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22/04/2019

Fundamentos em Terapia do Esquema
Prof. Marco Aurélio Mendes

TERAPIA DO ESQUEMA (TE)


 Histórico e Contexto Atual
 Influências Principais
– Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
– Construtivismo
– Gestalt
– Teoria do Apego
 Conceitos Principais
– Necessidades Emocionais Centrais (Core Emotional Needs)
– Esquemas
– Estilos de Enfrentamento
– Modos
– Reparentalização Limitada
 Avaliação e Conceitualização
 Tratamento em TE
 Estratégias Diferenciadas da TE

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EVOLUÇÃO E DESENVOLVIMENTO
DAS TCCS : ONDAS
Segunda Onda
Primeira Onda Terapias Cognitivo-
Terapias Comportamentais : Terceira Onda
Comportamentais: Beck e Ellis
Watson e Skinner

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Segunda Onda: Terapia Cognitiva


 Características da Terapia Cognitiva
– Maior estruturação da sessão e do tratamento
– Construção de objetivos
– Foco no presente
– Ênfase no processamento reflexivo
– Busca de Flexibilidade Cognitiva

Indivíduos em sofrimento psicológico, possuem rigidez na interpretação da


realidade, com conteúdos cognitivos distorcidos e fantasiosos, descartando
evidências contrárias aos esquemas e desenvolvendo regras e
comportamentos desadaptativos que acabam mantendo o problema

Críticas à TCC: Terapeutas


Construtivistas

Michael Mahoney Vittorio Guidano

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Críticas Construtivistas
 Na TCC, há uma ênfase excessiva nos processos lógicos e racionais.
 Na TCC, os processos cognitivos de alto nível (reflexivos) têm
primazia sobre os afetivos.
 Na TCC, o terapeuta é um expert e sabe o que o sujeito precisa
“corrigir” para que possa se sentir melhor.
 A TCC é considerada por eles uma terapia objetivista-racionalista.

Terapeutas Construtivistas
 Enfatizam a importância das emoções e do
processo de construção de significados.

 O significado é algo subjetivo, derivado de


múltiplas camadas em interação: emoções,
sensações corporais, cognições,
comportamentos. Esta multiplicidade é
experienciada e então marcada afetivamente
e simbolicamente.

 Os processos lógicos e racionais não são


suficientes para corrigir algo que é verdadeiro
segundo uma lógica emocional e faz sentido
para o organismo.

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Organizando a construção de significados


 Significado : Processamento Conceitual e
Processamento Vivencial
 É a experiência da emoção que nos permite
associar qualidades as coisas e então explicá-las.
 O que foi vivenciado é o que fica marcado como
verdadeiro.
“O terapeuta precisa estar atento ao processo
de construção de significados do indivíduo,
auxiliando-o a integrar novos níveis de informação
à experiência, especialmente através das
emoções.”

Construtivistas
 Críticas levaram a uma maior importância
dos aspectos emocionais na terapia.
 Utilizaram uma terapia mais “afetiva”
com o uso de técnicas experienciais
evitando as correções de pensamentos
apenas através da busca de evidências e
lógica.
 Possibilitaram o surgimento da Terceira
Onda em Terapias Cognitivas.

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Terceira Onda

Terapia
do
Esquema

Terapia da
Aceitação e Terapia
Compromisso Dialética
ACT
INTEGRAÇÃO

Terapia Terapia
Focada na Cognitiva
Compaixão Processual

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Terceira Onda
“Baseadas em procedimentos empíricos e
focados, a Terceira Onda das Terapias
Comportamentais e Cognitivas tende a enfatizar o
contexto e as estratégias experienciais para a
modificação do comportamento, além dos
procedimentos diretivos e educativos já existentes
nas terapias anteriores. Buscam a construção de
repertórios terapêuticos amplos e flexíveis, levando a
novos questionamentos e domínios no campo da
psicoterapia” (Stephen Hayes, 2012).

Terapia do Esquema

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Terapia do Esquema
 Abordagem psicoterapêutica integrativa,
desenvolvida inicialmente por Jeffrey Young,
para auxiliar no tratamento de pacientes com
rigidez caracterológica e transtornos de
personalidade, que não respondiam
adequadamente à Terapia Cognitivo-
Comportamental.

 Outros Teóricos Importantes:


• Arntz *** ; Edwards; Lockwood; Farrell; Shaw; Behary.

Terapia do Esquema
 TCC / Construtivismo
– Parte cognitiva e comportamental no tratamento
– Busca de evidências
– TE também é estruturada (fases/intervenções) como a TCC, mas :
• Maior ênfase em emoções problemáticas (1), Temas da
Infância (2) e relação terapêutica (3) (herança construtivismo)
 Gestalt
– Moreno (psicodrama)
– Intervenções experienciais / mobilização emocional
– Cognições quentes ! Com emoções coporificadas

 Teoria do Apego (Bowlby) / Desenvolvimento (temperamento)

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Terapia do Esquema - Fases


• Fase 1 : Construção de uma abordagem
estratégica direcionada ao tratamento
 Conscientização das dificuldades da TCC
 Chamada inicialmente de Terapia Focada
no Esquema. Versão adaptada da TCC,
com foco nos esquemas iniciais
desadaptativos e modos, com utilização
da relação terapêutica e estratégias
experienciais como ferramentas
importantes (décadas de 80 e 90).
 Final anos 90 , corpo teórico distinto:
Terapia do Esquema
Fonte : Edwards & Arntz (2012)

Terapia do Esquema - Fases


• Fase 2: O impacto da pesquisa na Europa
– Arnoud Arntz
 Borderlines: Influência do trabalho de David Edwards com imagens.
Tentativa de desenvolver um modelo. Beck indica o modelo de Young.
Parceria.
 Organização de técnicas experienciais (imagery rescripting)
 13 anos de Pesquisa na Holanda com TE (arntz) para pacientes Borders.
TE mostrou-se eficaz (baseada em evidências).

• Fase 3 : Terapia do Esquema em Grupo


– Joan Farrell e Ida Shaw
Fonte : Edwards & Arntz (2012) *

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Temperamento
Diferenças individuais na emoção, reatividade e autorregulação, que se
demonstram estáveis ao longo do tempo. É inato, hereditário, mas tem sua
expressão modelada pelas experiências e cuidados parentais

Instável  Não-reativo
Distímico   Otimista
Ansioso  Calmo
Obsessivo   Distraído
Irritável   Alegre
Tímido   Sociável

John Bowlby
 Psiquiatra e psicanalista
 Trabalhou com Melanie Klein
(Tavistock)
 René Spitz : Efeitos da privação
materna na infância
 Estudo dos processos de luto na
infância com James Robertson
 Fases de Separação : Protesto,
Desespero e Desapego

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Críticas de Bowlby
 Teorias da época eram inadequadas para explicação dos vínculos e
do luto
 Psicanálise e Behaviorismo – vínculo : alimentação e necessidades
fisiológicas
 Modelo energético de Freud e Teoria das Pulsões
 Simplicidade excessiva do behaviorismo
 “Como manter a precisão e previsibilidade behaviorista sem perder
o aprofundamento proporcionado pela psicanálise?”

Etologia

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Sistema Comportamental
 Bowlby
 O que é herdado não é o comportamento e sim a estrutura
básica, o potencial para o desenvolvimento dos sistemas
comportamentais.
 Pré-programado para ser executado (inato) mas modelado pelas
experiências individuais (ambiente)
 Fases sensíveis, a relação com o ambiente, o temperamento e a
filogenia, levariam a especificidade individual (ontogenia).
 Classe reduzida de sistemas ligados à sobrevivência:
 Não-conscientes

Homeostase Ambiental
 Organismos possuem estado fisiológico de
equilíbrio, com valores mais ou menos fixados.

