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Universidade do Estado de Santa Catarina

Centro de Ciências Tecnológicas


Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas

Estudo dos Tempos e Métodos: Dinâmica de Montagem de um Helicóptero

Alexsander Correa
Eduardo Rossi
Júlia Ansiliero
Pedro Gasparini

Joinville, 2018
Lista de Imagens, Tabelas e Gráficos

Imagem 1: Subdivisão dos Elementos de Montagem


Imagem 2: Disposição dos Elementos de Montagem
Imagem 3: Disposição Prática do Subconjunto dos Bancos
Imagem 4: Disposição Prática do Subconjunto da Cauda
Imagem 5: Disposição Prática do Subconjunto de Montagem Final
Imagem 6: Etapa de Montagem - Bancos
Imagem 7: Subconjunto dos Bancos
Imagem 8: Etapa de Montagem - Hélice
Imagem 9: Subconjunto da Hélice
Imagem 10: Etapa de Montagem - Cauda
Imagem 11: Subconjunto da Cauda
Imagem 12: Etapa de Montagem - Pés e Partes Curvas
Imagem 13: Fluxograma de Montagem
Imagem 14: Ficha de Instrução de Trabalho - Montagem Pés e Partes Curvas Pt 1
Imagem 15: Ficha de Instrução de Trabalho - Montagem Pés e Partes Curvas Pt 2
Imagem 16: Ficha de Instrução de Trabalho - Montagem Banco
Imagem 17: Ficha de Instrução de Trabalho - Montagem Cauda
Imagem 18: Ficha de Instrução de Trabalho - Montagem Hélice Parte 1
Imagem 19: Ficha de Instrução de Trabalho - Montagem Hélice Parte 2

Tabela 1: Nomenclatura e Quantidade de Itens


Tabela 2: Cronometragem Preliminar
Tabela 3: Resultados da Cronometragem Preliminar
Tabela 4: Tempos Médios de Operação

Gráfico 1: Gráfico de Operadores Inicial


Gráfico 2: Gráfico de Operadores Balanceado

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Sumário

1. ​Introdução 3

2. ​Referencial Teórico 4

3. Estudo de Caso da Montagem Prática de Um Helicóptero de Brinquedo 5


3.1 Matéria Prima de Montagem 5
3.2 Dados de Cronometragem Preliminar 7
3.3 Resultados da Cronometragem Preliminar 8
3.4 Tempo Médio de Operação 9
3.5 Gráfico de Balanceamento de Operadores (GBO) 10

4. Organização do Posto de Trabalho 12


4.1 Disposição dos Mantenedores e Supermercados 13
4.1.1 Subconjunto do Banco 13
4.1.2 Subconjunto da Cauda 13
4.1.3 Subconjunto dos Pés e Montagem Final 14
4.1.4 Banco 15
4.1.5 Montagem da Hélice 16
3.1.6 Montagem da Cauda 17
4.1.7 Pés e Partes Curvas 18
4.2 Fluxograma do Processo de Montagem 20
4.3 Ficha de Instrução de Trabalho 20

5. Considerações Finais 28

6. Referências Bibliográficas 29

2
1. Introdução

As elevadas demandas e os ritmos de produção cada vez mais frenéticos


impõe aos gestores uma necessidade de alto rendimento e eficiência de suas linhas
de montagens. Dentro do espectro da engenharia inúmeras ferramentas podem ser
utilizadas com o objetivo de se produzir mais, melhor e sem erros.
Gráficos de gestão da qualidade e acompanhamento à vista, procedimentos
operacionais padrão, tempo ​takt​, balanceamento de linha, coordenação de pessoal
e operações designadas são apenas algumas fontes a serem utilizadas pela gestão
fabril com o intuito de melhorar a produção e atingir as metas impostas.
O estudo dos tempos e métodos de produção encaixa-se com total certeza
nos alicerces do trinômio eficiência, eficácia e efetividade: otimiza a produtividade
da linha de montagem, estima a real capacidade produtiva da fábrica, expõe todos
os pontos de ineficiência (ou até mesmo ingerência) dos processos, além de deixar
mais clara as contextualizações e iterações entre os ambientes de produção.
O presente trabalho tem como função alinhar o conhecimento teórico obtido
em sala de aula às práticas laboratoriais. Para tanto, lançaremos mão das
ferramentas de cronometragem que nos auxiliarão nas tomadas de tempo.
Os métodos utilizados para realização das montagens, balanceamentos de
linha, processamento de peças e design de ​layout também são frutos do
conhecimento exposto em sala de aula. Todas as funções aplicadas e decisões
tomadas em equipe objetivam a padronização das operações com o melhor aspecto
ergonômico e minimização dos tempos de operação.
A metodologia de tomada dos tempos de operação, bem como o
processamento do material será baseada em um helicóptero intercambiável. As
peças serão devidamente nomeadas e identificadas, dispostas de forma a facilitar
todo o processo de montagem e todas as interações que os colaboradores
responsáveis pela execução da montagem deverão ter acesso de forma simples e
prática para a real montagem do equipamento final.
Ao término das cinco semanas utilizadas pela preparação, elaboração e
execução da montagem do helicóptero espera-se chegar às melhores posições de
trabalho, processamento de peças e viabilidade ergonômica e de metodologia de
montagem.

