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INTRODUÇÃO O ENSINADO

DE LIBRAS

Ana Carolina Praxedes Frank


INTRODUÇÃO O ENSINADO DE LIBRAS

Ana Carolina Praxedes Frank

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Sobre a autora:

Ana Carolina Praxedes Frank nasceu Brasília, Distrito Federal em 1977.


Quando tinha um aninho, estava doente e tomava remédio forte. Depois aconteceu
que fiquei surda. Minha família se mudou para Campinas em 1983, comecei a estudar na
escola especial “Anne Sullivan”.
Em 1991, fiz a a quarta série no Colégio “Ave Maria”, depois fui transferida no
segundo semestre na escola “João Lourenço Rodrigues” até oitava serie. Entrei no ensino
médio na escola “Adalberto Nascimento”.
Como convivi mais tempo com alunos ouvintes, aprendi tardiamente a LIBRAS.
Em 2004, me formei Pedagogia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas,
PUC - Campinas.
Comecei a fazer mestrado em Especialização em Língua Brasileira de Sinais e
Educação Especial no Instituto Eficaz – Ensino à Distância – Maringá/PR.

SUMÁRIO

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INTRODUÇÃO...............................................................................................................................................6
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DOS SURDOS NO MUNDO.......................................................................8
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DOS SURDOS NO BRASIL.....................................................................18
SISTEMA DE TRANSCRIÇÃO PARA LIBRAS.......................................................................................24
LEGISLAÇÃO:.............................................................................................................................................28
UNIDADE I....................................................................................................................................................39
ALFABETO MANUAL:..................................................................................................................................39
DATILOLOGIA..............................................................................................................................................40
NUMERAIS EM LIBRAS................................................................................................................................41
UNIDADE II...................................................................................................................................................45
ESTRATÉGIAS..............................................................................................................................................45
APRESENTAÇÃO PESSOAL...........................................................................................................................47
CALENDÁRIO...............................................................................................................................................48
ADVERBIOS DE TEMPO:..............................................................................................................................50
UNIDADE III.................................................................................................................................................53
FAMÍLIA......................................................................................................................................................53
PRONOMES PESSOAIS................................................................................................................................55
PRONOMES POSSESSIVOS:.........................................................................................................................59
DIALOGO 1..................................................................................................................................................59
UNIDADE IV.................................................................................................................................................62
EXPRESSÕES FACIAIS..................................................................................................................................62
EXPRESSÕES INTERROGATIVAS..................................................................................................................63
UNIDADE V..................................................................................................................................................65
QUE HORA E QUANTAS HORAS..................................................................................................................65
VERBO “IR”.................................................................................................................................................68
DIALOGO 2..................................................................................................................................................69
INTENSIFICADORES E ADVÉRBIOS E ADVÉRBIOS DE MODO:......................................................................70
UNIDADE VI.................................................................................................................................................73
ESCOLA.......................................................................................................................................................73
Primeira escola no Brasil............................................................................................................................74
UNIDADE VII................................................................................................................................................77
CASA...........................................................................................................................................................77
VALORES MONETÁRIOS..............................................................................................................................79
DIALOGO 3..................................................................................................................................................81
UNIDADE VIII...............................................................................................................................................83

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ALIMENTOS................................................................................................................................................83
TIPOS DE MEDIDAS.....................................................................................................................................84
UNIDADE IX.................................................................................................................................................87
ADJETIVOS NA LIBRAS.................................................................................................................................87
CARACTERISTICAS DE ROUPAS:..................................................................................................................88
UNIDADE X..................................................................................................................................................90
PROFISSÕES................................................................................................................................................90
DIALOGO 4..................................................................................................................................................92
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA............................................................................................................95

INTRODUÇÃO

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A linguagem permite ao homem estruturar seu pensamento, traduzir o que sente,
registrar o que conhece e comunicar-se com outros homens. Ela marca o ingresso do
homem na cultura, construindo-o como sujeito capaz de produzir transformações nunca
antes imaginadas.
Apesar da evidente importância do raciocínio lógico-matemático e dos sistemas de
símbolos, a linguagem, tanto na forma verbal, como em outras maneiras de comunicação,
permanece como meio ideal para transmitir conceitos e sentimentos, além de fornecer
elementos para lançar, explicar e expandir novas aquisições de conhecimento.
A linguagem prova clara da inteligência do homem, tem sido objeto de pesquisa e
discussões. Ela tem sido "um campo fértil" para estudos referentes à aptidão linguística,
tendo em vista a discussão sobre falhas decorrentes de danos cerebrais ou de distúrbios
sensoriais, como a surdez.
Com os estudos do linguista Chomsky (1994), obteve-se um melhor entendimento
acerca da linguagem e do seu funcionamento. Suas considerações partem do fato de que
é muito difícil explicar como a linguagem pode ser adquirida de forma tão rápida e tão
precisa, apesar das impurezas nas amostras de fala que a criança ouve. Chomsky, junto
com outros estudiosos, admite, ainda, que as crianças não seriam capazes de aprender a
linguagem, caso não fizessem determinadas suposições iniciais sobre como o código
deve ou não operar. E acrescenta que tais suposições estariam embutidas no próprio
sistema nervoso humano.
A palavra tem uma importância excepcional no sentido de dar forma à atividade
mental e é fator fundamental de formação da consciência. Ela é capaz de assegurar o
processo de abstração e generalização, além de ser veículo de transmissão do saber.
Os indivíduos "normais" parecem utilizar, em sua linguagem, os dois processos: o verbal
e o não verbal. A surdez congênita e pré-verbal pode bloquear o desenvolvimento da
linguagem verbal, mas não impede o desenvolvimento dos processos não-verbais.
A fase de zero a cinco anos de idade é decisiva para a formação psíquica do ser
humano, uma vez que ocorre o ativamento das estruturas inatas genético-constitucionais
da personalidade, e a falta do intercâmbio auditivo-verbal traz para o surdo prejuízos ao
seu desenvolvimento.
A teoria sobre a base biológica da linguagem admite a existência de um substrato
neuroanatômico, no cérebro, para o sistema da linguagem, portanto todos os indivíduos
nascem com predisposição para a aquisição da fala. Nesse caso, o que se deduz é a
existência de uma estrutura linguística latente responsável pelos traços gerais da
gramática universal (universais linguísticos). A exposição a um ambiente lingüístico é
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necessária para ativar a estrutura latente e para que a pessoa possa sintetizar e recriar os
mecanismos linguísticos. As crianças são capazes de deduzir as regras gerais e
regularizar os mecanismos de uma conjugação verbal, por exemplo. Dessa forma,
utilizam as formas "eu fazi", "eu di" enquadrando-os nas desinências dos verbos regulares
- eu corri, eu comi.
As crianças "ditas normais" e também um grande número de crianças "com
necessidades especiais" aprendem a língua de uma forma semelhante e num mesmo
espaço de tempo. No entanto, não se podem esquecer as diferenças individuais. Essas
são encontradas nos tipos de palavras que as crianças pronunciam primeiro. Algumas
emitem nomes de coisas, enquanto outras, evitando substantivos, preferem exclamações.
Outras, ainda, expressam automaticamente os elementos emitidos pelos mais velhos.
Há crianças, no entanto, que apresentam dificuldades na aquisição da linguagem.
Às vezes, a dificuldade aparece, principalmente, no que se refere à percepção e à
discriminação auditiva, o que traz transtornos à compreensão da linguagem. Outras
vezes, a dificuldade é relativa à articulação e à emissão da voz, o que produz transtornos
na emissão da linguagem. Tudo isso pode ou não ter relação com a surdez, visto que
muitas crianças que apresentam dificuldades linguísticas não têm audição prejudicada.
Por exemplo: A capacidade de processar rapidamente mensagens linguísticas - um pré-
requisito para o entendimento da fala - parece depender do lóbulo temporal esquerdo do
cérebro.

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HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DOS SURDOS NO MUNDO

Até a Idade Média:

Durante a Antiguidade e por quase toda a Idade Média pensava-se que os surdos não
fossem educáveis, ou que fossem imbecis. Os poucos textos encontrados referem-se
prioritariamente a relatos de curas milagrosas ou inexplicáveis (Moores 1978).

Na antiguidade chinesa os surdos eram lançados ao mar. Os gauleses os sacrificavam ao


deus Teutates por ocasião da Festa do Agárico. Em Esparta os surdos eram jogados do
alto dos rochedos. Em Atenas eram rejeitados e abandonados nas praças públicas ou nos
campos.

Os surdos não eram considerados seres humanos competentes. Diziam que sem a fala
não se desenvolveria o pensamento. Aristóteles falava que a linguagem era o que dava
condição de humano ao indivíduo.

Para os Romanos, os surdos que não falavam não tinham direitos legais, não podiam
fazer testamentos e precisavam de um curador para todos os seus negócios. Eram
considerados incapazes de gerenciar seus atos, perdiam sua consição de ser humano e
eram confundidos com o retardado.

A igreja católica até a Idade Média acreditava que os surdos não tinham almas, por isso,
não poderiam ser considerados imortais porque esses cidadãos não podiam falar em
sacramentos.

1443 a 1485 – Holanda: O holandês Rudolphus Agricola, escreveu em De Inventione


Dialectica sobre um surdo que aprendeu a escrever e exprimia assim os seus
pensamentos, no que é o primeiro relato que testemunha a educação de uma pessoa
surda.

1501 a 1584 – Itália: Girolano Cardano, médico foi interessado em estudar o caso do seu
filho surdo. Cardano encontrou por casualidade o livro de Rudolphus Agricola contradiz o
sábio Aristóteles e teoriza que a audição e uso da fala não são indispensáveis à
compreensão das ideias e que a surdez é mais uma barreira á aprendizagem do que uma
condição mental.

Até a Idade Moderna:


Espanha: Pedro Ponce de Leon (1520 - 1584) monge beneditino
dedicou-se à educação de crianças surdas da nobreza castelhana. O seu
método incluía a dactilologia, a escrita e a fala. Aos alunos falava-se por
meio de gestos e escrita e pedia-se que respondessem de forma oral.
Podiam participar na missa e confessar-se, falavam grego, latim e italiano
e discutiam física e astronomia. Isto é, estavam aptos a conservar a
herança paterna.

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1613 – Espanha: Juan Pablo Bonet (1579 – 1633) atribuiu grande
importância à existência de um ambiente linguístico rico, além de priorizar
o uso do alfabeto manual juntamente com a escrita para o ensino da fala.
Defende que o treino da fala seja iniciando precocemente.

Veja as figuras com alfabeto manual:

1620 – Espanha: Foi publicado o Livro Reduccion de las letras y artes para enseñar a
hablar a los mudos, que falava da invenção do alfabeto manual de Ponce de Leon, por
Juan Martin Pablo Bonet. Já em 1644 e 1648 foram publicados respectivamente, os livros:
Chirologia e Philocopus, de J. Bulwer. Ambos eram acerca da língua de sinais. No
entanto, o primeiro acreditava na universalidade da língua e o segundo afirmava que a
língua de sinais tinha a capacidade de expressar os mesmos conceitos que a língua oral.

1644 – Inglaterra: John Bulwer (1614 – 1684), médico britânico,


famoso pelos seus estudos sobre surdos. Ao observar dois surdos a
conversar em língua gestual, Bulwer entendeu que a línguagestual era
essencial na educação dos surdos. Assim, foi o primeiro inglês a
desenvolver um método de comunicação entre ouvintes e surdos.

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1659 – Inglaterra: John Wallis (1616 – 1703), educador de surdos,
depois de tanto ensinar vários surdos a falar, desistiu deste método
preferindo dedicar mais ao ensino da escrita. Usava sinais no seu
ensino;

1680 - Inglaterra: George Dalgarno (1628 – 1687) atribui grande


importância à educação precoce e ao ambiente linguístico em que a
criança surda deve ser educada. Defende o uso contínuo da datilologia
desde o berço para permitir ao bebê o desenvolvimento da linguagem.