 Condições do ambiente regulam os sistemas


biológicos sensíveis a estas alterações

 Ativação  Sistemas comportamentais são


disparados quando ocorrem discrepância entre
parâmetros de equilíbrio e as condições
ambientais.

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Apego
Vínculo, ligação, afeto, proximidade, posse.
• Sistema de Apego:
 Disparado quando homeostase ambiental é quebrada
 Classe limitada de sistemas decisivos para a sobrevivência
 Ambiente de adaptação evolutiva: proteção contra predadores
 Função Básica: PROTEÇÃO, SEGURANÇA

Sistema de Apego
 Homeostase Ambiental : classes
– Indicativas de perigo potencial
(ruídos, fome, dor, frio)
– Acessibilidade / localização da mãe
 Sistema é ativado quando homeostase é quebrada. O
objetivo é retornar ao estado fisiológico de equilíbrio que
é obtido pela proximidade da figura cuidadora(proteção).
 Sistema AFETIVO
 Sistema é finalizado na presença da figura de
apego.
 Sistemas simples vão se sofisticando

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Sistema de Apego
 O vínculo entre o bebê e a figura
cuidadora está para além da alimentação,
apesar de incluí-la.
 PROTEÇÃO
 Necessidades emocionais centrais vão se
erguendo no desenvolvimento
– Viemos ao mundo programados para ter
estas necessidades satisfeitas e
interagir socialmente

Sistema de Apego: Função Proteção


Necessidades Emocionais Centrais
 Afeto e carinho – contato físico, toque, prazer na relação
trazendo tranquilidade. Apaziguamento na troca
 Vínculos Seguros, cuidados básicos – alimentação, limpeza,
saúde
 Interação, brincar – descoberta do mundo, trocas, comunicação

 Limites Realistas e Autonomia adequada – aprendizagem,


conhecimento do mundo, riscos calculados, exploração
 Espontaneidade – criatividade, respostas rápidas, cativar o outro

 Reconhecimento – se ver como capaz através dos olhos de


alguém que te apresenta o mundo. Saber quando está
preparado para insistir e poder conquistar algo.

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RESUMO
 Temperamento
 Sistemas Comportamentais
 Homeostase Ambiental
 Sistema de Apego (Proteção)
 Necessidades Emocionais Centrais

Memória Implícita
 Abrange sistemas comportamentais inatos,
atividades complexas (memória de
procedimentos) e reflexos condicionados.
 Independem da consciência.
 Sujeitos podem ter emoções sem razão
específica. Os aspectos explícitos,
declarativos, não chegam à consciência, ao
contrário dos sentimentos relacionados à
memória, que podem ser desencadeados por
pistas implícitas.

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Memória Implícita
 Bebê : Registro de sensações, emoções, experiências motoras
(procedimentos).
 Ausência de linguagem e da capacidade de simbolização.
Memórias são armazenadas em áreas subcorticais (relacionadas
basicamente às emoções).
 Sequências de interação prototípica – ex: chamar-ser atendido;
esconde-esconde; cócegas; maternalês.
 Relações de apego : registros relacionais (self-outro/ambiente)
armazenados na memória implícita. Registros de padrões de
reação do ambiente que passam a ser uma tendência para a vida
futura, integrando-se posteriormente a outras memórias e
acontecimentos.

Modelos Internos de Funcionamento


 Modelos Mentais
 Previsões sobre o ambiente, o comportamento de terceiros e sobre
suas próprias reações; previsões sobre como alcançar objetivos:
Modelos internos de funcionamento (trabalho)
 Gradativamente do afeto para a cognição (simbolização)
 Figura de apego:
 Regulação fisiológica
 Segurança e Proteção
 Apresentação do mundo
 Padrões recorrentes de interação: embrião dos modelos do self,
dos outros, do ambiente
 Construções graduais de pressupostos, expectativas
 Modelo de aceitabilidade

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Modelos de Funcionamento
 Modelo Global de funcionamento envolve
a internalização do modelo da figura de
apego e gradualmente, um modelo do
Self (EU).
 Variáveis-chave:
 Presença/ausência (fisicalidade)
 Confiança/falta de confiança
(representação mental)

Modelos de Funcionamento
 Os modelos são internalizados como
esquemas (estruturas afetivo-
cognitivas) (Bowlby, 1990)
 Tendência a interpretar situações
novas e ambíguas a partir de modelos
anteriores
 Dificuldades na revisão de modelos
(Piaget : assimilação e acomodação)
(Bowlby, 1990)

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Modelos Internos de Funcionamento


 “O que se inicia portanto como um modelo relacional bastante
específico (cuidador-bebê) irá resultar em um modelo amplo e geral,
através da recorrência das experiências, na formação de
representações abstratas sobre si mesmo, sobre o mundo e os outros.
Ao serem formadas, estas representações tendem a ser utilizadas
automaticamente, passando a funcionar de forma inconsciente (Collins &
Allard, 2003).”
 Indivíduos costumam apresentar relações que são mais consistentes e
semelhantes, resultando em um estilo predominante de apego. Seguro,
Inseguro-resistente, Inseguro-evitativo; Desorganizado.
 Modelos usados de forma recorrente tendem a ser inconscientes *

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ESQUEMAS e Teoria do Apego


 “A noção de Bowlby de modelos internos de funcionamento coincide
com a nossa de esquemas desadaptativos remotos” (pg. 64)
 “Incorporamos a idéia da mãe como base segura à nossa noção de
reparação parental limitada”(pg.63)
 “(...)os esquemas desadaptativos remotos são modelos internos de
funcionamento desadaptativos, e as respostas características das
crianças às figuras de apego são seus estilos de enfrentamento” (pg.
64)
 “Distorções defensivas de modelos de funcionamento ocorrem quando
o indivíduo bloqueia a informação da consciência, impedindo
modificações em resposta à mudança” (pg. 64)
Fonte: (Young et al., 2003)

Conceito de Esquemas em TCC


 “estruturas cognitivas que codificam, avaliam e interpretam,
impondo um padrão de percepção da realidade, numa espécie de
filtro cognitivo” (Beck).
 “elementos organizados de reações e experiências passadas que
formam um corpo de conhecimento relativamente coeso e
persistente, capaz de guiar a percepção e avaliação subseqüente
“(Segal).
 “mecanismos inconscientes que afetam nosso comportamento,
cognição, fisiologia e emoções, e se tornam, com o passar do
tempo, a própria definição da pessoa” (Freeman).

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Esquemas - Young
 Segue a definição proposta por Beck e
Segal de filtro cognitivo capaz de guiar a
percepção e significar a realidade.

 A Ênfase porém, está em um nível mais


profundo de cognição : os Esquemas
Iniciais Desadaptativos (EIDs) ou
Esquemas Desadaptativos Remotos
(EDRs) . Este conceito inclui emoções,
sensações vagas e difusas (memória
implícita), além das crenças do sujeitos
sobre si mesmo, o ambiente e os outros.

