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Centro de Emprego e Formação Profissional do Porto

Serviço de Formação Profissional do Porto

ACOMPANHAMENTO EM CRECHE E
UFCD
3275 JARDIM-DE-INFÂNCIA – TÉCNICAS
PEDAGÓGICAS

[Escreva aqui]
ufcd 3275 - Acompanhamento em creche e em Jardim-de-infância – Técnicas pedagógicas

Índice

Introdução .................................................................................................................. 3

Âmbito do manual..................................................................................................... 3

Objetivos ................................................................................................................. 3

Conteúdos programáticos .......................................................................................... 3

Carga horária ........................................................................................................... 4

1.Creches .................................................................................................................... 5

1.1.Objetivos ............................................................................................................ 5

1.2.Organização do espaço físico e do material............................................................ 6

1.3.Actividades e rotinas............................................................................................ 9

1.4.Relações educador/assistente de ação educativa/criança/pais ............................... 12

1.5.Funcionamento e aspetos organizativos .............................................................. 16

2.Jardins de infância................................................................................................... 18

2.1.Objectivos ........................................................................................................ 18

2.2.Organização do espaço físico e do material.......................................................... 19

2.3.Actividades e rotinas.......................................................................................... 32

2.4.Relações educador/assistente de ação educativa/criança/pais ............................... 35

2.5.Funcionamento e aspetos organizativos .............................................................. 41

3.Criança e creche...................................................................................................... 45

3.1.A importância da afetividade na creche ............................................................... 45

3.2.Importância das rotinas na vida do bebé ............................................................. 47

3.3.Adaptação da criança e da família à creche ......................................................... 48

3.4.Recepção da criança .......................................................................................... 51

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4.Criança e jardim-de-infância ..................................................................................... 54

4.1.Processo de adaptação da criança ao jardim-de-infância ....................................... 54

4.2.Observação da criança no jardim-de-infância ....................................................... 57

4.3.Relação da criança com o educador de infância ................................................... 59

4.4.Relação educador de infância/criança/família ....................................................... 60

Bibliografia ................................................................................................................ 62

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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de


curta duração nº 3275 – Acompanhamento em creche e jardim-de-infância:
técnicas pedagógicas, de acordo com o Catálogo Nacional de Qualificações.

Objetivos

 Reconhecer as principais técnicas pedagógicas em creches e jardins-de-infância.


 Identificar as atitudes e desenvolver as ações necessárias ao estabelecimento de
relações adequadas à situação de creches e jardins-de-infância

Conteúdos programáticos

 Creches
o Objetivos
o Organização do espaço físico e do material
o Atividades e rotinas
o Relações educador/assistente de ação educativa/criança/pais
o Funcionamento e aspetos organizativos
 Jardins-de-infância
o Objetivos
o Organização do espaço físico e do material
o Atividades e rotinas
o Relações educador/assistente de ação educativa/criança/pais
o Funcionamento e aspetos organizativos

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 Criança e creche
o A importância da afetividade na creche
o Importância das rotinas na vida do bebé
o Adaptação da criança e da família à creche
o Receção da criança
 Criança e jardim-de-infância
o Processo de adaptação da criança ao jardim-de-infância
o Observação da criança no jardim-de-infância
 - Observação naturalista
 - Observação sistemática
o Relação da criança com o educador de infância
o Relação educador de infância/criança/família

Carga horária

 50 horas

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1.Creches

1.1.Objetivos

1.2.Organização do espaço físico e do material

1.3.Actividades e rotinas

1.4.Relações educador/assistente de ação educativa/criança/pais

1.5.Funcionamento e aspetos organizativos

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1.1.Objetivos

A creche é um estabelecimento que se destina a receber e prestar assistência a crianças


saudáveis, até à idade dos 3 anos incompletos, durante uma parte do dia, geralmente
durante o tempo ocupado pelo trabalho das mães. A palavra assistência tem o sentido de
cuidados à criança.

Nos textos oficiais, o conceito de creche é desenvolvido através da seguinte definição:


“Creches são os estabelecimentos destinados a receber crianças em regime de
semi-internato até aos 3 anos de idade, destinando-se a auxiliar as famílias na
promoção da saúde e na educação das crianças, que não podem ser mantidas no
meio familiar durante o dia.”

Esta definição pressupõe como objetivo geral:


• Promover, em colaboração com as famílias, o desenvolvimento integral da criança.

São objetivos específicos das creches:


a) Proporcionar o bem-estar e desenvolvimento integral das crianças num clima de
segurança afetiva e física, durante o afastamento parcial do seu meio familiar
através de um atendimento individualizado;
b) Colaborar estreitamente com a família numa partilha de cuidados e
responsabilidades em todo o processo evolutivo das crianças;
c) Colaborar de forma eficaz no despiste precoce de qualquer inadaptação ou
deficiência assegurando o seu encaminhamento adequado.

1.2.Organização do espaço físico e do material

Constituindo o equipamento, utilizado nos estabelecimentos de educação pré-escolar, um


meio de intervenção indireta do educador de infância na sua ação pedagógica e didática, as
suas características deverão compatibiliza-se com o contexto social, cultural e geográfico

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estabelecimento de educação pré-escolar, com as metodologias usadas pelo educador, bem


como com as Orientações Curriculares para este nível educativo.

As prioridades de aquisição de equipamento, tomando em consideração as necessidades e


os interesses do grupo de crianças, deverão satisfazer um conjunto de requisitos de:
 Qualidade estética;
 Adequação ao nível etário;
 Resistência adequada;
 Normas de segurança;
 Multiplicidade de utilizações;
 Valorização de materiais naturais, evitando materiais sintéticos;
 Utilização de materiais de desperdício.

Distinguem-se três tipos de equipamento:


 Mobiliário;
 Material didático, de apoio e de consumo;
 Material de exterior.

Mobiliário
O mobiliário é uma componente integrante do estabelecimento e como tal deverá ter uma
função formativa junto dos seus utilizadores.

Enquanto elemento de influência no comportamento dos grupos, quer através da sua


conceção, quer pela sua disposição nos diferentes espaços, a seleção de mobiliário para as
crianças dos 3 aos 5/6 anos de idade deve respeitar critérios de qualidade.

Constituindo o mobiliário um dos meios que serve à realização de atividades pedagógicas,


as suas características fundamentais deverão ser a mobilidade, a polivalência e a
compatibilidade, de forma a permitir diversificação dos ambientes em que se desenvolvem
as diferentes atividades.

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De igual modo deverão ser consideradas na seleção como a solidez, a estabilidade, a fácil
conservação e limpeza.

Materiais
Na seleção do material deverão ser adotados critérios que permitam que o mesmo seja:
 Rico e variado;
 Polivalente, servindo mais do que u
 Resistente;
 Estimulante e agradável à vista e ao tato;
 Multigraduado, permitindo utilização de vários níveis de dificuldade;
 Acessível, tanto pela forma como se arruma como pela forma como pode ser
utilizado;
 Manufaturado e/ou feito pelas crianças
O material a utilizar deve, ainda, privilegiar os seguintes objetivos:
 Favorecer a fantasia e o jogo simbólico;
 Favorecer a criatividade;
 Estimular o exercício físico;
 Estimular o desenvolvimento cognitivo;

Material didático
Considera-se material didático o conjunto de instrumentos que facilitem a aprendizagem e
cuja durabilidade, embora variável, seja, em princípio, uma característica inerente.

Material de apoio
O material de apoio compreende todo o equipamento, designadamente audiovisual, de
reprografia, de secretaria e de informática, facilitador do funcionamento dos
estabelecimentos de educação pré-escolar.

Material de consumo
Considera-se material de consumo todo o material de desgaste utilizado no
estabelecimento de educação pré-escolar.

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Material de exterior
Entende-se por material de exterior o conjunto de equipamentos colocados no espaço
exterior do estabelecimento que deve proporcionar resposta às necessidades de
movimento, descoberta, exploração e descontração.

O material de exterior deverá permitir à criança uma livre expansão das energias
acumuladas, possibilitando desenvolver e testar as suas capacidades físicas.

1.3.Actividades e rotinas

Uma rotina coerente é uma estrutura. Liberta igualmente crianças e adultos da


preocupação de terem de decidir o que vem a seguir e permite-lhes usar as suas energias
criativas nas tarefas que têm entre mãos. Uma vez estabelecida e nela integradas as
crianças, a rotina torna-se mais flexível.

Por exemplo, um bom tempo de trabalho ou brincadeira pode, por vezes, ser prolongado
ou a rotina alterada para se adaptar a uma saída ao exterior.

A rotina diária tem como fins três objetivos importantes:


 Primeiro, proporcionar uma sequência que proporcione à criança um processo de a
ajudar a explorar, planear e executar brincadeiras e projetos e a tomar decisões
sobre a aprendizagem.
 Segundo, dar azo a muitos tipos de interação – trabalho de grande/pequeno grupo,
de adulto/criança, de criança/criança e de adultos em equipa – e a tempos em que
as atividades são de iniciativa da criança e de iniciativa do adulto.
 Terceiro, proporcionar tempo para trabalhar numa grande variedade de ambientes –
dentro de casa, ao ar livre, em excursões ao campo, em diferentes áreas de
trabalho.

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Quando a rotina diária é bem utilizada, pode proporcionar uma estrutura multifacetada que
permite a atividade e a criatividade de crianças e adultos.

Ajudar a criança a aprender a rotina diária


A criança tem de ter consciência da rotina diária e saber os nomes das partes que a
compõem, para não pensar o dia a pensar o que irá acontecer a seguir, ou a preocupar-se
porque não vai ter oportunidade de ir lá para fora brincar nos baloiços.

Eis algumas formas de ajudar as crianças a aprenderem a rotina diária, logo desde o
primeiro dia de atividade:
 Seguir todas as partes da rotina, dia a dia, sempre na mesma ordem.
 Fazer questão de usar, durante o dia, na conversação com a criança, o nome de
cada tempo: “Isso mesmo, chegou o tempo de arrumar, Carla, e vais arrumar os
cubos todos”; “Está na hora de mudarmos a fralda, para irmos dormir bem
sequinhos”; “Vamos lavar os dentinhos e fazer chichi, pois está na hora de dormir”,
etc.
 Estabelecer e utilizar um sinal para marcar o fim do tempo. Por exemplo, pôr uma
criança a tocar pandeireta e dizer: “Tempo de arrumar, tempo de arrumar”.
 Alertar as crianças, alguns minutos antes de acabar cada tempo, para poderem
antever o que se segue.
 No fim de cada tempo falar com as crianças sobre o que vem a seguir.
 No caso de haver qualquer alteração na rotina, não esquecer de informar as
crianças, durante o tempo de planeamento.
 Tirar fotografias das atividades durante cada período de tempo do dia. Incitá-las e
ajudá-las a fazer a ligação entre a fotografia e o nome do tempo, em que efetuou
as atividades.

