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Bará

* Bará Lodê: Primeiro Orixá a ser saudado, é o senhor do


destino. É o Orixá das chaves que abre e fecham os caminhos para
todas as existências. É o conhecedor dos atalhos para que os objetivos
possam ser atingidos. Lodê é o responsável pelo cuidado com os
cruzeiros, sejam estradas, matos ou ruas.

É o guardião da entrada de todos os Ilês, por isso é assentado em


uma casinha na frente do mesmo. Lodê aceita dividir a sua casa
apenas com Ogum Avagã, unico que se aproxima de seus
fundamentos. Lodê não aceita o manuseio de mulheres que menstruam
sob pena de se revoltar com a casa e prejudicar a pessoa pois não é um
Bará compativel com o sexo feminino.
* Bará Lanã: Senhor dos caminhos dos cruzeiros de rua, de
mato, de praia e de  lomba, é o Bará que trabalha em todos os reinos.
É conhecido como principal responsável por abrir as estradas e
atalhos. É o organizador dos caminhos. A responsabilidade desse Bará
é de zelar pela segurança interna do Ilê.
* Bará Adague: É responsável pela limpeza dos Ilês. Bará do
trabalho e dos cruzeiros de mato, trabalhando para os Orixás desse
reino. Adague é o Bará que cuida das portas.
* Bará Elegba: Orixá que trabalha na lomba no cemitério.
Enquanto Lodê vai do cruzeiro até o portão do cemitério, do portão do
mesmo pra dentro pertence a Elegba e a seus companheiros.
* Bará Agelú: É o mais novo de todos os Barás, reina nos
cruzeiros de praia. Trabalha pra Oxum, Iemanjá e Oxalá. A
responsabilidade dele é zelar pelos templos.

Ogum

* Ogum Avagã: Responde no meio do cruzeiro e tem seu


assentamento do lado de fora do Ilê, junto com Bará Lodê.
* Ogum Onira: Responde em cantos de cruzeiros e matos. Guerreiro
impulsivo, é o cortador de cabeças, ligado à morte e aos
antepassados. 

Orgulhoso, muito impaciente, arrebatado, não pensa antes de agir,


porém acalma-se rapidamente. 
* Ogum Olobedé: Responde no meio do mato, e é o Ogum
ferreiro. Representa um tipo mais velho de Ogum, trabalhador
consciencioso, severo, que não brinca em serviço. Ciente de seus
deveres e seus direitos é exigente e rabujento.

* Ogum Adiolá: Responde na beira da praia. Tem ligação com


Iemanjá, é guerreiro e considerado o Ogum de Oxalá. 

Iansã

* Oyá: É a mais nova, é a dona da aliança, formando com Ogum


e Xangô a famosa “aliança de Oyá”. Ela é o raio, a beleza deste
fenômeno natural. É o seu poder, é a eletricidade.

* Oyá Timboá: É tida como a mais quieta das Iansãs, a que sabe
fazer as coisas. Senhora dos cemitérios, controla os eguns. É assentada
no igbalé (casa dos mortos), nos fundos do Ilê. É ela que servirá de
guia, ao lado de Xapanã, para aquele espírito que se desprendeu do
corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma.

* Oyá Dirã: Senhora dos cruzeiros em T, é a Iansã que fica na


rua.

* Iansã: É a mais velha de todas, é casada com Xangô Agodô e é


dona dos tetos. É mãe de nove filhos. Ela é o choque elétrico, a
energia viva, pulsante, vibrante. Iansã é a disputa pelo ser amado. É
ela que rege o amor forte e violento.

                                      Xangô

* Xangô Aganjú de Ibejis: É o Xangô criança.


* Xangô Aganjú: Responde nas pedras, em beiras de rio,
pedreiras e na lomba aonde pesa as almas. É o Xangô novo, dono da
balança e do equilíbrio. Xangô guerreiro, feiticeiro, representa tudo
que é explosivo, que não tem controle, ele é a personificação dos
vulcões. É o mais cruel, é aquele que leva o coração do inimigo na
ponta da lança.
* Xangô Agodô: Responde em pedreiras e é dono do machado
com duas lâminas. É o Xangô velho, dono dos livros e das escritas. É
tambem o juiz. Muito ruim e brutal, inclinado a dar ordens e a ser
obedecido. É aquele que, ao lançar raios e fogo sobre seu próprio
reino, o destrói.
* Xangô Kamuká: Responde nos cemitérios, junto com Iansã é o
senhor dos eguns.

