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História da

Arte Moderna
Material Teórico
O sentimento da alma e a liberdade de instinto

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Ms. Pio de Souza Santana

Revisão Textual:
Profa. Esp. Natalia Conti
O sentimento da alma e a liberdade
de instinto

·· Introdução
·· O Expressionismo
·· Fovismo

Abordar o Expressionismo e o Fovismo, fazer reconhecer seus artistas e


obras, suas especificidades, contextos e características; facilitar o aprendizado
estético entre os dois movimentos.

Nesta unidade você vai compreender como ocorreu o inicio das vanguardas europeias
e o significado dessa palavra. Vai entender que o movimento artístico denominado
Expressionismo foi tão importante que influenciou com profundidade grande parte da
arte no Século XX, e ainda influencia a produção atual. Em seguida, verá que o chamado
Fovismo, que significa “feras”, não foi diferente e tem o mesmo peso influenciador.
Conhecerá como os artistas se reuniram e lutaram para que seus trabalhos ganhassem o
reconhecimento merecido. Perceberá que a arte atual tem muito desses dois movimentos.

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Unidade: O sentimento da alma e a liberdade de instinto

Contextualização

Hoje em dia, quando visitamos um museu que apresenta Arte Moderna, é muito comum
encontrarmos obras coloridas, estranhas, com aspecto de “descuidadas” na forma de pintar do
artista. Até mesmo chegamos a pensar que “isso eu também faço” ou “parece coisa de criança”,
entre outras reações. Esses são os modos de leituras que fazemos, quando não conhecemos a
arte que vemos. Veja um exemplo na imagem abaixo:

“Fränzi perante uma cadeira talhada” (1910), Ernst Ludwig Kirchner

A partir do momento em que conhecemos o contexto daquela “coisa”, automaticamente


passamos a gostar, a admirar, aprendemos até a achar “aquilo” muito bonito. Provavelmente
isso acontecerá com você, por meio do conhecimento que terá sobre o Expressionismo e o
Fovismo, nesta unidade.
Portanto, convido você a se envolver numa incrível viagem de conhecimento sobre esses dois
importantes movimentos de vanguarda da Arte Moderna. Para isso, faça a leitura do “conteúdo
teórico”, assista aos vídeos propostos ao longo do texto e boa viagem!

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Introdução

São importantes movimentos das vanguardas artísticas que surgiram na Europa, no ano de
1905. O Expressionismo aparece na cidade de Dresden, na Alemanha e o Fovismo em Paris,
na França. Os dois tiveram influências diretas de Van Gogh, Paul Gauguin, Henri Rousseau e
Edvard Munch. Veja esses artistas nas imagens abaixo.

O termo vanguarda, do francês avant-garde, é usado para definir os


movimentos artísticos como o Expressionismo, Fovismo, Cubismo,
Futurismo, Dadaísmo, Surrealismo entre outros “ismos” que radicalmente
romperam com o modelo tradicional de pintura naturalista.

“A noite Estrelada” (1889), Vincent van Gogh (1853–1890) Auto-retrato com auréola (1889) Paul Gauguin

“A Guerra” (1894), Henri Rousseau

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Unidade: O sentimento da alma e a liberdade de instinto

Para ver Edvard Munch, pintor norueguês que mais inspirou os


artistas expressionistas, acesse o vídeo em:
http://youtu.be/Au3XvuYdCcE

Percebeu que as pinturas desses mestres não retratam imagens naturalistas? Do tipo como
se vê na vida real? Essa foi a ideia que veio desses artistas do Pós-impressionismo. Mostrar
imagens simbólicas, deformadas, com cores puras e, no caso de Van Gogh, densas camadas de
tinta. Elas expressam sentimentos e visões individuais de mundo, daqueles pintores. Isto significa
que, por meio deles, estava lançada a ideia de uma nova pintura, interessada em revelar o lado
subjetivo, emotivo e simbólico, na criação artística.
Essa ideia pegou. Daí em diante, os artistas do Expressionismo e do Fovismo inspirados nela
romperam radicalmente com aquela pintura consagrada, que revela as imagens naturais do
mundo real, a tradicional. E assim, ganharam força.

