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BASES NEUROFISIOLÓGICAS DAS EMOÇÕES

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BASES NEUROFISIOLÓGICAS DAS EMOÇÕES

BASES

NEUROFISIOLÓGICAS DAS

EMOÇÕES

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BASES NEUROFISIOLÓGICAS DAS EMOÇÕES

SUMÁRIO

BASES NEUROFISIOLÓGICAS ................................................................................. 4


EMOÇÃO .................................................................................................................... 5
AS BASES NEURAIS DAS EMOÇÕES ...................................................................... 6
Prazer e recompensa .................................................................................................. 6
Alegria ......................................................................................................................... 9
Medo ......................................................................................................................... 10
Raiva ......................................................................................................................... 13
Tristeza ..................................................................................................................... 18
ASPECTOS NEUROBIOLÓGICOS DA AGRESSIVIDADE ...................................... 20
Bases biológicas da agressividade ........................................................................... 20
REALIDADE VIRTUAL COMO TÉCNICA PARA AUMENTAR CONCENTRAÇÃO,
ATENÇÃO E MEMÓRIA ........................................................................................... 26
O que é realidade virtual ........................................................................................... 26
Benefícios da realidade virtual na educação ............................................................. 28
Realidade virtual para melhorar a saúde mental ....................................................... 30
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 33

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BASES NEUROFISIOLÓGICAS

O funcionamento da unidade vesico-esfincteriana está sob a influência do

sistema nervoso autônomo (simpático e parassimpático) e do sistema nervoso

somático.

O sistema simpático (T10-L1) atua sobre o trato urinário inferior através de

receptores específicos distribuídos da seguinte forma: os receptores alfa-

adrenérgicos predominam na região trigonal e porções proximais da uretra,

enquanto os beta-receptores encontram-se em maior proporção no corpo vesical

(Krane & Siroky, 1981).

O estímulo dos receptores alfa resulta em constrição do trígono e uretra

proximal e o estímulo beta provoca relaxamento do corpo vesical. O sistema nervoso

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parassimpático atua através de receptores colinérgicos muscarínicos, localizados

principalmente no corpo vesical (Krane & Siroky, 1981).

O sistema nervoso somático através do nervo pudendo fornece suprimento

nervoso ao esfíncter urinário estriado. Durante a micção a ativação do sistema

nervoso parassimpático gera contração detrusora enquanto que a ativação dos

nervos somáticos induz o relaxamento esfincteriano. Em indivíduos normais, a

coordenação entre os sistemas descritos resulta em micção com jato contínuo e

esvaziamento completo da bexiga.

Os centros medulares simpático, parassimpático e somático são por sua vez,

controlados por um centro superior localizado na formação retículo-ponto-

mesencefálica. As diversas fases da micção estão, portanto, sob controle do centro

miccional do tronco cerebral que controla o funcionamento dos 3 sistemas

envolvidos.

Esse centro é ainda modulado por diversas outras áreas do cérebro,

especialmente a córtex frontal, o cerebelo, o sistema límbico e o hipotálamo, que

integram estímulos sensoriais permitindo o controle volitivo da micção.

EMOÇÃO

Emoção é uma sensação física e emocional que é provocada por algum

estímulo, que pode ser um sentimento ou um acontecimento. Vivenciar emoções é

muito pessoal, elas podem ser sentidas de formas diferentes por cada pessoa.

É a emoção que leva uma pessoa a reagir diante de um acontecimento. De

acordo com a emoção vivida podem acontecer reações físicas como alteração da

respiração, choro, vermelhidão e tremores.

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A etimologia da palavra emoção indica que ela tem origem no latim, na

palavra ex movere, que significa "mover para fora" ou "afastar-se". Esse

significado demonstra a reação natural às emoções.

Até hoje não existe uma definição exata do conceito de emoção ou

de quantas emoções existem. O que se sabe é que o ser humano é capaz de

vivenciar incontáveis emoções, principalmente porque os sentimentos que elas

proporcionam em cada pessoa são muito específicos.

Uma das teses mais conhecidas é do psicólogo Robert Plutchik, que diz que

o ser humano tem oito emoções: confiança, alegria, tristeza, medo, raiva,

surpresa, aversão e antecipação.

AS BASES NEURAIS DAS EMOÇÕES

Prazer e recompensa

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As emoções mais “primitivas” e bem estudadas pelos neurofisiologistas –

com a finalidade de estabelecer suas relações com o funcionamento cerebral – são

a sensação de recompensa (prazer, satisfação) e de punição (desgosto, aversão),

tendo sido caracterizado, para cada uma delas, um circuito encefálico específico. O

“centro de recompensa” está relacionado, principalmente, ao feixe prosencefálico

medial – nos núcleos lateral e ventromedial do hipotálamo –, havendo conexões com

o septo, a amígdala, algumas áreas do tálamo e os gânglios da base. Já o “centro

de punição” é descrito com localização na área cinzenta central que rodeia o

aqueduto cerebral de Sylvius, no mesencéfalo, estendendo-se às zonas Peri

ventriculares do hipotálamo e tálamo, estando relacionado à amígdala e ao

hipocampo e, também, às porções mediais do hipotálamo e às porções laterais da

área tegmental do mesencéfalo.

Para alguns pesquisadores a sensação de prazer pode ser distinguida pelas

expressões faciais e atitudes do animal após sua exposição a um estímulo hedônico;

tais expressões são mantidas mesmo em indivíduos anencefálicos, sugerindo que o

“centro de recompensa” deva se estender até o tronco cerebral. Acredita-se que

emissões aferentes do núcleo acumbens em direção ao hipotálamo lateral e ventral,

globo pálido e estruturas conectadas nessa mesma região cerebral estejam

envolvidas nos circuitos cerebrais hedônicos.

