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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Justiça de Primeira Instância


Comarca de BETIM / Unidade Jurisdicional Cível - 1º JD da Comarca de Betim

PROCESSO Nº: 5005421-98.2019.8.13.0027


CLASSE: [CÍVEL] PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL (436)
ASSUNTO: [Adicional de Horas Extras, Ingresso e Concurso]
AUTOR: MARCOS LEAO DA SILVA

RÉU: ESTADO DE MINAS GERAIS

SENTENÇA

Dispensado o relatório, consoante o artigo 38, caput, da Lei nº 9.099, de 1995. Passo
imediatamente à fundamentação.
I – FUNDAMENTAÇÃO
MARCOS LEAO DA SILVA, já qualificado(a) nos autos, aforou a presente demanda em face do
ESTADO DE MINAS GERAIS.
Afirma, em apertada síntese, que é agente penitenciário estadual e exerce suas atividades
laborativas com regularidade em jornada de trabalho de 24x72 horas.
Alega, contudo, que não recebeu as horas extras devidas, nem mesmo adicional noturno.
Dessa forma, requer a condenação do réu ao pagamento de horas extras e, ainda, adicional
noturno sobre as horas trabalhadas entre as 22h00 e as 05h00, bem como os seus reflexos sobre
o 13º salário e férias acrescidos de 1/3, observada a prescrição
Em contestação, a parte demandada sustenta preliminar e, no mérito, manifestou-se pela
improcedência do pedido.
Preliminar
Sustenta a parte ré incompetência dos Juizados Especiais em razão do pedido ser genérico e,
por consequência, a sentença será ilíquida.

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Entendo que não merece prosperar tal preliminar, uma vez que a sentença não será ilíquida, pois
um mero cálculo aritmético será capaz de informar os valores a serem executados em eventual
condenação.
Nesse sentido, o TJMG:
EMENTA: CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA - AÇÃO DE COBRANÇA - PISO
SALARIAL PROFISSIONAIS DO MAGISTÉRIO - DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL
CIVIL - SERVIDOR PÚBLICO - LEI FEDERAL N.º 12.153/2009 - COMPETÊNCIA ABSOLUTA
DOS JUÍZOS E UNIDADES JURISDICIONAIS DO SISTEMA DOS JUÍZADOS ESPECIAIS -
INÍCIO DA FASE POSTULATÓRIA.
1. O prazo quinquenal fixado no art. 23 da Lei Federal n.º 12.153/2009 para que os Tribunais
restringissem a competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública - para organização dos
serviços judiciários e administrativos - se encerrou em 23/06/2015, razão pela qual, a partir dessa
data, não mais subsistem os limites materiais definidos pelas Resoluções TJMG n.os 641/2010 e
700/2012.
2. Ainda que o valor do "quantum debeatur" não tenha sido declinado desde o princípio na petição
inicial, ressalta-se que, quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, torna-
se desnecessária a liquidação, seja pelo procedimento comum, seja por arbitramento, de forma
que o credor poderá, desde logo, promover o cumprimento de sentença, nos termos do art. 509, §
2º, do CPC/15, perante o Juizado Especial. (TJMG - Conflito de Competência
1.0000.18.044857-3/000, Relator(a): Des.(a) Edgard Penna Amorim , 1ª CÂMARA CÍVEL,
julgamento em 16/10/2018, publicação da súmula em 22/10/2018).
Rejeito a preliminar.
Mérito
Horas Extras
Conforme disposto na Constituição o trabalho é direito social (art. 6º). No art. 7º estão elencados
diversos direitos em prol do trabalhador urbano e rural com o fim de proporciona-lhes melhores
condições sociais, bem como a justa retribuição pelo trabalhado prestado. Tais direitos são
estendidos pela Carta Magna aos servidores ocupantes de cargo público, nos seguintes termos:
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de
administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos
Poderes.

§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII,
XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados
de admissão quando a natureza do cargo o exigir.
Assim sendo, tratando-se de direitos constitucionalmente assegurados e preenchidos os
requisitos diferenciados eventualmente fixados pela legislação infraconstitucional específica, os
mesmos direitos serão devidos.
A parte autora é servidora pública estadual, ocupante do cargo efetivo de "Agente de Segurança
Penitenciário", nos termos do artigo 5º, da Lei Estadual nº 14.695, de 2003, que criou a carreira
de "Agente de Segurança Penitenciário".
O art. 15 do aludido diploma legal, estabelece que a jornada de trabalho do Agente de Segurança
Penitenciário é de oito horas diárias:
Art. 15 - A jornada de trabalho dos servidores da carreira de Agente de Segurança Penitenciário é
de oito horas diárias.

