4 Ezilda. E' filho do Capitão do exercito Anaurelmo
6-5 Almir, fallecida. Nunes Pereira e de sua mulher Generosa
6-6 Eraylde. Gonçalves Pereira.
5-14 Capitão Amadeu Munhoz, fallecido solteiro. Foi ca- Teve:
pitão do Regimento de Segurança do Estado do Pa- 7 - 1 Maria de Lourdes, nascida em 17 de
raná. Official brioso e destemido que executou sem- Fevereiro de 1923.
pre as mais arriscadas commissões. 7-2 Maria Bernadette, nascida em 16 de Ju-
5-15 Maria Munhoz Mãder, casada com Jordão Mãder, im- nho de 1925.
portante industrial de herva-matte, filho de Martim Mãder 6-4 Dr. Algacyr Mãder, engenheiro civil, nascido
e de sua mulher Maria Bley Mãder, ambos dos primei- a 21 de Abril de 1903.
ros colonos allemães que em 1829 vieram colon'isar o 5-16 Leocadia, fallecida.
Rio Negro, onde se tornaram elementos de progresso, e 5-17 Lindolpho, fallecido.
adqueriram fortuna, valor e prestigio social e politico. 5-18 Conrado, fallecido.
Teve: 4-2 Maria Lida Munhoz, casada com Manoel Martins da
Rocha, portuguez.
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRA SCOS DOS REIS
256 257

Teve: Bueno, filho de Marcellino Bueno e de sua mulher


5-1 Coronel Bento Munhoz da Rocha, casado com sua Balduina Bueno.
prima Maria Leocadia, 5-5 de 4-1, ahi os descen- Teve:
dentes. 7-1 Esther Bueno Fernandes, casad.a com João Ma-
5-2 Manoel Martins da Rocha, casado com sua prima noel Fernandes.
Carolina Munhoz, 5-1 O de 4-1 retro. Teve:
Filho: 8-1 Anselmo.
6-1 Bento Munhoz da Rocha Sobrinho. 8-2 Accacio.
5-3 Luiza Munhoz da Rocha, casada com João Ferreira. 8-3 Dilah.
Teve: 7-2 Oodomira Bueno de Oliveira, casada com Be-
6-1 Melchiades Rocha Ferreira, casado com Lucília nedicto de Oliveira
Borba Rocha Ferreira, filha de Francisco Ferreira Teve:
Borba e sua mulher Marianna Rolim Borba. 8-1 Dorilda
Filhos: 8- 2 Oswaldo.
7-1 Luiza. 8-3 Maria da Luz, fa11ecida
7-2 Helena. 7-3 João da Rocha Bueno.
7-3 João. 7-4 Manoel da Rocha Bueno.
7-4 Pericles. 6-2 Annalia da Rocha Chaves, casa.da com José Lourenço
7-5 Edmée. de Carvalho Chaves filho.
7-6 Euricles. Teve:
6-2 Euclides da Rocha Ferreira, fallecido. 7-1 Arthur, fallecido.
6-3 Temistocles da Rocha Ferreira, casado com An- 7-2 Maria Rocha Chaves, casada com
tonietta Peixoto da Rocha Ferreira.
Filhos:
7-1 Sylvia. 7-3 Oswaldo, fallecido.
7-2 João. 7-4 Joaquim.
7 -3 Euclides. 7-5 Manoel.
7-4 Maria da Conceição. 7-6 Epaminondas.
6-4 Alcebiades da Rocha Ferreira, casado com Elvira 7- 7 Vollanda
Rocha Ferreira, filha de Francisco Ferreira Borba 7-8 Lila
e de sua mulher Marianna Rolim. 7-9 Maria da Conceição.
Sem filhos. 7-1 O Maria da Apparecida, fallecida.
6-5 Heraclito da Rocha Ferreira, fallecido. 7-11 Sinhô.
6-6 Alcides da Rocha Ferreira, fallecido. 6-3 Augusto da Rocha, casado com Cecilia Barros, filha
6- 7 Orestes da Rocha Ferreira, fallecido. do Commendador Antonio de Barros e de sua pri-
6-8 João da Rocha Ferreira, fallecido. meira mulher Thereza de Lima Barros.
5-4 Florencio Munhoz da Rocha casado com Maria da Sem geração.
Luz Ferreira Bello da Rocha'. 6-4 Dejanira Rocha, casada com Wenceslau Feliz da Silva,
Filhos: já fallecido.
6- 1 Balbina da Rocha Bueno, casada com Salustiano Teve:
258 GENEALOGIA PARANAENSE

7-1 Diva. 6-9 Euclides Rocha, solteiro.


7 -2 Maria da Luz, fallecida. 6-10 Achilles Rocha, fallecido.
7-3 Odette. 6-11 Aristida, fallecida.
6-5 Aristida Rocha de Oliveira, casada com Viriato Car- 5.5 Balbina Munhoz da Rocha Küster, casada com o Co-
valho de Oliveira, nascido a 5 de Março de 1874 ronel Antonio Carlos Küster, fallecido. foi industrial.
fallecido repen_tin~mente em 1925, filho de João Car~ Teve:
valho de Ohvetra e de sua mulher Maria da Luz 6-1 Heraclito Rocha Küster, casado com Joanna Zar-
Gonçalves de Oliveira. pellon Küster, fallecida a 15 de Outubro de 1925.
Teve: Teve:
7 -1 Aris!ides Carvalho de Oliveira, nascido a 21 de 7-1 Balbina Küster, casada com José Weber.
Janeiro de 1899, agronomo, casado com Anto- Teve:
nietta Costa, filha do Major Lufrido Costa e de 8- 1 Maria de Lourdes.
sua mulher Celsa Costa. 7-2 Helena Küster, casada com Cezar Castagalli.
Filhos: Teve:
8-1 Antonietta. 8- 1 Hercules.
8-2 Maria. 8-2 Doracy.
7 -2 Maria da Luz Rocha casada com Benedicto 7-3 José Küster, casado com Alba Lima.
Storach. ' 7-4 Maria.
Teve: 7-5 Maria Magdalena.
8-1 Caio. 7-6 Carlos.
8-2 Veda. 7 -7 Li bania.
7-3 Andyra de Oliveira, casada com o Dr. Antonio 7-8 João.
Leopoldo dos Santos Filho filho do Coronel 7-9 Ayda.
Antonio Leopoldo dos Santo~ e de sua mulher 7 - 1O Edison.
Julia da Luz Santos, 6-1 de 5-3 retro. 7-11 Wilson.
Teve: 7-12 Agostinho.
8-1 Antonio. 6-2 Waldomiro Rocha Küster, casado com Julia Pa-
8-2 dilha Küster.
7 -4 Acrisio. Filhos:
7-5 Admar. 7 -1 Antonio.
6-6 Ercilia Rocha, fallecida. 7-2 Manoel.
6- 7 Ildefonso Ozorio da Rocha abastado industrial casa-
1
7-3 Celina.
d<;> com Odemira Cunha, fjlha do capitalista e indus- 7-4 Guilhermina.
tnal ~mando Cunha e de sua mulher Lydia Cunha. 7-5 Helia.
Sem filhos. 7-6 Helena.
6 - 8 Osmm · da da Rocha Gonçalves, casada com Manoel 7 -7 Sebastião.
da Gama Gonçalves, filho do Capitão José Euripedes 6-3 Alayde Rocha Küster Maranhão, casada em 1901,
Gonçalves e de sua mulher Almedina da Gama Oon· em Campo Largo, com o Dr. Luiz de Albuquer-
çalves. que Maranhão, Dezembargador do Tribunal de
Sem filhos. Justiça do Paraná.
260 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS RIIIS 261

Nasceu na Capital do Estado de São Paulo a 15 de Maio neceu durante o longo periodo de 8 annos e meio
de 1875. Nessa mesma Capital estudou humanidades no até que, tam?em a pedido, foi mais uma vez remq-
seminario episcopal e de~ois no antigo collegio Ivahy, fa- vido em Ma10 de 1919, para a 1.ª Vara de Orphãos,
zendo os seus preparatonos no curso annexo á faculdade Interdictos, Ausentes e Provedoria da Capital.
de Direito, na qual se matriculou em 1893. Em Outubro desse anno na administração do Presi-
Terminou o curso e recebeu o grau de bacharel em scien- dente Dr. Affonso Alves de Camargo, foi nomeado
cias juridicas e sociaes, no dia 8 de Dezembro de 1896. Chefe de Policia interino do Estado, exercendo esse
Até 1899 advogou nos auditorios daquella Capital, mani- cargo até 3 de Novembro daquelle anno. A 25 de
festando grande actividade e não menor vocação para a fevereiro de 1920, assumindo a Presidencia do Esh,-
carreira que abraçara. do o Dr. Caetano Munhoz da Rocha, nomeou o Dr.
Transferindo-se então para o Paraná, a 20 de Outubro da- Albuquerque Maranhão, Chefe de Policia do Estado,
quelle anno, assumiu o exercicio do cargo de juiz muni- em cujo cargo tem se mantido até a presente data, a
cipal do Termo de Campo Largo, onde permaneceu até contento e com proveito para o interesse publico.
Agosto de 1901. Em 31 de Dezembro de 1922, o Dr. Albuquerque
Em 1901 foi nomeado Promotor Publico de Curityba, Maranhão, foi nomeado Desembargador do Superior
cargo que exerceu com brilhantismo, prestando relevantes Tribunal de Justiça do Estado, preenchendo, por me-
serviços á justiça publica até fevereiro de 1904. Assumiu recimento, a vaga então existente naquella alta corpo-
então a presidencia do Estado o illustre Dr. Vicente Ma- ração judiciaria do Estado. Na convenção do Partido
chado da Silva Lima, que nomeou o Dr. Albuquerque Republicano Paranaense, realisada nesta Capital no dia
M_aranhão, Chefe de Policia do Estado, cujo cargo assu- 30 de Agosto de 1925, foi escolhido para em com-
mm a 25 de fevereiro daquelle anno, nelle permanecendo panhia do Sr. Dr. Marins Alves de Camargo e Co-
até 6 de Janeiro de 1906. ronel Percy Withers, representar o Paraná na conven-
Q~ando Chefe ~e Policia fez concurso perante o Superior ção nacional, reunida a 12 de Setembro na Capital
Tnbunal de Justiça, para exercer o cargo de Juiz de Di- federal, para a escolha do Presidente e Vice-Presi-
r~ito e s;ndo clas~ificado em 1.o lugar, entre os sete can- dente da Republica, como successores dos Drs. Arthur
didatos a v~ga ex1st~n~e na comarca de Rio Negro, foi da Silva Bernardes e Estado Coimbra.
nom~do Juiz de D1re1to dessa Comarca, da qual foi re- Teve:
~ov1do par~ a de Palmas, onde reinavam grandes dissi- 7-1 Eurico de Albuquerque Maranhão, serventuario
d1as e parahzação no movimento forense. publico estadoal.
Em 1907, ainda na Presidencia de Vicente Machado foi 7-2 Carlos Luiz de Albuquerque Maranhão, funccio-
removido para a Comarca de Antonina, onde perma~eceu nario do Banco do Brasil.
apenas 4 mezes, sendo removido ainda em Maio desse 7-3 José Peres, estudante da Escola Militar.
a~no para a Comarca de Ouarapuava, estando já na pre- 7-4 Edgard Maranhão, gymnasiano.
s1_denc1a d<? Estaoo-o e~i~ente paranaense Dr. João Can- 7-5 Marina
d1do f erre1ra que substitmra o Dr. Vicente Machado. Em 7 -6 Marcel lo_
Ouarapu~va o Dr. Albuquerque Maranhão, exerceu a judi- 7-7 Maria Nazareth.
catura ate Julho de.~ 909, q~ando removido, a pedido, para 7-8 Luiz Maranhão, gymnasiano.
a Comarca de Umao da Victoria, onde permaneceu até 7-9 Zulmira
No~embro de 1910, quando foi novamente removido, a 6-4 Ercilia Rocha Küster, fallecida, foi casada com Can-
pedido, para a Comarca da Lapa. Nessa Comarca perma- dido Guedes Chagas.
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS 263
262
Sem filhos. Ribas e de sua mulher Francisca Joaquina de
6-5 Dr. Manoel da Rocha Küster, engenheiro Andrade, 4-7 de 3-1 de 2-1 do § l .o, capitulo
civil, solteiro. 2.º, titulo Rodrigues Seixas, desta obra.
6-6 Christiano da Rocha Küster, agrimensor sol- Sem descendentes.
teiro. ' 4-4 Balbina Licia Munhoz, casada com o Major Ma-
5-6 Maria da Rocha Miranda, fallecida, foi casada thias Taborda Ribas, commendador e importante
com o Coronel Alexandre Gonçalves Cordeiro de industrial. Filho do capitão Ricardo José Taborda
Miranda, tambem fallecido e que foi prestigioso Ribas e de sua mulher Francisca Joaquina de
chefe politico na cidade de Campo Largo. Andrade, já citados em 4-3.
Sem filhos. Sem geração.
5- 7 Adolpho Rocha, casado com Maria Saldanha Rocha. 3-10 Maria Camilla de Lima, ultima filha de 2-8, casada
Filhos: com o capitão João Machado da Silva Lima, filho
6-1 Dr. Belmiro Saldanha da Rocha, medico e de Agostinho Machado Lima e de sua segunda mu-
I nspector de saude do porto de Paranaguá lher Maria Cardozo Pazes.
casado com Rosita Bastós da Rocha. ' Neto pela parte paterna de Manoel Machado de Lima
Filhos: e de sua mulher Ursula da Cunha Pinto, de Mogy
7-1 Nelson. das Cruzes; neto pela parte materna de Trifonio Car-
7-2 Ruth. dozo Pazes, fallecido em Curityba a 13 de Outubro
7-3 Eurico. de 1775, em avançada idade, e de sua segunda mu-
7-4 Raul. lher Escolastica Bento Telles, filha do Sargento-mór
7-5 Hugo. Francisco Dinis Pinheiro e de sua mulher Clara Pe-
7-6 Adolpho. reira Telles; Trifonio Cardozo Pazes era filho de Si-
6-2 Alberto Rocha, casado com Catharina Ron- mião Cardozo de Leão, fallecido em Curityba em
caglio da Rocha. 1715, quando foram inventariados os seus bens por
filhos: sua mulher lzabel Antunes Fernandes, de quem trata-
7 -1 Octavio Rocha, casado com Sylvia Al- remos adiante neste titulo.
vim de Oliveira. Manoel Machado de Lima era filho de João Machado
7-2 Amelia Rocha, casada com Francisco de Lima, casado em 1680 com 28 annos, em Mogy
Ermelino. das Cruzes, com Izabel da Cunha, filha de Alberto
7-3 Maria Rocha, viuva. Nunes de Bulhões e de sua mulher Anna Maria da
Teve: Cunha
8-1 Eugenio. Neto pela parte paterna de Sebastião Machado de
8-2 Luiz, casado comAureliana daCruz. Lima e de sua mulher Catharina Ribeiro, fallecida em
8-3 Elvira, casada com Alvaro da Costa. 1665, filha de João Manoel Valente e de sua pri--
Teve: meira mulher Maria Ribeiro.
9- 1 Alberto. Sebastião Machado Lima era filho de Braz Machado
9-2 Maria de Lourdes. e de sua mulher Anna da Costa com quem já era
6-3 Caetano Rocha, fallecido solteiro. casado em 1623.
4-3 Bento Florencio Munhoz casado com Maria do Céo Teve, 3-10 os seguintes filhos:
Taborda Ribas, filha do ~apitão Ricardo José Taborda 4-1 Capitão José Machado da Silva Lima, nascido em
TITULO CARRASCOS DOS REIS
264 GENEALOGIA PARANAENSE 265
1822, casou-se em primeiras nupcias com Maria Clara Pi- noel José da Rosa e de sua mulher Maria Francisca de
nheiro Lima, filha de Vicente Ferrer Pinheiro e de sua Paula
mulher Sebastiana Laynes Pinheiro; e em segundas nupcias Teve:
com Anna Guilhermina Pinheiro Lima, irmã da primeira 6-1 Dr. flavio Pinheiro Lima, fazendeiro e advogado, resi-
mulher. dente em Araraquara, São Paulo. Casado com Alice
Teve do primeiro matrimonio: Monteiro, esta já fallecida.
5-1 Dr. José Machado Pinheiro Lima, bacharel em direito filhos:
ministro do Tribunal de Justiça de São Paulo, casad~ 7-1 Noemia, casada
com Maxima Moreira Lima, filha de Antonio Moreira 7-2 Moacyr.
Lima e de sua mulher Constança Alves. Neta pela 7-3 Rodolpho.
parte paterna de Francisco Antunes de Lima e de sua 7-4 Alice, casada
mulher Gertrudes Cypriana de Camargo; neta pela 7-5 Ulysses.
parte materna de Joaquim Alves Cardozo e de sua 7-6 Lauro.
segunda mulher Joaquina Maria de Oliveira. 6-2 Clovis Pinheiro Lima, fallecido. Foi promotor publico em
(Genealogia Paulistana, volume 1, pagina 499, 8-6.) S. José dos Pinhaes, casado com Francisca Paula Pereira.
Teve: Filhos:
6-1 Dr. José Maximo Pinheiro Lima, advogado, ca- 7- 1 Stael Pinheiro Lima, casada com o 1.0 tenente
sado com Maria Euphrasia de Lima, natural de do exercito Emmanuel da Graça franco.