Esquemas Iniciais Desadaptativos


 Os EIDs se referem a temas que se desenvolvem na infância e são
elaborados ao longo da vida, servindo como modelos para o
processamento das experiências posteriores.
 É a partir deles que se formam as crenças do indivíduo sobre si mesmo,
os outros e o ambiente. Verdades absolutas e incontestáveis.
 São auto-perpetuadores e mais resistentes à mudança. Constituem o
núcleo do auto-conceito do indivíduo.
 Estão ligados a altos níveis de afeto.
 Difíceis de serem acessados – Inconscientes
 Se originam no temperamento, nas interações recoorentes das relações
de apego e nos acontecimentos (Bowlby)

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Esquemas Iniciais Desadaptativos


 “Os EIDs parecem ser o resultado
do temperamento inato da criança
interagindo com experiências
disfuncionais dos pais, irmãos e
amigos durante os primeiros anos
de vida(...) A maioria dos
esquemas é causada por padrões
continuados de experiências
nocivas com membros da família e
outras crianças, que acabam por
reforçar um padrão disfuncional de
interpretação da realidade” (Young)

 São basicamente resultantes de necessidades emocionais centrais para


a criança que de alguma forma não foram atendidas, como a necessidade
de um apego seguro, de afeto, carinho, estabilidade, das noções de
autonomia e competência, de liberdade para expressão das emoções, da
espontaneidade, do brincar e de limites adequados.
 Apesar de se desenvolverem precocemente, os EIDs vão sendo
elaborados durante toda a vida, podendo ser derivados de experiências
negativas regulares e constantes, não precisando, necessariamente, de
um único evento traumático. Assim, como o conceito de modelos
operacionais do psicanalista e etologista inglês John Bowlby, a criança
desenvolve expectativas resultantes da natureza de suas relações com as
figuras de apego. Esses modelos ajudam a interpretar e a manter uma
consistência das cognições acerca do mundo interno e externo.

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Esquemas Iniciais Desadaptativos


 A ativação dos esquemas é semelhante ao de uma memória
traumática. Possui alta valência emocional que geralmente
provoca disfunções executivas, ou seja, um curto-circuito nas
áreas ligadas à lógica e ao planejamento, resultando em
confusão e dificuldades de racionalização e reação. É como se
estivéssemos operando a partir da memória implícita do que
ocorreu no passado e não do aqui e agora, de uma forma não
consciente.

Marco Aurélio Mendes

Tempera
mento

Necessidades
Emocionais
Centrais/
qualidade do
ESQUEMAS apego

Experiências
recorrentes e
traumáticas

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Necessidades
Emocionais
Centrais

 “ A TE evoluiu a partir de uma abordagem com um foco primário nas crenças,


tendo atualmente como foco as necessidades emocionais centrais do
paciente. A essência da TE envolve ajudar os pacientes a preencher estas
necessidades. A partir deste ponto de vista, quanto melhor entendermos
quais são elas e como satisfazê-las adequadamente, mais efetiva será a
terapia.”
Fonte: Lockwood & Perris (2012)

Necessidades Emocionais Centrais


 Quando satisfeitas : Esquemas Adaptativos
Representações internas positivas e saudáveis levando à
esquemas adaptativos e funcionais.

 Quando não-satisfeitas: Esquemas Iniciais Desadaptativos


Representações internas desqualificantes , refletindo-se em
padrões auto-sabotadores, que se mantêm vivos filtrando
informações do ambiente e selecionando comportamentos
congruentes com estes esquemas. Caráter Circular dos
Esquemas.

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Domínios
 Desconexão e Rejeição

 Autonomia e Desempenho prejudicados

 Limites Prejudicados

 Orientação para o outro

 Supervigilância e Inibição

Necessidades Emocionais Centrais


NECs Domínios (Temperamento +
Vínculos Seguros adaptações às NECs não-satisfeitas)

Autonomia, competência, sentido Desconexão e Rejeição


de identidade
Autonomia e Desempenho
Limites Realistas e Autocontrole Prejudicados
Valorização do Self, Limites Prejudicados
Reconhecimento das necessidades
afetivas Direcionamento para o outro
Espontaneidade, Liberdade de
Supervigilância e Inibição
Expressão

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Domínios*
 Desconexão e Rejeição
 Esquemas: Abandono, Privação Emocional, Desconfiança/Abuso,
Defectividade Vergonha, Isolamento Social/ Alienação
 Autonomia e Desempenho prejudicados
 Esquemas: Dependência/Incompetência, Vulnerabilidade à danos e
doenças, Emaranhamento/Self Subdesenvolvido, Fracasso
 Limites Prejudicados
 Esquemas: Mercimento/Grandiosidade ; Auto-controle/ Auto-disciplina
insuficientes
 Orientação para o outro
 Esquemas: Subjugação, Auto-sacrifício, Busca de
Aprovação/Reconhecimento
 Supervigilância e Inibição
 Esquemas: Negativismo/Pessimismo, Inibição Emocional, Postura
Punitiva, Padrões Inflexíveis

Conceitos
 Necessidades Emocionais Centrais

 Domínios

 Esquemas

 Estilos de Enfrentamento

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Estilos de Enfrentamento (coping)

ESTILOS DE ENFRENTAMENTO
 Respostas básicas de enfrentamento dos organismos na natureza : luta, fuga e
congelamento
 Adaptação
 Em função do caráter recorrente dos esquemas, tornam-se rígidos e
problemáticos
 O Esquema em si pode ser diferente do estilo de enfrentamento ou
comportamento manifesto. O indivíduo pode considerar o esquema como algo
natural, pode buscar evitar qualquer tipo de aproximação das emoções que o
esquema suscita ou pode fazer o contrário do que é esperado, em uma forma
de defesa hipercompensatória ou formação reativa (psicodinâmica).

 Terapia do Esquema
 Resignação ou Rendição - Congelamento
 Hipercompensação - Luta
 Evitação - Fuga

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DOMÍNIO I
Desconexão e Rejeição

Domínio Desconexão e Rejeição


 É formado precocemente pela ausência de vínculos seguros e
empatia, com insegurança e desrespeito às necessidades afetivas.
O indivíduo sente a rejeição ou abandono como algo presente o
tempo inteiro, uma ameaça. Relacionado a crenças de desamor, de
não-merecimento de afeto.

 EIDs:
 Abandono/Instabilidade
 Privação Emocional
 Desconfiança/Abuso
 Defectividade/Vergonha
 Isolamento Social/Alienação

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Abandono

Domínio Desconexão e Rejeição


Abandono
 Descrição do Esquema
 Expectativa de que irão perder as pessoas próximas, que ficarão
sozinhos e abandonados.
 Família de Origem: instável, sem rotina.
 Comportamentos associados:
 Se envolver com pessoas instáveis, subjugação (resignação)
 Evitam envolvimento pois acreditam que podem sofrer pois serão
abandonados; uso de substâncias (evitação)
 Hipervigilância, apego excessivo, posse, ciúmes (hipercompensação)

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Desconfiança / Abuso

Domínio Desconexão e Rejeição


Desconfiança/ Abuso
 Descrição do Esquema
 Dificuldades de confiar no outro pois acreditam que este
poderá ser abusivo, tirar vantagem. Interpretam qualquer falha
do outro como abuso. Esta idéia pode ser generalizada
(sociedade). Podem ser abusivos também.

 Principais Emoções: Ansiedade, Raiva, Tensão

 Família de origem: abusiva, agressiva, pais egoístas.

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Domínio Desconexão e Rejeição


Desconfiança/ Abuso
 Comportamentos associados:
 Envolve-se com pessoas abusivas
(resignação)
 Evitam relacionamentos íntimos,
solicitar coisas à terceiros, isolam-se
(evitação)
 Abusam e exploram as outras pessoas
(hipercompensação) (Identificação
com o agressor)

Privação Emocional

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Domínio Desconexão e Rejeição


Privação Emocional
 Descrição do Esquema
 Marcado por sentimentos depressivos, apatia, sensações difusas de
solidão. Sensações e idéias de que não terão trocas afetivas,
carinho. Podem não ter acesso à conteúdos cognitivos
(pensamentos, imagens). Desorientação : não tiveram ninguém
como apoio, ambiente familiar “cinzento”.