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1700 – Johann Konard Amman (1689 - 1687), médico, publica A Dissertation Speech.
Interessa-se pelo ensino de surdos e descobre que eles podem sentir as vibrações da voz
e coloca-lhes as mãos na garganta enquanto ensina. E usa espelhos no treino da fala,
que pretende clara e bem controlada.

França – Abade Charles Michel de L’Epee (1712 – 1789), teologia e direito, foi um
professor pioneiro francês para surdos-mudos.  L'Epee's pesquisa consistiu em observar
um sistema de signos que já estavam sendo usados em Paris. Sua missão era ajudar os
dois filhos surdos e encontrar outras pessoas surdas que precisavam de ajuda. L'Epee
usado esses sinais e incorporou seu próprio toque criativo aos sinais para criar uma
linguagem de sinais mais formal. L'Epee foi tão bem sucedida em formar essa linguagem
novo sinal de que finalmente o levou a ensinar uma classe de quarenta alunos da nova
linguagem. Em 1754, L'Epee abriu a primeira escola pública, ele financiou e configurar a
escola para surdos na França.

1749 – Portugal: Jacob Rodrigues Pereira (1715 – 1790), pedagogo e investigador, judeu


português do século XVIII, foi pioneiro no ensino de surdos mudos e na criação da
linguagem gestual. Ele viria a desenvolver os primeiros esboços da linguagem gestual,
permitindo a comunicação com os surdos mudos, até então considerados “doentes
mentais” pelas doutrinas dominantes.

Veja na figura com alfabeto manual:

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1957 – Alemanha: Samuel Heinicke (1727 – 1790), educou sua primeira aula surda. Foi
sucesso em ensinar esta menina foi tão grande, que tomou a decisão de se devotar
inteiramente a este trabalho. Em 1768, voltou a viver em Hamburgo, onde ensinou com
sucesso um menino surdo a falar, aplicando seus métodos prescritos em seus livros sobre
os surdos.

Até a Idade Contemporânea

Após a Revolução Francesa e durante a Revolução Industrial, surgiu um período de


acirradas disputas entre os métodos oralistas e os métodos em língua de sinais.

1786 a 1789 – França: Roch-ambroise Cucurron Sicard (1742


– 1822), educador francês que foi pioneiro no ensino de surdo.
Sicard, um abade, foi diretor de um Bordeaux escola para
surdos. Ele então conseguiu Abbé de l'Epée, em
Paris. Embora ele sempre apoiou ensinar pessoas surdas
através de língua de sinais , Sicard virou-se para o método
oral, para o fim de sua longa carreira. Seu trabalho
influenciou Thomas H. Gallaudet eo ensino de surdos
no Estados Unidos .

1779 – França: Pierre Desloges (1747 – 1799), foi um escritor


francês, Ele ficou surdo aos sete anos de idade, devido à varíola,
mas só aprendeu a língua gestual aos vinte e sete anos, quando foi
ensinado por um surdo italiano. Em 1779, ele escreveu aquilo que
pode ser considerado o primeiro livro publicado por uma pessoa
surda, em que ele levantou atenções para o uso da língua gestual
na educação dos surdos. Foi em parte uma refutação das opiniões
do Abade Deschamps, que havia publicado um livro argumentando
contra o uso dos gestos. Desloges explicou, "como um francês, que
vê o seu idioma minimizados por um alemão, que só conhece
algumas palavras francesas, pensei eu era obrigado a defender a
minha língua contra as falsas acusações deste autor." Ele descreve
uma comunidade de surdos usando a língua gestual (agora designada por Antiga Língua
Gestual Francesa), muitos dos quais não teriam conhecimento do francês, falado ou
escrito.
A Charles-Michel de l'Épée e a sua escola têm sido muitas vezes creditada a
invenção da língua gestual. Desloges, em seu livro prova que a língua gestual é anterior
Antiga Língua Gestual Francesa e que ela é verdadeiramente a invenção de pessoas
surdas.

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1789 – França: Jean Gaspard Itard (1774 – 1838), foi um médico
francês, o diretor do Instituto Nacional de Surdos-mudos em Paris,
Itard recebeu uma nomeação como médico residencial
do instituto para estudar as funções e disfunções da audição.

Filme: “O menino selvagem de Aveyron”, ele é conhecido como educador de surdos-


mudos, e tentou suas teorias educacionais no celebre caso de Victor de Aveyorn.

1807 – Dinamarca: Peter Akte Castberg (1779 – 1823), Fundador


da educação de surdos na Dinamarca. Depois de terminar a escola
em Kongsberg, na Noruega, ele se mudou para Copenhague para
estudar medicina, e se formou em 1801. Trabalhou no Hospital
Frederiks, onde se formou como um MD Durante alguns anos ele
tentou curar o surdo usando galvanismo, que era um tratamento
muito doloroso elétrica, mas não funcionou, mas ele continuou com
sua experiência, tentando ajudar os surdos. Ele então foi para o
exterior para ver como countries outros estavam lidando com a
questão. Em 1803 ele visitou escolas para surdos em Kiel, Berlim,
Viena e passou um longo período em Paris, onde aprendeu os
surdos foram ensinados a ler e escrever usando o alfabeto manual
e como se comunicar com os surdos, utilizando seu próprio sinal de linguagem natural. De
volta a Copenhague em 1805, ele escreve para o governo recomendando "A necessidade
de um instituto de educação para surdos e mudos". Ele não esperou pela decisão
governantes, e ele começa a ensinar um casal de meninos surdos às suas próprias
custas. Em 1806, publica "First Book Reader para surdos e mudos" e no dia solenidade
anual ele dá um discurso sobre Abbé de l'Épée, fundador da primeira escola do mundo
para surdos em Paris. Finalmente em 17 de abril 1807, o Rei assina a lei fundar a
educação de surdos na Dinamarca e no ensino oficial começa com 10 alunos. 

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Em França – Jean Massieu (1772-1842), foi
educador pioneiro surdos, tendo nascidos surdos,
todos os seus irmãos eram surdos, quando Abbe
Sicard foi nomeado para ser o diretor do Instituto
Nacional para Surdos em Paris, em 1789, Sicard
tomou Massieu com ele e lhe deu um cargo de
professor na escola. Assim como Sicard ensinou
Massieu como ler e escrever. Ele lecionou na famosa
escola para Surdos em Paris , onde Laurent Clerc era
um de seus alunos. Mais tarde, ele fundou uma escola de surdos em Lille.

1815 – Estados Unidos: Thomas Hopkins Gallaudet (1787 –


1851), predicador e direito, vem à Europa para conhecer os
diferentes métodos de educação dos surdos. Chegado a Londres,
a família Braidwood recusa transmitir-lhe o seu método, mas
assiste a uma conferência de Sicard, que acompanha no regresso
a Paris e com quem estuda. No ano seguinte volta aos EE UU
acompanhado por Laurent Clerc, discípulo de Sicard e um dos
primeiros professores surdos, para auxiliá-lo na criação de uma
escola.

1817 - Estados Unidos: Thomas Hopkins Gallaudet (figura 1) e Laurent Clerc (figura 2)


fundam a primeira Escola de Surdos em Harttord o AMERICAM ASYLUM FOR THE
EDUCATION OF THE DEAF AND DUMB. Desde 1864 Gallaudet University.
1823 - Em Portugal, é fundado o Instituto de Surdos-Mudos e Cegos, e, por decisão do
Rei D. João VI, chamado o especialista sueco Pär Aron Borg para o orientar. A abertura
oficial da educação para surdos-mudos e cegos na Luz foi em 1 de Março de 1824, após
portaria de 18 de Fevereiro de 1824 do Intendente Geral de Polícia, mais tarde publicada
no Diário do

Governo de 16 de Dezembro de 1847. Em primeiro lugar receberam-se os alunos vindos


da Casa Pia (sendo 4 do sexo masculino e 8 do sexo feminino, todos eles pobres), com
idades entre os seis e os catorze anos, todos surdos-mudos, com excepção de um
menino cego. Pär Aron Borg teve um papel muito importante no ensino dos surdos em
Portugal, que com ele aprenderam a comunicar através de um alfabeto manual e também
da língua gestual de origem sueca. O método de ensino do Instituto de Estocolmo foi
adaptado para o ensino em Portugal. O alfabeto manual inventado por Borg foi adoptado
pela Suécia, Portugal e Finlândia.

1832 a 1836 – Alemanha: Victor agosto Jäger (1794 - 1872) é um metodólogo líder de


educação de surdos. Ex-pastor de Schwäbisch-Gmünd e de 1825 o diretor do
estabelecimento local, ele estabeleceu sua reputação principalmente através do trabalho
de "Instruções para o ensino de crianças surdas-mudas na língua e de outras disciplinas

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escolares, além de páginas que servem, uma coleção de imagens e uma leitura e
Dicionário". Como um representante fiel do método língua falada, o gesto foi caçar na sala
de aula, especialmente para formação de conceitos e de recolhimento dos conceitos
adquiridos e para animar o ensino da religião para. Ele se sentiu compelido a, porque ele
usou durante o primeiro ano, além de aprender as Escrituras, e na articulação do retículo
também imitar exercícios mentais. Os conteúdos foram adquiridos no segundo ano, na
acepção de uma lição sistemática em palavras. Na escola secundária, e repetiu as áreas
materialmente exatos formalmente estabelecidos de trabalho. Ele calculou mal a
importância da ocasionais, mas não completamente ensinamentos para os eventos atuais
e também exercícios de voz gratuitas para as formas de convívio diário.

1840 - Alemanha: Friedrich Moritz Hill, (1805 - 1874) trabalhou com os seus princípios
para uma instrução nova linguagem muito além das fronteiras da Alemanha. Ele publicou
um trabalho "Instruções para o ensino de línguas surdos-mudos crianças", disse Hill
finalmente rompe completamente com o método antigo. Seu lema principal é:
"Desenvolver a linguagem da criança surda, como se cria uma vida cheia de criança
interior". 
Este não é realizado por extensão artificial e treinamento do gesto, mas só a partir
da experiência interior e exterior, por conexão direta da língua em questão, o avivamento
da necessidade língua e uso constante da linguagem falada de acordo com o princípio:
"Em todas as categorias de linguagem" 

1857 – Estados Unidos: Edward Miner Gallaudet (1837 – 1917), filho de Thomas
Gallaudet, também educador de surdos, lutou pela elevação do estatuto do Instituto de
Colúmbia a colégio.

1860 - Oralismo:

1864 – Estados Unidos: Edward Gallaudet buscaram estatuto universitário para a


Instituição Columbia e conseguiu, quando o Presidente Abraham Lincoln assinou um
projeto de lei em lei que autorizou a instituição de Columbia para a faculdade prêmio
graus-uma lei que não era estritamente necessário, mas que Gallaudet desejado. Esta
primeira faculdade de surdos se tornou Gallaudet University .

Em Estados Unidos – Alexander Graham Bell (1847 -1922),


cientista americano, trabalhava na oralização dos surdos.
Casou com uma surda, Mabel. Bell era defensor do oralismo e
opunha-se à de sinais e às comunidades de surdos uma vez
que as considerava como um perigo contra a sociedade.

Assim sendo, Bell defendia que os surdos não deveriam


poder casar entre si e deveriam poder casar entre si e
deveriam obrigatoriamente frequentar escolas normais,
regulares. No entanto, em 1880, Bell, no congresso de Milão
(1880), admitiu que os surdos deveriam ser oralizados durante
um ano, mas se isso não resultasse, então poderiam ser
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exposto à língua de sinais. Esta luta entre o oralismo e a língua de sinais continua até
hoje.

1869 – Estados Unidos: Surgiram então opositores à língua de sinais, que ganharam


força a partir da morte de Laurent Clerc.
1872 - Alexander Graham Bell (1847-1922) abre uma escola oralista para professores de
surdos, em Boston. No ano seguinte regista a patente do telefone.

Torna-se presidente da associação americana para impulsionar o ensino da fala


aos surdos. O seu eugenismo parece não ter limites: propõe a eliminação das escolas
residenciais, a proibição do magistério aos professores surdos e mesmo a do casamento
entre surdos.