Cada componente de uma rotina diária deve proporcionar à criança um tipo diferente de
experiência. Eis alguns dos principais elementos que compõem a rotina:

Tempo de planeamento
As crianças decidem por si própria o que vão fazer durante o tempo de trabalho.

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Tempo de trabalho
As crianças executam os projetos e atividades que planearam. Os adultos deslocam-se
entre elas, ajudando-as e dando-lhes apoio no desenvolvimento das suas ideias.

Tempo de arrumar
As crianças guardam os projetos ou trabalhos inacabados e reúnem, ordenam e arrumam
os materiais que utilizaram durante o tempo de trabalho.

Tempo de síntese de memória:


Este é o terceiro elemento do ciclo planeamento-trabalho-síntese de memória. Pequenos
grupos de cinco a oito crianças reúnem-se com um adulto para reverem e representarem
as atividades desenvolvidas durante o tempo de trabalho.

Tempo de refeição
As crianças reúnem-se, a meio da manhã, para fazerem uma refeição ligeira.

Tempo de pequenos grupos


As crianças trabalham com materiais, geralmente escolhidos pelo adulto, numa atividade
cuja intenção é permitir ao adulto observar e avaliar as crianças, em termos de
determinada experiência-chave.

Tempo de recreio ao ar livre


Crianças e adultos participam numa vigorosa atividade física – correm, lançam objetos,
andam de baloiço, trepam, rolam. Tal como em todas as atividades os adultos incitam as
crianças a falarem sobre aquilo que estão a fazer.

Tempo de trabalho em círculo


Todas as crianças e adultos se juntam num grande grupo para cantarem e inventarem
canções que envolvem ação, para tocarem instrumentos musicais, para se moverem ao
som da música, fazerem jogos e, às vezes, discutirem um acontecimento especial que se
aproxima.

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Tempo de repouso ou sono


É o tempo em que as crianças descansam, dormindo ou lendo um livro.

Tempo de higiene e asseio


Altura em que as crianças realizam atividades de asseio (pentear, vestir) e higiene (muda
de fralda, chichi, lavar as mãos e os dentes).

É tarefa dos adultos e da equipa pedagógica organizar estes componentes numa rotina
diária que se adapte às suas específicas restrições de tempo e de horário. Há programas
que, por exemplo, funcionam com base na hora das refeições, da sesta e do recreio; outros
programas aproveitam todo o dia e têm dias de trabalho tanto de manhã como de tarde.

Há equipas que preferem começar o dia com o tempo de trabalho em círculo. O modo
específico de organização não é importante, desde que se incluam todos os componentes.
Contudo, o tempo de planeamento-trabalho- síntese devem vir em sequência e o tempo de
trabalho deve ser a unidade de tempo mais longa.

1.4.Relações educador/assistente de ação educativa/criança/pais

O momento em que a criança é admitida e inicia os seus primeiros contactos regulares com
a creche constitui um “processo afetivo”. Ela está a fazer uma “admissão afetiva”.

Este processo inicia-se mesmo antes de a criança entrar, começando a ser preparado nos
primeiros contactos que os pais fazem, geralmente, para pedir informações. Muitas vezes
pedem informações limitadas, por razões ou de timidez, ou de desconhecimento do que é
importante saber, ou porque estão com pressa, ou ainda porque a pessoa que os atende
não facilita o diálogo.

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Não é raro observar-se que os pais ou a mãe façam apenas algumas perguntas acerca do
horário, alimentação, o que é preciso trazer, terminando com uma visita rápida às
instalações e, nem sempre, a todas.

Esta informação considera-se muito insuficiente para se poder decidir da admissão e para
as preparar, não ficando os pais, senão muito pouco informados sobre onde, a quem, e
como, vão deixar o seu filho, numa idade em que este é completamente indefeso e
dependente. O mesmo acontece em relação à pessoa que os atendeu.

É necessário que os pais fiquem com uma ideia mais completa, sobre o tipo de orientação
da vida na creche, o tipo de cuidados prestados às crianças, e nomeadamente, sobre os
princípios orientadores que presidem às atividades.

Portanto, tem de se explicar mais e deve-se procurar que a mãe ou o pai observem o
pessoal a atuar com as crianças, nomeadamente, naquele grupo de idades no qual,
provavelmente, a criança vai ficar integrada. Deve ser-lhe facultada a informação sobre os
seus (dos pais) direitos e deveres, os quais idealmente deveriam existir por forma escrita
para facilitar, através de uma leitura cuidadosa, a sua compreensão.

É nesta altura que os pais devem começar a aperceber-se da maior ou menor facilidade de
comunicação da creche com a família. Se esta visita não for demasiado rápida, a
responsável técnica, pode começar a entender “o tipo” de pais ou mãe com quem está a
falar.

Pensa-se que o primeiro contacto dos pais com a creche, mesmo quando só para pedir
informações, deve ser feito com a responsável, reservando-se algum tempo, exatamente,
para permitir uma melhor informação. Verifica-se que, muitas vezes, a atitude de quem
informa, se orienta mais para levar os pais a ficarem e fazer um bom juízo da creche,
apontando-se condições que são julgadas mais positivamente impressivas, sem haver a
preocupação de esclarecer o que é, de facto, importante.

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Na realidade, o que é importante é dar uma informação equilibrada e simultaneamente


verdadeira, focando os vários aspetos do seu funcionamento. É preciso que, desde o início
da comunicação com os pais, haja uma atitude realista e esclarecedora.

De outra forma, quando há deficiências, os pais virão a conhecê-las mais tarde, e numa
altura em que a sua reação provável a este conhecimento será pior. Na situação de um
programa de creche, não se pode utilizar, porque é perigoso, atitudes semelhantes às de
“propaganda”, que se utilizam com facilidade na oferta de outros produtos ou serviços.

Numa creche é um assunto muito sério, e os pais devem conhecer a realidade que são “os
bens oferecidos” – serviço que a creche presta. Portanto, esta informação inicial envolve
uma responsabilidade grande, quer se trate de uma creche assistencial, quer tenha fins
comerciais.

Durante este primeiro contacto devem ser discutidos os princípios de educação utilizados
nas várias experiências e rotinas da vida diária da criança na creche.

Geralmente, se os pais mantêm o interesse na admissão, é feita uma inscrição provisória, e


mais tarde uma definitiva. Nesta última situação, há outros aspetos a incluir e prepara-se
então, mais em pormenor a entrada da criança.

Da parte da creche já existe, ou pelo menos, deve existir a preocupação de conhecer mais
sobre a criança e sobre os pais. No que se refere à criança há vantagem em utilizar um
questionário de admissão para indagar hábitos e preferências, maneiras de tratar com ela,
maneiras de ela reagir.

Nesta fase da admissão vale a pena discutir o que pode significar a entrada na creche para
aquela criança A, com idade determinada e vinda de um ambiente que lhe é próprio e que
tem características dele, ao mesmo tempo que se deve logo discutir e perceber o que
significa para os pais a entrada da criança na creche. Referimo-nos, essencialmente, ao seu
significado afetivo.

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Impõe-se discutir formas para ajudar a criança no período de adaptação. Entrada gradual
em tempo e na companhia da mãe, pelo menos nas primeiras horas. Isto é, a mãe estaria
o tempo que lhe fosse possível, a fim de a criança se adaptar, gradualmente, a outra
pessoa. Por esta razão, é propício que a admissão se faça durante um período de férias da
mãe ou do pai, porque quando estes estão em situação de trabalho, é difícil conseguir-se a
sua presença.

Igualmente, deve ser explicado na previsão de horário de frequência, que a criança de


início deve estar diariamente na creche o mínimo de tempo possível. Também se deve
indicar que é necessário, enquanto a criança frequenta a creche, prestar-lhe tanta ou mais
atenção e carinho em casa, do que habitualmente, para a compensar da privação das
muitas horas da figura maternal a que ela fica sujeita. Este aspeto é essencialmente
importante nos primeiros tempos de frequência da creche.

É fundamental discutir a necessidade de a creche ser uma espécie de prolongamento da


casa, o que só poderá ser conseguido, se os pais e o pessoal da creche compreenderem e
aderirem à facilitação de contactos família – creche para se planearem e ajustarem
atividades e atitudes com a criança na sua vida na creche e em casa.

Para iniciar a frequência da creche combina-se o dia e a hora e discute-se com a mãe a
forma como se orientará o período de adaptação, devendo, se possível antes desse dia,
apresentar-se a educadora e a auxiliar.

Neste dia, de preferência entregam-se as normas de funcionamento da creche se os pais


ainda não as tiverem. Pede-se para as lerem e discutirem com a responsável, que as assina
ficando estas na creche e levando os pais um duplicado.

O compromisso em que há um assumir de responsabilidades e que resulta de um


documento escrito e assinado, é importante, tanto para a creche, como para os pais e
considera-se que deve existir sempre.

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1.5.Funcionamento e aspetos organizativos

A Instituição tem um conjunto de elementos identificadores: história; aspeto físico;


inserção social, cultural e temporal; um conjunto de órgãos interativos que lhe permite
realizar todas as suas funções, objetivos a atingir, modos de relacionamento com os
elementos institucionais e humanos; e, um projeto de vida, com princípios e valores –
Projeto Educativo.

O projeto educativo é um elemento caracterizador de uma escola associado a um plano


especificado de ação educativa e com elementos de realização (viáveis, pertinentes e
adequados).

Este deve ser baseado na realidade mas contendo o conjunto de aspirações que
possibilitam a realização dos “ideais”.

A elaboração do Projeto para cada grupo de crianças deve ser adequada em termos
linguísticos, sociais e culturais, procurando reconhecer as crianças como seres únicos e
individuais.

Ao estruturar e planificar o conjunto de atividades a realizar para cada grupo de crianças


pertencentes a uma sala, deve ter em atenção os princípios mencionados no Manual de
Processos – Chave.

