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Sumário

APRESENTAÇÃO 4

CAPÍTULO 1 - FUNCIONAMENTO DA REDE DE ATENÇÃO 6


PSICOSSOCIAL (RAPS) NO CONTEXTO DE PANDEMIA
1.1 Uma RAPS fortalecida e estruturada como horizonte 7
1.2 Algumas questões para pensarmos coletivamente 8
1.3 Recomendações gerais 8
1.4 Funcionamento dos serviços de saúde mental em Juazeiro- 8
BA e Petrolina-PE

CAPÍTULO 2 - CUIDADOS/ORIENTAÇÕES AOS PROFISSIONAIS 12


2.1 Ser profissional de saúde em tempos de pandemia 13
2.2 Estigmatização de profissionais de saúde 13
2.3 Reconhecendo sinais e sintomas de estresse e ansiedade 14
2.4 Apoio e estratégias de cuidado em saúde mental 16

Capítulo 3 - Possibilidades e dicas de cuidado em SMAPS a 18


usuários/as diagnosticados/as com COVID-19 e/ou pessoas
em sofrimento psíquico
3.1 Exercícios de respiração e meditação 20
3.1.2 Aromaterapia 20
3.1.3 Automassagem 21
3.2 Dicas para cuidar da Saúde Mental 21
3.2.1 Evite excesso de informações 21
3.2.2 Cultive as Relações 22
3.2.3 Realize atividades que produzam tranquilidade 22
3.2.4 Estabeleça uma rotina 22
3.2.5 tenha atenção e cuide do seu corpo 23
3.2.6 compartilhe o cuidado 23
3.2.7 Cuide de sua espiritualidade 24
3.2.8 caso precise, não exite em pedir ajuda 24

CAPÍTULO 4 - SAÚDE MENTAL E ESTRATÉGIAS COMUNITÁRIAS 26


PARA ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA
4.1 Algumas reflexões iniciais 27
4.2 Como e onde podemos praticar solidariedade? 27
27
4.4 Na 28
4.5 Um convite a pensar: quem cabe na minha solidariedade? 29
31

REFERÊNCIAS 34
APRESENTAÇÃO

Em tempos tão difíceis como o que atravessamos no contexto da


Pandemia da COVID-19 – cujos efeitos se desdobrarão de modos ainda
imprevistos, mas certamente duradouros –, este documento é uma
contribuição do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde
Mental/RMSM da Univasf no apoio à organização e reinvenção de modos de
intervenção no campo da Saúde Mental e Atenção Psicossocial (SMAPS) no
âmbito do semiárido nordestino.
A importância do investimento em ações de SMAPS, frequentemente
negligenciadas nas agendas públicas de gestão municipal em nosso país,
revela-se de modo patente em momentos delicados como o de uma
pandemia, em que as repercussões na condição emocional das pessoas são
intensas e, se não houver um boa condução, podem ser desastrosas.
O reconhecimento da repercussão emocional de situações como a
referida pandemia independe de que as pessoas tenham um histórico de
vulnerabilidade por serem usuários/as de dispositivos da Rede de Atenção
Psicossocial/RAPS. Contudo, é inquestionável que esse segmento de usuários
precisa que as equipes de saúde e de saúde mental redimensionem sua
capacidade de ofertar atenção psicossocial, singularizada a partir dos
diversos contextos e respeitando as medidas de precaução necessárias para
prevenir o contágio pelo SARS-COV-2.
O acesso à informação segura é ferramenta indispensável nas batalhas
diárias que estão sendo travadas no enfrentamento dessa pandemia. Assim,
esse documento foi tecido a partir de inúmeros materiais produzidos por
agências reconhecidas, a exemplo da Organização Mundial de Saúde (OMS),
no âmbito internacional, e Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), no âmbito
nacional, com o principal intuito de agregar as principais informações. A
intenção é que sirva de fonte de consulta e apoio para ampliar a capacidade
de ação de profissionais de saúde e saúde mental nos diversos dispositivos
em que se inserem.
Cabe um destaque à atuação dos Centros de Atenção Psicossocial
(CAPS) os quais, nesse momento, devem reafirmar sua função estratégica na
produção de cuidado em rede, e às equipes de Atenção Primária à Saúde,
incluindo os Núcleos de Atenção à Saúde da Família (Nasf/AB), que, por sua
inserção territorial, têm grande potência na promoção de saúde e ativação
de redes comunitárias de cuidado.
Importa ressaltar, ainda, que todos os profissionais de saúde precisam
ser apoiados em momentos como esse, para que possam sustentar com
qualidade sua nobre função: cuidar das pessoas. Nesse sentido, é
fundamental que as gestões municipais atentem ao componente SMAPS na
organização de suas ações e garantam o apoio institucional para a
continuidade e garantia de uma atenção em saúde mental que respeite os
princípios do Sistema Único de Saúde/SUS, respaldados no direito
constitucional à saúde.
Com a expectativa de que este documento sirva aos propósitos acima
indicados, temos a alegria de colocá-lo à disposição para ampla circulação e
utilização.

Coletivo RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL DE SAÚDE

MENTAL - Univasf
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1.1 Uma RAPS fortalecida e estruturada como
horizonte

A Reforma Psiquiátrica Brasileira (RPB), ainda


em curso, tem como objetivo a superação do modelo
manicomial e a consolidação do paradigma da
Atenção Psicossocial. Nesse sentido, compreende-se
que uma série de transformações ainda se faz
necessária nas práticas de saúde, tendo em vista o
panorama social, político e cultural do país.
No atual cenário, em que enfrentamos a
pandemia da COVID-19, revelam-se, no Brasil, os
impactos de desigualdades sociais, frutos de
processos históricos, atravessadas por marcadores
como o racismo, o patriarcado e a LGBTfobia, que
colocam populações específicas em situações de
vulnerabilidade ainda mais intensa

E que função tem a RAPS neste contexto?

