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UM CAMINHO DO EXERCÍCIO EXEGÉTICO

Com Princípios da Hermenêutica Reformada


e
Técnicas do Método Histórico-Gramatical-Teológico

Para Textos Neotestamentários

Prof. Anderson Rios Jr

2019
2
SOBRE A EXEGESE

A exegese hábil do NT é essencial para quem aspira ao ensino e à pregação da Palavra de Deus de
forma correta. (GRASSMICK, John D. Exegese do Novo Testamento: do texto ao púlpito. São Paulo: Shedd, 2009, p. 7)

Uma exegese visa resolver as questões de um texto para trazer à tona a sua interpretação e definir
aplicações corretas.

Exegese é a aplicação dos princípios hermenêuticos ao texto bíblico com o objetivo de entendê-lo e
explica-lo. (GRASSMICK, John D. Exegese do Novo Testamento: do texto ao púlpito. São Paulo: Shedd, 2009, p. 11)

A palavra “exegese” deriva do grego  - de  "levar para fora" -, também 
“detalhar, apresentar ou expor em linguagem... fazer conhecido, revelar” 1. Tendo “ex” o sentido de ex-
trair, ex-ternar, ex-teriorizar, ex-por.

Exegese é a exposição de uma palavra, sentença, parágrafo, ou de um livro interio, levando ao


significado verdadeiro e exato do texto. (GRASSMICK, John D. Exegese do Novo Testamento: do texto ao púlpito. São
Paulo: Shedd, 2009, p. 10)

A exegese é o esforço científico de tornar o texto bíblico acessível à compreensão. (SCHREINER, Josef
(Ed.). O Antigo Testamento: um olhar atento para sua palavra e mensagem. São Paulo: Hagnos, 2012, p. 71)

Exegese é a aplicação hábil de bons princípios hermenêuticos ao texto bíblico na língua original com o
objetivo de entender e proclamar o significado pretendido pelo autor. (GRASSMICK, John D. Exegese do Novo
Testamento: do texto ao púlpito. São Paulo: Shedd, 2009, p. 11)

Devemos lembrar que nenhuma técnica substitui o texto mesmo e o nosso contato pessoal e direto com
ele. Qualquer comentário ou interpretação deve ser avaliado a partir do confronto com a Sagrada
Escritura. Nesse sentido, duas atitudes são recomendáveis. A primeira, nunca contentar-se com o que já
se sabe a respeito de um texto: com certeza ele é muito mais do que isso. A segunda completa a
primeira: nada melhor do que NAMORAR O TEXTO, que sempre nos reservará uma surpresa. (SILVA,
C. M. D. da (2000). Metodologia de exegese bíblica. São Paulo: Paulinas, 200, p. 455)

Essa transição de um a outro nível de pensamento, de uma relação pessoal com Deus a uma referência
meramente técnica, geralmente está sincronizado ao momento em que não leio mais a palavra da
Escritura Sagrada como uma palavra dirigida a mim, mas somente como objeto de esforços exegéticos.
(Helmut Thielicke em Kapic, K. Pequeno Livro para Novos Teólogos. (E. Gomes, Trad.). São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2014, p. 73)

Exegese é amar a Deus o bastante para parar e ouvir cuidadosamente o que ele diz. Por conseguinte,
damos a esse texto atenção e tempo, apreciando cada vírgula e ponto-e-vírgula, admirando a estranheza
de determinada preposição, deliciando-se na colocação surpreendente de um ou outro substantivo.
Quem ama não se limita a dar uma olhadinha rápida no objeto amado para captar uma “mensagem” ou
“sentido” e, depois, sair correndo para conversar com os amigos sobre seus sentimentos; não é esse o
comportamento de quem ama. (Peterson, Eugene. Maravilhosa Bíblia – a arte de ler a Bíblia com o Espírito. São
Paulo: Mundo Cristão, 2008, p.71)

1
Moulton, Harold K. Léxico Grego Analítico. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 156.
3
ROTEIRO PROPOSTO

O propósito de um método não é restringir a percepção criativa, mas prover direcionamento claro para
a expressão mais completa possível das aptidões e capacidades do exegeta. (GRASSMICK, John D. Exegese do
Novo Testamento: do texto ao púlpito. São Paulo: Shedd, 2009, p. 25)

PASSO 1 – Diante da verdade de que Deus inspirou o texto bíblico, o primeiro passo da exegese
deverá ser sempre pedir que o Seu Santo Espírito “nos guie a toda a verdade” - cf. 1Co 2.14; Jo 16.13s;
14.26.

1 OBSERVAÇÃO DO TEXTO

É imprescindível ler o texto junto com o seu contexto várias vezes, para ter uma idéia do todo antes de analisar
alguma das suas partes. Muitas vezes é necessário a leitura do documento completo.
As leituras de observação trazem, pelo menos, 3 benefícios: 1) Familiarização com o texto; 2) percepção da
forma literária e 3) mente aguçada para a análise gramatical.

• Segmentação do Texto

2 ANÁLISE CONTEXTUAL

2.1 CONTEXTO LITERÁRIO

• Identificação e Análise da Estrutura Literária Externa


• Contexto de Todo o Livro
• Contexto Remoto
• Contexto Próximo

2.2 CONTEXTO CANÔNICO

2.3 CONTEXTO HISTÓRICO

• Do Documento - Análise da perícope a partir das circunstâncias históricas do documento e do


contexto histórico (sócio-cultural-religioso-político) dos protagonistas, antagonistas,
destinatários e autor do documento.

• Da Perícope - Análise do contexto situacional ou circunstancial


o Esta análise provavelmente deverá ser complementada após a análise gramatical

3 ANÁLISE TEXTUAL

3.1 DELIMITAÇÃO DA PERÍCOPE

• Delimitação (Externa) da Perícope


4

3.2 ANÁLISE DA CRÍTICA TEXTUAL

• Verificação e análise do resultado da crítica textual/manuscritologia

3.3 ANÁLISE DAS IMPLICAÇÕES DO GÊNERO LITERÁRIO

• Gênero Literário - Análise da perícope a partir do gênero literário do documento


• Subgênero Literário - Análise da perícope a partir do gênero literário de seu contexto
imediato

3.4 ANÁLISE GRAMATICAL

• Análise Sintática
• Análise Semântica

3.5 TRADUÇÃO PRÓPRIA

• Tradução Literal
• Tradução Dinâmica

3.6 DIAGRAMAÇÃO DA PERÍCOPE

• Delimitação (Interna) da Perícope – Identificação e Análise da Estrutura Interna da Perícope


- Estruturação do texto / Delimitação de cláusulas

3.7 EXTRAÇÃO DA MENSAGEM

• A Mensagem para a Época da Escrita

4 ANÁLISE TEOLÓGICA

4.1 ANALOGIA DA FÉ

• Análise de Paralelos

4.2 IMPLICAÇÕES TEOLÓGICAS

• Implicações para as teologias bíblica, sistemática e prática

4.3 CONTEXTUALIZAÇÃO DA MENSAGEM

• O Entendimento Adquirido - Mensagem para hoje


• Diálogo com Comentaristas
• Aplicações: o próprio intérprete; a comunidade de fé e a sociedade como um todo
5
5 CONCLUSÃO

• Apresentação do resultado da exegese

Vide OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica – uma nova abordagem à interpretação bíblica.
São Paulo: Vida Nova, 2009. Páginas 582 a 584
6
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1. OBSERVAÇÃO DO TEXTO

SEGMENTAÇÃO DO TEXTO
TÉCNICA PARA LEITURA DE OBSERVAÇÃO

Prof. Anderson Rios Jr

“Há textos que se parecem com uma lisa superfície de gelo sobre a qual o leitor desliza. O
pensamento se move fácil: tudo lhe é conhecido com familiaridade. Mas, ao final desse exercício
de patinação sobre o conhecido, o pensamento continua o mesmo. Quando as palavras deslizam
suavemente com um patinador sobre o gelo, é certo que nada de novo irá surgir. Ao final, tudo
estará como sempre foi. Bem que Hegel advertiu de que “o que é conhecido com familiaridade não
é, de fato, conhecido, pela simples razão de ser familiar”. (Rubem Alves)2

Antes de qualquer ação interpretativa é importante realizar uma leitura de simples observação do texto
a ser interpretado. Mesmo em se tratando de um texto já conhecido, e principalmente por isso, é
importante uma atenta leitura de observação de cada parte do texto, por mínima que seja.
• A técnica de segmentação do texto3 serve a este propósito.

“Para tornar eficaz ou ao menos facilitar a análise, muitas vezes é determinante a correta segmentação
do texto em unidades menores”. (Glinz)4
“Ao estudar uma passagem, é importante internalizá-la e ser capaz de indicar os detalhes da passagem
durante a leitura”. (Software Bíblico Logos)

Definição

A segmentação do texto é definida como a subdivisão do texto em unidades mínimas e expressivas de


leitura.
• Essa unidade mínima de leitura é chamada de segmento.

Modo de Aplicação

Reescreve-se o texto registrando cada uma dessas unidades mínimas de leitura – segmento - em uma
linha.

