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Discente: Maria Daianyy de Souza Machado

Disciplina: Oficina Temática 3: Organizações, Interorganizações e Redes


Docente: Ricardo Cruz Macedo
SCHULTZ, Glauco. Iniciação à gestão das Organizações. SEAD/UFRGS. - Porto Alegre:
Editora da UFRGS, 2016. Págs:. 13-25/44-54
RESUMO I
1. ORGANIZAÇÕES: CONCEITOS, CARACTERÍSTICAS E DIMENSÕES DE
ANÁLISE
Schultz inicia exemplificando o que será exposto no decorrer da unidade I, identificando três
pontos para objetivar e apontando três questionamentos: o que são organizações; quais são as
suas principais características e dimensões de análise; como são administradas. Essas perguntas
são importantes para esboçar uma tradução ao tema “gestão de organizações”, com análise
conceitual e teórica.
1.1 Conceitos, características e dimensões de análise
As organizações estão ligadas diretamente as relações sociais e de produção. Elas atravessam
nossas relações humanas em diversos aspectos da nossa vida; do nascimento até mesmo a
morte. As organizações são moldadas para nos impor determinados hábitos. De acordo Simon
(1965) as organizações são importantes, primeiro porque somos “moldados” por organizações
em que atuamos como profissionais, criando “qualidades e hábitos pessoais” e, segundo,
porque elas proporcionam “os meios para exercer autoridade e influenciar os demais”.
As organizações se caracterizam pela existência da divisão social do trabalho, pelo
planejamento, dos objetivos que justificam a própria finalidade de sua existência, além de uma
estrutura de poder hierarquizada e racionalizada.
As organizações podem ser de natureza econômica ou social. Souza (2012) aponta:
[...]condições organizacionais sociais: é a relação que existe entre a estrutura e as ações sociais;
condições organizacionais: políticas que mobilizam o poder com o intuito à dominação e à
imposição de interesses, valores ou ideais individuais, grupais ou classistas; condições
organizacionais cognitivas: é o modelo mental das pessoas, ou seja, a forma que a relação com
as organizações podem contribuir para a cognição; condições organizacionais culturais: é
influenciada pela ação dos indivíduos em seus grupos sociais, consequentemente a ação é
culturalmente condicionada; condições organizacionais ambientais: relação das organizações
com as restrições externas – de recursos, valores, regras e identidades, sendo necessária uma
validação por elas.

Schultz coloca diversos conceitos para teorizar as organizações, segundo ele é necessário
buscar a contribuição de diferentes áreas do conhecimento por conta da dificuldade na análise
das organizações. Dessa forma, abordagem interdisciplinar aplicada nos coloca a frente de
diferentes níveis da realidade organizacional.
As nossas vidas, portanto, são “construídas” em contextos organizacionais e somos
influenciados constantemente pelas organizações e pelas relações que se estabelecem entre
elas. As organizações são importantes, segundo Simon (1965, p. 16), primeiro, porque somos
“moldados” por organizações em que atuamos como profissionais, criando “qualidades e
hábitos pessoais” e, segundo, porque elas proporcionam “os meios para exercer autoridade e
influenciar os demais”.
As organizações tem cada vez mais importância sobre as condutas individuais, transformando
a sociedade e contribuindo para uma nova ordem. Souza (2012) reforça essa percepção da
importância das organizações na vida das pessoas, ao afirmar que:
[...]vivemos em uma sociedade organizacional: as organizações estão em toda a parte; suprimos
nossas necessidades por meio de organizações; trabalhamos, divertimo-nos, relacionamo-nos,
agimos politicamente, reivindicamos, enfim, atuamos em organizações. Somos parte delas e elas
são parte de nós: portanto, vivemos e agimos sob condições organizacionais.