A elaboração do Projeto Pedagógico é realizada pelo educador de infância responsável pela


sala, em articulação com: Ajudante de Acão Educativa, Família e outros colaboradores.

O Projeto é elaborado com base nos seguintes elementos:


• Os objetivos estabelecidos no Projeto Educativo do estabelecimento;
• As necessidades das crianças e expectativas das famílias
• As prioridades de intervenção individuais estabelecidas no Plano de
Desenvolvimento Individual de cada criança;
• Os recursos disponíveis e/ou a adquirir;

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Estrutura
• Contextualização;
• Período a que se reporta;
• Caracterização do grupo de crianças a que se destina;
• Constituição da equipa;
• Definição dos objetivos operacionais;
• Conjunto de estratégias e métodos para operacionalização desses objetivos;
• Plano de atividades Sociopedagógicas;
• Plano de Formação/Informação;
• Recursos a afetar à implementação (humanos, físicos e financeiros e da
comunidade)
• Calendarização, horários e complementaridades com outros serviços e atividades
quer do estabelecimento quer da comunidade/parceiros;
• Metodologia de divulgação do projeto pedagógico.

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2.Jardins de infância

2.1.Objectivos

2.2.Organização do espaço físico e do material

2.3.Actividades e rotinas

2.4.Relações educador/assistente de ação educativa/criança/pais

2.5.Funcionamento e aspetos organizativos

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2.1.Objectivos

O jardim-de-infância é uma instituição que presta serviços vocacionados para o


desenvolvimento da criança, proporcionando-lhe atividades educativas e atividades de
apoio à família (Lei nº 5/97, de 10 de Fevereiro - Lei-Quadro da Educação Pré-Escolar).

A educação pré-escolar pretende, assim, atingir os seguintes objetivos:


A. Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em
experiências da vida democrática numa perspetiva de educação para a cidadania;
B. Fomentar a inserção de crianças em grupos sociais diversos, no respeito pela
pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência do seu papel
como membro da sociedade;
C. Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o
sucesso da aprendizagem;
D. Estimular o desenvolvimento global de cada criança, no respeito pelas suas
características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam aprendizagens
significativas e diversificadas;
E. Desenvolver a expressão e a comunicação através da utilização de linguagens
múltiplas como meios de relação, de informação, de sensibilização estética e de
compreensão do mundo;
F. Despertar a curiosidade e o pensamento crítico;
G. Proporcionar a cada criança condições de bem-estar e de segurança,
designadamente no âmbito da saúde individual e coletiva;
H. Proceder à despistagem de inadaptações, deficiências e precocidades,
promovendo a melhor orientação e encaminhamento da criança;
I. Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer
relações de efetiva colaboração com a comunidade.

2.2.Organização do espaço físico e do material

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Uma sala de atividades precisa de espaço – espaço para a atividade das crianças e espaço
para a grande diversidade de materiais e apetrechamento. A sala precisa de espaço de
arrumação visível e acessível às crianças.

O arranjo deste espaço é importante, porque afeta tudo o que a criança faz. Afeta o grau
de atividade que pode atingir e o quanto é capaz de falar de si própria. Afeta as escolhas
que pode fazer e a facilidade com que é capaz de concretizar os seus planos. Afeta as suas
relações com as outras pessoas e o modo como utiliza os materiais.

O arranjo da sala de atividades reflete os princípios educativos dos adultos responsáveis


por essa sala. Por exemplo, um Educador acredita que as suas crianças aprendem melhor
escutando, observando demonstrações, vendo gravuras, fazendo atividades calmas. A sala
não necessitaria de um espaço grande.

A sala de atividades não tem um modelo único, tal como não tem uma organização fixa do
início ao fim do ano letivo. Com o desenrolar do jogo e das atividades quotidianas vão
surgindo novos espaços que se tornam pertinentes explorar.

A organização dos espaços em áreas com os seus respetivos materiais (que compraram,
trouxeram de casa, construíram) é uma forma de passar mensagens implícitas à criança.
Esta organização também facilita a proposta de atividades por parte do Educador e
promove a escolha da criança.

Existem várias áreas, diferenciadas, que permitem diferentes aprendizagens. A área da


casa, a área das construções, a área da biblioteca, a área das expressões, entre outras.
Esta organização da sala em áreas contém mensagens pedagógicas quotidianas.

Por exemplo, uma sala com as seguintes áreas: área da casa, área da expressão plástica,
área das construções, área do consultório médico, área da biblioteca e escrita permite às
crianças mergulhar e explorar a vida familiar (os seus papéis e relações interpessoais),
permite mergulhar na realidade das profissões (papéis sociais e suas relações
interpessoais), permite mergulhar no mundo, também das profissões, dos serviços sociais

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de apoio aos indivíduos e famílias, permite mergulhar na realidade escolar, antecipando


experiências.

As áreas de trabalho devem localizar-se em volta do perímetro da sala, deixando um


espaço central para a movimentação de uma área para a outra. Em salas onde não pode
haver uma área central, uma das áreas deve ser suficientemente grande para reuniões de
grande grupo.

As áreas consideradas fundamentais são:


1) Área de blocos;
2) Área da casa das bonecas;
3) Área da expressão plástica;
4) Área de atividades repousantes;
5) Área de construções;
6) Área da música e do movimento;
7) Área da água e areia;
8) Área dos animais e plantas;
9) Área do recrio ao ar livre.

Área de blocos
Esta área permite às crianças construir estruturas que crescem, que saem ou rodeiam,
lidando com problemas espaciais e estruturais de equilíbrio e limitação do espaço. Permite
lidar com semelhanças e diferenças e criar modelos. Permite selecionar, agrupar, comparar,
dispor objetos, explorar, representar experiências e desempenhar papéis.

Deve ser colocada perto da área da casa das bonecas, pois muitos materiais construídos
servem para lá serem utilizados, longe de locais de passagem. Deve ainda estar bem
delimitada, para que as crianças tenham a sensação de estar dentro da área e, ao mesmo
tempo possam ver o resto da sala. Por exemplo, podem delimitar com prateleiras baixas de
arrumação.

Materiais da área de blocos:

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Materiais de Construção:
• Grandes blocos ocos, rampas e tábuas;
• Blocos simples de várias formas e tamanhos;
• Pequenos blocos para jogos;
• Blocos de cartão;
• Blocos revestidos de pano ou papel;
• Caixas grandes e pequenas;
• Tubos;
• Cordel, cordas;
• Fotografias de construções feitas.

Materiais para encaixar e desencaixar:


• Camiões e carros de plástico ou madeira desmontáveis;
• Brinquedos toscos de plástico e madeira;
• Blocos de tábuas de encaixar;
• Rodas e blocos de pôr e tirar;
• Carris de comboio de encaixar.

Materiais para encher e esvaziar:


• Camiões de carga diferentes; celeiro; caixas e embalagens de cartão;
• Cestos e baldes;
• Blocos pequenos;
• Carros pequenos, pessoas e animais;
• Conchas.

Materiais para simular:


• Carros e camiões de todas as espécies e tamanhos;
• Veículos de construção e agrícolas;
• Aviões, helicópteros, barcos, comboios, autocarros;
• Sinais de trânsito;
• Figuras humanas;

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• Animais de borracha, madeira ou plástico;


• Fotografias de lugares para visitas de estudo.

Área da Casa
Permite simular e desempenhar papéis, permite trabalhar em conjunto e exprimir
sentimentos e ideias. Permite utilizar a linguagem para comunicar. Permite explorar,
imaginar coisas e utilizar ferramentas, utensílios e vestuário.

Pode definir-se uma área da casa por meio de prateleiras baixas para arrumação, mobiliário
adequado ao tamanho das crianças, caixas para guardar coisas, estante de blocos e
espelho de pé.

Esta área deve ser colocada junto à área de blocos. Os materiais semelhantes devem ser
colocados juntos. As caixas de arrumação devem ter por fora desenhos ou fotografias
alusivas aos materiais que estão dentro. Ao apetrechar uma área da casa deve ter em
conta as experiências anteriores das crianças.

Materiais para a casa:

Aparelhagem de cozinha:
• Fogão, frigorífico, lava-loiças;
• Talheres, panelas e tachos;
• Utensílios de cozinha: colheres grandes e pequenas, escumadeiras, espátulas, batedeira,
bule, cafeteiras, concha, rolo, passadores, equipamento de pasteleiro, pratos, chávenas,
pires, tigelas, esponjas, panos, toalhas, pegas, guardanapos, toalhas de mesa, embalagens
vazias de comida;

Materiais para jogo dramático:


• Bonecas e animais de pano;
• Cama de bonecas;
• Roupas e utensílios de bebé;
• Tábua de engomar e ferro;

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• Mesa pequena e cadeiras;


• Vassoura, caixote do lixo e pá;
• Torradeira;
• Espelho;
• 2 Telefones;
• Relógio;
• Roupas de cerimónia;
• Pastas, malas, carteiras, cesto de piquenique;
• Cobertores, lençóis, colchas, toalhas de praia;
• Televisão;
• Caixas de cartão;
• Plantas e regador.

Caixas auxiliares:
• Caixa de mercearia (caixa registadora, embalagens vazias de alimentos, dinheiro,
balança, sacos de papel etc.)
• Caixa de carpinteiro (avental e chapéu, régua, ferramentas, latas de tinta vazias, pincéis
e lixa);
• Caixa de canalizador (fato de macaco, chave de porcas, torneiras, canos de plástico,
acessórios);
• Caixa do correio (saco de trazer ao ombro, selos, envelopes, papel, carimbos);
• Caixa do médico (bata branca, touca de enfermeira, pensos, gaze, ligaduras, espátulas,
medicamentos a fingir, mala de médico, estetoscópio, seringas, etc.);
• Caixa da quinta (aventais, galochas, chapéu de palha, balde, palha, biberão de animais,
enxada, etc.);
• Caixa da bomba de gasolina, caixa dos bombeiros, etc.

Área da Expressão Plástica


Permite representar coisas que fizeram, viram e imaginaram. Permite aprender a criar e
observar mudanças: encaixar coisas, separá-las, ordená-las, combiná-las e transformá-las.
Permite experimentar materiais e técnicas, sem interessar os resultados.

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Esta área deve ser colocada perto de um ponto de água e o chão deve ser facilmente
lavável. É uma área que necessita de muito espaço de trabalho: mesa grande, bancadas,
espaço para bibes, espaço para expor trabalhos ou corda para secar trabalhos.

