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CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA


PORTARIA Nº 1.004 DO DIA 17/08/2017

MATERIAL DIDÁTICO

DIREITOS HUMANOS E
RESSOCIALIZAÇÃO

0800 283 8380


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SUMÁRIO
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ..................................................................................... 3
UNIDADE 2 – DIREITOS FUNDAMENTAIS............................................................... 4
2.1 OS DIREITOS FUNDAMENTAIS ................................................................................ 4
2.2 GARANTIAS FUNDAMENTAIS DOS PRESOS ............................................................... 4
2.3 PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ....................................................................................... 12
2.4 RESPONSABILIDADE DO ESTADO EM RELAÇÃO AOS DETENTOS ............................... 13
2.5 AS CONSEQUÊNCIAS JURÍDICAS PELA AFRONTA AO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DO

DETENTO................................................................................................................. 14
UNIDADE 3 – DEVERES DOS PRESIDIÁRIOS....................................................... 21
UNIDADE 4 – RESTRIÇÃO DE DIREITOS .............................................................. 27
UNIDADE 5 – REABILITAÇÃO MORAL .................................................................. 30
UNIDADE 6 – PRESTAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ................................................ 33
UNIDADE 7 – ASSISTÊNCIA PESSOAL ................................................................. 38
UNIDADE 8 – CUIDADOS SANITÁRIOS ................................................................. 41
UNIDADE 9 – REINTEGRAÇÃO / REINSERÇÃO / RESSOCIALIZAÇÃO .............. 43
9.1 TRABALHO E RENDA ............................................................................................ 47
9.2 “BOAS PRÁTICAS” ............................................................................................... 50
9.3 ÉTICA E MORAL................................................................................................... 51
9.4 VALORES E AFETIVIDADE ..................................................................................... 54
9.5 OBJETIVOS DA RESSOCIALIZAÇÃO ........................................................................ 58
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 61

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
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UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO

Grosso modo, os direitos do homem são os direitos naturais, intrínsecos ao


homem e reconhecidos em documentos internacionais, já os direitos fundamentais
têm a marca da positivação, isto é, é um direito reconhecido pelo sistema.
Os direitos humanos além de fundamentais são inatos, absolutos,
invioláveis, intransferíveis, irrenunciáveis e imprescritíveis, porque participam de um
contexto histórico, perfeitamente delimitado.
Sobre eles e outros direitos como reabilitação moral, prestações
previdenciárias, assistência pessoal, cuidados sanitários, bem como deveres e
restrições de direito aos presos que trataremos neste módulo.
Reintegração, reinserção e ressocialização utilizando trabalho, renda, ética,
moral, valores, afetividade e boas práticas fecham a unidade.
Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como
premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um
pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados
cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar,
deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores,
incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma
redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas
opiniões pessoais.
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se
outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo modo,
podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo dos
estudos.

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UNIDADE 2 – DIREITOS FUNDAMENTAIS

2.1 Os Direitos Fundamentais


Um dos mais relevantes direitos do preso é o da preservação de sua
dignidade, cidadania e civilidade, uma vez que a prisão cerceia o exercício de muitos
dos poderes da individualidade, em particular o da liberdade física.
Com limitações inerentes à sua condição penal, outras idealizações do ser
humano permanecem à sua disposição; muitas dessas garantias serão examinadas
em particular nos capítulos seguintes. Excetuadas aquelas garantias próprias do
privado das liberdades físicas, os presidiários gozam de todas as demais faculdades
humanas. Em seu art. 3º, a LEP diz: “Ao condenado e ao internado serão
assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei”.
Vimos em outro momento do curso que, em vez de condenado, o certo é ler
“preso” ou “apenado”. Após consagrar “o respeito à integridade física e moral dos
condenados e dos presos provisórios” (art. 40), a LEP enuncia 16 “direitos do preso”
(LEP, art. 41, l a XVI). Entre esses benefícios do cidadão não está o de fugir. Aliás, a
tentativa e a consumação da evasão, ao contrário, constituem infrações disciplinares
graves.
No entendimento de Martinez (2010), como a sociedade evolui e
materialmente logra alcançar alguns benefícios conquistados pela tecnologia,
amanhã se discutirá quais são os limites dessas intenções dos presidiários. Com
certeza, no início prevalecerá a ideia enraizada na mente dos povos de que eles não
fazem jus aos supérfluos.

2.2 Garantias fundamentais dos presos


Os direitos fundamentais do preso justificam as seguintes considerações:
a) Vida – afirmar o direito dos presos à vida, uma garantia óbvia devida a
todo ser humano, avulta na medida em que ele permanece ameaçado, no comum
dos casos, pelos próprios colegas de infortúnio (a despeito do dever da autoridade
de zelar pela sua segurança pessoal). Pouco significando agora o que eles tenham
feito para serem apenados, melhor dizendo, exatamente por isso. Destacando-o
como um dos principais, Barros (2006) assinala que essa defesa fundamental está
insculpida lapidarmente na Carta Magna.
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b) Segurança – no seu art. 38, o Código Penal diz que “o preso conserva
todos os direitos não atingidos pela perda de liberdade, impondo-se a todas as
autoridades o respeito à sua integridade física e moral”. Quando a situação requerer,
o preso será beneficiado pelas normas de proteção à testemunha.
c) Dignidade – o respeito à dignidade da pessoa humana é uma exigência
potencializada quando de sua prisão. Daí, todo o tempo, precisamos nos lembrar da
teoria jurídica do dano moral.
d) Igualdade – significa pouco o que aconteceu antes da condenação; todos
os presos iguais têm de receber o mesmo tratamento. Brasileiros e estrangeiros
usufruem os mesmos direitos. Serem brancos, mulatos ou negros, nada disso é
relevante. Evidentemente, essa regra é excepcionada quando houver exigência da
individualização da pena que o distinga de outros colegas (LEP, art. 41, XII). A
igualdade é uma conquista do ser humano. As distinções que beneficiam as
mulheres, os idosos, os doentes e os deficientes não quebram esse princípio da
igualdade, válido para cada um desses segmentos.
e) Individualidade – a personalidade do preso há de ser respeitada. Ainda
que use uniforme, ele deve ser identificado pelo seu nome (LEP, art. 41, XI). Não
pode ser considerado um número como nas histórias que ridicularizam as pessoas.
f) Segregação – nas mesmas condições da necessidade de proteção, quem
tem sua vida ameaçada ou é jurado de morte cumprirá a pena em cela ou pavilhão
separado, com maior segurança. A autoridade que não promove essa garantia
mínima comete ilicitude seriíssima e pode ser responsabilizada.
g) Remoção – sempre que perfeitamente justificada e nos termos da lei
exigir-se-á a transferência do preso para outro local em que cumprirá a pena,
preferivelmente no Estado de origem ou nas proximidades da residência familiar.
h) Consciência – o preso tem o poder de pensar e de se manifestar sobre o
que quiser. Escolherá o partido de sua preferência, o clube de futebol de sua paixão,
será ateu, gnóstico ou religioso. Enfim, desfruta de toda a liberdade de pensamento
garantida pela Carta Magna para os brasileiros.
i) Sexualidade – a Constituição Federal veda a discriminação a qualquer
pessoa por conta de sua orientação sexual. Significa que os homossexuais

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receberão visita íntima de parceiro do mesmo sexo nas mesmas condições que os
heterossexuais (MARTINEZ, 2008).
j) Religião – a escolha da religião, seita ou convicção de qualquer ordem, ou
mesmo a adoção de um novo pensamento filosófico depois de ter sido preso, são
asseguradas dentro da liberdade de ter a crença que deseja. Não é obrigado a
participar de cultos e optar pelo absenteísmo religioso, pois isso faz parte do seu
direito.
k) Mulheres – as mulheres cumprem as penas separadas dos homens.
Mantê-las numa cela masculina, ainda que por pouco tempo e sob a alegação de
não existir espaço, delegacia ou presídio adequado, não é justificativa, devendo ser
severamente responsabilizada a autoridade que adotar essa prática.
1) Cultura – o acesso à cultura deve ser diversificado, operado mediante
estudo, empréstimo de livros, leitura de jornais e revistas, oitiva de rádio e TV, e
também a utilização da internet. Todo presídio é obrigado a possuir uma biblioteca,
permitindo que o presidiário consulte as obras ou as leve para a cela (RIEP –
Regime Interno dos Estabelecimentos Penitenciários, art. 127).
m) Educação – não apenas se profissionalizar; o presidiário precisa educar-
se em todos os sentidos dessa pretensão ou de melhorar o seu nível de convivência
social.
n) Ressocialização – sem embargo de ser difícil nos tempos atuais ou ser
quase impossível em face das desídias penitenciárias, a ressocialização é um
mecanismo importante para a recuperação do apenado. Ela implica em: 1) opção
política, filosófica ou religiosa; 2) desenvolvimento profissional; 3) trabalho interno ou
externo; 4) aquisição de conhecimento humanístico; 5) compreensão do papel
inibidor da pena, etc.
o) Reabilitação – a reabilitação, um processo de recuperação do apenado,
em relação a uma infração penal deve ser considerada todo o tempo. Não só no que
diz respeito à atitude contrária ao regime disciplinar, como no que se refere à própria
punição.
p) Profissionalização – a mais adequada forma de recuperação do indivíduo
legado às celas, de ocupá-lo e de reabilitá-lo socialmente, preparando-o para o

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reingresso na sociedade, é torná-lo apto para o exercício de profissão, se ele não


tinha um ofício, e aperfeiçoar a ocupação que exercia.
Os direitos políticos são bastante cerceados, limitados a algumas hipóteses.
O direito democrático de se candidatar não é estendido ao presidiário. Como
não pode exercer todas as atividades profissionais ou tomar posse como servidor, é
descabido pensar em concurso público, mas não o será em relação a quem está
próximo de cumprir a pena.
Diz o art. 15 da CF/88, que é: “Vedada a cassação de direitos políticos, cuja
perda ou suspensão só se dará nos casos de: (. ..) III - condenação criminal
transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos”. Logo, o preso não
condenado tem o direito de votar. Isso já foi regulamentado em alguns Estados
brasileiros.
a) Sindicalização – embora trabalhe, ainda não se pode pensar em
sindicalização, mas manterá a filiação ao órgão de classe ao qual pertencia, se o
Estatuto Social não contiver norma impeditiva.
b) Filiação – a filiação partidária não é impossível.
Os direitos civis são inúmeros.
a) Casamento – a LEP permite a cerimônia do casamento civil de
presidiários entre si ou com pessoas em liberdade.
b) União estável – caso o presidiário mantenha uma união estável (CF, art.
226, § 3º), heterossexual ou homossexual, ela poderá ser continuada na prisão,
inclusive com o direito de solicitar à direção do presídio que declare a ocorrência de
visitas familiares e íntimas para os fins de Direito (Ação Civil Pública nº
2000.00.71.09347-0).
c) Adoção – tendo em vista as severas obrigações respeitantes à educação
diuturna de menores, os apenados não têm condição para adotar nem serem
adotados (Lei nº 8.069/90).
d) Reparação – provada a inocência parcial ou total, o Estado fica à mercê
de uma ação reparatória por erro judiciário. Enfatizando a liberdade como um bem
supremo, Meirelles (2004) ressalta o direito do preso ilegalmente de processar o
Estado. O preso receberá a indenização de um processo iniciado antes da execução
da pena por intermédio dos procuradores.

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e) Representação – requerer e representar são faculdades plenamente


asseguradas.
f) Propriedades – exceto no que diz respeito ao sequestro do valor
correspondente a eventual reparação por crime cometido, o patrimônio do
condenado permanece íntegro e ao seu dispor, administrado conforme as
circunstâncias de cada caso. Por intermédio de procurador, comprar ou vender os
seus bens; terá autorização para exercer qualquer ato civil que preserve a família e
o seu patrimônio (RIEP, art. 23, IV).

A pena de um detento ou recluso aliviar-se-á na medida em que ele possa


comunicar-se com o que o rodeia.
a) Mundo exterior – nada impede o contato com o mundo fora das grades,
por meio de mídia, leituras, recepção de correspondência, etc. O uso de celular tem
sido vedado.
b) Audiências – para se informar, tomar conhecimento de fatos,
especialmente no regime disciplinar, representar verbalmente, denunciar alguma
irregularidade penitenciária, o preso estará a sós com o Diretor do Presídio (LEP,
art. 41, XIII).
c) Defensor – o mínimo da assistência judiciária é permitir periodicamente
uma visita do defensor do preso ou com ele manter correspondência. A Lei nº
4.214/63, em seu art. 89, II, já assegurava esse potencial e ele foi mantido no
Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB (LEP, art. 41, IX).
d) Correspondência – o sigilo da correspondência é garantido pelo art. 5º,
XII, da CF, disciplinado no art. 3º, c, da Lei nº 4.958/62 e contemplado no art. 151 do
Código Penal. Como muitos autores, Miguel Lucena associa-se àqueles que
entendem que os presos não têm esse direito porque as cartas podem se constituir
em meios que atentam contra os demais presos e a segurança dos presídios e
põem em risco as pessoas. Observadas as regras de segurança do regime prisional,
é direito do preso comunicar-se e receber as missivas (RIEP, arts. 124/126).
e) Visitas – são autorizadas visitas familiares, inclusive as íntimas (LEP, art.
41, X).

