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Julgamento da Estrada

Christine Feehan
Torpedo INK 1
Copyright © 2018
Judgment Road
Christine Feehan
Torpedo INK Livro 1

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 2


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Viktor Prakenskii ‘Czar’ Presidente


Lyov Russak ‘Steele’ Vice-Presidente
Savva Pajari ‘Reaper’ Sargento de Armas
Savin Pajari ‘Savage’ Sargento de Armas
Isaak Koval ‘Ice’ Secretário
Dmitry Koval ‘Storm’
Alena Koval ‘Torch’
Luca Litvin ‘Code’ Tesoureiro
Maksimos Korsak ‘Ink’
Kashmir Popov ‘Preacher’
Lana Popov ‘Widow’
Nikolaos Bolotan ‘Mechanic’
Pytor Bolotan ‘Transporter’
Andrii Federoff ‘Maestro’
Gedeon Lazaroff ‘Player’
Kir Vasiliev ‘Master’
Lazar Alexeev ‘Keys’
Aleksei Solokov ‘Absinthe’

Gavrill Prakenskii
Casimir Prakenskii

Fatei
Glitch
Hyde

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Para o meu neto amado e criança selvagem, Mason

Stottsberry.

Tenho certeza que você está montando uma Harley através

do céu, surfando o cometa mais longo e ensinando os anjos a

dançar.

Você sempre estará em nossos corações.

Como prometido, este é para você!

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Uma educação brutal em um centro de treinamento russo para


assassinos ensinou a esse grupo de homens e mulheres uma coisa: é um
longo caminho para a redenção ...

Reaper1 teve um passado particularmente brutal, e, como requerente, ele pode ser
chamado a levar a justiça aos membros do clube (ele é o executor). Seus próprios
irmãos e irmãs. Então, ele mantém sua
distância. Ele os ama como família, mas
ele percebe que seu papel na família
exige que ele esteja sem emoção. Isso os
mantém seguros.

Até que Anya seja contratada como o


novo barman. E o mundo de Reaper está
virado de cabeça para baixo quando
percebe que ele não consegue controlar
suas emoções ao redor dela, o que é
perigoso para ambos.

Anya está fugindo, o que a leva para


Caspar, onde trabalha como barman em
um bar de motociclistas de propriedade
do Torpedo Ink. Ela não entende o mundo deles,
mas percebe que sua atração pelo Reaper
perigosamente reservado está prestes a
explodir quando ele a leva em sua casa.

Reaper é um homem danificado que é perigoso


de amar. Mas, quando ele a coloca sob sua
proteção, ela encontra mais do que apenas um
exterior áspero e um ótimo sexo. Agora eles só têm que sobreviver uns aos outros.

1
Reaper – Ceifador

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O vento soprava do mar quando as três Harleys


avançaram pela última série de curvas sinuosas e atingiram o trecho
reto da rodovia 1 que corria paralelamente ao oceano. A noite estava
bem avançada, um fato que Savva ‘Reaper’ Pajari estava bem ciente.
Ele tinha que se reportar ao presidente de seu clube, Czar, no
momento em que eles chegassem em Caspar2, mas o tempo não era
importante para isso. Mesmo se Czar estivesse em sua casa em Sea
Haven3, deitado perto de sua esposa, era só Reaper escalar o telhado
e subir pela janela do quarto. Ele tinha feito isso mais de uma vez.
Ele vivia por duas coisas, montar4 livremente e lutando. Ele
precisava sentir um músculo sólido sob os nós dos dedos. Ele
precisava sentir os punhos batendo em seu corpo, tocando aquele
poço de gelo que cobria todas as emoções. Essa explosão rápida de
violência e doce dor quando os punhos se conectavam era sua vida,
e tinha sido sua vida desde os cinco anos. Agora, ele precisava de
alguma forma manter-se vigilante, nesta nova direção de merda que
o clube tinha tomado.

2
Caspar – Cidade litorânea do Oeste dos EUA.

3
Sea Haven – Cidade litorânea – Califórnia.
4
Montando, montar ou cavalgar: são termos referentes a andar/pilotar uma moto.

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Ele montou ao longo da rodovia, ciente dos outros de cada lado


dele. Irmãos, alguns por mais de trinta anos. Homens com quem ele
contava. Homens que ele chamava de família. Ainda assim, ele
estava além deles, ele sabia disso, mesmo que eles não o fizessem.
Ele virou a cabeça em direção ao oceano. As ondas pulverizavam-se
no ar, correndo sobre as pedras e batendo nos penhascos. Às vezes
ele se sentia como aquelas pedras maltratadas, que o tempo
desgastava, pouco a pouco.
Sua alma tinha ido há tanto tempo que ele não conseguia se
lembrar de ter uma. Agora, seu coração estava desaparecendo
lentamente. Não havia um lugar em seu corpo sem uma cicatriz. Ele
tinha outra para acrescentar desta última viagem. Ele também teria
que fazer mais tatuagens em suas costas, mais três crânios para
adicionar à coleção daqueles que descansam nas raízes da árvore em
suas costas.
Viktor Prakenskii, o homem conhecido como Czar5, era o melhor
homem que conhecia. O trabalho de Reaper era ficar na frente de
Czar, sua tarefa auto-nomeada desde que ele era um garotinho. Ele
fazia isso há tanto tempo, que não conhecia nenhuma outra maneira
de viver. Ele ficava na frente de todos os seus irmãos e irmãs—do
Torpedo Ink, o seu clube. Ele estava orgulhoso de usar as cores do
clube. Ele morreria por essas cores e detestava qualquer missão que
lhe atribuíssem se ele tivesse que tirá-las.
Eles saíram da rodovia principal e pegaram a estrada que
conduzia a cidade de Caspar, onde eles fixaram residência. Eles
criaram o seu composto em torno de um antigo edifício da empresa
madeireira Caspar. Eles passaram alguns meses trabalhando no
prédio, transformando-o na sede de seu clube. Fizeram vários
quartos, um bar, a sala de reuniões—conhecida como capela—e uma
cozinha. Eles tinham banheiros compartilhados, com o quarto mais
5
Czar (tsar em russo) significa "imperador". Foi o título utilizado pelos soberanos russos, no período de duração do Império
Russo, entre 1547 e 1917.

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próximo ao seu quarto de dormir. O Czar havia insistido que cada


um comprasse uma casa nas proximidades. Ele queria que essas
raízes fossem profundas.
Reaper não dava a mínima onde todos dormiam. Enquanto ele
pudesse defender seu clube e seu presidente, ele estava bem. O
composto tinha uma cama e agora, ele precisava de uma. Ele estava
a quarenta e oito horas sem dormir. Ele mesmo tinha costurado a
ferida no seu lado, fazendo um trabalho pobre demais, mas tudo o
que ele tinha era um pouco de whisky para desinfetar e isso tinha
queimado como o inferno. Mesmo assim ele o fez.
Eles montaram até o complexo, e Storm e Keys estacionaram
suas motos enquanto ele observava o terreno. Ou Czar estava em
casa ou no bar. Reaper estava bastante certo que ele estaria no bar à
espera de um relatório. Ele não gostava de perturbar sua esposa,
Blythe, ou seus quatro filhos adotivos. Reaper não desligou a moto e
enquanto esperava que os outros se voltassem para ele.
— Vou encontrar o Czar, — ele disse, desnecessariamente, mas
eles estavam olhando para ele como se esperassem que ele dissesse
alguma coisa. Ele não gostava de merda estúpida, como as
formalidades que pareciam tão importantes para os outros. Ele não
se importava se as pessoas gostavam dele, de fato, ele preferia que
ficassem longe, exceto pelos irmãos, que o entendiam e deixavam
claro que esperavam que ele falasse de vez em quando.
— Posso fazer o relatório, —ofereceu Keys. — Você poderia
usar o tempo de inatividade.
Reaper balançou a cabeça. — Não serei capaz de dormir
imediatamente. Eu tenho que verificá-lo mesmo assim. Você sabe
como eu sou.
— Quer companhia? —Storm perguntou.

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Ele balançou sua cabeça. — Não é necessário. Savage estará


com ele, provavelmente alguns dos outros. Durma um pouco. Todos
nós ganhamos isso. —Savin ’Savage’ Pajari era seu irmão de
nascimento. Como Reaper, ele atuava como sargento de armas,
protegendo o Czar o tempo todo. Entre os dois homens, eles tinham
seu presidente coberto, quer ele gostasse ou não 24 horas por dia. —
Eu já enviei uma mensagem de texto para o Czar avisando que
estávamos chegando quando estávamos a uma hora daqui.
Ele tinha certeza de que, se fizesse isso, Czar iria ao bar em vez
de Reaper ter que ir até sua casa—exatamente o que Reaper queria.
Tinham um novo bartender. Reaper não gostava de nada fora do
comum. Ele não confiava nisso. A mulher era definitivamente algo
fora do comum. Code podia encontrar sujeira em qualquer um, mas
não encontrou um único vestígio dela em qualquer lugar. Ela
trabalhava por dinheiro, por baixo da mesa. Ela usava jeans de
marca, mas dirigia um carro batido, na última lona, ferrugem
estourando através da pintura. A porra da coisa fumava cada vez que
ela desligou o motor.
O Torpedo Ink tinha uma garagem em funcionamento. Ela
levou o carro lá para arrumá-lo? Inferno, não. Ela dirigia todas as
noites pensando que ninguém sabia para onde estava indo. Esse era
o trabalho dele. Ela voltava para Fort Bragg6, pegava a rodovia 20 e
saía na Egg Taking Station7, um acampamento no Jackson
Demonstration Forest8. Por que diabos uma mulher elegante seria

6
Fort Bragg é uma Região censo-designada localizada no estado norte-americano de Carolina do Norte,
no Condado de Cumberland.
7
Egg Taking Station – Estação de produção de ovos

8
A Floresta Estadual de Demonstração de Jackson é a maior floresta de demonstração operada pelo
Estado da Califórnia. A floresta está totalmente localizada dentro do condado de Mendocino, em terras anteriormente de
propriedade da Caspar Lumber Company ao longo da California State Highway 20 entre Willits e a cidade costeira de Fort Bragg.
É gerido pelo Departamento de Florestas e Proteção contra Incêndios da Califórnia.

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bartender em um bar de motociclistas, dirigiria um Honda Civic


surrado mais velho do que ela e estaria acampando? Isso não fazia
sentido. Ele não gostava de enigmas e Anya Rafferty não era apenas
um enigma, mas uma grande dor de cabeça.
Reaper a observava há mais de um mês. Cinco semanas e três
dias para ser preciso. Ele tinha percebido que ela era trabalhadora.
Ela ouvia as pessoas, lembrava-se de seus nomes e o que gostavam
de beber. Ela flertava o suficiente para obter boas gorjetas, mas não
o suficiente para causar brigas. Ela era generosa com as garçonetes,
compartilhando gorjetas que não tinha que compartilhar. Ela era
cuidadosa e reservada ainda dava a ilusão de que estava sozinha. Ela
era gentil com aqueles menos afortunados.
Ele viu ela dando a um homem sem-teto um cobertor que ela
carregava em seu carro, e duas vezes ela lhe trouxe um café e uma
refeição. Duas vezes ela gastou um dinheiro que ele estava certo de
que ela não podia para dar comida ou sapatos para alguém que
vivesse nas ruas. Ela parecia ter afinidade com os sem-teto, e ele
estava certo de que ela conhecia todos eles pelo nome. Ela se ofereceu
na cozinha de sopa aos sábados de manhã mesmo que ela não
pudesse ter mais do que duas horas de sono.
Ela não hesitava em torno dos motociclistas, mas era óbvio que
esse não era seu mundo e ela não tinha a menor ideia de como se
encaixar. Ela tomou as sugestões de Czar e às vezes fazia perguntas.
Ela nunca fez a Reaper uma única pergunta, mas lhe enviou alguns
sorrisos tímidos, que ele não retornou. Ele passou mais tempo no bar
nas cinco semanas que ela esteve lá do que já tinha passado em um
bar em sua vida.
Reaper olhou para longe do composto, em direção ao bar. Ele
podia ver as luzes brilhando no escuro pelas margens das janelas. Seu
coração acelerou. Seu pau empurrou duro em seus jeans. Isso era
inaceitável e era por isso que a mulher tinha que ir.

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Todos os que estavam no seu clube tinham sido ensinados a estar


no controle total de seus corpos em todos os momentos. Eles haviam
sido espancados, mortos de fome, torturados, e lhes fizeram coisas
indescritíveis para moldá-los em máquinas de matança disciplinadas.
Sentia muita pouca emoção e certamente nenhuma atração física. As
cadelas que se divertiam, ficando com alguém, não faziam nada por
ele. Nenhuma coisa. Ele muitas vezes caminhava por uma sala cheia
de mulheres meio nuas ou nuas e seu corpo nem se agitava.
Olhar para Anya Rafferty. Ouvir o som de sua voz. Sua porra de
risada. A forma como todo aquele cabelo caia em torno de seu rosto
como uma nuvem escura. Uma cachoeira. Ela tinha mais cabelo do
que duas mulheres juntas, e ele achava que estava pensando muito
sobre esse cabelo quando deveria estar pensando em manter seu
presidente vivo. Ou a ele mesmo. Ele se recusava a permitir que seu
pênis o dirigisse. Essa parte de sua anatomia nunca o dominaria. Ele
não confiava em ninguém, especialmente não em uma mulher que
fazia doer o seu corpo até os dentes doerem.
Ele suspirou e virou sua Harley, indo para o bar. Ele havia dito
ao Czar que Anya tinha que sair. Ela era um problema. Nada sobre
ela batia. Nada. Proteger o Czar era sua prioridade número um, e se
ela não fosse acessível, ela tinha que ir. Ele dizia a si mesmo essa
merda, mas sabia que não era verdade. Ele odiava besteiras.
Detestava. Especialmente quando estava tentando se convencer. Ele
poderia dar todas as desculpas do mundo, mas a verdade era que a
bartender o perturbava. Ela entrou debaixo de sua pele sem tentar.
Uma vez na área de estacionamento, Reaper balançou a perna
sobre sua moto e se obrigou a ficar de pé, com os dois pés plantados
em terra firme. Ele estava na sua moto há tanto tempo que não tinha
certeza de que conseguiria ficar de pé. Colocando o seu capacete na
moto fez uma varredura casual do estacionamento. Naquele
momento, ele observou todos os detalhes das linhas de carros e
motocicletas estacionadas ali. Reconheceu várias das motos. Dois

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prospectos estavam perto, mantendo um olho nas motos. Ele não os


reconheceu, mas viu todos os detalhes. Ele retirou o pequeno saco de
couro de um dos compartimentos escondidos em sua moto e
atravessou a área de estacionamento em direção ao bar, ainda
olhando para todo lugar do estacionamento.
O que ele não viu foi o antigo balde de ferrugem da bartender.
Ele fez uma pausa por um momento no fundo da escada, respirando
profundamente, sem saber se isso o fazia feliz ou se a mente dele
estava em algum lugar, que ele se recusava a reconhecer. Ela tinha
ido embora. O presidente tinha feito o que ele havia pedido, e sua
presença foi removida. Isso deveria fazê-lo feliz. Bem, ele nunca foi
feliz. Ele não sabia como ser. Ele já havia esquecido. Talvez, exceto
agora, ele tinha que ir ao acampamento e se certificar de que ela
estava bem. Droga. Ele xingou em voz baixa e subiu os degraus que
levavam até o bar. Seu intestino queimava como um inferno a cada
passo, mas não era tão ruim quanto a dor no peito.
A música derramava do prédio, uma batida alta e pesada. Isso
só foi adicionado a batida no fundo da sua cabeça. Ele ignorou e
abriu a porta. Vozes altas e risadas misturadas com o tilintar dos
copos. É engraçado, agora que era um bar de motoqueiros
estabelecido, o lugar estava fervilhando quase todas as noites.
Ele ficou ao lado da porta e olhou longamente, observando cada
jaqueta ou colete com cores. Principalmente clubes pequenos ou de
finais de semana. Um par de guerreiros de estrada legítimos. Três
aspirantes a burros, bebendo e procurando mulheres e provavelmente
uma briga. Cinco caras, sentados no canto, durões usando os patches9
do Demon. Eles o notaram no momento em que ele entrou. Os cinco
estavam fazendo as malas e não estavam bebendo, pelo menos não o
suficiente para dizer que eles estavam lá a algum tempo. Ele fez um
rápido inventário de seu corpo. Ele poderia se mover rápido, se

9
Patches – Emblemas com a marca e as cores de um determinado club de motocicletas.

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necessário. Ele nunca recusava uma boa luta e, provavelmente, a


qualquer momento, ele estaria dando boas-vindas a uma. Ele deixou
que os Demons vissem seu olhar sobre eles antes que se permitisse
varrer ao longo do bar.
Ele tinha uma arma colocada na cintura na parte inferior de suas
costas. Outra na bota e uma faca. Uma terceira arma estava dentro
de sua jaqueta, fácil acesso, apenas um puxão e ele estava no negócio.
A verdade era que ele raramente usava uma arma ou uma faca
quando matava. Ele preferia o silêncio, mas armas surgiam
ocasionalmente e ele era proficiente no uso de todas elas.
Ele sabia que estava procurando a bartender. Anya. Porra, ele
amava esse nome. Ele adequava-se ao rosto dela. Sua voz. Era
possível que sua tranqueira de carro houvesse quebrado e ela tivesse
pegado uma carona com alguém. Ele não a viu em qualquer lugar e
o irritou que ele tivesse sequer procurado. Pior, a pressão em seu
peito cresceu.
O bartender de hoje era Preacher, e parecia atarefado. Ele olhou
para cima do mar de clientes e disparou a Reaper um sorriso
acolhedor, seus olhos o examinando por feridas, parando por um
momento no sangue na camisa da Reaper e depois saltando de volta
para o rosto. Reaper deu-lhe um aceno de cabeça, indicando que ele
estava bem, e Preacher acenou de volta. Ele empurrou o queixo em
direção ao corredor atrás do bar. Havia uma porta à esquerda do bar,
mas Reaper atravessou a sala e abriu o pedaço de madeira articulado
que lhe permitia atravessar o corredor por trás do balcão. Ele desceu
o longo corredor direto para o escritório.
A porta do escritório estava fechada, significando algum tipo de
reunião. Se a porta estivesse trancada, qualquer garçonete ou não
membro do clube ficaria de fora. Abrindo a jaqueta, Reaper entrou
direto, esperando que Savage não colocasse uma bala nele enquanto
ele atravessava a porta. Savage era imprevisível às vezes. Seu irmão

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deu um rápido olhar a seu corpo, do jeito que Preacher tinha. Czar
levantou-se para encará-lo, fazendo o mesmo. Ele franziu a testa
quando viu o sangue. Merda, ele havia esquecido que sua camisa
estava uma bagunça. Mas não era todo dele. O olhar de Savage saltou
de volta para o rosto dele.
— Estou bem, —disse ele, para interromper as perguntas.
Code estava estudando os livros com Czar, o que era risível.
Czar odiava números e apenas fingia escutar Code na metade do
tempo. Com Czar e Code na mesa estavam outros dois membros do
clube, Absinthe e Ice, irmão gêmeo de Storm. Todos tinham seus
olhos nele e no sangue em sua camisa. Algo estava acontecendo para
tantos se reunirem tarde da noite.
— O que aconteceu? —Disse Czar antes que qualquer outra
pessoa pudesse dizer qualquer coisa.
Reaper jogou a bolsa de couro na mesa. — O idiota nos chamou
um pouco tarde. Quem porra vai se esconder deixando sua esposa e
filha para enfrentar a morte certa, porque eles não querem pagar uma
dívida de jogo? Ele deveria ser o grande presidente de um clube e se
esconde em um buraco escuro rodeado por seus irmãos, deixando
sua mulher e sua filha expostas. —Ele derramou uma grande
quantidade de desgosto em sua voz, porque, realmente? Quem fazia
isso? Quem poderia viver com isso? Como seus irmãos poderiam
defendê-lo? — Eu queria cortar a garganta dele. —Ele olhou para
Czar. — Não me envie em uma missão como essa novamente. Da
próxima vez, eu não vou ter essa contenção.
Czar estudou o rosto dele. Reaper manteve sua expressão em
branco. Czar balançou a cabeça. — Primeiro, me diga como você
tem sangue em toda a sua camisa. Isso é seu? Ou de outra pessoa?
Por favor, me diga que não é do cliente.
Reaper encolheu os ombros porque, inferno sim, algum eram do
cliente babaca. Ele tinha conseguido exatamente o que ele merecia.

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O clube era chamado de Caos. Cómico. Verdadeiramente risível. Na


opinião de Reaper, o fodido presidente merecia morrer, sim, ele
mostrara-se contido. — Talvez eu não tenha sido claro. A doninha
correu de uma dívida de jogo e, em vez de pagar, quando os capangas
apareceram para cobrar, seus garotos o levaram para a segurança. Ele
atravessou dois estados e só então lembrou-se de ter uma esposa e
uma filha.
— E ele entrou em contato conosco para levá-las à segurança, —
lembrou Czar, seu tom suave.
— Depois que se certificou de que seu traseiro estava seguro.
Dois dias depois, Czar. Dois malditos dias. Ele nem as avisou.
Quando chegamos lá, os idiotas enviados para coletar estavam lá.
Corpos ou dinheiro. —Ele tocou sua lateral. A queimadura da
lâmina entrando ainda estava fresca. — Eles decidiram se divertir um
pouco com as duas antes de cortá-las. A menina tem quatorze anos.
— Você ficou entre a garota e a faca, —disse Czar.
Reaper não respondeu. O que havia para dizer? Ele realmente ia
deixar uma desculpa patética de ser humano matar uma garota de
catorze anos e sua mãe? Não ia acontecer.
— Quantos pontos? —Perguntou Code.
— Que inferno de diferença isso faz?
— Alguém está com um mau humor, —observou Code. —
Cinco? Mais?
— Seis. Não preciso de um médico. Eu também cuidei disso.
Uma pequena gargalhada subiu. Reaper encarou-os.
— Eu tenho que ver isso, —disse Ice. — Se foi algo como a
última que você costurou a si mesmo, em algum momento você
ficará como Frankenstein.
— Já é, —disse Code. — Só um pouco.

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Reaper olhou para Savage. Ele não deu um sorriso e havia uma
ligeira preocupação em seus olhos, mas ele não disse nada.
— Você está tomando antibióticos? —Perguntou Czar.
— Eu vou. Vou buscá-los na farmácia.
— Diga-me o que realmente aconteceu, porque de outra forma,
vou pensar que você está desacelerando. Você poderia ter matado
esses idiotas em segundos, Reaper. O que você estava fazendo para
receber um golpe que custou seis pontos?
— Terminamos de falar sobre isso, —declarou Reaper.
— Nós terminamos quando eu disser que acabamos. —A voz do
Czar caiu uma oitava, baixa o suficiente para que o quarto se calasse.
Baixo o suficiente para advertir Reaper que seu presidente não estava
perguntando.
Reaper balançou a cabeça. Quando o Czar falava assim, ele
esperava respostas.
— Não queria que a garota me visse matá-lo. Eu dirigi o golpe
para onde eu sabia que não iria causar muito dano. Ela tem síndrome
de Down e estava aterrorizada. O pai dela as deixou lá fora sozinhas.
Me irritou. Eu não queria que a criança sofresse mais do que já tinha.
Czar suspirou. — Reaper, ela é filha do presidente d de um clube
de motociclista. O clube Caos pode não ser tão grande quanto os
Costas Diamond, mas eles são violentos. Ela deve ter visto coisas.
— Ela estava aterrorizada, —Reaper repetiu. — Foi minha
escolha. Eu fiz ela fechar seus olhos, virar a cabeça e depois matei o
bastardo. Antes que ela pudesse olhar, eu cobri os olhos dela e tirei-
a daquele inferno.
— Você não vai começar a arriscar sua vida, —Czar sibilou,
batendo a palma da mão na mesa.

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Reaper inclinou-se para ele. Olhou-o nos olhos. — Eu tenho


arriscado minha vida desde os cinco anos de idade. Eu estou
matando a muito tempo. Eu sei como tomar uma facada quando
preciso.
— O ponto é que não era necessário, —disse Czar.
— Minha escolha. Eu estou lá, eu tenho que tomar a decisão.
Você ficará feliz em saber, eu não matei o pai dela quando as
entregamos a salvo para ele, embora tenha sido difícil evitar. Ele
estava disposto a nos pagar a taxa que pedimos, mas não a pagar suas
apostas? Ele colocou sua esposa e filha em perigo, Czar. Que tipo de
homem faz isso?
— O clube pagou a taxa para que nós as recuperássemos e
levássemos com segurança para ele. A dívida do jogo é pessoal.
— Você sabe, que se o alcançarem, ele nos entregará em um
piscar de olhos. Ele já estava planejando fazer isso. Eu matei os dois
assassinos contratados. Quem os enviou vai querer vingança.
— Todos vocês usavam uma máscara e luvas, —disse Czar. Ele
nunca viu seus rostos.
— Não, mas o Sr. presidente do Caos colocou um rastreador no
dinheiro, —disse Reaper. — Ele estava planejando nos vender para
saldar sua dívida. Ele vai desistir do link online, que é tudo o que ele
tem. —Ele sorriu. — Matei o membro do clube que nos seguia e
enfiei o rastreador na porra da sua boca.
— Code disse que você enviou mensagens para fechar nossa
operação on-line e ele fez. Nós voltaremos a aparecer mais tarde.
— Apenas para que você saiba, vaze a informação ou não, eu
arranquei o inferno de vida daquele seu insignificante presidente,
Czar. Não sei se ele viveu ou não, mas se ele fez, ele não vai ser o
mesmo homem. Ele iria nos entregar e esse rastreador foi a última
gota. Eu queria empurrar uma faca na garganta dele.

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Czar balançou a cabeça e empurrou a bolsa de dinheiro para


Code. — Adicione isso a todo o resto. Estamos bem. Nós temos a
maior parte das empresas em funcionamento. Ainda estamos
trabalhando em algumas das casas. Reaper, você vai se mudar para
a sua?
Reaper encolheu os ombros. Ele não tinha ideia do que diabos
ele faria com uma casa. Czar havia decidido que todos eles tinham
que ter uma casa real. A sua estava à beira das falésias com uma
escadaria que levava até a enseada e duas estradas sinuosas em torno
de Caspar para que ele tivesse acesso as antigas estradas de
exploração madeireira. Ele gostava de saber que poderia escapar de
qualquer coisa facilmente.
— Logo. —Ele só precisava de uma cama. Ele tinha uma no
complexo. Ele não precisava de uma casa para ir todas as noites.
Vazia. Ecoando toda vez que ele a atravessava porque ele colocaria
a quantidade mínima de mobiliário nela. Uma cama. Isso era muito
bom. Talvez, se tivesse sorte, toda a estrutura caísse no oceano e ele
terminaria com isso.
Ele mudou o assunto. — Tem alguns caras durões sentados em
uma mesa. Esperando, Czar. Eles solicitaram uma reunião com
você?
Czar assentiu lentamente. — Esperei até que você chegasse aqui.
Code encontrou algumas coisas sobre eles. Eles são do Norte.
Demons, clube pequeno, mas já têm reputação. Eles querem falar
sobre estender seu alcance, usando-nos para fazê-lo.
— Provavelmente drogas. —Ice falou. — Nós não fazemos mais
essa merda. Nós fomos reabilitados.
Os outros riram. — Sim. Nós não espalhamos drogas, mas nós
matamos as pessoas quando é necessário, —disse Absinthe.

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— Alguns deles lá fora também, acham que são realmente duros


do jeito que estão atuando, —Reaper continuou. — Parece problema
e eles estão bebendo muito. Falando alto. Não perceberam quando
atravessei a porta, mas os outros fizeram. Os Demons. Não somos
um clube muito conhecido. Apenas estabelecido. Nós nem somos o
grande clube nesta área. Por que vieram até nós?
Czar encolheu os ombros. — Eu não sei até que eles falem
conosco.
— Eles disseram que nos encontraram on-line através do site que
Code tem?
Czar sacudiu a cabeça. — Não penso assim. Penso que eles nos
escolheram porque estamos aqui, na costa. —Ele estudou o rosto de
Reaper. — Eu não me encontraria com alguém que nos queria dar
um golpe. —Ele assegurou.
Reaper afastou-se da porta para a parte de trás da sala onde a luz
não alcançava. Ele estava cansado. Exausto. Mesmo que ele fosse
para a cama, ele sabia que não iria dormir, ou se fizesse, teria um
pesadelo. Ele as tinha muitas vezes agora, algo que ele teve o cuidado
de não compartilhar com os outros—nem mesmo Savage.
— Você está bem para isso? —Perguntou Czar. — Nós
poderíamos dizer-lhes para voltar outra hora.
— Eu disse a você, CZar, que alguém deveria cuidar das
investigações, certificar-se de que elas são legítimas. Todos nós temos
muitos inimigos, mas você acima de tudo. Eu não gosto de você estar
na frente assim, —disse Reaper. Ele se colocou de costas na parede,
assegurando-se de ter a visão da porta. Savage estava do outro lado
da sala. Eles teriam os cinco Demons encaixotados.
— Se você pudesse, você construiria um muro ao meu redor, —
apontou Czar.

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— Você tem Blythe e as crianças, —disse Reaper. — Além do


fato de que você é o cérebro de todos nós, você nos tem.
O rosto de Czar se suavizou. — Eu tenho todos vocês. Eu não
me preocupo porque tenho meus irmãos. —Ainda olhando para
Reaper, ele continuou. — Ice, vá buscá-los e traga-os. Eles
atravessam a porta um a um. Você fica atrás deles. Encaixote-os.
Absinthe, você os revista. Diga-lhes para deixarem suas armas.
Reaper estava feliz, que Czar não corria riscos. Absinthe poderia
influenciar com a voz dele. Ele era suave e encantador e no momento
em que ele colocasse uma sugestão nas mentes dos Demons, eles
entregariam suas armas sem hesitação. Se houvesse um tiroteio, não
aconteceria no terreno escolhido pela Torpedo Ink.
— Fiquem à esquerda da sala em todos os momentos, —disse
Reaper, todo negócio. — Savage e eu vamos cuidar disso em caso de
fogo cruzado. Nenhum de vocês quer ser pego nisso. Nós vamos
resolver entre nós. O resto de vocês sejam agradável e amistosos. —
Ele era bom em planejar a morte. Ele tinha feito isso centenas de
vezes. Czar era igualmente qualificado, provavelmente seu professor,
já que Czar era mais velho. Ele tinha sido o único a tirá-los vivos
daquele inferno.
Czar assentiu com a cabeça e Ice foi embora, deixando a porta
aberta. Reaper encostou-se na parede, relaxado. Este era o mundo
dele, um que ele conhecia intimamente, e alguém como Anya
Rafferty com seus longos cabelos escuros e seu coração sangrando,
não pertencia a nenhuma parte perto dele. Ele suspirou, percebendo
que ela havia retornado a seus pensamentos.
Ele deveria tê-la seguido ela até o acampamento. Era longe da
entrada, se ele lembrava corretamente. Seu clube tinha tido um
tiroteio lá. Um massacre. Era um lugar onde forasteiros podiam se
esconder, e isso significava que Anya não estava tão segura como ele

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 22


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Torpedo INK Livro 1

gostaria que ela estivesse. Ele fechou essa linha de pensamento. Ele
não queria nenhuma mulher acampando sozinha lá fora.
Ele se endireitou de repente. E se ela não estivesse acampando
sozinha? Poderia haver um homem lá. Ela poderia estar apoiando
algum perdedor preguiçoso que não queria trabalhar ou cuidar de sua
esposa. Ele deveria ter ido lá. Droga. Agora, sua cabeça queria
explodir e não estava no jogo onde deveria estar, como ele sabia que
aconteceria. A mulher estava causando estragos e era uma boa coisa
que Czar a mandasse embora. Ainda assim, ele tinha que verificá-la,
apenas para saber que ela estava segura—da maneira que ele faria
com qualquer mulher.
Seu medidor de besteira estava gritando com ele, mas ele o
ignorou quando o primeiro Demon passou pela porta. Este seria o
seu executor. Seu sargento de armas. O mais durão dos cinco. Ele
estudou o rosto do homem quando Absinthe pegou suas armas. Sim,
ele era o verdadeiro problema. O que ele estava fazendo em um clube
pequeno? Tinha que haver mais dos Demons do que tinham
desencavado. O Executor passou suas armas sem um murmúrio, seus
olhos vagando pela sala, assimilando a configuração, percebendo que
ele não podia ver Reaper ou Savage claramente.
Os dois homens tinham uma maneira de desfocar sua imagem.
Era útil quando caçavam. Eles desenvolveram a habilidade ao longo
dos anos, começando quando eles eram crianças pequenas e Czar os
fazia praticar. A maioria estava aprendendo a escolher o lugar certo
para ficar. As sombras cobrindo-os. A quietude necessária para que
o olho humano não fosse atraído nessa direção.
Os Demons entraram um a um, assim como Czar pediu. Ice
entrou depois, fechando a porta atrás deles. Reaper se certificou de
olhar cada um deles enquanto passavam, observando qual seria o
mais provável para começar o problema—esse seria o mais jovem, o
mais ansioso para provar a si mesmo. O primeiro, o que eles

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 23


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chamavam de Razor, foi o que Reaper determinou ser o mais letal.


Ele marcou como o primeiro a derrubar se preciso.
— Eu sou Hammer, —disse um. — Presidente dos Demons. —
Seu patch confirmava isso.
— Czar. —O presidente deles estendeu a mão. Ele indicou as
cadeiras em torno da mesa oval.
Apenas Razor hesitou. Ele percebeu que sentar-se iria colocá-los
em uma posição vulnerável, especialmente sem armas. Absinthe
tinha conduzido uma busca em cada homem mesmo depois de terem
obedecido seu comando suave e sussurrado para entregar suas armas
e facas. Ele foi minucioso sobre sua busca, sabendo que Czar estava
na sala. Todos protegiam seu presidente. O Czar nem sempre
gostava, mas não importava. Ele era sua prioridade número um em
todos os momentos. Neste caso, se as coisas fossem para o inferno,
seria o trabalho de Code tirar Czar e protegê-lo com seu próprio
corpo, enquanto Reaper, Savage, Ice e Absinthe matavam todos os
Demons.
Um riso feminino suave subiu ao corredor e Reaper quase se
endureceu. Quase. Ele amaldiçoou em voz baixa, mas de alguma
forma ele permaneceu disciplinado o suficiente para não se mover.
Isso soava muito como a bartender. Ele tinha que manter a cabeça
no jogo, e não se preocupar com uma mulher que provavelmente
teria sido enviada para matar o Czar. Bem, tudo bem, ele não
acreditou nisso nem por um momento. Ele pensaria nela mais tarde
e no fato de que esses três homens duros estavam procurando por
mulheres. Agora, a única coisa em seu mundo era repetir passo-a-
passo em sua mente como ele mataria os Demons e protegeria seu
presidente.
Razor tinha que cair primeiro, Reaper iria borrar e atirar na
cabeça dele. Duas balas para se certificar, embora não tivesse
dúvidas. Depois o presidente, embora Code e Absinthe também

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 24


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Torpedo INK Livro 1

fossem para ele. Savage pegaria os dois sentados ao lado do seu


presidente, os designados para protegê-lo, assim como Code foi
atribuído ao Czar. Os dois foram chamados Weed e Shaft. Seus
patches tinham seus nomes de estrada e cargos. Era incomum que
um presidente, um executor, um secretário e um capitão de estrada
se reunissem de uma só vez. Algo grande estava acontecendo.
— Como posso ajudá-lo? —Perguntou Czar.
Houve um pequeno silêncio enquanto Hammer o olhava. Razor
estava claramente desconfortável com a configuração, mas manteve
a boca fechada. Seu olhar mexia-se inquieto ao redor da sala,
procurando sempre qualquer coisa que pudesse ameaçar seu
presidente.
— Vou direto ao ponto, —disse Hammer. — Ouvi boas coisas
sobre o seu clube. Você é pequeno, mas você faz bem as coisas.
Temos uma situação. Nós também somos pequenos. Três braços.
Bom território. Nós nos mantemos os mais limpos possíveis. Não
temos problemas com os habitantes locais. Eu ouvi que você também
está bem aqui.
Czar encolheu os ombros, mas não respondeu, com os olhos
firmes no presidente dos Demons.
Reaper o viu dar esse olhar mil vezes. Ele aprendeu isso na
escola onde criminosos endurecidos governavam e se você quisesse
permanecer vivo, você não cometeria erros, como voltar na hora
errada.
— Temos uma rota que vai do nosso território até aqui. Para e,
em seguida, pega este lado de Santa Barbara.
Czar balançou a cabeça. — Este é o território dos Costas
Diamond. Você quer que algo passe através do seu território, você os
contata, paga a taxa e eles vão deixar passar.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 25


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Hammer apressadamente balançou a cabeça. — Eles engolem


qualquer pequeno, os usam para os seus próprios propósitos e usam
um clube como o nosso como peões. Eles queriam um pedaço do que
temos e esse pedaço seria mais do que poderíamos pagar agora.
— Se você for pego, eles declararão guerra e limparão você. Eles
têm mais braços do que qualquer outro clube do mundo. Eles são
leais aos seus irmãos, e por respeito, temos cuidado de não fazer nada
que pise seus dedos dos pés, como criar um gasoduto sem dar-lhes
um pedaço.
Hammer e seu secretário, Shaft, trocaram olhares. Para Reaper
eles pareciam um pouco desesperados.
— O que exatamente é o produto? —Perguntou Czar.
— Falsificação de dinheiro.
Só o fato de que Hammer lhes havia dito de maneira direta era
outra indicação de que eles estavam desesperados.
Czar se inclinou em direção a ele. — Eu não gosto de besteira.
Estou a dois segundos de colocar uma arma na sua cabeça e puxar o
fodido gatilho. O que você está fazendo aqui? Minha old lady está
esperando por mim e não gosto de tê-la fazendo isso. Não. Nunca.
Então, não desperdice meu tempo.
Em vez de parecer preocupado, ou mesmo assustado com as
palavras do Czar, Hammer parecia estar aliviado. Respirou
profundamente e disse a verdade. — Isso vai fazer meu clube parecer
fraco, e nós não somos. Nós fomos para a cama com um clube que
dirige uma operação de jogo. Nós ajudamos a lavar o dinheiro.
Recentemente eles descobriram sobre a operação falsa que estamos
executando. Nós o mantemos lento. Nada grande, alimentando
algumas contas aqui e ali ao longo de uma rota oriental que temos.
Eles querem transformá-la em grande.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 26


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— Como eles descobriram sobre sua operação? —Perguntou


Czar, sempre indo para o fato mais pertinente imediatamente.
— Um dos nossos prospectos decidiu tentar a sorte no jogo e se
enterrou. Em vez de chegar ao clube, ele negociou sua dívida por
informações. —O tom de Hammer era estritamente neutro.
— Onde ele está agora? —A voz de Czar caiu uma oitava.
Apenas esse tom colocou o quarto na borda. Reaper o viu fazê-
lo muitas vezes, mas sempre que acontecia, ele ficava impressionado.
— Ele não sobreviveu, —disse Hammer.
— Alguém mais em seu clube é falador? —Perguntou Czar.
— Os homens nesta sala são homens nos quais eu confio
implicitamente. Os que estão no meu braço, a mesma coisa. Os
outros braços usam nossas cores e vou lutar por eles e com eles, mas
eu não os conheço tão bem como eu faço com meus próprios irmãos.
Essa foi uma resposta honesta. Ninguém poderia conhecer cada
homem em cada braço de um clube.
— Eles estão todos na falsificação?
Ele assentiu. — Distribuição. Nós temos as placas. Elas são boas
placas. Eu tenho um homem que sabe o que está fazendo. Nós
assumimos um risco e não nos tornamos gananciosos, podemos fazê-
lo funcionar, torná-lo impossível de voltar para nós. Este outro clube
quer ter isso.
— Quão grande eles são? —Perguntou Czar.
— Essa é a coisa. Eles são fantasmas. Eles se chamam
Fantasmas.
Reaper se moveu então, algo que ele nunca fez. Isso chamou a
atenção para ele e o executor dos Demons quase caiu do assento.
Reaper o ignorou. — Uma palavra, Czar.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 27


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Isso nunca foi feito, especialmente por um dos homens do Czar.


Eles sempre permitiam que Czar fizesse sua jogada. Eles
conversaram sobre isso depois.
O Czar não disse nada quando se levantou e moveu o queixo
para a outra porta da sala. Reaper deixou-o atravessar a sala e deu
um passo para que seu corpo ficasse entre o de seu presidente e os
Demons.
Czar fechou a porta e virou-se para ele, levantou a sobrancelha
com o semblante preocupado.
— Os bastardos que foram atrás da esposa e do filho do
presidente do Caos, aqueles que nós salvamos, eram os Fantasmas.
Eles não estavam usando cores, mas se referiram a si mesmos como
"fantasmas", e como eu nunca os veria vindo porque seus amigos
erão fantasmas. Foram as últimas palavras que saíram de sua boca.
— Você acha que os Demons estão armando para nós? —
Perguntou Czar.
Reaper amava seu irmão. Czar acreditava nele, em sua
capacidade de proteger não só ele, mas sua família e outros. Ele
acreditava nos instintos de Reaper, em seu intestino. Agora, seu
intestino estava dizendo que os Demons estavam com problemas
com este novo Clube "Fantasma".
Reaper balançou a cabeça. — Tenho uma sensação ruim aí. Eles
não querem dizer, mas estão assustados. Algo mais está
acontecendo, então eles terão que nos dizer.
Czar bateu em seu ombro. — Nunca pense por um minuto que
eu não preciso de você, Reaper. Sempre foi você e eu. Vivemos no
inferno. Agora não estamos mais, estamos fazendo nosso próprio
negócio. Não deixe a novidade, a diferença, foder com a sua cabeça.
Reaper sabia que ele estava arriscando sua vida. Czar sabia disso
também. Agora, com seu irmão olhando-o nos olhos, ele assentiu

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 28


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bruscamente, sem querer falar sobre isso. Era a maldita mulher. A


bartender. Aquele cabelo, sua risada. Sua porra de pele. Parecia tão
suave que ele estava tentado a tocá-la. Ele não tocava em ninguém a
menos que planejasse matá-los, então eles estavam mortos. Ninguém
o tocava a menos que planejasse morrer, então eles estavam. Não, a
menos que ele fosse um de seus irmãos, ele tinha que aprender a
tolerar isso.
— Deixe-me entrar primeiro, Czar, —ele advertiu. — Fique
atrás de mim. Eu vou levá-lo ao seu lugar e deslizar de volta à minha
posição. Pergunte a ele depois que eu estiver onde preciso estar.
Czar não discutiu como costumava fazer quando se tratava de
questões de segurança. Ele detestava os outros colocando suas vidas
na linha por ele, mas até onde Reaper estava preocupado, era a única
coisa que o Czar não tinha voz.
Reaper levou-o de volta para a mesa sem aparecer. Ele foi casual
ao aproximar-se da mesa, inclinando-se para agarrar alguns
amendoins que estavam em uma lata no meio dela. Se estivessem na
casa do Czar, sua old lady, Blythe colocaria os amendoins numa
tigela. Ele voltou para a parede.
Czar esperou até que ele não fosse mais do que um borrão, assim
como ele pediu. — Este clube que você chama de 'Fantasmas', eles
são um clube real? Eles montam? Eles têm cores?
O presidente dos Demons assentiu. — Eles vieram até nós com
respeito. Nós não temos ideia de seus números. Eles estão na
fronteira do Oregon. Nós não temos muita informação sobre eles. —
Ele esfregou a mandíbula. — Minha culpa. Eu deveria ter examinado
mais, mas no momento em que minha old lady ... —Ele balançou a
cabeça. — Não há desculpas. Nós fizemos o que nós fizemos. Eu
preciso ser capaz de administrar meu produto através deste território.
Preciso que você faça isso.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 29


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Torpedo INK Livro 1

— Você não disse o porquê. Como eles fizeram você vir até nós?
Eles nos especificaram? —Hammer balançou a cabeça novamente.
— Não, não sei se você está no radar dele. Eu acho que eles estão
procurando obter seus ganchos no clube Costas Diamond. Um clube
tão grande deve ter jogadores. Você e eu sabemos que se eles
começarem uma guerra com eles, o Costas Diamond vai nos engolir.
— Mesmo assim, por que não lhes dizer que se fodam? Você não
conhece seu tamanho. Eles não têm reputação. Por que não apenas
matá-los? —A voz do Czar era leve.
— Eles têm a minha esposa. —Hammer deixou cair a verdade
diretamente no meio da sala e a tensão subiu mil por cento. De
repente, não havia ar.
Czar olhou para cima para encontrar os olhos de Reaper. Quem
diabos mete em guerra às mulheres e crianças? Quem tinha bolas
para sequestrar a mulher do presidente dos Demons e mantê-la até
que o clube fizesse o que lhes foi dito?
— Há quanto tempo eles a têm? —Perguntou Czar, de repente,
todo negócio. Ele foi de ligeiramente interessado em concentração
total.
Reaper adorava o homem, a maneira como seu cérebro entrava
em alta velocidade e ele estava consciente de cada detalhe,
absorvendo-o, tendo ideias e ordenando através delas, analisando os
prós e os contras até que ele soubesse exatamente o que fazer.
— Eles a levaram duas noites atrás. Me deram uma semana para
fazer isso. Eu vim para você primeiro. Sua saúde ... —Ele balançou
a cabeça. — Ela tinha câncer. Acabou de terminar seu último
tratamento. O sistema imunológico dela está inativo. Ele tem apenas
vinte e seis anos. É jovem. Porra, eu não sei onde ela está, mas ela é
uma boa old lady. Ela vai manter sua merda junta e saberá que eu
vou por ela. Eu só preciso comprar algum tempo para encontrá-la.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 30


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Torpedo INK Livro 1

— Essas pessoas não jogam limpo, —disse Czar. — Esta não é


a primeira vez que eles usam a família de um homem contra ele.
Nesse caso, eles estavam lá para matar a esposa e a filha. Eu não acho
que você tenha muito tempo.
— Você está disposto a ajudar?

Czar olhou ao redor da sala. Ice foi o primeiro,


batendo um ritmo suave na mesa. Savage foi o próximo, batendo na
parede, uma batida curta de um, dois. Os outros seguiram até que
restou apenas Reaper. Czar era paciente. Reaper pesava as
consequências. Não importava o porquê, ele iria atrás dos
Fantasmas, os encontraria, resgataria a mulher, e os mataria, mas se
eles fizessem isso, em parceria com os Demons, exporiam o clube e
o Czar ainda mais. A reputação deles estava crescendo no mundo
fora-da-lei. Eles não precisavam disso.
Reaper tomou seu tempo pesando os prós e os contras, assim
como ele fazia em todas as outras situações. Finalmente, com alguma
relutância, bateu seu acordo, uma batida curta de um, dois e três.
Czar assentiu.
— Não dou a mínima para o seu caminho10, —disse ele, — mas
sua esposa é uma questão diferente. Ninguém fode com nossas
famílias. Eu preciso de todas as informações que você possui dos
10
Refere-se ao dinheiro falso, o caminho que eles usam para passar o dinheiro

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 31


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Fantasmas. Nosso homem vai começar esta noite a descobrir sobre


eles também. Se eles forem um clube oficial, nós saberemos
imediatamente, e depois, teremos todas as informações que nós
necessitamos para a operação. No que diz respeito a atrasá-los, eles
acham que você está trabalhando nisso, diga a eles, se eles
perguntarem, que você tem uma reunião com o presidente de outro
clube e lance a ideia de uma associação com o dinheiro falso. Ele vai
acreditar que é o presidente dos Costas Diamond. Eu lido com os
Costas Diamond se houver um problema. Eles me devem um favor
ou dois.
Considerando que Reaper tinha eliminado dois de seus piores
inimigos para comprar a paz entre os dois clubes, Reaper sentiu que
um favor ou dois eram um pouco mais. A reputação do Torpedo Ink
cresceu mais rápido do que o desejado, trazendo algumas visitas dos
Costas Diamond. As coisas estavam tensas, mas, como sempre, Czar
tinha resolvido isso. Eles não faziam nada para competir com os
Costas Diamond, sem o conhecimento do clube, e estava
perfeitamente bem para o Torpedo Ink.
O riso solto entrou na sala através das aberturas. Sob a porta. O
som o cercou. Ele olhou em volta, mas ninguém mais parecia notar.
Czar fez dúzias de perguntas. Ele apertou a mão de Hammer e,
na porta, Absinthe devolveu todas as armas, lembrando exatamente
quem tinha trazido o quê.
— Nós vamos tê-la de volta, —assegurou Czar.
Hammer assentiu, seu rosto sombrio. — Esses caras jogam para
valer.
Czar sorriu. Não havia humor nesse sorriso. Ele parecia o
predador que era, todo o charme fácil desapareceu. — Nós também,
—disse ele.
No instante em que os Demons foram embora e saíram do bar,
Czar voltou para seus irmãos. — Code, pegue isso nesta noite. Eu sei
que todos estão cansados, mas vamos ficar sem tempo muito

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 32


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rapidamente. Reaper, durma um pouco, mesmo que tenha que se


drogar. Você parece um inferno, e eu vou precisar de você sobre isso.
Possivelmente você e Savage.
Reaper balançou a cabeça. — Um de nós fica com você.
— Cada membro desse clube foi treinado como um assassino,
Reaper. Eles sabem como me proteger.
— O que acontece se esses fantasmas se aproximarem de você e
de sua família. Blythe? As meninas? Já passaram pelo inferno.
Kenny? Ele também. Não estou disposto a assumir o risco. Sua
família é nossa. Sob nossa proteção. Nós não ...
— Bem. Basta dormir um pouco. Saia daqui.
Reaper ficou feliz de sair dali. Ele tinha coisas para fazer, como
ir ao acampamento e ver se Anya ainda estava lá. Ele disse a si
mesmo que aquela risada era de alguma outra mulher e que soava
parecido. Ainda assim, quando ele chegou ao corredor, seu olhar já
estava procurando-a. Ele ficou no meio do corredor atrás do bar.
Seu coração pulou. Ela estava lá. Que porra é essa? Ele tinha
conseguido voltar quase morto para o clube. Ele pediu uma coisa.
Uma coisa. Ela virou a cabeça para olhar por cima do ombro, dando-
lhe um sorriso. Seu coração tropeçou. Enlouqueceu. Ele ignorou.
Não se deixaria perceber quanta porra de cabelo ela tinha. Ou que
mesmo penteado para trás e amarrado em um longo rabo de cavalo
quase alcançou a curva de seu traseiro.
Ele se recusou a ver que seus seios eram perfeitos. Sob o top
apertado, as generosas ondulações estavam delineadas, exuberantes,
suaves. A cintura dobrada apenas enfatizava que ela tinha sido
dotada de seios e quadris, o sonho de um motociclista. Ele não estava
a ponto de notar a maneira que os jeans azuis desgastados abraçavam
sua bunda tão amorosamente. Ou a forma como a bunda balançava
quando ela andava. Do fato de ele teve muitas fantasias sujas sobre
seu traseiro, seus seios e seus cabelos. Se algum outro homem que ele

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 33


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conhecesse tivesse os mesmos pensamentos sobre ela, ele os


matariam.
Ele se virou e seguiu de volta pelo corredor para abrir a porta da
sala de reuniões. — O que. Foda. —Ele cuspiu as palavras em Czar.
— Que porra ela ainda está fazendo aqui? —Reaper exigiu. — Eu te
disse para se livrar dessa cadela. Ela não pertence a esse lugar, e você
sabe disso. Ela provavelmente é uma policial que procura nos
derrubar. Ou ela é uma cadela rica fingindo ser pobre, que quer foder
com um motociclista. De qualquer maneira, é um problema.
Ele estava desesperado para não sentir. Para não ter seu pau tão
duro como uma maldita pedra ou sua mente em caos, ou seu coração
gaguejando como se fosse parar a qualquer minuto. Isso não ia
acontecer com ele. Não. Nunca. Ele perdeu tudo quando era
adolescente e ele tinha tido mais mulheres do que ele poderia desejar.
Ele continuou a perder isso ao longo das histórias quando teve que
fazer trabalhos para o homem que o manteve trancado e depois o
mandou atrás de alvos, homens e mulheres que ele teve que matar
para que seus irmãos e irmãs sobrevivessem. Muito sexo. Nada disso
foi bom. Ele treinou para controlar seu corpo. Ele não tinha coração.
Nem alma. Ele não precisava de uma mulher que encontrasse o
caminho debaixo de sua pele. Ele estava perto do pânico e Reaper
em pânico não era bom. Pessoas ao redor dele morreriam.
O olhar de Czar passou por ele, e o presidente de Torpedo Ink
levantou-se lentamente. Esse é o tamanho do caos que a mulher
criava em Reaper, o não saber que ela estava bem atrás dele. Ele
sempre sabia. A vida de Czar dependia dele saber. Ele se virou para
encará-la.
Sua beleza tirava o fôlego. Não apenas beleza. Ela era uma
fodida gatinha sexual, com todo aquele cabelo escuro e ondulado.
Muito. Um homem mataria para sentir todo aquele cabelo
deslizando sobre seu corpo, para vê-lo em seu travesseiro e
escovando seu pênis e coxa antes dela envolver sua boca ao redor
dele.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 34


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Os olhos eram grandes e de um profundo verde esmeralda. Ele


fantasiou demais sobre esses olhos olhando para ele quando ela
viesse em seus braços. Agora, eles ardiam contra ele, gemas gêmeas
brilhando com pura raiva. Ele não falou. Ele raramente falava com
aqueles fora do clube, certamente não com mulheres. Ela, em
particular. Ela era tudo o que ele não era. De classe. Uma gatinha de
sexo de classe, mas ainda assim, ela parecia estar em uma cobertura,
não em um bar de motociclista.
— Eu não fiz nada para você, —ela sibilou. — Nada. Tenho
trabalhado duro, e eu preciso deste trabalho. —Quando ele não
respondeu, a fúria em seus olhos aumentou e ela se aproximou,
conduzida pelo puro desespero. Isso também estava nos seus olhos.
— Responda-me. Você fica sentado lá olhando para mim noite
após noite, como se eu fosse um inseto horrível que você quer pisar,
e agora você está tentando fazer eu perder meu trabalho.
Ele não respondeu. Czar sabia o que diabos ele queria. Ele havia
feito seu pedido e queria dizer.
Ela o empurrou. Colocou ambas as mãos no peito dele e
empurrou com força. Ele não se moveu, mas seus dedos se fecharam
sobre seus pulsos como se estivessem segurando as palmas das mãos
contra o peito dele. Todos os seus irmãos estavam de pé, sabendo que
ninguém colocava as mãos sobre ele e vivia. Ninguém. Ele deixou
ela. Ele poderia ter parado ela. Ele era tão rápido. Os irmãos também
sabiam disso.
As lágrimas brilhavam em seus olhos, e algo dentro de seu peito
quebrou. Ele pensou que ao deixá-la tocá-lo, iria acabar com isso, a
obsessão insana que ele tinha com ela. Não havia outra palavra para
o que ele estava sentindo, sentado em um bar por mais de um mês,
não dizendo uma palavra, apenas olhando para ela. Apenas tentando
manter seu pau rebelde sob controle. Ele falhou miseravelmente.
Deixá-la colocar as mãos nele foi um erro terrível. Agora ele
tinha a sensação das palmas dela, do calor que elas geravam. Sentia
como se elas estivessem dentro de sua camisa em sua pele. Então,

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 35


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através da pele, até os ossos. Profundo. Derretendo-o


completamente. Ele podia sentir o cheiro dela. Era leve, grapefruit11 e
tangerina? Fosse lá o que fosse, envolveu-o e penetrou através de seus
poros. Era um afrodisíaco e seu corpo respondeu, tornando-o tão
duro que passou de dolorido para muito dolorido. Ela tinha que ser
uma bruxa ou uma mulher treinada como ele, para enganar o sexo
oposto e depois entregar a matança.
Ele deveria tê-la afastado. Ele não deveria segurá-la contra seu
corpo para que ela pudesse sentir o eixo de aço em seus jeans. Ele
olhou para os olhos dela. Aquelas brilhantes gemas verdes. A fúria
recuou lentamente até o olhar parecer receoso. Ela deveria ficar. Ele
não tinha ideia do que faria com ela. Ele sabia que ninguém poderia
detê-lo se ele a arrastasse para a sala mais próxima e empurrasse seu
pau nela. Reclamando-a. O que diabos estava errado com ele para
pensar nisso? Eles podiam detê-lo se ele a matasse. Poderiam.
Seus irmãos sabiam que ninguém o tocava. Eles também sabiam
que ele poderia ter parado ela antes de suas mãos chegarem ao peito
dele. Ele não tinha e eles estavam lá, observando-o, perguntando o
que diabos ele estava fazendo. Ele estava se perguntando o mesmo.
— Você não coloca as mãos na moto de um homem, Anya, —
ele disse suavemente. — E você com certeza, nunca as coloca em um
homem como eu sem um convite, você entendeu?
A ponta da língua tocou o lábio superior e depois seus dentes
morderam os exuberantes lábios inferiores. Ela assentiu. Ele teve que
morder um gemido de necessidade. Olhando para seu rosto, a pele
macia, olhos grandes, do tipo que um homem poderia olhar para o
resto de sua vida, ele soube que nunca deveria ter falado com ela. Ele
nunca deveria ter dito seu nome, não na frente dos outros. Eles o

11
Grapefruit – A toranja ou toronja, também conhecida pelo seu nome em inglês grapefruit (Citrus ×
paradisi) é um citrino híbrido, resultante do cruzamento do pomelo (Citrus maxima) com a laranja (Citrus × sinensis).

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 36


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conheciam muito bem e tudo o que ele fez até agora foi
completamente fora do personagem para ele.
Ele não queria deixá-la ir, mas mantê-la próxima estava
colocando seu cérebro em um frenesi matar-ou-ser-morto. Não era
seguro. Ela não estava segura com ele. Ele a deixou ir abruptamente,
observando que não deveria ter segurado seus pulsos com tanta força.
Ela teria hematomas. Ele não colocava contusões em mulheres. Ele
estava tão fodido. Ele tinha que ficar longe de Anya Rafferty.
Ela engoliu em seco e, ainda olhando nos olhos dele, dirigiu sua
pergunta para o presidente. — Ainda tenho um emprego, Czar?
Ele podia dizer que ela estava com a respiração alterada. Ele
estava. Ele não sabia qual a resposta que queria.
Czar olhou para Reaper. — Depende de você, irmão. Você quer
que ela vá, ela vai.
Merda. Foda. Porra. Ela ficou parada lá olhando para ele, seus
olhos molhados, seus cílios escorrendo. Ele respirou fundo. Não
havia maneira de salva-la. Nenhuma. — Eu não posso dar uma
merda, —ele mentiu.
— Volte ao trabalho, Anya, —ordenou Czar. Ele estava olhando
para Reaper, não para a Bartender.
Alívio inundou seus olhos. O rosto dela. Seu corpo. Por um
momento, ela baixou a cabeça, apenas respirando profundamente, e
então ela endireitou os ombros, ergueu o queixo e deu uma olhada
para Reaper. — Obrigado, Czar, e eu voltei aqui para lembrá-lo que
ainda está faltando esse pedido. Não chegou nada hoje. Eu verifiquei
em todos os lugares. Ou alguém recebeu, ou eles mentiram e não
enviaram.
— Quem assinou para isso?
— Eu acho que foi Preacher. Ele estava aqui ontem assim como
esta noite. Quando ele verificou a ordem, nós não tínhamos recebido.
Voltei a verificar como ele me pediu, e ele estava certo.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 37


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Christine Feehan
Torpedo INK Livro 1

— Vamos cuidar disso, —disse Czar e olhou por cima do ombro


para Ice. Ice assentiu com a cabeça. Ninguém ferrava com eles.
Ninguém. Se a empresa não trabalhasse bem, eles iriam lamentar
muito.
Anya virou-se e caminhou de volta ao corredor em direção ao
bar. Reaper assistiu-a todo o caminho. Seu olhar estava na bunda
dela. Ela tinha uma fluência que fez água em sua boca.
Czar o cutucou. — Vá para casa.
— Você não a demitiu. —Ele não parou de olhar para ela.
Aquele longo rabo-de-cavalo grosso chamava-o. Ele envolveria toda
aquela seda em torno de seu punho e a usaria para guiar sua cabeça
onde quisesse que fosse. Ele estava tão duro que não conseguia dar
um passo.
— Mais razões para mantê-la ao redor do que deixá-la ir.
— Nunca te pedi nada, Czar. Nada. Nunca. Você não me deu
isso. Por quê? —Ele precisava saber.
— Você teve sua chance de se livrar dela. Você não aceitou.
— Você sabe bem, eu queria que ela fosse embora. Por que ela
ainda está aqui?
— Você se sentou nesse bar todas as noites durante mais de um
mês, Reaper. Você a seguiu para casa todas as noites. Você quer que
ela vá embora. Você me diz por que ela o incomoda tanto.
— Esse não é o ponto. —Ela estava no bar agora, inclinando-se
para um cliente. Rindo daquele jeito. Dando isso a um dos
aspirantes. Ele estava olhando para a frente de sua camisa.
Sensualmente. Ela inclinando-se ligeiramente. Era o que bastava
para fazer a cabeça de Reaper querer explodir. — Ela não é o que ela
quer que acreditemos. Isso poderia ser uma ameaça para você. —
Mesmo quando ele dizia, ele sabia que era uma besteira. Ele sabia
que não era a verdade.
— Eu acho que ela é mais uma ameaça para você, —disse Czar.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 38


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Torpedo INK Livro 1

Reaper desviou o olhar de Anya e olhou para o homem que ele


respeitava desde que ele tinha apenas cinco anos de idade. O Czar
tinha um sorriso malicioso. Reaper balançou a cabeça. — Te ocorreu
que eu sou uma ameaça para ela? Você me conhece. Você sabe o que
eu faço, inferno, você foi o único que me enviou para matar pela
primeira vez. Eu mato pessoas.
— Pessoas que feriram outros, Reaper. Há uma diferença. Você
não mata indiscriminadamente. Nós não somos mais assassinos. Era
para o que fomos treinados. Era nosso trabalho. Nós fizemos o que
tínhamos que fazer para sobreviver. Todos nós sobrevivemos por sua
causa. Dezoito crianças de quase trezentas. Aqueles dezoito vivem
por causa do que você fez por nós. Você não é o que você pensa.
— Eu sou. Você é o único que não vê isso porque sente que me
deve.
— É o que você pensa? Eu sinto que eu devo a você? Eu a
deixaria ir se essa fosse a única razão. Descubra isso, Reaper. Agora
durma um pouco. E tenha Lana ou Alena olhando essa bagunça em
suas costelas antes de ir para a cama. Então, amanhã, eu quero que
você veja o Doc.
Reaper percorreu o corredor sem reconhecê-lo. De jeito nenhum
no inferno iria para a cama agora. Havia três idiotas olhando de
soslaio para a bartender, e ele não iria permitir que a machucassem
de qualquer maneira. Ela com certeza não iria para casa com um
deles—não que ela já tivesse feito isso. As duas garçonetes
costumavam fazer, mas nunca Anya. Mas ela estava no fechamento.
Isso significava que ela estava sozinha no bar e qualquer um poderia
esperar no escuro por ela.
Ele encontrou uma mesa na parte de trás do bar. Estava escuro
e a música era alta, irritando-o. Ele se sentou de costas para a parede
de onde tinha uma boa visão do bar. Ela era bonita. Ele inclinou a
cabeça contra a parede e começou a olhar para ela, sem se importar
que alguém notasse. Ele estava muito cansado de se importar. Ele
estava hipnotizado por ela. A maneira como ela se mexia. A maneira

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 39


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Torpedo INK Livro 1

como ela falava com os clientes. Tão fácil. Ele não tinha esse dom e
nunca teria.
Betina, uma das garçonetes, apareceu na frente dele. — Reaper,
você está de volta. É muito bom vê-lo. —Ela se inclinou para frente
até que seus seios quase caíssem de sua camiseta de alças. Ela usava
dois tamanhos menores, e seu sutiã de renda vermelha aparecia
contra o tecido preto.
— Café. —Uma palavra. Ele odiava até mesmo lhe dar isso. Ele
manteve os olhos na bartender. Em Anya. Ela notou a garçonete em
sua mesa e já estava derramando o café para ele. Ainda assim, por
algum motivo, havia um pouco de carranca no rosto quando ela viu
Betina praticamente empurrar seus seios no rosto dele. Ele queria
empurrar a mulher, afasta-la, mas isso exigiria tocá-la.
— É tudo o que posso fazer por você esta noite? Apenas diga a
palavra e fico feliz em fazê-lo. —Ela sorriu de novo. Toda predatória.
Anya estava de repente lá. Ela colocou a caneca de café quente
fumegante em sua mesa. — Betina, estamos cheios esta noite. Você
sabe qual é o pedido de Reaper, então se mova.
Betina pareceu chocada. Ela se endireitou imediatamente, olhou
para Anya e depois afastou-se. Anya se afastou também. Não
olhando para ele. Não falando uma palavra para ele. Ele não tinha
ideia do que seu corpo deveria fazer antes de seu cérebro chutar. Ele
pegou seu pulso, impedindo sua fuga.
Ela ficou de frente para ele, respirando fundo. Ele esperou. Ela
finalmente virou-se para ele, mordendo o lábio, parecendo
apreensiva. Ele virou o pulso para cima muito gentilmente, a
almofada do polegar deslizando sobre sua delicada pele. Havia
marcas que já está aparecendo. Manchas. Suas impressões digitais.
Em sua pele. Uma parte dele, que deveria fazer com que ele se
sentisse como um pau fodido, envergonhado de usar tal força. Ele era
forte. Ele preparava seu corpo todos os dias para a guerra. Ele sabia
mais do que machucar uma mulher.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 40


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Ele amava as impressões digitais em seus pulsos. Ele pegou as


duas mãos, usando os polegares para deslizar sobre elas, desejando
que suas digitais fossem tatuadas nela. — Você tem problemas com
aqueles idiotas no bar, você olha para mim. Me compreendeu? —Era
uma ordem. Ele não pedia. Os três estavam ficando bêbados e
queriam problemas. Eles também queriam Anya. Ela assentiu, e ele
permitiu que ela afastasse suas mãos. Ela andou de volta ao bar.
Betina se inclinou para o bar, pegando bebidas para uma das
mesas. Deliberadamente ela escolheu deslizar entre os três
perturbadores. Um espalmou seu traseiro, apertando e fazendo
ruídos obscenos, a língua fora de sua boca, simulando o que ele
poderia fazer com ela. Ela jogou a cabeça para trás e riu, empurrando
de volta para ele com seu traseiro. Quando ela virou com a bandeja,
ela se certificou de que seus seios escovavam o braço dele.
O bar tinha um segurança que eles empregavam, Fatei, um dos
prospectos12 mais recentes. Ele tinha estado em uma das escolas da
Rússia com o irmão do Czar, Gavriil. Ele parecia ser um bom
homem. Ele nunca interferia a menos que uma garçonete lhe desse
um sinal. Ele não o fez agora. Reaper pegou a caneca e tomou um
gole de café. Estava fresco e quente. Ele precisava disso. Ele esticou
as pernas para a frente para aliviar a ferida em seu lado. Para aliviar
a dor no jeans.
Ele não deveria ter falado com Anya. Ele não deveria ter
permitido que ela colocasse as mãos sobre ele. Ele ainda podia sentir
suas palmas, como se tivessem derretido sua camisa, bem abaixo das
cores, e o marcado até o osso. Ao maldito osso. Era o que ela tinha
feito. Ela tocou seu peito. Ele não deveria ter aberto sua jaqueta antes
de entrar no bar, mas a explosão de calor sempre o pegava quando
ele vinha de um passeio, então ele fez o que sempre fez. Agora ele
usava sua marca.
Ele a queria. Ele considerou isso. Deixou-o se instalar em sua
mente. Não era uma ordem para seduzir uma mulher, não era a

12
E um faz tudo, alguém trabalhando para se tornar um membro do clube completamente.

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escola dirigida por pedófilos e doentes, criminosos torcidos que o


forçavam a realizar todos os efeitos sexuais imagináveis. Isso não era
algo inventado. Pela primeira vez em sua vida, seu corpo escolheu.
Ele escolheu. Sua escolha foi ela. Anya Rafferty.
Ela deveria ter saído enquanto podia. O Czar deveria ter
arrumado um jeito de mantê-la fora do caminho. Ele tentou salvá-la.
Mais ou menos. Agora, era muito tarde porque ele se tornara
obcecado com ela. Ele desejou que fosse Betina. Ele poderia usar
Betina e jogá-la longe. Ela queria esse estilo de vida, mas Anya se
mantinha distante. Ela era esquiva. Estava lá, mas na verdade não.
Inabalável. Ela não encorajava ou deixava clientes colocarem as
mãos sobre ela.
Ele tomou outro gole de café. O bom era que ele chegou tão
tarde, que o bar fecharia em breve. Ele estava cansado e queria
dormir um pouco. Ele teria certeza que Anya estava segura e depois
abriria o saco e dormiria enquanto o corpo deixasse.
Ele relaxou, deixando sua mente vagar, mas, como sempre,
quando fazia isso, ela não ia para um bom lugar. Ele não conhecia
muitos bons lugares. Quando ele tinha quatro anos, seus pais tinham
sido assassinados e ele tinha sido tirado de sua casa junto com seu
irmão mais novo e duas irmãs mais velhas para uma "escola" para que
fossem reabilitados e transformados em ferramentas úteis para o seu
governo. Descobriu-se que Sorbacov, o homem por trás dos
assassinatos, estava usando os alunos de sua escola particular para o
seu próprio prazer torcido.
Ele ficou alerta, recusando-se a ir para lá. A Rússia estava longe.
Sorbacov estava morto e não podia mais forçá-los a matar por ele. Os
sobreviventes se juntaram, formaram seu clube, vieram para os
Estados Unidos, para a pequena cidade de Caspar, onde construíram
um lar permanente. Como os planos do Czar. Sua mulher vivia na
costa e ele tinha vindo reivindicá-la. Ela e cada criança que precisava
de ajuda por quilômetros. Onde Czar ia, o resto deles o seguia.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 42


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Torpedo INK Livro 1

— Querida, preciso de outra bebida. Venha aqui. Eu me sinto


negligenciado.
Reaper estreitou os olhos quando um dos três homens chamou
Anya. Ela estava servindo outro cliente no final do bar. Preacher
tinha ido dormir, deixando o fechamento para ela. A maioria dos
motociclistas tinha ido, apenas alguns pendurados até o final
amargo. Reaper não gostou que os três bundões ainda estivessem lá.
Estavam esperando que o bar se fechasse para que pudessem ir para
casa com as garçonetes, ou estavam esperando que Anya estivesse
sozinha.
Ela enviou um doce sorriso ao motociclista. — Um minuto.
Ela voltou para o cliente, sorrindo para ele. Dentes brancos. Um
lábio rosa suave mostrando aquele lindo arco de boca. Ele não podia
decidir se ele gostava mais de seu lábio superior ou do inferior, mas
bastava dizer, ele amava sua boca. Não gostou quando ela deu seu
sorriso aquele motociclista.
Muito devagar, ele puxou as pernas para trás, tirando-as de
debaixo da mesa para que pudesse se mover rápido se o homem
saísse da mão. Deu uma olhada a Fatei. O prospecto estava alerta, já
marcando os três problemas. O aviso das últimas bebidas tinha
acabado de soar, então era legítimo o suficiente tomar uma bebida.
Quase todos os que ficaram no bar estavam pedindo, não que
houvesse muitos.
Um velho sentou-se no banquinho na extremidade mais
distante. Seu nome era Bannister e ele estava lá frequentemente. Ele
tinha longos cabelos grisalhos e uma barba grisalha. Ele usava um
colete velho que tinha visto dias melhores, mas o homem era
obviamente um independente13 e estava no mundo deles há muito
tempo. Ele raramente falava, era educado, mas soltava a vibração
que queria ser deixado sozinho. Ele terminou a última bebida, mas
não partiu. Virou-se para os três bundões e apenas esperou.

13
Independente: um motociclista sem afiliação ao clube

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 43


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Torpedo INK Livro 1

Anya sorriu para eles, ambas as mãos na bancada do bar, sem


inclinar-se desta vez. — O que posso fazer por você? Estamos
fechando em dez minutos e eu estou terminando aqui, então é seu
último pedido.
— Estamos esperando por você, querida, —disse um. — Eu sou
Deke. Trident e Skid.
Ela mostrou outro sorriso. — Bebidas.
— Outra rodada de tiros14.
Ela assentiu e se virou. Um deles alcançou o bar, tentando pegar
seu cabelo. Ela se foi antes dele conseguir tocá-lo, e sua mão se
afastou. Fatei encostou de um lado, e para a surpresa de Reaper, o
homem mais velho fez isso do outro. Tudo o que Anya tinha que
fazer, se ela se sentisse insegura, era levantar a voz e chamar por
socorro ou apertar o pequeno botão de pânico atrás do bar. De
qualquer forma, membros do Torpedo Ink sairiam da sala de
reuniões e aniquilariam qualquer pessoa que a ameaçasse. Ela
trabalhava para eles. Ela estava sob sua proteção e de ninguém além
dele. Ela não precisaria desse tipo de proteção porque ele estava ali
mesmo, esperando para acabar com alguém que olhou como se
pudesse prejudicá-la.
Deke olhou para a homem mais velho à esquerda e riu,
endireitando-se. Ele era um grande homem e sabia disso.
Provavelmente ele não era desafiado com muita frequência. — Tem
algum problema comigo, velho? —Seu tom era beligerante.
Anya virou, colocou os copos no bar batendo
desnecessariamente e derramando os tiros. — Aí está. Não toleramos
problemas aqui, Deke. Bannister é um frequentador regular.

14
Em inglês round of shots, são bebidas, ou ‘tiros’ como são chamados, de tequila, vodka,
Bourbon ... etc ...

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 44


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Torpedo INK Livro 1

Ela estendeu a mão pelo balcão e colocou a mão no ombro do


homem mais velho. Reaper odiava isso. Mais do que odiava isso. Ela
era sensível. O que diabos era isso? Ele nunca tinha entendido. Ao
vê-la, ele sabia que era uma parte dela e ela precisaria disso. Quando
ela estivesse com ele, não tocaria outros homens. Não. Nunca. Ele
teria que aprender a tocá-la com frequência. Para dar-lhe isso.
O que diabos ele estava pensando? Com ele? Ele estava fora de
sua malditamente pele. Ela fez isso. Ela o torceu até que ele não
conseguia pensar direito. Ele não estava procurando uma mulher,
uma old lady15. Ele não estava procurando ser amarrado. Coisas assim
não duravam. Certamente, não com um homem como ele. Ele não
era prêmio. Ele era duro como rocha. Um assassino. Um homem
cansado e torcido que precisava causar dor aos outros e tê-la infligida
a ele. Que lugar havia para uma mulher com um homem como ele?
— Você quer café, Bannister? —Anya riu suavemente da
expressão do velho. — Não me olhe assim. Não vou envenenar você.
Deke, parecendo irritado, engoliu o tiro. — Vamos lá, —ele
chamou os outros, olhando ao redor do bar. Ele cuspiu aos pés de
Fatei e depois saiu do seu banco, batendo em Bannister com o ombro.
— Lixo, —disse Bannister. — Eles nunca serão mais do que isso.
Homens como esse acham um ao outro. Você tem alguém esperando
para ter certeza de que você estará segura esta noite? Não gosto da
maneira como eles estavam olhando para você.
Reaper moveu-se o suficiente para cintilar as tábuas do chão.
Bannister girou e então relaxou quando reconheceu as cores de
Reaper e do Torpedo Ink. Ele assentiu, com alívio no rosto. — Bom.
Você tem alguém.
Ele começou a atravessar a sala em direção à porta. Reaper
sinalizou para Fatei ir com ele. Não era só Anya que os três idiotas

15
Old Lady: esposa ou mulher que esá com um homem há muito tempo. Não é considerado desrespeitoso e não tem nada a ver
com a idade.

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Torpedo INK Livro 1

podiam seguir. Eles estavam bravos e bêbados o suficiente para


arrumar uma briga com o homem mais velho.
— Você vai ficar esta noite? —Perguntou Fatei. — Eu vi os
outros sair pela porta dos fundos.
Anya assentiu, confundindo o prospecto, pensando que ele
estava falando com ela. — Eu estou bem, Fatei. Obrigado pela sua
ajuda esta noite. —Ela olhou para Reaper sob seus longos cílios. —
Você não precisa ficar. Vou trancar. Czar e os outros saem pela porta
traseira e bloqueiam essa.
Por resposta, a mesma que lhe deu todas as noites, desde que
estava lá a mais de um mês, Reaper voltou à sua mesa. Ele estava
sem café e levantou o copo. Ele precisava da cafeína para ficar
acordado. Anya trouxe o bule para ele, enchendo outro copo. Ele
tinha três até agora, mais do que ele normalmente bebia.
Betina e Heidi, a outra garçonete, recolheram todos os copos
vazios e os colocaram na máquina de lavar louça e, em seguida,
limparam todas as mesas, mas Reaper se sentou esperou o fim da
noite. Ninguém se aproximou da sua mesa para algo mais do que lhe
trazer café ou perguntar se ele queria uma bebida novamente. Elas
com certeza de merda não o incomodaram para limpar a mesa.
Ele viu Anya voltar para o bar. Era uma coisa bela, a maneira
como a mulher andava. Os jeans azuis eram apertados, agarrando
sua bunda. As palmas dele coçavam. O peito dele queimava. Sim, ela
o marcou, ferrou-o, a pequena bruxa.
Ela era alta, com pernas que continuavam para sempre. Pernas
que facilmente se enrolariam em torno de sua cintura quando ele a
pegasse e enfiasse seu pau nela. O cabelo dela estava brilhando sob
as luzes, e seus olhos eram grandes e os cílios ainda maiores. Ele
gostava do final da noite, quando estavam sozinhos no bar e a noite
era toda deles. Ela trabalhava e ele fantasiava, o que não era
exatamente justo, mas se ele se oferecesse ajuda ela teria dito não.
Ele sabia, porque algumas vezes, ele tinha levantado e colocado as
cadeiras sobre a mesa para ela. Ela não gostou. Ele ainda fazia isso e

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 46


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Torpedo INK Livro 1

supôs que faria hoje à noite, embora doesse como o inferno quando
ele levantava o braço esquerdo.
— O que sobre mim, você não gosta?
Sua voz o assustou. Chocou-o. Ela não falava com ele, ele não
falava com ela—essa era a regra tácita entre eles. Ela estava
infringindo uma lei entre eles. Ela não estava olhando para ele. Ela
estava trabalhando atrás do bar.
Limpando. Contando o dinheiro do caixa. Ela nunca pegou um
centavo ou deu dinheiro a mais, ele sabia porque tinha feito Code
verificar cuidadosamente. Nada com números passava por Code.
— Reaper, você começou isso tentando me demitir. Preciso do
trabalho. Eu gostaria muito de saber o que fiz para fazer você tentar
que eu fosse demitida. Não posso perder esse trabalho.
Ela fez uma pausa, inclinando a cabeça, olhando-o diretamente
nos olhos.
— Você tem o trabalho. —Isso era óbvio. Czar, por algum
motivo estranho, apoiou Anya, não a ele. Esse tipo de coisa nunca
aconteceu. Ele não queria pensar muito sobre o que Czar estava
tentando dizer a ele, deixando Anya continuar ali. Não importava
que o Czar tivesse jogado a responsabilidade sobre seus ombros e ele
evitasse dar uma resposta, Czar sabia que Reaper queria que ela fosse
embora.
Ela exalou com exasperação. — Não é isso o que eu estou
perguntando.
— Deixe quieto. —Não era uma sugestão.
Ela parecia ferida. Deus. Ele odiava quando ela parecia assim e
ele sabia que foi o culpado por essa expressão em seu rosto. Ela se
afastou dele e voltou ao trabalho, fechando o balcão. Ela nem teve
sua atitude habitual quando ele colocou as cadeiras de cabeça para
baixo nas mesas para permitir que o esfregão fosse passado no chão.
Ele teria uma palavra com Czar sobre as garçonetes partirem antes

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 47


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que toda a limpeza fosse feita. Anya, ou alguém que estivesse


fechando, não deveria ter que fazer toda a limpeza.
Anya trabalhava por três. Ela normalmente o fazia. Ela era
minuciosa, tendo certeza que tudo estava pronto para o próximo
turno antes de desligar as luzes, pegar o casaco e as chaves e começar
a sair do bar. Reaper fez o que sempre fazia. Ele saiu pela entrada
traseira e deu a volta ao redor do lado do prédio para aguardar por
ela nas sombras.
Anya pensaria que ele tinha ido embora. Que ele pegou sua moto
e foi embora, quando ela entrava em seu carro, como parecia fazer
todas as noites. Ele olhou cuidadosamente ao redor do
estacionamento. Ela não tinha o carro. Ele estava na sombra, os
braços cruzados no peito esperando para ver o que ela iria fazer.
Anya olhou para a motocicleta. As outras motos do Torpedo Ink
tinham desaparecido. A de Reaper ainda estava no estacionamento.
Tinha visto-a o suficiente para reconhecê-la como dele. Havia outras
três na rua até o ponto. Reaper os viu quando fez uma varredura da
estrada logo abaixo do estacionamento. Ele permaneceu nas sombras
observando-a.

Ela puxou o casaco, deu um pequeno estremecimento,


olhou de novo para a moto e depois olhou atentamente em volta.
Quando ela não o viu, começou a caminhar em direção a estrada,
não pela estrada, mas usando as estreitas trilhas na grama que a
levavam aonde queria ir.
— Ei, espere um minuto, Peitos Doces, —gritou a voz de Deke.
— Aonde você vai?

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Anya balançou, ainda no caminho estreito, mas parecia querer


correr de volta ao bar. Ela nunca conseguiu. Deke e os outros se
espalharam e ela nunca poderia passar por eles.
— Eu estou indo para casa.
— Festeje com a gente esta noite, —convidou Deke,
aproximando-se.
O outro homem com ele, Skid, começou a circular por trás dela.
Trident veio para ela pela esquerda. Deke estava mais perto. Muito
perto dela agora.
Reaper saiu das sombras. — Você está pronta, baby? —Chamou.
Ele manteve o seu olhar na principal ameaça, Deke. O homem não
gostaria de ser frustrado. Os outros dois seguiriam o código e
seguiriam o irmão. — Se apresse. Nós não temos a noite toda. —Isso
foi mais um grunhido.
Para o seu crédito, Anya não hesitou. Ela voltou para ele. Deke
pisou diretamente em seu caminho e agarrou seu braço em um ataque
vicioso. — Ela não vai a qualquer lugar com você, —ele criticou. —
Eu tenho olhado esta pequena provocadora toda a noite. Ela deixa
um homem duro e então ela simplesmente ... —ele parou, gritando
quando a faca cortou seu ombro. Foi jogada tão forte que entrou até
o fim deixando o punho descansando contra a carne.
— Venha aqui Anya, porra, —disse Reaper.
Ela correu ao redor de Deke, não olhando para nenhum de seus
dois amigos que convergiam para ele e, assim como Reaper ordenou,
ficou atrás dele.
— Você está morto! Você é um homem morto! —Deke gritou.
— Ligue para Czar. Diga-lhe que há três cadáveres de quem ele
precisa se livrar. Ele enviará alguém para fazer a limpeza. Deke é
uma pequena puta. Eu poderia ter colocado a lâmina em sua
garganta, mas isso fui eu sendo legal. Por você, Anya. Lembre-se, eu

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 49


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estava sendo legal. —Ele teve o cuidado de manter a voz baixa.


Conversacional. Zombando com desprezo nos lugares apropriados.
— Não precisa chamar Czar. —Savage, seu irmão de
nascimento, deslizou para fora da mais profunda sombra. — Eu lido
com isso. Você tira Anya daqui. Não há necessidade de ela ver isso.
— Vá, Reaper. —Ice saiu do prédio. Seu irmão Storm também.
—Preacher está deitado no telhado com um rifle sniper. Ele disse que
Anya teria problemas com esses idiotas.
Deke parou de gritar e xingar. Agora, ele e os dois amigos iam
em direção a suas motos. Quando eles se afastaram de Reaper,
praticamente bateram em mais dois membros do clube, Master e
Keys.
Master sacudiu a cabeça quase tristemente. — Nossa bartender
está sob nossa proteção. Você achou que nós permitiríamos que você
colocasse suas mãos imundas sobre ela?
— Ela estava dando em cima de mim a noite toda, —defendeu
Deke.
— Isso é verdade, Reaper? —Perguntou Ice. — Você se sentou
naquele bar e deixou sua mulher flertar com o menino bonito do
Deke aqui?
— Se ela tivesse, —Reaper disse, não negando que Anya
pertencesse a ele, embora o que ele faria com uma mulher era a
pergunta de todos, — eu teria matado ele fodidamente logo em
seguida. —Ele manteve sua voz suave, mas ele ouviu a respiração
rápida dela. Ele lembrou que ela não conhecia as regras de seu
mundo. Ela não entendia a violência com a qual eles cresceram ou
os empregos que eles tiveram como assassinos para seu governo.
— Tire-a daqui, —disse Savage.
Anya sacudiu a cabeça quando Reaper se virou para ela. Ele não
gostava que os outros fizessem seu trabalho sujo, mas ela não podia
ser uma testemunha. — Vamos. —Ele era rude. Ele não queria ser,

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 50


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mas não tinha ideia de como falar com uma mulher, e muito menos
com uma mulher como Anya, tão longe de sua liga que ele não sabia
como romper a lacuna.
Ela balançou a cabeça novamente. — O que eles vão fazer com
eles? O que vai acontecer?
— Vamos, —ele repetiu, e desta vez ele pegou seu braço com um
aperto. — O que acontecer a seguir depende deles. Nós não
estaremos mais aqui.
— Eu não quero que eles morram por minha causa, Reaper, —
ela sussurrou, mesmo que ele a arrastasse até sua moto. — Sério. Não
por minha causa.
— Se isso acontecer, será por causa das suas intenções, não por
algo que você tenha feito. —Ele entregou seu ‘coquinho’16, o pequeno
capacete que ele usava porque era lei, não porque importasse para ele
que a cabeça dele pudesse ser salva se a batesse. — Coloque-o. —
Pela primeira vez em sua vida desejava que ele fosse dono de um
capacete completo e seguro. Ele queria que a cabeça dela ficasse
intacta se eles caíssem. Ele empurrou a moto e olhou para ela com
expectativa.
— Eu posso pegar carona.
Isso o irritou. Ele a deixou ver a raiva crescendo atrás de seus
olhos. — Foda-se. —Ele esperou novamente, encarando-a.
Ela mordeu o lábio. — Meu carro quebrou. —Ele esperou
novamente, olhando-a para baixo. Ela olhou por cima do ombro. O
murmúrio de vozes era baixo, mas seus irmãos haviam cercado os
três homens.
A voz de Savage voou até eles. — Pegue a faca do meu irmão,
Ice.

16
Capacete coquinho.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 51


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Sim. Aqueles eram seus irmãos. Cuidando dos negócios.


Olhando por ele, mesmo quando ele era que deveria cuidar deles.
Satisfação agarrou-o por um momento. Afeição. Às vezes, ele
reconhecia esse sentimento, mas na maioria das vezes ele não podia
sentir, ou não conseguia identificar essa emoção quando ele a tinha.
— Anya, olhe para mim, não para eles. Isso acabou para você.
Você não viu esses três filhos da puta depois que eles foram embora.
Você me entende? Não importa quem pergunte, você não se lembra.
Eles deixaram o bar e foram embora. Você escolheu ficar quando viu
sua saída. Isso significa que você vive pelas nossas regras. Suba na
moto.
Ele recuou e esperou. Relutantemente, ela jogou a perna e
montou atrás dele. Apertado. Deus. Ele podia sentir o calor do corpo
dela. Ele pegou suas mãos nas dele e a puxou para mais perto, então
ela ficou soldada a ele. Ela fechou as mãos na cintura dele, e então
eles estavam voando pela estrada.
Ele nunca teve uma mulher na traseira de sua moto. Nem
mesmo Lana ou Alena, os dois membros femininos do clube. Ele não
podia acreditar no que sentia, o corpo dela se fundia com o dele, os
dois conectados à moto como se os três se movessem como um.
Homem. Mulher. Máquina. Anya podia ter medo dele, mas na moto,
confiava nele de forma implícita, inclinando-se para ele, movendo-se
com ele, seus seios pressionados contra as costas dele, as mãos na
cintura dele, tão perto de seu pênis que ele podia sentir que queimava.
A vibração da poderosa máquina nunca tinha sido tão erótica quanto
era com ela agarrada a ele.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 52


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— Egg Taking Station, —disse Anya contra


sua orelha, tentando gritar alto o suficiente para que Reaper a
ouvisse. O vento soltou seu cabelo e ele chicoteava o rosto dela.
Sentia-se limpa. Era emocionante. Ela se sentia mais viva do que
nunca enquanto eles comiam a estrada. Ela nunca tinha estado em
uma motocicleta, mas sentiu como se tivesse nascido em cima de
uma.
Ela fechou os olhos e pressionou a bochecha contra as costas de
Reaper. Contra suas cores. Ela nunca pensou, nem em um milhão de
anos, que ela estaria voando pela estrada na traseira da Harley dele.
Desde o momento em que ele entrou no bar depois que Czar a
contratou, ele lhe tirou o fôlego. A atração por ele tinha sido tão
intensa, que dificilmente conseguia trabalhar. Ele se instalava em
uma cadeira na parte de trás do salão, e ele ficava ali a noite toda. Ele
bebia café, nenhuma bebida alcoólica, e ficava observando-a.
Depois de um tempo, pensava em si mesma como um rato,
encurralado por um gato grande. O olhar dele não tinha sido
amigável. Não havia nada de amigável em Reaper. Nada mesmo.
Seus olhos estavam mortos. Quando ele olhava para ela, sentia
que ele poderia destruí-la sem nem mesmo piscar duas vezes. Seus
olhos eram buracos escuros, cercados por espessas pestanas escuras.
Por que ela tinha notado seus cílios quando ele parecia tão remoto,
com o rosto esculpido em pedra, todo os ângulos e planos?
Ele tinha cicatrizes no rosto, dissecando a barba escura do canto
esquerdo de seus olhos até a mandíbula, como se alguém tivesse

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 53


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Torpedo INK Livro 1

pegado uma faca e esculpido uma linha curva em seu rosto. Outra
linha seguia seu maxilar angular. Estranhamente, em seu lado direito
foi esculpido um jogo da velha com três Xs em uma diagonal. Não
era uma tatuagem, as linhas eram cicatrizes.
Ela era alta, não era da mesma altura que ele, mas estava perto.
Seus ombros eram muito largos e seu peito era extremamente amplo.
Seus braços eram definidos com músculos, juntamente com sua caixa
torácica e cintura estreitas. Seus quadris eram estreitos, suas coxas
fortes. Ela parecia olhar um pouco demais porque tinha certeza que
poderia traçar os músculos dele no papel. Tudo bem, ela tinha feito.
Ela adorava desenhar, e tinha um caderno de desenhos preenchido
com imagens de Reaper.
Havia motociclistas no bar todas as noites. Ela não se sentia
atraída por motociclistas. De modo nenhum. Seu mundo não tinha
apelo para ela. Ela prometeu a si mesma que iria rodar o mundo. Ela
estava fazendo isso de forma constante. Ela tinha feito tudo sozinha,
esculpindo um lugar para ela com as unhas. Para uma garota de
abrigos, ela não tinha feito feio. Não foi a escola, mas conseguiu
obter o GED17. Ela tinha trabalhado duro e economizado dinheiro
para ir à escola de bartenders. Ela queria ser a melhor bartender do
mundo, e ela estava a caminho. Ela não tinha mostrado a Czar, mas
poderia fazer praticamente qualquer truque que fosse feito pelo
melhor. À medida que avançava pelos melhores e maiores bares, as
dicas fluíram.
Ela respirou fundo e olhou ao redor enquanto o oceano
acelerava tão rápido que era quase um borrão. Ela estava cansada e
tinha um longo caminho a pé para chegar ao carro dela.
Verdadeiramente, ela estava aterrorizada com aquela
caminhada. Ela sabia que os animais selvagens saiam a noite,
incluindo leões de montanha e ursos. Ela pensou que talvez, coiotes.

