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OS PRINCIPIOS DA ADMINISTRAÇÃO APLICADOS A PRÁTICA EDUCATIVA

Rosangela Eiko Matushita Morokawa


SECRETARIA DE EDUCAÇÃO, CULTURA E ESPORTE
MUNICIPIO DE TAMARANA-PR

RESUMO

Desde a sua concepção o ser humano depende de outro que traz consigo uma
formação constituída de vários outros seres que repassa enquanto prepara o novo para a
vida, estes dados passam por construção e reconstrução em um ciclo contínuo com objetivo
de organizar o seu próprio conhecimento de forma mais coerente e eficiente (Mussen, 1988).
Os relacionamentos entre familiares e outros membros que interagem com o indivíduo
fazem parte do sistema de socialização pela qual se adquire valores e condutas sociais
próprias da cultura em que se encontra inseridos.
Neste contexto a figura do professor se faz presente representando a escola, primeira
instituição oficial onde o indivíduo inicia sua caminhada na aquisição de conhecimento. Sendo
analisado sob o ponto de vista de suas características pessoais, com suas crenças,
expectativas, interesses, condutas sociais e valores morais, responsável em desenvolver
estratégias e conhecimentos não apenas dos conteúdos escolares, mas em relacionamentos
e comportamentos. Com a globalização as organizações estão sendo forçadas a se
atualizarem, também o professor necessita ter em vista a gestão do conhecimento e da
tecnologia da informação para que com a aplicação destas em sala de aula possa melhorar a
sua prática.
Nesta perspectiva, o trabalho será baseado em estudos de vários referenciais
bibliográficos, estabelecendo paralelos entre os princípios da motivação e sua aplicabilidade
na prática educativa buscando contribuir com a criação de conhecimentos realmente
necessários a melhoria de vida dos seres humanos.

Palavras-chaves: professor, princípios da administração, motivação, prática educativa.


OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO APLICADOS A PRÁTICA EDUCATIVA

INTRODUÇÃO

É necessário reconhecer o professor como um sujeito pensante e responsável pelas


suas ações, senhor de suas crenças, condutas, valores e inserido em um determinado
contexto social, é também o professor que não ensina apenas os conteúdos, mas que se
mostra como ele é no ambiente em que vive. Portanto sob este aspecto o eu legítimo se
apresenta ensinando aos outros eus que o mundo não é apenas constituído por aqueles que
eles estão acostumados a ter presentes em seu dia a dia, ele ensina que há sempre algo a se
aprender, mesmo não sabendo ao certo o que é. (Oliveira, 2005 e Freire, 2006)
Segundo o artigo 13 da LDB, inciso IV, o professor assume o papel de levar o aluno
ao desenvolvimento das habilidades e competências requeridas pelo projeto pedagógico ou
plano de desenvolvimento da escola. Ainda no artigo 13 no inciso II, a partir do plano de
trabalho, o professor pode assinalar no período letivo suas metas curriculares e educacionais.
Todas estas atribuições são dadas a um indivíduo com direito ao livre arbítrio e desfrutando
de liberdade de interpretação do projeto ou plano escolar, podendo assumir responsabilidades
por objetivos escolhidos ao seu foco de prioridades.
Consciente da figura do professor como fonte dos meios para apresentar o mundo,
através dos conteúdos das disciplinas e o seu estudo significa a busca do conhecimento
daquilo que nos rodeia e fazer uso dos mesmos para melhorar a condição de vida, é possível
afirmar também que o ato de ensinar assim como o aprender exige uma reflexão crítica de
tudo aquilo que é passado e repassado, ou seja, ensinar exige criticidade (Freire, 2006).
Criticidade por sua vez movimentada por motivos relevantes a sua causa.
Ao estudar o ser humano se deve considerar a complexidade da natureza do homem,
seu comportamento é influenciado pela motivação que por sua vez é movida pelas
necessidades (Chiavenato, 1992).
Estudos foram realizados a cerca da motivação tanto do professor como do aluno, no
entanto, ressaltam-se as pesquisas relacionadas aos Estilos Motivacionais de professores na
promoção da motivação intrínseca, visto que segundo Bzuneck e Guimarães (2007) o mesmo
tem relação com as práticas educacionais em sala de aula. Tendo como meta a motivação do
aluno, os professores utilizam seus conhecimentos e crenças pessoais acabando por
desenvolver condutas comportamentais próprias, daí a relevância de se identificar os estilos
motivacionais do professor como formas de intervir e treina-los para que formem alunos
socializados para a motivação autônoma (Nolen & Nicholls, 1994).
Ao observar as práticas desenvolvidas pelos professores no interior da sala de aula,
confusas nas diversas teorias que as fundamentam, perdidas nas tendências pedagógicas
que em tempos em tempos se modificam sem aviso prévio, embaralhadas nas diversas
metodologias de ensino, geralmente processadas de forma desorganizada e individual. Neste
contexto, surgiu a necessidade de estudar a prática educativa e refletir como melhorá-la
através de articulações de conhecimentos sob o ponto de vista da administração
contemporânea, mais especificamente dos princípios da motivação (Hunter, 2006).
Na realidade pretende-se causar uma reflexão e delinear uma nova proposta de
estudo com objetivo de contribuir com os processos educativos de formulação de novos
conhecimentos, para tanto se faz necessário esclarecer alguns conceitos a ser discorridos a
seguir.
O SER HUMANO

