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Metodologia da Pesquisa

Metodologia da Pesquisa
Metodologia da Pesquisa
Debora Bonat

www.iesde.com.br
Metodologia da Pesquisa
Debora Bonat

3.ª edição
2009
© 2005-2009 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autoriza-
ção por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais.

B699 Bonat, Debora. / Metodologia da Pesquisa. /


Debora Bonat. 3. ed. — Curitiba :
IESDE Brasil S.A. , 2009.
132 p.

ISBN: 978-85-387-2219-9

1. Direito. 2. Metodologia da Pesquisa. I. Título.

CDD 001.81

Atualizado até abril de 2011.

Capa: IESDE Brasil S.A.


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10/09
Debora Bonat

Mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).


Professora do Complexo de Ensino Superior de Santa Catarina (Cesusc) e profes­
sora substituta da UFSC. Advogada.
Sumário
A pesquisa jurídica ......................................................................9
Pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa .................................................................. 11
Pesquisa descritiva e prescritiva .......................................................................................... 12
Pesquisa empírica ou prática ................................................................................................ 13
Pesquisa teórica ......................................................................................................................... 14

Métodos de abordagem
e de procedimento .................................................................. 21
Método.......................................................................................................................................... 21

Produções científicas .............................................................. 33


Livro................................................................................................................................................ 33
Folheto .......................................................................................................................................... 34
Monografia .................................................................................................................................. 34
Dissertação .................................................................................................................................. 36
Tese ................................................................................................................................................. 36
Artigo ............................................................................................................................................. 37
Ensaio ............................................................................................................................................ 37
Paper ou comunicação científica ......................................................................................... 38
Informe científico ...................................................................................................................... 39
Resenha crítica ........................................................................................................................... 39

Projeto de pesquisa ................................................................. 45


Tema ............................................................................................................................................... 46
Problema ...................................................................................................................................... 47
Hipótese........................................................................................................................................ 48
Justificativa................................................................................................................................... 49
Objetivos....................................................................................................................................... 49
Embasamento teórico.............................................................................................................. 50
Metodologia................................................................................................................................. 52
Cronograma................................................................................................................................. 52
Referências bibliográficas....................................................................................................... 53

Levantamento, armazenamento
e análise dos dados.................................................................. 63
Levantamento de dados.......................................................................................................... 63
Leitura............................................................................................................................................. 64
Armazenamento de pesquisa................................................................................................ 67
Fichamento................................................................................................................................... 67
Análise do texto.......................................................................................................................... 70

Elementos pré-textuais da monografia............................. 77


Capa................................................................................................................................................ 77
Lombada....................................................................................................................................... 78
Folha de rosto.............................................................................................................................. 79
Errata............................................................................................................................................... 80
Folha de aprovação................................................................................................................... 81
Dedicatória................................................................................................................................... 82
Agradecimentos ........................................................................................................................ 82
Citação ou epígrafe.................................................................................................................... 83
Resumo.......................................................................................................................................... 83
Lista de ilustrações..................................................................................................................... 84
Lista de abreviaturas, siglas e símbolos............................................................................. 85
Sumário.......................................................................................................................................... 87

Elementos textuais................................................................... 93
Redação......................................................................................................................................... 93
Divisão da monografia............................................................................................................. 96
Formatação geral do trabalho............................................................................................... 98
Citações........................................................................................................................................101
Sistema de citação recomendado......................................................................................104
Elementos pós-textuais.........................................................113
Referências..................................................................................................................................113
Glossário......................................................................................................................................119
Apêndices...................................................................................................................................119
Anexos..........................................................................................................................................120
Índices..........................................................................................................................................120

Referências.................................................................................127

Anotações..................................................................................131
A pesquisa jurídica

Pesquisa “[...] é um procedimento formal, com método de pensamento


reflexivo, que requer tratamento científico e se constitui no caminho para co-
nhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais”(LAKATOS; MARCONI,
2003, p. 155).

Quando estudamos um determinado assunto, ou observamos um objeto,


de forma sistematizada e controlada por um método científico com o obje-
tivo de responder perguntas, estamos fazendo pesquisa. E, sempre que esse
objeto ou assunto possuir natureza jurídica, essa pesquisa compreenderá
uma pesquisa jurídica.

Dessa forma, pode-se entender que a “[...] pesquisa é o procedimento


prático de produção de conhecimento [...]” (BITTAR, 2003, p. 131) e, por esse
motivo, não se encontra alheia aos acontecimentos sociais e políticos. Isso
significa que sempre que estamos pesquisando, analisamos e compreende-
mos os dados utilizados para responder a um questionamento, e essa análise
e interpretação levam em consideração todo o arcabouço cultural, religioso,
moral, ideológico e político que possuímos.

Não é possível afirmar que o pesquisador deve atuar de forma neutra, sem
impor à sua pesquisa aspectos de sua vida pessoal. O pesquisador é um ser
humano, portanto, inserido em uma comunidade que impõe valores e con-
dutas. A falácia da neutralidade, produzida pela corrente do positivismo jurí-
dico, hoje não encontra mais lugar na sociedade.

A pesquisa relaciona-se diretamente com a vida profissional do operador


do Direito. Quando se realiza uma petição ou uma sentença, procede-se a
uma pesquisa. Da mesma forma, quando se realiza uma monografia, produz-
-se uma pesquisa, porém de cunho científico. O objetivo é distinto: no pri-
meiro caso, temos a busca pela resolução do caso concreto, e, no segundo, a
busca por uma pretensa verdade científica.

O primeiro passo de uma pesquisa é a existência de uma indagação,


uma inquietude, um problema. A pesquisa vai ser o elo entre o problema e
A pesquisa jurídica

a resposta. Ela encaminha o pesquisador para encontrar a resposta, que muitos


denominam de verdade.

Dessa forma, podemos entender que a “[...] pesquisa é o procedimento racio-


nal e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas
que são propostos” (GIL, 2002, p. 17).

Geralmente, essas questões ou problemas podem ser de duas ordens: intelec-


tual ou pura (conhecer por conhecer) e prática ou aplicada (conhecer para melho-
rar algo) (GIL, 2002, p. 17). Conforme a natureza do problema, será a natureza da
pesquisa.

É, portanto, por meio da pesquisa que se tenta satisfazer as curiosidades


do homem em relação ao meio em que vive. Mas isso não ocorre, entretanto,
simplesmente com o acúmulo de dados. Após a coleta dos dados necessários
para a resolução do problema, estes deverão ser analisados, interpretados,
compreendidos.

Evidencia-se assim que a pesquisa constitui um processo e, por isso, demanda


tempo e interesse do pesquisador, o qual, por meio de métodos e técnicas, cons-
trói, ou reconstrói, determinado posicionamento científico.

Para que a pesquisa adquira uma natureza científica, faz-se necessário que a
produção de conhecimento, a busca pela resposta de um problema, ocorra de
forma sistematizada, utilizando-se de um método científico específico.

É por isso que o perfil do pesquisador, principalmente no âmbito jurídico, no


qual a pesquisa é um processo solitário, deve agregar algumas qualidades, entre
elas: a curiosidade, a paciência, o interesse pelo assunto e a coragem de encontrar
respostas adequadas.

Além disso, o pesquisador deve ter a consciência dos recursos necessários para
a realização de sua pesquisa, tanto materiais quanto em relação ao tempo dispo-
nível para a pesquisa. Isso porque pesquisa é a realização de uma investigação
planejada, desenvolvida e redigida conforme normas metodológicas.

Essas habilidades podem ser desenvolvidas. Com a maturidade intelectual, o


pesquisador ultrapassa seus limites para alcançar seu objetivo. Mas a busca pela
produção de conhecimento pode ter como objeto uma resposta ou uma teoria
já criada por outros pesquisadores. Isso significa que a pesquisa não é utilizada

10
A pesquisa jurídica

somente para buscar novas teorias, mas também para compilar e fornecer uma
nova visão de uma teoria já posta no mundo jurídico. Pode-se, neste momento,
fazer uma comparação do objeto a ser pesquisado com um polígono, cabendo ao
pesquisador olhá-lo a partir de uma nova perspectiva.

Alguns elementos são necessários para o desenvolvimento de uma pesquisa


jurídica. Primeiramente, deve-se possuir uma inquietude, um problema, que con-
duzirá o pesquisador a buscar uma resposta.

Coleta, verificação e análise das fontes, ou experimentos, são necessários para


alcançar as respostas pretendidas. Note-se que a coleta e a interpretação dos
dados será mais complexa à medida que o problema seja mais complexo.

Utiliza-se de um marco teórico para formular respostas, a priori. Quando se


possui um problema, este será respondido de forma primária, com uma pesquisa
prévia. É com o final da pesquisa científica de natureza jurídica que serão obti-
das as comprovações dessas respostas, que metodologicamente se tratam por
hipóteses.

E, por fim, deve-se verificar a validade e a extensão das respostas encontradas.

A pesquisa, para possuir uma natureza científica, deve ser estruturada, contro-
lada, sistemática e redigida de acordo com as normas metodológicas. Isso porque
o conhecimento, para ser caracterizado como ciência, deve ter como característi-
cas a generalização, a confiabilidade e a sistematização.

A qualidade da pesquisa depende de algumas habilidades a serem desenvol-


vidas pelo pesquisador, dentre as quais destacam-se: a curiosidade, a sensibilida-
de, a imaginação, a criatividade, o conhecimento prévio do assunto que vai ser
pesquisado, a perseverança e a paciência.

De acordo com o tipo de respostas buscadas, a pesquisa poderá ser classifica-


da em diferentes modalidades. Aqui nos fixaremos às modalidades de pesquisa
adotadas pelo pesquisador jurídico.

Pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa


A pesquisa quantitativa vai aferir aquilo que pode ser mensurado, medido,
contado. Possui, portanto, um alto teor descritivo. Afasta a análise de questões
pessoais, e, por isso, é tão privilegiada pelo positivismo.

11
A pesquisa jurídica

Alguns exemplos são: número de empregados de determinada empresa,


número de prestadores de serviços, número de ações trabalhistas, valores das in-
denizações.

Já a pesquisa qualitativa constitui “[...] uma propriedade de ideias, coisas e pes-


soas que permite que sejam diferenciadas entre si de acordo com suas naturezas”
(MEZZAROBA, 2003, p. 110).

Aqui se analisa o exame da natureza, do alcance e das interpretações possíveis


para o fenômeno estudado; não se restringe a uma contagem ou a uma descrição,
mas busca-se a essência do fenômeno ou teoria.

Apanha-se o lado subjetivo dos fenômenos, contrariando o que foi pregado


pelo positivismo, ou seja, após a coleta dos dados, a bagagem cultural, o modo
de vida, os valores religiosos, morais e éticos influenciam na interpretação desses
dados. Deve-se lembrar que é impossível para um pesquisador manter-se neutro.
O que ele pode fazer é ser imparcial, procurar analisar todas as esferas do conhe-
cimento que interfiram na pesquisa e verificar a possibilidade de todos os resul-
tados obtidos.

Suas marcas principais são: profundidade, plenitude e produção de conheci-


mento de forma verticalizada, buscando a essência do assunto.

Por exemplo, o número de ações trabalhistas é uma forma de pesquisa quanti-


tativa, enquanto que o motivo dessas ações é uma pesquisa qualitativa.

Pesquisa descritiva e prescritiva


A pesquisa descritiva não tem como objetivo a proposição de soluções, mas sim
a descrição de fenômenos. Isso não significa que nessa modalidade de pesquisa
não exista interpretação ou aprofundamento. Aqui, o objeto é analisado de forma
a penetrar em sua natureza, descrevendo todos os seus lados e características.

Outra importante função da pesquisa descritiva é que ela fornece um amplo


diagnóstico do problema motivador da pesquisa. Note-se que verifica o proble-
ma e não sua solução, uma vez que esse não é seu objeto.

A pesquisa prescritiva, por sua vez, tem como objetivo a proposição de solu-
ções, as quais fornecem uma resposta direta ao problema apresentado, ou pres-
crevem um modelo teórico ideal para delimitar conceitos, que servirão posterior-
mente de respostas diretas.

12
A pesquisa jurídica

Seu grau de complexidade é maior, pois além de identificar e diagnosticar o


problema, a pesquisa prescritiva propõe soluções para ele. Essas soluções podem
ser refutadas, posteriormente, por outros ou pelo próprio pesquisador. É assim
que a Ciência Jurídica desenvolve, por meio da proposição de ideias, teorias novas
e refutação de tendências, interpretações antigas. Isso não significa que a ciência
esteja em constante evolução, podem existir regressos científicos; a identificação
da teoria com o momento histórico e social ocorrerá por meio de critérios de ade-
quação e não de evolução necessariamente.

Pesquisa empírica ou prática


A pesquisa empírica ou prática busca informações verificadas na realidade, por
meio de uma amostragem determinada. Embora seja fundamentada em ativida-
des práticas, requer uma fundamentação teórica que servirá de suporte para a
análise dos dados obtidos.

A simples realização do experimento, ou a observação direta de um fenôme-


no, não é pesquisa. Ela deverá ter um suporte teórico, o qual fornecerá elementos
suficientes para a interpretação adequada desse fenômeno. Portanto, não há dis-
sociação integral da pesquisa teórica de uma pesquisa prática.

A pesquisa empírica divide-se em pesquisa de campo e de laboratório.

Pesquisa de campo
A pesquisa de campo parte da observação de fatos ou fenômenos tal como
ocorrem na realidade. Contudo, não se restringe à mera coleta de dados. É ne-
cessário que se proceda a uma sistematização desses dados coletados, a partir da
pesquisa bibliográfica prévia.

A pesquisa de campo pede que, primeiramente, seja elaborado um plano


geral da pesquisa, estabelecendo-se um modelo teórico inicial de referência. Pos-
teriormente, desenvolvem-se as técnicas para colher os dados e determina-se a
amostra.

Essa forma de pesquisa traz algumas vantagens, entre elas: o acúmulo de infor-
mações sobre um fenômeno específico e a facilidade na obtenção de uma amos-
tragem de indivíduos.

13
A pesquisa jurídica

Todavia, a pesquisa de campo encerra um pequeno grau de controle na coleta


dos dados, uma vez que é baseada em comportamentos de pouca confiança, seja
verbal, seja visual.

Uma das formas de pesquisa de campo é a observação direta. Nesse caso, a


pesquisa ocorre por meio da verificação in loco, da oitiva de pessoas e de teste-
munhos, e do exame dos fatos e dos fenômenos.

Outra forma é a entrevista. Aqui há o encontro de duas pessoas, a fim de que


uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto ou aconteci-
mento, mediante a conversação. O ideal é que essa conversa seja gravada, para
evitar equívocos.

A terceira forma ocorre por meio do questionário. Aqui são feitas perguntas de
forma ordenada, as quais deverão ser respondidas por escrito, sem a presença do
entrevistador. Os questionários poderão ser entregues em locais predetermina-
dos ou enviados para que as pessoas os respondam. Contudo, deve ser enviada
junto com as perguntas uma carta explicando a importância de que o questioná-
rio seja respondido de forma correta, sem falseamento das respostas.

A pesquisa de campo sofre com esse possível falseamento, pois depende dos
resultados enviados ou respondidos pelos entrevistados. Uma coleta de dados
que não represente a verdade não trará uma conclusão adequada.

Da mesma forma, caso a observação direta interprete de forma equivocada


um dado colhido na realidade, a conclusão estará comprometida.

Pesquisa de laboratório
A pesquisa de laboratório é mais difícil, porém mais exata, pois vai preocupar-
-se em descrever, analisar situações que são controladas. Essas situações pode-
rão ocorrer tanto em um recinto fechado (um laboratório) como em um recinto
aberto, e terão como característica básica o controle sobre os dados e efeitos. Na
área jurídica não é muito utilizada.

Pesquisa teórica
A característica principal da pesquisa teórica é a utilização de documentos e
material bibliográfico suficientes para responder o problema. Como não há uma

14
A pesquisa jurídica

comprovação empírica, a investigação bibliográfica deve ser rigorosa e aprofun-


dada, com o objetivo de excluir as dúvidas existentes sobre determinado tema.

Note-se que o fato de não possuir experimentos não significa que o seu re-
sultado não tenha implicações práticas, mas ao contrário: uma pesquisa teórica
pode gerar consequências empíricas, ocasionando grandes transformações so-
ciais, como ocorre na análise da constitucionalidade das leis.

A máxima do Direito “tudo o que é alegado deve ser comprovado” tem vali-
dade na área da pesquisa. Todas as afirmações devem ser comprovadas, seja por
meio de documentos, seja por meio de fontes secundárias ou bibliográficas.

Pesquisa documental: fontes primárias


Os dados ou fontes serão considerados primários quando constituírem docu-
mentos, sejam escritos ou não. Esses dados podem ser coletados no momento
em que estiverem acontecendo ou depois. Por exemplo: documentos de arquivos
públicos, publicações parlamentares, cartas, contratos, fotografias e estatísticas.

Pesquisa bibliográfica: fontes secundárias


As fontes secundárias abrangem os dados transcritos de fontes primárias, os
dados que já foram tornados públicos e analisados por outro pesquisador. A fina-
lidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que já foi escrito,
dito ou filmado sobre um determinado tema.

Note-se que uma revisão bibliográfica será suficiente para responder um de-
terminado problema, quando não existirem dúvidas sobre as respostas forneci-
das aos questionamentos.

Deve-se buscar por bibliografia que trate do tema especificamente, não se


prendendo somente aos manuais. A qualidade dos autores também é fundamen-
tal para o desenvolvimento de uma boa pesquisa.

O número mínimo e máximo de fontes secundárias a serem utilizadas pelo


pesquisador dependerá da abrangência do problema. Uma pesquisa de cunho
descritivo terá um problema com menor complexidade que uma pesquisa de na-
tureza prescritiva.

15
A pesquisa jurídica

É possível afirmar, dessa forma, que as técnicas de pesquisa jurídica aqui estu-
dadas podem ser relacionadas diretamente, ou seja, em uma pesquisa é possível
utilizar mais de uma técnica de pesquisa.

Texto complementar
Organização da pesquisa jurídica1
(ADEODATO, 2002)

Uma questão que preocupa quem se propõe a escrever um trabalho cientí-


fico refere-se às dimensões, ao número de páginas que o texto deve ter. Claro
que não há uma resposta pronta para isto, devendo preponderar o bom senso.
O grau de especificidade e o número de partes, capítulos, subitens etc. depen-
derão, obviamente, do número de laudas. Subdividir tanto, a ponto de ter dois
ou mais subitens em uma só página ou mesmo um por página é um exagero
detalhista. Subdividir um trabalho de 100 laudas em apenas três partes é o
pecado oposto.
Um projeto é sobretudo prospectivo, diferindo do relatório, cujo caráter
é retrospectivo. Assim, nada há de errado em listar na bibliografia do proje-
to obras de que ainda não se dispõe nem se sabe como conseguir, obtidas
a partir das listagens bibliográficas de outras obras. Desonesto é fazê-lo na
versão final do trabalho.
Pesquisar é quase que sinônimo de estudar, significando, quando muito,
uma forma especial de estudo. O advogado que estuda para melhor funda-
mentar sua argumentação no processo faz pesquisa, sem dúvida. Especifica-
mente, contudo, o trabalho de pesquisa é mais ambicioso, apresentando-se
de forma sistemática, com pretensões de racionalidade e aplicação generali-
zada. Ele precisa apoiar-se o mais claramente possível no objeto investigado,
seja este objeto formado por eventos, um conjunto de normas ou opiniões
de leigos, agentes jurídicos, doutrinadores. Daí a importância das fontes de
referência, que serão comentadas adiante.
1
Extraído do artigo: “Bases para uma metodologia da pesquisa em Direito”, de João Maurício Adeodato (Mestre e Doutor
pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e professor da Pós-Graduação em Direito da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE)). Disponível na seção Doutrina do SaraivaJur.

16
A pesquisa jurídica

Devido à inseparabilidade entre teoria e práxis, o trabalho de pesquisa pre-


cisa descrever seus pontos de partida e ao mesmo tempo problematizá-los
e explicá-los, isto é, procurar compreendê-los dentro de uma visão (“teoria”)
de mundo coerente. Esquecer as bases empíricas do Direito faz a “visão de
mundo” irreal e inútil, ainda que pareça coerente; reduzir-se a descrever dados
empíricos sem uma teoria, por outro lado, deixa a informação fora de rumo e
dificulta a comunicação.

Ainda que um trabalho de pesquisa possa ser predominantemente con-


ceitual ou predominantemente empírico, o pesquisador deve ter o cuidado
de explicitar as inter-relações entre as duas formas de abordagem: se quiser
conceituar a diferença entre a prescrição e a decadência, nada melhor do
que ajuntar exemplos reais e atuais, além da análise de precedentes, jurispru-
dência, casos concretos. Parece-nos, portanto, que um capítulo “empírico” ou
mesmo referências constantes a fatos reais só têm a enriquecer um trabalho
de pesquisa “teórico”.

Conceitualmente, então, devendo mais ser entendida como fases de uma


única tarefa do que como atitudes distintas, podemos dividir a pesquisa em
bibliográfica e empírica.

Pesquisa bibliográfica é aquela “desenvolvida a partir de material já ela-


borado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”2. Mas ela
também inclui outras formas de publicação, tais como artigos de jornais e re-
vistas dirigidos ao público em geral. No caso da pesquisa jurídica, é importan-
te também o estudo de documentos como leis, repertórios de jurisprudência,
sentenças, contratos, anais legislativos, pareceres, entre outros – constituindo
uma vertente específica da pesquisa bibliográfica que podemos chamar de
documental.

Já na pesquisa empírica, o pesquisador vai mais diretamente aos eventos


e fatos, sem intermediação de outro observador, investigando as variáveis de
seu objeto e tentando explicá-las controladamente. Seus métodos são muitos,
tais como questionários, entrevistas, estudos de caso, entre outros.

A pesquisa jurídica pode ser classificada, dentre outros critérios, em cientí-


fica, que tem por fim descrever e criticar os fenômenos definidos como objeto,
2
GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. São Paulo: Atlas, 1991. p. 48.

17
A pesquisa jurídica

e dogmática, destinada a sugerir estratégias de argumentação e decisão diante


de conflitos a partir de normas jurídicas estabelecidas.

Os manuais sobre como redigir um trabalho, disponíveis nas livrarias, in-


sistem sobre os aspectos formais dos planos e projetos. Isto é, sem dúvida,
fundamental.

A parte mais importante é dividir o tema escolhido em tópicos razoavel-


mente detalhados. Esses tópicos devem ter títulos específicos, personalizan-
do o plano de trabalho desde logo. Não nos parecem os melhores aqueles
projetos de pesquisa com sumários assépticos, que poderiam servir a qual-
quer tema e a qualquer autor, tal como ensinado em alguns cursos de biblio-
teconomia: “Projeto: As estratégias de inconsistência no Judiciário Brasileiro.
1. Introdução (1.1. Importância do tema. 1.2. Justificativa). 2. Objetivos geral e
específicos. 3. Hipóteses de trabalho. 4. Metodologia (4.1. Material e métodos.
4.2. Universo. 4.3. Instrumentos. 4.4. Procedimentos). 5. Conceitos básicos. 6.
Conclusões. 7. Cronograma. 8. Bibliografia”.

