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Rua Dr.

Francisco Sá

MANUAL Carneiro, n.º 635


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Código: 3553
Designação do Curso: Saúde mental na 3ª idade
Acão Nº: 1
3.03. Formações Modulares para DLD Local de Juventude de Vila Fonche,
Tip. de Intervenção:
POISE-03-4231-FSE-001516 Realização: Arcos de Valdevez
Nome do/a formador/a Sandra Campos
Nº Horas: 25 Data Início: 20/1/2020 Data Fim: 27/01/2020

Saúde Mental na 3ª Idade

Código IMP/DF/47

Edição 01

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O manual deverá fazer parte do material pedagógico do curso e os formandos deverão fazer-se acompanhar
do mesmo em todas as sessões associadas mesmo.
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A PREVIFORM - LABORATÓRIO, FORMAÇÃO, HIGIENE E SEGURANÇA DO TRABALHO, LDA, tem por
objeto de atividade o desenvolvimento de Formação Profissional, a Prestação de Serviços de Segurança,
Higiene e Saúde do Trabalho e de Higiene e Segurança Alimentar.
Com investimento constante e estratégico na melhoria dos seus recursos técnicos e humanos, especializados
nas áreas da Segurança, Higiene e Saúde do Trabalho e Higiene e Segurança Alimentar. Consideramos que
estamos preparados para responder com eficiência e qualidade às necessidades das empresas clientes nas
referidas áreas.
A empresa está equipada com instalações permanentes (salas de formação, escritórios e laboratórios) no
Concelho de Ponte de Lima, equipamentos audiovisuais, equipamentos de avaliação de condições de higiene
e segurança no trabalho, equipamentos de comunicação, sistemas informáticos e serviços de atendimento e
tem nos seus quadros, técnicos superiores de Higiene e Segurança no Trabalho devidamente qualificados,
técnica e pedagogicamente.
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qualificada para garantir aos seus clientes o desenvolvimento de formação profissional, a prestação de
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com o previsto na legislação em vigor específica para esta atividade.
A PREVIFORM - LABORATÓRIO, FORMAÇÃO, HIGIENE E SEGURANÇA DO TRABALHO, LDA, está
autorizada a prestar Serviços Externos na área da Segurança e Higiene no Trabalho conforme estipulado na
Portaria nº. 467/2002 de 23 de Abril.
A PREVIFORM - LABORATÓRIO, FORMAÇÃO, HIGIENE E SEGURANÇA DO TRABALHO, LDA, pretende
atuar no sentido de eliminar ou, pelo menos, reduzir ao mínimo a incidência dos acidentes de trabalho e das
doenças profissionais no universo dos trabalhadores das empresas onde presta a sua colaboração.

2.1 Definição…………………………………………………………………...3
2.2 Causas da doença mental…………………..………………………………3
2.3 Como se manifesta a doença mental……………………………………….4
2.4 Problemas de saúde mental mais frequentes……………………………….5

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2.5 Falsos Conceitos sobre a doença mental………………...…………………6


2.6 Sinais de alerta de doença mental………………………………………….7
2.7 Como ajudar o doente mental………………………………………………7
III. Psicopatologia da Pessoa Idosa……………………………………………...8
3.1 Conceito de Normal e Patológico…………………………………………..8
3.2 Características do Envelhecimento Normal………………………………..9
3.3 Características do Envelhecimento Patológico…………………………...10
3.4 As demências……………………………………………………………...11
3.4.1 Demência de Alzheimer……………………………………11
3.4.2 Demência na Doença de Parkinson………………………...16
3.4.3 Demência Vascular…………………………………………18
3.5 Delírio……………………………………………………………………..19
3.6 Outras perturbações mentais frequentes no idoso………………………...23
IV. Respostas Sociais ao Idoso…………………………………………………24
4.1 Família…………………………………………………………………….24
4.2 Hospital…………………………………………………………………...28
4.3 Centro de Dia……………………………………………………………..28
4.4 Lar………………………………………………………………………...29
4.5 Apoio domiciliário………………………………………………………..29
V. Como lidar de perto com o idoso com demência de Alzheimer ou outra….29
Bibliografia…………………………………………………………………35

Objectivos

• Identificar as questões relacionados com a saúde mental em geral e com a saúde mental da pessoa

idosa em particular.

•Enunciar as noções de psicopatologia da pessoa idosa.

• Diferenciar os recursos comunitários de apoio à pessoa idosa com doença mental.

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I. Saúde Mental
1.1 Definição
Segundo a OMS a Saúde Mental é “o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a
ausência de doença”. É sentirmo-nos bem connosco próprios e na relação com os outros. É sermos capazes
de lidar de forma positiva com as adversidades. É termos confiança e não temermos o futuro.

1.2 Causas da Doença Mental


A doença mental, tal como a maioria das doenças, é multifactorial, ou seja, resulta da combinação de
diferentes factores. Assim é na conjugação da nossa base genética com o meio que nos envolve e seus
momentos ou períodos importantes (facilitadores/desencadeadores) que a doença pode surgir,
repentinamente ou de forma mais insidiosa. Uma das clássicas formas de olhar para as causas da doença
mental, subdivide-as em doenças de causa endógena (resultado de factores hereditários e constitucionais),
em doenças de causa exógena, sendo que estas, ao contrário das primeiras, são mais reactivas aos
acontecimentos do dia-a-dia e menos dependentes da nossa genética, biologia e fisiologia. Seja qual for a
causa existe sofrimento psicológico usualmente com repercussões a nível físico.

