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MAYARA FELICIANO CAMARGO

RECOMENDAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES SOBRE A


PRÁTICA REGULAR DA ATIVIDADE FÍSICA DURANTE A
GESTAÇÃO

UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
SÃO PAULO
2021
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MAYARA FELICIANO CAMARGO

RECOMENDAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES SOBRE A


PRÁTICA REGULAR DA ATIVIDADE FÍSICA DURANTE A
GESTAÇÃO

Projeto de pesquisa apresentado ao Comitê de Ética


em Pesquisa - da Universidade Estácio de Sá, sob a
orientação do Prof. Ms. Alexandre Evangelista.

UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
SÃO PAULO
2021
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RECOMENDAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES SOBRE A


PRÁTICA REGULAR DA ATIVIDADE FÍSICA DURANTE A
GESTAÇÃO
Resumo: A vida humana possui fases e cada fase possui, em si mesma, suas especificidades.
Durante o período gestacional, a vida da mulher passa por diversas alterações físicas, orgânicas,
psicológicas e funcionais. Assim, este trabalho tem por intuito conhecer, refletir e avaliar as
recomendações e contraindicações sobre a prática regular da atividade física durante a gestação.
Para isso, a presente pesquisa procurou recolher fontes e referências de bibliografias já
utilizadas que abordam o mesmo tema. Sabe-se que a atividade física é fundamental em todas
as fases da vida e a prática de exercícios físicos colaboram na conservação, manutenção e
promoção da saúde. Muitas vezes a gravidez é considerada um momento de ociosidade, todavia,
é necessária através de constantes estudos e pesquisas superar essa ideia popular oriunda do
senso comum.

Palavras-chave: Gestação – Atividade Física – Saúde – Recomendações- Contraindicações


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RECOMMENDATIONS AND CONTRAINDICATIONS ABOUT


THE REGULAR PRACTICE OF PHYSICAL ACTIVITY
DURING THE GESTATION PERIOD

Abstract: Human life has phases and each phase has its own specificities. During the gestation
period, a woman's life goes through many physical changes, as well as organic, psychological
and functional changes. Therefore, this work aims to know, reflect and evaluate the
recommendations and contraindications about the regular practice of physical activity during
the gestation period. For that purpose, the present research sought to references of
bibliographies that approach the same theme. Physical activity is fundamental in all phases of
life and, the practice of physical exercises, collaborate in the conservation, maintenance and
promotion of health. Many times, pregnancy is considered a moment of inactivity, but it is
important, through constant studies and research, to overcome this idea coming from common
sense.

Keywords: Gestation Period – Physical Activity – Health – Recommendations –


Contraindications
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SUMÁRIO

1 .INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................6
2. METODOLOGIA ..............................................................................................................................8
3. ATIVIDADE FÍSICA E GESTAÇÃO .............................................................................................9
4. RECOMENDAÇÕES ......................................................................................................................10
4.1 Exercícios aeróbicos ...................................................................................................................11
4.2 Exercícios resistidos ...................................................................................................................13
4.3 Exercícios de flexibilidade e alongamento................................................................................14
4.4 Exercícios aquáticos ...................................................................................................................15
4.5 Exercícios a serem evitados .......................................................................................................16
5. CONTRAINDICAÇÕES .................................................................................................................17
6. RESULTADOS .................................................................................................................................18
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS ..........................................................................................................20
8. REFERÊNCIAS ...............................................................................................................................21
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1 .INTRODUÇÃO

Muitos estudos e produções científicas possuem uma propedêutica apresentação histórica


que oferece a todo leitor uma panorâmica sobre os avanços e conquistas. Assim, ao que se refere
à uma história sobre a as atividades físicas tendo em vista a saúde da mulher no período
gestacional há, de modo geral, pouco dados registrados.

Desde a década de 1990, começou a haver mudança de paradigma em relação às


recomendações de atividade física durante a gestação, que passou a ser estimulada e
até mesmo indicada pelos guias e protocolos do American College of Obstetricians
and Gynecologists (ACOG). Porém, somente em 2002 a prática de atividade física na
gestação foi reconhecida como uma atividade segura, indicada para todas as gestantes
saudáveis. A ACOG elaborou então um guideline estabelecendo as contraindicações
absolutas e relativas para a prática de exercícios por gestantes e algumas
recomendações a respeito de sua prática. No entanto, a indicação da intensidade,
duração e frequência e das modalidades de exercícios a serem praticados ainda está
longe de estar bem estabelecida e deve ser definida de acordo com as particularidades
de cada mulher. (NASCIMENTO; GODOY, SURITA; SILVA, 2014, p. 424).

