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ESTUDO INICIAL DA MODELAGEM DA DESTRUIÇÃO DE MUNIÇÕES

INSERVÍVEIS NO SOLO PELO MÉTODO DOS ELEMENTOS DISCRETOS

Teodomiro Firmo

Dissertação de mestrado apresentada ao


Programa de Pós-graduação em Engenharia
Civil, COPPE, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro, como parte dos requisitos
necessários à obtenção do título de Mestre em
Engenharia Civil.

Orientadores: Maria Claudia Barbosa


Marcello Goulart Teixeira

Rio de Janeiro

Fevereiro de 2013
Firmo, Teodomiro

Estudo Inicial da Modelagem da Destruição de


Munições Inservíveis no Solo pelo Método dos Elementos
Discretos/ Teodomiro Firmo. – Rio de Janeiro:
UFRJ/COPPE, 2013.

XXIII,141 p.: il.; 29,7 cm.

Orientadora: Maria Claudia Barbosa

Dissertação (mestrado) – UFRJ/ COPPE/ Programa


de Engenharia Civil, 2013.

Referências Bibliográficas: p. 128 -134.

1. Explosão. 2. Método dos Elementos Discretos. 3.


Destruição de Munição. I. Barbosa, Maria Claudia. II.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE,
Programa de Engenharia Civil. III. Título.

iii
DEDICATÓRIA

Dedico esta dissertação de mestrado primeiramente à Deus e depois aos meus


pais, Teodomiro Firmo da Silva Neto (in memoriam) e Marli Alves Martins; aos tios
Arlindo Alves Martins e Maria de Lourdes Alves Martins Bem como, ao meu pai e ao
meu irmão espiritual Yu Pai Lin e Luiz Guilherme Pinheiro Branco,
respectivamente.Todos sem os quais não teria chegado até aqui. E também aos meus
orientadores: Maria Cláudia Barbosa e Marcello Goullart Teixeira sem cujas
orientações e principalmente pela maneira como o fizeram, não seria possível tal feito.

“Tudo o que vive é o seu próximo.”


Mahatma Gandhi

iv
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente à Deus pela benção da vida, aos meus pais,


Teodomiro Firmo da Silva Neto (in memoriam) e Marli Alves Martins; aos tios Arlindo
Alves Martins e Maria de Lourdes Alves Martins sem os quais não teria chegado até
aqui, bem como, ao meu pai e ao meu irmão espiritual Yu Pai Lin e Luiz Pinheiro
Guilherme Branco, eternamente grato por tudo!

À minha orientadora, Maria Claudia Barbosa, por toda a atenção, paciência e


compreensão durante toda essa jornada sem cujo desprendimento tal trabalho não
seria possível. Certa vez em uma reunião geral ela disse não ser uma orientadora do
tipo maternal, então me fiz uma pergunta que durante todo esse tempo só se tornou
cada vez mais forte: se orientar como ela orienta não é ser maternal, o que é então?
Muito obrigado por ter me acolhido, me orientado e ter acreditado em meu potencial;
que Deus lhe abençoe sempre!

Ao meu orientador Marcello Goullart Teixeira, também pela orientação e


paciência. Pela ajuda tanto profissional como pessoal, enriquecendo-me como ser
humano e profissional por ser uma pessoa de caráter idôneo e filantropo.

A minha eterna professora Luiza Cantuária, por ter visto o meu potencial e,
portanto, me incentivado a fazer esta especialização. Como um bom olheiro de campo
de várzea, me tirando de lá e me aconselhando a passar pela peneira de um time de
primeira. Também ao professor Cláudio Mahler cujo incentivo e apoio durante essa
jornada foi fundamental.

Aos professores do LABGEO do PEC como o professor Maurício Erlich e a


professora Laura Motta que sempre me deram a devida atenção quando precisei, bem
como, aos professores do PEC da COPPE/UFRJ de um modo geral com os quais tive
oportunidade de absorver informações, em especial ao professor Otto Corrêa Rotunno
Filho, cujas conversas, orientações, transmissão de conhecimentos e exemplo como
ser humano, são legados que carregarei comigo para toda a vida. Que o senhor
continue a ser daí para melhor e que Deus lhe abençoe.

Aos amigos do LABGEO / COPPE, Juliana, Jonathan, Mário Nascinovic,


Francesco, Otávio Eleutério, Leonardo, Diego, Cid, Leo, Pablo, Shirley, Julia Righi,
Érika Leite, Alexandre Schuler, Vitor Paiva Alcoforado, Jonathan, Marcia Batalha e
Flaviano, que sempre se mostraram predispostos à ajudar em qualquer coisa que

v
fosse. Aos amigos que transcenderam o laboratório Rafael Gundim, Rafael Junger e
Rafael Borba Lopes, se tornando os três R’s do meu curso.

Ao Instituto de Matemática da UFRJ – IM mais especialmente ao Programa de


Pós Graduação em Informática - PPGI cedendo seu espaço e equipamentos para a
realização dos experimentos. E ao pessoal de lá que sempre me apoiaram: Rabi,
Guilherme, Gabriel, Julio Reuters, Thiago Sabá, Thiago Elias, Bruno Mineiro, Charles
e principalmente ao Lucas Ribeiro e tendo atitudes de abnegação no auxílio das
minhas tarefas sempre que precisei, um abração!

Ao IME pela oportunidade de fazer parte da realização da pesquisa em


conjunto com a COPPE/UFRJ, em especial à Maria Esther Soares Marques, que
sempre se mostrou a inteira disposição para qualquer ajuda. Ao major Letivan cuja
ajuda no fornecimento de material bibliográfico foi de suma importância para a
realização do presente trabalho.

À CAPES pelo suporte financeiro e realização do presente trabalho científico


através do projeto de Sistema de Gestão Ambiental para Atividades Militares.

A todos os professores que contribuíram na minha formação desde o ensino


fundamental até aqui passando pela professora Aline Guimarães Monteiro que me
iniciou na vida da pesquisa através de um trabalho de iniciação científica, que Deus
abençoe a todos!

E a qualquer um que por acaso tenha esquecido de mencionar, e que de


alguma forma contribuíram para esta pesquisa e superação pessoal. Deus os abençoe
também!

vi
Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos
necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.)

ESTUDO INICIAL DA MODELAGEM DA DESTRUIÇÃO DE MUNIÇÕES


INSERVÍVEIS NO SOLO PELO MÉTODO DOS ELEMENTOS DISCRETOS

Teodomiro Firmo

Fevereiro/2013

Orientadores: Maria Claudia Barbosa


Marcello Goulart Teixeira

Programa: Engenharia Civil

A destruição de munições inservíveis é realizada por detonação a céu aberto


próximo à superfície do terreno, em áreas militares destinadas para este fim. Essa
explosão causa impactos no solo em uma região ao redor da detonação. O presente
trabalho apresenta um levantamento da literatura sobre o fenômeno da explosão em
solos e sua representação matemática, e inicia a adaptação de um programa – VISED
– em desenvolvimento no DCC/IM/UFRJ, para simular a explosão e prever a região
impactada e o tipo e magnitude destes impactos sobre o solo. O programa utiliza o
Método dos Elementos Discretos (MED) para a representação dos materiais
envolvidos e dos processos. Por se tratar de um trabalho inicial decidiu-se adotar
como solo um material granular fictício, com propriedades físicas baseadas em uma
areia cujas propriedades mecânicas macroscópicas são bem conhecidas do
LABGEO/COPPE/UFRJ, apenas na condição seca. No estágio atual, o programa
simula corretamente o fenômeno da explosão no solo nas frações iniciais de segundos
iniciais (até 2 ms), para uma condição 2D. A partir deste instante as ondas de choque
sofrem reflexão nas fronteiras do domínio, apesar da adoção de fronteiras absortivas,
gerando distorção dos resultados em relação à situação real. Os resultados válidos
são analisados sob os aspectos do tamanho da cratera formada e de curvas de
variação da energia cinética das partículas em função da carga explosiva de 1g a 50g
de TNT.

vii
Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the
requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.)

INITIAL MODELING STUDY OF AMMUNITION DESTRUCTION IN THE SOIL BY THE


DISCRETE ELEMENTS METHOD

Teodomiro Firmo

February/2013

Advisors: Maria Claudia Barbosa


Marcello Goulart Teixeira

Department: Civil Engineering

The ammunition destruction activity is realized by open detonation close to the


soil surface, at military sites especially reserved for that purpose. The explosion
impacts a volume of soil around the detonation point. The dissertation presents a
literature review on the phenomena of explosion in soils and its mathematical
description, and the first steps of adaptation of an existing software – VISED – that is
being developed in DCC/IM/UFRJ, to simulate the explosion and predict the volume of
impacted soil and the type and magnitude of the impacts generated. The software
applies the Discrete Elements Method (DEM) to represent the materials and processes
involved. Since it is a beginning work, it was decided to adopt as soil a fictitious
granular material, with physical properties based on real sand with macroscopic
mechanical properties well known at LABGEO/COPPE/UFRJ, and only at dry
condition. At present stage, the program simulates correctly the explosion phenomena
in soil only in the first 1-2 ms after detonation, at 2D condition. From that moment on,
the shock waves reflect at the dominium borders, even adopting absorptive
boundaries, causing significant distortions on the results relative to the actual problem
being modeled. The results obtained within the valid time interval are analyzed based
on the dimension of the craters formed and on curves of variation of the particles
kinetic energy with time and position, in function of the explosive charge applied (1g to
50g of TNT).

viii
Sumário
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 1
1.1 APRESENTAÇÃO E RELEVÂNCIA................................................................ 1
1.2 MOTIVAÇÃO .................................................................................................. 3
1.3 OBJETIVOS ................................................................................................... 3
1.4 ORGANIZAÇÃO ............................................................................................. 4
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................. 5
2.1 EXPLOSÕES.................................................................................................. 5
2.1.1 Explosivos Químicos ............................................................................... 7
2.1.2 Decomposição dos Explosivos Químicos ................................................ 9
2.2 O PROCESSO DE EXPLOSÃO E PROPAGAÇÃO ...................................... 11
2.2.1 Ondas de Choque ou Blast Waves ........................................................ 12
2.2.2 Reflexões das Ondas de Choque .......................................................... 22
2.3 EXPLOSÕES NO SOLO............................................................................... 24
2.3.1 - Ondas de Tensão ou “Stress Waves” .................................................. 27
2.3.2 – Reflexão das ondas de choque no solo .............................................. 39
2.3.3 - Ondas Plásticas ou “Plastic Waves” .................................................... 42
2.3.4 - INFLUÊNCIA DAS PROPRIEDADES DOS SOLOS ............................ 45
2.4 CRATERAS .................................................................................................. 54
2.5 MODELAGEM NUMÉRICA DO PROBLEMA................................................ 59
3 METODOLOGIA.................................................................................................. 77
3.1 PLANO GERAL DA PESQUISA ................................................................... 77
3.2 MÉTODO DOS ELEMENTOS DISCRETOS (MED)...................................... 77
3.3 MODELO E SELEÇÃO DOS PARÂMETROS............................................... 84
3.3.1 Modelo para as Simulações................................................................... 84
3.3.2 Material Utilizado ................................................................................... 87
3.3.3 VISED.................................................................................................... 88
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ........................................................................ 94
4.1 Simulações Preliminares .............................................................................. 94
4.1.1 Fase 1 ................................................................................................... 95
4.1.2 Fase 2 ................................................................................................... 95
4.1.3 Análise dos Resultados das Simulações Preliminares ........................... 98
4.2 RESULTADOS COM O NOVO MÉTODO .................................................. 102
4.2.1 Primeiros resultados ............................................................................ 102
4.3 RESULTADOS FINAIS ............................................................................... 113

ix
4.3.1 Evolução do Diâmetro da Cratera com o Tempo para Diferentes Cargas
113
4.3.2 Evolução do Diâmetro da Cratera com o Aumento da Carga em
diferentes Tempos ............................................................................................. 116
4.3.3 Comportamento da Densidade de Energia Cinética com o Tempo ...... 117
4.3.4 Comportamento da Densidade de Energia Cinética com a Profundidade
121
5 - CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA ESTUDOS FUTUROS ............... 123
5.1 - CONCLUSÕES ............................................................................................. 123
5.2 - SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ............................................. 126
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 128
APÊNDICE 1 ............................................................................................................ 135
APÊNDICE 2 ............................................................................................................ 139
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x
LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 - Esquema de uma detonação. (Fonte: SILVA, 2007) ....................................... 11

Figura 2.2 - Desenvolvimento de uma onda de choque. Pressão inicial (a), forma
intermediária (b) e a frente da onda de choque (c). Todas com velocidades diferentes
(Fonte: KINNEY E GRAHAM, 1985 e SILVA, 2007)............................................................ 13

Figura 2.3 - Forma circular adquirido pelo ar imposto pela frente da onda de choque da
explosão. (Adaptado da BBC. Site: http://www.environmentalgraffiti.com/physics/news-
anatomy-explosion, acessado em 23/07/2012) ................................................................... 13

Figura 2.4 - Curvas características pressão-distância para momentos sucessivos após a


explosão (Fonte: SILVA, 2007). ........................................................................................... 14

Figura 2.5 - Fases da onda de choque (Adaptado de Kinney & Graham, 1985) ................ 15

Figura 2.6 - Comportamento da pressão no tempo para uma onda explosiva genérica do
ponto de vista de um observador ou alvo em campo livre. (Adaptado de UFC 3-340-02). 17

Figura 2.7 - Comparação entre as sobrepressões com o tempo entre os explosivos:


Moldáveis a Frio (DOW) vs TNT (Fonte: KEEFER, 1970)................................................... 17

Figura 2.8 - Fotografia da detonação Trinity em 16 ms (Fonte: NEEDHAM, 2010)............ 19

Figura 2.9- Decaimentos diferentes da sobrepressão para formas diferentes de carga


(Fonte: BULSON, 1997). ...................................................................................................... 21

Figura 2.10- Sobrepressões e decaimentos para explosões de 1 quilotonelada (kt) para


diferentes tipos de explosivos (Fonte: BULSON, 1997) ..................................................... 22

Figura 2.11 - Reflexão de ondas de choque por explosões acima do solo (Fonte: BULSON,
1997)..................................................................................................................................... 23

Figura 2.12 - Detalhe da formação da Haste de Mach. (Fonte: SHEPHERD, 2009).......... 23

Figura 2.13 - Curva de pressão vs. tempo mostrando segundo pico de pressão (Fonte:
SILVA, 2007) ........................................................................................................................ 24

Figura 2.14 - Carregamento de choque no solo de forma ativa e passiva (Adaptado de


SEIPEL et al., 2004) ............................................................................................................. 25

xi
Figura 2.15 - Frente de onda hemisférica para explosões realizadas na superfície do solo
(Fonte: BULSON, 1997). ...................................................................................................... 25

Figura 2.16 - Explosão na superfície do solo com Alto Explosivo equivalente a 5000 t de
TNT. (Fonte: ADUSHKIN e KHRISTOFOROV, 2004). ........................................................ 26

Figura 2.17 - Trajetória da onda primária ou ‘P’. (Adaptado de ELNASHAI e SARNO,


2008)..................................................................................................................................... 29

Figura 2.18 - Trajetória da Onda Secundária ou ‘S’. (Adaptado de ELNASHAI e SARNO,


2008)..................................................................................................................................... 29

Figura 2.19 - Ondas de superfície Rayleigh (Adaptado de ELNASHAI e SARNO, 2008). . 30

Figura 2.20 - Onda de superfície Love (Adaptado de ELNASHAI e SARNO, 2008). ......... 30

Figura 2.21 – Hierarquia e tipos de ondas de choque no solo, (Adaptado de SMITH e


HETHERINGTON, 1994). .................................................................................................... 31

Figura 2.22 - Causas da atenuação: à esquerda o efeito geométrico e à direita o efeito


histerético. (Adaptado de SMITH e HETHERINGTON, 1994)............................................. 32

Figura 2.23 – Simulação numérica da atenuação da pressão no solo a partir da fonte


explosiva. (Fonte: ORPHAL, 2006). ..................................................................................... 33

Figura 2.24 - Atenuação das acelerações verticais e horizontais com a distância medidos
em testes experimentais. (Fonte: WU, HAO et al., 1998).................................................... 34

Figura 2.25- Variação da pressão da explosão com o tempo a um determinado raio da


fonte, obtidas por modelagem numérica. (Fonte: NAGY, MOHAMED e BOOT, 2010). ..... 34

Figura 2.26 - Representação da metade de uma cratera, onde: DOB = Profundidade da


carga; ra = raio aparente; rt = raio verdadeiro; da = profundidade aparente; dt =
profundidade verdadeira. (Adaptado de BANGASH, 2009) ................................................ 36

Figura 2.27 - Padrões de rachaduras em diferentes profundidades. (a) carga grande; (b)
carga intemediária; (c) carga pequena. (Adaptado de BANGASH, 2009) .......................... 36

Figura 2.28 - Reflexão e transmissão das ondas de tensão em meios diferentes (Fonte:
SMITH e HETHERINGTON, 1994) ...................................................................................... 39

xii
Figura 2.29 - Teste experimental para a observação do comportamento da reflexão de
Mach sobre uma superfície plana e áspera realizado por Reichenbach (1985) (Fonte:
NEEDHAM, 2010). ............................................................................................................... 40

Figura 2.30 - Ondas refletidas a partir da superfície e de outra camada no interior do solo
(Adaptado de BANGASH, 2009). ......................................................................................... 41

Figura 2.31 - Gráfico posição x tempo em dois meios diferentes com os respectivos valores
das tensões e velocidade da partícula (valores circundados) (Adaptado de: SMITH e
HETHERINGTON, 1994). .................................................................................................... 42

Figura 2.32 - Curva tensão-deformação para materiais elasto-plásticos (Fonte: SMITH e


HETHERINGTON, 1994). .................................................................................................... 43

Figura 2.33 - Esquema da barra para testes mostrando o local de entrada da onda bem
como dos pontos de medição (Fonte: SMITH e HETHERINGTON, 1994). ........................ 43

Figura 2.34 - Em relação à Figura 2.33 anterior (a) variação da tensão com o tempo no
ponto A; (b) variação da tensão com o tempo no ponto B (Fonte: SMITH e
HETHERINGTON, 1994). .................................................................................................... 44

Figura 2.35 - Resultado de ensaios oedométricos realizados para o estudo da


compressibilidade de areias (Fonte: ROBERTS, 1964 apud ORTIGÃO, 1993). ................ 50

Figura 2.36 - Resultados de ensaios de compressão isotrópica realizados para o estudo da


compressibilidade de areias (Fonte: VESIC e CLOUGH, 1968 apud ORTIGÃO, 1993). ... 51

Figura 2.37 - Evento SEDAN realizado com a detonação de 100 KT na profundidade de


194 m produzindo uma cratera em solo aluvial de 186 m de raio, 98,5 m de profundidade e
um volume de 54,5 x 106 m³ (Fonte: (GLASSTONE e DOLAN, 1977). .............................. 55

Figura 2.38 - Cálculo do vetor velocidade na formação de uma cratera equivalente a uma
explosão nuclear de 5Mt para os tempos 1/3t, t e 2t, onde t é o tempo para se atingir a
máxima profundidade da cratera (Fonte: Orphal, 2006)...................................................... 56

Figura 2.39 - Propagação da Onda. (a) Campo de velocidades no ar, (b) Contorno de
tensões no solo, (c) Tensões de Von Mises. 50 kg de TNT com o centro de liberação de
energia ao nível do solo, t = 1,17ms (Fonte: AMBROSINI, LUCCIONI e DANESI, 2004).. 57

xiii
Figura 2.40 - Formação de crateras. (a) Explosão aérea baixa (HOB = altura da explosão),
(b) explosão na superfície; (c) profundidade de explosão (DOB), (d) Profundidade de
explosão ótima; (e) profundamente enterrada, (f) camuflet (Fonte: BANGASH, 2009). .... 59

Figura 2.41 – Modelo da posição da carga em relação a dois edifícios (Adaptado de


REMENNIKOV e ROSE, 2005). ........................................................................................... 62

Figura 2.42 – Contornos de pressão da explosão em t = 0,792ms (Fonte: REMENNIKOV &


ROSE, 2005). ....................................................................................................................... 62

Figura 2.43 – Contornos de pressão da explosão em t = 1,27ms (mesma escala da Figura


2.42) (Fonte: REMENNIKOV & ROSE, 2005) ..................................................................... 63

Figura 2.44 - Resultado do programa CONWEP de pressão versus distância para uma
carga de 1000 kg TNT hemisférica: Academia de Defesa do Reino Unido (Adaptado de
OLAREWAJU, KAMESWARA RAO e MANNAN, 2010). .................................................... 64

Figura 2.45 - (a) Resultado de dados experimentais de Sheffield University e AUTODYN,


(b) Os dados experimentais de Cranfield University versus a simulação com o Air3D
(Fonte: OLAREWAJU, KAMESWARA RAO e MANNAN, 2010). ........................................ 65

Figura 2.46 - Dispositivo para medida do impulso vertical VIMF (Fonte: GRUJICIC et al.,
2007)..................................................................................................................................... 67

Figura 2.47 - Subdomínios computacionais (Fonte: GRUJICIC et al., 2007)...................... 68

Figura 2.48 - Quatro situações da estrutura enterrada (Fonte: KUMAR, MATSAGAR e


RAO, 2010). .......................................................................................................................... 70

Figura 2.49 - Pico de deslocamento e Tensões de Von Mises em função da profundidade


de enterramento (Adaptado de Kumar, Matsagar e Rao, 2010) ......................................... 70

Figura 2.50 – Análises dinâmicas dos resultados do perfil das ondas de explosão para
diferentes distâncias escalares: (a) curvas para t = 0 a 15 ms e (b) curvas linearizadas para
t = 0 a 4,5 ms (Adaptado de KUMAR et al., 2010) .............................................................. 71

Figura 2.51 - Configuração deformada em 97.6ms para a simulação numérica com W = 1


kg de TNT e acima da superfície do solo (ho = 0,0l m) (Fonte: ITURRIOZ e RIERA, 2001)
.............................................................................................................................................. 72

Figura 2.52 - Comparação entre resultados numéricos e experimentais (Adaptado de


ITURRIOZ e RIERA, 2001) .................................................................................................. 72

xiv
Figura 2.53 - Sequência de formação de crateras obtido com um processador de Euler
para o solo. (a) t = 3 ms, (b) t = 6 ms, (c) t = 12 ms, e (d) t = 17 ms (Fonte: LUCCIONI et
al., 2009). .............................................................................................................................. 73

Figura 2.54 - Sequência de formação de crateras obtida com um processador de Lagrange


para o solo. (a) t = 3 ms, (b) t = 6 ms, (c) t = 12 ms, e (d) t = 17 ms (Fonte: LUCCIONI et
al., 2009). .............................................................................................................................. 74

Figura 3.1 - Esforços entre ogrãos de um corpo de prova de um ensaio numérico triaxial
para uma tensão confinante de 100 kPa (Fonte: PLASSIARD, BELHEINE e DONZÉ,
2009)..................................................................................................................................... 80

Figura 3.2 - Modelagens de formação de cratera geradas por explosões: (a) através do
método dos elementos finitos com o programa AUTODYN (Fonte; GRUJICIC et al., 2007)
e (b) através do método dos elementos discretos com o programa VISED. ...................... 82

Figura 3.3 - Exemplos de simplificação da geometria (Fonte: Munjiza, 2004).................... 82

Figura 3.4 - Contato entre dois elementos esféricos com as suas componentes: normal
(Fn), tagencial (Fs) e momento (Melast) (Adaptado de KOZICKI e DONZÉ, 2008). .............. 84

Figura 3.5 – Domínio do modelo com a carga explosiva no ar – na pequena cavidade .... 85

Figura 3.6 – Domínio total do modelo .................................................................................. 85

Figura 3.7 - Exemplo de um modelo de MED para um corpo de prova de teste traxial,
(Fonte: PLASSIARD, BELHEINE e DONZÉ, 2009) ............................................................. 86

Figura 3.8 - Curva granulométrica da areia de São Francisco (Fonte: COSTA, 2005) ...... 87

Figura 3.9 - Formas típicas dos grãos (Fonte :OLIVEIRA FILHO, 1987). ........................... 88

Figura 3.10 - Esquema do algoritmo Mujinza-NBS (Fonte: Adaptado de Mujinza, 2004) .. 89

Figura 3.11 - Gráfico σ x ε dos ensaios triaxiais convencionais com a areiaãode S


Francisco com σ3 = 50, 100 e 200 kPa e com compacidade relativa inicial Dr = 25,03% .. 92

Figura 4.1 - Domínio das primeiras simulações de explosão em areia no VISED .............. 94

Figura 4.2 - Último quadro da simulação 20L (t = 109,326ms) ........................................... 98

Figura 4.3 - Último quadro da simulação 21L (t = 681,021ms) ........................................... 99

xv
Figura 4.4 – Último quadro da simulação 1L em 9,996 ms do processo explosivo ............ 99

Figura 4.5- – Último quadro da simulação 10L em 1 s do processo explosivo ................. 100

Figura 4.6 (a) Junção e expelimento dos elementos no centro do domínio e (b) monte
formado no final da queda dos elementos. ........................................................................ 101

Figura 4.7 – Os elementos 1 e 3 sofrem os efeitos diretos da explosão e o elemento 2 não.


............................................................................................................................................ 102

Figura 4.8 - Frente de onda bem delineada - experimento realizado na fase 2 das
simulações preliminares ..................................................................................................... 104

Figura 4.9 - Caminhos preferenciais na diagonal e fronteira entre os elementos de


tamanhos distintos em 0 segundos.................................................................................... 104

Figura 4.10 - Propagação da onda e ejeção dos elementos em 0,75 ms com 1 g de TNT
............................................................................................................................................ 105

Figura 4.11 - Escala de cores da densidade de energia cinética dos elementos discretos do
VISED ................................................................................................................................. 106

Figura 4.12 - Cenários em 3 ms para as diferentes quantidades de carga: 1, 5, 10 e 50 g


de TNT ................................................................................................................................ 106

Figura 4.13 - Escala de cores representativa da direção dos elementos discretos do VISED
............................................................................................................................................ 107

Figura 4.14 – Cenário para uma carga de 10g de TNT em 97,6 ms ................................. 108

Figura 4.15 – Crateras em 97,6 ms após a detonação no modo direção de visualização dos
elementos para as cargas de TNT: (a) 1 g, (b) 5g, (c) 10g e (d) 50 g. .............................. 109

Figura 4.16 – Crateras em 3 ms após a detonação para as cargas de TNT: (a) 1 g, (b) 5g,
(c) 10g e (d) 50 g. ............................................................................................................... 110

Figura 4.17 – Aumento da cratera com o transcorrer do tempo para a carga de 10g de
TNT: (a) 3 ms, (b) 6 ms, (c) 12 ms, (d) 17ms e (e) 97,6 ms. ............................................. 111

Figura 4.18 - Simulação em 40 ms com a carga de 1 g de TNT ....................................... 112

Figura 4.19 - Simulação em 50 ms com a carga de 1 g de TNT ....................................... 112

xvi
Figura 4.20 - Crateras formadas por 1 g de TNT nos seguintes tempos: (a) 0,5 ms; (b) 0,75
ms; (c) 1 ms e (d) 1,5 ms. .................................................................................................. 114

Figura 4.21 – Gráficos para comparação entre os históricos de densidade de energia


cinética nos pontos de medição sob a influência das cargas de: (a) 1 g de TNT e (b) 5 g de
TNT. .................................................................................................................................... 118

Figura 4.22 – Gráficos para comparação entre os históricos de densidade de energia


cinética no intervalo de 0,30 m a 0,40 m de profundidade sob a influência das cargas de:
(a) 1 g de TNT e (b) 5 g de TNT......................................................................................... 119

Figura 4.23 – Gráficos para comparação entre os históricos de densidade de energia


cinética no intervalo de 0,60 m a 0,75 m de profundidade sob a influência das cargas de:
(a) 1 g de TNT e (b) 5 g de TNT......................................................................................... 120

Figura 4.24 – Gráficos para comparação entre os perfis de densidade de energia cinética
até 0,75 m de profundidade no intervalo de tempo de 0,8 ms a 1,2 ms sob a influência das
cargas de: (a) 1 g de TNT e (b) 5 g de TNT. ..................................................................... 121

Figura A.1.1 - Gráfico da Variação da energia Cinética com o Tempo para as


profundidades de 0,15 m, 0,2 m e 0,25 m para a carga de 1 g de TNT. .......................... 135

Figura A.1.2 - Gráfico da Variação da energia Cinética com o Tempo para as


profundidades de 0,45 m, 0,50 m e 0,55 m para a carga de 1 g de TNT. ........................ 136

Figura A.1. 3 - Gráfico da Variação da energia Cinética com o Tempo para as


profundidades de 0,60 m, 0,65 m, 0,70 m e 0,75 m para a carga de 1 g de TNT. ........... 136

Figura A.1. 4 - Gráfico da Variação da energia Cinética com o Tempo para as


profundidades de 0,15 m, 0,2 m e 0,25 m para a carga de 5 g de TNT. .......................... 137

Figura A.1.5 - Gráfico da Variação da energia Cinética com o Tempo para as


profundidades de 0,45 m, 0,50 m e 0,55 m para a carga de 5 g de TNT. ........................ 137

Figura A.1.6 - Gráfico da Variação da energia Cinética com o Tempo para as


profundidades de 0,60 m, 0,65 m, 0,70 m e 0,75 m para a carga de 5 g de TNT. ........... 138

Figura A.2.1 - Gráfico da Variação da Energia Cinética com a Profundidade para os


tempos de 0,2 ms, 0,40 ms e 0,60 ms para a carga de 1 g de TNT. ................................ 139

Figura A.2.2 - Gráfico da Variação da Energia Cinética com a Profundidade para os


tempos de 1,4 ms, 1,6 ms, 1,8 ms e 2 ms para a carga de 1 g de TNT. .......................... 140

xvii
Figura A.2.3 - Gráfico da Variação da Energia Cinética com a Profundidade para os
tempos de 0,2 ms, 0,40 ms e 0,60 ms para a carga de 5 g de TNT. ................................ 141

Figura A.2.4 - Gráfico da Variação da Energia Cinética com a Profundidade para os


tempos de 1,4 ms, 1,6 ms, 1,8 ms e 2 ms para a carga de 5 g de TNT. .......................... 141

xviii
LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1 – Equivalência em TNT de alguns explosivos (adaptado de SILVA, 2007) ........ 9

Tabela 2.2 – Quadro resumo e principais características dos pacotes computacionais


citados na literatura .............................................................................................................. 61

Tabela 2.3 - Impulso transferido medido e calculado para a placa testemunha VIMF (Fonte:
GRUJICIC et al., 2007). ....................................................................................................... 69

Tabela 3.1 – Dados do solo para entrada no VISED........................................................... 92

Tabela 4.1 – Dados do solo para entrada no VISED........................................................... 95

Tabela 4.2 – Variação somente no parâmetro kn ................................................................ 96

Tabela 4.3 - Variação somente no amortecimento cn ......................................................... 97

Tabela 4.4 - Variação simultânea dos parâmetros .............................................................. 97

Tabela 4.5– Dimensões da cratera para as diferentes cargas em 3ms ............................ 105

Tabela 4.6 – Dimensões da cratera para as diferentes cargas em 17 ms ........................ 106

Tabela 4.7 – Dimensões da cratera para as diferentes cargas em 97,6 ms ..................... 107

Tabela 4.8 – Dimensões da cratera para a carga de 1 g de TNT para diferentes tempos 113

Tabela 4.9 – Dimensões da cratera para a carga de 5 g de TNT para diferentes tempos 115

Tabela 4.10 – Dimensões da cratera para a carga de 10 g de TNT para diferentes tempos
............................................................................................................................................ 115

Tabela 4.11 – Dimensões da cratera para a carga de 50 g de TNT para diferentes tempos
............................................................................................................................................ 116

Tabela 4.12 – Dimensões da cratera variando a carga para o tempo de 0,25 ms ........... 116

Tabela 4.13 – Dimensões da cratera variando a carga para o tempo de 0,5 ms ............. 117

Tabela 4.14 – Dimensões da cratera variando a carga para o tempo de 1 ms ................ 117

Tabela 4.15 – Dimensões da cratera variando a carga para o tempo de 2 ms ................ 117

xix
Tabela A.1.1 - Variação da Densidade de Energia Cinética com o Tempo para as diversas
profundidades de medição com a carga de 1 g de TNT.................................................... 135

Tabela A.1.2 - Variação da Densidade de Energia Cinética com o Tempo para as diversas
profundidades de medição com a carga de 5 g de TNT.................................................... 137

Tabela A.2.1 - Variação da Densidade de Energia Cinética com a Profundidade nos


diversos tempos de medição com a carga de 1 g de TNT ................................................ 137

Tabela A.2.2 - Variação da Densidade de Energia Cinética com a Profundidade nos


diversos tempos de medição com a carga de 5 g de TNT ................................................ 137

xx
LISTA DE ABREVIATURAS, SÍMBOLOS E SIGLAS

A Área da fase positiva da onda explosiva no gráfico pressão (p)


vs tempo (t)

C Velocidade Sísmica do Solo

CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior

cp Velocidade sísmica da onda primária

Cd Coeficiente de arrasto

CFD Fluido Dinâmico Computacional - Computational Fluid Dynamic

cm Centímetros

cn Coeficiente de amortecimento normal

ct Coeficiente de amorteciemento tangencial

da Profundidade aparente

dt Profundidade verdadeira

DOB Profundidade da carga

DOW Explosivo Moldável a Frio

E Módulo de Elasticidade

fc Fator de acoplamento da carga

H Hidrogênio

HEL Hugoniot Elastic Limit

I Impulso

IME Instituto Militar de Engenharia

J Joules

kg quilogramas

kn coeficiente de rigidez normal

m metros

MED Método dos Elementos Discretos

mm milímetros

µm micrômetro

xxi
ms milésimos de segundo

N nitrogênio

n coeficiente de Atenuação - adimensional

O oxigênio

P pressão

Pa Pascal

Pa pressão atmosférica

Pd pressão da onda diretamente transmitida a partir da fonte ao


atingir o alvo

P0, Ps0+, Ps0, ps pico de pressão, sobrepressão, pico de sobrepressão

PETN pentaerythritol tetranitre - tetranitrato de pentaeritritol

Pl pressão da onda refletida pela camada inferior de solo ao atingir


o alvo

Pr Pressão da onda refletida a partir da superfície ao atingir o alvo

R Distância do explosivo

R0 Dimensão característica do explosivo

RDX RDX

Rs Distância percorrida pela onda refletida a partir da superfície

Rw Raio da carga

ra Raio aparente

rt Raio verdadeiro

ρ Densidade do meio

ρw Densidade da carga

S Enxofre

s segundos

TETRIL TETRIL

TNT Trinitrotolueno

t Momento

ta Tempo para atingir o pico de sobrepressão.

td, t0, t0+ Duração da fase positiva da explosão

xxii
t0- Duração da fase negativa da explosão

ti tempo para a onda refletida pela camada inferior de solo atingir


o alvo;

ts tempo para a onda refletida a partir da superfície atingir o alvo;

σ tensão

u Velocidade de pico da partícula

x Deslocamento de pico da partícula

W Peso da carga explosiva

Z Distância escalar

α Parâmetro da forma da onda

xxiii
1 INTRODUÇÃO

1.1 APRESENTAÇÃO E RELEVÂNCIA


A sociedade, através do movimento ambientalista, iniciou suas atividades de
protesto contra a degradação ambiental identificando os impactos deletérios causados
pelo homem nas águas e na atmosfera, demorando a perceber a degradação que
também ocorria no solo, talvez por conta de que a sua degradação seja a de menor
percepção em curto prazo, muito embora, em se tratando de meio ambiente, tudo seja
dinâmico e, portanto, relativo.