Os materiais devem ser introduzidos gradualmente para que as crianças aprendam a usá-
los e a cuidar deles.

Materiais para a expressão plástica


• Papel de diferentes tamanhos, texturas e cores (papel branco de desenho, papel de
jornal, embrulho, seda, prata, papel autocolante, pratos de papel, bocados de cartão);
• Materiais para misturar e pintar (tinta de têmpera, sabão, aguarelas, cavaletes, frascos
para guardar tintas, pires de pintura, trinchas e pincéis de diferentes tamanhos, esponjas,
toalhas de papel, aventais, escovas de dentes, palhetas);
• Materiais para ligar e separar (agrafador e garfos, furador, cola de farinha, cola
instantânea, cola para borracha, fita-cola, fita isoladora, clips, elástico, cordel, fio, agulhas
e linha, tesouras).

Materiais para representações a 3 dimensões


• Barro húmido;
• Barro para modelagem;
• Plasticina e acessórios;
• Tubos de cartão;
• Restos de pano, feltro, alcatifa, etc.;
• Meias usadas; corantes alimentares;
• Gesso;
• Penas;
• Massas de diferentes feitios e tamanhos;
• Botões, carrinhos de linhas;
• Embalagens de ovos, caixas de sapatos, copos de gelado, etc.;
• Arame fino;
• Molas de madeira;
• Sacos de papel;

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• Lantejoulas e missangas.

Materiais para representações a 2 dimensões


• Lápis;
• Lápis de cor, lápis de cera;
• Marcadores;
• Giz de cores;
• Quadro;
• Almofadas e carimbos;
• Revistas e catálogos.

Área de Atividades Repousantes


As suas atividades são geralmente mais sossegadas que as outras. É também chamada de
área dos jogos e livros.

Permite às crianças trabalharem sozinhas ou com amigos. Permite realizar jogos onde
separam, reúnem, encaixam, escolhem, emparelham, comparam coisas e onde constroem
modelos. Permite ver livros, ouvir e inventar histórias.

Esta área convém ser colocada o mais longe possível das áreas mais barulhentas. Deve ter
uma mesa baixa, almofadas e sofás, expositores para livros e estantes.

Materiais

Materiais para selecionar e construir


• Contas grandes e pequenas e fios;
• Blocos de madeira e plástico;
• Blocos de diferentes texturas;
• Dominós de figuras em madeira;
• Botões, pedras, conchas, berlindes;
• Caixas de ressonância:

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Materiais para ordenar e construir


• Caixas e copos de encaixar;
• Anéis de encaixar;
• Anilhas, porcas e parafusos de diferentes tamanhos.

Materiais para encaixar e desencaixar


• Cavilhas de diferentes tamanhos e quadro para cavilhas;
• Anéis de enfiar num suporte;
• Legos;
• Puzzles de madeira simples e complexos;
• Classificador de formas e formas.

Materiais para descodificar e simular


• Jogos de loto, cartas, fantoches;
• Aldeia playschool;
• Fotografias das crianças;
• Livros de gravuras e histórias diversas.

Área de Construções
Permite utilizar madeira e ferramentas verdadeiras, para aprenderem novas técnicas.
Permite resolverem problemas. Permite fazerem representações e objetos que se podem
usar noutras áreas.

Necessita estar longe da zona de passagem geral, de uma superfície resistente que dê para
4 crianças e um lugar de arrumação de ferramentas e madeiras. Deve existir 1 martelo
para cada criança.

Materiais
• Banca de trabalho resistente;
• Tornos;
• Grampos;
• Martelos;

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• Berbequim manual;
• Lixa grossa e fina;
• Pregos de diferentes tamanhos;
• Parafusos;
• Porcas, cavilhas e anilhas;
• Aparas de madeira;
• Cápsulas de garrafas e tampas de frascos; serrote de 40 cm;
• Chave de fendas, alicates;
• Cola, arame e elásticos.

Área da Música e do Movimento


Permite experimentar e apreciar as capacidades rítmicas e musicais. Permite criar
conjuntos, mistura de sons, ritmos e movimentos próprios. Permite explorar e comparar
sons e qualidade de sons e movimentos. Permite trabalhar ideias como “rápido, lento,
primeiro, seguinte”.

Necessita de espaço no chão, um quadro ou prateleira seguros e etiquetados, para


arrumação dos instrumentos. As tomadas elétricas devem estar protegidas ou fora do
alcance das crianças.

Materiais
• Leitor de cassetes e dvd’s com gravador.
• Cassetes e cd’s vários.
• Cassetes virgens.
• Microfone.
• Auscultadores.
• Instrumentos musicais: triângulos, sinos, sólidos com areia, maracas, xilofone de
madeira, pandeiretas, tambores, pauzinhos, etc.

Área da Água e Areia


Permite misturar, revolver, amontoar, despejar, cavar, encher, esvaziar, bater, peneirar e
moldar. Permite fazer experiências e descobrir texturas, quantidades e atributos. Permite

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representar e desempenhar papéis fazendo bolos, pizzas, hamburger’s, construindo casas.


Permite representar objetos.

Situa-se geralmente no exterior. Na sala coloca-se perto da área de expressão plástica e


está colocada numa grande caixa, geralmente de plástico com uma tampa.

Materiais
• Automóveis e camiões de plástico.
• Figuras humanas de madeira ou plástico.
• Tachos, panelas, talheres.
• Tubos de plástico.
• Frascos de esguichar.
• Colheres e pás.
• Peneiras e funis.
• Feijões e ervilhas secas.
• Serradura e paras de madeira.
• Bibes impermeáveis.
• Baldes.

Área de Animais e Plantas


Permite observar o crescimento e a mudança. Permite aprender a alimentar, regar ou dar
de beber. Permite cuidar de seres vivos.

A quantidade de espaço depende do número e tamanho dos animais e plantas. Quando são
pequenos, por vezes os educadores, coloca-os na área das atividades repousantes. Importa
incluir plantas que se desenvolvam com facilidade (catos, gerânios), plantas que as
crianças possam semear (feijões, relva, malmequeres).

Animais a explorarem
• Minhocas, guardadas em frascos com tampas furadas. Encher os frascos com terra
húmida.
• Formigas, aldeia de formigas numa caixa transparente.

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• Lagartas ou caracóis, conservá-las num frascos ou recipiente próprio com tampa de


plástico a fazer de chão e telhado. Ter o cuidado de manter uma parte da relva ou folhas
onde estavam quando foram apanhados.
• Girinos, conservam-se num aquário com água do lago de onde foram retirados.
• Peixes ou tartarugas. Os peixinhos vermelhos são fáceis de tratar e resistentes. Os
gruppies são bons reprodutores e multiplicam-se rapidamente.
• Porquinhos-da-índia, podem ficar numa gaiola. Deixam-se tratar pelas crianças e não
fogem ou atacam.
• Gatos, cães, coelhos.

Área de recreio ao Ar Livre


Necessita de espaço para a ação e equipamento. Todo o espaço precisa ser delimitado por
árvores, troncos, elevações de terreno. É necessário limitar as áreas no seu interior. É
importante que o equipamento proporcione grande diversidade de experiências e atividade
física às crianças.

Materiais

Objetos para trepar e baloiçar


• Estrutura permanente para trepar ou labirinto.
• Pneus.
• Tábuas para balancé.
• Grandes pedras.
• Rede para trepar.
• Baloiços.
• Baloiço pendente de uma árvore.
• Baloiço feito de pneus.
• Cama de lona, rede ou pano.

Objetos para escorregar


• Escorrega.
• Rampa baixa.

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Objetos para entrar e passar por baixo


• Túneis.
• Tendas feitas de lençóis ou cobertor.
• Casa de brincar.
• Túneis feitos de bidões, pneus.

Objetos para saltar por cima e para cima


• Tubos de borracha.
• Colchão velho.
• Monte de folhas. Cordas.
• Caixas baixas.

Objetos para empurrar, puxar, montar


• Triciclos.
• Carros de mão.
• Carroças.
• Lambretas.
• Barco de baloiço.
• Carro de puxar.
Objetos para dar pontapés, atirarem
• Bolas de diferentes tamanhos.
• Sacos de feijões.
• Pneus.
• Baldes e caixas.
• Alvo pintado

2.3.Actividades e rotinas

O processo de aprendizagem constrói-se no tempo. As crianças precisam de tempo para:


• A ação;

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• A relação;
• Se descobrirem a si próprios e aos outros;
• Se situarem no mundo e organizarem a realidade.

No entanto, é conveniente lembrar que cada criança tem o seu ritmo próprio de auto
estruturação emocional, cognitiva e social. A sua vivência do tempo é o melhor caminho
para que ela se perceba única, diferente, reconhecida, valorizada e aceite.

A organização temporal deve contemplar momentos para satisfazer as necessidades das


crianças, na construção gradual de uma oportunidade de:
. Comunicar
. Conversar entre si
. Planear
. Pôr em prática os seus planos
. Participar nas atividades de grupo
. Rever o que fez
. Brincar no recreio
. Comer
. Descansar.

Os ritmos das atividades das crianças são marcados pelas suas rotinas quotidianas mais
significativas. São essas rotinas que lhes proporcionarão segurança e lhes permitirão
diferenciar de forma progressiva os diferentes momentos do dia, chegando a prever e a
antecipar o momento seguinte da sua ação.

Na organização e planificação da rotina deve-se ter em conta que todos os momentos são
educativos.

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Exemplo de rotina:

7:30: ACOLHIMENTO
8:30: LANCHE
9:00: DISTRIBUIÇÃO DAS CRIANÇAS PELAS SALAS
9:30: CANÇÕES E/OU HISTÓRIA, PRESENÇAS, PLANIFICAÇÃO DE ACTIVIDADES; DIÁLOGO
10:00: ACTIVIDADES ORIENTADAS
11:00: ACTIVIDADES LIVRES NO EXTERIOR
11:50: HIGIENE
12:00: ALMOÇO
12:50: HIGIENE
13:00: SESTA
15:00: HIGIENE E ARRUMAÇÃO CAMAS
15:15: ACTIVIDADES LIVRES
15:50: HIGIENE
16:00: LANCHE
16:25: HIGIENE
ATÉ À SAÍDA (19:00): ACTIVIDADES LIVRES NO EXTERIOR E POSTERIORMENTE NOS
CANTOS PEDAGÓGICOS

2.4.Relações educador/assistente de ação educativa/criança/pais

1. A atmosfera do estabelecimento e das salas de cada criança é feliz e


envolvente
• A atmosfera envolvente do estabelecimento é caracterizada por possibilitar um
ambiente calmo e relaxante, proporcionando condições para uma boa relação de
harmonia entre crianças e colaboradores.
• O nível de ruído é adequado e não interfere com o sucesso das atividades
desenvolvidas pelas crianças.

