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PATOLOGIA EM CONCRETO ARMADO

Oque é patologia?

O significado de PATOLOGIA é de origem grega e significa


estado doentio, falta de saúde, anormalidade. Ou seja, patologia na
construção civil é quando ocorre defeitos, ou quando a edificação
não se encontra mais nos parâmetros ao qual foi projetada.

Concreto Armado:
Concreto armado é um tipo de estrutura que utiliza armações
feitas com barras de aço. Essas ferragens são utilizadas devido à
baixa resistência aos esforços de tração do concreto, que tem alta
resistência à compressão.

Em uma estrutura de concreto armado, o uso de aço em vigas


e pilares torna-se indispensável e o dimensionamento precisa ser
bem calculado seguindo as normas vigentes dos órgãos
reguladores.

Vantagens do Concreto armado:

Devido à armação, o concreto armado também pode suportar


uma boa quantidade de esforços de tração.
O concreto armado tem uma elevada resistência à
compressão em comparação aos outros materiais de
construção.
Uma estrutura de concreto armado é mais durável do que
qualquer outro sistema de construção.
Boa resistência ao fogo e ao tempo.
O custo de manutenção do concreto armado é muito baixo.
Uma estrutura em concreto armado pode ser moldada de
diversas maneiras e formatos.
Exige mão de obra menos qualificada para sua execução, em
comparação com estruturas metálicas, por exemplo.
Boa resistência ao desgaste mecânico como choques e
vibrações.

Desvantagens do concreto armado:

A demolição de uma estrutura em concreto armado é de difícil


execução, podendo ser inviáveis devido ao custo.
O concreto armado utiliza-se de formas de madeira ou
metálicas, encarecendo o projeto.
Por ser muitas vezes produzido in loco, a resistência final do
concreto pode ser afetada devido a erros durante os
processos de mistura e cura.
Uma estrutura de concreto armado gera muitos resíduos de
construção.
Para uma construção de um edifício de vários andares, a
seção dos pilares para uma estrutura em concreto armado é
maior do que a seção dos pilares em uma estrutura metálica.
O concreto armado tem grande peso próprio (2.500 kg/m3).
Tempo de execução maior do que outros sistemas de
construção, devido ao tempo de cura (pode ser reduzido com
uso de aditivos).

PATOLOGIA NO CONCRETO ARMADO

A composição do concreto armado é:


Água+ cimento= Pasta
Água+ cimento+ areia= Argamassa
Água+ cimento+ areia+ brita = Concreto
Água+ cimento+ areia + brita+ aço= Concreto Armado

Por conta de todas vantagens do concreto armado tem levado


o seu crescimento e uso exponencial em todo o mundo. Com isso
começa os problemas.

Problemas:
Mão de obra desqualificada;
Concepção errônea da estrutura (projeto);
Erros na etapa de execução( formas, montagem errada,
desforma, falta de controle de qualidade, ferragem inadequada
para a estrutura e utilização errada de materiais);
Falta de manutenção;
Sobrecargas;
Produtos que geram corrosão;
Retiradas de estruturas para abertura de vãos;

Durabilidade do Concreto
NBR 12655 – Concreto de cimento Portland – Preparo, controle e
recebimento- Procedimento
NBR 6118 – Projeto de estruturas de concreto

Exigência de durabilidade: As estruturas de concreto devem ser


projetadas e construídas de modo que, sob as condições ambientais
previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme
preconizado em projeto, apresentem segurança, estabilidade e
aptidão em serviço o período corresponde á sua vida útil.
Tabela 1 Vida útil de projeto mínima e superior (VUP)

Manutenções do concreto:
Manutenção preventiva: serviços cuja realização seja
programada com antecedência, priorizando as solicitações do
usuário, estimativas de durabilidade esperada dos sistemas e
relatórios de verificações periódicas sobre o seu estado de
degradação.
Manutenção rotineira: Fluxo constante de serviços.
Manutenção corretiva: Serviços que demandam ação ou
intervenção imediata a fim de permitir a continuidade do uso
de sistemas, elementos ou componentes das edificações ou
evitar graves riscos ou prejuízos pessoas ou patrimoniais aos
seus usuários ou proprietários.

Mecanismos de deterioração das estruturas


Causas físicas da deterioração do concreto.

Desgaste superficial:
Abrasão
Erosão
Cavitação

Fissuração:
Variação volumétrica: Gradiente normal de temperatura e
umidade.
Variação volumétrica: Pressão de cristalização de sais nos
poros.
Carregamento estrutural: Sobrecarga e impacto.
Carregamento estrutural: Carregamento cíclico.
Exposição a extremos de temperatura: Ciclos de
congelamento.
Exposição a extremos de temperatura: Fogo.

Mecanismos de deterioração das estruturas:


Abrasão: É a perda gradual e continuada da argamassa
superficial e de agregados em uma área limitada, que se dá
pelo mecanismo de fricção ou atrito, proveniente do tráfego de
pessoas, veículos e até mesmo pela ação do vento. Esse tipo
de desgaste é comum em pisos industriais ou em pavimentos
rodoviários ou calçadas.
Erosão: É originada pela ação da água em movimento, que
arrasta partículas sólidas em suspensão e se choca contra a
superfície do concreto, provocando desgaste por colisão,
escorregamento ou rolagem.