Ao longo de muitos anos, mesmo nos países desenvolvidos da Europa e da


América do Norte, o solo foi considerado como um corpo receptor infinito de matérias
contaminantes e poluentes, como o lixo doméstico e os resíduos industriais. Somente
nos anos 70 foi que se detectou a limitação da capacidade de autodepuração do solo
surgindo então o conceito de “áreas contaminadas” a partir de uma série de acidentes
ambientais. Tais ocorrências levaram à criação de legislações e políticas públicas
referentes ao solo nos países desenvolvidos, ao final da década de 70 e início da de
80.

No Brasil, a conscientização da problemática das áreas contaminadas só deu


na década de 80. .

Dentre as áreas afetadas, estão aquelas em que o Exército Brasileiro (EB)


desenvolve suas atividades, tais como a destruição de munição por detonação ao ar
livre com "prazo de validade vencido" ou apreendida, conforme dispõe o caput do
artigo 25 da Lei Federal 11.706/2008: as armas de fogo apreendidas, quando não
mais interessam à persecução penal, são encaminhadas para a destruição ou doação
aos órgãos de segurança pública ou às Forças Armadas.
Isso pode impactar negativamente o meio ambiente, principalmente quando
esta atividade é realizada em ou próximo a unidades de conservação, bem como, a
nascentes d’água ou de áreas urbanas, cuja sensibilidade também é alta por conta do
risco que oferece ao elemento mais importante quando se fala em meio ambiente: o
próprio ser humano.
Portanto, o presente estudo é parte integrante do projeto de pesquisa
denominado “Sistema de Gestão Ambiental para Atividades Militares” durante o
período (2009-2013), o qual é coordenado pelo IME e tendo como parceiro o
Programa de Engenharia Civil da COPPE/UFRJ, contando com o financiamento da

1
CAPES para a sua realização. Tem como diretriz a norma ISO 14001, sendo
composto por diferentes atividades, procurando identificar parâmetros indicadores nas
diversas atividades militares e seus impactos ambientais negativos.

Além da ISO 14001, a PORTARIA Nº 001-DEC, DE 26 DE SETEMBRO DE


2011 aprova as Instruções Reguladoras para o Sistema de Gestão Ambiental no
Âmbito do Exército (IR 50-20). No capítulo 4 desta portaria, os Art. 70. e 71
estabelecem que:

“O Comando Logístico (COLOG) e o Departamento de Ciência


e Tecnologia (DCT) deverão estabelecer e/ou complementar as
normas que considerem a coleta, o armazenamento, o
transporte, o tratamento e a destinação final das munições,
resíduos industriais e outros resíduos sólidos perigosos de
1
suas OMDS ”

O IME, subordinado ao DCT, vem desenvolvendo o projeto em parceria com


a COPPE/UFRJ, financiado pela CAPES em um intercâmbio entre Instituições de
Ensino e Instituições Militares.
A linha de pesquisa voltada para o meio ambiente, criada pelo Mestrado em
Engenharia de Transportes do IME no final da década de 80, visa capacitar recursos
humanos no desenvolvimento e implantação de projetos de transportes, reconhecidos
vilões do meio ambiente, ambientalmente sustentáveis. Trabalhos diversos relativos à
avaliação de Estudos de Impactos Ambientais e correspondentes RIMA, à composição
de passivos ambientais e a sistemas de gestão ambiental são objetos de estudo desta
linha. E dessa forma, pretende-se chegar à proposta de um Sistema de Gestão
Ambiental direcionado às atividades militares.
O Programa de Engenharia Civil da COPPE/UFRJ, por sua vez, dispõe de um
Laboratório de Geotecnia Ambiental em condições para realizar ensaios para
determinação de parâmetros de transporte de espécies químicas inorgânicas e de
compostos orgânicos em diferentes tipos de solo, ensaios de reatividade entre os
solos e os contaminantes, além de diversos outros ensaios especiais para
investigação de contaminação e análise de técnicas de remediação de solos e águas
subterrâneas contaminadas. Os recursos existentes no próprio laboratório são
complementados, sempre que necessário, por parcerias com outras unidades da
UFRJ ou de outras instituições parceiras, como o CETEM/MCT e a EMBRAPA.

1
OMDS – Organização Militar Diretamente Subordinada.

2
Num momento posterior, o referido projeto pretende desenvolver
metodologias para a investigação e remediação dos sítios impactados por estas
atividades militares. Estas metodologias levarão em consideração as características
específicas de cada atividade e gerarão normas e procedimentos de operação a
serem aplicadas em todo território militar nacional. Em andamento desde 2009, o
projeto pretende obter um panorama dos possíveis impactos ambientais associados à
atividade de destruição de munição e sua correção.
Isso por conta do EB almejar ser uma Instituição compromissada com o
Brasil, o Estado, a Constituição e a Sociedade Brasileira, ser reconhecido
internacionalmente por sua competência e por cooperar para a paz mundial
fomentando a integração regional. Para tal precisa ser constituído por pessoal
altamente qualificado com valores éticos e morais claramente estabelecidos, apoiado
em tecnologia moderna e equipamentos adequados e, sobretudo, respeitando o meio
ambiente em que se insere.

1.2 MOTIVAÇÃO
Durante a fase de investigação de um sítio utilizado para a atividade de
destruição de munições inservíveis pelo EB, dentro do projeto de pesquisa, observou-
se com ensaios geofísicos que havia uma região com anomalia de baixa resistividade
elétrica no solo local (SILVA, A, 2010). Esta anomalia deve refletir alterações físicas do
solo em decorrência das detonações a céu aberto, que podem interferir no processo
de avanço da contaminação local. Os ensaios geofísicos indicaram que estes efeitos
alcançam profundidades superiores a 3,0m, com um alcance maior do que se supunha
inicialmente. Foi então decidido investigar em maior detalhe o impacto desta atividade
sobre o solo.

1.3 OBJETIVOS
O trabalho visa contribuir para o desenvolvimento de uma ferramenta
numérica para o Exército Brasileiro que possibilite a previsão da região do subsolo
impactada pela atividade de destruição de munição em todos os sítios em atividade no
país, com base nas propriedades dos solos de cada local.
A dissertação apresenta a primeira fase deste estudo, consistindo no
levantamento do estado-da-arte sobre o tema específico, a escolha do método

3
numérico, a implantação de um primeiro modelo computacional do problema e a
indicação dos próximos passos a partir de testes e simulações iniciais.

1.4 ORGANIZAÇÃO
O Capítulo 2 apresenta a revisão bibliográfica sobre o fenômeno da
detonação de explosivos químicos na superfície, a propagação das ondas de choque
através do solo e o estado-da-arte sobre a modelagem do problema visando o subsolo
e não o ar.
O Capítulo 3 apresenta a metodologia utilizada, com o plano geral da
pesquisa, a apresentação do método numérico escolhido, que foi o Método dos
Elementos Discretos (MED), a descrição do programa VISED em que a modelagem
está sendo implantada, desenvolvido originalmente no IME, e a definição dos cenários
de simulação e dos cálculos e parâmetros adotados.

O Capítulo 4 apresenta e discute os resultados obtidos.

Finalmente, no Capítulo 5 são apresentadas as conclusões e a definição dos


passos para a continuidade do trabalho com vistas a alcançar o objetivo final do
projeto de pesquisa em que o trabalho se insere. Seguido das referências
bibliográficas.

4
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 EXPLOSÕES
Explosão é qualquer fenômeno resultante de uma reação que produz um
súbito e violento desprendimento de energia, gerando consequentemente uma
expansão da matéria em um volume muito maior do que o original em um espaço de
tempo extraordinariamente pequeno. A sua magnitude é definida pela quantidade de
energia desprendida podendo acontecer no ar, na superfície da terra, no subsolo ou
no meio aquático (KINNEY e GRAHAM, 1985; PERSSON, HOLMBERG, LEE, 1994;
SILVA, 2007; BANGASH, 2009).
A rápida expansão do gás que preenche um balão quando este estoura, a
queima de um explosivo como uma pólvora negra encapsulada, um tanque de gás
pressurizado que se rompe, uma transformação nuclear incontrolada, a detonação de
uma carga de TNT ou, até mesmo em menor escala, quando o pneu de um carro
estoura, são eventos explosivos. Como se pode perceber, a fonte exata de tal
ocorrência pode ser relativamente imaterial (KINNEY e GRAHAM, 1985; PERSSON,
HOLMBERG, LEE, 1994).
O que caracteriza todos esses eventos supracitados, no entanto, é que o
desprendimento de energia tem de ser abrupto, ou seja, tem de acontecer tão
rapidamente de forma que haja acumulação de energia no local da explosão, como
acontece quando um pneu de carro estoura (KINNEY e GRAHAM, 1985).
Esta energia acumulada, que muitas vezes é o resultado de uma reação
físico-química em cadeia com uma velocidade extremamente alta, é acompanhada por
uma repentina elevação de pressão e temperatura, sendo então rapidamente
dissipada na medida de sua produção (SILVA, 2007).
Essa dissipação pode acontecer de vários modos, tais como propagar-se
rapidamente através do meio (ar, água ou solo) provocando variações na pressão
ambiente as quais formam uma onda explosiva, pela propulsão de fragmentos de
materiais que se encontram ao redor ou talvez pela radiação térmica ou iônica
(KINNEY e GRAHAM, 1985; SILVA, 2007).
Contudo, ainda segundo Kinney e Graham (1985), se o desprendimento
dessa energia se dá em uma velocidade lenta, como em um vazamento de um fio de
água, isto não é uma explosão. Segundo os mesmos autores implosões são similares
a explosões, porém nesse caso a liberação de energia é direcionada para o lado
interior.

5
Com relação à sua fonte, as explosões podem ser separadas nas seguintes
categorias: física, elétrica, nuclear e química (SMITH e HETHERINGTON, 1994;
SILVA, 2007).
A explosão física pode se dar pela ruptura de um vaso sob alta pressão, o
próprio pneu de um carro, um vulcão ou a mistura violenta de dois líquidos com
temperaturas diferentes (SMITH e HETHERINGTON, 1994; SILVA, 2007).
A explosão elétrica ocorre quando há uma descarga de alta intensidade,
muitas vezes por um equipamento elétrico no qual ocorre uma expansão gasosa por
centelhamento em uma atmosfera explosiva, ou também, quando um fio de liga de
níquel aquecido é utilizado em um detonador para explosão de pontes, convergindo
para o seu estado gasoso supercrítico, devido a uma descarga de energia de alta
voltagem elétrica em um curto espaço de tempo. Não há reação química envolvida
nesse processo (PERSSON, HOLMBERG, LEE, 1994; SILVA, 2007). O material do fio
da liga vaporizado se expande explosivamente iniciando o choque com o explosivo
secundário do detonador pressionado contra o fio da liga e assim ocasionando a
explosão da ponte propriamente dita (PERSSON, HOLMBERG, LEE, 1994).

Em uma explosão nuclear, a energia liberada surge a partir da formação de


núcleos atômicos diferentes pela redistribuição dos prótons e dos nêutrons que
interagem no interior desse núcleo. Assim, o que às vezes é descrito como energia
atômica é realmente a energia nuclear, uma vez que surge a partir de determinadas
reações nucleares (SMITH e HETHERINGTON, 1994).
A explosão nuclear é causada por fissão e fusão nuclear. Esses dois tipos de
interações nucleares produzem grandes quantidades de energia em um curto espaço
de tempo. Na “fissão”, ou o parcelamento dos átomos pesados como os de certos
isótopos de urânio, o núcleo dos átomos é quebrado através do bombardeamento de
nêutrons em alta velocidade, liberando energia e mais nêutrons. Estes nêutrons vão
dividir mais núcleos, que criam uma reação em cadeia (SMITH e HETHERINGTON,
1994; SILVA, 2007).
Na "fusão", ou união de átomos (leves) tais como o deutério isótopo de
hidrogênio e hélio, estes combinam-se para formar elementos mais pesados e liberam
neste processo enorme quantidade de energia. O resultado é a explosão que cria uma
tremenda onda de choque. Esta reação produz calor e radiação sendo que a energia
liberada é muito maior do que em explosões químicas (por massa de explosivo)
(SMITH e HETHERINGTON, 1994; SILVA, 2007).
Ainda segundo Smith e Hetherington (1994):

6
“As bombas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki na Segunda
Guerra Mundial tiveram uma liberação de energia expressas
em 12,5 e 22 quilotoneladas de TNT respectivamente. A
liberação de energia nuclear pode ser dividida em três
categorias: energia cinética, energia interna e energia térmica.
Os primeiros dois tipos compreendem aproximadamente
metade da energia libertada e resultam na formação de ondas
de choque (tal como no caso de explosivos químicos),
enquanto que a maioria do restante é entregue na forma de
calor e de radiação térmica.”

Uma explosão química é o resultado de uma reação físico-química, que


envolve a oxidação rápida dos elementos combustíveis (átomos de carbono e
hidrogênio) sendo que o oxigênio necessário para esta reação também está contido
dentro do composto - a presença de ar, portanto, não é necessária. A velocidade
dessa reação é extremamente alta, ocasionando uma instantânea elevação de
pressão e temperatura (SMITH e HETHERINGTON, 1994; SILVA, 2007).
O presente trabalho se aterá somente às explosões químicas.

2.1.1 Explosivos Químicos


De modo geral, o termo explosivo é usado para designar uma substância ou
uma mistura de substâncias químicas que podem estar sujeitas a uma reação
exotérmica, resultando em uma rápida decomposição e expansão dos produtos da
reação para um volume bem maior do que o original, conforme dito anteriormente.
Essa energia liberada oriunda da reação química da explosão aparece como energia
térmica e potencial (de compressão), bastando a aplicação de calor ou choque
(PERSSON, HOLMBERG e LEE, 1994; SILVA, 2007).
De acordo com Kinney e Graham (1985), a grande maioria dos explosivos é à
base dos seguintes componentes: C, H, N e O juntos.
A energia liberada decorrente dessa reação em cadeia ocorre em um
intervalo de tempo muito curto para ser dissipada na medida de sua produção. A taxa
de reação (muito maior do que a queima de um combustível em ar atmosférico) irá
determinar a utilidade do material explosivo para aplicações práticas (SMITH e
HETHERINGTON, 1994; SILVA, 2007).
Para ser útil, um explosivo só pode explodir quando é obrigado a fazê-lo,
tendo de acontecer em condições normais e ser inerte e estável. A maioria dos
explosivos práticos é "condensada", ou seja, significa que eles são sólidos ou líquidos

7
e a sua eficiência está na quantidade de energia desprendida no momento da
explosão e, por conseguinte, no quanto de trabalho mecânico é gerado, podendo ser
mensurado diretamente em unidades de energia como, por exemplo, em Joules (J)
(KINNEY e GRAHAM, 1985; SMITH e HETHERINGTON, 1994 e PERSSON,
HOLBERG e LEE 1994).
Segundo Persson, Holberg e Lee (1994), a energia de explosão da maioria
dos explosivos é geralmente da ordem de 4 MJ/kg, podendo aquecer 1 kg de água de
4 a 100°C, se completamente transformada em energia térmica. A temperatura antes
da expansão (temperatura de explosão) é tipicamente da ordem de 1726°C a 4726°C
e em uma faixa de pressão que varia de 1 a 20 GPa. Por causa da alta pressão inicial,
uma parte considerável da energia da explosão será transformada em trabalho
mecânico, justamente por conta dos produtos da reação para um volume bem maior.
No entanto, uma medida relativa para expressar a magnitude da explosão
pode ser tanto mais significativa quanto de maior praticidade. Esses valores relativos
são conhecidos como “explosion yields” 2 (KINNEY e GRAHAM, 1985).
Para expressar o efeito de uma explosão ou uma explosion yield, algum tipo
de unidade padrão tem de ser estabelecida e geralmente é adotado o TNT
(trinitrotolueno). A sua adoção se dá em parte por conta de ser uma substância
quimicamente pura, bem como, por estar facilmente disponível para fins de calibração.
Seu manuseio é relativamente seguro e para explosivos de densidade conhecida e
natureza cristalina, ele fornece resultados muito bons no que tange à reprodutibilidade
dos efeitos da explosão (KINNEY e GRAHAM, 1985).
Medições realizadas em ondas de choque (blast waves) mostraram que
explosões com TNT geram ondas de energia em torno de 4680 joules por grama (J/g).
Existem 4184 joules por caloria termoquímica tal que isto corresponde a cerca de 1120
calorias por grama 3. Como tais medições estão sujeitas a incertezas, particularmente
aquelas feitas em campo, definiu-se um padrão da quantidade de desprendimento de
energia gerada na explosão ao invés de um padrão físico de comportamento da onda
para a mesma situação (KINNEY e GRAHAM, 1985 e BULSON, 1997).

2
A palavra yield por si só pode significar quantidade de energia desprendida por um explosivo, portanto, na falta de
uma tradução que não ficasse redundante e no comedimento em não tentar uma adaptação para o português que
pudesse fugir da essência do significado da expressão, preferiu-se mantê-la no idioma original.

3
Caloria quantidade de energia necessária para elevar em 1°C o peso correspondente a 1g de água onde 1cal =
4,1868 J; para fins dimensionais: manteiga = 740 cal./100g (TORRES, CAMPOS, DUARTE et al., 2000).

8
O padrão TNT para a quantidade de energia liberada em uma explosão é
definido como 4610 J/g. Dessa forma, a força explosiva “explosive strength” que é a
capacidade em realizar estrago ou o poder de destruição de um explosivo decorrente
do desprendimento da sua energia, está relacionada a uma quantidade equivalente de
TNT.
Essa força é geralmente expressa em termos de percentagem, por exemplo,
o PETN (“pentaerythritol tetranitre” - tetranitrato de pentaeritritol) produz explosões
com uma quantidade de energia maior do que as produzidas por uma mesma massa
de TNT. Portanto pode-se dizer que o PETN é mais poderoso do que o TNT (KINNEY
e GRAHAM, 1985). A Tabela 2.1 apresenta a relação entre diferentes explosivos.

Tabela 2.1 – Equivalência em TNT de alguns explosivos (adaptado de SILVA, 2007)

TNT
Energia Específica
Nome do Explosivo Equivalente
Mássica Qx (kJ/ kg)
(Qx / QTNT)
Amatol 80/20 (80% nitrato de amônia,
2650 0,586
20% TNT)
RDX 5360 1,185

Nitroglicerina (Líquida) 6700 1,481

PETN 5800 1,282

Pentolite 50/50 (50% PETN, 50% TNT) 5110 1,129

TETRIL 4520 1,000

Dinamite de Nitroglicerina 2710 0,600

2.1.2 Decomposição dos Explosivos Químicos


A alta acumulação de energia de um explosivo químico no local da explosão
ocorre a partir da energia oriunda de algum local adjacente à explosão inicial ativando
e decompondo imediatamente o material vizinho (KINNEY e GRAHAM, 1985).
O processo de decomposição dos explosivos químicos pode se dar por três
maneiras diferentes: combustão, deflagração ou detonação.

9
Combustão é qualquer reação de oxidação, tanto das que se utilizam do
oxigênio na parte externa quanto daquelas que o possuem e utilizam internamente
como parte integrante das substâncias da reação, sendo que geralmente ocorre em
velocidades baixas. A decomposição térmica de um pedaço de madeira, de uma vela
bem como a de um propulsor de uma arma de fogo, é conhecida como queima
(SMITH e HETHERINGTON, 1994 e SILVA, 2007).
Deflagração é o processo no qual se propaga por condutividade térmica, ou
seja, pelo calor liberado do aquecimento do material que encobre o local inicial da
explosão a uma temperatura maior do que o da sua decomposição. Transferir energia
por meio de diferença térmica acontece de tal maneira que a velocidade de
decomposição dos materiais explosivos é menor do que a do som (subsônica) e, por
conseguinte, é bastante dependente das condições externas do ambiente como, por
exemplo, a pressão. É o que acontece com as pólvoras ou propelentes que podem ser
chamados de baixos explosivos (KINNEY e GRAHAM, 1985; SMITH e
HETHERINGTON, 1994 e SILVA, 2007).
Detonação é um processo de natureza mecânica no qual um explosivo
produz uma onda de choque de alta intensidade, que impacta os materiais vizinhos
acionando o mecanismo de detonação. É esta onda de choque, função da quantidade
de energia envolvida no processo que, com sua frente de elevada pressão, confere à
detonação um enorme poder de ruptura. A maioria dos explosivos pode ser detonada
se for dado um estímulo suficiente (KINNEY e GRAHAM, 1985; SMITH e
HETHERINGTON, 1994 e SILVA, 2007).
Essa é uma reação de decomposição com a participação exclusiva do
oxigênio intrínseco da substância explosiva acompanhada por grandes gradientes de
temperatura e pressão na frente da onda de choque e a reação é iniciada
instantaneamente, ocorrendo com velocidades que variam de 1.500 m/s a 9.000 m/s,
que é consideravelmente mais rápida do que a propagação por condução e de
radiação térmica como no processo de deflagração descrito acima (SMITH e
HETHERINGTON, 1994 e SILVA, 2007).
Tudo o que foi descrito acima é mostrado na Figura 2.1, onde a
decomposição do explosivo gera a onda de choque, que avança através da zona de
reação a uma velocidade superior à do som, sendo que a zona de reação e o produto
da reação têm o mesmo sentido (SILVA, 2007).

10
.

Figura 2.1 - Esquema de uma detonação. (Fonte: SILVA, 2007)

2.2 O PROCESSO DE EXPLOSÃO E PROPAGAÇÃO


O processo de explosão e propagação da onda gerada a partir da fonte é
função da geometria em que a onda de choque se move. Porém, uma distinção deve
ser feita entre a representação geométrica da onda de choque e o número de graus de
liberdade permitido na expansão dos gases (NEEDHAM, 2010).

A expansão linear, como por exemplo, o choque em um tubo com uma


expansão cilíndrica tal como produzido por uma carga cilíndrica, e uma expansão e
decaimento esférico podem ser todos representados precisamente em apenas uma
dimensão, uma vez que a propagação linear da secção transversal na qual a onda de
choque está se propagando permanece constante. A expansão cilíndrica pode ser
representada com precisão por meio do aumento da secção transversal na qual a
explosão está se propagando proporcionalmente na medida em que se propaga. Da
mesma forma, uma expansão esférica pode ser representada com precisão através do
aumento da seção transversal proporcional ao quadrado da distância da fonte
(NEEDHAM, 2010).

Na detonação esférica em campo livre ou ao ar livre, a expansão inicial é


esférica. Essa expansão pode ser representada usando um, dois ou três graus de
liberdade. Quando a onda esférica de expansão atinge o solo, a propagação pode ser
representada com precisão por meio de dois ou três componentes de velocidade. E
quando a onda de choque atinge um anteparo com uma superfície perpendicular ao
solo, são necessárias três dimensões para descrever o comportamento da onda.

11
Muitas aplicações de ondas de choque requerem combinações de descrições
geométricas de sua propagação (NEEDHAM, 2010).

2.2.1 Ondas de Choque ou Blast Waves

Tal como foi descrito anteriormente, explosões químicas ou nucleares liberam


grandes quantidades de energia que ao aquecer o meio circundante produzem
pressões locais e dinâmicas muito elevadas com velocidade supersônica. Esta
perturbação da pressão, movendo-se para fora e produzindo impactos, gera uma onda
de choque que, por sua vez, é dotada de um enorme poder de destruição. O efeito
terminal desta onda é denominado Sopro ou “Blast Effect” (PERSSON, HOLMBERG e
LEE, 1994; SMITH e HETHERINGTON, 1994 e SILVA, 2007).
A camada de ar comprimido que se forma à frente desses gases contém a
maior parte da energia liberada pela explosão e o primeiro efeito mecânico a ser
verificado é um salto instantâneo da pressão na onda explosiva (sobrepressão).
Devido à alta magnitude do pico de pressão, há um movimento brutal e violento das
partículas em altas velocidades imediatamente atrás e na direção da frente de choque,
formando os ventos que vão gerar o efeito de sopro ou “blast effect” (KINNEY e
GRAHAM, 1985; SMITH e HETHERINGTON, 1994).
A onda de choque surge abruptamente em frações de segundo após o
aparecimento da esfera de fogo de curta duração, consequência do resfriamento dos
gases em expansão oriundos da combustão do material explosivo, e aparentemente
sem sentido preferencial, a sua espessura é efetivamente zero e situa-se à frente
desses gases em expansão (KINNEY e GRAHAM, 1985; MENDONÇA FILHO, 2006).
No local onde se encontra o plano desta frente / lâmina, que é normal ao
movimento, o choque é denominado unidimensional ou choque normal. Então,
considera-se que o plano do choque que se move para dentro e através do meio no
qual esteja ocorrendo, surja com um salto na pressão juntamente com uma abrupta
desaceleração e um aumento na temperatura local, ocasionando a liberação de uma
grande quantidade de energia (KINNEY e GRAHAM, 1985).
Com o resfriamento dos gases a velocidade de expansão dos mesmos
diminui e a pressão da nuvem interna se reduz, sendo justamente este o momento no
qual a onda de choque começa a se deslocar em um tipo de pulso de pressão
perdendo seu aspecto de homegeneidade e se tornando disforme. No limite da

12
descontinuidade é formada a frente de avanço do sistema da onda de explosão (frente
de choque) progredindo continuamente para fora neste primeiro momento, Figura 2.2
(KINNEY e GRAHAM, 1985; MENDONÇA FILHO, 2006).
Esse pulso de pressão que gera a onda de choque confere inicialmente à
atmosfera circundante - no caso de explosão no ar - uma forma circular como mostram
as Figura 2.2 e 2.3, deslocando-se radialmente do centro da explosão (epicentro) com
uma velocidade supersônica - conforme mencionado acima - e assumindo a forma
apresentada na Figura 2.2 (c) na medida em que se afasta da origem (KINNEY E
GRAHAM, 1985; SILVA, 2007).

Figura 2.2 - Desenvolvimento de uma onda de choque. Pressão inicial (a), forma intermediária (b) e
a frente da onda de choque (c). Todas com velocidades diferentes (Fonte: KINNEY E GRAHAM,
1985 e SILVA, 2007)

Choque

Figura 2.3 - Forma circular adquirido pelo ar imposto pela frente da onda de choque da explosão.
(Adaptado da BBC. Site: http://www.environmentalgraffiti.com/physics/news-anatomy-explosion,
acessado em 23/07/2012)

13
Esta frente produz um efeito de esmagamento, trazendo consigo os ventos
transitórios oriundos da explosão com a velocidade de um super-furacão e provocando
uma pressão dinâmica proporcional aos quadrados da velocidade do vento e da
densidade do ar atrás da frente de pressão (KINNEY e GRAHAM, 1985; SMITH e
HETHERINGTON, 1994; JACINTO, AMBROSINI e DANESI, 1999).
Por conta da natureza instantânea do processo de choque não há mudança
na área da seção transversal do fluxo que se move através do choque, e por isso não
pode haver fluxo de calor partindo do ou para o movimento do fluxo, ou seja, o
processo é adiabático (KINNEY e GRAHAM, 1985).
As porções mais altas do pulso de pressão correspondem às de maior
temperatura bem como de maior velocidade. Dessa maneira, a porção de maior
pressão é a que se move mais rapidamente do que qualquer outra parte anterior da
onda e assim, se torna progressivamente mais íngreme como em (b) na Figura 2.2,
até atingir o limite de descontinuidade (c) que também é conhecido como choque
explosivo. Esta descontinuidade forma então o sistema de avanço da frente da onda
de explosão (KINNEY e GRAHAM, 1985).
À medida que os gases formados explosivamente se expandem, eles também
se resfriam por conta da queda da sua pressão à atmosférica na medida em que a
onda de choque se move para fora da sua fonte (Figura 2.4). Isto porque, conforme a
pressão estática destes gases se aproxima da atmosférica, uma vez que as moléculas
do gás têm massa e estão se movimentando, elas percorrem certa distância antes da
energia delas acabar (KINNEY e GRAHAM, 1985 e SMITH e HETHERINGTON,
1994).

Figura 2.4 - Curvas características pressão-distância para momentos sucessivos após a explosão
(Fonte: SILVA, 2007).