17
GED abreviatura do Diploma de Equivalência Geral: um documento oficial nos EUA que é dado a alguém que não completou
o ensino médio (escola para estudantes de 15 a 18 anos de idade), mas que passou por um exame do governo em vez disso.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 54


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Ela não estava ansiosa para isso, mas já havia feito algumas vezes
antes.
Eles entraram na rodovia 20 e, quando eles rugiam por ela, ele
deixou a mão enluvada cobrir a dela, pressionando-as mais perto de
sua cintura. Ela nunca tinha tido consciência de outro ser humano.
Ela nunca tinha tido consciência de seu próprio corpo, a moto
vibrando entre suas coxas, o montículo empurrado contra a bunda
dele, seus peitos doendo, os mamilos em chamas, pressionados
fortemente contra ele, esfregando com toda a vibração da moto.
Adorava andar na moto com ele. Era um ser masoquista atraída
por ele. Insana mesmo. A maioria dos outros membros do clube eram
agradáveis com ela—distantes—mas legais. Ela supôs que todos os
outros membros poderiam ser considerados bonitos, mas Reaper era
sexy. Ele era poder cru. Assustadoramente perigoso. O que ele fazia
para o clube, e ela não queria saber, era um trabalho perigoso.
Quando ela pressionou o dedo no peito de Reaper, cada membro do
clube na sala ficou alerta e eles pareceram preocupados—com ela.
Ela soube imediatamente que não deveria ter tocado nele. Então ele
não a deixou ir, e ela ficou aterrorizada. Um pouco antes que Czar
lhe dissesse que ainda tinha um emprego, viu um olhar estranho
passar entre os membros do clube atrás das costas de Reaper. Eles
tinham ido de ansiosos para entendidos. Divertidos talvez. Algo que
ela não conseguiu interpretar.
A moto desacelerou, e Reaper virou a estrada de terra que levava
a área de camping. Ela agarrou sua jaqueta e levantou o rosto para
que sua boca ficasse contra a orelha dele. — Posso ficar daqui. —
Como ele sabia onde estava o carro? Ela não havia contado a
ninguém que ela vivia aqui. Era absolutamente humilhante.
Ele não havia perguntado a ela como chegar ao carro dela. Ele
não fez uma única pergunta. Ela ficou rígida, percebendo que estava
sozinha com o membro mais assustador do Torpedo Ink. Ela não
sabia nada sobre ele, além de que bebia café e não gostava dela. Seu
coração gaguejou e depois acelerou. Tinha sido tão estúpida. Ela

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 55


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Torpedo INK Livro 1

estava tão preocupada que eles iriam matar Deke e seus amigos que
ela realmente não tinha pensado sobre sua própria segurança. Isso foi
tão estúpido e tão diferente dela.
Ela era uma planejadora. Ela tinha planejado toda a sua vida.
Quando as coisas explodiram em seu rosto, ela tinha planejado sua
fuga meticulosamente, mesmo que tivesse corrido. Era Reaper. Não
havia nenhuma razão para estar atraída por ele, mas nunca sentiu
tanto desejo físico por qualquer um em sua vida. Ela sonhava com
ele à noite. Às vezes, ela fantasiava sobre ele durante o dia.
A vida de motociclista não era para ela e ela sabia que Reaper
também não, mas apenas uma vez, ela desejava poder ter uma noite
de sexo quente e escaldante com ele. O tipo de sexo que as mulheres
liam e sonhavam, mas nunca tinham realmente. Reaper era tão cru.
Tão selvagem. Primitivo. Ela sabia que ele seria cru, selvagem e
primitivo na cama. Só uma vez, ela queria experimentar esse tipo de
sexo quente, carnal e erótico. Mas o desejo não era forte o suficiente
para arriscar a vida dela. Ela não tinha ideia do que ele faria quando
chegassem a seu carro. Na melhor das hipóteses, ele lhe daria uma
palestra e a deixaria lá.
Reaper era dado a palestras. No mês em que o conhecia, ele não
tinha dito uma única palavra diferente do café. Em uma noite, ele
quebrou seu recorde e, apesar disso, não foi bom. Ele realmente, na
verdade, não gostava dela, mas os dedos cobrindo a mão dela a
deixavam louca. Ele se manteve acariciando a parte de trás de sua
mão com o dedo enluvado. Ela não sabia o que significava, mas
enviava pequenos flashes de consciência, pequenas cargas elétricas
deslizando através de seu corpo até que ela estivesse em espiral.
Ela apontou para a direita e ele virou da estrada principal para o
acampamento onde seu carro estava parado, parecendo dilapidado,
enferrujado e triste sob as árvores, onde tinha sido forçada a deixá-lo
naquela manhã. Assim que soube que ele tinha quebrado, ela se
apressou a caminhar para a rodovia principal e, em seguida, pegando
um ônibus para a cidade. Ainda assim, ela chegou atrasada no

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 56


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trabalho. Realmente tarde. Preacher ergueu uma sobrancelha para


ela, ele estava atrapalhado quando ela entrou, mas não disse uma
palavra. Nem uma palavra.
Ela teve que colocar a mão no ombro de Reaper para sair da
moto, e ele não poderia ter deixado de notar que ela estava tremendo.
Ela esperava que ele a deixasse na noite fria. Ela se afastou, tirando
o capacete quando ele desligou a moto e o silêncio se instalou na
floresta. Ainda sobre a moto, ele olhou ao redor lentamente. Ela
esperava que isso significasse que ele fosse partir imediatamente.
— Obrigado pela carona. Meu carro me deu problemas esta
manhã. Faz isso algumas vezes. Entretanto, vou chegar a tempo, —
ela se apressou em assegurar-lhe.
— Por que você não ligou? Teríamos enviado um caminhão de
reboque.
Ela mordeu o lábio. Ela não podia pagar um caminhão de
reboque. Ele não iria gostar da resposta, então ela permaneceu em
silêncio.
— Anya. Vamos deixar uma coisa bem clara entre nós. —Ele
balançou uma perna sobre sua moto e ficou sentado lá, parecendo
preguiçoso. Parecendo assustador. Não havia nada preguiçoso ou
casual sobre Reaper, de modo que a pose casual a assustou ainda
mais.
Ela ainda estava com medo de falar, então ela assentiu para
indicar que estava ouvindo. Ela sabia quando alguém dizia:
‘esclarecer uma coisa’, normalmente significava que ela não gostaria
de ouvir o que eles tinham a dizer. Havia um palpitar entre as pernas
que não deveria estar lá. Reaper fazia isso com ela, mesmo quando
ele estava sendo tão assustador como sempre. Ela estava muito
consciente de que estava sozinha com ele no meio de uma floresta,
sem ninguém à sua volta.
— Quando eu faço uma pergunta, eu quero uma resposta. Você
entende isso?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 57


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Ela sentiu um aumento familiar de calor. Seu temperamento. Ela


tinha um. Ela o empurrou para baixo, mesmo que quisesse dizer a
ele para ir para o inferno. Ela tinha avançado, seguido seu plano, e
tinha feito isso mantendo sua raiva sob controle. Ela assentiu, porque
não confiava em sua voz.
— O caminhão de reboque. —Ele estava olhando nos olhos dela,
notando seu rosto corado. Ele sabia que ela estava com raiva, sabia
que não gostava dele mandando nela. Ele não gostava dela mesmo,
então, não interessava, o que ele pensasse por ela por não ter casa ou
dinheiro. Ela levantou o queixo.
— Eu não posso pagar. Se eu pudesse, você acha que eu estaria
morando aqui no meu carro? Está congelante à noite. —Por que ela
adicionou essa informação, não fazia ideia. Provavelmente, porque
ela estava muito brava com ele sentado lá, todo preguiçoso e
superior.
Deus. Ele era a coisa mais gostosa que já havia visto. Por que ela
queria um homem que tinha mais problemas do que ela? E ela o
queria. Desesperadamente. Apenas uma noite de pura felicidade.
Aquelas mãos. Ele era tão forte. Ele saberia o que estava fazendo.
Toda vez que seu olhar roçava qualquer lugar em seu corpo, sentia
como um toque físico. Quente como o inferno. Persistente. Ele era
um bastardo. Ele tinha que saber como estava afetando-a
— Você está morando nesse balde de ferrugem?
Ela assentiu. — Estou cansada. Obrigado pela carona e obrigado
por me salvar de Deke, embora eu não tenha certeza que jogar uma
faca contra ele era preciso.
— Isso fui eu me controlando, por você. Agora, pegue o que você
precisa do seu carro e suba na minha moto. Não estou discutindo,
estou levando sua bunda para a casa do clube.
Um chuveiro. Um lugar quente. Seria o paraíso. Ela estava se
lavando no banheiro do trabalho. Não havia chuveiros nos
acampamentos, e nenhum banheiro real. Por um segundo, ela ficou

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 58


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tentada, mas sabia não se deixar confiar em ninguém mais. Ela tinha
que sair da situação por conta própria. Anya forçou um sorriso. —
Realmente, obrigado. Agradeço a oferta, mas não posso ir com você.
Eu juro que não vou me atrasar para o trabalho amanhã ...
Ele levantou e saiu da moto. Era um grande homem. Enorme.
Chegando a ela, uma sólida parede de puros músculos, e ele estava
vindo rápido. Ela recuou, tropeçou, mal se equilibrou, sem ar nos
pulmões e com um frisson de medo subindo pela coluna vertebral.
Ela levantou uma mão para afastá-lo, como se isso funcionasse.
— Foda-se, —ele murmurou, passando por sua mão. — Vou
enviar Lana ou Alena para pegar suas roupas. —Ele pegou sua mão
estendida, puxou-a para ele e então ela estava de cabeça para baixo
sobre o ombro dele.
Ela soltou um grito feminino que rapidamente abafou, e então o
socou. Duro. Direto nas costelas. A respiração dele sibilou e ele se
encolheu. A mão dele desceu em sua bunda. Muito duro. Indignada,
ela bateu nele novamente. Ele repetiu o golpe exatamente no mesmo
lugar e o fogo correu por ela. Espalhou-se. Ela não sabia se foi
doloroso ou se sua raiva tinha subido, ou se ele era tão sexy que
qualquer coisa que ele fizesse enviava calor por suas veias e entre suas
pernas.
Ele colocou-a ao lado da moto, xingando em voz baixa. Sua cor
estava apagada. Quase cinza. Ela olhou para as costelas dele. Ela o
atingiu, mas esse homem era o executor do clube. Ela não sabia
muito, mas sabia que ser gerente de armas significava o protetor do
clube. Ele devia ser capaz de receber um golpe nas costelas sem se
encolher.
— Suba na maldita moto.
— Pare de xingar comigo.
— É uma palavra. Não significa nada.
— Então, deve ser bastante fácil parar de usá-la.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 59


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— Anya. —Ele disse seu nome entre os dentes cerrados. —


Estou sem paciência. Eu estou a quarenta e oito horas sem dormir e
eu tive o suficiente de ser educado. Não é minha coisa. Agora suba
na moto.
— Abra sua jaqueta.
Seus olhos eram lindos. Tão intensos. Sombreados.
Chocantemente azuis. Frios como gelo. Agora, aqueles olhos
perfuravam os dela e ela não pôde evitar o arrepio em seu corpo. Ela
não ia recuar, não importava o medo que ela estivesse sentindo. Ele
estava ferido. Ela sabia que ele estava. E não era uma coisa pequena.
Parecia que ele poderia matá-la se ela continuasse desafiando-o. Isso
também não importava. Ela suspirou.
— Eu irei com você se você abrir sua jaqueta e me deixar ver.
— Você vai comigo porque eu disse-lhe para ir, porra, —ele
estalou.
Ela ignorou a besteira machista. — De boa vontade.
Ele estudou seu rosto pelo que parecia uma eternidade. O olhar
dele desceu, sobre seu corpo, tocando seus seios, a junção entre as
pernas, parou lá por um momento, e ela teve que se manter muito
quieta para não se contorcer em necessidade. Então, ela percebeu que
estava úmida e seu clitóris latejava, por nenhum outro motivo senão
que ele era o homem mais sexy vivo. Não, ele era um animal. Ainda
assim, cada vez que ele abria a boca, ele marcava mais seu território,
pelo menos isso era o que ela dizia a si mesma, mas poderia estar
sujeita a besteira quando se tratava dele.
Seu olhar voltou para o rosto dela. Uma mão foi para o zíper de
sua jaqueta, e triunfo a atravessou. Bem, ok, foi concedido. Ela sabia
que não estava em sua natureza e ele certamente não era um homem
que permitia a uma mulher lhe dizer o que fazer, então o que isso
significava?
Ela viu o sangue e sua respiração deixou seus pulmões. Havia
sangue velho, sangue quase seco e novo, penetrando lentamente em

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 60


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sua camisa. — Meu Deus. Eu sinto muito. Eu não teria atingido você
se eu soubesse que estava ferido. —Ela o atingiu duas vezes. No
mesmo local. Duro.
Ele fechou a jaqueta, as faces de pura pedra. — Suba na moto.
—Ele colocou uma perna e apoiou-a. — Certo agora. —Acabaram
as concessões. Ela passou a perna, esquecendo tudo o que ela podia
precisar no dia seguinte, apenas preocupada com a ferida que ela não
tinha visto em baixo da camisa dele. Sentando-se atrás dele, ela
envolveu os braços frouxamente ao redor dele, com medo de
machucá-lo Ele pegou seus pulsos e puxou-a para perto, esmagando
seus seios contra as costas dele.
Ele pressionou as mãos na cintura dele com força. Ela foi
forçada a mexer seu corpo para mais perto dele até que o latejar entre
as pernas dela estava pressionado contra ele. Ele poderia sentir
aquilo? Era poderoso. Intenso. Insistente. No momento em que ele
deu partida e a moto rugiu, enviou vibrações entre suas pernas, ela
ficou com medo de gozar ali.
Viajar com Reaper foi uma experiência maravilhosa. Ela
pressionou o rosto contra de costas dele e cedeu a suas fantasias sobre
esse homem. E ele era um homem. Duro como prego. Protetor como
o inferno com os membros de seu clube, especialmente Czar.
Qualquer um com poderes de observação poderia ver isso. Ela nunca
teve uma casa. Nunca teve proteção. Ela nunca teve ninguém com
quem pudesse contar. Os membros do clube foram, aparentemente,
separados de todos os outros, mas um com o outro, eles muitas vezes
brincavam, e todos observavam as duas mulheres, Alena e Lana.
Queria estar sob a proteção de Reaper apenas por uma noite.
Para sentir o movimento de seu corpo no dela. Para ter um sexo
glorioso, o tipo que abala a terra, não importava o quanto mandão
ele fosse, valeria a pena, por uma noite. Ela não era o tipo de mulher
para estar nesse mundo. Lembrava-se disso, muitas vezes, todas as
noites, quando ela olhava para o outro lado do bar. Todas as noites.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 61


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Czar e os outros membros do clube a tratavam bem, mas a


maioria dos motoqueiros no bar tentava tocá-la de forma
inadequada. Chamavam-na de nomes que ela realmente não gostava.
Peitos doces—o nome que Deke a chamara—era o menos ofensivo.
Betina tinha tido relações sexuais com um motociclista na parte
de fora, na mesa de piquenique. Outra vez, permitiu que um homem
colocasse a mão sob sua saia muito curta, e se Anya não se enganava,
ele a agarrou no bar. Mais tarde, ela deu ao motociclista um boquete
no lado de fora do prédio. Anya tinha saído para pegar um pouco de
ar e tinha visto.
A outra garçonete, Heidi, era tão ruim. Ambas as mulheres
usavam tubinhos agarrados ou tops com saias muito curtos para
trabalhar. Elas recebiam toneladas de gorjetas e definitivamente
sabiam como lidar com os homens. Anya não entendia por que,
quando as duas mulheres estavam tão prontamente disponíveis, a
maioria dos motoqueiros flertava com ela e davam gorjetas
igualmente boas, ou, às vezes, ainda melhores. Ela se dava bem com
as duas garçonetes, a menos que ... ela se encolheu, forçando-se a ser
sincera. Ela detestou quando Betina tentou flertar com Reaper hoje à
noite. Ela nunca tinha feito isso antes. Ela iria querer matar qualquer
garçonete que fosse para algum lugar, sozinha com ele.
Ele não gostava dela. Ela tinha que continuar a dizer a si mesma.
Ele queria que ela fosse demitida. Ele quase acabou conseguindo. Ela
não fazia ideia de por que Czar a poupou e a deixou seguir seu
trabalho, embora ela tivesse chegado muito atrasada.
Ela sabia que era um problema para Czar ir contra o desejo de
Reaper de mandá-la embora. Ela fechou os olhos e deixou a estrada
tomá-la, a sensação de se mover com Reaper e a moto. Era perfeito.
Ela adorava a maneira como eles faziam uma curva, seus corpos em
perfeita sincronia. Viajando com Reaper, nunca lhe ocorreu que ele
pudesse perder o controle da moto. Ela não conseguia imaginá-lo não
controlando, mas queria tentar ...

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 62


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Ela interrompeu esse pensamento e se forçou a pensar em quão


cansada e dolorida ela estava. Seus pés doíam. Ela não tinha dormido
muito nas últimas noites. Ela provavelmente não deveria ter dado
seus cobertores extras, mas ela tinha um saco de dormir antigo que
tinha obtido em uma loja de segunda mão, então ela não sentia tanto
frio quanto alguns homens e mulheres que dormiam nas ruas. Ainda
assim, sentia como se nunca mais conseguisse se aquecer.
O passeio acabou cedo demais, e ela se viu no estacionamento
do composto do Torpedo Ink. Ele tinha sido transformado em uma
fortaleza. Uma cerca elétrica alta cercava a propriedade. O edifício
estava intacto, mas modernizado, de acordo com todas as fofocas que
ela tinha ouvido, e haviam várias particularmente na mercearia em
Sea Haven. Às vezes, ela dirigia até lá apenas para ouvir os
moradores falar sobre o clube.
Ela desceu da moto se sentindo um pouco instável. Ele parou a
moto ao lado de outras motocicletas e desligou-a. Ela o olhou incerta.
Ela não sabia o que esperar. Ela podia ver que ele estava exausto. E
ele tinha todo aquele sangue nele. Ele não iria jogá-la na cama e fazer
seu caminho perverso com ela. Apesar do esgotamento, ele ainda
parecia como pecado e sexo, pecado carnal. Animalesco. Primitivo.
Calor correu por ela para se acomodar desconfortavelmente entre
suas pernas. Aquela persistente pulsação permaneceu ali.
O que estava errado com ela? Ela queria isso. Sujo. Selvagem.
Desinibido. Ela queria o que ele lhe desse. Seria algo que ela teria
para a vida. Uma noite gloriosa com um homem que sabia o que
estava fazendo. Ela não poderia ficar aqui para sempre. Ela não se
encaixava e nunca o faria. Ela não estava procurando o para sempre.
Apenas uma noite.
Sua língua tocou seu lábio inferior em um slide lento e sensual.
Pensando em prová-lo. Qual seria o sabor dele? Ela apostou que ele
era lindo. Grosso. Ela apostava que era o paraíso. Seus peitos doíam.
Os bicos estavam em chamas. Agradeço a Deus por sua jaqueta.
— Eu gostaria de dar uma olhada na ferida.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 63


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— Você é enfermeira?
Por que ele tinha que abrir a boca? Uma mulher devia ter
fantasias sobre o corpo lindo e maravilhoso que ela estava querendo,
sem que ele arruinasse isso falando. Ela suspirou. — Não. Não sou
enfermeira. Só pensei em ajudá-lo porque você gastou tempo em me
levar, trazer de volta e tudo. —Então, foda-se. Ela não precisava ou
queria sua merda.
Ela ficou em silêncio. Dois podiam jogar aquele jogo. Ela apenas
esperou enquanto mexia em algo em sua moto, e então ele gesticulou
para o prédio. Ela respirou fundo. Ele não gostava dela. Ele não iria
pular nela. Mesmo que ele fizesse, seria apenas o que ela queria, uma
gloriosa noite de sexo e pecado. Ela esperava que fossem pecados
realmente ruins que durariam para sempre. Ela sabia que a sorte dela
não era tão boa.
A porta se abriu em uma grande sala com um bar curvo, mesas
e cadeiras, um par de sofás e cadeiras muito confortáveis. Ela não
conseguiu um bom olhar para a série de portas porque ele a conduziu
por um corredor. — O banheiro é aqui. Ninguém está usando esse
agora. Alguns dos irmãos estão dormindo aqui esta noite. Eles
podem vagar nus por aí. Nada demais. Apenas saiba que eles fazem.
—Ele abriu uma porta. — Você pode dormir aqui. A cama está
limpa.
Ela tinha ouvido falar de festas selvagens. Ela conhecia algumas
das mulheres que tinham frequentado. Mulheres entravam no bar
fingindo querer ver Betina ou Heidi, mas Anya sabia que era para
tentar que um dos homens as reivindicasse como sua old lady. Ela
estudou a cama. Estava limpa? Ela não queria dormir em lençóis
usados para outra coisa.
Reaper não se moveu quando ela lentamente passou por ele. Ele
preencheu a maior parte da porta, então seu corpo escovou o dele
quando ela entrou. O coração dela acelerou do jeito que sempre
acontecia quando seu corpo se aproximava do dele. Estava
sobrecarregada, tão estimulada, que ela desejou ter pensado em

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 64


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embalar seu vibrador quando pôde. Ela não teve tempo de pensar em
coisas assim.
— Reaper, —ela disse suavemente enquanto ele se virava para
ir.
Ele voltou e ficou ali esperando.
— Obrigado. Estava muito frio no carro. Eu aprecio que você
me ajude. Não vou ser um incômodo.
— Me dê as chaves do seu carro. —Ele estendeu a mão.
Ela franziu a testa, mas encontrou-se escavando seu bolso até
elas. Ela não obedecia a qualquer um. Não era o estilo dela, mas a
voz dele era rude. Hipnotizante. De alguma forma parecia um pouco
enferrujada, como se ele raramente falasse. Pelas noites que ele
passou no bar, ela tinha certeza de que estava certa. Apenas ele falar
com ela fazia com que ela se sentisse especial para ele, mesmo que
soubesse que não era. Ela sabia que ele não gostava dela. Ela
entregou as chaves para ele.
Ele se afastou dela e fechou a porta. Ele não fez isso com força,
mas firmemente. Ela tinha a sensação de que, se ele estivesse do seu
lado, ele teria girado a fechadura. — Boa noite para você também,
—disse ela em voz alta, apenas para irritá-lo.
Não houve resposta. Ela nem o ouviu descer pelo corredor.
Olhando ao redor, ela entrou no quarto. Era pequeno, um pequeno
armário, uma cômoda embutida. Um abajur com uma lâmpada. A
cama era de casal e parecia convidativa. Ela não ia até lá. Ela nem
sentaria nela. Ela estava muito cansada e adormeceria. Ela queria
tomar um banho. Um banho real. Ela não se importava se tinha
roupas limpas ou não. Se os homens na casa do clube podiam andar
nus, ela poderia se cobrir com uma toalha, assumindo que eles
tinham toalhas.
Ela ficou chocada quando entrou no banheiro e encontrou uma
banheira. Por que os membros do clube pensariam em colocar uma
banheira? Encontrou sais de banho sob a pia. Não eram os sais

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 65


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padrão que se esperaria. Eles eram sais reais com cheiro bom. Ela
experimentou ligar a torneira de água quente. Luz já estava passando
pela janela, os primeiros raios do amanhecer. Iluminavam o quarto,
batendo no espelho de corpo inteiro ligado à porta.
Era o banheiro de uma mulher. Reaper disse que ninguém estava
usando. Quando eles tinham suas festas, esse quarto era ocupado
pelas mulheres que vinham? Os membros do clube faziam sexo com
elas nesse quarto e depois usavam esse banheiro? Ela inspecionou
cada centímetro dele. As toalhas eram espessas e macias, de uma cor
de damasco. Elas combinavam com o damasco da cortina do
chuveiro.
Os dois membros femininos do clube. Esse tinha que ser um dos
seus quartos. O banheiro delas. Ela suspirou aliviada e despojada.
Ela primeiro entrou no chuveiro deixando o spray de água quente
cair sobre ela. Ela encontrou um shampoo de boa qualidade e o usou
duas vezes sem vergonha. Se ela precisasse substituí-lo, ela faria com
prazer.
Ela usou condicionador no cabelo. Quando ela enxaguou, seu
cabelo pareceu limpo pela primeira vez em semanas. Ela os lavava
na pia, mas ela tinha muito cabelo, ela nunca sentia como se ela
realmente os limpasse bem. Tomava banhos de esponja. Isso era o
paraíso. Puro céu.
Juntando os cabelos, ela procurou em várias gavetas e encontrou
vários laços de cabelo e grampos. Ela prendeu o cabelo no alto da
cabeça, e afundou na água. Puro êxtase. Ela poderia ficar ali para
sempre. Ela fechou os olhou recostou a cabeça e simplesmente se
afastou.
A água estava esfriando quando ela acordou assustada. Reaper
estava dobrado sobre a banheira, uma mão na água, abrindo o ralo.
Ela quase deu um grito feminino novamente, mas conseguiu parar-
se a tempo.
— Saia daí. A água está muito fria. —Ele pareceu abrupto.
Irritado.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 66


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— Estou nua. Você não deveria estar aqui. —Não tinha trancado
a porta? Ela não conseguia lembrar.
— Nada que eu não vi antes, —disse ele e recuou, segurando
uma toalha.
Isso matou qualquer esperança de que ele estivesse atraído por
ela, embora ele fosse um homem. Seu olhar demorou-se sobre seus
seios. Então, para atormentá-lo, ela lhe daria um show, se era o que
ele estava procurando, embora não pensasse assim, a julgar por suas
feições duras.
Ela se levantou, forçando-se a não corar quando todo o seu
corpo queria ficar vermelho.
Ela sabia que tinha belos seios. Altos. Arredondados.
Generosos. Sua caixa torácica era estreita, sua cintura pequena, em
proporção aos seus generosos quadris, o que a fazia achar que seus
jeans ficavam apertados. E ela certamente tinha quadris. Não era
mentira. E ele estava olhando para eles. Ela resistiu ao desejo de virar
as costas para ele, porque então veria uma igualmente generosa
bunda.
Ela pegou a toalha assim que a porta se abriu. Reaper deslizou-
se entre ela e a porta.
— Que diabos, Savage? Você não entra assim quando uma
mulher está tomando banho. Achei que Blythe tivesse passado as
regras com você.
Savage encolheu os ombros. Ele era uma versão mais nova de
Reaper, tão duro, com as cicatrizes, e seus olhos azuis tão mortos. —
Você não se importa com essas regras de merda mais do que eu.
— Talvez não, mas esta é a primeira noite de Anya aqui.
— É de manhã, —corrigiu Savage. Ele olhou para ela e então
seu olhar saltou para o rosto de seu irmão. — Quero dar uma olhada
nesses pontos de sutura. O doutor me deu os antibióticos para te dar.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 67


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Torpedo INK Livro 1

Anya ficou congelada, a toalha pressionada em seus peitos. Ela


não se atreveu a se mover, Savage a veria em toda a sua glória. Uma
coisa era o homem dos seus sonhos, que claramente pensava nela
como um fardo que ele tinha que suportar, vê-la, mas era diferente o
irmão dele entrar quando estava nua. Pontos? Será que ela abriu os
pontos dele quando o golpeou? Bom Deus. Ele simplesmente a jogou
sobre o ombro. Por que ela teve que socá-lo? O remorso bateu forte.
Ele podia ser rude. Talvez não gostasse dela, mas ele havia resgatado
ela.
— Pontos? Reaper, sinto muito ...
— Esqueça. —Seu tom lhe disse para fechar a boca. — Espere lá
fora por mim, —ordenou ao irmão.
Savage assentiu e sem uma palavra para ela, saiu. Ela fechou os
olhos e balançou a cabeça. Ela viveu em abrigos, lugares onde havia
pouca privacidade, mas os homens só entravam em um banheiro ...
Ela trancou a porta. Ela não iria esquecer algo assim. Ela estreitou os
olhos para Reaper. — Essa porta estava trancada.
— Uma tranca de merda, baby. Coloquei um par de garrafas de
água na mesa de cabeceira ao lado de sua cama. Esperei que você
saísse daqui, quando não o fez, soube que você tinha adormecido.
Muito silencioso.
— Era desnecessário entrar.
Ele pareceu completamente impressionado e entediado como o
inferno. — Depende de qual de nós dois você está falando. Vá para
a cama. Eu puxei a cortina quebra-luz18 para você. Mantém o quarto
escuro. Alena e Lana vão comprar roupas. —Ele se virou e se
afastou, deixando-a de pé ali, a toalha apertada em seu peito, sem
respirar e com os olhos arregalados de choque.

18
Para garantir um ambiente com mais privacidade e aconchego, cortina quebra-luz ou Blackout.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 68


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Ele entrou, atravessou a porta trancada, esvaziou a banheira,


entregou uma toalha e ficou na frente dela quando o irmão entrou.
Ele pegou água e puxou a cortina corta luz. Ela sabia que ele estava
ainda mais cansado do que ela, mas ele tinha vindo verificá-la. Ela se
envolveu na toalha e começou a voltar para o quarto que lhe foi
designado.
Um homem vinha andando pelo corredor totalmente nu. Ele
olhou para cima, viu-a, não se moveu para se cobrir e assentiu antes
de abrir uma porta. Vaca sagrada. Esse era o Ice. Ele era ...
impressionante. Ela nunca mais iria olhar para ele da mesma
maneira. Jesus! Ele era definido. Ela não podia pensar sobre isso, não
quando Reaper a amarrou em nós e ela não tinha nada nem ninguém
para ajudar com a frustração.
Ela encontrou dois cobertores extras dobrados no fundo da
cama, provando que Reaper realmente a ouviu. Ela se atirou na
cama, barriga para baixo, grata pelo banho, o quarto, a cama
confortável, até pela nova escova de dentes que ela achou na gaveta,
ainda na embalagem. Ela não se importava se Reaper entrou na
frente dela ou se viu homens com corpos quentes passando nus pelos
corredores, o lugar era o mais amplo possível. Muito melhor do que
seu carro. Ela arrastou um cobertor sobre si mesma e escapou do
murmúrio de vozes.

— O que você está fazendo com essa mulher? —Exigiu


Savage.
Reaper não sabia o que estava fazendo com ela. Ele entrou
naquele banheiro, sabendo que ela tinha adormecido, sabendo que
ela estaria nua, mas a ideia dela deitada na água fria tinha sido mais
do que ele pôde suportar. Ele pressionou seus dedos nos olhos.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 69


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Torpedo INK Livro 1

— Ela está vivendo em seu carro. Um carro que não funciona.


É simples. Uma mulher não deveria estar lá sozinha. Mais cedo ou
mais tarde, sua sorte acabaria.
— Você deixou ela colocar as mãos em você, Reaper. Desde que
ela está aqui, você não tem agido como você.
O que ele deveria dizer a isso? Era verdade. Não havia nada que
pudesse dizer, porque ele não podia sequer explicar a si mesmo. —
Você se livrou daqueles idiotas, aqueles que tentaram pular nela?
Savage encolheu os ombros. — Você colocou uma faca em um
deles. Mais cedo ou mais tarde eles iam falar. Final triste para eles.
Jogaram suas motos pelo penhasco a cerca de vinte e quatro
quilômetros daqui. Os corpos não serão encontrados.
— Você já contou a Czar?
Savage assentiu com a cabeça. — Parei em sua casa. Eu
surpreendi ele e Blythe indo nele. —Ele sorriu um pouco. Blythe era
parte de sua família agora, nenhum deles poderia imaginar a vida
sem ela. — Falei com ele pela janela. Ela me disse que iria me dar
um tiro se eu não fosse embora. Eu disse a ela para se manter ocupada
enquanto eu dava a Czar a informação. Utilizamos nosso código
para que Blythe possa dormir bem à noite. Não tenho certeza se ele
entendeu o porquê Blythe fez o que eu disse, ele estava um pouco
distraído.
Reaper tirou os ombros da camisa. — Dói como o inferno, —ele
admitiu a seu irmão.
— A mulher está te transformando em um chorão, —Savage
comentou, mas seus dedos foram gentis enquanto examinavam a
ferida. — Você precisa desses antibióticos, mano. Alguns dos seus
pontos estouraram. Vou ter que refazê-los.
— A mulher me deu um soco. —Pela primeira vez em um longo
tempo, a boca de Reaper se suavizou. Não foi um sorriso, mas podia
ter sido um fantasma de um. — Ela tem um inferno de
temperamento, mas o mantém escondido.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 70


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— Por que ela bateu em você? —Savage manteve os olhos na


laceração. Ele já tinha colocado creme antibiótico na agulha e no fio.
Ele tinha lidocaína tópica apenas para o caso de precisar.
— Bati em sua bunda duas vezes. Ela retaliou. Joguei ela por
cima do meu ombro.
— Ela sabia que você estava ferido? —A voz de Savage foi suave.
Reaper franziu a testa. — Não, ela não sabia. Não vá me irritar.
Eu reconheço esse tom. Ela está sob minha proteção.
— E você está sob a minha.
— Porra, Savage, quero dizer. Eu a forcei a vir aqui ...
— Ela não coloca as mãos sobre você.
— Eu deixo. Você sabe que eu deixo. —Era por isso que ele não
deixava nada fora do essencial em sua vida, e Anya estava tão fora
do comum que não sabia o que fazer. Ele mal podia respirar quando
a olhava. Tudo o que ele queria fazer era jogá-la sobre o ombro como
um homem das cavernas e fodê-la até ela não poder andar. Até que
nenhum deles pudesse suportar. Havia tantas coisas que ele queria
fazer para ela, mas ter sua dor não era uma delas. — Ela está sob
minha proteção, —ele disse novamente. — Isso significa que ela está
sob a sua.
Era um desafio e ambos sabiam disso. Um aviso. Talvez até um
pedido. Este cenário estava fora do departamento de ambos. Savage
assentiu e continuou trabalhando. — Nós vamos jogar do seu jeito,
Reaper. Talvez você devesse levá-la para Blythe.
A old lady do Czar poderia fazer qualquer coisa, consertar
qualquer coisa, aconselhá-los em qualquer coisa. Até agora no que
dizia respeito ao clube, ela caminhava sobre as águas. Ela nunca se
importou se todos apareciam para o café da manhã, almoço ou
jantar. Ela os deixava olhar as quatro crianças enquanto Czar a
levava para um tempo sozinhos—tão sozinhos como se conseguia
com guarda-costas. Ela era uma gritadora, então mais de uma vez,

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 71


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durante o êxtase do sexo, os guarda-costas tinham corrido para eles,


armas em punho, para encontrá-los transando. Ela não abaixava a
cabeça para eles, ou agia como se estivesse envergonhada de ser vista
com eles.
Os membros do clube haviam sido criados, a maior parte do
tempo desde o momento em que eles eram crianças, sem roupas ou
alimentos em uma escola particularmente violenta na Rússia. Os pais
deles tinham sido considerados inimigos do Estado, então, uma vez
que eles foram levados, ninguém veio para resgatá-los. Eles viviam
em um pequeno porão sem janelas, boa parte do tempo. A nudez não
os incomodava. Às vezes era difícil ficar dentro de casa. Todo tipo
de sexo era comum, seus professores obrigando-os a fazer na frente
dos outros. Tornou-se tão habitual, que eles não pensavam nada
disso.
Agora, tentando se integrar na sociedade, pelo menos na medida
do possível, era difícil conhecer e entender as regras. Algumas das
coisas das quais eles estavam acostumados, eram mal vistas pelas
pessoas de fora.
— Anya não vai mudar nada para mim, —disse Reaper,
querendo acreditar. Ela já tinha, e agora os pesadelos voltaram. Ele
estava com medo de ir para cama. Com medo de dormir. Com medo
de tocá-la. Ela o fez querer coisas que ele sabia não poderia ter. Era
muito perigoso. Ele olhou para o irmão. — Não é seguro. Você sabe
disso.
Savage encolheu os ombros. — Eu saio com isso.
— Você é um mulherengo.
— Durma. Você deveria tentar. —Savage espremeu creme
antibiótico em torno da ferida. — Tome essas pílulas.
— Eu vou. —Ele engoliu duas em seco na frente de seu irmão
apenas para manter a paz. — Eu vou me deitar um pouco. —O que
ele realmente queria fazer era entrar naquele quarto e ficar ao lado
dela. Tocar sua pele. Colocar os dedos dentro dela. Sua língua. Ele

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 72


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Torpedo INK Livro 1

queria prová-la. Deixar sua marca nela. E isso apenas para começar.
Ele tinha muitas coisas que queria fazer com Anya Rafferty, ele sabia
que não poderia terminar em uma noite.
— Pense nisso, Reaper. Você fode ela com força, tudo pára por
alguns minutos. Às vezes por uma hora. Se você tiver muita sorte e
se desgastar, você vai parar por mais tempo.
Reaper afastou-se dele, concentrando-se em cada passo, porque
seu jeans estava muito apertado e seu pau doía como um bastardo.
Ele a colocou no antigo quarto de Lana. Lana raramente ficava lá.
Ele havia mandado uma mensagem primeiro e pediu. Claro que ela
disse sim. Essa era Lana. Tão dura quanto as unhas quando tinha
que ser, mas tão suave com seu coração—se você tivesse um.
Ele ficou por um momento na porta do quarto de Anya, sua mão
na madeira, justamente onde sua cabeça estaria. Ele gostava de ela
ser alta e ter pernas longas. Ele gostava de ser ainda mais alto e ela
ter que levantar a cabeça para olhar para ele com aqueles olhos verdes
dela. Seu intestino apertou forte. Seu pau se sacudiu. Precisava de
atenção. Ele deveria tomar um banho frio, ou pelo menos cuidar do
problema, mas ele não o fez. Ele deixou a mão na maçaneta da porta.
Estava trancada de novo.
A mulher simplesmente não aprendia. Eles não usavam as
fechaduras. Nunca. Tendo sido presos por anos, era algo que todos
detestavam. Ele abriu a fechadura facilmente e entrou. Ela estava na
cama, o cobertor caído ao redor de seu corpo.
Ele tinha visto tantas mulheres nuas, mulheres que
deliberadamente tentavam despertar seu corpo enquanto ele era
forçado a ser disciplinado o suficiente para resistir. Os papéis eram
frequentemente invertidos e ele foi forçado a despertar uma mulher
enquanto ela deveria resistir. Mesmo quando era adolescente, as
mulheres não ganhavam essa batalha. Seu corpo sempre ficou sob
seu controle—até agora—até Anya.
Apenas a visão dela, nua, com o cobertor revelando parte de suas
nádegas, redondas e firmes, suas costas, seu peito esquerdo e mamilo

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 73


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fez seu pênis duro e pingando pequenas contas peroladas. Ele xingou
baixinho e abriu os jeans. Levando a mão para seu pau, ele puxou-o,
observando-a. Ele queria pintar as costas e a bunda dela com sua
semente, mas agora não era o momento. A deixaria pensar que
estava segura. Ele tinha planos. Apenas ainda não. Sua lateral doía,
e ele estava tão cansado que ele pensou que ele poderia dormir em
pé.
Ele se abaixou, agarrou sua roupa e saiu, segurando as roupas
com uma mão em seu peito, e bombeando seu pênis com a outra,
cada passo sendo doloroso.

Anya acordou com um pequeno gemido,


rolando para olhar para o teto, um braço arremessado sobre os olhos
para evitar a luz. A luz. Ela tinha ido para a cama com quebra luz
fechados, o que significava que o quarto deviria estar escuro. Não era
bom. Alguém tinha estado no quarto dela. Segurando o cobertor, ela
o puxou para cima de seus seios e forçando-se a deixar de ser um
bebê. Ela abriu os olhos.
— Finalmente, —disse uma voz feminina alegre. — Nós
pensamos que você não acordaria nunca.
Ela não tinha certeza de quem "nós" éramos. Ela se sentou
devagar e olhou ao redor do quarto. Ela tinha uma audiência de cinco
pessoas. Duas mulheres e três homens. Ela reconheceu os três

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 74


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homens imediatamente. Eles eram membros do clube que vinham e


iam do bar. Storm e Ice entravam frequentemente, e Preacher
trabalhava como barman com ela nas noites pesadas. Ela tinha
acabado de mostrar seus peitos para eles.
Ainda não conhecia as duas mulheres, embora soubesse quem
eram. Ela sabia que uma tinha que ser Lana Popov, irmã de
nascimento de Preacher. Ele falava sobre ela como se ela caminhasse
sobre a água. Ela era bonita. Seu cabelo era de um verdadeiro preto,
muito brilhante, e caia ao redor de seu rosto como se estivesse
ventando. Ela era alta, um pouco mais alta do que Anya, e muito
curvilínea. Reaper podia ser um centímetro maior que ela, mas não
mais do que isso.
Alena era irmã de Ice e Storm. Ela era mais baixa, mas não tão
baixa. Anya adivinhou que devia ter entre 1,70m e 1,80m. Seu cabelo
era selvagem, uma massa brilhante platinada e os olhos eram do
mesmo azul deslumbrante dos dois irmãos. Anya sentiu-se
envergonhada ao lado das mulheres vibrantes. Ambas tinham unhas
longas, perfeitamente feitas. Ambas estavam vestidas em jeans
ajustados e tops Harley que as faziam parecer elegantes, bem como
garotinhas. Ela não conseguiria parecer assim nem em um milhão de
anos.
— Blythe quer se encontrar com você, —anunciou Alena. Lana
sorria, Alena não. Ela estava claramente estudando Anya. Anya
procurou suas roupas. Sentia-se um pouco desesperada sem elas. Ela
estava certa de que as deixara na cadeira perto da cama, mas não
havia roupas ali.
— Bom dia. —Ela não sabia o que mais dizer. Ela olhou ao redor
um pouco impotente, desejando Reaper. Pelo menos ela o entendia,
sabia que queria se livrar dela, mas era muito cavalheiresco para
deixá-la sozinha em um acampamento com um carro que não
funcionava. Ela não tinha ideia do que essas pessoas queriam.
— Nós trouxemos algumas roupas, —disse Lana. Ela deu um
tapinha no colo, chamando a atenção para a pilha de jeans, camisas

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 75


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e calcinhas de renda. Ela não fez nenhum movimento para passá-las


para Anya.
— Eu tranquei a porta. Como entraram?
— Não estava trancada, —disse Ice. Ele tinha três lágrimas
tatuadas escorrendo pelo seu rosto sob seu olho esquerdo. Seus olhos
eram tão incrivelmente azuis, que ela achava que tinham que ser
lentes de contato, mas seu gêmeo e sua irmã tinham os mesmos
olhos.
Ela acreditou nele. Isso significava que Reaper tinha entrado
novamente. Ela ia matá-lo. — O que posso fazer por todos vocês?
— Nós estávamos apenas querendo saber o que está
acontecendo entre você e Reaper, —Alena disse. Anya empurrou a
queda rebelde de cabelos pesados. Ela não os secou na noite anterior,
e ele caia em ondas a sua volta na cama. Agarrando o cobertor ainda
mais apertado ao redor dela, ela respirou fundo. Todos estavam
olhando para ela, completamente sérios. Ela não podia ler suas
expressões, mas estava aterrorizada de não lhes dar a resposta
correta, eles podiam matá-la e enterrar seu corpo em algum lugar.
O que ela estava pensando se escondendo como bartender em
um bar de motociclistas? Era o último lugar em que qualquer um a
procuraria, era isso que ela pensava. — Nada. Nada está
acontecendo entre nós. Ice, você ouviu ele. Ele quer que eu vá
embora.
— Se ele quisesse que você fosse, amor, você teria ido, —disse
Storm. — Então, o que diabos está acontecendo entre vocês dois?
Ele não estava ouvindo quando Reaper exigiu que Czar se
livrasse dela? Foi um momento horrível. Ela precisava desse trabalho.
Ela estava sem teto—novamente. Vivia em seu carro, não em um
abrigo, aterrorizada a cada minuto de sua existência de que não
estava segura. Não no bar e certamente não acampando sozinha na
Egg Taking Station. Se Reaper disse que não dava uma merda

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 76


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Torpedo INK Livro 1

significava que ele o fazia, ele queria que ela fosse e esperava que
Czar a demitisse.
Ela respirou fundo, sabendo que eles viram suas mãos tremerem.
— Estou dizendo a vocês não tem nada entre nós. Ele me levou até
o meu carro, que, aliás, não está funcionando e ...
— O qual, aliás, ele trouxe para a garagem para Transporter e
Mechanic consertar, —persistiu Storm.
O que ela poderia dizer a isso? Reaper era bondoso? — Ele não
gostou de me ver lá fora, no acampamento onde eu estava
hospedada, e insistiu que eu passasse a noite aqui. Isto foi uma coisa
boa que fez. Ele estava apenas sendo legal. —Mesmo para os ouvidos
dela soava coxo, mas o que mais poderia dizer?
— Besteira, —disse Alena. — Reaper não é legal.
— Você pode querer começar nos dizendo a verdade, —insistiu
Storm.
— Ele vai cortar a porra das tuas bolas fora, —os ombros largos
de Savage encheram a entrada, — se você falar assim com ela
novamente. Não há necessidade desse tom. Apenas dê a ela as roupas
e deixem-na sozinha.
O mundo tinha enlouquecido. Todos no clube estavam loucos.
Savage vindo em seu auxilio? Ele não tinha falado uma única palavra
para ela, na verdade, ele deu a ela um olhar de morte. Agora, de
repente, ele iria por ela? Isso não fazia sentido.
— Está tudo bem, —murmurou Anya. O que mais ela poderia
fazer? Ela não queria esses homens e mulheres como inimigos. —
Eles apenas entenderam mal a gentileza de Reaper.
— Ou talvez você tenha feito, —afirmou Alena. Ela levantou.
— Espero que goste da roupa. Fizemos o melhor que pudemos com
o estranho sistema de medição de Reaper. Tivemos que adivinhar
seus tamanhos. —Ela saiu do quarto, parecendo poderosa. Uma
motociclista real.

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Anya a observou de perto, a mulher mancava um pouco, tão


pouco que ela encobria bem. Os irmãos a seguiram, dando a Anya
uma pequena saudação.
— Desculpe-nos por termos invadido, —disse Lana. — Eu
poderia mentir e dizer que não queríamos, mas estou certa de que
você saberia que era uma mentira, então por que se incomodar. Nós
queríamos conhecer a misteriosa mulher que tem Reaper amarrado
em nós. Você o tem, garota. Mas não o machuque. Você machuca
aquele homem e alguém vai cortar sua garganta.
Anya acariciou sua garganta com os dedos. — Você não precisa
se preocupar. Seu pequeno aviso é o suficiente para eu manter minha
distância. Eu gosto da minha garganta. —Que se dane Reaper. Que
se dane Lana. Que se dane o clube de motociclistas. Ela estava saindo
daqui. Ela precisava saber se o carro dela estava arrumado. No
momento em que estivesse, ela estava fora dali. De. Lá. Para sempre.
Chegava de bar de motociclistas. Chegava de regras bestas de
motociclistas que ela não entendia. Chegava de medo. Ela não
pertencia. Há qualquer lugar. Há ninguém. Ela nem conseguia se
encaixar no mundo dos motociclistas. O que isso dizia sobre ela? Ela
pressionou o cobertor na boca para evitar tremer.
— Eu gostaria de me vestir agora. —As palavras foram abafadas.
Eles a fizeram se sentir vulnerável e inconsequente. Ela tinha tido o
suficiente daquilo enquanto crescia, vivendo no abrigo. Eles não
iriam reduzir tudo pelo que ela trabalhou tanto a nada. Ela não iria
se sentir como um lixo que alguém tinha jogado na calçada. Então,
sim, que se danem todos.
Lana levantou-se com graça, fluindo, fluída como um gato, e
cuidadosamente colocou as roupas em uma pilha arrumada no final
da cama. Savage recuou para permitir que Lana e Preacher saíssem
do quarto. Ele ficou um minuto estudando o rosto de Anya. — Você
está bem?
— Sim. Tudo bem, obrigado. Não se preocupe. —Ela rezou para
que a voz dela não tremesse.

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Assim que ele saísse, ela vestiria as roupas, correria ao banheiro


e tentaria escapar. Ela podia caminhar até a garagem. Não era muito
longe. Olhar seu carro. Ela tinha dinheiro escondido nele. Ela
guardou quase todos os centavos que ganhou para o caso de ter que
correr novamente. Havia uma loja de carros usados em Fort Bragg.
Ela poderia fazer um acordo com um eles. Talvez.
— Você está cheia de merda, —disse Savage. — Reaper não
permitirá que nada aconteça com você.
Ele esperou. Ela não disse nada. Ela queria que ele fosse embora,
e ele pegou a dica. No segundo, que a porta se fechou, ela puxou a
roupa intima de renda e o sutiã correspondente. Não fez muito para
cobri-la. O sutiã se encaixou como uma luva. Perfeito. Ela nunca teve
um jeans tão bom, não com a cintura estreita dela. O jeans se
encaixava, mas a camisa era um desastre. Era pequena. Ela mal se
encaixava sobre os seios, de modo que o material se agarrava às
curvas e mostrava não só a parte superior dos peitos, o vale entre os
dois, mas também a renda do sutiã igual aos tops de Betina. Alena e
Lana fizeram isso de propósito? Provavelmente. Elas estavam
fazendo uma declaração. Ela sabia a diferença entre as mulheres que
eles respeitavam e as que não.
Ela foi ao armário com a esperança de encontrar algo que
servisse. Estava vazio. Ela afundou no final da cama e deixou cair a
cabeça nas mãos. Ela não queria chorar. Ela tinha chorado o
suficiente quando era criança, tentando descobrir de onde viria a
próxima refeição.
— Anya? —A voz era suave. A maneira como Reaper disse que
seu nome era quase assustado. — Baby, você está chorando?
Ela balançou a cabeça, sem olhar para cima.
— Savage disse que as meninas estavam aqui e não foram muito
legais com você. O que elas disseram?
— Eu só quero ir. Eu gostaria de ir ao meu carro. —Ela forçou-
se a parar de ser uma covarde e olhar para ele. No momento em que

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 79


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ela o fez, seu coração apertou forte em seu peito. Ele não se
deteriorou durante a noite. Ele ainda estava quente como o inferno.
Ainda parecia assustador. Ainda marcado e tatuado.
— Venha, vamos. —Ele recuou.
— Eu tenho que ir ao banheiro primeiro. —Ela não queria que
ele a visse com lágrimas no rosto. Ela odiava chorar. Odiava essa
fraqueza. Principalmente ela não gostava que Lana e Alena tinham
sido as únicas a fazê-la chorar. Devia haver uma irmandade que
impedisse as mulheres de fazerem sentir outra se sentir assim. Feia.
Indesejada.
Ele assentiu e ficou onde estava. Ela podia sentir os olhos dele
em sua bunda enquanto ela corria pelo corredor até o banheiro.
Tinha o desejo louco de arrancar o top e jogá-lo longe. Talvez sair de
sutiã seria melhor do que tentar superar Betina. Se Betina usasse um
top como esse no bar, todos os homens que entrassem cairiam sobre
ela.
Ela demorou um tempo, tempo suficiente para lavar o rosto e
tentar domesticar o selvagem cabelo e lhe dar alguma aparência de
ordem. Quando ela saiu, ela voltou para o quarto para encontrar seus
sapatos. — Preciso ir a algum lugar para encontrar um top diferente.
Este um é ... Um pouco pequeno.
— É? —Reaper inclinou seu quadril contra o batente da porta,
parecendo preguiçoso e tentador.
— Eu acho que você está linda. Talvez eu tenha que lutar contra
metade da população masculina por você.
Um elogio? Ele parecia sincero. Ela olhou para cima de onde ela
estava amarrando seu sapato. Não havia nenhum traço de humor em
seu rosto ou em seus olhos. Ela engoliu em seco duro. — Eu não
posso usar isso. Preciso de uma camisa diferente. Uma que me cubra.
Eu pareço com Betina.
— Você não se parece com Betina.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 80


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— Você tem uma camisa velha que eu possa vestir? —Ela estava
desesperada. Ela não ia chorar novamente, mas ela tinha que se
trocar e chegar à garagem até o carro dela. Ela manteve a cabeça
abaixada, o cabelo caindo ao redor de seu rosto, então ela não
precisava olhar para ele.
— Anya.
Foi isso. Isso foi tudo o que ele disse. O nome dela. Nada mais.
O nome dela soou como uma carícia, um suave golpe de veludo sobre
sua pele. Dedos tocando seu rosto onde as lágrimas haviam caído.
Ela deveria ter sabido que ele não deixaria passar. O silêncio se
estendeu. Ela não podia olhar seus sapatos o dia todo. Tomando uma
respiração profunda, ela lentamente se endireitou e se forçou a olhar
para ele.
— Você não quer usar esse top, eu vou pegar uma camisa de
flanela para cobri-la, embora nada tão bonito quanto você deveria ser
coberto.
Seu coração apertou forte. Seu sexo sofreu espasmos. Ele
casualmente jogava elogios que ela poderia dizer que não eram para
ser elogios. Ele acreditava neles. Para ele, eram fatos.
Ela assentiu. — Obrigado. E então, eu só vou à garagem para
ver meu carro. Posso chegar lá sozinha. Não está longe.
Seu olhar penetrante era enervante. Tudo o que ela poderia fazer
era não se contorcer sob seu olhar. Finalmente, ele suspirou,
balançou a cabeça e se virou, saindo da sala. Quando ela não o
seguiu, ele parou e olhou por cima do ombro. — Vamos?
Ela queria a camisa, então, sim, ela iria com ele, embora estar
com Reaper, mesmo que por alguns minutos, fosse uma má ideia.
Ela não pôde evitar olhá-lo enquanto o seguia pelo corredor até o
quarto. Ela olhou para a porta aberta, mas não entrou. O quarto era
muito parecido com o que ela estava hospedada, mas sim. Tinha a
aparência de um quarto onde o residente vivia de uma mala, ou,

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 81


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nesse caso, de uma mochila. Ele vasculhou, tirou uma camisa e jogou
para ela.
Seu coração fez aquela estranha gagueira que às vezes fazia
quando estava perto dele. Ela se viu apenas olhando para ele. Ele
estava enviando tantas mensagens misturadas, que sua cabeça estava
girando, ou ela poderia estar realmente com fome. Não era como se
ela tivesse tido muito para comer ultimamente.
Reaper atravessou o quarto até ela, tirou a camisa de suas mãos
e segurou-a para que ela pudesse deslizar os braços nas mangas. Ele
estava perto dela. Muito perto. Ela o inalava com cada respiração
que dava. Duas vezes ela tentou falar, mas nada aconteceu. Ela não
conseguia olhar para o rosto dele, então ela olhou para a frente. A
visão era boa. Uma camiseta apertada se estendia por todos aqueles
músculos deliciosos. Ela se coçou para senti-los com a língua.
As mãos dele aproximaram-se dos botões da camisa, e ele
começou a deslizá-los pelas casas. Um por um. Lentamente. Os
dedos dele deslizavam sobre seus seios, enviando calor por suas
veias. Um escovar suave. Um calor úmido umedeceu suas calcinhas.
Outro escovar e o ar desapareceu de seus pulmões. O terceiro
queimou tão profundo e forte nela que ela pensou que poderia
incrivelmente queimar. Ela respirou superficialmente em um esforço
para viver.
Os dedos dele pegaram seu queixo e inclinaram sua cabeça para
cima. Ela rapidamente velou os olhos com seus cílios.
— Você queria ficar. Você não vai fugir porque fiquei um pouco
áspero.
— Eu não vou. —Era exatamente o que ela planejava fazer.
— Não minta. Eu estou levando você para um café da manhã
atrasado ou almoço adiantado, não para seu carro.
— Reaper.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 82


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— Esta conversa terminou. —Ele pegou sua mão e puxou


enquanto caminhava pelo corredor em direção à sala comum.
— Só porque você diz que acabou não significa que sim, —ela
protestou, dizendo que estava indo com ele porque ele era maior e
mais forte, não porque ele era quente como o inferno e ela o queria
com cada respiração que dava.
Ele lhe enviou um olhar que normalmente a teria feito correr.
Ela estava na guarida do leão. Não havia fuga, então ela o seguiu.
Lana e Alena estavam sentadas no bar. Ambas se voltaram quando
eles entraram. Os seus sorrisos desapareceram quando viram o rosto
de Reaper.
— Não estou feliz com nenhuma de vocês, —ele disse enquanto
passava por elas.
Reaper ... —Lana começou, mas ele arrastou Anya, sem dizer
outra palavra a qualquer uma delas.
Pelo menos ela não era a única. Ela sabia que Lana e Alena eram
importantes para todos os membros do clube. Ela ouvia a maneira
como os homens falavam sobre elas. Todas as menções a seus nomes
eram feitas com respeito e carinho.
Reaper levou-a diretamente para a moto e entregou-lhe o
capacete. Ele empurrou a máquina e apoiou-a.
— Você vai pelo menos me dizer como está essa ferida esta
manhã? —Ela perguntou. Ele estava andando com seu passo normal
e solto. Bem, ele não andava. Ele rondava. Perseguia. Não havia
realmente uma caminhada. Deus, ela descobriu isso. Nada mudou
durante a noite.
— Não. Suba na moto.
Ela suspirou e subiu atrás dele. Olhando por cima do ombro, viu
que tanto Lana quanto Alena tinham vindo à porta do clube. Atrás
delas se aglomeravam vários membros. Todos assistindo. Todos
olhando fixamente. Ela estremeceu e involuntariamente se

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 83


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Torpedo INK Livro 1

aproximou de Reaper. Ele fez o que ele sempre parecia fazer, pegou
suas mãos, puxou ao redor dele e pressionou-as em sua barriga. Ela
ignorou aqueles que estavam assistindo e se aconchegou, se ajeitando
até que estivesse bem colada a Reaper, então ela podia sentir cada
centímetro dele. A moto rugiu para a vida e então eles estavam
passeando com o vento. Ela adorava estar na moto com ele.
Uma vez na rodovia 1, eles se dirigiram para o sul em direção a
Sea Haven. O vento rasgava seu rosto e cabelos. Ela empurrou a
maior parte da espessa massa para dentro do capacete. Não
demorou, saíram da estrada principal para uma estrada que conduzia
ao leste. De repente ela se preocupou. Tinha pensado que ele a levaria
a um restaurante, mas, até onde sabia, aquela era uma propriedade
privada.
Ele passou entre dois portões e continuou por uma trilha estreita
que levava a propriedade. Uma casa surgiu. Ele dirigiu diretamente
para lá e parou. Ela ficou bem onde estava. Ele desligou o motor, e
ela ainda não se moveu.
— Onde estamos? —Ela não pôde evitar a suspeita de sua voz.
Antes que ele pudesse responder, uma pequena menina explodiu
pela porta. Ela não tinha mais do que cinco ou seis anos. — Tio
Reaper! Eu não sabia que você estava vindo. —Ela correu direto para
ele, pulando em torno da moto como um coelho e então pareceu
notar Anya. Os saltos pararam e a curiosidade penetrou em seus
traços delicados. — Quem é você? —A criança tinha o cabelo mais
vermelho que Anya já havia visto. Sardas se espalhavam por seu
nariz, como pó, mas Anya achou isso adorável.
— Emily, esta é minha amiga Anya. Eu quero que você seja
muito agradável com ela e mostre as redondezas. Ela tem tido um
pouco de dificuldade ultimamente. Posso contar contigo?
A boca de Anya caiu. Toda a atitude dele mudou quando falou
a criança. Suas faces sérias suavizaram. Ele não sorriu, mas sua boca
não pareceu tão dura. Sua voz era gentil. Até mesmo doce.

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Torpedo INK Livro 1

Emily estudou o rosto de Anya por um longo tempo, até que ela
assentiu solenemente. — Ela é muito bonita.
— Tem uma ótima pele, —Reaper admitiu.
A boca de Anya se recusou a fechar. Ela estava com um pouco
de medo. Ele a chocou. Ela não achava que Reaper poderia ser tão
doce ou suave. Ela não podia acreditar que ele estava falando sobre
sua pele. Ótima? Ele achava que ela tinha uma ótima pele? Ele
estendeu o braço para estabilizá-la enquanto ela desceu. Ela sentiu
estranha ondulação dos dedos em torno do bíceps dele para levantar
da moto. Quando ela olhou para cima, uma mulher estava na
varanda com o braço de Czar enrolado possessivamente em torno de
sua cintura.
— Reaper. Anya. —Czar sorriu para o amigo.
Reaper se aproximou. — Procurando um café da manhã tardio
ou um almoço adiantado, Blythe. Nós chegamos muito tarde?
Blythe lhe lançou um sorriso brilhante, seu olhar deslizando para
Anya. — Nunca é tarde demais para você comer por aqui, Reaper,
você sabe disso. Entre.
Emily estendeu a mão e tomou a mão de Anya um pouco
timidamente. As sardas em seu nariz faziam Anya se encantar ainda
mais, assim como o gesto.
— Blythe é uma boa cozinheira, —Emily confiou em um
sussurro alto. — Todo mundo gosta de comer aqui. Especialmente
Ice e Storm. Eles nunca param de comer.
Czar riu. Blythe se juntou a ele. Anya não pode deixar de notar
que Reaper ainda não tinha aberto um sorriso.
— Devemos esperar por todos, esta tarde? —Blythe perguntou a
Reaper.
Ele encolheu os ombros. — Provavelmente. Todos estão sendo
uns asnos. Mesmo Alena e Lana. Eu pensei que poderia contar com

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 85


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Torpedo INK Livro 1

eles. —Ele deu um passo para trás para permitir que Emily
acompanhasse Anya pelos degraus.
Blythe deu um rápido e simpático olhar para Anya. Isso fez
Anya respirar um pouco mais aliviada. A esposa de Czar parecia
normal. A casa era linda, cheia de espaços abertos. Ela percebeu que
Reaper hesitou na porta antes de entrar. Ela não sabia por que isso
puxava as cordas de seu coração, mas fez.
— Situações incomuns, Reaper, —disse Czar. — Eles se
acostumarão.
Anya não tinha ideia do que estavam falando. Metade do tempo,
os membros do clube pareciam falar em código.
— Talvez seja melhor acender a churrasqueira, querido, —
Blythe sugeriu a Czar. — Nós podemos fazer algo simples como
hambúrgueres e hambúrgueres vegetarianos. Será mais fácil para
alimentar um grande grupo.
— Grande grupo? —Anya ecoou fracamente.
Reaper olhou por cima do ombro para ela. — Emily está bem
ali. Ela vai te mostrar as redondezas e evitar que alguém diga
qualquer coisa maldosa.
— Alguém foi maldoso? —Blythe perguntou, lançando um olhar
ansioso para Czar.
Instantaneamente, ele envolveu seu braço ao redor dela e a
beijou. Não foi um pequeno beijo na bochecha, de jeito nenhum. Foi
um beijo completo para acabar com todos os beijos. Anya teve que
olhar para longe. Não era difícil ver que o presidente da Torpedo Ink
estava loucamente apaixonado pela mulher que usava seu anel no
dedo.
— Eu realmente não deveria ficar, —disse Anya, decidindo que
se ela não falasse por si mesma, ela seria enredada mais e mais
profundamente em um mundo que ela não entendia, nem queria—e
que não a queria nele.

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Reaper parou em seu caminho. Ele virou, suas botas de


motoqueiro surpreendentemente silenciosas quando ele atravessou a
sala diretamente para ela. As duas mãos foram para a cintura dela.
Ele não rompeu o passo, mas continuou andando, levando-a até a
parede até que ela estivesse presa lá, o corpo dele fazendo-a sua
prisioneira. Ela olhou ao redor dele, esperando que Blythe dissesse
algo, mas Czar já havia varrido Emily e sua esposa para a sala ao
lado, deixando-os sozinhos.
Ela encarou o rosto implacável de Reaper. Ele poderia ser de
pedra por toda a expressão que ela obteve. Ele tinha aquela vibração
assustadora novamente, aquela que ele perdeu quando a pequena
Emily saltou os degraus e correu para ele.
— Você não está saindo. —Tivemos essa discussão, e
terminamos com isso.
Sua respiração sibilou enquanto lutava para segurar seu
temperamento. — Não é uma discussão se uma pessoa estabelece um
decreto e a outra não chega a falar.
— Essa é toda a discussão que vamos ter sobre isso. Mantenha
uma mente aberta e deixe-se ter um bom tempo. Blythe e seus filhos
são ... especiais. Dê-lhes uma chance.
Ótimo. Agora, se não ficasse, ela seria preconceituosa. Bem, ela
meio que estava, se fosse ser honesta. Após o primeiro encontro com
Betina e Heidi, e depois Lana e Alena, ela não teve mais interesse em
conhecer as mulheres do clube. Não havia nada para dizer sem
parecer que ela estava cedendo a ele, e ela tinha a sensação de que se
desse um polegar a ele, ele tomaria uma milha proverbial.
A mão dele subiu ao seu cabelo. Ele afundou os dedos
profundamente, puxando suavemente os fios. — Eles te
machucaram, não foi?
Ela apertou os lábios com força. Ela não era linguaruda,
correndo para que seu pai a protegesse porque alguém a magoava.
Ela nunca teve essa opção. Ninguém a protegeu. Ninguém havia

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 87


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consertado as coisas para ela. Ninguém jamais quis saber, se ela


estava ferida ou não.
Seu corpo estava tão quente. Muito grande. Muito perto. Ele
tinha tomado banho e ela podia cheirar o fraco aroma que ela
associava a ele. Homem. Motocicleta. Ar livre. Ela respirou fundo e
seus seios roçaram o peito dele.
— Fique, Anya. Você tem um emprego. Eu tenho um lugar para
você ficar. A porra da coisa é um albatroz19 ao redor do meu pescoço.
Uma grande casa bem no rochedo. Está vazia agora. Você poderia
ficar lá e me ajudar a arrumar a porra da coisa. Eu não sei o que devo
fazer com aquilo.
Ela franziu o cenho para ele, não entendendo. — Você está
dizendo que você tem uma casa? Sua própria casa?
Ele brincou com o cabelo dela, assentindo.
— Você tem uma casa, mas não mora nela.
— Não tenho nada nela. Uma cama no quarto é tudo. Nunca
dormi nela. No meio da noite em que eu tenho que sair de lá para
poder respirar. As quatro paredes se fecham sobre mim às vezes. Czar
insistiu que todos nós tivéssemos uma casa, então ela fica lá, como
um monstro agachado, esperando para me comer vivo.
— Uau. OK. —O que alguém diz sobre isso? Tinha o estranho
desejo de colocar seus braços ao redor dele e mantê-lo perto. Havia
muito naquela estranha descrição de sua casa. O corpo dela estava
em chamas, mas era com seu coração que tinha ficado preocupada.
Reaper era um homem tão estranho, violento, impenetrável, abrupto,
sozinho, sexy como o inferno, de repente doce e depois ... vulnerável.
Ela talvez pudesse resistir ao sexy, ao doce, mas nunca a isso. Um

19
Os albatrozes, incluindo os piaus, da família biológica dos diomedeídeos, são aves marinhas de grandes
dimensões que, em conjunto com os procelarídeos, painhos e petréis-mergulhadores, formam a ordem dos Procellariiformes ou
Tubinares.

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homem tão forte dando algo que ela sabia que ele não dava aos
outros—especialmente os irmãos clube de seu clube.
— Não sou a melhor designer de interiores, —disse ela, tirando
seu corpo fora. Ela balançou. Ela sempre quis uma casa. Sempre. Ela
tinha sonhado a vida inteira sobre ter sua própria casa. Sua própria
família. Um homem que ela pudesse estragar. Ela aprendeu a
cozinhar, apesar de haver apenas ela para cozinhar. Ela assou
sobremesas incríveis. Ela fez pão. Cada apartamento que ela já teve,
ela trabalhou para mantê-lo limpo e o mais agradável possível,
porque isso era importante para ela. Até leu livros sobre jardinagem,
porque um dia, ela ia fazer isso também.
— Você tem que ser melhor que eu. —Ele recuou, permitindo
que ela respirasse, não era tudo sobre Reaper. Ele levou a maior parte
do calor com ele.
— Fique perto de Blythe quando os outros chegarem aqui, —
Reaper aconselhou.
Ela franziu a testa para ele. — Você acha que os outros estão
chegando? —Por outros, ele quis dizer Lana e Alena? Ela esperava
que não. Preferia que Betina e Heidi aparecessem. Pelo menos, elas
não fingiam ser nada além do que eram. Ela gostava de ambas. Ela
não queria sua vida, mas pelo menos ela gostava delas. Ela podia
entender querer ser parte de algo, e ambas as mulheres estavam
determinadas a fazer parte do clube de qualquer maneira que
pudessem. Anya queria dizer-lhes que elas estavam sem dúvida indo
pelo caminho errado, mas o que ela sabia?
Ela provavelmente tinha colocado Lana e Alena em um
pedestal. As duas eram quase reverenciadas pelos membros
masculinos do clube. Ela sabia o quão raro era algo assim. Cada
membro do clube que conheceu falava sobre elas como se as duas
mulheres fossem a espinha dorsal do clube. Ela estava lá a tempo
suficiente para perceber que a espinha dorsal era Czar. Mas as duas
mulheres eram definitivamente amadas pelos homens do Torpedo
Ink.

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Reaper pegou seu pulso, seus dedos longos se fechando em torno


dele como uma pulseira. Ele foi gentil desta vez enquanto a conduzia
até a cozinha onde Czar se inclinava contra o balcão, com o olhar
fixo no rosto de Blythe enquanto ela cortava os tomates habilmente.
Ela estava sorrindo, sua cabeça para trás, seus olhos brilhando. No
balcão estava Emily, seu pai abraçando-a pela cintura. Era uma cena
normal, casual, mas a surpreendia. Czar tinha uma família que
amava. Ela nunca tinha visto esse lado dele, e era bonito.
Czar virou a cabeça quando eles entraram na cozinha, seu olhar
caindo para os dedos de Reaper em seu pulso. — Você está pronto
para me dar uma mão? Pensei em acender a grelha grande.
Reaper assentiu. — Eu ouvi os porcos chegando.
Ele tinha? Anya não tinha ouvido nada. Ele quis dizer as motos
ou os homens porque comiam demais? Ela não sabia, nem se
importava. Ela ia fazer exatamente o que ele disse e ficar perto de
Blythe. Esperançosamente, isso a ajudaria a passar o almoço. À
tarde, ela entraria no carro dela, pegaria suas roupas e dinheiro e
descobriria o quanto os reparos lhe custariam.
Ice e Storm entraram. Ela manteve os olhos no chão, tentando
não pensar sobre Ice nu. Ele tinha um bom corpo. Um corpo lindo.
Não que ela tivesse olhado, mas como alguém poderia não ver algo
assim? Ele deu-lhe uma pequena saudação e depois se curvou para
beijar Blythe na testa. — Tem café, querida? Preciso de cafeína. —
Ele arrancou Emily do balcão e girou com ela. — Ei, linda. Cadê os
meus beijos? —Ela se contorceu até que ele a colocou no chão, e ela
correu alguns metros dele.
— Você não recebe nada, tio Ice, —Emily gritou, seus olhos
castanhos dançando de alegria. — Eu estou dando todos eles para tio
Storm. —Ela correu pela cozinha diretamente para os braços abertos
de Storm.
Storm se apoiou e então fingiu tropeçar em Savage, que se
abaixou e beijou a testa de Emily. — Isso é chamado de roubo, —
disse ele. — Eu só estou apontando isso, Em.

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Torpedo INK Livro 1

— Você está ocupando espaço na minha cozinha, —disse


Blythe. — Pegue uma faca e ajude, ou vá para Czar e Reaper. —Ela
apontou com a lâmina de sua faca para a porta que levava ao quintal.
Os gêmeos levantaram as mãos em sinal de rendição. Anya
podia ver que ela estava perdendo Emily para os bonitos
motociclistas, mas não podia culpar a menina. Ela pegou Savage
olhando para ela quando ela andou até o balcão, pegou uma faca e
puxou um tomate para ela.
— Quão ruim ele está machucado? —Ela manteve a cabeça
baixa. Era estúpido perguntar quando estava certa que Savage não
responderia.
— Está sob controle. Não foi a primeira vez, não será a última.
Ela tinha certeza disso. Ela assentiu com a cabeça, fingiu grande
concentração em seu tomate. — Obrigado, Savage.
Sentia-se estranha em falar com ele. Savage, como Reaper,
raramente falava. Certamente, não com ela. Ela não fazia parte do
clube e nunca faria. Não havia papel para ela, além de bartender.
Ainda assim, eles a protegiam.
— Reaper ficou ferido? —Blythe perguntou, parando de cortar.
Savage lançou um olhar sobre ela. — Não é grande coisa,
querida, ele está bem. Você está fazendo sua salada de batata?
— Eu pensei no macarrão, —disse Blythe. — É mais rápido.
— Batata, —disse Savage de forma decisiva. — Ou ambos.
Blythe riu e apontou com a ponta de sua lâmina. — Fora. —
Assim que ele saiu da cozinha, ela tirou um saco de batatas. — Eles
adoram comer. Nunca consigo ter comida suficiente em casa.
Anya assumiu o corte dos tomates, picles e cebolas para os
hambúrgueres. — Eu não consigo imaginar a quantidade de
alimentos que você compra se todos comerem aqui. Você sempre
cozinha para eles?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 91


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Blythe lavou as batatas. — Muitas vezes, mas todos ajudam.


Este foi improvisado em sua homenagem.
O coração de Anya saltou. — O quê? —Ela se virou quando dois
mais dos membros do clube entraram. Absinthe e Preacher acenaram
para ela, olharam um para o outro, sorriram e se apressaram para
beijar Blythe. — Qualquer coisa que você precise? Uma corrida até a
loja? Você manda.
— Nós estamos bem. Os outros estão na parte de trás. Blythe
esperou até que saíssem. — Não é todos os dias que Reaper coloca
uma mulher sob sua proteção formalmente. Como em nunca.
— Eu não entendo. —Ela não entendia. Muitas vezes, ela não
entendia os termos que eles usavam ou compreendia a lógica de suas
escolhas.
— Está tudo bem, Anya. Apenas saiba, uma vez que Reaper diga
que você está protegida, o clube irá protegê-la. Eles têm Lana e Alena
que eles afirmam ser deles. Minhas três garotas e Kenny. Agora você.
Anya abaixou a cabeça, agitando-a enquanto cortava
habilmente os picles. — Você não entende. Ele nem gosta de mim.
Ele queria me despedir. Eu acho que ele se sentiu mal em pedir que
Czar me demitisse quando mais tarde ele descobriu que eu estava ...
—Ela mordeu o lábio. Deus. Ela realmente iria admitir a Blythe que
ela era uma sem-teto, vivendo em seu carro? Ela queria que a mulher
olhasse para ela do jeito que Lana e Alena tinham? Dane-se. —
Vivendo em meu carro. Acampando no Egg Taking Station.
Blythe respirou fundo. — Isso não era seguro.
Keys, Master, Transporter e Mechanic entraram. Com eles
estava Fatei, o prospecto. Ele seguia atrás deles. Os quatro membros
do clube beijaram Blythe, assentiram com a cabeça para Anya,
olhando-a completamente, tomando seu tempo até que Blythe riu e
jogou uma colher de pau sobre eles. Eles saíram, e Fatei olhou em
volta da cozinha.
— Fico feliz em ajudar. O que posso fazer?

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— Você sabe onde estão os pratos de papel e os guardanapos,


Fatei, —disse Blythe. — Você os pegaria e os levaria para as mesas
lá fora? Talvez os outros possam ajudá-lo a mover as mesas para o
sol.
Ele assentiu com a cabeça e desapareceu, deixando Anya e
Blythe sozinhos novamente. Anya desejava ter a forma fácil de falar
de Blythe com os homens. Com o balcão entre eles, Anya estava em
seu elemento, mas agora, ela se sentia sob escrutínio. — Por que eles
estão todos agindo estranho comigo? Eles estão olhando.
— Você está com a camisa de Reaper.
Do jeito que Blythe disse, Anya soube imediatamente que tinha
dado a impressão errada. A maioria dos irmãos do clube
provavelmente também fazia. — Não, você não entende. Não é o
que você está pensando. Lana e Alena me trouxeram roupas porque
não consegui tirar as minhas do meu carro. O top era ... —Agora ela
estava sendo linguaruda. — Ele simplesmente não servia, então eu
pedi uma camisa dele para colocar. —Ela sabia que estava corando.
Ela não conseguia evitar isso, não conseguia evitar a lembrança da
sensação dos dedos de Reaper escovando sobre seus seios enquanto
abotoava a camisa.
Blythe se afastou do fogão onde colocou as batatas para ferver.
— Deixe me ver.
— É tão terrível. —Ela abriu a camisa para mostrar a Blythe o
top com a renda do sutiã aparecendo e seus seios salientes em todos
os lugares.
Blythe olhou para ela e então virou o olhar para a porta. Lana e
Alena estavam congeladas lá, Steele, o vice-presidente, logo atrás
delas. As mulheres olharam para Blythe, com vergonha em seus
rostos. Steele, colocou-as suavemente de lado e entrou na cozinha.
Anya, horrorizada, com o rosto vermelho brilhante, abotoou a
camisa de Reaper e desejou que o chão se abrisse para que ela
pudesse entrar.

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— Nós não nos conhecemos formalmente, —disse Steele,


estendendo a mão para Anya. — Você é Anya.
Ela assentiu. — Bartender, —lembrou ela. Ela queria esse título
formal agora, para desassociar-se de Reaper. Todos estavam tendo a
ideia errada. Ela não queria que eles tivessem essa ideia sobre ela.
Seria muito difícil depois quando todos se lembrassem que Reaper
tinha querido que ela fosse demitida. Saísse. Ele estava sendo legal
por causa das circunstâncias, mas isso não mudava o fato de que ele
não gostava dela.
Ela se segurou nisso. Considerava como uma armadura. Sua
única proteção contra o que ela estava sentindo por ele. Uma única
noite de sexo selvagem e destruidor de alma era uma coisa, qualquer
coisa a ver com seu coração estava fora dos limites. Ela tinha que
manter Reaper a distância de um braço. Ela não podia ver o quão
vulnerável ele poderia ser. Ela não podia reconhecer que ele estava
traumatizado por algo que aconteceu no passado. Ela não queria ver
que os irmãos em seu clube estavam preocupados com ele e talvez
quisessem que sua bondade com ela significasse algo mais.
Ela sacudiu a mão de Steele, sorriu para ele e voltou a cortar os
tomates enquanto Blythe tirava os ovos da geladeira para a salada de
batata.
— Anya. —Alena falou primeiro. — Foi uma coisa de merda,
levar um top tão pequeno. Eu sinto muito. Nós lhe trouxemos alguns
que se encaixam melhor. Por favor, experimente-os.
Ela olhou para elas. Parecia haver remorso genuíno em seus
rostos. — O que eu fiz de errado? —Ela pousou a faca. — Vocês têm
que estar cientes de que não conheço nada sobre esse estilo de vida.
Eu precisava de um emprego. Eu sou uma boa bartender. Na
verdade, sou uma ótima bartender. O clube precisava de um, então
foi bom para nós dois. Estou tentando aprender, mas parece que
estou incomodando a todos. A vocês. A Reaper. Apenas me diga o
que estou fazendo de errado.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 94


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As duas mulheres trocaram um longo olhar, totalmente


intrigadas. — Por que você pensa que está mexendo com os nervos
de Reaper? —Perguntou Lana, andando pela ilha para pegar o maço
de brócolis que Blythe estava segurando.
— Ele queria que eu fosse demitida. Ele me chamou de cadela e
pediu ao Czar para me demitir. Eu nunca fui uma cadela para
ninguém. Eu nem faço com que Betina e Heidi limpem o bar no fim
do expediente, especialmente se tivessem um encontro. —Anya
estava genuinamente confusa.
— Então, hoje, ficou bastante claro que ninguém me quer lá, eu
resolvo sair e Reaper não deixa. Ele nem quer discutir isso comigo.
Todos estavam loucos no que dizia respeito a Anya. Ela não se
importava em enfrentar Lana e Alena. Seu temperamento estava
perto. Ela podia ter vivido em um abrigo quando criança, mas ela
tinha orgulho suficiente para dizer a ambas para ir ao inferno ao invés
de aceitar a caridade deles.
— O que diabos está acontecendo aqui? —Reaper exigiu,
fazendo todas elas saltarem. Sua voz era baixa. Ele não a tinha
levantado, mas parecia assustador como o inferno.

— Reaper, olhe a língua, —Blythe lembrou


gentilmente.

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— Nada está acontecendo, —assegurou Lana rapidamente. —


Apenas conversa de meninas.
Reaper atravessou a sala, roubou a respiração de Anya e enviou
um frisson de medo pela coluna vertebral dela. Ele parecia letal.
Perigoso. Os olhos azuis dele se movendo pelo rosto dela. Ele não
olhou para ninguém, nem mesmo reconheceu sua presença. Ele a
pegou pela frente da camisa que ele emprestou e puxou até que ela
estava bem na frente dele. Uma mão deslizou sob a massa de seus
cabelos, segurando-a pela nuca. Parecia possessão. Propriedade.
— Anya? —Seu polegar deslizou ao longo de sua bochecha.
Isso foi ... doce. Cuidado. Ela não podia olhar para ninguém,
certa de que eles veriam seus mamilos empurrando forte o tecido
quase inexistente. Eles saberiam que sua calcinha estava úmida e o
clitóris palpitava de necessidade. Como ele fazia isso? Sua voz como
um veludo, deslizando sobre sua pele como o toque dos dedos? Rude.
Suave. No mesmo horrível momento.
Suas pestanas vibraram porque a voz dela não funcionava. Ela
apenas olhava para os olhos azuis dele e estava perdida.
— Nós podemos ir.
Não havia como ir a qualquer lugar com ele, por mais tentador
que fosse. Não sozinha. Ela podia perder a cabeça e pular nele. Ela
conseguiu balançar a cabeça, mas não conseguiu desviar a atenção
da intensidade de seus olhos azuis. Ela queria dizer que ele não
estava seguro e seria melhor montar em sua moto e fugir o mais
rápido que pudesse ir, mas não podia fazer isso com as outras
mulheres olhando.
— Tem certeza?
Ela assentiu. Que idiota. Ela na verdade não podia falar? Ela era
a bartender, pelo amor de Deus. Uma malditamente boa. Ela
confiava em sua capacidade de falar besteiras com qualquer um, mas
ao redor de Reaper, ela se viu completamente perdida. Nenhum
cérebro. Ele a reduzia a pura necessidade e seu cérebro desligava.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 96


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Diziam que acontecia com os homens, bem, ela estava lá para


testemunhar que isso acontecia com as mulheres também.
— Tudo bem. Se você precisar de mim, venha e me pegue.
Anya assentiu de novo. Seus dedos apertaram-na por um
momento e então ele se foi, tão rápido e silenciosamente quanto
entrou na sala. Ela ficou ali como uma idiota olhando para ele,
perguntando o que estava acontecendo. Um mês de silêncio e agora
isso. Ela nunca o entenderia, nem em um milhão de anos. O
comportamento do motoqueiro era muito diferente do que pensou
que fosse.
Blythe limpou a garganta. — Então. Anya. Você estava nos
dizendo que Reaper não gosta de você. Que ele tentou que a
despedissem. Você pode querer continuar a história para nós. Porque
entre a tentativa de fazer você sair e agora, parece que há uma
enorme lacuna.
Anya olhou de Blythe para Lana e Alena. Todos estavam
olhando para ela com o mesmo olhar chocado em seus rostos. — Ele
está apenas agindo estranho, —disse ela. — Isto começou ontem a
noite quando ele me levou para o acampamento onde eu estava
hospedada. Meu carro estava morto. Estava frio e ele se sentiu mal.
Realmente mal.
Lana cutucou Alena. — Porque Reaper é conhecido por se sentir
mal.
Anya pegou a faca que abandonou quando Reaper entrou. — Eu
apenas não entendo nada, então não posso explicar isso para você.
Ele me trouxe de volta à casa do clube e deixou-me dormir lá. —
Quando Blythe ergueu as sobrancelhas, ela esclareceu. — Sozinha.
Nós não somos ... —Suas mãos tremularam impotentes. Não havia
explicação para o comportamento de Reaper. — Ele passou a sentar
no bar todas as noites por mais de um mês e não fala uma palavra
para mim, para querer me despedir, e me trazer aqui.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 97


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— Ele sentou no bar todas as noites por mais de um mês? —


Ecoou Alena. — Preacher contou isso, Lana?
Lana balançou a cabeça. — Ele não deduraria seu irmão.
Anya colocou a mão sobre a boca. — Eu não deveria ter contado
isso? Porque não? Eu realmente não pertenço aqui. Eu não entendo
nada. —Ela nunca tinha estado tão frustrada em sua vida. Não era
como se ela estivesse desesperadamente procurando sexo. Desde que
conheceu Reaper, ela estava nervosa, mal-humorada e totalmente
frustrada. Ultimamente, era mil vezes pior. Juntamente com não
conhecer as regras, ela estava pronta para gritar.
— Salada de macarrão, —disse Blythe as duas mulheres do
clube. — Vocês sabem como fazê-lo. Ocupem-se. Estou trabalhando
na salada de batatas, e a Anya está preparando tudo para os
hambúrgueres.
— Não há nada de errado em nos dizer que Reaper se sentou no
bar, Anya, —Alena assegurou. — Preacher não faria isso porque
existe todo esse código de fraternidade. Isso é muito ridículo e nos
deixa loucas. Nós crescemos com eles. Estamos na irmandade, mas
porque temos vaginas eles nos tratam diferente.
— Eles são protetores com você, —Blythe apontou.
— O que é bastante bobo, você não acha? —Perguntou Lana.
— Eu acho que é doce, —disse Blythe.
— De onde você é, Anya? —Perguntou Alena.
Anya deveria estar esperando a pergunta. Ela pesou sua
resposta. Ela tinha que ter cuidado. — São Francisco foi o último
lugar. Mudei-me um pouco.
— Onde você nasceu? —Persistiu Lana. — Nós nascemos na
Rússia. Todos nós. Todos os membros do clube. Estávamos todos
juntos numa escola.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 98


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Nenhum deles tinha muito acento, mas Anya não questionou o


que Lana disse. Não havia motivo para mentir. — Eu nasci em Los
Angeles. Creio que na verdade nasci em um abrigo, mas não lembro
de nada, minha mãe ia de abrigo em abrigo. Não consigo me lembrar
de nada além das ruas. —Ela se forçou a ser uma questão de fato. Se
eles fossem julgá-la, para o inferno com eles. Não havia vergonha na
voz dela, nem estava à procura de piedade. Ela não precisava disso.
— Sua mãe ainda está viva? —Blythe perguntou.
— Não. —Manter sua voz casual era mais difícil. — Ela morreu
quando eu era adolescente. Overdose de drogas. Fiquei surpresa por
ela durar tanto tempo. —Mas ela amava sua mãe, e quando sua mãe
se lembrava dela, a vida era boa para elas. Mesmo no abrigo.
— Como você acabou como bartender? —Perguntou Alena.
— Eu vi um programa na televisão. Era um barman famoso por
seus truques, —Anya admitiu. — Ele era hipnotizante. Ele poderia
jogar garrafas em volta como você não acreditaria. Eu pensei que era
a coisa mais legal que já tinha visto. Eu sabia que se pudesse chegar
a ser boa, eu poderia ganhar dinheiro. A escola de bartender não era
tão cara quanto a faculdade, e um bartender pode conseguir um
emprego em praticamente qualquer lugar. O pagamento é muito
mais rápido, para mim, fazia sentido. Também ajudou a ter uma
memória incrível.
— Você pode fazer alguns desses truques? —Lana perguntou.
Anya assentiu. — Absolutamente. Essa é a parte divertida. Eu
dou o toque de meus clientes e eles adoram. Consigo as melhores
gorjetas e funciona de forma excelente. Não é fácil e tenho que
praticar regularmente, mas aprendi que menos é mais.
— Preacher não me disse que você pode fazer truques, —Lana
reclamou.
— Ele não sabe. Eles são vistosos, feitos apenas em certos tipos
de bares. Não seriam bem-vindos aqui. Simplesmente parecia que eu
queria me mostrar.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 99


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Torpedo INK Livro 1

— Você pode me ensinar? —Perguntou Lana.


— E eu, —acrescentou Alena.
— Claro, se eu tiver perto tempo suficiente. A garagem está com
o meu carro agora. Espero que o consertem logo.
— Espere, —disse Blythe, franzindo a testa. — Você não vai
ficar?
— Como eu disse, apesar do que você viu do Sr. Conflito, eu não
sou sua pessoa favorita. Eu não posso me dar ao luxo de ter meu
trabalho arrancado debaixo de mim quando ele decidir que quer que
eu vá embora. Eu tenho que planejar as coisas. Essa é minha
personalidade. Se eu não tiver um plano, eu fico sobrecarregada.
As três mulheres trocaram um longo olhar novamente e Anya
fingiu não ver. Dois homens enfiaram a cabeça na porta. Um estava
coberto de tatuagens e Anya o reconheceu como Ink. Ele raramente
ia no bar. O outro era chamado de Maestro e ela sabia que ele tocava
uma infinidade de instrumentos porque ocasionalmente, ele e outros
membros do clube tocavam juntos no bar. Ele era realmente, muito
bom.
— Todo mundo lá atrás?
— Não, Ink, —disse Lana em voz arrogante. — Claramente
todos não estão lá atrás porque estamos aqui. Quatro de nós.
Mulheres. Você sabe, as fêmeas.
Ink sorriu para ela. — Naquele momento do mês, hein, querida?
Sinto a sua dor.
Ele se abaixou quando ela jogou um pacote de macarrão nele.
Elas podiam ouvir suas risadas, quando ele se juntou aos outros
homens lá fora. Maestro colocou as mãos no ar em rendição e seguiu-
o.
— Idiota, —Lana xingou em voz baixa. — Eu vou fugir para
outro estado durante algum tempo. Sozinha. Eu preciso sair de perto
deles.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 100


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Torpedo INK Livro 1

— Eu irei com você, —Alena se ofereceu.