Xapanã

* Xapanã Jubetei: É o mais jovem.


* Xapanã Belujá: Responde com os Orixás de praia. É o Xapanã
de meia idade.
* Xapanã Sapatá: Responde na lomba e nas encruzilhadas. É o
velho, o feiticeiro, o deus da varíola e das doenças de pele. 

Oxum

* Oxum Pandá de Ibejis: É a Oxum criança.


* Oxum Pandá: É a Oxum jovem e guerreira. Esposa de Oxossi
Ibualama, vive no mato com seu marido. É desconfiada, astuta,
observadora e intuitiva. É muito feiticeira e tem ligação com o fogo. É
a rainha da cidade que leva seu nome, a verdadeira Ọ̀ṣun Ijeṣa que
veio de Ijesa ou de Ipondá.
* Oxum Demun: É a Oxum de meia idade, a que se casa com
Ossanhe, é maternal e amorosa.
* Oxum Olobá: Uma Oxum velha, porém se manifesta ereta.
* Oxum Docô: a mais velha das Oxums, a matriarca e idosa. É
chefe das mulheres. Maternal, avó amorosa é uma mulher que tem
numerosos filhos e netos, porém é bastante severa e autoritária.

                           Iemanjá

* Iemanjá Bocí: A mais nova. Guerreira, dona da espada, esposa


de Ogum. Vive perto das praias, no encontro das águas com as pedras.
* Iemanjá Bomí: É a Iemanjá de meia idade.
* Iemanjá Nanã Burucum: A mais velha e severa de todas.
Rabugenta, feiticeira, rancorosa e violenta.

            
Oxalá

* Oxalá Obocum: O mais novo dos Oxalás, o abençoado. Oxalá que


cuidava de Orumilaia por este ser muito velho. É o Orixá do
crescimento e do progresso.
* Oxalá Olocum: É o Oxalá adulto e guerreiro.
* Oxalá Dacum: É o Oxalá de meia idade, o velho que se manifesta
ereto. É o Oxalá do equilibrio.
* Oxalá Jobocum: É Oxalá velho, vive nas águas.
* Oxalá Orumilaia: O mais velho dos Oxalás. Apesar de ser cego, e
Iansã ser a menina dos olhos dele no qual carrega seus olhos,  ele é o
Orixá da visão e da clareza. Ele que concede o jogo de buzios e o
pertence.
Xangô Kamuká
Olodumaré havia chamado Xapanã e disse que fosse a um cemitério a
noite que lá haveria um baú e dentro dele um valioso presente a ele.
Iansã havia escutado essa conversa e saiu logo correndo falar com
Xangô sobre tal assunto. Então os dois foram no cemitério e ficaram
lá escondidos até que Xapanã chegasse. Porém a curiosidade de
Xangô foi tanta que acabou abrindo o baú no exato momento em que
Xapanã chegou. Dentro do baú havia três instrumentos: Um
instrumento de palha parecido com um cetro e enfeitado com búzios;
um chicote de rabo de cavalo e um chocalho diferente. Cada um
segurou um instrumento em suas mãos, e nesse momento Olodumaré
apareceu e deu-lhe as instruções explicando a Xapanã que confiou o
baú a ele, e não a Iansã e Xangô, porém sabia que eles acabariam
descobrindo de alguma forma, então disse-lhes:

- Xapanã, com este instrumento curará os enfermos, salvarás as almas


dos que ainda não devem cruzar as portas dos cemitérios e cobrirás as
pessoas de chagas ou enfermidades. Serás o rei da saúde e da doença.
- Iansã, com este instrumento saberá combater e castigar todos os
espíritos maléficos que de alguma forma queiram castigar as pessoas
ou mesmo zombar do mundo terreno, e saberás guiar os espíritos
justos às suas luzes. Serás a rainha dos eguns e de seus vales.
- Xangô, com este instrumento saberá encontrar corpos de
desencarnados que foram profanados por algum motivo, e dar-lhes o
sossego da terra para que possam seguir sua nova jornada espiritual,
usarás quando necessário para impedir que algum espírito se
desprenda se seu corpo fora de sua hora. Com o mesmo, se achares
justo, usarás para desligar o espírito do corpo de qualquer pessoa
levando-as a morte. Serás o rei do buraco e dos desencarnados.
- Com isso dou-lhes o reino dos cemitérios, dos que estão para
desencarnar, dos desencarnados e dos espíritos. Confiarei a vocês esta
tarefa. E assim conseguimos sincretizar Xapanã Sapatá, Iansã Timboá
e Xangô Kamuká como os Orixás dos eguns e dos cemitérios.