A certa distância do epicentro a pressão cai um pouco abaixo da pressão


atmosférica, passando a apresentar inclusive sucção (pressão negativa) depois do

14
pico de sobrepressão (KINNEY e GRAHAM, 1985 e SMITH e HETHERINGTON,
1994).
Esse fenômeno acontece porque os gases que sofreram uma sobre-
expansão acabam gerando um pequeno diferencial de pressão entre as condições da
pressão atmosférica e da pressão dos gases, resultando em uma inversão
impulsionada de fluxo para a fonte. Eventualmente, a situação volta ao equilíbrio com
o ar que foi empurrado para longe da fonte retornando à sua origem (SMITH e
HETHERINGTON, 1994).
O que foi descrito acima e o que está descrito abaixo, está mostrado na
Figura 2.5, mais adiante.
Inicialmente (A), a atmosfera está em repouso. Em (B) há a detonação do
explosivo e instantaneamente ocorre a sobrepressão na atmosfera com a frente de
choque e o seu efeito de sopro, com uma força proporcional ao aumento da pressão e
à área de impacto, o que determinará a forma da onda de choque. Então esses efeitos
decaem quase exponencialmente no tempo até atingir a pressão atmosférica para em
seguida entrar na fase de uma leve pressão “negativa” com o efeito de sopro reverso
(C). Por fim, a atmosfera se estabiliza voltando à sua pressão original (D) (KINNEY e
GRAHAM, 1985 e CASAGRANDE, 2006).

A - ANTES DA PASSAGEM DA ONDA DE CHOQUE

B - IMEDIATAMENTE APÓS A PASSAGEM DA FRENTE DE CHOQUE

C - SOBREPRESSÃO NA FASE NEGATIVA COM EFEITO DO SOPRO NO SENTIDO INVERSO

D - APÓS A PASSAGEM DA ONDA DE CHOQUE

Figura 2.5 - Fases da onda de choque (Adaptado de Kinney & Graham, 1985)

15
O histórico tempo-pressão de uma típica onda de choque pode ser
caracterizado através dos seguintes parâmetros que são (KINNEY e GRAHAM, 1985 e
SILVA, 2007):
a) Tempo de chegada (ta ou “arrival time”) é o tempo após a explosão que a onda de
choque leva para atingir um local afastado da origem, causando um salto abrupto na
pressão ambiente (atmosférica), ou seja, a sobrepressão;

b) Pico de pressão (sobrepressão) [Ps0, Ps0+, ps, P0] – Pressão máxima exercida pela
onda de sopro em um objeto afastado da origem que é submetido a uma força lateral
instantânea, que é igual ao produto desta sobrepressão e da área projetada no plano
da onda de choque. Para causar danos, o sopro deve ser grande o suficiente para
vencer a resistência estrutural do alvo e deformá-lo.

c) Tempo de duração ou “duration time” [td, t0 ou t0+] corresponde à fase positiva da


onda, que é o período que vai do início da sua passagem pelo ponto considerado
(sobrepressão) até o instante do seu decaimento (retorno) ao valor da pressão
atmosférica. A intensidade do choque nessa fase bem como a sua duração é que vão
significar a capacidade da onda de sopro em causar danos.

d) Período de pressão subatmosférica (ou subpressão / sucção) é aquele durante o


qual a pressão cai abaixo da atmosférica, também surgindo de maneira abrupta sendo
que o fluxo do sopro passa então a se dar na direção oposta da inicial, e por isso
também é conhecido como fase negativa da onda de choque.

e) Impulso por unidade de área [I/A] - É uma medida combinada das pressões e da
duração do sopro. É o produto das forças das pressões geradas na explosão x tempo
por unidade de área e que graficamente corresponde à área sob a curva pressão com
o tempo da fase positiva, ou seja o formato da onda de choque será relevante para o
seu cálculo. Para uma onda com o formato da mostrada na Figura 2.6, esta área seria
aproximadamente (t0. Pso+) / 2. Este é um aspecto importante, pois corresponde à
capacidade da onda de choque em causar danos. Os estudos nessa área são
conhecidos como estudos de letalidade.

16
PRESSÂO

Pso
IMPULSO ESPECÍFICO POSITIVO, iS

IMPULSO ESPECÍFICO
NEGATIVO, iS–

PRESSÃO
ATMOSFÉRICA , Pa
tA
Pso
FASE
POSITIVA FASE NEGATIVA
DURAÇÃO, –
DURAÇÃO, to
to

MOMENTO APÓS A EXPLOSÃO

Figura 2.6 - Comportamento da pressão no tempo para uma onda explosiva genérica do ponto de
vista de um observador ou alvo em campo livre. (Adaptado de UFC 3-340-02).

Inversamente à grandeza do desprendimento de energia, que é um item


muito importante, o tempo de duração do processo é extremamente curto, como
mostra a Figura 2.7 em um teste que compara a pressão gerada por uma carga de
454 kg do explosivo moldável DOW com outra de mesmo peso de TNT (KINNEY e
GRAHAM, 1985).

Tempo, ms
Sobrepressão, PSI

Tempo, ms

Tempo, ms

Tempo, ms

Figura 2.7 - Comparação entre as sobrepressões com o tempo entre os explosivos: Moldáveis a
Frio (DOW) vs TNT (Fonte: KEEFER, 1970)

17
O histórico pressão-tempo de uma onda de choque é frequentemente descrito
por funções exponenciais como a equação de Frielander a partir do momento em que
a frente de choque chega (AMBROSINI, et al., 2002; SMITH e HETHERINGTON,
1994):

[2.1]

Onde os parâmetros da forma da onda são:

ps = pico de sobrepressão a uma distância R da fonte de explosão

td = duração da fase positiva

b = é uma constante positiva chamada de parâmetro de forma de onda, que depende


do pico de sobrepressão ps.

A abordagem mais amplamente utilizada para o dimensionamento de uma


onda explosiva é a lei de Hopkinson (BAKER et al. 1983 apud AMBROSINI,
LUCCIONI, DANESI et al., 2002), a qual estabelece que as ondas explosivas
semelhantes são produzidas em iguais distâncias escalares quando duas cargas
diferentes do mesmo explosivo e com a mesma geometria são detonados na mesma
atmosfera. Assim, qualquer distância R em metros a partir do peso de uma carga
explosiva W em kg, pode ser transformada em uma distância escalar característica Z
(AMBROSINI, LUCCIONI, DANESI et al., 2002), como segue:

Z= [2.2]

O uso de Z permite uma representação compacta e eficiente de dados do


sopro da onda para uma ampla variedade de situações. Na expressão [2.2], W é a
massa de carga expressa em kg de TNT (AMBROSINI, LUCCIONI, DANESI et al.,
2002).

Trinity, mostrada na Figura a seguir (2.8), foi a primeira detonação nuclear. O


seu efeito foi de aproximadamente o equivalente a 19 kt de TNT. O dispositivo foi
detonado 100 pés (30 m) acima do solo. No momento em que esta foto foi tirada, a
onda de choque é coincidente com a borda da bola de fogo radiante. Perto da
superfície do terreno a ejeção do pó eleva a frente de choque a cerca de 100 pés (30

18
m). A ejeção é provocada pela alta velocidade da poeira, uma vez que foi arrastada
para o fluxo de solo a distâncias de 100 a 400 pés (30-120 m) (NEEDHAM, 2010).

Figura 2.8 - Fotografia da detonação Trinity em 16 ms (Fonte: NEEDHAM, 2010)

A interpretação precoce desta foto erroneamente identificou a causa do jato


como uma camada de ar quente perto do solo gerado pela radiação térmica a partir da
bola de fogo na qual a onda de choque foi acelerada. Posteriormente, uma nova
análise provou que, no momento inicial, a radiação térmica que escapou da bola de
fogo era insuficiente para causar o aquecimento desta camada (NEEDHAM, 2010).
O jateamento é causado pela poeira acelerada a velocidades elevadas pela
onda de explosão em distâncias menores do terreno na qual se move atrás da onda
de choque. A densidade da poeira é maior perto do solo e diminui rapidamente acima
do solo. A camada de poeira neste momento estende-se a uma altura de cerca de
7,60 m e varia em função do terreno sobre o qual a onda de choque está se
propagando. A nuvem de poeira é claramente caracterizada por fluxos de vórtice
complexos (NEEDHAM, 2010).
Em qualquer movimento de fluxo três itens são necessários para caracterizá-
lo completamente: pressão, temperatura e velocidade. Assim, isto requer três relações
independentes para estabelecer todas as propriedades de um movimento de fluxo ao
longo do seu caminho (KINNEY e GRAHAM, 1985).
Daí resultam cargas dinâmicas com taxas de deformação da ordem de 10-1 a
10-3 s-1 que implicam em um comportamento dinâmico de curto período de tempo nos
materiais sujeitos a esse evento, caracterizado principalmente por um sobre-esforço
grande e um aumento na rigidez, em comparação com as propriedades estáticas
normais (AMBROSINI, LUCCIONI, DANESI et al., 2002).

19
Um objeto posicionado a certa distância de uma fonte explosiva quando
submetido à energia desprendida pela mesma, sofre o impacto de uma força lateral
instantânea que é igual ao produto desta sobrepressão na área projetada do plano da
onda de explosão. Mas como esta não é uma condição estável, a sobrepressão
começa imediatamente a cair exponencialmente conforme será mostrado mais adiante
(KINNEY e GRAHAM, 1985).
No caso de grandes eventos (por exemplo, explosões nucleares), o vento
pode ser de fundamental importância na resposta das estruturas, porém não é fator
predominante para os casos menos severos, em geral com explosivos químicos
(AUTORIDAD REGULATORIA NUCLEAR, 1998 apud CASAGRANDE, 2006).
Quando um material altamente explosivo condensado detona, apenas cerca
de 50% da sua energia produz o efeito de sopro, o restante fica na forma de radiação
térmica e outros tipos de radiação (SMITH e HETHERINGTON, 1994).
Os conceitos de ondas de choque e ondas de detonação são tratados juntos
já que a onda de detonação é realmente uma onda de choque que se inicia e propaga
através do material explosivo (PERSSON; HOLMBERG e LEE, 1994).
Vale ressaltar que o formato da carga tem influência direta no formato da
onda, como no caso de explosivos em linha cujo exemplo típico é o de cordas
detonantes, onde a expansão da onda de choque se dá de forma cilíndrica (BULSON,
1997).
Conforme já mencionado, o impulso por unidade de área é a área da fase
positiva da curva do gráfico mostrado anteriormente e é calculado por meio da
seguinte expressão:


td
I/A= pdt [2.3]
0

Geralmente a onda de choque de fontes não esféricas exibe um decaimento


menos rápido da pressão com a distância, como mostra o gráfico a seguir na Figura
2.9 (BULSON, 1997).

20
Cilíndrico
Esférico

Plano

Figura 2.9- Decaimentos diferentes da sobrepressão para formas diferentes de carga (Fonte:
BULSON, 1997).

Onde: pa é a pressão atmosférica, po é a sobrepressão, R é a distância do


explosivo (fonte) até o alvo e Ro é a dimensão característica do explosivo. Sendo que
para o cálculo de Ro têm-se a seguinte expressão:

R0 = [E / pa L(3-φ)]1/φ [2.4]

Sendo E o desprendimento instantâneo de energia (em Joules), L o


comprimento da fonte no caso em que L >> R e φ um coeficiente com valores
diferentes para cargas com diferentes formas (plana, cilíndrica e esférica).

O pico de sobrepressão próximo à explosão varia consideravelmente, como


mostra a Figura 2.10, o que seria de esperar, mas em todos os casos a diminuição
tem sido de 10 bars (1000kPa) a um raio de 100 ou 200 metros (BULSON, 1997).

21
Sobrepressão (bars)

= “Fuel-Air Explosive”
(explosivo ar-combustível)

Raio, metros
Figura 2.10- Sobrepressões e decaimentos para explosões de 1 quilotonelada (kt) para diferentes
tipos de explosivos (Fonte: BULSON, 1997)

Em resumo, este tipo de onda de explosão precisa que três características


sejam bem especificadas a fim de descrevê-las completamente. A primeira é a
intensidade do choque, como por exemplo, o pico de sobrepressão, bem como por
qualquer item relacionado à intensidade tal como o número de Mach ou a velocidade
da partícula. O segundo é a duração do fenômeno. A terceira é o impulso por unidade
de área (produto da força x tempo) na explosão (KINNEY e GRAHAM, 1985).

2.2.2 Reflexões das Ondas de Choque

Quando uma onda explosiva atinge um meio mais denso como a superfície
da Terra, seja solo ou água, ocorre então uma das mais complexas, e em muitos
aspectos, uma das mais intrigantes características da frente da onda de choque de um
explosivo que é o seu comportamento quando refletido (GLASSTONE e DOLAN,
1977; KINNEY e GRAHAM, 1985; BULSON, 1997).

22
Segundo Casagrande (2006):
“A incidência da onda de choque sobre corpos gera reflexões
que também devem ser consideradas, modificando a forma
como a pressão é aplicada em diferentes pontos de tal corpo.”

Quando a onda incidente primeiramente toca a superfície plana ela é refletida,


passando então a viajar através da atmosfera com uma velocidade maior do que a da
frente da onda de choque incidente. Quando elas se sobrepõem, o que é conhecido
como o ponto triplo mostrado nas Figuras 2.11 e 2.12, as frentes se fundem para
formar uma frente exterior única a se propagar para fora, conhecida como a haste de
Mach. Esse fenômeno só ocorre no ar (KINNEY e GRAHAM, 1985; BULSON, 1997).
Os efeitos da reflexão da onda de choque dependem tanto do seu ângulo de
incidência na superfície indeformável quanto da intensidade do choque (KINNEY e
GRAHAM, 1985).

Frente de choque incidente

Frente de choque
refletida

Carga
Ponto
Triplo Haste
de
Mach
Nível do terreno
Figura 2.11 - Reflexão de ondas de choque por explosões acima do solo (Fonte: BULSON, 1997).

Incidente
Refletida

Haste de
Mach

Oblíqua

Figura 2.12 - Detalhe da formação da Haste de Mach. (Fonte: SHEPHERD, 2009).

A maneira como esta reflexão se propaga no solo é caracterizada por outros


pequenos picos de sobrepressão, como pode ser visto na Figura 2.13 (SILVA, 2007).

23
Figura 2.13 - Curva de pressão vs. tempo mostrando segundo pico de pressão (Fonte: SILVA,
2007)

Com relação à ação destrutiva de uma explosão no ar, existem dois


importantes aspectos que precisam ser destacados. No primeiro, um simples aumento
de pressão é verificado na região Mach abaixo do ponto triplo quando comparadas
separadamente as ondas incidentes e refletidas na região de reflexão regular
(GLASSTONE e DOLAN, 1977).
No segundo, desde que a haste de Mach esteja praticamente na vertical à
onda de choque que a acompanha, seu deslocamento se faz na direção horizontal e
na superfície com os ventos transientes paralelos ao solo. Assim, na região Mach as
forças oriundas da explosão que atuam em estruturas e outros objetos acima do solo
estão direcionadas praticamente na horizontal, de tal maneira que as superfícies
verticais são mais intensamente carregadas do que as superfícies horizontais
(GLASSTONE e DOLAN, 1977).

2.3 EXPLOSÕES NO SOLO

A engenharia civil tem relacionado o solo sob explosão há algumas décadas


(HENRYCH, 1979 apud FISEROSOVÁ, 2006) para diversos fins, já que a energia
resultante de uma explosão é utilizada para construção de túneis, canais de grande
escala como o do Panamá, fundações de arranha-céus e até para tratamento por
explosão de solos moles (KINNEY e GRAHAM, 1985).
Explosões ocorrem acima, na superfície e abaixo do solo. Quando o
explosivo é detonado acima da superfície do solo é denominada explosão passiva,

24
quando o explosivo é acionado em contato com o solo a explosão é denominada ativa,
ambas são mostradas na Figura 2.14.

Ar Solo Solo Ar

Figura 2.14 - Carregamento de choque no solo de forma ativa e passiva (Adaptado de SEIPEL et al.,
2004)

No caso de instalações subterrâneas elas surgem de explosivos, falhas de


fábrica ou de foguetes externos / mísseis detonantes a grandes profundidades, e
também em áreas como mineração. Explosões nucleares também são adotadas para
encontrar recursos subterrâneos (BANGASH, 2009).
Quando uma carga explosiva detona em contacto com uma superfície menos
deformável (como o solo) e em perfeitas condições, a onda de choque no ar, em
teoria, tem uma frente de onda hemisférica como mostra a Figura 2.15, e não uma
frente de onda esférica como em uma explosão ao ar livre (BULSON, 1997).
Onda hemisférica

Local de detonação no solo

Posições diferentes da
Frente da onda
Figura 2.15 - Frente de onda hemisférica para explosões realizadas na superfície do solo (Fonte:
BULSON, 1997).

Com certeza o movimento de onda mais conhecido no mundo é o que ocorre


na água. É sabido que ao se atirar um objeto nesse meio, as ondas formadas irão se
propagar simetricamente para além da sua origem e cada vez perturbando uma
quantidade menor desse elemento, ou seja, o movimento das ondas é amortecido. As

25
ondas que podem ser observadas representam a transmissão de energia de um ponto
ao outro da água (PERSSON, HOLMBERG e LEE, 1994).
A principal diferença entre as ondas na água e as da vibração no solo
(sísmicas), é que enquanto as primeiras são ondas de gravidade onde a força motriz é
a própria gravidade, as ondas no solo são ondas elásticas de tensão onde a força
motriz é a própria tensão elástica estabelecida por deformações do material em
questão, nesse caso o solo, conforme mostra a Figura (2.16). Daí essas ondas serem
às vezes chamadas de ondas de deformação (PERSSON; HOLMBERG; LEE, 1994;
FERREIRA, 2002; BANGASH, 2009).

Figura 2.16 - Explosão na superfície do solo com Alto Explosivo equivalente a 5000 t de TNT.
(Fonte: ADUSHKIN e KHRISTOFOROV, 2004).

Quando a onda de choque passa, o corte inicial é proporcionado pela


velocidade do gás imediatamente acima da superfície, que é a velocidade do ar na
frente de choque. Quando o ar troca momentum com as partículas atrás da frente de
choque, estas partículas são aceleradas pelo arraste e a quantidade de movimento do
ar é reduzida. A redução da velocidade causada pela conservação do momento é a
nova velocidade cisalhante e menos poeira é expelida conforme a onda de choque
avança. Além disso, a velocidade está sendo reduzida pelo decaimento da onda
explosiva atrás da frente de choque. Quanto maior a quantidade de poeira que
inicialmente é arrastada, menor será a velocidade e menor será o pó que continuará a
ser arrastado. Assim, estabelece-se que os modelos baseados em momentum são
auto-limitantes (NEEDHAM, 2010).
Há dois mecanismos principais que foram identificados no arraste das
partículas para cima, impulsionadas e transportadas pelo fluxo de uma onda de
choque. O primeiro, e provavelmente o mais importante, é o movimento para cima
induzido pela velocidade de cisalhamento do fluxo de gás próximo à superfície. O
segundo é a compressão do gás nas partículas dentro da camada do solo, durante a

26
fase positiva da onda de choque, impulsionando para baixo e logo após, e a
aceleração súbita para cima das partículas por este gás comprimido, durante a fase
negativa da onda de choque (NEEDHAM, 2010).
No primeiro caso, o movimento para cima das partículas pode estar
intimamente ligado à absorção da velocidade de cisalhamento na superfície. A massa
de poeira impulsionada para o campo de fluxo é proporcional à velocidade de
cisalhamento turbulento. Outro modelo que proporciona resultados muito semelhantes
quando uma camada limite não está definida é injetar uma massa de partículas
proporcional ao movimento do gás no ar acima da superfície. Qualquer um desses
modelos é auto-limitante (NEEDHAM, 2010).

2.3.1 - Ondas de Tensão ou “Stress Waves”

As ondas de tensão representam a base do fenômeno de explosão no meio


em que ocorre, quer seja este: sólido, líquido ou gasoso. Elas são definidas como as
peças móveis do meio de cujas características dependem os efeitos de uma explosão
no solo em questão, ou seja, se são: rochas rígidas ou brandas, solos coesivos, solos
com baixa coesividade ou não coesivos. Ao longo do caminho percorrido a
transmissão é feita diretamente para qualquer ponto em uma linha reta desde a origem
ao ponto em questão (BANGASH, 2009).
As pressões de choque compressionais e unidimensionais muito altas
produzem a deformação plástica no solo, que acompanha a onda. A amplitude do
choque que se propaga para fora da fonte, decai muito rápido e logo atinge o limite de
deformação elasto-plástico na compressão unidimensional, conhecido como limite
elástico Hugoniot (HEL – Hugoniot Elastic Limit). A partir de então a deformação é
puramente elástica. Estas ondas de compressão são chamadas de ondas de tensão –
“stress waves” - que se propagam com a velocidade do som (PERSSON; HOLMBERG
e LEE, 1994).
Apesar de um dispositivo nuclear detonado acima do solo poder gerar níveis
significativos de choque no solo, a explosão aérea realizada por alto explosivos
(material com alta capacidade explosiva - um tipo de explosivo químico) causa
somente níveis fracos de impacto / choque no solo que são atenuados rapidamente
com a distância (SMITH e HETHERINGTON, 1994).

27
A mesma arma detonante atuando na superfície do solo vai gerar tensões,
que serão consideravelmente reforçadas devido ao maior grau de acoplamento entre a
explosão e a terra. A capacidade de destruição de um explosivo decorre do fato de o
quanto abaixo do solo a detonação será feita, tendo um efeito muito maior quando não
existem vazios no meio ao seu redor, resultando em um nível de acoplamento elevado
(SMITH e HETHERINGTON, 1994; BANGASH, 2009).
A magnitude do evento é caracterizada pela produção da explosão, que é
ajustada por um fator de acoplamento equivalente ao efeito da energia produzida para
representar a intensidade do choque que ocorrerá sobre os parâmetros do solo
(SMITH e HETHERINGTON, 1994; BANGASH, 2009).
Esse efeito de acoplamento é definido como a razão entre a magnitude do
choque no solo de uma arma parcialmente enterrada ou muito próxima à superfície e a
magnitude da energia liberada por uma arma totalmente enterrada (detonação contida)
no mesmo meio, ou seja, totalmente acoplada. Não indica o tamanho da carga, mas
um fator de redução para uma explosão contida (BANGASH, 2009).
Para prever e predizer o que acontecerá a certa distância da origem da
explosão no solo, é fundamental o conhecimento dos tipos de ondas que são geradas,
como é a sua propagação e como o local em questão é afetado (PERSSON;
HOLMBERG e LEE, 1994).
Todos os eventos explosivos próximos ou sob a superfície do solo irão gerar
dois tipos de ondas relacionadas ao local de ocorrência das mesmas: as ondas de
superfície e as ondas internas que também podem ser chamadas de ondas de massa,
termo que será adotado no presente trabalho. E com relação às suas direções, estas
ondas de tensão são divididas em: normais e tangenciais (SMITH e HETHERINGTON,
1994; BANGASH, 2009).
A componente isotrópica do pulso de tensão transiente provoca a
compressão e dilatação ou rarefação do solo ou rocha com movimento paralelo das
partículas para a direção de propagação da onda. Por isso, podem ser chamadas de:
ondas de pressão e ondas de tração / rarefação (Figura 2.17) (SMITH e
HETHERINGTON, 1994; BANGASH, 2009).
As ondas normais são conhecidas como ondas de compressão ou onda 'P'
(onda de massa primária que se desloca na direção longitudinal de propagação) que
são as mais velozes de todas as ondas sísmicas (SMITH e HETHERINGTON, 1994).

28
Compressões

Meio em Repouso

Dilatações

Figura 2.17 - Trajetória da onda primária ou ‘P’. (Adaptado de ELNASHAI e SARNO, 2008).

A componente desviatória do pulso de tensão, ou seja, as ondas tangenciais


provocam a distorção, ou o cisalhamento do solo com a velocidade das partículas
imediatamente inferior à das ondas normais e na direção perpendicular ao da
propagação das ondas. Estas são conhecidas como ondas de cisalhamento ou ondas
'S' (onda de massa secundária que se desloca na direção tangencial de propagação)
(SMITH e HETHERINGTON, 1994; FERREIRA, 2002).
Meio em Repouso

Amplitude dupla
Comprimento de
Onda
Figura 2.18 - Trajetória da Onda Secundária ou ‘S’. (Adaptado de ELNASHAI e SARNO, 2008).
Estas ondas transversais só ocorrem em materiais que possuam a
propriedade de resistência ao cisalhamento (shear strength). As ondas ‘S’ não se
propagam, por exemplo, em líquidos nem em gases, uma vez que estes meios não
possuem tal propriedade e podem ser geradas pela conversão de ondas ‘P’ onde há
mudança de meio (FERREIRA, 2002).
No meio geológico, superfície é a interface de camadas individuais / meios
diferentes entre rocha e solo, entre solos com características elásticas muito diferentes
ou entre ar e solo / rocha. Essa última interface é conhecida como superfície livre.
Dependendo da interface, surgem diferentes tipos de ondas de superfície que são
classificadas de acordo com a sua forma e o sentido de suas trajetórias, seguidas por
movimentos no meio em que estão e também se atenuam rapidamente conforme se
afastam da sua superfície e são mais lentas do que as ondas de massa (PERSSON;
HOLMBERG e LEE, 1994; FERREIRA, 2002; BANGASH, 2009).

São classificadas em (FERREIRA, 2002; BANGASH, 2009):

29
(1) Onda de Rayleigh (onda R). Um ponto na sua trajetória move-se para trás, para
frente, para baixo e para cima repetitiva e elipticamente. No plano vertical de
propagação (que contém o raio da onda) os semi-eixos da elipse diminuem
rapidamente com a profundidade. Os movimentos de uma onda Rayleigh são como os
das ondas dos oceanos;

Meio em Repouso

Figura 2.19 - Ondas de superfície Rayleigh (Adaptado de ELNASHAI e SARNO, 2008).

(2) Onda Love (onda Q). Estas ondas desenvolvem um movimento espacial em um
meio e suas componentes são paralelas e normais aos planos de propagação
ocorrendo ao longo das superfícies que limitam meios estratificados, e são na maioria
das vezes mais rápidas do que as ondas de Rayleigh;

Meio em Repouso

Figura 2.20 - Onda de superfície Love (Adaptado de ELNASHAI e SARNO, 2008).

Resumidamente, os tipos de onda existentes decorrentes da detonação de


um explosivo estão esquematizados na Figura 2.21.

30
Ondas de Choque
no Solo
Ondas de Massa Ondas de
Superfície

Ondas Primárias Ondas secundárias Ondas Rayleigh Ondas Love


(compressão e (cisalhamento)
tração / rarefação)

Dominantes em explosões enterradas Dominantes em explosões superficiais


em curtas profundidades ou enterradas em grandes profundidades

Figura 2.21 – Hierarquia e tipos de ondas de choque no solo, (Adaptado de SMITH e


HETHERINGTON, 1994).

As velocidades de propagação das ondas de superfície bem como das de


massa dependem principalmente da densidade e da rigidez do solo. As ondas R e S,
ambas dotadas com os movimentos de distorção no solo ao longo da sua trajetória,
apresentam aproximadamente a mesma velocidade. As velocidades sísmicas variam
desde valores inferiores a 200 m/s para areia solta e seca a valores superiores a 1500
m/s para as argilas saturadas, ou seja, a velocidade da onda é função das
propriedades elásticas do material (PERSSON; HOLMBERG e LEE, 1994; SMITH e
HETHERINGTON, 1994).
Cabe ressaltar que tanto as ondas de massa quanto as ondas de superfície
são ondas de vibração mecânica (elástica) e, portanto, precisam de um meio material
para transferir sua energia de um ponto ao outro do meio no qual ocorrem, ao
contrário das ondas eletromagnéticas que se propagam mesmo no vácuo (FERREIRA,
2002).
A energia e a amplitude das ondas diminuem com a distância a partir da sua
origem, por duas razões (Figura 2.22): em primeiro lugar, devido ao efeito geométrico,
a energia do pulso transiente se distribui sobre uma área de superfície que aumenta à
medida que a frente de onda esférica se afasta do local da explosão; em segundo
lugar, a energia é dissipada como trabalho de deformação plástica da matriz do solo
(SMITH e HETHERINGTON, 1994).

31
A alta velocidade sísmica normalmente implica em uma baixa histerese 4 e,
portanto, também em uma pequena atenuação histerética com distância (SMITH e
HETHERINGTON, 1994).

Carregamento
Energia dissipada

Descarregamento

Figura 2.22 - Causas da atenuação: à esquerda o efeito geométrico e à direita o efeito histerético.
(Adaptado de SMITH e HETHERINGTON, 1994).

A amplitude das ondas de massa que emanam a partir de um evento


explosivo é quase que inversamente proporcional à distância do evento. A amplitude
das ondas de superfície, no entanto, é inversamente proporcional à raiz quadrada da
distância. Com isso, as ondas de massa são atenuadas mais rapidamente do que as
ondas de superfície, ocasionando uma predominância das ondas de superfície a longa
distância (SMITH e HETHERINGTON, 1994).
A área de incidência das ondas é altamente deformada, sendo que o seu
tamanho, bem como, as perturbações de um modo geral, mudam conforme a distância
do centro da fonte aumenta (BANGASH, 2009).
Em locais próximos à detonação, a condição supersísmica – com velocidades
superiores à do som – prevalece em um primeiro momento sendo a responsável pela
movimentação do solo devido à onda de choque do ar. Em distâncias maiores esse
choque enfraquece e a sua velocidade decresce expressivamente, mas o choque no
solo que é a mesma da velocidade sísmica não decresce tanto. Assim, a frente de
choque avança movimentando-se mais rápido do que no ar, e torna-se o fator
dominante no movimento do solo (GLASSTONE e DOLAN, 1977).
Em profundidades maiores em relação ao nível do terreno, o efeito do choque
aéreo desaparece ou é tão fraco que se funde com o choque direto no solo sem ter
qualquer influência no movimento do solo. Esse fenômeno é fortemente influenciado
pelas velocidades sísmicas no solo até profundidades consideráveis (GLASSTONE e
DOLAN, 1977).

4
Quando um material é submetido a um carregamento sofrendo deformações plásticas, quando retira-se o
carregamento o material não volta à sua condição inicial permanecendo uma deformação residual. A esse fenômeno
denomina-se histerese mecânica.
(Fonte:<http://www.dfq.pucminas.br/apostilas/eng_fis2_civil/fis2p7_Histerese%20Mec%C3%A2nica.htm> acessado em:
20/08/2012)

32
Três fatores contribuem para a dimensão do impacto a se realizar no solo: a
quantidade de explosivo utilizado, a sua distribuição na massa de solo e a estrutura do
próprio solo (PERSSON; HOLMBERG e LEE, 1994).
O ângulo do cone da frente de choque, determinado pela intensidade das
velocidades de choque e de detonação, diminuirá com o aumento do raio por conta do
decaimento gradual da frente de pressão (PERSSON; HOLMBERG e LEE, 1994).
O conhecimento das propriedades do solo e da atenuação com a distância
permitirá uma estimativa a ser feita de x (deslocamento de pico da partícula) e u
(velocidade de pico da partícula) do alvo. Estes estão diretamente relacionados aos
parâmetros de carregamento ps (lado do pico da sobrepressão) e is (impulso específico
relacionado à sobrepressão), que podem então serem usados para determinar a
resposta do alvo da mesma maneira como para carregamento aéreo da explosão
(SMITH e HETHERINGTON, 1994).
Assim, tem-se as seguintes relações (SMITH e HETHERINGTON, 1994):

ps = ρcpu [2.5]

(ρ é densidade do meio e cp é a velocidade sísmica da onda primária)

is = ρcpx [2.6]

A seguir são mostradas nas Figuras 2.23, 2.24 e 2.25 exemplos das
perturbações ocorridas no solo em função da distância da fonte da sua ocorrência.
Profundidade, metros

Distância, metros

Figura 2.23 – Simulação numérica da atenuação da pressão no solo a partir da fonte explosiva.
(Fonte: ORPHAL, 2006).

33
Aceleração (g)

Distância (m)
Figura 2.24 - Atenuação das acelerações verticais e horizontais com a distância medidos em testes
experimentais. (Fonte: WU, HAO et al., 1998).
Pressão (MPa)
Pressão (MPa)

Pressão (MPa)

Tempo (s)
Tempo (s) Tempo (s)
(a): Pressão em R=0,9 m (b): Pressão em R=1,25 m (c): Pressão em R=1,7 m
Pressão (MPa)

Pressão (MPa)

Pressão (MPa)

Tempo (s) Tempo (s) Tempo (s)

(d): Pressão em R=2,2 m (e): Pressão em R=2,7 m (f): Pressão em R=3,2 m


Pressão (MPa)

Tempo (s)

(g): Pressão em R=3,75 m


Figura 2.25- Variação da pressão da explosão com o tempo a um determinado raio da fonte,
obtidas por modelagem numérica. (Fonte: NAGY, MOHAMED e BOOT, 2010).