Franca. 7-2 Maximo, academico de Medicina
6-2 Dr. Mario Graccho Pinheiro Lima, medico, ca- 7-3 Benigno Ubyrajara
sado com Adelina Barbosa, filha de Benedicto 7-4 Indio, fallecido.
Augusto Vieira Barbosa, já fallecido, e de sua 7-5 Ruy.
mulher Carolina Martins Barbosa. Neta pela parte 7-6 lndia
paterna de Antonio José Vieira Barbosa e de sua 7-7
mulher Constança Adelina Vieira Barbosa; neta 6-3 Maria Clara, fallecida solteira.
pela parte materna do Commendador Antonio 6-4 Tenente Coronel Benigno Augusto Pinheiro Lima, ser-
Martins dos Santos Junior e de :ua mulher Mi- ventuario municipal, casado com Noemia de França,
quelina Augusta Vieira Barbosa. filha do coronel Ignacio de Paula França e de sua
Teve: segunda mulher Izabel Portes de França
7-1 Maria de Lourdes. Teve:
6-3 J:?r . Ranulpho da Motta Pinheiro Lima, engenheiro 7-1 Maria de Lourdes de Lima.
civil, casado com Carmen Pinto. Tem uma filha. 7-2 Zair de Lima
6-4 Octacilio Augusto Pinheiro Lima. 7-3 Izabel, fallecida aos 2 annos.
5-2 Maria Eugenia de Lima, fallecida solteira em S. Paulo. 6-5 Heitor Pinheiro Lima, fallecido em Antonina. Casado
5-3 Coron~l Benigno Augusto Pinheiro Lima, fallecido em com Parizina de Castro, filha de João Antonio de
Antomna, a 8 de Outubro de 1920 onde foi Collector das Castro e de sua mulher Victoria Coelho de Castro.
Rendas, Deputado Estadoal e Chefe Politico casado com Teve:
Maria Geraldina Rosa de Lima, filha de J~aquim José 7-1 Thessalia de Castro, casada com Joaquim Picanço.
da Rosa e de sua primeira mulher Maria Geraldina Teve uma filha.
Ferreira da Silva; neta pela parte paterna de Ma- 8-1
TITULO CARRASCOS DOS REIS 267
GENEALOGIA PARANAENSE
266
6- 12 Anna Guilhermina Pinheiro Lima, fallecida
7-2 Heitor de Lima Castro, casado. solteira.
7 -3 Cacilda. 6-13 Francisca Pinheiro Lima, fallecida solteira.
7-4 Maria Eugenia, casada. 6-14 José Pinheiro Lima, fallecido solteiro.
7 -5 Victoria. 6-15 Aracy Pinheiro Lima, solteira
7-6 João Eu~enio. . . 6-16 Hercilia Pinheiro Lima, casada com Ma-
6-6 Maria Eugema, fallec1da solteira. noel de Sá Sotto Maior, filho de João de
6- 7 Dr. José Maria Pinheiro Lima, nascido em Antonina Abreu Sotto Maior e de sua mulher Ger-
a 21 de Abril de 1879. trudes f erreira Sotto Maior.
Em 1899 matriculou-se na Faculdade de Direito de Teve:
S. Paulo, completando seu curso a 28 de Dezembro 7 - 1 Manoel de Assis.
de 1902. Em 28 de Janeiro de 1903 foi nomeado 7 -2 Aracybilla.
promotor publico da con:iarca da Lapa, cargo gue 7-3 Leonidas.
occupou até 24 de Fevere!ro de 19_04, po_r ter sido 7 -4 Hernani.
removido para a promotoria da Capital. Foi nomeado 7-5 Joel.
em Julho de 1904 para juiz municipal da cidade da 7 -6 Maria Gertrudes.
União da Victoria, deixando em 1905 esse cargo, 7- 7 flóra.
para occupar o lugar de promotor publico da co- 6-17 Clotilde Pinheiro Lima, casada com o Ca-
marca de Curityba. Permaneceu até 1O de Outubro pitão do Exercito Carlos Manoel de Lima;
de 1916 nesse cargo, sendo removido em seguida tem dois filhos.
para a comarca de Ponta Grossa, não o assumindo 6- 18 Maria da Luz, fallecida solteira.
porem. E' lente cathedratico da cadeira de Theo- 6-19 Victoria, fallecida.
ria e Pratica do Processo criminal, da Faculdade de 4-1 Teve do seu segundo matrimon\o: . .
Direito da Universidade do Paraná. E' dotado de ta- 5-4 Dr. Vicente Machado da Silva Lima, na::.c1do no
lento, illustração e altivez. dia 9 de Agosto de 1850, ~a cidade. de Castro.
Casou-se em 2 de Junho de 1907 com Maria Stella O lllustrado Dr. João Cand1do Ferr:1ra, ªº. to-
de Macedo, filha do capitalista Tobias de Macedo e mar assento na cadeira que lhe fora confiada
de sua mulher Rosa Fonseca de Macedo, filha do pela Academia de Letras do P~raná, fazendo o
capitalista José de Barros Fonseca e de sua mulher elogio de seu patrono o Dr. Vicente Machado,
Maria da Luz Santos Fonseca, já fallecidos. disse:
Teve: «Desde a sua infancia, elle manifestou uma von-
7-1 Rosa. tade firme e um espírito lucido. .,
7-2 Rosy. Narra um dos seus biographos que «Ja se cons-
6-8 Maximo Pinheiro Lima, fallecido solteiro, era gemeo tituía chefe resoluto, persuasi_vo e. prati~o das rea-
com cções collegiaes e dos prehos mfant_1s.... Os
6-9 Maxima Pinheiro Lima, solteira. livros escolares, elle os devorava admiravelmente,
6-10 Joaquim Pinheiro Lima, fallecido solteiro. interpretando com facilidad_e rar~ os seus assum-
6-11 Plínio Pinheiro Lima, casado com Noemia Machado ptos, vencendo classes mais _ad1antada,s nas pu>~
de Lima.
Teve: gnas estimulantes das sabbatmas, a ferula. . · :
Aos 16 annos (1876) entrava para a Academia
7-1 Maria.
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
268 269
de S. Paulo e aos 21 (1881) recebia o grau de bacharel «Durante a curta permanehcia na sua cadeira de Juiz ho-
em Direito. nesto e criterioso, soube honrar a magistratura nacional
Em todo esse lustro, escreveu o saudoso paranaense Do- applican.do em suas decisões todas as normas da juris~
mingos Nascimento, «elle foi: primus inter-pares - nas prudenc1a. .
agitações ruidosas da vida bohemia e das correntes liber- <<Espirita alevantado e superior, talhado para não viver
tarias do seu tempo ». submisso e ás voltas com velhos autos, deixou o cargo
«Na Paulicéa, durante o seu curso, elle se impoz como de Juiz e abri~ _b~nca de ad~ogad? naquella cida_de do
um bohemio cheio de ousadia e de talento. interior, onde m1c10u co:11 bnJhanbsmo a sua carreira po-
«Abolicionista enthusiasta, e1Je não perdia occasião de ma- litica, filiando-se ao Partido Liberal. . .. »
nifestar o seu ardor pelas campanhas em pró! da liberda- «- Em 1884, durante a administração do Dr. Brazilio Ma-
de; democrata exaltado, elle estava sempre prompto para chado, foi assiduo collaborador do «Dezenove de Dezem-
luctar pelo advento da Republica. bro» e «Provinda do Paraná», onde escreveu excellentes
«Formado em 1881, regressa ao seu estado natal, occu- artigos sobre a causa publica, revelando-se ardoroso abo-
pando, successivamente, os seguintes cargos: licionista.
«Promotor Publico da Capital em 1881. «Sentindo necessidade de um ambiente mais amplo, mais
«Secretario do Governo em 1882. agitado, onde as suas qualidades de luctador ousado e de
«Lente de Philosophia, no Instituto Paranaense. orador eloquente pudessem expandir-se livremente, atirou-
«Juiz Municipal da comarca de Ponta Grossa, em 1883. se aos braços seductúres da politica.
«Agora que falle o illustre patricio dr. Sebastião Paraná, «ferindo-se em 1886 o pleito eleitoral para os cargos de
naquelle estylo só seu, attrahente e bizarro, sobre esses varios Deputados á Assembléa Provincial, elle apresentou-se can-
estádios da carreira triumphal do grande paranaense. didato dissidente do Partido Liberal, em que militava.
«Diz o illustre confrade: «A sua fama de moço intelligente, de orador primoroso,
«Sua estréa na tribuna judiciaria foi importante, constituin- de patriota ardente e esforçado luctador, conquistou os
do um verdadeiro triumpho. Lembramo-nos ainda da victo- suffragios sufficientes para sua victoria, n'esse pleito me-
~ia ~xtraor~inaria alcançada então pelo jovem orgam da moravel.
Justiça social. n:esse memoravel torneio da intelligencia. «Aos olhos avidos e pasmas dos seus pares, o deputado
«Ve!hos e d1stmctos advogados o escutaram com attenção, dissidente patenteou, n'esse biennio (1886 - 1887), toda a
sentmdo~se emocionados ao som do psalmo brilhantissimo força pujante de seu talento, revelando ao mesmo tempo
pron.unc1ado com fervor pelo inspirado tribuno. o seu ;.ccentuado espirita de politico previdente e mais
«Deixando o cargo de Promotor Publico da Capital, em que tudo o entranhado amor por esta terra que foi sem-
que tant? se distinguiu pela sua intelligencia mascula e pre o seu maior orgulho.» (Dr. J. Pernetta).
reconhecida competencia profissional foi nomeado em 1882 «Assim se foi constituindo o nucleo de um grupo de cor-
Secretario do Governo do Dr. Carlo; Augusto de Carvalho, religionarios que o cercavam com dedicação e o applau-
prest~n~o relevantes serviços áquella fecunda administração diam com enthusiasmo, attrahidos todos pela fascinação
provmc1al. Da cadeira de Secretario do Governo passou do seu valor pessoal e pela ascendencia que, naturalmente,
para a de lente de Philosophia do Instituto Paranaense. elle ia exercendo em qualquer meio em que militasse. Taes
«_!'J'este honroso posto vimoi-o por vezes prender a atten- qualidades revelou n'esse biennio, que já no seguinte o
çao de seus ~lumnos em luminosas dissertações scientificas. Partido Liberal o apresentou como candidato official.
~Em 1883 foi nomeado Juiz Municipal da Comarca de ~Era seu lemma a aspiração do poeta: «Sobe por teu va-
Ponta Grossa. lor, vale por teu trabalho ».
GENEAl OGIA PARANAENSE
270 TITULO CARRASCOS DOS REIS
271
«Para esmar o seu prestigio politico, conquistado em ~ão ,Em 13 de Abril de 1893, na qualidade de Vice-Gover-
curto lapso de tempo, ba~ta recordar que ? Conselheiro ~ador do Estado, assumiu a responsabilidade do Governo,
Jesuino Marcondes, atil~do a acatado chefe !1beral, ao com- ·ustamente quando a revolução federalis~a, ta!ando os c~m-
municar a escolha do Jovem paranaense disse, em uma ~os do Rio Grande, se aprestava para mvadtr as fronteiras
reunião de amigos íntimos: . do Paraná acossada pelas fo~ças legaes. .
« - Eis aqui a esperança do partido. . «Invadido o Paraná em Janeiro do anno segumte, o Go-
«De facto, em 1888, em um notavel discurso, ~a Assem- vernador preparava-se para «assegurar a ordem publica e
biéa Provincial fez, com o ª:dor de um verdadeiro crente, garantir a tranquilidade do Estado » conforme a moção vo-
a sua profissão de fé republicana. . .. tada pelo Poder Legislativo de 30 de Novembro de 1893.
<,Na sessão de 22 de Agosto desse mesmo anno 1usbf~- <(Não tendo encontrado apoio para un:ia res_istencia eff\caz
cou uma indicação, em palavras ardentes, sobre a necessi- á horda invasora, Vicente Machado f01 obngado a deixar
dade inadiavel de tornar-se effectiva a federação. _das Pro- a Capital a 18 de Janeiro, ficando suspenso no Estado o
víncias por «uma descentralização completa, pohtica e ad- Governo Legal. .
ministrativa». . «Reassumiu as suas funcções a 12 de Abnl, em Castro,
«Essa indicação apresentada pelo moço republicano, teve e entrando em Curityba a 5 de Maio de 1894, dirigiu ao
larga repercussão, na Província e fóra della. . Congresso Legislativo uma Mensagem, ª. 18. do mesr:n?
«Na sessão de 23 de Setembro de 1889, dois mezes an- mez na qual affirmava: «Diz-me a consc1enc1a, que, ubh-
tes da proclamação da Republica, pronunciou ~m _discurso zando os poderes que me conferis~e~, tudo fiz P.ara q_ue o
arrebatador, onde reaffirmava as suas conv1cçoes repu- nosso querido Estado não fosse v1cbmado pela mvasao, ?
blicanas. que infelizmente não pude log~ar p~l~ desdob:amentu si-
«Após o advento da Republica, fez parte do _qoverno Pro- nistro que aos acontecimentos 1mpnmm a fatalidade ».
visorio, occupando o cargo de chefe de Pohc_1a. . (, Accusado de ter abandonado o Estado, deixando sem
«Depois foi Presidente da Camara de. Cuntyba e ~ais defeza os amigos e o territorio confiado á sua guarda, de-
tarde Superintendente da Instrucção Pubhca do Parana. . . fendeu-se cabalmente.
<< Ü facto de ter Vicente Machado occupado com raro bri- ,. Eu não havia de ficar, disse elle no Senado, guardando
lho tantas e tão variadas posições durante . um cu:to es- sereno o posto que me confiára. o vo_to popul~r, quando
paço de tempo e em todas ter manifestad? mexced1vel ca~ não tinha elementos para garantir a mmha auto:t?~de,_ ne:ri
pacidade de trabalho e uma competenc1a assombrosa, e forças para fazei-a respeitar; praticar/a um sacr!hc10 mut!I,
prova eloquente de que elle possuia um conjuncto_ de ~o- permanecendo na Capital, quando diante de mim eu via
tes excepcionaes que o extremavam dos seus conc1da_da~s. correr apavorado o Commandante ?º Districto, o chefe de
«Com o grande predomínio que já exercia n'este terntono todas as forças militares, e não sena com duas ordenan-
e o afan que evidenciava de cercar o Estado de todas as ças, acompanhado de meia <luzia de amigos desarmados,
garantias, promovendo seu progresso e assegurando todas
as liberdades, elle não podia deixar de fazer parte d~ Con- que poderia resistir á invasão; e quando se escrever a
gresso Constituinte Estadual, presidindo á confecçao da historia desapaixonada e desprevenida ~e todos. e?ses factos,
nossa carta constitucional. ha de se dizer que procedi com digmdade, c1v1smo e pa-
«foi alem, superintendeu a organização do ensino, da força triotismo. »
publica, da justiça, deixando em todos esses d~partamen- ,Decorridos alguns dias, após a sua chegada triump~~I,
tos da administração o cunho de sua individualidade su- eis que se propala, causando arrepios de terror, a noticia
perior. de uma carnificina na Serra.
,Levantou-se a mais formidavel e torva accusação ao chefe
272 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS 273
do Governo Legal, sendo, entretanto, bastante a narrativa Referindo-se a esse facto, pronunciou estas palavras no
do monstruoso attentado para que se tenha a firme con- Congresso do Es~ado (Sessão de Outubro de 1897) :
vicção de que um homem da estofa de Vicente Machado ,< Outro dia, na tnbuna, do Senado, o orador ouviu a voz
não seria capaz de tamanha covardia. do patriotismo, do patrioti~mo substanciado na individua-
«Era o massacre de patricios bons e inoffensivos, autori- lidade de um illustre servidor da Patria, que foi o pri-
zado pelo mais alto representante militar da legalidade. meiro que no dia em que punha os pés no recinto do
«Vicente Machado, que era então Governador do Estado, Senado perguntou se podia cumprimentar aos representan-
foi accusado vehementemente como um dos responsaveis tes do Paraná, sem receio de que lhe ficasse pendente da
por essa innominavel carnificina e carregou por longo mão uma gotta de sangue.
tempo, com o peso d'essa injusta accusação. iO espírito nacional investigou ponto por ponto esse pe-
«Estranho a tudo que se referia áquelle acontecimento riodo negro da historia paranaense, e dias depois o ora-
publicou sem tardança, um manifesto eloquente, energico'. dor teve a ventura incomparavel de ouvir d'esse beneme-
rico de conceitos elevados, afastando de seus hombros rito servidor da Patria, cujo nome declino com veneração,
qualquer co-participação e protestando contra os actos do 0 snr. Marechal Almeida Barreto, as seguintes palavras:
representante do Governo federal. eu me orgulho de poder cumprimentar os dignos repre-
«Paranaense, diz elle, e amigo do meu Estado, cheio de sentantes do Paraná; elles não tiveram a minima respon-
cuidados pela união da familia paranaense jamais poderei sabilidade das scenas sanguinolantes que se deram na Serra».
concorrer para que á sombra do meu nome humilde, e com <, - Vicente Machado era um luctador impetuoso, árdego,
a responsabilidade do alto cargo que occupo, fructifique a mas nunca despia a chlamyde de cavalheiro.
semente do odio e da vingança, e todo o seu lugubre «Atacar de tacaia só o fazem os tarados ou os covardes,
cortejo de horrores. e Vicente Machado de tudo isso estava longe.