Na pesquisa jurídica, pelo menos, isto não funciona. Ainda que tais ideias
precisem estar presentes por trás do projeto ou sumário, o autor deve procu-
rar títulos que já exponham ao leitor, a partir do índice, algo do conteúdo que
o espera e que individualizem o trabalho. O ideal é que a introdução tenha
um título específico, que já expresse uma justificativa pela escolha; dentro
dessa introdução, um subtítulo designará a importância do tema; outro ex-
plicitará a metodologia empregada, tanto na pesquisa (quais as fontes, quais
as formas utilizadas) quanto na redação (optou por este ou aquele sistema
de referência, este ou aquele autor-guia, porque excluiu ou incluiu este ou
aquele tema – dependendo de seu papel, a metodologia pode ocupar um
capítulo à parte); outro apontará, muito resumida e atrativamente, o conteú-
do de cada capítulo. No nosso exemplo: “Projeto: As estratégias de inconsis-
tência no Judiciário brasileiro. 1. Hipóteses de trabalho (1.1. Direito e Estado
subdesenvolvidos. 1.2. Direito estatal e direito extraestatal. 1.3. O Direito
extraestatal dependente do Estado. 1.4. Como se organiza esta pesquisa).
2. Pressupostos epistemológicos (2.1. Pluralismo jurídico versus monismo
estatal. 2.2. Estratégia. 2.3. Disfunção). 3. O Direito extraestatal no Judiciário
brasileiro (3.1. O nível dogmático previsto no ordenamento oficial. 3.2. O nível
extradogmático ensejado pelo ordenamento oficial. 3.3. O nível extradogmá-

18
A pesquisa jurídica

tico contrário ao ordenamento oficial). 4. Metodologia (4.1. Pesquisa biblio-


gráfica dos fundamentos epistemológicos. 4.2. Coleta de decisões judiciais
singulares e jurisprudências exemplificativas. 4.3. Pesquisa de legislação. 4.4.
Levantamento estatístico de denúncias, tramitação e resultados. 4.5. Observa-
ção controlada e induzida de processos em tramitação no Foro do Recife). 5.
A atuação da sociedade no controle externo do Judiciário. 6. O Judiciário e o
controle interno das práticas extradogmáticas. 7. Conclusão: a ineficiência do
procedimento jurídico brasileiro na estruturação dogmática do Direito Positi-
vo. 8. Bibliografia”.

Ampliando seus conhecimentos


Como se Faz uma Tese, de Umberto Eco, editora Perspectiva.

Manual de Metodologia da Pesquisa no Direito, de Orides Mezzaroba e Claudia


Servilha Monteiro, editora Saraiva.

19
Métodos de abordagem
e de procedimento

Método
Metodologia é a ciência que estuda os métodos utilizados no processo de
conhecimento. É, portanto, “[...] uma disciplina que se relaciona com a episte-
mologia e consiste em estudar e avaliar os vários métodos disponíveis, identi-
ficando suas limitações ou não no âmbito das implicações de suas aplicações”
(COSTA, 2001, p. 4).

O método é o caminho a ser trilhado pelo pesquisador, desde o início de


sua caminhada, com a formulação de um problema, até a comprovação da
hipótese (resposta ao problema), ao final da pesquisa. Pode ser entendido
como um conjunto de etapas que serão vencidas de forma sistematizada na
busca pela “verdade”.

Note-se que essa verdade é validada pela ciência, uma vez que, em sen-
tido absoluto, ela jamais será alcançada, “[...] pois mesmo depois de mil expe-
rimentos que produzam resultados consistentes com uma teoria científica,
basta um, apenas um resultado contrário, para derrubar uma teoria cientí-
fica“ (CRUZ; RIBEIRO, 2003, p. 33).

E, para que uma pesquisa seja considerada científica, deverá utilizar um


método também científico, ou seja, deve propiciar que essa busca possa ser
refeita por outros pesquisadores, os quais devem identificar com clareza e
precisão as técnicas e os raciocínios já utilizados.

Método científico
A ciência busca capturar e analisar a realidade, e é o método que faz com
que o pesquisador consiga atingir seus objetivos (DEMO, 1985, p. 20).

Não há ciência sem método; contudo, o método sozinho não consegue


produzir ciência. A disciplina do pesquisador na busca pela verdade faz com
que, juntamente com o método, respostas possíveis sejam alcançadas. Isso
Métodos de abordagem e de procedimento

porque o método é o responsável pela condução do pesquisador ao seu objetivo,


é ele que leva o pesquisador desde o problema inicial, que o motivou a pesquisar,
até a comprovação de uma resposta, no término da pesquisa.

O método é responsável pela transparência e pela objetividade da pesquisa.


Significa, portanto, que ele traduz a forma por meio da qual o pesquisador obteve
seus resultados, possibilitando a outros pesquisadores seguirem os mesmos
passos, o mesmo caminho utilizado pelo pesquisador.

Todavia, não se pode confundir método com processo. Ao primeiro é fornecida


uma abordagem mais ampla, enquanto que o processo é “[...] a aplicação espe-
cífica do plano metodológico e a forma especial de execução das ações” (CRUZ;
RIBEIRO, 2003, p. 33).

Podem-se destacar quatro práticas operacionais que consagram o método


científico.

 Criação de um problema: esse é um questionamento, uma indagação, ou


seja, aquela curiosidade que o levou a pesquisar.

 Indicação de uma hipótese: é uma resposta a priori ao problema desta-


cado.

 Coleta de dados: busca de dados que venham responder o problema e


confirmar a hipótese.

 Análise da resposta: verificação da viabilidade da hipótese encontrada.

Contudo, não é a simples utilização dessas práticas operacionais que torna


uma pesquisa científica. É preciso optar por um método específico, que será res-
ponsável pelas diferentes formas de se chegar às respostas pretendidas. Nesse
sentido, o método científico “[...] não supre os conhecimentos, etapas, decisões e
planos necessários para a investigação; no entanto, pode ser de extrema impor-
tância para que possamos ordená-los, precisá-los e enriquecê-los” (MEZZAROBA;
MONTEIRO, 2004, p. 53).

Frente a tal cenário, é possível afirmar que existem diferentes métodos que
correspondem a cada ramo da ciência e a cada tema a ser pesquisado. As classi-
ficações dos métodos são muitas. Aqui utilizaremos a classificação que divide os
métodos em de abordagem e de procedimento.

22
Métodos de abordagem e de procedimento

Métodos de abordagem
São os métodos que possuem caráter mais geral. São responsáveis pelo ra-
ciocínio utilizado no desenvolvimento da pesquisa, ou seja, “[...] procedimentos
gerais, que norteiam o desenvolvimento das etapas fundamentais de uma pes-
quisa científica” (ANDRADE, 2001, p. 130-131).

Dentre os métodos de abordagem, destacam-se: o indutivo, o dedutivo, o hipo-


tético-dedutivo e o dialético.

Método indutivo
É um método responsável pela generalização, isto é, parte-se de algo particu-
lar para uma questão mais ampla, ou seja, geral. Para Lakatos e Marconi (2003,
p. 86):
Indução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados particulares, sufi-
cientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes exa-
minadas. Portanto, o objetivo dos argumentos indutivos é levar a conclusões cujo conteúdo é
muito mais amplo do que o das premissas nas quais se basearam.

O seu objetivo é “[...] chegar a conclusões mais amplas do que o conteúdo es-
tabelecido pelas premissas nas quais está fundamentado” (MEZZAROBA; MON-
TEIRO, 2003, p. 63).

Essa generalização não ocorre por meio das escolhas a priori das respostas,
sendo que estas devem ser repetidas, geralmente baseadas na experimentação.
Isso significa que a indução parte de um fenômeno para chegar a uma lei geral
por meio da observação e da experimentação, descobrindo-se a relação existente
entre dois fenômenos para se generalizar.

Podem-se destacar algumas etapas para a utilização do método indutivo.

 Observação: identificação de fenômenos da realidade, seja de forma natu-


ral, seja de forma induzida.

 Hipótese: resposta prévia.

 Experimentação: análise da relação “causa-efeito”.

 Comparação: classificar e analisar os dados obtidos.

 Generalização: tratar de forma universal os dados obtidos.

23
Métodos de abordagem e de procedimento

Os professores Orides Mezzaroba e Cláudia Monteiro (2003, p. 63) indicam o


cuidado que se deve ter na utilização do método indutivo:
Vamos imaginar essa situação: os jornais dão cobertura a um grande caso de corrupção de um
proeminente magistrado nacional. O cidadão leigo em Sociologia utiliza seu senso comum
para refletir e chega à seguinte conclusão: – Se aquele juiz “X” é corrupto, logo, todos os juízes
também são!

Para que não sejam cometidos equívocos na utilização desse método, pri-
meiramente o pesquisador deverá se certificar de que a relação que se preten-
de generalizar é verdadeira, que os fenômenos ou fatos relacionados devem ser
idênticos e, por fim, que não se pode relevar o aspecto quantitativo dos fatos ou
fenômenos. Aprimorando esses cuidados, foram estipuladas algumas leis para o
método indutivo (NÉRICI apud LAKATOS; MARCONI, 2003, p. 88):

 [...] nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem os mesmos


efeitos;

 o que é verdade de muitas partes suficientemente enumeradas de um su-


jeito, é verdade para todo esse sujeito universal.

Portanto, note-se que nesse método é imprescindível a verificação do dado


particular, assim como de sua utilização de forma geral, por meio de uma experi-
mentação ampla para que a generalização obtida seja considerada verdadeira.

Método dedutivo
O método dedutivo é o oposto do indutivo. Ele parte de uma generalização
para uma questão particularizada.

Esses argumentos gerais apresentam-se como verdadeiros, pois já foram vali-


dados pela ciência. Há, portanto, uma relação lógica entre as premissas gerais e as
particulares, pois caso a primeira seja considerada inválida a conclusão também
o será. Essa logicidade fez com que esse método fosse amplamente utilizado por
pesquisadores mais formalistas.

Esse tipo de método fundamenta-se no silogismo: partindo de uma premissa


maior, passando por outra menor e chegando a uma conclusão particular. Vamos
ver um exemplo:

 premissa maior – os empregadores são favoráveis à flexibilização das leis


trabalhistas;

24
Métodos de abordagem e de procedimento

 premissa menor – Mário é empregador;

 conclusão – logo, Mário é a favor da flexibilização das leis trabalhistas.

Note-se que, se a premissa maior for considerada falsa, a conclusão não terá
validade. “A questão fundamental da dedução está na relação lógica que deve
ser estabelecida entre as proposições apresentadas, a fim de não comprometer a
validade da conclusão” (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 65).

Para Salomon (1996, p. 30), existem duas diferenças básicas entre os métodos
indutivo e dedutivo. A primeira consiste no fato de que se todas as premissas são
verdadeiras, no método dedutivo, a conclusão deve ser verdadeira. Já no método
indutivo, se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente,
mas não necessariamente, verdadeira.

A segunda diferença é que no método indutivo a conclusão traz ideias que não
estavam presentes nas premissas, enquanto que no método dedutivo todas as
informações já estavam, mesmo que indiretamente, previstas nas premissas.

Note-se que o método dedutivo possibilita ao pesquisador caminhar do co-


nhecido para o desconhecido com uma margem pequena de erro. Todavia, esse
método é bastante limitado, uma vez que a conclusão a que se chegou não pode
ultrapassar as premissas (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 65).

Outro aspecto a ser observado em relação a esses dois métodos é que


[...] não se apresentam de forma muito clara, isto porque ambos estão fundamentados no pro-
cesso observacional. Ressalta-se, no entanto, que, se por um lado, o método dedutivo pode nos
levar à construção de novas teorias e novas leis, por outro, o método indutivo só nos possibilita
chegar a generalizações empíricas de observações. (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 66)

O pesquisador, ao escolher o método para sua pesquisa, deverá levar em con-


sideração os seus objetivos, o que e onde pretende chegar. Não se deve esquecer
também que os métodos de abordagem devem estar presentes em todos os mo-
mentos da pesquisa, independentemente da parte da monografia que está sendo
analisada.

Método hipotético-dedutivo
O método hipotético-dedutivo busca unir os dois anteriores, acrescentando a
racionalização do método dedutivo à experimentação do método indutivo.

25
Métodos de abordagem e de procedimento

Foi desenvolvido por Karl R. Popper e consiste na eleição de hipóteses (propo-


sições hipotéticas), as quais possuem uma certa viabilidade para responder um
determinado problema de natureza científica.

Após a eleição dessas hipóteses, busca-se o falseamento delas, a fim de com-


provar sua sustentabilidade. O método encerra-se com a comprovação das hipó-
teses; caso sejam refutadas, as hipóteses deverão ser refeitas.

No entender de Soares (2003, p. 39), o método hipotético-dedutivo consistiria


[...] na construção de conjecturas, as quais deveriam ser submetidas a testes, os mais diversos
possíveis, à crítica intersubjetiva e ao controle mútuo pela discussão crítica, à publicidade crítica
e ao confronto com os fatos, para ver quais as hipóteses que sobrevivem como mais aptas na
luta pela vida, resistindo às tentativas de refutação e falseamento.

Problema

Hipóteses

Falseamento das hipóteses

Comprovação ou não das hipóteses

Figura 1 – Passos de utilização do método hipotético-dedutivo.

Para que um pesquisador refute uma hipótese, ele deverá atuar de forma crí-
tica. O próprio Popper, em suas obras A Lógica da Pesquisa Científica (1934) e Con-
jecturas e Refutações (1963), afirmou que é impossível atingir a verdade. A ciência
não trabalha nessa esfera, mas sim na esfera da probabilidade.
Isso quer dizer que uma teoria científica pode fornecer apenas soluções temporárias para os
problemas que enfrenta, pois assim que uma eventual nova teoria responder de forma diferen-
te, ou melhor, ao problema suscitado, a primeira será refutada. (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003,
p. 69)

Na área jurídica, esse fato é verificável empiricamente, pois as decisões são al-
teradas cotidianamente. Como o Direito é linguagem e depende da interpretação
dos seus operadores, será variável. Uma teoria (hipótese, no nosso caso) será vista
como adequada, para não utilizar o termo verdadeira, até que seja falseada e não
consiga se manter; será, portanto, refutada.

26
Métodos de abordagem e de procedimento

Método dialético
A primeira questão a ser pontuada é a respeito da identificação do método dia-
lético com a corrente de pensamento marxista. O método dialético não foi criado
por Marx, mas sim utilizado na criação de sua teoria. Por isso, a opção por esse
método não implica a adoção de um pensamento “de esquerda”.

Dialética é a arte de dialogar, ou seja, de argumentar e contra-argumentar


em relação a assuntos que não podem ser demonstrados. A dialética, portanto,
restringia-se, nesse caso, à emissão de opiniões, “[...] que poderiam ser conside-
radas racionais desde que fundamentadas em uma argumentação consistente”
(MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 71).

Mas há também outra forma de entender o método dialético, que disciplina a


construção de conceitos para diferenciar os objetos, e examiná-los, com rigor cien-
tífico. Dessa forma, aquilo que se coloca perante o pesquisador como verdade
deve ser contraditado, confrontado com outras realidades e teorias para se obter
uma conclusão, uma nova teoria. Utilizar o método dialético como raciocínio faz
com que seja possível “[...] verificar com mais rigor os objetos de análise, justa-
mente por serem postos frente a frente com o teste de suas contradições possí-
veis” (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 72).

Mas foi com Hegel que a dialética ganhou espaço na ciência, já no século XIX.
Esse pensador identificou três momentos básicos que compõem o método dia-
lético: a tese, que constitui uma pretensão de verdade; a antítese, que vai negar a
tese apresentada; e a síntese, que surge do embate teórico entre tese e antítese. A
síntese, por sua vez, constituirá uma nova tese, à qual será proposta uma antítese,
e assim por diante. Dessa forma, o método dialético impõe movimento, pois a
conclusão será acatada como uma nova tese, dando continuidade ao método.

Vejamos como fica o esquema do método dialético:

Tese

Antítese

Síntese (Nova tese)

Figura 2 – Esquema do método dialético.

27
Métodos de abordagem e de procedimento

Note-se que, a partir desse método, o objeto é proposto para se superar me-
diante a proposição de uma antítese, originando um resultado distinto. É a partir
dessa permanente superação que podemos afirmar que o método dialético é um
método de movimento.
O que a dialética faz de diferente é captar as estruturas da dinâmica social, não da estática. Não
é, pois, um instrumental de resfriamento da história, tornando-a mera repetição estanque de
esquemas rígidos e já não reconhecendo conteúdos variados e novos, mas um instrumental
que exalte o dinamismo dos conteúdos novos, mesmo que se reconheça não haver o novo total.
(DEMO, 1985, p. 91)

Mesmo sendo um método interessantíssimo, sua utilização é complexa e ne-


cessita de um amadurecimento na pesquisa.

Métodos de procedimento ou secundários


Os métodos de procedimento constituem etapas mais concretas da pesquisa,
explicando objetos menos abstratos. Relacionam-se, portanto, especificamente
com as fases da pesquisa e não com o plano geral dela.

Método experimental
O método experimental é um método fundado na experiência. Seu objeto é
controlado para se atingir resultados pretendidos. Dessa forma, o objeto é colo-
cado sob condições ideais, reproduzidas em laboratórios ou não, selecionando-se
as hipóteses a serem verificadas.

Método estatístico
O método estatístico é empregado nas pesquisas quantitativas, uma vez que
trata de elementos de caráter matemático. Pretende fornecer uma base concreta
e segura das informações a serem analisadas. Terá gráficos e apresentações analí-
ticas das tendências características dos fenômenos pesquisados.

Método histórico
O método histórico coloca os dados da pesquisa sob uma perspectiva histórica.
Isso pode ocorrer de três formas:

 comparar o conjunto dos elementos que existe hoje com suas origens his-
tóricas;

28
Métodos de abordagem e de procedimento

 comparar formações anteriores que eram precursoras do que há na atuali-


dade;
 acompanhar a evolução do objeto pesquisado pela história.

Método comparativo
O método comparativo consiste no confronto entre elementos, levando em
consideração seus atributos. Promove o exame dos dados a fim de obter diferen-
ças ou semelhanças que possam ser constatadas, e as devidas relações entre as
duas.

Pode ser unido ao método histórico, realizando comparações entre os dados


do presente com os do passado.

Texto complementar
A ciência procura certezas
(ACHINSTEIN, 2005)

No que toca a este critério, a ciência parece-se com a matemática e é di-


ferente da metafísica, da teologia e da astrologia, as quais, alegadamente,
nunca poderão ser senão especulativas. Nas Regulae ad Directionem Ingenii
(Regras para a Direção do Espírito, 1628) a segunda regra de Descartes diz-nos
que “importa lidar apenas com aqueles objetos para cujo conhecimento certo
e indubitável os nossos espíritos parecem ser suficientes”. Os empiristas en-
contram-se mais divididos. Newton, que rejeitou a ideia de Descartes de que
a ciência deveria procurar proposições indubitáveis, reconhece na sua quarta
regra do método científico que qualquer proposição, por muito sustentada
que seja, está sujeita a confrontar-se com exceções, à medida que novos fenô-
menos vão sendo observados. Ainda assim, os cientistas deveriam sempre se
esforçar por procurar as maiores certezas que as suas investigações empíricas
lhes permitissem. Essas certezas podem ser obtidas “deduzindo proposições a
partir dos fenômenos e generalizando-as através da indução”.

Entre os empiristas, no outro extremo oposto a Newton, estão Popper e


Laudan. Para Popper, a ciência não pode ter um elevado grau de certeza, uma

29
Métodos de abordagem e de procedimento

vez que a utilização de quaisquer generalizações indutivas que poderia gerar


essa certeza carece de justificação. Tampouco é desejável, uma vez que os
cientistas fariam as generalizações mais fortes possíveis, logo, as mais impro-
váveis. Para Laudan (1977) a ciência procura oferecer soluções “adequadas”
para problemas “interessantes”, para os quais as questões da verdade, da cer-
teza ou mesmo da probabilidade são irrelevantes.

Uma perspectiva empirista que se situa entre estes dois extremos é a de


Carnap e de outros probabilistas. Os cientistas devem procurar provas empí-
ricas que sustentem uma dada teoria, aumentando a sua probabilidade, mas
sem que necessariamente esta probabilidade seja elevada (para uma crítica,
veja-se Achinstein, 1983).

Os cientistas seguem um método científico


Os praticantes das não ciências não o fazem. Um método científico é um
conjunto de regras que os cientistas deveriam seguir para descobrir e testar
leis e teorias. Se tais regras existem e, assim sendo, qual é a sua formulação,
se são universais para todas as ciências ou dentro de uma dada ciência, se
mudam de uma época para a outra, são questões calorosamente disputadas.

De acordo com uma perspectiva, existem regras destinadas a testar as teo-


rias científicas que se aplicam a toda a ciência em todas as épocas. Esta pers-
pectiva foi abraçada por Descartes, que propôs 21 dessas regras; foi também
defendida por Newton (1687), que propôs quatro regras de pensamento para
a filosofia (natural), consistindo em duas para inferir causas de coisas, e duas
para produzir generalizações indutivas a partir de fenômenos observados.

As duas mais importantes posições empiristas empenhadas num método


científico universal são o hipotético-dedutivismo e o indutivismo. Perante os
dados e os problemas, o cientista começa por propor uma hipótese, a qual
não é indutiva ou dedutivamente inferida a partir dos dados ou de qualquer
outra coisa, mas simplesmente apresentada como uma conjectura. Partindo
dela e, possivelmente, de outras suposições, são deduzidas conclusões obser-
váveis, geradas por via dedutiva, utilizando a lógica e, frequentemente, a
matemática. Se as conclusões são confirmadas pela observação, a hipótese é
provisoriamente aceita. Se descobrir-se que são falsas, a hipótese é rejeitada e
é proposta outra nova hipótese. Esta é a perspectiva de Popper.

30
Métodos de abordagem e de procedimento

Contrastando com ela, os indutivistas exigem mais um passo: um argu-


mento indutivo que dê um apoio independente à hipótese ou à teoria. Este
consiste em aplicar aquilo que se observou num número limitado de casos a
todos os casos abrangidos por uma dada lei, ou em procurar causas semelhan-
tes para efeitos semelhantes. Indutivistas como Newton ou Mill rejeitaram o
método hipotético-dedutivo com a justificação de que diferentes hipóteses
incompatíveis podem implicar os mesmos dados. Aquilo de que se necessita
é que uma delas tenha um suporte indutivo independente.

A existência de um método científico universal tem sido contestada por


vários autores do século XX, especialmente a partir dos anos 1960. Thomas
Kuhn (1962), defendendo uma abordagem histórica e relativista, afirma que
numa dada época os cientistas trabalham dentro de um paradigma, o qual
consiste num conjunto de conceitos, práticas, parâmetros de avaliação, regras
de pensamento e métodos de observação que variam consideravelmente de
uma ciência e de uma época para outra. O paradigma define os problemas
que têm que ser resolvidos e os métodos para o fazer. Não há um método
científico comum a todos os paradigmas.

Para terminar, foi advogada uma abordagem sociológica da ciência (veja-


-se, por exemplo, Pinch, 1986), da qual existe uma versão forte que rejeita que
se recorra às regras metodológicas para explicar os procedimentos dos cien-
tistas. As teorias, sendo subdeterminadas pelos dados, não podem ser inferi-
das desses dados através de regras. Dever-se-ia, em vez disso, observar dentro
da comunidade científica os fatores sociais que explicam a forma como uma
teoria científica se desenvolve e o grupo “negocia” a sua aceitação.

Ampliando seus conhecimentos


Metodologia da Pesquisa Jurídica: teoria e prática da monografia para cursos de
Direito, de Eduardo C. B. Bittar, editora Saraiva.

Metodologia Científica, de Eva Maria Lakatos e Marina de Andrade Marconi,


editora Atlas.

A Lógica da Pesquisa Científica, de Karl Popper, editora Cultrix.

31
Produções científicas

Para documentar os resultados de uma pesquisa, poderão ser produzidos


diversos documentos, de natureza científica ou não.

Uma petição, uma sentença jurisdicional são também resultados de uma


pesquisa, com um objetivo determinado, seja defender um cliente ou resol-
ver o caso concreto aplicando o direito. Contudo, não se constituem docu-
mentos científicos.