Em Guimarães, Aguilar cria um instituto, onde ensina língua gestual e escrita, que
fecha mais tarde por dificuldades financeiras.

1873 - O Congresso Italiano de Professores de Surdos-mudos considera que os gestos só


são necessários para a comunicação inicial com os alunos, mas devem ser totalmente
eliminados assim que a utilização da palavra o permita.

1880 - Em Milão, o II Congresso Mundial culmina todo este processo aprovando duas
resoluções que se vão repercutir durante quase um século:

1. O Congresso, considerando a superioridade incontestável da fala para incorporar os


surdos-mudos na vida social e para lhes proporcionar uma maior facilidade de linguagem,
declara que o método da articulação deve ter preferência sobre os gestos na instrução e
na educação dos surdos e dos mudos.

2. Considerando que a utilização simultânea dos gestos e da fala tem a desvantagem de


prejudicar a fala, a leitura labial e a precisão das ideias, o Congresso declara que o
método oral puro deve ser preferido.

Estas recomendações foram aceites pelas delegações alemã, italiana, francesa,


inglesa, sueca e belga. Só o grupo americano, liderado por Edward Miner Gallaudet
(1837-1917), se opõe. Dos 255 participantes, só três eram surdos. O método oral torna-se
indiscutível.

Em Alabama, Hellen Keller (1880 – 1968), foi uma escritora,


filósofa e conferencista, ficou cega e surda aos 18 meses de
idade, por causa de uma doença. Aos sete anos, Anne Sullivan,
uma professora de vinte a um anos, foi morar em casa dela e
ensina-la. Sua indicação para ensinar Helen foi feita por
Alexander Graham Bell, que havia sido procurado pelos pais de
Helen.

A orientação de Anne Sullivan Macy, Keller pôde aprender a ler


e escrever pelo método Braille, chegando mesmo a falar, por
imitação das vibrações da garganta de sua preceptora, as quais

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captava com as pontas dos dedos. O esforço de sua mente em procurar se comunicar
com o exterior teve como resultado o afloramento de uma inteligência excepcional,
considerada a maior vitória individual da história da educação. Ao lado de Sullivan,
percorreu vários países do mundo promovendo campanhas para melhorar a situação dos
deficientes visuais e auditivos.

História do encontro entre as duas é contada as peças  The Miracle Worker,


de William Gibson, que virou o filme “O Milagre de Anne Sullivan”, em 1962

1887 - Em França, os professores surdos são passados à reforma.

Eliseu Aguilar fecha a escola do Porto e abre o Instituto Municipal de Lisboa, que recebe
alunos dos dois sexos em internato e semi-internato. Ensinava a fala e a língua gestual.

1900 - No Congresso Internacional de Paris, mais conciliador, Edward M. Gallaudet,


propõe que uma instrução oral inicial, proporcionada a todos, só fosse continuada com os
que dela pudessem beneficiar. A sua proposta foi amplamente rejeitada. Os professores
surdos tiveram que reunir-se em separado O congresso proclamou de novo a
superioridade da fala sobre os gestos e declarou a sua adesão ao Congresso de Milão.

1960 – Estados Unidos: William Stokoe (1920-2000), director do laboratório de


pesquisas linguísticas do Gallaudet College desenvolve o conceito de querema como
equivalente gestual do fonema e publica Sign Language Structure. Com este trabalho
inicia-se o reconhecimento da ASL como língua genuína com uma estrutura complexa
que ultrapassa em muito uma imitação rudimentar do discurso oral, como quase todos
pareciam acreditar.

1994 – Espanha: Declaração de Salamanca foi representes de 92 governos e 25


organizações reuniram-se em Salamanca com o objetivo de promover a Educação para
Todos, analisando as mudanças fundamentais de política necessárias para favorecer o
enfoque da educação integradora, capacitando as escolas para atender a todas as
crianças, sobretudo ás que têm necessidades educativas especiais. Foi inspirado no
princípio de integração e no reconhecimento da necessidade de ação para conseguir
escolas para todos, isto é, instituições que incluam todo mundo, reconheçam as
diferenças, promovam a aprendizagem e atendam ás necessidades de cada um,
constituindo uma importante contribuição para o programa com vista à educação para
todos e dar às escolas maior eficácia educativa.
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HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DOS SURDOS NO BRASIL

1855 - Huet apresenta ao Imperador D. Pedro II um relatório cujo


conteúdo revela a intenção de fundar uma escola para surdos no Brasil.
Neste documento também informa sobre a sua experiência anterior
como diretor de uma instituição para surdos na França: o Instituto dos
Surdos-Mudos de Bourges.

1856 – No dia 1 de janeiro, começou a funcionar novo estabelecimento, mesma data em


que foi publicada a proposta de ensino apresentada por Huet.  Essa proposta continha as
disciplinas de Língua Portuguesa, Aritmética, Geografia, História do Brasil, Escrituração
Mercantil, Linguagem Articulada, Doutrina Cristã e Leitura sobre os Lábios.

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1857 – No dia 26 de setembro, através da Lei nº 3.198 de 06 de julho de 1957, assinada
por D. Pedro II, fundou-se o então Instituto Nacional de Educação dos Surdos-Mudos,
atualmente Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES) no Rio de Janeiro.

1861 - Após a saída de Huet, o Instituto foi administrado por três diretores que não
ocuparam por muito tempo essa função, à exceção de Manoel de Magalhães Couto, que
assumiu o cargo em 1862. Nesse ínterim, o Instituto ganhou um regulamento provisório
que definiu seu quadro de funcionários da seguinte maneira: "um diretor, um professor,
uma professora, um capelão, um inspetor de alunos, uma inspetora de alunas, um
roupeiro, uma enfermeira, uma despenseira, uma criada, um cozinheiro e quatro
serventes" (Rocha, 2007, p. 35).

1868 - o chefe da Seção da Secretaria de Estado, Dr. Tobias Leite, foi nomeado para
fazer um relatório sobre as condições de funcionamento do Instituto. Constatou que na
instituição não havia ensino e sim uma casa que servia de asilo aos surdos. Dessa forma,
o então diretor, Manoel de Magalhães Couto, foi exonerado e, em seu lugar, quem
assumiu interinamente a direção do Instituto foi o próprio Tobias Leite. De acordo com
Soares (1999), Tobias Leite foi o quarto diretor do Instituto. Assumiu a interinidade de
1868 a 1872 e, a partir daí, foi diretor efetivo até 1896, ano de sua morte.

1873 – Surge a publicação do mais importante documento encontrado até hoje sobre a
Língua Brasileira de Sinais, o “Iconographia dos Signaes dos Surdos-Mudos”, de autoria
do aluno surdo Flausino José da Gama, ex-aluno do INSM com ilustrações de sinais
separados por categorias (animais, objetos, etc). Esta linguagem não é mais usada
atualmente.

20
1908 - era considerada a data de fundação do Instituto o dia 1º de Janeiro de 1856. A
mudança deu-se através do artigo 7º do decreto nº. 6.892 de 19 de março de 1908, que
transferiu a data de fundação para a da promulgação da Lei 939 de 26 de setembro de
1857 que em seu artigo 16, inciso 10, consta que o Império passa a subvencionar o
Instituto. Antes desse decreto os alunos eram subvencionados por entidades particulares
ou públicas e até mesmo pelo Imperador.

No seu percurso de quase dois séculos o Instituto respondeu pelas seguintes


denominações:

1856/1857 – Collégio Nacional para Surdos-Mudos

1857/1858 – Instituto Imperial para Surdos-Mudos

1858/1865 – Imperial Instituto para Surdos-Mudos

1865/1874 – Imperial Instituto dos Surdos-Mudos

1874/1890 – Instituto dos Surdos-Mudos

1890/1957 – Instituto Nacional de Surdos Mudos

1957/atual – Instituto Nacional de Educação de Surdos

1911 - O Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) passou a seguir a tendência


mundial, utilizando o oralismo puro.

1930 a 1947 – Dr. Armando Paiva Lacerda ex-diretor do INES. Exige que os alunos não
usem a Língua de Sinais: podendo apenas utilizar o alfabeto manual e um bloco de papel
com lápis no bolso para escrever as palavras que quisessem falar.

1950 – Em 1950, Ana Rimoli de Faria Doria, ex-Diretora do INES, quando assumiu o
cargo, proibiu o alfabeto manual e a Língua de Sinais, implantando o método oralista. Os
surdos não conseguiam adaptar-se a essa imposição do oralismo e continuam a usar a
Língua de Sinais. Chega no Brasil a Comunicação Total.

1957 - Proibida totalmente a utilização da língua de sinais no INES.

1968 - Roy Holcon dá origem ao método de Comunicação Total, que tem como principal
preocupação os processos comunicativos entre surdos e surdos, e entre surdos e
ouvintes. Esta filosofia também se preocupa com a aprendizagem da língua oral pela
criança surda, mas acredita que os aspectos cognitivos, emocionais e sociais, não devem
ser deixados de lado em prol do aprendizado exclusivo da língua oral. Por este motivo,
essa filosofia defende a utilização de recursos espaço-viso-manuais como facilitadores da
comunicação. (Goldfeld, 2002, p.38)

1970 - Chega ao Brasil a Comunicação Total.

1977 - Criado no Rio de Janeiro a Federação Nacional de Educação e Integração dos


Deficientes Auditivos, FENEIDA, com diretoria de ouvintes.

1980 - Chega ao Brasil o Bilinguismo, porém de fato em 1990.

1981 - Início das pesquisas sistematizadas sobre a Língua de Sinais no Brasil.


21
1982 - Lucinda Ferreira Brito inicia seus importantes estudos linguísticos sobre a Língua
de Sinais dos índios Urubu-Kaapor da floresta amazônica brasileira, após um mês de
convivência com os mesmos, documentando em filme sua experiência. A idéia para a
pesquisa, segundo a própria autora (1993), adveio da leitura de um artigo publicado no
livro acima citado de Umiker-Sebeok (1978), de autoria de J. Kakumasu, Urubu Sign
Language. No estudo, a Língua de Sinais dos Urubu-Kaapor se diferenciaria da PSL por
constituir um veículo de comunicação intratribal e não como meio de transação comercial.
Lucinda Brito, porém, constatou que a mesma se tratava de uma legítima Língua de
Sinais dos surdos, pelos mesmos criada. 1982 - Elaboração em equipe de um projeto
subsidiado pela ANPOCS e pelo CNPQ intitulado "Levantamento linguístico da Língua de
Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros (LSCB) e sua aplicação na educação". A partir
desta data, diversos estudos linguísticos sobre LIBRAS são efetuados sobre a orientação
da linguista L. Brito, principalmente na UFRJ. A problemática da surdez passa a ser alvo
de estudos para diversas Dissertações de Mestrado.

1983 - Criação no Brasil da Comissão de Luta pelos Direitos dos Surdos.

1986 - O Centro SUVAG (PE) faz sua opção metodológica pelo Bilinguismo, tornando-se
o primeiro lugar no Brasil em que efetivamente esta orientação passou a ser praticada.

1987 - Criação da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS),


EM 16/05/87, sob a direção de surdos.

1991 - A LIBRAS é reconhecida oficialmente pelo Governo do Estado de Minas Gerais (lei
nº 10.397 de 10/1/91).

1994 - Brito passa a utilizar a abreviação LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), que foi
criada pela própria comunidade surda para designar a LSCB (Língua de Sinais dos
Centros Urbanos Brasileiros).

1994 - Começa a ser exibido na TV Educativa o programa VEJO VOZES (out/94 a


fev/95), usando a Língua de Sinais Brasileira.

1995 - Criado por surdos no Rio de Janeiro o Comitê Pró-Oficialização da Língua de


Sinais.

1996 - São iniciadas, no INES, em convênio com a Universidade do Estado do Rio de


Janeiro (UERJ), pesquisas que envolvem a implantação da abordagem educacional com
Bilinguismo em turmas da pré-escola, sob a coordenação da linguista E. Fernandes.