“Texto em linhas de texto com significado homogêneo”. (W. EGGER)5

2
Alves, Rubem. Variações Sobre o Prazer: Santo Agostinho, Nietzsche, Marx e Babette. São Paulo: Planeta, 2011, p. 58.
3
Na literatura, esta técnica encontra-se também denominada de Análise Sob o Aspecto Frasal.
4
Citado em EGGER, W. Metodologia do Novo Testamento- introdução aos métodos lingüísticos e histórico-críticos. São
Paulo: Loyola, 1993, p. 53.
5
Egger, W. Metodologia do Novo Testamento- introdução aos métodos linguísticos e histórico-críticos. São Paulo: Loyola, 1993, p. 56.
7

Não há regras extensas e nem rígidas para a segmentação do texto. Apenas orientações:

• Cada segmento não deve ter mais de um verbo.


o Com exceção de verbos que estão reforçando a mesma ação.
• O segmento não deve ser composto apenas de advérbio ou conjunção.
• Devemos respeitar a ordem em que as palavras aparecem no texto da versão bíblica que estamos
trabalhando.
• A principal norma da segmentação é que a coerência deve ser mantida. Deve-se seguir o mesmo
critério do início ao fim da segmentação.
• Use as seguintes perguntas clássicas para auxiliar na determinação dos segmentos:
o O quê? Onde? Quando? Como? Por Quê? Quem?
Um exemplo:
Jesus chamou os seus discípulos O quê? Quem?
Para irem a Cafarnaum Onde?
De barco, Como?
Quando chegaram lá, Quando?
Encontraram um cego de nascença. O quê?
• Desconfie quando o segmento estiver muito grande ou muito pequeno.

Objetivo

Observar cada um dos elementos que compõem o texto, dando atenção a cada parte mínima do texto.

Resultados

Evidencia-se como as unidades do texto estão articuladas entre si.


• O texto só significa alguma coisa na correlação dos seus elementos.

“Uma subdivisão do texto em unidades mínimas de leitura permite uma melhor compreensão do
conjunto.” (W. EGGER)6

“Você se tornará mais familiarizado com a passagem e suas ideias”. (Software Bíblico Logos)

A atitude que geralmente consegue ver mais num texto, e que o vê com mais autenticidade e confiança
transformadora, é a atitude de permitir que o próprio texto fale tanto quanto possível, enquanto o
sondamos com toda a nossa capacidade. (PIPER, John. Lendo a bíblia de modo sobrenatural: provando e vendo a glória
de Deus nas Escrituras. São José dos Campos, SP: Fiel, 2018, p. 387)

O obstáculo para ver as riquezas da Escritura não se deve ao fato de que mais pessoas não sabem grego
e hebraico, e sim ao fato de que mais pessoas não têm a paciência de olhar, olhar, olhar. (PIPER, John.
Lendo a bíblia de modo sobrenatural: provando e vendo a glória de Deus nas Escrituras. São José dos Campos, SP: Fiel, 2018, p.
433)

6
EGGER, W. Metodologia do Novo Testamento- introdução aos métodos linguísticos e histórico-críticos. São Paulo: Loyola, 1993, p.
55.
8
Algumas Referências Bibliográficas

EGGER, W. (1994). Metodologia do Novo Testamento. Belo Horizonte: Edições Loyola. Página 55.
Obs: Egger trabalha a segmentação e a análise da estrutura literária ao mesmo tempo.

SILVA, C. M. D. da (2000). Metodologia de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas. Páginas: 84 a 94.

Para um exemplo: vide páginas 50-52 em LIEFELD, W.L. (1985). Exposição do Novo Testamento -
do texto ao sermão. Vida Nova, São Paulo.
9
EXEGESE DO NT
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2. ANÁLISE CONTEXTUAL

2.1. CONTEXTO LITERÁRIO


CONTEXTO TEXTUAL

ANÁLISE DA ESTRUTURA LITERÁRIA7

“O primeiro estágio de um estudo sério da Bíblia é olhar para o contexto mais amplo dentro
do qual uma passagem se encontra. Se não conseguirmos entender o todo antes de tentar
dissecar as partes, a interpretação estará ameaçada desde o início.” (Grant Osborne)8

A identificação da estrutura literária e a sua análise é, em outras palavras, o estudo do contexto literário
em que a passagem a ser estudada se encontra.

Definição

Identificação de uma estrutura literária fruto das relações existentes no texto entre vocábulos, frases e
sequências - unidades maiores de informações.

Modo de Aplicação

1º - A partir do texto segmentado, é realizada uma nova leitura do texto procurando por mudanças no
texto: principalmente, mudanças de assunto ou de ações.

• Cada segmento onde se inicia um novo assunto, ou uma nova ação, deve ser distanciado do
segmento anterior. Agrupando, assim, os segmentos em blocos de informação.
• Esta ação é denominada de sequenciamento e se utiliza de múltiplos critérios que variam de
acordo com o tipo de texto.
• Os blocos de informação são também denominados de sequências.

Alguns critérios:
• Em textos narrativos: sujeitos (actantes), ações, diálogos.
• Em textos não narrativos: fases de argumentação, temas, argumentos, imagens.

“Os segmentos, antes de formarem o conjunto, agrupam-se em subunidades que mantêm entre si
relações de dependência e/ou de subordinação.” (C. M. D. da SILVA)9

7
Na literatura, encontra-se esta técnica também denomina da Análise da Estrutura Literária Externa.
8
OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica – uma nova abordagem à interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 44.
9
SILVA, Cássio M. D. da. Metodologia de exegese bíblica. São Paulo: Paulinas, 2000, p. 97.
10

2º - Realiza-se outra leitura do texto, agora com o objetivo de dar títulos às sequências. O título deve
ser dado analisando o seu conteúdo e a sua relação com as demais sequências.

“Esses títulos podem constituir um passo importante para ajudar o exegeta a descobrir as unidades de
pensamento do livro e como elas se encaixam”. (John Grassmick)10

“Trata-se de evidenciar as relações das sequências entre si e com o conjunto total do texto.” (Cássio
Silva)11
• Identificando algum padrão no andamento das sequências, em outras palavras, identificando a
sequência lógica da estrutura do livro ou da porção do livro onde a passagem em estudo se
encontra.

• Em seu livro Methodical Bible Study, R. Traina sugere algumas características para um bom título:
1. Brevidade: seis palavras ou menos se possível;
2. Sugestionabilidade: relembra o conteúdo do parágrafo;
3. Conveniência: condiz com o parágrafo;
4. Exclusividade: aplicável apenas a um parágrafo.
(cf. GRASSMICK, John D. Exegese do Novo Testamento: do texto ao púlpito. São Paulo: Shedd, 2009, pp. 42-43)

3º - Identificando as principais divisões e subdivisões do livro.

• Esta atividade se dá agrupando as sequências, na ordem em que aparecem no texto, dentro de uma
mesma lógica ou padrão de pensamento. Identificando anúncios de início de uma nova seção.

“O escritor bíblico normalmente apresenta sua mensagem em etapas identificáveis”. (John Grassmick)12

Objetivo

Identificar onde a passagem a ser estudada se encontra dentro da estrutura literária do livro.
• Descobrindo qual a relação da passagem a ser estudada com aquilo que foi dito antes e como este
trecho prepara para o que segue.

Deve-se ter uma ideia clara do esboço de todo o livro para, então, chegar-se ao contexto imediato da
passagem, o que veio antes e o que segue na elaboração do autor.

“Cada texto possui seu próprio sistema de relações, o que obriga o exegeta a respeitar o texto e deixar
que este o conduza.” (C. M. D. da SILVA)13
• O exegeta pode identificar uma ou mais estruturas literárias no mesmo texto.

Resultado

10
GRASSMICK, John D. Exegese do Novo Testamento: do texto ao púlpito. São Paulo: Shedd, 2009, p. 42.
11
SILVA, p. 102.
12
GRASSMICK, p. 43.
13
SILVA, p. 97.
11
Identificando a estrutura literária do documento, chega-se a pelo menos três resultados:
1. Descobre-se a fluência e o desenvolvimento do texto.
2. Obtém-se o esboço do livro.
3. Chega-se ao contexto literário14 de qualquer passagem em estudo.
• Como a passagem em estudo se relaciona com o contexto literário total – o livro todo;
• Como a passagem em estudo se relaciona com o contexto literário remoto - a parte ou seção do
livro em que a passagem se encontra.
• Como a passagem em estudo se relaciona com o contexto literário imediato ou próximo: o(s)
trecho(s) imediatamente anterior(es) e posterior(es).

OBS: É extremamente útil descrever o que se descobriu de linha condutora na estrutura do pensamento
do autor - observando de que maneira o texto encaixa-se naturalmente no seu contexto.

“O significado dos vocábulos, frases e partes do texto é substancialmente determinado pelo contexto.
Portanto, uma passagem deve sempre ser considerada no contexto global.” (W. EGGER)15

Algumas Referências Bibliográficas

EGGER, W. (1994). Metodologia do Novo Testamento. Belo Horizonte: Edições Loyola.


Páginas 54 e 55.