Ao definir o ser humano, Oliveira e Scoralick (2005) o fazem sob a visão de


Emmanuel Lévinas, filósofo judeu lituano, que discutiu a ética, introdutor da Fenomenologia
na França, em que o "indivíduo só passa a ser humano ao se completar no próximo", o eu por
si só não é o bastante para se apossar da humanidade é necessário o relacionamento com o
outro e à medida que se desenvolve esta relação se cria a responsabilidade pelo outro e aí
sim se constitui o ser humano.
Na visão de Freire (2006) o ser humano se fez presente no mundo, juntamente com o
mundo e com os outros, consciente de que se reconhece a presença do outro e se reconhece
a si próprio criando a necessidade da ética e da responsabilidade.
Na visão administrativa, o homem é um animal social e se caracteriza pela vida em
sociedade, adaptando-se a ambientes dinâmicos e complexos, tendo o seu comportamento
influenciado por fatores internos e externos.
Sendo que os fatores internos originários da característica de personalidade, como
sua capacidade de aprendizagem, de motivação, de atitudes, de emoções, de valores, de
como percebe o seu ambiente e os fatores externo decorrem das características
organizacionais nas quais está inserido como forma de recompensas e punições, de fatores
sociais, políticas de coesão grupal entre outros. (Chiavenato, 1992)
Guimarães (2001) refere-se a esses fatores como motivação intrínseca na qual o
indivíduo busca novidades, satisfazendo sua curiosidade procurando oportunidades para
exercer nova habilidade e obter domínio, se trata de um fator inato e natural dos seres
humanos que resulta na aquisição do senso de eficácia em relação ao que se aprende,
gerando expectativas positivas de desempenho e a realimentação da motivação. O
conhecimento dos fatores que determinam tal motivação é um importante instrumento para
auxiliar os professores a refletirem sobre sua prática podendo oportunizar a ocorrência
freqüente destes fatores em prol do melhor desenvolvimento do aluno.
Com relação à motivação extrínseca Guimarães (2001), coloca que devido aos
poucos trabalhos relacionados ao tema, esta se encontra menos elaborada, mas se define
como fator movido em resposta a algo externo objetivando a obtenção de recompensas
materiais ou sociais, de reconhecimento, buscando atender aos outros para demonstrar
habilidades e competências.
Do ponto de vista de Chiavenato (1992), as pessoas são diferentes no que se refere
à motivação visto que as necessidades de indivíduo para indivíduo variam e produzem
padrões de comportamento particulares, os valores sociais também diferem, as capacidades
para criar estratégias e atingir os objetivos são igualmente dissociadas. Coloca-se ainda outro
item importante a acrescentar de que os valores sociais e as capacidades variam na mesma
pessoa conforme o tempo, ou seja daqui 5 minutos podem se alterar, influenciando na
conduta do indivíduo.
A MOTIVAÇÃO HUMANA