— Oh, não, vocês não vão. Vocês não vão me deixar sozinha
com todos eles, —disse Blythe.
— Eles quase não têm maneiras. Pelo menos vocês duas os têm
semi-domesticados. Sem vocês por perto para mantê-los na linha,
eles iriam trapacear. Vocês podem ficar aqui e me ajudar.
Lana e Alena trocaram um longo olhar e depois começaram a
rir. — Você enlouqueceu se acha que somos a resposta para ajudá-la
a ensinar-lhes boas maneiras. Nós não sabemos mais do que os
meninos.
Anya podia ouvi-las falar o dia todo. A camaradagem era algo
que nunca tinha experimentado. O riso compartilhado. Elas tiveram
um passado juntos. Elas tinham um futuro. Só pelo jeito delas
falarem umas com as outras, ela poderia dizer que as três mulheres
seriam amigas para sempre. Ela queria isso. Ela desejava ser parte de
algo. Ela queria amigos, uma casa, uma família acima de tudo.
Conseguir isso parecia ser muito mais difícil do que jamais
imaginara.
Ela nunca considerou que um clube de motociclistas poderia ser
sobre família. Ela tinha vivido nas ruas e encontrou todos os tipos de
pessoas, a maioria tentando, como ela, sobreviver.
Muitas fugiram de suas famílias, e não conseguiram encontrar
seu caminho de volta para elas, mas desejavam poder. Ela viu pais
levando seus filhos para a escola, abraçando-os, comprando roupas e
comida para eles e ansiava por isso em sua própria vida. Nunca
considerou um homem como Czar, tão remoto e distante, faria as
mesmas coisas para seus filhos, e quando ele pudesse, um de seus
irmãos faria para ele.
Ela olhou pela janela, observando os gêmeos perseguirem a
pequena Emily e depois levantá-la até seus ombros. Eles a levaram
diretamente para o círculo de homens e cada um saudou-a,
provocou-a, falou com ela como se ela importasse.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 101


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Torpedo INK Livro 1

— Preacher mencionou que você tem quatro filhos, —ela disse,


ainda observando a criança. Anya a invejava. Ela também queria
seus filhos. Sem abrigos. Ela não podia imaginar esses homens
virando as costas para aquela criança, se algo acontecesse com Czar
e Blythe.
— Nós temos. Nós temos três garotas e um garoto, —disse
Blythe. — As três meninas são irmãs. Darby é a mais velha, e ela é
incrível com suas irmãs, embora ela e Kenny discutam muito. Eu
acho que ambos querem que o outro admita que eles são o melhor
cachorro. —Ela riu suavemente como se a discussão fosse engraçada,
em vez de irritante.
— Nós trouxemos Kenny para casa e para Blythe, —confessou
Alena. — Ele estava mal, mas ela o pegou imediatamente. É uma
maravilha o que ela realizou com ele.
Anya não tinha ideia do que elas estavam falando, mas queria
ouvir mais. Claramente, Blythe não deu à luz as quatro crianças, mas
observando Czar com eles e ouvindo o amor na voz de Blythe, ela
sabia que essas crianças eram deles. Eles gostavam tanto quanto
qualquer pai biológico poderia.
— Darby não pensa assim. Ela está atrás dele o tempo todo para
estudar. Eles estão na casa de Airiana agora. É apenas abaixo pela
estrada. Eles vão para a escola lá. Zoe está com eles. —Ela franziu a
testa. — Nossa Zoe ainda está tendo pesadelos. A colocamos em um
terapeuta, mas até agora ... —Ela parou, balançando a cabeça. — Eu
acho que é bom para ela estar com os filhos de Airiana. Eles falam
sobre o que lhes aconteceu as vezes. Darby diz que acha que ajuda
um pouco a Zoe. —Ela olhou diretamente para Anya. — Todos
foram vítimas do tráfico de seres humanos. As crianças de Airiana,
fora seu novo bebê, e Emily. —Havia lágrimas em seus olhos.
— Blythe. —A voz de Alena era suave. Gentil. Carinhosa. Era
a primeira vez que Anya tinha ouvido essas notas em sua voz. — Eu
os vejo agora, e eu os vi na época. Você tem feito maravilhas por eles.
Eles adoram isso aqui, e o mais importante, eles se sentem seguros.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 102


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O coração de Anya apertou. Seguro. Segurança. Ela nunca teria


imaginado isso em um clube de motociclistas também. Talvez não
fosse em todos os clubes, mas certamente neste eles se preocupavam
com a família e as crianças.
Blythe olhou para fora da janela, seu olhar sobre Czar. —
Obrigado, Alena. Às vezes, porque estamos tão perto disso, os
ouvindo de noite, ou os encontrando escondidos em um armário,
com medo, fora de suas mentes, parece que estamos nadando contra
uma corrente terrível. —A mão dela vibrou contra sua garganta. —
Czar é incrível. Tão forte. Sempre constante com eles. Eu tendo a ser
o bebê e choro com eles.
Alena largou a colher com que estava mexendo o macarrão
parafuso e foi até Blythe, envolvendo um braço ao redor dela. —
Você cuidou de mim quando eu precisei, Blythe, é por isso que eu
posso dizer sem reservas, você é o nosso coração. De todos nós.
Dessas crianças.
Anya piscou as lágrimas se formando nos olhos dela. Ela nunca,
nem em um milhão de anos, pensou que Alena pudesse ser tão
atenciosa. Ouvir sobre as crianças atravessou o coração dela. Ela
tinha visto crianças entrarem nos abrigos, traumatizadas. Aqui, havia
pessoas que se importaram. Muitas delas, claramente.
Czar, com a cerveja na mão, virou-se de repente para a casa,
olhando para Blythe pela janela. Ele viu Alena com o braço em volta
da cintura dela e imediatamente começou a correr pelo gramado.
Anya o observou vir em direção a elas. Ele tinha olhos apenas para
Blythe, embora Anya tivesse a sensação de que ele enxergava tudo.
No momento em que ele se pôs em movimento, todo o grupo ficou
elétrico, alerta. Reaper e Savage o flanquearam, espalhando-se, como
se estivessem guardando suas costas.
Um pequeno tremor de consciência subiu por sua espinha
enquanto olhava para seus rostos. Duros como aço, os olhos gelados
como gelo, linhas profundas esculpidas em suas já duras faces. Ela
estava olhando para o outro lado deles. Uma imagem da faca

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 103


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penetrando a carne de Deke, profundamente, até o punho, e Reaper


tão casual. Savage dizendo que iria cuidar daquilo. O que ela estava
pensando? Ela deu um passo atrás quando o Czar entrou.
Ele foi direto para sua esposa e puxou-a em seus braços. Ela o
ouviu falar algo, e Blythe riu, embora Anya pudesse dizer que ela
estava chorando. Reaper entrou atrás dele, Savage não estava à vista.
O olhar de Reaper varreu o quarto, uma inspeção minuciosa, e então
ele olhou para o casal antes de olhar para Anya.
Ela detestava que seu corpo sentisse aquele penetrante olhar até
o núcleo. Ele se enrolava, passava pelas veias, queimando
lentamente. Era um fogo que passava por todo o corpo. Ela
pressionou a mão no estômago onde os nós se juntavam. Ele estava
tão perturbador em a sua forma áspera, em um minuto assim, no
próximo aproximando-se dela.
Ele não falou, apenas olhou para ela, e ela teve a sensação de
que ele sabia que estava tentando fugir novamente, tentando sair
enquanto podia. Ela sabia que nunca haveria um relacionamento
com Reaper. Ele não era esse tipo de homem e nunca seria. Mesmo
que ele se deixasse importar, gostaria de controlar o aspecto de sua
ligação. Ele insistiria em governá-la. Ela não era esse tipo de mulher,
mesmo que pudessem encontrar uma maneira de estar juntos.
Czar passou alguns minutos beijando Blythe e provocando-a
abertamente até ela sorrir. Anya não conseguiu deixar de notar que
suas mãos se moviam pelo corpo de Blythe, debaixo de seu top, pela
bunda, e ninguém parecia prestar a menor atenção. Anya se remexeu
durante todo o tempo, Reaper a observava, não a eles, e seu corpo
ficou mais quente, tão quente que ela estava com medo de gozar ali
mesmo. Ela doía. Realmente, realmente doía. Em todo lugar.
Czar finalmente levantou a cabeça, sorrindo, parecendo muito
mais novo do que Anya achou que era. — Devo enviar Fatei para
ajudar a fazer os hambúrgueres?
— Esse é o seu trabalho, —Blythe disse.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 104


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— Baby.
Lana colocou a mão no quadril. — Diga a Ink, que ele pode fazer
os hambúrgueres. Ele não está fazendo nada além de ficar de pé
tentando parecer quente.
— Você ainda está rancorosa com aquele pobre homem? —
Perguntou Czar.
— Pobre homem, minha bunda. Se ele tentar mandar em mim
de novo, eu vou cortar a garganta dele, —declarou Lana, e Anya
acreditou nela.
Ela deu um passo para trás do balcão. Este não era lugar para
ela. Ela não era uma pessoa violenta. Ela tinha temperamento, mas
normalmente não atacava alguém com violência física, como tinha
feito com Reaper. Ela bateu nele mais de uma vez, e isso não era um
comportamento aceitável em sua mente. As pessoas não pensavam
em cortar gargantas e atirar facas.
— Anya vai me ajudar a montar minha casa, —Reaper
anunciou. Chocando-a.
Seu olhar saltou para o dele. Seus olhos estavam mais azuis do
que nunca. Duas penetrantes gemas azuis que tiravam o fôlego e a
viam profundamente. Cada pensamento. Ela sabia que ele tinha feito
de propósito, dizendo aos outros que ela não iria desistir. Ele sabia
que ela estava pensando em fugir de novo. Claramente, ela não tinha
uma cara de poker.
A cozinha tinha ficado tão silenciosa que ela quis gritar apenas
para preenchê-lo. Sua língua tocou seu lábio inferior e, em seguida,
voltou sua atenção para cortar o último tomate. Ela ainda tinha as
cebolas. Talvez ela pudesse expulsar todos dali se ela iniciasse eles.
— Você vai morar lá? —Czar perguntou a Reaper.
Seu olhar saltou de volta para Reaper. Ele balançou a cabeça
lentamente. — Anya precisa de um lugar para ficar e eu preciso do
lugar montado. Ela concordou em me ajudar.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 105


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Ela tinha? Ela não podia pensar com ele olhando para ela assim.
Ela desejava cair em todo aquele azul. Ao mesmo tempo, ela queria
fugir, o mais rápido e o mais longe possível. Ela estava disposta a
fazer sexo com ele. Sexo quente. Ela não podia viver seu estilo de
vida e, de jeito nenhum, ele iria mudar, não por qualquer mulher.
Ela sabia que em clubes de motos, as mulheres ficavam em
segundo plano. Ela havia passado a vida inteira assim. Isso não
aconteceria com o homem que ela amasse. Faria com que ele sempre
fosse o primeiro, mas queria—até mesmo necessitava—ser a primeira
em sua vida. Reaper colocaria todos esses homens e mulheres antes
de sua a mulher—se ele tivesse uma.
— Bom, —disse Alena. — Se você precisar de ajuda, Anya,
deixe-me saber, eu ficaria mais do que feliz em ajudar. Se você estiver
nesse tipo de coisa, estou trabalhando no meu restaurante, tentando
encontrar alguns projetos de interiores. Não é realmente a minha e
não me importaria com um conselho. Lana e eu estamos batendo
nossas cabeças na parede na metade do tempo.
— Você está montando um restaurante? —Anya perguntou. Ela
tinha visto o grande edifício que finalmente estava pronto. Ele tinha
bancos nas janelas, quando olhou, mas por dentro, não havia nada
nas paredes ou no piso.
— Eu adoro cozinhar. Pensei que seria divertido ter um lugar
para realmente cozinhar e ter alguém comendo o que eu faço além
dos monstros dos meus irmãos que comeriam tudo e achariam ótimo.
A voz de Alena era bem casual. Anya podia ver que o
restaurante significava muito para ela.
— Nós chegamos a um impasse, porque o interior é meu para
arrumar e não tenho ideia do que eu quero. Ice e Storm me disseram
para contratar alguém, mas então não será meu. Eu pensei que
apenas falar sobre isso me daria ideias, mas até agora, nada. O prédio
está lá, depois de custar muito ao clube.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 106


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Torpedo INK Livro 1

— Baby. —A voz do Czar era gentil. — Pare com isso. Esse


dinheiro é nosso. Nós estamos de acordo, então não se preocupe com
quanto tempo demora. Você quer que seja seu, faça do seu jeito.
— Obrigado, Czar. —Alena enviou-lhe um pequeno sorriso.
— Não vai doer se Anya olhar, —disse Reaper, voluntariando-
a.
Ela teria se oferecido como voluntária um minuto antes porque
sentia a verdadeira angústia de Alena, mas agora que Reaper tinha
feito isso queria jogar algo nele. Ela estava indo embora. Ela decidiu.
Ela não pertencia a esse mundo não importando quantos aspectos
dele apelassem para ela.
— Você se importaria, Anya? —Perguntou Alena.
Anya não tinha certeza se Alena estava tentando compensar os
dois tops minúsculos, ou realmente queria sua opinião, mas ela não
tinha muita escolha. — Claro, eu adoraria olhá-lo. Parei algumas
vezes e olhei através da janela porque o prédio é muito legal.
A fundação tinha sido cortada da encosta, alta o suficiente para
dar uma visão do oceano, e atrás dele a encosta era um terraço, as
plantas já estavam começando a crescer, assumindo a forma de um
jardim selvagem que se podia ver através dos bancos nas janelas. Não
era enorme, mas tinha uma vibe mais íntima, como se fosse um lugar
secreto para se tropeçar e desfrutar com amigos, alguém especial ou
família.
O clube empregava e comprava do comercio local se pudesse.
Eles tinham um bom relacionamento com Inez do supermercado em
Sea Haven e conversavam com ela sobre abrir uma versão menor em
Caspar para os locais. A pequena cidade já tinha a nova garagem e a
loja de tatuagem. Ambas estavam construindo uma reputação de
bons serviços e excelente trabalho. O bar estava indo extremamente
bem, e nas noites de sexta-feira e sábado, havia música ao vivo.
Maestro, Keys, Player e Master tocavam. Eles estavam procurando

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 107


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Torpedo INK Livro 1

um vocalista, mas queriam o certo. Agora, se Alena acertasse, eles


teriam um restaurante.
Reaper e Czar as deixaram, e as mulheres imediatamente
começaram a preparar a comida fervorosamente. Enquanto as
batatas e os ovos cozidos estavam esfriando na geladeira, Blythe
cortou picles e azeitonas pretas para adicionar na salada. Lana e
Alena rapidamente juntaram o resto dos ingredientes na salada de
macarrão enquanto o macarrão parafuso estava esfriando. Anya
cortou as cebolas.
— Eu posso moldar os hambúrgueres, —ela ofereceu. — Não
me importo.
— Deixe os homens fazê-lo, —disse Blythe. — O Czar sabe que
há apenas alguns de nós e não podemos cozinhar para todos eles sem
ajuda o tempo todo. Não vai doer se eles aprenderem a ajudar na
cozinha. Czar sempre me ajudou. Mais cedo ou mais tarde, esses
homens vão encontrar mulheres com quem eles desejem passar a
vida. Quando isso acontecer, eu quero que sejam pelo menos
parcialmente civilizados. Caso contrário, eu vou ter algumas queixas
na minha porta.
Anya olhou para cima, intrigada. — Eu continuo perdendo
partes da conversa. Por que você teria queixas se os homens não
estiverem agindo civilizados?
Lana riu. — Ela é Wendy. Você sabe, Wendy, de Peter Pan.
Alena leu um artigo sobre como alguns homens são Peter Pan e
nunca querem crescer e cada Peter Pan precisa de uma Wendy
disposta a cercar-se de meninos perdidos. Ela é nossa Wendy. Czar
não é Peter Pan porque ele definitivamente cresceu ...
— Posso argumentar se ele estiver no quarto, —Blythe contestou
com um sorriso.
— Mas o resto de nós são seus meninos perdidos. Alena e eu
incluídas. Ela é a única para quem todos nós corremos. Ela também
coleciona filhos perdidos.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 108


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— Hum. Não. Você os traz para mim, —Blythe corrigiu.


— Mas você os aceita, —disse Alena. Ela soprou um beijo para
Blythe. — Eu fui uma cadela total, Anya, quando eu tive que morar
com Blythe e Czar. Eu fiquei muito mal, triste. Não pensei que
viveria, não sabia se eu queria. Blythe trabalhou sua magia. Eu posso
recomendá-la altamente.
Blythe piscou as lágrimas. — Eu amo você, idiota. Pare de me
fazer sentir toda piegas. Vamos terminar essa comida ou teremos
uma rebelião nas mãos.
Anya se sentia segura na cozinha com as mulheres, mas agora
hesitava. Ela não queria estar lá fora com todos os membros do clube.
Ela os conhecia de vista, mas eles realmente não conversavam com
ela. Reaper estava sendo legal por enquanto, mas isso não significava
que ele continuaria sendo assim. Ela não tinha certeza do que ia fazer
com ele.
Talvez ele não soubesse o que fazer com ela, mas ficou claro, o
clube apostava em cães errantes. Assim era provavelmente como ele
a via. Isso, e ele a queria. Ela podia ver na forma com que os olhos
dele se moviam sobre seu corpo. A maneira como seu pau ficava
grosso e longo, marcado desavergonhadamente em seus jeans. Ele
nunca tentou encobrir ou esconder isso dela. Ela desejou poder ser
assim. Como Czar e Blythe, que não faziam nada para tentar
esconder o que sentiam um pelo outro.
— Anya, —Alena levantou uma sacola. — Tente um desses
tops. Eu acho que vão se encaixar melhor. Os três são para você.
Existem opções limitadas aqui, mas essas são nossas marcas
favoritas.
Anya pegou a sacola, murmurando seus agradecimentos. Blythe
indicou uma porta fora da cozinha. O banheiro era espaçoso e tinha
um aroma fresco com uma pitada de lavanda. Anya descobriu que
estava relutante em desabotoar a camisa de Reaper. Ela envolvia seu
corpo no calor dele. Até mesmo ele cheirava a ele. Ela devia devolvê-
la para ele, porque quanto mais ela a usava, mais sentia que pertencia

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 109


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a ele. Tirando o top pequeno, ela examinou as outras três peças. Os


dois tops eram Harleys, e o outro era uma marca que ela não
conhecia.
Ela mordeu o lábio enquanto puxava esse sobre sua cabeça. Era
preto, apertado, embora encaixasse perfeitamente, era ousado.
Ombro cortado, mangas e três cortes na frente. O maior direto acima
dos seios, uma faixa menor sobre as curvas superiores, e uma muito
menor mostrando um pouquinho entre os dois montes. Ele
definitivamente serviu. Havia um sutiã preto com ele, para apoiar,
mas não mostrar. Era sexy o suficiente para obter a atenção de
Reaper de uma maneira ou de outra, mas não tão depravado que ela
sentisse como se seus seios se espalhassem na frente de todos.
Ela puxou-o e examinou-se na frente do espelho.
Definitivamente sexy. O que estava pensando? Chamar a atenção de
Reaper? Ela estava fora de sua liga. Ela pegou a bainha para tirá-lo
pela cabeça quando a porta se abriu e ele entrou. Ela girou, chocada,
com a boca aberta. Ela não sabia por que estava chocada, mas estava.
Ele já havia feito isso antes. Lana e Alena tinham feito isso. Os
membros do clube não sabiam nada de fechaduras.
— Reaper. Eu estava me trocando.
— Pensei que você estivesse se escondendo. —Ele olhou para
ela, deu outro passo e fechou a porta atrás dele.
Seu coração ficou louco. Deus. Ela não podia respirar. Ele
tomou o banheiro inteiro, e ela tinha achado que era um banheiro
bastante grande. Ela deu um passo para trás e bateu contra a pia. —
Eu não estou me escondendo. —Sua voz saiu um sussurro.
Ele se aproximou. Muito perto. Seus olhos caíram na frente de
seu top. — Este. —Ele falou suavemente, mas era uma ordem. Seu
dedo deslizou sobre sua pele nua, traçando a parte superior de seus
seios.
— É um pouco atrevido.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 110


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Ele não disse nada, mas seu olhar saltou para o dela. Quando ele
a olhou nos olhos, a almofada do dedo foi para a segunda tira aberta,
espalhando calor. As chamas passaram pela pele. O ar estava preso
nos pulmões. Ele estava tocando-a com um dedo. Um. Isso era tudo,
e ele era dono dela. Ele a aterrorizava com a intensidade dele. Ao
mesmo tempo, a tentação de dançar com o diabo era tão forte, não
havia resistência.
Seu dedo deixou a segunda tira e deslizou para a terceira. Ele
nunca perdeu a calma, mas era exato, como se tivesse memorizado
exatamente onde podia tocar a pele nua. Desta vez, o dedo acariciou
seu peito rastreando-o, primeiro de um lado e depois do outro. Seu
coração bateu fora de controle. Ela não teve escolha senão deixar
escapar a respiração ela se tornou esfarrapada. Trabalhosa.
Seu sexo latejava. Apertado. Estava mais do que úmido. Estava
liso. O calor corria através de seu corpo. Um dedo. Era terrível o que
ele podia fazer. Ela lambeu os lábios, tentou pensar além do calor
brutal em seu corpo.
— Este, —ele repetiu, tornando-o um decreto.
Deus. Deus. Ninguém a salvaria da condenação, isso era certo.
Ela assentiu, embora não soubesse se poderia ir para a frente de todos
os membros do clube vestida com um top tão sexy. Lana e Alena os
usavam com facilidade, mas ela não era Lana ou Alena.
No momento em que ela assentiu com a cabeça, sua palma se
curvou em volta da nuca e ele inclinou a cabeça. Ela sentiu sua
respiração. Quente. Ela fechou os olhos e a boca dele estava na dela.
Seu coração gaguejou. Ela provava cerveja. Ela provou o homem. E
ela se viciou, assim, porque ele estava lá. Reaper. Comandando sua
boca. Quente como o inferno. Escaldante. Sem hesitação. Não
áspero, como ela esperava, suave, mas totalmente no controle.
Levando-a para onde queria, e ele queria ser dono dela. Marcá-la.
Para se certificar de que ninguém jamais iria satisfazê-la. Ele
conseguiu tudo isso com a boca se movendo sobre a dela, sua língua
deslizando ao longo dela.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 111


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Uma mão dele estava em sua nuca, a outra na garganta, o


polegar deslizando sobre sua pele enquanto seu coração batia na
palma da mão dele. Seu corpo não tocava o dela, mas ela sentia como
se sim, sentia o calor dele como o de um forno. Ela não podia se
mexer se quisesse, porque era sua prisioneira, mantida ali por um
beijo, pelo beijo dele. Ela não fazia ideia de que alguém pudesse
beijar assim, ou que uma mulher se perdesse em um homem, se
entregasse a ele, apenas com um beijo.
Quando ele levantou a cabeça, o terror ainda estava lá, talvez
mais, seu coração batendo fora de controle. Ela sabia que estava
perdida, que ele poderia levá-la, que ele iria levá-la. Ela tinha que
lembrar a si mesma que não pertencia ao mundo dele e homens como
Reaper não ficavam. Que sua personalidade nunca se ajustaria a dele.
Sexo era aceitável, mas apaixonar-se não.
— Vamos sair daqui. —Sua voz estava rouca.
Foi difícil encontrar sua voz. A mão dele ainda estava em sua
nuca, embora a outra estivesse mexendo em seus cabelos. Os olhos
azuis presos em seu rosto. — Hum. Reaper. Você entrou novamente.
Isto é um banheiro. Eu poderia estar no vaso sanitário. —Isso a
envergonhava, mas realmente, tinha que ser dito. Mesmo após o
beijo mais quente do mundo. Isso devia diminuir o calor um ponto
ou dois ou dois para ambos.
Ele encolheu os ombros. — Todos usam o banheiro, Anya. Não
é grande coisa. —Ele virou e abriu a porta.
Ela pegou sua camisa, a flanela, seu cobertor de segurança, caso
todos olhassem para ela e ela não pudesse aguentar. Ele tirou a
camisa de sua mão e atirou-a no balcão enquanto eles passaram pela
cozinha.
— Eu talvez precise disso. Se torna frio rápido aqui.
Reaper olhou para ela, pegou sua mão e puxou até que ela o
seguiu porta fora. Cabeças se viraram. Ela deveria saber. Ela manteve
o queixo erguido, mas não olhou para qualquer um deles. Ela

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 112


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manteve os olhos em Blythe. Se Blythe podia funcionar nesta


multidão de motociclistas, ela também poderia.
— Lana me diz que você sabe como fazer um toque
extravagante, —disse Preacher, entregando uma cerveja enquanto se
aproximavam do grupo.
Ela pegou a garrafa fria com ele, balançando a cabeça. — É
apenas um ofício divertido. Eu costumava trabalhar nos bares por
dinheiro grande. —No momento em que as palavras saíram de sua
boca, ela sabia que tinha divulgado muito. Demais. O que estava
errado com ela? Eles podiam ser criminosos. Ok, ela estava certa de
que eles eram, mas ela não podia dizer do que estava fugindo. Ela
não os conhecia muito bem. Nenhum deles. Nem mesmo Reaper.
Ela tinha chegado muito longe, mantendo o seu próprio conselho.
— O que você está fazendo em um bar de motoqueiros? —
Perguntou Czar, inclinando os cotovelos na parte traseira da cadeira
de Blythe.
Ela se afastou um passo de Reaper e ele a abraçou pelas costelas,
com um braço abaixo dos seios e puxou-a de volta para trancá-la
firmemente contra o corpo. Uma reivindicação de posse. Ela quase
deixou cair sua garrafa de cerveja. Ao seu redor, os outros deram um
ao outro olhares que ela não poderia interpretar. Que diabos? Só
porque ela não o tinha visto com ninguém no último mês não
significava que ele não era um cão de caça residente. Ela tinha visto
os outros, especialmente seu irmão, com mulheres, por que ela não
pensou que ele era como eles?
Um mês olhando-o não significava nada. Ele era muito discreto.
Muito bom em sedução. Um toque. Sua boca puro fogo. Por que ela
tinha imaginado que era especial? O que lhe dera essa ideia? Na noite
anterior, ele tinha deixado claro que sequer gostava dela. Ele a
chamou de cadela e tentou fazê-la ser demitida. Agora, de repente,
ele estava quente por ela? Era sexo. Puro sexo. Ela tinha que manter
a cabeça no jogo e seu coração trancado firmemente.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 113


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Torpedo INK Livro 1

— Você não tem que responder, —Czar assegurou. — Você não


me deve explicações.
Ela parecia ter entrado em pânico? Não, ela demorou muito para
responder. Ela tentou encolher os ombros, para ser tão casual quanto
todos eles. — Eu precisava de uma mudança. As cidades ficaram
chatas. Eu precisava respirar. —Isso parecia bom. Não explicava seu
Honda batido ou o acampamento, mas ele disse que não se
importava se não quisesse explicar.
Reaper colocou a boca ao lado dela enquanto Czar se
endireitava para virar os hambúrgueres. — É melhor ficar com a
verdade, ou simplesmente não responder, do que mentir.
Ela endureceu, tentou se afastar, mas o braço dele se apertou.
Ele pegou outra cerveja da caixa, ignorando a tensão nela.
— Há uma cadeira aqui mesmo, —Blythe disse, dando um
tapinha em uma ao lado dela.
— Ela está bem onde ela está, —Reaper disse.
Anya virou a cabeça, um braço curvando-se, para que pudesse
colocar a mão atrás do pescoço dele, parecendo afetuosa. Ela colocou
os lábios contra a orelha dele. — Ela pode responder por si mesma,
—ela sibilou e mordeu o lóbulo da orelha.
Ele não recuou. Ele manteve o braço em volta de seu corpo,
pegou seu cabelo com a mão livre, puxou a cabeça para trás e tomou
sua boca. Esse beijo foi diferente. Não havia nada de gentil. Este foi
áspero. Duro. Molhado. Fogo derramou em sua garganta. Não
apenas fogo. Magma. Parecia um vulcão em erupção que explodia
através dela, espalhando-se por seu corpo, envolvendo todas as
terminações nervosas que ela possuía.
Ela sentiu que ele a movia em seus braços, mas seu corpo
queimava pelo dele e havia um trovão em seus ouvidos. O sangue
bateu em seu clitóris. As mãos dele estavam em sua pele nua, e ela
queria muito estar na pele nua dele. O rugido em sua cabeça era de

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 114


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Torpedo INK Livro 1

desespero. A necessidade era intensa. Brutal. Tão afiada e terrível que


ela não conseguia pensar.
Reaper caminhou com ela para trás e as vozes desapareceram.
Ela se encontrou contra a lateral da casa, com as mãos dele em seu
peito, seu polegar deslizando sobre o mamilo dela, escovando-a com
chamas. Sua boca a devorava. Ela se ouviu dar um pequeno soluço
de necessidade e, logo, sua boca estava sobre ela, e o mundo parecia
explodir. Fogos de artifício. Cores explodiram atrás de seus olhos. A
língua e dentes dele nunca pararam, e então sua mão estava abrindo
seus jeans e o deslizando para baixo.
Apesar do barulho alto de seu coração nos ouvidos, ela escutou
o som fraco do riso de uma criança. Instantaneamente ela pegou seu
pulso e arrastou ar em seus pulmões para que pudesse falar.
— Nós temos que parar.
Ele ergueu a cabeça, olhando-a nos olhos. — Não vai acontecer,
a menos que você não deseje. —Sua mão deslizou mais para dentro
de seu jeans, um dedo se curvando nela. — Você está quente e lisa,
Anya. Diga-me que não me quer.
Ela olhou em volta. Eles estavam ao lado da casa longe dos
outros. A folhagem os envolvia, mas ela não queria correr o risco de
Emily andar em cima deles. Ela estava um pouco envergonhada de
ter ido com ele mesmo que os outros estivessem por aí, aproveitando
a chance, mas não com uma criança.
— Emily.
Imediatamente ele tirou a mão de seus jeans e lambeu o dedo.
— Nós estamos saindo daqui.
Deus. Sim. Ela iria a qualquer lugar com ele.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 115


Judgment Road
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Torpedo INK Livro 1

Anya abaixou-se na cozinha para recuperar a


camisa de Reaper com o pretexto de que ela precisava ficar quente
na garupa da moto. Isso a impediu de enfrentar alguém. Nenhum dos
dois falou enquanto corriam para fora, mas antes dela subir atrás
dele, ele a pegou pela frente de sua camisa e beijou-a novamente.
Outro ofuscante, e ardente beijo, que derreteu seu estômago e que a
fez o beijar de volta com tudo o que ela era. Dar-se a ele
completamente. Ela não sabia que podia beijar assim. Ela não sabia
que alguém poderia beijar assim.
Ela deslizou atrás dele, os braços apertados em torno dele, e
estavam na estrada, a grande moto vibrando como um monstro entre
suas pernas. Uma das mãos dele caiu para cobrir ambas as mãos dela,
pressionando-as firmemente na cintura, no momento em que
voltaram a rodovia 1. Ela não poderia dizer quanto tempo demorou
a volta ao complexo. O passeio foi uma névoa de necessidade. Do
desejo escuro e carnal. Pulsando entre as pernas, o sangue batendo
em seu clitóris e rugindo em seus ouvidos.
Ele a puxou da moto e estava arrastando a camisa de flanela
sobre sua cabeça enquanto a puxava em direção ao prédio,
agarrando-a pela mão. Ele tinha arrancado o novo top no momento
que eles atingiram a sala comum. Ela mal notou que os dois
prospectos mais recentes estavam sentados em uma das mesas, mas
Reaper sim. Ele grunhiu algo para eles, abaixou-se e a pegou,
jogando-a sobre o ombro e caminhando para o quarto que ele
permitiu que ela ficasse.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 116


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Torpedo INK Livro 1

Ela pegou a bainha de sua jaqueta, segurando-se, seu coração


batendo. Ele chutou a porta para fechá-la, jogou-a na cama e a
camisa no canto. Colocando um joelho na cama, ele tirou seus
sapatos. Ela não podia respirar, a necessidade era muito forte. O
rosto dele estava tenso, cortado com ásperas linhas de pura luxúria
carnal. Isso arrancou qualquer ar que ela tivesse deixado nos
pulmões. Ela nunca o viu de outra maneira que não o total controle.
Suas mãos eram fortes quando puxaram seus jeans e calcinha em
um só movimento, deixando-a esparramada na cama, nua, exceto
pelo sutiã. Caindo de joelhos no final da cama, ele arrastou seu corpo
para ele, usando seus tornozelos. Ela não teve chance de fazer nada
para se preparar. Ele abriu suas coxas, jogou suas pernas sobre os
ombros dele, e sua boca estava lá. Direto onde ela precisava muito.
Ela estremeceu, o mundo explodiu, se fragmentando à medida
que o orgasmo se precipitava sobre ela rápido. Ele não parou. Ele
nem pareceu notar. Ele a devorou. A ela. Tomou o controle total de
seu corpo até que ela se sentisse indefesa contra a investida daquela
boca, os dentes e a língua. Ele sabia exatamente o que estava fazendo
e deu tudo para ela, tanto que sua mente se desfez, de modo que não
havia pensamentos, apenas uma mulher selvagem, fora de controle,
a cabeça batendo de um lado para o outro nos lençóis e os quadris
saltando na boca dele.
O terceiro orgasmo deixou todo o seu corpo tremendo de prazer,
as mãos dela enfiadas nos cabelos dele, tentando afastar a cabeça. —
Você tem que parar. —Ele tinha ou ela ficaria louca. Ela tinha
perdido a habilidade de pensar corretamente ou argumentar, só podia
sentir, e seu corpo não conseguia acompanhar a língua selvagem.
A cabeça dele surgiu como se alguém estivesse tentando privá-lo
de seu prêmio. Ela olhou para aqueles olhos azuis, tão escuros agora,
tão selvagens, e ele parecia terrível em sua intensidade. Seu rosto
estava molhado dela, e isso acabou por acrescentar sensualidade na
loucura absurda marcada tão profundamente nas linhas do rosto

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 117


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Torpedo INK Livro 1

dele. — Pertence a mim. Todo esse corpo. Toda você. Você toma o
que eu der a você.
Ela não podia. Ela não podia. Anya sacudiu a cabeça, e então
sua boca estava de volta e ele voltou a assumir o controle de seu corpo
e sua mente. As palavras reverberaram em sua mente, saltando as
paredes até que ela estava chorando de novo, os dentes dele
agarrando seu clitóris, enviando-a em um voo.
Ele parou ainda encravado entre suas coxas, os olhos segurando
os dela enquanto se inclinava. Abaixou-se, pegou seu sutiã com uma
mão e rasgou-o fora dela, expondo seus seios. Mantendo seus olhos
sobre os dela, ele começou a puxar lentamente suas roupas,
dobrando-as cuidadosamente e colocando-as de lado.
— Compreenda o que está acontecendo aqui. Você está no meu
mundo. Isso significa que você vive por nossas regras. Isso é feito,
você não lamenta, não chora ou me dá aporrinhação. Quando eu
disser que acabou. Você entendeu? Preciso que você diga que você
entendeu.
Ela entendia. Ela só entendia. Ele queria uma noite de sexo puro
e ardente, embora fosse durante o dia, mas que diferença fazia? Isso
era perfeito. Ela precisava disso desesperadamente. Todas aquelas
noites olhando para ele, imaginando como seria, e era muito melhor
do que ela tinha imaginado. Melhor, e ainda assim, aterrorizante.
Ela não poderia acompanhar as necessidades sexuais de Reaper. Ele
estava verdadeiramente além de sua imaginação.
— Compreendo. Nada de choramingo. Eu prometo.
Ela não podia desviar o olhar enquanto ele tirava a roupa. Ela se
sentia exposta, vulnerável, seu corpo latejando, estremecendo com a
antecipação. O corpo dele era duro, mas coberto de cicatrizes.
Muitas. Tatuagens deslizavam por seu peito e curvaram-se sobre os
braços. Eram lindas. Um trabalho requintado. Ela queria explorar
cada uma delas, provar a pele, traçar os músculos com a língua. Seu
pau era maravilhoso. Ela também o queria.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 118


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Torpedo INK Livro 1

Ele não tirou as botas nem o jeans, apenas os empurrou para


baixo, pegou seus tornozelos e a virou, puxou seus quadris até que
ela estivesse em seus joelhos e apoiada nas mãos, e foi em sua
direção. Duro. Empurrando através das dobras apertadas, e seu
corpo sendo forçado a aceitar sua invasão. A sensação de plenitude
foi chocante. O esticar, o queimar, eram as sensações mais incríveis
que já sentira. Seu coração acelerava. Os seios sacudiam com cada
empurrão.
Ele não era gentil. Nem as mãos dele, os dedos enterrados em
seus quadris, controlando cada movimento, forçando seu corpo a
voltar para ele, empurrando-a para longe e depois trazendo de volta.
De novo e de novo. Os braços dela não podiam aguentá-la e ela caiu
nos cotovelos, mas ele segurava seus quadris sem piedade, seu pau
um pistão implacável.
Um fogo escaldante. Os golpes atingiam um ponto no fundo dela
que enviava ondas de prazer. Não havia ar para respirar, mas não
importava. Nada importava, só a forma como o seu pau a governava,
a maneira como ele enviava disparos contra cada célula, construindo,
construindo. Ele era tão quente. Os batimentos cardíacos dele
corriam pelos músculos apertados dela enquanto o corpo dele se
enfiava nela.
Não houve nenhum controle quando o tsunami veio,
atravessando-o, levando-o com ela, seu pau inchado, empurrando o
tecido sensível, como um ferro quente, marcando-a profundamente
enquanto gritava, quase chorando enquanto se esvaziava, enquanto
o orgasmo dela o drenava, ordenhando cada gota.
Ela se deitou a cabeça no lençol, os olhos fechados, os punhos
apertados, enquanto seu coração batia em um ritmo selvagem. Tinha
sido a mais insana e perfeita tempestade de prazer, e ela não podia se
mover. Ela tinha ouvido falar disso. Um sexo tão bom que era
impossível se mover, mas nunca tinha acontecido com ela. Ninguém
tinha tomado o controle de seu corpo assim.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 119


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Torpedo INK Livro 1

Reaper ficou em cima dela por longos momentos, recuperando


a respiração, apertando os quadris dela, com o pênis pulsando
quando pequenas contrações o sacudiam. Então se retirou e ela
desabou para a frente. Ele a deixou, ficando de pé, puxando os jeans.
Ela ouviu o zíper. Ela abriu os olhos e viu suas costas. A tatuagem
que o cobria, a mesma árvore assustadora com tantos ramos, corvos
e crânios que estavam em sua jaqueta. Ele pegou sua jaqueta e sem
dizer uma palavra, saiu do quarto.
Anya deitou-se na cama. Sozinha. Ele nem a olhou. Não havia
nada. Ela pegou o travesseiro e puxou-o para ela, segurando-o
firmemente. Ela sabia no que estava entrando. Ele havia dito a ela.
Ela tinha visto o suficiente da vida do clube. As mulheres brigando
por sua atenção. Ela acabaria se tornando uma delas. Ele também
falou para ela. Não era como se ele não tivesse avisado. Ele havia
dito para não lamentar ou chorar. Ela não iria.
Ela rolou, envolvendo seus braços em torno de si, olhando para
o teto. Ela queria isso. Então, ela faria tudo de novo? Claro que sim.
Tinha sido muito bom. Ela queria uma noite perfeita, de sexo livre,
primitivo e selvagem, e ela conseguiu com assobios, sinos e um milhão
de orgasmos estrondosos. Não era como se ele não tivesse sido
generoso. Ela era uma menina grande e se recusava a chorar pela
maneira abrupta com que ele a deixara.
Reaper não era um homem bom. Ela também sabia disso. Ele
não era um homem de corações e flores. Ele havia deixado isso bem
claro. Ela disse que entendia. Ela tinha que aceitar o fato de que era
uma noite única. Não importava o quão grande foi o sexo,
provavelmente para ele era assim sempre. Para ela .... Ela colocou o
travesseiro sobre sua cabeça. Para ela, foi o melhor sexo de sua vida.
Valeu a pena. Sem conversa, sem irritá-la com a atitude dele. Ela
ganhou. Quente. Sexo quente e sem amarras. Inferno, ela não ia
reclamar.
Ela não estava certa de poder voltar a andar. Cada passo a
lembrava de tudo que aconteceu. Sentia-o queimado profundamente

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Torpedo INK Livro 1

dentro dela. A respiração travou em seu peito. Ele usou um


preservativo? Ele tinha que ter usado um preservativo.
Meu. Deus. — Diga-me que ele usou um preservativo, —ela
sussurrou para o universo, tentando lembrar se tinha ouvido ele
rasgar o invólucro de um. Seu sangue já estava batendo em seus
ouvidos, rugindo tão alto que ela não tinha ouvido muito coisa.
Não. Ela o sentiu. Toda a espessura dele estendendo-a. Quente.
Escaldante. Queimando-a cru. Raspando-a. Ela gemeu e jogou o
travesseiro contra a parede. Ela sabia, pela semente dele que saia dela
e cobria suas coxas, que tinha sido muito irresponsável.
— Porra! —Ela gritou e rolou, enterrando o rosto nos lençóis.
Não havia como fugir daquela vergonha. Ela estava muito louca, e
também carente. Muito desesperada pelo pênis dele para pensar em
proteção. Pensar sobre modéstia. Ela parecia exatamente como as
mulheres que pendiam ao redor do clube, ansiosas para serem
usadas.
Ele a levou pela sala comum em apenas um sutiã e seus jeans.
Ele disse algo para alguém, o que significava que ela tinha sido vista.
Isso significa que, quando trabalhasse amanhã à noite, todos
achariam que era um alvo. Antes, ela estava fora de limites e
ninguém no clube mexia com ela. Ela não era modesta. Ela viveu em
abrigos onde havia privacidade muito limitada, mas não queria que
ninguém pensasse que ela estaria disponível para qualquer outro
membro do clube.
Ela se sentou, gemeu enquanto seu corpo protestava. E se ele
tivesse voltado para o churrasco e todos estivessem falando sobre ela
neste momento? Ela não podia criticá-los se o fizessem, mas ela não
iria ficar e esperar que um deles chegasse e esperasse que ela fizesse
sexo com ele.
Anya pegou seu sutiã e viu que estava rasgado em duas partes,
os restos na cabeceira da cama. Suspirando, olhou em volta
procurando o top. Ele tirou-o dela. Onde? Ela não conseguia lembrar.
Ela gemeu novamente e enterrou o rosto em suas mãos.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 121


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Torpedo INK Livro 1

— Você é uma garota grande, Anya. Você sabia exatamente no


que estava entrando antes que ele mesmo mostrar isso para você,
então não choramingue. Sem arrependimentos. Você quer que cada
minuto desse tempo fique queimado em sua memória. —Ele estava
queimado profundamente dentro dela por toda parte. Provavelmente
teria um orgasmo espontâneo apenas pensando nisso.
— Ok, pense. —Ela sussurrou em voz alta porque tinha que
manter seu cérebro funcionando quando seu corpo ainda estava em
colapso. Ele tinha pego sua camisa de flanela, e ela percebeu que
estava dobrada em canto. Muito devagar, ela saiu da cama.
Ela guardaria essa lembrança, não porque Reaper a fizera se
sentir especial, foi exatamente o contrário, mas porque sabia que
nunca mais voltaria a fazer sexo assim. Nunca. Ela puxou sua
camisa. Era longa o suficiente para cobri-la e ela não queria colocar
o jeans até que se lavasse. Lavá-lo dela. Tirá-lo dela. Por um
momento segurou-o, pressionando as coxas juntas. Espremendo seus
músculos internos como se pudesse mantê-lo.
— O que você está pensando? —Isso era perigoso. Isso a levaria
a lamentar e tinha prometido. Ela quis fazer essa promessa. Ela podia
querer apenas uma noite por motivos diferentes dos de Reaper, mas
ambos queriam o mesmo.
Ela tomou banho, lavou os dentes e vestiu-se com seus jeans,
sapatos e a camisa dele. Ela precisaria chegar a seu carro, pegar seu
dinheiro e comprar um sutiã decente em algum lugar. Ela tinha um
par de camisetas que estavam limpas, dobradas e empilhadas com
outro jeans no banco de trás, ao lado dos dois cadernos de esboços
que tinham Reaper desenhado de cem maneiras diferentes. Ela
deixou a cama cheirando a sexo e a eles. Reaper e Anya. Deixaria o
clube lidar com os lençóis, já que faziam esse tipo de coisa, eles
tinham muito mais experiência do que ela.
Ela atravessou a sala comum que felizmente estava vazia. Ela
viu a camisa no bar, onde alguém a pegou do chão e colocou-a onde
todos pudessem ver. Ela a deixou lá. Todos sabiam de qualquer

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 122


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Torpedo INK Livro 1

maneira. Se eles podiam ser ocasionais sobre sexo e qualquer outra


coisa que faziam, ela também poderia.
Anya saiu na luz do sol brilhante, piscando um pouco. Os dois
prospectos que estavam na sala comum antes se endireitaram quando
ela saiu, mas ela apenas enviou um sorriso vago e continuou a andar.
Felizmente, da próxima vez que ela os visse, estaria atrás do balcão
trabalhando. Ela estava segura lá. Ela sabia como lidar com alguém
se estivesse atas do balcão.
Ela caminhou rápido em direção à garagem. Ainda era o início
do dia. Ela poderia recolher seu dinheiro, esperar que o carro ficasse
pronto e ir para Egg Taking Station. Felizmente, ela tinha a noite de
folga. Essa era parte da razão dela ter se permitido beijar Reaper. Ela
achou que eles teriam toda noite para um sexo glorioso. Bem, tudo
bem, se ela fosse estritamente honesta consigo mesma, teria que
admita que uma vez que ele colocou a boca na dela, ela não pensou
em nada além de chegar a um quarto. Bem, e entrar no jeans dele.
Rápido. Em qualquer lugar. Não tinha pensado em absoluto. Ela só
sentiu, e tinha sido espetacular.
Ela tinha que chegar a uma clínica. Rápido. Que diabos estava
errado com ela, que tinha sido a mulher mais estúpida do mundo e
fez sexo desprotegido com um motociclista? Ele claramente era
muito experiente. Você não ganhava esse tipo de experiência sendo
cuidadoso. Quando ela fugiu, deixou para trás tudo, incluindo suas
pílulas de controle de natalidade. Ela nunca teve sexo desprotegida.
Nunca. Comprimidos contra gravidez e um preservativo a deixavam
duplamente segura, bem como proteção contra DSTs20.
Ela empurrou os cabelos, apertou o bolso do jeans e tirou um
elástico. Ele soltou o cabelo dela no momento em que estavam fora
da moto e ela tirou o capacete. Ele gostava de seus cabelos. Ele
parecia gostar de seu corpo—até que ele gozou. Ela afastou esses
pensamentos. Ela não queria um relacionamento mais do que ele, e
ela não o culpava por algo que tinham feito de comum acordo.

20
Doenças Sexualmente Transmissíveis

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A garagem tinha um aviso que dizia "Voltamos Logo". Essa era a


outra coisa que ela aprendeu sobre o clube. Eles apareceriam quando
queriam, sem desculpas. Eles viviam suas vidas livres das regras da
sociedade, mas pareciam ter algumas regras próprias. Seu carro
estava lá dentro, parecendo miserável. Ela alcançou o pneu e puxou
a chave sobressalente que ela havia escondido lá. Não. Não ele não
funcionava. Suspirando, ela tirou dinheiro suficiente para comida e
água e, esperançosamente, um saco de dormir usado. Ela sabia onde
havia algumas lojas de segunda mão em Fort Bragg.
Caminhou por alguns minutos até a rodovia 1 e depois ficou
parada, levantando o polegar. Ela teve sorte. Foi realmente
afortunada. O enorme caminhão preto parou e ela reconheceu a
motorista. Leslee trabalhava em uma das pousadas locais como
diretora do Spa. Elas se conheceram na Egg Taking Station quando
Leslee estava caminhando com seus cachorros. A mulher tinha ido
lá várias vezes e foi muito simpática, embora tivesse advertido Anya
repetidamente que não era seguro.
Anya não a conhecia bem, mas Leslee era a única pessoa que
estava a meio caminho de chamar de amiga. Ela parou para falar
com ela quando Anya sentava-se sozinha em uma mesa de
piquenique bebendo água. Leslee perguntou imediatamente se ela
precisava de algo e se ofereceu para pegar coisas na cidade quando
descobriu que Anya estava hospedada lá. Ela sorriu para a mulher,
agradecida por sua carona ser alguém conhecido.
— Ei, amor, onde está seu carro? —Leslee saudou, dirigindo o
enorme caminhão de volta a estrada. — Fiquei surpresa ao vê-la.
— É velho e me irrita, —admitiu Anya. — Tive que tê-lo
rebocado para a garagem, com sorte, com uma quantidade muito
pequena de trabalho.
Leslee estudou o rosto dela. — Você está bem?
Anya abriu a boca para responder, mas a fechou novamente,
pensando um pouco na pergunta. Ela estava? Ela não sabia. Ela tinha
bastante dinheiro, o suficiente para levá-la para outra pequena

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 124


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Torpedo INK Livro 1

cidade. Se ela não partisse e continuasse a trabalhar no bar se Reaper


não a demitisse agora que conseguiu o que queria, o que eles
mutuamente queriam—ela se lembrou, ela teria o suficiente para um
quarto ou estúdio, se pudesse encontrar um aluguel.
— Sim, —ela decidiu. Ela estava bem. Ela estava de pé porque
ela tirou o tempo para planejar. — Meu carro é importante, então,
esperando para descobrir se ele tem conserto. Preciso de algumas
coisas, como um sutiã. —Ela tentou não ruborizar. — E um saco de
dormir. Vou ficar com frio sem um.
— Você vai acampar sem o seu carro? —Leslee olhou de lado
para ela. — Anya, você é uma mulher sozinha. Eu vou lá com meu
marido e quatro cães, dois são grandes mastins21. Você teve a sorte de
não dar de cara com nenhuma negociação de drogas, ou alguém
realmente ruim.
Leslee não lhe dizia nada que ela não soubesse. Ela tentou ficar
tão oculta quanto possível, usando discretamente os banheiros e
comendo alimentos frios para que não chamasse atenção para si
mesma.
— Eu não tenho dinheiro bastante para alugar um apartamento
ou quarto em algum lugar. Estou perto. —Eu guardei todos os
salários para que ela pudesse alugar um apartamento fora da
papelada. Um quarto em casa de alguém, isso podia funcionar, mas
ela tinha que se certificar de que tinha o suficiente para deixar de
depósito.
— Sério, não gosto que você fique lá sozinha. Eu tenho uma casa
pequena, mas você poderia dormir no sofá, ou nós poderíamos
arrumar um lugar na varanda que seria mais privado para você.

21
Mastim (em inglês: Mastiff) é um tipo (grupo) de cães de grande a gigante porte e estrutura
molossóide destinados a guardar rebanhos ou propriedades. Em alguns casos trata-se de um cão montanhês. Mastim é uma
classificação na qual enquadram-se diversas raças, tais como: Mastim Inglês, Mastim espanhol, Fila brasileiro, Mastim tibetano,
Bulmastife, Mastim napolitano, Tosa inu.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 125


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O coração de Anya apertou. Poucas pessoas teriam feito a oferta,


especialmente uma vez que, quando elas se falaram no
acampamento, Leslee riu sobre como sua casa era pequena. Ela
balançou a cabeça. — Obrigado, Leslee. Realmente, mas não me
importo em dormir no acampamento. Estive cuidando de mim
mesmo por muito tempo. Eu só preciso de alguns suprimentos.
— Tenho um pouco de tempo, —disse Leslee. — Vou levá-la as
lojas de segunda mão e depois para o Station.

Reaper afastou-se da cama, puxou as calças, o


olhar colado ao corpo de Anya. Que diabos acabou de acontecer?
Tudo o que ele era, tudo o que ele acreditava tinha ido embora em
um segundo. Ela tinha feito isso com ele. Ele não podia pensar. Não
era possível respirar. Ele só podia olhar para ela, sua mente tão
caótica que ele nem sabia quem diabos ele era. Ele bateu o couro
através da fivela do cinto, desesperado, seu corpo recusando seu
comando para se afastar, a obedecer-lhe. Nesse momento, ele caiu
na realidade. Ele não estava sob controle. Nenhum. Nada. Qualquer
coisa poderia ter acontecido com ela. Qualquer coisa. O que diabos
estava errado com ele?
Ele continuou a se arrumar, um estranho rugido em seus
ouvidos. Ele não conseguia recuperar o fôlego. Sua visão ficou turva.
O que tinha acontecido? Ele nunca tinha perdido o controle. Nunca.
Um homem como ele não podia dar ao luxo. Seu corpo tinha reagido
por sua própria vontade. Completa vontade própria. Ele não tinha
dito a seu pênis o que fazer. Ele não tinha planejado a sedução passo-
a-passo baseado na mulher e no que ele sabia sobre ela. Isto foi tudo
natural. Tudo real. Que porra era essa?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 126


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Ele se virou e saiu do quarto, o coração batendo fora de controle.


A pressão em seu peito era enorme, pressionando, apertando seu
coração. Ele levou a mão ao queixo e esfregou-o quando entrou na
sala comum. Ambos os prospectos se voltaram para enfrentá-lo. Pelo
canto do olho, ele viu a camisa de Anya no chão. Ele se curvou e a
pegou, deslizando o material através de seus dedos com uma
pequena carícia, desejando estar de volta ao quarto, segurando-a.
— Observem-na, mas fiquem fora do caminho. Não deixem que
ela os veja. Se acontece qualquer coisa com ela, ambos estão mortos.
—Ele dobrou a camisa, colocou-a no balcão e saiu.
Ele quis dizer isso. Eles sabiam disso. Pelo menos ele a
protegeria. Os prospectos sabiam que ele não era um homem para se
brincar. Eles não eram idiotas, nenhum deles, ambos tinham
frequentado uma das escolas na Rússia. Ele considerava essas escolas
frouxas. Ele poderia ter feito isso com um pé na cabeça. Ainda assim,
ambos eram letais, e isso significava que, enquanto ele estivesse
arrumando sua cabeça, ela estaria segura.
Ele não tomara precauções. Ele nem sequer pensou em tomá-
las. Ele não esperava queimar até que não pudesse pensar, até que
seu corpo pertencesse a ela, não assim. E se ele a tivesse matado?
Porra. Porra. Porra. Ele poderia tê-la matado. Ele não lhe deu uma
arma ou uma faca. Ele não havia advertido Czar ou Savage. Ele a
tomou como um touro enlouquecido, sua mente uma névoa
vermelha, até que ele só podia sentir.
Ele não tinha ideia de quantas mulheres ele tinha tido, mas
nunca, nem uma vez isso tinha acontecido com ele. Nunca. Ele
empurrou sua moto e caiu na estrada. Rápido. Ele precisava do vento
na cara e do diabo às suas costas. Ele poderia tê-la matado porque ele
foi egoísta e não considerou as consequências. Nunca lhe ocorreu
que ficaria tão fora de controle. Que seu corpo teria uma mente
própria. Ela estava tão quente. Escaldante, tão apertada, cercando-o
com uma bainha de seda que tinha sido tão prazerosa que patinava

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 127


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Torpedo INK Livro 1

perto da dor. Ele não queria que acabasse. Tudo sobre Anya o
acendia.
Sua risada. O sorriso. O rosto. Aqueles olhos. Seus seios, tão
perfeitos, e que ele não teve tempo de explorar o que poderia fazer
com eles. A maneira como ela beijava. Como fogo. Como dele. Ela
nem sequer protestou quando ele tinha sido mais áspero do que o
inferno, tomando-a como um animal, uma besta selvagem
enlouquecida. Tinha sido fantástico. Perfeito.
Ela era fodidamente linda. Ele adorava o jeito que ela ficava de
joelhos, os cotovelos na cama, a cabeça pressionada contra os
lençóis, tanto tempo, os lindos cabelos em todos os lugares. Seus
seios eram perfeitos e ... Ele encerrou essa maneira de pensar. Isso só
poderia levar ao desastre.
Ele levantou o rosto para o vento, deixando-o soprar sobre ele,
tentando parar de tremer, tentando ver através da umidade cintilante.
Anya. Ela havia se entregado a ele, feito exatamente como ele tinha
instruído. Essa era a chave. Ela precisava fazer exatamente o que ele
dizia e ela estaria segura.
— Foda-se! —Gritou ele, odiando-se. Odiando o que ele era. Ele
poderia apenas passar sobre o penhasco, terminar com isso. Se o
fizesse, ela estaria segura. Ela estaria segura e livre para ficar com
alguém bom. Alguém decente.
Ele olhou para a frente. A curva era longa e, do outro lado,
estava a longa extensão de azul. Ela brilhava ao sol como vidro. Era
hora. Ele sempre soube que teria que fazer isso. Ele permaneceu vivo
por Savage. Por Czar. Czar tinha-os em um bom lugar agora. Ele não
era muito necessário ao clube. Aos seus irmãos. E Anya. Ela
precisava ser salva, porque não estaria se ele estivesse vivo. Ele sabia
que desde o momento em que colocou os olhos sobre ela.
Quando entrou na curva doce e longa, que ele pretendia seguir
reto, Duas Harleys surgiram uma de cada lado dele. Ice. Storm. Eles
se moviam em uníssono com ele, em formação, assim como
costumavam fazer, inclinando-se na curva, andando ao vento. Eles

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 128


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Torpedo INK Livro 1

não disseram nada. Não olharam para ele. Eles apenas mantiveram
sua moto na estrada. Não haveria nenhum voo hoje. Não iria para o
oceano. Não mergulharia em todo aquele azul.
Ele liderou o caminho. Ele sabia onde ele tinha que ir. Marc
Centerfield tinha as lutas subterrâneas. Elas eram movidas de um
lugar para outro, mas uma vez que Savage e Reaper competiram—e
ganharam—Centerfield queria que eles competissem e mandava
textos com os locais. Ele foi direto para o mais próximo, nos
arredores de San Francisco.
O longo caminho deveria ter aclarado sua cabeça, mas não.
Nada poderia. Ele estava tão mal, que nem conseguia compreender
o que aconteceu. Ele não usou preservativo. Nunca aconteceu. Ele
estava tão fora de controle que nem a protegeu desse jeito.
Não foi difícil conseguir uma partida imediatamente, e ele estava
disposto a lutar contra um após o outro, até que ele fosse derrotado.
Ice e Storm não tentaram detê-lo. Eles mantiveram suas cores e as
mantiveram a salvo enquanto ele entrava no ringue.
A doce dor dos punhos atingindo a carne explodiu através dele,
limpando sua cabeça, só havia uma coisa para ele. Sobrevivência.
Seus irmãos o arrastaram de cada lutador caído, uma e outra vez. Ele
não podia ouvir os gritos, os rugidos. Ele não conseguia ver nada.
Ele não podia mais sentir, não os punhos batendo nele. Não a dor
que atravessava seu corpo. Ele não reagiu. Ele controlava isso. Como
ele controlava tudo. Como ele tinha sido ensinado.
Ice arrastou-o fora do quinto homem e o empurrou de volta para
Storm. — Estamos fora daqui, —ele informou a Centerfield. — Dê a
Storm os ganhos.
— Não acabei, —Reaper protestou.
— Cale a boca, —Ice estalou. — Você acabou. —Ele empurrou
Reaper longe de ringue, em direção ao salão.
Reaper foi porque Ice era seu irmão e raramente usava esse tom.
Ele não respondeu a Centerfield quando o homem exigiu saber

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 129


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quando ele voltaria. Ele deixou Ice limpá-lo. Seu corpo já tinha
tomado muito mais punição do que esses lutadores poderiam infligir
a ele. Era fácil limpar o chão com eles. A parte difícil foi não os
matar, tomando seus socos, e não esmagar seus cérebros, punindo-os
por não esmagar seu cérebro da maneira que ele precisava.
— Você parece um inferno. Mandei uma mensagem de texto a
Czar. Disse-lhe que o encontraríamos em três horas em sua casa.
Para tirar as crianças ou mandá-las para a cama.
Ice estava de volta ao seu jeito mandão. Reaper apenas balançou
a cabeça, porque o que estava lá para dizer? Sim, ele queria que seus
adversários o derrubassem no chão? Para tirar o que era, para matá-
lo, matá-lo para manter Anya segura? Tudo era por ela.
Outras três horas montando duro não fizeram nada para impedir
o caos de sua mente. Em um minuto ele estava determinado a nunca
mais vê-la novamente, a mandá-la embora, mantê-la segura, e então
o pensamento de nunca mais ouvir a risada dela, nunca mais ver a
luz no rosto dela, nunca mais tocá-la, não tendo o que teve pela
primeira vez em sua vida era demais para suportar. Aquela explosão.
O prazer que ele não sabia que existia. A realidade absoluta de que
seu corpo fez uma escolha. Fez de Anya sua escolha.
Czar estava no quintal, esperando. Fumando um dos seus
cigarros raros. Isso por si só disse a Reaper que ele não estava feliz
por Reaper ter ido a Centerfield e participado das lutas de novo.
Reaper caminhou até ele. Apenas ficou ali, sem saber o que dizer. Ice
e Storm tinham recuado para dar-lhe privacidade, mas Savage estava
lá, olhando-o, avaliando o dano, assim como Czar. Ele tinha um olho
roxo. Sua mandíbula doía como o inferno e tinha que estar inchada.
Não havia muitos lugares em seu corpo que tivessem ficado
intocados. Havia colocado gelo nas mãos antes de partir, mas elas
estavam uma bagunça.
— Preciso que você tenha certeza de que Anya está bem para
mim, —disse Reaper a Savage. — Eu tenho dois prospectos sobre
ela. Preciso que você verifique se ela está bem.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 130


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Savage assentiu, hesitou e depois tocou seu ombro antes de sair,


deixando-o com Czar. Tinha sido Czar desde que Reaper era aquela
criança de quatro anos, aterrorizada, batida, morta de fome, usado
por mentes doentes e pervertidas e jogado no escuro. Czar tinha sido
o único a ajudá-lo. Dar-lhe esperança em toda aquela loucura. Se
certificar de que havia uma pitada de humanidade deixada nele.
— Diga-me.
Reaper desejou poder acertar algo de novo. Esmagá-lo. Esmagar
seu corpo nas rochas da maneira que as ondas faziam. — Eu fiquei
tão fora de controle. Meu cérebro simplesmente desligou.
Completamente. Não pensei em protegê-la. Não de qualquer
maneira, Czar. Eu sabia, observando-a naquele bar, eu sabia que ela
poderia me virar do avesso, mas eu não achei que isso iria acontecer.
Uma visão dela se levantou. Anya nos joelhos e cotovelos na
cama, com a cabeça pressionada contra os lençóis, cabelo lindo em
todos os lugares. Seus seios, dois montes perfeitos, tentações duplas
e balançando com cada golpe em seu corpo enquanto ele martelava
dentro dela. Fodidamente linda.
— O que aconteceu?
Reaper se afastou dele. Deu uns passos. Sua mente foi lá de
novo. — Se ela estiver em algum lugar perto de mim, Czar, eu não
vou poder parar. Eu pensei que tinha disciplina completa. Eu não
tinha nenhuma. Zero. Deus. Eu poderia tê-la machucado. Eu poderia
tê-la matado. Ela poderia estar deitada naquela cama agora com a
garganta cortada.
Ele contou seus batimentos cardíacos esperando a condenação
de Czar. Esperando que seus irmãos lhe dissessem que ele era um
psicopata e era hora de colocar uma bala na cabeça dele. Quando
Czar não disse nada, quando não houve a condenação esperada, ele
se inclinou e olhou para ele.
— Pelo amor de Deus, Czar. Você sabe o que eu fiz. Você sabe
que matei Helena. Cortei a fodida garganta quando ela tinha a boca

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 131


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em mim. —Ele olhou ao redor procurando algo para bater. Quando


não achou nada, ele se agachou no chão e bateu o punho tão
profundo quanto podia.
— Helena era uma mulher doente e pervertida que gostava de
torturar crianças.
— Esse não é o maldito ponto e você sabe disso. —Reaper se
afundou no gramado e deixou cair a cabeça dolorida em suas mãos.
— Eu não faço sexo. Nunca. Eu digo ao meu corpo o que fazer e ele
faz. Eu controlo isso. Não é seguro para ninguém se eu perder o
controle. Mesmo hoje à noite, nas lutas, eu deixei Ice e Storm me
tirar de cima deles. Eu poderia tê-los matado, mas eu controlava o
quão duro eu os atingia. Eu permaneço no controle.
— Anya está viva.
Reaper assentiu. No momento em que Ice e Storm se juntaram
a ele na estrada, deviam ter enviado mensagens de texto a Czar sobre
sua condição. Ele saberia tudo.
— Mas não graças a mim. Eu a beijei. Eu a beijei e algo em mim
só ... —Ele balançou a cabeça e bateu na perna com o punho,
tentando organizar seus pensamentos. Como explicar a Czar o que
ele não entendia?
— Eu perdi. Perdi a cabeça. Estava sentindo coisas que nunca
senti antes. Ela abriu algo em mim, e eu estava louco por ela. Eu
tinha que tê-la. Eu teria feito ali mesmo, contra a parede em sua casa.
Eu tinha que tê-la. Não houve controle do meu pau desde a primeira
vez que ouvi a risada dela. É isso mesmo. Eu a vi dar um cobertor
para um homem desabrigado, um cobertor que ela precisava. Eu não
conseguia parar de pensar nela depois disso. Quando eu pensava
sobre ela, meu maldito pau ficava duro como uma pedra. Quando a
via, era a mesma coisa. À noite, eu caia na cama e me masturbava
pensando nela. Não dava nenhum alívio. No banho, eu fazia o
mesmo. Nenhuma ajuda. Eu ando por aí assim todos os dias.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 132


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Czar sentou-se na grama de frente para ele. — É assim mesmo,


Reaper. Isso acontece quando você encontra a mulher certa.
— Não para mim. Não é seguro. Eu construí um certo caminho
agora. Eles me moldaram em um assassino. Eu luto contra isso. Eu
controlo isso, mas eu ainda sou isso antes de qualquer outra coisa.
— Todos nós somos assassinos. Isso é o que eles nos fizeram,
mas estamos nos afastando daquela vida.
— Não, você está se afastando dessa vida. Eu ainda estou nessa
vida e você sabe disso. Eu sempre estarei nessa vida. Isso é o que ela
levaria para a cama. Um maldito assassino. E isso é se ela sobreviver
na próxima vez que eu a tocar. Você tem que protegê-la. Leve-a daqui
e a coloque em algum lugar seguro onde eu não consiga encontrá-la,
porque eu juro, eu vou procurar por ela. Estou viciado e, mais cedo
ou mais tarde, eu tenho que ir atrás dela. Ou isso, ou coloco uma bala
na minha cabeça.
Havia tantas coisas que ele queria dizer a Czar, coisas que ele
simplesmente não podia enfrentar coisas de que ele estava
envergonhado e não queria que a única pessoa no mundo que ele
respeitava soubesse. Ele estava muito envergonhado. Ele nunca
poderia viver com a certeza de que Anya estava em algum lugar do
mundo. Ele a encontraria. Ela nunca estaria segura enquanto ele
estivesse vivo.
— Desacelere Reaper. Você está indo à frente de si mesmo.
Anya está segura. Ela está viva. Os meninos estão cuidando dela
enquanto você arruma sua cabeça. Você teve sexo com ela. —Czar
fez uma declaração. — E ela ainda está viva.
Sexo? Reaper não estava certo do que ele chamaria aquilo. Ele
tinha relações sexuais com alvos. Com alvos. Ele as estudava,
encontrava-as "acidentalmente", as seduzia e as matava. Ele era um
agente de Sorbacov e seu governo. Às vezes, as mulheres eram
assassinas, de que eles não podiam cuidar pelo uso de meios normais.
Às vezes, elas eram mulheres de cientistas de alto nível ou
funcionários do governo. Sempre que haviam tido uma boa razão,

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 133


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elas tinham um alvo nas costas, mas certamente não da forma de


Sorbacov tinha insistido em que os trabalhos fossem realizados. Isso
era para seu próprio prazer. Isso era porque ele gostava de assistir.
Isso o fazia gozar. Ele era um homem doente e sádico. Czar sabia
que ele tinha sido forçado a ir atrás de qualquer mulher que Sorbacov
queria morta, mas ele não sabia o quão doente tinha sido a morte
delas.
O que Reaper tinha dado a Anya tinha sido ele mesmo. Nada a
ver com o treinamento. Nada a ver com um homem depravado como
Sorbacov. Isso foi tudo Reaper e Anya. Então, o sexo não foi o que
ele teve com ela. Ele simplesmente não sabia do que chamar.
— É natural querer a mulher por quem você se apaixona,
Reaper. Inferno, eu ainda não consigo pensar em Blythe sem querê-
la. Quatro crianças na casa e eu estou puxando-a para os cantos, os
banheiros e armários. Nós nos esgueiramos para fora, para o telhado.
Eu não posso parar e não quero. É assim que deve ser. O que eles
fizeram conosco, o que eles nos ensinaram, isso não é natural. Querer
sua mulher, Reaper, é uma coisa boa.
Reaper apenas balançou a cabeça, desespero apertando seu
coração. Seu peito apertado. Seu estomago amarrado em muitos nós,
ele não tinha certeza de poder ficar de pé mesmo que suas pernas o
tivessem mantido. Ele não podia dizer a Czar toda a verdade sem
perder o respeito do homem.
— Não foi bom?
A cabeça de Reaper levantou. — Bom? Foda, Czar. Nunca senti
nada assim na minha vida. Nunca. É por isso que ela não está segura.
Eu acharia aquela mulher, não importa onde ela se escondesse, é por
isso que você tem que protegê-la. O clube precisa protegê-la. Eu estou
pedindo.
— Em sua cabeça você teve vontade de matá-la? Pelo menos
uma vez? Antes, durante ou depois?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 134


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— Você está mesmo me ouvindo? —Reaper sibilou, querendo


esmagar o rosto de seu irmão, sabendo que era nele mesmo que
queria bater. — Eu não estava pensando. Eu não estava pensando
em nada. Não em matar, não em proteger. Eu não usei nenhuma
maldita camisinha. Tudo o que eu queria fazer era entrar dentro dela.
Morar lá. Não houve pensamentos, irmão. Nenhum. Nunca na
minha vida eu senti isso.
— Você é que não está se ouvindo, Reaper. Você está tão certo
de que algo vai acontecer que você não viu o que aconteceu. Você
esteve naturalmente com a mulher de sua escolha. Você não pensou
em matá-la. Não houve nenhuma falsa sedução. Vocês dois pegaram
fogo. Você não puxou uma faca e cortou a garganta dela. Você não
colocou uma arma na cabeça dela. Você não a enforcou. Você teve
sexo selvagem e ambos sobreviveram.
Reaper respirou fundo. O ar estava salgado. Ele estava
começando a sentir seus esforços agora. Seu corpo estava rígido.
Doía, mas era uma dor boa, uma que ele conhecia. O rugido em seus
ouvidos estava começando a diminuir o suficiente para que ele
pudesse ouvir Czar. Ajudou que ele estivesse ouvindo o homem
desde que tinha sido uma criança.
Czar estava convencido. Ele não enfeitava as coisas. Se ele
achasse que Reaper era perigoso para os outros, provavelmente ele
mesmo puxaria o gatilho. Claro que Czar não conhecia a história
inteira, e Reaper não conseguia contar a ele. Eles haviam
compartilhado a vergonha, mas algumas coisas eram muito terríveis
para compartilhar, mesmo com Czar.
Ele abriu os dedos e os nódulos protestaram. A dor o atacou. Ele
poderia sofrer dor. Ele poderia se preparar. Isso era algo que ele
entendia. Já o fogo que ele tinha compartilhado com Anya, selvagem
e fora de controle, isso era algo terrível e novo. Ele achava que
conhecia o sexo. Ele era um especialista nisso. Todos eles eram. Eles
foram ensinados a todos os tipos de sexo conhecidos pelo homem,
forçados a aprender, a ser bons, obrigados a serem disciplinados para

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 135


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resistir, se necessário. Nunca os ensinaram o que seria como se o


corpo respondesse naturalmente.
— E agora?
— Agora, você explora o relacionamento com ela, Reaper. Você
descobre como. Foi o que eu tive que fazer. Isso é o que todos os
irmãos terão que fazer quando chegar a hora.
Relacionamento? O que diabos Czar estava dizendo? Reaper não
estava pensando mais além do que dormir com ela novamente sem
prejudicá-la. Não um relacionamento. O que isso significava? Não,
o sexo era onde ele estava mantendo isso, era tudo o que podia fazer.
Ele estava tão danificado que não havia conserto, e uma mulher não
ficava com o tipo de homem que ele era. Nenhuma mulher poderia,
e muito menos uma mulher como Anya.
— E se eu ... —Ele não conseguiu dizer "matá-la", porque era
tão abominável que ele não se atrevia a deixar-se dizer novamente.
— Eu não sou um bom homem.
— Nem eu, mas eu tenho Blythe e ela é uma boa mulher. Eu me
considero afortunado.
Blythe era um milagre, mas Reaper não iria dizer isso em voz
alta. Ele falou sobre seus pecados. — Tenho que tomar um banho
antes de ficar muito duro até para andar. Não serei útil para você
quando Code nos fornecer as informações sobre os Fantasmas.
— Então, vá. Eu tenho uma mulher quente esperando por mim.
—Czar levantou-se e avançou com uma mão para ajudar Reaper a se
levantar. — Vá devagar. Veja onde vai dar.
Reaper assentiu. Ele não prometeu nada. Ele tinha que pensar.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 136


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Anya ouviu o som da Harley muito antes dela alcançá-


la. Ela estava enrolada, envolta em saco de dormir para ficar quente
escondida em um círculo de pedregulhos. Graças a Leslee, ela tinha
um cobertor, e havia varrido a maioria das rochas, mas ainda estava
com frio. Ela se sentou, ouvindo, seu coração acelerando. Ela
reconheceria o som da moto de Reaper em qualquer lugar.
Ela não tinha ideia de como interpretar seus sentimentos. No
momento em que ela ouviu a moto e soube que ele estava vindo para
ela, seu corpo traiçoeiro ficou louco. Não importava que ele a tivesse
tratado como uma prostituta, usando-a e saindo sem dizer uma
palavra, ela ainda se lembrava de cada toque de sua boca, suas mãos
e seu pau. O melhor sexo de sempre. Mais do que isso, quando ele a
beijava, sentia como se ele estivesse fazendo uma afirmação.
Dizendo que ela era algo para ele. Claramente, ela não era.
Anya repetiu esses beijos em sua mente repetidamente. Repetiu-
o gozando uma e outra vez. Ela disse a si mesma que era uma menina
grande. Ela sabia no que estava entrando. Ela pensou que tinha
enfrentado isso e estava preparada para falar com ele quando fosse
trabalhar na noite seguinte. Ela seria profissional. Atrás do bar, ela
podia fazer qualquer coisa, até mesmo vê-lo pegando outra mulher.
Talvez. Ou isso ou ela desistiria e sairia como ele queria.
Seu cabelo estava trançado em um nó apertado. Ela pegou seu
sutiã. Ela estava dormindo com a camisa de flanela. Droga. Ele veria
e provavelmente pensaria que ela estava tentando ser pegajosa. Ele
não hesitou, ou procurou, ele andou em linha reta até a trilha estreita

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 137


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que levava ao seu pequeno ninho, como se ele tivesse um rastreador


nela. Isso era impossível. O Egg Taking Station era um lugar enorme.
Muitos espaços para acampamento. Como ele podia saber
exatamente onde ela estava? A cima de tudo, estava escuro. Sem
luzes, apenas a lua, e ela estava coberta de nuvens. Nuvens escuras.
Isso deveria lhe dar um aviso.
Ela saiu do saco de dormir e puxou os sapatos, sentando em
cima de uma pedra, observando-o enquanto estacionava a moto. Ele
não saiu, ou virou completamente, ele ficou sentado esperando. Ela
empurrou o resto de suas roupas para dentro do saco de dormir e
fechou com força.
— Como você sabia onde eu estava?
Ele não respondeu, em vez disso, ele se virou para trás e tirou
uma jaqueta de um compartimento. Ela empurrou a bolsa e colocou
a jaqueta, então o capacete que ele segurava para ela. Deslizou atrás
dele, sentiu-o estremecer quando apertou seus braços.
Imediatamente, afrouxou a mão, usando os dedos para arrumar a
jaqueta para que não tivesse que colocar seus braços ao redor dele.
Como ele sempre fazia, ele agarrou suas mãos e as levou ao
redor dele. Ela não sabia por que o deixava fazer isso ou por que ela
subiu na moto sem dizer uma palavra. Ela sabia que ele iria lhe contar
como sabia onde encontrá-la, isto é, até a uma caminhonete que
havia estado estacionada no acampamento logo abaixo dela seguiu
atrás deles. Ele tinha alguém que a observava.
Anya pressionou o rosto contra as costas dele. Ela não sabia se
ficava feliz ou chateada com isso. Chateada por saber que alguém a
estava espionando. Feliz que ele se importasse o suficiente para que
alguém a vigiasse. Isso significava que havia uma boa explicação
para ele sair sem uma única palavra para ela? Provavelmente não.
Não era tão difícil dizer adeus, até mais. Não, Reaper estava sendo
Reaper, cuidando de alguém que trabalhava para o clube, mas ele
realmente era o idiota que fodia uma mulher e depois a deixava.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 138


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Eles dirigiram diretamente para o complexo, o caminhão


deslizando para o estacionamento mais afastado deles, mais perto da
garagem. Dois homens saíram e com a luz de dentro do caminhão,
ela reconheceu os dois prospectos que estavam na sala comum
naquela manhã. Teria sido essa manhã?
Quando o Reaper deslizou da moto, ele pareceu rígido. Como
se seu corpo doesse. Ela franziu a testa. — Você está bem? Você
esteve em um acidente?
Ele gesticulou para o prédio, removendo suas luvas como
sempre fazia. — Dentro.
Ela considerou bater-lhe com o capacete na cabeça, mas
colocou-o cuidadosamente na moto. Ela andou na frente dele,
sentindo-se como uma criança rebelde cujo pai tinha aparecido e a
arrancado de uma festa selvagem. Não ajudou que vários membros
do clube estivessem sentados ao redor do bar e alguns nas mesas.
Todos olharam para cima quando ela entrou. Alguns sorriram.
Preacher saudou-a. Ela acenou com a cabeça para ele, mas Reaper
colocou a mão nua na parte inferior de suas costas, embaixo do casaco
e da camisa, e a empurrou para o corredor.
Ela estava muito consciente da mão dele, tão quente que sentia
como se tivesse derretido através da pele para os ossos dela.
Afundando em suas veias. Profundamente. Para seu núcleo. Parecia
muito íntimo, como se ele tivesse o direito de colocar a mão em sua
pele nua. A abalou o quanto apenas o toque dele enviava ondas de
calor através de seu corpo. Ela tentou não pensar muito, muito sobre
o que havia entre eles.
Ela o queria novamente. Ela sabia disso. Ela simplesmente não
sabia se o coração dela poderia aguentar. Ela se dirigiu ao quarto que
tinha estado na noite anterior, e ele passou por ela para abrir a porta.
Uma vez dentro, ela se virou e encarou-o, principalmente porque a
mão dele tinha queimado um buraco em suas costas inteiras, até o
coração e estava derretendo-o também. Ela não podia permitir que
isso acontecesse.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 139


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Quando ela se virou, ele acendeu a luz e a respiração dela ficou


presa em sua garganta. — Reaper. Meu Deus. Sente-se. O que
aconteceu com você? Você esteve em um acidente?
— Não. Uma luta. Algumas lutas. —Aqueles olhos azuis
ficaram em seu rosto. — O que diabos você estava fazendo lá
novamente? Você tem algum tipo de desejo de morte?
Ela recuou até a parte de trás de seus joelhos bater na cama. —
Você não disse nada, então eu pensei estava acabado. Não é como se
eu pudesse viver aqui só porque nós ... —Ela fez um gesto no ar, sem
saber o que tinham feito. Sexo selvagem? Melhor sexo do mundo? O
que? Do que as Biker babys22 chamavam? Eles tinham fodido.
Acabou. Ele tinha deixado isso bem claro.
— Eu disse que estava acabado quando eu dissesse que estava
acabado. Você me ouviu dizer isso? —Ela balançou a cabeça porque
ele não havia dito que eles terminaram e isso simplesmente a deixou
mais confusa do que nunca. — Você comeu hoje à noite?
— Seus minions23 não te deram um relatório completo?
— Baby. Foi um dia fodido. Você está com fome ou o quê?
Ela balançou a cabeça.
— Bom. Tire.
— O quê?
— Tire sua roupa.
— Só isso? Eu não tenho certeza de que você está fazendo isso
sem qualquer conversa, mas tenho certeza que eu não estou.
— Não posso te beijar porque meus lábios estão cortados como
o inferno. Não posso falar porque meu pau está no caminho. Torna-
22
Mulheres que ficam em volta dos membros do club para ter sexo. (As Maria gasolina das motos)

23
Minions, kkk no caso, os prospectos que ele pediu pra vigiarem ela kkk

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 140


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se difícil pensar quando ele dói como um filho da puta. Não devia ser
tão linda, se não me quer duro como uma maldita rocha quando eu
olho para você.
Ela se abaixou para desamarrar seus sapatos. Ele ficou
encostado na porta, olhando para cima, machucado e inchado, mas
ele estava certo, ela podia ver o esboço de seu pau pressionado contra
o tecido do jeans. Mesmo espancado, ele parecia bem. Ele não estava
fazendo um movimento para se despir e isso a preocupava um pouco.
Ela chutou os tênis, tirou as meias, levantou-se e tirou a camisa. Seu
novo sutiã não era tão bonito quanto o rendado que ele havia
destruído, ou o belo preto que acompanhava o top que ficou na mesa
de cabeceira, mas era barato o suficiente para que ela pudesse pagar.
Ela não ia se arriscar com ele rasgando-o, então ela o tirou.
Ela tinha seios generosos. Não havia como evitar. Assim como
seus quadris, ela também os tinha. Ela hesitou antes de se virar para
encará-lo depois de colocar o sutiã em cima de sua camisa.
— Continue.
Quando ela se voltou, ele abriu o jeans e o punho girou em torno
de seu pênis. A respiração dela pegou em sua garganta. Ele parecia
sexy como o inferno de pé ali, ainda em suas cores, totalmente
vestido, com o pau para fora, acariciando-se lentamente, seu olhar
ardendo através dela.
— Deus, você é tão linda que isso dói.
Ele parecia querer dizer—que estava maravilhado com ela ou
algo assim. Uma onda nova de líquido quente escorreu para sua
calcinha. Ela empurrou as calças jeans das pernas e saiu delas. Ela
estava totalmente nua, e ele estava completamente vestido. Parecia
decadente. Sincero. Ela também se sentiu vulnerável.
Ela esperava que ele pedisse que ela se ajoelhasse e chupasse-o,
mas não. Ele indicou a cama. — Incline-se sobre a cama.
Ela não podia acreditar na forma como seu coração começou a
bater freneticamente, ou como seu corpo já havia começado a entrar

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 141


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em colapso. Ele não a tinha beijado. Ele não a tinha tocado ainda.
Mas ela o queria desesperadamente. O que havia de errado com ela?
— Tem certeza que você não quer se deitar? Eu poderia montá-
lo, —ela ofereceu.
— O corpo está muito dolorido. Coloque seu traseiro sobre essa
cama. Não vou dizer a você novamente.
Ela olhou por cima do ombro, movendo-se para obedecer, mas
deliberadamente devagar. Ele a pegou pela nuca e pressionou seu
rosto no colchão, uma mão deslizando entre as pernas.
— Foda sim, Anya. Você está pronta para mim. —Ele afastou
as pernas dela com a bota. Um dedo entrando nela. — Não posso te
comer esta noite. Tenho fome de você, mas minha boca está uma
bagunça.
Ela não se importava, embora sua boca lhe tivesse dado muitos
orgasmos. Agora, ela só precisava dele dentro dela. Profundo. Ela
empurrou para trás. — Depressa.
— Você sempre está pensando que você vai me dizer o que fazer.
Não está acontecendo.
Ele se inclinou sobre ela, seu corpo cobrindo-a, sua boca na nuca
dela. Ela sentiu seus lábios sussurrarem suave. Em seguida, o raspar
erótico de seus dentes. Mais líquido quente escorreu. Seu coração
gaguejou. Sua barriga fez um rolo lento.
Ele beijou o caminho de sua espinha, os dentes gentis, sua língua
tocando-a aqui e lá, pequenos pontos que enviaram flashs para o
clitóris. Como ele fazia isso? Uma mão correu suas costas e a bunda
dela, moldando-a, como se estivesse memorizando-a.
— Amo sua pele, Anya. Adoro sentir a seda.
Abruptamente, ele se endireitou e, de uma só vez, entrou nela.
Assim como antes. Duro. Rápido. Empurrando suas dobras
apertadas sem aviso, apenas levando-a, enterrando seu pau na sua
vagina. Relâmpagos pareceram atravessá-la. Os dedos penetraram

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 142


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profundamente em seus quadris e ele a puxava para trás cada vez que
mergulhava profundamente. Repetidamente. As chamas a comeram
de dentro para fora. Ela gozou rápido. Muito rápido. O orgasmo a
traiu antes que ela tivesse tempo de puxar o ar e ela gritou, tentando
segurar o som, sabendo que não estavam sozinhos no grande prédio.
Ele não parou ou diminuiu para dar-lhe uma chance de se
recuperar. Para aliviar. Ele apenas se manteve batendo dentro dela,
levantando-a e derrubando-a sobre a borda novamente. Ela não
conseguiu parar o grito quebrado da segunda ou terceira vez. Ela não
sabia se era um orgasmo contínuo ou se era mais, mas ela não podia
pegar um fôlego, sua voz um suspiro soluçante, implorando-lhe. Pelo
que, ela não sabia. Todo esse fogo sobre ela era demais. Não podia
pensar, só sentir. Em seguida, foi construindo em algo incontrolável
e ela tentou se afastar dele, tentou sair de debaixo dele, aterrorizada
isso iria deixá-la louca
Ele a agarrou mais forte. — Solte-se. Deixe-se ir, eu tenho você.
Ela teria feito qualquer coisa que ele pedisse a ela. Ele estava ali,
bem ali, e ela entregou-se completamente a ele. Ele bateu, a onda
explodiu sobre ela, varrendo-a, levando-o com ela. Um grito rouco
que soou como uma grosseira versão do nome dela e depois ele se
deitou sobre ela, o coração dele batendo em seu pau. Ela podia senti-
lo dentro dela.
Ela fechou os olhos e pressionou a testa no colchão. Eles não
tinham usado um preservativo novamente. Ela sabia melhor. O que
sobre ele, fazia com que ela perdesse a mente assim?
Definitivamente, ela voltaria ao controle de natalidade
imediatamente.
Ele se afastou dela e ela ouviu seu zíper. Ela rolou, inclinada no
meio da cama. — Você vai dormir aqui. Amanhã vou te mostrar a
casa, —ele ordenou.
Ela colocou as mãos atrás da cabeça, obrigando-se a não
perguntar se ele ia dormir com ela. Claramente, ele não ia. Ele
realmente recuou pelo quarto, até estar contra a porta. Olhando para

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 143


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Torpedo INK Livro 1

ela. Havia algo em seus olhos que ela não podia ler, mas que a
aterrorizava. Este homem era muito complicado para ela. Muito
assustador. Muito sexy. Muito tudo.
— Preciso saber o quanto vai custar o conserto do meu carro. —
Isso deveria ser seguro agora.
— Você não vai a lugar nenhum. Eu te disse. Você começou isso
comigo. Eu dei-lhe chance para sair e você não aceitou. Você
mantém isso até que eu esteja pronto.
Ela suspirou e sentou-se, sentindo-se mais vulnerável do que
nunca, com a semente dele descendo por suas coxas. — Eu não
entendo você.
— O que tem para entender? Eu não gosto de você se colocando
em perigo naquele acampamento. Você não tem uma arma. Você é
uma mulher sozinha. Você está procurando problemas.
Isso foi praticamente o que Leslee havia dito, mas quando ela
disse isso, a advertência parecia muito melhor. — Eu ainda não
tenho dinheiro para um apartamento.
— Fui claro.
— Se você fosse claro, Reaper, eu não teria saído. Não vou voltar
para lá, mas ainda preciso do meu carro. Eu não estou no controle
de natalidade. Eu vou ter que entrar nele, e leva um mês para
estarmos seguros. Preservativos seriam bons. Talvez você precise
carregá-los com você ou algo assim. Você nunca tira a roupa, então
encha seus bolsos. Nós vamos precisar.
— Seu carro é um carro de merda, Anya. É colado com elásticos,
fita adesiva e fios elétricos. Não há esperança para aquela pilha
enferrujada de parafusos.
Ela riu. Era uma maneira adequada de descrever seu carro. Ela
pegou a camisa de flanela e puxou-a.
Os olhos azuis arderam sobre ela. — Não gosto que você se
cubra.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 144


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— Você está coberto.