3
2. Referencial Teórico

A cronoanálise é uma ferramenta utilizada para mensurar de forma objetiva


os tempos utilizados pelo processamento, gargalos existentes, evidenciar
ineficiências de linha e balancear a quantidade necessária de operadores a executar
uma determinada função.
O presente trabalho lançará mão de algumas ferramentas da cronoanálise
para embasar o conteúdo das ações tomadas, como, por exemplo:

● Cronometragens: os tempos definidos de todas as funções e


operações foram obtidas com um sequenciamento de
cronometragens. Para padronizar os movimentos e garantir eficácia da
montagem, optou-se por uma estimativa de cinco jornadas de
cronometragem;

● Tempo Mínimo: observou-se, ao decorrer das operações de


montagem, tanto dos equipamentos principais quanto dos
equipamentos secundários, as diversas variações de tempo levadas
pelos montadores. Para solidificar ainda mais a operação, os
operadores foram fixados em sua função, evitando assim quaisquer
desvios superiores no processamento;

● Tempo Máximo: oposto ao tópico anterior, observou-se também a


presença de tempos máximos de operação. Tais variações de tempo
estão correlacionadas a diversas variações, tais como fadiga, perda de
matéria prima e inexperiência nas primeiras jornadas;

● Tempo Médio: após os cinco lances de montagem padronizadas foram


tomados os tempos médios de montagem. Estes tempos deixam claro
a padronização dos movimentos e evolução dos mesmos à medida
que o colaborador obtém experiência na função;

● Amplitude: este índice será o responsável por embasar ainda mais o


conhecimento do colaborador no decorrer do processamento das
operações. Mostrará também as variações extremas no processo de
montagem.

4
3. Estudo de Caso da Montagem Prática de Um Helicóptero de Brinquedo

Para melhor dimensionar o estudo, subdividiu-se o trabalho em quatro


grandes etapas, como pode-se observar pela imagem abaixo. Pés e partes curvas,
bancos, cauda e hélice.

Imagem 1: Subdivisão dos Elementos de Montagem

fonte: os autores

A metodologia de montagem, bem como o fluxograma explicativo da


ordenação dos movimentos ideais de processamento serão explicados com mais
afinco nas páginas seguintes deste trabalho.

3.1 Matéria Prima de Montagem


De forma a padronizar os elementos intermediários e estruturais de
montagem optou-se pela nomenclatura específica dos itens. Na figura abaixo,
podemos observar de forma mais concisa todos os materiais que serão utilizados no
processo de montagem, bem como alguns elementos estruturais e subitens de
fixação que já se encontram devidamente posicionados.

5
Imagem 2: Disposição dos Elementos de Montagem

fonte: os autores

A utilização de cada elemento foi pensada com o objetivo de reduzir o


número de movimentos, bem como o tempo de trabalho e processamento de cada
peça pelos operários que serão responsáveis pela montagem.
A tabela abaixo evidencia todos os nomes dados a cada componente de
montagem e também a quantidade de cada item utilizado nos processos. Note,
porém, que a tabela tem como objetivo apenas deixar claro quais itens
correspondem aos números posicionados na imagem acima. Diferentemente de
uma Lista Técnica (ou, em algumas empresas, ​Bill of Materials)​ , a tabela não
especifica os sub níveis estruturais de montagem e acoplamentos, tampouco sua
estruturação física.
A figura acima objetiva, acima de tudo, exemplificar os componentes que
serão utilizados no processo de montagem, estruturar a quantidade necessária de
cada componente e demonstrar, de forma mais concisa, uma sequência padrão
adotada de forma conjugal pela equipe com a intenção de reduzir a fadiga, estresse
do colaborador, erros de montagem e, acima de tudo, padronização dos tempos e
métodos que o processamento de montagem deverá portar para adequar-se de
forma viável aos colaboradores.