GRASSMICK, John D. Exegese do Novo Testamento: do texto ao púlpito. São Paulo: Shedd, 2009.
Páginas 42 a 47.

OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica – uma nova abordagem à interpretação bíblica. São
Paulo: Vida Nova, 2009. Páginas 45 a 68.

SILVA, C. M. D. da (2000). Metodologia de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas. Páginas: 94 a 126.

ZUCK, Roy B. (1994). A Interpretação Bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblia. São Paulo:
Vida Nova. Páginas 157 a 165.

14
“Os textos não são entidades isoladas, mas encontram-se inseridos em contextos mais amplos: constituem um dos
elementos de um processo de comunicação linguística.” (Egger, p. 29).
15
EGGER, W. Metodologia do Novo Testamento- introdução aos métodos linguísticos e histórico-críticos. São Paulo: Loyola, 1993, p.
54.
12
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2. ANÁLISE CONTEXTUAL

2.2. ANÁLISE DO CONTEXTO CANÔNICO


Entendendo o texto a partir da mensagem de toda a bíblia

Se há uma unidade orgânica genuína em relação ao conteúdo dos livros bíblicos, concluímos que o
contexto mais amplo de qualquer texto específico é toda a Bíblia. (GOLDSWORTHY, Graeme. O Filho de Deus e
a nova criação. São José dos Campos, SP: Fiel, 2017, p. 22)

Qualquer texto dado é mais significativo quando relacionado não só com o contexto imediato, mas
também com todo o plano de redenção revelado na Bíblia inteira. (GOLDSWORTHY, Graeme. Trilogia – o
evangelho e o Reino, o evangelho no Apocalipse e o evangelho e a sabedoria. São Paulo: Shedd, 2016, pp. 34-35)

Um enredo revela um relato unificado, mas contém diversos temas envoltos em uma trama narrativa
canônica. (BEALE, G. K. Teologia Bíblica do Novo Testamento: a continuidade teológica do Antigo Testamento no Novo. São Paulo:
Vida Nova, 2018, p. 36)

Uma abordagem bíblico-teológica de um texto em particular, busca, em primeiro lugar, expor sua
interpretação em seu próprio contexto literário e, basicamente, em relação com a própria época no
plano histórico-redentor e, depois, conforme a época ou as épocas que o precedem ou o sucedem.
(BEALE, G. K. Teologia Bíblica do Novo Testamento: a continuidade teológica do Antigo Testamento no Novo. São Paulo: Vida Nova,
2018, p. 31)

O melhor e mais adequado para a Bíblia como narrativa e literatura é falar de um “enredo” que percorre
todos os diversos gêneros do AT (histórico-narrativo, profético, poético, sapiencial, entre outros), do
qual se origina a maior parte das outras ideias importantes e que devem ser vistas como subordinadas e
explicativas de partes do enredo. (BEALE, G. K. Teologia Bíblica do Novo Testamento: a continuidade teológica do Antigo
Testamento no Novo. São Paulo: Vida Nova, 2018, p. 92)

“O fato é que a Bíblia como documento integral narra uma história, e, corretamente usada, essa história
pode servir de metanarrativa que dá forma à nossa compreensão de toda a fé cristã”. (D. A. Carson em
BEALE, G. K. Teologia Bíblica do Novo Testamento: a continuidade teológica do Antigo Testamento no Novo. São Paulo: Vida Nova,
2018, p. 155)

Definição

• Verificação da posição do texto em estudo no conjunto das Escrituras, dentro do contexto histórico
e canônico em que foi escrito, considerando o conteúdo e a unidade das Escrituras.

Em que estágio da história da redenção nos encontramos nesta passagem específica? (HORTON, Michael S. Um
caminho melhor. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 105)

Visto que Deus inspirou toda a Escritura, ela é tanto inspirada quanto coerente. Cada passagem se adequa bem
ao ensino geral da Escritura e é importante localizar essa passagem dentro do contexto teológico da revelação
divina. (HARVEY, John D. Interpretação das cartas paulinas. São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 141)

Esse tipo de abordagem para entender textos bíblicos anteriores pode ser chamada adequadamente de
interpretação “canônica” (versus interpretação “histórica-gramatical”), pela qual as partes posteriores da
13
revelação do cânon bíblico explicam, interpretam, desdobram e desenvolvem partes anteriores “mais obscuras”.
(BEALE, G. K. Teologia Bíblica do Novo Testamento: a continuidade teológica do Antigo Testamento no Novo. São Paulo: Vida Nova,
2018, p. 797)

Objetivos

• Encontrar o lugar do texto dentro da matriz da natureza orgânica e progressiva da revelação bíblica.

• Identificar o lugar do livro dentro do cânon bíblico, verificando a sua contribuição teológica
singular na composição das Escrituras.

• Verificar, em particular, a coerência da mensagem do texto em estudo com o contexto histórico e


canônico no qual está inserido, fazendo uma relação também com o contexto histórico e canônico
posterior.

o Deve-se considerar a circunstância histórica específica da perícope e seu lugar peculiar na


história da salvação.

o Qual a contribuição deste texto para o contexto canônico?

• Comparar o texto em estudo com textos de outros livros da Bíblia, verificando a possibilidade de o
texto ser uma citação ou uma fonte para outros textos.

• Identificar a relevância do texto em estudo para se entender a mensagem do NT, levando em conta
o caráter progressivo da revelação - a história da redenção.
o Cada passagem bíblica deve ser interpretada à luz de sua relação com a pessoa e obra de
Cristo, identificando o lugar da passagem na história da redenção que se centraliza em
Cristo.

Como

• Ficar atento aos grandes temas bíblicos que podem estar presentes no texto em estudo, p.ex.: fé,
amor, reino de Deus, vida eterna...

Uma pergunta a fazer: “Que papel o texto desempenha na Bíblia como um todo; como contribui para a
mensagem do evangelho e se insere no arco narrativo principal da Bíblia, cujo ápice é a salvação por
meio de Jesus Cristo?” (KELLER, Timothy. Oração: experimentando intimidade com Deus. São Paulo: Vida Nova, 2016, p. 150)

A Análise do Contexto Canônico será posteriormente complementada com a Análise Teológica,


principalmente com a identificação de conexões intertextuais - Análise de (textos bíblicos) Paralelos –,
fazendo uma analogia das Escrituras - Analogia da Fé -, buscando a totalidade da mensagem bíblica -
Tota Scriptura -, principalmente a do NT.

Algumas Referências Bibliográficas


14
ANGLADA, Paulo. (2006). Introdução à Hermenêutica Reformada: correntes históricas,
pressuposições, princípios e métodos lingüísticos. Ananindeua-PA: Knox Publicações. Páginas: 196 a
205 (no que diz respeito ao contexto teológico).
15
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2. ANÁLISE CONTEXTUAL

2.3. ANÁLISE DO CONTEXTO HISTÓRICO


Análise do Contexto Histórico-Cultural

“De grande ajuda também são: as descobertas em relação ao ambiente cultural do Antigo e do Novo
Testamentos; sumários relevantes de pesquisas arqueológicas, ilustrados onde for apropriado;
vislumbres da história extra bíblica.” LINNEMAN, Eta. A Crítica Bíblica em Julgamento. São Paulo:
Cultura Cristã, 2011, p. 176)

“A exegese histórico-cultural difere do estudo histórico-crítico no sentido de que ela aplica dados do
pano de fundo a uma passagem para melhor compreender seu significado, mas ela não usa isso para
determinar a autenticidade ou a ampliação editorial do texto.” (OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica – uma
nova abordagem à interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2009, 198)

Contexto Histórico

O pano de fundo histórico de determinado documento ou de uma determinada unidade literária do


documento.

“Embora a pesquisa semântica e a análise sintática possam desvendar a dimensão literária, um estudo do
pano de fundo histórico é necessário para revelar um nível mais profundo do significado subjacente ao
texto, bem como do próprio texto. (OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica – uma nova abordagem à interpretação bíblica.
São Paulo: Vida Nova, 2009, 199)

“...quanto mais familiarizado estiver o intérprete com o pano de fundo histórico, ...mais bem equipado ele
estará para compreender qualquer passagem bíblica.”16

No Contexto do Documento

Neste contexto, a pesquisa sob o aspecto histórico deve se dar sob dois focos:

1. As circunstâncias históricas do documento: informações sobre o autor e os destinatários,


principalmente em busca das circunstâncias motivadoras da elaboração do documento.

2. O contexto histórico (social, cultural, religioso, político, econômico...) dos protagonistas17,


antagonistas18, destinatários e autor do documento.

16
Anglada, p. 204.
17
Personagens principais
18
Personagens com papel de opositores na narrativa
16

No Contexto da Perícope

• Deve-se buscar uma reconstituição apropriada da situação histórica ou da circunstância.


o Perguntas apropriadas: Quem? Onde? Quando? O quê?

• Informações que podem ou devem ser buscadas: Agricultura, arquitetura, economia, geografia, leis,
organização militar, política – nacional e internacional, religião, vida doméstica, vestimentas...