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• Existem oportunidades, formais e informais, para que os colaboradores possam


refletir entre si e individualmente, de forma sistemática sobre as suas próprias
atitudes e comportamentos e na forma como estes podem afetar as crianças e as
suas famílias, procurando ajustar as suas práticas. Sempre que necessário,
procuram aconselhamento junto dos seus colegas (p.e reuniões de equipa).
• Nas interações com as crianças, os colaboradores demonstram que conhecem
cada uma delas e que estão interessados em compreender o que cada uma diz e faz
(p.e. a criança é tratada pelo nome próprio ou pelo nome por que é tratada em
casa).

2. Os colaboradores interagem com as crianças de forma alegre e descontraída


• Os colaboradores variam o estilo de inteiração de acordo com o desenvolvimento,
necessidades e expectativas de cada criança.
• Reagem e respondem a todas as crianças com atenção e carinho, utilizando o
nome de cada uma, procurando pronunciá-lo corretamente e mantendo contacto
físico de forma culturalmente correta.
• Procuram ser “adultos de confiança” junto das crianças.
• Demonstram interesse genuíno em ajudar cada criança a expressar-se e em
explorar as suas ideias, respeitando as suas necessidades de espaço.
• Encorajam todas as tentativas das crianças para se tornarem independentes,
apresentando- -se quando necessário alternativas, tentando evitar-se que sintam
frustração desnecessária.
• As crianças são preparadas para as rotinas e/ou para as atividades, informando-as
do que se vai fazer ou do que se está a fazer.
• As crianças são ajudadas e encorajadas a brincar, individualmente e em grupo,
demonstrando o colaborador prazer e satisfação nesta relação, através da
linguagem verbal e não-verbal.
• Demonstram especial preocupação para com as crianças que se encontram a
chorar, tristes, aborrecidas, invulgarmente quietas ou alheadas do grupo,
procurando ajudá-las a ficar tranquilas e participativas:
• Promovem ocasiões de interação com as outras crianças;

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• Respondem verbal e fisicamente aos sentimentos das crianças e ajudando-as a


reconhecer e a lidar com as suas emoções (p.e. são sensíveis para com as razões
do choro e providenciam conforto físico e verbal à criança).
• Demonstram disponibilidade para brincar com as crianças de forma descontraída e
afetuosa (p.e. colaboradores dão início a jogos físicos e verbais; respondem quando
as crianças iniciam interações; demonstram prazer nas atividades com as crianças).
• São sensíveis para com as questões e pedidos das crianças.
• São pacientes face ao comportamento exploratório das crianças (p.e., brincar com
a comida, atirar coisas para o chão, acidentes de higiene, abandonar as atividades
ou tarefas por terminar).
• Respeitam o espaço, os sentimentos e as reações de cada criança (p.e. avisam a
criança antes de a agarrar ao colo, evitam interrupções abruptas nas atividades).
• Respondem verbalmente ao choro, gestos, sons, e palavras das crianças.
• Relacionam-se com a criança em função do seu temperamento, cultura e estádio
de desenvolvimento, procurando ir ao encontro das suas necessidades individuais
(p.e. procuram ser calmos para com bebés tímidos e mais ativos para com bebés
mais ativos).

3. Comunicação com as crianças


• O colaborador deve estar sempre atento às tentativas da criança em comunicar,
quer seja através de gestos, sons ou palavras, procurando responder sem as
interromper;
• Os colaboradores mantêm com as crianças uma conversação sobre assuntos do
seu interesse, procurando utilizar uma linguagem adequada ao seu
desenvolvimento, à sua capacidade de compreensão e ao seu meio sociocultural de
origem (p.e. para os bebés muito pequenos o colaborador imita e repete os sons da
criança ou nomeia objetos familiares pedindo-lhe que faça o mesmo; para as
crianças mais velhas, o colaborador utiliza palavras do meio de origem da criança).

Esta linguagem deve procurar ser:

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• Simples (p.e. o colaborador fala com a criança através de frases de fácil


compreensão, possíveis de serem repetidas; sempre que a criança diz uma palavra
isolada o colaborador estimula a criança na construção de frases simples);
• Não infantilizada;
• Com algumas onomatopeias (p.e. o colaborador imita o som dos animais).
• Quando a linguagem materna da criança é diferente da utilizada no
estabelecimento, os colaboradores procuram:
• Aprender alguns sons ou palavras para utilizar na conversação com a criança;
• Potenciar/reforçar o desenvolvimento do vocabulário de português dessas
crianças;
• Possibilitar que especialistas (da língua materna de cada criança e de português)
sejam envolvidos em atividades do estabelecimento.
• Os colaboradores procuram acrescentar algo à compreensão que as crianças têm
da linguagem de todos os dias (p.e. fornecer instruções claras, repetição frequente
de novas palavras).
• Os colaboradores mantêm uma conversação social com as crianças (p.e. “que
lindo menino”).
• Os colaboradores habitualmente mantêm contacto visual com as crianças
enquanto falam com elas.
• Os colaboradores participam em jogos verbais com as crianças.
• Os colaboradores mantêm com as crianças um bom equilíbrio entre o ouvir e falar
(p.e. não sobrecarrega a criança com conversação constante).
• Os colaboradores asseguram-se de que a sua comunicação não-verbal está
consistente com a comunicação verbal (p.e. expressões faciais concordantes com a
linguagem corporal e com o que está a ser dito).

4. As crianças são tratadas com equidade e com condições de igualdade de


oportunidades ao nível das atividades propostas
• O estabelecimento promove uma política de aceitação e de igualdade de
relacionamento entre as crianças, respeitando as diferenças de cada uma.
• Os colaboradores providenciam oportunidades para promover a equidade e a
igualdade de oportunidades:

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• Envolvem as crianças em atividades que culturalmente são consideradas como


apropriadas para outras crianças (p.e. promovem atividades em que os rapazes
podem brincar com bonecas e as raparigas com carros);
• Utilizam uma linguagem que reflete o seu compromisso com a igualdade de
oportunidades, equidade e justiça para com todas as crianças;
• Providenciam oportunidades para que todas as crianças, participem em todas as
experiências, brinquem com todo o tipo de material, expressem uma variedade de
emoções e contribuam para a discussão;
• Utilizam livros, histórias e acontecimentos que acontecem no dia-a-dia para
discutir e ajudar a quebrar estereótipos.

5. A comunicação com as crianças transmite respeito pelas competências e


diversidade sociocultural de cada uma:
• Existe uma política de condução do estabelecimento que permite o respeito pelas
diferenças socioculturais de cada criança.
• Existe uma política de envolvimento das famílias e sempre que possível das
próprias crianças na definição de normas e procedimentos de condução do
estabelecimento, nomeadamente na planificação das atividades e na definição de
regras de funcionamento.
• A informação sobre cada criança e seu meio sociocultural de origem é tido em
consideração para a elaboração dos planos de atividades do estabelecimento.
• O estabelecimento permite a visita de outros técnicos especializados que
acompanham a criança com necessidades educativas especiais, de forma a
estabelecer em conjunto com os seus colaboradores, o respetivo plano individual de
acompanhamento, procurando que as restantes crianças colaborem na
implementação do referido plano.
• Os colaboradores trocam impressões com as famílias acerca dos comportamentos
manifestados pelas suas crianças.
• De forma a fazer face às dificuldades colocadas por crianças oriundas de
diferentes meios socioculturais e/ou linguísticos e/ou com dificuldades de
comunicação e por crianças com necessidades educativas especiais, os

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colaboradores detêm recursos didáticos necessários e meios supervisão adequados


recorrendo por vezes ao apoio de ajuda externa.
• As crianças são ajudadas a compreender e respeitar a diferença das outras
pessoas em relação a si, através de:
• Respostas, claras e simples, do colaborador sobre as pessoas diferentes de
si (p.e. de outras raças e etnias, mais velhas);
• Integração de crianças de diferentes raças, etnias e sexo nos grupos
naturais das crianças em contexto de sala ou em atividades do exterior,
promovendo igualdade de oportunidades no acesso às atividades e material
de brincar;
• Disponibilização de atividades de diferentes culturas e tradicionalmente
destinadas a diferentes géneros.
• Os colaboradores procuram envolver todas as crianças em momentos de
conversação agradável e satisfatória, escutando cuidadosamente, procurando
valorizá-las e responder de forma genuína.
• O material disponibilizado pelo estabelecimento é diversificado para abranger
diferentes etnias e meios socioculturais.
• Quando a família consultou outros especialistas, existe a preocupação dos
colaboradores em integrar a informação disponibilizada, no alcance dos objetivos
estabelecidos para cada criança.
• São utilizadas estratégias de ensino individualizado em crianças com necessidades
educativas especiais que procuram integrá-las no grupo do qual fazem parte.
• Cada criança com necessidades educativas especiais está incluída nas diferentes
atividades e rotinas do estabelecimento, participando ativamente nas mesmas,
existindo um plano de acompanhamento a longo prazo elaborado em articulação
com a família.
• O estabelecimento promove a aceitação de uma criança com necessidades
educativas especiais no seio do grupo.
• Os colaboradores utilizam métodos de comunicação particulares utilizados por
cada criança (p.e. palavras ou frases chave utilizadas em casa, métodos de
comunicação adaptativa);

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• Os colaboradores estão sensíveis e atentos a todas as crianças, especialmente


para com aquelas que possuem necessidades especiais;
• Os colaboradores comunicam com todas as crianças de forma paciente, atenta e
com respeito pelos seus costumes culturais e familiares (p.e os colaboradores
esforçam-se em pronunciar os nomes das crianças corretamente);
• Os colaboradores são culturalmente sensíveis nos cuidados prestados às crianças
ao nível da comida, do sono e dos cuidados de higiene;
• Os colaboradores reconhecem e respeitam as diferenças existentes entre cada
criança ao nível das suas competências, meios sociais de origem e estrutura familiar
e procuram estruturar e providenciar atividades e experiências que valorizem e
respeitem quer as similaridades quer as diferenças existentes;
• Os colaboradores durante a prestação de cuidados de rotina, de forma consistente
e sistemática, dão reforço não-verbal e verbal, utilizando a linguagem conhecida da
criança prestando uma atenção individualizada;
• Os colaboradores consultam as famílias sempre que verificam a existência de
diferenças entre a política de condução de comportamento das crianças no
estabelecimento e a existente na família.

