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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 1.787.491 - SP (2018/0243880-5)

RELATOR : MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA


RECORRENTE : PROESTE AVARE COMERCIO DE VEICULOS LTDA
ADVOGADO : ANTÔNIO CARLOS NELLI DUARTE - SP033336
RECORRIDO : VALMIR DOMINGOS
ADVOGADO : VINICIUS ANTONIO FONSECA NOGUEIRA - SP288458
EMENTA
RECURSO ESPECIAL. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. PEDIDO FORMULADO EM
RECURSO. INDEFERIMENTO DE PLANO. IMPOSSIBILIDADE. INTIMAÇÃO DO
REQUERENTE. ART. 99, § 2º, DO CPC/2015. RECOLHIMENTO EM DOBRO. NÃO
CABIMENTO.
1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código
de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ).
2. Cinge-se a controvérsia a definir se é possível ao magistrado indeferir, de
plano, o pedido de gratuidade de justiça, sem a abertura de prazo para a
comprovação da hipossuficiência, e, por consequência, determinar o recolhimento
em dobro do preparo do recurso de apelação.
3. Hipossuficiente, na definição legal, é a pessoa natural ou jurídica, brasileira ou
estrangeira, com escassez de recursos para pagar as custas, as despesas
processuais e os honorários advocatícios (art. 98, caput, do CPC/2015).
4. O pedido de gratuidade de justiça somente poderá ser negado se houver nos
autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a
concessão do benefício. Antes do indeferimento, o juiz deve determinar que a
parte comprove a alegada hipossuficiência (art. 99, § 2º, do CPC/2015).
5. Indeferido o pedido de gratuidade de justiça, observando-se o procedimento
legal, o requerente deve ser intimado para realizar o preparo na forma simples.
Mantendo-se inerte, o recurso não será conhecido em virtude da deserção.
6. Somente no caso em que o requerente não recolhe o preparo no ato da
interposição do recurso, sem que tenha havido o pedido de gratuidade de justiça,
o juiz determinará o recolhimento em dobro, sob pena de deserção (art. 1.007, 4º,
do CPC/2015).
7. Na situação dos autos, a Corte local, antes de indeferir o pedido de gratuidade
de justiça, deveria ter intimado a recorrente para comprovar a incapacidade de
arcar com os custos da apelação.
8. Recurso especial provido.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos, em que são partes as acima indicadas, decide a
Terceira Turma, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do
Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Marco Aurélio Bellizze, Moura Ribeiro (Presidente), Nancy
Andrighi e Paulo de Tarso Sanseverino votaram com o Sr. Ministro Relator.
Brasília (DF), 09 de abril de 2019(Data do Julgamento)

Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA - Relator

Documento: 1813570 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 12/04/2019 Página 1 de 4
Superior Tribunal de Justiça
RECURSO ESPECIAL Nº 1.787.491 - SP (2018/0243880-5)
RECORRENTE : PROESTE AVARE COMERCIO DE VEICULOS LTDA
ADVOGADO : ANTÔNIO CARLOS NELLI DUARTE E OUTRO(S) - SP033336
RECORRIDO : VALMIR DOMINGOS
ADVOGADO : VINICIUS ANTONIO FONSECA NOGUEIRA - SP288458

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA (Relator): Trata-se


de recurso especial por PROESTE AVARÉ COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA., com fundamento
no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça
do Estado de São Paulo assim ementado:

"Agravo Interno. Insurgência contra decisão do relator de afastar o pedido de


concessão de gratuidade processual e determinou o recolhimento do preparo em
dobro. Hipossuficiência não demonstrada. Declaração apresentada que não veio
acompanhada de outras provas. Presunção aplicável apenas às pessoas físicas
(artigo 99, § 3º, do CPC/15). Recolhimento em dobro que se exige, nos termos do
parágrafo único do artigo 100 do CPC/15. Recurso não provido" (fl. 295 e-STJ).

Nas presentes razões recursais (fls. 301-305 e-STJ), a recorrente alega violação
dos arts. 98, caput, e 99, §§ 2º e 7º, do Código de Processo Civil de 2015.

Aduz que a gratuidade da justiça pode ser pleiteada em qualquer tempo e grau
de jurisdição, inclusive no recurso de apelação (caso dos autos).