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Em relação à assistência individual, quem está preso carece de atenção de


variada ordem. Saber que não foi esquecido pelos familiares, pelos amigos e pelas
autoridades é de grande importância para resistir ao duro regime prisional.
a) Judiciária – aspecto de suma importância consiste na assistência
judiciária, do Estado ou particular. Possuir livros de Direito, entrevistar-se com seu
defensor e saber das mudanças da legislação é o mínimo desejável.
b) Sanitária – em vários momentos a norma jurídica destaca o dever do
Estado de ministrar cuidados sanitários aos que estão sob sua custódia. Conforme o
art. 23, XIII, do RIEP, é garantido: “tratamento médico-hospitalar e odontológico
gratuito, com os recursos humanos e materiais da própria unidade ou do Sistema
Unificado de Saúde Pública”. Carente de atendimento médico especializado, o preso
doente contratará facultativo particular de sua confiança.
O art. 43 da LEP diz que “é garantida a liberdade de contratar médico de
confiança pessoal do internado ou do submetido a tratamento ambulatorial, por seus
familiares ou dependentes, a fim de orientar e acompanhar o tratamento”.
c) Social – o Serviço Social lhe é assegurado, sendo estendido à sua família,
que deve ser informada de todos os direitos, em especial do auxílio-reclusão
previdenciário.
Sobre o trabalho do educando, repetindo o que já foi dito em outros
momentos, o esforço físico pessoal é muito eficaz na recuperação social do
apenado.
a) Trabalho – o labor remunerado interno ou externo é um direito subjetivo
do apenado.
b) Divisão – o estabelecimento penal é obrigado a dividir proporcionalmente
o tempo dedicado às atividades, aos descansos diurno e noturno e à recreação.
c) Higiene – todas as disposições compatíveis das Normas
Regulamentadoras do Trabalho - NR (Lei nº 6.514/77) são invocadas em favor dos
presidiários que trabalhem interna ou externamente.

Em relação à previdência social, se antes da prisão era um segurado,


poderá contribuir como facultativo e, trabalhando, como contribuinte individual,

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conforme dita a Instrução Normativa do lNSS nº 20/07. Desejando, o preso celebrará


um contrato de seguro privado, inclusive contra acidentes do trabalho.
O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) celebrou um protocolo
de intenções que vai possibilitar a concessão de benefícios da Previdência Social
aos detentos e seus familiares.
De variados modos o cumprimento da pena pode ser afetado, podendo ser
diminuída ou aumentada.
a) Revisão – todo o tempo, respeitadas as normas processuais, subsiste o
direito do sentenciado de ter sua pena revista.
b) Perdão – o perdão judicial, o indulto e a anistia são regulados na LEP.
c) Regalias – é vedada prática de jogos de azar no estabelecimento penal. O
presidiário autorizado a jogar na loteria ou participar de um concurso assumirá a
propriedade do prêmio.
d) Regressividade – em cada caso, da mesma forma como disciplinada a
progressividade, a lei garante mudanças no regime prisional com a regressividade
da pena (LEP, art. 112).
e) Remição – atendido a LEP com o seu trabalho ou o estudo, o apenado
tem a pena diminuída (art. 126).
f) Prescrição – a prescrição põe fim à punibilidade e liberta alguém preso
indevidamente.
g) Livramento – segundo o CPP, o livramento condicional se dá nas
hipóteses legais.
h) Cela especial – existem casos em que se imporá o cumprimento da pena
em celas especiais, vedado o uso de solitárias ou celas escuras.
i) Saídas – a legislação regula as diferentes hipóteses em que são possíveis
as saídas autorizadas.
j) Pecúlio – quem tem renda constituirá um pecúlio.
k) Fiança – nas condições previstas na lei, a pessoa pagará a fiança
estabelecida pela autoridade policial e responderá ao processo em liberdade.
l) Recursos – todos os remédios jurídicos previstos na CF e no CPP ficam à
disposição de quem está com a sua liberdade restringida.

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m) Inocência – ainda que tenha sido condenado em sentença transitada em


julgado, um dos mais relevantes direitos do presidiário é o de tentar provar a sua
inocência.
n) Sensacionalismo – o Diretor do Presídio tomará todas as providências
para evitar que o presidiário seja objeto de sensacionalismo, especialmente da mídia
televisionada. Se não quiser, este último não é obrigado a dar entrevistas a
ninguém.
o) Dano moral – provado que o Estado é responsável pela diminuição do
patrimônio material ou moral do indivíduo, nas inúmeras hipóteses em que isso é
possível de acontecer num presídio, impõe-se o processo de dano moral
(MARTINEZ, 2007).
Quanto à soltura e reabilitação, à evidência, no dia seguinte, ao término da
pena, o presidiário deve ser libertado. Não será preso nem um só dia a mais,
respondendo o culpado por sua retenção.
A norma, impondo condições, regula as hipóteses, circunstâncias e casos
em que aquele que foi penalizado possa tentar reabilitar-se moralmente perante a
sociedade.
Por fim, sobre as condições carcerárias, é importante saber:
a) Alimentação – no mínimo, os presos farão jus a três refeições diárias
(LEP, art. 41, I). Quando elas provierem de terceiros deverão ser previamente
examinadas (RIEP, art. 23, II, a).
b) Vestuário – as roupas devem se adequadas às condições do presídio e à
estação do ano (RIEP, art. 23, II, b).
c) Repouso – o descanso noturno é assegurado na medida do possível.
Quem trabalha faz jus a descanso diário.
d) Habitabilidade – será ofertada em condições normais “conforme padrões
estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde” (RIEP, art. 23, II, c).
e) Recreação – o entretenimento diuturno é saudável para o cumprimento da
pena.
f) Atividades esportivas – praticar esportes, preferivelmente coletivos, é
sempre recomendado.

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g) Guarda de bens – a unidade prisional incumbe-se da preservação dos


bens do presidiário, liberando-os quando de sua soltura.

2.3 Princípios aplicáveis


Para os operadores do Direito, os termos usados em vários momentos deste
curso são conhecidos e corriqueiros, mas com certeza, para você educador, em se
tratando de educação no sistema prisional, mesmo não sendo de seu domínio, eles
tem seu lugar, uma vez que os presos, na maioria das vezes, conhecem seus
direitos e deveres e em muitas situações conversará com você utilizando-se desses
conhecimentos.
Em cada ramo do direito encontramos princípios próprios, mas todos os
ramos seguem primeiro aos princípios comuns a todos os ramos que são os
princípios gerais (CINTRA; GRINOVER; DINAMARCO, 2006).
Princípios são normas que fornecem coerência e ordem a um conjunto de
elementos sistematizando-o, são fundamentos que servem para regular as relações
entre as pessoas. São proposições que se colocam na base da Ciência Jurídica
Processual e auxiliam na compreensão do conteúdo e extensão do comando
inserido nas normas jurídicas e em caso de lacuna da norma, servem como fator de
integração.
A palavra princípio, em sua raiz latina última, significa “aquilo que se toma
primeiro” (primum capere), designando início, começo, ponto de partida. Princípios
de uma ciência, segundo Cretella Júnior (1989, p. 129), “são as proposições
básicas, fundamentais e típicas que condicionam todas as estruturas subsequentes”.
Pois bem, em se tratando do regime dos presídios, os princípios que o regem
praticamente são os mesmos do Direito Penal e Processual Penal, adaptados
quando convier.
Falaremos brevemente sobre eles:
Princípio da absoluta legalidade – uma vez que a população carcerária é
enorme e subjetivos são os seus desejos e anseios, é premissa básica para se
buscar uma convivência pacífica, ou seja, definir regras de comportamento e formas
de inibição da transgressão que sejam seguidas dentro da legalidade.

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Seguir o princípio da dignidade humana também é imprescindível, pois


mesmo tendo cometido um delito, o presidiário é um ser humano. Este é um dos
chamados princípios estruturantes do Estado Democrático de Direito.
Princípio da integridade física, embora haja disputa de poder e busca por
privilégios dentro das prisões, que podem levar a violência entre presos, esta não
deve prevalecer e o preso tem direito de viver e conviver preservando-se sua
integridade corporal e moral.
O presidiário tem o direito de recorrer da condenação da pena e eventual
punição que sofre por força do regime repressivo do presídio, respeitando-se o
princípio da inconformidade jurídica.
A preservação da personalidade é outro princípio que deve ser respeitado,
por exemplo, deve o presidiário ser chamado pelo nome, de preferência de senhor.
Afinal, como já dito, ele não é um número, mas um indivíduo do grupo.
Outros princípios seriam: individualização da disciplina; tratamento igualitário;
recuperação o apenado e participação do juízo, ou seja, conhecer as normas, os
regulamentos penitenciários para compreender sua situação (MARTINEZ, 2010).

2.4 Responsabilidade do Estado em relação aos Detentos


O preso não tem somente deveres a cumprir, mas é sujeito de direitos, que
devem ser reconhecidos e amparados pelo Estado. Quando o sentenciado estiver
recluso, seja por qualquer motivo, não está sem direitos, exceto aqueles limitados
em face da sua condenação (KLOCH; MOTTA, 2008). Por isso, a sua condição
jurídica não é suprimida, mas sim, é igual a das pessoas não condenadas.
Quando o apenado estiver sob a custódia do Estado, passa a ser deste a
responsabilidade de manter a integridade e a dignidade do detido, bem como,
salvaguardar seus direitos e deveres.
O desrespeito à integridade física e psíquica deprecia a personalidade do
apenado sem motivo justificável e aplica inconscientemente a pena de tortura,
tornando-se instrumento para solicitar indenização por danos morais, devidos pelo
Estado. Para Carrara (2002, p. 419), “é a tortura a mais bárbara, a mais execrável e
a mais ilógica das sugestões reais”. O Estado é responsável pela prática da tortura,

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quando realizada por seus agentes ou por intermédio de terceiros, quando o


ofendido estiver sob sua custódia.
A constante insegurança nas celas; o fato de ser atacado por outro detento;
as lesões; a morte; a perda dos sentidos; são atos considerados desumanos, não
previstos em nenhuma lei brasileira vigente como forma de castigo. Por isso, é
verdadeiramente uma afronta aos princípios fundamentais da dignidade humana,
não resguardando os direitos da personalidade, positivados na legislação brasileira.
Manter a integridade física e psíquica do detento é dever indelével do
Estado; sua violação gera responsabilidade civil, por atos de seus agentes, seja pela
ação ou omissão.
Se é dever do Estado re(educar), (re)socializar e (re)inserir o condenado
(preso) ao convívio social, evitando que reincida na criminalidade, então é de sua
responsabilidade indenizá-lo quando não efetivou sua obrigação.
A partir do momento em que o preso reivindicar indenizações, por
ineficiência da execução penal, o Poder Público certamente admitirá que a forma em
que está sendo executada a pena, na maioria dos casos, é inoperante, falida,
antiética e onerosa.
Se o Estado enclausura um delinquente analfabeto por quase dez anos,
deveria transformá-la num profissional culto, mas quando consegue mantê-lo
aprisionado, apenas o deixa apreender as artimanhas da criminalidade organizada.

2.5 As Consequências Jurídicas pela Afronta ao Princípio da Dignidade do


Detento
Segundo estudos de Kloch e Mattos (2008), o descaso com a tutela do
direito à personalidade do detento, especialmente com relação à integridade física e
psicológica, reflete em vários segmentos sociais, pois são tidos como atos negativos
no tocante à recuperação e até para a punição do apenado. As consequências
geradas pelo desrespeito à dignidade do apenado podem refletir:
em reincidência, gerando aumento da criminalidade, como instrumento de
repúdio ao ato praticado pelo Poder Público;
em desrespeito ético-legal, perante a sociedade;

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em prejuízos financeiros ao Estado, em face da indenizabilidade dos danos


causados aos condenados que cumprem pena sob cárcere;
na instigação social da exclusão e a brutalidade, pois é praticado em nome do
Estado;
em afronta aos direitos do Estado Democrático de Direito;
como sinônimo de falência do Estado Disciplinador, gerando uma revolta
social em razão da insegurança pública.
O condenado que cumpre sua pena sob tortura ou qualquer ato que atenta
contra sua dignidade, não absorverá sua punição como educativa. Terá sim,
enriquecido seu desejo de vingança contra uma sociedade falsa e sem princípios
éticos. Certamente, este sujeito maltratado será mais um reincidente à criminalidade.
Os atos praticados serão levados a cabo, com a teleologia de revidar àqueles
praticados pelo Poder Público, seja por omissão ou por ação.
Quanto ao desrespeito à integridade do detento, além de ser ilegal, é
abusivo e antiético. A sociedade, em geral, verá como um Estado impotente, que
tenta intimidar pela brutalidade e não pela norma ou pelo exemplo disciplinador.
Consequentemente, tais atos resultam em inúmeros prejuízos ao Estado,
inclusive financeiro, pois tem o dever de indenizar os danos causados aos
condenados segregados, seja por valores atribuídos à moral, estético ou material.
A afronta ao direito à integridade expressada na lei em vigor gera uma
sensação de vingança, agravada por ser praticada em nome do Estado. Tal fato
poderá levar à instigação da exclusão e à brutalidade, pois traz consequências
sociais imprevisíveis.
O descumprimento das normas que guarnecem o Direito à Personalidade,
gera condutas atentatórias contra a dignidade da pessoa humana, afrontando aos
princípios gerais do Estado Democrático de Direito e os alicerces daquilo que se
busca como justo.
Estão resguardados os direitos inerentes à personalidade a todos os seres
humanos, inclusive aos delinquentes apenados, pois somente lhes é tolhido o direito
à liberdade.