Durante a primeira década do século XX essas novas forças se


fizeram sentir de maneira poderosa (...) em Dresden e Munique, bem
como em Paris. Esta era a capital cultural do mundo e permaneceu
como principal imã e ponto focal do novo movimento. Artistas de
todo o mundo continuaram a fluir para lá, reunindo-se em grupos
de uma avant-garde. (CHIPP, 1996, p. 121).

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O Expressionismo

Apesar de Paris viver imersa nesse turbilhão de novidades artísticas, curiosamente foi na
Alemanha, nas cidades de Dresden e Munique, que surgiram novidades. Em 1905, em Dresden,
vários jovens pintores reuniram-se e formaram um grupo denominado simbolicamente de
Die Brücke (A Ponte). Conforme Cavalcanti (1978, p. 115), era “a ponte entre o visível e o
invisível. Recebem, mais tarde, a denominação de Expressionistas, dada por Herwart Walden,
poeta e editor da revista Der Stürmer (A tempestade)”. Desse modo, o Expressionismo estava
oficialmente criado, com os pintores: Ernst Ludwig Kirchner, Karl Schmidt Rottluff, Erich Heckel,
Emil Nolde, Max Pechstein, entre outros.

Explore: Veja os vídeos desses artistas em “Material complementar”.

Gostou dos vídeos? Percebeu que nos remetem a interpretações subjetivas da vida cotidiana,
como, por exemplo, revelam angústia, insatisfação, preconceito, enfim, o sofrimento da alma
humana? Concorda que são assustadoramente belos?
Esse grupo, A Ponte, resolveu definir seus objetivos: desenvolver pinturas com cores
contrastantes e pinceladas vigorosas; figuras deformadas com caráter de crítica social; o interesse
pela arte primitiva; e a retomada das artes gráficas, sobretudo da xilogravura. Vamos rever essas
características nas imagens abaixo:

Tavern (1909), Ernst Ludwig Kirchner Autorretrato, Erich Heckel

Muito bem! Mas além desses artistas que acabamos de ver, surgem em 1911, na cidade de
Munique, outros pintores. Além dos nativos alemães, havia, também, ali, emigrantes russos e
todos eles de inspiração expressionista. Com a mesma atitude dos artistas de Dresden, reúnem-
se e criam o grupo: Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul).

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Unidade: O sentimento da alma e a liberdade de instinto

O “azul” em O Cavaleiro Azul era simbolicamente importante para


o grupo, que acreditava que essa cor estava imbuída de qualidades
espirituais singulares. A seu ver, o azul podia combinar a natureza
interna das coisas - os sentimentos e a mente inconsciente - com o
mundo externo e o universo. O “cavaleiro” era simbólico também.
Os artistas compartilhavam um amor pelos cavalos que vinha de
seu interesse romântico pelo folclore. Eles associavam a natureza
primitiva do animal com suas próprias metas artísticas de aventura,
liberdade, ação intuitiva e uma rejeição do mundo moderno,
comercial. (GOMPERTZ, 2013, p. 176, 177).

Wassily Kandinsky e Franz Marc são os criadores desse grupo, composto também por: Alexej
von Jawlensky, August Macke, Paul Klee e Marianne von Werefkin.

Kandinsky, além de pintor, artista gráfico, designer, professor e escritor, o mais intelectual
do grupo, era muito atento às questões espirituais da vida humana, interessava-se por músicas
clássicas e, sobretudo, pelas composições do maestro Richard Wagner. Produziu uma série
numerada de obras, com o mesmo título de caráter musical: “improvisação”. Além disso, era
fã da filosofia de Arthur Schopenhauer. Esse filósofo, ao refletir sobre a insatisfação e desejos
humanos disse que:

Somos todos escravos de nossa “vontade”, aprisionados por nossos


desejos básicos e insaciáveis de sexo, alimento e segurança. (...)
As artes eram o único meio ao nosso alcance para amenizar essa
rotina enfadonha, pois podiam oferecer transcendência, uma fuga
intelectual e um breve consolo. (...) A melhor forma artística para
proporcionar esse tão ansiado lampejo de liberdade era a música, em
razão de sua natureza abstrata - as notas são ouvidas e não vistas,
libertando nossa imaginação da prisão de nossa “vontade” e razão.
(Idem, p. 171).