2.5.Funcionamento e aspetos organizativos

O ambiente educativo do jardim-de-infância organiza-se em torno dos espaços e do


cumprimento dos objetivos do plano individual de cada criança.

Planificação de atividades
Um Plano poderá ser um instrumento muito útil quer no domínio da organização do tempo
quer na definição dos objetivos das atividades. Deve conter uma série de elementos de
fácil interpretação para quem lê e para quem o utiliza. Um plano poderá ser anual,
semestral, trimestral, mensal, semanal e diário.

Elaboração de um plano de atividades

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Objetivos: Para Quê…?


Quando planeamos executar qualquer tarefa ou atividade, ainda que inconscientemente,
temos sempre um objetivo, como tal, não seria adequado construirmos um plano sem
termos em conta este dado. Os Objetivos devem ser definidos em função do/s
destinatário/s e não do Educador.

Local: Onde…?
Este dado é importante e terá de ser definido com alguma antecipação, pois nem sempre o
espaço está disponível ou adaptado Se por outro lado for um espaço público a visitar, como
por exemplo um museu ou outra instituição essa necessidade será, ainda mais, evidente.

Metodologia: Como…?
De que forma irá ser realizada. Que métodos vão ser usados para a realização ou
planificação da atividade/das atividades.

Atividades e Tarefas: o que se pretende desenvolver.


Neste dado deverá constar o nome da atividade, e uma breve descrição da mesma, pois
por vezes o nome da atividade nem sempre é suficiente para a descrição da mesma.

Calendarização
Este dado é imprescindível na construção do plano, ele deverá indicar o mês ou o dia em
que irá ser realizada a atividade. Exemplo: 5 de Março – terça-feira de tarde e a duração
de cada atividade.

Recursos
Outro dado imprescindível na construção de um plano e na execução do mesmo são os
recursos. Estes podem dividir-se em:
 Recursos humanos – referem-se às pessoas intervenientes quer na elaboração do
plano, quer na execução do mesmo. Podem desempenhar tarefas muito distintas, tendo
todas um papel imprescindível.
 Recursos materiais (logísticos) – são todos os materiais necessários para a execução
das atividades: equipamentos, infraestrutura físicas, instrumentos, objetos, etc...

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 Recursos financeiros – serão as verbas disponíveis para a execução das atividades


planeadas.

Avaliação
A avaliação é uma componente do processo de planeamento. Todos os projetos contêm
necessariamente um “plano de avaliação” que é acompanhado de mecanismos de auto
controle que permitem, de forma rigorosa, ir conhecendo os resultados e os efeitos de
intervenção e corrigir as trajetórias caso sejam desejáveis. A avaliação é algo de extrema
importância para a compreensão do sucesso ou insucesso das atividades planeadas.

A responsabilidade
É importante uma definição do papel de cada elemento interveniente no plano, desta forma
será indispensável atribuir a cada elemento a sua responsabilidade nas atividades a
desenvolver.

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Exemplo da estrutura do Regulamento interno de um jardim-de-infância:

1. FINALIDADES E ATRIBUIÇÕES

2. ORGANIZAÇÃO

2.1. Caracterização do espaço físico


2.2. Coordenação do Jardim de Infância
2.3. Equipa de trabalho/Apoios educativos
2.4. Horário de funcionamento/Componente de apoio à família
2.5. Horário das Educadoras
2.6. Horário das auxiliares
2.7. Horário de atendimento aos pais
2.8. Calendário Escolar
2.9. Condições de Admissão/ Matrículas/ Renovação de Matrículas
2.10. Organização dos grupos de crianças

3. CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO

3.1. Assiduidade/Pontualidade
3.2. Visitas de Estudo/Passeios Escolares
3.3. Doenças infectocontagiosas
3.4. Higiene e vestuário
3.5. Brinquedos e outros objetos
3.6. Alimentação/lanches
3.7. Aniversários
3.8. Acidentes
3.9. Vigilância
3.10. Segurança
3.11. Aplicação de verba
3.12. Serviço de Refeições e Prolongamento de Horário

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3.Criança e creche

3.1.A importância da afetividade na creche

3.2.Importância das rotinas na vida do bebé

3.3.Adaptação da criança e da família à creche

3.4.Recepção da criança

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3.1.A importância da afetividade na creche

As expressões afetivas são fatores reguladores das relações interpessoais e das relações
sociais. É comum a ideia de que o desenvolvimento social e afetivo da criança emerge nas
relações com as outras pessoas, particularmente com os pais, irmãos, familiares,
educadores e amigos.

Os pais reconhecem a importância das relações sociais da criança e preocupam-se com os


seus relacionamentos pois sabe que isso é extremamente enriquecedor para o seu
crescimento social e afetivo.

Do ponto de vista da criança as relações interpessoais afiguram-se determinantes. A sua


vitalidade, a sua atitude perante o mundo e a vida estão relacionadas com a forma como
foi ou não amada desde o início da sua existência.

O bem-estar ao longo da vida, o equilíbrio e o gosto pela vida encontra-se largamente


suspenso da solidez da rede de relações afetivas que o indivíduo estabelece com os outros.
Um desenvolvimento pleno requer o estabelecimento de relações interpessoais íntimas.

As relações interpessoais afetarão o desenvolvimento individual pelo menos de três


maneiras:
• Primeiro, porque as relações são o contexto em que decorre a socialização – a
criança não desenvolve capacidades de comunicação no isolamento social;
• Segundo, as relações são as bases ou recursos que permitem à criança funcionar
de um modo independente num contexto mais vasto;
• Terceiro, as relações da criança, tanto nas que participa ativamente como
naquelas em que é mera observadora, constituem importantes modelos a usar na
construção de futuras relações interpessoais.

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Na realidade, a afetividade é tudo o que afeta, tudo o que não nos deixa indiferentes, tudo
o que mexe ou interfere connosco, tudo o que dá prazer e tudo o que entristece. É tudo o
que nos leva a agir e reagir.

Quando as coisas correm bem o crescimento e desenvolvimento da criança são


acompanhados de um sentimento de realização e sucesso.

Quando as coisas falham, surge a tensão, a frustração, que, embora pontualmente normal
e necessária em medidas moderadas, pode ser difícil de suportar e de lidar quando
duradoira e exacerbada, podendo daí resultar angústia crónica, problemas de
comportamento, isolamento e em casos extremos interferências no desenvolvimento global
da criança.

A maior parte dos pais e adultos estão familiarizados com períodos de tensão, problemas
alimentares, perturbações de sono, birras, etc., para mencionar as situações mais comuns.
Mas, muitos outros problemas mais severos são de registar.

Interessa compreender as dimensões funcionais que a relação precoce pode fornecer à


criança, os efeitos de variações na relação e a conexão entre qualidade da relação precoce
e inter relações futuras.

As instituições educativas devem adotar iniciativas que facilitem e promovam as boas


relações entre as famílias e o pessoal. Deve estabelecer as medidas que permitam a
comunicação criando o ambiente para que o pessoal pedagógico (educadora e auxiliar)
aceite as famílias, como colaboradores nos cuidados da criança e vice-versa.

3.2.Importância das rotinas na vida do bebé

Ao proporcionar, numa creche um horário diário previsível e ao prestar-se cuidados


segundo rotinas tranquilas, estão a dar-se às crianças muitas oportunidades de realizarem
as suas ações e ideias.

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É importante que se aprenda e responda ao horário diário personalizado de cada bebé e,


em, simultâneo, desenvolva um horário diário global que se adapte tanto quanto possível a
todas as crianças do grupo.

A coordenação dos horários múltiplos dos bebés pode apresentar-se como um desafio. Esta
é uma das razões pela qual os grupos de crianças em creches devem ser pequenos.

Um horário consistente proporciona às crianças um sentido de continuidade e controlo. Os


bebés sentir-se-ão seguros e confiantes.

3.3.Adaptação da criança e da família à creche

Na resposta de creche um dos aspetos mais importantes é o relacionamento e o respeito


que os colaboradores mantêm e demonstram para com a família e sua criança, dado que
as crianças ao sentir uma continuidade nos cuidados que lhe são prestados entre o
ambiente de casa e o ambiente de creche desenvolvem maiores sentimentos de segurança
e de capacidade de confiar no outro. Tal também permite uma transição mais fácil para um
ambiente que lhe é novo como a creche.

Os membros das famílias são bem-vindos no estabelecimento e contribuem com o seu


conhecimento e capacidades para enriquecer o programa de atividades a implementar na
resposta de creche, sendo eles os principais responsáveis pelo bem-estar das crianças aí
acolhidas e as pessoas que melhor as conhecem.

Os colaboradores procuram manter um contacto consistente com cada criança, procurando


ficar a conhecê-la e à sua família. Tal promove o estabelecer de laços de segurança e
confiança, aspetos promotores de uma melhor adaptação e de um desenvolvimento
psicossocial global mais adequado e adaptado das crianças.

1. A comunicação com as famílias é clara, de acordo com o seu nível sociocultural sendo
garantida a confidencialidade das informações

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• Os colaboradores procuram comunicar efetivamente com todas as famílias, com


respeito pelas suas competências e meios socioculturais de origem (p.e. adequação
da linguagem verbal a famílias de meios socioculturais desfavorecidos através da
sua simplificação).
• O estabelecimento está preparado para se relacionar e comunicar com famílias de
meios culturais e linguísticos diferentes, de forma a providenciar um acolhimento
adequado a cada criança, (p.e. poder acolher crianças imigrantes em que
apresentem dificuldades na língua portuguesa).
• Existe um plano específico formal para comunicar com todas as famílias acerca do
quotidiano das crianças.
• Existe uma preocupação em ter informação escrita em várias línguas, consoante o
universo de crianças estrangeiras admitidas.
• Existem publicações destinadas às famílias sobre a filosofia do estabelecimento e
os serviços e atividades disponibilizados.
• O conteúdo da informação escrita disponível para as famílias e colaboradores é
revisto e atualizado regularmente, em articulação com todas as partes interessadas
(famílias, colaboradores, comunidade/parceiros e autoridades competentes).
• As alterações no conjunto de procedimentos e serviços do estabelecimento são
dadas a conhecer às famílias antes da sua implementação, mesmo que não
impliquem uma alteração no quotidiano da criança.
• Existe a oportunidade para que as famílias e os colaboradores responsáveis pela
criança possam trocar informação de forma privada, sendo dadas garantias de que
esta se mantêm confidencial.
• As solicitações das famílias sobre informações do quotidiano da criança no
estabelecimento são respondidas de forma adequada e favorável.
• Existe um sistema de gestão das reclamações e de sugestões das famílias e dos
colaboradores que é divulgado às diferentes partes interessadas.
• Questões colocadas pelas famílias incluídas nas reclamações e sugestões são tidas
em consideração aquando da planificação das atividades.