«A excellencia do regímen republicano está nisso: dentro De como procedeu Vicente Machado, como administra-
da lei ha remedia para todos os males. dor e defensor da legalidade, dá a justa medida este tele-
«Os. meus patrícios qu~ por um motivo qualquer cahiram gramma em que floriano Peixoto responde á communica-
debaixo da acção da lei pela communhão com a revolta, ção que elle fez de deixar o governo, a 16 de Junho de
P?dem. se conservar tranquillos quanto a perseguição e 1894:
v10lenc1as por parte das auctoridades do Estado, assim como, « Dr. Vicente Machado.
estou certo, estarão por parte das auctoridades da União. ,Não posso deixar de confessar que fui surprehendido pelo
«Nada dignifica tanto a auctoridade como a severa appli- vosso telegramma em que daes parte deixastes Governo do
cação da lei. Estado, ao qual já tendes prestado e estaveis prestando rele-
«_Dos. eff.eitos d'esta não devem temer os que tiverem por vantes serviços como administrador nos tempos mais diffi-
SI a ]Usbça.» ceis esforçado batalhador pela consolidação da Republica.
«Discutia-se a mensagem em que Floriano Peixoto pedia «Sem offensa ao vosso substituto, acreditae que sinto muito
approvaçã~ de seus actos durante a revolta (Sessão de a vossa retirada n'esta quadra de sacrificios, dedicação, de-
~q de Maio. de 1895). Vicente Machado, depois de jus- votamento a esta Patria Republicana.
tificar o pedido de floriano Peixoto, proferiu, com o des- «Saudações. - Floriano Peixoto.»
assombro de quem tem a consciencia pura e as mãos lim- « - Em 1895, foi eleito Senador, após um pleito dos ma\s
P.ª~' uma defeza de seus actos na vigencia do Estado de renhidos, que já se feriu no Paraná e onde pôz em evi-
sitio no Paraná, que levou a convicção aos espiritos de dencia os recursos de um luctador indefeso, e de um chefe
seus pares. invencível.
GENEALOGIA PARANAENSE
274 TITULO CARRASCOS DOS REIS
275
«Eleito Senador da Republica, diz o Dr. J. Pernetta, assim «leader» da maioria, pelo infausto e lamentavel fallecimento
que attingiu a idade co~stitucional, a sua in_?ividu~lidade do eminente paranaense, a quem estavam confiadas as re-
logo se destacou . n? se10 da alta corporaçao l~g1slativa 1
deas da suprema governação do Estado.
pela sua palavra msmuante e competente, nas discussões «O Dr. Vicente Machado da Silva Lima, durante um quarto
dos problemas mais complexos, pelo seu ardor cívico e de seculo, que tanto durou a sua vida publica, exerceu
pela sua inabalavel fé republicana. notavel e nos ultimas 15 annos á esta parte, decisiva in-
« Em franca opposição á política trilhada pelo governo do fluenci~ nos negocios publicas do Paraná, prestando rele-
Dr. Prudente de Moraes, na tribuna do Senado, os seus vantes serviços á sua terra natal.
pares e os seus concidadãos pasmaram diante de sua ener- «Referindo-se á questão de limites, onde o povo parana-
gia, do seu talento e do seu vigor inexcediveis. ense1 olvidando todas as dissenções partidarias, se levan-
«Elle exerceu tal predomínio n'essa corporação, desenvol- tou como um só homem, cheio de energia, de ardor, de-
veu em todas as discussões tal fecundia e auctoridade, ma- votamento para defender a integridade do seu territorio e
nifestou-se, em summa, tão brilhante e completo parlamen- onde sublimou a acção de Vicente Machado, assim fallou
tar, que o Dr. Campos Salles, na suprema magistratura do o valoroso chefe da minoria:
Paiz, sopitando recentes aggravos, chamou-o e confiou-lhe « ••• é inquestionavel que o povo paranaense, sem dis-
a <, leaderança» daquella Camara Alta. tincção de partidos, deve-lhe um tributo de eterna gratidão
«Tendo combatido com ardor a candidatura de Campos pela attitude intelligente, altiva, resoluta, energica e abne-
Salles á suprema magistratura da Republica e infligindo- gada, com que se manteve na occasião da mais dolorosa
lhe uma tremenda derrota, apesar da pressão indebita e provação porque tem passado o nosso Estado, quando es-
escandalosa do Governo da União, que chegou ao extre- teve ameaçado de pereclitar a integridade da patria para-
mo de mandar um vaso de Guerra ás aguas de Parana- naense.
guá, o seu valor indiscutível fez olvidar todas as maguas, «E isso basta, Snr. Presidente, para que o povo rodeie
calar todos os resentimentos. compungido, o corpo, hoje inanimado, d'esse homem, que
« - Em 1903, foi eleito Presidente do Estado sem com- hontem, na pujança da sua vitalidade, recebia d'esse mes-
petidor, tendo assumido o Governo a 25 de Fevereiro de mo povo os mais enthusiasticos applausos.»
1904. «foi tão rapida a passagem de Vicente Machado pela
« - Quando estava na plenitude do seu vigor intelledual, terra que faz lembrar o aerolitho que risca a atmosphera
quando mais amplos e bellos se descortinavam, á sua vi- em subita fulguração e já tomba no cadoz do seu destino.
são de estadista novos e seductores horizontes, eis que á «Mas, nesse rapido perlustrar por nosso ambiente, elle
~ de Março de 1907, aos 46 annos e 7 mezes, a morte deixou uma obra de tal tomo e de tal vastidão, que o
mterrompeu aquella vida de escól. tempo não o conseguirá demolir, antes engrandecer.
«No dia seguinte ao do seu passamento, em sessão do tA morte de Vicente Machado abalou os fundamentos de
Congresso Estadoal, o eminente «Ieader» da minoria Dr. sua obra e tudo transmudou.
Generoso. Marques dos Santos, que era tambem o chefe «O tempo, em seu carro cheio de mysterios e surpresas,
da oppos1ção, levantou-se commovido e pronunciou estas vae andando, vae correndo, sem breque que o detenha nem
palavras eloquentes que bem evidenciam a elevada consi- impulso que o accelere, deixando uns no pó da estrada e
dera~ão em que era tido o preclaro paranaense: - «Snr. outros nos pinaculos da montanha, insensivel e indifferente
Presidente, com toda a sinceridade, profundamente cons- a tudo e a todos; mas, a justiça que o acompanha em
ternada, a bancada opposicionista desta casa associa-se á sua trajectoria sem fim, ora célere, ora tarda, vae sond~n-
moção de pezar que acaba de s~r proposta' pelo nobre do, vae pesando e vae medindo tudo para a sua· obra m-
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS 277
276
exoravel de reparação, para a sua sentença inappelavel e 6-5 João Antonio Machado Lima, solteiro, fiscal
eterna. dos Impostos de Consumo, no interior do
<zA' medida que o tempo corre, a justiça implacavel vae Paraná.
penetrando mais fundo os arcanos da vida de Vicente Do segundo matrimonio teve os filhos já des-
Machado e mais saliente e mais fulgurante apparece na criptos no capitulo 2.0 deste titulo.
historia contemporanea, a sua figura inconfundivel.» (Ex- 5-5 José Eugenio Machado Lima, fallecido foi casado
cerpto do Discurso do Dr. João Candido.) em Itatiba, Estado de S. Paulo com Veturia Lima.
foi casado em primeiras nupcias com Antonia Moreira Filhos:
Lima, filha de Antonio Moreira Lima e de sua mulher 6- 1 Evangelina.
Constança Alves, já descripta em 5-1 retro. 6-2 Anna Guilhermina.
Casado em segundas nupcias com Heiena de Loyola, filha 6-3 José.
do Coronel Joaquim Antonio de Loyola e de sua mulher 6-4 Clotario.
Guilhermina dos Santos Loyola, 5-3 de 4-3 de 3-5 de 6-5 Luiz Napoleão.
2-7, § 8.0 , do capitulo 2.o deste titulo. 5-6 Octavio Elpidio Machado Lima, fallecido, foi con-
Teve do primeiro matrimonio: tador dos Correios do Paraná e Promotor Publico
6-1 Dr. Caio Oraccho Machado Lima, advogado, redador em Jacarézinho. foi casado com Maria Elisa Leite.
director do jornal «O Dia», casado com Ercilia Coelho, filhos:
viuva de Armando Paiva, filha de Luiz Antonio da Silva 6-1 Maria de Lourdes, casada.
Coelho e de sua mulher Maria Clara de Bittencourt. 6 -2 Olga, casada_
Sem geração. 6- 3 Zilda, solteira.
6-2 Dr. Antonio Jorge da Silva Lima, advogado, consul- 6-4 Odette, solteira.
tor juridico da Delegacia Fiscal do Paraná; casado 5- 7 Maria Camilla de Lima Menezes, fallecida, foi a
com Zayra de Abreu, filha do dr. Candido Ferreira primeira mulher do Tenente-Coronel do Exercito,
de Abreu e de sua mulher Euphrosina Corrêa de Abreu. Commandante do 13.0 Batalhão de Caçadores de
Filhos: Joinville Adalberto Gonçalves de Menezes, filho
7 -1 Risoleta. do Major Joaquim Antonio Gonçalves de Menezes
7-2 Diva. e de sua mulher Catharina de Macedo Menezes.
7 -3 Oilvaneta. Teve:
7-4 Armando Jorge. 6- 1 f rancisca, fallecida.
7 -5 Regina Maria. 6- 2 Marina, casada com Edmundo Leitner.
7 -6 Candido Jorge. 6-3 Euthalia de Menezes Freitas, casada com
6-3 Dr. Vicente Machado Filho advogado, casado com Pedro de Freitas.
Ondina Cordeiro Machado.' Teve:
Filhos: 7-1
7-1 Eglé. 7 - 2 Maria Camilla.
7-2 Edith. 6-4 Catharina de Menezes, casada com Alcebia-
7-3 Edilberto. des Liberali, collector federal da Palmeira.
7-4 Edmar. 6-5 Daura.
7-5 Eny. 5-8 Heitor, fallecido.
6-4 Valentina Machado Lima, fallecida. 4-2 Joaquina Maria da Cunha, filha de 3-10.
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
278 279

Casada com o Maestro Jacintho Manoel da Cunha natu- dos Anjos Cunha, em primeiras nupcias· e em se-
ral do Rio Grande do Sul, cidade de Sant'Anna 'do Li- gundas nupcias com Olivía Cunha. '
vramento; filho do Tenente-Coronel do Exercito de }.a Teve da primeira mulher:
linha João Manoel da Cunha, commandante da fronteira 6-1 Ottilia da Cunha Pinto, fallecida, casada com o
e de sua mulher Gertrudes Maria da Cunha, o qual de~ professor Capitão Isidoro da Costa Pinto de
pois de reformado passou a residir em Paranaguá com quem foi segunda mulher. '
sua família. Teve:
O Maestro Jacintho Manoel, desde logo revelou o seu ta- 7 -1 Ottilia.
lento musical e abraçou a profissão de professor de mu- 6-2 Sylvina da Cunha Pinto, casada com o seu cu-
sica, piano, solfejo e canto, prestando por essa forma re- nhado Isidoro da Costa Pinto, de quem é a 4,ª
levantes serviços a Paranaguá, pelo ensino que ministrava mulher.
á mocidade, e pelo estimulo que lhe trouxe. Teve:
Tocava e cantava nas solemnidades religiosas, não só com- 7 -1 Leozil, fallecida
posições musicaes de sua autoria como tambem composi- 7 -2 H uldegrina.
ções de seu irmão o Tenente-Coronel Dr. João Manoel da 6- 3 Valdivia
Cunha, notavel musico e compositor, e as do seu parente 6-4 Guilhermina, fa:llecída
Maestro Bento Menezes. A respeitavel família Cunha era 6-5 flavia
composta em sua quasi unanimidade, de musicas e musi- 6-6 Vicente.
cistas de nomeada. 6- 7 Jacintho.
Alem dos irmãos Jacintho e Dr. João Manoel, salientou-se 5-3 Augusta da Cunha Cezar, casada com João Severian0
como grande musico e compositor o illustre Dr. Brasília Cezar, natural de Itapetininga, S. Paulo, filho de An-
ltiberê da Cunhé., filho deste ultimo; como musicistas os selmo Cezar e de sua mulher Clotilde Cezar.
Snrs. Henrique ltiberê da Cunha e seu irmão João ltiberê Teve:
da Cunha. ó-1 Ottilia, viuva de
Teve:
5-1 Maria. Teve.:
5-2 João Manoel da Cunha Sobrinho, casado com Maria 7-1 Mario.
7-2 Ludovico.
O Snr. Jacintho Manoel da Cunha, passou a segundo matrimonio com Maria 7-3 Olga.
Cardenes da Cunha.
Teve o filho unico : 7 -4 Cornelia.
1. Bernard_ino Cunha, serventuario municipal de Curityba, casado com
Mana do Carmo Saldanha. filha de Pedro de Freitas Saldanha
6-2 Olivia Cezar Xavier, casada com Êudorico Xavier.
e de sua mulher Ursula Saldanha. filho unico:
Teve:
a) Manoel, fallecido. 7 -1 Aristides, nascido em 1907.
b) Tenente Ary Saldanha da Cunha casado com Gilda Ravaglio 6-3 Hercilia Cezar da Cruz, casada em primeiras nu-
filha de João Ravaglio e de ;na mulher Dionizia Ravaglio.
c) Abdon Saldanha da Cunha. pcias com Julio Justiniano de Oliveira e Cruz, e
d) Albano Saldanha da Cunha. em segundas nupcias com Arthur Luiz de Vas-
e) .Alba Saldanha da Cunha.
f) Aracy Saldanha da Cunha. concellos Lopes.
g) Amaodina, fallecida Sem descendentes.
)lJ Arold.; Saldanha da Cunha.
1) Avany Saldanha da Cunha 6-4 Capitão Hermínio da Cunha Cezar, casado com
j) Amandina Saldanha da Cu~ha. Córa Paquete, filha de Antonio Justiniano Pa-
TITULO CARRASCOS DOS REIS
280 GENEALOGIA PARANAENSE 281

quete e de sua mulher Maria Candida Soares vindo varias vezes de contador e delegado Fiscal.
Paquete. Empregado intelligente, trabalhador e zeloso procu-
filhos: rou sempre harmonisar os interesses da Faze~da com
7 - 1 Hairton. os do publico, a quem attendia com devotada soli-
7 -2 Hernani. citude.
7-3 Heron. Era filho do benemerito cidadão Candido Martins Lo-
7-4 Hilda. pes e de sua mulher Gertrudes da Silva Lopes.
6-5 Judith Cezar Monegaglia, casada com Henrique Ao ser installada, em 19 de Dezembro de 1853 a
Monegaglia, filho de João Monegaglia e de sua nova Província do Paraná, anteriormente 5.a Com~rca
mulher Elizabethe Monegaglia. de S: Paulo, animou-se o então typographo Candido
Teve: Martins Lopes, a transportar do Rio de Janeiro para
7-1 Zilda. Curityba o material typographico com o qual mon-
7-2 Stella. tou ~ «Oezenove d,e Dez~mbr~», primeiro jornal que
7-3 Celina. se editou no Parana, e CUJO pnme1ro numero foi pu-
7-4 Mario. blicado no dia 1.0 de Abril de 1854.
7-5 Gastão. Este facto que a primeira vista parece natural e de
7 -6 Henrique. p~queno. ~alor, tev~ comtudo grande importancia na
7-7 Nilda. vida poht1ca e social da nova Provincia
7-8 Ruth. foi como um pharol resplandecente que veio illumi-
5-4 Joaquina Maria da Cunha, casada em primeiras nu- nar as trevas em que jazia a nascente Província tra-
pcias, a 30 de Julho de 1870, na cidade de Curityba, zendo o influxo civilisador para um meio acanh~do e
com felintho Elysio de Paula, nascido a 21 de Se- por demais atrazado. As trevas deram lugar á luz.
tembro de 1848 e fallecido a 16 de fevereiro de E o que é mais admiravel em tudo isso, é o espírito
1874, filho do Tenente João Manoel de Paula e de emp:ehend~?~r e forte de Candido Lopes, vindo, sem
sua mulher Maria dos Anjos Paula. medtr sacnfic1os, luctando com grandes difficuldades
Joaquina Maria da Cunha, casou-se em segundas nu- pecuniarias, atr~vez de obstaculos de toda a especie,
pcias com Alfredo lndio do Brasil. tra~er - em lombos de burros - a sua typogra-
Teve do primeiro matrimonio: ph1a, para montai-a n'uma pequena cidade do interior,
6-1 Agostinho de Paula, casado com Julieta Chaves como era Curityba em 1853.
de Paula, filha do Tenente José Lourenço de Esse facto deve ser relembrado, para servir de exem-
Vasconcellos Chaves e de sua mulher Francisca plo, do quanto pode a força de uma vontade impe-
Franco de Vasconcellos Chaves. riosa e firme.
Sem filhos. O «Dezenove de Dezembro», jornal de boa feição
6-2 Eurico, fallecido na infancia. m~terial e muito bem dirigido, tinha uma nitidez ad-
6-3 Theodomiro, fallecido na infancia. m1ravel em sua composição typographica, optimo pa-
5-5 Guilhermina. da Cunha Lopes, casada com o Major pel e com um brilhante corpo redactorial, podendo
Arthur Martms Lopes, nascido em Curityba, a 20 de dessa forma bem orientar a opinião publica.
Outubro de 1859. Foi distincto serventuario de fa- Curityba tornou-se então, como que uma sociedade
zenda, tendo feito toda a escala de accessos desde nova e regenerada, alcançando a visão de novos ho-
praticante até o cargo de primeiro escripturario, ser- rizontes e abrangendo novos ideaes políticos e sociaes.