Em 2011, a Portaria GM/MS nº 3.088 instituiu a Rede de Atenção Psicossocial


(RAPS) para garantir atenção às pessoas com sofrimento psíquico ou problemas mentais,
incluindo aqueles decorrentes do uso nocivo de crack, álcool e outras drogas, no âmbito
do SUS, para atuar de forma ampliada na perspectiva da integralidade do cuidado.
Neste momento, é imprescindível que a RAPS esteja estruturada e fortalecida,
considerando as demandas de cuidado em saúde mental no planejamento estratégico de
fluxos e demandas dos diversos dispositivos que a compõem.
Como pontos estratégicos da RAPS, situam-se os Centros de Atenção Psicossocial
(CAPS), que são serviços de saúde de caráter aberto e comunitário e coordenam ações
em SMAPS nas redes, não devendo ser, contudo, os centralizadores do cuidado. Os CAPS
são essenciais neste contexto de pandemia, por isso é importante que continuem
funcionando de “portas abertas” – em sentido simbólico e concreto –, assim como os
outros pontos de atenção da RAPS.
Na atual conjuntura política, vigora uma gestão pública pautada em retrocessos na
saúde mental, em que vivenciamos um desrespeito aos direitos civis, políticos e sociais.
Indo na contramão da história, o Governo Federal legitima o financiamento público para
as comunidades terapêuticas, determina o reajuste no valor das Autorizações de
Internações Hospitalares (AIH) de hospitais psiquiátricos e incentiva as internações
compulsórias.
Neste momento, é crucial a ênfase nas estratégias inclusivas, proporcionando
acolhimento e escuta às pessoas que precisam fazer uso desses serviços, assegurando-
lhes acesso em todas suas diferentes modalidades.

7
1.2 Algumas questões para reflexão nos coletivos de
cuidado...

Como estão se Os serviços estão


dando as garantindo práticas
práticas de de cuidado para
cuidado nos além da terapia
serviços? medicamentosa?

1.3 Recomendações gerais para garantia de oferta do


cuidado em SMAPS pela RAPS
 Suspender apenas as atividades coletivas;
 Disponibilizar outras estratégias de intervenção que utilizem a comunicação online
e/ou por telefone com usuárias/os;
 Manter o funcionamento pleno das Unidades de Acolhimento;
 Assegurar o andamento de processos de desinstitucionalização em curso e, se
possível, a aceleração do Programa De Volta para Casa e inserção em residências
terapêuticas com vagas disponíveis;
 Sustentar práticas de cuidado com suporte às pessoas em situação de crise e dar
continuidade às pactuações dos Projetos Terapêuticos Singulares/PTS;
 Garantir que novas pactuações no PTS sejam realizadas em conjunto com as/os
usuárias/os;
 Registrar atividades executadas nos instrumentos correspondentes (RAAS, BPA-I e
BPA-C); e
 Ressaltar a importância da continuidade do matriciamento na Atenção Básica pelas
equipes dos CAPS (Indicador 21 - SISPACTO/MS), com o uso de recursos de
comunicação online e/ou por telefone, quando for necessário.

1.4 Funcionamento dos serviços de saúde mental em


Juazeiro-BA e Petrolina-PE

De acordo com orientações das coordenações de Saúde Mental de Juazeiro/BA e


Petrolina/PE, os pontos de atenção da RAPS seguem atendendo os usuários/as que já

8
eram acompanhados/as e realizando novos acolhimentos, mesmo durante o período de
pandemia da COVID-19. A orientação é priorizar os atendimentos a pessoas em situação
de crise na sua forma presencial e que os demais acompanhamentos sejam realizados a
distância, como por telefone ou redes sociais; contudo, quem necessita de atendimento
presencial deve continuar procurando sua unidade de referência.
Ambos os municípios contam com as seguintes modalidades de serviços CAPS na Rede
de saúde mental:

 CAPS II: atende pessoas em sofrimento psíquico grave e persistente;


 CAPS AD III: atende adultos com necessidades de cuidados clínicos contínuos
decorrentes do uso abusivo de crack, álcool e outras drogas. Serviço com no
máximo doze leitos para observação e monitoramento, com funcionamento 24
horas, incluindo feriados e finais de semana;
 CAPS i: atende crianças e adolescentes em sofrimento psíquico grave e
persistente e os que fazem uso de crack, álcool e outras drogas.

Durante este período, os serviços estão buscando se adaptar aos acontecimentos no


Brasil e no mundo com relação à pandemia do novo coronavírus. A rotina dos serviços
sofreu, portanto, algumas alterações configurando-se da seguinte forma:

A) Juazeiro/BA

 O CAPS II e Ambulatório de Saúde Mental (funcionando no mesmo prédio): das


07h00 às 13h e das 13h às 18h respectivamente;

 CAPS AD III: de 07h a 01h, atendendo demanda espontânea e as demandas de


urgência. O Hospital Regional de Juazeiro atenderá as demandas surgidas após as
01h da manhã que, porventura, não consigam ser resolvidas no CAPS AD III;

 CAPS i: funcionamento das 07h30 às 13h30; após este horário, os/as usuários/as
que necessitarem de atendimento de urgência serão encaminhados para o
Hospital São Lucas/Materno infantil e/ou Hospital Regional de Juazeiro, de acordo
com a idade.