 Família de origem: distante e fria, sem calor humano

 Emoções associadas: Tristeza, angústia (vazio interior)

Domínio Desconexão e Rejeição


Privação Emocional
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Escolher parceiros frios emocionalmente, ter relações nas quais não
existe a expressão das suas necessidades emocionais (resignação)
 Isolar-se, evitar relacionamentos (evitação)
 Exige atenção. Histrionismo. Podem exibir grandiosidade, quando
foram privados de afeto na infância e valorizados apenas pelos seus
feitos e ações (hipercompensação)

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Defectividade
Vergonha

Defectividade / Vergonha
 Descrição do Esquema
 Sentem-se inferiores, falhos, feios, inadequados em diversos aspectos como
relacionamentos sexuais, interpessoais, familiares, desqualificando-se e
permitindo-se serem desqualificados. Hipersensibilidade à rejeição.
 Principais Emoções: vergonha, culpa, tristeza, ansiedade
 Família de Origem: crítica, invalidante, rejeitadora
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Relaciona-se com pessoas rejeitadoras. Se desqualifica e permite a
desqualificação. Aceita fazer coisas que estão muito aquém da sua
capacidade. Assina embaixo das críticas (resignação)
 Evita situações nas quais possa ser avaliado. Não se revela. Não expressa
sentimentos (evitação)
 Tenta ser perfeito, excessivamente crítico, não aceita críticas
(hipercompensação)

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Isolamento Social/ Alienação

Isolamento Social/ Alienação


 Descrição do Esquema
 Sentem-se isolados, não pertencentes a grupos hegemônicos, sentem-
se diferentes. Podem envolver minorias raciais, sexuais, econômicas.
 Emoções associadas : solidão, embotamento, tristeza, vergonha,
ansiedade.
 Família de origem: isolada, sem relacionamentos interpessoais.
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Tentar fazer parte de grupos mas sempre buscar confirmações de que
é diferente, ficando à parte (resignação)
 Evitar situações sociais; solidão (evitação)
 Construir um falso self para se ajustar (hipercompensação)

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DOMÍNIO II
AUTONOMIA E
DESEMPENHO
PREJUDICADOS

Domínio II
Autonomia e Desempenho Prejudicados
 Sentem-se incapazes de ter autonomia, de fazerem as coisas
sozinhos e de lidarem com situações desafiadores e difíceis.
Podem se sentir despersonalizados e fundidos a outras pessoas.

 EIDs:
 Dependência/Incompetência
 Vulnerabilidade à danos e doenças
 Emaranhamento/Self Subdesenvolvido
 Fracasso

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Dependência /
Incompetência

Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


Dependência/ Incompetência
Descrição do Esquema:
Pacientes sentem-se incapazes, inseguros de tomarem decisões sozinhos e manejarem
suas vidas. Young considera que os pacientes sentem-se incapazes e por isto dependem dos
demais.
 Emoções associadas:
 Ansiedade, depressão, distimia, stress (geralmente buscam terapia pelos sintomas não
pela dependência)
 Família de origem : pais superprotetores, projetam-se nos filhos, não valorizam a autonomia
das crianças e a necessidade do erro e riscos na vida.
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Entrega as rédeas da sua vida a terceiros, não toma decisões, pede ajuda o tempo inteiro
(resignação)
 Zona de conforto, evita novos desafios (evitação)
 Nunca pede auxílio, mesmo em tarefas difíceis. Stress excessivo. Contradependência
(hipercompensação)

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Vulnerabilidade a
danos e doenças

Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


Vulnerabilidade
Sentem que algo ruim irá acontecer como desastres, doenças, perdas financeiras.
 Família de Origem: ansiosa, preocupada com doenças (modelação), superprotetores
 Emoções, sentimentos e sintomas:
 Ansiedade, medo, preocupações recorrentes, obsessões
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Procurar confirmações sobre catástrofes possíveis. Lê e fala constantemente
sobre o assunto (resignação)
 Ficar em casa o tempo inteiro, evitar ir a locais supostamente inseguros, buscar
não comentar nada sobre tragédias ou acontecimentos relacionados à este tema
(evitação)
 Desconsiderar o perigo. Desafiar constantemente. Praticar esportes radicais
(hipercompensação)

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Emaranhamento /
Self Subdesenvolvido

Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


Emaranhamento / Self Subdesenvolvido
Pessoas sem identidade, sem opinião própria, extremamente ligados
à figuras parentais ou substitutas, com dificuldade em tomar decisões
sem o reasseguramento destas pessoas “especiais” em sua vida.
Vínculos inseguros, acreditam que não podem viver sem estas
pessoas.
 Família de Origem : simbiose excessiva, chantagens nas tentativas da
criança de buscar autonomia
 Emoções, sentimentos e sintomas : Insegurança, dificuldade em usar
suas emoções como referência, culpa em relação às tentativas de
individuação. Sensações de vazio.

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Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


Emaranhamento / Self Subdesenvolvido
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Aceita tudo que a pessoa significativa fala como se fosse algo seu
também. Conta tudo , não tem segredos. Não desenvolve seus talentos
naturais. (resignação). Imita o comportamento de outros significativos.
 Evita relações com pessoas que enfatizam a independência (evitação)
 Tenta ser excessivamente autônomo, não precisa de ninguém e
procura se diferenciar excessivamente da figura de vínculo
(hipercompensação)

Fracasso

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22/04/2019

Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


Fracasso
Pessoas sentem que falharam ou são uma fraude, que tem mais dificuldades
que os demais.
 Família de origem : não possibilita o erro da criança impedindo a autonomia,
desqualificadora das tentativas, crítica
 Emoções, sentimentos e sintomas : Ansiedade, stress, tristeza
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Faz tarefas sem dedicação, sem o coração, sem entusiasmo.
Autosabotagem (resignação)
 Não se engaja em desafios. Não aceita ser testado. Procrastina (evitação)
 Workaholics. “Fazedor” . Insatisfação eterna (hipercompensação)

DOMÍNIO III
LIMITES
PREJUDICADOS

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22/04/2019

Domínio III: Limites Prejudicados


Não desenvolveram limites adequados socialmente nem
disciplina e persistência para conseguir as coisas.
Geralmente, as famílias são permissivas
(modelação/aprendizagem social).