TITULO CARRASCOS DOS REIS
282 GENEALOGIA P ARANAENSE 283
Pela publicação dos actos officiaes, teve o « Dezenove de 7-5 Alfredo, fallecido.
Dezembro» uma remuneração mensal de 60$000. Mais 7-6 Alfredo.
tarde foi essa quantia elevada, pelo accrescimo da publica- 7-7 Laura.
ção das adas da Assembléa Provincial, publicação e en- 7-8 Carlos.
cadernação das Leis e de objectos de expediente. 6-4 Luiz Napoleão Lopes, casado com Osmilda Barth
Exerceu, a par com os encargos de sua profissão, os car- Lopes.
gos publicos de procurador fiscal interino da Thesouraria Teve:
Provincial, em 1864. Foi sub-delegado de policia juiz de 7-1 Luiza.
paz e camarista municipal de Curityba. ' 6-5 Herminia Lopes Munhoz, casada com Alfredo Alberto
Em 1661, pelo seu contracto de publicações dos actos of- Munhoz, filho do coronel João Alberto Munhoz e de
ficiaes, entendeu o Governo do presidente Dr. José Fran- sua mulher Maria Eulalia Moreira. 5-7 de 4-1 de 3-5
cisco Cardoso, fazer inserir no « Dezenove de Dezembro» de 2-7, § 9.0 , capitulo 2.0 deste titulo.
nas sessões editoriaes, artigos elogiosos á sua administra~ Ahi a descendencia.
ção, que era combatida por ambos os partidos: Liberal e 6-6 Guilhermina Lopes Bezerril, casada com o Capitão
Conservador. Dr. Guilhermino fontenelli Bezerril, engenheiro mili-
Candido Lopes recusou terminantemente ceder ao Governo tar, dotado de talento. Fallecido.
as. duas columnas por elle exigidas, embora estivesse in- Teve:
teirado 9e q~e seria rescindido o contracto com o jornal. 7-1 Araldo.
7-2 Aroldo.
A reacçao nao se fez esperar; a subvenção foi retirada e
o govern~ teve de montar uma typographia, para publicar 7-3 Arilda
seu expediente. Não esmoreceu no entanto o benemerito 7-4 Arina
cidadão, continuando a publicar' o seu jorn~I, embora que, 7-5 Armando.
luctando abnegadamente e com os maiores sacrifícios. A 7-6 Guilherme, fallecido.
sua te~p~ra ,era de q~~: - antes quebrar que torcer. 6-7 Maria Antonietta Lopes Garcez, casada com o Dr.
Transm1ttm a sua famil.1a um nome honrado e respeitoso. Euripedes Garcez do Nascimento, illustre medico, lente
Gosou de grande consideração e amisade e o seu nome da Academia de Medicina do Paraná, filho de Fran-
acha-se gravado de forma indelevel1 e merecidamente' em cisco Gonçalves do Nascimento Rosa e de sua se-
u~a P1aca, qu_e honra a uma das ruas de Curityba. gunda mulher Olympia Ç}arcez do Nascimento.
Nmgue!11~ mais do qu~ elle, fez juz á essa homenagem. Teve:
O Cap1tao Arthur Martins Lopes, de seu matrimonio, teve: 7-1 Loth.
6- 1 Manoel, fallecido. 7-2 Aloah.
6- 2 Candido, fallecido. 7-3 Lais.
6-3 Iphigenia L~~es Rego Barros, casada com o Capitão 7-4
da força Militar do Estado do Paraná Augusto do 6-8 Gertrudes Lopes Munhoz, casada com o Capitão Cae-
Rego Barros, fallecido. tano José Munhoz, morto em combate contra os fa-
Teve: naticos do Contestado.
7 - 1 Dinorah, fallecida. Filho do Commendador Alfredo Caetano Munhoz e
7-2 Stella. de sua primeira mulher Rita Machado Lima. 5-.J de
7 -3 Augusto. 4-1.
7-4 Eleonora. Teve:
284 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
285
7-1 Marina. Sacerdote venerando, morreu com avançada idade, a
7-2 Raul. 30 de Dezembro de 1882.
7-3 Dinorah. Seus bens foram inventariados e partilhados entre seus
6-9 Arthur Lopes filho, casado com Glaucia irmãos.
Muniz de figueiredo, filha de José Muniz de 4-5 Luiza Maria de Lima Coelho, casada com Domingos
figueiredo e de sua mulher Maria da Luz Affonso Coelho.
Lisbôa de figueiredo. Teve:
Teve: 5- 1 Dr. Constante Affonso Coelho, distinctissimo en-
7-1 Caetano. genheiro civil, casado com Eulalia de Carvalho,
7-2 Nice. filha do Dr. Eulalio da Costa Carvalho, medico,
7-3 João. e de sua mulher
6-10 Dulcidia Lopes Busse, casada com Olivio
Busse, commerciante. 5-2 Domingos Affonso Coelho, casado com
Teve:
7-1 Diaoli. 5-3 Maria Affonso Coelho, casada em Ouarakessaba,
7-2 Niedy. a 3 de Junho de 1871, comjoséAlexandre Car-
7 -3 Roberto Claudio. doso, filho de Antonio José Alexandre Cardoso
6-11 Candida Lopes Pereira, casada com Leo- e de sua mulher Porcina Maria das Dôres.
cadio Pereira, filho de Lucio Leocadio Pe-
reira e de sua mulher Esther Ferreira Pe- 5-4 Antonia Maria de Lima, casada a 12 de Outu-
reira. bro de 1871 com Antonio Manoel Cardoso, fi-
Teve: lho de Antonio José Alexandre Cardoso e de
7 - 1 Lucio Arthur. sua mulher Porcina Maria das Dôres.
7-2 Levy.
7-3 Leocadio. 5-5 Victoria Coelho de Castro, casada com João An-
6-12 Dr. Laura da Silva Lopes, advogado, resi- tonio de Castro, fallecídos, foi 1.0 Escripturario da
dente em Santa Catharina, casado com Poly Alfandega de Paranaguá e mais tarde exerceu
Alves Lisbôa, filha de Honorio Lisbôa e d~ igual cargo na Alfandega de Macahé, onde se
sua mulher Poly Pereira Alves Lisbôa. aposentou.
Filho: Teve:
7 - 1 Maria de Lourdes. 6-1 Parisina de Castro Lima, casada com Hei-
6-13 José Martins Lopes, proprietario da phar- tor Pinheiro Lima, filho do Coronel Beni-
macia Correia, casado a }.o de Julho de gno Pinheiro Lima e de sua mulher Maria
1925 com Pareia Miró Lopes, filha do Dr. Geraldina Rosa Lima 6-5 de 5-3 de pa-
Joaquim Miró e de sua mulher Maria das gina 264, deste.
Dôres Guimarães Miró. Ahi seus descendentes.
4-3 Capitão João Machado de Lima, fallecido. 6-2 João Antonio de Castro Junior, casado com
4-4 Padre Agost!nh~ Machado da Silva Lima, foi por mui- Francisca de Souza Castro.
tos a_nnos v1gano da parochia de Curityba, sempre 6-3 Carlos, fallecido.
respeitado e amado por seus parochianos. 6-4 Raul, fallecido.
GENEALOGIA PARANAENSE
286 TITULO CARRASCOS DOS REIS
287
5-6 Agostinho Affonso Coelho. Martins Bonilha e de sua mulh~r Leonor Leme, cuja vida
5- 7 Virgilio Affonso Coelho. e ascendentes descrevemos no titulo Martins Leme
5-8 José Affonso Coelho. Teve 6 filhos: ·
5-9 Beluca. 1-1 Capitão José Martins Leme § }.o
1-2 Antonia Leme da Silva § 2.0
CAPITULO 3.º 1-3 Anna Maria da Silva § 3.o
1-4 Balthazar f ernandes de Leme § 4.o
3 Belchior Carrasco dos Reis, andava em bandeiras pe- 1-5 João Martins Leme § 5.o
los sertões, quando falleceu seu pai em 1697 · foi 1-6 Izabel Antunes Cortes § 6.o
casado em Sorocaba com Maria Domingues. '
Teve (Genealogia Paulistana, Volume 6.o): § l,o
1- 1 Gaspar Carrasco dos Reis. § l .º
1- 2 Salvador Domingues § 2.º 1-1 ~pitão Jo~é Mar:tins Leme, casado com Antonia Ri-
beiro da Stlva, filha do Capitão Antonio Ribeiro da
§ }.o Silva, fallecido em Curityba em 1725 e de sua mu-
lher Maria de Siqueira de Almeida, f~llecida em Cu-
1- 1 Gaspar Carrasco dos Reis, casado em primeiras nu- rityba, a 28 de Abril de 1717, filha do Capitão Ma-
pcias em 1737, em Sorocaba com Ignacia de Almei- noel da Cunha Gago e de sua mulher Anna de Si-
da, filha de Antonio Bicudo Furtado e de sua mu- queira (C. O. de Curityba.)
lher Luiza Mendonça, com ascendentes em Titulo Al- Teve:
meidas Castanhos 4-5 de 3-6; casou-se em segundas 2-1 Mar!a de Almeida de Siqueira, casada com o
nupcias em 1742 em Sorocaba com Anna Maria, fi- Capitão Lourenço Castanho de Araujo, filho de
lha de Nicolau Valente e de sua mulher Luzia Pe- Lourenço Castanho Taques e de sua mulher Anna
reira, de ltú. de Arruda Castanho; neto pela parte paterna de
§ 2.0 Lourenço Castanho Taques e de sua mulher Ma-
ria de Araujo, fallecida em S. Paulo em 1683;
1 -2 Salvador Domingues, foi casado em Sorocaba com neto pela parte materna de Francisco de Arruda
Francisca Maria, filha de José de Oliveira e de sua e Sá e de sua mulher Maria de Quadros.
mulher Thereza de Jesus; neta pela parte paterna de 2-2 Maria de Almeida Siqueira
Antonio de Oliveira f aleão e de sua mulher Izabel Teve 7 filhos: (Genealogia Paulistana, Volume 4.o)
Ribeiro; neta pela parte materna de Salvador de Oli- 3- 1 Antonio de Almeida Lara.
veira Gago e de sua mulher Izabel da Costa Sobrinho. 3-2 Luiz de Almeida.
3-3 Lourenço Castanho de Araujo, fa11ecido em
1794 na Parnahyba, casado com Anna de
CAPITULO 4.o Brito Silva, filha do Capitão Francisco Cor-
rêa da Fonseca Guedes e de sua mulher
4 ('1 argarida
f ~rnandes dos Reis, em 1697 já era vi uva Maria Pinto da Silva
de Antom<_> Martins Leme, filho do Capitão-m9r ·.. Teve:
povoador de Cuntyba Matheus Martins Leme e de sua 4-1 Maria Luiza de Almeida Pinto, casada
mulher Anna de Góes; neto pela parte paterna de Thomé com o Capitão Joaquim de Camargo
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
288 289
Penteado, morador em S. Roque. Com des dos Reis, do Capitulo 4. 0 , falleceu em Curityba em
ascendentes no Volume 1.0 da Genea- 1754 com 70 annos de idade, sendo casada com O Ca-
logia Paulistana, pagina 271, em 4-7 pitão José Nicolau Lisbôa.
de 3-2. Teve: (C. E. de Curityba.)
4-2 José Joaquim. 2-1 Josepha Rodri&ues Li?bôa, ~sa~a em Curityba em
4-3 Joaquim José. 17.44 com )o?e Rodngues Te1xe1ra, filho de João Ro-
4-4 Capitão José Manoel Castanho, casado drigues Te1xe1ra e de sua mulher Francisca Ribeiro
em 1821 em S. Roque com Delphina da Silva (ou de Siqueira).
Maria. Ver ascendentes em Volume 4.o Teve: (C. E. de Curityba.)
da Genealogia Paulistana, folhas 234 3- 1 f rancisca Rib_eiro da Silva, casada em Curityba
em 5-4 de 4-3. a 28 de. J~neiro. de 1776 com Miguel Domin-
4-5 Gertrudes de Almeida Arruda, casada gues Te1xe1ra, filho de Antonio José Teixeira e
em 1801 em S. Roque com Pedro Or- de sua mulher Maria Rodrigues Moreira.
tiz Penteado. Neto pela parte paterna de Francisco Teixeira
4-6 Rita. Seixas e de sua mulher Rosa Maria de Carvalho.
3-4 Guarda-mór Jorge de Almeida Lara, casado 3- 2 Thereza Maria da Silva, casada em Curityba a
em 1760 em S. João de Atibaia, com Joan- 19 de Junho de 1782 com Salvador Fernandes
na Barbara. de Siqueira, filho de Manoel Dias Collaço, na-
3- 5 Custodia. tural de ltanhaen, e de sua mulher Maria Luiz
3-6 José. de Góes, de Curityba; neto pela parte paterna de
3- 7 Salvador Martins Castanho, natural de Ju- Francisco de Souza Aguiar e de sua mulher fe-
query, casado em 1788 na Cotia, com licia Dias Maria, naturaes de ltanhaen; neto pela
Thomazia da Rocha Camargo. parte materna de Antonio Fernandes de Siqueira
2-2 Margarida da Silva, casada em Curityba com o e de sua mulher Catharina de Siqueira Cortes.
Capitão Ignacio Taques de Almeida, irmão de Lou- 3-3 Antonia Ribeiro da Silva, casada em Curityba em
renço Castanho de Araujo, do· numero precedente. 1765 com Jeronymo Leme da Silva, filho de Pe-
2-3 Antonio da Silva Leme. dro Leme da Silva e de sua mulher Maria de
2-4 Joanna Leme de Jesus, casada em Curityba em Siqueira; por esta, neto de Manoel Vaz dos Reis
175... com Francisco da Silva, viuvo de Maria da e de sua mulher Suzanna de Góes, de Mogy
Costa Rosa, filha de João Silva e de sua mulher das Cruzes.
Dionizia Francisca, naturaes de Braga-Portugal. 3-4 Lourenço Rodrigues Teixeira, casado a 14 de
2-5 Salvador Martins Leme, casado na Parnahyba em Janeiro de 1792 com Bernardina Saraiva do Es-
1756 com Mar~arid~ de Siqueira, filha de J~sé pírito Santo, filha de Francisco Fernandes Sa-
de Camargo e 9ique1ra e de sua mulher Domm- raiva e de sua mulher Rita da Conceição f rança,
gas franco de Brito. descriptos em 3-1 de 2-2, abaixo.
2-6 José, com 8 annos em 1734. 2-2 Manoel dos Santos Lisbôa, casado em Curityba em
1743 com Maria Rodrigues Ribeiro de Siqueira, filha
§ 2.o de João Rodrigues Teixeira e de sua mulher Francisca
Ribeiro de Siqueira.
1-2 Antonia Leme da Silva, filha de Margarida fernan- Filhos:
TITULO CARRASCOS DOS REIS
290 GENEALOGIA PARANAENSE 291

3-1 Anna Maria do Espirita Santo, casada em Curi- Junho de 1769, filha do Capitão Manoel da Ro-
tyba a 14 de Outubro de 1788. com Ignacio cha Carvalhaes e de sua mulher Josepha Rodri-
Fernandes Saraiva, filho de f ranc1sco Fernandes gues Coutinho; neta pela parte paterna de An-
Saraiva casado em Curityba a 7 de Dezembro tonio da Rocha e de sua mulher Maria João
de 1756 com Rita da Conceição França; neto Carvalhaes, naturaes do Porto; neta pela parte
pela parte paterna de Francisco Fernandes ~a materna de Manoel Gonçalves de Siqueira e de
Veiga e de sua mulher Joanna Fernandes Sarai- sua mulher Paula Rodrigues de França.
va; neto pela parte materna de Man?el da Çosta filhos: (C. O. de Curityba.)
filgueras e de sua mulher Custodia Rodrigues 3-1 Joeé Martins Lisbôa, com 21 annos de idade,
de França. em 1759, quando falleceu sua mãe.
Teve: (C. E. de Curityba.) 3-2 Josepha Martins dos Santos Coutinho, casada
4-1 Maria Fernandes dos Santos, casada em em Curityba a 13 de Julho de 1773, aos 22
1804 com José de Souza Jorge, natural de annos, com João da Silva Leite, natural de
Portugal, filho de Francisco de Souza e de Sorocaba, filho de João Cardoso Leite e de
·sua mulher Anna Luiz dos Santos. sua mulher Maria da Silva.
3-2 Francisco da Borja Lisbôa, casado ~m Curityba 3-3 Gertrudes Maria de Jesus (ou de França),
a 5 de Fevereiro de 1788 com Mana da Con- casada em Curityba a 1.0 de Agosto de 1772
ceição França, filha de Francisco Fer~andes Sa- com Manoel de Oliveira Assumpção, filho
raiva e de sua mulher Rita da Conceição Fran- de paes incognitos.
ça, já descriptos em 3-1 de 2-2 retro. 3-4 Izabel de França, com 12 annos em 1769.
Filhos: 3-5 Maria de Jesus, com 7 anno~ em 1769.
4-1 Rita Maria dos Santos, casada em 1806 com 2-4 João da Luz Lisbôa, casado em Curityba ~m 175_7
José Cortes da Paixão, filho do Capitão D~- com Izabel Pereira filha do Alferes Francisco D1-
mingos José Cortes e de sua mulher Mana niz Pinheiro e de ~ua mulher Clara Pereira Telles.