1998 - TELERJ - do Rio de janeiro, em parceria com a FENEIS, inauguraram a Central de


atendimento ao surdo - através do número 1402, o surdo em seu TS, pode se comunicar
com o ouvinte em telefone convencional.

1999 - Em março, começam a ser instaladas em todo Brasil telessalas com o Telecurso
2000 legendado.

2000 - Closed Caption, ou legenda oculta. Após três anos de funcionamento no Jornal
Nacional ela é disponibilizada aos surdos também nos programas Fantástico, Bom Dia
Brasil, Jornal Hoje, Jornal da Globo e programa do JÔ.

2000 - TELERJ: Telefone celular para surdos com a opção de SMS.

22
2002 - É promulgada a lei 10.436 em 24 de abril, reconhecendo a Libras como língua
oficial das comunidades surdas do Brasil.

2005 - O Decreto 5626 em 22 de dezembro veio regulamentar a lei 10436.

2006 - Exame de Certificação Tradutor Intérprete de Libras – Prolibras, instrutor de Libras


e o Curso de Letras-Libras Bacharelado e Licenciatura EaD.

2010 - Curso Superior de Letras-Libras Bacharelado e Licenciatura presencial UFSC.

2010 - Promulgada a lei 12.319 em 01 de Setembro, que regulamenta o exercício da


profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS.

2011 - passamos também a realizar o Programa Nacional para Certificação de


Proficiência em LIBRAS e para Certificação de Proficiência em Tradução e Interpretação
de LIBRAS/Língua Portuguesa – PROLIBRAS.

23
LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS – LIBRAS

Libras é a sigla da Língua Brasileira de Sinais, como dispõe no decreto nº.5626/05,


que regulamenta a Lei nº. 10.436.
As Línguas de Sinais são línguas naturais das comunidades surdas e, contrariando
o que muitas pessoas imaginam, as mesmas não são simplesmente mímicas e gestos
soltos, utilizados pelos surdos para facilitar a comunicação.
As línguas de sinais é produzida na modalidade visual-espacial, diferentemente da
língua majoritária dos diferentes países, pois essas são produzidas na modalidade oral-
auditiva. Além dessa diferença, a língua de sinais é a língua de uma comunidade
culturalmente diferente dos ouvintes: a comunidade surda.
São consideradas línguas naturais, pois surgiram da interação espontânea entre
indivíduos. Elas possuem gramática própria, além dos níveis linguísticos, fonológico,
morfológico, semântico, sintático e pragmático, o que possibilita aos seus utentes
expressarem diferentes tipos de significados, dependendo da necessidade comunicativa e
expressiva do indivíduo. Além disso, as línguas de sinais não descendem e nem
dependem das línguas orais.

Sinais

Os sinais são formados a partir da combinação da forma e do movimento das mãos


e do ponto no corpo ou no espaço onde esses sinais são feitos. Nas línguas de sinais
podem ser encontrados os seguintes parâmetros que formarão os sinais:

Configuração das mãos: 

São formas das mãos que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras
formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros ou esquerda para os
canhotos), ou pelas duas mãos.
Os sinais DESCULPAR, EVITAR e IDADE, por exemplo, possuem a mesma
configuração de mão (com a letra y). A diferença é que cada uma é produzida em um
ponto diferente no corpo.

DESCULPAR EVITAR IDADE

Ponto de articulação: 

É o lugar onde incide a mão predominante configurada, ou seja, local onde é feito o
sinal, podendo tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro.

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Movimento: 

Os sinais podem ter um movimento ou não. Por exemplo, os sinais PENSAR e EM-
PÉ não tem movimento; já os sinais EVITAR e TRABALHAR possuem movimento.

Tem movimento
EM-PÉ

PENSAR

Não tem
movimento

TRABALHAR EVITAR

Expressão facial e/ou corporal:  

As expressões faciais / corporais são de fundamental importância para o


entendimento real do sinal, sendo que a entonação em Língua de Sinais é feita pela
expressão facial.

Orientação/Direção: 

Os sinais têm uma direção com relação aos parâmetros acima. Assim, os verbos IR
e VIR se opõem em relação à direcionalidade.

SISTEMA DE TRANSCRIÇÃO PARA LIBRAS

Segundo Felipe (2001), a LIBRAS pode ser representada a partir das seguintes
convenções:

a) SINAIS DA LIBRAS: para efeito de simplificação, serão representados por itens


lexicais da língua portuguesa (LP) em letras maiúsculas.

Exemplos: CASA, ESTUDAR, CRIANÇA etc.;

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CASA ESTUDAR CRIANÇA

b) SINAL ÚNICO: que é traduzido por duas ou mais palavras em língua


portuguesa, será representado pelas palavras correspondentes separadas por hífen.

Exemplos: PODER-NÃO,
QUERER-NÃO "não querer",
MEIO-DIA,
AINDA-NÃO etc.;

PODER-NÃO

QUERER-NÃO

MEIO-DIA AINDA-NÃO

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c) SINAL COMPOSTO: formado por dois ou mais sinais, que será representado
por duas ou mais palavras, mas com a ideia de uma única coisa, será separado pelo
símbolo ^ .

Exemplo: CAVALO^LISTRA “zebra”;


CASA^ESTUDAR “escola”

CAVALO LISTRA CAVALO^LISTRA = “zebra”

CASA^ESTUDAR = “escola”
CASA ESTUDAR

d) DATILOLOGIA: que é usada para expressar nome de pessoas, de localidades e


outras palavras que não possuem um sinal, está representada pela palavra separada,
letra por letra por hífen.

Exemplos: J-O-Ã-O,
A-N-E-S-T-E-S-I-A;

JOÃO

ANESTESIA

e) SINAL SOLETRADO: ou seja, uma palavra da língua portuguesa que, por


empréstimo, passou a pertencer à LIBRAS por ser expressa pelo alfabeto manual com
uma incorporação de movimento próprio desta língua, está sendo representado pela
datilologia do sinal em itálico.

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Exemplos: R-S “reais”,
A-C-H-O,
QUM “quem”,
N-U-N-C-A etc.;

R-S A-C-H-O

Q-U-M N-U-N-C-A

f) GÊNEROS (MASCULINO E FEMININO) E NÚMERO (PLURAL): o sinal,


representado por palavra da língua portuguesa que possui estas marcas, está terminado
com o símbolo @ para reforçar a ideia de ausência e não haver confusão.

Exemplos:
AMIG@ “amiga(s) e amigo(s)”,
FRI@ “fria(s) e frio(s)”,
MUIT@ “muita(s) e muito(s)”,
TOD@, “toda(s) e todo(s)”,
EL@ “ela(s), ele(s)”,
ME@ “minha(s) e meu(s)” etc.

a) TRADUÇÃO EM LIBRAS: Serão utilizadas aspas (“ “) para tradução da Libras


para o português.

Exemplo: IDADE SEU “Quantos anos você tem?”

IDADE SEU

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LEGISLAÇÃO:

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL  DE 2002.

Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e


Regulamento
dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a


seguinte Lei:

Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais -
Libras e outros recursos de expressão a ela associados.

Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e
expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria,
constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas
surdas do Brasil.

Art. 2o Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de
serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais -
Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil.

Art. 3o As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à


saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva, de acordo
com as normas legais em vigor.

Art. 4o O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito
Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de
Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte
integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme legislação vigente.

Parágrafo único. A Língua Brasileira de Sinais - Libras não poderá substituir a modalidade escrita da
língua portuguesa.

Art. 5o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 24 de abril de 2002; 181o da Independência e 114o da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


Paulo Renato Souza

29
Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

DECRETO Nº 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005.

Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002,


que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais -
Libras, e o art. 18 da Lei n o 10.098, de 19 de
dezembro de 2000.

        O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso IV, da
Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, e no art. 18 da Lei
no 10.098, de 19 de dezembro de 2000,

        DECRETA:

CAPÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

        Art. 1o  Este Decreto regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002 , e o art. 18 da Lei no 10.098,
de 19 de dezembro de 2000.

        Art. 2o  Para os fins deste Decreto, considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva,
compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura
principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais - Libras.

        Parágrafo único.  Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um


decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.

CAPÍTULO II

DA INCLUSÃO DA LIBRAS COMO DISCIPLINA CURRICULAR

        Art. 3o  A Libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de
professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de
instituições de ensino, públicas e privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas de ensino dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

        § 1o  Todos os cursos de licenciatura, nas diferentes áreas do conhecimento, o curso normal de nível
médio, o curso normal superior, o curso de Pedagogia e o curso de Educação Especial são considerados
cursos de formação de professores e profissionais da educação para o exercício do magistério.

        § 2o  A Libras constituir-se-á em disciplina curricular optativa nos demais cursos de educação superior
e na educação profissional, a partir de um ano da publicação deste Decreto.

CAPÍTULO III

DA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LIBRAS E DO INSTRUTOR DE LIBRAS

30
        Art. 4o  A formação de docentes para o ensino de Libras nas séries finais do ensino fundamental, no
ensino médio e na educação superior deve ser realizada em nível superior, em curso de graduação de
licenciatura plena em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa como segunda língua.

        Parágrafo único.  As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de formação previstos no caput.

        Art. 5o  A formação de docentes para o ensino de Libras na educação infantil e nos anos iniciais do
ensino fundamental deve ser realizada em curso de Pedagogia ou curso normal superior, em que Libras e
Língua Portuguesa escrita tenham constituído línguas de instrução, viabilizando a formação bilíngüe.

        § 1o  Admite-se como formação mínima de docentes para o ensino de Libras na educação infantil e nos
anos iniciais do ensino fundamental, a formação ofertada em nível médio na modalidade normal, que
viabilizar a formação bilíngue, referida no caput.

        § 2o As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de formação previstos no caput.

        Art. 6o A formação de instrutor de Libras, em nível médio, deve ser realizada por meio de:

        I - cursos de educação profissional;

        II - cursos de formação continuada promovidos por instituições de ensino superior; e

        III - cursos de formação continuada promovidos por instituições credenciadas por secretarias de
educação.

        § 1o  A formação do instrutor de Libras  pode ser realizada também por organizações da sociedade civil
representativa da comunidade surda, desde que o certificado seja convalidado por pelo menos uma das
instituições referidas nos incisos II e III.

        § 2o As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de formação previstos no caput.

        Art. 7o  Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, caso não haja docente com título
de pós-graduação ou de graduação em Libras para o ensino dessa disciplina em cursos de educação
superior, ela poderá ser ministrada por profissionais que apresentem pelo menos um dos seguintes perfis:

        I - professor de Libras, usuário dessa língua com curso de pós-graduação ou com formação superior e
certificado de proficiência em Libras, obtido por meio de exame promovido pelo Ministério da Educação;

        II - instrutor de Libras, usuário dessa língua com formação de nível médio e com certificado obtido por
meio de exame de proficiência em Libras, promovido pelo Ministério da Educação;

        III - professor ouvinte bilíngüe: Libras - Língua Portuguesa, com pós-graduação ou formação superior e
com certificado obtido por meio de exame de proficiência em Libras, promovido pelo Ministério da
Educação.

        § 1o  Nos casos previstos nos incisos I e II, as pessoas surdas terão prioridade para ministrar a
disciplina de Libras.

        § 2o  A partir de um ano da publicação deste Decreto, os sistemas e as instituições de ensino da
educação básica e as de educação superior devem incluir o professor de Libras em seu quadro do
magistério.

        Art. 8o  O exame de proficiência em Libras, referido no art. 7 o, deve avaliar a fluência no uso, o
conhecimento e a competência para o ensino dessa língua.

        § 1o  O exame de proficiência em Libras deve ser promovido, anualmente, pelo Ministério da Educação
e instituições de educação superior por ele credenciadas para essa finalidade.

31
        § 2o  A certificação de proficiência em Libras habilitará o instrutor ou o professor para a função docente.