 EIDs ou EDRs:
 Merecimento / Grandiosidade
 Autocontrole / Autodisciplina insuficientes

Merecimento /
Grandiosidade

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22/04/2019

Domínio Limites Prejudicados


Merecimento / Grandiosidade
Pacientes se sentem especiais, melhores que os outros, egoístas, competitivos.
Fazem suas regras. Busca de poder. Dois Tipos:
 Entitulamento (arrogo) frágil: Narcisistas . Hipercompensação a esquemas de
defectividade, privação emocional. (Adler: compensação sentimentos
inferioridade)
 Entitulamento puro: Cresceram com a idéia dos pais de que eram especiais.
(Millon: superavaliação parental com auto-imagem internalizada positivamente
realçada e exagerada)
 Família de Origem: permissiva, sem limites.
 Emoções, sentimentos e sintomas: impulsividade, arrogância, ansiedade, raiva
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Gabar-se demais, autoritarismo e manipulação(resignação)
 Se afasta de situações nas quais pode não ser superior (evitação)
 Esquece de si (hipercompensação)

Autocontrole /
Autodisciplina
insuficiente

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22/04/2019

Autocontrole / Autodisciplina insuficiente


Sentem-se incapazes de adiar gratificações e ter objetivos de longo-prazo.
Desistem de coisas facilmente. Impacientes. Entediados.
 Família de origem: permissiva, indulgente, sem limites, acha que o filho é
especial
 Emoções, sentimentos e sintomas: Impulsividade, Tédio, apatia,
responsabilidades. Evitar compromissos. Procrastinar (evitação)
 Esforços intensos e incessantes para ter auto-controle e concluir projetos
(hipercompensação)
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Desiste facilmente de realizar tarefas pouco empolgantes ou rotineiras.
Explosões emocionais. Impulsividade.(resignação)
 Evitar

DOMÍNIO IV
ORIENTAÇÃO
PARA O OUTRO

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22/04/2019

Domínio Orientação para o outro


 Sentem-se sem direitos para olhar para si mesmo sendo extremamente
sensíveis ao sofrimento externo e às necessidades de terceiros em
detrimento das suas.

 EDRs:
 Subjugação
 Autossacrifício
 Busca de Aprovação e Reconhecimento

Subjugação

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22/04/2019

Domínio Orientação para o Outro


SUBJUGAÇÃO
Sentem-se dominados pelo outro.
 Subjugação das Necessidades: suprime seu desejo para seguir o do
outro
 Subjugação das Emoções: suprime as emoções por medo de punição
 Emoções, sentimentos e sintomas: medo, impotência, Raiva reprimida.
 Família de Origem: possessiva, dominadora, invalidante do desejo da criança
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Deixa ser dominado. Procura parceiros dominadores e controladores. Segue
os desejos deles(resignação)
 Evita relacionamentos e situações nas quais possa haver conflitos (evitação)
 Raiva contra autoridade. Domina os outros. Egoísmo exagerado
(hipercompensação)

Autossacrifício

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22/04/2019

Domínio Direcionamento para o Outro


Autossacrifício
Foco excessivo nas necessidades de terceiros às custas de suas próprias
necessidades. Senso de responsabilidade excessiva. Temperamento
superempático. Dor excessiva relacionada à culpa e ao egoísmo.
 Família de origem: doentes na família, pais desamparados ou fracos
 Emoções, sentimentos e sintomas:
 Sintomas psicossomáticos (dores de cabeça, dor crônica), stress.
Ressentimento. “Altruímo”. Culpa (ao olhar para si; ao não fazer nada).
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Vive para os outros sem se importar muito consigo mesmo (resignação)
 Se afasta de situações nas quais existam trocas (dar ou receber) (evitação)
 Dá o mínimo possível aos outros. Raiva quando solicitado
(hipercompensação)

Busca de Aprovação e
Reconhecimento

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22/04/2019

Domínio Orientação para o Outro


Busca de aprovação e Reconhecimento
Busca excessiva de aprovação por parte de terceiros que podem levar a pessoa a
abrir mão de seus talentos levando a um “falso” self. O seu senso de self é
dependente das reações das pessoas.
 1 ) Querem se sentir aceitos e adequados
 2 ) Querem ser reconhecidos
 Família de origem: foco na valorização social ou no que consideram importantes ao
invés do desejo da criança
 Emoções, sentimentos e sintomas:
 Ansiedade, stress, preocupações excessivas, perfeccionismo. Ênfase na
aparência e sucesso.
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Busca impressionar. Podem ser subservientes (resignação)
 Evita situações nas quais pode interagir com aqueles que deseja que o
aprovem(evitação)
 Rebeldia, desaprovação(hipercompensação)

DOMÍNIO V
SUPERVIGILÂNCIA E
INIBIÇÃO

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22/04/2019

Domínio Supervigilância e Inibição


 Desvalorizam e suprimem suas emoções e espontaneidade, se
esforçando para cumprir regras rígidas de desempenho e performance,
à custa do prazer e relaxamento.

 EDRs
Negativismo/Pessimismo
Inibição Emocional
Padrões Inflexíveis
Postura Punitiva

Negatividade /
Pessimismo

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22/04/2019

Domínio Supervigilância e Inibição


Negativismo / Pessimismo
Foco nos aspectos negativos da vida. Catastrofização. Expectativa de
que tudo irá dar errado, que algo ruim irá acontecer.
Família de origem: pessimista, catastrofizadora
Emoções, sentimentos e sintomas:
Ansiedade, stress, ruminações, preocupações, sintomas depressivos
Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
Age como se o pior fosse acontecer. Catastrofiza(resignação)
Estratégias como uso de drogas, entorpecimento(evitação)
 Nega a realidade, Vive no paraíso, Poliana(hipercompensação)

Inibição Emocional

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22/04/2019

Domínio Supervigilância e Inibição


Inibição Emocional
Sentem a expressão emocional como algo desagradável e desnecessário.
Dificuldades de intimidade. Sentem como desagradáveis as pessoas próximas
que exibem emoção como filhos, etc.
 Família de origem: pais controladas, inexpressivos emocionalmente
 Emoções, sentimentos e sintomas: embotamento afetivo, vergonha, “frieza”,
hostis (raiva reprimida)
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Emoções sob controle o tempo todo(resignação)
 Evita conflitos ou discussões sobre sentimentos (evitação)
 Procura ser emotivo o tempo inteiro mas sente isto como algo forçado
(hipercompensação)

Padrões Inflexíveis

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22/04/2019

Domínio Supervigilância e Inibição


Padrões Inflexíveis
Sentem-se sob pressão permanente para atingirem metas ambiciosas. Não
sentem permissão para relaxar. Rígidos e Perfeccionistas.
 Família de origem : perfeccionista. Não aceita o bom, só o excelente.
 Emoções, sentimentos e sintomas : ansiedade, stress, irritabilidade, insônia,
tensão crônica
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Perfeccionismo, perda excessiva de tempo(resignação)
 Procrastina e evita situações nos quais pode ser julgado ou criticado(evitação)
 Faz as coisas de qualquer jeito , não liga para a qualidade (hipercompensação)
 Obs: Ganhos no social às custas da qualidade de vida (Personalidade Tipo A)

Postura Punitiva

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22/04/2019

Domínio Supervigilância e Inibição


Postura Punitiva*
Sentem que as pessoas , incluindo ele próprio, merecerem ser punidos pelos
seus erros.
 Família de origem: pressionadora por resultados e ameaçadora.
 Emoções, sentimentos e sintomas: intolerância, hostilidade, raiva. Tom de
voz e postura agressiva.
 Comportamentos típicos (estilos de enfrentamento):
 Severo e Rígido consigo próprio e os outros. Comportamentos auto-
lesivos (resignação)
 Evita situações nas quais imagina poder ser punido (evitação)
 Perdoa a tudo mas no fundo sente-se com raiva (hipercompensação)

Conceitos
 Necessidades Emocionais Centrais
 Domínios
 Esquemas
 Estilos de Enfrentamento
 Modos

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22/04/2019

Terapia do Esquema : Esquemas e Modos


 Esquemas: Estrutura de conhecimento organizada desenvolvida durante a
infância em resposta a presença/ausência de satisfação das necessidades
emocionais centrais. Reflete padrões da vida do indivíduo e influencia
emoções, cognições e comportamentos.