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16

A principal consequência pela afronta ao princípio da dignidade do detento é


a demonstração real da falência do Estado Disciplinador, que por si só gera uma
revolta social e a perda do controle do sistema.
As consequências são evidentes, dentro e fora do Sistema Prisional, como
as rebeliões em massa, as fugas, o aumento do terror pelos crimes organizados e os
ataques às instituições públicas que deveriam garantir a segurança.
Tanto a doutrina como a jurisprudência são pacíficas com relação aos danos
causados por atos decorrentes de afrontas ao princípio da dignidade do detento,
seja praticada pelos agentes penitenciários, pelos policiais, por erro judiciário ou até
mesmo pelos outros detentos, pois o apenado quando segregado está sob a
responsabilidade do Estado.
Os danos podem ser físicos, psíquicos ou intelectuais, causados muitas
vezes pela falta de ética, por um serviço não efetivo, pela brutalidade e descontrole
do poder disciplinador do Estado-Penal.
O compromisso ético e valorativo é definido com propriedade por Zeni (2006,
p. 15), ao ensinar que:

A propósito do direito, considera-se um arsenal de normas jurídicas


logicamente concatenadas e hierarquizadas, representando a vontade do
contrato social, que, por ficção, decorre da vontade da maioria, merecendo
uma interpretação restritiva diante dos mitos de certeza e segurança jurídica
que procuram encampar via positivação. Quando não, captam-se fatos e o
tornam, por si só, direito, sem um compromisso ético e valorativo
descomprometido com fins, senão com fórmulas racionais engendradas à
padronização dos comportamentos sociais.

Para Stoco (1997, p. 413), “é o que poder-se-ia denominar de 'erro


judiciário', que não se confunde com o erro judicial em processos criminais e previsto
no art. 5º, LXXV, da CF/88, e no art. 630 do Código de Processo Penal”.
O erro judiciário é aquele advindo de ato jurisdicional que ocorre por
equivocada apreciação dos fatos ou do Direito aplicável, levando o juiz a proferir
sentença passível de revisão. Enquanto o excesso de prisão ocorre no período da
execução da pena, quando o condenado não é liberto, após regular cumprimento da
pena estabelecida na sentença.

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O art. 37, § 6º, da CF/88, estabelece essa responsabilidade, quando


expressa que as pessoas jurídicas de Direito Público responderão pelos danos que
seus agentes causarem a terceiros.
Por intermédio de seus agentes, o Estado é responsável quando
desencadeia um infortúnio por erro, e lança uma pessoa e/ou seus familiares em
descrédito, que fere a honra, que transforma e abala um convívio social e familiar,
que produz traumas e sequelas invariáveis.
Havendo inércia do Estado e se esta for a causa direta do não impedimento
do evento, causadora da afronta à integridade física, psíquica e intelectual do
segregado, será de sua responsabilidade a reparabilidade do dano causado
(KLOCH; MATTOS, 2008).
O fato de o preso ter sido agredido por outro detento não caracteriza ato de
terceiro, uma vez que a obrigação do Estado decorre do dever de vigilância e de
cuidado em relação a quem está sob sua custódia. O Estado responde civilmente,
independentemente da culpa do agente público.
O Estado responderá não pelo fato que diretamente gerou o dano, mas sim
por não ter ele providenciado ações suficientes para evitar o dano ou mitigar seu
resultado, quando o fato for notório ou perfeitamente previsível.
O Poder Público tem o dever legal de zelar pela segurança, pela vida e pela
integridade física e moral do preso, enquanto se encontra acautelado ao seu poder.
O apenado perde tão somente a liberdade, devendo ser resguardada sua vida e sua
dignidade, bens inerentes ao direito da personalidade.
Os direitos ligados à personalidade são de maneira perpétua e permanente,
especialmente o direito à vida e à integridade. São direitos não patrimoniais e, por
conseguinte, inalienáveis, intransmissíveis, imprescritíveis e irrenunciáveis. Nesses
termos, todos da sociedade devem respeito a esses direitos oponíveis. A sua
violação está a exigir uma sanção e/ou uma indenização pelo dano causado ao
custodiado.
O dano moral resulta da dor intensa, da frustração causada e da humilhação
a que foi submetida a vítima. É certo que sua fixação deve levar em consideração a
natureza de real reparação do abatimento psicológico causado (KLOCH; MATTOS,
2008).

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Em 1988, a Constituição Federal passou a admitir com relevância o dano


moral, especificamente nos incisos V e X do art. 5º, que relacionou, entre os direitos
e garantias fundamentais, consideradas como cláusulas pétreas (art. 60, § 4º,
CF/88): “o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano
material, moral ou à imagem”, e declarou serem invioláveis “a intimidade, a vida
privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo
dano material ou moral decorrente de sua violação”.
Constatada a hipótese de deficiência do serviço estatal, que tem
compromisso com uma justiça de qualidade, cumpre seja restabelecido o status quo
ante, ou seja, o modo em que se encontrava antes, compensando-se
economicamente quem sofreu o dano.
A indenização deve conter o valor que possibilite a reintegração social,
dando-se ao injustamente condenado, ou que sofreu por erro, uma reparação
patrimonial proporcional à privação de sua liberdade e às lesões morais e
econômicas sentidas, atingido em sua honra, reputação, liberdade, crédito, estima,
dignidade, enfim os direitos da personalidade.
A agressão física, psicológica e intelectual, praticada por agentes públicos, é
ofensa ao direito da personalidade, ou seja, atinge a honra, a imagem e a dignidade
do ser humano, portanto deve ser indiscutivelmente reparável, quando a prova é
concreta e o nexo de causalidade é verificado.
Quando a integridade física de uma pessoa for maculada, por ter sido
submetido à tortura, seja nas delegacias de polícia, nas unidades prisionais, pelas
condições aviltantes da cela em que foi detido, mesmo que sejam psicológicas, será
o poder público responsabilizado. Em consequência de tais fatos, torna-se
depressivo o ato praticado em nome do Estado ou não, devendo arcar com as
consequências nos termos do artigo 5º, incisos XLIX e LXI, da CF/88.
De qualquer sorte, abstraída uma maior discussão a respeito, o certo é que
a obrigação de indenizar é inescusável, quando o Estado, representado por seus
agentes, ofende a integridade física e emocional de um cidadão que se encontrava
sob sua tutela direta, causando-lhe sequelas psíquicas irreversíveis. Assim, a
Constituição Federal e o Código Civil em vigor asseguram a integridade física e
moral, reservando o direito à liberdade quando suprimida por sentença condenatória.

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A doutrina vem estabelecendo certos parâmetros a serem observados


quando do arbitramento do valor pelo dano moral. Carlos Alberto Bittar (1993, p.220)
afirma que:

A indenização por danos morais deve traduzir-se em montante que


represente advertência ao lesante e à sociedade de que se não se aceita o
comportamento assumido, ou o evento lesivo advindo. Consubstancia-se,
portanto, em importância compatível com o vulto dos interesses em conflito,
refletindo-se, de modo expresso, no patrimônio do lesante, a fim de que
sinta, efetivamente, a resposta da ordem jurídica aos efeitos do resultado
lesivo produzido. Deve, pois, ser quantia economicamente significativa, em
razão das potencialidades do patrimônio do lesante.

É tormentosa a quantificação da reparação de dano por erro do Judiciário,


em razão da subjetividade que lhe é característica, mas é sabido que a ele deve ser
a responsabilidade de reparar.
Quanto à valoração da indenização por dano moral, em decorrência de um
dever violado, seja pela ação ou omissão do Estado, Reis (2003, p. 26) afirma com
propriedade que

diante da posição firmada pelos Tribunais Brasileiros, observamos


incongruências quanto ao conteúdo da valoração dos danos morais. As
decisões proclamam que nas indenizações dos danos morais deverá ser
observado o binômio pena-compensação, o que constitui uma situação
contraditória em relação ao verdadeiro sentido do processo indenizatório.

Portanto, a condenação sob a ótica da responsabilidade civil não deve ser


confundida com o efeito punitivo e repreensivo, pois este pertence à esfera dos
danos penais. “A indenização dos danos morais, não possuindo função punitiva,
senão essencialmente indenizatória, deverá proporcionar ao lesado uma ideia de
restituição ao status quo ante [...]”. (REIS, 2003, p. 230).
Na fixação do quantum indenizatório, há de se considerar que o abalo moral
diz respeito aos fatos provocados pela inércia ou ineficiência do Estado para com o
autor. Se este, esteve preso ilegalmente, o nexo causal confirma-se por si só,
devendo ser levados em consideração o tempo e a forma em que permaneceu
segregado.
Em se tratando de violação aos direitos inerentes à dignidade do apenado,
as circunstâncias devem ser sopesadas quando do arbitramento do valor a título

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indenizatório, a evidenciar a manutenção do Estado anterior em que se encontrava o


lesionado.
Cabe ao Estado a responsabilidade decorrente da atividade administrativa
de guarda dos presos, não somente porque a lei determina, mas por questão ética e
moral (KLOCH; MOTTA, 2008).

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UNIDADE 3 – DEVERES DOS PRESIDIÁRIOS

As relações das pessoas recolhidas à prisão entre elas, com as visitas e em


face das autoridades penitenciárias, são atípicas. O regime de condutas imposto a
quem está apenado, insatisfeito com a prisão, não vendo a hora de ser livre, impõe
regras de comportamento cujo lema é a disciplina (MARTINEZ, 2010).
Os deveres do apenado quando do cumprimento de sua pena estão
inseridos nos arts. 38 e 39 da LEP que dizem:
Art. 38. Cumpre ao condenado, além das obrigações legais inerentes ao seu
estado, submeter-se às normas de execução da pena.
Art. 39. Constituem deveres do condenado:
I - comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença;
II - obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva
relacionar-se;
III - urbanidade e respeito no trato com os demais condenados;
IV - conduta oposta aos movimentos individuais ou coletivos de fuga ou de
subversão à ordem ou à disciplina;
V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas;
VI - submissão à sanção disciplinar imposta;
VII - indenização à vitima ou aos seus sucessores;
VIII - indenização ao Estado, quando possível, das despesas realizadas com
a sua manutenção, mediante desconto proporcional da remuneração do trabalho;
IX - higiene pessoal e asseio da cela ou alojamento;
X - conservação dos objetos de uso pessoal.
Parágrafo único. Aplica-se ao preso provisório, no que couber, o disposto
neste artigo.
Analisando os deveres do apenado a começar pelo comportamento
disciplinado e o fiel cumprimento de sua sentença, temos que a disciplina é
obrigação do apenado, assim como sua resignação diante de sua pena, após o seu
trânsito em julgado, assim, a participação do apenado em rebeliões ou qualquer
forma de desrespeito às normas do estabelecimento prisional, o que não quer dizer
que o apenado não possa protestar contra abusos ou restrições aos seus direitos,
mas esses devem ser feitos pelos meios legais.
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A segunda e terceira obrigações previstas pela LEP dizem respeito ao trato


com os servidores e demais apenados, que deve pautar-se pelos princípios de
respeito e cordialidade, que deve ser mútua, devendo o servidor por sua vez,
também tratar o apenado com cordialidade e respeito.
A quarta obrigação ao apenado trata do dever de, além de não participar de
qualquer movimento subversivo ou com o intuito de evadir-se do estabelecimento
prisional, deve opor-se a estes e inclusive comunicar à administração e aos
servidores do estabelecimento prisional sobre eventuais tentativas dos outros
presos.
Esse tema é bastante controverso, pois dentro do nosso estabelecimento
prisional é sabido que existe um código de ética entre os presos, e dentro deste a
punição para o preso delator é a morte, e assim, sempre deve ser preservada a
fonte das informações obtidas pela administração entre os presos.
A obrigação de cumprir os trabalhos, tarefas e ordem recebidas deve
receber a ressalva de que as ordens que não possuam previsão legal ou atentem
contra os direitos do preso ou qualquer outro direito não devem ser cumpridas, bem
como as ordens com o intuito de colocar o detento em situação de risco ou vexatória
e humilhante, devendo, nesse caso, comunicar o juiz da execução sobre a
desobediência e o seu motivo.
Constitui-se ainda em dever do apenado a indenização da vítima e de sua
família, e ao Estado pelas despesas decorrentes de sua manutenção. Esses
deveres na grande maioria dos casos não são cumpridos, uma vez que na nossa
realidade carcerária, a grande maioria dos apenados não possuía condições de
manter o seu sustento com dignidade fora dos presídios, o que dirá dentro destes,
constituindo-se na maioria dos casos esse dever em letra morta diante da
impossibilidade de sua execução, o que não quer dizer que perdeu sua validade,
devendo sempre ser aplicada quando o apenado possuir condições financeiras de
reparar a vítima ou seus familiares como custear as suas despesas.
E por fim, como já dissemos, deve o preso manter a ordem e a higiene de
sua cela e conservar os seus objetos de uso pessoal, essa limpeza e ordem de sua
cela e objetos fica prejudicada diante da superlotação de nossos estabelecimentos
prisionais onde os presos em sua maioria são mantidos em ambientes superlotados

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e sem as mínimas condições de humanidade, fica difícil a cobrança dessas


obrigações (MARTINEZ, 2010).
Diante dessas obrigações, quando não observadas as mesmas pelos
apenados estes poderão sofrer sanções disciplinares com o intuito de manter a
disciplina do estabelecimento prisional, de acordo com o disposto no art. 44 da LEP.
(IANOWICH FILHO, SILVA, PORTO JUNIOR, 2006).
O RIEP fixa as garantias dos presidiários (art. 23) e também as suas
obrigações, que chama de deveres (art. 27). São enumerativos, específicos e
minuciosos.
AUTORIDADE PENITENCIÁRIA – um dos polos da relação, a direção do
presídio exerce certa liderança na condução da disciplina e carece de se
impor administrativamente. Nesse sentido, os deveres dos presos são:
a) respeitar as autoridades, servidores e companheiros presos.
b) acatar as determinações emanadas de qualquer servidor no desempenho
de suas funções.
c) observar as normas contidas no Regimento Interno, referentes às visitas.
d) submeter-se às normas disciplinadoras da concessão de saídas externas
previstas em lei.
e) cumprir à requisição das autoridades judiciais, policiais e administrativas.
f) atender à requisição dos profissionais de qualquer área técnica para
exames ou entrevistas.
g) dar atendimento às condições das medidas cautelares.