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Tabela 1: Nomenclatura e Quantidade de Itens
# Nome Quantidade
1 Banco 1
2 Suporte do Banco 1
3 Eixo de Acoplamento Menor 4
4 Suporte Estrutural Menor 1
5 Suporte Estrutural Grande 2
6 Eixo Médio 3
7 Espaçadores 2
8 Suporte Estrutural Médio 2
9 Rebites 6
10 Acoplamento Curvo Grande 4
11 Porcas 22
12 Acoplamento Curvo Pequeno 4
13 Suporte Estrutural Pequeno 2
fonte: os autores

O posicionamento dos materiais utilizados na montagem, bem como o


fluxograma explicativo de processo será explicado no decorrer deste trabalho.

3.2 Dados de Cronometragem Preliminar

Com o objetivo de manter um processo padronizado e de otimizada


operação, levou-se em conta uma série de cronometragens preliminares. Essas
cronometragens também traziam consigo o objetivo de treinar e capacitar o
operador que as realizava.
Todos os tempos tomados neste trabalho serão apresentados de acordo com
o Sistema Internacional de Unidades, portanto, em segundos, cuja sigla
representativa é o “s”.
Para dar-se início à cronometragem preliminar foram realizados diversos
treinamentos dos alunos que iriam realizar as operações. Este treinamento teve o
objetivo de familiarizar o aluno, bem como deixá-lo apto a realizar as medições.
Foram tomados cinco tempos de processo de montagem devidamente
divididos entre cada uma das etapas estruturadas, bem como as sub etapas de
processo. Os resultados preliminares estão dispostos abaixo.

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Tabela 2: Cronometragem Preliminar
Etapa Tempo 1 Tempo 2 Tempo 3 Tempo 4 Tempo 5

Pés e Partes Curvas

1.1 Fixar suporte dianteiro (para o lado de dentro e rebite por fora) 8 8,6 7,9 8,5 7,3

1.2 Acoplar as partes curvas por dentro e rebitá-las por fora 9 9,5 9,4 10 8,2

1.3 Inserir no eixo (banco) dianteiro 4,1 5,2 5,2 6 4,1

1.4 Acoplar as curvas grandes (pelo furo central) ao eixo dos bancos e fixá-las com
as porcas 10,8 9,5 9 10 8,1

1.5 Inserir os espaçadores e a curva traseira superior. Fixar o subsistema da cauda


no suporte traseiro. Inserir as porcas para fixação 48,8 51,1 55 59 48,5

1.6 Rebitar as curvas grandes superiores 7,8 6,9 5 5,5 5

1.7 Inserir o subsistema da hélice e fixá-las com as porcas 23,2 24 21 22 22

Total Etapa 1 111,7 114,8 112,5 121 103,2

Bancos

2.1 Pegar o suporte, duas porcas e acopla no eixo 19 26 26,5 17,3 23,36

2.2 Inserir as duas porcas por fora 8 10,5 8,8 8,7 8

2.3 Acoplar o banco 2,5 3 3,3 3,6 3

Total Etapa 2 29,5 39,5 38,6 29,6 34,36

Montagem da Cauda

3.1 Inserir o parafuso na cauda 3,8 5,9 4,95 3,32 2,8

3.2 Inserir a porca e a hélice menor 3,5 4,33 3,61 3,8 4,65

3.3 Colocar a segunda porca para fixação 6,9 5,5 5,5 5,55 6

3.4 Inserir uma porca no eixo maior e acoplá-lo na cauda. Utilizar a segunda porca
para fixação 13,7 16,7 13,4 25,71 13,4