— Não sou tão bonito quanto você. —Como ele fazia isso? Era
uma coisa que só Reaper diria. — Talvez eu discorde disso. Eu acho
que você tem um corpo bonito. —Ele estava coberto de cicatrizes e
tatuagens, mas ela adorava cada centímetro dele.
— Não, eu não tenho. Você precisa ir ao banheiro?
Ela assentiu. Ele estava pressionado contra a porta, com uma
mão no botão como se houvesse vontade de fugir dela. Ele parecia
ferido. Seus nódulos estavam esmagados, inchados e rasgados. Um
olho já estava preto. Ela se levantou, segurando os lados da camisa e
procurando em volta pela calcinha. Ele abriu a porta. — O que você
está fazendo?
— Eu preciso de roupas para ir ao banheiro.
— Para quê? —Ele pareceu tão intrigado quanto ele soou. Como
se pensasse que ela tinha perdido a cabeça.
— Reaper, alguém poderia me ver andando por aí seminua.
Ele encolheu os ombros. — Não é nada que eles já não tenham
visto. É uma prática comum. Ninguém repara.
Ela olhou pela porta. Sua camisa a cobria. Ela o seguiu,
segurando as bordas da camisa juntas. — Isso realmente não
incomoda você, não é?
— Não.
— Não teria incomodado você se estivéssemos fazendo sexo e
qualquer um deles entrasse, não é?
— Não.
— Por quê?
— Nós fomos criados dessa forma. Não gosto de fechaduras.
Não gosto de paredes na maioria das vezes. Você é minha mulher,
eles vão respeitar isso. Eles vão te proteger. —Ele continuou
andando. — Isso incomoda você?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 145


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Deveria, porque a modéstia determinava que sim. Porque a


sociedade disse que ele não a respeitaria se ele não se incomodasse
que outros homens pudessem ver seu corpo. Ela teria deixado que ele
a tivesse contra a parede da casa de Czar se uma criança não estivesse
tão próxima. O que isso significava? Tinha incomodado tanto ter
visto Ice nu? Na verdade, não. Ele não olhou para ela ou fez qualquer
gesto obsceno. Ele não tinha falado sobre sexo.
— Eu não sei, —ela respondeu honestamente. Anya parou
abruptamente no corredor, seu coração batendo rápido. — Vocês
compartilham mulheres?
Ele também parou, virando-se para encará-la, olhando para
baixo para o rosto dela virado para cima. Ele estava perto, perto o
suficiente para ela sentir o calor de seu corpo. — Qualquer homem
que toque você, mesmo um dos meus irmãos, especialmente, um dos
meus irmãos, sabendo o que eu sinto sobre você, eu mato. —Ele
tocou seu rosto suavemente e se afastou para que ela pudesse ficar
sozinha.
Anya fechou a porta e apoiou-se contra ela. Deus. Ele era
maravilhoso e terrível ao mesmo tempo. Eles foram criados juntos?
Criados para ter relações sexuais um com o outro? Para serem tão
casuais sobre isso? No entanto, ao mesmo tempo, ele alegou que
mataria alguém que ousasse tocá-la? Ela estava bastante certa de que
ele queria dizer isso.
E o que isso significava, a maneira como ele se sentia sobre ela?
Ele era enlouquecedor. Não queria que ele ficasse esperando, ela
tomou seu tempo, escovando os dentes, lavando o rosto, desfrutando
da água quente. Ela lavou entre as pernas, estremecendo um pouco.
Se ele não estivesse esperando, ela tomaria um banho. Mas, qualquer
um poderia entrar. Quando ela acabou, saiu para o corredor. Ele
tinha ido embora. Ela suspirou, inclinou a cabeça para trás e bateu
gentilmente contra a parede. Tanto por sua excelente noite juntos.
Como porque poderia ter tomado um banho.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 146


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Ele tinha feito isso. Reaper caminhou pelo corredor até a


sala comum. Ele teve sexo com Anya pela segunda vez. Fogos de
artifício saíram, e uma vez mais ele não teve uma compulsão de
matá-la. Quão fodido ele era para ter que se preocupar com isso?
Ficar eufórico de não querer matar a mulher que importava para ele
apenas porque fez sexo com ela.
Ele tinha o cuidado de mantê-la pressionada contra a cama, de
não permitir que ela o tocasse, mas ele planejava experimentar um
pouco. Ver o que ele poderia aguentar. Ele queria acesso à frente
dela. Os lábios dela eram lindos e a boca dele salivava toda vez que
olhava para ela. Ele tinha fantasias sobre a boca dela em torno seu
pau embora soubesse que era o que tinha começado os pesadelos
novamente.
Ele a ouviu rir no bar. Atualmente ele raramente entrava no bar.
Ele sempre entrava pela porta dos fundos diretamente na sala de
reuniões. Aquela risada mudou tudo. Ele desceu pelo corredor,
curioso para ver o rosto que tinha aquela risada. Ela estava de costas
para ele e ele tinha observado seu traseiro enquanto ela trabalhava.
Ela tinha uma bunda grande e de repente, pela primeira vez que ele
conseguia lembrar, ele estava tendo fantasias sobre todas as coisas
que um homem podia fazer com o traseiro de uma mulher.
Então ele viu a frente dela. Os seios. Eles eram perfeitos,
definitivamente mais do que um punhado, e com uma forma
adequada. Então ele olhou para a boca dela. Ela tinha o rosto de um
anjo. Pele macia. Aqueles olhos grandes que faziam um homem
pensar em quartos. Aquela boca foi feita para o pecado puro. Ele
nunca deixou sua mente ir lá, não em todos aqueles anos, não depois
das coisas que ele havia feito, mas tinha ido. Tudo por conta própria.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 147


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Uma vez que ele começou por esse caminho, ele não conseguiu tirar
a imagem da cabeça. Isso levou à pesadelos. Que o levou sentar no
bar por mais de um mês olhando para ela. Ouvindo sua voz.
Seguindo-a até o acampamento todas as noites para ter certeza de
que ela estava a salvo.
Ele se juntou aos outros quando eles entraram em sua "capela".
Esse era sua sala de reunião particular, aquela em que se realizavam
as votações e se falava sobre qualquer negócio do clube. Czar olhou-
o, mas não disse nada. Ele podia dizer que Savage estava chateado
com ele. Quando ele lutava, Savage sempre tinha suas costas.
Quando Savage lutava, era o contrário. Esta foi a primeira vez que
ele foi lá sem seu irmão de nascimento.
— Eu estive olhando procurando sobre esses ‘Fantasmas’ que os
Demons nos contaram, —Code começou. — Eu tenho uma amiga,
um hacker, que é como eu. Entrei em contato com ela para ver se ela
ouviu qualquer coisa sobre eles. Ela disse que tem havido rumores
sobre alguém pagar muito dinheiro para obter informações sobre os
clubes, procurando elos fracos, qualquer pessoa com propensão ao
jogo. Procurando alguém que possa invadir as finanças de vários
clubes. Eles entraram em contato com ela e tentaram levá-la para
trabalhar para eles.
— Sua amiga aceitou? —Perguntou Czar.
Code balançou a cabeça. — Disse-lhes que nunca faz nenhum
trabalho envolvendo os clubes. Não quer esse tipo de problema. Ela
tentou rastrear a fonte. Parece que esse Ghost Club se originou em
São Francisco. Eles não eram um clube de motociclistas, mas uma
boate real. Originalmente um bar e, ao longo dos anos, a família que
tinha a propriedade do edifício manteve um pequeno clube aberto. O
resto do edifício é alugado para vários outros negócios,
supostamente. Eles têm laços em Nevada para operar jogos de azar
por lá.
— Uma família do crime? Estamos falando da máfia?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 148


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— Primos muito afastados. Não consegui ver se estão de alguma


forma afiliados. Mas, parece que dois irmãos se juntaram com vários
amigos e começaram uma pequena operação própria no porão do
Ghost Club. Eles o mantêm pequeno, muito privado, então os
policiais não são avisados. Você tem que ter um 'entre' para apostar.
— Seu palpite é que estes são os "fantasmas" que levaram a
esposa de Hammer? —Czar perguntou.
— No momento, eu colocaria isso em oitenta por cento. É por
aí que precisamos começar a procurar, —disse Code. — E chefe, eles
estão indo atrás dos Costas Diamond agressivamente. Minha amiga,
— Cat, —invadiu seu firewall, bem, entre nós dois, fizemos isso, e
eles têm arquivos da maioria dos presidentes dos braços do Costas
Diamond aqui na costa norte da Califórnia e de todos os oficiais de
cada braço. Eles estão procurando um elo fraco e parecem ter
encontrado um, embora eu não tenha ido tão longe em seus arquivos
para ter certeza. Eles precisam do membro certo e precisam do
presidente certo, alguém apaixonado por sua esposa.
— Podemos provar isso?
Code assentiu. — Ah, sim, fácil. Eu entro a qualquer hora que
quiser, mas vai demorar um pouco cavar para conseguir tudo.
— Antes de fazer qualquer coisa, precisamos devolver a esposa
de Hammer a ele. Então se qualquer um dos Fantasmas ainda estiver
vivo, vamos jogar os Costas Diamond neles. Nunca doeu mostrar um
pouco de respeito ao grande clube do bairro. Steele, você quer
escolher um time e tentar? Você tem vinte e quatro horas. Estamos
em um horário apertado aqui. Esses homens jogam para ganhar. Eles
querem o representante que fará exatamente o que eles disserem. Não
preciso dizer-lhe para manter-se discreto. Sem alarde. Eles não
podem perceber ninguém os sondando. Eles podem matá-la.
— Não há problema, Czar, —concordou Steele. — Nós
descobriremos quantos e, esperançosamente, onde eles estão
segurando-a.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 149


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— Mais negócios? —Todos sacudiram as cabeças e depois


saíram. Reaper afastou-se, Savage logo atrás dele.
— Não faça isso novamente, irmão, —disse Savage suavemente.
Reaper assentiu.
Savage assentiu de volta. — Eu vou para a cama. Fiquei em pé
por vinte e quatro horas e estou morto.
— Obrigado por cobrir meu turno.
— Absinthe e Transporter o têm esta noite, —disse Savage. —
Eu tenho uma má sensação sobre o Ghost Club, Reaper. Não sei o
porquê, mas está torcendo meu intestino.
Reaper não gostou disso. As premonições de Savage se
tornavam realidade.
— Nós vamos manter o olhar sobre ele.
Savage franziu a testa. — Não sei se o problema está apontando
para ele.
— Blythe? —Reaper perguntou com alarme.
Savage encolheu os ombros. — Ainda não sei. Como você está
lidando com essa coisa com Anya?
— Tentando. Não tenho ideia do que estou fazendo. Tentando
não a matar, mas não querendo abandoná-la.
— Então, não faça, Reaper. Fique com ela. O clube está com
você. Eu tenho suas costas.
Reaper assentiu com a cabeça, mas seu intestino atou com mais
força. Anya merecia muito mais que um homem como ele. Se ele
tivesse alguma decência nele, iria se livrar dela tão rápido que a
cabeça dela giraria. Em vez disso, ele estava tentando puxá-la mais
fundo. Ele seguiu pelo corredor. Sob a porta, ele podia ver a luz
apagada. Ele virou a cabeça, notando que ela não tinha trancado essa
vez. Ela estava aprendendo.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 150


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Ele não tinha puxado o quebra luz e ela tampouco. O luar


entrava através da janela. Anya estava deitada de barriga para baixo,
as faixas de luz batendo nas costas e na curva de sua bunda. Ele
afundou na cadeira do outro lado da cama e puxou suas botas. Sua
camisa veio em seguida, em seguida, ele tirou sua calça jeans. Cada
músculo doía como o inferno. Ele esticou as pernas e recostou-se, seu
olhar no corpo dela. Ela tinha um corpo fantástico.
— Pare de olhar para minha bunda.
Sua voz estava sonolenta, um pouco divertida. Escorreu sobre
ele como um sopro, uma tentação que ele nunca conseguiria resistir,
nem mesmo agora, quando estava tão cansado, que mal podia
segurar a cabeça. Seu corpo não queria se mexer, mas ainda assim
seu pau estava mais duro que titânio. Ele inclinou a cabeça para trás
contra a parede, o punho fechado em torno dele. Depois de tantos
anos de controle total, ele estava começando a gostar do fato de que
seu pau tinha vida própria cada vez que estava perto dela. Ou
pensava nela. Não parecia precisar de muito.
— Não posso evitar. Amo sua bunda. Me dá todo tipo de idéias.
Ela virou a cabeça para o lado para que pudesse vê-lo. Ele estava
nas sombras, mas a lua estava derramando luz suficiente no quarto,
e ela provavelmente poderia ver o punho acariciando o pau dele.
— Você sempre está duro?
— Aparentemente ao seu redor, sim.
— Hmmmm. Bem, venha para a cama.
Seu coração gaguejou. Disparou. Acelerou. Ainda não. Ele não
se atrevia a dar esse passo ainda. Ele tinha que ter cuidado. Ele não
a deixara colocar as mãos sobre ele. Ele testou sua reação da primeira
vez no corredor, quando ela tentou empurrá-lo. Tinha sido um
milagre ter sido capaz de deixá-la manter suas mãos sobre ele sem
disparar a violência. Ele não ia empurrá-lo, ainda não. Um pequeno
passo de cada vez.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 151


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— Vá dormir. Eu gosto de ficar sentado aqui olhando você.


— Você está se masturbando.
— Eu estou o quê?
— Você está batendo uma olhando meu traseiro.
— Eu estou.
Ela sorriu, mas não levantou cabeça. — Que desperdício.
— Não do meu ponto de vista. Desfrutando o momento.
Quando eu estiver pronto, vou colocar minha marca nas suas costas
e nessa bunda. Vou esfregar e você vai me vestir durante todo o dia
de amanhã. Quando você estiver trabalhando e eu estiver sentado lá
assistindo os homens enlouquecerem, eu sei que você estará me
usando em sua pele.
Ela se moveu um pouco, dobrando os dois braços sob sua
cabeça. Ele podia ver a linha do peito, a ondulação lateral.
— Eu já tomei um banho.
— Isso é bom. Você não precisará de um banho. Estarei aí o dia
todo. Eu vou escrever nas suas costas e na bunda e isso ficará aí
também.
— Você é um pouco bizarro.
— Você só está descobrindo isso agora?
Isso a fez rir. Era pequeno, mas melodioso, tocando sua pele
como o toque de dedos. — O que você vai escrever em mim?
— Eu estive pensando nisso. —O olhar dela estava na mão dele,
observando aquele punho apertado, bombeando lentamente para
cima e para baixo. Seus olhos sobre ele fizeram tudo mais quente.
Ele podia sentir a queima começando em suas bolas, um acúmulo
lento desta vez. — ‘A mulher de Reaper’ bem naquela pequena bunda
doce.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 152


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— Eu não tenho ideia do por que você pode fazer qualquer coisa
parecer quente, mas você consegue.
— Espalhe as pernas de um lado e de outro. —Ele esperou.
Contou seus batimentos cardíacos através do punho. Ela obedeceu
lentamente, e seu pênis empurrou duro e vazou mais fluido. Ele usou
o polegar para espalhá-lo. — Coloque um travesseiro debaixo de sua
barriga. —Levou três bombadas preguiçosas antes que ela
empurrasse um travesseiro sob sua barriga. Isso a levantou apenas o
suficiente para que, com as pernas abertas, ele tivesse uma boa visão.
Ela era linda. E estava úmida para ele. — Deslize uma mão entre as
pernas e masturbe-se. Eu quero assistir.
A boca dele ficou seca quando os músculos do traseiro dela se
juntaram e a mão deslizou entre as pernas. Os dedos se curvaram, e
ele ouviu seu suspiro. Seu olhar estava rebitado entre as pernas dela,
observando seus dedos desaparecerem, trabalharem, deslizarem em
círculos em torno de seu clitóris e depois desaparecerem de novo. Seu
aperto aumentou, tornando-se mais forte, subindo-se e descendo
mais rápido. Ela era tão sexy. Ele nunca tinha visto ninguém mais
sexy.
A respiração deixou os pulmões dele. A respiração tornou-se
ofegante. Os quadris empurraram, aumentando a pressão em suas
bolas. Os quadris se abalaram. Ele não conseguia tirar o olhar dela,
apertando com firmeza, bombeando até que o prazer estava
estourando atrás de seus olhos, e ele sabia que estava perto. Muito
perto. Ele levantou-se lentamente, com cuidado para não sacudir seu
corpo rígido. Deu alguns passos para chegar ao lado da cama, o rosto
dela estava virado para que ela pudesse ver todos os seus movimentos
e ele podia ver a expressão dela.
Êxtase. Puro êxtase. Era aquilo que ela parecia, uma mulher no
auge da paixão. Rosto corado, olhos meio fechados, lábios
separados, sua respiração ofegante.
— Você está pronta, baby? —Ele esperava que ela estivesse. Ela
parecia estar. — Eu estou.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 153


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Ela assentiu com a cabeça, incapaz de passar as palavras pelas


ondas que a atravessavam. Ele sentiu sua libertação subindo como
um vulcão, longas cordas de líquido branco e quente que se
espalhavam pela parte inferior das costas e sobre as nádegas dela.
Chicotes brancos, reivindicando seu corpo. Isso não era bom o
suficiente para ele. Ele queria reivindicá-la. Não apenas seu corpo,
ou seu coração. Não apenas o coração dela. Ele queria sua maldita
alma, porque ele estava certo de que ela de alguma forma havia
capturado a dele naquele longo mês observando-a.
— Fique quieta, —ele ordenou e pegou sua mão. Aquela que
esteve dentro dela. Ele puxou-a para a boca, sugando
deliberadamente os dedos, um a um. Tomando o que pertencia a ele.
Seu gosto era viciante. Ele adorava que ela simplesmente ficasse
exatamente como ele pediu, observando-o, com os olhos escuros
quando ele lambia os dedos.
Com sua palma, ele espalhou as cordas brancas por suas nádegas
e costas, acariciando sua pele, esfregando-a como se fosse loção.
Então, com um dedo, ele escreveu o que queria tatuado nas costas.
‘Mulher de Reaper’. Algum dia, eu vou fazer tatuagens das minhas
impressões digitais em você, como pulseiras em torno de seus pulsos
e em suas costas onde eu posso ver quando eu foder você.
Seus cílios vibraram. — Você acha que vai fazer muito disso?
Ele gostou do tom de diversão em sua voz. Ele sempre ouvia essa
nota quando ela estava no bar. Ela era brilho em um mundo que
poderia ser sombrio. Ele sempre viu uma luz ao redor dela, se
espalhando por dentro dela.
— Eu sei que vamos fazer muito disso. —Ele esfregou o dedo ao
longo de seus lábios até que ela se abriu e sugou fundo. Sua língua
deslizou ao longo de seu dedo, e seu pau levantou novamente. Foda-
se, a mulher o mataria eventualmente com suas maneiras tentadoras.
Ela sorriu em torno de seus dedos, aqueles longos cílios velando
sua expressão. — Eu gostaria de saber mais sobre a condição do seu

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 154


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corpo, todas essas contusões que você tem, mas você não me dirá
como você os conseguiu, mesmo que eu pergunte.
— Eu te disse. Eu entrei em uma briga.
— Há mais do que isso.
Se seu tom não tivesse sido nada além de leve, casual até, ele
teria saído abruptamente. Ele teria contado a ela tanto quanto ele
queria e isso acabava com a conversa, mas ele podia dizer que ela
não estava realmente empurrando.
Ele deslizou o dedo da boca dela, arrastou-o para baixo pelo
queixo para o ombro e depois deslizou debaixo do braço para que
pudesse rastrear a lateral daquele macio monte exposto pelo jeito
com que ela estava deitada na cama. — Você vai dormir assim, não
é? Deixar-me mergulhar em sua pele para que você me use todo o
dia.
— Você realmente quis dizer isso, não é?
O sorriso estava em sua voz novamente. Isso fez algo em seu
interior. Deixou-o mole, e ele não gostou da sensação. Ela estava
rastejando para ele para dormir. Para lugares em que ele não queria
que ela fosse. Locais onde ela poderia ver as coisas que era melhor
não ver.
— Sim, eu quis dizer isso. —Ele percebeu que ele tinha querido
dizer isso. Assim como ele quis falar das tatuagens, exatamente como
ele queria mantê-la. O pensamento o trouxe de volta a realidade. De
repente, ele se afastou dela e pegou suas roupas. Apenas o ato de se
inclinar para recolher seu jeans e camisa do chão, de pegar sua
jaqueta cuidadosamente dobrada, machucou seu corpo. Ele
precisava de outro mergulho longo na banheira. Ele abriu a porta e
voltou-se para ela, pegando as botas.
— Você não vem para a cama?
Ele ignorou sua pergunta. Ele achou que era bastante óbvio que
ele não ia. Não queria mais nada que se deitar ao lado dela durante

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 155


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toda a noite. Segurá-la. Observá-la dormir. Mas ele não ia correr


riscos com a vida dela. Ele já era um bastardo egoísta pelo que estava
fazendo. — Você vai me dar o que eu quero? —Ele sabia que a
pergunta era muito mais do que se ela iria deixar sua semente
permanecer dentro dela. Ou sobre as tatuagens ou a escrita. Ele
queria saber se ela poderia lidar com ele do jeito que ele era. Se ela
poderia tentar.
Ela olhou-o enquanto ele estava parado, segurando suas roupas
em uma mão, e as botas na outra, mas ela não levantou a cabeça nem
se virou. Ela não se levantou e correu para o banheiro para remover
todos os vestígios dele.
Ele encontrou-se prendendo a respiração. Ele não tinha muito
para dar. Não sabia quantos ou quais erros ele faria—e haveria um
milhão deles. Ele tinha que encontrar maneiras de saber o que
podiam e não podiam fazer juntos. Ele estava pedindo um milagre e
dando-lhe muito pouco em troca. Ainda assim, queria esse milagre.
Ele precisava disso. Ele estava na porta, nu, indiferente se o mundo o
visse dessa maneira. Sabendo que ele estava nu e vulnerável de outras
formas, despojado, onde só ela podia ver com seus espumantes, olhos
brilhantes.
— O que estamos fazendo aqui, Reaper? —A questão era um
sussurro.
Seu coração estava apertado. — Disse-lhe que eu digo quando
terminarmos, não você. Não terminamos. Permaneceremos juntos
até então.
Ele a viu respirar. Ele sabia que ela não gostava disso, mas ele
não tinha muito mais para lhe dar. Promessas vazias? Ele era um
maldito assassino e ela era inocente presa em sua armadilha. Ele não
ia mentir para ela se pudesse evitar.
Sua língua tocou seu lábio. — Outra mulher e acaba, Reaper. Eu
vou embora.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 156


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Ele não podia imaginar, que depois de todo esse tempo, de


repente outras mulheres se tornassem atraentes para ele. — Eu vou
perguntar novamente. Você vai me dar o que eu quero?
Aqueles olhos verdes moveram-se sobre seu rosto com humor.
Pensativos. Ela deve ter visto algo que gostou porque lhe deu um
meio sorriso que o transformou de dentro para fora. — Vamos ver,
não é? —Seus cílios caíam. — Boa noite, Reaper. Fique de molho em
sal de Epsom24 e água realmente quente. Vai fazer-lhe um mundo de
bom. Onde quer que você vá dormir, é melhor que seja sozinho.
Ele ficou parado na porta aberta até que sua respiração se tornou
lenta e uniforme. Só então ele se virou e dirigiu-se para o banheiro e
para um longo mergulho na banheira.

Reaper sentou-se na parte de trás do bar, as


pernas esparramadas para frente, o gargalo da garrafa de cerveja
entre os dedos. Distraidamente, ele o rolou para frente e para trás.
Ele tinha estado ocupado o dia todo e não tinha feito check-in com
Anya deliberadamente. Ela já estava governando seus pensamentos.
A mente dele. O corpo dele. Ele não podia deixá-la saber dessa

24
O sulfato de magnésio ou sulfato oriundo de pedra magnética, de nome comum sal de Epsom é um composto químico que
contém magnésio, e cuja fórmula é MgSO·7H₂O. Estudos mostram que a sua composição é facilmente absorvida pela pele. Dessa
maneira, o seu melhor uso é no banho. O magnésio atua regulando a atividade de mais de 325 enzimas, reduzindo a inflamação e
o cansaço. Dor nas costas, cicatrização, tratamento de resfriados e má digestão. E ainda serve para limpeza pesada de azulejos e
para deixar a grama mais verde. A lista de benefícios é grande, tanto quanto seu desconhecimento entre nós. Só não serve para
comer.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 157


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merda. Ela não tinha enviado mensagens de texto ou ligado. Ele


sabia por que olhou o telefone mil vezes, tanto que os outros estavam
lhe dando o inferno e chamando-o de abatido por uma buceta. Ele
estava. Mas não queria que eles soubessem—ou ela.
Ele passou uma boa parte do dia recebendo algumas cadeiras e
merda de cozinha para a casa. Ice e Storm o ajudaram, mas tinha
certeza de que Czar os enviou para garantir que ele não iria fazer
mais nada fora da linha, como cair de penhascos ou lutar contra uma
dúzia de homens. Ele já estava pagando por aquela pequena
indiscrição com um corpo dolorido e duro.
Anya o deixava louco. Ela sorriu para ele algumas vezes, aquele
sorriso brilhante, deixando um homem de joelhos que fazia seu pau
reagir, mas ela não lhe deu mais do que isso. Ele estava começando
a pensar que era um idiota. Ele deveria ter entrado, puxando-a pelo
bar e a beijado ali na frente de todos, então qualquer motociclista
fodão que atravessasse a porta saberia a quem era que aquela mulher
pertencia. Ele ainda poderia fazê-lo se o lugar ficasse mais cheio.
— Você está parecendo bem esta noite, Reaper, —Betina
cumprimentou, ficando diretamente na frente dele, bloqueando sua
visão do bar. — Estou fazendo uma pausa em cinco minutos.
Poderíamos ir lá fora.
Ele ergueu o olhar para o rosto dela. — Parece que quero sair?
— Está escuro o suficiente aqui. Eu poderia cuidar disso por
você. —Ela indicou abaixo da mesa.
Seu corpo congelou e o demônio dentro dele se agitou. A
escuridão brotou. Ameaçando engoli-lo. Ele levantou um dedo e
moveu-o de lado, indicando para ela se mexer. Algo em seu rosto
deve ter mostrado que ela estava em perigo, porque ela deu um passo
para o lado, e então ele pôde ver Anya. Sua luz. Ela brilhava.
Bannister, o motociclista mais velho, disse algo, ela voltou a cabeça
e riu. O som foi como uma melodia tocando em sua mente, as notas
musicais atravessando a raiva negra, a necessidade de matar.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 158


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Anya ergueu os olhos de repente, encontrou os olhos dele e


enviou-lhe o meio sorriso dela. Enigmática que lhe dizia nada e tudo.
Seus músculos relaxaram um por um. Ele respirou a necessidade de
vingança, para se auto preservar.
Ele sabia que seu pau tinha que parecer monstruoso. Sentia-se
assim. Anya fazia isso com ele sem tentar, e observá-la a metade da
noite, perguntar-se se ela o usava na pele, estava deixando-o fora de
si. Aquele pequeno meio sorriso não dizia nada mas parecia ter um
segredo. Um pequeno segredo. Isso manteve seu pau em atenção.
— Não quero sua ajuda, Betina. —Ele foi franco, mas, de forma
contundente conseguiu que ela escutasse. Nada mais o tinha feito.
Ela queria se gabar de que tivesse ficado com ele. Ela queria passar
por todos eles. Mesmo Czar estava na lista dela. Ela ficou em cima
do presidente deles até que ele lhe disse que ela teria que ir se não o
deixasse em paz.
Betina empalideceu, seus olhos mostrando medo. Reaper sabia
que passava aquela vibração, os outros o avisaram. Ele não
conseguia evitar isso. Às vezes, o diabo escapava, e então ninguém
estava seguro. Ele manteve o controle e trouxe a cerveja para os seus
lábios, tomando um gole, seus olhos não deixando Anya até de
colocar a garrafa de volta na mesa.
Anya tirou uma tampa de outra cerveja e deu a volta no balcão,
caminhando direto para ele. Ele não gostou dela fora do balcão. Mais
de um motociclista pensou que podia colocar as mãos sobre ela. Ela
passou por eles com prática, inclinou-se para colocar a garrafa na
frente dele e colocou os lábios em sua orelha. — Você precisa que eu
chute o traseiro de Betina para você? Eu posso protegê-lo se você
precisar, querido.
Os lábios, como pétalas suaves, escovaram o lóbulo de sua
orelha. Uma pequena risada acompanhou sua pergunta, mas ele
sabia que ela queria dizer isso. Ela faria com que Betina quisesse sair.
Ele pegou a frente de seu top em seu punho e puxou-a mais perto. A
mão dele passou pelos cabelos dela e ele pegou sua boca. Ele amava

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 159


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a boca dela. No instante em que sua língua deslizou para aquele


refúgio, fogo entrou em erupção e ambos acenderam. Ele quase a
jogou na mesa, mas conseguiu manter o controle o suficiente para
apenas segurá-la enquanto a beijava uma e outra vez.
Quando ele permitiu que ela levantasse a cabeça, ela sorriu para
ele. — Eu acho que isso deve resolver, querido, —ela sussurrou. —
Estou bastante certa de que todos receberam sua mensagem, alto e
claro.
— Você fez aquilo por mim? Você está vestindo minha semente?
—Sua mão deslizou pelas costas dela até sua bunda. Seu polegar a
acariciou, escovando para frente e para trás. Enquanto as palavras a
declaravam sua.
Ela levantou um ombro. — Talvez.
Ela o deixou, caminhando de volta pela multidão de clientes, de
cabeça alta, como uma Rainha. Ele ajustou seu pau, despreocupado
com quantas testemunhas havia para ver o que ela fazia com ele. Ele
realmente não podia beber duas cervejas esta noite. Ele podia ter que
sair. Steele e os outros estavam voltando e eles se encontrariam assim
que eles chegaram.
A esposa de Hammer não tinha muito tempo, e Deus sabia o que
aqueles homens estavam fazendo com ela. Os "fantasmas" que
Reaper havia matado tinham sido uns fodidos doentes. Ele não
gostava de pensar em qualquer mulher na mão deles por muito
tempo, muito menos uma com câncer. Ele empurrou a cerveja pela
mesa, embora fosse sua mulher que a tivesse trazido para ele.
Sua mulher. Ele gostava de pensar nela assim. Ele gostava que
Anya fosse dele. Ele começava até mesmo a gostar que seu corpo
respondesse a ela por vontade própria. Ou isso ou ele estava se
acostumando a estar em constante estado de excitação. Ele tirou seu
olhar dela e fez um balanço da sala.
O bar estava tão cheio quanto nos fins de semana, porque um
pequeno motoclube chegou a Sea Haven, acampando nas sequóias,

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 160


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e alguns outros pequenos clubes se juntaram a eles. Pararam para


verificar o bar e gostaram do que viram. Maestro dava uma canja às
vezes na quinta-feira, e fazia shows nas sextas e sábados, quando
desejava. Embora raramente fosse programado, alguns de seus
seguidores locais gostavam de ir na quinta-feira para pegá-lo tocando.
Reaper analisou cada pessoa, homem ou mulher, no bar. Ele
sempre fazia isso quando estava lá. Ele avaliava cada indivíduo e o
nível de ameaça para Czar, e agora para Anya também. Além dos
motoqueiros óbvios, havia três estranhos sentados na mesa de canto
em frente a dele que não pareciam pertencer ao ambiente. Eles se
mantinham quietos e bebiam muito pouco, apenas o suficiente para
manter Betina indo de volta para flertar com eles. Eles não estavam
tão nas sombras como ele, mas escolheram cuidadosamente sua
mesa.
Eles observavam as coisas. Eles não pareciam olhar para
ninguém por muito tempo. Eles principalmente se aproximavam e
conversavam com vozes baixas, mas ele percebeu que flertavam
muito com Betina e eram muito generosos com suas gorjetas. Um
deles escorregou a mão na coxa dela e esfregou. Ela se inclinou para
ele como um gato, colocando uma mão sobre o ombro dele e
permitindo que ele movesse sua mão um pouco mais para o alto.
Duas vezes ela olhou de volta à Reaper, como se quisesse ver se ele
estava olhando ou não—ou que estavam falando sobre ele.
Ele manteve suas pernas esparramadas preguiçosamente na
frente dele e seus olhos semi-serrados para que eles não conseguissem
saber se ele estava ou não olhando para eles. Betina sabia que não
devia falar sobre o clube. Ela era um monte de coisas e gostava de
brincar, mas não traía, por nenhum preço. Não que ele pudesse ver.
Ele olhou para a câmera e depois bateu na mesa. Três, dois, três.
Ele fez duas vezes, como se estivesse tocando a música de Maestro.
Ele não gostava de enigmas, e esses homens eram uns quebra-
cabeças. Code tinha equipamentos e acesso a bancos de dados pelos

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quais as agências governamentais matariam. Ele estava era bom. Eles


teriam as identidades rapidamente.
Ele mexeu os quadris para manter a pressão sobre sua caixa
torácica. Ele tinha sido um idiota em lutar quando eles estavam
tentando recuperar a esposa de Hammer. Ele precisava de seu corpo
em boa forma. Não estava. Os socos abriram uma laceração na
lateral dele. Ele não tinha se incomodado em ajeitar bem as bordas,
ele apenas enfaixou a ferida. Ele se curava rápido e ele tinha isso de
bom nele, isso e o fato de seu corpo saber como tomar uma punição.
Ele estava tomando socos, bastões, chicotes e facas desde que era um
menino. Isso não significava que ele não ficasse dolorido e que
devesse ser indulgente com a necessidade infligir dor, assim como de
tomá-la.
Betina chegou à sua mesa para recolher as garrafas vazias. Desta
vez, ela não cometeu o erro de colocar seu corpo entre o dele e o de
Anya. — Eu não sabia sobre você e Anya, Reaper. Peço desculpas, e
eu vou me desculpar com ela. Ela é minha amiga. —Ela manteve sua
voz e seus olhos baixos. Ela colocou um novo guardanapo
diretamente na frente dele e se afastou.
Reaper não ficou surpreso ao ouvir Betina chamar Anya, de
amiga. Anya, ele era, ele descobriu, apreciada por quase todos. Ele
olhou para o guardanapo. Eles estão fazendo perguntas sobre o clube. Eu
dei-lhes a resposta padrão "não é da minha conta", mas eles são persistentes.
O que você quer que eu faça?
Ele não queria que ela fizesse nada até que ele soubesse com o
que estavam lidando. Betina gostava de foder motociclistas. Ela
gostava das festas e da vida, mas também gostava da proteção que
eles lhe proporcionavam. Ela não se importava com homens
colocando suas mãos sobre ela. Ela adorava as grandes gorjetas, mas
não ia trocar o clube por nenhuma dessas coisas.
Ela tinha andado, feito a volta nas mesas. Ele levantou a mão
para o bar, para indicar que queria café e empurrou a cabeça para
Betina. Anya pegou a mensagem imediatamente. Essa era outra

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coisa que ele amava sobre sua mulher. Ela não sabia nada sobre o
mundo deles, mas pegava as coisas. Um segundo era tudo que levava
e ela aprendeu.
Ela chamou Betina, empurrou uma caneca de café fumegante
para ela e indicou Reaper. Betina hesitou e depois disse algo a Anya.
Anya assentiu uma vez séria e depois sorriu lentamente para a
garçonete. Era um brilhante sorriso, radiante, o fora dos gráficos, que
enviava desejo por todo o corpo dele. Ela apenas perdoou Betina por
tentar pegar seu homem. Anya não segurava rancores. Essa era uma
característica que ela precisaria ter com ele, porque ele iria fodê-la
muito. Betina colocou a caneca na frente dele.
— Mais alguma coisa, Reaper?
Ele sabia, sem olhar, que os três homens os observavam. —
Nada. Café é tudo por enquanto.
Ela assentiu. Ela sabia que devia ficar o mais longe possível dos
três homens. Não lhes dar qualquer coisa, e não tentar ouvir sua
conversa. Ele não queria que ela corresse riscos. Imagens dos homens
foram tomadas e Code já estava trabalhando para identificá-los. Ele
nunca os ligaria aos motociclistas, mas isso não significava nada.
Eles não se misturavam, mas isso podia ser proposital.
Ele dedilhou a música, outro código. Seus irmãos e irmãs tinham
aperfeiçoado esses códigos quando eram apenas crianças. Code tinha
sido o homem dos números desde que ele foi levado para a escola.
Ele era magro e minúsculo, com o cabelo quase liso, mas ele era um
gênio, e Czar reconheceu isso cedo. Reaper disse a Code que os
outros mantivessem Czar escondido, fora da vista, e com guardas ao
redor dele em todos os momentos. Dois seriam enviados para sua
casa para manter Blythe e as crianças seguras.
Alena veio pelo corredor, como sabia que viria. Alena era uma
destruidora de corações. Ela era linda, uma sereia com o mesmo
chamado tentador para destruição como as "sereias míticas". Ela
parecia sexo pecaminoso a cada passo, vestia uma saia fina e delicada
e uma camiseta pequena e apertada. Brincos pendiam dos lóbulos de

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suas orelhas e seu batom vermelho brilhante, destacava a bonita


boca.
Todos os homens no bar se viraram e olharam para ela. Era
impossível não olhar, especialmente quando ela estava balançando
seus quadris e seus seios se movendo sutilmente a cada passo. Ela
tinha uma postura perfeita e parecia ser a mais confiante e sexy
mulher na face da terra. Muitos poucos homens podiam resistir a ela
quando ela usava seu charme. Sua voz de sereia assegurava-lhe a
atenção. Outro dom dela era a capacidade de tirar qualquer coisa dos
bolsos sem ser percebida. Carteiras, canetas, um pedaço de papel,
dinheiro, identidades. Nunca havia sido pega, nem mesmo quando
era criança e estava aprendendo.
— Alena. —Um homem levantou-se da mesa, bloqueando seu
caminho. Ele gemeu o nome dela, sorrindo como um menino em
uma loja de doces. — Eu esperava voltar a vê-la.
Ela parou seus saltos altos deixando-a quase tão alta quanto o
homem que bloqueava seu caminho. Embora ela fosse de altura
mediana, ela parecia mais alta. Ela estava perto da mesa próxima
daquela em que os três homens estavam sentados.
— Desculpe? —Alena nunca esquecia um rosto ou nome. Ela
sabia exatamente quem era o homem, mas ela empurrou um pouco
de arrogância na voz, como se ele fosse um inseto que ela estava
prestes a esmagar.
— Bronson. Nós nos encontramos no Parque Estadual. Eu sou
um guarda florestal. Você estava a caminho daqui, para conhecer
Caspar. Foi há aproximadamente um ano.
— Ah. Claro. —Ela deu a impressão de que estava tentando
lembrar. — Como você está?
— Eu estava esperando encontrar você. Eu vim aqui várias
vezes, mas não te encontrei. Eu posso pagar uma bebida?
Ela estendeu a mão e tocou a gola dele, um golpe de sua unha
vermelho sangue. — Ah! Doce Bronson, agora lembro de você. Você

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 164


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usava aquele uniforme sexy, não é? Você não nos expulsou do


parque?
A boca dele se abriu para protestar. Ao mesmo tempo, ele
balançou a cabeça. Ela pressionou o dedo na boca. — Outra hora.
Eu tenho que esperar meu irmão. —Ela passou suavemente por ele e
caminhou direto para a mesa vazia, deixando o guarda encarando-a,
o olhar colado no balanço dos quadris dela.
Reaper sempre ficava impressionado com o quão suave era
Alena. Ela parava uma sala inteira com a presença dela, deixando a
fraca fragrância de seu perfume atrás dela, então sumia, era esquiva,
e os homens queriam seguir essa trilha. Ela ganhou a atenção dos três
homens instantaneamente. Teriam que ser surdos e cegos para não a
notar. Bannister, sentado em seu banco no final do bar, girou em seu
assento para mantê-la a vista.
Deliberadamente Alena afundou na cadeira de frente para os três
homens e cruzou as pernas. A ação subiu a saia apertada até suas
coxas. Ela usava meias de seda e uma pitada de uma liga de renda
preta apareceu no topo, sexy como o inferno. Ela olhou para o
relógio, suspirou e depois se sentou de costas e mexeu nos cabelos.
Ela passou a olhar ao redor e quando pegou o estranho à sua frente
olhando-a enviou-lhe um sorriso fraco.
Reaper viu o estranho cair no gancho de Alena. A respiração
ofegante do homem. Ele arrumou seu cabelo curto e espinhoso e
depois sua mão foi até a garganta como se para endireitar uma
gravata. Isso se Reaper já houvesse usado uma. Este homem era mais
de um terno do que de calça jeans casual e camiseta. Não admirava
que os três homens parecessem tão fora do lugar. Não demoraria
muito para que Alena os envolvesse. Ela os teria comendo em sua
mão.
Reaper tomou um gole no café, mantendo o olho no guarda-
florestal. Ele tinha olhos apenas para Alena. Eles não podiam deixar
que o guarda interferisse em seu plano. Ele levantou o copo de café
para chamar a atenção de Betina. Ela imediatamente abandonou a

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mesa perto do palco onde a banda tocava e onde ela estava anotando
pedidos e se dirigiu a ele.
Ela serviu o café. — Algo mais?
Reaper empurrou o queixo para o guarda. — Não, o café está
bem. —Ele fez sinal com os dedos. Ela quase balançou a cabeça, mas
entendeu quando ele levantou uma sobrancelha e empurrou o queixo
ligeiramente em direção ao guarda florestal novamente.
Betina sorriu rapidamente e foi direto para Bronson. Ela se
aproximou dele. Muito perto. Inclinou-se, sobre a mesa, para que ele
tivesse uma visão perfeita de seus seios. Seu sutiã vermelho
aparecendo sob o baixo decote. Bronson vislumbrou uma parcial de
seu mamilo. Ela sorriu para ele. — Olá bonito, eu já te vi, mas você
nunca fica no meu setor. Eu sou Betina. Qual o seu nome? —Ela
passou um dedo para cima e para baixo pelo braço dele.
O guarda tossiu. Ela chegou mais perto com o pretexto de bater
em suas costas. A perna encravada entre as dele, a coxa contra o peito
dele. — Você está bem? —Ela praticamente sussurrou. — Deixe-me
ajudá-lo. Tenho uma pequena pausa. Você gostaria de sair comigo e
encontrar um lugar para ... falar? —Sua voz era muito sugestiva.
Ela pegou a mão dele e pressionou-a em seu quadril, exatamente
onde seu top terminava então ele estava sentindo a pele dela. — Por
favor? —Ela alargou os olhos. — Eu nunca chego a conhecer homens
decentes quando estou trabalhando. Todos querem apenas uma
coisa. —Ela olhou por cima do ombro para dar a Heidi, a outra
garçonete, um sinal com a cabeça de que iria sair por alguns minutos.
Reaper quis balançar a cabeça quando o guarda se levantou com
Betina e, como um filhote de cachorro, seguiu-a pela porta, deixando
livre o caminho para Alena manter os três estranhos exclusivamente
ocupados com ela. Ele a ouviu dar um suspiro quando descruzou e
cruzou as pernas novamente. Então ela bateu na mesa curtindo a
música, balançando um pouco na cadeira.

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— Não me diga que alguém fosse estúpido o suficiente para


deixá-la esperando. —O homem de cabelos espetados se levantou e
caminhou até ela. Os dedos inquietos de Alena continuou a marcar
o ritmo na mesa, desta vez um sinal para Maestro se lançar em uma
balada lenta.
— Meu irmão está notoriamente atrasado, —ela respondeu, e,
em seguida, olhou para cima, e, como se o visse realmente só naquele
instante, deixando apreciação e o interesse aparecer em seu rosto. —
Oi. Eu sou Alena.
— Tom. Tom Randal. Posso te pagar uma bebida?
— Você dança?
— Lento.
Ela se levantou muito próximo a ele. Reaper sabia como o
homem se encontrava extasiado. Ela sorriu, olhando diretamente em
seus olhos. — Tom, eu acredito que a música é lenta o suficiente. —
Ela colocou a mão na dele.
Tom a conduziu até a pista de dança, e ela imediatamente
colocou os dois braços em volta do pescoço dele e pressionou seu
corpo firmemente contra o dele. Ele trancou os braços em torno de
sua cintura, e começaram a balançar juntos. Ela tinha certeza de
liderá-lo para perto da borda do palco. Não era mais do que um
passo. Pela maneira como estavam grudados, Reaper sabia que
Alena podia sentir cada protuberância nos bolsos de Tom. Ela sabia
exatamente onde estava a carteira.
Reaper manteve os olhos fixos nela. Maestro também. Ele
tocava baixo e se agachou enquanto jogava uma mão para mexer em
seu amplificador, o amplificador posicionado no canto. A mão de
Alena varreu o corpo de Tom em uma pequena carícia enquanto
virava o rosto para ele e falava suavemente, intimamente, para ele,
criando feitiço com a voz dela. Impelindo-o. Os dedos dela
encontraram a carteira dele e ela entregou-a a Maestro facilmente.
Ele passou-a para Mechanic, que estava agachado, no canto do palco

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para mexer no amplificador, que pegou a carteira com um truque de


mão e desapareceu.
Era suave. Praticado. Eles o fizeram centenas de vezes. A
carteira foi para Code, copiada, devolvida a Maestro em minutos.
Alena riu de algo que Tom disse, e Maestro enfiou-a em sua mão.
Ela subiu em seus dedos dos pés e sussurrou seus lábios contra a
orelha de Tom, seus dedos deslizando em uma carícia pelas costas e
sobre o seu quadril, a carteira deslizando sem problemas de volta ao
bolso.
Alena havia indicado duas vezes que Tom estava perguntando
sobre o clube. Ou pelo menos sobre o presidente do clube. Ela
entregou a informação através de um código, tocando o ritmo no
ombro de Tom descaradamente.
Tom parecia estar apaixonado. Ele não conseguia tirar os olhos
de Alena. Ele a levou de volta para a mesa quando a banda tocou
algo mais energético, mantendo a posse da mão dela quando eles se
aproximaram de sua mesa. — Venha sentar com a gente.
Ela concordou imediatamente. — Storm está sempre atrasado.
— Storm? —Tom ecoou.
— Meu irmão. Ele tem temperamento e pode criar uma
tempestade quando está com raiva. Ela deu uma pequena risada. —
Apresente-me aos seus amigos. —Sua voz tinha caído uma oitava,
jogando com a atração que muitas vezes conseguia exatamente o que
ela queria.
— Steve e Mike Burrows, —disse Tom. — Alena.
— Você está de passagem? —Ela perguntou enquanto deslizava
graciosamente em uma cadeira.
— Ficando por alguns dias, —respondeu Steve. — Nós
gostamos de pesca marítima e vamos para Fort Bragg
ocasionalmente para pescar. Esta é a nossa primeira vez no bar.
Alguém nos disse para vir nas noites de quinta-feira e ouvir a banda.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 168


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— Eles são bons, não são? —Disse Alena. Ela se moveu, uma
ondulação sutil e lenta de seu corpo que manteve os olhos retidos
com ela. Todo o tempo ela batia os dedos ao ritmo da música, dando
os outros dois nomes a Code através da câmera.
— Eu não posso acreditar que eles toquem em um pequeno bar
como este. Podem ser bastante famosos se tiverem uma pequena
publicidade, —apontou Mike.
— Eles não tocam regularmente, —disse Alena, inclinando o
queixo no calcanhar de sua mão, olhando os olhos de Tom. —
Quanto tempo você acha que ficará aqui?
— Mais alguns dias, —disse Tom apressadamente.
— Quem possui o bar? —Steve olhou em volta prestando
atenção. — É inesperado. Eu achei que era um bar de motoqueiros.
Eu pensei em lutas e vidro quebrado.
— Torpedo Ink possui o clube. Meu irmão é do Torpedo Ink.
— Ele é o presidente? —Perguntou Mike.
Ela balançou a cabeça. Reaper viu seu sinal imediatamente. Ela
não gostou do caminho que a conversa estava tomando. Ela passou
os dedos pelos cabelos—sinal para Storm aparecer. Seu irmão entrou
no bar em poucos minutos, entrando pela frente. Ele estava usando
suas cores, assim como Reaper e os membros da banda.
Alena levantou-se instantaneamente com um sorriso. — É
melhor eu ir, —ela sussurrou quase como se tivesse medo do que seu
irmão poderia fazer com ela—ou para eles—se a pegasse sentada
com eles. Antes que Tom ou os outros pudessem protestar, ela correu
diretamente para Storm. Ele pegou seu braço e arrastou-a pela porta
da frente.
Reaper fez sinal com o polegar a Fatei para indicar que deveria
avisar Betina que a costa estava limpa e ela podia voltar para dentro.
Todos tinham feito seus trabalhos. Eles eram habilidosos em
trabalhar juntos, uma máquina lisa e oleada. Ele olhou para ver o

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 169


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olhar de Anya nos três homens, especulação em seus olhos. Ela


desviou o olhar rapidamente.
Ele teve um súbito sentimento de desconforto. Sua mulher era
inteligente. Ela percebia as coisas e tinha uma ótima memória. Ela
lembrava o nome de cada cliente, familiares e até amigos deles. Ela
lembrava as bebidas que eles gostavam. Qualquer conversa ouvida
eventualmente, e ela seria capaz de juntar os pedaços do quebra-
cabeças. Ele teria que advertir os outros para ter cuidado ao redor
dela.
A última coisa que ele queria era que Anya soubesse sobre o
trabalho que faziam. Ela devia saber que ele não era um bom homem,
ela tinha visto a faca que ele jogou contra Deke, mas não sabia que
eles haviam sido assassinos para governo deles e que caçavam
pedófilos, ou tomavam postos de trabalho como mensageiros para
escoltar as pessoas de forma segura através de áreas não tão seguras.
Ele a beijou na frente dos três estranhos, homens que
perguntavam sobre seu clube, sobre seu presidente. Ele a beijou para
fazer sua reivindicação na frente de todos, mas tinha sido um gesto
egoísta. Ele teria feito melhor em ignorá-la. Ela teria seguido sua
sugestão. Ela sempre foi profissional no trabalho, e ainda não tinha
certeza do status de seu relacionamento.
Ele levantou-se lentamente, pela primeira vez chamando a
atenção para si mesmo. Mesmo no bar, com Betina trazendo-lhe café
e Anya beijando-o, ele sabia que ficar quieto depois, como ele sempre
fez, permitia que ele se tornasse um pouco invisível. Ele era notado
apenas quando queria ser. Atravessando o bar, ele desceu o salão ao
invés de ir para trás do balcão para acessar a sala de reuniões.
Maestro, Player, Keys e Master colocaram seus instrumentos de lado
e usaram a ponta articulada do balcão para se dirigirem para a sala
de trás.
Pelo espelho acima de sua cabeça, Reaper notou que os três
estranhos estavam em alerta. Ele assentiu com a cabeça para Fatei
vigiá-los. Gavriil e Casimir Prakenskii, dois dos irmãos de Czar,

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 170


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foram para o corredor para proteger a porta enquanto os membros


do clube estavam lá dentro. Gavriil, Reaper tinha vindo a conhecer
ao longo do último ano, e ele era tão duro quanto Czar tinha avisado
que ele era.
Casimir ganhou o respeito do clube porque ele tinha sido aquele,
que junto com sua esposa, libertou a todos de Sorbacov e seu filho
assassino. O casal tinha matado os dois Sorbacovs, permitindo que
os sobreviventes das quatro escolas vivessem livres. Ambos haviam
sido integrados ao clube. Como os mais novos membros, eles ainda
puxavam guarda com bastante frequência.
Reaper moveu-se para a parte de trás da sala enquanto Savage
pegava a frente. O resto dos membros do clube, Alena e Lana
incluídas, reuniram-se ao redor da grande mesa. — Primeiro, antes
de mais nada, Code, o que você descobriu sobre o Ghost Club? —
Czar perguntou.
— Nós tropeçamos em um ninho de víboras, Czar. Pura e
simplesmente. Eles visam os clubes, todos eles, grandes e pequenos.
Eles têm bastante barulho acontecendo. Chegamos perto o suficiente
para ouvir que eles querem os Costas Diamond e esperam tê-los em
breve. Algum idiota, e eu ainda não sei seu nome, mas vou, está
vendendo seu clube, entregando a esposa do presidente do braço
Mendocino em troca de sua dívida. Eles acham que são grandes o
suficiente para tomar os Costas Diamond a começar com o braço
Mendocino.
Czar balançou a cabeça. — Eles estão loucos? Os Costas
Diamond os comerão vivos.
— Os Ghosts são maiores do que eu pensava. Eles têm membros
em vários estados e ninguém sabe quem eles são.
— Alguém tem que saber.
— Seus computadores são como uma fortaleza. Melhor que o
governo, Czar. Demorou para Cat e eu descobrirmos como romper

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 171


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seu firewall. Estou pesquisando seus clientes agora e teremos os


dados para você em breve, —disse Code.
Reaper sempre ficava impressionado com as coisas que o Code
fazia com computadores.
— Eu entrei em seus e-mails. Eles usam um código que foi fácil
de quebrar, ao contrário de seu firewall. Houve um grande zumbido
no fato de que três de seus homens foram mortos em uma operação
fracassada contra a esposa do presidente do Mayhem. —Ele enviou
um rápido sorriso agradecido a Reaper.
Steele assentiu. — Nós ouvimos o mesmo. Eles pensam que os
membros de Mayhem salvaram a esposa e a filha do presidente.
Tanto quanto podemos dizer a partir da conversa, não estamos em
seu radar. Pelo menos não como alguém que interferiu com o
esquema.
— Como você chegou tão perto? —Preacher perguntou.
— Master nos deu um bom equipamento de vigilância de áudio
e nós ouvimos as conversas que os Ghosts tinham nos escritórios do
porão. O cassino é lá embaixo e abaixo dele estão os escritórios. Eles
também têm um túnel de fuga abaixo do Ghost Club.
— Bom, Master. —Preacher sorriu. — Sabia que suas
engenhocas serviriam para alguma coisa.
Master acenou para ele. Ele adorava qualquer coisa elétrica.
Mechanic e Master passavam horas trabalhando em novos
equipamentos, tentando tornar cada dispositivo menor e mais
potente.
— A mulher de Hammer? —Czar chegou ao ponto.
Os sorrisos desapareceram, o de Steele e dos outros. — Ela está
lá. Eles a têm no subterrâneo, perto do túnel. Não pareceu bom,
Czar. Eu acho que é melhor tirá-la de lá o mais rápido possível.
— Podemos pegar as plantas do clube, do cassino e dos
escritórios? —Czar perguntou.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 172


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— Absinthe foi ao escritório de planejamento municipal para dar


uma olhada. Nada além do clube. Quaisquer que fossem as plantas
originais, não servem mais, —disse Steele.
Czar suspirou. — É muito difícil entrar as cegas.
— Outra coisa que é importante saber, —disse Absinthe, — o
Ghost Club só aceita barmans que tem talento. Eles têm que ser bons.
Muito bons.
Reaper endureceu. Alena e Lana tinham lhe dito que Anya sabia
como fazer truques, que ela usou esse conhecimento para trabalhar
seu caminho pelos clubes para ter uma melhor remuneração.
Ninguém olhou para ele, mas sentiu a tensão no quarto aumentar.
— Alguém pensou em descobrir os salários que um barman
recebe no Ghost Club? —Perguntou Czar calmamente.
— É um dos maiores pagadores da cidade, —Steele reconheceu.
— Nós não soubemos se eles perderam um barman, mas ...
— Não. —O punho de Reaper bateu na parede. — Não vá por
aí.
Czar suspirou. — Nós temos que ir, Reaper. Você sabe disso.
Não podemos descartar nenhuma possibilidade. Olhamos para tudo,
não importa o quão remoto. É de grande importância que Anya
apareceu aqui sem dinheiro, mas vestindo um jeans de grife. Ela é
paga por fora, a perfeita donzela em perigo. Ela também é linda, tem
toneladas de experiência e é garantia de trazer mais clientes. Claro
que a contrataríamos, seríamos idiotas de não o fazer. Nós temos que
olhar para a possibilidade de eles estarem colocando bartenders nos
clubes de motociclistas para coletar informações sobre os membros
do clube. Seria um movimento brilhante.
A pressão no peito de Reaper de repente era enorme. Seu
coração doía. Anya—uma espiã? Ela tinha uma boa memória. Ela
juntava as coisas rapidamente. Ele estava pensando justamente nisso.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 173


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Czar olhou diretamente para ele. — Um barman ouve os


problemas de todos. Se eles forem jogadores, ela vai saber.
Reaper balançou a cabeça. — Isso é foda.
— Estamos apenas falando de possibilidades.
— Não, você não está. Você sabe muito bem, você acha que é a
realidade.
— Eu não disse isso, —disse Czar, — mas requer uma
investigação.
— Você quer dizer interrogatório. —Reaper se endireitou,
voltando o olhar para Absinthe. — Você chega perto dela e eu vou
matar você. Você entende isso, irmão? Eu vou acabar com você.
— Eu não vou interrogá-la, —disse Absinthe. — Eu não vou
fazer isso, e não porque você está me ameaçando, seu idiota fodido.
Eu gosto dela. Ela é uma boa pessoa. Eu não acredito que ela é parte
dessa merda. Ela não é o tipo de mulher que possa prejudicar outras
mulheres.
— Reaper, —a voz de Czar era suave, — feche a boca e controle-
se. Eu digo o que fazemos, não Absinthe. Eu lhe digo que a
interrogue, e ele faz isso. —Ele não olhou para Absinthe. — É assim
que trabalhamos. Somos uma equipe, e vocês dois fazem parte do
time. Reaper, você ainda não está com ela e está pronta para
abandonar seus irmãos? Isso não vai acontecer. Deus. Eu não preciso
de besteira quando temos um problema real.
Reaper respirou fundo. Ele detestava que Czar estivesse certo.
Por que sua primeira idéia foi proteger Anya e não seu clube? Não
seus irmãos? Isso nunca tinha acontecido. Ele estava perdendo sua
mente por causa da mulher. Primeiro, seu pau, agora seus irmãos.
Ele estava perdendo o controle. Talvez ela estivesse infiltrada, se
estivesse, ele mesmo a mataria. O estômago se embrulhou e seu
coração empurrou com força. Dolorosamente. — Considere feito.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 174


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Torpedo INK Livro 1

Czar assentiu. — Ninguém em nosso clube tem problemas de


jogo, —disse ele. — Mesmo que ela esteja aqui para espiar, ela não
teria muito para contar a eles.
— Ela foi para sua casa, Czar, —afirmou Master. — Ela
conheceu Blythe e Emily. Ela viu o jeito que você é com elas. A
maneira como todos nós somos com elas.
— Na verdade, Czar, ela nunca fez uma única pergunta sobre
nenhum de nós, —Preacher disse. — Eu trabalho com ela o tempo
todo.
Reaper suspirou. Estes eram seus irmãos e irmãs. — Não, mas
ela é altamente inteligente. Ela junta as coisas rapidamente. —Ele
sentiu que devia pelo menos admitir isso.
— Talvez, —disse Lana. — Mas eu a vi na casa de Czar. Ela não
estava atrás de informação. Ela não estava procurando por isso. Ela
era toda Reaper e estava muito nervosa ao nosso redor. Eu acredito
que ela está fugindo de alguma coisa, mas eu não acho que ela esteja
nos espionando. Se ela estivesse, por que não pediria para ficar no
complexo? Em vez de acampar no carro? Há apartamentos no bar.
Ela também não pediu para ficar neles. Essas seriam grandes
oportunidades para uma espiã.
Reaper lançou lhe um olhar grato.
Czar afundou em sua cadeira por um longo momento pesando
as consequências, do dano que Anya poderia fazer se fosse uma espiã
e então ele bateu na mesa com o punho. — Droga. Apenas droga.
O coração de Reaper afundou. De qualquer forma, ele iria perder
a Anya. Se eles não a interrogassem, sempre haveria membros do
clube, até ele, olhando para ela como se ela pudesse ser uma espiã.
Se o fizessem, ela não o perdoaria, e ele não a culpava. Ele sabia que
tinham que questioná-la. Não fazia sentido não o fazer. Havia muito
em jogo.
— Quando?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 175


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Torpedo INK Livro 1

— Após seu turno esta noite. Assim podemos acabar com isso,
Reaper ... —Czar soou cansado. Ele olhou para o amigo mais velho,
o homem a quem todos deviam suas vidas. Ele tinha sacrificado sua
alma, sua sanidade por eles e agora eles estavam reembolsando-o
acusando a mulher de ser uma espiã.
O ar estava pesado na sala. Todos sentiram isso. Cada um deles.
Reaper afastou-se da parede.
— Eu voltarei. Ninguém a toca até eu chegar aqui, —decretou.
— Reaper ... —começou Czar.
Ele balançou sua cabeça. Ele não queria ouvir isso. Talvez não
tivesse sido sua redenção, ele sabia que não havia tal coisa para ele,
mas Anya tinha parecido isso. Ele sacrificou tudo o que era, tudo o
que poderia ter sido para dar a seus irmãos e irmãs uma chance de
vida, Anya tinha sido sua recompensa por isso. Sua única chance. Ele
não teria nada depois disso, e ele não era o único que sabia.
Ele não olhou para eles. Naquele momento, ele detestava todos
eles. Ele detestava os laços inquebráveis que ele tinha com eles. Laços
que foram forjados no inferno. Ele saiu pela porta dos fundos, para
não precisar encará-la. Ele não queria vê-la, que olhasse para ele com
aqueles olhos verdes e aquele sorriso que tomava a sua respiração e
sanidade. Ele iria ao inferno por ela, mas não conseguiria evitar o
que estava por vir.
Reaper foi direto para sua moto. Ele precisava do vento. Não
limparia seus pecados, e não iria parar o que estava por vir, mas ele
tinha que estar com a mente limpa porque se, quando fosse
questionada, achasse que ela era inocente, pararia o interrogatório
imediatamente. Se ele não o fizesse, e ela fosse o inimigo, a morte
dela ia ser rápida, limpa e ela não a veria chegando.
Sua visão ficou turva e ele tropeçou. Ele se controlou e
continuou andando até estar em sua moto. Ice fechou de um lado.
Storm do outro. Ele não olhou para eles, mas balançou a cabeça.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 176


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Havia um nó na garganta tão grande que mal podia respirar, e


queimava como o inferno atrás dos olhos dele.
— Preciso ficar sozinho.
— Não vai acontecer, irmão, —disse Ice suavemente. — Nós
vamos com você. —Ele montou sua moto. Storm fez o mesmo.
Atrás dele, moto após moto acelerou. Seus irmãos, em torno
dele. Ele ainda não podia olhar para eles. Ele puxou suas luvas, seu
capacete, afundou no familiar couro e soltou sua moto. Todos
estavam lá, incluindo Czar.
Reaper rugiu para fora do estacionamento, despreocupado com
os limites de velocidade, imprudente quando a água brilhou em seus
olhos, dificultando a visão. Ele voou pela estrada, tomando as curvas
rapidamente, tentando fugir de si mesmo. Da vida dele. A traição
que ele conheceu estava prestes a visitar Anya. Ele acreditava que ela
era inocente, mas o fato era que havia evidência condenatória contra
ela. O tempo não poderia ter sido pior para ela aparecer no bar deles.
Sua risada ecoou em sua mente e ele aumentou a velocidade
outro entalhe, tentando superar isso também. Ela o dominou, entrou
em sua pele e duas vezes ele a fodeu forte, sem qualquer ternura, e
deixou-a sozinha. Ele escreveu seu nome nela e pediu-lhe que o
usasse. Ele tinha a sensação de que ela tinha feito isso por ele. Ele
tirou dela uma e outra vez, não lhe dando nada de volta e agora,
maldito inferno, ele estava prestes a destruí-la.
Anya era mais frágil do que queria admitir. Ele via isso às vezes
em seus olhos, aquela vulnerabilidade que lhe dizia que não tinha
sido fácil. Talvez sua vida não tivesse sido como a dele, ou a de
qualquer dos membros do clube, mas não tinha sido calma. Ele nem
sequer perguntou sobre sua vida. Ele estava muito ocupado.
Pensando sobre esses sentimentos.
Ele se dirigiu ao ponto acima do oceano, onde ele costumava ir
apenas por aquela extensão de água. Ele parou, sem se importar que
as motos estivessem atrás dele. Ele não podia olhar para eles sem

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 177


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Torpedo INK Livro 1

querer ... Ele desligou essa linha de pensamento. Lutar contra alguém
estava fora de questão, e não mudaria o fato de que teria que ser ele
a trair Anya. Ou matá-la, se necessário, porque foi sempre ele. No
final, era tudo o que ele era.

Anya soube que algo estava errado no momento em


que trancou o bar e virou-se, encontrando Reaper logo atrás dela. Ela
olhou para cima e sorriu para ele, satisfeita que ele realmente a estava
esperando depois do trabalho, mesmo que tivesse ficado até as três
horas para limpar. Preacher liberou Heidi e Betina duas horas antes
e disse-lhes que sumissem. Ela costumava trabalhar aquela última
hora de limpeza sozinha, mas não duas. Não fazia sentido e a deixara
inquieta.
Algo deu errado no momento em que Reaper desaparecera na
sala dos fundos junto com Preacher e os membros da banda.
Ninguém voltou por horas, até Preacher retornar, dispensar as
garçonetes e apenas grunhir algo sobre fechar sozinha. No início, ela
pensou que ele estava testando-a para ver se ela poderia fazê-lo, mas
isso não fazia sentido porque ela sempre ficava aquela última hora
sozinha, fechando o caixa, esfregando, trancando as portas.
No final, Reaper confirmou que algo estava drasticamente
errado. Ele sempre era impressionante e assustador com suas
cicatrizes e as raias cinza atravessando os longos cabelos, salpicando

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 178


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o pescoço e a mandíbula. Mas seus olhos tinham mudado. Antes,


quando a olhava mais cedo naquela noite, havia calor sob todo
aquele gelo, apenas para ela. Agora, nenhum calor. Nenhum gelo.
Ele tinha os olhos planos e frios de um assassino. Distância estava lá.
Morte. Pela primeira vez, ela realmente estava com medo dele.
Ela estremeceu e esfregou os braços. Ele recuou e indicou que
ela descesse as escadas na frente. Na escuridão do estacionamento,
viu vários membros do Torpedo Ink, todos com suas cores. Eles
estavam espalhados em um padrão estranho, quase como se
estivessem bloqueando todas as saídas. Ela hesitou e Reaper cercou-
a, mas não a tocou.
— Reaper? —Ele não respondeu, e sua ansiedade cresceu. — O
que está acontecendo? —Ela não gostava dos dedos gelados que se
espalhavam por sua coluna vertebral, ou o súbito tremor em seus
braços.
— Mexa-se. Vamos apenas chegar em casa.
Ela desceu as escadas com relutância, tentando suprimir a
sensação de desastre que crescia nela. Ela tinha uma dose muito
saudável de auto preservação. Ela vinha de viver em abrigos e na rua.
Seus sistemas de alerta estavam gritando para ela.
Reaper passou a perna sobre a Harley, empurrando-a. Ela
começou a subir e então hesitou novamente, olhando os homens
silenciosos esperando. — Diga-me aonde estamos indo.
— Suba.
Ela balançou a cabeça. — Reaper, você está me assustando. —
Ela gesticulou em direção aos outros. — Eles estão me assustando.
Eu não vou subir em sua moto e ir para algum lugar sem você me
dizer onde.
— A casa do clube. Eu estou levando você lá. Apenas suba,
Anya.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 179


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Torpedo INK Livro 1

— Eu vou estar segura?


— Que tipo de pergunta é essa? —Ele exigiu. — Você tem algo
para ocultar?
— Todos nós temos algo a esconder.
— Algo que prejudicaria o clube? —Ele persistiu.
Ela franziu o cenho para ele. — Claro que não.
— Então você está perfeitamente segura.
Ela estudou o rosto dele. Não houve calor. Nada além desses
olhos mortos. Ela subiu atrás dele e sentou-se em linha reta, não se
apoiando nele. Ela se agarrou a seus quadris, cavando seus dedos em
quando a moto se moveu para as curvas. Estava dizendo para ela que
não conseguiu voltar para trás e tomar as mãos para puxar os braços
ao redor dele. Fez ela acreditava que ela estava segura? Os outros
entraram em formação em torno deles. Ela não olhou para eles, sua
mente percorrendo as possibilidades do que poderia ter aconteceu.
Ela não tinha nada a ver com o clube. Ela ficou fora dos negócios
do clube deliberadamente. Ela claramente tinha problemas, ou não
teria vivido em seu carro, mas eles sabiam disso ou não teriam
concordado em pagá-la por baixo da mesa. Não tinha nada com que
se preocupar.
Ela estava fora da moto mesmo antes de Reaper desligar. Seus
joelhos ameaçaram dobrar quando viu o número de Harleys
alinhadas. Todos. Algo grande tinha que estar acontecendo.
Os dedos de Reaper se enrolaram em sua nuca e ele a
acompanhou a sala comum. Ela esperava que ele a levasse pelo
corredor para os quartos, mas, em vez disso, ele escolheu levá-la atrás
do bar para uma das duas portas lá. A porta que ele escolheu levou a
uma escada estreita. Ela não gostou nada.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 180


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Torpedo INK Livro 1

— Reaper? —Ela precisava de reafirmação. A palma dele estava


quente em seu pescoço, os dedos correndo em sua pele.
— Você ficará bem, Anya. O clube tem algumas perguntas para
você. Apenas responda-as honestamente e tudo ficará bem.
Ela endureceu, abrandou o ritmo, mas ele a empurrou, tornando
impossível parar. No fundo da escada havia outro corredor estreito.
Ele empurrou uma porta, e ela entrou na grande sala porque não teve
escolha. Imediatamente ele fechou a porta atrás deles. Dentro, os
membros do clube sentaram-se ao redor uma mesa. Todos eles.
Mesmo Lana e Alena. Todos olharam para ela com diferentes graus
de expressão.
Lana parecia chateada. Alena parecia desolada. Preacher não a
olhou nos olhos. Ela virou-se para Reaper, o único homem que ela
achava que a defenderia. — O que está acontecendo?
— Nós temos algumas perguntas, —disse Czar, sua voz
agradável o suficiente. — Você se importaria de sentar ali, Anya? —
Ele apontou para uma cadeira que estava em uma plataforma
elevada. Era apenas um degrau, mas grande o suficiente para
acomodar duas cadeiras.
Ela encolheu os ombros e olhou para o Reaper novamente,
precisando de reafirmação. Ele capturou sua nuca e olhou nos olhos
dela. — Você responde todas as questões com sinceridade, você me
ouve? Não tente besteira, basta contar a verdade. Tudo ficará bem se
você fizer isso.
— O que está acontecendo? Apenas me diga o que está
acontecendo.
Reaper não respondeu. Ele pegou-a pelo braço e levou-a ao
assento. Ela estava sozinha. Ela esteve sozinha toda a vida. Ela
poderia fazer isso, fosse o que fosse, e então iria embora. Reaper ficou
com o resto deles, não com ela, e deixou isso muito claro.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 181


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Torpedo INK Livro 1

Ela puxou o braço e afundou na cadeira sem dizer uma palavra.


Absinthe usou a cadeira ao lado dela. — Ele precisará segurar seu
pulso, Anya, —disse Czar. — Apenas responda as perguntas.
Ela estendeu o pulso para Absinthe. Ela queria acabar logo. Seu
coração batia muito rápido, ela estava assustada e não conseguia
controlar isso. Ela desligou a parte dela que foi ferida além da medida
por Reaper. O que ela tinha pensado? Ele a tinha fodido. Duro. E
deixou-a sozinha. Era o que ela estava destinada a ser sempre.
Sozinha.
— Qual é o seu nome verdadeiro, Anya? —Perguntou Absinthe.
A voz dele escorregou em sua cabeça e bateu nela. Como socos
batendo em sua mente, exigindo entrada. Não era que sua voz fosse
ruim, exatamente o contrário. Era suave. Gentil mesmo. Isso era tão
enganador. Doeu e ela quase puxou o pulso, sabendo que ele estava
tomando seu pulso. Isso não era tudo o que ele estava fazendo. Ele
queria a verdade.
— Anya ... —Ela hesitou. — Eu mudei meu nome porque não é
seguro usar meu nome verdadeiro. —Ela lhe disse a verdade estrita.
— Eu preciso saber o seu nome verdadeiro, —insistiu Absinthe.
Anya olhou ao redor da sala. Essas pessoas eram as que ela tinha
querido ter como sua família. Eles haviam se unido contra ela.
Reaper permaneceu nas sombras, perto, mas, tão longe, que sabia
que ele estava perdido para sempre. Ela não podia ver seu rosto,
mas ele estava com eles. Contra ela.
Sua cabeça bateu. Latejou. Parecia que punhos estavam
perfurando o cérebro dela. — Pare com isso. Você está me
machucando, —ela sussurrou. — Você tem que parar. —Ela não
sabia o que ele estava fazendo, mas sabia que era Absinthe. A voz
dele.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 182


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Torpedo INK Livro 1

— Responda à pergunta. —O tom dele nunca mudou, mas o


golpe aumentou. Ela puxou a mão para longe dele e levantou-se. —
Fodam-se vocês. Não vou ficar aqui e deixar você me fazer isso.
Absinthe não se moveu. Foi Reaper quem o fez. Reaper
gentilmente colocou a mão em sua barriga e empurrou-a de volta
para a cadeira. Foi Reaper que prendeu os pulsos dela e tornozelos
na cadeira. Pela primeira vez ela percebeu que a cadeira estava presa
o chão. Ela não lutou contra Reaper porque conhecia sua força. Ela
sabia que era inútil. Ela não sabia que ele iria tão longe em sua traição
a ela.
Absinthe passou os próximos dez minutos perguntando o nome
dela, e Anya resistiu só porque estava muito ferida. Muito irritada.
Ela não sabia por que eles precisavam de seu verdadeiro nome, mas
ela imaginou que tinham oferecido uma recompensa por ela. Ela
soube que não tinha escolha, quando sua cabeça doía tanto que mal
podia falar.
— Anya Mulligan.
Os dedos de Absinthe eram gentis em seu pulso, tomando seu
pulso. Ele acenou com a cabeça. — Por que você não quer que
saibamos seu nome verdadeiro?
— Porque alguém me quer morta e não sou estúpida o suficiente
para deixar uma trilha para eles. —Ela quase cuspiu para ele. Eles
tinham seu nome, nada mais importava.
— Como você chegou a trabalhar no nosso bar? Como você
ouviu sobre isso?
— Eu estava com fome, parei em Sea Haven e fui ao
supermercado. No quadro de avisos, havia um anúncio para
bartender e quando conversei com a dona da loja, uma mulher
chamada Inez, ela disse que vocês eram muito legais. Foi exatamente
o que ela disse. Vá perguntar a ela.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 183


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Torpedo INK Livro 1

— Onde você trabalhou antes de chegar aqui?


— São Francisco.
— Onde em San Francisco? Qual bar?
Deus. Ela odiava isso. Odiava que todo o segredo que ela tinha
fosse arrancado dela. O bater nunca abrandou. Quando ela ficou em
silêncio, ele perguntou novamente, e desta vez houve uma mudança
sutil na voz dele. Isso mudou a dor em sua cabeça. Junto com os
socos em sua cabeça, teve a sensação de uma faca cortando seu
cérebro, cortando as barreiras para que Absinthe pudesse chegar as
informações que ele queria.
Seu estômago balançou. Ela ficaria doente. Ela tentou respirar
profundamente. — Há um clube chamado Ghost Club. Eu trabalhei
no bar de lá. —O que importava se eles soubessem onde ela
trabalhava? Eles tinham o nome dela, podiam vendê-la.
— Você ainda está trabalhando para eles?
Sua cabeça a estava matando. Ela mal podia ver, manchas
brancas dançando na frente de seus olhos. — Você tem que parar. —
As lágrimas vieram, não importou o quanto ela tentasse evita-las. Seu
estômago apertou, protestando contra a dor. Ela se virou para olhar
Reaper. — Você está deixando ele fazer isso comigo. Você está
deixando ele me torturar. Eu nunca vou perdoar você. Qualquer um
de vocês.
Ele se moveu, então, de joelhos na frente dela. — Anya. —Seu
nome. Suave. Havia lágrimas em seu rosto? Ela não podia dizer,
porque seus olhos estavam cheios delas.
— Responda as perguntas, querida, apenas responda.
Por que ela achou que ele se importaria? Ele só se preocupava
com suas respostas. Alguém soluçou. Parecia Lana, mas talvez fosse
ela própria. Ela estava com muita dor, ela não podia se concentrar.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 184


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Torpedo INK Livro 1

O que Absinthe perguntou a ela? Ela só tinha que acabar com isso.
Mesmo que a matassem, seria melhor do que isso.
— O que você me perguntou?
— Você ainda está trabalhando para os proprietários do Ghost
Club? Eles enviaram você aqui para obter informações sobre nós?
Sobre Czar?
A voz cortou em seu cérebro mais uma vez e seu estômago se
esvaziou. Ela vomitou tudo em seu colo, em Reaper. Suas cicatrizes.
Suas cores nojentas, que significava muito mais para ele do que
qualquer mulher poderia.
Alguém apertou um pano frio na boca dela. No rosto dela. Eles
eram um borrão, e ela não se importava com quem era. Assim que
conseguiu falar, ela respondeu. — Não. Claro que não. Fugi deles.
Eles estão tentando me matar.
Houve silêncio. — Ela está dizendo a verdade, —disse
Absinthe. — Ninguém poderia mentir depois disso. Ela não está
trabalhando para eles.
— Eu vou tirá-la daí, —disse Reaper.
— Termine, —disse Czar. — Nós chegamos muito longe. Nós
temos que saber.
— Por que eles querem você morta? —Perguntou Absinthe.
Sentiu as mãos trabalhando nas ligações dos tornozelos. Ela
estava muito longe de todos eles para saber quem era. — Eu encontrei
plantas de construção no chão da adega de vinhos, para túneis abaixo
do clube, e eu estava agachada no chão olhando-as porque eram
muito legais. Dois homens vieram para pegar vinho e eles estavam
rindo, falando sobre fazer pontos importantes, levando a esposa de
um figurão e como eles o tinham pelas bolas. Eu não achei que eles
me viram, mas depois voltaram enquanto eu estava voltando para o

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 185


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bar. Saí de lá. Quando eu decidi que era melhor sair e voltei para o
meu apartamento, encontrei minha companheira de quarto morta.
Eles fizeram coisas horríveis com ela. Eu sabia que eles acharam que
era eu, então eu corri.
Seu estômago revirou novamente. Seus olhos pareciam estar
sangrando. Lágrimas rastrearam o rosto dela. — Eu pensei ter
encontrado uma família. Eu pensei que tinha um homem. Deus,
como eu pude ser tão estúpida? Você não é uma pessoa decente,
nenhum de vocês. Vocês não são melhores do que eles.
— Ela terminou. —Reaper ergueu-a em seus braços, embalando-
a contra seu peito.
Ela tentou afastá-lo. — Saia de perto de mim. Deus, você quer a
verdade? Que tal como eu era real e você era falso? Você me fodeu e
saiu, seu bastardo, mas não era real para você, nunca. —Ela balançou
nele. Estava agarrada a ele. Não havia muito espaço e ela estava
fraca, então não fez mais do que se afastar do peito dele. Ele sequer
pestanejou. Ele ignorou sua luta e começou a sair da sala.
— Desculpe, Reaper, tentei ser tão gentil quanto pude, —disse
Absinthe. — É difícil controlar quando alguém resiste. Ela estava
resistindo para se proteger, não porque ela estava nos espionando. —
Ele pareceu assolado. Destruído.
Anya sentia-se destruída. Ela queria se afastar de Reaper, mas ela
não tinha forças. Ela nem conseguia enxergar, apenas imagens
borradas. Ela estava coberta de vômito, mas, felizmente, ele também.
Ela esperava que suas cores estivessem arruinadas. Ela odiava a visão
delas.
Reaper subiu as escadas e entrou no banheiro. — Eu apenas vou
limpar você, Anya, —disse ele.
Ela não o suportava, então ele a colocou no chão do banheiro.
Imediatamente ele puxou fora sua jaqueta e camisa, jogando-os em

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 186


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um canto. A camisa dela as seguiu. As botas e os jeans dele tinham


desaparecido, depois os sapatos e jeans dela. Ela nem sequer
protestou. Ela mal estava ciente do que ele estava fazendo e não se
importava. Sua cabeça latejava fora de controle. Ela manteve os
olhos fechados, porque era desorientador abri-los com a visão tão
borrada.
A água a atingiu, quente e limpa, caindo sobre ela quando
Reaper inclinou-a contra a parede do chuveiro. Suas pernas não a
seguraram e ela começou a deslizar para baixo pela parede. Mãos se
estenderam e a pegaram. A água continuava caindo sobre seu corpo,
lavando o cheiro de vômito de sua pele. Ela empurrou as mãos,
querendo se virar. Desejando tirá-lo de sua pele.
— Tire-o de mim, —ela sussurrou, desesperada para remover
Reaper. — Eu não quero que qualquer parte dele me toque. —Ela
envolveu seus braços em torno de si mesma e uma vez mais quase
entrou em colapso.
Reaper a pegou em seus braços e saiu do banheiro. Savage
estava lá, envolvendo uma toalha ao redor dele enquanto Lena
envolvia uma toalha em torno de Anya. Reaper não perdeu o passo,
mesmo com as toalhas sendo colocadas sobre eles. Ele seguiu o salão
para o quarto. Toda a bondade do mundo não iria consertar isso, e
ele não podia culpá-la. Ela estava certa na avaliação dele—do clube.
Eles protegiam os seus. Ela não tinha sido incluída nisso, nem
mesmo por ele.
Anya não se afundou contra seu peito. Ela não virou o rosto para
ele. Ela se afastou. Ela não lutou contra ele, ficou passiva e quebrada
nos braços dele. Suas palavras ecoando na cabeça dele. Era a única
coisa que ele tinha ouvido depois do interrogatório. A única coisa.
‘Tire-o de mim. Eu não quero nenhuma parte dele me tocando’.
Ela iria embora e ele perderia a única mulher capaz de salvá-lo.
De viver com um homem danificado, quebrado. Ele não conhecia

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 187


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nada além do clube. Seu único propósito era proteger os membros do


clube. Ele fez o que sempre fazia e, ao fazê-lo, viu-os torturar uma
mulher inocente. Não era como se houvesse dano permanente. Ela
teria uma enxaqueca, possivelmente por alguns dias, mas ela ficaria
bem. Bem, sem ele.
— Reaper? Deite-a. —Steele empurrou quatro pílulas redondas
em sua mão. Ele era o médico reconhecido. Ele sabia mais sobre a
cura do corpo humano do que a maioria dos médicos. Ele recebeu
treinamento especializado uma vez que foi reconhecido que ele tinha
um dom raro para a cura. Ele tinha sido levado todos os dias para
fazer seus estudos com quatro dos cirurgiões mais brilhantes do país.
Ele devorava livros a uma velocidade surpreendente e guardava o que
lia. Ele se tornou um médico aos dezesseis anos e aprendeu com os
quatro homens, cada um pegando-o diariamente e devolvendo-o de
volta à escola à noite.
Reaper aceitou as pílulas e colocou-as na mesa de cabeceira. Ele
terminou de secar Anya enquanto Lana puxava o quebra luz para
garantir que o quarto permanecesse escuro mesmo na parte da
manhã. Ele sentou na cama, as pernas esticadas, de costas para a
cabeceira e depois puxou-a para ele, então ela foi forçada a recostar-
se, seu corpo entre as pernas dele.
— Você tem que tomar estes. —Ele empurrou as pílulas contra
seus lábios.
Ela empurrou a mão dele. — Não quero nada de você. Apenas
vá embora.
— Isso não vai acontecer. Pegue as pílulas. Elas ajudarão. —Ele
a manteve prisioneira em seus braços, colocando-a contra seu peito.
Ela tomou o caminho de menor resistência e engoliu as pílulas,
seguindo-as com a água da garrafa, ele colocou em seus lábios. Ele a
deixou deslizar para a cama, mas posicionou a cabeça dela em seu
colo, sua mão acariciando a nuvem de cabelo escura. Estavam

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 188


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caindo do coque que ela escolheu usar para trabalhar. Ele empurrou
seus dedos na massa grossa, encontrou os grampos e tirou-os para
aliviar o couro cabeludo, esperando ajudar com a dor de cabeça.
— Eu sei que você está chateada comigo, Anya, e você tem todo
o direito de estar. Eu só deveria ter feito as perguntas.
Ela ficou em silêncio, os olhos fechados, mas ele sabia que por
sua respiração ela não estava adormecida. Seu rosto estava
comprimido com a dor, e ela balançava o corpo para frente e para
trás como se isso pudesse aliviar o tormento da dor de cabeça.
— Você teria me dito a verdade se eu tivesse perguntado? —Era
importante para ele saber se eles poderiam ter evitado Absinthe,
questionando-a, usando seu dom contra ela. Absinthe não teria
usado a técnica de navalha se ela tivesse respondido e dito-lhe o nome
dela. Ele teria apenas empurrado suavemente como normalmente
fazia quando o clube precisava de algo.
Anya não respondeu a Reaper imediatamente. Suas pestanas
vibraram e eventualmente ela deu uma pequena sacudida na cabeça,
o punho agarrando o lençol e puxando o contra sua boca.
— Os donos do Ghost Club visam as famílias dos presidentes
dos clubes. Eles espiam os membros do clube para acharem a sujeira
deles. Eles usam dívidas de jogo contra eles.
— Não fale comigo.
— Anya, eles levam a esposa ou a filha. Se não são pagos, eles
matam as mulheres cortando-as em pequenos pedaços. Imagino que
isso tenha sido feito para sua colega de quarto.
Ela estremeceu, mas puxou o lençol sobre os olhos. — Eu não
quero ouvir isso.
— Naquela noite, eu voltei e queria que você tivesse ido, eu
resgatei uma mulher e sua filha. O esquadrão de ataque já estava lá,

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 189


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e eu interferi. Tomei uma facada para fazer isso. Agora, eles têm
outra mulher. Ela acabou de terminar a quimioterapia. Eles precisam
ser parados.
— E você pensou que eu os ajudava. Foi isso que você pensou
de mim. Que eu ajudaria essas pessoas horríveis a cortar mulheres.
Por favor vá embora. Estarei fora daqui de manhã. —Sua voz estava
abafada e parecia estar chorando de novo. Ele sentiu a respiração
dela nas coxas. Ele sentiu a umidade de suas lágrimas e isso o
destruiu. Ele merecia a dor, ela não.
— Eu não vou a lugar nenhum, Anya. Coloque isso na sua
cabeça e não se incomode em gastar energia para me combater. —
Ele massageou o couro cabeludo dela lentamente, gentilmente,
desejando que ajudasse a aliviar a cortante dor de cabeça.
Ele deixou o silêncio esticar, esperando que ela adormecesse. Ela
não o fez. Ele não o fez. Ele olhou para a parede, seus dedos se
movendo nos cabelos dela. Ele podia estar precisando desse toque
mais do que ela, ele só sabia que não conseguia parar. Ele precisava
dela para fazer isso durante a noite. Através de outro dia. Ela disse
que eram tão ruins quanto aqueles que visavam mulheres inocentes.
Eram eles? Ele era. Ele sabia que era—ele tinha se moldado em um
assassino de sangue frio para que os outros pudessem ter vida. Talvez
algum dia viverem livres.
— Quando éramos crianças na Rússia, fomos tirados de nossas
casas, nossos pais assassinados porque se opuseram a um homem
chamado Sorbacov. Ele era gentil e encantador com sua esposa e
filhos em público, mas em particular, ele tinha certas tendências. Seu
apetite corria para garotos realmente jovens. Tortura e até Snuff
Movie25. Gostava de ver torturar as garotas. Ele gostava de vê-las

25
Snuff Movie: são filmes que fazem parte de um sub-gênero que mistura horror com pornografia onde o principal mote é o
sacrifício humano real em frente às câmeras com o objetivo de obter lucros e entreter o público doentio.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 190


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Christine Feehan
Torpedo INK Livro 1

mortas durante o sexo. Ele se cercou, em uma das quatro escolas que
ele começou, com homens e mulheres da mesma opinião. Bastardos
doentes que desfrutaram infligir dor.
Ele ficou em silêncio novamente, olhando para a parede, sem
ver nada além do rosto de Anya enquanto ela estava sentada naquela
cadeira ao lado de Absinthe. Tão pálida. Altiva. Desafiante. Sozinha.
Seu coração tinha gaguejado. Derretido. Seu estômago tinha
apertado e ele quis vomitar com ela. Ele a deixou passar por tudo
sozinha. Ele deveria tê-la segurado em seus braços.
Ele deveria ter sentado com ela, sua mão sobre a dela,
conectando-os. Ele devia ter feito algo para fazê-la entender que a
verdade era necessária para eles, porque eles não podiam ter um
espião em seu acampamento. Não seria tolerado. Mais eles não
conheciam outra maneira a não ser a que usavam.
— Eu tinha quatro anos quando fui levado para lá. Savage tinha
dois. Tivemos duas irmãs mais velhas. Nós viemos de uma família
privilegiada e vimos nossos pais serem assassinados na nossa frente,
então para ser levados para um lugar com paredes grossas, poucas
janelas e uma masmorra no porão, foi terrível. Houve quase trezentas
crianças trazidas para a escola ao longo dos anos. Para ser preciso,
duzentos e oitenta e sete crianças. Dezesseis sobreviveram.
A mão dela moveu-se em sua coxa. Um pequeno escovar de seus
dedos, mas ela estava ouvindo-o. Ele não sabia por que ele estava
falando com ela, e nunca repetiria sua história à luz do dia. Os
demônios o governaram, demônios que ele encontrou dentro dele e
deliberadamente cultivou. Ele alimentou aquela escuridão,
precisando disso, sem saber, quando era tão jovem, quais seriam as
consequências.
Reaper pegou o punho dela, abrindo os dedos para poder apertar
um beijo na palma da mão. — Você perguntou por que não pensamos
na nudez. Eles não nos deixavam vestir roupas. Não tínhamos

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 191


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Torpedo INK Livro 1

banheiro. Muitas vezes nós tínhamos que assistir quando eles feriam
os outros. Eles nos ensinaram o controle dos nossos corpos,
obrigando-nos a fazer sexo com homens e mulheres mais velhos e
depois com os mais jovens. Se falhássemos em nosso controle,
éramos espancados. Se o nosso parceiro não nos despertasse, eles
eram brutalmente espancados. —Ele pressionou os dedos dela na
boca, os dentes raspando suavemente contra as almofadas.
Minhas irmãs foram brutalmente assassinadas tentando evitar
que Sorbacov e seus amigos levassem Savage e eu até a sala onde
filmavam a tortura e a violação de crianças. Eles deixaram seus
corpos no chão do calabouço por dois dias. Nós ficamos sangrentos
e traumatizados. Você pode imaginar o que era ter nossas irmãs
mortas em cima de tudo o resto. Se o Czar não tivesse entrado, nós
dois perderíamos nossa sanidade.
Ele não estava completamente certo de que não perdeu a
sanidade nesse dia. Ele lembrou a dor e a humilhação. Ele lembrou
de raiva e da culpa por não conseguir evitar que machucassem seu
irmão mais novo, e ele tinha apenas quatro anos. Ele também sabia
que foi a primeira vez que tomou consciência da escuridão nele, um
lugar para onde ele poderia ir e ser capaz de fazer o que fosse
necessário para parar homens como Sorbacov.
— Eu não sei por que estou lhe dizendo isso. Eu nunca disse a
mais ninguém. Não porque assim você vá entender o que fizemos
para nos proteger, é mais a necessidade de você me conhecer. Eu
queria que você fosse mandada embora para protegê-la. Nunca tive
uma ereção normal. Nenhuma em que eu não forçasse para fazer um
trabalho. Eu nunca estive com uma mulher do jeito que eu fiquei com
você. Fora da minha mente. Precisando estar dentro de você mais do
que precisando de ar. Sempre foi uma sedução planejada, um
número de sedução. Quando nos deram a liberdade, há alguns anos
atrás, não me incomodei em deixar meu corpo querer alguém. Nem
mesmo para liberação.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 192


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Torpedo INK Livro 1

Ele fez uma pausa para olhar para ela. Seus olhos estavam
abertos, os longos cílios vibravam. Ele sentiu-os escovando contra
sua coxa. O olhar dela procurou seu rosto como se o estudando para
ver se ele mentia. Ele empurrou os cabelos escuros para trás da
orelha, seus dedos gentis quando essa característica em particular não
fazia parte dele.
— Eu vi você trabalhar no bar. Ouvi sua risada. Não consegui
desviar meus olhos de você. Tão linda, Anya. Não apenas seu corpo,
mas algo mais. Eu tentei salvar você. Eu quis que você fosse embora
quando percebi que não poderia ficar longe de você. Quando percebi
que meu pau estava com tanta fome de você, que não amoleceria,
não importava o quanto eu ordenasse. Eu queria você. Eu nunca quis
nada para mim até eu te ver.
Ele se interrompeu. Ele não podia lhe dizer o resto. Como ele
amava o clube. Como ele era sua vida, a melhor parte dele. A única
boa parte dele. Agora, ele não queria olhar para suas cores, as cores
das quais se orgulhava tanto. Ele não queria olhar para seus irmãos
e irmãs. Tudo o que ele amava, cada pessoa que amava, ele havia
perdido a única pessoa que ele se importava. Ele precisava. Ele estava
disposto a tentar mudar o suficiente para ter um relacionamento com
ela. Ele acreditava que seria melhor por causa dela. Ele havia se
convencido de que encontraria uma maneira de melhorar, que ela
ficaria e seria paciente o suficiente para deixá-lo cometer erros.
— No final, no entanto, não era sua merda, era minha, —ele
murmurou em voz alta. Seu clube não o obrigou a fazer nada. Ele
escolheu ficar com eles. Ele poderia ter escolhido ficar com ela. Ele
devia ter. Mas havia Czar. Ele tinha sido a sombra de Czar, sua
espada, desde a primeira morte, quando ele tinha tido cinco anos de
idade. Ele não sabia como ser diferente. A espada de Czar era quem
ele era. — Você está certa, Anya. Eu deveria ter defendido você. Eu
sabia que a luz em você era real, mas eles precisavam conhecê-la e de

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 193


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Torpedo INK Livro 1

alguma forma, na hora, era importante que eles a tivessem visto


como eu faço.
Ele acariciou seu cabelo, desejando que ela dormisse. Seus dedos
ainda estavam emaranhados com o cabelo dela, porque ele não
estava disposto a deixá-la ir. Ele só tinha tempo até que ela estivesse
de pé para tentar encontrar algo para fazê-la querer ficar. Seu cérebro
não desligava. Ele não falava. Ele não compartilhava. Agora, era
como se uma porta tivesse se aberto, e ele quisesse compartilhar
quem ele era. Ele estava desesperado para ela o ver por dentro, olhar
atrás de todas as camadas de escuridão e encontrar aquela parte dele
que ela tocou. A parte que precisava dela para salvá-lo. Ele queria
que ela visse algo bom nele, porque ele não conseguia encontrar e
estaria perdido se ela não estivesse lá para trazê-lo.
A porta estava aberta e Lana estava na entrada, batendo
suavemente para chamar a sua atenção. — Ela está dormindo?
Ele balançou sua cabeça. — Flutuando. As pílulas estão
começando a fazer efeito.
Ela entrou e afundou na cama, jogando uma mão no cobertor,
encontrando o tornozelo de Anya abaixo dele, como se ela também
quisesse essa conexão. — Eu gosto dela, Reaper. Eu gosto muito
dela. Quando você a trouxe para o meu quarto, eu fiquei muito
chateada. Eu pensei que ela era como as outras mulheres e não queria
nenhuma delas no meu quarto. E então eu pude ver que ela era
importante para você, então eu realmente olhei para ela do jeito que
fiz com a Blythe, e percebi que ela era uma pessoa muito especial.
Reaper assentiu. — Tenho que concordar com isso, Lana.
— Eu deveria ter resistido mais, lutando mais por ela. Eu disse
alguma coisa, mas eu não forcei. Eu queria porque soube no
momento em que eu tomei tempo para conhecê-la, que ela era
incapaz de nos trair assim. Agora, sinto que traí vocês dois. Você

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 194


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Torpedo INK Livro 1

lutou por ela, mas você precisava de alguém por você e eu não fiz
isso. Eu realmente, realmente sinto muito.
Reaper suspirou. — No final, Lana, é sobre Czar e Blythe. Os
Ghost estão visando esposas e filhas dos presidentes dos clubes. Isso
significa que eles iriam atrás de Blythe. Acima de tudo, temos que
protegê-los. Tanto quanto eu odiei e odiei a todos porque insistiam,
eu sabia que tinha que ser feito. Eu deveria pelo menos, ter
perguntado a ela primeiro.
— Ela não teria dito a você, ela estava com muito medo. —Lana
suspirou e esfregou o tornozelo de Anya através do cobertor. — Eu
me odeio às vezes, Reaper. Odeio mais do que nunca ser o que
Sorbacov nos fez.
Ele assentiu. — Eu sei o que você quer dizer.
— Eles nos ensinaram duas coisas, Reaper. Como fazer sexo de
todas as maneiras possíveis e como matar de todos os jeitos possíveis.
Eles deixaram de lado os relacionamentos. Eles deixaram de fora o
amor. Eles deixaram de lado todas as coisas que os outros conhecem.
Blythe não permitiria a decisão de interrogar Anya desse jeito. Ela
teria nos impedido.
Reaper balançou a cabeça. — Czar não teria permitido que ela
soubesse ou votasse. —Ele olhou para Lana para ver os ombros
largos de Czar emoldurados na entrada. Seu intestino apertou. Uma
onda de fúria ferveu profundamente. Ele a suprimiu, enfiando os
dedos nos dedos de Anya, lembrando-se de que ela não precisava de
vozes e raiva altas.
Lana olhou por cima do ombro e viu o presidente deles. — Eu
vou ficar por perto esta noite e amanhã. No caso dela precisar de
mim. Deixe-me saber se você acha que posso ajudar. —Ela ficou
parada e tocou Anya gentilmente. — Essas coisas que ela disse sobre
você não eram verdadeiras, Reaper.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 195


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Torpedo INK Livro 1

Ele não respondeu, ele apenas a viu ir. Ele não era o único
machucado com o que tinha acontecido, e de alguma forma isso
ajudou.
Czar veio ficar ao lado da cama. Reaper balançou a cabeça. —
Você não é minha pessoa favorita no momento, Czar, —disse
honestamente. — Vá para sua casa, para sua mulher e me deixe com
a minha.
— Reaper, você sabe que Absinthe foi tão gentil quanto possível
sob as circunstâncias. Se ela não tivesse lutado tanto contra ele ...
— Besteira. Ela estava se protegendo. Minha mulher está
quebrada, Czar, então você pode saber que a sua estava segura. Vá
para casa. Este não é o momento.
Reaper inclinou a cabeça na cabeceira da cama e fechou os
olhos, não querendo olhar para o homem que protegeu durante quase
toda a vida dele. Ele estava com raiva, mas principalmente de si
mesmo. Das escolhas que ele fez e nunca parou de fazer. As escolhas
que ele sabia que ele continuaria fazendo.
— Eu vou falar com ela.
— Você a ouviu. Você ouviu o que ela pensa de todos nós,
especialmente de mim. Me levou em sua pele, assim como eu pedi, e
eu paguei, deixando Absinthe estuprar a mente dela.
Ele sabia que Czar não teria ideia sobre o que ele estava falando,
mas não importava. Ele sabia. Ele sabia e estava envergonhado.
— Reaper ...
Reaper balançou a cabeça. — Vá, Czar. —De repente, ficou
cansado. — Não existe qualquer coisa para falar sobre esta noite.
Amanhã, talvez, não esta noite. Esta noite eu vou só segurá-la e me
assegurar de que os demônios não venham por ela. Nada vai

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 196


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machucá-la novamente. Você pode me dar isso, não pode? Uma puta
de uma noite com ela antes que ela saia da minha vida para sempre.
— Eu lhe darei seu espaço agora. E me desculpe, irmão. Leve
algum tempo com ela, mas vamos ter que falar sobre aqueles três no
bar esta noite. Eu realmente me desculpo pela forma como isso
acabou.
Reaper tinha certeza de que todos estavam arrependidos.
Especialmente ele, mas não mudava o que eles fizeram com Anya.
Ele esperou para falar com ela novamente depois que Czar saiu da
sala, fechando a porta atrás dele, trancando os dois sozinhos no
quarto.
— Você está acordada? —Porque a respiração dela não era
uniforme.
Ela acenou com a cabeça. Seu cabelo deslizou sobre as coxas
dele. Emaranhado em torno de seu pênis. De simplesmente sentar na
cama com a cabeça no colo dele. Não sentia como se ela estivesse
tentando controlá-lo. Ou seduzi-lo. Parecia reconfortante. Tranquilo.
Ele imaginou que isso era algo que homens e mulheres faziam no
final do dia, apenas respiravam quando ambos estavam machucados
como o inferno.
— A dor de cabeça está melhor?
— Pílulas fortes. —O murmúrio suave foi dito contra sua coxa
nua. Os lábios dela sussurraram sobre sua pele como uma carícia. Ele
fechou os olhos para saborear o sentimento, deixando-o confortá-lo
ainda mais. As pílulas eram fortes. Steele tinha certeza de ter dado a
ela o que bloquearia a dor o máximo possível. Não afastaria a traição
ou o dano, mas deixaria sua cabeça melhor.
— Eu gostei deles. Preacher. Lana. Eu gostei deles.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 197


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Torpedo INK Livro 1

Seu coração afundou. Havia lágrimas na voz dela. — Baby, eles


também gostaram de você. Ninguém queria que você se machucasse,
mais do que eu.
— Eu pensei que eles estavam se tornando meus amigos. Talvez
até mesmo família.
— Eles estavam. Eles estão. Famílias brigam, Anya. Famílias
passam coisas difíceis. —Ele queria esperar. Ele queria um maldito
milagre. Era demais pedir por ele? O universo o odiava tão
fodidamente que nem sequer permitiria que ele tivesse alguma coisa
boa que fosse toda dele em sua vida?
— Eu não saberia, —ela sussurrou. — Eu nunca tive uma
família.
Isso quase o matou. Ele tirou o cabelo do rosto novamente. Ela
ainda estava mexendo a cabeça com cuidado, para o caso de movê-
la trazer de volta a dor. Ele manteve-se quieto, ainda no caso de
simplesmente mexer as pernas causaria dor.
— Ele é algum tipo de detector humano de mentiras?
Eles nunca discutiam os talentos psíquicos uns dos outros com
pessoas de fora. Ela era uma estranha? Não para ele, mas estava
enraizado nele proteger os outros. — Algo assim. —Ele foi
deliberadamente vago. Não havia explicação para o talento de
Absinthe de qualquer forma. Ele praticou durante centenas de horas,
trabalhando para poder usar sua voz para alcançar as mentes dos
outros. Ele sentou-se no chão do calabouço, sangrento e machucado,
lágrimas escorrendo pelo rosto, praticando, então talvez da próxima
vez que ele pudesse parar com o que os pedófilos da escola faziam
com ele e os outros.
— O meu carro está pronto?
— É um carro de merda, baby. Eu direi a você quando estiver
pronto. Os meninos são bons, mas eles não fazem milagres. —Seu

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 198


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coração acelerou. Ela queria o carro para que pudesse desaparecer de


sua vida.
— Será que eles o fizeram funcionar?
Ele estava feliz em dizer a verdade. — Ainda não. Eles estão
tentando. Patins são provavelmente mais seguros. —Ele esperava um
breve sorriso, mesmo um pequeno, mas ele não conseguiu. O único
sinal de que ela não estava se afastando completamente era a mão
que ele ainda estava segurando. Ou ela estava muito cansada para
notar, ou, como ele, não podia desistir do que eles começaram.
— Eu não sei como patinar.
— Você nunca aprendeu?
— Não. Não foi algo para o qual tivemos muito tempo. Nós
deixávamos o abrigo na parte da manhã e íamos para a rua,
procurando comida. —Sua cabeça se agitou então, esfregando contra
ele como um gato. Era pequeno, um pequeno movimento sutil, mas
ele tomou isso como uma caricia, assim como seus lábios
sussurrando sobre ele. — Bem, mamãe procurava drogas e eu
procurava comida, —corrigiu ela. — Ela tinha apenas dezesseis anos
quando me teve. Os pais a expulsaram e ela ficou nas ruas. Eu fiquei
com ela.
— Deus, querida, —ele sussurrou. Seus dedos emaranhados em
seus cabelos.
— Não foi ruim, do jeito que foi para você. Minha mãe
interferiu. Eu não entendi o que era que ela estava fazendo, mas para
mantê-los longe de mim, ela ia com eles. —Ela sussurrou a confissão
no escuro, assim como ele confessou a ela. — Eu queria saber o que
ela havia sacrificado por mim quando ela estava viva.
— Ela não queria que você soubesse. —Ele não queria que
Savage soubesse as coisas brutais que ele suportou para manter o pior
dos infratores longe de seu irmão mais novo. O problema tinha sido

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 199


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Torpedo INK Livro 1

Savage ter pensado que tinha mantido esses mesmos infratores longe
de Reaper.
— Eu não queria que isso acabasse, —ela sussurrou, e então sua
coxa estava molhada com as lágrimas dela. Ele não estava certo se
ela quis dizer a morte de sua mãe, ou os dois.
— Eu também não quero que termine, —ele respondeu, e podia
haver lágrimas nos olhos dele. Ele sabia que ele queria dizer os dois.