Parágrafo único. A jornada a que se refere o caput deste artigo poderá ser cumprida em escala
de plantão, na forma de regulamento.
No edital de concurso público realizado para o cargo em estudo (ID 65585034 - Pág. 3) há
menção expressa de que a jornada de trabalho não poderá exceder 40 (quarenta) horas
semanais, em regime de dedicação exclusiva.
A referida carga horária está em consonância com o Anexo I da Resolução nº 1.188/2011, que
estabelece normas complementares relativas ao registro, controle e apuração da frequência dos

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servidores públicos em exercício nas Unidades Prisionais (ID 65585797).
Inclusive, na referida resolução há menção à possibilidade de cumprimento da jornada de
trabalho em regime de plantão em escala de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso.
Ocorre que, in casu, o autor exerce suas funções em regime de plantão, tendo conseguido
demonstrar que labora em regime de 24 horas de trabalho por 72 horas de descanso (IDs
122217889, 122217890, 122217891 e 122217892).
Diante disso, nota-se que a jornada diária de trabalho do autor extrapola, em muito, a carga
horária permitida, inexistindo, inclusive, previsão legal que autorize tal escala de trabalho.
Nesse sentido, o autor deve ser ressarcido pelas horas extras laboradas que extrapolem 160
horas mensais, respeitada a prescrição quinquenal e, ainda, ser ressarcido por eventuais
descontos promovidos pela parte ré em razão de suposta alegação de descumprimento de carga
horária de trabalho.
Em relação ao quantum a ser ressarcido, o art. 2º do Decreto Estadual nº 43.650/03 estabelece
que as horas extras laboradas são acrescidas de cinquenta por cento em relação à normal de
trabalho, vejamos:
Art. 2º – A hora de trabalho realizada sob o regime extraordinário será, a critério da
Administração Pública:

I – paga no valor equivalente ao da hora normal de trabalho acrescido de 50% (cinqüenta por
cento);

II – compensada por meio de crédito no banco de horas, com acréscimo de 50% (cinqüenta por
cento) sobre a duração do trabalho.

Parágrafo único – Adotar-se-á, prioritariamente, o sistema de compensação por meio de crédito


no banco de horas, ficando o pagamento da hora extraordinária, nos moldes do inciso I, sujeito a
autorização prévia da Câmara de Coordenação Geral, Planejamento, Gestão e Finanças.
In casu, não vislumbro a possibilidade de compensação por meio de crédito em banco de horas,
haja vista que cabia à parte demandada demonstrar a existência e controle de tal banco de horas,
o que não ocorreu. Aliás, sequer restou comprovado que, durante o período debatido nos autos,
as horas extras laboradas tenham sido incluídas em tal banco de horas e que a ele tenha sido
possibilitado gozar de tal compensação.
Por outro lado, em relação ao pedido de horas extras em virtude de suposta negativa ao intervalo
para almoço, não vislumbro possibilidade de acolhê-lo.
Conforme acima explicitado, o autor realiza jornada de trabalho em turnos de 24x72 horas. Logo,
não se pode de presumir, unicamente com base em assinaturas de cartões de ponto, que o
demandante não goza de horário para almoço, e, assim, permanece 24 horas ininterruptas sem
poder se alimentar.
Desse modo, entendo que cabia ao demandante demonstrar que, de fato, nunca lhe foi
oportunizado gozar do horário de descanso para almoço, o que não ocorreu.
Adicional Noturno
Em análise ao pedido de concessão de adicional noturno, tenho pelo seu acolhimento no importe
de 20% (vinte por cento), que encontra guarida em sede constitucional, como se vê:
Artigo 7º, inciso IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
A Constituição do Estado de Minas Gerais, por sua vez, também tratou de assegurar o direito do
servidor público à percepção do adicional noturno:
Art. 31 - O Estado assegurará ao servidor público civil da Administração Pública direta, autárquica
e fundacional os direitos previstos no art. 7º, inciso IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII,
XIX, XX, XXIII e XXX, da Constituição da República e os que, nos termos da lei, visem à melhoria
de sua condição social e da produtividade e da eficiência no serviço público, em especial o
prêmio por produtividade e o adicional de desempenho.
No caso dos autos também é aplicável a Lei Estadual nº. 10.745/1992, que dispõe sobre a
concessão de adicional noturno a todo e qualquer servidor público estadual e o requisito