1.3 Como se manifesta a doença mental

A doença mental pode manifestar-se sob a forma de neurose ou psicose.

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Na neurose o individuo tem plena consciência dos seus actos, mas não consegue controlá-los.
O que distingue a neurose da normalidade é:
(1) a intensidade do comportamento
(2) a incapacidade do individuo de resolver os conflitos de forma satisfatória.

A Psicose é um quadro psicopatológico no qual se verifica "perda de contacto com a realidade".


Nos períodos de crises mais intensas podem ocorrer (variando de caso a caso) alucinações ou
delírios, desorganização psíquica que inclua pensamento desorganizado e/ou paranóide, agitação
psicomotora, sensações de angústia intensa e insónia severa.

1.4 Problemas de saúde mental mais frequentes

- Ansiedade

- Mal-estar psicológico ou stress continuado

- Depressão

- Dependência de álcool e outras drogas

- Perturbações psicóticas, como a esquizofrenia

- Atraso mental

- Demências

Estima-se que em cada 100 pessoas 30 sofram, ou venham a sofrer, num ou noutro momento da vida, de
problemas de saúde mental e que cerca de 12 tenham uma doença mental grave.
A depressão é a doença mental mais frequente, sendo uma causa importante de incapacidade.

2.5 Falsos Conceitos sobre a doença mental


As pessoas afectadas por problemas de saúde mental são muitas vezes incompreendidas, estigmatizadas,
excluídas ou marginalizadas, devido a falsos conceitos, que importa esclarecer e desmistificar, tais como:
- As doenças mentais são fruto da imaginação;
- As doenças mentais não têm cura;
- As pessoas com problemas mentais são pouco inteligentes, preguiçosas, imprevisíveis ou perigosas.
Estes mitos, a par do estigma e da discriminação associados à doença mental, fazem com que muitas
pessoas tenham vergonha e medo de procurar apoio ou tratamento, ou não queiram reconhecer os primeiros
sinais ou sintomas de doença.
O tratamento deverá ser sempre procurado, uma vez que a recuperação é tanto mais eficaz quanto precoce
for o tratamento.
Mesmo nas doenças mais graves é possível controlar e reduzir os sintomas e, através de medidas de
reabilitação, desenvolver capacidades e melhorar a qualidade de vida.
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Ao longo da vida, todos nós podemos ser afectados por problemas de saúde mental, de maior ou menor
gravidade.
Algumas fases, como a entrada na escola, a adolescência, a menopausa e o envelhecimento, ou
acontecimentos e dificuldades, tais como a perda de familiar próximo, o divórcio, o desemprego, a reforma e
a pobreza podem ser causa de perturbações da saúde mental.
Factores genéticos, infecciosos ou traumáticos podem também estar na origem de doenças mentais graves.

2.6 Sinais de alerta de doença mental

Se alguém que se conhece começa a ficar confuso, evita as pessoas, tem ideias que não estão de acordo
com as de todas as outras pessoas, comporta-se de forma diferente do que seria de esperar, então é
importante falar com um médico para se ter orientação e ajuda…
A razão para estas mudanças pode estar no desenvolvimento de uma doença, pelo que quanto mais cedo for
consultado um(a) médico(a) melhor.
Lista de pistas importantes a considerar:
» deixou de falar com familiares ou amigos
» perdeu a vontade e motivação para as actividades habituais
» começou a ficar com medo(s) ou com desconfianças sem motivo
» deixou de se alimentar ou come às escondidas
» dorme mal ou não consegue dormir toda a noite
» começou a ter ideias estranhas
» ouve vozes que mais ninguém consegue ouvir
» tem graves dificuldades de concentração
» diz ou escreve coisas que não fazem sentido
» abusa de álcool ou drogas

2.7 Como ajudar o doente mental

» Incentivar a pessoa a procurar um médico/psicólogo


» oferecer suporte, acompanhando a pessoa ao médico/psicólogo
» se a pessoa recusa tratamento, procure o técnico para o aconselhar e orientar.

Cada ser humano nasce e desenvolve-se de maneira única. Nenhuma pessoa é igual à outra, reconhecer
isso é fundamental para compreender e respeitar os diferentes.

III. Psicopatologia da Pessoa Idosa


3.1 Conceito de Normal e Patológico
A delimitação entre o normal e o patológico é, por vezes, extremamente difícil de estabelecer.
Esta delimitação baseia-se geralmente em critérios estatísticos, considerando-se normal o comportamento
mais frequente e concordante com os valores estabelecidos e aceites em determinada sociedade.
É um facto que sendo nós, seres sociais, nos medimos comparativamente à média da restante população. À
medida que crescemos é suposto interiorizarmos regras e normas que facilitam a nossa adaptação na
sociedade, a nossa comunicação e a sermos aceites pelos outros. Mas vários autores consideraram a norma
ou o conceito de normalidade perigosamente limitativo para a existência individual, colocando de lado a
experiência de vida que cada um de nós tem e causadora de angústia para aqueles que não estão de acordo
com a suposta regra social.

