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O ciclo completo de planejamento de manufatura Page 1 of 4

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CONSULTORIA GERENCIAL
Artigos > Sistemas de Gestão Industrial

Os Ciclos de
Planejamento de Manufatura
Por Bruno Spadafora Ferreira

Introdução

Os principais fatores críticos de sucesso de uma empresa de manufatura são a sua capacidade de prover seus
produtos na qualidade, quantidade, custo e prazos requeridos por seus clientes.

A importância relativa desses fatores varia conforme a empresa e seu mercado. Uma empresa pode escolher
oferecer o melhor nível de serviço enquanto outra pretenda competir com o menor custo.

O balanceamento entre esses fatores críticos de sucesso, e a definição do nível de desempenho a ser alcançado
pela empresa em cada um, fazem parte do processo de planejamento estratégico.

O que é comum em todos os casos é que o desempenho conseguido é muito afetado pela capacidade da
empresa de planejar a aquisição e obter os recursos necessários para transformar vendas em atendimentos
efetivos.

Esse é o escopo básico da logística, competência fundamental nas empresas de manufatura e onde são grandes
as oportunidades de melhoria.

Os ciclos de planejamento

O planejamento envolve decisões e considerações de horizontes diferentes:

l decisões de longo prazo como a construção de novas fábricas, ou instalação de novos equipamentos;
l decisões de médio prazo, como a definição do número de turnos de trabalho ou a terceirização de parte da
produção;
l decisões de curto prazo, como a alocação e seqüenciamento das ordens de produção pelas máquinas.

Todas essas atividades compõem os chamados ciclos de planejamento de manufatura.

Na ânsia de conseguir melhor desempenho nos fatores críticos de sucesso mencionados, especialmente os
relativos a nível de serviço e custo, muitas empresas esquecem que o bom desempenho é resultado de um todo
harmonioso e não de soluções rápidas, parciais e milagrosas.

Muitas vezes a aquisição e implantação de sistemas informatizados de gestão de manufatura caem nessa última
categoria de expectativas.

Os diversos níveis do ciclo de planejamento são acompanhados por sistemas ou módulos específicos conforme o
quadro abaixo.

http://www.straight.com.br/artigos/a_gestao04.htm 15/2/2011
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Parte da nomenclatura apresentada é oriunda da APICS (American Production and Inventory Control Society) que
normatiza conceitos e nomenclatura de gestão industrial.

Sistemas e Módulos de Apoio

Os sistemas ERP (Enterprise Resource Planning) de mercado normalmente abrangem o planejamento nos
horizontes médio/longo e médio prazos com módulos chamados MPS – Master Production Schedule e MRP –
Materials Requirements Planning.

Soluções para planejamento de longo prazo normalmente são muito especializadas e de fornecedores
independentes.

Soluções de curto/curtíssimo prazo também são normalmente fornecidas por empresas especializadas, embora
tenha havido recentemente um avanço dos fornecedores de sistemas ERP nessa área.

De qualquer forma os ciclos de planejamento precisam ser suportados por sistemas transacionais que controlem
a execução dos planos, fornecendo retorno para replanejamento na velocidade compatível com o horizonte em
questão.

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MPS – Master Production Schedule


Plano Mestre de Produção

As funções desse módulo estão relacionadas com o planejamento de médio/longo prazo, com horizonte de 3 a 12
meses normalmente.

É um planejamento normalmente executado no nível de detalhe de família de produto e analisando apenas


recursos críticos.

A partir de previsões de venda e de políticas de estoques e níveis de serviço, o módulo calcula o plano de
produção macro e a carga criada sobre os recursos críticos, através de técnicas de RCCP – Rough Cut Capacity
Planning, ou planejamento macro de capacidades.

Se a carga gerada sobre os recursos críticos for superior à disponibilidade, então ajustes precisam ser feitos, ou
obtendo mais capacidade, ou reduzindo a carga.

É um processo iterativo, feito até que se garanta um plano de vendas e produção viável.

Os limites estabelecidos neste momento são respeitados nos ciclos inferiores de planejamento.

MRP – Materials Requirements Planning


Planejamento das Necessidades de Materiais

O módulo MRP aplica uma técnica tradicional para a elaboração de um plano detalhado de necessidades de
materiais. Esse plano especifica todos os materiais necessários para o atendimento da demanda, considerando
os estoques e todas as ordens de produção e compras já existentes e sugerindo os saldos de aquisição e
produção ainda necessários. O plano define quantidades e datas a partir das estruturas de produtos e de lead
times padrão.

Essa técnica não considera limitações de capacidade, podendo gerar planos de produção que sejam
incompatíveis com a capacidade disponível.

Se o Plano Mestre de Produção é respeitado, a probabilidade de problemas de capacidade é reduzida, pois o


plano mestre respeita as limitações sobre os recursos críticos. Mesmo assim, como o plano é feito com maior
nível de detalhe, é possível que o plano no todo seja factível, mas que existam picos e vales pontuais na
ocupação dos recursos.

Para a verificação desses pontos, utiliza-se a técnica de CRP – Capacity Requirements Planning, ou
planejamento dos recursos de capacidade, onde é calculada a necessidade de capacidade detalhada gerada pelo
plano de produção.

Nesse momento podem ser feitos alguns ajustes de capacidade, como a utilização de horas extras, embora com
menos flexibilidade e também alguns ajustes no plano de produção. Esse processo depende de programadores e
não é automático pelo sistema.

APS – Advanced Planning and Scheduling


Planejamento e Programação Avançados

Neste contexto, os sistemas APS são sistemas voltados para o planejamento no prazo mais curto, onde
praticamente não há mais flexibilidade para alteração na capacidade produtiva. A programação é feita com o nível
de detalhe de horas, recurso a recurso, respeitando as limitações de todos os recursos críticos simultaneamente
necessários para a execução das ordens de produção.

Dentre os diversos sistemas para suportar os ciclos de planejamento, este tipo é o de implantação mais
complexa, e a decisão pela sua implantação depende de uma análise que envolva também uma análise do
potencial de simplificação do processo produtivo.

Conclusão

A boa gestão da manufatura depende da existência de ciclos de planejamento de diversos horizontes e com
diversos níveis de detalhe.

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Esses ciclos precisam estar muito bem integrados, e necessitam de soluções específicas de sistemas de suporte.

Um bom sistema de gestão industrial ERP, deve prover soluções e integrações entre todos esses componentes,
que podem ser próprios ou de terceiros, para garantir o atendimento das necessidades de seus clientes.

Bruno Spadafora Ferreira é sócio diretor da Straight Manufacture, empresa de consultoria gerencial
especializada em manufatura. Ele é engenheiro mecânico aeronáutico e especialista em sistemas de apoio à
gestão de manufatura.

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