Em investigações com animais de experimentação (ratos), demonstrou-se

que estímulos na área septal, controlados pelo animal, acarretavam uma situação de

deflagração recorrente do estímulo, indicando uma possível correlação com o

desencadeamento de prazer. Essa conclusão, entretanto, não é tão simples: por

exemplo, na década de 1960, Robert Heath aplicou 17 eletrodos no encéfalo de um

paciente com o intuito de descobrir a localização de uma epilepsia grave. O que o

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pesquisador pôde observar foi que a estimulação de áreas específicas, de acordo

com a implantação dos eletrodos, gerava diferentes tipos de sensações.

O paciente em questão estimulava com maior frequência um sítio do tálamo

medial que, embora provocasse uma sensação de irritação, lhe causava a sensação

iminente de evocar uma memória, fazendo com que ele repetisse o procedimento na

tentativa de trazer a memória à mente, ou seja, com o objetivo de obter uma

recompensa com a estimulação repetida.

Estudos posteriores realizados em símios demonstraram a participação do

feixe prosencefálico medial nos estímulos apetitivos, sendo possível caracterizar,

inclusive, uma certa expectativa de prazer. Esse feixe e as regiões por ele

integradas (área tegmentar ventral, hipotálamo, núcleo acumbens, córtex cingulado

anterior e córtex pré-frontal) compõem o circuito denominado sistema mesolímbico.

A dopamina parece ser fundamental na mediação dos efeitos de

recompensa. Neurônios dopaminérgicos projetam-se da área tegmentar ventral do

mesencéfalo para muitas áreas do encéfalo através do feixe prosencefálico medial.

Além disso, drogas que causam dependência química aumentam a eficácia da

dopamina e provocam sua liberação no núcleo acumbens, demonstrando o papel

desse neurotransmissor nos mecanismos de recompensa e/ou prazer. Contudo, as

investigações até então realizadas permanecem com resultados ambíguos,

principalmente no âmbito dos estudos farmacológicos – os quais indicam que os

agonistas da dopamina aumentam a taxa de auto estimulação, enquanto os

antagonistas diminuem essa mesma taxa – e dos estudos lesionais, que mostram

que a secção do feixe prosencefálico medial, por exemplo, não provoca redução

significativa da auto estimulação, como seria de se esperar.

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Alegria

A indução de alegria – resposta à identificação de expressões faciais de

felicidade, à visualização de imagens agradáveis e/ou à indução de recordações de

felicidade, prazer sexual e estimulação competitiva bem-sucedida – provocou a

ativação dos gânglios basais, incluindo o estriado ventral e o putâmen. Além disso,

vale relembrar que os gânglios basais recebem uma rica inervação de neurônios

dopaminérgicos do sistema mesolímbico – intimamente relacionados à geração do

prazer – e do sistema dopaminérgico do núcleo estriado ventral.

A dopamina age de modo independente – utilizando receptores opióides e

GABAérgicos no estriado ventral, na amígdala e no córtex orbitofrontal – algo

relacionado a estados afetivos (como prazer sensorial), enquanto outros

neuropeptídios estão envolvidos na geração da sensação de satisfação por meio de

mecanismos homeostáticos. Descrições neuroanatômicas de lesões das vias

cérebro-pontocerebelares em indivíduos com riso e choro patológicos sugerem que

o cerebelo seja uma estrutura envolvida na associação entre a execução do riso e

do choro e o contexto cognitivo e situacional em questão; de fato, quando tal

estrutura está lesionada há transição incompleta das informações, provocando um

comportamento inadequado ao seu contexto.

Os gânglios basais também estão relacionados ao desgosto, sensação

comum nos enfermos com esquizofrenia e depressão. Em razão de suas funções

motoras, os gânglios basais parecem também estar envolvidos na coordenação de

respostas apropriadas ao estímulo original, tentando fazer com que o organismo

alcance o seu objetivo (adoção de comportamento de aproximação ou de

retraimento).

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Medo

As relações entre a amígdala e o hipotálamo estão intimamente ligadas às

sensações de medo e raiva. A amígdala é responsável pela detecção, geração e

manutenção das emoções relacionadas ao medo, bem como pelo reconhecimento

de expressões faciais de medo e coordenação de respostas apropriadas à ameaça e

ao perigo. A lesão da amígdala em humanos produz redução da emocionalidade e

da capacidade de reconhecer o medo.

Por outro lado, a estimulação da amígdala pode levar a um estado de

vigilância ou atenção aumentada, ansiedade e medo. Desde as descrições iniciais

do SL, realizadas por Papez, acreditava-se que o hipotálamo exercia papel crucial

entre as estruturas subcorticais envolvidas no processamento das emoções.

Atualmente se reconhece que projeções da amígdala para o córtex contribuem para

o reconhecimento do vivenciamento do medo e outros aspectos cognitivos do

processo emocional.

A amígdala é uma estrutura que exerce ligação essencial entre as áreas do

córtex cerebral, recebendo informações de todos os sistemas sensoriais. Estas, por

sua vez, projetam-se de forma específica aos núcleos amigdalianos, permitindo a

integração da informação proveniente das diversas áreas cerebrais, através de

conexões excitatórias e inibitórias a partir de vias corticais e subcorticais.

Os núcleos basolaterais são as principais portas de entrada da amígdala,

recebendo informações sensoriais e auditivas; já a via amigdalofugal ventral e a

estria terminal estabelecem conexão com o hipotálamo, permitindo o

desencadeamento do medo.