Durante o período de saúde reprodutiva muitos cuidados são necessários no decorrer da


gestação, dentre eles, faz-se necessário a criação de um programa especial de atendimento
multidisciplinar pré-natal, com orientações e aplicações sobre os cuidados com a saúde para
auxiliar no diagnóstico e prevenção de disfunções neste período.
Sabe-se, pelos conhecimentos científicos de diversas áreas da saúde e também pela
medicina tão avançada na contemporaneidade, que elaborar práticas de cuidados com a saúde
são fatores determinantes no período gestacional, seja para a mãe seja para a criança. Para mais,
os cuidados neste período, dados os cuidados pré-natais (CPN), estabelecem uma oportunidade
para obter contato, atendimento, informações e assistência as mulheres, famílias e
comunidades.
Dessa forma, para que o acesso a saúde no período gestacional obtenha êxito é necessário
a criação de um sistema de estruturação dessas orientações com informações sobre cuidados,
adaptações, sensações e outras formas de enfrentamento dessa fase da vida. Portanto, é
importante instaurar uma comunicação estável com as mulheres gestantes quanto a quesitos
fisiológicos, biomédicos, comportamentais e socioculturais, incluindo seus aspectos
emocionais, culturais, sociais e psicológicos (OMS, 2016).
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Destarte, o período gestacional é, portanto, uma experiência singular que envolve a
família e todo seu contexto sociocultural, mas é importante considerar também que, neste
período, é idealizado diversas crenças e práticas populares ou tradicionalmente comuns. Há,
portanto, entorno do período gestacional, uma série de fatores que são determinantes para o
sucesso da gravidez e é necessário encontrar um justo equilíbrio para a obtenção, manutenção
conservação e promoção da saúde.
Dentre os fatores orgânicos, anatômicos, fisiológicos e funcionais da gravidez, uma das
principais mudanças neste período é o constante crescimento do útero. Segundo Mann e cols.
(2008), “o aumento do peso e no tamanho das mamas, além da posição anteriorizada dentro da
cavidade abdominal, são causas contribuintes para a mudança do centro de gravidade da mulher
para cima e para frente. ” Neste sentido, antes de se falar de atividades físicas é necessário
considerar as mutações físicas recorrentes neste período gestacional.
De acordo com os estudiosos Gomes e Costa (2013), Mann e cols. (2008), Chistófalo e
cols. (2003), a projeção dos ombros para frente, já nos meses primários, acontecem devido ao
crescimento dos seios, e uma dilatação no volume uterino, têm como consequência uma
hiperlordose, ou seja, uma curvatura mais acentuada da coluna seja na região cervical ou
lombar. Para mais, o rompimento e a distensão de algumas fibras dos músculos abdominais,
associada a uma frouxidão ligamentar e um aumento na distância da base dos pés para
neutralizar a mudança gravitacional e o desequilíbrio, podem ser propulsores de lesões.
Assim, considerando esses pressupostos, é possível denotar que as mutações físicas no
corpo feminino durante a gravidez podem oscilar de mulher para mulher e essas mutações
físicas devem ser avaliadas, denominadas e compreendidas numa visão analítica anterior à
gravidez (como era o físico da mulher antes da gestação), durante a gravidez (como o físico
ficou durante a gestação) e posterior à gravidez (como o físico poderá ficar após o período
gestacional).
Neste sentido, compreendendo esse momento único que o período gestacional e todas
essas transformações físicas ocorridas no corpo da mulher, compreende-se dessa forma que a
prática regular de atividade física se torna um aliado para o benefício da saúde.
Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS, a ausência da atividade física durante
a gestação está relacionada aos índices de mortalidade prematura de recém-nascidos e ainda
estima-se que a ausência da atividade física seja responsável por 6% do índice de doença
cardíaca coronária nas mães; 7% de diabetes do tipo 2; 10% de câncer de mama; 10% de câncer
de cólon e que, se a mesma fosse reduzida em 25%, mais de 1,3 milhão de mortes precoces
poderiam ser impedidas a cada ano no mundo (WHO, 2010).
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Muito ainda se discute sobre os benefícios associados a essa prática durante a gestação.
Segundo Batista et al (2003) a mesma tem contribuído para o fortalecimento da musculatura da
região lombo pélvica, podendo favorecer a redução de dores no parto e do parto prematuro e/ou
cesárias, auxiliando para o equilíbrio no ganho de peso, bem como no crescimento e aumento
nos níveis de nutrição do feto. Para mais, contribui para a manutenção dos níveis glicêmicos
normais, visto que a diabetes gestacional pode acontecer no estágio tardio da gestação
(HELMRICH; RAGLAND; PAFFENBARGER, 1994; MOTA, 2014).
A prática da atividade física de moderada intensidade, segundo Santos (2015), ocasiona
uma melhor distribuição de nutrientes e crescimento fetal se iniciada ao começo da gravidez
durante a fase de desenvolvimento placentário. Para que os resultados positivos sejam
decorrentes da prática da atividade física, é necessário que a mesma seja praticada de forma
contínua ao longo dos anos, integrando a fase fértil, a gravidez e o pós-parto. Entretanto,
atividades que aumentem o risco de quedas ou lesões, risco de trauma abdominal, manobra de
valsava, assim como as que oferecem risco a saúde da mãe e do bebê, devem ser evitadas
(FONSECA E ROCHA, 2012).
De acordo com Popov (1998), ainda que haja uma preocupação com uma gestação ativa
e saudável, restam muitas dúvidas quanto as atividades que não ofereçam riscos para a gestante
nesse período. Assim, ainda que haja inseguranças quanto a intensidade e frequência da prática
de atividade física durante a gestação, é possível que a mesma seja realizada de forma segura e
sem complicações, contando que o profissional de educação física tenha conhecimento sobre
os benefícios, recomendações e contraindicações para esta população.
Desta forma, o objetivo do presente artigo é apresentar uma revisão literária sobre os
benefícios, recomendações e contraindicações publicadas em periódicos científicos que
envolvam a prática regular da atividade física durante a gestação.