Para que determinada produção possua natureza jurídica, ela deverá


seguir um método científico, ter objetivos delineados e claros, uma coleta de
dados suficiente e, por fim, análise e redação desses dados a partir de regras
metodológicas.

Ao proceder a uma pesquisa científica jurídica, o autor irá, ao final, obter


determinada produção, que será diferenciada conforme sua extensão, obje-
tivo e método utilizado. Pode-se ter, dessa forma, um livro, uma monografia
ou uma resenha, por exemplo.

Vamos analisar as diferenças e semelhanças existentes entre as diversas


produções científicas, começando pelo livro.

Livro
Trata-se de uma publicação esporádica (não periódica). O conteúdo dos
livros será diferenciado conforme o objetivo do autor, podendo ser científico,
literário ou artístico.

A formatação do livro dependerá da editora responsável por sua publi-


cação. Entretanto, é comum que essa produção científica seja formada por
um conjunto de folhas impressas que podem ser grampeadas, costuradas ou
coladas em uma capa.

Note-se que nem sempre os livros compreenderão uma produção cientí-


fica; para assim serem classificados, dependerão de seu enquadramento na
ciência. Livros de natureza literária não serão científicos, por exemplo.
Produções científicas

A escolha do livro dependerá do objetivo do leitor. Caso esteja efetuando uma


pesquisa, optará por livros de natureza científica, enquanto que se o objetivo for
aquisição de cultura ou lazer, serão utilizados livros literários.

Folheto
É uma publicação não periódica, que contém entre cinco e 48 páginas, reves-
tida de capa.

O folheto deve apresentar três categorias textuais: preliminares, que correspon-


dem a uma breve introdução daquilo que será tratado; textuais, correspondendo
ao texto propriamente dito; e referenciais, indicando a bibliografia utilizada.

Monografia
Monografia pode ser analisada em dois sentidos: um amplo e outro estrito. No
primeiro, compreende o estudo de um único tema, de forma aprofundada. Nesse
sentido, qualquer trabalho científico que analise profundamente um tema pode
ser considerado monografia. Por exemplo, uma tese ou dissertação pode corres-
ponder a estudos monográficos.

Já no sentido estrito, monografia identifica-se como trabalho de conclusão de


curso, seja para a graduação (curso de Direito), seja para a especialização (pós-gra-
duação). Dessa forma, vai se distinguir das demais atividades acadêmicas, como
uma resenha, um paper etc. (BARRAL, 2003).

A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT (2002d, p. 3) – conceitua


monografia como “Documento que representa o resultado de estudo, devendo
expressar conhecimento do assunto escolhido, que deve ser obrigatoriamente
emanado de disciplina, módulo, estudo independente, curso, programa”.

Para que uma monografia seja aceita e aprovada como uma produção científi-
ca, ela deverá possuir alguns requisitos elementares. Dentre eles, destaca-se a re-
visão de literatura. A monografia é um estudo sobre um único tema, mas isso não
significa que ela seja superficial. Ao contrário, é um estudo aprofundado e, para
que isso ocorra, deve-se buscar ao máximo uma revisão de literatura que venha
propiciar uma análise global sobre o tema, acrescida de seus detalhamentos ou
especificidades.

34
Produções científicas

Verificar os autores que escreveram sobre o tema, não se restringir à utilização


de manuais, buscar a atualização do tema por meio de artigos e entrevistas, por
exemplo, auxiliará na análise do tema pesquisado.

Outro requisito é o posicionamento crítico do autor. Nesse sentido, a simples


compilação de dados não é suficiente para produzir uma boa monografia. Ana-
lisar criticamente os dados é imprescindível. Contudo, a crítica deve ser feita em
relação às ideias do autor, à sua teoria, e não à pessoa do pesquisador.

A originalidade constitui outro requisito. Note-se que originalidade difere de


ineditismo. Uma ideia inédita constitui algo novo, que ainda não foi tratado por
outro pesquisador. Já a originalidade retrata a forma com que o pesquisador
optou por realizar sua produção, ou seja, o marco teórico utilizado, a estrutura
da monografia (determinação de seções primárias, secundárias e terciárias), o
estilo da escrita. Enfim, a originalidade é a identificação do pesquisador na sua
produção.

Uma forma de trazer originalidade para o seu tema ocorre por meio da utiliza-
ção da interdisciplinaridade, uma visão diferenciada sobre o tema. Aliar a Sociolo-
gia, a História e a Filosofia ao Direito pode trazer, por exemplo, uma boa dose de
originalidade à sua pesquisa.

Lakatos e Marconi (2003, p. 235) identificam algumas características da mono-


grafia:

 trata-se de um trabalho escrito de forma sistemática;

 o tema é específico;

 a pesquisa é exaustiva e pormenorizada;

 o estudo é aprofundado;

 utiliza métodos científicos;

 propicia uma contribuição original e pessoal para a ciência.

Todavia, a presença do autor deve ser escrita em terceira pessoa (singular ou


plural), demonstrando o caráter científico da pesquisa. Isso porque escreve-se
para os outros (leitores), e a utilização da forma impessoal indica que o leitor
também compartilha daquela pesquisa, daquela produção (ECO, 1983, p. 48).

35
Produções científicas

Dissertação
Trata-se de um estudo reflexivo, analítico, interpretativo a respeito de um tema
específico e delimitado, através da ordenação de ideias sobre um determinado
assunto. Sua característica básica é o cunho reflexivo-teórico.

Em sentido estrito, é o estudo acadêmico, de caráter científico, responsável


pela obtenção do grau de mestre, apresentado, portanto, ao final do programa
de mestrado.

De acordo com Orides Mezzaroba e Claudia Monteiro (2003, p. 129),


[...] na dissertação o aluno deverá demonstrar domínio do conhecimento pertinente à sua área
de pesquisa. Trata-se de uma modalidade de pesquisa acadêmica que tem um cunho analítico,
recapitulativo ou interpretativo sobre o tema/assunto muito bem demarcado e especificado. Na
dissertação devemos procurar tratar o objeto de estudo de forma sistematizada, procurando
sempre precisar o máximo possível o alcance da investigação.

É utilizada também para treinar o pesquisador para uma futura pesquisa de


teor mais aprofundado, com a proposição de uma ideia inédita. Não é, conse-
quentemente, mera transcrição de dados, mas uma análise com rigor científico e
com caráter pessoal.

Difere da monografia por ser um estudo mais reflexivo, embora compreenda


também um estudo monográfico. Na dissertação, como na monografia, não há
necessidade de proposição de uma tese, ou seja, uma ideia inédita defensável,
embora contribua significativamente para o debate sobre o tema pesquisado
(MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 128).

Tese
Relato de pesquisa essencial para a obtenção do grau de doutor, livre-docente
ou titular, a tese deve revelar a capacidade de seu autor incrementar a área cien-
tífica que foi alvo de seus estudos. Seus itens basilares são: revisão da literatura,
metodologia utilizada, rigor na argumentação e apresentação de provas, profun-
didade de ideias, avanço dos estudos na área.

Sua principal diferença em relação à dissertação é que, para ser considerada


tese, a pesquisa deverá trazer uma nova descoberta ou forma de avaliar determi-
nada questão, além de a sua extensão e o grau de reflexão serem maiores. Aqui,

36
Produções científicas

portanto, mais que a originalidade, é necessário o ineditismo, que “[...] pode ser
tanto algo completamente novo, como aspectos novos de algo já velho” (SANTOS,
2002, p. 47).

Portanto, tese é
[...] realmente uma obra científica, uma análise jurídica de alcance muito mais amplo, que não
se ocupa tão somente da descrição ou análise de um instituto ou questões jurídicas, mas, e
sobretudo, de uma contribuição pessoal do autor a uma determinada área do conhecimento.
(LEITE, 1997, p. 24)

Trata-se de um obra efetivamente científica, pois contribuirá para a ciência,


uma vez que trará concepções novas sobre determinado assunto, ou inaugura-
rá uma teoria sobre um assunto ainda não pesquisado.

Artigo
O artigo trata de questões científicas, mas com dimensões reduzidas. Sua es-
trutura comporta: título do trabalho, autor, qualificação do autor, sinopse, corpo
do artigo (introdução, desenvolvimento e conclusão), referência bibliográfica e
outros elementos pós-textuais (apêndice, anexos).

A redação do artigo deve levar em consideração o público a que se refere.


O estilo deverá ser claro, objetivo e conciso. A linguagem também deverá ser cor-
reta, coerente, simples e, preferencialmente, em terceira pessoa.

O artigo trata de problemas científicos, apresentando resultados de estudos e


pesquisas. Costuma ser publicado em jornais, revistas, anais ou outros órgãos de
divulgação científica especializados.

Uma das características básicas é sua dinamicidade, derivada da extensão


reduzida. Os artigos veiculam agilmente informações, abordagens atuais e, por
vezes, temas novos.

Ensaio
Os ensaios, em uma perspectiva ampla, caracterizam-se como exercícios bá-
sicos de composição. Podemos divisar duas espécies de ensaio: o informal e o
formal. No ensaio informal, é admissível a criação e a emoção, que caracterizam

37
Produções científicas

a produção literária. No ensaio formal, há preocupação com as características do


texto acadêmico e científico (objetividade e logicidade, por exemplo). O ensaio
formal, escrito em primeira pessoa, deve ser breve e sereno, problematizador e
antidogmático, com espírito crítico e originalidade.

Em uma perspectiva restrita, trata de um estudo bem desenvolvido, com alto


grau de interpretação e de julgamento pessoal, exigindo, portanto, grande desen-
volvimento intelectual e formação cultural.

Paper ou comunicação científica


Paper, ou comunicação científica, define-se como a informação que se apresen-
ta em congressos, simpósios, reuniões, academias, sociedades científicas. Em tais
encontros, são expostos resultados de trabalhos em tempo reduzido, para fins de
difusão científica.

O conteúdo de um paper inclui:

 introdução – formulação do tema, justificativa, objetivos, metodologia,


delimitação do problema, abordagem e exposição lógica das ideias apre-
sentadas;

 desenvolvimento – exposição detalhada do que se disse na introdução, e


fundamentação lógica das ideias; e

 conclusão – busca da síntese dos resultados da pesquisa.

Esse conteúdo é inserto em um documento que contém: folha de rosto, sinop-


se, conteúdo e bibliografia.

Como o tempo é restrito, a linguagem deve ser concisa, correta e precisa. Logo,
pressupõe-se que o apresentador tenha conhecimento do tema, saiba precisar a
terminologia e adequá-la à plateia, e esteja preparado para responder às ques-
tões que surgirem durante o evento.

Todavia, existem outras formas de definir paper. De acordo com Mezzaroba e


Monteiro (2004), ele é “[...] um trabalho acadêmico convencionado entre 15 e 30
páginas, cujo conteúdo versa sobre estudos variados”.

Note-se que esses conceitos não se excluem, mas se complementam.

38
Produções científicas

Informe científico
O informe científico, ou contribuição científica, é o meio utilizado na divulga-
ção dos resultados parciais ou totais de uma pesquisa, com a intenção de provocar
a repetição das experiências. Nesse sentido, expõem Lakatos e Marconi (2003,
p. 263):
[...] o informe consiste, pois, no relato das atividades de pesquisa desenvolvida, e é imprescindí-
vel que seja compreendido e aproveitado. Deve estar redigido de maneira que a comprovação
dos procedimentos, técnicas e resultados obtidos, ou seja, a experiência realizada, possa ser
repetida pelo principiante que se interesse pela investigação.

Como se trata de um relato dos resultados obtidos na pesquisa, o informe


científico é o mais breve dos relatos científicos.

Resenha crítica
A resenha crítica é resultado da leitura crítica e das técnicas de resumo de texto,
que serão feitas em relação a uma determinada obra, que poderá ser um livro,
uma monografia ou uma tese, por exemplo. Trata-se, portanto, de um exercício de
leitura e de crítica ao assunto que está sendo lido, dado que a obra é colocada em
confronto com outros referenciais teóricos.

Tem-se como requisitos básicos de uma resenha:

 conhecimento completo da obra que é objeto da resenha;

 capacidade de crítica e emissão de juízos de valor sobre o tema;

 tratamento crítico baseado na urbanidade, ou seja, no respeito ao autor – a


crítica deve ser feita ao texto, à ideia, e não à pessoa do autor;

 fidelidade ao pensamento do autor.

A resenha constitui uma excelente forma de coletar e armazenar os dados,


pois trata o texto de forma resumida, acrescentando-se a análise crítica feita pelo
pesquisador. Deve-se cuidar para não misturar as ideias do autor com as críticas à
obra, deixando bem claro o que é do autor da resenha e as ideias defendidas pelo
autor da obra que está sendo analisada.

39
Produções científicas

Texto complementar
Entre pergaminhos humanos e bits eletrônicos –
o livro na era do computador
(WANDELLI, 2003)

E, afinal, o livro tem lugar na cultura globalizada ou está prestes a virar peça
de museu? A internet seria o substituto definitivo para esse objeto de orelhas,
corpo, rodapé, colunas e folha de rosto que participou da própria invenção
do humano? Especulações sobre o destino da cultura de papel na era da in-
formática pecam por desconsiderar que os incunábulos, como os livros eram
chamados antes da invenção dos tipos móveis, não são objetos humanos que
se opõem ao computador, artificial e frio, em uma dicotomia do tipo nature-
za versus cultura. No imaginário popular, a leitura e a escrita seriam aptidões
naturais, assim como comer, dormir, andar. Apaga-se o fato de que livros de
papel são eles próprios invenções tecnológicas.

Um esquecimento, aliás, explicável se consideramos o pergaminho como


protótipo do livro moderno, lá se vão mais de 20 séculos (os primeiros códices
de pergaminho datam do século II a.C., embora a técnica só tenha alcançado
difusão na Europa a partir do século IV). Se recuamos um pouco mais e toma-
mos como referência as tabuletas de argila e os velhos papiros dos mesopo-
tâmios, a memória livresca se perde na Antiguidade dos egípcios, gregos e
romanos.

É tempo suficiente para naturalizarmos essa convivência e ignorarmos o


livro como um elemento de cultura que se modifica e se adapta aos aparatos
tecnológicos de forma lenta, mas profunda. Cada corpo que lhe deu abrigo
alterou a forma de leitura e nossa própria relação com o conhecimento. Seja
na passagem do papiros (papel obtido do preparo de hastes de juncos) para
o pergaminho (feito de pele de animal) ou na passagem das pesadas enca-
dernações do século XVIII para os livros de bolso e finalmente para o livro
eletrônico, muito mudou.

Agora como nunca, a(s) história(s) do livro e da leitura começa(m) a sair dos
círculos dos bibliófilos e eruditos para satisfazer a curiosidade pública geral.
E não é paradoxal que caia no interesse popular exatamente quando as pre-

40
Produções científicas

visões mais apocalípticas anunciam o fim da cultura do papel se é o medo


do desconhecido que faz a modernidade debruçar-se sobre o passado. No
momento em que hábitos de leitura se modificam de forma drástica, acor-
remos ao passado para compreender e suportar melhor a revolução tecno-
lógica, sem a impressão de se dar um salto no abismo escuro. A História nos
dá, senão a garantia, ao menos a impressão de que o futuro vizinho é fruto e
continuação de nossos próprios passos.

É um campo fascinante, que atrai ficcionistas e estudiosos como atraiu


Osman Lins, de Avalovara; Ricardo Piglia, de Cidade Ausente; Umberto Eco, de
O Nome da Rosa; e o iugoslavo Milorad Pávitch, de O Dicionário Kazar, roman-
ces cujas tramas recriam a história do livro e nos quais é quase um vivo objeto
protagonista. No campo ensaístico, Roger Chartier, de A Aventura do Livro: do
Leitor ao Navegador e Alberto Manguel, de Uma História da Leitura, apresen-
tam duas obras atualíssimas e ricamente ilustradas.

Um dos momentos mais fascinantes desses relatos fala da descoberta da


leitura silenciosa, ainda no início do primeiro milênio. Eles retomam Confis-
sões, em que Santo Agostinho (século III), registra seu olhar de assombro ao
entrar na biblioteca do monastério de Milão e surpreender o bispo Ambró-
sio lendo na cela individual. Vindo do Norte da África, o professor de retórica
latina e elocução viajara pelo mundo, mas jamais imaginara, em sua vasta
cultura, que alguém pudesse ler daquela forma, sem mover os lábios, com
a língua quieta, usando apenas os olhos e a mente e buscando o sentido no
coração. Era um revertério para a leitura fonocêntrica, em voz alta, calcada
no som e no ritmo. A epifania de Santo Agostinho nos provoca outra, nem tão
pequena, nem tão óbvia quanto pareça: a leitura também é uma técnica.

Uma viagem livresca no tempo permite perceber ainda que todos os apa-
ratos tecnológicos assumidos pelo livro coexistem na era da informática. Pen-
semos nos griots, os guerreiros cantadores que viajam a pé de uma tribo a
outra em algumas regiões da África Ocidental, como Bambara e Malinke. O
predomínio quase total da oralidade e a ausência de livros não impedem que
as palavras caminhem no corpo dos guerreiros, dando permanência à cultura
dessas gentes. Tatuadas no aparato de escrita mais primitivo do mundo – a
própria pele –, as palavras caminham e contam histórias das tribos, genealo-
gia, magia, ritos. Exibem mapas geográficos, canções, ideogramas com avisos
de guerra. Enquanto isso, no continente ao lado, a comunicação se dá via
satélite.

41
Produções científicas

A web é, em si, muito mais uma quimera tecnológica, onde coabitam formas
passadas, presentes e futuras do que uma superação total do velho pelo novo.
Como bem anotou Pierre Lévy, em Tecnologias da Inteligência, o computador
sobrepõe diversas mídias (televisão, telex, livro, rádio, telefone, fax, vídeo,
gravador, cinema) em um sincretismo de formas e linguagens (verbal, oral,
icônica), sem se reduzir a nenhuma delas. O novo não apaga o velho, como
na imagem do palimpsesto, antigo pergaminho submetido a uma solução
química para receber nova inscrição, de forma que era possível encontrar sob
a superfície raspada, as camadas anteriores de escrita. O novo não apaga o
velho, mas ao incidir sobre ele recria-o, transforma-o.

A roda da história circunscreve seu traçado torto e a cada nova espiral, ao


mesmo tempo retoma e modifica velhas práticas de leitura. Os chats, grupos
de discussão, ou a correspondência trocada pela internet mostram que o meio
eletrônico recupera, por exemplo, certa espontaneidade e fluidez da literatura
oral. Pode também devolver a voz ao texto, sem roubar a imagem da escrita,
além de retomar a iconografia. Mas a leitura vertical na tela, através da barra
de rolamento, padece da limitação dos rolos de pergaminho, que obrigavam
o leitor a seguir parte por parte, com as mãos presas ao aparato. Nesse aspec-
to, o livro moderno manteria a vantagem de permitir uma visualização mais
imediata do todo da obra ao ser manipulado horizontalmente. Por outro lado,
o leitor não pode reescrevê-lo e modificá-lo com a mesma facilidade que teria
no computador. Fisicamente liberado do suporte da leitura e encorajado pelas
ferramentas tecnológicas a se intrometer no texto, o navegador experimenta
uma produtiva confusão de papéis entre autor e leitor.

Entre as mudanças impactantes do computador está a inigualável hetero-


geneidade do meio. Capaz de associar imagem, som e movimento ao verbal,
provoca quase uma experiência estática, embora desvalorize o sentido do
tato, a sensação afetiva de se acariciar um livro ou de se “guardar uma lágrima
nas páginas amarelas do papel”, como bem anotou José Saramago. Talvez o
maior impacto, além da desmaterialização do corpo do livro, seja a privatiza-
ção cada vez maior do ato de leitura. Chartier aponta para uma separação da
leitura de toda forma de espaço comunitário que ainda sobrevive ao período
industrial, a exemplo dos saraus literários, escolas, bibliotecas, cafés, ônibus.
Por outro lado, o aspecto coletivo da leitura pode ser recuperado, senão de
corpo, ao menos virtualmente, nos grupos de discussão e na leitura a várias
mãos que só uma rede interligada de computadores proporciona.

42
Produções científicas

Há perdas e ganhos a cada grande mudança. Vantagens e desvantagens.


Mas os períodos de transição tecnológica são únicos porque revelam para
os que nele vivem os elos da História. É um privilégio para leitores e histo-
riadores participar dessa experiência, por mais traumática e desafiante que
seja. A multiplicidade de recursos e oferta democrática de aparatos de leitura
deve ser incentivada. O múltiplo é includente, enquanto o domínio de uma só
tecnologia exclui e marginaliza. Então, que ao lado dos inputs magnéticos do
e-book haja lugar para as velhas superfícies de inscrição. Que os navegadores
possam “baixar” o novo suspense de Stephen King na internet, mas também
os cantadores negros continuem a desfilar seus corpos-livros pela África, feito
pergaminhos ambulantes. E que haja sempre obras de papel para nos huma-
nizar entre suas asas.

Ampliando seus conhecimentos


Como Elaborar Projetos de Pesquisa, de Antonio Carlos Gil, editora Atlas, 2002.

Metodologia do Trabalho Científico, de Antonio Joaquim Severino, editora


Cortez.

43
Projeto de pesquisa

Não se pode falar em pesquisa e em trabalho científico sem a produção


de um projeto de pesquisa, que representa o planejamento dos atos que serão
praticados pelo pesquisador.

A importância do projeto reside no fato de que nele constarão os dados


preliminares da pesquisa, o cronograma a ser respeitado pelo pesquisador
e uma amarração lógica do assunto a ser tratado. No entender de Gil (2002,
p. 19), “[...] a moderna concepção de planejamento, [...] envolve quatro ele-
mentos necessários à sua compreensão: processo, eficiência, prazos e metas”.
O autor conceitua projeto de pesquisa como “[...] o processo sistematizado
mediante o qual se pode conferir maior eficiência à investigação para em
determinado prazo alcançar o conjunto das metas estabelecidas” (GIL, 2002,
p. 19).

Segundo Barral (2003), o projeto deve responder a cinco indagações:

 o que pretende estudar;

 aonde quer chegar;

 por que este estudo é relevante;

 o que se sabe hoje sobre o assunto;

 como pretende realizar a pesquisa.

O projeto serve de direcionamento para o pesquisador, e por isso fará


parte de toda a realização da pesquisa. Todavia, como responde às perguntas
de forma a priori, ele poderá ser alterado com o desenvolvimento do estudo
pelo pesquisador.

Trata-se, portanto, de um documento sempre provisório e em constante


alteração, porque ele traz as pretensões do pesquisador. No entender de
Mezzaroba e Monteiro (2003, p. 134), ele constitui
[...] o documento elaborado pelo investigador no qual ele apresenta os fundamentos te-
máticos em forma de revisão bibliográfica, a justificativa da pesquisa, seus objetivos, espe-
cifica e recorta o tema com clareza, formula problemas a serem respondidos ao longo do
procedimento investigativo e estabelece um roteiro de trabalho.
Projeto de pesquisa

O projeto serve para orientar o trabalho a ser realizado pelo pesquisador e pelo
seu orientador. Ele traçará metas, caminhos e todos os recursos a serem utilizados
pelo pesquisador durante o desenvolvimento da pesquisa. Não há pesquisa cien-
tífica sem planejamento, sem a construção de um projeto.

Leituras aleatórias e ausência de armazenamento podem até conduzir a uma


produção escrita; todavia, esta irá carecer de elementos necessários para que
possua a natureza de trabalho científico. Lógica, sistematização e análise dos
dados somente são possíveis com a preparação de um bom planejamento, o qual
denominamos de projeto.

A partir dessa proposição, vamos analisar os elementos que compõem o pro-


jeto e as regras metodológicas que tratam desse assunto.

Tema
Trata do assunto que vai ser abordado na pesquisa; constitui, portanto, o pró-
prio objeto da pesquisa.