Chiavenato (1992) coloca que não se pode compreender o comportamento das


pessoas sem ter o conhecimento da motivação de seu comportamento. O motivo é tudo aquilo
que leva a pessoas a agir de determinada maneira, sob a ótica da administração o ciclo
motivacional inicia com o surgimento de uma necessidade, que por sua vez é a força dinâmica
e persistente que provoca o comportamento,Quando surge uma necessidade esta rompe o
estado de equilíbrio do organismo, causando um estado de insatisfação, desconforto e
desequilíbrio, este estado leva o ser a um comportamento ou ação, capaz de modificar seu
estado. Se o comportamento surtir um resultado positivo o indivíduo desfrutara da satisfação
da necessidade, descarregando a tensão provocada pela mesma. Satisfeita a necessidade, o
organismo retorna ao estado de equilibração. A medida que o ciclo se repete com a
aprendizagem e a repetição os comportamentos irão gradativamente se tornando mais
eficazes na satisfação de certas necessidades, uma vez satisfeitas , a necessidade deixa de
ser motivadora de comportamento, já que não causa mais desconforto.
No ciclo motivacional, a necessidade nem sempre pode ser sanadas, causando a
frustração, não encontrando saída a tensão represada no organismo procura um meio indireto
de saída, por via psicológica através da agressividade, apatia, indiferença, entre outros, por
via fisiológica gera tensão nervosa, insônia, alteração de pressão, etc.
Outras vezes a necessidade não é satisfeita e nem frustrada, mas transferida ou
compensada. A satisfação de algumas necessidades é temporária, ou seja, a motivação
humana é cíclica, o comportamento está em um contínuo processo de resolução de
problemas e de satisfação de necessidades à medida que vão surgindo.
As teorias mais conhecidas sobre a motivação são relacionadas com as
necessidades humanas, como a teoria de Maslow sobre a hierarquia das necessidades
humanas.
Maslow criou uma teoria baseado no conceito de hierarquia de necessidades que
influenciam a conduta do ser humano, esta foi concebida pelo fato de que o homem é uma
criatura que expande suas necessidades no decorrer de sua vida, ou seja, não há estagnação
das necessidades pelo contrário, à medida que o ser humano satisfaz suas necessidades
básicas outras mais elevadas assumem o predomínio do seu comportamento.
As necessidades humanas podem ser classificadas dessa forma: necessidades
primárias que constituem a base são as necessidades fisiológicas e de segurança, enquanto
as necessidades secundárias estão acima, são as necessidades sociais, de estima e de auto-
realização. Essas necessidades atuam simultaneamente prevalecendo sempre as
necessidades secundárias ou superiores.
A contribuição de Maslow representa um valioso modelo para a analise do
comportamento das pessoas e para a Administração de Recursos Humanos e
consequentemente um valioso instrumento para se utilizar em sala de aula com os alunos e
com o próprio professor.
Temos ainda a teoria dos dois fatores de Herzberg que se fundamenta no ambiente
externo e no trabalho individual. Segundo Herzberg a motivação das pessoas depende de
dois fatores: Fatores higiênicos , que se referem às condições que cercam o indivíduo
enquanto trabalha, envolvendo as condições físicas e ambientais de trabalho, as pessoas e
como elas se relacionam com o mesmo. No entanto os fatores higiênicos são muito limitados
segundo Chiavenato, devido a sua capacidade de influenciar o comportamento dos outros. A
expressão higiene reflete o seu caráter preventivo que se destina a evitar fontes de
insatisfação do meio ambiente ou ameaças ao seu desequilíbrio.
O segundo fator é o fator motivacional, que se referem as tarefas e aos deveres
relacionados no caso ao cargo do professor, produzem efeitos duradouro de satisfação e
elevação da produtividade acima dos níveis normais.Este fator envolve sentimentos de
realização, de crescimento e de reconhecimento profissional, manifestados por meio de
exercícios das tarefas e atividades que oferecem suficiente desafio e valor significativo do
trabalho.
COMUNICAÇÃO

A comunicação envolve relacionamentos entre pessoas, definido por Davis como o


processo de passar informação e compreensão de uma pessoa para outra.
Toda comunicação envolve pelo menos duas pessoas: a que envia e a que recebe a
mensagem, portanto a necessidade do outro se faz necessário. O processo de comunicação
funciona como um sistema passível de interrupções, ambiente barulhento, entre outros.
As comunicações constituem a primeira área a ser focalizada quando se estudam as
interações humanas e os métodos de aprendizagem para modificação de comportamento ou
para influenciar o comportamento das pessoas, trata-se de uma área na qual ser humano
pode fazer grandes evoluções na melhoria e sua própria eficácia. É tido como o ponto de
maiores desentendimentos e conflitos entre as pessoas.
Existe uma relação profunda entre motivação, percepção e comunicação. Aquilo que
duas pessoas comunicam são determinadas pela percepção de si mesmas e da outra pessoa
na situação e pela percepção sob a sua motivação daquele instante.
Vale comentar sobre a percepção social que é o meio pelo qual a pessoa forma
impressões de uma outra, objetivando compreendê-la, ou seja, a percepção social é a
impressão a respeito dos outros que pode ser influenciada por: estereótipo (distorções na
percepção das pessoas), generalizações-processo pelo qual uma impressão geral influencia o
julgamento e a avaliação de outros traços específicos das pessoas, projeção é o mecanismo
de defesa na qual o indivíduo tende a atribuir aos outros certas características próprias que
rejeita inconscientemente, defesa perceptual trata de outra fonte de erro e distorção na qual o
observador distorce os dados da mesma forma como elimina a inconsistência. Chiavenato
(1992)
SALA DE AULA COMO ORGANIZAÇÃO: UM OLHAR ADMINISTRATIVO