        § 3o  O exame de proficiência em Libras deve ser realizado por banca examinadora de amplo
conhecimento em Libras, constituída por docentes surdos e linguistas de instituições de educação superior.

        Art. 9o  A partir da publicação deste Decreto, as instituições de ensino médio que oferecem cursos de
formação para o magistério na modalidade normal e as instituições de educação superior que oferecem
cursos de Fonoaudiologia ou de formação de professores devem incluir Libras como disciplina curricular,
nos seguintes prazos e percentuais mínimos:

        I -  até três anos, em vinte por cento dos cursos da instituição;

        II -  até cinco anos, em sessenta por cento dos cursos da instituição;

        III -  até sete anos, em oitenta por cento dos cursos da instituição; e

        IV -  dez anos, em cem por cento dos cursos da instituição.

        Parágrafo único.  O processo de inclusão da Libras como disciplina curricular deve iniciar-se nos
cursos de Educação Especial, Fonoaudiologia, Pedagogia e Letras, ampliando-se progressivamente para as
demais licenciaturas.

        Art. 10.  As instituições de educação superior devem incluir a Libras como objeto de ensino, pesquisa e
extensão nos cursos de formação de professores para a educação básica, nos cursos de Fonoaudiologia e
nos cursos de Tradução e Interpretação de Libras - Língua Portuguesa.

        Art. 11.  O Ministério da Educação promoverá, a partir da publicação deste Decreto, programas
específicos para a criação de cursos de graduação:

        I - para formação de professores surdos e ouvintes, para a educação infantil e anos iniciais do ensino
fundamental, que viabilize a educação bilíngue: Libras - Língua Portuguesa como segunda língua;

        II - de licenciatura em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa, como segunda língua
para surdos;

        III - de formação em Tradução e Interpretação de Libras - Língua Portuguesa.

        Art. 12.  As instituições de educação superior, principalmente as que ofertam cursos de Educação
Especial, Pedagogia e Letras, devem viabilizar cursos de pós-graduação para a formação de professores
para o ensino de Libras e sua interpretação, a partir de um ano da publicação deste Decreto.

        Art. 13.  O ensino da modalidade escrita da Língua Portuguesa, como segunda língua para pessoas
surdas, deve ser incluído como disciplina curricular nos cursos de formação de professores para a educação
infantil e para os anos iniciais do ensino fundamental, de nível médio e superior, bem como nos cursos de
licenciatura em Letras com habilitação em Língua Portuguesa.

        Parágrafo único.  O tema sobre a modalidade escrita da língua portuguesa para surdos deve ser
incluído como conteúdo nos cursos de Fonoaudiologia.

CAPÍTULO IV

DO USO E DA DIFUSÃO DA LIBRAS E DA LÍNGUA PORTUGUESA PARA O

ACESSO DAS PESSOAS SURDAS À EDUCAÇÃO

        Art. 14.  As instituições federais de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às pessoas surdas
acesso à comunicação, à informação e à educação nos processos seletivos, nas atividades e nos

32
conteúdos curriculares desenvolvidos em todos os níveis, etapas e modalidades de educação, desde a
educação infantil até à superior.

        § 1o  Para garantir o atendimento educacional especializado e o acesso previsto no caput, as


instituições federais de ensino devem:

        I -  promover cursos de formação de professores para:

        a) o ensino e uso da Libras;

        b) a tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa; e

        c) o ensino da Língua Portuguesa, como segunda língua para pessoas surdas;

        II - ofertar, obrigatoriamente, desde a educação infantil, o ensino da Libras e também da Língua
Portuguesa, como segunda língua para alunos surdos;

        III - prover as escolas com:

        a) professor de Libras ou instrutor de Libras;

        b) tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa;

        c) professor para o ensino de Língua Portuguesa como segunda língua para pessoas surdas; e

        d) professor regente de classe com conhecimento acerca da singularidade lingüística manifestada
pelos alunos surdos;

        IV - garantir o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos surdos, desde a


educação infantil, nas salas de aula e, também, em salas de recursos, em turno contrário ao da
escolarização;

        V - apoiar, na comunidade escolar, o uso e a difusão de Libras entre professores, alunos, funcionários,
direção da escola e familiares, inclusive por meio da oferta de cursos;

        VI - adotar mecanismos de avaliação coerentes com aprendizado de segunda língua, na correção das
provas escritas, valorizando o aspecto semântico e reconhecendo a singularidade lingüística manifestada no
aspecto formal da Língua Portuguesa;

        VII - desenvolver e adotar mecanismos alternativos para a avaliação de conhecimentos expressos em


Libras, desde que devidamente registrados em vídeo ou em outros meios eletrônicos e tecnológicos;

        VIII - disponibilizar equipamentos, acesso às novas tecnologias de informação e comunicação, bem


como recursos didáticos para apoiar a educação de alunos surdos ou com deficiência auditiva.

        § 2o  O professor da educação básica, bilíngüe, aprovado em exame de proficiência em tradução e
interpretação de Libras - Língua Portuguesa, pode exercer a função de tradutor e intérprete de
Libras - Língua Portuguesa, cuja função é distinta da função de professor docente.

        § 3o  As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do
Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar
atendimento educacional especializado aos alunos surdos ou com deficiência auditiva.

        Art. 15.  Para complementar o currículo da base nacional comum, o ensino de Libras e o ensino da
modalidade escrita da Língua Portuguesa, como segunda língua para alunos surdos, devem ser ministrados
em uma perspectiva dialógica, funcional e instrumental, como:

33
        I - atividades ou complementação curricular específica na educação infantil e anos iniciais do ensino
fundamental; e

        II - áreas de conhecimento, como disciplinas curriculares, nos anos finais do ensino fundamental, no
ensino médio e na educação superior.

        Art. 16.  A modalidade oral da Língua Portuguesa, na educação básica, deve ser ofertada aos alunos
surdos ou com deficiência auditiva, preferencialmente em turno distinto ao da escolarização, por meio de
ações integradas entre as áreas da saúde e da educação, resguardado o direito de opção da família ou do
próprio aluno por essa modalidade.

        Parágrafo único.  A definição de espaço para o desenvolvimento da modalidade oral da Língua


Portuguesa e a definição dos profissionais de Fonoaudiologia para atuação com alunos da educação básica
são de competência dos órgãos que possuam estas atribuições nas unidades federadas.

CAPÍTULO V

DA FORMAÇÃO DO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS - LÍNGUA PORTUGUESA

        Art. 17.  A formação do tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa deve efetivar-se por meio
de curso superior de Tradução e Interpretação, com habilitação em Libras - Língua Portuguesa.

        Art. 18.  Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, a formação de tradutor e
intérprete de Libras - Língua Portuguesa, em nível médio, deve ser realizada por meio de:

        I - cursos de educação profissional;

        II - cursos de extensão universitária; e

        III - cursos de formação continuada promovidos por instituições de ensino superior e instituições
credenciadas por secretarias de educação.

        Parágrafo único.  A formação de tradutor e intérprete de Libras pode ser realizada por organizações da
sociedade civil representativas da comunidade surda, desde que o certificado seja convalidado por uma das
instituições referidas no inciso III.

        Art. 19.  Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, caso não haja pessoas com a
titulação exigida para o exercício da tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa, as instituições
federais de ensino devem incluir, em seus quadros, profissionais com o seguinte perfil:

        I - profissional ouvinte, de nível superior, com competência e fluência em Libras para realizar a
interpretação das duas línguas, de maneira simultânea e consecutiva, e com aprovação em exame de
proficiência, promovido pelo Ministério da Educação, para atuação em instituições de ensino médio e de
educação superior;

        II - profissional ouvinte, de nível médio, com competência e fluência em Libras para realizar a
interpretação das duas línguas, de maneira simultânea e consecutiva, e com aprovação em exame de
proficiência, promovido pelo Ministério da Educação, para atuação no ensino fundamental;

        III - profissional surdo, com competência para realizar a interpretação de línguas de sinais de outros
países para a Libras, para atuação em cursos e eventos.

        Parágrafo único.  As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual,
municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de
assegurar aos alunos surdos ou com deficiência auditiva o acesso à comunicação, à informação e à
educação.

34
        Art. 20.  Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, o Ministério da Educação ou
instituições de ensino superior por ele credenciadas para essa finalidade promoverão, anualmente, exame
nacional de proficiência em tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa.

        Parágrafo único.  O exame de proficiência em tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa


deve ser realizado por banca examinadora de amplo conhecimento dessa função, constituída por docentes
surdos, lingüistas e tradutores e intérpretes de Libras de instituições de educação superior.

        Art. 21.  A partir de um ano da publicação deste Decreto, as instituições federais de ensino da
educação básica e da educação superior devem incluir, em seus quadros, em todos os níveis, etapas e
modalidades, o tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa, para viabilizar o acesso à comunicação,
à informação e à educação de alunos surdos.

        § 1o O profissional a que se refere o caput atuará:

        I - nos processos seletivos para cursos na instituição de ensino;

        II - nas salas de aula para viabilizar o acesso dos alunos aos conhecimentos e conteúdos curriculares,
em todas as atividades didático-pedagógicas; e

        III - no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades-fim da instituição de ensino.

        § 2o  As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do
Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar aos
alunos surdos ou com deficiência auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação.

CAPÍTULO VI

DA GARANTIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO DAS PESSOAS SURDAS OU

COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

        Art. 22.  As  instituições federais de ensino responsáveis pela educação básica devem garantir a
inclusão de alunos surdos ou com deficiência auditiva, por meio da organização de:

        I - escolas e classes de educação bilíngüe, abertas a alunos surdos e ouvintes, com professores
bilíngües, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental;

        II - escolas bilíngües ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas a alunos surdos e
ouvintes, para os anos finais do ensino fundamental, ensino médio ou educação profissional, com docentes
das diferentes áreas do conhecimento, cientes da singularidade lingüística dos alunos surdos, bem como
com a presença de tradutores e intérpretes de Libras - Língua Portuguesa.

        § 1o  São denominadas escolas ou classes de educação bilíngüe aquelas em que a Libras e a
modalidade escrita da Língua Portuguesa sejam línguas de instrução utilizadas no desenvolvimento de todo
o processo educativo.

        § 2o  Os alunos têm o direito à escolarização em um turno diferenciado ao do atendimento educacional
especializado para o desenvolvimento de complementação curricular, com utilização de equipamentos e
tecnologias de informação.

        § 3o  As mudanças decorrentes da implementação dos incisos I e II implicam a formalização, pelos pais
e pelos próprios alunos, de sua opção ou preferência pela educação sem o uso de Libras.

        § 4o  O disposto no § 2o deste artigo deve ser garantido também para os alunos não usuários da Libras.

        Art. 23.  As instituições federais de ensino, de educação básica e superior, devem proporcionar aos
alunos surdos os serviços de tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa em sala de aula e em

35
outros espaços educacionais, bem como equipamentos e tecnologias que viabilizem o acesso à
comunicação, à informação e à educação.

        § 1o  Deve ser proporcionado aos professores acesso à literatura e informações sobre a especificidade
lingüística do aluno surdo.

        § 2o  As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do
Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar aos
alunos surdos ou com deficiência auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação.

        Art. 24.  A programação visual dos cursos de nível médio e superior, preferencialmente os de formação
de professores, na modalidade de educação a distância, deve dispor de sistemas de acesso à informação
como janela com tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa e subtitulação por meio do sistema de
legenda oculta, de modo a reproduzir as mensagens veiculadas às pessoas surdas, conforme prevê o
Decreto no 5.296, de 2 de dezembro de 2004.