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É humanamente impossível que pessoas com histórias de vida diferentes tenham os mesmos
comportamentos e os mesmos sentimentos. E tendo em conta que a noção de normalidade está
intrinsecamente ligada ao conceito social e cultura, não poderemos esquecer que as sociedades não são
todas iguais e cada uma tem também a sua própria noção do que é ou não aceite como normal. Por isso
aquilo que é normal numas culturas já não o é noutras.
A avaliação de normalidade ou patologia tem pois de ter em conta três aspectos fundamentais:
- Fase de desenvolvimento em que se encontra a pessoa
- O local e a cultura
- A época e a circunstância histórica em que ela se situa

3.2 Características do Envelhecimento Normal


Enquanto uma pessoa envelhece, o seu organismo passa por diversas alterações na sua estrutura e funções.
Este processo normal, conhecido por senescência, ocorre de forma gradual e expressa-se com
manifestações características. De todas elas, as que acontecem no sistema nervoso são de uma importância
fundamental.

Observou-se que o volume do tecido cerebral diminui de forma gradual e variável. Esta situação resulta da
redução da quantidade ou do tamanho de algumas das células que formam parte do cérebro, os neurónios.
Ao mesmo tempo ocorre um aumento do volume do líquido que se encontra normalmente dentro do sistema
nervoso.
A combinação de ambas as alterações é conhecida por atrofia cerebral.
Estas modificações podem acompanhar-se de algumas alterações nas funções intelectuais; assim, verifica-se
uma lentificação generalizada de todos os processos mentais. Entre as manifestações mais marcantes
podem mencionar-se a diminuição da capacidade de memorização, aquisição e retenção de nova informação.
É característico, por exemplo, que um idoso tenha dificuldades em evocar um nome ou uma data específica
de uma experiência cuja memória está intacta. Esta alteração da memória praticamente não agrava com o
passar dos anos e pode não interferir com as actividades quotidianas.
Além das alterações mencionadas, o envelhecimento normal pode acompanhar-se de outras manifestações
neurológicas.
Entre elas encontram-se:

- Perturbações do equilíbrio
- Postura encurvada
- Lentificação da marcha, com passos mais curtos
- Maior sensibilidade à luz intensa e menor adaptação ao escuro
- Surdez variável, especialmente para sons agudos
- Diminuição do gosto e do olfacto
- Redução da velocidade e potência musculares

3.3 Características do Envelhecimento Patológico


No envelhecimento patológico ocorre um declínio significativo das funções cognitivas:
- alteração e deterioração da memória para registar, armazenar e recuperar informação nova;
- perda de conteúdos referentes à família e passado;

- alteração e deterioração do pensamento e raciocínio com redução do fluxo de ideias e diminuição da


atenção, etc.

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- Défice significativo nas diversas áreas que permitem a execução de tarefas da vida diária (vestir, comer,
etc.);
- Alterações da linguagem;
- Alteração da “Consciência clara”;
- Sintomatologia presente durante pelo menos 6 meses.

3.4 As demências
As Demências são classificadas pelo DSM-IV como um transtorno cognitivo, pois apresentam múltiplos
défices cognitivos (incluindo a memória, a linguagem e a inteligência) decorrentes dos efeitos fisiológicos de
uma condição médica geral, dos efeitos de uma substância ou de múltiplas causas.
Pacientes com demência costumam apresentar dano da linguagem, reconhecimento, identificação de
objectos e capacidades motoras.
3.4.1 Demência de Alzheimer
O Mal de Alzheimer, Doença de Alzheimer (DA) ou simplesmente Alzheimer, é uma doença degenerativa
actualmente incurável mas que possui tratamento. O tratamento permite melhorar a saúde, retardar o declínio
cognitivo, tratar os sintomas, controlar as alterações de comportamento e proporcionar conforto e qualidade
de vida ao idoso e sua família.

Na doença de Alzheimer uma diminuição do tamanho geral do cérebro, em resultado da perda de neurónios.
As circunvoluções tornam se mais estreitas e os sulcos mais largos.

Factores de risco
• Idade;
• História Familiar;
• Um baixo nível de educação, neste caso, a actividade intelectual parece exercer um efeito protector;
• Tabagismo
• Inactividade Física
• Depressão
• Hipertensão
• Obesidade
• Diabetes

Incidência

Evolução da doença

A doença de Alzheimer tem início com pequenos esquecimentos, evoluindo até a pessoa ficar completamente
dependente. Esta evolução acontece, em média, durante 8 anos mas em alguns casos pode levar até 20
anos para acontecer.
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Na fase precoce, os idosos começam a ter perda de memória e, frequentemente, esquecem-se da comida no
forno, onde deixaram as chaves, a carteira e outros objectos pessoais. Além disso, aparecem sinais da
dificuldade em reconhecer amigos, pessoas da família e lugares conhecidos.
Já na fase moderada, a perda de memória é mais evidente, a capacidade de decisão fica alterada e, na
maioria dos casos, a pessoa não percebe essas mudanças. Nesse momento, revelam-se também alguns
outros sintomas, como dificuldade em nomear e identificar objectos, sons e formas, e problemas para fazer
movimentos precisos – como copiar um desenho. A desorientação, tanto de espaço quanto de tempo, torna-
se um risco, pois o idoso pode se perder facilmente na rua.