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necessário para tanto, referente ao período de exercício de suas atividades:
Artigo 12- O serviço noturno, prestado em horário compreendido entre as 22 (vinte e duas) horas
de um dia e as 5 (cinco) horas do dia seguinte, será remunerado com o valor-hora normal de
trabalho acrescido de 20% (vinte por cento), nos termos de regulamento.
Já a Lei Estadual nº. 14.695/2003, ao criar a carreira de agente de segurança penitenciário,
prevê expressamente em seu artigo 5º, caput e parágrafo único, que são servidores estatutários
integrantes do Grupo de Atividades de Defesa Social do Poder Executivo.
Desta feita, inquestionável a aplicação ao agente de segurança penitenciário o artigo 12 da Lei
Estadual nº. 10.745/92, que regulamenta o pagamento do adicional noturno no importe de 20%
(vinte por cento) aos servidores públicos estaduais do Estado de Minas Gerais. Nesse sentido:
EMENTA: REEXAME NECESSÁRIO. ADMINISTRATIVO. ESTADO DE MINAS GERAIS.
AGENTE DE SEGURANÇA PENITENCIÁRIO EFETIVO. ADICIONAL NOTURNO. LEI
ESTADUAL Nº 10.745/92. DIREITO ASSEGURADO. REFLEXOS. FOLHAS DE PONTO.
HONORÁRIOS. SENTENÇA ILÍQUIDA. FIXAÇÃO POR OCASIÃO DA LIQUIDAÇÃO.
CORREÇÃO MONETÁRIA. RE Nº 870.947/SE. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DOS
EFEITOS DO ACÓRDÃO EMBARGADO ATÉ EVENTUAL DECISÃO DE MODULAÇÃO.
APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97, COM REDAÇÃO DADA PELA
LEI Nº 11.960/09. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA, EM REEXAME NECESSÁRIO.
1. Servidor público faz jus ao recebimento do adicional noturno (art. 7º, IX, c/c art. 39, §3º, da
CR/88), desde que haja lei específica, editada pelo ente federativo com quem mantém vínculo
jurídico-profissional, que possibilite a exequibilidade da norma constitucional, que é de eficácia
limitada.
2. No âmbito do Estado de Minas Gerais, os servidores que trabalham em horário noturno
têm direito ao recebimento do adicional noturno por força da norma inserta no art. 12 da
Lei Estadual nº 10.745/92, autoexecutável.
3. Embora a gratificação percebida a título de adicional noturno possua caráter transitório,
a jurisprudência deste Tribunal é no sentido de que tal vantagem pecuniária, por integrar a
remuneração do servidor, deve refletir sobre as parcelas de férias e gratificação natalina,
que são pagas, via de regra, com base na remuneração integral devida no mês de
referência.
4. Na hipótese de sentença ilíquida, a definição do percentual sobre o valor da condenação, para
fins de fixação dos honorários, ocorrerá em sede de liquidação de sentença (art. 85, §4º, II,
CPC/2015).
5. Considerando a decisão de suspensão proferida nos Embargos Declaratórios no Recurso
Extraordinário nº. 870.947/SE, nas condenações da Fazenda Pública, deverão incidir, a título de
correção monetária, os índices oficiais de remuneração básica (TR). (TJMG - Remessa
Necessária-Cv 1.0000.18.135472-1/001, Relator(a): Des.(a) Bitencourt Marcondes , 19ª
CÂMARA CÍVEL, julgamento em 14/02/2019, publicação da súmula em 18/02/2019)

EMENTA: REEXAME NECESSÁRIO E APELAÇÕES CÍVEIS - DIREITO CONSTITUCIONAL -


CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA - NULIDADE - DIREITO AO SALDO DE SALÁRIO E FGTS -
ENTENDIMENTO DECORRENTE DO RE Nº 765.320/MG - PROCEDÊNCIA PARCIAL DO
PEDIDO - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM CARÁTER EFETIVO - DIREITO AO ADICIONAL
NOTURNO.
- Na linha do entendimento do Excelso STF: "[...] a contratação por tempo determinado para
atendimento de necessidade temporária de excepcional interesse público realizada em
desconformidade com os preceitos do art. 37, IX, da Constituição Federal não gera quaisquer
efeitos jurídicos válidos em relação aos servidores contratados, com exceção do direito à
percepção dos salários referentes ao período trabalhado e, nos termos do art. 19-A da Lei
8.036/1990, ao levantamento dos depósitos efetuados no Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço - FGTS" (RE nº 765.320/MG, publicado em 23/09/2016, com repercussão geral
reconhecida).
- "[...] A aplicação do art. 19-A da Lei 8.036/1990 aos servidores contratados na forma do art. 37,