2. METODOLOGIA

Este trabalho se caracteriza como uma revisão de literatura de artigos científicos em


português e língua estrangeira sobre recomendações e contraindicações sobre da prática regular
da atividade física na gestação. Para o levantamento da produção científica foi realizada a busca
dos artigos nas bases de dados do Pubmed, Google acadêmico, Medline, Scielo e revistas de
saúde.
9
Os termos utilizados para a busca dos artigos foram: gestação e exercícios físicos,
atividades físicas para gestantes, atividade física e gravidez.
A construção teórica deste trabalho iniciou-se com a escolha e separação de artigos
científicos para a realização posterior da leitura. Posteriormente, fez-se um recorte das ideias e
reflexões desenvolvidas para iniciar a escrita. Foi realizado durante a confecção do trabalho
diversas revisões de texto para aperfeiçoar o estudo.

3. ATIVIDADE FÍSICA E GESTAÇÃO

A atividade física tem papel fundamental na manutenção da saúde física e mental dos
indivíduos. Todo ser humano possui um corpo, denominando sua realidade física no mundo, ou
seja, dentre as dimensões antropológicas que constituem a existência do ser humano está sua
fisicalidade (Rabuske, 2005). Assim, a fisicalidade da existência humana é herdada
geneticamente, de modo orgânico, estrutural e funcional, dos genitores. Neste sentido, o físico
do ser humano é variável em suas formas originais e podem sofrer variações em seu processo
de formação.

A mudança no padrão de atividade física da população em geral é assunto


contemporâneo de grande relevância e preocupação permanente de todos os governos
diante dos agravos à saúde, principalmente associados ao crescente sedentarismo.
Quando se trata de mulheres grávidas não é diferente. A prevalência de gestantes
ativas, a duração, a frequência e a intensidade dos exercícios são ainda menores do
que nas mulheres adultas em geral. Portanto, as mulheres grávidas merecem uma
atenção de saúde básica desde a concepção e isso incluiu acesso à saúde física.
(NASCIMENTO; GODOY, SURITA; SILVA, 2014, p. 428).

Portanto, segundo Caspersen (1985) apud Freire e cols. (2014) pode-se definir atividade
física como qualquer movimento corporal produzido pela musculatura esquelética que requer
gasto de energia acima dos níveis de repouso. Sua prática é fundamental em qualquer idade e
tem sido considerado um meio de preservar e melhorar a saúde e a qualidade de vida do ser
humano
De acordo com Fonseca e Rocha (2012), Giacopini e cols. (2015), atualmente as mulheres
estão cada vez mais conscientes da necessidade de praticar atividade física de forma contínua,
ao longo dos anos, devido aos inúmeros benefícios como: boa aptidão musculoesquelética e
cardiorrespiratória; menor risco de obesidade e doenças cardíacas; retardo do envelhecimento;
10
bem-estar físico, emocional e mental; melhor autoestima; prevenção de câncer de cólon e de
mama; além de auxiliar no tratamento da osteopenia e osteoporose. Com todas estas
informações sobre os benefícios da atividade física há, neste sentido, uma preconcepção de que
as mulheres, em sua fase fértil, mantenham seu programa de exercícios físicos.
Durante muito tempo, em décadas passadas, o exercício foi visto como fator negativo
tanto para a mãe, quanto para o desenvolvimento do feto, sendo as grávidas aconselhadas a
reduzir ou cessar suas atividades físicas e profissionais, principalmente durante as últimas
etapas da gestação, pois se acreditava que poderia causar parto prematuro de acordo com Santos
(2015), Sebastião, (2013), Espírito Santo e cols. (2014), Benevides e cols. (2012), Rodrigues e
cols., Velloso e cols. (2014), Carvalhaes e cols. (2013), Santos (2012).
Segundo Valim (2005), citado por Giacopini e cols. (2015): “Essa ideia ainda é defendida
em vários contextos, tradições e colocações médicas em relação ao exercício físico durante a
gravidez”.
Pelo fato de alguns autores demonstrarem que pode haver alterações hemodinâmicas
prejudiciais ao feto, alguns obstetras, por segurança, não recomendam a prática de exercícios
para gestantes e acrescentam que mulheres sedentárias devem evitar iniciar um programa de
exercícios depois de engravidar como citado por Pigatto e cols. (2014) e Carvalhaes e cols.
(2013).