Após algum tempo, as transformações na linguagem também ficam mais evidentes. A dificuldade de
nomeação evolui para perdas de identidade, compreensão e capacidade de conversar. Outros sinais
característicos desse estágio são as ideias paranóicas e persecutórias, a agitação, a agressividade, os
distúrbios de sono e os questionamentos repetitivos.
Na fase severa, todas as funções mentais estão prejudicadas, o problema de fala progride até à perda total, e
as pessoas tornam-se dependentes em todas as actividades do dia-a-dia, inclusive nas mais simples, como
comer, tomar banho, trocar de roupa e andar.

Tratamento
Não existe cura para o Alzheimer, no entanto, existem cuidados a ter para manter a qualidade de vida do
idoso. Existem, basicamente, para estes pacientes, quatro tipos principais de terapias:
- Terapia da orientação para a realidade: trabalha os aspectos cognitivos e intelectuais, memória etc.
- Terapia física: melhora e manutenção das condições físicas, motoras e respiratórias.
- Terapia ocupacional: maximiza o desempenho para as actividades da vida diária.
- Terapia ambiental: sugere e indica mudanças e adaptações ambientais no domicílio e nas instituições, com
o propósito de facilitar o dia-a-dia e prevenir acidentes.

Prevenção
Alguns estudos mostraram que manter actividades intelectuais como a leitura, jogos que exercitam o cérebro,
assim como exercer alguma actividade física (caminhada, etc.) tem um forte efeito positivo sobre o Alzheimer.
Tratar a hipertensão, colesterol, diabetes, não fumar, assim como manter uma alimentação rica em frutas
constituem também um meio eficaz de prevenir demências como o Alzheimer.

3.4.2 Demência na Doença de Parkinson


A Doença de Parkinson é uma doença degenerativa de Progressão lenta que afecta principalmente a
mobilidade. Uma das alterações não-motoras mais comuns na doença de Parkinson (DP) é a demência.
Sintomas

Outros sintomas
- Bradicinesia: Lentidão dos movimentos causada pelo atraso na transmissão de instruções do cérebro para o
resto do corpo;
- Depressão
- Ansiedade
- Instabilidade Postural
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- Bradifrenia: Pensamento lento


Progressão da Doença

O doente fica susceptível e fraco, aumentando o risco de infecções e outros episódios com potencial mortal.

3.4.3 Demência Vascular


A Demência Vascular é a segunda causa mais comum de Demência. Ela tende a apresentar um início um
tanto mais precoce que a Doença de Alzheimer e, ao contrário da Doença de Alzheimer, os homens são mais
frequentemente afectados que as mulheres, contudo, muitas vezes ela acaba sendo confundida com a
doença de Alzheimer.
O início da Demência Vascular é tipicamente súbito, seguido por um trajecto flutuante e gradual,
caracterizado por rápidas alterações no funcionamento, ao invés de uma progressão lenta. A duração,
entretanto, pode ser altamente variável, e um início insidioso com declínio gradual também é encontrado.
A demência vascular cerebral é muito mais comum do que se pensa e pode ser evitada.
Ela caracteriza-se por múltiplos acidentes vasculares cerebrais (avc’s) que vão ocorrendo no cérebro ao
longo da vida do indivíduo, estes vão-se somando e estão associadas a uma história de declínio cognitivo. Às
vezes, são pequenos episódios em que o indivíduo fica indisposto mas vai melhorando e não chega a ter
conhecimento de que a causa daquela indisposição foi uma pequena isquemia, um pequeno derrame
cerebral.

A prevenção da demência vascular pode ser feita por meio de procedimentos simples, como controle de
tensão arterial e dos níveis de colesterol no sangue, evitar gorduras e excesso de sal.
Enquanto o Alzheimer é uma doença degenerativa que leva à morte dos neurónios, a demência vascular é
uma doença dos vasos sanguíneos do cérebro que, quando afectados, não conseguem compensar esse
órgão de oxigénio e nutrientes e, assim, as conexões entre os neurónios se degeneram.
Na demência vascular as alterações são vistas principalmente na parte branca, área do cérebro onde ficam
as fibras de comunicação do órgão. Os sintomas clássicos são discretamente diferentes, pois a doença de
Alzheimer apresenta perda de memória progressiva e a demência vascular, perda de memória em ‘degraus’.

3.5 Delírio
O delírio é uma disfunção cerebral global caracterizada por alterações da consciência e cognitivas ao nível da
atenção, pensamento, memória, percepção, discurso, emoções, comportamento psicomotor e do ciclo sono-
vigília.
O delírio tem prevalência alta nos doentes internados, o que contribui significativamente para a morbilidade e
a mortalidade.
Aproximadamente 15 a 25% dos doentes com cancro e 10 a 56% dos doentes idosos desenvolvem delírio
durante o internamento.

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Na maioria dos casos, o delírio é secundário a uma doença física grave, intoxicação medicamentosa e
abstinência a sedativos, álcool ou outra droga de abuso.
O delírio, muitas vezes, não é reconhecido ou é diagnosticado de forma errada.
Na maioria das vezes é confundido com depressão, demência ou psicose.
Diversos estudos mostram que 57 a 80% dos pacientes idosos com distúrbios cognitivos não são
diagnosticados pelos clínicos na admissão hospitalar e, tratando-se de delírio, essa falha pode chegar a 70%.
O delírio pode ser a única manifestação clínica consequente a um enfarte agudo do miocárdio, pneumonia,
septicemia, distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos em idosos hospitalizados.
O seu reconhecimento conduz à imediata investigação, no sentido de se identificar precocemente a causa
básica, salvando vidas.