B) Petrolina/PE

 CAPS II: das 07h às 17h, atendendo demanda espontânea, atenção às situações de
crise e acompanhamento dos/as usuários/as. Após às 17h, as demandas serão
atendidas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

 CAPS AD III: das 07h às 19h, atendendo demanda espontânea, atenção às


situações de crise e acompanhamento dos/as usuários/as. Após às 19h, as
demandas serão atendidas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

9
 CAPS i: das 07h às 17h, atendendo demanda espontânea, atenção às situações de
crise e acompanhamento dos/as usuários/as. Após às 17h, as demandas serão
atendidas no Hospital Dom Malan/IMIP.

 Unidade de Acolhimento Adulta (UAA) e Unidade de Acolhimento Infatojuvenil


(UAIJ): continuam recebendo novos moradores/as, com acompanhamento
alinhado aos PTS desenhados nos CAPS ad III e CAPS i. Por serem serviços que se
orientam pela lógica de moradia, seguem com as mesmas orientações para a
comunidade em geral.
 Unidades de Saúde da Família (USF): das 7h às 17h; em se tratando de demandas
de saúde mental, estão realizando apenas o acolhimento a situações de crise e
encaminhando para o CAPS de referência.
 Equipe de Consultório na Rua: das 14h às 20h (segunda a quinta), das 08h às 14h
(sexta). Equipe multiprofissional itinerante que atende a população em situação de
rua.
 Unidade de Pronto Atendimento (UPA): permanece recebendo as demandas
relativas à Saúde Mental, após o horário de funcionamento dos CAPS.

Os CAPS estão fazendo acolhimento por


telefone, se @ usuári@ tiver acesso e se sentir
confortável. Seguem abaixo os endereços e
contatos telefônicos.

Petrolina PE

CAPS Endereço Telefone


Rua do Amarelo
CAPS II (87) 3863-3155
Bairro Caminho do Sol

Rua Dona Justina Freire, sn


CAPS AD III: (87) 3862-3677
Bairro Vila Mocó

CAPS I Rua da Simpatia, 235 Bairro Centro (87) 3866-1641

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Juazeiro BA
CAPS Endereço Telefone

Rua Aracaju, 8, (74)3613-3646


CAPS II
Bairro Dom Tomaz

Av Elizeu Martins Do Nascimento


CAPS AD III: Bairro Novo Encontro (74) 99198-1122

Av. Almirante Tamandaré, 177


CAPS I (74) 98831-1908
Bairro Country Club

11
12
2.1 Ser profissional de saúde em tempos de pandemia

Orientações de cuidado aos profissionais de saúde Os


profissionais que atuam na área de saúde estão expostos a
inúmeras tensões no seu cotidiano, por isso, apresentam
maior grau de vulnerabilidade para o estresse, em decorrência
das características de suas profissões e ambientes de trabalho.
Em meio à pandemia da COVID-19, muitos fatores
contribuem para o desgaste físico e emocional, como:

 Longas e exaustivas jornadas de trabalho e redução do


autocuidado;
 Medo de se infectar pela exposição elevada e infectar
familiares e amigos;
 Dificuldade na gestão de recursos e priorização de
tarefas;
 Escassez e/ou inadequados equipamentos de proteção
individual (EPIs);
 Baixos salários;
 Dilemas éticos pela racionalização da oferta de
cuidados;
 Sensação de “culpa” pela dificuldade de conciliar
problemas profissionais e familiares;
 Desvalorização e insegurança profissional;
 Estigma e discriminação social.

2.2 Estigmatização de profissionais de saúde

O cenário de pandemia torna-se propício para a produção de estigmatização social


a profissionais de saúde que estão atuando na linha de frente da COVID-19, repercutindo
em sua saúde mental. Persiste uma ambivalência na sociedade: ao mesmo tempo em que
são tomados/as como “guerreiros/as” são vistos como potenciais vetores ou
transmissores/as do temido vírus. Esse estigma pode se manifestar de forma interna e
externa:
 O medo de o profissional estar infectado por cuidar de pessoas com COVID-19;
 O autoestigma de profissionais da saúde, relacionado à exteriorização de suas
necessidades, emoções e medos.

Pessoas que sofrem estigmatização podem ser submetidas à evitação social ou


rejeição, a exemplo de negação de cuidados de saúde, educação, moradia ou emprego.
Podem, ainda, estar sujeitas a situações de violência física e psicológica.
Tais consequências podem gerar um distanciamento social, além de afetar direta
ou indiretamente a saúde e bem-estar de quem é sofre a estigmatização.

13
Por essa razão, é preciso pensar estratégias que promovam mudanças de atitudes
estigmatizantes e visem a encorajar a emancipação de pessoas, tornando-as mais
resilientes e menos vulneráveis.

2.3 Reconhecendo os sinais e sintomas de estresse e


ansiedade

Diversos sinais e sintomas que indicam estresse e ansiedade podem surgir durante
esse momento de pandemia mundial. A seguir, estão divididos em duas categorias para
facilitar a compreensão:

a) Sinais e sintomas físicos

Dor de cabeça falta de ar

Queda de cabelo aumento da frequência cardíaca

14
Perda ou aumento do problemas
Peso gastrointestinais

Dores musculares

b) Sinais e sintomas emocionais

Ansiedade fadiga

Irritabilidade e/ou desânimo


impaciência

15
insegurança preocupação
excessiva

insônia

2.4 Apoio e estratégias de cuidado a saúde mental

Cuide de suas necessidades básicas e garanta o descanso


diário necessário, inclusive entre os turnos de trabalho.