O tema é responsável pelo ponto de partida da pesquisa e vai permear todas


as atividades do pesquisador. Para se escolher um tema, faz-se necessário que
alguns elementos estejam presentes nessa escolha.

O primeiro corresponde ao conhecimento prévio que se deve ter sobre o tema.


Para realizar a pesquisa, inicialmente, deve-se ter um conhecimento a priori, res-
ponsável pela produção do projeto e pelas diretrizes a serem traçadas.

Da mesma forma, é preciso ser estabelecido um contato prévio do pesquisador


com o tema. Isso traz uma maior facilidade na coleta dos dados, na identificação
de um problema e na propositura de respostas prévias (hipóteses).

Interesse e afinidade com o assunto também são relevantes. Isso porque a pes-
quisa demanda tempo, e trabalhar com um assunto com o qual não se tenha afi-
nidade faz com que o trabalho do pesquisador ocorra de forma sacrificada.

A disponibilidade de tempo constitui outro fator relevante no momento da es-


colha do tema. Quando se possui um prazo predeterminado, ele deve ser cumpri-
do. Portanto, escolher um tema de difícil acesso bibliográfico e de interpretação
complexa trará complicações ao pesquisador, pois haverá necessidade de um
tempo mais prolongado que o possível.

46
Projeto de pesquisa

Existem alguns problemas práticos que os pesquisadores podem ter antes do


início da pesquisa: a existência de vários temas ou a ausência de tema. No primei-
ro caso, o pesquisador poderá verificar os requisitos necessários para a escolha do
tema: interesse, afinidade, bibliografia disponível, complexidade do tema, custo
e disponibilidade de tempo. A partir da análise desses requisitos, o pesquisador
deverá selecionar o seu tema.

Já a ausência de tema exige uma postura mais ativa e participativa do pes-


quisador. Nesse caso, a observação de temas jurídicos que estejam em destaque,
decisões jurisprudenciais diferenciadas e inconstitucionalidade de leis podem au-
xiliar na escolha de tema. Aliar esses fatores aos requisitos citados acima contribui
para a escolha de um tema atual e relevante.

Exemplo de tema: Democracia e participação.

Delimitação do tema
Delimitar um tema significa identificar qual a faceta desse assunto que se pre-
tende pesquisar. Note-se que é impossível pesquisar tudo sobre todo o assunto.
Por isso, o pesquisador deverá delimitar, recortar seu tema a partir da faceta que
melhor o interessa.

O título do trabalho geralmente identifica-se com a delimitação do tema. Uma


boa delimitação trará ao trabalho maior eficácia, pois como a monografia com-
preende um estudo de um único tema, ele deverá ser bem restrito para que se
possa analisá-lo profundamente.

Exemplo de delimitação do tema: Representação e participação políticas – a


crise do modelo liberal e sua reestruturação por meio da participação popular.

Problema
O problema constitui um questionamento, uma pergunta que será respondida
ao final da pesquisa. Quanto maior a clareza da pergunta, melhor será a formula-
ção da sua resposta.

Pode-se ter um problema principal e outros secundários, conforme a complexi-


dade do tema. É o problema que irá conduzir o trabalho do pesquisador, uma vez

47
Projeto de pesquisa

que a pesquisa é a busca de respostas, de “verdades”. Sem um bom problema, não


se consegue estabelecer boas respostas.

Exemplo de problema: A partir do contexto atual, levando-se em consideração


o processo de globalização e de prevalência do capital, é possível afirmar que a
democracia fundada na representação encontra-se em crise? E, uma vez consta-
tada a sua existência, quais os mecanismos de superação?

Hipótese
A hipótese constitui a resposta prévia que será lançada ao problema (analisado
no ponto anterior). Trata-se de algo construído a priori, e que com o desenvolvi-
mento do estudo será comprovado ou não.

Pode ser compreendida, dessa forma, como “possibilidades de respostas” (MEZ-


ZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 151). Essas respostas podem ser afirmativas ou ne-
gativas. Pode acontecer ainda que, no projeto, a hipótese tenha sido uma afirma-
ção, enquanto que, no percorrer da pesquisa, essa afirmação transforme-se em
negação.

O fato de se prever uma determinada hipótese no projeto não significa que


sua comprovação ocorrerá com o desenvolvimento da pesquisa. O projeto é a
primeira etapa da pesquisa, portanto as leituras aqui são preliminares. Uma pes-
quisa mais aprofundada poderá levar o pesquisador por outro caminho; por isso
uma das habilidades a serem desenvolvidas é a coragem de aceitar a mudança
de rumo. Esse cenário não invalida a pesquisa, apenas demonstra que aquela res-
posta não era adequada. Lembre-se de que o projeto é sempre provisório, portanto
poderá ser alterado com a evolução da pesquisa jurídica.

Conforme o aprofundamento e a extensão da pesquisa, a hipótese será com-


plexa, ou seja, ela se relacionará diretamente com o tipo de pesquisa e de produ-
ção científica pretendida pelo autor. Portanto, em uma tese, a hipótese será muito
mais complexa, ao contrário de uma monografia em que a hipótese será mais
simples, embora profunda.

Exemplo de hipótese: A democracia representativa surgiu no cenário mundial


para legitimar o Estado Liberal atendendo aos seus princípios e ideais. A partir do
momento em que esse modelo estatal não encontra mais abrigo na sociedade
contemporânea, marcada profundamente pelo processo de globalização, surge
a necessidade de uma redefinição do papel da representação, a partir das novas

48
Projeto de pesquisa

exigências do século XXI. O Brasil, adotando a representação política, deve estar


inserido nesse contexto de mudança que será possível por meio da adoção de
mecanismos de participação política.

Justificativa
A justificativa constitui o momento em que o pesquisador revela ao leitor os
motivos, as razões que o conduziram para a realização da pesquisa. Além disso, vai
indicar em qual estágio o tema a ser pesquisado encontra-se no mundo jurídico e
quais as contribuições que essa pesquisa trará para a sociedade.

Note-se que a justificativa corresponde a uma parcela extremamente subjeti-


va, ou seja, ela identifica o pesquisador, seus interesses, suas habilidades e inquie-
tudes. Por isso mesmo, no momento de redigir a justificativa, o pesquisador não
deve inserir citações. Todavia, por mais pessoal que seja, a justificativa deve ser
escrita em terceira pessoa.

Objetivos
São as metas que o pesquisador pretende alcançar. São sempre indicados a
partir de ações, ou seja, de verbos que indiquem a atitude que o pesquisador pre-
tende realizar em relação àquele determinado assunto.

Nesse caso, faz-se necessário que o autor busque verbos que possam ser de-
senvolvidos durante a pesquisa. Por exemplo: identificar é diferente de analisar,
que significa decompor, repartir.

Iniciar com verbos mais simples encaminhando-se para os mais complexos faz
com que a monografia ganhe caráter de logicidade e coerência. Além disso, o
pesquisador deve sempre considerar o objetivo do capítulo: explicar, analisar, in-
terpretar, propor, decodificar, são verbos que podem ser utilizados em capítulos
distintos. A temática de cada capítulo será tratada posteriormente.

Objetivo geral
Esse se responsabiliza pela indicação mais ampla da meta pretendida pelo pes-
quisador. É único e não pode ser confundido com o problema. Aqui vamos exami-

49
Projeto de pesquisa

nar, identificar, selecionar, propor ou esclarecer algo, enquanto que o problema


traduz nossa inquietude sobre determinado assunto.

Exemplo de objetivo geral: Examinar a existência de uma crise da democracia re-


presentativa e os meios para sua superação, apontando os instrumentos participa-
tivos já existentes e verificando a viabilidade de outros instrumentos que possam
ser adotados pelo Brasil.

Objetivos específicos
São detalhamentos do objetivo geral. Normalmente são identificados com os
capítulos do trabalho científico. Assim, cada capítulo fornecerá pelo menos um
objetivo específico.

Exemplos de objetivos específicos:

 Examinar, criticamente, a democracia representativa, através da análise de


autores clássicos.

 Demonstrar a necessidade de reestruturação da representação liberal, não


descartando, todavia, sua utilização.

 Analisar a democracia participativa como pressuposto para uma nova or-


dem democrática.

 Propor novos instrumentos de participação, privilegiando a descentraliza-


ção e a cidadania democrática.

Embasamento teórico
O embasamento teórico é o momento de fundamentar a pesquisa. Divide-se
em teoria de base, revisão bibliográfica e conceitos operacionais.

Teoria de base ou marco teórico


É o conjunto de concepções teóricas ou conceitos que identificam o objeto da
pesquisa, descrevendo-o. Fará parte de todo o estudo, pois indica critérios de in-
terpretação.

50
Projeto de pesquisa

Compreende teorias como o Funcionalismo1, o Estruturalismo2, a Fenomeno-


logia3, o Comportamentalismo4, o Empirismo5, o Positivismo6 e o Marxismo7.

Exemplo: Estruturalismo.

Revisão bibliográfica preliminar


Compreende o texto criado pelo pesquisador para identificar elementos neces-
sários para a defesa do projeto. Não se resume à mera indicação bibliográfica do
que será usado em cada capítulo, mas sim ao embasamento teórico que deve ser
apontado de forma clara e extensiva.

Conceitos operacionais
A partir da hipótese, podemos identificar expressões ou palavras-chave que es-
tarão presentes em todos os momentos da pesquisa.

Os conceitos operacionais correspondem à definição dessas palavras-chave,


por meio de um posicionamento do pesquisador ou da utilização de conceitos
criados por outros autores, sempre citando a fonte utilizada.

Essas definições poderão fazer parte do glossário na futura monografia ou em


notas de rodapé explicativas.

Exemplo de conceito operacional: Democracia.

1
Funcionalismo pode ser compreendido como a teoria que concebe a sociedade “[...] como um todo que se comporta como
um só mecanismo de operação. Dessa forma, cada engrenagem, cada elemento da sociedade possui uma função nesse todo”
(MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 95-96).
2
O Estruturalismo “[...] explica o mundo iniciando do todo em direção à parte, da sociedade em direção a suas instituições e
indivíduos. A pesquisa estruturalista, portanto, sempre buscará estabelecer a lógica dessa dinâmica que conforma os comporta-
mentos individuais” (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 97).
3
“É uma forma rigorosa e descritiva de tratar as ideias, uma atitude cognitiva que busca incansavelmente as essências primeiras
em seus objetos: os fenômenos” (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 98).
4­­
“O que passa a interessar como objeto de pesquisa são as atitudes (ações e reações) dos indivíduos diante do ambiente social
em que se encontram” (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 98-99).
5­­
“O objeto da pesquisa será tratado pelo empirista como algo a ser observado, testado, experimentado em suas dimen­sões
concretas” (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 99).
6­­
“O Positivismo superlativiza o valor da ciência como único conhecimento viável e único método aplicável para produzir o co-
nhecimento rigoroso. Somente são levados em consideração os objetos que possam ser investi­gados cientificamente, segundo
os critérios estabelecidos” (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 99-100).
7
“Para Marx existe uma luta de classe embutida nas rela­ções de produção, na divisão entre capital e trabalho. A meta a ser
alcançada seria a de uma sociedade comunista, sem exploradores e explorados [...]. É estudado pela dialética” (MEZZAROBA;
MONTEIRO, 2003, p. 101).

51
Projeto de pesquisa

Por democracia entende-se


[...] a forma de Estado e sociedade em que a vontade geral, ou, sem tantas metáforas, a ordem
social, é realizada por quem está submetido a essa ordem, isto é, pelo povo. Democracia signi-
fica identidade entre governantes e governados, entre sujeito e objeto do poder, governo do
povo sobre o povo. (KELSEN, 2000, p. 35)

Metodologia
Identificar o método científico utilizado é de extrema importância, pois um tra-
balho científico deve propiciar a sua realização por outro pesquisador. Aqui, for-
neceremos transparência à nossa pesquisa.

Podemos dividir a metodologia em métodos de abordagem, de procedimento e


técnicas de pesquisa.

Exemplo:

 Método de abordagem – o método de abordagem a ser utilizado será o


hipotético-dedutivo.

 Método de procedimento – o método de procedimento que será utilizado


é o histórico.

 Técnicas de pesquisa – a pesquisa será teórica, com o levantamento dos


dados por meio da documentação indireta em fontes secundárias, abran-
gendo livros, textos, monografias e artigos a respeito do tema.

Cronograma
É a forma pela qual o pesquisador vai equacionar o tempo disponível para reali-
zar a pesquisa. O tempo deve ser dividido em meses, identificando-se as ativida-
des que serão desenvolvidas durante esse período.

Além de criar um cronograma, o pesquisador deverá respeitá-lo para que a


pesquisa não reste prejudicada pela falta de tempo.

Sobre o cronograma, já se manifestaram Mezzaroba e Monteiro (2003, p. 161):


[...] deverá prever o tempo necessário para a consecução de cada etapa da pesquisa: para loca-
lizar o material; para ler; para fichar; para entrevistar; para colher dados estatísticos; para redigir
cada parte da estrutura final do trabalho; para refazer as revisões recomendadas pelo orienta-
dor, se for o caso; para correção do português; para formatação (estética) do trabalho, e assim
por diante.

52
Projeto de pesquisa

Exemplo:

jan. fev. mar. abr. maio jun. jul. ago. set. out. nov. dez.
Atividades
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

Apresentação
X
do projeto

Levantamento
X
bibliográfico

Leituras X X X X X X

Primeira
X X
redação

Segunda
X X
redação

Primeira
X
revisão geral

Segunda
X
revisão geral

Defesa pública X

Entrega da
X
versão final

Referências bibliográficas
Segundo a ABNT, a expressão referências bibliográficas deve ser substituída na
pesquisa jurídica por referências. Em relação ao projeto não há essa determinação,
ficando a critério do pesquisador a nomenclatura a ser utilizada.

É nesse momento que serão indicadas obras e documentos utilizados na reali-


zação do projeto e, futuramente, na pesquisa.

Como nem toda a bibliografia terá sido lida pelo pesquisador, o projeto poderá
dividi-la em bibliografia consultada e bibliografia a ser consultada.

As referências bibliográficas devem respeitar as regras previstas pela ABNT.

53
Projeto de pesquisa

Bibliografia consultada
São os documentos e materiais bibliográficos efetivamente utilizados na reali-
zação do projeto de pesquisa.

Bibliografia a ser consultada


São os documentos e materiais bibliográficos que não foram utilizados efetiva-
mente no projeto, mas o serão na pesquisa.

Além desses elementos, é importante que o pesquisador trace uma estrutu-


ra prévia da monografia, ou seja, a partir dessas leituras prévias, da seleção do
método e das técnicas de pesquisa, da escolha do marco teórico e da redação da
revisão bibliográfica preliminar, o pesquisador deverá estruturar seus capítulos
(seções), os subcapítulos e assim por diante. Todavia, deve-se ter em mente que
essa estrutura é provisória e que poderá ser alterada conforme a pesquisa seja
aprofundada.

Texto complementar
Pesquisa jurídica universitária:
o autor em busca de um tema
(GUEDES1, 2005)

A busca
Duas possibilidades existem de desencontro:

a) há temas para textos perdidos no limbo – num indefinível, mas existen-


te endereço – à espera de um pesquisador que os traga a público; e

b) há autores em busca de um tema para um texto jurídico.

1
Advogado da União. Procurador-Chefe da Procuradoria Federal Especializada do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS). Mestre e doutorando em Direito Processual Civil (PUC-SP).

54
Projeto de pesquisa

Os autores são talentosos, com a formação secundária essencial, conhe-


cem a língua em seu núcleo mínimo, cursam a graduação, às vezes em fase
final, ou os inúmeros cursos de pós-graduação e, mais, desejam ou devem
(precisam) definir e produzir um texto técnico-jurídico.
Doutro lado – alguns em profundo silêncio – estão os temas, os assuntos
atraentes, de interesse público, com repercussão social ou política, econômica
ou científica.
Sua descoberta e o desafio da pesquisa e da escrita é realizável, pois pos-
suem boas fontes de consulta à disposição, têm nuanças inexploradas ou ainda
exploráveis; reservam perspectivas de avanço em novas abordagens, com
possibilidade de outras interpretações, admitindo diferentes conclusões.
Falta, contudo, o encontro, a revelação.
Esse “ocasional”, embora difícil, encontro ocorrerá de uma ou de outra
forma. Produzam-se as condições ideais e revelar-se-ão um ao outro, mostrar-
-se-ão (sem misticismo) em suas virtudes e desejos, em capacidades e carac-
terísticas. Dê-se-lhe ao pesquisador, o mínimo, e o assunto (instituto associa-
do à área intradisciplinar) ou um tema (questão ou conjunto de questões que
permita abordagem) para pesquisa aparecerá à sua frente do pesquisador.
Autor para o tema ou o tema para o autor.
Os temas estão próximos de nós, embora possam estar “em seu estado de
dicionário”, paralisados, mas sem desespero, como afirmou Drummond na
Procura da Poesia. E mais, eles (os temas) nos aguardam com sábia paciência,
até que cumpramos os ritos iniciais da aproximação e da abordagem.

As ideias: olhares iniciais


Não se pode, provavelmente, definir se um texto técnico-jurídico é feito
prioritariamente ou predominantemente com ideias ou com palavras. É certo
que algumas ideias, reflexões cruciais, precedem a qualquer registro escri-
to, a qualquer nota inicial. Portanto, algumas ideias antecedem a quaisquer
anotações.
Uma das primeiras tarefas é excluir as áreas (conjunto de disciplinas afins)
de desinteresse, retirando do centro do pensamento as disciplinas (conteú­
do didaticamente autônomo) ou áreas que se tenha certeza não seriam
tratadas.

55
Projeto de pesquisa

Passa-se à escolha de uma área geral de interesse dentre os ramos do Direi-


to: Teoria geral, Filosofia do Direito, Sociologia do Direito, disciplinas aplicadas
ou grandes ramos, como Direito Privado ou Direito Público. Defina-se numa e
afaste as demais, desde que o tema não seja interdisciplinar.

Caso seja possível definir com mais especificidade a disciplina, tal como
Direito do Trabalho, Direito Penal, Direito Constitucional ou as novas áreas
intradisciplinares, como Direito do Consumidor, Criminologia etc., melhor
ainda. Assim será mais fácil o detalhamento e a busca do tema.

Alguns pesquisadores conseguem de pronto (ou por subjacentes inconfes-


sadas reflexões anteriores) definir com esse detalhamento a área, adentrando
pontos específicos da disciplina. Assim, por exemplo, no Direito Penal, fixam-
-se numa modalidade de crime, numa espécie de pena, na forma de aplica-
ção dessa pena, na sua execução ou mesmo o contraste de um desses itens
com um princípio ou com uma norma superior. Mais que um tema, talvez já
possua o contorno de um saudável problema (questão a ser exposta ou resol-
vida pelo trabalho).

Para essa escolha, não é necessário registro formal escrito, tratam-se de


reflexões apenas ou de discussão inicial, em que bastam notas avulsas para
que ideias genuínas não sejam perdidas.

Contudo, isso é ainda pouco, tem-se um universo que pode ser muito
amplo, sem que se tenha o assunto precisamente definido ou delimitado.

Técnicas para a aproximação


Para que se defina um tema de interesse em uma (ou mais) dessas áreas,
há técnicas possíveis, desde que se encontrem dois ou três pontos (parte con-
trovertida do tema) dentro de um tema ou de um assunto. Tal como: desa-
propriação, sociedade e indenização, em Direito Administrativo; função social,
novo Código Civil e contratos, em Direito Civil; proteção à criança, ECA e direi-
tos dos pais, em Direito da Família; execução, efetividade e devido processo,
em Direito Processual; moral ou ética, princípios legais e saúde, em Biodireito;
cláusulas pétreas, direito adquirido e reformas, em Direito Constitucional.

Esses pontos podem ser alinhados e examinados sob a influência dos prin-
cípios, sob a influência das ciências gerais, ou de outra área como no tema:

56
Projeto de pesquisa

“Reforma da Previdência: a EC 41, cláusulas pétreas e o respeito ao direito


adquirido”.

Os pontos podem ser correlacionados entre si ou com outros, que atraiam


o pesquisador. Esses pontos podem ser confrontados e testados em simultâ-
nea oposição, com contraste. Exemplo disso é o texto.

Contudo, essa técnica pode não ser suficiente.

Podem-se encontrar esses alinhamentos, essa correlação ou esses contras-


tes em outros textos técnicos, sejam artigos ou monografias, em decisões de
órgãos administrativos, em pareceres administrativos, em decisões judiciais
(interlocutórias ou finais) ou na lei. Mas a lei, em si, pode ser insuficiente, pa-
ralisada no seu estado positivado (codificada), não motiva de instantâneo,
exceto se oposta a decisões que a interpretam ou confrontam.

Também as falhas da doutrina, as dissonâncias entre os doutrinadores, as


lacunas da lei podem ser bons temas, com problemas já definidos.

Se nada fluir desse modo, há outra técnica baseada em análise combina-


tória, que pode contribuir. Devem-se listar duas ou três colunas, nas quais a
primeira pode elencar princípios gerais; a segunda, princípios da disciplina ou
do assunto e a terceira os institutos próprios ao assunto.

[...]

Evite-se, contudo, os temas extremos, curtos ou extensos demais, nunca


abordados ou demasiadamente estudados, sem atualidade ou os modismos
exagerados.

Não sendo útil tal técnica, deve-se voltar à técnica inicial ou tentar outras.
Fruto da experiência concreta profissional, seja do estagiário, do advogado, de
membros das carreiras jurídicas do Estado, os casos pessoais podem render
bons temas, desde que permitam o desenvolvimento técnico, com a isenção
para a busca de novos enfoques.

A flechada do amor: identidade entre autor e tema


Para a perfeita associação entre autor e tema, a empatia deve ser total.
Américo Plá Rodríguez define este momento da identidade entre autor e tema

57
Projeto de pesquisa

como mágico e assemelhado ao enamoramento, interesse que não deriva da


beleza, das virtudes, da simpatia do objeto desejado.

Atraente é o tema que desperta a paixão do pesquisador, estimulando o


prazer da conquista e o envolvimento, esse é o interesse subjetivo. Se não
houver esse entusiasmo, é melhor que se busque outro tema. Por tal razão,
não raro, quando encontramos esses apaixonados, o que ouvimos deles é a
incansável exaltação da sua paixão, seja ela o amado ou o tema da pesquisa.

Essa escolha, ainda que arbitrária, mantém certa coerência com fatores ob-
jetivos, como a capacidade do autor, a disponibilidade de meios (fontes dis-
poníveis) e a proporcionalidade entre a sua extensão e o tempo disponível.

Nesta altura, se já se tem o tema da pesquisa definido e delimitado é hora


de avançar e planejar o relacionamento.

[...]

Um roteiro
O roteiro pode ser um plano elementar, uma sequência de itens a serem
abordados, uma sequência de perguntas a serem respondidas ou um proble-
ma a ser enfrentado.

Esse guia é imprescindível à continuidade do trabalho e deve ser elabora-


do logo após a definição do assunto ou a escolha definitiva do tema. Não se
trata de um projeto para a pesquisa, nem ainda de um sumário, mas de um
roteiro e como tal deve conter a estrutura vertical dos principais subitens ou
subtítulos a serem provavelmente abordados.

Esse roteiro tem seu núcleo no desenvolvimento, mas será antecedido de


uma introdução (resume os objetivos) e seguido de uma conclusão. Para a
estruturação dos subtítulos do núcleo (desenvolvimento) pode-se usar uma
técnica conhecida, formulando sucessivas perguntas sobre o tema escolhido.
São as questões que seguem: Quê? Quando? Com quê? Como? Quem? Para
quê? Onde? Contra quê? Por quê? Quanto? É possível que algumas das ques-
tões não possam ser abordadas, em virtude dos limites de extensão de tempo
ou de lugar em que se contenha o tema escolhido.

