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Fatores externos que contribuem com a síndrome de segredo para a criança (Furniss):

•Prova forense e evidência médica, disponíveis para uma minoria de casos;


•Problemas com acusações verbais: há falta de provas que requerem uma acusação verbal da
criança ou algum adulto, os quais não tem coragem de revelar, assim como o agressor não admite
que cometeu o abuso;••Ameaças contra a criança, frequentemente, conduzem a sofrimento
prolongado;

Fatores internos: •A criança, temendo por si própria, por sua família ou pela própria
pessoa que cometeu o abuso, pode negar o fato mesmo quando inquirida abertamente;
– Aquela que tenta revelar o abuso é desacreditada, tida por mentirosa e castigada;
– Desacreditada, é forçada a continuar vivendo com quem cometeu o abuso.– Mente sob ameaça:
o segredo é geralmente reforçado pela violência, ameaças ou castigo.
– Consequências da revelação:
–– as crianças ficam ansiosas pois são ameaçadas:
 de serem mandadas embora,
de serem mortas,
ou de que a pessoa que cometeu o abuso irá se matar,
de que o casamento dos pais irá terminar
e de que a revelação conduzirá à desintegração familiar.

O abuso sexual da criança como síndrome de adição para a pessoa que abusa é complementar ao
abuso como síndrome de segredo para a criança.
•a pessoa sabe que é errado e que constitui crime; que, além de errado, é prejudicial à criança;
•• inicialmente, serve para o alívio de tensão e não para criar uma experiência prazerosa;
••o processo é conduzido pela compulsão a repetição;
••os sentimentos de culpa podem levar a tentativas de parar o abuso;
•a excitação constitui o elemento aditivo central;
••a gratificação sexual ajuda a evitação da realidade;
••observa-se baixa tolerância a frustração, mecanismos frágeis de manejo e funções de ego frágeis;
••os aspectos sexualmente excitantes e o subseqüente alívio de tensão cria dependência psicológica;
••a pessoa tende a negar a dependência, para ela própria e para o mundo externo.

Profissionais envolvidos no atendimento precisam trabalhar na interdisciplinaridade,


integrando e diferenciando os aspectos normativos (de lei) e de saúde mental e os profissionais
da lei devem compreender a dimensão psicológica do abuso sexual da criança como a síndrome de
segredo e a adição (Furniss, p.11 a 15).
Trabalho com família: é preciso distinguir entre o dano primário causado pelo próprio abuso; e o
dano secundário, devido à intervenção profissional (Furniss, p. 23).
Exemplos de dano secundário:
•pais são presos e libertados algum tempo depois;
•crianças que são removidas de seus lares e acabam retornando sem qualquer trabalho de proteção
ou de tratamento com a família;
•ou ainda a não intervenção.

Famílias submetidas a intervenções isoladas e não coordenadas, fecham-se novamente no ciclo do


abuso e do segredo, ficando a vítima vulnerável a abusos adicionais agravados (p.24). A maioria
das crianças que sofreram abuso sexual não quer perder seus pais pela prisão ou divórcio. Eles
querem muito um pai, mas um pai que não abuse (Furniss, p. 31).
Furniss (p. 63) acentua que os três aspectos - criminal, de proteção à criança e terapêutico,
requerem uma cooperação multidisciplinar, para que haja uma rede profissional complementar
ao sistema familiar. Também Gabel postula a necessidade de um trabalho transdisciplinar e
interinstitucional.

Psicoterapia familiar:
•objetiva, primeiramente, a revelação do segredo no contexto familiar;
••deve propiciar que o genitor acusado reconheça a responsabilidade pelo abuso, mudando a sua
posição e, conseqüentemente a posição da criança na família, como também que o casal parental
assuma igualmente a responsabilidade pelos cuidados dos filhos.
Nessa modalidade terapêutica, podem ser trabalhadas as díades mãe-criança/ pai-criança e ainda os
pais como parceiros (Furniss, p. 116 a 120).
Psicoterapia individual visa promover a expressão e a elaboração dos sentimentos da vítima
(Ferrari, in Ferrari & Vecina, p.165).
Vecina (in Ferrari & Vecina, p. 201 a 212) :a literatura, assim como a experiência clínica, mostra
que pessoas que vitimizaram também foram invadidas, foram objeto do desejo de outrem – física,
sexual ou psicologicamente – no decorrer de seu desenvolvimento(...) essas pessoas não tiveram
oportunidade de vivenciar (...)cuidados e proteção que permitissem o desenvolvimento dos papéis
de protetor e de cuidador para com o outro”.Fatores externos que contribuem com a
síndrome de segredo para a criança...
1- Prova forense e evidencia medica, disponíveis para uma minoria de casos,
2- Acusação verbal da criança ou algum adulto, e a admissão de quem cometeu o
abuso,
3- Ameaças contra a criança freqüentemente conduzem a sofrimento prolongado do
abuso quando a criança não tem coragem de revelar. Com as abordagens atuais muitas
vezes ainda primariamente primitivas, muitas pessoas que cometeram abuso não irão
admiti-lo.

- Não acreditando na comunicação da criança - aquela que tenta revelar o abuso é


desacreditada, tida por mentirosa e castigada, continua sofrendo abuso sob crescentes
ameaças de violência, sendo forçadas a continuar vivendo com quem cometeu o abuso.

- Mentindo sob ameaça - o segredo é geralmente reforçado pela violência, ameaças ou


castigos. Algumas vezes encontramos uma mistura de ameaças e suborno, em que o
ganho é secundário, em forma de tratamento especial para a criança.

- Ansiedades em relação às conseqüências da revelação - as crianças foram


ameaçadas de serem mandadas embora, de serem mortas, ou de que a pessoa que
cometeu o abuso ira se matar, de que o casamento dos pais ira terminar e de que a
revelação conduzira a desintegração familiar.