CAPÍTULO VII

DA GARANTIA DO DIREITO À SAÚDE DAS PESSOAS SURDAS OU

COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

        Art. 25.  A partir de um ano da publicação deste Decreto, o Sistema Único de Saúde - SUS e as
empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos de assistência à saúde, na perspectiva
da inclusão plena das pessoas surdas ou com deficiência auditiva em todas as esferas da vida social,
devem garantir, prioritariamente aos alunos matriculados nas redes de ensino da educação básica, a
atenção integral à sua saúde, nos diversos níveis de complexidade e especialidades médicas, efetivando:

        I - ações de prevenção e desenvolvimento de programas de saúde auditiva;

        II - tratamento clínico e atendimento especializado, respeitando as especificidades de cada caso;

        III - realização de diagnóstico, atendimento precoce e do encaminhamento para a área de educação;

        IV - seleção, adaptação e fornecimento de prótese auditiva ou aparelho de amplificação sonora,


quando indicado;

        V - acompanhamento médico e fonoaudiológico e terapia fonoaudiológica;

        VI -  atendimento em reabilitação por equipe multiprofissional;

        VII - atendimento fonoaudiológico às crianças, adolescentes e jovens matriculados na educação


básica, por meio de ações integradas com a área da educação, de acordo com as necessidades
terapêuticas do aluno;

        VIII  - orientações à família sobre as implicações da surdez e sobre a importância para a criança com
perda auditiva ter, desde seu nascimento, acesso à Libras e à Língua Portuguesa;

        IX - atendimento às pessoas surdas ou com deficiência auditiva na rede de serviços do SUS e das
empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos de assistência à saúde, por
profissionais capacitados para o uso de Libras ou para sua tradução e interpretação; e

        X - apoio à capacitação e formação de profissionais da rede de serviços do SUS para o uso de Libras e
sua tradução e interpretação.

        § 1o  O disposto neste artigo deve ser garantido também para os alunos surdos ou com deficiência
auditiva não usuários da Libras.

36
        § 2o  O Poder Público, os órgãos da administração pública estadual, municipal, do Distrito Federal e as
empresas privadas que detêm autorização, concessão ou permissão de serviços públicos de assistência à
saúde buscarão implementar as medidas referidas no art. 3 o da Lei no 10.436, de 2002, como meio de
assegurar, prioritariamente, aos alunos surdos ou com deficiência auditiva matriculados nas redes de ensino
da educação básica, a atenção integral à sua saúde, nos diversos níveis de complexidade e especialidades
médicas.

CAPÍTULO VIII

DO PAPEL DO PODER PÚBLICO E DAS EMPRESAS QUE DETÊM CONCESSÃO OU PERMISSÃO DE


SERVIÇOS PÚBLICOS, NO APOIO AO USO E DIFUSÃO DA LIBRAS

        Art. 26.  A partir de um ano da publicação deste Decreto, o Poder Público, as empresas
concessionárias de serviços públicos e os órgãos da administração pública federal, direta e indireta devem
garantir às pessoas surdas o tratamento diferenciado, por meio do uso e difusão de Libras e da tradução e
interpretação de Libras - Língua Portuguesa, realizados por servidores e empregados capacitados para
essa função, bem como o acesso às tecnologias de informação, conforme prevê o  Decreto no 5.296, de
2004.

        § 1o  As instituições de que trata o caput devem dispor de, pelo menos, cinco por cento de servidores,
funcionários e empregados capacitados para o uso e interpretação da Libras.

        § 2o  O Poder Público, os órgãos da administração pública estadual, municipal e do Distrito Federal, e
as empresas privadas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos buscarão implementar as
medidas referidas neste artigo como meio de assegurar às pessoas surdas ou com deficiência auditiva o
tratamento diferenciado, previsto no caput.

        Art. 27.  No âmbito da administração pública federal, direta e indireta, bem como das empresas que
detêm concessão e permissão de serviços públicos federais, os serviços prestados por servidores e
empregados capacitados para utilizar a Libras e realizar a tradução e interpretação de Libras  - Língua
Portuguesa estão sujeitos a padrões de controle de atendimento e a avaliação da satisfação do usuário dos
serviços públicos, sob a coordenação da Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento, Orçamento e
Gestão, em conformidade com o Decreto no 3.507, de 13 de junho de 2000.

        Parágrafo único.  Caberá à administração pública no âmbito estadual, municipal e do Distrito Federal


disciplinar, em regulamento próprio, os padrões de controle do atendimento e avaliação da satisfação do
usuário dos serviços públicos, referido no caput.

CAPÍTULO IX

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

        Art. 28.  Os órgãos da administração pública federal, direta e indireta, devem incluir em seus
orçamentos anuais e plurianuais dotações destinadas a viabilizar ações previstas neste Decreto,
prioritariamente as relativas à formação, capacitação e qualificação de professores, servidores e
empregados para o uso e difusão da Libras e à realização da tradução e interpretação de Libras - Língua
Portuguesa, a partir de um ano da publicação deste Decreto.

        Art. 29.  O Distrito Federal, os Estados e os Municípios, no âmbito de suas competências, definirão os
instrumentos para a efetiva implantação e o controle do uso e difusão de Libras e de sua tradução e
interpretação, referidos nos dispositivos deste Decreto.

        Art. 30.  Os órgãos da administração pública estadual, municipal e do Distrito Federal, direta e indireta,
viabilizarão as ações previstas neste Decreto com dotações específicas em seus orçamentos anuais e
plurianuais, prioritariamente as relativas à formação, capacitação e qualificação de professores, servidores e
empregados para o uso e difusão da Libras e à realização da tradução e interpretação de Libras - Língua
Portuguesa, a partir de um ano da publicação deste Decreto.

        Art. 31. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

37
        Brasília, 22 de dezembro de 2005; 184o da Independência e 117o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Fernando Haddad

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 12.319, DE 1º DE SETEMBRO DE 2010.

Mensagem de veto Regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete


da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte


Lei: 

Art. 1o  Esta Lei regulamenta o exercício da profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de
Sinais - LIBRAS. 

Art. 2o  O tradutor e intérprete terá competência para realizar interpretação das 2 (duas) línguas de
maneira simultânea ou consecutiva e proficiência em tradução e interpretação da Libras e da Língua
Portuguesa. 

           Art. 3o  (VETADO) 

Art. 4o  A formação profissional do tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa, em nível
médio, deve ser realizada por meio de: 

I - cursos de educação profissional reconhecidos pelo Sistema que os credenciou; 

II - cursos de extensão universitária; e 

III - cursos de formação continuada promovidos por instituições de ensino superior e instituições
credenciadas por Secretarias de Educação. 

Parágrafo único.  A formação de tradutor e intérprete de Libras pode ser realizada por organizações
da sociedade civil representativas da comunidade surda, desde que o certificado seja convalidado por uma
das instituições referidas no inciso III.

Art. 5o  Até o dia 22 de dezembro de 2015, a União, diretamente ou por intermédio de credenciadas,
promoverá, anualmente, exame nacional de proficiência em Tradução e Interpretação de Libras - Língua
Portuguesa. 

Parágrafo único.  O exame de proficiência em Tradução e Interpretação de Libras - Língua


Portuguesa deve ser realizado por banca examinadora de amplo conhecimento dessa função, constituída
por docentes surdos, linguistas e tradutores e intérpretes de Libras de instituições de educação superior. 

Art. 6o  São atribuições do tradutor e intérprete, no exercício de suas competências: 

I - efetuar comunicação entre surdos e ouvintes, surdos e surdos, surdos e surdos-cegos, surdos-
cegos e ouvintes, por meio da Libras para a língua oral e vice-versa; 

38
II - interpretar, em Língua Brasileira de Sinais - Língua Portuguesa, as atividades didático-
pedagógicas e culturais desenvolvidas nas instituições de ensino nos níveis fundamental, médio e superior,
de forma a viabilizar o acesso aos conteúdos curriculares; 

III - atuar nos processos seletivos para cursos na instituição de ensino e nos concursos públicos; 

IV - atuar no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades-fim das instituições de ensino e


repartições públicas; e 

V - prestar seus serviços em depoimentos em juízo, em órgãos administrativos ou policiais. 

Art. 7o  O intérprete deve exercer sua profissão com rigor técnico, zelando pelos valores éticos a ela
inerentes, pelo respeito à pessoa humana e à cultura do surdo e, em especial: 

I - pela honestidade e discrição, protegendo o direito de sigilo da informação recebida; 

II - pela atuação livre de preconceito de origem, raça, credo religioso, idade, sexo ou orientação
sexual ou gênero; 

III - pela imparcialidade e fidelidade aos conteúdos que lhe couber traduzir; 

IV - pelas postura e conduta adequadas aos ambientes que frequentar por causa do exercício
profissional; 

V - pela solidariedade e consciência de que o direito de expressão é um direito social,


independentemente da condição social e econômica daqueles que dele necessitem; 

VI - pelo conhecimento das especificidades da comunidade surda. 

Art. 8o  (VETADO) 

Art. 9o  (VETADO) 

Art. 10.  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 

Brasília,  1º  de  setembro  de 2010; 189o da Independência e 122o da República. 

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto
Fernando Haddad
Carlos Lupi
Paulo de Tarso Vanucchi

39
UNIDADE I

ALFABETO MANUAL:

Observe as diferenças e semelhanças no alfabeto manual

A  S C  Ç F  T G  Q

M N U  V H  K  P

40
DATILOLOGIA

Datilologia é utilizada, normalmente, para soletrar nomes de pessoas, de lugares,


de rótulos, ou para vocábulos não existentes na língua de sinais. É um meio de
verificação da ortografia de uma palavra em português. Quando uma pessoa não sabe
escrever uma palavra, normalmente soletramos, oralmente, para ajudá-la a escrever. Em
Libras, o processo é similar: quando uma pessoa não sabe escrever uma palavra,
fazemos a datilologia dela.

SINAL DE EXEMPLO

Exemplo:

SOLETRAÇÃO PALAVRA ESCRITA

F-R-U-T-A-S FRUTAS

DATIOLOGIA PALAVRA ESCRITA

UVA

Exercício:

a) Tatiane e) Ana Maria i) Fábio


b) Rodrigo f) Camila j) Maria
c) Aparecida g) João
d) Pedro h) Juliana

41
NUMERAIS EM LIBRAS

As línguas podem ter formas diferentes para apresentar os numerais quando


utilizados como cardinais, ordinais, quantidade, medida, idade, dias da semana ou mês,
horas e valores monetários. Nesta unidade e nas seguintes, serão apresentados os numerais em
relação às situações mencionadas acima.
É erro o uso de uma determinada configuração de mão para o numeral cardinal sendo
utilizada em um contexto onde o numeral é ordinal ou quantidade.

Veja o sinal de número:

Vejamos os números:

a) Cardinais: 1 até 10

Fonte: Nepes, 2007

Exemplo:

idade? número de telefone?

b) Quantidades: Quando representam quantidades, os numerais de UM até


QUATRO apresentam configuração de mãos diferentes. A partir do QUINTO têm
representação igual aos cardinais.

42
Diferente entre cardinais e quantidades:

a) Quantidades:

Fonte: Nepes, 2007

b) Cardinais:

Fonte: Nepes, 2007

Exemplo:

c) Ordinais: do PRIMEIRO até o NONO têm a mesma forma dos cardinais, mas
aqueles possuem movimentos enquanto estes não possuem.

1) ordinais do PRIMEIRO até o QUARTO têm movimentos para cima e para baixo.

2) ordinais do QUINTO até o NONO têm movimentos para os lados.

43
Formas de Plural: há plural na LIBRAS no uso repetido de sinais ou indicando a
quantidade.

Exercício:

Conversar com LIBRAS

a) Qual o numero de celular ou telefone?


b) Qual o número de sua casa ou apartamento?
c) Quantos anos você tem?
d) Quantas pessoas moram com você?
e) Quantos têm alunos no curso de LIBRAS

Vocabulário:

QUANTOS
TER
QUAL

APARTAMENTO
CASA / MORAR
PESSOA

44
45
ANOTAÇÕES

46
UNIDADE II

ESTRATÉGIAS

Para facilitar seu desempenho em aula, sempre lembre os sinais abaixo:

SINAL:
Perguntar a duvida que no qual é sinal de palavra.
Exemplo: Como é sinal de borboleta?