Influenciado por essa filosofia e inspirado pela música, aos poucos, Kandinsky foi abandonando
a figuração e encontrando a total abstração em sua pintura. Em 1910 escreveu o livro de título:
“Do Espiritual na Arte”. Mesmo ano em que pinta seu primeiro trabalho abstrato. Paul Klee, de
certo modo chega, também, na abstração. Veja nas imagens a seguir.

Obra abstrata em aquarela,


Wassily Kandinsky

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“Polifonia” (1932), Paul Klee “Cavalos vermelho e azul” (1912), Franz Marc

Para ampliar seu conhecimento, convido-lhe agora, a uma nova seção de vídeos sobre as
obras de todos os pintores do grupo Cavaleiro Azul.

Explore: Veja os vídeos desses artistas em “Material complementar”.

Esses vídeos são instigantes e curiosos, não é verdade? Agora que os assistiu, pergunto:
houve algum artista em especial que lhe chamou mais a atenção? Sempre vale a pena pesquisar
com profundidade sobre a vida e obra daquele que nos interessa. Hoje, com a internet à nossa
disposição, isso é bem possível. Como também é possível ficar fascinado com os próximos
pintores que vamos conhecer agora: os Fovistas.

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Unidade: O sentimento da alma e a liberdade de instinto

Fovismo

Este termo vem do francês fauvisme, derivado de fauves, que significa “feras”, usado pelo
crítico Louis Vauxcelles, num comentário que fez sobre as pinturas de uma das salas da exposição
do Salão de outono de 1905, em Paris. Havia trabalhos dos seguintes jovens: Henri Matisse,
Maurice Vlaminck, Raoul Dufy, Albert Marquet, entre outros.

Na sala havia pequena estátua de Cupido, em estilo renascentista,


que lembrava trabalho semelhante do escultor pré-renascentista
Florentino Donatello. Comentando a exposição desses novos
artistas, ainda inteiramente desconhecido, escreveu um crítico
que Donatello se achava numa verdadeira cage aux fauves, isto
é, numa jaula de feras. O crítico falou assim pela violência e,
mesmo, ferocidade com que aqueles pintores empregavam as
cores, utilizando-as nos tons puros, sem misturas e nuanças. Eram
vermelhos, azuis, verdes, amarelos estridentes, que pareciam doer
nos olhos. (CAVALCANTI 1978, p. 121).

O termo “feras” pegou de forma tal que serviu de presente a esses jovens pintores,
completamente influenciados por Van Gogh e Paul Gauguin que, para Gombrich (1995, p.
571), “ambos tinham estimulado os artistas a abandonar o superficialismo habilidoso de uma
arte demasiado refinada, e a serem diretos e francos em suas formas e esquemas de cores”. Os
fovistas entenderam rapidamente a lição e assim propuseram uma nova pintura para o mundo.
Agora, totalmente colorida, demonstrando sensações, total liberdade de expressão, instintiva e
de impulso interior.
Por todas essas razões, o céu de uma paisagem fovista, por exemplo, não precisa mais ser
azul; pode ser verde, amarelo ou vermelho. Uma laranja pode ser pintada de azul, uma árvore
pode levar outras cores dispensando o verde e assim sucessivamente. De modo que para Argan
(1992, p. 259) “a pintura é concebida como uma arquitetura de elementos em tensão no espaço
aberto; é síntese entre a representação e a decoração, o símbolo e a realidade”. Para os Fovistas,
o espaço da tela - altura e largura - deve ser totalmente preenchido, colorindo com a mais
intensa liberdade, como pensavam Henri Matisse e Maurice Vlaminck. Veja:

Matisse: “o pintor escolhe a sua cor na intensidade e na profundidade


que lhe convém, como o músico escolhe o timbre e a intensidade de
seus instrumentos. A cor não governa o desenho - harmoniza-se com
ele” (apud CHIPP, 1996, p. 139).