2. É disponibilizada informação às famílias sobre o desenvolvimento das crianças e áreas de


interesse ao nível do desenvolvimento infantil:

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• Existe um conjunto de procedimentos, formais e informais, que possibilitam a


partilha de informação de forma regular e sistemática entre os colaboradores
responsáveis pela criança e a sua família sobre os progressos e os acontecimentos
mais relevantes da sua vida.
• Os Colaboradores partilham frequentemente com as famílias algumas das
interações específicas que mantiveram com a criança durante o dia.
• É disponibilizada informação às famílias sobre como educar as crianças (p.e.
colaboradores conversam com as famílias sobre o desenvolvimento infantil,
disponibilizando livros e outro material quando solicitados).
• É disponibilizado às famílias o acesso a informação adicional e não diretamente
relacionada com o quotidiano das crianças no estabelecimento (p.e. especialistas
numa área falam com as famílias em ocasiões marcadas para o efeito; acesso às
famílias a vídeos e livros educativos).

3. A família é considerada como parceiro:


• O estabelecimento possuiu um programa para cada período do ano que permite o
contacto informal entre os colaboradores e as famílias, procurando maximizar a
participação destas na planificação das atividades e no quotidiano do
estabelecimento.
• As famílias participam na elaboração do projeto educativo do estabelecimento, no
levantamento de necessidades de cada criança e diferentes instrumentos que
regulam a atividade do estabelecimento, no plano de atividades de cada sala e no
plano de atividades diário, pelo que estes refletem tanto as similaridades como a
diversidade cultural das crianças e famílias acolhidas no estabelecimento.
• As estratégias de condução de atuação para cada criança e família são discutidas
entre os colaboradores e as famílias de forma individual e construtiva, procurando-
se garantir uma continuidade entre os cuidados prestados no estabelecimento e os
praticados no seio familiar.
• Os colaboradores demonstram um interesse genuíno e assertivo quando falam
com as famílias, respeitando as suas diferenças culturais.
• As famílias são convidadas verbalmente e/ou por escrito a colaborar em atividades
específicas do estabelecimento, nomeadamente na implementação de atividades

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nas salas com as crianças, planeadas e apoiadas pelos colaboradores do


estabelecimento.
• O estabelecimento promove oportunidades para contactos informais entre as
famílias e os colaboradores.
• É facultada às famílias a possibilidade de conhecerem um novo colaborador
quando a sua criança muda de grupo ou de sala.

3.4.Recepção da criança

A maneira como a criança reage, diariamente, à sua chegada à ama ou à creche, depende
muito da sua idade, pois que um bebé, por exemplo, muito pequeno pode não ter qualquer
reação ao passar de uns braços para os outros, enquanto que uma criança maior já pode
ser influenciada pelos antecedentes vários passados em casa. A criança reage também ou
pode reagir mais quando não encontra a pessoa que a recebe habitualmente.

É neste momento que recebem dos pais informações ou reclamações especiais para os
cuidados à criança, durante o dia, sendo também a altura em que deve ser feita uma
observação geral verificando o seu estado de saúde, a fim de decidir se pode ficar ou não.

Verifica-se que há mães ou pais que, tendo habitualmente dificuldade em falar com o
adulto noutras alturas, por timidez, o que os inibe de o procurarem, ou de emitir opiniões
numa reunião, são muitas vezes capazes de comunicar muito mais espontaneamente e de
dizerem o que pensam, no momento de entrega diária da criança.

É à chegada, de manhã, que muitas vezes as crianças se manifestam à separação dos pais,
ficando depois bem durante o resto do dia. Isto pode acontecer com uma criança que até
já estava adaptada e, a certa altura, começa outra vez a reagir à separação.

É frequente verificar-se uma manifestação mais intensa à separação à segunda-feira ou


depois de a criança ter estado uns dias em casa. Por via de regra o pessoal (ama, auxiliar,
educadora) comenta que os pais mimaram demais as crianças, procurando uma explicação

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rápida e às vezes culpabilizante dos pais, o que é errado. O que acontece é que a criança
esteve mais tempo no ambiente que é o seu, perto dos seus, e sendo este mais
individualizado vai reagir de novo à separação.

Outras vezes acontece que a criança, de manhã, se mostra satisfeita e calma e é durante o
dia que começa a mostrar sinais de tristeza ou de zanga. Uma permanente reação matinal
ou durante o dia à separação dos pais deve levar a discutir a forma de ajudar a criança.
Esta ajuda pode ser, por exemplo, que a mãe ou outro membro da família venha durante o
dia fazer uma visita à criança, ou a criança passe menos tempo na ama ou na creche de
quando em quando, etc.

Quando a criança entra no primeiro dia e seguintes, embora não exista exatamente uma
“receita” de atitudes, porque cada criança é diferente e cada educadora ou auxiliar é
também diferente, há contudo, alguns pontos que merecem estar presentes, para
orientação do período de adaptação.

Estes pontos são os seguintes:


• Interessa fundamentalmente adaptar a criança a “uma pessoa” e não ao
ambiente, porque a adaptação ao ambiente vai ser conseguida através dessa
pessoa adulta;
• A observação que é feita à criança no que se refere ao seu comportamento é que
serve de guia para as atitudes a tomar;
• A criança deve ser entregue à pessoa que vai prestar-lhe cuidados durante o
maior número de horas, na sua frequência diária;
• A adaptação da criança, entre os 8 e os 18 meses de idade é, por via de regra,
mais difícil;
• Deve existir uma atmosfera acolhedora e agradável que permita aos pais sentirem
que são sempre bem-vindos, sendo encorajados a visitarem a criança em qualquer
altura. Esta estratégia irá tranquilizar os pais facilitando muito o processo de
separação mãe/criança;
• O adulto (que recebe a criança) tem de utilizar as informações recolhidas sobre a
criança – hábitos, preferências e ambiente – e procurar no contacto com os pais

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adquirir mais informações, para saber conduzir melhor o período de adaptação,


procurando que a criança se adapte gradualmente;
• Deve distribuir o seu tempo de trabalho de forma a ter mais tempo para as
crianças recém-admitidas, e contactos com os pais para troca de informações;
• Deve manter uma atitude permissiva à presença dos pais, tentando quanto
possível que a mãe esteja mais tempo na creche, durante e fase de admissão;
• O adulto deve receber e entregar as crianças em condições que evitem atropelos e
dificuldade de comunicação. Deve assegurar que a criança só seja entregue aos pais
ou pessoa previamente indicada por estes e, devidamente identificada.

É à saída que se devem dar as informações acerca da forma como a criança passou o dia,
e verifica-se que por vezes as mães têm tendência a sentar-se e falar um pouco de si.

É fundamental ter-se em atenção que tudo aquilo que se diz à mãe ou familiares acerca da
criança, tem de ser dito com tato, principalmente quando o assunto lhes pode ser menos
agradável, visto que facilmente os pais entram numa atitude defensiva.

Quando as mães estão cansadas e tensas, pois naturalmente, abreviam-se os relatos do


dia, e guardam-se maiores informações para outra altura. A propósito chama-se a atenção
para o facto de que as crianças já percebem o que se diz, é necessário ter-se cuidado com
as informações que se prestam e que poderão umas, e não deverão outras, ser ouvidas
pelas crianças.

Tal como o momento da chegada no início do dia, a saída deve ser agradável, contribuindo
para as boas relações entre os pais e o adulto.

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4.Criança e o jardim-de-infância

4.1.Processo de adaptação da criança ao jardim-de-infância

4.2.Observação da criança no jardim-de-infância

4.3.Relação da criança com o educador de infância

4.4.Relação educador de infância/criança/família

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4.1.Processo de adaptação da criança ao jardim-de-infância

A entrada da criança no jardim-de-infância significa, entre outras coisas, uma ampliação


dos seus vínculos afetivos e sociais. Assim, da relação somente com um pequeno conjunto
de pessoas (família), passa a estabelecer vínculos muito diferenciados com adultos e
crianças: educadores, diverso pessoal do jardim-de-infância, companheiros… Do mesmo
modo, irá descobrindo espaços diferentes daqueles a que estava habituada e nos quais se
desenvolvia com certa autonomia e segurança.

Estas mudanças representam um grande passo dado na compreensão do meio ambiente


que à criança se apresentará mais amplo e complexo. Os processos que utilizar para
descobrir e compreender este novo meio, servir-lhe-ão de base para uma compreensão
progressiva de âmbitos cada vez mais amplos.

São inúmeras as perguntas que a criança faz no seu ingresso na instituição: O que é o
jardim-de-infância? Como é por dentro? Para que serve? O que se faz aí? Como funciona?
Qual é o seu nome?

São três os elementos característicos do jardim-de-infância que adquirem grande


importância:
 O educador;
 Os companheiros;
 O edifício.

Depois dos pais e dos familiares mais próximos, o educador é o adulto talvez mais
importante para a criança. Compreender a sua função educativa é um dos objetivos a
alcançar.
Outro é reconhecer as diferentes atividades e a importância de que tanto a criança como
os seus companheiros, colaborem com as atividades que se desenvolvem na sala.

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Conhecer e movimentar-se com segurança e confiança no edifício, saber os seus recantos


mais característicos e familiarizar-se com outras pessoas que ali desenvolvem o seu
trabalho, é outra conquista a efetuar pela criança.