SINAL

Trabalhando com conceito: ERRADO E CERTO:

ERRADO

CERTO

VERBO

47
LEMBRAR E ESQUECER:

LEMBRAR ESQUECER

Demonstrar que não sabem ou esquecerem os nomes de nomes, e dos objetos,


trabalhando os verbos: LEMBRAR X ESQUECER.

PERGUNTAR RESPONDER

ENTENDER NÃO ENTENDER

TREINAR / PRÁTICA ESTUDAR

FÁCIL
DIFICIL

48
APRESENTAÇÃO PESSOAL

OI

OI MEU NOME MEU SINAL

Meu nome: Meu sinal:

ANA
CAROLINA
49
OI

OI SEU NOME SEU SINAL

CALENDÁRIO

Na LIBRAS há dois sinais diferentes para a ideia “dia”: um sinal reacionado a dia do mês,
que é a datilologia D-I-A, e o sinal DIA.

FONTE: Capovilla; Raphael (2001)


SINAL: DIA DATILOLOGIA: D-I-A

50
Quadro em acima, professora apresentará as perguntas de calendário, escreve:

a) Hoje dia? _________________________


b) Ontem dia ?_______________________
c) Amanha dia?______________________
d) Anteontem dia? ____________________
e) Feriado (vermelho) dia?______________

Os números de 1 a 4 são sinalizados como cardinais de quantidade, ser incorporados aos


sinais DIA, SEMANA, MES E ANO.

Exemplo:
DIA SEMANA MÊS ANO
DIAS-2 SEMANAS-2 MESES-2 ANOS-2
DIAS-3 SEMANAS-3 MESES-3 ANOS-3
DIAS-4 SEMANAS-4 MESES-4 ANOS-4

Observando o quadro abaixo, como sinais de dias:

1-DIA 2-DIAS 3-DIAS 4-DIAS

A partir do numeral 5 até 9, não há mais incorporação:

Exemplo:

DIAS-5 SEMANAS-6 MESES-10 AN0S-15

51
Aos sinais DIA (duração) e SEMANA podem ser incorporadas a frequência ou duração
através de um movimento prolongado ou repetido.

Exemplos:

TODOS-OS-DIAS  -  movimento repetido DIA-INTEIRO  “o dia todo” - movimento


alongado

Exercício:

Conversar em LIBRAS:

a) Quando começou primeira aula no curso de Libras?


b) Quem faltou hoje?
c) Quantos o tempo você trabalhar?
d) Qual a data de seu aniversário
e) Que dia você tem folga?
f) Qual o mês que você tira férias?

ADVERBIOS DE TEMPO:

PASSADO: PRESENTE: FUTURO:


SEMANA PASSADA SEMANA AGORA SEMANA QUE VEM
MÊS PASSADO MÊS AGORA MÊS QUE VEM
ANO PASSADO ANO AGORA ANO QUE VEM
ONTEM HOJE / AGORA AMANHÃ
ANTEONTEM

Na Libras não há marca de tempo nas formas verbais, é como se, nas frases, muitos verbos ficassem
no infinitivo. O tempo é marcado sintaticamente através de advérbios de tempo que indicam se a
ação está ocorrendo no presente: HOJE, AGORA; ocorreu no passado: ONTEM, ANTEONTEM;
ou irá ocorrer no futuro: AMANHÃ.

Presente (agora / hoje)

52
ou

Exemplo:
DIA HOJE? “que é dia hoje?”

Passado (ontem, anteontem, há muito tempo, já foi, já)

PASSADO ONTEM

ANTEONTEM
HÁ MUITOS ANOS

JÁ FOI

53
Futuro (amanhã, futuro, depois, próximo)

AMANHÃ FUTURO

ou
DEPOIS

Exercício:
a) Quem faltou hoje?
b) Que dia do mês que é feriado?
c) Que dia você tem folga?
d) Qual o mês que você tira férias?

54
ANOTAÇÕES

55
UNIDADE III

FAMÍLIA

Todos são mesmo sinais: sobrinh@, padrinho, madrinha, afilhad@

Todos são mesmo sinais, como você pergunta à duvida, como pode usar sinal
composto: “PADRINHO DE CASAMENTO”.

Exemplo:
Padrinho de casamento
Padrinho de batismo
Madrinha de casamento
Madrinha de batismo
Sobrinho é filho de meu irmão
Afilhado é filho da minha prima

56
Exercício:

Conversar com LIBRAS

a) Você mora com pais?


b) Onde você mora?
c) Você tem namorado(a)?
d) Você é casado(a)?
e) Quantos irmãos você tem?
f) Você tem filhos? Quantos?

OU
GRAVIDEZ

Desenvolvimento fetal – 40 semanas de gravidez:

Exemplo:
A mulher esta grávida ficou:
8 semanas, 12 semanas, 16 semanas, 20 semanas, 24 semanas, s8 semanas, 32
semanas, 36 semanas e 40 semanas.

57
Exemplo:

O bebê começou a crescer e faz os meses, 3 anos, 12 anos, 25 anos e 70 anos.

PRONOMES PESSOAIS

A LIBRAS possui um sistema pronominal para representar as seguintes pessoas do


discurso:

Pessoa do
1 ª PESSOA 2ª PESSOA 3ª PESSOA
discurso

SINGULAR EU VOCÊ EL@

DUAL NÓS-2 VOCÊS-2 EL@-2

TRIAL NÓS-3 VOCÊS-3 EL@-3

QUATRIAL NÓS-4 VOCÊ-4 EL@-4

NÓS-TOD@S VOCÊS-TOD@S EL@S-TOD@S


PLURAL
NÓS-GRUPO VOCÊS-GRUPO EL@S-GRUPO

58
SINGULAR

Singular – Todas as representações têm a mesma configuração, mudando somente a


orientação.

VOCÊ

EU

PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR: EU

EU

SEGUNDA PESSOA DO SINGULAR: VOCÊ

VOCÊ

59
TERCEIRA PESSOA DO SINGULAR: VOCÊ

ELA

PLURAL

Plural – A configuração muda conforme o número de participantes, mudando também a


orientação conforme a pessoa do discurso.

PRIMEIRA PESSOA DO PLURAL: NÓS-2, NÓS-3, NÓS-4, NÓS/NÓS-TOD@

60
TERCEIRA PESSOA DO PLURAL: VOCÊS

TERCEIRA PESSOA DO PLURAL: ELAS

61
PRONOMES POSSESSIVOS:

Como os pessoais e demonstrativos, também não possuem marca para gênero e estão relacionados
às pessoas do discurso e não à coisa possuída, como acontece em português:

TEU / TUA
SEU / SUA
MEU / MINHA
DELE / DELA

Exercício:

Apresentar que os alunos se cumprimentarem:

a) Qual seu nome?


b) Qual seu sinal?

DIALOGO 1

Conversando no Banco

Situação: Abrindo conta no Banco (a) surdo (b) ouvinte funcionário do banco.

a) TUD@ BO@!
b) TUD@ BO@! O QUE QUERER?
a) EU QUERER ABRIR CONTA BANCO GUARDAR DINHEIRO.
b) P-O-U-P-A-N-Ç-A?
a) SIM. CERTO.
b) VOCÊ TRAZER DOCUMENTOS: IDENTIDADE, CPF, CONTA
LUZ OU TELEFONE PRECISA TER SEU NOME ENDEREÇO.
a) AGORA NÃO TER TUDO.
b) PODE AMANHÃ HORA 11:00 ATÉ 16:00 H.
a) OK AMANHÃ VOLTAR. OBRIGAD@. TCHAU.
b) OBRIGAD@. TCHAU.

VERBO

62
QUERER GUARDAR

TRAZER PRECISAR

VOLTAR

TER

ANOTAÇÕES

63
UNIDADE IV

64
EXPRESSÕES FACIAIS

Observe as expressões faciais:

1 - RAIVA 2 - SORRINDO 3 - VERGONHA 4 - FELIZ

5 - CHORANDO 6 - BRAVO 7 - SUSTO / MEDO 8 - TRISTE

No quadro em cima, observando as figuras com expressões faciais, acordo e marque


alternativas corretamente?

( ) Sobrancelhas levantadas e boca aberta em A


( ) Sobrancelhas levantadas, olhos arregalados e boca em O
( ) Sobrancelhas levantadas, olhos cerrados, boca aberta
( ) Sobrancelhas levantadas, olhos cerrados, boca torta para lado
( ) Sobrancelhas abaixadas, dentes cerrados para lado
( ) Sobrancelhas abaixadas,
( )

Exercício:

Fazer as expressões ligadas a sentimentos / emoções, quando você sente como


expressão?

______________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________
EXPRESSÕES INTERROGATIVAS

65
Utiliza as expressões faciais e corporais, como a Libras está na forma afirmativa,
interrogativa exclamativa, negativa.

INTERROGATIVA:

EXCLAMATIVA:

AFIRMATIVA:  NEGATIVA:

66
ANOTAÇÕES

67
UNIDADE V

QUE HORA E QUANTAS HORAS

Para se referir às horas aponta-se para o pulso e relaciona-se o numeral para a


quantidade desejada.
Utilizado em frase interrogativa - expressão interrogativa ”QUE-HORA?”, tem um acréscimo da
expressão facial para frase interrogativa.

QUE-HORAS? “que horas são?”

Após doze horas, não se continua a contagem, começa-se a contar novamente: HORA 1, HORA 2,
HORA 3 e HORA 4.

Acrescentando o sinal TARDE, quando necessário, porque geralmente, pelo contexto, já se sabe se
o sinalizador está se referindo à manhã, tarde, noite ou madrugada.

Exemplo

68
Utilizado em frase interrogativa - expressão interrogativa ”QUANTAS-HORAS”, tem um
acréscimo da expressão facial para frase interrogativa.

A esse sinal, pode-se incorporar os quantificadores: 2, 3, e 4 mas, a partir da quinta hora,


já não há mais essa incorporação.

69
MEIA-HORA
MINUTO

Exercício:

Exemplo: primeiro sinal “HORA” e segundo sinal “6 DE MANHÔ

0:01 minuto 1:00 de tarde 6:00 de noite

0:05 minuto 1:30 de tarde 6:30 de noite

0:10 minuto 2:20 de tarde 6:40 de noite

0:30 minuto 3:05 de tarde 7:10 de noite

6:00 de manhã 3:25 de tarde 8:35 de noite

8:10 de manha 4:32 de tarde 9:15 de noite

9:30 de manhã 4:45 de tarde 10:00 de noite

10:40 de manhã 5:15 de tarde 11:00 de noite

12:00 de tarde 5:30 de tarde 12:00 de noite

70
VERBO “IR”

IR

Exemplo:

a) Você ir escola para hoje?


b) Você ir para casa?
c) Você ir trabalhar?

Uso da datilologia para flexões desses verbos: V-A-I e V-O-U

V-O-U V-A-I

Trabalhar com o pronome pessoal “NÓS” e o relaciona ao sinal “IR”

VAMOS (FRENTE) VAMOS (NO LADO) VAMOS (ACEITAR)

Exemplo:

a) Vamos comer b) Vamos ao cinema c) Vamos ao passeio

71
DIALOGO 2

72
CONHECER
COMBINAR DESCANSAR

QUERER
ENCONTRAR ESPERAR

PASSEAR ORGANIZAR TER

INTENSIFICADORES E ADVÉRBIOS E ADVÉRBIOS DE MODO:

Intensificador (muito)
Advérbio de modo (rápido / devagar)

Exemplo:
Chover / Chover muito / Muita chuva / Trovoada / Neve
Frio / muito frio
Vento fraco / Vento médio / Vento forte / furação
Muito leve / Leve / Pouco pesado / Pesado

73
CHOVER POUCO CHOVER MUITO

VENTO FRIO

LEVE PESADO

FORTE FRACO

Exemplo:

Ir de ônibus para São Paulo demora muito. De avião é mais rápido.


Hoje esta fazendo muito frio na França
Lugar muito longe.