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A estria terminal está relacionada à liberação dos hormônios de estresse das

glândulas hipófise e supra-renal durante o condicionamento.

Aferências sensoriais à amígdala são recebidas pelo núcleo lateral.

As aferências auditivas provêm do tálamo auditivo e do córtex auditivo e

chegam ao núcleo lateral da amígdala, estimulando-a nos processos de medo

condicionado (conforme descrito adiante). Tal fato é confirmado por estudos de

ressonância magnética funcional (fRMI) em humanos, nos quais, durante o

condicionamento, se observou atividade da amígdala e atividade correlata no

tálamo.

Além do córtex e do tálamo auditivos, áreas ventrais do hipotálamo

projetamse para os núcleos basolateral e basomedial da amígdala, havendo, em

casos de lesão dessas áreas, interferência na geração do condicionamento. O

núcleo central da amígdala é responsável pela interface com o sistema motor,

consequentemente lesões desse núcleo revelaram alterações na expressão das

respostas ao medo condicionado. O papel da amígdala no desencadeamento do

medo pôde ser mais bem estudado durante as décadas de 1970 e 1980, quando foi

descrita a técnica de condicionamento pavloviano do medo.

Essa técnica consistia em oferecer um estímulo emocionalmente neutro,

como a emissão de um tom sonoro (estímulo condicionado), e associá-lo a um

estímulo aversivo, como um choque elétrico (estímulo incondicionado). Depois da

aplicação repetida desses estímulos associados, notou-se que o estímulo

condicionado foi capaz de provocar respostas observadas, tipicamente, na presença

de perigo, como comportamento de defesa (respostas de fuga ou luta), ativação do

sistema nervoso autônomo (alterações no fluxo sanguíneo e frequência cardíaca),

respostas neuroendócrinas (liberação de hormônios hipofisários e suprarrenais),

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entre outros. Situações como exposição a sons fortes e súbitos, altura elevada e

estímulos visuais grandes não identificados – que surgem na parte superior do

campo visual de modo repentino –, produzem o chamado medo incondicionado,

presente em vários animais.

Na espécie humana, o medo incondicionado pode ser produzido, por

exemplo, pela escuridão. O medo condicionado, ou aprendido, é causado pela

maioria dos estímulos, que se tornam “avisos” de que situações ameaçadoras

podem acontecer novamente.

Após essa descoberta, foi possível a associação desses comportamentos à

amígdala, uma vez que lesões nessa estrutura interferiam na aquisição e na

expressão do medo condicionado. A investigação da amígdala por meio de exames

de imagem, como tomografia por emissão de pósitrons (PET) e fRMI, permitiu

concluir que tal estrutura é ativada mesmo quando o indivíduo analisado não está

submetido diretamente a uma situação que lhe provoque medo. Além disso,

observou-se que a amígdala não é ativada apenas em processos que envolvem a

sensação de medo, mas também durante situações mais positivas, como, por

exemplo, durante o reconhecimento de expressões faciais de alegria, levando à

conclusão de que a amígdala está envolvida na resposta a estímulos de importância

emocional, independentemente de seu contexto agradável ou desagradável.

Para o aprendizado do condicionamento do medo, as vias que transmitem a

informação do estímulo convergem no núcleo lateral da amígdala, de onde parte a

informação para o núcleo central. Este, por sua vez, estabelece conexão com o

hipotálamo e substância cinzenta periaquedutal no tronco cefálico, evocando, por

fim, respostas motoras somáticas. A participação, nesse processo, dos núcleos

basolaterais da amígdala pôde ser confirmada a partir da observação, em estudos

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de investigação dos receptores NMDA no cérebro – receptores associados à

aquisição, reconsolidação e extinção de memórias. Verificou-se que os núcleos

amigdalianos eram o local primário de ação das drogas que agem sobre os

receptores NMDA, ou seja, potencializando (drogas agonistas) ou extinguindo

(drogas antagonistas) a memória associada ao medo condicionado. Além do

importante papel da amígdala na geração do medo, esse processo também parece

ser dependente dos sistemas serotoninérgico, noradrenérgico e GABAérgico

centrais, na medida em que se reconhece que o mecanismo de ação dos fármacos

antidepressivos e ansiolíticos depende de interferências na condução habitual

dessas vias, ao alterar a concentração de seus receptores.

Deve-se também mencionar o papel do lobo temporal na neurobiologia do

medo. Lesões nessa localização produzem alterações no comportamento social e

emocional dos animais, tais como aquisição de postura dócil por animais selvagens

e ferozes, perda do medo, curiosidade extrema, esquecimento rápido, tendência a

colocar tudo na boca e impulso sexual extremamente intenso (síndrome de Klüver-

Bucy). Embora distúrbios semelhantes sejam raros em seres humanos, as pessoas

afetadas reagem de forma similar aos símios – quadro caracterizado por apatia,

letargia e insensibilidade emocional.

Raiva

Uma das primeiras estruturas associadas à raiva foi o hipotálamo, em

decorrência de estudos realizados na década de 1920, nos quais se descreveram

manifestações de raiva em situações não condizentes, após a remoção total do

telencéfalo.

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Entretanto, esse mesmo comportamento não era observado quando a lesão

se estendia até a metade posterior do hipotálamo, levando à conclusão de que o

hipotálamo posterior estaria envolvido com a expressão de raiva e agressividade,

enquanto o telencéfalo mediaria efeitos inibitórios sobre esse comportamento.