4. RECOMENDAÇÕES

Dentre as inúmeras possibilidades de realização de atividades físicas durante a gestação,


faz-se necessário compreender, de antemão, as recomendações para essas atividades. Assim, é
possível determinar e distinguir quais atividades e práticas corporais são possíveis dentro da
realidade de cada mulher grávida, ou seja, é necessário realizar atividades físicas de acordo com
o físico e as condições físicas e de saúde que cada pessoa possui em específico.
Em linhas gerais, o exercício está indicado na redução e prevenção de algias, no
fortalecimento muscular, na otimização dos aspectos psicológicos e sociais, na diminuição dos
efeitos de doenças gestacionais, entre outros. (SANTOS, 2010, TRINDADE, 2007, MATSUO,
2007).
11
Nesta ótica, estudos tem apresentado que além de poder determinar qual atividade física
específica pode obter um êxito maior para cada paciente, faz-se necessário, igualmente, avaliar
e experimentar o tempo de atividade física recomendado para cada caso e, ainda, a intensidade,
constância e repetição da atividade física. Para Trindade (2007), por exemplo, as mulheres
grávidas devem concentrar em pelo menos 30 minutos de atividade físicas, com no máximo 60
minutos. Essas atividades devem ser consideradas como aquelas que envolvem algum tipo de
movimento não programado, quer seja ir ao banco a pé, limpar a casa, subir escadas ou dançar,
excetuando-se o esporte. A intensidade deve ser entre 4 a 7 METs1.
Portanto, as recomendações das atividades físicas podem ser variáveis conforme o modo
de vida de cada pessoa ou o modo de vida que a pessoa deseja adquirir durante o período
gestacional. Para isso, o presente trabalho irá abordar os principais exercícios recomendados
por educadores e profissionais de educação física para as mulheres durante a gravidez.

4.1 Exercícios aeróbicos

Dentre as recomendações de exercícios e atividades físicas para gestante, os exercícios


aeróbicos são os mais corriqueiros e os menos valorizados. Ao mencionar que são os mais
corriqueiros quer acentuar que são atividades facilitadoras, ou seja, são exercícios que
naturalmente podem ser executados, sem a necessidade de uma técnica específica.
Neste sentido, pode-se enumerar como atividades e exercícios aeróbicos: a bicicleta,
jump, subir e descer escadas, caminhada, pular corda, caminhar ou correr em esteiras elétricas,
repetição de movimentos, dançar, dentre outros. Todavia, todo exercício aeróbico pode ser
realizado por gestantes? Para os estudiosos Espírito Santo e cols. (2014), a atividade aeróbica
é válida para ser utilizada na gestação quando são realizadas de modo paulatino e calmo,
movimentos bruscos e exagerados. Alguns exercícios podem ser realizados no início da
gestação (caminhada mais acelerada, jump bicicleta mais acelerada, pular corda), outras
atividades podem ser realizadas do meio ao fim da gestação caminhada mais leve, bicicleta
mais leve, não se deve pular cordas para evitar quedas, o jump deve ser acompanhado com
atenção e a dança pode ser utilizada de modo mais constante).
Numa análise orgânica e funcional, os exercícios aeróbicos são descritos como grandes
colaboradores para o controle de peso e manutenção do condicionamento físico, além de estar
associado a redução dos riscos de hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional

1
METs significa Estimativa do Equivalente Metabólico, ou seja, é uma unidade de medida que equivale ao
número de calorias que um corpo consome.
12
e diminuição de fadigas, câimbras e edemas. A ativação dos grandes grupos musculares
possibilita uma melhor utilização da glicose, melhor circulação sanguínea, melhora no perfil
pressórico e aumento da sensibilidade insulínica. (GIACOPINI E COLS, 2015, VELLOSO E
COLS, 2014, SANTOS E SILVA, 2009).
A American College of Obstetrician and Ginecology2 (2002) estabeleceu algumas
recomendações na prescrição de exercícios aeróbicos durante a gestação. Devem ser priorizados
exercícios que envolvam grandes grupos musculares, de intensidade leve a moderada, em ritmo
contínuo, realizados pelo menos três vezes por semana, de 30 a 60 minutos, em horários de
menor temperatura do dia, ingerindo quantidade necessária de líquidos, com vestimenta
confortável, respeitando os 140 bpm para a frequência cardíaca materna e 38ºC para a
temperatura ambiente.
Por sua vez, Fonseca e Rocha (2012) salientam que as intensidades dos exercícios, para
gestantes sem complicações obstétricas sejam moderadas entre 55 a 85% da FCM ou 40 a 75%
do VO2 máx. No entanto, para a manutenção da aptidão física, as recomendações são com
intensidades um pouco maiores, para gestantes que eram atletas ou praticavam exercícios
físicos de forma contínua a um tempo antes do período gestacional. Os valores estão entre 60 a
90% da FCM ou 50 a 85% do VO2 máx. com a utilização da escala de percepção de esforço
para monitorização, e atentando especialmente para o balanço energético, termo regulação e
hidratação adequada.
Para Velloso e cols. (2014), os exercícios de moderada a alta intensidade acima de 80%
da FCM são fatores que podem acarretar um aumento da frequência cardíaca materna causando
hipóxia fetal, correndo risco de parto prematuro e diminuição do crescimento e peso do feto.
De acordo com um estudo de Nascimento e cols. (2014), que submeteram gestantes sem
complicações clínicas ou obstétricas ao exercício físico aeróbico na esteira até a fadiga, foi
constatado que nenhuma apresentou alterações das repercussões fetais ao estudo da
dopplervelocimetria após o exercício. Esses resultados indicam que em gestantes sem
complicações clínicas ou obstétricas, o feto é capaz de desenvolver mecanismos
compensatórios e não sofrer após o exercício, o que facilita a homeostase das trocas gasosas e
impedimento dos efeitos prejudiciais da hipóxia.
Assim, Ferreira e cols. (2014), citam um estudo no qual compararam gestantes
fisicamente ativas, que acumulavam pelo menos 30 minutos de atividade física aeróbica, com
gestantes inativas fisicamente. As gestantes inativas engordaram 4,7 Kg em média a mais que
as ativas, e esse sobrepeso pode estar relacionado ao acréscimo de riscos para a mãe e para o