58
Projeto de pesquisa

Exercite a técnica, testando-a em um texto publicado por outro autor. Caso


existam textos (artigos ou monografias) sobre o mesmo tema, pode-se com-
parar os sumários desses trabalhos.

Esse roteiro, em seu estágio final, é o sumário temporário para o trabalho.

Execução: conjugação entre o desejo e a realização dele


Definido o tema, planejado o roteiro, o trabalho de redação deve começar.
Então, à obra. E como toda tarefa deve ter um princípio, vale nisso a recomen-
dação de Lewis Carroll: “comece do princípio, vá até o final e pare”. Na hora de
escrever, linguagem simples, clara e objetiva; redação com frases curtas e em
ordem direta.

Escreva e reescreva, sabendo que os textos não nascem prontos.

Uma das técnicas menos estimulantes ao iniciante é comparar o seu texto


estreante com textos de outros, textos prontos, textos maduros, textos re-
visados, textos publicados. Não faça e nem deixe que façam isso com seu
trabalho.

Mal sabe o jovem autor que atrás da bem-elaborada redação se esconde


um longo e trabalhoso processo, no qual o autor consumiu diversas horas de
correção e revisão, sem contar as horas despendidas na pesquisa e na produ-
ção do texto original.

Exemplo dessa evolução pode ser encontrado na obra Mandado de Segu-


rança e Ação Popular, de Hely Lopes Meirelles, que em sua primeira edição, em
1967 tinha apenas 40 páginas de texto, e hoje, após 23 edições e sucessivas
revisões, ultrapassa as 600 páginas.

Os textos evoluem, amadurecem durante a elaboração e, às vezes, preci-


sam de uma noite ou uma semana de descanso para melhorar de qualidade.
Daí recomendarem os técnicos em redação aos autores que não se deve eli-
minar as versões intermediárias, capazes de testemunhar o crescimento gra-
dativo causado pelas revisões. O primeiro dos textos é apenas a versão inicial,
que antecederá a várias outras.

59
Projeto de pesquisa

Em caso de desencontro: faça uma nova tentativa


Mas, se até agora não estão maduros os assuntos, se não há ainda um
tema, isso não é o fim. Procure as revistas especializadas na área de interesse,
lá pode estar uma ideia para um tema. Assuntos já estudados não estão ve-
dados a novas abordagens, podendo ser revistos ou complementados critica-
mente. Matérias jornalísticas (indenização de aposentadorias não atualizadas
nos planos econômicos), projetos legislativos (nova lei de falências), tendên-
cias da jurisprudência (direito à meação a conviventes do mesmo sexo) são
também alternativas. Mas sem esquecer: o tema está dentro do autor. A ilusó-
ria procura fora é apenas exercício, para, finalmente encontrá-lo dentro.

Tente uma nova aproximação.

Há, também, a possibilidade do contato com professores dedicados à


orientação ou professores pesquisadores com linha própria de pesquisa, que
podem ser o abrigo para o trabalho do aluno. Também o debate com profis-
sionais (juízes, promotores, advogados públicos, defensores, advogados pri-
vados) pode fazer aflorar temas palpitantes, de interesse prático.

Mas, se nada apareceu, se nenhum tema surgiu, descanse e recomece do


princípio.

Ampliando seus conhecimentos


Metodologia da Pesquisa Jurídica, de Welber Barral, editora Fundação Boiteux.

Monografia Jurídica, de Eduardo de Oliveira Leite, editora Revista dos Tribu-


nais.

60
Levantamento,
armazenamento
e análise dos dados

Levantamento de dados
A primeira etapa da pesquisa compreende a coleta de dados que, geral-
mente, na área jurídica, restringe-se ao levantamento bibliográfico, uma vez
que a pesquisa empírica não é muito utilizada nessa área. A coleta de dados é
a busca por informações, responsáveis pela fundamentação da pesquisa.

Essa coleta, ou levantamento dos dados bibliográficos, compreende três


etapas:

 identificação – é a busca por fontes que se relacionem com o tema


adotado na pesquisa. Nessa etapa, o pesquisador deverá buscar todos
os tipos de bibliografia que se identifiquem com o assunto escolhido,
independentemente do material, podendo ser livros, monografias, ar-
tigos, fichamentos etc;

 localização – descobrir em que locais a bibliografia pré-selecionada


se encontra. É a busca na internet, bibliotecas, colegas, assinatura de
revistas, jurisprudências etc;

 compilação das fontes escritas – uma vez identificadas e localizadas


as fontes, o pesquisador passa à terceira fase, que compreende a leitura
e posterior fichamento ou outra forma de armazenar os dados encon-
trados. Nesse momento, o pesquisador vai julgar que materiais são re-
almente úteis para a monografia.

O levantamento de dados é uma etapa importantíssima para a pesquisa.


Por meio dessa coleta é que o pesquisador irá delimitar melhor o seu tema,
e aprofundar-se em assuntos de maior relevância para a pesquisa que está
desenvolvendo.
Levantamento, armazenamento e análise dos dados

Leitura
Ler significa
[...] conhecer, interpretar, decifrar, distinguir os elementos mais importantes dos secundários
e, optando pelos mais representativos e sugestivos, utilizá-los como fonte de novas ideias e do
saber, através dos processos de busca, assimilação, retenção, crítica, comparação, verificação e
integração do conhecimento. (LAKATOS; MARCONI, 2002, p. 68)

A partir da leitura, identificaremos os pontos mais importantes de uma teoria


e a sua utilidade para a defesa de nossa pesquisa. É também por meio da leitura
que compreendemos os textos e que nos fazemos presentes no mundo. Ler, por-
tanto, é
[...] compreender a mensagem, compreender-se na mensagem, compreender-se pela mensa-
gem – eis aí os três propósitos fundamentais da leitura, que em muito ultrapassam quaisquer
aspectos utilitaristas, ou meramente “livrescos” da comunicação leitor-texto. Ler é, em última
instância, não só uma ponte para a tomada de consciência, mas também um modo de exis-
tir no qual o indivíduo compreende e interpreta a expressão registrada pela escrita e passa a
compreender-se no mundo. (SILVA, 1981, p. 45)

Devemos compreender que a leitura não é o objetivo somente da nossa época


de alfabetização. Uma boa leitura enriquece e fundamenta a pesquisa. Ademais,
não podemos esquecer que o Direito é linguagem, dependendo intimamente de
como se procede a leitura e a compreensão de texto.

Dessa forma, estamos sempre aprendendo a ler. Cada leitura que fazemos pos-
suirá um objetivo definido determinado, que conduzirá a nossa forma de ler, ou
seja, a leitura será diferenciada conforme os objetivos de lazer, de cultura, de pes-
quisa, ou de conhecimento científico, que pretendemos atingir.

Todavia, algumas habilidades são fundamentais para o desenvolvimento eficaz


de uma leitura. Dentre elas, pode-se destacar a disciplina e a concentração, entre
outras. Percebam que em cada leitura realizada nos deparamos com novas per-
cepções de mundo ou da própria obra. Se formos buscar uma obra que lemos há
algum tempo e refizermos sua leitura, a interpretação que teremos será diferen-
ciada da primeira leitura. Da mesma forma acontece com a nossa concepção de
mundo: as leituras vão engrandecendo a nossa visão da sociedade em que vive-
mos, das comunidades que nos rodeiam e do mundo que desejamos.

Dessa forma, a leitura pode nos levar a criar novas concepções de vida e de
humanidade, assim como impulsiona o pesquisador a resolver os problemas que
atingem determinadas pessoas ou comunidades.

64
Levantamento, armazenamento e análise dos dados

Pode parecer que a atitude do leitor é passiva, mas a leitura envolve diversos
atos ou habilidades para que ultrapasse a mera decodificação dos sinais gráficos
e alcance a compreensão, a análise do que se está lendo. Existem alguns passos a
serem seguidos pelo leitor para tornar mais eficaz esse procedimento:

 proceder a uma visão geral do documento, do artigo, do capítulo etc.;


 entender o vocabulário utilizado pelo autor, com a ajuda de dicionários e
materiais técnicos;
 criticar, questionar o que se está lendo, não aceitando as informações forne-
cidas pelo autor como algo pronto, definido;
 buscar a essência do texto, o que há de mais relevante naquela obra de acor-
do com o objetivo do leitor.
Para ampliar a eficácia da leitura, fazem-se necessários alguns elementos ex-
ternos, dentre os quais destaca-se um bom ambiente de leitura, com iluminação
adequada, ventilação e ausência ou poucos ruídos.

Há diversas modalidades de leitura, que serão utilizadas conforme o objetivo


do leitor. Dentre elas, destacam-se: a leitura informativa ou exploratória, seletiva,
analítica e crítica.

Leitura informativa
O objetivo da leitura informativa ou exploratória é a visualização ampla do
que o material bibliográfico tem a oferecer. Nesse caso, o leitor ainda está bus-
cando o material bibliográfico ou, estando de posse desse material, analisa de
forma ampla se ele será útil na pesquisa que está sendo desenvolvida.

Portanto permite, ao leitor, verificar a existência das informações necessá-


rias na fonte que está sendo lida. Pense nesse exemplo: você está na bibliote-
ca ou navegando pela internet e encontra uma obra ou um artigo. Uma leitura
rápida, explorando aquela fonte, informará se ela poderá ser ou não utilizada
em sua pesquisa.

Leitura seletiva
Por meio da leitura seletiva, o pesquisador, tendo em vista um tema defini-
do, escolherá os tópicos ou partes que interessam da obra que está sendo lida. Isso

65
Levantamento, armazenamento e análise dos dados

porque não é necessário que o pesquisador proceda à leitura total da obra, mas
que concentre seus esforços nas partes que mais lhe interessam.

Caso se esteja analisando a competência da Justiça do Trabalho, não é neces-


sário a leitura de todo um manual de Processo do Trabalho, mas das partes rela-
cionadas com o tema, ou seja, com a competência da Justiça do Trabalho.

Retomando o exemplo: tendo-se verificado de forma exploratória que aquela


fonte é relevante para sua pesquisa, agora serão verificadas que partes se relacio-
nam com o seu tema.

Leitura analítica
Outra modalidade é a leitura analítica. Ao falar em análise, busca-se a decompo-
sição do texto que está sendo lido. Dessa forma, o leitor irá desenvolver sua capa-
cidade de observação das partes constitutivas do texto, identificando os trechos
mais relevantes e eliminando os dados secundários. Analisar, portanto, significa
examinar, decompor os elementos constituintes do texto.

Tendo encontrado e identificado se a fonte é útil de forma integral ou parcial,


agora se irá extrair a parte que efetivamente será usada na pesquisa.

Leitura crítica
Por fim, a leitura crítica vai impor ao texto uma atitude valorativa por parte do
leitor. Note-se que as críticas são realizadas em relação ao texto e não ao autor.
Questões pessoais não devem atrapalhar o estudo científico sobre determinada
obra.

Buscam-se principalmente os pontos fracos, para que o pesquisador possa


reconstruí-los a fim de tornar sua pesquisa mais completa e aprofundada, assim
como teorias adequadas para fundamentar a posição que está sendo defendida
na pesquisa.

Note-se que esse é um tipo de leitura mais complexo, pois envolve aspectos
valorativos, culturais, conhecimentos jurídicos e gerais para avaliar o trabalho de
um outro autor. Todavia, é a leitura que propiciará um maior embasamento teóri-
co ao pesquisador.

66
Levantamento, armazenamento e análise dos dados

Armazenamento de pesquisa
Além de realizar a leitura, faz-se necessário armazenar os dados obtidos com
ela. A pesquisa é um processo, portanto consome um lapso temporal geralmente
grande. Ao final, provavelmente já se esqueceu do que foi lido no início dessa ca-
minhada; portanto o armazenamento desses dados torna-se relevante, evitando
que se tenha que buscar novamente as fontes e refazer a sua leitura.

Destacar, esquematizar e resumir


O ato de destacar revela uma capacidade de localização das informações. Ao
reler um texto, identificam-se prontamente as informações destacadas. Ademais,
destacar traz ao leitor a obrigação de identificar as informações mais relevantes,
e mantém o leitor atento ao texto, avaliando e ponderando sobre aquilo que está
escrito. Alie-se a esses fatores também a organização das ideias e dos fatos.

Contudo, deve-se estar atento para não destacar tudo o que se acredita, a
priori, ser importante. A eficiência do destaque passa por quatro critérios:

 não se deve destacar mais do que um terço de cada página;

 deve-se determinar que tipos de informação se enquadram nos objetivos


colacionados;

 a informação destacada deve conter a ideia principal do parágrafo;

 o destaque deve refletir o conteúdo da informação; ao relê-lo, deve ser pos-


sível compreender o documento de base.

Outro ponto relevante é que o destaque deve ser feito em uma segunda leitura,
quando já se tem um conhecimento prévio do texto que está sendo lido.

Fichamento
Após a realização das leituras, faz-se necessário o armazenamento das infor-
mações obtidas por meio de critérios a serem definidos pelo pesquisador. A or-
ganização é imprescindível nesse momento, possibilitando que o pesquisador
não se perca em um emaranhado de livros, anotações e assuntos. A organização

67
Levantamento, armazenamento e análise dos dados

não é suficiente para que a pesquisa se desenvolva com êxito, mas é uma con-
dição necessária para facilitar a execução e a apresentação dela (PARRA FILHO,
1998, p. 168).

Destaca, Eduardo de Oliveira Leite (1997, p. 134), que:


O mais importante é que toda obra ou texto consultado seja lançado, transcrito com fidelidade
nas fichas, cada uma delas contendo uma só referência e tendo como elementos básicos: o
nome do autor, o título da obra, a edição, o local da edição, o nome da editora e, se se tratar de
ficha de leitura, o texto e as páginas de onde se origina a informação armazenada, sempre tendo
em vista a possibilidade de localizar a obra, a qualquer momento, para verificar a procedência
da informação.

O fichamento servirá como um auxílio para a comprovação das hipóteses pro-


postas no projeto de pesquisa, pois trará informações enriquecedoras e funda-
mentais para a defesa de determinada teoria. Poderá ser realizado no computador,
criando-se pastas organizacionais, tornando mais fácil a execução da pesquisa.

As fichas devem obedecer a uma estrutura e devem conter, necessariamente:

 cabeçalho – identifica a obra que está sendo consultada (trata-se, portan-


to, da referência bibliográfica);
 texto – será variável, conforme o tipo de fichamento adotado pelo pes-
quisador. Sugere-se que seja feito primeiramente um resumo, mantendo-se
fiel ao texto que está sendo fichado e, caso necessário, separadamente as
críticas a esse texto.
Conforme o tipo de texto adotado, serão diversos os tipos de fichamento.

Ficha de resumo
O objetivo principal dessa ficha é a captação da ideia maior do texto, ou seja, a
ideia central desenvolvida pelo autor. A essência do texto deve ser transcrita com
as palavras do autor do fichamento. A utilização dessa ficha implica a realização
de um resumo, ou seja, as ideias do autor da ficha de leitura não encontram espaço
nesse modelo de ficha.

Nas palavras de Medeiros (2004, p. 125):


[...] resumo é um tipo de redação informativo-referencial que se ocupa de reduzir um texto a
suas ideias principais. Em princípio, o resumo é uma paráfrase e pode-se dizer que dele não
devem fazer parte comentários e que engloba duas fases: a compreensão do texto e a elabora-
ção de um novo. A compreensão implica análise do texto e checagem das informações colhidas
com aquilo que já se conhece.

Caso o resumo seja pormenorizado, constituirá uma ficha-esboço.


68
Levantamento, armazenamento e análise dos dados

Ficha-esboço
Aqui, as ideias principais do autor da obra a ser fichada serão melhor explici-
tadas, uma vez que representa uma síntese do pensamento do autor, página por
página. Constitui, portanto, uma ficha mais detalhada que a ficha-resumo, mas
aqui também não fazem parte as ideias obtidas pelo autor da ficha de leitura.

Ficha de citação
Caracteriza-se pela reprodução integral da ideia do autor da obra que se está
fichando. Essas citações devem estar entre aspas e identificadas com o seu respec-
tivo número de página. Destaque-se que essas citações devem ser diretas, ou seja,
utilizando-se da transcrição literal do que foi produzido pelo autor da obra que
está sendo fichada.

A citação deve ser textual, ou seja, os erros de português devem ser transcritos.
As palavras utilizadas pelo autor devem ser transcritas integralmente, indepen-
dentemente dos erros existentes. Da mesma forma, caso exista alguma supressão
de texto, ela deverá ser indicada com a utilização de colchetes e reticências.

Caso a frase precise ser complementada, essa inscrição deverá estar entre col-
chetes, indicando que essas ideias não pertencem ao texto do autor que está
sendo fichado.

Ficha bibliográfica
Sua finalidade é identificar o objetivo da obra, assim como seu problema e a
comprovação das hipóteses. A metodologia empregada e as técnicas de pesquisa
também devem fazer parte desse tipo de ficha, ao contrário das ideias comple-
mentares, as quais poderão ser obtidas em outras fichas.

Marconi e Lakatos (2003, p. 56-57), citando Salvador, indicam que os aspectos


devem ser tratados em uma ficha bibliográfica:

 ramo da ciência que está sendo estudado;

 problemas elencados pelo autor;

 conclusões;

 contribuições especiais em relação ao assunto que está sendo tratado;

69
Levantamento, armazenamento e análise dos dados

 tipos de fontes utilizadas (primárias, secundárias, empíricas);

 método (de abordagem e de procedimento) escolhido pelo autor;

 recursos ilustrativos utilizados.

Além desses elementos, as autoras informam que essa modalidade de ficha


deve ser breve, evitando repetições desnecessárias.

Note-se que não é uma ficha de conteúdo, de assunto, mas de critérios meto-
dológicos identificadores da obra que está sendo utilizada.

Ficha crítica ou analítica


Aqui serão armazenadas análises críticas das ideias apresentadas pelos auto-
res a serem utilizados no desenvolvimento da pesquisa. Para isso, deverá estar
clara a importância da obra para o trabalho, assim como poderá ser utilizada a
comparação com outros autores, fornecendo mais clareza quanto ao assunto a
ser tratado.

Os posicionamentos pessoais abrangem: comentários sobre o modo pelo qual o


autor desenvolve seu trabalho; análise do conteúdo defendido e proposto; inter-
pretação de uma dúvida ou de um argumento duvidoso utilizado pelo autor; e a
comparação com outros dados que não fazem parte da obra, mas de que o leitor
possui conhecimento.

Análise do texto
A interpretação compreende dois momentos: no primeiro há uma reprodução
do que o autor disse, enquanto que no segundo momento propõe-se uma discus-
são de ideias.

A análise é uma reflexão sobre elementos identificadores do texto. Proce-


de-se à decomposição do texto, identificando e buscando a compreensão de
cada parte.

A partir dessas proposições, pode-se afirmar que interpretar é diferente de


analisar. O primeiro termo compreende a atribuição de um significado para de-
terminado objeto, uma teoria, uma lei ou uma jurisprudência. A interpretação
será diferenciada conforme o método utilizado e o objeto a ser interpretado. No

70
Levantamento, armazenamento e análise dos dados

caso da interpretação de leis, ela poderá ser: gramática ou literal, lógica, sistemá-
tica, histórica e teleológica.

 Gramática ou literal – constitui esclarecimentos linguísticos. Toma-se por


base o texto escrito, a letra da lei. Contudo, as palavras nem sempre pos-
suem sentido unívoco: são muitas vezes vagas ou ambíguas. Trata-se de
uma maneira insuficiente de interpretação, necessitando de complemen-
tação. Abrange tanto uma interpretação semântica – signos e objetos a que
se referem (conteúdo), como uma interpretação sintática (regras da língua
portuguesa – a pontuação altera o sentido da frase e da norma).

 Lógica – busca a vontade da norma ou do legislador que criou a norma.


Note-se que a norma, por ser um objeto construído, não possui vontade.
Pode-se, então, afirmar que a vontade é atributo do legislador, criador da
norma. Entretanto, é extremamente difícil distinguir qual é a real vontade
do legislador e, mesmo que isso seja possível, de qual legislador – quem
criou a norma, o atual ou o futuro?

 Sistemática – verifica que as normas estão inseridas em um determinado


ordenamento, e por isso devem ser interpretadas comparativamente com as
demais normas que integram o mesmo ordenamento, além dos princípios
gerais do Direito. A interpretação sistemática visa garantir que cada norma
conserve a devida harmonia com o todo. Essa interpretação parte do prin-
cípio de que o Direito é um sistema e, como tal, cada uma de suas partes
apenas adquire sentido em função do todo.

 Histórica – pode ocorrer de duas formas: histórica propriamente dita e


histórico-evolutiva. Na primeira, leva-se em consideração os antecedentes
remotos (ordenamento anterior) e os antecedentes imediatos (materiais
preparatórios e legislativos – anteprojetos, projetos, exposições de motivos,
justificativas, pareceres, emendas etc.) que deram origem ao texto legal. Já
a segunda leva em consideração a interpretação desde a edição da lei até a
sua aplicação.

 Teleológica – procura articular o Direito com as finalidades a que a norma


se destina.

Essas são algumas formas de interpretação da lei, e muitas vezes do pró-


prio Direito.

71
Levantamento, armazenamento e análise dos dados

Analisar, por sua vez, é “[...] decompor um todo em suas partes, a fim de poder
efetuar um estudo mais completo. Porém, o mais importante não é reproduzir
a estrutura do plano, mas indicar os tipos de relações existentes entre as ideias
expostas” (LAKATOS; MARCONI, 1992, p. 23).

Essa decomposição pode ocorrer em relação aos elementos, discriminando,


dessa forma, a bibliografia utilizada pelo autor, o vocabulário e o método. Há, por-
tanto, uma identificação de aspectos metodológicos, que fornecem um caráter
de originalidade.

Outra forma de decompor ocorre em relação à coerência do texto. Analisa-se o


problema motivador da pesquisa, indicam-se as hipóteses ou possíveis respostas
para o problema, assim como as suas formas de comprovação e as conclusões do
autor da pesquisa.

Por fim, pode-se analisar as partes que compõem o texto, ou seja, verificar os
capítulos, e os elementos pré e pós-textuais.

Interpretar é compreender, e isso pode ocorrer em relação às partes que


compõem a obra; caso passemos à compreensão de cada parte, estaremos
também analisando.

Texto complementar

Sugestões de roteiro para fichamento


(CARNEIRO, 2001)

 Referenciação: deve indicar o assunto ao qual se refere o fichamento,


para facilitar o arquivamento em ordem alfabética, por matérias. Abaixo
pode conter um indicativo a respeito da avaliação do texto lido.

 Identificação: divide-se em duas partes, que são a identificação da obra


(referência bibliográfica completa, fonte e local para consulta); e a iden-
tificação do autor do fichamento (nome, curso, instituição, data e outros
dados da espécie).