Total Etapa 3 27,9 32,43 27,46 38,38 26,85

Montagem da Hélice

4.1 Colocar a porca no eixo menor 3,8 3,6 3,6 3,4 4,16

4.2 Inserir o eixo no suporte 2,3 3,3 3 2,9 2,8

4.3 Inserir a porca para realizar a primeira fixação 4,12 5,3 4,9 5,7 4,5

4.4 Unir duas porcas (parte maior com parte maior) e transpassar todo o eixo maior 19 17,3 12,5 17 17

4.5 Fixar o eixo no suporte com uma porca de cada lado 4,15 6,3 14 6 6,5

4.6 Inserir a segunda porca para fixar com a hélice 15 9 8,5 11,13 8,4

Total Etapa 4 48,37 44,8 46,5 46,13 43,36

fonte: os autores

3.3 Resultados da Cronometragem Preliminar

Tabela 3: Resultados da Cronometragem Preliminar


Etapa 1 (s) 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7

8
Tempo Máximo 8,6 10 6 10,8 59 7,8 24
Tempo Mínimo 7,3 8,2 4,1 8,1 48,5 5 21
Média (X) 8,06 9,22 4,92 9,48 52,48 6,04 22,44
Amplitude ( R ) 1,3 1,8 1,9 2,7 10,5 2,8 3
(R/X) 0,161 0,195 0,386 0,285 0,2 0,464 0,134
Repetições 5 5 5 5 5 5 5

Etapa 2 (s) 2.1 2.2 2.3


Tempo Máximo 26,5 10,5 3,6
Tempo Mínimo 17,3 8 2,5
Média (X) 22,43 8,8 3,08
Amplitude ( R ) 9,2 2,5 1,1
(R/X) 0,41 0,284 0,357
Repetições 5 5 5

Etapa 3 (s) 3.1 3.2 3.3 3.4


Tempo Máximo 5,9 4,65 6,9 25,71
Tempo Mínimo 2,8 3,5 5,5 13,4
Média (X) 4,15 3,98 5,89 16,58
Amplitude ( R ) 3,1 1,15 1,4 12,31
(R/X) 0,746 0,289 0,238 0,742
Repetições 5 5 5 5

Etapa 4 (s) 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6


Tempo Máximo 4,16 3,3 5,7 19 14 15
Tempo Mínimo 3,4 2,3 4,12 12,5 4,15 8,4
Média (X) 3,71 2,86 4,9 16,56 7,39 10,41
Amplitude ( R ) 0,76 1 1,58 6,5 9,85 6,6
(R/X) 0,205 0,35 0,322 0,393 1,333 0,634
Repetições 5 5 5 5 5 5

3.4 Tempo Médio de Operação


A obtenção do tempo médio de operação levou em consideração cinco
jornadas de medições de cronoanálise. Os tempos obtidos foram registrados, como
previamente postulado neste trabalho, em segundos.

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A tabela abaixo mostra os resultados obtidos em cada uma das quatro macro
etapas de montagem do helicóptero.

Tabela 4: Tempos médios de operação


Cronometragem Média por Etapa
Etapa/Medição 1 2 3 4 5
1 111,70 114,80 112,50 121,00 103,20
2 29,50 39,50 38,60 29,60 34,36
3 27,90 32,43 27,46 38,38 26,85
4 48,37 44,80 46,50 46,13 43,36
fonte: os autores

3.5 Gráfico de Balanceamento de Operadores (GBO)

O balanceamento de uma linha é necessário quando ela é instalada, quando


é preciso aumentar a produção ou então, quando há mudança no produto ou
processo.
A distribuição das atividades nas estações de trabalho na linha foi feita com
base na experiência dos responsáveis pelo processo. Tal distribuição foi realizada
por intermédio de um processo intuitivo de “tentativa e erro”. Como consequência,
as atividades não foram distribuídas da forma mais balanceada possível, podendo
causar desconforto entre os operadores, resultando em cargas de trabalho bastante
distintas. Assim, propõe-se o balanceamento da linha baseado no modelo
matemático do cálculo do número de operadores e procura equilibrar, a carga de
trabalho.
Com o objetivo de realizar o balanceamento da linha e, desta forma, evitar o
surgimento de gargalos e desperdícios, levou-se em consideração, para efeito de
cálculo do ​Takt Time​, a requisição do cliente como sendo de 300 helicópteros por
dia, ou seja, a demanda fabril deverá entregar, ao término do seu turno, cinco
helicópteros aptos para utilização.
Considera-se também que o turno de produção fabril será de oito horas por
dia, onde a fábrica operará apenas neste turno com dois intervalos de 10 minutos
cada. Portanto, a cada oito horas de trabalho, trezentos helicópteros deverão ser
entregues.
Takt = 27600
300
= 92 s /peça Nop= 223,39
92
= 2, 43 operadores