Francisca da Costa. filhos:
3-3 Sebastião dos Santos Lisbôa, casado em Curityba 3-1 Maria da Luz, casada em 1785 em Curityba
a 14 de Outubro de 1788 com Francisca de com José da Cunha Tavares, naturaes de
Paula Rosa filha de Francisco Fernandes Saraiva Portugal. .
e de sua ~ulher Rita da Conceição França. Já 2-5 Izabel Antunes Lisbôa, casada em Cuntyba em
descriptos. . 1738 com Sebastião de Carvalho Pinto, filho de
3-4 José dos Santos Lisbôa, casado em Çuntyba a João de Carvalho Pinto, natural de Portugal,. que
12 de Janeiro de 1776 com Rosa Mana de Car- em 1694 pertencia á governança de Cuntyba,
valho, filha de Antonio José Teixeira e de sua onde foi Juiz de Orphãos, e de sua mulher Ma-
mulher Maria Rodrigues Moreira; neta pela parte ria Rodrigues da Cunha.
paterna de Francisco Teixeira Seixas e de sua
mulher Rosa Maria de Carvalho; neta pela parte § 3.o
materna do Coronel Braz Domingues Velloso e
de sua mulher Catharina Gonçalves Coutinho. 1-3 Anna Maria da Silva casada em Curityba em 1698
2-3 Antonio Martins Lisbôa, casado em Curityba em 1745 com Francisco Nune~ de Siqueira, filho . de .Christo-
com Paula Rodrigues da Rocha, fallecida a 17 de vão Pereira e de sua mulher Anna de S1que1ra.
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
292 293
§ 4.o Paulo da Rocha Dantas e de sua mulher Catharina
Cardoso, natural de Portugal; neto pela parte paterna
1- 4 Balthazar Fernandes de Leme, casado com Maria Can- do Dr. João da Rocha e de sua mulher Maria de Sá
delaria. Barbosa; neto pela parte materna de Fructuoso de
§ 5.o Laya de Leam e de sua mulher Antonia de Siqueira.
Teve:
1-5 João Martins Leme, casado em Curityba com Catha- 3-1 Catharina Ursula, casada em primeiras nupcias
rina Rodrigues Pinto, filha de João Carvalho Pinto e no anno de 1788, em Curityba, com o Alferes
de sua mulher Maria Rodrigues da Cunha, dos quaes Francisco Pereira da Cruz, natural da Ilha Grande,
já fallamos em 2-5 do § 2.o. viuvo de Barbara Rosa; casada em segundas nu-
Teve 6 filhos: pcias no anno de 1794 em Curityba com Ma-
2-1 Miguel Francisco Martins, casado em Curityba noel da Costa Rosa, filho de Angelo da Costa
em 1748 com Maria Antonia de Siqueira, filha Rosa, natural de Paranaguá, e de sua mulher
de Antonio Martins Pereira e de sua mulher Anna Vieira Pedroso; por esta, neto de Pedro
Anna Maria de Jesus. Rodrigues Paes e de sua mulher Paula Fernan-
Filhos: des de Oliveira.
3-1 Francisco Martins Pereira do Nascimento 2-4 Margarida Fernandes dos Reis, casou em primeiras
- casado no anno de 1791, em Curityba, co~ nupcias no anno de 1749 em Curityba com Thomaz
Maria do Carmo, filha de Antonio da Costa Leme do Prado, de ltú, filho de João do Prado Leme
Filgueira e de sua mulher Maria Vieira Pe- e de sua mulher Messia Nunes de Siqueira; casada
droso; por esta, neta de Pedro Rodrigues em segundas nupcias em Curityba em 1772 com Do-
Paes e de sua mulher Paula Fernandes de mingos Dias Braga.
Oliveira; por esta, bisnet" de José Teixeira 2-5 Pedro Rodrigues Pinto, casou com Maria de Siqueira
de Azevedo e de sua mulher Maria da Fé de Almeida
Side. filhos:
2-2 Estevão Martins L~me, natural de Curityba, ca- 3-1 Maria Nazareth, casada em Curityba em 1790
sou em Sorocaba, em 1737, com Escolastica de com Antonio Corrêa de Almeida, natural de
Oodoy Moreira. Baependy, viuvo de Maria Raposo de Almeida,
Filhos: . (Genealogia Paulistana, Volume 7.o, fo- filho de Antonio Corrêa Leme, de Pindamonhan-
lhas 262.) gaba, e de sua mulher Francisca de Almeida, de
3-1 Miguel. Taubaté; por esta, neto de Francisco Raphael e
3-2 José Martins de Camargo, casado em Soro- de sua mulher Maria de Lara, de S. Paulo.
<:aba em 1780 com Anna Diniz Ponce. 2-6 Feliciana Fernandes dos Reis, casada em Curityba a
Com descendentes. 14 de Setembro de 1739 com o Capitão Estevão Ri-
3-3 Estevão Martins Leme. beiro Bayão, natural de Curityba, fallecido a 30 de
3-4 Francisca Martins de Camargo, casada com Dezembro de 1769. Era filho do Capitão Antonio
Caetano Ferraz de Almeida. Ribeiro da Silva e de sua mulher Maria de Siqueira
3-5 Maria. de Almeida, elle fallecido em Curityba em 1725 e
2-3 Maria do Terço de Jesus, casada em Curityba ella a 28 de Abril de 1717; por esta, neto materno
em 1771 com João da Rocha Dantas, filho de do Capitão Manoel da Cunha Gago e de sua mu-
TITULO CARRASCOS DOS REIS
295
Jher Antonia de Siqueira; pela parte paterna era neto do 3-10 José Ribeiro Bayão, com 10 annos.
Capitão Antonio Ribeiro Bayão e de sua mulher Maria 3- 11 Luzia, com 7 annos.
Leme.
O Capitão Estevão Ribeiro Bayão foi commandante da § 6.o
segunda expedição dos sertões de Ouarapuava e Tibagy,
fazendo a sua entrada a 20 de Junho de 1769, pelo porto 1-6 Izabel Antunes Cortes, ultima filha do Capitulo 4.o,
de São Bento do Rio Tibagy, attingi_ndo o Rio Ivahy, casada com o Sargento-mór Simião Cardoso de Leão,
que descobriu e deu o nome de D. Lmz. ou Pazes. Foi homem de respeito da Oovernança de
Tendo enfermado na margem do Rio Ivahy, das febres de Curityba. Residiu em Antonina, tendo propriedades
máu caracter ahi reinantes, e sentindo os seus incommo- no Anhaya, onde se dedicou as explorações de minas
dos aggravarem-se, recolheu-se a sua casa em S. José dos de ouro.
Pinhaes, onde falleceu no 3.0 dia apóz o seu regresso. A Teve:
expedição do Capitão Estevão Bayão era composta de 77 2-1 Trifonio Cardoso Pazes de Leão, natural de Cu-
homens, gente forte, robusta e acostumada ao serviço do rityba, fallecido a 13 de Outubro de 1775 com
sertão, no caminho do Rio Grande, da freguezia de São avançada idade, deixando testamento. foi casado
José dos Pinhaes. em primeiras nupcias com Rita Ribeiro de Ma-
Teve 11 filhos legítimos: (Testamento de 1773 de feli- galhães, a 19 de I:Jovem!Jr~ de 1733, filha do
ciana Fernandes dos Reis - C. O. de Curityba.) Ajudante Manoel Pmto R1be1ro e de sua mull:er
3-1 Manoel da Cunha, casado com Maria de Frei tas. Maria Leme Lima; casou em segundas nupc1as
3-2 Maria Rodrigues Pinto, casada com Ignacio José Pre- com Escolastica Pereira Telles, a 30 de Julho de
to, filho de Ignacio Preto Bueno e de sua mulher 1755, filha do Sargento-mór Franci_sco Diniz Pi-
Luiza Cardoso de Leão, fallecida em 1792, já em nheiro e de sua mulher Clara Pereira Telles.
estado de viuva. falleceu com testamento em 1748.
3-3 Maria Rodrigues da Luz, casada com Antonio Franco Teve do primeiro matrimonio:
de Oliveira. 3-1 Joaquim Cardoso Pazes, casado em S. Paulo,
3-4 Maria Rodrigues da Conceição, casada em 1767 com a 4 de Agosto de 1784. Residiu em Soro-
Manoel Vicente de Moraes, filho de Manoel de Mo- caba, onde passou escriptura de venda de
raes Navarros e de sua mulher Esco]astica Soares. sua legitima paterna a seu cunhado Ber-
3-5 Josepha Maria da Silva, casada em Curityba a 25 de nardino da Costa. A carta de venda era as-
Junho de 1770 com Bento de Freitas, filho de Do- signa<la por elle só e testemunhas. Dahi
mingos de Freitas e de sua mulher Maria Pinto, filha <:onclue-se que Joaquim Cardoso Pazes ou
de Manoel Pinto do Rego e de sua mulher Luzia era viuvo e sem filhos, ou solteiro, apezar
Velloso.
do inventario de seu pae, e o testamento de
3-6 Antonio Ribeiro Bayão, casado com Anna Rodrigues 1775 o darem como casado.
de França.
Teve: 3-2 Tenente-Coronel Simeão Cardoso Pazes, nas-
cido em S. José dos Pinhaes, casa~o em
4-1 Antonio Ribeiro Bayão. Paranaguá com Anna de Souza e SIiva.
3- 7 Escolastica, era solteira em 17731 com 20 annos. O Tenente-Coronel Simeão Cardoso Pazes
3-8 Francisca, era solteira em 1773, com 18 annos. dedicou-se a afanosa vida da lavoura, onde
3-9 Anna, com 15 annos.
adquiriu avantajada fortuna. Homem intelli-
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS 297
~~~~~--~~~~~~~~~~

gente e activo, foi forte factor do progresso de Antonina Teve:


onde residiu e exerceu os ,mais alto~. c_argos da Republica: 6-1 Lydio Teixeira de Oliveira Cardoso, nascido em
inclusive o de Sargento-mor de m1ltc1a, demonstrando a Boqueirão, casado com Anna Rita de Jesus, filha
sua competencia e prestando relevantes serviços em pró! de Manoel de Paula Teixeira e de sua mulher
da defeza militar da Capitania. Ali falleceu com testamento Anna Carneiro de Paula.
a 23 de Abril de 1806. filho:
filhos: 7-1 Maria Lydia, casada com João de Paula
4-1 João Baptista Cardoso Pazes, falleceu solteiro, com Teixeira, 6-3 de 5-9 adiante.
38 annos de idade e foi inventariante de seu pae. 6-2 Manoel Teixeira de Oliveira, casado com Antonia
4-2 Oenoveva Maria Cardoso, falleceu solteira aos 27 an- Rita de Paula, filha de Manoel de Paula Teixeira
nos de idade, em 1806. e de sua mulher Anna Rita Carneiro de Paula.
4-3 Francisco Paes Cardoso, falleceu solteiro, com 23 an- Teve:
nos de idade. 7 -1 Cezarina.
4-4 Manoela Cardoso, fallecida solteira. 7-2 Arlindo.
4-5 Maria Ubaldina Cardoso, casada em primeiras nupcias 7-3 Alzira
com Domingos Adriano Menchaso Castelhano, e em 7 -4 Laudelina.
segundas nupcias com Antonio José Gonçalves. 7-5 José.
4-6 Rita Maria de Jesus Cardoso, casada com o Capitão 7 - 6 Alfredo.
Francisco de Paula Teixeira Cardoso, natural do Porto- 6-3 Rita de Assis de Oliveira Munhoz, casada com
Portugal, d'onde veio com seu irmão Tenente-Coronel o Commendador Alfredo Caetano Munhoz, filho
Manoel Teixeira de Oliveira Cardoso, em 1785. do Tenente-Coronel Caetano José Munhoz e de
Teve: sua mulher Francisca de Assis de Oliveira Mu-
5-1 Candido de Paula Teixeira, fallecido solteiro. nhoz. 5-1 de 4-1 de pagina 238 deste Titulo.
5-2 Antonia Rita Maria, casada com Patricio de Oli- Ahi os descendentes.
veira Cardoso. f alleceu em Palmeira. 5- 7 Manoel de Paula Teixeira, casado com Anna Rita
5-3 Francisco, fallecido na infancia. Carneiro de Paula, filha de Possydonio Antonio Car-
5-4 Micquelina Ubaldina da Silva, casada em pri- neiro e de sua mulher Anna Maria Carneiro.
meiras nupcias com Luiz Gonzaga, e em segun- filhos:
das nupcias com o Major Clementina dos San- 6-1 Arminda, fallecida solteira.
tos Pacheco, que foi assassinado pelos bugres 6-2 Anna Rita de Paula Teixeira, casada com Ale-
em Tres Serros, Passo fundo, a 6 de fevereiro xandre Machado Lima, filho de Angelo Machado
de 1856. Era filho do Capitão Manoel dos San- Lima e de sua mulher Ignacia de Miranda.
tos Pacheco e de sua mulher Maria Pereira da Teve 9 filhos.
Silva. 6-3 Abdorminio de Paula Teixeira, casado com Pres-
Sem geração. cilliana da Conceição, filha de João de Paula
5-5 Francisco, fallecido solteiro. Teixeira e de sua mulher Maria da Conceição.
5-6 Cezarina Francisca de Assis de Oliveira, casada 6-5 de 5-5 adiante.
com José Teixeira de Oliveira Cardoso, filho de Sem geração. .
Manoel Teixeira de Oliveira Cardoso e de sua 6-4 Anna Rita de Paula, casada com Manoel Tei-
segund~ mulher Anna Joaquina da Paixão. xeira de Oliveira, filho de José Teixeira de Oli-
298 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
299
veira e de sua mulher Cezarina Francisca de As- Sem geração.
sis de Oliveira. 6-6 Anna Rita de Jesus, casada com Lydio Tei-
6-5 Randolpho de Paula Teixeira, casado com Maria xeira de Oliveira. 6-1 de 5-6 retro.
Rita de Paula, filha de João de Paula Teixeira e 6- 7 Maria Rita de Paula, casada' com Randol-
de sua mulher Maria Possydonia de Jesus. pho de Paula Teixeira. 6-5 de 5-7 retro.
6-6 Armanda Rita de Paula, casada com João da 4- 7 Cezario Antonio Cardoso, casado com Maria de Souza.
Cruz Bastos, filho de Joaquim Antonio da Cruz Filhos: .
Bastos e de sua mulher Maria Joanna. 5-1 José Cezario Cardoso, casado com Manoela Del-
6-7 José Carneiro de Paula, casado com Sebastiana fina Rosa.
Eulalia Carneiro, filha de Francisco Antonio Car- 5-2 Josepha Cezario Cardoso, casada com José Car-
neiro e de sua mulher Maria Rita Carneiro. doso.
6-8 Abrahão Carneiro de Paula, fallecido, casado com 5-3 Anna Cezario Cardoso, casada com José Lopes.
Deolinda da Annunciação Carneiro, filha de Fran- 5-4 Manoel Cezario, casado com
cisco Antonio Carneiro e de sua mulher Maria filha de Antonio Ribeiro.
Rita Carneiro. 5-5 Ignacio Cezario, fallecido solteiro.
6-9 Abdolmira, fallecida na infancia. 4-8 Possydonio Antonio Cardoso, casado com Anna Ma-
6-10 Arminda, fallecida na infancia. ria Carneiro, filha de Francisco Mendes Carneiro.
5-8 Anna Rita de Paula, casada com Simião Cardoso Teve 5 filhos:
Paes, filho de Possydonio Antonio Cardoso e de sua 5-1 José Cardoso Paes, casado em primeiras nupcias
mulher Anna Maria Carneiro. em São José dos Pinhaes com Umbelina Eulalia
5-9 João de Paula Teixeira, fallecido em 3 de Fevereiro de Paula, e em segundas nupcias com Maria dos
de 1856. Foi casado com Maria Possydonio de Je- Passos Ferreira.
sus, filha de Fossydonio Antonio Cardoso e de sua Do primeiro matrimonio teve:
mulher Anna Maria Carneiro. 6-1 Francisco de Paula Carneiro, casado com
Filhos: Maria dos Santos.
6-1 Terencio de Paula Teixeira, nascido em 1838, Filhos:
casado com Mabella Rodebardo. 7 - 1 Horacio.
6-2 Job de Paula Teixeira, casado com Antonia de Oli- 7 -2 Micquelina.
veira franco, filha de Francisco Rufino de Oliveira 6-2 Maria Rita Carneiro, casada com o seu tio
Fran~o e de sua mulher Maria Rita, filha de João Francisco Antonio Carneiro, filho de Possy-
Bapttsta Teixeira e de sua mulher Maria Rita da donio Antonio Cardoso e de sua mulher
Purificação. Anna Maria Carneiro.
6-3 João de Paula Teixeira, casado com Maria Lydia Teve:
de Oliveira, filha de Lydio Teixeira de Oliveira e de 7 -1 José Carneiro, casado com Cezarina
sua. mulher Anna Rita de Jesus, 6-1 de 5-6 retro. Teixeira, filha de Manoel Teixeira.
Ah1 a geração. 7 -2 Pedro Alexandre Carneiro, casado com
6-4 Ermelina M~ria Carneiro, casada com João Cli- Alzira Teixeira de Oliveira, filha de
maco de Oliveira Nunes. Manoel Teixeira de Oliveira.
6-5 Priscilliana, fallecida, casada com Abdormiro de 7-3 Sebastiana Eulalia Carneiro, casada na
Paula Teixeira. 6-3 de 5-6, retro. Lapa com José de Paula Carneiro.