A raiva é manifestada basicamente por comportamentos agressivos, os quais

dependem do envolvimento de diversas estruturas e sistemas orgânicos para serem

expressos. Além disso, esse comportamento também admite variações de acordo

com o estímulo que o evoca. Sendo assim, podem-se descrever dois

comportamentos classicamente estudados em animais: a agressão predatória, que

tem por objetivo a obtenção de alimento, e a agressão afetiva, cujo propósito é a

exibição para animais ou fêmeas ao redor. Durante a década de 1960, John Flynn

identificou que esses comportamentos agressivos eram provocados pela

estimulação de áreas específicas do hipotálamo, localizadas no hipotálamo lateral e

medial, respectivamente.

O comportamento típico de agressão predatória pode ser verificado após

estimulação do hipotálamo lateral, o qual possui eferências na área tegmentar

ventral através do feixe prosencefálico medial. Em contrapartida, a secção desse

feixe neuronal não elimina tal comportamento em sua totalidade, indicando a

possibilidade de que o hipotálamo não seja a única estrutura associada à geração

desse padrão comportamental. A agressão afetiva, por sua vez, é provocada por

estimulação da substância cinzenta periaquedutal pelo hipotálamo lateral, por

intermédio do fascículo longitudinal dorsal. A raiva, assim como o medo, é uma

emoção relacionada às funções da amígdala, em decorrência de conexões com o

hipotálamo e outras estruturas. A estimulação elétrica dos núcleos basolaterais da

amígdala ativa o hipotálamo e os núcleos do tronco encefálico, provavelmente

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através da via amigdalofugal ventral, produzindo comportamento típico de agressão

afetiva.

Por outro lado, a estimulação dos núcleos corticomediais provoca eferências

inibitórias ao hipotálamo através da estria terminal, reduzindo a agressão predatória.

Sander et al. realizaram um estudo com o objetivo de identificar as áreas cerebrais

envolvidas no processamento da raiva, utilizando a fRMI. O estímulo recebido pelos

participantes eram vozes furiosas ou neutras, simultaneamente, devendo-se optar

por qual delas escutar. Os resultados do estudo mostraram que a amígdala direita e

os sulcos temporais superiores bilaterais responderam ao reconhecimento da raiva,

independentemente de quando a voz que denotava raiva era escolhida ou não;

entretanto, o córtex orbitofrontal e o cúneo (no córtex occipital medial) mostraram

maior ativação quando a voz furiosa era escolhida do que quando era descartada,

indicando possível associação dessas áreas no processamento neural do

reconhecimento da raiva.

Além desse estudo, há outras descrições da associação de lesões do córtex

orbitofrontal a comportamentos inapropriados, como impulsividade, raiva, pouca

expressão de felicidade e características de distúrbio de personalidade duplax.

Recente investigação realizada por Suslow et al. demonstrou, também utilizando

exames de imagem (fRMI), a ativação bilateral da amígdala durante a visualização

de faces amedrontadas, ao passo que a observação de figuras que mostravam

expressões faciais enfurecidas provocaram estimulação unicamente da amígdala

direita. Tal fato, além de concordar com estudo anteriormente descrito38, torna

possível reforçar que a amígdala esteja associada à percepção de expressões

faciais de ameaça e que suas conexões com as demais estruturas corticais e

subcorticais permita estabelecer uma resposta a essa ameaça. Além dos

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componentes estruturais, há estudos envolvendo a participação de

neurotransmissores na modulação da raiva e agressão. A serotonina é um dos

neurotransmissores implicados nessa regulação, o que pode ser facilmente

sugerido, uma vez que se conhece a localização de neurônios serotoninérgicos na

rafe do tronco encefálico, no feixe prosencefálico medial, no hipotálamo e em outras

estruturas límbicas associadas. Essa associação pode ser reforçada por estudos

realizados com camundongos nocaute para os receptores 5-HT1B.

Esses receptores específicos estão localizados nos núcleos da rafe,

amígdala, substância cinzenta periaquedutal e gânglios da base. A raiva parece ser

modulada principalmente pelo núcleo acumbens e por intermédio dos sistemas

dopaminérgico e glutamatérgico, uma vez que antidepressivos dopaminérgicos e

psicoestimulantes são potencializadores da raiva e os antipsicóticos e

estabilizadores do humor podem exercer efeitos depressores sobre a raiva36.

Reações de luta-fuga A conexão direta entre o hipotálamo e o sistema nervoso

autônomo (SNA) se dá, possivelmente, mediante projeções hipotalâmicas para

regiões do tronco encefálico, destacando-se o núcleo do trato solitário.

Além dessas vias eferentes, o nervo vago (NC X), um dos principais

elementos do SNA (porção parassimpática), representa ainda um importante

componente aferente, ativando áreas cerebrais superiores: suas projeções aferentes

ascendem ao prosencéfalo através do núcleo parabraquial e locus ceruleus,

conectando-se diretamente com todos os níveis do prosencéfalo (hipotálamo,

amígdala e regiões talâmicas que controlam a ínsula e o córtex orbitofrontal e pré-

frontal). Dessa forma, o nervo vago destaca-se na participação da resposta

integrada (cognição-emoção), porque, além de estimular áreas encefálicas, produz

reações orgânicas fisiológicas diretas (as aferências vagais determinarão respostas

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específicas, inibitórias ou excitatórias em vários tecidos e sistemas corporais) e

também indiretas, por meio da estimulação paralela de outros nervos que se

originem próximo ao centro vagal no sistema nervoso central.