Kámùka se traduz como "Machado que corta e desaparece"


Ká= corta;
mù= desaparecer, se esconde;
ka = machado
Sàngó Kámùka = "Xangô corta e esconde seu machado"

Mas também tem outro significado:


Ká = corta;
Mú = atrapalha, agarra, engole;
Okan / 'kan = Alma;
Sàngó Kámúkan = "Xangô que corta e atrapalha as Almas"

Kamuka: desfalecer, morrer. (dicionário kikongo)


Kamukando: funerais (dicionário kikongo)

Gululu, ancestral mais antigo dentro da Cabinda, do qual muito pouco


se tem em informação, seria um negro bantu, provindo da região norte
de Angola, hoje mais precisamente Angola Kabinda, que aportou aqui
no sul pelo porto de Rio Grande juntamente com outros negros vindos
de outras etnias e países africanos. Ao ser trazido a Porto Alegre,
encontrou um negro angolano que recebeu o nome de Waldemar, com
o qual simpatizou e teve uma comunicação mais tranquila pela pouca
diferença nos idiomas. Waldemar nasceu em 4 de agosto 1883 e
morreu aos 42 anos de idade em 1935. Pela relação de amizade, criou-
se um vínculo religioso, e como aqui não haviam muitos bantus,
Gululu passou seus conhecimentos sobre inkisses para Waldemar.
Com a morte de Gululu, Waldemar conheceu e enamorou-se por uma
negra ijexá (Otilia). Esta negra ijexá não forçou o amado a deixar seus
inkisses, mas de comum acordo e com muita inteligência convenceu o
amado de que poderiam ambos cultuar suas divindades sem que
nenhum dos dois deixassem seus principais atributos. 

Inteligentemente separaram os eguns no balé, como também deram


um nome a Barú (Inkisse) que passou a ser sincretizado com Xangô
(Orixá), e recebeu o nome de Kamuká. Como em Ijexá Xangô
tambem é rei, ficou Kamuká como rei desta nova Nação, que na
verdade são duas em uma só. Também inteligentemente mantiveram
todos os Orixás dentro de casa separados dos preceitos de Kamuká,
que é na rua. Seus primeiros filhos foram Madalena de Oxum, Palmira
de Oxum, Tati de Exu Lanã, Romario de Oxalá e Nascimento de
Sapatá. Entre as várias pesquisas de estudiosos e adeptos da Cabinda,
as mesmas sempre focaram a busca e o vinculo com o povo Bantu,
porem nada que se pudesse atestar sua existência. Assim se
verificarmos o nome e qualidade da divindade em questão, poderemos
notar a influência da língua Yorubá: Kamuká Barualofina, Aláààfin de
Oyó. Algo curioso, pois, dificilmente encontraremos entre os nomes
das divindades o seu título. As características deste Aláààfin poderão
ser notadas na inversão do próprio nome para sua qualidade: Kamuká
Barualofina / Baru alafin Kamuká; apesar de ser apenas uma
suposição, não deixa de ser uma clara ligação com o povo de Oyó,
com o culto da nação Cabinda ligado ao culto dos ancestrais. Outro
ponto a se analisar, é a confirmação do culto de Egungun dentro dos
rituais classificados pela Cabinda, sendo que ela é a única Nação que
antes de começar qualquer ritual de feitura, é costume reverenciar os
antepassados. O Aláààfin Kamuká abre uma possível porta para
entender o pacto dele com os Egun e o Igbàlẹ̀, tendo inicio no ritual ao
saudar e reverenciar os ancestrais antes de qualquer cerimônia, ponto
crucial para o inicio do ritual de iniciação, ficando a cargo de
cumprimentar primeiro Kamuká no Igbàlẹ̀ e os ancestrais, pedindo
permissão para poder cortar uma ave ou até mesmo um animal de
quatro pés para a feitura. Algo interessante se faz mencionar é que o
povo da Cabinda é a única nação que quando está em processo de
iniciações ou assentamentos de Orixá, caso venha a falecer algum
Elegun que pertença à família religiosa, a obrigação não irá se perder,
caso a casa tenha feito o devido corte com equivalência de bichos
oferecidos para Xangô. Porém, em qualquer outra Nação, caso venha
a falecer alguém da família durante uma obrigação arriada, perde-se
toda a obrigação invalidando a feitura, e deve-se despachar tudo que
foi feito sem aproveitar nada. Xangô Kamuká Barualofina foi o
precursor da Nação Cabinda no RS através da pessoa de Waldemar
Antonio dos Santos. Com a partida de Waldemar, o Orixá Kamuká
não deixou de existir nem se transformou em um egum, o que
aconteceu é que a digina (Barualofina) não mais é utilizada em
respeito ao que representou tal Orixá a essa Nação, onde muitos o
acrescentaram ao balé como Orixá de egum correspondente a pessoa
que o possuia no orí. Alguns optaram por não assentar mais este
Orixá, outros ainda o assentam, uns optaram por não dar mais orí ao
mesmo e outros ainda dão. Algumas pessoas alegam que Kamuká não
é Xangô, pois Kamuká é cultuado no buraco e tem ligação com os
eguns, enquanto que isso para Xangô é incompátivel, não porque ele
tenha medo da morte, mas porque a energia do Xangô é o fogo, o
calor e não o frio de Iku, a morte e dos eguns. Algumas pessoas
também associam Kamuká a Agodô, o que ajuda ainda mais a gerar
toda essa magia em torno do mesmo. Kamuká não é assentado no
balé, pois no mesmo é mantido apenas os antepassados. Kamuká é
assentado em um buraco de forma e tamanho diferente do balé, com
acesso por laje e não na casinha. Kamuká Barualofina, por suas
próprias palavras, não mais será assentado e nem feito, sendo que o
Orixá Kamuká irá receber uma digina diferente ao ser feito, em
respeito à vontade do ancestral. A frase que foi dita, não pelo
Waldemar, mas pelo próprio Kamuká: “Depois de mim nesta terra,
não haverá mais de um, sendo um não me apresentarei duas vezes" ou
ainda:  "Eu como um, só serei um, não mais pegarei cabeça, nem mais
serei assentado, permanecerei como protetor de minha nação." Sendo
traduzido o que foi dito na língua dele para a nossa, quantas
concepções se podem ter desta frase?