O impulso que é gerado pela detonação de uma carga local contendo alto
explosivo situado sobre ou muito perto da superfície do solo, gera também a

34
propagação de uma onda de choque através do ar. Este impulso, que é influenciado
pelo tamanho e pela forma da carga, conforme visto antes, produz um efeito
devastador, ou um 'brisance' 5 (BULSON, 1997).
Por conta do fluxo de material que acompanha a onda de choque se realizar
no sentido de dentro para fora, a tensão tangencial diminuirá mais rapidamente do que
as tensões radial e axial, causando finalmente o aparecimento de rachaduras radiais.
Até este momento o material entre o explosivo e a frente de choque é comprimido e se
deforma elasticamente ou plasticamente dependendo da pressão e da resistência do
solo ou rocha (PERSSON; HOLMBERG e LEE, 1994).
Devido à intensidade dos efeitos com as várias ondas, as reflexões e
rarefações, oriundas da pressão exercida pelos gases liberados imediatamente após a
detonação dos explosivos, o solo adjacente à carga de superfície (região super-
sísmica) torna-se esmagado e, eventualmente, pode mudar para o estado líquido
(liquefação) (UFC 3-340-02, 2008; BANGASH, 2009).
A região é altamente deformada. Devido às tensões de tração elevadas,
fendas / fissuras são desenvolvidas a partir da fonte, o solo fragilizado fica cercado por
uma espécie de câmara de três regiões na ordem: região de esmagamento (material
expelido e que volta / "fallback”), região de ruptura e região elástica (Figura 2.26).
Várias ondas como as de reflexão e rarefação ocorrem conforme descritas
anteriormente (BANGASH, 2009).

5
Brisance é a capacidade destrutiva de uma carga na sua vizinhança imediata. A performance de um explosivo não
pode ser expressa por meio de uma simples característica de um parâmetro. Os parâmetros relevantes são a taxa de
detonação, a densidade de carregamento (grau de compactação) do explosivo, a quantidade de gás produzido e do
calor da explosão. Kast introduziu o conceito de "valor brisance", que é o produto da densidade de carga, a energia
específica e taxa de detonação (MEYER, KOHLER e HAMBURG, 2007).

35
rt

ejecta ra

cratera nível
aparente zero
Nível original do solo

solo levantado carga da


DOB
dt

material expelido e que volta /


fallback
região elástica cratera
região de ruptura

região plastificada

Figura
2.26 - Representação da metade de uma cratera, onde: DOB = Profundidade da carga; ra = raio
aparente; rt = raio verdadeiro; da = profundidade aparente; dt = profundidade verdadeira. (Adaptado
de BANGASH, 2009)

A título de ilustração, a Figura 2.27 mostra o que acontece em uma rocha


submetida a detonações com pesos de cargas e em profundidades diferentes.

superfície livre
Profundidade de
explosão B

rachaduras radiais

(a)
orifício de detonação

rachaduras transversais rachaduras radiais


“spall cracks”

b)

rachaduras transversais
B

“spall cracks”
c) rachaduras radiais

Figura 2.27 - Padrões de rachaduras em diferentes profundidades. (a) carga grande; (b) carga
intermediária; (c) carga pequena. (Adaptado de BANGASH, 2009)

36
O perfil de onda depende: do tipo de solo, do tempo e da distância da fonte.
Acredita-se que a uma distância de 100-120 Rw (o raio da carga), o peso W da carga
siga a seguinte relação (BANGASH, 2009):

4
W= ρwRw3 [2.7]
3

Onde ρw é a densidade da carga. A região de esmagamento geralmente se


extende por 2 a 3 Rw enquanto que a região fissurada se encontra entre 5-6 Rw
(BANGASH, 2009).
Segundo Smith e Hetterington (1994), o pico de pressão P0 em N / m² gerado
num ambiente dito campo livre é dado por:

P0= ρ.C.u [2.8]

onde ρ é a densidade do solo em kg/m³; C é a velocidade da onda de carregamento e


u é a velocidade de pico da partícula dada por:

−n
 2,52R 
u = 48,8fc   [2.9]
 W 
1/ 2

onde fc é o fator de acoplamento; R é a distância, W é a massa da carga em kg e n é


um coeficiente de atenuação adimensional.
A velocidade de carregamento da onda C depende tanto da velocidade
sísmica quanto da velocidade de pico das partículas. A curta distância, C é alto devido
aos valores elevados de velocidade da partícula, mas o seu valor decai para a
velocidade sísmica c com o aumento da distância. O valor adotado de C nunca deve
ser menor do que c (SMITH e HETHERINGTON, 1994).

E
c= [2.10]
ρ

Onde a velocidade da onda elástica / sísmica é a raiz quadrada da taxa entre


o módulo de elasticidade (E) e a densidade do meio (ρ).

37
Na região elástica, a velocidade de propagação da onda, tanto de massa
quanto de superfície, é determinada unicamente pelas propriedades elásticas do
material, ao passo que a velocidade da partícula é proporcional à intensidade de
tensão da onda. Para ondas plásticas, a velocidade de propagação é indiretamente
afetada pelo nível de tensão, uma vez que é proporcional à raiz quadrada da
inclinação da curva tensão-deformação (PERSSON; HOLMBERG e LEE, 1994;
SMITH e HETHERINGTON, 1994).
De acordo com Kumar et al. (2010) o Manual Técnico do Exército dos
Estados Unidos - TM-5-855-1 - fornece a seguinte expressão empírica para se calcular
a pressão causada no solo por explosão em campo aberto:

P (R,t) = ps [exp-t/ta] [2.11]

−n
 R 
ps = f β ρc
W 
1/ 2
[2.12]

onde:

P = pressão no ponto de interesse (Pa)

ps = pico de sobrepressão (Pa)

β = geralmente usado como 0,47

ρc = impedância acústica do solo (kgf / m².s = Rayleigh (Rayl))

n = coeficiente de atenuação geralmente usado como 2,75

R = distância do centro de detonação (m)

W = carga de TNT em peso (kg)

t = tempo medido a partir da chegada da onda de pressão (s)

ta = R / c é tempo de chegada da onda de pressão (s)

c = velocidade sísmica do solo (m/s)

f = fator de acoplamento da energia do explosivo → considerado igual a 1,7.

38
2.3.2 – Reflexão das ondas de choque no solo

Quando as ondas de tensão se propagam para um novo meio com uma nova
impedância – resistência à passagem da onda - uma fração da energia será refletida e
a outra será transmitida, Figura 2.28. Este é o caso quando uma carga é detonada em
uma perfuração feita no solo dentro de uma cápsula de ferro e a onda de choque
passa para o meio o qual está inserida (PERSSON; HOLMBERG e LEE, 1994).

Figura 2.28 - Reflexão e transmissão das ondas de tensão em meios diferentes (Fonte: SMITH e
HETHERINGTON, 1994)

Estes fenômenos são importantes para a reflexão das ondas de choque sobre
as superfícies, pois, cada uma delas possui uma aspereza que pode ser aglomerações
de vegetação ou cascalhos grandes no mesmo local que também contém alguns
quilos de explosivo. No caso de uma explosão nuclear sobre uma cidade, por
exemplo, os elementos de rugosidade corresponderiam aos edifícios com suas ruas e
becos interligados. Cunhas ásperas também têm sido utilizadas para se examinar os
efeitos da rugosidade no crescimento da haste de Mach, assim como, da geometria
das ondas atrás da mesma (NEEDHAM, 2010).
Os efeitos da borda de uma camada podem ser examinados, começando com
uma superfície muito áspera e diminuindo-se a sua rugosidade em passos até a
condição muito fina e extrapolando-a para uma superfície lisa. Superfícies ásperas
regulares já foram utilizadas para se visualizar o percurso das ondas, no fluxo atrás da
passagem da frente de choque. Isto foi feito para ajudar a compreender a forma pela
qual os impulsos refletidos colidem com o choque incidente durante a reflexão de
Mach (NEEDHAM, 2010).

39
Para tal verificação, Ben-Dor et al. (1987) (apud NEEDHAM, 2010) utilizaram
elementos triangulares para representar a rugosidade na superfície plana refletora.
Cada elemento tinha uma base de duas vezes maior do que a sua altura. A alturas das
rugosidades variaram entre menos do que 0,1 até 2 mm. Reichenbach (1985) (apud
NEEDHAM, 2010) utilizou um material composto por elementos cúbicos de seção
transversal retangular e superfície rugosa (Figura 2.29). Os elementos retangulares
variaram de 0,5 a 5 mm de altura (NEEDHAM, 2010).

Figura 2.29 - Teste experimental para a observação do comportamento da reflexão de Mach sobre
uma superfície plana e áspera realizado por Reichenbach (1985) (Fonte: NEEDHAM, 2010).

Em ambos os casos, materiais lisos foram utilizados para comparação. Os


experimentos forneceram informações úteis para quantificar a maioria dos efeitos
esperados. Uma conclusão que se obteve a partir dessas experiências foi de que os
resultados dos programas CFD (computational fluid dynamic) foram muito satisfatórios,
pois mostraram que os elementos de baixa rugosidade apresentaram uma intensidade
de reflexão e geometria do choque próximo dos resultados dos materiais lisos. Vários
desses experimentos foram adequadamente simulados por esses programas
(NEEDHAM, 2010).
Na ocorrência da detonação, as reflexões de choque a partir da superfície do
solo ou a partir de camadas, tais como um lençol freático ou uma camada de rocha,
podem combinar-se com as ondas de tensão transmitidas diretamente e causar uma
mudança significativa na intensidade e / ou no tempo t de carregamento do meio.
Reflexões a partir da superfície do solo irão produzir ondas de tensão que podem
combinar-se com a onda incidente e com isso reduzir a carga de pico do impulso
sobre a parte superior de uma estrutura próxima à explosão, por exemplo (BANGASH,
2009).

40
Reflexões em camadas abaixo do explosivo irão produzir ondas de
compressão secundárias, que podem combinar-se com a tensão incidente e aumentar
consideravelmente o carregamento total nas seções inferiores da estrutura, Figura
2.30 (BANGASH, 2009 - 004 pag. 67).
Com métodos computacionais modernos e equações de estado de gases
reais, a definição do comportamento e da evolução desses fluxos complexos agora é
competitiva com as melhores técnicas experimentais e fotográficas. Estudos destes
campos de fluxo são melhor abordados utilizando-se uma combinação de técnicas
experimentais e computacionais (NEEDHAM, 2010).
Imagem para a fonte
da explosão

d
superfície de reflexão

t
ts
d=prof. de explosão Pd
Rs Ps
t P
espessura
da h caminho direto ta
camada R caminho da reflexão Pl ta - ts
h-d Rl t
t

Nível d’água ou
0 camada de rocha
h-d 0

Imagem para o
caminho da reflexão
Figura 2.30 - Ondas refletidas a partir da superfície e de outra camada no interior do solo
(Adaptado de BANGASH, 2009).
Onde:

R = distância percorrida pela onda diretamente transmitida a partir da fonte;


t = tempo para a onda diretamente transmitida a partir da fonte atingir o alvo;
Pd = pressão da onda diretamente transmitida a partir da fonte atingir o alvo;
Rs = distância percorrida pela onda refletida a partir da superfície;
ts = tempo para a onda refletida a partir da superfície atingir o alvo;
Pr = pressão da onda refletida a partir da superfície ao atingir o alvo;
Rl = distância percorrida pela onda refletida pela camada inferior de solo;
tl = tempo para a onda refletida pela camada inferior de solo atingir o alvo;
Pl = pressão da onda refletida pela camada inferior de solo ao atingir o alvo e
ta = tempo para atingir o pico de sobrepressão.

41
Manter o controle do desenvolvimento do padrão da onda de tensão que se
move rapidamente dentro de um meio de várias camadas torna-se extremamente
difícil. Porém, o nível de tensão em um determinado ponto e tempo pode ser
determinado pela soma dos efeitos associados de todas as frentes de onda que
passaram pelo ponto em questão, desde t = 0, como mostrado na Figura 2.31 (SMITH
e HETHERINGTON, 1994).
Tempo
Aço Alumínio

Posição

Compressão
Tração
Figura 2.31 - Gráfico posição x tempo em dois meios diferentes com os respectivos valores das
tensões e velocidade da partícula (valores circundados) (Adaptado de: SMITH e HETHERINGTON,
1994).

O exemplo acima se valeu de dois meios diferentes (que não é um solo mas
que serve para efeitos de comparação), para determinar o estado no qual se encontra
o ponto Z situado a 50 mm abaixo da superfície da chapa de aço em 100 µs após o
início da detonação, o nível de tensão é dada por (somando-se os valores
verticalmente para cima a partir de t= 0) (SMITH e HETHERINGTON, 1994):

σz = 110 - 110 - 50 + 50 + 50 = 50 Nmm-2 (compressão)

e a velocidade da partícula é (SMITH e HETHERINGTON, 1994):

Vz = 2.75 - 2.75 + 1.25 - 1.25 + 1.25 = 1.25 ms-1 (da esquerda para a direita)

2.3.3 - Ondas Plásticas ou “Plastic Waves”


Esses incrementos de tensões transientes Δσ na região plástica (Figura 2.31),
irão influenciar a velocidade de propagação das ondas de tensão que passará a se dar

42
em função de outros parâmetros, ou seja, diferenciando-se do cálculo para as ondas
de tensão elástica como na equação abaixo (SMITH e HETHERINGTON, 1994):

s
c= [2.13]
ρ

Onde S é a inclinação da curva tensão-deformação naquele nível de tensão


como mostrado na Figura 2.32, e a conclusão que se obtém a partir disto é que as
ondas de tensão plástica são mais lentas do que as ondas de tensão elástica (SMITH
e HETHERINGTON, 1994).

Figura 2.32 - Curva tensão-deformação para materiais elasto-plásticos (Fonte: SMITH e


HETHERINGTON, 1994).

Testes realizados com a passagem da onda de choque por uma barra com
densidade de 8000 kgm-3 (Figura 2.33) mostraram que quanto mais afastado o
observador estiver da fonte da onda, maior será o retardo entre a chegada das
componentes elásticas e plásticas do pulso. Em outras palavras, a forma do pulso vai
se modificando à medida que se desloca ao longo da barra. Em outro material menos
denso, isto tornou-se ainda mais evidente (SMITH e HETHERINGTON, 1994).

Figura 2.33 - Esquema da barra para testes mostrando o local de entrada da onda bem como dos
pontos de medição (Fonte: SMITH e HETHERINGTON, 1994).

43
Cada incremento de tensão nos pontos plastificados trafega com uma
velocidade diferente (Figura 2.34), ficando claro que quanto maiores são os
incrementos de tensão, maiores são as quantidades de retardos que as ondas de
tensão sofrem, conforme se afastam da fonte (SMITH e HETHERINGTON, 1994).

Figura 2.34 - Em relação à Figura 2.33 anterior (a) variação da tensão com o tempo no ponto A; (b)
variação da tensão com o tempo no ponto B (Fonte: SMITH e HETHERINGTON, 1994).

Embora as ondas de choque transmitidas através do solo possam ser


extremamente complicadas e distorcidas por conta das heterogeneidades geológicas,
certas regularidades tendem a ser encontradas durante a ocorrência desse fenômeno.
A pressão vinda do choque no ar, por exemplo, quase sempre resulta em um simples
movimento de descida, seguido por um movimento de subida mais lento e menos
intenso. Em alguns solos residuais a compressão permanente advinda da onda de
choque aérea é mensurável e significativa (GLASSTONE e DOLAN, 1977).
Por conta da similaridade na densidade do meio através do qual a onda de
choque trafega no solo e na estrutura enterrada, as suas respostas ao choque são as
mesmas. Ou seja, a velocidade, aceleração e o deslocamento da estrutura
subterrânea causado pela onda de choque é mormente determinado pela quantidade
de solo mobilizada (GLASSTONE e DOLAN, 1977).
Vale destacar que, do ponto de vista geotécnico, o principal efeito das altas
solicitações de carga impostas no solo é a possibilidade de ocorrer literalmente a
quebra individual dos grãos ou dos grumos do solo modificando-o
granulometricamente (OLIVEIRA FILHO, 1987). Sendo assim, deduz-se que para os

44
níveis de tensão gerados no solo por uma detonação, tal fato não seja muito difícil de
ocorrer, pelo menos, nas imediações da fonte, tornando-o mais compacto e, por
conseguinte com características mais próximas de um material contínuo.

2.3.4 - INFLUÊNCIA DAS PROPRIEDADES DOS SOLOS

O fenômeno explosivo de maior interesse para a presente pesquisa é o da


detonação próximo à superfície do solo (condição intermediária entre as Figuras 2.14
(a) e (b)). Neste caso é também relevante o impacto da explosão no ar sobre as
partículas de solo nas proximidades da superfície, que são mobilizadas e
transportadas pelo fluxo dos gases sob o efeito das ondas de choque que se
propagam no ar (nuvens de poeira visíveis nas fotografias das explosões mostradas
nas Figuras 2.3 e 2.8).
Um fator que tem relevância na passagem de um fluxo é a rugosidade da
superfície sobre a qual ele está passando. Mesmo superfícies muito polidas são
ásperas em comparação com as distâncias que separam as moléculas de um gás,
cuja distância intermolecular é de aproximadamente 2 x 10-7 cm ao nível do mar
(NEEDHAM, 2010).
Um método comum para descrever a rugosidade de uma superfície é
caracterizá-la em termos da rugosidade de uma lixa - como as utilizadas na
construção civil. Isto é conseguido através da especificação do número da lixa, ou
mais precisamente, através da especificação do tamanho e espaçamento dos
elementos hemisféricos que compõem a lixa. Para espaçamento zero, a superfície é
coberta por um número infinito de elementos responsáveis pela rugosidade e a
posição da superfície é simplesmente alterada por meio da altura dos elementos. No
caso do afastamento infinito, não existem elementos conferindo rugosidade então a
superfície é lisa. O maior efeito da rugosidade ocorre quando o espaçamento entre os
elementos é igual a duas vezes as suas alturas, nesse caso, os elementos
hemisféricos estão apenas se tocando na superfície. É necessário ter cuidado ao
especificar o tamanho e espaçamento de tal representação, pois, para um dado
tamanho de elemento hemisférico, o espaçamento pode variar de zero até infinito
(NEEDHAM, 2010).

45
Pode-se associar este modelo de rugosidade à superfície do solo
relacionando a “altura” dos elementos hemisféricos ao tamanho dos grãos de solo, e o
“espaçamento” como uma função da distribuição granulométrica.
No processo de explosão, as partículas recebem momentum, energia cinética
e trocam energia térmica com os gases no fluxo, tanto em termos de aquecimento
quanto no resfriamento das partículas. Estas por sua vez, que podem ser arrastadas
pelo fluxo, têm uma densidade da ordem de 1-3 g/cm3, enquanto os gases têm uma
densidade de 1-2 x 10-3 g/cm3. É preciso um volume muito pequeno de partículas para
ter a mesma massa do gás que as arrastam. Se tomarmos uma partícula de poeira
com um diâmetro de 100 µm, 100 dessas partículas terão uma massa de 10% da
massa de ar em um volume de 1 cm3 (NEEDHAM, 2010).
Quando as partículas são pequenas, a distância necessária para acelerá-las
a 99% da velocidade de fluxo é pequena durante a fase positiva da onda de choque
podendo ser admitido que elas estejam em equilíbrio com a velocidade do fluxo. Para
essas partículas, em razão da superfície específica e volume serem grandes, a
permuta de calor se faz rapidamente com o gás. Assim, a transferência de calor
também é muito rápida podendo ser admitido que elas também estejam em equilíbrio
com a temperatura do gás (NEEDHAM, 2010).
Quando as partículas são suficientemente grandes, elas terão uma
velocidade diferente da do gás. Este é um exemplo de fluxo de duas fases. As
partículas serão aceleradas pelo arrasto do fluxo e ainda trocam momentum e energia
cinética com os gases. As partículas têm tamanhos e massas diferentes, sendo assim,
cada partícula terá, em geral, uma velocidade e um histórico de aceleração diferente
das outras partículas (NEEDHAM, 2010).
Além disso, cada partícula tem uma temperatura diferente, porque a taxa de
aquecimento é dependente da sua superfície em relação ao seu volume bem como do
histórico de temperatura a que foi exposta. Os métodos numéricos que tentam
representar partículas sólidas de diferentes tamanhos, em fluxo de duas fases através
da criação de uns poucos domínios artificiais de partículas com a mesma velocidade e
temperatura, falham em partes importantes da física desse tipo de fluxo (NEEDHAM,
2010).
As partículas maciças experimentam uma força de arrasto que é proporcional
à pressão dinâmica provocada pela velocidade relativa entre a partícula e o fluido. A
aceleração da partícula é dada por: a = F / m. A força de arrasto é proporcional à área
da seção transversal da partícula e à pressão dinâmica provocada pelo movimento

46
relativo do gás e das partículas, com proporcionalidade constante definida como
coeficiente de arrasto, Cd (NEEDHAM, 2010).
Já a aceleração da pressão do choque é uma função do tamanho da
partícula, porque o tempo durante o qual a força de pressão atua é uma função do
tamanho das partículas. Quanto maior a partícula, maior será o tempo para um dado
choque envolvê-la e maior será a ação das forças de aceleração do choque
(NEEDHAM, 2010).
Além da granulometria, a resistência ao cisalhamento deve ser um fator
importante, relacionando-se à maior facilidade ou dificuldade de separação das
partículas do conjunto inicial pelo esforço de arraste dos gases junto à superfície.
Sabe-se que na erosão eólica, de magnitude muito inferior, a presença de coesão
dificulta o processo erosivo. Na explosão, pode-se esperar que a magnitude do evento
supere facilmente as forças coesivas características dos solos, mas ainda assim solos
não coesivos devem oferecer menor resistência do que solos coesivos. A umidade
também é um fator estabilizante, ou seja, solos secos tendem a sofrer abrasão mais
facilmente do que solos úmidos.
Quanto à resistência ao cisalhamento dos materiais granulares, cabe
ressaltar que de acordo com a geotecnia clássica, ao contrário do que comumente se
julga, o tamanho médio das partículas pouca influência tem, mantendo-se as outras
características constantes (LAMBE e WHITMAN, 1969 apud COSTA, 2005).
A impressão de que as areias grossas devam ser mais resistentes ao
cisalhamento do que as areias finas, deve-se a dois fatores. Primeiro, nas areias
grossas a pequena quantidade de finos presentes aumenta o entrosamento. Por outro
lado, nas areias finas a pequena quantidade de grãos grossos não aumenta o
entrosamento entre os grãos. O segundo fator se refere à compacidade; na natureza
as areias grossas tendem a ser muito mais compactas do que as areias finas, em
virtude da massa das partículas e das forças superficiais (SOUSA PINTO, 2002 apud
COSTA, 2005). Assim, a compacidade do solo também deve ser um fator importante
para o fenômeno.
O impacto da explosão na massa de solo depende da posição da carga
explosiva (Figura 2.14). Mas de modo geral o fenômeno da explosão corresponde a
uma carga dinâmica aplicada em um intervalo de tempo muito pequeno (da ordem de
milésimos de segundo), que gera uma distribuição quase instantânea de
sobrepressões muito elevadas, superiores a 1GPa, decrescentes com a distância ao
centro da detonação. O efeito da explosão se propaga no meio através das ondas de
choque, que são ondas de tensão. São gerados esforços de compressão, de tração e

47
cisalhantes no meio e que variam em cada ponto de forma decrescente no tempo
conforme se dá a dissipação da energia produzida na explosão, como ilustrado na
Figura 2.25. Todo o processo estabiliza em centésimos de segundo.
Assim, o comportamento tensão-deformação do solo irá determinar a sua
resposta à passagem das ondas de tensão ao longo do tempo, de forma bastante
complexa. E com certeza as tensões geradas irão ultrapassar a resistência ao
cisalhamento do solo em uma região significativa ao redor do ponto de detonação, ou
seja, criando uma zona de ruptura na massa de solo, como indicado na cratera
representada na Figura 2.26. E a Figura 2.27 mostra o efeito das tensões de tração
criando fissuras e trincas na massa de solo.
Embora o solo seja um meio heterogêneo e descontínuo (particulado),
emprega-se a teoria da Mecânica dos Meios Contínuos e, em particular, a teoria da
Elasticidade em sua análise sob a justificativa de que esse procedimento conduz a
soluções bem-sucedidas e comprovadas, com razoável aproximação ao que acontece
em obras de engenharia (SOUZA PINTO, 2006). No caso de ondas de choque em
solos, Smith e Hetterington (1994) utilizam a teoria da Plasticidade para, por exemplo,
avaliar os danos causados em estruturas enterradas.
As relações constitutivas tipicamente adotadas para os solos são: elástica,
elasto-plástica, ou visco-plástica. Sob carga explosiva, a resposta inicial dos
constituintes é o indicador mais importante por conta da sua curta duração
(transitório). Solos visco-elásticos exibem um comportamento elástico em
consequência do carregamento, que é seguido por uma deformação lenta e contínua a
uma taxa decrescente (BOH, 2007; GREG, 2008. apud OLAREWAJU, KAMESWARA,
RAO e MANNAN, 2010).
O comportamento tensão-deformação dos solos é bastante estudado sob
carregamento estático, e em Engenharia Civil as solicitações dificilmente passarão de
700 kPa. Em Mecânica dos Solos a escala de tensões para determinação dos
parâmetros do solo é inferior ao intervalo de 1 a 5 MPa, e portanto 10 MPa é
considerada uma tensão muito elevada. Portanto, uma situação onde ocorra tensões
da ordem de 1 GPa, que é a mínima no caso de explosões segundo Persson,
Holmberg e Lee (1994), se torna uma solicitação absurdamente alta e bem atípica,
com um comportamento geotécnico diferente. Mesmo em comparação com estudos
de carregamentos dinâmicos, em geral relacionados ao efeito de carregamento cíclico
em pavimentos ou ao efeito de terremotos.
Sabe-se da Mecânica dos Solos que a resposta tensão-deformação dos solos
depende do nível de tensões aplicadas, da trajetória de tensões do carregamento, da

48
história de tensões e das condições de drenagem durante o carregamento. Isto se
deve à natureza particulada e trifásica (ar-água-sólidos) do solo, além deste exibir um
comportamento tensão-deformação tipicamente elasto-plástico. Nos solos a resposta
mecânica às solicitações é determinada pelas tensões efetivas atuantes entre as
partículas sólidas, e não pelas tensões totais aplicadas à massa.
No entanto, todos os trabalhos pesquisados para esta dissertação
apresentam as tensões geradas pela explosão no meio como tensões totais. Por ser
um carregamento extremamente rápido, mesmo em solos granulares o carregamento
deveria ser considerado como não-drenado, e o efeito sobre a poropressão é
fundamental para o entendimento da resposta do solo em tensões efetivas. Em
estudos relacionados a terremotos, por exemplo, uma consequência prática importante
é a ocorrência da liquefação do solo devido à redução das tensões efetivas a valores
próximos ou iguais a zero em decorrência da geração de um excesso positivo de
poropressão.
Os solos, em função da não linearidade acentuada, apresentam grande
dificuldade para o tratamento analítico do comportamento tensão-deformação,
acrescido à sua histerese característica (que em casos de velocidade sísmica
apresentam um valor baixo), e à plastificação 6 (ORTIGÃO, 1993; SMITH e
HETHERINGTON, 1994).
Segundo Ortigão (1993), os ensaios de compressibilidade oedométricos
realizados por Roberts (1964) em areias mostraram que a curva apresenta uma fase
inicial quase horizontal, onde a variação no índice de vazios é praticamente nula com
o aumento logarítmico na tensão vertical efetiva, passando a sofrer deformações
volumétricas sensivelmente maiores a partir de 10 MPa (Figura 2.35).
Assim, deduz-se que no caso de explosões as deformações se dão em um
nível extremamente alto em uma região próxima à fonte, cuja área é função da
quantidade de carga explosiva, e as tensões percorrem uma trajetória bem diferente
da trajetória Ko (compressão confinada) do ensaio oedométrico.

6
Ao contrário dos materiais perfeitamente elásticos, em plasticidade quando um elemento se plastifica ele transfere
carga aos demais, nesse caso os elementos de solo (ORTIGÃO, 1993).

49
Figura 2.35 - Resultado de ensaios oedométricos realizados para o estudo da compressibilidade de
areias (Fonte: ROBERTS, 1964 apud ORTIGÃO, 1993).

Análises realizadas por Datta et al. (1980) e Almeida et al. (1987) na


distribuição granulométrica antes e após os ensaios de compressibilidade,
constataram que o fenômeno ocorre devido à quebra dos grãos provocada pela
compressão volumétrica, pois em ensaios com areias compostas por grãos de sílica
onde a tensão efetiva de escoamento não foi ultrapassada, não houve alteração na
distribuição granulométrica, ou seja, as tensões não foram altas o suficiente para
quebrar os grãos (ORTIGÃO, 1993).
A quebra de partículas no processo de cisalhamento é a maior responsável
pelas envoltórias de resistência curvas das areias e pela variação do índice de vazios
crítico com a pressão confinante. A resistência das partículas que constituem o solo
granular interfere na sua resistência a este esforço, pois, embora o processo de
cisalhamento da areia seja predominantemente de deslizamento e rolagem dos grãos
entre si, se os grãos não resistirem às forças a que estão submetidos e se quebrarem,
isto se refletirá no comportamento global da areia (COSTA, 2005).
Ou seja, a quebra dos grãos está condicionada à dureza dos mesmos, quanto
maior a dureza, maior o valor da tensão efetiva de escoamento (ORTIGÃO, 1993). E
não é simples quantificar a influência da resistência dos grãos, já que ela é função
direta da composição mineralógica da partícula, do seu formato, da tensão aplicada,
bem como, do seu tamanho (COSTA, 2005). A influência do mineral é demonstrada na
Figura 2.35, em que a areia de feldspato moído apresenta tensão de escoamento bem
inferior à da areia de quartzo moído, além de deformações muito maiores.
O valor de 10 MPa no qual a areia começa a escoar, conforme citado acima,
é bastante superior aos transmitidos ao solo pelas fundações nos projetos de
engenharia. Por esta razão, recalques em areias são desprezíveis na grande maioria
dos projetos (ORTIGÃO, 1993).

50
No entanto, ensaios realizados por Vesic e Clough (1968), comparando a
compressão volumétrica entre a areia fofa e a compacta, mostraram que a
compressibilidade independe da compacidade, porém, o valor da tensão efetiva de
escoamento é influenciado (Figura 2.36). Portanto, em areias fofas, ainda que os
recalques sejam pequenos, essa influência deve ser considerada (ORTIGÃO, 1993).

Figura 2.36 - Resultados de ensaios de compressão isotrópica realizados para o estudo da


compressibilidade de areias (Fonte: VESIC e CLOUGH, 1968 apud ORTIGÃO, 1993).