Com o número teórico de operadores pode-se perceber que os operadores


estão levemente sobrecarregados, sendo possível, no entanto, continuar com esse
número. Já com o takt, percebe-se que a produção não está atingindo esse número,
sendo necessário algumas alterações para atingir à demanda.

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Gráfico 1: Gráfico de Operadores - Inicial

fonte: os autores

fonte: os autores

Gráfico 2: Gráfico de Operadores - Balanceado

11
fonte: os autores

A partir do gráfico de operadores inicial pode-se notar que o operador 2 está


sobrecarregado e acima do takt, enquanto o primeiro operador está atendendo o
takt com uma folga de 4,94 segundos, representando apenas 5% de folga, sendo o
indicado de 10 a 20%.
Para conseguir atender o takt e diminuir a sobrecarga dos colaboradores
foram realizados dois gráficos de balanceamento para definir qual se adequa mais
às necessidades da linha.
O primeiro gráfico mantém os dois operadores atuais, com uma redistribuição
das operações dos pés e das partes curvas, para diminuir a fadiga do operador 1 e
estar mais próximo de atingir o takt. Como mesmo desta maneira, a operação está
acima do takt seria necessária a contratação de temporários ou de horas extras
para conseguir atender a demanda.
Já na segunda opção, é contratado um terceiro colaborador, para garantir o
atendimento a demanda e o equilíbrio das operações.

4. Organização do Posto de Trabalho


A organização do posto de trabalho é fundamental para a cronoanálise. Um
ambiente de trabalho bem organizado e com os equipamentos necessários à
montagem próximos dos colaboradores faz toda a diferença no processo de
manufatura.
Para facilitar o trabalho dos colaboradores e otimizar o processo de
montagem foram testados vários modelos de disposição de matéria prima ao longo
das aulas experimentais. Os modelos que serão propostos abaixo neste trabalho
foram os que melhor representaram a otimização necessária à montagem. Toda a
equipe, dos montadores aos cronometristas, concordaram que a disposição final,
abaixo representada, foi a que melhor desempenhou sua função no quesito

12
praticidade e eficiência ao processo de montagem, seja reduzindo os tempos de
movimentos ou também diminuindo a fadiga dos operadores.

4.1 Disposição dos Mantenedores e Supermercados

4.1.1 Subconjunto do Banco


A disposição mais prática observada pela equipe para a montagem do
subconjunto dos bancos do helicóptero se baseia na disposição de três
supermercados base: suporte do banco, eixos e porcas.
Para esta montagem, a mais rápida do conjunto, será utilizado apenas um
montador destacado. O fluxo de materiais parte dos supermercados em direção à
zona de montagem, conforme imagem ilustrativa abaixo.

Imagem 3: Disposição Prática do Subconjunto dos Bancos

fonte: os autores

4.1.2 Subconjunto da Cauda


Diferentemente do primeiro subconjunto de montagem, a manufatura da
cauda envolve um maior número de peças necessárias, a citar:

● Hastes Longas: darão o reforço estrutural do helicóptero. Em


tese, será um elemento de maior massa, devendo ficar
destacado o mais próximo possível da zona de montagem;

13
● Eixos: embasamento de conexão das partes do helicóptero;
idem ao item anterior, deverá ficar posicionado de forma
sequencial à montagem;
● Porcas: elementos de fixação; usados em grande quantidade;
● Hastes Curtas: usados em menor quantidade e em sequência
aos itens anteriores, não necessita de grandes movimentos do
montador para seu alcance;
● Parafusos: usados em menor quantidade, podem ficar dispostos
mais distantes da zona de montagem;