Uma das razões para o estudo histórico de Jesus e dos evangelhos é porque a igreja, e o mundo, precisam
constantemente ser lembrados daquilo que os evangelhos realmente estão falando. (WRIGHT, N. T. Simplesmente
Cristão. Viçosa/MG: Ultimato, 2008, p. 110)

Seu trabalho com o material histórico não será completo até ultrapassar sua avaliação intelectual e for
capaz de visualizar pessoas reais com sentimentos verdadeiros em situações concretas. (GRASSMICK, John D.
Exegese do Novo Testamento: do texto ao púlpito. São Paulo: Shedd, 2009, p. 47)

Fontes de Pesquisa

Consulte primeiramente as informações registradas nas Escrituras


Dicionários e enciclopédias bíblicas
Introduções ao NT
Comentários sobre o texto grego

Algumas Referências Bibliográficas

ANGLADA, Paulo. (2006). Introdução à Hermenêutica Reformada: correntes históricas,


pressuposições, princípios e métodos lingüísticos. Ananindeua-PA: Knox Publicações. Páginas: 196 a
205 (no que diz respeito ao contexto histórico).

BERKHOF, L. (2000). Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Cultura Cristã. Páginas:
113 a 129.

OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica – uma nova abordagem à interpretação bíblica. São
Paulo: Vida Nova, 2009. Páginas 43 a 45)

ZUCK, Roy B. (1994). A Interpretação Bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblia. São Paulo:
Vida Nova. Páginas 92 a 103.

Para um exemplo: vide páginas 33-35 (At 16) em LIEFELD, W.L. (1985). Exposição do Novo Testamento
- do texto ao sermão. Vida Nova, São Paulo.
17

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3. ANÁLISE TEXTUAL

3.1. DELIMITAÇÃO DA PERÍCOPE

Perícope = trecho da obra literária que carrega em si uma informação completa; uma unidade textual
que tem sentido completo; uma unidade literária com uma mensagem única e central.

Para que a perícope seja mais bem compreendida, é importante perceber a sua delimitação, isto é, onde
a perícope começa e onde termina. Para tanto, precisamos ir além da ação de sequenciamento.

Definição

Estabelecimento do início e do fim do texto a analisar.19

Objetivo

Trazer segurança e maior conforto ao exegeta ao definir os limites da perícope objeto de estudo.

Modo

Numa leitura bastante atenta do texto, busca-se por elementos textuais que indicam o início e o término
da passagem. Para tanto, observa-se a sintaxe e o contexto. Segue abaixo uma lista desses elementos20:

o Mudança de espaço ou de cenário (através, por exemplo, de conectivos).


o Mudança de tempo ou de ação (mudança dos tempos verbais).
o Mudança de personagens ou aparição de um novo personagem, ou ação de um personagem
até então inativo.
o Mudança de sujeito.
o Mudança de destinatário.
o Mudança de argumentos – algumas fórmulas utilizadas: “finalmente...”, “quanto a...”, “a
propósito de...”, “por essa razão...”;
o Mudança de assunto.
o Mudança de vocabulário.
o Mudança da forma literária: diálogo, discurso, narrativa, poesia, comentário, sumário etc;
o Mudança de campo semântico.’

19
”Na sintaxe grega, um novo começo destes é indicado geralmente, se bem que não sempre, pela ausência de uma
conjunção”. (Liefeld, 1985, 46-47)
20
Entre outros, cf. Silva, pp.70-73.
18

Resultado

Perícope definida.

Compare com as diversas versões

Os limites da perícope que contém a passagem geralmente estão de acordo com a sua delimitação?
Se não, o que parece ser a causa das diferenças?

Algumas Referências Bibliográficas

LIEFELD, W.L. (1985). Exposição do Novo Testamento - do texto ao sermão. São Paulo: Vida Nova.
Páginas: 46 e 47

SILVA, C. M. D. da (2000). Metodologia de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas. Páginas: 67 a 78

SCHNELLE, Udo (2004). Introdução à Exegese do Novo Testamento. São Paulo: Edições Loyola.
Páginas: 49 e 50
19
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3. ANÁLISE TEXTUAL

3.2. CRÍTICA TEXTUAL

ANÁLISE A PARTIR DA MANUSCRITOLOGIA


Análise do Resultado da Crítica Textual

Crítica textual é a tentativa de determinar o mais próximo possível o texto da Escritura registrado pelo
autor original. (GRASSMICK, John D. Exegese do Novo Testamento: do texto ao púlpito. São Paulo: Shedd, 2009, p. 11)

O fundamento e pressuposto de todo trabalho interpretativo é um texto confiável. Já que não se


conservou o original de nenhum livro bíblico, mas existem, de cada um, muitas e diferentes cópias, é
necessário produzir um texto que se aproxime do original tanto quanto possível. (SCHREINER, Josef (Ed.). O
Antigo Testamento: um olhar atento para sua palavra e mensagem. São Paulo: Hagnos, 2012, p. 51)

O objetivo da crítica textual é identificar todas as alterações do texto, intencionais e não intencionais, e
procurar tanto quanto possível reconstruir o texto mais antigo. (SCHREINER, Josef (Ed.). O Antigo Testamento: um
olhar atento para sua palavra e mensagem. São Paulo: Hagnos, 2012, p. 445)

Crítica Textual ou Manuscritologia – processo de reconstrução do fraseado original do NT grego.

• Textos do NT grego:
o Textus Receptus – texto amplamente usado até o final do séc.XIX.
o Textus Criticus21 - textos ecléticos baseados em manuscritos provenientes do séc.IV.
o Texto Majoritário22 – tentativa de uma reconstituição mais acurada do texto representado na
maioria dos manuscritos (desenvolvimento da primeira corrente).

“É importante dar uma olhada no aparato crítico que acompanha o texto grego, e verificar as leituras
variantes existentes, e seu significado para a interpretação da passagem.”23

• Principais edições do NT Grego com aparato crítico:

o United Bible Societies – UBS 4ª edição.


o Deutsche Bibelstiftung (Sociedade Bíblica Alemã) - Nestlé-Aland 28ª edição.
▪ Os textos gregos das duas edições acima são idênticos, exceto por algumas pequenas
diferenças de pontuação.
o The Greek New Testament According to the Majority Text – 2ª edição (Nashiville, Camden & New
York: Thomas Nelson Publishers, 1985) – editado por Zane C. Hodges e Arthur L. Farstad.
▪ NT Interlinear Analítico – Texto Majoritário com aparato crítico (por Paulo S. Gomes e
Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã, 2008)

21
Seguindo o texto preparado por Westcott e Hort, publicado em 1881.
22
Também denominado Bizantino ou Tradicional ou Eclesiástico.
23
Fee, p. 292.
20
Nessas edições, muito trabalho de crítica textual já está feito para o intérprete. Isso, entretanto, não o
dispensa da obrigação de verificar qual é a situação dos textos e depreender a melhor forma textual a
partir do material oferecido. (SCHREINER, Josef (Ed.). O Antigo Testamento: um olhar atento para sua palavra e mensagem.
São Paulo: Hagnos, 2012, p. 52)

• Objetivo: estabelecer qual é, mais provavelmente, o palavreado original do texto24.


o Verificando a existência de variante textual e analisando as conclusões dos críticos textuais
para cada variante.
o Utilizando-se de aparatos críticos de edições do Novo Testamento Grego

“O primeiro passo da exegese é exatamente identificar as variantes que representam o texto


inspirado.”25

Algumas Referências Bibliográficas

ANGLADA, Paulo. (2006). Introdução à Hermenêutica Reformada: correntes históricas,


pressuposições, princípios e métodos lingüísticos. Ananindeua-PA: Knox Publicações. Páginas: 154 a
164.

PAROSCHI, Wilson. (1992). Crítica Textual do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova. Páginas:
105 a 205.

24
Cf. HARVEY, John D. Interpretação das cartas paulinas. São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 102.
25
Anglada, p. 163.
21
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3. ANÁLISE TEXTUAL

3.3. ANÁLISE LITERÁRIA

ANÁLISE DAS IMPLICAÇÕES DO GÊNERO LITERÁRIO


Análise Literária do Documento26

Podemos dizer que o NT é constituído fundamentalmente de quatro gêneros literários: os evangelhos, o


livro de Atos, as Epístolas e o Apocalipse. Mesmo tendo muitas coisas em comum, cada um destes
gêneros tem também as suas “regras” exegéticas peculiares. Os seguintes passos devem ser aplicados
de acordo com o gênero literário do qual o texto faz parte:

EVANGELHOS ATOS EPÍSTOLAS APOCALIPSE


4.1. Entender se é 4.1. Entender se 4.1. Determinar o caráter 4.1. Entender o caráter
narrativa, ensino, é narrativa, formal do texto: argu- formal do texto: é
discurso, etc. discurso, mento, exortação, etc. carta?, visão?,
etc. narrativa?, profecia?
4.2. Analisar o trecho
numa Sinopse dos
Evangelhos.
4.3. Considerar o 4.3. Pesquisar 4.3. Examinar o contexto 4.3. Determinar o contexto
possível contexto os assuntos histórico particular histórico particular ao
no ministério de históricos. que ocasionou o qual alude o texto a ser
Jesus. escrito e este texto. estudado.
4.4. Formular claramente a
relação com o contexto
literário, dentro da
estrutura particular que
o Apocalipse apresenta
(recapitulação parcial?,
paralelismo
progressivo?, etc.).