72
Levantamento, armazenamento e análise dos dados

 Análise textual: trata-se de um resumo do texto lido, no qual devem


ser explicitadas as principais ideias do autor da obra, com toda a fide-
dignidade possível. Deve-se objetivar, neste tópico, a neutralidade axio-
lógica. Portanto não se fazem presentes, nesse momento, as opiniões
próprias de cada pesquisador.
 Análise temática: neste tópico devem-se relacionar as ideias do texto
lido com as de outros autores já conhecidos, sobre o mesmo assunto.
Podem ser estabelecidas relações por semelhanças ou por diferenças,
com a liberdade e coerência, sempre nos padrões de razoabilidade.
 Problematização: aqui se faz um questionamento, levantando-se as
indagações que a leitura possa suscitar. É uma forma de indução para
novos problemas, hipóteses e teses, por isso este tópico assume es-
pecial relevância. Podemos considerá-lo como um processo inverso
da aprendizagem tradicional, que costuma ser a mera assimilação de
conhecimentos. Na problematização, ao contrário, o aluno formula o
tema em forma de perguntas ou questionário; ou pode também ser
redigida na forma de texto escorreito, à livre escolha do aluno.
 Citações: faz-se a transcrição literal – portanto deve ser entre aspas –
dos excertos da obra que mais chamaram a atenção do aluno, podendo
ser utilizadas como citações diretas ou paráfrases, quando da elabora-
ção dos trabalhos acadêmicos. É importante ficar claro que não se de-
vem extrair do texto lido apenas as citações que corroboram o ponto de
vista do aluno, mas também as contrárias e todas as que se apresentem
como interessantes sob qualquer ponto de vista, pois essa pluralidade
certamente facilitará a argumentação sobre o tema, no momento da
elaboração do escrito científico.
 Esquematização do texto: neste tópico costuma-se apresentar a estru-
tura do texto lido, de forma esquemática, através do simples enunciado
das ideias principais e dos desdobramentos nela contidos. Em um certo
sentido, deve corresponder ao plano da obra. Não há regras rígidas para
a esquematização do texto, cabendo à criatividade e ao bom senso do
aluno definir como fazê-la. Geralmente, nos fichamentos de leitura, a
esquematização do texto lido precede a análise textual, porém, em face
da apreciação e da cultura vernacular estimada pelos juristas, costuma-
-se priorizar, nos trabalhos acadêmicos em Direito, os textos de disser-
tação escorreita.

73
Levantamento, armazenamento e análise dos dados

Ampliando seus conhecimentos


Introdução à Metodologia do Trabalho Científico, de Maria Margarida de Andra-
de, editora Atlas.

Prática da Pesquisa Jurídica: lógica, epistemologia e normas, de César Luiz


Pasold, editora OAB-SC.

74
Elementos pré-textuais
da monografia

A estrutura de um trabalho acadêmico é regulamentada pela Associação


Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), pela NBR 14.724, de agosto de 2002,
que estabelece elementos obrigatórios e opcionais que deverão ser utiliza-
dos pelo pesquisador.

Essas regras podem ser divididas em três categorias, as quais se identifi-


cam com as partes que compõem uma monografia jurídica: os elementos
pré-textuais, textuais e pós-textuais.

Neste momento, serão analisados os elementos pré-textuais, que abran-


gem: capa, lombada, folha de rosto, errata, folha de aprovação, dedicatória(s),
agradecimento(s), epígrafe, resumo, lista de ilustrações, lista de tabelas, lista
de abreviaturas e siglas, lista de símbolos e sumário.

Apesar da denominação, os elementos pré-textuais serão os últimos a ser


realizados pelo pesquisador. Isso porque, para indicar em que páginas se en-
contram as divisões internas do texto ou o próprio título da pesquisa, por
exemplo, faz-se necessário o término da redação.

Cada elemento possui características próprias, indicadas pela ABNT, e que


devem ser seguidas pelo pesquisador, a fim de criar uma homogeneidade
nas pesquisas realizadas em nosso país.

Capa
Trata-se do primeiro elemento pré-textual de natureza obrigatória. Consti-
tui a primeira folha do trabalho científico e revela ao leitor dados importantes
que identificam a pesquisa. Esses dados deverão ser transcritos na seguinte
ordem:

 nome da instituição;

 nome do autor;
Elementos pré-textuais da monografia

 título da pesquisa;

 subtítulo (caso exista);

 havendo mais de um, o número de volumes;

 cidade da instituição (sede);

 ano da entrega da pesquisa.

Embora algumas instituições não exijam, a ABNT (2002a) determina que a


versão definitiva da pesquisa deverá ser entregue revestida por uma capa dura
de cor preta, com as letras impressas em dourado, ou uma outra cor de destaque.
Vamos verificar um modelo de capa:

Lombada
A lombada é um elemento pré-textual opcional, ou seja, é facultativa a sua
utilização pelo pesquisador. Constitui a parte por onde as folhas são costuradas,
devendo conter os seguintes itens (ABNT, 2002a):

78
Elementos pré-textuais da monografia

 impressão do nome do pesquisador (autor) de maneira longitudinal e dire-


cionado do alto para o pé da lombada;

 impressão do título do trabalho da mesma forma que o nome do pesquisador;

 na existência de mais de um volume, fazer a indicação do número de volumes.

Folha de rosto
A folha de rosto é um elemento obrigatório, posterior à capa. Seus elemen-
tos são semelhantes aos da capa, acrescentando-se a explicação da natureza
do trabalho:

 autor da pesquisa;

 título da pesquisa;

 subtítulo;

 número do volume;

 uma explicação contendo a natureza acadêmica da pesquisa (monografia,


dissertação ou tese), o objetivo (obtenção de grau acadêmico), identifica-
ção da instituição de ensino;

 nome do professor orientador;

 local (cidade) da instituição;

 ano de entrega da pesquisa.

79
Elementos pré-textuais da monografia

Exemplo de folha de rosto:

Errata
A errata é um elemento opcional que dependerá da necessidade do pesquisa-
dor em informar ao seu leitor que houve algum erro de digitação ou de conteúdo
na impressão da pesquisa. Geralmente, é utilizado quando a instituição de ensino
obriga o pesquisador a defender sua monografia diante de uma banca. Após a
defesa, o conteúdo da errata é acrescido ao texto definitivo da pesquisa.

Deve ser utilizada, portanto, quando o autor da pesquisa descobre, após a


impressão, alguns erros, que não podem ser corrigidos devido à encadernação.
Nesse caso, a errata aparecerá após a folha de rosto, em papel avulso ou encar-
tado. Seus elementos devem seguir a disposição prevista na NBR 14.724 (ABNT,
2002b):

Folha Linha Onde se lê Leia-se


24 48 direito Direito
67 24 Jurídico Jurisdicional

80
Elementos pré-textuais da monografia

Folha de aprovação
A folha de aprovação constitui um elemento de natureza obrigatória, que iden-
tifica a aprovação do respectivo trabalho para a obtenção do grau pretendido.
Possui como itens essenciais:

 identificação do autor do trabalho;

 título e subtítulo do trabalho;

 natureza, objetivo e nome da instituição a que está sendo submetido o tra-


balho, e respectiva área de concentração;

 identificação dos membros da banca examinadora;

 identificação do coordenador do curso;

 local e data de aprovação.

Veja o exemplo:

81
Elementos pré-textuais da monografia

Dedicatória
Trata-se de um elemento opcional, por meio do qual o autor irá oferecer a sua
pesquisa, com afeto, a uma determinada pessoa pertencente ao seu círculo de
convívio ou para outro pesquisador que o autor pretenda homenagear. Geral-
mente, é inserida na parte inferior e à direita da lauda.

Exemplo:

Agradecimentos
Os agradecimentos também são um elemento opcional da monografia,
apresentados em folha distinta da dedicatória. É neste momento que o pes-
quisador demonstra sua gratidão às pessoas que o auxiliaram na pesquisa. Um
professor, colega, marido, esposa, pais e filhos geralmente são incluídos nesse
elemento. Como envolve critérios subjetivos, os agradecimentos serão distin-
tos entre os pesquisadores; muitos, inclusive, criam poesia para agradecer a
ajuda recebida.

82
Elementos pré-textuais da monografia

Citação ou epígrafe
Trata-se de um elemento opcional, no qual o autor da pesquisa faz uma cita-
ção de um pensamento, parte de uma teoria ou de uma poesia com o objetivo de
reforçar o tema pesquisado.

Veja o exemplo:

Resumo
O resumo é um elemento obrigatório, conforme dispõe a NBR 14.724 (ABNT,
2002b). Não se trata de uma enumeração de itens e subitens, mas sim da constru-
ção de um texto lógico e conciso, com no mínimo 150 e no máximo 500 palavras.

Logo após o texto, devem ser destacadas as palavras-chave, isto é, palavras


representativas do conteúdo do trabalho.

A NBR 6.028 (ABNT, 2003c) dispõe sobre critérios para a redação desse elemen-
to. Ele deve trazer o objetivo, o método e os resultados da pesquisa de forma su-
cinta, fornecendo ao leitor uma visão panorâmica do assunto que vai ser tratado
na monografia.

83
Elementos pré-textuais da monografia

Deve ser feito em um único parágrafo, com espaçamento simples e sem recuo
na primeira linha. O tamanho da letra deve ser o mesmo utilizado no corpo do
trabalho. A linguagem deve ser em terceira pessoa, na voz ativa.

Segue-se um exemplo:
Resumo

A presente pesquisa versa sobre a crise do Estado liberal e de seu modelo de delegação de poder
político, assim como analisa a possibilidade de sua reestruturação a partir dos fundamentos da
democracia participativa, privilegiando-se o poder local como instância de maior envolvimento
dos sujeitos participantes desse processo. Dessa forma, no primeiro capítulo, busca a demons-
tração que a expressão democracia pode ser utilizada em várias acepções, entre elas, a econô-
mica, a social, a industrial e a política, sendo esta objeto de estudo da presente dissertação. Foi
demonstrado, nessa linha, que ela pode ser exercida, tradicionalmente, de duas formas: direta
ou indiretamente através da representação política. Interligada a ela se relacionam os partidos
políticos, dos quais foram estudados os pontos positivos e negativos em relação ao binômio
representatividade-participação. Nessa mesma direção, no segundo capítulo, foi demonstrado
que o Estado liberal e seu modelo clássico de delegação de poderes encontra-se em crise, sendo
posteriormente proposta a democracia participativa como forma de reestruturação do modelo
vigente. Para tanto, foram analisados os fundamentos da participação popular, assim como sua
distinção em relação à representação. No terceiro capítulo, foram destacadas as modalidades
adotadas pelo sistema jurídico pátrio, tais sejam o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular.
Posteriormente, pugnou-se pela descentralização democrática privilegiando--se o poder local,
como esfera de efetiva participação popular, especificando alguns projetos desenvolvidos por
determinados municípios brasileiros.

Palavras-chave: democracia; representação política; Estado; participação popular; participa-


ção direta.

Lista de ilustrações
Trata-se de um elemento opcional, que indicará todas as ilustrações contidas
no texto da pesquisa. Deve ser elaborada de acordo com a ordem das ilustrações
utilizadas no texto.

Todos os mapas, tabelas e gráficos devem ser numerados e citados na lista de


ilustrações, da seguinte forma:

84
Elementos pré-textuais da monografia

Lista de abreviaturas, siglas e símbolos


São elementos opcionais, sendo que sua utilização dependerá da natureza da
pesquisa realizada pelo autor e da preferência deste, uma vez que o autor poderá
apresentá-las no decorrer do texto.

Devem ser feitas separadamente, cada uma em folha apartada. Abreviaturas


correspondem a um sistema de referência de expressões utilizadas recorrente-
mente, enquanto que a lista de siglas relaciona-se com siglas institucionais (STF,
STJ, por exemplo). Por fim, a lista de símbolos convenciona símbolos utilizados no
texto (@, %, $, por exemplo).

85
Elementos pré-textuais da monografia

86
Elementos pré-textuais da monografia

Sumário
O sumário é um elemento obrigatório, regulamentado pela NBR 6.027 (ABNT,
2003b), que tem por objetivo fornecer ao leitor uma visão geral do trabalho, pois
indicará os capítulos (itens) e suas divisões (subitens).

É, portanto, “[...] no sumário que você deverá apresentar a numeração das


seções ou qualquer outro meio de organização interna que você tenha estabele-
cido, acompanhado do respectivo número da página” (MEZZAROBA; MONTEIRO,
2003, p. 198).

No sumário, deve-se obedecer à numeração progressiva utilizada no corpo do


texto, alinhada à esquerda e com a formatação da letra utilizada no decorrer da
obra. Pode-se optar por indicar apenas a página de início, assim como a de início
e término do item, separadas por hífen (45-67, por exemplo).

Todavia, deve-se manter um padrão. Caso uma das páginas finais seja transcri-
ta no sumário, todas deverão estar contidas nesse elemento.

87
Elementos pré-textuais da monografia

Texto complementar
O contexto brasileiro e a importância
da pesquisa e da pós-graduação em Direito
(ADEODATO, 2002)

O ensino jurídico vem atravessando mais uma grande modificação estrutu-


ral, talvez a maior na história do ensino superior no Brasil, o que vem provocan-
do debates mais que salutares. Embora se venha escrevendo copiosamente
sobre metodologia de pesquisa no Brasil, o Direito tem sido sistematicamente
esquecido. A pesquisa jurídica é das mais atrasadas do país e os investimentos
governamentais na área são irrisórios, nada obstante ser Direito um dos cursos
superiores mais importantes e procurados pelos egressos do segundo grau no
país. Esse fenômeno deve-se a diversos fatores, tais como a profissionalização
(e mesmo proletarização) da profissão, mercantilismo nos cursos jurídicos pri-
vados, omissão do Estado e da sociedade, sem falar nas duradouras consequ-

88
Elementos pré-textuais da monografia

ências do esvaziamento qualitativo do corpo docente jurídico levado a efeito


pelo governo militar que se estendeu desde 1964. Apesar de sua importância,
não cabe aqui considerar essas causas. Além da ignorância sobre como pes-
quisar e como apresentar os resultados de suas pesquisas, os juristas estão em
geral tão envolvidos com problemas práticos do dia a dia que não têm tempo
para estudos mais aprofundados. A pesquisa toma tempo, exige grande de-
dicação e as recompensas imediatas são parcas, ainda que seu resultado, o
saber, seja extremamente útil no tratamento de problemas práticos do dia
a dia. E a comunidade jurídica nacional vem percebendo isto. Não só a pós-
graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) e lato sensu (especialização)
em Direito crescem visivelmente em quantidade e qualidade, nos ensinos pú-
blico e privado, como também as entidades que congregam profissionais tra-
dicionalmente afastados da pesquisa preocupam-se em melhor formar seus
quadros, sejam estes da magistratura, do Ministério Público, da advocacia, e
procuram pouco a pouco privilegiar a pesquisa e o currículo dos candidatos
em concursos de ingresso que promovem, além de oferecerem oportunida-
des de estudo investindo em seus próprios quadros. É falaciosa a argumenta-
ção de que a pós-graduação não é necessariamente garantia de qualidade.
O silogismo é falso, pois o paradigma se transforma em um sofisma quando
o exemplo é casual, isolado ou mesmo pouco frequente. O paradigma só tem
sentido quando é a regra, não o mero exemplo excepcional. Apesar da retó-
rica supostamente objetiva e geral, parece que as ações contrárias e aquelas
que pretendem minimizar a importância da pós-graduação em Direito no
Brasil têm um fundamento nitidamente pragmático e, por motivo deste ca-
ráter existencial de sobrevivência, seus baluartes atuam tão denotadamente
em defesa de seus próprios interesses.

Daí a resistência de muitos setores conservadores a mudanças mais pro-


fundas, procurando desqualificar a pesquisa e a pós-graduação. Como não a
obtiveram nem a querem ou podem obter, revoltam-se contra o estabeleci-
mento de critérios e contra aqueles que esforçam-se nesse sentido. É sintomá-
tico observar que todas as críticas ao “excesso de importância” dado à pesqui-
sa e à pós-graduação em Direito venham, sem exceção, de pessoas que não
conseguiram uma coisa nem outra. Nunca se viu um doutor menosprezando
publicamente a importância da pós-graduação.

Mas os problemas internos da pós-graduação são muitos e mais sérios. Um


deles é o alto índice de desistência, fenômeno que não é exclusivo da pós-

89
Elementos pré-textuais da monografia

-graduação brasileira nem do curso de Direito, mas neles atinge níveis ainda
mais significativos. Por um lado, tem-se o aspecto psicológico da “síndrome da
desistência”, quando o aluno procura explicar seu próprio fracasso na emprei-
tada através de argumentos “objetivos”, tais como ter pouco tempo disponí-
vel, ser arrimo de família, ter coisas mais importantes a fazer, a pouca impor-
tância profissional da pós-graduação e toda sorte de problemas pessoais. O
fato é que, ao lado da disponibilidade intelectual, pesquisa é tarefa das mais
estafantes e nem todos têm conseguido levá-la a cabo satisfatoriamente.

Por outro lado, há a atitude leniente das agências governamentais para


com bolsistas que não cumprem suas obrigações, culminando na perda de
todos os prazos sem defender a dissertação ou tese, inadimplentes após usu-
fruírem de recursos de um país pobre que tão pouco investe em educação.
Com base em pareceres no mínimo questionáveis, as agências têm entendido
a bolsa de estudos pública como uma doação pura e simples, sem contrapar-
tidas, quando sanções cíveis contra quem não cumpre contratos seriam ao
menos argumentáveis em quaisquer tribunais e são a regra no que concerne
às agências de fomento públicas em outros países.

Este texto pretende auxiliar quem pretende participar de uma discussão


sobre o Direito em bases científicas, através de uma série de sugestões que o
bom senso e a experiência confirmam.

Ampliando seus conhecimentos


Metodologia Científica, de Marina de Andrade Marconi, editora Atlas.

Metodologia Científica: lógica, epistemologia e normas, de Edvaldo Soares, edi-


tora Atlas.

90
Elementos textuais

Os elementos textuais da monografia jurídica compreendem a introdu-


ção, o desenvolvimento e a conclusão da pesquisa, isto é, a apresentação da
pesquisa em forma de texto. Trata-se, portanto, da redação da monografia, a
qual possui diversas regras, não só de cunho metodológico, mas também de
gramática, visando à construção de um texto claro e objetivo. Dentre as regras
metodológicas, destacam-se os sistemas de citação, de notas de rodapé e a
formatação geral da monografia, conforme determina a Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT).

Para que se inicie a redação de um bom trabalho científico, é necessá-


rio que a leitura e a análise dos dados coletados tenham sido realizadas.
Ler, analisar e redigir ao mesmo tempo faz com que o trabalho fique com-
partimentalizado.

A redação, portanto, é um dos momentos finais da pesquisa, uma vez que o


pesquisador já deve possuir elementos suficientes para fundamentar a com-
provação da sua hipótese, prevista no projeto de pesquisa.

Note-se que durante a leitura e análise dos dados, o pesquisador poderá


concluir que a hipótese prevista não foi confirmada com uma pesquisa mais
apurada. Esse fator não invalida a pesquisa, mas demonstra que aquela situ-
ação não é a mais adequada.

Portanto não se preocupe com a negativa da hipótese. Nesse caso, su-


gere-se que seja alterada a hipótese construída a priori e transcrita na intro-
dução da monografia de forma afirmativa. Vamos analisar, neste momento,
alguns aspectos importantes que devem ser considerados durante a reda-
ção da monografia.

Redação
A redação de um bom texto exige que o autor tenha prévio conhecimen-
to do assunto que será tratado. Lembre-se que o resultado da pesquisa deve
possuir um caráter científico, portanto, deve ser lógico, sistemático, claro e
Elementos textuais

objetivo. A escolha do método deve estar presente na redação, ou seja, o leitor


deve ser capaz de identificar qual método científico está sendo utilizado pelo
pesquisador. É a construção lógica do conteúdo que definirá essa proposição.

Além desses critérios, outros devem estar presentes no momento da reda-


ção: os objetivos do pesquisador e a percepção da gama de leitores a que se desti-
na a pesquisa jurídica. Os objetivos, principalmente a confirmação da hipótese,
devem conduzir o raciocínio do pesquisador, sendo que, para ajudar na busca
de tais objetivos, o pesquisador deve se valer da terminologia técnica do seu
ramo de ciência.

Dessa forma, para que o leitor fixe-se ao texto, este deverá ir ao encontro dos
objetivos do leitor, demonstrando profundidade, clareza e objetividade. Esses re-
quisitos são capazes de conduzir a um bom texto, com natureza jurídica e cientí-
fica. Assim, ensina Medeiros (2004, p. 259): “[...] a profundidade, a experiência que
se tem do assunto, a segurança na exposição dos fatos, tudo isso motiva sobre-
maneira o leitor”.

Para tanto, a linguagem utilizada pelo autor é fundamental. A adequação da


linguagem ao tema é feita por meio da utilização de termos técnicos, os quais são
responsáveis por evitar confusões teóricas. Na área jurídica, entretanto, é comum
que o operador do Direito utilize além de termos técnicos, expressões rebusca-
das, até mesmo em desuso na língua portuguesa.

Devemos ter em mente que linguagem técnica não é sinônimo de linguagem


rebuscada. Note-se que, se está escrevendo um texto é porque se deseja que
alguém o leia e o compreenda. Escrever de forma difícil, com expressões em
língua estrangeira não traduzidas, não demonstra conhecimento, mas ao contrá-
rio, revela o desejo do autor de impressionar e não de ser compreendido.

A pesquisa jurídica, como qualquer outra, só possuirá significado se tradu-


zir um aprimoramento da ciência, independentemente de constituir uma revi-
são bibliográfica ou a inserção de uma ideia nova. Para tanto, o conhecimento
deverá ser compartilhado, agregado às pessoas e às suas vidas acadêmicas e
profissionais, o que somente se conseguirá com a utilização de uma linguagem
clara e objetiva.

Some-se a adequação ao assunto à correção gramatical. A escrita deve estar


correta, conforme os padrões utilizados pela ciência e pela língua portuguesa. Ler
um texto que contém diversos erros de português prejudica seu entendimento, e
traduz o descaso do pesquisador com o seu trabalho.

94
Elementos textuais

Dessa forma, muitos dos termos que utilizamos na linguagem oral não devem
ser transcritos no momento de se redigir um texto. Assim já ensinou Medeiros
(2004, p. 259-260):
[...] a linguagem escrita, em relação à oral, é uma linguagem controlada. Por causa das exigên-
cias de clareza, deve ser trabalhada. Na exposição oral, conta-se com a presença daquele que
fala com toda a soma mímica, inflexões de voz e variações de tom, que suprem inúmeros escla-
recimentos, que na linguagem escrita muitas vezes desaparecem. A frase, destituída da ajuda do
ambiente, da entoação e da mímica, necessita de construção lógica e concatenada.

É possível elencar algumas recomendações úteis e simples, que auxiliarão o


pesquisador no momento da redação, dentre as quais se destacam as seguintes:

 A redação científica deve ser precisa e informativa. Ou seja, deve ser completa
quanto à informação transmitida, até porque a monografia compreende o
estudo de um único tema de forma aprofundada. Além de trazer o máxi-
mo de informações sobre o tema, estas não podem ser escritas de forma
aleatória. A construção do conhecimento deve respeitar uma logicidade e
coerência fornecida pela utilização do método adequado.

 Deve-se buscar o melhor momento para redigir o trabalho. Cada pessoa tem
um horário em que se sente melhor para escrever. Devem-se utilizar todos
os fatores externos em favor próprio. Ambientes tranquilos, bem ventilados
e com uma boa iluminação fazem com que a redação seja agradável, e não
um trabalho árduo.

 Não se deve utilizar desculpas para postergar o início da redação. Escrever de-
manda tempo e tranquilidade. Deve-se buscar preencher essas condições.

 Para que se inicie a redação são fundamentais a leitura, o armazenamento e a


análise dos dados, previamente. Não se deve começar a escrever durante a
leitura: isso prejudicará a visão do todo, da construção lógica dos argumen-
tos utilizados para defender sua proposição.

 É necessário respeitar o plano de redação previsto no projeto de pesquisa. Cla-


ro que a estrutura básica prevista a priori poderá ser alterada, mas mante-
nha sempre uma sistematização do conteúdo. A partir da proposição desse
projeto, deve-se cumprir os passos delineados.

 Deve-se cuidar com a gramática. Além da transcrição de ideias de outros au-


tores, sempre com a citação da fonte, deve-se pensar, refletir sobre aquilo
que foi lido e fichado previamente para construir argumentos sem grandes
falhas metodológicas e de conteúdo.