O SNA está diretamente envolvido nas denominadas “situações de luta e/ou

fuga” e imobilização. Tais ocorrências estão intrinsecamente relacionadas a um

mecanismo de neurocepção, que se caracteriza pela capacidade de o indivíduo de

agir conforme sua percepção de segurança ou ameaça a respeito do meio onde ele

se encontra. Essa percepção pode ser dada, por exemplo, pelo tom da voz ou pelos

movimentos e expressões faciais da pessoa ou do animal com quem ele se

comunica. Toda vez que a pessoa percebe o meio ambiente como “seguro”, ela

dispõe de mecanismos inibitórios que atuam sobre as estruturas límbicas que

controlam comportamentos de luta-fuga, como as regiões lateral e dorsomedial da

substância cinzenta periaquedutal.

Tal mecanismo pode ser exemplificado pelas projeções neurais do giro

fusiforme e sulco temporal superior em direção à amígdala (mais precisamente o

núcleo central amigdaliano), inibindo-a. Dessa forma, a amígdala não exerce seu

papel normal, ou seja, a estimulação dessas vias na substância cinzenta

periaquedutal. Concomitantemente, após o processamento de todas as informações,

o córtex motor (onde se destacam as áreas frontais) comanda a ativação de vias

corticobulbares na medula (núcleos fonte dos pares cranianos NC V, VII, IX, X e XI),

que ativam os componentes somatomotor (músculos da face e da cabeça) e

visceromotor (coração, árvore brônquica) dos mecanismos fisiológicos para o

contato social.

Ao contrário, toda vez que a pessoa percebe o meio ambiente como

“ameaçador”, a amígdala estará livre para desencadear estímulos excitatórios sobre

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a região lateral e dorsolateral da substância cinzenta periaquedutal, que então

estimula as vias do trato piramidal, produzindo respostas de luta e/ou fuga. Além

disso, há casos em que a pessoa responde a tais situações como se estivesse

paralisada; essa resposta decorre da estimulação da região ventrolateral ao

aqueduto cerebral (Sylvius), que também estimula as vias neurais do trato

corticoespinal lateral (piramidal). É interessante ressaltar que essas reações ocorrem

paralelamente a uma resposta autonômica simpática, por nervos originados dos

gânglios paravertebrais, e parassimpática (nervos III, VII, IX e X), bem como sua

porção sacral, representada pelos nervos sacrais de S2 a S4, permitindo, assim, a

inervação de vasos sanguíneos e musculatura lisa de órgãos de diferentes sistemas

em todo o organismo. Em situações de luta-fuga ocorre elevação da frequência

cardíaca e da pressão arterial; de outro modo, nas situações de imobilização ocorre

intensa bradicardia e queda da pressão arterial.

Tristeza

A tristeza e a depressão podem ser vistas como “polos” de um mesmo

processo – a primeira considerada “fisiológica”, e a segunda, “patológica” – estando,

por conta disso, relacionadas em termos neurofisiológicos. É cada vez mais

frequente a descrição da correlação entre disfunções emocionais e prejuízos das

funções neurocognitivas. De fato, a depressão associa-se a déficits em áreas

estratégicas do cérebro, incluindo regiões límbicas. Não obstante os fatores

emocionais relacionados há vários determinantes biológicos implicados no seu

desenvolvimento; observam-se alterações ocorridas no sistema imunológico.

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Estudos contemporâneos demonstraram que a realização de atividades que

evocam esse sentimento relacionam-se à ativação de áreas centrais, como os giros

occipitais inferior e medial, giro fusiforme, giro lingual, giros temporais póstero-medial

e superior e amígdala dorsal, ressaltando-se, também, a participação do córtex pré-

frontal dorsomedial46. Ademais, em indivíduos normais observou-se, por meio de

exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET), que a indução da tristeza

relaciona-se:

1) à ativação de regiões límbicas – porção subgenual do giro do cíngulo e

ínsula anterior –;

2) desativação cortical – córtex pré-frontal direito e parietal inferior –; e

3) diminuição do metabolismo da glicose no córtex pré-frontal.

Do mesmo modo, no estudo realizado por Phan et al., identificou-se

importante ativação do córtex cingulado subcaloso (especialmente na região

cingulada anterior subgenual/ventral) após a indução de tristeza nos indivíduos

estudados; já nos pacientes com depressão clínica notou-se hipometabolismo ou

hipoperfusão no córtex cingulado subcaloso.

Com o objetivo de avaliar os sistemas neuroquímicos envolvidos nos

processos emocionais, Zubieta et al. realizaram um estudo, em humanos,

observando que, por meio da estimulação e da manutenção de um estado de

tristeza, desenvolve-se uma inativação da neurotransmissor no giro cingulado rostral

anterior, no pálido ventral, na amígdala e no córtex temporal inferior. Correlaciona-se

aumento nas taxas de sentimentos negativos e redução nas taxas de sentimentos

positivos, confirmando o papel dos receptores mu-opióides na regulação fisiológica

das experiências afetivas em humanos.

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ASPECTOS NEUROBIOLÓGICOS DA AGRESSIVIDADE

Bases biológicas da agressividade

Lesões cerebrais, hormônios e estresse na infância são alguns dos fatores

que podem levar ao comportamento agressivo e antissocial.

O dia 13 de setembro de 1848 era um dia como qualquer outro para Phineas

P. Gage, um homem de 25 anos encarregado da construção de ferrovias no estado

americano de Vermont. Entre outras funções, Gage era responsável pela denotação

de rochas a fim de aplainar o terreno por onde passariam os trilhos. Naquele dia, no

entanto, uma explosão fez com que um bastão de ferro de cerca de três centímetros

de diâmetro e mais de um metro de comprimento fosse atirado como uma bala de

revólver em direção ao rosto de Gage. O bastão o perfurou pela parte inferior da

bochecha esquerda, atravessando o olho e a parte frontal do cérebro, rompendo

pelo topo do crânio. Para a surpresa de todos, ele não somente sobreviveu, como

em poucas semanas já era capaz de andar e falar normalmente. Fora a perda do

olho esquerdo e as cicatrizes, não apresentou qualquer tipo de alteração motora, de

inteligência ou de memória.