Coma alimentos suficientes e saudáveis.

Hidrate-se, aumentando a ingesta hídrica.

16
Mantenha contato com familiares e amigos por e-
mail, telefonemas e uso das plataformas de mídias
sociais.

Se você se sentir sobrecarregado, converse com


outro profissional ou pessoa confiável.
Compartilhe angústias e experiências!

Respire profundamente durante alguns minutos antes de entrar no


ambiente de trabalho (ou em uma situação difícil).

Preste atenção aos sinais do seu corpo.

Limite a quantidade de notícias lidas em jornais, na


televisão e em grupos de WhatsApp.

Foque naquilo que está dentro de suas possibilidades –


embora não seja possível controlar o vírus que provoca a
COVID-19, pode-se reduzir o risco de infecção.
Encontre novas atividades para ajudar a superar o estresse
com o trabalho, pois é difícil enfrentar uma mudança de
rotina tão repentina.

Realize técnicas de respiração, alongamento, meditação ou


outra forma de aliviar o estresse e preservar sua saúde mental.

Busque apoio de profissionais de saúde mental, caso sinta que as


atividades de trabalho durante a pandemia têm impactado sua saúde
psicológica.

17
18
“Cuidar do outro é cuidar de mim. Cuidar de mim é cuidar do mundo”
(Mantra Nordestino. Ray Lima)

Tendo em vista que a existência de cada


pessoa engloba um conjunto de dimensões
diferentes, com relações distintas entre cada esfera
da vida, devemos dar atenção a esse complexo
conjunto, nos encontros de cuidado, priorizando uma
abordagem integral. O objetivo é identificar que
transformações ocorreram, como cada mudança
interferiu nas esferas da vida, que correlações
existem entre as esferas, que âmbitos estão
estagnados ou ameaçados, enfim, reconhecer o que
está provocando sofrimento.
Cada usuário/a deve ser acolhido/a sem
distinção. Acolher significa exercer e ampliar a
competência de escutar e compreender a pessoa
naquilo que ela revela como queixa, na tentativa de
compreender sua demanda na relação com sua
existência. Problemas de saúde devem ser
interpretados na relação com a vida de quem os
apresenta. Acolhimento – como atitude – pressupõe a
garantia de acesso a todas as pessoas.
Por consequência, o Acolhimento deve garantir algum grau de resolubilidade, que
é o objetivo final do trabalho em saúde, ou seja, uma implicação do profissional e do
serviço em resolver efetivamente o problema do/a usuário/a – e isso requer, não
raramente, a articulação em rede (socioafetiva, de serviços etc.). A responsabilização pelo
problema de saúde vai além do atendimento propriamente dito, remetendo também ao
vínculo necessário entre o serviço e a população usuária.
A pandemia da COVID-19 tem trazido para nossas vidas sensações novas, às vezes
indesejáveis. Aspectos como o medo do desconhecido, a preocupação com quem amamos
e com a gente mesmo e todos os sentimentos que surgem em função das adaptações e
reconfigurações necessárias na nova rotina gerada pelo isolamento social podem
comprometer a nossa saúde psíquica (que não se desvincula do corpo).
A ampliação do cuidado pode passar pela utilização de Práticas Integrativas e
Complementares/PICS como forma de complementar o processo terapêutico. As PICS são
práticas terapêuticas que visualizam a pessoa em sua integralidade: corpo físico, mente e
espírito, buscando promover a saúde por meios holísticos.
Nessa época de isolamento social, muitas doenças físicas e psíquicas têm
aparecido, de modo que as PICS podem ajudar a minimizar e até melhorar por completo
esses sintomas. No Brasil, o SUS começou a implementar a Política Nacional de Práticas
Integrativas e Complementares em 2006 e, atualmente, conta com 29 práticas
regulamentadas, dentre as quais: medicina tradicional chinesa/acupuntura, homeopatia,
plantas medicinais, fitoterapia, ayurveda, medicina antroposófica, termalismo, reiki,
shantala, quiropraxia, meditação, yoga, terapia comunitária e ozonioterapia.
Pelo avanço da pandemia da COVID-19 no mundo, sabe-se que apenas um
percentual de pessoas infectadas evolui para um quadro que demanda cuidados

19
hospitalares; contudo, se um grande número de pessoas adoece ao mesmo tempo, os
sistemas de saúde não suportam a garantia de cuidados avançados, sendo esta a maior
preocupação. Para impedir o crescimento descontrolado dos índices de contágio e
letalidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prática do
distanciamento social e a suspensão de serviços não essenciais em todos os países onde
há casos da doença. Isso se deve a um simples motivo: se não é possível erradicar o vírus
do mundo, que sejam, então, reduzidas as possibilidades de contágio e os seus danos.
As recomendações aqui expressas são sugestões de estímulo à imunidade e
melhora da qualidade de vida. Não há qualquer sugestão de ação direta sobre o vírus ou
mudança na evolução e prognóstico da doença específica, sendo fundamental seguir
todas as recomendações da OMS e dos sistemas locais de saúde.Assim, indicamos a seguir
algumas possibilidades ou dicas para ampliar o cuidado em SMAPS.