Assevera que o juiz não pode indeferir a referida benesse sem antes determinar à
parte a comprovação do preenchimento dos pressupostos legais.

Alternativamente, argumenta que o recolhimento do preparo deveria ter sido


exigido na forma simples, e não em dobro.

Consigna que "não tem condição financeira para efetuar o preparo em dobro,
porém, exerce seu direito constitucional de acesso ao Poder Judiciário, o que não prejudica as
partes debatentes" (fl. 304 e-STJ).

Com as contrarrazões (fls. 337-344 e-STJ), a Presidência da Seção de Direito


Privado do Tribunal de origem admitiu o recurso especial (fls. 345-346 e-STJ).

É o relatório.

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RECURSO ESPECIAL Nº 1.787.491 - SP (2018/0243880-5)

EMENTA

RECURSO ESPECIAL. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. PEDIDO FORMULADO EM


RECURSO. INDEFERIMENTO DE PLANO. IMPOSSIBILIDADE. INTIMAÇÃO DO
REQUERENTE. ART. 99, § 2º, DO CPC/2015. RECOLHIMENTO EM DOBRO. NÃO
CABIMENTO.
1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código
de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ).
2. Cinge-se a controvérsia a definir se é possível ao magistrado indeferir, de
plano, o pedido de gratuidade de justiça, sem a abertura de prazo para a
comprovação da hipossuficiência, e, por consequência, determinar o recolhimento
em dobro do preparo do recurso de apelação.
3. Hipossuficiente, na definição legal, é a pessoa natural ou jurídica, brasileira ou
estrangeira, com escassez de recursos para pagar as custas, as despesas
processuais e os honorários advocatícios (art. 98, caput, do CPC/2015).
4. O pedido de gratuidade de justiça somente poderá ser negado se houver nos
autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a
concessão do benefício. Antes do indeferimento, o juiz deve determinar que a
parte comprove a alegada hipossuficiência (art. 99, § 2º, do CPC/2015).
5. Indeferido o pedido de gratuidade de justiça, observando-se o procedimento
legal, o requerente deve ser intimado para realizar o preparo na forma simples.
Mantendo-se inerte, o recurso não será conhecido em virtude da deserção.
6. Somente no caso em que o requerente não recolhe o preparo no ato da
interposição do recurso, sem que tenha havido o pedido de gratuidade de justiça,
o juiz determinará o recolhimento em dobro, sob pena de deserção (art. 1.007, 4º,
do CPC/2015).
7. Na situação dos autos, a Corte local, antes de indeferir o pedido de gratuidade
de justiça, deveria ter intimado a recorrente para comprovar a incapacidade de
arcar com os custos da apelação.
8. Recurso especial provido.

VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA (Relator): O acórdão


impugnado pelo recurso especial foi publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015
(Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ).

A irresignação merece prosperar.

Cinge-se a controvérsia a definir se é possível ao magistrado indeferir,


de plano, o pedido de gratuidade de justiça, sem a abertura de prazo para a

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comprovação da hipossuficiência, e, por consequência, determinar o recolhimento em
dobro do preparo do recurso de apelação.

1. Do histórico da demanda

Na origem, Proeste Avaré Comércio de Veículos Ltda. (ora recorrente) ajuizou


ação monitória contra Valmir Domingos (ora recorrido), sendo o pedido julgado improcedente
pelo magistrado de piso (fls. 242-244 e-STJ).

Interposta apelação (fls. 247-253 e-STJ), a ora recorrente requereu


preliminarmente a gratuidade da justiça, que foi indeferida pelo relator ao argumento de que
não houve a comprovação da hipossuficiência, motivo pelo qual determinou o recolhimento em
dobro do valor do preparo nos seguintes termos:

"I – Por não comprovada a alegada hipossuficiência, de modo a


justificar a concessão da gratuidade processual, e por não ter a Apelante
recolhido o preparo recursal, por ocasião da interposição do recurso (art. 1.007
do CPC), deve promover, em cinco dias, o recolhimento do valor do preparo, em
dobro, nos termos em que preceitua o artigo 1.007, § 4º, do CPC, sob pena de
deserção do recurso apresentado.
II Com o recolhimento, ou certificada a inércia, tornem conclusos"
(fl. 274 e-STJ).