300 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
301
7 -4 Deolinda Carneiro, casada em primeiras nu- 7 - l Maria da Conceição, casada com
pcias com Absalão Manoel de Paula e em João 'simeão Carneiro.
segundas nupcias com Carlos Card~so de Teve do segundo matrimonio:
Mello. 6- 2 Maria_ Clara dos Santos, casada com
7-5 Umbelina Carneiro, casada com Arlindo Tei- Francisco de Paula Carneiro, filho de
xeira de Oliveira. José Cardoso Paes.
7-6 Sophia, fallecida. 6-3 Clara dosSantosCarneiro,casadacomAb-
7-7 Maria Carneiro de Oliveira Ribas, casada salão Antonio Carneiro. 6-3 de 5-1, retro.
com Pedro de Oliveira Ribas. 6-4 Antonio dos Santos Carneiro, casado
7-8 Francisca Carneiro, casada com Joaquim Fer- com Balbina dos Santos Carneiro, filha
reira da Silva. de José dos Santos Carneiro.
7-9 Abilio Carneiro, casado com Maria da Con- Teve:
ceição Ferreira, filha de Miguel da Silva 7-1 Lydio.
Ferreira. 6-5 Umbelina dos Santos Carneiro, casada
Do seu segundo matrimonio, teve 5-1 os seguintes com Salomão Antonio Carneiro. 6-5
filhos: de 5-1.
6-3 Absalão Antonio Carneiro, casado com Clara dos Teve:
Santos Carneiro, filha do Sargento-mór Simeão 7 - 1 Antonio.
Cardoso Paes e de sua segunda mulher Anna 7-2 Maria.
Joaquina dos Santos. 7-3 Deolinda.
6-4 Elvira da Conceição Carneiro. 7-4 Davina.
6-5 Salomão Antonio Carneiro, casado com Umbe- 6-6 Maria do Nascimento Carneiro, casada
lina dos Santos Carneiro, 6-5 de 5-3. com João Ermelino de Oliveira, filho
6-6 Sanson Antonio Carneiro. de João Climaco Nunes.
6- 7 Francisca dos Passos Carneiro casada com Fre- 6- 7 João Simeão Carneiro, casado com sua so-
derico Pimpão. ' brinha Maria da Conceição Carneiro, filha
6-8 José Antonio Carneiro. de PossydonioAntonio de Paula Carneiro
6-9 Maria dos Passos Carneiro. e de sua mulher Elvira da Conceição.
5-2 Anna Rita de Paula, casada com o Capitão Manoel 6-8 Manoel Simeão Carneiro, casado com
de Paula Teixeira, filho de Manoel de Paula Teixeira. Maria Luiz Cordeiro, filha de José dos
5-3 Simeão Cardoso Paes, casado em primeiras nupcias Santos Cordeiro.
com Anna Rita de Paula. 5-8 de 4-6 de 3-3 de 2-1, 5-4 Capitão Antonio Carneiro, casado com sua
retro. Casou em segundas nupcias com AnnaJoaquina sobrinha Maria Rita Carneiro, filha de José
dos Santos, filha de Leandro de Cardoso Paes. 5-1 de 4-8, retro.
e de sua mulher Clara de Ahi a geração.
de Lages. 5-5 Maria Possydonia de Jesus, casada com João
Teve do primeiro matrimonio: de Paula Teixeira, filho de Francisco de Paula
6- l Possydonio de Paula Carneiro casado com El- Teixeira Cardoso. 5-9 de 4-6, retro.
vira da Conceição Carneiro. ' Ahi a geração.
Teve: 3-3 Margarida Cardoso de Jesus, casada em 5 de Agosto
GENEALOGIA PARANAENSR
302 TII'ULO CARRASCOS DOS REIS
303
de 1766 na villa de Curityba com Bernardino da Costa Cardoso Leal, filho de Vicente Cardoso Leal
filgueira. Nasceu em 1744 e era fJlho de . Manoel ,e de sua mulher Rosa Vicencia.
filgueira e de sua mulh~r Custod1_a Rodngues de 4-3 David Cardoso de Menezes, casado com Balduina
França. Capitulo 10.0 do btul_o Rodrigues de França. de Siqueira falleceu no dia 20.de Agosto de 1867.
3-4 Luiz Ribeiro de Magalhães, tmha 28 annos em 1775. filhos:
Solteiro. 5-1 José Cardoso de Menezes, solteiro e com
3-5 José Cardoso Pazes, com ~ 8 annos em _1775. ~asou- 28 annos em 1867.
se no anno 1786 em Cuntyba com Lmza Mana, fi- 5- 2 Levy Cardoso de Menezes, casado.
lha de Luiz de Souza Menezes e de sua mulher Ma- 5-3 Manoel Cardoso de Menezes, casado.
ria do Rosario. Neta pela parte materna do Ouarda- Filhos:
mór Francisco Martins Lustoza e de sua mulher Ma- 6-1 José, com 8 annos em 1867.
ria Soares. 6-2 Francisca, com 6 annos em 1867.
Teve: 6-3 Anna, -com 5 annos em 1867.
4-1 Jeronymo Cardoso Pazes, casado com Anna Fer- 5-4 Clara Maria de Jesus, solteira.
reira Bueno. 4-4 Maria Cardoso de Menezes, casada.
Teve: 4-5 Clara Maria de Jesus, casada com Bento José de
5-1 José Ferreira, casado em 1848. Lara. falleceu em 1839.
5-2 Joaquim Ferreira, viuvo. Teve:
5-3 Carlos Cardoso, solteiro em 1848. 5-1 MariaJoanna, casada com José de Lara, filho
5-4 Maria Cardoso Labre, casada com Bento de João de Lara ou de João Rodrigues Antunes.
José Labre. 5-2 Maria Luiza, com 8 annos em 1839.
5-5 Luiza Cardoso Rodrigues, casada com Ma- 5-3 Francisca, com 2 annos em 1839.
noel da Luz Rodrigues. 4-6 Anna Cardoso de Menezes, casada com Antonio Vaz.
5-6 Anna Cardoso Pedroso, casada com João 4- 7 Gertrudes Maria da Conceição, casada em pri-
Pedroso. meiras nupcias, a 6 de Julho de 1813, com Igna-
5- 7 Gertrudes Cardoso Gonçalves, casada com cio da Costa Pinto, filho de felix da Costa Pinto
Joaquim Gonçalves. e de sua mulher Antonia Maria Piedade, natu-
5- 8 Francisca, solteira em 1848. raes de São João da fóz, bispado do Porto, e
4-2 Vida! Cardoso de Menezes, casado em primeiras casada em segundas nupcias com o Sargento-mór
nupcias, a 4 de Abril de 1825 na villa de Cu- Antonio José de faria.
rityba, com Esmenia Ferreira do Carmo. Casou 4-8 Josepha Cardoso de Menezes, casada com Joa-
em segundas nupcias com Manoela Taborda Rj- quim de Siqueira
bas, filha do Capitão Manoel José Taborda R1- 3-6 MariaCardoso Pazes,casada comAgostinhoMachado Li-
bas e de sua mulher Maria Rita de Lima. Casou ma, que foi antes casado com Maria de Souza Lima; filho
em terceiras nupcias, a 16 de Julho de 1834, com de Manoel Machado e de sua mulher Ursula Machado. (1)
Balduina do Espírito Santo, filha de Francisco Ro- (') Agostinho Machado Lima foi casado anteriormente com Maria de Souza
drigues Seixas e de sua mulher Anna Barbara. Lima, de cujo matrimonio teve os seguintes filhos, dos quaes trntaremos em
outro Titulo desta obra :
Teve do 3.0 matrimonio: l Manoel Machado, casado em São Francisco do Sul.
5- 1 Clarinda Colleta de Moraes, casada em Cu- 2. Jeronymo Machado
3. M:uia Machado Tavares, casada, com Manuel Tavares de Miranda.
rityba a 4 de Março de 1848, com Manoel 4. Anna Maria, casada com Ignacio Tavares de Miranda.
304 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
305
Teve: Teve:
4-1 Angelo Machado Lima, casado com lona- 6-1 Helena.
eia de Miranda, filha de Manoel Tavare~ de Do seu segundo matrimonio, 4-7 não teve
Miranda e de sua mulher Maria Machado descendentes.
Tavares Miranda. 2-2 Luzia Cardoso de Carvalho, 1-6, § 6.o, capitulo 4.o
Filhos: desta obra, casada com Pedro de Carvalho Pinto.
5-1 Alexandre Machado Lima, casado com 2-3 Joaquim Cardoso de Leão.
Anna Rita de Paula, 6-2 de 5-7, retro. 2-4 Margarida Cardoso, casada com João de Laya Leão.
Ahi a geração. Teve:
5-2 Padre Antonio Machado Lima. foi vi- 3-1 fructuoso de Laya Leão, casado com Anna de
gario de Campo Largo. Escreveu pre- Si queira.
cioso Memorial relativamente á Villa de Teve: (C. O. de Curityba.)
Campo Largo, descrevendo o historico 4-1 Domingos Cardoso de Leão, casado com
d'ella desde o seu povoamento até 31 Ignez de faria, filha do Sargento-mór José
de Janeiro de 1879. faria Paes e de sua mulher Maria Velloso,
4-2 João Machado Lima, casado com Maria Ca- fallecidos. De 2-1 do § 6.o, do capitulo 2.º
milla de Lima, 3-1 O de pagina 263; ahi a deste titulo.
descendencia. Teve:
4-3 José Machado Lima. 5- 1 José, com 42 annos em 1783.
4-4 Maria Machado Lima, casada com Vicente 5 -2 Maria Cardoso de Leão, casada com
Ferreira. José de Souza.
4-5 Mathilde. 5-3 Ignacio, com 39 annos.
4-6 Ursula. 5-4 Antonio José Pinheiro, casado a 9 de
4- 7 Luzia Maria de Jesus, natural de Paranaguá, Outubro de 1775 com Maria Cortes de
onde falleceu com testamento a 14 de Março Oliveira, filha de Manoel Gomes de
de 1857, declarando ser casada em primei- Oliveira e de sua mulher Quiteria de
ras nupcias com o Capitão Alexandre Cor- Siqueira Cortes.
rêa de Freitas, e em segundas nupcias com 5-5 João Cardoso de Leão, casado com
Joaquim Antonio Alves Cordeiro. Luiza Corrêa Guedes Brito (Luiza ou
Teve do primeiro matrimonio: Thereza?).
5-1 João Corrêa de Freitas, residente em Teve:
São Francisco do Sul. 6-1 João Cardoso, solteiro, com 51
5-2 José Corrêa de Freitas, residente em annos, ausente em Cuyabá, em 1783.
Ouaratuba. 6- 2 Luzia Cardoso de Leão, casada
5-3 Maria Ursula de Freitas, casada com cúm Ignacio Preto Bueno; falle-
Ignacio Gonçalves Bueno. cida em 1792.
5-4 Carolina Maria do Carmo, casada com Teve:
Antonio de Souza. 7 -1 Joanna França Moreira, casa-
5-5 Oeraldina de Freitas Norte, casada com da com Pedro Antonio Mo-
Serafim dos Santos Norte. reira, fallecido.
GENEALOGIA PARANAENSE
306 TITULO CARRASCOS DOS REIS
307
Teve: 6-4 Rosa Maria, casada com Felippe Pereira Magalhães,
8-1 Gertrudes Moreira, casada com Manoel Bueno fallecido.
da Rocha. 6-5 Maria Cardoso de Leão, casada com Manoel Alves
Teve: fontes, fallecido em Curityba no dia 16 de Junho
9-1 Manoel Lourenço Bueno, casado em Curi- de 1765.
tyba, no anno de 1798, com lsabelTeixeira. Teve:
9- 2 Francisco. 7-1 Maria da Rocha, casada com Nazario Ferreira
9-3 Colleta. de Oliveira.
8-2 Luzia Antonia de Jesus, casada com lgna- 7-2 Francisca Alvares, casada com Manoel Pinto Ri-
cio Diai> Camargo. beiro.
8-3 José Antonio Moreira, fallecido solteiro. 7-3 Thereza Alvares de Jesus, casada com José Ga-
8-4 Manoel, fallecido solteiro. briel Leitão, filho de Manoel Correia de Maga-
8-5 Antonio Pedro de Oliveira. lhães e de sua mulher Leonor Leme de Siqueira.
8-6 Francisco Antonio Moreira. falleceu em 1804.
8- 7 Pedro Antonio Moreira, ou Pedro Lobo de Teve:
Oliveira Preto. 8-1 Alferes Francisco Thomaz, casado.
8-8 Colleta Maria, casada com Antonio de Souza 8-2 Isabel Alves de Jesus, casada com João Ba-
Pereira. tista Saldanha
Teve: 8-3 José Nabo, casado.
9-1 Antonio de Souza Pereira. 8-4 Manoel Alves, casado.
9-2 Josepha. 8-5 Antonio Cardoso, casado.
9-3 Manoel de Souza Pereira. 8- 5 Anna, solteira em 1809.
7-2 Isabel Bueno, casada com o Alferes João Simões 8- 7 Maria Angelica, solteira
da Costa. 8-8 Leonor, casada e já fallecida.
7 -3 Manoel Preto, casado com Luzia Chaves. Teve:
7 -4 Antonio de Oliveira Preto, casado com Isabel 9-1 Francisco Alves Cardoso, casado.
Rodrigues França. 9-2 José, solteiro em 1809.
7-5 lgnacio José Preto, casado com Maria Rodrigues 9-3 Manoel, casado.
Pinto, fallecida, filha de Estevão Ribeiro Bayão. 9-4 Cordula Alves Cardoso, casada com
7-6 Maria de França, casada com João Coelho Borges. Antonio Joaquim de Carvalho.
7- 7 João Preto de Oliveira, casado com Francisca 8-9 Luiz Cardoso, casado, fallecido.
Leme de Jesus. Filhos:
7 -8 Anna de Oliveira Preto, casada com Manoel Ro- 9-1 José, com 7 annos em 1809.
drigues Coura. 9-2 Isabel, com 5 annos em 1809.
7-9 Escolastica Oliveira Preto, casada em 8 de No- 7-4 Escolastica Alves Fontes.
vembro de 1773 com José Rodrigues de França, 7-5 Bento Alves fontes, casado com Isabel Luiza
filho de Francisco Rodrigues Barbo~a e de sua Pereira
mulher Victoria Rodrigues de França. 6-6 Antonio Cardoso de Leão, com 48 annos.
6-3 Isabel Cardoso, casada com João franco de Moraes, 6-7 José Nunes Cardoso, solteiro e com 46 annos em 1809.
fallecido. 6-8 Christovão da Rosa, casado e com 44 annos em 1809.
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
308 309
6-9 Margarida de Oliveira, casada me, em no!11e do Donatario d~ Cap\tania, o Marquez de
com Bernardo Martins Ferreira. Cascaes, f01 Manoel Soares eleito Juiz Ordinario.
5-6 Manoel ~ntonio de Siqueira, filho Em petição de 15 de fevereiro de 1683, requereu Manoel
de Dommgos Cardoso de Leão Soares a Thomaz F~rn~ndes de Oliveira, Capitão-mór e
4-1 retro, casado a 1O de Outu~ Governador da Cap1tama de Nossa Senhora do Rosario
bro de 1775 com Luzia de Oli- de Paranaguá, uma sesmaria de terras no Butiatuba entre
veira Cortes, filha de Manoel Go- as terras de seu sogro Capitão Balthazar Carras~o dos
mes de Oliveira, natural de Bar- Reis, e o rio Passaúna.
cellos e de sua mulher Quiteria Por carta de sesmaria d'esse mesmo dia, lhe foram dadas
de Siqueira Cortes. Neta pela parte as mesmas terras, em vista de ter allegado o requerente
paterna de Domingos Corrêa Pe- possuir mulher e filhos e não ter ainda terras para criar
reira e de sua mulher Anna Go- o seu gado e edificar a sua casa de morada.
mes; neta pela parte materna de Serviu os cargos da governança e falleceu com solemne
Antonio Fernandes de Siqueira e testamento na villa de Curityba, a 8 de Fevereiro de 1705.
de sua mulher Catharina de Si- Teve 9 filhos: (C. O. de Curityba.)
queira Cortes. 1-1 Capitão Gonçalo Soares Paes § J.o
5- 7 f rancisco, com 33 annos em 1783. 1-2 Capitão Domingos Soares Paes § 2.o
5-8 Anna, com 28 annos em 1783. 1-3 Maria Soares Paes § 3.o
5-9 Francisca, com 26 annos em 1783. 1-4 Anna Gonçalves Soares § 4.º
5-1 O Angela, com 18 annos em 1783. 1-5 Juliana Maria das Neves § 5.o
5-11 Josepha de Siqueira, casada com J -6 Joanna Orada Soares § 6.o
Antonio Gomes. 1- 7 Maria das Neves § 7.o
5-12 Gertrudes, com 14 annos em 1783. 1-8 Manoel Martins Soares § 8.o
1-9 lzabel Soares § 9. 0
CAPITULO 5.o
§ J.o
5 (l1 aria
Paes, natural da Parnahyba, onde casou com
Manoel Soares, nascido em Lisbôa, filho de Gon- 1-1 Capitão Gonçalo Soares Paes, homem da governança
çalo Rodrigues Soares e de sua mulher Anna Gonçalves. de Curityba.