3.1 Estratégias de (auto)cuidado em Saúde Mental e


Atenção Psicossocial

3.1.1 Exercícios de respiração e meditação

Manter-se em movimento é fundamental para a manutenção e melhora da


vitalidade. Além dos benefícios físicos, a redução do estresse e da ansiedade é possível
com práticas que integram movimento, respiração e consciência corporal.
Em momentos de maior ansiedade ou estresse, algumas técnicas podem trazer
sensação de estar bem. Segue uma delas, como exemplo:
 Primeiro, encontre um local tranquilo e confortável;
 Sente-se com as mãos próximas ao umbigo;
 Inspire pelas narinas, enchendo os pulmões de ar, e conte mentalmente até 4;
 Segure o ar, contando até 2;
 Expire devagar pela boca, contando até 6, esvaziando totalmente os pulmões e a
barriga;
 Tente fazer esse exercício durante 5 minutos ou pelo tempo que conseguir.

3.1.2 Aromaterapia

O uso das plantas pode se dar através de seus óleos


essenciais, que possuem propriedades relaxantes,
bactericidas e/ou fortalecedoras do sistema imune. No
difusor de ambientes ou usando água bem quente,
utilizar quatro gotas do óleo essencial de sua
preferência e deixar no ambiente por 4 horas. Em
ambientes com crianças de 2 a 7 anos, utilizar 2 gotas e
deixar no ambiente por 2 horas. No caso de haver
bebês com até 2 anos, 30 minutos no ambiente. No
colar difusor, 1 gota.

20
3.1.3 Automassagem

Massagens nos pés proporcionam relaxamento no corpo, reduzem tensões e auxiliam


na melhora do sono e podem ser realizadas pela própria pessoa.
- Como realizar:
 Inicialmente, mobilize as articulações do tornozelo e dedos dos pés
 Em seguida, realize movimentos de rotação com cada um dos dedos, puxando-os
para cima de forma suave.
 Com os polegares na sola e os dedos no peito do pé, torça as mãos em direções
opostas, como se você estivesse espremendo algo. Depois, pressione com os
polegares, segurando por 3 segundos em cada lugar.

3.2 Dicas para cuidar da Saúde Mental

3.2.1 Evite excesso de informações

Dose o tempo de consulta às notícias, evitando,


inclusive, leituras permanentes sobre o tema. Informe-
se em horários reservados, em sites e canais de órgãos
oficiais ou de autoridades sanitárias de confiança. O
excesso de informação, principalmente no período
noturno, deixa seu cérebro em alerta constante,
dificultando o sono e relaxamento.

21
3.2.2 Cultive as relações

Passe mais tempo realizando atividades em


família. Brinque com seus filhos, relembre histórias
felizes vividas em família. Para todos/as nós, o contato
afetivo e a sociabilidade são importantes,
especialmente na nossa cultura. Por isso, é importante
colocarmos esse período em perspectiva, relembrando
o tempo todo que isso vai passar. Outras formas de
trocas afetivas podem ser importantes. Utilize toda
tecnologia disponível para se manter conectado com
pessoas que você estima. Una-se a familiares e
amigos/as, promovendo boas conversas, por meio de
vídeo-chamadas, telefonemas ou mensagens.

3.2.3 Realize atividades que produzam tranquilidade

O medo, o pânico e o estresse não ajudam, nem


individualmente nem coletivamente. Por isso, realize
atividades que tranquilizem: escute uma música de que
gosta, faça um curso online, leia aquele livro esquecido
ou assista aquela série que despertou seu interesse,
teste uma nova receita, organize a casa, enfim, faça
coisas de que gosta ou para as quais não encontrava
tempo antes. Cuide-se!

3.2.4 Estabeleça uma rotina

Sim, é difícil, mas criar uma rotina vai ajudá-lo/a


a enfrentar a quarentena com menos ansiedade e
estresse. Estabeleça horário para trabalhar e para
conviver com a família. Determine horários para o lazer
e para ajudar as crianças nas tarefas escolares, por
exemplo. Caso tenha a possibilidade de se manter em
casa, não fique o dia todo de pijamas, pois isso
interfere diretamente na produtividade e autoeficácia.
Crie uma rotina de trabalho e autocuidado. Tente
estabeleça um horário fixo para dormir e respeite esse
horário. Procure realizar atividades prazerosas e
significativas, pois isso ajudará o dia a acontecer de um
jeito mais organizado e tranquilo. A melhor orientação
parece ser: VIVA UM DIA DE CADA VEZ.

22
3.2.5 Tenha atenção e cuide de seu corpo

Atividades físicas e alongamentos são


importantes para evitar estresse e diminuir a
ansiedade. Busque estabelecer uma rotina de
exercícios físicos leves, alongamentos, alimentação
saudável, hábitos de higiene e sono. É possível realizar
atividades, adaptando-as ao ambiente domiciliar.
Incluir essas atividades na rotina diária fará diferença
na saúde integral (já que corpo vivo não é separado de
mente/espírito/psiquismo).

Lembre-se de descansar entre os turnos e, caso


necessário, faça pausas também durante o expediente.
Durma em horários adequados, em ambientes escuros
e silenciosos. Além disso, é importante manter uma
boa alimentação e hidratar-se.

3.2.6 Compartilhe o cuidado

Cuidado significa atenção, precaução, cautela,


dedicação, carinho, encargo e responsabilidade. Cuidar
é servir, é oferecer ao outro, em forma de serviço, o
resultado de seus talentos, preparo e escolhas. É muito
importante praticar o cuidado.
Ao invés de entrar em pânico, podemos
aproveitar esse mal estar para criar processos de
solidariedade mútua, avançar na produção de
conhecimento, de cuidado de si e do coletivo. Sempre
que possível, estimule ações de cuidado
compartilhado, pois assim evita se sobrecarregar,
gerando uma sensação de pertencimento social.
Pratique a resiliência, reflita sobre as dificuldades
enfrentadas e o que pode aprender com elas,
ressignifique sua experiência e compartilhe com outras
pessoas!