Sintomas
A primeira característica do delírio é o distúrbio da consciência, que envolve alteração do nível de percepção
do ambiente e redução da capacidade para se concentrar, manter ou mudar a atenção.

O paciente idoso usualmente mostra-se desatento, letárgico, sonolento, incapaz de obedecer a ordens
complexas ou manter raciocínio sequenciado, distraindo-se com muita facilidade.
Por norma o doente com delírio não apresenta hiperactividade, agitação ou agressividade, excepto no delírio
por abstinência ao álcool, benzodiazepínicos ou anti-depressivos tricíclicos.
O paciente não estabelece contacto com o olhar e parece ignorar o ambiente e as pessoas, olha vagamente,
sem direcção, e às vezes dorme enquanto está a ser examinado.
A segunda característica do delírio é a presença de distúrbios cognitivos muito além do que se poderia
esperar de uma demência preexistente ou em evolução.
Neste caso, as manifestações vão da perda evidente de memória, desorientação e alucinações até distúrbios
leves de linguagem e percepção.
Nos pacientes com delírio, a fala é arrastada e desconexa, a compreensão falha e a escrita é quase
impraticável.
A resposta à primeira pergunta geralmente é dada à segunda ou terceira, denunciando a dificuldade que
esses pacientes apresentam para concentrar e mudar a atenção.
Podem ocorrer ilusões e alucinações, no entanto, entre os idosos, são mais comuns erros de interpretação e
identificação (por exemplo, a enfermeira que entra no quarto pode ser tomada por um agressor potencial ou o
cônjuge por um impostor).
A terceira característica do delírio é a sua instalação aguda e o seu curso flutuante.
Desenvolve-se em horas ou dias, característica de grande importância cronológica no diagnóstico diferencial
com a demência.
Os sintomas do delírio tornam-se mais intensos durante a noite.
Num paciente com delírio são frequentes as oscilações.

É possível que o médico ao retornar à enfermaria poucas horas, ou mesmo minutos, após ter avaliado um
paciente que se encontrava relativamente sonolento e apático, deparar-se com o mesmo inquieto, agitado,
gritando, batendo, cuspindo, tentando sair do leito, querendo ir para casa ou fugir de visões e alucinações,
muitas vezes aterrorizantes, em curso naquele momento.
A quarta característica do delírio é a presença de uma ou mais doenças clínicas ou de toxicidade
medicamentosa.

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Os idosos são susceptíveis ao desenvolvimento de delírio como consequência de uma grande variedade de
factores orgânicos que podem actuar isolados ou, com maior frequência, em associação (por exemplo, no
pós-operatório de fractura do fémur o delírio pode dever-se a anemia e/ou toxicidade oriunda da medicação
anestésica).
Os mais idosos e em particular os demenciados têm maior tendência a desenvolverem delírio como
complicação de praticamente qualquer doença física ou do uso de medicamentos comuns, mesmo em doses
terapêuticas.
O delírio costuma ocorrer devido à retirada brusca de medicação sedativa ou droga de abuso.
Frequentemente, o delírio associa-se a um distúrbio do ciclo sono-vigília.
Alguns pacientes podem mostrar-se sonolentos durante o dia e, à noite, ficarem agitados e com dificuldade
para dormir.
Eventualmente, podemos observar completa reversão do ciclo sono-vigília.
As alterações do comportamento psicomotor podem também estar presentes.
Muitos pacientes ficam inquietos, tentam levantar-se inoportunamente do leito, arrancando equipamento
endovenoso, cateteres, sondas etc.
No entanto, é mais comum o paciente mostrar redução da actividade psicomotora, com lentidão nas
respostas.
Também se verificam distúrbios emocionais como ansiedade, medo, depressão, irritabilidade, raiva, disforia
ou apatia.

Mudanças súbitas e imprevisíveis de um estado emocional para outro podem ocorrer em alguns pacientes,
enquanto outros se mantêm estáveis.
A maioria dos estudos mostra que em geral, durante a noite, os sintomas emocionais e a actividade
psicomotora são mais intensos ou evidentes.

PROGNÓSTICO
O curso do delírio é variável e dependente de diversos factores.
A gravidade e a importância da causa determinante, as condições de saúde, a idade e o estado mental prévio
do paciente são decisivos para o curso e prognóstico.
O delírio é considerado por muitos autores como uma condição transitória, entretanto, crescem evidências de
que tenha um curso mais grave em populações mais enfermas e idosas com elevada mortalidade em curto
prazo.
Os efeitos cognitivos do delírio desaparecem lentamente ou perpetuam-se.
Em alguns pacientes, após a resolução do delírio, a demência torna-se evidente; discute-se se a demência
estava ou não presente antes da instalação do delírio ou presente sem ter sido reconhecida.

3.6 Outras perturbações mentais frequentes no idoso


Perturbação depressiva
A idade avançada não é um factor de risco para o desenvolvimento de depressão, mas ser viúvo ou viúva e
ter uma doença crónica estão associados com vulnerabilidade aos transtornos depressivos. A depressão que
inicia nessa faixa etária é caracterizada por vários episódios repetidos.
Os sintomas incluem redução da energia e concentração, problemas com o sono especialmente despertar
precoce pela manhã e múltiplos despertares, diminuição do apetite, perda de peso e queixas somáticas
(como dores pelo corpo). Um aspecto importante no quadro de pessoas idosas é a ênfase aumentada sobre
as queixas somáticas.