Manoel Soares, assignou, em 1693, conjunctamente com Em 1722 era Tabellião de notas; em 1727 e 1728
os mais importantes habitantes da povoação de Nossa Se- foi Procurador do Conselho, Almotacel e Juiz Ordi-
nhora da Luz dos Pinhaes de Curityba, a petição solici- nario e de Orphãos.
tando do Capitão-povoador Matheus Martins Leme, a crea- foi n'este ultimo anno incumbido pela Camara de ir
ç~o da Ju~tiça. Devia ter sido um dos povoadores de ~u- a S. Paulo, por ter o General Governador Caldeira
ntyba, pois em 8 de Julho de 1684, baptisou sua filha Pimentel convidado todas as Camaras de sua Juris-
l~abel, com? se verefica no 1.o livro de baptisados, á pa- dicção a se fazerem representar em uma reunião, em
gma 27, e~1stente no Archivo da Cathedral de Curityba. que, por ordem regia, se deveria tratar da_ construcção
Na eleição feita a 29 de Março de 1693 das primeiras de estradas, principalmente da estrada da Matta. Era
autoridad~s da villa de Curityba, que se ;cabava de crear, negociante estabelecido em São José dos Pinhaes em
por autonsação do Capitão sismeiro Matheus Martins Le- 1731, onde falleceu a 18 de Junho de 1749.
TITULO CARRASCOS DOS REIS
310 GENEALOGIA PARANAENSE 311

foi casado em Curityba com Maria Leme da Silva, prirneir~s nupcias e~- 170~ com Luzia Leme, fallecida em
fallecida em 21 de Junho de 1752. 1720, filha do Cap1tao-mor Thomé de Lara e de sua mu-
filhos: lher Maria de Almeida Pimentel. (1)
2-1 Maria Soares Paes, casada a 14 de Novembro Maria Paes de seu matrimonio com o Coronel João An-
de 1753 com Marcellino Pires de Moraes filho tunes Maciel teve 3 filhos:
de Salvador de Lima Madureira e de sua ~ulher 3-1 Domingos Soares Maciel.
Maria do Rasaria. 3-2 Luiz Soares Maciel.
Teve: 3-3 Jeronymo A~tunes Maciel, casado com Thereza Leite
3-1 Manoel, nascido em 1754. de Barros, filha de André da Rocha do Canto e de
2-2 Luzia Leme da Silva, casada em Curityba em sua mulher Maria de Barros; por esta, neta de Domin-
1756 com João Barbosa Calheiros, filho de Ma- g?s Rodrigues e de sua mulher Catharina de Almeida.
noel Barbosa Calheiros e de sua mulher lzabel filhos:
Francisca de Lemos. 4-1 João, nascido em 1745.
2-3 lzabel, nascida em 1731 e fallecida em 1738. 4-2 Maria Custodia de Barros, fallecida em Curityba
em 1812. Foi casada duas vezes: a }.a no anno
§ 2.0 de 17?3, em Sorocaba, com C::aetano José Pres-
tes, v1uvo de Gertrudes Ferreira, filho de Cae-
1-2 Capitão Domingos Soares Paes, natural de Paranaguá, tano Prestes, natural de Santos, e de sua mulher
casado no anno de 1702, em Sorocaba, com Maria felippa Rodrigues Carassa, de São Paulo; por
Leite da Silva, natural de ltú, filha de Jeronymo Fer- esta, neto de João Rodrigues Carassa e de sua
raz de Araujo e de sua mulher Maria Riquelmo de mulher Anna Rodrigues de Siqueira; a 2.a vez com
Gusmão. foi morador em Sorocaba, onde se casou e o Capitão Manoel de Andrade Pereira Telles
teve os segui~tes filhos: (Genealogia Paulistana, Vo- filho do Capitão Agostinho de Andrade e d~
lume 6.o, pagma 472.) sua mulher Gertrudes ·Pereira Telles.
2-1 Jeronymo Soares de Araujo, que se casou no Neto pela parte paterna de Lourenço de Andra-
anno de 1755, em Sorocaba com Francisca de de, da Governança de Curityba, e de sua mu-
Almeida, filha do Capitão Francisco de Almeida lher Izabel Rodrigues Seixas, dos quaes tratare-
Falcão e de sua mulher Escolastica de Arruda. mos em o Titulo Rodrigues Seixas desta obra.
2-2 Francisco Soares de Araujo, casado em 1757 em Neto pela parte materna de Francisco Diniz Pi-
Sorocaba com Francisca de Moura1 filha do Ca- nheiro, natural de Portugal, morador em Curi-
pitão Francisco Paes de Almeida e de sua mu- tyba, casado com Clara Pereira Telles e fallecido
lher Josepha Paes de Moura. em 1743, esta filha de Domingos Pereira de Avellar,
2-3 Maria Paes de Jesus, foi a segunda mulher do casado em 1698 com Ma.ria de Estrada
Co.ronel João Antunes Maciel, provedor dos reaes <') O Cor.onel João Antunes Ma.ciel de seu primeiro matrim@nio, eom Luiza
q~mt?s de Cuyabá, que foi antes o 1.º Juiz Or- Leme, teve 2 filhos :
dmano de S. João d'EI-Rey, e que por sua inter- 1. Joa.nna. Garcia Ma.eiel, baptisa.da em Sorocaba em l 701, casada com
José Vieira, Castanho.
venção salvou os portuguezes cercados no for- ~· Mi1\'uel Antunes Carrasco, falleeido solteiro no caminho ele Cnyabá,
tim do Rio das Mortes, na guerra dos emboabas as .maos dos indios Pa.yaguãs na mesma monção em que pereceu com
muitos .outros, o desembargador Antonio Alvares Lanhas Pehoto, que
em 1710. tendo termina.do a commissão em que se achava na Ouvidoria de
O Coronel João Antunes Maciel foi casado em Cuyabá, se recolhia, a, São Paulo.
GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
312 313
Do primeiro matrimonio teve: ~aria das Mercês Pinto Rebello, filha de Joaquim
5-1 Jeronymo José Prestes, casado. ~mto Rebell? e de sua mulher Benedicta Fran-
5-2 João Baptista Prestes, casado em Curityba a 2 de cisca de Assis Lustosa de Andrade, com ascen-
Outubro de 1792 com Maria dos Passos Gue- dent~ e descen.dentes descriptos em 5-1 de 4-3
des, filha de Antonio Guedes de Carvalho, na- do Titulo Rodrigues Seixas, d'esta obra. Casado
tural de Portugal, e de sua mulher Izabel Ro- em seg.un9as nupcias com Ubaldina Francisca
drigues de Andrade; por esta, neta de Agostinho de Assis, irmã da precedente com descendencia
de Andrade e de sua mulher Gertrudes Pereira em ?-4 d.e 4-3 do Titulo Rodrigues Seixas.
de Andrade. 6-2 Man~ Lmza de .Andrade, casada em primeiras
5-3 Maria Vicen:ia Prestes, natural de Sorocaba, ca- nupc1as em Cuntyba a 4 de Fevereiro de 1840
sada em Curityba em 1796 com Miguel Rodri- co1:11 .Custodio Teixeira da Cruz, filho de Pedro
gues Seixas, filho de Manoel Rodrigues Seixas e Teixeira da Cruz e de sua mulher Maria Ma-
de sua mulher Izabel Martins Valença, dos quaes chado; e em segundas nupcias com José Teixei-
trataremos n'este Capitulo. ra (ou. Francisco Franco Moraes ?)
Teve: Sem filhos de seus dois matrimonios.
6-1 Caetano José Prestes, natural de Curityba, 6-3 José de Andrade Pereira, casado em primeiras
casado em 1830 com Anna Claudina de nupcias com Rosa Maria de Andrade e em se-
Almeida, filha de Antonio de Sampaio Oóes gundas nupcias a 25 de Julho de 1865 com Ger-
e de sua mulher Izabel Maria de Oliveira. trudes Maria Gonçalves.
5-4 Manoel Caetano Prestes, casado em Curityba a 6-4 Mathias José de Andrade, casado na Lapa onde
20 de Janeiro de 1801 com Francisca de Paula residia. '
Andrade, filha de Antonio José de Andrade e de 6-5 Antonio de Andrade Pereira, casado com Victo-
sua mu1her Anna Gertrudes do Espírito Santo. riana de Andrade.
5-5 Caetano Prestes, fallecido solteiro. 6-6 Gertrudes de Andrade, casada a 24 de Junho de
4- 2 i\1aria Custo~ia de Barros, de seu segundo matrimo- 1835 com Isaac Teixeira Pinto Ribeiro, filho de
nio teve 2 filhos: (C. O. de Curityba.) Francisco Pinto Ribeiro e de sua mulher Izabel
5-6 Major José de Andrade Pereira, fallecido em Pi- de França.
nheirinho da Boa Vista a 26 de Agosto de 1851, Teve: (C. O. de Curityba.)
casado em 11 de Fevereiro de 1813 com Anna 7-1 Gabrieh Pinto, casada com João de Sant'
de Paula Xavier Bueno, filha do Tenente Fran- Anna Pinto.
cisco de Paula Xavier e de sua mulher Victo- 7-2 Bellarmina de Andrade Teixeira, casada a 21
riana Maria de Lima, natural de Nossa Senhora de Abril de 1857 com Custodio Ferreira
do Pilar da Graciosa (Antonina); neta pela parte da Cruz, viuvo de f rancisca Rameira Ma-
paterna do Sargento-mór Francisco Xavier Pinto chado.
e de sua mulher Magdalena Pinto; neta pela 7-3 Constantino Pinto, nascido em 1848.
parte materna de José Nabo Medeiros e de sua 7-4 Francisca de Andrade Teixeira, casada com
mulher Maria Francisca de Lima. Isaac Pereira da Rocha.
Teve: (C. O. de Curityba.) 6- 7 Anna Maria de Andrade, casada com Manoel da
6-1 Tenente-Coronel Manoel Antonio de An· Rocha Loures, irmão do Brigadeiro Francisco
drade, casado em primeiras nupcias com Ferreira da Rocha Loures.
314 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
315
6-8 Francisca de Andrade, casada com Teve:
José Teixeira Gaspar. 5- 1 Maria Leite Amado, casada em 1827 em
6-9 Francisco José de Andrade, solteiro. Sorocaba com Joaquim de Almeida Pentea-
6-1 O Antonio de Andrade Pereira, casa- do, viuvo de Maria Leite do Amaral.
do com Victoriana de Paula Xavier. 4-2 Maria Leite, casada com Joaquim Antonio de
Sem descendentes. Oliveira.
6-11 Fidellis de Andrade Pereira, nas- 4-3 Francisca de Almeida, casada com Lourenço Leite
cido em 1830. Residia na Lapa de Sampaio.
em 1851. 4-4 Luiz Castanho, em 1795 estava ausente nos do-
5- 7 Gertrudes Maria de Andrade, casada mínios de Castella.
com Antonio Ferreira Amado, natural 4-5 Bento Soares de Almeida, com 24 annos em
de Sorocaba, filho de Antonio Ferreira 1795.
Amado e de sua mulher Izabella da 4-6 Francisco de Paula, com 23 annos.
Silva. 3-2 Maria Leite da Annunciação, casou em 1754 em So-
Antonio Ferreira Amado, falleceu com rocaba com João Bicudo de Proença, filho de Sebas-
testamento, na Villa do Principe a 29 tião Bicudo e de sua mulher lzabel Pedroso.
de Maio de 1826. Teve:
Com descendentes descriptos em 2-1 4-1 Maria de Almeida Leite, casada em 1774 em So-
de 1-2 do Titulo Rodrigues Seixas, rocaba com seu parente Antonio Paes de Almei-
desta obra. da, filho do Ajudante Francisco Paes de Men-
2-4 Francisca Soares Paes, ou de Araujo, casada em 1730, donça e de sua mulher Izabel de Proença.
com Luiz Castanho de Almeida, filho do Capitão José 4-2 Anna Maria, casada em 1761 em Sorocaba com
de Almeida Lara, fallecido em 1737, em Parnahyba, Domingos Soares de Abreu, filho de Antonio
aos 70 annos, casado em Jundiahy com Marianna de Pedroso de Abreu e de sua mulher Izabel Soa-
Siqueira Moraes; por esta, neto de Manoel Rodrigues res de Araujo.
de Moraes e de sua mulher Francisca de Siqueira. 4-3 Thereza Maria de Almeida, casada em 1794 em
Neto pela parte paterna de Luiz Castanho de Almei- Sorocaba com Alexandre Leite de Barros, filho
da e de sua mulher Izabel de Lara. de Marcos Leite de Barros e de sua segunda
Teve: mulher Maria de Goes Castanho.
3-1 Ajudante Salvador de Almeida Lara, foi casado Teve:
em Sorocaba com Rita de Godoy, natural de 5- 1 Gertrudes.
Itú, filha de Francisco de Oodoy Moreira e de 5-2 Francisca.
sua mulher Maria Leite de Anhaya. 5-3 Maria.
Falleceu em Sorocaba em 1781 e sua mulher no 5-4 Francisco.
mesmo lugar em 1795. 5-5 Thereza
Teve 6 filhos: 4-4 Marianna de Almeida, casada em 1797 em Soro-
4-1 Euphrasia Maria, casada em 1783 em Soro- caba com Joaquim de Camargo Pontes, 4-3 de
caba com Manoel Amado, filho de Antonio 3-3, adiante.
f ernandes Amado, de Portugal, e de sua Teve:
mulher Izabel Maria, de Sorocaba. 5-1 Antonio Joaquim de Camargo, casado em
316 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
317
1833 em Sorocaba com Prudenciana Maria 4-8 Francisca Maria de Camargo, casou em 1803 em So-
Clara, filha de Bento José de Camargo e de rocaba com André Castanho de Medeiros irmão de
sua mulher Reginalda Martins Clara. Anna f rancisca, de 4-4 retro. '
4-5 João Bicudo de Almeida, casado em 1804 em 4-9 Tenente Antonio Joaquim de Camargo, casado em
Itapetininga com Maria Francisca, filha de Ma- 1807 em Sorocaba com Mathilde Umbelina da Glo-
noel Leite e de sua mulher Escolastica Maria ria, filha do Tenente Manoel José de Araujo e de sua
Pacheco. mulher Anna Maria da Conceição, 5-5 de 4-3 de 3-9
3-3 Marianna de Siqueira e Moraes, casou em 1761 em de 2-4 do § 3.0 deste capítulo, adiante.
Sorocaba com o Alferes Francisco de Camargo Pon- Ahi os descendentes.
tes, fallecido em 1801 n'essa Villa, filho do Alferes 4-1 O f rancisco de Paula Camargo, ultimo filho de 3-3,
José Munhoz de Camargo e de sua mulher Catharina casou em 1799, em Porto Feliz, com Marianna An.-
Domingues de Siqueira; neto pela parte paterna de tonia, filha de Antonio de Padua Botelho e de sua
Fernando Munhoz e de sua mulher Victoria de (a- primeira mulher Anna Thereza Paes.
margo, fallecida em 1724; neto pela parte materna de Teve d'esse matrimonio:
Antonio Domingues de Pontes e de sua mulher Anna 5-1 Tenente Domingos de Almeida Campos, de ltú,
Vida! de Siqueira. casado em 1813 em Porto feliz com Maria
Teve: Ignacia Leite, filha de Francisco de Oliveira Se-
4-1 Custodia Maria de Camargo que foi casada com tubal, natural de Portugal, e de sua mulher Iza-
José Duarte de Freitas. bel de Almeida Falcão.
4-2 Salvador de Camargo, estava ausente nas minas Teve:
de Cuyabá em 1801. 6- 1 Anna Thereza, que casou com seu tio ma-
4-3 Joaquim de Camargo Pontes, casado em 1797 terno Francisco de Oliveira Leite Setubal,
em Sorocaba com sua prima Marianna de Al- filho de Francisco de Oliveira Setubal e de
meida, 4-4 de 3-2, retro. sua mulher Izabel de Almeida.
4-4 Luiz José de Camargo, casado em 1798 em So- 6-2 felicíssima de Almeida Campos, casou com
rocaba com Anna Francisca de Medeiros, filha o dig11atario Luiz Antonio de Souza Barros.
do Alferes André de Medeiros Costa e de sua Teve:
mulher Francisca de Siqueira. 7 - 1 Maria de Souza Barros, casada com o
4-5 Manoel de Camargo, casado em 1797 em Soro- seu primo Coronel Antonio Paes de
caba com Maria de Mello Almada, natural de Barros, filho de Antonio Paes de Bar-
Itú, filha do Tenente Francisco José Pereira e de ros, barão de Píracicaba, e de sua mu-
sua mulher Marianna de Mello Almada. lher Gertrudes Euphrosína de Aguiar.
4- 6 Maria de Camargo, casada em 1797 em Soro- Teve;
~ba com Custodio Felippe de Moraes, filho ~e 8-1 Antonío Paes de Barros Junior.
Vicente de Moraes Pires e de sua mulher Th1- 8- 2 Maria Paes de Barros, casada com
motea de Oliveira. Edmundo Wright.
4- 7 Gertrudes Maria de Almeida casada em 1799 8-3 Luiz Paes de Barros.
em Sorocaba com José de Ássumpção Pimentel, 8-4 Ottilia Paes de Barros.
natural da Cotia, filho de José da Silva Costa e 8-5 Rosalina Paes de Barros.
de sua mulher Custodia Duarte Cardoso. 8- 6 Eduardo Paes de Barros.
318 GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
319
8- 7 Gustavo Paes de Barros. 7 -8 Roberto de Souza Barros casado
8- 8 Gertrudes Paes de Barros. com Maria de Camargo. '
8-9 Raphael Paes de Barros. 7-9 Eugenia de Souza Barros, casada
7 -2 Luiz de Souza Barros, formado na escola de minas, com João Theen.
nos Estados Unidos, fazendeiro. Teve:
7-3 Eliza de Souza Barros Mesquita, viuva do Dr. lgna- 8-1 Felix Ernesto.
cio Xavier Paes de Campos Mesquita, fallecido em 8-2 Luiza.