Imagem 4: Disposição Prática do Subconjunto da Cauda

fonte: os autores

4.1.3 Subconjunto dos Pés e Montagem Final


A última parte de manufatura é a de maior ​lead time​. O subconjunto dos pés
e montagem final do helicóptero encerram todo o processo de montagem, deixando
o produto acabado.
Esta etapa, como pode ser observada nas cronometragens, demanda uma
série de sub movimentos que, combinados, darão forma final ao produto.
Por ser mais complexa e com maior número de sequências de movimentos,
concluiu-se que, para esta etapa, diferentemente das outras duas, seriam
necessários dois colaboradores trabalhando de forma espelhada para a realização
de todos os movimentos e montagens necessárias.
Além do mais, a etapa final possui uma quantidade maior de itens a serem
utilizados no processo, como podemos ver abaixo dispostos.
Os montadores trabalharão frente a frente e os itens necessários à
montagem ficarão dispostos em ambos os lados de cada colaborador.

14
Itens mais críticos como, por exemplo, os materiais de suporte estrutural e de
maior utilização serão dispostos de forma a facilitar qualquer movimento dos
colaboradores. Nenhum supermercado necessário à montagem ficou sobreposto ao
outro, ou seja, os movimentos práticos de pegada de material e retorno à zona de
montagem não passarão por cima de outros materiais dispostos. Esta prática evita
com que os materiais caiam em cima de outros supermercados.

Imagem 5: Disposição Prática do Subconjunto de Montagem Final

fonte: os autores

4.1.4 Banco
A etapa de montagem do helicóptero tem início pelo subconjunto do banco.
Em três etapas de montagem, o subconjunto está completo e apto para o próximo
nível de manufatura. A montagem do banco é melhor compreendida de acordo com
a figura abaixo, onde:

● Etapa 1: Inserção do suporte e fixação com as porcas;


● Etapa 2: Fixação geral com as duas porcas externas;
● Etapa 3: Acoplamento do banco;

15
Imagem 6: Etapa de Montagem - Bancos

fonte: os autores

O subsistema do banco completo pode ser observado conforme imagem


abaixo. Desta forma, conclui-se a primeira etapa de montagem do helicóptero. O
subsistema ficará disponível às próximas etapas.

Imagem 7: Subconjunto dos Bancos

fonte: os autores

4.1.5 Montagem da Hélice


A macro etapa de manufatura da hélice é a segunda a ser seguida no
processo geral de montagem do helicóptero. Dividida em seis micro etapas, é a
responsável pela formação geral do sistema de hélice do helicóptero. É dividida em:

● Etapa 4: Fixação das porcas no eixo menor;


● Etapa 5: Inserção do eixo no suporte geral de fixação;
● Etapa 6: Colocação da porca para a garantia da primeira grande fixação;
● Etapa 7: União das porcas e transposição do eixo de apoio;
● Etapa 8: Fixação do eixo (com uma porca de cada lado) no suporte;

16
● Etapa 9: Inserção de uma porca no eixo menor, hélice e porca de fixação
final;

Imagem 8: Etapa de Montagem - Cauda

fonte: os autores
Desta forma, está concluída a etapa do subconjunto da hélice principal, de acordo
com a figura abaixo.

Imagem 9: Etapa de Montagem - Hélice

fonte: os autores

3.1.6 Montagem da Cauda


A cauda é a terceira macro etapa a ser concluída. É composta de quatro
etapas:

● Etapa 10: Colocação do parafuso no eixo de suporte da cauda;


● Etapa 11: Inserção e fixação das porcas e a hélice menor (primeira fixação);
● Etapa 12: Segunda fixação com a porca de suporte;
● Etapa 13:Acoplamento e fixação do eixo com a cauda;

17
Imagem 10: Etapa de Montagem - Cauda

fonte: os autores

Desta forma está concluída a montagem da terceira etapa de manufatura.