2
Disponível em: < https://www.acog.org/> Acesso dia 12 de novembro de 2020.
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bebê. Além disso, observaram que as mulheres grávidas ativas, conseguiram manter a rotina do
dia-a-dia, a percepção da recuperação pós-parto foi excelente e o fato de terem se mantido ativas
resultou em benefícios psicológicos e biológicos.

4.2 Exercícios resistidos

Sobre exercícios resistidos compreende-se as atividades físicas realizadas que oferecem


ao paciente a resistência física do seu corpo, bem como a força, o equilíbrio e uma salubridade
eficaz diante de situações externas, como gripes, viroses, mal-estar, etc.
De acordo com Lima e Oliveira (2005), os exercícios de força muscular promovem vários
benefícios no período gestacional, tais como, melhora da força, resistência e flexibilidade, ainda
ressaltam que se realizados em intensidade ajustada para este período, podem ser executados
de forma segura e eficaz para a mãe e para o bebê, diminuindo o risco de lesões sem interferir
no crescimento fetal e na gestação.
Os exercícios resistidos podem assumir várias funções durante o período gestacional
como: caráter terapêutico, profilático, recreativo, estético e de manutenção da aptidão física,
além de permitir ao organismo materno se adaptar as alterações posturais e a prevenir traumas,
quedas e desconfortos musculoesqueléticos.
Na realização de exercício resistidos, o fortalecimento de alguns músculos deve ser
priorizado, bem como, os músculos do core, os paravertebrais e os da cintura escapular,
priorizando os músculos grandes. (GIACOPINI E COLS, 2015; CHISTÓFALO E COLS, 2003;
NASCIMENTO E COLS, 2014; BOTELHO E MIRANDA, 2012)
Estes mesmos autores sugerem que a musculação para esta população de gestantes seja
realizada duas vezes por semana, estimulando de 10 a 15 grupamentos musculares, com séries
de 3 a 5 repetições com intensidades em torno de 30-40% da carga máxima, com descanso em
torno de 2 a 4 minutos entre os exercícios, permitindo a recuperação energética total.
As atividades de exercícios resistidos precisam ser acompanhados atentamente para não
levar surpresas desagradáveis ao paciente, pois, por seres atividades mais intensas e mais
elaboradas, a gestante pode sofrer ocorrências inesperadas no seu estado de saúde: fadiga,
tensões e abatimentos. O educador físico desempenha, portanto, na utilização desse tipo de
atividade, uma tarefa única e extremamente profissional e que não pode ser desempenhada por
nenhum outro membro da equipe multidisciplinar.
14

4.3 Exercícios de flexibilidade e alongamento.

As alterações posturais decorrentes da gestação, associadas com alterações hormonais e