 Modo: Conjunto de esquemas em operação, momento a momento. A cada


instante, temos um modo predominante, resultante da ativação e desativação
de esquemas. Este modo pode ser adaptativo ou desadaptativo, de acordo
com o contexto.
– Termo já utilizado por Beck. Semelhante ao conceito de Estados de Ego, de
Eric Berne (Arntz & Genderen, 2009)

Terapia do Esquema : Esquemas e Modos


 Teorias da Personalidade: Traço-Estado (Eysenck)
 Traço: Característica distinta da personalidade, estável, tendência. Exs:
Neuroticismo, Extroversão.
 Estado: O que acontece no momento, transitório. Estados da mente
predominantes.
 “Enquanto um esquema representa uma dimensão de um tema (Ex.:
vergonha), o modo do esquema reflete a constelação de esquemas e estilos
de manejo que estão ativos no momento (Ex.: Criança Vulnerável :
esquemas de vergonha e privação emocional)” (Genderen & Arntz, 2012).
 “O esquema pode ser comparado a um traço de personalidade e o Modo a
expressão destes traços” (Mendes, 2015)

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22/04/2019

Terapia do Esquema : Modos


 Subsistemas da Personalidade
 Desenvolvidos inicialmente para Borderlines, devido a mudança
constante de afeto (mudança da constelação de esquemas ativos).
 Young : esquemas e respostas de enfrentamento tendem a se
agrupar como partes do Self (modos).

Terapia do Esquema : Modos


 Quatro Categorias
 Modos da Criança: Criança Vulnerável, Criança Zangada, Criança
Impulsiva/Indisciplinada, Criança Feliz
 Modos de Enfrentamento: Capitulador Complacente (resignação/
obedece ao esquema) ; Protetor Desligado (evitação);
Hipercompensador
 Modos Pais Disfuncionais: Pais Punitivos/Críticos; Pais Exigentes
 Adulto Saudável

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22/04/2019

Terapia do Esquema : Modos


 O trabalho com esquemas é considerado por Young
mais simples. Recomenda o trabalho com Modos
para transtornos de personalidade e quando a terapia
“trava”.
 Tendência atual da TE: enfatizar o trabalho com
Modos mais do que com os esquemas individuais
(Genderen, Rijkeboer & Arntz).
 Eficácia da intervenção
 Modos estão presentes em todos nós
 Mais facilmente identificável do que os esquemas
individualmente. Trabalhar no Modo ajudar a
mudar tanto a expressão do esquema quanto o
esquema em si.

PSICOTERAPIA

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22/04/2019

Perguntas :
1 - Quais são as necessidades emocionais
que, quando não-satisfeitas, implicam na
formação de um EDR?

2 – Como estas necessidades do passado se


atualizam na vida do paciente?

3 - Como ajudar os pacientes a terem estas


necessidades preenchidas e se libertarem da
disfuncionalidade e rigidez dos EDRs?

TE : Psicoterapia
 DUAS FASES: AVALIAÇÃO E MUDANÇA
 FASE 1 : AVALIAÇÃO
 Estabalecimento do vínculo e rapport
 Identificação dos Esquemas : utilização de questionários de esquemas
ou outros; pode-se identificar esquemas sem questionários
(observação)
 Psicoeducação sobre os EIDs.
 Conceitualização : Como os principais esquemas, estratégias de
enfrentamento e modos estão operando no presente.
 Uso de técnicas cognitivas.
 Uso de técnicas experienciais para avaliação do ambiente da infância.

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22/04/2019

TE : Psicoterapia
 FASE 2 : MUDANÇA
 Consolidação da relação terapêutica
 Uso de técnicas experienciais bastante carregadas de emoção, para
distanciar a pessoa dos esquemas
 Reestruturação dos esquemas emocionais
 Foco no comportamento para buscar no presente , de forma
adequada, o que faltou no passado
 REPARENTALIZAÇÃO
 O terapeuta deve ser uma base segura, fornecendo de forma
adequada e dentro dos limites da boa relação terapêutica, as
necessidades emocionais centrais que não foram preenchidas

TE : Psicoterapia
 Técnicas Experiencias -
Principal diferencial da TE
 Exemplos:
 Imagens Mentais
 Cadeira-Vazia
 Diálogos com figuras
abusivas na imaginação
 Proteção da criança
 Cartas a outros
significativos
 Compaixão (recente)

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22/04/2019

Estratégias Detalhadas de Tratamento


Domínio Desconexão e Rejeição
 Relação Terapêutica
 Orientação Geral: Terapeuta como Base Segura e Estável, validando as
emoções do paciente. Sensibilidade para observar o que não está sendo
dito. Compreensão Empática.
 Específicas:
 Abandono: Criar Estabilidade. Estar atento às interpretações do
paciente e sinais não-verbais (pedir feedback!), trocas de horários,
férias, atrasos. Atenção Redobrada ao bom paciente (“Agrade
Sempre”) e a dependência.
 Privação Emocional: Criar Ambiente caloroso, intensidade emocional.
Trocas Afetivas. Revelações Pessoais do Terapeuta são adequadas
(dizer como se sente, partilhar)

 Desconfiança/Abuso: Respeito às regras e limites do paciente.


Cuidado com contatos físicos iniciais (cumprimentos, toques). Ser
claro quanto às regras da terapia (faltas, etc). Ter cuidado ao falar
com familiares.
 Defectividade/Vergonha: Aceitação. Validação. Auto-revelação:
terapeuta fala das suas falhas. Reforços naturais não artificiais.
Atenção para os hipercompensadores que podem ser críticos.

 Isolamento Social / Alienação: Sentir-se pertencendo ao meio.


Mostrar semelhanças entre o terapeuta e o paciente. Quando falar
das diferenças, focar no diálogo.

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22/04/2019

Domínio Desconexão e Rejeição


 Estratégias Cognitivas
 Orientação Geral: Identificação e Flexibilização das Distorções Cognitivas.
Identificação de Pressupostos e Regras de cada esquema. Seta
Descendente. Discutir sobre a relação entre o ambiente da infância e as
situações atuais.
 Específicas:
 Abandono: Descatastrofização (solidão), Flexibilização de Regras rígidas
sobre relacionamentos (ex. pessoa precisa fazer tudo pela outra), evitar
reasseguramentos, Lócus de Controle Interno
 Privação Emocional: Descatastrofização (expressão das necessidades
emocionais), Psicoeducação sobre emoções, Conversar sobre Direitos
Emocionais dos Indivíduos, Questionamento sobre o tipo de perfil
emocional para se relacionar (pessoas calorosas ao invés de frias)

Domínio Desconexão e Rejeição


 Específicas:
 Desconfiança/Abuso: Leitura Mental (buscar evidências),
Generalização e Abstração Seletiva (continuum). Pressupostos e
Regras para flexibilizar (ex. Se vão abusar então é melhor eu me
afastar; As pessoas não prestam). Atenção para abusos sexuais :
paciente pode se achar culpado e apresentar esquiva emocional
 Defectividade/Vergonha: Questionamentos (hipersensibilidade à
rejeição), identificar e interromper autocrítica severa, Psicoeducação
sobre a vergonha, Diálogos entre o lado do esquema e o saudável,
Discutir a utilidade da preocupação e ruminação (terapia metacognitiva)
 Isolamento Social/ Alienação: Questionamentos (ex. o que faz de você
tão diferente?); Como pode provocar “estranhamentos” nos outros
(profecia autorealizadora), Viés atencional para semelhanças e não
para diferenças.