ANOTAÇÕES
74
UNIDADE VI

75
ESCOLA

VERBO: “ESTUDAR”, “APRENDER”, “ESCREVER”, “LER”, “SABER” e “ENSINAR”

ESTUDAR APRENDER ESCREVER

LER / LEITURA SABER ENSINAR

Exercício

Conversar em LIBRAS

a) Você estuda?
b) Onde você estuda?
c) Qual você prestou no curso?
d) Qual língua você sabe?

76
PRIMEIRA ESCOLA NO BRASIL

A Primeira escola para ensinar as crianças


surdas no Brasil

Para saber mais visitar:


www.ines.org.br

No Império de D. Pedro II, professor francês Huet veio para o Brasil foi fundada a
primeira escola para surdos no Rio de Janeiro – Brasil, o “Imperial Instituto dos Surdos-
Mudos”, hoje, “Instituto Nacional de Educação de Surdos”– INES.
O dia do surdo é comemorado no dia 26 de setembro, homenagem à inauguração
da primeira escola de surdos do Brasil em 1857, o INES (Instituto Nacional de Educação
de Surdos).
A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é língua natural da maioria dos surdos
brasileiros e é reconhecido no Brasil pela Lei nº 10.436 / 2002 e pelo Decreto nº 5.626 /
2005,

Responda em Libras:

1- Que dia da semana é hoje?

2- Em mês você nasceu?

3- Quais os dias que você trabalha?

4- Quais os dias que você descansa?

5- Qual o ano do seu nascimento?

6- Qual dia, mês e ano que você começou aprender libras?

7- Que dia da semana você mais gosta?

8- Quantos meses têm um ano?

9- Qual mês você fica de férias?

10- Uma semana tem quantos dias?

11- Qual o primeiro dia da semana?

12- Qual o último dia da semana?

13- Qual o terceiro dia da semana?

14- Em que ano a Lei n.º 10.436 (que oficializa a Libras no País) foi aprovada?
77
15- Qual a data que se comemora o Dia dos Surdos?

16- Quando foi criada a primeira Instituição destinada a Educação de Surdos no Brasil?

17- Em que ano foi aprovado o Decreto n.º 5.626 que regulamenta a Lei n° 10.436?

CONFIGURAÇÃO DAS MÃOS

A configuração de mãos é o primeiro parâmetro que estudaremos, ela se apresenta

através da forma que a mão toma ao ser realizado o sinal ou a letra do alfabeto manual.

Algumas letras são usadas várias vezes para demonstrar uma determinada palavra,

porém, se diferenciam pelo ponto no corpo em que é expresso.

A configuração de mãos segue a mão predominante da pessoa que está realizando o

sinal ou palavra, ou seja, ela pode ser realizada com a mão direita para os destros ou com a

mão esquerda para os canhotos, também realizada com as duas mãos.

Os sinais DESCULPAR e IDADE, por exemplo, possuem a mesma configuração de

mão (com a letra y). A diferença é que cada uma é produzida em um ponto diferente no

corpo.

78
Exemplo: Configuração das mãos (CM)

Sabado e laranja Aprender


CM: ‘C” e “S” CM: ‘C” e “S”

79
Configuração das mãos simples

É aquela em que o movimento das mãos usa e mantém a mesma forma e posição.

Por exemplo: Por exemplo: o sinal “evitar”, usamos a configuração Y colocando o polegar na
têmpora e girando o pulso para a direita.

Configuração das mãos composta 

É aquela em que o movimento das mãos inicialmente usa uma forma e posição e se
altera durante ou no final do movimento.

Por exemplo: Sinal “aprender”, Mão direita em S vertical, palma para a esquerda, tocando
a testa. Abrir e fechar ligeiramente a mão, duas vezes.

ANOTAÇÕES

80
UNIDADE VII

CASA

81
VERBO: “COMPRAR”, “VENDER”, “ALUGAR”, “MUDAR” e “CONSTRUIR”

COMPRAR VENDER

ALUGAR MUDAR

CONSTRUIR REFORMAR

CHACARA / ROÇA / SITIO

MORAR

82
FUNDO FAZENDA

83
VALORES MONETÁRIOS

Utilização dos numerais para valores monetários:

 0,01 até 0,99 centavos, o sinal VÍRGULA vem depois do sinal ZERO, mas na maioria
das vezes não precisa usar o sinal ZERO para centavo porque o contexto pode esclarecer e
os valores para centavos ficam iguais aos numerais cardinais.
 1,00 até 4,00 reais, Os números de 1 a 4 são sinalizados como cardinais de
quantidade;
 5,00 até 999,00 reais, pode ser incorporação é mais alongando do que os valores
de um até 999 reais, podem usar também
 1.000,00 até 4.000,00 mil, também milhões e bilhões, Os números de 1 a 4 são
sinalizados como cardinais de quantidade;
 5.000,00 até 999.000,00 mil, também milhões e bilhões

DINHEIRO MOEDA

PREÇO BARATO PREÇO CARO

DÓLAR REAL

84
MIL MIL

MILHÃO BILHÃO

Exemplo:

0,60 centavos
, 5,20 reais

10,00 reais
,
35,10 reais

85
DIALOGO 3

86
ANOTAÇÕES

87
UNIDADE VIII

88
ALIMENTOS

Procure

PREÇO BARATO PREÇO CARO

Você viu o quadro em cima, coloque os preços no qual mais barato ou caro?

Mais barato para preço: Mais caro para preço:

Exercício

Conversar em LIBRAS

a) Você come arroz e feijão? Você almoça e janta?


b) Você gosta de churrasco?
c) Você bebe bebida alcoólica ou suco e refrigerante?
d) O seu marido sabe cozinhar?
e) Ontem você faz a comida?
f) Quantos quilos de laranja você comprou?
g) A carne está cara?

89
TIPOS DE MEDIDAS

a) Medidas de massa: PESO / QUILO

Massa: A unidade principal das medidas de massa é o quilograma (Kg) e chegámos à


conclusão que para comparar a massa de objetos muito pequenos utilizamos o grama (g).

Exemplo: sinais de quilograma (kg) e grama (g)

QUILOGRAMA OU QUILO = KG GRAMAS

BALANÇA

90
b) Medidas para volume: LITRO é uma das unidades de medida usadas para medir
os líquidos.

GARRAFA PLÁSTICO

1L 2L 3L 4L 4L

91
Observe no quadro:

Fonte: (Projeto Pitanguá, 2008)

ANOTAÇÕES

92
UNIDADE IX

ADJETIVOS NA LIBRAS

Os adjetivos são sinais que formam uma classe específica na LIBRAS e sempre estão na
forma neutra, não havendo, portanto, nem marca para gênero (masculino e feminino), nem para
número (singular e plural).
Muitos adjetivos, por serem descritivos, apresentam iconicamente uma qualidade do objeto,
desenhando-a no ar ou mostrando-a a partir do objeto ou do corpo do emissor.
Em português, quando uma pessoa se refere a um objeto como sendo arredondado,
quadrado, listrado, entre outros, está também descrevendo, mas, na Libras, esse processo é mais
"transparente" porque o formato ou textura são traçados no espaço ou no corpo do emissor, em uma
tridimensionalidade permitida pela modalidade da língua.
Em relação à colocação dos adjetivos na frase, eles geralmente vêm após o substantivo que
qualifica. Seguem, abaixo, alguns exemplos de adjetivos na LIBRAS:

93
CARACTERISTICAS DE ROUPAS:

O professor dará informações descrevendo modelos de blusa, dirá também onde foi
comprado e em qual loja.
Escrever, abaixo, os modelos das blusas e nome da loja onde foi comprada, a partir das
informações dadas pelo professor:

94
1- __________________________________________________
2- __________________________________________________
3- __________________________________________________
4- __________________________________________________
5- __________________________________________________
6- __________________________________________________
7- __________________________________________________

ANOTAÇÕES

95
UNIDADE X

96
PROFISSÕES

VERBOS RELACIONADOS A TRABALHO

PROCURAR

ADMITIR

RECEBER

97
SAIR

APOSENTAR

RECEBER

Exercício
98
Conversar em LIBRAS

1) O que você faz?


2) Onde você trabalha?
3) Qual é o seu horário de trabalho?
4) Foi fácil conseguir este emprego?
5) Quanto tempo você levou para conseguir este emprego?
6) Você gosta do seu trabalho?

DIALOGO 4

Na Empresa
Situação: Procurando emprego. (a) surdo procurando emprego (b) ouvinte recepcionista.

a) BO@ DIA!
b) BO@ DIA! O-QUE VOCÊ QUER?
a) ME@ NOME R-I-C-A-R-D-O VOCÊ NOME?
b) NOME C-L-A-R-A.
a) EU QUERER SABER TER VAGA AQUI HOTEL
I-T-A-G-U-A-Ç-U?
b) DESCULPAR, PARECER NÃO-TER VAGA.
b) VOCÊ PREENCHER FICHA NOME DOCUMENTOS
IDENTIDADE CPF CARTEIRA DE TRABALHO RUA TELFONE
CONTATO. DEPOIS ESPERAR.
a) VOCÊ LIGAR CHAMAR?
b) SIM. QUANTO TER VAGA LIGAR SIM.
a) CERTO! OBRIGAD@! TCHAU!

VERBO

SABER DESCUPLAR

99
PREENCHER

NÃO TER

ESPERAR CHAMAR

LIGAR

100
ANOTAÇÕES

101
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA

___________. & REZENDE, P. L. F & PIZZIO, A. L.; Língua Brasileira de Sinais V.


Curso de Letras/Libras. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2009.

___________. ELiS – Escrita das Línguas de Sinais. IN: Estudos Surdos II – Série
Pesquisas. QUADROS, R. M. de; PERLIN, G. (Org.). 212-237. Petrópolis, RJ: Arara Azul,
2007.

BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. 


Ensino de língua portuguesa para surdos: caminhos para a prática pedagógica. 2
volumes. Brasília: Mec/Seesp, 2004.

CAPOVILLA, F.C. ET AL; Dicionário – Enciclopédico Ilustrado Trilingue - Língua de


Sinais Brasileira. 3.ed.-São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.

ESTELITA, M. Por uma ordem "alfabética" nos dicionários de línguas de sinais.


Ensaio. (Doutorado em Lingüística) – Centro de Comunicação e Expressão, Universidade
Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006.

FELIPE, Tanya; MONTEIRO, Myr na. LIBRAS em Contexto: Curso Básico: Livro do
Professor. 4. ed. Rio de Janeiro: LIBRAS, 2008.

FERNANDES, Eulália (Org.). Surdez e Bilinguismo. Porto Alegre: Mediação, 2005.

FRIZANCO, Mary L. E. HONORA Márcia. Livro ilustrado de Língua Brasileira de


Sinais: Desvendando a comunicação usada pelas pessoas com surdez. Ciranda
Cultural, 2010.

HURFORD, J. R. & HEASLEY, B.; Tradução de Delzimar da Costa Lima e Dóris


Cristina Gedrat. Curso de Semântica. Canoas: Ed. ULBRA, 2004. 394 p.

102
MODERNA. Projeto Pitanguá Português: 3ª série do ensino fundamental. 2. ed. São
Paulo: Moderna, 2008.

PEDROSO, Cristina Cinto Araújo. Língua Brasileira de Sinais: Teoria e Prática. Batata-
SP: Ação Educacional Claretiana, Centro Universitário Claretiano de Batata, versão 2 –
mar./2009.

QUADROS, R. M. de. Educação de surdos: a aquisição da linguagem. Porto Alegre:


Artes Médicas, 1997.

Quadros, Ronice Müller de; Karnopp, Lodenir Becker. Língua de sinais


brasileira: estudos lingüísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.

STROBEL, K. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis: Ed da UFSC,


2008.

SUPERMERCADO DALBEN. Promoção e ofertas. Disponível em:


http://www.supermercadosdalben.com.br/flash_page_flip/free_version/Default.html,
Acesso em: 21 de dezembro de 2011.

ZAMBELLI, Silvana, Gravura, ideias, redação. 4º série de ensino fundamental, 1º ed,


São Paulo: Ática, 1996.

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