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Pode haver dificuldades de memória em idosos deprimidos que é chamado de síndrome demencial da
depressão que pode ser confundida com a verdadeira demência. Além disso, a depressão pode estar
associada com uma doença física e com uso de medicamentos.

Perturbação bipolar
Os sintomas da mania em idosos são semelhantes àqueles de adultos mais jovens e incluem euforia, humor
expansivo e irritável, necessidade de sono diminuída, fácil distracção, impulsividade e, frequentemente,
consumo excessivo de álcool. Pode haver um comportamento hostil e desconfiado. Quando um primeiro
episódio de comportamento maníaco ocorre após os 65 anos, deve-se alertar para uma causa orgânica
associada. O tratamento deve ser feito com medicação cuidadosamente controlada pelo médico.

Perturbação de ansiedade
Incluem perturbações de pânico, fobias, TOC, ansiedade generalizada, de estresse agudo e de estresse pós-
traumático. Desses, os mais comuns são as fobias.

As perturbações de ansiedade começam no início ou no período intermediário da idade adulta, mas alguns
aparecem pela primeira vez após os 60 anos.
As características são as mesmas das descritas em transtornos de ansiedade em outras faixas etárias.
Em idosos a fragilidade do sistema nervoso autónomo pode explicar o desenvolvimento de ansiedade após
um acontecimento stressante. A perturbação de stresse pós-traumático é, frequentemente é mais severa nos
idosos que em indivíduos mais jovens em vista da debilidade física concomitante nos idosos.
As obsessões (pensamento, sentimento, ideia ou sensação intrusiva e persistente) e compulsões
(comportamento consciente e repetitivo como contar, verificar ou evitar ou um pensamento que serve para
anular uma obsessão) podem aparecer pela primeira vez em idosos, embora geralmente seja possível
encontrar esses sintomas em pessoas que eram mais organizadas, perfeccionistas, pontuais e
parcimoniosas. Tornam-se excessivos em seu desejo por organização, rituais e necessidade excessiva de
manter rotinas. Podem ter compulsões para verificar as coisas repetidamente, tornando-se geralmente
inflexíveis e rígidos.

Perturbações somatoformes
São um grupo de perturbações que incluem sintomas físicos (por exemplo dores, náuseas e tonturas) para os
quais não pode ser encontrada uma explicação médica adequada e que são suficientemente sérios para
causarem um sofrimento emocional ou prejuízo significativo à capacidade do paciente para funcionar em
papéis sociais e ocupacionais. Nestas perturbações, os factores psicológicos contribuem para o início,
severidade e a duração dos sintomas. Não são resultado de simulação consciente.
A hipocondria é comum em pacientes com mais de 60 anos, embora o seja mais frequente entre 40 e 50
anos. Exames físicos repetidos são úteis para garantirem aos pacientes que eles não têm uma doença fatal.
A queixa é real, a dor é verdadeira e percebida como tal pelo paciente. Ao tratamento, deve dar-se um
abordagem psicológica e/ou farmacológico.

Perturbações por uso de álcool e outras substâncias


Os pacientes idosos podem iniciar um quadro de dependência a uma droga ou um remédio, devido à
automedicação. Por exemplo, um senhor que ganha o hábito beber uma dose de álcool todos os dias para
relaxar, ou então uma senhora que ao passar por uma situação de maior ansiedade, como a perda ou morte
de algum conhecido ou familiar, inicia o uso de medicamentos sedativos a fim de não se sentir tão mal.

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A dependência de álcool, geralmente, apresenta uma história de consumo excessivo que começou na idade
adulta e frequentemente está associada a uma doença médica, principalmente doença hepática. Além disso,
a dependência ao álcool está claramente associada a uma maior incidência de quadros demenciais.
A dependência de substâncias como hipnóticos, ansiolíticos e narcóticos é comum. Os pacientes idosos
podem abusar de ansiolíticos para o alívio da ansiedade crónica ou para garantirem uma noite de sono. A
apresentação clínica é variada e inclui quedas, confusão mental, fraca higiene pessoal, depressão e
desnutrição.
Uma particularidade de tais dependências nesses pacientes é que tanto os medicamentos sedativos quanto o
álcool estão relacionados com maior número de quedas e fracturas, o que reduz significativamente a
expectativa de vida do idoso após o incidente.
IV. Respostas Sociais ao Idoso
4.1 Família
Dentro da família a pessoa é vista como sendo ela mesma, independentemente da utilidade económica,
política ou social, ela é única, sem máscaras, na sua intimidade, faz parte da família sempre.
O idoso é visto como o principal membro da comunidade familiar, pois ele representa uma história de vida, a
história daquela família, como se codificasse um gene, a biografia.