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22/04/2019

Domínio Desconexão e Rejeição


 Estratégias Vivenciais
 Orientação Geral: Verificar a formação dos EDRs a partir de um referencial
afetivo. Verificar decisões do Modo Criança, internalização de Modos
Parentais e Modos de Enfrentamento. Trabalho com imagens e
Reparentalização é fundamental.
 Específicas:
 Abandono: Imagens relacionadas ao abandono. Criança Abandonada. Emoções:
medo, tristeza e raiva. Cartas para outros significativos. Diálogos na Cadeira
Vazia entre o lado do esquema e o lado saudável.
 Privação Emocional: Imagens relacionadas ao ambiente frio. Imagens podem ser
trazidas a partir de sensações de vazio (focalização). Criança Solitária. Emoções:
vazio, tristeza, raiva. Escrever e ler sobre Direitos Emocionais. Técnica Strokes
(AT) : dar elogio, receber elogio, solicitar algo, pedir algo.

Domínio Desconexão e Rejeição


Estratégias Vivenciais
 Específicas:
 Desconfiança/Abuso: experiências muito mobilizadoras (aguardar vínculo).
Trabalhar mais intensamente Lugar Seguro. Revivência (atenção para não
produzir retraumatização). Criança Abusada. Emoções : vergonha, culpa,
tristeza, raiva. Reparação Parental (geralmente com o terapeuta primeiro).
Verificar decisões da Criança. Regular Emoções em algum momento para a
construção de significados. Em relação à abusos não adianta conscientizar o
adulto da época. Não pode buscar reparação no abusador
 Defectividade/Vergonha: Criança Envergonhada. Verificar decisões da criança.
Emoções : tristeza, raiva. Especial : treino da mente compassiva.
 Isolamento Social/Alienação: menor foco no trabalho vivencial do que os outros.
Emoções : solidão, vazio, tristeza. Imagens: reclamar com os pais (cuidado se o
isolamento for decorrente de problemas de saúde ou outros de difícil solução:
Focar na insatisfação com a situação e não com os pais).

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22/04/2019

Domínio Desconexão e Rejeição


Estratégias Comportamentais
 Orientação Geral: Verificar Comportamentos que mantém o esquema e buscar
comportamentos mais flexíveis que permitam a maior troca afetiva nas relações sociais
em geral.
 Específicas:
 Abandono: Verificar comportamentos relacionados ao apego seguro. Treino
Assertivo. Habilidades Sociais. Cartões de Enfrentamento. Verificar Contingências
(reforçadores negativos)
 Privação Emocional: Dizer ao outro como se sente. Solicitar. Arte, massagem,
música e outros formas de contato com o mundo emocional.
 Desconfiança/Abuso: Exposições (traços de ansiedade social) com
Dessensibilização Sistemática. Enfrentamentos como se posicionar frente ao abuso
ou exploração de terceiros (hipercompensação). Escrever detalhando a situação
abusiva e contar para o terapeuta enfatizando a regulação emocional. Listar
características de alguém confiável e buscar alguém em seu meio. Contar algo
importante. Ser adequadamente vulnerável. Não idealizar nem ser rigoroso demais.

Domínio Desconexão e Rejeição


Estratégias Comportamentais
 Específicas:
 Defectividade/Vergonha: Exposições (TAS) com
Dessensibilização. Modelação e Modelagem. Agir “Como Se”.
Manejo da Ansiedade.Treino de Habilidades Sociais. Em caso
de hipercompensadores , evitar críticas a terceiros e não reagir
quando criticado. Em caso de resignadores, se posicionar frente
às críticas. Ensaio Encoberto. Dramatização de Papéis. Depois :
Teatro ou Grupos.
 Isolamento Social/Alienação: Busca de grupos. Manejo da
ansiedade. Jogos Coletivos. Redes Sociais.

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22/04/2019

Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


 Relação Terapêutica
 Orientação Geral: Facilitar a individuação do paciente. Reforço da autonomia.
Evitar reasseguramentos e respostas as dúvidas.
 Específicas
 Dependência/Incompetência: Atenção ao paciente “obediente”. Pode ser
necessário valorizar moderadamente até mesmo o não-cumprimento de
tarefas.
 Vulnerabilidade: Criar ambiente/clima de muita segurança. Postura Calma.
Buscar Racionalidade. Ser um contraponto aos modelos parentais de
preocupação excessiva. Cuidado quando a vulnerabilidade for decorrente
de tragédias pessoais para não invalidar o paciente.

Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


 Relação Terapêutica
 Específicas
 Emaranhamento/Self Sudsesenvolvido: Agir como em um processo de
desenvolvimento (simbiose saudável, incentivo à autonomia, orientação,
proteção, respeito a originalidade do outro (talentos, idéias, aspirações) 
INDIVIDUAÇÃO. Ter cuidado com críticas às figuras parentais. Atenção à
manipulação do paciente pela figura de vínculo. Cuidado com a
dependência do terapeuta.
 Fracasso: Ser encorajador. Valorizar a tentativa mais que o resultado.
Revelação Pessoal do terapeuta: falar da persistência para conseguir
coisas, do preço da hipercompensação e da evitação. Cuidado para não se
vangloriar demais : sucesso do terapeuta pode fazer com que o paciente
enfatize seu esquema de fracasso.

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22/04/2019

Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


 Estratégias Cognitivas
 Orientação Geral
 Questionamentos sobre Dependência, Preço da Segurança, Zona de Conforto,
Ciclos de Autosabotagem (profecias autorealizadoras). Compreensão da
construção e manutenção dos esquemas. Compreensão do modelo cognitivo.
Flexibilização de Distorções Cognitivas. Compreensão do papel do Reforço
Negativo (contingências)
 Específicas
 Dependência/Incompetência: Listas de custo benefício sobre dependência;
Pensamentos automáticos padronizados (verificação de significados dos Pas);
aumentar a tolerância à incerteza e questionar crenças sobre ansiedade.
 Vulnerabilidade: Descatastrofização; Foco em Metacognição; Discutir sobre
função das preocupações; Mudança da Percepção Temporal (do passado e do
futuro para o Prazer no Presente); Discutir sobre estratégias de evitação (custo).

Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


 Estratégias Cognitivas
 Específicas
 Emaranhamento/ Self Subsedesenvolvido: Perguntar sobre opiniões do
paciente (repetidamente...o que você pensa sobre este assunto). Discutir a
partir da opinião do paciente sem criticar...gradualmente, fazer críticas
construtivas. Falar sobre manipulação. Valorizar Diferenças do paciente. Em
pacientes hipercompensadores, questionar : ter autonomia não é ser escravo do
oposto.

 Fracasso: Identificar e Flexibilizar DCs (Catastrofização, Minimização do


positivo, Comparações Injustas, Inferência Arbitrária, Generalizações). Exame
de Evidências. Explicitar Pressupostos que embasam a procrastinação (ex.:Se
eu fizer de nada vai adiantar pois não irei conseguir mesmo...)

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22/04/2019

Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


 Estratégias Vivenciais
 Orientação Geral: Busca de imagens nas quais o paciente teve o seu direito a
autonomia, a liberdade de pensamentos, a aprendizagem gradual negados e
os erros supervalorizados.. Cuidados com críticas aos pais antes da hora (tão
bonzinhos...) Diálogos entre lados do Self: Dependência X Autonomia.
Jogos Psicológicos: Faço tudo por você; Só trato de te ajudar
 Específicas
 Dependência/Incompetência: Quebrar superproteção dos pais. Modo
Criança Dependente. Na imagem, ajudar o paciente a perceber o malefício
dos pais “excessivamente bons”. Modo Adulto do paciente pode conversar
com os pais sobre a necessidade de autonomia. Verificar o que os pais
fazem quando a Criança insiste em fazer algo sozinho. Se preciso, ajudar
a Criança Dependente a expressar raiva.

Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


 Estratégias Vivenciais
 Específicas
 Vulnerabilidade : Entrar em contato com as imagens relacionadas à vulnerabilidade.
Modo Criança Vulnerável. Verificar evitações (cognitivas, experienciais, afetivas).
Etapas : Falar sobre o assunto (1); facilitar e validar a emoção emergente (2);
Regulação Emocional para geração de significados(3). Em caso de pais
preocupados, expressar descontentamento seja na imagem ou na Cadeira Vazia.
 Emaranhamento / Self Subdesenvolvido : Procurar imagens nas quais os pacientes
não concordaram ou foram reprimidos pelos pais em seus talentos ou autonomia.
Colocar Limites para os pais (Modo Adulto ou o Terapeuta na Imagem). Adulto do
paciente pode acolher e incetivar a Criança Criativa e Espontânea.
 Fracasso : Diálogos na Cadeira-Vazia (lado do esquema e lado saudável); Imagens
da infância nas quais foram excessivamente criticados. Diálogos nas imagens com
Pais Críticos ou Pais excessivamente Competitivos e que projetavam nos filhos
suas aspirações pessoais, pressionando-os em excesso.

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22/04/2019

Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


 Estratégias Comportamentais
 Orientação Geral : Expressão da autonomia, autenticidade,
espontaneidade. Habilidades Sociais, Solução de Problemas.
Regulação Emocional. Quebrar Reforçadores Negativos
(respiração, mindfulness). Cartões de Enfrentamento
 Específicas
 Dependência / Incompetência : Exposições graduadas;
Correr Riscos; Dessensibilização
 Vulnerabilidade : mudar foco atencional nas ameaças;
Cartões de Enfrentamento; não buscar reasseguramentos

Domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados


 Estratégias Comportamentais
 Específicas
 Self Subdesenvolvido : teatro, hobbies, afirmação da
sua diferença.
 Fracasso: Metas Realistas; Quebrar Procrastinação;
Solução de Problemas.

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22/04/2019

Exemplo de caso
 Cliente P. , 30 anos, solteira, advogada. Possui histórico de ataques de
pânico e diagnóstico de Transtorno Depressivo. Foi encaminhada por
médico psiquiatra. Encontra-se também em tratamento medicamentoso.

 Quando perguntada sobre o que esperava da psicoterapia, P. Revelou que


sente-se extremamente insegura no atual relacionamento. Considera o
namorado frio, autoritário e algumas vezes, até mesmo abusivo
verbalmente. Tem dúvidas sobre o seu futuro profissional e acha que
poderia se arriscar mais nas coisas. Não anda de transporte público, tem
receio de andar de elevador, não gosta de fazer nada sozinha. Estas
limitações atrapalham a sua qualidade de vida de uma forma geral.

Exemplo de caso
 Fase I - Avaliação
 Vínculo – paciente chorosa, carente. Relação terapêutica com
atenção para não realizar trocas de horários, fazer
esclarecimentos sobre o processo e links constantes com as
sessões anteriores
 Psicoeducação – sobre Depressão e sobre Ataques de Pânico
 Questionário de Esquemas – paciente praticamente não marcou
nenhum esquema. Comportamento evitativo.
 TCC – Curtograma, ativação comportamental, RDPDs e
respiração diafragmática.
 Relatos sobre a infância

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22/04/2019

• Fase I – Avaliação
 Uso de imagens : Construção do lugar seguro
 Uso de imagens : Clima da Infância
 Cliente revelou que era a filha caçula de um casal bem mais velho. A mãe tinha
50 anos quando ela nasceu e o pai 60. Os irmãos já eram adultos e não
moravam na mesma cidade. Cresceu sob os cuidados de uma avó distante
emocionalmente e , no dia a dia, tinha pouco contato com os pais, que também
eram frios e não brincavam. Os pais falam que era muito ligada à avó mesmo
assim e que nas férias desta (viagens) e nos finais de semana nos quais a avó
ia para casa, chorava muito. A avó teve um ataque cardíaco quando ela tinha 8
anos. Aos 10, o pai adoeceu.
 Disse também que começou a apresentar dificuldades de ir para a escola ou
mesmo sair de casa. Ficava sempre pensando que o pai poderia morrer ou que
alguma coisa ruim pudesse acontecer com a mãe.

 Esquemas levantados pelo psicoterapeuta: Abandono, Privação Emocional,


Subjugação, Vulnerabilidade a danos e doenças, Fracasso e Autossacrifício.
 Modos bastante ativo: Criança Vulnerável e Protetor Desligado
 PSICOEDUCAÇÃO: Necessidades Emocionais Centrais, Esquemas e Modos

Exemplo de caso
 Fase I : Avaliação
 Estratégias de enfrentamento
 Abandono : Hipercompensação  “gruda” excessivamente no parceiro. Não se
vê vivendo sozinha.
 Privação Emocional: Hipercompensação  luta para ter alguém sempre
presente na sua vida afetiva
 Subjugação: Rendição  Se submete a qualquer coisa para não perder o
parceiro.
 Vulnerabilidade : Evitação  evita lugares onde acredita que possa correr
riscos; Rendição  acredita que pode ter uma doença e busca médicos
incansavelmente
 Auto-sacrifício : Rendição  muitas vezes, abre mão de coisas para agradar o
outro.
 Fracasso: Hipercompensação  desenvolve estratégias compensatórias para
não correr risco de errar e fracassar.

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Exemplo de caso
 Fase II : Mudança
 TCC : Exposição Interoceptiva
 Contato nas imagens com as Necessidades Emocionais Centrais : validação,
afeto, carinho.
 Ser a criança, entrar em contato com os sentimentos de solidão e tristeza.
 Terapeuta entra na cena e dá suporte, acolhimento o modo Criança
Vulnerável (criança do cliente), além de expressar descontentamento com os
pais
 Cliente entra na cena como adulto (Modo Adulto Saudável) , reclama ,
expressa raiva perante o abandono para os pais
 Cliente acolhe a Criança Vulnerável
 Fazer o paciente experienciar e registrar a sensação de acolhimento
 Diversas vezes foram trabalhadas cenas da infância e também diálogos na
cadeira-vazia com pessoas que atualizam seus esquemas como o namorado
atual.

Exemplo de Caso
 Fase II : Mudança
 Mudança Comportamental : revelar desejos ao parceiro; não se
submeter à ele o tempo todo
 Dessensibilização Sistemática : elevadores, transporte público
 Não buscar reasseguramentos com o terapeuta e com terceiros
 Suportar ansiedade em relação às doenças. Não buscar
médicos a todo momento.
 Hedonismo Responsável

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CONCLUSÃO
 Esquemas Iniciais Desadaptativos são desenvolvidos a partir da interação entre o
temperamento inato com um ambiente desfavorável à satisfação das necessidades
emocionais da criança.
 Terapia do Esquema busca quebrar os padrões emocionais e comportamentais do
cliente com um foco maior nos Esquemas desenvolvidos na primeira infância
(Bottom-up)
 Terapeuta busca utilizar uma série de procedimentos cognitivo-comportamentais
(top-down) aliados à processos experienciais (bottom-up) para promover
distanciamento destes esquemas
 Relação Terapêutica – Terapeuta é um antídoto aos EIDs do cliente (base segura ;
reparentalização limitada)
 O foco é auxiliar o cliente a ter um entendimento do presente a partir de toda a sua
história e, principalmente, a ter suas necessidades emocionais preenchidas no
momento atual
MARCO MENDES – CRP 05/31952

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