A decisão supramencionada foi mantida no julgamento do agravo regimental:

"(...)
A insurgência não se sustenta. Não foi requerida a Justiça
gratuita em primeiro grau. Todavia, vem a Apelante neste recurso requerer a
concessão da gratuidade processual, mas sem nada comprovar acerca de
sua pretendida hipossuficiência, que pudesse dar ensejo ao deferimento da
gratuidade. A alegação de dificuldades financeiras (pág. 308) não lhe socorre,
uma vez que nada trouxe aos autos de modo a corroborar com a alegada falta de
recursos para arcar com as custas do processo. O documento de pág. 313,
isoladamente, não conduz à alegada hipossuficiência. Trata-se de mera
declaração, assinada por contabilista que trabalha para a Apelante, que não
tem fé pública, desacompanhada de qualquer outro documento que
corrobore o ali indicado. Trata-se de pessoa jurídica, estabelecida com
finalidade de lucro, que busca na ação o recebimento de valor superior a R$
100.000,00.
Nos termos da Constituição Federal, a Justiça gratuita será
prestada aos que comprovarem a insuficiência de recursos (artigo 5º, LXXIV), o
que mais se impõe às pessoas jurídicas, às quais não se aplica a presunção de
hipossuficiência §3º do artigo 99 do CPC. (...)
No que respeita à determinação de recolhimento do preparo em
dobro, deve ser ela mantida, inclusive como forma de limitar as situações
como as aqui verificadas, em que se utiliza do pedido de concessão do
benefício da gratuidade para não realizar o preparo recursal no momento
oportuno.
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É a interpretação que deve ser dada ao conjunto da nova disciplina
processual, sob pena de instaurar-se a chicana processual e retardar ainda mais
o pronunciamento de mérito, o que contraria o princípio da celeridade. Trata-se,
ainda, de observância ao enunciado no artigo 100, parágrafo único, do Código de
Processo Civil, pois caracterizada a má fé da ora Agravante, diante da tentativa
de protelar indevidamente o recolhimento do preparo recursal, mediante o
subterfúgio de buscar a obtenção da gratuidade processual apenas no momento
em que formulado o recurso.
Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno" (fls. 296-297
e-STJ - grifou-se).

Em seguida, os autos ascenderam a esta Corte com o recurso especial.

2. Da gratuidade da justiça

De acordo com o art. 5º, LXXVIV, da Constituição Federal o Estado prestará


assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos.
A Lei nº 1.060/1950, recepcionada pela Carta Magna, estabeleceu as normas para a concessão
da assistência judiciária gratuita aos necessitados até o advento do Código de Processo Civil de
2015 (CPC/2015).

O hipossuficiente, na definição legal, é a pessoa natural ou jurídica, brasileira ou


estrangeira, com escassez de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os
honorários advocatícios (art. 98, caput, do CPC/2015). O direito à gratuidade da justiça é
pessoal, não se estendendo a litisconsorte ou a sucessor do beneficiário, salvo requerimento e
deferimento expressos (art. 99, § 6º, CPC/2015).

O art. 99, caput e § 1º, do CPC/2015 estabelece que o pedido de gratuidade da


justiça pode ser formulado na petição inicial, na contestação, no requerimento para ingresso de
terceiro no processo, no recurso ou até por simples petição. Assim, condiciona-se a concessão
do referido benefício a pedido expresso da parte hipossuficiente, não havendo possibilidade de
deferi-lo de ofício.

Ao analisar o requerimento de gratuidade, o magistrado somente poderá


rejeitá-lo com base em elementos contidos nos autos contrários à pretensão do
requerente declarado hipossuficiente, a exemplo de prova documental capaz de evidenciar
a aptidão financeira de arcar com as custas e as despesas processuais ou a existência de
razoável patrimônio.

Além disso, não cabe ao Juiz indeferir de plano o referido pedido,


devendo intimar previamente a parte interessada para comprovar o preenchimento
dos pressupostos necessários à concessão da benesse legal.
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Essa é a exegese do art. 99, § 2º, do CPC/2015:

"§ 2º O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos


elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de
gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a
comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos".

