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É PRECISO APLICAR A GESTÃO

Março 24, 2017


Prof. José Martins de Godoy – (*)
Participei recentemente de uma reunião em uma entidade interessada em contribuir para a
solução de problemas brasileiros, como saúde, segurança, p.ex.. Buscava a possibilidade de
conduzir um projeto piloto como demonstração de que resultados de tais áreas podem ser
melhorados. Queria parceiros financiadores e tecnologias para abordagem do citado projeto. O
coordenador da reunião assinalou que tinha conhecimento de um projeto em se aplicava o
PDCA, dando a entender que aquilo já era. Fiquei desapontado, pois o PDCA é o que há. É um
método científico para a solução de problemas, para atingir resultados. Como gestão é atingir
metas, vencer desafios, melhorar resultados, o PDCA é o cerne da gestão. A lógica do método
é matadora. Aplica-se em qualquer situação, em qualquer área, em qualquer tipo de problema.
Para problemas mais simples, ferramentas mais acessíveis; em problemas complexos,
ferramentas mais poderosas. A propósito, a maioria das pessoas não sabe o que é problema. Os
problemas estão nos resultados; portanto, é um resultado ruim ou algo que precisa ser
melhorado. Numa escola, os problemas são a alta taxa de reprovação, de abandono e
rendimento pífio da maioria dos alunos aprovados, v.g. a posição do País no teste do PISA.

Concluí que a maioria dos dirigentes e técnicos que deveriam ser os promotores de mudanças
não têm conhecimento do que é gestão. No caso do PDCA, conhecem o significado das iniciais,
mas não sabem aplicar o método. Há sempre a busca de alguma panaceia para, num passe de
mágica, mudar realidades que só seriam sanadas com conhecimento adequado, muito trabalho
e perseverança. Haja vista, no caso da educação, as numerosas visitas à Coreia do Sul, Finlândia
e China, p.ex. Lá encontram professores bem formados, com mestrado, bem remunerados;
professores e alunos presentes na sala de aula; currículo cumprido; seriedade; exigência
ferrenha, entre outros. Não seria preciso ir muito longe, se não tivéssemos memória tão
curta. Lembraríamos do Colégio Estadual de MG, das décadas de 50 e 60. O que lá havia? Os
melhores professores, bem remunerados, nomes famosos e reconhecidos na comunidade.
Seriedade absoluta e exigência de elevado desempenho dos alunos. Poderão dizer que agora o
ensino é massificado e que não é possível reproduzir as mesmas condições. Certo, em
parte. Porém, a fórmula é conhecida. É só lutar para chegar lá ou bem próximo.

A minha decepção vai além. Nos últimos 30 anos, treinamos milhares de dirigentes empresariais
e da área pública, principalmente nos anos 90. As empresas, por sua vez, reproduziram os
ensinamentos para seus colaboradores, chegando à casa de milhões pessoas. Foi feito um
grande mutirão para resolver problemas e aumentar a produtividade. Tiveram que fazer isso
porque constataram que a maioria das empresas estava no vermelho quando da redução da
inflação: o lucro aparente vinha de aplicações financeiras. Várias empresas alcançaram
patamares de excelência e algumas se transformaram em multinacionais. Que vemos
agora? Pessoas que foram treinadas estão se aposentando e as que estão sendo repostas não
são treinadas em solução de problemas. Encontramos muitos cracks em ditar a problemática,
mas não apresentam a solucionática, como diria Dario, o Peito de Aço. Além disso, depois de
determinado período de bonança, houve um relaxamento e o trabalho que precisaria ser
contínuo, metódico e persistente foi negligenciado. Como consequência o País ocupa hoje a 81a.
posição no ranking da competitividade mundial, tendo perdido 33 posições nos 4 últimos
anos. É preciso ter a consciência de que a competividade é conquistada com aporte de
conhecimento, trabalho duro e incessante, envolvendo todas as pessoas. Quando procuramos
ressaltar a necessidade de voltarmos a aplicar gestão para atingir melhores resultados, há aqueles
que julgam o esforço realizado no passado como um modismo. Querem uma estratégia milagrosa
para, sem muito esforço talvez, resolver os nossos imensos desafios. A falta de conhecimento é tão
impressionante que chegam a sentenciar que o PDCA já era, quando não sabem sequer do que se
trata, tenho certeza. Na área pública, isto é uma verdade inconteste. Ouviram o galo cantar e não
sabem onde. Se conhecessem a potência do método e soubessem aplicá-lo, o País não se encontraria
na lamentável posição acima.

Fonte: http://www.blogdogodoy.com/prof-godoy/
José Martins de Godoy

Presidente do Conselho de Administração do Instituto Aquila. Engenheiro metalurgista pela UFMG e


Doktor ingeniör pela Norges Tekniske Hogskole, na Noruega. Foi professor titular, coordenador do
curso de pós-graduação e chefe do departamento de engenharia metalúrgica da UFMG por vários
mandatos. Foi também Diretor da Escola de Engenharia da UFMG, Superintendente e Diretor da FCO.
Constituidor, presidente e conselheiro da FDG, Cofundador e Presidente do INDG – Instituto de
Desenvolvimento Gerencial (2003 a 2010). Foi responsável por centenas de convênios e contratos
internacionais de pesquisa de metodologias de qualidade e gestão para disseminação no
Brasil. Homenagens recebidas: Medalha da Inconfidência, Medalha Santos Dumont, Soldado Ilustre
(12º. BI) e Cidadão Honorário de Belo Horizonte.