No entanto, algo havia mudado. “Gage não era mais Gage”, seus conhecidos

relatavam. Ele passou a apresentar um comportamento impulsivo, ofensivo e

indiferente às convenções sociais. Antes um trabalhador responsável, perdera o

senso de responsabilidade e não mais obedecia às ordens de seus superiores, o

que o levou a ser demitido. Nunca mais teve um emprego fixo. Passou a viajar e a

se apresentar como uma aberração em circos, ao lado do bastão de ferro que lhe

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causou o ferimento. Morreu 13 anos após o acidente devido a complicações

provocadas por ataques epiléticos.

Cinco anos após sua morte, o médico que o atendeu, John Harlow, solicitou à

família que seu corpo fosse exumado para que seu crânio fosse mantido como um

registro médico. Harlow entrevistou pessoas próximas à vítima e publicou um ensaio

em 1868 intitulado “Recuperação da passagem de uma barra de ferro pela cabeça”,

correlacionando, de maneira inédita, o comportamento agressivo de Gage com as

regiões do cérebro lesadas. O caso se tornaria o marco zero de estudos sobre a

neurologia do comportamento humano e daria um fim ao dualismo mente-

corpo postulada por René Descartes no século XVI. A mente, até então vista como

algo imaterial e separada do corpo, passou a fazer parte do corpo físico.

Há alguns anos, os pesquisadores lusitanos Hanna e Antonio Damasio, da

Universidade de Iowa, publicaram resultados sobre a reconstituição do caso de

Phineas Gage na revista Science. Utilizando técnicas modernas de tomografia

computadorizada, concluíram que a trajetória da barra de ferro afetou a região

ventromedial dos lobos frontais do cérebro. Os pesquisadores, ao correlacionar os

resultados de seu estudo com o registro médico de outros pacientes, constataram

que existe um padrão de alteração de comportamento. Ou seja, lesões em

determinadas regiões do cérebro podem afetar o processamento de emoções e

comprometer questões sociais, mudando a personalidade da pessoa.

Danos em diferentes partes do cérebro e o papel dos

neurotransmissores

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O cérebro é uma estrutura complexa, e cada região comprometida irá gerar

uma resposta diferente. Assim, uma das formas de estudar a função de diferentes

estruturas é observar o que acontece quando elas são afetadas.

No caso de Phineas Gage, foi afetado o córtex pré-frontal. Essa é uma região

envolvida na tomada de decisões, no planejamento de atividades complexas, no

controle de impulsos e na modulação do comportamento social. Várias

pesquisas realizadas usando imagem por ressonância magnética mostram que essa

região é menos ativa – ou até menor – em criminosos violentos e em pacientes com

transtorno de personalidade antissocial (comumente conhecido como sociopatia).

Outro exemplo de problema causado por danos no córtex pré-frontal é

a demência fronto-temporal. Esse transtorno normalmente se manifesta entre os 55

e 65 anos e é o segundo mais comum dentre as doenças neurodegenerativas,

depois do Alzheimer. Entre outros sintomas, como prejuízo na linguagem, pacientes

também apresentam dificuldades em controlar impulsos e respeitar convenções

sociais.

Um caso que se tornou objeto de estudo foi o do universitário americano

Charles Whitman. Em 1966, ele procurou ajuda de um psiquiatra alegando sofrer

com estresse e isolamento. Meses mais tarde, esfaqueou sua mãe e esposa, subiu

em uma torre na Universidade do Texas e, usando um rifle, matou 17 pessoas e

feriu outras 32. Foi morto na ação por policiais. Em uma carta deixada, alega estar

“fora de si” e “tendo pensamentos irracionais”, e instrui que o seu seguro de vida

fosse doado a uma fundação de doentes mentais para prevenir tragédias como a

que ele estava prestes a cometer. Uma autópsia revelou a existência de um tumor

em seu cérebro, pressionando a região da amígdala, localizada no sistema límbico.

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O sistema límbico é um conjunto de estruturas envolvidas em várias funções,

como controle da emoção, motivação, aprendizado e memória. Desse sistema, duas

estruturas estão relacionadas ao comportamento agressivo: a amígdala e o

hipotálamo lateral.

Estudos mostram que lesões que reduzam a atividade da amígdala causam

também a diminuição do comportamento agressivo. Usando aparelhos de

ressonância magnética, pesquisadores observaram que existe um aumento da

atividade da amígdala quando as pessoas veem rostos com expressões agressivas.

Outra pesquisa mostrou que aqueles que possuem uma maior atividade nessa

estrutura tendem a julgar as pessoas como menos confiáveis.

Neurotransmissores também podem modular o comportamento social e a

agressividade. O principal é a serotonina – experimentos apontam que a diminuição

da substância no córtex pré-frontal aumenta o comportamento violento. Algumas

pessoas, por exemplo, nascem com uma variação no gene responsável pelo

processamento da serotonina (MAOA). Essa variação, por si, não causa alterações

no comportamento, mas quando pessoas com essa variante ficam isoladas, elas se

tornam mais agressivas do que aquelas que não possuem a variação.

Dessa forma, é importante destacar que a predisposição genética não é

garantia de que determinadas atitudes vão se desencadear. A interação com o

ambiente pode ser o diferencial para que atitudes distintas se manifestem.

Estresse na infância

Em 1966 um decreto proibiu o aborto e os contraceptivos na Romênia,

proibição mantida até 1989, com o fim do regime do ditador Nicolae Ceauşescu.

