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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL DO PARÁ

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ


INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
FACULDADE DE EDUCAÇÃO

Disciplina: Educação Infantil: Concepções e Práticas


Professora: Dra. Maria Izabel Alves dos Reis
Aluna: Glaucia Thamara dos Santos

ATIVIDADE

1. Faça uma linha do tempo dos marcos históricos da Educação Infantil,


de forma contextual e crítica, explorando a história de outros países e
no Brasil.

Contexto Mundial

Idade Média: Nesta época a criança era tida como um pequeno


adulto e desempenhava as mesmas tarefas dos cidadãos mais
velhos. A expectativa de vida dessas crianças era limitada por conta
do estilo de vida escasso, e o mais relevante naquele momento era
que essa criança prontamente crescesse, para atingir a vida adulta.
A condição pecuniária das famílias não era fato relevante na
educação dessa criança, pois tão logo atingisse os sete anos, essa
criança era realocada junto de outras famílias para adquirir
conhecimentos, como por exemplo, conhecimentos domésticos e
valores da vida humana. Havia colégios na época, comandados pela
Igreja, porém, estas estavam reservadas há um pequeno grupo de
clérigos, em especial do sexo masculino.

Século XV: Devido a melhorias das condições de vida, a expectativa


de vida das crianças é elevado. Nesse instante, advêm duas
concepções discordantes acerca dessa criança: uma que é tida como
ingênua e inocente, consequência da atenção em demasia por parte
dos adultos, e a outra tida como falho e imperfeito, e seria retratado
pela inevitabilidade do adulto moralizar essa criança. E isso vai levar
a alteração da base familiar que existia na idade média, levando ao
advento da família burguesa.

Idade Moderna: Com o advento de fatores como a Revolução


Industrial, o Iluminismo e a Constituição de Estados Laicos, vieram
transformar a ideia que tinha acerca da criança, ou seja, se essa
criança viesse do seio de uma família burguesa, era tido amor por
ela, lastimava-se sua morte, etc. A classe burguesa pondera que
essa criança precisa de educação e cuidados, dessa compreensão
surge as primeiras concepções de educação infantil. Caso viesse de
uma família pobre, tais condições não se igualavam.
Cabe aos colégios a educação das crianças do sexo masculino,
embora a divisão entre as classes socias ainda fosse bem vigente, a
educação constitui-se de mais pedagogia e menos empirismo. Nessa
época, aparecem castigos corporais como método educativo, usado
tanto pela famílias quanto pelas escolas e de uma certa forma,
validava o poder do adulto acima da criança. Também aparecem as
primeiras creches para mães que trabalhavam na indústria.

Segunda metade do Século XVII: A política das escolas afasta a


criança até que ela complete os 10 anos, por julgá-la debilitado e
tolo.

Século XVIII: Meninas passam a ser aceitas nas escolas.

Final do Século XIX: O ensino superior é disseminado para a classe


burguesa.

Século XX: Surge a pré-escola, como forma de superar a miséria e


negligência das famílias na educação das crianças que não
pertenciam a burguesia. Foram criados programas de cunho
compensatório para compensar as necessidades dessas crianças.
Pensadores como Pestalozzi e Montessori foram precursores desse
método educacional.

1922: Na França, surge a ciência “docimológica”, ou a “docimologia”,


caracterizando a era dos testes no campo da avaliação educacional.

1934: Surge o termo “avaliação educacional”, utilizado pela primeira


vez por Ralph Tyler.

1958 a 1972: A avaliação obrigatória é instituída nos Estados Unidos,


com vista a realizar um amplo diagnóstico frente às causas e fatores
responsáveis pelos baixos rendimentos escolares.

1960: Daniel Stufflebeam cria o sistema CIPP de avaliação, ou


Contexto, Insumo, Processo e Produto.
1963: Cronbach realiza estudos sobre avaliação do tipo follow-up,
que consiste em realizar observações de perto e até o fim de um
plano, para chegar a um julgamento de valor.

