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6 Concepção Inatista
As teorias inatistas já estão presentes em Platão mas também nos teóricos
modernos – notadamente entre os racionalistas dos séculos XVII e XVIII,
especialmente Descartes, Espinoza e Leibniz, entre outros1. Para o Inatismo
todas as capacidades e qualidades do homem já estão prontas quando ele
nasce e que, no decorrer de sua vida, vão somente amadurecendo.
Conforme essa concepção, o desenvolvimento do indivíduo acontece
de modo natural, e suas habilidades já são pré- estabelecidas pela herança
genética e quase não se modificam no decorrer da vida.

Inatismo na Educação

Na educação essa concepção pode assim ser caracterizada:

O conhecimento é pré-formado, e as estruturas mentais se atualizam


na medida em que o ser humano amadurece, vai reorganizando sua
inteligência pelas percepções que tem da realidade, vai se tornando apto
a realizar aprendizagens cada vez mais complexas.

A aprendizagem consiste no armazenamento das informações


prontas, acabadas, através da memória.

O ensino consiste na transmissão do conhecimento, através da exposição


de conteúdos organizados de acordo com a lógica do professor ainda que
sem significado para os alunos.

A avaliação consiste em medir o quanto das informações passadas foram


retidas na memória pelos alunos. O grau de aprendizagem mede-se

pelo estoque de informações acumuladas.

Fonte:
http://teoriasdaaprendizagem2009.blogspot.com.br/2009/06/inatismo-na-
educacao.html

Resumo

Concepção Inatista

- As capacidades humanas já nasceriam prontas e quase não mudariam ao


longo da vida.

- Nossa vida, nossas relações e as coisas que aprendemos não influenciariam


aquilo que já herdamos, que já está conosco quando nascemos, nem
modificariam nossos valores, hábitos e crenças.
- O desenvolvimento ocorreria de forma espontânea.

- Essa é uma concepção que dá muita importância aos aspectos biológicos.

Essa concepção tem influenciado muitas práticas educacionais. Acreditar


que o desenvolvimento ocorre dessa forma justifica acreditar que o sujeito
chega “pronto” para suas atividades de trabalho: ou ele já tem as
capacidades para realizar determinada tarefa ou vai ser muito
difícil trabalhar com essa pessoa, pois lhe vai ser difícil criar as
capacidades que precisa. Nesse contexto, considera-se apenas se o sujeito
tem ou não “prontidão” para uma tarefa, sem considerar questões
culturais, sociais e outras influências que atuam nos processos de
desenvolvimento.

Veja algumas expressões populares que ilustram a concepção inatista:

- “Filho de peixe, peixinho é”

- “Pau que nasce torto morre torto”.

- “O homem já nasce pronto”.

Mas, se essa concepção fosse verdadeira, a educação não teria


uma função transformadora, porque quase nada poderia ser feito para
mudar o que já está “programado” geneticamente no indivíduo.
Nessa situação, o papel do professor ficaria reduzido, pois a mediação
no processo de desenvolvimento do sujeito poderia ser
desconsiderada. Precisamos entender a influência dessa concepção nas
nossas práticas pedagógicas para que possamos, criticamente, orientar de
outra forma nossas ações no campo profissional e também no campo
pessoal.

Claisy Marinho

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