23
3.2.7 Cuide de sua espiritualidade

Caso atividades religiosas e/ou espirituais façam


parte de sua existência, são importantes para sua
saúde mental; porém, nesse contexto, precisam ser
praticadas longe de aglomerados e de espaços
fechados. Cuidar do próximo é também cuidar da sua
saúde e bem-estar da comunidade.

3.2.8 Caso precise, não hesite em pedir ajuda

Caso esteja se sentindo sobrecarregado, ansioso, sem esperança e pensando em


fazer algo de ruim para si mesmo, converse com alguém de sua confiança ou procure um
profissional de saúde. Caso as estratégias recomendadas não sejam suficientes para o
processo de estabilização emocional, busque auxílio de um profissional de Saúde Mental e
Atenção Psicossocial (SMAPS) para receber orientações específicas.
Se você identificou um conhecido ou familiar com sintomas da COVID-19, não o
discrimine e não faça com que ele se sinta culpado. Informe-o da importância de ele/ela
se cuidar e evitar contato com outras pessoas. Sugira que ele/ela procure um serviço de
saúde, conforme as orientações da sua rede local de saúde ou a unidade mais próxima da
sua moradia.
Se você foi diagnosticado com COVID-19, cuide-se, seguindo as instruções dos/as
profissionais de saúde e recolhendo-se para cuidar de si e, assim, de sua família e
comunidade. A necessidade de isolamento social pelo tempo determinado pelas equipes
de saúde é um ato de autocuidado e de cuidado com a comunidade.

24
Se faz parte do grupo de pessoas com maior vulnerabilidade aos efeitos do vírus
(idosos, pessoas imunossuprimidas – quando o sistema imunológico está com baixa
atividade – ou com doenças cardiorrespiratórias, diabéticos etc.), tente evitar que o medo
te paralise. É natural sentir medo nessa situação, sendo fundamental seguir as orientações
das equipes de saúde. .
Saiba que você não está sozinho/a. Profissionais de saúde, universidades e
institutos de pesquisa do mundo todo estão trabalhando para conter o vírus o mais
rapidamente possível. Lembre-se de que seguir as recomendações é um cuidado com você
e com a comunidade.
Não se refira às pessoas acometidas como “casos de COVID-19” ou “vítimas”,
“famílias de COVID-19”, “adoentados” entre outros. Eles são “pessoas com COVID-19 ou
que estão em tratamento, ou se recuperando” e, depois de recuperados, continuarão sua
vida em família, no trabalho e com seus entes queridos. É importante separar a pessoa e a
sua identidade do vírus em si, para reduzir o estigma.

25
26
“Muita gente pequena, em lugares pequenos, fazendo coisas
pequenas, podem mudar o mundo”.
Galeano

4.1 Vamos refletir um pouco?

Nesse momento é muito importante ficar em


casa, caso possível! Porém, isso não impede a
realização de práticas solidárias no nosso território,
não é mesmo? Vamos combinar: ninguém solta a mão
de ninguém! Mesmo em distanciamento social, nós
podemos dar as mãos através da solidariedade; esse é
mais do que um simples gesto, é um sentimento de
amor à coletividade!

4.2 Como e onde podemos praticar solidariedade?

Vivemos em comunidade e, mesmo praticando o distanciamento social, estamos


cercados/as de pessoas... Elas estão na nossa casa, na nossa rua, no nosso bairro, e
podemos nos conectar com elas. Um segredo nosso: a conexão não é só por mensagem
no Whatsapp ou Instagram, tá? Por isso, vamos pensar juntas e juntos como estamos
vivendo esse momento de pandemia.

Estamos vivenciando um período bem difícil e, no momento, precisamos mesmo


respeitar as estratégias sanitárias de distanciamento social e ficar em casa, sempre que
possível. E não se ache estranho/a ou esquisito/a por isso. Sabemos que o confinamento
vai se tornando cada vez mais exaustivo, cada um/a vivencia as dificuldades da forma
como pode e a partir dos recursos a que tem acesso. Vamos pensar um pouco sobre isso…
Se moro sozinho/a, como posso melhorar o ambiente em casa para reduzir os
danos do confinamento? Para quem tem essa possibilidade, vale manter os vínculos
afetivos pelas redes sociais. E não vale só digitar mensagens de texto, não! Experimente
ligar ou fazer chamadas de vídeo para botar o papo em dia; você vai perceber como ouvir
ou ver as pessoas queridas faz um bem danado e acalenta o coração...
Se não moro sozinho/a, com quem moro? Como estão as pessoas com que eu
moro? Estou sensível a como elas estão se sentindo? Conversamos sobre como nos
sentimos em relação ao contexto de pandemia e sobre o que nos passa?
O que acha de aproveitar o tempo que está em casa para desfrutar da companhia
dos seus familiares? Conhecer um pouco mais sobre a história da família, ver fotos
antigas, estimular momentos de troca e lazer, ver um filme juntinho, iniciar novas
atividades ou cozinhar um prato diferente… Pode ser com seu pai, sua mãe, sua/seu
companheira/o), seus irmãos, seus avós ou os amigos que moram com você. Ah, e não

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vamos esquecer dos nossos bichinhos de estimação, os PETs! Eles também são da família
e transbordam um amor danado de bom!
Na sua casa tem crianças? Este possivelmente é um momento desafiador para
elas: longe da escola, dos amiguinhos, de familiares importantes… O que acha de
acompanhá-las em suas brincadeiras e descobrir o que estão aprendendo na escola, caso
tenham acesso a aulas online? É um bom momento para estudar junto e compartilhar
histórias da família. Aproveite para dar espaço a sua criança interior, deixe que ela se
expresse!
Podemos indicar também alguns filmes para assistir e conversar com as crianças...
 Divertidamente
 UP Altas Aventuras
 Zootopia
 Moana
 Os Croods
 O Rei Leão
 O Pequeno Príncipe
 Procurando Dory
 Viva! A Vida é uma Festa

Recomendamos os perfis:
@psicojogos_mcze; @brincarcriativo;
@ed.infatil_paratodos
Para te dar algumas dicas e inspirações para uma
quarentena mais criativa junto com a criançada!