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Nesse período aumentou o número de crianças abandonadas, expostas a condições

terríveis. Além da falta de comida, água e eletricidade, muitas eram amarradas aos

seus berços e camas e sofriam abuso físico e sexual dos funcionários dos orfanatos.

Com o fim do regime, muitas foram adotadas e vieram à tona os efeitos nocivos que

o estresse nos primeiros anos de vida pode ter no comportamento social.

Ainda durante a infância, elas já mostravam comportamentos anormais, como

chacoalhar as mãos e se balançar para frente e para trás constantemente. Depois,

apresentaram dificuldade em formar vínculos afetivos com os pais adotivos. Usando

ressonância magnética, foi possível ver que a amígdala dessas crianças reagia de

maneira diferente do normal tanto quando elas viam fotos de pessoas estranhas

quanto também de familiares. Depois de adultos, se tornaram pessoas muito

agressivas e antissociais.

Deborah Suchecki, professora do Departamento de Psicobiologia da Unifesp,

explica que vários modelos animais foram desenvolvidos para verificar os efeitos da

negligência na infância. De acordo com ela, mesmo períodos curtos de privação

materna em ratos mostram efeitos que se prolongam por toda a vida. “Em ratos

adolescentes, notamos que eles são mais ansiosos e deprimidos. Os machos

apresentam uma fuga social, não têm curiosidade em explorar outros ratos, o que

seria o comportamento natural”.

O estresse na infância também pode alterar a forma como o corpo responde

ao estresse durante toda a vida. Quando exposto ao estresse, o corpo reage

liberando glicocorticoides. Esses hormônios são necessários para modular a

resposta ao estresse, mas quando os níveis se mantêm elevados por muito tempo,

podem causar efeitos adversos. O abandono ou perda dos pais podem causar

alterações permanentes nesse sistema, levando à liberação de quantidades

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anormais de glicocorticoides até na idade adulta. Essas alterações estão associadas

a vários transtornos psiquiátricos (depressão, ansiedade e transtorno de estresse

pós-traumático) e no comportamento social (baixa autoestima e isolamento).

Outra substância que participa do comportamento social é a oxitocina – muito

conhecida pelo vínculo entre pais e filhos. Crianças privadas do contato com as

mães apresentam baixo nível de oxitocina e, associado a isso, baixo nível de

empatia e maior chance de desenvolver transtornos relacionados ao comportamento

social, como ansiedade e déficit de atenção.

De acordo com Suchecki, o prejuízo no sistema de oxitocina é considerado

um fator agravante em vários transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia,

depressão, ansiedade social e transtorno de estresse pós-traumático. “Normalmente

numa situação de estresse as pessoas buscam o apoio social, são as pessoas bem-

adaptadas. Aqueles que se esquivam do contato social normalmente são os que irão

desenvolver esses transtornos”.

Apesar dos inúmeros fatores neurobiológicos que podem levar ao

comportamento agressivo e antissocial, Claudia Berlim, professora do Departamento

de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destaca que é

preciso ser cuidadoso para não achar que a agressividade é determinada apenas

por eles. “Essa relação entre o que é ambiental e o que é neurobiológico é muito

mais dinâmica do que predeterminada”, ressalta. Para a pesquisadora, é importante

alertar que é possível intervir em muitos casos. “Existe o risco de achar que não tem

o que fazer. Sempre tem o que fazer, desde que as intervenções sejam precoces”,

conclui.

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REALIDADE VIRTUAL COMO TÉCNICA PARA AUMENTAR

CONCENTRAÇÃO, ATENÇÃO E MEMÓRIA

O que é realidade virtual

O ambiente virtual ou Realidade Virtual é uma tecnologia cujo mecanismo é

aplicado a uma interface que conecta os usuários e utiliza um sistema informatizado,

para construir uma plataforma realista e proporcionar ao visitante uma sensação de

que o que se está vendo é praticamente parte do real.

O objetivo da Realidade Virtual é projetar o que é real no ambiente virtual em

tempo real, baseado as técnicas e ferramentas tecnológicas com o intuito de ampliar

a sensação de realidade ao visitante. Resumidamente a Realidade Virtual é uma

simulação do que se vive na plataforma informatizada. Pode ser também batizada

de Realidade Ficcional, pois é através do que compreendemos das situações, que

conseguimos aproximá-las do que é real.

O termo Realidade Virtual ou RV, teve seu início na década de 1970, data

esta em que alguns estudiosos registraram suas primeiras pesquisas relacionadas

ao tema, como é o caso de Myron Krueger que utilizava o termo Realidade Artificial

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em seus estudos de sistemas de computadores. O ano que marcou o início da

Realidade Virtual foi 1980, com Jaron Lanier e seu simulador que foi compartilhado

com vários usuários simultaneamente. A partir deste fato, o termo Realidade Virtual

foi designado como ..."diferenciar simulações feitas por uma máquina de simulações,

as quais envolvem vários usuários em um mesmo ambiente"...

A Realidade Virtual é a interface do computador com o usuário, que permite a

interação entre eles e utiliza a informática com o fim de criação de efeitos reais no

modo virtual. Os elementos são interativos e alguns com aspectos tridimensionais,

sendo o ambiente 3D formatado por um computador e possibilita a realização de

uma navegação real pelo usuário. Pode-se ainda dizer que a Realidade Virtual é a

técnica que permite a maior interação e imersão (sensação de estar dentro do que o

computador projeta) a quem utiliza.

A linguagem de programação desta plataforma é

a VRML, X3D, Java3D e OpenGL.

