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DO ADIMPLEMENTO E

EXTINÇÃO DAS
OBRIGAÇÕES
DO PAGAMENTO
“Pagamento significa, pois,
cumprimento ou adimplemento
da obrigação.”
A palavra pagamento é
empregada no sentido de
execução de qualquer espécie de
obrigação, e não só pagamento
em dinheiro.
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS AO
PAGAMENTO
Princípio da boa-fé. O devedor obriga-se
pelo que está no contrato e por todas as
consequências que os usos, a lei e a
equidade, derivam dele. (ninguém pode
beneficiar-se da sua própria torpeza).

Princípio da pontualidade, dispõe que


a obrigação deva ser satisfeita no tempo
aprazado, de forma integral, no lugar e
modo devidos.
ESPÉCIES DE PAGAMENTO
Pagamento direito
Pagamento indireto
Por execução forçada
Meios anormais de extinção das obrigações:
Impossibilidade de execução sem culpa do
devedor;
Do advento do termo.
Prescrição;
Nulidade ou anulação;
Novação;
Compensação, etc.
NATUREZA JURÍDICA
A natureza jurídica do pagamento é
controvertida, pois o mesmo pode ser realizado de
várias formas.
Silvio Rodrigues tende a encarar o pagamento
como um ato jurídico.
Orlando Gomes: “não é possível qualificar
uniformemente o pagamento”.
Para a maioria da doutrina o pagamento é um
ato jurídico em sentido amplo, da categoria
atos lícitos, podendo ser ato jurídico strictu
sensu ou negócio jurídico, bilateral ou
unilateral.
REQUISITOS ESSENCIAIS DE
VALIDADE
A existência do vínculo obrigacional.
A intenção de solvê-lo (animus
solvendi).
O cumprimento da prestação.
A pessoa que efetua o pagamento
(solvens).
A pessoa que o recebe (accipiens)
DE QUEM DEVE PAGAR
Qualquer interessado juridicamente na extinção
da dívida.
Ao efetuar o pagamento sub-roga-se nos direitos
do credor.
Quando a obrigação é contraída intuitu personae,
ou seja, em razão das condições ou das qualidades
pessoais do devedor, somente este poderá
cumpri-la.
O pagamento pode ser feito por um incapaz,
desde que o cumprimento não tenha por conteúdo
um negócio jurídico ou um ato de disposição.
DE QUEM DEVE PAGAR
Terceiros não interessados podem efetuar o
pagamento da dívida.
Podem inclusive consignar o pagamento em
caso de recusa do credor em receber, desde
que o faça em nome e à conta do devedor
(como representante ou gestor de negócios), salvo
de este se opuser.
Se o devedor comunicar ao credor, sua
oposição ao pagamento a ser efetivado por
terceiro, este poderá recusar o pagamento, mas
o terceiro não o poderá consignar.
Apesar da oposição, o credor pode aceitar
validamente o pagamento, se assim o desejar.
DE QUEM DEVE PAGAR
O pagamento feito por terceiro, com
desconhecimento ou oposição do devedor, não o
obriga a reembolsar aquele que pagou, se o
devedor tinha meios para ilidir a ação, com
arguição de prescrição ou decadência,
compensação, novação,etc.
O terceiro não interessado que pagar a dívida
do devedor terá direito de reembolso do que
pagar, mas não se sub-roga nos direitos do credor.
Só terá eficácia o pagamento que importar
transmissão da propriedade, quando feito por
quem possa alienar o objeto em que ele consistiu.
DE QUEM DEVE PAGAR