Já pensou em como você pode ajudar a galera da sua


rua, condomínio, vila, assentamento, comunidade, dentre
outros, nesse momento? Por exemplo:

 Ofertar favores a idosos(as) e outras pessoas de grupo


de risco, como fazer suas compras no mercado, farmácia
e estar atento(a) a outras necessidades que estes
possam ter;
 Doar alimentos, produtos de higiene pessoal, dentre outros itens de necessidades
básicas para um/a vizinho/a. Se tenho álcool em gel sobrando, por que não
compartilhar um pouco com quem não tem? Não precisa estocar; se todos puderem
se cuidar, isso irá diminuir as chances de disseminação do vírus;
 Se sei costurar ou conheço alguém por perto que costura, que tal tentar uma
minicooperativa de máscaras de pano e realizar algumas doações?
 Você pode comprar do pequeno negócio do teu bairro, vamos fortalecer a
economia solidária;

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 Criar grupo no Whatsapp para compartilhamento de experiências, apoio e
cuidado, como ferramenta de mediar as ações de solidariedade compartilhadas
pela comunidade. Você também pode aproveitar este espaço para se informar e
compartilhar notícias de fonte seguras sobre o que a comunidade tem vivenciado;
 Explorar e conhecer ONG, projetos voluntários, que estejam em ação nesse
momento de pandemia e pensar como é possível ajudar em parceria.

E, se sou profissional de saúde, como posso


usar meu conhecimento para
contribuir com minha comunidade?

4.5 Um convite a pensar: quem cabe na minha


solidariedade?

De modo geral, compreendemos nossa casa como um espaço de segurança no qual


desenvolvemos relações de afeto e respeito com as pessoas que nela coabitam, não é?
Mas você já parou para pensar que, para algumas pessoas, o ambiente domiciliar pode
gerar sentimento de insegurança e desconforto?
A nossa sociedade é marcada por opressões e isto expõe algumas pessoas a
situações de violência, preconceito, discriminação, pobreza e outras vulnerabilidades.
Este cenário de pandemia acentuou as situações de violência e a gente pode nem
perceber, uma vez que o distanciamento social nos faz focar apenas no nosso próprio
ambiente doméstico. No entanto, pertinho da gente pode haver aquela vizinha que sofre
constantemente violência do/a companheiro/a e precisa de ajuda; um/a familiar
LGBT+ que vivencia situações de humilhação e medo dentro da própria casa; uma criança
ou adolescente que vive situações de abuso sexual…
É só ligar e fazer sua denúncia, anonimamente, para:

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190 POLÍCIA MILITAR

180 DENÚNCIAS ESPECÍFICAS DE VIOLÊNCIA

DOMÉSTICA

100 DENÚNCIAS DE CASOS DE EXPLORAÇÃO

SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES, IDOSOS,

PESSOAS LGBTQ+ E PESSOAS PORTADORAS DE

DEFICIÊNCIA

Podemos ficar atentos (as) e prestar atenção aos pedidos de socorro, de


vizinhas/os, amigas/os, parentes e até desconhecidas/os. Esteja atento/a e seja sensível,
pergunte como essas pessoas estão se sentindo e de que maneira você pode ajudar. Isto
não é ser invasivo, é cuidar. Vamos relembrar: ninguém solta a mão de ninguém!
E se você está passando por alguma situação de violência, busque sua rede de
apoio, fortaleça o vínculo com pessoas em que você confia. Você também pode buscar
espaços onde pode sentir-se confortável com seus pares, trocar experiências e buscar
estratégias de enfrentamento. Temos algumas dicas de aplicativos/sites que podem
auxiliar na busca por espaço de compartilhamento de experiências e denunciar situações
de violência e racismo:

 Dandarah - Resistência Arco-Íris


 LGBT Amino em Português
 TODXS
 PenhaS
 Mapa do racismo
 Mapa do Acolhimento
 Tamo Juntas

Vale lembrar, também, que existem pessoas que têm a rua como casa. Será que no
meu bairro tem população em situação de rua? Podemos pensar também em modos de
ajudar, doando roupas, ofertando alimentos, materiais de higiene e informações sobre a
pandemia.
Este momento de enfrentamento da COVID-19 tem sido também um agravante
para saúde de diversas pessoas pretas do país, pois historicamente a população negra
vivencia cotidianamente situações de opressão, que geram diversas desigualdades,
inclusive, no acesso às ações de cuidado em saúde.

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Vamos ficar atentas/os ao que alguns coletivos de pretos e pretas do país têm
organizado sobre dicas de cuidado em saúde mental e debates importantes sobre a
vulnerabilidade do povo preto em tempos de pandemia?

Fique de olho nesses perfis do Instagram:

@saudementalpopnegra
@redemulheresnegraspe
@frentenegravelhochico
@grupokabecile
@oso.muloji @rendeirasdovale
e Portal Geledés são exemplos
de algumas páginas que estão
sinalizando questões importantes
sobre essa temática, se liga!

