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PR-DF-00106559/2020

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL


PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO DISTRITO FEDERAL

Assinado com login e senha por ANNA CAROLINA RESENDE MAIA GARCIA, em 08/01/2021 14:23. Para verificar a autenticidade acesse
5º OFÍCIO DE ATOS ADMINISTRATIVOS, CONSUMIDOR E ORDEM ECONÔMICA
SGAS 604, L2 Sul, Lote 23, Sala 110 - Brasília/DF CEP: 70.200-640
Telefone: (61) 3313-5494

RECOMENDAÇÃO Nº 41/2020-AC

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Ref.:: Procedimento nº 1.16.000.001039/2019-47

Brasília, 16/12/2020.

A Sua Senhoria o Senhor


PEDRO DUARTE GUIMARÃES
Presidente da Caixa Econômica Federal
SBS Quadra 4 Bloco A, Lotes 3/4 21º andar - CEP: 70.092-900 - Brasília/DF
falecomopresidente@caixa.gov.br / geten@caixa.gov.br

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, pela Procuradora da República


signatária, no exercício das atribuições institucionais conferidas pelos artigos 127 e 129, II e
III, da Constituição da República, e também previstas nos artigos 1°, 2°, 5°, 6° e 39, todos da
Lei Complementar n. 75/93:
CONSIDERANDO os elementos de informação que instruem o procedimento
preparatório n. 1.16.000.001039/2019-47, referentes a irregularidades no repasse de verbas
oriundas dos prognósticos da loteria -- recursos da Lei Agnelo-Piva ou “recursos LAP” --,
pela Caixa Econômica Federal (CEF), para o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e outras
entidades esportivas, sem o cumprimento dos artigos 18 e 18-A da Lei Pelé (Lei
nº 9.615/1998);
CONSIDERANDO que a Caixa Econômica Federal informou ao Ministério
Público Federal, por meio do Ofício n. 024/2020/DEFUS, que a área jurídica da instituição
firmou orientação no sentido de que a transferência desses recursos se desse "sem a

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necessidade de aferir a regularidade do COB, pois essa incumbência é conferida por lei ao
Ministério do Esporte, atualmente incorporado ao Ministério da Cidadania";
CONSIDERANDO que a Caixa Econômica Federal, no mesmo documento,
citou o Acórdão n. 699/2019-TCU, manifestando entendimento de que a Lei n. 13.756/2018,
ao revogar o art. 56, § 1º, da Lei n. 9.615/1998, não impediria a recepção de recursos pelas
partes beneficiárias;

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CONSIDERANDO, porém, que o referido acórdão é restrito à questão da
regularidade das entidades integrantes do chamado Sistema Nacional do Desporto junto ao
Cadastro de Entidades Privadas sem Fins Lucrativos Impedidas (Cepim), e que não consta,
do entendimento manifestado pelo TCU, que tais entidades estão dispensadas do
cumprimento dos artigos 18 e 18-A da Lei n. 9.615/1998;
CONSIDERANDO que o Ministério da Cidadania informou (OFÍCIO Nº
46/2020/SE/CGAA/MC) que não consta, nos registros da pasta, "ato administrativo que, de