Existem dois tipos de Realidade Virtual, de acordo om o nível de interação e

conectividade com o usuário:

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 o Tele Operação é baseado pela interface a distância, como

teleconferência e

 o Tele Presença é o agrupamento em um único ambiente virtual, por

vários usuários.

Os sistemas de Realidade Virtual pode ser de quatro tipos:

Simulação, Aumentada, de Mesa ou de Projeção e podem ser aplicados a

diversos dispositivos como comunicação a distância, jogos, simuladores (Aviões),

projetos arquitetônicos e também na medicina.

Benefícios da realidade virtual na educação

A tecnologia da realidade virtual está cada vez mais acessível. Suas

aplicações são inúmeras e não se limitam à produção de entretenimento.

Na área da educação a realidade virtual é sinônimo de modernização e

inovação. A tecnologia possibilita experiências realísticas, imersivas e interativas

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que permitem melhorar a fixação e a compreensão dos alunos em relação ao

conteúdo apresentado em sala de aula.

A atual geração de estudantes é grande detentora de informações; conhece e

explora a tecnologia e a utiliza constantemente em sua rotina. Faz sentido, portanto,

usá-la para melhorar o ensino e o interesse dos alunos.

Alguns grandes benefícios da realidade virtual na educação são:

 Experiência ativa do usuário;

 Envolvimento imediato;

 Melhora a compreensão de assuntos, teorias e conceitos complexos;

 Experiência imersiva;

 Reduz a distração do aluno;

 A exploração da tecnologia e seu uso potencializa a aprendizagem;

 Aumenta a retenção e melhora a absorção do conteúdo;

 Melhora a interação entre os estudantes;

 O uso da tecnologia é adequada a diversos estilos de aprendizagem.

Algumas escolas e universidades de todo o mundo já estão adotando a RV

dentro das salas de aula. A expectativa é que a tecnologia esteja presente em todas

as áreas da educação, estendendo-se ao maior número de usuários.

O objetivo da realidade virtual é simular uma realidade que não existe de fato.

Ela possibilita ao usuário a interação com objetos e cenários tridimensionais. A

tecnologia permite, por exemplo, que um professor guie seus alunos para áreas

inóspitas do mundo real, como os Polos, exemplificando o conteúdo apresentado em

sala de aula.

Através da RV é possível colocar o aluno no papel principal, potencializando

seu aprendizado de maneira intensa e mais próxima da realidade.

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O Google utilizou a realidade virtual na educação com o projeto Expeditions.

A ferramenta permite que professores e alunos embarquem em jornadas imersivas

por mais de 200 destinos. Utilizando um óculos de RV os estudantes transportam-se

virtualmente para qualquer lugar do mundo.

A ideia para a área da educação é trazer diversão e aumentar o interesse dos

alunos, enriquecendo suas experiências. O uso da realidade virtual promete

revolucionar todo o ensino. A tecnologia irá transformar o modo como os alunos se

relacionam com o conhecimento e com o mundo em geral.

Realidade virtual para melhorar a saúde mental

Além de transformar campos como a educação, a realidade virtual é uma das

grandes promessas em medicina. Esta tecnologia está fadada a complementar

tratamentos farmacológicos com o objetivo, por exemplo, de ajudar a pacientes com

autismo, estresse pós-traumático ou paranoia, entre outros transtornos. Resulta que

desde que Facebook comprou Oculus Rift por mais de dois bilhões de dólares, a

atenção e o interesse sobre estes dispositivos não deixou de crescer.

Há apenas alguns meses, contávamos os estudos realizados na Universidade

Carlos III de Madri para implementar a realidade virtual com o objetivo de melhorar

os exercícios de reabilitação. Esta não é a única aplicação biomédica da tecnologia.

Cientistas da Universidade de Yale, por exemplo, estão trabalhando para ajudar

pessoas com autismo através de sistemas de realidade virtual.

No âmbito da saúde mental, são diversas as iniciativas para aplicar estes

dispositivos em medicina. A paranoia severa é um dos transtornos nos que se está

testando a tecnologia, demonstrando por sua vez que suas aplicações vão além do

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lazer e tempo livre. Outro dos exemplos é o tratamento da depressão, cujos

sintomas podem ser minimizados graças ao emprego de programas de realidade

virtual, de acordo com um trabalho conjunto do University College of London e a

Universidade de Barcelona. Os pacientes que usaram estes dispositivos foram

menos críticos consigo mesmos, o que mostra que os sistemas podem

complementar (nunca substituir) outro tipo de intervenções psico e/ou

farmacológicas.

A terapia de exposição, baseada no uso de realidade virtual, também

demonstrou certa eficácia para reduzir o estresse pós-traumático dos soldados que

voltavam das guerras do Iraque e do Afeganistão. Ainda que mais estudos clínicos

que apoiem estas hipóteses preliminares sobre sua eficiência sejam necessários, o

certo é que os sistemas de realidade virtual parecem minimizar as lembranças

traumáticas fixadas na memória dos ex-combatentes.

O funcionamento da tecnologia consiste em mostrar aos pacientes cenários

irreais, com o objetivo de que ser cérebro reaja de alguma forma gente as ilusões

virtuais. Bem reduzindo o estresse sofrido durante a guerra, aliviando os sintomas

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depressivos, bem diminuindo os sinais de paranoia severa, cada vez há mais

pesquisas que sugerem que a realidade virtual pode complementa outro tipo de

terapias.

Deste modo, através de imagens que não existem na realidade, a medicina

pode ajudar a pessoas afetadas a comportar-se de forma diferente e abordar de

outra maneira seus problemas. Assim, a realidade virtual pode melhorar a saúde

mental e apoiar outro tipo de tratamentos aplicados na prática clínica de praxe.

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