relaxamento dos ligamentos costumam trazer algias na região lombar, dorsal e de membros
inferiores. Somado a isso, músculos da região perineal passam a suportar mais peso e muitos
deles são solicitados em movimentos dos quais não participavam. (GRUDTNER, 2010,
GOMES E COSTA, 2013).
Portanto, ao apresentar os exercícios de flexibilidade corporal e de alongamento o
educador físico compreende a importância de uma atividade para exercitar as articulações e
facilitar o fluxo sanguíneo por todo o corpo. Durante a gestação, há uma tendência acentuada
para o ócio, ou seja, muitos veem a gravidez como uma enfermidade, por exemplo: “Eu não
posso fazer isso”; “Eu não posso fazer aquilo”; “Estou grávida, não posso realizar tal coisa pois
podem me prejudicar”. Há, dessa forma, na consciência coletiva e no senso comum de que a
gravidez é um período de ociosidade, de ficar parado, etc.
Todavia, essa mentalidade exacerbada pode acarretar um atrofiamento muscular, uma
péssima articulação dos pés, tornozelos, joelhos, ombros, braços, mãos e, até mesmo, dedos e
pescoço.
Os exercícios de alongamento da região lombar, por exemplo, ajudam a prevenir a
exacerbada condição lordótica durante a gestação, uma vez que a musculatura da região
abdominal tende a se estirar com o crescimento do feto, a região lombar tende a se encurtar.
Além disso, dar ênfase a exercícios de fortalecimento e alongamento da musculatura dorsal
pode diminuir tensões em algumas musculaturas, pois o aumento dos seios decorrente a
gestação e consequente ao aumento de peso pode provocar algumas alterações gravídicas,
como, gravídicas como aumento na tensão na musculatura paravertebral, hiperextensão de
joelhos, anteversão pélvica e aplainamento do arco longitudinal medial dos pés. (SANTOS,
2009; GIACOPINI E COLS, 2015; NASCIMENTO E COLS,2014; CHISTÓFALO E COLS,
2003; MANN E COLS, 2008).
Portanto, pensar em exercícios de alongamento e de flexibilidade durante a gravidez é
evitar edemas nos membros inferiores, dores lombares, nas articulações e auxiliar o sistema
funcional da corrente sanguínea em todo o corpo.
Giacopini e cols. (2015), por sua vez, citam um estudo em que foi englobado técnicas de
exercícios de alongamento e retificação lombar observando grande alívio da dor e desconfortos
15
dos membros inferiores, inclusive menos cansaço durante o uso de força durante um parto
normal e uma recuperação muita rápida pós-parto de toda região lombar.
Nesta mesma linha de raciocínio, outros estudiosos como Velloso e cols. (2014), por
exemplo, prescrevem que um trabalho com gestantes deve ser incluso exercícios que promovam
resistência e flexibilidade musculoesquelética, equilíbrio da musculatura dorso lombar
abdominal e fortalecimento do assoalho pélvico, por pelo menos três vezes por semana, com 3
séries de 8 a 10 exercícios, com 10 a 12 repetições com resistência de até 3kg, intercalado com
exercícios aeróbicos.
Para Martins e cols. (2005), a dor pélvica, principalmente na região posterior, apresenta
inter-relações biomecânicas que vão além do equilíbrio osteoarticular e muscular. Mann e cols.
(2008) relatam que há relação significativa entre a elasticidade assimétrica da articulação
sacrolíaca e a dor pélvica posterior. Sobretudo a redução da força ou da resistência não está
ligada à fraqueza muscular, mas à dor e/ou ao medo de ter dor. Eles verificaram ainda que, a
prática da yoga, com as suas devidas ressalvas (evitando exercícios em posições invertidas ou
posturas pesadas), teve efeito positivo em avaliação realizada com 30 gestantes. Após a prática,
houve relatos de melhora no fortalecimento muscular, na postura, no sono, maior resistência
física, tranquilidade, e menor ganho de massa corporal.

4.4 Exercícios aquáticos

Uma atividade física muito interessante e especial para ser realizada durante a gravidez
são os exercícios realizados na água. Muitos estudos contemporâneos têm afirmado que o
contato com a água é relaxante e causam uma série de benefícios para a saúde física e mental.
Como dizem Trindade (2007), Nascimento e cols. (2014), Botelho e Miranda (2012), Giacopini
e cols. (2015) em seus estudos, a natação é prática de atividade física mais indicada para
gestante devido a vários benefícios, como a flutuabilidade do corpo na água, com isso os joelhos
não sofrem impacto e o meio líquido ameniza os esforços sobre os ligamentos.
Dentre os exercícios aquáticos que podem ser realizados pela gestante, os dois mais
interessantes são: a natação e a hidroginástica pois elas trazem benefícios para a circulação
sanguínea e fortalecimento muscular diminuindo o aparecimento de edemas que é um efeito
comum na gestação.
A temperatura da água fria sobro o corpo serve também como termorreguladora, devendo
ficar entre 28ºC e 30ºC tida como a temperatura ideal durante a prática de atividades aquáticas
para gestantes e esse tipo de atividade é mais relaxante que outros exercícios.
16
Segundo Botelho e Miranda (2012), recomenda-se que a hidroginástica seja praticada de
duas a três vezes por semana, com duração entre 40 minutos e uma hora; com intensidade leve
a moderada, proporcionando relaxamento. Somado a isso, por ser realizada em grupo, a
atividade pode ser divertida e socializar a mulher com outras gestantes, diminuindo os riscos
de depressão gestacional, além de trabalhar com todos os grupos musculares com exercícios de
respiração proporcionando uma maior diminuição da ansiedade.
Os exercícios em imersão diminuem as contrações uterinas, uma vez que a expansão do
volume plasmático faria possivelmente diminuir os níveis de ocitocina circulantes, por diluição.
(GIACOPINI E COLS., 2015)
Para Graef e Kruel (2006), um dos principais efeitos mecânicos das atividades aquáticas,
que são a diminuição na frequência cardíaca em imersão, explicam o aumento no retorno
venoso e a diminuição do peso hidrostático como fator igualmente responsável pelas
modificações na frequência cardíaca durante a imersão, contribuindo para a bradicardia devido
ao menor recrutamento muscular e consequente redução no aporte sanguíneo.