Nos eventos explosivos, nos quais as tensões mínimas geradas são muito
superiores a 10 MPa, conclui-se ser perfeitamente aceitável a liquefação de alguns
solos na detonação de explosivos, dependendo dos fatores envolvidos, já que o
processo de tensão-deformação ao longo do tempo é oposto ao convencional, uma
vez que devido à súbita sobrepressão gerada no meio, este praticamente começa a
deformar no estágio de plastificação para depois então entrar no regime elástico, em
decorrência do decaimento exponencial da onda de choque.
Como visto anteriormente, a distância ao material explosivo é um parâmetro
determinante dos danos causados em um ponto qualquer da massa de solo, porém, o
tipo de solo e a profundidade na qual o explosivo seja detonado também são muito
importantes. Por exemplo, resultados de testes numéricos mostram que a interação
solo-estrutura bem como o tipo de solo desempenha papel importante no
comportamento dinâmico de uma estrutura subterrânea, já que as formações
geológicas diferentes apresentam, em geral, diferentes velocidades de propagação

51
das ondas elásticas. O solo circundante ajuda na redução da resposta da estrutura
próxima a uma explosão de campo sem contato com a fonte (KUMAR et al., 2010).
De acordo com Ortigão (1993), quanto maior o entrosamento entre as
partículas, maior a tendência da amostra aumentar o seu volume durante o
cisalhamento. Esse fenômeno é denominado dilatância e tem grande importância na
resistência, pois uma boa parcela de energia é despendida para cisalhar o solo, bem
como na variação do seu volume.
O fenômeno da dilatância se reflete no desenvolvimento de excessos de
poropressões negativas sob condição não drenada, como se espera que ocorra nas
explosões. Esse efeito aumenta ainda mais as tensões efetivas aplicadas e, portanto,
o potencial de quebra dos grãos. Por outro lado, diminui o potencial de ocorrência da
liquefação, entendida como a condição onde as tensões efetivas se anulam ou quase.
As ondas de tensão que viajam em maciços rochosos fraturados são
retardadas e atenuadas por heterogeneidades naturais, vazios, microfissuras e, acima
de tudo, por falhas e fraturas (RESENDE et al., 2010). Tanto que, quando uma
estrutura é construída em um solo denso com uma velocidade sísmica alta (por
exemplo, argila), uma camada tampão de solo granular solto (por exemplo, areia) em
torno da estrutura irá reduzir os níveis de choque transmitidos pelo meio (SMITH e
HETTERINGTON, 1994).
A resposta do semi espaço elástico foi primeiramente realizado por Lamb
(1904), Newcomb (1951) e Converse (1953) derivaram a relação empírica para a
determinação da frequência de ressonância no solo vibrado. Foi estabelecido que os
solos menos rígidos têm frequências naturais menores, que por sua vez são maiores
em pressões mais baixas sobre o solo. Argilas duras têm frequência natural menor do
que arenitos (OLAREWAJU et al., 2010).

Bergeron et al. (1998), apud Fiserosová (2006), observaram que a


profundidade de enterramento da carga influencia consideravelmente o efeito
observado no solo, sendo que o desprendimento de energia é mais relevante na
pressão máxima gerada do que no impulso específico. O impulso que foi medido por
Held (2003) apud Fiserosová (2006) usando medidores de momentum para a
descarga de um explosivo e por uma mina, ambos enterrados em areia, registrou um
impulso cerca de 50% e 90% respectivamente maior do que uma mina assentada
sobre a superfície.
O outro parâmetro que afeta significativamente a magnitude da resposta do
solo é o teor de umidade (Fiserosová, 2006). O impulso entregue ao pêndulo

52
(equipamento de medição da intensidade de uma explosão) quando a mina está
enterrada no solo da pradaria saturada é duas vezes maior do que da mina enterrada
em solo seco. O impulso que chega no pêndulo por uma mina terrestre enterrada em
solo úmido é 2,5 vezes maior do que uma carga assentada na superfície (BERGERON
et al., 1998 apud FISEROSOVÁ, 2006).
No trabalho realizado por Hlady et al. (2005), apud Fiserosová, (2006),
verificou-se que a transferência de energia no solo molhado de pradaria foi cinco
vezes maior do que em solo seco. A coesividade do solo molhado de pradaria permite
a formação de grandes aglomerações do material ejetado, estes grandes grumos
carregam uma quantidade significativa de energia (HLADY et al. 2004 apud
FISEROSOVÁ, 2006).

Em coberturas de solo na faixa de 0 a 20 mm, o solo é menos susceptível de


se tornar o que se chama de ejecta (monte ao lado da cratera e que será mostrado no
próximo item), a tendência de um impulso cada vez maior com o aumento de umidade
é muito menos possível para estes casos (HLADY et al., 2005 apud FISEROSOVÁ,
2006). A areia seca submetida a uma explosão se comporta como um material
homogêneo e não forma grumos. O solo de pradaria seco é menos homogêneo do
que a areia e alguns pequenos grumos são formados (FISEROSOVÁ, 2006).

Na detonação de minas terrestres enterradas em areia totalmente saturada


existem algumas semelhanças com a explosão em água. A areia saturada possui um
comportamento mais próximo ao da água do que ao da areia seca (GRUJICIC et al.,
2007). Este comportamento deve estar associado ao fato da água receber quase todo
o carregamento devido ao tempo extremamente curto da solicitação (carregamento
não-drenado).

Tanto os resultados experimentais quanto os computacionais mostram


evidência para a formação de uma bolha oscilante, gerada por subprodutos da
detonação na areia saturada comprovando a influência da umidade no meio
(GRUJICIC et al., 2007).

Resumindo, toda vez em que se realiza uma explosão no solo é desprendida


uma altíssima quantidade de energia dando origem a uma onda de choque
compressional de altíssima magnitude, que por sua vez produz diferentes tipos de
ondas de tensão com reflexão e rarefação, como em um terremoto, causando
deformações plásticas na massa do solo em um primeiro momento, decaindo de

53
intensidade com o passar do tempo (milésimos de segundo), para então transmitir
ondas de tensão puramente elástica se propagando com a velocidade do som.

O solo adjacente à carga (região super-sísmica) torna-se esmagado e,


eventualmente, pode mudar para o estado líquido (liquefação), por conta da alta
deformação. Devido às tensões de tração também elevadas, fendas / fissuras são
desenvolvidas a partir da fonte, e o solo fragilizado fica cercado por uma espécie de
câmara de três regiões na ordem: região de esmagamento (material expelido e que
volta / "fallback”), região de ruptura e região elástica. A posição na qual a carga é
colocada em relação à superfície do solo tem influência significativa em todos esses
efeitos.
As propriedades do solo não têm influência alguma no valor da sobrepressão
gerada, porém, a sua composição mineralógica, granulometria, entrosamento, índice
de vazios e umidade influenciam diretamente nos danos causados, bem como na
velocidade da propagação da onda.

2.4 CRATERAS

Quando ocorre uma explosão na superfície, independentemente do tipo de


solo, são geradas cavidades, que ficam cheias de gases explosivos com determinadas
temperaturas e pressões. Estes gases penetram nos vazios, expelem a água contida e
deixam a cavidade seca. Depois de um determinado período de tempo, estes gases
explosivos penetram ainda mais nas cavidades e fissuras do solo. As paredes da
cavidade, eventualmente, deslizam para baixo e o solo é deformado (KINNEY e
GRAHAM, 1985; BANGASH, 2009).
Assim, quando ocorre um choque direto no solo oriundo de uma explosão,
são geradas fraturas, regiões plásticas, e algo de certa maneira impressionante
acontece, principalmente se a quantidade de energia envolvida for alta: a cratera que
se forma imediatamente ao seu redor (Figura 2.37). A pressão gerada no ar é a maior
responsável pela área da cratera quando o local de detonação é próximo à superfície
(GLASSTONE e DOLAN, 1977; KINNEY e GRAHAM, 1985).

54
No caso de solos, a resposta e o mecanismo de formação de cratera são
particularmente complexos devido à heterogeneidade do meio e consequentemente
das suas propriedades mecânicas, além da coexistência das três fases: sólida, líquida
e gasosa, e ainda estar relacionado com as propriedades dinâmicas do solo, ar e da
interface solo-ar (AMBROSINI, LUCCIONI e DANESI, 2004). Mesmo cuidadosamente
realizados, testes experimentais para formação de crateras apresentam desvios na
medição das suas dimensões da ordem de 10%, e diferenças na casa dos 30% a 40%
são comuns (BULL e WOODFORD, 1998 apud AMBROSINI, LUCCIONI, DANESI et
al., 2002).

Figura 2.37 - Evento SEDAN realizado com a detonação de 100 KT na profundidade de 194 m
produzindo uma cratera em solo aluvial de 186 m de raio, 98,5 m de profundidade e um volume de
6
54,5 x 10 m³ (Fonte: (GLASSTONE e DOLAN, 1977).

As variáveis mais importantes na definição da forma e tamanho da cratera


são a massa do explosivo W e a profundidade da detonação sob a interface ar / solo
(AMBROSINI et al., 2002). Assim, o raio e a profundidade da cratera aumentam
conforme a profundidade da carga aumenta até um valor limite determinado, a partir
do qual eles diminuem rapidamente (BULL e WOODFORD, 1998 apud AMBROSINI et
al., 2002).
A sua largura máxima é atingida (Figura 2.38) depois da profundidade
máxima que fica em torno de ¼ do seu diâmetro. Muito embora o raio da cratera e os
danos gerados pela detonação sejam função do material do solo, bem como da

55
posição do explosivo em relação ao nível do terreno e da sua quantidade em kg
(AMBROSINI et al., 2004 e ORPHAL, 2006).
Uma explosão próxima ou sobre o solo define duas maneiras básicas na qual
o solo irá movimentar-se: (1) pelo acoplamento direto da energia explosiva no solo
bem como nas proximidades da cratera e (2) pela pressão da onda de explosão no ar
e como ela corre sobre a superfície do terreno. Um tipo de distúrbio randômico é
sempre sobreposto na movimentação do solo resultante destes choques
(GLASSTONE e DOLAN, 1977).

Figura 2.38 - Cálculo do vetor velocidade na formação de uma cratera equivalente a uma explosão
nuclear de 5Mt para os tempos 1/3t, t e 2t, onde t é o tempo para se atingir a máxima profundidade
da cratera (Fonte: Orphal, 2006).

Nas areias saturadas (abaixo do lençol freático), a cratera é deformada em


poucos dias. Em solos argilosos não saturados, a cratera passa a ser estável após
alguns anos. No entanto, em areia não saturada, a deformação ocorre imediatamente
após a detonação. A forma e o tamanho dependerão das características do solo e do
tipo de carga (BANGASH, 2009).

56
Além disso, o início do fluxo plástico em um solo, conforme descrito pelo
critério de Coulomb, faz com que a resistência de um solo em sofrer deformação
plástica aumente com a profundidade (BULSON, 1997).
Cargas dinâmicas devido a explosões geram um comportamento dinâmico e
um sobre-esforço dos materiais envolvidos em um curto espaço de tempo. Sendo
assim, para qualquer material geológico adjacente ao explosivo será criado um pico de
pressão nessa interface a partir da origem da detonação, conforme mostra a Figura
2.39 (AMBROSINI, LUCCIONI e DANESI, 2004; CHUCK apud ORPHAL, 2006).

Figura 2.39 - Propagação da Onda. (a) Campo de velocidades no ar, (b) Contorno de tensões no
solo, (c) Tensões de Von Mises. 50 kg de TNT com o centro de liberação de energia ao nível do
solo, t = 1,17ms (Fonte: AMBROSINI, LUCCIONI e DANESI, 2004).

O experimento de Ambrosini, Luccioni e Danesi (2004) mostra que a cratera é


sempre menor quando o explosivo está assentado na superfície do solo do que
quando o centro de liberação de energia está dentro do solo. A diferença se dá pelo
fato do centro de liberação de energia se encontrar elevado em relação ao nível do
terreno.

Kinney e Graham (1985) estudaram estatisticamente cerca de 200 explosões


acidentais ocorridas acima do solo, de relativa grande magnitude. Os resultados
apresentaram um coeficiente de variação em torno de 30%. A partir destes resultados,

57
a seguinte equação empírica para o diâmetro da cratera é proposta (AMBROSINI,
LUCCIONI e DANESI, 2004):

D (m) = 0,8 W (kg) [2.14]

onde:

D = diâmetro da cratera em metros

W = Massa de explosivo em kg

O diâmetro das crateras também pode ser obtido por meio das fórmulas
sugeridas por Ambrosini, Luccioni e Danesi (2004), que representam a aproximação
linear do resultado numérico pelo método dos mínimos quadrados, para as duas
situações: (1) quando o explosivo está assentado sobre a superfície do solo (equação
2.15) e (2) quando o centro de desprendimento de energia está ao nível da superfície
do solo, ou seja, o explosivo está semi-enterrado (equação 2.16).

D[m] = 0,51W[kg]1/3 ± 5% (1) [2.15]

D[m] = 0,65W[kg] 1/3 ± 5% (2) [2.16]

O interessante foi o estudo mostrar que a variação das propriedades elásticas


do solo para locais diferentes não afetou significativamente o tamanho da cratera,
porém foi observada uma variação em torno de 5% em alguns casos particulares.

A simetria dos contornos de sobrepressão pode se alterar por duas razões:


variações nas características de transmissão como, por exemplo, nas mudanças de
densidade, e a razão mais significativa que é pela reflexão das ondas na interface
entre os meios distintos (KINNEY e GRAHAM, 1985; SMITH e HETTHERINGTON,
1994).

Uma menção geral a uma cratera normalmente significa uma cratera visível
deixada após uma explosão. Após a detonação, detritos caem de volta para dentro da
cratera. Se a explosão ocorre a certa profundidade, e a pressão dos gases confinados
não for suficiente para levantar a camada de terra do solo, a câmara de compressão
dos gases explosivos será deixada intacta, formando o que é conhecido como
“camuflet” (Figura 2.40) (BULSON, 1997; BANGASH, 2009). Na figura a profundidade
“ótima” é a condição de profundidade de detonação que produz a cratera de maior
diâmetro para uma mesma carga explosiva, conforme o conceito dos autores. Com o
aumento da profundidade de detonação, o diâmetro da cratera formada diminui.

58
Rvd Rvd
da
HOB
da

a b

Rvd
Rvd
da

DOB
da

c
d

e f

Figura 2.40 - Formação de crateras. (a) Explosão aérea baixa (HOB = altura da explosão), (b)
explosão na superfície; (c) profundidade de explosão (DOB), (d) Profundidade de explosão ótima;
(e) profundamente enterrada, (f) camuflet (Fonte: BANGASH, 2009).

2.5 MODELAGEM NUMÉRICA DO PROBLEMA


A modelagem computacional é uma área de conhecimento multidisciplinar
que consiste em compor uma abstração da realidade em função das concepções de
determinada situação, trabalhando no campo da abordagem teórica e ajustando-se e /
ou orientando as experiências empíricas. Envolve um conjunto de técnicas com a
finalidade de compor um quadro simplificado e inteligível da situação, no intuito de
compreender e estudar a fenomenologia de problemas complexos
(CHRISTOFOLETTI, 1999).

Sendo assim, a modelagem possui a função de representar os fenômenos e


de estabelecer caminhos para a elaboração de novas hipóteses,

59
desenvolvendo modelos matemáticos para a simulação de soluções para problemas
científicos objetivando a obtenção de soluções para problemas muitas vezes
complexos.

A segurança e aspectos financeiros no caso da detonação restringem o


trabalho experimental, portanto, pesquisas na área de explosão podem ser tratadas
valendo-se da modelagem numérica para o entendimento do fenômeno e solução do
problema, como, por exemplo, os impactos ambientais de tal ocorrência (KUMAR,
MATSAGAR e RAO, 2010). Muito embora, uma abordagem experimental-analítica
combinada provou ser a maneira mais econômica para investigar a fenomenologia da
propagação das ondas de explosão em cidades com uma urbanização complexa, por
exemplo (REMENNIKOV e ROSE, 2005).
A maioria dos trabalhos de modelagem numérica do fenômeno da explosão
em solos tem como objetivo final a avaliação da segurança ou do risco de danos a
estruturas existentes na superfície ou enterradas. Muito poucos pretendem representar
o processo que ocorre no solo, com exceção daqueles voltados para a simulação de
abertura de túneis ou escavações em rocha para construção civil ou mineração.

A literatura cita alguns pacotes computacionais para análise dos efeitos de


explosões no ar ou no solo/rocha, com diferentes métodos de resolução numérica,
dimensões e capacidades. A Tabela 2.2 resume as características principais destes
programas.

Remennikov e Rose (2005), por exemplo, realizaram uma modelagem para


prever os efeitos precisos das cargas de uma explosão sobre as construções em
cidades com geometrias urbanas complexas. As cargas de uma explosão podem ser
tanto reduzidas quanto aumentadas devido à presença de outras construções no
entorno da ocorrência. A motivação deste estudo se deve à necessidade da proteção
de edifícios civis contra a ameaça de atividades terroristas, sendo este um dos
desafios mais críticos para engenheiros estruturais atualmente. Principalmente os
chamados “edifícios ícones”.

O programa de simulação tridimensional Air3D para explosão baseia-se em


uma variante do Método de Dividir o Fluxo Ascendente de Advecção (Advection
Upstream Splitting Method - AUSMDV) e utiliza o modo de integração MUSCL -
Hancock, para produzir uma solução para as equações de Euler que é de segunda
ordem em precisão no tempo e espaço. A malha computacional usa células

60
computacionais cúbicas de maneira regular cartesiana (REMENNIKOV e ROSE,
2005).

Tabela 2.2 – Quadro resumo e principais características dos pacotes computacionais citados na
literatura
Método de
Programa Dimensão Desenvolvedor Características
Resolução
Para determinar os parâmetros
Aplicação das
USACE Research & das explosões (sobrepressão,
CONWEP equações do TM 1D, 2D
Development Center etc) e seus efeitos sobre
5-855-1 (1988)
estruturas vizinhas.
Dinâmica dos
Para explosões no ar; análise
Fluidos Cranfield University,
Air3D 3D dos efeitos sobre estruturas
Computacional UK
próximas.
(CFD)
Dinâmica dos
Para simular explosões de
Fluidos
AUTOREAGAS ANSYS, Inc. (EUA) gases e seus efeitos em
Computacional
estruturas próximas.
(CFD)
Analisa comportamento tensão
Diferenças Itasca International, x deformação de solos/rochas;
FLAC 2D
Finitas (MDF) Inc. (EUA) admite plastificação e grandes
deformações.
Analisa comportamento tensão
PLAXIS 3D Elementos PLAXIS, Inc., Delft, x deformação de solos/rochas;
3D
Dynamics Finitos (MEF) Holanda extensão para carregamentos
sísmicos em Eng. Civil.
Simulação 3D dos efeitos de
Elementos Dassault Systèmes, cargas explosivas e impactos
ABAQUS Explicit 3D
Finitos (MEF) França sobre estruturas diversas –
edifícios, veículos, etc.
Analisa comportamento tensão
Elementos Itasca International, x deformação de solos/rochas;
UDEC 2D
Discretos (MED) Inc. (EUA) para carregamentos estáticos e
dinâmicos.
Dinâmica dos ARA (Applied
Analisa a propagação e os
Fluidos Research
SHAMRC 2D & 3D efeitos de explosões, entre
Computacional Associates), Inc.
outras aplicações.
(CFD) (EUA)
Analisa a propagação das
Acopla diferentes
AUTODYN 2D & 3D ANSYS, Inc. (EUA) ondas de choque e os efeitos
métodos
de explosões no ar e no solo.

61
Efeitos de proteção e reflexão da pressão nas estruturas adjacentes foram
estudados na simulação onde a carga explosiva de W kg equivalente de TNT é
detonada próximo a um pequeno edifício (Edifício 1) que fornece blindagem parcial
para um edifício adjacente maior (Edifício 2). Esse cenário, bem como as distâncias
escalares do modelo, é mostrado na Figura 2.41 (REMENNIKOV e ROSE, 2005).

Edifício 2

Edifício 1
Carga

Figura 2.41 – Modelo da posição da carga em relação a dois edifícios (Adaptado de REMENNIKOV
e ROSE, 2005).

Os contornos de pressão mostrados pela modelagem permitem uma melhor


compreensão do complexo processo de interação da pressão de explosão com um
grupo de edifícios, mostrado na Figura 2.42 ao nível do solo 0,792 ms após a
detonação (REMENNIKOV e ROSE, 2005).

Figura 2.42 – Contornos de pressão da explosão em t = 0,792ms (Fonte: REMENNIKOV & ROSE,
2005).

62
Os choques se movem em torno das faces opostas do Edifício 1 e encontram-
se perto do centro antes de atingir o Edifício 2. Por volta de 1,27 ms após a detonação,
a pressão do ar é refletida pela parede frontal do Edifício 2 para a parte de trás do
Edifício 1 como se vê na Figura 2.43 (REMENNIKOV e ROSE, 2005).

Figura 2.43 – Contornos de pressão da explosão em t = 1,27ms (mesma escala da Figura 2.42)
(Fonte: REMENNIKOV & ROSE, 2005)

O atual nível das técnicas de engenharia para o cálculo dos efeitos de


explosões em edifícios é baseado no pressuposto de que o edifício sofre um
carregamento admitindo-se que ele está isolado em um espaço aberto. Os resultados
da simulação deste cenário e a sua comparação com os métodos simplificados de
avaliação de cargas em edifícios demonstram a importância de contabilizar as
estruturas adjacentes para determinar as cargas de explosão nos prédios em um
projeto urbanístico (REMENNIKOV e ROSE, 2005).

Os recentes avanços nas capacidades de análise numérica, particularmente o


acoplamento de solucionadores de Euler (usados para modelar produtos gasosos de
detonação e o ar) e solucionadores de Lagrange (usados para representar veículos e
estruturas sobre o solo), permitiram a realização de simulações que fornecem
informações sobre o carregamento complexo criado em um evento explosivo
(GRUJICIC, PANDURANGAN e HUANG, 2007).

Olarewaju, Kameswara Rao e Mannan (2010) realizaram um trabalho


apresentando uma visão geral dos efeitos dos carregamentos advindos das explosões
em tubulações enterradas uma vez que estas são utilizadas para abastecimento de
água, esgoto, drenagem, petróleo e gás, irrigação, etc. Na análise das estruturas

63
enterradas, os constituintes do meio são rocha / solo, as estruturas (neste caso
tubulações) e intervindo no meio a explosão com as suas características.

A análise numérica da interação solo-tubulação envolve a determinação dos


esforços no solo tais como pressão, deslocamento, deformação, etc em torno do tubo.
Três forças laterais diferentes são normalmente encontradas no solo na análise de
uma tubulação: força lateral para cima, força lateral para baixo e força lateral para os
lados. Existem duas etapas na força lateral: a fase elástica, onde a resistência ao
esforço é proporcional ao deslocamento do tubo e o estágio plástico onde a resistência
permanece constante, independente do deslocamento (OLAREWAJU, KAMESWARA
RAO e MANNAN, 2010).

Este trabalho destacou as medidas básicas no estudo dos efeitos nos tubos
subterrâneos devido a cargas de explosão. A Figura 2.44 mostra os resultados
numéricos do programa CONWEP para o caso de explosões no solo, e a Figura 2.45 a
comparação de resultados experimentais com as simulações realizadas com os
programas AUTODYN e AIR3D (OLAREWAJU, KAMESWARA RAO e MANNAN,
2010).

Pressão Incidente, MPa


Pressão Refletida, MPa

Testes Experimentais
Pressão, MPa

Testes Numéricos - CONWEP

Carga 1000 kg

Distância (m) Tempo (ms)


Figura 2.44 - Resultado do programa CONWEP de pressão versus distância para uma carga de
1000 kg TNT hemisférica: Academia de Defesa do Reino Unido (Adaptado de OLAREWAJU,
KAMESWARA RAO e MANNAN, 2010).

Olarewaju et al. (2010) concluiram que os métodos numéricos a serem


empregados devem incorporar a noção de infinito na sua formação. Uma maneira de
lidar com essa situação é considerar um domínio finito para discretização com

64
condições de contorno que representem um campo livre, de modo a não haver
reflexão.

Teste Experimental
Teste Experimental
Modelo Numérico
Modelo Numérico

Pressão, MPa
Pressão, MPa

Tempo (ms)
Tempo (ms)

Figura 2.45 - (a) Resultado de dados experimentais de Sheffield University e AUTODYN, (b) Os
dados experimentais de Cranfield University versus a simulação com o Air3D (Fonte:
OLAREWAJU, KAMESWARA RAO e MANNAN, 2010).

Nos casos mencionados anteriormente, o ar é tratado como um gás ideal e a


detonação é modelada usando uma equação apropriada de Estado para o material
explosivo. Há uma descrição normalizada universal de efeitos de explosão conhecida
como lei de escala da onda de explosão. É prática geral expressar o peso de carga, W
como uma massa equivalente de TNT. Os resultados são apresentados como função
do parâmetro distância escalar característica adimensional Z tal como foi definida na
equação [2.2] (OLAREWAJU, KAMESWARA RAO e MANNAN, 2010).

Grujicic et al. (2007) se depararam com o desafio de saber sobre os danos


que as minas terrestres enterradas no solo causam no meio e, consequentemente,
nos veículos que por ali trafegam e bases (alvos), com a finalidade de que resistissem
a esta situação para a sobrevivência das tropas.

Isso requer a capacidade de compreender e quantificar as cargas impulsivas


geradas pela detonação dos referidos artefatos em diferentes solos, que irão provocar
ondas de choque, violentas rajadas de ar, fragmentos das próprias minas sendo
lançados violentamente, bem como parte do solo. De posse de todas essas
informações, parte-se então para a modelagem dos efeitos causados nas estruturas /
alvos de interesse (GRUJICIC et al., 2007).

Grujicic et al. (2007) relatam que ao modelarem anteriormente fenômenos


associados à detonação de minas superficialmente enterradas na areia, verificaram
que o fator que mais dificultou a concordância entre o experimento e a análise

65
computacional, era a maneira inadequada dos modelos em representar a dinâmica do
material sob condições de carga explosiva.

Portanto, o objetivo principal do segundo trabalho realizado em 2006, sobre o


efeito do grau de saturação da areia nos fenômenos associados à detonação de minas
enterradas superficialmente, Grujicic et al se propuseram a melhorar as maneiras de
compactação do modelo para a areia, a fim de incluir os efeitos do grau de saturação e
da taxa de deformação, dois efeitos importantes que foram negligenciados nos
modelos constitutivos disponíveis para a areia (GRUJICIC et al., 2007).

O novo modelo foi validado para o caso da areia com um baixo grau de
saturação através da comparação dos resultados experimentais da detonação das
minas de C4 (um tipo de explosivo) enterradas superficialmente e colocadas sobre o
solo. Através do uso de um pêndulo instrumentado horizontal para medir o impulso da
mina obteve-se os valores de campo com as suas correspondentes modelagens
detalhadas usando o programa AUTODYN (GRUJICIC et al., 2007).

Em 2007 o objetivo dos autores foi mais uma vez testar as suas recentes
habilidades para modelar modelos constitutivos para a areia dentro de um cenário
dinâmico transiente não-linear, para prever o efeito da detonação de minas enterradas
em areia totalmente saturada valendo-se mais uma vez do programa AUTODYN para
a análise computacional (GRUJICIC et al., 2007).

Eles compararam os resultados das análises com os resultados em larga


escala dos testes experimentais realizados por Taylor, Skaggs e Gault (2005) (apud
GRUJICIC et al., 2007) com a utilização do dispositivo para medida do impulso vertical
(vertical impulse measurement fixture - VIMF) do Laboratório de Pesquisas do
Exército, Aberdeen, Maryland, EUA. O VIMF (Figura 2.46) é o único acessório que foi
projetado especificamente para medir com precisão o impulso vertical de cargas
enterradas com peso de até 8 kg (GRUJICIC et al., 2007).

66
Aletas de freio

Seção Principal

Adaptador em forma de U

Extensões da Adaptador de Bolton


Seção Principal

Placa Testemunha

Figura 2.46 - Dispositivo para medida do impulso vertical VIMF (Fonte: GRUJICIC et al., 2007)

Os materiais envolvidos, ar, aço e areia, foram modelados com equações de


estado para definir a relação funcional entre densidade, pressão e energia interna
(temperatura), enquanto que uma relação de resistência em função da tensão
desviatória é utilizada para definir a correspondente deformação plástica e as
dependências da temperatura.

Sem contar que a modelagem de um material geralmente inclui um critério de


ruptura, isto é, uma equação que descreve a tensão (hidrostática ou desviatória) e / ou
a deformação que, quando atingida, faz com que o material se rompa e perca a sua
capacidade de suportar tensões normais e cisalhantes (GRUJICIC et al., 2007).

Para simular a interação do material ejetado (produtos da detonação e o


próprio solo) resultante da explosão de uma mina rasa enterrada e o VIMF, a
modelagem computacional se fez em duas etapas: (a) modelagem da geometria do
VIMF juntamente com a mina adjacente, do ar e do solo de areia (Figura 2.47); (b)
análise dinâmica transiente não linear do carregamento gerado pelo impulso da carga
(transferência de momentum) (GRUJICIC et al., 2007).

Ainda de acordo com Grujicic et al. (2007), sobre a Figura 2.47 que
representa o cenário inicial da análise:

67
“foi realizada utilizando a técnica desenvolvida por Fairlie e
Bergeron (2002). Esta técnica acopla uma malha Euleriana-
FCT, que modela os gases de explosão em rápida expansão e
do ar (inicialmente estacionário), a uma malha de Lagrange,
que é utilizada para modelar o solo, a placa testemunho e
VIMF. O solo e o VIMF são modelados usando elementos de
oito nós sólidos, enquanto que a placa testemunho é modelada
usando elementos de casca.”

VIMF
Placa Testemunha

Mina Areia

Figura 2.47 - Subdomínios computacionais (Fonte: GRUJICIC et al., 2007).

Uma comparação entre os resultados experimentais e computacionais é


mostrada na Tabela 2.3, na qual se percebem as melhorias quantitativas realizadas no
modelo modificado de compactação para a areia. Os resultados computacionais
obtidos usando o modelo original de compactação também são mostrados (GRUJICIC
et al., 2007).

68
Tabela 2.3 - Impulso transferido medido e calculado para a placa testemunha VIMF (Fonte:
GRUJICIC et al., 2007).
Impulso total Simulado Impulso total Simulado
Impulso total
Simulações Modelo modificado para Modelo original para areia
medido (Ns)
areia (Ns) (Ns)

1 71801 86709 19353

3 74017 67355 18786

4 81125 94916 21519

4a 69644 61287 17903

5 77612 80716 20211

6 59286 76479 15241

7 36938 42109 9619

8 94390 91558 23776

O exame dos resultados indicados na tabela acima revela que para cada uma
das condições de teste estudadas por Taylor, Skaggs e Gault (2005) apud Grujicic et
al. (2007), a utilização do modelo de compactação modificado para a areia produz uma
concordância melhor com os resultados experimentais do que o modelo original
(GRUJICIC, PANDURANGAN e HUANG et al., 2007).

De acordo com Grujicic et al. (2007):

“as duas principais razões para o modelo original de


compactação de areia subestimar a magnitude do impulso
transferido a níveis elevados de teor de umidade são as
seguintes: (a) compressibilidade muito alta da areia, que
promove a dissipação da energia de explosão através da
compactação irreversível da areia, e (b) uma falta de
consideração da redução da tensão de escoamento da areia
devido aos efeitos de lubrificação inter-partículas induzidos
pela umidade, o que limita a extensão da ejeção da areia.”

Kumar et al. (2010) analisaram o comportamento dinâmico de estruturas


semi-enterradas no solo submetidas a um carregamento dinâmico explosivo em um
campo adjacente, sem contato direto. Esse é um tipo de análise extremamente
complexa por conta da interação entre o solo circundante, a estrutura e a atenuação
das ondas de choque no meio, no caso, o solo. Este estudo foi realizado pelo método
dos elementos finitos utilizando pacote de software comercial ABAQUS / Explicit V6.7
®. A estrutura foi modelada utilizando elementos bem rígidos, em que o efeito da

69
interação solo-estrutura é considerada utilizando elementos com o sistema massa-
mola-amortecedor. A Figura 2.48 mostra as situações simuladas para a estrutura.

2/3 da estrutura enterrada 1/2 da estrutura enterrada

1/3 da estrutura enterrada estrutura sobre a superfície


Figura 2.48 - Quatro situações da estrutura enterrada (Fonte: KUMAR, MATSAGAR e RAO, 2010).

Os resultados (Figuras 2.49 e 2.50), obtidos com o uso das fórmulas [2.11] e
[2.12], mostram que a interação solo-estrutura, bem como o tipo do solo, desempenha
um papel importante no comportamento dinâmico da estrutura. O solo circundante
influencia na resposta da estrutura submetida a um carregamento oriundo de uma
explosão em terreno vizinho, mas, no entanto, sem contato (KUMAR, MATSAGAR e
RAO, 2010).