Imagem 11: Etapa de Montagem - Cauda

fonte: os autores

4.1.7 Pés e Partes Curvas


A última etapa de montagem é a maior e mais complicada. É nesta etapa que
os três subconjuntos são fixados e darão forma final ao helicóptero. Por ser mais
complexa, dois colaboradores deverão operar de forma simultânea. É dividida em:

● Etapa 14: Arrebitamento do suporte dianteiro;

18
● Etapa 15: Acoplamento das partes curvas e arrebitamento inferior;
● Etapa 16: Inserção do subconjunto do banco;
● Etapa 17: Acoplamento e fixação das partes curvas grandes;
● Etapa 18: Inserção dos espaçadores;
● Etapa 19: Arrebitamento das partes grandes superiores no subconjunto da
cauda;
● Etapa 20: Inserção do subconjunto da hélice;

Imagem 12: Etapa de Montagem - Pés e Partes Curvas

fonte: os autores

19
4.2 Fluxograma do Processo de Montagem

Imagem 13: Fluxograma de Montagem

fonte: os autores

4.3 Ficha de Instrução de Trabalho

A ficha de instrução de trabalho (FIT) tem o propósito de fornecer ao


operador todas as informações que possibilitem a maneira ideal de executar
determinada tarefa, independentemente de turno ou local. Deste modo, permite aos
operadores formas de trabalho mais eficientes com execuções padronizadas,
qualificadas e seguras, eliminando desperdícios nos processos.
Por ser focado nas trabalho do operador, a FIT deve ser elaborado por uma
equipe que inclui especialistas, cronometristas e processistas, e os próprios
operadores, já que eles são os que mantêm mais contato com o processo e
oferecem contribuições importantes para o aperfeiçoamento das operações.
Este documento, por se tratar de um orientador nas tarefas, deve estar
sempre disponível, atualizado, facilmente ao alcance do trabalhador e deve conter:

20
● Cabeçalho: nome do produto, revisões, setor;
● Tempos: tempo dos elementos e de ciclo;
● Sequência de trabalho: sequência que o operador realiza suas tarefas
durante a operação.

Com bases nesses aspectos, foram elaboradas fichas para todas as


operações da montagem do helicóptero. Nelas foram incluídos cabeçalho, com as
informações sobre os responsáveis, revisões, datas, setor e célula; todas as ações
que operador deverá executar, com os tempos desses movimentos; tempo total da
operação; e fotos para ajudar na visualização.
A seguir, as fichas de instrução de trabalho.

21
Imagem 14: Ficha de Instrução de Trabalho - Pés e Partes Curvas Parte 1

fonte: os autores

22
Imagem 15: Ficha de Instrução de Trabalho - Pés e Partes Curvas Parte 2

fonte: os autores

23
Imagem 16: Ficha de Instrução de Trabalho - Montagem Banco

fonte: os autores

24
Imagem 17: Ficha de Instrução de Trabalho - Montagem Cauda

fonte: os autores

25
Imagem 18: Ficha de Instrução de Trabalho - Montagem Hélice Parte 1

fonte: os autores

26
Imagem 19: Ficha de Instrução de Trabalho - Montagem Hélice Parte 2

fonte: os autores

27
5. Considerações Finais
O presente trabalho conseguiu, com êxito, aliar os conhecimentos
disseminados pelo professor em sala de aula à prática do trabalho em
equipe. Conclui-se, a partir do término deste trabalho, que a disposição dos
equipamentos e matérias primas, tempo de trabalho e até mesmo operação
dos colaboradores é fundamental para tomadas de decisões de suma
importância à engenharia.
Após as cinco rodadas de medição para cada sub etapa do processo
de manufatura conseguimos chegar ao valor padrão de montagem. Este
valor, ​igual a aproximadamente 207 segundos​​, foi o resultado de um árduo
processo de modelagem e diversas modificações na maneira de processar as
montagens necessárias.
Pode-se, a partir deste trabalho, afirmar que a cronoanálise possui
importância de larga escala quando aplicada ao processo de manufatura. A
partir dos tempos de medições uma série de dados que auxiliam na tomada
de decisão são gerados.
Portanto, o processo de tempos e métodos deve ser pensado com
cautela, aplicado com eficiência e otimizado com eficácia.

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6. Referências Bibliográficas
[1] TÁLAMO, J. R. - Engenharia de Tempos e Métodos: Estudo dos Tempos
e Movimentos na Indústria; 2ª Ed.; Intersaberes; São Paulo, SP;

[2] AGOSTINHO, D. S. - Tempos e Métodos Aplicados à Engenharia; 1ª Ed.;


Intersaberes, São Paulo, SP;

[3] SELEME, R.; Estudo dos Tempos e Métodos; 4ª Ed.; Átila; Rio de Janeiro,
RJ;

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