Definição de “gênero literário”, segundo Collins: “um grupo de textos escritos marcados por características
distintivas recorrentes, que constituem um tipo reconhecível e coerente de escrito”.27

Uma classificação dos gêneros literários que se encontram na bíblia: narrativas, profecias, sabedorias,
salmos, evangelhos, epístolas, apocalipses.

26
“Trata-se de uma macroperspectiva do texto, que procura identificar como ele deve ser lido à luz das suas semelhanças e
diferenças de outros textos ou grupos de textos.” Anglada, p. 245.
27
Citado por Anglada, p. 244.
22

1. Identificar o gênero literário do documento

• Que tipo de literatura estou interpretando?

“À medida que lemos um texto, fazemos associações com outros gêneros de textos com os quais
estamos familiarizados, procurando enquadrá-lo em um gênero previamente conhecido, e interpretá-lo
de conformidade com as leis que regem esse gênero literário.”28

1.1. Verificar a existência de particularidades no uso desse gênero literário no documento

Algumas Referências Bibliográficas

ANGLADA, Paulo. (2006). Introdução à Hermenêutica Reformada: correntes históricas,


pressuposições, princípios e métodos lingüísticos. Ananindeua-PA: Knox Publicações. Páginas: 208 a
227 e 242 a 247.

FEE, G.D. e D. Stuart. (1984). Entendes o Que Lês?. São Paulo: Vida Nova.

ZUCK, Roy B. (1994). A Interpretação Bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblia. São Paulo:
Vida Nova. Páginas 147 a 157.

28
Anglada, p. 245.
23

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3. ANÁLISE TEXTUAL

3.3. ANÁLISE LITERÁRIA

ANÁLISE DAS IMPLICAÇÕES DO SUBGÊNERO LITERÁRIO


Análise Literária do Contexto Imediato

O termo “subgênero literário” é utilizado para designar as unidades literárias internas de uma obra ou
documento literário.

Uma classificação dos subgêneros literários que se encontram na bíblia: leis, sonhos, lamentações,
parábolas, milagres, exortações, autobiografias, julgamentos, pronunciamentos, relatórios, ascensões,
paixões, hinos, confissões de fé, catálogos de vícios e de virtudes, catálogos de deveres, etc.

“O intérprete do gênero deve primeiramente determinar a qual dos subgêneros o texto pertence. Cada
subgênero irá exigir uma adaptação na estratégia interpretativa para esse texto.” (KAISER Jr, Walter C. e
Moisés Silva. Introdução à hermenêutica bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, 99)

Sendo assim, dentro de cada um dos quatro gêneros literários fundamentais do NT, devemos identificar
o subgênero literário do texto em estudo:

EVANGELHOS ATOS EPÍSTOLAS APOCALIPSE


Se é narrativa, ensino, Se é narrativa, Se é hino, confissões de Se é carta, visão, narrativa,
discurso, parábola discurso, fé, catálogos de vícios profecia, etc.
etc. etc. e virtudes, catálogos
de deveres, etc.

Algumas Referências Bibliográficas

ANGLADA, Paulo. (2006). Introdução à Hermenêutica Reformada: correntes históricas,


pressuposições, princípios e métodos lingüísticos. Ananindeua-PA: Knox Publicações. Páginas: 208 a
227 e 247.

FEE, G.D. e D. Stuart. (1984). Entendes o Que Lês?. São Paulo: Vida Nova.

SILVA, C. M. D. da (2000). Metodologia de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas. Páginas: 206 a
229.
24
BERKHOF, L. (2000). Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Cultura Cristã. Páginas:
97 a 101.

ZUCK, Roy B. (1994). A Interpretação Bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblia. São Paulo:
Vida Nova. Páginas 147 a 157.
25

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3. ANÁLISE TEXTUAL

3.4. ANÁLISE GRAMATICAL

“Fee relaciona quatro passos que devem nos guiar nas decisões gramaticais: (1) conhecer as opções;
(2) consultar as gramáticas; (3) verificar o uso que o autor faz do termo em outros lugares (usando
uma concordância); (4) determinar qual opção faz mais sentido no contexto. E eu acrescento um
quinto passo: (5) manter o foco no desenvolvimento sintático como um todo e nunca em unidades
gramaticais isoladas. ...Use também as várias versões da Bíblia [(6)]. (OSBORNE, Grant R. A Espiral
Hermenêutica – uma nova abordagem à interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2009, 98-99)

Sugestão de roteiro para a análise gramatical:

1. Identifique os verbos
1.1. E suas formas verbais – particípios e infinitivos.
2. Identifique os tempos verbais.
3. Analise sintaticamente os verbos.
4. Identifique as cláusulas em que cada verbo está inserido.
5. Analise sintaticamente as cláusulas.
6. Analise semanticamente os principais termos e expressões.

Identificando os principais termos e expressões:

1. Aqueles que carregam um peso teológico.


2. Aqueles cujas versões bíblicas não concordam sobre como defini-los.
3. Aqueles que têm sinônimos ou antônimos no texto em estudo.
4. Aqueles que podem afetar a exegese do texto em estudo.

3.4.1. ANÁLISE SINTÁTICO-MORFOLÓGICA

Análise Sintática

Trata de identificar o relacionamento dos signos linguísticos entre si. “A pergunta fundamental, neste
caso, é: Como é que essa comunicação foi formulada ou está estruturada?”29

Identificação de Morfemas30

29
Scholz, Vilson. Princípios de Interpretação Bíblica. ULBRA, p. 104.
30
Menores unidades da linguagem capazes de comunicar significado.
26

Ao identificar os mecanismos lingüísticos usados para conectar sintática ou logicamente unidades do


texto - palavras, frases, sentenças, parágrafos e seções -. é importante identificar os morfemas e a
maneira como são combinados para formar as palavras da perícope em estudo.

• Tipos de morfemas no grego coinê:


o Raízes (ou radicais) – simples ou compostas
o Afixos – prefixos ou sufixos

As principais categorias gramaticais desses mecanismos lingüísticos são: substantivos, verbos,


adjetivos, conjunções, pronomes e particípios.

“O grego coinê é um idioma sintético ou flexional. Isso significa que, enquanto outras línguas expressam significado
gramatical através do uso de palavras, o coinê faz isso principalmente através da combinação de morfemas e de
flexões de palavras.”31

Para cada um desses mecanismos, deve ser analisada a sua função sintática – casos, tempos, modos... -
e as conexões entre um mecanismo e outro.

”A observação das categorias - substantivos/nomes, artigos, pronomes, verbos, adjetivos, advérbios, preposições
etc. - e das formas gramaticais - p. ex. o tempo dos verbos (e o tipo de ação, modo, etc) - permite descobrir os
principais relevos do texto.”32

Diagramação Sintática

Alguns recursos diagramáticos têm sido utilizados para melhor visualização da estrutura do texto,
possibilitando, inclusive, a identificação dos componentes - ou pensamentos - nucleares-primários e
secundários do texto, destacando o tema principal e mostrando a maneira em que ele é desenvolvido.

Ligar os relacionamentos sintáticos em um diagrama de fluxo torna possível distinguir entre os


pensamentos principais e os secundários, destacando o tema principal e mostrando a maneira em que
ele é desenvolvido. (Johannes Bergmann)

Fontes de pesquisa

Principalmente gramáticas e chaves lingüísticas

OBS: A análise da estrutura sintática pode reforçar a delimitação da perícope.

Algumas Referências Bibliográficas

31
Anglada, pp. 314-315.
32
Egger, p. 75.
27
ANGLADA, Paulo. (2006). Introdução à Hermenêutica Reformada: correntes históricas,
pressuposições, princípios e métodos lingüísticos. Ananindeua-PA: Knox Publicações. Páginas: 272 a
307.

BERKHOF, L. (2000). Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Cultura Cristã. Páginas:
90 a 97 e 104 a 105.

PINTO, Carlos O. C. (2002). Fundamentos para exegese do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova.
Capítulo 10.

ZUCK, Roy B. (1994). A Interpretação Bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblia. São Paulo:
Vida Nova. Páginas 135 a 140.
28
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3. ANÁLISE TEXTUAL

3.4. ANÁLISE GRAMATICAL

3.4.2. ANÁLISE SEMÂNTICA


Análise Léxica
Estudo do Vocabulário da Perícope

Determinar o sentido real de um termo num contexto específico conforme usado pelo autor numa situação
específica.

• É importante lembrar, também, que muitas vezes o sentido da palavra e seu significado é
verificado a partir de seu contexto literário - dentro de sua unidade literária.
• Como se deveria ou se deve entender aquilo que está sendo dito? O que é isto que se está dando a
entender?

Investigar os significados dos termos empregados pelo autor no texto em estudo.

o Levar em conta: a) o uso e a significação do termo em toda a bíblia; b) o uso e a


significação dos termos raros e de hapax legómena33; c) o uso dos termos repetidos na
perícope.