1967: Desponta a obra de Robert Stake, The Countenance of


Educational Evaluation, que descreve a proposta de um modelo da
avaliação denominada responsiva.

1967: Michel Scriven inaugura as discussões em torno da diferença


entre a avaliação formativa e somativa.

Contexto Brasileiro

Período escravagista: A criança, por volta dos 6 anos, já era


incumbida de pequenos trabalhos. Aos 12 anos, já era tida como
adulta. Por outro lado, as crianças brancas, nessa idade de 6 anos,
eram iniciadas nos primeiros estudos, como por exemplo, língua
portuguesa, matemática e boas maneiras.

1888-1889: Com a abolição da escravidão e Proclamação da


República, começa a emergir uma sociedade marcada pelas
concepções capitalistas e urbano-industrial. Nessa época existiam
grupos que procuravam atenuar a apatia das esferas do governo
junto a criança. A ideia seria a regularização de leis que visam
melhorar a vida da criança.

1919: O Departamento da Criança é criado. A ele foi atribuído


funções como: realizar histórico sobre a situação da proteção à
criança e à mulher grávida pobre; publicar boletins, divulgar
conhecimento, etc.

1921: São criadas as primeiras creches.

1922: Realizou-se no Rio de Janeiro, o I Congresso Brasileiro de


Proteção à Infância.

1923: Surge o Juizado de Menores.

1930: A criança passou a ser valorizada como um potencial adulto e


sem vida social ativa. A partir dessa concepção, surgem diversos
órgãos de amparo assistencial e jurídico para a infância.

1930: O estado passa a focar as questões sociais, incluindo os


problemas de atendimento à família e à infância.
1932: Regulamentou-se o decreto nº 21.417-A, que estabelece a
obrigatoriedade de instalação de creches ou salas de
amamentação nos estabelecimentos em que trabalhassem
entre 30 ou mais mulheres.

1940: Surge o Departamento Nacional da Criança.

1942: Surge a Legião Brasileira de Assistência.

1953: Surge o Comitê Brasil da Organização Mundial de Educação


Pré-Escolar.

1953: Foi baixada a portaria n.º125 do Ministério da Justiça e


Negócios Interiores, que criava oito inspetorias regionais nas cidades
de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Niterói, São Paulo, Belo
Horizonte e Porto Alegre. São estendidas a esta secretaria as
funções de registro, em especial movimento de entrada, saída,
transferência de menores, manter dados atualizados sobre as
possibilidades profissionais dos menores prestes a desligamento e
fiscalizar o funcionamento das instituições que abrigavam menores.

1954: De acordo com a portaria n.º247, de 4 de agosto, passaria a


haver uma inspetoria sediada na capital de cada estado, que poderia
coordenar agências em cidades do interior.

1959: Um marco frente às reflexões quanto aos direitos da criança se


deu no dia 20 de novembro de 1959, pela aprovação da Declaração
dos Direitos da Criança, proclamada pela assembleia das Nações
Unidas de 20 de novembro de 1959 e ratificada pelo Brasil.

1961: Um avanço para a educação infantil diz respeito à Lei de


Diretrizes e Bases da Educação Nacional 4024, de 20 de novembro
de 1961, que inclui pela primeira vez no sistema de ensino os jardins
de infância.

1964: Foi no ano 1964, marco da ditadura militar, que a SAM foi
substituída pela Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor
(FUNABEM), pela lei federal n.º4513, de 1 de dezembro de 1964,
tendo sido ainda criados nos estados as Fundações Estaduais de
Bem-Estar do Menor (FEBEMs) que pelo decreto-lei Fundamentos
da Educação Infantil, a FEBEM passou a denominar-se Fundação
Estadual de Educação do Menor (FEEM).
1971: A Lei 5692 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional,
aprovada em 12 de agosto de 1971, traz novamente à tona a
necessidade de se organizar a educação infantil.
1979: Em 1979 é criado o Código de Menores que se constitui de
fato em uma revisão do Código de Menores de 1927, não rompendo
com as linhas de assistencialismo da primeira infância.