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IX, da CF/88, quando nula a contratação, não se restringe a demandas originadas de relação
trabalhista" (ED no RE nº 765.320/MG, publicado em 21/09/2017).
- Evidenciada a nulidade da contratação temporária celebrada entre o autor e o Estado de Minas
Gerais, impõe-se o reconhecimento do direito aos depósitos de FGTS, respeitada a prescrição
quinquenal (Decreto nº 20.910/32).
- No período de prestação de serviços em caráter efetivo, comprovado o exercício das
atividades funcionais no período entre as 22:00h de um dia e as 5:00h do dia seguinte, o
servidor/agente de segurança penitenciário faz jus ao recebimento de adicional por
trabalho noturno, nos termos do art.12 da Lei Estadual 10.745/92, que independe de
qualquer regulamentação.
- Reformaram em parte a sentença, em reexame necessário. Deram parcial provimento ao
recurso do autor e julgaram prejudicado o recurso do Estado. (TJMG - Ap Cível/Rem Necessária
1.0000.18.111309-3/001, Relator(a): Des.(a) Ana Paula Caixeta , 4ª CÂMARA CÍVEL, julgamento
em 29/11/2018, publicação da súmula em 30/11/2018)
Pois bem. Em análise detida ao corpo probatório constante nos autos, notadamente através da
documentação da parte autora, resta comprovado o vínculo jurídico daquela junto à
Administração Pública Estadual na condição de ocupante de cargo de agente de segurança
penitenciário e, em observância aos seus recibos de pagamentos (ID 122219794 e seguintes),
nota-se através dos valores neles discriminados a inexistência em seus vencimentos básicos de
quantia referente ao adicional noturno, apesar de ter exercido suas funções em horário noturno
(ID 122217889 e seguintes).
Em que pesem as alegações da parte ré, ressalta-se a autoaplicabilidade da Lei Estadual
10.745/92, pois, tratando-se de obrigação de pagamento de forma específica e detalhada,
prescinde ela de qualquer regulamentação e o fato de haver compensação do horário de trabalho
em razão do regime de revezamento não obsta o pagamento do adicional ora pleiteado.
Assim, não há que se falar em invasão de competência do Poder Executivo pelo Poder Judiciário,
muito menos em determinação deste ao pagamento de vantagem indevida, sendo que se
consubstancia em um direito estendido aos servidores públicos. Outrossim, o artigo 169 da Carta
Magna somente diz respeito à criação de novos benefícios, o que não é o caso, porquanto trata-
se de direito já previsto.
Turno outro, faz-se mister mencionar o enunciado da súmula 213 do Supremo Tribunal Federal,
que consolidou o entendimento de que “é devido o adicional de serviço noturno, ainda que sujeito
o empregado ao regime de revezamento”, amoldando-se ao caso da parte requerente, eis que
exerce parte de suas atividades em horário noturno e em regime de escala.
Portanto, a parte autora faz jus ao reconhecimento do direito à percepção do adicional noturno
ora pleiteado, acarretando na condenação do Estado de Minas Gerais ao pagamento a ele
referente não adimplido dentro do prazo prescricional. Já quanto aos reflexos do adicional em
questão, estes devem incidir sobre o 13º salário, férias + 1/3, haja vista sua natureza
remuneratória, conforme jurisprudência do E. TJMG.
Em relação ao critério de correção monetária dos débitos da Fazenda Pública, o STJ, quando do
julgamento do REsp 1.492.221/PR em Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas,
entendeu que, nas hipóteses de condenação judicial referente a servidores e empregados
públicos, como é o caso sub examine, os juros de mora deverão incidir utilizando-se o índice
oficial de remuneração da caderneta de poupança, enquanto a correção monetária será
atualizada pelo IPCA-E.
II - DISPOSITIVO
Ante o exposto, nos termos do artigo 487, I, do Código de Processo Civil, JULGO
PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos iniciais para (a) condenar o réu a pagar ao autor
as horas extras que excederam as quarenta horas semanais, no patamar de 50% sobre o valor
da hora normal trabalhada, observada a prescrição quinquenal, devendo os valores ser
apurados em posterior liquidação de sentença, em conformidade com as folhas de ponto já
anexadas ao feito; (b) condenar o réu ao pagamento de adicional noturno no importe de 20%
(vinte por cento) sobre o valor normal da hora de trabalho em razão do serviço efetivamente

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como seus devidos reflexos no valor relativo aos 13º salários, férias e 1/3, observada a
prescrição quinquenal.
Os valores acima estabelecidos deverão ser atualizados com incidência de juros moratórios, a
partir da citação, utilizando-se o índice oficial de remuneração da caderneta de poupança e de
correção monetária, desde o inadimplemento, pelos índices do IPCA-E.
Sem custas processuais e honorários advocatícios, nos termos do artigo 55, da Lei 9.099,
de 1995. A apreciação de pleito de assistência judiciária gratuita é de competência exclusiva da
Turma Recursal.
PI
BETIM, data da assinatura eletrônica.

ALOYSIO LIBANO DE PAULA JUNIOR


Juiz(íza) de Direito
Rua Santa Cruz, 402, Centro, BETIM - MG - CEP: 32600-240

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