4.6 Meu bairro não tem só casas

Nosso bairro não possui apenas ruas e casas, são territórios VIVOS, pois são
constituídos por pessoas, relações, instituições, e políticas públicas…
Você conhece os dispositivos que compõem o seu território e como eles podem
auxiliar na produção de saúde mental das pessoas da sua comunidade?
Vamos lá conhecer alguns deles…

A) Unidade de Saúde da Família - USF

A unidade de saúde ou postinho do nosso


bairro é a porta de entrada para rede de saúde da
nossa cidade. Lá você pode buscar cuidado para
diversas demandas de saúde.
Você conhece a(o) Agente Comunitária de
Saúde (ACS) da sua rua? Ela(e) conhece bem o
território, pode te orientar sobre as ações de saúde
que estão sendo ofertadas no seu bairro e pode
auxiliar na construção de estratégias para resolução
de problemas que afetam a saúde dos moradores.
Que tal buscar esse profissional quando necessário?

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B) Centro de Referência de Assistência Social CRAS

Será que no seu bairro tem um CRAS? O Centro


de Referência de Assistência Social é um serviço de
proteção social que oferta acesso a direitos básicos
para famílias em situação de vulnerabilidade. Nesse
momento de pandemia, em que muitas famílias
estão passando por dificuldades, por situação de
desemprego e até privação de alimentos, esse é um
serviço estratégico. Lá é possível ter acesso a
serviços como:

 Programa Bolsa Família – que é um programa de distribuição de renda para


famílias em situação de extrema pobreza;

 Oferta de benefícios eventuais, tais como cestas básicas, aluguel social e outras
necessidades básicas;

 Tarifa Social – serviço que realiza o cadastro de famílias que se encaixam no perfil
do programa para receber descontos na conta de energia do seu domicílio;

 Proteção e Atenção Integral à Família (PAIF) – serviço de acompanhamento


psicossocial de famílias que estão em situação de vulnerabilidade, a partir de
visitas domiciliares, com objetivo de construir estratégias para enfrentamento e
saída das situações de insegurança.

Agora que você já sabe de alguns dos serviços ofertados pelo CRAS, pode acionar o
que estiver mais próximo de você ou indicar para alguém que você acha que pode se
beneficiar.

C) Associação de Moradores

Você conhece a liderança da associação de


moradores do seu bairro? Se não, é uma boa hora
para se aproximar e juntos(as) dar um gás em ações
comunitárias de cuidado no seu território! Grupos
de ajuda em aplicativos de comunicação são ótimas
ferramentas para serem utilizadas no momento,
como modo seguro de manter os movimentos
organizados e engajados.

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D) Espaços Religiosos

Não vamos esquecer que espaços religiosos,


como igrejas, terreiros, fraternidades, dentre outros,
também podem ser lugares de cuidado. E nem
precisam realizar os ritos religiosos com
aglomerações! Estes espaços podem ser utilizados
como locais de práticas solidárias, como doações de
alimentos, itens de higiene, acolhimento e escuta de
sofrimento. Explorem suas potencialidades!
Deu para perceber, né? É hora de ativar a
nossa criatividade! Se enfrentarmos a pandemia
juntas(os), também será possível construir novos
modos de existência, que produzam maior
qualidade de vida e sustentabilidade em
comunidade, fortalecendo as redes solidárias.

que nos oprime!


(Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra - MST)

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REFERÊNCIAS

AMORIM, C et al. Autocuidado para profissionais de saúde em tempos de COVID-19.


2020.

BRASIL. Ministério da saúde; Fundação Oswaldo Cruz. Saúde mental e atenção


psicossocial na pandemia COVID-19: recomendações gerais. Brasília: Ministério da Saúde,
c2020

______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção


Básica. Saúde mental / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento
de Atenção Básica, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília:
Ministério da Saúde, 2013. 176 p.: il. (Cadernos de Atenção Básica, n. 34)

______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção


Especializada e Temática. Centros de Atenção Psicossocial e Unidades de Acolhimento
como lugares da atenção psicossocial nos territórios: orientações para elaboração de
projetos de construção, reforma e ampliação de CAPS e de UA / Ministério da Saúde,
Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada e Temática. –
Brasília: Ministério da Saúde, 2015.

CARNEIRO, L. C. et al. Compilado de Práticas Terapêuticas para o autocuidado,


fortalecimento da imunidade e bem-viver, durante e após a pandemia. 2020.

Diretoria de saúde mental de Juazeiro Bahia, Secretária de Saúde de Juazeiro Bahia,


SESAU, 2020.

GASAM. Nota Técnica Gasam 009/2020, de 05 de maio de 2020.

GASAM. Nota Técnica Gasam 011/2020, de 05 de maio de 2020.

International Harm Reduction Association. What is Harm Reduction? London, United


Kingdom, Portuguese, April 2010.

MIYAZAKI, M. C. O. S; SOARES, M. R. Z. Estresse em profissionais da saúde que atendem


pacientes com COVID-19. Sociedade Brasileira de Psicologia. Tópico 2. 2020. Disponível
em: <https://www.sbponline.org.br/2020/03/grupo-de-trabalho-gt-de-enfrentamento-da-
pandemia-sbp-covid-19>. Acesso em: 17 maio 2020.

Peuker, A. C; Modesto, J. G. Estigmatização de profissionais de saúde. Sociedade Brasileira


de Psicologia. Tópico 2. 2020. Disponível em:
<https://www.sbponline.org.br/2020/03/grupo- de-trabalho-gt-de-enfrentamento-da-
pandemia-sbp-covid-19>. Acesso em: 17 maio 2020.

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