95
Elementos textuais

 Após redigir o texto, deve-se revisá-lo várias vezes, assim a lógica e a coerência
serão privilegiadas. Ler, reler e consertar os equívocos transformam o texto
em um bom texto, de cunhos científico e jurídico, claro e acessível ao públi-
co a que se destina.

Divisão da monografia
O texto da monografia, didática e metodologicamente, pode ser dividido em
três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão – as quais serão trabalhadas
pelo pesquisador conforme a complexidade do seu objeto de estudo.

Introdução
A introdução serve para esclarecer a metodologia utilizada pelo pesquisador
durante seu estudo. São questões prévias que irão demonstrar ao leitor uma visão
global de como o tema foi pesquisado e quais os resultados dessa pesquisa.

Dentre os elementos que devem estar presentes na introdução da monografia,


destacam-se:

 indicação do tema – o pesquisador deve revelar ao leitor o tema que foi


pesquisado, assim como a delimitação realizada. Note-se que deve ficar cla-
ro para o leitor a que se propõe aquele estudo. A delimitação do tema faz
com que o leitor não tenha sua expectativa frustrada em relação à pesquisa;
 problema – indicar a indagação, a inquietude, o questionamento que o le-
vou à pesquisa;
 hipótese(s) – trazer as respostas para o problema proposto, as quais foram
obtidas com a pesquisa. É óbvio que a indicação das hipóteses será feita de
forma sucinta, pois a explicação devida ocorrerá no desenvolvimento da
monografia;
 justificativa – os motivos que levaram o pesquisador a realizar o trabalho
científico, como se encontra o tema pesquisado no mundo jurídico, e quais
as contribuições para a ciência jurídica com o estudo desse tema;
 objetivos – indicação do que se pretende com a pesquisa;
 a teoria de base ou marco teórico – escolhido e utilizado pelo pesquisador;

96
Elementos textuais

 metodologia – indicando o método de abordagem, de procedimento e as


técnicas de pesquisa adotadas;

 divisão do trabalho – a indicação do que foi estudado, sinteticamente, em


cada capítulo.

A introdução, portanto, deverá conter os aspectos iniciais e fundamentais


de uma pesquisa. Todos esses aspectos foram elaborados já no projeto de pes-
quisa, daí a importância deste. Um bom projeto de pesquisa é sinônimo de uma
boa introdução.

Na introdução, não devem ser incluídas citações ou notas de rodapé, pois toda
a fundamentação, a teoria e a defesa da hipótese serão construídas no desenvol-
vimento da pesquisa. É a apresentação, pelo pesquisador, de seu trabalho, mas
deve, contudo, ser escrita em terceira pessoa.

Desenvolvimento
O desenvolvimento da monografia é o texto no qual o pesquisador defenderá
a sua ideia nova, a sua visão do tema. É extremamente denso, pois nele todos os
argumentos a favor e contra a hipótese serão apresentados ao leitor.

Para que essa defesa dos argumentos ocorra de maneira lógica e sistematiza-
da, o desenvolvimento da monografia, geralmente, divide-se em três capítulos.
No primeiro capítulo será explicado o assunto. A princípio é bem teórico, uma vez
que expõe uma explicação do assunto. Pode-se afirmar que no primeiro capítulo
o autor vai expor ao seu leitor aquilo que será tratado, fornecendo a fundamenta-
ção adequada da teoria que vai ser defendida ou questionada.

No segundo capítulo deve ocorrer a discussão do tema apresentado e funda-


mentado no primeiro capítulo. É o capítulo dos grandes debates e embates teóri-
cos. É nesse momento que o pesquisador irá buscar o convencimento do leitor
sobre aquele problema, e as teorias que podem ser aplicadas para resolvê-lo.

Por fim, no terceiro capítulo é que se comprova a hipótese prevista já no projeto


de pesquisa. Conclui-se a pesquisa, apresentando, portanto, todas as respostas
possíveis e adequadas para aquele problema. Confirma a teoria apresentada no
primeiro capítulo e debatida no segundo capítulo.

97
Elementos textuais

O desenvolvimento é a fundamentação da pesquisa. É nele que serão construí­


dos argumentos suficientes para comprovar a hipótese. Logicidade, sistematiza-
ção e conteúdo suficientes são imprescindíveis para um bom desenvolvimento da
monografia jurídica.

Conclusão
A conclusão é uma retomada dos posicionamentos defendidos durante o desen-
volvimento da pesquisa. Segundo a ABNT, sua nomenclatura, seja para monogra-
fia, dissertação ou tese, será conclusão e não considerações finais.

Na conclusão não é possível acrescentar nenhuma ideia nova, pois todas as


alegações inseridas no trabalho acadêmico deverão estar devidamente compro-
vadas durante o desenvolvimento, já que não há espaço suficiente para isso. Por-
tanto, não se deve inserir nenhuma ideia nova na conclusão.

Há uma retomada das ideias principais inseridas durante a redação da pes-


quisa. É o momento em que o pesquisador demonstra que sua hipótese relatada
na introdução foi comprovada no desenvolvimento. Note-se que a comprovação
não ocorre na conclusão, mas apenas sua reafirmação. Dessa forma, por mais que
seja denominada conclusão, esta, em seu sentido estrito, deve estar colocada no
desenvolvimento. Conclusão, portanto, significa um fechamento das ideias.

Esse fechamento não constitui um mero resumo, mas a indicação dos pontos
principais que possibilitaram a confirmação da hipótese.

Formatação geral do trabalho


Existem algumas regras de formatação geral do trabalho científico, criadas
pela ABNT e que devem ser seguidas pelos pesquisadores, para que os trabalhos
científicos possuam uma padronização. As regras metodológicas são tão impor-
tantes quanto o conteúdo defendido no trabalho científico.

Paginação
A NBR 14.724 (ABNT, 2002c) dispõe sobre a paginação da pesquisa. Todas as
folhas da monografia, a partir da folha de rosto, são contadas. Contudo, somente
a partir dos elementos textuais, ou seja, a partir da introdução é que os números são
inseridos nas páginas.
98
Elementos textuais

A numeração deve ser colocada em algarismos arábicos, no canto superior di-


reito da folha, a dois centímetros da borda superior, devendo o último algarismo
ficar a dois centímetros da borda direita da folha.

Caso o trabalho possua mais de um volume, a numeração deve ser con-


tínua, mantendo-se uma única sequência até o último volume. Da mesma
forma ocorrem com os elementos pós-textuais, todos seguem a numeração
contínua do texto.

Regras para paginação segundo a NBR 14.724:

 algarismos arábicos;
 canto superior direito – 2cm da borda superior;
 último algarismo a 2cm da borda direita.

Fontes
Em relação ao tipo da fonte que deve ser utilizado na monografia, não há ne-
nhuma determinação da ABNT que vincule o pesquisador. Sugere-se, nesse caso,
a utilização como estilo-padrão a fonte Arial.

Deve-se, contudo, ter um certo cuidado


[...] a título de não imprimir ao seu trabalho uma feição de excessiva informalidade que poderia
levar algum leitor a identificá-la com ausência de seriedade; evite a escolha por modelos de
fontes (letras) em estilo cursivo que imitem a grafia feita à mão, aquelas utilizadas em desenhos
gráficos e história em quadrinhos e semelhantes. (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 219)

Já em relação ao tamanho, a ABNT recomenda o tamanho 12 de fonte para o


texto, e o tamanho 10 para as notas de rodapé e citações longas.

Margens
As margens do trabalho estão previstas na NBR 14.724 (2002c) e devem adotar
os seguintes parâmetros:

 margem superior – 3cm;


 margem inferior – 2cm;
 margem esquerda – 3cm;

 margem direita – 2cm.

99
Elementos textuais

O modo de impressão deve ser o retrato, ou seja, as folhas devem estar


na vertical.

Divisão interna do texto


Para demonstrar a logicidade do texto, deve-se fazer a sua divisão interna de
forma a privilegiar os pontos mais importantes. As divisões podem ser em seções
primárias, conhecidas como capítulos, secundárias e terciárias, as quais são as di-
visões internas de cada capítulo.

A regulamentação pela ABNT, segue a NBR 6.024 (ABNT, 2003a) e deverá ser
progressiva, sendo que os números deverão estar alinhados à margem esquerda,
sem nenhum recuo.

As divisões deverão estar destacadas do texto por meio da utilização do ne-


grito, do itálico, do sublinhado ou de letras maiúsculas. Após o número da seção
correspondente, não haverá ponto, sendo que deverão existir diferenciações de
destaque entre as várias seções.

Exemplo:

1 O DIREITO DE AÇÃO

1.1 As condições da ação

1.1.1 Interesse de agir

Alinhamento
No corpo do texto, deve ser utilizado o alinhamento justificado. Deve-se da
mesma forma dar um recuo na primeira linha do parágrafo.

Os títulos das seções que forem numerados devem estar alinhados à esquerda,
enquanto que aqueles que não possuem numeração (folha de aprovação, agrade-
cimento, dedicatória, sumário, resumo, introdução, conclusão, referências, índice,
glossário etc.) devem estar centralizados.

Recuo da primeira linha


Não há uma obrigatoriedade do tamanho do espaço (recuo) que deve ser dei-
xado na primeira linha do parágrafo. Recomenda-se estabelecer um recuo entre

100
Elementos textuais

três e cinco centímetros. Embora não exista uma padronização imposta pela ABNT,
o pesquisador sempre deverá deixar um recuo na primeira linha e, a partir do pri-
meiro, utilizar sempre o mesmo recuo.

Espaçamento entre parágrafos


Quem utiliza o Word para digitar a sua monografia deverá estabelecer o espa-
çamento de seis pontos entre os parágrafos.

Já em relação ao espaçamento entre as linhas, a ABNT recomenda, e não obriga,


a utilização do espaço duplo. Contudo, a utilização desse espaço faz com que o
número de páginas fique demasiadamente grande, cansando o leitor. Sugere-se,
dessa forma, a utilização do espaço entrelinhas de 1,5 centímetro.

Citações
Em todo trabalho científico, é comum o uso de citações. Elas compreendem a
transcrição de um dado, que pode ser uma teoria, uma jurisprudência, uma lei ou
uma estatística.

Fundamentalmente, as citações servem para esclarecer e confirmar uma


determinada informação, tornando o texto mais claro, seja pelo conteúdo da
informação, seja pela explicação de uma determinada ideia. Servirá para con-
firmar, quando o dado contido na citação corrobora uma afirmação feita pelo
pesquisador.

Note-se que a citação de um autor ou de uma jurisprudência prova que aquele


autor ou tribunal possui determinada opinião, mas não que aquela posição seja
a mais adequada. Da mesma forma, deve-se tomar cuidado para não obliterar a
fonte, ou seja, deve-se sempre indicar a obra que contém a ideia colecionada na pes-
quisa. Isso deve ser feito pelos sistemas de citação: autor-data ou numérico, previs-
tos pela ABNT.

Citações diretas
Citações diretas ou literais são responsáveis pela transcrição das palavras usadas
pelo autor. Para isso, deve-se colocar aspas duplas para indicar que aquela deter-
minada ideia não é do pesquisador, e sim de outra pessoa.

101
Elementos textuais

A ABNT não limita o tamanho das citações, devendo prevalecer a regra do bom
senso. Contudo, é preciso cuidado com a utilização de citações muito extensas,
pois podem revelar aspectos negativos no trabalho acadêmico, indicando ausên-
cia de contribuição pessoal do autor.

Da mesma maneira, a ABNT não limita o número de citações. Trabalhos com


diversas citações podem significar a preocupação do autor com a amplitude das
fontes pesquisadas, ou com a pouca análise dessas fontes.

Todo trabalho científico demanda uma boa revisão bibliográfica. Mas isso não
significa que o autor do trabalho deva transformá-lo em uma sequência intermi-
nável de citações, principalmente sobre informações óbvias e notórias, ou cita-
ções desnecessárias.

Citações diretas curtas


As citações diretas são consideradas curtas quando possuem menos de três
linhas. Nesse caso, a transcrição poderá ser feita no próprio texto, utilizando-se de
aspas duplas, indicando sempre a fonte utilizada. Exemplo:

As citações são inclusões no texto de dados extraídos de outro texto. O obje-


tivo das citações é “[...] sustentar, ilustrar ou esclarecer ideias do autor do texto”
(SANTOS, 2001, p. 116).

Citações diretas longas


As citações longas são as transcrições literais com mais de três linhas de ideias
de outros autores. Nesse caso, a citação deverá ser feita separadamente do pa-
rágrafo, com o tamanho de fonte reduzido em dois pontos. O recuo a ser dado é
de quatro centímetros e sem espaço de primeira linha. Nesse caso, não é preciso
utilizar as aspas. Exemplo de citação:
É o momento da montagem do texto escrito a partir das informações obtidas, organizadas se-
gundo os objetivos do projeto. Redigir consiste essencialmente em escrever um “texto pensado”,
já produzido ao redor de um objetivo, enriquecendo-o com detalhes anotados. É aqui que os
objetivos do pesquisador transformam-se em capítulos para o leitor [...]. (SANTOS, 2000, p. 95)

Comentários quanto à citação e supressão de texto


É possível inserir comentários em uma citação direta. Esses comentários servem
para esclarecer alguma dúvida que o leitor possa ter com a leitura parcial das

102
Elementos textuais

ideias do autor que está sendo citado. Esses comentários devem ser inseridos no
texto com o auxílio de colchetes. Exemplo:
Esse estudo [pesquisa jurídica] é sistemático e realizado com a finalidade de incorporar os resul-
tados obtidos em expressões comunicáveis e comprovadas aos níveis de conhecimento obtido.
(BARROS; LEHFELD, 2003, p. 30)

Da mesma forma, o pesquisador pode realizar uma supressão de texto, ou seja,


deixar de citar parcelas da ideia do autor. Nesse caso, a supressão é representada
por colchetes e reticências. Exemplo:
Entre outras qualidades [...], o pesquisador deve ser capaz de tolerar ambiguidades, ter senso de
responsabilidade, ser maduro e autodisciplinado. (SEABRA, 2001, p. 45)

Incorreção de texto
Para indicar incorreções no texto, geralmente de língua portuguesa, utiliza-se
o termo sic (“assim mesmo”) entre colchetes e imediatamente após a incorreção.

Destaque
O pesquisador poderá sublinhar, colocar em negrito, ou utilizar o estilo itálico
da fonte, fornecendo destaque a uma palavra, expressão ou ideia. Nesse caso, uti-
liza-se a expressão grifo nosso, quando o destaque é dado pelo autor da pesquisa.
Exemplo:

“Metodologia é uma preocupação instrumental. Trata das formas de se fazer


ciência. Cuida dos procedimentos, das ferramentas, dos caminhos. A finalidade da
ciência é tratar a realidade teórica e praticamente” (DEMO, 1985, p. 19, grifo nosso).

Agora, quando o destaque é do próprio autor da ideia que está sendo citada, a
expressão a ser utilizada é grifo do autor.

Citação de citação
A ABNT regulamenta a citação da ideia de um autor já citado por outro. Nesse
caso, utiliza-se o termo apud, que significa “citado por”.

Contudo, deve-se ter muito cuidado na utilização do apud. É sempre prudente


buscar a fonte original, devendo-se recorrer à citação da citação somente quando
a obra está esgotada ou foi publicada em outro país, e o acesso a ela é difícil.

103
Elementos textuais

Meios informais
Quando a informação citada na pesquisa foi obtida por meios informais, ou
seja, aulas, palestras, debates, conversas ou entrevistas, deve-se informar ao leitor
por meio da utilização de parênteses. Mas cuidado com esse tipo de informação,
pois todos os fatos citados na pesquisa devem ser comprovados.

Caso a informação tenha sido obtida de forma oral, coloque a expressão infor-
mação verbal entre parênteses.

Citação em língua estrangeira


Quanto às citações em língua estrangeira, devemos traduzi-las no corpo do
texto. Não é recomendável colocá-las em sua língua pátria no texto. Caso não
haja indicação do tradutor, presume-se que o autor do trabalho tenha feito a
tradução. Já as citações nos rodapés não necessitam de tradução. Caso se faça a
tradução de uma citação, a sua transcrição na língua de origem deverá ser feita
em nota de rodapé.

Citações indiretas
Existirá citação indireta quando a ideia do autor a ser citado for transcrita com
as palavras do pesquisador, ou seja, é “[...] toda ideia ou qualquer tipo de informa-
ção de outra pessoa (fonte), em que utilizamos nossas palavras. Ocorre quando
fazemos uma transcrição livre do texto do autor consultado” (MEZZAROBA; MON-
TEIRO, 2003, p. 273).

Para indicar a fonte, será utilizado o sistema de citação, conforme regulamenta


a ABNT.

Sistema de citação recomendado


A ABNT disciplina duas formas de indicação da fonte que está sendo citada
pelo pesquisador, o sistema autor-data e o sistema numérico. Todavia recomenda
que se utilize o primeiro.

104
Elementos textuais

Sistema autor-data
No sistema autor-data, a indicação da obra é feita no próprio texto, entre pa-
rênteses, indicando o sobrenome do autor em letras maiúsculas, seguido do
ano de publicação da obra e da página. Todos esses elementos são separados
por vírgula.

Caso não exista autor especificado, indica-se a instituição responsável pela pu-
blicação e, na ausência desta, o título da obra.

Nas situações em que o sobrenome do autor já foi citado no texto, não é preci-
so repetir, bastando o ano e a página.

Exemplos:
(GIL, 2002, p. 85)
(ABNT, 2000, p. 3)
Entrevista... (2001, p. 14)
Segundo Gil (2002, p. 85)

Dois autores com o mesmo sobrenome


No caso de utilização de dois autores com o mesmo sobrenome, é necessário,
para se evitar possíveis confusões, indicar as iniciais dos prenomes dos autores. Se
persistir a coincidência, colocam-se os prenomes por extenso.

Exemplo:
(BASTOS, L. R., 1982, p. 140) e (BASTOS, C. R., 2002, p. 122)

Mesmo autor com várias obras


No caso da utilização de várias obras do mesmo autor, a diferenciação vai
ocorrer pela data da publicação das obras. Caso sejam publicadas no mesmo ano,
acrescenta-se, após o ano, letras minúsculas pela ordem alfabética, sem espaço.
Essa forma será repetida nas referências bibliográficas.

Exemplo:
(BONAVIDES, 2001a, p. 54)
(BONAVIDES, 2001b, p. 30)

105
Elementos textuais

Diferentes autores na citação


No caso de citações indiretas, em que ideias de vários autores sejam citadas no
mesmo parágrafo, indica-se, entre parênteses, o sobrenome do autor em letras
maiúsculas separado por vírgula do ano de publicação, sendo que, de um autor
para outro, separa-se com ponto e vírgula.

Exemplo:

(SOUZA, 1980; WOLKMER, 2000; DAHAL, 2001)

Mais de três autores na citação


No caso da referência bibliográfica citada ter sido escrita por mais de três au-
tores, indica-se somente o primeiro autor seguido da expressão et al., que significa
“e outros”.

Exemplo:

(MORIN et al., 1998, p. 34)

Numeração das páginas


A numeração das páginas que contêm as citações inseridas na pesquisa devem
ser colocadas após o ano da publicação da obra. Caso se utilize de mais de uma
página e elas forem consecutivas, indica-se a primeira separada por um hífen da
última página utilizada na citação. Caso as páginas sejam alternadas, devem ser
indicadas e separadas por vírgulas.

Exemplo:

Páginas consecutivas: p. 50-55

Páginas alternadas: p. 2, 8, 10

Sistema numérico
Quando utilizamos o sistema numérico, os dados da referência são transcri-
tos em notas de rodapé. A ABNT não recomenda a utilização desse sistema, e
regulamenta que, no caso de sua adoção, não poderão ser utilizadas notas de
rodapé explicativas.

106
Elementos textuais

Os números inseridos no texto, indicativos da nota de rodapé de referência,


deverão ser os mesmos utilizados para a indicação bibliográfica. Assim como,
mesmo com a transcrição de todas as referências em rodapé, elas devem ser re-
petidas ao final (elementos pós-textuais) na parte específica de Referências.

A primeira citação deverá trazer a indicação bibliográfica completa. Exemplo:

“Demo demonstra que...1”

A partir da segunda ocorrência, deve-se utilizar as seguintes expressões:

Id – idem – no último autor citado


Ibid. – ibidem – última obra citada
ca – circa – aproximadamente, serve para indicar uma data próxima
Cf. – confronte
Coord. – coordenador
e.g. – por exemplo
Esp. – especialidade (esp. p. 20)
et al. – e outros
et pas. – e aqui e ali
et seq. – e seguintes (p. et seq.)
Atual. – atualizado
i.e. – isto é, precedido e seguido por vírgula
in – em (usado para designar um capítulo de obra coletiva)
loc. cit. – no local citado
op. cit. – na obra citada
p. – página ou páginas (use “p. 35-36”, e não “pp”.).
passim – aqui e ali em, por toda obra
s.d. – sem indicação de data
s.e. – sem indicação de editor
s.l. – sem indicação de local da publicação
sic – conforme citação original, apesar de errada

1
DEMO, Pedro. Metodologia do Conhecimento Científico. São Paulo: Atlas, 2000. p. 43.

107
Elementos textuais

Notas de rodapé
As notas de rodapé existem para possibilitar ao pesquisador incluir elementos,
como a conceituação de determinados termos jurídicos, os quais não podem estar
no corpo do texto por prejudicar sua lógica e coerência.

Também podem ser utilizadas para indicar a referência bibliográfica de uma


citação, seja direta ou indireta.

Existem dois tipos de notas de rodapé: as explicativas e as de referência.

Notas explicativas
Servem para acrescentar elementos, dados marginais que não são comporta-
dos no texto, e que são, portanto, inseridos em notas de rodapé.

Essa forma serve também para evitar o glossário, pois os elementos são concei-
tuados em notas de rodapé.

A ABNT, por meio da NBR 10.520 (ABNT, 2002b), regulamenta que as notas
de rodapé explicativas só podem ser utilizadas quando o pesquisador optar pelo
sistema de citação autor-data.

Notas de referências
As notas de referência somente serão utilizadas no caso da opção pelo sistema
de citação for o numérico. Dessa forma, a referência bibliográfica do documento
citado constará não do texto, mas em notas de rodapé.

Texto complementar
Metodologia da pesquisa jurídica (excerto)
(BARRAL, 2003, p. 141-144)

Ao elaborar o trabalho científico, o pesquisador construirá uma argumen-


tação, que deverá ser embasada no raciocínio construído ao longo do texto.
A argumentação científica difere do argumento técnico (uma petição, por

108
Elementos textuais

exemplo) no sentido de que o pesquisador deve seguir padrões mais rígidos


para evitar as falácias da argumentação e também deverá refutar as oposições
à sua argumentação. Neste sentido, o documento científico deve ser claro,
acessível para a audiência pretendida, e ordenado em suas ideias. Ao elaborar
sua argumentação, a principal tarefa do pesquisador será fugir das falácias
que são comuns na linguagem técnica e na linguagem coloquial.

A identificação e refutação das falácias é normalmente estudada em lógica.


No meio jurídico, as falácias mais comuns são:

a) falácia de autoridade (ou magister dixit) – certamente, é a falácia mais


comum do meio jurídico. Ocorre quando uma afirmação é baseada
acrítica e unicamente na opinião de uma autoridade. Na pesquisa
científica, há autores e não autoridades. Repita-se: citar uma obra de-
monstra o que aquele autor disse, mas não a pertinência nem a vera-
cidade do que foi afirmado.

O mesmo pode ser dito de decisões jurisprudenciais, e que aqui é ne-


cessária uma diferenciação entre a tarefa do pesquisador e a tarefa do
operador jurídico. Quando apresenta uma apelação, o advogado cita
decisões de tribunais superiores. Além de apresentar um argumento
de autoridade, ele também está apresentando um argumento técnico:
“se esse Tribunal não decidir como interessa a meu cliente, poderei
reverter essa decisão nos tribunais superiores”. Não se discute aqui a
pertinência científica da decisão dos tribunais superiores, apenas o
posicionamento favorável ao cliente.