ÍNDOLE PESSOAL – alguns dos ônus próprios dos presidiários são bastante
pessoais:
a) zelar pela higiene pessoal e ambiental.
b) não fazer de sua cela uma cozinha.
c) aceitar a revista pessoal, de sua cela e dos seus pertences.
d) submeter-se às normas que disciplinam áreas de saúde, assistência
jurídica, psicologia, serviço social, diretoria, serviços administrativos em geral,
atividades escolares, desportivas, religiosas, de trabalho e de lazer e assistência
religiosa.

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e) não utilizar objetos, para fins de decoração ou proteção de vigias, portas,


janelas e paredes, que prejudiquem a vigilância.
f) devolver ao setor competente os objetos fornecidos pela unidade e
destinados ao uso próprio.
g) não desviar, para uso próprio ou de terceiros, materiais dos diversos
setores da unidade prisional.
h) não negociar objetos de sua propriedade, de terceiros ou do patrimônio do
Estado.
i) não preparar ou ceder bebida alcoólica ou substância que possa provocar
reações adversas às normas de conduta ou dependência física ou psíquica.
j) não apostar em jogos de azar de qualquer natureza.
k) zelar pelos bens patrimoniais e materiais que lhe forem destinados,
reparando o Estado ou terceiros por danos materiais que causar, de forma culposa
ou dolosa.
l) informar-se sobre as normas a serem observadas na unidade prisional,
respeitando-as.
m) manter comportamento adequado em todo o decurso da execução da
pena, progressiva ou não.
n) acatar a sanção disciplinar imposta.

SEGURANÇA PRÓPRIA E DE TERCEIROS – diante do tipo de


relacionamento interno nos presídios, a segurança física é muito importante:
a) abster-se de fazer ou possuir instrumentos capazes de ofender a
integridade física de terceiros.
b) evitar procedimentos que possam contribuir para ameaçar ou obstruir a
segurança das pessoas e da unidade prisional.
c) adotar quaisquer práticas que possam causar transtornos aos demais
presos, bem como prejudicar o controle de segurança e disciplina.
d) não transitar ou permanecer em locais não autorizados.
e) não dificultar ou impedir a vigilância.
f) acatar a ordem de contagem da população carcerária, respondendo ao
sinal convencionado para o controle de segurança e disciplina.

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g) não participar de movimento individual ou coletivo de tentativa e


consumação de fuga.
h) não liderar, participar ou favorecer movimentos de greve e subversão da
ordem e da disciplina.

CIRCULAÇÃO E MOVIMENTAÇÃO – a entrada e a saída do estabelecimento


penal é tema que diz respeito à segurança de todos. Daí:
a) submeter-se às normas de transferência e remoção de ordem judicial,
técnico-administrativa e às solicitadas.
b) cumprir rigorosamente o horário de retorno quando de saídas
temporárias.
c) observar a segurança imposta pela Polícia Militar e outras autoridades
incumbidas de efetuar a escolta externa.

DESENVOLVIMENTO DA CULTURA – todos os aspectos que envolvam a


cultura devem ser estimulados, por isso o apenado tem de respeitar as regras
da biblioteca no que diz respeito ao empréstimo de livros. Assistir às palestras
educativas é muito importante para o aperfeiçoamento cultural dos
presidiários.

ATIVIDADES ESCOLARES – submeter-se ao regular funcionamento das


atividades escolares do estabelecimento prisional condiz com a intenção de
se recuperar, de aprender e de se profissionalizar.

PRÁTICAS DESPORTIVAS – podendo, é relevante para a comunidade dos


aprisionados que cumpram as condições para as práticas desportivas e de
lazer.

EMPENHO LABORAL – ninguém é forçado a trabalhar, mas o apenado deve


colaborar com a política de labor do regime prisional, esforçando-se por
participar das atividades laborais internas e externas.

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CULTOS RELIGIOSOS – não só respeitar as opções religiosas dos demais


detentos como submeter-se às condições para a prática religiosa coletiva ou
individual.

PARTICIPAÇÃO GERAL – alguns aspectos da convivência pacífica devem


ser ressaltados. Observar as condições para a posse e uso de aparelho de
radiodifusão e aparelho de TV e atender às condições das sessões
cinematográficas, teatrais, artísticas e socioculturais (MARTINEZ, 2010).

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UNIDADE 4 – RESTRIÇÃO DE DIREITOS

A substituição da pena privativa da liberdade por outro tipo de sanção


jurídica constitui um avanço em termos de execução penal. Efetivamente, diante do
elevado número de infrações sociais, com menor ou maior poder ofensivo, a serem
inibidas, entendeu o legislador de tentar coibir essas condutas antissociais com
punições alternativas do regime carcerário (MARTINEZ, 2010). Neste momento, a lei
está se referindo a algum tipo de delinquente, aquele que justifica um tratamento
diferenciado.
Somente no sentido lato aqui adotado podemos chamar esses indivíduos de
presos. São sentenciados, mas não são recolhidos à prisão, cumprem o seu débito
penal em liberdade e mediante políticas públicas de respeitável interesse para a
comunidade.
Somente numa hipótese o autor da ilicitude será preso, na verdade detido, e
por curto espaço de tempo (“limitação de fim de semana”, CP, art. 43, VI).
Considera-se pena restritiva de direitos a decorrente de uma condenação
judicial que obsta o usufruto de algumas das garantias elementares de cidadão (que
ele prefere abster-se em favor de uma punição mais severa).
Uma das exigências para esse relevante benefício é não ser reincidente
(CP, art. 44, II).
Quando o apenado não cumpre o que lhe fora recomendado, a restrição de
direitos pode ser tornar pena restritiva de liberdade (CP, art. 44, § 4º).
Em seu art. 43 o Código Penal fixa cinco restrições:
a) Valor pecuniário.
b) Perda de bens e valores.
c) Prestação de serviços.
d) Interdição temporária de direitos.
e) Limitações no fim de semana.

a) VALOR PECUNIÁRIO – trata-se de um montante em dinheiro (ou outra forma


acordada) a ser entregue à vítima, aos seus dependentes ou a alguma entidade
pública ou privada, não inferior a um salário mínimo nem superior a 360 salários
mínimos (CP, art. 45, § 1º). Em 2010, era de R$ 510,00 a R$ 183.600,00.
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b) PERDA DE BENS E VALORES – certa quantia fixada pela autoridade competente


a ser entregue ao Fundo Penitenciário Nacional, correspondendo ao “prejuízo
causado ou ao provento obtido pelo agente ou por terceiro, em consequência da
prática do crime” (CP, art. 45, § 3º).

c) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – quando a pena a que foi condenado é superior a


seis meses, ele pode cumpri-la na modalidade substitutiva de privação de certos
direitos (LEP, art. 149). O trabalho será gratuito, com oito horas semanais,
preferivelmente aos sábados, domingos e feriados.

d) INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS – quase todas as restrições estão


envolvidas com o trabalho e suscitam o princípio constitucional correspondente. O
Código Penal prevê quatro tipos de interdições:
i) Proibição do exercício de cargo público – o apenado não poderá exercer
qualquer cargo público. Pela importância da restrição, a hipótese reclama
justificativa.
ii) Proibição do exercício privado que dependa de “habilitação especial, de
licença ou autorização do poder público” (CP, art. 47) – eis aqui outra severa
restrição, aplicável quando fundadas as razões para isso.
iii) Suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo – da
mesma forma como a vedação ao exercício de atividade laboral pode atingir um
motorista profissional.
iv) Proibição de frequentar certos lugares – esta é uma pena de grande
interesse social especialmente no que diz respeito aos crimes cometidos contra as
mulheres.
e) LIMITAÇÕES NO FIM DE SEMANA – é uma obrigação de permanecer na Casa
do Albergado ou em outro local indicado pela autoridade por cinco horas aos
sábados e domingos (LEP, art. 151). As pessoas condenadas a comparecem à
Casa do Albergado terão de participar de cursos, palestras ou atividades educativas.

f) MODIFICAÇÃO DA PENA – a qualquer momento, a autoridade competente


poderá alterar a pena de prestação de serviços à comunidade ou de limitação de fim

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de semana, ajustando-as às condições pessoais do sentenciado e às características


do estabelecimento. Um médico poderá trabalhar num hospital, um advogado na
assistência jurídica e assim por diante.

g) INDEPENDÊNCIA DAS PUNIÇÕES – as penas restritivas de direito são


autônomas, ou seja, um réu poderá compativelmente ser condenado também à pena
restritiva de liberdade.

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UNIDADE 5 – REABILITAÇÃO MORAL

Qualquer que seja ela, atendidas algumas condições, quem cumpriu a pena
tem permissão para requerer a reabilitação de sua personalidade, seu nome e sua
reputação.
À evidência, não se trata mais de um preso, mas de alguém que já se
desobrigou perante a sociedade. A hipótese de um apenado, durante o recolhimento
à prisão, tentar reabilitar-se em relação a um crime anterior será rejeitada se ele for
novamente condenado.
O que fundamenta a reabilitação é o bom comportamento da pessoa
humana na vida em sociedade.
O Decreto nº 6.049/07, em seu art. 81, trata da reabilitação carcerária,
fixando prazos para a reabilitação:
a) 3 meses para faltas leves.
b) 6 meses para faltas médias.
c) 12 meses para faltas graves. E,
d) 24 meses para faltas graves com violência (art. 81, I / IV).

a) IDEALIZAÇÃO MÍNIMA – por intermédio da reabilitação, o indivíduo tentará


apagar de sua vida todos os consectários, desdobramentos e efeitos possíveis dos
processos anteriores, da prisão e do cumprimento da pena. Para o art. 748 do CPP:
“A condenação ou condenações anteriores não serão mencionadas na folha de
antecedentes do reabilitado, nem em certidão extraída dos livros do juízo, salvo
quando requisitadas por juiz criminal”. O Código Penal reserva o Capítulo VII – Da
Reabilitação (arts. 93/95), para tratar do tema. No Código de Processo Penal, os
arts. 743/750 também dispõem sobre o assunto.

b) ALCANCE DA PROVIDÊNCIA – não há distinção quanto às punições que


possam ser objeto da reabilitação (CP, art. 93). Ela se estende às penas de restrição
de direito. Vale também para as ilicitudes cominadas da Lei das Contravenções
Penais.

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31

c) INICIATIVA PROCESSUAL – o interessado é quem tem a iniciativa de promover


sua reabilitação. Trata-se de uma relação intuitu personae, ou seja, em relação à
pessoa, mas que, a rigor, também poderá ser intentada pelos seus sucessores.
Sobrevindo os efeitos próprios em relação a um falecido. Da decisão concessória há
recurso de ofício (CPP, art. 746).

d) REEDIÇÃO DA CONCESSÃO – exceto na hipótese de o indeferimento ter


decorrido da falta ou insuficiência de documentos, negada a reabilitação, um novo
pedido somente será instruído após dois anos e com a apresentação de novos
elementos convincentes.

e) CONDIÇÕES ADMINISTRATIVAS – as exigências materiais e formais para que


tenha o direito à reabilitação são as seguintes:
a) Residência no País há pelo menos dois anos.
b) Tenha tido efetiva e constantemente um bom comportamento público e
privado.
c) Prove que ressarciu a vítima ou que não tem condições de fazê-lo.

f) DOCUMENTOS NECESSÁRIOS – o art. 744 do CPP elenca os documentos


exigidos:
a) Certidão comprobatória de processos penais em andamento.
b) Atestado de autoridades policiais persuasórias de bom comportamento.
c) Atestado de bom comportamento firmado por pessoas para quem tenha
trabalhado ou servido.
d) Quaisquer documentos que demonstrem a sua regeneração.
e) Prova de haver ressarcido o dano causado pelo crime ou persistir a
impossibilidade de fazê-lo.

g) PRAZO PARA O REQUERIMENTO – o Código Penal fala em dois anos (art. 94),
desde que: “I - tenha tido domicílio no País no prazo acima referido; II - tenha dado,
durante esse tempo, demonstração efetiva e constante de bom comportamento
público e privado; III - tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre a

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absoluta impossibilidade de o fazer, até o dia do pedido, ou exiba documento que


comprove a renúncia da vítima ou novação da dívida”.
Conforme “se trate de condenado ou reincidente, contados do dia em que
houver terminado a execução da pena principal ou da medida de segurança
detentiva”, “a reabilitação será requerida ao juiz da condenação”, após o decurso de
quatro ou oito anos (CPP, art. 743). Se a solicitação for negada ela poderá ser
reeditada a qualquer tempo (CP, art. 94, parágrafo único).

h) DILIGÊNCIAS JUDICIAIS – o juiz poderá determinar a apuração dos atos que


envolvem a concessão da reabilitação (CPP, art. 745). Tendo em mãos todos os
elementos processuais necessários, o juiz decidirá sobre a concessão ou não da
reabilitação.

i) REVOGAÇÃO DA MEDIDA – quando se impuser, a revogação será decretada


pelo juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público (CPP, art. 750).

j) CONSECTÁRIOS PRÁTICOS – para algumas finalidades, é como se a


condenação anterior não tenha existido. Para o art. 202 da LEP: “Cumprida ou
extinta a pena, não constarão da folha corrida, atestado ou certidões fornecidas por
autoridade policial ou por auxiliares da Justiça, qualquer notícia ou referência à
condenação, salvo para instruir processo pela prática de nova infração penal ou
outros casos expressos em lei”. Praticamente o mesmo se colhe no art. 748 do CPP.