Argila Mole Argila Mole


Argila are- Argila are-
nosa nosa
Silte Silte
Pico de deslocamento (mm)

Von Mises (MPa)

profundidade enterrada em (m) profundidade enterrada em (m)

Figura 2.49 - Pico de deslocamento e Tensões de Von Mises em função da profundidade de


enterramento (Adaptado de Kumar, Matsagar e Rao, 2010)

70
Pico de sobrepressão estática, Ps (kPa)

Pico de sobrepressão estática, Ps (kPa)


Tempo, (ms) Tempo, (ms)

Figura 2.50 – Análises dinâmicas dos resultados do perfil das ondas de explosão para diferentes
distâncias escalares: (a) curvas para t = 0 a 15 ms e (b) curvas linearizadas para t = 0 a 4,5 ms
(Adaptado de KUMAR et al., 2010)

Desse trabalho pôde concluir-se também que: com o aumento da


profundidade enterrada da estrutura, o deslocamento e a tensão de von Mises
diminuem; que os solos com menor velocidade de onda de cisalhamento
apresentaram maior pico da tensão de von Mises e maior deslocamento a qualquer
distância escalar. Para as condições acima do solo, a resposta da estrutura depende
das condições de contorno da sua base, pois, a uma profundidade menor de
enterramento o deslocamento e as tensões de von Mises são maiores, do que na
condição simplesmente assentada no solo com condições de contorno fixas na base
sem interação solo-estrutura (KUMAR, MATSAGAR e RAO, 2010).

Iturrioz e Riera (2001) analisaram numericamente (Figura 2.51) os efeitos no


solo causados por uma carga sobre a sua superfície e compararam com testes
experimentais de campo. As dimensões da cratera e o tamanho do volume danificado
foram avaliados utilizando o método dos elementos discretos (MED) para a
representação do meio. Esse método tem sido empregado recentemente por autores
em estudos de resposta de impacto e à fratura em um conjunto de equações bem
conhecidas para definir a pressão de sopro, valendo-se da fórmula [2.11].

A previsão da resposta, assim como o mecanismo de formação de crateras


em solos, é ainda mais complexa do que nos materiais contínuos, devido ao
comportamento não linear inerente do material, à sua heterogeneidade e pela
coexistência das três fases: sólida, líquida e gasosa. Deste modo, simplificações
drásticas devem ser feitas, a fim de resolver problemas específicos para fins de
engenharia. Neste contexto, as soluções disponíveis para problemas práticos foram
obtidas por meio de abordagens puramente empíricas, condensadas em gráficos ou
equações (ITURRIOZ e RIERA, 2001).

71
Figura 2.51 - Configuração deformada em 97.6ms para a simulação numérica com W = 1 kg de TNT
e acima da superfície do solo (ho = 0,0l m) (Fonte: ITURRIOZ e RIERA, 2001)

A modelagem mostrou que as previsões são consistentes com a resposta


medida nos testes de campo conforme mostra a Figura 2.52, e que a abordagem pode
ser utilizada com confiança na concepção de engenharia.

Resultado Experimental
Resultado Numérico
diâmetro

profundidade

Figura 2.52 - Comparação entre resultados numéricos e experimentais (Adaptado de ITURRIOZ e


RIERA, 2001)
Finalmente, Iturrioz e Riera (2001) observam que para uma carga localizada a
0,5 m acima da superfície do solo, uma malha mais fina seja utilizada na modelagem
numérica do problema.

Luccioni et al. (2009) realizaram uma análise numérica para a previsão das
dimensões das crateras formadas devido a explosões próximas à superfície. Embora
existam muitos resultados experimentais e equações empíricas para a análise do
tamanho das crateras, o principal objetivo do trabalho foi verificar a capacidade das
ferramentas numéricas para reproduzir os valores experimentais, a fim de usar essas
ferramentas para problemas mais complexos, como por exemplo, a avaliação do dano
causado em veículos ou objetos situados no terreno por explosões subterrâneas.

72
Para tal, foi utilizado o programa AUTODYN v6.1 que adota os seguintes
métodos numéricos acoplados: elementos finitos, diferenças finitas e volumes finitos,
na solução de problemas não-lineares. A pressão foi calculada pela equação de
estado de Mie-Gruneisen que é baseada no choque Hugoniot. Esta equação leva em
consideração parâmetros do solo tais como: densidade inicial, densidade após a
chegada do choque, energia interna específica, velocidade da frente de choque,
velocidade do material sob o choque e parâmetros adimensionais (LUCCIONI et al.,
2009).

O domínio do modelo numérico foi bem maior do que em outros trabalhos.


Tudo nele foi modelado: o ar, o solo e a carga cilíndrica de 8 kg de TNT situada a 5 cm
abaixo da superfície do terreno. A malha foi mais refinada em uma faixa que abrange o
centro do domínio tanto na vertical quanto na horizontal. E a condição de contorno foi
feita de maneira que possibilitasse a transmissão da onda de tensão através do limite
físico do subgrid da fronteira, sem reflexão (LUCCIONI et al., 2009).

O problema foi deixar a simulação rodar até as dimensões da cratera


permanecerem estáveis. Sendo que em outros trabalhos, Ambrosini et al. (2003),
Ambrosini et al. (2004) e Ambrosini et al. (2006), o tempo de 20 ms provou ser
suficiente. Portanto, obtiveram-se os resultados para análise até o tempo de 17ms
mostrado nas Figuras 2.53 e 2.54.

(a) (b) (c) (d)


Figura 2.53 - Sequência de formação de crateras obtido com um processador de Euler para o solo.
(a) t = 3 ms, (b) t = 6 ms, (c) t = 12 ms, e (d) t = 17 ms (Fonte: LUCCIONI et al., 2009).

73
(a) (b) (c) (d)
Figura 2.54 - Sequência de formação de crateras obtida com um processador de Lagrange para o
solo. (a) t = 3 ms, (b) t = 6 ms, (c) t = 12 ms, e (d) t = 17 ms (Fonte: LUCCIONI et al., 2009).

Dos resultados acima expostos foi obtido um diâmetro de cratera de 2070 mm


com o processador de Euler (Figura 2.53) e de 2060 mm com o processador de
Lagrange (Figura 2.54), tendo-se uma média de 2065 mm. Isso, comparado com a
média dos diâmetros das crateras obtidos nos três testes de campo, realizados
também com cargas de 8 kg de TNT, só que em forma de disco, que resultaram em
um diâmetro médio de 1898 mm. O que mostra uma boa concordância entre os
experimentos numéricos e os de campo, já que a diferença de cerca de 9% é muito
pequena para este tipo de estudo, levando-se em conta o grau de incertezas
envolvidas, portanto, os resultados foram validados (LUCCIONI et al., 2009).

Já Shahnazari et al. (2010) simularam os efeitos de uma explosão causados


pelo impacto de um projétil na construção de um túnel ferroviário em uma rocha com
algumas fraturas utilizando o UDEC, que é um programa 2D que se vale do MED, e o
qual foi especialmente concebido para resolver problemas de descontinuidade. Por
exemplo, em maciços rochosos que devido às suas várias formas de
descontinuidades, como trincas, juntas, falhas, e etc., onde o comportamento
mecânico das articulações é complexo, podendo ser simulados tanto sob carga
estática quanto dinâmica.

A fim de investigar tal comportamento sob carga dinâmica, os autores


supracitados aplicaram uma pressão no limite interior da cratera na parede do túnel no
seu modelo numérico, com a fórmula do Manual Técnico do Exército dos Estados
Unidos TM 5-855-1 (1986) para explosões aéreas (equação [2.11]). Ou seja, os
autores impactaram o ar e depois viram os seus efeitos no meio rochoso. Para o

74
cálculo do pico de sobrepressão foi adotada a fórmula empírica estabelecida por
Henrych (1979):

1407,2 554,0 35,7 0,625


ps = + + + (kPa) [2.17a]
Z 2 3 4
Z Z Z

0,05 0,3

619,4 32,6 213,2


ps = − + (kPa) [2.17b]
Z 2 3
Z Z

0,3

66,2 405 328,8


ps = + _ (kPa) [2.17c]
Z 2 3
Z Z

onde Z é a distância escalar característica expressa pela equação [2.2].

Na equação [2.11] ta é o tempo de duração da onda de choque no ponto, e foi


calculada pela equação [2.18]. Segundo os autores, inserindo Z e W na equação
[2.18], o seu valor é de 1,22 ms. Segundo Shahnazari et al. (2010), o manual TM 5-
855-1 (1986) diz que 10% desse tempo é gasto para atingir o pico de sobrepressão.

ta
1/3
(
= 0,107 + 0,444Z0,26 4Z
2 3
− 0,129Z +,0335Z
4
) [2.18]
W

Os resultados mostraram um histórico da pressão com o tempo condizente


com a literatura, bem como, que o revestimento do túnel é estável sob carga de
explosão, e que a força axial caminha da compressão para a tração e que, portanto,
devem ser levados em conta para o projeto do revestimento do túnel. O deslocamento
máximo ocorre no topo do túnel, o que está de acordo com a investigação
macroscópica em túneis após explosão em casos semelhantes (SHAHNAZARI et al.,
2010).

Em suma, foram citados diferentes programas que utilizam diferentes métodos


numéricos, algumas vezes combinados, e diferentes fórmulas para a simulação de um
evento explosivo. Alguns pacotes computacionais comerciais, como o AUTODYN, por

75
exemplo, permitem a simulação de problemas bastante complexos de eventos
explosivos, e a literatura mostra resultados satisfatórios de concordância das
simulações com medidas experimentais. Porém, ainda persistem muitas incertezas,
sobretudo no que se refere à modelagem do comportamento dos solos sob a carga
dinâmica das explosões, inclusive pela falta de parâmetros adequados. A literatura
aponta também algumas dificuldades na modelagem, como a necessidade de
estabelecer domínios muito grandes e fronteiras e condições de contorno especiais
para evitar o efeito de reflexão das ondas de choque, que aumentam substancialmente
o impacto na região de interesse e não acontecem na realidade.

O principal interesse do presente trabalho é a modelagem da cratera formada e


da região impactada do solo ao redor da explosão decorrente da atividade de
destruição de munição, que é realizada próximo à superfície do terreno e em campo
aberto. Foi escolhido o método dos elementos discretos, por considerar-se que este é
o mais apropriado para a simulação da resposta de materiais descontínuos ao evento
explosivo, com os deslocamentos individuais das partículas com velocidades
diferenciadas. Optou-se também pela utilização de um programa ainda em
desenvolvimento na UFRJ/IME, ou seja, não comercial, para dotar o EB de uma
ferramenta mais simples e barata, adaptada especificamente para a aplicação
desejada.

76
3 METODOLOGIA

3.1 PLANO GERAL DA PESQUISA


O presente trabalho representa o passo inicial de desenvolvimento de uma
ferramenta numérica para previsão da formação da cratera e dos efeitos físicos da
atividade de detonação sobre o solo em decorrência da operação de destruição de
munições inservíveis pelo Exército Brasileiro. O trabalho faz parte do projeto de
pesquisa “Sistema de Gestão Ambiental para Atividades Militares” (2009-2013), o qual
é coordenado pelo IME, tendo como parceiro o Programa de Engenharia Civil da
COPPE/UFRJ, com financiamento da CAPES.

Tendo em vista as características do fenômeno que se pretende modelar,


apresentadas no capítulo anterior, e a sua complexidade, optou-se nesta fase por
aproveitar um programa já disponível no grupo de pesquisa participante do projeto,
VISED (Visualizador de Elementos Discretos), que utiliza o Método dos Elementos
Discretos. Este programa foi adaptado para representar o fenômeno da explosão na
superfície, utilizando as equações apresentadas na revisão bibliográfica. Optou-se
também por realizar as simulações para um material fictício, com características de um
solo granular homogêneo e isotrópico e apenas na condição seca.

Conforme os resultados das simulações o programa foi sendo modificado de


forma a incorporar as equações pertinentes e tentar resolver as limitações
encontradas no modelo, tal como a dificuldade de definir a condição de contorno e o
tipo de fronteira que melhor evitem a ocorrência de reflexão das ondas de choque.
Esta dificuldade já foi apontada na literatura por Olarewaju et al. (2010).

3.2 MÉTODO DOS ELEMENTOS DISCRETOS (MED)


De acordo com Lopes (2006), os principais métodos numéricos empregados
pela Engenharia, pela ordem de aparecimento são:

_Método das Diferenças Finitas (MDF);

_Método dos Elementos Finitos (MEF) e

_Método dos Elementos de Contorno (MEC).

77
O MDF é anterior ao computador, porém, foi bastante desenvolvido com o
advento do mesmo. Esse método numérico soluciona o problema traçando uma malha
na região em questão, e os resultados são obtidos nos pontos de intercessão dessa
malha. Nos fins da década de 50, surgiu o MEF, que apresentou muitas vantagens
sobre o MDF (LOPES, 2006).

O MEF divide o domínio em elementos de diferentes geometrias e


propriedades de tal forma que facilite a previsão do seu comportamento. Esses
elementos interagem entre si ligando-se em alguns pontos. E por haver essa
flexibilidade na divisão do domínio, isso traz grande vantagem na solução de
problemas com a geometria complexa. O fato de cada elemento possuir propriedades
próprias permite resolver casos de heterogeneidade (LOPES, 2006).

No MEC, apenas as fronteiras / contornos são divididos minimizando o


trabalho de divisão do domínio bem como na redução do número de equações
utilizadas, apresentando bons resultados em regiões de concentração de tensões e
uma facilidade no tratamento de domínios semi-infinitos ou com superfície livre. Por
outro lado, o MEC tem sido usado basicamente em problemas lineares e homogêneos
(LOPES, 2006).

No entanto, esses métodos numéricos citados tratam o meio como contínuo,


onde somente a sua influência no comportamento físico, como deformação e
resistência, é considerada nos modelos constitutivos. Portanto, a descrição do
contínuo encontra limitações quando há grandes deformações e propagação de
muitas fraturas no meio, ou seja, onde ocorre uma descontinuidade dentro da massa.

. Todos os materiais naturais de interesse para a engenharia são


descontínuos por natureza, uma vez que eles podem ser vistos como um conjunto de
moléculas (em água e gases, por exemplo), minerais (em rochas intactas), ou grãos
(em solos soltos), para não se falar a nível atômico (MUNIZ, 2011). Além disso,
existem as transições entre esses estados que, por vezes, procedem de forma muito
diferente dos materiais comuns (POSCHEL e SCHWAGER, 2005).

Os materiais granulares como objeto de pesquisa física em engenharia têm


uma longa história. Os engenheiros possuem um enorme conhecimento teórico,
técnico e experimental sobre os materiais granulares, no entanto, também pode-se
afirmar que a compreensão dos aspectos técnicos dos materiais granulares é pobre
quando comparada com a dos materiais contínuos (POSCHEL e SCHWAGER, 2005).

78
Por isso, essa é uma tarefa para as próximas décadas: desenvolver uma
teoria sobre a matéria granular em um nível que permita a previsão confiável do seu
comportamento. Este problema não vai ser resolvido por físicos ou engenheiros
sozinhos, mas será o tema de uma cooperação interdisciplinar intensiva (POSCHEL, e
SCHWAGER, 2005).

Sendo assim, assumir o solo como um meio contínuo é uma simplificação


matemática adotada em princípio para obter soluções nas 3 dimensões de um
domínio, onde os critérios para o estado dos materiais são normalmente definidos,
utilizando os valores da tensão e da deformação sendo modelados valendo-se de
equações constitutivas, que devem representar os principais efeitos apresentados
pelos materiais (ASAF, RUBINSTEIN e SHMULEVICH, 2006; NEVES, 2009 e
WELLMANN e WRIGGERS, 2012).

Dessa forma, em um modelo numérico que retrata a realidade, em uma


determinada profundidade o nível de tensões é exatamente o mesmo do protótipo
(OLIVEIRA, 2005). Essa é a maneira de se resolver muitos problemas complexos no
campo da engenharia geotécnica como por exemplo: construção de fundações,
escavações, estruturas de contenção, túneis, problemas de estabilidade de taludes,
entre outros ( NEVES, 2009).

Porém, o solo é formado por partículas que dão origem a macroporos e


microporos. As características discretas (não-contínuas) do meio resultam em um
comportamento complexo sob condições de carregamento e descarregamento, uma
vez que possuem características especiais como anisotropia, micro-fraturas ou
instabilidades locais, as quais dificilmente são entendidas ou modeladas com os
princípios da mecânica dos meios contínuos (NEVES, 2009).

Uma abordagem alternativa a essa realidade trata o solo como um conjunto


de partículas diretamente discretizadas de forma independentes entre si, tal como se
apresenta na natureza. As respostas macroscópicas (do modelo como um todo) e
microscópicas (em um local específico do modelo) aos esforços gerados podem ser
obtidos numericamente através do Método dos Elementos Discretos (MED), conforme
mostra a figura 3.1, o qual vem se tornando cada vez mais popular, ao ponto de vários
autores o utilizarem para simular o comportamento de materiais granulares, como
solos, falhas rochosas, produtos fármacos, entre outros, através de partículas
discretas tanto para aplicações industriais quanto científicas. (NEVES, 2009;
PLASSIARD, et al., 2009; SHAHNAZARI et al., 2009; JERIER et al., 2010;

79
JOHNSTONE, 2010; DURIEZ et al., 2011; ANDRÉ et al., 2012 e MARIGO et al.,
2013).

Figura 3.1 - Esforços entre ogrãos de um corpo de prova de um ensaio numérico triaxial para uma
tensão confinante de 100 kPa (Fonte: PLASSIARD, BELHEINE e DONZÉ, 2009).

Um modelo analítico para arranjos cúbicos compostos por esferas de


tamanho uniforme foi proposto por Deresiewicz em 1958. A abordagem analítica,
contudo, é limitada na medida em que o arranjo é cúbico, as esferas são uniformes em
tamanho e a sequência de carregamento é limitado. Uma técnica de teste para os
conjuntos de discos que possibilita a determinação direta de forças de contato entre as
partículas foi proposto por Dantu e Wakabayashi em 1957 (em trabalhos distintos).
Estes pesquisadores sugeriram o uso de material opticamente sensível para os discos.
Embora o teste de conjuntos de discos fotoelásticos seja abrangente permitindo uma
determinação precisa das forças de contacto e de deslocações e rotações dos discos
individuais, a análise é demorada (CUNDALL e STRACK, 1979).

O MED é um método numérico que é capaz de lidar com as partículas de


qualquer forma e foi desenvolvido por Cundall (1971 e 1974) para a análise de
problemas mecânicos na rocha. No MED, a interação das partículas é vista como um
problema passageiro com as forças internas se desenvolvendo buscando um estado
de equilíbrio. O esquema numérico é claro e com uma consequente eficiência na
utilização do espaço da memória computacional (CUNDALL e STRACK, 1979).

80
A abordagem discreta fornece informações interessantes sobre o
comportamento local, mostrando literalmente os esforços entre os grãos, como na
Figura 3.1, onde quanto mais espessa a linha maior é a intensidade no esforço entre
eles (PLASSIARD, BELHEINE e DONZÉ, 2009). Dessa maneira, nota-se que o
resultado do comportamento mecânico obtido é mais fiel do que se o material fosse
simulado pela abordagem da mecânica contínua (ANDRÉ et al., 2013).

A aplicação do método dos elementos finitos permite que a solução dos


problemas de engenharia seja em uma escala grande. Contudo, uma desvantagem
desta abordagem é que o MEF desconsidera os vazios interiores do material
descontínuo, causa do seu comportamento complexo. Sendo assim, é preciso valer-se
de equações constitutivas avançadas que se baseiam-se em um grande número de
parâmetros cuja determinação é um processo também complexo (WELLMANN e
WRIGGERS, 2012).

Portanto, não é adequado para simular o comportamento dos materiais


granulares, já que estes são propensos a deformações e esforços pontuais e de micro-
escala no domínio, como bielas de cisalhamento e outros já mencionados, no qual o
padrão de análise como contínuo não é mais válido, já que leva a resultados pouco
satisfatórios. Por isso, é que o Método dos Elementos Discretos (MED) é uma boa
alternativa, porque naturalmente leva em conta essas descontinuidades (WELLMANN
e WRIGGERS, 2012 e ANDRÉ et al., 2013).

Além disso, os elementos finitos oriundos da malha que modela o meio em


questão são dependentes um do outro na medida em que todos estão interligados
entre si através de nós ou pontos nodais, mesmo que em número pequeno, porém o
suficiente para tornar o meio, que é descontínuo, em contínuo. A Figura 3.2, mostra as
diferenças no material ejetado (circunscrito em vermelho) ao se modelar um material
no MEF e no MED.

O Método dos Elementos Discretos, primeiramente apresentado por Cundall


em 1971, é um método numérico para o cálculo da dinâmica de um meio formado por
uma grande quantidade de partículas, que interagem entre si por meio de forças e que
são normalmente modeladas por geometrias simples tais como esferas ou círculos,
entre outras, como mostra a Figura 3.3 (TEIXEIRA, MINATO e BORGES, 2010;
MUJINZA, 2004).

81
(a) (b)
Figura 3.2 - Modelagens de formação de cratera geradas por explosões: (a) através do método dos
elementos finitos com o programa AUTODYN (Fonte; GRUJICIC et al., 2007) e (b) através do
método dos elementos discretos com o programa VISED.

Figura 3.3 - Exemplos de simplificação da geometria (Fonte: Munjiza, 2004)

O método baseia-se na utilização de um esquema numérico em que a


interação entre as partículas é controlada contato a contato e os seus movimentos
modelados um por um. Estes movimentos são o resultado de perturbações ocorridas
no domínio: um processo dinâmico. A velocidade dos elementos é função das
propriedades físicas do meio discreto. (CUNDALL, P.A. e STRACK, O.D.L., 1979).

A modelagem da dinâmica das rochas, dos solos e de fluxos granulares são


exemplos de aplicações onde o MED é mais adequado do que outros métodos como o
MEF, já que o diferencial do método está justamente na discretização do meio,
composto por elementos que interagem entre si, mas são independentes. O método
tem sido aplicado também para partículas com outras geometrias. (TEIXEIRA,
MINATO e BORGES, 2010).

Segundo Cundall e Strack (1979),

Possivelmente a mais poderosa forma de modelagem de conjuntos


de discos e esferas é por técnicas numéricas. A modelagem numérica
é mais flexível do que na aplicação de modelagem analítica e tem a
vantagem sobre a modelação física que quaisquer dados são
acessíveis em qualquer fase do ensaio. A flexibilidade da modelação
numérica estende-se a configurações de carga, tamanhos de
partículas, as distribuições de tamanho e propriedades físicas das
partículas (CUNDALL e STRACK, 1979, p.48).

82
O método dos elementos discretos foi desenvolvido inicialmente para a
análise de problemas de mecânica das rochas, onde a interação entre as partículas é
vista como um problema transiente acontecendo enquanto as forças internas do
domínio buscam o equilíbrio.

Sabe-se que o MED adapta-se bem para modelar um material granular


quando um elemento discreto representa um grão. Porém, em uma modelagem o
tamanho dos elementos do MED pode ser maior do que as partículas reais do solo,
pois do contrário invibializaria computacionalmente o processo, já que bilhões de
elementos seriam necessários para resolver o problema (ASAF, RUBINSTEIN e
SHMULEVICH, 2006; PLASSIARD, BELHEINE e DONZÉ, 2009). Por isso, a escala é
uma das principais questões a serem abordadas quando um modelo é baseado no
Método dos Elementos Discretos (PLASSIARD, BELHEINE e DONZÉ, 2009).

Ao fazer isso, os parâmetros locais do modelo, tais como rigidez


amortecimento e atrito, devem ser escolhidos de tal forma que possibilitem prever o
comportamento mecânico de um material granular estudado na sua macro escala
original (PLASSIARD et al., 2009). Assim, a resposta macro-mecânica do material
(deformabilidade, resistência, dilatância, localização da tensão e da deformação, entre
outros) depende dos valores adotados para as micropropriedades do material
considerado no modelo.

Essas micropropriedades são utilizadas na determinação das forças de


contato entre os elmentos discretos (Figura 3.4). Este método oferece uma nova visão
sobre a modelagem constitutiva porque os processos físicos que governam o
comportamento do material podem ser entendidos em escala local (KOZICKI e
DONZÉ, 2008). Com isso pode-se ver as respostas locais pontuais e em macro ao
mesmo tempo.

No entanto, não há nenhum método robusto para determinar os parâmetros


locais, portanto, utiliza-se do oneroso método da tentaiva e erro (ASAF et al., 2006).

A principal desvantagem da utilização de uma geometria esférica é o


rolamento excessivo que ocorre durante o deslocamento gerado pelo carregamento e
tais modelos subestimam o valor do ângulo de atrito, em comparação com os das
geomatérias reais. Enquanto a simplicidade da geometria esférica dos elementos for
mantida, pode-se agir sobre este rolamento, bloqueando-se as rotações.
(PLASSIARD, BELHEINE e DONZÉ, 2009).

83
Elemento A Plano de Contato

Elemento B

n
Figura 3.4 - Contato entre dois elementos esféricos com as suas componentes: normal (F ),
s
tagencial (F ) e momento (Melast) (Adaptado de KOZICKI e DONZÉ, 2008).

O método dos elementos discretos é baseado na ideia de que o passo de


tempo escolhido é pequeno o suficiente para que, no decorrer da simulação, em cada
passo de tempo os elementos não possam se deslocar além dos seus vizinhos
imediatos. Em seguida, as forças resultantes em cada elemento são determinadas
exclusivamente pela sua interação com os elementos com os quais está em contacto.
O deslocamento de cada elemento discreto é determinado pela segunda lei de Newton
(CUNDALL e STRACK, 1979; DURIEZ et al., 2011).

3.3 MODELO E SELEÇÃO DOS PARÂMETROS


Neste item será apresentado o modelo utilizado nas simulações, bem como
os parâmetros escolhidos que o constituem, que serão apresentados nos sub-itens
que se seguem.

3.3.1 Modelo para as Simulações


Os modelos foram todos constituídos por 23018 elementos com um domínio
de 3m de largura por 1,5m de profundidade, como mostra a Figuras 3.5 e 3.6.

84
3m

0,5 m
0,3 m
1,5 m

Figura 3.5 – Domínio do modelo com a carga explosiva no ar na pequena cavidade


11,5 m

3m

Figura 3.6 – Domínio total do modelo

85
Foram utilizados dois tamanhos diferentes para os elementos, 2 mm (0,3 m x
0,5 m - Figura 3.6) e 40 mm de diâmetro pois dessa forma obteve-se resultados mais
coerentes com a realidade da formação da cratera, com base em testes de campo
mostrados na literatura técnica. Cada elemento engloba uma quantidade de grãos
reais do solo, já que seria inviável computacionalmente, representar cada grão do solo
como um elemento discreto. Muito embora assim como no MEF, quanto mais
discretizado for o domínio mais fiel à realidade ele se torna, levando teoricamente a
resultados mais confiáveis.

Por isso, a capacidade de processamento do computador é um fator crucial


para a eficiência e bom desempenho na modelagem que envolve muitos elementos
(Figura 3.8) (CUNDAL e STRACK, 1979). Para manter o custo computacional tão
baixo quanto possível, a geometria esférica é amplamente utilizada para a
discretização dos elementos. Neste caso, a implementação numérica da detecção de
contato e dos algoritmos de resolução são simples e rápidos (PLASSIARD et al.,
2009).

Figura 3.7 - Exemplo de um modelo de MED para um corpo de prova de teste traxial, (Fonte:
PLASSIARD, BELHEINE e DONZÉ, 2009)

Em todo o contorno do modelo apresentado nas Figuras 3.5 e 3.6, as quatro


fronteiras foram definidas como absortivas de choque, no intuito de se minimizar ao
máximo o efeito de borda que causa a reflexão das ondas de choque. As
consequências de tais efeitos serão discutidas e, portanto, melhor entendidas no
próximo capítulo.

86
As cargas explosivas, que não aparecem no modelo, são de 1 g, 5 g, 10 g e
50 g de TNT foram colocadas no centro do domínio na coordenada (0,0), que fica a
0,02 m acima da superfície do solo que por sua vez fica 8,5 m abaixo da fronteira
superior do modelo, de modo a evitar a colisão das partículas com a mesma. A
estratégia para simulação foi a mesma adotada por Shahnazari et al. (2010), conforme
está descrito no ítem 2.5. Detonando-se a carga no ar para a partir de então ver os
seus efeitos no solo, ou seja, foi adotada a explosão do tipo passiva experimentos
numéricos do presente trabalho.

3.3.2 Material Utilizado


O material escolhido foi a areia da praia de São Francisco, Niterói (RJ), que
foi utilizado por Oliveira Filho (1987) e Costa (2005) em suas dissertações. Segundo
Costa (2005), a areia foi inicialmente peneirada de modo a separar uma fração
granulométrica compreendida entre as peneiras n° 100 (0,149mm) e n° 50 (0,297mm)
(Figura 3.8). Obteve-se dessa forma um material fino e uniforme.

Figura 3.8 - Curva granulométrica da areia de São Francisco (Fonte: COSTA, 2005)

A areia, já fracionada, foi depois lavada, a fim de remover qualquer traço de


fino e, também, de impurezas. Foram então modelados os corpos de prova para a

87
execução dos testes triaxiais, para a obtenção das outras propriedades inerentes ao
solo: índice de vazios, grau de compacidade, ângulo de atrito etc.

A forma predominante dos grãos varia de subarredondados a subangular


(Figura 3.9), não passando o alongamento médio (esfericidade) de 1,5 (relação da
maior/menor dimensão do grão). Os grãos têm densidade real G= 2,632 com
γ
consequente densidade do grão Gs = 2,632 g/cm³, peso específico seco s = 1625
kg/m³, índice de vazio máximo emax = 0,820 e índice de vazios mínimos emin = 0,559
(OLIVEIRA FILHO, 1987).

Figura 3.9 - Formas típicas dos grãos (Fonte :OLIVEIRA FILHO, 1987).

3.3.3 VISED
O VISED (Visualizador de Elementos Discretos) conforme já dito
anteriormente, é um programa que utiliza o Método dos Elementos Discretos que
aborda cada partícula do meio como um elemento rígido e independente para o
cálculo da modelagem e simulação do problema em questão. Foi inicialmente
desenvolvido em C++ no sistema operacional Windows como parte de Iniciação
Tecnológica dos alunos Kin Kunihiro Minato e Camillo Vianna Cantini, ambos alunos
do IME, em 2009 (SILVA,V, 2010).

Em 2011 o VISED continuou a ser desenvolvido pelo, então na época, aluno


de graduação em Ciência da Computação da UFRJ, Thiago Sabatucci, que optou a
dar prosseguimento ao desenvolvimento, mas no sistema operacional Linux,
mantendo a linguagem de programação e paralelizando-o, ou seja, utilizando quantos
núcleos o processador tiver para a realização dos cálculos ao mesmo tempo,
diminuindo o tempo de processamento.

88
Além disso, ficou mais otimizado em relação à versão original, fazendo com
que passasse a processar os cálculos mais rapidamente, mesmo em CPU de um
único núcleo. Com isso, nesse novo código a sensibilidade ao tamanho da memória
cachê da CPU aumentou bastante, e foram implementadas novas funcionalidades
possibilitando a simulação de explosões, que é o foco do presente trabalho
(SABATUCCI, 2012).

O programa utiliza a biblioteca gráfica OpenGL© e o OpenGL Utility Tools


(GLUT), que juntos são capazes de produzir gráficos em tempo real com uma gama
de efeitos, como texturização e animação, fornecendo as ferramentas necessárias
para visualizar os elementos e para criar a interface com o usuário (TEIXEIRA et al.,
2010)
O funcionamento do VISED é baseado nas leis de interação entre partículas e
os princípios de equilíbrio. O algoritmo principal utilizado para o desenvolvimento do
programa possui quatro passos principais em sequência, como segue abaixo

1) detecção de colisões;

2) análise das forças de interação;

3) cálculo de forças externas e vínculos e

4) cálculo das novas velocidades e posições.

Esses passos podem ser melhor vistos na Figura 3.11, abaixo:

Figura 3.10 - Esquema do algoritmo Mujinza-NBS (Fonte: Adaptado de Mujinza, 2004)

89
O que se vê no diagrama pode ser resumido num ciclo onde, a partir da
entrada dos dados, é feita a detecção dos contatos entre os elementos, utilizando o
algoritmo Screening descrito por Mujinza (2004), reduzindo o número de interações
entre os elementos, para então calcular a soma de todas as forças atuando em cada
elemento do sistema e, em seguida, a partir de cada força atuando em cada elemento,
determinar sua posição e velocidade posterior. Esse ciclo se repete até que o tempo
total determinado pelo usuário seja atingido (SABATUCCI, 2012).