1899 em São Paulo, filho do Capitão José Manoel 7 - 1O Antonia de Souza Barros, casada
de Mesquita e de sua mulher Gertrudes de Campos com Carlos Ralston, natural do.
Almeida. Estados Unidos.
Teve: Teve:
8-1 lgnacio Manoel, fallecido. 8- 1 Guilherme, fallecido.
8-2 Dr. Luiz Antonio de Campos Mesquita, bacharel 8- 2 Roberto Carlos.
em direito. 3-4 Manoel de Almeida e Moraes, solteiro em 1780.
8-3 Eliza de Mesquita, casada com José Maurício 3-5 Alexandre Pedroso de Moraes, casado com Maria
Higgins. Mello Rego, filha de Miguel de Mello Rego e de sua
8-4 Cecilia Julia de Mesquita. mulher Escolastica de Arruda.
8-5 Branca de Almeida, fallecida. Teve:
8-6 Jorge de Almeida. 4-1 José Joaquim de Almeida Mello, casado em 1814
8- 7 Angela Ribeiro. em f-orto feliz com Anna Gertrudes de Almei-
8-8 Beatriz de Barros. da, filha de Saturnino Paes Leite e de sua mu-
8-9 Felicissima de Campos. lher Maria Francisca de Almeida.
8-10 lgnado Xavier. Filhos:
8-11 José Manoel de Mesquita. 5-1 Maria Carolina de Almeida, casada em 1846
7-4 Dr. Antonio de Souza Barros, casado com Augusta em Porto Feliz com Manoel Joaquim de
Loureiro de Souza Barros. Pactua e Mello, filho de Antonio de Pactua
Filhos: Botelho e de sua segunda mulher Maria
8-1 Augusto de Souza Barros. Izabel de Sampaio.
8- 2 Eliza de Souza Barros. 5-2 José Joaquim de Almeida, casado em 1846
8-3 Luiz Antonio de Souza Barros. na Villa supra com Brasilia Amai ia, irmã de
8-4 felicíssima de Souza Barros. Manoel Joaquim de Padua e Mello, do nu-
8-5 Julia de Souza Barros. mero precedente.
7-5 Dr. Fernando de Souza Barros casou-se com a sua 5-3 (na duvida) Gertrudes de Arruda, que foi
prima Candida Paes de Barros; filha do Dr. Raphael casada com Elias Manoel de Mello Taques.
de Aguiar Paes de Barros e de sua mulher f rancisca 4-2 Joaquim de Almeida, casou com Manoela de Al-
de Azevedo Barros. meida (de quem foi o primeiro marido), filha do
Teve o filho unico: Guarda-mór Pedro Vaz Botelho e de sua mulher
8-1 Fernando de Souza Barros filho. Beatriz da Candelaria
7 -6 Adelina de Souza Barros. Teve o filho unico:
7 -7 Felicíssima de Souza Barros. 5-1 Joaquim de Mello.
GENEAI OGIA PARANAENSE
320 TITULO CARRASCOS DOS REIS
321
4-3 Alferes Luciano de Almeida Mello, casado em 1806 7-8 Lourival Brasiliense de Almeida
em Sorocaba com sua parente America Antonia de Mello.
Barros, filha do Coronel Bento Manoel de Almeida 4-4 Anna de Mello, filha de 3-5, casou em 1800 em
Paes. Sorocaba com seu tio Manoel Antonio de Mello
Teve: Rego, filho de Miguel de Mello Rego.
5-1 Francisco Antonio de Almeida Mello, foi casado 4-5 Maria de Mello, casada em 1809 em Sorocaba
com Felizarda Joaquina Pinto, filha do Tenente- com o Alferes João Pires de Almeida Campos
Coronel Caetano Pinto Homem, natural de Por- filho do Capitão João Pires de Almeida Taques'.
tugal, fallecido em 1864 com testamento em São 4-6 Manoel Joaquim de Mello, casado em 1820 em
Paulo, e de sua mulher Maria Eugenia Alves Sorocaba com America Antonia de Barros viuva
Pinto, neta pela parte paterna de Diogo Pinto do Alferes Luciano de Almeida Mello. '
de Menezes e Mendonça e de sua mulher Feli- 3-6 Sargento-mór Luiz. Castanho de Moraes Leite, casou
zarda Joaquina Pinto Castello Branco. com Gertrudes Maria Ferreira, filha do Capitão-mór
Teve o filho unico: José Dias Ferreira e de sua mulher Maria Leme do
6-1 Dr. Americo Brasiliense de Almeida e Mello, Prado, de Jundiahy. Falleceu com testamento em 1824
natural de Sorocaba, já fallecido, foi advo- em Jundiahy, e teve 3 filhos vivos n'esse anno:
gado em São Paulo, lente da faculdade de 4-1 Padre Pedro Dias Paes Leme.
direito da mesma cidade; depois da procla- 4-2 Capitão José Castanho de Moraes, casado em
mação da Republica foi o primeiro Gover- 1804 em Jundiahy com Mathilde Maria Jacintha,
nador do Estado de São Paulo por eleição filha do Capitão Manoel Corrêa de Lemos e de
popular. foi casado com Marcellina Lopes sua mulher Gertrudes Maria Jacintha.
Chaves de Mello, irmã de Francisco Lopes 4-3 Frei Luiz Gonzaga de Santa Gertrudes, religioso
Chaves, segundo barão de Santa Branca, de de S. Francisco.
Licínio Lopes Chaves, segundo barão de 3-7 lzabel de Lara e Moraes, casou em 1767 em Soro-
Jacarehy, do Dr. Joaquim Lopes Chaves, se- caba com o Sargento-mór Domingos Dias Leme, fi-
nador federal, filha do primeiro barão de lho do Sargento-mór José Dias Ferreira e de sua mu-
Santa Branca. lher Maria Leme do Prado.
Teve: Teve:
7 -1 Americo Brasiliense de Almeida Mello 4- 1 Anna Dias Ferreira, casada com Domingos Pi-
Filho, doutor em medicina, casado com nheiro de Oliveira.
Francisca de Souza Rezende, filha do 4-2 Maria Leme, casada com José de Castro Pereira,
barão de Rezende. filho de outro de igual nome e de sua mulher
7 -2 Alice, solteira. Veronica de Jesus.
7-3 Eponina de Almeida Mello, casada com 4-3 Francis:a Soares de Araujo, casada com o Capi-
Joaquim Bayão, negociante em S. Paulo. tão Vicente de Sampaio Góes, filho de José de
7 -4 Zuleika, solteira Sampaio Góes e de sua mulher Anna Ferraz.
7-5 Ruth de Camargo Aranha, casada com Teve 11 filhos:
o dr. José Mariano de Camargo Aranha. 5-1 José de Góes Ferraz, natural de Jundiahy,
7-6 Francisco Brasiliense de Almeida Mello. fallecido em 1817 com testamento, casado
7 -7 Perciano Brasiliense de Almeida Mello. em 1810 em Itú com sua prima Anna Joa-
TITULO CARRASCOS DOS REIS
323
quina de Barros, filha de Antonio de Sampaio Góes Teve:
e de sua mulher Anna Bueno de Barros Leite. 6-1 Capitão João de Almeida Sampaio, casou-se com An-
filhos: na Maria f erraz, filha de Manoel Leite de Barros e
6-1 francisco de Sampaio Barros, casado primeiro de sua mulher Candida Ferraz de Sampaio.
com , filha do Alferes Filhos:
Lourenço de Almeida Campos e de sua mulher 7 -1 Manoel Leite de Barros Sampaio, bacharel em
; a segunda vez casou-se direito, casado com Hortencia de Medeiros, resi-
com Maria Rodrigues do Amaral, filha do Ca- dentes na Capital federal.
pitão Manoel José Vaz do Amaral e de sua se- 7 -2 Candida de Barros Sampaio, já fallecida, foi ca-
gunda mulher Anna Rodrigues Leite. Residiu em sada l .º com Francisco Pereira Bueno e a 2.a
Capivary. vez com William J. Sheldon, natural da Ingla-
Teve de seu segundo matrimonio: terra, 1.0 engenheiro da S. P. Ry. Cy.
7-1 Dr. Francisco de Sampaio Barros, casado Com um casal de filhos do segundo marido.
com sua parente lzabel, filha de Francisco 7-3 Albertina de Almeida Sampaio, casada com An-
Domingos de Sampaio e de sua mulher tonio de Paula Leite de Barros, filho de outro
Anna Micquelina. de igual nome e de sua mulher Anna de Almeida
6-2 Vicente de Sampaio Oóes, foi casado em primei- Sampaio.
ras nupcias com sua prima, filha de Francisco de Teve:
Sampaio Penteado e de sua mulher Anna Ferraz, 8-1 João de Paula Leite de Barros.
5-11 adiante. 8-2 Maria Carmelina.
Casou-se em segundas nupcias com Gertrudes, 8-3 Laura de Paula Leite de Barros.
filha de José Rodrigues do Amaral Mello e de 8-4 Albertina
sua mulher Anna Euphrosina da Cunha. 8-5 Brenno.
Não teve filhos do 1.0 matrimonio. 7 -4 Lourenço de Almeida Sampaio, casado com Vi-
Do 2. 0 matrimonio teve. talina, natural de Campinas, residente em sua fa-
5-2 Manoel Soares de Sampaio, casado em primeiras nu- zenda na Franca.
pcias com Anna Leite Penteado, e em segundas nu- 7-5 Ubaldina de Almeida Sampaio, casada com Jorge
pcias com Antonia, ambas filhas do Tenente João Vaz Guimarães, em ltú.
Leite Penteado e de sua mulher Maria Euquéria de 7-6 Izabel de Almeida Sampaio, casada com Luiz
Campos. Levy.
Com grande descendencia em São Paulo. 7 -7 João de Almeida Sampaio.
5-3 Elias de Sampaio Oóes, casado com Maria Dias ~e 7-8 Antonio de Almeida Sampaio.
Almeida Prado, filha do Capitão Francisco de_Alme1- 6-2 José de Almeida Sampaio, foi casado em ltú com An-
da Prado e de sua primeira mulher Maria Dias Pa- tonia Euphrosina, filha do Capitão José Manoel de
checo de Arruda. Mesquita e de sua mulher Gertrudes de_ S:amp~s de
Sem geração. Almeida; neta pela parte paterna do Cap1tao Jo~e Ma-
5-4 Capitão Francisco de Paula Ferraz de Sampaio, casa- noel de Mesquita e de sua mulher Angela R1be1ro ~e
do com Izabel de Almeida Prado, fiiha do Capitão- Cerqueira; neta pela parte materna do Sargento-mor
mór João de Almeida Prado e de sua primeira mu- lgnac;o Xavier Paes de Campos e de sua mulher An-
lher Anna de Almeida. tonia Pacheco de Almeida.
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Teve: outro de igual nome e de sua mulher Leonor de
7 -1 Rita de Mesquita Sampaio, solteira em 1899. Almeida Paes de Campos.
7 -2 Izabel de Sampaio, casada com seu primo O Dr. Com grande descendencia em São Paulo.
Francisco de Almeida Prado, filho de .. . .. 6-6 Anna de Almeida Sampaio, casada com Antonio
e de sua mulher Anna Brandina, neto pater~~ de Paula Leite de Barros, irmão de Francisco de
do Capitão José de Almeida Prado. Paula, de 5-5 precedente.
7-3 Dr. José Henrique Sampaio, casado com Lean- Com grande geração em São Paulo.
drina da Fonseca Sampaio, filha do bacharel em 6- 7 Marianna de Almeida Prado, foi a primeira mu-
direito Francisco Emydio da Fonseca Pacheco lher do Major Salvador de Queiroz Telles, filho
fallecido em 1901 e de sua mulher Anna ct~ dos Barões de Jundiahy.
Almeida Prado. Com descendencia em São Paulo.
7-4 Francisca Sampaio, foi a primeira mulher de Jo- 5-5 Vicente, falleceu solteiro.
sué de Almeida Prado, irmão do Dr. Francisco 5-6 Ma.thilde Soares Ferraz, filha de Vicente de Sampaio
de Almeida Prado. Góes, de 3-1, casou-se em Itú com Lourenço de Al-
7-5 Geraldo de Mesquita Sampaio, casado com ls- meida Prado, filho do Capitão-mór João de Almeida
malia de Souza Queiroz, filha de Luiz Antonio Prado e de sua primeira mulher Anna de Almeida.
de Souza Queiroz e de sua mulher Antonia Pom- Com geração em São Paulo.
peu de Camargo. 5- 7 Francisca de Sampaio, casada com Luiz Antonio Leite,
7-6 João Baptista de Mesquita Sampaio, casado com irmão de Francisco de Sampaio Penteado, de 4-11
Anna Candida Leite. adiante.
7 -7 Alfredo Sampaio, solteiro em 1899. 5-8 Maria Leme de Sampaio, casou-se em 1832 em Itú
7-8 Maria do Carmo de Mesquita Sampaio, solteira. com Elias Galvão de França, filho do Capitão José
7-9 Roberto de Mesquita Sampaio. Galvão de França e de sua mulher Maria Josepha de
7 -10 Mathilde de Mesquita Sampaio. Cerqueira.
6-3 Francisco de Paula Ferraz de Sampaio, fallecido sol- Com 1O filhos residentes em Dous Corregos, S. Paulo.
teiro, foi intelligente lavrador que viajou pela Europa 5-9 lzabel Soares, se casou com seu primo José de Sam-
com grande proveito. paio Bueno, filho de Antonio de Sampaio Góes e de
6-4 Antonio de Almeida Sampaio, morador em Cabreuva sua mulher Anna Bueno de Barros.
em sua lavoura, casado com Maria Guimarães, filha 5-10 Domingos Dias Leme de Sampaio, filho de Vicente
de Antonio Vaz Guimarães, natural de Portugal, e de de Sampaio Góes e de sua mulher Francisca Soares
sua mulher Maria Bueno de Camargo. de Araujo, se casou com Izabel de Almeida Leite,
Filhos: filha de Antonio Leite de Sampaio e de sua primeira
7 -1 Francisco de Paula Ferraz de Sampaio, casado mulher Francisca de Paula Leite.
com sua tia materna. filhos:
7-2 Laura Sampaio, casada com Alvaro Rodrigues. 6-1 Francisca Sampaio, viuva de Antonio Ferraz de
7-3 lzabel. Sampaio, casada com seu tio materno Camargo, filho do Capitão Mano~! Ferraz de
Francisco Vaz Guimarães. Camargo e de sua mulher Leocad1a da Rocha
E mais 4 filhos. Ferraz.
6-5 Maria de Almeida Sampaio, casada com o Tenente- Sem geração. .
Coronel Francisco de Paula Leite de Barros, filho de 6-2 Francisco Domingos de Sampaio, fazendeiro perto
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GENEALOGIA PARANAENSE TITULO CARRASCOS DOS REIS
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da Estação da Colonia, municipio de S. Carlos do 7 -2 Alzira Ferraz de Sampaio, casada com Fer-
Pinhal, casado com Anna Miquelina, filha de José nando Pacheco Chaves, filho do bacharel
Ferraz de Arruda e de sua mulher Anna Miquelina em direito Elias Antonio Pacheco Chaves e
Paes de Barros; por esta, neta do Tenente Fernando de sua mulher Anezia Prado.
Paes de Barros e de sua mulher Maria Jorge; por 6-5 Anna de Sampaio, viuva de Francisco Ferraz de
elle, neto de Pedro f erraz de Arruda e de sua mu- Camargo1 irmão de Antonio Ferraz de Camargo
lher flavia Domitilla de Barros Lima, de Sorocaba de 5-1 retro. '
filhos: · Com geração em São Paulo.
7 -1 Francisco de Sampaio, casado com 6-6 Antonio Domingos de Sampaio, fazendeiro em
, filha do Dr. Lancia Rio Bonito, município de Tatuhy, casado com
medico, natural da ltalia, e de sua mulher An~ Maria Amalia, sua prima, filha de Vicente de
tonia Botelho Lancia. Sampaio Oóes e de sua mulher Oe1irudes de
7-2 Domingos de Sampaio, casado com Almeida Taques; neta pela parte paterna de José
, filha do Dr. Francisco da Costa Car- de Sampaio Bueno e de sua mulher lzabel Soa-
valho, advogado em Campinas, já fallecido, e de res, de 5-9 retro, neta pela parte materna do Ou-
sua mulher Carolina Alves de Lima. vidor João de Almeida Prado e de sua seaunda
7-3 Octaviano, solteiro. mulher Anna Brandina º
7-4 Izabel Sampaio, casada com o Dr. Francisco de Teve:
Sampaio Barros, filho de Francisco de Sampaio 7 - 1 Oduvaldo de Sampaio, solteiro em 1902.
Barros e de sua segunda mulher Maria Rodri- 7 -2 flavio de Almeida Sampaio, com 18 annos
gues do Amaral. em 1902.
7-5 Irene Sampaio, casada com o Dr. William Shel- 7-3 Cnêe de Almeida Sampaio.
don, viuvo de Candida de Barros Sampaio. 7 -4 Domingos Dias Leme de Sampaio.
Em 1904 tinha um filho: 7-5 Maria de Sampaio.
8-1 Eduardo de Sampaio Sheldon, nascido em 7-6 Tacito de Sampaio.
31 de Dezembro de 1903. 7 -7 Luiz de Sampaio.
6-3 Antonia Sampaio, casada com Bento Ferreira da Silva 7-8 Placidia de Sampaio, casada com João do Ama-
residente na Limeira. ' ral Campos, filho de Theophilo do Amaral Cam-
Teve um filho: pos