Os seres humanos ao atingir a idade escolar iniciam sua primeira vivência social e
segundo Chiavenato passam a maior parte do tempo dentro de uma organização
independente dos seus objetivos, surgindo uma das especialidades administrativa: a
Administração de Recursos Humanos (ARH).
O ser humano é um ser social, não vive sozinho, mas em constante interação com
seus semelhantes, influenciando e sendo influenciado. A ajuda mútua é necessária para
garantir a existência da organização.
A sala de aula se enquadra perfeitamente nesta concepção visto haver dentro dela
pessoas capazes de se comunicarem e que a primeira impressão está disposta a contribuir
uma com as outras a fim de atingirem um objetivo comum: o conhecimento.
Nesta percepção se apresenta a necessidade da figura do líder na figura do professor
para administrar todos os recursos humano presentes na sala de aula, daí a relevância em
identificar os estilos motivacionais do professor, apesar de ser uma característica vinculada a
personalidade do ser humano, sendo vulnerável a fatores externos, o estilo do professor
influência na motivação dos alunos. Segundo Guimarães (2003) o interesse pelo tema
motivação e aprendizagem escolar não tem sido buscado pelas pesquisas brasileiras e ainda
mais raras os estudos relacionados aos aspectos metodológicos envolvendo instrumentos de
medida. Por isso, cabe ressaltar o início de um delineamento em desenvolver investigações
neste campo.
A liderança do professor tem a ver com caráter em ação, o empenho em realizar
aquilo que é certo ignorando as tentações de se desviar do caminho (Hunter, 2006). O pensar
certo é fazer certo (Freire, 2006).
Aqui cabe ressaltar a importância da administração na sala de aula, pois constitui a
maneira de fazer com que as coisas sejam feitas da melhor forma possível, envolvendo os
recursos disponíveis a fim de se atingir um objetivo, sendo necessários o conhecimento de
elementos básicos para este fim: definição de objetivos, utilização de recursos humanos e
técnicos, metodologia a ser aplicada.
Apesar das diversas especialidades da administração ser de grande importância,
neste estudo enfocaremos a Administração de Recursos Humanos, especificamente sobre o
poder, a autoridade e a liderança.
PODER, AUTORIDADE E LIDERANÇA

Segundo Hunter (2006) a maiorias das funções de liderança tradicional envolvem o


poder em detrimento da autoridade, ou seja, o líder não desenvolver a autoridade necessária
para acompanhar o poder.
Definindo poder como a capacidade de obrigar o outro a fazer algo mesmo que ele
prefira não realizar e Autoridade como habilidade em levar o outro a realizar algo de comum
acordo.
A desvantagem do poder sem o desenvolvimento da autoridade acaba por deteriorar
os relacionamentos, imagine a sala de aula no início do ano letivo com um professor que
exerça o poder se a habilidade da autoridade desenvolvida é possível que consiga que os
alunos realizem as atividades na base de imposição, mas com o tempo surgirão sintomas
desagradáveis tais como: conflitos, violência, baixa produtividade, baixa da auto estima entre
outros.
Para Freire não existe a autoridade sem liberdade e que a mesma amadurece em
confronto com outras liberdades, ficando ressaltado a necessidade de limites para que a
liberdade possa existir.
O poder por vezes se faz necessário para garantir as necessidades dos alunos ou da
sala de aula, mas o resultado será mais positivo se os alunos respeitarem o professor pela
sua habilidade em levá-los a aceitarem de bom grado sua vontade, por causa de sua
influência pessoal. (Hunter, 2006).
A liderança tem haver com a influência e são construídas com muito trabalho, exige
respeito para construir com outras pessoas a relação de confiança, delegando
responsabilidades e exercitando o livre arbítrio, exige altruísmo ou seja atender as
necessidades dos outros em suas particularidades.
OS ESTILOS DE ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS VERSUS
OS ESTILOS MOTIVACIONAIS DO PROFESSOR