Quando você averiguar os usos de uma palavra, recomento que considere os outros usos, à
medida que ocorrem, em círculos concêntricos, começando com o parágrafo ou capítulo que
você está estudando. Depois, considere os usos da palavra no mesmo livro bíblico. Em seguida,
considere os usos em outros livros escritos pelo mesmo autor. Depois, em todo o Novo ou em
todo o Antigo Testamento e, por fim, em toda a Bíblia. A razão para esta sugestão é que o
nosso alvo em ler a Bíblia é assimilar o que o autor tenciona comunicar. (PIPER, John. Lendo a
bíblia de modo sobrenatural: provando e vendo a glória de Deus nas Escrituras. São José dos Campos, SP: Fiel, 2018, p.
466)

o É importante lembrar que um termo pode ter os seguintes sentidos: geral, específico, literal
e figurado.

o Investigar a etimologia da palavra, identificando as partes componentes.

Descobrir as palavras-chave do contexto.

• Termos teológica e exegeticamente importantes

OBS: Na tradução de uma língua para outra, raramente acontece a transferência completa de um campo
semântico.

33
“Do grego “hapax” [uma só vez] + “legómenon” [o que é dito, falado]; é um termo técnico também nas ciências bíblicas
para designar palavras que aparecem uma só vez na Sagrada Escritura ou em uma de suas partes.” (Silva, p. 127)
29

“Os significados das palavras podem ser esclarecidos por meio de uma análise conceitual (isto é, por meio
da apresentação dos resultados desse campo da investigação juntamente com as referências à literatura
relevante). Os significados básicos das palavras devem ser constantemente revistos, visto que isso lançará
luz sobe muitos significados variantes. Nesse aspecto, devem aparecer a derivação etimológica e as
variações mais importantes de uma palavra em sua história semântica.” (LINNEMAN, Eta. A Crítica
Bíblica em Julgamento. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p.176)

Fontes de pesquisa

Principalmente: dicionários da língua grega, chave lingüística, dicionários teológicos e exegéticos,


concordância bíblica (grego)...

Estudo do campo ou eixo semântico

“A primeira fase consiste, portanto, em estabelecer quais elementos de um texto estão relacionados
entre si no aspecto semântico, constituindo grupos de expressões de significado afim, [formando um
eixo semântico que atravessa todo o texto]. ...na maioria dos casos o texto contém diversos eixos
semânticos.”34

“Palavras que não são ou são quase sinônimas, podem, mesmo assim, estar relacionadas
intimamente.”35

-----------------

“Quando em determinado versículo se escolhe um termo que precisa passar por análise semântica, é
necessário (1) definir o espectro semântico (os possíveis significados que a palavra poderia possuir no
mundo antigo); em seguida, (2) permitir que o contexto determine o significado que mais se encaixe
com a outra mensagem pretendida pelo todo. Por fim, (3) se o objetivo for fazer um estudo mais
profundo da teologia ligada à palavra, faça uma pesquisa do campo semântico para encontrar termos ou
expressões que tinham o mesmo significado, buscando inclusive no livro, no autor ou no Testamento.
OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica – uma nova abordagem à interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2009, 135)

Algumas Referências Bibliográficas

ANGLADA, Paulo. (2006). Introdução à Hermenêutica Reformada: correntes históricas,


pressuposições, princípios e métodos lingüísticos. Ananindeua-PA: Knox Publicações. Páginas: 307 a
320.

BATEMAN, Herbert W. Interpretação das Cartas Gerais. São Paulo: Cultura Cristã, 2017. Páginas:
211 a 222.

34
Egger, p. 94.
35
Liefeld, p. 73.
30
BERKHOF, L. (2000). Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Cultura Cristã. Páginas:
66 a 86.

SILVA, C. M. D. da (2000). Metodologia de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas. Páginas: 127 a
146.

ZUCK, Roy B. (1994). A Interpretação Bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblia. São Paulo:
Vida Nova. Páginas 116 a 129.
31
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3. ANÁLISE TEXTUAL

3.5. TRADUÇÃO PRÓPRIA

Traduzir toda a passagem proporciona a interação mais completa e direta com o texto e permite ao intérprete
chegar à sua própria compreensão do que o texto diz. (HARVEY, John D. Interpretação das cartas paulinas. São Paulo:
Cultura Cristã, 2017, p. 108)

Tradução Literal

Neste momento do estudo o intérprete (exegeta) deve chegar a uma tradução sua da perícope. O melhor
seriam duas traduções: uma mais literal/formal e outra mais livre.

“Um apoio pode ser oferecido por meio de uma análise gramatical clara do texto original baseado em
minucioso conhecimento das línguas originais. Uma análise como essa pode, também, além disso,
possibilitar traduções alternativas, que levem em conta as pressuposições que estão por trás, bem como
as conseqüências de cada uma delas, e apresentando a tradução preferida de maneira justa e
responsável.” (LINNEMAN, Eta. A Crítica Bíblica em Julgamento. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 176)

“O exame das traduções, ainda que o estudioso conheça a língua original, pode proporcionar maior
sensibilidade aos problemas do texto ou ao menos aos dos leitores de hoje.”36

Tipos de tradução: 1) Traduções formais - “Trata-se de “um modo de traduzir que entende tornar
compreensível a mensagem ao destinatário calcando a forma literária e sintática do original.” ...são
particularmente indicadas para o estudo, enquanto familiarizam o leitor com o original. Uma versão fiel
ao original, ainda que dura e artificial, possibilita também o trabalho de comparação sinótica a quem
não conhece as línguas originais” (Egger, 1995, 61-62) - exemplo: J.Ferreira de Almeida; 2) Traduções
dinâmicas - fundamentam-se “na idéia de que o texto traduzido deve exercer sobre o leitor de hoje o
mesmo efeito que o texto original exerceu sobre o leitor da época.” (Egger, 1995, 62) - exemplo: Bíblia
na Linguagem de Hoje, Bíblia Viva.

Modo: Para uma tradução literal/formal, é necessário buscar traduzir palavra por palavra do texto para
a língua-alvo; tentando, sempre que possível, manter a forma da língua-fonte: número de palavras,
ordem das palavras, pesos e medidas, figuras e ilustrações, uso de transliteração, gênero literário. Ou
seja, é importante buscar transmitir com precisão as palavras e construções gramaticais do texto
original para a língua-alvo.

Algumas sugestões para a tradução própria:


1. Traduza a porção central ou as partes mais difíceis da perícope.
2. Trabalhe com o apoio de um texto interlinear.
3. Compare versões em português.
a. “Tal processo torna possível identificar lugares onde podem existir dificuldades de tradução e ajudar
a captar as nuances finas de compreensão que podem estar presentes”. (HARVEY, John D. Interpretação
das cartas paulinas. São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 108)

36
Egger, p. 58.
32

Algumas regras para a tradução literal/formal:


1. Mantenha a ordem das palavras da língua grega
a. Somente altere a ordem se for impossível de compreender o texto no português.
2. Identifique as cláusulas principais e comece por elas.
3. Encontre a conjunção coordenada introdutória.
4. Localize, analise e traduza o verbo principal.
a. Traduza o significado do verbo e a ideia dos tempos e modos verbais de forma correta e
completa
i. Mesmo que seja necessário utilizar várias palavras no português.
5. Localize o sujeito, o objeto direto e qualquer modificador adjetival.
a. Traduza o significado das palavras gregas e a ideia dos casos de forma correta e completa
i. Mesmo que seja necessário utilizar mais palavras no português.
6. Traduza as cláusulas subordinadas (dependentes) usando o mesmo processo.
7. Traduza corretamente o significado das construções gramaticais gregas – cláusulas
8. Construa a sentença traduzindo as cláusulas na ordem em que elas ocorrem no texto grego
9. Confira a tradução comparando-a com outras traduções em português e faça os ajustes necessários.

• Importante: explicar suas opções textuais, gramaticais, sintáticas e semânticas.

A tradução deve seguir o texto bem de perto, revelando suas ênfase onde for possível.

A tradução deverá “dialogar” com as versões existentes em português (ARA, ARC, NVI, BJ, Edição
Contemporânea, NTLH, etc.), isto é, quando a tradução divergir de uma destas (e quando as versões
divergirem entre si) o aluno deverá justificar a sua opção em nota de rodapé.

Conferir diversas traduções em nossa língua é a maneira mais engenhosa de se concentrar no que é mais
importante e de ficar atento ao texto. (BATEMAN IV, Herbert W. Interpretação das Cartas Gerais. São Paulo: Cultura Cristã,
2017, p. 139)

Tradução Dinâmica

• Depois de fazer a tradução literal, o aluno deverá apresentar a sua própria tradução dinâmica da
passagem.
• O desafio dessa tradução é ser tão precisa quanto possível com relação ao significado, comunicando
ao mesmo tempo em bom português.
33
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3. ANÁLISE TEXTUAL

3.6. ANÁLISE DA ESTRUTURA LITERÁRIA INTERNA


Diagramação da Perícope
Gráfico da Estrutura da Perícope
Estruturação do Texto
Esboço Mecânico da Perícope / Delimitação de Cláusulas / Esquema Estrutural de Cláusulas

Criar uma representação visual da passagem é uma forma útil de analisar sua estrutura. (HARVEY, John D.
Interpretação das cartas paulinas. São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 134)

Como:

Dispor as frases e expressões de tal forma que se possa perceber e analisar, a partir de um diagrama,
como elas se correspondem mutuamente - separando as idéias principais em linhas distintas e
organizando-as em ordem hierárquica. Sendo sensível às divisões principais do texto. Quando uma
parte do texto não se relacionar diretamente a outra, pule uma linha e comece uma nova estrutura de
sujeição.

