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Devocional The Good Villages

O Discipulado de Jesus

Introdução

O que é o discipulado? Como eu posso ser discipulado? Antes de falarmos de


discipulado, ou seja, de cuidado, precisamos entender que o cuidado é essencial na vida do
cristão. Todos nós devemos ser discipulados e formar discípulos (Mt 28:19). Não existe um
cristão maduro que não seja entregue à uma vida de cuidado.

O discipulado de Jesus: “vinde e vede”

“E Jesus, voltando-se e vendo que o seguiam, disse-lhes: Que buscais? Disseram-lhe: Rabi
(que quer dizer Mestre), onde assistes? Respondeu-lhes: Vinde e vede.” (Jo 1:38-39)

O modelo de discipulado de Jesus é para fazer parte da vida dEle. O padrão de


Jesus é “venha e veja, “venha e me siga”. E o seguir Jesus é muito poderoso porque exclui
a ideia de marcar horário para o discipulado acontecer; nós não vemos Pedro, João ou
nenhum dos discípulos marcando horário para estar com Jesus e aprender com ele.
Pelo contrário, os discípulos estavam inseridos na vida de Jesus. Eles eram muito
mais discipulados pela vida comum de Jesus do que pelas suas palavras em si. A
autoridade de uma pessoa é vista pelo fato de a vida dela comprovar o que ela fala, por
exemplo: uma pessoa só tem autoridade em discipular se ela vive uma vida de discipulado,
só tem autoridade na oração se ela vive uma vida de oração. Nós temos autoridade no que
vivemos.
Esse é um princípio fundamental: o princípio do exemplo. Todos nós precisamos ser
discipulados e formar discípulos. Mas como? Pelo exemplo. O apóstolo Paulo dizia “Sede
meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Co 11:1). Se você se parece com
Jesus, a pessoa te imitando pode chegar a Cristo. Nós somos a imagem do Jesus invisível,
isso significa que imitando Jesus, nós O tornamos acessível às pessoas, Ele pode ser visto.
É na vida comum da igreja que o mundo encontra a verdadeira humanidade e
também a divindade de Jesus. É muito poderoso ser vulnerável, seja você um discipulador
ou apenas um discípulo por enquanto. Se você se mostrar com uma espiritualidade
inacessível, sem ser uma pessoa naturalmente humana (ser humano é diferente de ser
carnal), a sua vida não é possível de ser seguida. No discipulado “vida na vida”, o outro
conhece as minhas dificuldades, conhece meu dia a dia, e quando ele se deparar com as
suas próprias dificuldades, vai ver que é possível superá-las e vencê-las.

Tomar a sua cruz e seguir Jesus

“Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua
cruz e siga-me.” (Lc 9:23)

É aqui que o discipulado de Jesus começa, é aqui que de fato começamos a seguir
Jesus de verdade: quando negamos a nós mesmos, morremos para os nossos desejos e
vontades e seguimos Jesus. Se você decidir seguir Jesus com as suas cargas, a
caminhada vai se tornar penosa e você vai desistir. Se imagine em uma longa jornada à pé
com uma mochila de 30 kg nas costas, vai ser difícil prosseguir.
Você pode achar que tomar a sua cruz diariamente é penoso, mas a Bíblia nos
mostra o contrário (“Os seus mandamentos não são penosos” 1Jo 5:3). O mandamento de
Jesus só é duro para quem se opõe a ele, mas para quem se submete, o mandamento é
suave e leve. Bonhoeffer diz que discipulado é alegria! Há prazer em entregar a sua vida
para viver a vida de Deus.
E no âmbito de igreja local isso também é uma verdade: o discipulado é alegria. É
prazeroso, leve e suave fazer parte da vida uns dos outros. O discipulado de Jesus, o qual
chamamos de “vida na vida”, é baseado em relacionamento, então assim como é com
Jesus, faça parte da sua do seu discipulador, e não apenas queira sugá-lo com um
relacionamento superficial, mas deixe o discipulado ser alegre.

Eu quero ser discipulado

Você pode estar dizendo: “eu quero ser discipulado, mas a minha igreja local não
vive isso. O que eu faço?”
Em primeiro lugar, você é discípulo de Jesus. É impossível que você seja
discipulado por alguém sem que antes você se submeta ao discipulado de Jesus, seja
vulnerável a Ele.
A nossa relação com o outro é baseada em comunhão e não em afinidade. Não
busque em alguém vínculos emocionais, vínculos de alma. Mas busque o Senhor nessa
pessoa. Comunhão é ter algo em comum (Deus) e perseverar nisso apesar das diferenças.
Já a relação afetiva é baseada em afinidade e pontos em comum. As relações afetivas são
essenciais, mas o que nos une é Deus.
E por que isso é importante? Porque se procurarmos em um discipulador apenas
vínculos afetivos, gostos em comum, vamos nos frustrar, pois uma relação baseada na
alma em alguma hora vai ruir; se a alma se ferir ou desanimar, o vínculo acaba, e o
“discipulado” também.
Mas e como eu vivo esse discipulado se a minha igreja não vive isso?
Você pode ser mais vulnerável, você pode andar na luz com as pessoas, ter a sua
vida e o seu coração abertos a elas. Nisso você vai se tornar um refúgio para algumas
pessoas, alguém em quem elas podem confiar e ser vulneráveis, andarem na luz de volta.
Não existem desculpas para que não vivamos uma vida de discipulado quando
vemos isso em Jesus. Nós não precisamos de um título de discipulador para começarmos a
ter compaixão das pessoas e darmos suporte à elas em amor. Faz parte de todo cristão
tentar trazer pra fora o Cristo que há dentro de nós mesmos e do nosso irmão.

“Portanto ide e fazei discípulos” (Mt 28:19a)

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