Anya acordou gritando, sua cabeça


latejando com visões de homens e mulheres sombrios cercando
crianças pequenas, tentando alcançá-los, e ela não pôde detê-los. Ela
tentou lutar contra eles. Ela tentou suplicar. Ela fez o que a mãe dela
fez e ofereceu seu corpo em seu lugar. Nada impediu que esses
monstros capturassem as crianças aterrorizadas.
— Está tudo bem, linda. Eu estou bem aqui. Eu não vou a lugar
nenhum. Eu tenho você. —Aquela voz, de veludo, acariciando sua
pele, acalmou os socos na cabeça dela. — Isso, Anya, volte para
mim. Abra seus olhos.
Demorou um momento para perceber que havia braços à sua
volta e que alguém estava colocando um pano frio sobre sua testa.
Ela teve muitos pesadelos na vida. Ela não se lembrava de acordar
nos braços de alguém que dizia que tudo ia ficar bem. Sua mãe não

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 200


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Torpedo INK Livro 1

era uma mulher que abraçasse de noite. Ela tinha outras coisas para
fazer.
Ela respirou fundo e levou Reaper aos pulmões. Ele ainda estava
com ela, ainda a segurava. Ela estremeceu com a consciência, com
os restos do pesadelo se apegando teimosamente, mas o calor do
corpo dele a rodeou e os braços a apertaram forte. O batimento
cardíaco era próximo e estável.
— Baby, —ele sussurrou suavemente, a boca contra a testa dela,
seus lábios escovando de um lado para o outro com beijos. — Acorde
para mim. Você está tendo outro pesadelo. —Sua mão empurrou
para trás o cabelo em torno de seu rosto, seus dedos removendo as
mechas sedosas que pareciam teias de aranha. — Eu não deveria ter
falado sobre a escola. Já se foram. Fechadas. Os professores estão
mortos.
Demorou para ela levantar os cílios e olhar para o rosto de seu
anjo caído. Deus. Ele era lindo. Um homem bonito e perturbado,
forjado pelos fogos do inferno, devastado por monstros. Ela tocou
uma das cicatrizes em seu rosto. Ela queria fazer isso desde o
momento em que o viu, mas Reaper não era um homem em que se
tocava. Ela esperava que ele a parasse, mas ele não o fez. Seus olhos
arderam dentro dela e onde antes, ela tinha visto afastamento, gelo,
agora ela via outra coisa. Algo que a aterrorizou porque era muito
tarde para estar lá.
— Você não pode saber disso.
— O que não posso saber, linda? —Ele virou a cabeça e pegou o
dedo dela com a boca.
O estômago dela deu uma volta lenta e vibrante. A boca dele
estava quente. Abrasadora. A língua deslizou ao longo do dedo dela.
Ela estava fraca para deixá-lo fazer isso. Abraçá-la. Sussurrar para
ela. Ficar perto quando ela estava tão vulnerável. Ainda assim, ela
não se afastou porque ele era tudo o que ela precisava, e assim como

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 201


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o sexo, ela tomaria o que pudesse obter antes de ter que se forçar a
deixá-lo.
— Você não pode saber se essas pessoas horríveis estão mortas.
Você era apenas um garotinho.
Os olhos dele mudaram. Ficaram escuros. Duros. Ele deixou o
dedo escorregar. — Eu os matei. Um por um. Eu rastejei pelas frestas
daquela escola ou esperei até que eles batessem o inferno fora de mim
e me deixassem sair das correntes. Então eu o fiz. —Ele esfregou seu
pulso e até o antebraço.
O olhar dela caiu nas cicatrizes que estavam ali, evidência de que
ele estava falando a verdade. — Você era um menino. Como
conseguiu atacar homens adultos?
— E as mulheres, —acrescentou. — Algumas das mulheres
foram as piores.
Ela sentiu o tremor que se movia através do corpo dele. Ela
queria abraçá-lo. Confortá-lo. Tirá-lo do pesadelo muito real que ele
viveu.
A mão dele passou pelos cabelos dela. — Eu os matei, Anya, o
primeiro quando eu tinha cinco anos. Ele torturou Savage. Ele o
trouxe de volta ao calabouço, sangrento, irreconhecível, e Czar e eu
decidimos que era o suficiente. Tivemos que encontrar uma maneira
de lutar ou eles também nos matariam. É com quem você está. Esse
homem, que eu tento muito me afastar, então você não precisa estar
na cama com ele, mas ele é a maior parte de mim.
Ele disse isso a olhando diretamente nos olhos. Ela viu que ele
estava esperando condenação. Não era de admirar que seu anjo
tivesse caído do céu. Ela não podia imaginar aquele menino, o que
ele passou e que ele teve que fazer para sair de tal buraco. Ele
realmente tinha sido forjado no fogo do inferno. O que dizer dos
outros? Ela não queria ter simpatia por eles, mas o que tinha sido

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 202


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feito a eles? O que tinha uma prisão, disfarçada de escola, cheia de


pedófilos fingindo ser instrutores, feito a todos eles? Era óbvio: eles
tinham sobrevivido, trabalhando em conjunto.
— A primeira vez que vi você, Reaper, achei que você era o
homem mais bonito do mundo. Um anjo caído. Ainda acho isso. Eu
acho que você é o homem mais incrível do mundo por fazer as coisas
que você teve que fazer em sua vida. Para superar o inferno o
suficiente para funcionar.
Pela primeira vez, o rosto dele se suavizou, todos aqueles
ângulos duros e ásperos, todas aquelas linhas e cicatrizes. — Eu vou
estar sempre no inferno, querida, —disse ele. — Não há outro lugar
para mim.
Lágrimas queimavam atrás de seus olhos porque aquele anjo não
a tinha visto. Ele não tinha olhado para ela e visto a mulher que teria
atravessado o inferno com ele.
— Eu sei. —Por que ele não tinha falado com ela assim antes?
Ela podia ter tido coragem para ficar e tentar lutar por um
relacionamento com ele. Por que ele não tinha a abraçado depois de
ter relações sexuais com ela? Isso poderia ajudar ela ter força o
suficiente para superar a traição.
— Minha cabeça dói. Ela realmente dói e não consigo pensar.
— Você está pensando demais. Somos só nós agora, Anya. O
mundo pode manter-se ao nosso redor, mas, por enquanto, aqui, no
escuro, somos apenas nós dois.
— Você está tentando me persuadir a ficar?
— Sim.
Sua resposta foi dura e crua. Como o olhar em seu rosto. Ela
sacudiu a cabeça e a ação aumentou a dor. — Eu não posso. Preciso
de um homem cuja primeira lealdade seja para mim. Eu o quero

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 203


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feroz com sua proteção a mim e nossos filhos. Com você, o clube
sempre virá em primeiro lugar e eu entendo. Eu realmente entendo.
Eu simplesmente não posso viver com isso. Eu quero uma família,
Reaper. Você tem uma. Você tem irmãos e irmãs que te amam e são
leais de uma maneira que nunca poderiam ser leais para mim. Fico
feliz que você tenha, eu realmente fico, mas também preciso disso.
— Eles iriam aceitá-la e ser muito leais a você. Baby, você tem
como entender o que somos. Czar é a cola que nos manteve unidos.
Ele foi o cérebro que nos tirou dali. Ele foi a força motriz que nos fez
trabalhar com mais força, afiar nossas habilidades para que
pudéssemos contribuir em nossa luta para nos mantermos vivo.
Temos absoluta lealdade uns aos outros, é verdade, mas eles terão
essa mesma lealdade para você, uma vez que você esteja conosco.
Eles vão.
Ele não tinha tido. Reaper escolheu o clube sobre ela. — Tenho
certeza de que eles seriam muito leais a mim até que me considerasse
uma ameaça. —Ela podia encontrar uma maneira de perdoá-lo, mas
não a eles, não aos outros. Ela nunca acreditaria que eles iriam aceitá-
la, e depois do que eles fizeram, ela não os aceitaria. Ela precisava do
seu tempo, permaneceria doce e manteria sua força sob controle até
que não estivesse tão vulnerável.
— Baby, eu sei que somos difíceis de entender. Tudo o que
conhecemos é proteger um ao outro. A maneira como você foi
tratada não foi certa, mas é a maneira como sempre fizemos. A forma
como sobrevivemos.
— Minha cabeça dói. Realmente, Reaper. Está piorando. —Ela
não queria ouvir que a família dele a aceitaria e seria leal a ela. Ela
sabia melhor mesmo que ele não. Eles tinham um vínculo
inquebrável e ela entendia. Realmente. Eles cresceram juntos,
sofreram juntos, conheciam os piores segredos uns dos outros, claro

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 204


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que seriam leais uns com os outros. Era um clube exclusivo e


ninguém seria realmente bem-vindo.
— Eu sei que sua cabeça dói querida. Eu mandei uma mensagem
para Steele. Ele estará aqui em breve com os comprimidos para a dor.
Você pode voltar a dormir depois de comer alguma coisa. Você não
pode tomar essa merda com o estômago vazio.
— Que horas são?
— Cerca de dez da manhã. Alena mandou uma mensagem
avisando que estava fazendo o café da manhã para nós. Você precisa
ir ao banheiro?
— Desesperadamente. —Ela não estava certa de que poderia
enfrentar a luz do corredor. Parecia que alguém tinha batido com um
bastão de baseball em sua cabeça, mas no interior dela. Ou fatiado-
a, e faltavam pedaços, ou o escalpo tinha sido arrancado por uma
lâmina afiada.
Reaper deslocou-a imediatamente e deslizou para fora do lençol,
alcançando-a. Ela adorava estar em seus braços. Ele era
extremamente forte e dava-lhe a ilusão de proteção. Ela sabia que era
isso, pura ilusão.
— Você se lembra de Lana vindo a noite passada? Ou você
estava dopada demais?
Ele abriu a porta e a luz a atingiu. Perfurou o crânio dela como
um míssil. Ela gritou, virou a cabeça para enterrá-la contra o peito
dele, seus olhos fechando-se tão forte quanto possível.
— Você se lembra? —Ele insistiu.
Ela não queria se lembrar de Lana ou de sua voz. Da tristeza.
Do arrependimento. Ela sabia que era genuíno. Lana disse que
gostava dela. Que deveria a ter defendido mais. Ela disse que Reaper
tinha e ela deveria tê-lo apoiado. Anya sabia que precisava segurar o

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 205


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fato de que aqueles que ela pensava serem seus amigos tinham se
virado contra ela. Reaper não a ajudou. Ele não ficou na frente dela
e a protegeu. Ele escolheu Czar e Blythe, não ela.
A luz saltou das paredes de cor pálida no banheiro, colocando
manchas nos olhos dela. Ele colocou-a de pé, e ela agarrou a pia para
não cair. — Eu tenho que ficar sozinha aqui, Reaper. Não posso fazer
as coisas que devo fazer se você estiver aqui comigo.
— Eu vou estar aqui se cair, Anya, —advertiu. — Não tranque
a porta.
Ela sabia que era perda de tempo, então por que se incomodaria?
Ele relutantemente saiu e ela conseguiu respirar profundamente. Ela
não tinha percebido que estava respirando superficialmente tentando
mantê-lo fora de seus pulmões, fora da sua corrente sanguínea.
Depois de cuidar de seus negócios, ela se encarou no espelho.
Ela parecia pior do que ela suspeitava. Muito pior. Havia círculos
escuros debaixo dos olhos dela. Seu cabelo estava selvagem. Ela
tinha cabelos grossos e que tendiam a aumentar de volume quando o
dia progredia, o que significava que a noite, aumentava para
proporções gigantescas. Seu pente estava no balcão, mas não
conseguiu encontrar a energia necessária para usá-lo.
Ela ficou de pé na pia olhando para o espelho, perguntando-se
como ela tinha caído tão forte e tão rápido. Como ela iria viver,
deixando o sonho dela para trás. Ela lutou toda a vida para sair da
sarjeta, mas a vida manteve-se a derrubando, tentando dizer-lhe que
não podia sair das ruas, que ali era o lugar dela. Ela era o lixo que
outros jogavam fora.
— Anya? —Reaper abriu a porta. — O que diabos? —Ele estava
no meio do banheiro, pegando-a em seus braços. — Baby. Você está
chorando.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 206


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Torpedo INK Livro 1

Ela estava? Ela não sabia, só que sua imagem parecia embaçada
no espelho, e ela realmente não podia mais se ver. A realidade dela
tinha borrado e ela pensou que era o motivo. Ela não respondeu. Ela
virou o rosto contra os pesados músculos do peito dele e se deixou
chorar.
— Reaper, leve ela para a cama.
A voz de Steele penetrou o eco de seus soluços. Ela apertou o
pescoço de Reaper mais forte. A maneira como essas pessoas agiam
sobre a nudez a deixava louca. Reaper não diminuiu o passo largo,
mas a levou de volta para a escuridão de seu quarto. Deixando cair
um joelho na cama, ele a colocou na mesma. Pegou o lençol e puxou-
o rapidamente.
— Sente-se, baby. Só por um minuto. Você precisa tomar essas
pílulas. Elas ajudarão com a dor na sua cabeça. Lembra-se ontem à
noite? Elas tiraram a dor.
Ela os pegou sem protestar, seus olhos baixos, mas ainda podia
ver Steele de pé na entrada e sabia que estava observando-a. Ela
queria colocar o lençol sobre sua cabeça. Ela lembrou-se de o olhar
na noite anterior. Olhar para cada um deles, na esperança de
encontrar alguma simpatia. Seus rostos tinham estado tão vazios
quanto o de Reaper, com talvez a exceção do de Lana.
— Reaper. Temos uma reunião em uma hora.
— Comecem sem mim. Eu vou ficar com Anya.
Isso fez o coração dela bater mais rápido. Esperança se moveu
por ela, e ela a esmagou implacavelmente. Por que as mulheres
aceitavam os homens quando eles as machucavam? Jogavam um
osso para elas? Os homens quebravam corações, traíam mulheres,
faziam coisas horríveis, mas um gesto agradável e as mulheres
estavam prontas para perdoar. Para esperar que a pequena
declaração significasse que Reaper se importava com ela—que ela

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 207


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significava algo para ele, afinal de contas. Talvez ela fizesse, mas não
tinha sido o suficiente. Não havia como lutar com o clube dele.
— Isso é importante.
— Estou ciente de que devemos planejar a recuperação da
mulher de Hammer. Você e Czar fazem o planejamento. Quando eu
tiver que ir, eu vou, mas agora, minha prioridade é Anya.
— Isso é nosso, Reaper, —disse Steele. — Temos uma situação.
O coração de Anya pulou no peito. Ele estava falando sobre ela.
Ela era a situação. A reunião era sobre ela. Seus dedos encontraram
a bainha do lençol e ela puxou-o de polegada em polegada na palma
da mão para apertar o punho. Terror varreu-a. Ela não conseguiria
passar por aquele interrogatório novamente. Agora ela queria que
Reaper fosse para que ela pudesse conseguir escapar.
— Eu sou uma prisioneira? —Ela tinha que saber. Reaper girou
ao redor.
— Claro que não. —Ele parecia genuinamente chocado.
— Então eu quero ir. Agora mesmo. Onde estão minhas roupas?
Reaper trocou um olhar com Steele. — Baby, calma. Não está
na hora de você partir e você não tem para onde ir. Lana e Blythe
estão trabalhando na casa para que eu possa te levar lá, assim que sua
dor de cabeça desaparecer.
Seu olhar se desviou para Steele. — Eu não sou idiota. Algo está
me envolvendo. Não vou passar por isso de novo. Não permitirei que
nenhum de vocês me faça passar por isso. —Ela soou fraca para seus
próprios ouvidos, fraca e instável, mas esperava que sua
determinação superasse. Ela iria lutar contra eles por cada centímetro
do caminho. Uma parte dela estava gritando para calar a boca, fingir
que tudo estava bem, ir com o fluxo, e quando ela tivesse deixado

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 208


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uma falsa sensação de segurança, sumir, mas o terror estava


crescendo e ela não podia deixar esmorecer sua determinação.
— Anya. Olhe para mim. —Reaper foi até ela, um joelho na
cama, curvando-se, até que ela foi forçada a olhar nos olhos dele. —
Eu estou na sua frente. Essa é a minha palavra de honra. Pergunte a
qualquer um. Nunca volto atrás. Ninguém vai te tocar novamente.
Nenhum dos meus irmãos. Nenhuma das minhas irmãs e nenhum
estranho. Você está sob minha proteção. Essa é minha promessa para
você. Você me escutou? Você entende?
Ela procurou seus olhos. A face dele. Aquela bela face que foi
cortada por inúmeras cicatrizes. Um homem tão lindo. Tão quebrado
e danificado. Ela poderia acreditar? Ele realmente lhe daria o que
estava prometendo? Ela viu sinceridade. Ela ouviu em sua voz.
Ele a tornou fraca a ponto de querer perdoar algo tão
imperdoável? Que tipo de mulher tinha a capacidade de fazer isso? E
que tipo de vida ela teria se pudesse perdoá-lo? Uma com o clube?
Ela queria acreditar em Reaper, e talvez ela estivesse começando,
mas sabia que não iria se encaixar. Ela só tinha que esperar o seu
tempo. Ficar mais forte. Pegar algumas roupas ... muito lentamente
ela acenou.
— Então, descanse. É uma reunião. Descobrirei qual é o
problema e voltarei para que você saiba como planejamos resolvê-lo,
se for o que você quer. Mas seja cuidadosa. Às vezes a verdade não
é fácil, —advertiu ele.
Ela descobriu que poderia respirar novamente. Ela assentiu com
a cabeça e olhou para ele e para Steele. O homem era jovem para ser
vice-presidente do clube. Ele era mais novo que Reaper. Ela tinha a
sensação de que sabia por que Reaper se chamava Reaper, mas
Steele? O que isso significava?
— Anya, —Steele dirigiu-se a ela. — Eu espero que você esteja
se sentindo melhor.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 209


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Ela olhou para longe dele. Ele estava lá. Todos estavam lá.
Agora ele, como Reaper, queria que isso acabasse. Talvez a dor
tivesse diminuído, mas o fato é que tinha sido feito e feito
coletivamente, todos ficaram de pé e assistiu, ela nunca iria superar.
— Eu me senti como um inseto preso a uma tábua, enquanto
todos vocês assistiam ele me torturar. Eu senti que não teria
importado se eu tivesse morrido. Vocês teriam apenas ficados
sentados assistindo ao show. Então, não, não estou me sentindo
melhor. —Ela poderia ser uma cadela e deixou aquela parte dela
solta por auto-preservação.
— Eu posso imaginar que pareceu assim para você, —disse
Steele. — Desculpe-me, você estar com dor. Não havia ninguém
naquela sala se sentindo bem com o que aconteceu. Todos nós
queríamos detê-lo e todos nós desejamos que nunca tivesse
acontecido. Eu sei que não vai adiantar muito para fazer você se
sentir melhor, mas é a verdade.
Ele sumiu da porta, e Reaper afundou na cama ao lado dela. —
Você realmente se sentiu assim?
— Sim. —Ela não ia deixá-lo fora do gancho. Ela poderia dizer
pelas cicatrizes que ele tinha coberto com múltiplas tatuagens que ele
tinha sido torturado. Talvez para os membros do clube, o que
Absinthe tinha feito não fosse tortura, fosse apenas um meio para um
final, mas foi o suficiente para mostrar-lhe que essas pessoas não
iriam incluí-la em seu círculo.
— Eu quero que você se lembre do que eu disse Reaper. Quis
dizer todas as palavras. Você e o resto deles nunca mais vão fazer isso
comigo. Eu vou encontrar um jeito de te parar.
— Eu ouvi você, Anya. —Ele pegou o cabelo dela, passou os
dedos pelos fios como fascinado pela massa negra. — Você se lembra
do que eu disse e nós vamos ficar bem.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 210


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Eles não iam ficar bem, nunca mais. As pílulas já estavam


ajudando com a dor de cabeça e ela queria fugir enquanto podia, mas
Reaper estava certo quando disse que ela não tinha para onde ir. Seu
carro já tinha visto melhores dias e finalmente decidiu desistir do
ghost. Ghost. Ela estremeceu e esfregou as mãos por seus braços.
Aqueles homens eram assustadores de uma maneira diferente dos
membros do clube.
— Os homens do Club Ghost realmente têm uma mulher agora?
Seus olhos ficaram alerta. Era estranho o quão rápido seu
comportamento mudou, indo do doce para todo negócios. — Por que
você pergunta?
— Eu estava pensando no meu carro e isso me lembrou do clube
onde eu trabalhava e o que esses homens fizeram com minha colega
de quarto. Eles não a mataram completamente, Reaper. Eles a
machucaram muito antes de deixá-la morrer. Em algum momento,
eles tinham que saber que ela não era eu, mas eles continuaram.
— Se você trabalhou para eles, eles não reconheceriam você?
Ela balançou a cabeça. — Esses homens nunca estavam no
clube. Eu não os vi antes.
— Espere. —Reaper esfregou o queixo. — Estou confuso. Você
viu esses homens, mas eles nunca estiveram no bar onde você
trabalhou.
Ela balançou a cabeça. — Não, até onde eu sei nunca estiveram
no clube, mas eu os vi quando voltei para casa. Eles estavam saindo
do elevador no meu prédio. Eu sabia que eles eram afiliados do clube.
Eles usam abotoaduras. Pequenos fantasmas de ouro. Quando vi
pela primeira vez os punhos do gerente do clube, achei-os muito
legais. Lembro-me de ter dito algo sobre eles para ele.
Reaper balançou a cabeça, irritado consigo mesmo. Ele não viu
isso. Os dois homens tentando matar a esposa e a filha do presidente

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 211


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Mayhem, tinham usado ternos. Ele não pensou em olhar as


abotoaduras. Era uma boa observação. — Você acha que eles têm
uma equipe de assassinos? —Não só era possível, mas provável. Eles
não seriam homens que costumassem vestir jeans e camisetas em um
bar. Seu coração começou uma aceleração lenta. — Na última noite,
aqueles três homens com quem Alena se sentou. Você já os viu antes?
Ela se sentou, os olhos arregalados. Essa era a mulher dele.
Inteligente. Pegando rápido. — Aqueles homens ... a reunião em que
Steele quer que você vá. Eles podem estar aqui por mim.
— Mesmo que tenham encontrado você, eles nunca chegarão a
você. Você está segura. Todo homem vai lutar por você. Lena e
Alena também. O clube inteiro.
— E quem me manterá a salvo deles?
Sua voz quebrou seu coração. — Eu vou. Sempre. Você pode
confiar nisso.
O lençol deslizou para baixo por sua pele macia para se juntar
em torno de sua cintura. Ela tinha seios cheios. Ele não teve a
oportunidade de tocá-los, de se deleitar com eles. Ele tinha jogado
essas chances pela janela. Sentado ali, olhando para ela, não resistiu
à tentação, nem mesmo quando sua mente foi para a feia
possibilidade de que esses homens vieram encontrar Anya, não Czar
e Blythe. Especialmente não quando isso era uma possibilidade.
Ele tinha que encontrar uma maneira de fazê-la querer ficar. Ele
não era bom com as palavras. Ele não sabia como os homens
deveriam agir em um relacionamento. Mas ele reconhecia um corpo
que queria o dele. Ele podia ver o desejo em seus olhos, senti-lo no
tremor fino que passou por ela.
Ele pegou o peso suave de seus seios nas mãos, os polegares
deslizando sobre seus mamilos em um sussurro. — Às vezes, Anya,

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 212


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não consigo respirar quando te vejo. —Ele deu a verdade quando


normalmente teria mantido a boca fechada.
Sua respiração falhou. Ela deveria detê-lo, mas não o fez. Seus
olhos se encontraram e ela mordeu o lábio inferior, mas não
protestou.
Reaper passou um braço por suas costas e inclinou a cabeça.
Tomando seu tempo. Dando-lhe todas as oportunidades para dizer
não, mas ela permaneceu em silêncio. Sua boca se moveu sobre a
curva superior de seu seio. Tão macio. Ele sentiu seu coração bater
em seu pênis. Ele estava exposto. Ele não queria que ela colocasse as
mãos sobre ele, ainda não, não até que ele soubesse que ela estaria
segura, mas não pôde resistir à tentação de prová-la.
Ele beliscou a pele dela, sentindo o corpo tremer em seus braços.
Sua língua sacudiu o mamilo. A respiração dela ofegou. Sua boca se
fechou sobre o peito dela e ele amamentou forte. Achatando o
mamilo contra o céu de sua boca. Dançou, empurrou, chupou, em
seguida, trouxe os dentes para o jogo. Os braços dela foram ao redor
de sua cabeça, puxando-o para ela, acariciando seus cabelos
enquanto seu corpo se arqueava, oferecendo o que ele queria. Um
pequeno choro escapou dela.
Ela era sensível. Responsiva. Ele amava isso. Seu corpo
realmente pertencia a ele. Ele não era o único a sofrer com isso. Ele
era todo dela. Sempre seria. Ele nunca tinha respondido a uma
mulher do jeito que fazia com ela. Sua boca deixou o seio e beijou
seu caminho até a garganta, sua língua girando sobre a pulsação lá,
antes que seguisse em fogo até seus lábios.
Ele a beijou com tudo o que era. Homem. Fera. Assassino.
Motociclista. Dela. Cada célula em seu corpo pertencia a ela. Ela o
marcou, e junto com as cores que ele usava nas costas, ele queria sua
marca diretamente sobre seu coração. Seu nome tatuado nele. Fogo
correu por sua espinha. Chamas se instalaram em sua barriga,

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 213


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rugindo. Lanças ardentes perfuraram sua pele e uma tempestade


atingiu seu pau e bolas. Ela fazia isso com seus beijos. Ele mal tinha
começado e ela o tinha inflamado além de qualquer coisa que ele
alguma vez sentira.
Uma batida o fez levantar a cabeça para olhar para seu irmão.
— Um pouco ocupado agora, —ele soltou, o polegar deslizando de
um lado para o outro pelo peito dela. Sua mente estava no corpo
exuberante, e nos peitos fantásticos que rivalizavam com uma bunda
perfeita. Sua cabeça estava rugindo e seu pau furioso. Ele não tinha
tempo de aguentar um monte de besteiras de seu irmão.
Savage assentiu solenemente. — Eu estou vendo. No entanto,
Alena me enviou à frente dela. Ela queria saber se Anya quer café ou
chá. Eu sou apenas o mensageiro, não me mate.
Reaper olhou para ele. Os dedos de Anya deslizaram lentamente
de seus cabelos como se ela estivesse trabalhando para evitar que
fossem vistos. Ela pegou a borda do lençol e levantou-o sobre seus
seios. Reaper odiava vê-los cobertos e desejava ter uma faca à mão
para separar o cabelo do irmão. Ela ficou tensa de repente, e ele olhou
para ela. Ela estava completamente coberta. Ele sabia que ela não se
sentia da mesma maneira que eles sobre a nudez. A tensão que a
atravessava não tinha nada a ver com nudez e tudo a ver com Savage
estar na sala. Ela olhava a bainha do lençol como se fosse muito
interessante, recusando-se a olhar para o irmão dele.
— Mau momento. —Ele disse bruscamente.
Savage encolheu os ombros. — Não acho que importe muito
quando você está ao seu redor. Chá ou café, Anya?
— Café. Preto. —Ela moveu seu corpo um pouco para colocar
Reaper diretamente entre eles.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 214


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Reaper gostou disso. Gostou dela usá-lo para proteção, mas não
gostou dela achar que precisaria só porque Savage entrou no quarto.
A voz dela foi educada. Agradável. Um mero sussurro de som.
— Você pegaria a camisa para mim? Deixei aqui em algum
lugar.
Ele gostava que ela quisesse sua camisa, que algo dele estivesse
envolvendo-a. Obedientemente ele a encontrou e entregou a ela. Ela
deixou cair o lençol e deslizou os braços na camisa. Ele pegou suas
mãos. — Não feche, baby. Apenas junte as bordas. —Ele deslizou
para baixo do lençol com ela. Perto, sua perna emaranhada com as
dela. Ombros se tocando.
Ela hesitou e depois deixou cair as mãos. — Reaper. Nós não
vamos ter nada.
Eles teriam algo. Ele só tinha que descobrir o melhor caminho a
percorrer sobre isso. — Não tenho certeza do que você quer dizer
com isso, querida. Não vamos brigar se é isso que você quer dizer.
Eu pretendo lhe dar tudo o que você sempre quis, então não existe
necessidade de lutar.
Ele deslizou a mão dentro da camisa aberta dela e acariciou seus
seios. — Não consigo decidir do que eu mais gosto. Seus seios ou sua
bunda. Você é tão linda não há como escolher.
Ela balançou a cabeça, com a cor varrendo seu pescoço e seu
rosto. Ela se inclinou para a mão dele, e ele usou os dedos e o polegar
para acariciar seu mamilo. Suavemente. Delicadamente. Seu toque
sussurrando. Embalando-a. Olhando seu rosto. Deus, ele a queria.
Não momentaneamente. Não apenas para seu corpo, ele queria
acordar com ela. Ir dormir com ela. Ele queria ouvir a risada dela
durante todo o dia.
— Quero dizer, vou dizer a Czar para pegar seu emprego e enfiá-
lo.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 215


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— Tudo bem, você não quer trabalhar. Eu tenho dinheiro. O


suficiente para nós dois. A casa vai dar algum trabalho. —
Deliberadamente, ele não a compreendeu. — Precisa do seu toque.
Seu indicador e polegar acariciaram e depois puxaram um
mamilo dela. Ela ofegou, e ele puxou um pouco mais duro. Apertou.
O corpo dela estremeceu com necessidade. Seus dedos voltaram a
acariciar. — Quero colocar minha boca em você. Dormir assim.
Acordar comendo você. Nada é tão bom, Anya. Como um doce.
— Reaper, não posso ficar. Não depois do que aconteceu. Eu
entendi que todos acharam que era necessário, não é isso. É o clube.
É o fato de que sempre serei a segunda para todos. Você não acha
que eu quero ficar com você? Eu faço. Eu quero isso tanto ou mais
do que você. Mas tanto quanto você quer meu corpo, você não se
sente da mesma forma que eu. Não se trata de um relacionamento.
Eu disse a mim mesmo que uma noite seria suficiente e eu iria
embora. Talvez eu pudesse ir então, mas eu estava me enganando.
Estou meio apaixonada por você, e você está me atraindo mais
fundo.
Ele nunca esteve tão feliz em ouvir algo em sua vida. — Por que
você acha que eu não estou comprometido? Você sabe o que
aconteceu na noite passada, então, além disso ...
— Hum, de verdade? —Ela tirou a mão do seu seio e virou-se
ligeiramente na cama para olhar para ele.
Ela não percebeu que a ação abriu a camisa mais, expondo um
seio. Aquele cabelo selvagem caindo ao redor dela, sua boca tão perto
e seus olhos verdes brilhando para ele, enviou outra onda de calor
através de seu pau. Ela podia acendê-lo sem sequer tentar.
— Ilumine-me. —Antes que ele pulasse nela. Falar não era seu
forte. Ação sim, e ele queria ação.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 216


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— Você saiu, lembra? Acabou e saiu sem uma única palavra.


Você acha que isso me fez sentir que você se importava? E então você
fez uma segunda vez. Fui até o banheiro e você foi embora. Então,
novamente, você saiu depois que se retirou de mim.
— Há uma explicação.
— Ilumine-me. —Ela usou suas próprias palavras contra ele.
Ele desviou o olhar dela. — Anya, às vezes, um homem tem
história. Coisas em seu passado que ele não quer que a mulher que
ele deseja saiba. Esta é uma dessas coisas. Eu estou trabalhando
nisso. Eu estou trabalhando para talvez te contar um dia, mas você
terá que ser paciente comigo. Nunca pensei em dizer-lhe as coisas
que lhe falei a noite passada.
— Pior do que o que você me disse na noite passada?
Sua voz era suave. Fundindo-se com ele. Acalmando-o. Ela
não empurrou. Ela não exigiu. Ela apenas deixou cair uma mão
sobre coxa nua e esfregou suavemente, confortando-o.
— Pior. Para mim, muito pior.
— Tudo bem, querido, vamos deixar assim por enquanto.
— Você vai me dizer se me usou o dia todo em sua pele?
— Não. —Ela inclinou a cabeça para trás contra a cabeceira da
cama.
— Não? —Ele iria tirá-la dela. Só não então. — Aqui está Alena.
—O aroma da comida anunciou sua chegada. — Melhor cozinheira
de todas. Porque ele sabia que importava para ela, ele puxou a camisa
fechou sobre seu seio, privando-o da vista, mas o que lhe valeu um
olhar rápido, grato por debaixo de suas pestanas.
Alena entrou no quarto carregando uma grande bandeja. Savage
a seguia com duas canecas de café cheias. — Seus olhos aguentam

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 217


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uma luz fraca, Anya? —Ele perguntou enquanto Alena pousava a


bandeja.
Anya assentiu. — Eu acho que sim. A dor está muito melhor
esta manhã, e eu tomei mais algumas pílulas para a dor.
A dor ainda estava em sua voz, mas a raiva tinha desaparecido.
Reaper teria preferido o contrário. Mais, ela estava evitando olhar
novamente, não olhando Savage ou Alena. Seu corpo estava tenso
contra o dele. Pequenos tremores passaram por ela. Ele colocou uma
mão em sua coxa para tentar ajudar a aliviar a ansiedade, mas ela se
afastou um pouco dele.
Alena abriu os seus famosos Ovos Benedict26 e torrada, entregando
a cada um deles uma bandeja menor para facilitar o uso. Ela se
sentou em frente deles, próxima da porta.
— Anya, eu deveria ter ficado com Reaper ontem à noite e
protestado. Eu sei que era importante, não estou dizendo que não
era. Não podemos perder Czar ou Blythe. Você não tem idéia do que
o Czar fez por nós, quantas vezes ele nos salvou e de que, mas eu
ainda deveria ter apoiado Reaper. Blythe está tentando nos ensinar a
sermos pessoas melhores. —Ela hesitou. — Nós não aprendemos
como outras pessoas ... —Ela quebrou novamente, frustrada.
— Obrigado, —Anya disse calmamente. Muito educadamente.
— Agradeço o que você está tentando dizer.
Reaper franziu a testa. Ele não gostou que ela ainda não
encontrasse uma maneira de olhar para Alena, mas não havia nada
que ele pudesse fazer sobre isso, não sem chamar a atenção para ele.

26
Ovos Beneditinos é um tradicional prato da culinária estadunidense. Consiste em ovos
escalfados, toucinho ou presunto e molho holandês, montados em uma fatia de pão.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 218


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— É só que não queremos que você vá embora. Nenhum de nós.


Nenhuma pessoa do clube. Você é importante para Reaper e isso faz
com que você seja da família. Eu queria avisar que Blythe está a
caminho. Reaper, você pode querer comer rápido, se vestir e ir à
reunião. Blythe vai ficar com Anya.
— Blythe? —O coração de Reaper deu um pequeno pulo de
felicidade. Blythe era mágica. Blythe talvez pudesse consertar isso
quando o resto deles não tinha idéia de como. E isso precisava de
reparação. Apesar de todas as suas tentativas, Anya ainda, apesar de
sua cortesia, não estava olhando para qualquer um deles.
— Sim, —disse Alena, alivio escorregando em sua voz. —
Blythe.
— Estes ovos estão fodidamente bons, Alena.
— Meus sentimentos exatos, —Anya ecoou com a mesma voz
educada. — E o café também está perfeito.
— O café não é realmente minha especialidade. Eu estava
dizendo a Czar que precisávamos comprar um pequeno café ou
drive-thru. Algo muito pequeno. Sua filha mais velha, Darby,
poderia trabalhar nele. Ela disse que quer um emprego. Blythe e Czar
a querem perto. E se ela trabalhasse aqui, todos nós poderíamos ficar
de olho nela e ela ficaria segura, —disse Alena.
— Eu não tive a chance de encontrá-la, —disse Anya.
— Ela é uma ótima garota, —disse Alena.
— Selvagem como o inferno, —comentou Savage. — Estamos
sempre puxando-a para fora das festas e levando a bunda dela para
casa.
— Ela é uma criança, —protestou Alena, — ela deveria festejar.
Savage não disse nada porque todos ouviram o som da voz de
uma mulher rindo. Reaper quase jogou o prato de ovos na cama e

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 219


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pulou, agarrou seu jeans e entrou neles. Anya aproveitou sua


sugestão e abotoou a camisa. Quando Reaper se virou para a porta,
deu a Anya uma boa visão da tatuagem nas costas dele. Era a mesma
da jaqueta. A árvore, corvos e crânios. Algum dia ele ia lhe contar o
significado. Agora não era a hora. Ele tinha visto a maneira como ela
evitava olhar Savage e as cores que ele vestia.
Czar trouxe Blythe para a sala. — Trouxe minha mulher para
ver a sua, Reaper, —disse ele. — Ela vai ficar com Anya enquanto
conversamos. É importante ou eu não o afastaria, Anya. —Ele se
aproximou da cama. — Como você está sentindo esta manhã?
No momento em que Czar se aproximou, Anya se afastou
sutilmente. Todo o seu corpo ficou rígido e vibrando com tensão.
Reaper pegou sua mão, trouxe para a coxa dele, posicionando seu
corpo ao lado e um pouco na frente dela na cama. Ele sabia que Czar
nunca a machucaria, mas não podia deixar de se ressentir com o
homem. A forte reação negativa de Anya alimentou sua própria
amargura. Czar significava tudo para ele. Pai, irmão, mentor, melhor
amigo, e esta foi a primeira vez eles haviam brigado por algo além da
segurança de Czar. Czar ainda tinha sua mulher. Ele não a viu ser
despedaçada por seus irmãos e irmãs.
— Estou melhor, obrigado, —Anya disse em seu tom mais
educado. Sua voz era polida. Ela evitou olhar para Czar e as cores
que ele usava.
Sim, sua mulher realmente não gostava de seu clube ou de suas
cores. A última vez que ele viu sua jaqueta—as cores que
significavam tudo para ele, estava no banheiro no chão coberta de
vômito. Merda. Ele trouxe a mão de Anya até a boca e beijou os
nódulos. — Eu não vou demorar. Divirta-se com Blythe ou descanse.
Não abra as telas ainda, Blythe, —ele acrescentou como um cuidado
e uma maneira de dizer a Czar e Blythe que Anya ainda estava com
dor.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 220


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Alena levantou-se e recolheu as bandejas, deixando a caneca de


café. Ela sorriu quando Anya agradeceu-lhe educadamente, mas seu
sorriso estava tenso. Anya não estava indo para eles, e Reaper sabia
que Alena tinha feito o café da manhã para tentar quebrar o gelo.
Para seu espanto, Savage entregou-lhe sua jaqueta. Limpa. Até
mesmo cheirando bem. Savage não o olhou, simplesmente
continuou andando. Ele nunca diria nada sobre limpar o casaco de
seu irmão, mas tinha feito isso e Reaper estava agradecido. Todos os
membros do clube estavam trabalhando para compensar o que
aconteceu. Blythe fechou a porta e avançou pelo quarto. Ela sorriu
para Anya. — Como você está se sentindo realmente?
Anya a observou cautelosamente. Esta era uma situação que ela
nunca tinha vivido. — A dor bem menor. Tinha a impressão de que
você não estava ... —Ela parou, sem saber o que dizer. Se Reaper não
disse que Czar nunca diria a Blythe? Quanto ela sabia?
— Czar entrou chateado ontem à noite. Muito chateado. Temos
uma regra em nossa casa. Ele conta a verdade estrita se eu pedir. Na
maioria das vezes eu não quero saber dos negócios do clube, mas se
eu perguntar tem que saber que posso lidar com a verdade. Eu amo
muito meu marido, então eu sou cuidadosa com as coisas sobre as
quais eu decido fazer perguntas. É também uma proteção para mim.
Não posso testemunhar contra ele se isso acontecer porque não sei
de nada. Eles não podem me obrigar ameaçando tirar meus filhos.
— E você está bem com as coisas que o clube escolhe fazer.
— Ele me prometeu não mexer com drogas. Essa foi uma grande
prioridade para mim. Eu sei que eles não iriam tocar o tráfico de
pessoas, porque eles perseguem aqueles que fazem. Eles têm que
fazer coisas, às vezes para obter informações que precisam. Eu
entendi isso. Mas se eu perguntar, ele me diz. Simples assim. Ontem
à noite, eu perguntei. —Ela suspirou e afundou na borda da cama.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 221


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Torpedo INK Livro 1

— Ele me disse que o que ele fez causou uma fenda entre você e
Reaper. Isso também causou uma fenda entre Reaper e ele.
Anya tinha ouvido um pouco do que acontecera entre Czar e
Reaper, na noite anterior. Ela sabia que o relacionamento estava
tenso.
— Você tem que entender, eles não brigam. Eles estão sempre
em sincronia. Eles confiam um no outro e tem as costas um do outro.
Czar se preocupou com Reaper por muito tempo. O clube inteiro tem
se preocupado com ele. Czar soube imediatamente que Reaper estava
atraído por você. Você não sabe o grande negócio que isso é. Reaper
permanece longe de todos.
Ele também ficava bem longe de Anya. Então ele começou a
entrar no bar e ela não conseguiu tirá-lo da cabeça.
— No momento em que ele quis que você fosse demitida, o que
era completamente fora do caráter de um homem como Reaper, Czar
sabia que era você. Ele voltou para casa tão excitado. Ele continuava
me perguntando se estávamos certos de que o Reaper não iria
estragar tudo e perder você. Então a noite passada aconteceu e Czar
teve tanto medo por mim, que insistiu que Absinthe a questionasse.
Reaper protestou. Ficou irritado com ele. Ele disse que alguns dos
outros também. Ice, Storm. Preacher. Savage, e claro, Lana e Alena.
Mas ele sabia que não iriam contra ele porque não o fazem.
Aparentemente, Lana tinha. Mais e mais parecia que Reaper
tinha pelo menos protestado. Isso era algo. Anya segurou isso nela.
As pílulas estavam fazendo-a ficar com sono, mas queria ouvir o que
Blythe dizia. Apesar de tudo, ela estava começando a esperar que
houvesse uma pequena chance. Ela simplesmente não sabia se
poderia perdoar a todos e não queria ficar em segundo lugar para o
clube.
— O que eles fizeram com você foi errado. Eles foram criados
como crianças sem pais ou sociedade para ensiná-los. Eles tinham

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 222


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Torpedo INK Livro 1

Czar. Ele tinha dez anos quando começou a tentar salvá-los todos.
Um menino pequeno com crianças sendo brutalizadas, assim como
ele. Eles fizeram suas regras e códigos e viveram por isso desde então.
Anya estava ciente disso. Ela estava do lado errado desse código.
— Reaper deixou claro que você é única para ele. Todos no clube
aceitaram você. Eu quero que você saiba, quando Czar voltou para
mim, e ele tinha passado cinco anos sem uma palavra, não queria
nada com ele. Eu estava grávida quando ele foi. Ele não sabia disso,
mas então ... —Blythe tropeçou nas palavras e os olhos dela se
encheram de lágrimas. — Eu fui espancada com um bastão de
baseball quando estava com oito meses de gestação. Ela viveu dois
dias. Eu não podia ter mais filhos, e ele não estava lá.
— Oh, Blythe. —Anya sentou-se em linha reta, querendo
desesperadamente confortar a outra mulher.
— Eu pensei que eu nunca poderia perdoá-lo. Eventualmente,
ele me convenceu a tentar, e estou muito feliz por ter feito. Eu estou
feliz. Realmente, muito feliz, Anya, e penso que se você puder
encontrar em seu coração, o perdão a Reaper e aos outros, você
encontrará uma enorme família, homens e mulheres que vão te amar
e cuidar de você. Não estou dizendo que será fácil Reaper é um
homem danificado. Todos são danificados. Mas ele vale a pena.
— Eu não quero ser a segunda para o clube, e se nada mais, o
que aconteceu me mostrou que eu seria.
— O que aconteceu com você foi horrível. Czar ficou devastado
por tudo, então mais do que qualquer coisa, isso me disse que deve
ter sido terrível para você. Eu sinto muito. Eu sei que parecem
pessoas horríveis, assustadoras sem emoções reais, mas isso não é
verdade.
Anya não reagiu, simplesmente se sentou, balançando a cabeça,
com lágrimas brilhando nos olhos.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 223


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Torpedo INK Livro 1

— Eu queria poder fazer algo para ajudá-la a se sentir melhor,


mas eu só posso tentar me assegurar que sejam boas pessoas com seu
próprio código e, uma vez que você esteja com eles, eles estenderão
todas as proteções para você e sua família. —Blythe a sacudiu cabeça.
— Eu pensei que eu seria a segunda do clube também, mas não é o
caso. Todos me aceitaram em sua família. Eu sei que sou um deles.
As crianças são família para eles. Você também teria isso.
— E se você deixar Czar? Se você terminar com ele? Você ainda
os teria?
— Eu acho que sim. Eu acho que eles sempre cuidarão de mim
e das crianças. Certamente, se algo acontecer com ele, eles fariam.
Anya ficou em silencio um momento e então ela balançou a
cabeça novamente. — Reaper e eu não temos um passado. Não
estamos exatamente em um relacionamento. Eu não sei o que ele
quer de mim metade do tempo e não sei se ele pode me dar as coisas
que eu preciso, porque não posso ser a segunda.
— Czar me coloca primeiro. Ele ama o clube, mas eu sei que sou
a primeira. Reaper vai apanhar para aprender a estar em um
relacionamento. Ele comete um erro e aprende a partir dele. Eu não
acredito que você volte a ser a segunda novamente, não com Reaper,
se você der a ele uma chance.
Anya empurrou o cabelo escuro ao redor de seu rosto. — Eu não
sei se eu sou suficientemente forte.
— Você é forte. Dê-lhe tempo para lhe mostrar. Eu prometo a
você, Anya, você não vai se arrepender. Estarei aqui para ajudá-la. E
Alena e Lana. Os homens vão ajudar você. Tudo o que você precisa
fazer é dizer o que você precisa.
Anya deslizou para baixo mais fundo debaixo dos lençóis. —
Desculpe-me não consigo ficar acordada. Eles me deram algumas
pílulas para a dor muito pesadas.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 224


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Torpedo INK Livro 1

— Vá dormir querida, —disse Blythe. — Falaremos mais depois.


Basta pensar no que eu disse.
Não havia maneira de que Anya pudesse fazer qualquer outra
coisa quando fechou os olhos, tudo o que ela viu foi Reaper.

— Dois desses três homens são assassinos, —


disse Code, apontando para as fotografias dos três homens que
tinham estado no bar na noite anterior. — Este, Tom Randal, que se
ligou em Alena, é um investigador e está em serviço com o Ghost
Club. Steve e Mike Burrows são assassinos e trabalham, também
para o clube, sob o pretexto de serem consultores. Eles são assassinos
com um ranking27 alto de sucesso. Eles trabalham para escritórios
particulares, eu não estou brincando com você, em San Francisco.
Randal trabalha em um escritório no mesmo edifício.
O coração de Reaper tomou o golpe como um soco duro. Ele já
esperava, mas também estava esperando um milagre. Havia
assassinos atrás de Anya. Eles não estavam fora do jogo ainda, ele
sabia disso. Ela ainda estava tentando se afastar dele. Ele tinha que

27
No entanto, não surgem como sinónimo uma da outra: ranque designa «posição numa hierarquia, numa contagem de
pontos», e ranking significa «formação ou listagem (de pessoas, órgãos, etc.), classificação ordenada de acordo com critérios
determinados»

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 225


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Torpedo INK Livro 1

deixá-la longe do clube por um tempo, isolá-la com ele de alguma


forma antes de reintroduzi-la em seu mundo.
— Eles estão aqui por Anya ou Czar? —Steele fez a pergunta
que outros queriam saber.
Code olhou para Reaper como se estivesse esperando que ele
perdesse a merda de sua cabeça. Ele se manteve imóvel, já sabendo
a resposta. — Czar não está no radar deles. Eles foram enviados para
pegar Anya. Aparentemente, Randal foi quem a achou, e então lhe
foi dito para obter informações sobre o clube e o presidente do clube
para referência futura. Eles não acreditavam que nosso clube fosse
grande o suficiente para incomodar em investigar nossas contas
bancárias ...
Transporter bufou. — Eles claramente não conseguiram invadir
seus livros, Code. Eles veriam que roubamos bilhões dos Swords e
que todos nós tínhamos contas bancárias saudáveis antes de nos
estabelecermos aqui.
— Ninguém vai encontrar meus livros reais, —disse Code. —
Mas eu coloquei firewalls suficientes e outras proteções para fazer
parecer que eu achava ter algo para proteger no caso de alguém
procurar. Pensei principalmente que os federais viriam a nós em
algum momento.
— Nossa papelada é impecável e irá aguentar qualquer
escrutínio, —Steele disse. — Como Randal encontrou Anya?
— Ela é memorável. Uma mulher bonita como a Anya? As
pessoas percebem, —disse Code. — Ele começou a mostrar sua foto
por aí e eventualmente encontrou o homem de quem ela comprou
aquela merda de carro. Então foi uma questão de rastrear os postos
de gasolina que ela visitou, novamente, mostrando sua fotografia aos
atendentes. Randal chegou alguns dias atrás, a viu com seus próprios
olhos e confirmou para os Ghosts que ele a encontrou. Eles enviaram
os irmãos Burrows.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 226


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Torpedo INK Livro 1

— Onde estão eles agora? —Reaper perguntou.


— Todos estão hospedados em quartos em um motel em Fort
Bragg, —respondeu Code.
Czar bateu os dedos na mesa, uma indicação de que seu cérebro
já estava juntando os pedaços do problema e trabalhando neles. —
Eles estão provavelmente se preparando para esta noite. Eles
verificarão se ela está no bar e tentarão fazer seu movimento se ela
sair sozinha.
Code limpou a garganta e olhou novamente com desconforto
para Reaper. — Eu li toda a troca de e-mails. Eles estão em código,
mas a criptografia é patética. Fácil demais. Eles não querem que ela
tenha uma morte limpa. Os Ghosts querem um exemplo disso. Eles
querem que os irmãos Burrows passem algum tempo com ela e a
cortem, mantendo-a viva o maior tempo possível.
Reaper começou a levantar. Ele iria agora, mataria os dois
fodidos e deixaria seus corpos para que os Ghosts soubessem que ele
havia declarado guerra.
Czar acenou para o assento. — Isto é para sua mulher e
queremos fazê-lo certo. Queremos que ela esteja protegida mesmo
depois de matá-los, caso contrário os Ghosts continuarão vindo atrás
dela. —Ele esperou até que Reaper lentamente afundasse na cadeira.
— Quem temos com Anya e Blythe agora? —Steele perguntou.
Ele sabia, mas era importante que Reaper se lembrasse de que ambas
as mulheres estavam sendo guardadas.
— Gavriil e Casimir na casa e Fatei e Glitch, —Reaper
respondeu, nomeando os dois novos membros, bem como dois dos
aspirantes, todos eles tinham frequentado pelo menos uma das
quatro escolas na Rússia. Ele alcançou a garrafa de água na frente a
ele e tomou metade dela. Os quatro eram bons, mas ele próprio
queria estar olhando por Anya.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 227


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Torpedo INK Livro 1

Czar assentiu. — Os Burrows não irão para Anya até que saibam
que ela está sozinha e têm tempo para gastar com ela.
Os dedos de Reaper enrolaram em dois punhos apertados. —
Eles não vão ter a chance. Se você está pensando em usá-la como isca
...
Czar levantou a cabeça e os olhos se encontraram fixos,
irritados, dois touros prontos para atacar um ao outro. A sala ficou
silenciosa.
— Tire a sua fodida cabeça do seu traseiro, Reaper, —soltou
Czar. — Você acha que eu não sei que fodi totalmente isso? Você
acha que eu não sei que sou responsável por ferir uma mulher? Não
apenas uma mulher? A sua mulher? A mulher do meu irmão? Eu sei
que você está lutando para mantê-la e isso é minha culpa. Ela nem
pôde me olhar. Eu não a culpo. Eu tenho o que fizemos diretamente
em meus ombros. Enfrentar-me não vai ajudar.
— Eu não tenho tanta certeza, —Reaper disparou, de pé. —
Você foi para casa, para sua mulher. Ela ainda está na sua cama, sã
e salva. Você tem isso. Eu não. A minha está pronta para ir e não há
uma porra que eu possa fazer ou dizer, até agora, para convencê-la a
ficar.
Czar se levantou também. — Você não vai me fazer sentir pior
do que eu já estou. Podemos brigar um com o outro, se é isso que
você quer, mas a verdade é que você quer socar alguém e quer que
alguém bata em você. Você gosta de infligir dor quando você está
chateado e você gosta de senti-la. Podemos fazer isso e ser dois
bastardos totalmente egoístas ou podemos descobrir como manter
sua mulher segura e nos livrarmos dos Ghosts para que eles não
continuem vindo atrás dela.
Reaper sabia que cada palavra era verdadeira. Ele não tinha que
gostar de ter Czar jogando-lhe sua merda, mas ele tinha que fazer o

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 228


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Torpedo INK Livro 1

que era certo para Anya. Ele afundou na cadeira e pegou a garrafa de
água, engolindo o resto para que a adrenalina se recuasse.
— Nós temos a esposa de Hammer para resgatar também. Nós
vamos ter que fazer o nosso movimento rápido para salvá-la,
especialmente depois de matarmos os assassinos atrás de Anya. Eu
quero Randal vivo se possível. Precisamos de tanta informação
quanto o que ele tenha. Alena, você está nisso. Uma vez que ela o
tenha, Storm, você e Ice devem pegá-lo e colocá-lo na câmara. Ele
pode gritar o que quiser e ninguém poderá ouvi-lo. Isso nos dará
tempo para chegar a San Francisco e pegar a mulher de Hammer
antes de termos que lidar com ele.
— Ainda não sabemos o que estamos procurando quando
chegarmos lá, —disse Transporter. — Nós levamos as motos ou uma
das vans? Preciso saber como preparar os veículos. Armas,
ferramentas, papeis para cobrir tudo no caso de sermos parados.
Preciso de informações para ter um lugar para começar.
Mechanic assentiu. — Nós iremos as cegas, e se eu não levar as
ferramentas certas para o trabalho, eles vão matá-la com certeza.
Houve silêncio. Era imperativo que eles tivessem informações,
mas obtê-las ia ser um problema.
Absinthe esfregou um ponto na mesa, olhou cautelosamente
para Reaper e depois suspirou. Olhando para a mesa, ele falou em
voz baixa. — Anya pode ser capaz de nos informar como passar por
esses túneis. Ela pode nos dizer como chegar, pelo menos. Ela disse
que estava olhando para plantas de túneis sob o prédio.
— Absinthe, —disse Czar calmamente. — Você estava agindo
sob minhas ordens.
— Não fica mais fácil.
— Se ela não tivesse lutado contra você, e eu não esperava que
ela o fizesse, —admitiu Czar, — teria ficado tudo bem. Eu achei que

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 229


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Torpedo INK Livro 1

ela responderia as perguntas e sairíamos sem incidentes. Eu julguei


mal a situação porque eu estava cego, querendo que Blythe estivesse
segura. O que aconteceu não é culpa sua. Foi a minha ordem.
— Não, —disse Steele. — Está em todos nós. Poderíamos ter
insistido em um voto e não o fizemos. Nós poderíamos ter
conversado e perguntado a Reaper. Nós tínhamos opções. Reaper
poderia ter nos mandado para o inferno e ido com ela. Ninguém o
segura se ele não quiser ser parado.
Reaper respirou fundo. Essa realidade era um duro golpe no
intestino. Mais ainda, porque sabia que Anya estava bem ciente
disso. Ele escolheu o clube sobre ela. Ele colocou a proteção de Czar
acima dela.
— Ele está certo, Czar, —Reaper teve que admitir. — Mas não
vai acontecer novamente. Se acontecer, eu vou lutar por ela. Vocês
também devem saber disso antecipadamente.
— Eu acho que você deixou isso bem claro, —disse Czar. —
Absinthe, devo admitir que estava mais focado no estado de espírito
de Anya do que no que ela estava dizendo.
— Eu absorvo e posso lembrar textualmente, —disse Absinthe.
— Você, melhor do que ninguém sabe que era necessário saber
exatamente o que um adulto dizia o que eles estavam planejando, os
tempos, as rotas, tudo. Você me treinou para aprimorar essa
habilidade. Mas eu me treinei para ouvir e guardar o que foi dito.
Preacher assentiu. — Ela disse que estava olhando para plantas.
Eu odeio isso. Odeio isso por ela e por você, Reaper. Por todos nós.
Pegamos o caminho mais fácil e mais rápido possível para obter
informações que precisávamos. Ela era inocente.
— Nós não sabíamos disso, —disse Steele. — Nós podemos ficar
nos batendo ou aceitar e conseguir que essa mulher fique segura. Não
importa você conseguir que ela fique com você se ela acabar morta.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 230


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Torpedo INK Livro 1

Esse era Steele, a voz da razão. Era por isso que ele era vice-
presidente de Czar. Quando o resto deles estava fora de sincronia, ele
conseguia trazê-los de volta.
— Precisamos descobrir o quanto Anya lembra desses túneis.
Ela nos ajudará, Reaper? —Perguntou Czar, indo direto ao ponto. Se
ela não quisesse, ele deveria encontrar outra maneira de resgatar a
mulher de Hammer, e ainda assim manter seus homens tão seguros
quanto possível.
— Não vou dizer que ela não está ferida. E chateada. Ela
disfarça, mas está. Nenhum de nós é seu favorito no momento, eu
incluído, —disse Reaper. — Mas ela perguntou sobre a mulher um
par de vezes. Não consigo imaginá-la deixando outra mulher nas
mãos dos Ghosts, especialmente depois de ver seu trabalho. Ela me
disse que quando eles estão usando ternos eles sempre usam
pequenas abotoaduras de ouro em forma de fantasmas.
— Alena e eu podemos ir ao clube para tentar obter informações,
ofereceu Lana. — Se nos estabelecermos, podemos estar em posição
de apoiá-los. Se formos as primeiras duas turistas apenas verificando
o clube, vamos ser de mais ajuda.
— Eu poderia acompanhá-las, —acrescentou Mechanic. — Eu
posso deixar o local vigiado o mais rápido possível. Podemos ter sorte
e conseguir algo para ajudar. De qualquer forma, eu estaria lá se elas
tiverem problemas.
Alena bufou. — Não é provável.
Lana lançou um pequeno sorriso. — Apenas grite se você
precisar de nós para liberar seu traseiro, nós iremos correndo e
salvaremos o dia.
Mechanic a ignorou.
Czar ignorou a brincadeira. — Nós precisaremos de você, Alena,
para atrair Randal para nós, antes de vocês duas irem. Pegue a

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 231


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BMW. É rápido. Transporter e Mechanic juram que essa coisa é um


foguete agora. Tem todos os compartimentos necessários para as
armas. As duas parecem ter nascido para um conversível. Isso será o
suficiente para dar-lhe a influência para entrar, mas não para colocá-
las sob suspeita. Se vocês gastarem dinheiro suficiente, podem até ver
seu cassino. Não empurrem. Isso não é necessário.
— Reaper, precisamos fazer isso o mais rápido possível. Não
acho que a mulher de Hammer tenha muito tempo,
independentemente de terem lhe dado uma semana para obter o
dinheiro. Eles querem fazer uma declaração para os Costas
Diamond. Eles querem que saibam que eles estão falando sério. Se
eles puderem fazer com que os Costas Diamond se preocupem com
suas mulheres, eles têm um caminho por todo o país. Lembrem-se,
os Ghosts pensam que são apenas isso ... fantasmas. Eles não têm
idéia de que estamos neles.
Reaper estava ciente de que o resto dos membros do clube
estavam olhando para ele. Esperando que ele trouxesse sua mulher
para eles. Seu coração afundou. Eles não tinham idéia da extensão
de sua traição. Ela não era como eles. Ela não era como Blythe, que
não tinha tido um começo decente, mas tinha encontrado uma
família com outras cinco mulheres. Irmãs que a amavam. Anya não
tinha ninguém.
— Eu acho que ela nos contará sobre os túneis.
— Mas ela não vai ficar, não é? —Lana pressionou.
Reaper balançou a cabeça. — Eu acho que não.
— Talvez Blythe tenha sido capaz de persuadi-la a nos dar outra
chance, —disse Czar.
— Talvez. —Reaper teve medo de ter esperança.
— Se ela aceitar falar com a gente, Reaper traga-a para a sala
comum, —disse Czar. — Nós seremos menos ameaçadores lá.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 232


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Torpedo INK Livro 1

— Eu vou ter certeza de levar as roupas dela, —disse Alena. —


Ela provavelmente se sente vulnerável sem elas.
— Ela não pode ir a lugar algum se não tiver roupas, —observou
Ice.
Alena olhou para ele. — Não podemos mantê-la prisioneira.
— Por que não? —Perguntou Ice. — Ele só precisa de algumas
semanas para convencê-la a ficar. E se nada mais funcionar,
nocauteá-la. É suposto ter sido treinado para ser o melhor em sexo,
se não pudermos usá-lo para manter nossas mulheres, então, de que
serve?
— Ele tem um ponto, —disse Storm. — Eu poderia convencê-la
a ficar para você, Reaper, se você acha que não está apto para a
tarefa.
— Foda-se, Storm. Eu enfiaria uma faca através do seu coração
e o pregaria na parede.
Storm encolheu os ombros. — Apenas tentando ajudar um
irmão.
Reaper se sentiu um pouco melhor. Seus irmãos estavam lá, às
suas costas, tentando ter idéias para ele segurar Anya, brincando para
juntá-los novamente. Sólidos. Ele simplesmente sabia melhor. Ele
sabia que não seria assim tão fácil com Anya. Ainda assim, ele
assentiu e se afastou da mesa. Ele abriu caminho pela sala comum e
depois pelo corredor. Blythe estava sentada no escuro e olhou para
cima quando ele entrou.
— Ela está dormindo há muito tempo. —Ela respirou fundo e
sacudiu a cabeça. — Ela está se segurando, mas está mal. Seja gentil
com ela, Reaper.
Ele acenou com a cabeça e a observou ir. Ele não sabia como ser
gentil. Ele nunca tinha aprendido. Ele nem sabia o que isso

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 233


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significava. Alena enfiou a cabeça, as roupas dobradas em suas mãos.


Ele as pegou e fechou a porta para evitar que todos entrassem. Ele
precisava falar com Anya novamente. Senti-la. Ver se ela iria ajudar
e dizer a ela que ela tinha que ficar. Ele precisava que ela ficasse.
Ele ficou de pé perto dela, olhando para o rosto dela. Ela achava
que ele era um anjo caído, ele achava que ela talvez fosse um anjo
que caiu no inferno acidentalmente.
— Você está olhando para mim. Eu posso sentir isso. —Sua voz
era um murmúrio sonolento que chegou ao seu pau. Merda. Era
muito pior do que isso. Ela tinha chegado ao coração dele de alguma
forma, e não iria embora.
— Então, você está acordada.
— Meu radar apita quando você está por perto.
Ele não sabia se isso era bom ou ruim e não ia perguntar. Ele só
sabia que estava analisando o quão errado seria seguir o plano de Ice.
Ela abriu os olhos e o viu. Muito devagar, ela se sentou, nunca
tirando o olhar dele. — O que você está pensando? Porque eu posso
lhe dizer que não vou gostar, mas você vai dizer assim mesmo.
Que porra e essa? Ele deveria ser o homem que ninguém poderia
ler. Ela estava vendo muito dele, e isso não era bom e nunca seria.
Ele era o executor do clube. Isso significava, que enquanto todos
tinham outros empregos legítimos, ele tinha apenas um—manter o
clube seguro de qualquer maneira necessária. Os outros podiam
esquecer sua vida antiga, mas ele nunca o faria. Ele sabia que era
tarde demais para ele de qualquer forma.
— Alena trouxe algumas roupas. Você se sente bem para se
vestir? Nós podemos tentar uma luz para ver se sua dor de cabeça
piora.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 234


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— Não. Na verdade, está muito melhor. —Ela jogou o lençol e


alcançou suas roupas, quase as abraçando.
Ele também não gostou disso. Sua mulher estava pensando em
alguma coisa. Como correr dele. Mais e mais, a ideia de Ice parecia
boa. Talvez a única. Ele ligou a luz mais fraca primeiro observando
seu rosto para ver se ela se encolhia. Suas pestanas vibraram, mas sua
expressão não mudou. Pelo menos, isso era bom. Ele não a queria
com dor.
— Eu vou me vestir no banheiro e então você pode me dizer
sobre o que foi essa reunião.
— Vista-se aqui. —Ele se moveu sutilmente, movendo seu corpo
o suficiente para colocá-lo na frente da porta fechada. O que diabos
estava errado com ele? Ele estava realmente pensando que poderia
mantê-la ali se ela quisesse ir? Ele sabia melhor, mas não se moveu.
Ela estudou seu rosto, encolheu os ombros, puxou a calcinha de
renda e o jeans. — Eles disseram na reunião que aqueles três homens
estavam atrás de mim, certo? —Ela olhou em volta. — Não há sutiã
aqui.
— Alena se apressou em pegar suas roupas. Ela deve ter
esquecido. —Ele cruzou os braços sobre o peito e recostou-se contra
a porta. Ele podia olhar para ela o dia todo. Ele a observou
desabotoar sua camisa, o olhar preso na pele dela.
Ela suspirou e puxou o top sobre sua cabeça. O material se
acomodou amorosamente sobre suas curvas. Ela olhou para o decote
e, em seguida, em torno, como se procurando alguma coisa que ela
pudesse usar.
— Você está linda.
— Você diria que eu pareço linda mesmo que eu estivesse
usando um saco de estopa.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 235


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— Eu pensaria isso também.


Seu olhar se dirigiu para ele, o mais fofo fantasma de sorriso em
seus olhos. Ele gostou disso. Ele precisava disso. Alguma coisa.
Qualquer coisa que mostrasse que ela podia querer ficar com ele.
Anya puxou sua camisa. — Eu acho que essa camisa vai colar
em minha pele em breve. Onde estão meus sapatos?
— Não tenho certeza, querida. É importante neste momento?
Tenho coisas para conversar com você.
Ela levantou a cabeça, os olhos indo para os dele. — Vamos
conversar.
— Os outros estão esperando na sala comum. Eles têm
informações ...
Ela balançou a cabeça. — Absolutamente não. Não preciso da
informação deles. Você conta o que eu preciso saber. Mais que isso,
eu não quero saber.
Ele encolheu os ombros, embora seu intestino estivesse
apertado. Ela não iria ficar. A veemência em sua voz o convenceu
disso. Ele precisaria de um plano para tentar mantê-la perto dele. Ele
precisava de um tempo com ela, como disse Ice. — Um dos três
homens no bar ontem à noite é um investigador do Ghost Club. Ele
a rastreou aqui. Ele encontrou o homem de quem você comprou o
carro usando uma fotografia sua. Você é linda e as pessoas se
lembraram de vê-la.
Ela balançou a cabeça e voltou a trançar os cabelos enquanto ele
falava. Ele poderia sentar e observar aquela merda durante horas. A
ação levantava seus seios embaixo da camisa aberta. Ele podia ver o
movimento de ambos os seios. Suas mãos eram rápidas e certeiras,
como se ela tivesse executado a tarefa inúmeras vezes e estivesse no
piloto automático.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 236


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— Pare de me olhar assim. Isso é uma distração.


Ele adorava isso. Era o primeiro sinal real de encorajamento. —
Não posso evitar, baby, não posso evitar o que você faz comigo.
— Permaneça na história. O idiota me seguiu aqui e trouxe os
outros dois.
— Assassinos. Eles estão trabalhando para o clube. Code entrou
na troca de e-mails. Eles foram criptografados, mas ele é um gênio
com esse tipo de coisa, e é por isso que nós o chamamos de Code.
Ela engoliu em seco e se moveu pela cama para pegar um
elástico na mesa de cabeceira e segurar sua trança com ele. Ela
parecia assustada. Tanto que ele atravessou o quarto, aproximou-se
e enrolou sua mão em volta da nuca dela. Possessivo. Reclamando.
Porque Anya, foda, pertencia a ele, soubesse ela disso ou não, e ele
iria encontrar uma maneira de se certificar de que ela soubesse de
quem ela era mulher. Ele tinha tido o suficiente de estar ansioso.
Reaper tomou o que precisava para sobreviver a vida toda. Ele
olhou para baixo, para ela, o olhar dele em seu rosto. Nos olhos dela.
Na boca que pertencia a ele. Ele tinha achado que ela estava se
afastando dele mais ela não iria. Ele inclinou-se e tomou a boca dela.
Fogo explodiu em sua barriga. Seus lábios eram macios, sua
boca doce e viciante. No instante em que ele exigiu, ela se abriu para
ele e deu-lhe o que ele precisava. Ele envolveu o braço por suas costas
e puxou-a contra ele, beijando-a e até que ele não conseguia enxergar
direito. Até que ele soube que ela iria dar-lhe qualquer coisa que ele
pedisse e seu mundo ficou certo novamente.
Quando ele ergueu a cabeça, passou a ponta do polegar no rosto
dela, deslizou-a sobre seus lábios e pressionou-a na curva inferior. —
Não precisa se preocupar com aqueles dois. Estamos trabalhando em
um plano. Preciso que você me diga se você lembra daquelas plantas

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 237


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que você estava memorizando. Os que te meteram em tantos


problemas.
— As plantas? —Ela falou. — Eu pensei que eles tinham vindo
atrás de mim porque eu os ouvi falar sobre ter alguém pelas bolas.
— Provavelmente é o mesmo. Nós achamos que eles estão
segurando aquela mulher que sequestraram lá. Precisamos tirá-la de
lá, querida, ou ela vai morrer.
Imediatamente, seus ombros se endireitaram e ela assentiu. — É
claro Reaper, eu direi o que puder. Eu tenho uma boa memória.
— Eu gostaria que os outros estivessem lá. Trabalhamos juntos,
e cada um de nós precisa saber coisas diferentes.
Ela ficou em silêncio, olhando para ele. Ele podia ver que a
estava perdendo e isso o irritou. Ele se recusou a sentir medo. Ele
tinha que assumir o controle da situação como sempre fez. Ele se
recusou a permitir a liberdade quando ela tentou se afastar,
colocando distância entre eles.
— Mulher, porra, eu sei que meu gosto ainda está em sua boca,
mas você está agindo como se não estivesse. Eu lhe dei a minha
palavra. Minha fodida palavra de que você estaria segura com eles.
Eu sei que você estava ouvindo. Você se deitou naquela cama e me
ouviu prometer protegê-la de qualquer um, de todos, mesmo do
clube. Você me beija assim e depois age como se eu não fosse seu
homem?
Suas pestanas piscaram rapidamente e parecia haver lágrimas
nelas. Ela puxou uma respiração e tentou novamente empurrá-lo
para longe. Ela não era tão forte quanto ele e ele a manteve imóvel.
— Isso não é fácil para mim, Reaper. Eu não confio neles. Você é um
homem contra quantos?
Ele deixou seus olhos ficarem planos e frios, chamando o perigo
mortal dentro dele, aquele que manteve Czar e os outros vivos e

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 238


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Torpedo INK Livro 1

continuava a fazê-lo. Ele deu isso a ela, porque ela precisava—


precisava ver que ele faria o mesmo por ela. — Eles me conhecem
bem.
Ela estremeceu. Engoliu em seco. Estudou seu rosto por um
longo tempo. Ele não recuou ou desviou o olhar. Ele queria que ela
soubesse no que estava se metendo com ele. Ele a estava observando
tão perto quanto ela o observava, então ele viu o momento em que
ela aceitou quem ele era. O que ele era. Felizmente, ela acreditava
que ele iria ser um assassino para ela, se necessário.
— Tudo bem. Eu irei, mas se eles tentarem qualquer coisa com
suas perguntas, eu juro, vou pegar uma arma e atirar em você.
— Acho que só deve haver uma pessoa sedenta de sangue em
nossa família, querida, e você não é dura o suficiente.
— Eu não testaria essa teoria se fosse você, —ela advertiu.
Ela tentou dar-lhe um olhar duro. Ele achou que ela parecia fofa,
mas decidiu que não seria sábio dizer isso. Sua mulher estava
voltando a ser ela mesma sem a dor de cabeça. Ele inclinou a cabeça
e pegou sua boca novamente. Quando ela se tornou insolente, ele
imaginou a melhor maneira de educá-la. Como antes, ela inflamou-
se sem reserva, seu corpo se derretendo no dele, todo macio contra o
seu corpo duro.
A mão dele escorregou pelas costas dela, traçando aquela curva
para o doce traseiro sobre o qual ele pensava demais quando ele
deveria estar pensando em negócios. Ele beijou seu caminho pelo
queixo, ao longo da mandíbula até a orelha. Ele pegou o lóbulo dela
entre seus dentes e disse gentilmente. — Você ainda está pensando
em fugir de mim? —Ele sussurrou a pergunta, sua respiração quente
na orelha dela, seus lábios escovando contra a pequena concha que,
às vezes, o deixava louco.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 239


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Torpedo INK Livro 1

— Sim. —Ela respondeu sem hesitação, sem respirar, seus seios


subindo e caindo com a respiração ofegante, os mamilos empurrando
forte contra o top que ela usava.
Ele deu um tapa em sua bunda com força o suficiente para fazê-
la gritar. — Bem, pare. Soluções, querida, não fugas. Isso é o que
deveria estar acontecendo nessa sua fodida cabeça. —Ele imaginou
que a tinha tratado com luvas de pelica, pelo menos no melhor de
sua capacidade. Ele tinha tentado ser suave, assim como Blythe disse,
mas ele não sabia o que diabos estava fazendo. Ela tinha caído por
Reaper. Ele estava de volta ao Reaper que ele conhecia, e aquele
homem não ia perder sua mulher. Ele encontraria um caminho. Se
ele não pensasse em uma solução, seu clube o ajudaria.
Ela olhou para ele. — Minha cabeça não é fodida. Seu clube é
fodido. E pare de dizer foda pra mim. É irritante.
Ele encolheu os ombros. — É apenas uma palavra, Anya.
— Não é uma palavra agradável.
— É apenas uma palavra. —Ele pegou a mão dela e puxou até
que ela estava sob seu ombro.
— Estou com os pés descalços.
— Você está enrolando. O chão está limpo. As garotas do clube
o mantém limpo.
— Garotas do Clube? Merda, Reaper. Você certamente quer que
eu aceite muitas besteiras. Não tenho certeza de que vou ficar.
Isso o deixou alerta porque era a verdade. Ele deu um passo para
frente dela. Perto. Pegou seu queixo com o polegar e o indicador,
levantando-o assim ela foi forçada a olhar em seus olhos. — Eu te
juro, por minha vida, pela vida dos meus irmãos, você será feliz. Você
estará segura. —Ele não sabia o que mais dizer. Ele passaria a vida
inteira tentando fazê-la feliz, mas ele sabia que era uma aposta pobre

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 240


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para toda a vida. Ele não conhecia nada sobre um relacionamento


real e não importa o quão duro ele tentasse, ele iria fodê-lo na maior
parte do tempo. Ela precisaria de paciência e tolerância e precisaria
querer ficar.
— Estou tentando, —disse ela suavemente.
— Ele sabia que era o melhor que ele conseguiria. A levou para
fora do quarto, entrando no corredor. Ela ficou tensa imediatamente.
— Não se preocupe, Anya, eles serão legais com você.
— Se preocupe por eles, não por mim, —ela murmurou em voz
baixa.
Ele olhou para o alto da cabeça dela. Seu cabelo sempre estava
lustroso. Brilhante. Lindo. — Apenas jogue bem. —Ele sabia que isso
iria dar uma saída para ela. Ela estava de volta a si mesma.
Sua mulher tinha coragem. Ela não teria conseguido sair das
ruas e criar uma vida para si mesma se não tivesse disciplina,
determinação e coragem. Ele tinha tudo isso, todos os irmãos e irmãs
o faziam. Foi assim que eles sobreviveram isso e trabalhando juntos.
Ela tinha feito isso sozinha e ele a respeitava pelo que tinha realizado.
— Jogue bem, —ela sibilou, olhando para ele. — Você joga bem.
Eles fazem algo, dizem algo que eu não gosto e todas as apostas estão
fora.
— Tenho que fodê-la novamente, mulher. É a única coisa que
acalma você.
Sua respiração sibilou fora dos pulmões. — Bem, talvez você
devesse, mas você perdeu essa possibilidade ao se pendurar com seus
desagradáveis irmãos e garotas do clube, não é?
Ele sorriu. Ele não conseguiu evitar isso. Não foi o maior sorriso
do mundo porque ele não tinha muita prática nisso, e sua boca se
curvou mais do que sorriu, mas sentiu-o no intestino. A felicidade

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 241


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floresceu, da maneira que tinha feito desde o momento em que ele


olhou para ela. Certamente, desde o momento em que a viu dar o
cobertor a um homem desabrigado.
Anya parou na porta aberta para a sala comum. O clube
obviamente, os ouviu chegar porque toda conversa cessou. Ela tocou
os lábios dele com a ponta dos dedos, os olhos arregalados. — Eu
nunca vi você fazer isso antes.
Ela provavelmente não tinha. Ele não tinha tido muito para
sorrir—até ela. Ele tinha, na verdade, estado sentado em uma cama
nu, segurando-a, e não tinha tido um pensamento feio. Talvez tivesse
sido o medo de perdê-la que havia impedido os gatilhos de seu
passado de se elevarem.
— Não faço isso muitas vezes, querida, mas não posso evitar em
torno de você. —E isso era a maldita verdade. Ele sugou o dedo para
a boca, mordiscou-o suavemente e depois a deixou ir. Ela olhou para
ele com os olhos arregalados. Suave. Era aquele olhar em seus olhos
que ele estava esperando, aquele que o virava e acendia o fogo em
sua barriga.
Ele olhou por cima da cabeça dela para os outros, sua família
esperando por ele, ainda mais chocados do que Anya por que ele
tinha sorrido, ou algo parecido com um sorriso. Lana estava lá, e
sorriu de volta para ele e mostrou-lhe o polegar levantado. Ela e
Alena tinham achado uma jaqueta para Anya como ele tinha
solicitado, e acrescentaram os patchs necessários. Ele tinha planejado
esse momento muito antes de ter falado com ela no bar. Ele lutou
consigo mesmo, tentando salvá-la, mas em algum lugar do fundo, ele
sabia que não a deixaria ir, mesmo naquela época.
Ele só precisava que Anya aceitasse essa garantia final. Hoje.
Esta noite. Ela tinha que aceitar antes que ele partisse para ajudar a
resgatar a old lady de Hammer. Ele tinha que ir. Ele não tinha
escolha, e ele precisava da promessa dela antes de sair com os outros.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 242


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Reaper pegou sua mão novamente, aproximou-a de seu peito e


caminhou diretamente a sala comum. Não havia mais ninguém além
dos membros com patchs. Gavriil e Casimir estavam de costas, de pé
junto à porta. Do lado de fora estariam os prospectos, certificando-se
de que ninguém se aproximasse o suficiente para ouvir.
Normalmente, eles não realizariam uma reunião importante como
essa fora da capela—sua sala de reuniões privada—mas Anya teria
ficado muito desconfortável. A sala comum era aberta e seria mais
fácil para ela—eles esperavam.
Anya ficou tensa no momento em que encarou todos eles. Eles
se espalharam, tomando assentos nas mesas menores, alguns deles
nos sofás ou nas cadeiras mais confortáveis para fazê-la sentir que a
reunião era informal e ela fazia parte dela.
Reaper deslizou o braço em volta da cintura. — Antes de
começarmos, quero que todos nesta sala saibam, estou reivindicando
Anya para minha old lady. Lana tem sua jaqueta.
Para um estranho, isso não significaria nada, para o clube, isso
significava tudo. Anya, em seu mundo, era sua esposa. A mulher que
ele escolheu colocar na garupa de sua moto—no caso de Reaper, ele
nunca tinha colocado uma mulher em sua motocicleta até Anya. Ele
disse que seria responsável por ela, e que todos os membros do clube
tinham a responsabilidade de protegê-la exatamente como com
qualquer outro membro do clube.
Anya olhou para ele, franzindo a testa. Ela não estava
familiarizada com seu mundo, e apenas Czar tinha uma old lady.
Blythe raramente estava no clube. Principalmente, eles iam a casa de
Czar para seus churrascos. Ela ia às festas no clube, mas saia cedo
com Czar. Às vezes, ela andava na moto dele, mas geralmente era
quando eles queriam fugir juntos. Anya podia não saber exatamente
o que significava, mas ela teria que descobrir em breve.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 243


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Torpedo INK Livro 1

Czar levantou-se lentamente. Ele caminhou em direção a eles,


parecendo em completo comando, do jeito que ele normalmente
fazia. Quanto mais perto ele chegava, pior Anya se sentia. Seu queixo
estava levantado, os olhos verdes brilhando como gemas. Ela estava
realmente irritada com Czar. Com o clube. Reaper não tinha ideia de
por que ela tinha se inclinado em direção a ele, mas ela tinha e ele
estava aproveitando enquanto podia.
— Você está certa de que é o que você quer Anya? Você mesmo
sabe o que isso representa? O que significa quando ele diz aos
membros do clube que você é sua old lady? É um comprometimento
enorme.
Anya se aproximou de Reaper como se precisasse de proteção.
Ele sentiu que ela deslizava uma mão em seu bolso traseiro, os dedos
se curvando em um punho apertado. — Não é da sua conta se Reaper
me faz sua old lady. Você não tem uma palavra a dizer na minha
vida.
A sala ficou elétrica. Por um fio. Silencioso como o inferno. O
coração de Reaper caiu. Czar era o presidente do Torpedo Ink. Ele
tinha uma palavra a dizer na vida de cada membro do clube. Ele viu
a compreensão no rosto do Czar, a mesma que estava no rosto de
cada membro.
— Querida, —a voz de Czar foi muito gentil, muito paciente,
— dizer isso só contribui para mostrar que você não entende no que
você está se envolvendo. Ao aceitar Reaper, você estará aceitando a
todos nós. Incluindo minha liderança. Você é boa para Reaper. Para
todos nós, mas temos que ser justos aqui. Você precisa entender
exatamente o que significa ser parte de nós.
— Eu não tenho que fazer nada com as pessoas que me levaram
para o quarto de interrogatório e me colocaram no inferno, a fim de
estar com Reaper. —Anya declarou-o firmemente.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 244


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Torpedo INK Livro 1

— Reaper ... —Czar sacudiu a cabeça, arrependimento em sua


voz.
O estômago de Reaper apertou. Ele sentiu, ao invés de ver, Anya
olhando para ele. Ela sabia que algo estava errado pela forma como
todos na sala, sentados ou estavam de pé, estavam congelados,
expressões de puro alarme nos rostos. Ele estava certo que seu
semblante tinha o mesmo aspecto.
O tempo parou. Seus irmãos e irmãs. Suas cores. Seu modo de
vida. Ele estava rasgado pela metade, em pedaços. Ele não sabia
como viver sem eles. Mais de trinta anos. Toda a dor. Sofrimento.
As mortes. O alimento compartilhado que eles cortavam
cuidadosamente em porções iguais. Imagens de crianças gritando, de
homens feios e vis e as mulheres que chegavam a ele quando não
havia defesa. Czar, confortando-o. Sussurrando que havia esperança.
Eles encontrariam uma maneira. Tudo voltou.
Czar os trouxe aqui para torná-los humanos novamente. Para
forçá-los a melhorar como pessoas. Meios animais, todo assassinos,
eles tinham escolhas agora. Reaper olhou para a mulher se segurando
tão forte nele. Ela trouxe mais do que gozos naturais. Ela trouxe algo
perto da felicidade.
— Você me disse certa vez, Czar, que se você tivesse que
escolher que se não pudéssemos aceitar Blythe em nossa família,
igualmente, com todo o resto de nós, que você ficaria com ela quando
seguíssemos em frente. Não aceitar Anya não me dá escolha. Eu vou
com ela.
Anya ouviu Reaper dizer as palavras, olhou para o rosto dele e
sabia que ele queria dizer isso. Com o coração acelerado, ela sentiu
que o triunfo a atravessava. Czar era um idiota, um bastardo
completo por sujeitá-la à sua inquisição. Reaper a escolheu. O braço
dele quase a esmagava. Ele olhou para o rosto dela uma segunda vez

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 245


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e tudo se acalmou. Ele estava escolhendo-a, mas estava se


despedaçando ao fazê-lo.
— Não é o mesmo, Reaper. Nós a aceitamos. Ela se recusa a nos
ver. Conhecer-nos. Nós somos sua fodida família e ela está nos
recusando por causa de um erro. Pense nisso, o que poderia
acontecer, porque você vai cometer erros, irmão. Você vai fazer um
milhão deles. Anya, —havia uma nota próxima a um apelo, — nós
somos sua família. Queremos ser seus.
Os olhos de Czar encontraram-se com os de Anya. Ela sentiu o
impacto até os dedos dos pés. Ele não estava bravo. Ele estava
assolado. Destruído. Com dor. Ela olhou para ele para os outros.
Savage levantou-se e se moveu sutilmente, aproximando-se de seu
irmão. Ice e Storm fizeram o mesmo. Lana apertou uma jaqueta nas
mãos, esmagando o material, o rosto mostrando a mesma dor. Os
outros ecoaram a mesma tristeza quebrada também.
Anya olhou para Reaper. Estava no rosto dele. Seu lindo
cicatrizado, danificado homem estava com a mesma dor que os
outros. Eles a compartilhavam. Ela sentiu isso, como se a dor os
rasgasse, os fragmentasse, deixando-os crus, deixando todos com
uma enorme ferida aberta que ela sabia, nunca seria reparada.
Ele iria com ela. Ela tinha esse poder. Mas se ele fosse ele nunca
seria inteiro. Ele nunca seria Reaper. Ela tinha vislumbrado seu
passado, o passado que ele compartilhava com cada um desses
homens e mulheres. Era feio, e era brutal. Mas algo bonito tinha
saído disso. Eles haviam criado uma tapeçaria em conjunto. Ou
melhor, Czar os tinha unido para que eles fossem inteiros. Assim eles
poderiam viver. Ela viu isso claramente em seus rostos. Mais, ela
sentiu isso.
Anya olhou ao redor da sala. A maioria não encontrou seus
olhos, olhando para baixo quando seu olhar passou por eles,
envergonhados, culpados. Absinthe balançou a cabeça e afastou o

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 246


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olhar, mas ela pensou ter visto o brilho de lagrimas em seus olhos.
Sua respiração travou em seus pulmões e ficou lá. Sem Reaper, eles
não eram inteiros. Sem eles, ele nunca seria inteiro. Intacto. O
Reaper por quem ela havia caído.
Ela viu cada um deles olhar para Czar. Ela também se viu
fazendo isso. Não sabia como resolver a situação. Ela só sabia que
esses indivíduos quebrados e danificados não estavam tão quebrados
ou danificados quando estavam juntos. Seus olhos encontraram com
os de Czar.
— Você vê? —Ele disse calmamente. — Você é parte disso
agora. Isso faz você parte de nós. Você também sente isso. Você sabe
que precisamos um do outro. Nós também precisamos de você.
— Eu não quero ser a segunda.
— Parece assim? Mesmo? Olhe à sua volta. —Ele fez um gesto
na sala. — Nenhum deles é o segundo. Parece que Lana ou Alena
são as segundas?
— Elas estavam com você. Naquela escola. Eles estavam com
você. Eu não estava.
— Precisamos de luz para nos manter fora da escuridão. Blythe
fornece isso. Você também.
Ela gostou que ele dissesse isso—que ele pensasse. Que ele a
colocasse na mesma categoria de sua amada esposa. Anya tinha que
encontrar uma maneira de corrigir isso. Por Reaper. Porque, no final,
ela queria estar com ele mais do que queria abraçar a raiva, mesmo
justificada como era. Ela também queria a família, tão louca quanto
todas. Ela sabia que iria ficar com eles e a deixava louca, pensar que
tinha caído tanto por Reaper.
— Ele é mandão. Você é mandão. Deus.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 247


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Torpedo INK Livro 1

Ela fingiu exasperação com Czar, com Reaper, mas sentia isso
principalmente com ela mesma, porque ela sabia que não podia tirar
Reaper dessas pessoas. Ele iria, mas seria uma sombra de si mesmo.
Ela jogou as mãos no ar, se afastou e atravessou a sala até Lana. Ela
estendeu a mão para a jaqueta.
Lana olhou para ela, procurou seu rosto cuidadosamente e
depois sorriu. Muito. Ela entregou a jaqueta para Anya. Anya a
sacudiu. A parte traseira tinha lindos remendos que diziam
‘Propriedade do Torpedo Ink. Reaper’. Eles não poderiam ter feitos na
hora. Eles tinham que ser bordados e isso levava tempo. Ela girou
em torno o olhar para Reaper. Ele tinha que ter ordenado a coisa
idiota.
— Propriedade? —Ela quase gritou. — Você está brincando
comigo?
— Alguém tem que manter seu doce traseiro na linha, —disse
Reaper. — Você tem temperamento, mulher. Fingindo concordar
com todos e planejar em sua fodida pequena mente não ficar comigo.
— Propriedade significa que você é protegida pelo clube, —
sussurrou Lana. — Não significa que ele pode mandar em você. Bem,
a menos que estejamos em uma corrida. Então é melhor não o
constranger em público porque ele não é muito amável.
— Eu posso ver isso é uma má, má idéia, —Anya disse em voz
alta, mas havia algumas borboletas bem seu estomago, se
perguntando há quanto tempo Reaper tinha pedido os patchs.
— Muito tarde, querida, você já disse que sim.
Os outros estavam se reunindo em torno de Reaper, batendo
palmas nas costas. Ela ouviu Czar murmurar algo sobre um inferno,
e Ice disse que estava feliz por não terem que seqüestrá-la. Ela olhou
para ele, prestes a fazer perguntas, mas depois viu Absinthe. Ele não
se mexeu. Ela respirou fundo. Isto era por Reaper. Se ela estava

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 248


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Torpedo INK Livro 1

fazendo, tinha que fazer tudo e limpar o caminho. Ela foi direto para
ele. Imediatamente, um silêncio caiu no quarto. Ela não se virou
porque não queria perder a coragem.
— Absinthe? —Ela estendeu a mão. — Compre-me um drinque
depois e ficaremos bem, ok? Se você vai ser meu irmão, no entanto,
estamos estabelecendo algumas regras.
Seu sorriso foi lento. Não chegou aos olhos. Ela não podia
imaginar o que seria ser ele—ser qualquer um deles. Fosse qual fosse
o talento que eles tinham todos os aperfeiçoaram para sobreviver.
Absinthe odiava o que fez o que ele tinha que fazer pelos outros, mas
ele fez.
— Não se preocupe, é estritamente proibido usar um no outro.
Isso significa em você agora.
Ela sorriu para ele quando ele pegou sua mão e sacudiu-a para
selar o negócio.
— Agora precisamos começar a trabalhar, —disse Czar. — Nós
não temos muito tempo. Anya, você pode reproduzir as plantas que
viu?
— Sim. Eu gosto de desenhar. Eu tenho um olho para detalhes,
e eu realmente pensei que as plantas eram legais. Elas eram muito
velhas. Esbocei várias no meu bloco de desenho com a idéia de que
eu as pintaria em uma tela algum dia, ou cobriria as paredes de uma
sala.
— Seu bloco de desenho?
Ela encolheu os ombros. — O que você achou que eu fazia todas
aquelas noites dormindo no meu carro? Eu desenho. Isso me relaxa.
O bloco de esboços está no banco traseiro junto com minhas roupas.
—Ela não tinha muita roupa, mas ela tinha dois blocos de desenho.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 249


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Czar olhou para Transporter, que imediatamente saiu da sala.