4.5 Exercícios a serem evitados

Anteriormente, nos tópicos anteriores foram citados os exercícios recomendados para as


mulheres durante a gestação. Todavia, é necessário compreender que entre as recomendações
está também aquilo que se recomenda não fazer durante a gestação, ou seja, muitos exercícios,
atividades e ações devem ser evitadas durante a gravidez por apresentar um comprometimento
e um risco à saúde da mulher e do bebê.
Segundo Trindade (2007), Gomes e Costa (2013), Batista e Cols. (2003) a indicação de
atividades consideradas perigosas é um erro, pois podem colocar a gestante ou o seu feto em
risco, qualquer atividade competitiva como artes marciais ou levantamento de peso; exercícios
com movimentos repentinos ou de saltos, que podem levar a lesão articular; flexão ou extensão
profunda, pois os tecidos conjuntivos já apresentam frouxidão; exercícios exaustivos e/ou que
necessitam de equilíbrio principalmente no terceiro trimestre; qualquer tipo de jogo com bolas
que possam causar trauma abdominal; pratica de mergulho (condições hiperbáricas levam a
risco de embolia fetal quando ocorre a descompressão); qualquer tipo de ginástica aeróbica,
corrida ou atividades em elevada altitude são contraindicadas ou, excepcionalmente aceitas com
limitações, dependendo das condições físicas da gestante; e exercícios na posição supina após
o terceiro trimestre de gravidez.
17
Para compreender melhor sobre os exercícios que não podem ser realizados, abordar-se-
á no próximo tópico deste trabalho as contraindicações de atividades físicas durante a gravidez.

5. CONTRAINDICAÇÕES

Apesar das inúmeras vantagens que a prática de exercícios traz para as mulheres
gestantes, os pesquisadores Lima e Oliveira (2005), Fonseca e Rocha (2012), Gomes e Costa
(2013) e Sebastião (2013) listam as contraindicações de atividades e exercícios para mulheres
na gestação. Estes pesquisadores trazem, em seus estudos, duas classificações: contraindicações
relativas (que, normalmente, devem ser avaliadas por um médico para a liberação, com
restrições, para a prática de atividade física) e as contraindicações absolutas (que sob nenhuma
hipótese devem ser liberadas para a prática de atividades físicas).
Para melhor fazer as distinções entre contraindicações relativas e contraindicações
absolutas faz-se necessário pontuar suas definições e caracterizar seus exemplos e suas
disfunções.
Ao que se refere sobre contraindicação relativas de atividades físicas, Fonseca e Rocha
(2012) apresentam alguns diagnósticos de saúde que são momentâneos, ou seja, eles possuem
tratamento e pode ser eliminados através de recursos nutricionais (alimentação) e
farmacológicos (medicações) são o caso da anemia (leve média e severa), disritmia cardíaca
materna não avaliada, bronquite crônica, obesidade mórbida extrema, peso corporal
extremamente baixo (Índice de Massa Corpórea < 12), estilo de vida extremamente sedentário,
restrição do crescimento intrauterino, hipertensão, distúrbio convulsivo, diabetes tipo I e
hipertireoidismo precariamente controlados, limitações ortopédicas, fumante crônica, dentre
outros exemplos.
Gomes e Costa (2013), por sua vez, apresentam como contraindicações absolutas: doença
cardíaca hemodinamicamente significativa, doença pulmonar restritiva, colo uterino/cerclagem
incompetente, gestação múltipla com risco de trabalho de parto prematuro, sangramento
persistente no segundo ou terceiro trimestre, placenta previa após a 26ª semana, trabalho de
parto prematuro, ruptura das membranas, hipertensão induzida por pré-eclâmpsia/gravidez.
Outra contribuição sobre as contraindicações na gestação vem de Espirito Santo e cols.
(2014), que acrescentam como contraindicações absolutas à prática de exercício físico:
antecedentes de miocardiopatia, insuficiência cardíaca congestiva, cardiopatia reumática,
18
tromboflebite, embolia pulmonar recente, doença infecciosa aguda, incompetência cervical,
gestações múltiplas, macrossomia e suspeita de sofrimento fetal.
Todas essas contraindicações não são meras restrições, proibições ou aquela fixação de
ideia: “isso pode” e “isso não pode”. Pensar em contraindicações é, justamente, compreender
que sob nenhuma hipótese, tentativa, possibilidade e vontade a atividade física no período
gestacional pode ser realizado por coloca em risco imediato a vida da mamãe e do bebê.
Portanto, o educador físico deve oferecer seus serviços de forma consciente e segura para não
submeter seu paciente ao risco de morte.
Existem alguns sintomas que são sinais de alerta para a prática segura de atividade física.
Se durante ou após o exercício, alguns desses sintomas ocorrerem é necessário interrupção
imediata e encaminhamento para avaliação médica. De acordo com a American College of
Obstetrician and Ginecology, e também citado por Batista e cols. (2003), Fonseca e Rocha
(2012), as condições para o encerramento do exercício são sangramento vaginal, dispneia pré-
esforço, vertigem, cefaleia, dor torácica, miastenia (doença que impede a comunicação natural
entre nervos e músculos, causando fraqueza muscular e fadiga incomum), dor ou edema de
panturrilhas (possibilidade de tromboflebite), diminuição do movimento fetal, perda de líquido
amniótico, trabalho de parto pré-termo.