Na pesquisa científica, a abordagem é evidentemente distinta. Citar


uma súmula do STF prova a existência do posicionamento jurispru-
dencial naquele sentido, mas não a correção científica deste posicio-
namento. O trabalho científico pode ter por objeto justamente uma
crítica a este posicionamento do STF.

Assim, o que se espera do pesquisador é o diálogo com suas fontes


secundárias, a revisão crítica de conceitos de posicionamento, e não a
“macaquice” subserviente a supostas autoridades.

b) falácia da força (argumentum ad baculum) – aqui, uma parte não discu-


te a veracidade de uma opinião, mas ameaça destruir o emissor com
seu poder.

109
Elementos textuais

c) falácia da ignorância (argumentatum ad ignorantiam) – o emissor ar-


gumenta que algo é o verdadeiro porque ninguém provou sua falsi-
dade, ou que algo é falso porque ninguém provou sua veracidade. A
falácia está justamente no fato de que quem alega é que deve provar.

d) falácia de popularidade (argumentum as populum) – aqui, o emissor


apela para a opinião popular para fundamentar uma determinada
conclusão. Exemplo: “a música sertaneja é de bom gosto porque é pre-
ferida pelo povo”, (bem, em Roma, o povo adorava ver cristãos serem
deglutidos por leões).

e) falácia de piedade (argumentum ad misericordiam) – o emissor apela


para o sentido emocional do destinatário, malgrado os fatos apresen-
tados. No meio jurídico, é muito comum no tribunal do júri, e entre
alunos com prazo para entregar monografia.

f ) falácia de causação – pretender que o fato é consequência de um ou-


tro, sem demonstrar a relação causal (“Quando as mulheres não vota-
vam, havia menos corrupção no Congresso”).

g) falácia do acidente – generalizar uma afirmação a partir de um fato


isolado (“Todo empregado quer trabalhar menos, como é o caso do
nosso zelador”).

h) falsa dicotomia – dividir o posicionamento em apenas duas alternati-


vas antagônicas (“ou você apoia a reforma do Judiciário ou quer favo-
recer o crime organizado”).

i) ataques ao emissor (argumentatum ad hominem) – aqui, não se discu-


te a pertinência do argumento, e sim o caráter de seu emissor (“Esta
acusação de corrupção não pode ser levada a sério, porque o acusador
é um péssimo pai de família”).

j) falácia da retribuição (tu quoque) – desmerecer o argumento porque


o emissor também praticou a ação questionada (“o Ministro quer
aumentar a idade de aposentadoria, mas ele também se aposentou
jovem”).

k) falácia do jogador – acreditar que se ocorreu pouco no passado, de-


verá ocorrer mais no futuro, ou vice-versa (“A companhia aérea BAM

110
Elementos textuais

será mais segura na próxima década, pois teve 13 acidentes nos últi-
mos anos, e cada companhia aérea tem em média dois acidentes por
década”).

l) falácia do pragmatismo – afirmar que algo é verdadeiro em razão de


suas consequências (“Este tributo é constitucional, pois caso contrário
haverá déficit na balança comercial”).

m) falsa analogia – comparar dois termos que não têm a mesma subs-
tância. Um caso especial de falsa analogia se refere ao uso da palavra
direito que [...] é um conceito análogo, que pode significar norma, jus-
tiça, ciência, o fato social ou direito subjetivo. Daí não ser pertinente
contestar uma argumentação normativa, utilizando-se, por exemplo,
do direito como justiça. Exemplo: “Deputado, Vossa Excelência acha
direito seu salário equivaler a 100 salários mínimos?” [direito como jus-
tiça] “sim, meu querido eleitor, é direito porque acumulei quinquênios,
biênios e férias-prêmio” [direito como direito subjetivo].

Ampliando seus conhecimentos


Redação Científica: a prática de fichamentos, resumos e resenhas, de João
Bosco Medeiros, editora Atlas.

Metodologia Científica: a construção do conhecimento, de Antônio Raimundo


Santos, editora DP&A.

111
Elementos pós-textuais

Referências
As referências são relevantes para identificar as obras e documentos que
foram utilizados pelo pesquisador para realizar seus estudos. De acordo com
Mezzaroba e Monteiro (2003, p. 297), podemos entender que referências
compreendem “[...] o conjunto de elementos essenciais que permitem a iden-
tificação da fonte de pesquisa utilizada no decorrer do trabalho científico ou
acadêmico. Pode ser: livro, revista, jornal, legislação, jurisprudência, material
audiovisual etc.”

Existem regras específicas – NBR 6.023/2002 e NBR 14.724/2002 – criadas


pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para identificar a bi-
bliografia utilizada em uma pesquisa bibliográfica. Essas regras devem ser
cumpridas pelo pesquisador, pois convencionam todas as pesquisas produ-
zidas no país.

De acordo com a ABNT, a denominação que deve ser utilizada não é mais
referências bibliográficas ou bibliografia, mas apenas referências. Lembre-se
de que não há numeração de seção para esse elemento, devendo seu título
estar centralizado, escrito com letras maiúsculas e em negrito.

Alinhamento, espaçamento,
entrelinhas entre as referências
O alinhamento utilizado deve ser à esquerda e não mais justificado. Para
quem utiliza o Word, essa forma de alinhamento consta no menu formatar,
parágrafo, alinhamento. A partir dessa forma, as referências não preencherão
toda a linha, embora iniciem sempre no mesmo ponto.

O espaçamento entre as linhas da mesma referência deverá ser simples, e


não 1,5 centímetros como se utilizou no texto, enquanto que o espaço entre
as referências deverá ser duplo.
Elementos pós-textuais

Indicação do autor
As referências iniciam-se pelo sobrenome do autor, quando existente, respon-
sável pela obra utilizada. A transcrição do sobrenome do autor, em letras maiús-
culas, é seguida de vírgula e dos prenomes do autor. Caso o autor possua diversos
prenomes, eles poderão ser abreviados. Exemplo:

SOBRENOME, Nome.

OLIVEIRA FILHO, Raimundo.

Sobrenome composto e conhecido


Caso o sobrenome seja conhecido e composto, deve ser indicado de forma
completa em letras maiúsculas, seguido do prenome.

Exemplo:

PONTES DE MIRANDA, Francisco.

Mais de um autor
Na existência de mais de um autor, eles devem ser indicados nas referências.
Até três autores, não se pode omitir a existência de nenhum dos autores. Nesse
caso, deverá ser indicado o sobrenome do primeiro autor, seguido do prenome.
Para separar do sobrenome do segundo autor, utiliza-se o ponto e vírgula.

Exemplo:

CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant.

Mais de três autores


Existindo mais de três autores, utiliza-se a expressão et al., que significa “e
outros”, após o prenome do autor. Isso significa que não é necessário indicar todos
os autores, para que nenhuma informação seja omitida do leitor.

Exemplo:

WAMBIER, Luiz Rodrigues et al.

114
Elementos pós-textuais

Quando existir organizador, coordenador, compilador


Existem obras que são escritas por diversos autores, sob a orientação de um
organizador ou coordenador. Nesse caso, não é preciso indicar todos os autores,
em se utilizando todos os capítulos ou artigos, mas apenas o organizador ou coor-
denador, seguido de abreviatura entre parênteses.

Da mesma forma, podem ser utilizadas compilações de textos de um mesmo


autor. Nesse caso deve ser indicado o nome do compilador, seguido da abreviatura
entre parênteses.

Exemplo:

WOLKMER, Antonio Carlos (Org.).

Autor desconhecido
Em algumas obras não se encontra o autor. Quando o autor não constar
na obra, a referência iniciará pelo título da obra, com a primeira palavra em
letras maiúsculas.

Exemplo:

MANUAL para Monografia de Direito. Chapecó: Unoesc, 2001.

Atualização ou tradução da obra


Como a legislação encontra-se em transformação diária, muitas obras são atu-
alizadas. O surgimento de uma nova teoria ou posicionamento jurisprudencial de
algum tribunal também poderá acarretar atualizações nas obras. Assim, sempre é
importante utilizar obras e revistas atualizadas.

Da mesma forma, algumas obras são traduzidas por outros autores que não o
pesquisador. Nesse caso, o autor da monografia deverá cuidar com a procedência
da tradução, pois há diversas obras traduzidas incorreta ou parcialmente, alteran-
do o pensamento do autor.

No caso de utilização de obras traduzidas ou atualizadas, esses elementos


devem ser indicados pelas expressões tradução de ou atualização de. Essas ex-
pressões devem ser colocadas logo após o título da obra.

115
Elementos pós-textuais

Exemplo:

DWORKIN, Ronald. Uma Questão de Princípio. Tradução de: Luís Carlos


Borges. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Obra de responsabilidade de um órgão


Quando a obra for de responsabilidade de um órgão, a referência deverá ini-
ciar pela indicação do respectivo órgão.

Exemplo:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6.023: apresentação


de referências. Rio de Janeiro, 2002.

Títulos e subtítulos
O título da obra que está sendo citada deverá destacar-se do texto da refe-
rência. Para realizar esse destaque, poderão ser utilizados os recursos do itálico,
negrito ou sublinhado.

Todavia, uma vez optado por uma das formas de destaque, essa opção
deverá ser utilizada em todas as referências. O subtítulo, contudo, não é des-
tacado do texto.

Exemplo:

SOARES, Edvaldo. Metodologia Científica: lógica, epistemologia e normas.


São Paulo: Atlas, 2003.

Edição
A edição deverá ser indicada logo depois do título, com exceção da primeira
edição. A importância de se indicar a edição, além de ser um elemento obri-
gatório, é que de uma edição para outra o autor poderá atualizar, reescrever
ou excluir uma parcela do texto original. O leitor deve ter consciência de que
naquela determinada edição o autor da obra utilizada possuía a ideia que foi
transcrita na pesquisa.

116
Elementos pós-textuais

Exemplo:

BITTAR, Eduardo C. B. Metodologia da Pesquisa Jurídica: teoria e prática da


monografia para cursos de Direito. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

Número e página
Caso seja uma revista, o seu número deverá ser indicado, bem como as páginas
que contêm aquela ideia ou teoria. O número será substituído por “n.”, e a página,
por “p.”.

Exemplo:

LIMA, Rodrigo C. de Abreu. Estado, poder e natureza humana. Revista Dis-


cente. Curso de Pós-Graduação em Direito da UFSC, Florianópolis, n. 2, p. 135-
150, 2003.

Local
O local de publicação da obra utilizada deverá ser indicado na referência, logo
após a edição, caso conste. O local será seguido por dois-pontos.

Exemplo:

ECO, Umberto. Como se Faz uma Tese. São Paulo: Perspectiva, 1983.

Caso não exista local definido, utiliza-se a expressão sine loco (s.l.). E, no caso
de mais de um local, não há necessidade de indicar os dois, mas apenas o mais
importante.

Sem local – s.l. (sine loco)

Mais de um local – primeiro o mais importante.

Editora
Deverá ser indicada logo após o local, sem a utilização do termo editora. No
caso de não existir indicação da editora, utilize a expressão s.n. E, no caso de mais
de uma editora, separe-as por ponto e vírgula.

117
Elementos pós-textuais

Exemplo:

FALCÃO, Joaquim (Org.). Pesquisa Científica e Direito. Recife: Massangana,


1983.

Sem editora – s.n. [sine nomine]

Mais de uma editora – separar por ponto e vírgula.

Data
A data deverá ser identificada após a editora.

ALVES, Rubem. Filosofia da Ciência: introdução ao jogo e suas regras. São


Paulo: Brasiliense, 1983.

Nos casos em que não houver certeza da data, utilizar as seguintes indicações
inseridas dentro de colchetes:

[2003 ou 2004] – um ano ou outro

[1987?] – data provável

[1964] – data certa, mas não indicada

[ca. 1986] – data aproximada

[197-] – década certa

[197-?] – década provável

[19-] – século certo

[19-?] – século provável

Volume
O volume deverá ser transcrito após a data de publicação.

Exemplo:

SILVA, Ovídio Baptista da. Curso de Processo Civil. 2. ed. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 1998. v. 2.

118
Elementos pós-textuais

Repetição de entrada
Caso se utilize mais de uma obra do mesmo autor, não será necessário repetir
o sobrenome e prenome do autor que está sendo citado. Basta colocar um traço
com comprimento de cinco espaços abaixo da primeira citação.

Exemplo:

PASOLD, César Luiz; OLIVEIRA, Álvaro Borges de. Prática da Pesquisa Jurí-
dica: ideias e ferramentas úteis para o pesquisador do Direito. Florianópolis:
OAB-SC, 1999.

. Momento Decisivo: apresentação e defesa de trabalho acadêmico. Flo-


rianópolis: Momento Atual, 2003.

Glossário
O glossário é uma “[...] lista organizada alfabeticamente de palavras ou expres-
sões técnicas [jurídicas] utilizada na produção científica ou acadêmica, acompa-
nhadas das suas respectivas definições” (ABNT, 2002b, p. 3).

Com a utilização do glossário, o pesquisador esclarece ao leitor o significado


dos termos utilizados na pesquisa. Note que, caso o pesquisador esteja usando o
sistema de citação autor-data, essas explicações poderão ser feitas em notas de
rodapé explicativas, sendo desnecessária a utilização do glossário.

Essas explicações sobre conceitos poderão ser do próprio pesquisador ou de


outros autores. Caso sejam de outros autores, a indicação da fonte utilizada faz-se
necessária.

Apêndices
São textos elaborados pelo próprio autor do trabalho, que buscam comple-
mentar e comprovar as ideias defendidas pelo pesquisador. Devem ser incluídas
aqui todas as informações complementares à pesquisa, obtidas por meio dos
questionários, entrevistas, ou até mesmo formulários criados pelo autor.

119
Elementos pós-textuais

Alguns autores, como Edvaldo Soares (2003, p. 63), indicam que no apêndice
constarão dados elucidativos ou ilustrativos que “[...] não são essenciais à compre-
ensão do texto”.

Devem ser feitos da seguinte forma:

Apêndice A – Questionários

Apêndice B – Entrevistas

Anexos
Os anexos compreendem os materiais que não foram elaborados pelo autor. Não
se deve, contudo, anexar fotocópias de obras. O texto criado pelo autor deverá fazer
referências aos apêndices e anexos, citando-os em notas de rodapé explicativas ou
no próprio texto.

Para Edvaldo Soares (2003, p. 62) os anexos “[...] constituem suportes elucidati-
vos indispensáveis à compreensão do texto”.

Podem ser anexadas decisões jurisprudenciais, reprodução de documentos


oficiais e legislações estrangeiras, por exemplo. Todos esses documentos são im-
portantes e não foram criados pelo autor.

Índices
Para João Bosco Medeiros (2004, p. 305), “índices são tábuas de expressões-
-chave que remetem ao interior do texto: em geral, há os índices de assunto ou
remissivos e os onomásticos (nomes de autores citados)”.

O índice, portanto, é uma lista de informações empregadas na pesquisa jurídica,


facilitando aos leitores encontrar os assuntos que lhes interessam, uma vez que há
indicação do número da página em que esses assuntos ou os nomes dos autores
citados durante o texto se encontram (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 207).

120
Elementos pós-textuais

Texto complementar
Elaboração de referências

Monografias1 consideradas no todo


Autor. Título da Obra: subtítulo. Número da edição. Local de publicação:
editor, ano de publicação. Número de páginas ou volume. (Série). Notas.

Dicionários
AULETE, Caldas. Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa. 3.
ed. Rio de Janeiro: Delta, 1980. 5 v.

Atlas
MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Atlas Celeste. 5. ed. Petrópolis:
Vozes, 1984. 175 p.

Biografias
SZPERKOWICZ, Jerzy. Nicolás Copérnico: 1473-1973. Tradução de: Victor
M. Ferreras Tascón; Carlos H. de León Aragón. Varsóvia: Editorial Científica
Polaca, 1972. 82 p.

Enciclopédias
THE NEW Encyclopaedia Britannica: micropaedia. Chicago: Encyclopaedia
Britannica, 1986. 30 v.

1
Monografia é um estudo minucioso que se propõe a esgotar determinado tema relati­vamente restrito. (cf. Novo Dicio­
ná­rio da Língua Portuguesa, 1986).

121
Elementos pós-textuais

Normas técnicas
Órgão Normalizador. Título: subtítulo, número da norma. Local, ano.
volume ou página(s).

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6.028: resumos. Rio


de Janeiro, 1990. 3 p.

Patentes
Nome e endereço do depositante, do inventor e do titular. Título da inven-
ção na língua original. Classificação internacional de patentes. Sigla do país
e número do depósito. Data do depósito, data da publicação do pedido de
privilégio. Indicação da publicação onde foi publicada a patente. Notas.

Dissertações e teses
Autor. Título: subtítulo. Ano de apresentação. Número de folhas ou volu-
mes. Categoria (grau e área de concentração) – instituição, local.

Congressos, conferências, simpósios,


workshops, jornadas e outros eventos científicos2
Nome do Congresso, número, ano, cidade onde se realizou o Congresso.
Título… Local de publicação: Editora, data de publicação. Número de páginas
ou volume.

Jornadas
Jornada Interna de Iniciação Científica, 18, Jornada Interna de Iniciação
Artística e Cultural; 8, 1996, Rio de Janeiro. Livro de Resumos. Rio de Janeiro:
UFRJ, 1996. 822 p.

2
Quando se tratar de mais de um evento, realizados simul­taneamente, deve-se seguir as mesmas regras aplicadas a autores
pessoais.

122
Elementos pós-textuais

Reuniões
Annual Meeting of the American Society of International Law, 65, 1967,
Washington. Proceedings...Washington: ASIL, 1967. 227 p.

Conferências
Conferência Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, 11, 1986, Belém.
Anais…[S. l.]: OAB, [1986?]. 924 p.

Relatórios oficiais
Comissão Nacional de Energia Nuclear. Departamento de Pesquisa Cientí-
fica e Tecnológica. Relatório. Rio de Janeiro, 1972. Mimeografado.

Relatórios técnico-científicos
SOUZA, Ubiraci Espinelli Lemes de; MELHADO, Silvio Burratino. Subsídios
para a Avaliação do Custo de Mão de Obra na Construção Civil. São Paulo:
Epusp, 1991. 38 p. (Série Texto Técnico, TT/PCC/01).

Referências legislativas
Constituições
País, Estado ou Município. Constituição (data de promulgação). Título.
Local: Editor, ano de publicação. Número de páginas ou volumes. Notas.

Leis e decretos
País, Estado ou Município. Lei ou Decreto, número, data (dia, mês e ano).
Ementa. Título e dados da publicação que publicou a lei ou decreto.

Pareceres
Autor (Pessoa física ou instituição responsável pelo documento). Ementa,
tipo, número e data (dia, mês e ano) do parecer. Título e dados da publicação
que publicou o parecer.

123
Elementos pós-textuais

Portarias, resoluções e deliberações


Autor. (entidade coletiva responsável pelo documento). Ementa (quando
houver). Tipo de documento, número e data (dia, mês e ano). Título e dados
da publicação que publicou.

Acórdãos, decisões, deliberações e sentenças das cortes ou tribunais


Autor (entidade coletiva responsável pelo documento). Nome da Corte ou
Tribunal. Ementa (quando houver). Tipo e número do recurso (apelação, em-
bargo, habeas corpus, mandado de segurança etc.). Partes litigantes. Nome
do relator precedido da palavra “Relator”. Data, precedida da palavra (acórdão
ou decisão ou sentença), título e dados da publicação que o publicou. Voto
vencedor e vencido, quando houver.

Partes de monografias
Autor da parte. Título da parte. In: Autor da obra. Título da Obra. Número
da edição. Local de publicação: Editor, Ano de publicação. Número ou volume,
se houver, páginas inicial-final da parte, e/ou isoladas.

Capítulos de livros
NOGUEIRA, D. P. Fadiga. In: FUNDACENTRO. Curso de Médicos do Traba-
lho. São Paulo, 1974. v. 3. p. 807-813.

Ampliando seus conhecimentos


Fundamentos de Metodologia Científica, de Eva Maria Lakatos e Marina de An-
drade Marconi, editora Atlas.

Metodologia Científica na Era da Informática, de João Augusto Máttar Neto, edi-


tora Saraiva.

124
Referências

ACHINSTEIN, Peter. O Problema da Demarcação. Disponível em: <www.criti-


canarede.com/cien_demarcacao.html>. Acesso em: 11 out. 2005.
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Direito. 21 jun. 2002. Disponível em: <www.saraivajur.com.br>. Acesso em:
15 set. 2005.
ALVES, Maria Bernardete Martins; ARRUDA, Susana Margareth. Como Fazer
Referências: bibliográficas, eletrônicas e demais formas de documentos. Dis-
ponível em: <www.bu.ufsc.br>. Acesso em: 15 abr. 2004.
ALVES, Rubem. Filosofia da Ciência: introdução ao jogo e suas regras. São
Paulo: Brasiliense, 1983.
ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho
Científico. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2001.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10.523: entrada para
nomes de língua portuguesa em registros bibliográficos. Rio de Janeiro,
1988.
. NBR 12.225: títulos e lombadas. Rio de Janeiro, 1992a.
. NBR 12.256: apresentação de originais. Rio de Janeiro, 1992b.
. NBR 6.023: informação e documentação. Rio de Janeiro, 2002a.
. NBR 6.029: apresentação de livros. Rio de Janeiro, 2002b.
. NBR 10.520: informação e documentos. Apresentação de citações em
documentos. Rio de Janeiro, 2002c.
. NBR 14.724: informação e documentação. Trabalhos acadêmicos.
Apresen­tação. Rio de Janeiro, 2002d.
. NBR 6.024: numeração progressiva das seções de um documento. Rio
de Janeiro, 2003a.
. NBR 6.027: sumário. Rio de Janeiro, 2003b.
. NBR 6.028: resumos. Rio de Janeiro, 2003c.
Referências

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nografia para cursos de Direito. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
_____. Metodologia da Pesquisa Jurídica: teoria e prática da monografia para
cursos de Direito. São Paulo: Saraiva, 2003.
CARNEIRO, Maria Francisca. Pesquisa Jurídica: metodologia da aprendizagem. 2.
ed. Curitiba: Juruá, 2001.
COSTA, Marco Antonio F. da. Metodologia da Pesquisa: conceitos e técnicas. Rio
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. Metodologia do Conhecimento Científico. São Paulo: Atlas, 2000.
DESCARTES, René. O Discurso do Método. Tradução de: PEREIRA, Maria Ermanti-
na Galvão G. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
DOMINGUES, Muricy. Bases Metodológicas para o Trabalho Científico: para
alunos iniciantes. São Paulo: Edusc, 2003.
ECO, Umberto. Como se Faz uma Tese. São Paulo: Perspectiva, 1983.
. Como se Faz uma Tese. Tradução de: SOUZA, Gilson Cesar Cardoso de. 15.
ed. São Paulo: Perspectiva, 1999.
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GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas,
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128
Referências

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LYRA FILHO, Roberto. O que é Direito? São Paulo: Brasiliense, 1982.

MARQUES NETO, Agostinho Ramalho. A Ciência do Direito: conceito, objeto, mé-


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MÁTTAR NETO, João Augusto. Metodologia Científica na Era da Informática.


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MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica: a prática de fichamentos, resumos e


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_____. Manual de Metodologia da Pesquisa no Direito. 2. ed. São Paulo: Sarai-


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129
Referências

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era do computador. Disponível em: <www.escritoriodolivro.org.br>. Acesso em:
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130
Anotações
Metodologia da Pesquisa

Metodologia da Pesquisa
Metodologia da Pesquisa
Debora Bonat

www.iesde.com.br