Vlaminck: “nunca vou ao museu. Fujo de seu odor, de sua monotonia


e de sua severidade. Reencontro ali as iras do meu avô quando eu
cabulava a aula. Empenho-me em pintar com o coração e os rins,
sem me preocupar com o estilo” (apud CHIPP, 1996, p. 140).

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Explore: Veja os vídeos desses artistas, em “Material complementar”.

Esses vídeos dos Fovistas são fascinantes, não é mesmo? As obras são compostas por um
colorido tão forte e tão vibrante que chegam a ficar gravados em nossa memória. De todos os
artistas, Matisse e Vlaminck nos parecem mais vigorosos, potentes e criativos, ou não?
No Brasil, o expressionismo aparece no ano de 1914, com a primeira exposição da jovem
artista paulistana de 24 anos, Anita Malfatti. De família pobre, em 1910 Anita ganhou a
oportunidade e foi estudar arte na Alemanha, passou por Paris, conheceu os acontecimentos
culturais e obras de Van Gogh, apaixonou-se pelo expressionismo e começa a produzir suas
pinturas nessa perspectiva, tendo retornado ao Brasil em 1914.
Naquele ano, por falta de dinheiro e necessitando arrecadar algum, animadíssima e
querendo mostrar sua produção, Anita realiza em São Paulo, sua primeira exposição individual
expressionista. Essa mostra causou grande estranhamento por parte do público e de amigos,
que esperavam ver pintura acadêmica, naturalista! Enfim, uma decepção!
Triste, em 1915, com ajuda de familiares, Malfatti volta ao exterior. Dessa vez vai aprofundar
seus estudos artísticos nos Estados Unidos, onde fica um ano e volta para o Brasil em 1916
assumidamente pintora moderna.
Em 1917, realiza sua segunda exposição, que foi a mais significativa de sua vida, motivada
por uma crítica de Monteiro Lobato, publicada no jornal O Estado de São Paulo em 20 de
dezembro de 1917, com o título “A Propósito da Exposição Malfatti”. Lobato, tomado de
gosto acadêmico, apesar de elogiar o talento e a produção de Anita, discorre negativamente
sobre a estética modernista europeia.

Veja o vídeo de Anita Malfatti: https://www.youtube.com/watch?v=iaj_cvGJ0cc

As obras dela que você acabou de ver no vídeo, nos remetem aos trabalhos de quem?
Van gogh, Gauguin, Kirchner, Marc, Matisse, ou Vlaminck? Reflita sobre essa comparação e
vamos lembrar que no início de Século XX, havia uma inquietação entre um grupo de artistas e
intelectuais paulistanos com o desejo de rever a produção de arte no Brasil, terra ainda de gosto
acadêmico. Cinco anos após aquela exposição de Anita Malfatti, acontece no Teatro Municipal
de São Paulo a Semana de Arte Moderna de 1922.
Outros importantes nomes do expressionismo produzido no Brasil, são os de Lasar Segall,
Oswaldo Goeldi, Cândido Portinari, Flávio de Carvalho, Iberê Camargo, entre outros.
Lasar Segall nasceu na Lituânia, vem morar no Brasil em 1923. Pintor, escultor e gravurista,
conheceu as correntes artísticas da Europa, por ter estudado arte, viveu em Paris, Berlim,
Dresden e foi amigo de vários artistas, entre eles, Kandinsky. Ao chegar no Brasil, já era um
artista expressionista reconhecido.

Veja agora algumas imagens de Lasar Segall em:


http://youtu.be/6o9F6Wn3FAs
e observe o talento desse artista, em terras brasileiras.