6. RESULTADOS

Este trabalho desejou apresentar um levantamento bibliográfico das pesquisas existente


sobre o assunto abordado: recomendações e contraindicações sobre a prática regular da
atividade física durante a gestação. Neste sentido, existe uma amplidão de estudos sobre tais
assuntos e estes são correlacionados as diversas áreas da saúde.
Dessa forma, pensar neste assunto e correlacioná-lo na área da educação física ainda é
um desafio. Portanto, dentre os resultados desta pesquisa destaca-se, inicialmente, que é
necessário aprofundar pesquisas de educação física com mulheres no período gestacional.
Outra averiguação constatada por este trabalho, é que os diversos autores citados se
relacionam em comunhão de ideias e agregam juntos um significativo material teórico sobre
pesquisas desta área e no que diz respeito aos benefícios do exercício físico durante o período
gestacional. Encontrar esse resultado é de suma importância para delinear pesquisas, forma de
19
pensar, abordagem teórica e, inclusive, referenciais de determinados pontos dentro de um
mesmo assim.
Como exemplo, segue abaixo um quadro que relaciona os autores e o tipo de exercícios
recomendado por eles em seus estudos:

Tabela 1
TIPOS DE EXERCÍCIO
AUTORES
FÍSICO

Santos e Silva (2009); Chistófalo e cols. (2003);


Giacopini e cols. (2015); Velloso e cols. (2014);
EXERCÍCIOS AERÓBICOS
Fonseca e Rocha (2012); Batista (2003); Gomes e
Costa (2013); Ferreira e cols. (2014); Nascimento
e cols. (2014); ACOG (2002).
Lima e Oliveira (2005); Giacopini e cols. (2015);
Chistófalo e cols. (2003); Nascimento e cols.
EXERCÍCIOS RESISTIDOS
(2014), Botelho e Miranda (2012); ACOG (2002).

Grudtner (2010); Gomes e Costa, (2013); Lima e


Oliveira, (2005); Santos (2009); Giacopini e cols.
FLEXIBILIDADE E
(2015); Nascimento e cols. (2014); Chistófalo e
ALONGAMENTO
cols. (2003); Mann e cols. (2008); Velloso e cols.
(2014); Martins e cols. (2005).
Trindade (2007), Nascimento e cols. (2014),
AQUÁTICOS Botelho e Miranda (2012), Giacopini e cols.
(2015), Graef e Kruel (2006).

Fonte: do Autor/2020.
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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluir este presente trabalho, muitas considerações podem ser feitas e, ao mesmo,
abri-las para discussões, incitações de novas pesquisas e, assim, contribuir para o aumento e a
qualidade de referências bibliográficas. Diante dos achados, podemos concluir que a prática da
atividade física durante a gestação tem se mostrado benéfica, tanto como forma preventiva,
quanto como um meio de reduzir as dores e desconfortos ligados a este período.
A tomada de consciência da importância do cuidado de si já gera saúde nas pessoas,
portanto, é necessário refletir: Se ficar doente é algo ruim, por qual motivo não praticamos
saúde? Essa reflexão, dentre muitas outras suscetíveis à esta, deve desinstalar todo ser humano
no desejo de sempre viver bem, ter qualidade de vida e poder gozar a vida. Portanto, é
necessário pensar na saúde em todas as fases da vida, desde antes do nascer, como propomos
nas entrelinhas deste trabalho.
Pensar na saúde da gestante é pensar em saúde numa fase crítica que envolve não apenas
o físico, mas também o psicológico das mulheres que serão mamães e de toda a família. Neste
sentido, todas as ações bem elaboradas e executadas para que o processo de gestação seja
realizado com sucesso devem ser valorizados e não apenas comentados e admirados.
No corpo da mulher, muitas alterações fisiológicas podem observadas durante o período
gestacional. E não apenas observadas, mas conhece-las são importantes para o desenvolvimento
normal do feto, e a prática do exercício físico é capaz de agregar vários benefícios nesta fase.
É relevante salientar a importância de um programa de exercício físico bem planejado
com acompanhado de um profissional qualificado, que tenha conhecimento das alterações
recorrentes a este período. Portanto, é necessário consultar o médico, o nutricionista, o
psicólogo, mas também o educador físico que pode desempenhar uma função significante
durante a gestação.
Sendo assim, toda gestante saudável sem nenhuma restrição a prática, deve ser
incentivada a iniciar ou continuar um programa de exercício físico, sempre em busca de um
melhor bem-estar físico, social e mental, com orientação médica adequada, contemplando os
diversos benefícios proporcionados pela prática.
21
8. REFERÊNCIAS

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