A Administração de Recursos Humanos é influenciada pelas suposições da


organização a respeito da natureza humana. Igualmente em sala de aula o professor organiza
os seus alunos dependendo de seu estilo motivacional. A aplicação dos princípios
administrativos e pressuposições determinam os condicionamentos para o comportamento
humano que devem prevalecer dentro das organizações assim como o professor ao aplicar
seus princípios determinam o comportamento de seus alunos.
O administrador é responsável pela organização dos elementos da empresa
produtiva: dinheiro, materiais, equipamentos e pessoas, no seu interesse de seus fins
econômicos. Em contrapartida o professor é responsável pela organização dos elementos de
sua sala de aula: materiais didáticos, recursos áudio visuais, colocação dos alunos, aplicação
dos conteúdos objetivando o conhecimento.
O administrador lidera um processo de dirigir os esforços das pessoas, motivá-las,
controlando as suas ações e modificando o seu comportamento para atender as
necessidades da organização, também o professor lidera a sua sala de aula motivando e
influenciando seus alunos. Assim como o administrador, o professor deve persuadir ,
recompensar, punir, coagir, controlar as atividades, dirigindo-as para o crescimento como ser
humano.
Dentro desta percepção ao administrar o professor faz parte de um processo de criar
oportunidades, libertando potenciais, removendo obstáculos, encorajando o crescimento,
proporcionando orientações.
A Administração de Recurso Humanos é distinto de se administrar qualquer outro
recurso organizacional, porque envolve algumas dificuldades que são as mesmas que
envolvem o professor dentro de sala de aula. Trata de planejar, assessorar, orientar, controlar
e prestar serviços individualizados. Deve se preocupar com a eficiência porque os eventos ou
condições de suas atividades dependem de outros participantes e por lidar com recursos
humanos e estes são extremamente complexos e diferenciados colocam o resultado final em
incertezas.
O PAPEL DO PROFESSOR ADMINISTRADOR

Papel é o conjunto de atividades e comportamentos solicitados de um indivíduo que


ocupa determinada posição em determinada organização (Chiavenato, 1992). Os papéis
podem ser explícitos para a pessoas em decorrência de seu conhecimento do processo
técnico e da tarefa da organização, ou podem ser comunicados pelos outros membros da
organização (supervisor, diretor, orientador) que solicitam ou dependem de seu
comportamento de papel para que possam atender as expectativas de seus próprios cargos.
O supervisor supervisiona o professor e concede apoio e auxílio em suas práticas. A sala de
aula pode ser considerada uma organização de papéis, nas quais cada aluno desempenha
conforme a sua formação de origem, mas é influenciado pelo professor.
As mudanças sociais e econômicas influenciam no papel do professor, de modo geral
o esforço de cada indivíduo é resultado do valor das recompensas e da probabilidade de as
recompensas dependerem do esforço, esse esforço individual é direcionado pelas
capacidades e habilidades do indivíduo de um lado e de outro pelas percepções que ele tem
do papel a desempenhar.
A análise do papel do professor do passado e do presente leva ao desenvolvimento
de uma política de recursos humanos mais adequada as necessidades. Ao determinar a sua
política o professor determina os valores éticos de sua sala e através delas, governa suas
relações com os alunos, pais, colegas de trabalho, diretor, equipe pedagógica. Serve para
guiar as suas ações com relação aos outros nas realizações de objetivos comuns: a melhoria
na qualidade de ensino.
Ao planejar a sua prática o professor oportuniza a si próprio a representar todas
aquelas coisas grandiosas que provocam euforia e entusiasmo, como também aquelas que o
deixam muito frustrados ou não produzem um sentimento positivo, provocando em cada aula
um determinado comportamento dependendo de sua eficiência e eficácia em atingir seus
objetivos.
Segundo Guimarães (2004), em sala de aula o professor pode optar por conduzir
suas aulas de diferentes formas que revelam sua concepção ou estilo de lidar com a
autoridade, a cada estilo motivacional corresponde a crença e a confiança do professor em
determinadas situação de ensino e motivação. Mencionamos dois estilos motivacionais
distintos que a literatura tem caracterizado: o estilo promotor de autonomia e estilo
controlador.
Guimarães menciona Reeve (1999)que pontua sobre as três necessidades dos
alunos que necessitam ser consideradas nas situações de ensino: a primeira é a necessidade
de pertencer ou de sentir parte daquele contexto e é promovida pelo tipo de relacionamento
que se mantem com o professor, que particularmente dispensa a seus alunos atenção,
cuidados e aceitação. A segunda necessidade é a de sentir competente, produzida pela forma
como é planejada as aulas, com situações desafiadoras e adequadas ao nível dos alunos e
pelo feedback sobre os resultados de seu desempenho. Finalmente a terceira necessidade: a
de autodeterminação que é alimentada pela autonomia fornecida pelo professor na tomada de
decisões e na promoção de oportunidades de escolhas. Permitindo que os alunos participem
das decisões e do planejamento das atividades de sala,. o professor permite a percepção de
autodeterminação como também incentiva que os alunos criem suas próprias metas de
desempenho contribuindo para sua auto-regulação.
CONCLUSÃO