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Unidade: O sentimento da alma e a liberdade de instinto

Oswaldo Goeldi, brasileiro, carioca, filho de cientista suíço. Em 1917, aos 22 anos de
idade foi estudar arte em Genebra, Suíça e evidentemente conhece a cena cultural europeia e
interessa-se pelo expressionismo. Em 1919 volta a morar no Rio de Janeiro e passa a trabalhar
como ilustrador de algumas revistas. Em 1923 estuda gravura e em 1925 inicia a carreira de
professor. Muito talentoso, ganha o Prêmio de Gravura da 1ª Bienal Internacional de São Paulo,
em 1951.

Veja neste vídeo algumas imagens de suas gravuras


http://youtu.be/zWo4irxE3T0
Espetacular, não acha? Vamos conhecer outro artista?

Cândido Portinari, pintor brasileiro, nascido na cidade de Brodowski, São Paulo, em 1903.
Em 1918 vai estudar arte no Rio de Janeiro. Em 1928, por conta de uma pintura acadêmica,
ganha como premio uma de viagem à Europa, fica em Paris e conhece a cena artística. Em
1931, volta ao Brasil cheio de ideias. Faz uma brilhante carreira; em 1956 pinta os painéis
Guerra e Paz para a sede da ONU-Organização das Nações Unidas, em Nova York. Veja na
imagem abaixo um exemplo do talento desse artista.

Fonte: Desenho preparatório para “Discovery of the Land” (1941), Cândido Portinari/Wikimedia Commons

Veja mais obras de Portinari no vídeo


https://www.youtube.com/watch?v=BvN31o_nwuQ
Gostou? Veremos a seguir, outro importante nome do expressionismo brasileiro.

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Flávio de Carvalho, nascido em Barra Mansa, no estado do Rio de Janeiro em 1899. É de
família rica. Em 1911 foi estudar arte em Paris. Em 1914 deixa a França, segue para a Inglaterra
e fica proibido de sair do país por conta do início da 1ª Guerra Mundial. Em 1918, na cidade de
Newcastle, inicia seus estudos de engenharia e pintura, forma-se em 1922 e nesse mesmo ano
retorna ao Brasil. Foi um artista inquieto e muito produtivo. Atuou como engenheiro, arquiteto,
pintor, desenhista, figurinista, performer, decorador, escritor, teatrólogo, cenógrafo, músico,
filósofo e outras profissões.

Conheça suas produções no vídeo:


http://youtu.be/v7bJnpl4fms
Percebeu como Flávio de Carvalho foi uma personalidade criativa?

Vamos ao próximo artista:


Iberê Camargo nasceu em 1914 no Rio Grande do Sul, onde estudou pintura. Em 1942 foi
morar no Rio de Janeiro e estuda na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1953, torna-se professor
de gravura. Muito respeitado, realizou exposição na Bienal de São Paulo e na Bienal de Veneza. Veja
esse outro grande artista brasileiro, numa recente exposição de 2014, em São Paulo.

Acesse em:
http://youtu.be/r73rHxZzvN0
Que tal? qual adjetivo você atribui a ele?

Foi possível perceber até aqui que os dois movimentos - Expressionismo e Fovismo - possuem
grandes afinidades? Seja do ponto de vista da cor e da liberdade de expressão. Vamos relembrar que:
O Expressionismo - com seus dois grupos: A Ponte, e sua subjetividade melancólica e O Cavaleiro
Azul, com a desconstrução da imagem que fez Kandinsky chegar à abstração, se aproxima do
Fovismo, cujos artistas compõem o espaço da tela obedecendo apenas seus instintos.
Similaridades tão próximas, mas cada qual com a sua especificidade, essas vanguardas
imprimiram grande importância para a História da Arte.
É importante saber que o Expressionismo se inicia na pintura, mas foi transversal, isto significa
que surge, também, nas linguagens da literatura, música, cinema, teatro, dança e fotografia,
como veremos na sequência:

Na literatura brasileira, temos os modernistas:


Mário de Andrade, autor das obras: Paulicéia Desvairada; Lira Paulistana; Contos
Novos; Amar, Verbo Intransitivo; Macunaíma; A Escrava que não é Isaura e
Os Filhos da Candinha.
Oswald de Andrade, de: Pau-Brasil; Primeiro Caderno de Poesia do Aluno
Oswald de Andrade; Os Condenados; Memórias Sentimentais de João
Miramar; Serafim Ponte Grande; O Rei da Vela; Um Homem sem Profissão.