Deterioração do concreto por reações químicas:

Reações de troca entre um fluído agressivo e


componentes da pasta de cimento endurecida:
* Remoção de ions Ca2+ como produtos solúveis.
* Remoção de ions Ca2+ como produtos insolúveis não-
expansivos.
* Reações de substituição de Ca2+ no C-S-H
* Aumento na porosidade e permeabilidade
* Perda de resistência e rigidez
* Aumento nos processos de deterioração
* Perda de massa
* Perda de alcalinidade

Reação envolvendo hidrólise e lixiviação dos componentes


da pasta de cimento endurecida:
* Aumento na porosidade e permeabilidade
* Perda de resistência e rigidez
* Aumento nos processos de deterioração
* Perda de massa
* Perda de alcalinidade
Reação envolvendo formação de produtos expansivos:
* Aumento na tensão interna
* Perda de resistência e rigidez
* Fissuração, lascamento e pipocamento
* Deformação

Agentes agressivos:
Co2
Sulfatos
Íons
Esses agentes agressivos geram despassivação do aço e dessa
forma ocorrendo a corrosão das armaduras.
Película fina de um filme de óxido estável e aderente formado na
superfície do aço.
Estado em que o aço se encontra no interior do concreto por ser
um meio bastante alcalino(pH=12,6) Ca(OH)2 que é a hidratação
dos silicatos.

Corrosão de armaduras
É um dos piores e mais frequentes problemas em estruturas
de concreto armado.

Dados de corrosão de armadura de concreto armado


Estado do Rio grande do sul- 40%
Cidade do Rio de Janeiro- 49%
Região centro-oeste – 30%
Cidade de São Paulo- 58%
Nacional – representa 20% das principais patologias.
É a ação do CO2 e dos íons cloreto.

Falhas durante a construção


Ineficiência de concretagem:
Transporte
Lançamento
Juntas de Concretagem
Adensamento
Cura

Inadequação de escoramentos e fôrmas

Ineficiência nas armaduras:


Falta de interpretação dos projetos.
Ancoragens erradas.
Dobramento errado das barras.
Quantidade de armadura insuficiente necessária.
Posicionamento errado das armaduras
Concreto de cobrimento insuficiente.

Utilização ineficiência dos materiais de construção:


Fck inferior ao especificado
Utilização inadequada de aditivos
Aço diferente do especificado no projeto
Falta de controle da qualidade da construção.

Patologias de Forma natural

Causas químicas
Presença de cloretos
Elevação da temperatura interna do concreto
Reações internas ao concreto

Causas Físicas
Vento
Água
Insolação
Variação de temperatura
Causas Biológicas

Porosidade do Concreto
O concreto é um material poroso, e essa característica pode
comprometer sua durabilidade devido ao ataque do meio
ambiente, principalmente pelo gás carbônico, gerando a
carbonatação, e aumentando o risco de corrosão da estrutura. A
maior preocupação com o concreto é pela porosidade do
material.

A alta alcalinidade do concreto protege o aço- como há


transformação dessa região, quebra-se a camada passivadora do
aço = CORROSÃO GENERALIZADA- EM TODA A ARMADURA!!
O CO2 presente na atmosfera, com a presença de umidade,
reage com a pasta de cimento hidratada( o agente é o ácido
carbônico, pois o CO2 gasoso não é reativo) dessa forma
reduzindo o pH do concreto de 12,6 a 13,5 para em média 9.
Tabela 2- Viga com carbonatação
Lixiviação
Ela ocorre em estruturas de concreto, por causa da infiltração
de água que dissolve e transporta cristais hidróxidos de cálcio e
magnésio, podendo ocasionar depósitos de sais conhecido como
eflorescência. Com a perda de sólidos, a estrutura tem sua
resistência mecânica reduzida e dessa forma abre caminho para a
entrada de gases e líquidos nocivos á armadura e ao próprio
concreto, causando dentre outros problemas, a corrosão das
armaduras e a carbonatação do concreto.
Patologia por fatores químicos
É relacionado ao próprio material:
Reação álcalis- agregado, na presença de cloretos e elevação
interna da temperatura do concreto.
A reação álcalis-agregado se dá entre a sílica reativa de
alguns minerais utilizados como agregado e o Sódio e
Potássio presentes no cimento, sendo necessária também a
presença de umidade. O resultado dessa reação, são
formados produtos que, na presença de umidade são capazes
de expandir e causar tensões internas, fissurações e
deslocamentos afetando a durabilidade do concreto.
Alcalis + Agregado= Gel reativo
Gel reativo + Umidade= Expansão