Em seguida, o autor aborda sobre a complexidade das organizações, a qual está relacionada ao
grau de divisão do trabalho adotado internamente, nesse sentindo, grandes empresas irão exigir
de um maior aparato estrutural e gerencial, já as empresas menores ou familiares são mais
simples. Na sequência há um quadro elaborado pelo autor com o que pode caracterizar uma
organização.
Na sequência, desenvolve-se uma breve discussão sobre diferentes conceitos de organização,
buscando destacar outras qualificações para definir uma organização, tais como formal,
informal, social, burocrática e institucional.
Barnard (1967) define as organizações como um “sistema corporativo”. Já a organização
formal é considerada um sistema de atividades coordenadas conscientemente entre duas ou
mais pessoas.
Selznick (1971) explica que as organizações tentam assegurar o cumprimento de seus objetivos
através de “tarefas, poderes e normas de procedimentos”. O autor diz ainda que organizações
com sistemas formais e técnicos possuem uma conceituação insuficiente, já que elas
coordenam papéis ou atividades especializadas, e não pessoas.
O autor faz uma análise a qual define organização como “um grupo de seres humanos vivos”
e como uma “instituição”. Schultz focaliza a “estrutura informal” da organização, “que surge
quando entra a personalidade do indivíduo, seus problemas pessoais e seus interesses”. O
mesmo observa que as pessoas não são vistas na organização somente como “materiais de
manipulação ou consumo”, ou como um fator de produção, no falar dos economistas. É sabido
que a organização é apreendida como uma instituição, sendo necessário, portanto, “prestar certa
atenção à sua história e lembrar como foram influenciadas pelo meio social”. A organização
resulta da sua adaptação nos centros de poder, na origem social do líder, nas condições
socioculturais e nas ideologias.
A cerca das discussões entre os pensamentos dos autores o conceito proposto propicia uma
dupla perspectiva de análise para a organização: como uma economia (aspectos técnicos e
econômicos) e como uma “estrutura social” que se adapta a um ambiente institucional externo.
A organização social implica modelos políticos, econômicos e sociais que devem garantir o
pleno funcionamento da ordem dentro de uma sociedade. De acordo Blau e Scott (1970), as
unidades sociais podem ser estabelecidas “com o propósito explícito de chegar a certas
finalidades”. Nessa maneira, os autores sustentam entre si que existe diferentes organizações
sociais (família ou grupos de amigos), organizações formais (organizações de produção ou de
serviços) e organizações informais (relações sociais informais dentro das organizações
formais). Diante disso, as organizações sociais sempre existirão enquanto seres humanos
viverem juntos. Elas têm origem em dois padrões que emergem na sociedade: as interações
sociais e as condutas humanas.
Toda e qualquer organização formal possui algum grau de burocracia, dependendo das práticas
administrativas adotadas, do número de funcionários, da hierarquia e da observância das regras
gerenciais. Etzioni (1967a, p. 10) também define as organizações formais como organizações
que funcionam com burocracia. A burocracia, por sua vez, está relacionada aos princípios de
organização propostos por Max Weber e pode muitas vezes, vir carregada de uma conotação
negativa, como, por exemplo, a falta de eficiência.
Enquanto a organização formal é pautada pela lógica e racionalidade, a organização informal
é pautada pela espontaneidade. Ela está ligada a questões de ordem social, hábitos e costumes,
conforme seus membros vão vivendo e trabalhando juntos. Trata-se de um conceito que
engloba as relações pessoais pautadas pela afinidade, pelo cooperativismo espontâneo e
também pelo status.
Por ser um tipo de organização construída de maneira espontânea, a organização informal
possui algumas características que a diferem da organização formal. Eis aqui alguns exemplos:
a organização informal é construída pelos colaboradores; esta organização ultrapassa as
fronteiras de departamentos e pode acontecer entre colaboradores de áreas distintas; muitas
vezes, este tipo de organização acontece com base na empatia e simpatia que os colaboradores
despertam entre si; aqui, os grupos definem os comportamentos que são positivos, assim como
as atitudes que são saudáveis e benéficas para todos.
1.4 Construção do conhecimento sobre gestão de organizações: Uma análise crítica
A teoria da administração está inserida na publicação de livros, palestras cursos e treinamentos.
A relevância da disciplina se deve, segundo Miklethwait e Wooldridge (1998), à constante
reinvenção das organizações públicas e privadas e das carreiras profissionais, processo
incentivado por práticas modernas de gestão.
Drucker (1986) e Chiavenato (2000) se mostram otimistas com relação à administração de
empresas, sendo considerada por Chiavenato (2000, p. 5) como “principal chave para a solução
dos mais graves problemas que atualmente afligem o mundo moderno”. Apesar desses grandes
avanços vistos por conta desta área, a relação das organizações e da administração com as
atividades humanas podem causar diversos problemas, como o desemprego, os impactos
ambientais, a corrupção, a exclusão social, entre outras problemáticas que assolam o mundo