É através da convivência com o outro que o homem se apropria de sua humanidade,


pois o ser humano é um ser social por natureza e estas relações são complexas, pois
recebem interferências internas e externas. Estas relações são estabelecidas pela
comunicação e a interpretação da mensagem ocorre segundo a percepção que o outro tem do
mundo.
Motivar é influenciar e inspirar a ação, não se pode mudar ninguém, mas sim
influenciar suas futuras escolhas. Acrescenta-se ainda que quando os comportamentos são
praticados de uma forma sistemática ao longo do tempo, mudanças reais e permanentes
podem ocorrer. Quanto maior for o estímulo motivador também será o incentivo das pessoas
em colocar mais energia, esforço e entusiasmo em seu trabalho seja professor ou aluno.
O presente estudo demonstra a necessidade de formar o professor com uma base
administrativa para que o mesmo possa desempenhar o papel de líder não desconsiderando a
importância de que antes de ser um professor é um ser humano que possui necessidades a
serem satisfeitas, na área profissional se pode determinar algumas como gostar do que faz,
usar suas habilidades e capacidades, crescer e se desenvolver no campo pessoal, sentir que
faz algo importante, receber bons benefícios, ser reconhecido pelo bom desempenho,
trabalhar em local agradável, receber um salário generoso e trabalhar em situações
orientadas para a equipe.
Dentro da sala de aula a liderança do professor se faz necessária, não na forma de
autoritarismo com uso do poder, mas sim como o líder que indica o caminho certo a seguir,
pois ele mesmo o segue.
O presente trabalho tratou de princípios da administração e sua aplicabilidade na sala
de aula, a pesquisa bibliográfica procurou identificar futuras investigações de relevância na
busca de melhoria da prática educativa. A análise realizada demonstrou que é de suma
importância o empenho dos pesquisadores em buscar um instrumento de medida para
identificação do estilo motivacional do professor com objetivo de capacitar os profissionais que
exercem a função como também aqueles que se preparam para o ingresso na profissão.
Ficando registrado que não se finda uma pesquisa, mas se indica opções de estudos
a serem aprofundadas na expectativa de contribuir com a produção de novo conhecimentos.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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processos psicológicos e o contexto social na escola. Editora Vozes, 2004
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BORUCHOVITCH, Evely & BZUNECK, José Aloyseo (organizadores)- A motivação do


aluno- Contribuições da psicologia contemporânea. 3ª Edicão Editora
Vozes, 2001 Petrópolis

CHIAVENATO, IDALBERTO - Recursos Humanos. Edicção Compacta. 2ª edição Editora


Atlas, SP 1993

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia- Saberes necessários à pratica


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HUNTER, James C. Como se tornar um líder servidor - Os princípios de


liderança de O monge e o executivo. Editora Sextante. RJ 2006

MUSSEN, Paul Henry Desenvolvimento e personalidade da criança.2ª edição.


Editora Harbra Ltda SP 1988

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e sua formação. Lisboa: D.Quixote, 1992

REVISTA: Discutindo filosofia ANO 1 nº 4 Editora Escala Educacional


Artigo: Emmanuel Lévinas: Ética e Alteridade, por Ednilson Turozi de
Oliveira e Klinger Scoralick, 2005

REVISTA: Psicologia: Teoria e Pesquisa Out-Dez 2007, Vol.23 nº 4 pp.415-533


Artigo: Estilos de Professores na promoção da motivação intrínseca:
Reformulação e validação de instrumento.

GUIMARÃES, Sueli Edi Rufini. TESE de doutorado: Avaliação do Estilo Motivacional do


Professor: Adaptação e Validação de um instrumento.
Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, 2003