— O que mais você ouviu quando estava naquela adega? Você não
apenas ouviu-os falar que tinham alguém pelas bolas, não é? Porque
não vale a pena matar. Só por isso e as plantas.
— Eles estavam falando sobre os Costas Diamond, o clube de
motos. A esposa do presidente. Eles tinham informações sobre ela,
onde ela trabalha que ela corria pela barragem de Mendocino. Esse
tipo de coisas.
— Preciso saber cada palavra que você possa lembrar, —disse
Czar, todo negócio.
Anya assentiu. Ela tinha uma memória muito boa.

— Alena. —Tom Randal acenou e se apressou


em sua direção.
Alena virou-se e lhe enviou um sorriso de alta potência. Ela
usava um muito apertado jeans, botas de couro com salto alto e um
formidável top vermelho que abraçava suas curvas. Seu cabelo
platinado era uma moldura de ondas ao redor de seu rosto. Os lábios
vermelhos combinavam com a blusa que ela usava, bem como a cor
de suas unhas compridas. — Tom, que bom te ver.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 250


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O investigador veio até ela, todo sorrisos, claramente feliz de vê-


la. Alena estendeu a mão e tocou seu braço, passando o dedo do
ombro ao cotovelo, sobre o bíceps. Ele estufou o peito e pegou as
sacolas que ela carregava.
— Eu estive fazendo compras. Eu amo cozinhar, —explicou
Alena. — Eu não sei se você notou, mas aquele prédio na rua
principal logo após o bar vai ser um pequeno e íntimo restaurante.
Todo meu.
— Isso me surpreende, —disse Tom. — Uma mulher bonita
como você gosta de cozinhar?
Alena se segurou em seu sorriso. Era insultante a maneira como
ele falava, como se porque ela era bonita, talvez não tivesse cérebro
para cozinhar. Ou pior que isso, as mulheres que gostavam de
cozinhar provavelmente não eram bonitas.
— Eu amo. Eu cozinho para meus irmãos e às vezes para todos
os outros. Estou acostumada a lidar com um grande grupo, então
acho que vou cozinhar bem para estranhos. Você está gostando da
nossa pequena cidade?
Tom assentiu, andando em um ritmo lento, assim teria mais
tempo sozinho com ela.
— Surpreendeu-me o quão legal é aqui. O oceano é diferente.
Selvagem em um minuto, e no próximo suave como o vidro.
— Eu pensei que você estivesse hospedado em Fort Bragg, mas
você está aqui na nossa adorável Sea Haven. —Alena acenou para
Inez quando passou pela mulher no lado oposto da rua. — Esse é o
meu carro.
— Você tem tempo para uma xícara de café?
Alena hesitou. Parecia em conflito como se não, ela não tivesse
tempo, mas realmente quisesse estar com ele por mais tempo. — Eu

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 251


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tenho que levar esses mantimentos para casa. Eu adoraria tomar uma
xícara de café e poder conversar por algum tempo. Você tem tempo
para me seguir até Caspar? Não é longe.
Foi a vez de ele hesitar. Ela sabia que ele queria conversar, não
só porque ela era uma mulher sedutora, mas porque ele queria
informações sobre o clube, especificamente, sobre Czar e Blythe. Por
seu negócio de investigação, ele era bom em extrair as informações
que ele queria das pessoas, provavelmente mulheres. Ele tinha boa
aparência e sabia disso.
Alena colocou a mão em seu braço e baixou a voz. — Ninguém
estará por perto hoje.
Tom assentiu, decidido, mostrando-lhe um sorriso. — Eu vou te
seguir. Meu carro está do outro lado da rua.
O sorriso dela o fez estufar o peito novamente, era tão brilhante
e feliz. Ele caminhou até o outro lado da rua, e ela olhou para o
telhado onde Storm estava vigiando, seu olhar na mira de um rifle de
alta potência. Ela lhe enviou um sorriso rápido e um sinal afirmativo.
Thomas Randal não teria todo o prazer que pensou que teria essa
tarde.
Deslizando ao volante do seu pequeno BMW, ela dirigiu
diretamente para o composto, seguida de Randal. Ela o conduziu
pelo estacionamento, para trás do prédio do clube. A parte de trás do
composto era coberta de árvores e sombras. Eles tiveram a certeza de
que nenhuma câmera estava gravando para pegar vislumbres do
carro de Randal se dirigindo a Caspar e ao Torpedo Ink. Havia duas
vagas de estacionamento, ambas vazias. Tom saiu do carro dele e foi
direto para ela, tomando as duas sacolas de compras.
— Boa entrada.
— Muito mais privada. Eu não perturbo o clube. Eu tenho um
quarto e banheiro para mim mesmo do lado de fora da cozinha. —

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 252


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Ela destrancou a porta com a chave e, dando um show com a


blindagem do teclado, desligou o sistema de alarme.
— Eu não achei que um sistema como esse funcionaria com
todos os membros do clube entrando e saindo daqui, —observou
Tom.
Ela olhou para ele por cima do ombro. — Esta ala do complexo
é inteiramente separada da casa do clube. Eles podem ir e vir e eu
não tenho ideia de quem está aqui e quem não está. Eles não têm
idéia se estou em casa.
— Parecia que seu irmão se mantinha perto de você, —ele
apontou, colocando os mantimentos no balcão e olhando ao redor.
A cozinha era muito grande e todos os aparelhos eram de
qualidade comercial e aço inoxidável. Ela trabalhou de forma
eficiente para colocar os mantimentos, incluindo o sorvete, o motivo
para se certificar de que precisava ir para casa imediatamente.
— Meus irmãos gostam de pensar que podem governar minha
vida, mas não podem. Eles são caras legais, e no final, querem me
ver feliz. Você quer café ou café expresso? Eu posso fazer algumas
bebidas, mas não sou barista28. —Eu tenho biscoitos para
acompanhar o café.
— Café está bem. —Ele se inclinou sobre o balcão observando o
trabalho dela. Na maior parte do tempo mantendo seus olhos colados
na bunda dela carinhosamente nos jeans.
— Como seus irmãos se envolveram com o clube? Ninguém sabe
muito sobre o Torpedo Ink ou seus membros.
Ela encolheu os ombros e lhe enviou outro sorriso doce sobre o
ombro. — Nós decidimos nos estabelecer aqui, mas está bem no meio

28
Barista é o profissional especializado em cafés de alta qualidade (cafés especiais).

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 253


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do território dos Costas Diamond. Czar contatou imediatamente o


presidente do braço de Mendocino para cumprimentar e obter
permissão do clube para residir aqui. Eles disseram sim, com a
habitual disposição, e aqui estamos.
— Você conheceu o presidente do Costas Diamond? —Tom
soou intrigado e um pouco admirado. — Você fala em Costas
Diamond e todos imediatamente pensam em criminosos. Eles são tão
ruins quanto a imprensa os faz parecer?
Ela encolheu os ombros. — Eu não saberia. Fico fora dos
negócios do clube. Nós vamos em corridas com eles às vezes, mas
isso é tudo. Não nos misturamos muito com eles.
— Você gosta da vida aqui? —Agora ele parecia genuinamente
interessado.
Alena decidiu que sua expressão e tom quando fazia as
perguntas era o que fazia dele um bom investigador particular. Ele
poderia ter uma conversa casual, e soar como se cada resposta fosse
importante para ele.
— Eu nasci no clube. Eu realmente não conheço nenhuma outra
vida. —Ela colocou o café na frente dele, pegou o prato de biscoitos
e sua própria caneca de café. — Venha eu vou lhe mostrar uma visão
fenomenal. Vamos pegar um atalho. Há tantas coisas legais sobre
esse edifício. Há uma escada que leva direito aos penhascos. Os
traficantes usavam barcos e os proprietários do prédio desciam as
escadas até os penhascos acima da enseada. Há escadas esculpidas
nas falésias que levam até a enseada. Claro que ninguém mais as usa,
embora estejam surpreendentemente perfeitas.
Ela falou, dando informações que um homem como Randal
precisaria dar a uma equipe de assassinos ou apenas transmitir aos
seus patrões no Ghost Club. Ele a seguiu, mais uma vez, desfrutando
a visão de seus quadris balançando quando ela liderou o caminho

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 254


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através de uma porta até uma escada estreita. As escadas eram


velhas, como ela havia dito.
— Você nunca foi até a enseada? —Ele perguntou.
— Meus irmãos me matariam. Eu acho que eles sim, mas eles
me proibiram estritamente. Eles disseram que era muito perigoso.
Era uma maneira de entrar no complexo, uma mulher bonita
sem cérebro nunca consideraria um perigo para o clube. Lá estava
ela, conversando, dando o tipo de informação que Randal queria
pestanejar.
— Mas eles vão lá?
Ela assentiu. — Sim, mais de uma vez, é assim que eu sei que
você ainda pode ir até a enseada por aqui. Não parece porque no fim
da primeira escada parece que você está saindo do espaço. É louco.
E um pouco assustador. Eu nunca tentei, porque, honestamente,
parece tão perigoso quanto Storm disse que era.
— Por que ele se chama Storm?
— A maioria dos nomes das estradas são dadas por algum
incidente, geralmente engraçadas ou incomuns.
Ela parou no final da escada para esperá-lo. — Eu me esqueci de
te dizer, —ela acrescentou, tomando um gole de seu café. — Nós
temos uma coisa sobre alguém curioso com os negócios do clube.
Você tem que ter cuidado.
Ele franziu a testa. — Perguntar sobre o nome dele vai atrapalhar
os negócios do clube?
Ela virou-se e caminhou mais fundo no corredor. — Isso leva de
volta para fora. Legal certo? Eu não sei quantos anos tem, mas sei
que é realmente velho. —Ela continuou conversando e então parou
bruscamente novamente, virou-se e enfrentou-o. — Quer um cookie?
Eles são muito bons. Vou segurar seu café para você.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 255


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Christine Feehan
Torpedo INK Livro 1

— Eu estou bem.
— Não mesmo. Pegue um biscoito, Tom. Você vai querer ter
pegado.
Ele pegou um biscoito e mordeu-o. Ele sorriu para ela. — Estes
são bons. O melhor que eu comi.
Ela entregou-lhe o prato e tirou a xícara de café da mão dele. —
Aprecie-os. —Seu olhar o deixou e levantou-se para o homem atrás
dele. — Ei, Storm. Timing perfeito. —O sorriso de Tom desapareceu
quando olhou para trás e viu o grande motociclista bloqueando seu
caminho de volta. Quando o investigador se voltou, Alena não estava
sorrindo.
— Tom, as mulheres não são ingênuas, você sabe. Homens são.
Especialmente homens como você. Eu não gosto de alguém jogando
comigo. Eu não dou informações sobre o meu clube. Não. Nunca.
Tenho certeza de que Storm e Ice responderão a todas as perguntas
que você tiver.
Tom se lançou para ela, sabendo que não conseguiria superar o
grande homem que bloqueava o corredor atrás dele. Alena o chutou
forte no estômago, dobrando-o. Ela colocou uma mão na parte de
trás da cabeça dele. — Meu bem, eu cresci com dezesseis irmãos e
uma irmã fodona. Você não tem uma chance contra mim. —Ela
virou e caminhou pelo corredor, sem olhar para trás uma vez, nem
mesmo quando Tom gritou. Ruidosamente.

Anya sorriu para Bannister enquanto colocava a


cerveja na frente dele. — Você parece cansado esta noite, Harry, —

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 256


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Christine Feehan
Torpedo INK Livro 1

ela disse, sua voz gentil. Ela arrancou o nome dele no segundo dia
em que trabalhou. Ninguém mais chamava o velho motociclista por
seu nome. Ele sempre foi Bannister. — Quando foi a última vez que
você comeu?
Ele sorriu de volta e acariciou sua mão. — Não se preocupe com
um gambá velho como eu. Eu sempre caio de pé. Tenho um filho que
não consegue se arrumar na vida. Vendi tudo o que tinha para ajudá-
lo, mas não é suficiente. Ele quer que eu venda minha moto.
Anya ofegou e sacudiu a cabeça. Nas seis semanas, que ela
estava trabalhando ali, Bannister veio todos os dias e sentou-se
naquele banquinho, bebendo algumas cervejas. Só se animava
quando falava sobre sua Harley29. Ele disse uma vez a ela que se um
homem tratasse sua mulher tão bem como ele fazia com sua
motocicleta, nunca haveria um divórcio. Ela riu, mas pôde ver que
ele quis dizer isso.
— Você não pode vender sua moto, Bannister, —ela disse
inflexivelmente. — Ele não conhece você muito bem se pediu a você
que fizesse isso.
— Ele está pagando uma dívida de jogo. Jura que deixou de
jogar, mas a dívida principal nunca foi realmente paga, apenas os
juros. —Ele esfregou sua barba. — Eu jurei da última vez, que ele
tomou tudo, incluindo a casa, que eu não o ajudaria novamente, mas
ele é meu único filho, e eu não quero perdê-lo.
Anya deu um tapinha na mão dele, serviu dois outros clientes e
fez os pedidos de Heidi para três mesas antes de voltar para ele. Ela
manteve o olho na porta, embora Reaper tivesse lhe dito para agir
naturalmente. Ela não estava feliz por ser a isca, mas se Alena e Lana

29
Harley

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 257


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Torpedo INK Livro 1

poderiam ir ao Ghost Club e tentar obter informações, ela sentiu que


o mínimo que ela podia fazer era trabalhar como costumava fazer.
Reaper sentou-se no canto mais escuro da sala. Nas sombras. Ele
parecia desaparecer, até ser um mero borrão, quase impossível de
notar, a menos que você olhasse para ele. Tinham dito a Heidi para
ficar longe de sua mesa.
Havia algumas mesas a beirada pista de dança. Porque a pista
não estava em uso, não estava acesa, então estava bastante escuro.
Savage sentou-se em uma das cadeiras, parecendo um tigre
preguiçoso. Ele era muito parecido com seu irmão, na medida em
que era grande e tinha músculos definidos, mas a semelhança
acabava ali.
Anya sabia que havia apenas dois anos de diferença entre eles,
mas ainda assim, ele parecia um pouco mais jovem. Ele não tinha as
cicatrizes no rosto que Reaper tinha, mas ela sabia que as cicatrizes
estavam lá. Elas estavam dentro dele. Heidi também não se
aproximou de sua mesa.
— Você já pensou que não importa quantas vezes você salve seu
filho, ele vai voltar para o jogo? —Perguntou Anya. — O jogo é tão
viciante quanto as drogas para algumas pessoas. Elas não podem
ficar longe.
— E se eles o matarem porque ele não pode pagar a dívida? —
Bannister correu uma mão pelo rosto como se estivesse secando suas
lágrimas quando não havia nenhuma. — Eu sou um velho homem
usado, —declarou ele. — Não há muito a perder, mas ele é jovem
ainda. Ele poderia ter uma vida.
Todos tinham uma história, ela percebeu umas piores do que
outras. Ela gostava de Bannister. Ela gostava da maioria daqueles
que entravam no bar. A maioria, como Bannister, era motociclistas.
Nos dias de semana, mais moradores locais vinha principalmente,
ela tinha certeza, para conhecer o local.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 258


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Torpedo INK Livro 1

— Você tem uma vida, Bannister, —ela objetou. — Você não é


tão velho que não possa encontrar uma old lady que fique louca por
você e queira passar um tempo nas costas da sua motocicleta e na sua
cama. Não desista da vida. Você não é tão velho.
Pelo canto dos olhos, ela viu os irmãos Burrows entrarem. Eles
entraram para dentro, e nem sequer olharam para ela, mas foram
direto para a mesa em frente ao balcão. Eles poderiam ver todos os
seus movimentos. Ela limpou o balcão pela milionésima vez, fez
mais três bebidas e tirou as tampas de quatro cervejas antes de voltar
para Bannister, inclinando-se para perto dele.
— Mais ocupada do que o normal para uma noite de terça-feira,
—ela observou. Quem diria que o bar iria decolar como ele fez.
Preacher estava resmungando sobre ter que trabalhar muito.
— Ouvi dizer que estavam pensando em colocar mesas de bilhar.
Ela assentiu. — Lidar com a comissão de planejamento aqui na
costa é difícil, especialmente se os edifícios são de alguma forma
considerado histórico. Eles não querem que você mude nada. Czar
veio com alguma solução, adicionando um segundo prédio, um
pequeno só para o salão de bilhar. É uma loucura, mas seria
exatamente como este prédio, então seria uma mistura. Eles
colocariam uma grande arcada, então parecia que era uma só sala,
quando realmente é um edifício separado. Eu não sei como eles
conseguiram, mas quando ele e Absinthe voltaram da comissão,
vieram com as licenças.
Heidi estava anotando os pedidos dos irmãos Burrows. Anya
não ficou surpresa que eles pediram cerveja. Ela sabia que eles não
beberiam mais do que isso. Ela tentou não deixar seu olhar ir na
direção deles. Ajudou que seu cliente favorito estivesse angustiado.
Ela continuou tentando pensar em uma solução para ele, além de
vender a sua amada Harley. Ela sabia que ele a mantinha em
excelente condição. Era mais antiga, mas corria como uma das mais

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 259


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Torpedo INK Livro 1

novas. A porta se abriu novamente e dois homens entraram. Ela


endureceu.
Ela não podia evitar. Um estava em um uniforme de xerife, o
outro em roupa civil, mas ela sabia que ele também era um policial.
Ela deu um passo para o outro lado do balcão quando eles acenaram
para ela. O mais alto dos dois lhe deu um sorriso. Um tubarão. Um
tubarão realmente inteligente foi sua avaliação. — O que posso fazer
por você? —Perguntou ela.
— Eu sou Jonas Harrington, —disse o alto. Ele mostrou seu
distintivo para ela. — Czar está por aí?
— Desculpe, ele não está aqui agora. Se você precisar dele, eu
posso talvez chamar ele por telefone, —ela ofereceu, esperando que
isso fosse o que os bartenders costumavam dizer quando um policial
queria questionar o proprietário.
— Não é necessário. Eu vou pegá-lo mais tarde, —disse Jonas.
Esse era algum tipo de jogo de palavras? Ela não sabia. Ela nunca
falava com policiais. Era o código da rua. Não era feito. Heidi chegou
ao bar, acenando.
— Com licença. Tenho que fazer um par de bebidas. —Ela
queria beijar Heidi por interromper. Ela fez as bebidas que Heidi
pediu, compondo se mentalmente antes de voltar a encarar os
policiais.
— Eu posso ajudar com alguma coisa?
Aquele no uniforme do xerife empurrou três fotos pelo balcão
para ela.
— Meu nome é Deveau. Jackson Deveau.
— Prazer em conhecê-lo.
— Você viu esses três homens?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 260


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Torpedo INK Livro 1

Ela olhou para baixo. Sim, ela tinha visto-os. Os três idiotas que
a confrontaram no bar e depois a esperaram lá fora. Ela pegou as
fotos, fingindo estudá-las. — Eu tenho uma boa memória, —disse
ela, parando um tempo. — Eles definitivamente estiveram aqui. Eles
causaram alguns problemas, especialmente esse.
Ela tocou a foto de Deke e deixou o dedo nela. — Estou
tentando lembrar a data. Os dias são todos iguais depois de um
tempo. —Ela sentiu que era melhor ficar o mais próximo possível da
verdade. Para ser honesta, ambos os homens eram um pouco
intimidantes, o que era estranho. Depois de Reaper, ela não achou
que encontraria alguém que a intimidasse de novo.
— Que tipo de problema eles deram? —Perguntou Deveau.
Então Reaper estava lá, inclinando-se sobre o balcão, apontando
para uma cerveja, estalando os dedos para ela. Qualquer outra vez,
ela poderia ter jogado a garrafa na sua cabeça, mas ela estava
agradecida. Ela apressou-se a pegar a cerveja.
— Jackson Deveau. Não o vejo há alguns meses. E Jonas. Acho
que esta é a primeira vez que você vem ao bar. Os rapazes estão
passeando? —Reaper arrastou a questão, voltando a atenção dos
homens da lei para ele.
— Procurando por estes três. —Jonas tocou as fotografias.
Reaper olhou para as três fotos. — O que eles fizeram?
— Espancaram dois homens e pegaram suas carteiras em Fort
Bragg, —disse Jonas suavemente. — Testemunhas disseram que
estavam de moto, então pensei que eles poderiam ter aparecido aqui.
— Eles fizeram, —disse Reaper, empurrando as fotos pelo
balcão com algum nojo. — Tentaram jogar pesado, eram feios para
as garçonetes e nossa bartender, e tiveram suas bundas chutadas. A
última vez que vi eles estavam indo em direção a suas motos para
decolar. Eles sabem melhor do que mostrar seus rostos aqui.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 261


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Torpedo INK Livro 1

Anya colocou a cerveja na frente de Reaper e moveu-se pelo bar


para Bannister novamente. Por algum motivo, o homem mais velho
lhe dava conforto. Polícia. Assassinos. Motociclistas. Ela entrou em
uma bagunça porque não pôde resistir a um homem. Ele sentou-se
em um banquinho com os policiais, tecendo uma mistura de verdade
e mentiras, então não soou apenas plausível, mas provável.
— Continue falando comigo, querida, —disse Bannister
suavemente. — Não preste atenção a eles.
Era tão óbvio? Ela não era boa em ser uma bikers baby, isso era
certo. Lana e Alena poderiam enfrentar qualquer coisa, e parecer um
milhão de dólares, mas ela não podia nem mesmo lidar com policiais
no bar.
— Eu vivi nas ruas a maior parte da minha vida, —confessou.
— Você conhece o código. —Ele deu um tapinha na mão dela. —
Alena fez suas asas de frango?
— Você sentiu o cheiro delas, não foi?
Ele assentiu. — Eu os cheirei da estrada. Não pude resistir.
Eles tinham uma cozinha comercial e uma licença para vender
certos itens. As asas de frango estavam naquela lista e a maioria dos
moradores vinha às terças e quintas-feiras. As asas de frango de
Alena eram espetaculares. Ela se mexeu rapidamente para pegar
algumas para Bannister, agradecida por ele não ter pedido antes.
Andar pelo corredor para a pequena cozinha permitiu-lhe tomar uma
respiração muito necessária.
Player e Keys sentavam-se nos banquinhos do balcão de aço
inoxidável, ambos comendo as asas de frango e bebendo cerveja. Eles
enviaram sorrisos culpados. — Trabalhou bem lá, —disse Keys.
— Vocês não deveriam estar olhando os monitores? —
Perguntou ela. — Alena vai matá-los se vocês comerem todo o
frango. Vocês têm asas de frango na casa do clube.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 262


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Torpedo INK Livro 1

— Temos fome, —disse Player. — Olhar os monitores é um


trabalho que dá fome.
— Vocês dois estão loucos. Você viu os policiais entrarem?
Keys deslizou do banquinho, pegou um guardanapo, com o
olhar em seu rosto. — Apenas policiais, querida, —ele a acalmou. —
Nada com o que se preocupar. Reaper interferiu. Ele se livrará deles.
Você foi inteligente em admitir que eles vieram.
— É mais fácil se manter perto da verdade.
Ambos assentiram com a cabeça. — Não preste atenção aos
irmãos Burrows. Fique com Bannister. Ele cuidará de você. Sugira
que ele fale com Czar sobre seu problema, —Keys adicionou.
Ela não estava acostumada a ir a Czar por cada pequena coisa,
mas ela realmente gostava de Blythe e Blythe parecia pensar que o
homem caminhava sobre a água. Para eles, ele era tudo. Ela estava
secretamente com medo de não fosse boa em ser a mulher de Reaper.
Ela estava definitivamente fora de seu elemento, embora ela estivesse
muito feliz por não estar lidando com dois assassinos que gostavam
de cortar mulheres sozinhas.
Ela colocou as asas de frango em uma cesta. — Esses homens
não são os mesmos que cortaram minha colega de quarto. Como o
Ghost Club pode ter mais de uma equipe de assassinos?
— Não se preocupe com isso, querida. Nós temos isso. Você
estará segura.
Ela foi até a porta e depois voltou. — Será que Lana sabe a
resposta para essa pergunta?
Os dois trocaram um olhar alarmado. — Isso é uma pegadinha?
—Perguntou Keys.
Ela olhou para eles e saiu, se perguntando se realmente queria
saber a resposta. Colocando a cesta na frente de Bannister, ela

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 263


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Torpedo INK Livro 1

acrescentou dois guardanapos e abriu outra garrafa de sua cerveja


favorita. — Os homens são absolutos suínos, Bannister. A presente
companhia excluída.
Os dois policiais estavam saindo e o embrulho em seu estômago
diminuiu um pouco. Ela achou que estava bem fodida, para estar
mais aterrorizada com a lei do que com os assassinos sentados em
seu bar, esperando calmamente até que seu turno terminasse para que
pudessem cortá-la em pequenos pedaços.
— Eu concordo, —disse Bannister. — Os homens são absolutos
suínos. Não eu, é claro. Você não quer pular na minha motocicleta e
ir para o pôr-do-sol comigo, não é?
Reaper se juntou a eles, suas costas nunca viradas para os irmãos
Burrows. — Não quero ter que matar você, Bannister, mas você sai
com minha mulher e eu caço você até os confins da terra. Não será
bonito quando eu o encontrasse.
Anya estremeceu dedos de medo subindo por sua coluna
vertebral. Ele tinha que estar brincando com o velho motociclista.
Reaper sabia que ela nunca iria realmente andar com ele. Ele parecia
assustador o tempo todo. Nunca havia sugestão de um sorriso em
público.
Ela notou que todos os membros do clube brincavam um com o
outro, mas sorrisos reais eram raros e em público, inexistentes.
— Entendi, cara, —disse Bannister, nem um pouco ofendido. —
Faria o mesmo se ela fosse minha. —Ele deu uma mordida no frango.
— Poderia matar por esta comida, —acrescentou ele, lambendo os
dedos em apreciação.
— Foi Alena, —assegurou Anya. Ela olhou para o relógio. —
Preacher está atrasado. Eu preciso de uma pausa. —Ela deixou os
dois homens para fazer novamente os pedidos de Heidi. Desta vez,
graças a Bannister que abriu as comportas do frango, várias outras

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 264


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Torpedo INK Livro 1

encomendas foram feitas. Ela passou o tempo correndo para encher


as cestas, misturar bebidas e abrir garrafas de cervejas. Quando
Preacher entrou, ela estava mais do que pronta para o seu intervalo.
— Vou sair por alguns minutos para esfriar, —disse ela a
Preacher. — Está quente aqui. Nós realmente precisamos instalar um
par de ventiladores de teto.
— Eu concordo, —disse Preacher, olhando para o teto. — Um
sobre o bar e um sobre a pista de dança.
— Faça isso antes de assarmos, —disse Anya. — E precisamos
de um terceiro barman. Você trabalha sozinho no meu dia de folga e
eu trabalho sozinha no seu. Os dias lentos já não estão tão lentos
assim.
Preacher assentiu. — Vou dizer ao Czar para colocar o
anuncio. Cheguei atrasado e estava preocupado que você estivesse
afogada em trabalho. Outra garçonete seria bom também.
— Heidi e Betina tiram de letra, mas também precisam de ajuda,
concordou Anya.
— Bom para os negócios, ruim para nós.
Ela tirou o avental que usava e o dobrou, colocando-o atrás do
balcão. — Estou fora daqui.
— Quinze minutos, Anya, —gritou Preacher enquanto ela ia
pelo corredor em direção a porta de trás.
— Você chegou atrasado, que me dê trinta.
— Vinte então, —Preacher negociou.
Ela continuou andando, desaparecendo ao virar da esquina.
Imediatamente Lana puxou-a para uma pequena sala, empurrando-
a para uma cadeira confortável. — Coloque os pés para cima. Dentro
de exatamente vinte minutos, aconteça o que acontecer, você volta

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 265


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Torpedo INK Livro 1

para frente e volta a trabalhar. Não importa se Reaper voltar ou não,


você apenas trabalha, entendeu?
Anya tirou os sapatos e puxou os pés para a cadeira. — Entendi.
— E não faça perguntas, especialmente sobre o que você não
quer saber.
Anya assentiu. — Eu entendi.
Lana empurrou uma garrafa de água em suas mãos. — Beba
isso, leia ou algo assim.
Ela tocou seu jeans onde seu telefone vibrava. Ela o retirou do
bolso para olhar a tela. — Savage diz que estão em movimento. Estou
indo. Fique, Anya, e siga o plano, não importa que Reaper nunca
permita que ajude com qualquer coisa novamente.
Anya assentiu. Ela não tinha feito muito. Ela tinha andado por
um corredor e agora estava segura, encolhida em uma cadeira
enquanto Lana se tornava ela. Lana era mais alta do que Anya, mas
estavam vestidas com roupas iguais e Lana teria certeza de estar na
parte mais escura do quintal, sentando-se tão alto que não importava.
Os dois assassinos esperavam ver Anya, então eles acreditariam
e caminhariam até ela antes de tomar consciência de que não era
Anya sentada ali.
Reaper esperou até que os irmãos Burrows saíssem pela porta da
frente antes ficar de pé e sair caminhando até o fundo da sala. Ao
mesmo tempo, Savage ficou em pé também, mas ele foi até a porta
da frente, seguindo os irmãos. Reaper foi até a laje de madeira com
dobradiças, atravessando o balcão até o corredor. Ao invés de virar a
esquina como Anya tinha feito, ele foi direto pelo corredor para o
quarto de reuniões. Do outro lado havia uma porta que levava para
fora.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 266


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Torpedo INK Livro 1

Ele saiu para a noite. Para o escuro. Ele inalou o ar salgado.


Dedos de névoa vinham do oceano, alcançando o bar, ondulando ao
redor das árvores e tocando os carros no estacionamento. Ele se
moveu imperturbável pela escuridão. Os outros estavam perto. Ele
não precisava vê-los. Ele os sentia. Keys e Player estavam dentro,
cuidando de Anya apenas no caso de os irmãos se duplicarem.
Savage seguia os dois homens. Ele era capaz de matá-los se de
repente eles percebessem que estavam sendo seguidos e tentassem
escapar.
Eles faziam este cerco desde a escola, quando eles eram apenas
adolescentes. Ele era um clássico de Czar, sem jeito de errar. Czar
não acreditava na luta justa, não quando as apostas eram vida ou
morte. Ele jogava para ganhar. Suas vidas estavam na linha, e ele
tinha certeza de que cada um deles sabia que poderia morrer se não
seguissem o plano. Ele estava certo. Algumas vezes, alguém se
desviava e era morto, ou outra criança morria. Todos aprenderam a
confiar nos planos do Czar.
Lana sentou-se em uma pequena borda de pedra que passava por
uma tira estreita que levava a um canteiro de flores. Ela balançou um
pé para frente e para trás e inclinou a cabeça para olhar para o céu.
A névoa estava engrossando, começando a desenhar um véu sobre
as estrelas.
— Ei, Anya, —Mike Burrows a cumprimentou a alguns metros
de distância quando ele virou a esquina. — Está tudo bem fumar
aqui?
Lana acenou com a cabeça e assentiu. Mike veio diretamente
enquanto seu irmão seguia uma rota mais tortuosa, que o levou
perigosamente perto de onde Reaper estava imóvel como uma
estátua entre dois grandes arbustos. Lana não se mexeu de sua pose
relaxada, mas virou a cabeça para Mike.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 267


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Christine Feehan
Torpedo INK Livro 1

Parecia delicada e até frágil na luz borrada que a neblina


causava. Reaper nunca tinha considerado Lana nenhuma dessas
coisas, mas observando-a, percebeu que ela emitia essa aparência.
Mike evidentemente comprou-a. Reaper foi atrás de Steven Burrows,
assim que Mike tirou a faca do bolso.
— Você vai conosco, —ele sibilou, girando a faca, muito feliz
em assustá-la.
— Oh, por favor, —disse Lana. — Muito melodramático?
Reaper pegou a cabeça de Steven entre o cotovelo e a mão,
puxou-a sobre o ombro e quebrou. O crack foi audível no ar noturno.
Reaper manteve o homem sobre o ombro para ter certeza de que todo
o ar tinha saído dele e ele estava morto. Mike olhou para eles, mas
era difícil para distinguir qualquer um na escuridão com o engrossar
do nevoeiro naquele momento.
Ele pegou a faca, aprumando-se. — Você deveria ter se ocupado
do seu próprio negócio, cadela. As meninas não devem estar ouvindo
conversas masculinas.
— Sou uma Bartender, —Lana mentiu. — A descrição do meu
trabalho é ouvir. —Ela não fez nenhum movimento para fugir. Ela
ficou sentada lá, balançando o pé, observando-o chegar mais perto.
Mike aproximou-se, de repente franzindo a testa. Não importa
o quanto tentassem, não podiam fazer Lana se parecer como Anya.
— Quem diabos é você?
— Não a mulher que você quer cortar em pedaços pequenos. —
Ela inspecionou as unhas. — Eu acabei de chegar da manicure.
Tenho um pequeno trabalho que devo fazer depois, ou sério, você
estaria usando essa faca tola como uma gravata.
— Foda-se, cadela. —Mike olhou rapidamente para seu irmão.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 268


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— Por que os homens sempre dizem isso? Quero dizer,


realmente, não têm educação? Você não ganha então chora como um
bebezinho? Você deve posar de grande fanfarrão para se pavonear?
O que é isso? As mulheres de todo o mundo gostariam da resposta a
esta pergunta.
Ele apareceu sobre ela. — Eu vou cortar seu globo ocular.
A longa perna dela levantou e subiu. Duro. Excepcionalmente
duro. Lana poderia colocar uma tremenda quantidade de força em
seus chutes. Ela dirigiu a muito fina ponta de sua bota para a virilha
de Mike, diretamente em suas bolas. Ela ficou de pé em um só
movimento quando ele caiu para trás, avançando nele uma segunda
vez.
Savage estava atrás dele, e foi forçado a se agachar para pegar a
cabeça de Mike em um torno, empurrando o pescoço para frente e
para baixo, de repente até que o estalido foi alto na noite. — Sério,
mulher? Você mandou seu pau até o osso das costas.
— Ele não tem espinha dorsal, —disse Lana com desprezo. —
Cortar mulheres para se divertir? Que ser humano desagradável. —
Ela esfregou as mãos como se estivesse removendo-o dela.
A van chegou e Mechanic e Transporter colocaram os corpos
nela. Savage entregou a faca a Mechanic, as mãos ensanguentadas.
— Não se esqueça de jogar essa coisa no oceano, em algum lugar
profundo, —advertiu.
— Considere feito, —concordou Mechanic. — Bom show,
Lana.
— Obrigado. É sempre bom ser apreciada. —Ela soprou-lhe um
beijo.
— Savage está indo para o complexo para repassar as armas, —
Reaper disse. — Czar vai encontrá-lo lá. Lana, se você e Alena
quiserem algo especial, você precisa pedir agora. Vá com Savage. Eu

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 269


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Torpedo INK Livro 1

vou ficar com Anya e Preacher até o bar fechar e estarei pronto para
ir amanhã. Anya reproduziu as plantas e os deu a Ink. Ele está
fazendo cópias. Devemos tê-las dentro de uma hora.
Lana assentiu e balançou os dedos para ele. — Vá ter com sua
mulher, Reaper. Diga a ela que acabou. Ela está segurando isso,
melhor do que eu esperava, mas ela não é como nós. Talvez seja uma
coisa boa. Não precisamos de mais como nós. Nós precisamos de
mais como ela. É melhor você lidar com ela com cuidado.
Reaper não sabia se poderia fazer o que Lana estava dizendo,
mas ele sabia que ela estava certa, e ele queria ser aquele homem.
Anya tinha se comprometido com ele, mas agora ele tinha que
mantê-la. Ele tinha que encontrar uma maneira de se certificar de que
ela estaria sempre segura com ele, não importava o que eles fizessem
juntos. Ele também tinha que encontrar uma maneira de fazê-la feliz
quando ele era duro como pregos e não sabia nada sobre falar com
as mulheres, isso o preocupava. Ele estava determinado. Ele não
estava prestes a perdê-la por estupidez.
— Vou fazer, —disse ele e foi até a porta de trás da pousada.
Anya sentou-se na pequena sala, os olhos colados na porta. Seus
olhos se iluminaram quando ela o viu e saltou, lançando-se nele. —
Lana? Ela está bem?
Ele a pegou nos braços e segurou-a firmemente contra ele. —
Claro que Lana está bem. Por que não estaria?
— Talvez, porque ela iria confrontar dois assassinos idiotas com
faca e empregos de psicopatas.
Ele encolheu os ombros, inclinou o rosto para o dela e esfregou
o nariz ao longo dela. — Lana poderia ter pego os dois dormindo.
Ela parece doce, querida, mas ela tem um outro lado nela. —Ele
adorou que sua primeira preocupação fosse para Lana. Isso tinha que

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 270


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Torpedo INK Livro 1

significar que ela estava se movendo para ser parte de sua família
soubesse ela ou não.
Ele tomou sua boca. Deus fodido, ele amava sua boca. Ele
amava o jeito como, quando ele a beijava, ela apenas se abria para
ele, deixando-lo tomar tudo. Ela o inflamava até que as labaredas
estavam tão quentes, que ele não estava seguro de poder sobreviver a
elas. Ele deslizou a mão sob a camisa dela, em suas costas até o sutiã.
Dedos hábeis abriram o fecho facilmente.
— De quanto tempo é a sua pausa?
— Levou quatro minutos para ter o que você fez feito, então eu
tenho dezesseis minutos. —Ela pegou a parte inferior de sua camisa
e puxou-a sobre sua cabeça, deixando o sutiã cair no chão.
Ele amava como ela parecia sem fôlego. Como ela não hesitava.
Ele capturou os seios nas mãos, massageando, apertando, juntando-
os para que ele pudesse colocar um mamilo na boca e depois o outro.
Ele prestou atenção aos montes macios, acendendo-os com a língua,
usando os dentes, sugando forte o suficiente para deixar marcas em
seus seios macios. Ele gostava dos seios dela tanto quanto de sua
boca. Só uma vez que ele gostaria de tentar encher aquela boca com
seu pau, sentir a queima daquela caverna quente, ver seus lábios
enrolados ao redor dele, mas sabia que não era seguro.
— Seu jeans, —ele conseguiu silvar, mordendo um seio dela. Ela
soltou um grito suave e as mãos foram para a cintura de seu jeans,
deixando-o aberto. Ela tirou os sapatos e tentou empurrar o jeans,
mas ele não a soltou, sua boca a pegava com força. Ele nem tentou
ser gentil com ela. Ele não podia. Ele estava muito longe. Ela era
dele, e a ameaça para ela era grande. Ele teria matado o fodido
homem com as próprias mãos. Mãos que acariciavam seu corpo,
reivindicando cada centímetro dela.
Ele puxou o jeans, forçando-a a sair deles. Ele os jogou e a pegou
forte pelo ombro, girando-a para empurrá-la sobre as costas da

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 271


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Torpedo INK Livro 1

cadeira. Ela mal podia chegar ao chão quando ele chutou as pernas
para separá-las e segurou-a pela nuca. Ele gostou que ela tivesse que
lutar um pouco para ficar em posição enquanto ele se desfez de seu
jeans com uma mão.
Ele estava pronto. Ele estava sempre pronto quando estava com
ela. Sua mão foi entre as pernas para testar a umidade e depois bateu
em casa. Fogo envolveu o seu pau. As dobras apertadas quase não
cederam, fazendo isso relutantemente, agarrando-o quando ele foi ao
fundo, cercando-o como milhares de dedos, um punho de seda
espremendo-o tão apertado que limitava a dor. Ela estava quente,
tanto um paraíso como um inferno, um lugar de que ele nunca iria
querer sair.
Ele mergulhou nela mais e mais, seu dedo varrendo o clitóris,
ouvindo os soluços como notas musicais tocando em sua cabeça da
maneira como seu pequeno canal quente dominava seu pau. Ela
estava perto, muito perto. Ele não queria parar, parar, mas se ela
fosse ao longo da borda, ela o levaria com ela, sem dúvida.
— Maldição, Reaper. Eu preciso dela aqui. —Os jeans dela
passou por suas cabeças. — Acabe e me devolva minha bartender, —
Preacher falou.
Anya endureceu. Reaper não perdeu uma batida, trabalhando o
clitóris para distraí-la. Indo mais forte, percebendo de repente que
estavam novamente pele com pele. Ele não podia imaginar estar nela
com qualquer barreira, não importa quão fina fosse entre eles.
— Agora, querida, dê-me agora, —ele sussurrou, pegou seu
cabelo, puxando-a para trás quando mergulhou nela novamente. Ele
sentiu como um relâmpago escorrendo por suas costas. O fogo corria
através de suas bolas até ele ser um maldito vulcão em erupção, como
se tivesse estado dormente por anos. Ele soprou grande. Duro.
Ela o cercou com aqueles músculos apertados e mágicos
agarrando e ordenhando, procurando cada gota, drenando-o até

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 272


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secá-lo. Seu corpo ondulava em torno dele, duro, os choques


agitando os dois. Ele colapsou por cima dela, os braços em volta dela,
beijando uma linha pelas costas.
— Nada mais bonito que estar em você, querida, —disse ele.
Ela ainda lutava por respirar. Ela virou a cabeça. — Você já
pensou em fazer isso cara a cara?
Ele endureceu. Puxou e fechou o zíper de sua calça jeans. —
Você está reclamando?
— Claro que não, —disse ela e se virou encostada na cadeira,
ainda lutando para respirar. A ação chamou a atenção para seus
seios. Suas marcas estavam sobre ela. — É só que, às vezes, acho que
poderíamos tentar com a porta fechada e olhando em seu rosto.
— Estou trabalhando nisso, Anya. —Reaper jogou-lhe o sutiã e
encontrou o jeans e calcinha que Preacher tinha jogado. Ele pegou a
calcinha e entregou-lhe o jeans.
— Entregue-as. Estou de olho em seus jogos, —disse ela,
estalando os dedos.
— Tenho que pagar um preço, querida, —ele disse e saiu. No
interior, seu intestino estava revolto. Ele teria que encontrar uma
maneira de superar seus problemas, uma maneira de mantê-la segura
e simplesmente mantê-la.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 273


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A casa que Reaper comprou era maior do que


ele lembrava. Ele destrancou a porta, surpreso ao perceber que estava
quente. Ele deveria ter sabido que Lena e Alena o ajudariam. Ele
recuou para deixar sua mulher passar pela porta primeiro. Seu
coração batia fora de controle. Ele não sabia se ela estava segura com
ele, mas com certeza, sentia como se não estivesse. Ele estava em
território novo e o desconforto estava deixando-o nervoso.
Ele a queria lá. Ele queria que ela gostasse do lugar, mesmo que
fosse a terceira vez que ele ia lá. Foi uma vez, quando Czar insistiu,
outra quando ele comprou o lugar. Ele não a escolheu pela casa, mas
pela localização e as rotas de fuga. Pela posição de defesa. Ele mal
havia prestado atenção à casa. Agora desejava ter feito.
E se ela não gostasse? Ele tinha que ser capaz de lhe dar algo,
porque ela não estava tendo lucro nele.
— Esta é a sua casa? Você a comprou?
— Sim. —Ele era o dono dela. Comprada com dinheiro do
clube. Dinheiro que Code tirou de um grego magnata do transporte,
um bilionário que tinha sido presidente do Swords e o filho da puta
top do tráfico humano. Ele estava morto, graças a persistência de
Czar. Czar colocou sua vida e seu casamento em risco por cinco
longos anos para dar o tiro que matou o homem, e ele tinha feito isso.
Eles o fizeram juntos com a ajuda de algumas das mulheres de Sea
Haven e Jackson Deveau.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 274


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— Reaper. Uma casa como esta tem que valer milhões. Sua vista
é incrível. Eu nunca estive em uma casa como esta. —Havia
admiração na voz de Anya.
Ele a seguiu enquanto ela ia lentamente de uma sala para a
outra, olhando para ela o tempo inteiro, não para a casa. Ele não se
importava com a casa, mas sim sobre a mulher. Seu rosto estava
iluminado. Suave. Bonito. Ela passou a mão sobre o balcão de
granito, tocou a geladeira de aço inoxidável e depois o fogão. Os
armários de cozinha eram todos de carvalho. O chão era cor de aveia
em manchas fracas de três cores diferentes no azulejo.
Anya foi direto para o banco com vista para o oceano. — Isto é
a coisa mais incrível que eu já vi.
— O quarto é no andar de cima, —ele disse bruscamente. Ela
estava pensando em uma linda casa. Ele estava pensando que queria
colocá-la no balcão de cozinha e devorá-la até que ela gritasse por
misericórdia.
Ela olhou para ele por cima do ombro. — Querido, por que você
estava hospedado na casa do clube quando você tem essa?
Ele não podia ver nada do que a casa tinha para oferecer até que
ela estivesse nela. Tinha sido vazia, ecoando quando ele andava por
ela, mesmo depois do caminhão de entrega trazer o mobiliário com
uma cama que as meninas escolheram para ele, as cadeiras e os
suprimentos de cozinha que ele acrescentou mais tarde. Ele odiava o
vazio da casa, sentindo como se cada eco fosse apenas um reflexo de
seu próprio vazio. Agora, havia Anya iluminando cada quarto.
Anya foi para a grande sala. Ele não entendia o termo grande
sala. Era grande, tetos altos, toda de madeira brilhante e piso
reluzente. Um lado inteiro da sala era composto de janelas, deixando
ver o sol, o mar e a vista. Ela ficou na janela, apenas olhando para
fora sem falar.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 275


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Ele queria tomá-la ali mesmo, pressioná-la contra aquele vidro e


tê-la gritando por seu pau e por misericórdia. Isso tornaria a grande
sala em verdadeiramente excelente sala. Ele não se moveu. Não a
tocou. Apenas a observou, uma criatura exótica pela qual ele era
totalmente obcecado.
— Você não tem nenhum mobiliário. —Ela se virou para encará-
lo. O cabelo caiu em torno de seu rosto, caindo do rabo de cavalo
bagunçado. A massa de seda era muito selvagem para ser
domesticada pela fita que ela usava.
Ele queria afundar seus dedos em todo aquele cabelo, mas ele
ainda assim não se moveu. Ele não sabia o que estava esperando,
mas era algo. Seu coração se manteve acelerado e ele ouvia seu
sangue rugir como um trovão em seus ouvidos. Ele a queria com cada
respiração que tomava. Queria fodê-la cara a cara. Queria-a de
joelhos, a boca em volta de seu pau, deixar que ela tocasse sua pele.
Ele começou a sofrer, seu coração acelerando ainda mais, fazendo
uma corrida que o deixava aterrorizado, que se perderia.
— Há uma cama. No andar de cima.
— Você nem tem uma cadeira, Reaper. Por que não?
— A cozinha tem cadeiras, —ele disse bruscamente.
— Por que você não queria viver aqui? —Ela persistiu.
Porque ela não estava lá. Ele malditamente não ia dizer isso a
ela. Ela já o tinha envolvido em torno de seu dedo mindinho e isso
só o irritava. Ele não sabia o que fazer com isso. — Alena e Lana
montaram a cozinha. Panelas, frigideiras, eu acho que eles têm
talheres e pratos também. Um pouco de comida na geladeira.
Comprei isso sozinho. —Ele não podia tirar os olhos dela, com medo
que se piscasse, ela teria ido embora e ele teria o vazio da casa
novamente.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 276


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Os membros do clube viveram juntos desde que era crianças, a


maioria deles mesmo depois. Estar sozinho era difícil. Estar sozinho
consigo mesmo era pior.
— Vamos morar aqui? —Anya colocou as mãos nos quadris.
Isso chamou a atenção para suas curvas. Ela as tinha. Ele as amava.
Ela poderia ser atrevida, sua mulher.
— Sim, vamos morar aqui. —A menos que ela não quisesse isso.
Então eles se mudariam para onde quer que ela queira.
— Não há móveis, Reaper.
— Nós temos uma cama. O que mais precisamos?
Ela explodiu em risadas. Ele amava sua risada. Ela se derramava
sobre ele como música, notas que dançavam em seu cérebro,
acalmando-o quando nada além de socos alguma vez fizeram.
— Eu não posso acreditar que você é dono dessa casa, ela é
incrível. Linda. Eu posso ajudar com o pagamento da hipoteca. Se
eu estiver vivendo com você, eu posso dividir as despesas.
Ele estreitou os olhos para ela, deu-lhe o olhar da morte. — Isso
é besteira. Um, não há pagamento de hipoteca. Eu a possuo
totalmente. Dois, eu cuido da minha mulher, não o contrário. Não
me dê idiotices porque não vai ganhar.
Ela olhou para ele. — Uma coisa é você ir todo macho para cima
de mim quando você estiver com seus irmãos no clube, mas quando
estamos sozinhos ...
— Sou eu, Anya. Não o macho. Eu.
Ela poderia ser capaz de morar com ele? Com o jeito dele? Ele
sabia que não iria barganhar. Ele estava tentando, apesar de tudo, ele
não sabia como falar com ela. Como ser o que as mulheres pareciam
precisar.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 277


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Ela ficou ali pelo que parecia uma eternidade. Seu coração quase
explodiu e seu intestino estava tão amarrado em nós que era uma
maravilha que sua barriga não colasse em sua espinha dorsal. Um
lento sorriso finalmente acendeu o rosto dela e o alívio foi tremendo.
— Vamos verificar o quarto.
Ele balançou a cabeça. — Eu não acho que vamos chegar ao
quarto.
— Nós não vamos? —Ele balançou a cabeça novamente.
— Não. Não agora.
— O que vamos fazer?
— Você vai tirar a roupa para mim.
— Eu vou?
— Se você não quer que eu rasgue essas roupas, então sim, você
vai.
Ele se aproximou dela. — Não me importo de tirá-las de você,
mas não serei gentil. —Ele não se sentia gentil. A pressão em seu
peito quase o consumia. Ele não podia dizer o que ela era para ele.
Ele não conseguia descobrir palavras assim. Ele poderia mostrar. Ele
precisava saber que ela era dele. Que ela lhe daria tudo o que ele
precisava quando precisasse. Ele queria que ela sentisse o mesmo por
ele. Tomasse tudo o que ele era, quando ela precisasse.
Ela riu suavemente, o som escorregando pela espinha dele,
ondulando em torno de seu pênis como o toque de dedos. Ele tirou
os ombros de suas cores, dobrando-as com cuidado e jogando-as no
tapete grosso. Pegando a bainha de sua camiseta, ele a puxou e
enviou-a voando pela sala. As botas de motocicleta foram as
próximas. Ele não tirou os olhos dela enquanto ele as tirava.
— Mexa-se, mulher.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 278


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— Eu gosto de olhar para você. É melhor do que a vista, e isso


diz algo, porque a vista é bastante espetacular.
Ele tirou o jeans e a perseguiu. Ela riu e virou-se para correr. Ele
estava sobre ela antes dela dar dois passos. Ele pegou seu top e
puxou-o com força, rasgando do pescoço para baixo, jogando os
pedaços de lado. Seu sutiã foi o próximo. — Odeio essa maldita
coisa. Pare de usá-los. —Suas mãos foram para seus seios, pesando-
os, enquanto ele pressionava seu corpo fortemente contra as costas
dela.
— Você é perfeita. Eu amo a maneira como sua pele é macia. —
Seus dedos estavam nos mamilos dela. Ele tinha sido tão gentil
quanto possível antes, mas o animal nele, aquele animal ansiava por
ela, preocupado, doente que ela não pudesse aceitá-lo, tinha
escapado agora e não podia prendê-lo. Ele beliscou, puxou, enrolou
e amassou. Ela gemeu e ele se manteve nela, puxando seus mamilos,
querendo usar sua boca. Sua língua. Seus dentes. Ele precisava
colocar sua marca em todas as partes dela.
Suas mãos caíram na cintura do jeans dela. Ela já o tinha aberto,
então tudo o que ele tinha que fazer era tirá-los do corpo dela. Ele
puxou a calcinha, e não havia nada entre ele e a pele nua dela. Ele
colocou uma mão no cabelo dela, puxando a cabeça para trás para
que ele pudesse tomar sua boca. Fogo atravessou-o. Um fodido fogo
absoluto.
Ele a levou para o chão. Ele queria uma superfície dura. As mãos
dela se moveram sobre seu peito, suas costas, até o pescoço dele. O
toque dos dedos dela o deixou selvagem. Ele beijou-a repetidamente,
seu joelho no meio das coxas dela. As mãos dela alisaram nas costas
dele e agarraram suas nádegas. Ele amava isso. Adorava o jeito que
ela o tocava tomando posse.
Ele deixou a boca dela para beijar o caminho pela garganta, ao
redor de seu pescoço. Ele mordeu. Duro. Desejando sua marca lá.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 279


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Querendo que ela soubesse que significava algo. Ela gritou, mas seus
quadris se agitaram. Sua mão se moveu entre as pernas dela,
testando. Se certificando. Ele queria que tudo o que fizesse deixasse-
a mais louca. Sua mordida, sua reivindicação, enviasse fogo líquido
cobrindo seus dedos.
As mãos dela deslizaram pelo quadril em direção a seu pau. Seu
coração gemeu. O tempo parou. Ele pegou os dois pulsos dela e
puxou-os sobre a cabeça. Esticou o corpo dela como se estivesse em
uma prancha. Amarrado lá. — Quero que Ink tatue minhas
impressões digitais em seus pulsos. Como pulseiras. Mostrar ao
mundo com quem você fode.
Ela beijou seu peito, acariciando o mamilo com a língua. — Ele
poderia fazer isso? —Ela parecia sem fôlego.
— Sim, querida, ele pode fazer isso. Vou pedir-lhe amanhã. —
Ele beijou sua garganta e então correu a língua pelo vale entre seus
seios.
— OK.
— Deixe seus braços onde eu os coloquei. —Ele beliscou seu
peito, correu a língua ao redor da aureola e depois sugou seu mamilo,
achatando-o contra o teto de sua boca antes de puxá-lo com os
dentes.
Seus quadris agitaram mais. Ela se contorceu debaixo dele. Um
choro baixo e agudo explodiu dela. Ele tomou seu tempo, a boca
movendo-se sobre sua pele macia, marcando-a, dentes beliscando,
mordendo, a língua aliviando a dor. Ele manteve uma mão entre as
pernas dela, julgando sua reação ao seu jeito áspero. Este era o
Reaper real, amando sua mulher.
Ele queria que ela o sentisse que soubesse que pertencia a ele.
Ele adorava o maldito chão que ela pisava. Ele queria fazer o mesmo
com o corpo dela. Ele tomou seu tempo. Era a primeira vez em sua

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 280


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vida que ele desfrutava de uma mulher assim. Usando as mãos e a


boca para reivindicar cada centímetro dela. Querendo saber o que ela
gostava o que não. O que realmente a provocava. Do que ela tinha
um pouco de medo.
Ele estava cara a cara com ela. Frente a frente. Não havia
pensamentos de assassinato na cabeça dele. Só prazer. Puro prazer.
Ele passou uma grande quantidade de tempo em seus seios,
aprendendo o quão sensível era ela, quanto ela gostava de seus seios
puxados e apertados. Puxou. Sugou. Ela estava coberta de suas
marcas quando ele se moveu para sua caixa torácica, para a barriga
dela, a pequena barriga que ele passou alguns minutos provocando
enquanto ela se contorcia e debatia debaixo dele.
Duas vezes ela moveu as mãos sobre suas costas e para baixo em
suas nádegas. Ele amou a sensação de suas palmas deslizando sobre
ele, reivindicando-o. Ele amava as mãos dela amassando sua bunda,
os dedos escavando quando arqueava o corpo enquanto ele beijava
ou mordia a pele dela. Nas duas vezes em que suas mãos deslizaram
ao longo de seu quadril, procurando por seu pênis, ele agarrou seus
pulsos e colocou-os de volta na posição esticada sob ele.
— Fique aí, —ele grunhiu pela segunda vez, punindo-a
deliberadamente com uma mordida na curva superior do peito. —
Estou morrendo de fome aqui, mulher. Deixe-me ter você do meu
jeito.
— Seu jeito de me matar, —ela sibilou. — Reaper, eu preciso de
você em mim.
— Nós nem começamos. Você nos queria cara a cara. Você
conseguiu o que queria. Pare de reclamar e deixe eu me divertir. Eu
cuidarei de você.
— Tudo bem. Eu vou ficar aqui como um monte ou algo assim,
—ela reclamou.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 281


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Ele ergueu a cabeça para olhar para ela. Os olhos dela estavam
tão verdes que estavam quase brilhando. Sua boca estava inchada de
seus beijos. Seu rosto estava corado. Parecia tão bonita que seu
coração deu um pulo estranho, com o qual ele estava se
familiarizando. Ele não pôde evitar lhe dar um sorriso enferrujado.
Foi lento, mas estava lá. Ele sentiu-o primeiro em seu intestino.
Ele floresceu, espalhando calor através dele. Espalhou-se até chegar
até a boca e curvar o lábio inferior. Felicidade. Ele mal reconheceu a
emoção pelo que era. Tudo o que sabia era que ela o fazia sentir, e o
jeito como ele o fazia sentir era melhor do que bom.
— Faça isso, amor. Deite aí como um monte, —ele desafiou e
mergulhou a cabeça de novo no umbigo dela. Mais abaixo. Beijando
o caminho para o monte dela. Ele amava os sedosos pequenos cachos
escuros que escondiam o que nunca iria ser escondido dele. Ele
empurrou os ombros entre as coxas dela, mantendo as pernas dela
abertas. Virando a cabeça, ele beijou o caminho do joelho por dentro
de sua coxa até a entrada dela. Ele fez o mesmo em sua perna
esquerda. — Pensei que você ia ficar deitada aí, —ele sussurrou
contra seu macio convite para o sexo. A diversão era chocante. Ele
não brincava. Ele não provocava. Ele não sabia que podia se sentir
desse jeito durante o sexo.
— Estou deitada aqui, —ela mentiu. — Sem me mover. —Seus
quadris estavam tão agitados que ele precisava usar força para segurá-
la.
Ele riu suavemente, mordeu a coxa perto da entrada. Ele
respirou o ar quente. Esperou um batimento cardíaco, dois. Ela
estava pingando agora em antecipação. Ele poderia ter que comprar
uma porra de tapete novo se continuasse assim. Ele sorriu novamente
e colocou a boca nela, lambendo sua pequena buceta, aquele doce e
macia parte dela que foi feita apenas para ele.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 282


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Ela gritou e firmou os calcanhares, empurrando o corpo para


dentro de sua boca. Ele sugou seu clitóris, usou sua língua
implacavelmente, devorando o ouro líquido, um afrodisíaco que era
todo seu. Ele tomou seu tempo, saboreando o gosto dela. Saboreando
o fato de que ele poderia tomar sua mulher cara a cara, seu corpo
debaixo dele. Sua boca em qualquer parte dela, que ele quisesse. Ela
era dele, e ele poderia tê-la como quisesse. Ele queria tudo. Cada
fodida coisa.
O primeiro orgasmo a tomou com força. Ela gritou seu nome. O
segundo foi ainda mais duro, e ela soluçou seu nome. Na terceira
vez, ela apenas abriu a boca, a cabeça dela batendo para frente e para
trás, seu cabelo selvagem. Ele enxugou o rosto nas coxas e ajoelhou-
se entre as pernas.
— Abra seus olhos, —ele ordenou, com pau na mão. Ele se
sentia pronto para explodir. As bolas dele estavam grossas com sua
semente. Sua espinha doía. Seu traseiro. Suas pernas, como se aquele
vulcão estivesse em algum lugar profundo e pronto para explodir a
qualquer momento.
Ela obedeceu aqueles longos cílios se levantando para que ele
olhasse para todo aquele verde. Ele amava a maneira como ela
parecia exatamente naquele momento. Ele queria que aquela
imagem queimasse em seu cérebro para sempre. — Continue
olhando para mim, querida, —disse ele. Ele era grande, e ela estava
apertada. Ele queria ver o rosto dela, observar seus olhos, saber que
poderia levá-lo assim. Não em seu pior, mas talvez perto. Ele não
poderia se segurar.
— Estou olhando para você, —disse ela suavemente.
Ele pressionou em sua entrada escorregadia e apertada querendo
jogar a cabeça para trás e rugir. Observando o rosto dela, ele
empurrou firmemente, não empurrando, apenas uma constante
pressão, forçando as apertadas dobras a dar caminho para a sua

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 283


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invasão. Nada poderia mantê-lo fora. Não havia nada tão quente.
Tão perfeito. O prazer e a dor juntos em uma mistura não adulterada.
Sua vagina agarrou-o com força, apertou-o e ordenhou-o. Gotas
de suor pontilharam a testa dele enquanto o calor escaldante o
cercava como um punho apertado. Ele retirou-se, observando os
olhos arregalados. Bateu profundamente. Ele ergueu os quadris e
repetiu o movimento. Os olhos dela escureceram com luxúria, com
desejo. Sua respiração ofegou. Os seios sacudiram, chamando a
atenção para as marcas de posse. Talvez tivesse Ink tatuando suas
impressões digitais sobre eles.
Ele tomou seu tempo, permaneceu no controle o tempo que
pôde, levando-a com mais força do que já tinha, precisando da
sensação de seu corpo enterrado profundamente no dela. Precisando
daquelas chamas que o lambiam por todo o corpo, desciam a
espinha, o traseiro, dançavam em suas coxas. O corpo dela apertou
o dele e ela soluçou com o orgasmo, mas ele não cedeu, não quando
ela começou a se debater novamente, se torcendo, seu corpo tão
bonito, o suor fazendo-o brilhar.
Ele tentaria parar se ela tivesse movido os braços, mas ela não o
fez. Os olhos dela permaneceram presos com o dele e seus braços
ficaram sobre sua cabeça. Ele aumentou sua velocidade, sentindo o
acúmulo, o fogo pulando pelas veias, ameaçando destruir ambos.
Seus olhos ficaram atordoados. Sua boca se abriu. Nenhum som
surgiu. Então o corpo dela mais uma vez prendeu o seu como um
torno. O vulcão rasgou o corpo dele, suas sementes explodindo nas
paredes da bainha dela, misturando-se com todo calor para se
transformar em um inferno.
Ele desabou sobre ela, deixando-a tomar todo o peso, seu rosto
enterrado no pescoço dela, o pau ainda empurrando com força. Ele
estendeu os braços ao longo dela, correndo seus dedos através dela,
seu coração batendo forte, deslizando agora, tentando descer de uma

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 284


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corrida que nunca tinha conhecido. Ele tinha feito isso. Fodeu-a cara
a cara. Ela estava segura.
Inferno, ele poderia até mesmo dormir na mesma cama com ela.
No minuto em que o pensamento veio a sua mente evitou-o. Talvez
o chão fosse melhor. Espaços abertos. Ele beijou as pálpebras dela
enquanto se levantava, tomou seu tempo na boca dela, deixando-a
saborear a respiração, em sua língua.
Ela não virou o rosto, ela o beijou de volta. Ele moldou seu rosto
com ambas as mãos, olhando para os olhos dela. — Você é muito
‘sexy’ porra. Você gosta das coisas que eu faço para você, não é? Todo
o calor. A tempestade. Os golpes.
Ela assentiu. — Sim.
— Você foi feita para mim.
Ela sorriu para ele. Um sorriso de anjo. Ele não viu isso quando
tentou afugentá-la, mas lá estava. — Eu penso de outra maneira,
Reaper, acho que você foi feito para mim.
Os dedos dela estavam em seu peito, movendo-se. Ele estava
muito ciente de que eles escorregavam em direção a sua barriga. Seu
pau se sacudiu. Querendo seu toque. Precisando. Antes que os dedos
dela pudessem ir mais longe, ele se afastou dela abruptamente e
balançou para trás, sentado nos tornozelos, fora do alcance.
— Nós estamos uma bagunça, —ela observou, olhando ao
redor. — Se você pegar minha camisa, eu posso me limpar, e não
derrubo nada no tapete.
— Foda-se o tapete. Podemos comprar dez deles. Eu não quero
que você se limpe. Eu gosto de saber que estou dentro de você.
Ela riu. Aquele som. Aquela mágica. Enchendo sua casa com
ela. Com calor. Empurrando o vazio. — Você é muito louco. E talvez
um pouco excêntrico.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 285


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Ele estendeu a mão e agarrou a parte interna da coxa dela. —


Você acha que isso é ruim? Estou só começando, querida. Eu vou lhe
ensinar coisas que vão explodir sua pequena mente.
— Está tarde. Você pode me ensinar mais tarde? Se eu não
dormir logo, vou ficar falando coisas sem nexo. Onde é o banheiro?
Ele esperava que houvesse toalhas e papel higiênico. Ele nunca
pensou nessas coisas. Lena e Alena sempre cuidaram de tudo,
pedindo o que o clube precisava. Ele nunca pensou em agradecer e
precisava lembrar de fazer isso.
Ele ficou de pé e esticou a mão.
Ela ignorou sua mão e alcançou seu pau. Ele estava semiduro,
estado em que ele já estava acostumado. No momento em que seus
dedos o tocaram, o demônio dentro dele explodiu. Ele se moveu
rápido, batendo a mão dela. Duro. Ele se virou e atravessou a sala,
amaldiçoando a si mesmo. Amaldiçoando ela. Amaldiçoando tudo
o que ele poderia pensar. Ele a ouviu se mover, mas ele atravessou a
porta que levava à varanda longa e curva que circundava a sala de
estar. Uma vez fora, ele podia se livrar da pressão em seu peito. Da
necessidade de violência. Da terrível necessidade de matar.
Ele levantou o rosto para a noite e rugiu sua dor. Era dor. Sua
mulher não podia tocá-lo sem desencadear sua resposta de matar.
Anos de treinamento. Anos de matança. Anos sendo um maldito
monstro. Ainda estava lá, esperando. À espreita. Mas ele não
permitiria que ele ganhasse. Não a ela. Não Anya.
— Você não vai conseguir, —ele sussurrou para Sorbacov. Para
a noite. — Você não terá Anya. —Ela era dele. De Reaper. Ele não
ia deixar que nada acontecesse com ela. — Você não a pegará, —ele
repetiu. Foi um voto.
A grande sala estava vazia quando ele voltou. Ele não tinha ideia
de quanto tempo ele tinha ficado lá fora, mas demorou bastante para

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 286


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esfriar o calor do corpo dele. Ele deixou suas roupas no chão e subiu
as escadas. O som da água parou abruptamente. Ela tomou banho
no banheiro principal. Não querendo encará-la e qualquer pergunta,
ele usou o chuveiro do quarto de hóspedes. A água quente ajudou a
acalmar músculos doloridos, mas não fez nada para aliviar o medo
que crescia nele. Ele não podia desistir dela. Ele tinha que encontrar
uma maneira de contornar isso.
Ele queria seu toque. Ele até mesmo precisava dele. Ele queria a
boca dela sobre ele. Ele queria tudo com ela—seu corpo, de todas as
maneiras que ele pudesse ter. Ele queria que ela pudesse tocá-lo
livremente, para beijá-lo onde e quando quisesse.
Água turvou sua visão, queimando por trás de seus olhos. Ficou
presa na garganta até que ele não podia engolir. A pressão em seu
peito era enorme, ameaçando esmagá-lo. Ele bateu o punho na
parede, sentindo a dor explodir em seu braço. O que foi bom. O que
ele precisava. Eliminar. Sentir a queimadura. A doce promessa de
retaliação, de expulsar o demônio por um tempo. Ele bateu de novo
e de novo, desejando estar batendo em alguém, precisando que eles
estivessem socando de volta para que ele pudesse sentir os punhos
batendo nele.
— Pare com isso.
A voz dela penetrou. Ele olhou para as mãos. O sangue estava
por toda parte, mesmo correndo pelos azulejos quebrados.
— Eu quero dizer isso, Reaper. Pare com isso agora ou eu juro,
estou saindo daqui.
A fúria queimou através dele. Ele girou e a agarrou por ambos
os braços, chacoalhando-a um pouco. — Você não me ameaça assim.
Nunca. Você não gosta de algo que eu faço você pode gritar me
acertar a cabeça com uma frigideira, mas você não ameaça sair. Você
me entende? —Se ele podia ficar e achar uma solução para essa
merda, então ela também podia.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 287


Judgment Road
Christine Feehan
Torpedo INK Livro 1

Os olhos dela procuraram seu rosto. Ela respirou fundo. — Eu


acho que você conseguiu deixar absolutamente claro, Reaper. Solte-
me.
Ele fez, afastando os dedos da pele quente, com medo de
machucar ela. — Droga, Anya. Eu sinto muito. Não queria te apertar
tão forte.
— Você não fez. —Ela esfregou o sangue escorrendo pelo braço
dela. O sangue dele. — Eu não goste que se machuque.
Ele franziu a testa. — Não estou me machucando.
Ela pegou a mão dele, segurou-a debaixo do seu nariz,
ignorando completamente a sua regra não toque. — O que diabos é
isso, então? Parece sangue para mim. Parece que o azulejo foi todo
quebrado por esta merda. O que é isso, se você não se machucou?
— Mulher, você tem uma boca infernal quando está com raiva.
— Parece ser a única coisa que você entende.
Ela deixou cair o braço e se virou. Ela estava usando uma
camisa. A camisa dele. A maldita camisa de flanela que parecia
acompanhá-los em todos os lugares que iam. Lana e Alena
novamente. Elas devem ter trazido as roupas para a casa. Confiaram
em Anya para encontrá-las. Ele a viu ir embora. Teria sido um grande
show de temperamento, mas suas nádegas espreitavam debaixo de
sua camisa de vez em quando, enquanto caminhava rápido, com os
braços movendo-se o bastante para levantar a camisa.
Ele pegou uma toalha, enterrou o rosto nela e depois a passou
pelos pontos de água em sua pele, seguindo-a, hipnotizado pelo
balanço de seus quadris e vislumbres ocasionais de seu traseiro. Ele
pensou que suas impressões digitais tatuadas lá poderiam ser uma
coisa também.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 288


Judgment Road
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Torpedo INK Livro 1

— Você está me seguindo? —Ela estalou, virando na porta da


suíte principal.
— Mulher, você olhou para os meus dedos? Eu poderia usar um
pouco de TLC30. Que tipo de mulher deixa seu homem sangrando e
ferido?
— Uma mulher que vai para a cozinha encontrar a frigideira
maior e se possível a mais grossa. Esse tipo de mulher. —Ela deu dois
passos para trás. — E pare de me seguir. Vá embora.
Ela enxotou-o com a mão. Ele continuou andando em direção a
ela. — Reaper, você me faz querer jogar coisas. Não é seguro para
você se aproximar mim. Estou falando sério, vá embora.
— Você precisa me dar um soco? —Ele caminhou até ela. Ela
cheirava a céu. Seu cabelo estava empilhado na cabeça em um nó
bagunçado que apenas pedia para ser desfeito. Ele pegou sua mão,
fechou os dedos num punho e puxou-o para o coração dele. — Aqui
mesmo, querida. Acerte-me aqui. Você precisa fazer isso, eu estou
aqui para você.
Ela ficou olhando o rosto dele por um longo tempo. Muito
lentamente, seus dedos se desenrolaram até a palma da mão ficar
plana e o coração dele bater em sua mão. Para o choque dele, ela se
inclinou, apertando seu corpo no dele. — Diga-me o que fiz de
errado. Diga-me por que você continua me deixando depois de me
tocar como você faz.
Ele envolveu seus braços em torno de sua cabeça e segurou-a
forte, segurando-a assim era impossível para ela olhar para cima e ver
seu rosto. Normalmente ele podia manter uma máscara, mas ele não
sabia como lidar com emoções tão intensas.

30
TLC - Abreveatura de 'ternura','cuidado amoroso', 'bondade', 'amor' e 'atenção'. Exemplo: Ele vai precisar de muito TLC
quando ele sair do hospital.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 289


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Torpedo INK Livro 1

— Você não fez nada de errado, Anya, —ele assegurou


bruscamente. — Não sou bom nisso. É tudo muito novo. Estou
aprendendo isso enquanto acontece. —Ela se deitou contra ele, seu
corpo suave. Flexível. Nada rígido. Se ela estava com raiva, não era
sobre ele a deixar depois de terem feito sexo. Era porque seus dedos
estavam sangrando. Se fosse esse o caso, ela ficaria brava muitas
vezes. — Querida, deixe-me resolver isso. Me dê um pouco de
tempo. Você queria cara a cara, e eu lhe dei isso.
Ela assentiu. — Eu sei que você fez. Eu realmente adorei o cara
a cara. Adorei de joelhos. Adorei curvada sobre uma cadeira. Adoro
estar com você de qualquer jeito que eu puder. Eu tomarei tudo o que
for possível, Reaper, mas você tem que me dizer se estou fazendo
algo errado.
Ele respirou fundo. Tinha de ser dito se era para ela ficar segura
... — Não pegue no meu pau, a menos que eu lhe dê permissão. —
Ele forçou as palavras. — Não pergunte as razões, apenas me dê isso.
É necessário ou eu não estaria dizendo isso.
Ela recuou e olhou para o rosto dele. — Você não quer estar em
minha boca? Você não quer que meus lábios se enrolem ao seu redor?
Meu punho te segurando forte? —Havia uma tentação perversa nela.
Qualquer outra hora, ele apreciaria, mas agora não.
As palavras dela evocavam imagens. Sua boca foi feita para
foder. Ele queria seu pau lá. Ele queria ver seus lábios esticados ao
redor dele. Ele não era pequeno e eles se esticariam aos limites. Ela
teria dificuldade em engoli-lo, mas ela faria. Ele estava duro como
uma porra de pedra novamente.
O olhar dela ficou colado ao seu pau, mas ela não cometeu o
erro de se aproximar para tocá-lo. Ela colocou as duas mãos atrás das
costas e olhou para ele inocentemente.
— Inocente minha bunda, —ele retrucou, girou-a e empurrou-a
contra a parede. Ele chutou os pés para abrirem, puxou seus quadris

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 290


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Torpedo INK Livro 1

para trás, empurrou a flanela para cima e enfiou o pau em sua casa.
Relâmpagos bifurcaram-se pelas costas e espinha. Fogo correu
através de suas veias. Ele entrou nela mais e mais. Duro. Punitivo.
Amando-a. Que porra ele estava pensando? Ele não conseguia parar,
não querendo examinar esse pensamento ou de onde veio. Ele
mergulhou nela repetidamente, enquanto sua respiração ficou
irregular, ela soluçou seu nome e ele ouviu o rugido do sangue em
seus ouvidos. Ela era um inferno de quente, queimando o nome dela
em seu pau, marcando-o com seus músculos tensos e a seda
escaldante que o cercavam como um punho.
— Reaper. —Seu nome saiu como um sussurro.
Ele adorava ouvir isso assim. Suave. Significado algo. A rápida
construção da pressão aumentou dez vezes. Não houve retenção. Ele
puxou a cabeça dela para trás, usando o nó desarrumado em sua
cabeça. Inclinando as costas, pressionando os seios na parede,
mantendo os quadris dela puxados para ele enquanto ele a tomava
profundamente. Ele deixou que a corrida de fogo se apressasse sobre
ele. Deixando-o soprar sua mente maldita. Seu corpo tão apertado
ao redor dele o fazia pensar que o topo de sua cabeça iria sair junto
com o pau dele.
Ele trancou o braço em torno de sua cintura e segurou-a quando
suas pernas ameaçaram dobrar. Ele empurrou o rosto no pescoço
dela e respirou. — Eu amo foder você.
Ela não disse nada, mas manteve sua testa pressionada
firmemente contra a parede.
— Querida? Eu machuquei você? —Ela ainda estava parada
para seu gosto.
Ela balançou a cabeça. — Eu preciso voltar a me limpar.
Ele recuou e, mantendo o braço em volta da cintura, levou-a
para o quarto. Ele tinha esquecido o quão grande era. Espaçoso.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 291


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Torpedo INK Livro 1

Tetos altos. Aquele longo banco de janelas, assim como aqueles na


cozinha e sala grande. As portas francesas levaram a uma varanda
com vista para o oceano. A cama estava feita, dois travesseiros.
Cobertores. Lençóis. Ele deixou-a escapar e recuou.
— Vamos dormir no andar de baixo. Na grande sala. No chão.
—Ele deu a ordem, passou por ela, arrancou os cobertores da cama
e saiu. Ele estava sentindo a dor nos nódulos agora. Ele precisava
mergulhá-los em água fria. Ele iria para San Francisco de manhã para
resgatar a old lady de Hammer. Ele precisaria de suas mãos. Ele
tentou manter sua mente na dor e não em se Anya o seguiria até o
andar de baixo. Ele jogou os cobertores na frente da lareira e foi até
a cozinha para poder colocar as mãos em água fria.
Ele ficou lá muito tempo, desejando ser diferente, sabendo que
ele provavelmente nunca seria. Quando seus nódulos estavam tão
entorpecidos, que ele não conseguia senti-los, ele abriu a porta da
geladeira, encontrou duas garrafas de água e puxou-as para fora. Ele
realmente queria whisky. Talvez a porra da garrafa inteira. Ele voltou
para a grande sala esperando que estivesse vazia.
Os cobertores foram colocados em frente à lareira. Chamas
dançavam ao longo dos troncos falsos. O controle remoto estava ao
lado dela. Ela estava sentada no meio dos cobertores escovando os
cabelos. Ele se sentou atrás dela e pegou o pente.
— Eu encontrei um kit de primeiros socorros no banheiro do
andar de cima. Tinha gaze e creme antibiótico nele. Suas irmãs
conhecem você, não é?
— Sim. —Ele passou o pente pela massa longa e grossa. Ele
estava um pouco apaixonado pelo cabelo dela. Não só queria que sua
boca se enrolasse em seu pênis, ele queria que seus cabelos o
envolvessem também. Ele continuou escovando, ignorando os
pensamentos e as imagens que encheram seu cérebro e o deixaram
saber que ele poderia ser o maior pervertido do planeta quando estava

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 292


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Torpedo INK Livro 1

por perto dela. Pior ainda, ele gostava. Ela se voltou, pegou o pente
e começou a trançar o cabelo.
— Eu não posso acreditar que essa é realmente sua casa. Não é
muito longe da casa do clube. Ou do trabalho.
— Você quer continuar trabalhando? Você não precisa.
— Claro que vou trabalhar. Eu adoro. —Ela se virou para olhar
para ele sobre o ombro. — Reaper, Preacher ou um dos outros está
sempre lá. Você sabe que alguém olha o monitor. Eu tenho um botão
de pânico. Você não precisa estar lá todas as noites só porque eu
estou.
— Você está lá, eu estou lá se eu puder.
Ela suspirou. — Se é isso que você quer fazer. Apenas estou
dizendo que não é necessário. —Ela prendeu o cabelo, recuou e
virou-se para encará-lo. O kit de primeiros socorros estava perto. Ela
abriu e trouxe uma das mãos dele para ela, inspecionar os nódulos.
A água fria tinha parado o sangramento e controlado o inchaço. Ele
tinha estado lutando toda a sua vida e os nódulos mostraram isso.
Eles haviam sido esmagados mais do que uma vez.
Ela baixou a cabeça, e seu coração quase parou quando sentiu a
escova dos lábios dela sobre a carne mutilada. Custou todo o controle
e a disciplina dele, não se mexer nem se afastar. Não porque ela
despertou o monstro. Porque ninguém já tinha feito isso antes.
Ninguém já tinha beijado uma dor nele. Ele não sabia o que fazer
com isso ou como isso o fazia sentir. Ele queria se afastar dela, se
retirar e se proteger dos sentimentos esmagadores que ele não
compreendia ou queria. Mas ele não fez isso. Deu-lhe tão pouco que
iria lhe dar isso mesmo que essa porra o matasse.
Ela espalhou creme antibiótico sobre as feridas cruas e depois
envolveu suavemente a gaze em volta da mão dele. Ela pegou a mão
esquerda e fez o mesmo, escovando os lábios suavemente sobre as

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 293


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Torpedo INK Livro 1

feridas. Suas pestanas se ergueram e ela olhou para ele. Aqueles olhos
verdes fizeram algo com ele. Ele não podia desviar o olhar, nem
mesmo quando ela deixou cair o olhar em sua mão, aplicou a
pomada e enrolou os nódulos.
Ele não podia tirar os olhos dela. Ela não lhe fez perguntas nem
discutiu sobre dormir no andar de baixo. Como ele poderia explicar
que ele poderia dormir dentro de um quarto cercado por seus irmãos
e irmãs, mas não em um quarto no andar de cima onde havia apenas
os dois? Que não se sentia seguro? Ela não tinha ficado chateada
quando ele bateu a mão dela, quando tudo o que ela queria fazer era
tocar o seu corpo da maneira que ele tocou o dela. Ele não podia
explicar suas razões para isso também, mas ele tinha que dar-lhe algo.
— Anya ... eu não estaria nesta casa se você não estivesse aqui.
É a nossa casa. Eu quero que você faça disso um lar para nós.
Ela sorriu para ele. — Isso é bom, porque eu tenho todos os tipos
de ideias. Eu não estava mentindo quando eu lhe disse que era boa
nisso. Estou ansiosa para ajudar Alena com o restaurante também.
Ela me disse que me ensinaria a montar. Eu não fazia ideia de que
Lana e Alena montavam tanto quanto todos vocês.
Seu intestino deu um nó. — Montar? —Ele ecoou.
Ela assentiu. — Eu adoro estar na moto. Eu não tinha ideia de
como isso poderia fazer me sentir.
— Vamos aprender a caminhar antes de tentar correr, querida.
Fique na minha motocicleta comigo por um tempo. —Inferno. Se ele
tivesse sorte, ele a prenderia, assim como sugeriu Ice. Dessa maneira
ela não o deixaria, e esqueceria tudo sobre querer uma moto própria.
Ele ia estrangular Alena. Ele sabia muito bem que ela havia feito a
oferta de propósito apenas para que pudesse rir dele quando ele
perdesse a cabeça. Ele não ia cair na armadilha de Alena e protestar.
Ele iria ganhar tempo. Ele passou o braço em torno dos ombros de

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 294


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Torpedo INK Livro 1

Anya e puxou-a de volta para ele. — Você pode fazer isso por mim?
Só por um tempo?
Ela deu aquele sorriso lindo, o que ela reservava para ele. — Eu
posso fazer isso. Você vai tentar dormir? Se você precisar de mim,
estou no andar de cima, querido.
Seu intestino apertou com a oferta. Ele sabia que ela queria
dormir com ele. Mil razões pelas quais ela não deveria percorreram
sua mente. Ele estava nu, no entanto. Nenhuma arma perto. Se ele
pegasse as mãos dela, ele seria capaz de recuar. — Fique aqui, isso é
bom. Eu quero dormir ao seu lado. —Ele queria dormir ao lado dela,
mais do que qualquer coisa.
Pelo sorriso dela valia a pena toda a ansiedade em que ele se
afundava profundamente. Ela se deitou e virou de lado, de costas
para ele. Ele sabia que ela fez isso de propósito. Ele colocou seu corpo
em torno do dela, puxando-a para dentro dele, o braço fechado em
torno dela, seu pênis apertado contra a bunda dela. Inalou o cheiro
dos cabelos. Ele amava essa porra. Ele não tinha ideia de qual seria
a sensação de dormir ao lado de sua mulher, seus braços em torno
dela, o cabelo dela em seu rosto, sentindo-se em paz. Ele nunca tinha
tido isso antes também.
Algumas horas mais tarde, Reaper acordou, seu coração
acelerado, seu punho embrulhando os cabelos sedosos, já puxando
antes que ele pudesse parar-se. Ele tinha virado no meio da noite,
ficando de costas. Ela deitou-se sobre ele, seu cabelo deslizando sobre
seu pênis e coxas, aquela trança grossa, uma erótica cobra inclinada
a destruí-lo.
Ela ofegou e ele tomou-lhe a boca, desesperado para impedir que
ela visse o demônio e o quanto ela esteve perto de inocentemente
despertá-lo. Ele a beijou até que nenhum deles pudesse pensar. Então
ele a colocou nas mãos e joelhos, de costas para ele, com as mãos

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 295


Judgment Road
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Torpedo INK Livro 1

ocupadas em manter o corpo erguido dos cobertores, embora ela


ficasse nos cotovelos, com o fôlego saindo em gemidos.
Depois de abraçá-la, seu coração ainda estava batendo
acelerado, sua mente no caos. A doce paz não durou tanto quanto
ele precisava.