Para identificar a estrutura de cláusulas:


1. Identificar e isolar as cláusulas
2. Determinar seu tipo – independente ou dependente
3. Sublinhar seus marcadores estruturais – verbos principais das cláusulas independentes e os
conectivos atrelados aos verbos ou formas verbais das cláusulas dependentes.
(cf. BATEMAN, Herbert W. Interpretação das Cartas Gerais. São Paulo: Cultura Cristã, 2017, pp. 181-182)
4. Ligar os marcadores estruturais.

A diagramação deve ser feita tanto no texto grego, quanto na sua tradução literal para o português.

Lembrando que, como em outros momentos da exegese, há tanto objetividade quanto subjetividade
neste processo.

Objetivos

“Entender tão precisamente quanto possível a relação entre as cláusulas e frases que forma a
passagem”. (HARVEY, John D. Interpretação das cartas paulinas. São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 134)

Identificar as ideias do texto e como elas se relacionam umas com as outras.

Identificar a informação principal da perícope, a partir da qual todas as demais, de alguma forma, estão
subordinadas – separando as idéias importantes em ordem de sujeição.

Identificar de forma clara aquilo sobre o que o texto está falando.


34

Resultado

Ajuda a identificar e visualizar o fluxo de pensamento do autor – a subordinação e a coordenação do


pensamento.

Ajuda a identificar as ênfases do texto.

• A partir daí, pode-se formular um esboço do texto, seguindo a sua estrutura interna - conforme
identificada.
o Explicar (ou comentar) a passagem, seguindo a estrutura interna da perícope identificada e a
diagramação elaborada.

Comecei a ver que diagramar me forçava a pensar na relação sintática de cada palavra, expressão e
cláusula na sentença. Diagramar me impeliu a fazer perguntas e achar respostas que, do contrário, eu
nem sempre faria, como... Que palavra ou expressões a oração adjetiva modifica? Um dos grandes
valores de diagramar é, portanto, que ele compele o intérprete a ir devagar e a pensar atentamente em
cada elemento do texto. (Thomas Schreiner em PIPER, John. Lendo a bíblia de modo sobrenatural: provando e vendo a
glória de Deus nas Escrituras. São José dos Campos, SP: Fiel, 2018, p. 473)

Uma sugestão:
Visto que as versões em português, por vezes, escolhem traduzir as cláusulas dependentes de forma tal que elas
parecem ideias principais, a representação gráfica fica melhor quanto feita diretamente a partir do texto grego.
(HARVEY, John D. Interpretação das cartas paulinas. São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 134)

Algumas Referências Bibliográficas

BATEMAN, Herbert W. Interpretação das Cartas Gerais. São Paulo: Cultura Cristã, 2017. Páginas179
a 198.
SCHREINER, Thomas. Intepreting the Pauline Epistles, 2nd ed. Grand Rapids, MI: Baker Academic,
2011, páginas 69-79.

Alguns modelos que podem ser seguidos estão nas seguintes fontes:

www.opentext.com
Cascadia Syntax Graph of the New Testament (Logos Software)
Lexham Syntactic Greek New Testament (Logos Software)
The Lexham Clausal Outlines of the Greek New Testament (Logos Software)
35
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3. ANÁLISE TEXTUAL

3.7. EXTRAÇÃO DA MENSAGEM


MENSAGEM PARA A ÉPOCA DA ESCRITA

Deve ser extraída a mensagem do texto para os leitores originais, levando em consideração tudo o
que foi feito até aqui, principalmente a análise do contexto histórico e do contexto canônico e a análise
gramatical.

• Qual foi a intenção do texto?

o O que o autor quis transmitir aos leitores originais?


o Que fim o autor queria atingir através deste texto?

• Como os leitores/ouvintes originais devem ter recebido esta parte do documento?


36
EXEGESE DO NT
Prof.Anderson Rios Jr

4. ANÁLISE TEOLÓGICA

Na nossa opinião, a exegese bíblica consiste dos três componentes principais seguintes: o gramatical e literário;
o histórico; e o teológico. (Woudstra, Marten H. Comentário do Antigo Testamento – Josué. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 43)

4.1. ANALOGIA DA FÉ
Analogia de Paralelos ou Paralelismo
Analogia das Escrituras (analogiae scripturae)
Tota Scriptura

Uma passagem bíblica deve ser interpretada em harmonia com a fé – Analogia da Fé – Analogia Fidei
• Uma passagem bíblica qualquer deve ser interpretada à luz do ensino geral e uniforme das
Escrituras.
• As Escrituras não podem contradizer a si mesmas.

Isto requer do expositor não apenas um conhecimento do sentido geral da Bíblia, mas também que ele se dê ao
trabalho de reunir e comparar todas as passagens que tratam ou têm relação específica com o assunto diante de
si, de modo que possa obter a intenção plena do Espírito acerca do assunto. (A.W. PINKER em KAISER, Jr. Walter C. e
SILVA, Moisés. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 169)

O objetivo da exegese é a interpretação teológica “nos moldes de uma ciência feita a partir da
convicção de fé cristã e da responsabilidade cristã”. (SCHREINER, Josef (Ed.). O Antigo Testamento: um olhar atento
para sua palavra e mensagem. São Paulo: Hagnos, 2012, p. 69 – com citação de J.Hempel)

• Identificando o contexto teológico – quanto ao conteúdo-mensagem bíblico.

• O princípio hermenêutico da analogia da fé37 deriva do reconhecimento do princípio da auto-


interpretação das Escrituras, qual seja: uma passagem bíblica deve ser interpretada de acordo com a
fé, de acordo com o ensino bíblico geral. Um texto bíblico específico deve ser interpretado à luz do
ensino geral e uniforme das Escrituras.

“A “analogia da fé”, ou (de forma mais adequada) o princípio de que as Escrituras determinam as
Escrituras, é um conceito fundamental na determinação do significado teológico.” (OSBORNE, Grant R. A
Espiral Hermenêutica – uma nova abordagem à interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2009, 462)

“A percepção básica de que a Escritura Sagrada interpreta a si mesma deve receber a devida
consideração na composição de um comentário que seja fiel à Bíblia. Cada escrito bíblico é uma parte
da revelação total de Deus; o comentarista deve ter isso em mente, mesmo quando busca
diligentemente fazer justiça a cada parte individual, manejando bem a Palavra da verdade (2 Tm 2.15).”
(LINNEMAN, Eta. A Crítica Bíblica em Julgamento. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, pp. 176-177)

37
Tradução da expressão grega    , em Rm 12.6.
37
“Os reformadores também falavam muito da “analogia da fé”, mediante a qual se referiam à sua crença
de que as Escrituras possuem uma unidade que a mente de Deus lhes imprimiu, que elas devem,
portanto, ter liberdade para interpretar a si mesmas, sendo que um texto lança luz sobre outro, e que a
igreja não tem liberdade de “expor um texto da Escritura de tal maneira que seja repugnante a outro”.
(STOTT, John. Eu Creio na Pregação. São Paulo: Editora Vida, 2003, p. 135)

“Nenhum verso das Escrituras deve ser explicado de modo que conflita com o que é ensinado clara e
uniformemente nas Escrituras como um todo, nossa única regra de fé e obediência. Isto requer do
expositor não apenas um conhecimento do sentido geral da Bíblia, mas também que ele se dê ao
trabalho de reunir e comparar todas as passagens que tratam ou têm relação específica com o assunto
diante de si, de modo que possa obter a intenção plena do Espírito acerca do assunto.”38

Analogia de Paralelos ou Paralelismo - o exercício de elucidação de uma passagem bíblica a partir de


outras passagens teologicamente relacionadas.