Eis o magistério de Cassio Scarpinella Bueno sobre o tema:

"(...)
O pedido somente será indeferido, é o que dispõe o § 2º do art. 99,
se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais
para a concessão da gratuidade. Mesmo assim, cabe ao magistrado, antes de
indeferir o pedido, determinar o interessado que comprove o preenchimento
dos pressupostos respectivos, o que, não estivesse escrito, derivaria
suficientemente não só do modelo constitucional, mas, também, dos arts. 6º e 10."
(Curso sistematizado de direito processual civil - vol. 1 - 9ª ed. São Paulo: Saraiva
Educação, 2018, pág. 505 - grifou-se)

Se o magistrado, após o procedimento legal, negar o pedido de


gratuidade da justiça formulado em recurso (hipótese dos autos), o requerente deve
ser intimado para realizar o preparo na forma simples, após o qual, mantendo-se inerte, a
insurgência não será conhecida em virtude da deserção, conforme preceitua o § 7º do art. 99
do CPC/2015:

"§ 7º Requerida a concessão de gratuidade da justiça em recurso,


o recorrente estará dispensado de comprovar o recolhimento do preparo,
incumbindo ao relator, neste caso, apreciar o requerimento e, se indeferi-lo, fixar
prazo para realização do recolhimento".

De fato, a parte que postula o mencionado benefício e tem a pretensão rejeitada,


não pode ser surpreendida com o imediato reconhecimento de deserção sem que lhe seja dada
a oportunidade de recolher o preparo recursal no valor originariamente devido. Não existe
fundamento legal para, nessa hipótese, exigir o pagamento em dobro, conforme decido no
acórdão recorrido.

Ao comentar o § 7º do art. 99 do CPC/2015, Daniel Amorim Assumpção Neves


leciona que "seria claramente ofensivo ao princípio do contraditório se a decisão do relator
gerasse imediatamente a deserção. Por outro lado, não teria sentido exigir o preparo do
beneficiário da gratuidade para ele não correr o risco da deserção." (Código de processo civil
comentado - 4ª ed. Salvador: JusPodivm, 2019, pág. 99)

Somente na hipótese em que o requerente deixa de recolher o preparo


no ato da interposição do recurso, sem haver pedido de gratuidade de justiça, o juiz

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determinará o recolhimento em dobro, sob pena de deserção, nos termos do art. 1.007,
caput e § 4º, do CPC/2015:

"Art. 1.007. No ato de interposição do recurso, o recorrente


comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo,
inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção.
(...)
§ 4º O recorrente que não comprovar, no ato de interposição do
recurso, o recolhimento do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, será
intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento em dobro,
sob pena de deserção".

Por oportuno, confira a seguinte lição doutrinária:

"Art. 1.007, § 4º do novo CPC. Inovação significativa. Sanção pela


não comprovação do recolhimento do preparo e do porte de remessa e de
retorno, no ato da interposição do recurso. Este parágrafo quarto representa uma
inovação significativa. Agora, o recorrente que não comprovar, no ato de
interposição do recurso, o recolhimento do preparo, inclusive do porte de
remessa e de retorno, será intimado, na pessoa de seu advogado, para
realizar o recolhimento em dobro, sob pena de deserção." (IMHOF, Cristiano;
REZENDE, Bertha Steckert. Novo código de processo civil comentado. Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 2015, pág. 968 - grifou-se)

Nessa mesma linha é a jurisprudência desta Corte:

"AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE


OBRIGAÇÃO DE FAZER E DE REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS. PREPARO.
NÃO COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO EM DOBRO NO PRAZO DE 5
(CINCO) DIAS APÓS INTIMAÇÃO. DESERÇÃO. APLICAÇÃO DO CPC/2015.
1. Ação de Obrigação de Fazer e Reparação por Danos Morais 2. Não havendo a
comprovação do recolhimento do preparo no ato da interposição do recurso, a
recorrente será intimada para realizar o recolhimento em dobro no prazo de 05
(cinco) dias, sob pena de deserção 3. Agravo interno não provido."
(AgInt no AREsp 1.319.650/ES, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA
TURMA, julgado em 3/12/2018, DJe 5/12/2018)

"AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL


CIVIL. PREPARO DO RECURSO DE APELAÇÃO. IRREGULARIDADE.
INTIMAÇÃO PARA RECOLHIMENTO EM DOBRO. ART. 1.007, § 4º, DO
CPC/2015. NÃO ATENDIMENTO. APLICAÇÃO DA PENA DE DESERÇÃO.
CABIMENTO. RECURSO NÃO PROVIDO.
1. Não havendo a comprovação do recolhimento do preparo no ato da
interposição do recurso, o recorrente será intimado para realizar o recolhimento
em dobro, sob pena de deserção, à luz do art. 1.007, caput e § 4º, do CPC de
2015.
2. No caso em análise, correta a deserção aplicada na origem, pois a recorrente
descumpriu a norma no sentido de comprovar o respectivo preparo no ato de
interposição da apelação e, quando intimada para efetuar o recolhimento em
dobro, não o fez no prazo estabelecido.
3. Agravo interno a que se nega provimento."
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Superior Tribunal de Justiça
(AgInt no AREsp 1.307.657/DF, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA,
julgado em 27/11/2018, DJe 7/12/2018)

"PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PREPARO. IRREGULARIDADE.


INTIMAÇÃO PARA RECOLHIMENTO EM DOBRO. ART. 1007, § 4º, DO
CPC/2015. NÃO ATENDIMENTO. APLICAÇÃO DA PENA DE DESERÇÃO.
1. Nos termos do art. 1.007, § 4º, do CPC/2015, não havendo a comprovação do
recolhimento do preparo no ato da interposição do recurso, o recorrente será
intimado para realizar o recolhimento em dobro, sob pena de deserção.
2. No caso dos autos, a recorrente foi intimada para efetuar o recolhimento em
dobro (fls. 170-174, e-STJ); porém, não cumpriu corretamente a determinação,
tendo em vista que após o referido despacho juntou a guia do pagamento anterior
e uma nova guia de pagamento na forma simples.
3. Recurso Especial não conhecido."
(REsp 1.754.999/GO, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,
julgado em 11/9/2018, DJe 21/11/2018)

No caso, a Corte local, antes de indeferir o pedido de gratuidade de justiça,


deveria ter intimado a recorrente para comprovar a sua incapacidade de arcar com os custos da
apelação. Ademais, ainda que negado o referido benefício em conformidade com a codificação
processual, o preparo deveria ter sido realizado na forma simples. Assim, há expressa violação
do art. 99, §§ 2º e 7º, do CPC/2015.

3. Do dispositivo

Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial para determinar a intimação


da recorrente para comprovar a alegada hipossuficiência financeira, a qual será objeto de
apreciação pela Corte local, e, em caso de indeferimento da gratuidade da justiça, deverá ser
permitido o recolhimento do preparo na forma simples.

É o voto.

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CERTIDÃO DE JULGAMENTO
TERCEIRA TURMA

Número Registro: 2018/0243880-5 PROCESSO ELETRÔNICO REsp 1.787.491 / SP

Números Origem: 10005971720158260263 20170000853703

EM MESA JULGADO: 09/04/2019

Relator
Exmo. Sr. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro MOURA RIBEIRO
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. ANTÔNIO CARLOS ALPINO BIGONHA
Secretário
Bel. WALFLAN TAVARES DE ARAUJO

AUTUAÇÃO
RECORRENTE : PROESTE AVARE COMERCIO DE VEICULOS LTDA
ADVOGADO : ANTÔNIO CARLOS NELLI DUARTE - SP033336
RECORRIDO : VALMIR DOMINGOS
ADVOGADO : VINICIUS ANTONIO FONSECA NOGUEIRA - SP288458

ASSUNTO: DIREITO CIVIL - Obrigações - Espécies de Títulos de Crédito - Cheque

CERTIDÃO
Certifico que a egrégia TERCEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na
sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
A Terceira Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial, nos termos do
voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Marco Aurélio Bellizze, Moura Ribeiro (Presidente), Nancy Andrighi e
Paulo de Tarso Sanseverino votaram com o Sr. Ministro Relator.

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