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Unidade: O sentimento da alma e a liberdade de instinto

Na música, encontramos os mais famosos autores austríacos:


Arnold Schoenberg, ouça uma de suas obras em:
http://youtu.be/U-pVz2LTakM
Alban Berg, ouça em:
http://youtu.be/1kPdwwvr0qo
Anton Webern, ouça em:
http://youtu.be/fQmXU-XMCIs

O que você achou dessas músicas, com aspecto de trilhas sonoras?

No cinema, os cineastas:
Fritz Lang, famoso austríaco, possui uma filmografia extensa e o filme mais conhecido
dele é Metrópolis, de1927. Assista essa obra imperdível em:
http://youtu.be/Pqfc1Uxt91o
Robert Wiene, nascido na Alemanha, produziu entre outros, o filme O gabinete do Dr.
Caligari, de 1919. É outra obra encantadora, Veja em:
http://youtu.be/ecowq77Y3C0
Friedrich Wilhelm Murnau, também alemão, possui uma grande produção, entre elas,
Nosferatu, uma sinfonia de horrores, de 1922, é a mais popular. Veja em:
http://youtu.be/KO5mMVeFZEQ

Esses filmes pertencem ao seu gosto pessoal? Percebe como do ponto de vista das
sensações humanas, as propostas que trazem, permanecem atuais?

No teatro:
Ernst Toller, dramaturgo alemão, escreveu a peça O homem-massa, de 1921.

Antunes Filho, brasileiro, explora o texto Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues. Você
já assistiu essa peça?

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Na dança:
Loie Fuller, americana, possui, entre outras, a Danse Serpentine by Lumière Brother, veja em:
http://youtu.be/YNZ4WCFJGPc
Isadora Duncan, também americana, com Repertory Dance Company veja em:
http://youtu.be/nUvaraDf_3Y
Ruth St Dennis, outra americana, com Exotic solo into Chinese, veja aqui:
http://youtu.be/XMxm9rq0FHc
Martha Graham, mais uma americana, Dance Vídeos, disponível em:
http://youtu.be/b_63g5TICeY
Emile Jacques, suíço com a produção Dalcroze, veja em:
http://youtu.be/n5DdjXZkPfg
Mary Wigman, alemã, veja a obra dela em:
http://youtu.be/AtLSSuFlJ5c
Rudolf von Laban, húngaro, muito popular na Arte/Educação. Veja parte de sua grande obra em:
http://youtu.be/FSShj74qcwo

Essas danças nos parecem atualíssimas, diante da possibilidade de assistirmos algum


espetáculo de dança, em nossa cidade. Você já assistiu algum?

Na fotografia há muitos fotógrafos expressionistas, veja esses dois:


Werner Bischof, acesse em:
http://goo.gl/yPn7nZ

René Burri, no endereço:


http://goo.gl/iGakRS

Que tal, gostou?


Finalizando essa viagem que fizemos para conhecer o Expressionismo e o Fovismo, você
consegue perceber como ambos os movimentos estão muito presentes nas produções artísticas
dos dias atuais? Proponho que faça uma visita em algum museu e observe essa curiosidade.
Além disso, você pensa que o Expressionismo e o Fovismo pararam por aí?
Não! Eles se desdobram em outros “ismos” que veremos em outros capítulos de nosso curso.
Até o próximo!

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Unidade: O sentimento da alma e a liberdade de instinto

Material Complementar

Vídeos sobre os artistas expressionistas do grupo Die Brücke (A Ponte):


Ernst Ludwig Kirchner:...........http://youtu.be/_Y8Mo97putk

Karl Schmidt Rottluff:.............http://youtu.be/VnQFyxG79F0

Erich Heckel:..........................http://youtu.be/0Gg7cvpiaZY

Emil Nolde:............................http://youtu.be/5-vbAMTyIHc

Max Pechstein:.......................http://youtu.be/Qp7N5l8g--g

Playlist completa:....................http://youtu.be/DgnNPoHJW9g?list=PLkVVQty3LEWPd83_CFGolq3jPhXNRAUp7