Patologia comuns da reação álcali-agregado


Fissuração em forma de mapa(quando concreto não tem
armadura presente)
Expansão visível do concreto
Fissuração orientada( quando o concreto tem armadura
presente)
Macrofissuras com descoloração visível ao longo de suas
bordas
Exsudação de gel na superfície do concreto
Desplacamentos com deslocamentos entre a pasta e o
agregado( tem perda de aderência)

Presença de Cloretos: Ocorre no concreto e no aço


Os íons cloreto são um dos agentes mais nocivos para a
corrosão das barras de aço, pois têm a capacidade de despassivar
as armaduras.
Concreto: O íon Cloreto reage com água e gera ácido clorídrico. pH
diminui.
Aço: O íon Cloreto reage com Fe e gera Cloreto Férrico e faz a
corrosão localizada.
Patologias por Fatores Físicos

Variação de temperatura com carbonatação


Por exemplo: Viadutos que recebem a diferença de temperatura e o
CO2 dos veículos. E nesse caso as diferenças de temperatura no
viaduto são diferentes, logo sofrem dilatações diferentes e podem
resultar em trincas.
As características mais fácil de identificar na inspeção é a
fissuração.
Corrosão das armaduras;
Reação álcali-agregado;
Ataque por sulfatos;
Retração plástica e por secagem do concreto;
Movimentações térmicas;
Deformação excessiva das estruturas;
Ação de sobrecargas;
Recalque de fundações;

Fissuras:
Fissuras devido a tração em viga
Fissuras de cisalhamento em viga
Fissuras típica em viga por flexão
Fissuras em pilar por compressão com falta de estribo
Fissuras devido á flambagem da armadura em pilar sub
armado
Fissura devido á punção na laje
Fissura devido a recalque diferencial da fundação
Fissuras em volta de janelas e portas submetidas a
sobrecarga.
Veja a classificação da fissuras por espessura da
ruptura(subjetividade embutida)
Fissura capilar menos de 0,2mm
Fissura de 0,2mm a 0,5mm
Trinca de 0,5mm a 1,5mm
Rachadura de 1,5mm a 5mm
Fenda de 5mm a 10mm
Brecha mais de 10mm

Manifestações de causas patológicas do concreto no Brasil


Planejamento 4%
Utilização 10%
Materiais 18%
Execução 28%
Projeto 40%

Patologias causadas pelos erros de projeto


Especificação irregular de materiais
Detalhamento insuficiente
Erro de dimensionamento : taxa de armadura, carregamento
Falta de compatibilização entre projetos estrutural, arquitetura
e outros
Detalhes construtivos inexequíveis
Caraterísticas do concreto: fck, relação água/cimento,
consumo mínimo de cimento, tipo de cimento, tipo de
agregado, aditivos, adições.
Patologias causadas pela relação dos materiais
Falta de informações técnicas do material
Baixa qualidade dos materiais – resistência mecânica
Durabilidade dos materiais, em função do ambiente ao qual
ele estará inserido

Patologias causadas pela etapa de execução


Utilização de produtos similares
Falta de qualificação adequada dos profissionais
Mudanças no projeto
Solução improvisada
Falhas na execução da estrutura de concreto: falha no
adensamento, cura insuficiente, forma mal executada,
ausência de espaçadores

Patologias causadas pela etapa de utilização e manutenção


Falta de manutenção
Utilização incorreta da edificação

Como fazer a avaliação?


Primeiramente apresentar os mecanismos de deterioração
relativos ao concreto, ás armaduras e ás estruturas de concreto
armado, bem como os procedimentos e critérios para avaliação das
estruturas.
Etapa de inspeção visual:
Caracterização da obra
Levantamento histórico, data da obra(observar o FCK)
Identificação das manifestações patológicas
Registros fotográfico
Diagnóstico inicial
Programação de ensaios
Etapa de ensaios não destrutíveis:
Pacometria – verificar a armadura e o cobrimento
Esclerometria – compressão superficial
Ultrassonografia – verificar a estrutura como um todo, achar
falhas internas
Resistividade elétrica- ver potencial de corrosão
Prova de carga
Profundidade de carbonatação

Ensaios Destrutivos:
Perda ao fogo- chega ao traço inicial
Resistência á compressão do concreto
Extração de testemunho
Reconstituição de traço

Metodologia básica para diagnóstico de manifestações patológicas


em estruturas de concreto armado.
Análise da estrutura:
Levantamento de informações
Idade da estrutura
Processo construtivo
Projeto estrutural
Condições de exposição

Anamnese dos problemas:


Tempo que vem ocorrendo
Locais predominantes de ocorrência
Levantamento de reparos já executados
Análise histórica dos materiais
Procedimentos utilizados

Definição de ações para investigação:


Definição de ensaios
Investigações necessários
Detalhamento dos ensaios( metodologia, local e amostragem)

Diagnóstico das causas prováveis:


Elaboração de relatório técnico
Contemplando as etapas anteriores citadas
Análise dos resultados
Descrição das causas para ocorrência do problema (
segmentada conforme as origens principais : projeto,
materiais, execução e uso/manutenção) e prognóstico da sua
evolução.

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