Reza Kamuká
T - Jàró jàró Jàró jàró,bá rò’ fin là Jàró jàró Jàró jàró (Descubra as
mentiras, corte-as e desapareça com intrigas descobertas)
R - Jàró jàró Jàró jàró,bá rò’ fin là Jàró jàró Jàró jàró (Descubra as
mentiras, corte-as e desapareça com intrigas descobertas)
T - Alárun dé Sàngó ká mù’ka Bàbá o bá rò’ fin là (Chegue Xangô
dono do céu, para reduzir a distância, corta e desaparece [o relâmpago
(Raio)], Pai tu que surpreende e edita as leis, apareça)
R - Alárun dé Sàngó ká mù’ka Bàbá o bá rò’ fin là (Chegue Xangô
dono do céu, para reduzir a distância, corta e desaparece [o
relâmpago], Pai tu que surpreende e edita as leis, apareça )
T - Alárun dé! (Chegue dono do Céu)
R - Sàngó ká mù’ka (Xangô, para reduzir a distância, corta e
desaparece [o relâmpago])
T - Bàbá rò’ fin là (Pai tu que surpreende e edita as leis, apareça)
R - Sàngó ká mù’ka (Xangô, para reduzir a distância, corta e
desaparece [o relâmpago])
T - Wólè wólè wólè kábíyèsílè àdé! (Descemos o rosto e
reverenciamos sua alteza e a coroa)
R - Wólè wólè wólè kábíyèsílè àdé! (Descemos o rosto e
reverenciamos sua alteza e a coroa)
T - L’òkè ! (Nas alturas)
R - Sá bu èlò (O instrumento que corre e corta [raio])
Há quem diga que a reza cantada durante o alujá também pertence ao
Kamuká:

Wa jaja babalofina oni Xangô


Wa jaja babalofina a na rewá
a ae eae e
a ae eae e

Porém a conclusão é que é apenas parecida por fonética, e não se trata


de alusão especifica ao mesmo. Talvez por falta de escrita, a fonética
tenha seguido este rumo parecendo ser nos dias de hoje uma alusão a
barualofina.