inteiro.
Drucker (1986), argumenta que a administração é “vítima” do seu próprio sucesso, o que
justificaria os modismos da área: Em grande parte, a obsolescência e a inadequação dessas
supostas “verdades” da administração refletem o próprio sucesso da administração. Pois a
administração tem sido a atividade vitoriosa por excelência nestes últimos cinquenta anos mais
até do que a ciência.
Micklethwait e Wooldridge (1998) fazem críticas à teoria da administração sob a justificativa
de que ela não aborda o tema com profundidade, não fazendo autocrítica para o avanço além
do senso comum. Sendo embalada por muitos modismos repletos de contradições e transmite
que os “gurus da administração são artistas da persuasão”.
A administração e os estudos organizacionais são colocados no texto como produtos do
mercado. Esse mercado está repleto de “agentes de difusão” que legitimam os modelos de
gestão importados, entre os quais o Estado, as instituições de ensino, os meios de comunicação
e profissionais. Wood Jr (1998) classifica como um verdadeiro “supermercado de ideias”, com
uma abundância de conceitos e teorias que resultam em “fragmentação, diversidade e crescente
irrelevância”.
Referindo-se às principais teorias da administração, Motta (1976) já detectava na época a
tendência de simplificação dos manuais de administração, os quais, a seu ver, propunham
“soluções de bolso para todos os problemas administrativos” e partiam da ideia “de que basta
conhecer a realidade para atuar sobre ela”
Herbert Simon (1965) faz uma crítica “aos princípios da administração”. referindo-se “como
provérbios surgem aos pares, para quase todo princípio pode-se encontrar outro princípio
contraditório, igualmente plausível e aceitável”.
Fachin e Rodrigues (1998, p. 101) destacam no que tange ao conhecimento da administração:
“Diferentemente de outras áreas das ciências sociais e humanas, a produção de conhecimento
em administração é, geralmente, aberta a diferentes paradigmas e diferentes abordagens
metodológicas”.
A tarefa da administração é definir e atingir metas, a tarefa do pesquisador é coletar dados
objetivos que indiquem como as funções organizacionais se distribuem em torno da orientação
e manutenção das metas. Independentemente do tipo de organização, seja ela privada ou
pública, cooperativa ou sindical, o que predomina é a racionalidade econômica no ambiente da
administração.
Rodrigues e Cunha (2000) julgam que os modelos teóricos convencionais dos estudos
organizacionais e de administração de empresas são incapazes de lidar com a complexidade da
realidade organizacional, por colocarem ênfase nos “paradigmas técnico-racionais”, por serem
geralmente “modelos importados” inadequados ao estudo de organizações inseridas em
contextos culturais diversos e por pretenderem ser universais ou aplicáveis a qualquer tipo de
organização.
Garcia e Bronzo (2000) propõem uma reflexão epistemológica e metodológica sobre as teorias
da administração e dos estudos organizacionais, pois a teoria da administração valeu-se
essencialmente de uma ciência experimental baseada na razão e em critérios objetivos,
processo esse subordinado aos paradigmas científicos do positivismo, do funcionalismo e do
individualismo metodológico.
Clegg e Hardy (1998) ressaltam ser importante demonstrar a diversidade de abordagens
existentes nos estudos organizacionais, com o objetivo de promover debates que resultem em
processos de aprendizagem mais vantajoso, evitando a ingenuidade de uns e a exacerbação de
outros frente às diferentes perspectivas teóricas.
Referindo-se às mudanças globais das últimas décadas, Clegg e Hardy (1998) salientam que
existem “novos fenômenos, novas condições, novas entidades e até novas organizações para
serem exploradas pelos teóricos da organização”. Predomina, entretanto, na construção do
conhecimento sobre organizações, o paradigma funcionalista e o método científico
convencional. Paralelamente, emergiram nos estudos organizacionais abordagens alternativas,
que buscam contemplar nas análises outras perspectivas, com forte visão crítica e ampliação
das hipóteses teóricas a serem testadas.
As abordagens alternativas nas teorias organizacionais são influenciadas pelas teorias críticas
que despontam no âmbito das ciências sociais e humanas, na forma de dois movimentos
alternativos e independentes: o pós-modernismo surge como uma crítica ao modernismo,
identificado como um novo estilo e um conjunto de convicções subjacentes à lógica do
capitalismo; o pós-estruturalismo sublinhado ao inconsciente e as estruturas ou forças sócio-
históricas subjacentes que constrangem e governam o comportamento humano, e questiona o
cientificismo das ciências humanas, bem como o racionalismo, o realismo e a fé na capacidade
transformativa do método científico que o estruturalismo havia retomado do positivismo.
Ao final desta unidade, Schultz trouxe diversas características e conceitos acerca da
administração e da organização. Trouxe, as principais teorias e críticas construídas ao longo
dos anos com relação às abordagens prescritivas da gestão de organizações. Esse grande
aparato metodológico com os principais conceitos pôde explanar de forma clara e rica sobre a
construção do conhecimento administrativo e organizacional.

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