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UNIDADE 6 – PRESTAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

Na oportunidade de disciplinar a ocupação do presidiário, o art. 39 do


Código Penal diz que “o trabalho do preso será sempre remunerado, sendo-lhe
garantidos os benefícios da Previdência Social”.
Como se vê, esse dispositivo de 1940 trata apenas dos direitos
previdenciários do reeducando que trabalha e não amplamente dos direitos
previdenciários do preso ocioso. Pretensões parcamente disciplinadas na legislação
e carentes de doutrina especializada (MARTINEZ, 2010).
Embora já em 1960 a Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS) falasse da
qualidade de segurado do preso livre da cadeia, o tema só interessou ao legislador
jusprevidenciarista com a Lei nº 10.666/03. Entretanto, de longa data, o Ministério da
Previdência Social (MPS) havia se manifestado sobre a filiação e a contribuição.
No que diz respeito ao recluso, releva também definir os direitos dos seus
dependentes, enfaticamente no caso de fuga, recaptura ou morte. Cuida-se aqui
daquele recolhido à prisão, já que em outras situações como do regime semiaberto,
da liberdade condicional, da prisão domiciliar, etc., a pessoa tem mais possibilidade
de se organizar em matéria de previdência social.
Aposentado presidiário que esteja cumprindo pena mantém os direitos antes
assegurados pelo INSS. Os seus dependentes, evidentemente, não farão jus ao
auxílio-reclusão cujo pressuposto é a não percepção de renda.
Caso queira, o presidiário celebrará um contrato de seguro de vida ou de
outro tipo, que seja praticado por companhia seguradora. Claro que o segurador
levará em conta as condições atípicas do apenado.
Ainda que não trabalhe, o presidiário é mantido pelo Estado e, nessas
condições, raramente reunirá os requisitos da Lei nº 8.742/93.

a) FILIAÇÃO E INSCRIÇÃO – a situação do presidiário deve ser considerada em


três momentos básicos: i) antes; ii) durante o processo penal; e, iii) depois do
recolhimento à prisão. Isto é, o que ele perde e o que ele adquire após essas datas-
bases.
Se filiado, regulamentado e inscrito como segurado obrigatório ou facultativo,
portanto com qualidade de segurado, avaliar-se-á a manutenção desse status
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jurídico após a detenção. Pelo menos na condição de facultativo ele pode continuar
contribuindo e somando tempo de serviço para fins de benefícios.
Caso não seja, pode filiar-se como facultativo (se não trabalhar no presídio)
por sua vontade ou obrigatoriamente como contribuinte individual (se trabalhar
dentro ou fora do presídio).
Normativamente, o correto parece ser o legislador definir um tipo de
segurado, designado como presidiário, como fez com outros protegidos (MARTINEZ,
2010).

b) QUALIDADE DE SEGURADO – quem foi preso perderá a qualidade de segurado


nos termos do art. 15 do Plano de Benefício da Previdência Social (PBPS). Mas
poderá contribuir como facultativo ou contribuinte individual (se trabalhar). Se já
possuía, conforme o inciso IV, manterá essa qualidade “até 12 (doze) meses após o
livramento, o segurado retido ou recluso”.
Quer dizer, cumprida a pena mesmo sem apartar contribuições, o ex-
apenado fará jus ao auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez durante 12
meses + 45 dias (PBPS, art. 15, § 4º), caso atenda aos demais regulamentos da lei.
Note-se o desenvolvimento da qualidade de segurado: a) podia ser tida
antes de ser preso; b) ser mantida durante o cumprimento da pena; e, c) estendida
por 12 meses + 45 dias. Quem não a tinha não se beneficia dos 12 meses + 45 dias
(caso não tome a iniciativa de contribuir dentro da prisão).
Não detendo a condição de contribuinte individual, o detento ou recluso,
caso queira, filiar-se-á como segurado facultativo, fazendo jus a todos os benefícios
inerentes a essa condição de ocioso.
A alíquota é de 20% e a base de cálculo é de sua escolha, variando de R$
678,00 até R$ 4.159,00, em 2013. Sua família poderá preencher o Carnê de
Pagamento e ir à rede bancária fazer os recolhimentos mensais. Vale relembrar que
o presidiário não é empregado do Estado, do presídio nem da empresa para a qual
eventualmente preste algum serviço externo; em raras hipóteses, a CLT será
invocada em seu favor.

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Enquadrado no art. 12, V, h, do PCSS, a Lei nº 9.876/99 abrigou “a pessoa


física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com
fins lucrativos ou não”.
Olvidando essa desnecessária “natureza urbana”, o RPS o tem como
contribuinte individual e igual se colhe na Instrução Normativa do INSS nº 20/07. Na
condição de contribuinte individual, a empresa reterá 11% da remuneração e a
recolherá ao FPAS, juntamente com a parte patronal (20%).
Em raríssimos casos, não fica descartada a possibilidade de ser entendido
como empregado de uma empresa, se preencher com precisão os requisitos do art.
3º da CLT.

c) BENEFÍCIOS POR INCAPACIDADE – ficando incapaz para o trabalho


penitenciário, o presidiário fará jus ao auxílio-doença ou à aposentadoria por
invalidez. A inaptidão para o trabalho poderá sobrevir no ambiente prisional ou nas
empresas (trabalho externo). Ou de trajeto, do estabelecimento penal até a
empresa.
Caso ele tenha alguns dependentes e eles estejam recebendo o auxílio-
reclusão terá de optar conforme a Lei nº 10.666/03.
No ordenamento brasileiro, é impossível um dependente fazer jus ao
benefício outorgado por segurado (como o auxílio-reclusão) se ele, ao mesmo
tempo, estiver auferindo uma prestação.
Contribuindo (como facultativo), ainda que não esteja trabalhando, esse
segurado poderá requerer os benefícios se estiver incapaz para um trabalho (que
não exerce).
A possibilidade de haver reabilitação profissional depende apenas da
vontade do Estado e da organização penitenciária materialmente poder oferecer
esses serviços pessoais de recuperação da aptidão para o trabalho.

d) APOSENTADORIAS POSSÍVEIS – preenchidos os requisitos legais subsiste o


direito à aposentadoria por tempo de contribuição e por idade. Raramente fará jus à
aposentadoria especial. Esses direitos podem ser inteiramente realizados no
presídio, pelo menos para quem está condenado a 30 anos de prisão. Nenhum

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desses benefícios agora lembrados exige exame médico pericial e bastará ao


segurado preencher os requisitos legais.

e) SALÁRIO-MATERNIDADE – mulher sentenciada cumprindo pena que se filiou à


previdência social fará jus ao salário-maternidade na condição de contribuinte
individual ou facultativa.

f) SALÁRIO-FAMÍLIA – em virtude do recluso não ser empregado é difícil configurar


o direito ao salário-família. Recebendo benefício em razão de filhos e de um contrato
de trabalho (que foi suspenso ou até extinto), cessará a remuneração laboral e o
benefício previdenciário.

g) PRESTAÇÕES ACIDENTÁRIAS – trabalhando, um detento ou recluso pode


sofrer quatro tipos de infortúnios: i) acidente típico (traumático); ii) doença do
trabalho; iii) doença profissional; e, iv) acidente de qualquer natureza ou causa.
Os três primeiros no exercício de atividade profissional; o último, fora dessa
atividade (por exemplo, durante o entretenimento esportivo). Durante o transporte de
ida da cela para a empresa ou desta de volta à cela, poderá ser vítima de acidente.
São devidos, portanto, o auxílio-doença e a aposentadoria por invalidez acidentária
e o auxílio-acidente.

h) AUXÍLIO-RECLUSÃO – o auxílio-reclusão, um direito dos dependentes do preso,


é o benefício mais polêmico, principalmente por ocasião da fuga ou da percepção de
remuneração ou benefício. A Lei nº 10.666/03 fornece duas informações: a) o
benefício é acumulável com a remuneração do presidiário e b) não há direito ao
auxílio-doença (o legislador esqueceu-se da aposentadoria por invalidez) ou à
aposentadoria combinada com o auxílio-reclusão.
i) PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR – a Lei Básica da Previdência Complementar -
LBPC (LC nº 109/01) não enfoca assinaladamente os presidiários. Entende-se que
afastado temporariamente da empresa patrocinadora em virtude do recolhimento à
prisão, ele poderá continuar contribuindo como autopatrocinado com aportes
mensais que serão materialmente operados pelos seus dependentes.

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Com a internação no presídio, sobrevindo ruptura do vínculo trabalhista,


pensar-se-á no art. 14, l/IV (autopatrocínio, vesting, portabilidade ou resgate). No
caso do assistido, continuará auferindo a complementação antes devida. Estando
em risco iminente, requererá o benefício a qualquer tempo. Nada impede que um
presidiário filie-se a um plano aberto de previdência complementar. Da mesma
forma, sacará os valores correspondentes como foi convencionado.

j) SEGURO-DESEMPREGO – enquanto estiver recolhido à prisão e na condição de


presidiário não há direito a essa prestação securitária; o desempregado vive
custeado pelo Estado. Se já auferia o benefício, os pagamentos serão suspensos
com o recolhimento à prisão, imaginando-se que após o livramento possam ser
retomados tais desembolsos.

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UNIDADE 7 – ASSISTÊNCIA PESSOAL

Quem deixa a liberdade física que desfrutava e é recolhido a um


estabelecimento penal, onde ficará um longo período, vive com limitações dos seus
movimentos e em circunstâncias especiais que afetarão sua personalidade.
Além de ter afetado o seu ser, isolado do mundo familiar, grupal e social,
alguns não mais terão contato com a evolução da tecnologia e restarão defasados
no mercado de trabalho. Os que não tinham um ofício desenvolvido poderão
aprender alguma profissão.
Nessas condições, derivando do afastamento da sociedade, retenção em
cela individual ou coletiva, enfim, do cumprimento da pena, erodindo a dignidade e
os direitos de cidadão, fica pelo Estado, por isso, o regime prisional, na medida do
possível, obriga-se a oferecer-lhe algum conforto material e moral compatível com as
circunstâncias. Ou seja, é dever do Estado assisti-lo em suas necessidades de
pessoa física que cometeu um crime, uma vez que vive privado da liberdade num
ambiente excepcional, com muitas restrições, e mais obrigações do que direitos.

a) ASSISTÊNCIA MATERIAL – o preso cumprirá a pena em celas individuais,


coletivas, colônias agrícolas, albergues ou na própria residência. No local em que o
sistema penitenciário estadual permitir. Vestir-se-á com as roupas trazidas pela
família e conforme o caso obrigado à utilização de uniforme prisional. A alimentação
será fornecida pela cozinha do local do cumprimento da pena. O art. 41 da LEP -
“constituem direitos do preso” – inicia os 16 itens, falando numa alimentação
fornecida pelo detentor. Frequentemente são três refeições: desjejum, almoço e
jantar. Os doentes farão jus à refeição apropriada. Assegura, também, “instalações
higiênicas” (art. 12).

b) DEFESA DA MORAL – a LEP não distinguiu a assistência moral, provavelmente


pulverizou-a em vários pequenos direitos, como é o caso da “proteção contra
qualquer forma de sensacionalismo” (art. 41, VIII). O direito à personalidade carece
ser respeitado em toda a sua integridade. A despeito do crime que foi cometido,
confessado ou não, e que determinou sua condenação, a punição prevista na lei é a
que consta do CP, do CPC e da LEP. Todo o tempo o preso pensa na sua liberdade,
Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de
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usualmente mediante a soltura legal. Na verdade, sempre ele deve ser preparado
para isso, mas quando esse momento está para chegar é mais importante ainda.

c) ASSISTÊNCIA SOCIAL – a assistência social e familiar é prevista nos arts. 22/23


da LEP, devendo ser desenvolvida na medida do possível.

d) ACOMPANHAMENTO JURÍDICO – o preso tem direito à assistência jurídica, que


é muito importante. Poderá contratar advogados, recebê-los e, se não tiver
condições, contará com a assistência judiciária estatal, particularmente a prevista na
Constituição Federal. Cada Estado da República tem obrigações legais para manter
um sistema de atendimento jurídico. O amparo jurídico é relevantíssimo; os direitos
do preso são complexos, de difícil realização e, em muitos casos, todo o processo
que se seguiu à condenação pode estar sub judice. A possibilidade de provar sua
inocência, que vigeu enquanto esteve em liberdade, prossegue com ênfase durante
o cumprimento da pena. Existir um exemplar da Carta Magna, do Código Penal, do
Código de Processo Penal e da Lei da Execução Penal na biblioteca da prisão em
muito auxiliará a todos.

e) EDUCAÇÃO PROFISSIONAL – a educação do preso é ampla. Ela significa curso


de alfabetização, ensinos fundamental e médio; principalmente cursos de
profissionalização. Habilitar o egresso para o exercício de uma atividade laboral é
um grande passo para permitir-lhe, se ele quiser, a ressocialização, isto é, a
reinserção no mercado de trabalho e, por conseguinte, na comunidade.

f) CULTURA HUMANÍSTICA – estudo e cultura são importantes para sua remissão.

g) CULTO RELIGIOSO – observado o princípio da diversidade confessional e de


não obrigação de participação nas cerimônias, o presidiário tem direito à assistência
religiosa. O ideal é que exista um espaço físico para isso, pelo menos uma capela,
onde ocorram os atos de devoção.