Lana levou a BMW até a frente do Ghost Club.


Ela olhou o elegante manobrista de cima e abaixo com os olhos
gelados, deixando seu olhar passear da cabeça aos pés e, em seguida,
voltar a sua virilha de forma especulativa. Quando levantou cílios,
ela sorriu para ele. Ele correu para abrir a porta para ela. Ela se
mexeu no banco, virou de lado e colocou para fora as duas pernas
elegantes. Ela usava meias que terminavam no topo de suas coxas,
mantidas lá por ligas pretas de renda. Sua saia subiu quando ela ficou
em seus saltos muito altos de dois mil dólares.
Ele ofereceu a mão, e ela tomou como se fosse obrigação dele.
Ela levantou-se graciosamente, o vestido de ouro brilhante se
aferrando a cada curva. Seu cabelo, negro como a asa de um corvo,
balançou em torno de seu rosto, chamando a atenção para o oval
perfeito, as maçãs do rosto salientes, a voluptuosa boca vermelha e
os longos cílios negros. Diamantes escorreriam em suas orelhas em
correntes douradas. Ela deixou cair as chaves na mão dele e observou

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 296


Judgment Road
Christine Feehan
Torpedo INK Livro 1

com diversão enquanto ele corria ao redor do carro para abrir a porta
para Alena.
Alena completava-a, com seus cabelos platinados naturais
selvagens e brilhantes, impossíveis domar. Seus olhos eram de um
azul gelado, ainda mais surpreendente porque seus cílios eram longos
e escuros. Ela usava vermelho. Carmesim. O material parecia
pintado em sua pele, uma renda elástica que poderia ter sido
chocante, mas era apenas erótico. Ela também sorriu para o
atendente. Quando moveu a cabeça e o cabelo balançou, rubis
vermelhos brilhavam em suas orelhas.
Lana seguiu em direção à porta, Alena em perfeito passo com
ela. O manobrista observou-as caminhar até a porta do clube. Ele não
tirou os olhos delas até a porta se fechar atrás delas. Ele ficou ali,
como se estivesse atordoado, antes de sacudir sua cabeça como se
estivesse saindo de um sonho, correr e deslizar para o banco do
motorista.
De seu posto de observação no telhado do outro lado da rua,
Preacher acompanhou o drama inteiro pelo escopo de seu rifle. As
meninas estão dentro, ele relatou. Uma vez que Lana e Alena estavam
em segurança dentro, ele mudou sua atenção para o manobrista. Ele
definitivamente é o observador. Ele está conversando em seu pequeno rádio,
ninguém deveria notar. Lana me avisou de que ele estava conectado. Você
conseguiu Lana, ele marcou vocês duas.
Quis ter certeza de que ele nos notassem, Lana respondeu, sua voz
cheia de diversão. Um pouco de pernas e muita atitude funciona sempre.
Ele mordeu duro.
Não exagere na sua mão. Faça com que venham até você, disse Czar.
Não se preocupe. Alena nos encontrou uma mesa e nós vamos sentar,
beber e conversar. Eu estou usando o dinheiro. Esbanjando. Dei ao menino
manobrista uma boa gorjeta.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 297


Judgment Road
Christine Feehan
Torpedo INK Livro 1

Preacher dirigiu sua atenção para a rua e o beco. Em sua


posição, ele podia ver metade do beco, o suficiente para cobrir o
Mechanic enquanto ele instalava poderosos dispositivos de áudio.
Ele cambaleou como se estivesse bêbado, colocando um pequeno
dispositivo na borda do edifício e descendo ao longo da escada que
levava ao porão.
Áudio no lugar, relatou Mechanic. Trocando-me na van e entrando.
Keys apostos na esquina do beco, passeando, olhando para o
relógio, olhando para tráfego como se estivesse esperando por uma
carona. Estou em posição, ele disse. Tenho olhos no interior do porão, mas
não posso ver nada além de um quarto vazio. Me trocarei e seguirei Mechanic
para dentro.
Van em posição, disse Transporter. Ele tinha avisos em torno para
alertar pessoas de alta tensão, um poço aberto e um colete da
companhia elétrica, apenas para completar a cena. Vou avisar quando
estiver limpo.
Preacher usou binóculos para varrer os edifícios, os telhados e,
em seguida, a rua e o beco. Estava escuro o suficiente e vários bons
lugares para seus irmãos desaparecerem. Eles eram verdadeiros
fantasmas durante a noite. Os membros do Ghost Club eram
advogados do alto escalão, presidentes corporativos e CEO’s de
empresas. Eram homens que ninguém jamais adivinharia estavam
por trás do Ghost Club, ou que eles pudessem andar com cores no
território dos Costas Diamond e exigir um pedaço de tudo o que
faziam.
Não iam correr riscos de passar drogas ou armas, falsificar,
supervisionar prostituição ou o tráfico de seres humanos, eles
simplesmente exigiam uma participação ou começariam a cortar as
mulheres cujos integrantes dos clubes se preocupavam. Code tinha
trabalhado meticulosamente para descobrir identidades, seguindo os
e-mails e conversas entre várias empresas. Tudo estava em uma

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 298


Judgment Road
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Torpedo INK Livro 1

criptografia ridícula que eles achavam que ninguém notaria ou


quebraria.
Code era um hacker de elite. Sua amiga, Cat, uma mulher que
ele nunca conheceu, era de elite como ele. Eles muitas vezes
trabalhavam juntos para superar um firewall particularmente difícil,
e ela o ajudava para que o clube pudesse obter informações
rapidamente. Ela seguia uma trilha enquanto ele seguia outra, ambos
trabalhando durante noite e dia para encontrar os vários membros.
Os membros do Ghost Club achavam-se invisíveis, impossíveis
de encontrar até mesmo se um clube fosse atrás deles. Eles usavam
recursos externos para fazer seu trabalho sujo, montavam Harleys,
usavam cores e se aproximavam dos outros clubes. Eles tinham gente
que atraia membros dos clubes para apostar. Seus tentáculos
chegavam não apenas à clubes de motocicleta, mas muitas empresas.
Aqueles homens se sentavam em seus escritórios corporativos, certos
de sua própria segurança, tornando-se mais ricos, mais poderosos e
com todos os direitos.
Está limpo, Preacher disse. Entretanto, apressem-se.
Mechanic e Keys emergiram da van em ternos escuros que
custavam facilmente vários milhares de dólares. Eles pareciam russos
ricos, na cidade por alguns dias apenas para relaxar e se divertir um
pouco, talvez pegar mulheres por uma noite ou duas. Eles eram altos,
bonitos, com algumas cicatrizes faciais, apenas o suficiente para
parecerem interessantes.
Eles falavam um com o outro em sua língua nativa, parando fora
do clube para esmagar um cigarro russo, dando ao manobrista uma
boa olhada deles. Eles não se dignaram a olhar para o garoto de
uniforme, eles simplesmente abriram a porta ornamentada e
entraram como se possuíssem o lugar.
Ele mordeu a isca, informou Preacher. Ele está conversando no rádio.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 299


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Torpedo INK Livro 1

Estamos recebendo um feed de áudio. O cassino está em pleno


andamento, informou Code. Eu posso ouvir alguns funcionários falar sobre
Lana e Alena. Meninas, vocês deixaram alguns bem excitados.
Que vergonha para nós. Alena sussurrou sua resposta, mantendo o
sorriso. Nós já tivemos várias bebidas enviadas para a nossa mesa já. Difícil
gastar dinheiro, mas dando gorjetas generosas para a garçonete. Deixando ela
vislumbrar o rolo de dinheiro. E não, Czar, não fomos óbvias sobre isso.
O clube estava lotado, a luz apagada, a música alta. A pista de
dança era cheia e quase todas as mesas tomadas. Alena observou
enquanto o barman deu a um homem um cartão fino, como a chave
de um quarto de hotel. Ele fez isso quando entregou uma bebida ao
homem.
— Olhe, Alena, —Lana disse, inclinando-se sobre a mesa para
tocar a mão de Alena, rindo suavemente para dar a ilusão que ela
estava falando com sua amiga sobre algo engraçado. — Parece que
temos um peixe no anzol. Talvez uma baleia. Olhe para suas
abotoaduras. —Seus irmãos podiam ouvir tudo o que ela dizia.
Um homem pairou sobre elas, aproximando-se da mesa para
ficar entre elas. — Senhoras. —Ele era muito bonito e sabia disso,
dando-lhes um sorriso que podia ter quebrado alguns corações. —
Bem-vindas ao Ghost Club. Sou Raul, o gerente. Se houver qualquer
coisa com que eu possa ajudá-las, deixe-me saber.
Lana deu-lhe o lindo sorriso dela. — É a nossa primeira vez aqui.
Alena veio me visitar, e quero dar-lhe um bom momento na minha
cidade natal. Este é um belo clube. Eu pensei que podíamos dançar,
beber, encontrar alguns amigos. Talvez ir ao Lucky Lady Casino31
apenas para mais diversão. Estive lá algumas vezes e quero dar a

31
O Casino Lucky Lady, de Larry Flynt, oferece serviços de jogos e entretenimento. A empresa era
conhecida anteriormente como Normandie Casino. A empresa foi fundada em 1947 e está localizada em Gardena, Califórnia.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 300


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Torpedo INK Livro 1

Alena um bom momento. —Ela nomeou um cassino frequentado por


muitos San Franciscanos32 e turistas.
A voz de Lana era amigável e aberta, mas gutural, rouca, soando
como pecado. Ela passou o dedo para cima e para baixo na mesa
como se estivesse acariciando. Uma vez que ela cruzou as pernas,
permitindo que a fenda em seu vestido agarrado mostrasse sua coxa
e um pequeno pedaço de sua liga sexy. Os olhos do gerente se
desviaram várias vezes para as pernas dela.
— Eu acho que nosso clube pode lhe dar dança, bebidas e talvez
um amigo ou dois, —respondeu Raul.
Lana olhou em volta, olhando todos os ternos e gravatas. —
Parece assim. Eu acho que encontramos nosso novo lugar favorito
para relaxar.
— O que você faz? —Perguntou Raul.
Lana deu de ombros. — Nós duas começamos uma pequena
companhia, que faz aplicativos para empresas como esta. Aplicativos
móveis. Está na moda e é muito útil. —Seus dedos bateram na mesa.
— Alena supervisiona nossos funcionários em San Diego, e eu
trabalho fora de San Francisco.
— Sério? —Raul parecia muito interessado. — Qual o nome da
sua empresa?
Code criou uma empresa para elas durante a noite. Ele construiu
o site, os fatos, adicionando-as aos empresários da Forbes33 com
menos de trinta anos, colocando sua empresa falsa e as estatísticas lá.

32
Refere as pessoas que moram na cidade de San Francisco, por isso ‘San Franciscanos’

33
Forbes é uma revista estadunidense de negócios e economia. Propriedade de Forbes, Inc. e de publicação
quinzenal, a revista apresenta artigos e reportagens originais sobre finanças, indústria, investimento e marketing.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 301


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Cento e trinta milhões. Isso deve atrair Raul. Duas mulheres entediadas
com mais dinheiro do que podem gastar. Elas casualmente já mencionaram
um cassino. Ele morderá a isca, disse Preacher.
— Talvez meu clube se beneficie de tal coisa.
— Em outra hora, —disse Lana, parecendo aborrecida. Ela não
estava lá para trabalhar, ela estava lá para jogar e ela queria que isso
ficasse muito claro. — Podemos enviar um representante se você
estiver interessado. —Ela queria deixar claro também, que ela não
vendia seu próprio produto.
Raul olhou para o bar. Imediatamente, o telefone tocou. Ele
lhes deu um sorriso pesaroso. — Eu estarei de volta em um
momento. Posso pedir que Dirk lhe enviem bebidas por conta da
casa?
— Nós temos mais do que podemos lidar aqui, —Alena declinou
sua mão mostrando o conjunto de bebidas na frente delas. Elas não
podiam dar chance de receber novas bebidas do bar, no caso de serem
drogadas.
— É um prazer conhecê-las, senhoras. Aproveitem sua noite. —
Raul se afastou delas, olhando para o telefone dele.
Ele está verificando sobre a empresa. Sim, ele se apaixonou por ela.
Mechanic e Keys estão recebendo o mesmo tratamento de um gerente do sexo
feminino. Interessante, disse Czar. Você está recebendo qualquer coisa dos
túneis?
Algumas conversas. É muito silencioso. Há uma mulher lá embaixo com
certeza. Ela está chorando, mas muito suavemente. Ouvi dois homens falando
em vozes baixas, disse Transporter. Estou tentando limpar o áudio agora.
As paredes são grossas.
Os membros do clube aprenderam desde a infância a serem
pacientes. Para serem precisos e meticulosos sobre os detalhes. Lana
e Alena ignoraram Raul. Elas dançaram várias vezes com homens

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 302


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Torpedo INK Livro 1

diferentes. Keys pediu a Lana para dançar, e Mechanic convidou


Alena.
Eles conversaram, mas ficaram em seus papéis, sabendo que
estavam sendo observados. Keys fez uma jogada para se juntar a
Lana e Alena, mas elas apenas sacudiram a cabeça, recusando o
convite. Os dois homens encolheram os ombros e foram à caça de
outras mulheres. Eles não tinham problemas para pegar parceiras.
Raul pareceu fazer suas rondas e depois voltou para a mesa
delas. — Vocês estão tendo um bom momento?
Lana assentiu. — Foi divertido. —Ela pegou sua pequena bolsa
e brincou com a alça. — Nós definitivamente vamos voltar. Clube
agradável. —Ela deixou claro que estava pronta para ir.
Raul tinha um cartão fino na mão. Ele tinha um código de barras
em uma extremidade. — Para alguns VIP’s. Nós temos um lugar
pequeno que é muito mais divertido, especialmente se você gosta de
jogar.
— Que tipo de jogo? —Lana inclinou a cabeça para cima. Alena
colocou o queixo na mão e olhou para o gerente como se pela
primeira vez estivesse interessada.
— Cartas, dados, roleta. Você diz o nome, nós o temos. —Ele
manteve a voz baixa.
— Eu não sei. Eu sou muito boa com as cartas, —disse Lana. —
Eu não perco. É uma coisa que eu tenho com números. Em lugares
pequenos, eles ficam chateados. Eu gosto deste clube e quero poder
voltar, então acho que vou passar.
— Você é tão boa assim? —Raul deu um pequeno sorriso a sua
voz.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 303


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Torpedo INK Livro 1

— Ela é, —assegurou Alena. — Eu sou melhor nos dados, mas


nunca ganhei o dinheiro que ela faz nas cartas. Eu sou uma grande
vencedora às vezes.
Raul concentrou sua atenção em Lana. — Eu acho que você verá
que nós atendemos vencedores aqui também. Você gostaria de
tentar? É exclusivo e ilegal.
As duas mulheres se entreolharam e depois sorriram. Lana
trouxe sua bolsa para perto. — Estou dentro.
— Sigam-me, senhoras, —disse ele.
Lana e Alena levantaram-se, olharam de forma casual ao redor
da sala para ver que vários jogadores foram selecionados. Keys e
Mechanic estavam entre eles.
A diversão está começando. Dê-nos meia hora para causar estragos. Eu
vou quebrar essa banca estúpida. Derrubar esses idiotas.
Não seja arrogante Lana, advertiu Czar. Você segue o plano. Você é a
diversão. Ganhe muito. Se os quatro ganharem em jogos diferentes, vocês
causarão comoção. Eles vão retirar a segurança no porão para levar ao casino.
Não faça nada que os leve a colocar uma arma na sua cabeça.
Eles fazem isso, disse Alena, e eu vou queimar este clube até os alicerces.
Pessoas inocentes estão na festa, lembrou o Czar.
Você é tão deprimente, Czar, Lana disse. Você deixa os tigres brincar
com os cordeiros e depois diz que não os machuque.
Porra, o objetivo é tirar a mulher de Hammer, não se divertir, Lana.
Lana fez ruídos de tsk tsk34 e o balanço de seus quadris tornou-se
mais exagerado.
O casino era muito maior do que ela pensou que poderia ser. Ela
deu uma boa olhada em torno, de modo a pequena câmera em seu
34
Expressão que é usada quando você está irritado, aborrecido ou acha algo ou alguém irritante, ou não muito engraçado.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 304


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colar poderia pegar tudo e transmitir para Transporter e os outros na


van. Alena, Keys e Mechanic fizeram o mesmo. Separaram-se, para
passear por diferentes áreas para que pudessem gravar todos os
detalhes da sala. Eles também queriam estar em seções separadas
para não haver nenhuma maneira, de quando os proprietários
revisassem as fitas, pudessem perceber que estavam trabalhando
juntos.
Lana ganhou imediatamente, as primeiras três mãos. Ela
desistiu várias vezes, perdeu algumas mãos, mas perdeu apenas
algumas centenas de dólares, e então ganhou consistentemente, mão
após mão. Era raro que ela abandonasse o jogo, mas quando não o
fazia, ou ela estava blefando ou tinha as cartas vencedoras. Não
demorou muito para os outros estarem assistindo.
Alena levou seu tempo, jogando algumas mãos de blackjack.
Indo para uma das máquinas e, em seguida, se dirigindo para a mesa
de dados. Como Lana, ela ganhou algumas vezes e perdeu outras.
Ela quase perdeu todas as suas fichas quando de repente ela entrou
em uma sequência de vitórias. Ela vibrava com suas vitórias, e logo
algumas pessoas abandonaram o que estavam fazendo e se reuniram
ao redor dela na mesa de dados, colocando suas apostas com base no
que ela fazia. Logo, ela não era a única grande vencedora.
Mechanic escolheu as máquinas caça-níqueis, aquelas com os
maiores pagamentos. Qualquer máquina respondia a seu toque. As
rodas giravam, e paravam a grande vitória apareceu para que o caos
reinasse. O barulho soou alto, declarando-o vencedor de um grande
prêmio. Eram quinhentos mil. Ele se afastou quando o gerente correu
para o seu lado, para ter certeza de que ele realmente tinha ganhado.
Outros se reuniram ao redor dele, animados por ele. Ele recebeu o
dinheiro ali mesmo. Era um casino subterrâneo, sem impostos
reportados porque não se podia denunciar a renda.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 305


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Torpedo INK Livro 1

Ele foi ao bar, pediu uma bebida e observou o garçom


cuidadosamente enquanto o homem fazia isso. Garrafas foram
jogadas para o ar em um show, mas Mechanic observou suas mãos,
no movimento rápido, os dedos deslizando no bolso. O álcool foi
derramado e em um movimento, enquanto as garrafas faziam um flip
triplo35 e todos os olhos se dirigia para elas, o bartender jogou um
líquido transparente na bebida dele. Ele agradeceu o homem grande,
pegou a bebida e voltou para as máquinas caça-níqueis.
O gerente fez sinal para uma garçonete. Vigiem a si mesmo e a seus
bolsos, Transporter advertiu. Lana, Alena e Keys, vigiem suas bebidas,
acrescentou.
Lana ganhou outra grande mão, e várias pessoas bateram
palmas. Alena estava praticamente dançando e a multidão ao redor
dela crescia em proporção direta à pilha de fichas na frente dela. Keys
se sentou-se à mesa de altas apostas de blackjack. Ganhou tantas
vezes que eles mudaram de crupiê. E de cartas. Mechanic teve outra
grande vitória, mais ou menos cinquenta mil. Ele tinha sido vigiado
com cuidado pela garçonete que flertava exageradamente com ele.
Metade do tempo parecia que não estava prestando atenção quando
apertava as linhas de cinco e de dez e puxava a alavanca várias vezes
antes de de repente acertar. Em dez minutos ele tinha sua própria
multidão. Os quatro estavam quebrando o casino.
Logo eles tinham três gerentes e vários guardas de segurança
observando-os atentamente. A multidão crescia ao redor deles, e
como os quatro continuavam a ganhar, outros ganhavam na mesa de
dados e nas máquinas caça-níqueis.
Agora ou nunca. Dois homens estão correndo para cima pelo túnel para
auxiliar no casino. Eu contei cinco lá. Provavelmente nos pequenos quartos à

35
giro

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 306


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esquerda de onde eles estão segurando seu prisioneiro, disse Transporter.


Basta estar atento, eu não tenho os números exatos. Contei cinco vozes
individuais vindo desse lado da sala. Eles estão mais perto dos transmissores.
É possível que eu não esteja pegando tudo.
Obrigada, mãe galinha. Czar deu um tapinha nas costas dele
quando as portas da van se abriram e primeiro Reaper, então Czar
emergiu, com Savage atrás dele e Steele e Player aparecendo na
retaguarda. Os cinco homens caminharam rapidamente pela calçada,
mãos em seus bolsos, as sombras borrando suas imagens, os capuzes
puxados para seus rostos. As câmeras haviam sido desativadas, as
que estavam ao longo da rua, nos edifícios circundantes e as do
próprio Ghost Club. Isso não significava que alguma câmera
aleatória não iria pegar um vislumbre deles, ou alguém com um
telefone celular não resolveria capturar a imagem dos cinco
caminhando para a porta do porão.
Esse era o ponto de entrada deles. Foi fácil para Steele colocar
as mãos nas barras que cobriam a entrada, aquecê-las e removê-las.
Ele então encontrou a fechadura e trabalhou sua mágica lá. Ele era
bom com qualquer tipo de liga, sintética especialmente. Ele deu um
passo para trás e mais uma vez, Reaper assumiu a liderança.
Os planos que Anya desenhou para eles mostravam o longo
corredor que circundava as paredes do casino que cercavam o porão.
O corredor flutuava em declive e tinha quartos pequenos. Alguns
desses quartos eram muito pequenos e em outra época, quando
contrabando e clandestinos eram a norma, ele sabia que tinham sido
utilizados para o armazenamento de bebidas alcoólicas.
Reaper bloqueou os homens atrás dele. Savage teria as costas
deles, sabendo que Reaper ficaria atento a qualquer coisa na frente
deles. Seus sentidos estavam finamente afinados e eles usavam cada
um deles. Era raro para Czar quanto Steele irem juntos na mesma

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 307


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Torpedo INK Livro 1

missão. Dessa forma, se um fosse morto, o outro ainda estaria lá para


liderar.
De acordo com as plantas de Anya, eles precisariam de Steele
quando encontrassem a mulher de Hammer. O coração apertado de
Reaper e aquele leve cheiro de sangue lhes diziam eles podiam
precisar ainda mais das habilidades de cura de Steele.
O nome dela era Mary, e Reaper tinha visto no rosto de
Hammer—a mesma emoção esmagadora que ele estava
praticamente sufocando, mesmo quando ele estava determinado a
escondê-la. Hammer achava que o mundo girava em torno dessa
mulher, assim como Reaper fazia com Anya. Ele teve um mau
pressentimento, e não queria levar um corpo morto para a casa do
presidente dos Demons. Ela tinha que ser uma boa mulher pelo que
o homem tinha falado sobre o seu desaparecimento.
Ele parou, uma mão erguida no ar, os dedos fechados em um
punho. Havia uma corda de luzes amarrada ao longo das laterais do
teto. Eram bastante fracas e os homens ficaram calados enquanto
andavam. Eles tinham um monte de pratica nisso também. Ele tinha
aprendido a andar sobre vidro quebrado com os pés descalços sem
soltar um som, ou permitir que seu peso quebrasse um pedaço de
vidro. Ele tinha sido espancado repetidamente por permitir que
galhos e ramos se encaixassem debaixo de seus pés, ou perturbar uma
pedra quando ele não sentiu o objeto por usar sapatos desconhecidos.
Ele indicou para que Player verificasse os outros quartos
enquanto ele avançava. Em frente, no final do corredor, ele
conseguiu distinguir a grande gaiola com barras de metal do teto ao
chão. O cheiro de sangue ficou mais forte e ele podia ouvi-la agora,
os gemidos baixos e o choro doloroso. Ele arrancaria gargantas se
fosse Anya deitada naquela pedra fria em seu próprio sangue. O que
quer que eles tenham feito para a mulher, ele sabia que era ruim.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 308


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Ele estava no modo assassino completo enquanto se movia em


direção ao quarto, ao lado da masmorra. Ele passou toda a infância
em uma masmorra. O banheiro de todos eles eram em um canto. De
vez em quando, recebiam baldes para limpar. Não tinham roupas,
pouca comida e surras sem fim que arrancavam sangue. O sangue
atraía insetos e ratos. Havia correntes para prendê-los ao lado dos
corpos, homens e mulheres brutalizavam os mais jovens e os
chicoteavam. Sim. Ele sabia sobre os calabouços e os tipos de
monstros vis que jogavam mulheres e crianças, mais fracas que eles,
nas prisões para que pudessem fazer o seu pior. Ele era fraco quando
tinha quatro anos. Ele começou a atacar aos cinco. Quando tinha dez
anos, era letal. Assustador. Mas ele teve que ocultar isso. Todos
tiveram que esconder o que estavam se tornando para sobreviver.
Reaper tentou afastar sua mente dessas lembranças. Quando eles
o tomaram para torturá-lo, estuprando e batendo repetidamente,
queimando-o, cortando-o com facas, para fazê-lo contar quem era o
líder. Então eles pegavam Savage e fizeram o mesmo com ele na
frente de Reaper. Ele permaneceu em silêncio. E Savage. Eles não
tinham olhado um para o outro por muito tempo, depois disso, muito
humilhados e culpados de olhar o outro nos olhos.
Agora, o cheiro de sangue era um fedor nas narinas. Ele parou
na porta do quarto onde os guardas estavam jogando cartas. Ele os
ouviu, seu riso, o murmúrio de suas vozes. Todos os cinco.
Mesa de bilhar. Quatro portas para baixo, lado direito. Dois homens.
Player os eliminou, Transporter informou-os.
Reaper ignorou. Ele trancou os olhos na mulher. Seu rosto
estava ensanguentado e inchado. Ela usava os restos de um top e
nada mais. Havia sangue em seus braços, longas estrias feias. Mais
nas coxas e pingando debaixo da camisa. Havia ainda mais sangue
entre as pernas dela

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 309


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Foda. Foda. Foda. Aqueles guardas iriam morrer duro. Vendo a


morte chegar, sofrendo a cada segundo. Reaper levantou o dedo para
os lábios e falou, Hammer nos enviou.
Ela assentiu e continuou com aquele gemido suave.
Ocasionalmente, ela dava um soluço. Ela era inteligente e rápida. A
maioria das pessoas torturadas como ela teria reagido antes que
pensar. Ela não, e tentou manter a ilusão de que estava sozinha.
Ele apareceu deliberadamente na entrada. Os cinco homens
levantaram os olhos. Na verdade, não tiveram tempo suficiente para
jogar suas cartas antes que Reaper estivesse neles. O atirador teria
feito melhor em puxar a arma. A lâmina de Reaper cortou a artéria
da coxa do homem mais próximo, a faca continuou em um
movimento ascendente e cortou a artéria sob o braço do segundo
homem. O terceiro tomou-a no lado direito da carótida. O na sua
frente em sua garganta, um corte bonito da esquerda para direita.
Reaper acertou o quinto homem no intestino, deixando-o exposto.
Tire-a de lá, Czar, e não a deixe ver essa bagunça.
Reaper já estava sobre a mesa para evitar o pior da pulverização
do sangue. Isso seria um banho de sangue. Ele chutou uma arma para
longe daquele com o sangue surgindo em sua coxa.
— Você vai morrer, —afirmou o que vomitava sangue pela axila
e então tossiu sangue borbulhando na boca.
Reaper encolheu os ombros, sem dizer uma palavra. O que havia
para dizer?
— Fantasmas em todos os lugares, —acrescentou o que tinha o
corte na coxa.
Os dois com feridas na garganta e no pescoço já estavam caindo
inconscientes. Dois minutos mais, e os outros dois teriam ido
embora. A perna podia levar um pouco mais de tempo, mas estava
bombeando como louco. O da axila teve uma morte quase que

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 310


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Torpedo INK Livro 1

imediata. O homem apenas cambaleou quando tentou se levantar e


depois caiu no chão, inconsciente. O da ferida da coxa foi a seguir.
O homem que segurava seus intestinos levou mais tempo. Ele só
olhou para Reaper burro demais para saber que já estava morto.
Nós temos que tirá-la daqui agora. Czar deu o comando. Coloque
uma bala nesses cabeças de merda se tiver que fazer, mas não deixe nenhum
deles vivo. Ela está muito mal, Reaper. Mal.
Steele tinha vindo preparado. Ele tinha seu kit médico. Ele faria
o seu melhor assim que eles a levassem para a van. Reaper teve a
sensação de que a urgência era porque eles estavam com medo de a
perderem, não porque alguém descesse e visse que sua prisão estava
sob ataque. Reaper viu o quinto homem cair para frente, em sua
cadeira, em uma poça de seu próprio sangue e intestinos. Ele não ia
checar pulsos, ele conhecia homens mortos quando os viu.
Reaper saiu do quarto e fechou a porta, caindo na frente da fila
para levar Czar e Steele para fora. Savage pegou a retaguarda e Player
a frente de Savage. Czar carregava a mulher. Seus olhos estavam
fechados e ela se manteve rígida, como se tivesse medo de se mover,
que o seu resgate não seria real. Savage a tinha coberto com sua
jaqueta. Nenhum deles exporia Czar ou Steele às câmeras se pudesse
ser evitado. Mechanic desligou tudo por dois quarteirões, mas isso
não significava que telefones celulares não estivessem por perto,
então nenhum dos dois poderia desistir do seu capuz.
Quando se aproximaram do final do corredor, Reaper parou
abruptamente. O salão se ramificava. Um caminho subia em direção
ao casino, o outro em direção ao exterior para os degraus do porão
que levaram ao beco. Dois homens viraram a esquina. Reaper caiu
neles instantaneamente, quebrando o pescoço do homem mais
próximo e batendo o ombro no segundo, ele empurrou o corpo do
primeiro homem para longe dele. Jogou o segundo homem na
parede. Player estava lá instantaneamente, segurando a cabeça do

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 311


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Torpedo INK Livro 1

homem, agarrando-o e girando para que o corpo pendesse sobre seu


ombro. Ele puxou duro e o crack foi audível.
Eles saíram rapidamente, subiam as escadas e atravessavam o
beco. Transporter estava na van, ambas as portas aberta. A mulher
foi entregue suavemente e colocada na esteira que eles trouxeram
Steele de um lado, sua bolsa médica lá. Czar do outro para ajudá-lo.
Player assumiu a posição de guarda na frente com Transporter.
Reaper e Savage ficaram na parte de trás onde poderiam proteger
melhor o presidente e o vice-presidente do clube.
Vamos para casa, disse Transporter. Mechanic, Keys, peguem
Preacher e saiam daí. Lana, Alena, façam sua saída. Vigiem-se mutuamente
para o caso de tentarem plantar um rastreador em vocês. Nós vamos varrer os
carros no ponto de encontro.
Eles já nos deram um cartão VIP que nos permite voltar aqui, bem como
em qualquer um dos outros clubes. Eles querem recuperar seu dinheiro, Lana
disse com presunção. Várias pessoas ganharam hoje à noite, não apenas a
gente, eles não conseguirão entender como foram enganados, embora eu tenha
certeza de que irão rever as fitas. Eles simplesmente não encontrarão nada
para fazê-los acreditar que nós não fomos apenas sortudos.

Anya vagou pelo lado de fora da casa do clube. Ela tinha


algumas horas antes de trabalhar e estava entediada. Ela estava
olhando os canteiros de flores, todos em má forma quando tropeçou
diretamente no que parecia um carvalho.
Mãos pegaram seus braços, estabilizando-a. — Tenha cuidado,
mulher.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 312


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Torpedo INK Livro 1

Ela olhou e viu Ink. Ele era coberto de tatuagens de seu pescoço
para baixo. Elas mergulhavam debaixo da camisa até onde era
impossível ver, mas ela queria porque as tatuagens eram muito
intrigantes.
— O que você está fazendo?
Ela gesticulou em direção aos canteiros de flores. — Eles estão
tristes e precisam de trabalho. Eu estava fazendo uma lista mental
tentando descobrir o que eu precisarei para arrumá-los.
Adiante, alguém tinha plantado muitas flores silvestres no
campo, mas os canteiros eram uma bagunça.
— Não se afaste. Fique no complexo, —ele advertiu e começou
a se afastar.
— Um. Ink. —Seu coração ficou louco. Ela estava fora de si para
perguntar, mas perguntar não machucava. Quando ele se virou, ela
ergueu os pulsos. — É possível tatuar as impressões digitais de
Reaper em meus pulsos? Você sabe, como uma pulseira.
O interesse floresceu nele. Ele se aproximou e pegou as mãos
dela, virando-as para inspecionar seus pulsos internos, onde as fracas
manchas das impressões digitais de Reaper permaneciam.
— Eu tenho suas impressões.
Seu estômago caiu. — Você tem? Por que você teria suas
impressões?
Ele encolheu os ombros. — Quando aceitamos um trabalho, não
usamos nossas próprias impressões. Eu as faço para os irmãos e suas
impressões estão sempre nos vários projetos que eu estou fazendo. —
Ele virou as mãos dela novamente. — Sobre seu pulso, uma fina
corrente de ouro, e sob a parte macia de seus pulsos, as impressões
digitais. Posso ver as marcas na sua pele para que possamos saber

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 313


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Torpedo INK Livro 1

exatamente a colocação de ambas as mãos. Você realmente quer


fazer isso?
Anya assentiu. — Eu quero que ele saiba que não vou a lugar
nenhum. Quando ele ... —Ela interrompeu. Mesmo para um irmão,
ela não divulgaria informações privadas sobre Reaper. Talvez eles já
soubessem. Talvez ele tivesse contado sobre seus problemas e eles
soubessem ainda mais do que ela, mas isso não importava. Reaper
era dela para proteger agora e ela estava determinada a fazê-lo. Ela
não tinha ideia do que ser uma old lady implicava, mas ela iria
encontrar o caminho e ser a melhor old lady que qualquer homem
pudesse ter. — Será um lembrete para mim também, quando eu
perder a paciência.
— Vamos fazer agora.
— Agora? Eu tenho que trabalhar em algumas horas. Preacher
não está aqui e Maestro está substituindo-o. Ele não gosta muito do
balcão e não é rápido nisso.
Ink balançou a cabeça. — Aquele cachorro. Ele poderia ser
rápido se quisesse, ele enrola então ninguém pede que ele substitua.
—Ele virou e começou a caminhar até a frente do complexo e o
passou, continuando pela estrada.
Com o coração dando um salto triplo, Anya o seguiu. Quem
tinha impressões digitais tatuadas em seu pulso? Ela tinha que estar
fora de si. A sala de tatuagem não estava tão longe e foi bom esticar
as pernas e ficar fora do limite do complexo. Ele parecia uma
fortaleza com sua cerca de alta voltagem, um lugar em que os
motociclistas podiam fazer a sua última parada a pé.
Ela esfregou o pulso. — E se ele tiver problemas e eles quiserem
suas impressões digitais e ele não estiver por perto e eles acharem
suas impressões reais sobre mim?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 314


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— Anya, o Torpedo Ink não aceita um serviço e depois usa suas


próprias impressões. Nós temos uma biblioteca inteira de impressões.
As usamos depois e nos livramos delas. Elas são muito pequenas e
finas. Uma vez em contato com o calor do dedo e a água, elas vão se
dissolver. Eles usam luvas finas sobre elas e, claro não andam com
suas cores. Poucos se houver, em um serviço, vêem seus rostos.
Encontrou-se em uma sala de bom tamanho com dois cubículos.
Havia uma longa, mesa acolchoada e várias cadeiras baixas com
costas que estavam em ângulo.
Ink fez um gesto para uma cadeira fortemente acolchoada e mais
convencional. — Sente-se.
Ela realmente ia fazer isso? E se ela rompesse com Reaper? E se
isso simplesmente não funcionasse? Ele tinha tantos problemas, e ela
não sabia o suficiente sobre ele. Ele era violento. Ele bateu os punhos
na parede, mas e se alguma vez virasse sua fúria sobre ela? Com
grande tremor, ela viu Ink lavando as mãos, esterilizando-as e, em
seguida, tirando o equipamento. Havia agulhas.
— Você já se tatuou antes?
Ela balançou a cabeça. — Não, mas sempre quis uma. Eu tinha
um plano de vida. Tatuagem era o passo quatro, depois que eu tivesse
uma conta bancária saudável. Eu estava a caminho.
— O dinheiro ainda está lá.
Ela balançou a cabeça. — Não está. De alguma forma, eles
conseguiram drenar minhas contas. Até mesmo as minhas
economias desapareceram.
Ele encolheu os ombros. — Não se preocupe, Code irá recuperá-
las com facilidade. —Ele pegou um pulso e pousou o braço na
superfície, limpando-o com álcool. — Então, você gosta de desenhar.
Você desenhou sua própria tatuagem para quando conseguisse?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 315


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Ela balançou a cabeça e observou enquanto ele rapidamente


esboçava uma corrente fina. Parecia frágil. Delicada. Como se
pudesse ser quebrada facilmente. Ela balançou a cabeça novamente.
— Não assim. Eu quero algo forte. Inquebrável. Um lembrete para
ambos.
O olhar de Ink se moveu sobre o rosto dela com algo como
respeito. Ele acenou com a cabeça, apenas um puxão de seu queixo,
mas ela podia dizer que ele estava satisfeito com ela. Ele jogou o
pedaço de papel fora e esboçou outra corrente. Este tinha elos
grossos. Não ouro. Titânio era prateado, e quando ele desenhou a
parte de dentro da pulseira, ele baseou os elos sobre a liga em sua
forma bruta. Havia pequenos pontos irregulares ao longo da corrente.
Ela adorou.
— Vamos fazer isso com um efeito de prata e carvão. —Ele virou
a mão e pegou o papel cuidadosamente preparado com cópias de
cada impressão digital. Ele os colocou sobre as manchas no pulso e
deixou as impressões distintas. Ele tatuou-as primeiros em preto,
seguindo cuidadosamente cada giro até que ela tinha a marca de
quatro dedos espalhados por cada pulso. Ele fez a impressão do
polegar da Reaper em seu pulso, exatamente onde seu polegar
pressionou-a. Em torno da parte superior de seu pulso estava a
corrente.
Não havia movimento desperdiçado com Ink. Ele era habilidoso
na arte escolhida e isso era mostrado em cada movimento, em toda
a linha que ele tatuava em seu pulso. A corrente iria ficar
maravilhosa. Ela podia ver, mesmo que ela tivesse pedido força, algo
inquebrável, que ele lhe dava beleza. Seu coração doeu quando ele
lentamente, com cuidado, trouxe a corrente ao redor para tocar a
primeira e a última das impressões digitais de Reaper em cada um
dos pulsos.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 316


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Ink não falava muito enquanto trabalhava, mas ela também não
queria. Ela estava ocupada pensando sobre a enormidade de sua
decisão. Ela não tinha certeza se Reaper estava falando sério sobre
ter suas impressões sobre ela, mas ela gostou da ideia quando pensou
sobre isso. Ela adorava o modo como as duas pulseiras ficaram ao
redor da parte superior dos pulsos. A prata brilhava em alguns
lugares.
Ink lhe deu todas as instruções de cuidados necessários e cobriu
as tatuagens, dizendo para mantê-las cobertas por duas a quatro
horas. Ela perguntou se poderia mantê-las envoltas em seu turno. Ele
disse que iria parar e colocar o creme nelas antes de enfaixá-las com
uma leve atadura. Ela foi trabalhar com os dois pulsos enfaixados.
Parecia como se ela tivesse tentado machucar a si mesma. Ela
respondeu muitas perguntas e até recebeu mais gorjetas e apenas
disse que tinha feito tatuagens. Todos queriam ver, mas ela apenas
balançou a cabeça. Ela queria que Reaper visse primeiro.
Ela estava no meio do seu turno quando Jonas Harrington, o
xerife local, e Jackson Deveau, seu vice, entraram. Ela teve um
tempo difícil com policiais. Ambos eram simpáticos, muito
educados, não podia criticá-los nisso, mas ela sempre temia dizer ou
fazer algo errado.
— É Anya, não é? —Perguntou Jonas com um dos seus sorrisos.
Os olhos estavam em seus pulsos. Jackson ficou gelado, seu rosto
muito quieto.
— Não é o que parece, —ela assegurou, não esperando a
pergunta inevitável. — Eu fiz tatuagens há algumas horas. Eu
poderia tirar o curativo, mas acho que seria mais higiênico terminar
meu turno primeiro. O que posso fazer por vocês?
Maestro se moveu ao lado dela, sorrindo para os dois policiais.
— O que há de novo, caras? Não os vi há muito tempo. Mais de um
ano. —Ele acenou com a cabeça para Betina. — Ela tem três que

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 317


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precisam de bebidas, Anya. —Ele se voltou para Jonas. — Eu detesto


o balcão. Não conheço as bebidas. Ela não só conhece as bebidas,
mas sabe e o que todos estão bebendo. O que posso fazer por vocês?
— Parece que temos mais desaparecimentos. Ainda não
sabemos nada sobre os três que nós perguntamos ontem. Agora
temos mais três. Não fazem 24 horas ainda, mas eles não voltaram
para seus quartos no motel ontem à noite e suas famílias estão
preocupadas. Disseram-nos que os três estiveram no bar outra noite.
— Você está perguntando ao homem errado, —disse Maestro.
— Eu não tenho ideia do que você está falando. Eu nunca estou aqui.
Gostaria de não estar agora. —Ele levantou a voz. — Anya, eles
precisam de você aqui. Você terminou com essas bebidas? —Ele
acrescentou em uma nota esperançosa.
Ela riu dele. — Você é um barman horrível. Preacher precisa
de alguém para seus dias de folga. —Ela se inclinou contra o bar,
tentando parecer indiferente em vez de como se pudesse desmaiar
qualquer momento. — O que posso fazer para você?
— Os três sobre os que perguntamos na última noite, eles
voltaram?
Ela enrugou o nariz. — Não. E fico feliz. Um deles em particular
foi um pé no saco. Este é um bar de motociclista, entendo que alguns
dos clientes vão nos assediar, mas eu não gostei muito de seu apelido
para mim. Eles partiram, porém, e foram em direção a suas motos.
Eu não estava prestando atenção. Eu estava com Reaper, e eu tendo
a não prestar atenção a nada ou a ninguém quando estou com ele. —
Ela corou, porque era verdade.
— Reaper? —A sobrancelha de Jonas quase passou por sua linha
de cabelo. — Você está com Reaper?
Ela assentiu. — Nós estamos vivendo juntos. —Ela também
podia deixar cair uma bomba. Havia satisfação em dizer-lhes a

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 318


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verdade. Ela estava com Reaper e isso significava que se alguma


coisa tinha acontecido com esses três homens, ninguém poderia
culpá-lo.
— E esses homens? Eles estiveram aqui? —Perguntou Jonas. Ele
espalhou as fotografias do três no balcão.
Anya olhou ao redor como se tivesse verificando de que
ninguém precisava de uma bebida. Maestro pairava pronto para
protegê-la, estava certa. Ela bateu na foto de Thomas Randal. — Eles
estavam aqui na outra noite quando você entrou. Eles se sentaram
juntos. Muito quietos. Se mantendo principalmente em si mesmos.
Eu acho que esse falou com Alena, mas apenas brevemente. Não
tenho certeza, estava ocupada naquela noite. Pareciam agradáveis o
suficiente. Eles definitivamente não são motociclistas, e não fingiram
ser, como as pessoas fazem quando entram aqui. Eu os imaginei
empresários.
— Essa foi a última vez que você os viu?
— A última vez que vi esse. Os outros dois vieram na noite
seguinte, beberam e saíram. Eles não falaram com ninguém.
Jonas virou a cabeça para olhar Jackson, que assentiu
ligeiramente. Ela estava certa que Jackson era um detector de
mentiras, embora Jonas pudesse ser também. Ambos eram
certamente homens astutos, seguros de si mesmos muito confiantes.
— Desculpe, se eu não sou de mais ajuda.
— É estranho que seis homens tenham vindo a este bar e
ninguém os viu desde então. —Jonas fez uma declaração, os olhos
sem pestanejar em seu rosto.
Ela olhou para as fotos para evitar esse olhar penetrante. — Eu
não compreendo. Você acha que algo aconteceu com eles quando
saíram daqui? Como o que? Os três primeiros podiam estar bêbados
e podiam ter feito algo estúpido. Eu não ia pedir-lhes suas chaves

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 319


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Torpedo INK Livro 1

porque Preacher já havia saído. Eu os mandei embora antes de fechar


quando percebi o quanto eles estavam bebendo, mas os outros três
mal beberam. Uma talvez duas bebidas no máximo.
Ela decidiu que ficar tão perto da verdade quanto possível seria
melhor. Seria incomum três motociclistas caírem de um penhasco,
mas podia acontecer se eles estivessem bastante bêbados, mas não
explicaria os outros três homens.
Jonas recolheu as fotos. — Não gosto de contatar esposas e
contar que não há vestígios de seus maridos ou dos pais de seus filhos.
Ela balançou a cabeça. — Que horrível para você. Esperemos
que não chegue a isso.
Maestro bateu em seu quadril. — Sério, ela tem que voltar ao
trabalho. Preacher estará aqui amanhã. Talvez ele possa lhe dar outra
coisa. Eu preciso dela agora.
Os pedidos estavam empilhados. Anya enviou aos dois policiais
um pequeno sorriso e se virou para voltar a fazer bebidas,
trabalhando rápido para recuperar o atraso. Ela só queria que a noite
terminasse. Principalmente, ela se preocupava com Reaper e o que
estava acontecendo.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 320


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Torpedo INK Livro 1

Eram quatro horas da manhã quando


Reaper puxou sua Harley para a casa no penhasco. Ele sentou sobre
a motocicleta, olhando para a grande casa de dois andares, quase
toda a estrutura de vidro. Felizmente, o vidro estava principalmente
para o lado do oceano, então seria difícil vir até ele através dos longos
bancos de janelas. Ainda assim, ele teria que fazer algo para tornar o
lugar mais seguro. Apesar disso ele tinha que apreciar a arquitetura.
A casa foi projetada para aproveitar a vista.
Ele virou a cabeça quando uma motocicleta acelerou. Ele
levantou uma mão para Fatei.
— Obrigado, cara, —disse ele. Querendo dizer isso. Fatei estava
a caminho de ser um completo membro do clube. O homem nunca
se esquivava de seu dever, de fato estava acima da chamada.
Uma segunda motocicleta acelerou e Maestro foi até onde ele
estava estacionado. — Acompanhei sua mulher até em casa, —
informou Maestro. — Tudo bem esta noite?
— Eles foderam aquela mulher. Hammer tem uma longa estrada
pela frente, —Reaper disse. — Lana, Alena, Keys e Mechanic
fizeram uma carga de dinheiro no clube. Sete mortos.
— Policiais vieram hoje à noite, questionaram sua mulher
novamente sobre Duke e seus amigos. Perguntaram sobre os irmãos
Burrows e Randal. Ela os tratou como uma profissional. Ela vai ser
uma boa old lady.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 321


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Torpedo INK Livro 1

Reaper estava certo que seria. No momento em que colocou os


olhos sobre ela, ele sabia que ela era única. Ele preparou-se para isso,
encomendando os patches para a jaqueta dela. Ele queria aquela
merda por toda parte. Propriedade de Reaper. Ele queria que todos
soubessem, quando eles fizessem corridas com os Diamondbacks ou
qualquer outro clube, que ela estava fora dos limites. — Obrigado por
cuidar dela.
— Não há problema, Reaper. Durma um pouco.
Reaper esperou até que a moto estivesse a caminho das curvas
na estrada voltando para a casa do clube antes de deslizar da
motocicleta e caminhar até a porta da frente. Todos os músculos do
corpo doíam. Todas as juntas. Os dentes dele doíam.
Principalmente, ele estava cansado até os ossos. Nada disso
importava. Ele sabia que ela estava na casa. Anya. Sua Anya. Ela
tinha que estar, ou Maestro e Fatei teriam dito a ele. Não interessava
que ele soubesse, ele ainda tinha que a ver para acreditar.
Ele entrou o grande hall de entrada com espelhos do chão ao teto
e mármore branco brilhante no chão. Dois passos na grande sala e
ele parou morto. Os cobertores estavam no chão, a lareira baixa. Ela
deitada de barriga para baixo, em cima dos cobertores, nua, suas
longas pernas esparramadas. Os braços casualmente ao lado, as
pontas dos dedos quase tocando seus quadris. Seu cabelo estava com
a inevitável trança que ela parecia preferir dormir.
Ela o matava. Parecia o anjo mais sexy em que ele já tinha
colocado os olhos. Ela não tinha ido para a cama no andar de cima,
um lugar que ele não tinha certeza de que poderia dormir. Ela tinha
feito uma cama na frente da lareira e foi dormir lá esperando para
ele. Ele tirou as botas, olhando para ela o tempo todo, perguntando-
se como conseguiria passar a noite, agora no início da manhã, sem
cometer um erro que a deixasse machucada.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 322


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Torpedo INK Livro 1

No andar de cima, ele tomou um longo banho, quente e muito


necessário, jogando suas roupas sujas em um canto. A água o fez se
sentir bem, limpando-o das imagens da esposa de Hammer, Mary,
coberta de pequenos cortes, o corpo machucado e inchado. Se ele
fosse Hammer, ele teria feito uma matança.
Ele pressionou sua testa para os azulejos frios, permitindo que a
água quente escorresse pelas costas dele. Ele pensou que uma vez que
estivessem fora da prisão, estaria longe do que ele considerava o pior
dos seres humanos, mas eles descobriam pessoas como Mary, como
Anya, e eles continuaram correndo atrás de depravados e feias
desculpas de homens e mulheres, que dominavam os fracos. Ele
estava cansado. Cansado de matar. Cansado de ver. Cansado de ser
Reaper.
Ele queria ser normal para merecer Anya. Com ele, ela nunca
iria ficar segura. Ele desligou abruptamente a água. A alternativa era
deixá-la ir. Desde o primeiro momento em que colocou os olhos nela,
ele sabia que iria mantê-la. Ele tinha feito pequenas tentativas de
salvá-la, mas no fundo, ele sabia, que mesmo que a deixasse ir, ele
iria atrás dela.
Ele desceu nu. A roupa ainda era pesada em seu corpo. Ele tinha
medo que sempre seriam. Ele se deitou sobre os cobertores ao lado
dela, respirando-a. Anya. Nua, da maneira que ele preferia. Ele
passou a mão por suas costas, de seu pescoço até a curva logo acima
da ascensão de seu traseiro. Ela tinha um belo traseiro. Ele passou a
mão sobre aquela curva, sentindo-se possessivo.
Ele se inclinou para ela e usou os dentes, dando uma mordida.
A respiração dela falhou. O corpo inteiro dela estremeceu. Ele se
moveu sobre ela, suas pernas pegando as dela. Ele levou o seu tempo
explorando a frente dela, reivindicando cada centímetro. Ele faria o
mesmo com a parte de trás. Ele beijou o caminho da espinha até a
nuca.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 323


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— Você está bem? —Ela sussurrou.


— Eu pareço bem? —Ele usou as mãos para moldar seu corpo,
memorizando sua forma, secretamente adorando-lhe da única
maneira que ele sabia.
Um sorriso fraco estava em sua voz. — Mais do que bem. Eu
estava sonhando com você.
Ele gostou muito dessa merda. — Conte-me sobre o seu sonho.
—Ele amava o timbre de sono em sua voz. Sexo e pecado. Estava lá,
deslizando sobre sua pele.
— Eu sonhei que você caminhou até o bar quando eu estava
trabalhando e me beijou como você faz.
— Como eu faço? —Ele ecoou. — Como eu beijo você?
— Como fogo. Como raio. Uma tempestade de fogo e
relâmpagos.
Ele também gostou muito disso. As mãos dele seguiam
acariciando, achando suas curvas, deslizando sobre elas. A boca
seguiu as mãos. Beijando sua pele macia. Degustando. Ele saboreou
a construção da queima lenta dentro dele. Com ela geralmente era
uma tempestade de fogo, quente e selvagem. Isso também foi bom.
Gentil. Relaxado. Ele estava começando a pensar que não poderia
sobreviver sem ela.
— Esse foi o seu sonho? Eu te beijando?
A boca dela se curvou mais. Aquele lábio inferior o deixou de
pau duro contra a parte de trás da coxa dela. Ele deixou cair a mão
em sua carne dolorida e a moveu. Ele podia apenas distinguir o rosto
dela virado para o lado, olhando para ele por cima do ombro. Ele fez
um bombear lento, preguiçoso em seu eixo, olhando o rosto dela,
querendo tomá-la de muitas maneiras, mas amando a queima fácil
que crescia entre eles.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 324


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Torpedo INK Livro 1

— Você me beijou uma e outra vez até que eu não pude pensar.
Então você me sentou no balcão e me comeu, me puxando
diretamente para o seu rosto. Foi a coisa mais decadente que já vi.
Eu não sei como você tirou toda a minha roupa, mas você o fez.
— Estávamos sozinhos?
Houve um pequeno silêncio. Os dentes dela afundaram no lábio
inferior, e ele se encontrou segurando a respiração, aguardando sua
resposta, o punho apertado agora, deslizando sobre o pênis com
força. A outra mão foi para o meio das pernas espalhadas dela e
encontrou-a lisa e quente. Ele enfiou um dedo em todo aquele calor.
— Anya? Estávamos sozinhos?
— Não. Havia outros no bar, mas eu não podia ver quantos ou
quem. Sua boca me deixou selvagem. Eu joguei a cabeça para trás e
gritei quando você me fez gozar.
— Eu gosto quando você perde o controle. —Ele empurrou um
segundo dedo para dentro do canal apertado dela. Seus músculos
internos apertaram. Isso fez com que seu pau pulsasse com
necessidade. — Então o que aconteceu?
— Você subiu no balcão. Levantou a cabeça. Seu rosto estava
brilhante e molhado e você se ajoelhou sobre mim e me disse para
lamber você. Eu fiz. Não consegui evitar. Você parecia tão sexy.
Então você me beijou novamente, e eu pude provar a mim mesmo.
— Eu amo seu sabor, —disse ele. Ele poderia passar toda a vida
devorando-a. Ele puxou os quadris ela para trás até que ela estivesse
de joelhos, sua bunda no ar. Ele pôs a boca entre as pernas dela e
lambeu aquele doce néctar. Dele. Ela lhe dava tudo o que ele pedia.
Seu dedo passou entre as bochechas dela e depois sua língua o seguiu.
Ela não se afastou dele. Ela empurrou-se nele.
— Diga-me mais, querida, —ele sussurrou. Ele colocou a boca
sobre ela e amamentou. Forte. Tirando o líquido com a língua,

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 325


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espalhando-o para cima e para baixo pelo corpo dela, reivindicando


cada centímetro dela, por dentro e por fora.
— Você puxou minhas pernas em torno de sua cintura e então
me tomou mais forte do que você já fez, cara a cara, seus olhos
encarando os meus. O balcão era duro, e quando você batia em mim,
pressionava meu corpo diretamente na bancada, então eu senti cada
centímetro de você. Foi tão bonito. Tão perfeito. Eu amei. Eu amo
tudo você faz comigo.
Ele esperava que sim, porque havia um monte de coisas que ele
queria fazer com ela. Ele limpou o rosto naquelas nádegas que ele
estava apaixonado e sem esperar, entrou nela. Não importava que
tivesse começado lento, tomado seu tempo, deixado construir o
calor. Ela era mais quente do que o inferno, cercando-o com um
punho sedoso quente e abrasador, agarrando-o duro, apertando até
que o fogo correu por sua espinha e se espalhou como um incêndio
fora de controle.
— Eu não posso te dizer quantas vezes sentei no bar, pensando
em fazer exatamente isso, desnudar você e jogar sua bunda no
balcão. Acho que te tomei de uma dúzia de maneiras. Sua boca. Sua
buceta. Seu traseiro. Tudo naquele bar.
— Havia pessoas no bar? —Sua respiração surgiu em irregulares
explosões. Ofegante. Ela gemeu entre cada palavra.
— Inferno se eu souber. Uma vez que o meu pau entra em você,
eu não posso ver além disso. Eu só sinto, baby, não penso. —Ele não
podia pensar. Ele começou a se mover mais forte, procurando o
relâmpago. Sentindo-o atravessar seu corpo. Longas correntes de
eletricidade. Chamas dançaram sobre ele. Mil línguas lamberam seu
pau com calor. Ele sustentou enquanto pôde, fazendo-a gozar três
vezes antes de não poder segurar sua liberação explosiva, sua
semente quente espirrando nas doces paredes dela, provocando
dezenas de tremores secundários.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 326


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Torpedo INK Livro 1

Ela desabou no chão, respirando com dificuldade. Ele se


debruçou sobre ela, esmagando-a nos cobertores com seu peso, mas
ela não reclamou. Ela virou e encontrou a mão dele. — Não gosto de
ir para a cama sem você.
— Você não gosta de ir dormir sem meu pau, —ele corrigiu.
— Isso também, —ela concordou. — Eu tenho algo para te
mostrar, mas estou cansada demais para me mover.
— Diga-me então. —Ele não queria se mexer. Ele gostava de
segurá-la. Senti-la debaixo dele, sabendo que ela não ia a lugar
nenhum.
— Pedi a Ink para tatuar suas impressões em mim e ele fez.
Sua voz estava tão abafada com os cobertores ao redor dela, que
ele não acreditou no que ouviu de início. A declaração dela penetrou
lentamente e algo quebrou no peito dele. Fragmentou-o totalmente e
o deixou incapaz de se mover ou falar.
Anya se contorceu debaixo dele. — Reaper? Você está
aborrecido comigo?
Ele deslizou para o chão ao seu lado, mantendo uma perna sobre
as coxas, então quando ela se virou para trás, ele ainda estava
prendendo-a. Doía respirar, seus pulmões ardendo na procura por ar.
Sua garganta arranhava. — Você fez o quê? —As palavras eram um
sussurro porque sua voz não era mais que um fio de som.
Ela ergueu as duas mãos. O coração dele acelerou em seu peito.
Ele a pegou pelos antebraços e aproximou as mãos para poder
observar os pulsos dela. Correntes escuras e prateadas pousavam na
parte superior de seus pulsos. Ele podia distinguir os escuros de suas
impressões digitais sob as correntes. Ele virou as mãos. Havia suas
impressões. Marcando-a como dele. Declarando ao mundo que ela
pertencia a ele. Ela tinha feito isso. Para ele. Ninguém nunca em toda
a sua vida, lhe deu um presente. Nem uma vez.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 327


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Torpedo INK Livro 1

Isto não era apenas um presente. Isso era ... enorme. Ele não
podia se mover. Não era possível pensar. Ela o estava matando.
Levando-o para um território inexplorado. Ele não sabia o que fazer
com os sentimentos que se derramavam sobre ele, ou a intensidade
desses sentimentos. Um homem como ele não sentia. Ela abriu uma
porta, e agora ele sabia que ela não ia ser livre. Nunca. Não
importava o que acontecesse, ela iria ter que suportar as
consequências de suas ações. De lhe dar a si própria, porque ele a
estava tomando e mantendo-a para a eternidade.
Ele olhou para as impressões. Tirou a grande obstrução da
garganta. — Terei as suas tatuadas em mim. —Essa era mesmo sua
voz? Merda. Ele estava se perdendo.
Anya tocou seu rosto, seus dedos gentis. Seu coração bateu forte
contra seu peito. — Estou feliz que você goste. Eu adoro a corrente.
Eu queria algo inquebrável.
Ele fodidamente amava isso. Ou ela. Talvez ele a amasse, foda.
Ele não sabia o que era amor, mas podia ser o que o estava matando
por dentro.
— Da próxima vez que ele coloque minhas impressões em você,
eu quero estar lá.
Ela franziu a testa, e ele achou isso adorável. Doentio. Ele era
ruim. Ele esperou e não ficou desapontado. — Mais de suas
impressões?
Ele assentiu. — Quero-as na sua bunda. Pensei em colocar a
marca de minha mão também, mas os meus dedos servem.
— Eu não vou deixar Ink tatuar minha bunda.
Ele passou a mão pela barriga dela para parar bem sobre o
montículo. Ele colocou a palma da mão ali. — Seu corpo é meu,
Anya. Eu quero minhas impressões nele, você terá minhas
impressões.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 328


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Torpedo INK Livro 1

— Então, se eu quiser as minhas sobre você, eu suponho que


você vai fazê-las?
— Essa é uma pergunta boba. Eu pertenço a você?
Seus cílios abaixaram. Abriam novamente. A exasperação
guerreou com o prazer. — Sim. —Ela foi decisiva. — Você pertence
a mim, embora metade do tempo eu queira chutar você.
— Adoro que você coloque minhas impressões em você, baby,
—ele disse suavemente. O caroço estranho em sua garganta e a
queima atrás dos olhos finalmente desapareceram e ele pôde falar
sem se preocupar, em explodir. — Nunca tive alguém me dando um
presente antes e este é o mais ... —Ele parou porque o caroço e a
queima estavam de volta. A pressão no peito aumentou.
— Estou feliz que você goste, —ela sussurrou.
Sua voz o envolveu. Reaper só poderia ter tanto. Ele se inclinou
sobre ela, deliberadamente, correndo os dedos sobre a curva de seu
seio. — Não posso decidir se tatuo minhas impressões sobre essa
curva aqui, então quando você usa um top, todos podem vê-los, ou
aqui, —ele passou os dedos sob os montes macios, acariciando
aquela pele macia. — Onde só eu os veria.
— Eu recebo um voto? —Diversão acendeu sua voz. Seus olhos.
Todo aquele verde brilhou para ele na luz da manhã. Apagando
as imagens da noite anterior. Levando-o para um bom lugar. — Não.
Isso é tudo meu. —Levantando a perna, ele pegou seus braços, virou-
a, então ela estava de barriga para cima e depois a aprisionou
novamente, baixando a perna sobre a coxa dela. Ela riu. Era suave,
mas ele ouviu e se viu sorrindo. Então, isso era diversão. Provocar
sua mulher. Ela devolvendo a provocação.
Ele bateu na bunda dela porque amava ver a marca de sua mão
brilhando na pálida pele dela. Ela virou a cabeça para olhar para ele.
— Ow. Pare com isso.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 329


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— Você gosta disso.


— Eu não.
Ele deslizou a mão entre as pernas dela. — Molhada. Lisa.
Quente como o inferno. Sim, querida, você gosta. —Ele esfregou a
vermelhidão e depois repetiu a ação, espalhando mais calor em sua
bunda. Brincar era divertido. Ele não tinha aprendido isso. Não
tinham ensinado a ele que um homem e uma mulher pudessem se
divertir sem que o resultado final fosse sangue e morte.
Ela balançou a bunda para ele. — Talvez eu goste, mas só
porque você faz tudo ser sexy. —Ela agia como se estivesse lhe
fazendo uma grande concessão.
Ele abriu as mãos sobre a bunda dela, pressionando os dedos
naquele firme músculo. —As impressões podem ficar bonitas aqui.
—Ele pressionou mais, então havia uma leve marca quando ele
ergueu a mão. Ela desapareceu rapidamente. Ele se curvou, passou a
língua e depois mordeu. Ela gritou e olhou para ele de novo. —
Apenas checando. Eu pensei talvez na marca de minha mordida, mas
não é a coisa certa.
— Eu acho que você está obcecado com minha bunda.
Ele era. Ele bateu de novo. Estudou a impressão de sua mão.
"Eu gosto da minha mão aí. Terei um pouco de diversão assistindo
Ink tatuar sua bunda. Eu poderia bater-lhe algumas vezes, ficar
quente e incomodado, foder você e então deixar Ink te tatuar.
— Foder-me? Na loja dele?
— Lá, querida. Dobrá-la sobre aquela cadeira e tomá-la.
Olhando para esta muito bela bunda. Me dá todo tipo de ideias. —
Ele passou o dedo entre a bunda dela. — Gosto da ideia de foder seus
seios. Quero reivindicar cada parte de você. Quero foder seu traseiro.
E depois há a possibilidade de tentar outra coisa.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 330


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Torpedo INK Livro 1

Ele mergulhou os dedos profundamente e depois acariciou a


escuridão entre as nádegas dela. Ele se empurrou naquele vinco
quente, colocou as mãos a bunda dela e apertou-as ao redor dele. Ele
se moveu, deslizando seu pau naquele calor.
Ela se deitou imóvel, as mãos na cabeça, o rosto virado para o
lado para vê-lo, aqueles olhos verdes nunca deixando seu rosto.
Parecia totalmente relaxada, em paz. Isso o golpeou. Ele poderia usar
seu corpo e ela deixava, gostava. Queria o que quer que ele fizesse
com ela. Ele não conseguia foder sua boca, ainda não, mas estava
determinado em encontrar um caminho.
— Quero que você me engula querida. Quero que você se banhe
na minha semente. Cobrir seu corpo de mim, para que eu possa ver
os longos fios escorrerem.
— Isso pode acontecer. —Sua voz era suave e divertida.
Ele adorou a ideia de que ela estivesse completamente coberta
por ele, rios cremosos escorrendo por ela. — Eu a cobrirei, esperarei
até começar a correr e tirarei fotos. Revelarei a melhor delas, ou
talvez todas elas. Enquadrarei e colocarei nas paredes e quando você
não estiver por perto, posso me masturbar olhando para elas.
Ela riu. — Você é tão louco. Você vai se afastar agora?
Ele estava empurrando seu pênis entre as nádegas, apertando
cada vez mais. A conversa estava animando-o. A idéia de revesti-la
dele. — Sim, querida, vou sair, então voltarei. —Ele recuou dela, seu
coração batendo forte novamente.
Ela rolou, olhando para ele. Ele queria tanto a boca dela. —
Coloque suas mãos acima de sua cabeça. Estique-as para fora. —
Nem podia cometer erros. Seu coração batia tão forte que ele o sentiu
em seu pênis. Ele tinha que ser muito cuidadoso, mas só o fato de
estar em terreno perigoso o excitava.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 331


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Ela tocou a língua no lábio inferior, e ele gemeu. Seu pênis


empurrou duro e mais gotas vazaram. Bom. Ele precisava disso. Ele
revestiu seus dedos com mais de seu calor liso e esfregou todo o seu
eixo. Ele montou nela, sentou-se em sua barriga e apertou os seios
dela em torno de seu pênis.
O peito dela subiu e desceu. Seus olhos nunca deixaram o rosto
dele quando ele começou a fodê-la. Era quente observar seu eixo
deslizando entre aquelas curvas. Observar a cabeça deslizar mais e
mais perto da boca dela. Suas bolas cresceram. Excitação correu por
ele.
Ele estava perto. Só de pensar nisso, ele estava muito perto. —
Abra a boca, mas mantenha a cabeça imóvel.
Suas longas pestanas vibraram. Seus lábios se separaram
lentamente. Ela abriu a boca. Apenas a visão o fez gozar. O fogo
correu por sua coluna vertebral. Rolou em sua barriga. Rugiu através
da sua virilha. Ele deixou o primeiro jato cair em seu rosto, mas então
se afastou dos seus seios, continuou bombeando, apontando para a
boca dela. Deixou sua semente cair na língua dela. Triunfo explodiu
através dele. Ele estava na boca dela. Na boca. Ele não tentou
estrangulá-la, nem cortou sua garganta. A visão de sua semente nela
era tão erótica que os jatos continuavam chegando, grossos e longos
fios de creme branco com que queria alimentá-la.
— Engula-me. Engula-me. —Ele queria estar dentro dela.
Profundo. De onde ela nunca poderia tirá-lo. Onde ela não se
importaria com quão fodido ele era e teria que ficar porque sua
necessidade dele era seria tão grande quanto a dele por ela.
Ele apontou os últimos jatos para seus seios. Ele adorava olhar
para ela coberta dele, mas era de sua boca, sua garganta, que ele não
podia tirar seus olhos. Ela não afastou os olhos. Ela fez o que ele
disse, lentamente engolindo-o. Sua garganta funcionando.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 332


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— Abra sua boca. —Seu coração estava ficando louco agora. Ela
o fez. Muito devagar. Primeiro, sua língua deslizou ao redor dos
lábios como se para obter todas as gotas soltas e abriu a boca. Sua
semente tinha ido embora. Ela tinha feito exatamente o que ele havia
pedido. Esse foi o momento exato em que ele soube o que era o amor.
Ele sabia que estava tão apaixonado por ela que nunca haveria outra
mulher. Nunca. Era Anya ou ninguém.
— Mantenha as mãos para cima, amor. —Agora, sua voz era
rouca. — Você parece tão bonita.
— Você é um pouco louco, Reaper. —Ela disse, mas sorriu para
ele.
— Eu sei. Você pode viver com a minha loucura? —Ele passou
o dedo pelos fios de creme em seus seios. Espalhou o líquido em
torno de suas aureolas e mamilos. Beliscou. Escreveu seu nome.
Pegou a semente em seus dedos e pressionou-a em seus lábios. Ela
abriu a boca e ele enfiou os dedos. Ela sugou. Lambeu os dedos até
limpá-los. Ela era perfeita.
— Você sabe de uma coisa, querida? —Ele inclinou a cabeça
para beijá-la, sem se importar que ambos estavam pegajosos. Que ela
tinha o gosto dele.
— Não posso esperar para descobrir.
— Eu vou te foder naquele bar. Eu fantasiei tanto sobre isso e
saber que você também, eu tenho que fazer isso.
Ela riu o som feliz. — Certifique-se de que os clientes tenham
ido primeiro.
— Vou tentar. Não será tão divertido sem você gritar, toda
envergonhada. Vou fodê-la na loja de Ink também. Quero que ele
tatue onde eu bati. Minha mão em sua bunda.
— Eu poderia desenhar as linhas lá, Reaper.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 333


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— Esqueça baby. Vou bater. Tenho que dormir agora.


— Eu tenho que tomar banho.
— Deixe-me em sua pele esta noite. Lave-me pela manhã. —Ele
alimentou-a com mais dele. Ele adorava ver seus dedos
desaparecerem na boca dela. A sensação da língua dela deslizando
entre seus dedos, limpando-os, o deixava louco.
Ela estudou o rosto dele como se estivesse pensando em
protestar, mas no final, assentiu. Ele deslizou dela, a colocou ao lado
dele e enrolou seu corpo ao redor dela. Ele passou o braço debaixo
dos seios dela e enterrou o rosto em seu cabelo.
— Você trouxe aquela mulher para casa em segurança?
— Ela está em casa, —disse ele. — Ela está viva, e não vamos
falar sobre isso. Eu estou me sentindo fodidamente bem, querida não
quero reviver essa bagunça fodida.
— Tudo bem, Reaper. Vá dormir. Só estou feliz que você esteja
em casa. Fiquei um pouco assustada que algo pudesse acontecer com
você.
Ele pensou sobre isso quando se afastou. Anya temia por ele
quando ele saia em trabalhos. Alguém teve medo por ele antes?
Talvez Czar, mas se tinha, não tinha falado. Anya estava lhe dando
coisas que ele não sabia como processar, mas eram coisas boas. Tudo
sobre Anya era bom.

Reaper mergulhou em um emaranhado


erótico de calor ardente. Ele tinha Anya de joelhos, o rosto dela
virado para o dele, os olhos trancados nos dele, o pau dele, grosso e

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 334


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Torpedo INK Livro 1

duro, empurrando para o fundo daquela umidade quente. Maldita


maciez. Ele se manteve lá, saboreando o sentimento, o poder, a pura
submissão em seus olhos enquanto ela lhe dava o que quer que ele
exigiu. Isso não era para ela. De modo nenhum. Era tudo para ele.
Ela não sabia. Só ele sabia. Ela o serviria. Faria exatamente como ele
queria. Segurou seu pau na garganta até que ela não conseguiu
respirar, até que seus olhos se arregalaram com medo e lágrimas se
formaram. Até que ela viu a lâmina em sua garganta, mas não
conseguiu fazer uma maldita coisa sobre isso.
Punhos bateram em suas coxas. Ele ouviu sons. Gritos abafados.
Aquele rosto. Aquela desculpa feia e desagradável de ser humano
nele novamente. Usando-o. Forçando-o a fazer o que quisesse. Seu
parceiro chicoteando-o, batendo nele com seus punhos. O riso ecoou
em seus ouvidos enquanto o parceiro dela se aproximava dele,
quando a dor explodiu em sua barriga. Ele a atingiu uma e outra vez
no rosto. Querendo matá-la. Precisando matá-la. Ele mataria os dois.
Seus olhos se abriram quando ele alcançou cegamente a faca que
ele manteve perto. Ele percebeu que tinha o punho enterrado em
cabelos grossos e ele estava empurrando a cabeça de Anya para trás.
Seu pau estava na garganta dela e seu punho atingiu a bochecha dela,
derrubando-a de costas e longe dele. Ela rastejou como um animal
para longe dele, ofegante.
Ele a encarou com horror, viu as gotas de sangue no tapete em
que ela se afastava dele. Um único som escapou de sua garganta. Ele
olhou em volta freneticamente, pela primeira vez em sua vida
orando, implorando a quaisquer deuses que houvesse, que ele não
tivesse uma faca. Ele não conseguia se mover. Não podia ir atrás
dela. Ele estava congelado, apenas de pé, gritos indefesos,
silenciosos, rasgando em sua garganta.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 335


Judgment Road
Christine Feehan
Torpedo INK Livro 1

Anya chegou a parede e puxou-se para uma posição


sentada, os pulmões em fogo, a garganta crua e dolorida. O lado
esquerdo do rosto parecia mutilado, inchado, em fogo para rivalizar
com seus pulmões. Ela virou os olhos aterrorizados para Reaper. Ele
soltou um uivo, como um animal ferido. Então ele estava batendo na
parede repetidamente, rugindo com dor.
Ver sua dor, sua fúria sem esperança, foi a pior coisa que já havia
testemunhado na vida. Estava aterrorizada por ele, não por ela
mesma. Ela sabia que esse era o segredo dele, Reaper temia que isso
acontecesse. Tinha medo de matá-la. Ela não sabia qual era o gatilho,
ou por que era um gatilho, mas reconheceu que havia um. Ele tentou
muito evitar que isso acontecesse, e agora, quando sabia que a
magoou, quando soube que poderia tê-la matado, tinha medo do que
ele iria fazer para si mesmo.
Suas botas estavam a poucos metros dela e ao seu lado estavam
delicadamente dobradas suas cores e seu telefone. Ela não
conseguiria impedir que Reaper se machucasse, seus problemas
estavam muito longe do seu mundo, mas sabia que havia alguém que
poderia.
Ela estendeu o braço, sem tirar os olhos dele. O sangue escorria
pela bochecha dela. Seu olho esquerdo estava inchado. Tudo doía
especialmente a garganta, mas não era a dor física que estava
deixando-a mal. Seu coração estava em pânico. Como ela iria trazê-
lo de volta disso? Como ela voltaria disso? Ela teria medo de dormir,
e ele também.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 336


Judgment Road
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Torpedo INK Livro 1

A ponta dos dedos dela pegou o telefone e o arrastou para ela.


Sua garganta estava tão crua e machucada que duvidava que pudesse
falar. Ela não saberia o que dizer a alguém. Seu telefone era
protegido, mas ela o observara socar os números mais de uma vez.
Ela desbloqueou-o, procurou o nome de Czar e digitou com rapidez:
911 preciso de ajuda com Reaper. Depressa. É ruim. Certamente, Czar
saberia o que fazer.
Ela puxou os joelhos de forma protetora para o peito, lágrimas
correndo sem controle pelo rosto. Ele tinha que parar. Ele estava
machucando as mãos, punindo-se. Ela queria que ele parasse, mas
ela sabia que ele iria embora se pedisse. Ele parou de repente e virou-
se para encará-la. Ela nunca viu um rosto mais devastado.
— Anya ... —Ele parou, balançando a cabeça. — Baby. Eu não
machucaria você por nada no mundo. Você deve saber que eu nunca
faria nada ... —Ele se interrompeu novamente.
Seu coração se quebrou em um milhão de peças. Reaper. Seu
Reaper. Forte. Invencível. Ele estava esmagado. Quebrado.
Lágrimas escorriam pelo rosto dele, e ela sabia que ele não era nem
mesmo conscientes delas. Ele não veio até ela. Ele ficou parado lá,
sangue pingando de seus dedos para o chão.
— Eu vou embora, Anya. Só sei que do meu jeito fodido, eu te
amo. Eu nunca disse isso a outro ser humano. Eu te amo. Desculpe-
me por isso. —Sua mão fez um gesto em direção à cama de
cobertores, mas depois se virou para varrer seu corpo. — Eu sabia
que estava fodido. Nunca deveria ter tido uma chance com sua vida.
—Ele olhou ao redor da sala, percebeu que não tinha suas roupas e
se afastou dela.
Ela tinha que detê-lo. Tinha que encontrar uma maneira. —
Reaper.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 337


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Torpedo INK Livro 1

Ele parou de se mover, mas não se virou. Apenas sacudiu a


cabeça. — Não baby. Não passaremos por isto. Não dar uma chance
com a sua vida, e eu não acho que possa viver sem você. —Ele
começou a subir as escadas.
Ela sabia disso. Ela sabia o que ele estava planejando. Ele iria
jogar sua moto num penhasco. Ela soube que ele faria isso no
momento em que acordou com a mão dele em seus cabelos,
puxando-a de joelhos, empurrando seu pau para baixo da garganta
dela. Reaper era rude, mas nunca a machucava. Nunca. Havia uma
diferença em seu toque. Ele não era o mesmo homem e sabia que
estava com problemas. Ela também sabia que iria se recuperar e isso
ia passar, mas ele não.
Ela olhou para o telefone que ainda segurava na mão e digitou
outra mensagem. Não consigo detê-lo sozinha. Se você não chegar aqui,
Reaper não irá sobreviver. Ela não queria que Czar pensasse que estava
com medo de que Reaper a deixasse. Ele tinha que saber que Reaper
acabaria com sua vida.
Quando terminou de digitar a última palavra e clicou em enviar,
ouviu o som de motos. Não uma. De várias. Ela respirou fundo,
rezando para que as fechaduras não segurassem a família de Reaper.
Reaper estava no meio das escadas quando Savage, Ice e Storm
entraram pela porta da frente. Absinthe, Steele e Preacher vieram
pela cozinha para a sala grande. Todos escanearam a sala, viram a
figura machucada de Anya com seu rosto inchado, as faces rígidas e
os punhos rasgados de Reaper e então foi Savage quem se mexeu
primeiro. Ele caminhou até a cama, arrancou um cobertor do chão e
jogou para Anya. Ele se ajoelhou ao lado dela e gentilmente colocou-
o em torno dela.
— Você precisa de um médico?
Sua voz era tão gentil, as lágrimas borrando sua visão
novamente. Ela a sacudiu cabeça. — Não o deixe ir. Ele fará algo

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 338


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Torpedo INK Livro 1

louco. Não o deixe ir. —A voz dela era um fio de som e cada palavra
doíam.
— Cuide dela, —Reaper disse e desceu o resto da escada.
Savage olhou fixamente para seu irmão quando Reaper pegou
suas botas e sentou-se para calçá-las. — Czar está a caminho. Espere
por ele. —Reaper fez um gesto para Anya.
— Eu fiz isso. Não sabia o que diabos eu estava fazendo e quase
a matei. Você pensa que algo que Czar me diga, você me diga, ou
qualquer um de vocês digam, incluindo ela, vai me ter tentando
novamente? Não é provável.
— Reaper, por favor, —disse Anya, quebrada. Ela soube que foi
um erro imediatamente. Sua voz estava rouca, sua garganta crua e
queimando, e isso se mostrava em seu tom. Ela não poderia falar
mais alto que um sussurro, mesmo que ela tentasse.
— Baby, não vou dar chance com sua vida e não vou viver sem
você.
Czar entrou na sala. Ele parecia maior do que a vida. Anya não
podia acreditar no quão aliviada ela se sentia, como se de alguma
forma ele pudesse fazer um milagre quando ninguém mais tinha uma
pista sobre o que fazer. Ele entrou na cena, e ela viu o conhecimento
em seu rosto. Ninguém precisava explicar o que aconteceu ou o que
Reaper pretendia fazer.
— Todo mundo tome um fôlego. Reaper pare de assustá-la.
Você não a perdeu. Não é ela que está ameaçando sair. É você.
Sempre há uma solução. A tua é besteira e você não vai. Um de nós
pode não ser capaz de segurá-lo, mas há sete de nós aqui e eu posso
pedir reforços. Vá para lá e sente seu traseiro para que eu possa
pensar.
Anya puxou o cobertor para mais perto dela. Ela não conseguia
parar as lágrimas ardentes, não importando o quanto ela tentasse. Ela

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 339


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Torpedo INK Livro 1

também não podia desviar o olhar de Reaper, silenciosamente


implorando-lhe para ouvir Czar. Ela esperava que a fé da infância
entrasse em ação.
Reaper hesitou, olhou para seus irmãos e, em seguida, caminhou
até ela. Anya o observou vir, chocada, quando ele se aproximou, as
linhas esculpidas profundamente, as lágrimas não controladas
transbordando. Ele não as notou, nem sequer as limpou. Ele deslizou
pela parede ao lado dela, derrotado. Seu ombro tocou o dela. Sua
coxa. Ela estava muito fria e seu corpo deu boas-vindas ao calor
irradiando dele.
Ele se sentou ao lado dela, duro e então deslizou o braço em
volta dos ombros dela e puxou-a para mais perto. — Baby, pare de
tremer. Você vai quebrar os ossos tremendo desse jeito. —Seus dedos
machucados deslizaram pelo lado de seu rosto, movendo-se
delicadamente sobre o hematoma lá.
— Ice, veja se você pode encontrar água na geladeira para Anya.
Steele vai dar uma olhada em seu olho e na bochecha de Anya, —
disse Czar.
Ela balançou a cabeça. Ela não queria que nenhum deles olhasse
demais. Ela não queria que eles julgassem Reaper.
— Sim, —disse Czar. — Reaper, controle sua mulher.
Ela abriu a boca para protestar e então percebeu que Czar estava
fazendo Reaper responsável por ela. Dando-lhe algo para pensar
além de sair e se dirigir a um penhasco.
— Ele está certo, querida, Steele precisa olhar para você e ver se
há algum dano permanente. Não me lembro de te bater, mas lembro-
me do sonho e eu estava lutando por minha vida. —Novamente, seus
dedos deslizaram por sua bochecha.
O coração de Anya virou. Ela inclinou a cabeça contra o ombro
de Reaper.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 340


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— Não me deixe, —ela sussurrou. — Nós podemos trabalhar


isso, eu sei que podemos.
Steele se ajoelhou na frente dela, enquanto suas mãos
gentilmente se moviam pelo rosto. Ela manteve os olhos colados no
rosto de Reaper. Ele não desviou o olhar dela. Nem uma vez.
Steele recostou-se. — Nenhum osso quebrado. Você teve sorte.
O ângulo provavelmente ajudou e parece que você estava se
afastando dele. Vamos colocar um pouco de gelo sobre isso.
Storm entrou na cozinha, quando surgiu Ice, entregando a Anya
e Reaper uma garrafa de água. Reaper colocou a sua no chão, pegou
a de Anya, desenroscou a tampa e entregou-a de volta para ela. Ela
estava com medo de tomar uma bebida. Sua garganta estava inchada.
Sentia como se apenas um pouco de ar pudesse passar por vez. Ainda
assim, ela experimentou beber um pouco. Estava gelada, fazendo
bem para sua garganta queimada.
— Obrigado por virem, —disse Reaper. — Eu não estou louco
agora. —Ele começou a puxar suas mãos de Steele, mas Czar fez um
barulho no fundo de sua garganta e Reaper diminuiu, permitindo que
o Vice-Presidente examinasse os nós dos seus dedos.
— Você está nos enviando para casa? —Perguntou Absinthe.
— Tentando. Tenho algumas coisas para resolver com minha
mulher, —disse Reaper. — Czar está certo. Há sempre uma solução.
Eu estive pensando nisso e acho que tenho uma resposta.
— Você quer compartilhar? —Perguntou Czar.
— Provavelmente não, —disse Reaper.
Anya sabia que não iria dizer-lhes que não podia tolerar as mãos
ou a boca dela em seu pênis. Pelo menos, ela estava certa de que esse
era o problema. Ele não tinha exatamente falado com ela sobre isso.
Ele lhe deu a ordem para não o tocar a menos que ele falasse que

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 341


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Torpedo INK Livro 1

podia e ela não tinha. Ele tinha sido o único a tocá-la. Ela esperava
que ele compartilhasse sua solução com ela, porque nenhum deles ia
dormir muito até a situação ser resolvida.
Ela pressionou o gelo em sua bochecha enquanto Reaper fazia
o mesmo com os dedos.
Os membros do clube conversavam de um lado para o outro,
principalmente ela sabia, para se assegurar que Reaper estava em um
estado de espírito muito melhor. Em algum lugar ao longo do tempo
ela se afastou a cabeça no ombro dele, enquanto a conversa rodava
em torno dela.
Quando os membros do clube partiram, Reaper levou-a até a
banheira, mas ele não disse qual a solução dele.