O VISED foi desenvolvido com base nos princípios de equilíbrio e de


interação entre os elementos através de forças de contato, forças de campo externo e
entre os elementos. Entendendo melhor as forças mencionadas, segue a
classificação:

_Forças de contato: normal e tangencial;

_Forças de campo entre os elementos: eletrostática, de Morse, Capilar e Elementos


de ligação (molas);

_Forças de campo externo: Gravitacional, Empuxo, Campo de Força devido ao


escoamento de um fluido e Restrições de contorno.

No presente trabalho, para a simulação das explosões, foram utilizadas as


forças de contato entre os elementos, ou seja, normais e tangenciais. A força de
contato normal considera um modelo que utiliza como parâmetros a velocidade
relativa normal (vn), o amortecimento global entre as partículas (cn) (eq. 3.4), a
interpenetração (un) e a rigidez normal (kn em N/m), cuja fórmula empírica segue
abaixo:

 
 E .E 
kn = Δ.γ.  1 2  [3.5]
 E1 + E 2 
 
 2 
onde:

Δ = constante arbitrária;
γ = densidade do material (kgf/m³) e
E1 e E2 = Módulos de Elasticidade (GPa) que no presente trabalho são iguais pois
representam o mesmo material

90
E a fórmula da força normal é dada por:

Fn = - kn.un - cn.vn [3.6]

Contudo, segundo Schwager e Poschel (2007), este modelo de força


amortecedora linear é problemática no cálculo da interação entre os elementos
constituídos por materiais linearmente elásticos, já que a força de repulsão entre eles
não segue a mesma linearidade, seja em modelo 3D ou mesmo em 2D. Isso leva à
adoção de um coeficiente de restituição amplamente adotado, mas o qual não é o foco
deste trabalho e que foi melhor descrito por Schäfer et al. (1996).

Na maioria dos trabalhos sobre simulação de materiais granulares, afirma-se


que as partículas interagem de maneira exclusivamente repulsiva durante a
interpenetação, ou seja, as forças de atração são explicitamente excluídas
(SCHWAGER E POSCHEL, 2007).

No algoritmo de verificação de contato e ntre elementos é usado o modelo de


Haff e Werner para o cálculo da força resultante de contato tangencial (Ft), que leva
em conta o coeficiente de atrito (µ), a Força normal (eq.3.6) ou o amortecimento
tangencial (ct) e a velocidade tangencial (vt) relativa entre os elementos, que é dada
por:

Ft = -min [µFn ; ct.vt] [3.7]

Existem diversos modelos para simular o contato entre os elementos, e o


modelo usado pelo programa é uma simplificação, assumindo que as deformações
plásticas dos mesmos são desprezíveis quando comparado à deformação do solo
como um todo; eliminando o custo computacional de cálculo das deformações entre os
elementos. (SABATUCCI, 2012).

3.4 - Determinação dos Parâmetros

A obtenção dos parâmetros tensão de escoamento, deformação de ruptura e


módulo de elasticidade para o solo escolhido foi feita utilizando-se o gráfico tensão x
deformação (σ x ε) apresentado por Costa (2005), Figura 3.10, obtido por ensaio
triaxial.

Como o VISED adota como modelo do diagrama de tensão-deformação, o de


um material com comportamento elástico perfeitamente plástico, Os valores obtidos

91
para tensão de escoamento σe = 115kPa = 11,5.10-2 MPa e deformação de ruptura εr =
9% foram obtidos por meio das linhas traçadas para o comportamento do material
para o carregamento de 50 kPa, já que a profundidade do solo no modelo, de 1,5m
justifica esta escolha.

E consequentemente obtêm-se, E = 115 / 0,0005 = 230000 kPa = 23.10-2 GPa


e ângulo de atrito (Ø) = 32°.

gráfico traçado

Figura 3.11 - Gráfico σ x ε dos ensaios triaxiais convencionais com a areia de São Francisco com
σ3 = 50, 100 e 200 kPa e com compacidade relativa inicial Dr = 25,03%

As demais propriedades relevantes do solo para a modelagem, apresentadas


na Tabela 3.1, são referentes a areia de São Francisco extraídas do trabalho feito por
Oliveira Filho (1987) e Costa (2005). Foram adotados os mesmos valores de peso
específico aparente seco e porosidade do solo moldado por Costa (2005) para os
elementos e o conjunto de elementos do modelo. Antes de iniciar a simulação, era
feita a aplicação das forças gravitacionais para criar a condição inicial do solo do
modelo antes da explosão. Observe-se que o diâmetro médio (D50) da areia de São
Francisco é em torno de 0,22mm (ver Figura 3.8), e no modelo as partículas têm 2mm
e 40mm de diâmetro, ou seja, no mínimo dez vezes maior do que a partícula média do
solo de referência.

Tabela 3.1 – Dados do solo para entrada no VISED

σe (MPa) E (GPa) εr (%) γ (kgf/m³) coef. atrito. estático amortecim. (cn) coesividade

-2 -2
11,5.10 23x10 9 1625 0,6249 0,3124 0

92
De posse de todos esses dados, foi então criado o modelo apresentado nas
Figuras 3.6 e 3.7 para as simulações no programa VISED.

Ressaltando que a tensão desviadora aplicada nos ensaios é muito menor do


que a aplicada pela explosão que ainda por cima se dá em uma velocidade super-
sísmica enquanto a velocidade de carga nos ensaios é quasi-estático. Portanto, esses
parâmetros não são os adequados para esse tipo de situação, uma vez que, para
tensões e velocidades elevadas os parâmetros mudam muito. Talvez nem os
parâmetros dinâmicos reflitam a realidade para esse evento, uma vez na qual, o
mesmo se trata de ser super-sísmico, somente parâmetros super-dinâmicos sejam os
literalmente apropriados.

93
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Antes do programa ser paralelizado e otimizado, tinha-se a dúvida se o
VISED conseguiria simular um evento explosivo, por conta da grande pressão gerada
no ato da detonação da carga, em se tratando de um programa não comercial, ainda
em desenvolvimento. O primeiro resultado que se obteve foi justamente o de saber
que ele é capaz de tal realização, e para isso foram utilizadas propriedades físicas de
um solo qualquer.

As primeiras simulações foram realizadas, adotando-se as propriedades


físicas de um solo siltoso fictício, para finalmente se adotar as de um solo totalmente
arenoso (areia de praia).

4.1 Simulações Preliminares


Essas primeiras simulações foram realizadas com a fórmula empírica
(equação 2.13) para explosões ativas em solos (Figura 2.14), apresentada por Kumar
et al. (2010) retirada do Manual Técnico do Exército dos Estados Unidos: TM 5-855-1
(1986), conforme anteriormente já citado. O domínio utilizado é o apresentado na
Figura 4.1, com um total de 81587 elementos e cada qual com 8 mm de diâmetro e
com fronteiras absortivas de impacto.

3m
1,5 m

Figura 4.1 - Domínio das primeiras simulações de explosão em areia no VISED


Pode-se dividir as simulações preliminares em duas fases, que se seguem.

94
4.1.1 Fase 1
Nesta fase foram adotadas as propriedades indicadas na Tabela 4.1. A
modelagem foi realizada para um material não coesivo, sem amortecimento, com e
sem elementos de ligação.

Tabela 4.1 – Dados do solo para entrada no VISED

σe (MPa) E (GPa) εr (%) γ (kgf/m³) coef. atrito estático amortecimento (cn) coesão

2 0,1 5 1625 0,6249 0 0

Os resultados das simulações com elementos de ligação não se mostraram


coerentes com o comportamento de uma explosão real em um solo granular. Isto
porque os elementos discretos que representam as partículas do solo teriam de ser
expelidos independentemente um do outro, soltos, ao invés de um bloco de elementos
unidos pelos elementos de ligação, como aconteceu. Dessa forma, ficou parecendo
ser um concreto ou mesmo uma rocha sendo explodida, caracterizando ser um
material com maior rigidez, o que não é o caso.

A partir de então, foram realizadas simulações somente com modelos sem os


elementos de ligação, pois dessa forma os experimentos ficaram mais condizentes
com o real, com os elementos soltos e independentes. A carga utilizada foi de 1kg de
TNT, chegando-se à conclusão de que essa carga era muito alta para as dimensões
do domínio adotado, passando posteriormente a reduzi-la.

4.1.2 Fase 2
Nessa fase, as simulações foram realizadas incluindo o amortecimento
calculado em função do coeficiente de atrito (equação 3.4), e variando-se a rigidez
normal (kn), o amortecimento (cn), a rigidez tangencial (γt) nas propriedades do solo, e
também a resolução (o tempo em que o programa salva um instante e outro da
simulação) de 1E-05 s além do sistema operacional: Linux (L) e Windows (W), no
intuito de se saber se haveria alguma diferença de desempenho, modelagem e
simulação propriamente dita, mantendo-se todos os outros parâmetros e condições de
simulação constantes. A carga explosiva foi também alterada para 0,01kg de TNT.

95
A Tabela 4.2 mostra o conjunto de simulações variando-se somente a rigidez
normal (kn) e o sistema operacional: Linux (L) e Windows (W), indicado ao lado do
número da simulação.

Os valores adotados para kn foram inicialmente arbitrados na ordem de


grandeza apresentada abaixo (E-02) variando-se o seu valor inteiro em: 1,0 , 1,2 , 1,3 ,
1,5 , 2, 4 e 8. Observa-se que utilizando kn = 1,0E-02, a modelagem diverge. Isso
levou à conclusão de que esse foi um valor baixo para a rigidez, fazendo com que os
elementos do modelo se interpenetrassem até o raio um do outro – que é o limite
máximo da interpenetração – e com que a simulação divergisse.

Tabela 4.2 – Variação somente no parâmetro kn

w (kg) Tempo
Simulação kn (N/m) Υt (N/m) cn precisão (s) Simulou?
TNT total (s)

1L 0,01 4,0E-02 1,0E+04 2,0E+04 1,0E-07 1,0E-02 sim

2W 0,01 4,0E-02 1,0E+04 2,0E+04 1,0E-07 1,0E-02 sim

3L 0,01 8,0E-02 1,0E+04 2,0E+04 1,0E-07 1,0E-02 sim

4W 0,01 1,0E-02 1,0E+04 2,0E+04 1,0E-07 1,0E-02 divergiu

5L 0,01 1,0E-02 1,0E+04 2,0E+04 1,0E-07 1,0E-02 divergiu

6L 0,01 1,5E-02 1,0E+04 2,0E+04 1,0E-07 1,0E-02 sim

7W 0,01 1,5E-02 1,0E+04 2,0E+04 1,0E-07 1,0E-02 sim

8L 0,01 2,0E-02 1,0E+04 2,0E+04 1,0E-07 1,0E-02 sim

9L 0,01 1,4E-02 1,0E+04 2,0E+04 1,0E-07 1,0E-02 sim

10L 0,01 1,3E-02 1,0E+04 2,0E+04 1,0E-07 1,0E-02 sim

11W 0,01 1,2E-02 1,0E+04 2,0E+04 1,0E-07 1,0E00 sim


NOTA: L – sistema operacional Linux; W – sistema operacional Windows.

As simulações realizadas tanto no sistema operacional Linux (no qual o


programa foi aprimorado) quanto no Windows (no qual o programa foi criado),
apresentaram os mesmos resultados, inclusive com relação ao custo computacional.
Isso possibilitou a realização de simulações com rigidezas normais diferentes em
sistemas operacionais diferentes, conforme mostrado na Tabela 4.2.

Em uma nova sequência de simulações, priorizou-se trabalhar variando


somente os valores do amortecimento (em destaque na Tabela 4.3), mantendo-se
constantes os outros parâmetros como na simulação 10L da Tabela 4.2.

96
Tabela 4.3 - Variação somente no amortecimento cn
w
kn Tempo
Simulação (kg) Υt (N/m) cn precisão (s) Simulou?
(N/m) total (s)
TNT

11L 0,01 1,3E-02 1,0E+04 2,0E+03 1,0E-07 1,0E-02 divergiu

12L 0,01 1,3E-02 1,0E+04 1,0E+04 1,0E-07 1,0E-02 divergiu

13L 0,01 1,3E-02 1,0E+04 1,5E+04 1,0E-07 1,0E-02 divergiu

14L 0,01 1,3E-02 1,0E+04 1,6E+04 1,0E-07 1,0E-02 divergiu

15L 0,01 1,3E-02 1,0E+04 1,7E+04 1,0E-07 1,0E-02 sim

Conforme se pode observar, nas simulações destes novos modelos com


valores de cn inferiores a 1,7E04 (simulações 11 a 14) as modelagens divergiram,
para o conjunto de parâmetros da simulação 10L. Valores baixos do amortecimento
impedem a estabilização dos deslocamentos dos elementos, e foi obtido o limite
inferior de 1,7E04 para as condições de modelagem utilizadas.

A Tabela 4.4 mostra um novo conjunto de simulações com variação


simultânea do amortecimento (sempre com valores acima do limite observado nas
simulações de 11 a 15) e dos parâmetrosγt,kn,e tempo total, tomando como
referência a simulação 15L da Tabela 4.3.

Tabela 4.4 - Variação simultânea dos parâmetros


w
kn Resolução Tempo
Simulação (kg) Υt (N/m) cn precisão (s) Simulou?
(N/m) (s) total (s)
TNT

16L 0,01 1,3E-02 1,0E+04 2,0E+05 1,0E-07 1,0E-05 1,0E-02 sim

17L 0,01 1,3E-02 0,0E+00 2,0E+05 1,0E-07 1,0E-03 1,0E-02 sim

18W 0,01 1,1E-04 1,0E+04 2,0E+04 1,0E-07 1,0E-03 1,0E+00 sim

19L 0,01 1,3E-02 1,0E+04 1,2E+06 1,0E-07 1,0E-05 1,0E-02 sim

20L 0,01 1,3E-02 1,0E+04 7,0E+05 1,0E-07 1,0E-04 1,0E+00 sim

21L 0,01 1,3E-02 1,0E+04 7,0E+05 1,0E-07 1,0E-03 1,0E+00 sim

A variação da resolução teve por objetivo a verificação se poderia realizar-se


uma análise da simulação sem perda de qualidade / informações, já que o seu valor
significa o tempo no qual o programa captura os quadros da simulação para serem
mostrados. Com isso, quanto maior a resolução maior é o tamanho do arquivo gerado.
Para averiguar se haveria a perda ou não na qualidade das análises alterando-se um
pouco os valores das resoluções, é que as simulações 20L e 21L foram realizadas.

97
A variação do tempo total visou verificar se o tempo de simulação adotado era
suficiente para a observação do fenômeno por completo.

4.1.3 Análise dos Resultados das Simulações Preliminares


A variação dos parâmetros e condições de modelagem permitiu observar que:

a) o sistema operacional não influencia o custo computacional ou em outro quesito


qualquer da modelagem e da simulação;

b) A simulação 20L, por possuir uma maior resolução, não atingiu o tempo total de
processamento estabelecido em 1 segundo, porque antes disso o arquivo em questão
atingiu o limite de 2 GB. A simulação 21L também não atingiu o tempo total de 1 s,
mas, diferentemente da anterior, isso aconteceu por conta de queda de energia.
Quanto à quantidade de informações geradas e sua consequente influência na
análise, comprovou ser uma realidade, pelo menos na diferença dessa ordem de
grandeza. Pois por conta da quantidade de informações geradas / mostradas por
unidade de tempo, a simulação 20L foi até 109,326 ms com os elementos de solo
ainda sendo expelidos, como mostra a Figura 4.2.

Figura 4.2 - Último quadro da simulação 20L (t = 109,326ms)

Enquanto a simulação 21L, mesmo não indo até o final por conta da queda de
energia, conforme já mencionado, foi possível simular 681,021ms, o que possibilitou

98
ver a queda dos elementos e a formação de um monte no centro, como mostra a
Figura 4.3.

Figura 4.3 - Último quadro da simulação 21L (t = 681,021ms)

Ou seja, conseguiu-se ver a simulação por completo com dados suficientes


para se realizar uma análise.

Verificou-se, mais uma vez, que o tempo de 1,0E-02 s é suficiente apenas


para se observar a fase na qual os elementos estão sendo expelidos, conforme se
pode ver no último quadro da simulação 1L na Figura 4.4.

Tempo

Figura 4.4 – Último quadro da simulação 1L em 9,996 ms do processo explosivo

99
Já nas simulações com um tempo total de 1s pôde-se, assim como na
simulação 21L, observar todo o processo, iniciando com a ejeção e terminando com a
queda dos elementos formando um monte, conforme se pode observar no último
quadro da simulação na Figura 4.5 (muito semelhante ao da Figura 4.3).

Figura 4.5- – Último quadro da simulação 10L em 1 s do processo explosivo

c) a única conclusão que se pode tirar com os diferentes valores adotados para as
micropropriedades do modelo nas simulações realizadas foi que para o
amortecimento de 2,0E3 até 1,6E4 as simulações divergem. Ou seja, a
interpenetração entre os elementos é tal que inviabiliza a simulação.

Todas as simulações destas fases foram realizadas com as fórmulas


empíricas [2.11] e [2.12] para explosões ativas em solos, apresentadas por Kumar et
al. (2010). O trabalho citado consiste em uma avaliação numérica dos efeitos
causados por explosões em estruturas semi-enterradas através do programa
ABAQUS/Explicit V6.7®. Este programa utiliza o MEF e, portanto, considera o meio
contínuo. Estas expressões representam o fenômeno como uma distribuição de
tensões em todo o meio a cada instante, ou seja, refletem a propagação das tensões
no meio em função da distância e do tempo.

No caso do MED, que representa o meio como um sistema de partículas


independentes, separadas por vazios, os efeitos e a propagação destes no meio se
dão por forças de interação entre as partículas. Assim, a utilização dessas equações é
equivalente a uma geração simultânea de pressões em todo o domínio em todos os

100
instantes. Em outras palavras, é como se estivessem sendo produzidas explosões
sucessivas dentro do solo, com intensidade decrescente com o tempo.

Isso intensificava a onda de choque artificialmente em todo o domínio, e


consequentemente o efeito de borda, ou seja, a reflexão da onda de choque nas
laterais do domínio, fazendo com que houvesse o estranho efeito da junção e
expelimento dos elementos no centro (Figura 4.6a) e, após a queda dos mesmos sob
a ação da gravidade, o fechamento da cratera e a formação de um monte (Figura
4.6b), ao contrário do comportamento esperado com base na ocorrência real.

(a) (b)
Figura 4.6 (a) Junção e expelimento dos elementos no centro do domínio e (b) monte formado no
final da queda dos elementos.
Esses resultados fisicamente incoerentes, obtidos mesmo após sucessivas
tentativas de se chegar a um resultado condizente através das análises paramétricas
das micropropriedades do método numérico, mostradas nas Tabelas 4.2 a 4.4, foi que
levaram à conclusão de que as equações [2.11] e [2.12] não eram adequadas para
representar o fenômeno no MED. Passou-se então a adotar a estratégia de
Shahnazari et al. (2010), que também utilizaram o MED. Utiliza-se a equação [2.11] e
as equações [2.17] para fornecer a pressão gerada no ar no momento da detonação, e
que atinge os elementos que representam a superfície do solo. E os efeitos e a
propagação destes no meio são calculados pelo programa através das forças de
interação entre as partículas.
O entorno da carga é discretizado radialmente, ou seja, em ângulos de 0 a
360º, buscando os elementos mais próximos no passo de tempo estabelecido na
direção dada, que vão sofrer as forças e os deslocamentos oriundos da pressão
gerada pela explosão. Estes primeiros elementos, por sua vez, irão transmitir forças e

101
deslocamentos aos demais elementos em sua vizinhança, e assim por diante fazendo
com que a onda de choque se propague por todo o domínio.

O detalhe é que só sofrem esses primeiros efeitos da explosão, os elementos


cujos centros estiverem na linha da força gerada pela mesma, no momento da
detonação, conforme mostra a Figura 4.7 abaixo.

2
1

TNT 3

Figura 4.7 – Os elementos 1 e 3 sofrem os efeitos diretos da explosão e o elemento 2 não.

4.2 RESULTADOS COM O NOVO MÉTODO


A seguir são mostrados os resultados com o novo método de cálculo da
pressão gerada pela explosão, bem como, com a nova maneira da propagação da
onda de choque em todo o domínio modelado como solo descrito acima, ou seja, a
nova maneira pela qual os elementos transmitem suas forças e movimentos uns aos
outros.

4.2.1 Primeiros resultados


Na ausência de ensaios experimentais no presente trabalho, foram escolhidos
experimentos numéricos da literatura aberta a respeito do tema e validados com
ensaios de campo. Isso, para efeito de comparação a fim de se ter uma noção de erro
ou acerto. Embora esses trabalhos tenham sido realizados em outro tipo de solo, isso
é irrelevante, pois segundo Luccioni et al (2009) afirmam, com base em trabalho
anterior realizado por Luccioni e Ambrosini (2007), para formação do diâmetro da
cratera as propriedades mecânicas do material em questão pouco importam, mesmo
influenciando na propagação da onda no meio.

Portanto, os cenários inicialmente escolhidos para a análise do


comportamento do processo explosivo foram os tempos de: 3, 6, 12 e 17 ms, para
comparar com os resultados obtidos por Luccioni et al (2009) em suas simulações, e o

102
cenário de 97,6 ms, para permitir a comparação com os resultados de Iturrioz e Riera
(2001).

Todos os modelos foram simulados com os seguintes parâmetros


empiricamente escolhidos:

kn = 1 x 10-4;

cn = 1 x 10-1;

ct = 1 x 10-3;

precisão = 1 x 10-7 s;

diâmetro dos elementos = 2 mm e 4 cm

n° de elementos = 23018

Foram adotadas cargas com os seguintes pesos: 1 g, 5 g, 10 g e 50 g de


TNT, sendo analisados os efeitos causados pela explosão nos cenários que se
seguem.

O domínio do modelo para a realização das simulações foi mostrado na


Figura 3.6, sendo constituído por uma região retangular com 11,5 m de altura e 3 m de
largura, em que os elementos discretos maiores ocupam uma região retangular com
1,5 m de profundidade e 3 m de largura dentro da qual existe um subdomínio de 0,5 m
de profundidade por 0,3 m de largura ocupado por elementos de 2 mm. Essa
discretização foi feita para se ter uma melhor conformação e propagação da frente da
onda, conforme mostra a Figura 4.8 (simulação da fase preliminar), bem como, um
resultado mais condizente com a realidade que é o expelimento dos elementos soltos
no instante inicial, fato que não ocorreu na simulação mostrada na Figura 4.8. A carga
está localizada no ponto central do domínio, posição (0, 0), e a 2 cm acima da
superfície do solo.

103
Figura 4.8 - Frente de onda bem delineada - experimento realizado na fase 2 das simulações
preliminares

Então, antes de tudo decidiu-se deixar o material (os elementos) assentarem


sob a ação da gravidade levando à formação de caminhos preferenciais como
realmente ocorre na natureza. Isso é mostrado na Figura 4.9.

Figura 4.9 - Caminhos preferenciais na diagonal e fronteira entre os elementos de tamanhos


distintos em 0 segundos

Como está mostrado na Figura 4.10, esse procedimento levou à ejeção dos
elementos nos primeiros instantes: 0,75 ms, bem como a densidades de energia
cinética diferentes nas diagonais, justamente aonde se apresentaram os caminhos
preferenciais (vazios). E se o meio em questão influencia na propagação da onda,
então é perfeitamente aceitável que isso aconteça.

104
Figura 4.10 - Propagação da onda e ejeção dos elementos em 0,75 ms com 1 g de TNT

As dimensões das crateras em 3 ms para as referidas cargas utilizadas são


mostradas na Tabela 4.5 abaixo.

Tabela 4.5– Dimensões da cratera para as diferentes cargas em 3ms

diâmetro
w (kg) profundidade da
da
TNT cratera (m)
cratera (m)

0,001 0,24 0,05

0,005 0,36 0,1

0,010 0,45 0,1

0,050 0,42 0,1

Cabe esclarecer que as dimensões das crateras foram medidas por


diferenças de coordenadas entre uma lateral da cratera e a outra sempre tendo como
base a superfície do terreno, ou seja, y=0, que também serviu como referência para a
medição da profundidade.

Dos resultados da tabela acima, nota-se que com o aumento da carga o


diâmetro da cratera foi aumentando até a carga de 10g e, por fim, diminui. Isto é
devido principalmente ao aumento da reflexão da onda na borda do modelo por conta
do aumento da carga. Isto pode ser observado e, portanto, melhor compreendido nas
Figuras 4.11 e 4.12.

105
Figura 4.11 - Escala de cores da densidade de energia cinética dos elementos discretos do VISED

(a) (b)

(c) (d)
Figura 4.12 - Cenários em 3 ms para as diferentes quantidades de carga: 1, 5, 10 e 50 g de TNT

Já em 17 ms as dimensões da cratera são mostradas na Tabela 4.6 que se


segue.

Tabela 4.6 – Dimensões da cratera para as diferentes cargas em 17 ms

w (kg) diâmetro da profundidade da


TNT cratera (m) cratera (m)

0,001 0,30 0,09

0,005 0,35 0,12

0,010 0,33 0,09

0,050 0,32 0,10

Dos instantes das simulações analisados até aqui, este é o qual percebe-se
que houve uma oscilação no diâmetro da cratera conforme o aumento da carga.
Percebe-se que neste tempo de análise, a partir do cenário que retrata a tentativa de
se modelar o efeito da explosão com 5g de TNT, os diâmetros das crateras passam a
diminuir embora a carga explosiva aumente. Isso mostra que o efeito da reflexão da

106
onda na borda se fez mais intenso com o transcorrer do tempo, associado ao aumento
da carga, conforme se pode ver na direção que os elementos se deslocam
observando-se as Figuras 4.13 e 4.14.

Figura 4.13 - Escala de cores representativa da direção dos elementos discretos do VISED

Figura 4.14 - Direção dos elementos em 17 ms para w = 0,01 kg de TNT

A Tabela 4.7 a seguir mostra as dimensões de análise das crateras em 97,6


ms, tempo de análise da simulação que Iturrioz e Riera (2001) apresentaram em seu
trabalho.

Tabela 4.7 – Dimensões da cratera para as diferentes cargas em 97,6 ms


diâmetro profundidade
w (kg)
da da
TNT
cratera (m) cratera (m)

0,001 0,26 0,16

0,005 0,22 0,13

0,010 fechou fechou

0,050 fechou fechou

107
Nota-se que com o transcorrer do tempo se concretizou a tendência mostrada
de fechamento das crateras geradas pelas cargas maiores, conforme mostra a Figura
4.14.

Nível original do terreno; y=0

Figura 4.14 – Cenário para uma carga de 10g de TNT em 97,6 ms

Os elementos com maior densidade de energia cinética (J/Kg – cor violeta)


mostrados na figura acima, aparentemente formando uma cratera, são na verdade
elementos expelidos, estando acima do nível original da superfície. Isso é resultado da
reflexão entre os elementos de tamanhos distintos – diferença de massa – e efeito de
borda que são potencializados com o aumento da carga.

Conforme se pode observar, o aumento da carga e o transcorrer do tempo


levam ao fechamento da cratera nas simulações, conforme se pode observar
principalmente quando se analisa o instante de 97,6 ms com as cargas de 10 e 50 g
de TNT, onde há o fechamento total das crateras. Essa tendência de fechamento fica
bem clara no modo direção mostrado na Figura 4.15, na qual se pode observar para
onde os elementos estão se movendo.

108
(a) (b)

(c) (d)

Figura 4.15 – Crateras em 97,6 ms após a detonação no modo direção de visualização dos
elementos para as cargas de TNT: (a) 1 g, (b) 5g, (c) 10g e (d) 50 g.

E para averiguar se o programa apresentava alguma coerência, escolheu-se


o tempo de 3 ms, no qual o efeito de borda se faz menos pronunciado, para verificar
se com o aumento da carga haveria o aumento da cratera. Não houve a preocupação
nesta fase da pesquisa ainda em que houvesse concordância das dimensões das
crateras das simulações com as dimensões informadas na literatura, o objetivo era
apenas verificar a coerência qualitativa de representação do fenômeno. Para tal
observe-se a Figura 4.16.

109
(a) (b) (

(c) (d)
Figura 4.16 – Crateras em 3 ms após a detonação para as cargas de TNT: (a) 1 g, (b) 5g, (c) 10g e
(d) 50 g.

Aparentemente, até a carga de 10 g de TNT houve aumento no diâmetro da


cratera, porém para a carga de 50 g de TNT, a maior, houve uma diminuição,
justamente por conta da maior quantidade de energia liberada e consequentemente
uma maior reflexão na borda. Com o transcorrer do tempo, há uma intensificação
desse efeito para todas as cargas.

Outra análise interessante é a de se averiguar a evolução do diâmetro da


cratera com o tempo para uma mesma carga.

Para tal, foi escolhido o resultado obtido para a carga de 10 g de TNT, por
conta de ser entre todas as outras a que melhor evidencia todo o processo de abertura
e fechamento da cratera como mostra a Figura 4.17. Pois as duas menores não
chegam a fechá-la, e a carga de 50 g já inicia o processo de fechamento no primeiro
instante de análise: 3 ms, conforme se pode ver na Tabela 4.1.

110
(a) (b)

(c) (d)

(e)
Figura 4.17 – Aumento da cratera com o transcorrer do tempo para a carga de 10g de TNT: (a) 3
ms, (b) 6 ms, (c) 12 ms, (d) 17ms e (e) 97,6 ms.

Nas imagens da Figura 4.17, houve um aumento no diâmetro da cratera até o


instante de 12 ms e a partir do instante seguinte (17 ms), praticamente imperceptível
na imagem. Esse processo vai se sucedendo até que no último instante analisado
(97,6 ms) a cratera já está totalmente fechada, no nível original do solo.

O que se pode concluir desses resultados é que o efeito de borda foi


significativo, além de que a diferença no tamanho dos elementos e,
consequentemente, em suas massas, embora da mesma densidade, também
constituiu uma barreira dificultando a mistura entre os mesmos e, portanto,
intensificando o efeito da reflexão, já que os elementos menores ao colidirem com os
maiores são literalmente repelidos, justamente por conta da diferença de massa.

Nas Figuras 4.18 e 4.19, pode-se observar que após a fronteira entre os
elementos, a densidade de energia cinética é bem menor. E a aparente cratera

111
formada é na verdade um grande conjunto de elementos expelidos, pois seu fundo
está acima da superfície inicial do solo.

elementos acima do nível


original do solo

Figura 4.18 - Simulação em 40 ms com a carga de 1 g de TNT

elementos acima do nível


original do solo

Figura 4.19 - Simulação em 50 ms com a carga de 1 g de TNT

A simulação com a carga de 5 g parece que produziu o efeito intermediário,


ou seja, as reflexões com os elementos maiores bem como com a borda não foram tão
fortes ao ponto de fazerem a cratera fechar. A energia cinética que passou pelos
elementos maiores foi maior do que a reflexão, e ao mesmo tempo, não foi tão forte ao
atingir a borda e voltar para ocasionar o fechamento do local explodido.

112
Para as cargas de 10 g e 50 g o fechamento foi por conta principalmente do
efeito de reflexão na borda do domínio.

Resumindo, os experimentos numéricos realizados até aqui no presente


trabalho, condizem com a literatura sobre a relação do diâmetro da cratera formada
pela detonação com a quantidade da carga explosiva. No entanto, o tempo de
simulação também se mostrou uma questão chave para as simulações, já que isso
ocasiona uma maior ou menor intensificação do efeito de borda, influenciando na
estabilização da cratera. Por conta disso, foi feita uma nova série de simulações.

4.3 RESULTADOS FINAIS


Com base na análise apresentada, ficou claro o quanto o efeito de borda
causado pela reflexão das ondas influenciou nos resultados. Concluiu-se então que
seria melhor fazer a análise das simulações até 2 ms, objetivando minimizar ou
mesmo eliminar esse efeito negativo e até mesmo o ruído característico do método
numérico em questão. Os resultados obtidos são mostrados a seguir.