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h) CONVIVÊNCIA FAMILIAR – a assistência familiar consiste num conjunto


complexo de ações, como a permissão de visitas, contatos telefônicos ou pessoais e
até mesmo pela internet.

i) ATIVIDADES ESPORTIVAS – o estabelecimento penal tem o dever de manter


instalações adequadas para a prática de esporte, pelo menos um campo de futebol,
basquete ou vôlei.

j) DESENVOLVIMENTO ARTÍSTICO – o detento ou recluso não está impedido de


aprender, desenvolver ou aperfeiçoar as suas aptidões artísticas.

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UNIDADE 8 – CUIDADOS SANITÁRIOS

O atendimento à saúde é um caso particular da assistência material devida


aos presos, bastante enfatizada quando da internação de inimputáveis determinada
pelas medidas de segurança.
Quando se fala em saúde se quer dizer a fisiológica e a psicológica, e
também considerada a laboral, isto é, aquela que propicia a capacidade para o
trabalho. Sempre que possível, com serviços de habilitação e reabilitação
profissional. Claro, até mesmo com cuidados com o meio ambiente, particularmente
nas Colônias Agrícolas (MARTINEZ, 2010).

a) DIREITO CONSTITUCIONAL – de forma lapidar, objetiva e bombástica, diz o art.


196 da Carta Magna que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”, garantindo
acesso universal igualitário às ações e serviços. Se for para todos, a fortiori também
para os presidiários.

b) NORMA LEGAL – o art. 14 da LEP diz que o preso tem direito à assistência à
saúde compreendendo o “atendimento médico, farmacêutico e odontológico”. Como
se verá, inclui também os serviços ambulatoriais e, conforme a necessidade, as
cirurgias hospitalares. Quer dizer, em caso de necessidade ele será atendido no
próprio pronto-socorro penitenciário, no serviço médico do presídio ou fora dali, nas
clínicas, no consultório ou nos hospitais do SUS ou particulares.

c) SERVIÇO PRÓPRIO – tal qual uma empresa, o presídio terá o seu próprio
sistema de atendimento médico e excepcionalmente é que o apenado deixará o
estabelecimento penal para ser atendido. Essa mesma instituição acompanhará a
saúde do presidiário, fará exames, emitirá laudos e autorizará licença médica em
relação ao trabalho. É evidente que cadeias públicas, centros e casas de detenção
ou delegacias de polícia, em virtude de suas precárias instalações, não têm
condições de oferecer o atendimento à saúde.
d) INTERNAÇÕES HOSPITALARES – as internações em hospitais são promovidas
nos casos imprescindíveis e com a devida segurança dos internados e demais
pessoas à sua volta.
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e) AUTORIZAÇÕES PARA SAÍDA – o art. 14,§ 2º, da LEP disciplina a saída dos
presidiários para tratamento fora do presídio.

f) CUIDADOS MÍNIMOS – o estabelecimento penal observará:


i) Instalações sanitárias condizentes.
ii) Campanhas sanitárias.
iii) Ações de vigilância sanitária e epidemiológica.
iv) Saneamento básico interno.
v) Controle da cozinha, na preparação dos alimentos, fiscalizando-os,
compreendido o controle de seu teor nutricional.

g) INSPEÇÃO MÉDICA – periodicamente devem ser realizadas inspeções médicas


de todos os apenados, para a verificação do seu estado de saúde, em particular no
que diz respeito às doenças infecciosas. Seria o caso, eventualmente, de pensar em
exame de inclusão e de exclusão, ou seja, o apenado ser examinado por ocasião da
prisão e de sua saída. Quando de medidas de segurança, a situação dos internados
reclama uma atenção maior por parte das autoridades penitenciárias.

h) CAMPANHAS PROFILÁTICAS – o presidiário deve ser objeto de todas as


campanhas compatíveis, especialmente aquelas que impliquem em vacinações.

i) ATENDIMENTO ÀS MULHERES – a internação de mulheres em penitenciária


impõe um atendimento especializado em relação às suas necessidades.
j) INIMPUTÁVEIS E SEMI-IMPUTÁVEIS – aqueles que tiveram de ser internados em
hospitais psiquiátricos são merecedores de uma atenção especial do sistema
penitenciário. Se não for possível ressocializar, os demais apenados terão de
usufruir de um cuidado muito maior (MARTINEZ, 2010).

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UNIDADE 9 – REINTEGRAÇÃO / REINSERÇÃO /


RESSOCIALIZAÇÃO

Antes de começarmos nossas reflexões sobre os temas acima, vamos tentar


defini-los da forma mais simples e breve possível:
Segundo o Ministério da Justiça (DEPEN, 2007), as ações de reintegração
social podem ser definidas como um conjunto de intervenções técnicas, políticas e
gerenciais levadas a efeito durante e após o cumprimento de penas ou medidas de
segurança, no intuito de criar interfaces de aproximação entre Estado, Comunidade
e as Pessoas Beneficiárias, como forma de lhes ampliar a resiliência e reduzir a
vulnerabilidade frente ao sistema penal.
Partindo-se desse entendimento, vê-se que um bom “tratamento penal” não
pode residir apenas na abstenção da violência física ou na garantia de boas
condições para a custódia do indivíduo, em se tratando de pena privativa de
liberdade: deve, antes disso, consistir em um processo de superação de uma
história de conflitos, por meio da promoção dos seus direitos e da recomposição dos
seus vínculos com a sociedade, visando criar condições para a sua
autodeterminação responsável.
A Ressocialização, por sua vez, busca desenvolver relações sociais entre
indivíduos que em algum tempo já o tiveram. A retirada do homem da sociedade e
de seu tempo, prendendo-o a um passado denominado delito, de forma alguma é
capaz de restabelecer socialização, partindo-se do pressuposto de que esse cidadão
já ter sido considerado socializado. Não há como conciliar prisão e ressocialização.
Reintegração social, é assim todo um processo de abertura do cárcere para
a sociedade e de abertura da sociedade para o cárcere e de tornar o cárcere cada
vez menos cárcere, no qual a sociedade tem um compromisso, um papel ativo e
fundamental.
Enfim, a Reintegração do preso não será uma simples recuperação do
mesmo, mas deverá supor a participação ativa dos mais diversos segmento sociais,
visando reintegrar o sentenciado no seio da sociedade (SUSEPE, 2010).
Falconi (1998) distingue os termos reeducação e reinserção social e faz a
seguinte reflexão:

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‘Reeducar’ pressupõe dar educação novamente. Ou será que o recluso


recebeu a educação apropriada no tempo preciso?... Qual o conceito de
educação para o sistema penitenciário?... estariam, ... ‘educados os
próprios agentes e funcionários para desempenharem a função que
exercem? Pelo que se vê, não. É claro que a regra guarda certa exceção,
mas no caso em debate esta é mínima’ (FALCONI, 1998, p. 114).

Para ele, o termo possui caráter de dominação, de acordo com o que se


percebe pelo tom do relacionamento entre funcionários, gestores e internos das
prisões brasileiras. O sistema é de obediência cega, correspondendo ao estilo
militar, no qual o respeito às regras se impõe não pela conscientização, mas pela
ameaça e, do outro lado, pelo temor ou pela “picardia” que o universo do cárcere lhe
transmitiu.
Para explicar a ressocialização, Falconi (1998, p. 116) se vale do filósofo
Espinoza e explica a existência de três correntes doutrinárias básicas a serem
consideradas. A primeira que entende ser o delinquente pessoa passível de
tratamento psiquiátrico, de acordo com o disposto nas seguintes obras:
“Correcionalismo”, “Defesa Social” e a “Pedagogia Criminal”. Outra corrente trata a
problemática da pena como “medida que castiga para ressocializar”, essas
embasadas nas teorias Psicanalítica e na Marxista. A Psicanalítica afirma ter o
Estado o direito de aplicar a pena, tendo se fundamentado nos ensinamentos de
Freud, enquanto que a Marxista teve apoio nas interpretações de Adler. Por último
Espinoza trata de teorias que explicam a necessidade da ressocialização que são:
“Ressocialização Legal”, “Teoria das Expectativas” e “Teoria da Terapia Social
Emancipadora” que segundo essas, “o delito não é somente uma responsabilidade
do cidadão delinquente, mas também da comunidade em que os fatos se
desenrolam”.
Falconi é um estudioso da complexa realidade presidial no Brasil, por isso
damos ênfase às suas falas.

Haverá de surgir o momento em que o bom-senso prevalecerá, quando se


entenderá quão profunda é a problemática do sistema penitenciário no
particular e presidial no geral e a permanência de soluções sérias e
eficazes. Fatalmente, haveremos de entender que o tratamento do preso
não pode ser tão-só um discurso lacônico (...) A pena, mantendo como
mantém, características de punição, não acrescenta qualquer benefício ao
trabalho da reeducação e da ressocialização, via crucis por onde,
inquestionavelmente, haverá de passar o destinatário da reinserção social
(FALCONI, 1998, p. 116 e 117).
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recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
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Para ele, a dinâmica do sistema presidial brasileiro envolve administradores


retrógrados na sua prática, que usam experiências convenientes sobre as múltiplas
relações interpessoais, a fim de que os reclusos possam vivenciar e conviver com
problemas ordinários nas relações humanas, tentando afirmar que se trata de um
processo verdadeiramente difícil, pois necessitará do envolvimento de profissionais
e técnicos.
Acredita ainda que as punições carcerárias não são suficientes para formar
nova mentalidade no recluso e deixá-lo preparado para se reeducar ou se
ressocializar.
Tanto a reeducação, a ressocialização, quanto a reinserção social do
detento deverá passar por reciclagens no quadro funcional do presídio, devendo
haver sincronização entre o trabalho sociocultural agregado aos labores próprios dos
programas de ressocialização, até que se atinja a reinserção social – trabalho de
equipe.
Em artigo elaborado por Onofre (2009) intitulado “Educação Escolar como
um dos pilares para a reinserção social de pessoas jovens e adultas em privação de
liberdade”, a autora nos lembra que os educadores preocupados com a inclusão
social, mais do que nunca, assumindo a identidade de trabalhadores culturais,
devem colocar o foco de seus estudos num fenômeno particular, no qual as ações
não podem mais ser adiadas, especificamente no caso brasileiro: a elaboração e
implementação de políticas públicas voltadas para a educação escolar nos espaços
de privação de liberdade, como garantia de possibilidade de resgate de vida digna
ao cidadão aprisionado, principalmente porque é fato a constatação desta população
apresentar características semelhantes as da população brasileira, constituída em
sua maior parte de pobres e de pessoas pouco escolarizadas.
A reinserção de um ex-presidiário no mundo social de que ele se viu
excluído, às vezes por longos períodos, envolve aspectos que vão além do
treinamento em atividade que lhe foi oferecido na prisão. A pesquisa de Brant sobre
o trabalho carcerário revela que a forma de organização do trabalho, embora tenha
suas especificidades, não atende aos interesses dos presos que têm muito mais em
comum com os cidadãos livres. “Ao examinar a trajetória daqueles que estão presos,

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sua situação atual e expectativas futuras, difícil seria não sublinhar que eles não são
pessoas diferentes das demais” (BRANT, 1997, p. 151).
A ideologia da reeducação pelo trabalho não tem encontrado suporte de
sustentação, pois os ex-presidiários, quando voltam ao “mundo”, já contam com o
obstáculo da rotulação. Como afirma Brant (1997, p. 153), “sua volta à vida normal
segue quase sempre pelo percurso da reinserção à família de origem, na qual será
tratado, na melhor das hipóteses, como ‘o filho pródigo’, a ser reeducado”.
Uma escola competente, quer do município, do presídio, do Estado, quer da
rede particular, trabalha no sentido de proporcionar formação e informação, juntas.
Ela enfatiza a importância da participação do aluno como sujeito e não paciente do
processo educativo. É importante “ouvir o aluno”, respeitá-lo. Caso realmente se
queiram alunos pensando, falando, sendo compreendidos e compreendendo, a
escola tem que ser outra.
A escolaridade nas prisões é, portanto, um desafio a ser enfrentado pelos
organismos públicos e estudado por educadores, pois os problemas e dificuldades
que se apresentam têm sua especificidade; no entanto, em nada diferem dos
problemas e das dificuldades que o sistema público de ensino, em geral, enfrenta no
seu dia-a-dia.
As reflexões anteriormente elaboradas nos indicam a relevância de
investimentos no âmbito do trabalho e da educação escolar, como possíveis
caminhos para a melhoria da qualidade de vida dos aprisionados e para
efetivamente prepará-los para a reinserção social. Isto posto, como sair da cilada?
Questiona Onofre.
Apesar dos dilemas e contradições existentes no sistema educacional
penitenciário, do hiato entre o proposto e o vivido pelas instituições responsáveis
pela educação escolar e o espaço prisional, a escola tem um papel importante a
cumprir na reinserção social de homens em situação de privação de liberdade.
Embora o sistema penitenciário em muitos momentos busque conseguir que
a escola seja mais um dos elementos daquilo que Foucault (1987) chamou de
“técnica penitenciária”, ela pode ser um espaço de produção de conhecimento, de
estudo, de estabelecimento de vínculos, de relações éticas, de questionamentos, de
participação.