O jardim-de-infância converte-se, então, numa estrutura intermédia entre a própria família


e a sociedade, que representa, por um lado, o prolongamento do lar, por outro, é a
primeira instância a ele alheia que a criança conhece com certa profundidade. Aí, as noções
de trabalho iniciam-se, divisão de funções, competências, deveres, colaboração em tarefas
comuns, exigência de êxitos, etc., que qualificarão as restantes estruturas sociais.

A criança terá assim de conseguir obter um conhecimento das características que definem
o jardim-de-infância, como lugar preferencial de aprendizagem ou de relação da criança
com os seus companheiros, como também de a adaptar às suas normas comportamentais
e às regras que regem a sua vida interna.

O jardim-de-infância deverá, assim, converter-se num lugar de jogos, de aprendizagem e


de interação social; não bastará alcançar da criança uma boa adaptação, é necessário,
além disso, conseguir uma conduta inquiridora, relativamente no que aí se faz.

O jardim-de-infância, como significativo agente de socialização, para cumprir a sua função


transmissora de conteúdos e de condutas socialmente imperativas, deverá ser
perfeitamente conhecido pelas crianças, desde as suas características materiais até às
relações pessoais que se desenvolvem no seu seio.

Por isso, deverão programar-se saídas da sala, “excursões” pela instituição, que facilitem a
familiarização das crianças com o meio. Estas saídas orientam as crianças recém-admitidas
e facilitam uma integração mais rápida e efetiva. Por isso, é necessária a colaboração de
todo o pessoal da instituição, num esforço comum, para familiarizar a criança com o
jardim-de-infância, do seu cuidado, conservação e respeito.

As atividades mais características, para conseguir essa adaptação, respeito e cuidado pela
instituição, são:

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 “Excursões” internas pela instituição;


 Identificação de serviços e profissões que se exercem;
 Representações plásticas do jardim-de-infância;
 Perguntas acerca da presença e do papel dos adultos que ali desempenham
as suas funções;
 Exercícios de observação sobre o edifício, as suas dependências, etc.;
 Exercícios de linguagem e vocabulário, hábitos de trabalho e normas de
conduta em grupo, etc.

A sequência de tais exercícios permitirá conseguir um ensino vital e experimental sobre o


ambiente escolar, ao mesmo tempo que se fomenta a adaptação ao referido ambiente e a
criação de atividades positivas para com os companheiros e educadores.

4.2.Observação da criança no jardim-de-infância

Quando um educador se encontra, pela primeira vez na presença de um grupo de crianças,


pretende conhecê-las melhor e o mais profundamente possível. Ele sabe perfeitamente que
o compromisso que se estabelecerá entre eles dependerá das relações que se
estabeleceram entre uns e outros. Também sabe que as atividades propostas e realizadas,
facilitarão ou não tais relações.

A formação que receberam, os conselhos que ganharam, permitem-lhe conhecer um pouco


da psicologia da criança. Mas depressa compreende que a criança descrita nos livros é
apenas uma “criança/tipo”. Aquelas que têm à sua frente, se em alguns pontos se
aproximam desse protótipo, apresentam, muitas vezes, grandes diferenças.

Se é indispensável conhecer o que a psicologia da criança nos pode dizer, é ainda


necessário adaptar esses conhecimentos a cada criança do grupo.

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O recinto educativo apresenta-se como uma resposta à necessidade que a criança


certamente não pode exprimir e que nos compete descobrir.

Observar é a “ação de considerar e registar o comportamento do indivíduo ou de um


grupo, sem alterar a sua espontaneidade, a sua verdade de expressão”. Para que a
observação seja equilibrada é preciso centrá-la nas tarefas (atividades e situações) e nos
comportamentos relacionais entre o grupo.

O observador deve procurar ser um espectador objetivo e imparcial, registando e referindo


a situação observada, de forma rigorosa e sistemática, por registo imediato e/ou
memorizado. Deve evitar fazer qualquer tipo de apreciação ou juízo.

A observação deve ser situada no tempo, espaço e contexto. Deve pôr em evidência,
sobretudo, o que a criança gosta de fazer, sabe fazer; as situações em que se mostra ativa,
as pessoas com quem gosta de agir, etc. a nossa observação só poderá ser eficaz se se
apoiar no que a criança gosta de fazer, de dizer.

A observação sistemática permite descobrir os interesses e as necessidades de cada criança


e, por isso, favorece uma organização pedagógica apoiada na vida das crianças e a
elaboração de projetos que, muito provavelmente as cativarão. Permite compreender o
comportamento da criança e ajustar as suas intervenções, em função das suas
necessidades atuais. Evita que uma criança passe despercebida. Proporciona a análise dos
componentes, antes de se lançar a ação. Deixa um traçado do comportamento observado,
o que permite constatar a evolução das aquisições e assim determinar a intervenção do
adulto. Pode ser realizada a vários níveis pelos adultos que integram a equipa pedagógica.

O que podemos observar?


A socialização e a autonomia da criança, as usas reações com os outros. É importante
anotar as formas de comunicação que utiliza, os ajustamentos que opera em função das
reações dos outros, etc. A motricidade – a nível da vida corrente, a nível da motricidade
fina, a nível da motricidade grossa; a linguagem e, outras atividades – pois, não nos é

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possível observar cada criança ao longo de todas as atividades que a vida do grupo lhe
proporciona.

Eis algumas pistas para aperfeiçoar a observação:


1. Não confie na sua memória. Faça um registo enquanto observa.
2. Registe detalhes objetiva e rigorosamente, e de um modo tão completo quanto
possível, sem avaliar. Aprenda a separar os seus sentimentos dos factos.
3. Utilize várias observações, sempre que possível, feitas por observadores
diferentes.
4. Tenha consciência do “efeito de aumento” e do “erro lógico”, verifique
cuidadosamente o comportamento em observação com o fim de eliminar estes
preconceitos.
5. Defina operacionalmente os comportamentos, para que haja um acordo entre os
observadores quanto ao que constitui um exemplo de “X” comportamento.
6. Recolha informação durante um período de tempo adequado e numa variedade
de situações para assegurar a amostragem do comportamento (fiel, válida) com
vista à extração de conclusões.
7. Tenha outros observadores a observarem o mesmo comportamento, sempre que
possível e compare as descobertas.
8. Seja tão discreto quanto possível durante o período de observação, com vista a
minimizar a influência do observador sobre o observado.
9. Veja os dados de observação como hipóteses a serem testadas e não como
evidência conclusiva acerca da criança.

4.3.Relação da criança com o educador de infância

Desde o nascimento, as crianças se orientam-se prioritariamente para o outro, inicialmente


para os adultos próximos, que lhes garantem a sobrevivência, propiciando sua alimentação,
higiene, descanso etc. O bebé nasce e cresce, pois, em íntimo contacto com o outro, o que
lhe possibilita o acesso ao mundo. Ele expressa seu estado de bem ou mal-estar pelas

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vocalizações, gestos e posturas que são percebidas, interpretadas e respondidas pelo(s)


outro(s), conforme aprenderam em suas experiências na cultura à qual pertencem.

Entre o bebé e as pessoas que cuidam, interagem e brincam com ele se estabelece uma
forte relação afetiva (a qual envolve sentimentos complexos e contraditórios como amor,
carinho, encantamento, frustração, raiva, culpa etc.). Essas pessoas não apenas cuidam da
criança, mas também medeiam seus contactos com o mundo, atuando com ela,
organizando e interpretando para ela esse mundo. É nessas interações que se constroem
suas características.

A instituição deve promover e encorajar contactos de famílias com o pessoal,


providenciando encontros agradáveis e, tempo para que o pessoal possa estar presente
nestes encontros, procurando também que as famílias se sintam colaboradoras e se
apercebam que são respeitadas as suas opiniões, sugestões e queixas.

Há uma série de comportamentos e atitudes de apoio e colaboração que os adultos podem


pôr em prática, que vão proporcionar uma relação de diálogo, apoio e colaboração entre a
criança e o adulto, favorecendo a confiança da criança para com o adulto e a instituição.
São elas:
1. Apoio do adulto nos momentos de chegada e de partida da criança.
2. Apoio do adulto ao longo das atividades livres.
3. Apoio do adulto ao longo do tempo de grupo.
4. Apoio do adulto nos momentos de refeição.
5. Apoio do adulto nos momentos de rotina de cuidado do corpo.
6. Apoio do adulto nos momentos de descanso.

4.4.Relação educador de infância/criança/família

Já muito foi dito sobre o relacionamento ótimo entre a auxiliar e as crianças, numa
instituição educativa. É, também, ponto assente a importância que a família desempenha

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harmonioso da criança, assim como, a importância de um bom relacionamento entre a


família e a instituição educativa.

A auxiliar é dos adultos que mais tempo passa com a criança e é aquele que mais contacta
com os pais, devido ao próprio funcionamento da instituição. Assim, a auxiliar não deve
deixar de seguir uma série de orientações, de grande importância, que ajudam a garantir o
sucesso desta relação. São eles:
 Comunicar regularmente com os pais das crianças nas entradas e saídas.
 Estar disponível para ouvir as sugestões e questões dos pais ou para falar acerca do
programa ou das atividades que vão realizando na instituição e na sala.
 Aproveitar construtivamente as sugestões e críticas dos pais e, orientá-las
oportunamente.
 Em situações de conflito a abordagem utilizada deve ser a de resolução mútua de
problemas.
 Disponibilizar-se para mostrar os diferentes espaços da instituição, mostrando como
é a organização do ambiente na sala, as atividades de prestação de serviços que
dão às crianças, etc.
 Colaborar com os pais nos cuidados às crianças, utilizando os momentos que são
propícios ao contacto para maior esclarecimento.

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Bibliografia

AA VV., Creche: Manual de Processos-Chave, Programa de cooperação para o


desenvolvimento da qualidade e segurança das respostas sociais, Instituto da Segurança
Social, 2005

AA VV., Pensar formação – Formação de pessoal não-docente (animadores e auxiliares/


assistentes de ação educativa), Ministério de Educação: Departamento de Educação Básica,
2003

AA VV., Orientações curriculares para a educação pré-escolar, Ministério de Educação:


Departamento de Educação Básica, 1997

AA VV., Qualidade e projeto na educação pré-escolar, Ministério de Educação:


Departamento de Educação Básica, 1998

Fernandes, Anabela, Manual de Acompanhamento de crianças (Baby-sitting), 2006 (não


publicado)

Webgrafia

Ministério da Educação – Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular


http://sitio.dgidc.min-edu.pt/

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