Terapia. Não era uma palavra que os


motociclistas usavam, e se o fizessem, eles certamente não iriam falar
sobre isso. Levou um par de semanas para ter coragem de conversar
com Ice e Storm. Ele não poderia trazer Savage em seu plano porque
um irmão mais novo tinha que ter orgulho do irmão mais velho. Ele
era o fodido executor do clube. A conversa de terapia com qualquer
um deles era um risco. Eles poderiam zoar sua cabeça para o resto de
sua vida.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 342


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Ele sabia que tinha que fazer alguma coisa. Duas semanas de
não dormir no mesmo quarto que sua mulher era o suficiente para
tornar um homem louco. Pior ainda, estava fazendo com que ela
ficasse temperamental. Ela estava fazendo o seu melhor, tentando
tornar-se a melhor old lady que se pudesse imaginar, mas Anya tinha
temperamento, e as bordas daquela doce natureza estavam se
tornando desgastadas.
Ele a levou para comprar móveis. Ele comprou uma máquina de
lavar e secar roupa. Ele foi fazer o supermercado com ela. Ele insistiu
em comprar um carro novo. Ele foi com ela e, no final, comprou um
longe de sua faixa de preço e pagou por ele. Nada do que ela dissesse
poderia convencê-lo a não o fazer, e no final, ela cedeu porque sabia
que ele ainda estava muito chateado com o que aconteceu. Sim, ele
tinha se livrado daquele fodido carro de merda para se certificar de
que ela tinha um veículo seguro.
Preacher se recusou a permitir que Anya trabalhasse até o
inchaço sair e os hematomas diminuírem. Ele disse que não era bom
para os clientes verem seu rosto assim em um balcão de motoqueiros.
Eles iriam tirar a conclusão errada. Reaper estava feliz com a decisão.
Ele não queria que as pessoas soubessem que ele havia atingido a
mulher que era tudo no mundo para ele. O decreto de Preacher
deixou que plantasse suas flores no quintal—algo que Reaper
percebeu no momento em que chegou em casa. Ele olhou para elas
um longo tempo e então sorriu para ela. Um verdadeiro sorriso.
Aquelas flores significavam algo para ela. Ela estava pensando em
ficar, não importa o quê. Ela estava fazendo uma casa para eles.
Ela assou pão. Pães. Ela trançou pão e fez pães de canela. Ela
experimentou receitas que ela achava que eram fodidas. Reaper
comeu a comida fosse ótima ou não. Ele ajudou com os pratos. Ele
notava quando usava a lavanderia. Às vezes ele saia com os outros
por horas, mas ele nunca disse a ela o que estava fazendo e ela não
perguntou, especialmente se seu rosto estava sombrio.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 343


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Suas sessões de amasso eram longas e as mais incríveis que


Reaper já tinha experimentado, além do sexo com ela. O sexo era
selvagem, mas ela estava sempre em suas mãos e joelhos, afastando-
se dele. Ele era inventivo nessa posição, em todas as posições onde
ela se mantinha afastada dele, mas depois de um tempo ele não
estava satisfeito e ele sabia que ela também não. Ele queria olhar nos
olhos dela. Ele queria segurá-la, adormecer com o corpo em torno
dela.
Ela não disse nada sobre o sexo, mas estava chateada por estar
no andar de cima e ele no de baixo. Ele não gostava de Anya
chateada com alguma coisa. Então... ele tinha que encontrar uma
maneira de resolver isso. A ideia o enojava, mas tinha que ser feito.
Por ela. Ice e Storm concordaram. Ice leu de tudo. Ele leu sobre as
várias terapias, e eles discutiram o que fazer uma e outra vez. Os
gêmeos pediram que ele agilizasse o plano, mas ele estava hesitante,
relutante em continuar com ele. A ideia fez sua pele arrepiar. Ele teve
pesadelos todas as noites, e apenas pensar sobre isso o fazia ficar
molhado de suor.
Reaper engoliu seu terceiro uísque, deixou-o queimar a
garganta, esperando adormecer sua mente. Ele não podia evitar mais.
Toda vez que ele via sua mulher, mesmo que ela estivesse do outro
lado da sala, como agora ele ficava duro como uma rocha e ele
precisava ser normal. Ser como outros homens, então ele não temeria
matar a mulher que amava só porque ela o tocou. Preacher lhe
permitiu voltar ao trabalho. Reaper tinha levado Anya a Santa Rosa
para conseguir roupas e ela estava usando uma das roupas
matadoras. O jeans era reto para que ela pudesse usar as botas de
couro macio que ele tinha comprado para ela.
Ele gostava especialmente dela naqueles jeans, porque ela os
usou alguns dias depois de comprá-lo e ele mal conseguiu arrancá-lo
quando eles estavam frenéticos para chegar um ao outro. Eles
terminaram rindo juntos no chão. Ele tinha rido, na verdade. A

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 344


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Torpedo INK Livro 1

mulher podia domesticar o diabo se ela estivesse com vontade. Ele


não pôde deixar de pensar no que aconteceu depois que ele tirou os
jeans dela.
Ele tomou outro gole de whisky, seus olhos em Anya. Ele sabia
que ela estava olhando para ele. Ice e Storm se juntaram a ele—uma
raridade. Ele estava bebendo muito álcool, algo que Anya nunca o
viu fazer. Ela estava preocupada, e ele não podia culpá-la. Ele se
sentou, estudando-a através dos olhos meio fechados. Ela era tão
linda que poderia tirar a respiração de um homem. Seu cabelo,
geralmente usado em um rabo de cavalo alto para o trabalho ou uma
trança, estava preso com um grampo grosso na parte de trás do
pescoço para que a massa sedosa caísse em ondas até o meio da
bunda. Todo homem na sala olhava cada vez que ela virava de costas
para pegar uma garrafa.
— Você precisa fazer isso, —disse Ice. — Você está como uma
besta nervosa, Reaper. Qual é o problema? Nós estaremos aqui para
nos certificar de que nada de ruim aconteça.
Ele não ia discutiu seus sentimentos com Ice ou Storm. Os dois
estavam lá sentados, bebendo quase tanto whisky quanto ele e não
eram eles que precisavam de terapia. Ele estremeceu com a palavra.
Como os civis faziam esse tipo de coisa? Ele não iria derramar suas
tripas para um idiota entediado que ficaria todo superior tripudiando
sobre ele, sobre ele estar tão ferrado que não podia deixar sua mulher
chupá-lo.
Ele fechou os olhos, gemeu e pressionou o copo de uísque na
testa. Ele poderia jurar que Storm riu, seus olhos se abriram e ele
olhou-os. Ele ameaçou os gêmeos com uma morte pela pior tortura
imaginável, mas mesmo assim, o olhar que eles trocaram o alarmou.
Agora, era dez vezes pior. Eles sabiam que ele estava fodido. Eles
não sabiam o porquê e ele não iria dizer a eles. Ele não iria contar a

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 345


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Torpedo INK Livro 1

ninguém. Certamente, não a um terapeuta. Ainda assim, ele tinha


que fazer algo antes que sua mulher perdesse a paciência com ele.
— Não seja tão maricas Reaper, —disse Storm. — Qual é o pior
que pode acontecer?
— Eu matar alguém? —Ele estalou a pergunta de volta, mas isso
não o era o pior. Não para ele. O pensamento de outra pessoa perto
dele. Uma mulher que não Anya. Ele esfregou o copo em sua testa
novamente. Ele tinha que fazer isso. Ele tinha que ir até o fim. Ele
faria qualquer coisa por Anya—até mesmo isso.
— Nós não vamos deixar isso acontecer, —disse Ice.
Reaper passou o olhar pelo rosto de Ice. Estudou-o. Não havia
nenhum traço de em suas faces duras. Nos olhos dele. Ele estava
falando sério e queria que Reaper percebesse. Os gêmeos podiam lhe
dar um momento difícil, mas estavam envolvidos com ele,
totalmente comprometidos.
— Não gosto da ideia, mas eu sei que tenho que fazer isso, —ele
disse e engoliu o resto do conteúdo do copo.
— Você deveria estar olhando para frente, —disse Storm. —
Ganhar uma chupada pode levá-lo a outro planeta.
Ice fez uma careta. — Você está fora da sua porra de mente,
dizendo algo assim? Você tem assistido muita pornografia.
— Talvez devêssemos filmar Reaper excitado, —continuou
Storm. — Isto poderia inspirá-lo quando ele precisasse de um
lembrete.
Fúria explodiu por ele. Suor explodiu e escorreu pelo corpo. —
Feche a fodida boca, Storm, —Reaper criticou. — Eu vou te bater
até cair, se você não fizer isso.
— E eu vou ajudar, —disse Ice.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 346


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Torpedo INK Livro 1

Isso era pior do que o Reaper achou que seria. Sentindo olhos
nele, olhou para cima e viu Anya olhando pela sala, seu olhar verde
especulativo. Sim, agora havia problemas reais, porque sua mulher
era inteligente. Ela pegava as coisas rápido. Eles tinham que ir.
Acabar logo com isso. Ele se levantou abruptamente. Era agora ou
nunca.
Ele não esperou por Ice e Storm. Ele caminhou até o bar,
acenando para Anya com o dedo. Ela veio direto para ele, ignorando
os pedidos de bebidas. Ele pegou seus braços e puxou-a para o balcão.
Ela se sentou, deixando cair as pernas. Suas mãos foram até a cintura
dela e ele a levou até o chão colocou-a de pé e pegou sua boca em um
único movimento.
No momento em que os lábios entreabertos encontraram os
seus, um fogo familiar correu através dele. Só ela sabia como acender
esse pedaço de dinamite. Seu coração se contraiu quando ela lhe deu
tudo. Ali. Bem na frente de todo mundo. Ela não se importava se o
mundo estava assistindo. Ela os deixou saber que ela pertencia a ele.
— Querido, você vai me comer agora na frente de todo mundo?
—Ela perguntou. — Sentar-me no balcão e gozar?
— Você deixaria querida? —Ela sorriu para ele.
— Eu deixaria você fazer qualquer coisa.
Seu peito explodiu. Ele poderia fazer isso por ela. Ele tinha que
fazer isso por ela. Ele passou os braços em volta dela e segurou-a
firmemente, enterrando o rosto em seu pescoço, respirando-a.
Precisava do conforto. Ele precisava saber por que estava fazendo
uma coisa tão estúpida, tão arriscada. Era para Anya. Para a mulher
dele e por ela ele podia fazer qualquer coisa.
— Querido.
A mão de Anya deslizou pelas costas. Esfregando. Foi para a
nuca. Massageando. Ela sabia como fazê-lo se sentir bem. Especial.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 347


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Como se importasse com ele. Como se ele fosse o único homem do


mundo para ela. Ela era uma ótima old lady. A melhor que um
homem poderia ter. Ele tinha que se esforçar e ser esse homem para
ela. Ele estava decidido a trabalhar seu problema, não importando o
que ou quanto tempo demorasse.
Um tremor de repulsa passou por ele. Ela sentiu isso. Como não
poderia? Ela tentou se afastar para olhar para ele, mas ele se recusou
a permitir. Ela via demais. Ela sempre fazia. Ele queria dizer a ela
que a amava, mas o sentimento era muito esmagador e engasgou-o.
— Vou para a casa do clube. Se eu não voltar para te levar até
seu carro ou levá-la de moto, Fatei ou Preacher a levam para casa em
segurança. —A voz não parecia ser a dele. Era rude. Impessoal. Ele
ainda não podia olhá-la os olhos, então ele deu a ordem em seu
pescoço.
Abruptamente Reaper colocou-a de lado, virou-se e saiu do bar.
Ice e Storm quase derrubaram as cadeiras em sua pressa para segui-
lo. Ele foi direto para sua Harley e forçou-se a dirigir para a casa do
clube quando ele queria ir para casa. Para cheirar Anya, puxá-la para
dentro dos pulmões. Ele queria colocá-la em cima da moto e fazer
um longo passeio. Uma viagem pela estrada. Para algum lugar
seguro para ambos—mas não havia nenhum lugar onde Anya
estivesse segura até que ele conseguisse lidar com seu trauma.
Ele odiava a fodida palavra trauma. Blythe gostava de usá-lo para
descrever o que suas crianças sofreram. Trauma. O que diabos isso
significava? Que ele não podia dormir? Como essa palavra descrevia
o que aconteceu com ele? A qualquer um deles, ou os resultados
finais. Eles eram fodidos. Trauma era apenas uma palavra que as
pessoas usavam para suavizar o golpe. Ele estava danificado.
Quebrado. Não foi possível corrigir.
Como a terapia poderia corrigi-lo? Nada poderia consertá-lo. Ele
era um fodido. Ele desceu da moto e ficou ao lado dela, olhando para

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 348


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o clube. Ice surgiu ao lado dele. Ele respirou fundo e balançou a


cabeça. — Parece errado, Ice. Não vai funcionar. Algo ruim pode
acontecer aqui. Qual é a diferença entre alguém que você chama de
substituta e a cadela dos infernos, que se excita torturando crianças?
— A substituta está tentando ajudá-lo a superar a cadela do
inferno. Você leu o artigo. Ela parece com Anya, treina você para
não ter gatilhos que trazem à tona eventos traumáticos. —Ice citou o
artigo. — Além disso, desta forma, você não terá nenhuma chance
de assustar Anya novamente. Você não pode ir à coisa real, então
esta é a coisa mais próxima. Pode funcionar, basta tentar.
O estômago de Reaper balançou. No momento em que ele
acordou completamente, quando percebeu que ele tinha dado um
soco em Anya, pior, a tinha violado, ele ficou doente com sua
história. Esse sentimento não diminuiu nas últimas duas semanas.
Não havia outra palavra em seu vocabulário para o que havia feito.
Ele sabia que não houve consentimento. Ele tinha feito exatamente
o que tinham feito para ele. Ele tinha sido forçado a repetir as
palavras deles mais e mais, milhares de vezes, as mentiras, dizendo-
lhe que era seu direito tomar o que queria de uma mulher, homem
ou criança. Eles tinham estado determinados a moldá-lo em um
deles. Ele se tornou exatamente o que ele abominava com a mulher
que amava.
Nunca mais poderia acontecer. Nunca. Ele suportaria qualquer
coisa para garantir que Anya estivesse a salvo dele. Ele andaria
descalço e nu nas chamas do inferno. Deixar outra mulher tocá-lo?
Seu corpo inteiro estremeceu com a ideia. Seu estomago virou
novamente.
— Talvez eu devesse falar com Anya sobre isso. Certificar-me
de que ela está bem com isso. —Mas ele sabia o que ela diria. O que
ela já havia dito, uma e outra vez. Não era certo. Ela poderia viver
sem nunca ficar debaixo dele. Ela teria cuidado, seguiria suas

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 349


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Torpedo INK Livro 1

instruções. Ela queria dormir com ele. Ela teria cuidado de não o
tocar.
Ele não estava certo de que ela o tivesse tocado primeiro. Porra.
Por que ele era tão ferrado? Por que sua mulher não podia estar por
cima dele do jeito que ele estava em cima dela? Por que não
conseguia calar as vozes dos fodidos? Por que não podia esquecer as
coisas que tinham feito com ele? As coisas que o forçaram a fazer aos
outros?
Anya. Sua risada transformava o mundo a sua volta. Ela o fazia
melhor. Ele não tinha ideia de por que quando estava com ela, os
demônios recuavam. Eles tinham sido empurrados até ele quase
conseguir fechar aquela porta em sua cabeça e mantê-los trancados.
Ele tinha medo que se ele não conseguisse manter os parafusos
naquela porta, ele a perderia. Ele iria machucá-la novamente, e
nunca se perdoaria. Nunca. Isso não era o pior que poderia
acontecer. Ele poderia matá-la.
Ele tocou seu coração com os dedos trêmulos. Ele tinha feito
exatamente o que havia dito a ela. Ink pegou as impressões digitais
de Anya e tatuou-as sobre seu coração. Ele adicionou a corrente
inquebrável sobre elas, tecendo seu nome nos elos. Ele fez o mesmo
em seu pulso esquerdo, a corrente formando uma pulseira como a
dela, com as impressões em seu pulso interno. Ele olhou para a
tatuagem, precisando de coragem. Lembrando a si mesmo por que
ele estava colocando-se nesta posição.
— Coragem, Reaper, —Storm encorajou. — Isto é para sua
mulher.
Reaper xingou. Ele estava suando e limpou as gotas de sua testa.
Algumas corria pelo seu rosto. Um pouco mais escorregou pelo
peito. Ele entrou no banheiro, apertando os dentes, sabendo que era
uma má ideia, mas sem saber o que fazer. Sua cabeça doía tanto que

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 350


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cada passo batia em sua mente, como uma britadeira cavando


furando implacavelmente.
— Você tem certeza de que vocês dois podem me parar se eu
tentar matá-la? —Perguntou ele. — É uma possibilidade muito real.
—Ele já estava se sentindo um pouco assustado pela mulher. Sua
boca estava seca. Tão seca que ele mal conseguia soltar as palavras.
— Nós dois somos. Você não tem armas, certo? Sem faca? —
Storm perguntou, de repente, preocupado.
Reaper parou no meio da sala comum. — Por amor da porra,
Storm. Não aja como se não tivéssemos passado por isso um milhão
de vezes. Você pode me parar? —Seu coração batendo tão forte,
colocando tanta pressão em seu peito, que ele pensou que poderia
estar tendo um ataque cardíaco.
Foi Ice quem respondeu. — Nós podemos detê-lo. Tudo o que
vamos precisar fazer é arrastar você para longe dela. No momento
em que um de nós colocar nossas mãos em você, você virá para nós.
Alguns golpes e você saberá quem você é e quem somos.
A confiança na voz de Ice o estabilizou. Reaper respirou fundo.
— O que você disse a ela? —Deus. Deus. Ele não podia fazer isso. Ele
não podia deixar outra mulher colocar as mãos sobre ele. Ninguém
o tocava. Ninguém além de Anya.
— Que eu ia trazer um irmão para uma surpresa de aniversário.
Eu disse a ela que queria que ela desse a você o melhor trabalho de
sua vida, para fazer um grande esforço. Que você curtia isso. Disse-
lhe que explodisse sua mente. De todas as meninas do clube, ela tem
a melhor boca.
Reaper não queria saber disso. Ele não queria ter as mãos dela
nele, sua boca. Ele xingou, seu estômago em nós tão apertados, ele
temeu vomitar na mulher.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 351


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Torpedo INK Livro 1

— Pense em termos de ajudá-lo a superar isso, —incentivou Ice.


Ele empurrou Reaper pelo corredor que conduzia aos quartos.
Só de saber que a mulher estava em seu quarto, Reaper se sentia
doente. Bravo. Tenso. Inferno, ele não sabia o que estava sentindo,
exceto que tudo estava errado. Ele parou novamente, na porta do
quarto. Ele nunca voltaria lá sabendo que a mulher havia invadido
seu território. Ele faria Czar lhe dar outro quarto.
— Espere. Mesmo. Eu acho que devo falar sobre isso com Anya.
— Ela vai dizer não e você estará de volta ao problema, —
apontou Storm.
— Anya poderia fazer isso. Com vocês dois, não há como
machucá-la.
Reaper se afastou alguns passos da porta. — Eu acho que vou
esperar até conversar com ela. —Ele não podia mais respirar.
Tremores atravessavam seu corpo e aquela raiva cega estava
próxima. Tão perto que ele poderia prová-la. Metálica. Como cobre.
Sangue. Sangue da mordida em sua boca, tentando não sentir.
Tentando ir a algum lugar em sua mente onde ele pudesse bloquear
a dor e a humilhação.
A porta do quarto se abriu, e uma das mulheres do clube estava
lá. Ele não conseguia lembrar seu nome, mas gostava de estar com
mais de um homem por vez. Ele não podia—ou se recusava a—se
concentrar nela, então sua visão permaneceu embaçada. Ela estava
indistinta, assim como Helena. Só lembrar o nome da cadela o
atingiu como um golpe. A mulher à sua frente tornou-se ainda mais
indistinta.
Em algum lugar, ele ouviu Ice sibilar para que ele usasse sua
disciplina, e sabia que devia forçar seu corpo a cooperar, mas pela
primeira vez em sua vida desde que foi treinado, não podia. Seu pau
se recusou a ficar duro. Ele não queria que essa mulher o tocasse. Ela

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 352


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Torpedo INK Livro 1

não era Anya. Seu corpo só queria uma mulher. Ele não poderia fazer
o que tinha sido treinado para fazer. Ele se afastou dela, balançando
a cabeça.
— Reaper. —Ela estava praticamente ronronando. Ela caiu de
joelhos na frente dele. — Eu não pensei ter alguma chance com você.
Eu tornarei isso muito bom para você, docinho. Você vai se sentir tão
bem.
Quanto mais ele recuava, mais persistente ela se tornava,
avançando de joelhos, os dedos ocupados com seu cinto. Ele sentiu-
os, mas não pareciam reais. Era como se ela tivesse desaparecido até
agora em seu passado, ele estava em dois lugares ao mesmo tempo.
Ele recuou uma segunda vez. Bateu na parede. Ele se virou para
enfrentar o ataque vindo de trás.
A mulher voltou a andar de joelhos. Pegou seu zíper. Ele não
tinha para onde ir. Ele balançou a cabeça, suor escorrendo dele. —
Não. —Ele disse isso distintamente. Ele gritou repetidamente em sua
mente. Não. Ele não queria ninguém o tocando. Agora. Depois. Era
o corpo dele. Seu direito de dizer não. Ele disse. Ele quis dizer isso.
As mãos dela acariciaram sua frente. Avidamente. Ele sentiu a
ganância. O corpo dele estremeceu novamente, a repugnância tão
forte que ele sabia que a mulher tinha que morrer. Ele sabia que o
ataque viria por trás dele, os golpes que o jogariam de joelhos, o
empurrão que o forçaria a entrar na feia boca dela. O chicote
golpeando-o e acabou. Dor floresceria em seu corpo, ameaças,
queimaduras. O pior.
Vagamente, muito longe, ele ouviu Ice. — Tawny pare. Ele disse
que não. Algo está errado.
— Afaste-se dele. —Esse foi Storm.
— Eu vou fazer ele se sentir tão bem, —insistiu a mulher.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 353


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Ele tinha que pará-la. Ela não podia colocar as mãos sobre ele.
Ele foi pela faca que ele mantinha por perto. Ela não estava lá. Não
estava lá. O rugido em sua cabeça ficou mais alto. Dedos tocaram sua
pele e o poço de raiva no fundo dele abriu-se para permitir que o
monstro saísse o monstro que iria defendê-lo. Aquele que o protegia
e protegia todos os outros. Ele iria quebrar seu pescoço. Ele alcançou
a cabeça dela, agarrou seu cabelo.
— Você mentiu pra mim, seu bastardo infiel.
A voz atravessou o véu. A voz dela. Anya. Ele não pegou as
palavras reais, apenas a voz dela. Foi como um vento claro que
soprou o passado, empurrando-o para que ele pudesse fechar a porta.
Então ele conseguiu puxar o ar. Encontrar a respiração. Ele virou a
cabeça e ela entrou em sua linha de visão.
Havia horror em seu rosto. Conhecimento de traição. Dor. A
dor era clara, lá para ele ver, para todos verem. Ele percebeu que
tinha a cabeça da mulher agarrada em seus punhos. Os dedos dela
tinham escovado seu pênis. Seu estômago cambaleou. Ele tropeçou
para um lado e para trás afastando-se dela, deixando cair os braços
trêmulos. Os músculos doeram, ficaram apertados. Travados.
Machucando quase tanto quanto aquele olhar horrorizado no rosto
de Anya.
— Não é o que você pensa, —disse Ice. — Anya, apenas escute.
Storm deu um passo em direção a ela, sua mão esticada
suplicando.
— Anya ... —Reaper não conseguiu fazer a boca funcionar. Ele
estava congelado. Em choque. Seu corpo não parecia pertencer a ele.
— Foda-se, Reaper. Ela pode ter você. Não se preocupe, não vou
chorar nem lamentar. Eu estou indo. —Anya se virou e saiu correndo
do quarto.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 354


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Ice soltou um longo e agudo sinal de aviso para qualquer um na


casa do clube. Storm estava enviando mensagens de texto para os
outros. Reaper tentou segui-la, mas sua calça prendeu em volta dos
joelhos e ele tropeçou e caiu.
— Foda-se! Pare ela! —Ele gritou para os gêmeos. — Não a
deixem ir!
Ice começou a correr enquanto Reaper lutava para levantar o
jeans. Ele ainda estava desorientado, mas sabia que havia cometido
o pior erro de sua vida.

Anya tinha as chaves do carro na mão, o que era bom


porque sua visão estava borrada das lágrimas que ela havia dito a
Reaper que não iria derramar. A dor era visceral. Destruindo ela. Ela
se curvou, se agarrando pelo estômago, com medo de que seu
intestino se espalhasse pelo chão.
Tawny. Anya não frequentava o clube, mas nas semanas que
tinha estado lá, Tawny entrava no bar e caia em cima de todos os
homens. Ela tinha deixado claro que achava que os homens eram
dela. Todos eles. Ela chegou a dar em cima de Czar algumas vezes,
embora ele a calasse com força. Dizia-se que ela queria cada um dos
membros do Torpedo Ink, e estava disposta a tê-los um de cada vez,
ou todos. De todas as mulheres que ele poderia ter escolhido para
enganá-la ...
Anya tinha mentido para ele. Ela estava soluçando tão alto que
não teria ficado surpresa se assustasse todos os animais selvagens em
uma faixa de 161 quilômetros. Ela realmente tropeçou incapaz de ver
para onde estava indo porque a visão dela estava desfocada.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 355


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Ela abriu a porta do carro. Alguém pegou as chaves de sua mão.


Ela girou, preparou-se para lutar, com medo de que fosse Reaper com
alguma desculpa coxa que provavelmente ela seria fraca demais para
ignorar. Era Lana.
— Querida, seja o que for que esteja errado, você não pode
dirigir um carro nesse estado.
— Eu tenho que sair daqui, —disse Anya. Chorando.
Soluçando. Limpando viciosamente as lágrimas. — Agora mesmo.
Eu tenho que ir.
— Então vamos. Entre no lado do passageiro. Eu dirigirei.
Anya fez o que Lana disse porque não podia suportar enfrentar
Reaper e ele podia aparecer a qualquer momento. Ou talvez ele não
viesse. Qual seria pior? Ela o odiava. Odiava ele. — O que há de
errado comigo, Lana? —Ela cobriu o rosto com as mãos.
As portas da parte de trás abriu e dois homens escorregaram para
dentro. Ink e Absinthe fecharam as portas e a ignoraram quando ela
se virou para olhar para eles. Foi difícil manter um olhar malvado
quando ela não conseguia parar de chorar como um bebê.
— Saia. Os homens não são bem-vindos.
— Lana dirija, —Ink disse suavemente. — Somos uma família,
Anya. Quer você goste ou não, você concordou em ser parte da gente.
Nós a aceitamos. Isso significa que quando você está sofrendo nós
cuidamos de você.
Lana não esperou outro convite. Ela pôs o carro em marcha e
afastou-se da casa do clube. — Onde você quer ir?
— A casa. Eu tenho que arrumar minhas coisas. Meu dinheiro.
Lana olhou pelo espelho retrovisor quando três Harleys
dispararam. Maestro, Keys e Player se aproximaram deles.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 356


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— Querida, —disse Ink suavemente. — Diga-nos o que


aconteceu.
— Você não viu? Você não viu o jeans de Reaper em torno de
sua bunda e uma mulher de joelhos, com as mãos no seu pau, a boca
aberta? Porque, eu digo a você, isso está gravado na minha memória
para sempre.
Havia silêncio no carro, diferente de seus soluços selvagens.
Anya tentou desesperadamente se controlar. Ela deveria saber que se
deixar acreditar que tinha um lar e uma família seria sua queda. Era
enorme. Ela tinha investido seu coração. Tudo. Tudo. Sem reservas.
Ela não tinha visto isso chegando. Ela acreditava que seria impossível
não desencadear as lembranças e os traumas que Reaper sofreu. Ela
estava preparada para isso. Ela teria lutado por ele, lutado ao lado
dele, feito qualquer coisa para ficar com ele e encontrar uma maneira
de trabalhar isso.
Outra mulher. Uma mulher do clube. Tawny. Uma que ia de
homem para homem. Ele a abandonou por sexo casual. Não um caso
de amor, nem por uma mulher com quem ele se encontrou, mas uma
mulher que lhe daria um boquete, voltaria e daria um a Ice e Storm
imediatamente depois. Ele não se importava com aquela mulher. Ele
não queria um relacionamento ...
Seus pensamentos selvagens se aquietaram. Ele não queria um
relacionamento. Todo o tempo ele tinha estado tropeçando, tentando
dizer a ela, e ela simplesmente não entendeu as pistas. Ela olhou pela
janela, forçando grandes golpes de ar em seus pulmões ardentes para
se colocar sob controle. Mulheres de todo o mundo viam isso
acontecer com elas. O amor de sua vida não as amava de volta. Elas
sobreviveram. Ela poderia sobreviver.
Ela pressionou os dedos contra boca trêmula, percebendo que
Lana, Ink e Absinthe estavam em choque pelo que ela havia contado.
O silêncio era estranho, mas ela não ia preenchê-lo.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 357


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Torpedo INK Livro 1

— Vamos dar uma volta primeiro, —sugeriu Lana. — Até que


você não esteja tão chateada. Nós vamos nos sentar no penhasco ou
ir a um dos parques. O oceano é sempre calmante para mim quando
estou chateada.
Anya tentou forçar um sorriso, mas ela simplesmente não
conseguiu. No interior, ela se sentia esmagada. Fragmentada.
Sozinha novamente. Muito só. Ela estremeceu e passou o braço por
si mesma. Segurando forte. Ela só tinha que se apertar.
— Eu só preciso voltar para a casa, Lana. Eu não quero que ele
apareça e me dê uma explicação idiota. Se eu tivesse uma arma, eu
atiraria no bastardo.
Lana olhou para Ink pelo espelho retrovisor. Ele deu uma
pequena sacudida da cabeça, falou, Blythe, e voltou para o telefone,
tentando obter uma explicação razoável para o motivo pelo qual
Reaper faria tal coisa. Anya se virou.
— É melhor você não estar falando com Reaper, —disse ela. Seu
coração acelerou novamente. — Ink, eu preciso que você largue seu
telefone ou saia do carro.
Ink largou o telefone imediatamente. — Um homem como
Reaper não te coloca em sua pele, Anya, não se ele vai te largar, —
disse ele suavemente. — Eu sei o que você acha que viu, mas há mais
do que isso. Há uma explicação.
— Eu não quero ouvir isso, —disse Anya. — Eu disse a ele que
se alguma vez houvesse outra mulher, qualquer mulher, estávamos
acabados. Nós dois estabelecemos as regras, e nós dois sabíamos
quais eram. Ele escolheu essa mulher. Escolheu-a em vez de vir para
mim.
Ela estava chorando de novo. Ela tinha sido muito estúpida em
acreditar que Reaper pudesse se apaixonar por ela. Homens como
Reaper não se apaixonavam. Eles usavam mulheres para seus

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 358


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Torpedo INK Livro 1

propósitos e jogavam-nas fora. Ele até mesmo a advertiu. Logo no


começo. Quando ele terminasse, terminou, sem choro e lamentações
para ele. Ele iria conseguir isso. Ela podia não ser capaz de parar de
soluçar, mas ela não iria fazer isso diante dele. Não. Nunca.
Ela tinha que voltar e pegar suas coisas. Foda-se, ela iria ficar
com o carro também. Ele poderia ter pagado, mas estava em seu
nome. Ela iria sair de lá, ir para tão longe dele que nunca poderia
voltar porque não teria dinheiro. O Alaska estava bem. Um navio de
cruzeiro. Ela poderia trabalhar em um navio de cruzeiro, eles sempre
precisavam de bartender’s, não é?
— Você está ficando meio louca, —disse Lana. — Um navio de
cruzeiro?
Ela tinha falado em voz alta. O que mais ela disse? Anya apertou
sua mão na boca. Ela tinha que sair de lá.
— Eu estava trocando mensagens de texto com Ice, Anya. Eu
estava apenas tentando ter uma noção do que realmente aconteceu
para que pudéssemos conversar sobre isso. Você não pode
simplesmente ir para casa, pegar suas coisas e ir embora.
Estava demorando muito. Eles já deveriam ter chegado na casa
de Reaper agora. Ela olhou pela janela pelos olhos embaçados e viu
que estavam na estrada. Ela soube imediatamente a onde a estavam
levando. Czar e Blythe. O casal. Os solucionadores de problemas.
— Eles não conseguem resolver isso, —ela murmurou em voz
alta.
Lana não precisava de uma explicação para suas conversas
fragmentadas. — Eles não precisam resolver nada, Anya. Você está
sofrendo, sem condições para dirigir, isso significa que nós cuidamos
de você. Blythe pode fazer isso melhor do que qualquer outra pessoa.
— Eu preciso de minhas roupas.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 359


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Torpedo INK Livro 1

— Nós podemos buscá-las mais tarde. Deixe-nos cuidar de você.


—Ela saiu da rodovia e dirigiu entre os portões que levavam à
fazenda de Blythe e suas outras cinco "irmãs". Mulheres que ela
escolheu como família.
Então era isso que era como ter uma família. Ter pessoas que
a cercaram quando as coisas davam horrivelmente errado. Era
incômodo como o inferno. Ela tinha que sair. Sentia-se quase
desesperada para sair da área. Ela não podia estar em nenhum lugar
em que ela e Reaper estiveram juntos.
— Você tem que dizer a Czar que eu estou saindo. Sinto muito
por não dar aviso prévio. —Ela explodiu em um dilúvio de lágrimas.
Claro que Czar saberia. Todos eles saberiam que Reaper a traiu. Eles
trocavam mensagens constantemente. Era totalmente humilhante
saber que Blythe estava em sua varanda esperando para consolá-la
porque já sabia, antes que Anya tivesse a chance de lhe dizer que
Reaper era um completo bastardo.
Lana estacionou o carro bem na frente à casa. Anya
simplesmente ficou sentada lá, mesmo quando os motociclistas
varreram o quintal atrás deles. No início, havia apenas um par, mas
logo parecia que todo o quintal estava cheio das grandes máquinas.
Ela enterrou o rosto em suas mãos. Ela tinha que parar de chorar. Ela
tinha dito a Reaper que era uma grande garota. Quando acabasse, ela
se afastaria e nunca entraria em contato com ele novamente. Sem
gritar e chorar. Sem implorar para voltar para ela. Sem ciúmes de que
ele tivesse outra mulher.
Ela queria gritar para o céu. Acabar com ele. O mínimo que ele
poderia ter feito era agir como um homem e dizer-lhe diretamente
que acabou. Isso era o que um homem real teria feito.
— Anya. —Ink abriu a porta e a alcançou, suas mãos gentis
como se ela fosse a criatura mais frágil viva.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 360


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Ela estava agindo exatamente como tinha prometido a si


mesma—e a Reaper—que não iria. — Estou bem, realmente, Ink.
Foi um choque muito grande. Estava preocupada com ele. Ele estava
bebendo muito e ele não faz isso. Eu pedi a Preacher para me deixar
sair porque pensei que deveria levá-lo para casa. Como fui estúpida.
Eu estava preocupada com ele.
Quantas vezes ele tinha escapado para conseguir boquetes de
alguém que não era ela? Ela queria derrubá-lo. Ink estava tirando-a
do carro, a mão ao redor de seus bíceps, puxando. Ela não queria sair
e enfrentar todos. Ela apenas ficou lá, olhando para as impressões
digitais em seus pulsos.
Ela olhou para Ink. Piscou as lágrimas até voltar ao foco. —
Você consegue livrar-se delas para mim? Eu não acho que consiga
olhar para elas pelo resto da minha vida.
— Claro, querida. Saia do carro.
Ele concordou tão prontamente que ela não acreditou nele, mas
saiu do carro porque sabia que não iria sair de lá até que ela se
recompusesse. Ela endireitou os ombros, olhou rapidamente e viu
que os vários membros do clube estavam espalhados pelo quintal
como sentinelas silenciosas. Estava escuro. Ela não conseguia
distinguir seus rostos, mas ela sabia que eram eles. Subiu as escadas
e Blythe colocou o braço em volta de seus ombros e a pegou de Ink.
Ink ficou do lado de fora. Anya estava agradecida por isso. Ela
não queria que ele testemunhasse o que seria dito entre Blythe e ela.
Czar não estava em qualquer lugar à vista, e também estava
agradecida por isso. Ela não queria falar com nenhum deles. Nem
mesmo, Blythe.
— Eu tenho a chaleira no fogo, —disse Blythe. — Não sei por
que, mas sempre que há uma crise de qualquer tipo, o chá sempre
parece melhorar. Você bebe?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 361


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Torpedo INK Livro 1

Anya assentiu. — Havia um senhor mais velho que


ocasionalmente vinha aos abrigos quando eu era criança. Todos
sabiam que ele não pertencia àquele lugar. Ele tinha classe, pura
classe.
Blythe levou-a pela casa até a cozinha, e Anya encontrou uma
cadeira pequena e confortável em que ela poderia se enrolar
enquanto Blythe fazia o chá. Estava grata que Blythe não tinha
perguntado sobre Reaper. Ainda não. Ela precisava de tempo para
reunir um pouco de compostura. Blythe parecia entender isso.
— Seu nome era Chandler Barret. Ele falou sobre sua mãe fazer
chá da maneira mais adequada. Ele disse que ela usou o ritual para
acalmar todo mundo se eles tivessem um mau momento ou estavam
com raiva. —Ela ergueu o olhar para Blythe. — Eu acho que isso se
qualifica para ambos, não é?
— Absolutamente sim, —Blythe respondeu. Ela olhou para
cima de onde ela estava arrumando uma bandeja. — Há muitos
lenços de papel ali. E se você precisar gritar faça isso. Apenas não
quebre meus pratos. Estes são os que eu nunca uso perto das crianças.
Anya se viu capaz de um pequeno sorriso e isso a surpreendeu.
Surpreendeu-a. Talvez Blythe realmente fizesse milagres. — Por que
todos pensam que você pode consertar tudo? Mesmo antes de
Reaper, quando eu estava trabalhando, e ao redor dos outros, eu os
ouvi falar sobre você, como se você pudesse caminhar sobre a água.
Blythe enviou-lhe um pequeno sorriso enquanto derramou água
fervente no bule. — Czar pensa que eu ando sobre a água e posso
consertar qualquer coisa, então ele convenceu a todos. Ele me trouxe
as três garotas: Darby, Zoe e Emily. O clube me trouxe Kenny. Espero
que haja outros.
— Você não se importa?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 362


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— As crianças? Não, eu o amo. Não me importaria mais se eles


precisam de uma casa e família. Vamos dar a eles. Eu não posso
engravidar, e eu descobri que isso não importa, embora eu adoraria
ter uma pequena réplica do Czar correndo por aí. —Ela deu uma
pequena risada. — Kenny já é isso. Ele anda como Czar e fala como
ele. Ele faz todas as pequenas coisas que Czar faz. Ele adora aquele
homem.
— Todos eles o fazem.
— Ele os salvou. Bem, ele ensinou-lhes como se salvar em
conjunto. Cada um deles tinha funções específicas e as realizava. Ele
salvou suas vidas e está esperando que eu salve suas almas. Isso é o
que ele diz de qualquer maneira. —Ela pegou a bandeja. — Vamos
para a outra sala. As cadeiras são mais confortáveis lá.
Anya pensou que as cadeiras eram confortáveis o suficiente na
cozinha, mas seguiu Blythe para a espaçosa sala grande e esperou até
ela colocar a bandeja na mesa. Ninguém mais parecia estar na casa.
— Onde está todo mundo?
— As crianças estão dormindo. Anya, são duas da manhã.
Anya trabalhava na noite. Ela olhou pela janela para a
escuridão. Ela não tinha ouvido as motocicletas arrancarem. Na
verdade, ela tinha ouvido mais algumas chegarem. — Claro eu
trabalho à noite, então perco a noção do tempo. Por que eles não vão
todos para casa? —Ela acenou para o lado de fora.
Blythe entendeu seu gesto. — Você é família e está sofrendo. O
que significa que eles estão sofrendo. Eu estou sofrendo. Nenhum de
nós está bem, Anya.
As mãos de Anya estavam trêmulas quando aceitou a xícara de
chá. Ela envolveu as duas mãos em torno dela, precisando do calor.
— Reaper me traiu com uma mulher do clube. Eu vi. —Ela balançou
a cabeça e forçou o ar nos pulmões. — Eu estava disposta a fazer

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 363


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qualquer coisa por ele. Ele tem tantos problemas e não é fácil estar
com ele, mas eu achei que valia a pena.
Blythe agitou uma colher de mel em seu chá. — Ele tem
problemas, —ela concordou. — Todos eles têm. Ainda assim, como
você, acredito que valham a pena e quem tiver a coragem de ficar
com eles, terá alguém que vai adorar e cuidar até o final. Eu acredito
que Reaper é assim, Anya. Eu não sei o que tudo isso vem a ser, mas
acho que você tem o direito de saber. Você tem o direito de olhá-lo
nos olhos e pedir uma explicação.
— Eu pensei em fazer isso, —Anya admitiu e tomou um
pequeno gole do chá quente. Ela precisava disso. Estava tremendo
de frio. Ou choque. Não importava o que era. O calor do chá
penetrou em suas células geladas, tentando aquecê-la. — Mas, então,
eu percebi que uma explicação realmente não importava. Eu vi com
meus próprios olhos.
— O que você viu? —Blythe perguntou. — Cada detalhe. Conte-
me.
— Eu estava preocupada, então eu sai cedo e fui para o clube,
—respondeu Anya um pouco apressada para acabar rápido. — Ele
não estava na sala comum, então fui dar uma volta, descendo pelo
corredor. Eu pude vê-lo de pé em seu quarto. A porta estava aberta e
a mulher—Tawny—estava de joelhos com as mãos no pau dele.
Tinha o rosto virado para ele e a boca bem aberta como se estivesse
prestes a levá-lo a boca. —Seu estômago balançou. — Eu não posso
falar sobre isto. Ficarei doente.
— O que ele estava fazendo? —Blythe persistiu. — Como ele
estava agindo?
Anya balançou a cabeça, lágrimas correndo por todo o rosto. —
Eu não estava focada nele. Quando a vi, foi tudo que eu pude ver.
Aquela mulher com o homem que deveria pertencer a mim.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 364


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Blythe indicou seu chá. — Não deixe esfriar. —Ela esperou até
que Anya tomasse outro gole antes de falar. — Você não pode esperar
que qualquer um deles saiba a coisa certa a fazer em uma situação.
Uma que exija ação, esta equipe é a melhor, mas assuntos cotidianos?
Não. Eles não têm a menor idéia. Alguém com um profundo
problema sexual? Absolutamente não. Podem ser idiotas o suficiente
para ouvir um dos seus irmãos que leu um artigo em uma revista
sobre o uso de um substituto para o sexo. Eles podem estar tão
desesperados em manter sua mulher que permitem que seu irmão o
convença a tentar usar um substituto para superar qualquer que seja
o problema.
Anya pousou a xícara de chá. — Não importa o motivo, Blythe.
Você viveria com Czar depois que ele deixasse uma outra mulher
fazer isso com ele?
— Ela realmente não fez isso, —Blythe apontou. — Você não
sabe o que teria acontecido se você não tivesse chegado. Ele podia tê-
la parado. Dos dois mil textos que estou recebendo, parece haver
mais do que o olho viu.
— Eu só sei que a vi lá de joelhos. Ele deixou outra mulher fazer
algo que nunca me deixou fazer. —Ela colocou as mãos nos braços
da cadeira e se levantou. — Obrigado pelo chá, Blythe, mas não
posso ficar. Eu sei o que você está tentando fazer, e eu estou grata.
Acredite em mim, eu estou. Eu nunca tive carinho antes, e isso me
fez sentir bem. É só que não sou forte o suficiente para continuar
voltando e ser chutada nos dentes. Como se recuperar disso?
Blythe levantou-se também. — Eu não sei, Anya, mas eu sei, que
se você puder fazê-lo, ele valerá a pena. Pelo menos escute ele. Ouça-
o.
Anya balançou a cabeça. Não importava o que ele dissesse. Sua
dose mais do que saudável de autopreservação estava chutando, mais

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 365


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forte do que nunca, e dizendo-lhe para correr tão depressa e tão longe
quanto pudesse.

Blythe também se levantou e a abraçou. —


Espero que você ache paz, Anya.
Isso trouxe um novo fluxo de lágrimas. Blythe trouxe sua paz.
Ela provavelmente trouxe para Czar e para qualquer um dos outros
que ficaram à sua volta. — Eu vou sentir sua falta, —ela disse
suavemente. — Eu queria ter mais tempo para conhecê-la.
— Eu queria poder persuadi-lo a ficar.
Anya se agarrou por um minuto ao desejo de ficar, mas sabia
que tinha que ir. Lá no fundo apitava um sinal de advertência que
não a deixaria em paz. Estava lhe dizendo que tinha que sair
imediatamente. Correr. Suas roupas e dinheiro estavam em casa. Ela
só tinha que pegá-los e cair na estrada.
Blythe foi com ela até a varanda. Motocicletas estavam
estacionadas por todo o quintal. Algumas estavam atrás de seu carro.
Anya foi direto aos dois homens sentados nelas. — Vocês vão ter que
se mover.
— Para onde você vai? —Perguntou Maestro.
— De volta à casa. Você vai se mexer?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 366


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Ambos assentiram com a cabeça. — Não devia estacionar no


lugar errado. Eu acho que Czar precisa de faixas de estacionamento
pintadas no quintal.
— Sim, —Player concordou. — Podemos ter que sugerir isso a
ele. —Ele se inclinou e brincou com alguma coisa na motocicleta.
Anya deu um suspiro e passou pelas motos para chegar ao carro
dela. Os homens esperaram para se mover até que ela ligou o motor.
Ela não havia visto Lana em lugar nenhum, mas quando ela deu
partida no carro, ela estava de repente na varanda, Ink e Absinthe ao
seu lado. Ela podia vê-los no espelho retrovisor. Lana se acomodou
na traseira da moto de Ink e Absinthe na de Maestro, atrasando-a
ainda mais, ela teve que esperar Absinthe, que passeava pelas escadas
da varanda até Maestro, tiveram uma pequena troca de palavras
antes de montar e as motocicletas aceleraram e depois se viraram
para sair na frente dela.
Ela queria gritar para eles se apressarem. Quando eles entraram
na rodovia, na direção em que ela precisava ir prendendo-a atrás
deles, ela suspirou e decidiu usar o tempo para planejar em vez de
ficar com raiva. Ela precisava saber exatamente o que fazer. Ela era
planejadora, e até que resolvesse as coisas em sua mente, o caos
governaria sua cabeça.
As motocicletas não viraram para ir ao clube, mas lideraram o
caminho até a casa de Reaper. Felizmente, ela não viu sua
motocicleta. Ela estacionou o carro, acenou para as motocicletas e
entrou na casa. Ela subiu as escadas de dois em dois degraus, arrastou
a bolsa velha do armário e jogou na cama. Seu dinheiro estava
escondido na mochila. Ela jogou dois pares de jeans, várias
camisetas, suéteres, meias e calçinhas dentro. Ela hesitou. Ela não
tinha uma foto de Reaper e sabia que isso era bom. Seus cadernos de
desenho estavam cobertos com ele.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 367


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Ainda assim, ela raciocinava, sabendo que estava mentindo para


si mesma, ela precisava dos cadernos de desenho. Ela sempre poderia
jogar os desenhos dele fora. Eles foram para a bolsa e depois ela
correu pela escada.
Ela quase correu direto para Reaper. Ele a pegou pelos ombros
para estabilizá-la. Anya se afastou instantaneamente. — Você não
me toca, —ela sibilou, puxando-se para trás e tropeçou.
— Anya, você tem que me ouvir.
— Não, Reaper, eu realmente não, —disse ela. — Saia do meu
caminho.
Ele balançou sua cabeça. — Não. Você vai ouvir.
Ela caminhou em direção à porta. Ele deslizou entre ela e a
saída. Ele fez isso facilmente, como se não tivesse bebido todo o
whisky no mundo.
— Saia do meu caminho.
— Eu disse não. Você vai me ouvir. Depois disso, se você ainda
quiser ir ...
Ele não disse que deixaria. O desespero se instalou. Reaper
poderia convencê-la a qualquer coisa. Ela olhou pela primeira vez em
seu rosto. Seu coração falhou. As borboletas levantaram vôo em seu
estômago. Ele parecia tão destruído como ela, e aquela parte dela que
precisava consertá-lo, que não podia suportar vê-lo ferido, se
levantou para tentar confortá-lo e salvá-lo. Não ela. Ela não seria essa
pessoa.
Ela empurrou a bolsa para ele. Duro. Ele se esquivou e quando
ela tentou dar a volta ele bloqueou o caminho novamente.
— Apenas acalme-se e deixe-me falar com você. Posso explicar
o que aconteceu.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 368


Judgment Road
Christine Feehan
Torpedo INK Livro 1

— Eu tenho certeza que você pode Reaper. Você sempre tem


uma explicação para tudo, não é? Eu não quero ouvir isso.
Terminou. Já está tudo explicado. Eu fui paciente. Eu dei-lhe todas
as oportunidades para falar comigo, mas você escolheu não. Você fez
sua escolha por Tawny. Inferno, você deu seu pau a ela. Isso foi mais
do que você fez por mim. —Ele estremeceu, e ela se odiou por ser
uma cadela.
— Baby.
Ela deixou cair a mochila e empurrou para ele. Duro. Ambas as
mãos na parede que era o peito dele. Ele nem recuou. Ele apenas
pegou as mãos dela nas suas e puxou-a para perto. Ela estava
esperando por isso. Ela o conhecia, sabia que usaria a vantagem. Ela
levantou o joelho com força entre as pernas dele. Ele uivou. Deixou-
a ir.
Ela girou, pegou a bolsa, a mochila e saiu correndo de casa para
o carro. Não estava lá. Ela olhou em volta. Chocada. De todos os
momentos para um carro ser roubado, este era o pior de todos. Ela
deixou cair a bolsa, pescou até achar seu dinheiro, empurrou-o para
dentro do bolso e iniciou caminhada.
Ice saiu das sombras em seu caminho, forçando-a a parar. —
Não posso te deixar ir, querida, —disse ele. — Volte para a casa.
Os membros do clube se mexeram então, saindo da escuridão,
ao redor dela. Ela viu Maestro e Player. Estavam atrasando-a.
Esperando que Reaper chegasse em casa. Porque ele demorou tanto?
Teria ficado para confortar Tawny? Deixado-a terminar o trabalho?
Sua mente simplesmente não podia ir lá, mas foi, e não era bom
montando vários cenários com os dois na cabeça, uma e outra vez.
— Todos vocês? —Ela virou um círculo. — Lana? Até você?
— Por você, Anya, —disse Lana. — Apenas ouça-o. Depois, se
você tiver certeza de querer ir, eu vou ajudá-la.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 369


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Torpedo INK Livro 1

— Você fará o melhor para ela e Reaper, —disse Ink. — Assim


como todo o resto.
— Você não pode tomar essa decisão, —disse Anya. — Eu tenho
direitos como um ser humano.
— Esses direitos incluem foder tudo? —Perguntou Ice.
— Sim, de fato, fazem, —ela respondeu.
— Muito ruim querida. Nós não queremos você fodida, —disse
Storm. — Eu acho que Ice e eu ganhamos nesse departamento.
Alguém tem que ter alguma sanidade. Essa é você. Entre e ouça-o.
Por mais louco que pareça, cada palavra é verdade.
Czar saiu da escuridão. — Anya, fiquei fora quando Lana te
levou para Blythe, para poder falar com Reaper. É onde ele esteve.
Foi lá que Ice e Storm estiveram. Se eu não acreditasse na explicação
idiota, eu não teria concordado em segurar você para ouvi-lo. Reaper
jura que lhe contará tudo. Não só o que estavam tentando, mas o
porquê ele acreditava que era necessário. Se quiser sair depois disso,
eu pessoalmente, a escolto para fora da propriedade.
Eles não estavam lhe dando nenhuma saída. Ela olhou ao redor.
No escuro, mal dava para distinguir as faces, mas aquelas que ela
podia ver estavam arrependidas e chateadas. Ninguém parecia gostar
do que estavam fazendo, mas estavam resolvidos a continuar com
suas ações.
Eles não estavam dando a ela uma escolha. Ela caminhou de
volta pelo caminho que conduzia à porta da frente, recusando-se a
olhar para qualquer um deles, ou dar a Czar a dignidade de uma
resposta.
Reaper estava na entrada e recuou quando ela se aproximou. Ela
passou por ele e se atirou na poltrona mais próxima da porta, cruzou
os braços sobre o peito e olhou para frente. Ele podia falar até ficar
azul. Isso não significava que ela tivesse que escutar.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 370


Judgment Road
Christine Feehan
Torpedo INK Livro 1

Reaper fechou a porta da frente lentamente e virou-se para


encará-la, inclinando-se contra a porta. — Primeiro, antes de mais
nada, Anya, tenho que me desculpar.
— Não se preocupe. Eu sei o que Czar disse para você, e eu não
quero suas desculpas. —Ela partiu pra cima dele, furiosa novamente.
Querendo chorar novamente. Aparentemente, sentar-se em silêncio
não era seu forte. Ele tinha pronunciado duas frases e ela já estava
brigando. Ela deveria manter a boca fechada.
— Por que você acha que Czar diria para me desculpar? —Ele
soou verdadeiramente intrigado. — Czar não tem nada a ver com
isso. Eu cometi um erro terrível e você tinha que ver isso. Foi
humilhante que eu colocasse qualquer um de nós nessa posição. Isso
a machucou—realmente machucou você, e essa era a última coisa do
mundo que eu queria fazer. Mais do que tudo, eu sinto muito por
isso.
— Ok, você pediu desculpas. —Ela acenou com a mão para ele.
— Eu aceito, Reaper. —Sua voz quebrou e ela amaldiçoou
interiormente. Ele tinha que saber, pela vermelhidão de seu rosto,
pelo inchaço, que ela esteve chorando. Ainda assim, ela não queria
chorar diante dele. Se ele tinha uma fila interminável de exs chorando
sobre ele e implorando-lhe que voltasse, ela não queria ser uma delas.
— Está terminado.
Ele balançou a cabeça. — Não está terminado. Nós tínhamos
um acordo. Estaria terminado quando eu dissesse isso, e eu nunca
disse isso. Nunca pensei nisso. Nem por um momento.
— Terminou no momento em que você colocou suas mãos em
outra mulher.
— Eu nunca toquei nela. —Ela queria a frigideira. O desejo foi
tão forte que ela quase se levantou para pegá-la e poder dar algum
sentido a ele porque ele não estava fazendo nenhum. — Então
desculpe, eu usei a parte errada de sua anatomia, —ela disse tão

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 371


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Torpedo INK Livro 1

sarcasticamente quanto possível. — Por favor, permita-me


reformular. Terminou no momento em que você colocou seu pau na
boca dela.
— Droga, Anya, eu teria quebrado o pescoço dela se você não
tivesse entrado e gritado. Era o que estava na minha cabeça. Ice e
Storm estavam lá para garantir que isso não acontecesse. Deixei
todas as armas nos quartos deles, mas eles teriam chegado muito
tarde. Eu a teria matado, e tudo porque ela não era você! —Ele gritou
isso. — Eu disse não. Eu disse não a ela. Eu disse isso uma e outra
vez na minha cabeça. Tentei me mexer, mas eu estava congelado lá.
Ele parecia tão destruído quanto ela, e ela congelou. Não havia
como negar o anel da verdade absoluta. — Você a mataria? O que
você está dizendo, Reaper? Não acredito que você seja um sociopata.
Eu simplesmente não acredito nisso.
Ele passeou pela sala, e Anya o observou pela primeira vez se
permitindo ver a imagem que estava na cabeça, repetindo o
incidente, todo, e não apenas as partes que contou a Blythe. Ela
tentou se concentrar em Reaper, não em Tawny. Ele estava suando.
Ela viu as gotas correndo por sua pele. Ele não parecia em êxtase,
nem mesmo em antecipação, ele parecia ... destruído, assim como
ele fazia agora.
Nada fazia sentido. Não sua perturbadora confissão. Não do
jeito que ele olhou quando ela se aproximou deles. Não do jeito que
ele estava agindo agora, ou a forma como seus irmãos e irmãs haviam
agido. Ela forçou o ar em seus pulmões. Ela tinha que ter calma,
porque Reaper não estava calmo. Ele estava muito agitado.
— Tudo bem. Estou ouvindo. É melhor você me dizer o que
aconteceu. —Deus. Deus. O que aconteceu? Mesmo agora ele parecia
tão devastado, tão além do sofrimento. Doente mesmo. Como se
estivesse com febre. Ele continuou esfregando seu peito, logo acima
de seu coração. Sua tatuagem estava lá, e ainda era nova. Ele não

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 372


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Torpedo INK Livro 1

deveria estar pressionando tão forte, mas ela sabia que ele não estava
mesmo ciente de fazê-lo.
— Eu vou te contar tudo. Eu não contei isso nem a Czar. Não a
Ice e Storm. Eu contei a eles uma parte, mas não tudo. Eu já sinto
que perdi você, então é uma enorme aposta, dizer a verdade, mas
você está me deixando porque eu estou fodido. Eu tomei a saída fácil.
Ela franziu a testa. Ela estava perdida, sentindo como se tivesse
entrado em uma história no meio dela.
— Essa mulher, seja qual for o nome dela. Tawny. Ela era de
fácil acesso, e eu não podia suportá-la perto de mim. Ela fez a minha
pele coçar em todas as noites que veio atrás de mim. Dizer tudo isso
é a coisa mais difícil que eu já fiz. Quando você me olha, Anya, você
me olha de uma maneira que ninguém nunca fez. Como se eu fosse
alguém especial. O que você vê dentro de mim, essa parte de mim,
todos, inclusive eu, desistiram antes de eu nascer.
Isso era o que ela temia se o deixasse falar. Ele conseguia chegar
a seu coração sempre.
— Você não me vê coberto de sujeira. Na imundice. Você vê
outra coisa. Algo que nem meus irmãos e irmãs vêem. O sol brilha
nos seus olhos quando você me olha.
Isso era verdade. Mais do que verdade. Ele era tudo para ela e
ela nem sabia como ele tinha conseguido chegar tão fundo.
— Ninguém quer que sua mulher saiba que outro homem
colocou as mãos sobre ele. Aconteceu repetidamente. Foi feio e
brutal. Mas havia mulheres lá também. Mulheres que gostavam de
machucar crianças. Gostavam de vê-los sofrer. Uma das mulheres, o
nome dela era Helena, foi designada para nos ensinar disciplina e o
controle de nossos corpos. —Sua voz se quebrou.
Ele virou as costas para ela, atravessou a sala e voltou. — Ela
era a pior, Anya. Nenhum demônio do inferno poderia rivalizar com

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 373


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Torpedo INK Livro 1

ela. Ela sempre trazia seu homem para as sessões. Ela punha sua boca
em mim, e ele me chicoteava, ou me cortava com uma faca. Às vezes
ele me queimava, e sempre, sempre, me estuprava. Começaram
quando eu tinha dez anos e seguiram até os 14 anos.
A boca dela ficou seca. Havia algo em sua voz, uma nota que a
advertiu. Quando ele estava falando sobre o homem que o torturava,
sua voz era firme. O que quer que estivesse por vir, em sua mente,
era ainda pior. Ela não queria saber, mas pelo menos ela entendia
sua aversão a ter alguém descendo sobre ele.
— Um dia, Helena apresentou algo novo na mistura. Deus sabe,
já não era suficiente para ela. Ela trouxe uma jovem com ela, uma
das mais novas. A menina tinha sido trazida a pouco mais de uma
semana e era muito submissa. Ela estava tão assustada que fazia o
que disseram. Nós não podíamos trabalhar com os novatos, não até
que eles passassem por esse estagio. Era muito perigoso para nós.
Tínhamos que saber que não eram plantados, porque Sorbacov não
conseguia descobrir como estávamos matando os instrutores, ou
mesmo se éramos nós. Naquele momento, ele suspeitava de todos,
os instrutores também se mostravam desconfiados, mas eles não
conseguiam descobrir como estávamos fazendo isso.
— Aos 14 anos, você ainda estava sob seu controle?
Ele assentiu. — Naquela época, estávamos sendo enviados em
missões. Se eu fosse, Sorbacov deixava Savage trancado com o pior
deles. Quanto mais rápido eu voltasse, mais rápido ele era liberado.
E vice-versa. Ele sabia como ameaçar cada um de nós. Czar teve o
pior porque Sorbacov estava certo de que ele era a cola, mantendo-
nos inteiros e sendo o cérebro por trás dos assassinatos, e ele queria
arrasá-lo.
Reaper atravessou a sala até o pequeno bar que eles colocaram
na extremidade. Derramou uma pequena quantidade de uísque em

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 374


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Torpedo INK Livro 1

um copo e engoliu-o. Ela quase pediu para tomar uma bebida, mas
achou que um deles deveria ficar concentrado, sóbrio e calmo.
Ela queria colocar as mãos sobre as orelhas. Ele tinha sido uma
criança, e estava falando tão facilmente sobre matar. Sobre ser
abusado sexualmente repetidas vezes.
— Helena trouxe a menina com ela e disse que ela tinha que me
manter excitado enquanto o parceiro de Helena me torturava. Claro
que a garota não tinha idéia do que estava fazendo, e que eu deveria
tentar resistir. Achei que era uma desculpa para machucá-la, mas ...
—Ele limpou a garganta, as mãos indo para os olhos. Sua garganta
trabalhava. Engolindo um nó. Anya se abraçou preparando-se.
— Ela cortou a garganta da garota. Bem ali, com ela ajoelhada
na minha frente. Com a boca em mim. O sangue estava em toda parte
e aquela puta ria e manchava-se, empurrou o corpo de lado e eu juro
por Deus, ela pegou o lugar da menina. Eu simplesmente perdi o
controle, Anya. Peguei a faca de sua mão e a matei do jeito que ela
matou aquela garota. A boca ainda em mim. Então eu virei e
apunhalei seu parceiro. Eu não sei nem mesmo quantas vezes. Eu
não lembro muito disso, embora eu tenha pesadelos todo o fodido
tempo.
As duas mãos passaram pelo cabelo. Seus olhos azuis
encontraram os dela. Ele estava torturado. Atormentado. — Foi o
que aconteceu naquela noite. Meus sonhos com você, de você me
amando, se transformou em um pesadelo com Helena me
torturando. Deus, querida. Desculpe-me. Eu estou tão fodido e não
há maneira de contornar isso. Nenhuma.
— Reaper. —Ela não sabia o que dizer. O que ela poderia dizer?
As lágrimas escorriam pelo rosto, e desta vez eram por ambos. Por
Reaper porque ele estava certo, não havia como desfazer esse tipo de
dano grave. Esse tipo de trauma. E por ela, porque ela o amava com
tudo nela e ela não via um jeito nisso.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 375


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Torpedo INK Livro 1

— Tem mais. Eu vou dar tudo para você.


Como poderia haver mais? Ela não estava certa de que seu
coração poderia tomar mais. Sentia-se paralisada de tristeza por ele.
O peito dela doía, com tanta pressão. — Apenas fale querido, —ela
sussurrou.
— Quando Sorbacov foi informado, eu esperei que ele matasse
Savage ou pelo menos a mim. Eu deveria saber mais. Ele era
desonesto, o tipo de homem doente que amava a tortura psicológica
tanto quanto a física. Ele tinha Savage, então ele sabia que eu faria
qualquer coisa para mantê-lo seguro. Pagaria qualquer preço. Seu
preço era me mandar matar. Eu era seu assassino. Todos nós éramos,
mas eu era seu favorito. Ele queria que eu duplicasse a matança uma
e outra vez. Seduzir o alvo e matá-la da mesma maneira. Eu me
recusei a matar uma inocente. Eu não trocaria a vida de Savage por
uma mulher que não tinha feito algo errado. Eu honestamente não
sei se eles fabricaram ou não as evidências contra as mulheres, mas
ao longo dos anos, quando era uma meta feminina, Sorbacov me
enviava atrás dela.
— E você ... —Ela perguntou, sentindo-se doente.
— Repetia o assassinato exatamente da mesma maneira.
Sorbacov me fazia gravar e lhe trazer a evidência. Se eu não
entregasse a gravação, eles não liberavam Savage. Eu sempre sabia
que estava trabalhando contra o relógio. Ele estava mal, muito mal
quando eu o tirava deles. Às vezes, discutíamos nos matar como
alguns dos outros estudantes tinham feito.
Ela sentia-se doente por todos eles agora. Todos os membros do
clube. O que quer que tivesse sido feito a Savage, enquanto Reaper
estava em suas missões foi claramente horrível. Todos os membros
do clube sofreram crimes indescritíveis.
— Eu estou tão apaixonado por você, Anya. Que não queria
correr riscos com sua vida. Depois do que aconteceu, tive que

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 376


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Torpedo INK Livro 1

encontrar uma solução. Falei com Ice e Storm. Eu não lhes dei
detalhes, apenas disse-lhes que estava tendo problemas nesse
departamento e que eu não queria machucá-la. Eles conheciam a
instrutora, ela trabalhou com todos eles. Eles não sabem que eu a
matei ou por que. Czar sabe essa parte. Eu não disse a Czar ou a
qualquer outra pessoa, nem mesmo a Savage, o que eu tive que fazer
para manter Savage vivo depois disso.
Seus olhos se encontraram com os dela novamente e então ele
desviou o olhar, vergonha em seu rosto. Culpa. Ela sabia que ele
estava esperando que ela o condenasse. Ela limpou a garganta para
que pudesse falar, engolindo o terrível nó lá. — Qual foi a solução
que você arranjou?
— Ice leu essa história sobre substitutos sexuais. Não posso falar
sobre matar múltiplas pessoas para um terapeuta. Não posso falar
sobre as coisas que o clube faz agora. Não posso explicar por que eu
não deixarei o amor da minha vida colocar a boca em mim mesmo
que eu queira mais do que qualquer coisa. Eu disse a Ice que
encontrar um terapeuta sexual não funcionaria por todas essas
razões. Ele disse que não precisávamos de um terapeuta, apenas uma
parceira sexual que sabia o que estava fazendo.
Anya gemeu e bateu a parte de trás da cabeça contra a cadeira
várias vezes. Claro que eles pensariam isso. — Querido, os
substitutos são treinados.
— Bem, sim. E Tawny também, por assim dizer, pelo menos é
o que Storm disse e ele tinha um ponto.
Ela iria estrangular os gêmeos com as mãos nuas. Ela também
não podia pensar muito sobre o que ele revelou. Isso levaria muito
tempo para processar. Ela só tinha que manter sua mente gritando de
raiva e angústia por ele.
— Continue, —ela encorajou.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 377


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Torpedo INK Livro 1

— Eles me convenceram. Eu sabia que teria que estar bêbado,


mas não podia beber o suficiente para fazer tudo parecer certo. O
pensamento de alguém me tocar, não você ... —Ele interrompeu,
balançou a cabeça. — Eu continuei tentando dizer a Ice e Storm que
eu precisava falar com você primeiro. Perguntar o que achava, mas
eles disseram que você se oporia.
— Eles estavam certos, os idiotas, —ela murmurou.
— Eu não pude entrar no quarto. Eu não queria que ela estivesse
lá. Enquanto estávamos discutindo, ela saiu e começou. Não
consegui me mexer. Era como se estivesse acontecendo tudo de
novo. Aquela mulher. Eu não podia suportar as mãos sobre mim. Me
tocando. Ela não era você e eu não conseguia voltar à realidade. Não
sei o que aconteceu. —Ele passou as duas mãos pelos cabelos e
afastou-se dela. Ela podia ver que suas mãos tremiam.
— Eu disse não. Lembro-me de dizer isso. Então eu estava
pensando, como fazia quando eu era uma criança. Gritando uma e
outra vez na minha mente. Ela continuou vindo até mim, e quando
ela me tocou, fiquei louco. Na minha cabeça, era Helena novamente.
Eu queria minha faca, mas não estava comigo, então peguei a cabeça
dela em minhas mãos. Anya, se não fosse por sua voz, por você
entrar ... ela estaria morta, amor. Se cheguei assim tão perto com ela,
de jeito nenhum, posso ter chance de machucá-la novamente, e
muito menos matar você.
Ela mordeu seu punho com força, lutando para não chorar de
novo. Chorar por ambos. Como alguém concerta isso? Ela não
conseguia pensar com todas as coisas que ele contou. Ela corria em
um círculo louco em sua mente. Ele estava tendo flashbacks. Claro
que ele teria. Ele foi traumatizado quando criança. Não importava
que ele fosse um grande motociclista fodão, um assassino treinado,
ele não conseguiu escapar do passado mais do que uma vítima de
violação poderia. Ele foi vítima de violação. Repetidamente. Ele

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 378


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Torpedo INK Livro 1

estava tendo episódios de estresse pós-traumático. Ela não sabia


muito sobre isso, mas certamente tinha visto alguns dos soldados nos
abrigos.
— Eu sei que tenho que deixar você ir, mas não podia deixar
você ir pensando que eu a traí. Eu não fiz. Eu não teria feito isso.
Mesmo sem essa reação, Anya, eu não teria feito isso. Você tem
apenas minha palavra sobre isso, mas eu senti que você merecia a
verdade.
Ele ficou de pé, de cabeça baixa, esperando que ela dissesse
alguma coisa. Anya pressionou os dedos nos olhos dela. Ela não
sabia o que dizer. A ideia de sair era horrível. Se havia uma pessoa
no mundo que precisava dela, que precisava compreender e amar,
era Reaper. A idéia de ficar era igualmente aterrorizante. Ela sabia
que seus problemas iriam ser problemas para a vida toda. Eles não
iriam passar apenas porque ela o amava. Não. Nunca. Não
importando quanto tempo eles estivessem juntos, mesmo que
tivessem filhos, seu passado os atormentaria, e isso se eles pudessem
superar isso.
— Diga algo, —ele respondeu e voltou para o bar.
— Pare de beber. A última coisa que precisamos é que você
tenha mais álcool.
Ele girou ao redor. — Eu vou precisar para vê-la sair por essa
porta, e Anya, a menos que eu esteja morto, não há garantia de que
não irei atrás de você.
Ela sabia disso. No momento em que ele declarou seu amor em
voz alta, ela sabia que não haveria nenhuma maneira que ele a
deixasse ir sem uma briga. Talvez não este minuto quando ele estava
se sentindo cru. Culpado. Humilhado. Talvez não agora, mas mais
tarde, ele acordaria uma manhã, pegaria sua Harley e a encontraria.
Ela sabia disso com a mesma certeza de que sabia que o sol se
levantaria de manhã. Ela fingiu que não sabia.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 379


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— Você pode estar pronto para desistir de nós, mas eu ainda não
estou. Tenho que pensar nas coisas. Minha mãe pode ter escolhido
drogas e abrigos para nós, mas ela me disse um monte de coisas
muito inteligentes e uma era, quando você não sabe o que fazer, fique
quieto.
Reaper voltou-se para encará-la mais diretamente. — O que você
quer dizer, você não tem tanta certeza? Você tem alguma ideia do
que eu acabei de dizer que eu fiz?
— Reaper, não fale comigo agora. Vá dizer a família para ir
embora. Nós precisamos resolver isso entre nós dois. Se ficarmos
juntos descobriremos como entre nós, não com os outros. Se eu sair,
vou dizer adeus para eles mais tarde. E pegue minha mochila
enquanto você está lá. —Ela tentou soar firme, quando seu coração
estava batendo fora de controle e seus pulmões pareciam estar
desesperados por ar.
Reaper ficou de pé na frente dela, olhando-a como se houvesse
crescido duas cabeças nela. Ela manteve o olhar fixo através da força
de vontade. Ela era uma garota de abrigo e ela era forte. Ela se
afastou dessa vida e criou outra para si mesma. Tudo por suas
habilidades de luta, a vontade de ferro que tinha, a capacidade de
planejar, tudo tinha que ter tido um motivo e ela suspeitava que esse
motivo estivesse de pé na frente dela, então não, ela não estava
prestes a hesitar. Ou desistir. Não antes de ter esgotado todas as
possibilidades.
Reaper se virou e foi para fora. Sua cabeça estava alta, não baixa
e isso era alguma coisa. Ela colocou a cabeça entre os joelhos e lutou
por ar. Ela era forte o suficiente para ficar? Se ela fosse, eles poderiam
ter o tipo de vida que Czar e Blythe tinham—com crianças? Ela
queria filhos. Reaper? Ele disposto a trabalhar para tê-los, porque
haveria trabalho envolvido. E ele teria que deixá-la conversar com
alguém se não conseguissem descobrir por conta própria.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 380


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Torpedo INK Livro 1

O que ela estava pensando? Comprometer-se em uma vida com


ele? Conhecendo as coisas que ele tinha dito a ela? Ela estava fora de
si? Ela deveria estar correndo. Se ela tivesse um pingo de juízo já teria
ido embora. Ela permaneceu sentada. Sua mente passou por todas as
coisas. Tudo o que ele havia dito. No começo, antes de mais nada ele
disse: Eu a teria matado, e tudo porque ela não era você.
Ele não disse que teria matado Tawny porque colocou as mãos
sobre ele. Ou a boca dela. Foi porque ela não era Anya. Ele pode ter
pensado que foi o que queria dizer, mas não foi o que ele havia dito.
Mais tarde, ele repetiu algo muito parecido uma segunda vez. Seria
perigoso, mas eles poderiam trabalhar com o seu problema? Ela teve
que procurar o PTSD36 e descobrir os gatilhos da Reaper. Mais, eles
tinham que descobrir como os outros lidavam com os pesadelos e
como mantinham seus parceiros seguros. Reaper e ela não poderiam
ser os únicos em uma situação perigosa.
Ela se endireitou lentamente, vendo não a sala, mas o olhar que
ele tinha no rosto. Destruído. Ele tinha sido destruído quando
Sorbacov assassinou seus pais e ele foi tirado de sua casa e jogado na
escola. Ele havia sido destruído novamente, quando os amigos
criminosos de Sorbacov haviam assassinado suas irmãs. Tantas vezes
essa destruição aconteceu, uma e outra vez, e, no entanto, Reaper
permaneceu de pé. Ele criou uma vida para si mesmo com seus
irmãos e irmãs.
Anya via agora por que eles eram tão interdependentes uns dos
outros. Ela sabia que o que eles passaram era ruim, mas ela não tinha
nenhuma idéia real da horrível extensão do sofrimento deles. Eles
trouxeram Blythe para seu círculo, fazendo parte de seu clube,
fazendo sua voz contar. Eles mostraram vontade de estender esse
convite a Anya também. Nenhuma delas teria voto nos negócios do

36
PTSD - Transtorno de Estresse Pós-Traumático - TEPT ou através da sigla em inglês PTSD (Post-traumatic stress disorder).

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 381


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Torpedo INK Livro 1

clube, ou mesmo saberia a maior parte do que acontecia, mas elas


tinham papéis muito maiores no Torpedo Ink.
Reaper voltou, carregando sua mochila. Ele colocou-a de lado.
— Eu quero que você saiba que eles provavelmente colocaram um
rastreador em seu carro. Eu fiz quando o comprei, assim, se algo
acontecesse, eu sempre poderia encontrá-la, mas eles o fizeram essa
noite com certeza.
— Você está me dizendo isso porque? —Perguntou ela.
Ele permaneceu na porta, apoiado contra ela, estudando seu
rosto. Procurando por alguma coisa. Ela não sabia o que era.
Tranquilidade talvez? Ela não podia dar isso para ele. Ainda não.
— Estou lhe dizendo isso porque se você tiver algum cérebro na
sua cabeça, você vai sair e tentar se esconder. Você não encontrará
os rastreadores, nenhum deles, então você vai se livrar do carro.
Ainda assim, Anya, muito provavelmente, vou rastreá-la.
Sua voz gotejou em lágrimas, embora não houvesse nenhuma
no rosto dele. — Eu quero que você tenha uma chance decente de
escapar de todos nós.
— Você está querendo se livrar de mim. Que tal você chamar
Czar? Diga-lhe que quero que Tawny tenha ido embora. Eu nunca
mais quero vê-la ao redor do bar, do complexo ou em qualquer outro
lugar, que eu possa me deparar com ela. Ela sabia que você estava
tentando ficar longe dela e se recusou a parar. Apenas você dizer não
deveria ter sido suficiente. Ela também sabia que você era meu. Ela
não pode ficar. Se Czar escolher permitir que ela ...
— Ele não vai. Ele já deu essa ordem, baby, quando ele estava
tentando me tirar essa estória. Para não mencionar, que ele mordeu
as cabeças dos gêmeos e me sacudiu de um lado para o outro.
— Não me chame de baby ainda. Eu não estou pronta para isso.
Isto foi uma das coisas mais idiotas que você já fez Reaper. Eu espero

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 382


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Torpedo INK Livro 1

que você saiba disso. Não Ice ou Storm. Você. Você pertence a mim,
não a eles. Era você que tinha que vir a mim com tudo isso. Você
precisava compartilhar por que não queria ser tocado. Por que você
tinha medo de dormir na mesma cama.
Ele assentiu. — Estou bem ciente disso, Anya.
— Aquela frigideira está cada vez melhor e melhor para mim, —
ela murmurou sob sua respiração. — Eu acho que vamos ter que
pendurar uma na parede de cada quarto, aqui e na casa do clube.
Ele deslizou pela enorme porta da frente para o chão, como se
seus joelhos dobrassem e recusassem a segurá-lo mais. Ele ergueu as
pernas e colocou os braços em volta delas, apertados, mantendo-se
juntos. — Você não deveria ficar, Anya.
— Você acha que eu não sei disso? Você acha que não sei que é
uma loucura absoluta ficar com você? Eu quero uma casa. Uma
família. Um homem dedicado a mim. Não só eu quero essas coisas,
Reaper, eu as mereço.
— Absolutamente você faz.
Aqueles atraentes olhos azuis nunca deixaram seu rosto. Ela não
podia desviar o olhar dele. — A coisa é, Reaper, você também os
merece. E eu estou apaixonada por você. Não apenas caindo, eu sou
todo o caminho. Totalmente. Não deixe que admitir isso para você
faça você pensar que você está fora do gancho, você não está. Eu
quero uma família. Crianças. Eu quero dormir com o meu homem.
Eu quero tudo isso. Temos que encontrar uma maneira para que isso
aconteça.
Ele balançou a cabeça e deixou cair o rosto nas mãos. — Nunca
vai acontecer, Anya. Não posso dar uma chance com sua vida. Não
estou disposto a fazer isso com você.
— Há dois de nós nesta relação, Reaper, —ela apontou com
tanta suavidade quanto poderia. Ela queria ir até ele e sacudi-lo. Ele

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 383


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estava disposto a tentar qualquer maldito esquema idiota que seus


irmãos sugerissem, mas não exploraria qualquer idéia com ela. —
Você não pode tomar esse tipo de decisões sozinho.
— Anya.
— Reaper. —Ela olhou para ele, sem se importar de que aqueles
olhos azuis a cortassem, a fúria começando a construir. — Se os
papéis fossem invertidos e eu fosse a traumatizada …
— Não use essa palavra. Eu odeio essa palavra.
Anya ficou muito quieta. Havia algo aqui que ela não entendia.
— Por quê? Por que você odiaria a palavra? É apenas uma palavra
que descreve os resultados de uma infância de estupro e tortura.
— Não, não é. É uma palavra que as pessoas lançam quando
não têm a menor idéia de que diabos estão falando. —Ele passou os
dedos pelo cabelo repetidamente. — Eu sou um homem. Um homem
adulto. Eu mantenho minha merda junta, e não é suposto que ela
escape e machuque a mulher que eu amo mais do que a própria vida.
Ela abriu a boca duas vezes e depois engoliu as coisas que queria
dizer. Ela reconheceu que tinha que escolher suas palavras com
cuidado. — Somos todos produtos do nosso passado. Eu incluída.
Todos nós temos gatilhos. Usamos várias coisas para lidar com as
provações que passamos como crianças. Isso é normal, Reaper.
Traumatizado é apenas uma palavra para descrever essas coisas, não
um julgamento.
Ela queria desesperadamente ir até ele, segurá-lo. Confortá-lo.
Ela não podia fazer isso, não até que soubesse que ele aceitaria as
coisas que ela lhe dizia. — Eu sei que você ama seus irmãos e os
respeita. Isso também é normal. Você teve que crescer com um
vínculo muito mais apertado do que a maioria das pessoas,
certamente mais do que eu já tive. Mas, querido, você deve saber que
a maneira como você cresceu não era normal. Vocês receberam

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 384


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Torpedo INK Livro 1

educações em áreas muito específicas, e em outras a educação foi


negligenciada. Indo para Ice ou Storm ou qualquer um deles por algo
que pertence a nós foi errado.
Ele continuou passando as mãos pelo cabelo cada vez mais.
Duas vezes ele pressionou os dedos em seus olhos como se
estivessem doendo. Ele não se moveu da porta e ocorreu a ela que
ele estava bloqueando-a ao mesmo tempo em que estava dizendo que
ela tinha que ir.
— Eu sei disso. Entendi. Eu entendi isso quase imediatamente,
Anya. O fato é que nós não conseguiremos dormir na mesma cama.
Você não pode tocar meu pau ou colocar sua boca em mim.
— Você não sabe disso porque não tentamos. A cama é algo que
podemos descobrir. O outro pode nunca ser resolvido, mas podemos
nos divertir tentando. Nós também podemos obter ajuda real, não
uma mulher horrível, que sabia, Reaper, que você é meu.
O corpo inteiro dele estremeceu. — Ela me tocou. Eu quase a
matei, Anya. —O tremor nas mãos voltou a aparecer. — Foi por
pouco. Tão perto. Se você não tivesse chegado, Ice e Storm nunca
poderiam ter me impedido.
— Como se eu me importasse, —Anya murmurou em voz baixa,
mas ela se importava. Tawny merecia ser expulsa, mas não merecia
a morte. Ela queria furar o rosto da mulher por tocar Reaper depois
de ele ter dito claramente que não. Se nada mais sua linguagem
corporal havia dito não.
— O objetivo é que podemos obter ajuda legítima.
Ele ergueu a cabeça. — Baby, você sabe que não podemos
derramar nossas tripas para algum maldito conselheiro que será
obrigado a dizer a lei que eu confessei de cortar a garganta de Helena.
— Por que você não foi a Czar?

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 385


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Torpedo INK Livro 1

Ele ficou em silêncio. Olhando para ela. Não lhe deu nada. Ela
não recuou. Ela continuou olhando para ele. Esperando.
Eventualmente, e parecia que demorava para sempre, ele olhou para
as mãos dele. Ele não ficaria satisfeito em escutar eu falar sobre matar
Helena. Ele sabia disso. Ele saberia que havia mais, e eu fiquei
envergonhado. Não queria que ele soubesse.
Czar era o pai, o irmão, o amigo, o anjo da guarda, tudo
enrolado em um só. Ainda. Ela continuou olhando para ele. Os olhos
azuis se deslocaram de seu rosto.
— Ele conta tudo a Blythe se ela pergunta, e ela o faria porque
ela sempre sabe quando se trata de um de nós. Não quero que ela me
veja diferente. Ela é como você, não tão brilhante para mim, mas ela
ainda olha para mim como se eu valesse alguma coisa, como todos
nós valêssemos.
— Ela olha as crianças diferente por causa do que aconteceu com
elas? —Ela se inclinou para ele, seus olhos mais uma vez
encontrando os dele. — Reaper, o que aconteceu com você estava
além do seu controle.
— Não matar aqueles outros, não quando Sorbacov me enviou
e me disse precisamente como eu tinha que fazer isso. Czar preocupa-
se com a existência de vídeos de nós quando crianças—sei que
ninguém jamais conseguirá nos identificar, mas Sorbacov gostava de
seus filmes Snuff37. Eu fiz o melhor para manter a câmera fora de mim,
mas quando era jovem, eu estava aterrorizado. Eu posso ter cometido
erros. E se a mulher estivesse ...
— Se uma mulher te tocou quando era criança, Reaper, e isso
inclui a adolescência, ela era pedófila. Ela não era uma boa mulher.
Não conheço essas fitas ou filmes, mas eu sei que você deveria ter
confiado em Czar. Você sempre confiou nele. Não havia nenhuma

37
Filmes snuff são filmes que mostram mortes ou assassinatos reais de uma ou mais pessoas, sem a ajuda de efeitos
especiais, para o propósito de distribuição e entretenimento ou exploração financeira.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 386


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razão para você ter vergonha. Você me disse que eles seguravam
Savage ...
— O que eu não contei é que quando uma mulher me toca assim,
a primeira idéia na minha cabeça não é prazer, —ele explodiu.
— Ok. Isso é justo. Mas você deveria ter me contado. Você
poderia ter me dado a oportunidade de trabalhar com você.
Ele esfregou as mãos nos cabelos pela milionésima vez. — Você
vai ficar, Anya? Estou com medo de diga sim. Estou igualmente
aterrorizado de diga não.
— Sem mais segredos. —Ela respirou fundo e se jogou do
proverbial penhasco. — Nós conversamos, e nós vamos a Czar e
Blythe juntos, quando precisarmos. Este é o preço para eu ficar. Não
há motivo para ficar de outra forma, porque nunca vamos trabalhar.
—Ele a encarou por tanto tempo que ela pensou que ele nunca
falaria. Mais uma vez, ela achou que viu o brilho das lágrimas em
seus olhos, mas ele apertou os dedos sobre eles. — Qualquer coisa,
Anya.
— E você toca outra mulher ou deixa ela tocar em você, eu vou
como uma psicótica em sua bunda.
— Entendido, —ele concordou.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 387


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— Eu estive pensando em maneiras que você


poder confortavelmente me fazer tocar em você quando você quiser,
—Anya disse suavemente. Ela se levantou e se espreguiçou braços
acima da cabeça, seu corpo bonito ao luar que entrava através das
janelas. — Eu já estou pensando nisso há algum tempo, muito antes
de tudo isso, quando eu percebi que você não queria fazer sexo frente
a frente e não queria minhas mãos em você. —Ela respirou fundo e
prendeu-a, olhando-o através do reflexo em a janela. — Ou minha
boca.
— Eu sempre quero suas mãos ou boca em mim, Anya, —
Reaper admitiu suavemente. — Eu penso nisso constantemente. Eu
sempre estou duro. —A mão dele caiu na frente de seu jeans e ele
esfregou a protuberância na virilha. — Não consigo olhar para você
ou pensar em você sem ficar assim, querida. Você é tão linda. Por
dentro e por fora. Eu quero suas mãos em mim, mas o medo de te
machucar é tão forte, que não vejo como isso vai acontecer.
— Quando você estava me contando sobre Tawny colocando
suas mãos em você, você ficou dizendo que estava chateado porque
ela não era eu. Você não disse que queria machucá-la porque ninguém
poderia tocar seu corpo. Você disse que foi porque não era eu. Você
disse isso mais de uma vez, Reaper.
Anya precisava tocá-lo naquele momento, muito mais do que
antes. Ela queria suas mãos nele, mostrando-lhe que o amava.
Cuidando dele depois de todo o trauma. Ela queria tranquilizá-lo—

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 388


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e a si mesma—que eles encontrariam um jeito. Que valeria a pena


lutar. Reaper era mais físico, uma dura e rápida cimentação de sua
relação. Ela estava pensando devagar. Lentamente. Levando seu
tempo.
— Eu fiz? É a mesma coisa. —Ele esfregou os olhos novamente.
Ela sabia que ele estava sofrendo. Seu corpo dolorido, reagindo
ao trauma. Ela queria dizer o que precisava com cuidado. Não queria
que ele pensasse que estava cobrando-o, mas ela tinha várias ideias
sobre como ela poderia tocá-lo para a satisfação de ambos. Se ela
deixasse escapar isso, ele pensaria que ela ainda estava reclamando
por ele não ter vindo para ela primeiro. Ela já havia falado tudo sobre
isso. Ele sofreu mais trauma desnecessário, colocou a vida de uma
mulher em perigo e quase a perdeu. Aquilo era castigo suficiente.
— Não é o mesmo, querido. —Ela tirou os sapatos e caminhou
até o canto onde havia enrolado os cobertores em que ele dormiu na
noite anterior. Não haveria mais disso. Sentia-se como se tivesse
corrido uma maratona, e ela não podia imaginar como ele estava se
sentindo. — Eu acho que há uma enorme diferença, e vamos dar um
jeito nisso em pouco tempo. Agora, quero te relaxar para que você
possa dormir. Você quer tomar banho?
Ele olhou para ela um longo tempo antes de assentir. Ela quase
caiu de alívio, mas forçou um sorriso. — Bom. Eu vou preparar as
coisas aqui e depois vou tomar meu banho.
— O que você está planejando, Anya?
Ele pareceu cauteloso. Ela não podia culpá-lo, mas ela não iria
deixá-lo tão humilhado e preocupado com suas ideias que ele não
pudesse relaxar. — Nada, querido. Tome um banho. É tarde, e nós
dois precisamos deixar nossas mentes em branco por um tempo. Eu
vou tomar banho aqui, para que você possa usar o banheiro principal.
— Baby, principal uma porra. Eu o considero seu.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 389


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— Eu o considero nosso e eu quero que você o tenha hoje à noite.


Tome seu tempo. —Ela precisava de tempo para se preparar
mentalmente. Sua ideia veio devagar, antes de Ice, Storm, e seu
homem haverem inventado um plano absurdamente idiota para
"curar" Reaper. Não havia cura. Ela não sabia com o que estava
lidando, mas mesmo assim, quando percebeu que ele tinha um
problema com ela colocando as mãos ou a boca no pau dele, ela
começou a pensar em maneiras de fazer isso acontecer.
Leslee, a mulher que conheceu no Egg Taking Station, era
massoterapeuta38. Ela era boa em seu trabalho e tinha orgulho dele. Ela
falou sobre seu trabalho quando elas se conheceram e depois quando
estavam em seu caminhão indo para o Egg Taking Station. Lana
mencionou que Blythe possuía uma academia, que ela comprou
recentemente, mas que seu trabalho era principalmente em
massagem terapêutica. Que ambas as mulheres faziam terapia
através de massagem a fizeram pensar se algo assim ajudaria Reaper
a se acostumar com as mãos em seu corpo.
Ela começou a ler sobre isso. E fazer perguntas por telefone a
Leslee e Blythe. Não perguntas que as fizessem descobrir o que ela
estava pensando, apenas dizendo que ela queria surpreender Reaper
com uma boa massagem. Leslee tinha se oferecido para mostrar a
ela. E depois, Blythe. Ela não teve tempo para aproveitar a
oportunidade, mas estudou as técnicas no YouTube e leu sobre elas
em livros.
Anya relaxou na água quente que caia sobre ela. Ela não tinha
percebido que ela estava tão rígida. Cada músculo parecia trancado
e apertado, com nós gigantes. Ela não podia imaginar como Reaper
se sentia depois de tudo o que ele tinha passado. Ela deveria ter dito
a ele que estava trabalhando uma ideia. Ela era tão culpada quanto

38
O massoterapeuta é o profissional da saúde com formação técnica que atende a necessidades de seus clientes através dos
conhecimentos e recursos massoterápicos. Em sua formação, este profissional aprende diversas técnicas, tanto orientais como
ocidentais.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 390


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acusava a Reaper de ser em sua falta de comunicação. Ela sabia que


apenas lhe dar massagens, não resolveria todos os problemas, mas
ela só queria começar, e pequenos passos podiam ajudar.
Ela esperava que Czar e Blythe também tivessem algumas
sugestões. Ela estava bem consciente que os membros do Torpedo
Ink nunca iriam para um terapeuta, mas eles confiavam no que
Blythe dizia, e ela tinha acesso a todos os tipos de terapeutas. Se ela
não os conhecesse, conhecia pessoas que o faziam. Blythe estava
lutando por todos eles. Anya sabia que a esposa de Czar tinha que
sentir como se estivesse travando uma árdua batalha e sozinha a
maior parte do tempo, e estava determinada a se juntar a ela.
Ela secou as gotas de água e depois domou os cabelos, secou-os,
o que raramente fazia e depois o trançou antes puxar sua camisa
favorita—a de flanela de Reaper. Ela deixou-a desabotoada e não se
incomodou em colocar uma calcinha. Sua massagem deveria ser
íntima. Sensual. Ela queria isso para ele.
Anya tinha ficado com raiva de Ice e Storm, mas percebeu que
eram tão vítimas como Reaper. Eles não tiveram a educação ou as
experiências da maioria das pessoas, então resolviam seus problemas
dentro da experiência limitada que tinham. Ela sempre precisaria se
lembrar disso e fazer suas concessões. Ela tinha que ser mais parecida
com Blythe e tentar orientá-los gentilmente nas direções certas.
Eram homens. Homens inteligentes. Homens traumatizados.
Eles também eram muito bons no que eles faziam, e o que eles faziam
era matar inimigos. Eles lutavam. Faziam sexo. Lutavam mais.
Aceitavam serviços que arriscavam suas vidas, mas continuavam
sendo uma sociedade fechada. Ela poderia ser parte disso e alguém
que eles ouviriam, ou ela teria que sair.
Ela queria Reaper. Ela descobriu que também queria o resto
deles. Ela acendeu velas. Muitas delas. Grupos de velas de cheiro
cítricos. Algumas de baunilha. Principalmente odores suaves porque

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 391


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quando ela perguntou, Leslee disse que a maioria dos homens não
gostava de florais, mas eram bons, com cítricos. Ela queria que
Reaper ficasse o mais confortável possível.
O quarto estava pronto quando ele desceu as escadas. Como de
costume, ele estava deliciosamente nu. Às vezes, ela achava que ele
estava mais confortável sem roupa do que nelas. Ele sempre andava
com confiança. Deslizando. Fluido. Ela não pôde evitar observá-lo
enquanto ele entrava no quarto, olhando ao redor dele e depois para
ela.
— Por que você está vestindo roupas?
Claro que ele iria perguntar sobre as roupas e não sobre as velas
ou a maneira como ela fez a cama.
Ela acenou para os cobertores, dando um passo atrás quando ele
veio para ela agressivamente. Com propósito. — Eu vou te dar uma
massagem.
Ele parou. Passou a mão pelo cabelo. — Baby.
— Sim. —Ela apontou para os cobertores, tentando parecer
confiante quando por dentro estava tremendo. — O ponto não é
sexo. Não estamos fazendo sexo. Não é sobre isso. Você conhece
meu corpo, Reaper, mas você não conhece minhas mãos. Vou
começar a te fazer umas massagens. Se elas não funcionarem,
paramos, mas, entretanto, você pode realmente gostar delas.
— Baby.
— Você disse isso já. —Ela inclinou a cabeça e desafiou-o
deliberadamente. — Você disse que estava disposto a fazer qualquer
coisa, a tentar qualquer coisa. Tente isso.
— Eu poderia te machucar.
— Você está nu, querido. Sem armas.

Mais um Projeto Exclusivo das Divas & Lord’s 392


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Ele se aproximou. Direto em seu espaço, forçando-a a inclinar a


cabeça apenas um pouco, o