1972: Surge o instituto Nacional de Alimentação e Nutrição.

O estado de bem-estar social não foi estendido a todos, então, isso


gerou desenvolvimento e qualidade de vida a poucos.

Final da Década de 60 e início da Década de 70: Esses anos foram


marcados pela inovação de políticas sociais nas áreas de educação,
saúde, assistência social e previdência. Na educação, o nível básico
tornou-se gratuito e obrigatório, direito esse assegurado na
constituição.

1971: A extensão do nível de educação foi ampliado para oito anos.


Ainda nesse ano, a lei 5692/71 regulamenta o princípio de
municipalização do ensino fundamental.

Segunda metade da Década de 1970: Cresce a evasão escolar e a


repetência pelas crianças das classes pobres, no primeiro grau. Por
conta disso, é instituída a educação pré-escolar para crianças de
quatro a seis anos, a fim de suprir as carências culturais existentes
na educação familiar das famílias mais carentes.

1980: A ausência de uma política global e integrada; a falta de


coordenação entre programas educacionais e de saúde; a
predominância do enfoque preparatório para o primeiro grau, entre
outros, levam a problemas referentes a educação pré-escolar.

1988: Com o advento da Constituição, a educação pré-escolar é


considerada direito e dever e todos e dever do Estado, devendo ser
integrada ao sistema de ensino.

1990: Dois anos após a Constituição, foi aprovado o Estatuto da


Criança e do Adolescente (ECA), Lei 8.069 de 13 de julho de 1990,
que vem a regulamentar o artigo 227 da Constituição que assegura à
criança e ao adolescente com absoluta prioridade um conjunto de
direitos, dentre eles o da educação.

1994: Política Nacional de Educação Especial, criada no ano de


1994 e que visa oferecer às pessoas portadoras de necessidades
físicas especiais “modos e condições de vida diária o mais
semelhantes possível às formas e condições do resto de vida da
sociedade” (BRASIL, 1994, p. 22).
1996: Em 20 de dezembro de 1996 é aprovada a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, ou LDB no 9394/96, resultado da
mobilização da sociedade civil e que conta como um dos avanços
que as instituições de educação infantil integrem as ações de cuidar
e educar, ou seja, agreguem a saúde, assistência e educação aos
sistemas de ensino.

2001: O Plano Nacional de Educação, lei 10.172 de 09 janeiro de


2001, estabeleceu várias metas para a educação infantil. Dentre
elas, garantir que os municípios, além de outros recursos financeiros,
aplicassem 10% (dos 25% determinados pela LDB) das verbas de
manutenção e desenvolvimento do ensino a priori neste nível de
ensino, ainda mediante colaboração da União.

2006: Política Nacional de Educação Infantil (PNEI), criada em 2006,


tem por objetivo zelar e garantir o direito das crianças de até 5 anos
à educação. É composta por um volume, que apresenta: diretrizes da
política nacional; objetivos; metas; estratégias e recomendações para
a área da educação infantil.

2007: Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), criado pelo


decreto 6094 de 24 de abril de 2007, com o objetivo de melhorar a
Educação no País, em todas as suas etapas, em um prazo de quinze
anos. Prevê várias ações para combater problemas sociais que
inibem o ensino e o aprendizado com qualidade.

REFERÊNCIA:
SCHRAMM, Sandra Maria de Oliveira et al. PEDAGOGIA: fundamentos
da educação infantil. 3. ed. Fortaleza-Ceará: Editora da Universidade
Estadual do Ceará – Eduece, 2019. 43-49 p. Disponível em:
https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/432873/2/Livro
%20Pedagogia%20-Fundamentos%20da%20Educac%C3%A3o
%20Infantil.pdf Acesso em: 07 dez. 2020.