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qualquer forma, tenha acolhido o entendimento consignado no Parecer n.
00396/2019/CONJUR-MC/CGU/AGU";
CONSIDERANDO que, no mesmo expediente, o órgão afirmou, acerca dos
recursos oriundos dos prognósticos da loteria, que "cabe à Caixa Econômica Federal
processar os repasses de forma automática às entidades, já que se trata de transferência com
expressa previsão legal de repasse por parte do agente financeiro " e que o repasse é
realizado diretamente pela Caixa Econômica Federal, nos termos do artigo 22 da Lei
13.756/2018;
C O N S I D E R A N D O que, ainda no mesmo OFÍCIO Nº
46/2020/SE/CGAA/MC, o Ministério da Cidadania assegurou que "no que tange à
certificação do COB, apesar daquele Comitê ter pleiteado o atesto do cumprimento dos
artigos 18 e 18-A da Lei 9.615/1998, este não logrou êxito";
CONSIDERANDO que consta nos autos do inquérito civil em epígrafe o
Ofício n. 130/2019-MC/SEEP/GAB, de 8 de abril de 2019, em que a Secretaria Especial do
Esporte, vinculada ao Ministério da Cidadania, informa à Vice-Presidência de Fundos de
Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal que "a continuidade do repasse legal de
recursos oriundos da arrecadação da loteria federal é de caráter discricionário dessa Caixa
Econômica Federal, conforme dispõe os artigos 15 e 22 da Lei n. 13.756/2018";
C O N SID ER A N D O que a informação constante no Ofício n.
134/2019/MC/SEESP/GAB, de que "os requisitos constantes dos arts. 18 e 18-A da Lei nº
9.615/98 não são exigíveis para fins das transferências previstas na Lei nº 13.756/98" não
vincula o entendimento jurídico a ser adotado pela Caixa Econômica Federal;
CONSIDERANDO que a Lei n. 9.615/98 é expressa ao prever que somente
serão beneficiadas com isenções fiscais e repasses de recursos públicos federais da

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administração direta e indireta, as entidades do Sistema Nacional do Desporto que, dentre
outros requisitos, possuírem viabilidade e autonomia financeiras e estiverem em situação
regular com suas obrigações fiscais e trabalhistas;
CONSIDERANDO que a Lei n. 13.756/2018, que dispõe sobre o Fundo
Nacional de Segurança Pública (FNSP), sobre a destinação do produto da arrecadação das
loterias, não estabeleceu qualquer dispensa ou ressalva quanto ao estrito cumprimento do que

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dispõem os arts. 18 e 18-A da Lei n. 9.615/98;
CONSIDERANDO que a Caixa Econômica Federal, por meio do Ofício n.
024/2020/DEFUS, registrou que os repasses de verbas ao COB estão ocorrendo regularmente,
"até que eventualmente sobrevenha pronunciamento diverso por parte do Ministério da
Cidadania, Tribunal de Contas da União, órgão judicial ou Procuradoria da República";
CONSIDERANDO, finalmente, que cabe, ao Ministério Público Federal,
“expedir recomendações, visando à melhoria dos serviços públicos e de relevância pública,

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bem como ao respeito, aos interesses, direitos e bens cuja defesa lhe cabe promover, fixando
prazo razoável para a adoção das providências cabíveis”, consoante dispõe o art. 6º, XX, da
Lei Complementar n.º 75/93, e que a Recomendação é lídimo instrumento de atuação
extrajudicial do Ministério Público Federal;
RECOMENDA AO PRESIDENTE DA CAIXA ECONÔMICA
FEDERAL (CEF), com fulcro no art. 6º, XX, da Lei Complementar n. 75/1993, que
suspenda de imediato e abstenha-se de efetuar o repasse das verbas oriundas dos prognósticos
da loteria em favor do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e demais entidades do Sistema
Nacional do Desporto sem que haja a devida certificação e comprovação, nos termos da
legislação, do pleno cumprimento dos artigos 18 e 18-A da Lei n. 9.615/1998.
Fixo o prazo de 15 (quinze) dias úteis para sejam prestadas as informações
pormenorizadas quanto ao acatamento da presente recomendação.
Esta signatária coloca-se à disposição para realização de reunião com a
finalidade de discutir os termos de cumprimento da presente recomendação -- sem prejuízo do
prazo estabelecido para resposta --, podendo o agendamento ser feito por meio dos contatos:
e-mail PRDF-GABAC@mpf.mp.br ou telefone (61) 3313-5494.

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Documento eletrônico assinado digitalmente.
Signatária: ANNA CAROLINA RESENDE MAIA GARCIA,
PROCURADORA DA REPÚBLICA.
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