4.3.1 Evolução do Diâmetro da Cratera com o Tempo para


Diferentes Cargas
A seguir são mostrados nas tabelas 4.8 a 4.11 os resultados da evolução do
diâmetro da cratera até 2 ms para as diferentes cargas explosivas de 1g a 50g de
TNT.

Tabela 4.8 – Dimensões da cratera para a carga de 1 g de TNT para diferentes tempos

Tempo diâmetro da profundidade da


(ms) cratera (m) cratera (m)

0,025 0,091 0,023

0,050 0,150 0,032

0,075 0,141 0,040

1,000 0,173 0,045

1,500 0,181 0,052

2,000 0,195 0,055

113
Percebe-se que houve um aumento gradual do diâmetro e da profundidade
da cratera com transcorrer do tempo, o que para até 2 ms é coerente já que Luccioni
et al. (2009), dizem que 20 ms é tempo suficiente para a formação de uma cratera.
Nos tempos de 0,75 ms e 1 ms (Figura 4.21) a profundidade da cratera foi de
praticamente 1/4 do diâmetro, resultado que condiz com a literatura.
Nota-se o aumento no diâmetro da cratera e avanço da frente da onda de
choque principalmente quando se compara os tempos de 0,5 ms com 1,5 ms (Figuras
4.20a e 4.20d).

(a) (b)

(c) (d)

Figura 4.20 - Crateras formadas por 1 g de TNT nos seguintes tempos: (a) 0,5 ms; (b) 0,75 ms; (c) 1
ms e (d) 1,5 ms.

114
Tabela 4.9 – Dimensões da cratera para a carga de 5 g de TNT para diferentes tempos

Tempo diâmetro da profundidade da


(ms) cratera (m) cratera (m)

0,025 0,119 0,039

0,050 0,174 0,054

0,075 0,209 0,063

1,000 0,245 0,070

1,500 0,292 0,071

2,000 0,304 0,084

Nos quatro primeiros tempos da Tabela 4.8, para 5g de TNT, a profundidade


ficou a aproximadamente 1 cm de 1/4 do diâmetro; em 1,5 ms praticamente
correspondeu a essa proporção, e no último tempo a diferença foi grande se
comparada com as outras.
Para as cargas explosivas de 10g e 50g de TNT os resultados também
mostram consistência no aumento das dimensões da cratera com o avanço do tempo,
como mostram as Tabelas 4.9 e 4.10.
.
Tabela 4.10 – Dimensões da cratera para a carga de 10 g de TNT para diferentes tempos

Tempo diâmetro da profundidade da


(ms) cratera (m) cratera (m)

0,025 0,155 0,042

0,050 0,192 0,060

0,075 0,234 0,066

1,000 0,261 0,075

1,500 0,312 0,082

2,000 0,340 0,084

Mais uma vez fazendo a análise da relação entre a profundidade e o diâmetro


da cratera para 10g de TNT (Tabela 4.9), em 0,5 ms ficou bem longe; 1 ms a
profundidade ficou a 1 cm do que deveria; em 0,75 ms a mesma ficou a 7 mm do que

115
deveria; em 1,5 ms a 4 mm do que deveria, e por fim em 2 ms a 1 mm do que deveria.
Ou seja, os resultados mostraram-se satisfatórios.

Tabela 4.11 – Dimensões da cratera para a carga de 50 g de TNT para diferentes tempos

Tempo diâmetro da profundidade da


(ms) cratera (m) cratera (m)

0,025 0,157 0,042

0,050 0,196 0,060

0,075 0,240 0,073

1,000 0,265 0,078

1,500 0,304 0,085

2,000 0,342 0,083

Na mesma análise da relação entre profundidade e diâmetro da cratera para


a carga explosiva de 50g de TNT (Tabela 4.10), de 0,5 ms a 1,5 ms a diferença ficou
na faixa de 9 a 13 cm, mas para os tempos de 0,25 ms e 2 ms, a diferença foi só de 3
mm.

4.3.2 Evolução do Diâmetro da Cratera com o Aumento da


Carga em diferentes Tempos
Neste ítem, pretende-se analisar se há uma correlação entre o aumento da
carga e o aumento nas dimensões da cratera em cada tempo. Para isso foram
escolhidos alguns tempos / instantes que são mostrados nas tabelas 4.12, 4.13, 4.14 e
4.15.

Tabela 4.12 – Dimensões da cratera variando a carga para o tempo de 0,25 ms


diâmetro profundidade
w (kg)
da da
TNT
cratera (m) cratera (m)

0,001 0,091 0,023

0,005 0,119 0,039

0,010 0,155 0,042

0,050 0,157 0,042

116
Tabela 4.13 – Dimensões da cratera variando a carga para o tempo de 0,5 ms
diâmetro profundidade
w (kg)
da da
TNT
cratera (m) cratera (m)

0,001 0,150 0,032

0,005 0,174 0,054

0,010 0,192 0,060

0,050 0,196 0,060

Tabela 4.14 – Dimensões da cratera variando a carga para o tempo de 1 ms


diâmetro profundidade
w (kg)
da da
TNT
cratera (m) cratera (m)

0,001 0,173 0,045

0,005 0,245 0,070

0,010 0,261 0,075

0,050 0,265 0,078

Tabela 4.15 – Dimensões da cratera variando a carga para o tempo de 2 ms


diâmetro profundidade
w (kg)
da da
TNT
cratera (m) cratera (m)

0,001 0,195 0,055

0,005 0,304 0,084

0,010 0,340 0,084

0,050 0,342 0,083

Conforme se pode observar nos resultados contidos nas tabelas 4.12 a 4.15
acima, houve um aumento dos diâmetros das crateras com o aumento das cargas em
todos os tempos para medição, mostrando estarem condizentes com a literatura e,
portanto, satisfatórios.

4.3.3 Comportamento da Densidade de Energia Cinética com


o Tempo
As medições dos valores da densidade da energia cinética (J/kg) com o
tempo foram realizadas no eixo central do domínio e até a metade do mesmo, de 5 cm
em 5 cm, e com base na escala de valores mostrada na Figura 4.11, portanto valores

117
sem precisão mas que dão uma noção de quão energizados cineticamente os
elementos estão. Essas medições só foram realizadas para as cargas de 1g e 5g de
TNT.

A Figura 4.21 abaixo mostra a comparação entre os históricos das


densidades de energia cinética dos elementos localizados nos três primeiros pontos
de medição sob a influência das cargas de 1 g de TNT e 5 g de TNT.

tempo (s) tempo (s)


(a) (b)
Figura 4.21 – Gráficos para comparação entre os históricos de densidade de energia cinética nos
pontos de medição sob a influência das cargas de: (a) 1 g de TNT e (b) 5 g de TNT.

Em ambos os gráficos da Figura 4.21 (a) e (b), não é possível observar o


histórico da densidade de energia cinética na superfície (z = 0m), porém em 0,2 ms
para as duas cargas a densidade de energia cinética é de 6 J/kg (Tabela Anexo I), ou
seja a máxima. A partir do instante seguinte (0,4 ms), realmente não existem mais
pontos medidos pois vários elementos dessa cota já foram expelidos. Sendo esse o
motivo de não haver gráfico na superfície para a carga de 5 g de TNT, pois já no
primeiro instante de medição vários elementos já foram expelidos por conta da maior
quantidade de energia liberada.
Em 5 cm o gráfico para 1g de TNT da Figura 4.22(a) apresenta 3 pontos com
densidade de energia máxima nos três primeiros instantes e só. Justamente por conta
do transcorrer do tempo os elementos são expelidos. Para a carga de 5 g só é
possível realizar a medição, que foi valor máximo, no primeiro instante (t = 0,2ms),
depois os elementos também foram expelidos.
E na profundidade de 10 cm, para a carga de 1 g de TNT os três primeiros
instantes estão com a energia máxima, depois há um decaimento praticamente
exponencial para o próximo instante, o que seria de esperar de acordo com a

118
literatura, para então haver um aumento (pico) na densidade de energia, seguido de
nova queda exponencial e voltar a subir de novo. Esses picos na densidade de
energia após as quedas exponenciais se devem provavelmente ao choque entre os
elementos de menor diâmetro e massa com os elementos maiores e com maior
massa, gerando essa reflexão. Já para a carga de 5 g de TNT, a energia se mantém
máxima em todos os instantes, justamente por conta da maior quantidade de energia e
consequentemente maior tempo de atuação.
O comportamento observado nos dois gráficos está coerente, principalmente
quando comparados um com o outro e reforçado pela tendência de decaimento
exponencial mostrado pelo gráfico da carga de 1 g de TNT, para a profundidade de 10
cm.
É possível que os valores da energia máxima sejam maiores do que os
medidos, mas para se comprovar tal suposição, ter-se-ia que adotar uma escala com
valores maiores para então se fazer tal afirmação.
Na Figura 4.22 abaixo é mostrado o comportamento da densidade de energia
cinética para as cargas de 1 g de TNT e 5 g de TNT nas medições feitas dentro do
intervalo de profundidades de 0,30 m a 0,40 m.

(a) (b)
Figura 4.22 – Gráficos para comparação entre os históricos de densidade de energia cinética no
intervalo de 0,30 m a 0,40 m de profundidade sob a influência das cargas de: (a) 1 g de TNT e (b) 5
g de TNT.

Para a análise dos gráficos acima expostos, primeiramente vale lembrar que
na profundidade de aproximadamente 0,30 m é o local onde fica a fronteira entre os
elementos maiores e os elementos menores, levando a crer ser esse o motivo da
quantidade maior de oscilações e com amplitudes maiores nessa cota, em relação às
outras, tanto para a carga de 1 g de TNT quanto para a carga de 5 g de TNT. A subida
da densidade de energia cinética a partir de 1,6 ms para a carga de 1 g de TNT

119
possivelmente ocorreu por conta dos choques entre os elementos nessa fronteira, e
pode ter sido potencializada pela reflexão vinda da borda do fundo do domínio.
Interessante também destacar que o comportamento para as duas cargas foi
semelhante, mas para a carga de 5g de TNT (Figura 4.23(b)), a subida da densidade
de energia cinética ocorre nos três pontos de medição.

Por fim, na Figura 4.23, será analisado o comportamento da densidade de


energia cinética nas últimas profundidades de medição, ou seja, até a metade do
domínio.

(a) (b)
Figura 4.23 – Gráficos para comparação entre os históricos de densidade de energia cinética no
intervalo de 0,60 m a 0,75 m de profundidade sob a influência das cargas de: (a) 1 g de TNT e (b) 5
g de TNT.

Os gráficos mostrados na Figura 4.23 para as duas cargas evidenciam o


comportamento dos elementos que representam a massa de solo. Observando-se,
como mostrado na Figura 4.22, que em profundidades maiores do domínio a
densidade de energia cinética gerada pela onda de choque é menor e, portanto, os
elementos de solo ficam mais estáveis, como por exemplo, em 0,75 m, para o qual o
histórico de densidade de energia tende a ser o mais baixo.
Esse fato está plenamente de acordo com a literatura, que diz haver uma
atenuação da onda à medida que esta se afasta da fonte. Com exceção do ponto z =
0,60m em 0,4 ms para a carga de 5 g de TNT, que apresentou um pico muito alto. Mas
deve-se lembrar que dois fatores podem ter contribuído para este resultado anômalo
individual: a) o MED é um método que produz bastante ruído de fundo, e b) a medição
dos valores foi feita a partir de uma escala de cores, portanto, com baixa precisão.

120
4.3.4 Comportamento da Densidade de Energia Cinética com a
Profundidade
Assim como no ítem anterior, as medições dos valores da densidade da
energia cinética (J/kg) com o tempo foram realizadas no eixo central do domínio e até
a metade do mesmo. Essas informações foram coletadas também de 5 cm em 5 cm e
com base na escala de valores mostrada na Figura 4.11, portanto, também são
valores sem precisão mas que dão uma noção de quão energizados cineticamente os
elementos estão conforme a onda de choque penetra no solo. E mais uma vez, como
no ítem anterior, essas medições só foram realizadas para as cargas de 1g e 5g de
TNT.

Abaixo é mostrada na Figura 4.24 a comparação entre os perfis das


densidades de energia cinética dos elementos ao longo da profundidade de medição
nos tempos indicados, sob a influência das cargas de 1 g de TNT e 5 g de TNT.

(a) (b)
Figura 4.24 – Gráficos para comparação entre os perfis de densidade de energia cinética até 0,75 m
de profundidade no intervalo de tempo de 0,8 ms a 1,2 ms sob a influência das cargas de: (a) 1 g
de TNT e (b) 5 g de TNT.

O que se pode primeiramente notar nos gráficos acima, é que todos


começam a partir de 10 cm, ou seja, para o menor tempo em questão (0,8 ms), os
elementos que representam o solo foram todos expelidos acima dessa profundidade.
Acima de 0,30 m, região dos elementos menores, há uma oscilação maior da
densidade de energia cinética, por conta do efeito da barreira de diferença de massa
entre os elementos, como já mencionado no ítem anterior, principalmente para a carga
de 1 g de TNT a qual desprende menor quantidade de energia e, portanto há uma
maior reflexão dos elementos menores.

121
Para a carga de 5 g de TNT, percebe-se que a densidade de energia se
mantém máxima para praticamente todos os tempos, quando comparada com a carga
de 1 g de TNT, justamente pela maior quantidade de energia liberada, até a fronteira
dos 0,30 m de profundidade, a partir da qual há uma queda brusca. Esse efeito ocorre
para as duas cargas em questão, mostrando que a energia que segue deve ser muito
menor do que a refletida. A limitação da escala utilizada pode ser também observada
nos resultados para 5g de TNT, em que o valor máximo é sempre de 6J/kg em todas
as profundidades e todos os tempos.

Percebe-se também que abaixo dos 0,30 m, onde o domínio é maior, há


menos oscilação na densidade de energia por conta de uma maior área para a
dissipação da mesma. E que para algumas profundidades a energia em 0,8 ms é
máxima, o que seria de se esperar, mas em outras isso não acontece. Nessa região,
abaixo dos 0,30 m, seria de se esperar que para uma determinada profundidade a
densidade de energia fosse decaindo de 0,8 ms para 1,2 ms porém, não foi o que
aconteceu, mostrando mais uma vez que isso possa ser, conforme observado por
Asaf, Rubinstein e Shmulevich (2006), oriundo da característica ruidosa do MED uma
vez que os elementos são muito maiores do que as partículas reais de solo.

Somado ao fato de que uma onda explosiva possui movimentos nas duas
direções com pressão e subpressão, gerando oscilações em um mesmo ponto. Nota-
se também que as oscilações se mostraram maiores, tanto em intensidade quanto em
frequência, na simulação feita com a carga de 5 g de TNT do que para a carga de 1 g
de TNT, parecendo potencializar o efeito de borda e os ruídos por conta da maior
energia liberada.

122
5 - CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA
ESTUDOS FUTUROS

5.1 - CONCLUSÕES

Diante do conhecimento levantado na literatura, pode-se chegar às seguintes


conclusões:

• O fenômeno da explosão gera ondas de choque que realmente alteram


drasticamente o solo, produzindo uma cratera e criando uma zona de ruptura e
outra de plastificação ao redor do centro de detonação, o que se encaixa
perfeitamente com os resultados encontrados por Silva (2010a) em seus testes
geofísicos de eletrorresistividade em uma área de destruição de munição;
• As tensões geradas, embora sejam dependentes da quantidade da carga
usada, chegam habitualmente a níveis muito superiores aos considerados pela
Engenharia (700 kPa) - em explosões chega-se a 1 GPa com certa facilidade,
e todo o processo estabiliza em centésimos de segundos. Trata-se, portanto,
de uma solicitação dinâmica muito diferente dos carregamentos dinâmicos
usualmente considerados em Engenharia, de terremotos e carregamentos
cíclicos. A literatura carece de estudos experimentais e teóricos sobre o
comportamento dos solos sob esse tipo de carregamento e, portanto, de
parâmetros adequados para aplicação em modelos numéricos do problema;
• Em particular a influência da poropressão deve ser significativa, tendo em vista
o tempo do carregamento, que deve ser não drenado mesmo para solos
granulares. Alguns poucos trabalhos procuraram estudar a relação entre os
efeitos da explosão e o teor de umidade/grau de saturação do solo. Medições
reportadas na literatura indicam que o impulso gerado e a energia transferida
pela onda de choque são maiores no solo saturado do que no solo seco para a
mesma carga explosiva. E outro trabalho observa que a areia saturada mostra
um comportamento mais próximo ao da água pura do que ao da mesma areia
seca para experimentos de detonação de minas enterradas. A umidade do solo
parece ser um fator contra a segurança sob o aspecto dos impactos gerados
pelas explosões.
• Segundo a literatura, as propriedades mecânicas do solo não influem no
diâmetro da cratera formada, mas sim na propagação da onda (alcance e
velocidade). Os testes e observações de campo reportados indicam que o

123
diâmetro da cratera é função, sobretudo, da carga explosiva, mas varia
também com relação à distância do artefato explosivo da superfície do solo (no
ar, próximo à superfície ou enterrado). Espera-se, no entanto, que o volume de
solo impactado além da cratera seja fortemente influenciado pelas
propriedades do solo, já que este impacto é decorrente da ação das ondas de
choque geradas pela explosão;
• Quando a onda de choque encontra outro meio de densidade diferente, parte
dela reflete e a outra parte continua a se propagar na mesma direção, só que
ambas com intensidades diferentes. Portanto, a estratigrafia local com suas
características de heterogeneidade deve influenciar significativamente o
processo;
O processo de ajuste do programa e os resultados obtidos para o seu estágio
atual de desenvolvimento permitiram chegar às seguintes conclusões:

• O método dos elementos discretos (MED), escolhido para a modelagem do


problema, mostrou-se capaz de simular o fenômeno de explosão corretamente,
do ponto de vista qualitativo de visualização do processo. Por se tratar de um
trabalho inicial de desenvolvimento da ferramenta, não foi possível ainda fazer
a verificação quantitativa;
• Uma das dificuldades encontradas neste estágio inicial foi a definição dos
elementos e das propriedades microscópicas e parâmetros correspondentes
para o solo. Como as propriedades dos solos são determinadas em
experimentos com medição do comportamento macroscópico, e o método
trabalha com as forças atuantes entre as partículas (escala microscópica) e é
muito recente (década de 70), é muito difícil ainda estabelecer a relação entre
as propriedades do solo nas duas escalas. Trata-se de um assunto ainda em
elaboração no meio científico. No trabalho foi adotado para simplicidade um
material fictício granular, homogêneo, isotrópico e sem umidade.
• Quanto mais discretizado o domínio melhores são os resultados em qualquer
método. No caso do MED, em que o meio é representado por elementos
independentes (partículas), a utilização do tamanho real dos grãos inviabilizaria
a modelagem pelo custo computacional. Assim, os elementos do modelo
representam na verdade aglomerados de grãos do solo de referência, e é
preciso um esforço de otimização entre as dimensões do domínio e o tamanho
do elemento, de forma a alcançar um número máximo de elementos que
viabilize a simulação; O fenômeno da explosão traz ainda outra dificuldade,
decorrente da magnitude da energia gerada no processo, que é o alcance dos

124
efeitos da explosão no meio circundante. O trabalho confirmou a observação
da literatura, de que a modelagem da explosão requer condições de contorno
das fronteiras do domínio que consigam simular uma extensão infinita, o que é
muito difícil de obter em qualquer método numérico. No trabalho, foi adotado
um domínio pequeno (de apenas 3,0m de largura por 1,5m de profundidade em
solo, e 8,5m de altura acima da superfície). Por esse motivo as cargas
explosivas tiveram que ser igualmente pequenas, variando entre 1g de TNT a
50g de TNT;
• Mesmo adotando fronteiras absortivas das partículas em movimento, estas não
foram suficientes para evitar a reflexão das ondas de choque nos limites do
domínio. Dessa forma os elementos recebiam, a partir de um certo instante
(entre 1ms e 2ms), uma energia adicional que não ocorre no problema real que
se pretende modelar, a menos que exista um obstáculo. Estas reflexões se
mostraram nas imagens dos deslocamentos das partículas e nos gráficos de
variação da densidade de energia cinética com o tempo;
• Também em consequência da fronteira absortiva na borda superior do domínio,
não foi possível representar o efeito do retorno das partículas inicialmente
lançadas ao ar para o interior da cratera (fallback). Seria necessário aumentar
consideravelmente o limite superior do domínio para conseguir representar
esse efeito em particular;
• Para fazer a simulação da explosão próximo à superfície pelo método dos
elementos discretos, é preciso aplicar a detonação no ar no instante zero e
resolver as forças e os deslocamentos gerados entre as partículas do solo a
partir desse instante. Esta foi a estratégia adotada neste trabalho e em outros
trabalhos da literatura utilizando o MED, inclusive com pacotes comerciais;
• As simulações mostraram o aumento do diâmetro da cratera com a magnitude
da carga explosiva aplicada, como esperado, e em geral também foi obtida a
proporção de profundidade de ¼ do diâmetro, como reportado na literatura,
com algumas variações;
• Os gráficos de densidade de energia cinética mostraram o efeito das reflexões
na fronteira entre os elementos de diferentes tamanhos (sobretudo para a
menor carga explosiva de 1g de TNT) e nas bordas a partir de 1,6ms após a
detonação. As oscilações com o tempo em cada profundidade parecem refletir
as oscilações de movimento características do fenômeno até este tempo;
• De acordo com a análise qualitativa dos resultados obtidos, conclui-se que o
programa em desenvolvimento pode levar a resultados bem consistentes com
os encontrados na literatura, se for solucionado o efeito de borda e a questão
125
de compatibilização das dimensões do domínio e do tamanho dos elementos
com o custo computacional;
• Finalmente, conclui-se serem verdadeiras as palavras de Pöschel e Schwager
(2005) quando disseram que os conhecimentos em Engenharia assim como
em Computação cada vez aumentam mais, portanto está ficando mais difícil
ser usuário e programador; e que na verdade esses problemas para serem
resolvidos por modelagens e simulações devem ser realizados por uma equipe
multidisciplinar. No presente trabalho esta foi a chave para se alcançar os
resultados obtidos.

5.2 - SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

As sugestões que ficam para o prosseguimento dessa pesquisa são:

 Aprofundar o entendimento do problema, que é complexo, entendendo a sua


dinâmica e buscando adotar parâmetros dinâmicos do solo ao invés de
estáticos como foi feito no presente trabalho;
 Pesquisar a possibilidade de utilização de equações de estado para o cálculo
da pressão gerada pela explosão, pois parecem ser mais coerentes com a
realidade do que as fórmulas empíricas adotadas, bem como para o caso de
explosões ativas no solo que é o caso em questão ao contrário do que se
utilizou - fórmula para explosão passiva;
 Pesquisar novas geometrias para o modelo de maneira a diminuir ou até
eliminar o efeito de borda;
 Testar a maior discretização do domínio o quanto mais possível versus o
aumento do custo computacional;
 Investir mais tempo na pesquisa sobre como eliminar o efeito de borda nas
condições de contorno das fronteiras, que é o grande limitante atualmente na
obtenção de melhores resultados, para depois então se fazer uma análise
paramétrica das micropropriedades pertinentes ao método numérico
empregado;
 Testar o modelo para simulação de uma condição de carregamento mais
simples, como um ensaio triaxial, para investigar a relação entre propriedades
do solo em escala macroscópica e microscópica;
 Testar a aplicação de um modelo comercial que utilize outro método numérico
considerando o solo como um meio contínuo, para comparação.

126
 Projetar e realizar um teste de campo em areia com instrumentação adequada
(acelerômetros, transdutores de pressão, termopares, medidores de impulso)
para obtenção de dados reais para calibração do modelo.

127
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134
APÊNDICE 1

RESULTADOS DAS SIMULAÇÕES PARA A VARIAÇÃO DA


DENSIDADE DE ENERGIA CINÉTICA COM O TEMPO

Tabela A.1.1 - Variação da Densidade de Energia Cinética com o Tempo para as diversas
profundidades de medição com a carga de 1 g de TNT

tempo(ms) / prof.(m) 0 -0,05 -0,1 -0,15 -0,2 -0,25 -0,3 -0,35 -0,4 -0,45 -0,5 -0,55 -0,6 -0,65 -0,7 -0,75

0,2 6 6 6 6 2,5 4,5 1 1,8 0,4 0,3 0,2 0,1 0,1 0,2 0,1 0,1

0,4 6 6 6 1,8 4 3 1,2 0,85 1,1 1 0,1 0 0,2 0,7 0,9

0,6 6 6 6 3 1,5 1,8 0 0,1 0 0,1 0,3 0,2 0,2 0,1 0,2

0,8 2 5 0,1 0 3 1,2 1,2 1,3 1,2 0,7 0,5 0 0,2 0,3

1 3 6 4,3 4 1,2 0,8 0,9 0,8 0,8 0,6 0,8 0,6 0,5 0,5

1,2 1 0,1 1,8 0,5 1,2 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,5 0,3

1,4 0,2 1 1,5 1 0,4 0,9 0,8 0,9 0,9 0,8 0,9 0,9 0,8 0,7

1,6 0,3 0,3 1,8 1,3 0,1 0,8 0,8 0,9 0,8 0,8 0,8 0,7 0,7 0,8

1,8 0,6 0,8 0,7 1,2 1,8 0,6 0,7 0,8 0,7 0,8 0,8 0,7 0,6 0,7
2 2,5 0,2 0,1 1,2 3 0,5 0,6 0,7 0,5 0,5 0,6 0,6 0,6 0,5

* As células vazias representam os lugares onde os elementos foram expelidos

Figura A.1.1 - Gráfico da Variação da energia Cinética com o Tempo para as profundidades de 0,15
m, 0,2 m e 0,25 m para a carga de 1 g de TNT.

135
Figura A.1.2 - Gráfico da Variação da energia Cinética com o Tempo para as profundidades de 0,45
m, 0,50 m e 0,55 m para a carga de 1 g de TNT.

Figura A.1. 3 - Gráfico da Variação da energia Cinética com o Tempo para as profundidades de 0,60
m, 0,65 m, 0,70 m e 0,75 m para a carga de 1 g de TNT.

136
Tabela A.1.2 - Variação da Densidade de Energia Cinética com o Tempo para as diversas
profundidades de medição com a carga de 5 g de TNT
tempo (ms)/prof. (m) 0 -0,05 -0,1 -0,15 -0,2 -0,25 -0,3 -0,35 -0,4 -0,45 -0,5 -0,55 -0,6 -0,65 -0,7 -0,75
0,2 6 6 6 3,7 4,5 6 4,7 6 0 0 0 0 0,1 0,1 0,1
0,4 6 6 6 0,5 1,8 5,5 4 2,5 1,7 4,5 6 0,6 0,2 0,4
0,6 6 6 6 5 6 0 0,1 0,25 0,1 0,2 0 0,1 0,3 0,4
0,8 6 6 6 5 2,4 0,2 0,3 1,1 1,8 2 1 0,9 0,2 0,5
1 6 6 6 6 6 1 1,1 0,5 1 0,5 0,6 0,2 0,9 0,2
1,2 6 6 6 2,8 6 1,2 1 1,8 0,9 0,2 0,5 0,9 0,5 0,2
1,4 6 5,8 4,5 3 1,8 1,8 1,7 2 0,9 0,1 0,9 0,9 0,8 0,2
1,6 6 2,5 3 0,3 0 0,7 1,1 1 0,7 0,1 0,3 0,3 0,4 0,4
1,8 6 0,3 1,8 0,1 1,1 1 1 1 0,3 0,2 0,3 0,4 0,5 0,3
2 6 1,8 4 1 1,3 0,9 1 0,4 0,4 0,1 0,4 0,4 0,5 0,4

Figura A.1. 4 - Gráfico da Variação da energia Cinética com o Tempo para as profundidades de 0,15
m, 0,2 m e 0,25 m para a carga de 5 g de TNT.

Figura A.1.5 - Gráfico da Variação da energia Cinética com o Tempo para as profundidades de 0,45
m, 0,50 m e 0,55 m para a carga de 5 g de TNT.

137
Figura A.1.6 - Gráfico da Variação da energia Cinética com o Tempo para as profundidades de 0,60
m, 0,65 m, 0,70 m e 0,75 m para a carga de 5 g de TNT.

138
APÊNDICE 2

RESULTADOS DAS SIMULAÇÕES PARA A VARIAÇÃO DA


DENSIDADE DE ENERGIA CINÉTICA COM A PROFUNDIDADE

Tabela A.2.1 - Variação da Densidade de Energia Cinética com a Profundidade nos diversos
tempos de medição com a carga de 1 g de TNT
prof.(m) / tempo (ms) 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1,8 2
0 6
0,05 6 6 6
0,1 6 6 6 2 3 1 0,2 0,3 0,6 2,5
0,15 6 6 6 5 6 0,1 1 0,3 0,8 0,2
0,2 2,5 1,8 3 0,1 4,3 1,8 1,5 1,8 0,7 0,1
0,25 4,5 4 1,5 0 4 0,5 1 1,3 1,2 1,2
0,3 1 3 1,8 3 1,2 1,2 0,4 0,1 1,8 3
0,35 1,8 1,2 0 1,2 0,8 0,7 0,9 0,8 0,6 0,5
0,4 0,4 0,85 0,1 1,2 0,9 0,7 0,8 0,8 0,7 0,6
0,45 0,3 1,1 0 1,3 0,8 0,7 0,9 0,9 0,8 0,7
0,5 0,2 1 0,1 1,2 0,8 0,7 0,9 0,8 0,7 0,5
0,55 0,1 0,1 0,3 0,7 0,6 0,7 0,8 0,8 0,8 0,5
0,6 0,1 0 0,2 0,5 0,8 0,7 0,9 0,8 0,8 0,6
0,65 0,2 0,2 0,2 0 0,6 0,7 0,9 0,7 0,7 0,6
0,7 0,1 0,7 0,1 0,2 0,5 0,5 0,8 0,7 0,6 0,6
0,75 0,1 0,9 0,2 0,3 0,5 0,3 0,7 0,8 0,7 0,5

* As células vazias representam os lugares onde os elementos foram expelidos

Figura A.2.1 - Gráfico da Variação da Energia Cinética com a Profundidade para os tempos de 0,2
ms, 0,40 ms e 0,60 ms para a carga de 1 g de TNT.

139
Figura A.2.2 - Gráfico da Variação da Energia Cinética com a Profundidade para os tempos de 1,4
ms, 1,6 ms, 1,8 ms e 2 ms para a carga de 1 g de TNT.

Tabela A.2.2 - Variação da Densidade de Energia Cinética com a Profundidade nos diversos
tempos de medição com a carga de 5 g de TNT

prof. (m)/tempo (ms) 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1,8 2
0
0,05 6
0,1 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6
0,15 6 6 6 6 6 6 5,8 2,5 0,3 1,8
0,2 3,7 6 6 6 6 6 4,5 3 1,8 4
0,25 4,5 0,5 5 5 6 2,8 3 0,3 0,1 1
0,3 6 1,8 6 2,4 6 6 1,8 0 1,1 1,3
0,35 4,7 5,5 0 0,2 1 1,2 1,8 0,7 1 0,9
0,4 6 4 0,1 0,3 1,1 1 1,7 1,1 1 1
0,45 0 2,5 0,25 1,1 0,5 1,8 2 1 1 0,4
0,5 0 1,7 0,1 1,8 1 0,9 0,9 0,7 0,3 0,4
0,55 0 4,5 0,2 2 0,5 0,2 0,1 0,1 0,2 0,1
0,6 0 6 0 1 0,6 0,5 0,9 0,3 0,3 0,4
0,65 0,1 0,6 0,1 0,9 0,2 0,9 0,9 0,3 0,4 0,4
0,7 0,1 0,2 0,3 0,2 0,9 0,5 0,8 0,4 0,5 0,5
0,75 0,1 0,4 0,4 0,5 0,2 0,2 0,2 0,4 0,3 0,4

140
Figura A.2.3 - Gráfico da Variação da Energia Cinética com a Profundidade para os tempos de 0,2
ms, 0,40 ms e 0,60 ms para a carga de 5 g de TNT.

Figura A.2.4 - Gráfico da Variação da Energia Cinética com a Profundidade para os tempos de 1,4
ms, 1,6 ms, 1,8 ms e 2 ms para a carga de 5 g de TNT.

141
142