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É impossível separar o processo educativo do contexto em que tem lugar. O


espaço prisional é um marco especialmente difícil para os processos educativos,
cuja finalidade, entre outras, é permitir que as pessoas tomem suas próprias
decisões e, em consequência, assumam controle sobre suas próprias vidas e
possam inserir-se na sociedade, de maneira autossuficiente.
Neste sentido, no contexto prisional, a educação é uma ferramenta
adequada para o processo formativo, no sentido de produzir mudanças de atitudes e
contribuir para a integração social. Cabe ao educador, papel relevante nesta tarefa,
pois enfrentar os problemas quando em liberdade, significa administrar conflitos,
analisar contradições, conduzir tensões e dilemas da vida diária (ONOFRE, 2009).
O encarceramento, ainda que considerado um castigo justificado, não pode
levar consigo a privação dos direitos humanos, entre os quais se configura o direito
à educação. As minorias mais desfavorecidas são as pessoas não alfabetizadas, e
em um mundo dominado por mensagens escritas, o não saber ler e escrever é
considerado conhecimento básico de todos e ferramenta essencial para o progresso
educacional. A alfabetização é, portanto, um dos meios para combater a exclusão de
participação na sociedade. No entanto, o que se propõe não é uma educação
escolar baseada em muitos dados, mas uma educação que permita a quem a
recebe significar, elaborar, modificar e construir seu próprio caminho (ONOFRE,
2009 p. 9).

9.1 Trabalho e renda


A Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal - LEP)
dispõe, em seu artigo 1º, que o objetivo fundamental da execução penal é
“proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e
internado”.
A prestação desse dever estatal, no âmbito da reintegração social, traduz-se
em ações que promovam a elevação de escolaridade, a assistência aos apenados,
egressos e internados, bem como a profissionalização, integração ao mercado de
trabalho e geração de renda.
Destacam-se ainda, de acordo com os princípios constitucionais vigentes,
aqueles previstos na Constituição Federal de 1988:

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“Art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho,


a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à
infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”; e,
Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar,
independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: (...)
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;”
Importante ressaltar que a Lei Complementar nº 79, de 07 de janeiro de
1994 (Lei de Criação do Fundo Penitenciário Nacional – FUNPEN) destaca a
importância das ações de trabalho e reinserção social do preso, internado e egresso,
elencando-as entre as atividades que podem ser financiadas com recursos do
FUNPEN:
Art. 3º Os recursos do FUNPEN serão aplicados em:
V - implantação de medidas pedagógicas relacionadas ao trabalho
profissionalizante do preso e do internado; (...)
VII - elaboração e execução de projetos voltados à reinserção social de
presos, internados e egressos;
Neste sentido, o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) mantém em
sua estrutura a Coordenação-Geral de Reintegração Social e Ensino, cuja finalidade
é garantir à população carcerária os direitos acima mencionados, com o objetivo de
proporcionar a harmônica integração social dos presos, internado e egresso do
sistema penitenciário, incluindo-os em políticas públicas federais, estaduais e
municipais voltadas à integração ao mercado de trabalho e profissionalização,
voltados, principalmente para o desenvolvimento social e humano.
1) As ações de apoio ao trabalho e renda, enquanto políticas públicas,
podem ser consideradas parte de uma política de trabalho, pois afetam diretamente
o mercado de trabalho, elevando o nível de ocupação e permitindo que os
trabalhadores desenvolvam suas capacidades laborais durante a participação em
um empreendimento.
Atividades de geração de trabalho e renda abarcam a criação de novos
empreendimentos ou a expansão de empreendimentos existentes, gerando, assim,
atividade econômica.

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Quanto à natureza de tais atividades, é necessário destacar que programas,


projetos ou ações de geração de trabalho e renda possuem como principal objetivo
resolver um problema ou, mais especificamente, uma carência social. Por este
motivo, estas iniciativas devem ser consideradas de natureza social.
A implementação de tais atividades no sistema penitenciário tem como foco
a disseminação da cultura do cooperativismo, o caminho do autoemprego e
possíveis incubadores de empreendimentos de economia solidária, mostrando que a
geração de trabalho e renda para pessoas em situação de vulnerabilidade social,
como as privadas de liberdade, pode ser vista como uma das alternativas
necessárias.
2) Apoio à qualificação profissional
Programas, projetos e ações de apoio à qualificação profissional dizem
respeito aos processos pelos quais se procura preparar uma pessoa por intermédio
de uma formação profissional para que ela seja capaz de executar atividades ou
funções demandadas pelo mercado de trabalho.
Incluem-se nesse campo todas as atividades que tenham como foco a
melhoria da experiência profissional e a obtenção de um emprego. Uma devida
qualificação profissional, somada às habilidades humanas e conceituais, aumenta
significativamente a oportunidade de inserção no mercado do trabalho.
No sistema penitenciário, o caminho mais utilizado para a qualificação
profissional de presos, internados e egressos tem sido o oferecimento de cursos de
capacitação aliados à implementação de oficinas permanentes, na perspectiva da
absorção de linhas de produção de empresas.
Muito se discute, nos dias atuais, sobre a devida inserção social de egressos
do sistema penitenciário no mercado de trabalho, esquecendo-se, no entanto, que a
inserção de egressos tem sua base construída enquanto o indivíduo se encontra em
privação de liberdade. Durante o cumprimento de penas privativas de liberdade, o
estado tem a possibilidade de orientar, capacitar e fomentar a cultura da qualificação
profissional de maneira mais próxima, fazendo com que, ao sair, o preso ou
internado se torne um egresso consciente de seus direitos e capacidades e tenha
possibilidades reais de uma harmônica integração social.

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Ao longo dos últimos anos, a qualificação profissional tem sido a principal


ferramenta utilizada no âmbito da reintegração social para a inclusão no mercado de
trabalho e geração de renda para presos, internados e egressos (MINISTÉRIO DA
JUSTIÇA, 2013).

9.2 “Boas práticas”


As boas práticas são, segundo a ONU e a comunidade internacional de
direitos humanos, iniciativas bem sucedidas que:
a) Apresentam impacto tangível na melhoria da qualidade de vida.
b) São resultado de parceria efetiva entre setor público, privado e as
organizações da sociedade civil.
c) Têm sustentabilidade social, cultural, econômica e ambiental.
As boas práticas assim pretendem mudar o quadro burocrático/profissional
através do qual as relações entre Estado e sociedade civil se constituíram ao logo
dos anos e fizeram com que um e outro se distanciassem, com prejuízo evidente da
qualidade dos serviços prestados pelo Estado e da ausência de participação
qualificada da população nas administração das coisas públicas.
O modelo burocrático ainda permitiu que o poder público fosse capturado
por interesses econômicos e que voltasse parte importante de seus esforços para
atender demandas de clientes poderosos, aumentando a destinação de recursos
para projetos sem sustentabilidade e sem impacto social significativo. As boas
práticas procuram caminhar no sentido diferente. Pretendem ser estratégias de
governança mais artesanais, mais responsáveis ambientalmente, mais responsáveis
com as necessidades das comunidades locais. São formas locais de governo e
podem ter impacto na mudança do quadro da gestão das coisas públicas desde que
sejam estimuladas, estudadas e disseminadas. Em outros termos, boas práticas são
instrumentos para:
• incentivar políticas públicas, com base em experiência que realmente
funcionam;
• conscientizar os tomadores de decisão, os gestores e a população em geral
quanto à formulação de políticas públicas e à busca por soluções para os
problemas;

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• compartilhar e transferir tecnologia, expertise e experiência através de redes


de intercâmbio, aprendizado, informação e formação.
As boas práticas em segurança pública podem ser caracterizadas da
seguinte forma:
1) Respeito aos Direitos Humanos.
2) Respeito aos princípios e garantias constitucionais.
3) Profissionalização, responsabilização e transparência.
4) Políticas locais de prevenção.
5) Participação popular e demandas sociais por segurança.
6) Práticas de educação e de cidadania.
7) Parcerias entre público e privado.
8) Policiamento comunitário.
9) Justiça em tempo real e penas alternativas à prisão.
10) Política específica para grupos vulneráveis, sobretudo, jovens.
11) Segurança e qualidade de vida.
12) Política de combate ao crime organizado e ao crime econômico.
13) Política sobre uso da força em ações policiais (DEPEN, 2009).

9.3 Ética e moral


Ética, moral, valores, afetividades são temas que não podemos nos furtar a
discutir, principalmente devido a situação de risco e isolamento em que vivem os
sujeitos enquanto na prisão, portanto, vamos a um pouco de filosofia prática para a
vida.
Estar na prisão é uma situação transitória. Ser jovem e migrante é também
uma condição precária numa perspectiva de educação vitalícia (particularmente para
os jovens). A situação transitória de um condenado deve sempre ser levada em
consideração. A educação na prisão deve permanecer em processo contínuo e não
apenas focalizar a condição temporária de encarceramento.
Sendo assim, a relação do sujeito com o outro convoca-nos à reflexão ética.
O “outro” se torna a referência para a ação, pois demanda uma relação de cuidado.
A violência é o reflexo do que se vive cotidianamente. Ao pensar nas
condições históricas nas quais o ser humano se organizou biológica e socialmente,

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podemos vê-los como um ser de violência, ou um “homo violens”: qualquer instante,


por seus impulsos cegos e passionais viola o território do outro. Assim, para que o
estágio de barbárie não prevaleça, instituições de formação como a família, a
religião, e a escola, dentre outras, preparam formas de canalização e controle dos
impulsos, preparando os seres para viverem no mundo para o exercício da
liberdade, da solidariedade, da justiça, do respeito.
A tentativa de instauração da ação ética do sujeito no mundo
contemporâneo baseia-se em alguns princípios colocados como referência para que
ele possa pautar suas ações e, consequentemente, tomar decisões. Há quatro
princípios na ação ética do sujeito contemporâneo: o da justiça, o da não violência, o
da solidariedade e o da responsabilidade.
No princípio da justiça, o ideal inspira-se no respeito ao outro, que se iguala
enquanto espécie, mas se diferencia enquanto singularidade. É através do senso de
justiça, existente entre os homens, que a lei moral e a ética se objetivam. O sujeito
exerce sua autonomia, tendo a liberdade como possibilidade de escolha, ao tomar
decisões. O princípio da justiça pode se aliar ao da igualdade de condições de
sobrevivência. Isto implica a exigência permanente de direitos e oportunidades
sociais.
O princípio da não violência coloca a possibilidade de se respeitarem e
preservarem as diferenças. Gera uma atitude de reconhecimento do outro como um
ser que pertence à espécie humana. Por não ser permitido violar sua integridade
física e psíquica, é preciso aprender a não tomar o outro como objeto, uma coisa e a
não usar a força como mecanismo de coerção. A ética abre campo aos sujeitos para
a construção e o exercício da solidariedade ao próximo.
O princípio da solidariedade funda-se em um dever, mas não designa. O
gesto de ser solidário liga-se ao respeito à diferença, em que o ser humano aprende
a perceber que o outro também pertence ao mundo. A ação solidária liga-se à
construção do sujeito face aos ideais democráticos e à cidadania. O princípio da
solidariedade consiste em expressar responsabilidade para com o outro, sem
esperar reciprocidade.
O princípio da responsabilidade faz com que percebemos no outro a
condição humana, como também abre uma possibilidade de se respeitarem as

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coisas que estão no mundo, pois essas se relacionam com o próximo. A


responsabilidade pela natureza está em conceber no mundo um outro que difere do
eu e necessita aprender que, além da convivência, é preciso preservar o que é de
todos. Por isso, é preciso cultivar o respeito pelo outro em sua singularidade, para
que se concretizem os ideais de sobrevivência dos seres e a possibilidade de
vivermos bem.
Diante dessas perspectivas, a educação, através de práticas docentes em
que as ações se processam mediadas por meios e fins éticos e com o objetivo de
formar o caráter de seus alunos, convida a construção de um mundo capaz de
atender aos princípios da ética, a prática da liberdade e do diálogo.
A educação apresenta-se importante, quando é entendida como educação
integral, quando pretende dar orientação e um sentido ao ser humano como um
todo, pois ela perpassa transversalmente todas as dimensões da formação humana.
Sendo assim, educar é formar um ser capaz de lidar com o meio e com
outros seres humanos, pois a afetividade acompanha o ser humano desde a sua
vida intrauterina, até a sua morte, manifestando-se como uma fonte geradora de
potência e energia, ela seria o alicerce sobre o qual se constrói o conhecimento
racional (LABANCA; SOUZA; PORTO JUNIOR, 2006).
Mas qual o significado para ética e moral?
A Moral é uma palavra que vem da língua latina: mos-mores, significando
costumes ou regras que determinam a vida. Dizemos, então, que é o conjunto de
regras de conduta assumidas pelos indivíduos de um grupo social com a finalidade
de organizar as relações interpessoais, isto é, normas e valores que orientam a vida
do homem dentro da sociedade. A intenção da moral é definir o certo e o errado, o
justo e o injusto, o permitido do proibido, o bem do mal. Quais ações e atitudes se
devem adotar diante de situações que nos confrontam, afetam-nos diariamente?
A Ética vem da língua grega ethos, significando modo de ser, a forma usada
pela pessoa para organizar sua vida em sociedade. Assim, para que haja uma
conduta ética é preciso que exista o agente consciente, isto é, aquele que conhece a
diferença entre o bem e o mal. A ética se preocupa com a reflexão sobre as noções
e princípios que fundamentam a vida moral. É o processo feito pela pessoa de

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transformar em normas/regras práticas os valores surgidos no grupo e na cultura em


que vive.
A exigência ética só pode ser pensada a partir da vida concreta de uma
coletividade instituída: derivado de ethos, que significa costume, uso, o termo ethike
designa o caráter, a maneira habitual de um indivíduo se comportar. Em uma
palavra, a ética se refere à conformação, ou não, dos hábitos e comportamentos
individuais aos usos e costumes que cada sociedade institui para si. E, de fato, cada
sociedade se cria, criando os valores, as normas, os costumes, as práticas e os
ideais que a regem. Esses valores, normas, costumes, práticas e ideais constituem-
se, como já se disse tantas vezes, no verdadeiro cimento das sociedades.
Porém, o crescimento da violência urbana e a crise dos sistemas
penitenciário, judiciário e policial são temas que ocupam um grande espaço no
noticiário, no caso brasileiro, nos últimos anos. A crescente criminalidade e a
impunidade têm como uma das consequências mais visíveis a sensação de
insegurança e medo da população que, cada vez mais, busca mecanismos próprios
de proteção: grades nas janelas, portas trancadas, carros blindados, armas de fogo
e sistemas de segurança privada fazem parte do cotidiano de uma parcela da
população que busca se proteger a todo custo.