Vídeos sobre os artistas expressionistas do grupo Blaue Reiter (O cavaleiro azul):


Wassily Kandinsk:...................http://youtu.be/0YUpoZOPVIE

Alexej von Jawlensky:.............http://youtu.be/gA6f_Uf-wIM

Franz Marc:............................http://youtu.be/rEroJSYjDwo

August Macke:........................http://youtu.be/jLiCbzfEfAI

Paul Klee:...............................http://youtu.be/CzkwPUR2onk

Marianne von Werefkin:.........http://youtu.be/Xk4kQw1solw

Playlist completa:....................http://youtu.be/jRIlx5dXO_M?list=PLkVVQty3LEWPVpeJ_QxYwoqIyKniasUu1

Vídeos sobre os artistas Fovistas:


Henri Matisse:...................... http://youtu.be/AXV8BBUuT8c
Maurice de Vlaminck:............ http://youtu.be/bM6vYtV9OQs?list=PLJDLbffbi2v617YeIcFaXJ0vTWTTir0K0
Raoul Dufy:.......................... http://youtu.be/nlJqIWdB3eY
Albert Marquet:.................... http://youtu.be/5mFNxGSgITM
Andre Derain:....................... http://youtu.be/W0aKgpARg9E
George Rouault:................... http://youtu.be/QqmcEIdxFD4
Jean Puy:............................. http://youtu.be/6ggXzIawstA
Kees Van Dongen:................. http://youtu.be/3xQ0TbToSPo
Anita Malfatti:....................... http://youtu.be/iaj_cvGJ0cc
Playlist completa:.................. http://youtu.be/Wp0Y8Cgbg1o?list=PLsBkv4oeAQsdX_-gn883JQljK1OL0itP6

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Indicação de livro importante:
O Fovismo e o Expressionismo.
Autor: Bernard Denvir, Editora Labor do Brasil. Disponível para compra em:
http://www.estantevirtual.com.br/b/bernard-denvir/o-fovismo-e-o-expressionismo/3145358690

Sites de artistas:
Wassily Kandinsky:.................http://www.wassilykandinsky.com/
Matisse:..................................http://www.henri-matisse.net
Maurice de Vlaminck:..............http://www.bbc.co.uk/arts/yourpaintings/artists/maurice-de-vlaminck

Museus:
Museu Lasar Segall:...............https://www.youtube.com/watch?v=CPxS3LHVTRo
Fovismo:.................................http://www.metmuseum.org/toah/hd/fauv/hd_fauv.htm
Emil Nolde:............................http://www.moma.org/collection_ge/artist.php?artist_id=4327

Filmes expressionistas:
30 filmes! Veja os títulos em:
http://filmow.com/listas/os-30-melhores-filmes-expressionistas-que-eu-vi-l15715

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Unidade: O sentimento da alma e a liberdade de instinto

Referências

ARGAN, G. C. Arte Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

CHIPP, H. B. Teorias da Arte Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

STANGOS, N. Conceitos da Arte Moderna: Com 123 ilustrações. Rio de janeiro: Jorge
Zahar Editor, 2000.

Bibliografia Complementar

BELL, J. Uma Nova História da Arte . São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

DEMPSEY, A. Estilos, Escolas e Movimentos: Guia Enciclopédico da Arte Moderna. São


Paulo: Cosac & Naify, 2005.

SCHAPIRO, M. Arte Moderna: Século XIX e Xx: Ensaios Escolhidos. ,v. , São Paulo: Edusp, 1996.

HARRISON, C. Primitivismo, Cubismo, Abstração: Começo do Século XX. São Paulo:


Cosac & Naify, 1998.

LITTLE, S. Ismos. Entender a Arte. Lisboa: Lisma, 2006.

Webgrafia

Jornal O Estado de São Paulo, 29 maio de 1914. Disponível em: http://www.horadopovo.com.


br/2012/06Jun/3063-08-06-2012/P8/pag8a.htm

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Anotações

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