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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO AMAZONAS


Juízo de Direito da 7ª Vara do Juizado Especial Cível

Autos n°: 0630333-86.2019.8.04.0015

Para conferir o original, acesse o site https://consultasaj.tjam.jus.br/pastadigital/pg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 0630333-86.2019.8.04.0015 e código 6A5123D.
Ação: Procedimento do Juizado Especial Cível/PROC
Parte Autora: Leonardo Assis de Oliveira
Parte ré: Banco Santander Brasil S/A

SENTENÇA

Dispensado o relatório, nos termos do art. 38 da Lei 9.099/95.Fundamento e decido.

Passo ao julgamento antecipado da lide como já anunciado, nos termos do arts. 355 e 370, ambos
do CPC/2015 c/c 5º, da L. 9.099/95, sendo desnecessária a produção de qualquer prova oral, a qual indefiro.
Conciliação já tentada e frustrada. Trata-se de feito em que apresentada contestação, sendo certo que, junto com a
mesma, deveriam vir os documentos comprobatórios da antítese posta na contestação. Seja por força da
advertência contida na citação, seja pelo disposto no art. 341 c/c 434, do CPC/2015. Ou seja, decorre da própria lei
a obrigação de juntar os documentos que comprovem a tese sustentada na contestação.

Trato de ação envolvendo a negativação do nome autoral, havendo apontamentos pretéritos ao


invocado na causa de pedir, conforme documento de fl. 19-21.

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MOACIR PEREIRA BATISTA, liberado nos autos em 31/05/2020 às 22:54 .
Dispõe a Súmula 385, do STJ:

“Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral,
quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.”

Esclareço, ainda, que, em maio/2016, no julgamento de incidentes repetitivos (tema 922), RESP
1.386.424-MG, o STJ firmou posição de que a matéria pode ser invocada por quaisquer credores, revendo anterior
posição. Ao mesmo tempo, o STF já firmou entendimento de que a matéria não tem repercussão geral, sendo,
portanto, o STJ competente para apreciar, definitivamente, a matéria (STF, ARE 720.848).

Verifico, por outro lado, que a parte ré não comprovou a legalidade da cobrança objeto desta
demanda no valor de R$434,50, nos termos do que dispõe art. 341, caput, CPC. Na contestação a requerida afirma
que o débito é referente à cheque especial da sua conta corrente, contudo analisando o extrato bancário trazido
pelo Banco réu, não há mais dívidas em maio/2019, conforme fls. 105. Logo, não deve perdurar a negativação do
autor, pois não ficou comprovada a inexigibilidade da dívida após a data 31 de maio de 2019. Quanto ao áudio
trazido pelo Bnaco, o mesmo não se relaciona com o objeto desta ação, mas apenas comprova a existência da
conta bancária do autor, mas nada comprova sobre o débito em tela.

Por isso, JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO, e faço nos seguintes termos: a) Declaro
indevida a dívida negativada, determinando tão-somente o cancelamento da anotação, junto aos cadastros de
maus pagadores. IMPROCEDENTE pedido de dano moral, conforme súmula acima mencionada.

À Secretaria: Oficie-se ao SERASA/SPC/SCPC para o cancelamento da inscrição negativa no nome


autorial, objeto desta demanda.

Sem custas pretéritas. Sem honorários. Preparo (custas recursais) de lei.

Da interposição de recurso, observar a parte recorrente o recolhimento do preparo e as custas


recursais de lei (art. 54, parágrafo único e 55, ambos da Lei 9.099/95, combinado com a Lei Estadual 2.429/96 e
Provimento 256/2015-CGJ/AM). Havendo pedido de gratuidade de justiça, a parte recorrente deverá comprovar
que preenche os pressupostos para tal, nos termos do art. 99 o NCPC. Interposto o mesmo, faça-se os autos
conclusos para análise do juízo de admissibilidade do recurso.

Por outro lado, transcorrido o prazo legal, sem a interposição de recurso, determino à Secretaria
que certifique o trânsito em julgado e dê-se baixa e arquivamento dos autos oportunamente.

P.R.I.

Manaus, 29 de maio de 2020.

Moacir Pereira Batista


Juiz de Direito

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