É na família que o idoso necessita de cuidados, apresenta as suas manias e acaba por envolver a família em
torno de si, leva os mais jovens a olhar não só para si como também para tudo à sua volta.
A família pode vir a deparar-se com o idoso saudável ou com o idoso doente, onde existe um
comprometimento de alguns órgão e que acabam por levar o idoso a um grau de dependência , sendo o
apoio familiar de suma importância.
É indispensável para a família saber tudo que se passa com o idoso, nomeadamente se apresenta alguma
doença que leva à toma de medicação e produz alteração nas actividades de vida diária.
É no seio familiar que é decidido como o idoso vai ser cuidado e quem irá ser o responsável.
É através do convívio familiar que muitas doenças são relatadas, quando bem observados os costumes e o
dia-a-dia do idoso.
Nem todos os idosos se adaptam facilmente a mudanças no ambiente, onde as alterações podem levar a
uma incapacidade de aceitar a situação.
A reforma, as perdas funcionais e sociais levam muitas vezes o idoso a desenvolver um quadro depressivo.
Nem todas as famílias possuem estrutura imediata para receber um idoso debilitado, nem todos tem uma
família grande.
Por vezes, encontramos idosos que vivem sozinhos, porque não têm a quem recorrer, pois não tiveram filhos,
ou estão zangados há anos com a família, ou todos já se foram de sua vida.
Muitos idosos, têm capacidade e oportunidade e conseguem formar novos elos.

Os seus vizinhos e os seus amigos acabam por se tornar cuidadores, dando carinho e apoio. Porém, a falta
da estrutura familiar fica como uma marca.
Quem cuida durante um período de tempo prolongado, tem tendência a apresentar sinais de stress que
devem, de igual forma, ser tidos em conta e alvo de atenção por parte destes e de quem os rodeia.

Atitudes a tomar para reduzir o stress do cuidador


• Apreender mais sobre a Doença de Alzheimer e tornar-se num cuidador informado;
• Ser realista quanto a si próprio e reconhecer as suas limitações como cuidador;

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• Aceitar os seus sentimentos - O cuidador pode sofrer um misto de sentimentos no seu dia-a-dia e que
podem ser confusos, mas é importante não esquecer que são reacções normais e que está a dar o seu
melhor nos cuidados ao doente.

• Partilhar informações e sentimentos com familiares e amigos - Se partilhar as informações acerca da


doença bem como os seus sentimentos com familiares e amigos, contribuirá para uma maior compreensão
por partes destes o que lhes permitirá prestar o apoio que tanto precisa.
4.2 Hospital
Durante o internamento, a pessoa idosa passa a estar ao cargo de uma equipa multidisciplinar de saúde, que
tudo faz para que esta atinja o mais rapidamente possível, um estado máximo de saúde.
Quando um idoso é internado, surgem frequentemente dúvidas e insegurança em todos os membros da
família.
É um momento de tomada de decisões que podem ser fáceis ou não.
Para tentar ultrapassar este momento menos favorável, as pessoas precisam de ajuda, apoio moral, alguém
com que possam esclarecer dúvidas.
É importante existir uma boa relação entre a rede familiar e os técnicos de saúde a fim de melhorar quer o
estado emocional da pessoa internada, quer para aumentar a sua interacção no seu processo de cura, bem
como a integração da família neste processo.
O hospital desempenha assim um papel importante na informação e preparação da doença, bem como a
melhor forma de lidar com a mesma.
4.3 Centro de Dia
Os Centros de Dia são importantes pois poderão integrar os doentes crónicos, tendo uma função de
protecção de dia em relação aos indivíduos dependentes, e também um centro de actividades que têm como
finalidade manter senão mesmo melhorar o estado destes utentes.

4.4 Lar
A institucionalização dos idosos provoca receios para o próprio idoso que, de repente, tem o sentimento de
ser abandonado pelos familiares e, muito particularmente, pelos filhos que os levam para um lugar
desconhecido para eles.
Estes receios podem provocar agressividade, o que é culturalmente inaceitável, sobretudo se o idoso começa
a manifestar sinais de demência que podem ser interpretados como a extremização do mau carácter do
familiar e não como uma doença que se instala, por vezes lentamente.
Para evitar desgastes desnecessários, programas de informação sobre esta doença degenerativa deveriam
ser implementados de uma forma sistemática, assim como reuniões entre os familiares para eles poderem
identificar-se também com as vivências dos outros intervenientes.
Isto evita sentimentos de culpabilidade nos próprios filhos e eventuais desgastes em termos de saúde,
sobretudo para aquele que se ocupa do doente.
4.5 Apoio Domiciliário
O apoio domiciliário é importante, sobretudo para idosos que mantém uma certa autonomia mas necessitam
de um determinado apoio, pois encontram-se isolados, por vezes em zonas rurais, ou mesmo em zonas
urbanas.
Eles necessitam de alguém que os acompanhe aos serviços de saúde e aos serviços públicos e os apoie na
aquisição dos bens de primeira necessidade.
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VI. Como lidar de perto com o idoso com demência de Alzheimer ou outra
O passado no presente:
A maior parte dos doentes com Alzheimer passa a viver no passado, ou seja, a sua memória de longa
duração substitui a memória de curto prazo. Isto significa que, embora possam lembrar-se nitidamente do que
aconteceu há 30 anos atrás, não se conseguem recordar daquilo que almoçaram há 2 horas atrás. Como
contornar esta situação?
Não contornando, ou seja, deve-se aproveitar para conversar com o idoso sempre que ele quiser, sobre
aquilo que ele quiser.

Curto e simples:
Quando comunicar com um idoso que sofre de perda de memória, faça-o com frases curtas e simples, ou
seja, de muito fácil compreensão.
Utilize um vocabulário directo, evitando expressões que podem apenas confundir o idoso.
Para além disso, faça apenas uma pergunta ou solicitação de cada vez.