Tipos de Paralelismos ou de Passagens Paralelas


Elucidando o texto a partir de outros textos bíblicos

1. Paralelos de Idéias – quando tratam do mesmo tema.


“Passagem Paralela Tópica. Uma passagem paralela tópica é aquela que trata dos mesmos fatos,
assuntos, sentimentos ou doutrinas enquanto a passagem está sendo comparada sem usar as mesmas
palavras, cláusulas ou expressões.” (KAISER Jr, Walter C. e Moisés Silva. Introdução à hermenêutica bíblica. São Paulo:
Cultura Cristã, 2009, 194)

2. Paralelos Históricos – quando tratam do mesmo evento ou período histórico.

3. Paralelos de Palavras – não se trata necessariamente de paralelos reais, é preciso analisar


adequadamente o contexto.
“Passagem Paralela Verbal”. “Muitas vezes, a mesma palavra, frase, cláusula ou expressão aparece
em duas ou mais passagens com uma conexão semelhante e com referência ao mesmo assunto ou a
assuntos bastante próximos.” (KAISER Jr, Walter C. e Moisés Silva. Introdução à hermenêutica bíblica. São Paulo: Cultura
Cristã, 2009, 193)

Usos do AT

“Uma exegese séria da passagem do AT em seu contexto original é importante para compreender
como o autor do NT a expõe no contexto do século I.” (OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica – uma nova
abordagem à interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2009, 424)

Algumas Referências Bibliográficas

ANGLADA, Paulo. (2006). Introdução à Hermenêutica Reformada: correntes históricas,


pressuposições, princípios e métodos lingüísticos. Ananindeua-PA: Knox Publicações. Páginas: 167 a
196.
38
Arthur W. Pink, citado por Anglada, p. 169.
38

BERKHOF, L. (2000). Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Cultura Cristã. Páginas:
131 a 145 e 157 a 164.
39

EXEGESE DO NT
Prof.Anderson Rios Jr

4. ANÁLISE TEOLÓGICA

4.2. IMPLICAÇÕES TEOLÓGICAS

Teologia do Texto
Qual a importância teológica deste texto?

1. Implicações para a Teologia Bíblica


• Qual é a contribuição da perícope para os assuntos da Teologia Bíblica – em suas categorias, p.ex.:
reino, pacto e mediador; promessa e cumprimento; revelação de Deus como sendo orgânica,
progressiva, histórica e adaptável; teologia joanina, paulina, lucana, petrina; história da salvação...

“O método [gramático-histórico] encontra sua melhor expressão na escola contemporânea da história


da redenção, a qual enfatiza que cada passagem bíblica deve ser interpretada à luz do seu contexto na
história da redenção.”39

2. Implicações para a Teologia Sistemática


• Qual é a contribuição da perícope para os assuntos da Teologia Sistemática - em suas categorias,
p.ex.: Teontologia; Antropologia; Cristologia, Soteriologia, Pneumatologia, Escatologia... e as
doutrinas específicas de cada uma dessas áreas.

3. Implicações para a Teologia Prática

• Qual é a contribuição da perícope – implicações e aplicações - para: aconselhamento, educação


cristã, missões urbanas, missões transculturais, discipulado, edificação pessoal e comunitária,
homilética, poimênica...

39
Anglada, p. 323.
40
4. ANÁLISE TEOLÓGICA

4.3. CONTEXTUALIZAÇÃO DA MENSAGEM


APROPRIAÇÃO DA MENSAGEM

• Qual é a mensagem do texto para os leitores de hoje?

O Tema do Texto

• Formular o tema do texto, a partir da identificação do assunto de que trata o texto e registrando, de
forma sucinta, o que se diz no texto a respeito do referido assunto.

Diálogos com Outros Comentaristas

O exegeta deve trabalhar de modo independente nos primeiros estágios do processo para formar a
própria interpretação provisória. Isso, primordialmente, coloca o estudante em contato com o texto e
lhe permite fazer descobertas pessoais. (GRASSMICK, John D. Exegese do Novo Testamento: do texto ao púlpito. São
Paulo: Shedd, 2009, p. 26)

“Primeiro é necessário que eu forme minhas próprias opiniões antes de interagir com as conclusões de
terceiros.” (OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica – uma nova abordagem à interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova,
2009, p. 47)

“Os escritos dos pais da igreja e dos bons intérpretes contemporâneos e do passado são úteis na
avaliação dos resultados da nossa interpretação. Credos, confissões, bons comentários bíblicos e
compêndios clássicos de teologia, além de outras obras exegéticas produzidas por homens de Deus do
passado e do presente, devem exercer uma função controladora em nossa interpretação das Escrituras.
...Isso não significa dizer que a nossa interpretação não pode diferir da deles. No entanto, se isso
ocorrer, e houver substancial consenso quanto à interpretação histórica de uma passagem bíblica,
faremos bem em reavaliar as nossas conclusões exegéticas e aprofundar a nossa investigação.”40

Perguntas Fundamentais

1. O que esta perícope me diz a respeito de Deus?


2. O que esta perícope me diz a respeito da Vida?
3. Como esta perícope se conecta com os leitores de hoje?
4. Quais são as atitudes e ações contemporâneas que a perícope corrige?
5. Quais são as formas de pensar e/ou agir que a perícope recomenda para os leitores de hoje?

40
Anglada, pp. 229-230.
41
Empacotamento Homilético
Cada mensagem deve ter uma ideia central, uma aplicação, uma visão, ou um princípio que serve como a cola
que mantém juntas todas as partes”. (Andy Stanley citado em HARVEY, John D. Interpretação das cartas paulinas. São Paulo:
Cultura Cristã, 2017, p. 154)
• Qual é a ideia central – a “única coisa” - que eu quero que a minha audiência saiba?
• O que eu quero que eles façam a esse respeito? A ação que os ouvintes vão tomar em resposta à verdade da
passagem.

Algumas Referências Bibliográficas

ANGLADA, Paulo. (2006). Introdução à Hermenêutica Reformada: correntes históricas,


pressuposições, princípios e métodos lingüísticos. Ananindeua-PA: Knox Publicações. Páginas:
229 a 230.

FEE, G.D. e D. Stuart. (1984). Entendes o Que Lês?. São Paulo: Vida Nova. Páginas: 233 a 235.
42
4. ANÁLISE TEOLÓGICA

4.4. CONTEXTUALIZAÇÃO DA MENSAGEM


APLICAÇÃO PRÁTICA

Os Teólogos de Westminster identificaram seis tipos de aplicação:

1) Instrução: aplicação doutrinária.


2) Refutação: contestação do erro contemporâneo.
3) Exortação: instar e admoestar as ovelhas a obedecerem aos imperativos e deveres revelados no texto
pregado, bem como “expor os meios e auxílios para o cumprimento deles”.
4) Dissuasão: reprovar o pecado, fortalecer a convicção de seu horror e o ódio por ele, bem como
apresentar as suas funestas consequências e mostrar como evita-lo.
5) Conforto: encorajar os crentes a prosseguir no bom combate da fé, apesar das várias dificuldades e
aflições.
6) Julgamento: apresentar padrões e marcas da graça com o propósito de autoexame e correção, de
modo a estimular os crentes a cumprirem seu dever, sentirem-se humilhados por causa de seu
pecado e serem fortalecidos com consolo, de acordo com sua condição espiritual.
(BEEKE, Joel R. Vivendo para a glória de Deus: uma introdução à fé reformada. São José dos Campos, SP: Fiel, 2016, pp. 279-280)

Aplicação do Texto em 3 Grandezas

1. O próprio intérprete – aplicação à vida pessoal


• O que esta perícope me diz a respeito da minha atual situação de vida?
2. A comunidade de fé – aplicação à igreja
3. A sociedade como um todo – aplicação ao mundo contemporâneo

Exegese não significa dominar o texto; significa submeter-se a ele como nos é dado. A exegese
não controla o texto e deixa que ele nos “leia”. (Peterson, Eugene. Maravilhosa Bíblia – a arte de ler a Bíblia com o
Espírito. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, 73)

Quando lemos a Bíblia, devemos sempre perguntar: estou sendo mudado de uma maneira que se
conforma ao que este autor tencionava comunicar? Talvez, mais do que todas as outras perguntas
que temos de fazer quando lemos, esta nos prostrará em oração pela obra sobrenatural de Deus. E,
sem dúvida, é assim que toda hora gasta na leitura da Bíblia deveria começar e terminar. (PIPER,
John. Lendo a bíblia de modo sobrenatural: provando e vendo a glória de Deus nas Escrituras. São José dos Campos, SP: Fiel,
2018, p. 510)

Se a Palavra, p.ex., revela problemas em nossa vida, penso que devemos tratar a questão do seguinte
modo: definir o problema; procurar lembrar de exemplos concretos em que ele tenha se manifestado;
procurar a solução que a Palavra aponta para ele; levar o assunto ao Senhor (se há algo a ser
confessado, pedir-lhe ajuda, agradecer-Lhe por Sua misericórdia); tomar decisões quanto ao assunto,
se for preciso estabelecendo metas concretas de ação.41

O intérprete não deve somente lidar com o texto, mas deve também permitir que o texto lide com ele
(o círculo hermenêutico). Em exegese, nossas pressuposições/pré-entendimento devem ser

41
Fee, p. 289.
43
modificados e remodelados pelo texto. (OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica – uma nova abordagem à
interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2009, 664).

É importante deixar o texto falar contra nós.

• Deve-se levar em conta:


1. O significado atual do texto não pode ser divorciado do seu significado original
2. Deve-se identificar o centro e o fundamento teológico do texto

“O trabalho mais importante e necessário em nossos dias é o de se encontrar verdadeiras aplicações que
não extrapolem o que Deus revelou nos princípios de sua Palavra.” (KAISER Jr, Walter C. e Moisés Silva.
Introdução à hermenêutica bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, 272)

Algumas Referências Bibliográficas

ANGLADA, Paulo. (2006). Introdução à Hermenêutica Reformada: correntes históricas,


pressuposições, princípios e métodos lingüísticos. Ananindeua-PA: Knox Publicações. Páginas:
229 a 230.

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