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PODER JUDICIÁRIO

1ª Turma Recursal dos Juizados Cíveis, Criminais e


da Fazenda Pública do Estado do Amazonas

Recurso Inominado Cível Nº 0619839-44.2018.8.04.0001


JUIZ SENTENCIANTE : Nome do juiz prolator da sentença Não informado
RECORRENTE: : Jorge de Souza Cunha
ADVOGADO: : Amauri Vieira dos Santos,
RECORRIDO: : O Estado do Amazonas
ADVOGADO: : Amauri Vieira dos Santos,
RELATOR: : Francisco Soares de Souza

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROMOÇÃO DE POLICIAL NA


CARREIRA. MÉRITO. MATÉRIA DECIDIDA DE FORMA CONTRÁRIA À
TESE DEFENSIVA. OMISSÃO, OBSCURIDADE E CONTRADIÇÃO NÃO
VERIFICADAS. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE.
EMBARGOS CONHECIDOS E NÃO ACOLHIDOS.
1. Alega o embargante que o Acórdão padece de contradição ao dizer
ora que o embargado possui os requisitos necessários à promoção e
ora ao dizer que não possui.
2. Aduz, ainda, que o decisum é omisso em apreciar em apreciar a
alegação de que as promoções devem ser conferidas à luz do art. 8º,
§ 2º da Lei 4.044/14, que prevê número de vagas para a efetivação
das promoções.
3. Sem razão o embargante, exponho.
4. O Acórdão embargado deixa claro que para a efetivação das
promoções dos policiais militares devem ser preenchidos, de acordo
com a Lei 4.044/14, tanto requisitos objetivos, quanto requisitos
subjetivos.
5. Do excerto embargado, extrai-se que o recorrido já conta com o
preenchimento dos requisitos subjetivos para a promoção,
dependendo unicamente do adimplemento dos requisitos objetivos
matrícula nos cursos de formação, que lhe é indevidamente negada.
6. Inexiste, portanto, a contradição apontada, eis que os trechos da
decisão apontados não se referem a mesma classe de requisitos.
7. Ademais, sendo os cursos de formação requisitos formais para a
matrícula, e como bem explicitado na decisão, não se confundem
com o ato de promoção em si, inexiste prejuízo à Administração a
matrícula concomitante ou consecutiva nos cursos de formação
necessários, sobretudo quando considerado que o autor só
permanece em cargo que, formalmente, não possui os requisitos
necessários para a realização dos cursos, por mora da
Administração, que se vale do subterfúgio de que para a promoção
dos servidores é necessária a existência de vagas, o que também foi
combatido pela decisão embargada ao aclarar que a promoção não é
espécie de provimento em cargo público, independendo de vacância
e sendo imperativa, uma vez preenchidos os requisitos subjetivos
pelo servidor, que não deve ter seu direito preterido pela resistência
injustificada da Administração em disponibilizar os cursos de
formação àqueles que já possuem o tempo necessário de serviço e
na patente anterior àquela a que terá direito uma vez concluído o
curso com êxito.
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PODER JUDICIÁRIO
1ª Turma Recursal dos Juizados Cíveis, Criminais e
da Fazenda Pública do Estado do Amazonas

8. Inexiste, assim, também a omissão apontada, posto que a


matrícula do embargado nos cursos deve se dar de forma
extraordinária, a fim de sanar os prejuízos injustificadamente
causados pela desídia administrativa.
9. Constata-se, assim, que os argumentos suscitados denotam mero
inconformismo e intuito de rediscutir a controvérsia, não se
prestando os aclaratórios a esse fim.
10. Os Embargos de Declaração não constituem instrumento
adequado para a rediscussão da matéria de mérito consubstanciada
na decisão recorrida, quando ausentes os vícios de omissão,
obscuridade ou contradição (Superior Tribunal de Justiça STJ; EDcl-
REsp 786.316; Proc. 2005/0165400-3; PR; Segunda Turma; Rel. Min.
Herman Benjamin; Julg. 26/09/2006; DJU 05/10/2007; Pág. 247)
11. Embargos de declaração conhecidos e não acolhidos.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos.

ACORDAM os Excelentíssimos Senhores Juízes da 1ª Turma


Recursal dos Juizados Especiais Cíveis, Criminais e da Fazenda Pública do Estado
do Amazonas, em negar provimento ao recurso interposto, nos termos da ementa
que integra a presente decisão.

Sala das Sessões, em Manaus, 13 de fevereiro de 2020

FRANCISCO SOARES DE SOUZA


Relator