Tempo de resposta:
Mesmo com uma comunicação simples, directa e curta, quem vive com a perda de memória necessita de
tempo para responder àquilo que lhe foi perguntado ou pedido.
Dê ao idoso todo o tempo que precisar para pensar no que lhe foi dito e formular a sua resposta, sem o
apressar ou interromper o seu raciocínio.
Se vir que pode ser útil, repita o pedido ou a questão.

Repetições, repetições, repetições:


A comunicação com um idoso com perda de memória vai certamente estar recheada de frases e perguntas
repetidas.
Embora possa ser frustrante para quem está a ouvir, em vez de dizer “ainda agora acabei de te dizer”, tenha
paciência e volte a repetir a resposta ou a pergunta, de preferência igual ou muito parecido com a resposta
anterior, para evitar confundir o idoso.

Outras formas de comunicação:


Infelizmente, a perda de memória pode afectar a comunicação verbal de um idoso, que pode ter dificuldade
em expressar os seus pensamentos ou formular frases completas e coerentes.

Se a fala representa um obstáculo na comunicação com um idoso com perda de memória, mune-se de outras
formas de comunicar: esteja atento à linguagem corporal e às expressões faciais, tanto do idoso como as
suas – evite movimentos bruscos e revirar os olhos, por exemplo.
Por vezes, apontar para algum objecto pode facilitar a comunicação, por isso, peça ao idoso para fazer o
mesmo quando estiver com dificuldades em transmitir alguma ideia.

Erros e desentendimentos:
Quem sofre de perda de memória nem sempre encontra as palavras certas para comunicar o que pretende,
podendo substitui-las por outras que nada têm a ver com o assunto em questão.
Esteja sempre muito atento ao desenrolar de qualquer conversa, procurando entender, mesmo por meias
palavras, aquilo que o idoso está a tentar comunicar.
Recorra a outras formas de comunicação – caso da gestual – se for necessário, mas evite chamar a atenção
do idoso ou rir-se dele porque utilizou a palavra errada ou trocou o sentido a uma frase.

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Fazer isso pode levar a sentimentos de frustração, raiva, tristeza, falta de confiança e dignidade. O que
importa é o significado daquilo que está a ser dito e não a forma como é dito: focalize-se nisso.

Mimos e carinhos:
A perda de memória não significa a perda de emoção, por isso, mime o idoso com carinhos especiais.
O esquecimento e a dificuldade em comunicar pode frustrar o idoso, levando-o à depressão e ao isolamento,
o que significa que precisa, mais do que nunca, do sentimento de pertença e de segurança.
Faça-lhe companhia numa das suas actividades preferidas, segure-lhe na mão, ou dê-lhe um abraço forte –
são gestos tão ou mais poderosos do que as palavras.

Vigilância atenta:
Cerca de 60% dos doentes com Alzheimer acabam por se perder, vagueando sem sentido e sem conseguir
voltar ao seu ponto de partida, devido à perda de memória.
Para evitar situações como esta, assegure que não deixa as portas e/ou janelas da casa abertas;
Se tem receio que o idoso possa vaguear, não lhe peça para ir buscar o correio ou levar o lixo sozinho;
Não deixe o idoso conduzir ou andar de transportes públicos sozinho.

Personalidade própria:
Apesar da perda de memória, o idoso continua, no fundo, a ser a mesma pessoa, com os mesmos gostos.
Só porque a sua memória já não é o que era, não significa que não possa desfrutar de actividades e
momentos de lazer que sempre apreciou.
Você, melhor do que ninguém, conhece essa pessoa, por isso, se o idoso gosta de passear, acompanhe-o;
se gosta particularmente de determinado programa televisivo, faça questão de ligar a TV na hora da sua
emissão.

Personalidade própria:
Apesar da perda de memória, o idoso continua, no fundo, a ser a mesma pessoa, com os mesmos gostos.
Só porque a sua memória já não é o que era, não significa que não possa desfrutar de actividades e
momentos de lazer que sempre apreciou.
Você, melhor do que ninguém, conhece essa pessoa, por isso, se o idoso gosta de passear, acompanhe-o;
se gosta particularmente de determinado programa televisivo, faça questão de ligar a TV na hora da sua
emissão.

Paciência e disponibilidade:
Se cuidar de um idoso já é exigente, lidar de perto com um idoso que sofre de perda de memória pode ser um
desafio ainda maior.

Depois de uma vida longa e preenchida, a terceira idade, com todos os seus obstáculos, pode ser fonte de
depressão e desânimo para muitos idosos, os quais contam com os seus familiares e amigos directos para os
acompanhar nos últimos anos de vida.
Esse acompanhamento requer, acima de tudo, disponibilidade e paciência, duas preciosidades para quem
luta contra a velhice e as suas vicissitudes.
Nunca é demais lembrar que, para conseguir isso com sucesso e saúde, quem cuida de alguém também tem
de cuidar de si.

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Bibliografia e webgrafia:
Manual de Diagnóstico e Estatístico de Perturbações Mentais/American Psychiatric Association/2002;
A Doença de Alzheimer e outras Demências em Portugal/Castro-Caldas, A.; Mendonça, A./2005;
Guia Prático de Psiquiatria Geriátrica/Spar, J.; La Rue, A./2005;
https://artigos.psicologado.com/

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