Se se der em pagamento coisa


fungível, não se poderá mais
reclamar do credor que, de
boa-fé, a recebeu e consumiu,
ainda que o solvente não
tivesse o direito de aliená-la.
DAQUELES A QUEM SE DEVE
PAGAR
O pagamento deverá ser feito diretamente ao
credor ou a quem de direito o represente.
O credor poderá ser o herdeiro, legatário,
cessionário e o sub-rogado nos direitos
creditórios.
Se a dívida for solidária ou indivisível,
qualquer dos cocredores está autorizado a
recebê-la.
Se a obrigação for ao portador, quem
apresentar o título é credor.
O pagamento feito ao representante do
credor (que pode ser legal, judicial ou
convencional) é valido e se equipara ao
DAQUELES A QUEM SE DEVE
PAGAR
O portador da quitação presume-se
autorizado a receber o pagamento
(presunção relativa ou juris tantum).
O pagamento feito a terceiro que não o
credor, que não possua autorização para
recebê-lo não exonera o devedor (quem paga
mal paga duas vezes).
Poderá ser considerado válido se o credor
ratificar o pagamento ou se ficar provado
que reverteu em seu proveito.
O pagamento feito de boa-fé ao credor
putativo é válido, ainda provado depois que não
era credor.
DAQUELES A QUEM SE DEVE
PAGAR
O pagamento realizado a credor incapaz não é
válido, salvo se se provar que foi revertido em seu
benefício.
Se o devedor tinha ciência da incapacidade o
cumprimento será inválido.
Se o devedor desconhecia (sem culpa) a
incapacidade do credor, o cumprimento será
válido, independentemente de prova de proveito
ao credor.
Se o devedor pagar ao credor, apesar de
intimado da penhora feita sobre o crédito, ou da
impugnação a ele oposta por terceiros, o
pagamento não valerá contra estes, que poderão
constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe
ressalvado o regresso contra o credor.
DO OBJETO DO PAGAMENTO
O objeto do pagamento será o conteúdo da
prestação obrigatória. O credor não é obrigado a
receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda
que mais valiosa.
Não pode o credor ser obrigado a receber, nem o
devedor a pagar, por partes, se assim não se
ajustou.
A substituição de uma coisa por outra, só é
possível com o consentimento do credor. Quando o
credor a aceita, configura-se a dação em pagamento.
Quando o objeto da obrigação é complexo
abrangendo várias prestações, o devedor não se
exonera enquanto não cumpre a integralidade do
débito, na sua inteira complexidade.
DO OBJETO DO PAGAMENTO
As despesas com o pagamento presumem-se do
devedor, porém se ocorrer por fato do credor,
suportará este a despesa acrescida.
Dívida em dinheiro é a que se apresenta pela
moeda considerada em seu valor nominal. O objeto
da prestação é o próprio dinheiro, ex. contrato de
mútuo.
Dívida de valor é aquela onde o dinheiro valora o
objeto, p. ex. obrigação de indenizar ato ilícito.
O pagamento só poderá ser feito no padrão
monetário (moeda em curso forçado).
O pagamento feito por medida ou peso, caso as
partes silenciem, será considerado os do lugar da
execução.
DO OBJETO DO PAGAMENTO
As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no
vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal
que lhe atribui o Estado.
Cláusula de escala móvel é aquela que prescreve que
o valor da prestação deve variar segundo o custo de vida.
É lícito convencionar o aumento progressivo de
prestações sucessivas, permitindo a atualização
monetária das dívidas em dinheiro e daquelas de valor.
A teoria da imprevisão é aplicada, quando, por
motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta
entre o valor da prestação devida e o do momento de sua
execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de
modo que assegure, quanto possível, o valor real da
prestação.
DO OBJETO DO PAGAMENTO
São nulas as convenções de pagamento
em ouro ou em moeda estrangeira,
bem como para compensar a diferença
entre o valor desta e o da moeda nacional,
excetuados os casos previstos na
legislação especial (contratos de
importação e exportação em geral, compra
e venda de câmbio, contratos celebrados
por pessoas domiciliadas no exterior).
DA PROVA DO PAGAMENTO
Não cumprida a obrigação, responde o devedor
por perdas e danos, mais juros e atualização
monetária segundo índices oficiais regularmente
estabelecidos, e honorários de advogado.
O devedor que paga tem direito a quitação regular, e
pode reter o pagamento e consigná-lo. A quitação é uma
declaração unilateral escrita, emitida pelo credor
(recibo).
A quitação, que sempre poderá ser dada por
instrumento particular, designará o valor e a espécie
da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este
pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a
assinatura do credor, ou do seu representante.
DA PROVA DO PAGAMENTO
O princípio da relativização do
recibo de quitação foi adotado pelo
legislador, quando dispõe que mesmo
sem os requisitos estabelecidos, valerá
a quitação, se de seus termos ou das
circunstâncias resultar haver sido paga
a dívida.
PRESUNÇÕES DE PAGAMENTO
Quando a dívida é representada por um título de
crédito, o meio probatório normal é a devolução do
título ao devedor.
O CC estabelece três casos de presunção de
pagamento:
1- quando a dívida é representada por um título de
crédito que se encontra na posse do devedor;
2- quando há quitação do capital, sem reserva de
juros;
3- quando no pagamento de quotas sucessivas,
existir quitação da última.
DO LUGAR DO PAGAMENTO
O pagamento, salvo estipulação contrária,
deverá ser efetuado no domicílio do
devedor. Neste caso diz-se que a dívida é
quesível.
Quando o pagamento for pactuado no domicílio
do credor, diz-se que a dívida é portável,
pois o devedor deve levar e oferecer pagamento
neste local.
Ocorrendo motivo grave para que se não
efetue o pagamento no lugar determinado,
poderá o devedor fazê-lo em outro, sem
prejuízo para o credor.
DO LUGAR DO PAGAMENTO
Fatos posteriores podem alterar o local do
pagamento, como o pagamento reiteradamente
feito em outro local faz presumir renúncia do
credor relativamente ao previsto no contrato.
No caso de tradição do imóvel, ou de prestações
relativas a este, o pagamento deverá ser feito
onde está o bem.
Circunstâncias especiais podem tornar inaplicável a
regra que privilegia o domicílio do devedor. Ex.
contratos de empreitada.
Se o contrato estabelecer dois ou mais lugares
para o pagamento, cabe ao credor escolher entre
eles.
DO TEMPO DO PAGAMENTO
O pagamento deverá ser feito no seu termo, cujo
inadimplemento constitui o devedor em mora de pleno
direito.
Nas obrigações onde não haja termo estipulado, a mora se
constituirá mediante a interpelação judicial ou
extrajudicial.
Em alguns casos a dívida pode ser cobrada
antecipadamente:
no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores;
se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados
em execução por outro credor;
se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias
do débito, fidejussórias, ou reais, e o devedor, intimado, se
negar a reforçá-las.
DO TEMPO DO PAGAMENTO
Nos casos em que não tendo sido ajustada
época para o pagamento, pode o credor
exigi-lo imediatamente (princípio da satisfação
imediata).
O credor deverá interpelar o devedor
anteriormente.
As obrigações condicionais cumprem-se na
data do implemento da condição, cabendo ao
credor a prova de que deste teve ciência o
devedor.

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