9.4 Valores e afetividade


Os valores não são coisas, mas resultam das relações que os seres
humanos estabelecem entre si e com o mundo em que vivemos. Por esta razão que,
diante de pessoas e coisas, estamos constantemente fazendo o que chamamos de
juízos de valor. Quando afirmamos, por exemplo, que uma moça não tem atrativos,
é feia na nossa concepção, ou o oposto quando dizemos que ela é muito bonita,
quando descrevemos uma borracha ou uma caneta como muito ruins, quando
colocamos que João agiu com desprezo pelo fato de não ajudar naquela campanha
da solidariedade do bairro, estamos fazendo juízos da realidade, porque dizemos
que as coisas e as pessoas existem, mas também estamos fazendo juízos de valor
porque as coisas e as pessoas podem provocar atração ou repulsa, avaliação
estética, utilidade ou não, etc.

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Na medida em que atribuímos um valor a alguma coisa ou pessoa, significa


dizer que não estamos indiferentes a ela. Podemos inferir então que, a não-
indiferença é uma das principais características do valor. Porém não se deve
esquecer que pelo fato dos valores não serem coisas, mas resultam das relações
estabelecidas na sociedade, dizemos que os valores são em parte herdados da
cultura onde estamos inseridos.

Aranha e Martins (2000, p. 273) afirmam que:

O mundo da cultura é um sistema de significados já estabelecidos por


outros, de tal modo que aprendemos desde cedo como nos comportar à
mesa, na rua, diante de estranhos, como, quando e quanto falar em
determinadas circunstâncias (...) como cobrir o corpo e quando desnudá-lo,
qual o padrão de beleza, que direitos e deveres temos.

Assim, a partir da valoração, as pessoas nos recriminam, nos elogiam, nos


admoestam por termos faltado com a verdade, sentimos remorso dependendo da
ação que praticamos, estamos sujeitos ao elogio ou a reprimenda, à recompensa ou
à punição. Chauí (2001) discute essa ideia ao dizer que a cultura nasce da maneira
como os seres humanos interpretam a si mesmos e as suas relações com a
natureza. Nossa percepção sobre a origem cultural dos valores, sejam éticos, do
senso moral ou da consciência é relativa porque somos criados, educados para eles
e neles como se fossem naturais, existentes em si e por si mesmos.
Por fim, a afetividade! Normalmente, quando pensamos no que caracteriza a
natureza humana, a resposta mais comum é a racionalidade. É verdadeira a
resposta, mas incompleta! Somos seres de desejos, afetos, emoções, que também
retratam a nossa humanidade.
Aranha e Martins (2001) afirmam que a razão é importante por fornecer os
meios para compreender a realidade, solucionar problemas, projetar a ação e
reavaliar o que foi feito. As atitudes ligadas ao impulso, a energia, a vibração vem do
desejo. É este que põe o mundo humano em movimento.
O desejo surge à medida que os seres humanos estabelecem relações entre
si. Os sentimentos e emoções nos afetam independentemente de nosso
consentimento. Wallon (1968) defende que, no decorrer de todo o desenvolvimento
do indivíduo, a afetividade tem um papel fundamental. Tem a função de
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comunicação nos primeiros meses de vida, manifestando-se, basicamente, através


de impulsos emocionais, estabelecendo os primeiros contatos da criança com o
mundo. Através desta interação com o meio humano, a criança passa de um estado
de total sincretismo para um progressivo processo de diferenciação, onde a
afetividade está presente, permeando a relação entre a criança e o outro,
constituindo elemento essencial na construção da identidade.
Da mesma forma, é ainda através da afetividade que o indivíduo acessa o
mundo simbólico, originando a atividade cognitiva e possibilitando o seu avanço.
São os desejos, as intenções e os motivos que, em um primeiro momento, vão
mobilizar a criança na seleção de atividades e objetos. Para este autor, o
conhecimento do mundo objetivo é feito de modo sensível e reflexivo, envolvendo o
sentir, o pensar, o sonhar e o imaginar.
Almeida (2005), referindo-se a Wallon, coloca que a afetividade é um
domínio funcional, cujo desenvolvimento é dependente da ação de dois fatores: o
orgânico e o social. A afetividade que inicialmente é determinada basicamente pelo
fator orgânico passa a ser fortemente influenciada pela ação do meio social.
Para Ballone (2003), a afetividade compreende o estado de ânimo ou humor,
os sentimentos, as emoções e as paixões e reflete sempre a capacidade de
experimentar sentimentos e emoções.
Assim, podemos afirmar que a afetividade é quem determina a atitude geral
da pessoa diante de qualquer experiência vivencial, promove os impulsos
motivadores e inibidores, percebe os fatos de maneira agradável ou sofrível, confere
uma disposição indiferente ou entusiasmada e determina sentimentos que oscilam
entre dois polos, a depressão e a euforia. Dessa forma, a afetividade é quem
confere o modo de relação do indivíduo à vida e será através da tonalidade de
ânimo que a pessoa perceberá o mundo e a realidade. Direta ou indiretamente, a
afetividade exerce profunda influência sobre o pensamento e sobre toda a conduta
do indivíduo.
A afetividade valoriza tudo em nossa vida, tudo aquilo que está fora de nós,
como os fatos e acontecimentos, bem como aquilo que está dentro de nós (causas
subjetivas), como nossos medos, nossos conflitos, nossos anseios, etc. A

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afetividade valoriza também os fatos e acontecimentos de nosso passado e nossas


perspectivas futuras.
Labanca, Souza e Porto Junior (2006) nos levam a entender que estas
influências são perceptíveis nas possíveis mudanças na relação de afetividade das
pessoas no cotidiano. Os afetos expansivos são considerados por alguns autores
como afetos agradáveis. Isso, em contraposição aos afetos depressivos,
considerados como desagradáveis. A tonalidade afetiva dos estados expansivos é
de prazer, confiança e felicidade, daí a denominação de afetos agradáveis. O estado
expansivo do humor pode aparecer como reação emocional a alguma vivência muito
agradável, uma espécie de reação vivencial eufórica a uma experiência da
realidade. Ao contrário, os afetos depressivos se revelam por um sentimento de mal-
estar, de abatimento, de tristeza, de inutilidade e de incapacidade para realizar
qualquer atividade.
Ballone (2003) descreve ainda que, os afetos depressivos, da mesma forma
que os afetos expansivos, podem aparecer como uma resposta a situações reais,
através de uma reação vivencial depressiva, quando diante de fatos desagradáveis,
aborrecedores, de frustrações e perdas.
Diante do que foi exposto, evidencia-se a presença contínua da afetividade
nas interações sociais, além da sua influência também contínua nos processos de
desenvolvimento cognitivo.
Nesse sentido, pode-se pressupor que as interações ocorrem no contexto
escolar, na vivência prisional e em outras áreas das relações sociais, e que também
são marcadas pela afetividade em todos os seus aspectos. Pode-se supor, também,
que a afetividade se constitui como um fator de grande importância na determinação
da natureza das relações que se estabelecem entre os sujeitos e os diversos objetos
de conhecimento, bem como na disposição das pessoas diante de atividades
propostas e que devem ser desenvolvidas com o objetivo de mudanças,
transformação da sociedade.
A construção da uma sociedade onde a ética, os valores, a afetividade, a
moral são relevantes, passam pela consciência de que o ser humano é sempre um
valor em si e por si, como também, segundo Heerdt (2000), é preciso ter consciência
do real para poder superá-lo e construir parâmetros de eticidade em nossa

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sociedade tão desumana e excludente (LABANCA; SOUZA; PORTO JUNIOR,


2006).

9.5 Objetivos da ressocialização


O Estado quando condena um indivíduo que cometeu um crime contra a
sociedade e, por consequência, aplica a este uma pena restritiva da liberdade,
teoricamente, acredita que após o cumprimento da sentença expedida esse
indivíduo estará pronto para voltar, em harmonia, ao convívio social. O que então se
costuma chamar de reeducação social, uma espécie de preparação temporária pela
qual precisa passar todo criminoso condenado pela justiça.
No entanto, sejamos sinceros e realistas: essa “reeducação” que objetiva o
Estado na prática está longe de ser atingida.
Primeiro porque o que tem sido a principal preocupação do sistema
penitenciário ao receber um indivíduo condenado não é sua reeducação, mas sim a
privação de sua liberdade. Isso é fácil de ser constatado na medida em que
analisamos as estruturas da maioria das penitenciárias brasileiras, formadas por
excesso de grades, muros enormes e um forte efetivo policial, tudo isso com um
único objetivo, evitar a fuga.
Enquanto isso, a reincidência criminal cresce a cada dia, e na maioria das
vezes constata-se que o indivíduo que deixa o cárcere após o cumprimento de sua
pena, volta a cometer crimes piores do que anterior, como se a prisão o tivesse
tornado ainda mais nocivo ao convívio social.
Partindo dessas considerações, é possível constatar que a privação da
liberdade única e exclusivamente não favorece a ressocialização. Dessa forma, é
preciso que seja feito algo no sentido, senão, de resolver, ao menos, de minimizar
ao máximo esse equívoco. Para isso se faz necessário o desenvolvimento de
programas educacionais dentro do sistema penitenciário voltados para Educação
básica de Jovens e Adultos que visem alfabetizar e, sobretudo, trabalhar para a
construção da cidadania do apenado. Conforme Salla (1999, p. 67),

[...] por mais que a prisão seja incapaz de ressocializar, um grande número
de detentos deixa o sistema penitenciário e abandona a marginalidade
porque teve a oportunidade de estudar.

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Dessa forma um outro aspecto relevante a ser aqui considerado é o perfil da


população penitenciária no Brasil, que segundo os dados fornecidos pelo
Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça, a maior parte da
massa carcerária deste país é composta por jovens com menos de trinta anos e de
baixa escolaridade (97% são analfabetos ou semianalfabetos). O restante, quase
que na totalidade, são pessoas que não tiveram condições de concluir os estudos
por razões variadas inclusive por terem sido iniciadas no crime ainda cedo.
Diante desse quadro, podemos afirmar que a criminalidade está intimamente
ligada à baixa escolaridade e ambas à questão econômica e social. De modo que
precisam ser desenvolvidos dentro das prisões projetos educacionais que trabalhe
para a conscientização dos educandos, fazendo-os perceberem a realidade e,
consequentemente, seu lugar na história, pois um indivíduo que nasceu na miséria e
por consequência não teve acesso a uma educação satisfatória ou a de nenhum
tipo, não pode agir com discernimento em seus atos.
Uma educação dentro do sistema penitenciário deve trabalhar com conceitos
fundamentais, como família, amor, dignidade, liberdade, vida, morte, cidadania,
governo, eleição, miséria, comunidade, dentre outros. Existe uma necessidade
urgente e crescente de trabalhar no reeducando os valores acima, o ato antissocial e
as consequências desse ato, os transtornos legais, as perdas pessoais e o estigma
social.
Em outras palavras, desenvolver nos educandos a capacidade de reflexão,
fazendo-os compreender a realidade para que de posse dessa compreensão
possam então desejar sua transformação.
O sistema penitenciário necessita de uma educação que se preocupe
prioritariamente em desenvolver a capacidade crítica e criadora do educando, capaz
de alertá-lo para as possibilidades de escolhas e a importância dessas escolhas
para a sua vida e, consequentemente, a do seu grupo social. Isso só é possível
através de uma ação conscientizadora capaz de instrumentalizar o educando para
que ele firme um compromisso de mudança com sua história no mundo.
Em sua análise, Paulo Freire (1980, p. 26) afirma que:

A conscientização é [...] um teste de realidade. Quanto mais


conscientização, mais ‘desvela’ a realidade, mais se penetra na essência

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fenomênica do objeto, frente ao qual nos encontramos para analisá-lo. Por


esta mesma razão, a conscientização não consiste em ‘estar frente à
realidade’ assumindo uma posição falsamente intelectual. A conscientização
não pode existir fora da ‘práxis’, ou melhor, sem o ato ação-reflexão. Esta
unidade dialética constitui, de maneira permanente, o modo de ser ou de
transformar o mundo que caracteriza os homens.

A conscientização trabalha a favor da desmistificação de uma realidade e é


a partir dela que uma educação dentro do sistema penitenciário vai dar o passo mais
importante para uma verdadeira ressocialização de seus educandos, na medida em
que conseguir superar a falsa premissa de que, “uma vez bandido, sempre bandido”
(SANTOS, 2009).
Esperamos que atentem para as reflexões e os caminhos propostos e sejam
felizes em sua missão de lidar com a educação no sistema prisional, pois poderão
em muito contribuir para termos uma sociedade composta de sujeitos mais
conscientes e justos.

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REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS BÁSICAS

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2004.
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1D0085%7D%3B&UIPartUID=%7B2868BA3C%2D1C72%2D4347%2DBE11%2DA2
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